Administração Pública

Conceito e Considerações Iniciais A constituição Federal, inovando em relação as anteriores, regulamenta no Título III, um capítulo específico para a organização da administração pública, pormenorizando-a enquanto estrutura governamental e enquanto função, e determinado no art. 37 que a administração pública direta e indireta de qualquer um dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedeça além de diversos preceitos expressos, aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. No art. 70 aos princípios da legalidade, legitimidade e economicidade; e no art. 74, II, aos princípios da legalidade, eficácia e eficiência; também os princípios da proporcionalidade dos meios aos fins, da indisponibilidade do interesse público, da especialidade administrativa e da igualdade dos administrados. A administração pública pode ser definida objetivamente como atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve para a consecução de interesses coletivos e subjetivamente como conjunto de órgãos de pessoas e de pessoas jurídicas aos quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. A administração federal compreende a administração direta, que se constitui dos serviços integrados na estrutura administrativa da presidência da República e dos Ministérios; e a administração indireta, que compreende as seguintes categorias de entidades, ditadas de personalidade jurídica própria: autarquias; empresas públicas; sociedades de economia mista; fundações públicas. Anote-se como relembra Roberto Bazilli, que essa regra de definição da amplitude da administração pública (CF, art. 37) contém princípios norteadores a serem aplicado obrigatoriamente à administração dos Estados, Distrito Federal e Municípios. A Administração Pública é uma organização de trabalho muito antiga. O seu nascimento respondeu a objetivos bem determinados e o seu funcionamento adaptou-se ao poder que a criou e que ela representava, ajudando a criar um determinado molde de estar social, político e econômico moldando uma cultura e uma personalidade coletiva. Nasceu nos séculos XII XIII e XIV na Inglaterra, tendo seu apogeu na Prússia no séc. XVIII, se desenvolvendo claramente entre os séc. XIX e XX com o apogeu da ciência política, o capitalismo industrializado, as revoluções democráticas e socialistas e também, com a aparição do Estado Moderno. É uma organização de trabalho cujo sistema objeto da sua intervenção são as áreas comuns a todos, e cuja legitimidade provém de seu o poder efetivo das entidades políticas, que detém tal poder em representação do poder institucional dos cidadãos, ou seja, é o executivo em ação, é onde se faz o trabalho do governo, ou de uma forma mais abrangente, é uma divisão de ciências políticas, sociais, jurídicas, culturais e econômicas, num sentido mais amplo é todo sistema de governo, todo o conjunto de idéias, atitudes, normas, processos, instituições, e outras formas de conduta humana que determinam como se distribui e como se exerce a autoridade política, para atender aos interesses públicos. Administração Pública é todo o aparelhamento do Estado, preordenado à realização de seus serviços, visando à satisfação das necessidades coletivas. Administrar é gerir os serviços públicos; significa não só prestar serviço executá-lo, como também, dirigir, governar, exercer a vontade com o objetivo de obter um resultado útil. Diante de uma crise profunda, como é a crise do estado, uma crise de caráter fiscal e administrativo que pôs em xeque o modo de intervenção no plano social e econômico e a forma burocrática e ineficiente de administrar o estado, e uma crise causada pelo processo de globalização, que força as administrações públicas dos Estados nacionais a serem modernas e eficientes, surgiram respostas obvias e inevitáveis como os programas de ajuste fiscal, de liberalização comercial, de privatização das empresas estatais, de desregulamentação, e a reforma da administração pública, que servirá para torná-la mais moderna, gerencial, com foco no cidadão, este é o objetivo da reforma administrativa pós-burocrática, bem como a publicização da administração pública, ou seja, torná-la verdadeiramente pública e democrática, com foco no interesse geral, em vez de submetidas a interesses de grupos econômicos, rearticulando as relações entre sociedade e Estado, o objetivo é o de uma reforma democrática do Estado, voltada para o cidadão, o que envolve dois pontos , de um lado, um maior grau de integração entre Estado e sociedade de outro uma maior eficiência do e Estado na prestação de serviços do cidadão.

Características A Administração Pública, como todas as organizações administrativas, é baseada numa estrutura hierarquizada com graduação de autoridade, correspondente às diversas categorias funcionais, ordenadas pelo poder Executivo de forma que distribua e escalone as funções de seus órgãos e agentes, estabelecendo a relação de subordinação. Como a Administração pública é fundamentada numa estrutura de poder, que é a relação de subordinação entre órgãos agentes com distribuição de funções e graduação de autoridade de cada um, e como se sabe, no poder judiciário e no poder legislativo não há hierarquia, portanto esta é privativa na função executiva, côo elemento típico da organização e ordenação dos serviços administrativos.

Conceitos, Elementos e Poderes de estado Conceito de Estado – Na conceituação do código civil, é a pessoa jurídica de Direito Público interno; como ente personalizado, o Estado tanto pode atenuar no campo do direito Publico como no Direito Privado, mantendo sempre sua única personalidade de direito publico, pois a teoria da dupla personalidade do direito acha-se definitivamente superada. Esse é o Estado de Direito, ou seja, O estado Juridicamente organizado e obediente às suas próprias leis. Elementos do Estado – O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis: Povo, Território e Governo soberano. Povo é o componente humano do Estado; Território, a sua base física; Governo soberano, o elemento condutor do estado, que detém e exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto- organização emanada do povo. Poderes de Estado – Os poderes de Estado, na clássica tripartição de Montesquieu, até hoje adotada nos Estados de Direito, são o Legislativo, o Executivo e o Judiciário, independentes e harmônicos entre si e com suas funções reciprocamente indelegáveis. Cada um desses poderes tem uma função que lhes são atribuídas: função do poder Legislativo é a elaboração das leis (função normativa); do poder Executivo é a conversão da lei em ato individual e concreto (função administrativa); e a função do poder judiciário é a aplicação coativa da lei aos litigantes (função judicial). O governo é a resultante da interação dos três Poderes de Estado - Legislativo, Executivo e Judiciário, como a administração o é de todos os órgãos desses poderes.

Estruturação Compreende em geral sua estrutura e as suas atividades, parte do conceito de Estado, concepção moderna de organização e funcionamento dos serviços públicos a serem prestados aos administradores. O campo de atuação da Administração Pública, conforme delineado pela organização da execução dos serviços, compreende os órgãos da administração Direta ou Centralizada e os da Administração Indireta ou Descentralizada. a) Administração Direta ou Centralizada A administração direta ou centralizada é constituída dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da república e dos ministérios, no âmbito federal, e do Gabinete do Governador e secretarias de Estado, no âmbito estadual, e, na administração municipal, deve seguir estrutura semelhante. b) Administração Indireta ou descentralizada A administração indireta ou descentralizada é aquela atividade administrativa caracterizada como serviço público ou de interesse público, transferida ou deslocada do Estado, para outra entidade por ele criada ou cuja criação é por ele autorizada. Na administração indireta ou descentralizada, portanto, o desempenho da atividade pública é exercido de forma descentralizada, por outras pessoas jurídicas de direito público ou privado, que, no caso, proporcionarão ao Estado a satisfação de seus fins administrativos. Organização do Estado e da Administração Organização do Estado - a organização do Estado é a matéria constitucional no que concerne à divisão política do território nacional, à estruturação dos Poderes, à forma de Governo, ao modo de investidura dos governantes, aos direitos e garantias dos governados. A Federação compreende a União, os Estados- membros, O Distrito Federal e os Municípios, que também são entidades estatais, com autonomia política reconhecida pela constituição da República, embora em menor grau que a dos Estados- membros. As demais pessoas jurídicas instituídas ou autorizadas a se constituírem por lei ou são autarquias, ou são fundações, ou são empresas governamentais, ou são entidades paraestatais. Esse conjunto de entidades, autarquias, fundacionais, empresariais e paraestatais constitui a Administração Pública em sentido instrumental amplo, ou seja, a Administração centralizada e a descentralizada. Organização da Administração – é a estruturação legal das entidades e órgãos que irão desempenhar as funções, através de agentes públicos (pessoas físicas). Essa Organização faz-se normalmente por lei, e

excepcionalmente por decreto e normas inferiores, quando não exige a criação de cargos nem aumenta a despesa pública. Governo e Administração Governo – governo é toda atividade exercida pelos representantes do poder (Aderson Menezes). Na verdade, o Governo ora se identifica com os Poderes e órgãos supremos do Estado, ora se apresenta nas funções originarias desses Poderes e órgãos como manifestação da Soberania . A constante, porém, do governo é a sua expressão política de comando, de iniciativa, de fixação de objetivos do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente. O governo atua mediante atos de Soberania ou, pelos menos, de autonomia política na condução dos negócios públicos. Administração Pública – administração é a atividade funcional concreta do Estado que satisfaz as necessidades coletivas em forma direta , continua e permanente, e com sujeição ao ordenamento jurídico vigente (Duez). A administração não pratica atos de governo; tão- somente, atos de execução , com maior ou menor autonomia funcional, segundo a competência do órgão e de seus agentes, esses atos são os chamados atos administrativos. Podemos dizer entoa que o Governo e a Administração são, como criações abstratas da Constituição e das leis, atuam por intermédio de suas entidades (pessoas jurídicas), de seus órgãos (centros de decisão) e de seus agentes (pessoas físicas investidas em cargos e funções).

Entidades Políticas e Administrativas Entidade é pessoa jurídica, pública ou privada; órgão é elemento despersonalizado incumbido da realização das atividades da entidade a que pertence, através de seus agentes. Na organização política e administrativa brasileira as entidades classificam-se em estatais, autárquicas, fundacionais, empresariais e paraestatais. Tipos de Entidades

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Autarquias Entidades Paraestatais Empresas Públicas Fundações Serviços Sociais Autônomos

Autarquia Autarquia é a forma de descentralização administrativa, através da personificação de um serviço retirado da administração centralizada e, Por essa razão, à autarquia só deve ser outorgado serviço público típico e não atividades industriais ou econômicas, ainda que de interesse coletivo. À autarquia, geralmente, são indicados serviços que requeiram maior especialização e, conseqüentemente, organização adequada, autonomia de gestão e pessoal técnico especializado. São pessoas jurídicas de Direito Público, de natureza meramente administrativa, criadas por lei específica, para a realização de atividades, obras ou serviços descentralizados da entidade estatal que as criou. Funcionam e operam na forma estabelecida na lei instituidora e nos termos de seu regulamento. Paraestatais O significado da palavra paraestatal indica que se trata de ente disposto paralelamente ao Estado, ao lado do Estado, para executar atividades de interesse do Estado, mas ao privativo do Estado. A entidade paraestatal é de caráter quase público, pois não exerce serviços de interesse público, reconhecidos ou organizados pelo Estado e entregues a uma administração privada, que, se não é desdobramento do Estado, não usufrui privilégios estatais, salvo quando concedidos expressamente em lei. São pessoas jurídicas de Direito Privado que, por lei, são autorizadas a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coletivo ou público, mas não exclusivos do Estado.

a despeito de não terem personalidade . para sua manutenção.Serviço Social do Comércio SENAI . tais como a União. XIX do art. na nova redação dada pela EC 19/98.Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SEBRAE . como centro de competência governamental ou administrativa.. com personalidade de direito privado. das quais resultam efeitos jurídicos internos e externos. que podem ser modificados. Sociedade Civil ou Associação. compreendidos entre os Serviços Sociais Autônomos: • • • • • • SESI . E.Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Associações das Pioneiras Sociais Entidades Empresariais São pessoas jurídicas de Direito Privado. na forma legal ou regulamentar. os Serviços Sociais Autônomos não fazem parte integrante da Administração Indireta ou Descentralizada. cargos e agentes. os Estados-membros. com patrimônio próprio e administração particular. Isto explica por que a alteração de funções.Empresas Públicas São pessoas jurídicas de Direito Público que integram a estrutura constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos. Em seguida relacionamos alguns exemplos de entidades de cooperação. não acarreta a extinção do órgão. com a personificação de bens públicos. ou a vacância dos cargos. pesquisa. dotados de vontade e capazes de exercer direitos e contrair obrigações para a consecução de seus fins institucionais. mas é distinto desses elementos. conforme o inc. através de dotações orçamentárias ou contribuições parafiscais. Embora despersonalizados. São unidades de ação com atribuições específicas na organização estatal. com objetivos e interesse coletivo. escritura pública e estatuto registrado e inscrito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. e sua forma de instituição particular pode ser Fundação. Serviços Sociais Autônomos Serviços Sociais Autônomos são aqueles autorizados por lei. os órgãos mantêm relações funcionais entre si e com terceiros. substituídos ou retirados sem supressão da unidade orgânica. cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. com a finalidade de prestar serviço público que possa ser explorado no modo empresarial. Os Serviços Sociais Autônomos são entes paraestatais. sem fins lucrativos. ensino.Serviço Social da Indústria SESC . geralmente de educação.Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAC . sob o amparo e controle permanente do Estado. mas trabalham para o Estado. tem necessariamente funções. oficializadas pelo Estado. Fundações As fundações instituídas pelo poder público são entidades dotadas de personalidade lúdica de direito privado. São pessoas jurídicas de Direito Público ou pessoas jurídicas de Direito Privado. o poder público as autoriza e as ampara. instituídas sob a forma de sociedade de economia mista ou empresa pública. Cada órgão. criação autorizada por lei. e em virtude do interesse coletivo dos serviços que prestam. assistência social etc. ou de exercer atividade econômica de relevante interesse coletivo. Embora entidades paraestatais. de cooperação com o poder pública. 37 da CF. com patrimônio próprio. os Municípios e o Distrito Federal. devendo a lei definir as respectivas áreas de atuação. Os órgãos integram a estrutura do Estado e das demais pessoas jurídicas como partes desses corpos vivos. com finalidade específica de assistência ou ensino a certas categorias sociais ou determinadas categorias profissionais. Órgãos e Agentes Públicos Órgãos públicos: são centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais. ou a mudança de seus titulares. através de seus agentes.

