Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

1

Lia-se muito em nossa casa. Eles chegaram em 1936. na Rússia. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. uma empresa.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. porque seus diretores não tinham conseguido o capital.Meus pais falavam russo apenas entre si. A empresa começou muito pequena. Ciência e Tecnologia. diziam que eu ia ser advogado. perderam-se de vista. talvez eu consiga entrar no negócio”. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. eles tinham o apoio da Klabin. eram apenas amigos. Essa história é verdadeira? É verdadeira. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Na época. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. Comecei. começaram a faltar peças. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. porém. em 1910. cada um fazia uma coisa. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. acabei aderindo ao empreendimento. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. tornando-me assim sócio da empresa. mas foi crescendo. do tempo do nazismo. Quando é que começou esse amor pelos livros. Mas esse não era o plano.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. Não pensava em formar qualquer biblioteca. mas de leitura corrente. Então.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. no entanto. sim. ela não foi planejada. que era meu amigo. ao que se sabe. De que origem eram seus pais? De origem russa. não de livros raros. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. com eles.à última hora desistiu do negócio. tivemos uma governanta russa. a ler e a biblioteca resultou de leitura.tanto que a nossa língua em casa era o português. como aconteceu por um curto período. Foi quando vieram para o Brasil. E já que o problema era o capital. Assim. Quanto aos livros. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. Respondilhe que não queria participar. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. Vieram para o Brasil em 1910. ou seja. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. só que dirigida também para os livros. para se encontrarem em Nova York. O senhor. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. mas sempre em harmonia. Não pensava em formar qualquer biblioteca.pelo menos não naquela ocasião. que. preparei a documentação e.Mas esse não era o plano.Nunca pensei também em ser empresário. No mais.de novo por acaso. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. Bom. no fim. falei com um amigo meu. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. que também desistiu. principalmente à Sala São Paulo. Eu era advogado deles. e saíram do país por caminhos diferentes. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. que falava francês perfeitamente. tenho ido. O interessante é que. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. porque como eu falava muito. eles . Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. Aliás. Não havia um presidente.

diretor da empresa. em 1878. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. não vamos falar mais nisso”. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. Por exemplo. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. Só se falava de literatura. que hoje são reverenciados. foram para o Chile.a Renina Katz. A pessoa respondeu que. mas ela não tem a aprovação popular.visconde de Porto Seguro”.na casa do Plínio Doyle. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão. no sábado a gente sempre ia para lá. provas que não foram publicadas. Além disso. Então consultei uns amigos. que era uma livraria de literatura francesa. Mas aí eu lhe disse: “Olha.O Fábio Comparato era. na época. o que naturalmente eu fiz. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. eu disse que achava que não dava para aceitar. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. Mais tarde comecei a encontrá-los. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. existe tortura sim no Brasil. naquele mesmo dia. Explica-se.o Celso Lafer. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. Ao longo desses anos. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. de teatro. ENTREVISTA Mas. o Le Figaro. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. uma série de edições raras. denominado “Sabadóyle”. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. de coisas amenas. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. um tal de Porto Seguro. de fato. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. mas política era assunto proibido. a ele e ao Pedro Nava. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . Não vou negar que exista. Ciência e Tecnologia. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. que começou a conversa sobre a questão de tortura. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. mas enquanto conversava. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. já está havendo um começo”. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. Ela respondeu que não. Com tudo isso. que era como a secretaria se chamava na época. mas insisto que não tem apoio popular. mas o que ele tinha no escritório. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. o Décio de Almeida Prado. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. Ou seja. Fiquei no cargo por quase um ano. vamos ser claros. entre eles o Antonio Cândido. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais.

Tenho a primeira edição de Camões. holandês.Quando cheguei lá eram 180 volumes. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. uma difere da outra com pequenas variantes. Enfim. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. É. assim por diante. Detalhe: entre 1455. bém a comprei por acaso. enfim. comparada à revolução da informática. quando estive lá. foi a certidão de nascimento do Uruguai. mas foi uma revolução. me oferecendo preferência na aquisição. escrito em pergaminho. . que é um dos exemplos do que foi o livro. depois o número 3. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. outra que está à esquerda.. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. brasileiras e algumas argentinas. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. Ora. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. por exemplo. A gramática do Anchieta. Ademais. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. Possuo. que era tenente. ele já tinha 95 anos e estava de cama. um dia.800 ilustrações. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. sobre o tupi-guarani. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. na verdade. E com a Metal Leve. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1. outra hora era da Espanha. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. que uma hora era de Portugal. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. E de Portugal. mas não podia recusar e comprei.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. 92 quilos de peso.todos em grandes bibliotecas. Recebi. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. buscando tecnologia própria. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. Um que é o Livro de Horas de 1480. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. abriram-se novos horizontes. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. Então veio pelo correio. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular. mas ele queria o pagamento à vista. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. Como não havia arquivo naquela época. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. os descendentes de um dos protagonistas. Voltei com quatro malas. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. um telegrama de um livreiro amigo. Dela se conhecem 18 exemplares. E isso não se deve fazer nunca. Recentemente. Era uma documentação original das autoridades portuguesas. anos depois fazia o número 2.Na verdade. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. porque era meio caro. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. Eu acabei tendo as duas edições. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento.. já que as populações eram analfabetas na sua maioria. por exemplo. venderam para o tal português chamado Assunção. Mas. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. Não tive dúvidas. com a invenção dos tipógrafos. é um grande livro que serve à história do mundo. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. Tenho.

