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Criminologia em Ação - Vítima

Criminologia em Ação - Vítima

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Trabalho da II Unidade, matéria de Criminologia (Universidade Tiradentes), do grupo relacionado à Vítima. O trabalho abordado consiste na vítima, com enfoque nos crimes de violência doméstica sobre a mulher na cidade de Aracaju. A apresentação foi no dia 12 de Junho.
Trabalho da II Unidade, matéria de Criminologia (Universidade Tiradentes), do grupo relacionado à Vítima. O trabalho abordado consiste na vítima, com enfoque nos crimes de violência doméstica sobre a mulher na cidade de Aracaju. A apresentação foi no dia 12 de Junho.

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INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem por tema o Estudo da Vítima como elemento do processo criminológico. A pesquisa foi realizada no ano de 2009 e corresponde à avaliação da II unidade referente à matéria de criminologia ministrada pela professora Aracy Bispo, o tema é de sublime importância e valor social capaz de gerar uma conscientização pessoal sobre a relevância da figura da mulher como vítima. Foi utilizando como instrumento metodológico e didático de pesquisa, o estudo histórico da Vitimologia, a doutrina referente ao assunto, sobressaltamos a Lei Maria da Penha, como também intentamos não limitarmos a fase teórica como alcançarmos também a fase da prática investigativa, através de visitas à promotoria, defensoria pública, judiciário e centro de proteção aos grupos vulneráveis bem como o acompanhamento de assistência social. Como já foi citado anteriormente, dentre os mais variados grupos de vítimas, foi escolhido, como objeto de estudo do nosso trabalho, a Mulher.

1.VITIMOLOGIA

1.1 Conteúdo Histórico: Segundo o pioneiro ao estudo da vitimologia Molina, o estudo da vitima veio a surgir de forma lenta sendo logo após a vitima ficado bruscamente neutralizada, e assim atingindo o seu redescobrimento. Pode-se dividir o histórico em três etapas: o protagonismo, a neutralização e o redescobrimento. No início a vitima goza ao máximo da sua protagonização, também chamada de “idade de ouro”, no qual a vítima detém a justiça privada, denominada como peça do conflito, tendo assim total plenitude de seu domínio. Sendo importante ressaltar que a vítima reparava o dano causado pelo autor do delito, ou seja, tinha o direito per si. Tendo como referência o Código de Hamurabi, “olho por olho e dente por dente”. Seguindo a próxima etapa denominada neutralização na relação existente entre o infrator e a vítima. Tenta-se evitar que a vítima transforme-se em delinqüente quando responde ao delito com outro delito. Ressalta o abandono em que se deu a vitima em várias esferas, como no Direito Penal, na Política Criminal, na Política Social, nem mesmo a criminologia demonstrava sensibilidade aos problemas da vítima e sua vitimização, mas direcionaram todas as suas atenções à pessoa do delinqüente, deixando a vítima sempre à margem. No momento da neutralização, a vítima passou a ser considerada somente como um mero objeto, que não colaborava e em nada contribuía para a explicação científica do acontecimento criminal. Molina critica a fase da neutralização da vítima, quando o poder público está preocupado apenas com o status do infrator, sem se sensibilizar como os problemas da vítima. Tendo o Estado se responsabilizado com a resposta oficial ao delito, não se atentando às elementares exigências reparatórias ao dado da vítima e de sua ressociabilização, se empenhando apenas na ressociabilizaçao do infrator.

Não é aconselhável que se coloque o julgamento e respectiva punição pelos delitos nas mãos daqueles que estão envolvidos emocionalmente com a relação delituosa. Porém defende-se esse papel ao Estado, mas também a não neutralização do ofendido, que carece ter mais amparo, principalmente psicológico a fim de diminuir o impacto causado pelo delito no convívio da vítima. A última etapa é a fase do redescobrimento da vítima, tendo iniciação após a Segunda Guerra Mundial. O que vem ocorrendo ultimamente é a troca de papéis, onde a vítima se submete dentro de seus próprios interesses da sociedade. Foram identificadas as expectativas da vítima do delito que não constavam somente na pretensão econômico-reparadoras, mas em primeiro momento e com grande relevância na espera pela justiça. Logo, as conseqüências do delito só são reparadas completamente quando atingem a justiça precípua de qualquer julgado penal. A etapa clássica ou positivista inicia-se com os pioneiros da Vitimologia, Hentig, Mendelshon e outros, se prolongando até o final da década de sessenta do século passado. Acarreta desta forma a passagem para a outra etapa, a reivindicativa, ela redefine o delito como dano ocasionado à vítima concreta, cobrando esta a protagonização que monopolizava o delinqüente. Sendo seu modelo uma forma de valorização plena da humanidade vítima e do infrator como principais agentes de reconstrução coletiva, enfatizando a necessidade de uma intervenção restaurativa.

1.2 Importância da análise da Vítima para uma correta aplicação do direito: Há muito tempo deixaram-se as margens o estudo da vítima. Tanto a Escola Clássica como a Escola Positiva estudavam como únicos componentes essenciais para a prevenção e reprovação do delito: o delito, o delinqüente e a pena. O elemento Vítima ganhou atenção como uma fator na deliquência após o final da II Guerra Mundial, quando a sociedade ficou perplexa com a morte de cerca de 6 milhões de judeus nos campos de concentração. Em 1940 surge a obra do professor alemão Hans Von Hentig, “The Criminal and Victin”, porém foi mesmo com a obra de Benjamin Mendelsohn em 1956, “Horizonte novo na ciência Biopsicosocial – A vitimologia”, que surgiu a expressão VITIMOLOGIA, hoje amparada pela doutrina.

