Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

1

E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. O interessante é que. só que dirigida também para os livros.Meus pais falavam russo apenas entre si. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. que também desistiu. Eles chegaram em 1936. eram apenas amigos. como aconteceu por um curto período. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. Bom. a ler e a biblioteca resultou de leitura. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. que era meu amigo. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. ou seja. Na época. na Rússia. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. O senhor. que falava francês perfeitamente. Não pensava em formar qualquer biblioteca. tornando-me assim sócio da empresa. no entanto. Então. Mas esse não era o plano. sim. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo.pelo menos não naquela ocasião. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. Quanto aos livros. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. porque como eu falava muito. eles tinham o apoio da Klabin. talvez eu consiga entrar no negócio”. acabei aderindo ao empreendimento. mas de leitura corrente. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. uma empresa. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. e saíram do país por caminhos diferentes. tivemos uma governanta russa. Assim. começaram a faltar peças.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. que. A empresa começou muito pequena. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Quando é que começou esse amor pelos livros. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. Eu era advogado deles.Nunca pensei também em ser empresário. Não havia um presidente.à última hora desistiu do negócio. cada um fazia uma coisa.Mas esse não era o plano. Ciência e Tecnologia. Não pensava em formar qualquer biblioteca. Respondilhe que não queria participar. De que origem eram seus pais? De origem russa. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. porém. diziam que eu ia ser advogado.de novo por acaso. mas sempre em harmonia. Essa história é verdadeira? É verdadeira.tanto que a nossa língua em casa era o português. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. Lia-se muito em nossa casa. preparei a documentação e. falei com um amigo meu. Vieram para o Brasil em 1910. E já que o problema era o capital. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. Aliás. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. perderam-se de vista.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. tenho ido. para se encontrarem em Nova York. ao que se sabe. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. em 1910. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. não de livros raros. do tempo do nazismo. No mais. mas foi crescendo. eles . ela não foi planejada. principalmente à Sala São Paulo. Foi quando vieram para o Brasil. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. Comecei.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. com eles. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. no fim.

Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. que começou a conversa sobre a questão de tortura. em 1878.o Celso Lafer. o Décio de Almeida Prado. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. Ao longo desses anos. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. Mais tarde comecei a encontrá-los. já está havendo um começo”. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. ENTREVISTA Mas. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. vamos ser claros. mas enquanto conversava.visconde de Porto Seguro”. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. Por exemplo. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura.O Fábio Comparato era. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. A pessoa respondeu que. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. denominado “Sabadóyle”. Não vou negar que exista. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. que era como a secretaria se chamava na época. entre eles o Antonio Cândido. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. eu disse que achava que não dava para aceitar. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. naquele mesmo dia. mas política era assunto proibido. mas o que ele tinha no escritório. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. Ou seja. Ciência e Tecnologia. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. mas ela não tem a aprovação popular. Mas aí eu lhe disse: “Olha. Então consultei uns amigos. o Le Figaro. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. Ela respondeu que não. o que naturalmente eu fiz. que era uma livraria de literatura francesa. Com tudo isso.na casa do Plínio Doyle. existe tortura sim no Brasil. foram para o Chile. um tal de Porto Seguro. Além disso. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. mas insisto que não tem apoio popular. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. diretor da empresa. Só se falava de literatura. na época. Fiquei no cargo por quase um ano. de coisas amenas. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. provas que não foram publicadas. a ele e ao Pedro Nava. que hoje são reverenciados. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. de fato. não vamos falar mais nisso”. uma série de edições raras. Explica-se.a Renina Katz. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. de teatro. no sábado a gente sempre ia para lá. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil.

O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. já que as populações eram analfabetas na sua maioria. abriram-se novos horizontes. E de Portugal. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. E isso não se deve fazer nunca. foi a certidão de nascimento do Uruguai. Recebi. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. .800 ilustrações. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. mas foi uma revolução. anos depois fazia o número 2. que uma hora era de Portugal. bém a comprei por acaso. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo.todos em grandes bibliotecas. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. por exemplo. Eu acabei tendo as duas edições. um telegrama de um livreiro amigo. que é um dos exemplos do que foi o livro. sobre o tupi-guarani. Recentemente. Mas. os descendentes de um dos protagonistas. Ora. 92 quilos de peso. Enfim. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. enfim. quando estive lá. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. Possuo. Detalhe: entre 1455. ele já tinha 95 anos e estava de cama. assim por diante. com a invenção dos tipógrafos. brasileiras e algumas argentinas. Um que é o Livro de Horas de 1480.. que era tenente. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. me oferecendo preferência na aquisição. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. na verdade. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades.Na verdade. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. um dia. Então veio pelo correio. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. E com a Metal Leve. Dela se conhecem 18 exemplares. Como não havia arquivo naquela época. mas ele queria o pagamento à vista. Tenho a primeira edição de Camões. buscando tecnologia própria.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições.Quando cheguei lá eram 180 volumes. mas não podia recusar e comprei. A gramática do Anchieta. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. porque era meio caro. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. outra que está à esquerda. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Voltei com quatro malas. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. Tenho. Era uma documentação original das autoridades portuguesas. outra hora era da Espanha. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. depois o número 3. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. É. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. venderam para o tal português chamado Assunção. comparada à revolução da informática. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. holandês. Não tive dúvidas. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. escrito em pergaminho.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. uma difere da outra com pequenas variantes. Ademais. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. por exemplo.. é um grande livro que serve à história do mundo.

