Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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Respondilhe que não queria participar. Eles chegaram em 1936. preparei a documentação e. porém. cada um fazia uma coisa. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. talvez eu consiga entrar no negócio”. uma empresa. que também desistiu. tenho ido.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. para se encontrarem em Nova York. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. só que dirigida também para os livros.Meus pais falavam russo apenas entre si. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. Aliás. tornando-me assim sócio da empresa. eles tinham o apoio da Klabin. tivemos uma governanta russa. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. não de livros raros.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. eles . Não havia um presidente. Não pensava em formar qualquer biblioteca.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. ou seja. Vieram para o Brasil em 1910. Quanto aos livros. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. que. Comecei. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. No mais. começaram a faltar peças. Foi quando vieram para o Brasil. eram apenas amigos. como aconteceu por um curto período. principalmente à Sala São Paulo. no fim. a ler e a biblioteca resultou de leitura.tanto que a nossa língua em casa era o português. acabei aderindo ao empreendimento. Não pensava em formar qualquer biblioteca. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. sim. Bom. mas foi crescendo. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. Então. porque como eu falava muito. Na época. A empresa começou muito pequena. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo.Nunca pensei também em ser empresário. com eles. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. Assim.pelo menos não naquela ocasião. Quando é que começou esse amor pelos livros. que era meu amigo. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. ao que se sabe. no entanto.de novo por acaso. e saíram do país por caminhos diferentes. E já que o problema era o capital. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. O senhor. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905.à última hora desistiu do negócio. Eu era advogado deles. Ciência e Tecnologia. O interessante é que. De que origem eram seus pais? De origem russa. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. mas sempre em harmonia. falei com um amigo meu. mas de leitura corrente. diziam que eu ia ser advogado.Mas esse não era o plano. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. ela não foi planejada. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. em 1910. Essa história é verdadeira? É verdadeira. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. Lia-se muito em nossa casa. do tempo do nazismo. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. perderam-se de vista. Mas esse não era o plano. que falava francês perfeitamente. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. na Rússia. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919.

Fiquei no cargo por quase um ano. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. vamos ser claros. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. no sábado a gente sempre ia para lá. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. o que naturalmente eu fiz. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Além disso. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. não vamos falar mais nisso”. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. A pessoa respondeu que. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. mas o que ele tinha no escritório. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. que começou a conversa sobre a questão de tortura. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro.na casa do Plínio Doyle. o Décio de Almeida Prado. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. Ou seja. Explica-se.o Celso Lafer. Mas aí eu lhe disse: “Olha. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. já está havendo um começo”.visconde de Porto Seguro”. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. que hoje são reverenciados. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. eu disse que achava que não dava para aceitar. de teatro. mas política era assunto proibido. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. naquele mesmo dia. Ciência e Tecnologia. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. mas insisto que não tem apoio popular. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. ENTREVISTA Mas. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. uma série de edições raras. mas enquanto conversava. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. Por exemplo. Mais tarde comecei a encontrá-los. o Le Figaro. Ela respondeu que não. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. na época.a Renina Katz. A biblioteca dele foi para o Itamaraty.O Fábio Comparato era. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. provas que não foram publicadas. que era como a secretaria se chamava na época. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. diretor da empresa. mas ela não tem a aprovação popular. a ele e ao Pedro Nava. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. Com tudo isso. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. Não vou negar que exista. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. Só se falava de literatura. Então consultei uns amigos. em 1878. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. denominado “Sabadóyle”. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. entre eles o Antonio Cândido. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. um tal de Porto Seguro. de coisas amenas. existe tortura sim no Brasil. que era uma livraria de literatura francesa. foram para o Chile. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. Ao longo desses anos. de fato. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 .

800 ilustrações. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo.Quando cheguei lá eram 180 volumes. É. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. quando estive lá. mas foi uma revolução. Ora. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. abriram-se novos horizontes. na verdade.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. outra hora era da Espanha. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. ele já tinha 95 anos e estava de cama. que era tenente. porque era meio caro. Voltei com quatro malas. os descendentes de um dos protagonistas. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. já que as populações eram analfabetas na sua maioria.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. por exemplo. A gramática do Anchieta. mas ele queria o pagamento à vista. um telegrama de um livreiro amigo. sobre o tupi-guarani. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. buscando tecnologia própria. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. E de Portugal. bém a comprei por acaso.Na verdade. Não tive dúvidas. venderam para o tal português chamado Assunção. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. assim por diante. Tenho. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. uma difere da outra com pequenas variantes. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. brasileiras e algumas argentinas. por exemplo. holandês. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo.. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular. E isso não se deve fazer nunca. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. Eu acabei tendo as duas edições. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. Um que é o Livro de Horas de 1480. é um grande livro que serve à história do mundo. anos depois fazia o número 2. Mas. Era uma documentação original das autoridades portuguesas. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. com a invenção dos tipógrafos. Dela se conhecem 18 exemplares. Ademais. que é um dos exemplos do que foi o livro. outra que está à esquerda. Detalhe: entre 1455. escrito em pergaminho. comparada à revolução da informática.. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. E com a Metal Leve. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. 92 quilos de peso. Recentemente. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. me oferecendo preferência na aquisição. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. mas não podia recusar e comprei. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. enfim.todos em grandes bibliotecas. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. . Tenho a primeira edição de Camões. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento. Recebi. Possuo. Então veio pelo correio. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. depois o número 3. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. Enfim. um dia. Como não havia arquivo naquela época. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. foi a certidão de nascimento do Uruguai. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. que uma hora era de Portugal.

