Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

1

Os dois aprenderam muito rapidamente o português.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. no entanto. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. começaram a faltar peças. Assim. Eu era advogado deles. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. Aliás. ela não foi planejada. tivemos uma governanta russa.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. eles tinham o apoio da Klabin. que também desistiu. diziam que eu ia ser advogado. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. do tempo do nazismo. Não pensava em formar qualquer biblioteca. Bom. mas de leitura corrente. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. Ciência e Tecnologia. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. Quando é que começou esse amor pelos livros. tornando-me assim sócio da empresa.Meus pais falavam russo apenas entre si. principalmente à Sala São Paulo. E já que o problema era o capital. Comecei.Nunca pensei também em ser empresário. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. Mas esse não era o plano. com eles. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. porque como eu falava muito. só que dirigida também para os livros.tanto que a nossa língua em casa era o português. Lia-se muito em nossa casa. que. Não pensava em formar qualquer biblioteca. Eles chegaram em 1936. acabei aderindo ao empreendimento. sim. e saíram do país por caminhos diferentes. ao que se sabe. Na época. O interessante é que. para se encontrarem em Nova York. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. preparei a documentação e. como aconteceu por um curto período. Foi quando vieram para o Brasil. em 1910. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. Quanto aos livros. A empresa começou muito pequena. mas foi crescendo. uma empresa. perderam-se de vista. falei com um amigo meu.à última hora desistiu do negócio. eles .Mas esse não era o plano. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. Então. Não havia um presidente. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. no fim. a ler e a biblioteca resultou de leitura. mas sempre em harmonia. ou seja. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. Respondilhe que não queria participar. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. eram apenas amigos. tenho ido.de novo por acaso.pelo menos não naquela ocasião. No mais. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. O senhor. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. talvez eu consiga entrar no negócio”. que era meu amigo. que falava francês perfeitamente. Essa história é verdadeira? É verdadeira. na Rússia. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. cada um fazia uma coisa. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. porém. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. De que origem eram seus pais? De origem russa. não de livros raros. Vieram para o Brasil em 1910.

mas política era assunto proibido. o Le Figaro. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. Ou seja. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. em 1878. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. que começou a conversa sobre a questão de tortura. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. entre eles o Antonio Cândido. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. que hoje são reverenciados. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”.a Renina Katz. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. não vamos falar mais nisso”. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. já está havendo um começo”. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. no sábado a gente sempre ia para lá. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. naquele mesmo dia. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. Só se falava de literatura. Fiquei no cargo por quase um ano. eu disse que achava que não dava para aceitar. de coisas amenas. o que naturalmente eu fiz. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. Mas aí eu lhe disse: “Olha. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. de teatro. mas ela não tem a aprovação popular. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen.O Fábio Comparato era. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. Por exemplo. que era como a secretaria se chamava na época.na casa do Plínio Doyle. denominado “Sabadóyle”. Mais tarde comecei a encontrá-los. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde.o Celso Lafer. uma série de edições raras. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. de fato. o Décio de Almeida Prado. Com tudo isso. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. provas que não foram publicadas. mas o que ele tinha no escritório. que era uma livraria de literatura francesa. a ele e ao Pedro Nava. Então consultei uns amigos. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. Não vou negar que exista. diretor da empresa. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. Ciência e Tecnologia. vamos ser claros. na época. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. um tal de Porto Seguro. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. mas insisto que não tem apoio popular. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. mas enquanto conversava. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. Ela respondeu que não. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. ENTREVISTA Mas. foram para o Chile. Além disso. Ao longo desses anos. A pessoa respondeu que. Explica-se. existe tortura sim no Brasil. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro.visconde de Porto Seguro”.

sobre o tupi-guarani. porque era meio caro. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. um telegrama de um livreiro amigo. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. mas foi uma revolução. E com a Metal Leve. por exemplo. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. é um grande livro que serve à história do mundo. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Recentemente. Era uma documentação original das autoridades portuguesas.Na verdade. E de Portugal. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. Dela se conhecem 18 exemplares. por exemplo. assim por diante. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso.Quando cheguei lá eram 180 volumes. mas ele queria o pagamento à vista.. um dia. que é um dos exemplos do que foi o livro. Um que é o Livro de Horas de 1480. ele já tinha 95 anos e estava de cama. Ademais. venderam para o tal português chamado Assunção. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. Como não havia arquivo naquela época. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. Então veio pelo correio.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. Mas. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. Detalhe: entre 1455. já que as populações eram analfabetas na sua maioria. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. Voltei com quatro malas. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. quando estive lá. E isso não se deve fazer nunca. É. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. com a invenção dos tipógrafos. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. Recebi. foi a certidão de nascimento do Uruguai. na verdade. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. Tenho a primeira edição de Camões. mas não podia recusar e comprei. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. que era tenente. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. os descendentes de um dos protagonistas. depois o número 3. bém a comprei por acaso. Possuo. que uma hora era de Portugal. me oferecendo preferência na aquisição. buscando tecnologia própria. Tenho.. Ora.todos em grandes bibliotecas. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. enfim. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. escrito em pergaminho. Eu acabei tendo as duas edições. anos depois fazia o número 2. . abriram-se novos horizontes. 92 quilos de peso. A gramática do Anchieta. brasileiras e algumas argentinas. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. Enfim. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular.800 ilustrações. Não tive dúvidas. outra hora era da Espanha. uma difere da outra com pequenas variantes. holandês. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. comparada à revolução da informática. outra que está à esquerda.

Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. Almério Melquiades de Araújo Profa. Papel do miolo: Couché opaco 70 g.com. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova. verniz de máquina capa/contra-capa. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes. No eixo educação. Victor Sonnenberg Profa. eletrônico ou impresso.br . Walkiria Barone Fotolito. A FAT mais uma vez procura.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. Estamos procurando fazer a nossa parte.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. à bioética e à Produção Mais Limpa. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof. Silvia Regina Lucca Prof. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof.com. Dr.com.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra.com. com ênfase na sua grande paixão. Dr.br Todos os direitos reservados.br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra. sem autorização prévia. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15.tel. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra. capa: Couché opaco 150 g. Na questão da responsabilidade social.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. Yolanda Silvestre Prof.com.1807-9687 Rua Três Rios. Folha Imagem.: 11 6958-1310 policom@uol. Número de páginas: 48.SP . muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos. os livros. Acabamento: lombada canoa.br Diretor-presidente da FAT. Dirceu D’Alkimin Telles Prof.com. Remo Alberto Fevorini Profa.Bom Retiro São Paulo . Dr. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia.cj. 42 . tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra. formato aberto: 416 x 273 mm. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof. Dr. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. Manoel A.com. os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. por meio da divulgação de matérias.com. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN . 4x4 cores. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação.Número 3 .br Fotos Júlio Hilário. César Silva Diretor Administrativo Prof. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof. da Silva. pesquisas e prestação de serviços de assessoria. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. Em tecnologia abordamos. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof. 131 . É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A. por meio de sua revista.ester@uol. entre outros.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . responsabilidade social e ética & educação. Dr.612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . Dr. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. incluindo capa.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . assuntos relacionados à nanotecnologia. Impressão: Offset. levar informações ricas e atualizadas. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam. pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin. Nesta edição. Dra.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível.

2005 .NÚMERO 3 . 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II .ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”.Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA. 1976 óleo sobre tela. diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto . TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. Fonte: CERN (http://microcosm. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante. Assim.web. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos. um detalhe da mosca (10 -2).web. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). lembrando um favo (10 -4). O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm.assim. onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. Macro. QUADRO 1 . a base deste sensor (10 -7).ch/microcosm).Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo. Micro e Nano . a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado.totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente. Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se. o olho da mosca e detalhes deste órgão.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento. o olho da mosca.escalas. Em outras palavras. A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9).cern. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1). 1].ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 .cern. como a industrial ou a da tecnologia da informação. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica.A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. diferente destas. um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). No entanto.

nanopartículas contra alergias. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. novas possibilidades de reciclagem. em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. Como mencionado anteriormente. sistemas de observação miniaturizados. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. São as chamadas tecnologias convergentes. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. está sujeito a interações com o mundo exterior. Alternativamente. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. nanocompósitos resistentes a fogo. veja Quadro 5). o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. como física. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. como demonstra o Quadro 6. pneus mais duráveis. tecidos mais leves e rígidos. Além disso. circuitos eletrônicos mais eficientes. são as grandes propulsoras. certamente. novos métodos de limpeza de dentes. como a natureza está acostumada a fazer. kits de autodiagnóstico. proporcionalmente. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos.Além disso. vidros resistentes a fogo. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. materiais para regeneração de ossos e tecidos. processos otimizados de micro e nanorreação.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 . telas planas. microarranjos para sistemas de análise de DNA. novos tipos de bateria. sistemas de comunicação wirelesss. Em todas elas. dispositivos MEMS. elétricas e magnéticas. portanto. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. química e biologia. novos sistemas de visualização não invasivos. fotossíntese artificial. junto com tecidos convencionais. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. Nanotubos de carbono. Primeiramente. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. células de combustível. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. plásticos não inflamáveis. a nanometrologia. implantes totalmente biocompatíveis. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada.veja Quadro 3). diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. aumento na velocidade de processamento da informação. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. podemos imaginar medicamentos que. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. Nessa escala tem-se. arranjos protéicos para diagnóstico. molécula a molécula. ministrados a um paciente. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. embora exista uma gama gigantesca de aplicações.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. e é conhecida como abordagem “top-down”. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. novos processos de fabricação.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). como o próprio coração. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). tecidos que repelem manchas em tecidos. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo.

o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. conforme a ilustração à direita. para certas tarefas.2 0. Para isso. Ele é construído em materiais supercondutores. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 . chamada de quantum de fluxo magnético.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. dimensões nanométricas. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Para se ter uma idéia. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. cerca de 0.6 0. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0.QUADRO 3 . por exemplo. na atualidade.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro).dependendo do tipo de aplicação desejada. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. Nessas condições. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. em 2001. etc. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético.. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. por um magneto). O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. 0 0. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. entre outros. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la. Como exemplo. Por outro lado. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. Quando comparados com outros países.8 Nanotecnologias”. Os quadrados em ouro são terminais de contato. ela se divide entre os dois ramos do anel. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. para sua operação. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). como o nióbio. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno.4 0. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. Assim. Em essência. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. ordenar palavras. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. como mostrado na (Figura a seguir). como somar números.

Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. de displays planos. 3]. os institutos de pesquisa e a indústria. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. em um arranjo hexagonal. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. 2] . Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano. ablação via Laser e deposição por vapor químico.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. Por isso. foi realizado. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). em que a produção de emulsões é etapa crucial. Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. em São Paulo. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. com vistas à formação de recursos humanos. de sensores e de atuadores. evaporação de solvente ou separação de fases. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica. deverão investir fortemente em (N & N). o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . mas. por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N).braço fundamental da (N & N). Seu comportamento mecânico. É importante ressaltar que a microtecnologia. cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. de transistores. comparáveis a suas contrapartes internacionais. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados.Nanotec 2005. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. O governo está apoiando esse esforço. QUADRO 5 . Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. afetando características importantes do produto como estabilidade. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. elétrico e magnético é diferenciado. juntamente com a exposição internacional de projetos. com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. produtos e materiais nanotecnológicos. dentro de suas possibilidades. Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. ótico. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco.

mecânica. eletrônica. Israel e Brasil –. quando aplicada às ciências da vida. criação. manipular ou imitar os sistemas biológicos. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. Desta forma. fabricado com moléculas. etc. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. recebe o nome de nanobiotecnologia. universidades e institutos de pesquisa. Microtecnologia A Microtecnologia. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. ótica. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. Esta. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. Deste encontro. com dimensões típicas de 0. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia.Durante o evento. biomedicina.realizado em 5 de julho último. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. Ex. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. para integrar e miniaturizar dispositivos. devem examinar. vidro. representando países distintos – Estados Unidos. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. como: silício. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. a nanotecnologia. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. cerâmica e polímeros. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. Essa convergência tecnológica. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . conhecida principalmente devido à Microeletrônica. com a presença de quatro palestrantes. Os desafios são inúmeros. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. Está composto de prótons. processos químicos. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões. síntese. baseando-se em princípios de microfluídica. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. se diferencia-se da nanotecnologia. Está composta de átomos. a introdução de um processo contínuo. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. da biotecnologia. dado que se ocupa de estruturas atômicas.1 a 100 mm. empresas. manipulação e aplicação de materiais. O átomo é a menor entidade química. que articulem a cooperação efetiva entre governo. quando adequadamente coordenada. Nanotecnologia É o estudo. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. Inglaterra. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. biotecnologia. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente.1–100 nanômetros. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. projeto. componentes e microssistemas. magnetismo. nêutrons e elétrons. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . com o estabelecimento de parcerias estratégicas. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção.000 nanômetros. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. processos térmicos. para aplicações em: acústica. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. Prevê-se que os aspectos sociais.

