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Instituto Ethos. (2005). Gestión de la RSE y Desarrollo Sustentable. En Revista FAT03. Año 2005, p. 34.

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Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

1

como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. e saíram do país por caminhos diferentes. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. Não havia um presidente. porém. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. Respondilhe que não queria participar. Assim. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. começaram a faltar peças. que também desistiu. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. perderam-se de vista. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. não de livros raros. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. Quanto aos livros. Não pensava em formar qualquer biblioteca. só que dirigida também para os livros.tanto que a nossa língua em casa era o português. ou seja. Então. que. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –.de novo por acaso. Eu era advogado deles. que falava francês perfeitamente. eles . porque como eu falava muito. E já que o problema era o capital. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. mas foi crescendo. no entanto.Meus pais falavam russo apenas entre si. ela não foi planejada. tornando-me assim sócio da empresa. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. a ler e a biblioteca resultou de leitura. Aliás. principalmente à Sala São Paulo. Mas esse não era o plano. uma empresa. De que origem eram seus pais? De origem russa. eles tinham o apoio da Klabin. No mais. que era meu amigo. falei com um amigo meu. mas de leitura corrente. ao que se sabe. Na época. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria.à última hora desistiu do negócio. acabei aderindo ao empreendimento. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. Foi quando vieram para o Brasil. como aconteceu por um curto período.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. Não pensava em formar qualquer biblioteca. no fim. A empresa começou muito pequena. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo.Mas esse não era o plano. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. Essa história é verdadeira? É verdadeira. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. tivemos uma governanta russa.pelo menos não naquela ocasião. Comecei. para se encontrarem em Nova York. Quando é que começou esse amor pelos livros. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. do tempo do nazismo. cada um fazia uma coisa. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. Vieram para o Brasil em 1910. tenho ido. Eles chegaram em 1936. Ciência e Tecnologia. mas sempre em harmonia. diziam que eu ia ser advogado.Nunca pensei também em ser empresário. O interessante é que. sim. com eles. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. talvez eu consiga entrar no negócio”. na Rússia. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. preparei a documentação e. Lia-se muito em nossa casa. O senhor. Bom. eram apenas amigos. em 1910.

Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. mas política era assunto proibido. em 1878. Ou seja. o que naturalmente eu fiz. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. já está havendo um começo”. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. Ao longo desses anos. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. de fato. entre eles o Antonio Cândido. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. mas o que ele tinha no escritório. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. existe tortura sim no Brasil.o Celso Lafer. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. denominado “Sabadóyle”. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. a ele e ao Pedro Nava. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. que começou a conversa sobre a questão de tortura. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . vamos ser claros. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. naquele mesmo dia. mas insisto que não tem apoio popular. diretor da empresa. Fiquei no cargo por quase um ano. foram para o Chile. no sábado a gente sempre ia para lá. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil.a Renina Katz. A pessoa respondeu que. que hoje são reverenciados.O Fábio Comparato era. Além disso. na época. não vamos falar mais nisso”. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. Então consultei uns amigos. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. um tal de Porto Seguro. Não vou negar que exista. o Décio de Almeida Prado. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. que era como a secretaria se chamava na época. Por exemplo. Mas aí eu lhe disse: “Olha. provas que não foram publicadas. Ciência e Tecnologia.na casa do Plínio Doyle. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. Só se falava de literatura. Com tudo isso. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. de teatro. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. Mais tarde comecei a encontrá-los. mas ela não tem a aprovação popular. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. uma série de edições raras. Explica-se. o Le Figaro. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. ENTREVISTA Mas. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. eu disse que achava que não dava para aceitar. que era uma livraria de literatura francesa. Ela respondeu que não. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. mas enquanto conversava.visconde de Porto Seguro”. de coisas amenas.

e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. mas foi uma revolução. um telegrama de um livreiro amigo. buscando tecnologia própria.Na verdade. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas.Quando cheguei lá eram 180 volumes. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. Um que é o Livro de Horas de 1480. depois o número 3. uma difere da outra com pequenas variantes. E de Portugal. 92 quilos de peso. Não tive dúvidas. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. assim por diante. Ademais. porque era meio caro. Tenho. Mas. que é um dos exemplos do que foi o livro. que uma hora era de Portugal. enfim. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. Detalhe: entre 1455. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. E isso não se deve fazer nunca. sobre o tupi-guarani. Ora. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. outra hora era da Espanha.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. Tenho a primeira edição de Camões. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. é um grande livro que serve à história do mundo.. Enfim. bém a comprei por acaso. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. .. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. por exemplo. É. comparada à revolução da informática. um dia. Era uma documentação original das autoridades portuguesas. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. foi a certidão de nascimento do Uruguai. os descendentes de um dos protagonistas. já que as populações eram analfabetas na sua maioria. A gramática do Anchieta.todos em grandes bibliotecas. holandês. brasileiras e algumas argentinas. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. que era tenente. Recebi. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX.800 ilustrações. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. Dela se conhecem 18 exemplares. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. venderam para o tal português chamado Assunção. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. anos depois fazia o número 2. abriram-se novos horizontes. Voltei com quatro malas. na verdade. com a invenção dos tipógrafos. me oferecendo preferência na aquisição. escrito em pergaminho. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. mas ele queria o pagamento à vista. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. Como não havia arquivo naquela época. quando estive lá. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular. ele já tinha 95 anos e estava de cama. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. outra que está à esquerda. por exemplo. mas não podia recusar e comprei. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. Recentemente. Eu acabei tendo as duas edições. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. Possuo. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. E com a Metal Leve. Então veio pelo correio.

