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MA12 - Matemática Discreta ed. 2011

MA12 - Matemática Discreta ed. 2011

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MA 12 - Unidade 1 N´ umeros Naturais Semana de 04/04 a 10/04

Os n´ umeros e o espa¸ co, juntamente com as figuras geom´ etricas neste contidas, s˜ ao os dois objetos principais de estudo da Matem´ atica. Nesta disciplina, nos dedicaremos ao estudo dos n´ umeros naturais e exploraremos algumas de suas propriedades aritm´ eticas; estudaremos certas fun¸ co ˜es sobre eles definidas, os relacionaremos com o processo de contagem dos elementos de determinados conjuntos, e faremos algumas aplica¸ co ˜es, como, por exemplo, ` a Matem´ atica Financeira e ` a Probabilidade. Os n´ umeros naturais s˜ ao os mais simples de todos os n´ umeros e a partir deles ´ e poss´ ıvel construir todos os outros n´ umeros, mas essa constru¸ c˜ ao escapa aos nossos objetivos aqui. Vocˆ e ver´ a na disciplina MA11 uma descri¸ c˜ ao dos n´ umeros reais a partir da no¸ c˜ ao de medida de segmentos de reta. Portanto, os n´ umeros naturais podem ser considerados o in´ ıcio de tudo. Para exprimir esta id´ eia, o grande matem´ atico do S´ eculo 19 Leopold Kronecker (1823-1891) cunhou a seguinte c´ elebre frase: Deus criou os n´ umeros naturais. O resto ´ e obra dos homens A abordagem que adotaremos aqui ser´ a a de enunciar os Axiomas de Peano, que s˜ ao quatro propriedades que caracterizam totalmente o conjunto dos n´ umeros naturais. Isto quer dizer que, a partir desses axiomas, podemos construir as suas opera¸ co ˜es e deduzir as suas propriedades. Em suma, eles sintetizam tudo que pode ser feito com esses n´ umeros. O principal destaque desse conjunto de axiomas ´ eou ´ltimo, o Axioma da Indu¸ c˜ ao, que ´ e essencialmente o Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao Matem´ atica, que desenvolveremos na pr´ oxima unidade. Esse Princ´ ıpio ´ e um poderoso instrumento para provar propriedades que dizem respeito aos n´ umeros naturais como um todo. Leia atentamente todos os trechos relacionados com este assunto, pois ´ e a´ ı que reside uma das maiores sutilezas no trato desses n´ umeros. Nessa unidade, indicaremos ainda como, a partir do Axioma da Indu¸ c˜ ao, podem ser constru´ ıdas as opera¸ co ˜es de adi¸ c˜ ao e multiplica¸ c˜ ao nos naturais e como deduzir algumas de suas propriedades. A unidade se encerra apresentando o Princ´ ıpio da Boa-Ordena¸ c˜ ao dos naturais: Todo subconjunto n˜ ao vazio do conjunto dos n´ umeros naturais possui um menor elemento. Este princ´ ıpio ´ e uma reformula¸ c˜ ao do Axioma da Indu¸ c˜ ao (ao qual ´ e equivalente). O Exerc´ ıcio 3 prop˜ oe uma demonstra¸ c˜ ao do Princ´ ıpio da Boa-Ordena¸ c˜ ao, usando o Axioma da Indu¸ c˜ ao. Para completar essa equivalˆ encia, tente provar o Axioma da Indu¸ c˜ ao utilizando o Princ´ ıpio da Boa-Ordena¸ c˜ ao como hip´ otese. O Princ´ ıpio da Boa-Ordena¸ c˜ ao pode ser tamb´ em usado, com muito proveito, como instrumento de prova, como vocˆ e poder´ a observar no Exemplo 2 da presente unidade.

Nas pr´ oximas unidades, teremos muitas oportunidades de utilizar o Princ´ ıpio da Indu¸ c˜ ao Matem´ atica para provar os mais variados resultados. V´ ıdeo relacionado: PAPMEM - Livro A Matem´ atica do Ensino M´ edio, Volume 1: Conjunto dos N´ umeros Naturais. Prof. Elon Lages Lima, Janeiro 2010 - Volume 1. (Prof. Elon, Julho 2007 - Volume 1)

MA12 - Unidade 1 Números Naturais Semana de 04/04 a 10/04 

Deus criou os números naturais. O resto é obra dos homens.

Leopold Kronecker

1

Introdução
(O

Enquanto os conjuntos constituem um meio auxiliar, os números são um dos dois objetos principais de que se ocupa a Matemática. outro é o espaço, junto com as guras geométricas nele contidas.) Números são entes abstratos, desenvolvidos pelo homem como modelos que permitem contar e medir, portanto avaliar as diferentes quantidades de uma grandeza. Os compêndios tradicionais dizem o seguinte:

2

MA12 - Unidade 1 

Número é o resultado da comparação entre uma grandeza e a unidade. Se a grandeza é discreta, essa comparação chama-se uma

contagem e o resultado é um número inteiro; se a grandeza é contínua,

a comparação chama-se uma medição e o resultado é um número real. Nos padrões atuais de rigor matemático, o trecho acima não pode ser considerado como uma denição matemática, pois faz uso de ideias (como grandeza, unidade, discreta, contínua) e processos (como comparação) de signicado não estabelecido. Entretanto, todas as palavras que nela aparecem possuem um sentido bastante claro na linguagem do dia-a-dia. Por isso, embora não sirva para demonstrar teoremas a partir dela, a denição tradicional tem o grande mérito de nos revelar para que servem e por qual motivo foram inventados os números. Isto é muito mais do que se pode dizer sobre a denição que encontramos no nosso dicionário mais conhecido e festejado, conforme reproduzimos a seguir.

Número.

[Do lat. numeru.] S.m. 1. Mat. O conjunto de todos

os conjuntos equivalentes a um conjunto dado. Discutiremos este ponto logo mais, quando tratarmos de números cardinais. No momento, parece oportuno fazer uma pequena pausa

para uma observação.

2 Comentário: Denições, Axiomas, etc.
Conforme dissemos no Capítulo 1, uma denição matemática é uma convenção que consiste usar um nome, ou uma sentença breve, para designar um objeto ou uma propriedade, cuja descrição normalmente exigiria o emprego de uma sentença mais longa. denições, como exemplo: Vejamos algumas

Números Naturais

3

Ângulo é a gura formada por duas semi-retas que têm a mesma

origem.

Primos entre si são dois ou mais números naturais cujo único

divisor comum é a unidade. Mas nem sempre foi assim. Euclides, por exemplo, começa os 

Elementos com uma série de denições, das quais selecionamos as seguintes:

• • •

Linha é um comprimento sem largura. Superfície é o que possui comprimento e largura somente.

Quando uma reta corta outra formando ângulos adjacentes iguais, cada um desses ângulos chama-se reto e as retas se dizem perpendiculares .

As denições de ângulo e de números primos entre si, dadas acima, bem como as denições de ângulo reto e retas perpendiculares dadas por Euclides, são corretas. Elas atendem aos padrões atuais de precisão e objetividade. Por outro lado, nas denições de linha e superfície, Euclides visa apenas oferecer ao seu leitor uma imagem intuitiva desses conceitos. Elas podem servir para ilustrar o pensamento ge-

ométrico mas não são utilizáveis nos raciocínios matemáticos porque são formuladas em termos vagos e imprecisos. Na apresentação de uma teoria matemática, toda denição faz uso de termos especícos, os quais foram denidos usando outros termos, e assim sucessivamente. Este processo iterativo leva a três possibilidades: a) Continua indenidamente, cada denição dependendo de outras anteriores, sem nunca chegar ao m.

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MA12 - Unidade 1

b) Conduz a uma circularidade, como nos dicionários. vê, por exemplo: compreender entender

(Onde se entender e

perceber, perceber

compreender.)

c) Termina numa palavra, ou num conjunto de palavras (de preferência dotadas de conotações intuitivas simples) que não são denidas, isto é, que são tomadas como representativas de conceitos primitivos. Exemplos: ponto, reta, conjunto. Evidentemente, as alternativas a) e b) acima citadas não convêm à Matemática. A alternativa c) é a adotada. Se prestarmos atenção, veremos que foi assim que aprendemos a falar. Numerosas palavras

nos foram apresentadas sem denição e permanecem até hoje em nosso vocabulário como conceitos primitivos, que aprendemos a usar por imitação e experiência. Para poder empregar os conceitos primitivos adequadamente, é necessário dispor de um conjunto de princípios ou regras que disciplinem sua utilização e estabeleçam suas propriedades. Tais princípios são

chamados axiomas ou postulados. Assim como os conceitos primitivos são objetos que não se denem, os axiomas são proposições que não se demonstram. Uma vez feita a lista dos conceitos primitivos e enunciados os axiomas de uma teoria matemática, todas as demais noções devem ser denidas e as armações seguintes devem ser demonstradas. Nisto consiste o chamado método axiomático . As proposições a

serem demonstradas chamam-se teoremas e suas consequências imediatas são denominadas corolários. Uma proposição auxiliar, usada na demonstração de um teorema, é chamada um lema.

a partir de outra proposição que a substituiu na lista dos axiomas. Em contraposição. Para outro exemplo. Nunca dar explicações falsas sob o pretexto de que os alunos ainda não têm maturidade para entender a verdade. além de verdadeiras.Números Naturais 5 Ser um axioma ou ser um teorema não é uma característica intrínseca de uma proposição. Exemplo: o segmento de reta que une um ponto interior a um ponto exterior de uma circunferência tem exatamente um ponto em comum com essa circunferência. veremos um resumo da teoria matemática dos números naturais. como o Teorema de Pitágoras ou a Fórmula de Euler para poliedros convexos. devem ser demonstrados (até mesmo de várias formas diferentes). 2. 13-19. são intuitivamente óbvias e aceitas por todos sem discussão nem dúvidas. Do ponto de vista do ensino a nível do segundo grau. Dependendo da preferência de quem organiza a apresentação da teoria. (Isto seria como dizer a uma criança que os bebés são trazidos pela cegonha. Na seção seguinte. fatos importantes cuja veracidade não é evidente. Não insistir em detalhes formais para justicar armações que. vide RPM 29. onde os conceitos primitivos são número natural e sucessor e os axiomas são os de Peano. Mas é necessário que o professor saiba que ela pode ser organizada sob a forma acima delineada.) Exemplo: innito é um número muito grande. não tem cabimento expor a Matemática sob forma axiomática. uma determinada proposição pode ser adotada como axioma ou então provada como teorema. . págs. Uma linha de equilíbrio a ser seguida na sala de aula deve basear-se nos seguintes preceitos: 1.

em que os acréscimos da função são proporcionais aos acréscimos da variável independente. em cada caso. funções ans servem de modelo para situações. a maturidade e ajudam a entender o encadeamento lógico das proposições matemáticas. Assim. embora a Matemática possa ser cultivada por si mesma. por exemplo). naturalmente. As demonstrações. sua presença no currículo escolar não se deve apenas ao valor dos seus métodos para a formação mental dos jovens.6 MA12 . quando objetivas e bem apresentadas. que as hipóteses que lhe servem de base são satisfeitas. A importância social da Matemática provém de que ela fornece modelos para analisar situações da vida real. Todos os tópicos deste livro são abordados sob o seguinte lema: a Matemática fornece modelos abstratos para serem utilizados em situações concretas. 3. por exemplos. contribuem para desenvolver o raciocínio. demonstrações longas. Provar o óbvio transmite a falsa impressão de que a Matemática é inútil. o espírito crítico. números naturais são o modelo para contagem e números reais são o modelo para medida. de elevado padrão intelectual. conjuntos são o modelo para disciplinar o raciocínio lógico. Por outro lado. elaboradas ou que façam uso de noções e resultados acima do alcance dos estudantes desse nível (como o Teorema Fundamental da Álgebra. E assim por diante. . do dia-a-dia e das Ciências. usar argumentos elegantes e convincentes para demonstrar resultados inesperados é uma maneira de exibir sua força e sua beleza. como o movimento uniforme. Ter sempre em mente que. Para poder empregar estes modelos é necessário vericar. como um todo coerente.Unidade 1 Excetuam-se. formado por conceitos e proposições de natureza abstrata.

três. portanto não é uma denição. à medida em que se civilizava. dizer que n é o sucessor de n signica que n vem logo depois de n. a humanidade apoderouse desse modelo abstrato de contagem (um. Seu uso e suas propriedades são regidos por algumas regras. c) Existe um único número natural.Números Naturais 7 3 O Conjunto dos Números Naturais Lentamente. As tribos mais rudimentares contam apenas um. O termo primitivo sucessor não é denido explicitamente. As necessidades provocadas por um sistema social cada vez mais complexo e as longas reexões. chamado um e representado . Evidentemente. podemos hoje descrever concisa e precisamente o conjunto N dos números naturais. Intuitivamente. Decorridos muitos milênios. . n ∈ N. dois. conduziram.. valendo-nos da notável síntese feita pelo matemático italiano Giuseppe Peano no limiar do século 20. esta explicação apenas substitui sucessor por logo depois. ao aperfeiçoamento do extraordinário instrumento de avaliação que é o conjunto dos números naturais. abaixo enumeradas: a) Todo número natural tem um único sucessor. Foi uma evolução demorada.. cujos elementos são chamados números naturais. A essência da caracterização de N reside na palavra sucessor. b) Números naturais diferentes têm sucessores diferentes. dois. quatro. quando n. N é um conjunto. não havendo outros números naturais entre n e n .) que são os números naturais. possíveis graças à disponibilidade de tempo trazida pelo progresso econômico. A língua inglesa ainda guarda um resquício desse estágio na palavra thrice. muitos . que tanto pode signicar três vezes como muito ou extremamente. através dos séculos.

os números muito grandes não possuem nomes. em princípio. 1∈X e se. b). que não é sucessor de nenhum outro. 8 e 9. sendo preferível abrir mão deles e designar os grandes números por sua representação decimal. 3. com exceção de 1. Vistos desta maneira. etc. além disso. . As armações a). esses nomes tornam-se muito complicados. chamado sistema de numeração decima l. sucessor de dois chama-se três. Um engenhoso processo. 4. . Além disso.} dos números natu- rais é uma sequência de objetos abstratos que. como se chamaria o número Por 10 1000 ?). 2. 5. Cada um desses objetos (um número natural) possui apenas um lugar determinado nesta sequência. Todo número tem um sucessor (único) e. Deve car claro que o conjunto N = {1. são vazios de signicado. 7. tem também um único antecessor (número do qual é sucessor). exemplo. etc. c) e d) acima são conhecidas como os axiomas de Peano. de X ainda pertence a X = N.8 MA12 . 2 é o segundo. permite representar todos os números naturais com o auxílio dos símbolos 0. o A partir de um certo ponto. 1. um conjunto de números naturais (isto é.Unidade 1 pelo símbolo 1. d) Seja Se X X. (Na realidade. 6. Nenhuma outra propriedade lhe serve de denição. o sucessor de todo elemento então X ⊂ N). 2. podemos dizer que os números naturais são números ordinais : 1 é o primeiro. . os primeiros números naturais têm nomes: o sucessor do número um chama se dois. . 3. Tudo o que se sabe sobre os números naturais pode ser demonstrado como consequência desses axiomas.

150. difundido pelos árabes e adotado no ocidente. as palavras um. um. não adotamos esse ponto-de-vista. por exemplo) é chamada adjetivo numeral e que os gramáticos brasileiros e portugueses. isto é. resolveram chamar de numeral apenas. Este segundo aspecto será abordado no capítulo seguinte. olhados como elementos do conjunto N. não como um número e sim como um . de uma questão de preferência. Trata-se. dois meses e três dias. Nesta frase. 2 é o terceiro. pág. o número dois ou o número três. (Vide Meu Professor de Matemática. Deve-se lembrar que o símbolo 0 (sob diferentes formas grácas) foi empregado inicialmente pelos maias. etc). dois e três não são substantivos. Como se viu acima. dois e três são substantivos. onde elas aparecem para dar a ideia de número cardinal. posteriormente pelos hindus. Este comentário visa salientar a diferença entre os números naturais. evidentemente. Isto contrasta com o uso destas palavras em frases como um ano. Não se deve dar muita importância à eterna questão de saber se 0 (zero) deve ou não ser incluído entre os números naturais. como resultados de contagens. Recomendação 1. há um par de décadas. e o seu emprego como números cardinais. Pertencem a uma categoria gramatical que. noutras línguas (como francês. pois são nomes de objetos. inglês e alemão.Números Naturais 9 Um Pequeno Comentário Gramatical Quando dizemos o número um.) Praticamente todos os livros de Matemática usados nas escolas brasileiras consideram 0 como o primeiro número natural (consequentemente 1 é o segundo.

(No caso dos maias. concluímos que X = N. pelo axioma da indução. ele se formula assim: Seja P (n) uma propriedade relativa ao número natural n. Supo- nhamos que i) P (1) n é válida. Número é uma 4 Destaque para o Axioma da Indução O último dos axiomas de Peano é conhecido como o axioma da indução.Unidade 1 algarismo. com o utilíssimo objetivo de preencher uma casa decimal vazia. a opção do número natural para iniciar a sequência não se limita a escolher entre 0 e 1. segundo apresentada por Euclides. do mesmo modo que conhecemos e usamos o zero mas começamos os números naturais com 1. n. e não 10. Frequentemente esquecemos que.) De resto. encontramos as seguintes denições: Unidade é aquilo pelo qual cada objeto é um. é o sucessor de n. se chamarmos de P (n) é válida. ii) Para todo onde n ∈ N. Ele é a base de um eciente método de demonstração de proposições referentes a números naturais (demonstrações por indução. a Matemática grega. multitude de unidades. Nos Elementos. Enunciado sob a forma de propriedades em vez de conjuntos. X o conjunto dos números naturais Então P (n) é válida qualquer que seja o número natural Com efeito. não considerava 1 como um número.10 MA12 . a base do sistema de numeração era 20. Logo. n para os quais . a validez de P (n) implica a validez de P (n ). veremos que 1 ∈ X em virtude de i) e que n ∈ X ⇒ n ∈ X em virtude de ii). ou por recorrência).

n = 1. A soma De agora em diante. n + p é o número natural que se obtém a partir de n aplicando-se p vezes seguidas a operação de tomar o sucessor. ao armarmos a veracidade de uma proposição referente aos números naturais. tem-se 2+2 = 4 simplesmente porque 4 é o sucessor do sucessor de 2.. .. No nal deste capítulo. Em particular. Quanto ao produto. esta última frase. n + 2 é o sucessor do sucessor de n. Por exemplo. que lhes associa o produto np. que aos números n.. etc. vericamos que ela é verdadeira para e dizemos e assim por diante. bem como alguns curiosos paradoxos que resultam do uso inadequado do axioma da indução. o sucessor do número natural por n será designado n + 1. O axioma da indução é uma forma sagaz e operacional de dizer que qualquer número natural n pode ser alcançado se partirmos de 1 e repetirmos sucientemente a operação de tomar o sucessor de um número. põe-se np é a soma de p parcelas n · 1 = n por denição e. apresentamos como exercícios algumas proposições demonstráveis por recorrência. n = 3 para todo Mas é preciso ter cuidado com Ela pressupõe que P (n) ⇒ P (n ) n ∈ N. n + 1 é o sucessor de n. p ∈ N faz corresponder a soma n+p e a multiplicação .Números Naturais 11 Recomendação 2. Ele está presente (pelo menos de forma implícita) sempre que. n = 2. 5 Adição e Multiplicação Entre os números naturais estão denidas duas operações fundamentais: a adição. iguais a n. quando p = 1.

Adição: n · 1 = n e n(p + 1) = np + n.) . Entretanto. as operações fundamentais devem ser denidas por indução. n ∈ N. até que saibamos utilizar os números naturais para efetuar contagens. m é menor do que m. Estas operações gozam das conhecidas Multiplicação: propriedades de associatividade. para signicar que existe algum p ∈ N tal que (Isto quer dizer que é o sucessor do sucessor. p ∈ N. onde mais detalhes seão apresentados. sabemos também somar p + 1: a soma n + (p + 1) é simplesmente o sucessor (n + p) + 1 de n + p . sabemos também multiplicá-los por p + 1: basta tomar n(p + 1) = np + n. a soma n+p e o produto np têm mesmo os signicados que lhes são atribuídos pelas explicações dadas acima. sucessor de m. Por isso.Unidade 1 Em última análise. n diz-se que n. como se segue. o ato de tomar o sucessor sendo iterado p vezes. O axioma da indução garante que a soma n + p está denida para quaisquer n. E se sabemos multiplicar todos os números naturais n por p.. e escreve-se m < n. Esta última igualdade diz que se sabemos somar p a todos os números naturais n. comutatividade e distributividade. n+1 = sucessor de n e n+(p+1) = (n+p)+1 . As demonstrações são feitas por indução. Por indução. do n = m + p.) 6 Ordem Entre os Números Naturais Nossa breve descrição do conjunto com a relação de ordem Dados N dos números naturais termina m < n. sabemos multiplicar todo n por qualquer p. não tem sentido falar em  p vezes e  p parcelas.. (Voltaremos ao assunto na Unidade 5 de MA12.12 MA12 . Ou seja: multiplicar um número n por 1 não o altera.

Por isso. para todo número natural n. seguido de uma demonstração por boa-ordenação. + [2(n + 1) − 1] = (n + 1)2 . obtendo 1 + 3 + 5 + . Se então. ou seja: 1 + 3 + 5 + . . São muito raros e pouco interessantes os exemplos de demonstração por indução que podem ser dados sem usar as operações fundamentais e as desigualdades. Isto signica que existe um elemento m0 ∈ X que é menor do que todos os demais elementos de X . das Monotonicidade: m+p<n+p m < n mp < np. alternativas: m. m < n ou n < m. somente agora apresentamos um deles. . Para Supondo n = 1. . e somente uma. n ∈ N. somamos 1 = 1. Dados e uma. da igualdade P (n) : 1 + 3 + 5 + . . . Queremos provar a validez. + (2n − 1) + (2n + 1) = n2 + 2n + 1. A boa-ordenação Boa-ordenação: Todo subconjunto não-vazio pode muitas vezes substituir com vantagem a indução como método de prova de resultados referentes a números naturais.Números Naturais 13 A relação m<n tem as seguintes propriedades: Transitividade: Se Tricotomia: m<n e n<p então m < p. . Exemplo 1. . P (1) se resume a armar que P (n) verdadeira para um certo valor de n. vale m = n. para qualquer p ∈ N. tem-se X ⊂ N possui um menor elemento. + (2n − 1) = n2 Usaremos indução. 2n + 1 a ambos os membros da igualdade acima.

n. Então todos os números menores do que a pertenceriam a X . Seja Y o comple- X. Logo P (n) ⇒ P (n + 1). Podemos então armar que a soma dos n primeiros números ímpares é igual ao quadrado de Exemplo 2. Exercícios 1. com m < a e n < a. Como a não é primo. Sendo assim. Prove que Y contém . Observemos que se pertencem a mentar de m e n X então o produto Assim. (2) n ∈ Y ⇒ n +1 ∈ Y . Assim. a menos que um deles seja igual a 1 (e o outro igual a p). se nas demonstrações por boa-ordenação). Y é o conjunto dos números naturais que não são primos nem são produtos de fatores primos. Segue-se que Y = ∅ . uma contradição. vazio. ter-se-ia a = m · n. haveria um menor elemento Y não fosse a ∈ Y .Unidade 1 Mas esta última igualdade é P (n + 1). mn pertence a X. P (n) vale para todo n ∈ N. isto equivale a dizer que os fatores m. Usaremos a linguagem de conjuntos. Mas mn = a. o que daria a ∈ X . Provaremos isto por boa ordenação. n não podem ser ambos menores do que p. mn ∈ X . Um resultado fundamental em Aritmética diz que todo número natural é primo ou é um produto de fatores primos. (Usando boa-ordenação. Dado o número natural propriedades: a.) mero natural Lembremos que um nú- p chama-se primo quando não pode ser expresso como produto p = mn de dois números naturais.14 MA12 . logo m ∈ X e n ∈ X . Isto será feito por redução ao absurdo (como sempre se dá Com efeito. Seja X o conjunto dos números naturais que são primos ou produtos de fatores primos. concluindo a demonstração. Queremos provar que Y é vazio. seja Y ⊂ N um conjunto com as seguintes (1) a ∈ Y .

por indução. 2. segue-se que X = N. que Ia é o conjunto X = N. Como n + 1 não pode ser o menor elemento de A. que n2 < 2n para todo Complete os detalhes da seguinte demonstração do Princípio de Boa Ordenação: Seja elemento. 2.. 3. n tais que 4. em seguida. . onde a. Observe que 1 ∈ X e. Logo. n não pertencem a A. além disso. conclua que n + 1 ∈ X . por indução.. (Sugestão: X = Ia ∪ Y . dos números 2. Use o exercício anterior para provar que 2n para todo n 3. Prove. Prove. A⊂N um conjunto que não possui um menor Considere o conjunto X formado pelos números naturais 1. . que n+1 n para todo n n n 3 e conclua daí que a sequência √ √ √ 3 4 1. por indução. 5. se n ∈ X então todos os elementos de A são n + 1. por indução.Números Naturais 15 todos os números naturais maiores do que ou iguais a considere o conjunto naturais a. Portanto A é vazio. 3 e. . 4 . 6 . é decrescente a partir do terceiro termo..) 2n + 1 n 5. que 1 + 2 2 + 3 2 + · · · + n2 = n(n + 1)(2n + 1) . e prove.

Seja 9. 4 . se n for pequeno. P (n) uma propriedade relativa ao número natural n. n + 1 também o será. disso. a verdade de P (n) e P (n + 1) implica a verdade de P (n + 2). pois não se torna grande um número pequeno simplesmente somando-lhe uma unidade. Use a distributividade para calcular diferentes e em seguida use a lei do (m + n)(1+1) de duas maneiras corte para concluir que m + n = n + m. 10. para qualquer n ∈ N.16 MA12 . 7. (Sugestão : boa Seja ordenação. Suponha que P (1). X ⊂ N um conjunto não-vazio. se todos os números naturais menores do que n pertencem a X então n ∈ X . P (2) são verdadeiras e que. Além natural é pequeno.Unidade 1 6. 1 é um número pequeno.) 8. Prove que X = N. com a seguinte propriedade: para qualquer n ∈ N. Critique a seguinte argumentação: Quer-se provar que todo número Evidentemente. Logo. Use indução para provar que 1 13 + 23 + 33 + · · · + n3 = n2 (n + 1)2 . Prove que P (n) é verdadeira para todo n ∈ N. todo número natural é pequeno. por indução.

no decorrer do curso.obmep. cujos conte´ udos ser˜ ao utilizados nas pr´ oximas unidades. Sobre este aspecto. Hefez. Os alunos participantes do Programa de Inicia¸ c˜ ao Cient´ ıfica (PIC) da OBMEP tˆ em sido expostos a esse tipo de material e tˆ em mostrado grande interesse e curiosidade. especialmente no seu aspecto mais l´ udico. que nada mais ´ e do que uma reformula¸ c˜ ao do Axioma da Indu¸ c˜ ao. onde se prova algo que n˜ ao ´ e uma mera valida¸ c˜ ao de uma f´ ormula.MA 12 . n˜ ao t˜ ao intuitiva. que apresenta ”uma implica¸ c˜ ao dentro de outra”: P (n0 ) ∧ (P (k ) =⇒ P (k + 1). al´ em de absorverem bem os conte´ udos. que v˜ ao praticamente at´ e a nossa Unidade 5. Outra sutileza da Prova por Indu¸ c˜ ao Matem´ atica ´ e a sua pr´ opria estrutura l´ ogica. A presente unidade foi retirada do livro Indu¸ c˜ ao Matem´ atica de A. que se encontra na ´ ıntegra em: http://www. de conjunto infinito e por isso mesmo ela ´ e sutil. A Indu¸ c˜ ao Matem´ atica nos coloca em contato direto com a no¸ c˜ ao. em geral.Unidade 2 Indu¸ c˜ ao Matem´ atica Semana de 04/04 a 10/04 Esta unidade ´ e dedicada ` a utiliza¸ c˜ ao do Axioma da Indu¸ c˜ ao como t´ ecnica de demonstra¸ c˜ ao de resultados que envolvem subconjuntos infinitos do conjunto dos n´ umeros naturais (Veja o conceito de conjunto infinito na Unidade 2 de MA11). ∀k ≥ n0 ) =⇒ P (n) ∀ n ∈ N. veremos que a sua utilidade ´ e bem mais abrangente. Livro 4 do Programa de Inicia¸ c˜ ao Cient´ ıfica da OBMEP. Esta ´ e sem d´ uvida uma dificuldade para a compreens˜ ao do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao pelos estudantes. n˜ ao ´ e apresentado no Ensino M´ edio. Esse t´ opico. Mas.br/export/sites/default/arquivos/apostilas_pic2008/Apostila4-Inducao. que ser´ a apresentado na pr´ oxima unidade. Sobre os exerc´ ıcios. pode parecer ao leitor que este teorema serve apenas para validar f´ ormulas. um item de cada um dos Problemas 1 e 2 e dˆ e especial aten¸ c˜ ao ao Problema 4. pelo menos. leia com aten¸ c˜ ao o coment´ ario que se inicia no meio da P´ agina 4 e se estende ` a P´ agina 5 (at´ e antes do Exemplo 1). Preste tamb´ em aten¸ c˜ ao nos Exemplos 1 e 2. mas poderia ser abordado. recomendamos que resolva o maior n´ umero que puder deles a fim de adquirir mais traquejo com as manipula¸ c˜ oes alg´ ebricas. que envolvem n´ umeros inteiros. Resolva. O resultado central desta unidade ´ e o teorema ao qual damos o nome de Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao Matem´ atica. Lendo a presente unidade. dadas a priori.pdf .org.

V´ ıdeo relacionado: Aulas do Professor Augusto C´ esar Morgado. n ∈ N} ´ e uma fam´ ılia enumer´ avel de conjuntos enumer´ aveis. . ´ e poss´ ıvel concluir que. ent˜ ao n∈N An ´ e enumer´ avel? Este resultado ´ e verdadeiro? Sugest˜ ao: repita o argumento considerando fam´ ılias de conjuntos finitos em lugar de enumer´ aveis. se {An . . Mostre que A ∪ B ´ e enumer´ avel. . c) Com base no argumento do item anterior.Desafio a) Sejam A e B e dois conjuntos enumer´ aveis. Indu¸ c˜ ao Matem´ atica. b) Seja {A1 . Use um argumento de indu¸ c˜ ao para mostrar que A1 ∪ · · · ∪ An ´ e enumer´ avel. . An } uma fam´ ılia finita de conjuntos enumer´ aveis. julho 2004. .

tal que 1 pertence a X e sempre que um número n pertence a X . Princípio de Indução Matemática Recorde o Axioma (d) de Peano. cujo enunciado reproduzimos a seguir. apresentado na Unidade 1.Unidade 2 Indução Matemática Semana de 04/04 a 10/04 Nesta unidade mostraremos como o Axioma da Indução. a chamada Prova pelo Princípio de Indução . nos fornece um poderoso instrumento para provar afirmações que envolvem esses números. tem-se que X = N. o número n + 1 também pertence a X . Esse simples axioma nos fornece uma das mais poderosas técnicas de demonstração em Matemática.MA12 . Axioma da Indução: Dado um subconjunto X do conjunto dos números naturais N. que foi apresentado na Unidade 1 como um dos axiomas pilares dos números naturais.

. enquanto P (3) e P (6) são verdadeiras. P (35) são verdadeiras. . Tais sentenças serão ditas sentenças abertas definidas sobre o conjunto dos naturais. P (2). respectivamente. verificando também que P (4). que P (1). P (5) e P (9) são falsas. Por outro lado. . P (5). Aqui sabemos precisamente o que significa a sentença aberta P (n). é também claro que P (2).2 Unidade 2 Matemática. 5 e 9 são pares. P (n) é verdadeira para todo n ∈ N. apesar dos pontinhos na sua definição. é plausível que tenhamos encontrado um polinômio cujos valores nos números inteiros sejam sempre números primos. . c) P (n) : 1 + 3 + 5 + 7 + · · · + (2n − 1) = n2 . P (2). a qual se torna verdadeira ou falsa toda vez que substituirmos n por um número natural dado. . 4. É claro que a afirmação P (1) é falsa. A seguir damos alguns exemplos de sentenças abertas definidas sobre N: a) P (n) : n é par. P (4). Suponha que seja dada uma sentença matemática P (n) que dependa de uma variável natural n. P (3) são verdadeiras. P (10) são verdadeiras. que 3. P (4). pois ela diz que 1 é par. Com algum trabalho. Ela significa: “A soma dos n primeiros números ímpares é igual a n2 ”. pois afirmam. b) P (n) : n é múltiplo de 3. Temos que P (1). .. para todo n ∈ N. após mais algumas tentativas. ou seja. P (3). Temos. . P (2). você se convencerá de que esta fórmula tem grandes chances de ser verdadeira para todo número natural n. P (3). ou simplesmente Prova por Indução. por exemplo. Você consegue visualizar algum número natural m para o qual P (m) seja falsa? Bem. É fácil verificar que as sentenças P (1). pois 2. d) P (n) : n2 − n + 41 é um número primo. é possível ir além. P (4) e P (5) são falsas. 8 e 22 são pares. Portanto. P (8) e P (22) são verdadeiras. .

Isso pode ser feito usando o Axioma da Indução. que resolverá esse nosso problema. Vamos a seguir expor a técnica da Prova por Indução. P (38) e P (40) são verdadeiras. toda vez que n pertence a V . assim. o subconjunto dos elementos n ∈ N para os quais P (n) é verdadeira. para a nossa desilusão. bastando. Como provar então que uma sentença aberta definida sobre os naturais é sempre verdadeira? Você há de convir que não seria possível testar. pois eles são em número infinito. todos os números naturais. pode-se provar que não existe nenhum polinômio em uma variável com coeficientes inteiros cujos valores nos naturais sejam sempre números primos. P (n)}. Portanto. Provamos. Se quisermos mostrar que uma sentença aberta P (n) é verdadeira para todo n ∈ N. denotaremos por V = {n ∈ N. um por um. para isto. o seguinte teorema: . não havia a priori nenhuma chance de P (n) ser verdadeira para todo número natural n. P (37). mostrar que 1 pertence a V e que n + 1 pertence a V . Portanto. Podemos parar por aqui e nos sentir felizes com a nossa descoberta? Bom. Logo.Indução Matemática 3 Mais alguns testes para confirmar a nossa suspeita? Lá vai. Note que 412 − 41 + 41 = 412 não é primo. temos que mostrar que V = N. P (41) é falsa! Para a sua informação. será preciso encontrar algum outro método. P (36). para satisfazer os mais céticos. faremos só mais um teste com n = 41. Seja P (n) uma sentença aberta sobre os naturais.

P (n) seja verdadeira. Vejamos como usar esse método para mostrar a validez. a fórmula é válida para todo número natural n. e (ii) qualquer que seja n ∈ N. para algum n natural. O que está ocorrendo? Estamos usando a tese para provar o teorema? . a ambos os lados da igualdade acima. Note que. poderia parecer que estamos usando o fato de P (n) ser verdadeira para deduzir que P (n + 1) é verdadeira para em seguida concluir que P (n) é verdadeira. Você tem idéia de quando foi feita pela primeira vez a demonstração acima? Bem. P (n) é verdadeira para todo n ∈ N. segue-se que P (n + 1) é verdadeira. sempre que P (n) é verdadeira. na demonstração acima. que é o próximo número ímpar após 2n − 1. da fórmula 1 + 3 + · · · + (2n − 1) = n2 . já que a fórmula é trivialmente válida para n = 1. toda vez que P (n) é verdadeira. ou seja. Observe que P (1) é verdadeira. Queremos provar que P (n + 1) é verdadeira. Então. obtemos a igualdade também verdadeira: 1 + 3 + · · · + (2n − 1) + (2n + 1) = n2 + (2n + 1) = (n + 1)2 . o primeiro registro que se tem é de 1575 e foi realizada por Francesco Maurolycos. que 1 + 3 + · · · + (2n − 1) = n2 . Somando 2n + 1. Suponha agora que. para todo natural n. Suponha que (i) P (1) é verdadeira. Pelo Princípio de Indução Matemática.4 Unidade 2 Teorema 1(Princípio de Indução Matemática) Seja P (n) uma sentença aberta sobre N. Isso mostra que P (n + 1) é verdadeira.

já não fazia caso da velha senhora. prudentemente. No segundo dia. Essas leis são tidas como verdades. O que falha para que o Princípio de Indução nos garanta que P (n) é verdadeira para todo n é que a hipótese (i) não é verificada. filósofo e grande humanista inglês do século passado. Bertrand Russel (18721970). cheia de intimidade. Na matemática. No centésimo dia. não há lugar para afirmações verdadeiras até prova em contrário. pois essa é a parte mais delicada de toda a história. temos duas possibilidades: (a) P (n) é verdadeira. podendo eventualmente ser falsa para algum valor de n. foi se alimentando enquanto a senhora se retirava. A Prova por Indução Matemática trata de estabelecer que determinada sentença aberta sobre os naturais é sempre verdadeira. A hipótese (ii) do Teorema não exige em absoluto que assumamos P (n) verdadeira para todo n ∈ N. ou mesmo para todos os valores de n. Por exemplo. a galinha. com base na seguinte historinha: Havia uma galinha nova no quintal de uma velha senhora. O que a hipótese (ii) exige é que sempre que algum n pertença à categoria (a) acima. após um certo número de experimentos. Dado um número natural n. No primeiro dia. No nonagésimo dia. desconfiada. em que é comum. enunciar leis gerais que governam o fenômeno em estudo. não exigindo nada quando n pertencer à categoria (b). A indução empírica foi batizada. ao se aproximar a . ou (b) P (n) é falsa. já que nenhum n ∈ N pertence à categoria (a). esperou que a senhora se retirasse para se alimentar. de modo irônico. então n + 1 também pertença a essa mesma categoria. até prova em contrário. necessariamente finito. pois P (1) : 1 = 2 é falsa! É preciso ter clareza que a Indução Matemática é diferente da indução empírica das ciências naturais. a boa senhora levava milho às galinhas. pelo matemático. a sentença aberta P (n) : n = n + 1 satisfaz (por vacuidade) a hipótese (ii) do Teorema. Diariamente. a galinha. ao entardecer. de indução galinácea. a galinha.Indução Matemática 5 A resposta é não! Preste bem atenção.

a galinha. Gauss. pouco tempo depois. porém com as parcelas do segundo membro em ordem invertida.6 Unidade 2 senhora. Sn = n(n + 1) . a grosso modo. o objetivo é encontrar uma fórmula fechada2 para Sn . foi ao encontro dela para reclamar o seu milho. Conta-se a seguinte história sobre o matemático alemão Carl Friedrich Gauss (1777-1855)1 . 2 Vamos ser críticos com relação à prova acima. membro a membro. essa prova parece impecável. 2 1 . Indagado como tinha descoberto tão rapidamente o resultado. o menino deu a resposta: 5050. Sendo Sn = 1 + 2 + · · · + n. mandou os alunos calcularem a soma de todos os números naturais de 1 a 100. Na escola. Qual não foi a sua surpresa quando a senhora pegou-a pelo pescoço com a intenção de pô-la na panela. Exemplo 1. portanto. com ela mesma. Somando a igualdade acima. Uma fórmula fechada para Sn . Qual não foi a sua surpresa quando. para aquietar a turma de Gauss. temos que Sn Sn = = 1 n + 2 + ··· + + (n − 1) + · · · + n 1 2Sn = (n + 1) + (n + 1) + · · · + (n + 1) Daí segue-se que 2Sn = n(n + 1) e. mas se alguém nos perguntasse o que está Gauss é considerado um dos maiores gênios da matemática de todos os tempos. por indução. descreveu o método a seguir. então. quando ainda garoto. o professor. Queremos determinar uma fórmula para a soma dos n primeiros números naturais. é uma função de n que permite calcular diretamente os valores de Sn fazendo um número pequeno de contas. Para a maioria das pessoas.

a fórmula (1) é válida para tal valor de n. Queremos validar a fórmula P (n) : 12 + 22 + · · · + n2 = Note que P (1) : 12 = é verdadeira. talvez nos sentíssemos embaraçados. 6 (2) . suponhamos que para algum n ∈ N. como ter absoluta certeza de que nada acontece fora do nosso controle. Considere a sentença aberta sobre os naturais P (n) : 1 + 2 + · · · + n = Note que P (1) : é verdadeira. Também. vamos provar a fórmula utilizando o Princípio de Indução Matemática. Observe também que P (n + 1) : 1 + 2 + · · · + n + (n + 1) = (n + 1)(n + 2) . tem-se que a fórmula P (n) é verdadeira para todo n ∈ N.Indução Matemática 7 escondido atrás dos pontinhos. 2 1= 1(1 + 1) 2 n(n + 1) . isto é. Somando n + 1 a ambos os lados dessa igualdade. temos que é verdadeira a igualdade 1 + 2 + · · · + n + (n + 1) = n(n + 1) +n+1= 2 n(n + 1) + 2(n + 1) (n + 1)(n + 2) = . exatamente na imensa região coberta pelos pontinhos? Para não pairar nenhuma dúvida sobre o nosso resultado. 1(1 + 1)(2 + 1) 6 n(n + 1)(2n + 1) . 2 2 o que estabelece a veracidade de P (n + 1). Pelo Teorema. tenhamos P (n) verdadeira. Exemplo 2. 2 (1) Agora.

para algum n. que a fórmula (3) seja verdadeira para esse valor de n.3 n(n + 1) n+1 (3) Observemos inicialmente que P (1) : 1 1 = 1. para todo n ∈ N. que P (n + 1) é verdadeira. 6 estabelecendo assim a veracidade de P (n + 1).2 2. a fórmula é válida para todo n ∈ N. Portanto. a fórmula: P (n) : 1 1 1 n + + ··· + = . para algum n ∈ N. Somando a ambos os 1 lados dessa igualdade . temos que 12 + 22 + · · · + n2 + (n + 1)2 = n(n + 1)(2n + 1) + (n + 1)2 = 6 n(n + 1)(2n + 1) + 6(n + 1)2 (n + 1)[n(2n + 1) + 6(n + 1)] = = 6 6 (n + 1)[(n + 1) + 1][2(n + 1) + 1] . temos que a fórmula vale para todo n ∈ N. temos que (n + 1)(n + 2) 1 1 1 1 + + ··· + + = 1. se tenha que P (n) é verdadeira. assim. pelo Princípio de Indução Matemática. tem-se que P (n) é verdadeira.3 n(n + 1) (n + 1)(n + 2) n 1 n+1 + = .8 Unidade 2 Suponha que. Vamos provar que é verdadeira. Suponhamos que. 1. Somando (n + 1)2 a ambos os lados da igualdade (2). (2) é válida. n + 1 (n + 1)(n + 2) n+2 mostrando. ou seja. Exemplo 3.2 1+1 é verdadeira. . isto é.2 2. Portanto.

7 7.5 (2n − 1)(2n + 1) 2n + 1 3 3 3 2 b) c) d) e) 1 1 1 1 n + + + ··· + = .4 n(n + 1)(n + 2) 4(n + 1)(n + 2) 12 22 n2 n(n + 1) + + ··· + = .10 (3n − 2)(3n + 1) 3n + 1 1 1 1 1 n + + + ··· + = . .5 5. 1. 1.3. m+1 Sugestão: Fixe m arbitrário e proceda por indução sobre n. a validez das seguintes fórmulas: 1 1 n 1 + + ··· + = .5 (2n − 1)(2n + 1) 2(2n + 1) 3 Demonstre.3 3. 2 1 b) 12 + 32 + · · · + (2n − 1)2 = n(2n − 1)(2n + 1).3 3.2. para n.3 2. a validez das seguintes fórmulas: a) 1 − 22 + 32 − · · · + (−1)n−1 n2 = (−1)n−1 n(n + 1) . 1. por indução. 2 2 Demonstre. e demonstre.9 9. que ela é verdadeira para todo n ∈ N. 1. Sugestão: Considere a sentença aberta P (n) : n3 + (n + 1)3 + (n + 2)3 é divisível por 9. a) 1.13 (4n − 3)(4n + 1) 4n + 1 1 1 1 n(n + 3) + + ··· + = . por indução. m ∈ N.Indução Matemática 9 Problemas 1 Demonstre. 4 Mostre que a soma dos cubos de três números naturais consecutivos é sempre divisível por 9. por indução. que vale a fórmula: 1 · 2 · · · m + 2 · 3 · · · m(m + 1) + · · · + n(n + 1) · · · (n + m − 1) = 1 n(n + 1) · · · (n + m). 3 n(n + 1) c) 1 + 2 + · · · + n = .4 4.

No Exemplo 6. o Enigma do Cavalo de Alexandre. no Teorema 1. conforme ser´ a visto na Unidade 8). ´ e um jogo interessante que se presta bem a ser explorado em sala de aula (veja v´ ıdeo associado ` a Unidade 2) e que conduz a uma sequˆ encia definida por recorrˆ encia (de primeira ordem. n˜ ao necessariamente igual a 1. ser´ a dita uma defini¸ c˜ ao por recorrˆ encia. e v´ arios outros. prestam-se bem a serem definidos por esse m´ etodo. ´ e feita uma pequena generaliza¸ c˜ ao do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao Matem´ atica. Em seguida. nesta unidade. O Exemplo 5 ´ e um caso t´ ıpico. Na segunda parte dessa unidade. Aplica¸ c˜ oes da Indu¸ c˜ ao Matem´ atica Semana de 11/04 a 17/04 Descreveremos. trata na realidade de um mau uso do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao e que leva a uma conclus˜ ao absurda. O segundo exemplo. Esse ´ e um t´ ıpico caso de recorrˆ encias lineares de segunda ordem que ser˜ ao estudadas mais sistematicamente na Unidade 9. usando este m´ etodo. nas Unidades 8 e 9 de MA12.Unidade 3 Defini¸ c˜ ao por Recorrˆ encia. V´ arios objetos.MA 12 . A primeira. os fatoriais. o u ´ltimo exemplo introduz a famosa sequˆ encia de Fibonacci como foi originalmente concebida: para resolver um problema pr´ atico de contagem de uma popula¸ c˜ ao de coelhos. por sua pr´ opria natureza. A Pizza de Steiner ´ e uma aplica¸ c˜ ao do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao a um problema de geometria. Finalmente. o Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao ´ e utilizado para tratar um problema t´ ıpico de pesagem. conhecendo-se alguns de seus termos iniciais e dando uma lei que permite obter um termo da sequˆ encia a partir de alguns dos termos anteriores a ele. chamadas de equa¸ co ˜es diofantinas. as progress˜ oes aritm´ eticas e geom´ etricas. Uma defini¸ c˜ ao. onde ´ e necess´ ario aplicar essa generaliza¸ c˜ ao do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao Matem´ atica. . Isso ´ e um caso particular de um tipo importante de equa¸ c˜ oes. de modo a torn´ a-lo aplic´ avel em situa¸ c˜ oes em que uma propriedade vale para todos os n´ umeros naturais a partir de um determinado valor. um modo importante atrav´ es do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao de definir certas sequˆ encias. fazendo um estudo mais sistem´ atico delas. Entre os objetos que s˜ ao definidos por recorrˆ encia nessa unidade est˜ ao os somat´ orios. s˜ ao apresentadas algumas aplica¸ co ˜es interessantes e l´ udicas do Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao Matem´ atica. as potˆ encias com expoentes naturais. a Torre de Han´ oi. servindo para testar o entendimento do princ´ ıpio. utilizamos o Princ´ ıpio de Indu¸ c˜ ao para descrever quais n´ umeros naturais podem ser escritos como soma de um m´ ultiplo de 3 e de um m´ ultiplo de 5. Na aplica¸ c˜ ao Descobrindo a Moeda Falsa. Voltaremos a tratar de recorrˆ encias.

Denição por Recorrência Recorde que zemos objeções na unidade anterior ao uso dos pontinhos nas demonstrações de algumas fórmulas.MA12 . eles ajudam muito a representar situações em que há um número grande (eventualmente innito) de objetos a serem descritos e a visualizar propriedades desses objetos. 1 . mostraremos como denir objetos matemáticos por recorrência e na segunda. discutiremos algumas aplicações lúdicas da indução. Na primeira. A noção de recorrência será retomada mais sistematicamente nas Unidades 8 e 9 de MA12.Unidade 3 Denição por Recorrência Aplicações da Indução Semana de 11/04 a 17/04 Esta unidade está dividida em duas partes. não que sejamos contra.

Você sabe o que é uma sequência? Certamente voc e já foi apresentado à seguinte denição: Seja a1 . que consideramos no início da unidade passada? Apesar de intuirmos o que se quer dizer. vamos ver como a Indução Matemática pode nos ajudar. basta denirobter sem ambiguidade En+1 a partir de En . . . é claro. e depois. pois. . para En foi Nesse caso. mas do qual você certamente já ouviu falar. para todo número natural n. pois a operação de adição de números é denida para um par de números. nunca deixe ele se sobrepor à criatividade. r. Certos argumentos informais. . Para continuarmos a nossa discussão. mas isso não deve ser tomado ao pé da letra. é igual ao anterior an−1 somado com um número constante Isso é o que se chama de Progressão Aritmética . Para denir uma expressão mos E1 e mostrar todo n ∈ N. além do dos pontinhos. são corriqueiramente aceitos. um conselho: use o formalismo para ajudar e não para atrapalhar. precisaremos de um conceito que não introduzimos ainda. . quando acompanhados de um raciocínio correto. . primeiro vem a descoberta. via de regra. signica uma expressão da forma O que realmente 1 + 3 + 5 + · · · + (2n − 1). e aqui temos inconveniente n números sendo somados de uma só vez. Procure estimular sempre os seus alunos a serem criativos. a2 . Para dar um sentido preciso a esse tipo de expressão. o argumento utilizado por Gauss para somar os n primeiros números naturais é perfeitamente aceitável. estamos tentando mostrar como se pode estabelecer um maior padrão de rigor no tratamento de certos problemas matemáticos. an .2 Unidade 3 Nesse curso. dizemos que denido por recorrência . Voltemos agora ao problema que queremos abordar. Portanto. a partir do segundo. isso formalmente ainda não faz sentido. uma sequência de números em que cada elemento an . como En . . a formalização. . Por exemplo.

a(n). . uma sequência pode ser representada como a(1). Exemplo 1. . Sn . . Etiquetar com os números naturais os elementos de um conjunto nica dar uma função A. . . . Para dar sentido às somas Sn = a1 + a2 + · · · + an . a(2). an . . Seja (an ) uma sequência de elementos de um conjunto munido de uma adição sujeita às leis básicas da aritmética. . . . como sugere o Na nome. a2 . . . o que é uma sequência em geral? 3 Uma sequência. trata-se apenas de elementos de um conjunto etiquetados com os números naturais. supondo Sn denido. . sig- a : N −→ A n → a(n) A denção formal de uma sequência em um conjunto função A é apenas uma a de N em A. . podemos representá-la por (an ) : a1 . denimos Sn+1 = Sn + an+1 . . denotando a(n) por an . basta denir recorrentemente Pomos S1 = a1 e. verdade. A possui uma adição ou uma multiplicação satisfazendo às leis básicas da aritmética. estaremos supondo que em A Quando dissermos que um conjunto está denida uma operação com propriedades semelhantes á correspondente operação nos reais.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução Mas. . ou ainda. é uma coleção de elementos ordenados de natureza qualquer. a Como uma função é dada quando se conhece a imagem de todos os elementos do seu domínio.

Ponhamos a1 = a. n ∈ N. deixando o restante como exercício. Um conceito que se dene naturalmente por recorrência é o fatorial de um número natural. e Demonstração: Fixemos a∈A m ∈ N. Demonstremos a propriedade por indução sobre Para n. Então. (n + 1)! = n! · (n + 1). . Exemplo 2. por recorrência. (am )n = amn . dena an+1 = an · a. pelas denições. Vamos denir as potências com an . am · a1 = am · a = am+1 . arbitrariamente. Sejam a. as propriedades usuais das potências. Dene-se o fatorial n! de um número natural n como: e 1! = 1. (i) (ii) (iii) am · an = an+m . Seja a um elemento de um conjunto A munido de uma multi- plicação sujeita às leis básicas da aritmética. Outro conceito que. (a · b)n = an · bn . a propriedade é válida. Vamos estabelecer. Provaremos (i). n = 1. Exemplo 3. é denido por recorrência é o de potência.4 Unidade 3 Somas como Sn serão também denotadas com a notação de somatórios: n Sn = i=1 que se lê como somatório quando ai . pois. 1 até i varia de n de ai . Supondo an denido. por meio de indução. naturalmente. b ∈ A e m. n ∈ N. Proposição.

1 1 De fato. agora. temos que am · an+1 = am · (an · a) = (am · an ) · a = am+n · a = am+n+1 . para todo número natural Pode ocorrer que uma determinada propriedade seja válida para todos os números naturais a partir de um determinado valor a. Isso. para algum n ≥ 1. 3 divide 3 divide 5n+1 + 2 · 11n+1 . prova a nossa propriedade. cujo segundo membro é divisível por Assim. para n = 1. n. vamos divide provar que 5n + 2 · 11n . por ser igual a 3(5a + 4 · 11n ). existe um número inteiro a tal que 3 5n + 2 · 11n = 3a. saibamos que 3 divide 5 +2 · 11 . Logo. que. n n Suponha.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução Por outro lado. supondo que 5 am · an = am+n . pelo Princípio de Indução Matemática (Teorema 1 da Unidade 2). nos inteiros. para todo n ∈ N. mas não necessaria- mente para valores menores. acarreta que 5 + 2 · 11 n n . o que. Mutiplicando por 5 ambos os lados da igualdade acima. Utilizando a noção de potência e de suas propriedades. pelo Princípio de Indução Matemática (Teorema da Unidade 2). provamos que 3. temos 5 · 3a = 5n+1 + 5 · 2 · 11n = 5n+1 + 2 · 11 · 11n − 12 · 11n . temos que 3 divide 5 + 2 · 11 = 27. Como proceder nesses casos? Por exemplo. como provar que a desigualdade todo valor de 2n > n2 é verdadeira para n natural maior do que ou igual a 5? Fazemos isso baseados na seguinte pequena generalização do Princípio de Indução Matemática (Teorema 1 da Unidade 2): . Daí segue a igualdade 5n+1 + 2 · 11n+1 = 5 · 3a + 12 · 11n . 2 Exemplo 4.

deduzimos que 2 > (n + 1)2 . y ) = (1. Por (i) temos que é verdadeira. solução em (N ∪ {0}) × (N ∪ {0}). P (n) é verdadeira para todo número natural n ≥ a Demonstração: Dena o conjunto S = {m ∈ N. pois queremos vericar a veracidade dessa desigualdade para n ≥ 5. Consequentemente. pois a equação (x. Suponha que (i) (ii) P (a) é verdadeira. se Logo. pois tal desigualdade é n+1 equivalente a n(n − 2) > 1. temos que P (5) : 2 > 5 é verdadeira. sempre que P (n) é verdadeira. Por outro lado. 5 2 De fato. 3x + 5y = 8 admite De fato. Exemplo 6. temos que S = N. Portanto. para todo número natural n 2 1 2 2 Teorema 2. e seja a ∈ N. P (n) é verdadeira para n ≥ a. 2 P (n) : Exemplo 5. segue-se que P (n + 1) é verdadeira. Então. Tudo isso não importa. e qualquer que seja n ∈ N. o que signica que P (n + 1) é verdadeira. Note que 2n2 > (n + 1)2 . P (m + a − 1) }. m + 1 ∈ S. se n ≥ 3. Daí. por (ii). obtemos 2n+1 > 2n2 . Vamos mostrar que a sentença aberta: P(n): A equação é verdadeira 3x + 5y = n tem para todo n ≥ 8. estabelecendo o resultado em vista do é verdadeira. 1 ∈ S. P (2) : 2 > 2 é falsa. 1). ela é verdadeira para a solução n = 8.6 Unidade 3 Teorema 2 Seja P (n) uma sentença aberta sobre N. P (3) : 2 > 3 4 2 é falsa e P (4) : 2 > 4 é falsa. todo Em vista do Princípio de Indução Matemática (Teorema 1 da Unidade 2). com n ≥ a. m ∈ S . . temos que P (m + a − 1) P (m + 1 + a − 1) é verdadeira. Multiplicando ambos os lados da desigualdade acima por 2. Seja n ≥ 5 tal que 2n > n2 . 2 3 2 Note que P (1) : 2 > 1 é verdadeira. Vamos mostrar que a desigualdade na sentença aberta 2 >n n ≥ 5.

b) para algum n ≥ 8. b−a . Se b ≥ 1. 3a + 5b = n. é o menor valor de n para o qual a equação tem solução Problemas 1 Mostre. b − 1) (N ∪ {0}) × (N ∪ {0}). 1+ 1 1 1+ 1 2 2 b) ··· 1 + 1 n−1 n−1 = nn−1 .n! = (n + 1)! − 1. segue que 3(a + 2) + 5(b − 1) = 3a + 5b + 3 × 2 − 5 × 1 = 3a + 5b + 1 = n + 1. segue a conclusão desejada pelo Teorema 2. usando a igualdade −3 × 3 + 5 × 2 = 1. Mostre que. b = 0. tenha solução. 3(a − 3) + 5 × 2 = 3a − 3 × 3 + 5 × 2 = 3a + 5b + 1 = n + 1. temos o que mostra que a equação em 3x + 5y = n + 1 admite a solução (a − 3.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução Suponha agora que a equação 7 3x + 5y = n tenha uma solução (a. sempre que a equação 3x + 5y = n. b + 2) (N ∪ {0}) × (N ∪ {0}).2! + 3. Se.22 + · · · + n. devemos ter a ≥ 1 ou b ≥ 1.21 + 3. o que mostra que a equação em 3x + 5y = n + 1 admite a solução (a + 2. Como o resultado vale para n = 8. a ≥ 3. Note que. vale a igualdade: bn + abn−1 + a2 bn−2 + · · · + an−1 b + an = bn+1 − an+1 .20 + 2. por acaso.3! + · · · + n. (n − 1)! c) 2 1. b). observando que 3 × 2 − 5 × 1 = 1. para todo n ∈ N. isto é. por indução. Note que para todo n0 = 8 n ≥ n0 . para qualquer solução (a. a equação 3x + 5y = n + 1 admite solução. para algum n ≥ 8. Mostramos assim que. Sejam a e b números reais distintos. então. em qualquer caso.1! + 2. a validez das seguintes fórmulas: a) 1.2n−1 = 1 + (n − 1)2n .

se n ≥ 4. . n! > 3n . n4n+1 − (n + 1)4n + 1. para todo n ∈ N. se n ≥ 7. Mostre que a) b) c) 6 n! > 2n .8 Unidade 3 3 Se sen α = 0. 5x + 9y = n Indução e Mundo Material Nesta Seção. 2 4 6 2n 3n + 1 7 Mostre que o número de diagonais de um polígono convexo de n lados é dado por dn = n(n − 3) . b) d) a) c) 5 80 8 divide 34n − 1. vale a igualdade: cos α · cos 2α · cos 22 α · · · cos 2n α = Sugestão: Use a fórmula sen 2n+1 α 2n+1 sen α sen 2β = 2 sen β cos β . mostre que. n! > 4n . vale a desigualdade: 2n − 1 1 1 3 5 · · ··· ≤√ . 4 Para todo n ∈ N. se n ≥ 9. nos inteiros. mostraremos algumas aplicações da indução matemática no mundo material. Prove que. divide 32n + 7. 9 9 divide divide 4n + 6n − 1. mostre que. 2 a equação 8 Mostre que possui solução n0 = 32 é o menor valor para o qual 2 em (N ∪ {0}) para todo n ≥ n0 . para todo n natural.

Em seguida. a regra acima seja observada. O jogo é formado por n discos de diâmetros distintos com um furo no Numa das hastes. pois trata-se de um jogo bastante popular que pode ser facilmente fabricado ou ainda encontrado em lojas de brinquedos de madeira.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução 1 A Torre de Hanói 9 Você provavelmente já conhece esse jogo. de modo que nenhum disco esteja sobre um outro de diâmetro menor (veja gura abaixo). deduziremos jn . O jogo tem solução para cada n ∈ N? jn de movimentos para 2. de modo que. Em caso armativo. deslocando um disco de cada vez. . P (n) : O jogo com n discos tem solução . £ £ ¢ £ ¢ £¢ £ ¢¢   ¡  ¡  ¡  ¡  ¡ O jogo consiste em transferir a pilha de discos para uma outra haste. seu centro e uma base onde estão ncadas três hastes. As perguntas naturais que surgem são as seguintes: 1. a cada passo. vamos ver que a resposta à primeira pergunta é armativa. qualquer que seja o valor de uma fórmula que nos fornecerá o número Considere a sentença aberta n. qual é o número mínimo resolver o problema com n discos? Usando Indução Matemática. estão enados os discos.

ou seja. transferindo-os para a haste que contém o maior dos discos: .10 Unidade 3 Obviamente. que o jogo com n discos tem solução. resolva novamente o problema para os n discos que estão juntos. P (1) é verdade. para algum n. Suponha que P (n) seja verdadeiro. Para ver isso. resolva inicialmente o problema para os n discos superiores da pilha. pois estamos admitindo que o problema com n discos possua solução): £ ¢   ¡ ££ ¢ £ ¢ £ ¢ £¢ ¢   ¡  ¡  ¡  ¡  ¡ Em seguida. transferindo-os para uma das hastes livre (isso é possível. transra o disco que restou na pilha original (o maior dos discos) para a haste vazia: £ ¢   ¡ £ £¢ ££ ¢¢ £ ¢¢   ¡  ¡  ¡    ¡¡ Feito isto. Vamos provar que o jogo com n+1 discos tem solução.

pois. as recorrências. que. se. que seu termo geral é dado por jn = 2n − 1. jn . que (jn ) denida recorrentemente. para dar mais sabor à sua criação. o mundo acabaria. por indução. veja que. o tempo mínimo para que . por Indução Matemática. inventou a seguinte lenda: Na origem do tempo. sem diculdade. que passar duas vezes pela solução mínima do problema com n discos. necessariamente. n + 1 discos também possui solução. respeitando as regras acima explicadas. Pode-se mostrar. para resolver o problema Para determinar uma fórmula para para n +1 discos com o menor número de passos. um sacerdote movesse um disco. uma sequência então. (Este tipo de sequências. e. Você não deve se preocupar com a iminência do m do mundo. jn+1 = 2jn + 1. em 1882. que P (n) é verdadeira para todo n ∈ N. num templo oriental. a cada segundo. Deus colocou 64 discos perfurados de ouro puro ao redor de uma de três colunas de diamante e ordenou a um grupo de sacerdotes que movessem os discos de uma coluna para outra. temos.) Esse jogo foi idealizado e publicado pelo matemático francês Edouard Lucas. Temos. assim. Obtemos.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução 11 ££ ¢ £ ¢ ££ ¢¢ £ ¢¢   ¡  ¡  ¡  ¡  ¡¡   Isso mostra que o problema com portanto. Quando todos os 64 discos fossem transferidos para uma outra coluna. será estudado de modo sistemático nas Unidades U8 e U9.

. vamos provar que isso é uma falácia (uma grande mentira). De fato. Decompomos o conjunto C numa união de dois conjuntos: C = C ∪ C = {C1 . se Para achá-lo. aproximadamente. . Bucéfalo. Cn . então P (2) é verdadeira. o famoso cavalo de Napoleão. a nossa demonstração por indução está terminada. válido para conjuntos contendo n cavalos. Agora. segue-se que os cavalos em ocorrendo o mesmo para os cavalos em C têm mesma cor. era branco. Assim.12 Unidade 3 264 − 1 segundos e isto daria. Como C2 ∈ C ∩ C . permitindo assim concluir que todos os cavalos em C têm a mesma cor. Bucéfalo deveria ser branco. . Nesse exemplo. . . o cavalo de Alexandre. o Grande. Onde está o erro nessa prova? provar que. considere a sentença aberta: P (n) : Note que Num conjunto com n cavalos. cada um dos quais contém n cavalos. C2 . . provaremos que todos os cavalos têm mesma cor. Cn } ∪ {C2 . . segue-se que os cavalos de C têm a mesma cor dos cavalos de C . . Cn+1 } com n + 1 cavalos. Logo. Cn+1 }. provando que P (n) é verdadeira para todo n ∈ N. Considere um conjunto C = {C1 . é representado como um fogoso corcel cor de bronze. . C . todos têm a mesma cor . sugerimos que você tente P (1) é verdadeira. Pela hipótese indutiva. todo mundo sabe (você sabia?) que Marengo. . ocorresse a fatalidade seria de um bilhão de séculos! 2 O Enigma do Cavalo de Alexandre Num mosaico romano. suponha o resultado P (1) é obviamente verdadeira. Inicialmente. . . Agora. .

Para n = 1. n + 1 pesagens. Problema 9 Ache o erro na prova do seguinte  Teorema Todos os números naturais são iguais . com peso menor do que as demais. Vamos provar o resultado mostrando que. n − 1 = n. (ii) Suponha que P (n) seja verdadeira. isso é fácil de ver. sendo uma delas falsa. Vamos mostrar. Como n era igual a todos os naturais anteriores. pois. Assim. que é possível achar a moeda falsa com n pesagens. Suponha. para todo Demonstração: n∈ n N. basta pôr uma moeda em cada prato da balança e descobre-se imediatamente qual é a moeda falsa. dadas as três moedas. obtemos n = n + 1. sem nenhum peso. perfazem o total de n pesagens. junto com a pesagem já . Somando 1 a ambos os lados dessa igualdade. que o resultado seja válido para algum valor de se tenha que achar a moeda falsa dentre as n e que 3 n+1 moedas dadas. Portanto. que. Dispõe-se de uma balança de dois pratos. todos os número naturais menores ou iguais do que são iguais. descobre-se a moeda falsa com efetuada. logo 3 Descobrindo a Moeda Falsa Têm-se 3n moedas de ouro. P (n) é vedadeira para todo n ∈ N . agora. Coloca-se um grupo de 3n moedas em cada prato da balança. é verdadeira a sentença aberta P (n): (i) dado n ∈ N. por indução sobre n. P (1) é claramente verdadeira. Separemos 3 n+1 moedas em 3 grupos de 3 n moedas cada. pela hipótese de indução. poderemos descobrir em que grupo de 3n moedas encontra-se a moeda falsa. segue que P (n + 1) é verdadeira.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução 13 Esse problema foi inventado pelo matemático húngaro George Polya (18871985). Agora.

são obtidos n + 1 pedaços a mais dos que já existiam.14 Unidade 3 4 A Pizza de Steiner O grande geômetra alemão Jacob Steiner (1796-1863) propôs e resolveu. é claro que só podemos obter dois pedaços. pois p1 = 1(1 + 1) + 1 = 2. entrando em outro pedaço. se o riores. Vamos mostrar que a fórmula para Suponhamos que. Ao encontrar o segundo corte. n cortes. de modo a obter o maior número possível de pedaços. . e assim sucessivamente. ao encontrar o primeiro corte. Por outro lado. Assim. ele separa em dois o pedaço em que está. vamos pn = Para n(n + 1) + 1. ele separa em dois o pedaço em que está. 2 n. em 1826. Portanto. obtivemos o número máximo n(n +1)/2+ 1 de pedaços e queremos fazer mais um corte. temos uma explicação para o nome do problema. Vamos conseguir isso se o (n + 1)-ésimo corte encontrar cada um dos n cortes anteriores em pontos que não são de interseção de dois cortes (faça um desenho para se convencer disso). ele produz (n + 1)-ésimo corte encontra todos os n cortes ante- n+1 novos pedaços: o corte começa em um determinado pedaço e. com pn esteja pn+1 também está correta. ou seja. até encontrar o n-ésimo corte separando o último pedaço em que entrar em dois. a fórmula está correta. entrando em outro pedaço. 2 n = 1. para algum valor de correta. o seguinte problema: Qual é o maior número de partes em que se pode dividir o plano com cortes retos? Pensando o plano como se fosse uma grande pizza. Denotando o número máximo de pedaços com provar por indução a fórmula: n n cortes por pn . a fórmula para Admitamos agora que. com apenas um corte.

Steiner teve que cortar. Problema 10 (O queijo de Steiner) Para fazer a sua pizza.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução logo. você seria capaz de achar uma fórmula para o número máximo de pedaços que poderíamos obter ao cortá-lo por n planos? 5 Os Coelhos de Fibonacci Trata-se do seguinte problema proposto e resolvido pelo matemático italiano Leonardo de Pisa em seu livro Liber Abacci. primeiro. a cada mês. Determinar quantos casais de coelhos ter-se-ão após um ano. Imaginando que o espaço é um enorme queijo. 2 2 mostrando que a fórmula está correta para n+1 cortes. um casal de coelhos produz outro casal e que um casal começa a procriar dois meses após o seu nascimento. supondo que. Leonardo apresenta a seguinte solução: . aí vai uma explicação: um casal de coelhos recém-nascidos foi posto num lugar cercado. 15 pn+1 = pn + n + 1 = n(n + 1) (n + 1)(n + 2) +1+n+1= + 1. de 1202: Quot paria coniculorum in uno anno ex uno pario germinentur. Como não se ensina mais latim nas escolas. O resultado segue então do Princípio de Indução Matemática (Teorema 1 da Unidade 2). o queijo.

que ainda turais. chamados de números de Fibonacci . que é igual ao número total de casais do mês anterior ao anterior. cujos elementos. o número de casais de coelhos em um determinado mês é igual ao número total de casais do mês anterior acrescido do número de casais nascidos no mês em curso. uma sequência de números na- sequência de Fibonacci . . u1 = u2 = 1. chamada de hoje são objeto de investigação. então.16 Unidade 3 mês 1 2 3 4 5 6 7 8 9 número de casais do mês anterior 0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 número de casais recém-nascidos 1 0 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 total 1 1 2 3 5 8 13 21 34 55 89 144 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 10 11 12 Portanto. un = un−1 + un−2 . Uma recorrência 1 do tipo xn = xn−1 + xn−2 1 Uma (1) recorrência é uma fórmula que dene um elemento de uma sequência a partir de termos anteriores. Essas relações denem. por recorrência. Se denotarmos o número de coelhos existentes no temos. que n-ésimo mês por un . possuem propriedades aritméticas notáveis.

Intrigante essa inesperada relação entre criar coelhos e a propoção áurea divina proporção. que continha grande parte do conhecimento sobre números e álgebra da época. Problemas 11 Mostre que a sequência de Fibonacci satisfaz às seguintes identidades: . portanto. ainda. que apresentamos a seguir e que será demonstrada em um contexto mais geral na Unidade 9. A sequência de Fibonacci Quando é dada uma recorrência. um problema importante é determinar uma fórmula fechada para o termo geral da sequência. Em 1202. que. necessitam do conhecimento dos dois elementos anteriores. univocamente denida a sequência quando são dados corresponde à recorrência (1). tem-se que un = √ 1+ 5 2 n − √ 5 √ 1− 5 2 n É notável que seja necessário recorrer a fórmulas envolvendo números irracionais para representar os elementos da sequência de Fibonacci. existe uma tal fórmula. e por isso apelidado Fibonacci. teve um papel fundamental no desenvolvimento da Matemática no Ocidente. lho de Bonacci. chamada fórmula de Binet. No caso da sequência de Fibonacci. para serem calculados. uma fórmula que não recorre aos termos anteriores. Fica. que √ 1+ 5 são números naturais. Para todo n ∈ N. não? Leonardo de Pisa (1170-1250). é que o número seja a 2 √ 1− 5 ϕ que aparece nas artes. onde x1 e x2 . e que 2 seja o simétrico de seu −1 inverso −ϕ . isto é.Denição por Recorrência e Aplicações da Indução só permite determinar o elemento 17 xn se conhecermos os elementos anteriores xn−1 e xn−2 . x1 = x2 = 1. e assim por diante. publicou o livro Liber Abacci. Esta obra foi responsável pela introdução na Europa do sistema de numeração indo-arábico e pelo posterior desenvolvimento da álgebra e da aritmética no mundo ocidental. Mais notável.

u1 + u3 + · · · + u2n−1 = u2n . n . fórmula para an ? Esse tipo u3n+2 − 1 .18 Unidade 3 u1 + u2 + · · · + un = un+2 − 1. a) b) c) d) 2 2 u2 1 + u2 + · · · + un = un un+1 . 2 com a1 = 1 e a2 = 3. √ 1+ 5 12 Sabendo que q = é 2 n q = un q + un−1 . u2 + u4 + · · · + u2n = u2n+1 − 1. 13 raiz da equação x2 = x + 1. v0 = 2 e v1 = 3 tem por solução vn = 2 + 1. mostre que Prove que u3 + u6 + u9 + · · · + u3n = 14 Dada a recorrência conseguiria achar uma na Unidade 9. você de questão será resolvido Mostre que a recorrência vn = 3vn−1 − 2vn−2 . 15 an+2 = 2an+1 + an .

mostramos como ´ e poss´ ıvel lidar com somas do tipo: 1p + 2p + · · · + np . tratamento esse que ser´ a dado na Unidade 16 de MA12. como tantas outras. estudado do ponto de vista alg´ ebrico. Em seguida. No entanto. O segundo assunto dessa unidade ´ e o Binˆ omio de Newton. ´ e lan¸ cado o desafio de calcular a seguinte soma: Sn = 1 × 2 + 2 × 3 + 3 × 4 + · · · + n × (n + 1). No in´ ıcio da unidade.MA 12 . sem levarmos em considera¸ c˜ ao a sua rela¸ c˜ ao com a Combinat´ oria. onde p e n s˜ ao n´ umeros naturais dados. Quanto aos problemas. essas somas s˜ ao reduzidas a algo facilmente calcul´ avel. com um pouco de conhecimento sobre somat´ orios. Observe que o Problema 5 generaliza algumas somas que apareceram anteriormente.Unidade 4 Somat´ orios e Binˆ omio de Newton Semana de 11/04 a 17/04 Descreveremos. t´ ecnicas para se calcular alguns tipos de somas. tente resolver o maior n´ umero que puder. Calcular uma soma como a acima significa encontrar uma f´ ormula em fun¸ c˜ ao de n para Sn que seja facilmente calcul´ avel ao substituir n por um n´ umero natural dado. nesta unidade. . s˜ ao dif´ ıceis de serem calculadas sem utilizar as propriedades dos somat´ orios. Essa soma.

que de certa forma se relaciona com somatórios. mostrando como a sua manipulação pode sistematizar e facilitar o cálculo de somas. deixando o estudo de suas relações com a Combinatória para a Unidade 16 de MA12. é a fórmula do binômio de Newton. Outro assunto abordado nesta unidade. denimos o somatório dos seus n primeiros 1 . que será apresentada aqui de modo puramente algébrico.MA12 . esse assunto será retomado em outras unidades. Somatórios Vamos recordar a noção de somatório que introduzimos na Unidade 2. Seja A um conjunto com duas operações satisfazendo às leis básicas da aritmética. Se (an ) é uma sequência em A.Unidade 4 Somatórios e Binômio de Newton Semana de 11/04 a 17/04 Nesta unidade introduziremos a notação de somatório. Dada a importância de efetuar somas de elementos de várias sequências.

Proposição 1 e seja Sejam (ai ). pois. Provaremos a seguir alguns resultados bem simples sobre somatórios que irão nos ajudar a resolver este e muitos outros problemas do mesmo tipo.2 Unidade 4 termos como sendo n ai = a1 + a2 + · · · + an . (ii) i=1 n c · ai = c · i=1 ai . como num passe de mágica. Veremos adiante como isso vai se transformar. n n (i) i=1 n (ai + bi ) = i=1 n ai + i=1 bi . (iii) i=1 n (ai+1 − ai ) = an+1 − a1 . . dene-se ci = ai + bi . não desanime. tente. o problema é difícil. com os instrumentos de que você dispõe até o momento. parabéns! Se não conseguiu. (bi ) n duas sequências de elementos do conjunto A c ∈ A. Para n = 1. Se conseguiu. para cada i ∈ N. calcular a soma: 1 · 2 + 2 · 3 + 3 · 4 + · · · + n(n + 1). c = nc i=1 (iv) (i) O que signica a soma n i=1 (ai + bi )? Signica que estamos somando os n primeiros termos da nova sequência (ci ). em algo fácil de calcular. i=1 Para apreciar o poder do que iremos apresentar. temos que Demonstração: 1 1 1 (ai + bi ) = a1 + b1 = i=1 i=1 ai + i=1 bi . Provemos o resultado por indução sobre n. Então. onde. neste exato momento.

esta fórmula. . (iv) O somatório n i=1 c representa a soma de n parcelas iguais a c. 2 Vejamos agora. que lançamos acima. vale para todo n ∈ N. portanto. temos que 1 (ai+1 − ai ) = a2 − a1 . mostrando que a fórmula vale para n + 1 e. Para n = 1. Suponhamos que a fórmula seja válida para um número natural n. Exemplo 1.Somatórios e Binômio de Newton 3 mostrando que a fórmula é válida nesse caso. mostrando assim que a fórmula é válida para n +1. Por Indução Matemática. de calcular a soma: Sn = 1 · 2 + 2 · 3 + 3 · 4 + · · · + n(n + 1). Temos então que n+1 i=1 (ai n i=1 n i=1 + bi ) = n i=1 bi n i=1 (ai + bi ) + (an+1 + bn+1 ) = ai + + (an+1 + bn+1 ) = n i=1 bi ai + an+1 + + bn+1 = n+1 i=1 ai + n+1 i=1 bi . também por indução sobre n. como podemos tirar partido deste resultado. i=1 o que mostra a validez da fórmula neste caso. n+1 n (ai+1 − ai ) = i=1 i=1 (ai+1 − ai ) + (an+2 − an+1 ) = an+1 − a1 + an+2 − an+1 = an+2 − a1 . e. Vamos ao desao. com alguns exemplos. Logo. temos que a fórmula é válida para todo n ∈ N. Suponha a fórmula válida para algum número natural n. (ii) A prova também se faz por indução e a deixamos como exercício. (iii) Vamos provar. é igual a nc. portanto.

obtemos n−1 n−1 (pi+1 − pi ) = i=1 i=1 (i + 1). como veremos nos dois exemplos a seguir. A expressão acima pode ser escrita do seguinte modo: pi+1 − pi = i + 1. p1 = 2. nos fornece um método para calcular termos gerais de certas recorrências e somas. Vamos deduzir a expressão do termo geral da recorrência da Pizza de Steiner: Exemplo 2. temos Sn = n i=1 i(i + 1). enquanto o segundo membro é por nós conhecido e vale n − 1. Portanto. pn+1 = pn + n + 1.4 Unidade 4 Com a notação de somatório. somas estas que já calculamos nos Exemplos 1 e 2 da Unidade 2. Tomando somatórios de ambos os lados. = n 2 i=1 i + n i=1 i= (12 + 22 + · · · + n2 ) + (1 + 2 + · · · + n). temos que Sn = n(n + 1)(2n + 1) n(n + 1) n(n + 1)(n + 2) + = . Portanto. 2 2 (n − 1)n + 2 . O primeiro membro da igualdade acima é uma soma telescópica e vale pn − p1 . podemos escrever n Sn = i=1 i(i + 1). aplicando o item (i) da proposição acima. Ora. 6 2 3 A fórmula do item (iii) da Proposição 1. chamada de soma telescópica. temos que pn = n(n + 1) (n − 1)n +n−1+2= + 1.

Unidade 1: n(n + 1) 1 + 2 + ··· + n = 2 3 3 3 1 Esta 2 . que pode ser vericada diretamente. Tomando os somatórios de ambos os membros da igualdade acima e notando que o lado esquerdo é uma soma telescópica. a fórmula do Problema 1 (c). que estudaremos em geral na próxima seção. 5 Seja i ∈ N e considere a seguinte identidade 1 : (i + 1)4 = i4 + 4i3 + 6i2 + 4i + 1. Usando agora as propriedades (i) e (ii) dos somatórios enunciados na Proposição 1 e as fórmulas obtidas nos Exemplos 1 e 2. segue-se que n 3 i=1 i = (n + 1)4 − 1 − n(n + 1)(2n + 1) − 2n(n + 1) − n = 4 n(n + 1) n4 + 2n3 + n2 = 4 2 2 . segue-se que (i + 1)4 − i4 = 4i3 + 6i2 + 4i + 1. Daí. assim.Somatórios e Binômio de Newton Exemplo 3. . Daí. da Unidade 2. obtemos (n + 1)4 − 1 = 4 4 n 3 i=1 i n 3 i=1 i n 3 i=1 (4i n 2 i=1 i + 6i2 + 4i + 1) = n i=1 +6 +4 i+n= + n(n + 1)(2n + 1) + 2n(n + 1) + n. identidade. é um caso particular da fórmula do binômio de Newton. Obtemos. obtemos n n (n + 1)4 − 1 = i=1 [(i + 1)4 − i4 ] = i=1 (4i3 + 6i2 + 4i + 1).

6 Unidade 4 É possível generalizar este procedimento para obter fórmulas recorrentes para as somas
1p + 2p + · · · + np ,

quando p varia nos naturais (veja Problema 2).
Problemas

1

Calcule fórmulas fechadas para as seguintes somas:

a) 1 + (1 + 2) + (1 + 2 + 3) + · · · + (1 + 2 + · · · + n). b) 1 · 2 · 3 + 2 · 3 · 4 + 3 · 4 · 5 + · · · + n(n + 1)(n + 2). c) 1 · 3 + 3 · 5 + 5 · 7 + · · · + (2n − 1)(2n + 1). d) 1 + (1 + 22 ) + (1 + 22 + 32 ) + · · · + (1 + 22 + 32 + · · · + n2 ). e) 12 + 32 + 52 + · · · + (2n − 1)2 . f) 13 + 33 + · · · + (2n − 1)3 .
2

a) Considere, para i ∈ N, a seguinte identidade:
(i + 1)5 − i5 = 5i4 + 10i3 + 10i2 + 5i + 1.

Efetue o somatório de ambos os lados para i variando de 1 até n. Utilizando 4 problemas anteriormente resolvidos, determine uma fórmula para n i=1 i . b) Pense em um modo de calcular ralizado.
3 4
n 5 i=1 i

. Mostre como isto pode ser gene-

Demonstre a Propriedade (ii) na Proposição 1. Prove as desigualdades:
√ √ 1 1 1 2( n + 1 − 1) < 1 + √ + √ + · · · + √ < 2 n. n 2 3

Somatórios e Binômio de Newton
Sugestão:

7

Mostre inicialmente que
√ √ √ √ 1 2 n+1−2 n< √ <2 n−2 n−1 n

e em seguida use somas telescópicas.
5

Seja a1 , a2 , . . . , an+1 uma P.A. com de razão r. Calcule a soma
Sn = 1 1 1 + + ··· + . a1 a2 a2 a3 an an+1

Sugestão:

Mostre inicialmente que
1 1 1 1 =− − . ai ai+1 r ai+1 ai

Tome o somatório, para i variando de 1 até n, em ambos o lados da igualdade acima e note que o somatório do lado direito é um múltiplo de uma soma telescópica. Conclua que
Sn = − 1 1 1 n − = . r an+1 a1 a1 an+1

Binômio de Newton
Considere a expressão (1 + X )n , onde X é uma indeterminada e n é um número natural. É claro que o desenvolvimento dessa potência é um polinômio de grau n em X , cujos coecientes são números naturais (você pode provar esta armação por indução sobre n):
(1 + X )n = a0 + a1 X + a2 X 2 + · · · + an−1 X n−1 + an X n .

Os coecientes ai , i = 0, . . . , n, serão chamados de números binomiais n e denotados pelos símbolos ai = (usa-se indiferentemente também a
i
i notação Cn ). Se i > n, é cômodo denir

n i

= 0.

8 Unidade 4 Observe que, tomando X = 1 no desenvolvimento de (1 + X )n , obtemos a seguinte identidade:
2n = n n n + + ··· + . 0 1 n

Queremos determinar fórmulas explícitas para esses números binomiais. Como os coecientes do termo independente de X , do termo em X e do termo em X n no desenvolvimento de (1 + X )n são, respectivamente, 1, n e 1, temos que
n 0 = 1, n 1 =n e n n =1

Lema 1 (Relação de Stifel)
tem-se que

Para todo

n∈N

e todo

i∈N

com

0 ≤ i ≤ n,

n n + i i+1
Demonstração:

=

n+1 . i+1

Para i = n, a relação acima é trivialmente vericada. Para 0 ≤ i < n, as relações decorrem, imediatamente, das seguintes igualdades:
n+1 n+1 n+1 n+1 + X + ··· + Xn + X n+1 = 0 1 n n+1 (1 + X )n+1 = (1 + X ) n n n n + X + ··· + X n−1 + Xn = 0 1 n−1 n n n + n−1 n n X n+1 . n

n + 0

n n + 0 1

X + ··· +

Xn +

2
Lema 2
Para todos

n, i ∈ N,
i! n i

com

1 ≤ i ≤ n,

tem-se que

= n(n − 1) · · · (n − i + 1).

Somatórios e Binômio de Newton
Demonstração:

9

Vamos provar isto por indução sobre n. A igualdade é trivialmente vericada para n = 1. Suponha que as igualdades sejam válidas para algum n ∈ N e todo i com 1 ≤ i ≤ n. Pela relação de Stifel, temos, para i ≤ n, que
i! n+1 i = i(i − 1)! n n + i! i−1 i =

in(n − 1) · · · (n − i + 2) + n(n − 1) · · · (n − i + 1) = n(n − 1) · · · (n − i + 2)(i + n − i + 1) = (n + 1)n(n − 1) · · · (n + 1 − i + 1),

o que prova a igualdade para n + 1 e para todo i com 1 ≤ i ≤ n. Uma vericação direta mostra que a fórmula também vale para i = n+1. Portanto, a igualdade vale para todo n e todo i com 1 ≤ i ≤ n. 2 Segue-se do Lema 2 que, para n, i ∈ N, com 1 ≤ i ≤ n, vale a seguinte fórmula para os coecientes binomiais:
n i = n! n(n − 1) · · · (n − i + 1) = . i! i!(n − i)!

Note que os termos extremos nas igualdades acima têm sentido e são iguais quando i = 0. Da fórmula acima, decorre imediatamente, para todo n ∈ N e todo i com 0 ≤ i ≤ n, a seguinte identidade fundamental:
n i = n . n−i

Seja A um conjunto com duas operações, uma adição e uma multiplicação, sujeitas às leis básicas da aritmética.
Teorema (Binômio de Newton)
seja Sejam

a

e

b

elementos do conjunto

A

e

n ∈ N.

Tem-se que

(a + b)n = an +

n n−1 n n−2 2 n a b+ a b + ··· + abn−1 + bn . 1 2 n−1

10 Unidade 4 Se a = 0, o resultado é óbvio. Se a = 0, substitua X por b na expansão de (1 + X )n e multiplique ambos os lados por an . 2 a
(a + b)2 = a2 + 2ab + b2 . (a + b)3 = a3 + 3a2 b + 3ab2 + b3 . (a + b)4 = a4 + 4a3 b + 6a2 b2 + 4ab3 + b4 . (a + b)5 = a5 + 5a4 b + 10a3 b2 + 10a2 b3 + 5ab4 + b5 .

Demonstração:

Exemplo 4.

Problemas

6

Demonstre a

identidade das colunas

:
= n+1 . i+1

i i+1 n + + ··· + i i i
7

Demonstre a

identidade das diagonais

:
= n+m+1 . m

n n+1 n+2 n+m + + + ··· + 0 1 2 m
8

a) Demonstre, para todos n, m, k ∈ N, a
k i=0

identidade de Euler

:

m i

n k−i

=

n+m . k

b) Em particular, deduza a

identidade de Lagrange

:

n i=0

n i

2

=

2n . n

Somatórios e Binômio de Newton
9

11

a) Mostre que

de um conjunto com n elementos. b) Mostre que o conjunto das partes de um conjunto com n elementos tem 2n elementos. c) Usando os itens acima, dê uma outra prova para a igualdade:
n n n + + ··· + 0 1 n
10

n i

é o número de subconjuntos distintos com i elementos

= 2n .

Seja n ∈ N. Mostre que
< > n i+1 n i+1
, se

n i n i

0≤i< i>

n−1 ; 2

e que

,

se

n−1 2

ser´ a dedicada ` a revis˜ ao e ao aprofundamento dos conceitos introduzidos at´ e o presente momento. Vocˆ e tamb´ em encontrar´ a uma lista de 22 problemas para testar a habilidade adquirida. Use-o para refletir sobre os n´ umeros naturais. Vocˆ e tem ` a sua disposi¸ c˜ ao um texto de autoria do professor Elon. a ser desenvolvida ao longo da semana. de cunho te´ orico. que sintetiza e ao mesmo tempo complementa e detalha o que foi estudado at´ e o momento na disciplina MA12.Unidade 5 Atividade Especial (Revis˜ ao) Semana de 18/04 a 24/04 Esta unidade. bem como na Unidade 2 de MA11. ´ e um bom exerc´ ıcio tentar lembrar como vocˆ e os resolveu. . Alguns desses problemas vocˆ e j´ a ter´ a encontrado ao longo das unidades anteriores. Um professor de matem´ atica n˜ ao pode deixar de ter esses conceitos bem claros e assimilados e essas notas poder˜ ao ajud´ a-lo nessa tarefa. que s˜ ao objetos fundamentais em matem´ atica.MA 12 .

como estamos chamando de N o conjunto dos números naturais. das quais resultam. 4. 5… .O PRINCÍPIO DA INDUÇÃO Elon Lages Lima INTRODUÇÃO O Princípio da Indução é um eficiente instrumento para a demonstração de fatos referentes aos números naturais. A sequência desses números é uma livre e antiga criação do espírito humano. 3. Sabemos que os números naturais são 1. A função s : N → N é injetiva. A notação s(n) é provisória. 4. 3. escreveremos n + 1 em vez de s(n). C e D são os axiomas de Peano. Entender o Princípio da Indução é praticamente o mesmo que entender os números naturais. B. . 4. onde o Princípio da Indução se insere adequadamente e mostra sua força teórica antes de ser utilizado na lista de exercícios propostos ao final. todas as afirmações verdadeiras que se podem fazer sobre esses números. 2. B. então X = N. Se um subconjunto X ⊂ N é tal que 1 ∈ N e s(X) ⊂ X (isto é. Portanto N = {1. A SEQUÊNCIA DOS NÚMEROS NATURAIS Os números naturais constituem um modelo matemático. Por isso deve-se adquirir prática em sua utilização. Noutras palavras. 1. Façamos de conta que esse conceito nos é desconhecido e procuremos investigar o que há de essencial na sequência 1. 3. esse processo (a contagem) pressupõe portanto o conhecimento da sequência numérica. em sua linguagem direta e objetiva.…}. OS AXIOMAS DE PEANO Um matemático profissional. diria que o conjunto N dos números naturais é caracterizado pelas seguintes propriedades: A. que nos permite a operação de contagem. Observe que. o que acabamos de dizer só faz sentido quando já se sabe o que é um número natural. tal que 1 ≠ s(n) para todo n ∈ N. Existe uma função s : N → N. As afirmações A. é importante também conhecer seu significado e sua posição dentro do arcabouço da Matemática. D. Por outro lado. 2. conhecidos atualmente como os axiomas de Peano. 5. o conjunto N dos números naturais possui quatro propriedades fundamentais. Existe um único elemento 1 no conjunto N. uma escala padrão. Começaremos com o enunciado e a apreciação do significado dessas quatro proposições fundamentais a respeito dos números naturais. que indicaremos com o símbolo N e que chamaremos de conjunto dos naturais. chamado o sucessor de n. C. como consequências lógicas. Depois de definirmos adição. Apresentamos abaixo uma breve exposição sobre os números naturais. n ∈ X ⇒ s(n) ∈ X). 2. que associa a cada n ∈ N um elemento s(n) ∈ N. Comparar conjuntos de objetos com essa escala abstrata ideal é o processo que torna mais precisa a noção de quantidade. Evidentemente. a notação n ∈ N significa que n é um número natural. 2.… A totalidade desses números constitui um conjunto. 5. Deve-se a Giussepe Peano (1858-1932) a constatação de que se pode elaborar toda a teoria dos números naturais a partir de quatro fatos básicos.

teremos então 2 = s(1). O significado informal do axioma D é que todo número natural pode ser obtido a partir de 1 por meio de repetidas aplicações da operação de tomar o sucessor. a partir de 1. o diagrama s s s 1  → 3  → 5  → ⋅⋅⋅ s s s 2  → 4  → 6  →⋅⋅⋅ exibe uma função injetiva s : N → N para a qual não é verdade que todo número natural n pode ser obtido. nosso matemático nos faria a gentileza de reformular os axiomas de Peano em linguagem corrente. o nome do número de átomos do universo?) Voltando a usar a notação s(n) para o sucessor do número natural n. 4 = s(3). 1. 8 e 9. mediante o uso apropriado dos símbolos 0. pois este número não é sucessor de nenhum outro.Como concessão à fraqueza humana. Então. o qual nos permite representar. Nossa civilização progrediu ao ponto em que temos um sistema de numeração. 3 é o sucessor do sucessor de 1.) Existe um único número natural que não é sucessor de nenhum outro. isto é. . Além disso. E nos diria então que as afirmações acima significam exatamente o mesmo que estas outras: A'. 4. contém o sucessor de cada um de seus elementos. s(3) = 5. por exemplo. Números naturais diferentes possuem sucessores diferentes. Faremos dele uma análise detida.…} mas a função s : N → N é modificada. 3. D'. a igualdade 2 = s(1) significa apenas que estamos usando o símbolo 2 para representar o sucessor de 1. pondo-se s(n) = n + 2. mediante repetidas aplicações da operação de passar de k para s(k). Se um conjunto de números naturais contém o número 1 e. Ele é conhecido como o axioma da indução. Para se entender melhor o axioma da indução é útil examinar o exemplo. Assim. etc. 3. 2 é o sucessor de 1. etc. 2. o último. B'.. (Números muito grandes não têm nomes específicos. 5. contém todos os números naturais. no qual N = {1. 3 = s(2). Nenhuma flecha aponta para 1. O diagrama acima diz muito sobre a estrutura do conjunto N dos números naturais. nossa linguagem também fornece nomes para os primeiros termos da sequência dos números naturais. Portanto. ao contrário dos menores como "mil novecentos e noventa e oito". 2. o sucessor de dois chama-se "três". por exemplo. s(5) = 7. então esse conjunto coincide com N. Assim. A partir daí. livre de notação matemática. O AXIOMA DA INDUÇÃO Um dos axiomas de Peano. 7. todos os números naturais. retomamos a palavra para dizer que o sucessor de 1 chama-se "dois". além disso. acompanhada de comentários. 3. Quem sabe. etc. e nunca chegaremos a qualquer número par. possui claramente uma natureza mais elaborada do que os demais. 6. 5 = s(4). etc. Este número é representado pelo símbolo 1 e chamado de "número um". Todo número natural possui um único sucessor. (Ou ainda: números que têm o mesmo sucessor são iguais. se começarmos com 1 e a este número aplicarmos repetidamente a operação de tomar o "sucessor" (nesta nova acepção) obteremos s(1) = 3. C'. por exemplo. que também é um número natural. A sequência dos números naturais pode ser indicada assim: s s s s s 1 → 2 → 3 → 4 → 5 → ⋅⋅⋅ As flechas ligam cada número ao seu sucessor.

Entre os axiomas de Peano não consta explicitamente a afirmação de que todo número é diferente do seu sucessor. ou seja. Então 1 não goza da propriedade P. se supusermos P(n) verdadeira. os números ímpares 1. então s(n) ≠ s(s(n)). No exemplo acima. qual é a receita que dá o valor f(n) para todo n ∈ N. no caso particular em que o domínio da função é o conjunto N dos números naturais. … formam um conjunto indutivo que contém o elemento 1 mas não é igual a N. em particular. abreviadamente. de uma só vez. quando o sucessor de qualquer elemento de X também pertence a X. a afirmação n ≠ s(n). Entretanto. já que 1 não é sucessor de número algum. Assim. Ele serve também para definir funções f: N → Y que têm como dominio o conjunto N dos números naturais. a qual provaremos agora. resulta do fato de que ele pode ser visto como um método de demonstração. podemos reformular o axioma da indução do seguinte modo: Um subconjunto X ⊂ N chama-se indutivo quando s(X) ⊂ X. a fim de definir uma função f : N → Y não é necessário dizer. Para se definir uma função f : X → Y exige-se em geral que seja dada uma regra bem determinada. o fato de o número natural n gozar de P implica que seu sucessor s(n) também goza. As propriedades básicas dos números naturais são demonstradas por indução. Nas demonstrações por indução. ou Princípio da Indução Finita. pois a função s : N → N é injetiva. ou seja. todo número natural goza da propriedade P. isto é. Logo X = N. pois 1 ≠ s(1). O papel fundamental do axioma da indução na teoria dos números naturais e. Basta que se tenha conhecimento dos seguintes dados: . 5. Exemplo 1. Se 1 goza de P e se. em toda a Matemática. Comecemos com um exemplo bem simples. dado o número natural n. O Princípio da Indução diz o seguinte: Princípio da Indução: Seja P uma propriedade referente a números naturais. a verdade de P(n) acarreta a verdade de P(s(n)). então todos os números naturais gozam da propriedade P. mais geralmente. 1 não é sucessor de si próprio. se admitimos que n ≠ s(n). Pelo Princípio da Indução. escrevamos P(n) para significar. o conjunto X dos números naturais que gozam da propriedade P contém o número 1 e é indutivo. Além disso. Seja P esta propriedade. a qual mostre como se deve associar a cada elemento x ∈ X um único elemento y = f(x) ∈ Y. mas todos os demais números gozam de P. ou ainda.Dentro de um ponto de vista estritamente matemático. o axioma da indução afirma que o único subconjunto indutivo de N que contém o número 1 é o proprio N. são diferentes de seus sucessores. Então P(1) é verdadeira. além disso. Mais precisamente. Por exemplo. O Princípio da Indução não é utilizado somente como método de demonstração. Mas a afirmação s(n) ≠ s(s(n) significa que P(s(n)) é verdadeira. seja P a propriedade de um número natural n ser sucessor de outro número natural. Um dado número natural pode gozar ou não da propriedade P. 3. conforme explicaremos agora. Seja P uma propriedade que se refere a números naturais. todos os números naturais gozam da propriedade P. dada a propriedade P cumprindo as condições estipuladas no enunciado do Princípio. quando n ∈ X ⇒ s(n) ∈ X. Para ver que o Princípio da Indução é verdadeiro (uma vez admitidos os axiomas de Peano) basta observar que. isto é. chamado o Método de Indução Matemática. Dito isto. ou Princípio da Indução. a hipótese de que a propriedade P é válida para o número natural n (da qual deve decorrer que P vale também para s(n)) chama-se hipótese de indução.

equivalentemente. destacam-se as seguintes.…. 2 ⋅ k = k + k. f(n) = k + n. saberemos o valor de k + s(n): por definição. a partir dos seguintes dados: (S1) k + 1 = s(k) (S2) k + s(n) = s(k + n). 4. (2) Uma regra que permita calcular f (s(n)) quando se conhece f (n). : Uma função f : N → Y cujo domínio é o conjunto dos números naturais chamase uma sequência ou sucessão de elementos de Y. y2. 3 ⋅ k = k + k + k. (S1) e (S2') definem por recorrência a soma k + n de dois números naturais quaisquer k e n. Usa-se indução para provar as propriedades básicas da adição e da multiplicação de números naturais. Fixado arbitrariamente um número natural k. Assim. Usando as notações definitivas n + 1 em vez de s(n) e (k + n) + 1 em vez de s(k + n). A definição acima diz portanto que uma vez k é igual a k e n + 1 vezes k é igual a n vezes k mais (uma vez) k . Entre elas. onde se usa yn em vez de f(n) para indicar o valor da função f no número n. se chamarmos de X o conjunto dos números naturais n para os quais se pode determinar f (n). Esses dois dados permitem que se conheça f (n) para todo número natural n. se conhecermos k + n. etc. as igualdades (S1) e (S2) ou. (P2) (n + 1) k = n⋅k + k. .(1) O valor f (1). o sucessor de k. O produto n⋅k escreve-se também nk e lê-se "n vezes k".…). Ela se define por recorrência. Isto nos permite conhecer k + n para todo n ∈ N (e todo k ∈ N). pelo axioma da indução.) Com efeito. p ∈ N: Associatividade: k + (n + p) = (k + n) + p e k ⋅ (n ⋅ p) = (k ⋅ n)⋅ p Comutatividade: k+n=n+k e k⋅n=n⋅k Lei do Corte: k+n=k+p⇒n=p e k⋅n=k⋅p⇒n=p Distributividade: k ( n + p) = k ⋅ n + k ⋅ p. o dado (1) acima diz que 1 ∈ X e o dado (2) assegura que n ∈ X ⇒ s(n) ∈ X. a correspondência n → k + n será uma função f: N→ N. válidas para quaisquer k. fixaremos um número natural arbitrário k e definiremos a soma k + n para todo n ∈ N. A notação usada para uma tal sequência é (y1. a multiplicação por k associa a todo número mnatural n o produto n ⋅ k. n. Para definir a adição. A multiplicação de números naturais se define de modo análogo à adição. por definição. Portanto. a igualdade (S2) se escreve assim: (S2') k + (n + 1) = (k + n) +1. tem-se X = N. chamada "somar k". Logo. tem-se k + s(n) = s(k + n). (Diz-se então que a função f foi definida por recorrência. ADIÇÃO E MULTIPLICAÇÃO DE NÚMEROS NATURAIS A adição e a multiplicação de números naturais são exemplos de funções definidas por recorrência. Observação. por definição.yn. definido por indução da seguinte maneira: (P1) 1⋅ k = k. E. Fixado k. Assim. k + 1 é.

Do mesmo modo. então m < n + 1. Provaremos a seguir as propriedades básicas da relação de ordem m < n que definimos. dados dois números naturais diferentes m. seja m ∈ N tomado arbitrariamente. n são comparáveis quando se tem m = n. n < m exclui as outras duas. m < n ou n < m. Se for n < m então m = n + p. (Comparabilidade. .Omitiremos as demonstrações destes fatos. concluiríamos que 1 = p + 1. Segue-se também da definição que 1 < n para todo número natural n ≠ 1. pois sabemos que n < n + 1. Dados os números naturais m. Diremos que os números naturais m. Assim. se tivéssemos m < n e n < m. m < m + 1. Teorema 2. qualquer das afirmações m < n. portanto m < p. n. Demonstração: Isto se prova por indução. Teorema 1. fica provada a comparabilidade de quaisquer números naturais m. Em qualquer hipótese. e daí m = (n + 1) + p' e concluímos que n + 1 < m. Podemos então enunciar o seguinte teorema. ou seja. 5. A comparabilidade dos números naturais é complementada pela proposição abaixo. que n + 1 também tem essa propriedade. Em particular. ou então p > 1. Neste caso. 1 é o menor dos números naturais. ou se tem m < n ou então n < m. tem-se portanto m < m + p para quaisquer m. do que resultaria n = n + k + p. cortando m. então seria m = m + p. para significar que existe p ∈ N tal que n = m + p. Com efeito.) Todo número natural n é comparável com qualquer número natural m. O número 1 é comparável com qualquer outro número natural pois já sabemos que 1 < m para todo m ≠ 1. n. Suponhamos agora que o número n seja comparável com todos os números naturais. A notação m ≤ n significa que m < n ou m = n. Neste caso. donde m = n + 1. A primeira delas é a transitividade. vemos que n + 1 é comparável com qualquer número natural m. então teríamos n = m + p e m = n + k. como segue. Ou se tem p = 1. p = n + r. Por definição.) Dados m. e escreveremos m < n. ORDEM A adição de números naturais permite introduzir uma relação de ordem em N. Demonstração: Se tivéssemos m < n e m = n. n diremos que m é menor do que n. um absurdo. O leitor pode considerá-las como exercícios sobre o método da indução. logo p = 1 + p'. m = n. pelo axioma C. n < p então n = m + k. Esta propriedade pode ser reformulada de outra maneira. logo p = (m + k) + r = m + (k + r). diz-se também que n é maior do que m e escreve-se n > m para exprimir que se tem m < n. Por indução. n = m + 1 = 1 + m. há duas possibilidades. então m < p. Sabemos que se tem m < n. donde m + 1 = m + p + 1 e. n ≠ 1 implica que n é sucessor de algum número natural m.) Se m < n e n < p. a partir daí. concluiríamos que 1 = k + p + 1. n ∈ N. um absurdo. Com efeito. (Tricotomia. (Transitividade. p ∈ N. Mostremos. Portanto m < n (e analogamente. Se for m = n. O teorema seguinte mostra que n e n + 1 são números consecutivos. cortando n. n < m) é incompatível com m = n. Outra importante propriedade de relação de ordem é que. Demonstração: Se m < n. logo n + 1 = n + k + p + 1 e. logo n > 1. Teorema 3. m = n ou n < m. Examinemos cada uma dessas possibilidades: Se for m < n então m < n + 1 por transitividade. pois 1 não é sucessor de p.

logo n + 1 = n + k + r. Noutras palavras. obteríamos 1 = k + r. podemos admitir que 1 ∉ A. Por exemplo. temos que m < n ⇒ n = m + k ⇒ n + p = (m + k) + p ⇒ m + p < n + p. demonstradas na seção anterior para os números naturais (exceto o Teorema 4 que vale apenas para números inteiros). In ⊂ N – A}. Como estamos supondo que 1 ∉ A. concluímos que n + 1 pertence a A e é o menor elemento de A. cuja existência queremos provar. 6. uma propriedade de suma importância que é válida para a ordem entre os números naturais. mas sem equivalente para números inteiros. (Princípio da Boa Ordenação. O . teríamos p = n + k e n + 1 = p + r. O menor elemento de A. 1 é o menor elemento de N. 2.) Se m < n. são igualmente válidas para os números inteiros. Por definição. indicaremos com In o conjunto dos números naturais p tais que 1 ≤ p ≤ n. O leitor poderá prová-la por absurdo. Por outro lado. Portanto. para números reais quaisquer. além disso. O Princípio da Boa Ordenação pode muitas vezes ser usado em demonstrações. a ≤ x. vemos que o conjunto X não é indutivo. Dissemos anteriormente que um subconjunto X ⊂ N chama-se indutivo quando n ∈ X ⇒ n + 1 ∈ X. Teorema 6. sabemos que 1 ∈ X. porém. deve existir algum n ∈ X tal que n + 1 ∉ X Isto significa que todos os elementos de A são maiores do que n mas nem todos são maiores do que n + 1. Devemos pois encontrar um número natural n tal que n +1 ∈ A e. Assim. n. além disso. A conexão entre a relação de ordem e as operações de adição e multiplicação é dada pelo seguinte teorema: Teorema 5. consideramos o conjunto X = {n ∈ N. Demonstração: Se fosse possível ter n < p < n + 1. racionais ou reais. m < n ⇒ n = m + k ⇒ np = mp + kp ⇒ np >mp. então m + p < n + p e mp < np. o que é absurdo. pois caso contrário 1 seria evidentemente o menor elemento de A. diz-se que o número natural a é o menor (ou primeiro) elemento de a quando a ∈ A e. I2 = {1. dado n ∈ N. pois já vimos que k ≠ 1 ⇒ k > 1. temos X ≠ N. usando a tricotomia e a própria monotonicidade. De agora em diante. Cortando n. Vejamos um exemplo. todos os elementos de A são maiores do que n. ou seja. Demonstração: Usando a definição de <. nem todos os números naturais pertencem a X. BOA ORDENAÇÃO Dado o subconjunto A ⊂ N. deverá ser da forma n + 1. como A não é vazio.Teorema 4. Com esse objetivo. X é o conjunto dos números naturais n tais que todos os elementos de A são maiores do que n. 2. logo maiores do que 1. quando X contém o sucessor de cada um dos seus elementos. Existe. Não existem números naturais entre n e n + 1. 2}. Analogamente.) Todo subconjunto não-vazio A ⊂ N possui um menor elemento. para todos os elementos x ∈ A. substituindo o Princípio da Indução. I1 = {1}. A recíproca da monotonicidade é a Lei do Corte para desigualdades: m + p < n + p ⇒ m < n e mp < np ⇒ m < n. isto significaria k < 1. isto é. Demonstração: Sem perda de generalidade. Como não há números naturais entre n e n + 1. As propriedades da relação de ordem m < n. ou seja. Pelo axioma D. …. procuramos um número natural n tal que In ⊂ N – A e n + 1 ∈ A. mais geralmente. racionais e. (Monotonicidade. I3 = {1. 3} etc.

Usando a desigualdade 2n + 1 < 2n. então X contém todos os números naturais maiores do que a. Então todos os números naturais maiores do que ou iguais a a gozam da propriedade P. f(n). Portanto P(n) ⇒ P(n + 1).…}. Mas. mostremos que daí decorre sua validez para n + 1. A proposição qua acabamos de demonstrar pode ser enunciada da seguinte forma: Teorema 7: (Princípio da Indução Generalizado. podemos escrever b = c + 1. Suponhamos então que existam números naturais. isto obriga que b = c + 1 ∈ X. para todo n ≥ 3. (2) Se um número natural n goza da propriedade P então seu sucessor n + 1 também goza de P. obteríamos uma função estritamente decrescente f : N → N. para todo n ≥ n0. uma contradição. SEGUNDO PRINCÍPIO DA INDUÇÃO Em algumas situações. (que é falsa para n = 1 ou n = 2).) Seja X ⊂ N um conjunto com a seguinte propriedade: . daí segue-se que (n + 1)2 = n2 + 2n + 1 < 2n + 2n + 1 (pela hipótese de indução) < 2n + 2n (pelo exemplo anterior) = 2n + 1. sentimos necessidade de admitir que a proposição valha não apenas para n e sim para todos os números naturais menores do que ou iguais a n. Então n > n0 ⇒ f(n) ≤ f(n0) (porque a função f é não-crescente) o que acarreta que f(n) = f(n0) (porque f(n0) é o menor elemento de X). do contrário. cumprindo as seguintes condições: (1) O número natural a goza da propriedade P. como X é indutivo. segue-se que P(n) vale para todo n ≥ 5. (Na primeira desigualdade.) Demonstração: Seja n0 o menor elemento do conjunto X = {f(1). f(2). Toda função monótona não-crescente f: N → N é constante a partir de um certo ponto. A prova desta afirmação se faz por absurdo. na passagem de n para n + 1. Trata-se de provar que 2n + 1 < 2n. Exemplo 2. 3. não pertencentes ao conjunto indutivo X. Teorema 8. O teorema abaixo contém outra aplicação do Princípio da Boa Ordenação. A justificativa de um raciocínio desse tipo se encontra no Teorema 9: (Segundo Princípio da Indução. maiores do que a. como ocorre em geral quando se usa a boa ordenação. Seja b o menor desses números. ao tentarmos fazer uma demonstração por indução. usamos a hipótese de indução. 2. Corolário: Toda sequência decrescente n1 > n2 > … de números naturais é finita. existe n0 ∈ N tal que f(n) = f(n0). Como b > a. Com efeito. 2(n + 1) + 1 = (2n + 1) + 2 < 2n + 2 < 2n + 2n = 2n + 1. Vejamos uma situação simples onde se emprega o Princípio da Indução Generalizado. …. empregando novamente o Princípio da Indução Generalizado.) Exemplo 3. Evidentemente. pondo f(k) = nk. Com efeito. Com efeito. Pelo Princípio de Indução Generalizado. 4. vale quando n = 3. Esta afirmação. vale 52 < 25 pois 25 < 32. podemos demonstrar que n2 < 2n para todo n ≥ 5. onde. pela definição de b.Princípio da Indução afirma que se um conjunto indutivo X contém o número 1 então X contém todos os números naturais.) Seja P uma propriedade referente a números naturais. tem-se necessariamente c ∈ X. Vamos usar o Princípio da Boa Ordenação para provar que se um conjunto indutivo X contém o número a. Supondo válida a desigualdade n2 < 2n para um certo valor de n ≥ 5. que acabamos de provar para n ≥ 3. 7. a desigualdade n2 < 2n é falsa para n = 1. Supondo-a válida para um certo n ≥ 3. ( Isto é.

por absurdo. traçando diagonais internas que não se cortam. em triângulos justapostos. n pertence a X. se n = 1. 109. dado n. o conjunto X dos números naturais que gozam da propriedade P satisfaz a condição (I) do Segundo Princípio da Indução. a hipótese 1 ∉ X não pode ser cumprida. seja n o menor elemento do conjunto N – X. pag. n1 + n2 = n + 2. e P2. como números cardinais. Segue-se que N – X = ∅ e X = N. Isto quer dizer que todos os números naturais menores do que n pertencem a X. (Vide "Meu Professor de Matemática". a propriedade de pertencer a X. (Vide seção 6. no qual usaremos o Segundo Princípio da Indução. . Noutras palavras. ou seja. nas condições do enunciado. a saber. Evidentemente. logo X = N e P vale para todos os números naturais. Mas então. Seja então dada uma decomposição do polígono P. pela propriedade (I). não é preciso estipular que X contém o número 1. de n lados. é natural que o Segundo Princípio da Indução possua a formulação seguinte. Aplicaremos agora o Segundo Princípio da Indução para demonstrar um fato geométrico. Se o polígono não é convexo. (I) Observação. o número de diagonais utilizadas é sempre n – 3. usamos os números naturais como instrumento de contagem. a saber. para que um número natural n não pertencesse a X seria necessário que existisse algum número natural r < n tal que r ∉ X. Exemplo 4. se todos os números naturais menores do que n pertencem a X.) Sabe-se que. Isto é evidente quando o polígono é convexo: basta fixar um vértice e traçar as diagonais a partir dele. Toda propriedade P que se refira a números naturais define um subconjunto X ⊂ N. de n2 lados. o menor número natural que não pertence a X. Com efeito. logo a proposição vale para os polígonos P1 e P2. (E reciprocamente. isto é. Fixemos uma dessas diagonais. então P é verdadeira para todos os números naturais. No exemplo a seguir. então n ∈ X. "propriedade" e "conjunto" são noções equivalentes. que N – X ≠ ∅. Dado n ∈ N. em triângulos justapostos por meio de diagonais internas que não se intersectam. pois empregamos expressões do tipo um polígono de n lados". uma contradição. Por isso. como não existe número natural menor do que 1. Qualquer que seja a maneira de decompor um polígono P. Assim. se a validade de P para todo número natural menor do que n implicar que P é verdadeira para n.) O leitor pode experimentar com um polígono não-convexo e verificar qua há muitas maneiras diferentes de decompô-lo em triângulos justapostos mediante diagonais internas.) Deste modo. Em particular.) Seja P uma propriedade referente a números naturais. a prova requer mais cuidados. Demonstração: Com efeito.Dado n ∈ N. mediante diagonais internas. Mas vale o resultado seguinte. de n1 lados. : Se um conjunto X ⊂ N goza da propriedade (I). supondo. que X ≠ N. suponhamos que a proposição acima seja verdadeira para todo polígono com menos de n lados. o conjunto dos números naturais que gozam da propriedade P. Ela decompõe P como reunião de dois polígonos justapostos P1. (I) já contém implicitamente a afirmação de que 1 ∈ X. onde ele aparece como o Teorema 10: (Segundo método de demonstração por indução. isto é. de n lados. onde n1 < n e n2 < n. O segundo Princípio da Indução afirma que um conjunto X ⊂ N com a propriedade (I) coincide com N. Demonstração: Com efeito. todo conjunto X ⊂ N define uma propriedade referente a números naturais. ao utilizar o Segundo Princípio da Indução. pode-se decompor qualquer polígono em triângulos justapostos.

…. a fim de perder aquela vaga sensação de desonestidade que o principiante tem quando admite que o fato a ser provado é verdadeiro para n. Isto completa a demonstração. é constante. 1. Como X' = X – {a} tem n elementos. 3. Portanto d = n1 – 3 + n2 – 3 + 1 = n1 + n2 – 5. Embora isso seja verdadeiro para n = 0. n2 – 3 decompõem P2 e uma foi usada para separar P1 de P2. temos p(41) = 412 – 41 + 41 = 412 não é primo. Toda função f : X → Y. Logo f (a) = c e daí f : X → Y é constante. não vale a implicação P(1) ⇒P(2). (Aqui o erro reside no uso inadequado da hipótese de indução. Supondo a afirmação verdadeira para todos os conjuntos com n elementos. Na realidade. n + 1 não vai subitamente tornar-se grande. 40. logo também é pequeno. Considere o polinômio p(n) = n2 – n + 41 e a afirmação "o valor de p(n) é sempre um primo para n = 0.P1 P2 As d diagonais que efetuam a decomposição de P se agrupam assim: n1 – 3 delas decompõem P1. cujo domínio é um conjunto finito X. pois é divisível por 41. Novamente pela hipótese de indução. Exemplo 5. f assume o mesmo valor c ∈ Y em todos os elementos de X'. Observações: 1. A moral da história é: Só aceite que uma afirmação sobre os números naturais é realmente verdadeira para todos os naturais se isso houver de fato sido demonstrado! .) Exemplo 6. 1 certamente é pequeno. antes de demonstrá-lo para n + 1. (O erro aqui consiste em que a noção "número pequeno" não é bem definida. Considere um elemento a ∈ X. Semelhantemente. 1. Isto é obviamente verdadeiro se X tem apenas 1 elemento. O raciocínio empregado supõe implicitamente que X tem pelo menos 3 elementos. resulta que d = n – 3. mas q(80) = 802 – 79 ⋅ 80 + 1601 = 1681 não é primo. logo a afirmação não é verdadeira. …". Obtém-se X'' = X – {b} um conjunto com n elementos (entre os quais a). Pratique também (com moderação) o exercício de descobrir o erro em paradoxos que resultam do uso inadequado do método de indução. Vejamos dois desses sofismas: 2. Todo número natural é pequeno. a expressão q(n) = n2 – 79n + 1601 fornece primos para n = 1. f é constante e igual a c em X''. ….) O perigo de fazer generalizações apressadas relativamente a asserções sobre números naturais fica evidenciado com o seguinte exemplo: Exemplo 7. seja f : X → Y definida num conjunto X com n + 1 elementos. E se n é pequeno. Para habituar-se com o método de demonstração por indução é preciso praticá-lo muitas vezes. 79. Ora. 2. 2. 2. Como n1 + n2 = n + 2. Agora troque a por um outro elemento b ∈ X'.

pois nenhuma função f : In → N pode ser sobrejetiva.…xn}. então X ∪Y tem m + n elementos. tomamos k = f(1) + f(2) +…+ f(n) e vemos que k > f(x) para todo x ∈ In. Primeira: φ(m + 1) = n + 1. Neste caso. Com efeito. consideramos a = φ –1(n + 1) e definimos uma nova bijeção ψ : Im + 1 → In + 1. logo k ∉ f(In). Evidentemente. logo m = n. Agora os números naturais não são apenas elementos do conjunto-padrão N."ou seja. é necessário provar que todas as contagens de X fornecem o mesmo resultado. que todo subconjunto de um conjunto finito X é também finito e seu número de elementos é menor do que ou igual ao de X (Veja E.8. a função identidade f: In → In é uma contagem dos elementos de In. devemos mostrar que se tem m = n. NÚMEROS CARDINAIS Vamos agora mostrar como se usam os números naturais para contar os elementos de um conjunto finito. Um exemplo de conjunto infinito é o proprio conjunto N dos números naturais. então m = n. …. pag. Neste caso. chamemos de X o conjunto dos números naturais n que têm a seguinte propriedade: só existe uma bijeção φ : Im → In quando m = n. n e as bijeções f : Im → X. De fato. n ∈ N. o que conclui a demonstração. A fim de que não haja ambiguidade quando se falar do número de elementos de um conjunto finito X. Isto mostra que n ∈ X ⇒ n + 1 ∈ X. Diz-se então que X possui n elementos. x2 = f(2). 1 ∈ X. donde m + 1 = n + 1. Demonstração: Com efeito. a restrição φ|Im : Im → In é uma bijeção. se f : Im → X e g : In → Y são bijeções. A adição de números naturais se relaciona com a cardinalidade dos conjuntos por meio da seguinte proposição. 5. Lembremos que. por indução.Lima. 2. Dada uma bijeção φ: Im+1 → In+1. Demonstração. podem ser usados também como números cardinais. "Análise Real". Basta portanto provar o seguinte: Teorema 11. dado n ∈ N. n}. Um exemplo óbvio de conjunto finito é In. ψ(a) = b e ψ(x) = φ(x) para os demais elementos x ∈ Im + 1. escrevemos In = {p ∈ N. Uma contagem dos elementos de um conjunto não-vazio X é uma bijeção f : In → X. com b < n + 1. Suponhamos agora que n ∈ X. Noutras palavras. Começamos observando que se f e g são bijeções. x2. os números naturais m. Evidentemente. então φ = g–1 ο f : Im → In também é uma bijeção. Segunda: φ(m + 1) = b. definimos uma bijeção h : Im+n → X ∪Y por h (x) = f (x) se 1 ≤ x ≤ m e h(x) = g(x) + m se m + 1 ≤ x ≤ m + n. Teorema 12: Sejam X. portanto In = {1. duas coisas podem acontecer. se φ : Im → In é uma bijeção. O Princípio da Indução será essencial. pondo ψ (m + 1) = n + 1. O conjunto X chama-se um conjunto finito quando existe n ∈ N tal que X possui n elementos. dada f. vol 1. logo X = N e a unicidade do número cardinal de um conjunto finito fica demonstrada. Y conjuntos finitos disjuntos. Podemos pôr x1 = f(1). Dados m. mas servem também para responder perguntas do tipo "quantos elementos tem o conjunto X?. Se X tem m elementos e Y tem n elementos. xn = f(n) e escrever X = {x1.…. g : In → X.L. dado o conjunto X.) . p ≤ n}. não importa qual n se tome. e f não é sobrejetiva. Prova-se. Então recaímos no caso anterior e novamente concluímos que m + 1 = n + 1.

n(n + 1)(2n + 1) . Prove. que a sequência de termo geral n +1 n  n + 2 ⋅ xn . Dê uma fórmula explícita para f : N → N sabendo que f(1) = 1. Os dez últimos exercícios foram sugeridos pelo Professor A. que 12 + 2 2 + .. 11. Mostre que S possui um maior elemento. C mas não D.. para todo número natural n par.. 3. (Isto é. para todo n ≥ 3. (Sugestão: Observe que (n + 2)/(n + 1) < ( n + 1)/n e eleve ambos os membros desta desigualdade à potência n + 1. Construa um esquema de setas começando com os números ímpares. tome X = N e defina s : X → X pondo s(n) = n + 2 se n não é divisível por 4. Prove. Demonstre que a soma dos n primeiros números ímpares é n2. n ≥ a}. Dê uma formula explícita para f (n). é limitado superiormente. 4 4 . Exercícios: 1.. Prove. =  ⋅  n +1  n + 3 3 Sugestão: observe que x n +1 10. Mostre que s : X → X cumpre os axiomas A. f(2) = 5 e f (n + 2) = 3f (n + 1) – 2f (n). que 1 + 3 + 5 +…+ (2n – 1) = n2. uma função f : N → N estipulando que f (1) = 3 e f (n + 1) = 5. Para todo n ∈ N. 7. os pares não divisíveis por 4 em ordem crescente. C. Mostre que existe a ∈ N tal que X = {n ∈ N. por definição. Defina. 8. 13. por indução. por fim. por indução a desigualdade de Bernoulli: (1 + a)n > 1 + na quando 1 + a > 0. para todo x ∈ S. 5. seguidos dos números pares divisíveis por 4 em ordem decrescente e. 4. s(n) = n – 2 se n for múltiplo de 4. o conjunto vazio entre os conjuntos finitos e dizer que o seu número de elementos é zero. 2. é decrescente a partir do terceiro termo.. não-vazio. Num polígono com n ≥ 6 lados.   n  n n 9. 2 . se existe um natural k tal que para todo natural x ∈ S. Embora zero não seja um número natural. B. o número de diagonais é maior do que n.) Conclua daí que a sequência 1. Um conjunto S ⊂ N. Prove que 2n – 1 é múltiplo de 3.É conveniente incluir. ou seja. a partir daí. Seja X ⊂ N um conjunto indutivo não-vazio. existe m ∈ S tal que x ≤ m. f (n) + 1. Conclua. por indução que se tem  n(n + 2)   n + 1  é crescente. .) 12. Morgado. por recorrência. Noutras palavras. Seguem-se algumas proposições que devem ser demonstradas por indução ou boa ordenação. por indução que [(n + 1)/n]n < n. ele passa a ser o número cardinal do conjunto vazio. + n 2 = 6 6. 5 5 .  (n + 1) 2  xn =   e prove. então x ≤ k. Use a distributividade de duas maneiras diferentes para calcular (m + n )(1 + 1) e aplique em seguida a Lei do Corte para obter uma nova prova de que m + n = n + m. 3 3 . ponha xn < n+2 .

.] São dados três suportes A. de modo que jamais. b) pn é o inteiro mais próximo de 2 4 19.  p  p   p      p      Este resultado é comumente conhecido por Teorema das Colunas... n 2  3    1  15. com 2n – 1 movimentos. Demonstre que 2n3 > 3n2 + 3n + 1 para n ≥ 3. para n ≥ 4.. estão em ordem estritamente decrescente. Demonstre que.. + 2 3 4 199 200 101 102 200 1 2  16... +  = . Demonstre que 1 − 1 1 1 1 1 1 1 1 .. transferir todos os discos para o suporte B.c (pn.. Demonstre que 2n < n!. B e C. No suporte A estão encaixados n discos cujos diâmetros. n . . para todo número natural n. (1 + 2 ) n 2 e qn é o inteiro mais próximo de (1 + 2 ) n . Mostre que o "mapa" determinado por elas pode ser colorido com apenas duas cores sem que duas regiões vizinhas tenham a mesma cor. Demonstre. Considere a sequência ... . (Por quê?)... onde qn 1 2 5 p n +1 = p n + 2q n e q n +1 = p n + q n . que  p   p + 1  p + n   p + n + 1   +  + . Demonstre que a) m. 20. + − + . vale 1  1  1  1   1 + 1 + 1 + . de baixo para cima. durante a operação. Considere n retas em um plano.1 +  ≤ n + 1.. Determine An se A =    2 4   17..d. p 1 3 7 18.14. Mostre que é possível. qn) = 1. 22. 21. [A Torre de Hanói. + − = + + . usando o Princípio da Indução Finita. usando o suporte C como auxiliar. um disco maior fique sobre um disco menor..

Elon Lages Lima. onde tivemos a oportunidade de introduzi-las. Professor. .000.000 × 2% = 200 10.800 6 11.000 10. Esse ´ e um exemplo t´ ıpico de uma PA. V´ ıdeo relacionado: PAPMEM . Assim temos a tabela: Mˆ es Valor Inicial 1 10.000 × 2% = 200 10. Esse t´ opico.000 × 2% = 200 11. f´ ormula que foi descoberta por Gauss aos sete anos de idade e que tivemos a oportunidade de apreciar na Unidade 2. por exemplo.400 10. Em seguida. Prof. Volume 2: Progress˜ oes. ´ e constante igual a R$ 200.800 10.Unidade 6 Progress˜ oes Aritm´ eticas Semana de 25/04 a 01/05 Progress˜ oes Aritm´ eticas (PA) s˜ ao um dos exemplos mais simples de sequˆ encias definidas recorrentemente. terceira ordem. diferentes dos explorados na Unidade 4 de MA12.200 3 10. n˜ ao ´ e explorado no Ensino M´ edio. As PAs tamb´ em servem para descrever a desvaloriza¸ c˜ ao de um bem ao longo do tempo.200 Note que na u ´ltima coluna a varia¸ c˜ ao do nosso capital.600 5 10. m´ etodos poderosos para calcular somas. s˜ ao definidas generaliza¸ co ˜es do conceito de PA. em geral.MA 12 .Volume 1. etc. Unidade 3.000 2 10. 00 a ser aplicado a uma taxa de juros mensal de 2%.000 × 2% = 200 10. no c´ alculo de juros simples. vocˆ e encontrar´ a tamb´ em a f´ ormula que fornece a soma dos n primeiros termos de uma PA.000 × 2% = 200 10.Livro A Matem´ atica do Ensino M´ edio. Vejamos um exemplo: temos um capital de R$ 10.000 × 2% = 200 11. mas coloca ` a sua disposi¸ c˜ ao. 00. As progress˜ oes Aritm´ eticas s˜ ao comuns na vida real e sempre aparecem quando se apresentam grandezas que sofrem varia¸ co ˜es iguais em intervalos de tempos iguais como. introduzindo as PAs de segunda ordem.600 10.000 Juros Valor Final 10. como mostrado no Exemplo 6 dessa Unidade.400 4 10. mˆ es a mˆ es. Nessa Se¸ c˜ ao. Janeiro 2008 . veja MA12.200 10.

MA12 .Unidade 6 Progressões Aritméticas Semana de 25/04 a 01/05 ƒão ™omuns n— vid— re—lD gr—ndez—s que sofrem v—ri—ções igu—is em interv—los de tempos igu—isF Exemplo 1. €oderí—mos ter evit—do es™rever — produção mês — mêsD r—™ion—ndo do modo — seguirF ƒe — produção —ument— de QH veí™ulos por mêsD em S meses el— —ument— S × QH a ISH veí™ulosF im junhoD — fá˜ri™— produziu RHH C ISH a SSH veí™ulosF €rogressões —ritméti™—s são sequên™i—s n—s qu—is o —umento de I . …m— fá˜ri™— de —utomóveis produziu RHH veí™ulos em j—neiro e —umentou mens—lmente su— produção de QH veí™ulosF u—nE tos veí™ulos produziu em junhoc ys v—lores d— produção mens—lD — p—rtir de j—neiroD são RHHD RQHD RWHD SPHD SSHD F F F F im junhoD — fá˜ri™— produziu SSH veí™ulosF Solução.

.P MA12 . a20 = a5 + 15rD pois —o p—ss—r do quinto termo p—r— o 4 vigésimoD —v—nç—mos IS termosF vogoD 50 = 30+15r e r = . . a3 .AD p—r— —v—nç—r um termoD ˜—st— som—r — r—zãoY p—r— —v—nç—r dois termosD ˜—st— soE m—r du—s vezes — r—zãoD e —ssim por di—nteF essimD por exemploD a13 = a5 + 8rD poisD —o p—ss—r de a5 p—r— a13 D —v—nç—mos V termosY a12 = a7 + 5rD pois —v—nç—mos S termos —o p—ss—r de a7 p—r— a12 Y a4 = a17 − 13rD pois retro™edemos IQ termos —o p—ss—r de a17 p—r— a4 eD de modo ger—lD an = a1 + (n − 1)rD poisD —o p—ss—r de a1 p—r— an D —v—nç—mos n − 1 termosF im um— progressão —ritméti™—D o quinto termo v—le QH e o vigésimo termo v—le SHF u—nto v—le o oit—vo termo dess— progressãoc Exemplo 3. a2 . en—log—E 3 4 menteD a8 = a5 + 3r = 30 + 3. . = 34. im um— progressão —ritméti™— @ a1 . y oit—vo termo v—le QRF 3 Solução.Unidade 6 ™—d— termo p—r— o seguinte é sempre o mesmoF e sequên™i— @RHHD RQHD RTHD RWHD SPHD SSHD FFFA é um exemplo de um— progressão —ritméti™—F y —umento ™onst—nte de ™—d— termo p—r— o seguinte é ™h—m—do de r—zão de progressãoF e r—zão dess— progressão é igu—l — QHF €ort—ntoD um— progressão aritmética é um— sequên™i— n— qu—l — diferenç— entre ™—d— termo e o termo —nterior é ™onst—nteF iss— diE ferenç— ™onst—nte é ™h—m—d— de razão d— progressão e represent—d— pel— letr— rF es sequên™i—s @SD VD IID FFFA e @UD SD QD ID FFFA são progressões —ritméti™—s ™uj—s r—zões v—lem respe™tiv—mente 3 e −2F Exemplo 2. .

. €oderí—mos t—m˜ém ter resolvido o pro˜lem— —proveit—ndo o f—to dos termos dess— progressão serem inteirosF im um— progressão —ritméti™— de termos inteiros e r—zão nãoEnul—D todos os termos dão o mesmo resto qu—ndo divididos pelo módulo d— r—zãoF gomo IWVT dividido por UT dá resto IHD todos os —nos em que o ™omet— por —qui p—ssou dão resto IH qu—ndo divididos por UTF e primeir— visit— o™orreu entre os —nos I e UTD in™lusiveF intre esses —nosD o úni™o que dividido por UT dá resto IH é o —no IHF €—r— des™o˜rir — ordem desse termoD us—mos an = a1 + (n − 1)rD isto éD 10 = 1986 − 76(n − 1)F h—íD n= 2062 = 27. a3 . . a27 F vogoD ele nos visitou PU vezes n— er— ™ristã e su— primeir— p—ss—gem n— er— ™ristão foi no —no a27 = 2062 − 76 × 27 = 10F Solução. „emos a1 = 3 e a12 = 25F gomo a12 = a1 + 11rD temos 25 = 3 + 11rF h—íD r = 2F Solução. y ™omet— r—lley visit— — „err— — ™—d— UT —nosF ƒu— últim— p—ss—gem por —qui foi em IWVTF u—nt—s vezes ele visitou — „err— desde o n—s™imento de gristoc im que —no foi su— primeir— p—ss—gem n— er— ™ristãc Exemplo 5. . ys —nos de p—ss—gem do ™omet— for—m IWVTD IWIHD IVQRDFFF e form—m um— progressão —ritméti™— de r—zão −76F y termo de ordem n dess— progressão é an = a1 + (n − 1)rD isto éD an = 1986 − 76(n − 2062 = 27. F 1) = 2062 − 76nF „emos an > 0 qu—ndo n < 76 €ort—ntoD os termos positivos dess— progressão são os PU primeirosD a1 . . 76 . . . a2 .Progressões Aritméticas Q u—l é — r—zão d— progressão —ritméti™— que se o˜tém inserindo IH termos entre os números Q e PSc Exemplo 4. 13 .

x. …m ˜om truqueD p—r— represent—r progressões —ritméti™—s ™om um número p—r de termosD é ™h—m—r os dois termos ™entr—is de Exemplo 8. 4r e 5rF y perímetro é 2p = 3r +4r +5r = 12r e — áre— é = p 6r hetermine R números em progressão —ritméti™— ™resE ™enteD ™onhe™endo su— som— V e — som— de seus qu—dr—dos QTF Solução. gh—memos os l—dos do triângulo de x − r. . Solução. x + rF isse é um ˜om truque p—r— f—™ilit—r —s ™ont—sY —o represent—r um— proE gressão —ritméti™— ™om um número ímp—r de termosD ™omeç—r pelo termo ™entr—lF gomo — progressão é ™res™enteD — hipotenus— é o último termoF €elo „eorem— de €itágor—sD (x + r)2 = (x − r)2 + x2 F h—íD x2 = 4rx eD já que x = 0 pois x é um dos ™—tetosD x = 4rF ys l—dos são então 3rD S 6r2 = r.R MA12 . gh—m—ndo o preço ™om n —nos de uso de an D temos a0 = 15000 e queremos ™—l™ul—r a4 F gomo — desv—loriz—ção —nu—l é ™onsE t—nteD (an ) é um— progressão —ritméti™—F vogoD a4 = a0 + 4r = 15000 + 4 × (−1000) = 11000F y preço será de ‚6II HHHDHHF ys l—dos de um triângulo retângulo form—m um— proE gressão —ritméti™— ™res™enteF wostre que — r—zão dess— progressão é igu—l —o r—io do ™ír™ulo ins™ritoF Exemplo 7. Solução.Unidade 6 wuit—s vezes é ™onveniente enumer—r os termos de um— progressão —ritméti™— — p—rtir de zeroD ™onforme mostr— o exemplo — seguirF y preço de um ™—rro novo é de ‚6 IS HHHDHH e diminui de ‚6I HHHDHH — ™—d— —no de usoF u—l será o preço ™om R —nos de usoc Exemplo 6.

Progressões Aritméticas S x − y e x + y F ssso f—z ™om que — r—zão sej— (x + y ) − (x − y ) = 2y F e progressão então x − 3y D x − y D x + y D x + 3y F „emos (x − 3y ) + (x − y ) + (x + y ) + (x + 3y ) = 8 (x − 3y )2 + (x − y )2 + (x + y )2 + (x + 3y )2 = 36 4x = 8 4x2 + 20y 2 = 36 x=2 y = ±1 gomo — progressão é ™res™enteD y > 0F vogoD x = 2 e y = 1F ys números são −1. . n + (a1 − r)F ƒe r = 0D ou sej—D se — progressão não for est—™ionári— @™onst—nteAD esse polinômio é de gr—u IF ƒe r = 0D isto éD se — progressão for est—™ionári—D esse polinômio é de gr—u menor que IF €or esse motivoD —s progressões —ritméti™—s de r—zão r = 0 são ™h—m—E d—s de progressões —ritméti™—s de primeir— ordemF ‚e™ipro™—menteD se em um— sequên™i— o termo de ordem n for d—do por um polinômio em nD de gr—u menor que ou igu—l — ID el— será um— progressão —ritméti™—F gom efeitoD se xn = an + bD (xn ) é um— proE gressão —ritméti™— n— qu—l a = r e b = a1 −rD ou sej—D r = a e a1 = a+bF Exemplo 9. 3. 5F im um— progressão —ritméti™—D o termo ger—l é d—do por um polinômio em nD an = a1 + (n − 1)r = r . gomo em um— progressão —ritméti™— an = a0 + nrD — função que —sso™i— — ™—d— n—tur—l n o v—lor de an é simplesmente — restrição —os n—tur—is d— função —(m a(x) = a(0) + rxF Exemplo 10. 1.

Unidade 6 €ort—ntoD pens—ndo em um— progressão —ritméti™— ™omo um— função que —sso™i— — ™—d— número n—tur—l n o v—lor an D o grá(™o dess— função é form—do por um— sequên™i— de pontos ™oline—res no pl—noF im outr—s p—l—vr—sD (an ) é um— progressão —ritméti™— se e somente se os pontos do pl—no que têm ™oorden—d—s (1. a1 )D (2. a3 )D et™FFF estão em linh— ret—F pigur— IX u—ndo o gr—nde m—temáti™o —lemão g—rl pF q—uss @IUUU E IVSSA tinh— sete —nos de id—deD seu professor lhe pediu que ™—l™ul—sse — som— dos inteiros de I —té IHHF y professor (™ou surpreso qu—ndoD depois de pou™os minutosD o pequeno q—uss —nun™iou que o v—lor d— som— er— S HSHF e respost— est—v— ™orret— eD ™uriosoD o professor lhe perguntou ™omo ™onseguir— f—zer o ™ál™ulo tão r—pid—menteF q—uss expli™ouElhe que som—r— primeir—mente 1 + 100D 2 + 99D 3 + 98DF F F F essim o˜tiver— SH som—s igu—is — IHI e — respost— er— 50 × 101 = 5050F f—se—dos ness— idéi—D podemos ™—l™ul—r — som— dos n primeiros termos de um— progressão —ritméti™— qu—lquerF . a2 )D (3.T MA12 .

Progressões Aritméticas U Fórmula da soma dos n primeiros termos de uma progressão aritmética e som— dos n primeiros termos d— progressão —ritméti™— (a1 . a20 = a1 + 19r = 2 + 19 × 4 = 78 S20 = (2 + 78)20 = 800. 2 u—l é o v—lor d— som— dos PH primeiros termos d— progressão —ritméti™— PD TD IHD FFFc Exemplo 11. 2 Prova. n e Sn = ( a1 + an ) n . a3 . y˜serve queD —o p—ss—r de um p—rêntese p—r— o seguinteD — primeir— p—r™el— —ument— de r e — segund— p—r™el— diminui de rD o que não —lter— — som—F €ort—ntoD todos os p—rênteses são igu—is —o primeiroD (a1 + an )F gomo são n p—rêntesesD temos 2Sn = (a1 + an ) .) é Sn = (a1 + an )n .. a2 . 2 . .. „emos Sn = a1 + a2 + a3 + · · · + an−1 + an eD es™revendo — som— de trás p—r— frenteD Sn = an + an−1 + an−2 + · · · + a2 + a1 F h—íD 2Sn = (a1 + an )+(a2 + an−1 )+(a3 + an−2 )+ · · · +(an−1 + a2 )+(an + a1 ). Solução.

2 2 2 2 y˜serve queD se r = 0D Sn é um polinômio do segundo gr—u em nD desprovido de termo independenteF ƒe r = 0D Sn é um polinômio de gr—u menor que PD sem termo independenteF ‚e™ipro™—menteD todo polinômio do segundo gr—u em nD desprovido de termo independenteD é o v—lor d— som— dos n primeiros termos de —lgum— progressão —ritméti™—F gom efeito P (n) = an2 + bn é — som— . 2 y˜serve que Sn é um polinômio do segundo gr—u em nD sem termo independenteF Exemplo 14. e som— dos n primeiros termos de um— progressão —ritméti™— é Sn = (a1 + an )n [a1 + a1 + (n − 1)r]n r r = = n2 + a1 − n.Unidade 6 Exemplo 12. e som— dos n primeiros números inteiros e positivos é n k = 1 + 2 + 3 + ··· + n = k=1 n(n + 1) . 2 y˜serve que Sn é um polinômio do segundo gr—u em nD sem termo independenteF Exemplo 13.V MA12 . e som— dos n primeiros números ímp—res é 1 + 3 + 5 + · · · + (2n − 1) = (1 + 2n − 1)n = n2 .

6. . 3. 15. 21. 6. e t—˜el— —˜—ixo mostr— um— sequên™i— (an ) = (n3 − n) e su—s diferenç—s (∆an )D (∆2 an ) = (∆∆an )D (∆3 an ) = (∆∆2 an ) et™FFF n 0 1 2 3 4 5 6 7 an ∆an ∆2 an ∆3 an 0 0 6 6 0 6 12 6 6 18 18 6 24 36 24 6 60 60 30 2 120 90 2 210 2 2 . 3. . . . 5.) é um— proE gressão —ritméti™— de segund— ordem porque — sequên™i— d—s diferenç—s entre ™—d— termo —nteriorD (bn ) = (∆n ) = (an+1 −an ) = (2.) é um progressão —ritméti™— nãoEest—™ionári—F he modo ger—lD um— progressão aritmética de ordem k (k > 2) é um— sequên™i— n— qu—l —s diferenç—s entre ™—d— termo e o termo —nteE rior form—m um— progressão —ritméti™— de ordem k − 1F Exemplo 16. 10. .Progressões Aritméticas W r dos n primeiros termos d— progressão —ritméti™— n— qu—l = a e 2 r a1 − = bD ou sej—D r = 2a e a1 = a + bF 2 he(neEse p—r— sequên™i—s o operador ∆D ™h—m—do de oper—dor diE ferenç—D por ∆an = an+1 − an F …m— sequên™i— (an ) é um— progressão —ritméti™— se e somente se (∆an ) = (an+1 − an ) é ™onst—nteF …m— progressão aritmética de segunda ordem é um— sequên™i— (an ) n— qu—l —s diferenç—s ∆an = an+1 − an D entre ™—d— termo e o termo —nteriorD form—m um— progressão —ritméti™— nãoEest—™ionári—F Exemplo 15. 4. e sequên™i— (an ) = (1. .

90+36 = 126 e 210 + 126 = 336F €ort—ntoD a7 = 336 e este foi o pro™esso m—is exóti™o que vo™ê já viu p—r— ™—l™ul—r a7 = 73 − 7F „od— sequên™i— n— qu—l o termo de ordem n é um polinômio em nD do segundo gr—uD é um— progressão —ritméti™— de segund— ordem eD re™ipro™—menteD se (an ) é um— pregressão —ritméti™— de segund— ordem então (an ) é um polinômio de segund— ordem em nF Exemplo 17.IH MA12 . 30+6 = 36.Unidade 6 ƒe (∆an )D ™omo p—re™eD for ™onst—nteD (∆2 an ) será um— progressão —ritméti™—D (∆an ) será um— progressão —ritméti™— de segund— ordem e (an ) será um— progressão —ritméti™— de ter™eir— ordemF ssso é verd—deD pois an = n 3 − n ∆an = an+1 − an = (n + 1)3 − (n + 1) − [n3 − n] = 3n2 + 3nD ∆2 an = 3(n + 1)2 + 3(n + 1) − [3n2 + 3n] = 6n + 6D ∆a3 n = 6(n + 1) + 6 − [6n + 6] = 6 e ∆3 an re—lmente é ™onst—nteF y˜serve queD nesse qu—droD — som— de de dois elementos l—do — l—do é igu—l —o elemento que está em˜—ixo do primeiro desses elementosF ssso nos permite ™—l™ul—r os elementos que estão —ssin—l—dos por 2F h— direit— p—r— — esquerd—D eles são igu—is — 6. que é do primeiro gr—u em nF he —™ordo ™om o exemplo WD (∆an ) é um— progressão —ritméti™— nãoEest—™ionári—F . gom efeitoD se an = an2 + bn + cD ™om a = 0D temos ∆an = an+1 − an = a(n + 1)2 + b(n + 1) + c − (an2 + bn + c) = 2an + (a + b).

ys dois primeiros som—tórios têm vári—s p—r™el—s ™omunsD pois n (k + 1)3 = 23 + 33 + · · · + n3 + (n + 1)3 k=1 e n k 3 = 13 + 23 + 33 + · · · + n3 . k=1 ƒimpli(™—ndo —s p—r™el—s ™omuns —os dois mem˜rosD o˜temos n n n (n + 1) = 1 + 3 k=1 3 3 k +3 k=1 2 k+ k=1 1. n 1 + 2 + ··· + n = k=1 2 2 2 k2 e pode ser ™—l™ul—d— do modo — seguirX n n n n n (k + 1) = k=1 k=1 3 k +3 k=1 3 k +3 k=1 2 k+ k=1 1. gomo n k = 1 + 2 + ··· + n = k=1 n(n + 1) 2 .Progressões Aritméticas II €or outro l—doD se (an ) é um— progressão —ritméti™— de segund— ordemD bn = ∆an = an+1 − an é um— progressão —ritméti™— ™om r—zão diferente de zero e b1 + b2 + b3 + · · · + bn−2 + bn−1 = (a2 − a1 ) + (a3 − a2 ) + (a4 − a3 ) + · · · + (an − an−1 ) + (an+1 − an ) = an+1 − a1 é um polinômio do segundo gr—u em nF im ™onsequên™i—D an t—m˜ém é um polinômio do segundo gr—u em nF e som— dos qu—dr—dos dos n primeiros números inE teiros e positivos é Exemplo 18.

2 h—íD n k2 = k=1 2 2 2n3 + 3n2 + n n(n + 1)(2n + 1) = . 3 2 6 6 . k=1 temos n (n + 1) = 1 + 3 k=1 3 3 k2 + 3 n(n + 1) + n.IP e MA12 . 6 6 n 2 y˜serve que 1 + 2 + · · · + n = gr—u em nF Exemplo 19.Unidade 6 n 1 = 1 + 1 + · · · + 1 = n. k 2 é um polinômio do ter™eiro k=1 ƒ—˜endo que n 1 + 2 + ··· + n = k=1 2 2 2 k2 é um polinômio do ter™eiro gr—u em nD poderí—mos ter determin—do o v—lor de p(n) = 12 + 22 + 32 + · · · + n2 pondo p(n) = an3 + bn2 + cn + dF „emos p(1) = 12 D p(2) = 12 + 22 D p(3) = 12 + 22 + 32 e p(4) = 12 + 22 + 32 + 42 F y˜temos o sistem— de equ—ções  a+b+c+d=1     8a + 4b + 2c + d = 5  27a + 9b + 3c + d = 14    64a + 16b + 4c + d = 30 1 1 1 ‚esolvendoD en™ontr—mos a = D b = D c = D d = 0F intão 3 2 6 1 1 1 n(n + 1)(2n + 1) 12 + 22 + 32 + · · · + n2 = n3 + n2 + n = .

1 + 2 + 3 + ··· + n = k=1 p p p p k p é um polinômio de gr—u p + 1 em nF Prova.Progressões Aritméticas IQ ys teorem—s — seguir gener—liz—m os últimos exemplosF n Teorema 1. . 2. . . h—íD n k k=1 s+1 (n + 1)s+2 − 1 − F (n) = s+2 . s}D wostr—remos que ess— —(rm—ção é verd—deir— p—r— p = s + 1D isto éD mostr—remos que polinômio de gr—u s + 2 em nF k=1 k s+1 é um y˜serve que (k + 1)s+2 = k s+2 + (s + 2)k s+1 + . onde F (n) é um polinômio de gr—u s + 1 em nD pel— hipótese d— induçãoF ƒimpli(™—ndo os termos ™omuns —os dois primeiros som—tóriosD o˜temos n (n + 1)s+2 = 1 + (s + 2) k=1 k s+1 + F (n).D onde os termos que não for—m es™ritos expli™it—mente form—m um polinômio de gr—us s em k F „emos entãoD n n n (k + 1) k=1 s+2 = k=1 k s+2 + (s + 2) k=1 k s+1 + F (n). . . †—mos pro™eder por indução so˜re pF €—r— p = 1D o teorem— já foi prov—do no exemplo IPF n ƒuponh—mos —gor— que k=1 k p sej— um polinômio de gr—u p + 1 n em nD p—r— todo p ∈ {1. .

2)D se †—mos pro™eder por indução so˜re pF €—r— p = 2 o teorem— foi prov—do no exemplo IUF ƒuponh—mos que o teorem— sej— verd—deiro p—r— todo p ∈ {2. ƒe F é um polinômio de gr—u p então k=1 F (k ) é um polinômio de gr—u p + 1 em nF n Exemplo 20. 3. . Prova. . s}. 3 2 6 6 6 (an ) é um progressão —ritméti™— de ordem p (p e somente se an é um polinômio de gr—u p em nF Teorema 2. †—mos ™—l™ul—r Sn = k=1 k (k + 2)F €elo ™orolárioD s—˜emos que o v—lor dess— som— é um polinômio do ter™eiro gr—u em nF intão Sn = an3 + bn2 + cn + dF etri˜uindo — n os v—lores ID PD Q e R o˜temos —s equ—ções  a+b+c+d=3     8a + 4b + 2c + d = 11  27a + 9b + 3c + d = 26    64a + 16b + 4c + d = 50 3 7 1 ‚esolvendoD en™ontr—mos a = D b = D c = D d = 0F intãoD 3 2 6 1 3 7 2n3 + 9n2 + 7n n(n + 1)(2n + 7) S n = n3 + n2 + n = = . . wostr—remos que ess— —(rm—ção é verd—deir— p—r— p = s + 1F ƒe (an ) é um— progressão —ritméti™— de ordem s +1D bn = ∆an = an+1 − an é um— progressão —ritméti™— de ordem s eD pel— hipótese d— induçãoD .IR MA12 .Unidade 6 que é um polinômio de gr—u s + 2 em nD ™FqFdF n Corolário . .

∆ak = ∆a1 + ∆a2 + ∆a3 + · · · + ∆an−1 + ∆an = k=1 (a2 −a1 )+(a3 −a2 )+(a4 −a3 )+· · ·+(an −an−1 )+(an+1 −an ) = an+1 −a1 . n Exemplo 22. n Solução. hetermin—remos ak t—l que ∆ak = k (k + 1) = k 2 + k D isto éD determin—remos ak = ∆−1 (k 2 + k )F gomo(∆ak ) é um— progressão —ritméti™— de segund— ordemD (ak ) é um— progressão —ritméti™— de ter™eir— ordemF vogoD ak é um polinômio de ter™eiro gr—uF ƒe ak = ak 3 + bk 2 + ck + d. ∆ak = ak+1 − ak = a(k + 1)3 + b(k + 1)2 + c(k + 1) + d − [ak 3 + bk 2 + ck + d] = 3ak 2 + (3a + 2b)k + (a + b + c) = k 2 + k. .Progressões Aritméticas n IS bn é um polinômio de gr—u s em nF intão k=1 bk = an+1 − a1 éD pelo ™orolário do teorem— ID um polinômio de gr—u s + 1 em nF ƒe an é um polinômio de gr—u s + 1 em nD ∆an é um polinômio de gr—u s em nD ™onforme vo™ê f—™ilmente veri(™—ráF €el— hipótese d— induçãoD (∆an ) é um— progressão —ritméti™— de ordem sD ou sej—D (an ) é um— progressão —ritméti™— de ordem s + 1F y exemplo — seguir é ™onhe™ido ™omo teorem— fund—ment—l d— soE m—ção e forne™e um— té™ni™— ˜—st—nte e(™iente p—r— o ™ál™ulo de som—sF n Exemplo 21. wostre que k=1 ∆ak = an+1 − a1 . g—l™ule k=1 k (k + 1) Solução.

porm—mEse n triângulos ™om p—litosD ™onforme — (gur—F pigur— PX u—l o número de p—litos us—dos p—r— ™onstruir n triângulosc ys ângulos internos de um pentágono ™onvexo estão em progressão —ritméti™—F hetermine o ângulo medi—noF 2. 1.Unidade 6 1 hevemos ter 3a = 1D 3a + 2b = 1D a + b + c = 0F h—íD a = D b = 0D 3 1 1 3 1 c = − e d é —r˜itrárioF vogoD ak = k − k + d. 3. 3 3 = Exercícios Proceda como se não soubesse que há sugestões no nal dos enunciados. √ ƒe 3 − xD −xD 9 − xD F F F é um— progressão —ritméti™—D determine x e ™—l™ule o quinto termoF .IT MA12 . 3 3 3 n n k (k + 1) = k=1 k=1 ∆ak = an+1 − a1 (n + 1)3 − (n + 1) n(n + 1)(n + 2) +d−d= .

. u—nto v—le o produto (a)(aq )(aq 2 )(aq 3 ) . u—ntos são os inteirosD ™ompreendidos entre IHH e SHHD que não são divisíveis nem por PD nem por Q e nem por Sc u—nto v—le — som— desses inteirosc 6. . 7. (aq n−1 )c hetermine o m—ior v—lor que pode ter — r—zão de um— progressão —ritméti™— que —dmit— os números QPD PPU e WRP ™omo termos d— proE gressãoF 8. he qu—ntos modos o número IHH pode ser represent—do ™omo um— som— de dois ou m—is inteiros ™onse™utivosc i ™omo som— de dois ou m—is n—tur—is ™onse™utivosc 9. g—l™ule — som— de todos os inteiros que divididos por II dão resto U e estão ™ompreendidos entre PHH e RHHF 5. …m qu—dr—do mági™o de ordem n é um— m—triz n × nD ™ujos elementos são os inteiros 1D 2D . . . D n2 D sem repetir nenhumD t—l que tod—s —s linh—s e tod—s —s ™olun—s têm — mesm— som—F y v—lor dess— . 10.Progressões Aritméticas IU g—l™ule — som— dos termos d— progressão —ritméti™— PD SD VD IIDFFF o desde o 25o © —té o 41© termoD in™lusiveF 4.

n}D — méE di— —ritméti™— dos elementos rest—ntes é ITDIF hetermine o v—lor de n e qu—l foi o elemento suprimidoF …m ˜emD ™ujo v—lor hoje é de ‚6 VHHHDHHD desv—loriz—Ese de t—l form— que seu v—lor d—qui — R —nos será de ‚6 PHHHDHHF ƒupondo ™onsE t—nte — desv—loriz—ção —nu—lD qu—l será o v—lor do ˜em d—qui — Q —nosc 14. …m ˜emD ™ujo v—lor hoje é de ‚6 VHHHDHHD desv—loriz—Ese de t—l . . €odem os números gressão —ritméti™—c 12. 13. √ 2D √ 3D √ 5 perten™er — um— mesm— proE ƒuprimindo um dos elementos do ™onjunto {1. . 15. . .IV MA12 .Unidade 6 som— é ™h—m—do de ™onst—nte mági™—F €or exemploD os  17 24 1       23 5 7 1 5 9 8 1 6       8 3 4   3 5 7  e   4 6 13  6 7 2 4 9 2  10 12 19 11 18 25 qu—dr—dos  8 15  14 16   20 22    21 3  2 9 são mági™osD ™om ™onst—ntes mági™—s respe™tiv—mente igu—is — ISD IS e TSF eliásD os dois últimos são hipermági™osD pois —s linh—sD ™olun—s e t—m˜ém —s di—gon—is têm — mesm— som—F g—l™ule — ™onst—nte mági™— de um qu—dr—do mági™o de ordem nF ys inteiros de I — IHHH são es™ritos orden—d—mente em torno de um ™ír™uloF €—rtindo de ID ris™—mos os números de IS em ISD isto éD ris™—mos ID ITD QIDFFF y pro™esso ™ontinu— —té se —tingir um número já previ—mente ris™—doF u—ntos números so˜r—m sem ris™osc 11. 2.

19. ‚epresent—ndo por x — p—rte inteir— do re—l xD isto éD o m—ior número inteiro que é menor que ou igu—l — x e por {x} o inteiro m—is próximo do re—l xD determineX √ √ √ √ —A 1 + 2 + 3 + · · · + n2 − 1 √ √ √ √ ˜A 3 1 + 3 2 + 3 3 + · · · + 3 n3 − 1 1 1 1 1 ™A √ + √ + √ + · · · + √ {√1} {√ 2} { { 1000} √ 3} √ dA{ 1} + { 2} + { 3} + · · · + { 1000}.0D no qu—l há n − 3 dígitos su˜linh—dos que são igu—is — W e n − 2 dígitos su˜linh—dos que são 21.Progressões Aritméticas IW form— que seu v—lor d—qui — R —nos será de ‚6 PHHHDHHF ƒupondo que o v—lor do ˜em ™—i segundo um— linh— ret—D determine o v—lor do ˜em d—qui — Q —nosF p D g—l™ule — som— de tod—s —s fr—ções irredutíveisD d— form— 72 que pertenç—m —o interv—lo ‘RDU“F 16. 10D 7 . . . 4D 3 .95500. 20. 13D . . u—l — m—ior potên™i— de U que divide IHHH3c im qu—ntos zeros termin— o número result—nte do ™ál™ulo de IHHH3c 18. 7D 5 .. . €rove que — som— de todos os inteiros positivos de n dígitosD n > 2D é igu—l —o número 49499. ˜A1 . .. 17... g—l™ule o v—lor d—s som—s dos n primeiros termos d—s sequênE ™i—sc —A13 D 23 D 33 D .

. —A o primeiro elemento d— 31— © linh—F ˜A — som— dos elementos d— 31— © linh—F gonsidere um jogo entre du—s pesso—s ™om —s seguintes regr—sX iA x— primeir— jog—d—D o primeiro jog—dor es™olhe um número no ™onE junto A = {1. ‚ef—ç— o exer™í™io —nterior p—r— o ™—so do ven™edor ser quem disser TRF 25.. 5. 3.PH MA12 .. 4. . .... hetermine no qu—dro —˜—ixoX 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 . .. . 7} e diz esse númeroF iiA es pesso—s jog—m —ltern—d—menteF iiiA g—d— pesso— —o jog—r es™olhe um elemento de AD som—Eo —o número dito pel— pesso— —nterior e diz — som—F ivA q—nh— quem disser TQF u—l dos jog—dores tem um— estr—tégi— ven™edor— e qu—l é ess— esE tr—tégi—c 24. . 23.. 2. 6..Unidade 6 igu—is — HF hetermine o primeiro termo e — r—zão d— progressão —ritméti™— n— qu—l — som— dos n primeiros termos éD p—r— todo nX —ASn = 2n2 + n ˜ASn = n2 + n + 1 22.. ...

5. .. 9. hividemEse os números n—tur—is em ˜lo™os do modo seguinteX (1)D (2. 8.. …m— ˜o˜in— de p—pel tem r—io interno S™mD r—io externo IH™m e — espessur— do p—pel é HDHI™mF u—l é o ™omprimento d— ˜o˜in— desenrol—d—c 29.Progressões Aritméticas PI 26. 1 4 5 6 11 12 13 14 15 ... ..13. 7}D o segundo jog—dor tem — estr—tégi— que impede o primeiro jog—dor de g—nh—rF 27. 6. ‚ef—ç— o exer™í™io PRA p—r— o ™onjunto {3. .14) ..12. . . 4.. . F im seguid— suprimemE se os ˜lo™os que ™ontêm um número p—r de elementosD form—ndoEse o qu—droX 30... 6) (7..3) (4.. hetermineX —A o primeiro elemento d— linh— k F ˜A o elemento ™entr—l d— linh— k F ™A — som— dos elementos d— linh— k F dA — som— dos elementos d—s k primeir—s linh—sF . . 10) (11. 5. 5. x— primeir— f—se do ™—mpeon—to ˜r—sileiro de fute˜olD que é disE put—do por PR ™lu˜esD qu—isquer dois times jog—m entre si um— úni™— vezF u—ntos jogos hác 28. 6}F wostre que no exer™í™io PRAD se o ™onjunto fosse A = {3.. ...

. e r—zão entre —s som—s dos n primeiros termos de du—s proE 2n + 3 gressões —ritméti™—s é D p—r— todo v—lor de nF u—nto v—le — 4n − 1 . rá dois tipos de —nos ˜issextosX os que são múltiplos de R m—s não de IHH e os que são múltiplos de RHHF —A u—ntos são os —nos ˜issextos entre IWWU e PRHIc o ˜A ƒe 1o © de j—neiro de IWWU foi qu—rt—Efeir—D que di— será 1© de j—neiro de PSHHc ™A is™olhido um —no —o —™—soD qu—l — pro˜—˜ilid—de dele ser ˜issextoc 35. 22. 33. 157)c 34. . . . 37. fenj—min ™omeçou — ™ole™ion—r ™—lendários em IWUWF rojeD su— ™oleção já tem —lgum—s dupli™—t—s E por exemploD o ™—lendário de IWVS é igu—l —o de IWWI E m—s —ind— não está ™omplet—F —A im que —no fenj—mim ™omplet—rá su— ™oleçãoc ˜A u—ndo — ™oleção estiver ™omplet—D qu—ntos ™—lendários diferentes nel— h—verác 36. €rove o ™orolário do teorem— IF u—ntos são os termos ™omuns às progressões —ritméti™—s (2. 8. 332) e (7. 12.PP MA12 . 17. .Unidade 6 31. 11. . . . 5. u—l o número máximo de regiões em que n ret—s podem diE vidir o pl—noc €roveX se an é um polinômio de gr—u p então ∆an é um polinômio de gr—u p − 1F 32.

. 3. . . 40.F en—log—mente são de(nidos números pent—gon—isD hex—gon—isD et™F e (gur— —˜—ixo justi(™— ess— denomin—çãoF 38. 3.Progressões Aritméticas PQ r—zão entre seus termos de ordem nc y número tri—ngul—r Tn é de(nido ™omo — som— dos n primeiros termos d— progressão —ritméti™— 1. .F y número qu—dr—ngul—r Qn é de(nido ™omo — som— dos n primeiros termos d— progressão —ritE méti™— 1. 41. hetermine o número j Egon—l de ordem nF pigur— QX wostre que ∆ak = ∆bk então ak − bk é ™onst—nteF ƒe a = 1D determine ∆ak F ƒe a = 1D determine ∆−1 ak F …se o teorem— fund—ment—l d— som—ção p—r— ™—l™ul—rX 39. . 2. 4. 7. 42. 5. k !F k=1 ˜A . n —A k=1 n 3k F k . .

9 − x − (−x) b (inclusive). Uma solução normal pode ser obtida observando que o último número riscado na primeira volta é 991. Se p e q. (2a + n + 1)n = 200 e tanto n > 1. 11. Queremos determinar o número de elementos do complementar de 8. X = {x ∈ Z : 100 x 500}. −x − (3 − x) = a √ 540o . etc. Para evitar muitas contas. . é fácil descobrir todos os valores possíveis para descobrir todas as frações que são iguais a 9. basta 100 = (a + 1) + (a + 2) + · · · + (a + n). q 910 Se para passar do 32 para o 227 e para o 942 avançamos respectivamente termos. 910 com Daí.. o primeiro riscado na segunda volta é 6. 100 = (2a + n + 1)n . Como p e são inteiros positivos. 2. temos e q 227 − 32 + pr e 942 = 32 + qr. 2 Daí se conclui que nquanto 2a + n + 1 devem ser divisores de 200. (inclusive) ao inteiro b−a+1 inteiros. há 4.PR ™A MA12 . A soma dos ângulos internos de um pentágono convexo é 3. O aumento de um triângulo causa o aumento de 2 palitos. 195 . A∪B∪C em relação ao universo X. Uma solução muito bonita pode ser obtida pensando nos pontos riscados como vértices de um polígono. Faça um diagrama para os conjuntos é divisível por 2}. Do inteiro 6a. 10. Calcule a soma de todos os elementos da matriz. p q p 195 = . A = A = {x ∈ X : x {x ∈ X : x B = {x ∈ X : x é divisível por 3} e é divisível por 5}.Unidade 6 n k=1 1 F k (k + 1) Sugestão aos exercícios 1.. O número de palitos constitui uma progressão aritmética de razão 2. note também que sempre um dos números n e 2a + n + 1 é ímpar.

etc. 13. x A soma pedida é (2k + 1)k. 17. Há portanto inteiros positivos para os quais √ n−1 x = k. se é um inteiro positivo. 20. Esse problema é igual ao anterior. se e somente se k− ou ainda k2 − k + 1 1 √ < x< 2 x k2 + k. 21. ou seja...Progressões Aritméticas PS 12. x e somente x = k. 1 2 + 3 + ··· + n . k x < k + 1. Faça a soma de todas as frações e subtraia a soma das redutíveis. 2 4 4 √ Há 2k inteiros positivos x tais que { x} = k . 23. 18. k 0 se. (2k − 1)(3k + 1) = k=1 k=1 (6k 2 − k − 1). Parta de (k + 1)4 = k 4 + 4k 3 + 6k 2 + 4k + 1 n e proceda como no exemplo 18. 16. que são as que têm numeradores múltiplos de 2 ou 3. 29. Proceda como no problema 8. 1 + 2 + · · · + (n − 1) n−1 16. k 2 − k + < x < k 2 + k + . 2k + 1 √ x = k. com primeiro termo igual a 10n−1 e último termo igual a 10n − 1. O Botafogo joga 23 partidas. k 1 1 1 k + . k=1 √ { x} = k . . 0. x < k + 2 k + 1. Em algum momento o segundo jogador receberá a soma maior que ou igual a 49. k k 2 2 0. o primeiro dos times restantes jogam 22 partidas que ainda não foram contadas. A soma pedida é a soma de uma progressão aritmética de razão 1. 20c. Um diagrama de conjuntos ajuda. n 19b. Você pode determinar a maior potência de 10 que divide 1000! Para isso basta determinar a maior potência de 5 que divide 1000! 19a. Considere a bobina formada por círculos cujos raios formam uma progressão aritmética cuja razão é a espessura do papel. 28. n−1 15. se e somente se se. 1 + 2 + · · · + 30 termos. 27. Para ter certeza de alcançar 63. você deve antes alcançar 55. Você pode substituir 1000! = 1 × 2 × 3 × 4 × 5 × · · · × 1000 por 7 × 14 × 21 × · · · × 994 = 7 142 (1 × 2 × 3 × · · · × 142). O primeiro elemento da 31 a linha é precedido por 24.

30b. 42c. ∆ = k k (k + 1) . Devemos ter 2 + 3t = 7 + 5s. 2 + 3t . As limitações 0 s 30 dão origem a uma limitação para 35b. Procure primeiramente entender porque os calendários de 1985 e 1991 são Em segundo lugar. 36. Os termos da primeira progressão são da forma segunda são da forma 7 + 5s. e dois dias adiantado. se x é bissexto. Use o exercício 40. Mostre que a razão dada é igual à razão entre os termos de ordem 41. 35d. Trata-se de uma progressão aritmética de segunda ordem. Um ano não-bissexto tem 52 semanas e 1 dia. Trata-se de uma progressão aritmética de terceira ordem. 3t = 5(1 + s) 0 t 110 e e t deve ser múltiplo de 5. relação ao ano x+1 começa um dia da semana adiantado em x. bissextos. −1 1 . Use o exercício 41. 0 t 110 e os da Daí. n n Se F (k ) = ap k p + ap−1 k p−1 + · · · + a1 k + a0 n n então F (k ) = ap k=1 k=1 kp + n ap−1 k=1 k p−1 + · · · + a1 k=1 k+ k=1 a0 . 32. como há mais anos não-bissextos do que iguais. Trata-se de uma progressão aritmética de segunda ordem. Se t = 5k . o ano semanas e 2 dias. 42b. 34. note que. 37. k !. n+1 .Unidade 6 30a. Os anos se repetem em ciclos de 400 anos. 42a. k. Trata-se de uma progressão aritmética de quarta ordem. se x não é bissexto. 0 s 30. Basta mostrar que an e an+1 são polinômios de grau p cujos termos de maior grau são idênticos e cujos termos de grau 33. 30d. 30c. p−1 são diferentes. s = 3k − 1. 31. um ano bissexto tem 52 Logo. 2 ∆k ! = k . Trata-se de uma progressão aritmética de segunda ordem.PT MA12 . provavelmente a coleção cará completa quando Benjamim tiver todos os calendários de anos bissextos.

Da mesma forma. 81 × 2% = 220.600 10.000 Juros Valor Final 10.00.200 Vocˆ e j´ a viu algu´ em aplicar dinheiro dessa forma? Pense na sua caderneta de poupan¸ ca. mas tamb´ em.612. onde um capital de R$ 10.404 10. ainda.400 10.00.612. 08 10.200 10. Isto motiva a seguinte defini¸ c˜ ao: Uma Progress˜ ao Geom´ etrica (PG) ´ e uma sequˆ encia num´ erica na qual a taxa de crescimento (ou decrescimento) de cada termo para o seguinte ´ e sempre a mesma.000 10. 32 11. 08 10.Unidade 7 Progress˜ oes Geom´ etricas Semana de 25/04 a 01/05 Retomemos o exemplo da unidade passada. o decaimento da radia¸ c˜ ao emitida por um material radioativo. em v´ arios contextos matem´ aticos e por isso.000.040.800 10. as PGs modelam fenˆ omenos como o aumento de um capital aplicado a uma taxa anual prefixada.040. mas R$ 10.824. Obtemos assim uma nova tabela (com arredondamento na segunda casa decimal): Mˆ es Valor Inicial Juros 1 10. O mais veross´ ımil ´ e que o juro incida sobre juros. pois j´ a no segundo mes o nosso capital n˜ ao ´ e mais R$ 10. s˜ ao muito mais interessantes do que as progress˜ oes aritm´ eticas. as PGs aparecem muito frequentemente n˜ ao s´ o nas aplica¸ c˜ oes. o quociente entre o nosso capital em um mˆ es e o do mˆ es anterior ´ e constante igual a 1. 00 ´ e aplicado a uma taxa de juros mensal de 2%: Mˆ es Valor Inicial 1 10.000 × 2% = 200 10. de acordo com o problema acima. .000 × 2% = 200 10. Assim.000 10.000 × 2% = 200 10.040.824.600 5 10. 24 5 10. 32 × 2% = 216.000 × 2% = 200 11.000 × 2% = 200 10.404 10. 02. Portanto. 81 11.200 10. 08 × 2% = 212. certamente. 32 10.824.200 × 2% = 204 3 10.000.400 4 10.000 × 2% = 200 2 10. 08 4 10. as PGs modelam o crescimento de uma popula¸ c˜ ao a uma taxa anual fixa ou. a menos das aproxima¸ c˜ oes feitas. 81 11. logo ´ e esse capital que deve ser remunerado no segundo mˆ es.000 2 10. 92 O que se nota nessa tabela ´ e que.200 10.404 × 2% = 208.612.260.200 3 10. 82 Valor Final 10.200.MA 12 .000 × 2% = 200 11. 49 6 11.800 6 11.

Livro A Matem´ atica do Ensino M´ edio. onde se pede para determinar quanto a popula¸ c˜ ao de um pa´ ıs crescer´ a em 25 anos se ela cresce a uma taxa de 2% ao ano. . Janeiro 2008 . como no Exemplo 11. Prof. Elon Lages Lima. Em seguida. A unidade se encerra com mais uma t´ ecnica de soma¸ c˜ ao. em particular. A semelhan¸ ca dessa f´ ormula com a f´ ormula de integra¸ c˜ ao por partes do C´ alculo Integral n˜ ao ´ e mera coincidˆ encia (a soma¸ c˜ ao corresponde ` a discretiza¸ c˜ ao da integra¸ c˜ ao) .Volume 1. Alguns desses problemas s˜ ao resolvidos usando a muito u ´til f´ ormula das taxas equivalentes. permitindo. Volume 2: Progress˜ oes. somar sequˆ encias cujos termos s˜ ao obtidos multiplicando termos de uma PA com termos de uma PG. V´ ıdeo relacionado: PAPMEM . a f´ ormula da soma¸ c˜ ao por partes: n n ak+1 ∆ bk = an+1 bn+1 − a1 b1 − k=1 k=1 bk ∆ ak+1 .Nessa unidade. vocˆ e encontrar´ a um grande leque de problemas em cuja solu¸ c˜ ao intervˆ em as PGs. que aumentar´ a o nosso arsenal de t´ ecnicas de soma¸ c˜ ao de sequˆ encias. ser´ a deduzida a f´ ormula da soma dos n primeiros termos de uma PG e o c´ alculo do limite da soma dos termos de uma PG decrescente.

Exemplo 1. E) ganha ou perde dinheiro.00. que costuma deixar os alunos intrigados e os professores desconados. Uma pessoa.00. em cada ma das apostas das quais arrisca perder ou ganhar a metade do que possui na ocasião. é o problema a seguir. dependendo da ordem em que ocorreram suas 1 .MA12 .Unidade 7 Progressões Geométricas Semana de 25/04 a 01/05 Progressões Geométricas Um problema interessante. podese armar que ela: A) ganha dinheiro. Se ela ganha três e perde três dessas apostas. D)perde R$37. adaptado de um problema do exame nacional da MAA (Mathematical Association of America).00. B) não ganha dinheiro nem perde dinheiro. começando com R$ 64. faz seis apostas conse- cutivas. C) perde R$27.

1 2 (ou seja. a evolução de seu capital se dá de acordo com o esquema: 64 → 64 · 3 3 3 3 3 3 3 3 3 1 → 64 · · → 64 · · · → 64 · · · · → 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 3 3 3 1 1 1 3 3 3 1 1 · · · · → 64 · · · · · · · 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 → 64 · . por exemplo. 50%) e passa a valer 1+ que perde. se ela vence as três primeiras apostas e perde as últimas trÊs.00. Solução. 1 3 = do que valia. o capital diminui de do que valia. Já houve um progresso. Se ela começou com R$64. Comentário. torcendo para que a pessoa não termine com R$27. e sim no valor da grandeza depois da variação. o capital aumenta 1 2 (ou seja. o seu capital evoluiu de acordo com o esquema: 64 → 96 → 144 → 216 → 108 → 54 → 27. ganhando e perdendo alternadamente.00. ca claro que se a pessoa vence as três primeiras apostas e perde as três últimas. experimentam outra ordem. A melhor maneira de abordar problemas nos quais há uma gran- deza variável. Alguns se dispõem a tentar todas as ordens possíveis. cada vez 2 2 1 1 50%) e passa a valer 1 − = 2 2 Pensando assim.00 e permanecem na dúvida. Neste problema. ela perdeu R$37.00. Infelizmente encontram que a pessoa novamente termina com R$27. Em seguida os alunos costumam experimentar uma outra ordem. Obtêm-se: 64 → 96 → 48 → 72 → 36 → 54 → 27. Sabemos agora que a resposta só poderá ser D) ou E). Em seguida. é concentrar a atenção.00 e terminou com R$27. Por exemplo. da qual é conhecida a taxa (porcentagem) de variação. mas logo desistem ao perceber que há 20 ordens possíveis. devemos pensar assim: Cada vez que ganha.00. aliás. Nessa ordem a pessoa também perdeu R$37. Em geral os alunos escolhem uma ordem para ver o que aconteceu. não na taxa de variação da grandeza. essa é até uma boa estratégia.2 Unidade 7 vitórias e derrotas. o que permitiria concluir que a resposta é E).

Se a população cresce 2% ao ano. Exemplo 4. ca Exemplo 2. 8%V. Aumentando de 20% o raio da base de um cilindro e diminuindo de 30% sua altura. 008 k r2 h = 100. O volume é diretamente proporcional ao quadrado do raio e à altura. A torcida de certo clube é hoje igual a P0 e decresce 5% ao ano. Depois de n anos. V = k (1. 20% passa a valer Depois da variação. a P0 . P0 e cresce Exemplo 3. 2r e h = 120% = 1. Portanto.00.00. em cada ano a população é de 102% da população do ano anterior. 2 do que valia e o que diminui de 30% passa a valer O novo volume será 70% = 0.00 ela perdeu R$37. a população sofre uma multiplicação de população será 102% = 1. 7h. 1. 7h = 1. Se ela começou com R$64. 2r)2 0. 3 3 3 1 1 1 · · · · · · = 27 2 2 2 2 2 2 reias.00 e terminou com R$27. Além disso. e a pessoa também terminaria com R$27. 7 do que valia. A resposta é D). de quanto variará seu volume? Solução. Portanto. isso apenas mudaria a ordem dos fatores. 8%. A população de um país é hoje igual a 2% ao ano. sem alterar o produto. pois o aumento de r e de h serão r = 1. os novos valores de 0. 02 n . Sabemos que V − kr2 h. O volume aumenta de 0. Qual será a população dese país daqui a n anos? Solução. onde k é a constante de proporcionalidade. 02.Progressões Geométricas Ela termina com 3 64 · claro também que se as vitórias e derrotas tivessem ocorrido em outra ordem. Qual será a torcida desse clube daqui a n anos? . a cada ano que passa. k = π . mas isso é irrelevante para o problema.

crescimento de cada (1000. . Portanto. em cada ano a torcida é de Solução. 32. cada termo é 80% do termo anterior. . onde i é a taxa de crescimento constante de cada termo para o seguinte. . 95. 4. . Suas 4 3 i1 = 2 = 200% e i2 = − = −75%. A sequência (1. 54. 18. onde i é a taxa de crescimento dos termos. a torcida sofre uma Depois de 95% = 0. Se a torcida decresce 95% da torcida anterior. n anos.) é um exemplo de uma pro- gressão geométrica. . o que faz com que cada termo seja igual a 200% do termo ante- Exemplo 6. vezes O que deve ter cado claro nesses exemplos é que se uma grandeza tem taxa de crescimento igual a o valor anterior. 1 q2 = . Esse quociente é chamado de razão da progressão e é representado pela letra q.) e (128. a cada ano que passa. a torcida será P0 . A sequência gressão geométrica. . 16. . i. multiplicação por Portanto. 2. . 6. 0. As sequências (2. 95n . Aqui a taxa de crescimento de cada termo para o seguinte é de rior. 512. Exemplo 7. 100%.) q1 = 3 e são progres- sões geométricas cujas razões valem respectivamente taxas de crescimento são respectivamente pois q = 1 + i. cada valor da grandeza é igual a (1 + i) i Exemplo 5. . A razão q de uma progressão geométrica é simplesmente o valor de 1 + i. 8. uma progressão geométrica é uma sequência na qual é constante o quociente da divisão de cada termo pelo termo anterior.) é um exemplo de uma proAqui. 4 . 640. A taxa de termo para o seguinte é de −20%.4 Unidade 7 5% ao ano. . Progressões geométricas são sequências nas quais a taxa de crescimento de cada termo para o seguinte é sempre a mesma. 1+i de razão da progressão e representamos a razão por q. 8. 2. . 32. 800. . É claro então que numa progressão geométrica cada termo é igual ao anterior multiplicado por Chamamos 1 + i.

q 4 = 16 e q = ±3. ao passar de an = a0 q n . avançamos 3 2 2 Logo. avançamos n − 1 termos. 3 termos. Exemplo 10. 5 Em muitos casos é mais natural numerar os termos a partir de zero. pois avançamos n termos a0 para an . Analogamente. Portanto. a3 . 3 = 45. O sétimo termo vale 45. 135 = 5q e q = 3. Por exemplo. q pois ao passar de a17 para a4 . an = a1 q n−1 . Um resultado importante é a fórmula que relaciona taxas de crescimento referidas a períodos de tempo diversos. a12 = a7 q . a função que n o valor de an é simplesmente a restrição aos naturais x da função exponencial a(x) = a(0)q . pois. a5 para a17 a13 . pois avançamos 5 termos ao passar de a7 para a12 . pensando em uma progressão geomátrica como uma função que associa a cada número natural n o valor an . a7 = a5 q = 5 . como foi feito nos exemplos 3 e 4. associa a cada natural o gráco dessa função é formado por uma sequência de pontos pertencentes ao gráco de uma função exponencial. para avançar um termo basta multiplicar pela razão. Qual é a razão da progressão geométrica que se obtém in- serindo 3 termos entre os números 30 e 480? Solução. pois avançamos 8 termos ao passar de a13 = a5 q 8 . . . Exemplo 9. a2 .).Progressões Geométricas Em uma progressão geométrica 5 (a1 . basta multiplicar duas vezes pela razão. Temos a1 = 30 e a5 = 480. Em uma progressão geométrica. para avançar dois termos. ao passar de a1 para an . Como a5 = a1 q 4 . 480 = 30q 4 . retrocedemos 13 termos. Quanto vale o sétimo termo dessa progressão? Solução. a4 = 13 . nesse caso. . e assim por diante. o quinto termo vale 5 e o oitavo termo vale 135. . de modo geral. Exemplo 8. Como em uma progressão geométrica an = a0 q n . pois ao passar do quinto termo para o oitavo. a8 = a5 q 3 .

02 e n = 50. Daí. 3642 e I ∼ = −0. Se a população de um país cresce em 25 anos? i = 2% = 0. o valor da grandeza será G0 (1 + I ) . 6358 = −63. Solução.6 Unidade 7 Figura 1: Fórmula das taxas equivalentes Se I é a taxa de crescimento de uma grandeza relativamente ao período de tempo então T e i é a taxa de 1 + I = (1 + i)n . A quantidade de gás Solução. 6406 e I ∼ = 0. 02)5 0 ∼ = 0. quanto crescerá 1 Exemplo 11. Seja o valor inicial da grandeza. Logo. 58%. cqd. 1 + I = (1 + i)n = Uma bomba de vácuo retira. quanto restará do gás inicialmente existente? i = −2% = −0. Apões um período de tempo T. 02 e n = 25. G0 (1 + i)1 = G0 (1 + i)n 3 1 + I = (1 + i)n . Temos . Prova. Daí. Como um período de tempo T equivale a n períodos de tempo iguais a t. 1 + I = (1 + i)n = (1 − 0. Depois de 50 sucções. Temos Exemplo 12. G0 crescimento relativamente ao período t. (1 + 0. e se T = nt. 02)2 5 ∼ = 1. 2% ao ano. o valor da grandeza será também igual a G0 (1 + i)n . 2% do gás existente em certo recipiente. em cada sucção. 06%. 6406 = 64.

1−q 1−2 Calculando. . 4.. sempre dobrando a quantidade a cada casa nova.Progressões Geométricas diminuirá de aproximadamente do gás inicialmente existente. 2 grãos pela segunda. isto é. Multiplicando por q . Diz a lenda que o inventor do xadrez pediu como recompensa 1 grão de trigo pela primeira casa. 1−q e. . sn − qSn = a1 − an+1 . é 1−q S n = a1 1−q primeiros termos de uma progressão geométrica n . 2. 58%. Subtraindo. . S n = a1 1 − 264 1 − qn =1 = 264 − 1. Como o tabukeiro de xadrez tem 64 casas. obtemos um estupendo número de dígitos: 18 446 744 073 709 551 615. obtemos qSn = a2 + a3 + a4 + · · · + an + an+1 . ( an ) de razão Prova. Exemplo 13. 4 pela terceira e assim por diante. Outro resultado importante é a: 7 63. 42% Fórmula da soma nos n primeiros termos de uma progressão geométrica A soma nos n q = 1. Sn (1 − q ) = a1 − a1 q n 1 − qn Sn = a1 . Sn = a1 + a2 + a3 + · · · + an−1 + an . . Restarão aproximadamente 36. nalmente. o número de grãos pedidos pelo inventor do jogo é a soma dos 64 primeiros termos da progressão geométrica O valor dessa soma é 1.

Salvador terá corrido 1 1 1 1 + + + · · · + n km. Como 1−0 . 8 16 Solução. essa soma será aproximadamente igual a 1km. 3+0. a n → ∞. 1−q parcelas tende a innito é igual 0. isto é. 1−q soma dos nesse n primeiros n caso lim q = 0 n→∞ n→∞ isto é. distância que falta. 1 = 1. .. 2 4 8 2 Se n for grande. Depois de n etapas. 2 em seguida ele corre metade da depois. isto é. 1 3 1 0. Inicialmente ele 1 q1 = 2 1−q 1− corre metade dessa distância..8 Unidade 7 Nas progressões geométricas em que termos tem um limite nito quando temos |q | < 1. ∆ak = an+1 −a1 . O teorema da somação. 33333 · · · = . O resultado admite uma interes2 Suponha que Salvador deva correr 1km. 03+0. lim Sn = a1 n→∞ Exemplo 14. isto é. 003+ . e assim por diante. O resultado é intuitivo pois 1 − 0. 8 1 km. 3 1 a = . . . quando o número de 0. n→∞ lim Sn = sante paráfrase. 4 1 km. O limite da soma lim Sn = a1 . n Exemplo 16. metade da distância restante. Calcule o limite da soma da progressão geométrica 1 1 + + . também nos per- k=1 mitiria determinar o valor da soma dos n primeiros termos de uma progressão . 1 km. 3 1 1 + + 2 4 somando um número muito grande de termos da progressão encontraremos aproximadamente a dízima periódica Exemplo 15.

2 k=1 k=1 n . k=1 e ak+1 = k (logo. Somando. Daí resulta ak+1 ∆bk = ∆(ak bk ) − bk ∆ak . Temos ∆(ak bk ) = ak+1 bk+1 − ak bk = ak+1 (bk+1 − bk ) + bk (ak+1 − ak ) = ak+1 ∆bk + bk ∆ak .Progressões Geométricas geométrica. n n n a1 + a2 + a3 + · · · + an = k=1 ak = k=1 a1 q k−1 a1 = q−1 ∆q k−1 k=1 a1 1 − qn = (q n+1−1 − q 0 ) = a1 . 3 . ∆3 = 3 k k+1 1 − 3 = 3 (3 − 1) = 2 . Logo. q−1 1−q Encerramos esta seção com a chamada fórmula de somação por partes. k=1 n e Solução. 1 . Calcule ak ∆ak . 3 = ∆3k 2 k k k k k 3k = k=1 1 2 n k ∆3k . temos 1 k ∆3 = n . ak = k − 1 1 k3 = 2 k=1 k n n e ∆ak = ak+1 − ak = 1) k bk = 3k . k=1 Aplicando a fórmula de somação por partes n n ak+1 ∆bk = an+1 bn+1 − a1 b1 − k=1 com bk ∆ak . 3n+1 − 0 − 3k . Supondo temos 9 q = 1 e observando que ∆q k−1 = q k −q k−1 = q k−1 (q −1). k=1 k 3k . obten n mos a fórmula de somação por partes: ak+1 ∆bk = an+1 bn+1 − a1 b1 − k=1 n Exemplo 17.

Aumentos sucessivos de 10% 10% e 20% 20% equivalem a um aumento único de quanto? 2. 2 4 4 4 4 Exercícios 1.00.10 Unidade 7 n Mas 3n+1 3 1 − 3n = − 3 =3 1−3 2 2 k=1 k n Daí resulta k 3k = k=1 2n − 1 n+1 3 n n+1 3n+1 3 3 − + = 3 + . determine o valor do carro com 1 ano de uso. de quanto você diminui o tempo de viagem? 5. a pressão de um gás perfeito é inver- samente proporcional a seu volume. Os lados de um triângulo retângulo formam uma progressão geométrica . com 4 anos de uso. Um decrescimento mensal de 6. vale R$ 12 000. mento para aumentar de 20% o período? 7. Um aumento de 10% seguido de um desconto de 20% equivale a um des- conto único de quanto? 4. Um carro novo custa R$18 000. Descontos sucessivos de e equivalem a um desconto único de quanto? 3. Mantida constante a temperatura. 10. Aumentando sua velocidade em 60%. de quanto aumenta a área? 9. 5% gera um decrescimento anual de quanto? De quanto devemos aumentar o compri- O período de um pêndulo simples é diretamente proporcional à raiz quadrada do seu comprimento.00 e. Se a base de um retângulo aumenta de 10% e a altura diminui de 10%. Supondo que o valor decresça a uma taxa anual constante. De quanto aumenta a pressão quando reduzimos de 20% o volume? 8.

Determine três números em progressão geométrica.? 13. 14.1mm. . 488 . . 16. A espessura de uma folha de estanho é 0. d) a distância Rio-São Paulo. 20.. Retira-se um litro de vinho do garrafão e acrescenta-se um litro de água. em sada uma das vezes seguintes.. Determine a razão dessa progressão. 1. e) o comprimento do equador terrestre. . eles passam a formar um progressão aritmética. Determine-os. obtendo-se uma mistura homogênea. aproximadamente: a) a altura de um poste de luz. . Calcule o valor da soma de 18. Por exemplo. 444 . tantas quantas já houveram sido colocadas anteriormente. 17.. 6 é perfeito pois a soma dos seus divisores é 1+2+3+6 = 12. retira-se. 89. (2p − 1) é um número perfeito. √ 3 2. formado por n dígitos iguais a 4. a altura da pilha será. Determine sua raiz quadrada. . Subtraindo-se 1 ao primeiro. a seguir um litro da mistura e acrescenta-se um litro de . Quatro números são tais que os três primeiros formam uma progressão aritmética de razão 6. os três últimos uma progressão geométrica e o primeiro número é igual ao quarto. Mostre que o número n parcelas 1 + 11 + · · · + 111 . 11 Os lados de um triângulo estão em progressão geométrica. b) a altura de um prédio de 40 andares. Prove que. Calcule-os.Progressões Geométricas crescente. n−1 dígitos iguais a 8 e um dígito igual a 9. 19. √ 6 2. se 2p − 1 é um número primo. é um quadrado perfeito. Um garrafão contém p litros de vinho. 15. Número perfeito é aquele que é igual à metade da soma dos seus divi- sores positivos. . 11. conhecendo sua soma 19 e a soma de seus quadrados 133. Qual o quarto termo da progressão geométrica √ 2. Entre que valores pode variar a razão? 12. Forma-se uma pilha de folhas colocando-se uma folha na primeira vez e. Depois de 33 dessas operações. A soma de três números em progressão geométrica é 19. c) o comprimento da praia de Copacabana. então 2p−1 .

. Determine os limites das somas abaixo: 2 2 2 + + + . .12 Unidade 7 água e assim por diante. c) 2 4 8 16 32 2 3 d) 1 + 2x + 3x + 4x + . 711111111 .. 141414141 . b) o comprimento do n-ésimo lado da poligonal. Calcule a soma dos divisores de 12. ela recupera apenas 4/9 da altura anterior. 2 4 8 16 a) 24. . . . pede-se determinar: a) o comprimento da mesma.. de lados ora perpendicu- lares a AB . Determine as geratrizes das dízimas periódicas: a) 0. b) 0. 25. Na gura abaixo temos uma linha poligonal. d) 1.. respectivamente. −1 < x < 1. . .600 que seja: a) positivos. 345454545 . 23. b) o tempo gasto pela bola até parar. 7 7 7 7 7 7 7 9 1 3 5 + + + + + . b) ímpares e positivos. . Qual a quantidade de vinho que restará no garrafão após n dessas operações? 21. Sendo a e b. 3 9 1 2 1 2 1 2 b) + 2 + 3 + 4 + 5 + 6 + . .. 22. Larga-se uma bola de uma altura de 5cm. 999999999 . ora perpendiculares a AC .. . 1 1 1 1 e) 1 − − + − − . c) 0.. . Determine: a) a distância toral percorrida pela bola.. . os dois primeiros lados da poligonal.. Após cada choque com o solo.

b) a abcissa do ponto P. Na gura abaixo temos uma sequência de círculos tangentes a duas O raio do primeiro círculo é 1 e o raio do segundo é retas. Figura 3: 27.Progressões Geométricas 13 Figura 2: 26. . determine: a) o comprimento da espiral. cada círculo tangencia externamente o círculo anterior. r < 1. Na gura abaixo temos uma espiral formada por semicírculos cujos centros pertencem ao eixo das abcissas. Se o raio do primeiro semicírculo é igual a 1 e o raio de cada semicírculo é igual à metade do raio do semicírculo anterior. raios dos Determine a soma dos n primeiros círculos. ponto assintótico da espiral.

75. a) x x √ x x. b) x y √ x y.. Sendo x e y positivos. 9. Seja n.14 Unidade 7 Figura 4: 28. calcule lim an e lim bn . 32. respectivamente. = 1. Começando com um segmento de tamanho 1. obtendo dois segmentos de com- . 2n 3 n=1 31. Calcule . = 2.. Sn Sn Sn Sn Sn Determine quais das armações abaixo são verdadeiras: Sn de modo que 2) É possível escolher Sn de modo que 3) É possível escolher Sn de modo que 4) É possível escolher Sn de modo que 5) É possível escolher Sn de modo que ∞ 2n − 1 30.. > 2.. Sendo an e bn . calcule: 1) É possível escolher > 1. o número de alunos do primeiro período no primeiro e no segundo semestres do ano 29. 30% dos alunos são reprovados no primeiro período e repetem o período no semestre seguinte. dividimo-lo em três partes iguais e retiramos o interior da parte central. Sn a soma das áreas dos n primeiros quadrados obtidos a partir de um quadrado Q1 de lado 1 pelo seguinte processo: os vértices do quadrado Qn+1 são os pontos médios dos lados de Qn . > 2. Uma faculdade recebe todos os anos 300 alunos novos no primeiro semestre e 200 alunos novos no segundo semestre. 1.

Em quanto tempo a terça parte da massa inicialmente presente se desintegrará? 36. ela é um triângulo equilátero de lado 1. c) Certo livro. lim Sn . quadrada. arma que. ao nal. Repetimos agora essa operação com cada um desses segmentos e assim por diante. 05 (n − 1 dígitos 0). Sejam iguais a a = 111 . Isso é verdade? 33. muito citado em aulas de análise de erros de livros didáticos. O rádio-226 tem meia-vida (período de tempo em que metade da massa inicialmente presente se desintegra) de 1600 anos. . . construindo externamente sobre a parte central um triângulo equilátero e suprimindo então a parte central (ver gura abaixo). determine: a)Pn b)An c) lim Pn d) lim An . a 34. Sendo restaram depois de a) O valor de b)O valor de Sn a soma dos comprimentos dos intervalos que n dessas operações. . ii) O estágio n + 1 é obtido a partir do estágio n. 37. 35. prove que (bn ) denida por bn = e n é uma progressão geométrica. A curva de Koch é obtida em estágios pelo processo seguinte: i) No estágio 0. o conjunto dos pontos não retirados é vazio. A taxa de variação da massa é constante. Seja A= . Se (an ) é uma progressão aritmética. determine: Sn . dividindo cada lado em três Pn partes iguais. Prove que ab + 1 é um quadrado perfeito e determine sua raiz 1 2 2 4 An . Se (an ) é uma progressão geométrica de termos positivos. . 1 (n dígitos iguais a 1) e b = 100 . prove que (bn ) denida por bn = log an é uma progressão aritmética.Progressões Geométricas 15 primento 1/3. . Determine 38. Sendo e An respectivamente o perímetro e a área do n-ésimo estágio da curva de Koch.

cujos comprimentos estivessem na razão de 1 para 2. isto é. b) a frequência do sinal de discar de um telefone. é 880Hz (Hz é a abreviatura de hertz. isto é. Hoje sabemos que a razão das frequências dos sons emitidos por essas cordas seria a razão inversa dos seus comprimentos.Bach pra cá).DÓ# .SI .16 Unidade 7 Figura 5: 39. c) a nota cuja frequência é 186Hz. . de 2 para 1 e que duas cordas vibram em uníssono se e só se a razão de seus comprimentos é uma potência inteira de 2. determine: a) a frequência desse dó. primeiro dó seguinte ao lá padrão.SOL# . A escala musical ocidental (de J. A frequência da nota lá-padrão (o lá central do piano) é 440Hz e a frequência do lá seguinte.RÉ# MI .SOL . mais agudo. cerca de cinco séculos e meio antes de Cristo. soariam em uníssono. Sabendo que essas notas são LÁ .S. unidade de frequência que signica siclo por segundo).FÁ .RÉ .LÁ. dita cromática. tais que a razão das frequências de notas consecutivas é constante. divide esse intervalo em doze semitons iguais.LÁ# . Pitágoras 1 .DÓ . matemático de Samos. que é o primeiro sol anterior ao lá padrão.FÁ# . que estudou a geração dos sons. 1 Pitágoras. observou que duas cordas vibrantes.

x − 6 Os divisores são da forma x+6 x−6 = . x + r . em mil reais. (2 − 1) como α ∈ {a. x − r + 1 . . 1. . x−r+1 x e β ∈ {0. para resposta de seres humanos a estímulos físicos.. O valor. x. 2k k=1 Sugestões aos Exercícios 9. a)Mostre que numa escala de Fechner. A lei de Weber (Ernest Heinrich Weber. e a2 Determine a + aq + aq 2 = 19 + a2 q 2 + a1 . Divida. a0 = 18 e a4 = 12. x x+6 α p 2 . 16. medida em W/m2 . x. 14. Por exemplo. Os números são Temos (x − r + 1) + x + (x + r) = 19 e x − 6. siologista alemão). b)Uma das mais conhecidas escalas de Fechner é a que mede a sensação de ruído. as medidas da resposta estímulo y e do x se relacionam por y = a + b log x. propôs que enquanto os estímulos variassem em progressão geométrica. x + 6 . declara que diferenças marcantes na resposta a um estímulo ocorrem para variações de intensidade do estímulo proporcionais ao próprio estímulo. Ela é denida por sensação d e ruído em L = 120 + 10 log10 l. .. 2 a q4 = Comece pela progressão aritmética x − r . Determine o valor de: ∞ a) k=1 k2 2k n b) k . A progressão geométrica e na qual 13. 1}. será 15. x. . p − 1} x+r x = . só percebe uma variação da luminosidade se esta for superior a 2%. que sai de um ambiente iluminado para outro. físico e lósofo alemão) propôs um método de construção de escalas baseado na lei de Weber. etc. 1801-1887. as medidas das respostas variassem em progressão aritmética. 1795-1878. onde L é a medida da decibéis (dB) e l é a intensidade sonora. só distingue entre soluções salinas se a variação da salinidade for superior a 25%. . Duas bandas de heavy metal provocam um ruído quantos decibéis acima do ruído provocado por uma banda? 41. um homem. x + r . Fechner (Gustav Theodor Fechner. do carro com n anos de uso forma a progressão geométrica 133.Progressões Geométricas 17 40.

h São três progressões geométricas. 41b. 18. 2 xS e subtraia. Os triângulos são semelhantes e a razão de semelhança de cada um para o anterior é sempre a mesma. x4 . 28. 3 32 33 etc? 1 1 1 O que acontece com os pontos de abcissas Tomando 1600 anos como unidade de tempo.18 Unidade 7 β=0 Para calcular a soma dos divisores. A abcissa do ponto assintótico é 2−1+ Inspire-se no problema 23c). 24b. 26.. Use 210 = 1024 ∼ = 103 . Sendo Sendo 23b. p O número é São duas progressões geométricas. e 36. o tempo gasto na subida é igual ao tempo da descida. e e 41a. 23e. partindo do repouso. 102 + · · · + 8 . 23c. A expressão é igual a 31a. 10 + 8 . 35. some separadamente os divisores de têm e os que têm 17. 19. 2 4 lim an = 300 + 0. x2 . β = 1. 300 + 0. 30. 9 + 8 . 102n−1 . 4 Pn+1 = 3 √ e b = 10n + 5. Cada operação dobra o número de folhas.. O tempo que uma bola gasta. x8 . 1 1 − + . 32c. calcule a soma pedida. a massa existente no instante t é M (t) = M (0)0. 1 1 1 . . a quantidade de vinho diminui de . para cair de uma altura é 2h/g e quando uma bola é lançada do chão verticalmente para cima. 38. 200 + . 25. 20. 1 Em cada operação. 32 . 10n + · · · + 4 . 23c. 5t . 10n + 4 . 37. calcule S e subtraia. Somação por partes com Somação por partes com ak+1 = k 2 ak+1 = k ∆bk = 1 2 k ∆bk = 2k . . 3 . a = 1 + 10 + 102 + · · · + 10n−1 A2 = 5A. . . 200 + 0. . parcela da soma é A k -ésima 1 + 10 + 102 + · · · + 10k−1 . 33 . An+1 + 3 4 12 9 n . S S a soma pedida. .

já que usualmente o que se conhece de uma progressão são o primeiro termo e a razão. calcular x. z . É certamente mais eciente saber que para avançar um termo basta somar r . a soma de dois termos equidistantes dos extremos é igual à soma dos extremos. Realmente. cada termo é a média aritmética entre seu antecedente e seu consequente não só não substitui. o conhecimento de que uma progressão aritmética é uma sequência na qual a diferença entre cada termo e o termo anterior é constante. se estão em progressão aritmética. −1. o produto de dois termos equidistantes dos extremos é igual ao produto dos extremos. Entretanto é bom lembrar que o conhecimento apenas dessas fórmulas costuma atrapalhar muitos alunos quando a progressão começa e. o termo central é a média geométrica dos extremos (Seria isso verdadeiro para a progressão 1. y . Na maioria dos livros se encontram as fórmulas an = a1 + (n − 1)r. −1. Não encha a cabeça de seus alunos com casos particulares desnecessário. o termo central é a média aritmética dos extremos. a0 . como é uma consequência imediata disso. (Seria isso verdadeiro para a progressão x+z . 4?) Em uma progressão geométrica com um número ímpar de termos. numa progressão aritmética. y= 2 y − x = z − y. ou pelo menos não substitui de modo eciente.Progressões Geométricas 19 Sobre o Ensino de Progressões 1. Isso só serve para obscurecer as idéias gerais e acaba dicultando as coisas. quem se interessar em 1. 2. Saber que. Nada contra essas fórmulas. Em uma progressão aritmética. Em uma progressão geométrica cada termo é a média geométrica entre seu antecedente e seu consequente. Daí. 4?) Em uma progressão geométrica. para progressões geométricas. y obterá Do mesmo modo são conhecimentos desnecessários: Em uma progressão aritmética com um número ímpar de termos. para progressões aritméticas e an = a1 q n−1 .

supostamente fórmulas como a1 = an − (n − 1)r . Assim facilmente se conclui que an = a0 + nr e an = a1 + (n − 1)r. dois termos extremos n termos entre eles. teremos algum trabalho em descobrir se Pn = (a1 an )n ou se Pn = −(a1 an )n . em determinar o produto dos termos de uma progressão geométrica. aparecerá um livro com uma fórmula para o cálculo do 1. isso já foi feito no exercício 7) da parte de progressões aritméticas. etc. an = a1 + (n − 1)r. e que an = a0 q e an = a1 q . r fórmula para o cálculo de r: r = usada quando a progressão e mais 5. 6. Alguns livros chegam ao cúmulo de trazerem duas versões da (desnecessária) an − a1 . Uma pergunta que devemos sempre nos fazer é a seguinte: Se meu professor de . Em terceiro lugar. 4. nas progressões cujos termos não são todos positivos. isto é. . além da fórmula para facilitar o cálculo. não são interessantes e não desenvolvem o raciocínio. 4)3 = 23 = 8. como no exemplo 4. Em quarto lugar. n Em primeiro lugar. −2. an − a1 an − a1 . essa fórmula está errada. Moderação nos problemas. r = n−1 r 3. Problemas em que são dados a soma do 24 o termo com o 47 o e é pedida a diferença entre o 36 o e o 11 o não apare- cem na vida real. é muito simples determinar o produto dos termos de uma progressão geométrica... não há o menor interesse. Em alguns livros se encontram. Com efeito. √ P n = ( a1 an ) n . 1=n− 4. n n−1 nas progressões aritméticas. Por ela. . an − a1 an+2 − a1 e r = . o produto dos três primeiros termos da progressão 1. Depois nos queixamos que os alunos não sabem resolver equações do primeiro grau! Mais cedo ou mais tarde. nas progressões geométricas.20 Unidade 7 ou multiplicar por q . a segunda para ser n−1 n+1 tiver n + 2 termos. Em segundo lugar. . Alguns livros trazem uma fórmula para o cálculo do produto dos primeiros termos de uma progressão geométrica. para avançar dois termos basta somar 2r ou multiplicar q 2 . seria √ ( 1 . se corrigirmos essa fórmula obteremos 2 = (a1 an )n Pn e. n = 1+ . prático ou teórico.

Progressões Geométricas 21 Matemática tivesse feito estes problemas. Se a primeira noção de limite aparece no limite da soma da progressão geométrica. ensinar progressões geométricas e não relacioná-las à idéia de taxa de crescimento. não há grandes diculdades em falar intuitivamente de limite da soma dos termos de uma progressão geométrica pois. xq . os exemplos 14 e 15 de progressões geométricas são muito bons. eu teria gostado de Matemática? 7. Se você ensina exponenciais e logaritmos antes de progressões. 8. mas infelizmente é comum. em começar pelo termo central. A melhor maneira de resolver problemas com progressões com um número pequeno de termos é escrevê-las e esquecer completamente as fórmulas para calcular termos e somas de termos conforme zemos nos exemplos 7 e 8 de progressões aritméticas. xq 2 . q xq em vez de chamá-los de x. 10. Tenha sempre em mente que uma progressão geométrica é uma sequência na qual a taxa de crescimento de cada termo para o seguinte é sempre a mesma e esse instrumento matemático foi criado para descrever grandezas que variam com taxa de crescimento constante. não há nenhuma vantagem. 9. só serve para criar desnecessariamente denominadores e complicar as contas. Entretanto. você já deve ter comentado quais os limites de ax quando x tende para +∞ ou para −∞. Calculadoras são indispensáveis para a resolução de quase todos os pro- blemas de progressões geométrica da vida real. ao escrever progressões aritméticas. É absurdo. ao contrário do que ocorria com as progressões aritméticas. ao fazer os grácos das funções exponenciais e logarítmicas. Chamar três números em progressão geométrica de x . . x.

a2 = 4.MA 12 . . PAs. No caso (3). Vocˆ e aprender´ a como resolver recorrˆ encias do tipo an+1 = can + f (n). . Isto ´ eo ´bvio nos casos de PAs e PGs. ou seja. onde f ´ e uma fun¸ c˜ ao com dom´ ınio o conjunto dos naturais e c ´ e uma constante. obtemos a sequˆ encia: a1 = 2. uma sequˆ encia ´ e definida recursivamente se ela for dada por uma regra (recorrˆ encia) que permite calcular um termo qualquer atrav´ es de um ou mais termos anteriores. a determinar f´ ormulas fechadas para algumas recorrˆ encias lineares de primeira ordem. a3 = 12. introduzidas na Unidade 3. mas ´ e preciso dizer qual ´ e o seu primeiro termo. por f´ ormula fechada. . diz-se que ela foi resolvida. que n˜ ao representa o fatorial. . obtemos o fatorial se tomarmos a1 = 1.Unidade 8 Recorrˆ encias Lineares de Primeira Ordem Semana de 02/05 a 08/05 O assunto dessa unidade ´ e o estudo mais sistem´ atico das sequˆ encias num´ ericas definidas recursivamente (ou por recorrˆ encia). a4 = 48. . s˜ ao estudadas as recorrˆ encias lineares de primeira ordem. Quando se acha uma f´ ormula fechada para uma recorrˆ encia. como. onde. Por exemplo. Nesta unidade. PGs. Esta unidade ´ e dedicada. essencialmente. por exemplo. sem elev´ a-lo a um expoente maior do que 1. n˜ ao basta dar a recorrˆ encia. Se tomarmos a1 = 2. Temos tamb´ em que (4) somente define as potˆ encias de a se tomarmos a1 = a. entendemos uma express˜ ao an = φ(n) para an como fun¸ c˜ ao de n. as exponenciais com expoentes n´ umeros naturais e a sequˆ encia de Fibonacci s˜ ao sequˆ encias definidas por recorrˆ encia. por exemplo: 1) Progress˜ oes Aritm´ eticas: an = an−1 + r 2) Progress˜ oes Geom´ etricas: an = an−1 q 3) Fatorial: an = nan−1 4) Exponencial com expoente natural: an = aan−1 Note que para definir uma sequˆ encia desse modo. sequˆ encias em que um termo qualquer ´ e definido por uma express˜ ao que envolve o termo anterior. o fatorial. Conforme j´ a vimos anteriormente.

3. com x1 = a. A seqüência (xn ) dos números naturais ímpares 1. com x1 = 1.. por recorrência).Unidade 8 Recorrências Lineares de primeira Ordem Semana 02/05 a 08/05 1 Sequências Denidas Recursivamente Muitas sequências são denidas recursivamente (isto é. Qualquer progressão aritmética (xn ) de razão r e primeiro termo a pode ser denida por xn+1 = xn +r (n 1). ou seja. 7.. pode ser denida por xn+1 = xn + 2 (n 1). Exemplo 2. por intermédio de uma regra que permite calcular qualquer termo em função do(s) antecessor(es) imediato(s).5. 1 ..MA12 . Exemplo 1.

2 MA12 . isto é. a recorrência do exemplo 1. na qual cada termo é expresso em função dos dois antecessores imediatos. e na qual cada termo é a soma dos dois imediatamente anteriores. com F0 = F1 = 1. o valor de xn+2 será a soma de: Exemplo 5. . Quantas são as sequências de 10 termos.Unidade 8 Exemplo 3.. Qualquer progressão geométrica (xn ) de razão q e primeiro termo a pode ser denida por xn+1 = q . Observe que. 5. 2}. Mas isso é precisamente igual a xn+1 . ou seja. É fácil ver que uma recorrência. Por exemplo. para formar a sequência basta determinar os termos a partir do primeiro. 1. e que. 2. 1. 3. i) o número de sequências de n + 2 termos que começam por 1 e não possuem dois zeros consecutivos. nos exemplos 1. pertencentes a {0.. xn+1 = xn + 2. 2 e 3 temos recorrências de primeira ordem. A seqüência (Fn ). Chamando de xn o número de sequências com n termos. nas quais cada termo é expresso em função do antecessor imediato. Para que a sequência que perfeitamente determinada é necessário também o conhecimento do(s) primeiro(s) termo(s). não dene a sequência. que não possuem dois termos consecutivos iguais a 0? Solução. dita de Fibonacci.. por si só. temos uma recorrência de segunda ordem. com x1 = a. é satisfeita não apenas pela sequência dos números ímpares. xn (n 1). o que pode ser feito de xn+1 modos. no exemplo 4. pois se o primeiro termo é 1. Exemplo 4. é denida por Fn+2 = Fn+1 + Fn (n 0). cujos termos são 1. mas por todas as progressões aritméticas de razão 2.

Dn+2 = (n + 1)(Dn+1 + Dn ). . o número de permutações simples de 1. nas quais nenhum elemento ocupa o seu lugar primitivo. o que pode ser feito de Dn modos. n + 2 nas quais nenhum elemento ocupa o seu lugar primitivo. x10 = 24 960. x4 = 60. Analogamente. o que pode ser feito de n + 1 modos. escolhido o segundo termo. sem que nenhum desses elementos ocupe o seu lugar primitivo. devemos arrumar os demais n elementos nos restantes n lugares. . . Pera formar uma permutação do primeiro grupo. 2xn sequências começadas em 0. . . em seguida. . Há. pois. . . iii) o número de sequências de n + 2 termos que começam por 0 e não possuem dois zeros consecutivos. É fácil ver que x1 = 3 e que x2 = 8. n. . 2. o número de permutações simples de 1. Mostre que. Há (n + 1) · Dn permutações no primeiro grupo. temos xn modos de escolher os demais. isto é. . . Calculemos Dn+2 . n. Para formar uma permutação do segundo grupo. As permutações podem ser divididas em dois grupos: aquelas nas quais o 1 ocupa o lugar do número que ocupa o primeiro lugar e aquelas nas quais isso não ocorre. . devemos escolher o número que trocará de lugar com o 1. 2. xn+2 = 2xn+1 + 2xn . isso é igual a xn+1 .Recorrências Lineares de primeira Ordem 3 ii) o número de sequências de n + 2 termos que começam por 2 e não possuem dois zeros consecutivos. temos 2 modos de escolher o segundo termo (1 ou 2) e. Exemplo 6. Solução. Logo. . Daí obtemos x3 = 2x2 + 2x1 = 22. Seja Dn o número de permutações caóticas de 1. . Se o primeiro termo é zero. e. 2. se n 1. . . temos de escolher .

Caracterize xn recursivamente.4 MA12 . com uma condição inicial x1 = a. 4. tem sempre uma e uma só solução. determine xn . o que pode ser feito de Dn+1 modos.Unidade 8 o lugar que será ocupado pelo número 1 (chamemos esse lugar de k ). 2. 1. 3. o que pode ser feito de n + 1 modos. Se xn+1 = 2xn e x1 = 3. Dn+2 = (n + 1)(Dn+1 + Dn ). sem que o elemento k ocupe o primeiro lugar e sem que nenhum dos demais elementos ocupe o seu lugar primitivo. Prove que uma recorrência de segunda ordem xn+2 = f (xn+1 . . Há (n + 1) · Dn+1 permutações no segundo grupo. em seguida devemos arrumar os restantes n + 1 elementos dos demais n + 1 lugares. e. tem sempre solução única. determine x5 . xn ). com condições iniciais x1 = a e x2 = b. 6. Se xn+1 = xn + 3 e x1 = 2. Exercícios Para a sequência denida por xn+2 = 2xn+2 + xn . x0 = x1 = 1. xn+1 = f (xn ). determine xn . 5. Portanto. Prove que uma recorrência de primeira ordem. Seja xn o número máximo de regiões em que n retas podem dividir o plano. como queríamos demonstrar.

8. Observe que (xn ) é uma progressão aritmética. 3. Indução! Indução! Observe que (xn ) é uma progressão geométrica. ou seja. k! Sugestões aos Exercícios Seja xn o número de regiões para n retas. a colocação de mais uma reta acrescenta n + 1 regiões às regiões já existentes. Quando se acrescenta mais um círculo. Quando se acrescenta mais uma reta. ele cria uma região a mais após cada interseção dele com cada um dos n círculos que já existiam. Caracterize xn recursivamente. Seja xn o número de regiões para n círculos.Recorrências Lineares de primeira Ordem 5 Seja xn o número máximo de regiões em que n círculos podem dividir o plano. 2. Prove que o número de permutações caóticas de n elementos é n k=0 9. 7. Dn = n! (−1)n . 5. ela começa criando uma região a mais e o mesmo acontece após cada interseção dela com cada uma das n retas já existentes. 4. se há n retas. . ou seja. se há n círcu7. 6. Determine o número de permutações caóticas de 5 elementos.

Exemplo 2. Não há grandes diculdades na resolução de uma recorrência linear homogênea de primeira ordem. com D1 = 0 e D2 = 1. 2 Recorrências Lineares de Primeira Ordem Uma recorrência de primeira ordem expressa xn+1 em função de xn . As duas últimas são ditas homogêneas. x1 = 1. conforme mostram os exemplos a seguir. As recorrências xn+1 = 2xn − n2 e xn+1 = nxn são lineares e a recorrência xn+1 = x2 n não é linear. Ela é dita linear se (e somente se) essa função for do primeiro grau. Dn+2 = (n + 1)(Dn+1 + Dn ). a colocação de mais um círculo acrescenta 2n regiões já existentes.Unidade 8 los. Resolva xn+1 = nxn . . Exemplo 1. 9.6 MA12 . 8. por não possuirem termo independente de xn . Basta provar que Dn+2 = (n + 1)(Dn+1 + Dn ). D1 = 0 e D2 = 1.

. É claro que como não foi prescrito o valor de x1 .. onde C é uma constante arbitrária. . . .Recorrências Lineares de primeira Ordem 7 Solução. ... Exemplo 3. obtemos xn = (n − 1)!x1 . xn = C · 2n−1 . multiplicando.. = Daí. obtemos xn = 2n−1 x1 . Resolva xn+1 = 2xn . = Daí. temos xn = (n − 1)!..... há uma innidade de soluções para a recorrência... multiplicando. Como x1 = 1.. Temos x2 x3 x4 xn = = = 1 x1 2 x2 3 x3 (n − 1)xn−1 . Temos x2 x3 x4 xn = = = 2 x1 2 x2 2 x3 2xn−1 . As recorrências lineares não-homogêneas de primeira ordem que mais facilmente se resolvem são as da forma xn+1 = xn + f (n). Solução. .

Solução. = Somando. ..Unidade 8 Com efeito.. resulta xn = x1 + (2 + 22 + 23 + · · · + 2n−1 ) = 1 + 2 + 22 + 23 + · · · + 2n−1 2n − 1 = 1 2−1 = 2n − 1. . f (k ).. ..8 MA12 .. temos x2 x3 x4 xn = = = x1 + f (1) x2 + f (2) x3 + f (3) xn−1 + f (n − 1) n−1 .. Resolva xn+1 = xn + 2n . x1 = 1. . Temos x2 x3 x4 xn = = = x1 + 2 x2 + 2 2 x3 + 2 3 xn−1 + 2n−1 .... obtemos xn = x1 + k=1 Exemplo 4.. ... = Somando.

então a substituição xn = an yn transforma a recorrência xn+1 = g (n)xn + h(n) em yn+1= yn + h(n)[g (n) · an ]−1 .. resulta xn = x1 + 1 + 2 + 3 + · · · + (n − 1) = 1 + 2 + 3 + · · · + (n − 1) n(n − 1) . = Somando.. A substituição xn = an yn transforma xn+1 = g (n)xn + h(n) em an+1 yn+1 = g (n)an yn + h(n).. = 2 O teorema a seguir mostra que qualquer recorrência linear nãohomogênea de primeira ordem pode ser transformada em uma da forma xn+1 = xn + f (n). Temos x2 x3 x4 xn = = = x1 + 1 x2 + 2 x3 + 3 xn−1 + (n − 1) .. x1 = 0 Solução. Mas an+1 = g (n)an pois an é solução de xn+1 = g (n)xn . . Teorema 1.Recorrências Lineares de primeira Ordem 9 Exemplo 5. resolva xn+1 = xn + n... Se an é uma solução não-nula de xn+1 = g (n)xn . Prova. . .

resulta yn = y1 + 2−1 + 2−2 + 2−3 + · · · + 2−(n−1) (2−1 )n−1 − 1 = y1 + 2 −1 2−1 − 1 1−n = y1 − 2 + 1. ou seja. n−1 xn = 2 . Daí. Uma solução não-nula de xn+1 = 2xn é. . x1 = 2.10 MA12 . . Façamos a substituição xn = 2n−1 yn . temos y1 = 2 e yn = 3 − 21−n . yn+1 = yn + 2−n .. Resolva xn+1 = 2xn + 1. . x1 = 2.. Resolva xn+1 = 3xn + 3n . Solução. yn+1 = yn + h(n)[g (n) · an ]−1 . por exemplo. xn = 3 · 2n−1 − 1.. Obtemos 2n yn+1 = 2n yn + 1.Unidade 8 Portanto a equação se transforma em g (n)an yn+1 = g (n)an yn + h(n). conforme vimos no exemplo 3. ou seja. Exemplo 7. Como xn = 2n−1 yn e x1 = 2.. y2 y3 y4 yn = = = y1 + 2−1 y2 + 2−2 y3 + 2−3 yn−1 + 2−(n−1) . Daí se tem Exemplo 6.. = Somando..

2}. yn = y1 + (n − 1)1. usando a segunda como estaca auxiliar. Ocupavam-se os sacerdotes em transferí-los para a terceira estaca. 2. 1. e jamais um disco poderia ser colocado so4. de cima para baixo. Solução. em ordem crescente de diâmetros. Quantas são as sequências de n termos. Daí. Exercícios 1.Recorrências Lineares de primeira Ordem 11 Uma solução não-nula de xn+1 = 3xn é. Daí. 1}. (A Torre de Hanói). de diâmetros diferentes. Inicialmente os discos estavam enados na primeira estaca. todos pertencentes a {0. de uma estaca para a outra. que possuem em número ímpar de termos iguais a 0? 3. Como xn = 3n−1 yn e x1 = 2. ou seja. Obtemos 3n yn+1 = 3n yn + 3n . (Veja o exemplo 2 da seção recorrência). No processo de transferência. de cada vez se movia apenas um disco. que possuem em número ímpar de termos iguais a 0? Quantas são as sequências de n termos. por exemplo. xn = 3 (ou qualquer outra progressão geométrica de razão 3). Determine o número máximo de regiões em que n retas podem dividir o plano. n−1 xn = (n + 1)3n−1 . . Façamos a substituição xn = 3n−1 yn . yn é uma progressão aritmética de razão 1. temos y1 = 2 e yn = n + 1. Logo. todos pertencentes a {0. yn+1 = yn + 1. Diz a lenda que havia em um tempo 3 estacas e n discos de ouro.

A torcida do Fluminense tem hoje p0 membros. determine o número de torcedores daqui a n anos. Resolva a equação xn+1 − nxn = (n + 1)!. a mortalidade é j e. x1 = 1. De quantos modos podemos colorí-los. Quantas transferências de discos. A taxa anual de natalidade é i. .1). Em cada partida. cada setor com uma só cor. Um círculo foi dividido em n (n 2) setores. A torcida está condenada a extinção? 11. qual é a probabilidade de Sheila ganhar a n-ésima partida? 5. 6.12 MA12 . 7. x1 = 1. 8. de uma estaca para a outra.Unidade 8 bre um disco menor. Se i > j . todo ano um número xo de R torcedores desiste de vez. Quando todos estivessem enados na terceira estaca. o mundo acabaria. se dispomos de k (k > 2) cores diferentes e setores adjacentes não devem ter a mesma cor? 10. quem iniciou tem probabilidade 0. 9. Se Helena iniciou a primeira partida.6 de ganhá-la e probabilidade 0. Resolva a equação (n + 1)xn+1 + nxn = 2n − 3. Resolva a equação xn+1 = (n + 1)xn + n. x1 = 1.4 de perdê-la. Determine o número máximo de regiões em que n círculos podem dividir o plano. Cada partida é iniciada por quem venceu a partida anterior. além disso. (Veja o exemplo 7 da seção 3. devem ser feitas para colocá-las na terceira estaca? Sheila e Helena disputam uma série de partidas.

obtemos xn+1 = k (k − 1)n − xn . xn+1 = 2xn + 1. 4. x1 = 1. xn+1 = 2xn + (3n − xn ). 5. O número de sequências é a soma do número de sequências começadas por 1 com número de sequências começadas por 0. 3. isto é. Esse resultado inclui colorações nas quais o primeiro e o último setores recebem a mesma cor. n n+1−1 1 1 = = − . já que setor não pode receber a mesma cor que o setor anterior. 6. o que daria k · (k − 1)n modos de colorir os setores. x1 = 1. x1 = 0. Descontando o que se contou indevidamente. 11. com x2 = k (k − 1). Há k modos de colorir o primeiro setor e k − 1 modos de colorir cada um dos demais setores. xn+1 = xn + (2n − xn ). 4(1 − xn ). 4. xn+1 = xn + n + 1. Para Sheila ganhar a n-ésima partida. Obtém-se xn+1 = 0.Recorrências Lineares de primeira Ordem 13 Sugestões aos Exercícios 1. 10. ou ela ganha a n-ésima partida e ganha a anterior. (n + 1)! (n + 1)! n! (n + 1)! Seja xn+1 o número de colorações para n + 1 setores. x0 = 1. 6xn + 0. ou ganha a n-ésima e perde a anterior. 2. . pn+1 = (1 + i − j )pn − R.

O termo geral da sequˆ encia ´ e ent˜ ao obtido como uma combina¸ c˜ ao linear dessas PGs com coeficientes determinados gra¸ cas aos valores fixados para x1 e x2 . Para saber (bem) mais sobre sequˆ encias recorrentes. .Unidade 9 Recorrˆ encias Lineares de Segunda Ordem Semana de 02/05 a 08/05 Um exemplo de recorrˆ encia linear de segunda ordem ´ e a recorrˆ encia que define a sequˆ encia de Fibonacci: xn = xn−1 + xn−2 . ´ e preciso estipular os valores dos seus dois termos iniciais. Este material ´ e apenas complementar e n˜ ao ser´ a cobrado nas avalia¸ co ˜es. ´ e apresentada uma t´ ecnica para resolver recorrˆ encias lineares homogˆ eneas de segunda ordem. g. as solu¸ c˜ oes de uma equa¸ c˜ ao com coeficientes constante se obtˆ em somando uma solu¸ c˜ ao particular da equa¸ c˜ ao dada ` as solu¸ c˜ oes da equa¸ c˜ ao homogˆ enea associada. onde f. onde as PGs s˜ ao substitu´ ıdas por fun¸ c˜ oes exponenciais. com coeficientes constantes. Quando k = 0. uma recorrˆ encia linear de segunda ordem ´ e uma recorrˆ encia do tipo f (n)xn + g (n)xn−1 + h(n)xn−2 + k (n) = 0. Tal como na teoria das equa¸ co ˜es diferenciais. ´ Essa t´ ecnica pode ser plenamente justificada usando Algebra Linear. de Carlos Gustavo Moreira. Nesta unidade. recomendamos a leitura do artigo Sequˆ encias Recorrentes. Para que uma recorrˆ encia do tipo acima nos defina uma sequˆ encia.MA 12 . que o leitor encontrar´ a anexado ` a presente unidade. Mais geralmente. h e k s˜ ao fun¸ c˜ oes cujo dom´ ınio ´ e o conjunto dos n´ umeros naturais e f (n) nunca se anula. a recorrˆ encia ´ e dita homogˆ enea. e que ´ e a mesma utilizada na resolu¸ c˜ ao de equa¸ co ˜es diferenciais lineares homogˆ eneas com coeficientes constantes. Essa t´ ecnica consiste em encontrar PGs da forma q n que resolvem a recorrˆ encia e cujas raz˜ oes q s˜ ao ra´ ızes de uma equa¸ c˜ ao alg´ ebrica do segundo grau chamada equa¸ c˜ ao caracter´ ıstica da recorrˆ encia. o que ser´ a feito oportunamente no lugar apropriado.

Unidade 9 Recorrências Lineares de segunda Ordem Semana 02/05 a 08/05 Inicialmente trataremos das recorrências lineares de segunda ordem homogêneas. A recorrência xn+2 = xn+1 + xn 1 tem equação carac- . Suporemos sempre q = 0.MA12 . da forma xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. que são recorrências da forma xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. A cada recorrência linear de segunda ordem homogênea. na realidade. com coecientes constantes. associaremos 2 uma equação do segundo grau. uma recorrência de primeira ordem. com coecientes constantes. chamada de equação característica. r + pr + q = 0. Exemplo 1. a recorrência é. pois se q = 0. A nossa suposição preliminar de ser q = 0 implica 0 não ser raiz da equação característica.

Se as raízes de r2 + pr + q = 0 são r1 e r2 . se z1 = z2 = 0 r1 = r2 . Teorema 1. A equação xn+2 + 3xn+1 − 4xn = 0 1 e tem r 2 + 3r − 4 = 0 como equação característica. Se as raízes de r2 + pr + q = 0 são r1 e r2 .2 MA12 . As raízes da equação característica são −4. obtemos.Unidade 9 terística r 2 = r + 1. n 2 n 2 C1 r1 (r1 + pr1 + q ) + C2 r2 (r2 + pr2 + q ) n n = C1 r1 0 + C2 r2 0 = 0. então qualquer sequência da forma an = C1 r1 + C2 r2 é solução da recorrência. então n n an = C 1 r 1 + C 2 r2 é solução da recorrência xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. . quaisquer que sejam os valores das constantes C1 e C2 . Teorema 2. quaisquer que sejam os valores das constantes C1 e C2 . Exemplo 2. todas as soluções de recorrência têm a forma apontada no teorema 1. com r1 = r2 . todas as sequências da forma C1 1 + C2 (−4) n n são soluções da recorrência. As raízes da equação característica são √ 1± 5 . O teorema a seguir mostra que. n n Prova. 2 O teorema a seguir mostra que se as raízes da equação característica são r1 e n n r2 . grupando convenientemente os termos. Substituindo an = C1 r1 + C2 r2 na recorrência xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. an = De acordo com o teorema 1.

2 2 Além disso. cqd. n n Armamos que yn = C1 r1 + C2 r2 para todo n natural. Determine constantes equações que sejam soluções do sistemas de C1 r1 + C2 r2 = y1 2 2 C1 r1 + C2 r2 = y2 isto é. Seja yn uma solução qualquer de e xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. O primeiro parênteses é igual a zero porque yn é solução de xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. Com efeito. Mostraremos que zn = 0 n. C1 C1 e C2 C2 constantes. Então zn+2 + pzn+1 + qzn = 0.Recorrências Lineares de segunda Ordem 3 então todas as soluções da recorrência forma xn+2 + pxn+1 + qxn = 0 são da an = n C1 r1 + n C 2 r2 . 2 2 r2 y1 − r2 y2 r1 y2 − r1 y1 e C2 = . se zn+2 + pzn+1 + qzn = 0 e z1 = z2 = 0. então zn = 0 para todo n. temos z1 = z2 = 0 Mas. Quais as soluções da recorrência xn+2 + 3xn+1 − 4xn = 0? . os dois últimos parênteses são iguais a zero porque r1 e r2 são raízes de r2 + pr + q = 0. Prova. C1 = o que provará o teorema. r1 r2 (r2 − r1 ) r1 r2 (r2 − r1 ) Isso é possível pois r1 = r2 e r1 = 0 e r2 = 0. Temos zn+2 + pzn+1 + qzn = (yn+2 + pyn+1 + qyn )− n 2 n 2 −C1 r1 (r1 + pr1 + q ) − C2 r2 (r2 + pr2 + q ). como C1 r1 + C2 r2 = y1 e C1 r1 + C2 r2 = y2 . seja para todo n n zn = yn − C1 r1 − C 2 r2 . Exemplo 3.

Fn . an = C1 + C2 (−4)n . Fn+2 = Fn+1 + Fn . De acordo com os teoremas 1 e 2. −4. n+1 . C1 e C2 F0 = F1 = 1. √ √ 5+1 1+ 5 Fn = √ 2 2 5 √ 1 1+ 5 Fn = √ 2 5 n √ 5−1 1− 5 + √ 2 2 5 √ 1 1− 5 −√ 2 5 n+1 √ n . Determine o número de Fibonacci de Fibonacci é denida por Solução. 2 A equação característica é r = r + 1. As raízes da equação característica são Então F n = C1 Para determinar √ 1± 5 . as soluções da recorrência são as sequências da forma onde an = C1 1n + C2 (−4)n . C1 e C2 são constantes arbitrárias. Se as raízes da equação característica forem complexas.Unidade 9 Solução. Exemplo 4. 2 √ √ n 1− 5 1+ 5 + C2 2 2 basta usar n . isto é. A equação característica r2 + 3r − 4 = 0. cujas raízes são 1 e isto é. Obtemos o sistema C1 + C2 = 1 √ √ C1 1+2 5 + C2 1−2 5 = 1 Logo.4 MA12 . A sequência com F0 = F1 = 1. C1 e C2 constantes arbitrárias pode ser escrita . a solução n n an = C 1 r 1 + C2 r2 .

Se as raízes de r2 + pr + q = 0 são iguais. . r1 = r2 = r. an = C1 r + C2 nr n n é solução da recorrência xn+2 + pxn+1 + qxn = 0.Recorrências Lineares de segunda Ordem 5 de modo a evitar cálculos com complexos. teremos: r1 = ρ(cos θ + i sen θ). A recorrência xn+2 + xn+1 + xn = 0 √ 1±i 3 2 tem equação carac- terística r2 + r + 1 = 0. 3 xn = ρn [C1 cos nθ + C2 sen nθ] = C1 cos nπ nπ + C2 sen . Pondo as raízes na forma trigonométrica. n r1 = ρn (cos nθ + i sen nθ). r2 = ρ(cos θ − i sen θ) n r2 = ρn (cos nθ − i sen nθ) n n C1 r1 + C2 r2 = ρn [(C1 + C2 ) cos nθ + i(C1 − C2 ) sen nθ] C1 + C2 e i(C1 − C2 ) são novas constantes arbitrárias e a solução pode an = ρn [C1 cos nθ + C2 sen nθ]. então. 3 3 Que aconteceria se as raízes da equação característica fossem iguais? Os teoremas a seguir respondem essa pergunta. Teorema 3. ser escrita Exemplo 5. As raízes da equação característica são que são complexos de módulo A solução é ρ=1 e argumento principal π θ=± .

6 MA12 . então todas as soluções da recorrência xn+2 + pxn+1 + qxn = 0 são da n n forma C1 r + C2 nr . seja zn = yn − C1 r − C2 nr .Unidade 9 quaisquer que sejam os valores das constantes Prova. Temos C1 = 2 zn+2 + pzn+1 + qzn = (yn+2 + pyn+1 + qyn )− − C1 rn (r2 + pr + q ) − C2 nrn (r2 + pr + q ) − C2 rn r(2r + p). isto é. − 2 r r r2 Isso é possível pois r = 0. xn+2 + pxn+1 + qxn = 0 obtemos. Se as raízes são iguais então Substituindo an = C1 rn + C2 nrn na recorrência p r=− . n n Armamos que yn = C1 r + C2 nr para todo n natural. r1 = r2 = r. Seja yn uma solução qualquer de xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. Com efeito. Prova. Determine constantes C1 e C2 que sejam soluções do sistema de equações. grupando convenientemente os termos. C1 e C2 constantes. Teorema 4. Se as raízes de r2 + pr + q = 0 são iguais. . Mostraremos que zn = 0 para todo n. C1 rn (r2 + pr + q ) + C2 nrn (r2 + pr + q ) + C2 rn r(2r + p) = C1 rn 0 + C2 nrn 0 + C2 rn r0 = 0. C1 r + C2 r = y1 . o que n n provará o teorema. 2 C1 e C2 . C1 r 2 + 2 C2 r 2 = y 2 y1 y2 y2 − ry1 e C2 = .

como C1 r + C2 r = y1 e C1 r + 2C2 r = y2 . Logo. Exemplo 6. Mas. r = − .Recorrências Lineares de segunda Ordem 7 O primeiro parêntese é igual a zero porque yn é solução de xn+2 + pxn+1 + qxn = 0. obtemos (an+2 + pan+1 + qan ) + (yn+2 + pyn+1 + qyn ) = f (n). Mas an+2 + pan+1 + qan = f (n) pois an é a solução da equação original. o quarto é igual a zero porque 2r + p = p 0 já que. xn+2 − 4xn+1 + 4xn = 0 tem equação característica r − 4r + 4 = 0. quando r1 = r2 = r. se zn+2 + pzn+1 + qzn = 0 e z1 = z2 = 0 então zn = 0 para todo n. Então zn+2 + pzn+1 + qzn = 0 2 2 2 Além disso. a equação se transformou em yn+2 + pyn+1 + qyn = 0. As raízes são r1 = r2 = 2 e a solução n n da recorrência é xn = C1 2 + C2 n2 . Prova. Teorema 5. A recorrência 2 O teorema a seguir mostra um processo para resolver algumas recorrências não-homogêneas. Substituindo xn por an + y n na equação. . Se an é uma solução da equação xn+2 pxn+1 + qxn = f (n) então a substituição x n = an + y n transforma a equação em yn+2 + pyn+1 + qyn = 0. cqd. temos z1 = z2 = 0. o segundo e o terceiro parênteses são iguais a zero 2 porque r é raiz de r + pr + q = 0.

A solução da homogênea. de xn+2 − 6xn+1 + 8xn = 0 é hn = C1 + C2 4n . a solução da homogênea. isto é. cujas raízes são r1 = 2 e r2 = 4. da recorn rência xn+2 − 6xn+1 + 8xn = n + 3 . tn . Portanto. 3 9 1 4 tn = n + − 3n . obtemos 3An + 3B − 4A − C 3n = n + 3n . Substituindo em xn+2 − 6xn+1 + 8xn = n + 3n . Tentaremos tn = An + B + C 3n . se substituirmos tn em xn+2 − 6xn+1 + 8xn devemos encontrar n + 3n . B= e C = −1. tn terá solução se 3A = 1. procuraremos por xn+2 − 6xn+1 + 8xn = n + 3n tem equação 2 característica r − 6r + 8 = 0.8 MA12 . a solução de uma recorrência nãohomogênea é constituída de duas parcelas: uma solução qualquer da não-homogênea e a solução homogênea. 1 4 A= . Tentaremos agora descobrir uma solução particular. 3B − 4A = 0 e −C = 1. Que tipo de função deve ser tn ? É bastante razoável imaginar que tn seja a soma de um polinômio do primeiro grau com uma exponencial Exemplo 7. tentativas. A recorrência de base 3. Ora.Unidade 9 De acordo com o teorema 5. . sabemos achar. 3 9 Logo. Uma solução da não-homogênea. Daí.

tn da recorn rência xn+2 − 6xn+1 + 8xn = 1 + 2 . cujas raízes são r1 = 2 e r2 = 4. Tentaremos tn = A + B 2n . É claro que o termo B 2n não poderia B2 é solução da homogênea (é a solução da homogênea que é obtida pondo C1 = B e C2 = 0 ) e. obtemos 3A = 1 + 2n . Portanto. fazemos . A recorrência base 2. Parando para pensar no que aconteceu. B 2n para gerar uma exponencial 2 n n . isto é. daria zero e não uma exponencial que pudéssemos igualar a 2n .Recorrências Lineares de segunda Ordem 9 xn+2 − 6xn+1 + 8xn = 1 = 2n tem equação 2 característica r − 6r +8 = 0. Vamos corrigir a nossa tentativa para tn = A + Bn2n . de xn+2 − 6xn+1 + 8xn = 0 é hn = C1 2n + C2 4n . O espírito da nossa tentativa era tentar uma constante A para que obtivéssemos uma constante que igualaríamos a 1 e tentar que pudéssemos igualar a cumprir o seu papel. vericamos que era óbvio que a nossa tentativa não podia dar certo. Sempre que na nossa tentativa algum bloco não cumprir o seu papel. A recorrência não admite solução da forma tn = A + B 2n . Substituindo em xn+2 − 6xn+1 + 8xn = 1 + 2n . Que tipo de função deve ser tn ? É bastante razoável imaginar que tn seja a soma de um polinômio constante com uma exponencial de Exemplo 8. a solução da equação homogênea. substituído da equação. Tentaremos agora descobrir uma solução particular. Ora. Essa igualdade é impossível. se substituirmos tn em xn+2 − 6xn+1 + 8xn devemos encontrar 1 + 2n .

xn+2 + 6xn+1 + 9xn = 0.10 MA12 . . Portanto. substituindo obtemos Se n. 3A − B 4B 2 = 1 + 2 . n n 3A = 1 e −4B = 1. xn+2 − 5xn+1 + 6xn = 2n . 4 temos a solução tn = 1 n2n − . xn+2 − 5xn+1 + 6xn = n + 3n . xn+2 − 5xn+1 + 6xn = n. xn+2 + xn = 1. multiplicando o bloco por Agora. xn+2 + 2xn+1 + 2xn = 0. Resolva as equações a seguir: a) b) c) d) e) f) g) h) i) xn+2 + 5xn+1 + 6xn = 0. isto é. xn = C1 2n + C2 4n + 1 n2n − . A= isto é. xn+2 − 5xn+1 + 6xn = 1 + 3 · 4n . xn+2 − 6xn+1 + 9xn = n − 3n . 1 3 e 1 B=− .Unidade 9 a correção aumentando o grau. 3 4 hn com A solução da recorrência é a soma de tn . 3 4 Exercícios 1.

2}. quantas sementes serão produzidas daqui a n anos? 7. x0 = 3. x0 = 1. Determine a renda de Carmelino no mês n.Recorrências Lineares de segunda Ordem 11 j) xn+2 − 6xn+1 + 9xn = 1 + n3n . um ano após ter sido plantada. a partir daí. b)xn+2 c)xn+2 + xn+1 − 6xn = 6 − 8n. x1 = 4. 2. n 3. Ele poupa anualmente mensais de taxa 1/p de sua renda e investe sua poupança a juros i. 1. .? 4. Começando no mês 0 com um casal adulto (que terá prole apenas no mês 1). 44 novas sementes a cada ano. Determine o número de modos de cobrir um tabuleiro 2×n com dominós 2×1 iguais. Se plantarmos hoje uma semente e se. x1 = −6. Resolva as equações a seguir: a) xn+2 + 5xn+1 + 6xn = 0. Sua renda mensal é formada pelo salário e pelos juros de suas aplicações nanceiras. 21 novas sementes e. Uma planta é tal que cada uma de suas sementes produz. todos pertencentes a {0. que se tornam adultos dois meses após o nascimento. − 4xn+1 + 4xn = 2n+3 . Quantas são as sequências de termos. O salário de Carmelino no mês n é Sn = a + bn. que não possuem dois termos consecutivos iguais a 0. x1 = 6. Um casal de coelhos adultos gera mensalmente um casal de co- elhos. x0 = 3. toda vez que uma semente for produzida ela for imediatamente plantada. Suponha os coelhos imortais. quantos casais serão gerados no mês n? 6. 5.

A solução particular é da forma An2 .Unidade 9 8. 1i. Mostre que √ √ √ n 2 5−1 √ 2 5+1 √ (1 − 5) + √ (1 + 5)n 2 5 2 5 é. A solução particular é da forma An + B . A solução particular é da forma An + B + Cn3n . Se o número de sequências de n + 2 termos é xn+2 . em cada etapa Olavo pode fazer 1 ou 2 pontos. 1g. De quantos modos ele pode totalizar n pontos? 10. 2 n 1h. A solução particular é da forma A. um número inteiro. Sugestões aos Exercícios 1d. 3 2 n 1j. Cinco times de igual força disputarão todo ano um torneio. o sequências começadas por 1 é igual a xn+1 . n 1e. Mostre que a parte inteira de (1 + √ 3)2n+1 é sempre par. Qual a probabilidade da taça não ser ganha nos n primeiros torneios? 9. n 1f. A solução particular é da forma An + BCn 3 . Em um jogo. 3. o número de número de sequências . A solução particular é da forma An + B + C 4 . A solução particular é da forma A + (Bn + Cn )3 . Uma taça será ganha pelo primeiro time que vencer três vezes consecutivas.12 MA12 . 11. para todo natural n.

xn = Sn + iyn−1 . x1 = 3. x1 = 1. xn+2 = xn+1 + xn . Se o segundo torneio foi ganho por um time diferente do que ganhou o primeiro. xn+2 = 21xn+1 + 44(xn + xn−1 + · · · + x1 + x0 ). Se o segundo torneio for ganho pelo mesmo time que ganhou o primeiro. 6.Recorrências Lineares de segunda Ordem 13 começadas por 2 é igual a por 0 é igual a xn+1 e o número de sequências começadas 2xn . Para resolver. yn = yn−1 + xn . x2 = 8. Obtém-se a recorrência xn+2 = 2xn+1 + 2xn . 1 7. x2 = 1. determine xn+1 e subtraia. 9. x2 = 485. Mostre que recorrência xn+2 − 8xn+1 + 4xn = 0. 4. x1 = 1. x1 = 20. √ 11. xn+2 = xn+1 + xn . x0 = 2. 5 5 5 x1 = x2 = 1. 8. o terceiro torneio terá que ser ganho por um time diferente e a partir daí nenhum time poderá ganhar três vezes consecutivas. Tire o valor de y na primeira equação e substitua na segunda. 5. x0 = 2. x2 = 2. Olavo em sua primeira jogada ou faz 1 ponto ou faz 2 pontos. 10. onde yn é o montante da p poupança no m do mês n. x1 = 21. x2 = 2. xn satisfaz a . 4 1 4 xn+2 = xn+1 + · xn . basta que a partir daí nenhum time ganhe três vezes consecutivas. xn+2 = xn+1 + xn . x1 = 1. Mostre que satisfaz a recorrência xn+2 − 2xn+1 − 4xn = 0. x1 = 1 xn = (1 + √ √ 3)2n+1 = (1 + 3)2n+1 + (1 − 3)2n+1 . Qualquer time pode ganhar o primeiro torneio.

Esta unidade repousa sobre um resultado (teorema) fundamental que nos diz como se transforma um capital inicial quando aplicado por um per´ ıodo de tempo. para resolvˆ e-las. A unidade se encerra com uma lista de doze problemas. nos auxiliam a tomar decis˜ oes que podem proporcionar uma boa economia.MA 12 . e deve fazer parte da bagagem cultural de todo cidad˜ ao que nelas vive para que saiba minimamente defender os seus interesses. O assunto principal de que tratamos ´ e o c´ alculo de juros em diversas situa¸ c˜ oes decorrentes da opera¸ c˜ ao de empr´ estimo. cuja inspira¸ c˜ ao vem da vida real.Volume 2 . seja em compras a cr´ edito (quando tomamos emprestado). Janeiro 2008 . estamos frente a problemas pr´ aticos. se resolvidos corretamente. Esse conhecimento ´ e fundamental em sociedades de consumo. usando o d´ ecimo terceiro sal´ ario? Esses s˜ ao desafios que.Unidade 10 Matem´ atica Financeira Semana de 09/05 a 15/05 Nesta unidade e na pr´ oxima ser˜ ao apresentados rudimentos de Matem´ atica Financeira. se for o caso. V´ ıdeo relacionado: PAPMEM . Morgado.Volume 2. Quotidianamente. modelar corretamente cada problema. bastando. como a nossa. Resolva quantos puder e transfira os que sobrarem para a Unidade 12.Livro A Matem´ atica do Ensino M´ edio . A ferramenta matem´ atica b´ asica que ´ e utilizada nesse tipo de quest˜ oes s˜ ao as progress˜ oes geom´ etricas. onde ser˜ ao propostos outros dez problemas. sendo submetido a um regime de juros compostos. seja em aplica¸ co ˜es (quando emprestamos). Prof. em quantas parcelas? Se devemos ou n˜ ao antecipar o pagamento de uma d´ ıvida. tais como se devemos ou n˜ ao parcelar uma compra e. Matem´ atica Financeira.

A operação básica da matemática nanceira é a operação de empréstimo. Alguém que dispõe de um capital C (chamado de principal ).Unidade 10 Matemática Financeira Semana 09/05 a 15/05 Uma das importantes aplicações de progressões geométricas é a Matemática Financeira. Essa remuneração é chamada de juro. acrescido de uma remuneração é a taxa de crescimento do capital. C 1 . e após esse período. será sempre referida ao período da operação e chamada de taxa de juros. A soma C + J é J que chamada de montante e será representada por M . A razão i = C recebe o seu capital e volta. J pelo empréstimo.MA12 . em- presta-o a outrem por um certo período de tempo.

10 × 100 reais de juros (pois J = iC ). formam uma progressão geométrica de razão 1 + i.00. As pessoas menos educadas matematicamente têm tendência a achar que juros de Note que juros de 10% ao mês dão em dois meses juros de 20%. No regime de juros compostos de taxa C0 transforma-se. o empréstimo será quitado. Exemplo 3. Lúcia tomou um empréstimo de R$100. dois meses depois de contraído. pagou R$140. que taxa de 10% ao mês.00 e a taxa de juros é de é a dívida inicial de Lúcia. Esses juros assim calculados são chamados de juros compostos. i. Pedro investe 150 reais a juros de 12% ao mês. o montante. Basta observar que os valores do capital crescem a uma taxa i e. 10% ao mês dão em dois meses de juros de 21%. 40 = 40% 100 ao bimestre. sobre a dívida do início desse período. Qual será o montante de Pedro três meses depois? . em um montante Prova.Unidade 10 Exemplo 1. no regime de juros compostos . é igual a R$100. Os juros pagos por Lúcia são de R$40. Dois meses após. os juros em cada período são calculados. a juros de 40 = 0. Manuel tomou um empréstimo de 100 reais. é de R$140. pois os juros relativos ao segundo mês serão de 0. Cn = C0 (1 + i)n . que é a dívida na época do pagamento.00. por 121 reais.00. a dívida de 0. portanto. 10 × 110 reais = 11 reais. um principal Teorema 1. conforme é natural. constante depois de n períodos de tempo.2 MA12 . Após um mês. Mais precisamente.00. O principal. Se Manuel e seu credor concordarem em adiar a liquidação da dívida por mais um mês. Manuel será acrescida passando a 110 reais. Exemplo 2. mantida a mesma taxa de juros.

Logo. cujo valor atual é A. basta dividir o futuro por Para (1 + i) n . é-me indiferente pagar agora R$100. Dois meses após.00 agora. Os esquemas de pagamento abaixo são equivalentes. é que uma quantia. Isto é. Pedro tomou um emprétimo de 300 reais. Exemplo 4.00 daqui a um mês.00 ou pagar R$110. mais um pagamento igual a P. É importante perceber que o valor de uma quantia depende da época à qual ela está referida. 300 reais. pode-se dizer. na data 0. na data 3. uma quantia.00 daqui a um mês. ajuros de 15% ao mês. Outro modo de ler o Teorema 1. O exemplo a seguir é. equivalerá no futuro. 12)3 = 210. É mais vantajoso pagar R$100. em uma quantia igual a C0 (1 + i) .Matemática Financeira 3 Solução. No fundo. É mais vantajoso pagar R$105. n a F = A(1 + i) . C3 = C0 (1 + i)3 = 150(1 + 0. transformar-se-á. um resumo de todos os problemas de Matemática Financeira. depois de n períodos de n tempo.00 daqui a um mês do que pagar R$100. Pedro liquidou seu débito. hoje igual a C0 . depois de n períodos de tempo. Essa é a fórmula fundamental da equivalência de capitais: obter o valor futuro. .00 agora do que pagar R$120. Pedro pagou 150 reais e. Para obter (1 + i)n . Qual o valor desse último pagamento? Solução. Cn = C0 (1 + i)n . basta multiplicar o atual por o valor atual. um mês após esse pagamento. só há um único problema de Matemática Financeira: deslocar quantias no tempo. 74 reais. têm o mesmo valor de 150 reais dois meses após. Se eu consigo fazer com que meu dinheiro renda 10% ao mês.

Se o dinheiro vale 2% ao mês para Pedro. O último pagamento foi de R$283. Em ambos os casos. ii) sete prestações mensais de R$70. determinaremos o valor dos dois conjuntos de pagamentos na mesma época. a primeira prestação é paga no ato da compra. dos pagamentos nos dois esquemas. Exemplo 5. na mesma época (0. 2 (1 + 0. por exemplo na época 2. P = 283.00 cada. . Para comparar. Os esquemas de pagamentos são: Para comparar. qual a melhor opção que Pedro possui? Solução. obtemos 300 = 150 p = . Pedro tem duas opções de pagamento na compra de um televisor: i) três prestações mensais de R$160. 15)3 daí.4 MA12 . por exemplo na época 2. por exemplo). determinaremos o valor dos dois conjuntos de pagamentos na mesma época.00 cada. 76.76. 15) (1 + 0.Unidade 10 Figura 1: Igualando os valores.

vencendo a primeira um mês após a compra. 02)2 + 160(1 + 0.Matemática Financeira 5 Figura 2: Temos. Pedro tem três opções de pagamento na compra de vestuário. 02 70 70 70 + + + = 480. 02) + 70 + 1 + 0. com 30% de desconto. sem desconto. 25% ao mês? . 02)3 (1 + 0. i) à vista. Exemplo 6. Qual a melhor opção para Pedro. 77 (1 + 0. 02)4 Pedro deve preferir o pagamento em seis prestações. 02)2 (1 + 0.00 ao passo que no segundo esquema o total pago é de R$490. vencendo a primeira no ato da compra. sem desconto.00. 02)2 + 70(1 + 0. a = 60(1 + 0. para ele. ii) em duas pretações mensais iguais. se o dinheiro vale. É um absurdo que muitas pessoas razoavelmente instruídas achem que o primeiro esquema é melhor pois o total pago é de R$480. iii) em três prestações mensais iguais. 02) + 160 = 489. 66 70 b = 70(1 + 0.

Qual a taxa mensal dos juros embutidos nas vendas a prazo? . 25 (1 + 0. 25)2 b = A melhor alternativa é a primeira e a pior é a em três prestações. a primeira prestação sendo paga no ato da compra. Exemplo 7. 4 1 + 0. sem desconto. na época 0. ii) em duas prestações mensais iguais. por exemplo. com 30% de desconto. temos os três esquemas abaixo Figura 3: Comparando os valores.6 MA12 . Fixando o preço do bem em 30. obtemos: a = 21 15 15 + = 21. Uma loja oferece duas opções de pagamento: i) à vista.6 1 + 0. 25)2 10 10 c = 10 + + = 24.Unidade 10 Solução. 25 (1 + 0.

Fixando o valor do bem em 100. rela- . por exemplo. temos os esquemas de pagamentos abaixo: Figura 4: Igualando os valores. 08 Em aproximadamente nove meses você dobrará o seu capital inicial. 1. na época 0 (a data usada nessas comparações é chamada de data focal). em quanto tempo você dobrará o seu capital inicial? Solução. 1+i i = 1. Investindo seu capital a juros mensais de 8%.Matemática Financeira 7 Solução. n= log 2 ∼ =9 log 1. Daí. obtemos 70 = 50 + 50 . a taxa de juros 1 + I = (1 + i)n . Um importante resultado que já foi obtido na Unidade 7 e será repetido é a Fórmula das taxas equivalentes. 5 = 150%. Se a taxa de juros relativamente a um determinado período de tempo é igual a tivamente a n períodos de tempo é I tal que i. Temos C0 (1 + 0. A loja cobra 150% ao mês nas vendas a prazo. 08)n = 2C0 . 08n = 2 e Daí. Exemplo 8.

os juros são de Exemplo 11.Unidade 10 Exemplo 9. 290% ao ano. A taxa de 144% ao ano é chamada de taxa nominal e a taxa de 290% ao ano é chamada de taxa efetiva. 1% ao mês com capitalização trimestral signica 3% ao trimestre e 6% ao ano com capitalização mensal signica 0. Daí. mas isso não é verdade. 90 = 290% ao ano. com capitalização mensal é 12% ao mês. pois a razão entre elas é igual à razão dos períodos aos quais elas se referem. I∼ = 2. Como vimo no exemplo 9. As pessoas menos educadas matematicamente podem pensar que os juros sejam realmente de 144% ao ano. com capitalização mensal signica que a taxa usada na operação não é a taxa de 144% anunciada e sim a taxa mensal que lhe é proporcional. Portanto. 12) 12 . Taxas como 12% ao mês e 144% ao ano são chamadas de taxas proporcionais. 24% ao ano com capitalização semestral signica 12% ao semestre. Uma frase como 144% ao ano. Um (péssimo) hábito em Matemática Financeira é o de anunciar taxas proporcionais como se fossem equivalentes. Exemplo 12.8 MA12 . A taxa anual de juros equivalente a 12% ao mês é I tal que 1 + I = (1 + 0. Um erro muito comum é achar que juros de a juros anuais de 12% ao mês equivalem 12 × 12% = 144% ao ano.5% ao mês. a tradução da expressão 144% ao ano. Taxas proporcionais não são equivalentes. Qual a taxa anual de juros à qual está investido o capital de Verônica? . Verônica investe seu dinheiro a juros de 6% ao ano com capitalização mensal.

A taxa de 6% ao ano é nominal e a taxa de 6.Matemática Financeira 9 Solução. 04)6 . com capitalização trimestral. b) 30% ao ano. Determine as taxas efetivas anuais equivalente a: a) 30% ao ano. R$600. da resposta ao item c) do problema anterior? Neste caso diz-se que os juros estão sendo capitalizados continuamente e ros. c) i ao ano.17% ao ano é efetiva. A que taxa mensal de juros rendeu seu investimento? 2. Determine as taxas mensais equivalentes a 100% ao ano e a 39% ao trimestre. 53% ao semestre. Qual o limite. I tal que 1 + I = (1 + 0. O dinheiro de Verônica está investido a juros de taxa i = 0. 3. Determine as taxas anuais equivalentes a 6% ao mês e a 12% ao trimestre. I = 0. A taxa anual equivalente a I tal que 1+ I = (1+ i)12 . A taxa efetiva semestral correspondente a 24% ao semestre com capitalização mensal é Daí.00.00 você retira. Investindo R$450. quando k tende para innito. I = 26. após 3 meses. Daí. Exemplo 13. capitalizados k vezes ao ano. 0617 = 6. 5. ié chamado de taxa instantânea de ju- . 17% ao ano. Exercícios 1. 5% ao mês. com capitalização mensal. 4.

em dezembro de 1992. a oferta era 10. dois meses após a compra. 7.10 MA12 . b) a taxa instantânea anual equivalente à taxa efetiva anual de 60%. 8. Se os juros são de . Determine a) a taxa efetiva trimestral equivalente a 12% ao trimestre com capitalização contínua. vantajosa? Supondo que o dinheiro valia 27% ao mês. c) a taxa instantânea semestral equivalente à taxa efetiva anual de 60%. em vários natais. os seus clientes a liquidarem suas prestações mensais vincendas. conforme fossem pagas uma. qual seria a sua opção? 9. Use a resposta do problema anterior para dar uma denição - nanceira do número e. O Foto Studio Sonora convidou.00. oferecendolhes em troca um desconto. Lúcia comprou um exaustor. um mês após a compra e R$200. ofereceu a seus clientes duas alter- nativas de pagamento: a) pagamento de uma só vez. A Mesbla. O desconto seria dado aos que pagassem. de uma só vez.00. b) pagamento em três prestações mensais iguais. um mês após a compra. todas as prestações a vencer em mais de 30 dias. duas ou três prestações. pagando R$180. e seria de 30%. Se você fosse cliente da Mesbla.Unidade 10 6. vencendo a primeira no ato da compra. 40% ou 50%.

Uma geladeira custa R$1 000. Calcule: a) a taxa média de juros. Os juros foram de 3% ao mês durante os quatro primeiros meses. determine o valor da prestação. b) o montante pago.00.00 à vista e pode ser paga em três prestações mensais iguais. Ângela tomou um empréstimo de R$400. qual é o preço à vista? 11. supondo que a primeira prestação é paga: a) no ato da compra. b) um mês após a compra. de 5% ao mês durante os cinco meses seguintes e de 9% ao mês no último mês. Se são cobrados juros de 6% ao mês sobre o saldo devedor. . por dez meses.Matemática Financeira 11 25% sobre o saldo devedor. c) dois meses após a compra. 12.

O terceiro tipo de empr´ estimo ´ e o Sistema Francˆ es ou Tabela Price. Finalmente. geralmente de longo prazo como. financiamentos da casa pr´ opria ou de bens dur´ aveis. O Teorema 2 fornece uma f´ ormula que permite saber quanto da d´ ıvida foi pago ap´ os n pagamentos (amortiza¸ c˜ ao da d´ ıvida). o valor da parcela relativa aos juros (vari´ avel) e.Unidade 11 Matem´ atica Financeira – Problemas Semana de 09/05 a 15/05 Nesta unidade. chamada de amortiza¸ c˜ ao. O Teorema 4 fornece f´ ormulas para calcular. Cada parcela paga de um empr´ estimo consiste de duas partes: uma se refere ao pagamento dos juros e a outra se refere ao abatimento do principal da d´ ıvida. finalmente. o valor da presta¸ c˜ ao (constante). continuaremos o estudo de Matem´ atica Financeira iniciado na Unidade 10 e que se encerrar´ a na Unidade 13. por exemplo. a unidade se encerra com uma lista de cinco problemas. O segundo tipo de empr´ estimo estudado ´ e o Sistema de Amortiza¸ c˜ ao Constante (SAC). em que a parte da presta¸ c˜ ao que visa amortizar a d´ ıvida ´ e constante.MA 12 . Os principais resultados dessa unidade analisam essencialmente trˆ es tipos de empr´ estimos. onde ser˜ ao propostos mais sete problemas. a parcela relativa ` a amortiza¸ c˜ ao do principal. por exemplo). . como foi o caso no Brasil alguns anos atr´ as. O Teorema 3 permite calcular a cada mˆ es o valor da presta¸ c˜ ao especificando o valor da amortiza¸ c˜ ao (constante). em que as presta¸ co ˜es e a taxa de juros s˜ ao constantes. mˆ es a mˆ es. o estado atual da d´ ıvida (no caso da pessoa querer quitar a d´ ıvida. Os c´ alculos financeiros podem se complicar bastante em presen¸ ca de forte infla¸ c˜ ao. a parcela relativa aos juros pagos e o estado atual da d´ ıvida. O primeiro tipo de empr´ estimo se refere ` a situa¸ c˜ ao em que a taxa de juros ´ e pr´ e-fixada e o valor da presta¸ c˜ ao tamb´ em. Resolva o m´ aximo que puder e transfira o restante para a Unidade 13.

Teorema 2. ou de anuidade (apesar no nome. O valor de uma série uniforme de n pagamentos iguais a P .Unidade 11 Matemática Financeira Semana 09/05 a 15/05 Um conjunto de quantias (chamadas usualmente de pagamentos ou termos). a série é dita uniforme. referidas a épocas diversas. um tempo antes do primeiro pagamento. é. nada a ver com ano) ou. renda.MA12 . ainda. sendo i a taxa de juros. Se esses pagamentos forem iguais e igualmente espaçados no tempo. é chamada de série. igual a A = P 1 − (1 + i)−n . i 1 .

cede-se a posse do mesmo em troca de um aluguel. um tempo antes do primeiro pagamento. i Prova. a P . 2 3 1 + i (1 + i) (1 + i) (1 + i)n que é a soma de n termos de uma progressão geométrica. quando se aluga um bem. é. Rendas perpétuas aparecem em locações. digamos. temos n A= P 1+i 1− 1− 1 1+i 1 1+i =P 1 − (1 + i)−n . Então. igual Corolário.2 MA12 . i O corolário seguinte trata do valor de uma renda perpétua. mensal.Unidade 11 Prova. O valor de uma perpetuidade de termos iguais a P . . o conjunto dos aluguéis constitui uma renda perpétua ou perpetuidade. Com efeito. Basta fazer n tender para innito no teorema. sendo i a taxa de juros. Figura 1: O valor da série na época 0 é A= P P P P + + + ··· + .

Exemplo 14. cujo preço é R$120. pois a primeira prestação só é paga um tempo depois da compra.00. 08 P = 120 = 20. Solução. 08 0. determine o valor das prestações. Figura 2: Igualando os valores na época 0 (essa é a escolha natural da data de comparação: um tempo antes do primeiro termo da série). Um bem. Se os juros são de 10% ao mês.Matemática Financeira 3 Um bem. . a primeira sendo paga um mês após a compra. antecipadas (isto é. Exemplo 15. 08)−8 0. cujo preço à vista é R$120.00. a primeira é paga no ato da compra).88. 88. é vendido em 8 prestações mensais iguais. Um pequeno comentário: essas prestações são ditas postecipadas. obtemos: 120 = P 1 − (1 + 0. Se os juros são de 8% ao mês. é vendido em 6 prestações mensais iguais. 1 − 0. determine o valor das prestações. 08−8 As prestações são de R$20.

obtemos: 120 1 − (1 + 0. Exemplo 16. 01 Exemplo 17. você cede a posse do imóvel em troca de uma renda perpétua cujos termos são iguais ao valor do aluguel. o valor do imóvel deve ser igual ao valor do conjunto de aluguéis. 1 0. por quanto deve ser alugado um imóvel que vale 40 mil reais? Solução. que pode parecer exótica. 40 = P P = = 40 × 0. Então. Quando você aluga um imóvel. i 0. 05. 4 mil reais.Unidade 11 Figura 3: Igualando os valores na época −1 (essa escolha. Temos. 1)−6 =P 1 + 0. de acordo com o corolário. é muito conveniente pois dispomos de uma fórmula que calcula diretamente o valor da série nessa época). Se o dinheiro vale 1% ao mês. 1 P ∼ = 25. 01 = 0.4 MA12 . Helena tem duas alternativas para obter uma copi- adora: .

Vamos tomar receitas como positivas e despesas como negativas. b) Comprá-la por 150. 073 1. Na segunda alternativa. Nesse caso. qual a melhor opção? Solução. 1. 075 0. Helena venderá a copiadora após 5 anos. Se o dinheiro vale 7% ao ano. o uxo de caixa de Helena será: Figura 4: Vamos determinar o uxo uniforme equivalente. 07 1. 072 1. já que a vida econômica da copiadora é de 5 anos. obtemos −150 − 5 5 8 8 12 1 − 1.Matemática Financeira 5 a) Alugá-la por 35 ao ano. Figura 5: Igualando os valores na época 0. o locador se responsabiliza pelas despesas de manutenção. 074 1. nos dois primeiros anos e de 8 por ano. 07 . 07−5 − − − + = P . As despesas de manutenção são de responsabilidade de Helena e são de 5 por ano. nos anos seguintes. O valor residual da copiadora após 5 anos é de 20. Nesse caso.

a melhor alternativa para Helena é alugar. medido na unidade de tempo a que se refere a taxa. O banco então desconta a promissória para o cliente. 1471 = 14.78. Ora. Comprar a copiadora é equivalente a ter um custo anual de 39. Pedro receberá agora 76. Se i é a taxa mensal de juros à qual cresce a dívida de Pedro. i = 0. Daí. em uma data xada. Logo. temos 100 = 76(1 + i)2 . que é chamada de valor de face da promissória.Unidade 11 Daí. que é um papel no qual o tomador se compromete a pagar ao banco. isto é. Pedro desconta uma promissória de valor 100. P = −39. recebe a promissória de valor de face F e entrega ao cliente uma quantia A (menor que F .6 MA12 . 71%. Os bancos efetuam o desconto de acordo com a fórmula A = F (1 − d . 12 . 2) = 76. com vencimento em 60 dias. em um banco cuja taxa de desconto é de 12% ao mês. naturalmente). uma certa quantia.00. 78. onde d é uma taxa xada pelo banco e chamada de taxa de desconto bancário (ou taxa de desconto simples por fora) e t é o prazo da operação. para pagar 100 em 60 dias. o tomador do empréstimo emite uma nota promissória. A diferença F − A é chamada de desconto. Exemplo 18. a) Quanto Pedro receberá? b) Qual a taxa mensal de juros que Pedro está pagando? Solução. t). Quando um banco empresta dinheiro (crédito pessoal ou desconto de duplicatas). A = F (1 − dt) = 100(1 − 0. Observe que anunciar a taxa de desconto e não a taxa de juros é um . Como o aluguel corresponde a um custo anual de 35.

Pk e Dk são. Dk . em 5 meses. Jk e Pk .Matemática Financeira 7 modo sutil de fazer crer aos mais ingênuos estarem eles pagando juros menores que os que realmente lhes estão sendo cobrados. Exemplo 19. Uma dívida de 100 é paga. Ak . a prestação e o estado da dívida (isto é. a juros mensais de taxa 10%. Na planilha abaixo. olhe cada linha na ordem Ak . k 0 1 2 3 Pk − 40 37 44 Ak Jk − − 30 10 30 7 40 4 Dk 100 70 40 − Para facilitar a compreensão. cada pagamento efetuado tem dupla nalidade. pagando a cada mês os juros devidos e amortizando 30% da dívida no primeiro mês e 30% e 40% nos dois meses seguintes. o valor da dívida após o pagamento da prestação) na época k . Quando se paga parceladamente um débito. Uma parte do pagamento quita os juros e outra parte amortiza (abate) a dívida. Faça a planilha de amortização. Jk . O sistema francês é caracterizado por prestações constantes. também chamado de Tabela Price (Richard Price foi um economista inglês). Pedro tomou um empréstimo de 100. respectivamente. . a parcela de juros. com juros de 15% ao mês. Quitou-o em três meses. Exemplo 20. Os sistemas usuais de amortização são o sistema de amortização constante (SAC) e o sistema francês de amortização. pelo SAC. a parcela de amortização.

sendo n o número de pagamentos e i a taxa de n−k D0 . pelo sistema francês. Uma dívida de 150 é paga. cada quota é igual a Ak = D0 . olhe cada linha na ordem Ak . Pk = Ak + Jk . portanto: k 0 1 2 3 4 5 Pk − 35 32 29 26 23 Ak − 20 20 20 20 20 Jk − 15 12 9 6 3 Dk 100 80 60 40 20 − 1 da dívida inicial. n O estado da dívida. . Exemplo 21. Faça a planilha de amortização. em 4 meses. com juros de 8% ao mês. cada amortização será de Para facilitar a compreensão. é Dk = D0 − k D0 n−k = D0 . Jk = iDk−1 .Unidade 11 Solução.8 MA12 . n Dk = Se a dívida D0 é amortizada em n quotas iguais. n juros. Teorema 3. n n As duas últimas fórmulas são óbvias. A planilha é. Dk . 5 Como as amortizações são iguais. temos Ak = Prova. Jk e Pk . após k amortizações. D0 . Na SAC.

observe que Dk é a dívida que será liquidada. = D0 1 − (1 + i)−n = iDk−1 . Portanto. novamente pelo teorema 2. Ak e Dk . 46 3. 29 45. 95 38. 34 6. 29 Ak − 33. A primeira fórmula é simplesmente o teorema 2 e as duas últimas fórmulas são óbvias. por n − k pagamentos sucessivos a Pk . 08−4 k 0 1 2 3 4 Pk − 45. 35 Dk 150. i . 1 − (1 + n)−n 1 − 1. 1 − (1 + i)−n 1 − (1 + i)−(n−k) . 08 = 150 = 45. Pelo teorema 2. No sistema francês de amortização. 83 41. 29 35. as prestações são constantes. olhe cada linha na ordem Pk . 76 41. sendo n o número de pagamentos e i a taxa de juros. postecipadamente. 93 Jk − 12. cada prestação vale P = D0 i 0. Jk . . 00 116. 29. temos Teorema 4. 00 9. A = Pk − Jk .Matemática Financeira 9 No sistema francês. 71 80. temos Dk = Pk 1 − (1 + i)−(n−k) . Pk = D0 Dk Jk Prova. obteremos a segunda fórmula. 29 45. 29 45. i Substituindo o valor de Pk . 93 − Para mais fácil compreensão. Quanto à segunda fórmula.

o capital C de Paulo Jorge pudesse comprar x artigos de preço unitário igual a p. . à qual cresceu o poder de compra de Paulo Jorge. Por exemplo. os juros em cada época são calculados sobre o principal e não sobre o montante da época anterior.. Suponhamos que. 25p. 25p O poder de compra de Paulo Jorge aumentou de 4% nesse mês. Logo. no início do referido mês. Essa taxa de 4% ao mês. No regime de juros simples. Evidentemente. ou seja. pois. Em algumas situações (prazos pequenos. Paulo Jorge investiu seu capital a juros de 30% ao mês. . 3C = 1. juros de mora) são usados juros simples e não juros compostos.Unidade 11 Exemplo 22. Cn 100 110 120 130 140 . n 0 1 2 3 4 . a juros simples de 10% ao mês evolui de acordo com a tabela abaixo: Exemplo 23. isso não signica que Paulo Jorge tenha aumentado seu poder de compra em 30%. embora a quantidade de reais de Paulo Jorge tenha crescido 30%. um principal igual a 100. 04x artigos. No nosso exemplo. Não há diculdade em calcular juros simples pois a taxa incide sempre sobre o capital inicial. Paulo Jorge poderá agora comprar 1. Dizemos nesse caso que 30% ao mês é a taxa nominal de juros mensais de Paulo Jorge.. é chamada de taxa real de juros. No m do mês. o capital passou a ser 1.10 MA12 . 1. 3C e o preço unitário passou a ser 1. Em um mês cuja inação foi de 25%. os juros são sempre de 10% de 100. . 10. o valor do real sofreu uma redução.

supondo a primeira prestação paga: a) no ato da compra. É por isso que juros simples só são utilizados em cobranças de juros em prazos inferiores ao prazo ao qual se refere a taxa de juros combinada. Figura 6: Exercícios 1. b) um mês após a compra. exceto se o prazo for menor que 1. é vendido em dez prestações mensais iguais. Se são pagos juros de 6% ao mês sobre o saldo devedor. o que faz com que os valores de Cn formem uma progressão aritmética.Matemática Financeira 11 É claro então que. observamos que o montante a juros compostos é superior ao montante a juros simples. determine o valor das prestações. cujo preço à vista é de R$400. Um televisor. Olhando para os grácos de evolução de um mesmo principal C0 a juros de taxa i. Cn = C0 + niC0 . a juros simples e a juros compostos. .00.

6% ao mês. uma renda perpétua de R$100. Faça as planilhas de amortização de uma dívida de R$ 3 000. para obter ao m desse prazo.00. com juros de 10% ao mês: a) pela tabela Price. quanto você deve investir mensalmente. uma renda mensal de R$100. durante 35 anos.5% ao mês.5% ao mês. 4.00. ao m desse prazo.Unidade 11 c) dois meses após a compra. Supondo juros de 0.12 MA12 . Se a taxa corrente de juros é de 0. durante 30 anos. Supondo juros de 0. para obter. b) pelo SAC. em 8 pagamentos mensais.00.00? 3. 5. por quanto se aluga um imóvel cujo preço à vista é R$50 000. por 30 anos. . supondo: a) o aluguel mensal pago vencido? b) o aluguel mensal pago adiantadamente? 2. quanto você deve investir mensalmente.

MA 12 . Acrescente a eles aqueles problemas que vocˆ e n˜ ao resolveu naquela unidade e redija com cuidado as suas solu¸ co ˜es. .Unidade 12 Matem´ atica Financeira – Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 16/05 a 22/05 Esta lista se refere ao conte´ udo da Unidade 10 e consta de dez problemas.

Qual a taxa média de juros obtidas? 2.Unidade 12 Matemática Financeira Resolução de Problemas Semana 16/05 a 22/05 Exercícios 1.MA12 . b) um mês após a compra. Leigh investiu 30% do seu capital a juros de 10% ao mês e os 70% restantes a 18% ao mês. 1 . sem juros e sem desconto. Determine a taxa mensal de juros embutida nas vendas a prazo. supondo o primeiro pagamento: a) no ato da compra. Laura quer comprar um violão em uma loja que oferece um des- conto de 30% nas compras à vista ou pagamento em três prestações mensais.

considera-se sempre o ano comercial de 360 dias. mas exige que 20% do valor efetivamente liberado sejam aplicados no próprio banco. com x% de desconto. Essa é a chamada regra dos banqueiros. 3. Regina tem duas opções de pagamento: a) à vista. a) Mostre que. deter- . Um banco efetua descontos à taxa de 6% ao mês. para que valores de x ela preferirá a segunda alternativa? 4.2 MA12 . Qual a taxa mensal de juros cobrada pelo banco nas operações: a) de um mês? b) de dois meses? c) de três meses? 5. ao passo que os juros calculados com o ano de 365 (ou 366) dias são chamados de exatos e não são usados em lugar nenhum. dados o principal e a taxa anual. Se o dinheiro vale 5% ao mês. Essa é a chamada reciprocidade. Os juros assim calculados são chamados de ordinários. Um banco efetua descontos à taxa de 6% ao mês.00 e juros de 12% ao ano. Qual a taxa mensal de juros paga pelos tomadores de empréstimo por dois meses? 6. No cálculo de juros.Unidade 12 c) dois meses após a compra. sem juros. 12 meses de 30 dias. os juros ordinários produzidos em t dias são maiores que os exatos. vencendo a primeira um mês após a compra. b) Para um principal de R$1 000. ou seja. a juros de 2% ao mês. b) em duas prestações mensais iguais.

por quatro meses e Como Mário só pretende receber juros compostos de 12% ao mês. b) juros compostos de 15% ao mês. 9.00 vencia no dia 25 de outubro de 1996 e foi paga em 5 de novembro de 1996. b) São pagos juros compostos durante todo o período. qual a taxa mensal de juros simples que Henrique deve cobrar? 10. 7. pretende pagar juros simples. o . Quando uma operação é pactuada por um número inteiro de períodos de tempo. há três modos de calcular os juros relativos a frações de períodos: a) Só são pagos juros nos períodos inteiros de tempo. Henrique vai emprestar dinheiro a Mário. chamada convenção exponencial.Matemática Financeira . c) Refaça o item b) para juros compostos. c) São pagos juros compostos nos períodos inteiros e juros simples nas frações de períodos de tempo. Essa é a Evidentemente o processo a) se aplica quando os bancos pagam e. c) desconto bancário com taxa de desconto de 12% ao mês. Quais os juros pagos. ordinários e exatos. produzidos em 16 dias. Determine a melhor e a pior alternativa para tomar um empréstimo por três meses: a) juros simples de 16% ao mês.Resolução de Problemas 3 mine os juros simples. Essa é a chamada convenção linear. Uma conta de R$700. se os juros de mora são de 12% ao mês? 8.

Em 5 de janeiro de 1996 foi feito um investimento de 300 reais. o montante em 12 de abril de 1996.Unidade 12 processo c). Determine. .4 MA12 . a juros de 15% ao mês. quando recebem. pelos três processos.

Acrescente a eles aqueles que vocˆ e n˜ ao resolveu naquela unidade e redija com cuidado as suas solu¸ c˜ oes.Unidade 13 Matem´ atica Financeira– Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 16/05 a 22/05 Esta lista se refere ao conte´ udo da Unidade 11 e consta de sete problemas.MA 12 . .

1. 3. 1 . Considere a amortização de uma dívida em 150 meses. com juros de 1% ao mês. b) o estado da dívida nessa época. pelo sistema francês. 2.MA12 .Unidade 13 Matemática Financeira Resolução de Problemas Semana 16/05 a 22/05 Exercícios Considere a amortização de uma dívida de R$ 35 000. Refaça o problema anterior pelo SAC. Determine: a) o valor da centésima prestação. com juros de 1% ao mês. em 180 meses. pelo sistema francês.00.

Gilmar precisa trocar a lanterna de seu Gol. Considere que o dinheiro vale 12% ao ano. As cadernetas de poupança renderam 1 416% em um ano cuja inação foi de 1 109%. original. custa R$280.00. Uma lanterna alternativa custa R$70.00 e tem vida útil de 1 ano.Unidade 13 a) De quanto se reduzirá a prestação. que lanterna ele deve preferir? 5. A vida útil do equipamento é de 30 meses e o valor residual ao m desse período é de R$300. Considere o valor do dinheiro de 1% ao mês. Qual a rentabilidade real? 7.00. qual deve ser a decisão: comprar ou alugar? 6. há um custo mensal de R$5.00 e tem vida útil de 5 anos. pelo SAC. a) De quanto se reduzirá a prestação inicial. Um equipamento pode ser alugado por R$75. Uma lanterna de Gol.00 de manutenção. dobrando-se o prazo? b) Que fração da dívida já terá sido amortizada na época do 75 o pagamento? 4.2 MA12 .00 mensais ou comprado por R$2 000. dobrando-se o prazo? b) Que fração da dívida já terá sido amortizada na época do 75 o pagamento? Considere a amortização de uma dívida em 150 meses. . com juros de 1% ao mês. Se o equipamento for comprado.

mas n˜ ao se aprende o essencial. No nosso curso. a parte da matem´ atica que se ocupa de contagem chama-se An´ alise Combinat´ oria e geralmente ela ´ e considerada uma mat´ eria dif´ ıcil. que ´ e raciocinar! Ao inv´ es de apresentar um formul´ ario e pedir para que seja decorado. Para se ter sucesso no seu estudo. que engloba temas como a Combinat´ oria Enumerativa. PAPMEM M´ etodos de Contagem. se temos x modos de escolher um objeto e y modos de escolher outro. ´ e preciso adquirir certas atitudes e formas de pensar. Ao final da unidade. o que se prop˜ oe aqui ´ e focar em alguns princ´ ıpios e t´ ecnicas b´ asicas e desenvolver um racioc´ ınio combinat´ orio pr´ oprio que permitir´ a resolver uma grande gama de problemas. ca´ oticas.MA 12 . A combinat´ oria foi respons´ avel pela introdu¸ c˜ ao de novos m´ etodos em matem´ atica e requereu o desenvolvimento de um modo pr´ oprio de racioc´ ınio. Esse princ´ ıpio ´ e utilizado nas mais variadas situa¸ co ˜es. temos x × y modos de escolher os dois objetos. Teoria de Grafos e muito mais. . As suas aplica¸ c˜ oes s˜ ao in´ umeras e v˜ ao desde Probabilidade e Estat´ ıstica e Teoria dos Jogos at´ e campos t˜ ao abstratos quanto a Computa¸ c˜ ao Te´ orica. Combinat´ oria. que ´ e essencialmente a arte da contagem. V´ ıdeos relacionados: 1. PAPMEM . Volume 2 2. Resolva quantos vocˆ e puder. permuta¸ c˜ oes. No Ensino M´ edio. Contar ´ e uma atividade b´ asica e saber fazˆ e-lo corretamente ´ e importante e de grande utilidade pr´ atica. permuta¸ co ˜es circulares.Julho 2006. Esta unidade baseia-se no Princ´ ıpio Fundamental da Contagem que diz simplesmente que. temos uma lista de 9 problemas. Janeiro 2009 . com repeti¸ c˜ ao ou sem repeti¸ c˜ ao. Ali se aprendem f´ ormulas para arranjos. Prof. combina¸ co ˜es.Unidade 14 Combinat´ oria Semana de 30/05 a 05/06 Combinat´ oria ´ e um vasto e importante campo da matem´ atica. veremos apenas rudimentos de Combinat´ oria Enumerativa.Volume 1. Combinat´ oria Alg´ ebrica.Livro Temas e Problemas Elementares. Paulo C´ esar Carvalho. Prof. etc.. Combinat´ oria Extrema. Morgado (Segunda Edi¸ c˜ ao) .

então o número de modos de tomar sucessivamente as decisões D1 e D2 é xy .Unidade 14 Combinatória Semana 30/05 a 05/06 O princípio fundamental da contagem diz que se há uma decisão x modos de tomar D1 e. Há 5 × 5 = 25 modos de formar casal. de quantos modos de pode formar um casal? Solução. 1 . Exemplo 1. há y modos de tomar a decisão D2 . Formar um casal equivale a tomar as decisões: D1 : Escolha do homem (5 modos).MA12 . D2 : Escolha da mulher (5 modos). tomada a decisão D1 . Com 5 homens e 5 mulheres.

deve ter apenas uma cor e não se pode usar cores iguais em listras adjacentes. O segundo dígito pode ser escolhido de 9 modos. O primeiro dígito pode ser escolhido de 9 modos. pois não pode ser igual ao primeiro dígito. nós nos colocamos no papel da pessoa que deveria escrever o número de três dígitos. Colorir a bandeira equivale a escolher a cor de cada listra. Devemos. A resposta é 9 × 9 × 8 = 648.Unidade 14 Exemplo 2. Há 3 modos de escolher a cor da primeira listra e. nós nos colocamos no papel da pessoa que deveria colorir a bandeira. Formar um casal foi dividido em escolher o homem e escolher a mulher. 2) Divisão. pois não pode ser igual nem ao primeiro nem ao segundo dígitos. colorir a bandeira foi dividido . nós nos colocamos no papel da pessoa que deveria formar o casal. No exemplo 3. no exemplo 1. Quantos são os números de três dígitos distintos? Solução. Você deve ter percebido nesses exemplos qual é a estratégia para resolver problemas de Combinatória: 1) Postura. a partir daí. dividir as decisões a serem tomadas em decisões mais simples.2 MA12 . 2 modos de escolher a cor de cada uma das outras 6 listras. Devemos sempre nos colocar no papel da pessoa que deve fazer a ação solicitada pelo problema e ver que decisões devemos tomar. de quantos modos se pode colorir a bandeira? Solução. sempre que possível. O terceiro dígito pode ser escolhido de 8 modos. pois ele não pode ser igual a 0. A resposta é 3 × 26 = 192. Uma bandeira é formada por 7 listras que devem ser Se cada listra coloridas usando apenas as cores verde. Exemplo 3. no exemplo 2. azul e cinza.

. haverá 7 modos de escolher o primeiro dígito. Exemplo 4. Pequenas diculdades adiadas costumam se transformar em imensas diculdades. pois não podemos repetir o dígito já usado. postergá-la só serve para causar problemas. a escolha do primeiro dígito era uma decisão mais restrita do que as outras. O código Morse usa duas letras. temos um impasse: de quantos modos podemos escolher o primeiro dígito: A resposta é depende. formar um número de três dígitos foi dividido em escolher cada um dos três dígitos. Se não tivermos usado o 0. tornar complicadas as coisas mais simples. e as Quantas são as palavras do código palavras têm de 1 a 4 letras. Começando a escolha dos dígitos pelo último dígito. há 9 modos de escolher o Agora dígito central. pois o primeiro dígito não pode ser igual a 0.Combinatória 3 em colorir cada listra. conforme acabamos de ver. Vamos voltar ao exemplo anterior três dígitos distintos? − Quantos são os números de − para ver como algumas pessoas conseguem. Um passo importante na estratégia para resolver problemas de Combinatória é: 3) Não adiar diculdades. há 10 modos de escolher o último dígito. Essa é portanto a decisão que deve ser tomada em primeiro lugar e. haverá 8 modos de escolher o primeiro dígito. essa é a decisão que deve ser tomada em primeiro lugar. por erros de estratégia. No exemplo 3. se já tivermos usado o 0. pois não poderemos usar nem o 0 nem os dois dígitos já usados nas demais casas. Se uma das decisões a serem tomadas for mais restrita que as demais. ponto e traço. Em seguida.

3} . Quantos são os números pares de três dígitos distintos? Solução. perfeitos. c) Para o divisor ser ímpar. Há 24 divisores. divisores pares. Claro que poderíamos ter achado essa resposta subtraindo (a)-(b). O número total Exemplo 5. Há 2 palavras de uma letra. 2. 1.Unidade 14 Morse? Solução. Há 2×2 = 4 palavras de duas letras. α não pode ser 0. os expoentes devem ser pares. Os divisores inteiros e positivos de 360 α β γ números da forma 2 × 3 × 5 . Quantos divisores inteiros e positivos possui o número 360? Quantos divisores são pares? Quantos são ímpares? Quantos são quadrados perfeitos? Solução. 2 + 4 + 8 + 16 = 30. β e Há 4 × 3 = 24 maneiras de escolher os expoentes γ. α. β ∈ {0. Há 1 × 3 × 2 = 6 divisores ímpares. Note que começamos . 1}. há de três letras e de palavras é 2×2×2=8 palavras 2 × 2 × 2 × 2 = 16 palavras de 4 letras. 1. com α ∈ {0. Há α. Há 5 modos de escolher o último dígito. Há 3 × 3 × 2 = 18 α dever ser 0. b) Para o divisor ser par. d) Para o divisor ser quadrado perfeito. analogamente. β e γ 2×2×1 = 4 divisores que são quadrados Exemplo 6.4 MA12 . a) são os 360 = 23 × 32 × 5. pois há dois modos de escolher a primeira letra e dois modos de escolher a segunda letra. 2} e γ ∈ {0.

o que nos fará contar em demasia. Há A resposta 4 × 8 × 8 = 256 números é 72 + 256 = 328. De quantos modos se pode escolher o primeiro dígito? A resposta é depende: se não tivermos usado o 0. O primeiro método consiste em voltar atrás e contar separadamente. 2. o último dígito só pode ser 0. 6 ou 8. pois não poderemos usar nem o 0 nem o dígito usado na última casa. Para os que não terminam em 0. Há 1 × 9 × 8 = 72 números que não terminam em 0. 4. Procedendo assim. Para os que não terminam em 0. haverá 9 modos de escolher o primeiro dígito. 6 ou 8).Combinatória 5 pelo último dígito. 9 modos de escolher o primeiro dígito (não podemos repetir o dígito usado na última casa. há 5 modos de escolher o último dígito (só pode ser 0. que não terminam em 0. vamos ao primeiro dígito. que é o mais restrito. Primeiramente fazemos de conta que o 0 pode ser usado na primeira casa do número. 2. note que estamos permitindo o uso do 0 na primeira casa) e 8 modos de escolher o dígito Depois descontaremos o . se tivermos usado o 0. que houver sido contado indevidamente. há 4 modos de escolher o último dígito. pois apenas o 0 não poderá ser usado na primeira casa. Esse tipo de impasse é comum na resolução de problemas e há dois métodos de vencê-lo. 9 modos de escolher o primeiro e 8 modos de escolher o dígito central. 4. há 4 modos de escolher o último dígito. 8 modos de escolher o primeiro e 8 modos de escolher o dígito central. O segundo método consiste em ignorar uma das repetições do problema. Em seguida. haverá 8 modos de escolher o primeiro dígito. Contaremos separadamente os números que terminam em 0 e os que não terminam em 0.

6

MA12 - Unidade 14

central. Há 0.

5 × 9 × 8 = 360

números, aí inclusos os que começam por

Agora vamos determinar quantos desses números começam por zero; são esses os números que foram contados indevidamente. Há

1 modo de escolher o primeiro dígito (tem que ser 0), 4 modos de escolher o último dígito (só pode ser 2, 4, 6 ou 8

lembre-se que

os dígitos são distintos) e 8 modos de escolher o dígito central (não podemos repetir os dígitos já usados). começados por 0. A resposta é Há

1 × 4 × 8 = 32

números

360 − 32 = 328.

É claro que este problema poderia ter sido resolvido com um truque. Para determinar quantos são os números pares de três dígitos distintos, poderíamos fazer os números de três dígitos distintos menos os números ímpares de três números distintos. Para os números de três dígitos distintos, há 9 modos de escolher o primeiro dígito, 9 modos de escolher o segundo e 8 modos de escolher o último. Há

9 × 9 × 8 = 648

números de três dígitos distintos.

Para os números ímpares de três dígitos distintos, há 5 modos de escolher o último dígito, 8 modos de escolher o primeiro e 8 modos de escolher o dígito central. Há dígitos distintos. A resposta é

5 × 8 × 8 = 320

números ímpares de três

648 − 320 = 328.

Exercícios
1. Quantos são os gabaritos possíveis de um teste de 10 questões de

múltipla-escolha, com 5 alternativas por questão?

Combinatória

7

2. Quantos subconjuntos possui um conjunto que tem

n

elementos?

3. De quantos modos 3 pessoas podem se sentar em 5 cadeiras em la?

4.

De quantos modos 5 homens e 5 mulheres podem se sentar em

5 bancos de 2 lugares, se em cada banco deve haver um homem e uma mulher?

5.

De quantos modos podemos colocar 2 reis diferentes em casas

não-adjacentes de um tabuleiro

8 × 8?

E se os reis fossem iguais?

6.

De quantos modos podemos colocar 8 torres iguais em um ta-

buleiro

8 × 8,

de modo que não haja duas torres na mesma linha ou

na mesma coluna? E se as torres fossem diferentes?

7.

De um baralho comum de 52 cartas, sacam-se sucessivamente e

sem reposição duas cartas. De quantos modos isso pode ser feito se a primeira carta deve ser de copas e a segunda não deve ser um rei?

8.

O conjunto

Quantas

A possui 4 elementos e, o conjunto B , 7 elementos. funções f : A → B existem? Quantas delas são injetoras?

9. a) De quantos modos o número 720 pode ser decomposto em um

produto de dois inteiros positivos? Aqui consideramos, naturalmente,

8 × 90

como sendo o mesmo que

90 × 8.

b) E o número 144?

8

MA12 - Unidade 14

Sugestões aos Exercícios
2. Para formar um subconjunto você deve perguntar a cada elemento

do conjunto se ele deseja participar do subconjunto.

3.

A primeira pessoa pode escolher sua cadeira de 5 modos; a se-

gunda, de 4; a terceira, de 3.

4.

A primeira mulher pode escolher sua posição de 10 modos.

A

segunda, de 8 modos. As outras, de 6, de 4 e de 2 modos. O primeiro homem, de 5 modos. Os demais, de 4, de 3, de 2, de 1.

5.

O tabuleiro de 64 casas possui 4 casas de canto (vértices), 24

casas laterais que não são vértices e 36 casas centrais. Cada casa de canto possui 3 casas adjacentes; cada lateral possui 5 casas adjacentes e cada central possui 8 casas adjacentes. Conte separadamente conforme o rei negro ocupa uma casa de canto, lateral ou central. Se os reis fossem iguais, a resposta seria a metade da resposta anterior.

6. Haverá uma torre em cada linha. A torre da primeira linha pode

ser colocada de 8 modos. A da segunda linha, de 7 modos, pois não pode car na mesma coluna da anterior, etc. Se as torres são diferentes, devemos primeiramente escolher qual a torre que cará na primeira linha (8 modos) e depois escolher onde colocá-la na primeira linha (8 modos). Há torre da primeira linha; analogamente, há torre da segunda linha etc.

8×8 7×7

modos de colocar a modos de colocar a

7. Conte separadamente os casos em que a carta de copas é um rei e

Combinatória

9

em que a carta de copas não é um rei.

8. Para construir uma função, você deve perguntar a cada elemento

de

A

quem ele deseja echar em

B.

9a.

720 = 24 × 32 × 5

tem 30 divisores positivos.

9b. Note que

144 = 12 × 12.

MA 12 - Unidade 15 Combinat´ oria – Continua¸ c˜ ao Semana de 30/05 a 05/06

Nesta unidade, s˜ ao estudadas as permuta¸ co ˜es e as combina¸ co ˜es, desenvolvendo modos espec´ ıficos de contagem. N˜ ao h´ a f´ ormulas a decorar, mas, procedimentos de contagem a compreender. A unidade termina com uma lista de 10 problemas; resolva quantos puder, redigindo as suas solu¸ co ˜es. V´ ıdeos relacionados: 1. Aulas do Professor Augusto C´ esar Morgado - An´ alise Combinat´ oria, Julho de 2005. 2. PAPMEM - Livro Temas e Problemas. Combinat´ oria. Prof. Paulo C´ esar Carvalho. Janeiro 2007 - Volume 1.

MA12 - Unidade 15 Combinatória Semana 30/05 a 05/06

Há alguns (poucos) problemas de Combinatória que, embora sejam aplicações do princípio básico, aparecem com muita frequência. Para esses problemas, vale a pena saber de cor as suas respostas. O primeiro desses problemas é o:

Problema das permutações simples
De quantos modos podemos ordenar em la

n

objetos distintos?

A escolha do objeto que ocupará o primeiro lugar pode ser feita de

n

modos; a escolha do objeto que ocupará o segundo lugar pode ser

feita de pode

n − 1 modos; a escolha do objeto que ocupará o terceiro lugar ser feita de n − 2 modos, etc...; a escolha do objeto que ocupará

o último lugar pode ser feita de 1 modo.

1

(bac). Há 3 × 24 = 72 anagramas começados por consoante. (acb). as permutações simples das letras a. Como as . cada anagrama corresponde a uma ordem de colocação dessas 5 letras. Quantos são os anagramas da palavra BOTAFOGO? Solução. 3 livros diferentes de Estatística e 2 livros diferentes de Física. Exemplo 1. Feito isso. 1 = n!. de modo que livros de uma mesma matéria permaneçam juntos? Solução. por exemplo. O número de anagramas é P5 = 5! = 120. . Cada ordem que se dá aos obejtos é chamada de uma permutação simples dos objetos. o número de permutações simples de é Pn = n!.2 MA12 . b e c são (abc). Exemplo 3. Quantos são os anagramas da palavra calor? Quantos começam com consoantes? Solução.Unidade 15 A resposta é n(n − 1)(n − 2) . Assim. 3! modos para os de Estatística e 2! modos para os de Física. . n objetos distintos Portanto. (bca). Para formar um anagrama começado por consoante devemos primeiramente escolher a consoante (3 modos) e. A resposta é 3!5!3!2! = 6 × 120 × 6 × 2 = 8 640. há 5! modos de colocar os livros de Matemática nos lugares que lhe foram destinados. (cab) e (cba). arrumar as quatro letras restantes em seguida à consoante ( 4! = 24 modos). De quantos modos podemos arrumar em la 5 livros diferentes de Matemática. Exemplo 2. Se as letras fossem diferentes a resposta seria 8!. depois. Podemos escolher a ordem das matérias de 3! modos.

etc. é Pn = De quantos modos podemos dividir 8 objetos em um grupo de 5 objetos e um de 3 objetos? Solução. 3! A. note que las como abcde | f gh e badce | ghf são las diferentes e geram a mesma divisão de grupos. Exemplo 4. Cada divisão em grupos foi contada uma vez para cada ordem dos objetos dentro de cada grupo. Há 5!3! modos de arrumar os objetos em cada grupo. os 5 primeiros formam o grupo de 5 e os 3 últimos formam o grupo de 3. A resposta é 8! = 56. o número de permutações de α são iguais a são iguais a B. dos quais α.. Entretanto. γ são iguais n! . pois há 3! modos de trocar as letras O entre si. Isso faz com que na nossa contagem de 8! tenhamos contado o mesmo anagrama várias vezes. .Combinatória 3 três letras O são iguais.γ. β De modo geral. α !β !γ ! . Cada divisão em grupos foi contada 5!3! vezes. quando as trocamos entre si obtemos o mesmo anagrama e não um anagrama distinto... Há 8! modos de colocar os objetos em la. 3! vezes precisamente. a C .β. 5!3! O segundo problema importante é o: Problema das combinações simples De quantos modos podemos selecionar p objetos distintos entre n . Um processo de fazer a divisão é colocar os objetos em la. o que aconteceria se fossem diferentes. . A resposta é 8! = 6 720. n objetos.

Tem-se 5 pontos sobre uma reta R e 8 pontos sobre uma reta R paralela a R. e} e {c. quantas comissões de 5 pessoas. {a. A resposta é 2 2 4 1 5 C5 · C4 + C5 · C4 + C5 = 10 × 6 + 5 × 4 + 1 = 81. d.{b. Para formar a comissão devemos escolher 3 dos homens e 2 das mulheres. d}. b. {b. Exemplo 6. b. {a. Esse é o problema de exemplo 4 e a resposta é p Cn = Exemplo 5. n! . quantas comissões de 5 pessoas. por exemplo. com pelo menos 3 homens. {b. b. {a. Há 3 2 C5 · C4 = 10 × 6 = 60 comissões. d e são {a. b. e}.Unidade 15 objetos distintos dados? Cada seleção de de classe p objetos é chamada de uma combinação simples p dos n objetos. d. e}. selecionar que são os não-selecionados. com exatamente 3 homens. c}. c. Assim. e}. d}. podem ser formadas? Solução. as combinações sim- ples de classe 3 dos objetos a. {a. p!(n − p)! Com 5 homens e 4 mulheres. c. 4 homens e 1 mulher. Representamos o número de combinações simples de classe p de n elementos n 5 p 3 por Cn ou . d. Há comissões com: 3 homens e 2 mulheres. Assim. c. e}. {a. c. e um grupo de n − p objetos. Quantos triângulos e quantos quadriláteros convexos com vértices nesses pontos existem? . 5 homens.4 MA12 . podem ser formadas? Solução. C5 = = 10. p 3 Para resolver o problema das combinações simples basta notar que p entre os n objetos equivale a dividir os n objetos em um grupo de p objetos. que são selecionados. c. Com 5 homens e 4 mulheres. d}. Exemplo 7. e}.

o que pode ser feito de C5 modos. Entretanto.Combinatória 5 Solução. Também se poderia pensar em tomar 3 dos 13 pontos e excluir dessa contagem as escolhas de pontos colineares. as rodas ABCDE e EABCD são iguais. devemos tomar dois pontos em 2 3 = 10·28 = 280 · C8 R e dois pontos em R . o que daria 3 3 3 C13 − C8 − C5 = 286 − 56 − 10 = 220. Exemplo 8. De quantos modos 5 crianças podem formar uma roda de ciranda? Figura 1: Solução. Para formar um quadrilátero convexo. À primeira vista parece que para formar uma roda com as cinco crianças basta escolher uma ordem para elas. Como . o que poderia ser feito de 5! = 120 modos. ou toma um ponto em número de triângulos é R e dois pontos 2 2 5 · C8 + 8 · C5 = 140 + 80 = 220. Para formar um triângulo ou você toma um ponto em R e O dois pontos em R. pois na roda o que importa é a posição relativa das crianças entre si e a roda ABCDE pode ser virada na roda EABCD. em R.

por exemplo na ordem BLGR. G.6 MA12 . n O exemplo a seguir mostra um tipo de racíocinio que. Exemplo 9. Quantos são os anagramas da palavra BÚLGARO que não possuem duas vogais adjacentes? Solução. cada um com uma vogal e dois dos espaços carão vazios. o número de permutações circulares de objetos é n n! (P C )n = = (n − 1)!. va- mos entremear as vogais. apesar de inesperado. O número de modos de arrumar em la as consoantes B. de modo que disposições que possam coincidir por rotação sejam consideradas iguais. R é P4 = 4! = 24. A. colocar n objetos em cír- culo. a nossa contagem de 120 rodas contou cada roda 5 vezes e a resposta é De modo geral. depois. devemos colocar as vogais U. Arrumadas as consoantes. 3 C5 = 10 modos de escolher P3 = 3! = 6 modos de colocar os as B A resposta é L G R 24 × 10 × 6 = 1440. O nos 5 espaços da gura. Temos três espaços que serão ocupados e vogais nos espaços escolhidos. Como não podemos colocar duas vogais no mesmo espaço. L. Quantas são as soluções inteiras e não-negativas da Exemplo 10. o número de modos de 120/5 = 24. pode ser muito eciente. Vamos primeiramente arrumar as consoantes e.Unidade 15 cada roda pode ser virada de cinco modos. isto é. equação x1 + x2 + · · · + xn = p ? . três dos espaços serão ocupados.

Exemplo 11. k -ésimo sabor que vamos comprar. De quantos modos podemos comprar 3 sorvetes em um bar que os oferece em 6 sabores distintos? Solução. Isso pode ser feito 3 3 de CR6 = C8 = 56 modos. devemos determinar valores inteiros e não-negativos para xk . basta escolher dos n + p − 1 lugares da la os p lugares onde serão colop cados os sinais +.1) e (5. Chamando de o número de sorvetes do xk Exercícios 1. 2. Nossa representação. 7 Solução. o que pode ser feito de Cn+p−1 modos. cada solução seria representada por uma la com n − 1 barras (as barras são para separar as incógnitas. p p = Cn CRn +p−1 . para separar n incógnitas.2.Combinatória p CRn . Ora. 3. para formar uma la com n − 1 barras e p sinais +.0) seriam representadas por + + | + +|+ e + + + + +||. Para a equação x1 + x2 + · · · + xn = p. . k = 1. vamos representar cada solução da equação por uma la de sinais + e || . Quantos são os anagramas da palavra CAPÍTULO. A resposta não é 3 3 = 20. tais que x1 + x2 + · · · + x6 = 3. C6 C6 seria o número de modos de comprar três sorvetes diferentes. as Para determinar o valor de barras são usadas para separar as incógnitas e a quantidade de sinais + indica o valor de cada incógnita. respectivamente.0. Por exemplo. A resposta deste problema é representada por p CRn . 4. 5. para a equação x + y + z = 5. usamos n − 1 barras) e p sinais +. 6. Portanto. as soluções (2.

permaneçam juntas? 5. . Vera e Paulo. De quantos modos é possível colocar 8 pessoas em la de modo que duas dessas pessoas. p juntas nessa ordem? e) que têm as letras c. da esquerda para k − 3? 6. a.Unidade 15 a) possíveis? b) que começam e terminam por vogal? c) que têm as vogais e as consoantes intercaladas? d) que têm as letras c. nas quais o elemento que ocupa o lugar de ordem a direita. Helena e Pedro. não quem juntas e duas outras. p juntas em qualquer ordem? f ) que têm a letra p em primeiro lugar e a letra a em segundo? g) que têm a letra p em primeiro lugar ou a letra a em segundo? h) que têm p em primeiro lugar ou a em segundo ou c em terceiro? i) nos quais a letra a é uma das letras à esquerda de p e a letra c é uma das letras à direita de p? A é um conjunto f : A → A bijetoras? 2. é sempre maior que k. . De quantos modos é possível colocar 8 pessoas em la de modo que duas dessas pessoas. Se de n elementos. De quantos modos é possível dividir 15 atletas em três times de 5 . a. não quem juntas? 4. 3.8 MA12 . Vera e Paulo. . 2. quantas são as funções 3. . 10. Quantas são as permutações simples dos números 1.

Permutam-se de todas as formas possíveis os algarismos 1. 7 e escrevem-se os números assim formados em ordem crescente. 6.Combinatória 9 atletas. Ao somar os que têm p em primeiro com os que têm a em segundo.p. b) que número que ocupa o 66 c) qual o 166 o lugar. . 2. Recai-se no item anterior. 1e. 1d. Escolha inicialmente a ordem das letras c. Os anagramas podem começar por vogal ou por consoante.a. denominados Esporte. De quantos modos é possível selecionar os jogos da primeira rodada? 10. Tupi e Minas? 7. De quantos modos é possível dividir 15 atletas em três times de 5 atletas? 8. Sugestões aos Exercícios 1c. o algarismo escrito. Determine: a) que lugar ocupa 62 417. 4. Um campeonato é disputados por 12 clubes em rodadas de 6 jogos cada. De quantos modos é possível dividir 20 objetos em 4 grupos de 3 ou 2 grupos de 4? 9. d) a soma dos números assim formados. 1g. Tudo se passa como se cap fosse uma letra só.

Um diagrama de conjuntos ajuda. em 4.Unidade 15 os que têm p em primeiro e a em segundo são contados duas vezes. 6. Um diagrama de conjuntos ajuda. em 61. em 2. Você pode colocar os 12 times em uma matriz 6×2 . Você deve escolher 5 jogadores para o Esporte. A resposta é a anterior dividida por 3!. trocando a ordem dentro de cada bloco. os 5 seguintes o Tupi. 3. As posições mais restritas são as últimas. 10a. Note que. os 5 últimos o Minas. depois tenho 9 modos de escolher o adversário do primeiro (em ordem alfabética) time que sobrou. 1h. 1i.10 MA12 .. Não se esqueça que elas podem car juntas em 2! ordens possíveis. trocando os times entre si. Ou então. Antecedem-no todos os números começados em 1. 1 6 do Faça o total menos aquelas nas quais elas cam juntas. Note que tro- car as linhas entre si. Faça todas com Helena e Pedro juntos menos aquelas nas Helena e Pedro estão juntos e Vera e Paulo também estão juntos. etc. Para descobrir o lugar do 62 417 você tem que contar quantos números o antecedem. ponha os 15 jogadores em la: os 5 primeiros formam o Esporte. 5.. Há 3! = 6 ordens possíveis para essas letras. pois agora. 7. 10c. O 166 o algarismo escrito é o 1 o algarismo do 34 o número. Você também poderia pensar assim: Tenho 11 modos de escolher o adversário do Botafogo. A resposta é total de anagramas. depois tenho 7. você muda a la mas não muda a divisão em times. 9. a divisão é a mesma. depois escolher 5 dos que sobraram para o Tupi e formar o Minas com os restantes. . 4. ou trocar em uma linha a ordem dos elementos não altera a seleção dos jogos.

bonito.Combinatória 11 10d. 6. Um truque. A resposta é 88 888 × 60. A soma das unidades dos números é (1 + 2 + 4 + 6 + 7) · 4!. . etc. mas truque. 2. Teremos 60 casais e a soma em cada casal é 88 888. Determine analogamente a soma das 5! = 120 números em 60 casais do seguinte modo: o cônjuge de cada número é o número que dele se obtém trocando a posição do 1 com o 7 e a posição do 2 com o 6. 4. é agrupar os números. pois cada um dos algarismos 1. 7 aparece como algarismo das unidades em 4! dezenas.

destacam-se a simetria axial com rela¸ c˜ ao ao eixo vertical central e a rela¸ c˜ ao de Stifel n−1 n−1 + m−1 m onde n m = n . publicado em 1654. que ´ e uma tabela de formato triangular (n˜ ao limitada). Destacam-se tamb´ em o Teorema das linhas o Teorema das colunas. Essa rela¸ c˜ ao ´ e a base da constru¸ c˜ ao do triˆ angulo. f´ acil de construir e que permite obter de modo imediato os coeficientes n do desenvolvimento de (a + b) . junto com Fermat. ao inv´ es dos argumentos alg´ ebricos que foram utilizados l´ a.Unidade 16 Combinat´ oria – O Binˆ omio de Newton Semana de 06/06 a 12/06 A unidade se inicia com o triˆ angulo de Tartaglia-Pascal. ou seja. m!(n − m)! n´ umero esse tamb´ em denotado por Cm n. pois permite determinar os elementos de uma linha conhecendo os elementos da linha anterior. de n´ umeros naturais. Pascal. Dentre as propriedades not´ aveis do triangulo de Pascal. Este escreveu o livro Trait´ e du Triangle Arithm´ etique. A seguir. foi o criador da An´ alise Combinat´ oria (assunto das Unidades 14-19) e da Teoria de Probabilidades. dentre muitas outras propriedades. a f´ ormula que fornece o desenvolvimento de (a + b)n de um modo diferente do que foi feito na Unidade 4. . 1 1 1 1 1 1 1 ··· 6 ··· 5 15 4 10 20 ··· 3 6 10 15 ··· 2 3 4 5 6 1 1 1 1 1 1 ··· Esse triˆ angulo foi descoberto pelo matem´ atico chinˆ es Yang Hui (1238-1298) e suas propriedades aritm´ eticas foram estudadas pelo matem´ atico francˆ es Blaise Pascal (1623-1662). raz˜ ao pela qual o triˆ angulo leva o seu nome. m = n! . que estudaremos nas Unidades 21-24. Aqui se utilizam argumentos combinat´ orios. ´ e apresentado o Binˆ omio de Newton.MA 12 .

∂y Como s˜ ao definidos tais desenvolvimentos? Bem. e isso n˜ ao ´ e o caso quando X = −2. 0) = 0. se n for inteiro (fixado). podemos escrever formalmente. Y ) = 0. como explicado por Gauss. Gauss fez o estudo completo da s´ erie hipergeom´ etrica. que introduziu a no¸ c˜ ao de convergˆ encia para s´ eries. o que s´ o ocorre quando |X | < 1. A igualdade s´ o vale se a s´ erie da direita for convergente. iniciando o ramo da An´ alise Matem´ atica. 0) = 0 e ∂x ∂f (0. o desenvolvimento em s´ erie infinita (1 + X )α = 1 + αX + α(α − 1) 2 α(α − 1) · · · (α − m + 1) m X + ··· + X + ··· . . Esse paradoxo se obt´ em. Nessa situa¸ c˜ ao. como Newton fez. que cont´ em. o que n˜ ao ´ e o caso se n for um n´ umero racional α que n˜ ao ´ e natural. resolva a lista de problemas propostos e leia a se¸ c˜ ao “Sobre o Ensino de Combinat´ oria”. Infelizmente. Portanto. formalmente. onde f (0.O Binˆ omio de Newton era conhecido muito antes de Newton. obtendo −1 = 1 + 2 + 22 + · · · A raz˜ ao do surgimento desse paradoxo. como casos particulares. ent˜ ao m se anula para m ≥ n + 1. quando ∂f (0. em condi¸ co ˜es onde n˜ ao se aplica o teorema cl´ assico. Para finalizar. a matem´ atica de Gauss ´ e muito pouco abordada no Ensino M´ edio. para n racional e m natural os coeficientes binomiais como de costume n m = n(n − 1) · · · (n − m + 1) . ou seja. Por a´ ı pode-se ter uma no¸ c˜ ao da genialidade de Gauss. podemos definir. por exemplo. fazendo em (1) a substitui¸ c˜ ao X = −2 e α = −1. mas leva o seu nome porque ele teve a formid´ avel id´ eia de usar esse desenvolvimento com expoentes racionais para fazer uma generaliza¸ c˜ ao inesperada do cl´ assico Teorema da Fun¸ c˜ ao Impl´ ıcita para equa¸ c˜ oes polinomiais f (X. 2 m! (1) Essa s´ erie foi respons´ avel pelo famoso paradoxo do binˆ omio. consiste em tratar somas infinitas como se fossem finitas. m! n Note que. o coeficientes binomiais nunca se anulam. v´ arias s´ eries conhecidas. 0) = 0. que intrigou os matem´ aticos at´ e ser definitivamente esclarecido por Gauss.

lósofo e físico francês. 1 . matemático italiano. matemático. 2 Pascal. Blaise (1623-1662). formado com os diversos valores de Cn .MA12 . 0 C0 0 C1 0 C2 0 C3 0 C4 0 C5 1 Tartaglia. 1 C1 1 C2 1 C3 1 C4 1 C5 2 C2 2 C3 2 C4 2 C5 3 C3 3 4 C4 C4 3 4 5 C5 C5 C5 1 1 1 1 1 1 1 2 3 4 5 1 3 1 6 4 1 10 10 5 1 Nicolo Fontana (1500-1557).Unidade 16 Combinatória Semana 06/06 a 12/06 1 O Triângulo Aritmético Chamamos de triângulo aritmético de Tartaglia 1 -Pascal2 ao quadro p abaixo.

2 MA12 . numerando as linhas e colunas a partir de zero. Prova. que diz que somando dois elementos lado a lado no triângulo obtém-se o elemento situado embaixo do da direita. p+1 p+1 p = Cn + Cn Cn +1 . 0 1 2 n Cn + Cn + Cn + · · · + Cn = 2n . com o número de subconjuntos nos quais x gura. . . Basta observar que os dois membros são iguais ao número de subconjuntos de um conjunto com n elementos. C7 modos de abrir o palácio abrindo duas portas. 10 + 5 = 15. 5 + 1 = 6. etc. Prova. um dos quais é p+1 x. A propriedade que permite construir rapidamente o triângulo é a relação de Stifel3 . Há C7 modos de abrir o palácio abrindo uma só porta. algebrista alemão. 3 Stifel. A resposta é Exemplo 1. O número de subconjuntos de A com p + 1 elementos é Cn +1 . Cn Relação de Stifel.Unidade 16 p Observe que. Considere um conjunto A de n + 1 elementos. De quantos modos pode ser aberto o palácio? 1 2 Solução. Outra relação importante é o: Teorema das Linhas. 10 + 10 = 20. a próxima linha do triângulo seria 1. 5 + 10 = 15. Esse número é igual à soma do número de subconjuntos nos quais x não p p+1 . Cn gura. 1 2 7 0 C1 + C7 + · · · + C7 = 27 − C7 = 128 − 1 = 127. Assim. cqd. Um palácio tem 7 portas. Michael (1487?-1567). 1 + 5 = 6. 1. Cn aparece na linha n e coluna p.

em cada linha. matemático e físico inglês. Determine o coeciente de x3 no desenvolvimento de 1 x − x 4 7 . . Isaac (1642-1727). 4 Newton. n−p p . p = 0. a segunda parcela e tomando nos restantes n − p p fatores a primeira parcela. n . 2 O Binômio de Newton A fórmula do binômio de Newton 4 é a fórmula que dá o desenvolvimento de (x + a)n . Como isso pode ser feito de Cn modos. . 1. Relação das Combinações Complementares. Prova. . entre n objetos. . 2. · (x + a). = Cn Cn Basta observar que o número de modos de escolher. . o p p n−p termo genérico do produto é Cn ax e n (x + a) n = = p p n−p Cn ax p=0 0 0 n Cn ax n n 0 1 1 n−1 2 2 n−2 ax + · · · + Cn a x. O termo genérico do produto é obtido tomando em p dos fatores. . . a relação que declara que. Para obtê-la basta multiplicar (x + a) · (x + a) · . p objetos para usar é igual ao de escolher n − p objetos para não usar. elementos equidistantes dos extremos são iguais.Combinatória 3 Finalmente. ax + Cn + Cn Exemplo 1.

Logo.4 MA12 . tp > tp−1 quando 51 − 4p > 0 e temos tp < tp−1 quando 51 − 4p < 0. ou seja. O termo procurado é C7 Exemplo 2. tp > tp−1 quando p 12 e tp < tp−1 quando p 13. O termo genérico do desenvolvimento é p C7 −1 x p p (x4 )7−p = C7 (−1)p x28−5p . 312 . t0 < t1 < · · · < t11 < t12 > t13 > t14 > · · · > t50 . Solução.Unidade 16 Solução. calculamos tp − tp−1 = = = = p C50 1 p−1 1 − C50 3 3 50! 50! − p p!(50 − p)!3 (p − 1)!(51 − p)!3p−1 1 50! 1 − p − 1 (p − 1)!(50 − p)!3 3p 51 − p 50! 51 − 4p . O termo genérico do desenvolvimento é tp = p p n−p Cn ax = p C50 1 3 p . se p = 5. Portanto. p − 1 (p − 1)!(50 − p)!3 3p(51 − p) p p−1 Temos tp − tp−1 positivo. isto é. 5 (−1)5 x3 = −21x3 . Para isso. Vamos descobrir para que valores de p os termos crescem. O termo máximo é 12 t12 = C50 . Determine o termo máximo do desenvolvimento de 1 1+ 3 50 . O termo em x3 é obtido se 28 − 5p = 3. O coeciente é −21.

p b) C21 . Determine o termo máximo do desenvolvimento de 1 1+ 2 100 . Determine p para que seja máximo: p a) C10 . quantos coquetéis de duas ou mais vitaminas podemos formar? 1. 7. 6. . Determine o termo independente de x no desenvolvimento de x3 − 1 x2 10 3. 2. determine o valor de: a) A0 + A1 + A2 + · · · + A2n b) A0 + A2 + A4 + · · · + A2n .Combinatória 5 Exercícios Com 7 vitaminas diferentes. . 5. Se (1 + x + x2 )n = A0 + A1 x + A2 x2 + · · · + A2n x2n . Determine o coeciente de xn no desenvolvimento de (1 − x)2 · (x + 2)n . 4. 0 1 2 n Determine o valor da soma Cn + 3 Cn + 3 2 Cn + · · · + 3 n Cn .

A soma pedida é o desenvolvimento de um binômio de Newton. 1. O melhor modo de mostrar que a > b é mostrar que a − b é positivo. Você quer mostrar que é o bom ou quer que seus alunos aprendam? Se você prefere a segunda alternativa. 2. . 3 Sobre o Ensino de Combinatória Não faça fórmulas demais ou casos particulares demais. Faça x = −1. Faça x = 1. 8. analisar porque ela está errada. Isso obscurece as ideias gerais e torna as coisas mais complicadas. 6a.6 MA12 . É importante. 101 = 100 + 1 e 99 = 100 − 1. 5. O que deve ser procurado é um método que permita resolver muitos problemas e não um truque 3. Prove que 10150 > 9950 + 10050 . Sugestões aos Exercícios 3. 6b.Unidade 16 8. Aprenda e faça com que os alunos aprendam com os erros. Quem troca o princípio básico da contagem por fórmulas de arranjos. resista à tentação de em cada problema buscar solução mais elegante. O termo independente de x é o termo em x0 . diante de uma solução errada. permutações e combinações tem diculdade de resolver até mesmo o nosso segundo exemplo (o das bandeiras).

Embora em certos casos seja melhor usar um raciocínio destrutivo. 3 e 5 da seção 2. da seção de princípios básicos. . os problemas dos exemplos 2.1 e os problemas propostos números 10. por exemplo. foram apresentados dois métodos e um truque. Combinatória não é difícil. Por exemplo. a primeira solução apresentada é melhor do que a segunda para educar o raciocínio do aluno. Sendo mais especíco: no exemplo 6.Combinatória 7 que resolva maravilhosamente um problema. 14. no exemplo 7 da parte de combinações. para que servem arranjos? 4. seus alunos só se sentirão seguros quando dominarem os raciocínios construtivos. impossível é aprender alguma coisa apenas com truques em vez de métodos. Não dê preferência a raciocínios destrutivos. 5. A beleza de alguns truques só pode ser apreciada por quem tem domínio dos métodos. Os raciocínios que resolvem a maior parte dos problemas de Combinatória são essencialmente construtivos. Um processo seguro de tornar as coisas complicadas é começar assim: esse é um problema de arranjos ou de combinações? Como se resolveriam. 17 e 19 da mesma seção? Aliás. Não se deve mostrar o truque antes de mostrar os métodos. raciocínios do tipo contar a mais e depois descontar o que não servia e foi contado indevidamente.

Unidade 17 Combinat´ oria – Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 06/06 a 12/06 Nesta unidade. Resolva o m´ aximo que puder.MA 12 . . vocˆ e ter´ a 12 exerc´ ıcios para resolver. redigindo as suas solu¸ c˜ oes com cuidado.

8. . cada quadrante com uma só cor. Em um corredor há 900 armários. . 1 . De quantos modos podemos colorir os quatro quadrantes de um círculo. numeradas de 1 a 900.MA12 . inicial- mente todos fechados. 12. numerados de 1 a 900. . atravessam o corredor. Dispomos de 5 cores distintas. a pessoa de número 4 mexe nos armários de números 4. quais armários carão abertos? 2. abrindo os que encontra fechados e fechando os que encontra abertos. . 900 pessoas. Por exemplo. A pessoa de número k reverte o estado de todos os ar- mários cujos números são múltiplos de k. Ao nal.Unidade 17 Combinatória Problemas Semana 06/06 a 12/06 1.

Quantos são os inteiros positivos de 4 dígitos nos quais o alga- rismo 5 gura? 8. Escrevem-se os inteiros de 1 até 2 222. De quantos modos eles podem se sentar. quartas e sextas. As placas dos veículos são formadas por três letras (de um al- fabeto de 26) seguidas por 4 algarismos.Unidade 17 se quadrantes cuja fronteira é uma cor? linha não podem receber a mesma 3. Quantas placas poderão ser formadas? 5. se a letra A deve gurar na palavra mas não pode ser a primeira letra da palavra? E se a palavra devesse ter letras distintas? 4. De quantos modos podemos formar uma palavra de 5 letras de um alfabeto de 26 letras. sendo 5 de frente e 5 de costas. De 10 passageiros. respeitadas as preferências? 6. 4 preferem sentar de frente. 3 preferem sentar de costas e os demais não têm preferência. Quantas vezes o alga- rismo 0 é escrito? 7.2 MA12 . de 13h às . Em uma banca há 5 exemplares iguais da Veja. 6 exemplares Quantas iguais da Manchete e 4 exemplares iguais da Isto é. coleções não-vazias de revistas dessa banca podem ser formadas? 9. Uma turma tem aulas as segundas. Um vagão do metrô tem 10 bancos individuais.

Onde está o erro? 11. . um mesmo cartão pode representar dois números (por exemplo. 06198 e 86190). Há portanto 10 × 5 = 50 modos de formar um casal. em dias diferentes. inclusive os começados em 0. Física e Química. Escolhida a primeira pessoa. O problema do exemplo 1 − Com 5 homens e 5 mulheres.Problemas 3 14h e de 14h às 15h. em cartões. Qual a soma dos divisores positivos de 360? Sugestões aos Exercícios 1. Lembre-se que o número de divisores positivos de 2α × 3β × 5γ × . As matérias são Matemática. De quantos modos pode ser feito o horário dessa turma? 10. de quantos modos se pode formar um casal? − foi resolvido por um aluno do modo a seguir: A primeira pessoa do casal pode ser escolhida de 10 modos. pois ela pode ser homem ou mulher. Qual é o número mínimo de cartões para representar todos os números de 5 dígitos? 12. Como 0. pois deve ser de sexo diferente da primeira pessoa. de cabeça para baixo.Combinatória . Escrevem-se números de 5 dígitos. O armário de número k é mexido pelas pessoas cujos números são divisores de k. a segunda pessoa só poderá ser escolhida de 5 modos. Um armário cará aberto se for mexido um número ímpar de vezes. cada uma com duas aulas semanais. . 1 e 8 não se alteram de cabeça para baixo e como 6. é . se transforma em 9 e vice-versa.

3.. digamos segundas e quartas. você deve decidir quantas Veja farão parte da coleção. etc. pois ele pode gurar uma só vez. Por isso é melhor contar todas as palavras do alfabeto e diminuir as que não têm A e as que começam por A. . a condição da letra A gurar na palavra é terrível.4 MA12 . etc. etc. Note que como são permitidas repetições. você poderia também contar diretamente: há 4 modos de escolher a posição A. 24 para a segunda casa restante. some com o número de vezes que ele aparece nas dezenas. 7. etc. Conte quantas vezes o 0 aparece nas unidades. a condição do 5 gurar no número é terrível. Há 3 modos de escolher os dias de Matemática. No caso sem repetição. 6. Note que no caso em que são permitidas repetições. etc. há 2 modos de escolher o horário da aula de Matemática da segunda e 2 modos de escolher o horário da aula de Matemática da quarta. 25 modos de escolher a letra da primeira casa restante. É melhor fazer todos os números menos aqueles em que o 5 não gura. Há 2 modos de escolher os dias da Física (não . Para formar uma coleção. Não esqueça de retirar da sua contagem a coleção vazia. 8.. ou duas. escolhidos os dias. . ou duas. pois ela pode gurar uma só vez. 9.Unidade 17 igual a (α + 1)(β + 1)(γ + 1) . Conte separadamente os casos em que os quadrantes 1 e 3 têm cores iguais e cores diferentes... 2.

x. etc. Se há esses tipos. respectivamente. a resposta y.Problemas 5 podem ser os mesmos da Matemática senão a Química caria com as aulas no mesmo dia). Há três tipos de cartões: os que não podem ser virados de cabeça para baixo. os que virados de cabeça para baixo continuam representando o mesmo número e os que virados de cabeça para baixo passam a representar números diferentes.Combinatória . 11. z + y e x + y + z. É fácil calcular 2 . y e z cartões de cada um z é x + y + .

vocˆ e ter´ a mais quinze exerc´ ıcios relativo ` a mat´ eria da Unidade 15. .MA 12 . Redija com cuidado as suas solu¸ c˜ oes.Unidade 18 Combinat´ oria – Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 13/06 a 19/06 Nesta unidade.

1 . De quantos modos é possível colocar r rapazes e m moças em la de modo que as moças permaneçam juntas? 2.MA12 . c) Suponha que as faces são iguais e que a soma dos pontos de faces opostas deva ser igual a 7. Quantos dados diferentes é possível formar gravando números de 1 a 6 sobre as faces de um cubo? a) Suponha uma face de cada cor. b) Suponha faces iguais.Unidade 18 Combinatória Problemas Semana 13/06 a 19/06 1.

Este ano a divisão foi: Matemática. podem ser formadas? Solução: Primeiramente vamos escolher 3 homens para a comissão. Resolva o problema anterior. O conjunto A possui n elementos. n 4. quantas comissões de 5 pessoas. o que pode ser feito de 2 C6 = 15. A resposta é 10 × 15 = 150. o que pode ser feito de 3 C5 = 10 modos.2 MA12 . Por- tuguês. Quantos são os seus subconjun- tos com p elementos? 7. para os outros 4 poliedros regulares. no caso b). 9. com pelo menos 3 homens. 5. Quantas diagonais possui: a) um octaedro regular? b) um icosaedro regular? c) um dodecaedro regular? d) um cubo? . Uma faculdade realiza seu vestibular em dois dias de provas. História. endário de provas? De quantos modos pode ser feito o cal- 8. entre as 6 pessoas restantes. Física e Química no segundo dia. com 4 matérias em cada dia. Determine n para que k! k=1 seja um quadrado perfeito. Biologia e Inglês no primeiro dia e Geograa. Qual é o erro da solução abaixo? Com 5 homens e 4 mulheres.Unidade 18 3. Quantos são os anagramas da palavra ESTRELADA? 6. Agora devemos escolher mais duas pessoas para a comissão. homens ou mulheres.

. paus. d) pelo menos um dos elementos e) exatamente um dos elementos a1 . . an }. com p elementos. dama. 8. 2. ouros. a) Quantas são as extrações possíveis? Quantas são as extrações nas quais se forma: b) um par (duas cartas em um mesmo grupo e as outras três em três outros grupos diferentes)? c) dois pares (duas cartas em um grupo. n}. . De um baralho de pôquer (7. 2. 9. valete. espadas). cada um desses grupos aparecendo em 4 naipes: copas. com m são as funções f : Im → In estritamente crescentes? n.Problemas 3 e) um prisma hexagonal regular? 10. . 11. e a2 guram. não gura. m} e In = {1. . Sejam Quantas Im = {1. nos quais: a) b) c) a1 a1 a1 gura.Combinatória . 10. duas em outro grupo e uma em um terceiro grupo)? d) uma trinca (três cartas em um grupo e as outras duas em dois outros grupos diferentes)? e) um four (quatro cartas em um grupo e uma em outro grupo)? . Quantos são os subconjuntos de {a1 . gura. . sacam-se simultaneamente 5 cartas. . . a2 a1 e gura. rei e ás. . . . Quantos são os números naturais de 7 dígitos nos quais o dígito 4 gura exatamente 3 vezes e o dígito 8 exatamente 2 vezes? 12. a2 . . a2 13.

Considere um conjunto C de 20 pontos do espaço que tem um subconjunto C1 formado por 8 pontos coplanares. todas do mesmo naipe)? j ) um royal straight ush (10. valete.4 MA12 . Agora não. colocar o 1 em cima. para: a) B possui n eleDetermine o número de funções f : A → B sobrejetoras p = n. na face branca. era diferente de colocar o 6 em cima e o 1 embaixo. Sabe-se que toda vez que 4 pontos de C são coplanares. 2b. Devemos colocar 6 números em 6 lugares. é o mesmo dado de cabeça para baixo. quando mudamos o cubo de posição obtemos o mesmo Por exemplo. e o 6 em baixo. A resposta é a anterior . rei e ás de um mesmo naipe)? 14. na face preta. um dado que tem o 1 e o 6 em faces opostas: dado. Quantos são os planos que contêm pelo menos três pontos de C? Sugestões aos Exercícios 2a. não sendo todas do mesmo naipe)? h) um ush (5 cartas do mesmo naipe. possui elementos e o conjunto A p 15.Unidade 18 f ) um full hand (três cartas em um grupo e duas em outro grupo)? g) uma sequência (5 cartas de grupos consecutivos. então eles são pontos de C1 . não sendo elas de 5 grupos consecutivos)? i) um straight ush (5 cartas de grupos consecutivos. A resposta é 6!. Antes. O conjunto mentos. Agora. b) p = n + 1. c) p = n + 2. dama.

14b. 43 Um elemento de B tem sua imagem inversa formada por dois elementos e os demais têm imagens inversas unitárias. 10. Há 8 modos de escolher o grupo das suas cartas que formarão o par propriamente dito. Há 6 modos de escolher a face que ca em baixo e 4 modos de escolher nessa face a aresta que ca de frente. Essas funções são bijetoras. dos 8. k ! termina em 0. Desconte os números começados em 0. preencha as casas restantes. 13b. 14a. Os segmentos que ligam dois vértices são diagonais. 11. Se k > 4.Problemas 5 dividida pelo número de posições de colocar um cubo. Há duas possibilidades: um elemento de B tem sua imagem inversa formada por três elementos e os demais têm imagens inversas unitárias ou dois elementos de B têm imagens inversas formadas por dois elementos e os demais têm imagens inversas unitárias. . há C7 modos de escolher os grupos das outras três cartas e modos de escolher seus naipes. há 2 C4 modos de escolher os naipes dessas 3 cartas. 4. 9. arestas ou di- agonais de faces. A função ca determinada quando se escolhem os m elementos de In que formarão a imagem. Ignore o problema do 0 na primeira casa.Combinatória . 14c. Escolha os lugares dos 4.

MA 12 . redigindo as suas solu¸ c˜ oes com cuidado. vocˆ e tem mais quinze exerc´ ıcios para resolver.Unidade 19 Combinat´ oria – Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 13/06 a 19/06 Nesta unidade. . Resolva o m´ aximo que puder.

. Uma la de cadeiras no cinema tem 10 poltronas.MA12 . De quantos modos podemos selecionar p elementos do conjunto {1.Unidade 19 Combinatória Problemas Semana 13/06 a 19/06 1. n} sem selecionar dois números consecutivos? 1 . . De quantos mo- dos 3 casais podem se sentar nessas poltronas de modo que nenhum marido se sente separado de sua mulher? 2. 2. Quantos são os anagramas da palavra PARAGUAIO que não possuem consoantes adjacentes? 3. . .

De quantos modos ele pode fazer os convites se ele não deseja que um mesmo par de alunos compareça a mais de um jantar? 6. durante 7 dias consecutivos. Formam-se as combinações simples de classe 5 dos elementos as quais são escritas com os elementos em ordem cres- a1 . a12 . b) Determine quantos professores há em cada banca. os planos são guardados em um cofre protegido por muitos cadeados de modo que só é possível abri-los todos se houver pelo menos 5 cientistas presentes. ocupa o 3 cente de índices. x professores se distribuem em 8 bancas exa- minadoras de modo que cada professor participa de exatamente duas bancas e cada duas bancas têm exatamente um professor em comum. . . Onze cientistas trabalham num projeto sigiloso. Quantas são as combinações nas quais o elemento a8 o lugar? 7. a) Calcule x. De quantos modos é possível colocar em la h homens e m mulhe- res. quantas chaves cada cientista deve ter? 5. .2 MA12 . de modo que os homens entre si e as mulheres entre si quem em ordem crescente de alturas? 8. todos de alturas diferentes. 7 jantares para 3 alunos cada. a) Qual é o número mínimo possível de cadeados? b) Na situação do item a). a2 . Em uma escola. Depois de ter dado um curso. . . Por questões de segurança. um professor resolve se despedir de seus 7 alunos oferecendo.Unidade 19 4.

mulher à esquerda ou vice-versa). de modo que duas delas. A partir de um conjunto de a atletas formam-se t times de k atletas cada. você tem que formar uma la . Determine: a) de quantos times cada atleta participa. De quantos modos podemos formar uma mesa de buraco com 4 jogadores? 11.Problemas 3 9. b) em quantos times cada par de atletas ca junto. 10. De quantos modos podemos formar uma roda de ciranda com 6 crianças. Vera e Isadora. Quantas são as soluções inteiras e não-negativas de 15. Escolhida a ordem em que cada casal vai se sentar (marido à di- reita. Quantos tipos de caixas podem ser montados? Sugestões aos Exercícios 1. De quantos modos podemos formar uma roda de ciranda com 5 meninos e 5 meninas de modo que pessoas de mesmo sexo não quem juntas? 12. Uma indústria fabrica 5 tipos de balas que são vendidas em caixas de 20 balas. de um só tipo ou sortidas. não quem juntas? 13. Quantas são as soluções inteiras e positivas de x + y + z = 7? x+y+z 6? 14. Todos os atletas participam de um mesmo número de times e cada par de atletas ca junto no mesmo time um mesmo número de vezes.Combinatória .

no conjunto {1. para cada solução. por exatamente um cadeado. Não pense mais nos cadeados e sim nos seus nomes. A. a folga. y de 1+b e minar soluções inteiras e não-negativas 1 + c. é barrado por pelo menos um cadeado. C. B. Um bom nome para o professor que pertence às bancas 1 e 2 é professor 1 − 2. Arrume primeiramente apenas as vogais e depois entremeie as con- soantes.4 MA12 . que é a diferença entre o valor x + y + z realmente atinge. Você tem que formar uma la sinais 4. Chamando 1 + a. 5.Unidade 19 com 3 casais e 4 lugares vazios. . x de 13. Um grupo de 4 cientistas. máximo que poderia atingir e o valor que x+y+z . − os elementos não com p sinais + e n − p − . Por exemplo. D não têm a chave desse cadeado e todos os outros cientistas a têm. ABCD. Dena. 8. Cada solução da inequação x + y + z 6 corresponde a uma solução da equação x + y + z + f = 6 e vice-versa. y = 2. você tem para a + b + c = 4. Prove inicialmente que cada aluno comparece a exatamente 3 jantares. com o sinal + os elementos selecionados para o subconjunto e com o sinal selecionados. Marque. a solução x = 1. . z = 1 tem folga 2. 3. 2. n} . de z de deter- 14. Batizemos esse cadeado de ABCD. . 2. Na situação do número mínimo de cadeados. . sem que haja dois sinais + adjacentes.

MA12 .Unidade 20 Atividade Especial Semana de 20/06 a 26/06 Esta unidade será dedicada a resolver um problema de combinatória com uma inesperada aplicação. O problema que resolveremos é um típico problema de contagem em presença de simetrias. Ele quer fabricar pulseiras com um determinado número fixado de contas cada uma. utilizando uma técnica que é empregada em muitas situações onde dois elementos de um conjunto são identificados quando são imagens um do outro por certas transformações dadas. levando em consideração que a moda da estação dita que cada pulseira tenha que ser formada com um número primo p de contas e que nem todas as contas sejam de uma só cor. . Fabricando Pulseiras Um artesão possui contas coloridas de n cores distintas com grande quantidade de contas de cada cor.

para serem posteriormente fechadas amarrando as extremidades. para o nosso pouco perspicaz artesão. o número total de correntes é np − n. são iguais entre si. ele quer embalar em pacotes separados cada conjunto de correntes que ao final produzem a mesma pulseira. ou seja. O princípio fundamental da contagem nos diz que podemos formar np correntes distintas. Dessas correntes. devemos retirar aquelas onde as p contas têm mesma cor. de tal . Por exemplo. inicialmente. a segunda e a terceira corrente formam pulseiras iguais. como acima. Portanto. no exemplo acima. a primeira e a terceira corrente. elas são consideradas distintas. bem como a quarta e a sexta. Note que. com p contas de n cores. o lote de fabricação consiste das seguintes correntes: − − −P − − − − − P − − − − − B − −− − − −P − − − − − B − − − − − P − −− − − −B − − − − − P − − − − − P − −− − − −B − − − − − B − − − − − P − −− − − −B − − − − − P − − − − − B − −− − − −P − − − − − B − − − − − B − −− − − −P − − − − − P − − − − − P − −− − − −B − − − − − B − − − − − B − −− das quais ele descarta as duas últimas que são monocromáticas. Vejamos agora como separar o conjunto C dessas np − n correntes em pacotes onde as correntes de cada pacote produzem pulseira iguais. Ao vender cada lote de correntes. pois é só girar uma de 180 graus para obter a outra. quantas correntes terá cada lote. Vejamos. Entretanto. a primeira. com duas cores (n = 2): preto (P) e branco (B) e três contas em cada corrente (p = 3).2 Unidade 20 O seu processo de fabricação consiste em produzir lotes formados de todas as correntes distintas que podem ser feitas com p contas enfiadas em um cordão. as n correntes correspondentes a cada uma das n cores. a quinta e a sexta corrente. o mesmo ocorrendo com a quarta. estritamente falando. Note que. formando assim as pulseiras.

. 2) Dada uma corrente C . obtemos uma corrente que produz uma pulseira igual à anterior. isto é.. −3 −2 −1 −1 −1 −1 σ = σ ◦ σ = σ ◦ σ ◦ σ . com duas cores (n = 2): preto (P) e branco (B). De fato. onde Id é a função identidade de C 3) Convença-se de que σ p = Id. 4) Mostre que se 0 ≤ i < p. Note que se em uma corrente pegarmos a primeira conta e a colocarmos no final da fila. tem-se que σ (C ) = C . Define-se σ 1 = σ e σ 0 = Id. σ 3 = σ 2 ◦ σ = σ ◦ σ ◦ σ. para todo i. Sugestão Mostre que se σ (C ) = C . 5) Convença-se de que para C ∈ C . pega a última conta de uma corrente e a coloca no início da fila. σ −2 = σ −1 ◦ σ −1 . Por exemplo. obteremos a corrente − − −P − − − − − B − − − − − P − −− que produz uma pulseira igual à anterior. e com . Esta transformação nada mais é do que uma função de C em si mesmo. então σ −i (C ) = σ p−i (C ). que denotaremos por σ : C → C . se repetirmos p vezes a operação σ em uma corrente qualquer C . .Atividade Especial 3 modo que dois pacotes distintos não possuam nenhuma pulseira em comum. Façamos algumas observações sobre essa função σ : 1) A função σ é uma bijeção de C . considere a corrente com p (= 3) contas − − −P − − − − − P − − − − − B − −− Ao efetuarmos a transformação acima nesta corrente. para todo C em C . .. então σ i (C ) = C . quando se amarram as pontas. a corrente σ (C ) produz a mesma pulseira. Podemos compor cada uma das funções σ e σ −1 consigo mesma quantas vezes quisermos: σ 2 = σ ◦ σ.. ou seja. voltamos a ter a mesma corrente C . esta função é invertível cuja inversa σ −1 é a função que desfaz o que σ faz.

pelas Observações 3 e 5. podemos escrever p = kq + r. temos que 1 < k ≤ p. possui p elementos distintos. Pegue uma corrente C1 de C ao acaso.. temos que p = kq . . pois k é o menor dos expoentes positivos para os quais σ k (C1 ) = C1 e r < k . temos necessariamente k = p. em virtude da minimalidade de p com a propriedade de que σ p (C1 ) = C1 . Suponha que σ i (C1 ) = σ j (C1 ). o que implica que r = 0. Vamos agora à preparação dos pacotes. Portanto. então k = p. σ (C1 ). com 0 ≤ r < k. com 0 ≤ i ≤ j < p. Forme o pacote: C1 = C1 .. Pelo algoritmo da divisão euclidiana. temos que j = i. Sendo p um número primo e sendo k > 1. σ p−1 (C1 ) .4 Unidade 20 algum argumento simples mostre que a corrente C seria necessariamente monocromática. vamos mostrar que o pacote C1 . Em seguida. (1) . q vezes Portanto. logo C1 = σ 0 (C1 ) = σ −i (σ i (C1 )) = σ −i (σ j (C1 )) = σ j −i (C1 ). k De fato. σ 2 (C1 ). Portanto. σ j −i (C1 ) = C1 e como 0 ≤ j − i < p. acima. σ r (C1 ) = C1 .. logo C1 = σ p (C1 ) = σ r σ k ◦ · · · ◦ σ k (C1 ) = σ r (C1 ). Vamos inicialmente mostrar que se k é o menor inteiro positivo tal que σ (C1 ) = C1 . de (1). para alguns i e j .

Atividade Especial

5

Para gerar o segundo pacote, tomamos uma corrente C2 qualquer que não esteja no pacote C1 e formamos o pacote C2 = C2 , σ (C2 ), σ 2 (C2 ), ..., σ p−1 (C2 ) ,

que possui p elementos distintos, como verificado anteriormente para o pacote C1 . Vamos agora mostrar que C1 ∩ C2 = ∅. De fato, se σ i (C1 ) = σ j (C2 ), com 0 ≤ i < p e 0 ≤ j < p, então C2 = σ i−j (C1 ), se i ≥ j p−(j −i) σ (C1 ), se i < j,

o que mostraria que C2 ∈ C1 ; contradição. Para formar o terceiro pacote, tome C3 ∈ C1 ∪ C2 e tome C3 = C3 , σ (C3 ), σ 2 (C3 ), ..., σ p−1 (C3 ) ,

que possui p elementos distintos e não tem elementos em comum com os pacotes C1 e C2 (mesmo raciocínio que acima). Continuamos, desse modo, a formar pacotes até esgotarmos todos os elementos de C . Denotando por N o número de pacotes assim obtidos, temos então que N p = np − n. Portanto, chegamos à conclusão de que se p é um número primo, então, para todo número natural n, o número np − n é divisível por p. Assim, o número N de pacotes de pulseiras iguais que o artesão produz em cada lote de sua produção é dado por np − n N= . p

A Conexão Inesperada
A contagem que acabamos de realizar dá uma prova combinatorial de um dos teoremas mais notáveis da aritmética, o Pequeno Teorema de Fermat, cujo enunciado damos a seguir.