os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra.: 11 6958-1310 policom@uol. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof.br Todos os direitos reservados. Folha Imagem. capa: Couché opaco 150 g. Dr. Victor Sonnenberg Profa.1807-9687 Rua Três Rios. Dr. por meio da divulgação de matérias. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. A FAT mais uma vez procura.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos. César Silva Diretor Administrativo Prof. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN .612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . Acabamento: lombada canoa.Bom Retiro São Paulo . Silvia Regina Lucca Prof. Dr. Número de páginas: 48. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri.com.com. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. Dr. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes.br Diretor-presidente da FAT.com. Papel do miolo: Couché opaco 70 g. da Silva.com. Dr.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A. 131 . Remo Alberto Fevorini Profa.Número 3 . professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. eletrônico ou impresso. à bioética e à Produção Mais Limpa. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. por meio de sua revista. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm.com. formato aberto: 416 x 273 mm. 4x4 cores. Almério Melquiades de Araújo Profa. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof. 42 . responsabilidade social e ética & educação. No eixo educação. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. os livros. sem autorização prévia. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. com ênfase na sua grande paixão. Na questão da responsabilidade social. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia. A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições.cj. assuntos relacionados à nanotecnologia.br . incluindo capa. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. Yolanda Silvestre Prof.ester@uol.br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra. Em tecnologia abordamos. Dr. Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15. levar informações ricas e atualizadas. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof.SP .br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe.com. Impressão: Offset.com. Estamos procurando fazer a nossa parte. Manoel A.com.br Fotos Júlio Hilário.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof. entre outros. Dra.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. Nesta edição.tel. verniz de máquina capa/contra-capa. Walkiria Barone Fotolito. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . pesquisas e prestação de serviços de assessoria.

TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA.2005 . 1976 óleo sobre tela. 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II .NÚMERO 3 . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”.JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica. como a industrial ou a da tecnologia da informação. A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução. um detalhe da mosca (10 -2). um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante. Assim.ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 .assim. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo.Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação.web. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. diferente destas. o olho da mosca e detalhes deste órgão.ch/microcosm). O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. 1]. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9).cern. No entanto. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. Fonte: CERN (http://microcosm.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento.totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente. Micro e Nano . a base deste sensor (10 -7). a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado.escalas. Em outras palavras. Macro. onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. QUADRO 1 .A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). o olho da mosca.cern. lembrando um favo (10 -4). O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se.web. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1).

Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas.Além disso. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. Além disso. portanto. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. junto com tecidos convencionais. materiais para regeneração de ossos e tecidos. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. são as grandes propulsoras. Nessa escala tem-se. e é conhecida como abordagem “top-down”. sistemas de observação miniaturizados. Alternativamente. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas.veja Quadro 3). existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). novos sistemas de visualização não invasivos. certamente. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. circuitos eletrônicos mais eficientes. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. como física. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. novas possibilidades de reciclagem. processos otimizados de micro e nanorreação. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. molécula a molécula. a nanometrologia. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. podemos imaginar medicamentos que. em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. dispositivos MEMS. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. novos tipos de bateria. Em todas elas. como o próprio coração. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. Como mencionado anteriormente. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. veja Quadro 5).Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 .a nanobiotecnologia e a nanomedicina. microarranjos para sistemas de análise de DNA. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. arranjos protéicos para diagnóstico.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. ministrados a um paciente. novos processos de fabricação. nanocompósitos resistentes a fogo. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). vidros resistentes a fogo. implantes totalmente biocompatíveis. pneus mais duráveis. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. como demonstra o Quadro 6. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. está sujeito a interações com o mundo exterior. aumento na velocidade de processamento da informação. novos métodos de limpeza de dentes. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. Nanotubos de carbono. nanopartículas contra alergias. elétricas e magnéticas. fotossíntese artificial. tecidos que repelem manchas em tecidos. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. tecidos mais leves e rígidos. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. plásticos não inflamáveis. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. kits de autodiagnóstico. São as chamadas tecnologias convergentes. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). como a natureza está acostumada a fazer. química e biologia. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . células de combustível. Primeiramente. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. proporcionalmente. telas planas. sistemas de comunicação wirelesss.

cerca de 0. 0 0. Para se ter uma idéia.dependendo do tipo de aplicação desejada. conforme a ilustração à direita. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 . para certas tarefas. Ele é construído em materiais supercondutores. para sua operação.QUADRO 3 . produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. como somar números. Nessas condições. Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. por um magneto).6 0. dimensões nanométricas. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. entre outros.8 Nanotecnologias”. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro.2 0. Para isso. ordenar palavras. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Assim. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. por exemplo. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização).4 0.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. etc. chamada de quantum de fluxo magnético. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo.. ela se divide entre os dois ramos do anel. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. na atualidade.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). em 2001. como mostrado na (Figura a seguir). ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. como o nióbio. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. Como exemplo. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. Em essência. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. Por outro lado. Os quadrados em ouro são terminais de contato. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. Quando comparados com outros países.

por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. elétrico e magnético é diferenciado. com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas.Nanotec 2005. dentro de suas possibilidades. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. produtos e materiais nanotecnológicos. Por isso. deverão investir fortemente em (N & N). Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. ablação via Laser e deposição por vapor químico. o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. 2] . foi realizado. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. de transistores. 3]. de displays planos. cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. evaporação de solvente ou separação de fases. Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. com vistas à formação de recursos humanos. O governo está apoiando esse esforço. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. os institutos de pesquisa e a indústria. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. afetando características importantes do produto como estabilidade. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. em um arranjo hexagonal.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. juntamente com a exposição internacional de projetos. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. em São Paulo. Seu comportamento mecânico.braço fundamental da (N & N). QUADRO 5 . comparáveis a suas contrapartes internacionais. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. de sensores e de atuadores. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. É importante ressaltar que a microtecnologia. mas. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). ótico. em que a produção de emulsões é etapa crucial. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas.

com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . vidro. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. a nanotecnologia. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. processos químicos. Os desafios são inúmeros. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. se diferencia-se da nanotecnologia. etc. com dimensões típicas de 0. empresas. quando adequadamente coordenada. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. Inglaterra. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. eletrônica. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. que articulem a cooperação efetiva entre governo. nêutrons e elétrons. quando aplicada às ciências da vida. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. manipular ou imitar os sistemas biológicos.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. como: silício. Ex. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. Está composta de átomos. magnetismo. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. Esta.1–100 nanômetros.1 a 100 mm. Desta forma. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões. Prevê-se que os aspectos sociais. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. Está composto de prótons. universidades e institutos de pesquisa. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). para aplicações em: acústica. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. cerâmica e polímeros. representando países distintos – Estados Unidos. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. recebe o nome de nanobiotecnologia. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. biomedicina. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. síntese.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. baseando-se em princípios de microfluídica. para integrar e miniaturizar dispositivos. Israel e Brasil –. processos térmicos. devem examinar. manipulação e aplicação de materiais. criação. biotecnologia. Nanotecnologia É o estudo. Essa convergência tecnológica. mecânica. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas.realizado em 5 de julho último. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. da biotecnologia. fabricado com moléculas. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. componentes e microssistemas.Durante o evento. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. dado que se ocupa de estruturas atômicas.000 nanômetros. a introdução de um processo contínuo. ótica. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. Deste encontro. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . projeto. com a presença de quatro palestrantes. O átomo é a menor entidade química. Microtecnologia A Microtecnologia.

