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HARLES harles Watson é professor, mas iprovocador” definiria melhor seu papel. Desde 1979, mi nistra um curso sobre processo criativo, que ¢ oferecido regularmente na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Rio de Janeiro, e com o qual viaja o Brasil e 0 mundo, De acordo com o depoimento de ex-alunos, Charles tem 0 poder de “puxar do fundo da mente o potencial criativo adormecido” e “fazer ver arte em tudo 0 que enxergamos”, Por sua tutela, jé pas: saram artistas como Bestriz Milhazes e Adriana Varejao, entre muitos outros Em 1992, Charles criou o programa Dy- namic Encounters, que promove viagens a destinos nacionais e internacionais, verdddelras imersdes em arte © criagio. Os destinos sao os mais variados, desde Sao Paulo e Nova lorque até a Antartida f formado em Literatura e Artes pela Bath Academy of Art, na Inglaterra, ¢ tem como hobby a construgao de bar cos a vela. Charles recebeu a equipe da Dasartes em sua casa/oficina, no Rio de Janeiro, Ele pode ser contatado pelo e-mail 2@attglobal.net, wats: POR LIEGE GONZALEZ T S 0 N “Uma coisa é estar cheio de emocAo pra fazer uma poesia, outra é ler e acreditar que ela sobrevive em meio a outras poesias.” Tiss sna E possivel ensinar a criar? auao importante é 0 talento nato? Por que a seniic o erro na PE ela respondeu: B terrivel, toda vez que Existe algo parad fBivacho que deixei o ferro ligado..”._ ¢ uma espé¢ idadk 20 as Tsto tem carac as deumaso- coisas, certo’ acontece quandc ee eiativa, porque rocolve o problema, _temos muita facilidade para fazer algo? Histo de uma maneira inédita c ainda _Talvez nao valorizamas.. Biome surpresa, que, em geral, acom- Mais que isto, fazemos sem p' E criatividade sem reflexao nao existe jativos, Mas chai basta s Bode processo criativo ii osté modificando nenhuma i foi feito, pensar m valor. Uma coisa é es! emogao pra fazer uma poesia liso 0 canceito do pe e acreditar @ = iRszentmiialy, di outs ssias. Se ndo sot é culo, que e: x arte, é Voltando & pergunta, nac A pré-exist Esimbélica sobre 0 tem: fetiador mocific fuagem e, por ultimo esto, qui & pode Je algumaformaesta impedimentos qu itos elam 4 sua criatividade. Nac m capazes de reconhe esta estou dizendo que talento néo impor Mem queter um contoxto. Por tante, estou dizendo que sé vem a s¢ in langou a te mportante quand jutros fatore Piplatividade, dizem que s6 ués fisic vemos s¢ ir os talentosc jpram capazes de entende hhavia pelo menos trés; 0 dos, na Vocé é de origem britanica. Voo8 vé muita tiferenca cultural entre os brasileros € britanicos em relagao a criatividade? s-Bretanha, de jaro, O Brasil ea C maneira, metaforizam um excessive em subjetividade © outro dois pol opostos, noticidrio no Brasil, nfo se passam cinco minutos sem que se fale de emogao. Emo- do aqui, emogao ali, tudo ¢ emogao. B iciente, @ ai que deveria entrar a discipli Com os ingleses é contrério. A palavia ‘m nos didlogos entre ingleses & arassed (envergonhado). O inglés esta > wntusiasmo, entdo finge ind Nova lorque, convidamos 0 ai nglés Martin P Ele a ponto do perceber Um pintor que pintou a tornou obsolete? rnao. A questio ai ndo ja necessidadede imer- estamos aquém. ‘ngenuo, me jue um dia eu tVvoc8 vai mor- ‘onde chegar. eterna por molhorar, vira um doates artistas quo fa- zem uma tinica grande descoberta e ficam repetindo a vida toda. Nao existe cresci- mento sem desconforto, 6 exatamente ele que garante que est se vivendo um processo de transformacio Uttima porgunta: (ontrevistadora mostra yem do video Work # 547, do vencedor do prémio ‘Turner do Museu Tate, que mostra uma mulher usando uma fantasia de cachorro, defecando no chao). Por que isto é arte? Martin Creed ¢ um aitista que navega em uma érea cinzenta entre o fazer 0 © nao fazer, Todo o trabalho dele tem a ver com aspectos lidicos desta questo. Ele acredita quo, num mundo tepleto de co sas, adicionar mais uma pode ser um ato de redundancia. Quando a gente pensaa obra de um artista, 6 importante lembrar algumas questdes: que toda a obra vem do um desejo do artista de dizer algo, mas naturalmente transborda de outras obres {é feta por este artista e toca na historia da inguagem que ele tabatna, # ingenuo achar que se pode saber sobre uma obra gem saber sobre 0 artista, 0 contexto em quo cle trabalha e o contexto cultural e histérico em que ele se insere. 9