6 Unidade 20 Pequeno Teorema de Fermat Seja p um número primo. Dado um número natural n, qualquer, tem-se que p divide o número np − n. Este teorema foi divulgado por Fermat em uma de suas cartas de 1640, sem porém divulgar a sua demostração, que ele classificava como trabalhosa. As primeiras provas que se conhecem foram dadas por Leibniz (não publicada) e por Euler, cerca de um século mais tarde. Este teorema não para de surpreender pelas aplicações que tem encontrado na matemática e, mais recentemente, na criptografia, conforme teremos oportunidade de ver na disciplina Aritmética I, do póximo semestre. A prova combinatorial que demos acima é devida a S. W. Golomb1 . Só para apreciar o conteúdo aritmético desse resultado, vamos analisá-lo para p igual a 2, 3 e 5. Para p = 2, temos n2 − n = n(n − 1), e o resultado é óbvio, pois de dois inteiros consecutivos, um deles é par. Para p = 3, temos n3 − n = n(n2 − 1) = n(n − 1)(n + 1), e o resultado é também óbvio, pois de três inteiros consecutivos, um deles é múltiplo de três. Para p = 5, temos n5 − n = n(n − 1)(n + 1)(n2 + 1), e o argumento acima já não funciona mais. Pode-se provar o resultado, neste caso, supondo que se nenhum dos números n − 1, n, n + 1 é múltiplo de 5, então n2 + 1 é múltiplo de 5. Deixamos ao leitor a tarefa de tentar mostrar diretamente o caso p = 7. A prova aritmética do Pequeno teorema de Fermat será dada na disciplina Aritmética I, do próximo semestre.
publicada no artigo Combinatorial proof of Fermat’s little theorem. American Mathematical Monthly, 63(10) pag. 718, Dezembro de 1956. Reproduzido em http://www.math.upenn.edu/∼ kennardl/math170/reading/Golomb_F LT necklaces.pdf
1

MA 12 - Unidade 21 Probabilidade Semana de 27/06 a 03/07

Iniciamos, nesta unidade, o estudo de Probabilidade, uma das aplica¸ co ˜es da Combinat´ oria. A Teoria de Probabilidade, como diz o nome, ´ e o estudo de fenˆ omenos que envolvem a incerteza e se originou como instrumento para modelar jogos de azar, como cartas e dados. Probabilidade ´ e a base para a Estat´ ıstica, ciˆ encia utilizada nas mais diversas atividades humanas, sendo fundamental em v´ arias ´ areas, como Ciˆ encias Humanas, Ciˆ encias da Sa´ ude, Economia e Finan¸ cas, Ecologia e Teoria dos Jogos, entre muitos outros. Do ponto de vista te´ orico, atualmente, a Teoria de Probabilidade ´ e utilizada como ferramenta em algumas ´ areas da F´ ısica e, cada vez mais, em ´ areas da pr´ opria Matem´ atica. Por esse motivo, o ensino de Probabilidade no Ensino M´ edio ´ e importante e atual. Esse assunto ´ e muito vasto, mas aqui s´ o trataremos de alguns conceitos b´ asicos e suas aplica¸ c˜ oes. Definem-se o conjunto espa¸ co amostral e a no¸ c˜ ao de probabilidade como sendo uma fun¸ c˜ ao num´ erica com dom´ ınio no conjunto das partes desse espa¸ co. Os subconjuntos do espa¸ co amostral s˜ ao os chamados eventos. As propriedades b´ asicas da fun¸ c˜ ao probabilidade s˜ ao dadas no Teorema 1, que bastar˜ ao para resolver os problemas dessa unidade. No final dessa unidade, est˜ ao propostos 9 problemas; resolva quantos puder. V´ ıdeos associados: 1. PAPMEM. Livro Temas e Problemas Elementares. Probabilidade, Prof. Paulo Cezar Carvalho. Janeiro 2009, Volume 2 (n´ ıvel fundamental). 2. PAPMEM. Probabilidade, Prof. Paulo Cezar Carvalho. Segunda Edi¸ c˜ ao, Julho 2006, Volume 2 (n´ ıvel fundamental).

MA12 - Unidade 21 Probabilidade Semana 27/06 a 03/07

1 Conceitos Básicos
Experiências que repetidas sob as mesmas condições produzem geralmente resultados diferentes são chamadas de aleatórias. Por exemplo, retira-se uma carta de um baralho e verica-se se ela é ou não um curinga; compra-se uma lâmpada e verica-se se ela queima ou não antes de 100h de uso; joga-se um dado até se obter um seis e conta-se o número de lançamentos.

Chamaremos de espaço amostral o conjunto de todos os resultados possíveis de uma experiência aleatória. Representaremos o espaço amostral por

S

e só vamos considerar aqui o caso de

S

ser nito ou

1

2

MA12 - Unidade 21

innito enumerável. Os subconjuntos de

S

serão chamados de even-

tos. Diremos que um evento ocorre quando o resultado da experiência
pertence ao evento.

Exemplo 1.

Lança-se uma moeda e observa-se a face que cai voltada

S = {cara, coroa} e há 4 eventos: ∅, A = {cara}, B = {coroa} e S . ∅ é um evento que não ocorre nunca e é chamado de evento impossível. O evento A ocorre se e somente se o lançamento resulta em cara. S ocorre sempre e é chamado de evento
para cima. O espaço amostrai é certo.

Exemplo 2.

Lança-se um dado e observa-se a face que cai voltada

para cima. O espaço amostral é Alguns desses eventos são: sempre;

S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

e há 64 eventos.

∅,

que não ocorre nunca;

S,

que ocorre

A = {2, 4, 6}, que ocorre se e somente se o resultado do lança{6}, {5, 6},

mento for par, etc. Se o resultado do lançamento for seis, ocorrem os eventos

{2, 4, 6}

etc.

Exemplo 3.
S, A ∪ B

Se

A

e

B

são eventos em um mesmo espaço amostral

é o evento que ocorre se e somente se ocorre o evento

A
e

ou

ocorre o evento

B,

isto é, ocorre pelo menos um dos eventos

A

B;

A ∩ B é o evento que ocorre se e somente se ocorrem ambos os eventos A e B ; A − B é o evento que ocorre se e somente se ocorre o evento A mas não ocorre o evento B ; A, chamado de evento oposto a A, é o evento que ocorre se e somente se o evento A não ocorre.

Associaremos a cada evento um número, que chamaremos de pro-

Probabilidade

3

babilidade do evento e que traduzirá nossa conança na capacidade do evento ocorrer.

Denição.
evento

Uma probabilidade é uma função que associa a cada

A

um número

i) Para todo

P (A) de forma evento A, 0 P (A)

que:

1.

P (S ) = 1 iii)Se A e B
ii)

são eventos mutuamente excludentes , isto é, even-

tos que não podem ocorrer simultaneamente

(A ∩ B = ∅)

então

P (A ∪ B ) = P (A) + P (B ).

Exemplo 4.
para cima.

Lança-se uma moeda e observa-se a face que cai voltada

O espaço amostral é

S = {cara, coroa}

e há 4 eventos:

,

A = {cara}, B = {coroa}, S .

Uma probabilidade que pode ser

denida é

P1 (∅) = 0, P1 (A) = P1 {cara} = 0, 5, P1 (B ) = P1 {coroa} = 0, 5
e

P1 (S ) = 1.

Verique que as três condições da denição de probabi-

lidade são satisfeitas. Outra probabilidade que pode ser denida é

P2 (∅) = 0, P2 (A) = P2 {cara} = 0, 3, P2 (B ) = P2 {coroa} = 0, 7
e

P2 (S ) = 1.

Verique que as três condições da denição de probabi-

lidade são satisfeitas. É claro que se desejamos que a probabilidade traduza nossa conança na capacidade do evento ocorrer,

P1

constitui um modelo ade-

quado quando acreditamos ser o resultado cara tão provável quanto o resultado coroa.

P2 ,

por sua vez seria mais adequado se tivéssemos

x2 . é fácil ver que. temos. . Foi esse o modelo adotado por vários matemáticos como Cardano . x2 . Se repetimos a experiência e o evento j P (X ) = . Deveríamos ter escrito P ({cara}) e não P {cara}. Um é o modelo equiprobabilístico. . . um breve comentário a respeito de notação. Se temos n elementos no espaço amostral e queremos que todos os eventos unitários tenham a mesma probabilidade. .Unidade 21 lançado a moeda um número grande de vezes e obtido o resultado cara em 30% dos lançamentos. xn } = P ({x1 } ∪ {x2 } ∪ · · · ∪ {xn }) = P ({x1 }) + P ({x2 }) + · · · + P ({xn }) 1 = k + k + · · · + k = nk e k = . n vezes adotamos para P (A) a 1 Cardano. matemático francês. A ocorreu em j dessas experiências. 2 Laplace. matemático italiano.4 MA12 . xn } n P (x1 ) = P (x2 ) = · · · = P (xn ) = k . 1 = P (S ) = P {x1 . Outro é o modelo frequencial. se um evento formado por e X é j elementos então de um evento é a razão entre o número de casos favoráveis ao evento e o número total de casos possíveis. . quando não houver risco de confusão daremos preferência à notação mais simples. . Jerônimo (1501-1576). Pierre Simon (1749-1827). Pascal e Laplace no estudo dos jogos de azar. Não poderia ser de outra forma pois se S = {x1 . n Analogamente. n 1 Ou seja. . . a probabilidade 2 entre outros. nesse modelo. Os modelos probabilísticos que usamos mais frequentemente são exatamente os apresentados no exemplo anterior. . Encerrando o exemplo. por iii). devemos atribuir a cada evento unitário a probabilidade 1 . Entretanto.

Daí. Daí. resulta P (A ∪ B ) = P (A) + P (B ) − P (A ∩ B ). 1 = P (S ) = P (A ∪ A) = P (A) + P (A). Exemplo 5. P (A − B ) = P (A) − P (A ∩ B ). v) Como P (A − B ) = P (A) − P (A ∩ B ). P (∅) = 0.Probabilidade 5 frequência relativa do evento A. j seja. P (A − B ) = P (A) − P (A ∩ B ). então: P (A) = 1 − P (A). isto é. Prova. o número de vezes que o evento ou A ocorreu dividido pelo número total de repetições da experiência. iv) P (A ∪ B ) = P [(A − B ) ∪ B ] = P (A − B ) + P (B ) pois A − B e B são mutuamente excludentes. Vamos determinar a probabilidade disso não acontecer. n O teorema a seguir contém as propriedades das probabilidades. se A ⊂ B resulta P (A − B ) = P (A) − P (B ). Como P (A − B ) 0. iii) P (A) = P [(A − B ) ∪ (A ∩ B )] = P (A − B ) + P (A ∩ B ) pois A − B e A ∩ B são mutuamente excludentes. A⊃B i) então v) Se P (A) P (B ). temos P (A) P (B ). Daí. P (A) = 1 − P (A). qual é a probabilidade de haver pelo menos duas pessoas que façam aniversário no mesmo Solução. Teorema 1. pois S e ∅ são mutuamente excludentes. P (A) = . dia? Em um grupo de r pessoas. P (∅) = 0. P (A ∪ B ) = P (A) + P (B ) − P (A ∩ B ). ii) P (S ) = P (S ∪ ∅) = P (S ) + P (∅). O . i) ii) iii) iv) Se A e B são eventos. Como P (A − B ) = P (A) − P (A ∩ B ).

. é mais provável haver duas pessoas com o mesmo aniversário do que todas aniversariarem em dias diferentes.Unidade 21 número de casos possíveis para os aniversários das r pessoas é 365r . Em um grupo de 23 pessoas. havendo r fatores nesse produto. Portanto.6 MA12 . O número de casos favoráveis a que todas aniversariem em dias diferentes é 365 × 364 × · · · × (366 − r). 71 0. 25 0. 365r r. para alguns valores de haver coincidência de aniversários. 57 0. 97 O resultado é surpreendente. 94 0. a probabilidade de A tabela abaixo dá. 12 0. 03 0. 41 0. r 5 10 15 20 23 25 30 40 45 50 Probabilidade 0. 51 0. 89 0. a probabilidade de não haver pelo menos duas pessoas que façam aniversário no mesmo dia é de 365 × 364 × · · · × (366 − r) 365r e a de haver pelo menos duas pessoas que tenham o mesmo dia de aniversário é de 1− 365 × 364 × · · · × (366 − r) .

Nn Armamos que Salvador tem mais chance de ser premiado. n 2 N N N N N N Se (N − 1)n n >1− n N N . um para cada uma de n extrações. armamos que n (N − 1)n >1− . vador compra compra Em uma loteria de N números há um só prêmio. N A probabilidade de Sílvio não ganhar nenhum prêmio é (N − 1)n . isto é. Qual dos dois jogadores tem mais chance de ganhar algum prêmio? Solução. n N N ou. equivalentemente. N Nn n (N − 1)n >1− . Para n=2 temos (N − 1)2 2 1 2 n (N − 1)n = =1− + 2 >1− =1− . A probabilidade de Salvador ganhar algum prêmio é n .Probabilidade 7 Exemplo 6. armamos que A prova dessa armação faz-se por indução. a probabilidade de Sílvio ganhar algum prêmio é 1− (N − 1)n . Sal- n (1 < n < N ) bilhetes para uma só extração e Sílvio n bilhetes. Nn Logo.

n +1 N N N N N cqd. 3. 4. Exercícios 1. 2. 9 9 P (A) = mostre que: 5. a) P (A ∪ B ) 3 2 5 b) P (A ∩ B ) . 9 9 1 4 c) P (A ∩ B ) . Se 2 4 e P (B ) = . 3 9 2 . Cinco dados são jogados simultaneamente.8 MA12 . Lançam-se dois dados não-tendenciosos. Determine a proba- bilidade de se obter: . Qual a probabilidade da soma dos pontos ser igual a 7 ? 24 times são divididos em dois grupos de 12 times cada.Unidade 21 multiplicando por N −1 N obtemos (N − 1)n+1 n 1 n n+1 >1− − + 2 >1− . Qual é a probabilidade de dois desses times carem no mesmo grupo? Mostre que P (A ∪ B ∪ C ) = P (A) + P (B ) + P (C )− − P (A ∩ B ) − P (A ∩ C ) − P (B ∩ C ) + P (A ∩ B ∩ C ).

Em um grupo de 4 pessoas. f ) uma sequência. b) dois pares. Escolhem-se 4 pés de sapatos. qual é a probabilidade de haver al- guma coincidência de signos zodiacais? Em um armário há 5 pares de sapatos. Um polígono regular de 2n + 1 lados está inscrito em um círculo. 7. Determine a probabilidade do centro do círculo ser interior ao triângulo. 9. g) um full hand. c) uma trinca. uma trinca e um par. 6. Para dividi-los. e) uma quina. Escolhem-se três dos seus vértices. formando um triângulo. Qual é a pro- babilidade de duas determinadas dessas pessoas carem no mesmo grupo? 8. basta escolher os times do primeiro grupo. Qual é a probabilidade de se formar exatamente um par de sapatos? Sugestões aos Exercícios 2.Probabilidade 9 a) um par. Há 12 C24 modos de formar o primeiro grupo. isto é. Eles podem car juntos no . d) uma quadra. Doze pessoas são divididas em três grupos de 4.

Para formar dois pares. 6. dentro de cada um desses dois pares. 8. escolher o pé direito ou o esquerdo. . depois quais dados 2 formarão o par ( C5 modos) e nalmente os números que aparecerão nos outros dados ( 5 ×4×3 modos). 3.Unidade 21 10 C22 primeiro grupo de modos e outro tanto no segundo grupo. Há 4 C10 casos possíveis.10 MA12 . 9. O número de resultados possíveis é 65 . Para formar um caso favorável. Use A ∩ (B ∪ C ) = (A ∩ B ) ∪ (A ∩ C ). Os casos favoráveis nos quais o vértice 1 é escolhido são aqueles nos quais um dos vértices é compreendido entre n+2 e j (1 < j n + 1) n + j . Calcule a probabilidade dos signos serem todos diferentes. das quais 11 são favoráveis. devemos escolher um par. 5a. Uma solução mais simples é obtida começando o raciocínio depois do primeiro time ter sido colocado. inclusive. Para formar um par. 7. e o outro tem número Inspire-se no problema 2. Faça um diagrama de conjuntos. Há 23 posições possíveis para o segundo time. 5b. primeiro se deve escolher de que serão 2 2 os pares (C6 modos). quais dados formarão o par menor ( C3 modos) e nalmente o número que aparecerá no dado restante (4 modos). 4. primeiro se deve escolher que par será (6 modos). depois quais dados formarão o par maior ( C5 2 modos). depois escolher dois outros pares e.

com apenas um vencedor. resolve problemas incr´ ıveis! A unidade conta com 10 problemas. Paulo Cezar Carvalho.MA 12 . Por exemplo. Livro A Matem´ atica do Ensino M´ edio . 10 1 logo. Probabilidade. se bem aplicado. ´ e uma maneira de calcular a probabilidade de ocorrer um evento B.Unidade 22 Probabilidade Semana de 27/06 a 03/07 Nessa unidade. . Janeiro 2008. na presen¸ ca de uma informa¸ c˜ ao “privilegiada”. a probabilidade passa a ser = . ambos do mesmo espa¸ co amostral. a chamada Probabilidade Condicional. suponhamos que o sorteio ´ e realizado. Prof. numa turma de 60 alunos. 30 s´ o estudam inglˆ es. 40 4 O resultado ´ e t˜ ao simples quanto mostrado no exemplo acima. sabendo que ocorreu o evento A. Mais precisamente. n´ umero total de alunos 60 6 Agora.Volume2. Volume 2 (n´ ıvel m´ edio). dos quais 10 tamb´ em estudam espanhol. ´ e apresentada mais uma t´ ecnica b´ asica importante em probabilidades. V´ ıdeo associado: PAPMEM. mas. Suponhamos que um sorteio ´ e realizado. 20 s´ o estudam espanhol e 10 estudam ambas as l´ ınguas. resolva quantos puder. e algu´ em nos sopra que o sorteado estuda inglˆ es. pois agora o espa¸ co amostral se reduz aos 40 alunos que estudam inglˆ es. Usa-se essa t´ ecnica quando queremos calcular a probabilidade de um evento. A probabilidade de um aluno que estuda ambas as l´ ınguas ser sorteado ´ e igual a 10 1 n´ umero de alunos que estudam ambas as l´ ınguas = = . Isto certamente vai influir no nosso modo de calcular a probabilidade do vencedor ser bil´ ıngue.

Essa opinião é quanticada com a 1 . realizada a experiência. isto é.MA12 . Temos P (B ) = B a priori. que ocorreu. Consideremos o evento resultado é par }. isto é. dos quais 3 são favoráveis à ocorrência de B. 5. Nossa opinião sobre a ocorrência de resultado é diferente de 1 } B se modica com essa in- formação pois passamos a ter apenas 5 casos possíveis. antes que a experiência se realize.Unidade 22 Probabilidade Semana 27/06 a 03/07 1 Probabilidade Condicional Exemplo 1. 6 Essa é a probabiliSuponha- mos que. A = {o 3 = 0. alguém nos informe que o resultado não foi o número 1. B = {o dade de Consideremos a experiência que consiste em jogar um dado não-viciado e observar a face de cima.

30 3 1 3 = . Temos P (H ) = 10 1 = . A tabela abaixo dá a distribuição dos alunos de uma turma. C e H os eventos. 5 Note que os casos possíveis não são mais todos os elementos do S e sim os elementos de A e que os casos favoráveis à ocorrência de B não são mais todos os elementos de B e sim os elementos de A ∩ B pois só os elementos que pertencem a A podem espaço amostral ocorrer. 6. por sexo e por carreira pretendida. pretende uma carreira cientíca e pretende uma carreira humanística.Unidade 22 introdução de uma probabilidade na certeza de a posteriori. 18 6 7 . P (B |A) = 3 = 0. Exemplo 2. 10 P (H |M ) = P (H |F ) = P (F |H ) = . é do sexo feminino. Sejam M. ou probabilidade de B A. o aluno selecionado é do sexo masculino.2 MA12 . respectivamente. F. masculino cientíca humanística total feminino total 15 3 18 5 7 12 20 10 30 Escolhe-se ao acaso um aluno. 12 7 .

Probabilidade 3 Denição. Sejam B1 = {a primeira bola é branca} e B2 = {a segunda bola é branca}. 10 9 15 Realmente. na Note que foi bastante simples o cálculo de P (B2 |B1 ). é fácil calcular probabilidades de coisas futuras na certeza de coisas passadas. Solução. De modo mais geral. é fácil calcular probabilidades condicionais quando as coisas estão na ordem certa. para a segunda extração. Determine a probabilidade da primeira bola ser branca sabendo que a . para o cálculo de P (A ∩ B ). Sacam-se. isto sim. Uma urna contém 4 bolas brancas e 6 bolas pretas. condicional Dados dois eventos de B na certeza de A e B . é fácil calcular a probabilidade da segunda bola ser branca. pois. a urna está com 3 bolas brancas e 6 pretas. duas bolas dessa urna. isto é. a probabilidade A é o número P (A ∩ B ) . certeza de que a primeira bola foi branca. sucessivamente e sem reposição. Sacam-se. P (A) P (B |A) = Na realidade. com P (A) = 0. poucas vezes usaremos a fórmula acima para calcular uma probabilidade condicional. duas bolas dessa urna. Exemplo 3. Determine a probabilidade de ambas serem brancas. Temos P (B1 ∩ B2 ) = P (B1 ) · P (B2 |B1 ) = 4 3 2 · = . Exemplo 4. P (A ∩ B ) = P (A) · P (B |A). sucessivamente e sem reposição. Usá-la-emos. Uma urna contém 4 bolas brancas e 6 bolas pretas.

4 MA12 . ou a segunda é branca e a primeira foi branca. P (B1 |B2 ) = P (B1 ∩ B2 ) P (B1 ∩ B2 ) · P (B2 ) 2 . Isto é. P (B2 ) = P [(B1 ∩ B2 ) ∪ (P1 ∩ B2 )] = P (B1 ∩ B2 ) + (P1 ∩ B2 ) 2 = + P (P1 ) · P (B2 |P1 ) 15 2 6 4 = + · 15 10 9 2 = · 5 Logo. Para a segunda bola ser branca. Note que essa é uma probabilidade do passado na certeza do futuro. Aqui usamos a fórmula da denição de probabilidade condicional. ou a segunda é branca e a primeira foi preta. Para calcular ramos todas as possibilidades quanto à primeira bola.Unidade 22 segunda bola é branca. Queremos P (B1 |B2 ). 15 P (B2 ). conside- foi calculada no exemplo anterior e vale O cálculo de P (B2 ) não é imediato pois não sabemos como está a urna no momento da segunda extração. . P (B2 ) 15 5 3 Uma maneira eciente de lidar com experiências que possuem vários estágios é o uso das árvores de probabilidade. Solução. B2 = {a Sejam B1 = {a primeira bola é branca } e segunda bola é branca }. P (B1 |B2 ) = P (B1 ∩ B2 ) 2 2 1 = ÷ = .

Duas dessas moedas A moeda selecionada é são não-viciadas e a outra tem duas caras. Escolhe-se uma entre três moedas. Qual é a probabilidade de ter sido selecionada a moeda de duas caras? . lançada e é obtida uma cara. multiplicando as probabilidades em cada caminho e somando os produtos ao longo dos vários caminhos. por exemplo. Assim. P (B1 ∩ B2 ) = P (B2 ) = 4 3 2 · = . 10 9 15 4 3 6 4 2 · + · = · 10 9 10 9 5 Exemplo 5. basta percorrer todos os caminhos que levam ao evento cuja probabilidade é procurada. Para determinar uma probabilidade usando esse diagrama.Probabilidade 5 Figura 1: Nesses diagramas colocamos as probabilidades condicionais da extremidade de cada galho na certeza da origem do galho.

. Para estimar o número N de táxis da cidade. Determine a probabilidade do turista ter tomado os táxis que têm esses números e determine o valor de N para o qual essa probabilidade é máxima. os táxis são numerados de 1 a N. Exemplo 6.Unidade 22 Figura 2: P (V |C ) = P (V ∩ C ) · P (C ) 1 1 ·1= · 3 3 P (V ∩ C ) = P (C ) = 1 2 1 2 ·1+ · = · 3 3 2 3 1 1 2 ÷ = · 3 3 2 P (V |C ) = O exemplo a seguir mostra um dos mais poderosos métodos de estimação em Estatística. um turista anotou os números de todos os táxis que pegou: 47. 33 e 25. o método da máxima verossimilhança. 12.6 MA12 . Em certa cidade.

pede-se ao entrevistado que. B ={o se- gundo táxi tem número 12}. p = 2s − 0. 5. 5 · 0. A relação entre p pode ser determinada pela árvore abaixo. Algumas pesquisas estatísticas podem causar constran- gimentos aos entrevistados com perguntas do tipo você usa drogas? e correm o risco de não obter respostas sinceras ou não obter respostas de espécie alguma. o entrevistador não saberá se ele é um usuário de drogas ou se apenas tem idade par. o valor de N que torna máxima a verossimilhança é 47.Probabilidade 7 Solução. Exemplo 7. s é facils e mente estimado pela proporção de respostas sim obtidas nas entrevistas. caso o entrevistado diga sim. Se s é a probabilidade de um entrevistado responder sim. jogue uma moeda: se o resultado for cara. ela é máxima quando como N 47. Para estimar a proporção p de usuários de drogas em certa comunidade. No caso. Essa probabilidade de ocorrer o que efetivamente ocorreu é chamada de verossimilhança. 5p + 0. etc. responda a você usa drogas? e. se o resultado for coroa. 5. Daí. . longe das vistas do entrevistador. A estimativa de máxima verossimilhança de N é 47. Ora. Assim. A probabilidade pedida é P (A ∩ B ∩ C ∩ D) = = P (A) · P (B |A) · P [C |(A ∩ B )] · P [D|(A ∩ B ∩ C )] 1 1 1 1 1 · · · · = 4· N N N N N N é mínimo. responda a sua idade é um número par?. s = P (sim) = 0. Sejam A = {o primeiro táxi tem número 47 }.

1] os pontos escolhidos. você pode 10% a proporção de usuários de drogas. dividindo-o em três partes. Figura 4: . se estimar em 30% dos entrevistados respondem sim. O exemplo a seguir é um interessante exemplo de probabilidade geométrica. Sejam x ∈ [0. x y. Quando selecionamos um ponto ao acaso em uma parte do plano é extremamente razoável supor que a probabilidade do ponto selecionado pertencer a uma certa região seja proporcional à área dessa região. Exemplo 8. 1] e y ∈ [0.8 MA12 .Unidade 22 Figura 3: Por exemplo. Solução. Selecionam-se ao acaso dois pontos em um segmento de tamanho 1. Determine a probabilidade de que se possa formar um triângulo com essas três partes.

temos que P (A) é proporcional à área da parte sombreada e P (S ) = 1 P (A) = é proporcional à área de T. 5 e y < x + 0. y − x e 1 − y devemos ter x < y − x + 1 − y e y − x < x + 1 − y e 1 − y < x + y − x. com x y . A e B lançam sucessivamente um par de dados até que um deles obtenha soma de pontos 7. qual é a probabilidade de A ser o vencedor? . Se A é o primeiro a jogar. o triângulo existirá se e somente se o ponto (x. P (A) = P (S ) área sombreada área de T 1 = · 4 Exemplo 9. equivale a escolher Figura 5: x. (x. 5. o que dá x < 0. y ) no triângulo T da gura abaixo. Em suma. 5 e y > 0. caso em que a disputa termina e o vencedor é o jogador que obteve soma 7. y ) for selecionado na parte sombreada do triângulo T .Probabilidade 9 Escolher um ponto x e y pertencentes a [0. Logo. Para que exista um triângulo de lados Sendo A o evento as três partes formam um triângulo e sendo S o evento certo. 1].

ou na segunda. 6 A ganhar é 1 + 6 5 6 2 · 1 + 6 5 6 4 · 1 + ··· = 6 1 6 2 = 1− 5 6 6 . A não pode obter soma 7 na primeira mão e B não pode obter soma 7 na primeira mão e A deve obter soma 2 1 . o que ocorre com probabilidade 5 6 etc. etc.Unidade 22 Solução. ou A ganha na primeira mão. A probabilidade de Para A ganhar na segunda mão. 6 7 na segunda mão. ou na terceira. 11 Uma solução mais elegante pode ser obtida ignorando as mãos sem vencedores. A probabilidade de obter soma 7 é 6 1 = 36 6 e a de não ser soma 7 é 1− Para 1 5 = · 6 6 A ganhar na primeira mão é A ganhar. o que ocorre com probabilidade 5 6 Para 1 · · 6 não pode obter soma 7 nas duas A ganhar na terceira mão. 6 de B 5 1 5 · = . A primeiras mãos e B não pode obter soma 7 nas duas primeiras mãos e A deve obter soma 7 na terceira mão. 6 6 36 . A probabilidade de ganhar uma mão é de A ganhar uma mão é de 1 . A probabilidade de 2 · 1 .10 MA12 .

Em um jogo em que pode haver empates.Probabilidade 11 pois. as probabilidades de vitória de tivamente de A e de B são respec- 1 6 e de 5 . P (A|A ∪ B ) = 1 P [A ∩ (A ∪ B )] P (A) 6 = = P (A ∪ B ) P (A ∪ B ) 1− 25 36 = 6 . para B ganhar. P (A ∪ B ) P (A) e P (B ). A probabilidade A não pode obter soma 7 e B A não pode A ganhar é a probabilidade ganhar em uma mão em que houve vencedor. e é repetido até que alguém vença. 11 Como. poderíamos ter resolvido o problema do modo seguinte: Em uma mão. 5 A razão das probabilidades de A razão dessas probabilidades é de vitória de A e de B no jogo é também de 6 5 e. pois P (A|A ∪ B ) e P (B |A ∪ B ) é igual à razão P (A ∪ B ) é simplicado. a de ninguém ganhar é de 5 5 25 · = . para que ninguém ganhe. 6 6 36 pois. a razão entre as probabilidades de vitória dos dois jogadores é igual à razão de suas probabilidades de vitória em uma única partida. 36 6 . obter soma 7. analogamente. P (A|A ∪ B ) = observe que a razão entre entre P (B ) . Conhecendo o princípio. A não pode obter soma 7 e B deve obter soma 7. Esse é o princí- pio de preservação das chances relativas. como um dos dois ganha . isto é.

B e C são independentes. quando P (A ∩ B ) = P (A) · P (B ).12 MA12 . 2. a soma dessas probabilidades é 1. escolhe a resposta ao acaso. Joga-se um dado não-viciado duas vezes. Jogue um dado duas vezes. B = {o resultado do segundo lançamento é par} e C = {a soma dos resultados é par}. Determine a probabilidade de obter ao menos: . Três eventos A. Exercícios 1. Se ele acerta uma questão. B C são independentes? 4. quando P (A∩B ) = P (A)·P (B ). por denição. essas probabilidades são iguais a 6 11 e 5 .Unidade 22 o jogo. ele acerta. por denição. P (A ∩ C ) = P (A) · P (C ) e P (A ∩ B ∩ C ) = P (A) · P (B ) · P (C ). A A B e e e B C C e são independentes? são independentes? são independentes? A. 60% da matéria do teste. quando não sabe. Considere os eventos A = {o resultado do primeiro lançamento é par}. 11 respectivamente. Então. e. Ele sabe com 5 alternativas por questão. Determine a probabilidade condicional de obter 3 na primeira jogada sabendo que a soma dos resultados foi 7. P (B ∩ C ) = P (B ) · P (C ). Dois eventos a) b) c) d) 3. Quando ele sabe uma questão. Um estudante resolve um teste de múltipla escolha de 10 questões. qual é a probabilidade de que tenha sido por acaso? A e B são independentes.

9? Em uma cidade com n + 1 habitantes. b) um duplo seis em 24 lançamentos de um par de dados. Entretanto o teste aponta um resultado falso-positivo para 1% das pessoas sadias testadas. Um exame de laboratório tem eciência de 95% para detectar uma doença quando ela de fato existe. a qual. b) sem repetir nenhuma pessoa. as pessoas falam a verdade com probabilidade Suponha que diz que 1 . desde que nenhuma urna que vazia. qual é a probabilidade de uma pessoa ter a doença. Determine a probabilidade do boato ser contado a) sem retornar ao inventor do boato. Um prisioneiro possui 50 bolas brancas. As urnas serão . 5. O prisioneiro deve colocar do modo que preferir as bolas nas urnas. no mínimo. e assim por diante. conta o boato para uma terceira pessoa. Evidentemente ninguém é distraído a ponto de contar o boato para quem lhe havia contado o boato. Quantas vezes. se deve lançar um dado para que a probabilidade de obter algum seis seja superior a 0. 5% da população tem a doença. k vezes: 8. por sua vez. 50 bolas pretas e duas urnas iguais. Em uma cidade. Se 0.Probabilidade 13 a) um seis em 4 lançamentos de um dado. uma pessoa conta um boato para outra pessoa. Qual a probabilidade de A ter falado a verdade? 9. 3 A faz uma armação e que D diz que C diz que B A falou a verdade. dado que o seu exame foi positivo? 6. 7.

Unidade 22 embaralhadas e o prisioneiro deverá. escolher uma bola. Árvore! P (X = 3 e Y = 4) P (X = 3 e X + Y = 7) = P (X + Y = 7) P (X + Y = 7) . Se a bola for branca ele será libertado e. de olhos fechados. Como deve agir o prisioneiro para maximizar a probabilidade de ser libertado? Sugestões aos Exercícios 1.14 MA12 . Árvore! 6. P (X = 3|X +Y = 7) = 2. Determine a probabilidade de não obter nenhum seis. Árvore! 4a. escolher uma urna e. Determine a probabilidade de não obter nenhum seis. nesta urna. 8. será condenado. se for preta. 5.

MA 12 . vocˆ e ter´ a 10 exerc´ ıcios para resolver. redigindo as suas solu¸ co ˜es com cuidado.Unidade 23 Probabilidade – Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 04/07 a 10/07 Nessa unidade. . Resolva quantos puder.

qual é a probabilidade de todas saírem satisfeitas? 1. Qual a probabilidade de Clara acertar: 3. a) 3 dezenas? 1 . No jogo da quina concorrem 80 dezenas e são sorteadas 5 dezenas. Clara apostou em 8 dezenas. 2 preferem chocolate e as demais não têm preferência. Escolhem-se ao acaso duas peças de um dominó comum.Unidade 23 Probabilidade Problemas Semana 04/07 a 10/07 Distribuindo ao acaso 5 sorvetes de creme e 5 de chocolate a 10 pessoas. das quais 3 preferem creme. Qual é a probabilidade delas possuírem um número comum? 2.MA12 .

b) supondo que ela não age como no item a). supondo: a) que a cada tentativa frustrada ela toma a sábia providência de descartar a chave que não serviu. b) P [A − (B ∪ C )]. d) P [(A ∩ B ) ∪ C ]. determine: a) P (A ∪ B ∪ C ). 5. c) P [A ∩ (B ∪ C )]. . b) de não haver duas vagas vazias adjacentes. P (C ) = P (A ∩ B ) = 0. Determine a probabilidade: a) das vagas vazias serem consecutivas.2 MA12 . de assistir novela é 0. 1. das quais apenas uma abre a porta.70 e de gostar de praia é 0. Se ela vai experimentando as chaves até acertar. Se P (A) = 0.Unidade 23 b) 4 dezenas? c) 5 dezenas? 4. Em uma roda são colocadas n pessoas. Uma pessoa tem um molho de n chaves. 3. 4. P (B ) = 0. P (A ∩ C ) = 0 e P (B ∩ C ) = 0. Qual é a probabilidade de duas dessas pessoas carem juntas? 5. Há 8 carros estacionados em 12 vagas em la. Entre que valores está compreendida a probabilidade de um aluno 8.80.60. 7. Em certa escola a probabilidade de um aluno ser torcedor do Flamengo é 0. 6. determine a probabilidade dela só acertar na tentativa de ordem k .

Para distribuir os sorvetes basta escolher quem recebe os de creme. 5 C10 A resposta é 2. 3a. simultaneamente: a) assistir novela e gostar de praia. 9. 10. b) torcer pelo Flamengo. Testando-se as pilhas uma a uma até serem identicadas as duas descarregadas. Em uma gaveta há 10 pilhas. Para formar uma la com 8 carros e 4 espaços vazios. supondo a extração: a) sem reposição. Laura e Telma retiram cada uma um bilhete numerado de uma urna que contém bilhetes numerados de 1 a 100. Devem ser sorteadas três entre as 8 dezenas jogadas e duas entre as 72 dezenas não-jogadas. 6b. 2 C5 . Sugestões aos Exercícios 1. b) mais de cinco testes.Probabilidade . das quais duas estão descarregadas. Determine a probabilidade do número de Laura ser maior que o de Telma. Há C12 modos de escolher as vagas vazias. Em 9 desses modos elas são consecutivas. determine a probabilidade de serem feitos: a) cinco testes.Problemas 3 dessa escola. b) com reposição. c) menos de cinco testes. 2 São 28 peças. primeiro . 4 6a. Há C7 modos de tomar duas peças que tenham ambas o número seis.

Devemos em seguida escolher 4 dos 9 espaços entre os carros para botar as vagas vazias.4 MA12 . 10c. em uma metade Laura ganha e na outra metade Telma ganha. 10b. 7. 10a. Nos quatro primeiros testes devem aparecer as duas pilhas descarregadas. Dos restantes. Faça um diagrama de conjuntos para dois conjuntos: o primeiro. Nos quatro primeiros testes deve aparecer uma das pilhas descarregadas e a outra deve aparecer no quinto teste. Faça um diagrama de conjuntos.Unidade 23 arrume os carros e depois entremeie os espaços vazios. Faça um diagrama de conjuntos. Há 8! modos de arrumar os carros. 8a. 8b. 9b. formado pelos que assistem novela e gostam de praia. o segundo. O número de pilhas descarregadas nos cinco primeiros testes deve ser no máximo igual a 1. pelos que torcem pelo Flamengo. Conte os casos em que elas empatam. .

Resolva quantos puder. . vocˆ e ter´ a 11 exerc´ ıcios.Unidade 24 Probabilidade – Resolu¸ c˜ ao de Problemas Semana de 04/07 a 10/07 Nessa unidade. redigindo as suas solu¸ co ˜es com cuidado.MA 12 .

os 16 jo- gadores têm habilidades diferentes e não há surpresas nos resultados 1 . Eles são divididos em grupos de 2.Unidade 24 Probabilidade Problemas Semana 04/07 a 10/07 1. Em um torneio como o descrito no exercício anterior.MA12 . e jogadores de um mesmo grupo jogam entre si. 2n jogadores de igual habilidade disputam um torneio. ao acaso. dois jogadores Qual é a probabilidade de A e B se enfrentarem durante o torneio. Os perdedores são eliminados e os vencedores são divididos novamente em grupos de 2 e assim por diante até restar apenas um jogador que é proclamado campeão. Qual é a pro- babilidade do jogador A jogar exatamente k partidas? 2.

e pergunta ao candidato se ele quer car com a porta que escolheu ou se prefere trocá-la pela outra porta que ainda está fechada. Uma urna contém 4 bolas brancas e 6 bolas pretas.Unidade 24 (se A é melhor que B. o apresentador. os candidatos devem esco- lher uma entre três portas.2 MA12 . não deve trocar ou que tanto faz? 4. ela é devolvida à urna e são acrescentadas mais duas bolas da mesma cor que ela. Escolhida uma porta pelo candidato. A vence B ). Admitindo que. a) Qual é a probabilidade do segundo melhor jogador ser vicecampeão do torneio? b) Qual é a probabilidade do quarto melhor jogador ser vicecampeão do torneio? c) Qual é o número máximo de partidas que o décimo melhor jogador consegue disputar? Qual é a probabilidade dele disputar esse número máximo de partidas? 3. Atrás de uma dessas portas há um prêmio e atrás de cada uma das outras duas portas há um bode. atrás da qual se encontra um bode. o apresentador escolha ao acaso uma porta para abrir. que sabe onde estão os bodes. Em um programa da televisão italiana. Qual é a probabilidade de serem obtidas exatamente 5 caras em 10 lançamentos de uma moeda não-tendenciosa? 5. você acha que o candidato deve trocar. quando o candidato escolhe a porta em que está o prêmio. Sacam-se suces- sivamente bolas dessa urna de acordo com o seguinte processo: cada vez que uma bola é sacada. . abre uma das outras portas. Determine a probabilidade de: a) a segunda bola sacada ser branca.

Seleciona-se ao acaso um ponto X em um diâmetro AB de uma . qual é a probabilidade da face voltada para o juiz ser vermelha? 7. Se a face que o jogador vê é amarela. 9. Qual a probabilidade da corda determinada por esses pontos ter comprimento maior do que o lado do triângulo equilátero inscrito na circunferência? 10.Problemas 3 b) a primeira bola sacada ter sido branca na certeza de que a segunda bola sacada foi preta. para um atleta. têm também probabilidades iguais de tirarem o segundo lugar e têm probabilidades iguais de tirarem o último lugar. Os três têm probabilidades iguais de ganhar o torneio. C. A e B disputam uma série de partidas. sendo A ganhar uma partida e de 0. No momento o placar está 7 × 4 B . Qual é a probabilidade de A ganhar o prêmio? A.6 a probabilidade de lidade de favor de A é mais habilidoso do que B. 6. Três jogadores. o juiz mostra um cartão. B e 8.Probabilidade . Um juiz de futebol meio trapalhão tem no bolso um cartão amarelo. Selecionam-se ao acaso dois pontos em uma circunferência.4 a probabia B ganhar uma partida. Ganha um prêmio quem primeiro completar 10 vitórias. retirado do bolso ao acaso. disputam um torneio. É necessariamente verdadeiro que cada uma das seis ordens possíveis de classicação dos três jogadores tem probabilidade 1 6 de ocorrer? Justique. um cartão vermelho e um cartão com uma face amarela e uma face vermelha. de 0. Depois de uma jogada violenta.

quem troca está trocando uma porta por duas. Suponha que a probabilidade de um ponto. qual é a probabilidade delas se encontrarem? Sugestões aos Exercícios 3. B ganhar no máximo duas. selecionado ao acaso. A ganha o prêmio se e somente se. 9. Uma solução elegante é obtida observando que. y ) : 0 e a região favorável é x 60. marcaram um encontro às 16 horas. y ) : 0 10}. Uma solução normal é obtida construindo uma árvore. a região possível é {(x. 11.4 MA12 . pertencer a um arco é proporcional ao comprimento do arco. Cristina e Maria. Se cada uma delas chegará ao encontro em um instante qualquer entre 16 e 17 horas e se dispõe a esperar no máximo 10 minutos pela outra. nas próximas 8 partidas. Contando o tempo em minutos a partir das 16 horas e sendo x e y os instantes de chegada de Cristina e de Maria. que não são pessoas muito pontuais. Qual a probabilidade da corda que contém pendicular a X e é per- AB ter comprimento maior do que o lado do triângulo equilátero inscrito na circunferência? 11. selecionado ao acaso em uma reta. |x − y | {(x. Árvore! 6. 0 60} y 60. 5.Unidade 24 circunferência. Suponha que a probabilidade de um ponto. pertencer a um segmento é proporcional ao comprimento do segmento. . 10. x 0 y 60. na realidade.

. que possui in´ umeras aplica¸ co ˜es e que se enuncia como se segue: Se n + 1 ou mais objetos s˜ ao colocados em n ou menos gavetas.Unidade 25 M´ edia e Princ´ ıpio das Gavetas Semana de 11/07 a 17/07 Nessa unidade. Em seguida. geom´ etricas. tamb´ em chamado de Princ´ ıpio da Casa dos Pombos (consegue imaginar por quˆ e?). ´ e apresentado. harmˆ onicas.MA 12 . Esse princ´ ıpio. algumas surpreendentes. Resolva quantos desses puder. como as m´ edias aritm´ eticas. ent˜ ao pelo menos uma gaveta recebe mais de um objeto. como aplica¸ c˜ ao de c´ alculo de m´ edias. Vocˆ e achar´ a algumas delas na lista de 36 exerc´ ıcios propostos no final da unidade. tem in´ umeras aplica¸ c˜ oes. s˜ ao apresentadas algumas no¸ c˜ oes de m´ edias. quadr´ aticas e ponderadas. o importante Princ´ ıpio das Gavetas de Dirichlet.

+x ¯ = nx ¯. xn é x1 + x2 + . . + xn . . . + xn = x ¯+x ¯+. . x2 . . (simples) da lista de A n números x1 . Portanto. n 1 média aritmética um valor x ¯ tal que . . a média aritmética (simples) da lista de n números x1 . . a média aritmética. x2 . obtemos a mais simples de todas as médias. . . Se essa característica é a soma dos elementos da lista. . . . Uma média de uma lista de números é um valor que pode substituir todos os elementos da lista sem alterar uma certa característica da lista.MA12 .Unidade 25 Médias e Princípio das Gavetas Semana 11/07 a 17/07 1 Médias Uma ideia bastante importante é a ideia de média. . xn é denida por x ¯= x1 + x2 + . .

. . xn média harmônica um valor h tal que (simples) dos n 1 1 1 1 1 1 n + + ··· + = + + ··· + = . . . . xn = g · g . g = g n .2 MA12 . Por exemplo. . qual seria a média geométrica entre 2 e −2?). obteremos a média geométrica. . . . xn . xn ) = √ n x 1 x 2 . a média geométrica dos números 3. . . √ 3 3 · 36 · 54 = 18. x2 . x1 x2 xn h h h h Portanto. . . . xn é denida por g = G(x1 . xn é denida por h= 1 x1 + 1 x2 n + ··· + 1 xn . x2 . o inverso da média aritmética dos inversos dos números. .Unidade 25 Por exemplo. . . números positivos A é x1 . . . pois. 3 Se a característica a ser considerada for o produto dos elementos da lista. xn é um valor positivo g tal que x1 x2 . 36 e 54 é 3 + 36 + 54 = 31. 36 e 54 é Se a característica for a soma dos inversos dos elementos da lista. . x2 . Portanto. a média harmônica (simples) dos n números positivos x1 . . A dos média geométrica (simples) n números positivos x1 . a média aritmética dos números 3. . . a média geométrica (simples) dos n números positivos x1 . x2 . . x2 . Observe que só denimos a média geométrica para números positivos. . A média harmônica é. Assim evitamos a possibilidade da média não existir (por exemplo. . . obteremos a média harmônica.

respectivamente. em janeiro. Exemplo 1. Resposta: 300. Uma empresa produziu. Qual foi a taxa média de . Assim evitamos a possibilidade da média não existir (por exemplo. a produção 3M = 500 + 200 + 200 e M= 500 + 200 + 200 = 300. Exemplo 2. Uma empresa aumentou sua produção durante o primeiro bimestre do ano passado. a produção 500+200+200. 3 A média desejada era a média aritmética. durante o primeiro trimestre do ano passado. Você sempre corre o risco de um aluno perguntar porque não podia ter tirado a média geométrica. Que média é essa que queremos? Queremos uma média M tal que.Médias e Princípio das Gavetas 3 Por exemplo. 500. A produção trimestral foi de Se em todos os meses a produção fosse igual a tral seria igual a M . Solução. Logo. respectivamente. trimes- 3M . a média harmônica dos números 3. Qual foi a produção média mensal nesse trimestre? Comentário. as taxas de aumento foram de 21% e 8%. qual seria a média harmônica entre 2 e −2?). fevereiro e março. 41 41 Observe que só denimos a média harmônica para números positivos. 36 e 54 é 3 1 3 + 1 36 + 1 54 = 3 36+3+2 108 = 324 ∼ 3 × 108 = = 7. Resista à tentação de tirar rapidamente a média arit- mética e ponto nal. 200 e 200 unidades. 9. M . Em janeiro e em fevereiro. se a produção mensal fosse sempre igual a trimestral seria a mesma.

aumento bimestral foi de 30. Um concurso anual distribui igualmente entre os vence- dores um prêmio total de R$ 1 800. Queremos uma taxa média de aumento fosse igual a i tal que. 21 · 1. 21 · 1. Exemplo 3. A média procurada era uma média geométrica. conforme mostra o esquema 100 −→ 100 · 1. 68. 1 e 3 premiados.Unidade 25 aumento mensal nesse bimestre? Comentário.00. o aumento bimestral seria o mesmo. 08 (1 + i)2 = 1. 100(1 + i)2 = 100 · 1. é a média geométrica das taxas mensais aumentadas de uma unidade.68%. aumentada de uma unidade. 1432 i ∼ = 0. 1432 = 14. Que média queremos? (21% + 8%) ÷ 2 = 14. 08 ∼ = 1. Nos últimos três anos houve 2. A resposta não é Solução. 32%. 21 · 1. Qual foi o prêmio médio desses ganhadores? .4 MA12 . Então. teríamos 100 −→ 100(1 + i) −→ 100(1 + i)2 . 08 1+i = 1. respectivamente. 08 = 130. 21 · 1. 5%. Se em todos os meses tivéssemos um aumento de taxa i. 21 −→ 100 · 1. se em todos os meses a taxa O i. Mais precisamente: a taxa média.

. Outra média importante é a média quadrática. Essa é Queremos uma média tal que. Os prêmios foram de 1800 ÷ 2 = 900. 00 ÷2 = R$ 900. 1800. 1800 ÷ 1 = 1800 e 1800 ÷ 3 = 600. precisamente a média aritmética. (900 + 1800 + 600) ÷ 3 = 1100 reais. o total distribuído seria o mesmo. O prêmio médio foi de Observe que a média aritmética dos rateios é igual a 1 1800 × 1 + 1800 × 1 + 1800 × 2 3 1 3 = 1800 × = 1800 ÷ e que 1 2 1 2 1 +1 + 3 3 1 +1 + 1 3 1 3 3 1 2 1 +1 + 1 3 é a média harmônica dos números de ganhadores. a média quadrática dos 12 + 72 = 5. se todos os prêmios fos- sem iguais a essa média. . . 00. 2 . .Médias e Princípio das Gavetas 5 Comentário. dos números A média quadrática x1 . a média quadrática é a raiz quadrada da média aritmética dos quadrados dos números. n isto é. números 1 e 7 é Por exemplo. Embora o número médio de ganhadores tenha sido igual a 2. xn q= é denida por 2 2 x2 1 + x2 + · · · + xn . O rateio médio é o rateio que corresponderia a uma quantidade de ganhadores igual à média harmónica dos números de ganhadores. x2 . o prêmio médio não foi de R$ Solução.

8 por excesso. Assim.Unidade 25 Exemplo 4. é a média aritmética dos quadrados dos erros. . ou seja. xn é maior que ou x1 < x ¯ .5 é uma aproximação de 5. pelo x ¯.8 com erro de 0. . por exemplo.6 MA12 . .7 com erro de −0. . 5. Também se usa o −1) erro médio quadrático . x1 + x2 + . 6 S2 : 3. 82 + 0. + xn < nx ¯. . x2 < x ¯ . se fosse x1 . 8 Os erros médios quadráticos são respectivamente iguais a 12 + 0. x2 . . xn < x ¯. . 3. o que é absurdo. . 64. . . que é a diferença entre o valor da aproximação e o valor real da grandeza. quanto mais próximo de zero estiver o erro. x ¯<x ¯. Evidentemente. + xn <x ¯. n . 4 é uma aproximação de 3. 2 (ou uma aproximação de 5.2 (também se diz uma aproximação de 3. 39 é uma aproximação de 40 (erro igual a que é melhor do que a aproximação 42 (erro igual a 2). teríamos x ¯. xn é igual a igual a x1 . Por exemplo. com erro de 0. x2 . .7 por falta. . tanto melhor será a aproximação. . Mede-se a qualidade de uma lista de aproximações pela média quadrática dos seus erros.2) e 5. com erro de 0. que é o quadrado dessa média quadrática. . 2 S2 . 4. 52 + 0. 47 3 S1 e 0. A qualidade de uma aproximação é medida pelo seu erro.2). . 42 = 0. 82 = 0. 4. . 2. Uma é uma lista de aproximações de 4 que é melhor do que importante propriedade da média aritmética é: Se a média aritmética dos números menos um dos números efeito. Abaixo temos duas listas de aproximações do número 4: S1 : 3. Com x1 + x2 + .

1 (p algarismos) e 11 . . Logo. Divida-os por n e considere os restos dessas divisões. 11... em algum mês o número de nascidos nesse mês (que é um inteiro) é maior que ou igual a 4. . A diferença 11 . . 2. 10 .. . restos só podem ser iguais 0. (Princípio das Gavetas) Se n+1 ou mais objetos são colocados em n ou menos gavetas.. 1 ( q algarismos). digamos n e se escreve p < q . Mostre que. n Logo.. 1 . então pelo menos uma gaveta re- cebe mais de um objeto. n − 1. temos mais objetos do que gavetas. Considere os 1.. Uma consequência imediata do exemplo 5 é o Princípio das Gavetas de Dirichlet : 1 Exemplo 6. Solução. Solução. Esses Pensando nos números como objetos e nos restos como gavetas. O número médio de objetos por gaveta é maior que ou igual a de objetos maior que 1. . . 1. Mostre que todo inteiro positivo n tem um múltiplo que se escreve apenas com os algarismos 0 e 1. . em um grupo de 50 pessoas. . ou seja.. O Princípio das Gavetas assegura que alguma gaveta receberá mais de um objeto. Prova. que é maior que 1. 0. n+1 .1.. matemático alemão. .. 1 Peter Gustav Lejeune Dirichlet (1805-1859). .Médias e Princípio das Gavetas 7 Exemplo 5. . isto é. há dois números na sequência que dão o mesmo resto quando divididos por 11 . em alguma gaveta haverá um número Exemplo 7. . há sempre pelo menos 5 que nasceram no mesmo mês. O número médio de pessoas por mês é 50 ÷ 12 = 4. desses números é um múltiplo de algarismos 0 e n. é maior que ou igual a 5. n + 1 primeiros números da sequência 111.. com p q−p algarismos 1..

8 MA12 . haverá dois pontos no mesmo quadrado de lado 1. é igual a determinar p q de Sq − Sp−1 . Pensando nos pontos como objetos e nos quadrados como gavetas. inclusive. . . 1 S1 < S2 < · · · < S77 . que é possível Considere os 154 números S1 . . Mostre que é possível achar um conjunto de dias consecutivos durante os quais ele jogou exatamente 20 partidas. S77 + 20. . Solução. Um enxadrista. inclusive. Queremos mostrar modo que Sq − Sp−1 = 20. isto é. 2. . 77. Eles pertencem a {1. joga pelos menos uma partida por dia mas não joga mais de 12 partidas por semana. O Princípio das Gavetas assegura . S0 = 0. ligando os pontos médios dos lados opostos. Mostre que há dois desses pontos tais que a dis- √ tância entre eles é menor que ou igual a 2. Como ele joga pelo menos uma partida por dia. temos o número de partidas jogadas desde o Sk . . . Chamemos de 1. . . Exemplo 9. . O Princípio das Gavetas assegura que alguma gaveta receberá mais de um objeto. S2 . . durante 11 semanas. k = primeiro até o k 132 pois ele não ésimo dia. A distância entre esses pontos é no máximo igual √ ao comprimento da diagonal do quadrado. . S77 joga mais de 12 partidas por semana. Divida o quadrado de lado 2 em quatro quadrados de lado 1. S77 . . 152}. Solução. 2. . Em 11 semanas temos 77 dias. temos mais objetos do que gavetas. S2 + 20. Denindo dia a quantidade de partidas jogadas do dia p ao q. Cinco pontos são tomados sobre a superfície de um quadrado de lado 2.Unidade 25 Exemplo 8. . que é 2. e Além disso. S1 + 20. .

. . x2 . pn .Médias e Princípio das Gavetas 9 que dois desses números são iguais. não há problema em considerar pesos não inteiros. x2 . x2 . . com pesos p1 . os números iguais devem estar em metades diferentes dessa lista de 154 números. . . . . . . Então existem joga 20 partidas entre os m n tais que Sm = Sn + 20. p 2 são iguais a x2 . pn é denida por p 1 x1 + p 2 x2 + · · · + p n xn . inclusive. p2 . xn . + pn Assim. . . . xn com pesos respectivamente iguais p1 . p2 . Como S1 < S2 < · · · < S77 . p 1 + p2 + · · · + pn Embora a ideia primitiva seja que a média aritmética ponderada é uma média aritmética simples de uma lista de números dos quais são iguais a p1 x1 . . + pn p2 + x2 p1 + p2 + . . + pn pn xn . . xn é λ1 x1 + λ2 x2 + · · · + λn xn . . respectivamente. e A O enxadrista Finalmente. . . Aliás. . . . . . . como sendo p1 x1 p1 + p2 + . . p n são iguais a xn . onde λ1 + λ2 + · · · + λn = 1. dias n + 1 e m. é bastante útil trabalhar com pesos relativos e considerar a média aritmética ponderada dos números iguais a x1 . . . . +··· + p 1 + p2 + . . média aritmética ponderada dos números x1 . denimos médias ponderadas. .uma média aritmética ponderada dos números uma expressão da forma x1 . .

3 × 40 = 61kg. A valorização mensal das ações de certa empresa nos quatro pri- meiros meses do ano foi de +25%. A resposta é 0. Qual o peso médio do grupo? Solução. Qual é. A população de um país cresceu 44% em uma década e cresceu 21% na década seguinte. e o último conduz ao ponto de partida depois . Em um grupo de pessoas. a taxa média decenal de crescimento nesses 20 anos? 4. Um carro tem velocidade v1 durante metade do tempo t de per- curso e tem velocidade sua velocidade média? v2 durante a outra metade do tempo. com pesos relativos de 0. Um conduz à liberdade em 3 ho- ras.Unidade 25 Exemplo 10.3. 7 × 70 + 0.7 e 0. O peso médio dos adultos é 70kg e o peso médio das crianças é de 40kg. Um carro percorre metade de certa distância d com velocidade v1 e percorre a outra metade com velocidade média? v2 . É a média aritmética ponderada dos dois subgrupos. −25% e −25%. Exercícios 1. Em uma cela há três túneis. outro. No problema anterior. +25%. 70% das pessoas são adultos e 30% são crianças. Qual a va- lorização total e qual a valorização média mensal nesse quadrimestre? 6. Qual a sua velocidade 2. em 5 horas. aproximadamente.10 MA12 . Qual a 3. qual a taxa média anual de crescimento nesses 20 anos? 5.

10. Prove que a média harmônica h de uma lista de n números posi- tivos satisfaz m h M. 11. Candidato João Pedro José Paulo Port. quando voltam ao ponto de partida. Prove que a média geométrica g e de uma lista de n números positi- vos satisfaz m g M. são respectivamente o menor e o maior dos números. O resultado do concurso está no quadro abaixo. no problema anterior. 8. os prisioneiros que entram pelo terceiro túnel. Mat. onde m e M. onde m e M são respectivamente o menor e o maior dos números. 9. Prove que a média aritmética x ¯ de uma lista de números satis- faz m x ¯ M. Em um concurso. havia apenas provas de Português e Matemática. Suponha que. não se lembram de qual foi o túnel em que entraram e. Qual o tempo médio que os prisioneiros que descobrem os túneis gastam para escapar? 7. portanto. são respectivamente o menor e o maior dos números. Classicação 5 6 2 4 7 4 5 1 2◦ 1◦ 4◦ 3◦ . onde m M. escolhem para a próxima tentativa um entre os três túneis.Médias e Princípio das Gavetas 11 de 9 horas.

qual será a média aritmética dos números restantes? 14. suas médias quadrática Q. a) Com 4 pneus novos e fazendo um rodízio adequado entre eles. Qual a característica conservada pela média quadrática? 15. Qual seria o problema de se medir a qualidade de uma lista . para dois números positivos aritmética H G A. harmônica H e x2 . Qual? 13. 125 e 75. satisfazem e x1 Q. Prove também que duas quaisquer dessas médias são iguais se e somente se x1 = x2 . onde m M são respectivamente o menor e o maior dos números.Unidade 25 João achou que havia erro na classicação porque zera mais pontos que Pedro e classicara-se atrás dele. 17. A média aritmética de 50 números é 40. quando usados nas rodas di- anteiras. Pneus novos duram 40 000 km. e duram 60 000 km. Houve necessariamente erro na classicação? 12. Prove que a média quadrática q e de uma lista de n números posi- tivos satisfaz m q M.12 MA12 . 16. Se dois desses números. quando usados nas rodas traseiras. forem suprimidos. quantos quilômetros um carro pode rodar? Como? b) E com 5 pneus novos? Como? c) A resposta do item a) é uma média entre 40 000 km e 60 000 km. Prove que. A geométrica G.

. xn tais que x para a qual a média dos valores absolutos dos erros é mínima. eles sugeriram as retas y = 170x + 850 e y = 180x + 800. . x2 . Os resultados obtidos foram x1 x2 . 19. b) Calcule os erros médios quadráticos e determine qual das duas retas mais se aproxima dos pontos. . mas pode-se notar no gráco que é possível traçar retas que passem bem perto dos cinco pontos. . qual é a que mais se aproxima dos pontos? . xn . Eduardo observou que o consumo de energia elétrica em sua casa estava aumentando muito. respectivamente..Médias e Princípio das Gavetas 13 de aproximações pela média aritmética dos erros? 18. . Para determinar uma grandeza desconhecida medições. a) Mostre que os pontos realmente não são colineares. Para determinar uma grandeza desconhecida várias medições. Os resultados obtidos foram timativa de x. x2 . 20. . em kWh. xn . nos últimos 5 anos. ANO CONSUMO ( x) 0 1 2 3 4 (y ) 820 1000 1200 1350 1550 É fácil ver que os pontos encontrados não são colineares. c) Entre todas as retas do plano. como as retas que mais se aproximariam dos pontos. Determine a es- x para a qual o erro médio quadrático é mínimo. foram feitas várias x1 . Fez então um gráco do consumo anual. Mostrando o gráco a seus amigos Augusto e Sérgio.. Os valores obtidos encontram-se no quadro abaixo e Eduardo achou que o gráco parecia-se com uma reta. . tomando 1991 como ano 0. . foram feitas x1 . Determine a estimativa de x.

23. Mostre que. sem perguntar circular. Qual é o número mínimo de pessoas que deve haver em um grupo para que possamos garantir que nele há pelo menos 7 pessoas nascidas no mesmo mês? 26. uma taça de sorvete. 10 das crianças preferem creme e 10 preferem ocos. Mostre que em qualquer conjunto de 8 inteiros há sempre dois deles cuja diferença é um múltiplo de 7. 25. .Unidade 25 21. 24. pelo menos um tem como ponto médio um ponto de coordenadas inteiras. Mostre que existe um múltiplo de 1997 que tem todos os dígi- tos iguais a 1. pelo menos uma gaveta recebe mais de k objetos. 22. entre os dez segmentos determinados por esses pontos. sem mexer nas crianças e fazendo apenas uma rotação da mesa. Alguns desses sorvetes são de creme e os outros são de ocos. 27. Mostre que em toda reunião de n pessoas há sempre duas pessoas com o mesmo número de conhecidos.14 MA12 . Em uma festa há 20 crianças sentadas em torno de uma mesa Um garçom coloca diante de cada criança. Mostre que. no plano. Prove que se Nk + 1 objetos são colocados em N gavetas. qual a sua preferência. São dados. cinco pontos de coordenadas inteiras. é possível fazer com que pelo menos 10 crianças tenham suas preferências respeitadas.

Médias e Princípio das Gavetas 15 28. 2. . Considere a armação: Pelo menos k candidatos responderão de modo idêntico às 4 primeiras questões da prova. com 5 alternativas por questão. Determine o maior valor de o qual a armação é certamente verdadeira. Prove que há dois desses pontos tais que a distância entre eles é no máximo igual a √ 5. 33. Sete pontos são selecionados dentro de um retângulo 3 × 4. . 15}. Determine o maior valor de k para o qual a armação é certamente verdadeira. Mostre que em qualquer momento há sempre dois times que disputaram o mesmo número de partidas. 40100 candidatos estão fazendo uma prova de 20 questões de Suponha que ne- múltipla escolha. nhum candidato deixe de responder a nenhuma questão. Mostre que é possível achar dois pontos com a mesma cor tal que a distância entre eles é um número inteiro. Os pontos de uma reta são coloridos com 11 cores. com 5 alternativas por questão. Considere a armação: Pelo menos 4 candidatos responderão de modo idêntico às k primeiras questões da prova. 30. 32. . k para 29. Em um campeonato cada dois times jogam entre si uma única vez. Selecionam-se oito números distintos no conjunto {1. 40100 candidatos estão fazendo uma prova de 20 questões de Suponha que ne- múltipla escolha. 31. . nhum candidato deixe de responder a nenhuma questão. .

67m. as mulheres. isto é. Em um grupo de pessoas há 30 homens e 10 mulheres. λ1 e λ2 positivos. com pesos positivos. λ2 . . Essa representação é única? b) Mostre que os números reais λ1 . λ1 + λ2 + · · · + λn = 1. . . com λ1 + λ2 = 1 e λ1 > 1? d) E com λ1 + λ2 = 1 e λ1 < 0? 34. de x1 e x2 . Qual a altura média do grupo? . são médias aritméticas ponderadas. . . positivos.75m e. λn 36.16 MA12 . c) Onde estão os pontos x = λ1 x1 + λ2 x2 . Os homens têm altura média de 1. λ1 e λ2 positivos. x2 ). Essa representação é única? b) Mostre que os números reais x da forma x = λ1 x1 + λ2 x2 com λ1 + λ2 = 1. pertencem a (x1 .Unidade 25 Mostre que há pelo menos três pares de números selecionados com a mesma diferença entre o maior e o menor número do par. Sejam x1 e x2 números reais. (x1 . pertencem a λ1 . x2 . . . xn números reais. . n > 2. x1 < x2 . x1 < x2 < · · · < xn . . . λn x da forma x = λ1 x1 + λ2 x2 + · · · + λn xn λ1 + λ2 + · · · + λn = 1. a) Mostre que os números reais x tais que x1 < x < xn podem ser escritos na forma x = λ1 x1 + λ2 x2 + · · · + λn xn com 35. Sejam x1 . a) Mostre que os números reais x tais que x1 < x < x2 podem ser escritos na forma x = λ1 x1 + λ2 x2 com λ1 + λ2 = 1. . com n>2 positivos. de 1. xn ). λ2 . .

Médias e Princípio das Gavetas 17 Sugestões aos Exercícios 1. os aumentos de y não são iguais. Separe os casos n par e n ímpar. 2v2 e dos prisioneiros escapa em 3 horas. x+9 horas para escapar. 2. yk ). 40 60 Para conseguir a rodagem máxima. 13. 1 6 es- escapa em 9+5 horas. 2 escapa em 5 horas. Para cada x. Finalmente. 12. Considere a possibilidade das notas de Português e de Matemática terem pesos diferentes. 4. considere o y da reta como uma aproximação do y zero se e somente se observado. Sendo (xk . 11. 20c. 9+3 horas e Se x é o tempo médio procurado. capa em 7. embora os aumentos de x sejam iguais. calcule Q2 − A2 e mostre que Q2 − A2 0 e que Q2 − A2 = 0 se e somente se x1 = x2 . 20a. Se um pneu roda x mil quilômetros em uma roda dianteira e y mil quilômetros em uma roda traseira. deve-se gastar in- A−G e mostre que 50 × 40 = 2000. Os tempos gastos são t1 = d 2v1 e t2 = 2. As distâncias percorridas são 3. Lembre-se que Q 0 e A 0. k = 0. 20b. 1. determine . d1 = v1 1 3 t 2 d . a fração do pneu que é gasta vale teiramente todos os pneus. Calcule x y + . 19. 3. A soma de todos os números é 16. os prisioneiros que escolhem o 1 6 1 3 t d2 = v 2 . Aplique esse resultado aos inversos de x1 e x2 . Mostre que. terceiro túnel gastam em média. os pontos observados. Faça o gráco de f (x) = |x − x1 | + |x − x2 | + · · · + |x − xn |. A−G 0 e que A − G é igual a x1 = x2 .

Unidade 25 4 a e b para que S= k=0 (axk + b − yk )2 seja mínimo. O número total de satisfações nas 20 posições da mesa é x1 + x2 + · · · + x20 . considerando as n pessoas como os objetos e considerando o número de conhecidos como as gavetas. considerando os números como ob- b − 455 = 0 3 e b − 822 = 0. . pois o número de conhecidos pode variar de 0 a n − 1. Use o exemplo 7. Sejam x1 o número de crianças satisfeitas na primeira posição da mesa. I ). Use o Princípio das Gavetas. O maior grupo em que isso não acontece é um grupo onde haja 6 pessoas em cada mês. conforme as coordenadas sejam pares ou ímpares. Calcule a média de x1 . (P. satisfaz a criança à sua frente em exatamente 10 posições da mesa. pode ser calculado observando que cada uma das 20 taças. Esse valor... 26. Há 20 posições para a mesa. Determine o número médio de objetos por gaveta. 22. 24. 27. . Use o Princípio das Gavetas. 2 5 b S = 30 a + − 455 + (b − 822)2 + 510. porque é impossível haver ao mesmo tempo pessoas com 0 conhecido e com n − 1 conhecidos. Embora haja n gavetas. seja de creme ou de ocos. jetos e os restos de suas divisões por 7 como gavetas. (I. . etc.18 MA12 . x20 e use o fato de que pelo menos um dos números deve ser maior que ou igual a essa média. x2 . . 200. 3 3 S é mínimo quando a+ 21. 23. no máximo n − 1 gavetas são usadas. I ). 25. P ). Obtém-se S = 30a2 + 20ab + 5b2 − 27 300a − 11 840b + 7 337 400. P ) e (I. Considere 4 gavetas: (P. .

29. 35a. para o qual não se poderia garantir a existência de pelo menos 4 candidatos com respostas idênticas. Há 625 modos de responder às 4 primeiras questões. . Divida em seis retângulos 33. a armação é verdadeira para k = 2. 32. λ = x2 − x1 Pense apenas em x1 e x2 . Esses 12 pontos estarão coloridos com apenas 11 cores. . Há 25 modos de responder às duas primeiras questões da prova. seria um grupo de 75 candidatos. . 14. 2. . Por exemplo. 31. 1. 30.Médias e Princípio das Gavetas 19 28. x − x1 Se x1 < x < x2 . 1 × 2. x + 1. Há As diferenças podem ter apenas 14 valores: 2 = 28 C8 diferenças. . . Há pelo menos 27 diferenças que podem ter apenas 13 valores: 34a. ou seja. Calcule o número médio de candidatos por modo de responder às 4 primeiras questões. pertence a (0. das quais no máximo uma pode ter valor 14. 2. . x + 2. Tome um ponto x qualquer e considere os pontos x. seria um grupo onde houvesse 3 candidatos em cada uma das 25 alternativas. 1. . 13. 1). x + 11. . . . . . Este exercício é igual ao exercício 23. O maior grupo de candidatos.

faz-se a compara¸ c˜ ao entre as v´ arias m´ edias. Leitura Complementar: A. Se¸ co ˜es 3. (material anexado) . Hefez .OBMEP Vol 4.5.Indu¸ c˜ ao Matem´ atica.Unidade 26 M´ edia e Princ´ ıpio das Gavetas Semana de 11/07 a 17/07 Nessa unidade. resultando numa desigualdade fundamental entre a m´ edia aritm´ etica. Resolva quantos puder. A unidade termina com 21 problemas propostos. a m´ edia geom´ etrica e a m´ edia harmˆ onica. PIC .4 e 3.MA 12 .

√ x1 + x2 + · · · + xn = n x1 x @ · · · xn n se e somente se x1 = x2 = · · · = xn . . √ n x1 x2 · · · xn . xn são números x1 + x2 + · · · + xn n Além disso.MA12 . 1 . se positivos x1 . . . . Isto é.Unidade 26 Médias e Princípio das Gavetas Semana 11/07 a 17/07 1 A Desigualdade das Médias A desigualdade das médias arma que a média aritmética de n números positivos é maior que ou igual à sua média geométrica e só é igual se os números forem todos iguais. x2 .

Provaremos primeiramente a desigualdade no caso 1 A(x1 . x1 + x2 + x3 + x4 4 x1 + x2 2 x3 + x4 2 a igualdade só sendo obtida quando x1 + x2 2 e x3 + x4 2 1 Cauchy. matemático francês. Sendo x1 e x2 e sendo A(x1 . x2 ) = A(x1 . o que prova a aplicamos o resultado anterior aos x1 + x2 2 x1 +x2 2 e x3 + x4 . x2 ) − G(x1 . x2 ) só é igual desigualdade no caso n = 2. x2 ) − G(x1 .2 MA12 . 2 x1 + x2 2 x3 + x4 2 obtendo + 2 x3 + x4 2 ou seja. x2 ) G(x1 . Aqui faremos apenas um esboço da demonstração que foi feita por Cauchy . Para prová-la no caso n = 4. x2 ) a média aritmética dos números positivos sua média geométrica. e números x1 + x2 √ − x1 x2 2 √ x1 + x2 − 2 x1 x2 = 2 √ √ ( x1 − x2 ) 2 = 0 2 a 0 quando x1 = x2 .Unidade 26 Várias e interessantes demonstrações dessa desigualdade são encontradas em Meu Professor de Matemática de Elon Lages Lima. Louis (1789-1857). . temos n = 2.

Provaremos agora a desigualdade para três números positivos. Sejam e x1 . quando x1 = x2 = x3 = x4 . repetindo esse argumento. x3 = x4 . obtemos x1 + x2 x3 + x4 2 2 √ √ √ x1 x2 x3 x4 = 4 x1 x2 x3 x4 . provaríamos a desigualdade das médias para 8. 4 4 G sua média geométrica. A3 x1 x2 x3 . obtemos x1 + x2 + x3 + A 4 x1 x2 x3 A. x2 e x3 números positivos e sejam A sua média aritmética x1 + x2 + x3 + A 3A + A = = A. quando x1 = x2 = x3 . primeiramente para x1 e x2 . Esse argumento permite provar. 2 2 isto é. x1 + x2 + x3 + x 4 4 √ 4 x1 x2 x3 x4 . e posteriormente para x3 e x4 .. 4 √ 3 x x x A4 x1 x2 x3 A. x3 e A. por indução. números positivos.. isto é. x 1 = x2 e a igualdade sendo obtida apenas quando Portanto. x1 = x2 e a igualdade só sendo obtida quando x3 = x4 e x1 + x2 x3 + x 4 = . A= .Médias e Princípio das Gavetas 3 forem iguais. x2 . É claro que Aplicando a desigualdade das médias no caso n=4 aos números x1 . A 1 2 3 = G a igualdade só se vericando quando x1 = x2 = x3 = A. Aplicando agora duas vezes a desigualdade no caso n= 2. É claro que. a desigualdade para n = 2k números positivos. 32. 16..

2 x e y. o quadrado é o de maior área. se a desigualdade é verdadeira para n = k. Portanto. temos xy = A. x2 . x3 . então ela é também verdadeira para todo n < k. Temos 2(x + y ) = 4 x+y 2 √ √ 4 xy = 4 A . Solução. Se os lados do retângulo são média geométrica de x e y √ é igual a x A. 4 Exemplo 2. x2 . √ A= √ xy p x+y = 2 2 p2 4 x = y. retângulo é A = xy . o quadrado é o de menor perímetro. e y. x3 . entre todos os retângulos de área A. temos A área do x + y = p. x3 . Mostre que. Solução. o retângulo de p2 . a O perímetro do retângulo é 2(x + y ). O mesmo raciocínio pode mostrar que. isto é. x2 . isto é. Mostre que. x4 e x5 . x4 e x5 . aplicaríamos a desigualdade aos 8 números x1 . A e A. x4 e x5 . A e a igualdade só é obtida quando maior área é o quadrado de área Portanto.4 MA12 . Se os lados do retângulo são a média aritmética Temos x e y é igual a p . entre todos os retângulos de perímetro 2p. Exemplo 1.Unidade 26 Se desejássemos provar a desigualdade para cinco números positivos x1 . onde A é a média aritmética dos números x1 . A.

. A. . . 2(x + y ) √ 4 A e a igualdade só é obtida quando x = y. x2 . xn Q A G são números positivos e Q. 3. Além disso. Prove que a soma de dois números positivos de produto cons- tante é mínima quando esses números são iguais. Prove que a média harmônica de n números positivos x1 . aritmética. respectivamente. Prove que a média quadrática de n números positivos x1 . Portanto. x2 . duas quaisquer dessas médias são iguais se e somente se x1 = x2 = · · · = xn . xn é sempre menor que ou igual a sua média geométrica e só é igual quando todos os números são iguais. 2. o retângulo de menor perímetro é o quadrado de perímetro √ 4 A. geométrica e harmônica. . . . G e H são suas médias quadrática. . Exercícios 1.Médias e Princípio das Gavetas 5 Portanto. . x2 . . . então H. Prove que o produto de dois números de soma constante é máximo quando esses números são iguais. xn . A desigualdade das médias pode ser generalizada. 4. . . 2 Desigualdade das Médias Generalizada Se x1 .

a3 a1 + a2 + a3 3 a1 a2 + a1 a3 + a2 a3 3 √ 3 a1 a2 a3 . na qual a. Mostre que se a equação números positivos possuir x3 − ax2 + bx − c = 0. . z reais. Prove que se a1 . . Para poder se apresentar em 500 espetáculos. .Unidade 26 é sempre maior que ou igual a sua média aritmética e só é igual quando todos os números são iguais.6 MA12 . Prove que x2 + y 2 + z 2 xy + yz + zx. b e c são 6 três raízes reais então a 27b3 729c2 . x. 11. a2 . se x é positivo. . positivo? . se positivos. a2 . 8. então x+ b) Qual o valor mínimo de x + 4 . . . a) Prove que. . Prove que entre todos os triângulos de perímetro constante. y e 6. an então b1 b2 bn + + ··· + a1 a2 an para quaisquer n. 5. bn é uma reordenação de a1 . . . 9. qual o menor número de peças de roupa que pode ter seu guarda-roupa? 10. b2 . a2 . an são números positivos e b1 . Um mágico se apresenta usando um paletó cintilante e uma calça colorida e não repete em suas apresentações o mesmo conjunto de calça e paletó. o equilátero é o de maior área. Prove que a1 . . . 7. . x x 1 x 2.

x+y+z x. qual é o conjunto de valores de xy + yz + zx? E de 20. então √ √ √ ( x + y + z )2 15. y e z são números positivos tais que é o conjunto de valores de xyz ? E de 1 x+y+z xy + yz + zx? 1 xyz x + y + z? xyz = 8. y e z são números positivos tais que qual é o conjunto de valores de xyz ? E de 16. Prove que a sequência de termo geral an = n 1+ 1 n n é estri- tamente crescente. x. se 9 . 13. y e z são positivos. y e z são números positivos tais que 3. Se x. então 1 1 1 + + x y z 14. qual é o conjunto de valores de xyz ? E de 18. Se x. para todo n n+1 inteiro e positivo 1 1+ n < 1 1+ n+1 x. Se √ 9 3 xyz. qual é o conjunto de valores de xyz ? E de 17. isto é. Prove que. se z são positivos. y e z são números positivos tais que 1. y e z são números positivos tais que 3. 3. y e z são números positivos tais que qual é o . Se x. Se x. 1 xy + yz + zx x + y + z? xy + yz + zx x + y + z? xy + yz + zx x + y + z? 3. prove que. Prove que. y e . Se x. qual 19.Médias e Princípio das Gavetas 7 12.

Unidade 26 conjunto de valores de xy + yz + zx? E de x + y + z? m números 21. Prove que. 7. m > 2. x ). . xy = x(a − x) é um polinômio do segundo grau em x. Use e Q A k=1 k=1 e que uma soma de quadrados é igual a 0 se e somente se todas as parcelas são nulas. z 2 ) a1 a2 . Com x paletós e y calças. 2. (y 2 . Mostre que a equação não pode ter raízes nulas ou negativas.8 MA12 . . Aplique a desigualdade das médias aos pares b1 b2 bn . o mágico formaria o número máximo de conjuntos diferentes se fossem 22 paletós e 22 calças. Se x + y = a. Use o problema anterior. 4. Aplique a desigualdade das médias aos inversos dos números dados. Lembre-se de que respectivamente. n n 2 xk = nA (xk −A) 0. Sejam as médias quadrática e aritmética de x1 . 9. Veja o exemplo 2.. . . x2 . porque o produto . a1 a2 an (x2 . então ela é válida também para m−1 números po- Sugestões aos Exercícios 1. o mágico consegue formar xy conjuntos diferentes. 5.. Aplique a desigualdade das médias aos números 2 2 a2 a3 . Use também o problema 6. Aplique a desigualdade das médias aos números 6. sitivos. a1 a3 e e (z . 3. xn . . se a desigualdade das médias é válida para positivos. y 2 ). 8. Com 44 peças. ... .

1 . .Médias e Princípio das Gavetas 9 de dois números de soma constante é máximo quando esses números 22 × 22 = 484. Use a fórmula de Heron . ser máxima. n Aplique a desigualdade entre as médias aritmética e harmônica aos números x. yz e zx √ xyz 1. y e z são positivos. S = p(p − a)(p − b)(p − c). A desigualdade das médias aplicada aos números √ y e z. 15b.matemático de Alexandria. √ n natural arbitrariamente grande. O problema 7 mostra que √ x+y+z 3. basta tomar x=y= com 1 n e z = n. 2 Heron. Aplique a desigualdade das médias aos números 15a. Para mostrar que xyz consegue car arbitrariamente mostra que próximo de 0. Aplique a desigualdade das médias aos números x e x 12. 1 . Além disso é claro que xyz alcança o valor 1 quando x = y = z = 1. 44 peças não bastam. tomando √ 3 x=y=z= . Por outro lado. 3 x + y + z pode se tornar x=y= 1 n e arbitrariamente grande. z = n. xyz > 0. xy. 2 10. 11a. do segundo século antes de Cristo. Além disso x+y+z alcança o valor 3 quando Por outro lado. como x. com n natural arbitrariamente grande. 14. Como Para S x2 = x3 · · · = xn+1 = 1 + 13. y e z. √ x. Aplique a desigualdade das médias aos números x1 = 1 e são iguais. (p − a)(p − b)(p − c) deve ser máximo.

A Coordena¸ ca ˜o Nacional de Material Did´ atico informa que as Atividades de Revis˜ ao previstas nesta unidade est˜ ao sob os cuidados de sua Coordena¸ c˜ ao Local. Coordena¸ ca ˜o de Material Did´ atico 1 . Cordiais sauda¸ c˜ oes.

Coordena¸ ca ˜o de Material Did´ atico 1 .A Coordena¸ ca ˜o Nacional de Material Did´ atico informa que as Atividades de Revis˜ ao previstas nesta unidade est˜ ao sob os cuidados de sua Coordena¸ c˜ ao Local. Cordiais sauda¸ c˜ oes.

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Questão 1. Considere a sequência ( an )n≥1 definida como indicado abaixo: a1 a2 a3 a4 ... (0.5) (a) O termo a10 é a soma de 10 inteiros consecutivos. Qual é o menor e o qual é o maior desses inteiros? (0.5) (b) Calcule a10 . (1.0) (c) Forneça uma expressão geral para o termo an .

= 1 = 2+3 = 4+5+6 = 7 + 8 + 9 + 10

UMA RESPOSTA (a) O primeiro inteiro da soma que define an é igual ao número de inteiros utilizados nos termos a1 , . . . , an−1 , isto
1 é, 1 + 2 + . . . + n − 1 mais um, isto é, é igual a 2 (n − 1)n + 1. O último inteiro é esse número mais n − 1. Portanto,

para n = 10, o primeiro inteiro é 46 e o último é 55. (b) a10 é a soma de uma progressão aritmética de 10 termos, sendo o primeiro igual a 46 e o último igual a 55. Então a10 =

(46 + 55) · 10 = 101 · 5 = 505 . 2

(c) No caso de an , trata-se da soma de uma progressão aritmética de n termos, sendo o primeiro igual a 1 2 n ( n − 1) + 1
1 e o último igual a 2 n(n − 1) + 1 + (n − 1), ou seja, 1 2 n ( n − 1) + n, como visto em (a). Então 1 2 n ( n − 1) + 1

+
2

an =

1 2 n ( n − 1) + n

·n =

( n − 1) n2 + ( n + 1) n n3 + n = . 2 2

1

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Questão 2. Um comerciante, para quem o dinheiro vale 5% ao mês, oferece determinado produto por 3 prestações mensais iguais a R$ 100,00, a primeira paga no ato da compra. (1.0) (a) Que valor o comerciante deve cobrar por esse produto, no caso de pagamento à vista? (1.0) (b) Se um consumidor desejar pagar o produto em três prestações mensais iguais, mas sendo a primeira paga um mês após a compra, qual deve ser o valor das parcelas? Utilize, se desejar, os seguintes valores para as potências de 1, 05: 1, 052 = 1, 1025; 1, 05−1 = 0, 9524; 1, 05−2 = 0, 9070.

UMA RESPOSTA (a) Trazendo os valores da segunda e da terceira prestações para o ato da compra, e somando, obtém-se 100 + 100 100 + = 100 + 95, 24 + 90, 70 = 285, 94 . 1, 05 1, 052

Então o comerciante poderá cobrar 285,94 reais, de forma que, se deixar seu dinheiro valorizar 5% ao mês, poderá dispor de 100 reais no ato da compra (tirando 100 reais dos 285,94), 100 reais ao final do primeiro mês (deixando 95,24 reais valorizarem 5% durante um mês) e 100 reais ao final do segundo mês (deixando 90,70 reais valorizarem 5% ao mês durante dois meses). (b) Para o parcelamento desejado pelo consumidor, as parcelas se deslocam um mês adiante. Então em cada uma das três parcelas de 100 reais devem incidir juros de 5%. Portanto, são 3 parcelas de 105 reais.

2

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Questão 3. Considere o conjunto dos números escritos apenas com os algarismos 1, 2 e 3, em que o algarismo 1 aparece uma quantidade par de vezes (por exemplo, 2322 e 12123). Seja an a quantidade desses números contendo exatamente n algarismos. (0.4) (a) Liste todos esses números para n = 1 e n = 2, indicando os valores de a1 e a2 . (0.8) (b) Explique por que an satisfaz a equação de recorrência an+1 = (3n − an ) + 2an , para n ≥ 1 (note que 3n é o número total de números com n algarismos iguais a 1, 2 ou 3). (0.8) (c) Resolva a equação de recorrência em (b).

UMA RESPOSTA (a) Para n = 1 só há três números possíveis: 1, 2 e 3. Somente os dois últimos têm um número par de algarismos iguais a 1 (neste caso, nenhum algarismo igual a 1). Então a1 = 2. Os números de 2 algarismos são: 11, 12, 13, 21, 22, 23, 31, 32, 33, num total de 9 = 32 . Cinco deles têm uma quantidade par de algarismos iguais a 1, então a2 = 5. (b) (Antes de fazer o exercício, pode-se verificar se a fórmula está correta para n = 1: 5 = a2 = (31 − a1 ) + 2a1 = 3 + a1 = 3 + 2 = 5.) Observa-se primeiro que a quantidade de números com n algarismos tendo uma quantidade ímpar de algarismos iguais a 1 é 3n − an , pois o número total de sequências é 3n . Para obter a relação de recorrência, observe que todo número de n + 1 algarismos é uma concatenação de um número de n algarismos com um número de 1 algarismo. Para que a quantidade de algarismos iguais a 1 do número de n + 1 algarismos seja par é preciso que: ou o número de algarismos iguais a 1 de cada um dos números concatenados seja ímpar ou o número de algarismos iguais a 1 de cada um dos números concatenados seja par. Então, para calcular an+1 , soma-se o número de concatenações do primeiro caso (ímpar-ímpar) com o número de concatenações do segundo caso (par-par). Isto dá an+1 = (3n − an ) · (31 − a1 ) + an · a1 , isto é, a fórmula do enunciado, já que a1 = 2. (c) Observa-se que an+1 = an + 3n , apenas simplificando-se a expressão. Isto implica an = a1 + 31 + 32 + . . . + 3n−1 = 1 + (1 + 3 + 32 + . . . + 3n−1 ) , em que a expressão entre parênteses é a soma dos n primeiros termos da progressão geométrica de termo inicial 1 e razão 3, que vale 3n − 1 . 3−1 an = 3n + 1 . 2

Portanto

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Questão 4. (1.0) (a) Mostre, por indução finita, que 1 · 30 + 2 · 31 + 3 · 32 + . . . + n · 3n−1 =

(2 n − 1 )3n + 1 . 4

(1.0) (b) Seja ( an )n≥1 progressão geométrica com termo inicial a1 positivo e razão r > 1, e Sn a soma dos n primeiros termos da progressão. Prove, por indução finita, que Sn ≤
r r −1 a n ,

para qualquer n ≥ 1.

UMA RESPOSTA (a) A equação é verdadeira para n = 1, pois 1 · 30 = 1 e

(2 · 1 − 1)31 + 1 = 1. 4
Supondo válida para n, vamos mostrar que vale para n + 1, isto é, vamos mostrar que, acrescentando o termo

(n + 1) · 3n , a soma resultará em (2 ( n + 1 ) − 1 )3n +1 + 1 . 4
Usando a hipótese de indução, 1 · 30 + 2 · 31 + 3 · 32 + . . . + n · 3n−1 + (n + 1)3n = Manipulando a expressão à direita,

(2 n − 1 )3n + 1 + ( n + 1 )3n . 4

(2 n − 1 )3n + 1 [2n − 1 + 4(n + 1)]3n + 1 (2 n + 1 )3n +1 + 1 (2 ( n + 1 ) − 1 )3n +1 + 1 + ( n + 1 )3n = = = , 4 4 4 4
como queríamos demonstrar.
r > 1; e como S1 = a1 > 0, então S1 = a1 < r− 1 a1 . r Suponha agora que a desigualdade vale para n, isto é, suponha que Sn ≤ r−1 an é verdadeira. Vamos provar que r ela vale para n + 1, isto é, vamos provar que Sn+1 ≤ r− 1 an+1 . Primeiro, escrevemos Sn+1 = Sn + an+1 , pois Sn+1 r é a soma dos primeiros n termos adicionada do termo n + 1. Usando a hipótese de indução, Sn+1 ≤ r− 1 a n + a n +1 . a n +1 Como se trata de uma progressão geométrica an+1 = ran , ou seja, podemos trocar an por r . Então Sn+1 ≤ a n +1 1 r r r −1 · r + an+1 , isto é, Sn+1 ≤ ( r −1 + 1) an+1 = r −1 an+1 , que é o que queríamos demonstrar.

(b) Para n = 1 a desigualdade é verdadeira: como r > 1, então

r r −1

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Questão 5. Seja ( xn )n≥0 sequência definida pela relação de recorrência xn+1 = 2xn + 1, com termo inicial x0 ∈ R. (0.5) (a) Encontre x0 tal que a sequência seja constante e igual a um número real a. (1.0) (b) Resolva a recorrência com a substituição xn = yn + a, em que a é valor encontrado em (a). (0.5) (c) Para que valores de x0 a sequência é crescente? Justifique.

UMA RESPOSTA (a) Basta achar a tal que 2a + 1 = a. Isto dá a = −1. Se x0 = a então x1 = 2x0 + 1 = 2a + 1 = a = x0 , e, da mesma forma, x2 = x1 , x3 = x2 , . . ., xn+1 = xn para qualquer n ≥ 0, ou seja, a sequência é constante. (b) Com a substituição sugerida, xn = yn − 1. Então yn+1 − 1 = 2(yn − 1) + 1, isto é, yn+1 = 2yn , com y0 = x0 + 1. Então yn = 2n y0 = 2n ( x0 + 1) e xn = yn − 1 = −1 + 2n ( x0 + 1). (c) Se x0 + 1 > 0, isto é, x0 > −1, então 2n ( x0 + 1) é crescente e xn = −1 + 2n ( x0 + 1) é crescente. Se x0 + 1 < 0, isto é x0 < −1, então xn = −1 + 2n ( x0 + 1) = −1 − 2n | x0 + 1| é descrescente. E se x0 = −1 então xn é constante. De onde se conclui que xn é crescente se, e somente se, x0 ∈ (−1, +∞).

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Questão 1. Considere os caminhos no plano iniciados no ponto (0, 0) com deslocamentos paralelos aos eixos coordenados, sempre de uma unidade e no sentido positivo dos eixos x e y (não se descarta a possibilidade de dois movimentos unitários seguidos na mesma direção, ver ilustração mostrando um caminho que termina em (5, 4)). y 4

x 5
m . (1,0) (a) Explique por que o número de caminhos que terminam no ponto (m, n) é Cm +n

(1,0) (b) Quantos são os caminhos que terminam no ponto (8, 7), passam por (2, 3) mas não passam por (5, 4)?

UMA SOLUÇÃO

(a) Chamaremos de horizontais os movimentos paralelos ao eixo x e de verticais os paralelos ao eixo y. Como todos os movimentos são positivos e unitários, são necessários m movimentos horizontais e n movimentos verticais para se chegar em (m, n), totalizando m + n movimentos. Um caminho fica totalmente determinado se dissermos quais desses m + n movimentos são, digamos, movimentos horizontais. Portanto, precisamos saber de quantas maneiras
m . podemos escolher m movimentos horizontais entre os m + n movimentos do caminho. Isso dá Cm +n

Evidentemente poderíamos ter determinado os caminhos dizendo quais são os n movimentos horizontais dentre
n n m os m + n movimentos. Esse raciocínio nos levaria a Cm +n . Mas Cm+n = Cm+n .

(b) Se um caminho até (8, 7) é obrigado a passar por (2, 3) então ele é a junção de um caminho que vai de (0, 0) a

(2, 3) com um caminho que vai de (2, 3) a (8, 7). No entanto, queremos que o caminho que vai de (2, 3) a (8, 7) não passe por (5, 4), ou seja, queremos que ele vá de (2, 3) a (8, 7) sem ser a junção de um caminho de (2, 3) a (5, 4) com um caminho de (5, 4) a (8, 7). Isso nos indica que precisamos calcular quantos caminhos temos de (0, 0) a (2, 3), quantos de (2, 3) a (5, 4) e quantos de (5, 4) a (8, 7). 2 2 3 3 Segundo o item anterior, há C2 +3 = C5 maneiras de ir de (0, 0) a (2, 3). Há C3+1 = C4 maneiras de se ir de (2, 3) a 3 3 (5, 4), pois são necessários 3 movimentos horizontais e 1 vertical. Há C3 +3 = C6 maneiras de se ir de (5, 4) a (8, 7), 6 pois são necessários 3 movimentos horizontais e 3 verticais. E há C10 maneiras de se ir de (2, 3) a (8, 7), pois são necessários 6 movimentos horizontais e 4 verticais. 3 · C3 maneiras de se ir de (2, 3) a (8, 7) passando por (5, 4). Então há C6 − C3 · C3 maneiras de se Há, portanto, C4 6 6 10 4 ir de (2, 3) a (8, 7) sem passar por (5, 4). E, por conseguinte, há
2 6 3 3 N = C5 · (C10 − C4 · C6 )

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3) mas não passando por (5. calculamos essas combinações: C5 3 = C6 6! 3!3! 5! 3! 2! 6 = = 10. 0) a (8. 4). Então N = 10 · (210 − 4 · 20) = 1300 . 2 = Para termos um número. 7) passando por (2. 2 . C10 10! 4!6! = 10·9·8·7 4·3·2 3 = 4e = 210. C4 = 6·5·4 3·2 = 20.maneiras de se ir de (0.

certamente um dia terá duas provas e os demais dias terão apenas uma.2011 Questão 2. Suponha que cada professor escolha o seu dia de prova ao acaso. apenas 5 são ocorrências de Português e Matemática no mesmo dia (uma ocorrência para cada dia da semana). e apenas uma delas é no mesmo dia que Matemática. (1. de uma única semana para a realização da prova de sua disciplina. ainda restam 4 duas das seis disciplinas para preenchê-lo. 6 6 10000 10000 5 5 ou 11. temos que escolher 2 escolhas. Dessas 25. Temos C6 2 · 4! maneiras de se distribuir 6 provas em 5 dias sem para distribuir nos 4 dias: são 4! escolhas. 3 . 2 (ou 20%). (b) Vamos contar de quantas maneiras se distribuem 6 provas nos 5 dias da semana sem deixar um dia livre.52%. Agora precisamos do total de maneiras de se distribuir as 6 provas durante a semana. então são 56 possibilidades. 1152 . há 5 possibilidades para o dia de Português. Outra maneira de pensar: fixado o dia da prova de Matemática. Escolhido esse dia. Há 5 possibilidades para o dia de prova de Português e 5 possibilidades para o dia de prova de Matemática.MA 12 .AV2 . de segunda a sexta. Isso dá os mesmos 20% de chances. há 25 possibilidades para o par de provas Português e Matemática. Cada disciplina tem 5 escolhas. Portanto há 5 · C6 deixar um dia livre. sem combinar com os demais professores. Com essa imposição. Então a probabilidade de não ficar um dia livre é o quociente 2 · 4! 5 · C6 5! · 15 72 · 16 1152 = = 4! · 354 = = = 0. Os professores de seis disciplinas (entre as quais Português e Matemática) devem escolher um dia. Então a probabilidade de que essas duas provas ocorram no mesmo dia é 5/25 = 0. Então começamos escolhendo entre as 5 possibilidades para o dia da semana que terá duas provas. Portanto.0) (a) Qual é a probabilidade de que as provas de Português e Matemática sejam realizadas no mesmo dia? (1.0) (b) Qual é a probabilidade de que os alunos façam provas em todos os dias da semana? UMA SOLUÇÃO (a) Nesta questão. não é preciso olhar para as outras disciplinas. Escolhidas essas duas disciplinas.

O jogo termina quando o jogador tiver acumulado 4 ou mais reais. listadas em (a).AV2 . e que a probabilidade indicada em cada um é a probabilidade de o jogo terminar com aquela sequência. São eles AAAA (1/16). o valor acumulado pelo jogador (linha do meio) e a probabilidade daquela sequência (linha inferior). Em cada nó da árvore. o jogador ganha 1 real. AAB (1/8). basta somar as probabilidades dos nós em cinza que têm ganho de 4 reais. (c) Das situações em que o jogador terminou com 4 reais. São eles: AAAA (1/16). convém fazer primeiro a árvore das possibilidades. 4 . ABA e BAA terminam com A (cara).MA 12 . Então a probabilidade de se terminar com cara dado que o jogador terminou com 4 reais é 5/16 11/16 = 5 11 . indicamos a sequência obtida (linha superior). Então basta somar as probabilidades de cada caso. (0. o que dá 5 16 . ABA (1/8). que têm probabilidade de 11/16 de ocorrer. A 1 1/2 AA 2 1/4 AAA 3 1/8 AAAA B 2 1/2 AB 3 1/4 BA 3 1/4 ABB 5 1/8 BAA 4 1/8 BAB 5 1/8 BB 4 1/4 AAB 4 1/8 ABA 4 1/8 AAAB 4 1/16 5 1/16 (a) Para ver a probabilidade de que o jogador termine com exatamente 4 reais. o jogador ganha 2 reais. Em um jogo.5) (a) Qual é a probabilidade de que o jogador ganhe exatamente 4 reais? (0.0) (c) Dado que o jogador ganhou exatamente 4 reais. cada vez que sai coroa. apenas AAAA. A soma é 11 16 . Cada vez que sai cara. uma moeda honesta é jogada seguidamente. qual é a probabilidade de que tenha saído cara no último lançamento? UMA SOLUÇÃO Nesta questão. Veja que a soma das probabilidades em cada nó pintado em cinza é igual a 1. Os nós em cinza são aqueles em que o jogo termina. Indicaremos “cara” por A e “coroa” por B. ABA (1/8) e BAA (1/8). com probabilidade de 5/16. (b) O jogo termina com cara em todos os nós em cinza que terminam com a letra A.5) (b) Qual é a probabilidade de que no último lançamento saia cara? (1. BAA (1/8) e BB (1/4).2011 Questão 3.

Para garantir que em 1000 candidatos pelo menos 2 respondam de forma igual a essas primeiras n questões. (b) Considerando agora as n primeiras questões. mas se houver 2 · 45 + 1 = 2049 candidatos isso não é mais possível. pelo menos 2 darão as mesmas respostas nas primeiras n questões? UMA SOLUÇÃO (a) O conjunto de possibilidades de respostas para as 5 primeiras questões.2011 Questão 4. É possível distribuir as respostas de 2 · 45 = 2048 candidatos de forma que cada conjunto de respostas se repita exatamente duas vezes. é 45 . Admita que nenhum candidato deixe questões sem responder.AV2 . cada uma com 4 alternativas. com 4 alternativas por questão.0) (b) Qual é o valor máximo de n para o qual é possível garantir que.MA 12 . há 4n possibilidades de resposta. é necessário que 1000 ≥ 4n + 1. 5 . (1. Resposta: n = 4. isto é.0) (a) Qual é o número mínimo de candidatos para que seja possível garantir que pelo menos 3 deles darão exatamente as mesmas respostas nas 5 primeiras questões? (1. O valor máximo de n tal que 4n ≤ 999 é 4 (pois 44 = 28 = 256 e 45 = 210 = 1024). sempre haverá ao menos 3 provas iguais nas cinco primeiras questões. 4n ≤ 999. Uma prova de concurso é formada por questões de múltipla escolha. em um concurso com 1000 candidatos.

x3 = 64 = 26 . ou ainda x = 4. então sua área é maior ou igual a 48. resulta que cando por 3 dos dois lados. Uma caixa retangular sem tampa tem arestas medindo x. os termos são iguais. (b) A soma xy + 2xz + 2yz é igual a 3 vezes a média aritmética simples de seus termos. multipli- (c) A igualdade entre as médias aritmética e geométrica ocorre se. 4 x 2 y2 z2 = 3 √ 3 212 = 16. Então. (1.MA 12 . (0. z x y UMA SOLUÇÃO (a) A área da caixa é igual a xy + 2xz + 2yz e seu volume é igual a xyz. Então.5) (c) Determine as medidas das arestas da caixa de área mínima com volume igual a 32. 6 .5) (a) Exprima a área e o volume da caixa em função de x. y e z (veja figura.AV2 . e somente se. Como xyz = 32 então x · x · x 2 = 32. onde as linhas tracejadas indicam segmentos de arestas obstruídos por alguma face). x da equação 2xz = 2yz tiramos y = x. x.0) (b) Use a desigualdade das médias para mostrar que. Então x = y = 4 e z = 2. Essa média é sempre maior do que ou igual à média geométrica dos mesmos termos. (0. Neste caso. 22 · (25 )2 = Supondo xyz = 32 (que é dado no problema). xy + 2xz + 2yz ≥ 48. y e z. em particular não nulos. quando xy = 2xz = 2yz. z têm que ser positivos. se o volume da caixa é igual a 32. e da equação xy = 2yz tiramos z = 2 . isto é 1 ( xy + 2xz + 2yz) ≥ 3 3 xy · 2xz · 2yz = 3 3 4 x 2 y2 z2 . isto é. Como o volume é positivo. y.2011 Questão 5.

A sequência dos termos com índices ímpares a1 . Como são 50 termos. 1 . Juntando as duas. valem as recíprocas.0) (c) Algum termo desta sequência é igual a 2000? Por quê? UMA SOLUÇÃO (a) Chamemos de a1 . Então os dois primeiros termos são iguais. a6 . (b) Há maneiras diferentes de se fazer isso. o segundo é 3 a mais que o primeiro. 7. O centésimo termo é o 50o da sequência dos pares. a5 . A sequência dos termos com índices pares a2 . Como nem 2000 = 7 · 285 + 5 nem 1997 = 7 · 285 + 2 são múltiplos de 7. Então todos os termos entre parênteses são iguais ao primeiro. ficamos com 17300. . logo o terceiro termo é igual ao segundo. 10. que vale 0 + 346 = 346. o quinto é 4 a mais que o quarto e assim sucessivamente. é formada a partir do número 0 somando-se alternadamente 3 ou 4 ao termo anterior. isto é. Então a100 = 3 + (50 − 1) · 7 = 3 + 343 = 346. . então 2000 não pode ser um an nem para n par nem para n ímpar. . dá 8575. a3 . último termo igual a 343. a3 . totalizando 50 termos. pois a PA tem primeiro termo igual a 0. a4 . os termos dessa sequência. e se n é par então an − 3 é múltiplo de 7 (de fato. são 50 termos da progressão aritmética de razão 7 começando em 3 e terminando em 346. . 2 No primeiro caso (ímpares). o terceiro é 4 a mais que o segundo. mas não precisaremos disso).MA 12 . a2 . . Essa segunda soma também sairia da mesma forma como a outra. E assim por diante. (0. .AV3 . 17. Obs. Do segundo para o terceiro há um aumento e um decréscimo de 4. . 21. . . 2 dá (c) Observe primeiro que se n é ímpar então an é múltiplo de 7. logo soma 50 · 0 + 343 = 25 · 343 = 8575 . A soma dessa progressão 3 + 346 = 25 · 349 = 8725 . é uma progressão aritmética com termo inicial 0 e passo (ou razão) 7. mas todos 3 unidades menores do que os termos da série par. No segundo caso (pares). + ( a50 + a51 ) . são 50 termos. Então a 50 · soma desses é 8725 subtraído de 50 · 3 = 150. . 3. . .5) (a) Qual é o centésimo termo dessa sequência? (0. .2011 Questão 1. o quarto é 3 a mais que o terceiro. isto é: o primeiro termo é 0. . é uma progressão aritmética com termo inicial 3 e passo 7.5) (b) Qual é a soma dos 100 primeiros termos dessa sequência? (1. 14. a soma dá 50 · 346 = 17300. A sequência 0. Outro jeito de fazer é somar separadamente as sequências com índices ímpares e pares. Veja que de a1 para a2 há um acréscimo de 3 e de a99 para a100 também. Podemos agrupar a soma assim: ( a1 + a100 ) + ( a2 + a99 ) + ( a3 + a98 ) + .

AV3 . A rigor. para cada n. Agora suponha que numeremos esses k arcos de círculo. Ele dividirá essa região em duas. que é quando o círculo não intersecta nenhum dos círculos já desenhados). ficam delimitadas 4 regiões. UMA SOLUÇÃO (a) Um único círculo no plano determina exatamente duas regiões (dentro e fora). De fato. para qualquer n ≥ 1.MA 12 .5) (b) Explique por que Rn+1 = Rn + 2n. (0. Como o novo círculo só pode intersectar cada um dos outros círculos em no máximo 2 pontos. então ficam delimitadas 3 regiões (mesma coisa se apenas se tangenciam). Observação. para se dizer que Rn é o máximo (e não apenas uma cota superior). o círculo Cn+1 intersecta 2 . Esse raciocínio pode ser repetido de forma indutiva até chegarmos no k-ésimo arco. quando se passa de n círculos para n + 1 círculos. Seja Rn o número máximo de regiões determinadas no plano por n círculos. (ii) se um dos círculos está inteiramente contido numa das regiões delimitadas pelo outro. Chamemos de k o número de arcos de círculo obtidos.2011 Questão 2. continuamos com duas regiões. (iii) se eles se intersectam sem se tangenciarem. Esse é o máximo possível. Pela fórmula. Agora imaginemos que n círculos já estão desenhados. basta achar uma lista de círculos C1 . R1 + 2 · 1 = 2 + 2 = 4. C2 . O primeiro arco está inteiramente contido em uma das regiões previamente delimitadas. .5) (a) Quais são os valores de R1 e R2 ? (0. então R2 = 4. deveríamos ter R2 = R1 + 2 · 1. acrescentando mais uma unidade na contagem. dever-se-ia mostrar que. . pois neste caso a divisão de regiões permaneceria a mesma). Como k ≤ 2n. Isso define o valor de Rn+1 . alguma configuração de círculos divide o plano em Rn regiões. Para tanto. se n círculos não podem dividir o plano em mais do que Rn regiões. serão acrescentadas k regiões à contagem. No total. para todo n ≥ 1. Essas intersecções dividirão o círculo em arcos de círculo. Como o segundo arco só pode intersectar os círculos anteriores e o primeiro arco em seus extremos. ele também está inteiramente contido em uma das regiões. Então desenhamos um novo círculo (diferente dos anteriores. que intersectará os círculos anteriores em um certo número de pontos. tal que. incluindo as novas regiões formadas pela introdução do primeiro arco. que serão no máximo 2n (e no mínimo 1. definindo um certo número de regiões. C3 . (1. Portanto. Agora colocamos um segundo círculo no plano e olhamos para várias possibilidades: (i) se ele for idêntico ao primeiro. (b) Primeiro verifiquemos se a fórmula está compatível com a resposta anterior. contando qual é o máximo acréscimo de regiões em cada etapa.0) (c) Mostre por indução que Rn = n2 − n + 2. então n + 1 círculos não poderão dividir o plano em mais do que Rn + 2n regiões. . e a divide em duas regiões. então são acrescentadas no máximo 2n regiões à contagem. Então R1 = 2. Isso acrescenta uma unidade na contagem de regiões. e vamos desenhar o n + 1-ésimo círculo arco por arco. ele terá no máximo 2n intersecções. em vista do que foi feito acima.

. isto é. a relação de recorrência nos dá Rn+1 = Rn + 2n. . queremos mostrar que também vale para n + 1. + . (c) A fórmula vale para n = 1. . i isto é. os 2n pontos de intersecção são todos distintos entre si. . Cn em 2 pontos. isto é. Isso pode ser realizado por 1 Ci = {( x. . .cada círculo C1 . . então R n +1 = R n + 2 n = ( n2 − n + 2) + 2n = n2 + n + 2 = [(n + 1)2 − 2n − 1] + n + 2 = ( n + 1)2 − n − 1 + 2 = ( n + 1)2 − ( n + 1) + 2 . Ci é o círculo de raio 1 e centro em ( 1 i . ( x − )2 + y2 = 1} . . . pois 12 − 1 + 2 = 2 = R1 . 3. ± 1− − 2 n+1 i 2 i n+1 Como os valores de 1 i são distintos para i = 1. produzindo ao todo 2n pontos de intersecção distintos entre si. Ora. valendo a hipótese de que Rn = n2 − n + 1. 0). . supondo Rn = n2 − n + 2 verdadeira. 2. Uma conta simples mostra que Cn+1 intersecta Ci nos dois pontos   2 1 1 1 1 1 1  . queremos mostrar que Rn+1 = (n + 1)2 − (n + 1) + 2. Agora. . 2. . n. 3 . y). supondo que ela vale para n. i = 1.

a primeira no ato da compra.1 = 4200. 12 1.MA 12 . 1−1 = 4200 . = 4200 1 · . 1−1 + 1.2011 Questão 3..0) (a) Se o comerciante deseja oferecer o produto para compra em duas prestações iguais. Suponha que o dinheiro valha 10% ao mês para um comerciante que vende determinado produto por R$ 4200.1 ) = 4200. a primeira no ato da compra. + 1. 1.1 1 1. x x x + +. 19 x 1 + 1. ele quer x + (b) Pelo mesmo raciocínio.+ = 4200 .AV3 . Então x = 11×4200 21 = 2200. 11 1 − 110 1.110 1 − 1. qual deve ser o valor dessas prestações? (1. Escreva uma expressão que permita calcular o valor da prestação. 1−2 + .0) (b) Suponha que ele deseja oferecer o produto em 10 prestações iguais.. ele quer x tal que x+ Ou seja. 1−10 1 − 1. 1−9 = 4200 e x Logo x = 4200 · 1− 1− 1 1. . (1. . 1 1. x 1. Isso dá x (1 + 1 1.1 4 . UMA SOLUÇÃO (a) Se x for o valor da prestação.00 à vista.

2011 Questão 4.AV3 . diferentes dele e diferentes entre si. temos um dois dígitos que não se repetem. temos 2 maneiras de colocar os outros dois dígitos. há 9 possibilidades para o segundo (para cada escolha do primeiro). 5 . temos 360 possibilidades. Uma senha de banco é formada por 4 digítos de 0 a 9. (b) Há 10 possibilidades para o primeiro dígito. Primeiro escolhemos a disposição dos 2 possibilidades de escolha de duas entre quatro posições. na escolha dos dígitos em que o entre os 9 restantes. há 9 possibilidades para o terceiro (para cada escolha dos dois primeiros) e 9 para o quarto (para cada escolha dos três primeiros). Há 10 possibilidades para o dígito que aparece repetido. Temos C9 dígito repetido está determinado.0) (b) Quantas são as senhas em que não há dígitos consecutivos iguais? UMA SOLUÇÃO (a) Se há exatamente 3 dígitos diferentes. então há dois dígitos iguais e mais dois outros.0) (a) Quantas são as senhas em que aparecem exatamente três dígitos diferentes? (1. Então cada uma das 360 escolhas dos 3 dígitos (com o dígito que se repete determinado) pode ser arranjada de 12 maneiras distintas. Fixada as posições dos dígitos repetidos. Como há C4 total de 6 disposições possíveis. Mais uma vez. Portanto. Falta agora ver de quantas maneiras diferentes eles podem ser dispostos. Então são 10 × 93 = 7290 possibilidades. (1. Como o segundo só não pode ser igual ao primeiro. Escolhido esse dígito. precisamos de 2 dígitos 2 = 36 escolhas para os dígitos restantes.MA 12 . o que dá um total de 360 × 12 = 4320 senhas com exatamente 3 dígitos diferentes.

63. 1 × 0. 9 × 0. 07/0.7. 1 = 0. (b) A probabilidade de a mãe não receber o cartão é igual a 1 − 0. 3 e a probabilidade de a mãe não receber o cartão por ter se extraviado é 0. isto é 0. 6 .2011 Questão 5. 7/3.0) (b) Se ela não receber um cartão de João.AV3 . se for dado que ela não recebeu o cartão. Portanto. 9. A probabilidade de que ele envie o cartão é igual a 0. Portanto a probabilidade de que a mãe de João receba um cartão de seu filho é igual à probabilidade de que seja enviado e não seja extraviado (dado que foi enviado). 7 = 7/37. qual é a probabilidade de que ele o tenha enviado? UMA SOLUÇÃO (a) A probabilidade de que um cartão não extravie.1. 37 = 0. a probabilidade de um cartão postal se extraviar é 0. a probabilidade de que ele o tenha enviado é de 0. A probabilidade de a mãe não receber o cartão por não ter sido enviado é igual a 1 − 0. Por outro lado. 7 = 0. dado que foi enviado. ao partir para uma viagem. é de 1 − 0. 07. (1. 7 = 0. ficou de enviar um cartão postal para sua mãe.MA 12 . 37.0) (a) Qual é a probabilidade de que a mãe de João receba um cartão postal dele? (1. 7 = 0. João. 63 = 0.

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