gov. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.com. R. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química.foresight.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt. 2004.. http://www. 2004.fapesp. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar.pgmat.br d www. Esses métodos evoluíram separadamente. H.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.edu/~feynman/plenty. www.com/html/Reports/publications. May. SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não.br/ Sites no exterior: d www.br d www. (Disponível em http://www.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0. 104 p. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais.caltech. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado.S.. Por outro lado. Washington D.ufsc.br/noticias/noticia. e a abordagem “bottom-up”.C.comciencia. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior. (1959).br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. na atualidade. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente.inovacaotecnologica. There’s plenty of room at the bottom.org d www.cientifica. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www.inovacaotecnologica. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007. Henrique. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 .1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”.iqm.com.its.smalltimes. É.br/Temas/Nano/prog_nanotec. a médio prazo. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA.mct. 2004.pdf em 05 de Dezembro de 2004).com d www.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro).unicamp.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”.br/nano/ d http://lqes.nanotechbriefs.mct. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi.br/temas/nano/ d www.com/ d www.gov. permitindo uma integração muito desejável.usp. QUADRO 7 . Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers.

Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. Resumidamente. 05. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 .01.2003. 14h00.Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses. (São Paulo. SP. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior.vêm de longe e têm aumentado com o tempo.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA. 1998). Ao que tudo indica. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. verifica-se claramente que. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. Ainda segundo essa autora. CEF. entre outras. Sabesp. no início de 2003.. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister.. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. McDonald’s. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs.Abril e TAM. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto.nos EUA. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas. . como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. esse princípio envolve “. 2005). Motorola.no sentido de realizar a formação dos seus empregados. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. Petrobrás. sendo provável que já existisse um número bastante superior.”. Accor Brasil. em 1955. Fiat. Unimed. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país. Leader Magazine. com o lançamento da Crotonville. conseguiu-se identificar. no contexto dos EUA. Banco do Brasil. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. XXVII). Segundo Meister (1999. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas. Segundo a autora. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA.Atualmente..”. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho.. segundo a mídia especializada.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. Na década de 1950. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores.Ambev (antiga Brahma). No Brasil. p. Segundo a autora. com relação ao mercado americano. Carrefour.. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim.realizar parcerias com universidades. Porém.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. No contexto brasileiro. por meio de pesquisa. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos.. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas. pela General Electric. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil.

havendo. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. aqui agrupadas sob a marca PUC. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. 45% são bastante recentes. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”.num total de 45 empresas.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. com 25% das indicações cada. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. Entretanto. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. Learning & Performance . sem. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. DE 90 NA DÉC.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. Gráfico 2 . a partir de então. conforme se verifica no Gráfico 2. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. tendo sido criadas nos últimos quatro anos. no entanto. totalizando 20 empresas. com 38% das indicações.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. possuir Universidade Corporativa. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias.

Segundo.O gerente de marketing e vendas da Sony.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. observando-se mais criteriosamente. com a qualidade que elas esperam. 24. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. (São Paulo. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. Quanto ao investimento em familiares. Por outro lado. setores afins e estudantes/bolsistas. A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se.nos clientes (11%) e nos familiares (8%). as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . Primeiro. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. declarada por 96% dos respondentes. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. mais adiante. fornecedores. público em geral. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. no que diz respeito às desvantagens. Eduardo Tubosaka.2003. clientes. formadores de opinião. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. SP. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente. nos funcionários (67%). verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação.01. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. concessionários. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias.conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. Por outro lado. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias.bem como o custo elevado da parceria. familiares. Palavras como “competência”. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. entretanto.

Conforme ficou evidenciado.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. ____________.ed. MEISTER. ALLEN. girando em torno de 2. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários.br Mestre em Administração pela FEA-USP. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema. Managing. Muito embora os resultados do presente estudo. pp. São Paulo. consultor em Administração. André L.com. 1999. As pessoas na organização. FLEURY.Maria Tereza Leme et al.Obtido no endereço http://www.dade cultural e do seu negócio. o número médio de parcerias por empresa.Jun. EBOLI. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência. acesso em 22 jul. Human Resource Management International Digest. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante. asp?id=2348. 2002.. Quase 500 universidades corporativas no Brasil.Faculdade de Economia. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa. 35-36. March/April 1999. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. In:FLEURY. ____________. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. ALBUQUERQUE.2000.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. Revista T&D. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. voltados à capacitação de pessoas. 2000. ____________. Training & Development. FLEURY.Tese (Doutorado em Administração) .Ten Steps to Creating a Corporate University. Entretanto. Afonso.São Paulo:FEA-USP . Mark Allen Editor.62% das que não possuem UC.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior. 1998.Beth. professor universitário.5 parcerias por empresa. A pesquisa aponta. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%.2005.com. pp. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas.Marisa et al. como por exemplo. 38-43. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. New York: McGraw-Hill. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. por imposição das limitações metodológicas. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos. entretanto. Nov. and Growing a Successful Program.br/home/noticias/clipping. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias.Cristiane. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI. 1998. ____________.Educação Corporativa. Mark. Maria Tereza L. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. O estudo revelou que 78. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . Este é.114.2002. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais.ano X. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado. Jeanne C. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC.elearningbrasil. The Corporate University Handbook: Designing. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo. contra 34. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. 1999. São Paulo:Atlas. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. 2002. Lindolfo Galvão de. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra. São Paulo: Schmukler Editores. ____________. São Paulo: Gente. O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. FISCHER. portanto. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. ALPERSTEDT.. São Paulo: Makron Books. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. 2001. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas.

