P. 1
formulario_terapeutico_nacional_2008

formulario_terapeutico_nacional_2008

|Views: 4.657|Likes:
Publicado pormoreira-rms

More info:

Published by: moreira-rms on Jun 18, 2009
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

05/11/2014

pdf

text

original

Sections

Lenita Wannmacher

14.1 Antianêmicos

Ácido fólico é essencial para hematopoese eficaz. Sua principal indicação
consiste no tratamento da anemia megaloblástica secundária à deficiência de
ácido fólico, que também pode ocasionar distúrbios psiquiátricos, embora nes-
tas situações deva-se descartar a deficiência concomitante de cianocobalanina.
Em estados de hematopoese aumentada (como em anemias hemolíticas) reco-
menda-se sua suplementação, bem como em várias síndromes de má-absorção
(sprue tropical, enterite regional, doença celíaca) e em pacientes em nutrição
parenteral total. Em ensaio clínico randomizado260

, houve benefício da suple-
mentação de metilfolato em pacientes psicóticos e deprimidos graves com bai-
xos níveis dessa vitamina. Os resultados foram corroborados por metanálise que
avaliou ácido fólico em depressão261

. Revisão Cochrane262

avaliou seu uso, com

e sem vitamina B

12, em pacientes idosos com problemas cognitivos e demência,
sem conseguir evidenciar benefício. Outra revisão Cochrane263

evidenciou pro-
teção de efeitos adversos induzidos por metotrexato, sem determinar se ácido
fólico era diferente de ácido folínico. No período de periconcepção, suplemen-
tação com ácido fólico associa-se a significativa redução de defeitos do tubo
neural (espinha bífida, meningocele e anencefalia)264

. Essa suplementação deve
iniciar-se um mês antes da concepção e estender-se até o final do terceiro mês
de gravidez265
.
Eritropoietina recombinante humana tem sua principal indicação no tra-
tamento da anemia em pacientes com insuficiência renal crônica em diálise,
corrigindo a anemia e melhorando a qualidade de vida. Revisão Cochrane266
de 15 estudos avaliou seu efeito em pacientes pré-dialíticos, mostrando me-
lhora em valores de hemoglobina e hematócrito e diminuição na necessidade
de transfusões sangüíneas. Não interferiu na progressão da doença renal, nem
mostrou significativo aumento de efeitos adversos. Outra revisão267

definiu não
haver significativa diferença entre administração subcutânea uma versus três
vezes na semana. A escolha deve levar em conta custo, preferência do paciente
e adesão. Eritropoietina também tem sido preconizada para prevenir ou tratar
anemia em recém-nascidos de baixo peso ou prematuros. Revisões Cochrane268,
269

mostraram limitado valor clínico com administração precoce (antes de oito
dias do nascimento) e tardia (entre oito e 28 dias do nascimento), quer pelo
benefício quer pelo risco associado.
Hidroxocobalamina serve para correção da deficiência de vitamina B

12 que
se manifesta como anemia megaloblástica, algumas vezes acompanhada de alte-
rações neurológicas. A forma mais freqüente é a anemia perniciosa, decorrente
da carência do fator intrínseco no estômago, o que, em conseqüência, determina
a falta de absorção da vitamina. Reposição com vitamina B

12 ou ácido fólico
diminui os níveis plasmáticos de homocisteína, o que pode reduzir o risco de
cardiopatia isquêmica e acidentes vasculares cerebrais270

. O uso de produtos à

base de vitamina B

12 para síndromes demenciais e alívio de dores neuropáticas,
articulares e outras não se fundamenta em evidências.
Sulfato ferroso pode ser usado profilática ou terapeuticamente em situa-
ções de deficiência. No primeiro caso, é dado quando há aumento da demanda,
como em gravidez, lactação, fases de crescimento rápido, recém-nascidos com
baixo peso e lactentes alimentados com fórmulas. O uso terapêutico se restringe
à correção das anemias ferroprivas, conseqüentes a sangramentos agudos ou
crônicos ou em razão de má-absorção ou, menos freqüentemente, por déficit
dietético. O sal ferroso apresenta melhor absorção oral em relação ao férrico.

645

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

Ensaio clínico controlado por placebo demonstrou o benefício do ferro sobre
os valores de hemoglobina de lactentes a termo271

. Revisão Cochrane272

avaliou
o uso oral de sulfato ferroso em anemia da gravidez, mostrando que corrigiu a
anemia, mas com tendência a maiores efeitos gastrintestinais. Na anemia pós-
parto, a suplementação oral de ferro mostrou insuficiente benefício. A investi-
gação focou desfechos substitutos e não os que têm relevância clínica273

. Outra

revisão Cochrane274

avaliou a suplementação rotineira de ferro oral, com e sem
ácido fólico, durante a gravidez, não havendo suficiente evidência que recomen-
de tal estratégia.

áCIdo FÓLICo

(ver página 497)

erITropoIeTInA

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 14.1
Apresentação

• Solução injetável 2.000 UI e 4.000 UI.

Sinonímia5

• Epoetina beta (eritropoietina recombinante humana).

Indicações 5

• Anemia associada à deficiência de eritropoietina na insuficiência renal crô-

nica.

• Prevenção de anemia em recém-nascidos prematuros ou de baixo peso (eri-
tropoietina sem preservantes).
• Anemia em pacientes que recebem quimioterapia antineoplásica ou induzi-
da por zidovudina em pacientes HIV positivos.

Contra-indicações 5

• Pacientes que não podem receber tromboprofilaxia.
• Hipersensibilidade à eritropoietina ou a algum componente do produto.
• Preparações com álcool benzílico em recém-nascidos.
• Hipertensão não controlada, angina instável, infarto do miocárdio ou aci-
dente vascular cerebral recentes (1 mês).

precauções 2, 5

• Pacientes com insuficiência renal crônica (ver apêndice D).
• Monitorizar cuidadosamente pressão arterial, contagens de reticulócitos e
plaquetas, hemoglobina e eletrólitos.
• Detectar outras formas de anemia que precisam ser tratadas especificamente
(com ferro, vitamina B

12, ácido fólico).

• Cautela em insuficiência hepática.
• O risco de trombose aumenta em indivíduos tratados para anemia induzida
por quimioterapia antineoplásica ou causada por cirurgia ortopédica.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.

esquemas de administração 5

• Importante: administrar a primeira dose de eritropoietina sob supervisão
médica porque foram observadas reações anafilactóides em casos isolados.