Portanto a imputação da atividade funcional do órgão à pessoa jurídica com a representação desta perante a Justiça ou terceiros: a imputação é da atuação do órgão à entidade a que ele pertence. a representação é perante terceiros ou em juízo. Estrutura e organização do Estado e da Administração é dividida então em poder. conservação e aprimoramento dos bens. Cargos – São lugares criados no órgão para serem ocupados por pessoas que forem exercer sua função de forma legal. Se esse objetivo é desviado ele trai o mandato que é investido. Algum ato realizado sem interesse público configura desvio de finalidade. Natureza e fins da Administração Natureza – É quem exerce um encargo de defesa. • • • Ato de império – é tudo o que contém uma ordem ou decisão da administração para o administrador. em alguns casos. o que forma a competência do órgão. a vontade psíquica do agente (pessoa física) expressa a vontade do órgão. Portanto os fins da administração são as defesas do interesse público. a moral e a finalidade dos bens entregues ao administrador.jurídica. segundo a lei. e expedição de papéis . não pode deixar de cumprir seus deveres impostos por lei. Princípios básicos da administração . Agentes Públicos – São todas as pessoas físicas incumbidas. admitem defesa até mesmo por mandado de segurança.cargo e agente. órgão. quando esta desconsidera direitos do titular do órgão. Sendo assim. Fins – Tem um único objetivo: o bem comum da coletividade administrada. No desempenho de um encargo administrativo o agente não tem liberdade para escolher outro objetivo. agentes honoríficos. fundacionais e empresariais e os entes de cooperação (entidades paraestatais) juridicamente administrar indica a atividade daquele que gera interesses alheios. se um agente ultrapassar esse limite é chamado excesso de poder. quando infringidas por outro órgão. Agentes Públicos – São divididos em 5 espécies: agentes políticos. cargos e agentes. função. Quando o agente ultrapassa a competência do órgão surge a sua responsabilidade pessoal perante a entidade. definitiva ou transitoriamente. Impõe-se ao administrador público a obrigação de cumprir fielmente os preceitos do direito e da moral administrativa que regem a sua atuação. pode ser compelida judicialmente a respeitálos. competência. já um agente. Ato de expediente – é todo aquele de preparo e movimentação de processos. Ato de Gestão – é todo aquele que ordena a conduta interna da administração e de seus servidores. agentes delegados e agentes credenciados. o próprio Chefe do Executivo. dentro da moral da instituição. como também. se são de uma coletividade executa-se uma administração pública. executa-se uma administração particular. os órgãos do Estado são o próprio Estado compartimentado em centros de competência. Funções – São encargos atribuídos a órgãos. do Governo e da Administração. Um cargo integra um órgão. recebimento. Toda função é atribuída a uma pessoa mais também delimitada Poe eles com norma legal. os órgãos podem ter prerrogativas funcionais próprias que. tais como os procuradores judiciais e administrativos e. Na administração pública as ordens e instruções estão concretizadas nas leis regulamentos e atos especiais. do exercício de alguma função estatal normalmente desempenham funções do órgão. A Atividade Administrativa Administrar é gerir interesses. destinados ao melhor desempenho das funções estatais. Existem instituições e empresas particulares que colaboram com o Estado no melhor desempenho de serviços de utilidade coletiva: Administração centralizada (entidades estatais) e a descentralizadas (entidades autárquicas). só leva a título desse cargo. distribuídas entre os cargos de que são titulares. que é gestão de assuntos e bens da comunidade no âmbito federal. agentes administrativos. que é à vontade do Estado. A representação da entidade é feita pelos agentes (pessoas físicas). mas no geral os termos administrados e administração é a conservação de bens e interesses.mas excepcionalmente podem exercer funções sem cargos. por certos agentes. Por sua vez. Se forem bens individuais.

rádio. Os atos administrativos que omitirem ou desatenderem à publicidade necessária. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". A publicidade. pelo conjunto das regras finais e disciplinares suscitadas não só pela distinção entre o Bem e o Mal. necessariamente. como se expõem a invalidação por falta desse requisito de eficácia e moralidade. o qual impõe ao Administrador Público que só pratique o ato para o seu fim legal.A administração pública tem doze regras que devem ser observadas permanentemente: legalidade. em toda sua atividade funcional. Esse princípio tem como objetivo o interesse público.Consiste na divulgação oficial de todo ato administrativo. Além de atender a legalidade. Razoabilidade e proporcionalidade . Publicidade . Esse princípio também deve ser entendido para excluir a promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos sobre suas realizações administrativas. O ato administrativo não deverá obedecer somente à lei jurídica. sujeito a qualquer mandamento da lei e as exigências do bem comum. evitar que a Administração Pública cometa restrições desnecessárias ou abusivas. publicidade. cabe ao Diário Oficial das entidades públicas. o ato do administrador público deve conformar-se com a moralidade e a finalidade administrativas para dar plena legitimidade à sua atuação. além de assegurar seus efeitos externos. além de traduzir a vontade de obter o máximo de eficiência administrativa.moralidade administrativa constitui. ela é composta por regras de boa administração. contraditório. proporcionalidade. não só deixam de produzir seus regulares efeitos. segurança jurídica.Este princípio é conhecido como o princípio da proibição de excesso. traduzindo aí o núcleo da noção da proporcionalidade. moralidade. impessoalidade ou finalidade. ou seja. para conhecimento do público e início de seus efeitos externos. como princípio de Administração Pública. não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos. distinguir o Bem do Mal. O princípio da finalidade veda a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração. A atividade dos administradores. Em princípio todo ato administrativo deve ser publicado. como ser humano dotado da capacidade de atuar. Impessoalidade ou finalidade . mas também pela idéia geral da administração e pela idéia de função administrativa. com lesão aos direitos fundamentais. etc. É vedada também a promoção pessoal de agentes ou autoridades públicas. abrange toda atuação estatal. A moralidade administrativa é consagrada pela justiça como necessária à validade da conduta do Administrador Público. motivação e supremacia de interesses publicas. só se admitindo sigilo nos casos de segurança nacional. visa propiciar seu conhecimento e controle pelos interessados diretos e pelo povoem geral. pressuposto de validade de todo ato da Administração Pública. cerne da razoabilidade. Moralidade . porque pública é a Administração que o realiza. investigações policiais.É o clássico princípio da finalidade. deve. ou televisão. através dos meios constitucionais. ampla defesa. O agente administrativo. O princípio da publicidade dos atos e contratos administrativos. terá ainda de corresponder à vontade constante de viver honestamente. eficiência razoabilidade. o honesto do desonesto. . Legalidade – O administrador público está. significa a observância dos princípios administrativos. e veda "imposição de obrigações. de não prejudicar outrem e de dar a cada um o que lhe pertence. mas também de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. ou seja. A moralidade administrativa não deve ser confundida com moralidade comum. ou os demais jornais contratados para essas publicações oficiais. Essa publicação oficial dos atos administrativos. hoje em dia. ou seja. não é divulgada através de imprensa particular. mas também à lei ética da própria instituição. A lei determina que nos processos administrativos o a observância do critério de "adequação entre os meios e fins".

desenvolvida e aperfeiçoada através de seleção e treinamento. após a Constituição Federal de 1988. se não a autoridade impessoal da lei. Motivação – O principio da motivação dos atos administrativos. Dentro deste tópico está incluso três deveres como veremos abaixo: • • Dever de Eficiência: "dever de boa administração". mesmo porque ela não é titular do interesse público. Dever de prestar contas: Com a orientação dos Tribunais o administrador deve ter gestão sua administrativa ligada aos bens e interesses da coletividade assumindo o encargo com a comunidade. considerando não só a produtividade como a adequação técnica exigida pela administração econômica e técnica. É ela. O administrativo tem obrigação de atuar em beneficio da comunidade para praticar sua competência legal. O poder administrativo é atribuído a autoridade para remover interesses particulares que se opõem ao interesse público.784/99 coloca em destaque o interesse pela busca geral. suas decisões (Bielsa). suas ambições. Segurança Jurídica . Poder. A ele está visceralmente ligada a exigência de maior estabilidade das situações jurídicas. Quando o ato é desonesto o administrador público ficará suspenso dos seus diretos políticos. o agente tem o dever de agir com a comunidade para seus interesses deixando de praticar o seu dever funcional. considerando como elemento necessário os atos do administrador público. para obtenção de resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. porém sem prejuízo da ação penal cabível. não só por razões de boa administração. Para ter certeza que de que os agentes públicos exercem a sua função movida apenas por motivos de interesse públicos da esfera de sua competência. está inserido no nosso regime político. A constituição é qualificada e limitada com contraditório e a ampla defesa mesmo que surja um conflito de interesse. nem validade jurídica. Ao lado deste dever está complementando o dever de prestar contas descritas no tópico abaixo. um dos subprincípios do próprio conceito de estado de Direito. o poder de agir se converte no dever de agir. Todos os atos do governo e da administração estão acentuados na gestão financeira para usufruir nosso Direito Positivo e chegar-se a uma conclusão.784/99. como porque toda autoridade pó poder em um sistema de governo representativo deve explicar legalmente. Ampla defesa e contraditório – De acordo com a Lei 9. no art. • O Uso e abuso do poder . Esses gestores da coisa pública. Os poderes e deveres do administrador público São os encargos daqueles que geram bens e interesses da comunidade. seus atos. A Lei 9.Entendido como princípio da boa-fé dos administrados ou da proteção da confiança. A segurança jurídica é geralmente caracterizada como uma das vigas mestras do Estado de Direito. Dever de probidade: "dever de caráter integro e honrado" . Nos Estados modernos já não existe a autoridade pessoal do governante. Não é a chancela da autoridade que valida o ato e o torna respeitável e obrigatório.não tem eficácia administrativa. 2º assegura em processo contraditório e ampla defesa com meios de recursos a ela inerentes. investidos de competência decisória passam a ser autoridades com poderes e deveres específicos do cargo ou da função. Seus desejos. È a legalidade a pedra de toque de todo ato administrativo. Interesse público ou supremacia do interesse público – Neste caso entra em nome do interesse público. Nesta razão a administração não pode renunciar a poderes que a lei deu para a tutela. É assim. mesmo daquelas que na origem apresentam vícios de ilegalidade. uma exigência do Direito público governamental. perfeição e rendimento funcional. Esses deveres e poderes são expressos pela a lei e exigidos pela coletividade. ou juridicamente. No Direito Público o que há de menos relevante é a vontade do administrador. Quando este é surgido a lei analisa através do processo jurisdicional antepondo o ato face a face.dever de agir Neste caso. leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários devem expor os motivos que determinaram. seus programas. tem a perda de sua função com a indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao Erário. se não estiverem alicerçados no Direito e na lei.Eficiência . ao lado da legalidade. No Direito administrativo a motivação – deverá constituir norma.Esse princípio exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza.

de executor do direito. a partir da constituição de 1988. respeito à dignidade do ser humano. violências. a boa ética .37 caput). por vezes. e com a necessidade de preservar-se a ordem jurídica. incidência de sua vontade subjetiva. entendida como conjunto das regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração". Quando a norma estabelece que o prazo foi ultrapassado. mas sim de uma moral jurídica. porém de forma mais rigorosa e especial. Princípios constitucionais da administração pública São princípios constitucionais da administração pública: 1 . 3 . retidão. inexistindo. não terá carta branca para arbítrios. "o princípio da impessoalidade. Ensina Maria Sylvia Zanella de Pietro: "Não é preciso entrar na intenção do agente. e não raramente é chamado de princípio da finalidade administrativa. perseguições ou favoritismo governamentais. e. respeitar os princípios éticos da razoabilidade e justiça. no mesmo campo d’a incidência dos princípios da igualdade e da legalidade. previsto no art. Conforme afirmado por Hely Lopes Meirelles. referido na Constituição Federal de 1988 (art. pressuposto de validade de todo ato da administração pública. equilíbrio. II. que atua sem finalidade própria. o silêncio importa a aprovação ou denegação do pedido do postulante. justiça. Esta conduta abusiva do excesso de poder tanto se caracteriza pelo descumprimento frontal da lei quando a autoridade age claramente com competência e também contornando dissimuladamente as limitações da lei. ou seja. ao qual impõe ao administrador público que só o pratique o ato para o seu fim legal. porque do próprio objeto resulta a imoralidade.Princípio da legalidade O tradicional princípio da legalidade. Como ressalta Hely Lopes Meirelles. não bastará ao administrador o estrito cumprimento da estrita legalidade. mas sim em respeito à finalidade imposta pela lei. Entretanto é que o administrado jamais perderá seu direito subjetivo enquanto pendurar a omissão da administração no pronunciamento que lhe compete. Omissão da administração – Pode ser representada por aprovação ou rejeição da pretensão do administrador. O poder administrativo dado à autoridade pública tem limites certos e forma legal de utilização. Este é um ato ilícito sendo que o uso do poder é lícito.Princípio da moralidade Pelo princípio da moralidade administrativa. Esse princípio completa a idéia já de o administrador é u executor do ato. Dentre estes estão destacados o excesso de poder e desvio de finalidade que estão descritos abaixo. pois. assim se deve entender menos pela omissão administrativa do que pela determinação legal do efeito do silêncio. o abuso do poder ocorre a autoridade competente ultrapassa os limites suas atribuições e desvia de suas finalidades administrativas.diz Haouriou. que serve de veículo de manifestação da vontade estadual. mas sim da entidade pública em nome do qual atuou. porém ele tem que ser usado sem o abuso do ato administrativo. E o fim legal é unicamente aquele que a norma de direito indica. aplica-se normalmente a Administração Publica. para arrogar-se poderes que não são atribuídos legalmente. pois a moralidade constitui. Desvio de Finalidade – Verifica quando a autoridade atua nos limites de sua competência. 2. O uso do poder é seguido pelo o uso da autoridade. da Constituição Federal. pois na administração pública só é permitido a realização de tudo que a lei não proíba. Excesso de Poder – Ocorre quando a autoridade pratica o ato e vai além do permitido.A Administração Pública deve obediência à Lei em todas as suas manifestações. de forma impessoal". as realizações administrativo. pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas. Sem esses requisitos o ato administrativo expõe-se a nulidade. o sistematizador de tal conceito da moral comum. o princípio da impessoalidade. "não se trata. Isto ocorre quando o conteúdo de determinado ato contrariar o senso comum de honestidade. Abusar deste é empregá-lo fora da lei.Princípio da impessoalidade Importante inclusão feita pelo legislador constituinte. nada mais é que o clássico princípio da finalidade. O ato praticado com desvio de finalidade é consumado as escondidas ou apresenta disfarçado sob o capuz da legalidade e do interesse público. ao trabalho.governamentais não são do agente político. objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse público.5º. no exercício de sua função pública. expressa e virtualmente como objetivo do ato. praticando o ato por motivos ou fins diversos. Esse princípio coaduna-se com a própria função administrativa. à boa fé. sem utilidade pública. portanto.