A Vitimologia é o estudo da vítima tanto no momento do crime, desde a sua ocorrência até as suas conseqüências. Tem como objetivos evidenciar a importância da vítima, sua conduta, e medidas para reduzir o dano. Após a atenção dada a esse novo elemento do delito, surgiram núcleos de atendimento psicológico, social e psiquiátrico às vítimas, principalmente para que o sentimento de vingança, danos psicológicos e traumas sejam amenizados. No primeiro momento, as vítimas não aceitam a transação de reparação de danos que podem superar a perda delas como vítima, às vezes elas se revoltam contra o Estado após uma sentença de prestação de serviço à comunidade. Esse núcleo também se presta a levar a vítima a entender o procedimento legal, o porquê da lei e a sua respectiva condenação da seguinte forma. A entrevista com o Promotor Lélio Calhau aborda um pouco sobre o trabalho desses núcleos de atendimento a vítima. Para analisar o delito e correta aplicação da pena, o comportamento da vítima será levado em conta pelo juiz, com a reforma promovida pela lei 7.209/84 no artigo 59 do CP, mais uma conseqüência da importância dada a vítima como elemento da delinqüência.

“O juiz atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como o comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime.” (art 59, CP)

Para Benjamin Mendelsohn, advogado de origem israelita, a vítima pode ser: 1- Inteiramente inocente na dinâmica do delito; 2- Tão culpada quanto o agente; 3- Menos culpada de que o agente criminoso; 4- Poderá ser a única culpada do cometimento do delito. (MOREIRA FILHO, Guaraci, 1999, p.45)

Podemos citar como exemplo da segunda classificação do comportamento da vítima o crime de rixa, inscrita no art. 137 do CP como “participar de rixa, salvo para separar contendores.” Pelo fato de todos os envolvidos, salvo o pacificador, seram agentes e vítimas. No Direito Civil, a culpa concorrente exclui os culpados de obrigações para com os outros. No entanto, já no Direito Penal, a doutrina e jurisprudência é unânime ao

afirmar que as culpas não se compensam, sendo excludente de antijuridicidade, somente na culpa exclusiva da vítima. Ou seja, a quarta classificação da conduta da vítima por Mendelsohn. É inegável a importância da análise comportamental da vítima no momento da prática do delito. E exemplo disso temos o homicídio privilegiado, que é um caso de diminuição de pena, quando o agente comete o crime “logo em seguida a injusta provocação da vítima”.

1.3 Definições: A vitima representa ao longo da história vários fatores que a tornam importante no contexto. A vítima passou de protagonista, na época de ouro, à sua neutralização, e neste momento encontra-se em fase de redescobrimento de sua posição de fundamental importância para o fenômeno delitivo, seja ela do ponto de vista de sua atuação direta quanto de sua participação indireta. Só a partir do pós guerra é que o estudo da vitima começou a ganhar campo perante o reconhecimento da sociedade, isto é, a vítima do delito voltou a ter um papel de destaque como sujeito de direitos, e não como objeto, para a explicação científica do fenômeno criminal. No entanto, apesar de ser um redescobrimento, não quer os defensores da Vitimologia Moderna um regresso à idade de ouro, e sim, quer uma atuação estatal mais justa e solidária à figura do deliquente e da vitima. A terminação vítima vem de origem do latim victimia e victus, vencido, dominado. Sendo reconhecida na época como pessoa ou animal sacrificado aos deuses nos rituais de paganismo.Tal conduta vem trazer o atual conceito de vitima, ao ser, vítima é a pessoa que sofre os resultados infelizes dos próprios atos, dos de outrem ou do acaso. Com o passar do tempo o conceito de vitima acabou sendo modificado. Já a sua definição quanto a esfera jurídica a vitima é que sofre prejuízo ou dano pela infração penal. Quanto a concepção criminológica entende a vítima como um sujeito de direitos que influencia substancialmente para o acontecimento do fenômeno delitivo. Trazendo os últimos pontos a ser discutidos a diferenciação quanto ao conteúdo explorado quanto a parte inicial que faz uma abordagem objetiva da vitima, desenvolvendo uma análise mais profunda da vitima, tanto do ponto de vista

biológico, psicológico ou sociológico como pontos fundamentais para seu desenvolvimento. Na Itália, no ano de 1985 foi por meio de debates realizados no Sétimo Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente,no plano internacional que se pode levantar definições com relação as vítimas como "as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham sofrido um prejuízo, nomeadamente um atentado à sua integridade física ou mental, um sofrimento de ordem moral, uma perda material, ou um grave atentado aos seus direitos fundamentais, como conseqüência de atos ou de omissões violadoras das leis penais em vigor num Estado Membro, incluindo as que proíbem o abuso de poder." Conforme a exposição dos conceitos, verificamos que a Vitimologia, atualmente, é um campo de estudo voltado para a ação ou formulação de políticas públicas, pois tem a preocupação de ajudar na reparação efetiva do dano causado à vítima pelo crime, e em seguida, estabelece a finalidade de prevenir o surgimento de vitimas, ocasionando na redução da criminalidade. A vitimologia tem como referencial VON HENTIG que classificou tipologicamente as vítimas em função dos fatores psicológicos, sociais e biológicos. Existe de certa forma a tematização de que exista uma certa vulnerabilidade com relação a da vítima e um risco de vitimização. Ao final do estudo chegamos a conclusão de que a vítima, após décadas de afastamento do seio da problemática, voltou a ocupar o papel ao ser considerada sujeito fundamental para o acontecimento delitivo sendo tais conclusões pontos ligados que ao ser verificado que o delinqüente e sua vítima nem sempre ocupam lados opostos, e que, por não raras vezes, voluntária ou involuntariamente, consciente ou inconscientemente, ela estabelece de forma integral cumplicidade no seu processo de vitimização.

1.3 Etapas da Vitimização É importante ressaltar que existe a diferenciação entre as denominações vitimologia e vitimização, não podendo deixar que as mesmas sejam vistas como sinônimos. Pois a primeira é uma ciência ou o estudo acerca da contribuição da vítima no crime.

