Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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que. Não havia um presidente. Bom. Na época.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. O senhor. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. para se encontrarem em Nova York. mas foi crescendo.à última hora desistiu do negócio. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. no entanto. porém. do tempo do nazismo.Meus pais falavam russo apenas entre si. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. principalmente à Sala São Paulo. No mais. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. tivemos uma governanta russa.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. porque como eu falava muito. eram apenas amigos. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. Comecei.Mas esse não era o plano. Eu era advogado deles. perderam-se de vista. a ler e a biblioteca resultou de leitura.de novo por acaso. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. preparei a documentação e. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. sim. diziam que eu ia ser advogado. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Não pensava em formar qualquer biblioteca. começaram a faltar peças. ela não foi planejada. De que origem eram seus pais? De origem russa. com eles. que falava francês perfeitamente. Lia-se muito em nossa casa. talvez eu consiga entrar no negócio”. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. eles . acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. uma empresa. que também desistiu. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. ao que se sabe. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. só que dirigida também para os livros. Ciência e Tecnologia. Aliás. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. Mas esse não era o plano.pelo menos não naquela ocasião. E já que o problema era o capital. falei com um amigo meu. Vieram para o Brasil em 1910. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. como aconteceu por um curto período. acabei aderindo ao empreendimento. no fim. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. Respondilhe que não queria participar. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. Eles chegaram em 1936.Nunca pensei também em ser empresário. Quanto aos livros. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. não de livros raros. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura. Foi quando vieram para o Brasil. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. o acaso teve um papel muito importante na minha vida. A empresa começou muito pequena. tenho ido. Assim. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. cada um fazia uma coisa. Não pensava em formar qualquer biblioteca. ou seja. Quando é que começou esse amor pelos livros. mas de leitura corrente.tanto que a nossa língua em casa era o português. eles tinham o apoio da Klabin. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. mas sempre em harmonia. O interessante é que. e saíram do país por caminhos diferentes. na Rússia. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. em 1910. tornando-me assim sócio da empresa. Então. que era meu amigo. Essa história é verdadeira? É verdadeira.

Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada.visconde de Porto Seguro”. publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. de teatro. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. o que naturalmente eu fiz. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. naquele mesmo dia.O Fábio Comparato era. Explica-se. provas que não foram publicadas. já está havendo um começo”. que hoje são reverenciados. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. diretor da empresa. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. Por exemplo. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. Além disso. mas ela não tem a aprovação popular. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. Ou seja. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. um tal de Porto Seguro. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. vamos ser claros. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . uma série de edições raras.a Renina Katz. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. que era como a secretaria se chamava na época.o Celso Lafer. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. ENTREVISTA Mas. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. mas política era assunto proibido. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. em 1878. Então consultei uns amigos. de coisas amenas. o Le Figaro. foram para o Chile. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena. que começou a conversa sobre a questão de tortura. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. no sábado a gente sempre ia para lá. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. não vamos falar mais nisso”. Fiquei no cargo por quase um ano. o Décio de Almeida Prado. eu disse que achava que não dava para aceitar. Mais tarde comecei a encontrá-los. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. Ela respondeu que não. Só se falava de literatura.na casa do Plínio Doyle. mas enquanto conversava. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. A pessoa respondeu que. Ao longo desses anos. Com tudo isso. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. Não vou negar que exista. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. a ele e ao Pedro Nava. Ciência e Tecnologia. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. existe tortura sim no Brasil. mas o que ele tinha no escritório. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. entre eles o Antonio Cândido. denominado “Sabadóyle”. na época. mas insisto que não tem apoio popular. de fato. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. Mas aí eu lhe disse: “Olha. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. que era uma livraria de literatura francesa. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão.

já que as populações eram analfabetas na sua maioria. uma difere da outra com pequenas variantes. Eu acabei tendo as duas edições. que uma hora era de Portugal. quando estive lá. Recebi. Dela se conhecem 18 exemplares. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. depois o número 3. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. bém a comprei por acaso. Enfim.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. porque era meio caro. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. Ademais. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. Não tive dúvidas. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. por exemplo. holandês. .todos em grandes bibliotecas. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes. um dia. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. Recentemente. escrito em pergaminho. anos depois fazia o número 2. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. Ora. Possuo. foi a certidão de nascimento do Uruguai. Um que é o Livro de Horas de 1480. mas ele queria o pagamento à vista. Então veio pelo correio. um telegrama de um livreiro amigo.Na verdade. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. é um grande livro que serve à história do mundo. com a invenção dos tipógrafos. comparada à revolução da informática. sobre o tupi-guarani. ele já tinha 95 anos e estava de cama. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. na verdade. outra hora era da Espanha. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento.Quando cheguei lá eram 180 volumes. por exemplo. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. A gramática do Anchieta. mas foi uma revolução. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular. Tenho. que era tenente.. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. enfim. Era uma documentação original das autoridades portuguesas. E de Portugal. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. mas não podia recusar e comprei. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. me oferecendo preferência na aquisição. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. Como não havia arquivo naquela época. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina.. E isso não se deve fazer nunca.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. Mas. outra que está à esquerda. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. Voltei com quatro malas. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. E com a Metal Leve. Detalhe: entre 1455. abriram-se novos horizontes. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1.800 ilustrações. assim por diante. buscando tecnologia própria. os descendentes de um dos protagonistas. que é um dos exemplos do que foi o livro. É. Tenho a primeira edição de Camões. venderam para o tal português chamado Assunção. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. 92 quilos de peso. brasileiras e algumas argentinas. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro.