Numa idéia muito geral. mas. quando a população precisa de assistência médica. Não é preciso para invalidar despesas desse tipo. O agente público não só tem que ser honesto e probo. A Constituição Federal. pois somente a publicidade evita os dissabores existentes em processos arbitrariamente sigilosos. permeando as diversas normas regedoras de determinadas matérias. É que o financiamento dos custos dos bens públicos decorre normalmente de imposição tributária. vale o princípio da não-exclusão. A conduta do administrador público em desrespeito ao princípio da moralidade administrativa enquadra-se nos denominados atos de improbidade. a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário. Anota Manoel de Oliveira Franco Sobrinho. como propaganda ou mordomia. enquanto no caso dos bens privados cada um consome diversas quantidades ao mesmo preço. alimentação. entrar na difícil análise dos fins que inspiram a autoridade. os dos outros. no caso dos bens públicos (p. mas econômico. As concepções na base natural são analógicas. pois. 5 .. A dificuldade está em transpor para a atividade administrativa uma noção típica da atividade econômica. "Difícil saber por que o princípio da moralidade no direito encontra tantos adversários. porém inúteis. a eficiência tem por objeto a alocação de recursos de modo a aumentar o bem-estar de pelo menos um consumidor sem diminuir. Portanto. afronta a norma de conduta aceita como legítima pela coletividade administrativa. sem prejuízo da ação penal cabível. 4 . como também com a moral administrativa e com o interesse coletivo. é que a publicidade somente poderá ser excepcionada quando o interesse público assim determinar. Como a mulher de César ". Ou negar a exação no cumprimento no dever funcional". isso sem falar no mínimo indispensável à existência digna. prevalecendo esse em detrimento do princípio da publicidade. Por isso mesmo a imoralidade salta aos olhos quando a Administração Pública é pródiga em despesas legais. permitindo-se os competentes recursos administrativos e ações judiciais próprias. Os princípios gerais de direito existem por força própria. cujo montante é independente das preferências individuais.37. não é possível aferir na prestação do serviço público onde nem sempre há um output (produto) identificável. não figurar o princípio da moralidade não significa que o administrador poderia agir de forma imoral ou mesmo amoral. A moral não é nenhum problema especial para a teoria legal. Dessa forma. O contrário será negar aquele mínimo ético mesmo para os atos juridicamente lícitos. introduzido agora no art. como ocorre no preço dos bens privados. sequer constam do texto regrado. não se restringir ao exame estrito da legalidade do ato administrativo. entender por legalidade ou legitimidade não só a conformação do ato com a lei. segurança. 37 da Constituição pela EC-198/98. o seu conteúdo. Normalmente. início da produção de seus efeitos. e sancionados com a suspensão dos direitos políticos. orienta a atividade administrativa no sentido de conseguir os melhores resultados os meios escassos de que se dispõe a menor custo possível. eficiência significa acontecer com racionalidade. simultaneamente. na forma e gradação previstas em lei. Por que somente a proteção da legalidade e não da moralidade também? A resposta negativa só pode interessar aos administradores ímprobos. conseqüentemente. O Supremo Tribunal Federal. sim. A regra. nem existe um input no sentido econômico. nem à ordem jurídica. Assim o princípio da eficiência. o princípio da eficiência administrativa tem como conteúdo a relação meios e resultados. a defesa nacional) todos consomem a mesma quantidade atribuindo-lhes valores diferentes. não qualifica normas.429/92 para que o poder Judiciário exerça o controle jurisdicional sobre lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio público. independentemente de figurarem em texto legislativo. Implícitos no sistema. Defluem no todo do ordenamento jurídico. §4º. O só fato de um princípio da moralidade não significa que nunca teve relevância de princípio. educação. Não à administração. previstos pelo art. A moralidade exige proporcionalidade entre os meios e aos fins a atingir. que leva em conta a relação input/output (insumo/produto). o que mais das vezes. contraria a ética da instituição. permitindo ao Ministério Público a propositura de ação civil pública por ato de improbidade.das instituições. entre os sacrifícios impostos à maioria dos cidadãos. ao consagrar o princípio da moralidade administrativa como vetor da atuação administração pública. qualifica atividades. Os princípios podem estar ou não explicitados em normas. a perda da função política. é essencial o princípio da razoabilidade". o que implica medir os custos que a satisfação das necessidades públicas importam em relação ao grau de utilidade alcançado.37 da Constituição Federal) isso não é verdade. em relação aos bens públicos. ao exercer o controle jurisdicional. igualmente consagrou a necessidade de ponderação à moralidade e responsabilização do administrador público amoral ou imoral. na economia. da Constituição Federal.Princípio da publicidade A publicidade se faz pela inserção do ato no Diário Oficial ou por edital afixado no lugar próprio para a divulgação de atos públicos. para o conhecimento do público em geral e. manifestou-se afirmando: "poder-se-á dizer apenas que a Constituição Federal consagrou a moralidade como princípio de administração pública (art. Na Administração Pública as condições de eficiência são diferentes porque. isto é. o ato em si o seu objeto. A circunstância de. o consumo da parte de um agente não exclui a possibilidade que outros consumam contemporaneamente o mesmo bem. Por outro lado. Encontram-se ínsitos. . no texto constitucional anterior.Princípio da eficiência Eficiência não é um conceito jurídico. E o fato de passarem em figurar texto constitucional ou legal não lhes retira o caráter de princípio. com base na Lei nº8. deve o Poder Judiciário. analisando o princípio da moralidade administrativa. ex. moradia. mas tem que mostra que possui tal qualidade.

em todas as modalidades. pois. para tal fim.22. as obras. nessa qualidade. cabendo à União legislar sobre normas gerais de licitação e contratação. que causem prejuízo ao erário. O dever de indenizar os prejuízos causados a terceiros por agente público foi por longo tempo recusado à Administração pública. 7 . ao procedimento de seleção de propostas mais vantajosas para a Administração Pública. destoante dos princípios jurídicos. à indenização. direta e indireta. não se compadecia com o Estado de Direito. o princípio da eficiência administrativa consiste na organização racional dos meios e recursos humanos. Predominava. no entanto. mantidas as condições efetivas da proposta. nas diversas esferas do governo. as permissionárias e as autorizatárias de serviços públicos). é princípio geral de direito.37. nos termos da lei. e empresas sobre o seu controle (art. Vê-se. de tal sorte que agentes (presidentes. materiais e institucionais para a prestação de serviços públicos de qualidade em condições econômicas de igualdade dos consumidores. inafastável. porém. Responsabilidade civil significa a obrigação de reparar os danos ou prejuízos de natureza patrimonial (e às vezes. Apenas a apuração e punição do ilícito. que há uma ressalva ao princípio. 8 . quer tanto às pretensões de interessados em face da Administração. á pessoa jurídica de direito público aquelas de direito privado que prestem serviços públicos (como são as concessionárias. que eficiência administrativa se obtém pelo melhor emprego dos recursos e meios (humanos. Deu-se assim á Administração inerte o prêmio da imprescritibilidade na hipótese considerada. servidor ou não. para a Administração Pública. Não será. como regra. É o princípio que consta no art.Princípio da prescritibilidade dos ilícitos administrativo A prescritibilidade. Logo. como forma de perda da exigibilidade de direito. quer tanto Às desta em face de administrados. serviços. compras e alienações serão contratados mediante processo de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos os concorrentes. Não se cogitará da existência ou não de culpa do agente para caracterizar o direito do prejudicado à composição do prejuízo. em suma. superintendentes. porém. orçamentária e financeira de órgãos e entidades da Administração direta e indireta. pouco importando decorra prejuízo de atividade regular ou irregular do agente. formalmente regulado em lei. a doutrina de irresponsabilidade da Administração. o direito da Administração ao ressarcimento. A ressalva inicial possibilita à lei definir hipóteses específicas de inexigibilidade e de dispensa de licitação. do prejuízo causado ao erário. quando no exercício irregular de suas funções. pela inércia de seu titular. Assim é especialmente aos ilícitos administrativos. Portanto. Constitui um princípio instrumental de realização dos princípios da moralidade administrativa e do tratamento isonômico dos eventuais contratantes do Poder Público. sendo que os particulares teriam que suportar os prejuízos que os servidores públicos lhes davam. não. Se a Administração não toma providência à sua apuração e à responsabilização do agente. finalmente. Agora a Constituição vai além. pela EC-19/98. pois a obrigação de ressarci-lo por parte da Administração ou entidade equiparada fundamenta-se na doutrina do risco administrativo. os Estados. §6º). por isso.37. XXXI. É uma ressalva constitucional e.Princípio da licitação pública Licitação é um procedimento administrativo destinado a provocar propostas e a escolher proponentes de contratos de execução de obras. Nem tudo prescreverá. §5º. o Distrito Federal e Municípios compete legislar suplementarmente sobre a matéria no que tange ao interesse peculiar de suas administrações. . materiais e institucionais) para melhor fazer às necessidades coletivas num regime de igualdade dos usuários.37.Isso quer dizer.Princípio da responsabilidade civil da Administração As pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. por certo. XXVII). moral) que uma pessoa cause a outrem. a sua inércia gera a perda de seu ius persequendi. causarem a terceiros. serviços compras ou de alienações do Poder Público. que não socorre quem fica inerte (dormientibus non sucurrit ius). pois o bom desempenho de cada órgão ou entidade pública é fator de eficiência em cada área de função governamental. A própria Constituição. Tal posição. O art. nesta qualidade causem a terceiros. assegurado o direito de regresso contra os responsáveis pelo dolo ou culpa (art. porque equipara. ou seja. o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica indispensável à garantia do cumprimento das obrigações". alberga o princípio nos seguintes termos: "ressalvados os casos especificados na legislação. pois. o direito brasileiro inscreveu cedo a obrigação de a Fazenda Pública compor danos que seus servidores. ressalvadas as respectivas ações de ressarcimento". como o da participação do usuário na Administração Pública e a possibilidade de aumentar a autonomia gerencial. introduziu alguns mecanismos tendentes a promover o cumprimento do principio da eficiência. que a licitação é um procedimento vinculado. de estranhar que ocorram prescrições administrativas sob vários aspectos. incluídas as funções instituídas e mantidas pelo Poder Público. com cláusulas que estabeleçam condições de pagamento. mas. então. 6 . diretores e empregados em geral) dessas empresas ficam na mesma posição do agente públicos no que tange a responsabilidade pelos danos causados a terceiros. O princípio da licitação significa que essas contratações ficam sujeitas. O princípio inverte as regras de competência. Cumpre recordar. que dispõe: "A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos praticados por qualquer agente.

referindose essa características à titularidade do cargo. que não exprimia adequadamente o sentido da norma. do Distrito Federal e dos Municípios. regulando especialmente: I— as reclamações relativas à prestação dos serviços públicos em geral. entendido poder da administração centralizada. para lhe correr o direito ao ressarcimento dos danos sofridos. Esse fator foi agora substituído pelo tempo de contribuição. Cria-se aqui uma forma de contrato entre administradores de órgãos do poder público com o próprio poder público. primeiro por incluir no campo a responsabilidade objetiva. pois isso não impede remoção ou transferência.Princípio da participação O princípio da participação do usuário na Administração Pública foi agora introduzido pela EC 19/98. que diz: "A lei disciplinará as formas de participação do usuário na administração pública direta e indireta. ARMAS RELACIONADAS AO SERVIDOR PÚBLICO Quanto à aposentadoria. visando a cobrar importâncias despendidas com o pagamento da indenização. II— o acesso de usuários a registros administrativos e informações sobre atos de governo. caso haja. criticada por não ter um fator adequado ao gozo de benefícios previdenciários. deve ser preenchido em caráter definitivo. assegurada a manutenção de serviços de atendimento ao usuário e a avaliação periódica. O princípio da impessoalidade vale aqui também. é assegurado o regime de previdência de caráter contributivo. o servidor público tem estes como direitos constitucionais. que tenha por objeto a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade.37. o que. segundo a redação dada ao art. para indicar que a pessoa nele investida o será como seu titular definitivo. como enunciado do §3º do art. dos Estados. segundo por Ter abandonado o termo "funcionário". Se o agente se houve sem culpa ou dolo. que talvez não passe de uma espécie de acordo-programa. Quanto o contato das entidades não há maiores problemas porque são entidades são órgãos públicos ou paraestatais com responsabilidade jurídica de modo que tem a possibilidade de celebrar contratos e outros ajustes com o poder público. observado o disposto no art. Agora diz: São estáveis após três anos de efetivo exercício os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo em virtude de concurso publico . a ser afirmado entre seus administradores e o poder público. emprego ou função na administração pública". no qual se inserem.A obrigação de indenizar é da pessoa jurídica a que pertencer o agente. Antes se aplicava qualquer servidor nomeado em virtude de concurso publico: para cargo ou emprego. 10 . O terceiro prejudicado não tem que provar que o agente agiu com culpa ou dolo. Tudo isso vai Ter que ser definido pela lei referida no texto. 40 pela EC-20/98. querendo isso dizer que seu ocupante não é o seu titular definitivo. obrigações e responsabilidade dos dirigentes. segundo a lei. pensão entre outros.X [respeito a privacidade] e XXXIII [direito de receber dos órgãos públicos informações de seu interesse ou de interesse coletivo ou geral]. 9 . observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro atuarial. substituído agora pelo termo preciso "agente". em principio. será ocupado em caráter transitório. Opõe-se ao cargo de provimento em comissão. mas nele permanecerá apenas enquanto bem servir ou enquanto merecer a confiança da autoridade (daí. III— a remuneração de pessoal.37. De fato. direitos. celebrar contrato com o poder público. cabendo a lei dispor sobre: I— o prazo de duração do contrato. Resta apenas observar que a constituição foi mais técnica desta vez. O prejudicado há que mover uma ação de indenização contra a Fazenda Pública respectiva ou contra a pessoa jurídica privada prestadora do serviço público. é problema das relações funcionais que escapa à indagação do prejudicado. nos termos do art. incluídas suas autarquias e fundações. aos servidores titulares de cargos efetivos da União. III— a disciplina da representação contra o exercício negligente ou abusivo de cargo. por implemento de idade (aos 70 anos) e por tempo de serviço. externa e interna da qualidade dos serviços. Mas os demais órgãos não dispõem de personalidade jurídica para que seus administradores possam em seu nome. introduzido pela EC-19/98] poderá ser ampliada mediante contrato. Cargo de provimento efetivo é aquele que. A lei poderá outorgar aos administradores de tais órgãos uma competência especial que lhes permita celebrar o contrato. todas as pessoas que ocupem serviços públicos. não contra o agente causador do dano. basta comprove o dano e que este tenha sido causado por agente da entidade imputada. Agora só se aplica a servidor nomeado em virtude de concurso para cargo de provimento efetivo. orçamentária e financeira dos órgãos e entidades da Administração direta e indireta [diz o §8º do art. A doutrina do risco administrativo isenta-o do ônus de tal prova. Efetividade e estabilidade A EC-19/98 transformou bastante o art. 5º. antes. No começo a constituição implementou a aposentadoria por invalidez. Cabe à pessoa jurídica acionada verificar se seu agente operou culposa ou dolosamente para o fim de mover-lhe uma ação regressiva assegurada no dispositivo constitucional. Dizia: São estáveis. A culpa ou o dolo do agente.Princípio da autonomia gerencial A autonomia gerencial. cargo de confiança) que o indicou ou nomeou. A aquisição da aposentadoria por tempo de serviço era. não comportará ação regressiva contra ele. que merece os mesmos reparos. II— os controles e critérios de avaliação de desempenho. após dois anos de efetivo exercício. pois nada tem de pagar. 41 da Constituição. os servidores nomeados em virtude de concurso . 37. . segundo a lei.

em virtude de sua íntima ligação com a ética do Estado e da Administração Pública e de suas consequências em níveis sociais e no tocante ao ordenamento jurídico. a consecução do bem coletivo. será injusto e perverso o governo. a crença num Estado falido. Efetividade dá-se no cargo. até seu aproveitamento em outro cargo. assim. como a atualidade das discussões e postulados sobre a moralidade. um direito que a Constituição garante ao servidor público. Refere-se à titularidade do cargo definido em lei como de provimento em caráter efetivo. só o servidor efetivo pode adquiri-la. podendo. É vinculo do funcionário ao cargo. desde as definições de ética e moral. Este período de três anos é definido nos estatutos dos servidores públicos como de estagio probatório (ou estagio confirmatório). a multidão é ordenada pelo governante ao fim dela. no modo de ser considerado. o governo se ordenar. em cada indivíduo. A investidura em cargo público é um procedimento administrativo complexo. ingressando efetivamente na abordagem com o conceito clássico de moralidade administrativa formulado por Hauriou até a concepção atual do referido princípio. Perde o cargo o servidor estável nos seguintes casos: a) por extinção ou declaração de sua desnecessidade. A estabilidade não se dá no cargo. pois. É garantia do servidor. e a impunidade consectária leva a equivocadamente concluir-se pela certeza de impotência do judiciário para solver as querelas entre os cidadãos. concernente à forma de seu provimento. para tanto. como se vê. idoneidade moral etc. contudo. (Santo Tomás Aquino) Torna-se cada vez mais evidente o interesse pelo estudo do fenômeno "moral". ficando o servidor em disponibilidade com remuneração proporcional ao tempo de serviço. a nomeação em virtude de concurso. mas no serviço público. de onde se vê eu os nomeados para cargos em comissão. não ao bem comum da multidão. o qual é. não atributo do cargo. Fomenta. Desta última é que começa a fluir o tempo de três anos para a aquisição da estabilidade. A moralidade é. Refere-se à titularidade do cargo definido em lei como de provimento. Não basta. ou seja. posse e entrada em exercício. nos dias de hoje. que envolve várias operações sucessivas: realização de concurso. e constitui pressuposto da estabilidade. a partir da Carta Magna de 1988. A corrupção – que sempre houve. não só a relevância. naturalmente. os escândalos de dimensões amplificadas pela publicidade massificada e permanente dos meios de comunicação e a inação ou compactuação do governo em não prevenir ou conter sua produção diuturna levam a uma situação de insegurança generalizada e à inquietação social permanente e preocupante. pelo visto. É necessário que o servidor esteja no exercício no cargo para o qual fora nomeado. esse aproveitamento é obrigatório. b) por demissão. mediante a aferição dos requisitos de assiduidade. pois. c) insuficiência de desempenho apurada por meio de avaliação periódica de desempenho.A efetividade. por mais de três anos. nomeação na ordem de classificação. conseqüentemente do "justo". em essência. . inseparável do jurídico e. sem interrupção. pois. De certo compreensível. durante o qual a administração apura a conveniência de sua confirmação no serviço. mas que se tornou verdadeira mazela desses tempos globalizantes –está se tornando endêmica nos órgãos do poder público. na forma da lei complementar. admitidos a funções e os contratados nunca obtêm estabilidade. apenas um dia a mais. pois. o regime será reto e justo. Compreendendo-se esta na exata medida em que os atos administrativos correspondam adequada e estritamente ao fim que lhe é inerente e ao interesse público. em qualquer área do serviço público. mediante ato normativado com especificação da atividade funcional. desde que. em virtude da sentença transitada em julgado. a redução em pelo menos 20% das despesas com cargos em comissão e funções de confiança não seja suficiente. São requisitos para adquirir a estabilidade: (a) nomeação por concurso para cargo de provimento efetivo. principalmente após tornar-se matéria de espectro constitucional. haja vista que o mesmo tem sofrido profundas modificações em seu contexto. povoam o universo das preocupações ligadas ao futuro do Estado Democrático de Direito. o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal. mediante processo administrativo em que sejam assegurados o contraditório e a ampla defesa. ser exonerados ou dispensados sem formalidade do processo administrativo. como aos livres convém. eficiência. Se. pois. (b) exercício efetivo após três anos. mediante processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa e. CONSIDERAÇÕES SOBRE ÉTICA E A MORALIDADE NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Se. mas ao bem privado do regente. embora isso não seja mais expresso. aptidão. Todas essas questões estimulam o interesse pelo tema que será tratado neste breve ensaio. para cumprimento dos limites da despesa com pessoal ativo e inativo estabelecidos em lei complementar. aprovação neste. A estabilidade é. bem como a questão da moral e o direito sob a ótica do Estado de Direito. é um atributo do cargo. hoje. Os atos de improbidade dos órgãos estatais. d) por exoneração. É necessário que o servidor esteja no exercício no cargo para concurso.

a ética reflete o caráter do indivíduo e. ao discorrer sobre moral e ética. Os princípios éticos governam as condutas individuais e coletivas e podem estar baseados em valores culturais. transitório e histórico. numa outra dimensão.e. das tradições das formas de agir de um povo ou de uma civilização. ao nível epistemológico. que se consubstancia com uma das mais contundentes formas do abuso de poder. qual seja. Tanto ética como moral revestem-se de um conteúdo dinâmico. Breves enfoques filosóficos. A ética é o aspecto objetivo. em consequência. Ética (ethikos e ethos) é uma expressão de etimologia grega. . O autor mexicano Adolfo Sánchez Vázquez define a ética como "a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade" e a moral como "o conjunto de normas e regras destinadas a regular as relações dos indivíduos numa comunidade social dada". ou pelo menos ser influenciados pelas mudanças legislativas ou nos valores sociais. religiosos e. o termo inclui a idéia de caráter e disposição. caracterizada quando o agente público. será apresentado tema acerca da atual implementação por parte do Poder Público do receituário neoliberal com o agravamento das violações à moralidade administrativa. ou o lado dos costumes concretos. Diferenciação esta que delimita a conceituação atual da moralidade administrativa. Conforme o seu entendimento. a fim de diferenciá-lo de probidade administrativa e do princípio da legalidade. Após suscinta análise dos abusos de poder contra moralidade administrativa. todo ato administrativo que não for praticado no interesse da coletividade. já que a norma constitui-se em um princípio inspirador dos costumes do grupo social.A ética se ocupa das obrigações morais. que a investiga. para a disciplina de reflexão filosófica. no exercício legal de sua competência. diz-se moral. promove a tutela de interesse alheio ao do que a vontade do corpo representativo dos cidadãos estabelecera. i.. descobre-se. cujo significado original designava "o lugar próprio do homem". O dever em geral é objeto da ética. Assim. Sobre a diferença entre Moral e Ética. o que é específico do homem. ou seja. Eis porque ética pode também ser conceituada como ciência do comportamento moral dos homens em sociedade. o caráter da organização do grupo humano. todo homem deve saber que há ações que não devem ser praticadas e outras que têm que ser praticadas. A palavra ética fica também reservada. agora sob o manto da legalidade. o professor Álvaro Valls . enquanto a moral traduz um sentimento de dever. afirma o autor. Direito e Moral no Estado de Direito O bem comum. mas pode ser objeto de uma ciência (a ética). um conceito-chave. A moral representa o ponto de vista do indivíduo. Assim. Ele também faz uma distinção referente à coerção. que só existe em ética e em direito. enquanto se usa em geral a palavra moral para os questionamentos teológicos. como finalidade essencial da administração pública. o desvio de poder . Finalmente serão expostas algumas postulações doutrinárias relativas à necessidade de se criar condições capazes de proporcionar uma melhor aplicação do princípio ora estudado. de tal forma que será considerado não somente como ilícito. já que apenas a existência de normas positivadas nesse sentido não é o bastante para a efetivação do mesmo. bem como sobre uma de suas variantes. deixa evidente a presença de um forte conteúdo ético no regime jurídico-administrativo. Sendo certo que os padrões éticos assim estabelecidos. Segundo Aristóteles. que a ética vem a ser o estudo da moral. e "uso ou costume". Aí se depara com a primeira questão complexa envolvendo a diferenciação entre ética e moral. A reflexão ética há de partir sempre de um saber espontâneo. e a ética o ponto de vista da cultura. A ética se ocupa das obrigações morais. podem variar. Considera este autor que a moral não é científica. inclusive jurídicos. Ética e Moral. ninguém estranhe se ouvir dizer. da responsabilidade e da justiça social. por exemplo. A moral é o aspecto subjetivo. Para Jean Ladrière a ética e a moral podem ser utilizadas para representar aspectos diferentes da normatividade de que depende o costume. o dever-ser. da responsabilidade e da justiça social. Também será feita uma abordagem ralativa ao denominado abuso de poder. mas imoral. e então fala-se da ética. através das práticas absurdas de certos administradores.Seguir-se-á na análise da caracterização do princípio em relevo. nela "a norma é a regra da ação enquanto reconhecida interiormente pelo sujeito". considera que quando se quer enfatizar mais o lado da reflexão pessoal consciente. Neste sentido. a ética designa o apelo inspirador da ação de maneira global sem explicitar o que fazer concretamente.

ao que. embora revestidos de legalidade. vêm obtendo desempenho satisfatório. Convencionou-se chamá-la moral administrativa. Os novos instrumentos de controle jurisdicional. resultante de um conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina da administração. Celso Antônio Bandeira de Mello. E. Embora para muitos seja inaceitável a existência nem a possibilidade de um sistema ético universal e absoluto. isto é. em verdade. A consciência de que o Estado jamais poderia ter novamente os poderes usualmente concedidos ao Príncipe absoluto. para os quais impõe obediência. tanto para os seus fins como aos meios de exercício do poder. formalmente. tem preceitos éticos delimitadores da função que visa regular. que é de veto ao não-ético. quando há atentado à moralidade. os valores da democracia e da cidadania encontram-se bem enraizados nas sociedades ocidentais. não raras vezes. tal como o regime jurídico dos demais campos do direito positivo. sendo absorvida por esta. O princípio da moralidade administrativa Maurice Hauriou foi quem. institucionalizada. ainda que. alerta para a divergência doutrinária relativa aos postulados de Hauriou. a imoralidade conduziria à ilegalidade. Nessa época. mas. firmemente sedimentada entre os juristas a partir da consolidação da supremacia do pensamento liberal-burguês. A moralidade administrativa não é de natureza tão somente subjetiva. passou a haver uma demanda objetiva por uma administração pública honesta. não só no que o ordenamento jurídico tem de formal. podia-se dizer ser o álcool que conserva o vinho. a violação ao espírito da lei ainda é uma violação à lei. a moral administrativa o faz em sua conduta interna. A expressão disciplina interior a que se refere Hauriou em seu conceito de moralidade administrativa. Ao se levar em consideração a existência de valores morais relativos na norma jurídica. pelo menos em revelar que. bem como o novo enfoque que os meios já existentes assumiram em nossos dias. pode ser entendida como um sistema de moral fechada e de resultados satisfatórios ao interesse da comunidade. juridicizados pelos canais de comunicação e de seleção do sistema jurídico na realidade social. Encerram normas jurídicas universais. de acordo com os princípios que regem a atividade administrativa. No Estado de polícia. percebe-se que o regime jurídicoadministrativo. face a valores éticos e fatos vigentes. por primeiro. Mas. para quem. são as regras éticas que informam o direito positivo como mínimo de moralidade que circunda o preceito legal. Enquanto a moral comum direciona o homem em sua conduta externa. mas objetiva ou jurídica. expressão de proteção do gênero humano na realização do direito. A importância do valor moral relativo exarado pela norma jurídica assumiu maior relevância com a evolução do Estado de polícia para o Estado de Direito. o direito público se restringia ao preceito jurídico que concedia ao soberano o direito ilimitado de administrar. apontando que o doutrinador francês Marcel Waline critica a posição daquele publicista. . latente na fórmula escrita e costumeira. para emprestar-se imagem de Carnelutti.Weida Zancaner ao analisar a questão do fundamentos éticos do Direito. mas na sua teleologia (conjunto de especulações aplicadas à noção de finalidade). Afirma o referido autor que a moralidade é "um conjunto de regras de conduta tirada da disciplina interior da Administração". concluindo que a violação à moralidade administrativa permite sancionar as violações ao espírito da lei que respeitem a letra desta. transparente e democrática. inexistia um ramo de conhecimento jurídico sobre a matéria. logo. Em verdade. Alberto Villas Boas. se mostra de manifesta incompatibilidade. Principalmente. ao desonesto. em termos de moral jurídica – "conjunto de regras de conduta tiradas da disciplina interior da Administração". apesar da existência de um controle de legalidade dos atos administrativos. está dentro dele. este que é o fim primordial da Administração Pública. lhe dá vitalidade. ainda o Poder Judiciário encontra barreiras (ou as põe) para análise dos atos administrativos que. ameaçam e comprometem a estabilidade e a paz sociais. à ética que inspira o sistema jurídico positivado. onde o cidadão sentir-se-ia livre de fato. uma moral que é inerente à administração pública. nas finalidades. determinando a conduta e desempenho da função administrativa. identifica o princípio da moralidade administrativa com os princípios éticos de atuação dos agentes públicos. portanto. viabilizou a construção e concretização de um melhor arsenal de instrumentos jurídicos para o controle do exercício da função administrativa. o desvio de poder advindo de um ato imoral também é uma forma de ilegalidade. dissertou a respeito do tema da moralidade administrativa. ela se entrelaça com a moral segundo o senso comum. em sua obra Précis de droit administratif. Com o advento do Estado de Direito. Uma das grandes conquistas da ciência do Direito foi a sistematização do que se convencionou chamar princípio da legalidade. Há. fase das monarquias absolutistas européias. impondo um maior cuidado e preocupação para o administrador no trato do interesse público. para quem certo é que a moral administrativa e a moral comum se entrelaçam nos seus objetivos. mas com ele não se confunde. traz a lume os ensinamentos de Oswaldo Aranha de Mello.

Daí porque foram aumentados os controles sobre o poder de decisão do administrador. eivado de malícia. boa-fé. tão oportunamente encarecidos pelo mestre espanhol Jesus Gonzales Peres em monografia preciosa. como em qualquer outro ramo de Direito. passando o vício de moralidade a ser interpretado como vício de legalidade. univocidade e fornecer concreção ao ordenamento jurídico fundado numa dada Constituição. e a moralidade administrativa deixa de ser princípio geral e fonte subsidiária de direito. lealdade). para controlá-la. fornecendo o sistema jurídico o conteúdo e a forma de concretização dos elementos da prática administrativa moral (honestidade. pois. Não há mais espaço para uma posição conformista da população com relação à falta de qualidade dos serviços prestados pelo Estado. ao lado da legalidade. e dos meios utilizados para o atingimento destes fins". O que viabilizou o discurso do abuso de poder. a Administração haverá de proceder em relação aos administrados com sinceridade e lhaneza. mas também o âmbito da moralidade. o comportamento impessoal não atende aos interesses pessoais ou de terceiros. em determinada situação. enquanto fundamentos ou fins. portanto. fez-se através de um alargamento no raio de incidência do princípio da legalidade. como diretrizes pré-estabelecidos constitucionalmente.que carregam. Todos os atos do bom administrador visam ao interesse público. a moral é recebida pela norma jurídica. assim. passe a beneficiar da sanção peculiar da ordem jurídica em lugar de ficar limitada às suas sanções peculiares (reprovação das consciências). violável de forma direta. impessoalidade e publicidade. Segundo os cânones da lealdade e da boa fé. Ela permite a distinção entre o que é honesto e o que é desonesto. de modo a englobar não mais apenas à análise da legalidade pura. ao alvitre das tendências ideológicas de quem tem competência para desempenhar a função administrativa ou. explícitas ou implícitas. Asseguram a objetividade da concretização da norma constitucional e infraconstitucional. e passa a ser direito. no sentido de exigir do constituinte normas capazes de freiar as práticas administrativas abusivas e contrárias ao interesse da comunidade. a Moral só vale na medida em que. As medidas casuísticas são evitadas. sendo recebida pela norma jurídica e como conteúdo desta. em si. regida pelo direito público. inicialmente. É necessário. O insigne doutrinador português Marcelo Caetano observa que no Direito Administrativo. logo. que o mesmo seja efetivado sobre a égide das normas de conduta específicas das instituições . cuja atividade está vinculada a finalidade que lhe foi abstratamente atribuída pelo ordenamento jurídico. Não mais se concebe. entendendo-se tal virtuosidade como a conduta conforme a natureza do cargo por ele desenvolvida. assim. cumprindo os velhos preceitos de Ulpiano: honeste vivere. o controle jurisdicional mais adequado às novas exigências sociais. Para Celso Antônio Bandeira de Mello: Compreendem-se em seu âmbito. Numa análise ainda que não aprofundada da Constituição Federal de 1988. dificultar ou minimizar o exercício de direitos por parte dos cidadãos. os chamados princípios da lealdade e da boa-fé. A moralidade administrativa constitui o princípio jurídico que norteia a ética da atividade administrativa. Uma vez atendidos os interesses da coletividade. ao princípio da moralidade administrativa. que o ato administrativo apenas esteja em conformidade com a lei. A Constituição da República trata a moralidade como princípio da administração pública. Isso é consequência direta do posicionamento assumido pelas forças progressistas atuantes no seio da sociedade brasileira. finalidade pública etc. como é evidente.Distingue-se da moralidade exigida nas relações jurídicas privadas pelo fato de ser uma ética vinculada e voltada para a conduta e desempenho da função administrativa. podem ser identificadas diversas referências. Têm por vocação precípua a garantia da coerência. Dentro da Administração Pública a moralidade complementa a legalidade. todos serão beneficiados eqüitativamente. Carmén Rocha: O acatamento do princípio da moralidade pública dá-se pela qualidade ética do comportamento virtuoso do agente que encarna. e. dos fins buscados e consentâneos com o Direito. A aceitação de uma moral administrativa. Como afirma a Dra. como era até então." A moral administrativa assim entendida. não pode consubstanciar-se como mero instrumento retórico. conteúdo moral e jurídico. suum cuique tribuere. produzido de maneira a confundir. alterum non laedere. impessoalidade. delimitando a margem de interpretação e apreciação do texto constitucional pelo operador jurídico. A moralidade administrativa na Constituição Federal de 1988 Os princípios constitucionais são expressões normativas consolidadas a partir dos valores. o Estado Administrador. sendo-lhe interdito qualquer comportamento astucioso. sobretudo com as arbitrariedades e imoralidades dos atos de seus agentes.