Enquanto a vitimização corresponde a condição de vítima, por determinados indivíduos ou grupos.Sendo eles: A) Primaria: É aquela ocasionada pelo cometimento do delito. Seriam os danos físicos, psíquicos ou mesmo materiais causados à vítima. Vitimização secundária, ou sobre vitimização, é aquela ocasionada pelas instâncias formais de controle social, no decorrer do processamento e apuração do crime. Esta ocorre após o cometimento do crime, já na fase em que a vitima sofre problemas psicológicos que se aderem aos problemas físicos e materiais. Se dar muitas vezes em crimes contra os costumes, crimes sexuais, crimes contra criança e adolescente, crimes contra a mulher,delitos estes que atingem o íntimo das pessoas e não somente com fatores corporais como também materiais.

B) Secundária A vitimização secundária se dar a partir do momento em que a vitima passa a necessitar dos serviços militares sendo ela deparada com a falta de preparo por parte dos agentes, sendo logo em seguida enfrenta o lento procedimento dado ao processo, que geralmente ao final culmina com a não reparação do dano causado. Percebe-se com clareza, quando se põe a tona, no caso de crimes de abusos sexual contra mulheres, tais como estupro e atentado violento ao puder, em que normalmente tais mulheres são atendidas em delegacias por homens, sem qualquer acompanhamento assistencial, e ainda, são submetidas a exames de corpo de delito, geralmente também por homens. Tudo isto de forma imparcial e sem dar nenhuma importância àquela vítima. Percebe que a falha já vem sendo desenvolvida dentro do próprio sistema o qual poderia assim evitar a vitimização da vítima, que a vitimiza, por meio da falta de qualificação dos agentes.

C)Terciária

Já a Vitimização Terciária, é aquela causada pelo meio social em que vive a vítima, tendo influencia do meio familiar, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, até mesmo da participação da igreja e outros. Acaba sendo ocasionado nos crimes contra os costumes, crimes sexuais contra mulheres e menores, ocorrendo assim o afastamento dessas pessoas,pois acabam sendo alvos de comentários comentam, fazendo com isso um processo de discriminação e vitimização delas. Tanto a vitimização secundária quanto a terciária acontecem constantemente, provocando o distanciamento da vítima da Justiça, por não acreditar que seu dano será reparado. Pelo contrário, está-se vitimizando novamente a vitima, tratando-a como a delinqüente, e impondo uma majoração das conseqüências, já graves, dos crimes.

1.4 Vulnerabilidade:

Os fatores direcionados a vulnerabilidade da vítima devem ser estudados de maneira individual. Cada vítima está exposta individualmente a um risco seja ela de qual for a sua intensidade. É mais ou menos vulnerável em razão de fatores diversos, sendo vulnerável a determinados acontecimentos e a outros não. Na verdade, o risco de vitimização não é observado de forma homogênea na sociedade, alguns setores sociais têm maior risco e incidência que outros. Assim, alguns segmentos sociais estão mais propensos a vitimização, pois assumem riscos superiores ao restante. As pessoas de situação econômica mais favorável, por exemplo, estão mais propícios ao seqüestro que os desafortunados. Os fatores direcionados a vulnerabilidade das vítimas são vários entre outros podemos citar: a)Fatores biológicos (idade e o sexo); b) Fatores sociais (recursos laborais e econômicos); c) Dimensões da personalidade (baixa inteligência, a ansiedade, o lócus de controle externo), além das pessoas que atribuem a razão dos acontecimentos a fatores externos (o destino, a fatalidade);

d) Fatores psicológicos (instabilidade emocional, depressão, a baixa resistência ao estresse, a neurose, transtornos psiquiátricos); e) Fatores biográficos (história de vida da pessoa como a vitimização prévia e antecedentes psiquiátricos). O fator de vulnerabilidade da vítima diz respeito à propensão dos sujeitos para se converterem em vítimas do delito e das variáveis sendo elas :sexo, classe social, personalidade.

1.5 Independência Cientifica: Para alguns autores, a Vitimologia não é uma ciência autônoma, é sim uma ciência interdisciplinar, razão pela qual é estudada por diversos ramos, como a psicologia, o direito, a sociologia, dentre tantos outros. Para eles, esta ciência encontra-se como um dos objetos da criminologia, a lado do delito, do delinqüente, e do controle social.

2.TIPOS DE VITIMAS

A vitima pode ser qualquer pessoa, sobre a qual recaiam os efeitos indesejados do fato delitivo, sendo assim a vitimização o processo de ofensa física ou moral, no qual o ofendido pode tornar-se vítima ou fazer alguém vitima. Agora de forma conjunta, demonstram que a vitima através de suas atitudes podem de alguma forma influenciar na ação do delinqüente, como também de nenhuma maneira interferir nessa. Desta feito, a vítima tem sido analisada detalhadamente no atual estudo do acontecimento criminal, haja vista que ela exerce grande influencia no desfecho do fato delitivo, seja ponderando-o ou maximizando-o, no entanto para melhor situar o tema classificando as vítimas do delinqüente, sendo elas:

