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formulario_terapeutico_nacional_2008

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Ergometrina é ergótico usado no terceiro estágio do parto para reduzir o
risco de hemorragia pós-parto. Para perdas sangüíneas de menos de 500 mL,
parecer ser superior a oxitocina, não havendo diferenças significativas quando
as perdas são de 2.000 mL ou mais. Ergometrina induz mais efeitos adversos
maternos do que ocitocina. É preciso fazer balanço entre risco e benefício ao
prescrever esse medicamento481

. Apesar dos efeitos adversos, a comparação en-
tre uso de ergometrina e manejo expectante privilegia a primeira, reduzindo
perda sangüínea materna, hemorragia pós-parto de mais de 500 mL e terceiro
estágio prolongado482

. Não houve vantagens ou desvantagens aparentes sobre
o recém-nascido. O uso profilático do ergótico no terceiro estágio do parto foi
motivo de revisão Cochrane483

, objetivando determinar eficácia e segurança em
comparação a não-uso de contratores uterinos. Os ergóticos administrados por
vias intramuscular ou intravenosa diminuíram perda média de sangue e he-
morragia pós-parto. O risco de retenção placentária ou necessidade de remoção
manual foi inconsistente. Houve aumento de vômito, pressão arterial e dor que
requereu analgesia, especialmente com uso de via intravenosa. Um estudo com-
parou ergometrina a placebo, sem evidenciar benefício significativo.
Nifedipino é bloqueador dos canais de cálcio com uso contemporâneo res-
trito como tocolítico em mulheres em parto prematuro. Revisão sistemática484
que incluiu 12 ensaios clínicos randomizados (n = 1029) demonstrou que os
bloqueadores dos canais de cálcio são superiores a qualquer outro tocolítico
(agonistas beta-adrenérgicos principalmente) em deter o trabalho de parto
por sete dias e em reduzir o número de nascimentos antes de 34 semanas de
gravidez. Também houve menor suspensão de tratamento por reações adver-
sas graves. Houve redução significativa da incidência de síndrome de angústia
respiratória em 37%, enterocolite necrosante em 79%, hemorragia intraventri-
cular em 41% e icterícia neonatal em 27%. Nifedipino é hoje primeira escolha
para deter o trabalho de parto prematuro com melhora dos desfechos neonatais
(evidência de nível II).
Ocitocina é hormônio hipofisário usado na indução do parto no terceiro
trimestre. Um dos principais determinantes da resposta à indução com ocito-
cina é o grau de modificação cervical, medido por meio do escore de Bishop.
Quando superior a quatro, geralmente há boa resposta. Para valores mais bai-
xos, os índices de falha são muito altos. Na pré-indução, ocitocina, empregada
em baixas doses por períodos prolongados, determina apagamento e amoleci-
mento do colo e promove aumento do número de seus receptores no miomé-
trio485

. Ocasiona mínima percepção de contrações pela paciente, permitindo o
descanso nessa fase inicial. Após 12 a 18 horas, reavaliam-se as condições do
colo. Se houve aumento no escore de Bishop, infunde-se ocitocina em doses
progressivamente maiores para realizar a indução486

. No entanto, ocitocina não
é considerada agente de primeira escolha dentre os agentes modificadores do
colo, porque demanda muitas horas para produzir apagamento do colo. É mais
comumente usada em presença de ruptura de membranas, espontânea ou ar-
tificial. Em revisão Cochrane487

de 58 estudos a comparação entre oxitocina e
prostaglandina E2 intravaginal ou intracervical mostrou mais benefício com a
última. Em mulheres com mebranas rotas, os resultados foram similares. O uso
profilático de oxitocina foi proposto no terceiro estágio do parto, objetivando
diminuir hemorragia pós-parto. Porém, as evidências são escassas, apesar de
haver tendência a favorecer ergóticos isolados em comparação a oxitocina isola-
da488

. Oxitocina é também usada como agente indutor do parto.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

740

MALeATo de erGoMeTrInA

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 17.4.7
Apresentação

• Solução injetável 200 microgramas/mL.

Sinonímia5, 6, 13

• Ergonovina.
• Ergobasina.

Indicações 1, 5, 6, 13

• Tratamento e profilaxia de hemorragia pós-parto e pós-aborto, devida a ato-
nia uterina.

Contra-indicações 1, 5, 6, 13

• Hipersensibilidade ao ergot e produtos derivados.
• Indução de parto.
• Ameaça de aborto espontâneo, eclâmpsia, pré-eclâmpsia.
• Amamentação.
• Sepsis.
• Insuficiências hepática e renal graves.

precauções 1, 2, 5, 6, 13

• Cautela em: doença cardíaca, estenose de valva mitral, doença vascular obli-
terante, comunicações (shunts) venoarteriais, hipertensão, porfiria.
• Não recomendada para uso rotineiro prévio à expulsão da placenta.
• Pacientes com deficiência de cálcio podem não responder à ergometrina.
• Evitar uso prolongado pelo risco de ergotismo.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.

esquemas de administração 1, 5, 13

Adultas e adolescentes

• Doses de 200 microgramas, por via intramuscular, repetidas a cada 2 ou 4
horas, se necessário. Repetição não deve ser feita com freqüência superior a
2 a 4 horas, ou por mais de 5 doses.
• Doses de 250 a 500 microgramas, por via intravenosa lenta, apenas em emer-

gências.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5, 6

• Início das contrações: 7 a 8 minutos (via intramuscular) e 40 segundos (via
intravenosa).
• Duração da dose única: 3 horas ou mais, por vias intramuscular ou intrave-

nosa.
• Eliminação hepática.

efeitos adversos 1, 2, 5, 6, 13

• Hipertensão, possivelmente grave. Hipotensão também foi descrita.
• Dor torácica, palpitações, bradicardia e outras arritmias.
• Náusea, vômito, cefaléia, diarréia, tontura, zumbidos.
• Reações alérgicas, inclusive choque.
• Edema pulmonar, dispnéia, broncoespasmo.
• Dor que requer analgesia, especialmente com uso de via intravenosa.
• Ergotismo (náuseas, vômitos, isquemia vasoespástica), com menor freqüên-
cia que ergotamina.

