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Diferença De Linguagem

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Diferença De Linguagem, Língua E Fala Qual a diferença entre linguagem, língua e fala?

O termo linguagem deve ser entendido como a faculdade mental que distingue os humanos de outras espécies animais e possibilita nossos modos específicos de pensamento, conhecimento e interação com os semelhantes. É a capacidade específica à espécie humana de se comunicar por meio de um sistema de signos (ou língua). A língua é, então, entendida como forma de realização da linguagem; como sistema linguístico necessário ao exercício da linguagem na interlocução ou como instrumento do qual a linguagem se utiliza na comunicação. Apesar de a língua ser um sistema de signos específicos aos membros de uma mesma comunidade (por exemplo: língua portuguesa, língua inglesa), no interior de uma mesma língua são importantes às variações. Dentro de uma mesma língua temos, então, diversas modalidades: língua familiar; língua técnica, língua erudita, língua popular, língua própria a certas classes sociais, a certos subgrupos, em que se enquadram os diferentes tipos de gíria. Entre as variações geográficas temos os dialetos (como as variações específicas das diversas regiões do Brasil: nordeste, sul etc). Alguns lingüistas (conferir Silva, 2001)[1][1] preferem usar o termo dialeto para designar as variantes ou variações, de uma forma geral. Como vimos, a língua é um sistema de símbolos pelo qual a linguagem se realiza. Mas a linguagem se encontra relacionada a outros sistemas simbólicos (sinais marítimos, Morse) e torna-se, assim, objeto da semiologia ou semiótica, que deve estudar ―a vida dos signos no seio da vida social‖. Vemos, portanto, que o termo linguagem tem uma conotação bem mais abrangente do que língua. A fala, por sua vez, é um fenômeno físico e concreto que pode

ser analisado seja diretamente, com ajuda dos órgãos sensoriais, seja graças a métodos e instrumentos análogos aos utilizados pelas ciências físicas. Em nós ouvintes, a fala é, com efeito, um fenômeno fonético; a articulação da voz dá origem a um segmento fonético audível imediatamente a título de pura sensação. Esse fenômeno implica o aparelho fonador e a produção dos sons da fala. Qual a importância da aquisição e desenvolvimento da linguagem para a aprendizagem? De acordo com teorias linguísticas, todo ser humano é dotado da faculdade da linguagem. Entretanto, para esta capacidade se realizar é necessário à interação do indivíduo com outros seres humanos que dominem uma língua específica. Como vimos acima, a capacidade da linguagem se concretiza no exercício da língua, na interlocução com outros. A apreensão do conhecimento (qualquer que seja a sua modalidade) é mediada pela linguagem. Isto é, o conhecimento é passado para nós através da linguagem (fala, escrita, imagens, sinais etc). Ao apropriarmos deste conhecimento, nós o reelaboramos, apoiando-nos em nosso conhecimento prévio, em nossas experiências anteriores. Nesse processo é fundamental o papel da linguagem: ela ajuda a organizar o conhecimento, a estruturar o pensamento. O nosso contato com o conhecimento é mediado pela linguagem (mediação semiótica) e pelo outro (mediação pedagógica). Sendo a língua instrumento necessária ao exercício da linguagem, a interação verbal, a interlocução com o outro é essencial tanto para a constituição e desenvolvimento desta (linguagem) quanto para a aquisição de novos conhecimentos. A melhor forma de desenvolvermos a linguagem é interagindo com outros, pois a comunicação é a finalidade primeira da linguagem. Na interlocução, enriquecemos o nosso léxico, aprimoramos a

nossa capacidade de compreensão ao procurarmos entender o outro, e somos obrigados a organizar constantemente nosso pensamento a fim de sermos compreendidos. Ao mesmo tempo, entramos em contato com novos conceitos e temos a oportunidade de explicitar nossas dúvidas. Uma vez que a linguagem se realiza através de uma língua (qualquer que seja sua natureza: fala, língua de sinais), o domínio desta é essencial para a aprendizagem de uma forma geral. Pesquisas muito sérias (conferir Fijalkow, 1989)[2][2] mostraram que os alunos que mais fracassaram na escola foram aqueles que, por um motivo ou outro, tiveram pouca oportunidade de interagir verbalmente com seus pares e professores.

LINGUAGEM E EDUCAÇÃO Parece imensamente oportuno, pois, que se reforce o empenho pela pesquisa linguística de diferentes fenômenos, nomeadamente quando tais fenômenos recobrem o domínio amplo e significativo do texto, do discurso e de suas múltiplas incursões. Essa pretensão está visivelmente presente no livro Linguagem e Educação: fios que se entrecruzam na escola. O próprio título já aponta para a interdependência entre os domínios da linguagem e da educação, de forma a constituir um tecido feito de linhas que se cruzam, que se perpassam mutuamente. Na verdade, a proposta central do livro é pôr em destaque que não se pode pensar educação sem linguagem e que explorar a linguagem representa uma forma de desenvolver nas pessoas suas capacidades para compreenderem melhor o mundo e, assim, atuarem socialmente de forma ampla, crítica, participativa e adequada às situações concretas da interação

social. Por isso, o livro está organizado para considerar, em primeiro lugar, a relação entre "Práticas Discursivas e Ensino"; em segundo, entre "Literatura e Ensino" e, por fim, entre "Prática Pedagógica e Legislação Educacional", cumprindo, assim, de forma tão significativa, áreas ou perspectivas que transcendem em muito as estreitas visões da prescrição linguística. Dra. Irandé Antunes (UFPE/UECE). Sumário: Primeira parte Práticas discursivas e ensino. A intertextualidade intersuportes: estratégia de quebra de expectativas na leitura e na escritura de gêneros. A produção escrita na escola: o computador como ferramenta pedagógica. Leitura e (hiper)texto: "novas" práticas contemporâneas? A leitura de hipertextos: charge. A notícia no jornal escolar: o que sabem os alunos acerca dos gêneros que produzem? O conceito de pergunta nas teorias e abordagens linguísticas: uma visão panorâmica. Segunda parte - Literatura e ensino. Pirlimpsiquice: jogo de vozes em palco dialógico. O perfume da Fulô do Mato assuense: o romantismo na obra de Renato Caldas. Os filhos da carochinha: contando e recontando histórias . Terceira parte Práticas pedagógicas e legislação educacional. Ensino de leitura e escrita: a escola primária potiguar em 1920. A prática e a teoria: uma transversalidade possível no trabalho docente. Estratégias de indagação em aulas de Matemática. Estudantes no Ensino Médio e a sua relação com as aulas de Português. A Educação Infantil na LDB: pressupostos antropológicos, éticos e sociológicos RESUMO O presente artigo argumenta sobre a possibilidade da existência de uma linguagem crítica na educação. Em contrapartida à educação para o senso comum, do tipo bancária e padronizadora praticada pela indústria cultural e educacional capitalista, que usa ―uma linguagem simplificada para ser usada pelas massas‖ (Tognolli), com ―invariantes fixos, clichês prontos, tradução

estereotipada de tudo‖ (Adorno), pensamos que é possível dialogar como ―intersubjetividades não-violentas‖, o que envolve reconhecer a diferença, a diferença total (Gur-Ze'ev), visando despertar a consciência do ―quanto os homens são enganados de modo permanente‖ (Adorno). Isso requer o uso de uma linguagem crítica de modo poético (Bakhtin) e dialógicoamoroso (Freire), pois, se a linguagem crítica for violenta, estará sendo utilizada a mesma lógica da dominação, não promovendo, portanto, a emancipação. INTRODUÇÃO Apesar de toda ilustração e de toda informação que se difunde (e até mesmo com sua ajuda) a semiformação passou a ser a forma dominante da consciência atual, o que exige uma teoria que seja abrangente (ADORNO, 1996, p. 388). O presente artigo argumenta sobre a possibilidade da existência de uma linguagem crítica na educação. Em contrapartida à educação para o senso comum, do tipo bancário e padronizadora praticada pela indústria cultural e educacional capitalista, que usa ―uma linguagem simplificada para ser usada pelas massas" (TOGNOLLI, 2001), com ―invariantes fixos, clichês prontos, tradução estereotipada de tudo‖ (ADORNO, apud PUCCI, 1995), pensamos que é possível dialogar como ―intersubjetividades não-violentas‖, o que envolve reconhecer a diferença, a diferença total (GUR-ZE'EV, 2001), visando despertar a consciência do ―quanto os homens são enganados de modo permanente‖ (ADORNO, 1995). Isso requer o uso de uma linguagem crítica de modo poético (BAKHTIN, 1998) e amoroso-dialógico (FREIRE, 2001), pois, se a linguagem crítica for violenta, estará sendo utilizada a mesma lógica da dominação, não promovendo, portanto, a emancipação. Tendo por meta desenvolver uma contra-hegemonia à linguagem

emissor e receptor. Segundo Lima (2001). pressupostos que orientam a presente proposição. A linguagem em Mikhail Bakhtin e Paulo Freire Mikhail Bakhtin (1986) e Paulo Freire (2001) concebem a linguagem como essencialmente dialógica. O sentido e a significação dos signos (amplamente entendido como sons. que coloca o emissor como propositor de mensagens fechadas e o receptor passivo diante delas. o centro da interlocução deixa de estar polarizado entre o eu e o tu.autoritária e sedutora da educação bancária e padronizadora. julgamos que a linguagem crítica na educação deve fazer mediações poéticas e dialógicas nos círculos de cultura. isso significa superar visões de um modelo redutor. palavras e silêncio) dependem da relação entre sujeitos e são construídos na interpretação dos enunciados. marcado pela unidirecionalidade. estabelecer as inferências a partir da premissa geral da emancipação humana. Suas idéias sobre o homem e a vida são marcadas pelo princípio de que a interação entre os sujeitos é o princípio fundador tanto da linguagem como da consciência. criando uma força contrária à tendência hegemônica dominante. reduzindo-se a clientes nessa fase da globalização do capital. Significa transformar e redimensionar o espaço da recepção como espaço de interação e transformação e modificar os papéis de emissores e receptores. seu significado nas perspectivas dos Estudos Culturais e da Teoria Crítica para que se possa. enfim. Nessa perspectiva. para uma . inclusive no ciberespaço. passando a estar inserido num movimento dialógico na comunicação em torno do significado. gestos. Para desenvolver esse argumento serão explicitadas as concepções de linguagem para Bakhtin e Freire. imagens. na qual o conhecimento é considerado como mercadoria e os estudantes são sujeitos passivos. da democracia e da nãoviolência.

os sujeitos interlocutores se expressam. Assumir essa ótica na educação gera desafios. Ademais. isto é. e a língua passa a ser um instrumento de reprodução do sistema de dominação vigente. Na perspectiva de Freire. p. Para Bakhtin. 67). Para ele ensinar exige criticidade e respeito à . constroem-se e desconstroem-se. é entender emissão e recepção como espaços recursivos. através de um mesmo sistema de signos lingüísticos‖ (FREIRE. 2001. já que emissor e receptor passam a fazer parte de um processo de relações interligadas por fios dialógicos. Freire (1987) critica o monologismo da comunicação.dinâmica relacional co-autores/criadores. oriundos de um único emissor. as partes são dicotomizadas em emissor (propositor da mensagem) e receptor (receptáculo acrítico do primeiro). em jogos simultâneos. Na prática. dinâmicos e dialógicos. monologia é a qualidade dos discursos autoritários em que um único sentido sobressai. Tais relações são sempre relações em processo. impositivo e monológico. No campo educacional. como já vimos. fazem-se e desfazem-se. impedindo que os demais venham à tona. tradicionalmente a comunicação tem apresentado um caráter linear. quando afirma que ensinar não é transferir conhecimento. Em última análise. ―Em relação dialógico-comunicativa. mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou construção. para que o diálogo realmente aconteça é condição que os sujeitos tenham um campo de significados em comum. percebe-se que o diálogo restringe-se a um plano inferior de detalhamento ou esclarecimento de discursos prontos. estão sempre se confrontando. significa reconhecer que o interagir é mais do que simplesmente enviar e responder mensagens.

mais precisamente. É impossível. Para Freire (2001). Na visão de Freire. pois a comunicação ―implica uma reciprocidade que não pode ser corrompida‖ (FREIRE. de mudança. p. o homem é um ser de relações. é diálogo. advindo daí a necessidade de sua superação. serão feitos comunicados. 1993. Freire e Shor afirmam que a mudança social seria ―o estabelecimento de uma relação diferente com o conhecimento e com a sociedade‖ (FREIRE. e não uma verdadeira comunicação. p. 2001. 69). a transforma com seu trabalho. a educação está inserida na sociedade e não descolada e reduzida a uma função capitalista de mero treinamento/ajustamento para o trabalho. 48). Caso contrário. O capitalismo faz uma educação do tipo ―bancária‖.autonomia do ser do educando. Sob essa ótica. mas um encontro de sujeitos interlocutores que buscam a significação dos significados‖ (FREIRE. p. compreender o pensamento fora de sua dupla função: cognoscitiva e comunicativa. que representa ―a inconciliação educador-educandos‖. . ―na medida em que não é transferência de saber. na perspectiva freireana. SHOR. criando o mundo da cultura. da linguagem. a educação serviria para auxiliar o processo de transformação. que. a mudança também se dá a partir do campo da consciência e. 2001. Em vista disso. 67). Assim. No livro Pedagogia do Oprimido. Freire coloca que: ―Existir. E ao criar o mundo do trabalho e da cultura ele se percebe historicamente imerso na contradição opressores-oprimidos. Comunicação é educação. No livro Medo e Ousadia (1993). a educação é concebida como um ato político e de comunicação – e não de extensão –. extensão e invasão cultural. desafiado pela natureza.

O mundo pronunciado. ao mesmo tempo produtos e produtores da história e. por sua vez. decodificando-o criticamente. problematizando-o. de comum acordo. é transformação do mundo – não é privilégio de alguns. redescobre-se como sujeito instaurador do mundo e de sua experiência. é pronunciar o mundo. crítico e reflexivo que se dá o processo de conscientização e de humanização.humanamente. mas direito de todos. p. É por meio de um autêntico diálogo amoroso. 1987. a exigir deles um novo pronunciar‖ (FREIRE. conseqüentemente. é práxis. . reconhecer a existência daquilo que Vieira Pinto (apud FREIRE. e. em lugar de implicarem sua aceitação dócil e passiva‖. aqueles conteúdos (temas geradores) que serão trabalhados. no mesmo movimento da consciência. Para que haja uma comunicação real e não alienadora entre educador e educando é necessário que se estabeleçam. seres inacabados. distanciando-se de seu mundo vivido. e esse processo investigativo implica uma metodologia que não pode contradizer a dialogicidade da educação libertadora. desejos. ocorre quando o homem. fim último da educação. Descobrir os temas geradores implica reconhecerem-se como homens que são. p. necessidades. que. a conscientização não significa dissertar sobre conteúdos e doar aqueles saberes que nada têm a ver com os anseios. Contudo. 78). se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes. para Freire. por outro lado. esperanças e temores do povo. é modificá-lo. Dizer a palavra – que é também trabalho. 90) ―chama de 'atos limites' – aqueles que se dirigem à superação e à negação do dado. 1987.

deve ser percebida como originária da relação social. contribua para problematizar esse universo temático recolhido na investigação. e está presente em todos os atos de compreensão e de interpretação. critica o elitismo das lideranças sobre as massas oprimidas. ao lado dos fenômenos naturais. 1986. do material tecnológico e dos bens de consumo. a palavra é concebida como signo e. ou apreendê-la de um ponto de vista específico‖ (BAKHTIN. mesmo em situações ditas revolucionárias.Nessa perspectiva. No entender de Bakhtin. p.. 32). Bakhtin (1986) aprofundou os estudos sobre a relação entre infra-estrutura e superestrutura por meio da linguagem e da consciência Para ele. mas apenas um inquilino do edifício social dos signos ideológicos‖. 36): ―a consciência individual não é o arquiteto dessa superestrutura ideológica. resta perguntar: de onde vem o ideológico ou o signo? Para Bakhtin (BAKHTIN. Dessa maneira. Freire considera essencial que o educador dialógico. Para ele.. p. ao invés de simplesmente devolvê-lo como dissertação aos homens de quem o recebeu. como uma sombra. pois não é revolução o que na prática se configura como dominação. Por sua vez. 32). ele também reflete e refrata uma outra. toda atividade mental do sujeito pode ser expressa . 1986. Ele pode distorcer essa realidade. como os signos mediam a relação do homem com sua realidade – como material semiótico de sua consciência –. Em vista disso. o universo dos signos‖ (BAKHTIN. A partir dessa premissa. uma liderança que não seja dialógica está mantendo o ―dominador‖ dentro de si mesma. p. 1986. como tal. atuando como membro de equipe interdisciplinar. ser-lhe fiel. ―existe um universo particular. um signo ―(.) não existe apenas como parte de uma realidade.

nas quais seu significado se realiza – nas e pelas interações entre sujeitos. exteriorizando-se por meio de palavras. mímica. entre o mundo e a mente. essas falas ou vozes são ocultadas. Essa tentativa de compreender as relações entre linguagem e sociedade. dissimuladas. como se fossem uma única voz. absoluta e incontestável. Embora para Bakhtin ―todo discurso ou texto seja dialógico. p. escondem-se os diálogos e o discurso se faz discurso da verdade única. ou outro meio. nestes ―abafam-se as vozes‖. entre o mundo da experiência em ação e a representação do mundo no discurso.. autoritários e poéticos. Nos textos polifônicos. os diálogos entre os discursos são vistos ou se deixam ver. em que se interpenetram a enunciação. Quanto aos discursos autoritários. decorrente do discurso interior. numa evidência da presença do outro na delimitação do mundo interior. A LINGUAGEM NA PERSPECTIVA CRÍTICA . 36). A linguagem não é falada no vazio.sob a forma de signos. representando uma síntese que respeita as diferenças. ocorre entre interlocutores. as condições de comunicação e as estruturas sociais. entre o que é dado e o que é criado. mascaradas. os discursos se constituem como monofônicos ou polifônicos. mas numa situação histórica concreta. nem todo texto mostra as várias vozes do discurso‖ (BARROS apud FARACO et al. O discurso não é individual. Assim. Já os discursos poéticos seriam aqueles em que não são encontrados vestígios de autoritarismo e coerção social. um único discurso. nos possibilita compreender a impossibilidade de uma formação individual sem alteridade. num complexo diálogo entre a existência e a linguagem. ou respectivamente. Já nos monofônicos. 2001.

como algo imaterial. permeia e direciona todas as esferas da sociedade. Esse ―consenso‖ nasce do prestígio que a burguesia tem na sociedade e do aparato de coerção estatal que assegura legalmente a disciplina dos que ―consentem‖. o ―consenso espontâneo‖ da população (GRAMSCI. 1991. a partir da concepção de ideologia desenvolvida por Marx (1986). na sociedade capitalista a educação tem uma função política claramente definida: formar os intelectuais de diversos níveis cujas funções na sociedade civil são as de organizar a hegemonia. 2003). Nesse sentido. entendida como ―falsa consciência‖. que distorce e falsifica a realidade. sua força intelectual dominante. de que a classe que é a força material dominante na sociedade é. HALL. apresentando-se como a outra face do poder: a do domínio das consciências e da linguagem pela reprodução da ideologia. ao mesmo tempo.A partir da perspectiva dos estudos culturais de Antônio Gramsci. E a ideologia. como a mídia e a educação. a política após a Revolução Industrial é marcada por conflitos de classe que se expressam objetivamente por meio da exclusão/opressão e subjetivamente por meio da ideologia. Mas para ele. esse ―senso comum‖ deve ser combatido em todas as frentes. A hegemonia expressa o consentimento das classes subalternas à dominação burguesa. conforme julgamento de Darrell Moen (1998) e Stuart Hall (2003). assim como para Freire e Gur-Ze‘ev. fazendo com que os dominados vejam como ―natural‖ essa opressão. inclusive na mídia. Para Gramsci. Gramsci avançou na teoria da ideologia acrescentando à filosofia marxista o conceito de hegemonia. .

. As mais íntimas reações das pessoas estão tão completamente reificadas para elas próprias que a idéia de algo peculiar a elas só perdura na mais extrema abstração (. Assim..). a escola na perspectiva transformadora teria o papel de formar os intelectuais que organizarão/formarão uma nova cultura. filosofia. reproduzirão e aperfeiçoarão o sistema de opressão sob o capitalismo. o cinema e o rádio deixam de veicular arte e educação tornando-se um negócio. Eis aí o triunfo da publicidade na indústria cultural. pois para ele é na ―arena da consciência‖ que as elites utilizam os seus intelectuais orgânicos para manter a dominação. Para eles. Assim. e os de nível mais baixo: administradores e divulgadores da riqueza intelectual existente. Não passam de um negócio a ser utilizado como ideologia destinada a legitimar a sociedade capitalista. etc.Esse ―consentimento espontâneo‖ que as pessoas têm acerca da existência de um sistema coercitivo na sociedade é transmitido/reforçado pela escola. técnicas como o cinema e o rádio mantêm coeso o todo. reificando as consciências das pessoas. é difícil escapar dessa racionalidade instrumental. a mimese compulsiva dos consumidores.. segundo a qual. com o objetivo de contribuir com o processo de criação de uma outra hegemonia diversa da hegemonia dominante. a qual tem a tarefa de formar os intelectuais que manterão. pela qual se identificam às mercadorias culturais . técnica. onde para Adorno e Horkheimer (1994). Para Gramsci. Os intelectuais que a escola produz são classificados como intelectuais orgânicos ou de mais alto nível: criadores das várias ciências. Análise similar é encontrada na perspectiva da Teoria Crítica. arte. a técnica está inserida na lógica da racionalidade instrumental enquanto dominação da indústria cultural. onde os meios estão acima dos fins.

1994. onde ―os conteúdos objetivos. 4). Também argumento que o tema central da política atual é a prevalência da administração tecnocrática e a ameaça que joga sobre a ação humana. Para Adorno. cria um sistema distópico. corresponde à sua definição‖ (ADORNO. 395). tendem a criar um sistema distópico (FEENBERG. . decifram muito bem (ADORNO. geram. se permitem uma distribuição mais acessível e universal de bens culturais. a indústria cultural – sinônimo de mídia – gera a semicultura e. a disseminação de bens padronizados para a satisfação de necessidades iguais. E essa semiformação. 2004. geralmente concordam que a emergência do poderio tecnocrático no Leste e no Oeste eclipsou a luta de classes. de Mumford e Marcuse até os de hoje. os clichês prontos. do diferente. à tendência a uniformização. 156). ao mesmo tempo. os invariantes fixos. a relação assimétrica entre ator e objeto que. de certo modo.que eles. há a produção de uma semiformação. em nível de linguagem. 1996. Feenberg (2004) argumenta sobre a natureza essencialmente hierárquica da técnica que. p. como conseqüência. Isso me leva a enfatizar a natureza essencialmente hierárquica da ação técnica. HORKHEIMER. p. por outro lado a exclusão do novo. coisificados e com caráter de mercadoria da formação cultural perduram à custa de seu conteúdo de verdade e de suas relações vivas com o sujeito vivo. o qual. Críticos radicais da tecnologia. a tradução estereotipada de tudo. quando alcançam grandes espaços das relações humanas. é obtida mediante: A seqüência automatizada de operações padronizadas. p. ao gerar uma administração tecnocrática.

chavão de linguagem. as tecnologias da mídia e do computador estão criando profundas mudanças sociais. Para ele. 2001. insiram-se em novas comunidades virtuais e até mesmo criem novas identidades. 1995. p. Tognolli argumenta que já temos as palavras simplificadas. Contudo. Sua hipótese é que os computadores podem absorver palavras-chave e incentivar a cultura do superficialismo. O que antes era pensamento cede lugar ao não-pensamento. Tognolli (2001) teoriza que sociedades que se relacionem ―só por palavras fixas e códigos de acesso em vez da mediação e dos acontecimentos sociais. 2001. eles argumentam que sua realidade enquanto integrante das mais . algo próximo à linguagem da nova Oceania. ―uma linguagem simplificada para ser usada pelas massas‖ (TOGNOLLI. p. E esse processo de palavras-chave e clichês pode ser apenas uma parte disso: temos uma linguagem simplificada para as pessoas consumirem. gerarão indivíduos que falarão e pensarão por clichês – ou falarão e pensarão significantes sem significados‖ (TOGNOLLI. onde se supõe que os indivíduos consigam dados e entretenimento a seu dispor. que exaltam ao extremo os benefícios da supervia informacional. p. apud PUCCI. antes de tudo. o que pode tornar a cultura de massa ainda mais superficial. 85). 177). é. programação. do romance 1984 de George Orwell (1977). CONSIDERAÇÕES FINAIS Para Feenberg (2004) e Kellner (2004). Em nível do sujeito. os newspeaks. à automação. 27). clichê. Apoiado nos argumentos de Eugene Provenzo.do criativo‖(ADORNO.

avançadas forças de produção cria uma nova sociedade capitalista global. em oposição à massificação e à violência da indústria cultural. uma vez que o conjunto das informações analógicas (audiovisuais e outras) deve ser substituído em breve pelo digital. raça e gênero. ético da educação. a qual pode reforçar as relações capitalistas de produção e hegemonia. do ―processamento automatizável do conhecimento‖. quando alerta aos professores que comecem a . dado que o sujeito. p. hoje. transformando a comunicação em espetáculo. essa generalização da amnésia que constituirá a realização definitiva da indústria do esquecimento. humanizar e transformar as desigualdades existentes no domínio de classe. Gur-Ze'ev (2000) analisa que. que se dará em breve. Mas. a realização do Espírito crítico não está garantida. a transcendência e a ética em um diálogo historicamente situado. e. Para Adorno (1995). Essa possibilidade faz com que os sujeitos ressuscitem o que é esquecido ou desconstruído na Rede: o Eros. assim como o diálogo não é. Neste sentido. ao mesmo tempo. portanto. a reflexão. mais do que uma utopia. com a codificação do computador tomando o lugar das linguagens das ―palavras das coisas‖(VIRILIO. para ele. apesar de o ciberespaço ser uma máquina de prazer pós-moderna que visa à reprodução da dominação capitalista em sua fase globalizada e auto-controlada. 119-120). desbarbarizar é a tarefa mais urgente da educação. essas tecnologias também contêm potencial para democratizar. consideramos pertinente o alerta de Virilio já em 1999: Mas isso ainda não é nada comparado à inauguração. E explicita o papel emancipador. 1999. Contudo. ainda há a possibilidade do imprevisível e do incontrolável.

isto é. etc. Para isso ele sugere atividades que envolvam leituras. rádios. mostrando-se-lhes as falsidades dos discursos ali presentes. que existe para os outros homens e. p. portanto. ela existe para mim. Como corolário. entendemos que tanto a linguagem como a consciência são expressões da relação do homem com o mundo. 43). é desde o início um produto social. Para Marx. como a consciência.) A consciência. hipertextos.. portanto. p. a elaboração superior da estrutura em superestrutura na consciência dos homens‖ (GRAMSCI. (. 1986. com eles utilizando revistas. entendida como a ―passagem do momento puramente econômico (ou egoísta-passional) ao momento ético-político. temos que para Gramsci a superação da hegemonia (ou falsa consciência) ocorre pela catarsis. músicas e filmes comerciais (e ainda acrescentaria softwares. A partir da crítica de Marx. p. prática. tem-se que: ―a consciência da necessidade de estabelecer . 1986. audições e assistências conjuntas. a linguagem é tão antiga quanto a consciência – a linguagem é a consciência real. e a linguagem nasce. sites.despertar em seus alunos a consciência de que os homens são enganados de modo permanente.12). 53). 1991. Na perspectiva dos Estudos Culturais. e continuará sendo enquanto existirem homens (MARX.). da necessidade de intercâmbio com os outros homens Onde existe uma relação.. da carência. E como se faz isso? Retomemos a Marx quando na sua terceira tese sobre Feurbach postula que: ―A coincidência da modificação das circunstâncias com a atividade humana ou alteração de si próprio só pode ser apreendida e compreendida racionalmente como práxis revolucionária‖ (MARX. tanto em nível social quanto natural. existe para mim mesmo.

E a partir do momento em que o homem estabelece a consciência. a sua objetividade real como ser genérico e transforma em desvantagem a sua vantagem sobre o animal. 2001. mas ativamente. inversamente. a primazia do material sobre o imaterial. determina a sua consciência‖ (MARX. o seu corpo inorgânico‖ (MARX. 117). e conseqüentemente da história. ele se duplica de modo real e percebe a sua própria imagem num mundo por ele criado‖ (MARX. A partir disso. de modo que a vida genérica se transforma para ele em meio‖ (MARX. salientando. como na consciência. dessa forma. p. é o homem concreto. é roubada do homem ―a sua vida genérica. p. 29). Assim. Marx afirma que ―não é a consciência dos homens que determina seu ser. o ―trabalho é a objetivação da vida genérica do homem: ao não se reproduzir somente intelectualmente. dado que sua concepção do homem. 2001. primitiva num primeiro momento. 117). ele estabelece a divisão do trabalho material e espiritual. p. Contudo. 2001. Marx conclui que o trabalho alienado transforma a . 1986. Assim: ―A consciência que o homem tem da própria espécie altera-se por meio da alienação. p. aquele que tem necessidades tanto materiais como imateriais e que trabalha para satisfazê-las. 44). No entanto.relações com os indivíduos que o circundam é o começo da consciência de que o homem vive em sociedade‖ (MARX. 117) (grifos do autor). é o seu ser social que. então lhe é arrebatada a natureza. mas cada vez mais refinada com o passar dos tempos. quando o produto do trabalho é apropriado por outro homem e torna-se alienado. p. 1971.

.. portanto. ou melhor. entra do mesmo modo em oposição com outros homens (MARX. sobretudo. a propriedade privada decorre. ou seja. Aliena do homem o próprio corpo. pensamos que a luta pela desalienação da consciência através de uma linguagem crítica requer. pois. Quando o homem se contrapõe a si mesmo. quando. 2001.. É por isso que o lugar de todos os sentimentos físicos e morais foi ocupado pela simples alienação de todos esses sentimentos pelo sentimento de posse. Diante disso. se estaria utilizando a mesma lógica do opressor. 142).. que essa linguagem crítica não seja violenta. nele vivemos. Uma implicação imediata da alienação do homem a respeito do produto do trabalho. p. o consumimos. para que seja possível libertar os sentimentos físicos e morais dominados pela posse. quando o comemos. Para Marx. em meio da sua existência individual.vida genérica do homem. sua concepção da essência do homem tem por pressuposto a crítica da propriedade privada. do homem alienado.). a sua vida intelectual a sua vida humana (. e também a característica enquanto sua propriedade genérica espiritual. 117) (grifos do autor). 2001. do trabalho alienado. p. 120). é a alienação do homem em relação ao outro homem. a qual tornou-nos tão estúpidos e limitados que um objeto só é nosso quando o possuímos. p. A essência humana devia cair nessa miséria absoluta para fazer nascer de si própria sua riqueza interior (MARX. ―da análise do conceito de trabalho alienado. em ser estranho. quando o temos em posse imediata. o usamos. 2001. da vida alienada. quando ele existe para nós como capital. assim como a característica externa. do homem estranho a si mesmo‖ (MARX. . caso isso não aconteça. da sua vida genérica. Nesse sentido. numa palavra. o bebemos.

p.Torna-se imprescindível. desenvolver uma práxis educativa na qual a linguagem seja a expressão das múltiplas vozes (Bakhtin). Como realidade material a linguagem é relativamente autônoma. associam a palavra ao poder mágico de criar. por meio do diálogo amoroso (Freire). língua. continuaremos a ter o que bem analisa Adorno (1996. lingüística É notável a semelhança nas explicações em epigrafe sobre a origem do mundo: embora formuladas em épocas remotas. Não há sociedade sem comunicação. os conteúdos objetivos. o qual. portanto. de certo modo. 395): ―No clima da semiformação. perduram à custa de seu conteúdo de verdade e de suas relações vivas com o sujeito vivo. que. A complexidade do fenômeno lingüístico vem há muito desafiando a compreensão dos estudiosos. busquem superar a dominação que existe nas relações de classe (Marx). O fascínio que a linguagem sempre exerceu sobre o homem vem desse poder que permite trocar experiências. Retraçaremos a história dessa busca para entender como o objeto de estudo foi aos poucos se delineando e assumindo as configurações que hoje nos estudo lingüísticos. em uma educação que se queira crítica. . Linguagem. A linguagem verbal é a matéria do pensamento e o veiculo da comunicação social. Tudo o que se produz como linguagem ocorre em sociedade e constitui uma realidade material que se relaciona com o que lhe é exterior. Caso contrário. corresponde à sua definição‖. coisificados e com caráter de mercadoria da formação cultural.

ou Gramática de Port Royal. A religiosidade ativada pela Reforma provoca a tradução dos livros sagrados em numerosas línguas. O conhecimento de um numero maior de línguas vai provocar o interesse pelas línguas vivas. A publicação de Franz Bopp sobre o sistema de conjugação do sânscrito é considerada o marco do surgimento da Linguística Histórica. de Lancelot e Arnaud demonstra que a linguagem se funda na razão. O pensamento linguístico contemporâneo preconizava a analise dos fatos observados. O estudo vai evidenciar o fato de que as línguas se transformam com o tempo. esforçando-se por defini-la como ciência e como arte. Varrão dedicou-se a gramática. Na Idade Média. Aristóteles desenvolveu estudos noutra direção. os modistas consideraram que a estrutura gramatical das línguas é uma e universal. Em 1660. A descoberta de semelhanças entre essas línguas e . tentando proceder a uma analise precisa da estrutura linguística. para que os textos sagrados não sofressem modificações. Mais tarde os gramáticos hindus dedicaram-se a descrever minuciosamente sua língua. Foram razões religiosas que levaram os hindus a estudar sua língua. a Grammaire generale ET raisonnee de Port Royal. Uma breve historia do estudo da linguagem O interesse pela linguagem é muito antigo.1. Os gregos preocuparam-se em definiras relações entre o conceito e a palavra que o designa.

Apresentadas duas propostas. a de Saussure e a de Chomsky. Os estudiosos compreenderam melhor do que seus predecessores que as mudanças observadas nos textos escritos correspondentes aos diversos períodos que levaram. ao mesmo tempo. 2. que pressupõem uma teoria geral da linguagem e da analise linguística. . Tal constatação fica mais patente se pensarmos em traduzi-la para o inglês. Saussure considerou a linguagem “heteróclita e multifacetada”. pois abrange vários domínios. O grande progresso na investigação do desenvolvimento histórico das línguas foi acompanhado por uma descoberta fundamental que veio a alterar o próprio objeto de analise dos estudos sobre a linguagem. é. A Linguística não era autônoma. O que é a linguagem? As línguas naturais são manifestações de algo mais geral. física. submetia-se as exigências de outros estudos. O desenvolvimento dos estudos linguísticos levou muitos estudiosos a proporem definições da linguagem. O método cientifico supões que a observação dos fatos seja anterior ao estabelecimento de uma hipótese e que os fato observados sejam examinados sistematicamente mediante experimentação e uma teoria adequada. a linguagem. que possui um único termo – language – para os dois conceitos – língua e linguagem.grande parte das línguas europeias vai evidenciar que existe entre elas uma relação de parentesco. A Linguística moderna considera a prioridade do estudo da língua falada como um de seus princípios fundamentais.

A analise das línguas naturais deve permitir determinar as propriedade estruturais que distinguem a língua natural de outras linguagens. cada uma finita em comprimento e construída a partir de um conjunto finito de elementos”. transmitida geneticamente e própria da espécie humana. existem propriedades universais da linguagem. Assim sendo. Cabe aos linguista que descreve qualquer uma das línguas naturais determinar quais desses sequências finitas de elementos são sentenças. reconhecer o que se diz e o que não se diz naquela língua. se for escrita).fisiológica e psíquica. “não se deixa classificar em nenhuma categoria de fatos humanos. isto é. a linguagem é uma capacidade inata e especifica da espécie. pertence ao domínio individual e social. Chomsky acredita que tais propriedades são tão abstratas. segundo Chomsky e os que . isto é. Em meados do século XX. Para Chomsky. o norte-americano Noam Chomsky trouxe para os estudos linguísticos uma nova onda de transformação “Doravante considerarei uma linguagem como um conjunto (finito ou infinito) de sentenças. Essas propriedades já devem ser acionadas durante o processo de aquisição da linguagem. portanto. cada sentença só pode ser representada como uma sequência finita desses sons (ou letras). pois não se sabe como inferir sua unidade”. Toda língua natural possui um numero finito de sons (e um numero finito de sinais gráficos que os representam. complexas e especificas que não poderiam ser aprendidas a partir do nada por uma criança em fase de aquisição da linguagem. mesmo que as sentenças distintas da língua sejam em numero infinito. e quais não são.

Essa teoria é conhecida como gerativismo. Esses pesquisadores dedicam-se a busca de tais propriedades. o funcionamento dos mecanismos psicológicos e fisiológicos envolvidos na produção dos enunciados. mas também de fatores não linguísticos de ordem variada. e. O desempenho pressupõe a competência. crenças. Assim como Saussure – que separa língua de fala. a competência – conhecimento linguístico interaliado – aproxima a linguística da Psicologia Cognitiva ou da biologia. atitudes emocionais do falante em relação ao que diz. A língua – sistema linguístico socializado – de Saussure aproxima a linguística da sociologia ou da Psicologia Social. de um lado. ou o que é linguístico do que não é – Chomsky distingue competência Linguística é a porção do conhecimento do sistema linguístico do falante que lhe permite produzir o conjunto de sentenças de sua língua. é um conjunto de sentenças de sua língua. A tarefa do linguista é descrever a competência. que resulta não somente da competência linguística do falante. na tentativa de construir uma teoria geral da linguagem fundamentada nesse princípios. pressupostos sobre as atitudes do interlocutor etc. que é puramente linguística subjacente ao desempenho. 3. Existe linguagem animal? . de outro. ao passo que a competência não pressupõe desempenho. O desempenho corresponde ao comportamento linguístico. é um conjunto de regras que o falante construiu em sua mente pela aplicação de sua capacidade inata para a aquisição da linguagem aos dados linguísticos que ouviu durante a infância. como: convenções sociais.compartilham de suas ideias..

ou em forma de oito. Os dois tipos de dança apresentam-se como verdadeiras mensagens que anunciam a descoberta para a colméia: ao perceber o odor da obreira ou absorvendo o néctar que ela deglute as abelhas se da conta da natureza do alimento. e assim sucessivamente. a abelha executa uma dança circular. segue em linha reta e faz uma volta completa a esquerda. revela que a abelha-obreira. menos giros faz a abelha (para 500 metros faz seis giros em 15 segundo). ao observar a dança. se está distante. de novo corre em linha reta e faz um giro para a direita. ao encontrar uma fonte de alimento. Quanto maior a distancia. traçando círculos horizontais da direita para a esquerda e vice versa. regressa a colméia e transmite a informação às companheiras por meio de dois tipos de dança: circular. Os estudos do zoólogo alemão fazem uma importante revelação sobre o funcionamento de uma “linguagem” animal. as abelhas descobrem o local onde se encontra a fonte do alimento.Um estudo clássico sobre o sistema de comunicação usado pelas abelhas. que permite avaliar pelo confronto a singularidade da linguagem . Se o alimento está próximo. a abelha percorre nove ou dez vezes em 15 segundos a linha reta que faz parte da dança. em que a abelha contrai o abdome. porque indica a distancia em metros: para a distancia de cem metros. a menos de cem metro. A mensagem transmitida pela dança em forma de oito é muito precisa. realiza uma dança em forma de oito. publicado em 1959 por Karl Von Frisch. A direção a ser seguida é dada pela direção da linha reta em relação à posição do sol.