com/ d www.nanotechbriefs.br/noticias/noticia. There’s plenty of room at the bottom. na atualidade.pdf em 05 de Dezembro de 2004). EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 . o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.comciencia. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais. Henrique. Por outro lado.iqm. É.mct.caltech.br/temas/nano/ d www. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro). SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.com d www. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi. H. permitindo uma integração muito desejável. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente.cientifica. http://www.com. 2004. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers. e a abordagem “bottom-up”. (Disponível em http://www.usp. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior.br/ Sites no exterior: d www..S.smalltimes. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA. Esses métodos evoluíram separadamente.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado.br d www.br/Temas/Nano/prog_nanotec.ufsc. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt.gov. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química. R. QUADRO 7 .br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. a médio prazo.. 2004. (1959). www. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.its.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA. May.unicamp.gov.pgmat.br d www.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”. Washington D.com. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA.inovacaotecnologica. 104 p.org d www.fapesp.foresight. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www.inovacaotecnologica.com/html/Reports/publications.br/nano/ d http://lqes. 2004.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0.mct.C.edu/~feynman/plenty. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www.

As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses. SP.vêm de longe e têm aumentado com o tempo. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. (São Paulo. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 .Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase.01. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior. 05. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. Resumidamente. 14h00.2003.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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Accor Brasil.Ambev (antiga Brahma).”. segundo a mídia especializada. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. esse princípio envolve “. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo.. verifica-se claramente que. Carrefour. no contexto dos EUA. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas. Motorola.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. Petrobrás. . no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. 1998). mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. Banco do Brasil. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho.”. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. Unimed. no início de 2003. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston.. por meio de pesquisa.. XXVII).. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA.realizar parcerias com universidades. com relação ao mercado americano. sendo provável que já existisse um número bastante superior. No Brasil. em 1955. Sabesp.nos EUA. pela General Electric. 2005). Fiat. entre outras.no sentido de realizar a formação dos seus empregados. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. McDonald’s. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs. Segundo a autora. No contexto brasileiro. Leader Magazine. p. Na década de 1950. Ao que tudo indica. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho.Abril e TAM. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. CEF. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país. Porém... Segundo Meister (1999. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas.Atualmente. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. com o lançamento da Crotonville. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil. Segundo a autora. conseguiu-se identificar. Ainda segundo essa autora. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil.

num total de 45 empresas. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. havendo.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. Learning & Performance . seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. Entretanto. com 25% das indicações cada. 45% são bastante recentes. a partir de então. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. possuir Universidade Corporativa. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. conforme se verifica no Gráfico 2. com 38% das indicações. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . sem. no entanto. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. aqui agrupadas sob a marca PUC. totalizando 20 empresas. tendo sido criadas nos últimos quatro anos. Gráfico 2 . As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. DE 90 NA DÉC. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa.

percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. observando-se mais criteriosamente. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. Por outro lado. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. (São Paulo. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. Palavras como “competência”. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. mais adiante. no que diz respeito às desvantagens. familiares. público em geral. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias.nos clientes (11%) e nos familiares (8%).Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. setores afins e estudantes/bolsistas.bem como o custo elevado da parceria. as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la.2003. 24.01. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se. formadores de opinião. nos funcionários (67%).conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. entretanto. Por outro lado. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente. Segundo. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. concessionários. Eduardo Tubosaka. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. clientes. Primeiro. declarada por 96% dos respondentes. com a qualidade que elas esperam. Quanto ao investimento em familiares. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. SP.O gerente de marketing e vendas da Sony. fornecedores. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens.

br Mestre em Administração pela FEA-USP.2000.. São Paulo: Makron Books.São Paulo:FEA-USP . o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias. Nov. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas.ano X. EBOLI. Muito embora os resultados do presente estudo. and Growing a Successful Program. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil.Tese (Doutorado em Administração) . FISCHER. FLEURY.Marisa et al. As pessoas na organização. 2000. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil. ____________. MEISTER. ____________. pp. ____________.ed. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. contra 34. In:FLEURY. Jeanne C. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. A pesquisa aponta.elearningbrasil. Lindolfo Galvão de. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . ALBUQUERQUE.Cristiane. Maria Tereza L. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa.. asp?id=2348. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. São Paulo: Schmukler Editores. Mark. acesso em 22 jul. FLEURY. 2002.62% das que não possuem UC.br/home/noticias/clipping.Obtido no endereço http://www.com.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo. 35-36. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais.Jun.Maria Tereza Leme et al. 1999. ALLEN.114. 2001. São Paulo:Atlas. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. 1999. Human Resource Management International Digest. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema. Quase 500 universidades corporativas no Brasil. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência. por imposição das limitações metodológicas. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador.Ten Steps to Creating a Corporate University. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. March/April 1999. girando em torno de 2. André L.dade cultural e do seu negócio. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. como por exemplo. Entretanto. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante.5 parcerias por empresa. 1998. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais. Afonso. professor universitário.Educação Corporativa. 2002.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários.Beth. São Paulo: Gente. The Corporate University Handbook: Designing. portanto. 1998.com. Managing. Este é. o número médio de parcerias por empresa. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas.2002. Mark Allen Editor. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force. Conforme ficou evidenciado. New York: McGraw-Hill. pp. Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra. consultor em Administração.2005. O estudo revelou que 78. 38-43.Faculdade de Economia. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. entretanto. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. voltados à capacitação de pessoas. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos. ____________. ____________. Revista T&D. Training & Development. ALPERSTEDT.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC. São Paulo.

TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A.

em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. suportados por novas tecnologias.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. calcados na tecnologia da Internet. pela busca constante da excelência na administração pública. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. pública ou privada. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). Alcançar um estado de eficiência. Novas tecnologias podem ser adotadas.I. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 . Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção.Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). por parte da sociedade. requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações. A nova organização. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. A T. em um passado relativamente recente. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. especialmente. em decorrência. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. Isso exige a absorção.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems). certamente. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. ser uma utopia. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. agilidade. O que parecia. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo. agora está se tornando possível. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. vivendo um momento especial na história. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel).

e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. em que predominaram a busca pela otimização de processos. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. se estendendo além das fronteiras da organização. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade.I. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo. que muitas vezes se inviabilizaram. com menores custos operacionais e muito maior efetividade. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. 1ª GERAÇÃO DE T. a “máquina pública” completamente reconfigurada. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos.I.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. mas ainda mais para organismos de governo. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. o impacto é muito mais profundo. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. entre tantos outros: .I. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. Nesta nova “onda”. melhor atendimento ao cidadão. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. estamos.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. agora. se ações proativas forem realizadas. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. Na terceira onda. para efeito desta análise. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. entre outras grandes mudanças. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. desde melhor gestão de recursos. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T. com altos impactos sobre eficiência.a primeira remonta aos anos 1920. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. configurando o que. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. dentro de poucos anos. Poderemos ter.

consideram-se cinco os estágios de e-government. no Brasil. mais flexíveis.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. Infelizmente. basicamente.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. que pode ser acessada sem identificação. ainda há uma tendência. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. No Brasil. por medo de qualquer tipo de sanção. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. na medida em que os sistemas de informações se integram. logo. de outro. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. em que o governo pode.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. pela participação que o setor público tem no produto nacional. em relação a outros países ou à iniciativa privada. Segundo. maior conhecimento das ações governamentais.porque. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações).I. o setor público consome. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. assim. a comunicação de retorno. Por exemplo. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. de um lado. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. Neste estágio. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. solicitação e preenchimento de formulários. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. suportados por novas tecnologias. a partir de qualquer “cyber café”. para suportar os processos envolvidos. já ocorre a comunicação bidirecional. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. o que se promove. de cargos públicos a serem preenchidos. etc. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. Terceiro. conteúdos de interesse No 1º Estágio. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico. entre tantos outros exemplos. direta ou indiretamente.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. e. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. fóruns de discussão. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. estágios que um organismo de governo pode explorar. criando-se. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. muito mais facilmente. isto é. mais de 40% dos recursos totais existentes. A Internet. desvios e corrupção. disseminação. Primeiro. Finalmente. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . em geral de muito baixo nível. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. ágeis e de menores custos operacionais. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. e talvez mais importante ainda. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. seja na forma de perguntas e respostas. desvios e corrupção. a disseminação de notícias. de licitações do governo. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. atualmente.

ocorrem transformações de outra natureza. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. inclusive as integrações com a sociedade. Essa nova disciplina. são grandes. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. se tivéssemos processos completamente integrados. Numa situação desse tipo. as fraudes. mas pela obrigatoriedade de. o que. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. suportada por padrões e ferramentas poderosas.Business Process Management. em geral tratadas fora deles. é possível ter um grau de transparência muito elevado. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. não só pelos registros ali contidos. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. materiais ou de quaisquer outras naturezas. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. por trabalho humano. Além disso. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. há erros ou falhas de lançamento. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. mais importante. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. É. pois. entre tantos outros serviços possíveis.porque são especializados demais. para cada lançamento. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. Já em processos integrados e desfragmentados. também. a bancos. como ilustra a figura a seguir. seja internalizada nesses processos. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. neste estágio. por si só. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. com menor carga de supervisão e controle e. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. Com a integração de processos. antes praticamente impossível. Da mesma forma. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. concessão de licenças e autorizações. com ferramentas integradas em BPMS .integrando-se a processos de outros organismos de governo. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão.Business Process Management . é o BPM . no caso de governo. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. sejam esses fluxos financeiros. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. relativamente simples. que agrega diversas tecnologias específicas. anomalias indicadoras desses desvios. muito maior atenção é dada a essas operações. ter-se contrapartida. registro eletrônico de autoria e patentes. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas.

The Real-Time Enterprise . NORBERTO A. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. 4. 13. 2003.por exemplo. SMITH. pendências registradas e controladas.Chichester. decisões tomadas. Roger.12. 269. Chicago.). p.Vol. BPM: no just for the big kids on the block. 2005. SOA .O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado. projetos gerados. Hamilton: Feb 2004. Business Process Management – The Third Wave. Chicago.Robert. CRN. Chicago. COLMAN. New structures for strategic growth. 3. p. FONSECA. DUBIE.. 77. muito maior agilidade. CMA Management. Is. p. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas. 957. Sep 29.isto é. ERASALA. Ulrich. 4. KM World . Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. plebiscitos eletrônicos. 2005.. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. 2005. etc.The Brainstorm BPM Conference. documentos associados. Manhasset.Vol. 51. p. 45. 1.Accelerating BPM with Business Rules. 21. Denise. Iss.poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. 2005.e não para o benefício daqueles que governam. Por meio de tecnologias orientadas a processos.V. Jericho. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. JP. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo.com. Iss. Vol. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. 2004. p. V . __________________. European Journal of Information Systems. proporcionando maior transparência. Howard & FINGAR. 57. S4. KM World. Judith. REMUS. históricos.The Future of BPM. 2003. WETTENHALL.Vol. p. Barbara. Idort/PMSBC.Ken. XI Congresso de Informática Pública Conip.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. 2002. Integrating processes: The next Nirvana. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias.The Brainstorm BPM Conference. Beyond integration. Jan 2004 . etc. Bruce.BPO meets BPM . 3. Chicago. redução de fraudes. TORRES.desvios e descontrole.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. 13. Com essa abordagem.The Brainstorm BPM Conference. Peter. ORR. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions. Peter & BELLINI.. através de processos. orçamentos participativos. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. PUCCINELLI. Com processos inteiros.V. Dordrecht: Sep.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores.All or Nothing. IDG/Computerworld – Brasil. Norberto A. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. 10. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo.Systems. 2003. 237.Barbara von. 2005 __________________. na área de Contratos/ Projetos/ Obras. 41. p. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 . HALLE. MORGENTHAL. Chee Wee & PAN. Guarujá.Oct 2003 . TORRES natorres@uol. 2005 VOLMER. p. Naveen. Public Organization Review.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. TAN. 2003 .The Brainstorm BPM Conference. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. 2003 . Oscar Adolfo. 1064. a partir de critérios como datas-limite.V. LAMONT. DARROW. São Paulo.The power of process. Iss.30. Ken. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. Issue 9. Shan L. 2005.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. 2003 . Network World. InformationWeek.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. como. 8-9. Dec 22-Dec 29. Joseph. Chicago. Sep 29. Meghan-Kiffer Press. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. Presidente da Unicomm Integração de Negócios. Charles. etc. 12. Is. Issue 1. Chicago. SILVER. Meghan-Kiffer Press. condições de exceção. I. Knowledge and Process Management.Forrester Research. p. Framingham.. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS).br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). 18.. altamente suportados por tecnologia. Oct/Dec 2003 . WALL. Leveraging Process Modeling for Business Value. Processos e Sistemas Ltda. publicada na Revista do Livro Universitário. Robert. Is. Resenha do livro Caminhos da transparência.The Brainstorm BPM Conference. FINGAR.Camden . 2003. Francisco & SANCHEZ. Camden. New Directions in BPMS Technology. 2005. 20.Janet K. p. por exemplo. 9.Basingstoke: Dec 2003. Is.

