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CONTEÚDO - 2011

NOSSO SITE: www.portalimpacto.com.br CONTEÚDO - 2011 PROF.: EQUIPE REDAÇÃO IMPACTO : A Certeza de Vencer!!! 1

PROF.: EQUIPE REDAÇÃO

IMPACTO: A Certeza de Vencer!!!

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A CRÔNICA E SEUS RECURSOS

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO

KL 060410

A CRÔNICA E SEUS RECURSOS CONTEÚDO PROGRAMÁTICO KL 060410 Gênero híbrido que oscila entre a literatura
Gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo. A crônica é o resultado
Gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo. A
crônica é o resultado da visão pessoal, subjetiva, do cronista diante de um
fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre
explora o humor; às vezes, diz as coisas mais sérias por meio de uma
aparente conversa fiada; outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da
coisa mais banal e insignificante.
Registrando o circunstancial do nosso cotidiano mais simples,
acrescentando, aqui e ali, fortes doses de humor, sensibilidade, ironia,
crítica e poesia, o cronista, com graça e leveza, proporciona ao leitor uma
visão mais abrangente, que vai além do fato. Mostra-lhe, de outros ângulos,
os sinais de vida que diariamente deixamos escapar da nossa observação.
 Na produção da crônica precisamos ficar atentos:
O que o autor do texto quer comunicar.
Como o texto é organizado e estruturado (prosa, verso), (narração,
descrição, argumentação).
Quais temas serão abordados.
Pequenas aprendizagens

O assunto da crônica é, em geral, um fato vivenciado pelo seu autor. Um desses inúmeros acontecimentos que povoam nossa vida de todo dia. Acontecimentos que ficam muito fortes na nossa memória, mas também episódios que chamam a atenção pelo seu lado pitoresco ou engraçado. Ou, ainda, situações inesperadas ou absolutamente banais, mas que nos fazem pensar na vida. Por isso é que a crônica tem um certo aspecto jornalístico: é como se o autor estivesse nos dando uma notícia do evento que ele vivenciou. Contudo, diferente da notícia, a crônica não é um relato frio (distante, objetivo) do evento: o autor faz questão de deixar bem claro que a perspectiva com que está apresentando o evento é bem particular, bem pessoal, bem subjetiva. Daí também o tom de informalidade da crônica; esse é o ar "de conversa entre amigos", de "veja o que aconteceu"- que a caracteriza. Por tudo isso, a crônica é um tipo de texto muito adequado para relatarmos as muitas histórias que a vida conta; para explorarmos o humor do cotidiano; para deixar aparecer o lado lírico, mas também o lado trágico do nosso dia-a-dia. Um detalhe interessante na crônica: é um tipo de texto que facilita ao autor abordar de maneira mais leve um tema penoso, difícil, doloroso, quebrando o tom sério com que o trágico costuma ser tratado. Fonte: Carlos Alberto Faraco. Português, Língua e Cultura

Bastou relatar, na última crônica, minha experiência com a descoberta de um câncer, para que meu telefone triplicasse o volume de chamadas recebidas. Eram os amigos, os parentes e, em número menor, porém muito significativo, os colegas de fado e se sina. Descobri, de repente, que o mundo ao redor não é tão são como parece. E que muitas pessoas, com as quais cruzamos na rua, no shopping ou na fila do cinema, guardam dentro de si, mais ou menos inviolado, um idêntico segredo. Têm elas, como eu, um alien alojado em alguma parte de seus corpos (ou fluídico e difuso em seu todo), com o qual mantêm relações estranhas e contraditórias. Em algumas, a relação é de beligerância declarada – e estas geralmente exibem a fisionomia do guerreiro. Querem vencer e tudo farão para expulsar o invasor e destruí-lo. Outras, ao contrário, procuram ouvir o que o invasor tem a lhes dizer e o tratam antes como mensageiro do que como inimigo. Não cedem a ele, mas também não afrontam com iras desmedidas. É um ser que está ali, com sua sintaxe desordenada, querendo expressar algo. Curiosamente, essa atividade as ilumina. Ainda sou neófito nas artes de convivência com meu alien, mas tendo a imitar essa última postura. Procuro decodificar as mensagens que ele me envia, sempre tomando o cuidado de interpretar o conteúdo delas. Nesses poucos dias, aprendi mais sobre mim do que em

me envia, sempre tomando o cuidado de interpretar o conteúdo delas. Nesses poucos dias, aprendi mais

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muitos anos de saudável pastio pelas rotinas da vida. Descobri afetos insuspeitados, docilidades, relevâncias onde antes nada havia. E, simetricamente, a absoluta irrelevância de certas coisas que julgávamos muito importante. Os males imaginários, por exemplo, nos infundem muito mais terror que um bando de células malucas embutido em nosso peito. Pois são apenas células malucas – e não passam disso. Teremos todas as mortes possíveis, sofremos a iminência trágica e retumbante de cada uma delas – mas somente uma única mortezinha, singular e vulgar, nos arrebatará deste mundo. Como quem descobre uma nova ruga ou um novo fio de cabelo branco, você descobre que o espírito também envelhece e fica mais sábio. E ficar mais sábio, neste caso, não significa mergulhar uma transcendência, mas, ao contrário, buscar a iminência das coisas mais simples. Onde estão elas, você perguntará. Não há resposta verbal, nem construção conceitual, que indique onde estão e o que são as coisas simples. Podemos fazer algumas aproximações, através da sensibilidade na direção delas. Por exemplo: desligar o televisor, ao primeiro sinal de tédio, e olhar com um interesse completamente novo, inaugural, para o rosto da pessoa que há anos vive a nosso lado.