Interações medicamentosas 2, 5, 6

• Ergometrina associada aos fármacos seguintes pode resultar em aumento no
risco de ergotismo agudo: antibióticos macrolídeos, cetoconazol, clotrima-
zol, delavirdina, efavirenz, fluconazol, fluoxetina, fluvoxamina, itraconazol,
lopinavir, metronidazol, naratriptana, nefazodona, nelfinavir, ritonavir, sa-
quinavir, sumatriptana, tipranavir, zileutona, zolmitriptana.

741

Medicamentos que atuam sobre os Sistemas endócrino e reprodutor

• Aumento no risco de gangrena nas extremidades: associação de ergometrina
com dopamina.
• Halotano reduz efeito da ergometrina no útero grávido.

orientação à paciente 5

• Alertar para o fato de que podem surgir reações como prurido, edema facial,
nas mãos, boca e orofaringe, angina, dispnéia, lipotímia, convulsões, sudore-
se, cianose na pele ou unhas.

Aspectos farmacêuticos 1, 5, 6, 13

• Diluir a dose para um volume de 5 mL com solução de cloreto de sódio a
0,9% antes da administração.
• Para uso intravenoso, o maleato de ergometrina é compatível em solução
com amicacina, cefapirina, dextrano, procaína, bicarbonato de sódio. É tam-
bém compatível em vários tipos de solução.
• Ergometrina injetável pode deteriorar ou degradar se exposta a altas tem-
peraturas. A solução escurece, por isso deve ser protegida da luz. Deve ser
armazenada sob refrigeração.

nIFedIpIno

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 17.4.7
Apresentação

• Cápsula ou comprimido 10 mg.

Indicação 1, 5, 6, 13

• Tratamento tocolítico em parto prematuro não-complicado, antes de 34 se-
manas de gravidez.

Contra-indicações 1, 6, 13

• Porfiria.
• Hipersensibilidade ao nifedipino ou a componentes da fórmula.

precauções 1, 5, 6, 13

• Insuficiência hepática (ver apêndice C).
• Gravidez (ver apêndice A).

esquemas de administração 1, 489

Adultas e adolescentes

• 60 a 160 mg por via oral, divididos em 3 a 4 doses diárias e ajustados de acor-
do com a atividade uterina. Pode-se iniciar com 30 mg por via oral, seguidos
de 10 a 20 mg a cada 6 horas.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5, 13

• Alimento parece reduzir a velocidade, mas não a extensão da absorção do
nifedipino em cápsulas convencionais.
• É extensamente metabolizado no fígado.

efeitos adversos 5, 13

• O nifedipino, empregado como tocolítico, apresenta efeitos adversos míni-
mos para mãe e feto.
• Discreta queda transitória da pressão arterial diastólica, rubor facial, cefaléia

e tontura.
• Rash, prurido, urticária.

Interações medicamentosas 1, 5, 6

• Fenobarbital, fenitoína e rifampicina possivelmente reduzem efeito do nife-

dipino.
• Tiopental aumenta o efeito hipotensivo.
• O uso concomitante com o sulfato de magnésio parenteral aumenta o risco
de bloqueio neuromuscular.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

742

orientação à paciente 5

• Alertar para não ingerir bebida alcoólica enquanto fizer uso deste medica-

mento.

Aspectos farmacêuticos 5, 13

• Proteger da umidade e da luz, armazenar abaixo de 30 ºC.

oCIToCInA

Sheila Silva Monteiro Lodder Lisboa

na rename 2006: item 17.4.7
Apresentação

• Solução injetável 5 UI/mL.

Indicações 1, 2, 6, 13

• Indução de parto no terceiro trimestre.
• Pré-indução: apagamento e amolecimento do colo uterino (após ruptura de
membranas).
• Profilaxia e tratamento de hemorragia pós-parto.

Contra-indicações 1, 2, 5, 6

• Sofrimento fetal quando o parto não é iminente.
• Hipersensibilidade ao fármaco.
• Emergências obstétricas.
• Desproporção cefalopélvica significativa.
• Posição fetal desfavorável.
• Hiperatividade ou hipertonia uterina.
• Parto vaginal contra-indicado ou desaconselhado.
• Indução de parto eletivo.
• Toxemia grave, pré-eclâmpsia ou doença cardiovascular grave.
• Contrações uterinas hipertônicas.

precauções 1, 2, 5, 6, 13

• Recomenda-se observação contínua, por equipe treinada, de toda paciente
que receba ocitocina por via intravenosa.
• Monitorizar mãe e feto durante a administração, para evitar complicações.
• Cautela em paciente com idade acima de 35 anos ou com história de secção
cesariana do segmento inferior uterino.
• Restringir ingestão líquida porque ocitocina tem ação antidiurética. Pode
ocorrer intoxicação por água, com convulsões, coma e morte, se a infusão
contínua de ocitocina for associada a grande quantidade de fluido adminis-
trado por via oral. Pode ocorrer convulsão fetal. Nenhuma paciente deve
receber mais de 3 L de solução contendo ocitocina.
• Lactação (ver apêndice B).
• Categoria de risco na gravidez (FDA): X.