Acabamento: lombada canoa. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições.Bom Retiro São Paulo . os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. No eixo educação.com. capa: Couché opaco 150 g. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação. Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. Na questão da responsabilidade social. A FAT mais uma vez procura. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. Remo Alberto Fevorini Profa. incluindo capa. responsabilidade social e ética & educação.tel. por meio da divulgação de matérias. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof.br Diretor-presidente da FAT. Dr. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores.com. Dr. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof.br Fotos Júlio Hilário.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN . eletrônico ou impresso. Manoel A.com. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. da Silva. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. Dr. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. verniz de máquina capa/contra-capa. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil.com. Walkiria Barone Fotolito. à bioética e à Produção Mais Limpa. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra. Número de páginas: 48. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. Impressão: Offset. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. Dr. pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos.1807-9687 Rua Três Rios. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível.com. formato aberto: 416 x 273 mm.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra.br Todos os direitos reservados. Em tecnologia abordamos.com. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra.br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . 131 . os livros. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. sem autorização prévia.Número 3 .EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. Folha Imagem. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin.ester@uol.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições.cj. entre outros. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes. Papel do miolo: Couché opaco 70 g. César Silva Diretor Administrativo Prof.612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . assuntos relacionados à nanotecnologia. Silvia Regina Lucca Prof.br .com. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova. por meio de sua revista. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . 42 . pesquisas e prestação de serviços de assessoria. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof. Yolanda Silvestre Prof. com ênfase na sua grande paixão. levar informações ricas e atualizadas.com. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. 4x4 cores. Nesta edição.SP . Almério Melquiades de Araújo Profa. Dr. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A.: 11 6958-1310 policom@uol. Victor Sonnenberg Profa. Estamos procurando fazer a nossa parte.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam. Dr. Dra. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social.

Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA.ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”. 1976 óleo sobre tela. 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II . TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto .2005 . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.NÚMERO 3 .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

o olho da mosca. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). Em outras palavras.A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. lembrando um favo (10 -4).assim. QUADRO 1 .web. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1). O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. Assim. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado.escalas.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. a base deste sensor (10 -7).ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 . um detalhe da mosca (10 -2). A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo. 1]. No entanto.totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente. Micro e Nano .cern. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. Macro. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante. A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo.web. apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se.cern. No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica.ch/microcosm). o olho da mosca e detalhes deste órgão. diferente destas.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento. Fonte: CERN (http://microcosm.Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9). como a industrial ou a da tecnologia da informação.

a nanometrologia. Primeiramente. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. novas possibilidades de reciclagem. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. nanopartículas contra alergias. novos métodos de limpeza de dentes. circuitos eletrônicos mais eficientes. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. Nessa escala tem-se. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. dispositivos MEMS. junto com tecidos convencionais. molécula a molécula. ministrados a um paciente. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. novos sistemas de visualização não invasivos. fotossíntese artificial. sistemas de observação miniaturizados.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 . em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. e é conhecida como abordagem “top-down”. nanocompósitos resistentes a fogo. células de combustível. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. Como mencionado anteriormente. microarranjos para sistemas de análise de DNA. está sujeito a interações com o mundo exterior. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. São as chamadas tecnologias convergentes. aumento na velocidade de processamento da informação. elétricas e magnéticas. proporcionalmente.Além disso.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. veja Quadro 5). camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. novos processos de fabricação. Alternativamente. tecidos mais leves e rígidos. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). embora exista uma gama gigantesca de aplicações. processos otimizados de micro e nanorreação. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. portanto. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . como a natureza está acostumada a fazer. pneus mais duráveis. novos tipos de bateria. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. materiais para regeneração de ossos e tecidos. sistemas de comunicação wirelesss. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7).veja Quadro 3). • Indústria química Catalisadores mais eficientes. Em todas elas. implantes totalmente biocompatíveis. kits de autodiagnóstico. como física. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. plásticos não inflamáveis. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. Nanotubos de carbono. vidros resistentes a fogo. química e biologia. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. como o próprio coração. tecidos que repelem manchas em tecidos. arranjos protéicos para diagnóstico. são as grandes propulsoras. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. Além disso. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. certamente. como demonstra o Quadro 6.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. telas planas. podemos imaginar medicamentos que.

por exemplo. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro).. Nessas condições. ordenar palavras. como mostrado na (Figura a seguir). etc. Por outro lado. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. Para isso. ela se divide entre os dois ramos do anel.4 0. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. 0 0. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. dimensões nanométricas. Em essência. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. em 2001.dependendo do tipo de aplicação desejada. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. na atualidade. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Ele é construído em materiais supercondutores.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. cerca de 0.6 0. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la. Os quadrados em ouro são terminais de contato. para certas tarefas. por um magneto). Quando comparados com outros países. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. chamada de quantum de fluxo magnético.8 Nanotecnologias”. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 .00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). Para se ter uma idéia. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. para sua operação. Assim. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K).2 0. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. como somar números. entre outros. como o nióbio. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.QUADRO 3 . conforme a ilustração à direita. Como exemplo. Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética.

com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. produtos e materiais nanotecnológicos.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . em um arranjo hexagonal. foi realizado. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. de sensores e de atuadores. Seu comportamento mecânico. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. de transistores. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. em São Paulo. Por isso. com vistas à formação de recursos humanos. evaporação de solvente ou separação de fases. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. juntamente com a exposição internacional de projetos. mas. de displays planos. afetando características importantes do produto como estabilidade. Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. dentro de suas possibilidades. 2] . deverão investir fortemente em (N & N). São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. 3].braço fundamental da (N & N). QUADRO 5 . os institutos de pesquisa e a indústria. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. elétrico e magnético é diferenciado. o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. ablação via Laser e deposição por vapor químico. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. comparáveis a suas contrapartes internacionais. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano.Nanotec 2005. O governo está apoiando esse esforço. em que a produção de emulsões é etapa crucial. É importante ressaltar que a microtecnologia. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. ótico.

manipular ou imitar os sistemas biológicos. quando adequadamente coordenada. com dimensões típicas de 0. ótica. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. processos térmicos.realizado em 5 de julho último. Ex. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população.1–100 nanômetros. quando aplicada às ciências da vida. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. devem examinar. a nanotecnologia.000 nanômetros. Prevê-se que os aspectos sociais. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. Nanotecnologia É o estudo. Microtecnologia A Microtecnologia. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões.Durante o evento. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. Os desafios são inúmeros. Está composta de átomos. para integrar e miniaturizar dispositivos. fabricado com moléculas. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). baseando-se em princípios de microfluídica. Esta. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. biomedicina. universidades e institutos de pesquisa. Essa convergência tecnológica. eletrônica. recebe o nome de nanobiotecnologia. para aplicações em: acústica. O átomo é a menor entidade química. dado que se ocupa de estruturas atômicas. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. se diferencia-se da nanotecnologia. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. manipulação e aplicação de materiais. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. Deste encontro. mecânica. a introdução de um processo contínuo. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. criação. magnetismo. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. Israel e Brasil –. cerâmica e polímeros. nêutrons e elétrons.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. biotecnologia. que articulem a cooperação efetiva entre governo. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). projeto. processos químicos. síntese. Está composto de prótons.1 a 100 mm. Desta forma. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. representando países distintos – Estados Unidos. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. com a presença de quatro palestrantes. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. vidro. componentes e microssistemas. da biotecnologia. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. Inglaterra. etc. empresas. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. como: silício. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana.

Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.com/ d www..comciencia.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0.fapesp.br/noticias/noticia. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. É.C. QUADRO 7 .cientifica.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.edu/~feynman/plenty. http://www. There’s plenty of room at the bottom. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007.foresight. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente. e a abordagem “bottom-up”.gov. permitindo uma integração muito desejável.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.com.unicamp.com d www.usp. 2004. Por outro lado.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado.br/nano/ d http://lqes. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers. (Disponível em http://www.ufsc. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.iqm. Esses métodos evoluíram separadamente.smalltimes. 104 p. Henrique. SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt.inovacaotecnologica. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 .pdf em 05 de Dezembro de 2004).br/Temas/Nano/prog_nanotec. May.br/temas/nano/ d www.com/html/Reports/publications.its. 2004.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”.S. a médio prazo.nanotechbriefs. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada. (1959).“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”. 2004. na atualidade.br d www.mct. H.caltech. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro). o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. www.pgmat. Washington D.br/ Sites no exterior: d www. R.org d www.. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi.gov.mct.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0.com. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior.inovacaotecnologica.br d www.

SP. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior. Resumidamente. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. (São Paulo. 05.2003. 14h00.vêm de longe e têm aumentado com o tempo. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses.Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase.01. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 .

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

15

tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

16

JUN/JUL/AGO' 2005

ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

17

conseguiu-se identificar. com o lançamento da Crotonville. no início de 2003. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil. Ao que tudo indica. p. Segundo a autora. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. Ainda segundo essa autora. No contexto brasileiro. . em 1955. Motorola. Porém. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas.”. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston. Na década de 1950.. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”. verifica-se claramente que. Sabesp..com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. esse princípio envolve “.Atualmente. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. Segundo Meister (1999.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. sendo provável que já existisse um número bastante superior. Carrefour. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. segundo a mídia especializada.Abril e TAM.”. XXVII). no contexto dos EUA.no sentido de realizar a formação dos seus empregados. McDonald’s. CEF.realizar parcerias com universidades. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA.nos EUA. No Brasil. Accor Brasil. Segundo a autora. com relação ao mercado americano.. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. 2005). ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas.. entre outras. pela General Electric.Ambev (antiga Brahma). publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister. Leader Magazine. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. 1998). Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. Petrobrás. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs. por meio de pesquisa.. Banco do Brasil. Unimed.. Fiat.

Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. totalizando 20 empresas.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. aqui agrupadas sob a marca PUC. havendo.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. Entretanto. no entanto. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. Gráfico 2 . a partir de então. possuir Universidade Corporativa. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. com 25% das indicações cada. conforme se verifica no Gráfico 2. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. sem. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. 45% são bastante recentes.num total de 45 empresas. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. DE 90 NA DÉC.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. Learning & Performance . (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. com 38% das indicações. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”. tendo sido criadas nos últimos quatro anos.

2003. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. com a qualidade que elas esperam. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. público em geral. fornecedores. mais adiante. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. Primeiro. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. formadores de opinião. Por outro lado. entretanto. Quanto ao investimento em familiares. declarada por 96% dos respondentes. Palavras como “competência”. Eduardo Tubosaka.O gerente de marketing e vendas da Sony. (São Paulo. clientes. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. Por outro lado.nos clientes (11%) e nos familiares (8%). as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias.bem como o custo elevado da parceria. no que diz respeito às desvantagens. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam.01. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. SP. 24. setores afins e estudantes/bolsistas. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). nos funcionários (67%). tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. Segundo. observando-se mais criteriosamente. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. concessionários. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários.conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. familiares.

95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. Muito embora os resultados do presente estudo. Quase 500 universidades corporativas no Brasil. voltados à capacitação de pessoas.Tese (Doutorado em Administração) . Mark Allen Editor.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior.dade cultural e do seu negócio. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. São Paulo: Schmukler Editores.2005. ALBUQUERQUE. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%).2000. 1998. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas.114. EBOLI.br Mestre em Administração pela FEA-USP. São Paulo:Atlas. 2001. São Paulo: Makron Books. ____________. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. portanto. FLEURY. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas. 2000.2002. Lindolfo Galvão de. ____________.com. pp. Mark. MEISTER.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC. Managing. Maria Tereza L. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. 1999. São Paulo. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias.Ten Steps to Creating a Corporate University.São Paulo:FEA-USP . enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. acesso em 22 jul.com. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra.ano X.. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo.Educação Corporativa.Marisa et al. FLEURY. Afonso. Nov.ed.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI.Cristiane. 38-43. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. ____________. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil.elearningbrasil. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. contra 34. Jeanne C. o número médio de parcerias por empresa. FISCHER. pp. 35-36. and Growing a Successful Program. Entretanto. como por exemplo. 2002. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos. New York: McGraw-Hill. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência.Beth. consultor em Administração.Maria Tereza Leme et al. entretanto. Revista T&D. ____________. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo.62% das que não possuem UC. Conforme ficou evidenciado. ALLEN. A pesquisa aponta. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. Training & Development. André L.Jun. ALPERSTEDT. girando em torno de 2.5 parcerias por empresa. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários. Este é. São Paulo: Gente. The Corporate University Handbook: Designing. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema.. 1999. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. 2002. As pessoas na organização. March/April 1999. Human Resource Management International Digest. In:FLEURY. 1998. por imposição das limitações metodológicas. professor universitário. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force.Obtido no endereço http://www. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. ____________.br/home/noticias/clipping. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. asp?id=2348. O estudo revelou que 78.Faculdade de Economia. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais.

TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A.

transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações. ser uma utopia. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. calcados na tecnologia da Internet. em um passado relativamente recente. pela busca constante da excelência na administração pública. Isso exige a absorção. agilidade. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. O que parecia. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). Alcançar um estado de eficiência. suportados por novas tecnologias. por parte da sociedade. Novas tecnologias podem ser adotadas. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. vivendo um momento especial na história. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 .e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). certamente. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos.I. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. pública ou privada. especialmente. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. em decorrência.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems).Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. A T. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. agora está se tornando possível. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. A nova organização.

no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. entre outras grandes mudanças. 1ª GERAÇÃO DE T. que muitas vezes se inviabilizaram. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. se ações proativas forem realizadas. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004).I. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem.a primeira remonta aos anos 1920. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. desde melhor gestão de recursos.I. melhor atendimento ao cidadão.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. em que predominaram a busca pela otimização de processos. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. estamos. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. se estendendo além das fronteiras da organização. com altos impactos sobre eficiência. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. entre tantos outros: . (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T. configurando o que. Na terceira onda. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. a “máquina pública” completamente reconfigurada. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. dentro de poucos anos.I. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. Poderemos ter. o impacto é muito mais profundo. para efeito desta análise. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. mas ainda mais para organismos de governo. Nesta nova “onda”. agora. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. com menores custos operacionais e muito maior efetividade.

disseminação. ágeis e de menores custos operacionais. e. Infelizmente. solicitação e preenchimento de formulários. criando-se. em geral de muito baixo nível. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. fóruns de discussão. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. para suportar os processos envolvidos. atualmente. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. A Internet. de licitações do governo. Finalmente. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. de cargos públicos a serem preenchidos. direta ou indiretamente. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. conteúdos de interesse No 1º Estágio. estágios que um organismo de governo pode explorar. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. já ocorre a comunicação bidirecional.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. isto é. a disseminação de notícias. basicamente. ainda há uma tendência.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES.porque. entre tantos outros exemplos. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. na medida em que os sistemas de informações se integram. muito mais facilmente. por medo de qualquer tipo de sanção. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . o que se promove. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico. desvios e corrupção. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. Neste estágio. a partir de qualquer “cyber café”.I. no Brasil. pela participação que o setor público tem no produto nacional. etc. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. logo. assim. em que o governo pode. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. No Brasil. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. Terceiro. mais de 40% dos recursos totais existentes. suportados por novas tecnologias. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. seja na forma de perguntas e respostas. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. de outro. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais.consideram-se cinco os estágios de e-government. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. Por exemplo. Primeiro. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. de um lado. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. mais flexíveis.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. o setor público consome. e talvez mais importante ainda. em relação a outros países ou à iniciativa privada. que pode ser acessada sem identificação. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. Segundo. maior conhecimento das ações governamentais. desvios e corrupção. a comunicação de retorno. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados.

eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. registro eletrônico de autoria e patentes. com menor carga de supervisão e controle e. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. que agrega diversas tecnologias específicas. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. seja internalizada nesses processos. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. a bancos. Já em processos integrados e desfragmentados. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. anomalias indicadoras desses desvios. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. ter-se contrapartida. inclusive as integrações com a sociedade. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas.Business Process Management . por si só. em geral tratadas fora deles. antes praticamente impossível. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. no caso de governo. há erros ou falhas de lançamento. pois. neste estágio. Com a integração de processos.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. mas pela obrigatoriedade de. É. Além disso. como ilustra a figura a seguir. mais importante. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. muito maior atenção é dada a essas operações. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. sejam esses fluxos financeiros.Business Process Management. relativamente simples. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. suportada por padrões e ferramentas poderosas. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. Numa situação desse tipo. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. concessão de licenças e autorizações. são grandes.porque são especializados demais. ocorrem transformações de outra natureza. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. o que. se tivéssemos processos completamente integrados. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. é possível ter um grau de transparência muito elevado. as fraudes. Essa nova disciplina. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. entre tantos outros serviços possíveis. não só pelos registros ali contidos. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. também. para cada lançamento.integrando-se a processos de outros organismos de governo. é o BPM . com ferramentas integradas em BPMS . na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. por trabalho humano. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. Da mesma forma. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. materiais ou de quaisquer outras naturezas.

Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. 51. Chicago. etc. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS).The Brainstorm BPM Conference. 2003. 2005. 41.Ken.. Integrating processes: The next Nirvana. V . Presidente da Unicomm Integração de Negócios. DUBIE. Bruce. 2002. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. redução de fraudes. Iss. Beyond integration. Robert. 2004. 12. I. ERASALA. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. SILVER.The power of process. Chicago.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). p. Is. Network World. Iss. 45. The Real-Time Enterprise .com. Judith. Is.. FONSECA. p. Howard & FINGAR.Basingstoke: Dec 2003.Accelerating BPM with Business Rules. Peter & BELLINI. 2005. Knowledge and Process Management. 77.V. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. FINGAR.Vol.e não para o benefício daqueles que governam. 2005. altamente suportados por tecnologia.12.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. Shan L.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado.The Brainstorm BPM Conference. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. 18. a partir de critérios como datas-limite.. Charles.Janet K. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. European Journal of Information Systems. 21. S4. COLMAN. 9. 13. 2005. 237. Ulrich.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. ORR. p.isto é. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. 1. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. 2003. 8-9. HALLE. 2005. Barbara. condições de exceção. Denise. Business Process Management – The Third Wave. Camden.Camden .The Brainstorm BPM Conference. Is. 4. PUCCINELLI.BPO meets BPM .The Future of BPM. 2003 . CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. Is. KM World . Oscar Adolfo. Roger. 3. Meghan-Kiffer Press. Norberto A. WETTENHALL. TAN. InformationWeek.Vol. 57. WALL. IDG/Computerworld – Brasil. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. p. SMITH. pendências registradas e controladas. 2003 . XI Congresso de Informática Pública Conip. Joseph. Naveen. p. Jericho. documentos associados. plebiscitos eletrônicos.poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. __________________. BPM: no just for the big kids on the block. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. Sep 29. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 .“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”.30.. Dec 22-Dec 29. NORBERTO A. REMUS. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. SOA . 2005 __________________. Jan 2004 . 10. Manhasset. publicada na Revista do Livro Universitário. Idort/PMSBC.Systems. 269. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions. DARROW. 2003. Sep 29. CRN. 4.desvios e descontrole. Dordrecht: Sep. Processos e Sistemas Ltda. Leveraging Process Modeling for Business Value. Issue 1. Chicago. 3. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. p.).Vol.Forrester Research. históricos. Framingham. 957. Vol. 1064. p.V.Chichester. 2003. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. Ken. Public Organization Review. JP. New Directions in BPMS Technology. MORGENTHAL. Por meio de tecnologias orientadas a processos.Oct 2003 . além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas.por exemplo.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. p. etc. TORRES. Chicago.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. p. através de processos. Com processos inteiros. Francisco & SANCHEZ. Guarujá. na área de Contratos/ Projetos/ Obras. como. 20. orçamentos participativos. proporcionando maior transparência. Chicago. Chicago. 2005. decisões tomadas. LAMONT. muito maior agilidade. Oct/Dec 2003 . KM World. projetos gerados. Issue 9. Iss. Chee Wee & PAN. por exemplo. TORRES natorres@uol. 2005 VOLMER. etc. São Paulo.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores. Resenha do livro Caminhos da transparência.. Hamilton: Feb 2004.The Brainstorm BPM Conference.Barbara von. New structures for strategic growth. CMA Management.All or Nothing. Meghan-Kiffer Press. Peter.The Brainstorm BPM Conference.Robert. 2003 .V. p. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. Com essa abordagem. 13.