Adultos

Correção da anemia na insuficiência renal crônica

• 4.000 a 8.000 unidades, por via intramuscular (deltóide), uma vez por se-
mana, por 4 semanas.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

646

• 40 UI/kg, por via intravenosa, durante 2 minutos, três vezes por sema-
na, por 4 semanas; após, aumentar para 80 UI/kg três vezes por semana.
Aumentos adicionais, se necessários, devem ser de 20 UI/kg, três vezes
na semana, sendo a dose máxima semanal de 720 UI/kg/semana. Na fase
de manutenção, a dose é inicialmente reduzida à metade; posteriormente
pode ser ajustada a intervalos de 1-2 semanas, de acordo com o paciente.
• 60 UI/kg, por via subcutânea, semanalmente (até 720 UI/kg/semana), por 4
semanas. Aumentos adicionais, se necessários, devem ser de 60 UI/kg, a in-
tervalo de 4 semanas; na fase de manutenção, a dose é inicialmente reduzida
à metade; posteriormente pode ser ajustada a intervalos de 1-2 semanas, de
acordo com o paciente. É a via preferencial para pacientes que não fazem
hemodiálise, de modo a evitar punção de veias periféricas.

Correção da anemia induzida por antineoplásico em pacientes com tumores
sólidos

• 450 UI/kg, por via subcutânea, uma vez na semana, por 4 semanas. Na au-
sência de resposta satisfatória, a dose deve ser dobrada. Continuar por até
3 semanas após o término da terapêutica. Evitar aumento de hemoglobina
além de 14 g/dL. Se os níveis de hemoglobina aumentarem além de 2 g/dL
por mês, a dose de eritropoietina deve ser reduzida em 50%. Se os valores
excederem 14 g/dL, a terapêutica deve ser interrompida até a obtenção de
12 g/dL ou menos, e então reiniciada com 50% da dose semanal inicial-
mente administrada.

Correção de anemia em presença de tumor maligno dos tecidos hematopoiético
linfóide e relacionados

• 450 UI/kg, por via subcutânea, uma vez na semana, por 4 semanas; após,
se o valor de hemoglobina tiver aumentado em pelo menos 1 g/dL, con-
tinuar a terapia. Caso contrário aumenta-se a dose para 900 UI/kg, di-
vididos em 2 a 7 administrações por semana (dose máxima: 900 UI/kg/
semana).

Correção de anemia por zidovudina em pacientes HIV positivos

• 100 UI/kg 3 vezes por semana por 8 semanas.

Crianças

Correção da anemia na insuficiência renal crônica

• 4.000 a 8.000 unidades, por via intramuscular (deltóide), uma vez por se-
mana, por 4 semanas.
• 40 UI/kg, por via intravenosa, durante 2 minutos, três vezes por sema-
na, por 4 semanas; após, aumentar para 80 UI/kg três vezes por semana.
Aumentos adicionais, se necessários, devem ser de 20 UI/kg, três vezes
na semana, sendo a dose máxima semanal de 720 UI/kg/semana. Na fase
de manutenção, a dose é inicialmente reduzida à metade; posteriormente
pode ser ajustada a intervalos de 1-2 semanas, de acordo com o paciente.
• 60 UI/kg, por via subcutânea, semanalmente (até 720 UI/kg/semana), por 4
semanas. Aumentos adicionais, se necessários, devem ser de 60 UI/kg, a in-
tervalo de 4 semanas; na fase de manutenção, a dose é inicialmente reduzida
à metade; posteriormente pode ser ajustada a intervalos de 1-2 semanas, de
acordo com o paciente. É a via preferencial para pacientes que não fazem
hemodiálise, de modo a evitar punção de veias periféricas.

Correção da anemia induzida por antineoplásico em pacientes com tumores
sólidos

• 450 UI/kg, por via subcutânea, uma vez na semana, por 4 semanas. Na au-
sência de resposta satisfatória, a dose deve ser dobrada. Continuar por até
3 semanas após o término da terapêutica. Evitar aumento de hemoglobina
além de 14 g/dL. Se os níveis de hemoglobina aumentarem além de 2 g/dL
por mês, a dose de eritropoietina deve ser reduzida em 50%. Se os valores

647

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

excederem 14 g/dL, a terapêutica deve ser interrompida até a obtenção de
12 g/dL ou menos, e então reiniciada com 50% da dose semanal inicial-
mente administrada.

Correção de anemia em presença de tumor maligno dos tecidos hematopoiético
linfóide e relacionados

• 450 UI/kg, por via subcutânea, uma vez na semana, por 4 semanas; após,
se o valor de hemoglobina tiver aumentado em pelo menos 1 g/dL, con-
tinuar a terapia. Caso contrário aumenta-se a dose para 900 UI/kg, di-
vididos em 2 a 7 administrações por semana (dose máxima: 900 UI/kg/
semana).

Correção de anemia por zidovudina em pacientes HIV positivos

• 50 a 400 UI/kg 2 a 3 vezes por semana.

Correção da anemia da prematuridade

• 250 UI/kg, por via subcutânea, 3 vezes por semana, por 6 semanas. Iniciar
dentro de 3 dias do nascimento.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5

• Tempo para alcançar a máxima concentração plasmática por via subcutânea
em pacientes urêmicos: 12-28 horas.
• Eliminação extracorpórea: após doses de 120 UI/kg em injeção intravenosa
(bolus) a pacientes ambulatoriais em diálise peritoneal, foram recuperados
1,7 a 3% no fluido de diálise após 24 horas.

efeitos adversos 2, 5

• Dor no local da injeção intramuscular.
• Aumento na pressão arterial dose-dependente ou agravamento de hiperten-

são.

• Crises hipertensivas com sintomas semelhantes a encefalopatia e convulsões
tônico-clônicas generalizadas.
• Cefaléia, diaforese, rash.
• Aumento dose-dependente na contagem de plaquetas (trombocitose é rara),
regredindo durante o tratamento, eventos tromboembólicos, trombose em
condutos (shunts), especialmente se houver tendência à hipotensão ou com-
plicações em shunts arteriovenosos.

Interações medicamentosas 5

• Inibidores da enzima conversora de angiotensina e antagonistas de receptor
da angiotensina II corrigem o efeito anti-hipertensivo e aumentam o risco de
hipercalemia.
• Há evidência de que a administração de ferro ou L-carnitina melhora a res-
posta à eritropoietina, reduzindo assim a dose necessária para produzir eri-
tropoiese.

• Ferro em dose baixa, baseada nas concentrações de ferritina sódica, reduz a
dose necessária de eritropoietina em aproximadamente 33%.

Aspectos farmacêuticos 5

• Armazenar a 2-8 ºC. É aceitável a permanência do preparado em temperatu-
ra ambiente (não maior que 25 ºC) por até 3 dias.

CLorIdrATo de hIdroxoCoBALAMInA

(ver página 502)

SuLFATo FerroSo

(ver página 509)

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

648

14.2 Anticoagulantes e antagonistas

Para exercer hemostasia e manter fluxo sangüíneo no sistema vascular, in-
teragem mecanismos opostos de anticoagulação, coagulação, fibrinólise e fi-
brinogênese. A hiperatividade desses mecanismos manifesta-se por trombose
arterial ou venosa. Obstrução vascular pode decorrer diretamente da formação
de trombo ou de sua liberação, parcial ou total, com formação de êmbolos que
ocluem vasos a jusante. Doenças ocasionadas por trombose e embolia são deno-
minadas tromboembólicas. Dentre elas, encontram-se angina instável, infarto
do miocárdio, doença cerebrovascular isquêmica, embolia pulmonar e vascu-
lopatia periférica crônica aterosclerótica. Embolização sistêmica de trombos
intracavitários cardíacos é a conseqüência de maior morbidade da fibrilação
atrial. Trombos formados em próteses valvares cardíacas ou ortopédicas podem
causar disfunção da prótese e expressar-se clinicamente por embolia sistêmica.
Também há preocupação com acidentes tromboembólicos pós-cirúrgicos275
.