E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A. TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 . às fraudes e aos desvios nos organismos de governo. certamente. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade. pela busca constante da excelência na administração pública. por parte da sociedade. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. A T. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. em decorrência. pública ou privada. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços).I. agilidade. calcados na tecnologia da Internet. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência. ser uma utopia. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. Isso exige a absorção. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. Alcançar um estado de eficiência. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. agora está se tornando possível. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. especialmente. suportados por novas tecnologias. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. em um passado relativamente recente.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. Novas tecnologias podem ser adotadas. Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. O que parecia. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. vivendo um momento especial na história.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. A nova organização.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems).Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão.

e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado.a primeira remonta aos anos 1920. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. entre tantos outros: . (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. desde melhor gestão de recursos. para efeito desta análise. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. com altos impactos sobre eficiência. se estendendo além das fronteiras da organização. dentro de poucos anos. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. agora. estamos.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004).I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. se ações proativas forem realizadas. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. 1ª GERAÇÃO DE T. configurando o que. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T. Na terceira onda.I. que muitas vezes se inviabilizaram. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. melhor atendimento ao cidadão. Nesta nova “onda”. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais.I. mas ainda mais para organismos de governo. em que predominaram a busca pela otimização de processos. com menores custos operacionais e muito maior efetividade. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. o impacto é muito mais profundo. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. a “máquina pública” completamente reconfigurada.I. entre outras grandes mudanças. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. Poderemos ter.

entre tantos outros exemplos. seja na forma de perguntas e respostas. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. muito mais facilmente. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. suportados por novas tecnologias. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. em geral de muito baixo nível. no Brasil. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. fóruns de discussão. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. Por exemplo. logo. ágeis e de menores custos operacionais. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. mais de 40% dos recursos totais existentes.porque. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. estágios que um organismo de governo pode explorar. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. Neste estágio.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. pela participação que o setor público tem no produto nacional.consideram-se cinco os estágios de e-government.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. a comunicação de retorno. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. Segundo. de um lado. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. direta ou indiretamente. e. e talvez mais importante ainda. o setor público consome. na medida em que os sistemas de informações se integram. atualmente. solicitação e preenchimento de formulários. por medo de qualquer tipo de sanção. conteúdos de interesse No 1º Estágio. para suportar os processos envolvidos. Finalmente. desvios e corrupção.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. isto é. a disseminação de notícias. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. em que o governo pode. basicamente. de outro. Infelizmente. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico. desvios e corrupção. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. A Internet. disseminação. já ocorre a comunicação bidirecional. Primeiro. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . criando-se. mais flexíveis. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. de cargos públicos a serem preenchidos. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. o que se promove. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. assim. etc. que pode ser acessada sem identificação. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. de licitações do governo.I. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. em relação a outros países ou à iniciativa privada. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. a partir de qualquer “cyber café”. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. maior conhecimento das ações governamentais. ainda há uma tendência. Terceiro. No Brasil.

Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. Com a integração de processos. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. É. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. Além disso. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. entre tantos outros serviços possíveis. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. sejam esses fluxos financeiros. Essa nova disciplina. para cada lançamento. relativamente simples. muito maior atenção é dada a essas operações. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. seja internalizada nesses processos. por trabalho humano. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. mas pela obrigatoriedade de. concessão de licenças e autorizações.integrando-se a processos de outros organismos de governo. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. o que. é o BPM . empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. mais importante. ocorrem transformações de outra natureza. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. também. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. há erros ou falhas de lançamento. as fraudes.porque são especializados demais. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. pois. materiais ou de quaisquer outras naturezas. neste estágio. Já em processos integrados e desfragmentados. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. com ferramentas integradas em BPMS . antes praticamente impossível. anomalias indicadoras desses desvios. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. não só pelos registros ali contidos. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. que agrega diversas tecnologias específicas. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. é possível ter um grau de transparência muito elevado. em geral tratadas fora deles. registro eletrônico de autoria e patentes. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. Numa situação desse tipo.Business Process Management . a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. inclusive as integrações com a sociedade. a bancos. ter-se contrapartida. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. suportada por padrões e ferramentas poderosas.Business Process Management. com menor carga de supervisão e controle e. no caso de governo. como ilustra a figura a seguir. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. são grandes. Da mesma forma. se tivéssemos processos completamente integrados. por si só.

Meghan-Kiffer Press. Iss. Sep 29. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. Idort/PMSBC.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. p. PUCCINELLI. 9.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. Chicago. NORBERTO A. Presidente da Unicomm Integração de Negócios. MORGENTHAL.BPO meets BPM . Jericho.. 41.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV).poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. ERASALA. Hamilton: Feb 2004. históricos. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. InformationWeek. 237. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. 8-9. 45. a partir de critérios como datas-limite.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado. The Real-Time Enterprise . Shan L. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues.The Future of BPM. 1. p. projetos gerados. __________________. SILVER. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS). Judith.isto é.. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo. p. Network World. Iss. como. 20.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. Barbara. Manhasset. COLMAN. Public Organization Review. proporcionando maior transparência. p. Ken. ORR. 2003 .Robert. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. Beyond integration. Issue 1. REMUS. etc. 2005. p. 13.Vol.. Oct/Dec 2003 .o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. Chee Wee & PAN. Denise. 2005 __________________. Dordrecht: Sep.The Brainstorm BPM Conference. 269. S4. Meghan-Kiffer Press. 2005.Vol. plebiscitos eletrônicos. decisões tomadas.Vol. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK.por exemplo. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. Com essa abordagem. Resenha do livro Caminhos da transparência. Is.. etc. 10.com. orçamentos participativos. New structures for strategic growth. Norberto A. FONSECA. New Directions in BPMS Technology. Knowledge and Process Management.30. Howard & FINGAR. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. Integrating processes: The next Nirvana. 2003. 2005. XI Congresso de Informática Pública Conip.The Brainstorm BPM Conference. Camden. condições de exceção. São Paulo. Por meio de tecnologias orientadas a processos.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores.e não para o benefício daqueles que governam. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. Ulrich. 2005. 18. redução de fraudes. Bruce. p. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 . IDG/Computerworld – Brasil.Camden .Forrester Research. Sep 29. V . desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. Francisco & SANCHEZ. Is. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. LAMONT. 2003. 2004. Jan 2004 . publicada na Revista do Livro Universitário. Chicago. Iss. documentos associados.The Brainstorm BPM Conference. Chicago. Chicago. 3. KM World . Is. KM World. Issue 9. TORRES natorres@uol.Chichester. p. Charles. 13. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions. FINGAR. SMITH. 2003. SOA .Oct 2003 . 4. TORRES. 4.All or Nothing. BPM: no just for the big kids on the block. 2003 . p.V. Dec 22-Dec 29. WETTENHALL. na área de Contratos/ Projetos/ Obras.Basingstoke: Dec 2003. Vol. por exemplo. Framingham. p. CRN. DUBIE. 2003. altamente suportados por tecnologia. 12. TAN. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas.Systems. 2005. 2003 . Roger. 2005.Barbara von. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. 21. Chicago.The Brainstorm BPM Conference.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. 77.V.).12. através de processos. Com processos inteiros. Joseph. 957. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. DARROW.V. Business Process Management – The Third Wave. HALLE. Peter & BELLINI. Peter.Accelerating BPM with Business Rules. 2005 VOLMER. 51. Robert. pendências registradas e controladas. Guarujá.The power of process.desvios e descontrole.The Brainstorm BPM Conference. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. European Journal of Information Systems.Ken. Chicago. JP. I. 57. Is. 2002. Processos e Sistemas Ltda. CMA Management. Naveen. etc. 3. Leveraging Process Modeling for Business Value.Janet K.. Oscar Adolfo. muito maior agilidade. WALL. p. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. 1064.