É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação. Em tecnologia abordamos.612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia . da Silva. pesquisas e prestação de serviços de assessoria. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam. 42 .tel. Almério Melquiades de Araújo Profa. Na questão da responsabilidade social. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. Dr. os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível. verniz de máquina capa/contra-capa. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil. Acabamento: lombada canoa. os livros. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia. Folha Imagem.com.: 11 6958-1310 policom@uol.Bom Retiro São Paulo . Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof.com. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. Impressão: Offset. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. Walkiria Barone Fotolito. assuntos relacionados à nanotecnologia. pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. Dr. Silvia Regina Lucca Prof. A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições. à bioética e à Produção Mais Limpa. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova. levar informações ricas e atualizadas. Dr.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra. César Silva Diretor Administrativo Prof. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . Moraes Mascarenhas fatcompras@terra.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. por meio de sua revista.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . Dr. Papel do miolo: Couché opaco 70 g. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. Dra.com. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof.com. Yolanda Silvestre Prof. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições. No eixo educação. Número de páginas: 48.ester@uol. 131 . com ênfase na sua grande paixão. por meio da divulgação de matérias.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. Estamos procurando fazer a nossa parte. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra.com.com. responsabilidade social e ética & educação. entre outros.com.com. É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof.br . professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. 4x4 cores.br Diretor-presidente da FAT.Número 3 .JUN/JUL/AGO’2005 ISSN . incluindo capa. sem autorização prévia.SP . Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A.br Todos os direitos reservados. Dr. capa: Couché opaco 150 g. formato aberto: 416 x 273 mm. eletrônico ou impresso. Nesta edição. A FAT mais uma vez procura. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof.1807-9687 Rua Três Rios. Dr. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin.br Fotos Júlio Hilário. Remo Alberto Fevorini Profa. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof.cj. Victor Sonnenberg Profa. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. Manoel A.

JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto . 1976 óleo sobre tela.Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA. 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II .ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”. TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.2005 .NÚMERO 3 .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos. Em outras palavras. a base deste sensor (10 -7). apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. Macro. A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução.cern. onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. o olho da mosca.web. 1]. Micro e Nano .totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. o olho da mosca e detalhes deste órgão. QUADRO 1 . como a industrial ou a da tecnologia da informação. um detalhe da mosca (10 -2). O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica. Assim. lembrando um favo (10 -4).web.cern.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9). Fonte: CERN (http://microcosm. Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se.ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 . No entanto. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1).Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo.assim. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado. O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology.A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5).ch/microcosm). diferente destas.escalas.

ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. como demonstra o Quadro 6. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. novos tipos de bateria. Em todas elas. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. Como mencionado anteriormente. processos otimizados de micro e nanorreação. Nanotubos de carbono. Nessa escala tem-se. novos sistemas de visualização não invasivos. tecidos que repelem manchas em tecidos. novos métodos de limpeza de dentes. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 .veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. Primeiramente. São as chamadas tecnologias convergentes. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. telas planas. implantes totalmente biocompatíveis. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. vidros resistentes a fogo. como física. está sujeito a interações com o mundo exterior. podemos imaginar medicamentos que. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. Alternativamente. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. pneus mais duráveis. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. kits de autodiagnóstico.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 . nanopartículas contra alergias. circuitos eletrônicos mais eficientes. portanto. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. novos processos de fabricação. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). sistemas de comunicação wirelesss. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. ministrados a um paciente. a nanometrologia. junto com tecidos convencionais. novas possibilidades de reciclagem. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. molécula a molécula. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. proporcionalmente. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. como o próprio coração. são as grandes propulsoras. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados.veja Quadro 3). • Indústria química Catalisadores mais eficientes. química e biologia. fotossíntese artificial. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. aumento na velocidade de processamento da informação.Além disso. dispositivos MEMS. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. plásticos não inflamáveis. sistemas de observação miniaturizados. arranjos protéicos para diagnóstico. microarranjos para sistemas de análise de DNA. Além disso. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. veja Quadro 5). em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. células de combustível. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). nanocompósitos resistentes a fogo. certamente. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. e é conhecida como abordagem “top-down”. Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. materiais para regeneração de ossos e tecidos. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. elétricas e magnéticas. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. tecidos mais leves e rígidos. como a natureza está acostumada a fazer.

Quando comparados com outros países. Como exemplo. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Os quadrados em ouro são terminais de contato. Ele é construído em materiais supercondutores. entre outros. como somar números.. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. por um magneto). e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). por exemplo. Por outro lado. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. para sua operação. como o nióbio. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. ordenar palavras. dimensões nanométricas. para certas tarefas. como mostrado na (Figura a seguir). ela se divide entre os dois ramos do anel.8 Nanotecnologias”. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. em 2001. na atualidade. Em essência. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID.6 0. conforme a ilustração à direita. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. chamada de quantum de fluxo magnético. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). Nessas condições.4 0.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. etc. produzse uma tensão entre os terminais do SQUID.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. cerca de 0. Para isso. 0 0.dependendo do tipo de aplicação desejada. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 .QUADRO 3 .2 0. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. Para se ter uma idéia. Assim. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la.

Nanotec 2005. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica. 2] .braço fundamental da (N & N). mas. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. afetando características importantes do produto como estabilidade. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. produtos e materiais nanotecnológicos. 3]. É importante ressaltar que a microtecnologia. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. Seu comportamento mecânico. comparáveis a suas contrapartes internacionais. elétrico e magnético é diferenciado. os institutos de pesquisa e a indústria. deverão investir fortemente em (N & N). cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. de sensores e de atuadores. em um arranjo hexagonal.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 .mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. Por isso. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados. dentro de suas possibilidades. foi realizado. de displays planos. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano. ablação via Laser e deposição por vapor químico. em São Paulo. juntamente com a exposição internacional de projetos. ótico. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. O governo está apoiando esse esforço. em que a produção de emulsões é etapa crucial. QUADRO 5 . evaporação de solvente ou separação de fases. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia .MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. de transistores. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. com vistas à formação de recursos humanos. Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir).

Nanotecnologia É o estudo. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. para aplicações em: acústica. universidades e institutos de pesquisa. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. O átomo é a menor entidade química. ótica. que articulem a cooperação efetiva entre governo. nêutrons e elétrons. vidro. com a presença de quatro palestrantes. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). Está composta de átomos.000 nanômetros. como: silício. biomedicina. devem examinar. Deste encontro. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. componentes e microssistemas. processos térmicos. Está composto de prótons. eletrônica. biotecnologia. dado que se ocupa de estruturas atômicas. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro.1 a 100 mm.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. representando países distintos – Estados Unidos. para integrar e miniaturizar dispositivos. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. com dimensões típicas de 0.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. mecânica. Esta. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. Essa convergência tecnológica. processos químicos. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . Israel e Brasil –. Microtecnologia A Microtecnologia. Inglaterra. Prevê-se que os aspectos sociais. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. recebe o nome de nanobiotecnologia. projeto. Os desafios são inúmeros. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. manipular ou imitar os sistemas biológicos. quando aplicada às ciências da vida. Ex. fabricado com moléculas. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. empresas. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. magnetismo. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. da biotecnologia. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados.Durante o evento. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. se diferencia-se da nanotecnologia. cerâmica e polímeros. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados.1–100 nanômetros. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. etc. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. Desta forma. criação. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. a introdução de um processo contínuo. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. a nanotecnologia. manipulação e aplicação de materiais. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões.realizado em 5 de julho último. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. síntese. quando adequadamente coordenada. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. baseando-se em princípios de microfluídica.