Antitrombóticos – ácido acetilsalicílico em cardiopatia isquêmica e heparina
ou anticoagulantes orais em indivíduos predispostos a tromboses venosa ou in-
tracardíaca – exercem prevenção primária.Tratamento e prevenção secundária
de fenômenos tromboembólicos são feitos predominantemente com fármacos.
Cirurgia e angioplastia são alternativas terapêuticas eficazes em certos tipos
de arteriopatias coronariana, cerebral, renal e vascular periférica. Outras me-
didas não-medicamentosas – compressão pneumática de membros inferiores,
aumento de atividade física e abandono do cigarro – têm papel importante em
tratamento e prevenção secundária de doenças tromboembólicas275
.
Heparina sódica, também denominada de heparina não-fracionada, pode
ser usada em doses plenas ou em esquema de baixas doses (“minidoses”). Na
primeira modalidade se destina ao tratamento de doenças tromboembólicas, e
a segunda é empregada em profilaxia.
Na prevenção de trombose venosa e embolia pulmonar em pacientes sub-
metidos a diversos tipos de procedimentos cirúrgicos, heparina em minidoses
tem eficácia comprovada, embora determine aumento na incidência de sangra-
mento grave. Em cirurgias ortopédicas, diversas metanálises demonstraram que
heparinas de baixo peso molecular superaram heparina em minidoses, reduzin-
do em 25% a mais a incidência de trombose venosa275

profilaxia em pacientes
submetidos a neurocirurgias foi menos avaliada pelo receio de sangramento
intracraniano. Heparina em minidoses e heparinas de baixo peso molecular
ainda não têm aceitação universal nesse contexto276

. Nenhum benefício clínico
relevante foi observado com uso de heparinas de baixo peso molecular, quan-
do comparadas ao uso de heparina não fracionada, na prevenção de eventos
tromboembólicos em pacientes submetidos a cirurgias ginecológicas de grande
porte, colo-retais, abdominais em geral ou ressecção eletiva de tumores275

. A
profilaxia da trombose venosa profunda em pacientes clínicos gravemente do-
entes ou com imobilização prolongada pode ser feita com heparina fracionada
ou não-fracionada.
No tratamento de trombose venosa profunda, ensaio clínico277

comprovou a
similaridade, quanto a eficácia e segurança, entre heparina não-fracionada por
via subcutânea, sem monitoramento e com dose fixa ajustada ao peso, e hepa-
rina de baixo peso molecular. Em tratamento de embolia pulmonar, heparina
não-fracionada tem eficácia comprovada, assim como as heparinas de baixo
peso molecular278

. O American-Canadian Thrombosis Study Group279

corrobora
esse resultado, sugerindo que heparina fracionada seja pelo menos tão eficaz
quanto heparina convencional no tratamento de embolia pulmonar aguda.
Protamina é antídoto de heparina para controlar sangramentos graves. Cada
miligrama antagoniza 100 UI de heparina. Se essa já foi administrada há algum
tempo, tendo sido parcialmente depurada, deve-se diminuir a dose de protami-

649

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

na, pois seu excesso também tem efeito anticoagulante. Em esquema intermi-
tente, a quantidade de heparina é estimada pela dose dada e pelo tempo decor-
rido desde a administração. Quando em infusão contínua, calcula-se a heparina
dada na última hora de infusão e administra-se a quantidade correspondente
do antagonista.

Varfarina sódica é anticoagulante oral recomendado para dar seqüência a he-
parina no tratamento de trombose venosa profunda e embolia pulmonar. Deve
ser dado junto com heparina porque há um período de latência para seu início
de efeito. Sangramento é a principal causa para fazer reversão de efeito de varfa-
rina, realizada preferencialmente com transfusão de plasma fresco congelado280
.
Recomenda-se que varfarina seja dada por seis meses, com INR de 2.0-3,0281
.
Varfarina mostra definido benefício na prevenção primária e secundária de AVE
embólico em pacientes com fibrilação atrial282

. Ácido acetilsalicílico mostra-se
menos eficaz, constituindo alternativa para pacientes que não podem utilizar an-
ticoagulantes orais. Metanálise avaliou o impacto clínico de se acrescentar terapia
antiplaquetária (dipiridamol ou ácido acetilsalicílico em baixas doses) aos antico-
agulantes orais em 2.199 pacientes com próteses valvares. A associação antitrom-
bótica resultou em redução relativa de 57% de risco de eventos tromboembólicos
e de 49% de risco de mortalidade283

. A anticoagulação oral crônica é o tratamento
de escolha para a prevenção secundária de acidentes vasculares cerebrais presu-
mivelmente de origem cardioembólica. A comparação de eficácia entre varfarina
(INR de 1,4 a 2,8) e ácido acetilsalicílico (325 mg/dia) sobre o desfecho combina-
do de acidentes vasculares isquêmicos recorrentes ou morte de qualquer causa
não mostrou diferença entre os grupos284
.
Fitomenadiona ou vitamina K1, na dose subcutânea de 10 mg, antagoniza
o sangramento menor determinado por anticoagulantes orais, revertendo seu
efeito em 6-12 horas. O inconveniente é que os pacientes ficam relativamente re-
fratários a varfarina por aproximadamente 2 semanas, o que torna problemática
a reinstalação da anticoagulação. O tratamento imediato de sangramento maior
pode ser obtido com crioprecipitado ou plasma fresco congelado em quantida-
des suficientes para normalizar o INR e conseguir a hemostasia281

.

CLorIdrATo de proTAMInA

Caroline Batista Franco Ribeiro

na rename 2006: item 14.2
Apresentação

• Solução injetável 10 mg/mL.

Indicação 1, 2, 4-6

• Antídoto para a superdosagem de heparina, quando existe hemorragia não
controlada pela suspensão da heparina e para neutralização de heparina ad-
ministrada durante circulação extracorpórea em cirurgias cardíaca e arterial
ou procedimentos de diálise.

Contra-indicação 4, 5

• Hipersensibilidade à protamina.

precauções 1, 2, 5, 6

• Protamina possui efeito anticoagulante quando usada em excesso.
• O risco de reação alérgica ao fármaco está aumentado em pacientes com tra-
tamento prévio de protamina, alergia a peixe e homens inférteis ou vasecto-
mizados.