Número 3 .br Diretor-presidente da FAT. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições. Dr. Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. Walkiria Barone Fotolito. Impressão: Offset. Em tecnologia abordamos. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil. assuntos relacionados à nanotecnologia. sem autorização prévia.com. levar informações ricas e atualizadas. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof.com. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof.com. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. por meio da divulgação de matérias.br . Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN . É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições. incluindo capa. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores.Bom Retiro São Paulo . DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. 4x4 cores. César Silva Diretor Administrativo Prof.ester@uol. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof. Almério Melquiades de Araújo Profa. Dr. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 .br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra.cj. Número de páginas: 48.com. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra.Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof. Na questão da responsabilidade social. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15. Dra. pesquisas e prestação de serviços de assessoria. Nesta edição. Yolanda Silvestre Prof.com. Dr. da Silva.com.br Fotos Júlio Hilário. Victor Sonnenberg Profa. com ênfase na sua grande paixão. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos. Remo Alberto Fevorini Profa.tel. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. No eixo educação. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof. formato aberto: 416 x 273 mm. 42 .br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. Acabamento: lombada canoa.br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra.com.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. capa: Couché opaco 150 g.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT . os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.SP . ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes. Folha Imagem. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia. Estamos procurando fazer a nossa parte. A FAT mais uma vez procura. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. eletrônico ou impresso. Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. entre outros. verniz de máquina capa/contra-capa. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível. os livros.1807-9687 Rua Três Rios. Manoel A.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. 131 .: 11 6958-1310 policom@uol. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof.br Todos os direitos reservados. Dr. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. por meio de sua revista.000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A. responsabilidade social e ética & educação. Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. Papel do miolo: Couché opaco 70 g. à bioética e à Produção Mais Limpa. Dr. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. Silvia Regina Lucca Prof. Dr.612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia .com.

2005 .ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”. diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A. 1976 óleo sobre tela.NÚMERO 3 . 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II .Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA.JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto . TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se.cern. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez.ch/microcosm). 1]. lembrando um favo (10 -4). a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante. Assim. Fonte: CERN (http://microcosm. a base deste sensor (10 -7).totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente.ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 .A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. o olho da mosca.escalas. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado. o olho da mosca e detalhes deste órgão. QUADRO 1 .cern. No entanto. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. diferente destas. apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm. O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). como a industrial ou a da tecnologia da informação. Macro. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos. como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9). um detalhe da mosca (10 -2). vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1). Micro e Nano . A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento.assim. Em outras palavras.web.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo.Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação.web.

aumento na velocidade de processamento da informação. veja Quadro 5). refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. sistemas de observação miniaturizados. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. Nessa escala tem-se. química e biologia.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 . em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. são as grandes propulsoras. podemos imaginar medicamentos que. como a natureza está acostumada a fazer. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. ministrados a um paciente. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). implantes totalmente biocompatíveis. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). materiais para regeneração de ossos e tecidos. novas possibilidades de reciclagem.a nanobiotecnologia e a nanomedicina. kits de autodiagnóstico. proporcionalmente. telas planas. Em todas elas. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. Além disso. como demonstra o Quadro 6. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. como o próprio coração. novos sistemas de visualização não invasivos.Além disso. elétricas e magnéticas.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. plásticos não inflamáveis. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. Alternativamente. novos métodos de limpeza de dentes.veja Quadro 3). • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. microarranjos para sistemas de análise de DNA. sistemas de comunicação wirelesss. está sujeito a interações com o mundo exterior. novos processos de fabricação. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. nanocompósitos resistentes a fogo. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. circuitos eletrônicos mais eficientes. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. nanopartículas contra alergias. tecidos mais leves e rígidos. portanto. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. Como mencionado anteriormente. certamente. células de combustível.veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos. São as chamadas tecnologias convergentes. a nanometrologia. Primeiramente. diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais. junto com tecidos convencionais. tecidos que repelem manchas em tecidos. arranjos protéicos para diagnóstico. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. e é conhecida como abordagem “top-down”. pneus mais duráveis. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. fotossíntese artificial. dispositivos MEMS. processos otimizados de micro e nanorreação. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. Nanotubos de carbono. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. molécula a molécula. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular). como física. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. novos tipos de bateria. vidros resistentes a fogo.

causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 . Em essência. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. como mostrado na (Figura a seguir). N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. Para isso. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa. conforme a ilustração à direita.. Por outro lado. em 2001. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos.dependendo do tipo de aplicação desejada. para certas tarefas. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. etc. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. Os quadrados em ouro são terminais de contato. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas. Assim.6 0.2 0. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. como o nióbio. Ele é construído em materiais supercondutores. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. ordenar palavras. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. Quando comparados com outros países. dimensões nanométricas. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro).8 Nanotecnologias”. para sua operação. chamada de quantum de fluxo magnético.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. ela se divide entre os dois ramos do anel. mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). como somar números.4 0. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo.QUADRO 3 . na atualidade. cerca de 0. Nessas condições. por um magneto). produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. Para se ter uma idéia. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. 0 0. por exemplo. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. Como exemplo. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. entre outros. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm.

Nanotec 2005. que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). em um arranjo hexagonal. É importante ressaltar que a microtecnologia. deverão investir fortemente em (N & N). Seu comportamento mecânico. Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. os institutos de pesquisa e a indústria. dentro de suas possibilidades. foi realizado. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades.braço fundamental da (N & N). Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . ótico. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados. de displays planos. evaporação de solvente ou separação de fases. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. ablação via Laser e deposição por vapor químico. Por isso. de transistores. em São Paulo. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. juntamente com a exposição internacional de projetos. QUADRO 5 . com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. produtos e materiais nanotecnológicos. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação. o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). de sensores e de atuadores.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica. Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. elétrico e magnético é diferenciado. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano. Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. afetando características importantes do produto como estabilidade. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. O governo está apoiando esse esforço. mas. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. comparáveis a suas contrapartes internacionais. em que a produção de emulsões é etapa crucial. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica. 3]. 2] .A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. com vistas à formação de recursos humanos.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país.

Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. com a presença de quatro palestrantes. se diferencia-se da nanotecnologia. Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados).realizado em 5 de julho último. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. Inglaterra. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. Prevê-se que os aspectos sociais. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. projeto. processos térmicos. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. Essa convergência tecnológica. biotecnologia. para aplicações em: acústica. biomedicina. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. com dimensões típicas de 0. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). a nanotecnologia. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento. manipular ou imitar os sistemas biológicos. Nanotecnologia É o estudo. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. devem examinar. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica. Israel e Brasil –. Esta. síntese.1 a 100 mm. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. Os desafios são inúmeros.1–100 nanômetros. Está composto de prótons. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. manipulação e aplicação de materiais. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. ótica. criação.000 nanômetros. para integrar e miniaturizar dispositivos. etc.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. empresas. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. Ex. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana. vidro. quando adequadamente coordenada. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. baseando-se em princípios de microfluídica. quando aplicada às ciências da vida. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. processos químicos. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. fabricado com moléculas. recebe o nome de nanobiotecnologia. como: silício. Microtecnologia A Microtecnologia. componentes e microssistemas. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa. O átomo é a menor entidade química. dado que se ocupa de estruturas atômicas. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. Desta forma. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. Deste encontro. representando países distintos – Estados Unidos.Durante o evento. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. a introdução de um processo contínuo. eletrônica. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. 12 MAR/ABR/MAI' 2005 . cerâmica e polímeros. nêutrons e elétrons. que articulem a cooperação efetiva entre governo. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem. magnetismo. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. Está composta de átomos. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. mecânica. universidades e institutos de pesquisa. da biotecnologia. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados.