a)potenciais: refere-se às pessoas expostas a situações de perigo, levando em consideração a atividade que praticam habitualmente, a exemplo das prostitutas, dos homossexuais, estes que estão sujeitos das ações de delinqüentes. b)inocentes: são aquelas reconhecidas como verdadeiras vitimas, já que não influenciam na pratica do delito, apenas por este é atingida. c)provocadoras: trata-se daqueles indivíduos que provocam o agente delinqüente, o qual, não suporta a provocação, e após este induzimento o mesmo não consegue se controlar, acarretando assim no acontecimento do delito. d)alternativas: "são aquelas que tanto podem ser vitimas como delinqüentes, só se definem no desfecho do fato, uma vez que antes do fato não se sabe quem vai ser vítima o delinqüente, exemplo comum é no caso de Rixa, oportunidade em que ambos responderão como autor e réu." e)indiscriminadas: é um tratamento geral concedido as vitimas já que qualquer pessoa pode ser vitima, essa subdivisão enfatiza esta vitima, em contrapartida, existem as vítimas determinadas, sendo esta pessoa certa, ou seja, a finalidade do delinqüente é de cometer o delito contra determinada pessoa. f) tirania: esta espécie de vitima é fruto de um desenvolvimento histórico arcaico, em que no sistema de governo adotado, caso seja a tirania, o tirano pode transigir em suas opiniões de tal forma, que os abusos por ele cometidos em muito se assemelham aos maus tratos, como verá posteriormente. Entretanto, a soberbação do tirano já cria uma nova vitima, relembrando que vitima não é apenas em seu aspecto físico. g)falsas: essa modalidade foi subdividida em simuladora e imaginária, sendo que, a primeira trata daquela vitima que fingi ter sido lesada pelo comportamento criminoso, porém sem o ser, demonstrando a sua finalidade de prejudicar àquele, a quem está sendo imputando o fato criminoso. h)maus tratos: este é um dos tipos de vítimas mais difíceis de inibir, tendo em vista que é composto, em sua maioria, por pessoas frágeis em razão da idade, sexo, saúde e da dependência e submissão com o agressor (delinqüente), por isso se faz uma campanha social, busca-se um aparato legal mais rígido, a fim de coibir situações que acarretem vitimas que se enquadrem nesta espécie.

3- REPARAÇAO DO DANO A reparação a vitima do dano decorrente do delito começou a ganhar espaço no 1º Congresso Internacional de Vitimologia, no ano de 1969, no México, tendo como edição o Dec.126, cujo art.1º retrata que: “O departamento de prevenção e readaptação social concederá a mais ampla ajuda, conforme as possibilidades e necessidades, a quem se encontra em difícil situação econômica, tendo sofrido dano material em conseqüência do delito cujo conhecimento seja da competência das autoridades judiciárias do Estado. Assim se entende sem prejuízo do que o Código Penal e o Código de procedimentos Penais prevêem a respeito da reparação do dano”. No Brasil, o referente tema veio ter manifestações somente no Código Criminal do Império, como também no Código de processo Penal Brasileiro de 1832, o qual era destinado ao Conselho de Sentença decidir se havia ou não condições em conceder a indenização às questões acompanhadas. O que logo mais perdeu validade com o surgimento da lei 261 de 3.12.1841, o qual revogou a autonomia que tinha o Código Penal em relação a indenização por reparação do dono transferindo-a para a esfera cível, onde tem a denominação de “responsabilidade civil”. Quanto ao referente assunto no ordenamento jurídico brasileiro no que tange aos atuais procedimentos penais, não configura a este nenhum tipo de suporte, já que muito se preocupa com a “humanização da pena” (reforma nas leis estabelecendo o uso de vídeo conferências em interrogatórios, o não uso de algemas), ou seja, todas esses benefícios citados direcionados ao criminoso, já a “humanização dos delitos” a legislação acaba silenciando. De forma bastante obscura a reparação do dono pode ser encontrada no Código Penal sob visto de uma forte interpretação onde se percebe que a obrigação de reparar o dono também decorre de condenação criminal, mas tal feito haverá de ser denominado juízo cível. Em que assim retrata Newton Fernandes: “é sentença declaratória que faz coisa julgada no juízo cível no que tange a reparação do dano, não mais podendo se discutir o an debeatur, mas exclusivamente o quantum debeatur.”

Alguns processualistas, assim como José Frederico Marques vêem a condenação penal como forma de indenização do dano sofrido a vitima. Muitas oportunidades surgiram para que ao menos fosse discutida a possibilidade da reparação do dano ser de competência da esfera criminal entre elas estão os vários anteprojetos como os de 1969,1980,1985 sendo todos eles direcionados ao Código penal Brasileiro. Onde o assunto não teve nenhuma relevância. O que se verifica no atual Código Penal é o direcionamento a reparação do dano a vitima como característica de ser um antecedente, como assim consta o art. 16 do Código Penal tendo tal artigo o interesse de beneficiar a partir da redução da pena o agente que cumpri a conduta regida pelo artigo. Ao fim dos estudos o que pode ser percebido é que existe um certo cuidado ao se tratar de reparação do dano no direito penal, o que faz ao legislador não querer colocar sobre a competência integral deste assunto ao Direito penal já que o mesmo se trata de uma denominação a “ultima ratio”, o que trás a sua atribuição somente a casos excepcionais.

4.PREVENÇÃO

A prevenção a vitima deverá ocorrer de maneira complementar a prevenção criminal, sendo esta dirigida ao crime, porém pelo fato do crime ser algo seletivo, que, em sua maioria, não depende do azar ou da fatalidade, ou seja, o delinqüente busca o melhor lugar, o momento adequado e, também a vítima certa. Sendo assim a sua efetividade passa a ser percebida quando determinadas pessoas ou grupos são candidatos a se tornarem vitimas, apenas, por características que possuem, com isso deve-se orientá-las dirigindo específicos programas de prevenção a esse tipo de grupamento humano. Já que o estudo da prevenção tem como finalidade identificar de que maneira a vitima contribui para a prática do delito, e assim distinguir grupos vitimários, e tentar sob esses grupos criar novas técnicas de prevenção do delito, pois no atual sistema, a prevenção ainda está vinculada ao crime, ou seja, dirigida apenas aos indivíduos que cometem crimes. Tal tentativa de prevenção é demonstrada claramente na pratica legislativa de aumentar as penas cominadas, represália esta, feita aos

criminosos buscando coibir abstratamente a pratica dos delitos pelo simples fato de penas mais severas. Entretanto, em que pesem todos os investimentos no sistema carcerário, é cediço que o mesmo encontra-se estagnado, popularmente conhecido como "pósgraduação no crime, Com isso ressalta-se a importância da tendência a prevenção através de programas direcionados a vitima, porém não se pretende assim justificar um comportamento desviante, atribuindo à vítima toda a culpa de uma ação antijurídica praticada pelo autor do crime, mas sim avaliar de que forma a vítima possa ter contribuído para tal e qual o comportamento desse criminoso no contexto em geral.