• A administração muito rápida pode causar reações hipotensoras e anafilac-
tóides graves.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

650

• Efeito rebote da heparina (retorno da sua atividade anticoagulante) e sangra-
mentos têm sido relatados em pacientes que realizaram cirurgia cardíaca e
receberam doses adequadas de protamina (mecanismo desconhecido).
• Protamina reverte parcialmente os efeitos hemorrágicos das heparinas de
baixo peso molecular.
• Monitorar tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA) ou outros parâ-
metros de coagulação sangüínea, além de titulação sangüínea de protamina
auxiliam no cálculo de dosagem de protamina.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.
• Lactação.
• Segurança e eficácia do fármaco não foram estabelecidas em crianças.

esquemas de administração 1, 2, 4-6, 13

Após injeção intravenosa de heparina

• 1 mg, infundido por via intravenosa durante 10 minutos, neutraliza 80 a 100
UI de heparina, até 15 minutos após administração da mesma.
• Transcorridos 15-30 minutos da administração de heparina, deve-se reduzir
a dose de protamina à metade uma vez que a heparina já foi parcialmente
depurada.
• Transcorridas 2 horas ou mais, a dose de protamina deve ser reduzida a
0,25-0,375 mg para cada 100 UI de heparina originalmente administrada.
• Não exceder 50 mg em período de 10 minutos (velocidade de administração
de 5 mg/minuto).

Após injeção subcutânea de heparina

• Considera-se que 1 mg neutraliza 100 UI de heparina; administrar 25-50 mg,
por injeção intravenosa lenta (não excedendo 5 mg/min), seguidos de admi-
nistração do restante da dose calculada, durante 8-16 horas, por infusão intra-
venosa.

• Não exceder 50 mg em um período de 10 minutos (velocidade de adminis-
tração de 5 mg/minuto).

Após infusão contínua de heparina

• 25-50 mg, por via intravenosa, imediatamente após a interrupção da infusão
contínua de heparina.
• Não exceder 50 mg em um período de 10 minutos (velocidade de adminis-
tração de 5 mg/minuto).

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4, 5

• Início de ação: 5 minutos (para neutralização de heparina).
• Duração de ação: 2 horas.
• Meia-vida: 7,4 min (após dose intravenosa única de 0,5 mg/kg durante infu-
são de 10 minutos em voluntários sadios).

efeitos adversos 1, 4, 5

• Náusea, vômito, cansaço, rubor, hipotensão, bradicardia, dispnéia, reações
alérgicas (incluindo angioedema e anafilaxia).
• Hipertensão pulmonar e edema pulmonar não cardiogênico.
• Sangramento por efeito rebote de heparina ou superdosagem de protamina.

orientações aos pacientes 4, 5

• Reforçar a importância de não utilizar em caso de reação alérgica prévia à
protamina.
• Informar sobre o uso de cefalosporinas ou penicilinas injetáveis.
• Informar sobre redução da freqüência cardíaca e pressão arterial, dispnéia,
reações alérgicas, sangramento e problemas pulmonares.

Aspectos farmacêuticos 4, 5

• Deve-se manter sob refrigeração, de 2 a 8 °C. É estável por até 2 semanas à
temperatura ambiente. Não congelar.

651

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

• A solução injetável de protamina deve ser usada preferencialmente sem di-
luição adicional; no entanto, se uma diluição adicional for desejada, os di-
luentes podem ser dextrose 5% ou cloreto de sódio a 0,9%. Soluções diluídas
não devem ser estocadas por não conterem conservantes.
• Incompatibilidades: ampicilina, azlocilina, carbenicilina, cefamandol, ce-
fazolina, cefmenoxima, cefonicida, cefoperazona, ceforanida, cefotaxima,
cefotetana, cefoxitina, cefsulodina, ceftazidima, ceftizoxima, ceftriaxona,
cefuroxima, cefalotina, cefapirina, cefradina, diatrizoato de meglumina, dia-
trizoato de sódio, dicloxacilina, ioxaglato de meglumina, ioxaglato de sódio,
meticilina, mezlocilina, latamoxefe, nafcilina, oxacilina, penicilina G e pi-
peracilina. É recomendável que a solução injetável de protamina não seja
misturada com outros medicamentos sem o conhecimento prévio de sua
compatibilidade.

FIToMenAdIonA

Caroline Batista Franco Ribeiro

na rename 2006: item 14.2
Sinonímia

• Vitamina K

3.

Apresentações

• Emulsão injetável a 10 mg/mL (uso intravenoso).
• Solução injetável a 10 mg/mL (uso intramuscular).

Indicações 1-5

• Antagonismo ao efeito hemorrágico de anticoagulantes orais (antagonistas
de vitamina K).
• Profilaxia e tratamento de doença hemorrágica do recém-nascido induzida
por deficiência de vitamina K

3.

Contra-indicação 5, 13

• Hipersensibilidade a fitomenadiona ou qualquer outro componente da for-

mulação.

precauções 4, 5

• Administração empírica de vitamina K

3 a recém-nascidos para tratamento
de hemorragia não deve substituir avaliação clínica e laboratorial pertinen-
tes. Resposta imediata à terapêutica com vitamina K

3 consiste em encurta-
mento do tempo de protrombina em 2 a 4 horas. Em geral, é diagnóstico
de doença hemorrágica no recém-nascido. Falha na resposta à vitamina K

3

sugere condição diferente ou distúrbio de coagulação não relacionado à vita-
mina K

3.
• Injeções intravenosas devem ser dadas lentamente e somente em situações
emergenciais.
• Determinações periódicas do tempo de protrombina (TP) são recomendadas
para avaliar a necessidade de terapia adicional com fitomenadiona.
• Devido à demorada latência de efeito, a administração de sangue total fresco
ou plasma pode ser necessária quando o sangramento é intenso.
• Não exceder dose recomendada em crianças, pelo risco de hemólise, hiper-
bilirrubinemia e icterícia com altas doses de fitomenadiona em neonatos,
principalmente prematuros.
• Vitamina K

3 pode não ser eficaz no tratamento de hipoprotrombinemia he-
reditária ou induzida por disfunção hepática grave.
• Reduzir dose em idosos.
• Está presente no leite materno, mas é compatível com a lactação.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

652

• Vitamina K

3 deve ser dada a recém-nascidos sadios, com mais de 36 semanas
de gravidez. Doses altas (10-20 mg) raramente causam anemia hemolítica
grave.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.

esquemas de administração 1, 2, 4, 6, 13

Adultos

Antagonista de hemorragia induzida por anticoagulantes orais

• Hemorragia grave: 10 mg, por via intravenosa (injeção lenta); pode ser
repetida a cada 12 horas. A dose depende do grau de elevação do INR.
• A infusão intravenosa não deve exceder a velocidade de 1 mg/minuto.

Deficiência de vitamina K

3 induzida por medicamentos, mal-absorção ou di-

minuição de síntese

• 10 mg, por vias intramuscular ou intravenosa, em dose única.