esquemas de administração 1, 2, 5, 6, 13

Adultas e adolescentes

Indução de parto

• 0,001 a 0,002 unidades/minuto, por infusão intravenosa contínua, com
aumentos da mesma quantidade em intervalos de 30 minutos até atingir o
máximo de 3 a 4 contrações a cada 10 minutos; velocidade máxima: 0,02
unidades/minuto. Máximo: 5 unidades/dia.
• Importante: monitorizar freqüência cardíaca fetal e motilidade uterina
para a titulação de dose; interromper imediatamente se houver hiperativi-
dade uterina ou sofrimento fetal.

743

Medicamentos que atuam sobre os Sistemas endócrino e reprodutor

Prevenção de hemorragia pós-parto

• 5 a 10 unidades, por via intramuscular ou intravenosa lenta, imediata-
mente após nascimento.

Tratamento de hemorragia pós-parto

• 10 a 40 unidades, por via intravenosa, adicionadas ao líquido de infusão
(máximo de 40 unidades/2.000 mL); ajustar velocidade de infusão para
manter contrações e controlar atonia uterinas.
• Em casos graves: 10 unidades por injeção intramuscular, seguida por infu-
são intravenosa de um total de 40 unidades administradas na velocidade
de 0,02-0,04 unidades por minuto; iniciar após eliminação da placenta.
• Antes da administração intravenosa, a ocitocina deve ser diluída: adicio-
nar 10 unidades a 1 litro de cloreto de sódio a 0,9%, Ringer lactato ou
dextrose a 5%.
• Para evitar intoxicação por água, usa-se diluente contendo eletrólitos (não
glicose), aumentando a concentração de ocitocina para reduzir fluido e
restringindo ingestão oral de líquidos.
• Monitorizar fluidos e eletrólitos durante tratamento.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5, 6, 489

• Início das contrações uterinas: 1 minuto (intravenosa); 3-5 minutos (intra-
muscular).
• Duração das contrações uterinas: 1 hora (intravenosa); 2-3 horas (intramus-

cular).

• Meia-vida de eliminação: 3-5 minutos, podendo chegar a 17 minutos.
• Ao final da gravidez e durante a lactação, a meia-vida é ainda mais reduzida
pela inativação da ocitocina pela ocitocinase, enzima produzida tardiamente
na gravidez.

efeitos adversos 1, 2, 5, 6, 13, 489

• Espasmo uterino, hiperestimulação uterina.
• Náusea, vômito, arritmias, rashes e reações anafilactóides, como sensação de
peso na região peitoral, eritema e edema perioral e periorbital, hipotensão,
urticária generalizada, broncoconstrição, raramente fatais.
• Intoxicação hídrica, com hiponatremia, convulsões, coma.
• Hiperbilirrubinemia e icterícia neonatal, hemorragia retiniana.
• Convulsões no neonato.
• Injeção rápida intravenosa produz hipotensão aguda transitória com rubor e
taquicardia reflexa.

Interações medicamentosas 2, 6, 13

• O uso concomitante com halotano pode levar a bradicardia sinusal materna com
ritmos atrioventriculares alterados, hipotensão e redução do efeito ocitócico.
• O uso associado com epinefrina aumenta o risco de hipertensão.

orientações à paciente 5, 13

• Alertar para não ingerir muita água enquanto usar este medicamento.

Aspectos farmacêuticos 5, 13

• Armazenar a temperaturas inferiores a 15-25 ºC, mas não congelar.
• Ocitocina parenteral é compatível com a maioria dos fluidos para infusão
intravenosa, bem como com cefotetana, cloranfenicol, dextrano 70%, he-
parina, succinato sódico de hidrocortisona, insulina regular, petidina, me-
taraminol, morfina, netilmicina, cloreto de potássio, procaína, bicarbonato
de sódio, tetraciclina, tiopental, verapamil, complexo vitamínico B e ácido
ascórbico.
• Incompatibilidades com: aminofilina, ácido ascórbico, fibrinolisina, norepi-
nefrina, bissulfito de sódio, varfarina.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

744

17.4.8 Fármaco usado para bloqueio da lactação

Cabergolina é agonista dopaminérgico considerado como fármaco de es-
colha para a inibição de lactação, por apresentar boa eficácia, comodidade de
posologia e baixas taxas de lactação rebote490

. Foi selecionado para bloqueio de
lactação em portadoras de HIV, respeitando-se as contra-indicações491

. Tam-
bém é empregado em casos de hiperprolactinemia associada a acromegalia492
ou induzida por risperidona493
.

CABerGoLInA

Karen Luise Lang

na rename 2006: item 17.4.8
Apresentação

• Comprimidos de 0,5 mg.

Indicações 2, 4, 5

• Hiperprolactinemia.
• Supressão da lactação em lactantes HIV positivas.

