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A COR DOS GATOS

Antnio Torrado
escreveu e Cristina Malaquias ilustrou

Fui h dias dar um passeio pelo campo e at me perdi.


Eu gosto muito de perder-me, principalmente porque sei que, mais tarde os mais cedo, acabo sempre por encontrar-me. Quem se perde, sempre alcana. Ou no assim o provrbio? Quem se perde por gosto, no se cansa. Ser este? Tambm no me soa bem... Mas j estou a desviar-me. Fui ao campo e, no meio do mato, o que que eu encontrei? Um gato, que rima com mato. Um gato todo verde verde-claro, verde-alface. Um gatinho. No acreditam? A mim, a princpio, tambm me custou a acreditar. Fui atrs dele e assim cheguei a uma clareira, com uma espcie de casinha de bonecas no meio. janela estava uma velhota com um gato branco ao colo. 1
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Minha senhora, desculpe incomod-la disse eu , mas h pouco vi um gato verde, verde-clarinho... Ser possvel? Pois claro que respondeu-me a velha ou, para sermos mais delicados, respondeu-me a senhora de idade. A me esta gata branca, que aqui v ao meu colo. E o pai? O pai um gato verde-escuro, que por a anda. Est-se mesmo a ver: branco com verde-escuro no pode ser encarnado... Pois no concordei eu. Mas um gato verde-escuro no lhe parece esquisito? O senhor deve ter a mania das complicaes disse-me a velha, isto , a senhora de idade, j um bocado arreliada. A cor dele verde-escura, porque a me era uma gata amarela e o pai um gato azul. Onde est a admirao? A admirao?! No sei onde est balbuciei eu. Naturalmente tambm se perdeu. Sem mais achar que dizer, despedi-me da senhora de idade e, p ante p, virei as costas quela casa no meio do mato. Demorei que tempos at encontrar-me. Estava um bocado azamboado. E ainda estou. Nota-se?

FIM

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