desperta a singularidade para a sua . a junção. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. ou melhor. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. sobretudo.corrupção. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores. No início dos anos 1970. econômicas. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. culturais ou religiosas. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano.descrédito das instituições. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future.Crises de governo. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. sociais.falta de compromisso com os eleitores. pelo menos. deixado de lado em vista dos avanços técnicos.sobre os princípios que regem as sociedades. Como uma tendência que nos é natural.etc.. Além de questões políticas. a conjunção entre um bios e um ethos.

direito este negado pela própria justiça espanhola.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. a protegê-la. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó.como diria Michel Renaud. É como se vivêssemos por um fio. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. um dos principais casos estudados em Bioética. isto é.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. ou seja. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. sobretudo. sim. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. Certamente. consegue o seu objetivo. voltar-se para o que estava no início e. mais básica do que qualquer vivência social. Hoje. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. Na realidade. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos.ambos permanecem o que são: diferentes outros. dissimulação. a diferença faz a diferença. por conseguinte. depois de um plano meticulosamente elaborado. política ou econômica. assim. erros. como estamos acostumados a entender a união. Certamente. enganos. O primeiro é uma história fictícia. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. geraram-se vários problemas. cultural. a Bioética já é uma pos- tura. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. vasculhar as cavernas do início da civilização. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. uma vocação. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. podemos. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e. os cursos. para o que estava além da realidade. a promovê-la. mentiras e verdades. A vida em sociedade é linguagem e. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . as tendências de pensamento sobre este assunto. sobretudo. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela.responsabilidade. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. Em Potter. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. Somos chamados a cuidar da vida.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. cana Terri Schiavo. redescobrir o humano na técnica.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. portanto. mas para a diferença. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. tanto na ficção como na vida real. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. Ao final. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. os autores que escrevem sobre o argumento. é também fruição. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. etc. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. quando temas como a eutanásia são. as comissões. é uma relação originária.Ao mesmo tempo em que é refém. uma decisão.

Assim. de certa maneira. na verdade. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. Neste sentido.com. a fortiori. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência.ao mesmo tempo. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. vista como uma doença. enquanto ainda há tempo. Somos responsáveis por tudo e por todos. da Aids ou das guerras.A vida depende dessa prevenção. já que a violência voluntária ou vingança é.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. isto é. com todo contato violento. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . só os seres já impregnados de impureza. hostil”. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. convém da mesma forma. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. o sacrifício tem um caráter preventivo. já que a violência voluntária ou vingança é. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência.Assim sendo. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo.etc. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. Por conseguinte. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. uma pré-visão do perigo. de certa maneira. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual. mesmo fortuito. como diz Girard. não hesitam em se expor. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. Para o autor. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. vista como uma doença. e todos os dilemas que se apresentam. Se todo contato. ou seja. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos.vontade e razão. A Bioética é uma postura. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. como um ser capaz de assassínio. já contaminados. um ato “criminoso”. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. pois clama por vingança. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. Enfim. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades.

coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. práticas de negócio e processos operacionais. Esse viés de contribuição.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. seja pela via do estímulo ao voluntariado. (São Paulo . Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. apesar de apresentarem resultados positivos. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann. na Comissão Brundtland. investindo na relação ética. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação).12. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. Essas iniciativas. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. Em muitos casos. mas talvez um posicionamento diferente. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. ações pontuais e desconectadas da missão. 16. visão. na maioria das vezes. seja pela via do investimento social privado. quando tratado de maneira isolada. embora relevante. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. representam. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987.SP. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 . Para que se compreenda esta abordagem mais ampla. conseqüentemente.2003.

as empresas automobilísticas. os chamados stakeholders – público interno. seja rentável e gere resultados econômicos. então. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. SP. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. mas também no resultado ambiental e social adicionado. Dito de outra maneira. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe.meio ambiente. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. na Vila Prudente (zona leste de SP). a lógica de mercado. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. Por outras vezes. em última análise. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 .“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. Em última análise. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. econômicos e sociais e. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais.fornecedores. Em outras palavras.2004.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. O conceito de responsabilidade social empresarial traz.clientes. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. produtos e. nos modelos de negócio. focando não só no resultado econômico adicionado. Já a sustentabilidade empresarial. Em muitos casos. comunidade. a partir desse pano de fundo. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança. empresas de transporte e mobilidade. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões.governo e sociedade. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. de forma permanente e estruturada.acionistas. (São Paulo. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. segundo o Instituto Ethos .A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. e assim sucessivamente. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo.09. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. empresas de saúde. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. por exemplo. na realidade. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. conseqüentemente.entre outros. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. 22. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. ainda. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. que a empresa cresça. As empresas podem. nos processos. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas.