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo. deixado de lado em vista dos avanços técnicos. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos.corrupção. desperta a singularidade para a sua . a conjunção entre um bios e um ethos. ou melhor. pelo menos. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores. a junção.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. culturais ou religiosas. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e. sobretudo. sociais. No início dos anos 1970. Além de questões políticas. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou.sobre os princípios que regem as sociedades.descrédito das instituições.Crises de governo..falta de compromisso com os eleitores.etc. econômicas. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco. Como uma tendência que nos é natural. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta.

Certamente. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. sobretudo. é também fruição. consegue o seu objetivo. sim. mentiras e verdades. quando temas como a eutanásia são. sobretudo. as comissões. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. Hoje. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. A vida em sociedade é linguagem e. ou seja. dissimulação. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. isto é. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político. a diferença faz a diferença. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro.ambos permanecem o que são: diferentes outros. política ou econômica. como estamos acostumados a entender a união.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. assim. portanto. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. a Bioética já é uma pos- tura. enganos. vasculhar as cavernas do início da civilização. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. é uma relação originária. Somos chamados a cuidar da vida. podemos. a protegê-la. Na realidade. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. depois de um plano meticulosamente elaborado.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público. erros. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade. os cursos. cultural. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. para o que estava além da realidade. uma decisão. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. voltar-se para o que estava no início e. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia.responsabilidade. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. Ao final. tanto na ficção como na vida real. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. O primeiro é uma história fictícia. etc. as tendências de pensamento sobre este assunto. Certamente. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. por conseguinte. geraram-se vários problemas. redescobrir o humano na técnica. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. Em Potter. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. É como se vivêssemos por um fio. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito.Ao mesmo tempo em que é refém. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). os autores que escrevem sobre o argumento. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. cana Terri Schiavo. um dos principais casos estudados em Bioética. mais básica do que qualquer vivência social. uma vocação. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. a promovê-la. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica.como diria Michel Renaud. direito este negado pela própria justiça espanhola. mas para a diferença.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado.

Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência. já contaminados. um ato “criminoso”. vista como uma doença. mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado. de certa maneira. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas. já que a violência voluntária ou vingança é. A Bioética é uma postura. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. pois clama por vingança.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada.etc. com todo contato violento. não hesitam em se expor. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”.A vida depende dessa prevenção. de certa maneira. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. já que a violência voluntária ou vingança é. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. Se todo contato. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. vista como uma doença. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. Por conseguinte. ou seja. na verdade. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. enquanto ainda há tempo. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. da Aids ou das guerras. Neste sentido.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência. a fortiori. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. o sacrifício tem um caráter preventivo. Somos responsáveis por tudo e por todos. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior.vontade e razão. e todos os dilemas que se apresentam. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. uma pré-visão do perigo. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. hostil”. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro.Assim. como um ser capaz de assassínio. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade.ao mesmo tempo. mesmo fortuito. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. Enfim. como diz Girard. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. só os seres já impregnados de impureza. Para o autor.Assim sendo.com.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. convém da mesma forma.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia. isto é.

econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. representam. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. investindo na relação ética. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. visão. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. Em muitos casos. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. seja pela via do estímulo ao voluntariado. práticas de negócio e processos operacionais. seja pela via do investimento social privado. na maioria das vezes. quando tratado de maneira isolada. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. (São Paulo . as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. Esse viés de contribuição. Essas iniciativas. 16. embora relevante. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. na Comissão Brundtland. mas talvez um posicionamento diferente.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação.SP. apesar de apresentarem resultados positivos. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). conseqüentemente.2003. coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 .12. ações pontuais e desconectadas da missão. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann.

Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. O conceito de responsabilidade social empresarial traz.fornecedores.entre outros.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". comunidade. Em outras palavras. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. econômicos e sociais e.09. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. nos processos. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. (São Paulo. Já a sustentabilidade empresarial. na realidade. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo.clientes. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. que a empresa cresça. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. Dito de outra maneira. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. de forma permanente e estruturada.acionistas. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas.meio ambiente. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. conseqüentemente. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. a lógica de mercado. então. Em muitos casos.A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. empresas de saúde. empresas de transporte e mobilidade. e assim sucessivamente. por exemplo. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. As empresas podem.governo e sociedade. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. focando não só no resultado econômico adicionado. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe. os chamados stakeholders – público interno. produtos e. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. Em última análise. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. na Vila Prudente (zona leste de SP). mas também no resultado ambiental e social adicionado. seja rentável e gere resultados econômicos. a partir desse pano de fundo. ainda.2004. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. as empresas automobilísticas. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 . Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. 22. em última análise. Por outras vezes. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. nos modelos de negócio. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. segundo o Instituto Ethos . SP. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem.