104 p. na atualidade. Por outro lado.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não.foresight.mct.comciencia.com/html/Reports/publications. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www.S. SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica.br d www.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.inovacaotecnologica.com. There’s plenty of room at the bottom.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA. 2004.edu/~feynman/plenty. Esses métodos evoluíram separadamente. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.inovacaotecnologica. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 . Washington D. www.br/Temas/Nano/prog_nanotec.com d www. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers. Henrique.its. a médio prazo.gov. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada.br d www.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.pgmat. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química.br/noticias/noticia.fapesp.. permitindo uma integração muito desejável.unicamp. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar. e a abordagem “bottom-up”. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.com/ d www.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro)..nanotechbriefs. 2004. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.iqm.C.br/temas/nano/ d www.pdf em 05 de Dezembro de 2004).gov. May.br/ Sites no exterior: d www.com.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”.ufsc. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA. 2004.cientifica.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”. (1959). Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi.usp.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo.org d www.smalltimes.br/nano/ d http://lqes.mct.caltech.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior. H. QUADRO 7 . http://www. É.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt. R. (Disponível em http://www.

(São Paulo.2003. 14h00. Resumidamente.Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. SP.01. 05.vêm de longe e têm aumentado com o tempo.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 .

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA.. com relação ao mercado americano. Motorola.Abril e TAM. Ainda segundo essa autora. Sabesp. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. entre outras.”. Segundo a autora. conseguiu-se identificar. pela General Electric.no sentido de realizar a formação dos seus empregados..com a criação das primeiras escolas pelas indústrias. McDonald’s. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. no contexto dos EUA. .”. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. No contexto brasileiro. Banco do Brasil. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho.. No Brasil. XXVII). Na década de 1950. p.realizar parcerias com universidades. 2005). em 1955. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA. Ao que tudo indica. sendo provável que já existisse um número bastante superior. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas.Ambev (antiga Brahma). estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs. segundo a mídia especializada. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston.. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”. Segundo a autora. Segundo Meister (1999.nos EUA. Fiat. Leader Magazine. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. por meio de pesquisa.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas. CEF. com o lançamento da Crotonville. Carrefour. Petrobrás.. Porém. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas.. Unimed. Accor Brasil.Atualmente. 1998). esse princípio envolve “. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. no início de 2003. verifica-se claramente que.

(4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais. com 25% das indicações cada. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. com 38% das indicações. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. havendo. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”. Entretanto. conforme se verifica no Gráfico 2. 45% são bastante recentes. DE 90 NA DÉC.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. totalizando 20 empresas. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. a partir de então. Learning & Performance . (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos.num total de 45 empresas. sem. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. aqui agrupadas sob a marca PUC. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. tendo sido criadas nos últimos quatro anos. Gráfico 2 . As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. possuir Universidade Corporativa. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . no entanto. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC.Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC.

Segundo. Por outro lado.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. com a qualidade que elas esperam. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. SP. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%. (São Paulo. 24.01.conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. Quanto ao investimento em familiares.nos clientes (11%) e nos familiares (8%). A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se. mais adiante.O gerente de marketing e vendas da Sony. Palavras como “competência”. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. setores afins e estudantes/bolsistas. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial. as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . concessionários. fornecedores. sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. formadores de opinião. percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa. público em geral. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). Eduardo Tubosaka. familiares. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. no que diz respeito às desvantagens. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias.2003. entretanto. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores.bem como o custo elevado da parceria. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. nos funcionários (67%). Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. observando-se mais criteriosamente. declarada por 96% dos respondentes. Primeiro. Por outro lado. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. clientes. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente.

já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência.elearningbrasil. Afonso. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol.Tese (Doutorado em Administração) . São Paulo: Gente.São Paulo:FEA-USP . New York: McGraw-Hill. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . asp?id=2348. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo.62% das que não possuem UC. André L. 1998. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos.br/home/noticias/clipping. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional. Mark.ed. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência. voltados à capacitação de pessoas. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários. FLEURY. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema. Muito embora os resultados do presente estudo. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra.2002. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. pp.2000.Faculdade de Economia. Nov. o número médio de parcerias por empresa. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil. acesso em 22 jul. FISCHER. 35-36. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas. March/April 1999. 1999.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. Mark Allen Editor.. ALPERSTEDT. girando em torno de 2. 2002. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. ____________.ano X. consultor em Administração. Este é.114. Quase 500 universidades corporativas no Brasil.Cristiane. contra 34. O estudo revelou que 78. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais.dade cultural e do seu negócio.Jun. Maria Tereza L. Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI. Managing. Jeanne C. 2002. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa.5 parcerias por empresa. 38-43. por imposição das limitações metodológicas. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. São Paulo:Atlas.Maria Tereza Leme et al. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. 2001. In:FLEURY.Beth. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. Human Resource Management International Digest. Revista T&D. pp. 1998. Conforme ficou evidenciado.br Mestre em Administração pela FEA-USP.com. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. A pesquisa aponta. entretanto.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior. ____________. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. FLEURY. EBOLI. como por exemplo. MEISTER. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante. Training & Development. São Paulo: Schmukler Editores. The Corporate University Handbook: Designing. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. São Paulo: Makron Books.. 2000. ALBUQUERQUE. 1999.Marisa et al. portanto. ____________. São Paulo. professor universitário. As pessoas na organização.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. Lessons in How to Set Up a Corporate Universities. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. Lindolfo Galvão de. ____________.Ten Steps to Creating a Corporate University. O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias. and Growing a Successful Program. Entretanto. ____________.Educação Corporativa.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force.Obtido no endereço http://www. ALLEN.2005. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente.com.

TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A.

na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. pública ou privada.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade.Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. vivendo um momento especial na história. especialmente.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems). na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização. agilidade. em um passado relativamente recente. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. Isso exige a absorção. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. A nova organização. pela busca constante da excelência na administração pública. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. ser uma utopia.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. Novas tecnologias podem ser adotadas. transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar.I. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. O que parecia. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. certamente. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. agora está se tornando possível. em decorrência. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 . calcados na tecnologia da Internet. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. Alcançar um estado de eficiência. por parte da sociedade. com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. suportados por novas tecnologias. A T.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos.

o impacto é muito mais profundo. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada. mas ainda mais para organismos de governo. a “máquina pública” completamente reconfigurada. se estendendo além das fronteiras da organização. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. Na terceira onda. entre tantos outros: .I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. com altos impactos sobre eficiência. desde melhor gestão de recursos. Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada.a primeira remonta aos anos 1920. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. configurando o que. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. Poderemos ter. entre outras grandes mudanças. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade. se ações proativas forem realizadas. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado.I. 1ª GERAÇÃO DE T. estamos. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo. dentro de poucos anos. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). para efeito desta análise. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. em que predominaram a busca pela otimização de processos. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. melhor atendimento ao cidadão. Nesta nova “onda”. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. que muitas vezes se inviabilizaram.I. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos. agora. com menores custos operacionais e muito maior efetividade. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos.I.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T.

ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. Segundo. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. basicamente. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. mais de 40% dos recursos totais existentes. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. em relação a outros países ou à iniciativa privada.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. fóruns de discussão. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. logo. No Brasil. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos. criando-se. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos. assim. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. maior conhecimento das ações governamentais. de licitações do governo.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. A Internet. em geral de muito baixo nível. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. conteúdos de interesse No 1º Estágio. e talvez mais importante ainda. Neste estágio. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. Terceiro. Finalmente. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. em que o governo pode. por medo de qualquer tipo de sanção. no Brasil. etc. disseminação. estágios que um organismo de governo pode explorar.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. Infelizmente. isto é. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. que pode ser acessada sem identificação. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. mais flexíveis. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. suportados por novas tecnologias. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. a comunicação de retorno. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . ágeis e de menores custos operacionais. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional.I. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. muito mais facilmente. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. já ocorre a comunicação bidirecional. solicitação e preenchimento de formulários.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. desvios e corrupção.porque. ainda há uma tendência. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. seja na forma de perguntas e respostas. a partir de qualquer “cyber café”. atualmente. a disseminação de notícias. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. de cargos públicos a serem preenchidos. Por exemplo. de outro. para suportar os processos envolvidos. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico.consideram-se cinco os estágios de e-government. o que se promove. entre tantos outros exemplos. desvios e corrupção. na medida em que os sistemas de informações se integram. Primeiro. pela participação que o setor público tem no produto nacional. e. direta ou indiretamente. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. de um lado. o setor público consome. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo.

tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. registro eletrônico de autoria e patentes.integrando-se a processos de outros organismos de governo. Numa situação desse tipo. para cada lançamento. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. entre tantos outros serviços possíveis. mais importante. antes praticamente impossível. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. Com a integração de processos. como ilustra a figura a seguir. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. são grandes. dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. ter-se contrapartida. a bancos. é o BPM . por si só. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. muito maior atenção é dada a essas operações. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. anomalias indicadoras desses desvios. em geral tratadas fora deles. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. ocorrem transformações de outra natureza. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. materiais ou de quaisquer outras naturezas. pois. que agrega diversas tecnologias específicas. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. não só pelos registros ali contidos.porque são especializados demais. as fraudes. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. se tivéssemos processos completamente integrados. Essa nova disciplina. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. relativamente simples. Além disso. no caso de governo. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. sejam esses fluxos financeiros. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. também. com ferramentas integradas em BPMS . Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. Da mesma forma. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. é possível ter um grau de transparência muito elevado. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. concessão de licenças e autorizações. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. o que. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. suportada por padrões e ferramentas poderosas. mas pela obrigatoriedade de.Business Process Management. há erros ou falhas de lançamento. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. É. inclusive as integrações com a sociedade.Business Process Management . É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. Já em processos integrados e desfragmentados. com menor carga de supervisão e controle e. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. neste estágio. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. por trabalho humano. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo. seja internalizada nesses processos.

poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. Denise. p. Jericho. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. Iss. p. Com essa abordagem. Resenha do livro Caminhos da transparência. Joseph. documentos associados.por exemplo. 21. p. 2005 VOLMER. plebiscitos eletrônicos.12. Public Organization Review. 1. FONSECA.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. 2005. Peter. 18. Guarujá.30.Ken. TORRES. 20. Is. New Directions in BPMS Technology. Manhasset. Chicago. Oscar Adolfo. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM.Vol. 1064. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce. p. 2003 . Framingham. InformationWeek. 2005. LAMONT. ERASALA. Chicago. Howard & FINGAR.The Brainstorm BPM Conference. proporcionando maior transparência. DUBIE.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). 13.The Brainstorm BPM Conference. etc. 2003. WALL. Vol. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. redução de fraudes. Processos e Sistemas Ltda. Chicago. 4.Robert. 269. por exemplo. TAN.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. etc.The Brainstorm BPM Conference. NORBERTO A. 2003. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. p. MORGENTHAL.The power of process. Roger. 2005. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo. Business Process Management – The Third Wave.Basingstoke: Dec 2003. Com processos inteiros. 10. FINGAR.BPO meets BPM . Dordrecht: Sep. 2004. altamente suportados por tecnologia.. 9.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. 3.. 51.desvios e descontrole. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS). publicada na Revista do Livro Universitário. Jan 2004 . p. Chicago. etc. Is. muito maior agilidade. Integrating processes: The next Nirvana. condições de exceção. JP.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. The Real-Time Enterprise . 77. PUCCINELLI. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais. 41.com.Systems. 2005 __________________. 2002. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. ORR.Vol. Chicago. IDG/Computerworld – Brasil. Chicago.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado.). que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio.Accelerating BPM with Business Rules. Meghan-Kiffer Press. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção.Barbara von. Meghan-Kiffer Press. p.The Brainstorm BPM Conference. Ulrich. Judith.Chichester. TORRES natorres@uol. 2003. SILVER. p.. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 . Francisco & SANCHEZ. p. Sep 29. BPM: no just for the big kids on the block. European Journal of Information Systems. DARROW. Issue 9. REMUS. 45. 13.V.Oct 2003 . São Paulo.isto é. Knowledge and Process Management. Beyond integration. 12.V. históricos. através de processos. p. Robert. KM World. a partir de critérios como datas-limite.Vol. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. Dec 22-Dec 29. Charles. 2005. Is. Norberto A. HALLE. 2003. 237.Forrester Research.Camden . 3. SOA . Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. XI Congresso de Informática Pública Conip. I. Por meio de tecnologias orientadas a processos. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas. Bruce. Idort/PMSBC. 2005. Network World. S4.All or Nothing. Issue 1. 57. na área de Contratos/ Projetos/ Obras.The Brainstorm BPM Conference.. Camden.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. Barbara. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias. 2003 . Sep 29. Iss.Janet K.The Future of BPM. Oct/Dec 2003 . orçamentos participativos. COLMAN. 957. pendências registradas e controladas. Hamilton: Feb 2004. Is. 2003 .. Leveraging Process Modeling for Business Value. Iss. Peter & BELLINI. CMA Management. Chee Wee & PAN. 2005.e não para o benefício daqueles que governam. V . __________________. 8-9. KM World . Ken. Presidente da Unicomm Integração de Negócios. projetos gerados. WETTENHALL. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. decisões tomadas. SMITH. Shan L. CRN. Naveen. 4. New structures for strategic growth.V. como.