com mestrado em Desenvolvimento. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos. Digital) vai além do produto tangível. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. A idéia central da iniciativa é construir. Com relação à cadeia de fornecimento. gradualmente.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável.2003. pela FEA/USP e em Direito. 17h32. dentre outras). Para que o processo se estruture de maneira sólida.criando uma visão compartilhada do negócio. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. sustentável. pela PUC/SP. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 .br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. 17. {São Paulo . os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. Para o sucesso dessa empreitada. mas de um jeito diferente. erradicação do trabalho infantil.SP. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. Para que a mudança na organização seja efetiva. de longo prazo. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. menores índices de turnover e atração de novos talentos. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. reutilização e reciclagem de materiais. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação.12. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. tornando-os parceiros neste desafio. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis. Com base nesse diagnóstico. educação. Entre os dirigentes organizacionais. associando a ela valores positivos. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. de produção. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. Além disso. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. a empresa melhoraria outros processos.org. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. que Angélica. com o uso de alternativas inteligentes de consumo.org.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . melhoria na distribuição de renda. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. 16.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial. Por outro lado. porém. pode-se observar um maior nível motivacional. sejam elas de comunicação.

Estação de tratamanto de água. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 . Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. incluindo a microfiltração. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente.2004. 23. o que é conseqüência da baixa demanda. que fica no Alto da Boa Vista.07. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. ultrafiltração. (São Paulo. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. osmose reversa e troca iônica. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. da Sabesp. nanofiltração. Contudo. SP.

conseqüentemente. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. Como exemplo. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. Por outro lado. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. seja de origem doméstica ou industrial. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. foram desenvolvidas no início do século XX. possivelmente. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. como é o caso dos Estados Unidos. podem estar presentes em um efluente líquido. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. não atendem às necessidades de regiões específicas. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service).com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. na maioria dos casos. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. potencialmente. e que. atualmente. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. que no Brasil. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. 2005). envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. 1998). Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento.

00 45.60 CUSTO (US$/M3) . 2003): • microfiltração.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos.001 Ultrafiltração 0.80 0.1 0. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente.por sua vez. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA.5 Figura 2 . 2001).00 25.001 .40 1 -10 0.00 15.1 .. 1998 e MULDER. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema. Isso. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana. 1996.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. 2.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 .00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 .0. Como exemplo. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.00 1.20 10.20 1.Os processos de microfiltração. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior.001 Nanofiltração 5 -35 < 0. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países.00 0. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas. • osmose reversa. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados. Diâmetro do poro (mm) < 0. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais.ultrafiltração.00 50. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. Em primeiro lugar. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples. • nanofiltração. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004. verificase que os processos de separação por membranas. CHERYAN.00 30. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia.40 1. Como conseqüência. utilizando-se tecnologias diversas. Em relação ao processo de eletrodiálise.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.Por exemplo.00 20.80 1.00 CAPACIDADE (L/s) 35. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores. • ultrafiltração.00 40. A baixa competitividade no mercado interno. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas.

REFERÊNCIAS AWWA (1996). Bureau of Reclamation. McGraw-Hill. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. que realiza análises de água.cas. 564 p.Wiesner.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . The latest CAS registry number and substance count. SP. No entanto. carvão ativado e oxidação com ozônio. Reprinted. Water Research Comission of South Africa. M (1998). 31. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. Department of Interior (2001). pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. (São Paulo. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Second edition. D8230. Editorial Group Joël Mallevialle.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas.03. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo. Odendaal and Mark R. Kluwer Academic Publishers. Ultrafiltration and microfiltration handbook. Chemical Abstract Service. por exemplo. CHERYAN. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. 2003. Lyonnaise des Eaux.2004. Basic Principles of Membrane Technology.org/cgi-bin/regreport.Water treatment membrane process.American Water Works Association Research Foundation. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. http://www. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação.S. podem vir a se tornar competitivos. U. CAS (2005). Dentre as opções existentes.Total plant costs for contaminant fact sheets. MULDER. Second Edition. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. CRC Press. acessado em 02/03/2005. M. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos. DR. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. Peter E.pl.

busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental.Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP).03. por parte dos governos e da sociedade civil. Foto de Juca Varella/Folha Imagem.dos impactos ambientais por elas causados. Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4). Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). Este programa de ação internacional. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. . 04. SP. que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. 18h. realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92). permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). advindas basicamente da tomada de consciência. (Jacareí.2002. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. eficiência econômica e justiça social.

com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. No Estado de São Paulo. que são a remediação. são formados: em 1994. como o têxtil. em diversos tipos de empresa.em diversos países. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa.sanitária e econômica para todos os países. mostram a eficácia da prevenção. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. etc. transportes. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. por exemplo.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. dentro do próprio processo produtivo. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. entre outros. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países.em especial nos que abordam energia. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). o metalúrgico. Ao longo desses anos. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). o metalmecânico. em seguida. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). de matérias-primas. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. organização sem fins lucrativos. de produto e de práticas de housekeeping. Compreensivelmente. e. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. Pesquisas realizadas mundo afora. Na década de 1990. Assim. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. se contabilizadas. Por exemplo. de gestão da informação. o controle e a disposição final dos resíduos.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. a farmacêutica. de gestão da produção. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. como o de gestão do pessoal. toda empresa tenta realizar economias. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. a gestão de resíduos. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. bem como ao uso eficiente destes recursos. por exemplo. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. Evidentemente.outros grupos se formam.National Pollution Prevention Roundtable). Em 1985. a química. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . resíduos e transferência de tecnologia. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 .5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. O item 4. uma ameaça social. industrializados ou não. Dentre esses sistemas. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). poluição esta que se configura como. A reciclagem interna. após eles terem sido produzidos. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais.

fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. em Santo Antônio de Posse (SP). é rápido. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. A CIESP. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. Além de reduzir seus riscos. seus instrumentos de divulgação. produtos e serviços. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável. O mais interessante de tudo isso. sua influência e sua capilaridade no interior. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. utilizando toda a sua estrutura. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. em geral. na própria origem da geração de resíduos. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais.2001. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. De todo o exposto acima. a empresa irá mudar as condições na fonte. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e. Assim. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição.reduzir o uso de recursos naturais. ou seja. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. prevenir na fonte a poluição do ar. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . prêmios pagos às seguradoras. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. imagem da empresa.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. (Santo Antônio de Posse.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. saúde e segurança do trabalhador. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo.06. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. introduzindo matérias-primas mais puras.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. SP. 13. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. através do seu presidente Cláudio Vaz. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. posicionando-se como parceiro do PNUMA . estes muitas vezes problemáticos. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. para a empresa. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. calculando seu retorno financeiro que. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani.

estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação. indústria e meio ambiente. saúde. Transportes e Indústria. • Cursos . A FAT posiciona-se.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 . entre outras • Concursos . entre outras.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria.cj.São Paulo . 131 .Especialização. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso. Saúde.Vestibular. 42 . pesquisa e treinamento.br Rua Três Rios. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. Meio Ambiente. assim.com.Bom Retiro . a FAT propõe.SP . desenvolvendo projetos sob encomenda. ensino. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra.

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

Mais especificamente. design. englobando as áreas de design. METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). dificuldades enfrentadas durante sua implementação. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. por um lado. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. conforme descrito na seção 2 a seguir. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. e. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo. tecnológico e organizacional pode ser afetada. respectivamente.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. Na seção 3. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil.desenvolvimento. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. as mudanças estratégicas.marketing e distribuição.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. P&D e distribuição) pode ser afetada. bem como à prática empresarial. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. em geral. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). partes e componentes. nomeadamente a adequação da política de qualidade. respectivamente. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. por outro. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. a partir deles. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 .INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. seja em aspectos técnico-produtivos.

a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade.Assim. estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET. bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa. mostrou.. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa.ainda nesse aspecto. uso de Ferramentas da Qualidade. Este resultado era esperado.Busca de novos mercados J . relataram que. em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas.Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D .Obrigação imposta pelo governo L . percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro. (2) segundo motivo mais importante.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. . e assim por diante. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores. ambas as empresas pesquisadas.Pressão de clientes K .. .Melhora da competitividade H ... Neste ponto. por um lado.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET .Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E . Em ambos os casos..Essas empresas demonstraram.. .. 8 3 de educação para a qualidade. isoladamente. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade.Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . o que pode ter afetado tal percepção. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2). mas integrado a um programa de qualidade ampliado. Note-se.Melhora da imagem da empresa C . Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. por outro lado.que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total. revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos. Programa 5S. investigaram-se os impactos internos e externos associados. de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante.Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000..quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas.Melhoria da qualidade dos produtos F .via treinamentos técnicos)... por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados.Aumento da flexibilidade dos processos G . pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto. com diferentes graus de intensidade. obtido em 2004.Orientação estratégica B . aqui. 2 . cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET. Finalmente. 1 .

. e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. engarrafadores). que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). em sua(s) especialidade(s). traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. pode-se ponderar. mas Estável. Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. com sua implementação e manutenção. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . Neste aspecto. de longo prazo... de longo prazo. inspeção.. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. (2) segunda mudança mais importante. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas . em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. e assim por diante.

além de funções comerciais (Suprimentos. Logística. Ainda a esse respeito. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. Tratou-se. embora em menor intensidade. dependendo.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. No que se refere às primeiras. por outro. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. marketing e distribuição. Nesse sentido. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. em aspectos tecnológicos. Compras. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. diferentemente deste último. etc. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. etc. geografia de mercados atendidos. Vendas. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. o primeiro. elo da cadeia de valor.) de empresas e utilização de questionários abertos. sobretudo. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo.de modo que passaram a cooperar mais. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. design.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing.Já quanto ao método utilizado.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. mas também. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. em termos de volume de produção e participação de mercado. organização. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. neste artigo. especialmente na esfera produtiva. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. com fornecedores e clientes. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. por um lado. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . aqui. interpretação e utilização posterior dos resultados. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). Assim. De fato. Ainda que não apresente representatividade estatística. Qualidade. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. especialmente em aspectos técnico-operacionais. tais como Assistência Técnica. origem do capital controlador. em algum grau. de caráter exploratório. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes.além de aspectos técnicos do produto. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. realizada por meio de estudo de dois casos. gestão e. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. que inspiram cuidados na leitura.

existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados..ac. b) de forma similar. S. R. Brighton: University of Sussex. [2001]. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. IDS Working Paper. Assessora Técnica . Disponível em: <http://www. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). Proceedings. Acesso em: 16 jun. Com relação às variáveis intervenientes. infra-estrutura e modo de operação.Diretoria da Presidência 47 .. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. Global standards and local responses. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading.Cabe a cada empresa. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos.pdf>. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado. & WÄLTRING. Brighton.ids. K. Institute of Development Studies. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. 50 p. Global standards: implications for local and global governance. Institute of Development Studies. 16 p. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona. Brighton. QUADROS. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais.ac. NADVI.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 2001. portanto. 2003.. Disponível em: <http://www. Disponível em: <http://www. NADVI. F.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra. 2003. [2001]. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. may 2002. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. H. 2001.ids. Brighton: University of Sussex. 13-17 feb. & SCHMITZ. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. em termos de estratégia e políticas. n. 2001. 156. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers..pdf>. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada.uk/ids/bookshop/wp/wp156. cabe destacar. Em conclusão.ac. Global quality standards. Como foi preliminarmente constatado. cultura e recursos humanos. Brighton: University of Sussex. Brighton. como características do setor e da natureza do produto. 2003.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele. K. Brighton: Institute of Development Studies. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. & KAZMI.(menor necessidade de supervisão). 2001.construir um ambiente integrado e propício. Acesso em: 02 jun. J.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid. Output of the... Acesso em: 16 jun. Institute of Development Studies. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno.ids.. Draft for.com. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. feb.pdf>.

