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O Tantra com Instruções Simples e Práticas

Com as práticas ensinadas aqui, um dia, de repente, a


flor do Tantra acontecerá.

Um sannyasin que planeja transformar o centro de Ioga


que ele coordena em um Centro de Meditação de Osho,
disse que ele estava confuso sobre o Tantra hindu e
budista que ele tentou praticar. Ele disse que às vezes
havia muita tensão no seu centro sexual e ele não
soube o que fazer em relação a isto.

O Tantra budista e o Tantra hindu são totalmente diferentes.


Só o nome é o mesmo. Se você estiver confuso sobre eles,
isso pode criar um conflito muito grande em seu corpo.
Esqueça ambos, mm? Porque será difícil você se colocar em
harmonia entre estes dois, eu lhe darei um método simples.
Não se preocupe sobre o Tantra hindu ou budista.

No ato sexual, três coisas devem ser lembradas. Antes do ato


sexual, medite. Nunca entre no ato sexual sem meditar; caso
contrário, o amor permanecerá sexual. Antes de você for de
encontro à mulher, você deve subir ao ponto mais alto de sua
consciência, porque então a união acontecerá em um plano
mais elevado. Durante pelo menos quarenta minutos fique
sentado, olhando para a parede, em meia luz de forma que
possa ser trazido um ar de mistério.

Sente-se silenciosamente e não mova o seu corpo; permaneça


como uma estátua. Então quando você estiver no ato sexual, o
corpo se moverá, assim permita se mover para o outro
extremo, primeiro sem movimento e, então, o corpo ganha
impulso para se mover profundamente. Então, o desejo se
torna tão vibrante que, o corpo inteiro, toda fibra está pronta
para se mover. Então, só assim, o orgasmo tântrico é possível.
Você pode colocar uma música, a música clássica poderá
ajudar; algo que dê um ritmo muito sutil ao corpo.

Torne a respiração tão lenta quanto possível porque quando


você está em um ato amoroso, a respiração se torna profunda
e rápida. Então, apenas reduza a velocidade, mas não force,
caso contrário a respiração voltará a se intensificar
rapidamente. Simplesmente sugira que ela se reduza.

Meditem juntos, se ambos estiverem se sentindo meditativos,


este é o momento para amar. Assim você nunca se sentirá
tenso e a energia estará fluindo naturalmente. Se você não
estiver se sentindo meditativo, não se deixe levar ao ato
sexual. A meditação não está acontecendo naquele dia,
esqueça então tudo sobre o ato sexual amoroso.

As pessoas fazem, simplesmente, o oposto. Quase sempre os


casais brigam antes do ato sexual. Elas ficam com raiva umas
das outras e trazem todos os tipos de conflito - e então elas se
movem para o sexo, e é claro se torna um ato sexual não
amoroso. Elas caem muito baixo em suas consciências, então,
é claro que o ato sexual sem amor não pode satisfazer. Será
frustrante e você sentirá uma tensão.

A segunda coisa é: quando você estiver em um ato sexual


amoroso, antes de você começá-lo, reverencie a parceira e
deixe-a reverenciá-lo. Assim, depois da meditação, reverencie,
olhe bem um para o outro, totalmente nus, em adoração
mútua, porque o Tantra não pode acontecer entre um homem
e uma mulher, só pode ser entre um Deus e uma Deusa. É um
gesto, mas muito significante. Toda atitude tem que ser
sublime de forma que você desapareça. Toque os pés do seu
parceiro, ponha guirlandas de flores neles.

O homem é transformado em Shiva e a mulher é transformada


em Shakti. Agora sua humanidade é irrelevante, sua forma é
irrelevante, seu nome é irrelevante; você é apenas pura
energia. A adoração traz esta energia para o foco. E não finja.
A adoração tem que ser de verdade. Não pode ser apenas um
ritual, caso contrário você perderá. O Tantra não é um ritual.
Há muito ritual nele, mas o Tantra não é um ritual, entenda
bem isto.

Você pode repetir o ritual. Você pode se curvar aos pés dela e
pode tocá-los; isso não ajudará. Deixe que o gesto seja
profundamente significante. Realmente olhe para ela. Ela não
é mais sua esposa, não é mais sua namorada, não é mais uma
mulher, não é mais um corpo, mas uma configuração de
energia. Deixe que ela fique, primeiro, divina, e então se dirija
para o ato sexual amoroso com ela. Então o amor mudará a
qualidade, se tornará divino. Esta é toda a metodologia do
Tantra.

