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Comentrio de Romanos 5.

18 por Joo Calvino

Pois, assim como por uma s transgresso veio o juzo sobre todos os homens para condenao, assim tambm por um s ato de justia, veio a graa sobre todos os homens para a justificao da vida.

18. Assim como por uma s transgresso. A clusula defectiva, porm ser completada pela incluso dos termos condenao e justificao no caso nominativo. Temos de proceder assim para completar o sentido. O versculo tambm a concluso geral da comparao precedente, pois Paulo omite a meno da correo que inserira, e agora completa a comparao. "Assim como pela ofensa de um s homem nos tornamos pecadores, tambm a justia de Cristo eficaz para justificar-nos". Contudo, ele no diz que a justia [=dikaiosuv,,vvvvvvvnh] de Cristo por isso eficaz, e, sim, sua justificao [=dikai,wma ]. Cristo, nos lembra Paulo, no era privativamente justo em considerao a si mesmo, seno que a justia com que fora ele dotado era de carter mais extensivo, a fim de que pudesse enriquecer os crentes com o dom que lhe fora conferido. Paulo torna a graa comum a todos os homens, no porque de fato e em verdade se estenda a todos, seno porque ela oferecida a todos. Embora Cristo sofreu pelos pecados do mundo, e oferecido pela munificncia divina, sem distino, a todos os homens, todavia nem todos o recebem.

As duas palavras constantemente usadas por ele - juzo e graa - podem ser tambm repetidas nesta forma: "Assim como pelo juzo de Deus o pecado de um s homem resultou na condenao de muitos, assim tambm a graa ser eficaz para a justificao de muitos". Segundo o meu critrio, justificao para a vida, ou justificao vivificante, significa o perdo que nos restaura vida. Nossa esperana de salvao oriunda do fato de Deus nos ser propcio, e no podemos ser aceitos por ele a menos que sejamos justos. Portanto, a vida tem sua origem na justificao.

Fonte: CALVINO, Joo. Romanos. Trad. Valter Graciano Martins. 1ed. So Paulo: PARACLETOS Ed., 1997. 524p.; pp. 196-197.

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