Um dos motivos para isso é que não descobrimos. De fato. ' z x c v bn / m. ainda. ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados.com alguma seriedade.por parte dos governos e da sociedade civil.dos impactos ambientais por elas causados. pa L K sd f gh jk l . só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”. Como mensurar o quanto os boletins internos. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas.E RY UIO A SJ M.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação. L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado.qwert yu VBN io XC ' . . .tem dúvidas sobre sua eficácia. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. advindas basicamente da tomada de consciência. Pessoalmente. seja utilizando qual mídia for. QW E R YU CV 'X .

uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano. perdão. ops!. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. Tanto para empresas como para pessoas. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. Dialogar não é apenas falar. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som.Não sem razão. desperdício de tempo e dinheiro. professor e aluno que não se entendem. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona.Associados. consultorchefe da J.Dee Hock. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro. videojornal online. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”.é uma atitude.). “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”. o diálogo muitas vezes é difícil. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. mas principalmente ouvir. Para complicar.fundador e CEO emérito da VISA. Fácil fosse.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando. James Hunters .recorro a Paulo Freire na conversa. colegas de trabalho.que está na lista dos mais vendidos há semanas. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra).antes de mais nada. etc. internet. mesmo que por poucos minutos. em Nascimento da Era Caórdica. Isso vale para os públicos interno e externo. murais físicos e eletrônicos.”. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem. todos faríamos.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . são marido e mulher. intranet. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento.”.tido.D. melhor dizendo. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). Isso exige sacrifício.e vale para pessoas e organizações. rádio jornal on-line. autor do best-seller O monge e o executivo. pais e filhos. impressos e eletrônicos. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. E com- Comunicação.

de forma estratégica. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . Assim. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. Sabendo mais e melhor. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). participação. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. De novo me apóio em Dee Hock. 119). busque informações. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado. no método de trabalho ringi. sobretudo. Espanha. As organizações que têm consciência disso. o documento volta a passar um a um novamente.com. pág. para estimular a participação e difundir valores internamente. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. já está em processo de decadência e dissolução. seus princípios. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. (Nascimento da Era Caórdica. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. ouça. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. de Paulo Roberto Mota. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação.por exemplo. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. explique. responda e. seu significado e seus valores. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. mas quando ela é tomada. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. seu senso de comunidade. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. .não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos.br Jornalista. de forma integrada e estratégica.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. Isso torna o processo de decisão lento. é atitude. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. DAVI MACHADO davim@uol. professor da Fundação Getúlio Vargas. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. Publicidade é divulgação. wertyu CV io 'X pa K L. pergunte. Comunicação é troca. de princípios e de valores. pela Universidade de Mondragon.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. comunique-se. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade.

iogurtes. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . queijos.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. pães. merchandising. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. máquinas fotográficas. Na esteira dos bens e serviços. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. entre outros. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor. como computadores. tratamentos de pele. manter seus clientes. cortes de cabelo. pastas de dentes. ginástica e ativos financeiros. no mínimo. planos de previdência privada. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. roupas.

recuperação. e atributos específicos. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. ou seja. portanto. As ATMs bancárias.com. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. marcas. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. (São Paulo .As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. Essa liberdade de escolha. Pesquisa e Consultoria. Provar FIA . análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. Além do número crescente de opções àa sua escolha.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento.sadas. com seus modelos e marcas historicamente determinados. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. entre eles um Nike que comprou em três prestações. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. A ancoragem nos atos dos outros. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. Não surpreende. mas não resolve o problema. pode atenuar. Mas Do seu lado. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. ao lado de seus cinco pares de tênis. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso.br Coordenador de Cursos. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. office-boy do hotel Caesar Park. quando der vontade.

A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. no Itaú Cultural. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. de história francesa. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". em São Paulo (SP). como alguns quadros de Kandinsky e Miró. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 .monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. já na faixa dos 10 anos. Corriam algumas de um lado para outro. No Museu Carnavalet. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. (São Paulo. No Centro Pompidou. crianças um pouco maiores. grupos de crianças muito pequenas – de 4.07. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. 01.Alguns pais acompanhavam a visita. outras atentamente ouviam as explanações da professora. museu dedicado à arte do século XX. sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. de Raquel Kogan. SP.2005. na exposição "Cinético_Digital". orgulhosos. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos.

somados às mostras temporárias. principalmente. cruzei com uma excursão de estudantes italianos. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. por exemplo. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. apresentar-lhes obras e elementos artísticos. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. articulados. se não quisermos. Na cidade de São Paulo. com seus acervos permanentes. . aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. tanto em tecnologia quanto em conteúdo. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. porém. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. (São Paulo. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais.Discordo. a resposta seria o espanto. Com o interesse crescente pelo computador. outros tipicamente dispersos. por exemplo. em São Paulo (SP). ser uma sociedade completamente insustentável. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. ainda calcado em elementos humanos e originais.br Médico e escritor. É urgente um investimento maciço em educação. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. Picasso. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. mas ainda é pouco. E. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). que fazem toda a diferença. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. No Museu Rodin. SP. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. dessa condenação sumária.com. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. caso houvesse resposta. comunidades. 01. no Itaú Cultural. na exposição "Cinético_Digital". Cluny. com responsabilidade e seriedade. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo.em parte. Louvre.07. mas ali. ambos publicados pela Ateliê Editorial.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. Marmotan. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. adolescentes atentos. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. ONGs e institutos. peças de teatro e oficinas. Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. de Raquel Kogan. em 20 anos. O Instituto Itaú Cultural. pode.2005.

e pelo CNPq. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . Em meados da década de 1990. R.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência.A expectativa. V. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . Do lado prático. na forma de projeto temático. no âmbito do PRONEX . Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações. desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços. R$ 30. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. em suas diversas camadas. sempre se destacou no Brasil. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor. ele começa a ser reestruturado e. é que o estudo. 333 páginas. passa a atrair ainda mais a atenção da academia. Está organizado em nove capítulos. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. do governo e do meio empresarial. do lado acadêmico.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. iniciando-se com um panorama do setor. propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. vindo a público com esta publicação. segundo modelo próprio adotado.GALINA Publicação PGT/USP. apoiado pela FAPESP. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica.

Brasil Informações: d http://www.com.com.fia.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro. China Informações: d http://www.fatecsp.fia.iamot. Brasil Informações: d http://www.org .br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador. Brasil Informações: d http://www.

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