erradicação do trabalho infantil. gradualmente. A idéia central da iniciativa é construir. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. pela FEA/USP e em Direito.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . Entre os dirigentes organizacionais.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. Além disso. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. sustentável. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial.2003. que Angélica. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP. 17. tornando-os parceiros neste desafio. de produção. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 .criando uma visão compartilhada do negócio. Para o sucesso dessa empreitada. com mestrado em Desenvolvimento. Para que a mudança na organização seja efetiva. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. com o uso de alternativas inteligentes de consumo.org.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial. pela PUC/SP.12. porém. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos. reutilização e reciclagem de materiais.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável. a empresa melhoraria outros processos. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. {São Paulo . Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução. de longo prazo. pode-se observar um maior nível motivacional.org. Com relação à cadeia de fornecimento. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis.SP. menores índices de turnover e atração de novos talentos. dentre outras). melhoria na distribuição de renda. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. mas de um jeito diferente. Por outro lado. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. sejam elas de comunicação. 16.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. associando a ela valores positivos. 17h32. Digital) vai além do produto tangível. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. Com base nesse diagnóstico. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação. educação. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. Para que o processo se estruture de maneira sólida. pela Universidade de Londres e graduada em Economia.

Contudo. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. 23. SP. incluindo a microfiltração. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas.2004. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 . (São Paulo. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. nanofiltração. que fica no Alto da Boa Vista. osmose reversa e troca iônica.Estação de tratamanto de água. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia.07. da Sabesp. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. o que é conseqüência da baixa demanda. ultrafiltração.

Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. potencialmente. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. 2005). CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. atualmente. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. foram desenvolvidas no início do século XX. possivelmente. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. na maioria dos casos. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. seja de origem doméstica ou industrial. Como exemplo. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. podem estar presentes em um efluente líquido. não atendem às necessidades de regiões específicas. que no Brasil. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. conseqüentemente. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. como é o caso dos Estados Unidos. 1998).com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. Por outro lado. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . e que.

00 0.40 1 -10 0. Como exemplo.20 10.00 25. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados.00 40. • nanofiltração. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução. Isso. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 . sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico. 2.1 .60 CUSTO (US$/M3) . na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior..80 0.por sua vez.001 Nanofiltração 5 -35 < 0. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema.00 50.80 1. Em primeiro lugar. 1998 e MULDER. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. verificase que os processos de separação por membranas. • osmose reversa.Por exemplo.00 45. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana. Como conseqüência.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água.0. 2003): • microfiltração.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala. 1996. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2.001 . 2001). Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia. Em relação ao processo de eletrodiálise.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004.00 20.20 1. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina. Diâmetro do poro (mm) < 0. A baixa competitividade no mercado interno.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.Os processos de microfiltração.00 CAPACIDADE (L/s) 35.00 15.001 Ultrafiltração 0. • ultrafiltração. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas.40 1.1 0. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples.00 30. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas.5 Figura 2 . • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. CHERYAN.ultrafiltração. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 . utilizando-se tecnologias diversas.00 1.

Dentre as opções existentes. Basic Principles of Membrane Technology. DR.Water treatment membrane process. podem vir a se tornar competitivos. No entanto. Kluwer Academic Publishers. McGraw-Hill. REFERÊNCIAS AWWA (1996). Second edition. carvão ativado e oxidação com ozônio.S. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. M (1998). Bureau of Reclamation. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. (São Paulo. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. Water Research Comission of South Africa.pl. Editorial Group Joël Mallevialle. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . CRC Press. U. CAS (2005).tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. Department of Interior (2001). onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. M. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo.American Water Works Association Research Foundation.org/cgi-bin/regreport. SP. acessado em 02/03/2005.cas.Wiesner. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. 31. Chemical Abstract Service. Second Edition. 2003. Ultrafiltration and microfiltration handbook. Peter E.03. Reprinted. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados.Total plant costs for contaminant fact sheets. http://www. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. MULDER. 564 p. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. por exemplo. Odendaal and Mark R.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). The latest CAS registry number and substance count. que realiza análises de água.2004. D8230. CHERYAN. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. Lyonnaise des Eaux. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos.

eficiência econômica e justiça social. O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. advindas basicamente da tomada de consciência. . (Jacareí. Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4). realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92). Este programa de ação internacional. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). 04. 18h.Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP).2002. Foto de Juca Varella/Folha Imagem. busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. por parte dos governos e da sociedade civil.03. SP.dos impactos ambientais por elas causados. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970.

em diversos países. entre outros. Na década de 1990. em seguida. etc. transportes. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. de gestão da informação. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . a gestão de resíduos. Ao longo desses anos. O item 4. a farmacêutica. em diversos tipos de empresa. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial. mostram a eficácia da prevenção. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 . Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. No Estado de São Paulo. Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que.em especial nos que abordam energia. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). toda empresa tenta realizar economias. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. Em 1985. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. por exemplo. de produto e de práticas de housekeeping. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. Por exemplo. se contabilizadas.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). que são a remediação. Evidentemente. Compreensivelmente.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. A reciclagem interna. Dentre esses sistemas. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). são formados: em 1994. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. e.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa. de matérias-primas. poluição esta que se configura como. dentro do próprio processo produtivo.National Pollution Prevention Roundtable). Assim. de gestão da produção. industrializados ou não. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. por exemplo. após eles terem sido produzidos. a química. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. resíduos e transferência de tecnologia. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). organização sem fins lucrativos. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial.sanitária e econômica para todos os países. como o têxtil. o metalmecânico.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. Pesquisas realizadas mundo afora. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. bem como ao uso eficiente destes recursos. como o de gestão do pessoal. o metalúrgico. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). uma ameaça social. o controle e a disposição final dos resíduos. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”.outros grupos se formam. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado.

fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. SP. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. a empresa irá mudar as condições na fonte. é rápido. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. A CIESP. introduzindo matérias-primas mais puras. prevenir na fonte a poluição do ar. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável. em Santo Antônio de Posse (SP).Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. em geral. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte.06. Além de reduzir seus riscos. sua influência e sua capilaridade no interior. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e. Assim. O mais interessante de tudo isso. (Santo Antônio de Posse. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. ou seja. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. através do seu presidente Cláudio Vaz.2001.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. seus instrumentos de divulgação. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. De todo o exposto acima. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. calculando seu retorno financeiro que.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. na própria origem da geração de resíduos. prêmios pagos às seguradoras. produtos e serviços. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. utilizando toda a sua estrutura.reduzir o uso de recursos naturais. estes muitas vezes problemáticos. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. 13. para a empresa. imagem da empresa. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. saúde e segurança do trabalhador. posicionando-se como parceiro do PNUMA .

indústria e meio ambiente. a FAT propõe. 42 .FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria. entre outras • Concursos .SP . entre outras.cj. Meio Ambiente. • Cursos . A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. assim. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra.com. pesquisa e treinamento.Especialização. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação.Vestibular. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico.Bom Retiro . ensino. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso. Saúde. saúde.São Paulo . 131 . desenvolvendo projetos sob encomenda.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 .br Rua Três Rios. Transportes e Indústria. A FAT posiciona-se. estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação.

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). Na seção 3. e. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1).pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. P&D e distribuição) pode ser afetada. Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. por um lado. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. as mudanças estratégicas. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. englobando as áreas de design. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. respectivamente. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. bem como à prática empresarial.marketing e distribuição. tecnológico e organizacional pode ser afetada.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados.desenvolvimento. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). respectivamente. a partir deles. partes e componentes. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. em geral. por outro. design. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. conforme descrito na seção 2 a seguir. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades).INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. Mais especificamente.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. nomeadamente a adequação da política de qualidade. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 .A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). seja em aspectos técnico-produtivos.

Orientação estratégica B . 1 . a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma... Note-se. por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999.Melhoria da qualidade dos produtos F .Pressão de clientes K . . (2) segundo motivo mais importante. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes.Instrumento para permanecer integrada na cadeia I ... clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade.Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D .Assim.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E . com diferentes graus de intensidade.via treinamentos técnicos). bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa.quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. o que pode ter afetado tal percepção. por outro lado. Programa 5S. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos..ainda nesse aspecto. . percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas. por um lado.. de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante. estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET. e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET . Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores. Finalmente. em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas.Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa. cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes.Busca de novos mercados J .. Neste ponto.. investigaram-se os impactos internos e externos associados. ambas as empresas pesquisadas.. 2 .Obrigação imposta pelo governo L . . Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. Em ambos os casos.Aumento da flexibilidade dos processos G .. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto. isoladamente.Melhora da imagem da empresa C . relataram que. Este resultado era esperado. revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade. uso de Ferramentas da Qualidade. 8 3 de educação para a qualidade. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro. aqui. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2).que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total.Melhora da competitividade H . e assim por diante. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET.Essas empresas demonstraram.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . mas integrado a um programa de qualidade ampliado.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. mostrou. Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade. obtido em 2004.

. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. em sua(s) especialidade(s). Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas . de longo prazo. (2) segunda mudança mais importante. em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. de longo prazo. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou .. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. pode-se ponderar. Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. engarrafadores). com sua implementação e manutenção.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. Neste aspecto. mas Estável. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. e assim por diante. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica.. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. inspeção.. Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento.

A despeito das similaridades anteriormente apontadas. marketing e distribuição. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). especialmente na esfera produtiva. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. geografia de mercados atendidos. elo da cadeia de valor. em algum grau.além de aspectos técnicos do produto. especialmente em aspectos técnico-operacionais. que inspiram cuidados na leitura. De fato. neste artigo. sobretudo. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. tais como Assistência Técnica.de modo que passaram a cooperar mais. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. de caráter exploratório. Nesse sentido. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. gestão e. Logística. Ainda a esse respeito. etc. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. Ainda que não apresente representatividade estatística.Já quanto ao método utilizado. No que se refere às primeiras. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. Assim. aqui.) de empresas e utilização de questionários abertos. embora em menor intensidade.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. em aspectos tecnológicos. origem do capital controlador. Tratou-se. por outro. realizada por meio de estudo de dois casos. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. Qualidade. Vendas. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. mas também. o primeiro. organização. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. dependendo. design.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. etc. por um lado. além de funções comerciais (Suprimentos. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . interpretação e utilização posterior dos resultados. com fornecedores e clientes. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. diferentemente deste último. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros. em termos de volume de produção e participação de mercado. Compras.

IDS Working Paper.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos..com. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. Output of the. cabe destacar. Brighton: University of Sussex. 2003.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid.pdf>. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados. portanto. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). 2001. Como foi preliminarmente constatado. Institute of Development Studies. may 2002. Institute of Development Studies. Global quality standards. 13-17 feb.ids. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra... S. Brighton. K. H.construir um ambiente integrado e propício. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. QUADROS. 2003. 2003. Brighton. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. & WÄLTRING. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. Acesso em: 02 jun. 50 p. cultura e recursos humanos. Acesso em: 16 jun. NADVI. infra-estrutura e modo de operação. Brighton: University of Sussex.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. Brighton: University of Sussex. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes. em termos de estratégia e políticas. K. NADVI.ac.ids. 2001.ids. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading.Cabe a cada empresa. F. Em conclusão.Diretoria da Presidência 47 . Disponível em: <http://www. 16 p. 156.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).ac. Global standards: implications for local and global governance.pdf>. Acesso em: 16 jun. Disponível em: <http://www.. [2001]. Proceedings. Institute of Development Studies.. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000. & KAZMI. b) de forma similar. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada. Brighton: Institute of Development Studies. Disponível em: <http://www. Assessora Técnica . aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. 2001. R. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno.ac. [2001]. Com relação às variáveis intervenientes.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY.(menor necessidade de supervisão). Draft for.uk/ids/bookshop/wp/wp156. feb. & SCHMITZ. J. 2001.. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. como características do setor e da natureza do produto..pdf>. n. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. Global standards and local responses. Brighton.

dos impactos ambientais por elas causados. De fato. pa L K sd f gh jk l . ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. ' z x c v bn / m.com alguma seriedade. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. ainda. L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado. seja utilizando qual mídia for. Um dos motivos para isso é que não descobrimos. QW E R YU CV 'X . . o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas. . só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”.tem dúvidas sobre sua eficácia.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação.E RY UIO A SJ M. Como mensurar o quanto os boletins internos.qwert yu VBN io XC ' .por parte dos governos e da sociedade civil. Pessoalmente. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. advindas basicamente da tomada de consciência.