Contra-indicações 5

• Hipersensibilidade ao fármaco ou a outros derivados do ergot.
• Hipertensão arterial sistêmica não controlada.

precauções 2, 4, 5

• Doses iniciais superiores a 1 mg podem provocar hipotensão ortostática, es-
pecialmente em pacientes fazendo uso de anti-hipertensivos.
• Insuficiência hepática grave (ver apêndice C) pode elevar as concentrações
plasmáticas de cabergolina.
• O tratamento prolongado com cabergolina eleva o risco de desenvolvimento
de efusão pleural, fibrose pulmonar e valvulopatia.
• Pode aumentar o risco de hipertensão, derrame e convulsões.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): B (ver apêndice A).

esquemas de administração 2, 4, 5

Adultos

Hiperprolactinemia

• Inicialmente: 0,25 mg, por via oral, duas vezes por semana, com incre-
mento de até 0,25 mg a cada dose, no período de 4 semanas. Dose máxi-
ma: 1 mg, duas vezes por semana.

Supressão da lactação

• 1 mg, 24 a 27 horas após o parto.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4, 5, 6

• Início da ação: em hiperprolactinemia: 3 horas; para inibição da lactação:

24 horas.
• Pico de concentração: 3 horas.
• Metabolismo: preponderantemente hepático.
• Meia-vida: 63 a 69 horas.
• Excreção fecal (60%) e renal (22%).

efeitos adversos 2, 5, 6

• Mais freqüentes: constipação, náuseas, vertigens, cefaléia, sonolência, de-
pressão e fadiga.
• Menos freqüentes: ansiedade, insônia, confusão, hipotensão ortostática,
arritmias, desordens valvulares, edema periférico, crises de calor, astenia,
prurido, dismenorréia, dor abdominal, dispepsia, xerostomia, diarréia, fla-
tulência, parestesia, rinite.

745

Medicamentos que atuam sobre os Sistemas endócrino e reprodutor

Interações medicamentosas 2, 5

• Antagonistas dopaminérgicos como metoclopramida, domperidona, feno-
tiazinas (clorpromazina, flufenazina), butirofenonas (haloperidol, droperi-
dol) e tioxantênicos (tiotixeno) podem reduzir a ação de ambos os fármacos.
A terapia simultânea não é recomendada.
• Eritromicina e demais antibióticos macrolídeos podem elevar as concentra-
ções plasmáticas da cabergolina pela inibição de seu metabolismo hepático.

orientações às pacientes 4

• Orientar para o possível esquecimento de uma dose: ingerir assim que a pa-
ciente lembrar. Se o horário já estiver próximo da dose seguinte, as duas do-
ses devem ser ingeridas. O esquecimento de doses deve sempre ser relatado
ao médico.
• Alertar para notificar imediatamente em caso de suspeita de gravidez duran-
te o tratamento.
• Orientar para a exigência de cautela ao realizar atividades que exijam aten-
ção, como dirigir veículos e operar máquinas, pois o medicamento pode pro-
vocar sonolência.
• Orientar para executar lentamente movimentos como sentar e levantar para
evitar vertigens.

Aspectos farmacêuticos 5

• Manter ao abrigo de ar e luz e à temperatura ambiente, de 20 a 25 ºC.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

746

18 MEDICAMENTOS TóPICOS USADOS
EM PELE, MUCOSAS E FâNEROS

18 MEDICAMENTOS TÓpICOS uSADOS EM pELE,
MuCOSAS E FÂNEROS 749
18 1 Anestésico local 749
cloridrato de lidocaína 749
18 2 Antiinfectantes 749
cetoconazol 751
gliconato de clorexidina 751
metronidazol 751
nistatina 751
nitrato de miconazol 751
permanganato de potássio 751
sulfadiazina de prata 751
18 3 Antipruriginoso e antiinflamatório 752
acetato de hidrocortisona 752
dexametasona 754
18 4 Agentes ceratolíticos e ceratoplásticos 755
ácido salicílico 756
alcatrão mineral 757
pasta d’água 758
peróxido de benzoíla 758
podofilina 759
18 5 Escabicida e pediculicida 760
permetrina 760
18 6 Outros 761
óleo mineral 762

18 MedICAMenToS TÓpICoS uSAdoS eM peLe,
MuCoSAS e FÂneroS

Lenita Wannmacher

18.1 Anestésico local

Lidocaína, em forma de gel, anestesia mucosas para controle de dor em pro-
cedimentos diagnósticos ou intervenções cirúrgicas. Nesta forma, penetra bem
em mucosas em concentrações entre 5% e 20%. Para transpor pele íntegra, exige
concentrações mais elevadas (40%), e a absorção é lenta. Em aerosol, serve para
anestesia da orofaringe durante a intubação traqueal (ver item 1.2, página 71).
A mucosa do palato é mais resistente aos efeitos anestésicos locais que outros
sítios intra-orais494

. Comparando lidocaína 5%, benzocaína gel a 18% e creme
de EMLA 5% em anestesia tópica bucal antes de infiltração anestésica em 60
crianças, a dor foi mais rapidamente suprimida com benzocaína e EMLA de-
monstrou ser superior a benzocaína e lidocaína495

. Em outro ensaio randomi-

zado e duplo-cego496

. EMLA foi comparada a lidocaína gel a 2,5% em cirurgias
menores de gengiva. A duração e a eficácia da anestesia com EMLA foi maior
do que a de lidocaína.