4. AGRESSÃO SEXUAL VÍTIMA MULHER

A Mulher é vítima dos crimes sexuais uma esmagadora maioria, já que sua vulnerabilidade contribui podemos afirmar que tais crimes propriamente ditos seriam o estupro e o atentado violento ao pudor as pessoas que sofrem esse tipo de delitos são bastante vitimizadas, já que geram transtornos e traumas as vítimas com seqüelas psicológicas, as mulheres necessitam ser tratadas por pessoas treinadas, ou seja, deve ter um protocolo de atendimento e um efetivo acompanhamento médico, já que elas passam por reações emocionais das mais diversas como a raiva, depressão, tendo como resultado um percentual grande de vítimas que sofrem transtornos ou transformações permanentes da personalidade. Esse tipo de agressão atinge em sua grande maioria mulheres jovens em idade reprodutiva, e a pessoa vítima de tal delito sofre muitas vezes uma segunda vitimização decorrente do preconceito, como do julgamento e da intolerância o que vai ter como resultado o fato de muitas mulheres não denunciarem os agressores da violência sofrida, ou mesmo procurarem a assistência necessária. Portando faz-se necessário que aumente o número de Delegacias da Mulher e que tratem as vítimas com equipes multidisciplinares, ou seja, formada por médico, assistentes sociais, psicólogos, enfermeiros para que as vítimas tenham um melhor tratamento já que os crimes sexuais trazem um grande trauma. Nesse sentido a criação de uma rede de atendimento capaz de reunir todos esses fatores de assessoria a vítima de estupro partindo do momento em que se tem o contato e procedimentos iniciais até chegar à assistência da família e amigos.

O que queremos deixar claro é a grande importância quem tem a rede de apoio disponibiliza para a mulher após do fato criminoso como exemplo um estupro buscando as soluções para os problemas advindos da experiência violenta sofrida. Inclui-se fortemente nesta rede a família como um dos maiores suportes a essas mulheres. Para Molina as vítimas costumam registrar nesta ordem, preocupação, medo e perda de confiança; depressão, estresse, alterações do sono ou problemas de saúde; raiva e frustração. Nas vítimas do estupro Molina coloca alguns sintomas característicos conhecidos: rememoração sistemática e persistente do trauma (pesadelos, flashbacks), gera uma progressiva aversão ao sexo, complexo de culpa, desconfiança generalizada, em especial com relação aos homens; sentido muito evidente de vulnerabilidade. Após ser superada a fase aguda se produz uma melhora inicial. Mas um ano depois do estupro, a vítima continua experimentando os efeitos psicológicos da agressão sexual, sobretudo, medo e ansiedade. A melhoria inicial se produz entre os três e seis meses que sucedem ao fato traumático. Mas depois, não há diferenças significativas nem melhorias sensíveis, mesmo após um ano e meio do estupro. Fala-se no estupro, pois é uma conduta na qual sempre a mulher será o sujeito passivo tendo o homem como sujeito ativo, pois só ele que pode efetuar a conjunção carnal com a mulher, e não importa se a vítima é adolescente, idosa ou mesmo uma criança. Existe um grau de vulnerabilidade a cada delito para as vítimas que decorre de diversos fatores, com visto faz com que o nível de vitimização seja diferente, para cada pessoa e delito.

4.1 Atendimento especializado Por meio da Secretaria Especial de Política para as Mulheres o Governo Federal assumindo o compromisso de garantir a melhor qualidade de vida para as mulheres brasileiras, conta em sua estrutura com o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher que foi criado em 1985, passando assim a fazer parte atualmente a Secretária de segurança Pública do Estado, sendo criada uma central de atendimento( de número 180),sendo este um serviço novo a disposição das Mulheres.

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, é um serviço gratuito de orientação sobre o enfrentamento à violência à mulher tendo como prestação de seus serviços no período de 24hs, todos os dias da semana.

Centros de atendimento especializado: a) Centro de Referência da Mulher de Aracaju - Prof. Neuzice Barretos. Rua A loteamento São Benedito - Barra dos Coqueiros Aracaju. Telefone: (79)32623775 b) Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres do Sergipe. Endereço: Rua Santa Luzia, 680, Centro. Aracaju. Telefone (79)3214-4095. c) Secretaria de Participação Popular - Assessoria de Gênero de Ara caju. Endereço: Praça Olímpio Campos, s/nº, Prefeitura Municipal, Aracaju. Telefone (79)3218-7889.

5. Violência Doméstica Contra a Mulher A agressão doméstica atingindo milhares de mulheres em todo mundo tendo a discriminação existente na sociedade e na família como ponto contribuidor para tal fato. Não sendo fato ocasionado nos dias atuais, se fazendo presente em todas as fases da história, tal assunto só depois de um longo tempo começou a ser tratado com mais seriedade. Com a entrada em vigor da Lei n 11.340, de 7 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha, se foi dada uma maior importância a agressão doméstica contra a mulher, que ainda se faz presente em muitos lares. A agressão gera inúmeras conseqüências para a mulher, que não se resumem aos traumas decorrentes das agressões físicas, mas pode comprometer substancialmente a saúde das vítimas, levando-as a depressão, ao suicídio e até mesmo deixando seqüelas.