D.recorro a Paulo Freire na conversa.”. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. são marido e mulher. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. mas principalmente ouvir. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento. desperdício de tempo e dinheiro. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. pais e filhos. E com- Comunicação. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona. James Hunters . para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro.Não sem razão. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM.”. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”.Dee Hock. mesmo que por poucos minutos. autor do best-seller O monge e o executivo.antes de mais nada. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano. ops!. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”.é uma atitude. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem. colegas de trabalho.e vale para pessoas e organizações. rádio jornal on-line. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. o diálogo muitas vezes é difícil. videojornal online. etc. todos faríamos. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. melhor dizendo. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando. impressos e eletrônicos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda. Tanto para empresas como para pessoas.Associados.tido. professor e aluno que não se entendem.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias. Para complicar. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo. Fácil fosse. em Nascimento da Era Caórdica. murais físicos e eletrônicos. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. consultorchefe da J.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. Isso exige sacrifício. Dialogar não é apenas falar. internet.que está na lista dos mais vendidos há semanas. Isso vale para os públicos interno e externo. perdão. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações.fundador e CEO emérito da VISA. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”. intranet.).

De novo me apóio em Dee Hock. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP.por exemplo. participação. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. seus princípios. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. de forma integrada e estratégica. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. (Nascimento da Era Caórdica. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. As organizações que têm consciência disso. no método de trabalho ringi. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . Espanha. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. wertyu CV io 'X pa K L. Sabendo mais e melhor. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. Assim. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. o documento volta a passar um a um novamente. seu senso de comunidade. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. DAVI MACHADO davim@uol. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. pela Universidade de Mondragon. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente.com. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. 119). Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. responda e.não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. de forma estratégica.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. de princípios e de valores. Comunicação é troca. busque informações. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. para estimular a participação e difundir valores internamente. Isso torna o processo de decisão lento. já está em processo de decadência e dissolução. pág. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado.br Jornalista. professor da Fundação Getúlio Vargas. . pergunte. ouça. é atitude. explique. mas quando ela é tomada. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. de Paulo Roberto Mota. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. sobretudo. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). Publicidade é divulgação. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. seu significado e seus valores.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. comunique-se.

queijos. planos de previdência privada.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. roupas. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. entre outros. como computadores. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. manter seus clientes. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. cortes de cabelo. no mínimo.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. pães. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. tratamentos de pele. merchandising. Na esteira dos bens e serviços. pastas de dentes. máquinas fotográficas. ginástica e ativos financeiros. iogurtes. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor.

A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. mas não resolve o problema. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. e atributos específicos. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. com seus modelos e marcas historicamente determinados. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. (São Paulo . Mas Do seu lado. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. Provar FIA . recuperação.sadas.br Coordenador de Cursos. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda.com. office-boy do hotel Caesar Park. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica. ou seja. ao lado de seus cinco pares de tênis. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. Além do número crescente de opções àa sua escolha. quando der vontade. Essa liberdade de escolha. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. Pesquisa e Consultoria. pode atenuar. A ancoragem nos atos dos outros. portanto. entre eles um Nike que comprou em três prestações. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. Não surpreende. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. marcas. As ATMs bancárias.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento.

Alguns pais acompanhavam a visita. A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. crianças um pouco maiores. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". No Museu Carnavalet. de história francesa. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. grupos de crianças muito pequenas – de 4.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros.2005.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. na exposição "Cinético_Digital". outras atentamente ouviam as explanações da professora.07. (São Paulo. já na faixa dos 10 anos. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. no Itaú Cultural. em São Paulo (SP). sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. museu dedicado à arte do século XX. orgulhosos. Corriam algumas de um lado para outro. No Centro Pompidou. 01. de Raquel Kogan. como alguns quadros de Kandinsky e Miró. SP. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país.

apresentar-lhes obras e elementos artísticos. de Raquel Kogan. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. com seus acervos permanentes. na exposição "Cinético_Digital". Louvre.com. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. por exemplo.2005. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. que fazem toda a diferença. Com o interesse crescente pelo computador. comunidades. principalmente. . As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. O Instituto Itaú Cultural. mas ainda é pouco. Picasso. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. Cluny. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs.br Médico e escritor. em São Paulo (SP). SP. É urgente um investimento maciço em educação. por exemplo. articulados. No Museu Rodin. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. pode. ainda calcado em elementos humanos e originais. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. mas ali. se não quisermos. 01. (São Paulo. ONGs e institutos. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. adolescentes atentos. em 20 anos. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). a resposta seria o espanto. E. ser uma sociedade completamente insustentável. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. outros tipicamente dispersos. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. tanto em tecnologia quanto em conteúdo. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. com responsabilidade e seriedade. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. dessa condenação sumária.Discordo. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. Marmotan. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. ambos publicados pela Ateliê Editorial. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. somados às mostras temporárias. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". peças de teatro e oficinas. Na cidade de São Paulo.07. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. porém. no Itaú Cultural. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas.em parte. caso houvesse resposta. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. cruzei com uma excursão de estudantes italianos.

por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . R$ 30. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. no âmbito do PRONEX . SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . apoiado pela FAPESP.GALINA Publicação PGT/USP. ele começa a ser reestruturado e. 333 páginas. Está organizado em nove capítulos. Do lado prático. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. iniciando-se com um panorama do setor. V. na forma de projeto temático. vindo a público com esta publicação. é que o estudo. do lado acadêmico. desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços. R. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. do governo e do meio empresarial. sempre se destacou no Brasil. em suas diversas camadas. passa a atrair ainda mais a atenção da academia.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. Em meados da década de 1990. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. segundo modelo próprio adotado. e pelo CNPq.A expectativa.

Brasil Informações: d http://www.org . China Informações: d http://www.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.fia. Brasil Informações: d http://www.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo. Brasil Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.fatecsp.fia.iamot.com.com.

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