smalltimes.com.com/ d www.org d www.. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química. H.S.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.fapesp.br/nano/ d http://lqes. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt. May. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0. 2004.caltech.unicamp. http://www.br/temas/nano/ d www. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada.iqm. É.its. QUADRO 7 .usp.br/Temas/Nano/prog_nanotec. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior. www. a médio prazo. Washington D. 2004. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro). Esses métodos evoluíram separadamente.mct.cientifica. e a abordagem “bottom-up”. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA.nanotechbriefs. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi.com/html/Reports/publications. 104 p. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. (1959).br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.C.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.com.ufsc.inovacaotecnologica. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.pdf em 05 de Dezembro de 2004).br d www.gov. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 . SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica. (Disponível em http://www. There’s plenty of room at the bottom. 2004.br/ Sites no exterior: d www. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.gov.br d www.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA. Henrique. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais.inovacaotecnologica. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers.edu/~feynman/plenty.br/noticias/noticia.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”..com d www.mct. na atualidade.foresight. Por outro lado.comciencia. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente.pgmat. permitindo uma integração muito desejável.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”. R.

(São Paulo. 05.2003. Resumidamente. 14h00. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. SP. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 .As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento.Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase.vêm de longe e têm aumentado com o tempo. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses.01.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

15

tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

16

JUN/JUL/AGO' 2005

ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

17

Atualmente. Segundo a autora. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. p.”. por meio de pesquisa. pela General Electric. Petrobrás. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”.nos EUA. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto..no sentido de realizar a formação dos seus empregados. Segundo a autora. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister.. segundo a mídia especializada. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil.Ambev (antiga Brahma). foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs. no contexto dos EUA. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país. verifica-se claramente que. Fiat. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. McDonald’s.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA.”. 2005). 1998).realizar parcerias com universidades. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. no início de 2003. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. com o lançamento da Crotonville.. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. Leader Magazine. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. em 1955. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. Segundo Meister (1999. Ao que tudo indica. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas. conseguiu-se identificar.. Na década de 1950. Unimed. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. XXVII). publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998.. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas. Porém. Banco do Brasil. Motorola. entre outras. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. Sabesp. com relação ao mercado americano. . Ainda segundo essa autora. No Brasil. esse princípio envolve “. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston.Abril e TAM. sendo provável que já existisse um número bastante superior. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. Carrefour. CEF.. No contexto brasileiro. Accor Brasil.

Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. 45% são bastante recentes. totalizando 20 empresas.num total de 45 empresas. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. Entretanto. aqui agrupadas sob a marca PUC. DE 90 NA DÉC. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. a partir de então. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. havendo. com 25% das indicações cada.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. com 38% das indicações. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. Gráfico 2 . seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”. conforme se verifica no Gráfico 2. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. no entanto. Learning & Performance . sem. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. tendo sido criadas nos últimos quatro anos.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. possuir Universidade Corporativa.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente.

sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. declarada por 96% dos respondentes. fornecedores. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores.O gerente de marketing e vendas da Sony. familiares. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. entretanto. clientes. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. mais adiante. nos funcionários (67%).conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. (São Paulo. setores afins e estudantes/bolsistas. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias. 24. as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . que fez MBA na London Business School (Inglaterra). formadores de opinião. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas.2003. Quanto ao investimento em familiares. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente. Por outro lado. no que diz respeito às desvantagens. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. Palavras como “competência”. observando-se mais criteriosamente. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. com a qualidade que elas esperam.bem como o custo elevado da parceria. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. concessionários. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. público em geral. Por outro lado. Eduardo Tubosaka. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. Segundo. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. SP. Primeiro. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários.01.nos clientes (11%) e nos familiares (8%). Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se.

____________. Mark. Mark Allen Editor. FISCHER. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. Human Resource Management International Digest. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias.2002.Jun. O estudo revelou que 78. and Growing a Successful Program.com. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência. ALPERSTEDT. André L. In:FLEURY.Ten Steps to Creating a Corporate University. 1998. Afonso. Training & Development. 2002. 1998.São Paulo:FEA-USP . 2000.Maria Tereza Leme et al. Muito embora os resultados do presente estudo. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado.dade cultural e do seu negócio. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais. portanto. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . The Corporate University Handbook: Designing. voltados à capacitação de pessoas. São Paulo: Gente. 1999. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil. O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. o número médio de parcerias por empresa. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior.Beth.Educação Corporativa. EBOLI.Tese (Doutorado em Administração) . mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa.br/home/noticias/clipping.5 parcerias por empresa.br Mestre em Administração pela FEA-USP. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos. ALBUQUERQUE. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. 2001. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema.114.. 2002. São Paulo. FLEURY.2000.Obtido no endereço http://www. 1999. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra. New York: McGraw-Hill. girando em torno de 2.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias.elearningbrasil. 38-43. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. São Paulo:Atlas. MEISTER. São Paulo: Schmukler Editores. ____________.ano X. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. acesso em 22 jul. Quase 500 universidades corporativas no Brasil. ALLEN.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias.2005. ____________. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. Nov. ____________. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force.com. pp. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). entretanto. FLEURY. 35-36. Conforme ficou evidenciado. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. Entretanto.. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. contra 34. A pesquisa aponta. Este é.Faculdade de Economia.Marisa et al. Lindolfo Galvão de. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI.62% das que não possuem UC. por imposição das limitações metodológicas. March/April 1999.ed. ____________. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. Jeanne C.Cristiane. asp?id=2348. professor universitário. pp. como por exemplo.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC. consultor em Administração. Maria Tereza L. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. São Paulo: Makron Books. Managing. As pessoas na organização. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Revista T&D.

TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A.

por parte da sociedade. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações.Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. ser uma utopia. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. Alcançar um estado de eficiência. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. em um passado relativamente recente. com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. agora está se tornando possível.I. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. pública ou privada. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 . demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo. A nova organização. pela busca constante da excelência na administração pública. em decorrência. certamente. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. A T. especialmente. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). agilidade. transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. vivendo um momento especial na história.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. suportados por novas tecnologias. calcados na tecnologia da Internet. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. Isso exige a absorção. Novas tecnologias podem ser adotadas. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. O que parecia. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems).podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais.

TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. Poderemos ter. 1ª GERAÇÃO DE T.I. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo. sem que sejam necessários investimentos muito elevados.I. com menores custos operacionais e muito maior efetividade.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. em que predominaram a busca pela otimização de processos. o impacto é muito mais profundo. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. que muitas vezes se inviabilizaram. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. dentro de poucos anos. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. configurando o que.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas.I. Nesta nova “onda”. Na terceira onda. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. desde melhor gestão de recursos. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. melhor atendimento ao cidadão. estamos. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. para efeito desta análise. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. entre outras grandes mudanças. se ações proativas forem realizadas. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. a “máquina pública” completamente reconfigurada. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade. mas ainda mais para organismos de governo. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos. com altos impactos sobre eficiência. se estendendo além das fronteiras da organização. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. entre tantos outros: . (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T.a primeira remonta aos anos 1920. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. agora.

é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. a comunicação de retorno. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. o que se promove. entre tantos outros exemplos. já ocorre a comunicação bidirecional. criando-se. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. estágios que um organismo de governo pode explorar.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. ágeis e de menores custos operacionais. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. etc. conteúdos de interesse No 1º Estágio.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. para suportar os processos envolvidos. de outro. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. desvios e corrupção. muito mais facilmente. solicitação e preenchimento de formulários. por medo de qualquer tipo de sanção. Por exemplo. a disseminação de notícias. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. atualmente. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. mais flexíveis. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse.consideram-se cinco os estágios de e-government. o setor público consome. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). a partir de qualquer “cyber café”. Neste estágio. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. pela participação que o setor público tem no produto nacional. seja na forma de perguntas e respostas. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . e. em que o governo pode. Terceiro. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. Segundo. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes.porque. no Brasil. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. assim. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. isto é. mais de 40% dos recursos totais existentes. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. maior conhecimento das ações governamentais. ainda há uma tendência. em relação a outros países ou à iniciativa privada. direta ou indiretamente. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. em geral de muito baixo nível. Primeiro. que pode ser acessada sem identificação. na medida em que os sistemas de informações se integram. e talvez mais importante ainda.I. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. disseminação. Finalmente. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. desvios e corrupção. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. A Internet. de cargos públicos a serem preenchidos. suportados por novas tecnologias. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. No Brasil. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. logo. de um lado. basicamente. fóruns de discussão. de licitações do governo. Infelizmente.

antes praticamente impossível. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. ter-se contrapartida. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. registro eletrônico de autoria e patentes. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. a bancos. há erros ou falhas de lançamento.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. é o BPM . que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. Essa nova disciplina. é possível ter um grau de transparência muito elevado. inclusive as integrações com a sociedade. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. É. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. são grandes. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. sejam esses fluxos financeiros. ocorrem transformações de outra natureza. anomalias indicadoras desses desvios. em geral tratadas fora deles. mais importante.Business Process Management. suportada por padrões e ferramentas poderosas. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. que agrega diversas tecnologias específicas. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. como ilustra a figura a seguir. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. relativamente simples. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. neste estágio. por trabalho humano. com ferramentas integradas em BPMS . se tivéssemos processos completamente integrados. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. Com a integração de processos. o que. com menor carga de supervisão e controle e. muito maior atenção é dada a essas operações. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. também. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo.Business Process Management . pois. seja internalizada nesses processos. materiais ou de quaisquer outras naturezas. Além disso. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. por meio de “desbalanceamentos operacionais”.integrando-se a processos de outros organismos de governo. Numa situação desse tipo. Já em processos integrados e desfragmentados.porque são especializados demais. não só pelos registros ali contidos. as fraudes. Da mesma forma. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. por si só. no caso de governo. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. entre tantos outros serviços possíveis. concessão de licenças e autorizações. mas pela obrigatoriedade de. para cada lançamento. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil.

SMITH.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. decisões tomadas. 51.Oct 2003 . Peter.V. Ulrich. Public Organization Review. a partir de critérios como datas-limite. Oct/Dec 2003 . Robert. 8-9. Sep 29. Leveraging Process Modeling for Business Value.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores. BPM: no just for the big kids on the block.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado. Com essa abordagem. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. condições de exceção. SILVER. S4.The Brainstorm BPM Conference. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. muito maior agilidade. 4. na área de Contratos/ Projetos/ Obras.V. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. 2003. Denise. InformationWeek. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. Processos e Sistemas Ltda..The Brainstorm BPM Conference. São Paulo. 13. p.The Brainstorm BPM Conference.Basingstoke: Dec 2003. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. Barbara. Chicago. 77. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. CMA Management. FINGAR. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção. 4. Resenha do livro Caminhos da transparência. redução de fraudes. CRN. Norberto A. Chicago. REMUS. p. Beyond integration. 2005. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change.The Brainstorm BPM Conference. Dordrecht: Sep. European Journal of Information Systems. I. PUCCINELLI. documentos associados. projetos gerados. TORRES. TORRES natorres@uol. 2005. Issue 1. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions. Meghan-Kiffer Press. Chicago. Integrating processes: The next Nirvana. Judith.Ken. p. ERASALA. Is. Iss. Meghan-Kiffer Press..Forrester Research. 9. WALL. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio.isto é. Charles. TAN. DUBIE. Network World. 57. 2003 . NORBERTO A. 957. Por meio de tecnologias orientadas a processos. Naveen. Roger.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. Vol. Manhasset..Robert. Dec 22-Dec 29. 2005. KM World. 12. XI Congresso de Informática Pública Conip. 2005. 20. JP. 45.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. 2003. p. p. WETTENHALL.desvios e descontrole. Jan 2004 . IDG/Computerworld – Brasil. plebiscitos eletrônicos. Shan L. como. 1. proporcionando maior transparência. p.Vol.The Future of BPM. __________________. Is. The Real-Time Enterprise . 2005 __________________. Knowledge and Process Management. 2003 .Chichester. 2004.). Bruce.30. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). Business Process Management – The Third Wave. Presidente da Unicomm Integração de Negócios.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. 2002.Barbara von. 1064.Camden . 3. históricos. Framingham. 13. Ken. 3. p. por exemplo. FONSECA.All or Nothing. SOA . 18.com. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. 2003 . etc.The power of process. Iss. publicada na Revista do Livro Universitário. Camden. Chee Wee & PAN. Hamilton: Feb 2004. 2003. Howard & FINGAR. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. HALLE. Issue 9. Peter & BELLINI. Com processos inteiros. Is. Sep 29. Oscar Adolfo.por exemplo. Iss. 237. p. Chicago. 2005. LAMONT. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 .Vol. através de processos. orçamentos participativos. Idort/PMSBC. 2005. MORGENTHAL. pendências registradas e controladas. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS).. V . KM World .Vol. 269.12. ORR. New Directions in BPMS Technology. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. p.Janet K. DARROW. Jericho. Joseph. etc. Chicago. New structures for strategic growth. Is. 2003. 2005 VOLMER.BPO meets BPM . altamente suportados por tecnologia.Accelerating BPM with Business Rules. 41. Chicago.e não para o benefício daqueles que governam. COLMAN. 10. etc.Systems. Francisco & SANCHEZ. Guarujá. p. 21.The Brainstorm BPM Conference..V. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK.poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas.