5.1 MARIA DA PENHA (VITIMA) Aos 38 anos e mãe de três filhos ainda pequenos, no ano de 1983 a vitima Maria da Penha ficou paraplégica ao ser agredida fisicamente pelo seu então marido o

colombiano Heredia Viveiros. Sendo uma delas a tentativa de homicídio em que o mesmo deflagrou em sua direção dois tiros, sendo ela atingida pelas costas o que a deixou paraplégica, não sendo punido, pois alegou que o incidente se tratava de tentativa de roubo, além de ter tentado eletrocuta-la no momento em que a vitima tomava banho. Após 15 anos do fato nenhuma decisão foi dada pelos tribunais o que levou a vitima lutar pelos seus direitos, resultando na denuncia por parte de várias vitimas sobre a tolerância da violência domestica contra Maria da Penha pelo Brasil, quanto a sua omissão na atuação do caso por não ter definido nenhuma medida punitiva ao ofensor. A comissão Internacional de Direitos Humanos informou que o Brasil teria de se responsabilizar por várias medidas com relação a violência doméstica em nosso país. Tendo ela quanto ao seu caso a punição do agressor. Hoje, Maria da Penha ao ter seu direito reconhecido passou a ser líder no combate a violência domestica sendo assim homenageada tendo seu nome como titulo da Lei nº11.340/06. A recente Lei recebe várias críticas, dentre elas: A- RENUNCIA QUANTO AO DIREITO DE REPRESENTACAO A representação é tratada pela lei sendo apenas nas ações penais publicas condicionadas a representação do ofendido, esta que para ter a sua renuncia é preciso a designação de audiência perante juiz com a finalidade de tal RENUNCIA, ato este que só poderá se realizar antes do recebimento da denuncia e ouvido do MP. B- INOVAÇÕES DA LEI REFERENTE À AÇÃO PENAL NOS CRIMES DE LESÃO Acontecendo lesões dolosas leves contra “mulher” no contexto da violência domestica ou familiar, passou a ação penal a ser publica incondicionada. C- MEDIDAS PROTETIVAS À VITIMA: É de poder do juiz, atos que venham trazer proteção a mulher vitima de violência alguns atos, sendo este: a) encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;

b) determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor.

6. DADOS ESTATÍSTICOS Segundo o site da Secretaria do Estado de Sergipe os danos fornecidos mostram que de 2004 a 2006 aumentou a preocupação com a violência doméstica em todas as regiões do país. A afirmação é do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), em pesquisa encomendada por organizações que trabalham contra a violência doméstica. De 2004 a 2006 aumentou a preocupação com a violência doméstica em todas as regiões do país. A afirmação é do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), em pesquisa encomendada por organizações que trabalham contra a violência doméstica. Segundo a pesquisa, 65% dos entrevistados acreditam que as mulheres, hoje, denunciam mais quando são agredidas. O Ibope ouviu 2.002 pessoas em todos os estados brasileiros. Os números da pesquisa são confirmados pela Delegacia da Mulher, que funciona no Centro de Atendimento a Grupos Vulneráveis (CAGV). De 1º de janeiro a 5 de março deste ano, a unidade especializada da Polícia Civil registrou 462 ocorrências contra a mulher. A maioria dos registros é de lesões corporais, violência sexual e ameaças. Apesar do número extensivo de ocorrências, a delegada Renata Aboim não acredita que a violência tenha aumentado. "Ao contrário, a violência sempre existiu, mas as mulheres não tinham coragem de denunciar". Segundo Renata Aboim, a maioria das agressões contra a mulher acontece dentro do lar e em mais de 80% dos casos os autores são maridos, companheiros e namorados. A delegada afirma que em boa parte dos casos a vítima pede para o processo ser arquivado. "Embora, a violência esteja em todos os níveis sociais, quem mais presta queixa de seus companheiros são as mulheres de baixa renda. Por isso, elas pedem para o processo ser arquivado, já que dependem financeiramente deles", contou. As estatísticas do ano de 2006 do CAGV mostraram que em Aracaju as mulheres são mais agredidas nos bairros Santos Dumont (195), Siqueira Campos (108), Centro (77), Bugio (77) e Atalaia (73). O Ibope confirmou que 33% dos entrevistados apontam a violência contra as mulheres dentro e fora de casa como o problema que mais preocupa a brasileira na atualidade.

Maria da Penha Segundo o Ibope, dos 65% dos entrevistados que acreditam que as mulheres denunciam mais, 46% atribuem o maior número de denúncias ao fato de que as mulheres estão mais informadas e 35% acham que é porque hoje elas são mais independentes. Porém, apesar de ter aumentado o número de denúncias, três de cada quatro entrevistados consideram que as penas aplicadas nos casos de violência contra a mulher são irrelevantes e não punitivas. A delegada Renata Aboim disse que a sensação de impunidade era muito grande até meados de 2006. Até então, a pena máxima que um agressor poderia sofrer era o pagamento de cestas básicas e prestação de serviço comunitário. A situação começou a mudar depois que a Lei 11.340 que trata da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher - a Lei Maria da Penha - foi sancionada. "Com a nova lei o agressor pode ser preso em flagrante e pegar uma pena que varia de três meses a três anos de detenção", disse, lembrando ainda que antes era apenas feito um Termo Circunstanciado. Caso o infrator não seja preso em flagrante, ele pode ainda ser detido durante a fase do inquérito policial. "Se ficar provado a sua periculosidade, a Justiça pode decretar a prisão preventiva e ainda medidas protetivas, ou seja, obrigar que o agressor se afaste do lar e proibi-lo de entrar em contato com a vítima". A delegada considera como ponto inicial para a redução do número de agressões a redescoberta do amor próprio. "A mulher tem que se valorizar, amar e exigir respeito. Lutar por sua independência e zelar pela paz. Apenas assim esta realidade vai mudar de vez em nosso país, onde a mulher ainda é uma vítima em potencial", finalizou. As estatísticas são comparadas com relação ao número de vitimas da violência doméstica nos anos de 2005, 2006 e 2007. As estatísticas apresentadas no ano de 2005 chegam a ser superados pelos dados do ano de 2006, o que tem como justificativa, o fato de que em 2006 foi criada a lei Maria da Penha proporcionando a mulher mecanismos que levem a coibição e prevenção da violência doméstica.

O que trouxe para essa categoria de vitima melhores condições como delegacias especializadas, medidas de proteção em momentos de urgência contra o agressor da mulher, o que acaba refletindo nos dados a sua receptividade por parte das vitimas. No ano de 2007, houve a diminuição nos dados ao serem comparados com os anos de 2005 e 2006, o que também significa bons resultados a atuação da lei, já que passado um ano de sua vigência no trabalho de conscientização e prevenção de forma bastante intensa por meio de palestras nos interiores, bairros carentes, centros comunitários como forma de orientação na condição de explicar a população como atua a lei Maria da Penha, no sentido de atingir a vitima da violência, o agressor (sanções), como também evitar o surgimento de novos agressores. Assim, sabendo o agressor das punições que a ele podem ser aplicadas o mesmo facilita a conscientização, tendo como reflexo de tais medidas de prevenção a redução dos dados. Os dados fornecidos pelo CODEP anexados abaixo mostram essa realidade.

Unidades Policiais 01/01/2005 a 31/12/2005 Delegacia da Mulher Calúnia
999 633

1200 Qtd. de Ocorrências 1000 800 600 400 200 0 18 198 1

Difamação Injúria Constrang. Ilegal Ameaça Sequest./Carce re Priv. Violação Dom. Red.Escravo.

2 1

0

Naturezas de Ocorrências

Unidades Policiais 01/01/2006 a 31/12/2006 Delegacia da Mulher Calúnia
1200 Qtd. de Ocorrências 1000 800 600 400 200 0 30 215 3 0 2 0 691 1075

Difamação Injúria Constrang. Ilegal Ameaça Sequest./Carce re Priv. Violação Dom. Red.Escravo

Naturezas de Ocorrências

Unidades Policiais 01/01/2007 a 31/12/2007 Delegacia da Mulher Calúnia
250 Qtd. de Ocorrências 200 150 100 50 0 28 39 1 1 0 1 206 218

Difamação Injúria Contrangimento Ilegal Ameaça Sequestro Red.Escravo Violação Dom.

Naturezas de Ocorrências

ÓRGÃOS VISITADOS: 11 Vara dos Grupos Vulneráveis Centro de Atendimento a Grupos Vulneráveis Maria do Carmo Alves CODEP – coleta de dados

ENTREVISTADOS: Suzi Mary Carvalho Vieira – Promotora de Justiça Guilherme Cintra Deleuse – Defensor Público Juliana Nogueira Galvão Martins – Juíza de Direito Substituta Joselita Lima Santos – Assistente Social

Na visita realizada a 11 vara Criminal dos grupos vulneráveis, foram entrevistados conjuntamente a juíza de direito substituta Dra: Juliana Nogueira Galvão Martins, a representante do Ministério Público promotora de justiça Suzi Mary Carvalho Vieira e o Defensor Público Dr. Guilherme Cintra Deleuse. Foi relatado que após a edição da Lei Maria da Penha é notório o aumento do número de oferecimento da queixa-crime em delegacias especializadas, uma vez que as vitimas se sentem mais protegidas, tendo mais coragem de buscar a proteção dos seus direitos. São constantes também os casos em que mulheres procuram a justiça objetivando apenas atingir o companheiro como forma de vingança e de manter o vínculo conjugal, isto é, as mesmas mentem chegando até ao poder judiciário. Normalmente os entes judiciários afirmaram que é perceptível quando uma das partes estão faltando com a verdade. A ocorrência da falta com a verdade é maior no depoimento do agressor do que da suposta vítima. Com a criação da lei foi gerada uma pressão maior do poder judiciário no que diz respeito a sanar os fatos que são levados a sua apreciação, tais como: não é possível a retirada da queixa depois do oferecimento da denúncia no crime de Ameaça, já quanto ao crime de lesão corporal, uma vez comprovada a promotoria defende a tese de que não é possível a retirada da queixa, já o Defensor Público defende a possibilidade, alegando que a Lei 11.340 no seu artigo 40 quando diz que a lei 9.099 não se aplica aos crimes de violência doméstica não está ampliando a sua proibição da aplicação dos institutos despenalizadores (suspensão condicional do processo e a transação penal) nas contravenções penais, além de ser bastante comum a reconciliação dos casais. A promotora entende a possibilidade que, mesmo havendo a reconciliação, o autor do delito poderá ser responsabilizado quando provada a agressão através do Boletim de ocorrência, exame pericial de corpo de delito e depoimentos de policiais, mesmo que a vítima desdiga o que relatou na delegacia. Acontecendo isso a vitima figurará agora como ré no pólo passivo cabendo ao Ministério Publico denunciá-la por crime de denunciação caluniosa. Sobre os pontos positivos e negativos da Lei Maria da Penha, a juíza de direito substituta opinou que apesar do objeto tutelado e seu objetivo serem bom, trazendo benefícios à mulher, do ponto de vista legal a lei é muito aberta ferindo o princípio básico do direito penal que é a sua taxatividade quanto à medida cautelar trazendo dúvidas quanto a sua aplicação, misturando medida civil e penal, dando como