Na questão da responsabilidade social. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível. assuntos relacionados à nanotecnologia. Dr. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil.SP . Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. 4x4 cores.1807-9687 Rua Três Rios. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia.br Todos os direitos reservados. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social.Número 3 . por meio de sua revista. Acabamento: lombada canoa. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra. os livros.com. incluindo capa. Remo Alberto Fevorini Profa. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . Em tecnologia abordamos. capa: Couché opaco 150 g. Estamos procurando fazer a nossa parte. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof.com. 131 .612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação. da Silva. verniz de máquina capa/contra-capa. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam. Nesta edição.com.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. Dr. A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições. Dr. No eixo educação.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. Número de páginas: 48. por meio da divulgação de matérias.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. levar informações ricas e atualizadas.br . Dr. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof. Dr. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa.br Diretor-presidente da FAT. com ênfase na sua grande paixão.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN .ester@uol. Folha Imagem. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. A FAT mais uma vez procura. Almério Melquiades de Araújo Profa.: 11 6958-1310 policom@uol. Yolanda Silvestre Prof. Dr.cj. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof.com. eletrônico ou impresso. formato aberto: 416 x 273 mm.Bom Retiro São Paulo . sem autorização prévia. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof.br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra. à bioética e à Produção Mais Limpa. Walkiria Barone Fotolito. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições.br Fotos Júlio Hilário. César Silva Diretor Administrativo Prof. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. pesquisas e prestação de serviços de assessoria.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. entre outros.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. Dra. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II .tel. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof.com. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. responsabilidade social e ética & educação. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova.com. 42 . Francisco Antonio Pinto Éboli Prof.com. Impressão: Offset. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes. pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. Manoel A. Papel do miolo: Couché opaco 70 g. Victor Sonnenberg Profa. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra.com. Silvia Regina Lucca Prof.

ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”.JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto .NÚMERO 3 . 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA.2005 . 1976 óleo sobre tela. TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. QUADRO 1 . diferente destas.ch/microcosm).assim. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9). No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica.ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 . Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se. a base deste sensor (10 -7). A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. Fonte: CERN (http://microcosm. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. um detalhe da mosca (10 -2).totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente.cern. onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1). A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo.A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. lembrando um favo (10 -4).cern. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado. o olho da mosca. o olho da mosca e detalhes deste órgão. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). Assim.escalas.web. Em outras palavras. Macro. um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). No entanto.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento. como a industrial ou a da tecnologia da informação. 1]. apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. Micro e Nano .web.Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação.

pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). são as grandes propulsoras. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. Em todas elas.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. processos otimizados de micro e nanorreação. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. vidros resistentes a fogo. novas possibilidades de reciclagem. proporcionalmente. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. elétricas e magnéticas. está sujeito a interações com o mundo exterior. telas planas. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. como demonstra o Quadro 6. veja Quadro 5). novos processos de fabricação. Alternativamente.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. novos sistemas de visualização não invasivos. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. a nanometrologia. nanopartículas contra alergias. microarranjos para sistemas de análise de DNA. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio.Além disso. aumento na velocidade de processamento da informação.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. células de combustível. certamente. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. e é conhecida como abordagem “top-down”. como a natureza está acostumada a fazer. dispositivos MEMS. como física. nanocompósitos resistentes a fogo. Nessa escala tem-se. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. podemos imaginar medicamentos que. novos métodos de limpeza de dentes. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. pneus mais duráveis. kits de autodiagnóstico. ministrados a um paciente. em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. portanto. circuitos eletrônicos mais eficientes. materiais para regeneração de ossos e tecidos. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. implantes totalmente biocompatíveis. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . química e biologia. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. arranjos protéicos para diagnóstico. Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. Nanotubos de carbono.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 . Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7).veja Quadro 3). Além disso. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. fotossíntese artificial. molécula a molécula. sistemas de observação miniaturizados. como o próprio coração. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. São as chamadas tecnologias convergentes. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. Como mencionado anteriormente. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. tecidos mais leves e rígidos. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). Primeiramente. plásticos não inflamáveis. junto com tecidos convencionais. sistemas de comunicação wirelesss. novos tipos de bateria. tecidos que repelem manchas em tecidos.

como o nióbio. Em essência. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo.4 0. Os quadrados em ouro são terminais de contato. chamada de quantum de fluxo magnético. cerca de 0. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. ordenar palavras. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. Para se ter uma idéia. Assim. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. etc. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. Ele é construído em materiais supercondutores. entre outros. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. na atualidade. dimensões nanométricas.6 0. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 . Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. como mostrado na (Figura a seguir).QUADRO 3 . para sua operação. como somar números.2 0.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. conforme a ilustração à direita. por exemplo. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. Por outro lado. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. Quando comparados com outros países. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. por um magneto). para certas tarefas.8 Nanotecnologias”. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. em 2001. 0 0. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. ela se divide entre os dois ramos do anel.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. Como exemplo. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la.dependendo do tipo de aplicação desejada. Nessas condições. Para isso. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido..

juntamente com a exposição internacional de projetos.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono.Nanotec 2005. de sensores e de atuadores. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica. em que a produção de emulsões é etapa crucial. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. comparáveis a suas contrapartes internacionais. cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. 2] . A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados. afetando características importantes do produto como estabilidade. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . 3]. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. Seu comportamento mecânico. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. Por isso. mas.braço fundamental da (N & N). elétrico e magnético é diferenciado. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. O governo está apoiando esse esforço. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. QUADRO 5 . de displays planos. deverão investir fortemente em (N & N). ótico. por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. produtos e materiais nanotecnológicos. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . ablação via Laser e deposição por vapor químico. com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. em São Paulo. de transistores. dentro de suas possibilidades. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). em um arranjo hexagonal. foi realizado. com vistas à formação de recursos humanos. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. evaporação de solvente ou separação de fases. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. os institutos de pesquisa e a indústria. É importante ressaltar que a microtecnologia. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação.

vidro. quando aplicada às ciências da vida. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). criação. como: silício. magnetismo. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. a nanotecnologia. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas.1 a 100 mm. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. processos químicos. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. dado que se ocupa de estruturas atômicas. Deste encontro. representando países distintos – Estados Unidos. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. Israel e Brasil –. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. universidades e institutos de pesquisa. para aplicações em: acústica. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. O átomo é a menor entidade química. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. Microtecnologia A Microtecnologia. Esta. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. etc. Desta forma. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). a introdução de um processo contínuo. mecânica. quando adequadamente coordenada. cerâmica e polímeros. Prevê-se que os aspectos sociais. Essa convergência tecnológica. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. baseando-se em princípios de microfluídica. se diferencia-se da nanotecnologia. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. empresas. nêutrons e elétrons. que articulem a cooperação efetiva entre governo. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. devem examinar. componentes e microssistemas. da biotecnologia. Inglaterra. manipular ou imitar os sistemas biológicos. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões. processos térmicos.realizado em 5 de julho último. Está composto de prótons. eletrônica. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. Está composta de átomos. com dimensões típicas de 0. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. biotecnologia.1–100 nanômetros. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. biomedicina. recebe o nome de nanobiotecnologia. projeto. Ex.Durante o evento. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais.000 nanômetros. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. para integrar e miniaturizar dispositivos. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. com a presença de quatro palestrantes. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. Nanotecnologia É o estudo. ótica. síntese.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. Os desafios são inúmeros. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. manipulação e aplicação de materiais. fabricado com moléculas. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala.