corrupção. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou. deixado de lado em vista dos avanços técnicos. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco.descrédito das instituições.falta de compromisso com os eleitores. pelo menos. sociais. No início dos anos 1970. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais.Crises de governo. a junção. Como uma tendência que nos é natural. a conjunção entre um bios e um ethos. e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. culturais ou religiosas.etc. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. sobretudo. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano.sobre os princípios que regem as sociedades. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. ou melhor. desperta a singularidade para a sua . são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida.. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”. Além de questões políticas. econômicas. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta.

Certamente.como diria Michel Renaud. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. uma vocação. vasculhar as cavernas do início da civilização. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. mentiras e verdades. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade.Ao mesmo tempo em que é refém. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. assim. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. direito este negado pela própria justiça espanhola. para o que estava além da realidade. ou seja. os autores que escrevem sobre o argumento. etc.responsabilidade. um dos principais casos estudados em Bioética. dissimulação. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. cultural. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. como estamos acostumados a entender a união. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. por conseguinte. A vida em sociedade é linguagem e. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. depois de um plano meticulosamente elaborado. portanto. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. É como se vivêssemos por um fio. sobretudo. Na realidade.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. sim. cana Terri Schiavo. O primeiro é uma história fictícia. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó. política ou econômica. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. a Bioética já é uma pos- tura. a protegê-la. Em Potter. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. as comissões. Hoje. os cursos. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. consegue o seu objetivo. quando temas como a eutanásia são.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. voltar-se para o que estava no início e. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. mais básica do que qualquer vivência social. podemos. é uma relação originária. Ao final. sobretudo. a diferença faz a diferença. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. Certamente. Somos chamados a cuidar da vida. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005).A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. redescobrir o humano na técnica. enganos. tanto na ficção como na vida real.ambos permanecem o que são: diferentes outros. isto é. geraram-se vários problemas. é também fruição. as tendências de pensamento sobre este assunto. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. mas para a diferença. a promovê-la. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. erros. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. uma decisão.

queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro.Assim.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. ou seja. já que a violência voluntária ou vingança é. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. isto é. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. já que a violência voluntária ou vingança é. o sacrifício tem um caráter preventivo. mesmo fortuito. de certa maneira. já contaminados. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. a fortiori. A Bioética é uma postura. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia. mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado. convém da mesma forma. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. com todo contato violento. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . uma pré-visão do perigo.vontade e razão. Enfim. como um ser capaz de assassínio. Somos responsáveis por tudo e por todos. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência.Assim sendo. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas.com. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos.etc. e todos os dilemas que se apresentam. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. enquanto ainda há tempo. Por conseguinte. pois clama por vingança. como diz Girard. na verdade. só os seres já impregnados de impureza. Para o autor. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade. vista como uma doença. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior.ao mesmo tempo. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. de certa maneira. Neste sentido. um ato “criminoso”. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. da Aids ou das guerras.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. Se todo contato. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. hostil”. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. vista como uma doença. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano.A vida depende dessa prevenção.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. não hesitam em se expor.

coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição. 16. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação).A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. investindo na relação ética. representam. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. seja pela via do investimento social privado. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. na maioria das vezes. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. embora relevante.2003. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. mas talvez um posicionamento diferente. práticas de negócio e processos operacionais. Essas iniciativas. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann. conseqüentemente. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. ações pontuais e desconectadas da missão. quando tratado de maneira isolada. Esse viés de contribuição.SP. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. visão. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. apesar de apresentarem resultados positivos.12. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 . seja pela via do estímulo ao voluntariado. na Comissão Brundtland. (São Paulo . Em muitos casos. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas.

mas também no resultado ambiental e social adicionado. segundo o Instituto Ethos . empresas de transporte e mobilidade. na realidade.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse.09. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. por exemplo. que a empresa cresça. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. Em muitos casos. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. As empresas podem. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. Em última análise. a lógica de mercado. Por outras vezes. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto.fornecedores. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. produtos e. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. as empresas automobilísticas. (São Paulo. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. seja rentável e gere resultados econômicos. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem.governo e sociedade. a partir desse pano de fundo.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões. em última análise. Dito de outra maneira. focando não só no resultado econômico adicionado.meio ambiente. e assim sucessivamente. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial.2004. 22. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. de forma permanente e estruturada. Em outras palavras. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. empresas de saúde. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. nos processos. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança. então. os chamados stakeholders – público interno.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. conseqüentemente. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. comunidade.acionistas.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe. ainda. O conceito de responsabilidade social empresarial traz.clientes.entre outros. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 . SP.A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. Já a sustentabilidade empresarial. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. na Vila Prudente (zona leste de SP). econômicos e sociais e. nos modelos de negócio.

Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. dentre outras). a empresa melhoraria outros processos. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. tornando-os parceiros neste desafio.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. pela FEA/USP e em Direito. pela PUC/SP. 17.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. 16. Além disso. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. Por outro lado. com mestrado em Desenvolvimento. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade.org. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. há possibilidade de geração de parcerias duradouras.SP. melhoria na distribuição de renda.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . Para que a mudança na organização seja efetiva. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. associando a ela valores positivos. sustentável. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. de produção. A idéia central da iniciativa é construir. menores índices de turnover e atração de novos talentos. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. Entre os dirigentes organizacionais. pode-se observar um maior nível motivacional. 17h32. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos.2003. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. que Angélica. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . porém. reutilização e reciclagem de materiais. Digital) vai além do produto tangível. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. educação. Para que o processo se estruture de maneira sólida. de longo prazo. sejam elas de comunicação. Com base nesse diagnóstico. {São Paulo .org. Com relação à cadeia de fornecimento.12.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca.criando uma visão compartilhada do negócio. gradualmente. com o uso de alternativas inteligentes de consumo.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial. erradicação do trabalho infantil. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis. Para o sucesso dessa empreitada. mas de um jeito diferente.

Contudo. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. que fica no Alto da Boa Vista. da Sabesp. o que é conseqüência da baixa demanda. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. nanofiltração. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. ultrafiltração. incluindo a microfiltração.07. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 .Estação de tratamanto de água. (São Paulo. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR.2004. osmose reversa e troca iônica. SP. 23.

foram desenvolvidas no início do século XX. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. podem estar presentes em um efluente líquido. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. Por outro lado. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. que no Brasil. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. 2005). na maioria dos casos. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. Como exemplo. possivelmente. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. e que. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. conseqüentemente. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. potencialmente. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. não atendem às necessidades de regiões específicas. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. 1998). como é o caso dos Estados Unidos. atualmente. seja de origem doméstica ou industrial. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas.com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração.

uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos.40 1 -10 0.80 0. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 . Em primeiro lugar.00 CAPACIDADE (L/s) 35.60 CUSTO (US$/M3) . • nanofiltração. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. Como exemplo.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água.00 1. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos.00 30. Isso.ultrafiltração.00 40. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.00 0. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas.5 Figura 2 . o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. Em relação ao processo de eletrodiálise. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior.00 15.20 1. A baixa competitividade no mercado interno. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 .sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana.001 Nanofiltração 5 -35 < 0. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004. 2003): • microfiltração.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.40 1. 2. 1998 e MULDER. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas.00 45. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples.00 20. • ultrafiltração. CHERYAN.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas.001 .00 25. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas.1 0. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas. Diâmetro do poro (mm) < 0. verificase que os processos de separação por membranas. Como conseqüência.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA. 2001).20 10. 1996.0..00 50.Os processos de microfiltração. utilizando-se tecnologias diversas.80 1.por sua vez. • osmose reversa. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico.Por exemplo.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados.1 . os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais.001 Ultrafiltração 0.

564 p. McGraw-Hill.Wiesner. DR.org/cgi-bin/regreport. Ultrafiltration and microfiltration handbook. Reprinted. Second edition.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. que realiza análises de água. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos. REFERÊNCIAS AWWA (1996). resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação.cas. http://www. Odendaal and Mark R. Second Edition. D8230. acessado em 02/03/2005. Chemical Abstract Service. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. Peter E. CRC Press. SP. Dentre as opções existentes. M (1998).) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . 31. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. carvão ativado e oxidação com ozônio.S. U. Bureau of Reclamation.Total plant costs for contaminant fact sheets. M. por exemplo. Kluwer Academic Publishers. Editorial Group Joël Mallevialle. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. No entanto. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável.American Water Works Association Research Foundation.2004. Water Research Comission of South Africa. (São Paulo. Lyonnaise des Eaux. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. podem vir a se tornar competitivos. Basic Principles of Membrane Technology. MULDER. a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados. CHERYAN. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem.Water treatment membrane process. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. CAS (2005).pl. os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo. 2003.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. Department of Interior (2001). The latest CAS registry number and substance count.03.

Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). as sociedades industriais passaram por sérias transformações. advindas basicamente da tomada de consciência. realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92). Foto de Juca Varella/Folha Imagem. Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4). busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente.dos impactos ambientais por elas causados. que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. (Jacareí. 04. eficiência econômica e justiça social. .2002. por parte dos governos e da sociedade civil. permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1).Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP). Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. 18h. SP. Este programa de ação internacional.03.

sanitária e econômica para todos os países. dentro do próprio processo produtivo. se contabilizadas. O item 4. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). a gestão de resíduos. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. resíduos e transferência de tecnologia.National Pollution Prevention Roundtable). Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. toda empresa tenta realizar economias. o metalmecânico. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. uma ameaça social. Assim. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). o metalúrgico. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. transportes. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. entre outros. industrializados ou não. Em 1985.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). por exemplo. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa. A reciclagem interna. de gestão da produção. Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). de produto e de práticas de housekeeping. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). que são a remediação. por exemplo. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. de matérias-primas. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. Na década de 1990. e.em diversos países. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos. em diversos tipos de empresa. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. Pesquisas realizadas mundo afora. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. No Estado de São Paulo. organização sem fins lucrativos. Evidentemente. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. mostram a eficácia da prevenção.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR .que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte. de gestão da informação. a química. Por exemplo. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. como o têxtil. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. Ao longo desses anos.outros grupos se formam. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. como o de gestão do pessoal.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. etc.em especial nos que abordam energia. são formados: em 1994. após eles terem sido produzidos. poluição esta que se configura como. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. o controle e a disposição final dos resíduos. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. bem como ao uso eficiente destes recursos. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. a farmacêutica. Dentre esses sistemas. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. Compreensivelmente. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. em seguida. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 . obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado.

