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Reforma Protestante e Contrarreforma Católica

Reforma Protestante e Contrarreforma Católica

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Publicado porJuliana Rodrigues
Apenas um resumo sobre a Reforma Protestante ocorrida na Europa no século XVI, a Reforma Luterana, a Reforma Calvinista, a Reforma Anglicana e a Contrarreforma Católica. Retirado do livro "História - das cavernas ao terceiro milênio" da editora Moderna, ano de 2006.
Apenas um resumo sobre a Reforma Protestante ocorrida na Europa no século XVI, a Reforma Luterana, a Reforma Calvinista, a Reforma Anglicana e a Contrarreforma Católica. Retirado do livro "História - das cavernas ao terceiro milênio" da editora Moderna, ano de 2006.

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Published by: Juliana Rodrigues on Jun 16, 2009
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REFORMA PROTESTANTE E REFORMA CATÓLICA

(Reformas Luterana, Calvinista Católica) e Anglicana e a Reforma
Na Baixa Idade Média, intensas transformações ocorreram em boa parte da Europa. É importante destacar a evolução intelectual e artística, o crescimento das cidades, o enriquecimento da burguesia, bem como o desenvolvimento do comércio, do artesanato e de outras ocupações profissionais e as mudanças ocorridas no modo de pensar de uma camada da sociedade. O registro da formação de vários movimentos e grupos religiosos demonstra que as mudanças também atingiram o terreno da fé. O principal deles foi a Reforma Protestante, movimento que representou uma ruptura na estrutura religiosa existente na Europa no século XVI e abriu o caminho de outras vertentes no cristianismo. A Reforma Protestante pode-se dizer que foi um movimento ou até mesmo uma revolução religiosa, onde o poder total da igreja foi questionado, desafiado. Será que tudo que era dito pela igreja era verdadeiro? Deveria ser seguido cegamente, sem perguntas? Essa situação ocorreu durante o séc. XVI, onde novas religiões surgiram. O cristianismo começa a sofrer divisões. Esse aparecimento de novas religiões abalou a supremacia política e espiritual da igreja católica e a autoridade do papa, por isso o termo “reforma”, ou seja, o surgimento de novas religiões. A reforma não passou despercebida pela Igreja Católica. A reação católica à reforma foi chamada de contrarreforma (Reforma Católica). Essas crises marcaram também a passagem do feudalismo para o capitalismo. Quando o Império Romano acabou, a igreja assumiu o papel público na educação, justiça e economia. Com todas essas funções, seria lógico que nem todos concordariam com a união estado e igreja. A reforma, na verdade, serviu para ajustar a sociedade ao modelo capitalista, moldá-la aos novos ideais e valores, além das transformações econômicas na Europa. O surgimento de ideias divergentes daquelas ensinadas pela Igreja Católica, no século XVI, deve ser entendido no conjunto das transformações ocorridas na Europa, na Baixa Idade Média. A partir do século XI, a expansão do comércio permitiu a diversificação das atividades econômicas, a expansão das cidades e o enriquecimento dos mercadores. A fidelidade antes devotada ao senhor feudal, com o tempo passou a pertencer ao rei, à medida que os Estados nacionais foram se formando. O Renascimento contou com pensadores que não pouparam a Igreja Católica. Entre as críticas ao clero estavam: despreparo intelectual, imoralidade, abuso de poder, isenção do pagamento de impostos, simonia e a venda de indulgências.

O clero não constituía um grupo homogêneo: os originários da nobreza formavam o alto clero e levavam uma vida luxuosa. O baixo clero, composto por indivíduos de famílias pobres e sem prestígio, sobrevivia à custa de atividades paralelas à paróquia, como tabernas ou casas de jogos. Alguns padres alfabetizados trabalhavam na administração dos negócios da Igreja, nos albergues e nas bibliotecas dos mosteiros. No século XIV, a Igreja Católica enfrentou as críticas difundidas por John Wycliff na Inglaterra e Johann Huss na Boêmia. Wycliff condenava a venda de indulgências e defendia a autoridade das Escrituras Sagradas (Bíblia). Huss pregava a livre interpretação da Bíblia pelos cristãos, além de também condenar a venda de indulgências e o luxo excessivo em que vivia o alto clero. Ambos foram mortos na fogueira da Inquisição. Os burgueses também tiveram papel de destaque nas mudanças ocorridas na Europa naquele período. Mais do que qualquer outro grupo, eles incorporaram o novo modelo de pensar, agir e trabalhar, uma vez que a mentalidade até então condenava justamente as atividades econômicas praticadas por comerciantes, banqueiros e artesãos, cujo objetivo era o lucro. Do ponto de vista dos ensinamentos católicos, que condenavam o lucro e a usura, tais pessoas estavam em pecado. Para a burguesia, então, era interessante uma religião que apoiasse o trabalho lucrativo. Dentro do próprio clero começaram a surgir discordâncias em relação à Igreja Católica. Entre os religiosos que passaram a questionar a prática e a doutrina da Igreja Católica, destacou-se Martinho Lutero (1483-1546). O movimento conhecido como Reforma Protestante teve inicio no território que hoje corresponde à Alemanha, que na época fazia parte do Sacro Império RomanoGermânico. Diferentemente de outras áreas da Europa, o Sacro Império não estava centralizado nas mãos de um rei; seu território compunha-se de cerca de 300 Estados e cada um deles era governado por um príncipe. Naquele período, o papa era o único que tinha poder sobre todo o território, pois grande parte das terras pertencia ao clero, que as arrendava para os nobres. Assim como os camponeses, os nobres eram obrigados a pagar o dízimo e doar parte da produção agrícola para o clero. Os altos impostos cobrados enriqueceram a Igreja. Este era o contexto em que se situava Martinho Lutero, monge agostiniano que dava aulas de Teologia na Universidade de Wittenberg. Lutero combatia severamente a ideia de que a salvação é alcançada pelas boas ações e pela compra de indulgências. Discordando dos dogmas da Igreja, ele questionava qual seria o verdadeiro caminho para a salvação. Após longo período de pesquisa e estudos, Lutero encontrou respostas às suas indagações sobre a salvação nos textos de Santo Agostinho. Para este pensador, o paraíso só pode ser alcançado pela fé em Deus. Tal conclusão tornou-se o centro da futura Teologia de Lutero.

Em 1517, o Papa Leão X, desejando terminar a construção da Basílica de São Pedro, em Roma, determinou que fosse negociada uma grande quantidade de indulgências com a finalidade de arrecadar fundos. Inconformado com essa decisão, Lutero afixou à porta da Igreja de Wittenberg um documento que ficou conhecido como “95 Teses”, onde havia uma série de declarações combatendo a venda de indulgências. Por causa deste documento, o Papa Leão X enviou uma carta a Lutero exigindo que ele se desculpasse, sob pena de ser excomungado e condenado ao inferno. A reação do monge foi queimar, em praça pública, a carta recebida. Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, apoiou o papa e ordenou a prisão de Lutero. Acolhido por parte da nobreza, Lutero refugiou-se no castelo do príncipe Frederico, da Saxônia. A partir daí, dedicou-se à tradução da Bíblia para o alemão e à formulação dos princípios religiosos da nova igreja: - A Bíblia como única fonte da verdade divina e o livre acesso das pessoas ao texto sagrado. De acordo com a Igreja católica, a Bíblia só poderia ser lida e interpretada pelos membros do clero. - Fim da hierarquia eclesiástica e do celibato clerical - Uso dos idiomas locais na celebração de cerimônias religiosas - Abolição de cinco dos sete sacramentos da Igreja, sendo mantidos apenas o batismo e a eucaristia. As ideias luteranas tiveram ampla aceitação nos Estados alemães, interessados em consolidar seu poder e livrar-se do domínio do papa. Além disso elas influenciaram outros movimentos reformistas na Europa. O teólogo francês João Calvino desenvolveu suas ideias religiosas em Genebra, na Suíça. Embora Calvino tenha sido fortemente influenciado pelas ideias de Lutero, ele foi ale: enquanto Lutero manteve traços da Igreja Católica, Calvino eliminou qualquer vestígio deles. A teologia de Calvino, sistematizada em cinco pontos principais, ficou conhecida como “Os cinco pontos do calvinismo”. O ponto principal da doutrina calvinista era a ideia da predestinação. Para ele, Deus, desde sempre, já tinha escolhido os indivíduos que seriam salvos, condenando os demais à perdição eterna. Segundo Calvino, havia sinais que indicavam os escolhidos de Deus: indivíduos de conduta correta e bem-sucedidos na família e no trabalho. O lucro e o sucesso material eram resultados do trabalho e indicavam a bênção de Deus. Ao santificar o trabalho lucrativo, o calvinismo conquistou o apoio da burguesia. Por essa razão, foi a doutrina cristã que mais se difundiu no norte da Europa, onde o comércio e a atividade financeira dominavam.