Então no terceiro passo você se dedica ao ato sexual amoroso


em si. Mas deixe que este ato de amor seja mais como um
acontecimento do que como um fazer. A expressão 'fazer
amor' é feia. Como você pode fazer amor? Não é um fazer;
não é uma ação. É um estado. Você pode estar nele, mas você
não pode fazê-lo. Você pode se mover nele, mas você não
pode fazê-lo. Você pode amar, mas você não pode manipular o
ato de amor. A mente ocidental tenta manipular tudo.

Até mesmo se a mente ocidental vier a encontrar Deus algum


dia, Deus estará em dificuldade. Eles vão tentar arreá-lo de
um modo ou de outro, manipulá-lo, então eles o colocarão de
um jeito, que ele tenha algum uso, algum propósito utilitário.
Até mesmo o amor se tornou um tipo de fazer. Não é por aí.

Quando você estiver no amor, seja possuído. Mova-se


lentamente, toque os corpos um do outro; brinque com seus
corpos. O corpo é como um instrumento musical. Não tenha
pressa. Deixe as coisas crescerem por si mesmas. Se você se
move lentamente, de repente ambas energias se elevam
juntas, como se algo as possuíssem. Acontecerá
imediatamente e simultaneamente, ao mesmo tempo. Então,
só assim o Tantra é possível. Mova-se agora para o amor.

Sinta a energia descendo sobre você e deixe a energia ter seu


movimento. Às vezes você vai querer grunhir, dê um grunhido
agudo. Às vezes você vai começar a dizer coisas, diga. Às
vezes gemidos começarão a sair, ou algum gesto; permita. Vai
ser uma coisa enlouquecedora, mas a pessoa tem que se
permitir, é só energia extravasando. E não tenha nenhum
medo, porque é por sua permissão que isto está acontecendo.
No momento que você queira parar, pare, portanto você nunca
perderá o controle consciente, a permissão é sua.

E quando deuses estão em amor é algo quase selvagem. Não


há nenhuma regra, nenhum regulamento. A pessoa se move
no momento. Nada é tabu. . . nada é inibido. Tudo que
acontece naquele momento é belo e é sagrado; tudo que, eu
digo, incondicionalmente. Se você traz a sua mente nisto, você
destruirá o amor completamente. Se você tem vontade de
repente, de chupar o dedo dela e você diz ' Que tolice’ Então
você trouxe a mente. Você pode ter vontade de chupar os
seios dela, ou se permitir a outros movimentos mais ousados;
nada errado nisto.

Ninguém sabe o que vai acontecer. Você é simplesmente


deixado no vórtice divino. Ele o levará e o levará onde quer
que Ele queira. Você está simplesmente disponível, pronto
para se mover nele. Você não dirige. . . você se tornou,
simplesmente, um veículo. Deixe as energias se encontrarem
em seus próprios modos. O homem deve ficar fora disto e se
entregar à pura energia. Você não só estará no ato sexual
pelos órgãos genitais; você estará no ato sexual amoroso com
todo o seu corpo.

Este é o significado de shivalingam: nenhum rosto, nenhuma


mão, nenhum pé--só o símbolo fálico. Quando Shiva fez amor
ele se tornou o falo-- todo do corpo dele. É muito belo.
Nenhum rosto, nada. Tudo desapareceu.

Não é que você só esteja usando seus órgãos genitais; o sexo


se esparramou por toda parte. Você é tão parte dele quanto
seus pés o são. Você se tornou um falo. Você não é mais um
homem; você é só energia. Ela também é não é mais uma
mulher; só energia, uma vulva é uma coisa muito selvagem.

Se você medita antes e então adora um ao outro, como


deuses, não há nenhum perigo; tudo se moverá naturalmente.
Você atingirá a um orgasmo de pico que você nunca conheceu.
Às vezes você experienciará um orgasmo tão grande no qual o
corpo inteiro pulsa e treme. Pouco a pouco você alcança um
clímax; novamente você se acalma isto limpará todo o seu ser,
todo o sistema. Às vezes não haverá nenhuma ejaculação mas
o orgasmo estará lá.

Há dois tipos de orgasmo o orgasmo de pico e o orgasmo de


vale. No orgasmo de pico você terá uma ejaculação e sua
parceira também terá uma ejaculação de energias sutis. No
orgasmo de vale você não terá ejaculação. Será um orgasmo
passivo. . . muito silencioso, muito sutil. A palpitação estará lá
mas quase imperceptível. No orgasmo de pico você se sentirá
muito, muito extático. No orgasmo de vale você se sentirá
muito, muito calmo. E ambos são necessários; ambos são os
dois aspectos do Tantra. Todo pico tem seu vale, e todo vale
tem seu pico. Um pico não pode existir sem o vale ou vice-
versa.

