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3.8. Resolução de grelhas hiperestáticas:

3.8.1. Esforços internos e formas de vinculação em grelhas isostáticas

planas solicitadas por carregamento

perpendicular ao plano da estrutura. Na figura 11 temos um exemplo de grelha, sem

vinculação externa, no plano xy, com o carregamento na direção do eixo z.

Chamamos

de

grelhas

as

estruturas

z y a x b c d e f g
z
y
a
x
b
c
d
e
f
g

Figura 11 Nos casos práticos os espaços entre as barras são preenchidas com placas (lajes)

para distribuição de cargas. Neste caso, mesmo que ocorram esforços horizontais (vento,

por exemplo) estes serão absorvidos pelas lajes sem solicitar as barras da grelha.

Em uma barra de uma estrutura espacial podem existir 6 tipos de esforços internos

solicitantes, conforme indica a figura (12.a). No caso de grelhas, pela ausência de

carregamento no plano da estrutura, estes esforços, figura (12.b), se reduzem a 3: esforço

cortante, momento fletor e momento torçor.

1

z y Mz (T) Mx x My
z
y
Mz
(T)
Mx
x
My
z y Qz N x Qy
z
y
Qz
N
x
Qy

Figura 12.a

z y T x M
z
y
T
x
M
z y Qz x
z
y
Qz
x

Figura 12.b

As equações de equilíbrio da mecânica dos corpos rígidos são em numero de 6:

  Fy = 0

Fx = 0

 Fz = 0

(07.a)

  Moy = 0

Mox = 0

 Moz = 0

(07.b)

No caso de grelhas, pela ausência de cargas horizontais, estas expressões se reduzem a:

 Fz = 0

 Mox = 0

 Moy = 0

(08)

Pelo fato das equações da mecânica fornecerem 3 condições de equilíbrio,

somatória de forças verticais e de momentos em torno de dois eixos nulos, uma grelha

internamente isostática precisa apresentar no mínimo 3 vínculos externos, que ofereçam as

condições necessárias para o equilíbrio, para ser considerada isostática.

No caso da grelha da figura 11, poderíamos ter as seguintes formas de vinculação

externa:

2

f

a

b c d e g
b
c
d
e
g

Figura 13.a

f

a b c d e g
a
b
c
d
e
g

Figura 13.b

f

a b c d e g
a
b
c
d
e
g

Figura 13.c

Na figura (13.a) mostramos uma forma de vinculação com 3 pêndulos. O fato da estrutura não poder, aparentemente, resistir a cargas horizontais não deve ser levado em conta, pois não consideramos a existência destas cargas. Deve-se tomar cuidado neste caso para que os 3 pêndulos não fiquem alinhados sob pena da estrutura não ter como reagir a um momento estático, resultante do carregamento, em torno do eixo formado pelos 3 pêndulos. No segundo caso, figura (13.b), temos uma forma de vinculação com um engaste total que fornece as 3 reações de apoio necessárias para o equilíbrio. No terceiro caso, figura (13.c), temos no apoio A um engaste parcial que permite engastamento em torno de um único eixo, no caso Ox. Se, pelo contrário, este engaste permitisse engastamento somente em torno do eixo Ou, o pendulo do ponto E poderia ser deslocado para o ponto G sem comprometer a estabilidade da estrutura, pois o momento em torno do eixo AG seria resistido pelo engaste em A. A situação de engaste parcial pode ser visualizada na pratica em casos de vigas terminando em pilares que apresentam uma dimensão preponderando sobre a outra. Neste caso, costuma-se admitir um engaste somente em torno do eixo de maior inércia do pilar. A figura (14.a) representa em planta a situação real da figura (13.b) e as (14.b) e (14.c) as situações reais da figura (13.c).

3

Pilar Viga
Pilar
Viga

Figura 14.a

Figura 14.b
Figura 14.b
Pilar Viga Figura 14.a Figura 14.b Figura 14.c Em alguns casos podemos encontrar vigas terminando de

Figura 14.c

Em alguns casos podemos encontrar vigas terminando de

forma esconsa em pilares

retangulares. Neste caso, apesar de existirem na extremidade da viga 3 esforços internos

solicitantes, as reações de apoio são 2. Devemos lembrar que o momento fletor e o

momento torçor na extremidade da viga são dependentes entre si conforme a inclinação da

viga em relação ao pilar. O caso é semelhante ao de uma barra inclinada de um pórtico

plano terminando sobre um apoio vertical. Apesar de existirem 2 esforços internos na

extremidade da barra, esforços normal e cortante, só existe uma reação de apoio.

M Mv
M
Mv

Tv

Figura 15.a 3.8.2. Consideração das deformações por torção:

R Nb Qb
R
Nb
Qb

Figura 15.b

Dos 3 esforços internos solicitantes que ocorrem nas barras de uma grelha podemos

desprezar

as

deformações

por

cisalhamento,

4

as

deformações

por

torção

devem,

necessariamente, ser levadas em conta pois geralmente são superiores as deformações por

flexão. Se aplicarmos a expressão geral do Princípio dos Trabalhos Virtuais, expressão 06

do capítulo 2, às grelhas, teremos:

d

=

Ú

M M

EI

Por

dx

+

Ú

TT

GI

t

dx

simplicidade,

 

(09)

no

caso

de

barras

de

deslocamento ao produto de inércia EI à flexão.