C.. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers. 104 p. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro).mct.foresight. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada.caltech.usp.unicamp.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. May. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007. There’s plenty of room at the bottom. Henrique.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0. e a abordagem “bottom-up”.br/nano/ d http://lqes. 2004.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.nanotechbriefs.org d www. 2004. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA.br d www. permitindo uma integração muito desejável.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.br/temas/nano/ d www.ufsc. (Disponível em http://www.inovacaotecnologica.comciencia. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não.edu/~feynman/plenty.S. R.br/Temas/Nano/prog_nanotec.iqm. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 . O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.br/ Sites no exterior: d www.its. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior. QUADRO 7 .com/html/Reports/publications. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais.br/noticias/noticia. a médio prazo. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente.pdf em 05 de Dezembro de 2004).1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA.smalltimes.gov. H. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.inovacaotecnologica.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt. Por outro lado. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi. É.com/ d www.com d www. www. http://www.cientifica. Esses métodos evoluíram separadamente. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.fapesp.mct.br d www.com.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0. (1959). SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica.com.gov. Washington D. na atualidade. 2004.pgmat.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”..

Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase.vêm de longe e têm aumentado com o tempo. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses.2003. SP. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior. 14h00.01. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 . Resumidamente. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. 05. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. (São Paulo. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA. Segundo a autora. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. Motorola. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs.Abril e TAM. no contexto dos EUA. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. XXVII). as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. No Brasil. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas.Atualmente. segundo a mídia especializada. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. Accor Brasil. Banco do Brasil. Ainda segundo essa autora. entre outras.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho.”. esse princípio envolve “. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. no início de 2003. Porém. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim.. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. verifica-se claramente que. Ao que tudo indica. Segundo Meister (1999. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. Petrobrás. Na década de 1950.realizar parcerias com universidades. sendo provável que já existisse um número bastante superior.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. pela General Electric. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. p. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas. em 1955. por meio de pesquisa. conseguiu-se identificar. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. Unimed. No contexto brasileiro.. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas.”.. com o lançamento da Crotonville. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. Fiat. Sabesp. Segundo a autora. McDonald’s. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”.. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston. 1998). . Carrefour.nos EUA..Ambev (antiga Brahma). CEF. Leader Magazine. com relação ao mercado americano. 2005).no sentido de realizar a formação dos seus empregados. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país..

num total de 45 empresas.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. sem. 45% são bastante recentes. possuir Universidade Corporativa. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. com 38% das indicações. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. com 25% das indicações cada.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. a partir de então. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. havendo. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. Gráfico 2 . a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. Entretanto. DE 90 NA DÉC.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . tendo sido criadas nos últimos quatro anos. Learning & Performance . no entanto.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. totalizando 20 empresas. conforme se verifica no Gráfico 2.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. aqui agrupadas sob a marca PUC.

as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. nos funcionários (67%). Segundo. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). Por outro lado.01. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. declarada por 96% dos respondentes. com a qualidade que elas esperam. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. no que diz respeito às desvantagens. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. público em geral. SP. Por outro lado. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. (São Paulo. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos.conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. entretanto. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. clientes. 24. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias.O gerente de marketing e vendas da Sony. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. observando-se mais criteriosamente. formadores de opinião. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. mais adiante. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. Palavras como “competência”. fornecedores.bem como o custo elevado da parceria.nos clientes (11%) e nos familiares (8%). A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se. Eduardo Tubosaka. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta.2003. Quanto ao investimento em familiares. setores afins e estudantes/bolsistas. concessionários. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. familiares. Primeiro.

São Paulo. André L. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%).ed. 1999. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência.São Paulo:FEA-USP . FLEURY. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos.dade cultural e do seu negócio. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. Revista T&D.br/home/noticias/clipping. pp. EBOLI. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. New York: McGraw-Hill. FISCHER. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas. Mark.Marisa et al. ____________.2005. 38-43. 1999. Mark Allen Editor. Nov. Managing. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. 2002. ____________. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. Conforme ficou evidenciado. O estudo revelou que 78. Afonso. girando em torno de 2. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais.. por imposição das limitações metodológicas. pp. contra 34. ____________. 2001.Obtido no endereço http://www. Maria Tereza L. voltados à capacitação de pessoas.Jun.Educação Corporativa. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante. 2000.com. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias. asp?id=2348. O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI. Este é..62% das que não possuem UC. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra. 1998. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force. Jeanne C.5 parcerias por empresa. Estratégias Empresariais e Formação de Competências.114.Ten Steps to Creating a Corporate University. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . ALPERSTEDT. In:FLEURY. As pessoas na organização. Quase 500 universidades corporativas no Brasil. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil. acesso em 22 jul. entretanto. ____________.Tese (Doutorado em Administração) . com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo. 1998.2002. Entretanto.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. como por exemplo. São Paulo: Makron Books.br Mestre em Administração pela FEA-USP. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. The Corporate University Handbook: Designing.Beth. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. FLEURY.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. consultor em Administração.ano X. Human Resource Management International Digest. o número médio de parcerias por empresa.com. professor universitário. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. São Paulo:Atlas. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. ____________. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. MEISTER. Training & Development. Lindolfo Galvão de. 35-36. and Growing a Successful Program. A pesquisa aponta. March/April 1999. 2002. Muito embora os resultados do presente estudo. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários. ALLEN.2000. São Paulo: Schmukler Editores. BIBLIOGRAFIA ACCURSO.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC.Faculdade de Economia. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. portanto. São Paulo: Gente.elearningbrasil.Maria Tereza Leme et al. ALBUQUERQUE.Cristiane.