Crianças

Deficiência de vitamina K

3 induzida por medicamentos, mal-absorção ou di-

minuição de síntese

• Recém-nascidos e crianças: 1-2 mg, por vias intramuscular ou intraveno-
sa, em dose única.

Profilaxia de doença hemorrágica do recém-nascido

• 0,5-1 mg, por via intramuscular, em dose única, até 1 hora após o nasci-
mento. A dose deve ser reduzida em neonatos de muito baixo peso.

Tratamento de doença hemorrágica do recém-nascido

• 1-2 mg/dia, por injeção intramuscular; se forem necessárias doses adicio-
nais, intervalar a cada 8 horas.
Observações
• A emulsão, na concentração de 10 mg/mL, deve ser usada intravenosa-
mente em adultos e crianças. No Brasil, há uma preparação comercial.
• A solução, na concentração de 10 mg/mL, admite administração por vias
intramuscular e subcutânea. No Brasil, há duas preparações comerciais.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4-6, 13

• A absorção de emulsão de fitomenadiona é mais irregular e imprevisível após
administração intramuscular do que intravenosa; essa formulação é preferí-
vel para via intravenosa.
• Latência (via intravenosa): 24-48 horas (ação como antagonista de anticoa-
gulantes orais); ação detectável dentro de 1-2 horas, hemorragia controlada
dentro de 3-6 horas; concentrações normais de protrombina atingidas em
12-14 horas.
• A solução de fitomenadiona é facilmente absorvida pela via intramuscular.

efeitos adversos 1, 4-6

• Anafilaxia e outras reações de hipersensibilidade durante ou imediatamente
após administração intramuscular e intravenosa, mesmo com diluição e ve-
locidade de administração apropriadas. Manifestam-se por rubor, dispnéia,
broncoespasmo, sudorese, hipotensão e colapso respiratório ou circulatório.
• Hemólise em recém-nascidos e em pacientes com deficiência de G6PD.

Interações medicamentosas 3, 4

• Anticoagulantes cumarínicos aumentam a excreção de metabólitos da fito-
menadiona.
• Uso concomitante de fitomenadiona e varfarina pode causar mudanças ou
flutuações do INR.
• O uso de produtos à base da planta conhecida como ipê-roxo ou pau d’arco
(Tabebuia spp) pode reduzir a efetividade da fitomenadiona.

orientações aos pacientes 4, 5

• Alertar sobre a importância do surgimento de alergias, uso de outros medica-
mentos e remédios (principalmente varfarina e ipê roxo), doença hepática.

653

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

• Reforçar para não ingerir quantidades acima das usuais de alimentos ricos
em vitamina K, como verduras e vegetais de folha.

Aspectos farmacêuticos 4, 5, 13

• Manter ao abrigo de luz e à temperatura ambiente, entre 15 e 30 ºC. Não

congelar.

• Fitomenadiona injetável pode ser diluída com cloreto de sódio 0,9%, dextro-
se 5% ou dextrose 5% em cloreto de sódio 0,9%. Todos os diluentes devem
ser livres de conservantes.
• As soluções devem ser preparadas imediatamente antes do uso, e qualquer
porção não usada deve ser descartada.
• Incompatibilidades: fenitoína, amobarbital sódico, pentobarbital sódico, se-
cobarbital, cianocobalamina, dobutamina, anfotericina B coloidal (variável),
ampicilina (variável), ampicilina/sulbactam (variável), sulfato de magnésio,
metilprednisolona (variável), ranitidina e solução de dextrano a 12%.
• Nenhuma preparação contém álcool benzílico ou óleo de rícino.

ATENçãO: fitomenadiona pode ser empregada profilaticamente em gestan-
tes que usam anticonvulsivantes para prevenir hemorragia neonatal ao par-
to Eficácia e esquema posológico não estão estabelecidos Fitomenadiona
não é antídoto para heparina

hepArInA SÓdICA

(ver página 617)

VArFArInA SÓdICA

Caroline Batista Franco Ribeiro

na rename 2006: item 14.2
Apresentação

• Comprimido 1 mg e 5 mg.

Indicações 1, 2, 4-6

• Tratamento subseqüente à administração de heparinas em embolia pulmo-
nar, trombose venosa profunda e outras doenças tromboembólicas.
• Prevenção secundária de acidentes vasculares cerebrais presumivelmente de
origem cardioembólica, particularmente em pacientes com fibrilação atrial
de alto risco embólico (recomendação de grau A).
• Prevenção de eventos tromboembólicos em pacientes com valvas mecânicas
cardíacas (em associação com ácido acetilsalicílico em baixas doses).

Contra-indicações 1, 2, 4-6

• Hipersensibilidade à varfarina.
• Gravidez, abortamento, eclâmpsia e pré-eclâmpsia (risco aumentado para
hemorragia).
• Úlcera péptica.
• Hipertensão severa ou maligna (risco aumentado para hemorragia cere-

bral).

• Endocardite bacteriana, pericardite e derrame pericárdico.
• Sangramento ativo em tratos respiratório, geniturinário e gastrintestinal.
• Aneurisma cerebral, hemorragia cerebrovascular e dissecção da aorta (risco
aumentado para hemorragia incontrolável).
• Trombocitopenia, hemofilia, doenças com tendências hemorrágicas, como
leucemia, policitemia vera ou púrpura (risco aumentado para hemorragia).

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

654

• Cirurgias recentes em sistema nervoso central, globo ocular, trauma com
grande superfície aberta (risco aumentado para hemorragia incontrolável).
• Anestesia local para bloqueio regional maior ou espinhal.

precauções 1, 2, 4, 5, 13

• Dieta, medicamentos (inclusive plantas medicinais), ambiente e estado físico
influenciam a resposta à varfarina.
• Há aumento de risco hemorrágico em pacientes com vasculite, insuficiência
cardíaca congestiva, diabetes melito grave, cateter de demora, anemia, doen-
ça cerebrovascular, doença coronária grave, hipertensão grave, câncer.
• Doenças infecciosas ou distúrbios da flora intestinal, como sprue, podem
aumentar a resposta do paciente à varfarina.
• Terapia com varfarina aumenta o risco de hemorragia localizada durante e
após procedimentos cirúrgicos odontológicos; o dentista precisa ser avisa-
do.