Assim como a linguagem humana. ou seja. e b) Produzir uma mensagem simbolizando – representando de maneira convencional – esses dados por diversos comportamentos somáticos. c) A comunicação se refere a um dado objetivo. As abelhas são capazes de: a) Compreender uma mensagem com muitos dados e de reter na memória informações sobre a posição e a distancia. mas apenas uma conduta. esse sistema é valido no interior de uma comunidade e todos os seus membros são aptos a empregá-lo e compreende-lo da mesma forma. conforma assinala Benveniste (1976). capacidade de formular e interpretar um “signo” (qualquer elemento que represente algo de forma convencional). condição essencial para a linguagem. o que significa que não há dialogo.humana. sem intervenção de um “Aparelho vocal”. no sentido em que o termo é empregado quando se trata de linguagem humana. Embora seja bem preciso o sistema de comunicação das abelhas – ou de qualquer outro animal cuja forma e comunicação já tenha sido analisada – ele não constitui uma linguagem. as diferença entre o sistema de comunicação das abelhas e a linguagem humana são consideráveis: a) A mensagem de traduz pela dança exclusivamente. fruto da . b) A mensagem da abelha não provoca uma resposta. como se pretende demonstrar a seguir. há memória da experiência e aptidão para analisá-la. No entanto. Essa constatações evidenciam que esse sistema de comunicação cumpre as condições necessárias a existência de uma linguagem: há simbolismo.

pois permite produzir uma infinidade de mensagens novas a partir de um numero limitado de elementos sonoros distintivos. permitem distinguir significado. denominados fonemas. como se pode observar pelas suas características: conteúdo fixo. ainda. Prosseguindo a decomposição. para o fato de que essa forma de comunicação tenha sido observada entre insetos que vivem em sociedade e é a sociedade a . No enunciado “quero água”. Benveniste chama a atenção.experiência. decompor em elementos menores. A abelha não constrói uma mensagem a partir de outra mensagem. a menor unidade. transmissão unilateral e enunciado indecomponível. água. relação a uma só situação. mensagem invariável. é um código de sinais. apto a ser transmitido infinitamente no tempo e no espaço. Num enunciado lingüístico como “quero água” é possível identificar três elementos portadores de significado: quer –(radical verbal) + . Essa é a propriedade da articulação. d) O conteúdo da mensagem é único – o alimento. Em síntese. a única variação possível refere-se a distancia e a direção. que é fundamental na linguagem humana. pode-se chegar a elementos menores ainda. a comunicação das abelhas não é uma linguagem. os segmentos sonoros. o conteúdo da linguagem humana é limitado.o (desinência numero-pessoal). denominados morfemas. A linguagem humana caracteriza-se por oferecer um substituto à experiência. como se pode observar na substituição de (À) por (é) em água égua. É esse ultimo aspecto a característica mais marcante que opõe à comunicação das abelhas a linguagem humana. e e) A mensagem das abelhas não se deixa analisar.

sentimentos. entre outras. Os estudos lingüísticos não se confundem com o aprendizado . um gesto podem expressar. as línguas naturais. perguntas. Uma pintura. podendo referir-se desde a linguagem dos animais até outras linguagens – musica. mímica. um mesmo conteúdo básico. – convém enfatizar que a Linguística detém somente na investigação cientifica da linguagem verbal humana. ordens. portanto. etc.condição para a linguagem. 4. uma parte dessa ciência geral. uma dança. é de se notar que todas as linguagens (verbais e nãoverbais) compartilham uma característica importante – são sistemas de signos usados para a comunicação. dança pintura. Esse aspecto comum tornou possível conceber-se uma ciência que estuda todo e qualquer sistema de signos. passado e futuro. Peirce a chamou de Semiótica. mesmo que sob formas diversas. O que é a Linguística? Como o termo linguagem pode ter um uso não especializado bastante extenso. estuda a principal modalidade dos sistemas. afirmações. A Linguística é. As línguas naturais situam-se numa posição de destaque entre os sistemas signicos porque possuem. as propriedades de flexibilidade a adaptabilidade. que são a forma de comunicação mais altamente desenvolvida e de maior uso. como também possibilitam falar do presente. Saussure a denominou Semiologia. No entanto. mas só a linguagem verbal é capaz de traduzir com maior eficiência qualquer um desses sistemas semióticos. que permitem expressar conteúdos bastante diversificados: emoções.

por exemplo. principalmente. Salvador. como Rio de Janeiro. que se preocupava quase exclusivamente com a língua literária. em segunda instancia. O lingüista procura descobrir como a linguagem funciona por meio do estudo de línguas especificas. ao observar a língua em uso o lingüista procura descrever e explicar os fatos: os padrões sonoros. As diferenças de pronuncia. sem avalias aquele uso em termos de um outro padrão: moral. a Biologia. suas semelhanças e diferenças. de vocabulário e de sintaxe observadas por um habitante de São Paulo. a metodologia de analise Lingüística focaliza. ao comparar sua expressão verbal a dos falantes de outras regiões. muitas vezes o fazem considerar “horrível” o sotaque de algumas dessas regiões. a fala das comunidade e. conhecer seus princípios de funcionamento. considerando a língua um objeto de estudo que deve ser examinado empiricamente. A Lingüística não se compara ao estudo tradicional da gramática. cuja função é estudar toda e qualquer expressão Lingüística como um fato merecedor de descrição e explicação dentro de um quadro cientifico adequado. etc. como modelo único para qualquer forma de expressão escrita ou falada. O prestigio e a . Belo Horizonte. m a escrita. gramaticais é lexicais que estão sendo usados. como a Física. A prioridade atribuída pelo lingüista ao estudo da língua falada explica-se pela necessidade de corrigir os procedimento de analise da gramática tradicional. estético ou critico. Recife. Esses julgamentos não são levados em conta pelo lingüista. dentro de seus próprios termos. “esquisito” seu vocabulário e “errada” sua sintaxe.de muitas línguas: o lingüista deve estar apto a falar “sobre” uma ou mais línguas.

que pronuncie mola por mora. dois campos de estudos: a Lingüística geral e a descritiva. como no caso de línguas indígenas. Distinguem. que “ela troca letra”. de . que uma descrição Lingüística tenha outros objetivos. A Lingüística geral oferece os conceitos e modelos que fundamentarão a analise das línguas. não pode haver Lingüística geral ou teórica sem a base empírica da lingüística descritiva. o trabalho de descrição de uma língua pode estar preocupado em produzir uma gramática ou um dicionário. por exemplo. alem de oferecer elementos para analise da Lingüística geral. africanas ou outras que ainda não circulem no meio escrito. entretanto. organização. É possível. são obstáculos para os principiantes nos estudos da Lingüística. É comum ouvir dizer de uma criança ainda não alfabetizada. São duas tarefas interdependente. No século XIX os lingüistas preocuparam-se com o estudo das transformações por que passavam as línguas. Os critérios de coleta. aqui. na tentativa. quando na realidade ela ETA substituindo um som por outro. muitas vezes. que tem dificuldade em perceber a aceitar a possibilidade de considerar a língua falada independentemente de sua representação gráfica. Os resultados obtidos são correlacionados as informações disponíveis sobre outras línguas com o objetivo de elaborar uma teoria geral da linguagem. com o objetivo de dotá-la de instrumento para sua difusão na forma escrita. a Lingüística descritiva fornece os dados que confirmam ou refutam as teoria formuladas pela Lingüística geral. seleção e analise dos dados lingüísticos obedecem aos princípios de uma teoria Lingüística expressamente formulada para esse fim.autoridade da língua escrita em nossa sociedade.

explicar as mudanças Lingüísticas. pronome pessoal. segundo o qual as línguas eram analisadas sob a forma que se encontravam num determinado momento histórico. como o pronome de tratamento Vossa Mercê se transformou até assumir a forma atual Você. que constituiriam o sistema lingüístico. Lingüística viamente caracterizados como tais e observar as mudanças que ocorreram na expressão sonora e no uso. num determinado momento. Para explicar. pela relações que estabelecem com os fatos que o precederam ou sucederam. Em sincronia os fatos lingüísticos são observados quanto ao seu funcionamento. A descrição sincrônica analisa as relações existentes entre os fatos lingüísticos num estado de língua. dois ramos da Lingüística: a sincrônica e a histórica. língua. o ponto de vista sincrônico. introduziu um novo ponto de vista no estudo das línguas. Saussure. Muitos lingüistas tomam a separação sincronialdiacronica como um rigoroso principio metodológico: ou se investiga um estado de língua ou se investiga a historia da língua. num ponto do tempo. Saussure reconhecia a importância e a complementaridade das duas abordagens: a sincrônica e a diacrônica. é necessário comparar diferentes estados de língua pré Linguagem. no inicio do século XX. Temos. O estudo sincrônico sempre precede o diacrônico. então. por exemplo. A Lingüística era histórica ou diacrônica. A descrição Lingüística observaria “a relação entre coisas coexistentes”. os estudos diacrônicos são feitos com base na analise de sucessivos estados de língua. Embora defendessem a perspectiva sincrônica no estudo das línguas. Em diacronia os fatos são analisado quanto as suas transformações. .

A esse respeito é significativo lembrar que a primeira descrição Lingüística de que se tem noticia. portanto num . A gramática tradicional assumiu desde sua origem um ponto de vista prescritivo. a dos sânscrito. que se detém no exame da interação entre língua e sociedade. o estudo do fenômeno lingüístico na interface com outras disciplinas criou varias áreas interdisciplinares: a etnolinguistica. que trabalha no âmbito da relação entre língua e cultura.Modernamente. a Lingüística sincrônica vem sendo denominada Lingüística teórica. normativo em relação à língua. Gramática: o ponto de vista normativo-descritivo A gramática tradicional. ao fundamentar sua analise na língua escrita. feita pelo gramático hindu Pane – em que pese seu propósito de assegurar a conservação literal dos textos sagrados culta (blasha) precisava ser estabilizada para defender-se da “invasão” dos falares populares (pracritos). Ao não reconhecer a diferença entre língua escrita e língua falada passou a considerar a expressão escrita como modelo de correção para toda e qualquer forma de expressão Lingüística. a psicolingüística. difundiu falsos conceitos sobre a natureza da linguagem. Com muitas áreas de estudo se interessam pela linguagem. preocupada mais com a construção de modelos teórico do que com a descrição de estados de língua. 5. a sociolingüística. que estuda o comportamento do individuo como participante do processo de aquisição da linguagem e da aprendizagem de uma segunda língua.

falar certo continua sendo valorizado. Visto que a norma da correção é prescrita por uma fonte de autoridade. A tarefa do gramático se desdobra em dizer o que é a língua. é esse uso o único que vai ser estudado e definido pela escola. de intrinsecamente heterogêneo. Por outro lado. também eram prescritivas e pedagógicas. Essa tradição normativa serve de modelo ainda hoje. é uma das marcas distintivas das classes sociais dominantes. dizer como deve ser a língua. mas também prescreviam o uso correto. principalmente nos países onde há a preocupação em desenvolver e fortalecer uma língua padrão. Linguística: o ponto de vista descritivo-explicativo . descrevê-la. e ao privilegiar alguns usos. ela fornece argumentos para se acreditar que existe uma única maneira correta de se usar a língua.momento em que uma determinada variedade Lingüística deveria ser valorizada e difundida. Na maioria dos casos. a conjunção do descritivo e do normativo efetuada pela gramática tradicional opera uma redução do objeto de analise que. assume uma só forma: a do uso considerado correto da língua. porque a correção da linguagem está associada às classes altas e instruídas. como as do árabe. em detrimento de um conhecimento mais amplo da diversidade e variedade dos usos lingüísticos. 6. grego e latim. as demais cariedade são consideradas inferiores e incorretas. almejavam descrever a língua cuidadosamente. Outras gramáticas antigas. as sociedades contemporâneas expressar-se segundo a norma. Na verdade.

Observamos. para indica movimento. o uso mais freqüente prefere a preposição em. com verbos de movimento. direção para um lugar com a idéia acessória de demora ou destino. ocorrendo de forma bastante variável em alguns casos.A pesquisa Lingüística desenvolvida no século XIX levou a separar cada vez mais o conhecimento científico da língua da determinação de sua norma. No entanto.” 2) “Ela foi na feira. mostrou que as mudanças Lingüísticas freqüentemente tem sua origem na fala popular: muitas vezes o errado de uma época passa a ser consagrado como a forma correta da época seguinte. A Lingüística histórica. estudando em profundidade as transformações da linguagem. 4) “Nunca fui ao Maracanã. segundo a tradição gramatical. Mesmo se observarmos alguns fatos do português contemporâneo verificaremos que as formas consideradas “erradas” são freqüentes. observando para a escolha uma diferença sutil de sentido: a introduz numerosas circunstancias como movimento ou extensão. o verbo “ir de movimento” deve ser empregado apenas com as preposições “a” e “para”. então. como nos exemplos a seguir: 1) “Fui no Ibirapuera. que deve ser evitado. três possibilidades de uso: duas variantes . cujo emprego é considerado pelos gramáticos normativistas solecismo de regência.” 3) “Quero ir a Bahia”. mesmo na fala das pessoas cultas.” Nesses casos.” 5) “vá já para casa.

caracterizam-se por um conjunto de regras gramaticais que simplesmente diferem daquelas do português padrão. os exemplos acima são sentenças gramaticais dentro da variedade (dialeto) coloquial. por exemplo. Convém destacar que essa forma estigmatizada já tinha ocorrido no passado. O corpus não constituído apenas pelas frases “corretas” (como a gramática normativa). como qualquer ciência.aceitas pelo padrão culto e uma terceira variante rejeitada por esse mesmo padrão. a Lingüística desenvolveu uma metodologia que visa analisar as frases efetivamente realizadas reunidas num corpus representativo (conjunto de dados organizados com uma finalidade de investigação). Assim sendo. O termo “gramatical” é usado aqui com um valor descritivo: a gramática de uma língua ou de um dialeto é a descrição das regularidades que sustentam a sua estrutura. descreve seu objeto como ele é não especula nem faz afirmações sobre como a língua deveria ser. ao uso coloquial do que a uma situação formal de comunicação. também inclui as expressões “erradas”. nem aceita a possibilidade de escolha. A Lingüística. desde que apreçam na fala dos locutores nativos da língua sob analise. que uma forma seja mais adequada para um uso do que para outro. A visão prescritiva da linguagem não admite mais de uma forma correta. em textos arcaicos e em textos do século XIX. como seria o caso de uma expressão mais apropriada à língua escrita do que á falada. A descrição dos fatos assim organizados não tem . portanto. Com o objetivo de descrever a língua. A abordagem descritiva assumida pela Lingüística entende que as variedades não padrão do português.

A Lingüística é empírica porque examina a língua de forma independente. propõe que a analise Lingüística prenda-se menos aos dados e preocupa-se mais com a teoria. As analises Lingüística efetuadas. todas as frases que pertencem á língua. livre de preconceitos sociais ou culturais associados a uma visão leiga da linguagem. A teoria da gramática. Chomsky. isto é. É a competência do falante que vai . pretende tão somente depreender a estrutura das frases. pelo seguidores de Saussure. trata de todas as frases gramaticais. que julgava a descrição dos fatos suficiente para explicá-los. um fenômeno só é explicado quando se pode deduzi-lo de leis gerias. como é conhecida. apenas explica as frases realizadas e potencialmente realizáveis na língua proposta. e dos norte-americanos Bloomfield e Harris conformavam-se á teoria descritivista. até os anos 1950. que se fundamenta em dois princípios: o empirismo e a objetividade. A intuição do falante é o único critério da gramaticalidade ou agramaticalidade da frase – conceitos que não se confundem com a gramática normativa. Para esse autor e seus seguidores. Dessa postura teórico-metodologica diante da língua decorre o caráter cientifico da Lingüística. Denomina de gramática essa teoria. a partir do final dos anos 1950. dos morfemas. mas também as que potencialmente seriam produzidas pelo falante. na se confunde com a gramática normativa porque não dita regras. dos fonemas e as regras que permitem a combinação destes. é necessária uma teoria explicativa que preceda os dado e que possa explicar não só as frases realizadas.nenhum intenção normativa ou histórica. Para Chomsky não basta apenas observar e classificar os dados. na Europa.

a partir de uma experiência finita e acidental da língua.organizar os elementos lingüísticos que constituem uma sentença. pode produzir e compreender um numero infinito de frases novas. Uma seqüência de palavras é agramatical quando não respeita as regras gramaticais do sistema lingüístico. os participantes e o contexto discursivo. do conhecimento internalizado de que dispõe o falante. que constituem a gramática universal (GU). As propriedades formais das línguas e a natureza das regras exigidas para descrevê-las são consideradas mais importante do que a investigação das relações entre a linguagem e o muno. como: Problema este muito seu difícil é. inclui na analise da estrutura gramatical toda a situação comunicativa: a propósito do evento da fala. A gramática é gerativa. Outra proposta de explicação do fato lingüístico é apresentada pela gramática funcional. No que se refere à estrutura gramatical das . Os gerativistas estão preocupados em depender na analise das línguas propriedades comuns universais da linguagem. A gramática funcional leva em consideração o uso das expressões Lingüísticas na interação verbal. porque de um numero limitado de regras permite gerar um numero infinito de sentenças. conferindo-lhes gramaticalmente. Estão relacionados á Escola Lingüística de Praga os mais representativos desenvolvimentos da teoria funcionalista. A Escola de Praga teve origem no Circulo Lingüístico de Praga. Reflete o comportamento do locutor que. que não separa o sistema lingüístico das funções que seus elementos preenchem. fundado em 1926. fundamentada nos princípios do funcionalismo.

Os diversos desdobramentos que o funcionalismo apresenta na atualidade concordam com o fato de que a língua é. pelo que já é aceito ou dado como informação conhecida. correspondem a diferentes abordagens da língua. As possibilidades explicativas expostas não são as únicas. usado para estabelecer relações comunicativas entre os usuários. em particular. mas contribuem para compreender melhor o complexo fenômeno linguagem. os lingüistas da Escola de Praga detiveram-se na definição da perspectiva funcional da sentença. mas pode-se dizer que a ordem das palavras é determinada pela situação de comunicação em que os enunciados são proferidos e. verdadeiramente informativo.línguas. e pelo que é apresentado como novo ouvinte. Dentro da perspectiva funcional da sentença considera que a estrutura dos enunciados é determinada pelo uso e pelo contexto comunicativo em que ocorrem. em termos de propriedades formais do sistema lingüístico. que não se esgota no estudo das características internas à língua. Nesse aspecto. mas se abre para . instrumento de interação social. aproximam-se do ponto de vista do sociolinguista ao incluir o comportamento lingüístico na noção mais ampla de interação social. portanto. que não se excluem. antes de tudo. Considerandose as sentenças: 1) José saiu ontem à noite e 2) Ontem à noite José saiu Pode-se afirmar que (1) e (2) são versões diferentes da mesma sentença.

Morfemas C.Adjunto Adnominal E.Fonemas B.introdução 4 Pronomes 5 Sintaxe .outras abordagens que considerem o contexto.Métrica C.Complementos Verbais (Objeto Direto e Indireto)BAdjunto Adverbial C.Complemento Nominal D. a sociedade.Orações Subordinadas B.Ritmo 2 A.introdução 6 A. referencial.Tipos de Sujeito B. está carregado com os próprios sentimentos do .Coordenadas 9 Regência Nominal 10 Pontuação 11 Vozes do Verbo 12 Diversos: sinônimos. Gramática 1 A. metalinguística.Vocativo 8 A.Aposto F.. a historia. fática e poética.Regras de Escrita 3 Morfologia .Funções da Linguagem B. conativa..Regras de Acentuação D. 1) Função emotiva (ou expressiva): Quando um emissor é posto em destaque.são seis: emotiva.Tipos de Predicado 7 A. antônimos. 13 Figuras de linguagem 14 Verbos 15 Concordância Verbal PARTE 1 A-) FUNÇÕES DA LINGUAGEM . parônimos. regras gramaticais.

4) Função metalingüística: ocorre quando o código é posto em destaque.".com. Denotação . ex..tem objetividade. "Eu nunca estive tão bem quanto estou agora!". 3) Função referencial: Ocorre quando o referente é o posto de destaque "os professores entrarão em greve.) 6) Função poética: ocorre quando a própria mensagem é posta em evidência. outro exemplo é um poema que reflete a criação poética. está falando dos signos lingüísticos usando os próprios. . verbos e pronomes na 1ª pessoa.vestibularlegal. Os melhores exemplos são os livros de gramática e os dicionários.Sentido literal (verdadeiro) da palavra. cabe ao receptor identificar na mensagem recebida a sua função predominante.. Ex.: textos jornalísticos e científicos. Ex. "Você quer passar no vestibular? Entre no Site WWW. As primeiras palavras de quem atende o telefone "Alô! Pronto!) os cumprimentos diários (Tudo bem? Boa tarde. 5) Função Fática: Ocorre quando o canal é posto em destaque. pois sua finalidade é traduzir a realidade. e por conseguinte. É comum o uso de verbos no imperativo ou verbos e pronomes na 2ª ou 3ª pessoa." . poesias e versos.: anúncios e publicidade.br. Ocorre em textos literários. 2) Função conativa (ou apelativa): ocorre quando o receptor é posto em destaque.". Quase sempre há mais de uma função no texto.: "A língua é um sistema de signos que exprimem idéias. Se organiza no sentido de convencer o receptor por meio de estímulo. geralmente tem ponto de exclamação..emissor. a intenção do emissor.. Ex.

Por ter base na oralidade . . informações sobre a realidade.) MÉTRICA . com doze.a divisão silábica poética obedece a princípios diferentes da divisão silábica gramatical. Monossílabo (uma sílaba). trissílabo (três). Divisão gramatical: Man/das/te/ a/ som/bra/ de/ um/ bei/jo = 10 sílabas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Divisão poética: Man/das/te a/ som/bra/ de um/ bei/jo 1234567 na terceira e sexta sílaba as vogais átonas agruparam-se (elisão) e a última sílaba. A linguagem referencial é denotativa. figurado e artístico uma realidade concreta ou fictícia. e a contagem das sílabas deve ser feita até a última tônica. por ser átona. Linguagem referencial . a literária é conotativa. Escansão. com dez. de modo objetivo. Linguagem literária . alexandrino.sentido figurado. Decassílabo.trata de modo pessoal.é a medida dos versos. foi desprezada. As vogais são agrupadas numa única sílaba. Os mais conhecidos são redondilhas. B. depreende-se a métrica de um verso.preocupação fundamental é veicular. dissílabo (duas).da fala ou canto . etc. processo segundo o qual o verso é dividido em sílabas poéticas. a menor com cinco sílabas e a maior com sete.Conotação . Recriação da realidade a partir de fatos concretos.

só mais recentemente surgiu o verso livre. Volúpia dos violões. Aliteração. as vezes no interior dos versos (rima interna). A acentuação de uma sílaba é determinada pela seqüência melódica a que ela pertence. C-) RITMO . assonância e parassonância: Aliteração . AABB. normalmente no início das palavras: Vozes veladas. Em poesia. veludosas vozes. o conceito poético de sílaba acentuada nem sempre coincide com o conceito gramatical de sílaba tônica.recurso musical baseado na semelhança sonora das palavras no final dos versos.. o ritmo se dá pela alternância de sílabas acentuadas e não acentuadas. vozes veladas Vagam nos velhos vórtices velozes .qualquer alternância regular de elementos numa dada seqüência temporal.é a repetição de sons consonantais idênticos ou aproximados. ABAB. Tu choraste em presença da morte? Na presença de estranhos choraste? (Gonçalves Dias) Quem dera Que sintas As dores De amores Que louco Senti! (Casimiro de Abreu) Rima .O verso cuja métrica se repete é chamado verso regular. que não obedece a uma regularidade métrica..

são as unidades sonoras de que uma palavra é constituída ao ser pronunciada.c.ç).Uma mesma letra pode representar um só fonema ou uma combinação de fonemas (máximo. Um mesmo fonema pode ser representado na escrita por letras diferentes: sair. o ar sai dos pulmões. vivas. Na escrita a menor unidade da palavra é a letra. passa pela traquéia. na fala é o fonema. Um mesmo fonema pode ser representado por uma só letra ou por uma combinação de duas letras. cinto. vãs. (Cruz e Souza).Dos ventos. desça. tradicionalmente simbolizada entre barras inclinadas (//). como exemplifica a expressão horrendo Henrique. PARTE 2 A-) FONEMAS . Aí encontra as cordas vocais. caça (s. que podem ser . brancas.Quando uma combinação de duas letras representa um único fonema. /t/. a função do fonema é constituir palavras. Assonância .é a repetição de um mesmo som vocálico: Ó Formas alvas. êxodo. táxi). vassoura. /u/ * considera-se a pronúncia predominante entre os falantes de português no Brasil. vulcanizadas. (ascensorista. até chegar à laringe. Formas claras (Cruz e Souza) Parassonância . Dígrafo . enxame. Assim. os fonemas da palavra pato são /p/. sinto. Tal semelhança pode envolver toda a palavra ou parte dela. exceto) Dífono . Na produção da fala./a/.é a aproximação de palavras de um texto pela sua semelhança na forma ou no som.

sílaba átona é "a". Pai = /pay/ Separam-se os dígrafos rr. são produzidos os fonemas consonantais. Quando a corrente de ar. ta".pay (a = vogal e y = semivogal) Quando for semivogal + vogal é ditongo crescente. a corrente de ar alcança a faringe até chegar à boca. onde se realizam os movimentos articulatórios da língua. sílaba átona é "va. boi /boy/ louco /lowku/ Ditongo .É o encontro de uma vogal e uma semivogal. A vogal tônica da palavra . sç. Vatapá . sc. A seguir. Fonemas semivocálicos .fonema vocálico tônico é /a/ e a sílaba tônica é "pá".é a responsável pela formação da sílaba tônica. ss.pronunciada sempre com maior intensidade do que as outras vogais . as restantes são átonas. ao passar pelo aparelho fonador encontra obstáculo parcial ou total./Y/ e /W/. Amor . água = /agwa/ Quando for vogal + semivogal é ditongo decrescente.fonema vocálico tônico é /o/ e a sílaba tônica é "mor".vibradas ou não. dos lábios e do maxilar inferior. xc e os encontros consonantais sç e cc: car-ro / nas-cer / ex-ce-to. a fim de que o som que está sendo produzido seja diferenciado em fonemas. Pai . quando encontra livre passagem. são produzidos os fonemas vocálicos. . que modificam a forma da boca. Excluída a vogal tônica.

quando depois de sufixos.A menor unidade de uma palavra. .morfema relacionado ao universo da realidade e os morfemas relacionados ao universo da língua. pobr-es. Indispensável b) Vogal temática . vogal temática. relaciona-se com o universo da realidade.Um primeiro nível de segmentação de um poema é a estrofe.B-) MORFEMAS . "os" morfemas -o e -s. informando respectivamente gênero e número.é a vogal que sucede o radical de verbos e nomes. -e. A palavra meninos: 3 morfemas menin-. modificando seu sentido básico.Morfena da realidade é chamado de radical. Completa ou altera o sentido do radical.São Afixo. capaz de portar um sentido é o MORFEMA. Elemento mórfico ou morfema é a menor unidade portadora de significado de uma palavra. que é dividido em palavras. indica a conjugação a que estes pertencem: a. As palavras que se formam com o mesmo radical são chamadas cognatas ou da mesma família etimológica.são morfemas que se agregam ao radical.-o .sent i r As vogais temáticas dos nomes determinam a formação de substantivos e adjetivos. desinências. -a.Morfemas relacionados ao universo da língua . Em verbos. designando ser humano. .faz e m . que indica a 1ª conjugação. -e 2ª e -i 3ª. são chamados de prefixos. . a) Afixos . informa o significado básico da palavra: pov-O. Quando colocados antes do radical. Fit a ndo . que é segmentado em unidades menores que são os versos. .

A Gramática Descritiva é aquela utilizada pelos estudiosos e tem o objetivo de descrever e registrar determinada variedade dialetal em um determinado tempo(análise sincrônica da língua). É conhecida também com Prescritiva porque dita as regras. ou seja. Privilegia a língua escrita em detrimento da oral e não admite a existência de outra variante que não seja a língua padrão.tupi. número e pessoa: apregoa va s va = imperfeito do indicativo s = 2ª pessoa do singular Tipos de Gramáticas Quando alguém fala em Gramática geralmente se refere à Gramática Normativa e não sabe ou esquece que há outros tipos. u. Além .e. + vog. c) Tema é o radical somado a vogal temática: fit a ndo rad. como alvará. Nos nomes informam gênero e número: menin o s Nos verbos informam modo. como feliz. normas para o uso correto da linguagem. o. avó. a língua culta. e palavras terminadas em consoantes. urubu. A Gramática Normativa é aquela que encontramos nas escolas e em cursinhos.: são atemáticas as palavras oxítonas terminadas em a. e trazem a forma adequada de falar e escrever. cancomblé.tem = tema d) Desinências são morfemas que se colocam após o radical.i. que recuperam sua vogal temática no plural: felizes.ajunt a mento peix e espant o Obs. mulher. flor.

de analisar qualquer variedade existente, também privilegia a língua oral. A Gramática Internalizada é a competência linguística do falante de determinada língua. Essa Gramática seria a responsável pelo conjunto de regras que o indivíduo domina e que permite que ele use a língua de forma satisfatória em sua comunidade. A Gramática Contrastiva é aquela utilizada no ensino de línguas, descreve duas línguas ao mesmo tempo que evidencia os padrões de uma língua na outra. Por isso, também é conhecida como Gramática Transferencial. Quando utilizada no ensino da língua materna, mostra os padrões parecidos entre as variedades dialetais. A Gramática Geral ou Universal é aquela em que há uma comparação do maior número de línguas com a intenção de detectar os fatos linguísticos que podem ser realizados e condições em que podem ocorrer. A Gramática Histórica é aquela cujo objetivo é o estudo de uma determinada língua, desde o seu surgimento até os nossos dias. História O interesse pela linguagem data da antiguidade clássica. Tal interesse se apresenta, na Grécia, no interior da filosofia, que se viu levada a estudar a estrutura do enunciado para poder tratar do juízo. Isto levou Platão a estabelecer a primeira classificação das palavras de que se tem conhecimento. Para ele as palavras podem ser nomes e verbos. Depois dele Aristóteles considerou uma outra classificação das palavras: nomes, verbos

e partículas. Se aqui temos a primeira divisão da cadeia de sinais linguísticos pelo reconhecimento de uma diferença de categoria entre palavras, estamos diante de uma posição que toma como interesse a relação da linguagem com o conhecimento. A divisão entre nomes e verbos procura descrever a estrutura do juízo, que deve falar de como é o mundo. Ao lado dos estudos filosóficos, também na Grécia, desenvolveram-se os estudos retóricos e gramaticais. A Gramática pode ser considerada como elemento de uma das primeiras revoluções tecnológicas da história do Homem. A gramática constitui-se na história como uma instrumentação das línguas que, enquanto arte (no sentido latino) ou técnica (no sentido grego), considera a gramática “um manual com regras de bom uso da língua”, isto é, trata-se de um compêndio com normas para falar e escrever corretamente . Conceito O termo "Gramática" é usado em acepções distintas, referindo-se quer ao manual onde as regras de regulação e uso da língua estão explicitadas, quer ao saber que os falantes têm interiorizado acerca da sua língua materna. Costuma-se classificar a Gramática em partes "autónomas, porém harmónicas entre si", afim de facilitar o seu estudo. Uma classificação mais antiga (não significa incorreta...) estipula as -seguintes partes: • Fonética;

• Morfologia; • Sintaxe; e • Tópicos especiais (elementos de etimologia, versificação, história etc.). Uma classificação mais atual, comporta: • Comunicação e expressão; • Fonética; • Morfologia; • Sintaxe; • • • • Etimologia; Semântica; Literatura; Lógica.

Os 3 principais tipos de gramática são: Gramática normativa/tradicional Chama-se gramática normativa a gramática que busca ditar, ou prescrever, as regras gramaticais de uma língua, posicionando as suas prescrições como a única "forma correta" de realização da língua, categorizando as outras formas possíveis como "erradas". A gramática hoje denominada tradicional propõe-se a sistematizar as regras de uma língua e, por meio delas, ensinar essa língua aos falantes que já a dominam.Uma das falhas apontadas para a gramática tradicional é a sistematização dos fatos lingüísticos dissociados do uso concreto da língua. Ao ignorá-lo, outros aspectos também passam a ser desconsiderados:

1) As diferenças entre as modalidades oral e escrita; 2) A influência do contexto em condicionar o uso das variedades dialetais; 3) A interferência do ‘tempo’ no processo evolutivo da língua. Gramática descritiva Uma gramática descritiva é, em primeiro lugar, a DESCRIÇÃO de uma LÍNGUA da forma como ela é encontrada em amostras da fala e da escrita (em CORPUS do material e/ou extraídas dos FALANTES NATIVOS). Na tradição mais antiga, a abordagem“descritiva” se opunha à abordagem PRESCRITIVA de alguns gramáticos, que tentavam estabelecer REGRAS para o uso social ou ESTILISTICAMENTE correto da língua (Crystal, 2000:129). Gramática internalizada “O conjunto das regras que o falante de fato aprendeu e das quais lança mão ao falar” (Travaglia,2001:28). Segundo suas próprias palavras, a gramática pode ser definida como um “conhecimento implícito sobre o que constitui a língua materna e como ela funciona” (apud Johnson & Johnson, 1998).Perini, por exemplo, além de considerar a gramática um conhecimento internalizado da língua, utiliza o termo para designar uma área de conhecimento,bem como para se referir ao conjunto de regras. É o tipo de conhecimento que o falente tem em si desde quando aprende a falar , podendo ser definido como um

conhecimento implícito , que se aprende de acordo com o meio em que se vive. A aquisição da linguagem pela criança é inconsciente, ela faz uma verificação de hipóteses, do que ouve e as falhas são apagadas e as hipóteses corretas são arquivadas em sua mente.A partir da gramática internalizada na criança ela esta apta para falar e construir frases. História, domínio e variedade da língua portuguesa. Para contar a história da língua portuguesa devemos nos deslocar até o continente europeu e voltar no tempo a oito séculos antes de Cristo. Nessa época, algumas tribos que viviam no território que hoje correspondem à Itália se uniram, formando uma cidade chamada Roma. Esse foi o ponto de partida para a criação de um dos maiores impérios da história: o Império Romano. Os romanos, grandes guerreiros e conquistadores, foram pouco a pouco aumentando os seus domínios a partir de disputas militares por territórios; suas conquistas avançaram cada vez mais e chegaram à sua extensão máxima no segundo século depois de Cristo, quando o Império Romano ocupava a maior parte da Europa, além do território na África e na Ásia. Durante a expansão do império, os guerreiros romanos chegaram à ponta ocidental da Europa, região que chamam de ―Hispânia‖ e que hoje é a península Ibérica, onde ficam Portugal e Espanha. Quando conquistavam um território, os romanos implementavam nele o seu modo de viver e também a sua língua, o latim, para facilitar a administração e a comunicação por todo o império; o domínio romano, portanto, trazia algumas alterações

o império se desintegrou. implantaram nela o seu modo de viver e sua língua. Cada um dos territórios conquistados pelos romanos passou a ter um desenvolvimento mais individual depois da queda do império. A partir dessa individualização. Suas fronteiras terminaram de ser instauradas em 1252 e a língua portuguesa. que foram agravando até que. os portugueses fizeram várias expedições. no desenvolvimento das cidades. é o século XVI. Portugal foi um desses territórios que se desenvolveram e unificaram. econômicas. o italiano e o romeno. o espanhol. formaram-se aos poucos nações com governos independentes e línguas próprias.na economia. podemos compreender a amplitude do domínio atual da . populacionais. como os romanos. Nessa época. também terminou o seu estabelecimento nessa época (os textos mais antigos em português são do final do século XII). como o português. assim como a outras partes do mundo. Muitas dessas línguas (principalmente as europeias) são da mesma família. O próximo momento histórico importante para explicar a chegada da língua portuguesa ao Brasil. descobrindo novas terras. na integração do território. na cultura etc. Fundaram colônias nesses lugares e. Depois do desenvolvimento máximo. o Império Romano entrou em declínio. o francês. principalmente na África e na América. graças aos avanços sobre o conhecimento sobre navegação. que vinha se formando desde o fim do Império Romano. Surgiram crises políticas. no quinto século depois de Cristo. Vendo a extensão dos domínios coloniais de Portugal nessa época. formando uma nação. na política. pois todas se desenvolveram do latim: são línguas neolatinas.

maneiro. ou adotaram o português como língua oficial (como fez o Brasil). gravanço. pode-se usar manjar (uso formal e elogioso). mixórdia (uso depreciativo). Se observarmos apenas o vocabulário do português do Brasil. bonzão. dependendo da situação. luculento ou fabuloso (usos formais). xepa (uso informal entre militares). ou mantiveram suas línguas anteriores. bacana (usos informais). podemos usar soberbo. legal. salgueiro ou rango (usos informais). também dependendo da situação. mistela. soquete ou grude (usos informais e depreciativos). paparoca. manjuba (uso informal da Bahia e de São Paulo). percebemos que há várias maneiras de dizer a mesma coisa. ou comida. irado . genial. bodega. superno (uso formal e figurado). excelso. estado da Índia). épula ou cibo (uso antigo). gororoba. A grande difusão da língua portuguesa que hoje é falada oficialmente em três continentes. usadas em diferentes situações. das intenções do falante. Para o que regularmente qualificamos como ótimo ou excelente.nossa língua pelo mundo: a partir do século XIX as colônias portuguesas foram conquistando a independência. Para o que chamamos regularmente de alimento. da região do país etc. com influências da língua dos colonizadores (como fez Goa. Nem é preciso comparar países diferentes para perceber que a língua não é uniforme. ou com diferentes intenções.. boia. não quer dizer unidade absoluta: é só compararmos o jeito de falar de um português com o de um brasileiro para percebermos que cada um dos dois usa uma variedade diferente da língua. papá (uso infantil). de-comer (uso popular). por diferentes tipos de pessoas. pão (uso figurado). Ficando independentes. supimpa (uso informal e jocoso).

particularmente à língua portuguesa. mórficas.(gírias). galho. andança.: Mônica Orsini. esfrega. batente. quefazer. A variedade da língua faz parte da riqueza da nossa cultura. referente às mudanças fonéticas. ou mister (usos formais). trampo (uso informal de São Paulo). que garante a sua unidade —. marmo (uso do Nordeste do Brasil e de Minas Gerais). deve ser valorizada e preservada. batalha. Origem. trabulança ou viração (usos informais). O conceito de história aplicado às línguas. há espaço para uma série de variações que podem acontecer de acordo com o lugar. tem dois sentidos: a história externa. . sem dúvida. Para que essa herança cultural não fique de fora dos nossos estudos de português. a situação. devemos buscar conhecer não só a forma oficial da língua — que. que se refere à sua expansão territorial. a identidade ou mesmo a intenção de quem fala. canseira ou suor (usos figurados). mas. labuta. à repercussão que sobre ela tem os sucessos sociais e a história interna da língua em diacronia. semânticas e léxicas. Alcançar o conhecimento abrangente da língua portuguesa é indispensável para dominá-la verdadeiramente. rojão. trabalho. Da mesma forma. Muitos outros exemplos poderiam ser dados. mantena (uso de Goiás e Tocantins). você já deve ter constatado que. pois é a referência geral. gregueu. labor. ocupação ou serviço podem ser afã. na unidade geral da língua portuguesa do Brasil. mas também essas diferentes opções de uso. bico. o seu contato com outras línguas. sintáticas. lida. biscate. a partir desses. Formação e Domínios Atuais Da Língua Portuguesa Profª.

A história externa da língua portuguesa compreende. do grupo itálico da grande família do indo-europeu. a conquista romana da Península Ibérica ( consolidada no Século I a.C foi a levada para a Península Ibérica. denominada a última ―flor do Lácio‖. a imigração intensa. ). o contato com dos portugueses com os índios. como o visigótico ( Século V – Século VII ). Atualmente. ou românica. nasceu da evolução do latim vulgar. a invasão dos bárbaros germanos e a constituição de impérios bárbaros. etc. área situada no continente europeu onde se encontra atualmente Portugal e Espanha. O português. local denominado Lácio. o domínio árabe na península e a luta da reconquista cristã ( a partir do século VIII ). que são utilizadas sem nos darmos conta da origem de muitos signos lingüísticos. na península Itálica. por exemplo. a língua portuguesa guarda características de sua estória externa.C. a formação do reino de Portugal ( século XVIII ). por esse motivo há uma inter-relação entre o seu histórico e a história da península. FORMAÇÃO E DOMÍNIOS ATUAIS DA LÍNGUA PORTUGUESA 1 – A origem da língua portuguesa A língua portuguesa é inicialmente. uma vez que já se encontram completamente inseridos na língua. no Brasil. ORIGEM. Os Romanos levaram sua língua aos povos por eles colonizados O português é uma língua neolatina. por . pelo poeta brasileiro Olavo Bilac ( pois foi a última língua originada do latim ). O latim foi um simples dialeto falado pelos povos situados à margem do Rio Tibre. a importação de populações negras. um prolongamento do latim levado pelos romanos à Península Ibérica. Em 197 a.

1. o latim. Realizada a vitória sobre Cartago. os celtíberos pediram desesperadamente a ajuda dos romanos. Os celtas eram um povo guerreiro e turbulento. no século III a.C. gregos e os cartagineses. Roma foi introduzindo com a sua conquista.A expansão romana na Península Ibérica Para impedir o crescimento de Cartago que visava subjugar toda a Península Ibérica. Com isso.C. quando houve o cerco de Sagunto. fenícios. o máximo de sua expansão . povos gananciosos. por ocasião do século I a. os romanos invadiram-na. Dentre esses povos. o oposto dos íberos.C. Com o passar dos séculos. celtas. Como os cartagineses. pretendessem apoderar-se dela totalmente. Roma concretizava todo o seu domínio político-militar e principalmente cultural sobre toda a Península. o Império Romano atingiu seu apogeu. com a anexação da Dácia ( atual Romênia ). Os cartagineses apresentavam sérias ameaças que poderiam acabar de vez com os planos de Roma em dominar o mundo mediterrâneo. na Ibéria. temos os mais importantes que são os íberos. Os fenícios.. que deu origem à 2ª Guerra Púnica. impondo aos povos vencidos a sua língua. ficassem mais acentuado. cidade de domínio grego.1 . esses dois povos mesclaram-se e conseqüentemente.legionários romanos. No campo cultural. Os íberos tinham características de uma população pacífica e agrícola e sofreram uma invasão dos celtas. Antes de acontecer a invasão romana na Península Ibérica. gregos e os cartagineses introduziram colônias comerciais em vários locais da Península Ibérica e fizeram com que o envolvimento entre esses povos. no século VI a.C. deram origem aos povos celtíberos.C. lá originavam e habitavam povos dos quais não há um total conhecimento sobre tudo o que dizia respeito a eles. No século I d.. por volta de 197 a.