(Santo Antônio de Posse. 13. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. a empresa irá mudar as condições na fonte. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. De todo o exposto acima. Além de reduzir seus riscos. utilizando toda a sua estrutura.2001. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. ou seja. para a empresa.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. imagem da empresa. prêmios pagos às seguradoras. SP. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. é rápido. sua influência e sua capilaridade no interior. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. em geral. na própria origem da geração de resíduos. estes muitas vezes problemáticos. prevenir na fonte a poluição do ar. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. produtos e serviços. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. seus instrumentos de divulgação. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. A CIESP. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. posicionando-se como parceiro do PNUMA . saúde e segurança do trabalhador. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. O mais interessante de tudo isso. através do seu presidente Cláudio Vaz. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. calculando seu retorno financeiro que. Assim. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. em Santo Antônio de Posse (SP). introduzindo matérias-primas mais puras.reduzir o uso de recursos naturais. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável.06. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”.

entre outras. 131 .Bom Retiro .com.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria. Meio Ambiente. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra. pesquisa e treinamento. Saúde.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 .Especialização.São Paulo .cj. Transportes e Indústria. A FAT posiciona-se.SP . a FAT propõe. entre outras • Concursos . estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. desenvolvendo projetos sob encomenda.br Rua Três Rios. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso.Vestibular. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação. saúde. indústria e meio ambiente. • Cursos . na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. assim. ensino. 42 .

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. conforme descrito na seção 2 a seguir.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. respectivamente. as mudanças estratégicas. METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil. Mais especificamente. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. por um lado. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. nomeadamente a adequação da política de qualidade. design.desenvolvimento.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. e. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. em geral. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo.marketing e distribuição. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. por outro.INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. seja em aspectos técnico-produtivos. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. tecnológico e organizacional pode ser afetada. respectivamente. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. P&D e distribuição) pode ser afetada. bem como à prática empresarial. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. a partir deles. Na seção 3. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 .dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). partes e componentes. englobando as áreas de design. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento.

Essas empresas demonstraram. .Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D . a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2).. por outro lado. clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade. (2) segundo motivo mais importante. com diferentes graus de intensidade.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E .. obtido em 2004. Neste ponto. Finalmente. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa.Melhora da imagem da empresa C .via treinamentos técnicos). Programa 5S.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. investigaram-se os impactos internos e externos associados. percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas.. relataram que. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes.Pressão de clientes K . bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores.. mas integrado a um programa de qualidade ampliado.. isoladamente.Orientação estratégica B ... 2 . cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes.Busca de novos mercados J . e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET .que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total.ainda nesse aspecto. o que pode ter afetado tal percepção.Assim. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. por um lado.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . Este resultado era esperado. . de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante.Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . Note-se. uso de Ferramentas da Qualidade. cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro. estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos.. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma.. 8 3 de educação para a qualidade. ambas as empresas pesquisadas.Obrigação imposta pelo governo L . revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade.Melhora da competitividade H .Aumento da flexibilidade dos processos G . . por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999. aqui.Melhoria da qualidade dos produtos F . Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2). e assim por diante. 1 . em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas.quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. Em ambos os casos.Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000.. bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa. mostrou.

inspeção. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. e assim por diante. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. de longo prazo. Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. (2) segunda mudança mais importante. em sua(s) especialidade(s). controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. engarrafadores).. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas . Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento.. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. de longo prazo. com sua implementação e manutenção.. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). mas Estável. pode-se ponderar.. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. Neste aspecto. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa.

realizada por meio de estudo de dois casos. que inspiram cuidados na leitura.) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). marketing e distribuição. Nesse sentido. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. sobretudo. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. interpretação e utilização posterior dos resultados. elo da cadeia de valor. origem do capital controlador. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade .Já quanto ao método utilizado. No que se refere às primeiras. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. por um lado. aqui.de modo que passaram a cooperar mais. etc. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. em algum grau. Logística. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). com fornecedores e clientes. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. o primeiro. tais como Assistência Técnica.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. em aspectos tecnológicos. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. design. diferentemente deste último. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. neste artigo. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. Compras. especialmente em aspectos técnico-operacionais. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. De fato. Qualidade. Assim.) de empresas e utilização de questionários abertos. em termos de volume de produção e participação de mercado. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . gestão e. Vendas. etc. embora em menor intensidade. além de funções comerciais (Suprimentos. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil. organização. mas também.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. por outro. especialmente na esfera produtiva. Ainda que não apresente representatividade estatística. dependendo. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. de caráter exploratório. Ainda a esse respeito. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais.além de aspectos técnicos do produto. geografia de mercados atendidos. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. Tratou-se. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros.

construir um ambiente integrado e propício. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. S.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. Acesso em: 02 jun. Em conclusão.. Output of the. Brighton: University of Sussex. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000.com. Acesso em: 16 jun. may 2002. cabe destacar. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. Global standards and local responses.. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. H. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele.ac. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado.pdf>.ids. 2001. Brighton: Institute of Development Studies. & KAZMI.ac. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona. 2003.. R. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes.ids. 16 p. feb.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY.ac. 2001. 50 p. 156. Brighton. Acesso em: 16 jun.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. Disponível em: <http://www. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading.Diretoria da Presidência 47 .uk/ids/global/pdfs/khalidsajid. em termos de estratégia e políticas.. NADVI. IDS Working Paper. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. J. 2003. Draft for. como características do setor e da natureza do produto. Brighton. Brighton: University of Sussex. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers. K.Cabe a cada empresa. Global quality standards. F. Brighton: University of Sussex. cultura e recursos humanos. Global standards: implications for local and global governance. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). 13-17 feb. K. Proceedings.ids. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). Assessora Técnica . MILENA YUMI RAMOS myramos@terra. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. Como foi preliminarmente constatado.pdf>. 2003. [2001]. [2001]. NADVI. n. portanto..uk/ids/bookshop/wp/wp156.. Institute of Development Studies. Institute of Development Studies. Disponível em: <http://www. QUADROS. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. 2001. & SCHMITZ.. Brighton.pdf>. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. & WÄLTRING. Institute of Development Studies. Disponível em: <http://www. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada.(menor necessidade de supervisão). considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno. b) de forma similar. 2001. infra-estrutura e modo de operação. Com relação às variáveis intervenientes.