é até precário se falar em princípio de probidade administrativa. mas também aqueles violadores do dever de exercício de uma boa administração. da Lei n. Enquanto a improbidade administrativa. elevada à condição de princípio constitucional fundamental. Já a moralidade administrativa determina um comportamento do administrador público no sentido de que este demonstre ter agido de acordo com a idéia de uma boa administração.429/92. implícita nos art. 37. entre os direitos e garantias fundamentais do cidadão. incisos LXVIII. a imoralidade administrativa. a validade dos atos do administrador irá depender de sua total obediência às leis positivadas. Este princípio decorre da moralidade pública. orientando e delimitando a atuação estatal no exercício da função administrativa. Entretanto. pois não há como analisar uma norma jurídica imoral por si mesma. Eis o porquê de sublinhar-se a absoluta importância desses princípios que. mencionados por Celso Antônio como componentes da moralidade. ou seja. quando se passa para o estágio da aplicação dessa norma pelo administrador observa-se a existência de atos eivados de pura legalidade e moralidade. mesmo havendo a necessária interdependência entre os princípios constitucionais da administração pública. que a moralidade deve estar necessariamente presente norteando a criação da lei. da Constituição vigente. por razão do art. o que destaca o caráter complementar à Constituição . Afirma o referido autor que talvez fosse mais preciso se falar em dever de probidade. Juntamente com os demais princípios administrativos. em consonância com a moral fechada própria da Instituição em si considerada. 5º. pessoa de caráter íntegro. 60. ao vedar a prática de atos desonestos e desleais para com a administração pública. necessitando prévia tipificação legal para a sua concretização. refere-se especialmente à conduta do agente público. expressa a vocação do Estado brasileiro ao Estado de justiça. estão num mesmo patamar valorativo. Apesar do conteúdo principiológico do regime jurídico-administrativo exigir coerência. pois. Inegável que a integridade e a honradez integram os elementos da lealdade e da boa fé. incompatíveis com a moralidade administrativa. atentado à probidade administrativa. unidade e aplicabilidade. lato sensu. Para Moreira Neto. ser moral é ser honesto. Moralidade administrativa e o princípio da legalidade Princípios constitucionais da Administração de particular importância. o princípio da probidade administrativa representa uma especificação daquele preceito. da Constituição Federal de 1988. LXIX e LXXIII. caput. afinal. Observando-se esses referidos princípios pode-se verificar.429/92. justo e não apenas legal. por conseguinte. tendo como decorrência o estabelecimento de sanções jurídicas para a repressão do desvio de comportamento do titular do múnus público. pois do contrário. ou melhor. embora diferentes. ou seja. por não bastar por si só para gerar efeitos jurídicos concretos. § 4º. pelo menos no direito atual. norma constitucional dotada de grau superior quando comparada aos demais princípios e regras constitucionais. Bastante confundido com o princípio da moralidade administrativa.públicas. mais amplo. a argüição do princípio no caso concreto perde sua utilidade prática. legalidade e moralidade estão intimamente vinculados quando se trata de precisar o âmbito da moralidade administrativa. O princípio da legalidade prevê que na Administração Pública não há liberdade volitiva absoluta. Moralidade e probidade administrativa Existe uma proximidade conceitual entre a probidade e a moralidade. ato de improbidade administrativa certamente é ato atentatório à moralidade administrativa. 8. muito embora de acordo com os ditames legais em vigor no ordenamento. mas que não se confundem. que encontra tutela na rigorosa Lei nº 8. juntos. juntamente com os demais para que. assumindo identidade própria quando comparado aos demais princípios constitucionais gerais do subsistema constitucional da administração pública. um conteúdo e uma finalidade distinta. sendo. Assim. provoca a incompatibilidade jurídica entre o ato imoral e o regime jurídico-administrativo. honrado. constitui princípio constitucional geral do subsistema constitucional da administração pública. ou seja. O princípio da moralidade administrativa. probidade é característica do probo. expresso no art. dêem fundamentos que legitimem a vontade de fazer ou a atos de vontade. . como se sabe. do texto constitucional. é preciso que esteja assegurado a cada preceito. de modo que todo e qualquer ato que não esteja autorizado por lei carecerá de validade. praticados por agentes públicos ou terceiros no exercício de função pública. indubitavelmente. O princípio constitucional geral da moralidade administrativa goza de plena autonomia. e. que atenda aos anseios do administrado. o bem deste é o principal objetivo do atuar da Administração. que viola o princípio constitucional geral da moralidade administrativa.

a moralidade administrativa ao primado de princípio. com o da legalidade. A distinção é evidente e necessária. que conduzam os administradores a agir sempre de acordo com a moral. porquanto. Diante do exposto. paralelamente. desconforme e ineficiente. . contagiados por uma vontade particular do administrador ou relacionados a interesses que não os da coletividade. caminhos esses que levarão a saber se houve ou não ilegalidade ou imoralidade administrativa em certo ato. estão plenos de vícios. que o conceito de moralidade vai além da legalidade. Na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. não existiria espaço para a vontade da Administração no exercício de sua função típica. ou seja. o que se conclui haver uma coincidência entre o vício da discricionariedade e o da imoralidade. para caracterizar cada um desses princípios. observe. Aliás. já que aquele. Do mesmo modo. pois. A despeito do entendimento de que os princípios constitucionais Administrativos estão distribuídos horizontalmente quanto à importância. isso se dá pela subjetividade que a moral contém. embora se apresentem como legais e oportunos. erigindo-a em interesse social relevante e juridicamente protegido. ou seja. afinal. observa-se que a pesquisa da imoralidade é bem mais complexa que a da ilegalidade. Tem-se. elevou de forma explícita. é certo afirmar que apenas a verificação da legalidade do ato não mais satisfaz as aspirações dos cidadãos. se políticos e servidores públicos empregarem o poder estatal para fins estranhos àqueles atribuídos pela lei pública. como referencial da moralidade administrativa a finalidade pública. tendo em vista que o administrador público tem o dever de realizar o bem comum. ao realizar seus atos. traça linhas de comportamento para o administrador fazendo com que este. em regra. é necessário. desta forma. viciada a moralidade administrativa quando houver a prática de um ato fundado em motivo inexistente. se aquela admitida fosse. esse é o mesmo tipo de exame utilizado na detectação de vícios da discricionariedade. como anteriormente referenciado. no âmbito administrativo. No que tange à legalidade basta verificar se o ato realizado encontra-se autorizado por lei. quando se trata do desenvolvimento de atividades estatais. como e se estabelecida pelo legislador. de modo que. procurando colocar a função administrativa subordinada a função legislativa. pois é determinante de regras de conduta. no que diz respeito à relação entre legalidade e moralidade. mas se aquele ato está ou não em consonância com os anseios de justiça e honestidade dos administrados. suas condutas serão moralmente censuráveis. a obediência de princípios que valorizem a dignidade humana. será caracterizada a imoralidade administrativa quando o ato visar a objeto impossível. estes estão em primeiro lugar nas realizações do Poder Público. não se trata apenas de saber se é ou não legal. Ao contrário do que ocorreria na esfera jurídica privada. Sob o prisma da moralidade a satisfação dos requisitos legais do ato não é suficiente. ressaltando que não é verdadeira. Deste modo. Será. ou. Faz-se necessário ir adiante na análise da ação administrativa. a assertiva de que o que não é proibido é permitido. visto que há muitos atos que. torna o ato impróprio para realizar a boa administração. incompatível etc . definindo-a como princípio. uma vontade inferior e condicionada ao interesse público estabelecido por lei. O constituinte.O Min. Percebe-se. portanto. ou seja. devendo o agente público se conduzir para a ordem jurídica e o interesse público. encontrar-se-á caminhos diversos a serem percorridos. será indispensável para a caracterização da moralidade de um ato administrativo a análise do motivo e do objeto de tal ato. O exercício do cargo ou função pública implica na fruição de poder administrativo do qual resulta para o agente público a autoridade necessária para implementar as medidas necessárias à satisfação do interesse comum do povo. Somente assim será possível afirmar se houve ou não a efetivação do dever de boa administração inerente ao Administrador Público. paralelo ao da legalidade. Do ponto-de-vista dogmático. ao mesmo tempo em que legitimou o cidadão brasileiro a postular a declaração de nulidade de qualquer ato administrativo violador do princípio ético tutelado. Demócrito Reinaldo. que. estabeleceu nítida distinção: juridicizou a moralidade. Moralidade e Abuso de poder. A Constituição Federal de 1988. a eficácia dos mesmos no plano da boa administração. insuficiente. nada pode estar fora da ordem jurídica. considera que a concepção clássica do princípio da legalidade aponta-o como aquele que determina ao administrador que sua conduta somente pode ocorrer quando. para investigar se realmente há interesse público naquela ação ou se dá apenas a impressão de que o há. além dos elementos constitutivos. portanto. Ressalta-se ainda. para viger. objeto primordial da Administração Pública. em seu texto Os princípios da moralidade e da publicidade na Administração Pública.

pelo menos as parcelas mais carentes e indefesas. conferindo certos poderes à administração. sendo certo que até mesmo a busca de objetivo lícito pode vir a caracterizar desvio de poder. em vez de curar os problemas sociais. e quando os efeitos impopulares delas prevalecem. é a de que esta os utilize. na medida em que a atuação do agente público esteja pautada pela serviência a interesses particulares de qualquer natureza. ora citado por Celso Antônio Bandeira de Mello enuncia que em numerosos casos a intenção do legislador. não pode exercê-la de maneira arbitrária ou desmedida. presume um endereço. mas exclusivamente em vista de um fim bem determinado. Nesse sentido. espaço único no qual se instituem e definem as competências. Daí a doutrina estabelecer que o desvio de poder é possível de ser caracterizado quando ocorre perseguição pelo autor do ato de um fim estranho ao interesse geral (inimizade pessoal. Justifica-se que o ato esteja viciado na sua essência porquanto o administrador não pode gerir a coisa pública de forma distinta daquela definida pelo povo através do Poder Legislativo. A lei não concebe a autorização para agir sem um objetivo próprio. O administrador inidôneo não se preocupa em aglutinar as forças sociais para vencer os desafios e obstáculos que emperram o desenvolvimento e geram criminalidade e infelicidade. quando não os cria. O administrador amoral. Usar normalmente do poder é empregá-lo segundo as normas legais. os atos de improbidade administrativa são de grande potencial ofensivo. Ele é a estagnação em pessoa. não constitui privilégio de cunho pessoal mas sim prerrogativa inerente à função afeta a determinado órgão público que. não era aquele que precisamente a lei assinalava para a edição do ato. antecipa um alcance. objetiva a tutela de interesse diverso daquele fixado pela vontade do corpo representativo dos cidadãos. A impunidade que infelizmente grassa neste país. por conseguinte. As elites econômicas. torna-se a grande força propulsora no cometimentos de delitos. interessado em iniciativas de ordem pessoal e que rendam vantagens em razão do cargo que ocupa. no exercício da regra de competência fixada por lei. é um desvio de poder. neste caso. afirma Alberto Vilas Boas. Importa afirmar que o interesse público constitui o ponto central de toda e qualquer atividade promovida pela administração . da violência contra o administrado constituem formas abusivas do uso do poder estatal. de viés puramente nacional ou transnacional. diverso daquele que foi previsto e querido pelo legislador. o denominado desvio de poder. Portanto. incrementa-a. Por isso. . O consagrado doutrinador Marcel Waline. produto da absoluta ausência de moralidade administrativa. conquanto de interesse geral. é um elemento inerente às políticas neoliberais. e é ainda um caso de nulidade do ato administrativo" . por trinta dinheiros. a finalidade do ato e as exigências do interesse público". Hely Lopes Meirelles que "o poder há de ser usado normalmente. embora pretendendo resultado materialmente lícito. assinalava o Prof. o pai de todos os crimes e males é o administrador público improbo. jogam esses políticos fora. o poder de agir outorgado ao agente público sempre pressupõe que este o faça com o intuito de preservar o interesse público e não com a intenção de favorecer interesses privados e estranhos à Administração Pública. a moral da instituição. Por certo. se o exercício do poder pressupõe que o agente público o faça em benefício da coletividade . mas sim conforme à lei. predetermina o próprio alvo. em vez de diminuir a miséria. motivação político-ideológica etc). todo uso de um tal poder em vista de um fim. caracterizando-se. mesmo que de utilidade pública. Por conseguinte. não toleradas pelo Direito e nulificadoras dos atos que as encerram . não em vista de qualquer interesse público.A autoridade pública. A obrigação jurídica não é uma obrigação inconseqüente: ela visa a um fim especial. Uma das formas mais claras do abuso de poder fica caracterizada quando o poder público. por intermédio de seus agentes. A falta de punição aos responsáveis pelas irregularidades. o emprego arbitrário da força. sem abuso. em vez de inserir socialmente os excluídos e marginalizados.que sofre os reflexos do exercício da autoridade -. A falta de ética no exercício do Poder Público causa males incomensuráveis que atingem senão toda a comunidade. condena-os a perpetuarem-se no abismo da exclusão. talvez seja a maior responsável pelos desmandos administrativos hoje existentes. é que se mantém atual a lição de Caio Tácito ao assinalar que a destinação da competência do agente preexiste à sua investidura. agrava-os. desse modo. substituindo a finalidade legal do poder com que foi investido. em suma. Afirma Emir Sader que esta corrupção. ou então o fim perseguido. Não é facultado à autoridade suprimir esta continuidade. se valem daqueles políticos que aceitam promover seus interesses. A moralidade administrativa neoliberal É inegável que o maior de todos os delinqüentes. Fica marcando passo. há que se reconhecer que a utilização desproporcional do poder.

Emir Sader vislumbra uma nova feição da ausência de moralidade na gestão da coisa pública. uma defesa intransigente da liberdade econômica. une ao mesmo tempo a velha e a nova corrupção. social. também. Sem dúvida está-se hoje às voltas com a hegemonia da ideologia de mercado. Essas prebendas estão presentes em tantas outras políticas governamentais e se espelham vergonhosamente nos balanços com superávits extraordinários dos grandes bancos no Brasil. porque justifica essa exclusão em nome da racionalização dos custos e da competitividade entre os agentes privados. Há um vínculo direto entre o financiamento das campanhas presidenciais de FHC -assim como as dos parlamentares. principalmente. que é uma teoria política. nas lutas passadas contra o poder absoluto. uma doutrina econômica consequente.pelos grandes bancos e as prebendas recebidas -tão bem exemplificadas no Proer. "E o mercado como guerra gera. a saber: "por neoliberalismo se entende hoje. é traduzida em mais demandas para o Estado. incompatível com a ideologia do Estado mínimo. para proporcionar. como o Brasil. A nova corrupção está intimamente ligada ao processo acelerado de privatização do Estado. e de fato conduziu. Uma democracia doente. fica mais nítida a associação entre neoliberalismo. previdência social. como Hobbes bem sabia. o neoliberalismo é imoral porque é surdo ao sofrimento e à miséria dos milhões de excluídos do processo produtivo. nem sempre necessário. um Estado para pôr ordem nas coisas que não será o Estado Democrático. e para o mercado isto é uma sobrecarga insuportável. insistiu sobre a indissolubilidade de liberdade econômica e de liberdade sem quaisquer outros adjetivos. O neoliberalismo ideologicamente investe na promoção de um senso comum que promove o antiestatismo do povo. assim como os de desvalorização da moeda -com ou sem informações privilegiadas-. se constituíram num outro momento da nova corrupção: tudo "dentro da lei". o processo de democratização . Não menos incisivas são as palavras do deputado federal José Genoíno ao se manifestar sobre a questão da ameaça à democracia pelo incremento da corrupção grassante no cenário político-administrativo nacional: Hoje o problema não está no fato de a corrupção poder proporcionar o fim da democracia. mas o oposto". É o caso da corrupção que. defendendo a utilização egoísta da propriedade privada acima da função social que toda propriedade deve cumprir. em outros termos. a democracia ao problema de quem deve governar e com quais procedimentos". uma lei financiada pelos que pagaram as campanhas eleitorais dos que retribuíram com vantagens econômicas e financeiras evidentes. desconsiderando como objetivo a realização. cobra altos impostos. processo do qual o governo FHC foi o agente nos anos 90. e atribuindo à liberdade individual (da qual a liberdade econômica seria a primeira condição) um valor intrínseco e à democracia um valor instrumental. da democracia. a do roubo direto dos bens públicos.sobretudo observando a que conseqüências não-liberais pode conduzir. Mas agora tal confusão não deveria mais ser possível. porém não mais o mercado que educa e civiliza dos primeiros liberais. o economista austríaco Friedrich von Hayek. a do uso da máquina do Estado para vantagens privadas. o cidadão se sente desmoralizado porque se sabe roubado e impotente. Estado que alimenta uma grande burocracia ineficiente. da felicidade alheia. o Estado que.Norberto Bobbio. com a idéia de que o Estado é o causador da crise.de que liberalismo e democracia respondem a problemas diversos: o liberalismo aos problemas das funções do governo e em particular à limitação de seus poderes. Num país tomado pela corrupção. liberalismo e democracia puderam proceder no mesmo passo e confundir-se um na outra. a corrupção fere de morte a cidadania. sem a intervenção reguladora estatal. a do patrimonialismo. na transparência e na legalidade. se dá nos marcos da legalidade. arbítrio e falta de controle eficaz dos atos dos agentes públicos. Com este esclarecimento de Bobbio. na justiça. econômica e política. Não é mais necessário roubar: basta governar favorecendo os grandes grupos econômicos que financiam as campanhas eleitorais. da qual o liberalismo político é apenas um modo de realização. fundadas na eqüidade. da qual a liberdade política é apenas um corolário. Para os que são contrários aos ideário neoliberal. Segundo Sader: O governo atual. e seguido fielmente nos dois governos do presidente Fernando Henrique Cardoso. Hayek admite que. Ninguém melhor do que um dos notáveis inspiradores do atual movimento em favor do desmantelamento do Estado de serviços. contraditoriamente. A velha. Os processos de privatização. A outra é mais inovadora e não está tipificada ainda como crime -até porque "quem faz a lei faz a armadilha" e foram eles que reformaram a Constituição e estão constantemente legislando em causa própria. decorrente da aplicação do processo neoliberal privatista brasileiro – iniciado no governo Collor. pois acabamos por nos dar conta . mas na convivência que ela estabelece com a democracia. mostrou-se na discussão da cassação do mandato de três senadores. ou. mas do mercado quase como guerra. o Estado de Direito. que tem seu ponto de partida numa teoria econômica. porque a corrupção representa uma violação das relações de convivência civil. em ensaio a respeito do tema neoliberalismo político esclarece que a incompatibilidade entre democracia e neoliberalismo vem a ser um dos próprios objetivos dessa doutrina. reunindo a velha e a nova direita. . pois para os neoliberais a excessiva participação do povo no governo. reafirmando assim a necessidade de distinguir claramente o liberalismo. Em suma.

Antes de exaurir-se na exasperação do intercâmbio espúrio de favores entre os detentores do poder. do Ministério Público de São Paulo: A trágica situação social. A3. mas inócuo enquanto instrumento garantidor da ética e da eficiência administrativa. levou a uma nova forma de atentado à moralidade administrativa. 25. tendo em vista ampliar as liberdades públicas e privadas a fim de promover o bem viver. incompetente.De acordo com o que noticiou a Revista Veja. O atual ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência escreveu na Folha ("Tendências/Debates". pág. da pilhagem a valiosos recursos cuja única destinação aceitável seria o atendimento da comunidade. como os maiores destruidores dos bens públicos e do espírito público na história brasileira. da falta de zelo com a coisa pública. consubstanciados em um sem-número de casos suspeitos de atentarem. pode-se afirmar que as forças que operam no cenário político-administrativo nacional estão muito distantes de uma conduta ética. E assim passarão à história: como herdeiros da velha corrupção e introdutores da nova. Tantas expressões de inconformismo são fruto da sequência impressionante de atos atentatórios à moralidade administrativa perpetrados por autoridades cuja função precípua seria a de promover o desenvolvimento nacional e garantir condições cidadãs de vida para a população. no mínimo.98. assim como as interrogações sobre os critérios de aplicação dos recursos da SUDAN e da SUDENE etc. Disse-o com ênfase e propriedade o Procurador de Justiça Walter Paulo Sabella.04. também. . e outros 4% : "Protetor dos pobres". relapsa e perdulária convive a rapinagem criminosa do patrimônio público. onde foi parar o dinheiro da Vale? Quantos meses de juros da dívida ele serviu para pagar? Eis o porquê da imperiosa necessidade do princípio da moralidade administrativa não poder continuar como simples legenda ética. irresponsabilidade com o erário público. assim como os de desvalorização da moeda -com ou sem informações privilegiadas-.programa de ajuda a bancos privados falidos por gestão fraudulenta. O espaço é muito pouco para relacionar os casos de desmando. apresentando percentuais desprezíveis. com finaciamento garantido por verbas públicas e facilidades inimagináveis de pagamento das dívidas ou o projeto Sivan de monitoramento da Amazônia. que diria a verdade sobre a primeira parte de sua afirmação. só permitindo a ulterior partilha em conformidade com os postulados da República e respeitados os princípios da justiça social e da igualdade. por falar nisso. se constituíram num outro momento da nova corrupção: tudo "dentro da lei". Através dos resultados da pesquisa vê-se corroboradas as palavras de Sader: "Por isso a percepção consolidada da população é a de que FHC e seu governo estão visceralmente comprometidos com a corrupção. o Proer . não raro por uns em conluio com outros. caracterizada pela exclusão de um contingente assustador de pessoas dos direitos da cidadania decorre. como o processo de privatização da telecomunicação. o Instituto Vox Populi realizou uma pesquisa em âmbito nacional. Há um vínculo direto entre o financiamento das campanhas presidenciais de FHC -assim como as dos parlamentares. edição de 08. Os processos de privatização. Com a gestão desidiosa. ora pelos que integram o próprio aparelho de Estado ora por terceiros alheios. muitas das quais altamente rentáveis. Houve ainda 4% que responderam: "Justo e humano". Na concepção de Sader. Essas prebendas estão presentes em tantas outras políticas governamentais e se espelham vergonhosamente nos balanços com superávits extraordinários dos grandes bancos no Brasil.pelos grandes bancos e as prebendas recebidas -tão bem exemplificadas no Proer. contra a moralidade administrativa. p. desvio de poder. ela só é verdade porque esse governo privatizou bens públicos fundamentais como a Vale do Rio Doce -e. formulando a seguinte pergunta: " O que o brasileiro espera de um bom Presidente da República?" Sem qualquer indução. 4/5) que o governo para o qual trabalha atualmente "reduziu drasticamente os espaços do clientelismo e da apropriação privada do bem público". pródigo enquanto gerador de demagogia. Conclusão Considerando que o objetivo maior da ética é orientar a conduta humana. Fora daí. o erário deve transformar-se em celeiro seguro para a guarda da riqueza comum. desta feita nos marcos da legalidade: Não é mais necessário roubar: basta governar favorecendo os grandes grupos econômicos que financiam as campanhas eleitorais. abuso de poder. uma lei financiada pelos que pagaram as campanhas eleitorais dos que retribuíram com vantagens econômicas e financeiras evidentes. a prática da receita neliberal expressa pelo processo acelerado das privatizações de empresas estatais. como corruptos e corruptores". como é o caso da Companhia Vale do Rio Doce. da malversação dos recursos públicos. os restantes 44% diluíram-se em várias respostas. mas ele teme a CPI da corrupção. a resposta veio rápida e contundente: "Honestidade!"— foi o que disseram 48% dos entrevistados. Quanto à segunda.

eis o desafio difícil. evolui e consagra direitos sociais que estiveram na pauta dos anseios e das lutas da sociedade. em razão do seu componente psicológico. Trata-se pois a defesa da moralidade administrativa e o combate à corrupção de uma opção de caráter fundamentalmente político daqueles que têm sobre seus ombros a responsabilidade pelos destinos da coisa pública. somente tal projeto pode ser uma alternativa política real promotora do respeito à moralidade em todos os níveis. mas ao invés disso. honestidade e probidade no trato da coisa pública e no exercício das funções públicas. PARTICIPAÇÃO DA SOCIEDADE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Ao lado do princípio político da subsidiariedade. isto é. esse poder deve ser bem utilizado e . que não tenha por objetivo garantir o acúmulo privado de riqueza por agentes econômicos. por seus representantes constitucionais. porém inafastável. promova a superação das privações da maioria para o exercício de sua liberdade. A estreiteza da lógica puramente formal. em toda a sua essência. A aproximação do administrador do administrado deve ser lenta e bem delimitada por normas de caráter constitucional. anestesiado pela burocracia estéril e pelo formalismo. a promoção e a distribuição da justiça. em especial da liberdade de imprensa — com espaço inclusive para o jornalismo investigativo — a sociedade brasileira tem-se feito um pouco mais consciente e manifestado de forma cada vez mais contundente a sua revolta e indignação diante dos casos de atentado à moralidade administrativa. daqueles que resultam vinculados a um objetivo fundamental: a promoção concreta da justiça e a implementação da igualdade e dos valores constitucionais superiores que devem nortear o convívio humano em sociedade! O combate a que se refere o autor retro citado. mormente a administrativa. possa também inviabilizar-se a realização de direitos conquistados. Com a retomada da consciência que a sociedade tem que estar presente na condução dos processos políticos e administrativos e. pelo resgate dos princípios éticos da lealdade. a sociedade necessita criar métodos participativos com a intenção de reverter o quadro de exclusão do cidadão que se apresenta no momento em nosso país. que promova a desconcentração da riqueza. Reportando-se às considerações sobre a improbidade administrativa. Trata-se de um princípio relativo. Na minha visão. tangido pela consistência e pelo vigor dos movimentos democráticos. do domínio dos canais de mídia e socialize a cultura. o processo democrático está incompleto e necessita ser reformulado o mais breve possível. está o princípio da participação do administrado nas decisões em que seus interesses estiverem em questão. pois corremos o risco do brilhante princípio cair no fracasso. Talvez não fosse demasia admitirse que o fenômeno representa o embrião de uma crise social e política que. deixa perecer ou torna menos auspiciosas as perspectivas de desfrute desses direitos. Tal linha de pensamento há de nortear os lidadores do direito comprometidos com a busca. proferidas pelo professor e membro do Ministério Público gaúcho Fábio Medina Osório: A sociedade escolheu. consubstanciados em corrupção administrativa. o Estado. no atual contexto histórico. que na raiz dessa reação não está apenas o sentimento de repulsa em face da reprovabilidade da conduta desonesta.Muito embora. Combater duramente a impunidade daqueles que se locupletam ilicitamente às custas dos cofres públicos. não deve imperar em detrimento de uma compreensão mais ampla da legislação repressiva da improbidade administrativa. pois a sociedade necessita de alguma mudança com urgência. tendo que colocar bem a forma como os cidadãos irão participar. Anote-se. em conseqüência dessa conduta. para realmente pôr em prática um verdadeiro ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO . poderia ser denominada de "crise do desencanto e do medo": enquanto o ordenamento jurídico. o caminho do combate rigoroso à improbidade administrativa. quedando-se em negligência diante da pulverização desordenada dos recursos públicos provocada pela corrupção. porém. sob de se esvaziarem importantes e legítimas expectativas da sociedade organizada. do poder político. pela ineficiência e pela ausência de compromisso com o bem comum. malversação e dilapidação do patrimônio público. somente será possível de se tornar viável com a implementação de um projeto político que inverta as prioridades do desenvolvimento econômico. vem no momento em que a história das instituições está demonstrando suas fragilidades frente a um mundo dinâmico que surge com os avanços dos meios de comunicações e se toma como uma alternativa plausível para o problema. Alia-se a ele um justo e fundado temor de que. garantir politicamente que todos tenham acesso às mediações materiais para realizar a sua liberdade com a dignidade humana exigida. como suporte para absurda impunidade. lutar pela moralidade administrativa. A revolucionaria idéia de que a participação social tenha o poder de dar legitimidade para a administração. complicado. fruto do processo de resgate democrático vivido pelo país culminando com a queda da ditadura militar.