. a língua usada no colóquio diário pelos mais variados grupos sociais da Itália e das províncias. através dos etruscos e. embora um tanto imprópria. as suas instituições. Aperfeiçoamento da língua latina que já se iniciado com Tito Andrônico. Aprenderam muito com os gregos.Origem do latim literário e o latim vulgar Durante o período da invasão romana. outras gentes e outras civilizações ensinavam. o primeiro que tentou elevar à altura de língua poética aquele rude idioma de agricultores e pastores. sob a benéfica influência grega. sob o domínio de Trajano. procurou diretamente em Homero e nos trágicos gregos os modelos para suas experiências de tradução de adaptação literárias. que formavam a Magna Grécia. Ele próprio era um grego de Tarento. das colônias helênicas do Sul da Itália. acentuou-se a separação entre o latim literário ( sermo ltiterarius ). e a versão corrente. principalmente. Em contato com outras terras. A denominação latim vulgar. 1. O latim vulgar tornou-se o idioma predominante na Península Ibérica. A hegemonia romana durou até o século V d. O idioma. tornou-se termo técnico da lingüística.C. Com a influência do grego. contudo aconteceram modificações e influências de vários dialetos e idiomas. Os romanos levavam para as regiões conquistadas os seus hábitos. trazido pelos legionários . dada no século III a. até atingir no século I a. desde as épocas antigas.2. os romanos.. ou da poesia de Virgílio e Horácio. os padrões de sua cultura. língua praticada por uma elite.C. por exemplo. a alta perfeição da prosa de Cícero e César. mas também aprendiam. que era então o latim.C. ao mesmo tempo que expandiram os seus domínios. foram apurando o latim progressivamente.geográfica. o latim vulgar ( sermo vulgaris ).

3. na Hispânia. dos outros povos vencidos souberam ser os mestres imitados. . sem nenhum controle normativo. Mas no campo ou nas vilas e aldeias a língua. inclusive os povos da Península Ibérica. como diz Estrabão. 1. ia tornando-se autônoma. e até já nem se lembravam da própria língua‖ até já nem se lembram da própria língua‖ e acrescentava: ―não falta muito para que todos se convertam em romanos‖. O latim vulgar tendo sido adotado por povos tão diversos. Neste tempo. nos centros urbanos mais importantes e desta forma conseguia retardar até certo ponto os efeitos das forças de diferenciação. em uma área tão vasta. incorporando variações próprias dos dialetos utilizadas anteriormente nos locais e na formação de neologismos. ainda não se fazia sentir a presença de Roma. As tribos mais diversas logo assimilaram os seus costumes e instituições. haviam adotado os costumes romanos. geógrafo grego: ―Os turdetanos especialmente os que habitavam as margens do Bétis. . não pode conservar a sua relativa unidade. em terras da Galiza. as regiões do Norte. O latim difundiu o padrão literário no seu ensino. adotaram a língua latina como língua própria. na Récia e na Dácia. das Astúrias e da Cantábria. já precária como de toda língua que serve como meio de comunicação a vastas e variadas comunidades de analfabetos. mas também na Gália. pois seus habitantes conservavam intactos os rudes costumes transmitidos de geração a geração há muitos séculos anteriormente.romanos. Não só na Itália. foi lentamente superando as línguas dos povos prélatinos. É dizer romanizaram-se.A romanização da Península Ibérica Se os romanos se tornaram discípulos atentos dos gregos.

balsa. No périodo em que foi dado o fim da invasão dos Romanos na Península Ibérica. os romanos usaram as seguintes estratégias: abriram escolas. Os romanos entraram na Península Ibérica no século III a. no século III a.Podemos dizer que a unidade lingüística do Império não mais existia. manteiga tamuge.. utilizado somente pelas baixas camadas sociais ( comerciantes. data da invasão romana. ao fim de longas e cruentas lutas. Das línguas dos povos que já existiam na península ibérica. os povos bárbaros.C. tojo.C. templos e organizaram o comércio. lança. carrasco. gordo. de procedência germânica. construíram estradas. em 409 da nossa era. quase nada conservaram os idiomas hispânicos. embora os contatos políticos continuassem entre suas diversas partes.. a Barbaria. -asco ( penhasco ) e –ego ( borrego ) – e algumas palavras de significação concreta: arroio. um período de aculturação e de intercâmbio e contraste do latim. Podemos atribuir. veiga. lavradores e soldados ). barro.. por ocasião da 2ª Guerra Púnica. em 19 a. mas só conseguiram dominá-la por completo. tais como – arra ( bocarra ). quando Augusto venceu a resistência dos altivos povos das Astúrias e da Cantábria. era de vocabulário reduzido. viajantes.C. lama. bem como em todas as áreas dominadas pelos romanos. braga (s). Houve o que se entende por Romania. -orro ( beatorro ). funcionários administrativos. através de pesquisas. a origem pré-romana apenas a uns quantos sufixos. Na Península Ibérica. lousa. Foi constatado. para implantar o latim e torná-lo uma língua utilizável por todos os povos da península. dominaram a península. etc . com as línguas bárbaras. interligadas por uma certa comunidade de civilização. com relativa segurança. que o latim vulgar. dentre outras táticas. a partir do século III da nossa era. as regiões habitadas pelos outros povos da época.

em 429 d. pelos povos bárbaros Germanos ( alanos. que não mais distinguia os direitos das comunidades goda ehispana. em 586. suevos e vândalos ) que entre as principais características. Os visigodos logo se fundiram com a população românica. não penetrou a ponto de atingir a base da língua. ato de Leovegildo. embora continuasse existindo os contatos políticos entre as suas diversas partes. com ele ruía não apenas o império romanovisigótico.4. e os suevos estabeleceram-se na Galécia e na Lusitânia. O influxo dos bárbaros Germânicos. palavras que já pertenciam ao latim vulgar ou . A partir daí. a conversão.1. mas no século VI d. legítimo continuador do latim vulgar. estes eram mais os mais civilizados dos povos germânicos e já mantinham antigos contatos com os romanos. depois de haverem fixado-se na Bética. desde 425 de nossa era. foram absorvidos pelos visigodos. não pôde deter a invasão árabe. que tinha como religião o Cristianismo e como língua o hispano-românico. transportaram-se para a África. Assim. em 711. a mais famosa era o vandalismo e apresentaram uma cultura inferior à dos peninsulares. E três fatos concorreram para que isto acontecesse: A abolição da lei que proibia o casamento de godos com hispanos. promulgado por Recesvindo me 654. já não havia mais a unidade lingüística do império romano.C. o último rei godo. sudoeste da Gália. Estavam sediados na Aquitânia.O domínio visigótico Quando a Península Ibérica foi invadida novamente. divididas em 4 grupos ( excluindo nomes próprios de pessoas e de lugares ): no 1° grupo. de Recaredo ao Cristianismo e o código. o domínio Visigótico. por uma certa comunidade de civilização. desta vez. os vândalos. Os alanos desapareceram rapidamente.C. Do período denominado. quando Rodrigo. com a invasão da Península Ibérica pelos povos bárbaros mencionados conservouse as palavras godas que se conservaram em português..

dialetouse. logo após terem vencidos os visigodos. de onde surgiram as línguas românicas ou novilatinas. pelo leste da região de Dácia. guarecer. íngreme. onde inconformados visigodos se refugiaram e planejaram a reconquista. Nas Astúrias. guarda. norte e nordeste da Récia. rapar. arrear. taco. ou seja.O domínio árabe Depois da dissociação da monarquia dos visigodos.medieval. triscar e. Porém não duvida-se que desta convivência árabe. Córsega e Sardenha. brotar. ufanar-se. roupa. ganso. bando. espora. guerra. espia. o latim vulgar sofreu muitas modificações pela ação do substrato lingüístico ( língua de um povo vencido sobre a qual se superpõe a língua do vencedor ) originando dos bárbaros. os árabes se apoderaram da Península Ibérica. aio. fato.4. espeto. elmo. ou à península e a Itália. finalmente no 4º grupo. malada ( arcáico ). as palavras comuns a todas as regiões ocupadas primitivamente pelos Godos. estala. roca. O árabe tornou-se o idioma oficial. Com a queda do Império Romano. porém o romance ainda era usado pelos derrotados. palavras peculiares à península e à França. causando línguas diversas. o latim foi ainda mais alterado. aleive. enguiçar. trégua. pela Gália. aspa. Espanha. no 3º grupo. mofo. no 2º grupo. albergue. bramar. luva. com isso o romance ( conhecido como latim vulgar ). mofino. as palavras privativas dos idiomas íberos-germânicos. estaca. tascar. formou-se um dialeto chamado de galaico- . agasalhar. Com exceção da região das Astúrias. garbo. O romance era falado pelo povo e passou a se desenvolver independemente em cada região. escanção. o latim espalhou-se pela Itália. O latim disseminou. a língua guarda até hoje várias palavras. aia. logo. sítio. Desta forma. 1.

arrabil. almude. alporão ( in CUNHA & LINDLEY. de origem sânscrita: alcanfor e xadrez. Os árabes nos deixaram pouquíssimas influências relacionadas à Língua Portuguesa e um grande exemplo a ser citado seria o léxico: cerca de mil vocábulos de origem árabe existem no léxico português. alcaide. arrebatar. alecrim.O português primitivo ( período evolutivo da língua ) À medida em que o cristãos avançaram para o sul. provocada pelos Árabes. alijava. alface. Algumas povoações automaticamente receberam influência na linguagem e nos costumes são os chamados moçárabes. califa. álcool. São. arroba. benjoim. armazém. quilate. Da invasão ocorreu da Península Ibérica. ronda. no século VIII. Em alguns casos os árabes foram os intermediários de palavras que haviam tomado a outras línguas. A separação entre o galego e o português se iniciou com a independência de Portugal. emir. de origem grega: alambique. algibebe.5. tambor. em 1185 e se consolidou com . zênite. 2007 ). anafil. alfazema. algodão. álcali e etc. de origem persa: azul. álgebra. alfaiate. alfageme. almocreve. jasmim e laranja. escarlate. por exemplo. começando o processo de diferenciação do português em relação ao galegoportuguês. alfafa. alfange. almotacel. alcaparra. quintal.português. alferes. aduana. adarga. zaga. berinjela. açafrão. palavras tais como acicate. alcácer. Muitos vocábulos são caracterizados pelos prefixos ‗Al‘. atalaia. nadir e etc. almoxarife. 1. cifra. acelga e arro. açucena. adufe. E ainda. artigo definido árabe e alguns exemplos de palavras com este prefixo são: alcachofra. albornoz. pois não havia diferença no falar da Galaza e da região chamada de Condado Portugalense. ameia. açúcar. alfândega. algarada. algoritmo. adail. Do próprio latim há uma série de palavras introduzidas de forma arabizada: abricó. os dialetos do norte interagiram com os dialetos moçárabes do sul. alaúde. alquimia.

e chá. no século V. Brasil. África e América. Entre os séculos XIV e XVI. a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia. Foi através dessa língua é que temos a criação do primeiro documento da nossa literatura. faz a sua independência em relação a Espanha. de origem chinesa). que tentaram anexar o país. no qual identificações do português arcáico se dava através de poesias trovadorescas que estão juntas em ―cancioneiros‖. Cabo Verde. poesia escrita por Paio Soares.a expulsão dos mouros em 1249. ―Cantiga de Ribeirinha‖. corrompendo-o É com a presença árabe. no século VIII. com a construção do império português de ultramar. além da derrota dos castelhanos. Falado em Portugal. cuja magnífica cultura contribuiu à decadência reduzindo o latim a alguns vernáculos. passou a ser conhecido como galaico-português. Com o Renascimento. em 1385. Nessa região temos o dialeto galeziano que era uma língua estabelecida na região onde Portugal foi fundado e conseqüentemente depois de algum tempo. Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do . sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada. tornando o português mais complexo e maleável. em 1140. O português arcaico originou-se a partir do século XII em que foi criado o primeiro texto totalmente redigido em português: ―Cantiga da Ribeirinha‖. O Português é falado nos cinco continentes e se mostra instrumento de alta eficiência da criação estética em poesia e prosa. proclamando-se o 1º rei de Portugal. Angola. aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega. A decadência do latim se deu com as invasões bárbaras. o rei Afonso Henriques. Moçambique. de origem malaia. Com a expansão do território mais para o sul.

os dialetos portugueses setentrionais e os dialetos portugueses centro meridionais. 2. por mais que sua expansão na Europa tenha sido modificada e em outros continentes e territórios excluindo o caso das línguas criolas. O português é uma língua viva. Ásia e Oceania: as crioulas e as nãocrioulas. A língua portuguesa conserva harmonia entre as suas diversas variedades. a língua portuguesa é falada em área vastíssima e descontínua. de acordo com certas características diferenciais de tipo fonético.O português da África. As variedades crioulas são a adição dos contatos lingüísticos português e indígena. 2 – DOMÍNIOS ATUAIS DA LÍNGUA PORTUGUESA Atualmente. 2. internamente diferenciada em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto à pronuncia. do globo terrestre.Os dialetos do português europeu: Na faixa ocidental da Península Ibérica ocupada pelo galegoportuguês apresenta-se um conjunto de dialetos que. podem ser classificados em três grandes grupos: os dialetos galegos. os protocrioulos serviram de base . Embora seja inevitável a existência de tais diferenciações. Desde a expansão portuguesa.1. ela não é suficiente para impedir a unidade superior da Língua Portuguesa. Ásia e Oceania: Há dois tipos de variedades no que tange à assunção da língua portuguesa na África.2. mormente a partir do séculos XV e XVI.Cancioneiro Geral de Garcia de Resende. em 1516. à gramática e ao vocabulário.

Nessa esteira. mercadores e pessoas simples nas costas da Arábia. originando o crioulo. pois.para a comunicação entre navegadores. Índia. tal como ambas vêm se desenvolvendo no Brasil. Pérsia. Os crioulos são línguas criadas pela necessidade de comunicação entre sujeitos poliglotas. de linha pechetiana.unidade e diversidade linguística . restrito e persuasivo de linguagem. de modo que possamos explicitar algumas considerações a partir de duas noções muito caras ao nosso estudo . é possível entender a possibilidade de o diferente ser constitutivo do mesmo. o Dicionário Contemporâneo da Língua Portuguesa (DCA) .e que se relacionam com as três noções anteriormente citadas. Moçambique. Ao inscrevermo-nos na perspectiva teórica da . publicado inicialmente em Portugal e Posteriormente no Brasil. Malásia. apresentaremos as noções de dicionário. Cabo Verde é embasado na variedade européia. em articulação com a História das Ideias Linguísticas. Japão. de Francisco Júlio Caldas Aulete. Desenvolvemos nosso trabalho sobre essas duas noções basilares. Guiné-Bissau. China. que mais tarde se expandiria pelas novas gerações. UNIDADE E DIVERSIDADE DA LÍNGUA PORTUGUESA: ENTRE O MESMO E O DIFERENTE O presente trabalho tem por objetivo apresentar algumas considerações sobre o nosso objeto de estudo da dissertação. África Ocidental e África Oriental. a partir delas. Apela pelo modelo imposto da língua dominante para formar o ―pidgin‖ ( um modelo simples. São Tomé e Príncipe. pouco modificado portanto. Observa-se que o português de Angola. de prefácio e de língua. Nosso trabalho inscreve-se na perspectiva teórico-metodológica da Análise de Discurso.

Ibid. segundo a autora supracitada. p.com A partir disso. há lugares: os lugares topológicos. No terceiro princípio.. abordar domínios e fronteiras é entender que as repetições têm certa regularidade. pensamos o domínio dicionarístico –lugar de retomadas. 132). os lugares na ordem da essência. cabe ressaltar que lugar é esse de onde falamos. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Santa Maria. as fronteiras atravessam as regularizações e o acontecimento irrompe nos domínios a cada nova circulação. mas fluidas. O segundo princípio proposto pela autora é pensar o lugar como domínios e fronteiras.. Assim. p. o lugar é tomado como ―um jogo de força que procura manter uma certa regularização em um certo domínio‖ (Ibid. Segundo Scherer (2008). Essa regularização é entendida como um espaço de estabilidade. 132). de retomadas. pois. 132). deslocamentos e rupturas. há o lugar no mundo‖ (Ibid.como um conjunto de . p. e depois. mas ele deve ser tomado como um espaço móvel.. deslocamentos. ainda conforme a autora. Assim. A partir disso. 2002). delimitado por bordas que fixam as fronteiras e os domínios do conhecimento. cujas fronteiras não são delimitadas. O primeiro princípio. o lugar em que nos inscrevemos e em que situamos o nosso trabalho é o de entremeio (Orlandi.Análise de Discurso na relação com a História das Ideias Linguísticas. o lugar seria ―fundante de domínio e de fronteira entre o histórico e o simbólico pela língua‖ (cf. conforme a autora. Bolsista Cap es. não se pode tomar o lugar como algo estanque. recorremos aos estudos de Scherer (2008) que aponta três princípios para pensar sobre a noção de lugar. Para tentar explicitá-lo. toma por base os pressupostos teóricos de Lacan a partir dos quais se entende o lugar como estrutura simbólica em que ―há lugar. Endereço eletrônico: daiasiveris@gmail. rupturas .

ainda. também o compreendemos como um discurso (Ibid. p. tomando por base a tradição greco-latina. pode se dar por meio de exemplos de autores consagrados. O instrumento linguístico. atribuindo a esta uma realidade histórica e social e garantindo sua unidade imaginária. seja o dicionário. consideramos o dicionário com o um instrumento linguístico resultante do processode gramatização que constitui a segunda revolução tecnológica nas ciências da linguagem (Id. representa a relação dos falantes com a sua língua. muitas vezes. ele é entendido como o lugar da completude..). bem como através da . Além de entendermos o dicionário como um instrumento linguístico e um objeto histórico. que são ai nda hoje os pilares de nosso saber metalingüístico: a gramática e o dicionário. seja ele a gramática.normatizada. Orlandi (2002a) afirma ainda que. 74). p. os dicionários são textos produzidos em certas condições e seu processo de produção está vinculado ao imaginário que temos da língua a ser dicionarizada. não corresponde a uma transferência independente dacultura de cada povo.‖ (Ibid . Segundo a autora. o dicionário é tomado como o espaço que contém todas as palavras de uma língua. 1992) que tem por objetivo a gramatização e a instrumentação de uma língua. Assim. Essa completude. pois se deve levar em conta a situação dos sujeitos. 65). O processo de gramatização das línguas do qual fala o autor refere-se à produção de dicionários e gramáticas das línguas existentes. conforme afirma Orlandi (2002a). conforme a autora.). A partir do que nos apont a o autor supramencionado.técnicas (Auroux.. Destacamos. Contudo. que a gramatização es tá relacionada ―a uma transferência de tecnologia de uma língua para outras línguas‖ (Ibid. ―por gramatização deve-se entender o processo que conduz a descrever e a instrumentar uma língua na base de duas tecnologias.

a rela ção que se instaura. Esses dois momentos não podem excluir a história e a memória dos sujeitos e de suas língua s. deslocamentos e rupturas a part ir do trabalho que vimos desenvolvendo. 2009). Quando se fala de instrumentos linguísticos. . A língua imaginária é e ntendida como a língua sistema. Mais adiante. pode ser observado que o dicionário não se constitui apenas como um objeto normativo. E ntretanto. 1996). a língua que dá unidade à linguagem. deslocamentos e rupturas. Esse func ionamento é garantido pela noção de língua imaginária (Orlandi. a língua das gramáticas e dos dicionários. Esses processos de estabelecimento e fixação se con solidam para acelerar a construção de uma identidade nacional una e indivisa (Silva. a língua sistematizada. fixada em regras e normas. daí pod ermos falar de retomadas. as marcas da língua outra (que não a 2 Pode-se afirmar que o domínio dicionarístico é um lugar de retomadas. que compo rtam todas as palavras que uma língua pode conter. É isso que assegura o funcionamento dos instrumentos linguísticos. ou seja. em geral.remissão de um verbete a outros verbetes. é de estabelecer e fixar uma língua. embasados nos est udos realizados por Nunes (2006) sobre dicionários. a imagem de que eles são completos. esses são dois mome ntos na constituição da nacionalidade de um território. a língua gramatical .

uma ilusão necessária ao sujeito para que este possa se constituir enquanto tal na relação com a sua língua. ao registrar as formas. e. p. um espaço . muitas vezes.. 2002). na medida em que ―legitima uma língua nacional. apagando-se as diversidades‖ (p. de 20 a 23 de setembro de 2011 portuguesa) também aparecem no dicionário. a língua é uma ―questão naci onal. o diferente. Porém. 22). também apresentam saberes outros. saberes que são da ordem do local. 110). esse instrumento linguístico é tomado. como um objeto normativo. estejam elas se mostrando ou se escondendo por um silenciamento/ocultação de sentidos.) afirma que a língua é uma questão nacional.UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre. por isso. interessa ao Estado uma homogeneização pedagogicamente instituída para que se possa ensinar e aprender a língua nacional. No entanto. esse é apenas um efeito de comp letude (Orlandi. Na medida em que se tem o ―efeito da completude da representação da língua‖ (Ibid. O sujeito tem o imaginár io de que o dicionário é o espaço em que se pode reuni r e conter todos os sentidos possíveis de uma língua. Silva (2003) ressalta também que o dicionário é um objeto de representaçã o da nacionalidade. os uso s e os sentidos‖ (p. Assim como Petri (Ibid. ist o é. do regional e do nacional. esses mesmos dicionários que buscam a normatização. 103) no dicionário. Conforme Petri (2010).

ele caracteriza-se por ser um objeto normativo que divide o real da língua para compor sua unidade que . já dados. através do processo de colonização/descolonização linguística. enquanto instrumento linguístico e normativo. no caso da língua portuguesa. sem faltas. sem equívocos. pois. conforme afirma Oliveira (2006). 2006. Lí ngua esta dividida pelo fato da colonização. 11). um lugar de certezas sobre a língua. de uma nação. o ―espaço im aginário da certitude. é o lugar do saber instituído. grande parte das obras brasileiras tem seu dizer na/sobre a lín gua determinado pela relação com Portugal – e. o que faz com que a história da lexico grafia no Brasil compreenda obras da lexicografia lusitana. diz respeito também à formação dos Estad os nacionais. arriscamos dizer que essa unidade é busc ada na relação com a língua portuguesa de Portugal. 20 06. e com que nas obras brasilei ras o dizer sobre a língua seja determinado pela relação com Portugal (OLIVEIRA. de língua nacional. Referente à língua portuguesa do Brasil. Quando o dicionário é abordado como o lugar dos saberes instituídos. É a partir da tentativa de conter os sentidos da/na língua que se visa à unidade de um p ovo. constituind o imaginariamente o mesmo. a mesma língua. imutável. p. sustentado pela acumulação e pela repetição‖ (Nunes. 18). pron tos.sem falhas. A partir dessa citação. entendemos que o dicionário . . é a unidade de língua de Estado. acrescen taríamos. p. sem espaço para o sentido outro.

ao tratar o dicionário como discurso. Na Análise de Discurso. como sendo também determinados por elas. ou seja. na linha teórica a qual nos f iliamos. Nunes (2006). 1). O dicionário é o espaço de circulação de sentidos outros. afirma que esse tem uma história. um objeto histórico e simbólico que possib ilita compreender o funcionamento da ideologia no modo co mo os sujeitos produtores da linguagem se relacionam com a língua. Além disso. de 20 a 23 de setembro de 2011 gramáticas são objetos de conhecimentos determinado s sócio-historicamente‖ (p. sendo não só determinantes dessas relações. ―ele constrói e atualiza uma memória. reproduz e desloca sentidos.Entretanto. ainda em relaç ão à definição de dicionário na perspectiva da História das Ideias Linguísticas. um lug ar em que se dá a relação língua-sujeito-história. Ele é. sujeito e sentido se constitue m . 18). que ―os dicionários e as UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre. entendemos que os dicionários são instrumentos linguísticos que se relacionam com a sociedade e a história. o funcionamento do dicionário não se dá somente como um objeto de normatização. inscrevendo-se no horizonte dos dizeres historicamente constituídos‖ (p. antes de tudo. A partir do que a autora explicita nessa passagem. destacamos o que afirma Garcia (2007).

Isso remete ao que afirma Auroux (1992) sobre a gra mática e o dicionário. 8). logo.‖ (p. são vistos como ―unidades textuais. no dicionário. o autor aponta que o dicionário conside rado como um instrumento linguístico é uma ―alteridade para o sujeito falante. enquanto indício de discursividades. Ao aliar a perspectiva teórica da História das Idei as Linguísticas à da Análise de Discurso. Ou se ja. 2006. e a unidade. nos quais intervêm f iliações teóricas e a memória discursiva. logo. 43). entende-se que o dicionário é analisado como te ndo um lugar na história do conhecimento linguístico. o qual faz pa rte da relação que este sujeito mantém com sua líng ua. Nunes (2006a) ressalta que o dicionário. a língua portuguesa de Portugal. alteridade que se torna uma injunção no processo de identificação nacional. na história do saber lingüístico e. temos a diversidade. p. de outro. Além disso. O dicionário se configura como u m objeto simbólico exterior ao sujeito. b em como se constitui como o lugar de observação dos modos de produção de sentidos.simultaneamente. de um l ado. pois cada sujeito estabelec e diferentes relações com sua língua. educação e divulgação de dicionários‖ (Nu nes. o diferente. Isso conduz a examinar o estatuto desta unidade. Este autor aponta que a gramática não é uma simples descrição da linguage . a língua po rtuguesa do Brasil. os sentidos t ambém são tomados na relação indissociável com os sujeitos. e também a gramá tica. o mesmo.

m natural. caso do nosso trabalho. 69). é preciso concebê-la também como um instrumento linguístico : do mesmo modo que um martelo prolonga o gesto da mão. uma gramática prolon ga a fala natural e dá acesso a um corpo de regras e de formas que não figuram junto n a competência de um mesmo locutor. os dicionários monolíngues. Com esse processo de gra matização das línguas. Segundo o autor. constituem o que Auroux (1992) denomina de segunda revolução tecnológica nos estudos da linguagem. não domino certamente a gr ande quantidade de palavras que figuram nos grandes dicionários monolíngües (Ibid. a lexicografia tem início com listas temáticas de UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre. Conforme já afirmamos anteriormente. transformando-o. então . a da gramatização. p.. de 20 a 23 de setembro de 2011 . que a produção de instrumentos linguísticos altera as práticas linguísticas dos sujeitos. modificando também a rel ação desses com sua língua. que o autor mencionado desenvolve o conceito de gra matização. isto é. Isto é ainda mais verdadeiro acerca dos di cionários: qualquer que seja minha competência lingüística. É a partir disso. Entende-se. a partir da citação. começam as mudanças quanto aos estudos lexicográficos.

Isso se dá es pecialmente em relação às primeiras edições ainda publicadas em Portugal. pelo viés das definições. ou seja. representa a relação que o sujeito português tem com sua língua. A autora apresenta essa noção mostrando que no Brasil e em Portugal fala-se a mesma língua. temos a noção de heterogeneidade linguística. as quais constituem os mais antigos in strumentos pedagógicos da humanidade. para o ensino e aprendizagem do latim como segunda língua. 73). emerge mais claramente para os brasileiros como uma alteridade que eles incorporam ou distinguem conforme o caso‖ (p. qu e existem desde os gregos. Auroux (1992) pontua que O dicionário monolíngüe de uso dos nacionais. 80). bi ou n-língu es (Ibid.. Nunes (2001) afirma que ―a língua nacional portugue sa. surgem os glossários mono. em sua maioria. aparecem mais tarde. esses glossários são instrumentos usados. mas corresponde a uma outra finalidade prática que é a mesma da gramatiza ção das línguas nacionais: a normatização dos idiomas (Ibid. inicialmente. Os dicionários monolíngues. tal como os conhecemos hoje. ligam-se entre si. uma vez consolidada. Dando sequência a essas produções. surgem as listas de palavras antigas e difíceis. os sujeitos falantes da língua po rtuguesa do Brasil podem não se identificar com ess a língua portuguesa que eles encontram nos dicionário s e que. Ao encontro disso. cujas entradas.). . p. Após. é herdeiro inconteste desse trab alho lexical.vocabulário. desenvolvida por Orlandi (1994).

ao realizarem um estudo sobre a gramática. quando se referem a o que é da ―ordem do homogêneo‖ (Ibid. Petri e Surdi (2010). Qualquer que seja o instrumento lin . um ‗outro‘. observamos que o DCA não difere muito em relação à gramática analisada p or elas. por que há ―um outro‖ – a variedade brasileira no português de Portugal. um diferente histórico qu e o constitui ainda que na aparência do ‗mesmo‘‖ (Ibi d. A língua portuguesa – o mesmo – parece ser a mesma em Portugal e no Brasil. Ou seja. ela considera a he terogeneidade linguística no sentido de que ―joga e m nossa língua um fundo falso em que o ‗mesmo‘ abriga . p. Explicitemos nosso ponto de vista. Quando fazem ―referência ao diverso.mas de forma diferente. utilizam o termo ―diferente‖ e. no entanto. empregam o termo ―mesmo‖. p. ao variado.. mas não é. 2). a o heterogêneo. p. ao mutável‖ (Ibid. Essas noções são designadas pelas autoras como ―mesmo‖ e ―diferente‖. Ao buscarmos nessas autor as as noções de mesmo e de diferente . 31).. 1 ).. apontam para duas noções que tornam possível entender os instrumentos linguístic os como objetos normativos e também como espaço de funcionamento do sentido outro.

guístico – gramática ou dicionário – em nosso entendimento, constitui-se enquanto objeto normativ o, centrado na busca pela unidade da língua. Assim, ―a gramática [e o dicionário] é (são) resultado de um projeto de unicidade/unidade da língua, mas ela não é imune às características próprias da língua que c omporta o mesmo e o diferente‖ (Ibid., p. 11). Part imos do princípio de que no instrumento linguístico DCA também se estabelece a relação entre o mesmo eo diferente , uma vez que se observa, nas edições brasileiras, uma língua veiculada que segue os moldes UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL V SEMINÁRIO DE ESTUDOS EM ANÁLISE DO DISCURSO O acontecimento do discurso: filiações e rupturas Porto Alegre, de 20 a 23 de setembro de 2011 da língua portuguesa de Portugal, mas também uma lí ngua que é atualizada em território brasileiro e, p or isso, submetida a padrões brasileiros. Quando se desenvolve um trabalho de análise do domí nio dicionarístico, sob a perspectiva discursiva, leva-se em conta a historicidade e os s entidos que perpassam a constituição das discursividades. Desse modo, estabelecemos como rec orte de análise em nossa dissertação o domínio dicionarístico prefácio

, pois é a partir dele que se pode analisar as cond ições de produção, as quais nos possibilitam relacionar as noções de unidade e dive rsidade linguística às noções de mesmo e diferente. Na perspectiva discursivista em articulação com a H istória das Ideias Linguísticas, entendemos que o prefácio seja um texto de apresentação; um texto qu e antecede o principal. É o lugar em que é possível observar as condições de produção do discurso, o su jeito que produz o texto em sua totalidade, as concepções teóricas que permeiam a obra e também a imagem dos sujeitos leitores desse instrumento linguístico. Segundo Nunes (2006, p. 33), ―sem esses textos intr odutórios, o dicionário perde grande parte de sua historicização‖. Sendo assim, o prefácio consti tui-se como o lugar em que se pode conhecer a história, o momento de produção, o sujeito que o pr oduz, o público leitor da obra. No caso específico de nosso trabalho, os prefácios das diferentes edições do dicionário vão atualizando sentidos, sejam eles sobre a língua, sejam sobre os sujeitos produtores. Conforme afirma Petri (2009), o prefácio tem um fun cionamento muito próprio, ou seja, ele antecede o texto ou a obra que vem na sequência. Al ém disso, a autora pontua que ―nele está contido o que pode e o que não pode ser dito, bem como nele s e revelam marcas da posição-sujeito que produz a obra como um todo‖ (p. 330). Entendemos, com isso, que a atualização do DCA, no Brasil, esteja relacionada à aprendizagem

de uma língua vinculada a interesses práticos, pois o DCA se configura como um método de colonização; busca descrever e instrumentar uma língua portugues a tomando-se os moldes da língua de Portugal; visa incluir brasileirismos e gravuras que remetem ao Brasil para que sentidos sejam atualizados. Além disso, a publicação/atualização do DCA explicita que os interesses da circulação desse ins trumento linguístico estejam centrados na organização e regulação da língua portuguesa no/do Brasil, tendo como pressuposto a possibilidade de expandir uma língua a diferentes territórios a partir de teorias que os instrumentos linguísticos veiculam e que, nesse cas o, estão mais direcionadas aos interesses portugueses do que aos dos brasileiros. A LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL Eduardo Guimarães

A língua portuguesa formou-se como língua específica, na Europa, pela diferenciação que o latim sofreu na Península Ibérica durante o processo de contatos entre povos e línguas que se deram a partir da chegada dos romanos no século II a.C., por ocasião da segunda Guerra Púnica, no ano de 218 a.C(1). Na Península Ibérica o latim entrou em contato com línguas já ali existentes. Depois houve o contato do latim já transformado com

as línguas germânicas, no período de presença desses povos na península (de 409 a 711 d.C). Em seguida, com a invasão mulçumana (árabes e berberes), esse latim modificado e já em processo de divisão entra em contato com o árabe. Na primeira fase do processo de reconquista da Península Ibérica pelos cristãos, que tinham resistido no norte, os romances (latim modificado por anos de contato com outros povos e línguas) tomaram uma feição específica no oeste da península, formando o galego-português e em seguida o português. Formou-se paralelamente o Condado Portugalense e, a partir dele, um novo país, Portugal. Toma-se como data de independência do condado do reino de Castela e Leão a batalha de São Mamede em 1128. Essa nova língua, depois de um longo período de mudanças correspondente a todo o final da chamada Idade Média, é transportada para o Brasil, assim como para outros continentes, no momento das grandes navegações do final do século XV e do século XVI. PORTUGUÊS: LÍNGUA OFICIAL E NACIONAL DO BRASIL Com o início efetivo da colonização portuguesa em 1532, a língua portuguesa começa a ser transportada para o Brasil. Aqui ela entra em relação, num novo espaço-tempo, com povos que falavam outras línguas, as línguas indígenas, e acaba por tornar-se, nessa nova geografia, a língua oficial e nacional do Brasil. Podemos estabelecer para esta história quatro períodos distintos, se consideramos como elemento definidor o modo de relação da língua portuguesa com as demais línguas praticadas no Brasil (2) deste 1532 (3). O primeiro momento começa com o início da colonização e vai até a saída dos holandeses do Brasil, em 1654. Nesse período o português convive, no território que é hoje o Brasil, com as línguas indígenas, com as línguas gerais e com o holandês, esta

última a língua de um país europeu e também colonizador. As línguas gerais eram línguas tupi faladas pela maioria da população. Eram as línguas do contato entre índios de diferentes tribos, entre índios e portugueses e seus descendentes, assim como entre portugueses e seus descendentes. A língua geral era assim uma língua franca. O português, como língua oficial do Estado português, era a língua empregada em documentos oficiais e praticada por aqueles que estavam ligados à administração da colônia. O segundo período começa com a saída dos holandeses do Brasil e vai até a chegada da família real portuguesa no Rio de Janeiro, em 1808. A saída dos holandeses muda o quadro de relações entre línguas no Brasil na medida em que o português não tem mais a concorrência de uma outra língua de Estado (o holandês). A relação passa a ser, fundamentalmente, entre o português, as línguas indígenas, especialmente as línguas gerais, e as línguas africanas dos escravos. Esse período caracteriza-se por ser aquele em que Portugal, dando andamento mais específico ao processo de colonização, toma também medidas diretas e indiretas que levam ao declínio das línguas gerais. A população do Brasil, que era predominantemente de índios, passa a receber um número crescente de portugueses assim como de negros que vinham para o Brasil como escravos. Para se ter uma ideia, no século XVI foram trazidos para o Brasil 100 mil negros. Este número salta para 600 mil no século XVII e 1,3 milhão no século XVIII. O espaço de línguas do Brasil passa a incluir também a relação das línguas africanas dos escravos e o português. Com o maior número de portugueses cresce também o número de falantes específicos do português. E isto tem uma outra característica: os portugueses que vêm para o Brasil não vêm da mesma região de Portugal. Desse modo, passam a conviver no

Esta ação é uma atitude direta de política de línguas de Portugal para tornar o português a língua mais falada do Brasil. como consequência da guerra com a França. junto com o aumento da população portuguesa no Brasil. O terceiro momento do português no Brasil começa com a vinda da família real em 1808. Nesse período.Brasil. e isto inclui também a questão da língua. da população portuguesa no Brasil. em Portugal. mudando o quadro da vida cultural brasileira. O primeiro deles é um aumento. e termina com a independência. divisões do português que. Logo de início Dom João VI criou a imprensa no Brasil e fundou a Biblioteca Nacional. Assim. ministro de Dom José I. por iniciativa do Marquês de Pombal. terá um efeito específico que ajuda a levar ao declínio definitivo da língua geral no país (4). num mesmo espaço e tempo. A vinda da família real terá dois efeitos importantes. os índios não poderiam mais usar nenhuma outra língua que não a portuguesa. Poderíamos utilizar. que proibia o uso da língua geral na colônia. conviviam como dialetos de regiões diferentes. Essa ação. ainda. há dois fatos de extrema importância. em curto espaço de tempo. O português que já era a língua oficial do Estado passa a ser a língua mais falada no Brasil. O primeiro deles é a ação direta do império português que age para impedir o uso da língua geral nas escolas. e dando à língua portuguesa aqui um . O segundo é a transformação do Rio de Janeiro em capital do Império que traz novos aspectos para as relações sociais em território brasileiro. como data final desse período. 1826. Chegaram ao Rio de Janeiro em torno de 15 mil portugueses. Uma dessas ações mais conhecidas é o estabelecimento do Diretório dos Índios (1757). pois é nesse ano que se formula a questão da língua nacional do Brasil no parlamento brasileiro.

Temos aí constituída a sobreposição da língua oficial e da língua nacional. Ou seja. enquanto língua do rei e da corte. junto com nossos escritores. Essas questões tomam espaços importantes tanto na literatura quanto na constituição de um conhecimento brasileiro sobre o português no Brasil. É dessa época a literatura de José de Alencar (5) que tem debates importantes com escritores portugueses que não aceitavam o modo como ele escrevia. que já era língua oficial do Estado. Pela história de suas relações com outro espaço de línguas. Esses fatos produzem um certo efeito de unidade do português para o Brasil. Em 1827 houve um grande número de discussões sobre o fato de que os professores deveriam ensinar a ler e a escrever utilizando a gramática da língua nacional. se põe agora como uma forma de transformá-la de língua do colonizador em língua da nação brasileira. ao funcionar em novas condições e nelas se relacionar com línguas indígenas. línguas africanas. Nesse ano o deputado José Clemente propôs que os diplomas dos médicos no Brasil fossem redigidos em "linguagem brasileira".instrumento direto de circulação. É também dessa época o processo pelo qual os brasileiros tiveram legitimadas suas gramáticas para o ensino de português e seus dicionários (6). a questão da língua portuguesa no Brasil. . Dessa maneira cria-se historicamente no Brasil o sentido de apropriação do português enquanto uma língua que tem as marcas de sua relação com as condições brasileiras. se modificou de modo específico e os gramáticos e lexicógrafos brasileiros do final do século XIX. a imprensa. língua geral. trabalham o "sentimento" do português como língua nacional do Brasil (7). O quarto período começa em 1826. o português.

não há lugar para essas línguas e seus falantes. italiano. línguas nacionais ou oficiais nos países de origem dos imigrantes. Esse processo de imigração terá um momento muito particular na passagem do século XIX para o XX (1880-1930). Ou seja. no qual o português já se definira como língua oficial e nacional do Brasil. coreano. Começa em 1818/1820 o processo de imigração para o Brasil. Essas línguas são línguas legitimadas no conjunto . o início das relações entre o português e as línguas de imigrantes. com a vinda de alemães para Ilhéus (1818) e Nova Friburgo (1820). trará uma outra novidade. duas relações significativamente distintas: de um lado as línguas indígenas (e num certo sentido as línguas africanas dos descendentes de escravos) e de outro as línguas de imigração. em torno da língua oficial e nacional.Esse quarto período. de algum modo. As línguas indígenas e africanas entram na relação como línguas de povos considerados primitivos a serem ou civilizados (no caso dos índios) ou escravizados (no caso dos negros). as línguas e seus falantes entram no Brasil por uma ação de governo que procurava cooperação para desenvolver o país. holandês. por exemplo. japonês. A partir desse momento entraram no Brasil. inglês. No caso da imigração. Essa diferença não é simplesmente uma diferença empírica do tipo: as línguas indígenas e seus falantes já existiam no Brasil quando da chegada dos portugueses e as línguas de imigração vieram depois. E as línguas que vêm com os imigrantes eram. A diferença é de modo de relação. Deste modo o espaço de enunciação do Brasil passa a ter. falantes de alemão.

por exemplo. a língua da escola e que convive. Ela se deu durante todo o período de colonização entrando em relação constante com outras línguas. As línguas dos imigrantes eram línguas de povos considerados civilizados. Por outro lado. como no Rio de Janeiro. com um grande conjunto de outras línguas (de um lado as línguas indígenas e de outro as línguas de imigrantes). sua vinda para o Brasil traz para esse novo espaço as diversas variedades do português de Portugal. enquanto língua nacional. CARACTERÍSTICAS DO PORTUGUÊS DO BRASIL A vinda da língua portuguesa para o Brasil não se deu. da mesma maneira que o português. em muitos casos. . em geral. Estas variedades se instalarão em lugares diferentes do Brasil mas. da lei. Enquanto língua oficial e língua nacional do Brasil. como vimos. em um só momento. O português do Brasil vai. apresentar um conjunto de características não encontráveis. em virtude das condições novas em que a língua passou a funcionar. em diversas outras regiões do mundo. sendo também a língua dos atos oficiais. no português de Portugal. elas convivem num mesmo espaço. Por outro lado. Há que se considerar que. o português é significado como a língua materna de todos os brasileiros. o português é uma língua de uso em todo o território brasileiro. diferentemente das línguas indígenas e africanas. Desse modo. terá características também específicas. na extensão do território brasileiro.global das relações de línguas. com o tempo. ou indígenas ou de imigrantes. mesmo que um bom número de brasileiros tenham como língua materna outras línguas. se levamos em conta a língua escrita. o povoamento do Brasil se fez com a vinda de portugueses de todas regiões de Portugal. em oposição às línguas indígenas e africanas.

assim como o de outras regiões do mundo. é seu sistema de vogais. Meu objetivo não é. Para observar esse aspecto é necessário distinguir. o das características morfológicas e sintáticas. já que a língua escrita está mais sujeita à normatização da língua efetivada através das gramáticas normativas. Na língua oral o processo de incorporação de características específicas se faz de modo mais rápido. Vou me limitar a apresentar aqui o que chamarei de diferenças gramaticais e lexicais (de vocabulário). a grande especificidade do português do Brasil. Evidentemente que a caracterização do português do Brasil envolve a consideração efetiva das diversas divisões a que a língua portuguesa está sujeita no Brasil. com o português de Portugal. A seguir. tanto regionais quanto sociais e históricas (tal como mostram o artigo "Variedades do português no mundo e no Brasil" de Emílio Pagotto. CARACTERÍSTICAS FONÉTICO-FONOLÓGICAS Neste nível. neste texto. considerando o que Pagotto nos mostra no seu texto. 1970) a vogal na posição tônica (da sílaba com acento de . tal como nos mostrou Câmara (1953. se comparado ao de Portugal. discutir essas diferenças internas. sobre os aspectos discursivos envolvidos nessa questão). mas mostrar como o português do Brasil apresenta um conjunto importante de características específicas. vou apresentar um conjunto destas características encontráveis no português do Brasil. dicionários e outros instrumentos reguladores da língua. para a questão das diferenças na língua. e o artigo "Língua brasileira" de Eni Orlandi.vamos encontrar uma maior proximidade entre o português do Brasil. Nas características gramaticais podemos distinguir dois conjuntos de características: o das características fonéticofonológicas.