as sociedades industriais passaram por sérias transformações. só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”.tem dúvidas sobre sua eficácia. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. seja utilizando qual mídia for. Um dos motivos para isso é que não descobrimos. ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado.E RY UIO A SJ M. QW E R YU CV 'X .contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação.dos impactos ambientais por elas causados. . Como mensurar o quanto os boletins internos.qwert yu VBN io XC ' . ' z x c v bn / m. Pessoalmente.por parte dos governos e da sociedade civil. De fato. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas.com alguma seriedade. pa L K sd f gh jk l . advindas basicamente da tomada de consciência. . ainda.

todos faríamos. pais e filhos.”.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias.fundador e CEO emérito da VISA. autor do best-seller O monge e o executivo. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações.Não sem razão. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. desperdício de tempo e dinheiro. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. são marido e mulher. intranet. Para complicar. perdão. mesmo que por poucos minutos. em Nascimento da Era Caórdica. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda. colegas de trabalho. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. videojornal online. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem.recorro a Paulo Freire na conversa. Tanto para empresas como para pessoas. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo.tido.). impressos e eletrônicos. ops!. melhor dizendo. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade. murais físicos e eletrônicos. consultorchefe da J. o diálogo muitas vezes é difícil. Isso exige sacrifício. rádio jornal on-line. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –.Associados.é uma atitude. Fácil fosse.”. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona.que está na lista dos mais vendidos há semanas. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano.e vale para pessoas e organizações. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. etc. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem. James Hunters . as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro.Dee Hock. Dialogar não é apenas falar. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”. mas principalmente ouvir. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?).D. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. professor e aluno que não se entendem. Isso vale para os públicos interno e externo. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). internet. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. E com- Comunicação. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando.antes de mais nada.

responda e. de forma estratégica. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. Publicidade é divulgação. de princípios e de valores. busque informações. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”.não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos. 119). . tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. As organizações que têm consciência disso. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. ouça. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. Espanha. (Nascimento da Era Caórdica. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação.com.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. seu senso de comunidade. no método de trabalho ringi. seus princípios. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. De novo me apóio em Dee Hock. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. Sabendo mais e melhor. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado. Comunicação é troca.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). de Paulo Roberto Mota. o documento volta a passar um a um novamente. pela Universidade de Mondragon. sobretudo. seu significado e seus valores. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. comunique-se. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. participação. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. de forma integrada e estratégica. Isso torna o processo de decisão lento. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. explique. para estimular a participação e difundir valores internamente. é atitude. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente.br Jornalista. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. Assim. professor da Fundação Getúlio Vargas. mas quando ela é tomada. DAVI MACHADO davim@uol. já está em processo de decadência e dissolução. wertyu CV io 'X pa K L. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. pág.por exemplo. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. pergunte. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas.

modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. queijos. manter seus clientes. ginástica e ativos financeiros. pães. planos de previdência privada. tratamentos de pele. roupas. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. iogurtes. como computadores. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. merchandising. entre outros. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. cortes de cabelo. no mínimo. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. pastas de dentes. máquinas fotográficas. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. Na esteira dos bens e serviços.

além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. Provar FIA . Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. com seus modelos e marcas historicamente determinados. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. recuperação. entre eles um Nike que comprou em três prestações.sadas.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento.com. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. As ATMs bancárias. mas não resolve o problema. ou seja. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. Essa liberdade de escolha. ao lado de seus cinco pares de tênis. (São Paulo . portanto. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. Pesquisa e Consultoria. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. office-boy do hotel Caesar Park. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. Não surpreende. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. Mas Do seu lado. pode atenuar. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. marcas. A ancoragem nos atos dos outros. e atributos específicos. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. Além do número crescente de opções àa sua escolha. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos.br Coordenador de Cursos. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. quando der vontade.

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . de história francesa. orgulhosos. crianças um pouco maiores.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. SP. No Centro Pompidou. museu dedicado à arte do século XX. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". já na faixa dos 10 anos.Alguns pais acompanhavam a visita.2005.07. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. na exposição "Cinético_Digital". outras atentamente ouviam as explanações da professora. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. (São Paulo. no Itaú Cultural. em São Paulo (SP). A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. de Raquel Kogan. 01. sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. grupos de crianças muito pequenas – de 4. No Museu Carnavalet. como alguns quadros de Kandinsky e Miró. Corriam algumas de um lado para outro.

com seus acervos permanentes. Marmotan. Com o interesse crescente pelo computador. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. E. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows.br Médico e escritor. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. mas ali. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. É urgente um investimento maciço em educação.Discordo. de Raquel Kogan. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. somados às mostras temporárias. peças de teatro e oficinas. apresentar-lhes obras e elementos artísticos. por exemplo. ser uma sociedade completamente insustentável. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. SP. se não quisermos. Na cidade de São Paulo. ONGs e institutos. cruzei com uma excursão de estudantes italianos. 01. comunidades. Cluny. Louvre. a resposta seria o espanto. mas ainda é pouco. Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. adolescentes atentos. com responsabilidade e seriedade. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. outros tipicamente dispersos. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). O Instituto Itaú Cultural. Picasso. pode. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. na exposição "Cinético_Digital". tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. ainda calcado em elementos humanos e originais. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2".O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital.com. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. caso houvesse resposta. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. porém. no Itaú Cultural. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. . tanto em tecnologia quanto em conteúdo. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. No Museu Rodin. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. em São Paulo (SP). ambos publicados pela Ateliê Editorial. dessa condenação sumária.em parte.07. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas.2005. em 20 anos. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. que fazem toda a diferença. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. articulados. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. por exemplo. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. (São Paulo. principalmente. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo.

iniciando-se com um panorama do setor. do governo e do meio empresarial. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. em suas diversas camadas. ele começa a ser reestruturado e. propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. e pelo CNPq. V. sempre se destacou no Brasil. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores.GALINA Publicação PGT/USP. R$ 30.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. é que o estudo. passa a atrair ainda mais a atenção da academia.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. 333 páginas. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor. Está organizado em nove capítulos. R. apoiado pela FAPESP. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. na forma de projeto temático.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. Do lado prático.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. segundo modelo próprio adotado. do lado acadêmico.A expectativa. Em meados da década de 1990. no âmbito do PRONEX . SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. vindo a público com esta publicação. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços.

br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro. Brasil Informações: d http://www. China Informações: d http://www.fatecsp. Brasil Informações: d http://www.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo.iamot.com.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.org .com.fia. Brasil Informações: d http://www.fia.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful