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COMICHO DE CO

Antnio Torrado
escreveu e Cristina Malaquias ilustrou

O meu co est com comicho. Coa-se desenfreadamente, todo o santo dia. Queres tomar uma banhoca? pergunto-lhe eu. Mas ele foge-me. Diz que no co de gua e que as pulgas so dele, s dele, muito dele. O meu co tem um azar ao banho que nunca vi. Preferes continuar com essa comicho, preferes? Ele diz que sim e coa-se. Mas isto no me parece bem. Quem o vir naquele desespero o que dir? Que o dono um porco, porque nunca d banho ao desgraado do co. Tive de tomar providncias. Fui passear com ele praia e, de repente, sem me despir, atirei-me para o meio das ondas. Ele que me segue para todo o lado, seguiu-me. 1
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Coisas do instinto, de que rapidamente se arrependeu, mas j era tarde. Estvamos os dois a nadar, cada qual no seu estilo. Eu tiritava, porque o mar de Maro gelo derretido. Nunca experimentem. Quando, ambos a pingar, regressmos a casa, fui logo acender a lareira e mudar de roupa. Ele ficou com o plo de sempre, mas j no se coava. As pulgas teriam morrido afogadas ou de frio ou de susto. O meu co de plo salgado regalava-se ao calor da lareira. L para Julho volto a experimentar o truque. Pode no resultar, mas, ao menos, j no me constipo.

FIM

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