(SNEGE, Jamil. Gazeta do Povo, Curitiba)

No Aeroporto

Viajou meu amigo Pedro. Fui levá-lo ao Galeão, onde esperamos três horas o seu quadrimotor. Durante esse tempo, não faltou assunto para nos entretermos, embora não falássemos da vã e numerosa matéria atual. Sempre tivemos muito assunto, e não deixamos de explorá-lo a fundo. Embora Pedro seja extremamente parco de palavras, e, a bem dizer, não se digne de pronunciar nenhuma. Quando muito, emite sílabas; o mais é conversa de gestos e expressões pelos quais se faz entender admiravelmente. É o seu sistema. Passou dois meses e meio em nossa casa, e foi hóspede ameno. Sorria para os moradores, com ou sem motivo plausível. Era a sua arma, não direi secreta, porque ostensiva. A vista da pessoa humana lhe dá prazer. Seu sorriso foi logo considerado sorriso especial, revelador de suas boas intenções para com o mundo ocidental e oriental, e em particular o nosso trecho de rua. Fornecedores, vizinhos e desconhecidos, gratificados com esse sorriso (encantador, apesar da falta de dentes), abonam a classificação. Devo dizer que Pedro, como visitante, nos deu trabalho; tinha horários especiais, comidas especiais, roupas especiais, sabonetes especiais, criados especiais. Mas sua simples presença e seu sorriso compensariam providências e privilégios maiores. Recebia tudo com naturalidade, sabendo-se merecedor das distinções, e ninguém se lembraria de achá-lo egoísta ou importuno. Suas horas de sono - e lhe apraz dormir não só à noite como principalmente de dia - eram respeitadas como ritos sagrados, a ponto de não ousarmos ergue a voz para não acordá-lo. Acordaria sorrindo, como de costume, e não se zangaria com a gente, porém nós mesmos é que não nos perdoaríamos o corte de seus sonhos. Assim, por conta de Pedro, deixamos de ouvir muito concerto para violino e orquestra, de Bach, mas também nossos olhos e ouvidos se forraram à tortura da tevê. Andando na ponta dos pés, ou descalços, levamos tropeções no escuro, mas sendo por amor de Pedro não tinha importância. Objetos que visse em nossa mão, requisitava-os. Gosta de óculos alheio (e não os usa), relógios de pulso, copos, xícaras e vidros em geral, artigos de escritório, botões simples ou de punho. Não é colecionador; gosta das coisas para pegá-las, mirá-las e (é seu costume ou sua mania, que se há de fazer) pôr-las na boca. Quem não o conhecer dirá que é péssimo costume, porém duvido que mantenha este juízo diante de Pedro, de seu sorriso sem malícia e de suas pupilas azuis - porque me esquecia de dizer que tem olhos azuis, cor que afasta qualquer suspeita ou acusação apressada, sobre a razão íntima de seus atos. Poderia acusá-lo de incontinência, porque não sabia distinguir entre os cômodos, e o que lhe ocorria fazer, fazia em qualquer parte? Zangar-me com ele porque destruiu a lâmpada do escritório? Não. Jamais me voltei para Pedro que ele não me sorrisse; tivesse eu um impulso de irritação, e me sentiria desarmado com a sua azul maneira de olhar-me. Eu sabia que essas coisas eram indiferentes à nossa amizade – e, até, que a nossa amizade lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e jogo.

lhe conferia caráter necessário de prova; ou gratuito, de poesia e jogo. REVISÃO IMPACTO - A
REVISÃO IMPACTO - A CERTEZA DE VENCER!!!
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Viajou meu amigo Pedro. Ficou refletindo na falta que faz um amigo de um ano
Viajou meu amigo Pedro. Ficou refletindo na falta que faz um amigo de um ano de idade a seu companheiro já
vivido e puído. De repente o aeroporto ficou vazio.
ANDRADE, Carlos Drummond de. Cadeira de balanço. Reprod. Em: Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1973,p.1107-1108
Proposta
No texto acima, percebe-se as características de uma crônica atravessada de lirismo: é um adulto (“já vivido e poluído”) fazendo
um relato carinhoso da visita de um bebê (“um amigo de 1 ano de idade”).
Agora é sua vez
Relato de um adulto vivido e poluído
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