CLorIdrATo de LIdoCAínA

(ver página 75)

18.2 Antiinfectantes

Cetoconazol sob forma de xampu 2% é usado em pitiríase versicolor e der-
matite seborréica. Em pequeno estudo aberto, determinou desaparecimento de
sinais e sintomas de pitiríase versicolor em 30 pacientes, após três dias de aplica-
ção497

. Em ensaio clínico randomizado498

, foi comparado a xampu de flutrimazol
1% no tratamento de pitiríase versicolor, aplicados durante 14 dias, demonstran-
do a mesma eficácia. Igual similaridade foi vista entre xampu de cetoconazol e
xampu de sulfeto de selênio em pitiríase versicolor499

e entre o primeiro e xampu

de ciclopirox em dermatite seborréia3

. Em estudo clínico randomizado, duplo-

cego e controlado por placebo500

, realizado em 322 pacientes com tinea versico-
lor, xampu de cetoconazol 2% determinou resposta clínica significativamente
mais favorável com aplicação única ou tratamento por três dias do que placebo
(P < 0,001). Ao fim de 31 dias, as proporções de pacientes com melhora clínica
foram de 73%, 69% e 5% para tratamento de três dias, aplicação única e placebo,
respectivamente. Não houve diferença significativa entre os dois esquemas de
tratamento.

Clorexidina inibe a formação de placa e é eficaz no manejo de gengivites,
tendo atuação também sobre a microbiota cariogênica. Altera a aderência e
modifica a parede celular da bactéria, promovendo sua lise. Atinge bactérias
Gram positivas e negativas e leveduras. Pode ser utilizada por períodos prolon-
gados de tempo, sem que haja adaptação definitiva da microbiota ao fármaco,
propiciando uso continuado em pacientes com impossibilidade de realizar me-
didas mecânicas de controle de placa. A alta substantividade (capacidade de
permanecer ativa na cavidade bucal), devida a sua natureza dicatiônica, faz dela
a primeira escolha como substitutiva do controle mecânico da placa bacteriana.
Até o presente momento, nenhum anti-séptico conseguiu superá-la em estudos
clínicos controlados501
.
Metronidazol em forma de creme vaginal serve para tratamento de trico-
moníase. A resistência a metronidazol nessa condição é rara, quando pode ser
substituído por tinidazol502

. Há preocupação sobre seu uso em gestantes. Revi-

749

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

são sistemática503

mostrou que no tratamento de tricomoníase, metronidazol
reduziu o risco de infecção persistente, mas aumentou a incidência de parto
prematuro. Sob forma de gel, creme ou loção, e em concentrações de 0,75% e
1%, apresentou similar eficácia em acne rosácea504

. Estudo505

mostrou que me-
tronidazol tópico em monoterapia foi tão eficaz quanto 250 mg de tetraciclina
oral. Sua eficácia aumentou quando combinado com doxiciclina 20 mg, duas
vezes ao dia. Metronidazol tem benefício comprovado no tratamento de vagi-
nose bacteriana sintomática em mulheres não-gestantes. Metanálise506

compa-
rou metronidazol tópico com placebo e metronidazol sistêmico nessa condição,
evidenciando superioridade do fármaco ativo em relação ao placebo e eficácia
similar entre os regimes tópico e sistêmico. Uso profilático de gel vaginal de me-
tronidazol resultou em redução significativa de casos de clamídia507

. Em revisão

do Clinical Evidence508

, metronidazol gel e clindamicina creme, ambos por via
vaginal, superaram o placebo na cura de vaginose bacteriana, sem haver, entre-
tanto, diferenças estatisticamente significantes entre os fármacos. Ensaio clínico
mostrou não haver diferenças significativas entre administração única ou a cada
12 horas ao dia de metronidazol gel em termos de taxas de cura. A administra-
ção intravaginal reduz absorção sistêmica e efeitos adversos sistêmicos.
Nistatina em suspensão oral tem efeito local sobre as mucosas do trato di-
gestivo, pois não se absorve sistemicamente. Usada profilaticamente em unida-
des de tratamento intensivo, mostrou reduzir o risco de candidíase invasiva em
recém-nascidos de baixo peso corporal509

e em pacientes em ventilação mecâni-

ca510

. Em crianças imunocompetentes com candidíase de orofaringe, revisão do

Clinical Evidence511

relata a comparação entre miconazol gel, nistatina em sus-
pensão e nistatina gel que evidenciou ter miconazol aumentado significativa-
mente a taxa de cura (P < 0,0001), bem como a comparação entre nistatina oral
versus fluconazol por sete dias, mostrando maior cura clínica com fluconazol
(P < 0,0001). Em crianças imunocomprometidas, fluconazol também superou
nistatina.

Miconazol é usado em infecções fúngicas superficiais, apresentando a vanta-
gem de variadas formas farmacêuticas. Seu espectro abrange dermatófitos, Ma-
lassezia furfur, Candida albicans e fungos saprófitas. Metanálise512

mostrou que
imidazólicos (inclusive miconazol), administrados por quatro a seis semanas
no tratamento de Tinea pedis, aumentaram significativamente a taxa de cura
em relação ao placebo. Ensaio clínico513

evidenciou superioridade do miconazol
em relação ao placebo no tratamento de candidíase vulvovaginal em mulheres
não gestantes. Há eficácia clínica similar entre diversos imidazólicos intravagi-
nais (butoconazol, clotrimazol ou miconazol) em reduzir persistentemente os
sintomas de candidíase vaginal depois de 4-5 semanas em comparação a pla-
cebo515

. Na mesma revisão, não se encontraram diferenças entre imidazólicos
intravaginais e fluconazol ou itraconazol por via oral. Em dermatite das fraldas
miconazol tópico demonstrou ser eficaz e seguro, pois a absorção sistêmica é
mínima514
.

Permanganato de potássio é anti-séptico dermatológico bactericida usado
para o tratamento das dermatites de etiologia infecciosa. Utilizado em compres-
sas nas dermatoses agudas exsudativas, tem efeito calmante, descongestionante
e anti-exsudativo.