/i/. enquanto que em Portugal mantêm-se as 8 vogais da posição tônica. /ê/. há três vogais /a/ (casa). diferentemente do /a/ aberto pronunciado com língua em repouso. Assim é que. presente do indicativo. O /u/ tem as mesmas características fonéticas do /u/ brasileiro. na língua falada. e a vogal na posição pretônica (como o /a/ de até). /ô/. Em Portugal (8). /ô/. c) Na posição pretônica. /u/. /ë/ é pronunciado fechado. que as vogais /é/. Em Portugal são também três vogais. /ë/. com a diferença de que o /ê/ passa a /ë/. b) Na posição átona final. e /u/. pronunciado [meninu] e mesmo [mininu]). que não é aberto como o /a/. além dessas vogais. /ô/. /i/ (barbante. embaixo na boca. com timbre aberto. /u/ são posteriores. no português do Brasil. elas são pronunciadas com um movimento da língua para frente. no que toca ao funcionamento dos . se distingue /falämos/. pronunciadas com um movimento da língua para trás. a) Na posição tônica. uma primeira característica geral do português do Brasil é que ele. /u/ (menino. com timbre mais fechado. numa pronúncia mais central: /a/. /é/ (deve). /ä/ é pronunciado com a língua mais alta. /i/ (viga). Este /ä/ é pronunciado com uma certa elevação da língua. /ó/. Note-se que a vogal /a/ é pronunciada. em geral. de /falamos/ passado perfeito (9). /ô/ (avô). /ó/ (avó). há também um /ä/. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS E SINTÁTICAS No nível sintático. mas numa posição mais posterior do que o /ê/ do Brasil. /ê/ (medo). e as vogais /ó/. o português do Brasil apresenta 7 vogais: /a/ (entrada). /i/. pronunciado [barbãti]). Assim diferentemente do Brasil. 5 vogais. /é/.intensidade). /ä/. /ê/. /a/. /ë/ e /u/. a vogal na posição átona final (como o /a/ de fuga). /i/ são anteriores. há no português do Brasil. na boca. /u/ (urubu). com a língua em repouso embaixo. de modo geral. /ä/.

tão comum no Brasil. chegou no Brasil. No caso do SN (sintagma nominal). Isto resulta em um outro modo de colocá-los na frase. o sintagma é constituído pelo menos por um nome e tem geralmente pelo menos um determinante para este nome. Segundo Galves (2002). No Brasil é também comum construções como está escrevendo. assim como uma diferença de tonicidade nesses pronomes. comumente no Brasil. se. não comum em Portugal. Isto faz com que toda a colocação de pronomes átonos no Brasil seja bastante diferente da de Portugal. te. com estar + gerúndio. lhe. chegou ao Brasil. tal como já nos mostrou Ali (1908). Este tipo de diferença tem muito a ver com o fato de que as diferenças fonético-fonológicas. onde menino é o nome e o é o determinante . etc) tem uma colocação mais proclítica. quando em Portugal se tem está à janela. Um sintagma é um elemento lingüístico de nível inferior ao da frase e que possui na sua forma elementos lingüísticos de nível sintático ainda mais baixo. Para apresentar a formulação de Galves usaremos as abreviações SN e V que significam sintagma nominal e verbo. Tem-se. levam a um outro ritmo da frase. com estar a + infinitivo. É também comum no Brasil expressões com a preposição em. que em Portugal são com a preposição a. é que ele é uma língua de tópico. por exemplo. em geral ele combina pelo menos dois elementos. como em o menino. diferentemente do português de Portugal e das demais línguas latinas (10). o. Esta posição se desenvolve a partir de uma formulação de Pontes (1987) que mostrou como muitas construções do português no Brasil precisam ser entendidas como construções com tópico. onde se encontram expressões como está a escrever.pronomes átonos (me. não sendo encontrável em Portugal. está na janela. a principal característica sintática do português do Brasil. a. João se levantou. apontadas antes.

a)uso do pronome ele como objeto Em Portugal esta é uma construção inexistente. eu conheci ele no trem. A noção de verbo. João que faz a referência a uma pessoa é também o sujeito da frase. diferentemente do português de Portugal e as línguas latinas em geral. Para entender essa diferença. João é o tópico. com a palavra João refere-se a alguém (João) e predica-se dele algo.Dito isto. Nesta segunda frase. normalmente. esse rapaz. Neste caso. Segundo a autora é esta característica que explica um conjunto importante de aspectos próprios do português brasileiro. esse rapaz aí que eu encontrei ele no trem. ele fez o trabalho. fez o trabalho. ele fez o trabalho. Na primeira. É comum no Brasil frases como Encontrei ele ontem. na primeira frase. Nestas frases ele é complemento da frase. A tese de Galves é que a estrutura sintática do português é do tipo da segunda frase que aqui usamos como exemplo: João. tal como os que seguem. não aparece. a frase do português do Brasil tem como estrutura SN [SN V (SN). depois tem-se como sujeito o pronome ele. . Diferentemente. para Galves. referido pela palavra João. é a que usualmente conhecemos. que retoma João (anaforiza João) do qual se predica fez o trabalho. que têm como estrutura da frase SN [V (SN). consideremos duas frases: João fez o trabalho e João. O colchete separa o que se apresenta como o que se diz do primeiro SN.e o menino é o SN. Na segunda frase. para o que aqui nos interessa. aquilo sobre o que se vai dizer algo. Deste modo a seqüência sujeito+predicado (ele fez o trabalho) aparece no conjunto como dizendo algo de João. diferentemente de Portugal onde esta construção. aquilo sobre o que se vai dizer algo é diretamente o sujeito da frase. João refere alguém.

enquanto em Portugal o que se encontra é somente algo como eu tinha uma empregada que respondia ao telefone e dizia.. por exemplo.. ela não fica esquentando a cabeça. eu tinha uma empregada que ela respondia ao telefone e dizia. que eu gosto dele. onde aparece preferencialmente o sujeito nulo e em que o ele aparece quando é necessário marcar a concordância. ou para estabelecer um contraste. de quem eu gosto. Tal funcionamento no Brasil se caracteriza por ter uma predominância de relativas com este pronome que retoma um nome da principal (chamado pronome lembrete. e é predominante quando a retomada está em sintagma preposicional. onde o mais comum é o de construções como O André..b)ele como sujeito O funcionamento do ele como sujeito é diferente em Portugal e no Brasil. Para Galves esta diferença diz respeito a que no português do Brasil o ele aparece preferencialmente ao sujeito nulo (que na escola conhecemos como sujeito oculto). enquanto em Portugal só se encontram frases como o André de quem eu gosto. Este aspecto está diretamente relacionado com o funcionamento das relativas no português brasileiro. diferentemente do português de Portugal. Este funcionamento predominante no Brasil é oposto ao predominante em Portugal. já que a terminação verbal é a mesma entre a primeira e a terceira pessoa. c)ele como objeto de preposição No Brasil é comum frases como o André. Este aspecto está ligado ao crescimento no português do Brasil de um outro funcionamento da relativa que se chama de relativa cortadora. o ele (dele) do primeiro exemplo acima)... é mais bonito. é mais bonito. No Brasil temos. Em Portugal a construção encontrável seria É uma pessoa que . conforme mostrou Tarallo (1996). como em É uma pessoa que essas besteiras que a gente fica se preocupando.

Joana não matriculou ainda. não usa mais saia. em oposição a Portugal onde este se não aparece da mesma maneira. por exemplo) era o menos comum. em frases com infinitivo. No português do Brasil hoje há a predominância das construções relativas com pronome lembrete e relativas cortadoras. no Brasil. Esta camisa lava facilmente. enquanto em Portugal haveria somente É impossível achar lugar aqui. portanto. Maria fez a lista dos convidados mas esqueceu de se incluir.não fica esquentando a cabeça com estas besteiras que nos preocupam. uma língua de tópico. enquanto em Portugal só há frases como Não se usa mais saia. Tem-se no Brasil É impossível se achar lugar aqui. Para a autora.Ligada a essa diferença na . em uma ou outra situação. aparece consistentemente a forma se para indeterminar. Assim hoje é predominante o que no início do século XIX (1825. As análises de Tarallo (idem) mostram que essa diferença entre o funcionamento do português do Brasil e de Portugal já está instalada claramente em 1880 e se aprofunda a partir de então. Ao lado desses aspectos. Galves também considera uma outra característica muito interessante do português do Brasil: O funcionamento do pronome se. No Brasil há frases como Nos nossos dias. como mostra que essa diferença nas frases diz respeito a uma especificidade na estrutura mesma da sintaxe do português do Brasil. Esta camisa lava-se facilmente. Joana não se matriculou ainda. É impossível se achar lugar aqui. em contrapartida. Ser. que poderiam ser atribuídas a uma mera diferença de uso de uma ou outra pessoa. Maria fez a lista dos convidados mas esqueceu de incluir ela. diferentemente do português europeu. no português brasileiro o se pode não aparecer em frases com tempo (o verbo nas formas finitas). O que é interessante nessa análise de Galves é que ela não só registra a existência de construções diferentes. Interessante para a lingüista é que. ter a estrutura SN [SN V (SN).

estrutura sintática da frase. o modo como o português do Brasil faz referência às coisas sobre às quais se fala. E esta não deixa de ser uma questão a ser estudada no quadro do multilingüismo brasileiro. desfazendo o caráter anafórico do que (relativo). Em cada caso o modo de referir à empregada é um. por exemplo.. com o Marquês de Pedra Branca. na qual o que mantém seu caráter anafórico. Enfim. ou seja. num acontecimento enunciativo específico. CARACTERÍSTICAS DO LÉXICO Desde o início do século XIX. Podemos observar palavras que têm um sentido em Portugal e outro no Brasil. Em outras palavras. Galves nos mostra que o português do Brasil tem uma estrutura e funcionamento diversos do português de Portugal e das outras línguas latinas.. vemos que o ela retoma diretamente empregada. Eu tinha uma empregada que atendia o telefone e dizia.. do português no Brasil. com as quais o português esteve e está em relação. esta característica de estrutura da frase está diretamente articulada a um modo de funcionamento semântico-enunciativo. refere-se a algo. diz respeito a como. muitas palavras tomaram outros sentidos ou foram incorporadas ao português a partir das línguas indígenas e africanas. Ou seja. diferentemente de. o fato de o português ter uma estrutura de tópico para suas frases diz respeito ao modo como no Brasil se faz referência às coisas. outros diriam semântico-pragmático. se usa o estudo do léxico para mostrar diferenças entre o português do Brasil e o português de Portugal (11). no Brasil.. Observe que se tomamos a frase do português do Brasil Eu tinha uma empregada que ela respondia ao telefone e dizia. a partir de exemplos retirados de Teyssier (1997) PORTUGAL BRASIL .. Galves nos mostra como ela está ligada a um aspecto semântico fundamental. Essas diferenças dizem respeito ao fato de que.

piranha. etc. sucuri. de alimentos. abacaxi. samba. palavras que designam elementos do candomblé. abará. mingau. do universo das plantações de cana. cupim. em geral. Exemplos de palavras de origem africana: caçula. caatinga. bangüê. buriti. molambo. da cozinha de influência africana. urubu. senzala. carnaúba. assim como de lugares. São.comboio autocarro eléctrico hospedeira caneta de tinta permanente corta-papeles fato metro trem ônibus bonde aeromoça caneta-tinteiro pátula terno metrô Por outro lado. da fauna. há no Brasil um conjunto importante de palavras de origem indígena. comumente o tupi. capivara. curumim. cafuné. São. moleque. 1950) e Coutinho (1936). Grandes listas de palavras dessas línguas que se incorporaram ao português podem ser encontradas em diversos livros de lingüística histórica do português como Silva Neto (1950). assim como de origem africana. mandacaru. do universo de vida dos escravos. moqueca. palavras relativas à designação da flora. orixá. mas a melhor forma de tratar disso é observar o modo como o português se divide em falares regionais específicos ou registros distintos de acordo com . Tijuca. guri. acarajé. curió. caju. maxixe. Exemplos de palavras de origem indígena: capim. os exemplos são também tirados de Teyssier (idem). vatapá. CONSIDERAÇÕES FINAIS Várias outras características podem ser atribuídas ao português do Brasil. em geral. mocambo. Bueno (1946. e mesmo outros de aspecto mais geral.

fica claro que o estudo do português do Brasil indica para a necessidade de se aprofundarem pesquisas históricas que dêem mais relevo à questão das relações do português num espaço multilíngüe muito particular. Por outro lado. DIVERSIDADE HISTORICA. ocupado por seres humanos de diferentes origens culturais. o ser humano como agente e produtor de sua história. LINGUISTICA E CULTURAL BRASILEIRA DIVERSIDADE BRASILEIRA INTRODUÇÃO O reconhecimento do caráter multicultural de grande parte das sociedades. diversidade linguística. como o formal ou o coloquial. a diversidade em diferentes grupos humanos. cultura. A formação histórica da sociedade bem como a diversidade Cultural na formação do Brasil. relações culturais em diferentes regiões. . leva à constatação de muitas identidades culturais que tomam parte na constituição da diversidade histórica. e assim por diante. O documento em questão aborda tais temas sob os seguintes títulos: diversidade histórica. as relações com o tempo e com o espaço. linguística e cultural. a língua. cultural e linguística nas mais diversas localidades. e as muitas linguagens como fator de identidade de grupos. o íntimo e o público.situações particulares do funcionamento da língua. etc. Aponta a historia. a religião e os padrões culturais incentivando assim a conscientização crítica acerca da diversidade histórica. e diversidade Cultural.

África.DIVERSIDADE HISTORICA A imigração e a integração de várias culturas e povos é parte importante da história de uma nação.. a chegada do europeu na América. Segundo Durkheim. composta essencialmente por três principais grupos étnicos: o indígena. de acordo com o ambiente externo. dentre esses fatores.] são dotados de um que poder imperativo e coercitivo"(Durkheim 1973: 2). podendo este mudar seus hábitos no decorrer do tempo. Há vários. de pensar e de sentir que apresentam a propriedade marcante de existir fora das consciências individuais [.. quanto nas grandes navegações. Émile Durkheim (1858-1917) Sentencia no seu livro Educação e Sociologia. o branco e o negro. e etc. Os indígenas constituem a população nativa do país. Ásia. a vinda do homem para América. e os negros africanos foram trazidos para o trabalho escravo. . tanto na parte pré-histórica. . fatores que durante os séculos foram acontecendo e miscigenando a sociedade. os portugueses foram os povos colonizadores da nação. os fatos históricos tem grande influencia na formação do individuo. desde sua formação. ―maneiras de agir. Este pensamento se confirma no Brasil um país com grande e rica diversidade histórica. É uma ilusão acreditar podemos educar nossos filhos como queremos"... Esse contexto proporcionou a miscigenação dos habitantes do Brasil.

Portugal.caracterizados como mulato (branco + negro). ganhando oito posições entre outros países. As estatísticas mostram que 4. não requeria formação. em comparação com o trabalho em industrias na atualidade. e Alemanha). No passado o trabalho era braçal. e para estar apto ao trabalho o individuo deve obter a formação necessária para concorrer ás vagas de emprego disponíveis. o Brasil viveu um período de crescimento econômico e demográfico. A economia do Brasil foi fortemente dependente do trabalho escravo até o final do século(XIX). bem como as .br/portalv2/sites/fiec[pic][pic] Em geral.5 milhões de pessoas emigraram para o país entre 1882 e 1934. Segundo o forum economico mundial. originaram-se os inúmeros tipos que hoje compõem a nossa população. e o trabalho infantil era considerado normal. cafuzo (índio + negro). Espanha. as pessoas deslocam-se entre países ou estados à procura de trabalho e melhores condições de vida. Vemos na ilustração imigrantes praticando a agricultura no passado(imagem1). Foto: Acervo Arquivo Histórico de Caxias do Sul http://www. acompanhado da imigração europeia (principalmente Itália. Da colonizaçao portuguesa do Brasil(1500-1822) até o final dos anos 1930. sabendo-se que na maioria das vezes os empregadores optam pelo candidato mais preparado. Com o prosseguimento da miscigenação. proíbese o trabalho infantil. o Brasil foi o país que mais aumentou sua competitividade em 2009.org. caboclo ou mameluco (branco + índio). Desde então. Importantes passos dados desde a decada de 90 para a sustentabilidade fiscal.fiec. em contrapartida na atualidade. os elementos de mercado da economia brasileira basearam-se na produção de grãos para exportação. muito rústico.(imagem 2).

locais e culturais. também é através dela que é excluído. . É muito comum que. impulsionaram significativamente os fundamentos do país em matéria de competitividade. É na língua que se apresentam refletidas as representações e construções de uma sociedade.‖(PRETI. as discórdias. as comunidades linguísticas são responsáveis pelos regionalismos: ― As variedades geográficas conduzem a uma oposição fundamental: linguagem comum e linguagem rural. apesar de suas variações devido ao grupo social. Inclusive na educação temos discussões sobre como ensinar a linguagem culta sem ferir a cultura linguística do individuo. Conforme Preti (1982). assim como é pela língua que o sujeito constrói seu lugar na sociedade.) .a diversidade da linguagem é notada e apresenta diferenças regionais.aumentando vagas no mercado de trabalho. os consensos.medidas tomadas para liberar e abrir a economia. as transmissões culturais. .. surjam discussões sobre quem fala certo e quem fala errado. meios de comunicação de massa e literatura. É pela língua que se dão as relações de poder e dominação.pela ação decisiva que recebe dos fatores culturais (escola . A língua é indispensável na formação da sociedade. A variação linguística é um assunto muito importante.. proporcionando um melhor ambiente para o desenvolvimento do setor privado. quando pessoas que possuem modos de falar distintos se encontram. DIVERSIDADE LINGUISTICA A língua de um povo constitui-se como um dos seus bens mais preciosos.e melhorando assim a vida dos brasileiros.

em nosso país. os indivíduos. a linguagem é um dos mais Importantes. Todos os diferentes falares são tidos como certos. No dia a dia usamos com mais frequência a linguagem. no entanto. não é a grande extensão territorial do país que gera as diferenças regionais e sim. Aprendendo uma língua. literatura. necessário a essa.1982 pág. com isso. de todos os aspectos da vida social.19). de um real abismo linguístico entre os falantes das variedades não padrão do português brasileiro e os falantes da variedade culta. permitindo a compreensão e a sua aplicação. organização. Neste contexto temos diferentes faces de uma mesma língua devido á fatos relacionados ao fato histórico. Para Bagno (1999). aprendemos todo um sistema de ideias organizadas. e. as graves diferenças de ―status‖ social que explicam a existência. sem a linguagem. Segundo durkheim. a . cultural e regional. ao mesmo tempo em que são submetidos ao sistema da língua. não teríamos ideias gerais. que dá aos conceitos suficiente consistência. têm consciência dele e podem fazer escolhas quanto ao estilo linguístico a adotar. impondo assim. porque é a palavra que as fixa.e situações mais formais. a língua culta é usada em linguagem escrita.a língua é 'imposta' aos indivíduos pela coerção. classificadas. de fato. comum e popular (coloquial). ‖A escola geralmente não reconhece a verdadeira diversidade do português falado no Brasil. mas nem todos são aceitos socialmente. Há mais. sua linguística como se ela fosse. segundo o ponto de vista da comunicação. nos tornamos herdeiros de todo o trabalho de longos séculos.

O autor critica a imposição da linguagem. pode introduzir mudanças que serão transmitidas as gerações futuras. no Brasil a língua oficial é o português.br/portal/mostrarConteudo. Imagine uma pessoa adulta falando com uma criança: ela terá que adequar sua linguagem à compreensão infantil. podendo melhorar o ensino. possui uma variação característica. ela poderá não ser compreendida. de sua situação socioeconômica. reconhecer a imensa diversidade linguística do país. no entanto quando falar com uma pessoa adulta terá que adequar. (BAGNO. por sua vez. Caso isso não ocorra. .uol. pelo fato do Brasil ser formado pela mistura de muitas raças.php?idP agina=26902 A ilustração mostra a variação de linguagem em um mesmo falante.com. [pic] http://clickeaprenda. desmistificar o português no Brasil e assim. de grau de escolarização. o que dificulta o aprendizado. independentemente de sua idade. porém este português. bem como facilitar o ensino da norma culta na sala de aula. O individuo recebe cultura como parte de uma herança social e. DIVERSIDADE CULTURAL Podemos definir cultura como sendo tudo aquilo que é socialmente aprendido e partilhado pelos membros de uma sociedade.língua comum a todos 160 milhões de brasileiros.(tida como correta) na escola. cabe à escola e demais instituições voltadas para a educação. Portanto.se a compreensão do adulto. 1999: 15). de sua origem geográfica. em cada parte do país.

de modo a evitar o espírito de revolta dos negros que tantas vezes já havia se mostrado no período colonial. contribuíram para essa diversidade cultural.br/ensinoreligioso/noticias_exibir.bomjesus. no artesanato. através dos meios de comunicação. alemães.Apesar do processo de globalização. danças. O Brasil. credo religioso. Em seguida. que tenta. vista pelas elites como modo fundamental. possui uma vasta diversidade cultural. Os escravos africanos . fabricada pelas elites brancas. entre outros. As representações culturais de cada região estão nas festas populares.[pic] http://www2. na maneira de se vestir entre outros. o racismo tornado legal contra os negros é explicado pela necessidade. por apresentar uma grande dimensão territorial. é a construção de uma ideologia insidiosa. já unidas entre si.A especificidade do caso brasileiro. portugueses. na culinária. Aspectos como a culinária. religião. de garantir a união entre setores brancos divergentes e garantir mão de obra barata. a da "democracia racial". A cultura é um desses aspectos: várias comunidades continuam mantendo seus costumes e tradições. para Marx. . espanhóis. os imigrantes italianos. criar uma sociedade homogênea – aspectos locais continuam fortemente presentes. a população indígena e os colonizadores europeus foram os primeiros responsáveis pela disseminação cultural no Brasil. são elementos que integram a cultura de um povo brasileiro.vm?id= . Tanta diversidade poderia gerar conforme o pensamento de Marx guerras sangrentas e infinitas porque para Marx a questão racial ao tema da formação nacional (nation building) nos casos clássicos de grandes nações constituídas por brancos e negros. .

danças. podemos compreender .20370090. Nesse caso. exige uma sensibilização para a diversidade de valores culturais e linguísticos cada vez mais presentes no cotidiano dos indivíduos.quando havia pouca informação e conhecimento enquanto hoje a informação esta presente onde estivermos e o conhecimento se multiplicou grandemente. a educação torna-se extremamente importante para o desenvolvimento de uma conscientização crítica acerca da diversidade histórica. musicas e etc. linguística e cultural tem sido imprescindível.. os avanços tecnológicos. sendo que a realidade existente hoje em nossa sociedade é muito diferente de trinta. O conhecimento da diversidade e a perspectiva de aceitação visa o desenvolvimento dos valores de tolerância das relações entre grupos culturalmente diversos. pois através do conhecimento. Não podemos pensar em nossa sociedade sem considerar as relações culturais que a construíram e que a modificam. e linguística existente em nosso pais. cultural. Conclusão CONSIDERAÇÕES FINAIS A aceitação da diversidade histórica. quarenta anos atrás. que propiciam um intercâmbio entre culturas e línguas distintas.com.br A titulo de ilustracao temos na imagem povos de diversas culturas em festas típicas á sua regiao pode-se noitar a diversidade de suas vestes. um fato extremamente importante que todo individuo deve conhecer . étnica. Grande parte de nossa identidade esta ligada a miscigenação racial e da integração cultural. da mídia e da informática.

essas mudanças e levarmos em consideração os aspectos diversificados de diferentes povos que povoam o Brasil. Alguns escritores de sociolinguística usam o termo leto. isto é. variações faladas por comunidades socialmente definidas linguagem padrão ou norma padrão. idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-linguagem e é usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que poderia ser chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem) quando sua condição em relação a esta distinção é irrelevante (sendo. tais como o tempo. isto é. o nível cultural e a situação em que um indivíduo se manifesta verbalmente" Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de linguagem.cada um com identidade própria e representando riquíssima diversidade sociocultural. e um deles é a língua. Uma nação apresenta diversos traços de identificação. uma variação particular a uma certa pessoa registros (ou diátipos). para um grupo étnico . Esta pode variar de acordo com alguns fatores. portanto. um sinônimo para linguagem num sentido mais geral). aparentemente um processo de criação de palavras para termos específicos. o espaço. padronizada em função da comunicação pública e da educação idioletos. o vocabulário especializado e/ou a gramática de certas atividades ou profissões etnoletos. são exemplos dessas variações: dialetos. A variação de uma língua é a forma pela qual ela difere de outras formas da linguagem sistemática e coerentemente. isto é. socioletos. variações faladas por comunidades geograficamente definidas. isto é.

pode ser identificada ao se comparar dois estados de uma língua. Um outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia básica da linguagem. O processo de mudança é gradual: uma variante inicialmente utilizada por um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos socioeconomicamente mais expressivo. É uma questão de definição se gíria e calão podem ser considerados como incluídos no conceito de variação ou de estilo. jornalistas ou advogados ingleses frequentemente usam modos gramaticais. "Espécies de Variação ¨ Variação Histórica Acontece ao longo de um determinado período de tempo. Certos registros profissionais. como o modo subjuntivo. A forma antiga permanece ainda entre as gerações mais velhas. Muitos registros são simplesmente um conjunto especializado de termos (veja jargão). e finalmente consagra-se pelo uso na modalidade escrita. que não são mais usados com frequência por outros falantes. como o chamado legalês. mas também por diferenças na gramática. Coloquialismos e expressões idiomáticas geralmente são limitadas como variações do léxico. na fonologia e na versificação. um idioleto adotado por uma casa. e de. Variações como dialetos. As mudanças podem ser de grafia ou . o sotaque de palavras tonais nas línguas escandinavas tem forma diferente em muitos dialetos. mostram uma variação na gramática da linguagem padrão. Por exemplo. porém com o tempo a nova variante torna-se normal na fala. estilo. Por exemplo. portanto. período em que as duas variantes convivem.ecoletos. idioletos e socioletos podem ser distingüidos não apenas por seu vocabulários.

Dentro de uma comunidade mais ampla. utilizado em conversações que não são do dia-a-dia e cujo conteúdo é mais elaborado e complexo. Não se deve confundir o estilo formal e . quando há um mínimo de reflexão do indivíduo sobre as normas lingüísticas. é possível identificar dois limites extremos de estilo: o informal. A variação social não compromete a compreensão entre indivíduos. e há a possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos favorecido atingir o padrão de maior prestígio.de significado. em que o grau de reflexão é máximo. como poderia acontecer na variação regional. o tipo de assunto tratado e quem são os receptores. Sem levar em conta as graduações intermediárias. utilizado nas conversações imediatas do cotidiano. e o formal. As diferenças lingüísticas entre as regiões são graduais. nem sempre coincidindo com as fronteiras geográficas. Variação Estilística Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de comunicação: se está em um ambiente familiar. política e economia. Variação Geográfica Trata das diferentes formas de pronúncia. determinado pelo meio social onde vive um indivíduo. o uso de certas variantes pode indicar qual o nível sócio-econômico de uma pessoa. a idade e o sexo. Variação Social Agrupa alguns fatores de diversidade: o nível sócio-econômico. o grau de educação. formam-se comunidades linguísticas menores em torno de centros polarizadores da cultura. profissional. que acabam por definir os padrões lingüísticos utilizados na região de sua influência. vocabulário e estrutura sintática entre regiões. o grau de intimidade.

.informal com língua escrita e falada. esse preconceito é exercido por aqueles que tiveram acesso à educação de qualidade. preserva variantes antigas." De acordo com Marcos Bagno. Observa-se que o meio rural. As diferentes modalidades de variação lingüística não existem isoladamente. Dentro do ambiente escolar. ocupam as classes sociais dominantes e. sob o pretexto de defender a língua portuguesa. acreditam que o falar daqueles sem instrução formal e com pouca escolarização é ―feio‖. Como já dito. e carimbam o diferente sob o rótulo do ‖erro‖. 'preconceito lingüístico é a atitude que consiste em discriminar uma pessoa devido ao seu modo de falar'. por ser menos influenciado pelas mudanças da sociedade. havendo um inter-relacionamento entre elas: uma variante geográfica pode ser vista como uma variante social. tudo o que foge a ela representa erro‖. O conhecimento do padrão de prestígio pode ser fator de mobilidade social para um indivíduo pertencente a uma classe menos favorecida. muitos professores costumam repetir essa frase. à ―norma padrão de prestígio‖. mas modalidades de prestígio ou desprestígio que correspondem ao meio e ao falante. Infelizmente. VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E PRECONCEITO ―A norma padrão constitui o português correto. pois os dois estilos ocorrem em ambas as formas de comunicação. é necessário que eles compreendam que não existe português certo ou errado. considerando-se a migração entre regiões do país. mas a identidade social e individual do falante. Porém. ―preconceito lingüístico‖ é somente uma denominação ―bonita‖ para um profundo preconceito ―social‖: não é a maneira de falar que sofre preconceito.

social ou qualquer outro. Infelizmente. a norma ancora a língua no contemporâneo. terceiro. há um português culto falado e um escrito. a mídia reproduz um discurso extremamente conservador. colunas de jornal e outros meios de multimídia estão cheios de ―absurdos‖ teóricos e ―distorções‖. seja ele racial. que dê oportunidades ―iguais‖ à todos." . reconhecendo e respeitando suas diferenças. Enquanto os estudiosos. antiquado e preconceituoso sobre a linguagem‖. Mas a língua escrita é mais conservadora que a falada. e não ―discriminação‖. Divulgam ―bobagens‖ sobre a língua e discriminam os estudiosos da linguagem. Isso atrapalha a desmistificação do ―certo e errado‖ e acaba propagando o preconceito. e sua existência prende-se aos grupos que a instituíram. alguns educadores e até os responsáveis pelas políticas oficiais de ensino já assumiram posturas muito mais democráticas e avançadas em relação ao que se entende por língua e por ensino de língua. Bagno afirma que ―A mídia poderia ser um elemento precioso no combate ao preconceito lingüístico. que se aprende sobre ele. Primeiro. para se acabar com o preconceito. é necessário que haja uma democratização da sociedade. o que se deve adquirir é ―respeito‖. segundo. pois são feitos por pessoas sem formação científica sobre o assunto.O bom português é o das épocas de ouro da literatura‖. a língua é um fenômeno social. A partir do momento em que se estuda determinado assunto. os cientistas da linguagem. Programas de rádio e televisão. sites da internet. ela é hoje o pior propagador deste preconceito. Em suma. E mais: a palavra ―preconceito‖ significa um ―pré‖ conceito daquilo que ainda não se conhece a fundo.

sete estados .nos últimos 200 anos. 4 De onde veio a Língua Portuguesa? O português é uma língua latina. O levantamento foi feito pelo Summer Institute ofLinguistics. que hoje corresponde a uma parte dos atuais territórios de Portugal e Espanha. aruá. uma ONG como sede nos Estados Unidos. no máximo. monde (Rondônia) e carahawiana e tora (norte doAmazonas). o oro win (fronteira Brasil/Bolívia) e o juma (interior daAmazônia). número insuficiente oara garantir sua preservação. o idioma oficial do país. Quantas línguas ainda existem no Brasil? Incluindo o português. caripuná. em Rondônia).C. Casos de anambé e creie (interiordo Pará). Amapá Cangangue: 18 mil pessoas. interação com antigos povos e invasores da Península Ibérica. na província de Lusitânia. 100 indivíduos. sem contar inúmeros imigrantes recebidos pelos países de língua portuguesa – com destaque para o Brasil. China e Japão. como aricapu (região do rioGuaporé. • 91 correm alto risco de extinção. desenvolvida apartir do século III a. Ao longo de formação e vida dessa língua. cuja manifestação pode se facilmente vista no vocabulário. o contato com os outros povos gerou uma serie de influências. Entre as línguas brasileiras que não correm risco de extinção imediataestão: Creole : 25 mil pessoas. As 192 línguas que restaram: • 42 são consideradas praticamente extintas. convívio intenso com africanos. existem 192 línguas viva sem território brasileiro. de origem românica.VARIEDADES DA LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL Document Transcript    4. por serem línguas faladas por comunidades indígenas formadas por. Foram viagens às Américas. passagem pela Índia.

animais. – e termos que não apenas diferencia oportuguês brasileiro do de Portugal. por influência da língua indígena predominante na região. professor Serafim da Silva neto escreveu no livro Introdução ao Estudo da Língua Portuguesa no Brasil a respeito de um dialeto intitulado: ―canua cheia de cucos de pupa a prua‖. 5 O linguajar Norte da Região Uma série de razões é levantada para justificar as características específicas do modo de falar do povo do norte. gaúchos. mas ainda geraram inúmeraspeculiaridades regionais da língua. paulistas e cariocas. que seria na língua cultacanoa cheia de cocos de popa a proa. destacando.   (incluindo São Paulo eParaná) Caiwá: 15 mil pessoas. foram aos poucos moldando sotaques. de ingleses que implantaram as ferrovias. E tem muito a ver também. Esse filólogo se referiu a esse dialetoque falam amazonenses e paraenses .pronúnciacaracterística de um país ou região etc. fenômenos atmosférico. políticas e sociais. 5. norte da Amazonas Guarani: 5 mil pessoas.povos nativos e imigrantes. Isso explica as diferenças nos falaremnordestinos. espanhóis e franceses). americanos e asiáticos. Mato Grosso do sul Terena: 15 mil pessoas. assim como geografia. de invasores estrangeiros (holandeses. mineiros. nortistas. com as adaptações e corruptela de palavras usadas para designar objetos. centro-oeste Paranaense Sotaque Ao longo dos cinco séculos que se seguiram á descoberta do Brasil. de escravos vindos de várias regiões do continente africano. especialmente as influências vindas do português falado em determinadas áreas de Portugal durante a colonização. interior do Mato Grosso do Sul Ticuna: 12 mil pessoas. O filólogo. de imigrantes europeus. com termos regionalistas. costumes. atividadesculturais.

da madeira.influencia de nordestino‖. paranaenses.se diz pupa. a vogal média „o‟ passa a ser uma vogal alta „u‟. Chulipa = Dormente para trilhos de trem veio de ―sleaper‖. Ele tem muita influência de cearenses e maranhenses. que era otermo usado pelos ingleses que construíram as primeiras ferrovias no Brasil. Entãoem vez de canoa.  com esse nome. Muitcho = Muito em castelhano. Beiju = Biscoito de massa . explica o professor Orlando CassiqueSobrinho Alves. por ser um dialeto cujamarca essencial é a modificação da pronuncia da vogal „o‟ tônica em „u‟. em vez de coco. se diz prua.quando lá no Rio se diz „culégio‟ (no lugar de colégio). historicamente representativo e é falado por pessoas que ajudaram aconstruir o estado. mineiros. do ouro. ―Há outro dialeto muito difuso. que era uma antiga estrada deferro velho. Tapioca = Termo indígena para goma de mandioca. paulistas. que ligava o estado do Pará com a cidade de Bragança. de fazendas etc. se diz cuco. se diz canua. Ele lembra que esse fenômeno é classificado tecnicamente comoalteamento: Quer dizer. 6. em vez de popa. nessa área onde a migração foi forte nos últimos anospor causa das riquezas do Pará. Por exemplo. em vez de proa. do departamento de língua e literatura Vernácula da UFPA(Universidade federal do Pará). Esse dialeto da zona bragantina é também um dialeto tradicional doPará. só que não é na tônica. O professor da UFPA lembra ainda que haja dois outros dialetosespecíficos no Pará.Existem em outros dialetos brasileiros. Macaxeira = Mandioca = Maniva = termos indígenas. amorfo neste momento. ‖O da zona bragantina. conclui Alves. porque seconstitui no sul do Pará. próxima doNordeste. 6 O dialeto do Norte Jerimum = Abóbora na língua tupi. Eleresulta da influência de baianos. por causa da invasão espanhola. gaúchos noSul do Pará‖.

A modalidade de português falada nessa região foi se arcaizandodurante a evolução do país. professora do Departamento deLetras da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco). Teiú = Nome indígena para lagarto. Papudinho = pessoa alcoólatra. as duas primeirasvertentes da língua pode-se dizer. Tucupi = Suco temperado e apimentado da mandioca na linguagemindígena. das prostitutas.de mandioca na língua indígena. jesuítas que foram para o Sul e que na maioriaeram espanhóis" lembra a Nelly Carvalho. Igará = Canoa pequena dos índios. enquanto outras partes do país só vieram a receber a influência lusitana bem mais adiante. Mão-de-mucurra-assada = Sovina Goiás = da mesma raça. A Bahia e o Pernambuco tiveram uma história . Igarapé = Braço de rio na língua indígena. primeiramente.Mas era dividido por uma barreira natural. Xibé = prato feito de farinha de mandioca com farinha. queeram chamadas raparigas. O início da colonização portuguesa se deu justamente entre os estados de Pernambuco e Bahia. Piroga = Canoa indígena escavada em tronco. a língua portuguesa se fixou em nosso território. nome caribenho. porque ficavammais perto do Velho Continente. dos degredados.Salvador se tornou a capital do Brasil. Havia um porto em Recife.   O que veio para o Brasil foi o português dos colonos. "Quando nós fomos colonizados pelos portugueses. foram Pernambuco e Bahia. Tacacá = Mingau líquido de mandioca. outro em Salvador. "Em Portugal o português avançou. Caititu = Nome indígena para javali. Tracajá = Palavra tupi para designar quelônios conhecidos genericamente por tartaruga. igual Grajaú = Pássaro que come Variedades do português no Nordeste Brasileiro Foi no Nordeste do país que. que era o Rio São Francisco.

Sacolé. Bruguelo – Bebê. Din-din . entonação) e no plano lexical (usode palavras distintas para designar o mesmo referente. palavras com sentidosque variam de uma região para outra).Com pressa. 8 Cagado e cuspido .Uniforme escolar. gelinho. Angola. Desmilinguido .  diferenciada do resto doBrasil. Nesta dimensão. É importante observar que o processo de variação ocorre em todos os níveis de funcionamento da linguagem. eles se superpõem. por exemplo) ou entre regiões doBrasil (região sul. por exemplo:Apetrechada-Dotada de beleza física. Aperrear Encher o saco. Desmentir . chupe-chupe.Morrer. Avexado . sendo mais perceptível na pronúncia e no vocabulário. Entojo – Enjôo. Portugal. Farda . onde as pessoasregionais falam palavras com significado muito diferente como. É comum nas regiões do Brasil nos deparar com os mais variados ediferentes dialetos e principalmente no Nordeste brasileiro. região centro-oeste. 8.torcer o pé. Nesse tipo de variação. Durante os dois primeiros séculos de colonização. . sem força.Chifre. onde se fala a mesma língua. Fez mal . região norte.Engravidou alguém. as diferenças mais comuns são as queencontramos no plano fonético (pronúncia. Gaia . Tanto que o movimento literárioBarroco foi na Bahia e Pernambuco. Esse fenômeno da variação se torna mais complexo porque os níveis não se apresentam de maneira estanque. a Bahia ePernambuco foram os dois maiores centros. Bater a caçuleta . Brenha . região sudeste e a regiãonordeste).Local longe de difícil acesso Cabreiro – Desconfiado.Muito parecido.Muito magro. incluem-se as diferenças lingüísticas observadas entrepessoas de regiões distintas. Exemplos clarosdesta variação são as diferenças encontradas entre os diversos países delíngua portuguesa (Brasil. perturbar.