exemplo o pedido de tutela antecipada de separação de corpos durante 30 dias, sem a lei orientar o que fazer após os 30 dias, além de pontos inconstitucionais. Foi questionado se é constatado o sentimento de injustiça é comum nas vítimas após dada a sentença. Tanto a juíza como a promotora responderam afirmando que não existe o contato com as mesmas, tendo em vista que a sentença não é publicada em audiência, as partes têm acesso à sentença na secretaria da vara. O defensor público comentou que o direito penal deve ser utilizado como “ultima ratio” e deve ser utilizado apenas quando esgotadas todas as outras formas possíveis, podendo a vítima entrar com ação de indenização por danos morais contra seu agressor. Nos casos de reincidência a promotora de justiça disse que desconhece casos que na primeira agressão a vítima denuncia, geralmente a denuncia ocorre depois da terceira e até quinta agressão, já a juíza de direito relata que em muitas situações a vítima já vem sendo agredida a 5 anos, a reincidência ocorre na realidade entre a vida conjugal, mas não identificado o registro de reincidência, apenas nos relatos em audiência. O defensor explica a hipótese de renúncia da ofendida, o juízo tem o costume de realizar uma audiência prévia para comprovar se a vítima quer prosseguir com a ação, não podendo renunciar depois escolher prosseguir. A renúncia ocorre na maioria das vezes porque a vítima só toma conhecimento da ação derivada da sua queixa na delegacia quando seu cônjuge é intimado para oferecimento da defesa prévia. Muitas vezes estes já se reconciliaram então a vítima acompanha seu cônjuge na defensoria e então é marca a audiência prévia para renunciar a ação formalmente. Foi questionado se é possível a aplicação da Lei Maria da Penha para proteger as profissionais do sexo contra as agressões físicas, foi respondido que não é possível tendo em vista que falta o requisito da convivência. Já na visita realizada ao Centro de Atendimento a grupos Vulneráveis Maria do Carmo Alves, entrevistamos a assistente social Joselita Lima Santos, a qual nos prestou informações aos procedimentos realizados pela delegacia especial. O procedimento é receber a vítima, colher seu depoimento e realizar o Boletim de ocorrência, envia-la ao órgão responsável para realizar o exame pericial de corpo de delito, depois terá atendimento por assistente social e psicóloga, buscando uma maior proteção física e psicológica da mesma, o caso será encaminhado a 11 vara criminal.

Quando o agressor é chamado para prestar depoimento e a mulher acaba se reconciliando com este, e o mesmo não possui antecedentes criminais, é possível que seja fixado um termo de compromisso entre ele e a justiça, termo que só poderá ser constituído uma única vez. Em caso de lesão poderá ser instruído um Inquérito policial podendo resultar no recolhimento do agressor a prisão. Se for necessária a vitima será encaminhada para uma casa de abrigo existente na capital, ficando esta afastada do seu cônjuge no mais absoluto sigilo e com a perspectiva de manter a ação em diante, longe de ameaças. A casa de abrigo foi objeto de interesse do nosso grupo, pelo desconhecimento da maioria da população com relação a essa forma de ajuda prestada pelo Estado com relação a mulher agredida, nem mesmo os próprios empregados da secretaria de segurança publica tem ciência do local onde a mesma é localizada. No translado da vitima a casa de abrigo a mesma é levada com os olhos vendados onde as vendas só são retiradas na chegada a casa. O trabalho do centro de atendimento aos grupos vulneráveis não se limita a investigação e repressão de delitos, mas também alcança a população através de campanhas e palestras sobre o assunto, buscando a conscientização das mulheres de seus direitos para que estas tenham coragem de agir, e bem como dos seus cônjuges sobre a possível sanção caso venham a cometer algum delito. A assistente social nos relatou o caso que mais a chocou, nos anos de trabalho na delegacia, qual foi quando uma mulher se apresentou no centro de atendimento depondo que seu marido ateou fogo nas partes íntimas da mesma, porque ela não queria mais manter o vínculo conjugal. Dentre os motivos que causam violência contra a mulher, são os principais, ciúmes, alcoolismo, desemprego, traições. E constatado que a zona da capital com maior índice de violência contra a mulher seria o bairro Santa Maria, seguido do Bugio. Para a assistente social não existe pontos negativos na Lei Maria da Penha, e a mesma trouxe grandes benefícios para as investigações e repressão de delitos relacionados a mulher como vítima. Constatou-se que a partir da edição da lei o número de denúncias aumentou de forma brusca.

CONCLUSÃO Ao finalizar a referente pesquisa é importante ressaltar o valor intelectual dado a tal atividade, esta que trouxe, por meio de pesquisas, informações quanto à desenvoltura das etapas em que se dá a vitimização, a sua vulnerabilidade, aos tipos de vitimas e a importância destinada ao trabalho de prevenção. Trará reflexos nas estatísticas viabilizando por meio de atuações direcionadas a sua atuação de forma precoce como também na remediação das agressões. Além do enriquecimento intelectual trouxe também a referente pesquisa a informatização quanto a existência de legislação específica a ampara as vitimas mulheres, a atuação dos órgãos específicos ao atendimento dessas e os programas oferecidos a estas no âmbito nacional bem como sua atuação na capital. Sendo ela representada por meio de visitas, entrevistas destinadas a expor a realidade atual do quadro das vitimas mulheres no Estado. Sendo realizada a conexão entre pesquisa de campo com o enriquecimento do estudo da vitima na forma interdisciplinar.

BIBLIOGRAFIA

COPED. Secretária de Segurança Pública do Estado de Sergipe. MOLINA, Antonio García-Pablos de. GOMES, Luiz Flávio.Criminologia: introdução a seus fundamentos teóricos; introdução às bases criminológicas da Lei 9.099/95, Lei dos Juizados Especiais Criminais. 5. ed. rev. e atual. - São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006; SOUZA, José Guilherme de. Vitimologia nos crimes sexuais uma abordagem interdisciplinar. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris Editor. 1997; PELLEGRINO, Laércio. Vitimologia (história, prática e jurisprudência). Rio de Janeiro: Forense, 1997.

http://www.ssp.se.gov.br/) http://200.130.7.5/spmu/docs/violencia_2007.pdf http://www.presidencia.gov.br/estrutura_presidencia/sepm/publicacoes/ acesso em 20/05/2009 http://www.scielo.br/pdf/psoc/v17n3/a12v17n3.pdf, acesso em 17/05/2009 vídeos: http://www.youtube.com/watch?v=wfXuzMyH90g&eurl=http%3A%2F%2Fwww% 2Evitimologia%2Eblogspot%2Ecom%2F&feature=player_embedded

http://www.youtube.com/watch?v=f_4kaTvdHD8&eurl=http%3A%2F%2Fwww% 2Evitimologia%2Eblogspot%2Ecom%2F&feature=player_embedded

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