Sulfadiazina de prata é derivado sulfonamídico muito raramente sensibi-
lizante, sendo usado sob forma de pasta. Atua contra bactérias Gram positivas
e negativas. Está indicado profilática e terapeuticamente em úlceras crônicas e
queimaduras. Tratamentos tópicos com prata e curativos com prata foram ava-
liados em revisão Cochrane516

de 3 estudos que concluiu pela ausência de sufi-
cientes evidências que recomendem o uso desses produtos em feridas crônicas
contaminadas ou infectadas.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

750

CeToConAzoL

(ver página 259)

GLIConATo de CLorexIdInA

(ver página 325)

MeTronIdAzoL

(ver página 223)

nISTATInA

(ver página 260)

nITrATo de MIConAzoL

(ver página 261)

perMAnGAnATo de poTáSSIo

(ver página 329)

SuLFAdIAzInA de prATA

Simone Saad Calil

na rename 2006: item 18.2
Apresentação

• Creme 1%.

Indicações 1

• Profilaxia e tratamento de infecção em queimaduras.
• Tratamento adjuvante de curto prazo para infecção de úlcera de perna e de

decúbito.
• Profilaxia de infecção em áreas de abrasão em enxerto de pele.

Contra-indicações 1-5, 8

• Hipersensibilidade a prata ou sulfonamidas.
• Gravidez (ver apêndice A).
• Bebês prematuros ou até 2 meses de idade, pois segurança e eficácia não fo-
ram estabelecidas.

precauções 1-5, 8

• Deficiência de glicose 6-fosfato desidrogenase (G6PD).
• Insuficiência renal (ver apêndice D) ou hepática (ver apêndice C).
• Lactação (ver apêndice B).
• Categoria de risco na gravidez (FDA): B, nos dois primeiros trimestres.
• Evitar uso em áreas extensas.
• Suspender tratamento se alterações hematológicas e rashes cutâneos sur-

gem.

• Não suspender o uso e fazer contagens sangüíneas se ocorre leucopenia após
2 a 3 dias de uso. A alteração é auto-limitada.

esquemas de administração 4, 5, 8

Adultos e crianças maiores de 2 meses

• Infecção em queimaduras: aplicar uma camada de 1,5 mm, 1 a 2 vezes ao dia,
até cicatrização da lesão.

751

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

• Podem ser feitos curativos após a aplicação do creme.
• A aplicação pode ser mais freqüente em casos de lesões em áreas suscetíveis
à remoção por movimentação do paciente.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4-6

• Absorção: pode haver pequena absorção de sulfadiazina, mas não há absor-
ção sistêmica considerável de prata.
• Meia-vida de eliminação: 10 horas.
• A meia-vida aumenta para 22 horas em pacientes anúricos.

efeitos adversos 1-5

• Leucopenia.
• Pouco freqüentes: argiria, reações alérgicas.

orientações aos pacientes 2-5, 8

• Orientar que este medicamento somente pode ser empregado para uso exter-
no e para não aplicar ao redor dos olhos.
• Orientar para lavar as mãos antes e depois de usar o creme.
• Ensinar a remover a pele necrosada e a manter a área sempre limpa.
• Ensinar a utilizar luva estéril para aplicação.

Aspectos farmacêuticos 4-6, 8

• Conservar à temperatura ambiente, em recipientes bem fechados. Manter ao
abrigo de luz, calor e umidade. Não congelar.

18.3 Antipruriginoso e antiinfamatório

Hidrocortisona sob forma de creme é corticosteróide tópico de potência
leve que está indicado em manifestações dermatológicas de caráter inflamató-
rio, tais como dermatite atópica e pênfigo bolhoso. Dois ensaios clínicos517

ava-
liaram a eficácia de associações tópicas de corticosteróides e antimicrobianos
versus corticosteróides tópicos isolados na mesma doença. Não houve diferença
significativa quanto à melhora clínica entre hidrocortisona + ácido fusídico e
hidrocortisona isolada518

. Em eczema atópico de crianças, a comparação de be-
tametasona 0,1% versus hidrocortisona a 1% não mostrou diferença significati-
va em relação a desfechos clínicos (P = 1,00)519
.
Dexametasona é corticosteróide tópico com ação antiinflamatória, vaso-
constritora e antipruriginosa. A forma de creme 1% integra a classe de potência
fraca, sendo a mais indicada por apresentar menos efeitos adversos. Corticóides
de baixa potência podem ser usados em lactentes (dermatite das fraldas), por
tempo curto. O creme pode ser usado em face, dobras e genitais. O tratamento
não deve exceder a duas semanas sem cuidadosa avaliação médica. Também o
uso de altas doses e o emprego sob oclusão na pele podem acarretar efeitos sis-
têmicos. Constitui tratamento de escolha em dermatite de contato, seja irritativa
ou alérgica. Também usado em líquen plano, neurodermatite, desidrose, ecze-
mas agudos e crônicos, lúpus eritematoso discóide, pênfigo vulgar, alopécia are-
ata, dermatomicoses e prurigo nodular. Em eczema atópico, há insuficiente evi-
dência que determine a superioridade de um corticóide tópico sobre outro519
.

ACeTATo de hIdroCorTISonA

Simone Saad Calil

na rename 2006: item 18.3
Apresentação

• Creme 1%.