. Numa áreapertencente à Espanha pelo Tratado de Tordesilhas. os rio-grandenses criaram um modo particular de vestir. posteriormente. nem com os espanhóis 9. paixão. proporcionando umaintegração – nem sempre pacífica – entre os três povos. VisseCerto/OK. Essas são alguns sotaques e palavras muitas vezes são cheias deefeitos e ate mesmo maliciosos que é uma característica do Nordestebrasileiro. falar eagir. Em conflito constante com os ―castelhanos‖ (argentinos e uruguaios deascendência castelhana) e com os portugueses (então colonizadores doBrasil).Tentar várias vezes. pessoa querida. pampa argentino e pampa uruguaio.. os gaúchos continuavam ignorando os limites políticos entre osterritórios. Xodó . brasileiros. nunca houve divisão de fato dos territórios do pampa rio-grandense. Mangar – Ridicularizar. Pelejar . mas criavam seu próprio isolamento cultural.sempre foi uma região de conflitos e de culturas diversas. que pouco se diferenciava das características típicas dos ―gauchos‖ (lê-se„gáutxos‟ em espanhol) dos pampas cisplatino e platino. da indumentária e quase toda a . 9(invasores). Zambeta De pernas tortas. o Dialeto Crioulo Rio-Grandense Historicamente. Gaúcho. Na tentativa de não se identificarem nem com os portugueses(dominadores) e. mas esqueciam-se todos que os donos legítimos da terra eram osíndios. estado ao extremo sul do Brasil. do chimarrão. alguns portuguesesfincaram o pé em partes da localidade no intuito de tomar as terras dosespanhóis. o Rio Grande do Sul. Do convívio entre osimigrantes espanhóis e portugueses com os índios surgiram muitas misturasraciais originando o que se chamou de ―raça gaúcha‖ (cafuzos de índios je-tupi-guarani com iberoeuropeus) e o surgimento involuntário de uma culturacompleta que era compartilhada pelos povos.Amor. Os hábitos dochurrasco. Na prática.

tradiçãopermaneceram muito semelhantes após todo o período de ebulição, mas alíngua foi diferenciando-se. A formação do dialeto se dá, basicamente, por: 1. vocábulos hispano-luso-indígenas 2. aumentativos e diminutivos hispânicos 3. escrita lusitana 4. pronúncia baseada no português, mas lida como no espanhol 5. falta de uma gramática oficial, mantendo o dialeto constantemente mutante e flexível 6. A pronúncia do ―o‖ e do ―e‖ são feitas como no Espanhol quando se alterariam para ―u‖ e ―i‖ no Português. 7. O diminutivo ―inho‖ quase sempre e substituído por ―ito‖, mas há casos onde sobrevive. Recorde-se que não há regra oficial para a fala campeira e que a maioria das pessoas sequer sabem que não falam Português nem Espanhol. 8. O pronome ―lhe‖, quase sempre é pronunciado ―le‖. 9. Há uma grande dificuldade entre os nativos para saberem quando pronunciar ―b‖ ou ―v‖, pois flutuam entre a gramática portuguesa e espanhola. 10. As palavras que têm dupla escrita de ―x‖ ou ―ch‖, têm no ―ch‖ sua escrita castelhana e ―x‖ lusitana (galega). Algumas expressões típicas da gauchada: Abichornado – acovardado, apequenado. Afeitar – espanhol – fazer a barba Alcaide – provavelmente espanhol, pois tem significado muito oposto do homônimo português, oriundo do árabe – cavalo velho, ruim inútil; serve para pessoas também. Andar a/pelo cabresto – português – o mesmo termo que designa a condução do animal, indica que alguém está sendo conduzido por outro. Bagual – crioulo – cavalo que não foi castrado; homem. Barbaridade – português – barbarismo. Tanto adjetiva como pode ser uma interjeição de espanto. Bate-coxa – português – baile, dança. Bombacha – espanhol platino – peça (calça) que caracteriza a indumentária gaúcha. Tem origem turca e foi introduzida na América pelos comerciantes ingleses, de presença marcante no

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pampa platino. Capilé – francês – refresco de verão, feita com um pouco de vinho tinto, água e muito açúcar. 10. 10 Cevador – português – pessoa que prepara o chimarrão eo distribui entre os que estão tomando. Charque – espanhol platino – carne de gado, salgada emmantas. Chucro (xucro) – quíchua – animal arisco, nunca domado;pessoa de mesmo temperamento ou sem empirismo, inexperiente. Cusco – espanhol platino, provavelmente já emprestado doquíchua – cachorro pequeno e de raça ordinária (ou sem); guaipeca. Engasga-gato – português – ensopado feito com pedaçosde charque da manta da barrigueira. Garupa – francês - A parte superior do corpo dascavalgaduras que se estende do lombo aos quartos traseiros; tambémusado para definir a mesma área no corpo humano. Gaúcho – origem desconhecida – termo, inicialmente,utilizado de forma pejorativa para descrever a cruza ibero-indígena, hojeé o gentílico de quem nasce no estado do Rio Grande do Sul. Gauderiar – espanhol platino – vagabundear, andarerrante, sem ocupação séria; haragano. Gaudério – espanhol platino – vagabundo, desocupado,nômade. Atualmente, é uma referência estadual ao povo da campanha,simplesmente, como gaúcho. Guaiaca – quíchua – invenção gauchesca que se usasobre o ―cinturão europeu‖. Significa bolsa em sua língua original. Guaipeca – tupi – cachorro pequeno e de raça ordinária(ou sem). Guri – tupi – criança, menino; serviçais que faziam trabalholeve nas estâncias. Japiraca – tupi – mulher de temperamento irascível,insuportável. Jururu – tupi – triste, cabisbaixo, pensativo. Mate – quíchua – bebida preparada em um porongo, comerva-mate e água quente; chimarrão. Morocha – espanhol platino – moça morena, mestiça,mulata; rapariga de campanha. Nativismo – português – amor pelo chão onde se nasce esua tradição. Orelhano (aurelhano) – espanhol

platino – animal semmarca nem sinal; também serve para pessoas. Pampa – quíchua – vastas planícies do Rio Grande do Sul,Uruguai e Argentina, coberta de excelentes pastagens que servem paracriação de gado. Em quíchua, ―pampa‖ significa ―planície‖. Paisano – português/espanhol – patrício, amigo,camarada; camponês e não-militares. Pêlo duro – espanhol – crioulo, genuinamente rio-grandense; também significa pessoa ou animal sem estirpe. Poncho – origem incerta, araucano ou espanhol – espéciede capa de pano de lã de forma retangular, ovalada ou redonda, comuma abertura no centro, para a passagem da cabeça. Puchero (putchero) – espanhol – sopão com muitovegetal e carne de peito, sem tutano e sem pirão. 11. 11 Querência – espanhol – o lugar onde se vive. Derivado de ―querer‖, caracteriza o amor que o gaúcho tem pela sua terra. Tapejara – tupi – vaqueano, guia ou prático dos caminhos; gaúcho perito, conhecedor da região. Tchê – provavelmente espanhol – termo vocativo pelo qual se tratam os gaúchos. É o mesmo ―che‖ („txê‟) do espanhol, que se consagrou com Ernesto Guevara, o ―Che‖. Topete – português/espanhol – audácia, arrogância, atrevimento; saliência da erva-mate que fica fora d‟água na cuia de chimarrão. Tropeiro – português/espanhol – condutor de tropas, de gado. Dialeto Centro - Oeste Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal. Essesquatro estados compõem a região Centro-Oeste do Brasil, que, assim como asoutras, possui características linguísticas próprias.Na colonização Centro-Oeste, as rotas bandeirantes estiveram muitopresentes, tanto no Mato Grosso quanto em Goiás e, de alguma forma, alinguagem que eles levaram influenciou a fala local.O goiano fala com os traços muito puxados no

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―r‖ que é normalmente chamadode ―r‖ caipira, ou linguisticamente falando, o ―r‖ retroflexo. Como o goiano falacom esse ―r‖ puxado, supôe-se que isso possa ter vindo ao longo da históriaum influência da linguagem utilizada pelos bandeirantes que viviam na regiãodo Estado de São Paulo. Esses bandeirantes tinham o português marcado poresses traços, já que eram das áreas mais interioranas do Brasil, principalmenteas que a gente chamaria de fala caipira.N época da colonização, os bandeirantes que penetraram pelo norte do Estadodo Mato Grosso e levaram a suposta língua geral paulista, que era de baseindígena (tupi). O contato do português colonizador com as línguas indígenaslocais resultou no dialeto cuiabano.Algumas características muito fortes nessa fala regionalizada específica doMato Grosso é que os mato-grossenses não falam chuva e peixe, com essesom de ―che‖ que nós temos, fala-se ―tchuva‖ e ―petche‖. Também não se falacaju e laranja, com esse som de ―gê‖, fala-se ―cadju‖ e ―larandja‖.Todo esse som ―che‖ transformado em ―tchê‖ e todo esse som ―che‖transformado em ―djê‖ existiam em uma das línguas indígenas que aindasobrevivem no Brasil e tem algumas aldeias próximas à Cuianá. que é a línguaBororó. Existe essa hipótese, que esses fonemas possam ter vindo deinfluência da indígena local, pois em outras regiões do Brasil a gente nãoencontra esse som facilmente. É uma coisa típica do dialeto mato-grossense. A Gramática Normativa, a Linguística, a Norma Padrão, a Norma Culta, as Variações linguísticas e o Preconceito Linguístico RODRIGUES, G. A..

Observamos que há uma grande confusão em assuntos linguísticos até mesmo por pessoas da área da linguagem. A fim de trazer solução, este texto visa esclarecer equívocos de forma sucinta e objetiva sobre o que são gramática, linguística, norma padrão, norma culta, variações linguísticas e preconceito linguístico. Além disso, o texto tem por fim ser compreensível a todas as pessoas.

O que é gramática normativa? A gramática normativa surgiu na Grécia antiga quando os primeiros estudiosos da língua sentiram a necessidade de estabelecer uma regra para a língua escrita, dessa forma, eles observaram os melhores escritores, oradores e as variedades de maior prestígio da época e analisaram o que era mais frequente em seus discursos. A gramática normativa é uma convenção e determina um modelo a ser seguido para escrever e falar bem; tudo que estiver fora desse padrão preestabelecido por ela é erro. É essa língua prescrita pela gramática que é ensinada nas escolas. Uma abordagem unicamente normativa pode levar a conclusões equivocadas sobre a língua. Gramática normativa não é língua!

A linguística é uma ciência que ocupa-se principalmente em investigar a linguagem oral humana. O que é norma padrão? A norma padrão é a língua prescritiva pela gramática normativa. Diferente da gramática (que não é uma ciência). as variações de pronúncias entre regiões onde se fala tal idioma. segundo a gramática normativa. é erro. porque ocorre uma variação diferente da prescrita pela gramática. Pode explicar. a linguística não classifica a língua em certo ou errado. é uma língua artificial que ninguém fala. é o ideal de língua a ser seguido.O que é linguística? A linguística moderna surgiu no início do século XX com o linguista suíço Ferdinand de Saussure. também. É com essa norma padrão que se deve escrever e se comunicar em situações muito formais. Tudo que estiver fora desse padrão. Cabe ao linguista estudar toda e qualquer expressão linguística. mas procura descrever e explicar fatos de forma lógica e científica. Todavia. por exemplo. Ela explica. nem mesmo professores de .

todo certinho. Nesta última. há diferenças. sem exceção. pelas pessoas escolarizadas. sem traumas. o que ocorre é uma maior aproximação dessa variedade. variações como Eu vi ela. por mais correto que falem. Todas as línguas variam. utilizado na escrita. As variações linguísticas não descritas pela gramática normativa são consideradas erradas e por isso são . admite-se. falada pelas classes dominantes. utilizado na língua oral falada em conversas informais do dia a dia. como muitos pensam que é. ela varia e muito. Na norma culta coexistem o padrão formal. A língua não é um bloco fechado.português. O que é norma culta? Embora muitos veem a norma culta e norma padrão como sinônimas. O que são variações linguísticas? As variações (ou variantes) linguísticas são todas as diferenças que ocorrem em um mesmo idioma. A língua portuguesa que se fala em São Paulo não é a mesma língua portuguesa que se fala no Rio de Janeiro. A norma culta é a variedade de maior prestígio da língua. e o padrão coloquial.

racial. O português falado pelos nossos avós não é o mesmo que falamos hoje. além disso. Muitas pessoas desconhecem este tipo de preconceito e o fazem sem saber. O falante de uma variedade de menor prestígio. o preconceito linguístico revela outras formas de preconceito. Uma visão unicamente normativista pode levar ao preconceito linguístico. o errado de hoje provavelmente será o certo de amanhã. não empobrece. Geralmente. Assim é a língua. Os gramáticos demoram demais para aceitar como correta uma variante que apareceu faz tempo na língua falada. geralmente. que teve pouco ou nenhum estudo por isso fala de um modo diferente. como o preconceito social. não se deteriora. repetindo um discurso equivocado veiculado pelos gramáticos. e não errado. Todas as variações linguísticas seguem uma lógica. O que é preconceito linguístico? Preconceito linguístico é menosprezar variantes que não são descritas pela gramática normativa. religioso e tantos outros.menosprezadas. o que era errado ontem é o certo de hoje. simplesmente muda. . é de uma classe econômica mais baixa. não evolui.

com. de 1990.tamaragrisolia@yahoo. levando em conta a repercussão que o mesmo causou perante a elite intelectual de Brasil e Portugal. Língua e Poder: A Língua como instrumento ou estratégia política nos Países de Língua Portuguesa Tamara Grisolia Fernandes . Nesse contexto. assim como os demais. são aferidas questões a respeito do Acordo Ortográfico de Língua Portuguesa. Ao .br Graduada em geografia pela UFF 1[1] RESUMO O presente trabalho apresenta uma discussão direcionada pela geografia política a respeito da questão lingüística e seus conflitos nos países membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).Nosso esforço é alertar para que este tipo preconceito se extinga.

questions are surveyed about the Portuguese Language Orthographic Agreement of 1990. In the end of the discussion. power. politic geography. poder ABSTRACT This paper presents a discussion based on political geography. de modo a representar uma conclusão não pontual. In this context. Palavras-chave: Língua portuguesa. Introdução .fim da discussão. geografia política. about the language issue and its conflicts. the questions raised in the conclusion are placed so as to represent a non-point agreement about the mentioned issues. 1. bringing to light the effect that it caused on the intelligence of Brazil and Portugal. placed in the member countries of the ―Community of Portuguese Language Countries‖ (CPLP). os questionamentos levantados na conclusão são colocados. Key-words: Portuguese language.

O enfoque dado para se tratar das relações de língua e poder será dado aos países que fazem parte da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa): Angola. linguagem. O segundo discursará a respeito dos países constituintes da CPLP e seus conflitos lingüísticos internos. Cabo Verde. pretende-se demonstrar as formas de poder presentes na língua. de modo a relacionar tais conceitos no campo da geografia política. O primeiro. No trabalho são realizados apanhados com características importantes do país estudado. Já o terceiro será a respeito do acordo ortográfico e sua repercussão nos países de língua portuguesa.O trabalho aqui realizado visa expor conceitos relacionados à língua. Brasil. Portugal. Com isso. Este trabalho será dividido em três eixos. introdutório. na adoção de uma língua oficial. São Tomé e Príncipe e Timor Leste. Moçambique. se existir o detalhamento de seus conflitos lingüísticos internos. mais especificamente. bem como. conceito este também explicado ao longo do trabalho. contará com as já propostas definições de conceitos relacionados ao tema ―língua e poder‖. Guiné-Bissau. . nação e poder. Estado.

Para uma melhor compreensão de seu conceito. ao longo de seu desenvolvimento de questões importantes. A Língua e Suas Definições A língua é um organismo vivo que compreende diversos estudos e. Seria o acordo ortográfico mais uma forma de exercício de poder? Seria ele apenas uma tentativa de unidade entre povos de mesma língua? Até que ponto esses dois questionamentos podem ser separados? É importante colocar que o objetivo do trabalho não é resolver tais questões. diversas definições. será colocada a definição de . obviamente. 2. da sociologia e da lingüística. sendo apenas uma espécie de documentação de algumas teorias e colocação. contando com a opinião de teóricos da geografia. De forma que. conclusões a esse respeito serão realizadas através de questionamentos. é só colocá-las. a pretensão do estudo não é de alcançar novas resoluções a esse respeito. portanto.Como este último eixo apresenta-se como uma proposta mais à parte dos demais.

um sistema de combinações possíveis presentes na mente humana. um sistema de valores. . É também uma instituição social. um importante lingüista do início do século XX. A esta segunda afirmação. está ligada uma visão mais sociológica e corrobora a versão mais política dada ao entendimento da língua. cujas pesquisas revolucionaram o campo da lingüística no mundo.Ferdinand Saussure. um conceito abstrato. portanto. De maneira que este conjunto de signos a que Saussure se refere tem duas expressões nas concepções de gramática atuais. É. A língua é um sistema de signos compartilhados. em seu livro Cours de Linguistique Générale. sílabas. Por outro lado. E é a partir disso que é colocada a diferença de língua e fala (Langue x Parole). Já a fala é a concretização desse sistema. Segundo Saussure. a primeira afirmação condiz com a explicação linguística e social (não sociológica) da mesma. um conceito concreto. a língua é um conjunto de signos que serve de meio de compreensão entre os membros de uma mesma comunidade lingüística. é quando escolhemos dentre as possibilidades de combinação de sons (fones). portanto. falamos. e assim. É.

a língua escrita está sujeita à norma padrão. ser passível de julgamentos de certo ou errado. Assim como serão tratados com diferença os termos língua escrita e língua falada.1. Estes termos representam conceitos totalmente diferentes. infere-se que o Acordo ortográfico pode até atuar com mudanças significativas na língua escrita. Não deve ser. Língua Oficial . pois esta não respeita naturalmente interferências desse tipo. portanto. apenas deve-se estudar os seus desdobramentos. Por isso. é um organismo vivo.É importante ressaltar que ao longo deste trabalho será utilizado tanto um conceito quanto o outro. a uma gramática normativa. Ou seja. de acordo com sua evolução. A língua falada. que rege o ―bem escrever‖. 2. dentro mesmo de um sistema lingüístico comum. mas não conseguirá romper ou impedir o processo dinâmico de evolução da língua falada. a língua falada não é estática e deve ser estudada de acordo com suas variações naturais. e pode apresentar inúmeras variações. respeitando suas respectivas diferenças. por outro lado.

é constituída por um conjunto de elementos. Uma delas é a tentativa de unificação de um território etnicamente e culturalmente desmembrado. dessa forma. e entre eles. só a Constituição de 1988 passou a determinar a língua Portuguesa como a língua oficial do Brasil. por exemplo. E. A identidade brasileira. Tal afirmação se encontra no artigo 13 da atual Constituição Brasileira: "A língua portuguesa é o idioma oficial da República Federativa do Brasil". muitas vezes relacionada com a nacionalidade brasileira. a língua que todos os habitantes de um país precisam saber. no Brasil. através da utilização de uma língua oficial. para que o mesmo país tenha soberania perante os demais. por exemplo.A língua oficial é aquela usada em todas as ações oficiais. a soberania. Sua existência é garantida por lei e. pois é um importante traço de unidade. É. A determinação de uma língua como oficial implica em várias observações políticas. ou seja nas suas relações com as instituições do Estado. desde a revolução industrial está . Esta língua em questão não deixa de ser parte do que caracteriza a identidade de um povo e de sua nação. um dos principais é o fato de que falamos uma língua tomada como elemento de nossa identidade.

pois a língua é cultura e identidade de um povo. Há também perdas de traços culturais muito importantes.Língua Nacional A língua nacional é a língua que representa uma unidade das características identitárias de um determinado território. Além das óbvias habilidades de controle da população e centralização política. 2. fato este que será melhor explicado adiante. a determinação de uma língua oficial abafa a voz política de quem não a fala ou escreve. Ela .totalmente ligada à formação da nação. por exemplo. Este ponto é bem observado nos países da África. Outra habilidade (ainda que oculta) da língua oficial é a de exclusão e marginalização. perde a voz nas suas reivindicações políticas. Mas não é só a voz que se perde.2. nos quais a maioria da população não fala a língua oficial ou a tem apenas como segunda língua e. pois é através dela que se travam quaisquer relações com as instituições do Estado. A criação da língua oficial força uma substituição de culturas.portanto.

Esta mesma língua. Mas há casos em que tal não acontece. aquela que ele aprendeu quando aprendeu a falar. Em outras palavras. pois ao redor do mundo todo tal comportamento é recorrente. a língua nacional é aquela compartilhada por um grupo populacional que compartilha de elementos sobretudo étnicos comuns. Uma nação pode ter diversas línguas nacionais. do galego na Galiza. e esse é o caso do português em Portugal. só conta com uma língua oficial. sem que ela fosse determinada por qualquer órgão ou sob qualquer circunstância. como é o caso. pode representar a língua de expressão literária autônoma do país. sendo estes escritos em tal língua espontaneamente. diferente da oficial. uma vez que existem comunidades dentro do Estado que também falam. Também vemos o mesmo com grande parte das línguas não . uma determinada herança étnico-cultural. por exemplo. Normalmente. ou do catalão na Catalunha. necessariamente. ou só falam. a língua na qual estão os registros literários de uma cultura. outra língua. Vários exemplos podem confirmar isso.reflete. e é a representação de uma consciência nacional. Há línguas nacionais que coincidem com as línguas oficiais. portanto. em alguns casos. enquanto a língua oficial não é a materna. porém. ou seja. a língua Nacional é a língua materna do indivíduo.

defendendo. que afirma: "o Estado valoriza as línguas nacionais e promove o seu desenvolvimento". que é o caso que será mostrado no trabalho em questão. por exemplo. as línguas nacionais vêm sendo objeto de proteção internacional. Também a Constituição de Timor-Leste estabelece que "o tétum e as outras línguas nacionais são valorizadas e desenvolvidas pelo Estado". Pensadores da literatura e da lingüística permeiam esse debate. como veremos nas próximas páginas. Como foi utilizado o exemplo da garantia de uma língua oficial pela constituição. que seria praticamente impossível ignorar a força dessas línguas politicamente e não garantir a proteção das mesmas via algum documento de garantia de direitos. na maioria das vezes. a sua preservação é uma forma de evitar tendências hegemônicas da maioria ou de discriminação daquelas minorias. as línguas Nacionais têm seu espaço na constituição. Nestes dois países. uma vez que. os falantes das línguas nacionais representam um número tão grande. Em Moçambique. a resistência das Línguas Nacionais como . sendo normalmente faladas por minorias étnicas ou culturais (minorias nacionais). é importante utilizar um contraponto. Atualmente.oficiais no espaço político-geográfico em que se expandiu a Lusofonia.

falando o mesmo idioma e tendo os mesmos costumes. seja ela qual for.manutenção de traços identitários. É. por outro lado. seria o processo histórico pelo qual as nações modernas têm-se estabelecido como unidades políticas independentes. tradições. segundo a definição presente em Ellery Mourão (retirada de Anderson. portanto. formando. uma ideologia. 3. quando os estados nação se tornam a forma de organização político cultural que substitui o império. Ideologia esta . Nação e Nacionalismo Nação. O Nacionalismo. língua e consciência nacional. geralmente do mesmo grupo étnico. um povo. o nacionalismo é a ideologia fundamental da terceira fase da história da humanidade. Para Ernst Gellner (1983). assim. No fundo. 1989) é a reunião de pessoas. cujos elementos componentes trazem consigo as mesmas características étnicas e se mantêm unidos pelos hábitos. a fase industrial. a utilização da língua nacional corresponde a um direito fundamental das pessoas que integram uma comunidade nacional. religião.

entre outros. principalmente a partir do Estado-Novo (1937-1945). MEC). Isso sem perder de vista . Já a referência à identidade nacional consiste numa abordagem como a tratada por Anderson (1989). Durante essa época. os sistemas de valores. que tinha uma forte política Nacionalista. as línguas estrangeiras foram interditadas e o ensino da língua portuguesa se tornou intenso nos locais de maior concentração de população imigrante. as tradições históricas. crenças e ideologias criadas para dar unidade à identidade coletiva. por exemplo. os símbolos e a língua. mais do que a unidade é o sentimento de pertencimento. que as nações procuram administrar em função da manutenção da coesão social e da unidade política. constituído por meio de simbologias. O Estado brasileiro. o desejo de compartilhar e ser daquele grupo. Dicionário de Ciências Sociais. Um elemento muito importante que constitui o nacionalismo. E entre os fatores que produzem consciência de grupo no nacionalismo encontram-se a literatura. é a vontade de querer unir-se. que privilegia o sentimento de pertença a uma nação. sistemas de valores. a identidade de governo.―que justifica a nação-Estado‖ (Gerth e Mills. se esforçou para podar as línguas dos imigrantes estrangeiros.

que toda afirmação de identidade nacional é situada histórica e estrategicamente. à religião ou à raça. como o fascismo. embora todos esses referenciais sejam construtores de identidade nacional (Hall. 2003). 4. além de produzir marginalizações e cortes de voz política. pretende aqui ser pensado de forma múltipla e plural. considerando-o não restrito exclusivamente à língua. Nesse sentido. com a propaganda e os meios de comunicação em massa. ao território. Foi através da língua que os maiores e mais radicais Estados Nacionais. marcado historicamente por idéias sintetizadoras. pois além de se configurar por si só uma unidade. ela também é instrumento de controle de massas. . dependendo da situação vivida pelos indivíduos. o nacional-socialismo e o nazismo. mantiveram sua unidade. também o conceito de nação. Língua e Linguagem na Nação A língua é um dos principais aspectos do Estado-Nação.

é obrigar a dizer". isso é notado com as construções. Para Roland Barthes. por exemplo do genérico. Ainda. portanto. pois o fascismo não é impedir de dizer. Sendo assim. da televisão. mulier e guiné). viver. como desempenho de toda a linguagem. enquanto em Latim e Grego. se utiliza a palavra homem para designar o ser humano em geral. mas as linguagens variam. do teatro. temos a linguagem do jornal.É importante observar que a língua utilizada é uma só. estamos presos a essa representação da realidade. somos obrigados a usála para nos comunicar e. a língua é local de submissão do indivíduo. independente do gênero. ela é simplesmente fascista. nesse caso. existiam palavras para designar o ser humano do sexo feminino e o ser humano do sexo masculino. ou. além de homem e mulher ( homo e ánthropos. só podemos nos expressar através dela e. Por exemplo. não é reacionária. "A língua. Mas a língua utilizada para se estabelecer a comunicação é apenas uma em cada comunidade. ela é local de inscrição do poder. Como a língua é uma representação do mundo. nem progressista. No Português. expresso pelo masculino. em cada nação. . por exemplo. do cinema. portanto.

a partir da observação do mapa acima. pelas quais serão mostrados cada país membro e seus conflitos lingüísticos internos. Moçambique e São Tomé e Príncipe. A manutenção da língua Portuguesa. seria de se esperar por parte dos chefes de Estados. Cabo Verde. O espalhamento desses países por esses continentes. acerca do enquadramento geográfico dos países membros da CPLP. Moçambique. 5.5. São Tomé e Príncipe e Timor Leste. por si só. na Europa está Portugal e na Ásia localiza-se o Timor Leste. E são esforços nesse sentido que serão observados ao longo das próximas explicações. encontra-se o Brasil. na África estão localizados Angola. no que diz respeito a geopolítica. já representa um valor estratégico muito grande. Os Países Membros da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Suas Especificidades É importante refletir. Brasil. GuinéBissau. e estão espalhado por quatro continentes. Na América do Sul. portanto. Estes países são: Angola.1. Angola . Guiné Bissau. Cabo Verde.

Por outro lado. Neste país houve intensa disseminação do Português. através de um processo impositivo. Essa política teve vigência durante o governo de Salazar. E embora as línguas nacionais ainda sejam as línguas maternas da maioria da população. pelo regime colonial português. se fixaram no interior do país. falado por 30% da população. devido a diversos motivos. há que ter em conta também a presença de um elevado número de colonos portugueses. A adoção do Português como língua oficial foi. O principal foi a implantação. de uma política assimiladora que visava a adoção. o português é já a primeira língua de 30% da . As Línguas Nacionais são côkwe (pronuncia-se tChocué). pelos angolanos. espalhados por todo o território. kikongo. entre os quais se encontrava o domínio da língua portuguesa. bem como dos sucessivos contingentes militares portugueses que.Em Angola. kimbundu e o umbundu. Angola também conta com 37 línguas indígenas e 50 dialetos. durante o longo período da Guerra Colonial. de hábitos e valores portugueses. considerados "civilizados". a Língua Oficial é o Português. como se pôde observar.

5. O Crioulo Caboverdiano é de expressãotão grande em Cabo Verde.população. a soberania seria reconhecida. característica muito peculiar de angola. que há um projeto para a oficialização da língua.com a aproximação de um EstadoNação.mas exxiste uma língua Nacional de forte expressão. Assim. por isso. pois a população não se identifica com ela. Uma reunião de documentos presente no artigo de Juliana Braz mostra os . As ilhas que compõe esse arquipélago eram inicialmente desabitadas. único país da África na CPLP com tamanha aderência ao Português. entre os continetes da América e da África. de posição geográfica altamente estratégica e preciosa. não existiam línguas nativas. e tem valor de identidade tão latente. por esta justamente no meio do oceano atlantico. A língua oficial de Cabo Verde é o Português. que é o Crioulo Caboverdiano. como mostra Juliana Braz em seu artigo.2. Cabo Verde Cabo Verde é um arquipélago composto por 10 ilhas. A língua Portuguesa teve grande dificuldade de adoção passiva nesse país.

Manjaco. lutando ao lado de Cabo Verde. OU seja. . Balanta. 90% da população é marginalizada quando da participação política oficial. Papél. Mandiga. a forma de organização ocidental é impor fronteiras. na guerra colonial. Fula. Guiné Bissau teve sua independência conquistada em 1974.esforços de membros da população para oficializar o crioulo. Pelo contrário sua identidade é problemática (guineense. que é uma língua falada no cotidiano por quase todos os caboverdianos e de cuja os mesmos se ressentem muito por não utilizá-la para expressar sua voz política. ou parte de uma etnia específica?). Este país conta com diversos conflitos étnicos e sua população não compartilha de um única identidade.3 Guiné Bissau Como já foi dito. Suas principais Línguas Nacionais são o Crioulo Guineense. crioulo. 5. apagando as etnias preexistentes. impor unidade linguistica.Com Guiné Bissau não foi diferente. A Língua Oficial (o português) éfalado por menos de 10% da população.

que consegue transmitir costumes e sentimentos identitários. XiChope. porém. Apesar dessa adoção. Apesar dessa tentativa de unificação lingüística em torno do Português. ciYao. mas ela o é desde a independência de Moçambique em 1975. ciNyungwe.um dado muito releante é o de que apenas 6% da população fala tal língua. a língua oficial éo português. As principais Línguas Nacionais deMoçambique são XiTsonga. 5. XiSena. XiShona. ciNyanja. Guiné Bissau conta com uma pequena. como para todos os africanos. Porém. Moçambique Em Moçambique. o artigo 9 da Constituição de Moçambique diz que "O Estado valoriza as línguas nacionais como património cultural e educacional e . É importante observar que apenas em 2004 a língua oficial entra na constituição. BiTonga.A forma de organização adotada pós independência. não só para esse país. eChuwabo. forte produção literária em crioulo. eLomwe.4. eKoti. eMacua. XiMaconde e kiMwani. foi a forma de organização ocidental predominante: a nação-estado.

promove o seu desenvolvimento e utilização crescente como línguas veiculares da nossa identidade". Assim como Cabo verde. O forro (ou são-tomense) é um crioulo de origem portuguesa. quando a população conta com apenas 6% de falantes da língua oficial num Estado que. que se originou da antiga língua falada pela população mestiça e livre das cidades. além do português (língua oficial). Como já dito anteriormente. naufragou perto da ilha um barco de escravos angolanos. São Tomé e Príncipe Em São Tomé fala-se o forro. o angolar. o tonga e o monco (línguas nacionais). um outro crioulo de base portuguesa . São Tomé e Príncipe eram duas ilhas inicialmente desabitas. muitos dos quais conseguiram nadar até a ilha e formar um grupo étnico a parte. ainda conta com mais 41 línguas Nacionais. seria inimaginável o Estado desconsiderar as demais línguas. que sofreram povoação portuguesa e de escravos vindos de várias partes da África. 5. Este grupo fala o angolar. No século XVI. além das línguas Nacionais já citadas.5.

muitas vezes aprendido durante os estudos feitos em Portugal. Timor Leste . trazido pelos milhares de cabo-verdianos que emigraram para o país no século XX para trabalharem na agricultura. enquanto que a classe política e a alta sociedade utilizam o português europeu padrão. A ilha do Príncipe fala principalmente o monco (ou principense). O tonga é um crioulo com base no português e em outras línguas africanas. no léxico e até na construção sintática.mas com mais termos de origem bantu. É falado pela comunidade descendente dos "serviçais". Atualmente. Moçambique e Cabo-Verde.6. Outra língua muito falada em Príncipe (e também em São Tomé) é o crioulo cabo-verdiano. é o português falado pela população em geral. um outro crioulo de base portuguesa e com possíveis acréscimos de outras línguas indo-européias. Era a língua falada pela população culta. pela classe média e pelos donos de propriedades. principalmente Angola. O português corrente de São Tomé e Príncipe guarda muitos traços do português arcaico na pronúncia. trabalhadores trazidos sob contrato de outros países africanos. 5.

com muitas palavras derivadas do português e do malaio. galóli. mas esse país tem uma especificidade. quémaque e tocodede.O caso do Timor Leste é um pouco diferente dos outros países africanos. búnaque. baiqueno. macassai. É a língua de maior expressão no Timor Leste. mambai. são colocadas frequentes críticas a respeito da manutenção do Português como língua . devido à distância geográfica dos demais países de língua portuguesa. o Timor Leste ainda conta com as Línguas Nacionais: ataurense. habo. fataluco. ele tem mais uma língua oficial: o tétum. Devido a essa complexidade. lovaia. macalero. idalaca. Como já foi dito. o Português é a língua oficial do Timor Leste. como a maioria das línguas nacionais. é alvo de diversos debates a respeito da manutenção da língua portuguesa como a Língua Oficial da Nação.e as línguas de trabalho: Inglês e Indonésio. Timor Leste é um país localizado na Ásia e. Além destas. O Tétum é uma língua austronésia. cauaimina. becais. Esse país é tão linguisticamente complexo e diverso que existem até línguas de trabalho e uma legislação própria que rege esse sistema.

oficial. A outra crítica refere-se à existência do Tétum. São colocados questionamentos a respeito da não consideração dessa língua como a língua oficial. e a melhor saída para o problema de conflito lingüístico. o que a mairia dos estudiosos do assunto acredita ser o desejo da população como um todo. o português é símbolo da unidade do país e símbolo da resistência quando da ocupação Indonésia. Afirma-se que não não tem sentido insistir no estabelecimento de língua cuja população vizinha não tem conhecimento e nenhum traço de similaridade. Por outro lado. 5. Uma delas é acerca da distância geográfica dos demais países de língua portuguesa. Brasil e Portugal – Casos à Parte . Os pensadores que fazem essa crítica.7. Ele representa um valor de unidade em tempos difíceis para a população e isso é um aspecto importante para a justificativa de sua manutenção como língua oficial. que é uma língua nacional e é falada pela maioria da população. optam pela adoção do Inglês ou do Indonésio.

um passo para tirar a força dos obstáculos que travavam uma maior expansão linguística. Cada vez mais é considerado importante e de grande relevância. Acredita-se que tal expressividade do Português reflete-se até no fato de uma das portas de entrada da China em África ocorrer por via do Fórum Macau. O acordo ortográfico apresenta.Portugal tem sua língua materna coincidindo com a língua oficial. portanto não apresenta problemas de conflitos linguísticos nesse sentido. Para Portugal e Brasil serão analisados os conflitos no Âmbito do Acordo da Língua Portuguesa. sustentado pela partilha da mesma língua. além de todas as possibilidades mais adiante comentadas. o Português possa ser assumido plenamente como quinta língua com mais falantes no mundo. para que assim. e a prazo. como uma das línguas oficiais das Nações Unidas. 6. fato esse expressado pela sua adoção como língua de trabalho em diversas organizações internacionais. . Acordo Ortográfico O português é hoje falado no mundo por mais de 200 milhões de pessoas.