Além de questões políticas. o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano. ou melhor. culturais ou religiosas. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. desperta a singularidade para a sua . e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No início dos anos 1970. sobretudo. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou. sociais. Como uma tendência que nos é natural. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”. deixado de lado em vista dos avanços técnicos.etc.corrupção. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. pelo menos.descrédito das instituições.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação.. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e. a conjunção entre um bios e um ethos. econômicas.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco.falta de compromisso com os eleitores. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes.sobre os princípios que regem as sociedades. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta.Crises de governo. a junção. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais.

Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). Na realidade. quando temas como a eutanásia são. as tendências de pensamento sobre este assunto. é uma relação originária. erros. sobretudo. a promovê-la. etc. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . para o que estava além da realidade. enganos.como diria Michel Renaud.Ao mesmo tempo em que é refém. os cursos. um dos principais casos estudados em Bioética.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. os autores que escrevem sobre o argumento. A vida em sociedade é linguagem e. como estamos acostumados a entender a união. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. isto é. uma decisão. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA. cultural. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. dissimulação. por conseguinte.responsabilidade. a Bioética já é uma pos- tura. sim. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. uma vocação. mas para a diferença. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. redescobrir o humano na técnica. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela.ambos permanecem o que são: diferentes outros. E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. geraram-se vários problemas. A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. Em Potter. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. assim. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político. Hoje. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. ou seja. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. tanto na ficção como na vida real. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. direito este negado pela própria justiça espanhola. a protegê-la. mentiras e verdades. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. consegue o seu objetivo. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. Ao final. a diferença faz a diferença. Somos chamados a cuidar da vida. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. política ou econômica. vasculhar as cavernas do início da civilização.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. sobretudo. podemos. É como se vivêssemos por um fio.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. Certamente. portanto. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. voltar-se para o que estava no início e. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade. é também fruição. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. cana Terri Schiavo. O primeiro é uma história fictícia. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. depois de um plano meticulosamente elaborado. Certamente. mais básica do que qualquer vivência social. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. as comissões.

só os seres já impregnados de impureza.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. já que a violência voluntária ou vingança é. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. vista como uma doença. isto é. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. hostil”. GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. um ato “criminoso”. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade. como diz Girard. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. da Aids ou das guerras.Assim. na verdade. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade. com todo contato violento. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. Para o autor. de certa maneira. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia. Se todo contato. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. mesmo fortuito. Neste sentido. Por conseguinte. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem.vontade e razão. não hesitam em se expor. enquanto ainda há tempo.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado. vista como uma doença. pois clama por vingança. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. convém da mesma forma. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. ou seja.com. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência. uma pré-visão do perigo.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres. já contaminados. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior. O sangue versado da vítima é um sangue impuro.ao mesmo tempo. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro. A Bioética é uma postura. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo.Assim sendo. Enfim. como um ser capaz de assassínio. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano. o sacrifício tem um caráter preventivo.A vida depende dessa prevenção. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência. Somos responsáveis por tudo e por todos. de certa maneira. já que a violência voluntária ou vingança é. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. e todos os dilemas que se apresentam. a fortiori. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana.etc. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos.

econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas. coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável. representam. visão. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. embora relevante. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. Essas iniciativas. conseqüentemente.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais. (São Paulo . na Comissão Brundtland. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann. mas talvez um posicionamento diferente. apesar de apresentarem resultados positivos. Em muitos casos. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 .2003. seja pela via do investimento social privado. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). investindo na relação ética.12. seja pela via do estímulo ao voluntariado. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. 16. na maioria das vezes. práticas de negócio e processos operacionais. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. quando tratado de maneira isolada. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. ações pontuais e desconectadas da missão. Esse viés de contribuição.SP.

mas também no resultado ambiental e social adicionado. ainda. seja rentável e gere resultados econômicos. Em última análise. (São Paulo. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem. comunidade. econômicos e sociais e. empresas de saúde. e assim sucessivamente. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio.fornecedores. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. Por outras vezes. Dito de outra maneira. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe.acionistas. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. por exemplo. 22.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line.entre outros. Em muitos casos.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. O conceito de responsabilidade social empresarial traz. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo.09. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. a partir desse pano de fundo. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. conseqüentemente. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. focando não só no resultado econômico adicionado.2004. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. de forma permanente e estruturada. na realidade. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura. que a empresa cresça. nos modelos de negócio.um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 . a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança. As empresas podem. produtos e. SP. Já a sustentabilidade empresarial. nos processos. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. em última análise.clientes. as empresas automobilísticas. segundo o Instituto Ethos . construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável.A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. empresas de transporte e mobilidade.meio ambiente. que determina que a empresa deve gerir seus resultados.governo e sociedade. na Vila Prudente (zona leste de SP). a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. Em outras palavras. então. a lógica de mercado. os chamados stakeholders – público interno. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.