Igrejas de orientação calvinista surgiram na Escócia, na França e nos Países Baixos. Na França, os calvinistas foram chamados de huguenotes; nos Países Baixos, protestantes; na Escócia, presbiterianos e na Inglaterra, puritanos. A Reforma Anglicana, ocorrida na Inglaterra, contou com a participação direta de seu monarca, Henrique VIII, que rompeu com a igreja por motivos pessoais. Ele queria se divorciar de Catarina de Aragão para casar-se com Ana Bolena. O motivo da separação: ele queria ter um herdeiro para o trono inglês. O papa negou a anulação do casamento, porque Catarina era aparentada de Carlos V, logo, o papa não queria ter problemas com Carlos, que era seu aliado. Por isso, Henrique VIII rompeu com a Igreja. Publicou pelo Parlamento o Ato de Supremacia. Esse documento o fazia chefe da igreja, que logo mais ficou conhecida como Anglicana. O papa o excomungou, e ele como rei, confiscou os bens da igreja católica na Inglaterra. Suas reformas só terminaram com Elizabeth I, sua filha com Ana Bolena. A Igreja reagiu à divisão gerada pelo movimento protestante iniciando a Reforma Católica (Contrarreforma). Em parte, o objetivo da iniciativa era renovar a estrutura interna da Igreja, combatendo a corrupção e os abusos cometidos por seus membros. Por outro lado, o movimento católico visava conter o avanço do protestantismo e reafirmar os dogmas da Igreja. A nova orientação da Igreja foi elaborada no Concílio de Trento, assembléia de bispos que se reuniu de 1545 a 1563. As principais resoluções tomadas no concílio foram: - Reorganizar o Tribunal do Santo Ofício, órgão encarregado de julgar e punir os suspeitos de práticas religiosas contrárias à fé católica - Manter os dogmas da Igreja, os sete sacramentos, a hierarquia do clero e o celibato clerical - Condenar a corrupção interna e estabelecer um controle sobre a venda de indulgências - Determinar a criação de seminários de Teologia, para melhorar a formação do clero - Criar o Index Librorum Proibitorum, uma lista de livros proibidos para os católicos. Eram obras que contrariavam os ensinamentos da Igreja, como obras renascentistas e os livros de Lutero e Calvino. A reforma católica foi reforçada pela criação da Companhia de Jesus, ordem religiosa fundada pelo espanhol Inácio de Loyola em 1540. A Companhia de Jesus transformou-se em um verdadeiro “exército” em defesa da manutenção dos princípios católicos. Para alcançar tal objetivo, foram fundadas diversas escolas em várias partes

do mundo, inclusive no Brasil. Os jesuítas, como eram chamados, foram os responsáveis pela catequização dos índios e pela criação de escolas na América.

GLOSSÁRIO
• Simonia: venda de benefícios eclesiásticos e de objetos considerados sagrados, como pedaços de madeira supostamente retirados da cruz de Jesus Cristo, retalhos de mantos, fragmentos de ossos e outros. • Indulgência: concessão do perdão dos pecados mediante pagamento em dinheiro. • Inquisição: tribunal da Igreja Católica instituído no século XIII para descobrir e extirpar heresias. Os métodos da Inquisição, na sua forma medieval ou moderna, apoiavam-se na informação e na delação, valendo-se de auxiliares, já então

denominados “familiares do Santo Ofício”, que funcionavam como espiões ou como simples alcagüetes. Os condenados pela Inquisição eram queimados vivos; os que se arrependiam eram estrangulados diante da fogueira. • Usura: empréstimo de dinheiro mediante cobrança de juros. • Dogmas: ideologia ou conjunto de princípios que servem de base a um sistema religioso ou político.

FONTES DE PESQUISA
História – Das cavernas ao terceiro milênio. – São Paulo: Moderna, 2006. p. 108-114. http://www.juliobattisti.com.br/tutoriais/adrienearaujo/historia021.asp

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