. Tal acordo toma medidas de forma a unificar as escritas de língua portuguesa. mas só veio a entrar em rigor nos dias de hoje. GuinéBissau. . através de mudanças na gramática de norma padrão. pela Academia das Ciências de Lisboa. de maneira que é impossível modificar através de imposições a fala de cada indivíduo. em 12 de Outubro de 1990. constitui um passo importante para a defesa da unidade essencial da língua portuguesa e para o seu prestigio internacional (.. Moçambique e São Tomé e Príncipe. O texto Inicial do Acordo é assim apresentado: “Considerando que o projecto de texto de ortografia unificada de língua portuguesa aprovado em Lisboa. 1990).)” (Acordo Ortográfico. tornando-se a sua escrita obrigatoriamente oficial a partir deste ano. Academia Brasileira de Letras e delegações de Angola. Cabo Verde. com a adesão da delegação de observadores da Galiza.O Acordo Ortográfico foi aprovado e assinado em 1990.

que o acordo ortográfico se configura como uma alternativa bem à parte de sua realidade. O acordo teve grande repercussão na comunidade acadêmica. foi possível chegar a algumas conclusões parciais e depois. Não é surpreendente que os países Africanos e o Timor Leste não tenham repercutido muito a respeito do acordo. Para Brasil e Portugal. Foi visto que eles já sofrem com tantas questões lingüísticas. À princípio é importante ressaltar a marginalização dos países africanos e do país asiático de língua portuguesa quando da discussão do acordo ortográfico. principalmente pelos estudiosos de lingüística e literatura. Conclusão Com esse trabalho. . a conclusões a respeito de todo o estudo aqui apresentado.O acordo é. além de sociólogos. . como bem explicitado em seu texto inicial. Isso se dá visivelmente pelo fato de tais países enfrentarem problemas lingüísticos de ordem muito mais grave. portanto. um passo para a defesa da unidade da língua portuguesa. o caso foi diferente. o que nos remete a uma clara estratégia política de prestígio dos países e defesa de soberania.

gerar pensamento crítico. porém é o vigente no ocidente. depois de conquistada a sua independência perante seu antigo colonizador. organizar e articular os saberes. já introduzidos anteriormente: Seria o acordo ortográfico mais uma forma de controle do Estado e exercício de poder? Seria ele apenas uma tentativa de unidade entre povos de mesma língua ou uma estratégia política de unificação? Até que ponto esses dois questionamentos podem ser separados? Universidade. O desempenho dessas nobres e decisivas funções. tiveram que se unificar e proteger por trás da oficialização de um idioma para que a sua soberania fosse reconhecida internacionalmente. conhecimento e opinião A universidade existe para produzir conhecimento. o que fica é o levantamento de alguns questionamentos. porém. não é algo que se . formar cidadãos. Portugal. A centralização do Português como língua oficial representa a tentativa desses países de se encaixarem num modelo de organização política que não é o seu. Quanto ao acordo ortográfico.Estes. profissionais e lideranças intelectuais.

estatutos e tradições . pode ser responsabilizada pelo estado de exasperação. cumprir com maior ou menor efetividade suas atribuições. justamente por isso. cada época. . por sua própria natureza. seus dirigentes. a universidade brasileira tem se debatido intensamente numa crise que não parece ter data para terminar e que. operar com alguma liberdade em relação às circunstâncias histórico-sociais que lhe estão na base. Em certa medida. insatisfação. Nos últimos anos. dentre outras coisas. As próprias circunstâncias internas da instituição seu corpo docente. Não se trata de dependência ou limitação. Do mesmo modo que as demais instituições.incidem sobre sua imagem e seu desempenho. cada sociedade e cada Estado têm a universidade que podem ter. ser mais ou menos admirada e respeitada. por mais que a instituição universitária.resolva no plano abstrato. Pode funcionar bem ou mal. mas de determinação. a universidade está sempre historicamente determinada. Não está acima da sociedade nem desconectada dela. tenha luz própria e possa. Ela não é perfeita nem inquestionável. sua estrutura administrativa.

pedagógicos. na medida mesma em que se mostra essencialmente como desafio e põe por terra hábitos e procedimentos pouco funcionais ou referidos rigidamente a padrões anteriores de vida intelectual. à informacionalização. A crise se instalou no cotidiano da instituição universitária e está revirando seus fundamentos organizacionais. mas que também se abre para novos horizontes e possibilidades. administrativas e educacionais. Associa-se à reestruturação produtiva em curso. nos modelos seguidos para organizar atividades técnicas. Confunde-se com uma mudança paradigmática nas formas de explicação do mundo. à globalização capitalista. no modo de trabalhar e conceber o trabalho. fatores e processos estes que estão modificando profundamente as sociedades contemporâneas. Trata-se de uma crise que tumultua e desorganiza. culturais. educação e gestão. nos hábitos e comportamentos intelectuais. ao modo como se passou a viver a vida. seus valores .“desconstrução” e experimentalismo que se instalou nos circuitos acadêmicos.

a universidade se consolidou como um agregado de . ao mesmo tempo em que cortejam perigosamente o mercado. mas não temos como fugir ao reconhecimento de que há algo estranho nesse contexto. que função cumprem? Qual sua efetiva contribuição para o país? São muitas as interrogações. repercute os procedimentos que têm sido adotados pelos governos no campo da reforma do Estado. Edificada no decorrer de uma longa evolução histórica. que seguem um sentido perigosamente hostil à comunidade política e à vida pública. sobretudo) continuam a ser essenciais na vida nacional.e suas instituições. cujos primórdios remontam à Idade Média. Além disso. algo que rouba protagonismo da própria instituição universitária e a expõe a uma saraivada de críticas recorrentes. Neste quadro. As universidades (as públicas. será que a universidade continua sendo capaz de desempenhar suas históricas atribuições? Que conhecimento ela está gerando hoje? Como as opiniões geradas em seu interior entram em circulação.

na medida mesma em que se reporta o tempo todo à sociedade e ao Estado. tudo o que há de mais típico nas épocas históricas e nas estruturas sociais reverbera em seu interior. profissionais e lideranças intelectuais. à política e à economia.pessoas possuidoras de certas qualidades e unidas pela “missão” de produzir e transmitir conhecimento. acumular e disseminar pensamento crítico. que só obedece a . ainda que não se submetam passivamente a elas. cuja razão de ser é publicamente reconhecida e legitimada. Trata-se de uma instituição eminentemente social. De certa maneira. dando a ela uma existência dinâmica e socialmente referenciada. como cidadãos. da liberdade de expressão e da reflexão desinteressada. Seus movimentos como instituição seguem as demandas e expectativas da sociedade. que transfere a ela determinadas responsabilidades e incumbências. Sustentada pelos princípios da autonomia do saber. jovens sobretudo. Tudo o que é humano lhe interessa e diz respeito. formar outras pessoas. a universidade recebe uma “delegação” da sociedade. à cultura.

administrando corretamente os recursos de que dispõe ou que recebe do poder . mas ao mesmo tempo age para propor pautas e agendas. no segundo. cuidar de si própria. educacional e política. Exatamente por isto. Absorve demandas e expectativas sociais variadas. e quanto mais republicano e democrático for o Estado com o qual se relaciona. às quais precisa responder. as estruturas sociais e as relações de dominação.si própria. a universidade é uma instituição que se põe. contribuir para a construção da autoconsciência social. laica e autônoma para respirar e cumprir seu papel. alargar fronteiras culturais e submeter à crítica a realidade. ou seja. No primeiro caso. muitas incumbências e algumas restrições. ao mesmo tempo em que tem de se viabilizar como organização. a universidade é uma decisiva referência do Estado (comunidade política) e vincula-se ao Estado (aparato administrativo e de governo). funciona tanto melhor quanto mais republicana (pública e laica) e democrática for. recebe uma atribuição ética. Precisa ser livre. como sujeito simultaneamente ativo e reativo. diante do mundo. Além do mais.

no qual as partes se unem com dificuldade. mas que a desafia abertamente. obriga-se a obedecer a determinados parâmetros legais. Tanto quanto as demais organizações. Similarmente às demais organizações. vantagens e adversidades da época histórica e das sociedades concretas em que está inserida. Universidade e conhecimento Como instituição que se dedica à produção . portanto.público. num momento de transição e arrumação. a universidade flutua em um estado de sofrimento. todas as características. Inevitável. ela está hoje em ebulição. seguir diretrizes gerais de educação e acompanhar orientações governamentais. comuns a todas as organizações complexas. que a universidade reflita em si. bem como a reproduzir determinadas exigências técnicas e operacionais. concebem-se a si mesmas com bastante imprecisão e vivem à procura de uma nova e melhor inserção social. que seguramente não a inviabiliza. com uma dose adicional de dramaticidade. Com isto.

quer dizer. as estruturas sociais. mas as sociedades . . que liberta. as forças e correntes que prevalecem nos diversos momentos de sua história . as relações de dominação.têm suas “preferências” e fazem “escolhas”. A maior adesão social a uma ou outra daquelas visões certamente não é sem importância. a correlação de forças. promove e emancipa.e transmissão de conhecimento. Ambas as visões evidentemente coexistem. Por estar sempre socialmente referenciada. ou como um instrumento de desenvolvimento profissional e ajuste. É ele um valor em si. com o qual as pessoas melhoram sua posição relativa diante do mercado de trabalho. ou um recurso para que as pessoas se adaptem melhor ao mundo? O conhecimento pode ser pensado como um fim em si mesmo. por exemplo. a universidade não tem como deixar de ser afetada pelo modo como as épocas históricas e as sociedades entendem o conhecimento. as disputas de hegemonia e dominação. a ideia de conhecimento oscila conforme os movimentos da história. voltado para o crescimento intelectual e moral das pessoas.

em ritmo de globalização capitalista e informacionalização. não para promover efetivos intercâmbios intelectuais. o acúmulo de informações ganha destaque diante da reflexão. adquirem novos sentidos e significados. relações entre alunos e professores. pesquisas. pelo custobenefício. na universidade. o quanto se faz fica mais relevante do que o como se faz e o porquê se faz.Hoje. teses e monografias. os resultados passam a ser mensurados com obsessão e segundo critérios estranhos à própria lógica do conhecimento. os relacionamentos são formatados para gerar respostas no curto prazo. uma melhor adaptação ao mundo. O conhecimento virou uma mercadoria e passou a integrar o mesmo circuito de produção e circulação de mercadorias. pouco compatível com a . existe para produzir e transmitir conhecimento sofre uma drástica alteração: aulas. tudo aquilo que. às pessoas. por uma racionalidade “irracional”. A produção se torna mais importante do que a transmissão. Com isto. Instala-se um quadro sustentado pelo cálculo. o conhecimento também se tornou um bem de mercado: pode e deve ser “comprado” para que seja possível.

razão crítica que alimenta a ciência. da necessidade de dominar tecnicamente determinados temas ou situações. de diálogo com a história. Fazer ciência. pragmática. em nome da aquisição de “certezas”. Em decorrência. muitas vezes se reduz a uma prática instrumental. com a fragmentação dos currículos. do privilegiamento de carreiras e salários. o aumento da carga letiva. O estreitamento das relações entre universidade e mercado afeta a finalidade mesma da universidade. a . vazia de aventura. a curiosidade. e se converte numa operação de curto prazo destinada a instrumentalizar pessoas para uma melhor inserção no mercado de trabalho ou para um mais adequado aproveitamento das “oportunidades”. A formação e a ciência perdem contato com a dúvida. risco e fantasia. há mais capacitação que formação. Formar deixa de ser um processo de preparação para a vida. mudam as bases do ensino e da pesquisa. hoje. de articulação e totalização dos saberes. a reflexão sistemática. o modo como ela se concebe e o lugar que nela tem a ideia de ciência e formação. o questionamento. No fundo.

teses defendidas) sobre a qualidade. É igualmente afetado o instituto da autonomia universitária. artigos publicados. uma específica estabilidade que se vincula à dedicação integral ao ensino e à pesquisa. uma certa “irresponsabilidade” docente. . seja em termos acadêmicos (com a “imposição” de escolhas curriculares e preferências teóricas por parte do “mercado de trabalho”). também é afetada a ideia mesma de liberdade acadêmica. seja em termos orçamentários e financeiros. chegando a ser simplificada e banalizada. vagas. Com isto. o privilegiamento da quantidade (disciplinas. com seus requisitos: uma rede de proteções e garantias para o exercício da crítica. Tende-se sempre a maximizar o aspecto financeiro da questão.aceleração dos ciclos de estudo. matérias. como se a liberdade para gerir recursos financeiros esgotasse o tema da autonomia ou fosse o aspecto mais importante dele. carga horária docente. a valorização unilateral do pesquisador em detrimento do professor. A idéia mesma de autonomia sofre uma redução. informações. seja em termos gerenciais. horas-aula.

o intelectual. lógicas.A organização universitária é obrigada a se reformular como um todo. da sua “corporação”. Torna-se um técnico. produzir conhecimento. muda de função. criar condições para a formação e o enriquecimento intelectual de seus integrantes. Passa a se estruturar a partir de uma nova idéia de tempo. valores. mas sim para vender a imagem da sua especialidade. Fica recoberto por uma nova auréola de inacessibilidade e “superioridade”. O próprio protagonista central da experiência universitária. Busca o máximo de projeção na cena pública.a de interpelar a comunidade e contribuir para a formação de uma opinião democrática -. por índices de produtividade. Arma-se um conflito de tempos. Com a prevalência do conhecimento- . mas não para cumprir uma função pública . racionalidade gerencial e controle do gasto. pois se torna autocentrado e auto-referenciado. pela busca obstinada de eficácia administrativa. É fácil perceber como tudo isto entra em atrito com a missão histórica da universidade e trava a reprodução de suas atribuições básicas: gerar reflexão crítica.

aumentar a produtividade e a eficiência e formar profissionais com o perfil requerido. a universidade regride como instituição dedicada ao saber desinteressado e à interferência ativa nos destinos da sociedade. que. Chega-se mesmo a pensar que a época do ensino superior público já teria passado. instigada por uma visão instrumental da formação superior (que deveria apenas preparar os jovens para o mercado). A universidade pública encontra-se na berlinda. É criticada por todos os lados e parece estar sendo abandonada pela sociedade. Sua opinião perde força e valor. “filosofia” demais.mercadoria e da informação sobre o conhecimento profundo e o pensamento crítico. onde haveria funcionários demais. tornou-se rotineira a acusação governamental (proveniente quase sempre da chamada área econômica) de que o ensino superior . tende a olhar sempre com maior desconfiança para a universidade pública. engolida por sua incapacidade crônica de se adaptar aos novos contextos. ociosidade demais. diluindo-se na vala comum das opiniões em geral. Ao longo dos anos 1990.

impossibilitando um melhor atendimento aos demais estágios educacionais. no discurso governamental. para a privatização declarada ou dissimulada da universidade pública. É preciso desmontar este sistema e este . para a redução dos investimentos estatais no ensino superior e. Deu-se um descolamento.público consome uma exagerada parcela do orçamento da educação. a universidade pública também precisaria se viabilizar no mercado. Entrouse no novo século com um governo de esquerda. um desencontro entre o Estado e a universidade. O caminho ficou aberto. como se esta já não mais integrasse o núcleo estratégico de reprodução da comunidade política e devesse ser reduzida à condição de uma organização como outra qualquer. eleito em 2002. a educação superior deixa de ser um direito do cidadão e se converte em um “bem” a ser adquirido. A universidade pública continua a ser condenada por servir apenas a uma pequena porcentagem de “ricos”. assim. Neste ponto. mas a rotina permaneceu intocada. no limite. Tanto quanto as demais organizações.

complicar o argumento. Não faz sentido abordá-la como se fosse uma organização qualquer. parecida com um supermercado ou uma fábrica. que é. suas relações com o mercado. laica e republicana. Não dá mais para continuar falando de universidade em termos contábeis ou a partir de preconceitos e visões impressionistas. ela resiste . em boa medida. é preciso fazer a crítica da universidade realmente existente. Devemos. encontra-se em estado de sofrimento. laica e republicana. decididamente. portanto. demarcando com clareza seu lugar no Estado e. mas seguramente está muito longe de estar em agonia. Além de fazer a defesa intransigente da sua natureza pública. de ensino e pesquisa. Para sair da crise A universidade pública.modo de pensar. Por mais que seja insidiosa e contundente a campanha que contra ela fazem alguns setores governamentais e certos formadores de opinião. a resultante tanto das políticas governamentais quanto do modo como seus integrantes assimilam os processos que estão a desafiar a instituição universitária.

continua cumprindo um papel de destaque e se mantém como o principal centro de reflexão da sociedade brasileira. criativos e reflexivos. a universidade precisa rever algumas de . nem deixa de se ressentir das fortes mudanças que ocorrem no meio ambiente em que vive.estudantes. olhar nos olhos da crise. no seu modus vivendi e operandi. em maior ou menor grau.em muito boas condições. concentrar energias em sua própria realidade. funcionários . interpelá-la e reinventar a si própria como práxis e instituição. como de resto acontece em todos os países.mexem acima de tudo com ideias. Fazer sua autocrítica. Mas é evidente que não passa imune por esta campanha. digamos assim. A universidade tem reservas poderosas. A universidade precisa. professores. Seus “recursos humanos” . portanto. É um espaço categoricamente dialógico e pode. materiais em si mesmos explosivos. Para recuperar a centralidade como instituição social dedicada à formação e ao conhecimento. por isso mesmo. qualificada como opinião e preparada para projetar futuros.

Autonomia está associada evidentemente a liberdade de fazer opções.suas práticas atuais e muitos dos procedimentos que tipificam seu cotidiano. (1) Antes de tudo. Precisa se reorganizar. dar novo sentido e significado à ideia de formação e conhecimento. sua sistemática didático-pedagógica e seus planos de estudo. Isto significa. seu modo de funcionamento. Significa também. antes de tudo. ainda que estejam sob controle da “comunidade acadêmica”. precisa valorizar com radicalidade a sua autonomia. dos critérios quantitativos. ter coragem para se passar a limpo e se renovar. recuperando (ou conquistando) o poder de decidir o fundamental. rebelar-se contra a tirania da produtividade. não tanto no plano administrativo-financeiro mas sobretudo no plano propriamente acadêmico. mas se identifica também com capacidade de traduzir as condições externas (gerais) em princípios de . revendo seus currículos. quer dizer. dos prazos curtos definidos por agências que são externas a ela. por extensão. gerir recursos e tomar decisões.

também. Ensino e pesquisa são atividades fundamentais e devem integrar. Não faz sentido enfatizar a pesquisa como porta de entrada no mundo da captação de recursos. que ensino e pesquisa sejam postos em relação de equivalência e complementaridade efetiva. desprendimento e responsabilidade. (2) É indispensável. sem ser tolhida por elas mas. nem de fechamento.organização e atuação. Não se trata nem de auto-suficiência. .as demandas. mas de uma radical e específica forma de se abrir para o exterior. até porque isto violenta a própria natureza da investigação científica. expectativas e pressões do Estado e da sociedade.como questões suas . valendo-se delas para se afirmar como instituição. Não há porque privilegiar unilateralmente a pesquisa. como se ela pudesse frutificar fechada em si mesma e fora das salas de aula. sabendo respondêlas com independência. mas quando incorpora a si . ao contrário. Uma instituição universitária que banaliza o ensino não progride como espaço de formação. Uma universidade é autônoma não quando se descola do Estado ou da sociedade.

Romper com toda e qualquer tentação paternalista. São um contra-senso. como se faz corriqueiramente hoje. a de colaborar dedicadamente para que a sociedade se explique a si mesma. ou entre professores que pesquisam e professores que ensinam . (3) Até porque é daí que vem sua maior fonte de legitimação. Permanece . Continua intocável a missão a que se arvorou a universidade. isto é. qual seja. a estrutura e a cultura de todas as instituições acadêmicas. conheça-se melhor e construa uma imagem de si. a universidade precisa dialogar de modo inteligente com a sociedade. entre professores da graduação e professores da pósgraduação -. não são apenas prova de elitismo vulgar. torná-la protagonista da própria dinâmica universitária. uma demonstração de cegueira e alienação.em igualdade de condições e mediante articulações de reciprocidade e troca contínua. não apenas das “melhores”. Deve “ir onde o povo está”.ou. Separações entre escolas de pesquisa e escolas de ensino. buscar a sociedade. elabore e desenvolva sua autoconsciência. pôr-se em contato ativo e regular com ela.

(4) Em quarto lugar. representação paritária e eleições diretas para os cargos de direção. Do mesmo modo. a universidade está chamada a interpelar todo o universo da educação. para que se defina o que precisa ser feito para que as pessoas (grupos. comunidades) vivam de modo justo e civilizado. articulando-se de modo ativo com os demais níveis de ensino. . promover o constante encontro do conjunto da sociedade com o que a humanidade produz de grandioso e relevante nos mais diversos campos da ciência e da arte. Democratizar não pode significar apenas ter acesso facilitado. Antes de tudo. tais procedimentos não revitalizam a gestão propriamente dita. inserindo-se com soberania e dignidade no mundo. sobretudo. a universidade terá de levar mais a sério o desafio da sua democratização: ir além do refrão “mais vagas” e “mais participação”. por mais que isto seja relevante e indispensável para a dinamização dos ambientes universitários. para assim compartilhar experiências e.estratégica a sua contribuição para que se organizem as agendas nacionais.

nem melhoram necessariamente a qualidade das decisões. criação das condições institucionais e comportamentais (didático-pedagógicas) necessárias para uma formação de massas igualitária. respeitar a especificidade e a finalidade da instituição. podendo-se até mesmo dizer que a concentração de energias na dimensão mais simbólica e aparencial da democracia produz maior lentidão e menor rigor nos próprios processos decisórios. que se esvaziam de critérios de mérito (acadêmico. quer dizer. em termos de democratização do conhecimento. e se traduzir em termos substantivos. acesso a conhecimentos e interação acadêmica. inclusive) e se congestionam de pressões e postulações eminentemente corporativas. A democratização só fará sentido se souber rever seus próprios passos. baseada numa igualação categórica das oportunidades. de modo a propiciar a todos (e não apenas aos “mais capacitados”) as mesmas condições de progressão intelectual. (5) Será preciso encontrar um eixo para assimilar a massificação. equilibrando . também. Democratizar precisa significar.

O ensino e a produção de conhecimentos viram-se então alterados. tanto o número de estudantes quanto o de professores e servidores administrativos. diversificar sua oferta. a universidade ainda não conseguiu se ajustar inteiramente a isso. Perdeu a condição de abrigo da “cultura superior”. “deselitizando” parcialmente a universidade. Cresceram. assim. oferecer mais aulas e serviços de extensão. a abrir-se para universos mais instrumentais e aplicados. sobretudo) não tem como deixar de continuar crescendo para absorver as massas de jovens que batem às suas portas.quantidade e qualidade. Terá de abrir mais vagas e mais cursos. Mas não terá sucesso nesta operação e se . e com isso a se simplificar. a universidade (a pública. forçando-a a operar em outra escala de tempo e a partir de novos procedimentos organizacionais e didáticopedagógicos. Agora. na medida em que tiveram de responder a novas demandas e exigências. Respondeu a isto com a sua própria expansão. sendo levada a ter de disputar espaço com a sociedade e a cultura de massas. Forçada a se converter em fenômeno de massa.

idéia e práxis. ou seja. se optar por se mexer sem cessar apenas para não ficar parada. conhecimento especializado e visão éticopolítica (Gramsci). a universidade terá de encarar seriamente o desafio de rever alguns de seus fundamentos propriamente acadêmicos. deverá estar a . para resumir todos estes pontos. da universitas. detentores de um saber concentrado em um ou outro ponto especifico. (6) Por fim. creio ser possível dizer que a universidade superará sua crise tanto mais depressa quanto mais depressa assumir a condição de “usina” estratégica de formação de lideranças intelectuais. aqueles que a distinguem como instituição. Se optar por privilegiar este enfoque. Precisam ter a vocação do universal. científicos e filosóficos. se postergar a qualidade para um ponto futuro não determinado. Os que são por ela formados não podem ser meros “especialistas”. Na base deste movimento.descaracterizará se abrir mão de princípios consolidados. projetando-se como personagens que reúnem especialização e capacidade de direção. ciência e cultura.

mas também a proposição consistente de um pacto democrático de convivência. nem olhar apenas para seus interesses. aprenderá a dar conta das rotinas sem se deixar rotinizar. e é agora. por fim. E. Pela via da democracia. Renovando a gestão. a assimilação de um padrão superior de gestão e o estabelecimento de um diálogo inteligente com a sociedade. A universidade é um patrimônio da humanidade. não respirar seu próprio ar.prevalência do mérito acadêmico. a universidade se reencontrará com seu sentido originário e poderá deslanchar como instituição dedicada à produção e difusão de conhecimentos. inventando-se permanentemente como instituição. ela existe. nesse momento concreto por que passam as sociedades. Atacada ou não. Pela via da reposição do mérito. terá como se conhecer melhor e encontrar incentivos para não se congelar em si mesma. dialogando de modo inteligente com a sociedade. terá como construir um pacto que solidarize os interesses. . em crise ou não. respeite as individualidades e incentive a participação de todos.

Adotar esta perspectiva. alimentação. aqueles que constroem o cotidiano acadêmico. não são objeto de estudo sistemático que utilize metodologias sensíveis para expressar aspectos de sua cultura e subjetividade que se desenvolvem no interior da vida universitária. Para melhor desempenhar suas funções e solidificar laços com a sociedade. lazer. entretanto. Docentes. guiado pelos significados que eles constroem acerca de suas próprias experiências e por uma postura implicada com o contexto em que as pesquisas se desenvolvem: o ambiente acadêmico. estudantes e pessoal técnicoadministrativo. A universidade brasileira não tem o hábito de dar visibilidade a seus atores. O Observatório da Vida Estudantil (OVE) atua em duas IFES do Estado da Bahia – a Universidade Federal da Bahia (UFBA) e a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Seu objetivo é descrever desafios encontrados e aprendizados realizados por esses jovens em seus processos formativos. significa compreender que os estudantes não constituem um grupo homogêneo e que a diversidade de novos aspectos que afetam a vida estudantil não se limita aos modos por eles adotados para adaptar-se e dar curso à sua vida acadêmica. utilizando-se de metodologia e técnicas de coleta e análise flexíveis no âmbito da pesquisa qualitativa. às práticas culturais e sexuais e suas relações com a família e a comunidade. a universidade carece de um maior entendimento dos itinerários e dilemas enfrentados por diferentes grupos de jovens e adultos que nela convivem ou que dela dependem.que precisa mostrar seu valor. . gestores. ela abrange igualmente hábitos e mudanças relativos à saúde. O OVE se propõe acompanhar os diferentes modos de vivenciar a experiência de ser um estudante da educação superior.

impedida de dar atenção a projetos que não fossem voltados estritamente para a formação acadêmica. Esteve fechada. em 2007. a convivência universitária. ampliando seu raio de ação para a UFRB.Aproximações: a perspectiva ethno em Psicologia do Desenvolvimento do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFBA. estudantes de pós-graduação. constitui-se como grupo de pesquisa independente. O Observatório da Vida Estudantil surge como linha do grupo de pesquisa . foi agravada pela situação de penúria material a que foi submetida essa instituição. falhando em enxergar-se como o espaço-tempo de desenvolvimento onde se dá uma das transições mais importantes da vida de um indivíduo: a passagem para a vida adulta e as tarefas que daí decorrem. exatamente num momento de expansão e interiorização da educação superior no Estado da Bahia. agregando pesquisadores. Aspectos da formação integral da juventude foram negligenciados e hoje pouco se sabe do cotidiano vivido por seus estudantes. Por outro lado. pulverizada desde os anos da ditadura militar. em conseqüência da aproximação de pesquisadores desta nova universidade. Nos dois anos seguintes. historicamente. A universidade. por longo tempo. a questões emergentes relativas a esse segmento. habituou-se a ver nos estudantes apenas usuários de serviços educacionais. a partir do momento em que ingressam na educação . de iniciação científica e de extensão em torno da idéia de explorar diferentes aspectos da vida de estudantes universitários. A experiência francesa do observatoire de la vie étudiante A iniciativa de acompanhar a inserção de jovens em sua nova vida.Eleger a relação juventude-universidade como tema de pesquisa é enfrentar um conjunto extremamente diverso de fenômenos complexos.

contando. o então Ministro da Educação da França. a França conseguiu democratizar seu sistema de ensino. Esses fatores levaram a mudanças importantes com diversificação cada vez maior das condições de vida e de estudo dessa população. Institucionalizados. A criação dessa estrutura nacional. Já em 1989. do ponto de vista de sua estrutura. se dá a partir do extraordinário crescimento do número de estudantes franceses. Seus resultados ocasionam aprofundamentos temáticos e regionais a depender da prioridade dos resultados encontrados. a cada três anos. acerca das condições de vida dos estudantes e sua relação com o desenvolvimento de seus estudos. O Observatório Nacional. disseminada em todo o país. não é uma novidade. Ao mesmo tempo. já em 2006.000 estudantes universitários num país com uma população total de cerca de 63 milhões de pessoas. ao menos do ponto de vista do acesso. detalhada e objetiva possível. o mais completa. sem esquecer de alimentar a reflexão política e social acerca desse importante segmento da população jovem. auxiliá-los em suas decisões. Como projeto institucional amplo.superior. que opera em permanente relação com todas as instâncias que produzem ou recolhem informações e conhecimentos sobre a vida estudantil. considerado como verdadeira explosão da população de jovens que ingressavam no ensino superior nessa época. pesquisa nacional sobre as condições de vida dos estudantes. o ensino superior francês conheceu uma multiplicação de possibilidades de formação e ampliou sua dispersão geográfica. os observatórios franceses dispõem de um conselho composto de . igualmente. realiza. propõe-se. Efetivamente. cria o Observatoire de La Vie Étudiante que tem como missão fornecer informação.250. com cerca de 2. através de observatórios locais e regionais.

No quadro do projeto Euro Student. O Brasil. acesso ao ensino superior. Itália. dessa vez. não dispõe de volume satisfatório de estudos que fundamentem políticas para o suporte a esse público. locais de moradia. Os últimos resultados foram disponibilizados em 2005. Holanda. Finlândia. Letônia. com diversos países que realizam pesquisas do mesmo tipo: Alemanha. As pesquisas realizadas entre 2005 e 2007 que. auxílios governamentais. de personalidades e técnicos ligados ao ensino superior e representantes comunitários. orientar e controlar a qualidade dos estudos realizados pelo observatório. . Áustria. serão divulgadas brevemente. Social and Economic Conditions of Student Life in Europe. envolveram mais de vinte países europeus. Os temas privilegiados por esses levantamentos são: características sóciodemográficas. custo dos estudos e internacionalização. orientados para dar consistência aos discursos que apontam para a necessidade incontornável de dotar nosso país de modos de vida acadêmica mais ampla e fértil. Noruega e Portugal. sucesso nos estudos. que tem como finalidade comparar as condições européias acerca das condições de vida dos estudantes. Espanha. Irlanda. Inglaterra.organizações representativas dos estudantes. Tanto o conselho quanto o comitê científico são apoiados no trabalho de uma equipe operacional que assegura o funcionamento cotidiano do observatório. Possui ainda conselho científico composto por pesquisadores escolhidos nas universidades e centros de pesquisa com a função de desenhar. que ainda se debate com enormes dificuldades relacionadas à democratização do ensino universitário. desde 1994. Bélgica. o observatório colabora. no documento Eurostudent Report.

Entretanto. inicialmente. espaço de desenvolvimento e transição para vida adulta. implantaram sistemas de cotas. desde o seu ingresso. culturais e sociais que sua presença provoca no cotidiano . uma discussão tem sido recorrente no ambiente acadêmico: a chegada às universidades públicas brasileiras de setores sociais antes excluídos. dentre elas a Universidade Federal da Bahia. necessita de apoio para prosseguir e concluir com sucesso o curso de escolha . Mas isso não vai se dar facilmente: o debate meritocracia x justiça social continua se dando em diferentes setores da vida brasileira em torno da propriedade ou dos formatos das políticas de ações afirmativas. desenvolvendo e aprimorando políticas que ofereçam melhores condições de permanência a esse novo segmento de estudantes que. O significativo aumento do número desses estudantes e as novas e saudáveis questões pedagógicas. mas. O OVE e as políticas de ações afirmativas Nos últimos 10 anos. várias universidades . A universidade pública não podia continuar ignorando os milhões de brasileiros pobres que reivindicavam passagem para o que é um direito de todos: a educação superior. igualmente. Aberto à discussão de diferentes temas que envolvam qualquer segmento de estudantes da educação superior. o OVE privilegiou.É importante sublinhar que a idéia do OVE resulta de longa interlocução com pesquisadores da Universidade de Paris VIII e fundamenta-se na compreensão da universidade como ambiente de formação. uma população específica: os estudantes ingressos na universidade através das políticas de ações afirmativas.

entretanto. inicial e prioritariamente voltado para essa população específica de estudantes. parte do direito à cidadania plena. sublinhar que.acadêmico. de auxiliar os gestores a desenhar políticas adequadas que ofereçam a esses estudantes suporte e canais de comunicação ao longo de sua trajetória acadêmica sistematizando informações úteis para o aprimoramento das políticas de assistência estudantil. Vale. Avançar nessas discussões constitui importante passo em direção à democratização do bem público universitário e. a continuidade dos trabalhos de pesquisa do OVE prevê sua abertura para temas e segmentos da população universitária não privilegiados nessa . Importante lembrar que a universidade brasileira está convocada a empreender uma grande reforma em sua concepção e articulação com o conjunto da sociedade. especialmente aqueles de origem popular. é avaliar a qualidade da sua efetiva integração a todos os aspectos relevantes da vida acadêmica. via divulgação científica e debates qualificados. mais que nunca é necessário acompanhar as populações de jovens que nela ingressam. especialmente com os setores historicamente dela excluídos. Uma preocupação do OVE. Os resultados desses trabalhos têm ainda a intenção. portanto. trouxeram para o Observatório a demanda de se aproximar de suas realidades e dilemas. para compreender o que impacta suas vidas num período que compreende sua transição para a etapa adulta da vida. superando a mera inclusão quantitativa. o que reforça a relevância do acompanhamento das populações de jovens que nela ingressam especialmente aqueles de origem popular. que fortalece a relevância da realização de estudos com esse segmento estudantil. No momento em que a universidade brasileira ensaia os passos de uma profunda mudança.

bem como os dilemas enfrentados ao longo da aprendizagem das regras que regem o trabalho intelectual requerido para prosseguir no curso escolhido. mais recentemente. agregando pesquisadores. Sabemos que não apenas os estudantes pobres enfrentam dificuldades para se manter na universidade. trabalha em várias frentes de pesquisa. contemplada como projeto de inovação educacional pela FAPESB. cerca de vinte e cinco participantes que atuam ativamente em seus diferentes projetos. bolsistas de Iniciação Científica Jr. O grupo congrega. estudantes de pós-graduação. são temas contemporâneos e que podem a vir tornar-se foco de novos estudos.fase inicial. a própria escolha do curso a seguir é objeto de insegurança para muitos estudantes que não ingressam pelas políticas de ações afirmativas. Resultados de pesquisas anteriores do OVE em escolas públicas de Salvador haviam apontado a fragilidade da educação básica em promover nos alunos o interesse em continuar seus estudos. atualmente. No centro das atenções atuais do OVE encontra-se o projeto Aproximando a Educação Básica da Educação Superior: uma proposta de pesquisa-ação-formação. O Observatório da Vida Estudantil e suas ações atuais O Observatório da Vida Estudantil. compartilhando com pesquisadores da UFRB a idéia de considerar a vida e a cultura de estudantes universitários como objeto de estudo. os modos de acesso à cultura e o pertencimento a grupos identitários baseados em cor da pele. temas como a inserção política. Além disso. bolsistas de Iniciação Científica e de Extensão e. em 2009 e que representa um primeiro movimento interinstitucional do OVE. gênero ou preferência sexual. . atualmente.

experimentalmente. dentro do Observatório. a linha de pesquisa ―Da Educação Básica ao Ensino Superior‖. que propõe estreitar os vínculos entre a universidade e as escolas de ensino médio. formula o projeto aprovado pela FAPESB e obtém. É dessa forma que surge. assim. A investigação realiza-se. obteve financiamento e bolsistas por um período três anos. Outra frente importante foi aberta na Universidade Federal do Recôncavo. Esse projeto. professores bolsistas de cada uma das escolas que realizam tarefas compartilhadas com a equipe do OVE. voltado para fixação de recursos humanos e consolidação de novos campi e universidades. em quatro escolas de porte médio e grande em três cidades: 02 em Salvador. a adotar a idéia da educação superior como projeto de continuidade de estudos. Esse objetivo materializa a missão da universidade de responsabilidade social e implicação com o desenvolvimento da educação no Estado da Bahia. 04 de Extensão e 16 planos de . na forma de consumo e capital. 03 projetos de doutorado. Seu objetivo central é promover vinculação duradoura entre universidades e escolas de ensino médio para estimular alunos. por um projeto de pesquisa inspirado nas ações desenvolvidas pelo OVE e contemplado por edital do Ministério da Ciência e Tecnologia e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. professores. 01 em São Félix e 01 Santo Antônio de Jesus e reúne em torno dela. gestores e famílias.ingressando em um curso superior. recursos para o seu pleno funcionamento. 05 planos de trabalho de Iniciação Científica. Na perspectiva do Observatório são desenvolvidos ainda 02 projetos de mestrado. tanto para o grupo de pesquisa quanto para as escolas envolvidas.

Importante lembrar que. Essa espécie de canteiro gigante de obras e idéias é uma mina de novas questões para a pesquisa nesse campo. político e afetivo de estudantes universitários. propiciando a bolsistas e pesquisadores uma profusão de novas idéias. impacto de programas que visam a permanência de estudantes de origem popular. É preciso. nesses anos. Os temas dos projetos passeiam pela realidade da vida dos estudantes residentes. em 2008 . se constituíram como poderosos catalisadores para os estudos sobre vida e cultura universitária que iniciávamos. o OVE não teria ampliado e avançado na qualidade de sua produção se. É a partir dessa itinerância acadêmica que a idéia da realização do I Colóquio Internacional do Observatório da Vida Estudantil UFBA/UFRB se consolidou. Além disso.Iniciação Científica Jr. então. não vivêssemos um momento muito especial na Universidade Federal da Bahia. atribuir às propostas que nasceram na UFBA o crédito pela inovação e o sonho. relações de tempo e espaço que envolvem estudantes que chegam do interior. condições dos usuários das estruturas de assistência. propõe novos arranjos curriculares e volta-se para a interiorização da educação superior em nosso Estado. utiliza a capacidade ociosa de sua infra-estrutura com turmas em cursos noturnos. Nele. em cujo cenário manteve-se solitária por cerca de 60 anos. a tradução brasileira do livro do Professor Alain Coulon – Le Métier d‘Etudiant: l‘entrée dans la vie universitarie – pela EDUFBA. nesse mesmo ano. o curso A atualidade do Interacionismo Simbólico e da Etnometodologia ministrado por ele. à UFBA e à UFRB. que amplia a oferta de cursos e de vagas. percurso acadêmico daqueles que ingressam em cursos de alto prestígio e aspectos do desenvolvimento social. priorizamos a aproximação . e as visitas que fez ao nosso grupo de pesquisa.

Escolhemos Cachoeira para sediar essa iniciativa como uma espécie de homenagem e saudação aos cantos ainda esquecidos da Bahia. Além disso. visando com isso. conhecer e explorar novos temas. Genericamente a cultura é todo aquele complexo que inclui o conhecimento. a arte. os costumes e todos os hábitos e aptidões adquiridos pelo homem não somente em família. após tantos anos pós-abolição. a lei. metodologias e caminhos para cooperação e pesquisa nesse campo. A escolha do formato colóquio. Essas novas experiências devem interagir. com os renomados pesquisadores estrangeiros convidados. e isso se reflete também na música. que também faz parte da cultura brasileira. No caso da cultura . deveu-se à importância da escuta e do debate de caráter tanto teórico quanto epistemológico necessário a um campo que apenas inicia sua produção científica em nosso país. as crenças. a moral. esse Colóquio propõe. no espaço desse Colóquio. A cultura brasileira é marcada pela boa disposição e alegria. como também por fazer parte de uma sociedade como membro dela que é. no caso do samba. Significado de Cultura Cultura significa cultivar. e vem do latim colere.de pesquisadores de outras instituições brasileiras. como resultado. que é influenciada por vários fatores. a construção cooperativa de uma agenda bilateral e interinstitucional de pesquisas e intercâmbios que promovam a consistência e o desenvolvimento desse campo de estudos nas instituições de origem dos trabalhos foco de sua atenção. Cada país tem a sua própria cultura. que reúne um público restrito e focado em estudos sobre vida e cultura universitárias.

Seria a herança social da humanidade ou ainda de forma específica. A cultura é também um mecanismo cumulativo porque as modificações trazidas por uma geração passam à geração seguinte. onde vai se transformando perdendo e incorporando outros aspetos procurando assim melhorar a vivência das novas gerações.que se referia ao cultivo da terra para a produção. Cultura também é definida em ciências sociais como um conjunto de ideias. Cultura na língua latina. A cultura é um conceito que está sempre em desenvolvimento. aprendidos de geração em geração através da vida em sociedade.portuguesa. que os indivíduos tem de responder ao meio de acordo com mudança de hábitos. entre os romanos tinha o sentido de agricultura. que reflete uma característica do povo português: o saudosismo. pois com o passar do tempo ela é influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do ser humano. símbolos e práticas sociais. comportamentos. a cultura do arroz. uma determinada variante da herança social. etc. o fado é o patrimônio musical mais famoso. mais até que possivelmente uma evolução biológica. Cultura na Filosofia Cultura em filosofia é explicada como o conjunto de manifestações humanas que contrastam com a natureza ou o comportamento natural. e ainda hoje é conservado desta forma quando é referida a cultura do soja. É uma atitude de interpretação pessoal e . Já em biologia a cultura é uma criação especial de organismos para fins determinados. A principal característica da cultura é o mecanismo adaptativo que é a capacidade.

é indispensável. na manutenção e defesa das suas formas de relação humana e conceitos médios. destinada a posições suscetíveis de valor íntimo. tudo concebido à sua medida. chegando àquilo a que podemos chamar a sua alma cultural no sentido das normas de condutas ideais estéticas e formas de apresentação. como síntese ou atitude interior. Pode ser literatura. etc. arte. A cultura popular é influenciada pelas crenças do povo em questão e é formada graças ao contato entre indivíduos de certas regiões. sendo que esse povo tem parte ativa nessa criação. Essa dimensão pessoal da cultura. sobretudo para o próprio. Cultura Popular A cultura popular é algo criado por um determinado povo. Cultura na Antropologia Cultura na antropologia é compreendida como a totalidade dos padrões aprendidos e desenvolvidos pelo ser humano. Obtém esses resultados no cotidiano tanto fortuito como regular. música. na ocupação do seu tempo. Podemos dizer que há cultura quando essa interpretação pessoal e global se liga a um esforço de informação no sentido de aprofundar a posição adotada de modo a poder intervir em debates. homenagem e sacrifício. argumentação e aperfeiçoamento. Os Impactos da Globalização .coerente da realidade. A cultura como antropologia procura alcançar ou representar o saber experiente de uma comunidade apreendido através da organização do seu espaço. Além dessa condição pessoal. cultura envolve sempre uma exigência global e uma justificação satisfatória. como ainda nas suas expressões de festa.

da nossa infelicidade. de que o modo de produção capitalista está lançando mão. Á esta ordem não importam equívocos. Estamos diante de uma nova versão de guerra. Esta é a nova bandeira. Para alguns Globalização é o que devemos fazer se quisermos ser felizes. E isso porque o núcleo essencial deste paradigma está protegido e nutrido pelos mesmos objetivos .1999 a “Globalização” está na ordem do dia. a todos na mesma medida e da mesma maneira.Autoria: Jóile Bagetti Resumo Este artigo apresenta alguns aspectos relacionados à Globalização. é também um processo que nos afeta. uma palavra da moda que se transforma rapidamente em um lema. porém. segundo Bauman. uma encantação mágica. Uma guerra em busca de maior efetividade. Globalização é o destino irremediável do mundo. Esta é a guerra do sistema Global. a nova racionalidade. maior lucro e menor custo. um processo irreversível. para outros é a causa. Para todos. uma senha capaz de abrir as portas de todos os mistérios presentes e futuros. sofrimentos e misérias.

pode escapar à regra. como um vírus que se auto-alimenta. As forças de mudança são as variáveis ambientais. difusão e transmissão de informações. tais como. é o que chamamos de Terceira Revolução Tecnológica. Introdução O mundo começou a ficar globalizado no início dos anos 80. 1. Nenhuma atividade econômica. em qualquer país de economia desenvolvida ou em desenvolvimento. possibilitando movimentar grandes quantias de valores em segundos. não diferenciando os setores econômicos em que a empresa está envolvida. As forças das mudanças atuam nas empresas de forma única e em bloco. Essa ordem e essa racionalidade só tem um objetivo: a eficácia e a efetividade econômicas. Tudo acontece ao mesmo tempo. ou seja. quando a tecnologia de informática se associava a tecnologia de telecomunicações e com a queda das barreiras comerciais. sem importar-se com as conseqüências. processamento.econômicos e financeiros que nutrem e coordenam todo o sistema transnacional. . Existe uma interligação acelerada dos mercados internacionais.

graças à queda do custo da comunicação e as novas tecnologias de troca de dados. tendências socioculturais. concorrência.economia. Exigem-se menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. outros perdem. demografia. A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. A globalização é um fenômeno com ramificações industriais. A rapidez. as forças de mudanças estão atuando e influenciando diretamente as variáveis ambientais sem distinção de setores da economia. de prestação de serviços. tecnologia. clima político e legal. Uns ganham muito. . no mundo competitivo da economia. Enquanto estas atuam em cada setor da economia de maneira distinta. A Velocidade da informação pelo mundo é a característica atual da globalização. é como desenvolver um planejamento estratégico empresarial sem elaborar cenários ou fazer um planejamento de marketing sem considerar o planejamento estratégico da empresa como um todo. comerciais ou financeiras. o barateamento e a confiabilidade caracterizam a globalização do ponto de vista tecnológico. Não considerar as forças de mudança. outros ganham menos.

inteligência artificial. os transportes intercontinentais rápidos existem a vários decênios. ele define globalização como sendo “ a mundialização é bem mais que uma fase suplementar no processo de internacionalização do capital industrial em curso desde faz mais de um século”. 2) a formação de áreas de livre comércio e blocos econômicos integrados (como o Mercosul. Segundo alguns. em escala planetária”. Usando o termo “mundialização”. a União Européia e o Nafta). difusão e transmissão de informações. Referencial Teórico Globalização Existem diversas definições. O jornal francês “Le Monde” discorda. processamento. a explicação mais didática está no teorema do economista Eduardo Gianetti da Fonseca: “ O fenômeno da globalização resulta da conjunção de três forças poderosas: 1) a terceira revolução tecnológica (tecnologia ligada à busca. E lembra que “o comércio entre nações é velho como o mundo. variando do ponto de vista de cada um. engenharia genética).2. 3) a crescente interligação e interdependência dos mercados físicos e financeiros. as empresas multinacionais .