• A deficiência de proteína C, conhecida ou suspeita, pode aumentar o risco de
necrose tissular induzida pelo anticoagulante.
• Há reduzida resposta à varfarina com ingestão ou absorção gastrintestinal de
alimentos ricos em vitamina K.
• A estreita faixa terapêutica aumenta o risco de hemorragia em pacientes de-
bilitados ou idosos.
• Durante a terapia é necessário monitorizar tempo de protrombina (TP) e/
ou International Normalized Ratio (INR) para ajuste de doses no início da
terapia, em intervalos de 24 horas; determinações adicionais do TP/INR são
recomendadas em caso de troca de marca ou formulação do medicamento,
e sempre quando outros medicamentos são iniciados; a monitorização não é
feita durante terapia de manutenção com doses baixas e fixas. Inicialmente,
a monitorização é diária ou em dias alternados, passando a intervalos mais
longos e, por fim, a cada 12 semanas.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): X (ver apêndice A).
• Segurança e eficácia não estão determinadas em crianças.
• Lactação (ver apêndice B).
• Pacientes geriátricos podem ser mais susceptíveis aos efeitos anticoagulantes,
aumentando o risco de hemorragia devido à possível presença de doença
vascular avançada, redução da função hepática e/ou renal. Doses de manu-
tenção menores do que as usualmente recomendadas para adultos podem ser
requeridas para idosos.
• O efeito anticoagulante na trombose séptica – associada ao uso de cateteres
intravenosos em jugulares, subclávias ou veia cava – não foi avaliado em es-
tudos comparativos.
• A duração da terapia anticoagulante oral é variada, recomendando-se tempo
mínimo de três meses na prevenção secundária após um primeiro episódio
tromboembólico e duração indefinida em pacientes com mais de um episó-
dio ou com fatores de risco não-transitórios para trombose.
• A retirada de varfarina dever ser gradual (durante 3-4 semanas) devido ao
risco de efeito rebote de hipercoagulabilidade (pode não ser detectado pelos
testes de coagulação).
• Usar com cautela em disfunção renal (ver apêndice D) e em doença hepática
(ver apêndice C).

esquemas de administração 1-4

• Sempre que possível, o tempo de protrombina deve ser determinado antes
da administração da dose inicial, mas esta não deve ser atrasada enquanto
se espera o resultado. O valor desejável de prolongamento equivale a 1,5-2,0
vezes o tempo normal.

655

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

• O ajuste de doses é feito pelos valores do INR que, preferivelmente, deve ficar
entre 2 e 3.

Adultos

Profilaxia e tratamento de distúrbios tromboembólicos

• Dose inicial: 10 mg/dia, por via oral, durante 2 dias.
• Dose de manutenção: individualizada (geralmente entre 3 e 9 mg, inge-
ridos na mesma hora do dia), na dependência do tempo de protrombina,
por no mínimo três meses.
• Terapia de baixa dose (fixa): 1 mg, por via oral, por dia.

Crianças e lactentes

Profilaxia e tratamento de distúrbios tromboembólicos

• Faixa de dose: 0,05 a 0,34 mg/kg/dia.
• lactentes menores 12 meses podem necessitar de doses próximas ao limite
máximo desta faixa.
• pode ser difícil manter anticoagulação adequada em crianças, com menos
de 5 anos.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 1, 2, 4-6

• A velocidade de absorção é diminuída pela alimentação.
• Latência de 48-72 horas para obtenção de efeito anticoagulante; a terapia
com varfarina inicia-se na vigência de heparinização.
• Pico de concentração plasmática: 4 horas.
• Duração de ação: 2-5 dias (dose única); 4-5 dias (dose múltipla); a duração
após a suspensão é dependente de nova síntese dos fatores de coagulação II,
VII, IX e X dependente de vitamina K.
• Meia-vida: 20-60 horas; é significantemente reduzida por hemodiálise.

efeitos adversos 1, 2, 4-6

• Hemorragias maiores e menores (controladas com suspensão do anticoa-
gulante ou antagonismo com fitomenadiona ou emprego de plasma fresco
congelado).
• Necrose de pele e outros tecidos.
• Hepatite.
• Reação imune de hipersensibilidade.
• Rash e alopecia.
• Diarréia, náusea e vômito, icterícia e disfunção hepática.

Interações medicamentosas 5

• Interações graves e com excelente documentação.
• Uso concomitante com antiplaquetários (ácido acetilsalicílico, ticlopidina e
clopidogrel) e trombolíticos resulta em maior risco de sangramento.
• Diminuição do efeito anticoagulante com fenobarbital e outros indutores
enzimáticos hepáticos.
• Ingestão de alimentos contendo vitamina K altera a eficácia da varfarina.
• O uso concomitante com fitoterápicos contendo Ginkgo biloba (ginkgo)
acarreta maior risco de sangramento.
• O uso concomitante de suco de amora e varfarina pode resultar em maior
risco de sangramento.
• O uso concomitante de fitomenadiona e varfarina pode resultar em mudan-
ças ou flutuações do INR.

orientações aos pacientes 2, 4, 6

• Reforçar a necessidade de o paciente ser portador de um cartão de informa-
ção sobre o uso da varfarina.
• Estimular a adesão ao tratamento e à monitorização, além do reconhecimen-
to de efeitos adversos.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

656

• Orientar para ingerir com moderação fontes dietéticas ricas em vitamina K
(brócolis, repolho, couve, espinafre ou certos óleos vegetais), além de com-
plexos vitamínicos e suplementos nutricionais com vitamina K.
• Se houver hemorragia, recomendar a suspensão do tratamento ou omissão
de dose, após a monitorização do INR.
• Recomendar retirada da terapia anticoagulante (e substituir por heparina se
necessário) ao primeiro sinal de agranulocitose, hipersensibilidade, hemor-
ragia intracranial, síndrome dos dedos arroxeados e ateroembolismo sistê-
mico ou microembolismo de colesterol.
• Reforçar orientação para evitar prática de esportes ou outras atividades que
possam causar lesões durante o uso de varfarina.
• Informar cuidados com escovação dental e ato de barbear e ainda sobre le-
sões na cabeça ou corpo, queda, devido ao risco de sangramento interno.

Aspectos farmacêuticos 4, 5, 13

• Manter à temperatura ambiente (entre 15 e 30 ºC) e ao abrigo de luz, em
recipientes bem fechados e resistentes à luz.

14.3 Antiagregante plaquetário

Ácido acetilsalicílico, por suas ações antiinflamatória e antiagregante pla-
quetária, é recomendado em prevenção primária e secundária de cardiopatia
isquêmica (ver item 13.3, página 604). Em síndromes coronarianas agudas (an-
gina instável e infarto sem elevação de ST) reduz em 50% o risco de morte ou
infarto163

. Após angioplastia coronariana percutânea, para prevenção secundá-
ria de nova trombose com necessidade de reintervenção, recomenda-se ácido
acetilsalicílico mais clopidogrel por um ano pelo menos. O uso da associação
comparado ao de ácido acetilsalicílico isolado associou-se significativamente a
menor risco de eventos cardiovasculares (13 eventos prevenidos em cada 2.000
pacientes tratados) e a maior risco de sangramento (6 sangramentos a cada
2.000 pacientes tratados). Com pacientes de alto risco de doença cardiovascular,
os benefícios e danos são menos marcados285

.
Em pacientes com doença arterial periférica, ácido acetilsalicílico reduziu
em 24% o risco de eventos cardiovasculares em comparação a placebo286
.