Não se preocupe muito em ter ou não uma ejaculação. A


mente ocidental tende também a estar muito preocupada se
isto está acontecendo e sente que algo está errado quando
não acontece e as linhas tântricas de influência hindu
preocupam-se em não ejacular. Todo o segredo é estar
totalmente no ato sexual e deixar certas coisas nas mãos de
Deus; pois é o negócio Dele. O seu negócio é só desfrutar, se
encantar, e celebrar.

E quando acontece e ambos alcançam um orgasmo profundo,


não saia de perto de sua parceira. Depois do orgasmo,
permaneça dentro dela e descanse por alguns instantes. Este
relaxamento, este descanso é muito, muito profundo. Depois
de um orgasmo o relaxamento que se segue é como um vale.
Você esteve no maior pico e agora você voltou para o vale. É
muito frio, está na sombra e você relaxa.

E, realmente, muito acontece depois do orgasmo. . . uma


fusão, um derretimento. Os corpos estão cansados, exaustos,
gastos. A mente está em choque. É quase como um choque
elétrico.

Quando você sai deste estado de amor, agora reze, faça uma
prece, juntos; termine com uma oração. A diferença é que
quando você meditar,no início, você medita separadamente e
ela medita separadamente, porque a meditação não pode ser
feita junta. Meditação é um esforço sozinho. Não é uma
relação. Assim você pode estar meditando junto mas ainda
assim você medita só; você está só e ela está só.

Então você reverencia um ao outro. Isso é de novo diferente.


O outro se torna o objeto de adoração então você vai para o
ato sexual com amor e você fica totalmente perdido. Você não
é você mesmo; ela não se é ela mesma, ninguém sabe quem é
quem. Todos estão perdidos em um remoinho de energias. A
polaridade homem e mulher não é mais uma polaridade, os
limites se fundem, se entrosam. Às vezes você se sentirá
como se fosse uma mulher e ela se sentirá como se fosse um
homem. Às vezes ela vem por cima de você. Às vezes você
fica passivo e ela fica ativa e as mudanças de papel
acontecem. É um grande drama de energias. Todos estão
perdidos, abandonados. Então você sai daquela experiência
íntima; reze junto, faça uma prece, de novo, unidos.

E a quarta coisa, apenas agradeça à existência, a Deus, ao


universo. E nunca reclame. Tudo que acontece é perfeito. Não
diga 'Isto não aconteceu. Isto deveria ter acontecido.' Quem
somos nós? Ele sabe melhor. Apenas agradeça, tudo que
acontece; agradeça... tenha uma profunda gratidão. Curve-se
e ponha sua cabeça na terra e permaneça por alguns
momentos em profundo agradecimento. Meditação é só. Na
adoração, na reverência o outro é importante, e na oração
ambos rezam e agradecem à existência. Assim estas três
coisas têm que estar envolvidas. Elas criarão a ecologia na
qual o Tantra acontece. E é suficiente, uma vez por semana,
este é um ritual magnífico.

Se você está se movendo para o Tantra então nenhum outro


amor deve ser permitido caso contrário há um dissipar de
energias. Mas sempre que você quiser estar em um ato sexual
amoroso, tenha certeza que você tenha tempo suficiente. Não
deve ser feito com pressa. Não deve ser como trabalho. É um
jogo, brinque, e estas energias são tão sutis que se você
estiver com pressa, nada acontece. O Tantra não é um
fragmento, você não pode praticá-lo a menos que você crie a
situação. É como uma flor.

Você tem que semear, cuidar da planta e molhá-la


diariamente. Você olha se o sol é suficiente ou não. Você não
pode trazer a flor, mas você pode criar a situação na qual, um
dia, a flor surge e o botão se abre.

Portanto, estas três coisas: semear, cuidar da planta, molhá-la


e se preocupar continuamente com ela; com cuidado,
protegendo-a. Então, um dia, de repente, a flor do Tantra
acontecerá.

E agora eu vou estar envolvido com você (O Centro de


Meditação Osho), então não há nenhum problema. Eu estou
acompanhando você.

Osho, Darshan Diaries


Beloved of my Heart
Chapter#17 ‘Put Yourself Aside’
Tradução de Swami Anand Goloka

Copyright © 2009 Osho International Foundation

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