3) os transformalistas – admitem que os processos contemporâneos de globalização não têm precedentes. os satélites. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo . assim como a televisão. O especialista Anthony McGrew lista três tendências nos analistas da globalização: 1) os hiperglobalizantes – os que acham que a globalização define uma nova época na história da humanidade. de informação e de expansão das empresas multinacionais em mercados antes fechados. Apontam um novo padrão de inclusão e exclusão social na economia globalizada. os movimentos de capitais não são uma invenção dos anos 90. 2) os céticos – os que entendem que os fluxos atuais de comércio. investimento e mão-de-obra não são superiores aos séculos passado. com todas as implicações decorrentes: aumento no fluxo de comércio. a informática”.prosperam já faz meio século. O que “Le Monde” chama de “novidade” é “a desaparição do único grande sistema que concorria com o capitalismo. O fim do comunismo permite globalizar o capitalismo. Não há uma definição que seja aceita por todos. Têm uma visão intermediária. o comunismo soviético”.

da troca de informação e de ideologias.Não há como negá-la.da difusão da língua inglesa e do desmoronamento do bloco soviético. define uma nova era da história humana.fazem com que as empresas passem da condição de multinacionais para a de globais.os homens de negócio precisam ter a .As fusões e aquisições.do intercâmbio dos negócios por meio de viagens.sobretudo no setor de serviços como energia e telecomunicação. Em decorrência do avanço das telecomunicações.Pelo contrario.quando países tecnologicamente avançados investem em economias mais frágeis.no entanto.Além de entender de taxas de câmbio.Tanto é que os conselhos de administração das grandes empresas estão ficando cada vez mais parecidas com assembléias da ONU: representantes internacionais estão cada vez mais presentes nos negócios.faz parte de nossa realidade.tempo. A globalização.apesar de o fosso entre ricos e pobres não ter diminuído.alarga-se o abismo econômico entre os que têm e os que não têm.o mudo foi-se integrando e tornando-se cada vez menor. Esse novo mundo global passa a exigir dos gerentes muito mais agilidade e cultura em termos globais.

a globalização não .Que percentual poderia ficar à vontade em um jantar com clientes importantes de outros países.Precisam compreender o movimento tecnológico transfonteira.Que sistemas de incentivo podem estimular os funcionários a motivar-se pelo mando e compartilhar as idéias em nível mundial.Quantos de seus gerentes possuem essas competências globais.pois.Como a empresa pode criar uma mentalidade que respeite as condições locais e ao mesmo tempo promova o pensamento global. Uma empresa que procura criar capacidade organizacional global precisa. Ao contrario do que muitos possam imaginar.os gerentes precisam dispor não apenas de habilidades interpessoais.Quantos são capazes de representar adequadamente os interesses da empresa para uma platéia global.Quantos são sensíveis à cultura e peculiaridade de cada mercado.capacidade de elaborar e checar estratégias globais.possui sagacidade política em países diferentes e estar cientes das questões do comércio global e motivação subjacentes a clientes de todo o planeta.mas também interculturais.indagar em que medida seus recursos humanos estão preparados para atender a esse desafio.Com a globalização.

de acordo com Keegan e Green (1999). Globalização e o Mercado Financeiro O mercado financeiro internacional tem poder.de que as organizações serão cada vez mais solicitadas a capacitar seus membros para que possam desenvolver a contento essas tarefas. adquirido pelos fatores da desregulamentação dos anos 80 e o avanço tecnológico nas comunicações. Acabaram-se os controles sobre movimentação de capital.respondam plenamente às necessidades locais e façam uso do talento e energia de cada membro da organização.uma tarefa heróica.Essa é. ao mesmo tempo em que mudou a face do mercado financeiro.Não há dúvida.produz “receitas globais” que podem ser prescritas às organizações interessadas em se inserir nessa nova ordem. como geradores de empréstimos.que exige visão global e sensibilidade para as necessidades locais.A marca registrada de uma empresa global. emitidos por instituições .pois.é a capacidade de formular e implementar estratégias globais que alavanquem o conhecimento mundial. acabou. A hegemonia dos bancos.portanto. fazendo com que capitais percorram o mundo expressivamente. Subiu o mercado de títulos.

muitas instituições financeiras operam 24 horas por dia. que tiveram um crescimento vertiginoso. Por esta razão. em questão de segundos.financeiras e empresas. especialmente por meio de fundos de pensão e fundos de investimento. começam a operar na Europa quando já é janta na Ásia e abrem os negócios na América quando os Europeus estão terminando de jantar. Outro componente que torna o mercado financeiro internacional assustador é o volume do dinheiro movimentado por negociações derivadas de alguma outra. Uma inconsistência macroeconômica poderia se arrastar por muitos anos e . qualquer choque sobre o mercado tende a se propagar sem paradas. como os títulos comprados por diversos investidores ao redor do mundo. Hoje. Abrem o dia na Ásia. Esta montanha de papéis e diversos investidores são capazes de reagir. A globalização dos mercados financeiros torna esses movimentos rápidos. O avanço das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais uniram os mercados. a boas e más notícias. violentos e mortais. Negocia-se no mercado futuro uma operação financeira de compra e venda que tem como referência a variação do preço de um ativo.

O risco da globalização financeira existe e a multiplicação do volume de papéis financeiros em relação à produção real pode acabar. Um princípio continua válido: para países que mantêm políticas econômicas consistentes. a globalização financeira pode ser mais uma oportunidade do que um risco. têm dinamizado e . tornando o processo de aprendizado ágil. Globalização de Mercados A criatividade e a inovação retroalimentam-se através do sistema de informação e informática. e os satélites já fazem parte do cenário de vários países e empresas diminuindo a distância entre as culturas do Ocidente e Oriente. Existe uma lógica no movimento de capitais. pelos povos do oeste e vice-versa. O que é consumido por populações do leste pode ser também desejado. A informática. a uma velocidade imensurável (recurso tempo). em tempo real.provocar uma lenta desvalorização na economia de um país em questão de semanas. com programas de 1ª geração de CAD/CAM e computadores de alta resolução para criação de designs e decisões para projetos de engenharia. Os investimentos em telecomunicações (espaço e tempo) estão crescendo em todo o mundo.

de acordo com as necessidade. hoje já podem nascer obsoletos ou com ciclos de vida muito curtos. em vez de pesquisar as necessidades atuais. Obter o retorno do capital investido no produto ou serviço o mais rápido possível.contribuído significativamente para a inovativa e rápida tecnologia de fabricação de produtos auxiliada por robôs autoprogramáveis. Portanto. . distribuindo-o amplamente nos países com potencial de compra (recurso tempo). Tirar proveito das vantagens que o processo de comunicação via satélite oferece. os produtos. vale o preço que o cliente ou consumidor quer pagar. Oferecer um produto cujos atributos. o bom profissional executivo de marketing deve visualizar suas ações estratégicas de modo diferente da forma pela qual o fazia no passado. Em sua grande maioria. maturidade e declínio. antes que o concorrente o faça com um produto melhor e com maior valor agregado (recurso não-matéria serviço). crescimento. antecipando as necessidades das pessoas (recursos espaço e não-matéria serviço). cujos ciclos de vida antes atingiam as quatro fases: introdução. concentrando-se em: Minimizar o risco da rápida obsolescência dos produtos (recurso tempo).

Usar continuamente o benchmark mudial. Tecnologia na Globalização O mundo passou por uma integração comercial importante. programando sua obsolescência e canibalização.Enfatizar o processo de desenvolvimento de produtos com base na identificação do core competence.Investir continuamente em P&D ou formar alianças.Enfatizar o padrão de qualidade dos produtos de classe internacional.Diminuir o ciclo de vida dos produtos. . cooperações e fusões internacionais. . .Concentrar-se na melhoria e no aperfeiçoamento contínuos da tecnologia dos processos organizacionais. . Dessa forma. então. lançar sempre o melhor produto no mercado (recurso não-matéria serviço).a globalização de mercados demanda as seguintes ações nas estratégias da organização: . Lançar continuamente novos produtos.Planejar a melhoria contínua do produto/serviço ou sua obsolescência . (FILHO. a fim de agregar maior competitividade entre empresas aliadas nos esforços de globalização dos mercados. pg 12 a 14). Ou.2000. .

e a Internet pode barateá-la ainda mais. A comunicação global ainda não foi democratizada: A África tem menos de uma linha para cada 100 habitantes enquanto na América do Norte. telefonia e comunicação mudam o mercado da informação. Fusões de empresas da área da informática. Avanço tecnológico andou lado a lado com o fortalecimento do mercado financeiro. A indústria da telecomunicação vive uma explosão sem precedentes. Três fatores vão derrubar ainda mais os custos de telecomunicação: 1) avanços técnicos que reduzem o custo da infra-estrutura. à medida que ambas se digitalizam. Paralelamente. somada ao barateamento e à popularidade da informática. É essa conjunção que torna possível um mundo globalizado nos moldes de hoje.mas não podia trocar informações na velocidade e na quantidade de hoje. 2) o excesso de capacidade de transmissão internacional – que acaba transbordando para ligações de longa . O preço da chamada telefônica caiu 90% entre os anos 70 e hoje. começa a se esboçar uma convergência entre a infra-estrutura de comunicação e a indústria da mídia. Oceania e Europa a taxa supera 25 para 100 habitantes.

Embora as empresas não tenham chegado a achar um caminho para a convergência. equipamentos multimídia e outros. A tendência é que telecomunicações. Propagação Mundial da Tecnologia da Infomação e Informática A propagação da tecnologia da informação tem um papel importante na tomada de decisões das empresas e nas mudanças organizacionais. rápida e barata.distância nacionais. computadores. Até pouco tempo havia uma distinção clara entre redes de telefonia. de dados e de broadcast (TV e rádio). Com o auxílio de satélites artificiais. A queda dos monopólios de comunicação e a revisão dos acordos tarifários internacionais devem reduzir as altíssimas margens de lucro das empresas telefônicas. tecnologia celular. Apontam para uma comunicação mais ubíqua. difusão de rádio e TV e transmissão de dados passem a circular indiferentemente por fibras óticas e satélites. a infra-estrutura se aproxima dela. fax modem. internet. os executivos não precisam mais se deslocar da matriz para outras unidades da empresa . 3) desregulamentação e erosão das margens de lucro. do ponto de vista tecnológico os avanços nunca foram tão rápidos. Apesar das barreiras políticas e econômicas à integração das comunicações.

Bastam vídeos. com uma quantidade adequada e variada de atributos de serviços (recurso não-matéria). telas e teclas. pois se traduz em um verdadeiro bombardeio de influência e persuasão sobre os consumidores no momento da decisão de compra. entretenimento. Em um curto tempo.(recurso tempo). Imaginemos toda essa tecnologia transformada em facilidades. E mais. e o processo de tomada de decisão é estabelecido em tempo real (recurso tempo e espaço). provocando mudanças. As constantes mudanças de atributo dos produtos levam as pessoas a valorizá-los de forma muito racional do que emocional. Cada produto é melhor do que o outro. educação e em informações sobre produtos ou serviços produzidos por empresas de vários países. ter também uma idéia do nível de transformação que vêm sofrendo os setores mundiais de logística. lazer. transformações e expectativas de compra imprevisíveis. as necessidades atuais do indivíduo são rapidamente influenciadas pelas necessidades futuras. e isso dificulta cada vez mais o julgamento e a análise de seus valores por parte do consumidor. portanto. conveniência. Podemos. comunicação dentre muitos outros. elas estabelecem .

É possível perceber. está englobado no recurso não-matéria. a fim de conhecer com precisão o que ele deseja em relação ao produto/serviço e que preço está disposto a pagar. cujo objetivo é melhorar a competitividade de suas empresas. Investigar continuamente as mudanças de atributo dos produtos ou serviços junto ao cliente. para a empresa sobreviver e ser competitiva tem de “agregar valor continuamente aos seus . Redescobrir o cliente dentro do conceito valor atributo/preço. Dessa forma. os profissionais. deverão concentrar grande parte de seus esforços nas seguintes premissas: Ter consciência de que as necessidades atuais serão superadas pelas expectativas das necessidades futuras. seu estilo de vida. e a forma como pensam e agem. a existência de um enorme potencial para a agregação contínua de benefícios intangíveis a um produto ou serviço. principalmente seus valores. pois. tendo em vista a quantidade de informações e o grau de conhecimento desse consumidor sobre produtos e serviços de várias procedências e culturas.comparações entre os valores dos atributos e benefícios e o que o dinheiro pode comprar. na verdade. Observar continuamente a rapidez das mudanças socioculturais do consumidor/cliente. e isso. portanto.

com o objetivo de maximizar o marketing mix da empresa. Não que a gerência deva administrar de forma diferente por estar vivendo um novo tempo. os computadores e seus programas impõem a mudanças da organização. ou seja. por meio de redes entre computadores formada por um super-rodovia da informação digital. A eficiência competitiva dependerá da rapidez com que a empresa e sua administração assimilarem essas . sem que isso implique aumento de preço para o cliente ou consumidor. A questão é que a própria tecnologia digital. Dinamizar o conhecimento individual dos clientes por meio de inúmeros softwares criativos e inovadores formando um banco de dados do cliente. fornecedores e clientes mudam totalmente o conceito de administração. estendendo-o para toda a cadeia de valor em que a empresa está envolvida. Dinamizar as decisões de sua equipe de trabalho.produtos”. A rede de computadores entre empresa. oferece às empresas e seus departamentos eficiência e agilidade significativas na tomada de decisões em toda a cadeia de valor. A decisão em tempo real. oferecer sempre mais. bem como o processo de integração interno das áreas da empresa.

A pior burocracia. ou empresa burocrática. internet. com riqueza de detalhes tecnológicos e conhecimento da matriz durante sua execução. Fluxo de informações em todo o processo administrativo da organização utilizando-se um único sistema operacional de informação. Caso da detecção de uma oportunidade até a concepção do produto/serviço e seu lançamento no mercado.mudanças. Cliente e fornecedores interligados e integrados na cadeia de valor da empresa por . ajustado às necessidades de cada país. Tendo em vista as inúmeras transformações organizacionais e administrativas possibilitadas pela tecnologia digital de redes de computadores. intranet. ou seja. vários sistemas dentro de um sistema e cada departamento satisfazendo a necessidade do outro departamento. podemos formular uma série de premissas que certamente tornarão as empresas mais competitivas: Decisões em tempo real: uma decisão tomada hoje nos Estados Unidos. na Europa ou no Japão pode ser imediato executada no Brasil. é aquela que utiliza um sistema de informação para cada departamento. Todos na empresa precisam ter acesso a um único sistema para dinamizar a tomada de decisões e conhecer simultaneamente o que cada equipe executa.

sobrepondo-se aos controles e limites estabelecidos pelas empresas. o uso da gestão do conhecimento em base contínua. 2000. pg 15 a 19) A produção da Globalização A globalização é. Em outras palavras. Redução do ciclo dos processos organizacionais e dos custos administrativos em decorrência da agilidade nas decisões proporcionada pelos programas de software. Processos organizacionais diretamente ligados ao cliente/consumidor para a sobrevivência da empresa e sua eficiência para competir. como. o auge do processo de internacionalização do mundo capitalista. Criatividade e inovação constantes como base para a sobrevivência da empresa.meio de programas computadorizados oferecidos por empresas especializadas nestes tipos de programas. (FILHO. de resto. de certa forma. há dois elementos fundamentais a levar em conta: o estado das técnicas e o e o estado da política. procedimentos administrativos que não agregam valor ao cliente/consumidor deverão ser reavaliados ou mesmo descartados pela empresa. Para entendê-la. Ou seja. a qualquer fase da historia.Dai muitas . Há uma tendência de separar uma coisa da outra.

Só que a globalização não é apenas a existência desse novo sistema de técnicas. que passaram a exercer um papel de elo entre as demais. representado pela mais-valia globalizada. produziuse um sistema de técnicas presidido pela técnicas da informação . Os fatores que contribuem para explicar a arquitetura da globalização atual são: a unicidade da técnica.As técnicas são oferecidas como um sistema e realizadas combinadamente através do trabalho e das formas de escolha dos momentos e dos lugares de seu uso. E. a cognoscibilidade do planeta e a existência de um motor único na historia. unindo-as e assegurando ao novo sistema técnico uma presença planetária. a convergência dos momentos.interpretações da historias a partir das técnicas. responsável pelo essencial dos processos políticos atualmente eficazes. Ela é também o resultado das ações que asseguram a emergência de um mercado dito global. nunca houve na historia humana separação entre as duas coisas. por outro lado interpretações da historia da política.Na realidade. .. No fim do século XX e graças aos avanços da ciência. É isso que fez a historia. Um mercado global utilizando esse .

Essas famílias de técnicas transportam uma história. Um exemplo banal pode ser dado com a foice. da informática. o ancinho. uma nova etapa histórica se torna possível. Isso poderia ser diferente se seu uso político fosse outro. Em nossa época. o único que nos permite ter a esperança de utilizar o sistema técnico contemporâneo a partir de outras formas de ação. que constituem. da eletrônica. aparece uma técnica isolada. uma família de técnicas.sistema de técnicas avançadas resulta nessa globalização perversa. por meio da cibernética. Kant dizia que a historia é um progresso sem fim. As técnicas se dão como famílias. o que se instala são grupos de técnicas. A unidade técnica O desenvolvimento da historia vai de para com o desenvolvimento das técnicas.Ela vai permitir duas grandes coisas: a primeira é . Esse é o debate central. num dado momento. verdadeiros sistemas. acrescentemos que é também um progresso sem fim das técnicas. o que é representativo do sistema de técnicas atual é a chegada da técnica da informação.Nunca. na história do homem. a enxada. cada sistema técnico representa uma época. A cada evolução técnica.

permitindo. Na história da humanidade é a primeira vez que tal conjunto de técnicas envolve o planeta como um todo e faz sentir. em todos os lugares. por isso mesmo. um ator de menor importância no período atual. acelerando o processo histórico. mas o novo conjunto de instrumentos passa a ser usado pelos novos atores hegemônicos. a convergência dos momentos. aliás . enquanto os não hegemônicos continuam utilizando conjuntos menos atuais e menos poderosos. que antes não era possível. as outras não desaparecem. A técnica da informação assegura esse comercio. contamina a forma de existência das outras técnicas. As técnicas características do nosso tempo. Quando um determinado ator não tem as condições para mobilizar as técnicas consideradas mais avançadas. Por outro lado.que as diversas técnicas existentes passam a se comunicar entre elas. mais atrasadas. tem uma influência marcante sobre o resto . assegurando a simultaneidade das ações e. Continuam existindo. instantaneamente sua presença.Isso. presentes que sejam em um só ponto do território. Ao surgir uma nova família de técnicas. por conseguinte. torna-se. ela tem um papel determinante sobre o uso do tempo.

direta ou indiretamente. a estrada de ferro instalada em regiões selecionadas. A técnica da informação alcança a totalidade de cada país. seria também impossível a atual unicidade do tempo. É a partir da unicidade das técnicas. principal responsável pela imposição a todo o globo de uma mais-valia mundial. da política das empresas e da política dos estados. da qual o computador é uma peça central. alcançava uma parte do país. Há uma relação de acusa e efeito entre o progresso técnico atual e as demais condições de implantação do atual período histórico.Cada lugar tem acesso ao acontecer dosa outros.do país. o que é bem diferente das situações anteriores. isto é. escolhidas estrategicamente. Sem ela. conjunta ou separadamente. Por exemplo. com a intermediação da política. porque todos os outros lugares são avaliados e devem se referir áqueles dotados das técnicas hegemônicas. mas não tinha uma influencia direta determinante sobre o resto do território. As técnicas apenas se realiza.O principio de seletividade se dá também como princípio de hierarquia. tornando-se historia. que surge a possibilidade de existir uma finança universal. o acontecer local sendo percebido como um elo do acontecer .

mas que podemos usar esses relógios múltiplos de maneira uniforme. do ponto de vista histórico. Com essa grande mudança na história. A história é comandada pelo grandes atores desse tempo real. A convergência dos momentos A unicidade do tempo não é apenas o resultado de que. nos mais diversos lugares.Se a hora é a mesma. tornamo-nos capazes. Por outro lado.Há uma junção dos momentos como resposta àquilo que.Tomada como fenômeno físico.mundial. os donos da velocidade e os autores do discurso ideológico. convergem. Os homens não são igualmente atores . a percepção do tempo real não só quer dizer que a hora dos relógios é a mesma. a hora do relógio é a mesma. de ter conhecimento do que é o acontecer do outro. também.Essa é a grande novidade. o que estamos chamando de unicidade do tempo e convergência dos momentos. os momentos vividos. seja onde for. a unicidade da técnica não teria eficácia. que são. será chamado de interdependia e solidariedade do acontecer. sem a mais-valia globalizada e sem essa unicidade do tempo. do ponto de vista da física. chama-se de tempo real e. ao mesmo tempo.

de um lado . com uma verdadeira mundialização do produto. socialmente. o que seria devido.desse tempo real. da dívida. Fisicamente. Tudo isso é realidade. O motor único se tornou possível porque nos encontramos em um novo patamar da internacionalização. ele é excludente e asseguram exclusividade. contém e é contido por outro. potencialmente. uma vocação a um padrão único. de outro. Um elemento da internacionalização atrai outro. à mundialização da mais-valia. do dinheiro. do consumo. Esse sistema de forças pode levar a pensar que o mundo se encaminha para algo como uma homogeneização. á mundialização da técnica. instalado sobre um planeta informado e permitindo ações igualmente globais. Mas efetivamente. isto é. . impõe outro. impondo-se mutuamente é também um fato novo. privilégios de uso. do crédito. isto é. ele existe para todos. Esse conjunto de mundializações. mas também é sobretudo tendência. ou pelo menos. O motor único Este período dispõe de uma sistema unificado de técnicas. da informação. uma sustentando e arrastando a outra.

porque em nenhum lugar. que seja também uma forma de conhecimento concreto do mundo tomado como um todo e das particularidades dos lugares. Com a globalização e por meio da empiricização da universalidade que ela possibilitou. isto é. aos progressos da ciência e da técnica (melhor ainda. e deve-se. que incluem condições físicas. Isto nunca existiu antes. estamos mais perto de construir uma filosofia das técnicas e das ações correlatas. e precedem a produção dos objetos. aos progressos da técnica devidos aos progressos da ciência). naturais ou artificiais e condições . O que há em toda parte é uma vocação às mais diversas combinações de vetores e formas de mundialização. Esse período técnico – científico da historia permite ao homem não apenas utilizar o que encontra na natureza: novos materiais são criados nos laboratórios como um produto da inteligência do homem. a possibilidade de conhecer o planeta extensiva e aprofundadamente. A cognoscibilidade do planeta O período histórico atual vai permitir o que nenhum outro período ofereceu ao homem. em nenhum país houve completa internacionalização. exatamente.

Não é qualquer lugar que interessa a tal ou qual firma. A cognoscibilidade do planeta constitui um dado essencial à operação das empresas e à produção do sistema histórico atual. Globalização e os Blocos Comerciais A área de livre comércio é um acordo que permite a adoção progressiva de tarifas alfandegárias comuns entre os paísesmembros. no futuro. cada país estabelece regras próprias. chega-se à união econômica. pelo contrário. A formação de Blocos Comerciais Regionais traz uma dúvida: trata-se de um estágio necessário para um mundo sem barreiras econômicas ou. forma-se uma união aduaneira. liberaliza o trânsito de pessoas. na busca da mais-valia desejada valorizam diferentemente as localizações. e não só de mercadorias. bens e capitais. As empresas. resultará. O mercado comum vai além. Se os membros decidem adotar uma política única com quem não integra o grupo. Outro . antes fechados economicamente voltem a reestruturar barreiras em torno de seus grupos locais de comércio.políticas. Com parceiros fora do bloco. Quando padronizam-se as políticas econômicas dos membros rumo a uma moeda única. na criação de novas restrições? Há o temor de que países como o Brasil.

em matéria de comércio internacional. Idêntico problema cerca os acordos comerciais regionais. os países estão. Esse conflito entre globalização e regionalismo é latente. de forma que haja um grande bloco. no limite. por definição. do tamanho do planeta. Ao liberalizar o comércio só com seus vizinhos. A resolução do impasse estaria na capacidade de esses blocos estarem aos demais países as vantagens que existem apenas para os seus membros. ou se tendem a fechar-se em três ou quatro grandes conglomerados em guerra comercial uns com os outros. A questão e saber se os “clubes locais” caminham para integrar-se a outros clubes. como o Mercosul: grandes especialistas em comércio internacional e até as entidades que supervisionam não têm certeza se os blocos são apenas etapas necessárias e positivas na direção de um mundo sem barreiras ou se minifortalezas que. o risco é o de que cada . como a China e Rússia. este dilema. discriminando os que não têm a sorte de estar no clube local.risco é deixar países politicamente importantes fora dos Blocos. A globalização produziu. impedirão a queda de todas as fronteiras. Na falta de um projeto global.

A “Rodada Uruguai” não fechou acordo algum na área de . Seu impacto mais visível e até certo ponto quantificável surge da redução das tarifas alfandegárias para importações.superbloco se feche para os demais. No Brasil também há uma surda guerra de argumentos entre os pró-Alca e os pró-União Européia. passa por serviços financeiros e atinge até compras governamentais. que. A “Rodada Uruguai” foi além da negociação sobre derrubada de barreiras para exportar mercadorias. o que. entraram em sistema algum. além do risco de uma guerra comercial. marginalizaria países gigantescos. até agora. A “Rodada Uruguai” (marco no processo de globalização) começou em 1986 em Montividéu. como China e Rússia. em especial o vastíssimo campo de serviços. arrastou-se por quase oito anos e terminou com o mais abrangente pacote de redução das barreiras ao comércio planetário. É uma rubrica que cobre desde telecomunicações a transporte marítimo. Introduziu na agenda mundial as chamadas áreas novas do comércio. É sintomático que a União Européia e os EUA estejam empenhando em uma surda guerra para ver qual dos dois consegue fechar antes o acordo com o bloco sul-americano.

mas estabeleceu uma agenda de negociações que vai até o ano 2000. Por trás dos países ricos. o que prevê derrubar. até o ano 2000. ante a estagnação da indústria e a mecanização da agricultura. O impacto da liberalização no setor de serviços tende a superar o da derrubada das barreiras para mercadorias. as companhias que não são subsidiárias. delas . que se torna crescentemente irrelevante. O comércio entre filiais e matrizes de multinacionais representa aproximadamente 1/3 do comércio mundial. Motivo óbvio: tanto EUA como a União Européia subsidiam seus produtores agrícolas e recusam-se a abrir mercados para a competição com produtos do mundo subdesenvolvido ou em desenvolvimento. Trata-se do setor mais dinâmico da economia mundial e do único que ainda gera empregos. mas jogou as negociações definitivas para o ano 2000. A “Rodada Uruguai” introduziu modestas aberturas .serviços. há um número relativamente pequeno de empresas transnacionais que determinam a agenda. todas as barreiras para importação de equipamentos/serviços de tecnologia de informação (ou informática). Já foram assinados acordos para abrir o mercado de telecomunicações. e as exportações das multis.

Globalização e os Estados Na balança de poder do mundo. ano em que o Muro de Berlim ruiu. vieram a crise do México. Em 1995 quando tudo se caminhava para a consolidação da onda liberal. o capitalismo. No Brasil . parecia tão certo que chegou-se a prever o fim da história.cobrem outro terço. a quebra do Banco Barings e. Essa concentração de poder econômico pode limitar a concorrência. Sob os efeitos da globalização. Não abriu lugar à mesa de negociações para os consumidores. reduzindo os ganhos para os consumidores e economias nacionais. que tanto podem ser as vítimas como os beneficiários da globalização. um vírus inoculado na Bolsa de Hong Kong espalhou-se pelo mundo em outubro/97. agora o crash das bolsas. o capitalismo começou a investir contra si próprio. o Estado muitas vezes se enfraquece diante do sistema financeiro globalizado. Fruto de uma época ideologicamente confusa (a crença de um sistema único e infalível. que emergiu após a queda do Muro de Berlim) a situação mostra-se instável para os Estados emergentes. O triunfo de 1989.

que resultará na configuração de um mundo integrado e organizado no modelo de um gigantesco Estado-Nação. É natural que esse mundo transformado pela internacionalização. O clima de euforia flui como no século 19. . deficts em suas balanças e despesas públicas maiores do que as receitas.dobrou-se as taxas de juros – recurso para tentar atrair os capitais especulativos que batiam em retirada – causando alta dos crediários. mas o da especulação. A crise começou em Hong Kong e invadiu o lar de cada brasileiro. Internet e modernos meios de transporte. Alguns países estão sob o risco porque não seguem à risca as regras do sistema liberal – encontram-se com a moeda supervalorizada. Cultura Global A globalização cultural é tomada como ideologia fundamental de um plano de instrução de formação que tomará conta do planeta. Essa visão é polemica internacionalmente. robótica. Não se pode transformar o mundo sem ver o desenvolvimento da informática. comunicações por satélite. Evidente que o interesse que move a gangorra das bolsas não é o social. aflora a enpolgação da comunidade integrada. com as maravilhas inventadas nessa época.

não há dúvida de que essa cultura global surge da intensificação dos contatos entre povos e civilizações vinculados à expansão econômica e técnica. As “Terceiras Culturas” são um conjunto de práticas. não há dúvida que as culturas nacionais geram uma cultura global. regionalistas ou vindas de sociedades excluídas. Formam se em diversas áreas e colocam em conflito idéias em que as vítimas periféricas têm apenas duas alternativas: deixar-se subjugar ou erguer forças para evitar sua incorporação à modernidade ocidental.Uma das características importantes do que se entende hoje por cultura global é justamente a maior visibilidade de manifestações étnicas. Não há dúvida de que o mundo e cada vez mais percebido como um lugar. convenções e estilos de vida que desenvolvem de modo a se tornar cada vez mais independentes dos EstadosNação. conhecimentos. em que os indivíduos dos quatros cantos do planeta podem se reconhecer. Talvez as nações ocidentais jamais tenham-se visto na contingência de conviver com a diversidade cultural no interior de suas fronteiras. Se encontra em curso uma nova etapa da internacionalização. Globalização e Marketing .

Uma empresa transnacional.Uma empresa globalizada seria aquela que opera seguindo uma lógica operacional mundial. o mercado seria uma determinada região do mundo. inclusive no que se refere à legislação trabalhista. enquanto para uma multinacional o mercado seria o planeta inteiro. ficou praticamente liberada a . cujo objetivo seja maximizar benefícios e minimizar custos não importando onde esteja a base de produção e que obedeça uma estratégia de marketing única para todos os países onde vende seu produto. Fica mais fácil tomar conhecimento sobre as condições de trabalho em um determinado país e compará-las com a situação em outras partes do mundo. Uma característica essencial da empresa global atualmente seria a facilidade para identificar locais onde existam as condições mais atraentes para suas operações. mas também em outras áreas. Com os serviços de informação. o aumento nas taxas de juros de um país (que atende a encarecer os custos de produção e a favorecer as aplicações financeiras) chega ao conhecimento dos investidores e empresários de forma imediata. Somada à crescente desregulamentação não só dos mercados financeiros.

movimentação de capital. O processo de expansão das empresas multinacionais também provoca polêmica por causa das condições de trabalho nas fábricas desses grupos instaladas em países que não se destacam pelo respeito aos direitos dos trabalhadores. por causa da marca. Muitas vezes. o investimento em fábrica deixou de ser privilegiado. a empresa global compra uma campanha local apenas para ganhar uma fatia do mercado. No circuito das chamadas empresas transnacionais. trabalho e bens entre os países. Qualquer tendência de elevação dos custos de elevação dos custos de produção em um determinado país pode levar a empresas a trocá-lo por outro onde seja mais barata a fabricação. Muitas vezes é o mesmo consumidor. que sofre com a política da empresa transnacionais de fechar uma determinada fábrica ou de promover demissões. no papel de trabalhador. O crescimento do número dessas companhias e dos negócios por elas realizados é apontado como uma das razões para a expansão do comércio internacional. alegando a necessidade de reduzir seus custos para aumentar a . A prioridade passou a ser de envestir em marcas.

Para o conjunto de países em desenvolvimento.produtividade. O fantasma que ronda a economia globalizada dos países mais ricos é o desemprego. desde as barreiras alfandegárias punitivas às exportações dos países subdesenvolvidos às leis de proteção de patente que dificultam o acesso das nações pobres a novas tecnológicas. Isso atribuí-se ao fato das nações emergentes estarem avançando na educação de . a globalização impôs perdas comerciais. Globalização e os Países Ricos e Pobres Ano a ano o fosso que separa os incluídos dos excluídos vem aumentando: os ricos ficam cada vez mais ricos. Mas foi também o vilão que mais acentuou as desigualdades entre os países ricos e pobres no processo de globalização. O impacto da revolução tecnológica nas comunicações e na economia ocasiona a perda de empregos no Primeiro Mundo que é a contra partida da criação de postos de trabalho nos países em desenvolvimento. Em 34 anos a participação dos excluídos na economia global diminuiu em 1. São várias as causa. mais pobres. e os pobres. O comércio mundial cresceu 12 vezes no pós-guerra.3% do comércio mundial. Com 10% da população do planeta.2%. os países mais pobres detêm apenas 0.

vai aumentar a importância das multinacionais. que vem assolando tantos países ricos como os chamados . ainda.seus habitantes e terem o custo de produção menores. que formem blocos econômicos regionais para aumentarem o comércio. Com as constantes fusões de gigantes empresariais. facilitando o fluxo financeiro e melhorando os meios de transporte. Recomendam. mudanças nas regras do comércio mundial em benefício dos países pobres e uma associação de empresas internacionais para fomentar a redução da pobreza. manisfestando-se através de crescente exclusão social. em detrimento dos Estados. invistam na educação da população mais pobre e fomentem as pequenas empresas. E é por essa razão que já há quem prefira chamar a globalização de era da englobação. É uma tendência em alta. Os excluídos da Globalização O sistema global apresenta sérios riscos. São diversas armadilhas que estão vitimando milhares de pessoas em todo o mundo. Destaca-se uma proposta de um mecanismo para controle e vigilância com mais agilidade da liquidez internacional. Existem propostas que sugerem que os governos adotem critérios mais seletivos na hora de abrir as fronteiras à competição internacional.

Alexandre Magno formulou a tese de “Homem Mundial”: projeto de um homem maior que o homem da cidade. Napoleão e Hitler. ao estrapolar os limites desta “polis” .C. portanto. Essa idéia.países da periferia. . já são milhões os desempregados e inúmeras pessoas vivem marginalizadas. e conseqüentemente dominar o mundo.no entanto. a través de suas conquistas. Átila.ressaltava.Já no século IV a. Dante Alighieri. Assim. torna-se um “HomemCosmopolita”. Depois de Alexandre Magno. As armadilhas da Globalização A globalização é uma idéia antiga no pensamento humano. inclusive.. ao afirmar que os homenssao iguais.Posteriormente a disputa ocorreu entre sistemas politicos. muitos outros lideres ou imperadores foram tomados pelo ímpeto de estender suaas conquistas. como os encabeçados pelos Estados Unidos ou pela antiga união soviética. várias crianças estão morrendo de subnutrição. ou ainda. são citados como classicos exemplos. “polis” grega. impérios como o Britânico e o Romano. Em nome da dita ordem. estava imbricada na crença de que havia um coração total da humanidade.que roma era o centro do mundo.

Homens famintos. Ademais. A idéia da “Aldeia Global” é antiga e genial. irremediavelmente fadiadas à marginalizaçãoe que diariamente são assassinadas na ruas. é lógico). mas não contemplando todos pelos seus benefícios. que agregammaiot tecnologia e transforma negócios. E esta exclusão constitui-se. Produzida diacronicamente com o homem. a globalização é codificada por um idioma ( o inglês). costumes e. culturas e legislações. por nossas autoridades policiais. a qual opera não só em nível internacional. no nosso entender. atrvés da dependência de países como . como a grande aramadilha da Globalização da economia. facilita a concorrencia dos países mais desenvolvidos navenda de produtos. tem seus próprios dirigentes ( o Grupo dos Sete e as grandes corporações transnacionais). A sociedade global cria um novo tipo de exclusão social.Através de um discurso sedutor. mulheres prostituídas. Uma multidão encontra-se lamentavelmente excluída. croianças sem escolas. essa ocidentalização do mundo tem se constituído na palavaras so sociólogoOtávio Lanni em “uma espécie de holocausto” em bebfício do lucro ( dos países e empresas que detém o controle do processo.

Encontram-se não só presente em todos os cantos do planeta como. impondo alterações na vida dos individuos e sociedades. modificando culturas. religiões. mais voltado às interações e organizações multinacionais. passa a configurar e a fazer presente uma nova ordem internacional. Mais especificamente. A príncipio e de modo simplista.os da América Latina em relação aos países ricos. quando milhares de pessoas da região encontram-se em situação de miséria absoluta. decisivamente. doenças desemprego e de outros tipos de violência. destinadas à sobrevivência em meio à fome. insere-se em nossa vida intelectual e social. mas também em nível interno. envolvendo tanto a política dos Estados Nacionais e organismos internacionais . o termo Globalização foi utilizado para expressar as novas tendências surgidas na economia internacional a partri doa nos 70. etnias. Raimond Aron-que. a Globalização é um fenômeno que desafia os limites da realidade e do imaginário do nosso velho mundo. Assim . substitui o complexo paradigma das relações Internacionais pelo mais recente modelo de relações transnacionais-idealizado pelo sociólogo franc~es da escola do Realismo Político.

ou seja. Hoje. estabelece as coordenadas necessárias à invasão do Kwait. ora de interação entre os estados. através de suas instituições oficiais e corporações trannacionais. ora de natureza conflitiva. o Grupo dos Sete (G7) domina e decide os destinos do mundo e com um raio de atuação extremamente ampliado resolve quanto custa o dólar. como momento definitivo na história. etc. passando pela Chechênia . já podemos afirmar. A eficiência rege como princípio transformador de um processo . O capitalismo. ser necessária a utilização de armas. significa a realização de uam sociedade homogênea pela unidade em um mercadoglobal. contudo. concebido como coroação do processo evolutivo da natureza. onde a possibilidade de abundância e de satisfação de desejosé a base da felicidade. Com uma gigantesca concentração de poder. que os istema global encerra. multinacionais e outros tantos atores internacionais. No campo político nota-se o mais alto grau de autoritarismo sem.como as estratégias de lucros articuladas pelas empresas multinacionais. um verdadeiro jogo de interesses economicamente articulados. Yuguslávia ou o que fazer para deter ações terrorisas.

Assim. O egoísmo . cada vez mais acentua-se a interdependência econômica em relação aos países desenvolvidos. Ao mesmo tempo em que é levada ao mundo “encantado” do consumo como caminho do bem-estar social. sem poder dimensionar-se entre o vaivém da pós-modernidade. Implica a exclusão dos países pobrese uam integração dos mais poderosos em níevl mundial. Este capitalismo significa a destruição da cultura e identidade de cada país. É ainda. Assim. a população excluída se vê envolta. a desvalorização de si mesmo. também é desqualificada pela tirania que exercem os princípios da eficiência e da concorrência. aumentando o abismo entre pobres e ricos. tendem a parecer-se cada vez mais.modernizante. através de uma cultura consumista como critério de inclusão e de unificação. a aniquilação lenta das especificidades de cada região. Os excluídos são sacrificados em função do “progresso da nação globalizada” A promessa do meracdo é apenas um mecanismo ideológico e “inconsciente” de gerar bem-estar social de todos. ignorada pelas instâncias de poder nacional e internacionalque decidem sobre os destinos do mundo. No âmbito interno . todos os países modernos.

salários e consumos. o caminho. Pois. Agora se estrutura em torno do usuário que demanda uma qualidade de vida da sociedade de consumo.perverso do meracdo é. na veraddee. correndo paralelamente ao avanço estonteante das riquezas e denvolvimento tecnológico . O problema então concentra-se em o que fazer com a grande parte da população excluída pela própria tendência natural do sistema. a fome . Para esta concepção do modo de produção capitalista. transformando-se na atitude ética da indiferença e resignação ante o sofrimento de milhões de pessoas. trabalho e dos serviços. o desemprego e a mortalidade infantil são sacrificios necessários para alcançar o tão sonhado progresso. Antes “o melhorar a qualidade de vida” se definia em mais serviços. agora o da diferenciação econômica. A luta é para não estar fora dos benefícios da modernidade. há um grande abismo entre os que participam destes benefícios e os que estão condenados à miséria. A política do Estado de Bem-Estar se estruturava em torno do indivíduo e seus direitos sociais. Antes estava em jogo o espaçõ político da igualdade. Há um dramático processo de desintegração social registrado.

representa mais uma extensão de mercados para as grandes multinacionais. ao impor planos de ajustes sacrifica não só os empregos. por um lado. a globalização aparece como intensificadora da economia mundial e dos modelos de integração regional. constitui-se no mais drástico problema a ser enfrentado por nossas sociedades. mas grande parte dos direitos laborais históricos. por outro. o que. percebe-se o surgimento de duas grandes transformações próprias das economias globalizadas e que estão atingindo o mundo do trabalho: o desemprego e a precarização das relações de trabalho. O desemprego como um dos principais tipos de exclusão social que assola o mundo globalizado. na verdade. um fenômeno que se encontra presente tanto nos chamados países ricos como nos países da periferia. Também a necessidade de especialização da mão-de-obra constitui um importante elemento propiciador da queda no .de poucos países. e o desmantelamento do tecido produtivo de nossos países. Está em todos os lados e seu alvo predileto é a população de mão-de-obra não especializada. frutos de séculos de lutas dos trabalhadores. Desta forma. Desemprego e Precarização Se.

desde que elas não afetem os seus próprios empregos.número de empregos. Uma das seqüelas desta falta de emprego está na mudança de hábitos e pautas culturais. . Assim. que está gernado maior marginalidade. não oferecem resistência à precarização de postos de trabalho em suas empresas. está significando o aumento da desocupação e da disparidade na distribuição de renda. nota-se a quebra de sindicatos e a situação de insegurança e de temor dos trabalhadores que ainda subsistem em empregos formais. próprio da globalização e do neoliberalismo. O avanço das corporações transnacionais e seus imperativos de aumento da produtividadee maximização de lucros ensejados com o advento da revolução da microeletrônica e telemática. ao paaso em que as relações de emprego se tornam mais precárias”. entra em cena o conhecido desemprego “estrutural”. Assim. os quais. necessidade de “pluriemprego” e do trabalho de todos os membros da família. perda de auto-estima e. feminilização da mão-de-obra. conseqüente desestruturação e aumento da violência. freqüentemente .