descrédito das instituições.sobre os princípios que regem as sociedades. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. Além de questões políticas. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”.Crises de governo. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. pelo menos. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. ou melhor. sobretudo. Como uma tendência que nos é natural. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. deixado de lado em vista dos avanços técnicos..falta de compromisso com os eleitores.corrupção. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores. a conjunção entre um bios e um ethos. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo. culturais ou religiosas. a junção.etc. sociais. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. econômicas. No início dos anos 1970. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. desperta a singularidade para a sua .

a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção.responsabilidade. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público. etc. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. cana Terri Schiavo. cultural. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó. política ou econômica. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. tanto na ficção como na vida real. geraram-se vários problemas. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. é uma relação originária. como estamos acostumados a entender a união. a promovê-la. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. ou seja. mas para a diferença. vasculhar as cavernas do início da civilização. sobretudo. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. as tendências de pensamento sobre este assunto. Na realidade. sim. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. um dos principais casos estudados em Bioética. os autores que escrevem sobre o argumento. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. erros. O primeiro é uma história fictícia. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. assim. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e. mais básica do que qualquer vivência social. redescobrir o humano na técnica. Hoje. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. os cursos. A vida em sociedade é linguagem e. Somos chamados a cuidar da vida.ambos permanecem o que são: diferentes outros. consegue o seu objetivo. é também fruição. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. as comissões. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. É como se vivêssemos por um fio.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. Ao final. a Bioética já é uma pos- tura. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . depois de um plano meticulosamente elaborado. direito este negado pela própria justiça espanhola. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. isto é.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. voltar-se para o que estava no início e. portanto.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. quando temas como a eutanásia são. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. mentiras e verdades. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. enganos. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. a diferença faz a diferença.Ao mesmo tempo em que é refém. podemos. sobretudo. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas.como diria Michel Renaud. uma decisão. Certamente. para o que estava além da realidade. a protegê-la. Em Potter. dissimulação. uma vocação. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. Certamente. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. por conseguinte. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político.

e todos os dilemas que se apresentam. ou seja. pois clama por vingança. convém da mesma forma. o sacrifício tem um caráter preventivo. A Bioética é uma postura. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. uma pré-visão do perigo. de certa maneira.etc. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro.com. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. da Aids ou das guerras. Somos responsáveis por tudo e por todos. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. um ato “criminoso”. isto é. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. Enfim. na verdade. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade.A vida depende dessa prevenção. Neste sentido. como diz Girard.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. com todo contato violento. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência.Assim. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar.ao mesmo tempo. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. a fortiori. Por conseguinte.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual.vontade e razão. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. Para o autor. vista como uma doença. Se todo contato. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. enquanto ainda há tempo. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência.Assim sendo. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. como um ser capaz de assassínio. só os seres já impregnados de impureza. não hesitam em se expor. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. já que a violência voluntária ou vingança é. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. mesmo fortuito. já que a violência voluntária ou vingança é. hostil”.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. já contaminados. de certa maneira. vista como uma doença. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade.

coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição.2003. apesar de apresentarem resultados positivos. na Comissão Brundtland. na maioria das vezes. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). conseqüentemente. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. Esse viés de contribuição. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável.12. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. quando tratado de maneira isolada. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. ações pontuais e desconectadas da missão. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. (São Paulo . investindo na relação ética. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. representam. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. seja pela via do estímulo ao voluntariado. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. mas talvez um posicionamento diferente. Em muitos casos. visão.SP. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. 16. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 . Essas iniciativas. seja pela via do investimento social privado. embora relevante. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla. práticas de negócio e processos operacionais.

de forma permanente e estruturada. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. então. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe.fornecedores. as empresas automobilísticas. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 . seja rentável e gere resultados econômicos. a partir desse pano de fundo. nos processos. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. As empresas podem. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. que a empresa cresça. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. focando não só no resultado econômico adicionado. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais. a lógica de mercado. na Vila Prudente (zona leste de SP). nos modelos de negócio. ainda. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. e assim sucessivamente.acionistas.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável".A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e.governo e sociedade. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. Por outras vezes. O conceito de responsabilidade social empresarial traz. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta.09. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. por exemplo. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. empresas de saúde.2004. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. os chamados stakeholders – público interno. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. produtos e. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”.entre outros. Dito de outra maneira. Em outras palavras. Em última análise. econômicos e sociais e. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. em última análise. mas também no resultado ambiental e social adicionado. SP. 22. segundo o Instituto Ethos . Em muitos casos. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. na realidade. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. comunidade. Já a sustentabilidade empresarial. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. empresas de transporte e mobilidade. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável.meio ambiente. (São Paulo. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras.clientes. conseqüentemente. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança.

Por outro lado. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa.2003. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação. com o uso de alternativas inteligentes de consumo. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas.12. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. sustentável. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. Entre os dirigentes organizacionais. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis.criando uma visão compartilhada do negócio. a empresa melhoraria outros processos. dentre outras). a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. educação. mas de um jeito diferente. reutilização e reciclagem de materiais. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. tornando-os parceiros neste desafio. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. com mestrado em Desenvolvimento.SP. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . que Angélica. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. pela PUC/SP. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. erradicação do trabalho infantil. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. pode-se observar um maior nível motivacional. Para que o processo se estruture de maneira sólida. sejam elas de comunicação.org. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. menores índices de turnover e atração de novos talentos.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução. Além disso. Para que a mudança na organização seja efetiva. melhoria na distribuição de renda. porém. 16. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. Digital) vai além do produto tangível. de produção. 17. {São Paulo . pela FEA/USP e em Direito. 17h32. de longo prazo.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. associando a ela valores positivos.org. Para o sucesso dessa empreitada. Com relação à cadeia de fornecimento. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. A idéia central da iniciativa é construir. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. Com base nesse diagnóstico. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. gradualmente.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial.

34 JUN/JUL/AGO' 2005 . SP.Estação de tratamanto de água. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. incluindo a microfiltração. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. (São Paulo. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas.07. 23. nanofiltração. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. que fica no Alto da Boa Vista. o que é conseqüência da baixa demanda.2004. da Sabesp. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. osmose reversa e troca iônica. ultrafiltração. Contudo.

o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. foram desenvolvidas no início do século XX. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. e que. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. seja de origem doméstica ou industrial. atualmente. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. podem estar presentes em um efluente líquido. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. não atendem às necessidades de regiões específicas. Como exemplo. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. na maioria dos casos. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. 2005). Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. 1998). o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). que no Brasil. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas.com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. potencialmente. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. possivelmente. como é o caso dos Estados Unidos. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. Por outro lado. conseqüentemente. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN.

se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 . A baixa competitividade no mercado interno.001 Nanofiltração 5 -35 < 0. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico. Em primeiro lugar.20 10.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana. 2001).00 50.00 CAPACIDADE (L/s) 35. • nanofiltração. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. Como exemplo. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.00 20.Por exemplo. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores.20 1. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada. 2. • ultrafiltração.1 . • osmose reversa.40 1. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.00 30. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. CHERYAN.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais.001 Ultrafiltração 0. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana.por sua vez.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior. Isso. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas.00 15.00 1. Como conseqüência. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países. 1998 e MULDER. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos.Os processos de microfiltração. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 .1 0. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA.5 Figura 2 . 1996. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. utilizando-se tecnologias diversas. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados.ultrafiltração. Diâmetro do poro (mm) < 0. Em relação ao processo de eletrodiálise.00 25. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas.0.80 1. 2003): • microfiltração..001 .80 0.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água.00 0.60 CUSTO (US$/M3) . verificase que os processos de separação por membranas.00 45.00 40.40 1 -10 0.

CHERYAN. Second edition. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. Basic Principles of Membrane Technology. MULDER.pl. 2003.Wiesner. DR.American Water Works Association Research Foundation.S. Peter E. U. podem vir a se tornar competitivos. McGraw-Hill. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. por exemplo.2004. CRC Press. M. M (1998). isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. CAS (2005).Total plant costs for contaminant fact sheets.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . No entanto.Water treatment membrane process. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente. SP. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados.03. acessado em 02/03/2005. Reprinted.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. Odendaal and Mark R. Department of Interior (2001). o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. REFERÊNCIAS AWWA (1996). Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. Editorial Group Joël Mallevialle.org/cgi-bin/regreport. carvão ativado e oxidação com ozônio. 31. Bureau of Reclamation.cas. The latest CAS registry number and substance count. Water Research Comission of South Africa. Second Edition. Chemical Abstract Service. que realiza análises de água. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo. Ultrafiltration and microfiltration handbook. Lyonnaise des Eaux. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. (São Paulo.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos. http://www. D8230. Kluwer Academic Publishers. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. Dentre as opções existentes. 564 p.

realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92). SP. O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. 04. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. (Jacareí. advindas basicamente da tomada de consciência.03. que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. eficiência econômica e justiça social. por parte dos governos e da sociedade civil. Este programa de ação internacional. Foto de Juca Varella/Folha Imagem.Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP). as sociedades industriais passaram por sérias transformações.2002. busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. 18h. . Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4).dos impactos ambientais por elas causados.

dentro do próprio processo produtivo. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2).outros grupos se formam.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado. como o de gestão do pessoal. o metalmecânico. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. industrializados ou não.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). Em 1985. Por exemplo.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que.em especial nos que abordam energia. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. se contabilizadas. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. organização sem fins lucrativos. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). e. por exemplo. de matérias-primas. o controle e a disposição final dos resíduos. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. etc.National Pollution Prevention Roundtable). entre outros. Dentre esses sistemas. Na década de 1990. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). O item 4. A reciclagem interna. Compreensivelmente. por exemplo. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. No Estado de São Paulo.em diversos países. em seguida. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. como o têxtil. que são a remediação. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 . de gestão da informação. resíduos e transferência de tecnologia. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. uma ameaça social. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. Pesquisas realizadas mundo afora. após eles terem sido produzidos. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. a farmacêutica. toda empresa tenta realizar economias.sanitária e econômica para todos os países. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. bem como ao uso eficiente destes recursos.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. Evidentemente. transportes. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. são formados: em 1994. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. Ao longo desses anos. em diversos tipos de empresa. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. a gestão de resíduos. de gestão da produção. a química. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. de produto e de práticas de housekeeping. Assim. o metalúrgico. poluição esta que se configura como. mostram a eficácia da prevenção.

estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. posicionando-se como parceiro do PNUMA . é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. saúde e segurança do trabalhador. De todo o exposto acima. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. SP. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. estes muitas vezes problemáticos. Além de reduzir seus riscos. introduzindo matérias-primas mais puras. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e. na própria origem da geração de resíduos. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. A CIESP. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. imagem da empresa. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. em Santo Antônio de Posse (SP). (Santo Antônio de Posse.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . produtos e serviços. 13. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. O mais interessante de tudo isso. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. através do seu presidente Cláudio Vaz. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte.reduzir o uso de recursos naturais. a empresa irá mudar as condições na fonte.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais.06. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. prevenir na fonte a poluição do ar.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani.2001.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. prêmios pagos às seguradoras. utilizando toda a sua estrutura. seus instrumentos de divulgação. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável. em geral. é rápido. para a empresa. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. sua influência e sua capilaridade no interior. Assim. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. ou seja. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. calculando seu retorno financeiro que.

cj. 131 . Saúde. saúde. indústria e meio ambiente.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 . Meio Ambiente.Bom Retiro . estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação. a FAT propõe. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização.Especialização.SP . pesquisa e treinamento.com. assim. Transportes e Indústria.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria. entre outras • Concursos . 42 .br Rua Três Rios.São Paulo . • Cursos . desenvolvendo projetos sob encomenda. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra.Vestibular. A FAT posiciona-se. ensino. entre outras.

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

dificuldades enfrentadas durante sua implementação. partes e componentes. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. as mudanças estratégicas. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. tecnológico e organizacional pode ser afetada.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo. Mais especificamente. englobando as áreas de design. seja em aspectos técnico-produtivos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 . O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. design. e. a partir deles.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. respectivamente.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. por outro. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1).INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. Na seção 3. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. bem como à prática empresarial.marketing e distribuição. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio. conforme descrito na seção 2 a seguir. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. nomeadamente a adequação da política de qualidade. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. por um lado. respectivamente. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). em geral.desenvolvimento. P&D e distribuição) pode ser afetada.

Pressão de clientes K . não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa. de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante. o que pode ter afetado tal percepção. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma.Busca de novos mercados J ...Melhora da competitividade H .Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000. por um lado. percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas. 2 . com diferentes graus de intensidade.ainda nesse aspecto. Finalmente. e assim por diante. a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). relataram que. mostrou. mas integrado a um programa de qualidade ampliado. por outro lado. 1 .A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . (2) segundo motivo mais importante. Neste ponto. cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes.que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total. por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E . pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto..Obrigação imposta pelo governo L . revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade.quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. obtido em 2004. investigaram-se os impactos internos e externos associados.. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET..Melhoria da qualidade dos produtos F . estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET.Essas empresas demonstraram.Melhora da imagem da empresa C . Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000.Assim. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade. Programa 5S. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes.via treinamentos técnicos)....e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados..Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D .. Em ambos os casos. . .Aumento da flexibilidade dos processos G . aqui. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos.Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . isoladamente. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro. Este resultado era esperado. uso de Ferramentas da Qualidade. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2). em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas. e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET . clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade. . bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa. Note-se. 8 3 de educação para a qualidade. ambas as empresas pesquisadas. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores.Orientação estratégica B .

. Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável. Neste aspecto. mas Estável. pode-se ponderar. com sua implementação e manutenção. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. de longo prazo.. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. e assim por diante. e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. inspeção. de longo prazo. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas .. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3).. engarrafadores).uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. em sua(s) especialidade(s). traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. (2) segunda mudança mais importante.

Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. organização. diferentemente deste último. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . etc. que inspiram cuidados na leitura. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. No que se refere às primeiras. elo da cadeia de valor. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. interpretação e utilização posterior dos resultados. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. aqui. Nesse sentido. em termos de volume de produção e participação de mercado. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. Vendas. Ainda a esse respeito. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. sobretudo. realizada por meio de estudo de dois casos. de caráter exploratório. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros. Compras. especialmente na esfera produtiva.de modo que passaram a cooperar mais. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil. Logística. por outro.Já quanto ao método utilizado. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. em algum grau. dependendo. design. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos).mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. com fornecedores e clientes. Qualidade.) de empresas e utilização de questionários abertos. marketing e distribuição. além de funções comerciais (Suprimentos. embora em menor intensidade. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. Assim. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. por um lado. origem do capital controlador.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. geografia de mercados atendidos. mas também. Ainda que não apresente representatividade estatística. etc. gestão e. De fato. especialmente em aspectos técnico-operacionais. o primeiro. em aspectos tecnológicos. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor.além de aspectos técnicos do produto. Tratou-se. tais como Assistência Técnica. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. neste artigo. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada.

Disponível em: <http://www. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. 16 p. Como foi preliminarmente constatado. K. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados. Output of the. 2003. NADVI. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. 13-17 feb. Brighton: University of Sussex. 2003.pdf>. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra.Cabe a cada empresa. 50 p.. Disponível em: <http://www.ac.. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele. 2001. Brighton: Institute of Development Studies. Proceedings. Brighton.construir um ambiente integrado e propício.. [2001].ids. Com relação às variáveis intervenientes. 2001.ac. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele. IDS Working Paper. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers.pdf>. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. QUADROS. Institute of Development Studies. Em conclusão.. may 2002. 2001. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno. cabe destacar. K. NADVI. Institute of Development Studies. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading. S. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. J. Brighton: University of Sussex. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. Global standards: implications for local and global governance. Institute of Development Studies. F.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Acesso em: 16 jun.. Brighton.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes.observando as características e limitações próprias e do seu entorno.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY. Global standards and local responses. H. Brighton. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. cultura e recursos humanos. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado.. b) de forma similar. 2003. n. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). & SCHMITZ.. 156.ac.com. feb. & WÄLTRING. em termos de estratégia e políticas. Assessora Técnica . Global quality standards.(menor necessidade de supervisão). Acesso em: 16 jun. portanto.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid.ids. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona. & KAZMI. 2001. Brighton: University of Sussex. [2001].ids. R. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. Draft for. como características do setor e da natureza do produto. infra-estrutura e modo de operação.Diretoria da Presidência 47 .uk/ids/bookshop/wp/wp156. Disponível em: <http://www. Acesso em: 02 jun.pdf>.