Indicações 1

• Tratamento sintomático de processos inflamatórios cutâneos: eczemas, der-
matite de contato, picadas de insetos, eczema de escabiose.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

752

• Pruridos.

Contra-indicações 1-5, 8

• Hipersensibilidade.
• Lesões na pele causadas por fungos, bactérias e vírus.
• Rosácea, acne, dermatite perioral, psoríase em placa, urticária.

precauções 1-5, 8

• Evitar tratamentos prolongados, principalmente na face.
• Usar preferencialmente corticóides tópicos de baixa potência.
• Crianças: absorção exacerbada (maior susceptibilidade a efeitos adversos).
• Idosos: maior risco de púrpura e lacerações na pele.
• Fator de risco na gravidez (FDA): C (ver apêndice A).
• Lactação (ver apêndice B).

esquemas de administração 1-5, 8

Adultos e crianças

• Aplicar fina camada na área afetada, 1-2 vezes ao dia, por 1-2 semanas.
• O tratamento deve ser realizado em curtos períodos, mas pode durar 2-4
semanas no caso de psoríase em face e dobras; não deve exceder 1 semana
nos casos de lesões inflamatórias não infectadas em lábios e região perioral.
• Para minimizar a possibilidade de absorção sistêmica significativa em trata-
mento prolongado, deve-se interromper o tratamento periodicamente, apli-
car pequenas quantidades do creme ou tratar uma área do corpo por vez.
• Em casos mais graves pode ser necessária a oclusão da lesão.

Quantidade máxima de creme a ser aplicada em diferentes áreas do
corpo, em adultos

área do corpo

Quantidade máxima de creme, em adultos

Cabeça (excluindo couro cabeludo)

1-2 g

Braço

1-2 g

perna

3-6 g

peito/dorso

3-6 g

Região genital/anal

1-2 g

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4-6, 8

• Absorção: rápida.
• A absorção é afetada pelo tipo de veículo utilizado, pela área de aplicação e
pelo grau da lesão na pele.
• Início de resposta: 7 dias.

efeitos adversos 1-5

• Os efeitos adversos são raros, mas podem ser sistêmicos quando aplicado em
grande quantidade, em áreas extensas da pele, com curativos oclusivos ou em
pele lesionada.
• Hipersensibilidade.
• Afinamento da pele, telangiectasia, estrias, diminuição na cicatrização de
feridas, equimose, hirsutismo.

orientações aos pacientes 1-5

• Orientar que este medicamento é somente para uso externo e para evitar
contato com olhos e mucosas.
• Orientar para não cobrir a pele tratada com curativos oclusivos.
• Orientar para evitar fraldas plásticas ou apertadas caso o creme seja aplicado
na área da fralda.

753

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

• Alertar para não aplicar com outros medicamentos no mesmo local da pele.
Obedecer ao intervalo de pelo menos 30 minutos entre a aplicação de dife-
rentes medicamentos na mesma região.

Aspectos farmacêuticos 4-6, 8

• Conservar a temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes bem fechados.
Evitar o congelamento. Manter ao abrigo de luz, calor e umidade.

dexAMeTASonA

Rogério Hoefler

na rename: item 18.3
Apresentação

• Creme 0,1%.

Indicações 1

• Processos inflamatórios da pele, incluindo dermatite de contato, dermatite
atópica (eczema), dermatite seborréica, líquen plano, psoríase e prurido in-
tratável.

Contra-indicações 1-5, 8

• Hipersensibilidade ao fármaco.
• Infecções de pele por fungos, bactérias e vírus, não tratadas.
• Rosácea, acne, dermatite perioral, pele rachada, psoríase em placa difusa.

precauções 1-5, 8

• Evitar uso prolongado em crianças.
• Pode precipitar psoríase pustular grave na retirada.
• Pode ocorrer supressão adrenal se usada sobre grande área do corpo ou por
longo tempo, particularmente com curativo oclusivo.
• Evitar uso na face por mais de sete dias.
• Infecção secundária requer tratamento com um antimicrobiano apropriado.
• Extremo cuidado é requerido em dermatoses da infância, incluindo erupção
cutânea da fralda, quando o tratamento deve ser limitado a 5-7 dias.
• Crianças apresentam maior absorção e maior suscetibilidade a efeitos adver-

sos.

• Em idosos, há maior risco de púrpura e lacerações na pele.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C (ver apêndice A).
• Lactação (ver apêndice B).

esquemas de administração 1-5, 8

Adultos e crianças maiores que 2 anos

• Aplicar pequena quantidade na área afetada, uma a duas vezes ao dia, até que
ocorra melhora, quando então a freqüência deve ser diminuída.
• O creme deve ser espalhado em camada fina sobre a pele; o comprimento do
creme expelido do tubo pode ser usado para especificar a quantidade a ser
aplicada para determinada área da pele. A dose pode ser medida pela ponta
de um dedo (distância da ponta até a primeira prega do dedo indicador de
um adulto). Esta dose (aproximadamente 500 mg) é suficiente para cobrir
uma área duas vezes a da superfície da palma da mão de um adulto.
• O tratamento deve ser realizado em curtos períodos (máximo de 1 a 2 sema-

nas).