org. Para que o processo se estruture de maneira sólida. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. Entre os dirigentes organizacionais. sustentável. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. que Angélica. pela PUC/SP. associando a ela valores positivos. porém. {São Paulo . integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. reutilização e reciclagem de materiais. de longo prazo. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. com o uso de alternativas inteligentes de consumo. 17. sejam elas de comunicação. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. Digital) vai além do produto tangível. tornando-os parceiros neste desafio. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. educação. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação. mas de um jeito diferente. A idéia central da iniciativa é construir. gradualmente. Para que a mudança na organização seja efetiva.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . menores índices de turnover e atração de novos talentos. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável. com mestrado em Desenvolvimento. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial.org. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. de produção. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP. pode-se observar um maior nível motivacional.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa. Para o sucesso dessa empreitada. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo.12. Além disso. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. Com base nesse diagnóstico. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. pela FEA/USP e em Direito. a empresa melhoraria outros processos.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . Por outro lado. Com relação à cadeia de fornecimento. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. dentre outras). os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos. erradicação do trabalho infantil. a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial.SP. 17h32. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. melhoria na distribuição de renda.2003. 16. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos.criando uma visão compartilhada do negócio.

SP. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 . incluindo a microfiltração. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. (São Paulo. o que é conseqüência da baixa demanda. nanofiltração. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas.07. que fica no Alto da Boa Vista. 23.2004. osmose reversa e troca iônica. da Sabesp. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. ultrafiltração. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil.Estação de tratamanto de água. trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. Contudo.

potencialmente. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. podem estar presentes em um efluente líquido. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. na maioria dos casos. 1998).Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. Como exemplo. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. 2005). há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. atualmente. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. Por outro lado. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. foram desenvolvidas no início do século XX. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. conseqüentemente. possivelmente. e que.com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. como é o caso das grandes regiões metropolitanas. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . como é o caso dos Estados Unidos. não atendem às necessidades de regiões específicas. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. que no Brasil. seja de origem doméstica ou industrial. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente.

60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas.00 50. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países.40 1 -10 0. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos. Em primeiro lugar. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico.5 Figura 2 .. • ultrafiltração. Como exemplo.20 10.20 1.80 1. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada.001 Ultrafiltração 0. 1998 e MULDER. 1996. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. utilizando-se tecnologias diversas. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados.00 20. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 .00 45.1 0. verificase que os processos de separação por membranas. 2.1 .00 0. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala. 2003): • microfiltração.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana. A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas.00 15. Isso.001 Nanofiltração 5 -35 < 0.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina.ultrafiltração. A baixa competitividade no mercado interno.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água. 2001).Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas.o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana.00 25.40 1. • osmose reversa.00 30. CHERYAN.80 0. Em relação ao processo de eletrodiálise.00 CAPACIDADE (L/s) 35.Por exemplo. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema.por sua vez. Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004.Os processos de microfiltração. Diâmetro do poro (mm) < 0. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados. Como conseqüência.00 40. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais.001 .60 CUSTO (US$/M3) .0.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos.00 1. • nanofiltração. se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 .

McGraw-Hill. acessado em 02/03/2005. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas.S. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. MULDER.03.cas. D8230. Second edition.Water treatment membrane process. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp. Peter E. Odendaal and Mark R.org/cgi-bin/regreport. M. U. Bureau of Reclamation. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. podem vir a se tornar competitivos. http://www.Wiesner. No entanto. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. Editorial Group Joël Mallevialle. Chemical Abstract Service. 31. Dentre as opções existentes.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). The latest CAS registry number and substance count. CHERYAN. M (1998). a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados.tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. carvão ativado e oxidação com ozônio. Department of Interior (2001). (São Paulo. Lyonnaise des Eaux. Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial.American Water Works Association Research Foundation. 2003. Kluwer Academic Publishers. Second Edition. Basic Principles of Membrane Technology. Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos. DR. por exemplo. REFERÊNCIAS AWWA (1996). Reprinted. SP. que realiza análises de água.Total plant costs for contaminant fact sheets. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem.pl. CAS (2005). CRC Press. Water Research Comission of South Africa. Ultrafiltration and microfiltration handbook. 564 p.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 . os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo.2004. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional.

que está sendo trabalhado em mais uma centena de países. Este programa de ação internacional. por parte dos governos e da sociedade civil. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92).Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP).03. 04. as sociedades industriais passaram por sérias transformações.dos impactos ambientais por elas causados. advindas basicamente da tomada de consciência. Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). 18h. Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970.2002. SP. O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. eficiência econômica e justiça social. busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4). Foto de Juca Varella/Folha Imagem. (Jacareí. . permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1).

e.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. dentro do próprio processo produtivo. se contabilizadas.National Pollution Prevention Roundtable). é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). Na década de 1990. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR .estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 . A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. a química. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. por exemplo.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte. etc. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. toda empresa tenta realizar economias. Por exemplo.com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que. como o têxtil. O item 4. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. entre outros. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). mostram a eficácia da prevenção. Assim.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. de gestão da informação. Dentre esses sistemas. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa.em especial nos que abordam energia. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. são formados: em 1994. o metalmecânico. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. uma ameaça social. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. o metalúrgico.sanitária e econômica para todos os países. que são a remediação. Evidentemente. A reciclagem interna.em diversos países. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais. poluição esta que se configura como. a gestão de resíduos. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. bem como ao uso eficiente destes recursos. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado. Compreensivelmente. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. por exemplo. após eles terem sido produzidos. de produto e de práticas de housekeeping. de matérias-primas. em diversos tipos de empresa. transportes. como o de gestão do pessoal. em seguida. o controle e a disposição final dos resíduos. a farmacêutica. Em 1985.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis. resíduos e transferência de tecnologia. organização sem fins lucrativos. Pesquisas realizadas mundo afora. de gestão da produção. No Estado de São Paulo. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos.outros grupos se formam. Ao longo desses anos. industrializados ou não. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas.

pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. estes muitas vezes problemáticos. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. De todo o exposto acima. A CIESP. (Santo Antônio de Posse. produtos e serviços. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. saúde e segurança do trabalhador. para a empresa. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. na própria origem da geração de resíduos. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. a empresa irá mudar as condições na fonte.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo. em Santo Antônio de Posse (SP). SP. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. utilizando toda a sua estrutura.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . O mais interessante de tudo isso. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos. 13. introduzindo matérias-primas mais puras.2001. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. prevenir na fonte a poluição do ar. Além de reduzir seus riscos. imagem da empresa.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. sua influência e sua capilaridade no interior. calculando seu retorno financeiro que. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável.reduzir o uso de recursos naturais. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. posicionando-se como parceiro do PNUMA . Assim. através do seu presidente Cláudio Vaz. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. é rápido. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e.06. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. em geral. prêmios pagos às seguradoras. seus instrumentos de divulgação. ou seja.

cj.com. desenvolvendo projetos sob encomenda. Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra. Transportes e Indústria. A FAT posiciona-se.br Rua Três Rios. 42 . desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. entre outras • Concursos . • Cursos . ensino. na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico. 131 .Bom Retiro .SP . estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação.Vestibular. a FAT propõe.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 . entre outras. pesquisa e treinamento.Especialização.São Paulo . Saúde. saúde. assim. indústria e meio ambiente. Meio Ambiente.

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. Mais especificamente. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). partes e componentes. conforme descrito na seção 2 a seguir. seja em aspectos técnico-produtivos.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio.INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz.evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. design. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 . A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo.marketing e distribuição. respectivamente. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. P&D e distribuição) pode ser afetada. Na seção 3. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). tecnológico e organizacional pode ser afetada. os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). por um lado. pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. em geral. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. nomeadamente a adequação da política de qualidade. englobando as áreas de design. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia. as mudanças estratégicas. respectivamente. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. e. bem como à prática empresarial. METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil.desenvolvimento. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. por outro. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. a partir deles.

e assim por diante. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto. por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999.quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. 2 . com diferentes graus de intensidade. uso de Ferramentas da Qualidade. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. mostrou. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma.. revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade. a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). Neste ponto.que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total.Aumento da flexibilidade dos processos G .... cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro..Orientação estratégica B . tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes.Obrigação imposta pelo governo L . .Melhoria da qualidade dos produtos F . cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes. .Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . investigaram-se os impactos internos e externos associados. aqui.Melhora da imagem da empresa C . Este resultado era esperado. (2) segundo motivo mais importante.Essas empresas demonstraram. por outro lado. obtido em 2004.Busca de novos mercados J .Melhora da competitividade H . bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa... ambas as empresas pesquisadas. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores. Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos.Assim. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET. Programa 5S.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E . estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET. de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. 1 . por um lado. em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas. o que pode ter afetado tal percepção.. Note-se.Pressão de clientes K . clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade. .via treinamentos técnicos).. relataram que. Em ambos os casos. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2).Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D . e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET . percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas.A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A .Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000. mas integrado a um programa de qualidade ampliado. Finalmente.. 8 3 de educação para a qualidade. isoladamente.ainda nesse aspecto.

e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes. Neste aspecto. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. com sua implementação e manutenção. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas .. de longo prazo.. e assim por diante. (2) segunda mudança mais importante. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3). mas Estável. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . de longo prazo. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. em sua(s) especialidade(s). inspeção. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional.. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição. engarrafadores). Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento. Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante.. pode-se ponderar.

Qualidade. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. Logística.além de aspectos técnicos do produto.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. embora em menor intensidade. No que se refere às primeiras. recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem). design. diferentemente deste último. neste artigo. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. especialmente em aspectos técnico-operacionais. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. gestão e. marketing e distribuição. interpretação e utilização posterior dos resultados. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 .) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. de caráter exploratório. organização.de modo que passaram a cooperar mais. etc. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. Vendas. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. mas também.) de empresas e utilização de questionários abertos. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. Tratou-se. origem do capital controlador. Ainda a esse respeito. Ainda que não apresente representatividade estatística. com fornecedores e clientes. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. tais como Assistência Técnica. em algum grau. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . por um lado. o primeiro. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável. De fato. sobretudo.Já quanto ao método utilizado. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. em termos de volume de produção e participação de mercado. etc. Nesse sentido. elo da cadeia de valor. Compras. aqui. além de funções comerciais (Suprimentos. geografia de mercados atendidos. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. Assim. realizada por meio de estudo de dois casos. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros. em aspectos tecnológicos. especialmente na esfera produtiva. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. que inspiram cuidados na leitura. dependendo. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. por outro.

cabe destacar. S. F.ids. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading.ids. 2003. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. 2001. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado. NADVI. H. QUADROS.uk/ids/bookshop/wp/wp156. 50 p. R. 2003. Brighton. NADVI. Disponível em: <http://www. Acesso em: 16 jun. Global quality standards. cultura e recursos humanos.. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele. Disponível em: <http://www.. portanto. 16 p. [2001]. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes. em termos de estratégia e políticas. Brighton: University of Sussex.construir um ambiente integrado e propício. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading.. K. 2003.pdf>. Brighton: University of Sussex. & WÄLTRING. Assessora Técnica . Institute of Development Studies. Com relação às variáveis intervenientes.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. 13-17 feb. Em conclusão. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. Proceedings.. & SCHMITZ. 156.pdf>. IDS Working Paper.(menor necessidade de supervisão). & KAZMI. n. Acesso em: 02 jun. Global standards: implications for local and global governance. J. Draft for. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Disponível em: <http://www. Institute of Development Studies. may 2002. como características do setor e da natureza do produto. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers.. Acesso em: 16 jun.ac. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona.uk/ids/global/pdfs/khalidsajid. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. Como foi preliminarmente constatado. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno. Global standards and local responses.pdf>.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. 2001.Cabe a cada empresa. Brighton: University of Sussex. feb. b) de forma similar. Brighton: Institute of Development Studies.Diretoria da Presidência 47 .ids. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra.com. 2001. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados.. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?). No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000.ac. K. Brighton. infra-estrutura e modo de operação. Brighton. Institute of Development Studies.. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. 2001. Output of the. [2001].ac. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000.

. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”. advindas basicamente da tomada de consciência. ' z x c v bn / m. Pessoalmente.dos impactos ambientais por elas causados.tem dúvidas sobre sua eficácia. seja utilizando qual mídia for.com alguma seriedade. De fato. as sociedades industriais passaram por sérias transformações.qwert yu VBN io XC ' . . pa L K sd f gh jk l . L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado.E RY UIO A SJ M.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação.por parte dos governos e da sociedade civil. Como mensurar o quanto os boletins internos. ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. ainda. QW E R YU CV 'X . Um dos motivos para isso é que não descobrimos. o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas.

as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano. James Hunters . FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”. desperdício de tempo e dinheiro. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. melhor dizendo.”. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem.Associados. Isso vale para os públicos interno e externo. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa.antes de mais nada. pais e filhos. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando.Dee Hock.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). todos faríamos. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda. Tanto para empresas como para pessoas.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade. etc. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem.que está na lista dos mais vendidos há semanas. impressos e eletrônicos. ops!.recorro a Paulo Freire na conversa.é uma atitude.D. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações. Dialogar não é apenas falar. colegas de trabalho. rádio jornal on-line. mesmo que por poucos minutos. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo. Isso exige sacrifício. o diálogo muitas vezes é difícil. intranet. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem. professor e aluno que não se entendem. mas principalmente ouvir.e vale para pessoas e organizações. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?).autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias.tido. autor do best-seller O monge e o executivo. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. são marido e mulher. consultorchefe da J. internet. murais físicos e eletrônicos.fundador e CEO emérito da VISA.Não sem razão. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”. Para complicar. em Nascimento da Era Caórdica. videojornal online. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”. E com- Comunicação.). Fácil fosse.”. perdão.

Assim. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. busque informações. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. Comunicação é troca. As organizações que têm consciência disso. o documento volta a passar um a um novamente. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. DAVI MACHADO davim@uol. Publicidade é divulgação. seu significado e seus valores.por exemplo. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado.br Jornalista. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. pela Universidade de Mondragon. no método de trabalho ringi. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). de forma integrada e estratégica. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. pág. Espanha. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. participação. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. Isso torna o processo de decisão lento. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l .não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos. de princípios e de valores. (Nascimento da Era Caórdica. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. professor da Fundação Getúlio Vargas. seu senso de comunidade. . há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade. já está em processo de decadência e dissolução. Sabendo mais e melhor. é atitude. comunique-se. pergunte. De novo me apóio em Dee Hock. de Paulo Roberto Mota. seus princípios. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. de forma estratégica. wertyu CV io 'X pa K L. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. mas quando ela é tomada. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. explique. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. responda e. sobretudo. 119). ouça. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. para estimular a participação e difundir valores internamente. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional.com.

pães. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . merchandising. pastas de dentes. no mínimo. tratamentos de pele.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição. queijos. máquinas fotográficas. como computadores. planos de previdência privada. roupas. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. manter seus clientes. ginástica e ativos financeiros. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. entre outros. cortes de cabelo. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. iogurtes. Na esteira dos bens e serviços.

associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. pode atenuar. portanto. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. office-boy do hotel Caesar Park. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. ao lado de seus cinco pares de tênis. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar.com.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. mas não resolve o problema. As ATMs bancárias. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. e atributos específicos. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. Mas Do seu lado. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar.br Coordenador de Cursos. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. A ancoragem nos atos dos outros. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. Além do número crescente de opções àa sua escolha. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual. recuperação. com seus modelos e marcas historicamente determinados. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. Pesquisa e Consultoria. ou seja.sadas.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. entre eles um Nike que comprou em três prestações. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes. Essa liberdade de escolha. Não surpreende. marcas. quando der vontade. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. Provar FIA . (São Paulo . que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva.

Corriam algumas de um lado para outro. 01.monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. de Raquel Kogan. museu dedicado à arte do século XX. Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros. outras atentamente ouviam as explanações da professora. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. (São Paulo. já na faixa dos 10 anos. no Itaú Cultural. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus. grupos de crianças muito pequenas – de 4. SP. No Museu Carnavalet.2005. orgulhosos.Alguns pais acompanhavam a visita. crianças um pouco maiores. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. como alguns quadros de Kandinsky e Miró.07. em São Paulo (SP). sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos. No Centro Pompidou. na exposição "Cinético_Digital".A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. de história francesa.

caso houvesse resposta. em 20 anos. ainda calcado em elementos humanos e originais. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. com seus acervos permanentes. ser uma sociedade completamente insustentável. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. cruzei com uma excursão de estudantes italianos.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay. em São Paulo (SP). unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos.em parte. pode. não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. comunidades. ambos publicados pela Ateliê Editorial. por exemplo. 01. tanto em tecnologia quanto em conteúdo. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas. (São Paulo. na exposição "Cinético_Digital". As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. mas ali. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. articulados. que fazem toda a diferença.br Médico e escritor. e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. ONGs e institutos. Louvre. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. outros tipicamente dispersos. adolescentes atentos. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. mas ainda é pouco. se não quisermos. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. a resposta seria o espanto. peças de teatro e oficinas. Picasso. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. com responsabilidade e seriedade. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2".2005. Cluny. apresentar-lhes obras e elementos artísticos. Com o interesse crescente pelo computador. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. . É urgente um investimento maciço em educação. Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. dessa condenação sumária. SP. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais. O Instituto Itaú Cultural. Marmotan.07. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. somados às mostras temporárias. Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. por exemplo. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade. principalmente. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. No Museu Rodin. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. E. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. porém. Na cidade de São Paulo. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional.Discordo.com. de Raquel Kogan. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. no Itaú Cultural.

passa a atrair ainda mais a atenção da academia. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. Em meados da década de 1990.GALINA Publicação PGT/USP. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). no âmbito do PRONEX . R$ 30. R. vindo a público com esta publicação.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. apoiado pela FAPESP. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços. é que o estudo. do lado acadêmico.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. ele começa a ser reestruturado e. V. propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. na forma de projeto temático. sempre se destacou no Brasil. em suas diversas camadas.A expectativa. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. Está organizado em nove capítulos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 .LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. iniciando-se com um panorama do setor. segundo modelo próprio adotado. do governo e do meio empresarial. Do lado prático. e pelo CNPq. Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações. 333 páginas. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico.

20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.fia.fatecsp.fia. Brasil Informações: d http://www.br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing.iamot.org .com. Brasil Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo. China Informações: d http://www. Brasil Informações: d http://www.com.

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