E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A. TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .

por parte da sociedade. calcados na tecnologia da Internet. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. Isso exige a absorção. Alcançar um estado de eficiência. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 .das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems). Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações. O que parecia.Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. pela busca constante da excelência na administração pública. requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência. transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. em decorrência. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. suportados por novas tecnologias. A nova organização. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). ser uma utopia. vivendo um momento especial na história. certamente. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. Novas tecnologias podem ser adotadas.I.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança).demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. agilidade. agora está se tornando possível. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. especialmente.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. em um passado relativamente recente. A T. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. pública ou privada.

Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. configurando o que.I. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas. Nesta nova “onda”.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. estamos.a primeira remonta aos anos 1920. com altos impactos sobre eficiência.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. agora. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. com menores custos operacionais e muito maior efetividade. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. que muitas vezes se inviabilizaram. para efeito desta análise. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. 1ª GERAÇÃO DE T. desde melhor gestão de recursos. sem que sejam necessários investimentos muito elevados.I. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade.I. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. em que predominaram a busca pela otimização de processos. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. entre outras grandes mudanças. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. melhor atendimento ao cidadão. a “máquina pública” completamente reconfigurada. se ações proativas forem realizadas. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. entre tantos outros: . possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. o impacto é muito mais profundo. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. Poderemos ter. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. Na terceira onda. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. dentro de poucos anos. mas ainda mais para organismos de governo.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. se estendendo além das fronteiras da organização. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas.

desvios e corrupção. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). Primeiro. mais flexíveis. na medida em que os sistemas de informações se integram. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. conteúdos de interesse No 1º Estágio. assim. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. estágios que um organismo de governo pode explorar.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. direta ou indiretamente. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. de um lado. entre tantos outros exemplos. Por exemplo. isto é. já ocorre a comunicação bidirecional. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. e.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. etc. atualmente.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. a disseminação de notícias. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais.consideram-se cinco os estágios de e-government. fóruns de discussão.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. ágeis e de menores custos operacionais. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. e talvez mais importante ainda. Terceiro. em que o governo pode. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. seja na forma de perguntas e respostas. Infelizmente. de outro. basicamente. ainda há uma tendência. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. no Brasil. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes.porque. de licitações do governo. pela participação que o setor público tem no produto nacional. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. o que se promove. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. logo. muito mais facilmente. maior conhecimento das ações governamentais. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. suportados por novas tecnologias. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . que pode ser acessada sem identificação. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. de cargos públicos a serem preenchidos. a partir de qualquer “cyber café”. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. Finalmente. a comunicação de retorno. desvios e corrupção. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. em geral de muito baixo nível. mais de 40% dos recursos totais existentes. em relação a outros países ou à iniciativa privada. No Brasil. Segundo. solicitação e preenchimento de formulários. o setor público consome. para suportar os processos envolvidos.I. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. Neste estágio. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. A Internet. por medo de qualquer tipo de sanção. disseminação. criando-se.

por trabalho humano. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. também. registro eletrônico de autoria e patentes. neste estágio. materiais ou de quaisquer outras naturezas. suportada por padrões e ferramentas poderosas. operando com ciclos de tempo muito mais curtos.Business Process Management. pois. muito maior atenção é dada a essas operações. anomalias indicadoras desses desvios. no caso de governo. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. com ferramentas integradas em BPMS . não só pelos registros ali contidos. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. é o BPM . para cada lançamento. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. com menor carga de supervisão e controle e. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. É. é possível ter um grau de transparência muito elevado. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. Da mesma forma. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. Com a integração de processos. a bancos.integrando-se a processos de outros organismos de governo. antes praticamente impossível. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. relativamente simples. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. inclusive as integrações com a sociedade. o que. mas pela obrigatoriedade de. como ilustra a figura a seguir. as fraudes. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. sejam esses fluxos financeiros.porque são especializados demais. por si só. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. que agrega diversas tecnologias específicas. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. entre tantos outros serviços possíveis. seja internalizada nesses processos. ocorrem transformações de outra natureza. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. se tivéssemos processos completamente integrados. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. Essa nova disciplina. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. são grandes. em geral tratadas fora deles. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. ter-se contrapartida. mais importante. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. Numa situação desse tipo. há erros ou falhas de lançamento. Além disso. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos.Business Process Management . concessão de licenças e autorizações. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. Já em processos integrados e desfragmentados. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento.

Framingham. Judith. European Journal of Information Systems. Jan 2004 .The Brainstorm BPM Conference. condições de exceção. plebiscitos eletrônicos.poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. JP.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions.30. 957. Com essa abordagem.desvios e descontrole. DUBIE. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. Network World. 9. XI Congresso de Informática Pública Conip. 2005 VOLMER. 2003. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. KM World. 2003 .The power of process. 269. etc. TORRES natorres@uol. FINGAR. p. IDG/Computerworld – Brasil. COLMAN. 18. projetos gerados. Iss.Robert. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. Presidente da Unicomm Integração de Negócios. Iss.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores.. Beyond integration. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo.The Brainstorm BPM Conference. a partir de critérios como datas-limite. 2003 . 2002. Norberto A. Iss.por exemplo. TORRES. TAN. CRN. ORR. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. p.Janet K. como. etc. 20. New Directions in BPMS Technology. S4. Issue 9. 2003.BPO meets BPM . Charles. 1. p. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. REMUS. Por meio de tecnologias orientadas a processos. SILVER. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. 4. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 . Chicago. 12.Camden . Com processos inteiros. CMA Management. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. Chicago. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. 13. 57. WETTENHALL. Guarujá.e não para o benefício daqueles que governam. proporcionando maior transparência. 3.Vol. 2005 __________________. 13. 2005. Ken. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce.Forrester Research. SMITH. Is. p. Issue 1. MORGENTHAL. 41.. Leveraging Process Modeling for Business Value. Manhasset. por exemplo. Chicago.V. NORBERTO A. Shan L. Bruce. DARROW. Chicago. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS). 2003. Knowledge and Process Management.The Brainstorm BPM Conference. 77. Chicago. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. altamente suportados por tecnologia. Is. Meghan-Kiffer Press..O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado. Peter. V . 2005. Chicago. 2005.).Oct 2003 .Accelerating BPM with Business Rules.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. BPM: no just for the big kids on the block.The Future of BPM. Is. 10. Processos e Sistemas Ltda. 2003 . Naveen. Integrating processes: The next Nirvana. Jericho.. decisões tomadas.12. Barbara.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). Public Organization Review.Vol.. KM World . Hamilton: Feb 2004. p. Camden. p. históricos. Roger. PUCCINELLI. Robert. Francisco & SANCHEZ. WALL. Dec 22-Dec 29. orçamentos participativos. São Paulo. 2005. SOA .Ken. Idort/PMSBC. 2004. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas. 2003. HALLE. 45.The Brainstorm BPM Conference. 51. p. Joseph.V. Sep 29. New structures for strategic growth. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo.The Brainstorm BPM Conference. Vol.isto é. p.Barbara von. 3. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. Resenha do livro Caminhos da transparência. I.Chichester. 237. na área de Contratos/ Projetos/ Obras.Systems. etc. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. Business Process Management – The Third Wave. redução de fraudes. pendências registradas e controladas. através de processos. Ulrich. __________________. InformationWeek. FONSECA. Howard & FINGAR. publicada na Revista do Livro Universitário. Dordrecht: Sep.Vol. Denise. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management.com. documentos associados. Oct/Dec 2003 . 2005. LAMONT. p.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference.V. p. 4. Is. 2005. Peter & BELLINI. Chee Wee & PAN. 8-9. Sep 29. Meghan-Kiffer Press. muito maior agilidade. The Real-Time Enterprise .o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. 21. ERASALA.All or Nothing.Basingstoke: Dec 2003. Oscar Adolfo. 1064.

sociais. Além de questões políticas. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. a junção. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco.etc. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. No início dos anos 1970.corrupção. sobretudo. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e. desperta a singularidade para a sua . econômicas. ou melhor. a conjunção entre um bios e um ethos.descrédito das instituições. culturais ou religiosas.Crises de governo.falta de compromisso com os eleitores.. pelo menos. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou. Como uma tendência que nos é natural. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. deixado de lado em vista dos avanços técnicos.sobre os princípios que regem as sociedades. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética.

É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. a promovê-la. uma vocação. O primeiro é uma história fictícia. os autores que escrevem sobre o argumento. É como se vivêssemos por um fio. ou seja. Certamente. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. tanto na ficção como na vida real. os cursos. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. depois de um plano meticulosamente elaborado. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. direito este negado pela própria justiça espanhola. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. geraram-se vários problemas. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político. sobretudo. um dos principais casos estudados em Bioética. Hoje. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade. as comissões. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. a protegê-la. a diferença faz a diferença. para o que estava além da realidade. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. consegue o seu objetivo. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. cultural. Somos chamados a cuidar da vida.Ao mesmo tempo em que é refém. erros. é também fruição. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. redescobrir o humano na técnica. voltar-se para o que estava no início e.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. A vida em sociedade é linguagem e. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). como estamos acostumados a entender a união. mais básica do que qualquer vivência social. Certamente. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. vasculhar as cavernas do início da civilização. política ou econômica. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. por conseguinte. mas para a diferença. cana Terri Schiavo. enganos. Ao final. dissimulação.ambos permanecem o que são: diferentes outros. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó.como diria Michel Renaud. portanto. quando temas como a eutanásia são. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. assim. a Bioética já é uma pos- tura. mentiras e verdades. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e. sobretudo. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. podemos.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. as tendências de pensamento sobre este assunto.responsabilidade. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. isto é. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. sim.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. é uma relação originária. etc. uma decisão. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. Na realidade. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. Em Potter.

E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas. hostil”. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. pois clama por vingança. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano.Assim. enquanto ainda há tempo. Somos responsáveis por tudo e por todos. isto é.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada.A vida depende dessa prevenção. ou seja. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior. de certa maneira. vista como uma doença. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. como um ser capaz de assassínio. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria.ao mesmo tempo. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. de certa maneira. A Bioética é uma postura.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. Neste sentido.com. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual.etc. Para o autor. só os seres já impregnados de impureza. já contaminados. mesmo fortuito. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. com todo contato violento.vontade e razão. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. não hesitam em se expor. o sacrifício tem um caráter preventivo.Assim sendo. a fortiori. Se todo contato. já que a violência voluntária ou vingança é. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. como diz Girard. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. já que a violência voluntária ou vingança é. Por conseguinte. e todos os dilemas que se apresentam. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade. convém da mesma forma. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. Enfim. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. um ato “criminoso”. na verdade. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. da Aids ou das guerras. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência. vista como uma doença. uma pré-visão do perigo. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol.

apesar de apresentarem resultados positivos. coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição. 16. na maioria das vezes. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. (São Paulo . quando tratado de maneira isolada. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. Esse viés de contribuição. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla.SP. representam. visão. conseqüentemente. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. Essas iniciativas. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. ações pontuais e desconectadas da missão. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. embora relevante. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. na Comissão Brundtland.2003. investindo na relação ética. mas talvez um posicionamento diferente. seja pela via do estímulo ao voluntariado. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. Em muitos casos. seja pela via do investimento social privado.12. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. práticas de negócio e processos operacionais. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 .

a lógica de mercado. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade.09. na Vila Prudente (zona leste de SP). Em muitos casos. econômicos e sociais e.meio ambiente.fornecedores.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. empresas de transporte e mobilidade. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. que a empresa cresça. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. conseqüentemente. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança.acionistas.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. 22. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais. a partir desse pano de fundo. Dito de outra maneira. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 .clientes. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. empresas de saúde. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança. ainda.2004. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. (São Paulo. O conceito de responsabilidade social empresarial traz.governo e sociedade. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo. Já a sustentabilidade empresarial. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. em última análise. e assim sucessivamente. nos processos. nos modelos de negócio.entre outros. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. então. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. produtos e. mas também no resultado ambiental e social adicionado. SP. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa.A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. os chamados stakeholders – público interno.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. de forma permanente e estruturada. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. por exemplo. As empresas podem. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. seja rentável e gere resultados econômicos. segundo o Instituto Ethos . focando não só no resultado econômico adicionado. na realidade. Em outras palavras. Por outras vezes. comunidade. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe. as empresas automobilísticas. Em última análise. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta.

de longo prazo.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . Além disso. 17h32. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. com o uso de alternativas inteligentes de consumo. educação.2003.SP. 16. Por outro lado. associando a ela valores positivos. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. sustentável. menores índices de turnover e atração de novos talentos.org. erradicação do trabalho infantil. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. porém. mas de um jeito diferente. que Angélica. 17. Digital) vai além do produto tangível. pela PUC/SP. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. A idéia central da iniciativa é construir. {São Paulo . Com relação à cadeia de fornecimento. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. Entre os dirigentes organizacionais. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. melhoria na distribuição de renda.org. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. de produção. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação.criando uma visão compartilhada do negócio. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. Com base nesse diagnóstico. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. sejam elas de comunicação. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos. pode-se observar um maior nível motivacional. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. Para que o processo se estruture de maneira sólida. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis. gradualmente. dentre outras). a empresa melhoraria outros processos. com mestrado em Desenvolvimento. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa. Para que a mudança na organização seja efetiva. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. Para o sucesso dessa empreitada.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial. reutilização e reciclagem de materiais. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. pela FEA/USP e em Direito. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. tornando-os parceiros neste desafio.12. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos.

Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. nanofiltração. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. o que é conseqüência da baixa demanda. 23. SP. Contudo.07. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes.Estação de tratamanto de água. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. que fica no Alto da Boa Vista. da Sabesp. ultrafiltração. incluindo a microfiltração. osmose reversa e troca iônica. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 . (São Paulo. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia.2004.

podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. seja de origem doméstica ou industrial. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. potencialmente. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. 1998).com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. possivelmente. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . Por outro lado. que no Brasil. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). atualmente. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. conseqüentemente. 2005). podem estar presentes em um efluente líquido. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. foram desenvolvidas no início do século XX. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. como é o caso dos Estados Unidos. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. na maioria dos casos. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. Como exemplo. não atendem às necessidades de regiões específicas. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. e que. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa.

• osmose reversa. Em relação ao processo de eletrodiálise. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana. Isso. • nanofiltração.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA.001 Nanofiltração 5 -35 < 0. verificase que os processos de separação por membranas.00 15.001 . Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos.00 50. 1998 e MULDER.1 0.00 45. Em primeiro lugar. CHERYAN. A baixa competitividade no mercado interno. utilizando-se tecnologias diversas. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países.Os processos de microfiltração.40 1.por sua vez.80 0.ultrafiltração. 2. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 . 2001). o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana.00 20.00 1. 2003): • microfiltração.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto.00 0. Diâmetro do poro (mm) < 0.Por exemplo.001 Ultrafiltração 0. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos.0.00 CAPACIDADE (L/s) 35. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. • ultrafiltração.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples.00 30. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada.20 1. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema.1 . 1996. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas..20 10.40 1 -10 0. Como conseqüência. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.80 1.60 CUSTO (US$/M3) . associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água.00 25. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores.5 Figura 2 . devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 .00 40. Como exemplo.

que realiza análises de água. CHERYAN. M (1998). Ultrafiltration and microfiltration handbook. Second Edition. REFERÊNCIAS AWWA (1996).Water treatment membrane process.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Second edition. The latest CAS registry number and substance count. CAS (2005). Odendaal and Mark R.org/cgi-bin/regreport. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos. acessado em 02/03/2005. McGraw-Hill.pl. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. Lyonnaise des Eaux. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. D8230. Bureau of Reclamation. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. Dentre as opções existentes.Wiesner. No entanto.Total plant costs for contaminant fact sheets. Water Research Comission of South Africa. 2003. MULDER. Chemical Abstract Service. U.cas. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . Department of Interior (2001). JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo. Editorial Group Joël Mallevialle. Reprinted. DR. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. M. Peter E. CRC Press. Kluwer Academic Publishers.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas.03. http://www. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. SP. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. (São Paulo. podem vir a se tornar competitivos. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. 564 p.S. por exemplo. 31. Basic Principles of Membrane Technology. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. carvão ativado e oxidação com ozônio.2004.American Water Works Association Research Foundation. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente.

dos impactos ambientais por elas causados. advindas basicamente da tomada de consciência.Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP). Este programa de ação internacional. que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. eficiência econômica e justiça social. Foto de Juca Varella/Folha Imagem. por parte dos governos e da sociedade civil. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). as sociedades industriais passaram por sérias transformações. SP.2002. 18h. Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4). . O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. 04. (Jacareí.03. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92).

que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. Evidentemente. Pesquisas realizadas mundo afora. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. toda empresa tenta realizar economias. o metalmecânico. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. Na década de 1990. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. o controle e a disposição final dos resíduos. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. resíduos e transferência de tecnologia. poluição esta que se configura como. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). Por exemplo. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. organização sem fins lucrativos. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. o metalúrgico.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. Em 1985. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano).em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). por exemplo.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. em diversos tipos de empresa.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. e. a farmacêutica. como o têxtil. de produto e de práticas de housekeeping. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . de gestão da informação. mostram a eficácia da prevenção. são formados: em 1994. a química.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria.em especial nos que abordam energia. transportes. O item 4.outros grupos se formam.National Pollution Prevention Roundtable). começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. Ao longo desses anos. se contabilizadas. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. por exemplo. após eles terem sido produzidos. bem como ao uso eficiente destes recursos.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. uma ameaça social. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. Assim. Dentre esses sistemas. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 .em diversos países. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. Compreensivelmente. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. a gestão de resíduos.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. No Estado de São Paulo. dentro do próprio processo produtivo. de gestão da produção. A reciclagem interna. industrializados ou não. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos. que são a remediação. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. entre outros. como o de gestão do pessoal. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2).sanitária e econômica para todos os países. em seguida. etc.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa. de matérias-primas. Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte.

que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. De todo o exposto acima. imagem da empresa. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e.2001. ou seja. prevenir na fonte a poluição do ar. (Santo Antônio de Posse. prêmios pagos às seguradoras. seus instrumentos de divulgação. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. saúde e segurança do trabalhador. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. em Santo Antônio de Posse (SP). pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. posicionando-se como parceiro do PNUMA . visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. a empresa irá mudar as condições na fonte. utilizando toda a sua estrutura. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. produtos e serviços. sua influência e sua capilaridade no interior.reduzir o uso de recursos naturais. para a empresa. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. O mais interessante de tudo isso. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. através do seu presidente Cláudio Vaz. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. no período de 12 a 14 de setembro de 2005.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. Assim. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . introduzindo matérias-primas mais puras. em geral.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. estes muitas vezes problemáticos. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. calculando seu retorno financeiro que. na própria origem da geração de resíduos. Além de reduzir seus riscos. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. A CIESP. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. é rápido. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. 13. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. SP.06.

131 .com. desenvolvendo projetos sob encomenda. Meio Ambiente. entre outras • Concursos . Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação. ensino. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. Saúde.cj. a FAT propõe.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. indústria e meio ambiente. • Cursos .Especialização. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra.Vestibular. 42 .SP .Bom Retiro . Transportes e Indústria. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso. entre outras.br Rua Três Rios. estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. pesquisa e treinamento. A FAT posiciona-se. saúde.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 . assim.São Paulo .

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

respectivamente. METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. nomeadamente a adequação da política de qualidade. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. por outro. Na seção 3. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). Mais especificamente. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. bem como à prática empresarial. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. por um lado. as mudanças estratégicas. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. tecnológico e organizacional pode ser afetada.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 .marketing e distribuição. respectivamente. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. design. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. seja em aspectos técnico-produtivos. englobando as áreas de design. partes e componentes. a partir deles. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. P&D e distribuição) pode ser afetada. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). gerenciais e operacionais associadas mais importantes. conforme descrito na seção 2 a seguir. e. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. em geral.INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo.desenvolvimento. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio.

por outro lado. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes. relataram que.Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D . a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma. cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes. investigaram-se os impactos internos e externos associados.Melhora da competitividade H . Finalmente.Pressão de clientes K . a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2).ainda nesse aspecto. e assim por diante. (2) segundo motivo mais importante. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos. isoladamente. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET.Orientação estratégica B .Busca de novos mercados J . o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A ..Melhora da imagem da empresa C . uso de Ferramentas da Qualidade.via treinamentos técnicos). revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade.Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . Neste ponto. mostrou.Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000. 1 . estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET. com diferentes graus de intensidade.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET..que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total.Melhoria da qualidade dos produtos F .. . aqui. o que pode ter afetado tal percepção. 2 . e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET .Essas empresas demonstraram.. bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa.Aumento da flexibilidade dos processos G . em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas.Assim.. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa.. 8 3 de educação para a qualidade.. Em ambos os casos. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores. percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas. . Este resultado era esperado. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto.. Programa 5S.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E .. por um lado. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. Note-se. clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade.Obrigação imposta pelo governo L .quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. ambas as empresas pesquisadas. por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999. mas integrado a um programa de qualidade ampliado. . de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante. obtido em 2004. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro..

inspeção. de longo prazo. com sua implementação e manutenção. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . (2) segunda mudança mais importante. Neste aspecto. de longo prazo. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). mas Estável. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. pode-se ponderar. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. em sua(s) especialidade(s). Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes.. e assim por diante. engarrafadores). Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante.... Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas . em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa.

dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. por outro.) de empresas e utilização de questionários abertos.além de aspectos técnicos do produto. além de funções comerciais (Suprimentos. o primeiro. Ainda que não apresente representatividade estatística. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . Logística. realizada por meio de estudo de dois casos. design. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados.de modo que passaram a cooperar mais. com fornecedores e clientes. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. mas também. diferentemente deste último. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil. De fato. Compras. marketing e distribuição. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. Assim. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. geografia de mercados atendidos. dependendo. etc. Qualidade. Vendas. interpretação e utilização posterior dos resultados. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. neste artigo. Ainda a esse respeito.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. elo da cadeia de valor. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. tais como Assistência Técnica. Tratou-se. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). sobretudo. origem do capital controlador. em aspectos tecnológicos. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. No que se refere às primeiras. que inspiram cuidados na leitura.Já quanto ao método utilizado. etc. gestão e. em algum grau. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. especialmente em aspectos técnico-operacionais. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. embora em menor intensidade. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. de caráter exploratório. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. organização. Nesse sentido. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. especialmente na esfera produtiva. em termos de volume de produção e participação de mercado. aqui. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. por um lado.

Output of the. R. 16 p. 2001. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers.. & SCHMITZ. Institute of Development Studies. & KAZMI.(menor necessidade de supervisão).. NADVI. IDS Working Paper.ac. Com relação às variáveis intervenientes.uk/ids/bookshop/wp/wp156. b) de forma similar. n.ac. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. Disponível em: <http://www. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados. em termos de estratégia e políticas.pdf>.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes.com.. F.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. & WÄLTRING. Proceedings. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. 13-17 feb. K. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. Brighton.pdf>. feb. 156. 2003.Cabe a cada empresa. H. may 2002. Acesso em: 16 jun.. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. infra-estrutura e modo de operação.ids.construir um ambiente integrado e propício.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. J. QUADROS. [2001]. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. Draft for. cultura e recursos humanos. cabe destacar. Global quality standards. 2003.Diretoria da Presidência 47 .não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno. 50 p. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado.. K. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). 2001. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada. [2001]. Acesso em: 16 jun. 2001.. Brighton: University of Sussex. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY.ids.ids. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra.pdf>. portanto. Brighton: University of Sussex. Disponível em: <http://www.. Assessora Técnica . Acesso em: 02 jun. Brighton. 2003.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid. como características do setor e da natureza do produto. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. Como foi preliminarmente constatado. Brighton. Brighton: University of Sussex. Em conclusão. Institute of Development Studies. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona.ac. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes. Global standards and local responses. 2001. S. Brighton: Institute of Development Studies. Global standards: implications for local and global governance. NADVI. Disponível em: <http://www. Institute of Development Studies.

advindas basicamente da tomada de consciência. . só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”.tem dúvidas sobre sua eficácia. pa L K sd f gh jk l .com alguma seriedade.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação. Pessoalmente.E RY UIO A SJ M. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas.dos impactos ambientais por elas causados. Um dos motivos para isso é que não descobrimos. L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado. . ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados.qwert yu VBN io XC ' . De fato. ' z x c v bn / m. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. QW E R YU CV 'X . quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial.por parte dos governos e da sociedade civil. Como mensurar o quanto os boletins internos. seja utilizando qual mídia for. ainda.

E com- Comunicação. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações. murais físicos e eletrônicos. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento.antes de mais nada.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda. perdão. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. internet. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. etc. mas principalmente ouvir. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. mesmo que por poucos minutos.). impressos e eletrônicos. intranet. ops!. Isso vale para os públicos interno e externo. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. em Nascimento da Era Caórdica. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). consultorchefe da J.”. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”. pais e filhos.tido. o diálogo muitas vezes é difícil. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo.e vale para pessoas e organizações. todos faríamos.”. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona. Fácil fosse. melhor dizendo. autor do best-seller O monge e o executivo.que está na lista dos mais vendidos há semanas. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro. colegas de trabalho. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano.fundador e CEO emérito da VISA. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. James Hunters . Para complicar.Não sem razão. professor e aluno que não se entendem. rádio jornal on-line. desperdício de tempo e dinheiro.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem. Isso exige sacrifício. são marido e mulher.é uma atitude.recorro a Paulo Freire na conversa. Tanto para empresas como para pessoas.D. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem. Dialogar não é apenas falar. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando.Associados. videojornal online.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade.Dee Hock.

DAVI MACHADO davim@uol. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l .sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. de Paulo Roberto Mota. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. participação. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. é atitude. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. Espanha. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. de forma integrada e estratégica. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). Publicidade é divulgação. . seu senso de comunidade. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. Comunicação é troca.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. para estimular a participação e difundir valores internamente. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. pergunte. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). seu significado e seus valores. busque informações. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa.por exemplo. mas quando ela é tomada. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. já está em processo de decadência e dissolução. Assim. pág. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. seus princípios. sobretudo. comunique-se. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. de princípios e de valores.não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos.com. responda e. Isso torna o processo de decisão lento. professor da Fundação Getúlio Vargas. (Nascimento da Era Caórdica. ouça. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. o documento volta a passar um a um novamente. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. As organizações que têm consciência disso. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. Sabendo mais e melhor. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado. explique.br Jornalista. 119). wertyu CV io 'X pa K L. de forma estratégica. no método de trabalho ringi. pela Universidade de Mondragon. De novo me apóio em Dee Hock. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade.

tratamentos de pele. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. cortes de cabelo. planos de previdência privada. pães. manter seus clientes. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . roupas. iogurtes. Na esteira dos bens e serviços.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. merchandising. como computadores. máquinas fotográficas. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. pastas de dentes.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. queijos. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. entre outros. no mínimo. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. ginástica e ativos financeiros. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e.

A ancoragem nos atos dos outros. Não surpreende. As ATMs bancárias. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo.sadas. mas não resolve o problema. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. ao lado de seus cinco pares de tênis. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra.com. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. quando der vontade. Essa liberdade de escolha. (São Paulo . análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. Pesquisa e Consultoria. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. e atributos específicos. pode atenuar. marcas. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. ou seja.br Coordenador de Cursos. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. Mas Do seu lado. office-boy do hotel Caesar Park. Provar FIA . com seus modelos e marcas historicamente determinados. Além do número crescente de opções àa sua escolha. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. recuperação. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. entre eles um Nike que comprou em três prestações. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. portanto. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica.

Corriam algumas de um lado para outro. SP. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. na exposição "Cinético_Digital". sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. No Centro Pompidou. orgulhosos. de Raquel Kogan. em São Paulo (SP). grupos de crianças muito pequenas – de 4. no Itaú Cultural. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores.07. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. já na faixa dos 10 anos. crianças um pouco maiores. 01.2005. outras atentamente ouviam as explanações da professora.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. (São Paulo. de história francesa. como alguns quadros de Kandinsky e Miró. museu dedicado à arte do século XX.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes.Alguns pais acompanhavam a visita. No Museu Carnavalet.

07. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". ser uma sociedade completamente insustentável. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. Cluny. É urgente um investimento maciço em educação. em São Paulo (SP). com responsabilidade e seriedade. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. com seus acervos permanentes. 01. ONGs e institutos. somados às mostras temporárias. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. porém. peças de teatro e oficinas. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. mas ali. mas ainda é pouco. Marmotan. por exemplo. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. E. tanto em tecnologia quanto em conteúdo. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. ambos publicados pela Ateliê Editorial. articulados. pode. que fazem toda a diferença. ainda calcado em elementos humanos e originais. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. O Instituto Itaú Cultural. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. por exemplo. . trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte.em parte. se não quisermos. em 20 anos. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. no Itaú Cultural. principalmente. a resposta seria o espanto. Picasso. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. de Raquel Kogan. caso houvesse resposta. SP. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas.2005. dessa condenação sumária. comunidades. cruzei com uma excursão de estudantes italianos. Louvre.br Médico e escritor. adolescentes atentos. Com o interesse crescente pelo computador. outros tipicamente dispersos. na exposição "Cinético_Digital". Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. (São Paulo. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas.Discordo. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. apresentar-lhes obras e elementos artísticos.com. No Museu Rodin. Na cidade de São Paulo.

apoiado pela FAPESP.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira).LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. V. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. segundo modelo próprio adotado. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. Em meados da década de 1990. Do lado prático.A expectativa. no âmbito do PRONEX . é que o estudo. na forma de projeto temático.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. ele começa a ser reestruturado e. R. 333 páginas. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. em suas diversas camadas. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. vindo a público com esta publicação. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. do lado acadêmico. R$ 30. do governo e do meio empresarial. desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços.GALINA Publicação PGT/USP. e pelo CNPq. iniciando-se com um panorama do setor. passa a atrair ainda mais a atenção da academia. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . Está organizado em nove capítulos. sempre se destacou no Brasil. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V.

Brasil Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.fia.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing. Brasil Informações: d http://www. Brasil Informações: d http://www.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador. China Informações: d http://www.com.fatecsp.fia.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo.org .com.iamot.

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