Em prevenção de doença tromboembólica, análise conjunta de muitos en-
saios mostra efeito protetor. Ensaio clínico envolvendo mais de 17.000 pacientes
submetidos à cirurgia de quadril evidenciou benefício clínico significativo com
uso de ácido acetilsalicílico (160 mg/dia) por 35 dias, tanto na redução de trom-
bose venosa sintomática quanto de embolia pulmonar, mesmo no subgrupo de
pacientes que usou heparina subcutânea287
.
Ácido acetilsalicílico não se mostrou eficaz na prevenção primária de AVE
isoladamente, mas deve ser empregado em doses baixas para prevenção de
eventos cardiovasculares em indivíduos com risco global de eventos coronaria-
nos superior a 3% em cinco anos288
.
A prevenção secundária de acidente vascular isquêmico transitório com an-
tiplaquetários reduziu em 22% a incidência de novos acidentes encefálicos ou
morte. Ácido acetilsalicílico, em baixa dose e iniciado precocemente, resultou
em redução de aproximadamente 9-10 mortes ou AVEs não-fatais para cada
2.000 pacientes tratados, efeito observado já em 2-4 semanas após o evento
agudo289, 290
.

áCIdo ACeTILSALICíLICo

(ver página 100)

657

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

14.4 Fatores de coagulação e relacionados

Todos os concentrados comercializados parecem ser efetivos no tratamento
ou prevenção de episódios hemorrágicos, e a ênfase atual se dá nos métodos
para reduzir as complicações relacionadas à sua administração. Apesar de novos
métodos de inativação viral serem atualmente empregados, a transmissão viral
ainda é uma possibilidade.
Os fatores são preparados a partir de plasma humano, com técnica recombi-
nante. Em profilaxia, atribui-se aos concentrados de fatores da coagulação (fato-
res VIII ou IX a menos de 1%) a preservação de função articular, por converter
hemofilia grave em forma mais branda da doença. Revisão Cochrane291

de quatro
estudos avaliou a eficácia da profilaxia sobre hemorragias e complicações hemor-
rágicas em pacientes com hemofilias A e B, concluindo que não há suficiente
evidência do valor dos concentrados de fatores da coagulação em comparação
a placebo.

Fator II de coagulação ou protrombina é co-fator da via comum da coagula-
ção sangüínea, determinando a conversão de fibrinogênio em fibrina.
Fator VIIa de coagulação (ativado recombinante) deve ser considerado em
caso de sangramento maciço, tanto em hemofilia292

, como em sangramento
intracraniano não-traumático, politraumas graves e outras hemorragias que
comprometem a vida dos pacientes293

. Concentrado de fator VII ativado está
indicado em pacientes com grave deficiência, tão logo sinais de hepatite ou
trombose são detectados. Em hemofilia grave, seu efeito hemostático é conside-
rado independente dos fatores VIII e IX292

. Revisão sistemática Cochrane294

de
13 ensaios clínicos controlados por placebo avaliou profilaxia e tratamento de
sangramento maciço em pacientes sem hemofilia, não encontrando suficiente
evidência que corrobore tais indicações. Outra revisão Cochrane295

não logrou
comparar concentrado de fator VII ativado e concentrados do plasma sobre
tratamento de sangramento agudo em pacientes com hemofilia A e inibidores
porque não foram encontrados ensaios clínicos que permitissem a análise. Em
242 pacientes com sangramento gastrintestinal alto induzido por hepatopatias,
fator VII ativado não reduziu risco de morte em 5 e 42 dias296

.
Concentrados de fator VIII de alta pureza melhoraram significativamente
profilaxia e tratamento de hemorragia em pacientes com hemofilia A. Há gran-
de variabilidade individual nas respostas, mas o nível de fator VIII se correlacio-
na com a geração de trombina em cada paciente297
.
Fator VIII de coagulação (von Willebrand) é indicado em pacientes com he-
mofilia A e doença de von Willebrand298

. Concentrado de alta pureza mostrou-se
eficaz em 53% de pacientes com alto risco de falha de tratamento devido à presença
de inibidores299
.
Fator IX de coagulação de alta pureza, o qual não possui outros fatores de
coagulação, possibilita o tratamento da deficiência inata do fator, também cha-
mada de hemofilia C, reduzindo o risco de sangramento, manifesto após trauma
ou cirurgia300

. Concentrados de fator IX podem causar trombose em aproxima-
damente 10% dos pacientes. Em contraste com hemofilia A, a deficiência de
fator IX não protege contra infarto do miocárdio. Em pacientes com deficiência
grave a serem submetidos a cirurgias, plasma fresco congelado é o tratamento
de escolha. Fator IX recombinante previne sangramento durante e após cirurgia
nos pacientes com inibidores de fator IX301
.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

658

FATor II de CoAGuLAção

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 14.4
Sinonímia

• Protrombina.

Apresentação

• Pó para solução injetável 500 UI e 600 UI (concentrado de alta pureza; AE
superior a 0,6 UI/mg) complexo protrombínico parcialmente ativado.

Indicação 1, 302, 303

• Hemofilia B (sangramento devido à deficiência de fator II).

Contra-indicação 1

• Coagulação intravascular disseminada.

precaução 1, 2

• Risco de trombose ou coagulação intravascular disseminada. Provavelmente
menor com as preparações altamente purificadas.

esquemas de administração 1

Adultos e crianças

• Hemofilia B – infusão lenta, de acordo com as necessidades do paciente.

efeitos adversos 1, 2

• Muito raramente náusea, eventos trombóticos (infarto do miocárdio e aci-
dente vascular cerebral), distúrbios de coagulação, tremores e febre.

FATor VIIa de CoAGuLAção

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 14.4
Sinonímia5

• Fator VII recombinante ativado.

Apresentação

• Pó para solução injetável 60.000 UI, 120.000 UI e 240.000 UI (concentrado
de fator VII recombinante ativado).

Indicações 2, 6, 13

• Profilaxia de sangramento em pacientes com hemofilia A ou B.
• Tratamento de episódios de sangramento maciço de múltiplas causas em pa-
cientes com hemofilia adquirida.
• Terapia de substituição em pacientes com deficiência genética de fator VII.

Contra-indicações 5, 13

• Hipersensibilidade ao fator VII ou a qualquer ingrediente da formulação.
• Hipersensibilidade a proteínas bovinas.

precauções 2, 5, 13

• Raro desenvolvimento de anticorpos em pacientes com deficiência de fator
VII que receberam fator VIIa (recombinante).
• Risco aumentado de eventos tromboembólicos em portadores de coagulação
intravascular disseminada, doença aterosclerótica avançada, lesão por im-
pacto e septicemia, idosos ou pacientes em uso concomitante de concentra-
dos de complexo de protrombina ativados.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.
• Monitorizar tempo de protrombina (TP) e atividade coagulante de fator VII,
antes e após a administração de fator VIIa recombinante.

659

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

esquemas de administração 5, 6, 13

Adultos e crianças

Profilaxia de sangramento em pacientes com hemofilia A ou B

• 70-90 microgramas/kg, por via intravenosa lenta (2-5 minutos), a cada 2
horas até obtenção de hemostasia. O intervalo pode ser ajustado de acor-
do com a gravidade e o tipo de sangramento e com a resposta hemostáti-
ca.