EId

=

Ú

M M dx + k

Ú

TT dx

(10)

seção

constante,

podemos

referir

o

onde k é a relação entre o produto de inércia à flexão e o produto de inércia á torção:

k =

EI

GI

t

(11)

Na expressão 11, G é o módulo de elasticidade transversal dado por:

=

E

G

(12)

2 (1+n) onde n é coeficiente de Poisson e I

t o momento de inércia a torção.

No caso de seções circulares o momento de inércia a torção é igual ao momento de

inércia polar:

I

t

=

I

p

= p

D

4

32

Em seções retangulares o mesmo é dado por:

b h Figura 16
b
h
Figura 16

Jt = a.b ³. h

5

(14)

Onde

b é sempre o menor lado da seção, não importando sua posição, e á é variável

de acordo com a relação entre os lados:

a =

1

3

-

0,21

b Ê

h Á Á Ë

1

-

b

4 ˆ

˜

˜

12 h

4

¯

Se a seção for composta por retângulos, o momento de inércia total pode ser dado

pela soma dos momentos de inércia de cada retângulo.

1 2 Figura 17
1
2
Figura 17

jt = jt1+ jt2

(15)

Em seções vazadas a expressão 15 não pode ser aplicada pois o momento de inércia

de seções fechadas é muito maior do que o de seções abertas. Neste caso, deve ser aplicada

a fórmula de Bredt:

t
t

Seção Média

Figura 18

6

4. A ² Jt = (16) ds Ú t
4. A
²
Jt
=
(16)
ds
Ú
t

Onde A é a área desenvolvida pela seção

média e

tomada ao longo do perímetro da mesma seção.

a integral de linha deve ser

No caso específico de seções retangulares, substituindo o momento de inércia a

flexão por seu valor já conhecido, teremos:

k

=

1

+n

h

. ²

a

6.

.

b

²

(17)

3.8.3 Origem dos momentos torçores:

Em

barras

de

grelhas

os

momentos

torçores

conforme exemplifica a figura 19.

a P b b c
a
P
b
b
c

Figura 19.a

a d c' P c b'
a
d
c'
P
c
b'

P

Figura 19.b

podem

c'

b=c

b'

ter

duas

origens

Figura 19.b podem c' b=c b' ter duas origens d=a Figura 19.c distintas Na figura (19.a)

d=a

Figura 19.c

distintas

Na figura (19.a) tem-se um caso com torção na barra AB. Esta torção ocorre devido

a excentricidade da carga em C. Se a barra AB não resistisse a torção, o equilíbrio da

estrutura estaria comprometido.

Nas figuras (19.b) e (19.c) tem-se um caso diferente de torção. Como os giros a

flexão das extremidades BA e CD são diferentes, inclusive em sentidos opostos, a barra BC

que une as duas extremidades fica sujeita a um momento torçor. Este surge então a fim de

se compatibilizar os giros nas extremidades da barra, e será diretamente proporcional a sua

rigidez a torção. Se a barra BC não possuísse resistência (rigidez) a torção, o momento

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torçor também se anularia. Tudo se passaria, neste caso, como se a barra BA e CD fossem

articuladas nas extremidades. Mesmo assim a estrutura conseguiria se manter em equilíbrio.

assim a estrutura conseguiria se manter em equilíbrio. Figura 20 O primeiro caso mostra que a

Figura 20 O primeiro caso mostra que a rigidez à torção é fundamental para o equilíbrio da

estrutura. A este caso chamamos de torção de equilíbrio.

se

compatibilizar os giros nas extremidades. Ao se anular as rigidezes a torção das barras os

momentos torçores também se anulam, porém a estrutura continua em equilíbrio. A este

caso chamamos de torção de compatibilidade.

O

segundo

caso

mostra

que

o

momento

torçor

surge

com

o

objetivo

de

Existem casos em que só ocorre torção de equilíbrio, figura 19.a, outros em que só

ocorrem torção de compatibilidade, figura (19.b) e casos onde ocorrem os dois, figura 21.

P
P

As estruturas de concreto armado possuem baixíssima rigidez à torção. Neste casos

é comum se desprezá-la totalmente no cálculo quando se trata de torção de compatibilidade.

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EXERCÍCIOS:

05. Obter o diagrama de momentos fletores e torçores na grelha da figura (22.a) utilizando

estrutura fundamental da figura (22.b).

OBS.: Resolver o exercício primeiramente o coeficiente k igual a 10 e seguir com k tendendo a infinito. Notar que o segundo caso os momentos torçores se anulam e o resultado se iguala ao dês articuladas.

06. Obter matriz de flexibilidade da grelha a seguir:

OBS.: No exercício anterior todas as barras formavam um ângulo reto. A obtenção dos esforços na estrutura fundamental era relativamente simples, pois o momento fletor em uma extremidade se transferia para a outra extremidade que concorria no nó como momento torçor. No caso agora as barras DE e DB não formam u ângulo reto no nó D. Neste caso os momentos torçor e fletor em DB deverão ser obtidos com a condição de somatória de momentos em torno de dois eixos no nó igual a zero. O caso é semelhante ao do equilíbrio entre esforços normais e cortantes no nó de um pórtico com barras não ortogonais.

07. Obter os diagramas finais de momento fletores e torçores nas grelhas a seguir:

08. Obter para a viga balcão em planta abaixo, o diagrama de momentos fletores e torçores

considerando que os pilares permitem um engastamento perfeito em torno do eixo de maior inércia.

Cargas distribuídas:

AB

– q 1 = 0,57 t / m

BC

– q 2 = 0,82 t / m

CD

– q 3 = 0,32 t / m

= 0,15 (concreto)

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