Com o avanço das comunicações e a liberdade de fluxos de capitais. muitas instituições financeiras operam 24 horas por dia. reagindo a boas e más notícias. 3. A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. contratos que surgiram com o objetivo para aumentar a segurança de outros investimentos.Tanto o desemprego como a precarização devem ser duramente combatidos. Considerações Finais A crise que abala as Bolsas é a mais recente manifestação de um processo em que o poder dos governos. o papel das empresas. hoje têm razões suficientes para transformar todo planeta em questão de segundos. Movimentação de derivativos. Uns ganham muitos. outros ganham menos. Na prática exige menores custos de produção e maior tecnologia. O problema não é só individual. há dez anos eram insignificantes. o destino dos empregados e as culturas nacionais são transformados pela integração econômica e tecnológica. é um drama nacional dos países . Reconquistar o cumprimento da legislação é o primeiro passo para barrar e depois reverter o processo de precarização das relações de trabalho. outros perdem.

processos administrativos. nascerem e dependerem do processo de globalização. verificamos quanto elas têm mudado as sociedades. as indústrias e as empresas do setor de serviços. em meio a esse desenvolvimento há um impacto fortíssimo visto através da degradação do meio ambiente. Ao analisarmos essas forças. posturas. Contudo. produtos.mais pobres. GLOBALIZAÇÃO. quais os fatores que podem ter gerado tal degradação? A resenha aqui apresentada tem o intuito de apontar alguns destes fatores. emprego e desemprego e a própria permanência das empresas no mercado. que perdem com a desvalorização e atraso tecnológico. é inegável a necessidade do uso da inovação tecnológica como meio gerador de mudanças. como também algumas possíveis soluções para o problema. Mas afinal. Essas forças impulsionam as empresas a serem competitivas. haja vista ser um direito de todos. NEOLIBERALISMO E MEIO AMBIENTE . afetando departamentos e funções. Portanto. faz-se necessário pensarem uma inovação tecnológica que promova o respeito a um meio ambiente saudável. Avanço Tecnológico TECNOLOGIA E MEIO AMBIENTE Eliane Abel de Oliveira 1 No mundo contemporâneo.

2002: 18). “Os fenômenos de transnacionalização supõem um movimento de bens. o meio ambiente. a poluição. o governo. maior será o padrão de vida(econômico e cultural) dos indivíduos e maiores serão os benefícios para todas as partes participantes” (Leis. gerando uma interdependência e. Contudo. inclusive. sem uma participação ou controle importante dos atores governamentais” (Leis. Neste sentido o neoliberalismo se coloca como fiador do progresso mundial estimulando o crescimento econômico e consolidando a democracia. partindo do pressuposto de que “quanto maior for a liberdade do mercado para operar. contudo esta visão acaba por esquecer-se dos custos sociais e ambientais que tal atitude oferece. a maioria dos trabalhadores tem perdido a qualidade de vida além de colaborar para o aumento da concentração de riquezas entre os mais ricos em detrimento de uma população desfavorecida economicamente e. 1Graduada em Pedagogia pela UFPR e mestranda em Tecnologia pela UTFPR . ideias. ainda não há mostras de que essa realidade realmente ocorra.Com o advento da globalização. com isso um estímulo ao superconsumo que é visto como a única saída para crises econômicas. o comércio.Há um discurso da nova ordem mundial onde tudo é global: o desenvolvimento. como a que vivemos atualmente. fatores ambientais e pessoas através das fronteiras nacionais. é responsável pelo consumo excessivo que impulsiona o desequilíbrio ambiental. 2002: 23). o mercado e. informações. essa minoria rica.

estes por sua vez. chegando inclusive afacilitar tal degradação. . degradando osrecursos naturais como matas e rios para sua instalação.A modernização da agricultura também provocou. Este fatorcontribuiu para o aumento exponencial dos aglomerados urbanos. AVANÇOS TECNOLÓGICOS DA AGRICULTURA. é impossível se pensar em uma consciência ambiental comuma realidade sócio-econômica desfavorável. A modernização da agricultura não levou em consideração fatores essenciais como: a utilização de tecnologias desenvolvidas para países de clima temperado o que causa umenorme impacto ambiental. desmatamento e aumento da desertificação entre outros.Com um mercado cada vez mais transnacionalizado. MISÉRIA E MEIOAMBIENTE No Brasil. além damonocultura e grandes impactos ambientais. construídos em morros e encostas. criando assim um sistema que favorece aqueles que mais poluem. os governo sacabam por ficar impotentes para impedir os efeitos danosos do mercado sobre a natureza e a sociedade. o êxodo rural. os avanços tecnológicos na agricultura também colaboram para este cenário. as empresas e paísesque internalizam os custos ambientais em seus produtos acabam em desvantagem. pois o Brasil é um país tropical comnecessidades específicas.O neoliberalismo provoca um avanço no desenvolvimento econômico e este por sua vez traz para o meio ambiente consequências como o efeito estufa. levandomilhares de pessoas para os grandes centros urbanos. Isso estimula para um avanço tecnológico que visa a maximização dos lucros em detrimento aos danos ecológicos. pois em um cenário de livre comércio.Contudo.

Este fator provocou e ainda provoca desequilíbriosbiológicos que ocasionam o aumento de praga nas lavouras. Este consiste em mensurar a superfície total de terranecessária para sustentar as atividades humanas.acadêmicos canadenses elaboraram um conceito chamado pegadaecológica. Por isso em 1992 foi realizada Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente eDesenvolvimento. nosso déficit está em 20% dacapacidade biológica do planeta.pois diante dessequadro “é utópico supor. Atualmentenecessitaríamos ter disponíveis 2.Outro impacto ambiental causado pela modernização da agriculturafoi o aumento no uso de agrotóxicos. a agenda 21 entre outros. Estes por sua vez. ou esperar a formação de uma consciênciaecológica sobre os escombros da miséria imperante no TerceiroMundo” (Aguiar. Também com a preocupação em diminuir os impactos ambientais. POSSÍVEIS SOLUÇÕES PARA A QUESTÃO AMBIENTAL A preocupação com o meio ambiente e o futuro do planeta é umatemática que inquieta a muitos.3 hectares por habitante para umdesenvolvimento sustentável. tambémforam desenvolvidos e pensados para a realidade de países de climatemperado. 1994: 123). ou seja. a Eco 92 que reuniu representantes de todo oplaneta que assinaram pactos e legitimaram acordos internacionaisem benefício do meio ambiente. Deste evento surgiram documentoscomo a carta da terra. Basicamente o papel deste conceitoé alertar para a importância .

procurarão desenvolver projetos que diminuam os impactosambientais negativos. s/d). 2 Novas Relações de Trabalho no mercado Globalizado . pois assim haveráuma diminuição no êxodo rural e por conseguinte no inchaçopopulacional dos centros urbanos. diminuir apoluição. a resposta para um futuro sustentável está noreconhecimento do mundo vivido e de que “em nossa inteiradiversidade somos unidade”.Concluindo.Por isso a necessidade de se pensar em um desenvolvimentosustentável. em sua vida profissional. desta formapoderemos “reduzir o consumo de energia e recursos.Para isso faz-se necessário a capacitação de professores. aumentar a produtividade com distribuição equitativa derendas e evitar desperdício de capital” (Casagrande. isto é. As soluções para diminuirmos nossa pegadaecológica podem ser encontradas em uma Educação e Inovação Tecnológica norteadas pela conservação ambiental.de revermos nossas atitudes em relaçãoao meio ambiente. pois à medidaque estes incorporam tais valores. a revisãodas grades curriculares e dos conteúdos de ensino a fim de induzir osestudantes a uma visão crítica de seu papel na sociedade comofuturo profissional atuante no mercado de trabalho.Um outro fator que também deve ser levado em consideração napreservação ambiental é a criação de uma política agrária ehabitacional que atendam as demandas existentes. um desenvolvimento que supra as atuaisdemandas sem comprometer as respostas das demandas dasgerações futuras.

a contratação de prestadores de serviços individuais transformados em pessoas jurídicas e a terceirização de serviços. necessário em estágios do desenvolvimento econômico. muitas vezes com total desrespeito ao direito legislado. O grande problema descrito. a execução de determinadas tarefas ou fases do processo produtivo". O contrato de trabalho guiado pelas regras da CLT — Consolidação das Leis do Trabalho gera uma grande carga de tributos. Para Euclides Alcides ROCHA. que precarizam as relações de trabalho e abandonam sua função social. que passou a ser utilizada desenfreadamente. contribuições e encargos trabalhistas. Ou seja. muitas vezes a terceirização é objeto de fraude que o empregado aceita por falta de opção ou por uma proposta de salário nominal maior. política e econômica. em que empresas optam por entregar a terceiros. Daí surge à flexibilização do direito do trabalho. de forma irretocável pelo referido autor. é o desvirtuamento da terceirização.O mercado globalizado tem gerado grandes mudanças de ordem social. . deixando a sua regulamentação para a negociação entre empregados e empregadores. que tem como reflexo a exploração do trabalhador. afetando diretamente as relações de emprego. os patrões e empregados se valendo de aberturas oferecidas pela legislação não específica do trabalho para empreender outras formas de arregimentação de mão de obra: a formação de sociedades simples. gerando novas formas de contratação. disseminando a prática do mero fornecimento de mão-de-obra. razão pela qual. tendo em vista que o mercado consumidor tornou-se mais exigente em busca de alta qualidade e preços baixos. a TERCEIRIZAÇÃO representa "um processo de evolução dos meios de produção.

ou seja. que não recebem salários. onde existe pessoalidade dos sócios. sendo que estes últimos participam dos lucros. mas pró-labore. Em algumas situações a idéia do empregador é realmente a de fraudar a legislação. A Justiça trabalhista costuma entender que quando o individuo tem uma comissão na empresa em torno de 50% e faz o seu horário de trabalho. na terceirização a prestação do serviço deve se caracterizar necessariamente como atividade meio e não atividade fim da empresa. em vez de empregados. não terá vínculo empregatício reconhecido. Além disso. Nesse caso o profissional tem autonomia no trabalho. entretanto. O limiar entre o que é legal e a fraude também é muito estreito. podendo ser processada criminalmente. com a obediência às ordens de um determinado sócio. mas não dos riscos da empresa. e a impossibilidade de interferir dentro da empresa. formada por sócios de capital e sócios de trabalho. se o suposto sócio for assalariado e tinha atividades controladas. eis que a caracterização da subordinação jurídica. o vínculo trabalhista será reconhecido e fica configurada a fraude na terceirização. Na Sociedade Simples o objetivo social é a prestação de serviços. a empresa tem sócios. .Quando o empregado terceirizado se submeter à subordinação (jurídica ou econômica). e deve ter o ―ânimo‖ societário. podem caracterizar fraude. exclusividade e jornada determinada.Uma alternativa mais moderna e que oferece maiores possibilidades ao trabalhador é a colocação do FUNCIONÁRIO NO QUADRO DE SÓCIOS DA EMPRESA. a empresa qualificou o empregado como sócio para burlar a legislação trabalhista praticando fraude. um compromisso com os interesses da sociedade.

a fim de evitar as coações econômicas. diante a essas novas questões e condições de trabalho. o empregado cria uma empresa. o seu trabalho do empregado é configurado como ―prestação de serviço‖ entre empresas e não relação de patrão e empregado.Ademais o STF definiu que uma pessoa pode ter mais de um contrato com a empresa. que certamente levaria várias pessoas a aceitarem abrir mão dos direitos sociais em troca de empregos. não basta à previsão de um contrato para afastar o vínculo empregatício. sem direitos trabalhistas e sem amparo legal. assim na demonstrada Fraude Trabalhista. pois se este objetiva impedir a aplicação da legislação trabalhista é ‗nulo de pleno direito‘. explora o máximo possível dos trabalhadores para retirar o máximo de lucro e os trabalhadores acabam pagando a conta. que costumam ficar bem abaixo da soma dos encargos e contribuições trabalhistas. Muito usada também. Novas relações de trabalho . um de empregado e um de sócio ao mesmo tempo. que passa a ser a titular do contrato de prestação de serviços à empresa contratante. A empresa recebe a remuneração pelo trabalho e arca com impostos e contribuições. Porém. Os patrões. gerando a ―fraude na relação de emprego‖ que é justamente a utilização de artifícios ou contratos vários que tentam mascarar uma relação empregatícia existente na vida real. é a CONTRATAÇÃO DO TRABALHADOR COMO PESSOA JURÍDICA. desde que não exercendo a mesma atividade. Portanto. cabe a Justiça do Trabalho abraçar o desafio de decidir à luz da CLT sem deixar de lado a complexidade e realidade social que se apresenta. para contornar impostos. Desta forma. ou seja. com personalidade jurídica e contabilidade próprias.

Este não mais necessita. Isso pois o mercado está cada vez mais competitivo. houve uma revolução no mundo do trabalho e os profissionais mais antigos que não se adequam às novas tecnologias são . entretanto. agência de empregos online. 7 meses. mantendo um site pessoal para que todos possam analisar as qualificações do profissional. em muitas tarefas.Trata-se de uma matéria realizada com Thomas Case. Para o fundador da empresa. afirmando que esta é responsável por acelerar as mudanças no mundo do trabalho e influencia de forma vital a procura de um novo emprego. criador da Catho. no máximo. tem que ter uma presença na Web e ser coerente com seu perfil profissional". este tempo passa dos 11 meses. afirma Renata. estando entre as maiores do Brasil neste segmento. hoje. Segundo Case "O profissional não pode se esconder. podendo realizar suas tarefas em qualquer lugar que tenha tal serviço de internet. "Todas as grandes empresas hoje estão prontas para receberem currículos pela Web". Com a vinda da internet sem fio. O tempo médio que um profissional liberal especializado ficava desempregado era de. Ele afirma que o profissional da atualidade deve estar em constante aperfeiçoamento e ligado à internet e redes sociais. exigindo novas qualificações. A autora da matéria delineia o impacto da tecnologia no trabalho. ganhou-se uma nova maneira de ver o trabalho. não só está mais difícil de conseguir um emprego como também de se manter nele. Assim. que o profissional esteja no espaço físico da empresa.

Outro importante ponto a ser frisado é o de que em meio à mobilidade caótica que enfrentamos no Brasil. Desta maneira. Com o surgimento da internet a sociedade sofreu uma grande revolução. a relação de trabalho também foi modificada. tudo está mais “próximo”. surgindo o teletrabalho. sabendo como manuseá-la. as empresas estão gradativamente eliminando os seus espaços físicos e buscando profissionais que dominem as formas de tecnologia para que trabalhem em casa. o teletrabalho surge como uma rota de fuga em que um profissional consegue monitorar diversos afazeres ao mesmo tempo.dispensados e trocados por funcionários mais jovens que sabem realizar as tarefas com o auxílio da tecnologia. estando no conforto de sua residência. Com esta nova etapa "não vai haver um fim do emprego. Segundo a matéria. entre outras especializações. as relações humanas se modificaram através da mobilidade dos aparelhos digitais e a facilidade em se obtê-los. O profissional que se insere no mercado de trabalho atual deve. mas devido às mudanças. como todas as demais áreas da vida humana. têm vagas aos milhares e em diversos setores. esta modalidade de trabalho se mostra como uma boa alternativa. o chamado teletrabalho. entretanto a falta de mão de obra especializada faz com que o mercado fique atravancado. explica Case. muito incentivado e bem visto atualmente. dominar amplamente as funções da rede de internet. o tempo nas empresas durará menos cada vez mais". Sites de busca de emprego como o citado acima. . Assim.

Esta fábrica. porém. Leis trabalhistas são flexibilizadas. a empresa do século XIX. Um profissional que trabalha em casa. caso a empresa precise de um serviço seu. transfere os gastos quem tem com o seu espaço físico para o profissional. algumas críticas ao teletrabalho e a maneira com que as empresas vêm se comportando diante destas novas tecnologias devem ser feitas. as relações/direitos trabalhistas e as novas tecnologias devem ser vistas sob o mesmo prisma e com muito cuidado para que o abismo da desigualdade social não cresça ainda mais. . no “conforto do seu lar”. esta nova empresa. lugar de construção da identidade da "consciência de classe" e da unidade dos trabalhadores. Neste sentido. A empresa. agora ele trabalha vinte e quatro horas. nos primórdios da revolução industrial. era o eixo e o centro da produção capitalista industrial de mercadorias. ou seja.Entretanto. porém tendo de cumprir metas rigorosas. deve estar a serviço da empresa a qualquer hora do dia. agora pulam de “galho em galho” para poderem se sustentar. Funcionários. assim. que antes trabalhavam a vida toda em uma única empresa. "lugar" de trabalho no século XXI. pois tudo será feito através da rede. sem horários definidos. Antes se o sujeito trabalhava oito horas por dia dentro do espaço físico da empresa. este deve ser feito de imediato não importando o horário. troca-se os empregados periodicamente. Por trás de todo este avanço tecnológico e “possibilidades” dadas ao trabalhador está o interesse econômico. Novas relações do trabalho e a empresa A fábrica.

p. que tem relação com a empresa neste quadro de mudanças.muda radicalmente seu perfil. no "balanço social". Sublinhamos aqui também a importância . como eventualmente para a empresa privada com Ética social e para a sociedade. mas o "lugar onde se organiza o trabalhador" para chegar ao mercado de trabalho. o "lugar" onde se realiza o trabalho. é que o trabalho associado também pode constituir-se. Se o espaço físico. é o da "geografia do trabalho". Este "lugar". em um fator positivo frente ao trabalho clássico subordinado. comparativamente. já não é similar à empresa capitalista clássica. Este espaço já foi muito valorizado. Nesta plano. territorial muda. o que queremos destacar no foco desta abordagem. distribuição e acumulação. 2000. a natureza das relações que nele se desenvolviam tendem a mudar"(CASTELLS. nossa tese é de que o "lugar" estratégico. pois é nele onde se expressa uma relação social e a conseqüente gestação da identidade e consciência. Assim. ainda que não essencialmente sua natureza no marco atual de produção. sua referência espacial territorial. Um dos aspectos acima mencionados. representação e identidade de trabalhador frente a sua referência: o capital e a empresa. sua fonte de poder. na perspectiva da teoria social. É valorizado. no caso do trabalho associado. mercado. Tal questão tem a ver também com a organização. Essa mudança de lugar tirou a base de socialização do trabalho. não é o "lugar onde se realiza o trabalho". tanto para o trabalhador. como vimos em relação ao trabalho temporário. 406-452). diversidade e peculiaridades. ou seja.

na empresa e no trabalho. uma ligação social a partir da consciência da mútua dependência e o reconhecimento dos limites.. Se o local clássico na empresa perde seu significado pela reestruturação e flexibilidade. O lugar se torna uma comunidade com autoestima. como ela serve mais a interesses cívicos que apenas ao livro-caixa de lucros e perdas. o desafio do capital global e a consolidação do trabalho local.. auto identificação. a elaborar comunicação com mais fundamento e . é significativo o resgate do local na política. 164 e 176). um regime que não oferece aos seres humanos motivos para ligarem uns para os outros não pode preservar sua legitimidade por muito tempo. Outro elemento que conforma o "pano de fundo" da viabilidade do trabalho associado como forma de inserção de qualidade superior é o entendimento de que a crise e o conflito obrigam a busca de respostas. "O esforço para controlar de fora o funcionamento do novo capitalismo precisa ter um raciocínio diferente: deve perguntar o valor da empresa para a comunidade. As idéias de que padrões externos podem gerar mudanças internas valorizam o papel da comunidade local no estilo de empresas e desenvolvimento(SENNET. 2001.do tema da autonomia e o da administração do tempo. p. Este destino partilhado gera laços de confiança a partir justamente da crise e do fracasso. debilitando a identidade e coesão social. Algumas idéias-força sobre a empresa e suas relações com a comunidade reforçam o entendimento da importância sobre o papel do local.

. e não aos vínculos empregatícios. É este um dos temas que evidencia a prática e experiência das cooperativas de trabalho.Os "modelos de empresas" voláteis no atual contexto econômico e a adequação para uma relação de trabalho de novo tipo. d. Nas relações entre o trabalho e a empresa privada deverão merecer a atenção específica outros eixos.A "flexibilidade organizativa" do trabalho associado em cooperativas permite ao trabalho organizado situar-se no mercado dinâmico. como uma resposta do trabalho e do local à pressão da economia global.negociar caminhos de resultados coletivos.A questão do contrato como base da sociedade. Avaliar a natureza do contrato de trabalho que legitima uma relação entre capital e trabalho no "mercado de trabalho" consolidando a subordinação. ou seja. tais como: a.As novas formas de trabalho exigem que as proteções estejam atreladas às pessoas. à pessoa e não ao emprego. um "modelo contratual de trabalho associado" c. as quais justamente definem que o novo espaço de estabilidade no trabalho não é mais no local de trabalho. mas o local onde as pessoas se organizam para relacionar-se com o novo mercado de trabalho. b. negociando o ganha-ganha. ou seja.

Indonésia e Argélia. dos que nunca tiveram vez e nem voz. Mas. Organizaram ou defenderam guerras na Indochina. A partir daí se tornam pragmáticos e reformistas e apostam na possibilidade de dividir o poder político com os capitalistas. apoiou e facilitou a carnificina de milhões de pessoas pelo mundo todo. Esta observação é importante em uma época como a atual.Globalização e os movimentos sociais resultado econômico e social mundial não podia ser mais desastroso. redução da jornada de trabalho. Sua referência é a social democracia européia que. foi também a social-democracia que. quando boa parte da militância da esquerda histórica não acredita ser mais possível uma sociedade sem classes. Malásia. ampliação do sistema de proteção social. I – Introdução É importante deixar claro que estamos aqui discutindo do ponto de vista da militância que está preocupada em entender a sociedade a partir do olhar do povo explorado e oprimido. com algumas poucas exceções. Em 2006. em uma época de crise do capitalismo. universalização da educação. metade da população do Planeta passa fome. mais de 15% da classe trabalhadora estão desempregadas. que obtiveram grandes avanços sociais: voto censitário como direito universal. 100 mil pessoas morrem de fome por dia. teve de ceder à pressão dos trabalhadores organizados. criação do seguro-desemprego. entre outros. Defenderam práticas de tortura e limitaram as liberdades democráticas na . justificou.

até a época atual. Protegeram o regime da apartheid na África do Sul. apoiaram e organizaram as políticas de austeridade monetárias e fiscais que tiveram como conseqüência o desmantelamento do Estado social. Para isto. O mercado não é mais o espaço de compra e venda. O que tem de novo na globalização? O ponto de partida é a internacionalização da economia com o crescimento do comércio e do investimento internacional mais rápido do que o da produção conjunta dos países. Sabemos que o Modo de Produção Capitalista sempre buscou a estratégia de integrar a produção e o consumo. Egito. com as novas . E. II . é necessário garantir a mobilidade do capital financeiro especulativo e o enfraquecimento dos estados nacionais com a perda de sua soberania. Algo totalmente novo? O que é a globalização? Globalização expressa a idéia do mercado mundial. buscando homogeneizar os espaços. Novo conceito necessário nesta discussão: neoliberalismo. Iraque e Singapura. mas onde vai se realizar o equilíbrio das ações sociais. com a crise do capitalismo a partir dos anos 70.Globalização neoliberal. ampliando as bases internacionais do capitalismo. Indonésia. que ajudaram a construir. desde o período das colônias passando pelo imperialismo. Apoiaram as diversas ditaduras na América Latina. onde o mercado passa a ser visto como o local privilegiado para se realizar a coerência social das múltiplas ações individuais. Dois são os protagonistas relevantes no jogo de poder da economia mundial: as empresas multinacionais e alguns estados. E. transformando-os a sua imagem e semelhança.Índia.

através da qual o Estado deve limitar seus gastos à arrecadação. vejam o caso das empresas maquiadoras. com a cessação de restrições que impeçam instituições financeiras internacionais de atuar em igualdade com as nacionais e o afastamento do Estado do setor. buscando a retirada do poder regulatório do Estado Nacional. Daí. 2 – Focalização dos gastos públicos em educação. tornou-se incompatível qualquer controle social sobre suas decisões. Propunha. a partir dos princípios já desenvolvidos por Hayek e Friedman em resposta as políticas keynesianas pós a II Guerra Mundial. água. As mulheres são as mais intensamente atingidas. que decide o que produzir. .tecnologias. ao menor poder regulatório por parte das sociedades nacionais . com maior peso nos impostos indiretos e menor progressividade nos impostos diretos. mesmo bens como saúde. em todos os paises as legislações. saúde e infraestrutura. em Davos na Suíça. e foi assumido posteriormente pelo Banco Mundial. 4 – Liberalização financeira. Aprofunda o capitalismo e. com que tecnologia. Os seres humanos têm o seu valor rebaixado no mercado e os que não tem valor são excluídos. para quem. onde o espaço-tempo global é instantâneo. eliminando o déficit publico. a necessidade de igualar. no México. energia e conhecimento são transformados em mercadorias. em grandes linhas: 1 – Disciplina fiscal. com quem. 3 – Reforma tributária que amplie a base sobre a qual incide a carga tributária. Em outras palavras. Como exemplo.poder que necessariamente tinha que reconhecer as demandas de uma pluralidade de grupos sociais corresponde maior poder regulatório por parte do grande capital. educação. A globalização neoliberal ergueu o mercado como um novo deus. Este projeto teve seu inicio em 1971.

b) Reformas estruturais: abertura. 6 – Liberalização do comércio exterior. em um encontro coordenado pelo vice-presidente do Banco Mundial. vão servir de orientação para o mundo. com redução da legislação de controle do processo econômico e das relações trabalhistas. eram os países mais endividados da zona de hegemonia norte-americana. 7 – Eliminação de restrições ao capital externo. com venda de empresas estatais. Estas orientações são organizadas em 3 etapas para sua implantação: a) Estabilização: com prioridade de conseguir um superávit fiscal e uma ampliação das reservas internacionais. visando a impulsionar a globalização da economia. naquele momento. o Consenso de Washington diz respeito à visão norte-americana sobre a condução da política econômica no mundo inteiro. mas obviamente de forma muito mais direta para os países periféricos e especialmente para os da América Latina que. com redução de alíquotas de importação e estímulos à exportação. Estas idéias vão ser inicialmente aplicadas no Chile de Pinochet e.Valorização da propriedade intelectual. 8 – Privatização. passa a ser uma determinação para os paises da América Latina. c) Retomada do crescimento pela adequada alocação dos recursos produtivos. permitindo investimento direto estrangeiro. No mundo desenvolvido a intensidade de aplicação destes . desregulamentação. redução do setor público-estatal ao mínimo. a partir dos anos 80. John Williamson. privatização. 9 – Desregulacão. Aliás. A idéia aqui contida é que o mercado dará conta desta retomada via exportação.5 – Taxa de cambio competitiva. Em 1989 em Washington. 10.

É nesta lógica que está o PROUNI – amenizar as contradições dos jovens. como Índia. dentre outros que são exatamente os paises que atualmente puxam o crescimento. mas deve buscar parcerias que possam fazer as políticas sociais localizadas e compensatórias com mais eficiência. a fragilizacao do Estado foi tão intensa que até para se fazer as políticas compensatórias haviam dificuldades. o estímulo à constituição de ONGs e OSCIPs que. e de outro. ser eficiente nas políticas sociais. tinham que amenizar as contradições se não quisessem ver a falência do modelo (a lógica de dar os anéis para não perder os dedos). de um lado. Malásia. reúnem-se novamente no Consenso de Washington II para uma avaliação e concluem que o objetivo da acumulação de capital estava sendo ameaçado pela intensa exclusão social. Na África. Nesta nova situação. Neste sentido. focalizar os maiores problemas e fazer políticas especificas. Isto é. O Estado não precisa crescer. outros paises não o seguem. Além disto.preceitos irá ser bem menor. E um aperfeiçoamento do neoliberalismo: mantém o modelo que exclui e desenvolve políticas públicas para amenizar a exclusão. ao mesmo tempo que mantém a população dependente ―eternamente‖ de programas de políticas compensatórias. e o Bolsa Família – amenizar a pobreza extrema e a enorme concentração de renda. III – Resultados da Globalização . buscando maior eficiência. China. Portanto. juntamente com o Estado. buscariam atuar onde os problemas são maiores. É também aqui que se integram centenas de militantes dos movimentos sociais que através das ongs passam a assumir parte das políticas públicas. dar conta da continuidade do processo de acumulação. o Estado tem de ser forte para. Japão. Em 1998.

concentram 84% das vendas globais. A distância entre os países ricos e pobres cresceu assustadoramente. Dow. Nos EUA.O resultado econômico e social mundial não poderia ser mais desastroso. tem seis mil fábricas produzindo para ela. O mundo tornou-se propriedade particular de meia dúzia de empresas. Se no final da Segunda Guerra Mundial a relação entre o Norte e o Sul era de 30 para 1. Sumitomo. mais de 15% da classe trabalhadora está desempregada. O patrimônio das mil pessoas mais ricas do mundo em 2007 seria suficiente para pagar a divida externa dos paises empobrecidos. A floresta amazônica está sendo destruída especialmente pelo estimulo a política agromineroexportadora. Dupont. No ramo de supermercado. os gerentes das grandes corporações ganham em media 15 mil euros por dia ou 430 vezes o salário médio dos trabalhadores. sendo que o degelo dos últimos 17 anos é equivalente aos mil anos anteriores. Em paises ricos como Franca. Na área de biotecnologia. Os efeitos vão muito além do plano econômico e social. 100 mil pessoas morrem de fome por dia. juntas. 15% da população é pobre ou miserável. metade da população do planeta passa fome. Syngenta. por exemplo. das quais 80% estão na China. é de 74 para 1 e não pára de crescer. Em 2006. Koor. . o Wal-Mart. Na produção de sementes. a Monsanto controla 90% das sementes transgênicas do globo. considerada a maior empresa do mundo. A concentração de renda se amplia. A Bayer. Nufarm e Arista. Amplia-se o aquecimento global. que exploram a produção e venda de agrotóxicos. Monsanto. As dez maiores empresas farmacêuticas e de produtos veterinários respondem por 59% do mercado mundial. BASF. a concentração da produção é ainda maior: as dez maiores empresas são donas de 73% das vendas realizadas em todo o mundo. atualmente. O planeta está se esvaindo.

o NAFTA. Um dos indicadores perversos da deterioração social foi à intensificação da migração. fraturado por séculos de colonização. nos primeiros cinco anos do terceiro milênio. Guatemala. Vejam o que aconteceu com a Argentina a partir de suas privatizações extremadas e no México com o acordo de livre comércio. em 2006. fragilização do Estado. República Dominicana e o México. os latino-americanos que viviam em situação de pobreza chegavam a 205 milhões (38. inserção subordinada na economia internacional. sendo assim levado ao fundo do poço. Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL). Dois terços desse contingente são de mexicanos. em 2005. ataques aos direitos dos trabalhadores. Na América Latina. passando de 21 milhões. torna-se o laboratório ideal. Privatizações. um significativo aumento do número de migrantes. desestruturação do mercado de trabalho e emigrações acentuadas caracterizam o cenário latinoamericano desde os anos 90. De acordo com os dados do Centro Latino-Americano e Caribenho de Demografia (CELADE).Esgotam-se as fontes de energia renováveis. as remessas recebidas de . a globalização neoliberal ganhou corações e mentes da população. desregulação. Em alguns países como Equador. abertura indiscriminada das economias nacionais.5% da população na região). atingindo quase 300 mil por ano. por ditaduras e pela desigualdade social.7 % da população no continente). houve na América Latina e no Caribe. para 26 milhões. sendo 79 milhões de indigentes (14. com resultados devastadores: o continente. em 2000. El Salvador. o número de latino-americanos cruzando a fronteira hoje é duas vezes maior que há dez anos. Segundo o Instituto de Política de Imigração dos EUA.

perpetuando a condição de dependência frente ao mundo. IV – Nem tudo está perdido A reação à crescente fratura social do continente não tardou e mudanças políticas na América Latina começam a ocorrer. A abertura ao capital internacional e a abertura comercial. O novo mapa político do continente demonstra uma inflexão na tendência até então hegemônica de orientação dos princípios originais do modelo neoliberal. em maior ou menor grau. não foi eleito Manuel López Obrador. Não é gratuito que os três países alteraram ou vêm alterando a sua . a Bolívia e o Equador foram os países que mais aprofundaram esse processo. A mudança mais significativa foi à revisão do papel do Estado nas economias nacionais. no México. com exceção de Chávez. Morales e Correa. Os resultados eleitorais mais recentes. Em todos os países. os outros vão seguir o consenso de Washington II.Lula.parentes do exterior representam parcela significativa do dinheiro em circulação e influenciam o PIB do país. isto e. Néstor Kirchner. transformam os paises subdesenvolvidos em meros exportadores de commodities. apontam a eleição de vários presidentes . Tabaré Vázquez. por muito pouco (ou por fraude).que se elegeram criticando o neoliberalismo originário. Evo Morales e Rafael Correa. não tocam nos princípios gerais e amenizam as contradições através de políticas sociais compensatórias. Críticas mais profundas estão por trás das vitórias de Hugo Chávez. mas. Michele Bachelett . E. passou-se a uma defesa do Estado e dos seus instrumentos como um agente importante na indução do crescimento econômico A Venezuela.

já que não mais acreditam em transformação. em novas formas de vida. com serviços médicos. A Argentina e o Chile iniciaram ainda uma revisão na privatização do seu sistema previdenciário. dentre outras coisas. Assim. Também é retomada a luta por . constitui-se como o principal movimento social e como principal articulação contra a ofensiva do agronegócio. transformados em agências de emprego e de auxilio aos seus filiados. O principal deles é o movimento indígena. Mas novos atores sociais se impõem neste processo. fazem do pragmatismo humanitário neoliberal uma opção ideológica. Esta ―esquerda pragmática‖.Constituição para mudanças que visam uma maior distribuição de renda. novos valores. Particularmente no caso brasileiro. atrelados ao poder e. Nos outros paises. como princípio motor de suas ações futuras. tem seus sindicatos fragilizados e. não mais pensando em mudanças mais profundas. odontológicos.Os novos atores sociais O movimento operário. Transformam valores necessários como o de melhorar ou salvar uma vida humana no presente. Trocaram os projetos ideológicos de outrora pela administração do sistema na medida em que aceitam os fatos do dia-a-dia como medida do seu agir e pensar. afirma o presente e aposta em pequenas melhorias. em outros casos. empréstimos consignados. em alguns casos. com as profundas alterações no mundo do trabalho com o advento do neoliberalismo. O movimento quilombola passa a assumir uma importância nas lutas sociais. há uma retomada do papel do Estado para fazer as políticas sociais compensatórias (caso da Bolsa Família no Brasil e do bônus social na Argentina). O movimento camponês é outro ator social relevante nas lutas latino-americanas. jurídicos. V .

Já os movimentos sociais que fazem a luta em torno dos temas do etanol. ele fica com a soja". pela sua própria natureza. o ambiental e o homossexual. nao tenham dúvida de que isto vai ser feito. interpelando. como é o caso das questões ambientais. nas palavras de seu assessor Gilberto Carvalho. rompendo com preconceitos profundamente arraigados. se cortar a floresta amazônica para vender a madeira e colocar gado for lucrativo e ajudar no crescimento do PIB. ficando de costas para questões hoje prementes e mesmo indispensáveis.moradia. ―a longo prazo todos estaremos mortos‖. O movimento das mulheres. O que é decisivo é a economia. Daí porque pessoas como o Lula ―tem a cabeça do peão do ABC". Estão entre aqueles movimentos que se colocam à frente de seu tempo histórico. vão para além da esfera econômica e atuam promovendo rupturas nos arquétipos estruturados na sociedade. da Reserva Raposa Serra do Sol. dos trangênicos. Reproduz assim a lógica histórica do capitalismo. e por isso importa o lucro aqui e agora. e mesmo pela paz ao organizar um processo como o Fórum Social Mundial. das usinas hidrelétricas. Seu assessor reconhece quando diz que ―ele acha importante a preservação mas. como dizia Keynes. entre o cerradinho e a soja. enquanto movimentos antiglobalização puxam lutas históricas contra o livre comercio. tem perspectivas que vão muito além dos empreendimentos do grande capital. desigual e pouco tolerante. O ambiente e uma questão importante. Portanto. da transposição do São Francisco. cada vez mais transnacional e concentrador de . contra a ocupação do Iraque. mas não decisiva. O núcleo da preocupação do presidente "é com emprego e salário‖. denunciando e questionando uma sociedade que é autoritária.

do . na relação harmônica com o meio ambiente e não em sua destruição. A criminalização dos movimentos sociais normalmente vem seguida de ações violentas por parte das forças da direita. Mais ainda: é o movimento social que alerta para o caráter da crise civilizacional em que estamos metidos ao chamar a atenção para o fato de que o planeta Terra não suporta a pressão a que está submetido.renda. é incontestável o papel civilizatório dos movimentos sociais. significa um entrave ao desenvolvimento. Pretendem assim atrair os setores de classe média. de quem pretende construir uma sociedade pautada na solidariedade e não na competitividade. Além disto. os usineiros são os grandes heróis da atualidade. com os sem-terra. São eles que impelem. para ele. Não surpreende portanto. interpelam e provocam rupturas nas estruturas conservadoras da sociedade. no sentido de que mexe com as estruturas conservadoras e concentradoras de renda. que dado o caráter perturbador dos novos movimentos sociais. VI – Conclusão Estamos aqui dialogando sobre o prisma de quem pretende uma mudança desta lógica do modelo neoliberal. levam a uma reação dos setores conservadores quem buscam criminalizar os movimentos. Os que defendem a intocabilidade do Estado de Direito são os primeiros que o violam. despertando o seu medo de perder ganhos. E a militância histórica da esquerda que está no governo se limita a discutir as casas decimais da meta inflacionária. com os índios. com os quilombolas. com os atingidos por barragem. Para nós. Estamos na lógica oposta à do Governo Lula que já manifestou que se preocupar com os pobres.

4% e o mundo.5% e os emergentes. a América do Sul. o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade. nunca antes teve tanta distribuição de renda. Argentina ou Venezuela.7% sendo que a América Latina cresceu 4.isto sem falar no Chile. entre 2003 e 2006 o Brasil cresceu 3.‖. Como diz Fiori. 5. o Brasil está ficando para trás. é o socialismo macroeconômico. E ficam alardeando que ―nunca antes no Brasil se cresceu tanto. Ou ainda o crescimento ridículo que tem acontecido. O nosso projeto é o do terceiro enfoque do Milton Santos. Necessário reconquistar os corações e as mentes dos povos do mundo para um novo projeto de cunho esquerdista. "O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula. o mundo como ele pode ser: uma outra globalização‖. no livro "Por Uma Outra Globalização". pois aí. No entendimento de Milton Santos. comparando-o com o período anterior. recuperando a confiança na esquerda. nunca antes etc. grupo onde o Brasil se situa. cresceram 6.9%. Devemos apostar na construção de um projeto político que. a globalização em um mundo confuso e confusamente percebido.7%. os indicadores não seriam tão favoráveis: o Brasil em 2006 cresceu 3. Trabalhando com os anos de Lula. .7%.4% . o real e o possível. e o terceiro. e 2) incentivar a cooperação e solidariedade entre os povos. sequer buscam comparar a situação atual do Brasil com o restante do mundo. O mundo cresceu 5. Portanto. Dentro desta mesma lógica. 4. deve ser considerada a partir de três enfoques: o mistificado. deveria ser orientado por duas idéias básicas: 1) deslocar o eixo da lógica da acumulação do lucro pelo lucro para a lógica do bem estar social.superávit e das taxas de juros.

.Este é o nosso desafio.

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