Tratamento de episódios de sangramento em pacientes com hemofilia adqui-
rida

• 35-120 microgramas/kg, por via intravenosa, a cada 2-3 horas até obten-
ção de hemostasia. Com menores doses, a terapia pode ser continuada a
intervalos de 3-6 horas. O intervalo pode ser ajustado de acordo com a
gravidade e o tipo de sangramento e com a resposta hemostática.

Terapia de substituição em pacientes com deficiência genética de fator VII

• 15 a 30 microgramas/kg, por via intravenosa lenta, a cada 4-6 horas, até
obtenção de homeostasia.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5

• Início: 10-20 minutos.
• Pico de concentração plasmática: 15 minutos.
• Meia-vida de eliminação: 2,3 horas. Em pacientes pediátricos com hemofilia
A ou B a meia-vida é de 1,3 horas.

efeitos adversos 5, 13

• Hemorragia, redução do fibrinogênio plasmático (0,2-2%), hemartrose, hi-
pertensão (0,8-10%), hipotensão (1%), reação no sítio da injeção (1%), cefa-
léia, náusea, dor, edema, prurido (1%) e rash (0,8%).
• Agravamento de insuficiência renal crônica.
• Complicações anestésicas, podendo causar sepse e coagulação intravascular
disseminada (0,1-1%), pneumonia, hematoma esplênico e sangramento gas-
trintestinal.
• Angina (0,1%), bradiarritmia (1%), edema (1%), coronariopatia isquêmica,
infarto agudo do miocárdio, taquicardia supraventricular (0,1%), vômito
(1%), sangramento (acima de 2%), fibrinólise e redução do TP (1%), epistaxe
(0,1%), púrpura (1%), tromboflebite, ataxia (0,05%), oclusão de artéria cere-
bral, hidrocefalia (55%), insuficiência renal aguda (0,5%).

orientação ao paciente 5, 13

• Orientar para a importância de utilizar apenas sob direta supervisão de clíni-
cos experientes no manejo de pacientes hemofílicos.

Aspectos farmacêuticos 13

• O pó liofilizado deve ser reconstituído. Antes da reconstituição, deve ser ar-
mazenado a 2-8 ºC e protegido da luz solar direta.
• Diluir o pó com água esterilizada. Após, a solução pode ser armazenada à
temperatura ambiente ou em geladeira. Após a diluição, o medicamento deve
ser administrado no máximo em três horas.
• A solução reconstituída deve estar límpida e sem cor e deve ser inspecionada
visualmente para detecção de contaminação no frasco; soluções se houver
cor ou presença de partículas.

FATor VIII de CoAGuLAção

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 14.4
Apresentações

• Pó para solução injetável 500 UI (concentrado; AE superior a 1 UI/mg).

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

660

• Pó para solução injetável 250 UI e 500 UI (concentrado de alta pureza; AE
superior a 2.000 UI/mg).
• Pó para solução injetável 250 UI e 500 UI (concentrado de alta pureza; AE
igual ou superior a 1 UI).

Indicações 1, 2, 5, 6, 13

• Profilaxia e controle de hemorragia na hemofilia A (deficiência do fator de
coagulação VIII).
• Profilaxia pré-cirúrgica de hemorragia em hemofilia A.

precauções 1, 2, 13

• Anemia progressiva e hemólise intravascular após doses altas ou repetidas
em pacientes portadores de grupos sangüíneos A, B, ou AB (é menos prová-
vel com concentrados altamente purificados).
• Risco de adquirir doenças virais: hepatites A, B, C, aids e parvovirose.
• Risco de ausência de resposta após infusão do fármaco em pacientes que
apresentam anticorpos ao fator VIII.
• Em paciente com anticorpos ao fator VIII humano deve-se empregar uma
preparação de fator VIII porcino.
• Segurança e eficácia não estão bem avaliadas por falta de estudos clínicos
realizados em crianças.
• Em idosos, recomenda-se cuidado com a dose.
• Gravidez.

esquemas de administração 1, 6, 13

Adultos e crianças

Profilaxia de hemorragia

• Dose individualizada, administrada por injeção ou infusão intravenosa
contínua (preferível), a cada 1-2 dias para manter o nível plasmático de
fator VIII em aproximadamente 15%.
• Em procedimentos cirúrgicos menores: dose individualizada, administra-
da por injeção intravenosa a cada 8-12 horas ou infusão contínua (preferí-
vel), para atingir níveis de fator VIII de 30-80%.
• Em procedimentos cirúrgicos maiores: dose individualizada, administra-
da por injeção intravenosa a cada 8-12 horas ou infusão contínua (prefe-
rível), para atingir níveis de fator VIII de 80-100%.

Tratamento de hemorragia

• Hemorragia menor: única dose, por injeção ou infusão intravenosa lenta,
suficiente para aumentar o fator VII plasmático em 20-40%.
• Hemorragia moderada: 15-25 UI/kg, por injeção ou infusão intravenosa
lenta, seguidas de 10-15 UI/kg a cada 8-12 horas, suficiente para aumentar
o fator VII plasmático em 30-50%.
• Hemorragia grave: 40-50 UI/kg, por injeção ou infusão intravenosa lenta,
seguidas de 20-25 UI/ kg a cada 8-12 horas, suficiente para aumentar o
fator VII plasmático em 60-100%.

Observações
• Cálculo da dose necessária: Unidades = peso (kg) x 0,5 x% do aumento dese-
jado (em relação ao normal).
• Velocidade de administração: considerar freqüência cardíaca (pulso) do pa-
ciente; se houver aumento significativo, reduzir ou suspender temporaria-
mente a infusão.

efeitos adversos 1, 2, 5, 13

• Reações alérgicas, incluindo hipotensão, tremores, febre, urticária e anafila-

xia.

• Distúrbios gastrintestinais, alteração na percepção de sabores (ageusia), ru-
bor, palpitação, dispnéia, tosse, cefaléia, tontura, parestesia, sonolência, visão
turva.

661

Medicamentos que atuam sobre o Sangue

Aspectos farmacêuticos 13

• Filtrar antes da administração.
• Usar apenas seringas plásticas porque a solução tende a aderir a seringas de

vidro.

• Antes da reconstituição, o concentrado e o diluente devem ser trazidos à
temperatura ambiente (20-30 ºC, não exceder 37 ºC).
• Soluções reconstituídas devem ser isentas de partículas ou alteração de colo-
ração, sendo administradas em até 3 horas.
• Evitar incubação devido ao risco de contaminação bacteriana. Não refrigerar.
• O pó deve ser armazenado a 2-8 ºC; evitar congelar o diluente para evitar
ruptura do envoltório. Algumas preparações podem ser armazenadas a tem-
peratura ambiente (até 25-30 ºC) por períodos de 2-12 meses.

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->