pa L K sd f gh jk l .com alguma seriedade. Como mensurar o quanto os boletins internos.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação. QW E R YU CV 'X .dos impactos ambientais por elas causados. ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. . seja utilizando qual mídia for.tem dúvidas sobre sua eficácia. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial.qwert yu VBN io XC ' . L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado. ainda. Um dos motivos para isso é que não descobrimos.E RY UIO A SJ M. ' z x c v bn / m.por parte dos governos e da sociedade civil. advindas basicamente da tomada de consciência. Pessoalmente. De fato. só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas. .

videojornal online. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo. são marido e mulher. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda.é uma atitude.antes de mais nada. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento.”.Associados. Isso exige sacrifício. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM.fundador e CEO emérito da VISA. internet. professor e aluno que não se entendem. intranet. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. Para complicar. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”.recorro a Paulo Freire na conversa. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). E com- Comunicação. autor do best-seller O monge e o executivo. desperdício de tempo e dinheiro. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro. Tanto para empresas como para pessoas. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade. James Hunters .). impressos e eletrônicos.tido. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. Fácil fosse.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem.e vale para pessoas e organizações. Isso vale para os públicos interno e externo. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . Dialogar não é apenas falar. perdão. mesmo que por poucos minutos. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona. colegas de trabalho.”. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. melhor dizendo. rádio jornal on-line. etc.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias. mas principalmente ouvir. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”.que está na lista dos mais vendidos há semanas. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano.Dee Hock. consultorchefe da J. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando. ops!. o diálogo muitas vezes é difícil. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. murais físicos e eletrônicos. pais e filhos. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações. em Nascimento da Era Caórdica.D.Não sem razão. todos faríamos. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”.

A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. responda e. Assim. As organizações que têm consciência disso. mas quando ela é tomada.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. Sabendo mais e melhor. participação. no método de trabalho ringi. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. o documento volta a passar um a um novamente. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. comunique-se. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. professor da Fundação Getúlio Vargas. pela Universidade de Mondragon.por exemplo. pergunte. (Nascimento da Era Caórdica. Comunicação é troca. seu senso de comunidade. DAVI MACHADO davim@uol. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação.com. de princípios e de valores. para estimular a participação e difundir valores internamente. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. pág. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. já está em processo de decadência e dissolução. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado. é atitude. de Paulo Roberto Mota. explique. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. Isso torna o processo de decisão lento. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. Publicidade é divulgação.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista).não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. ouça. 119). de forma integrada e estratégica. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. . sobretudo. seus princípios. busque informações.br Jornalista. wertyu CV io 'X pa K L. De novo me apóio em Dee Hock. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. de forma estratégica. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. seu significado e seus valores. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. Espanha.

liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor. pastas de dentes. como computadores. cortes de cabelo. ginástica e ativos financeiros.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 .A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. Na esteira dos bens e serviços. máquinas fotográficas. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. merchandising. iogurtes. no mínimo. pães. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. entre outros. planos de previdência privada. roupas. manter seus clientes. queijos. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. tratamentos de pele.

Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. ao lado de seus cinco pares de tênis. recuperação. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. quando der vontade. e atributos específicos. (São Paulo .As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. ou seja. pode atenuar. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. Provar FIA . As ATMs bancárias. mas não resolve o problema. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. office-boy do hotel Caesar Park. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente.com. Não surpreende. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. Além do número crescente de opções àa sua escolha. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. com seus modelos e marcas historicamente determinados. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. portanto. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. Pesquisa e Consultoria. A ancoragem nos atos dos outros. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica. Mas Do seu lado. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda.br Coordenador de Cursos. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. marcas.sadas. Essa liberdade de escolha. entre eles um Nike que comprou em três prestações.

Alguns pais acompanhavam a visita. na exposição "Cinético_Digital". sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. outras atentamente ouviam as explanações da professora. museu dedicado à arte do século XX. como alguns quadros de Kandinsky e Miró. No Museu Carnavalet. em São Paulo (SP). (São Paulo. Corriam algumas de um lado para outro.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. orgulhosos. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. SP. No Centro Pompidou.2005. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 .07. de Raquel Kogan. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. de história francesa. no Itaú Cultural.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. crianças um pouco maiores. A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. grupos de crianças muito pequenas – de 4. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. já na faixa dos 10 anos. 01.

na exposição "Cinético_Digital". Picasso. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. Com o interesse crescente pelo computador. a resposta seria o espanto. SP. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. com seus acervos permanentes. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. ambos publicados pela Ateliê Editorial. Cluny. se não quisermos. . além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. de Raquel Kogan. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). cruzei com uma excursão de estudantes italianos. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. O Instituto Itaú Cultural. (São Paulo. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. somados às mostras temporárias. porém. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. ser uma sociedade completamente insustentável. pode.br Médico e escritor. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. outros tipicamente dispersos. Louvre. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. articulados. No Museu Rodin. por exemplo. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. E.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay.Discordo.com. adolescentes atentos. em 20 anos. Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. comunidades. caso houvesse resposta. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. que fazem toda a diferença. ONGs e institutos. em São Paulo (SP). mas ainda é pouco. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). mas ali. dessa condenação sumária. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. É urgente um investimento maciço em educação.2005. ainda calcado em elementos humanos e originais.em parte. por exemplo. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos.07. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. principalmente. com responsabilidade e seriedade. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. 01. peças de teatro e oficinas. no Itaú Cultural. apresentar-lhes obras e elementos artísticos. Na cidade de São Paulo. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. Marmotan. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". tanto em tecnologia quanto em conteúdo.

nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica.A expectativa. segundo modelo próprio adotado. do governo e do meio empresarial. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. apoiado pela FAPESP. R$ 30. é que o estudo. ele começa a ser reestruturado e. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. iniciando-se com um panorama do setor.GALINA Publicação PGT/USP. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor. V. e pelo CNPq. passa a atrair ainda mais a atenção da academia. sempre se destacou no Brasil. Do lado prático.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). Está organizado em nove capítulos. 333 páginas. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 .Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. R. no âmbito do PRONEX . desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços. do lado acadêmico. propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. vindo a público com esta publicação. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. em suas diversas camadas. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. na forma de projeto temático. Em meados da década de 1990.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações.

org . China Informações: d http://www.com. Brasil Informações: d http://www. Brasil Informações: d http://www.com.fatecsp. Brasil Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.iamot.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo.fia.fia.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.