. Waldo. Fique claro que não só devemos resgatar o respeito pelo usuário dos serviços estatais. Tal atitude deve ser enfocada em um aspecto individual. como também o respeito pela dignidade dos servidores públicos. Constituição Federal.org. BOBBIO. claro. Código de Ética do Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal.br/doutrina/neoliber. 4º ed.3ª Ed.com. mas também alertar sobre a atual situação aética na qual nos encontramos e. II Administração Pública. pois uma antecede a outra para se concretizar. Cap. O neoliberalismo é intervencionista?.vigiado. como o nome indica. José Galvani. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo. a dimensão ética e humana no serviço público deve ser priorizada. Paulo. que vai aos poucos sendo incorporado pelas outras classes. 22 de junho de 1994. CAETANO. O desvio de poder no ato administrativo. 2002.ccj. BIBLIOGRAFIA FAZZIO JÚNIOR. Mercado e Democracia (Loudes Sola. DA SILVA. alcançar seus objetivos egoísticos e nada efetivamente mudar. Liberalismo e Democracia. Maria Cuervo Silva e Vaz. principalmente os de baixo nível hierárquico. São Paulo:Malheiros.br. Elementos de Direito Administrativo. Editora Malheiros. Corrupção no poder público: peculato. O triste de tal "utopia". Celso Antônio. corrupção passiva e prevaricação – São Paulo: Atlas. com o nível atual de consciência política que mais de 70% da população possui. Nós acadêmicos e classe media. 10ª edição. democracia: existe uma perspectiva latino-americana?. MEIRELLES. DE MORAES. para através de sua participação. quando digo isso e porque no momento e praticamente impossível pensar em uma participação com poder legitimatório. no qual dia a dia devemos tentar colocar em uso. concussão. São Paulo: Revista dos Tribunais. São Paulo – SP. Alexandre – Direito Constitucional. Afinal. buscando tornar a "Democracia realmente democrática". CONCLUSÕES O trabalho retro redigido tentou dissertar não só sobre a ética no Poder Público. 19ª edição. site http://www. não é uma coisa aprendida na escola e sim com atitudes reiteradas pelo corpo social. S. CERQUINHO. Editora Atlas S/A . Estado. temos um papel fundamental para criarmos esse espírito na sociedade com menos acesso a educação. Fernando Henrique. porque não haverá participação administrativa sem antes uma participação da sociedade buscando isso. Reparação de danos ao erário: idoneidade da Ação Civil Pública e legitimação ativa do Ministério Público. S. 1993. Estado. 2002. BANDEIRA DE MELLO. São Paulo – SP. só tem razão de existir se atender as necessidades da coletividade.br/trabalhos/doc/46. Hely Lopes.jus. Marcelo. Direito Administrativo Brasileiro. estando sujeita ao comodismo e a um sistema que leva a tal acomodação.acmp. Alberto Villas Boas Abuso de poder e improbidade administrativa. que vêm sendo responsabilizados há tempos por mazelas das quais muitas vezes são vítimas e não agentes. 7ª ed. Brasília. Malheiros Editores. in DIAS. site http://www. 27º ed. mercado.). 1993. site ® BuscaLegis. Forense. 2000.2000.phtml. Paz e Terra. José Afonso – Curso de Direito Constitucional Positivo. Paulo: Brasiliense. Norberto. 1977.ufsc. por exemplo. 1999. CARDOSO. com a participação não só no ato do voto. ALBERTON. Por isso.html. Isso e um processo social lento e que deve ser a cada dia construído. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais. org. mostrar ferramentas para revertermos o quadro atual. o setor público. Maurício Leal. mas também depois. 2001. em que cada um é responsável por esta mudança de pensamento. tomando cuidado para não ser apossado por alguma classe que queira manipular as pessoas menos instruídas.

Jornal A Folha de São Paulo.br. Moralidade Administrativa: do Conceito à Efetivação. Improbidade Administrativa. conferência proferida no IX Congresso Brasileiro de Direito Tributário. Corrupção nova e velha. 8ª ed. portanto a administração pública ainda necessita de se transformar num coletivo mais inteligente. site ® BuscaLegis. Belo Horizonte: Del Rey. o que ainda hoje é raro. Fábio Medina.FRANÇA. 1997 GENOÍNO. José. in Revista de Direito Tributário. Trad. 1998 . São Paulo:Malheiros. p. Conclusão: O objetivo do atual desenvolvimento em todas as nações e o bem estar de todos os cidadãos. Euclides André. São Paulo: Malheiros.br. Cármen L. (Em Curitiba.. Curso de Direito Administrativo.. Rio de Janeiro: Renovar. 28 de julho de 1997. que hoje através da implantação da Tecnologia da Informação nos serviços públicos.in Revista Filosofazer.br. site: www.phtml. Princípios Constitucionais da Administração Pública.org. MEIRELLES.Tatiana Kalina M.br/trabalhos/doc/78.01. Álvaro L. abr. de Olinto A. Ética./dez. MANCE.5. Vladimir da Rocha.acmp. out. São Paulo: Letras e Letras. n.. MOREIRA NETO. que se saberá o que o governante pretende em sua gestão. M. Diogo de Figueiredo .ufsc. Jean. MIRANDA. jornal "O Globo".11. Direitos humanos e Avaliação. Direito Administrativo Brasileiro. Texto apresentado no Seminário "Aids Quo Vadis":Tendências e Perspectivas da Epidemia no Rio Grande do Sul . obtém informações referente ao governo de uma forma bastante fácil. A. e para que obtenha sucesso. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira. ed. 17. Demócrito. MELLO. Ano 6. dinamizando e respeitando a inteligência de todos os que dela participam. vemos que muitas dessas mudanças esperadas. pois é através dele. porem fica mais fácil que ele possa cobrar tais atitudes. Hely Lopes. VALLS.ccj.http://pt. Pegoraro. em 15/5/2001. e precisa ser capaz de produzir com melhor qualidade os resultados esperados pelos cidadãos acionistas. São Paulo:Malheiros. Ética na Contemporaneidade.1999. SADER. O Princípio da Moralidade Pública e o Direito Tributário.2001. Moralidade Administrativa. Adolfo Sánchez. 1994. Coord.06.org. Celso Antônio Bandeira de. site http://www. 14. Questões sobre a Hierarquia entre as Normas Constitucionais na Constituição de 1988. UFRGS/Secretaria Municipal da Saúde de Porto Alegre. ___________. In: Revista da Escola Superior de Magistratura do Estado de Pernambuco . alem de tornar-se clara e definida. ROCHA. 20 ed. Chaves de. 1996. colaborando também para sua maior eficiência. 2. OSÓRIO. 1994. 1997. nº 4. LADRIÈRE. este plano é elaborado com ajuda do IMAP – órgão responsável pela Administração Pública de Curitiba . IV Módulo: Ética. 2ª Ed. Opinião. RS: Passo Fundo. participação e competência. São Paulo : Malheiros. A corrupção e morte da cidadania. VÁZQUEZ. é necessário também a participação ativa do cidadão.1993. 1992./jun.vendo também o cidadão como um cliente. Discricionariedade e controle jurisdicional.190. Com a implantação da Nova administração pública. Emir.. Os princípios da moralidade e da publicidade na Administração Pública . Recife: Vol. In: Revista de Direito Administrativo . WEIDA ZANCANER.2000. Ética e pensamento científico: abordagem filosófica da problemática bioética . site ® BuscaLegis.. deve ser concebido como um direito. c. de João Dell’Anna. já estão sendo desenvolvidas. pois precisa aprender a ter uma comunicação mais eficiente. Nota-se também a necessidade de um plano de governo. consistente e real.7. com maior mobilização.ccj. 1995.e esta disponibilizado no site da prefeitura) . de Hilton Japiassu. Trad. REINALDO. digamos assim. alem de conseguir obter uma integração de todas decisões. Quatro Teses sobre o Neoliberalismo .ufsc. SADER Emir. Economia da corrupção.

quando não exige a criação de cargos nem aumenta a despesa pública.a organização do Estado é a matéria constitucional no que concerne à divisão política do território nacional. Essa Organização faz-se normalmente por lei. a sua base física. Elementos e Poderes de estado Conceito de Estado – Na conceituação do código civil. Poderes de Estado – Os poderes de Estado. Conceitos. os Poderes e Deveres do Administrador Público. Governo soberano. fundacionais. empresariais e paraestatais constitui a Administração Pública em sentido instrumental amplo. e excepcionalmente por decreto e normas inferiores. pois a teoria da dupla personalidade do direito acha-se definitivamente superada. Administração pública A estrutura administrativa Compreende em geral sua estrutura e as suas atividades. As demais pessoas jurídicas instituídas ou autorizadas a se constituírem por lei ou são autarquias. ou seja. aos direitos e garantias dos governados.membros. Organização da Administração – é a estruturação legal das entidades e órgãos que irão desempenhar as funções. Governo e Administração . com autonomia política reconhecida pela constituição da República. Cada um desses poderes tem uma função que lhes são atribuídas: função do poder Legislativo é a elaboração das leis (função normativa). e por fim.membros. na clássica tripartição de Montesquieu.organização emanada do povo. como ente personalizado. Elementos do Estado – O Estado é constituído de três elementos originários e indissociáveis: Povo. através de agentes públicos (pessoas físicas). parte do conceito de Estado. ou são fundações. ou são entidades paraestatais. Executivo e Judiciário. são o Legislativo. A Federação compreende a União. que detém e exerce o poder absoluto de autodeterminação e auto. O Distrito Federal e os Municípios. ao modo de investidura dos governantes. ou seja. a Administração centralizada e a descentralizada. à forma de Governo.Administração Pública Introdução Este texto tem como objetivo. que também são entidades estatais. Organização do Estado e da Administração Organização do Estado . ou são empresas governamentais. independentes e harmônicos entre si e com suas funções reciprocamente indelegáveis. é a pessoa jurídica de Direito Público interno. Esse conjunto de entidades. O governo é a resultante da interação dos três Poderes de Estado . e a função do poder judiciário é a aplicação coativa da lei aos litigantes (função judicial). embora em menor grau que a dos Estados. do poder Executivo é a conversão da lei em ato individual e concreto (função administrativa). O estado Juridicamente organizado e obediente às suas próprias leis.Legislativo. o elemento condutor do estado. sua Atividade Administrativa. Esse é o Estado de Direito. os Estados. mantendo sempre sua única personalidade de direito publico. esclarecer de forma resumida Administração Pública : falando sobre a sua Estrutura Administrativa. Povo é o componente humano do Estado. Território. autarquias. Território e Governo soberano. concepção moderna de organização e funcionamento dos serviços públicos a serem prestados aos administradores. à estruturação dos Poderes. o Estado tanto pode atenuar no campo do direito Publico como no Direito Privado. como a administração o é de todos os órgãos desses poderes. até hoje adotada nos Estados de Direito. o Uso e o Abuso do Poder. o Executivo e o Judiciário.

dotados de vontade e capazes de exercer direitos e contrair obrigações para a consecução de seus fins institucionais. instituídas sob a forma de sociedade de economia mista ou empresa pública. de fixação de objetivos do Estado e de manutenção da ordem jurídica vigente. de natureza meramente administrativa. Entidades empresariais . são autorizadas a prestar serviços ou realizar atividades de interesse coletivo ou público. Na verdade. através de seus agentes. para a realização de atividades. e com sujeição ao ordenamento jurídico vigente (Duez). obras ou serviços descentralizados da entidade estatal que as criou. devendo a lei definir as respectivas áreas de atuação. em alguns casos. tais como os procuradores judiciais e administrativos e. com maior ou menor autonomia funcional. de iniciativa. Administração Pública – administração é a atividade funcional concreta do Estado que satisfaz as necessidades coletivas em forma direta . o próprio Chefe do Executivo. autárquicas. Portanto a imputação da atividade funcional . mas não exclusivos do Estado. Cada órgão. Podemos dizer entoa que o Governo e a Administração são. Entidades Políticas e Administrativas Entidade é pessoa jurídica. tais como a União. atuam por intermédio de suas entidades (pessoas jurídicas). continua e permanente. Na organização política e administrativa brasileira as entidades classificam-se em estatais. mas é distinto desses elementos. quando infringidas por outro órgão. Entidades autárquicas . o Governo ora se identifica com os Poderes e órgãos supremos do Estado. pelos menos. empresariais e paraestatais. a despeito de não terem personalidade jurídica. admitem defesa até mesmo por mandado de segurança. substituídos ou retirados sem supressão da unidade orgânica. de seus órgãos (centros de decisão) e de seus agentes (pessoas físicas investidas em cargos e funções). como centro de competência governamental ou administrativa. através de seus agentes. XIX do art. Os órgãos integram a estrutura do Estado e das demais pessoas jurídicas como partes desses corpos vivos. cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a que pertencem. criadas por lei específica. por lei. A administração não pratica atos de governo. A representação da entidade é feita pelos agentes (pessoas físicas). com a finalidade de prestar serviço público que possa ser explorado no modo empresarial.somente. na nova redação dada pela EC 19/98. cargos e agentes. segundo a competência do órgão e de seus agentes. esses atos são os chamados atos administrativos. Entidades estatais . tão. São unidades de ação com atribuições específicas na organização estatal. atos de execução . ou de exercer atividade econômica de relevante interesse coletivo. na forma legal ou regulamentar. não acarreta a extinção do órgão. E.Governo – governo é toda atividade exercida pelos representantes do poder (Aderson Menezes). os Municípios e o Distrito Federal. os órgãos podem ter prerrogativas funcionais próprias que. como criações abstratas da Constituição e das leis. O governo atua mediante atos de Soberania ou. órgão é elemento despersonalizado incumbido da realização das atividades da entidade a que pertence. Órgãos e Agentes Públicos Órgãos públicos: são centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais.são pessoas jurídicas de Direito Privado que. A constante. os órgãos mantêm relações funcionais entre si e com terceiros. tem necessariamente funções.são pessoas jurídicas de Direito Público que integram a estrutura constitucional do Estado e têm poderes políticos e administrativos. pública ou privada. ou a vacância dos cargos. Funcionam e operam na forma estabelecida na lei instituidora e nos termos de seu regulamento. ou a mudança de seus titulares.são pessoas jurídicas de Direito Privado. que podem ser modificados. ora se apresenta nas funções originarias desses Poderes e órgãos como manifestação da Soberania . do governo é a sua expressão política de comando. os Estados-membros. porém. 37 da CF. Entidades fundacionais -são pessoas jurídicas de Direito Público ou pessoas jurídicas de Direito Privado. conforme o inc. de autonomia política na condução dos negócios públicos. Entidades paraestatais . Embora despersonalizados.são pessoas jurídicas de Direito Público. fundacionais. das quais resultam efeitos jurídicos internos e externos. Isto explica por que a alteração de funções.

recebimento. proporcionalidade.mas excepcionalmente podem exercer funções sem cargos. que é à vontade do Estado. publicidade. agentes honoríficos. Agentes Públicos – São todas as pessoas físicas incumbidas. Na administração pública as ordens e instruções estão concretizadas nas leis regulamentos e atos especiais. impessoalidade ou finalidade. No desempenho de um encargo administrativo o agente não tem liberdade para escolher outro objetivo. segurança jurídica. executa-se uma administração particular. Existem instituições e empresas particulares que colaboram com o Estado no melhor desempenho de serviços de utilidade coletiva: Administração centralizada (entidades estatais) e a descentralizadas (entidades autárquicas). Portanto os fins da administração são as defesas do interesse público. agentes delegados e agentes credenciados. mas no geral os termos administrados e administração é a conservação de bens e interesses. função. só leva a título desse cargo. se um agente ultrapassar esse limite é chamado excesso de poder.cargo e agente. contraditório. agentes administrativos. Toda função é atribuída a uma pessoa mais também delimitada Poe eles com norma legal. cargos e agentes. moralidade. . a vontade psíquica do agente (pessoa física) expressa a vontade do órgão. pode ser compelida judicialmente a respeitálos. do Governo e da Administração. definitiva ou transitoriamente. segundo a lei. conservação e aprimoramento dos bens. Fins – Tem um único objetivo: o bem comum da coletividade administrada. Ato de império – é tudo o que contém uma ordem ou decisão da administração para o administrador. do exercício de alguma função estatal normalmente desempenham funções do órgão. órgão. competência. A Atividade Administrativa Administrar é gerir interesses. motivação e supremacia de interesses publicas. Por sua vez. fundacionais e empresariais e os entes de cooperação (entidades paraestatais) juridicamente administrar indica a atividade daquele que gera interesses alheios. Cargos – São lugares criados no órgão para serem ocupados por pessoas que forem exercer sua função de forma legal. Funções – São encargos atribuídos a órgãos. Algum ato realizado sem interesse público configura desvio de finalidade. Quando o agente ultrapassa a competência do órgão surge a sua responsabilidade pessoal perante a entidade. Se esse objetivo é desviado ele trai o mandato que é investido. distribuídas entre os cargos de que são titulares. Ato de Gestão – é todo aquele que ordena a conduta interna da administração e de seus servidores. Impõe-se ao administrador público a obrigação de cumprir fielmente os preceitos do direito e da moral administrativa que regem a sua atuação. ampla defesa. que é gestão de assuntos e bens da comunidade no âmbito federal. Agentes Públicos – São divididos em 5 espécies: agentes políticos. Sendo assim.do órgão à pessoa jurídica com a representação desta perante a Justiça ou terceiros: a imputação é da atuação do órgão à entidade a que ele pertence. a moral e a finalidade dos bens entregues ao administrador. e expedição de papéis . destinados ao melhor desempenho das funções estatais. a representação é perante terceiros ou em juízo. Um cargo integra um órgão. não pode deixar de cumprir seus deveres impostos por lei. como também. Estrutura e organização do Estado e da Administração é dividida então em poder. se são de uma coletividade executa-se uma administração pública. dentro da moral da instituição. Se forem bens individuais. os órgãos do Estado são o próprio Estado compartimentado em centros de competência. quando esta desconsidera direitos do titular do órgão. o que forma a competência do órgão. Ato de expediente – é todo aquele de preparo e movimentação de processos. Natureza e fins da Administração Natureza – É quem exerce um encargo de defesa. por certos agentes. já um agente. eficiência razoabilidade. Princípios básicos da administração A administração pública tem doze regras que devem ser observadas permanentemente: legalidade.

em toda sua atividade funcional. deve. pressuposto de validade de todo ato da Administração Pública.Esse princípio exige que a atividade administrativa seja exercida com presteza. Eficiência . perfeição e rendimento funcional. rádio. ou os demais jornais contratados para essas publicações oficiais. Impessoalidade ou finalidade .É o clássico princípio da finalidade. além de assegurar seus efeitos externos. não só deixam de produzir seus regulares efeitos. cabe ao Diário Oficial das entidades públicas. através dos meios constitucionais.Consiste na divulgação oficial de todo ato administrativo. ou televisão. ou seja. restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". porque pública é a Administração que o realiza. investigações policiais. O ato administrativo não deverá obedecer somente à lei jurídica. Esse princípio também deve ser entendido para excluir a promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos sobre suas realizações administrativas. só se admitindo sigilo nos casos de segurança nacional. significa a observância dos princípios administrativos. Essa publicação oficial dos atos administrativos. mas também à lei ética da própria instituição. O princípio da publicidade dos atos e contratos administrativos. distinguir o Bem do Mal. de não prejudicar outrem e de dar a cada um o que lhe pertence. Esse princípio tem como objetivo o interesse público. não é divulgada através de imprensa particular. evitar que a Administração Pública cometa restrições desnecessárias ou abusivas. mas também de propiciação de conhecimento da conduta interna de seus agentes. como se expõem a invalidação por falta desse requisito de eficácia e moralidade. pelo conjunto das regras finais e disciplinares suscitadas não só pela distinção entre o Bem e o Mal. Em princípio todo ato administrativo deve ser publicado. o ato do administrador público deve conformar-se com a moralidade e a finalidade administrativas para dar plena legitimidade à sua atuação. cerne da razoabilidade. A moralidade administrativa é consagrada pela justiça como necessária à validade da conduta do Administrador Público. A publicidade. hoje em dia. como princípio de Administração Pública. como ser humano dotado da capacidade de atuar. É vedada também a promoção pessoal de agentes ou autoridades públicas.Legalidade – O administrador público está. Segurança Jurídica . O agente administrativo. para obtenção de resultados positivos para o serviço público e satisfatório atendimento das necessidades da comunidade e de seus membros. A ele está visceralmente ligada a exigência de maior estabilidade das situações jurídicas. o honesto do desonesto. com lesão aos direitos fundamentais. mesmo daquelas que na . e veda "imposição de obrigações.Entendido como princípio da boa-fé dos administrados ou da proteção da confiança. visa propiciar seu conhecimento e controle pelos interessados diretos e pelo povoem geral. ou seja. além de traduzir a vontade de obter o máximo de eficiência administrativa. A moralidade administrativa não deve ser confundida com moralidade comum. A atividade dos administradores. O princípio da finalidade veda a prática de ato administrativo sem interesse público ou conveniência para a Administração.Este princípio é conhecido como o princípio da proibição de excesso. Moralidade . não só sob o aspecto de divulgação oficial de seus atos. terá ainda de corresponder à vontade constante de viver honestamente. mas também pela idéia geral da administração e pela idéia de função administrativa. A lei determina que nos processos administrativos o a observância do critério de "adequação entre os meios e fins".moralidade administrativa constitui. Os atos administrativos que omitirem ou desatenderem à publicidade necessária. sujeito a qualquer mandamento da lei e as exigências do bem comum. necessariamente. Além de atender a legalidade. para conhecimento do público e início de seus efeitos externos. ou seja. abrange toda atuação estatal. o qual impõe ao Administrador Público que só pratique o ato para o seu fim legal. etc. Razoabilidade e proporcionalidade . Publicidade . traduzindo aí o núcleo da noção da proporcionalidade. ela é composta por regras de boa administração.

porém sem prejuízo da ação penal cabível. O poder administrativo é atribuído a autoridade para remover interesses particulares que se opõem ao interesse público.não tem eficácia administrativa. considerando não só a produtividade como a adequação técnica exigida pela administração econômica e técnica. Ampla defesa e contraditório – De acordo com a Lei 9. A segurança jurídica é geralmente caracterizada como uma das vigas mestras do Estado de Direito.origem apresentam vícios de ilegalidade. não terá carta branca para arbítrios. seus programas. investidos de competência decisória passam a ser autoridades com poderes e deveres específicos do cargo ou da função. Os poderes e deveres do administrador público São os encargos daqueles que geram bens e interesses da comunidade. Sem esses requisitos o ato administrativo expõe-se a nulidade. No Direito administrativo a motivação – deverá constituir norma. no art. desenvolvida e aperfeiçoada através de seleção e treinamento. Seus desejos. Esses deveres e poderes são expressos pela a lei e exigidos pela coletividade. È a legalidade a pedra de toque de todo ato administrativo. Todos os atos do governo e da administração estão acentuados na gestão financeira para usufruir nosso Direito Positivo e chegar-se a uma conclusão. Não é a chancela da autoridade que valida o ato e o torna respeitável e obrigatório. Dentro deste tópico esta incluso três deveres como veremos abaixo: • • Dever de Eficiência: "dever de boa administração". ao lado da legalidade. Quando este é surgido a lei analisa através do processo jurisdicional antepondo o ato face a face. nem validade jurídica. Esses gestores da coisa pública. suas ambições. No Direito Público o que há de menos relevante é a vontade do administrador. É assim. 2º assegura em processo contraditório e ampla defesa com meios de recursos a ela inerentes. Quando o ato é desonesto o administrador público ficará suspenso dos seus diretos políticos. o agente tem o dever de agir com a comunidade para seus interesses deixando de praticar o seu dever funcional. Motivação – O principio da motivação dos atos administrativos. após a Constituição Federal de 1988. Interesse público ou supremacia do interesse público – Neste caso entra em nome do interesse público. está inserido no nosso regime político. como porque toda autoridade pó poder em um sistema de governo representativo deve explicar legalmente. leis e regulamentos recentes multiplicam os casos em que os funcionários devem expor os motivos que determinaram. suas decisões (Bielsa). • O Uso e abuso do poder A Administração Pública deve obediência à Lei em todas as suas manifestações. um dos subprincípios do próprio conceito de estado de Direito. O poder administrativo dado à autoridade pública tem limites certos e forma legal de utilização.dever de agir Neste caso.784/99 coloca em destaque o interesse pela busca geral. tem a perda de sua função com a indisponibilidade dos bens e ressarcimento ao Erário. A Lei 9. Nos Estados modernos já não existe a autoridade pessoal do governante. violências. uma exigência do Direito público governamental. se não a autoridade impessoal da lei. Para ter certeza que de que os agentes públicos exercem a sua função movida apenas por motivos de interesse públicos da esfera de sua competência.784/99. O administrativo tem obrigação de atuar em beneficio da comunidade para praticar sua competência legal. Ao lado deste dever está complementando o dever de prestar contas descritas no tópico abaixo. o poder de agir se converte no dever de agir. . ou juridicamente. Nesta razão a administração não pode renunciar a poderes que a lei deu para a tutela. Dever de prestar contas: Com a orientação dos Tribunais o administrador deve ter gestão sua administrativa ligada aos bens e interesses da coletividade assumindo o encargo com a comunidade. Dever de probidade: "dever de caráter integro e honrado" . seus atos. A constituição é qualificada e limitada com contraditório e a ampla defesa mesmo que surja um conflito de interesse. Poder. considerando como elemento necessário os atos do administrador público. mesmo porque ela não é titular do interesse público. É ela. perseguições ou favoritismo governamentais. se não estiverem alicerçados no Direito e na lei. não só por razões de boa administração.

assim nesta não há discriminação para que todos sejam iguais diante da lei.O uso do poder é seguido pelo o uso da autoridade. Hely Lopes. Cap. fixando competências e capacitando agentes para que a comunidade esteja satisfeita com a prestação de serviços. Omissão da administração – Pode ser representada por aprovação ou rejeição da pretensão do administrador. o abuso do poder ocorre a autoridade competente ultrapassa os limites suas atribuições e desvia de suas finalidades administrativas. Abusar deste é emprega-lo fora da lei. para arrogar-se poderes que não são atribuídos legalmente. O ato praticado com desvio de finalidade é consumado as escondidas ou apresenta disfarçado sob o capuz da legalidade e do interesse público. estabelecendo a relação de subordinação. Características A Administração Pública. Este é um ato ilícito sendo que o uso do poder é lícito. Assim o administrador público deve expressar o seu encargo para que gere interesse para a comunidade. . preordenado à realização de seus serviços. II Administração Pública. como todas as organizações administrativas. e tenha uma estruturação de forma legal. ou seja. com o dever de ordenar o poder público de forma eficiente. A forma do Governo molda a organização para que nossa Federação compreende-se em uma União. distribuindo funções. porém ele tem que ser usado sem o abuso do ato administrativo. justificando e sistematizando o ato do Direito Administrativo. é baseada numa estrutura hierarquizada com graduação de autoridade. correspondente às diversas categorias funcionais. assim se deve entender menos pela omissão administrativa do que pela determinação legal do efeito do silêncio. o silêncio importa a aprovação ou denegação do pedido do postulante. ordenadas pelo poder Executivo de forma que distribua e escalone as funções de seus órgãos e agentes. sendo honesto em sua legislação administrativa e ordenando uma gestão de bens e interesses alheios. praticando o ato por motivos ou fins diversos. Administração Pública Conceito Administração Pública é todo o aparelhamento do Estado. Excesso de Poder – Ocorre quando a autoridade pratica o ato e vai além do permitido. exercer a vontade com o objetivo de obter um resultado útil. visando a satisfação das necessidades coletivas. A partir daqui a Administração impõe regras jurídicas utilizando disciplinas para que haja interesses coletivos. governar. Administrar é gerir os serviços públicos. sem utilidade pública. constituída em divisão política do território nacional. como também. Quando a norma estabelece que o prazo foi ultrapassado. objetivados pela lei ou exigidos pelo interesse público. Ela coloca diante de todos que os direitos e deveres são iguais para todos. 27º ed. Dentre estes estão destacados o excesso de poder e desvio de finalidade que estão descritos abaixo. Bibliografia MEIRELLES. Conclusão A Administração Pública é a base de toda a organização do Estado. dirigir. Desvio de Finalidade – Verifica quando a autoridade atua nos limites de sua competência. Entretanto é que o administrado jamais perderá seu direito subjetivo enquanto pendurar a omissão da administração no pronunciamento que lhe compete. Malheiros Editores. Esta conduta abusiva do excesso de poder tanto se caracteriza pelo descumprimento frontal da lei quando a autoridade age claramente com competência e também contornando dissimuladamente as limitações da lei. significa não só prestar serviço executá-lo. Direito Administrativo Brasileiro.

que. Paraestatais O significado da palavra paraestatal indica que se trata de ente disposto paralelamente ao Estado. ao lado do Estado. geralmente. portanto esta é privativa na função executiva. que. organização adequada. Estruturação O campo de atuação da Administração Pública. e como se sabe. à autarquia só deve ser outorgado serviço público típico e não atividades industriais ou econômicas. e do Gabinete do Governador e secretarias de Estado. para executar atividades de interesse do Estado. para outra entidade por ele criada ou cuja criação é por ele autorizada. não usufrui privilégios estatais. no âmbito estadual. na administração municipal. conseqüentemente. o desempenho da atividade pública é exercido de forma descentralizada. autonomia de gestão e pessoal técnico especializado. por outras pessoas jurídicas de direito público ou privado. proporcionarão ao Estado a satisfação de seus fins administrativos. no âmbito federal. Na administração indireta ou descentralizada. A entidade paraestatal é de caráter quase público. reconhecidos ou organizados pelo Estado e entregues a uma administração privada.Como a Administração pública é fundamentada numa estrutura de poder. À autarquia. b) Administração Indireta ou descentralizada A administração indireta ou descentralizada é aquela atividade administrativa caracterizada como serviço público ou de interesse público. Por essa razão. compreende os órgãos da administração Direta ou Centralizada e os da Administração Indireta ou Descentralizada. portanto. mas ao privativo do Estado. que é a relação de subordinação entre órgãos agentes com distribuição de funções e graduação de autoridade de cada um. ainda que de interesse coletivo. deve seguir estrutura semelhante. se não é desdobramento do Estado. no caso. através da personificação de um serviço retirado da administração centralizada e. são indicados serviços que requeiram maior especialização e. salvo quando concedidos expressamente em lei. conforme delineado pela organização da execução dos serviços. e. Fundações . côo elemento típico da organização e ordenação dos serviços administrativos. transferida ou deslocada do Estado. a) Administração Direta ou Centralizada A administração direta ou centralizada é constituída dos serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da república e dos ministérios. Tipos de Entidades • • • • • Autarquias Entidades Paraestatais Empresas Públicas Fundações Serviços Sociais Autônomos Serviços Autarquia Autarquia é a forma de descentralização administrativa. no poder judiciário e no poder legislativo não há hierarquia. pois não exerce serviços de interesse público.

Os Serviços Sociais Autônomos são entes paraestatais. Em seguida relacionamos alguns exemplos de entidades de cooperação. ensino. assistência social etc. e em virtude do interesse coletivo dos serviços que prestam. com personalidade de direito privado. escritura pública e estatuto registrado e inscrito no Registro Civil das Pessoas Jurídicas. sob o amparo e controle permanente do Estado. com finalidade específica de assistência ou ensino a certas categorias sociais ou determinadas categorias profissionais. compreendidos entre os Serviços Sociais Autônomos: • • • • • • SESI . criação autorizada por lei.Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAC . e sua forma de instituição particular pode ser Fundação.Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas Associações das Pioneiras Sociais . Embora entidades paraestatais. através de dotações orçamentárias ou contribuições parafiscais.. Serviços Sociais Autônomos Serviços Sociais Autônomos são aqueles autorizados por lei. com patrimônio próprio.Serviço Social da Indústria SESC . os Serviços Sociais Autônomos não fazem parte integrante da Administração Indireta ou Descentralizada. com patrimônio próprio e administração particular.As fundações instituídas pelo poder público são entidades dotadas de personalidade lúdica de direito privado. Sociedade Civil ou Associação.Serviço Social do Comércio SENAI . mas trabalham para o Estado. sem fins lucrativos. o poder público as autoriza e as ampara. geralmente de educação. de cooperação com o poder pública. para sua manutenção.Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SEBRAE . com objetivos e interesse coletivo. com a personificação de bens públicos. oficializadas pelo Estado. pesquisa.

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