• Para minimizar a possibilidade de absorção sistêmica significativa em trata-
mento prolongado, deve-se interromper o tratamento periodicamente, apli-
car pequenas quantidades do creme ou tratar uma área do corpo por vez.
• Em casos mais graves, pode ser necessária a oclusão da lesão.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

754

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4-6, 8

• Absorção: rápida, sendo afetada por tipo de veículo utilizado, área de aplica-
ção e grau da lesão na pele.
• Início de resposta: 7 dias.
• Biotransformação primeiramente na pele e, após, no fígado.

efeitos adversos 1-5

• Os efeitos adversos são raros, mas podem ser sistêmicos quando o creme é
aplicado em grande quantidade, em extensas áreas de pele, com curativos
oclusivos ou em pele lesionada.
• Agravamento de infecção local bacteriana, fúngica e parasitária.
• Alterações atróficas locais, particularmente sobre a face e flexuras, caracte-
rizadas por afinamento da derme, despigmentação, dilatação dos vasos san-
guíneos superficiais e formação de estrias.
• Dermatite de contato, dermatite perioral e acne no local da aplicação.
• Supressão do eixo hipotálamo-pituitário-adrenal com uso prolongado ou
difuso (particularmente sob oclusão).
• Hipertricose e hipersensibilidade cutânea.

orientações aos pacientes 1-5

• Alertar para evitar contato com olhos e mucosas.
• Alertar para evitar cobrir a pele tratada com curativos oclusivos.
• Orientar para evitar uso de fraldas plásticas ou apertadas se for necessário
aplicar na área da fralda em crianças,.
• Orientar para não aplicar com outros medicamentos no mesmo local da pele,
ou, se for necessário, respeitar intervalo de pelo menos 30 minutos entre as
aplicações de diferentes medicamentos na mesma região.

Aspectos farmacêuticos 4-6, 8

• Conservar a temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes bem fechados.
Evitar o congelamento. Manter ao abrigo de luz, calor e umidade.

ATENçãO: para reduzir os efeitos adversos do corticosteróide tópico, é im-
portante aplicá-lo em camada fina, somente sobre as áreas afetadas, duas
vezes ao dia no máximo, e usar a formulação de menor potência

18.4 Agentes ceratolíticos e ceratoplásticos

Ácido salicílico tem ação ceratolítica e descamante. Usa-se em verrugas e
outras hiperceratoses. Em associação com antifúngicos, remove a camada cór-
nea, propiciando maior penetração do agente específico. Seus efeitos adversos
são irritação local e dermatite atópica. Uso prolongado de ácido salicílico em
grandes áreas de pele, especialmente em crianças e pacientes com deficiência
renal e hepática, pode levar a salicilismo. Em psoríase em placa crônica, não
mostrou resultado diferente do placebo após 3 semanas520

. Mas há consenso de

que possa ser agente adjuvante no tratamento da psoríase.
Alcatrão mineral em duas concentrações (1% e 5%) foi avaliado para trata-
mento de psoríase leve a moderada por 12 semanas. A primeira concentração
foi mais eficaz nos escores avaliados. As preparações não diferiram com respeito
a perfil de segurança521

. Ainda em psoríase, alcatrão foi comparado a calpo-

citriol e corticóides tópicos. No primeiro estudo522

, pomada de calpocitriol a
0,005% determinou resposta mais rápida e teve maior aceitabilidade cosmética
pelos pacientes, mas ao longo do tratamento a eficácia foi comparável à de alca-
trão. O segundo estudo523

mostrou que, em pacientes com psoríase e irritação
cutânea induzida por ditranol, corticóides foram mais eficazes que alcatrão para
minimizar a irritação causada por ditranol.

755

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

Pasta d’água tem ação antipruriginosa e ceratoplástica. É usada em dermati-
tes agudas não exsudativas.
Peróxido de benzoíla em forma de gel é usado no tratamento de acne vulgar

e pele oleosa.

Podofilina é agente citolítico a ser aplicado em condilomas anogenitais,
causados por papiloma vírus humano e sexualmente transmitidos. Irritação e
ulceração locais são os efeitos adversos. Não deve ser aplicado durante a gra-
videz. Podofilina pode conter compostos mutagênicos e não tem formulação
padronizada, pelo que se prefere podofilotoxina, apesar de risco de ardência no
local e sangramento1

. Não se mostrou diferença de eficácia entre podofilotoxina
e podofilina em relação a desaparecimento de lesões e recorrência. Um ensaio
clínico mostrou superioridade de podofilina versus interferona sistêmica no de-
saparecimento de lesões em três meses. Outro estudo não encontrou diferença
significativa entre podofilina a 10% e podofilina a 25%, tanto quanto a eficácia
como em relação ao surgimento de hipersensibilidade ou ulceração524
.

áCIdo SALICíLICo

Marcela de Andrade Conti

na rename 2006: item 18.4
Apresentação

• Pomada 5% (Formulário Nacional).

Indicações 1-6, 8

• Hiperceratoses, como ictioses, ceratose plantar e das mãos.
• Psoríase.
• Dermatite seborréica.
• Verrugas e calosidades (empregam-se formulações contendo 5% a 40% de
ácido salicílico).

Contra-indicações 1-5

• Crianças com menos de 2 anos.
• Aplicação sobre feridas ou inflamações cutâneas.
• Hipersensibilidade.

precauções 1-6, 8

• Evitar contato com o rosto, olhos, boca, mucosas e região anogenital.
• Evitar uso prolongado e aplicação em áreas extensas, para minimizar absor-
ção e efeitos sistêmicos.
• Em crianças e indivíduos com disfunção hepática ou renal, o risco de salici-
lismo dever ser monitorado.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C (ver apêndice A).

esquemas de administração 1, 4-6, 8

Adultos

• Hiperceratoses, psoríase e dermatite seborréica: aplicar sobre a área limpa e
seca, uma vez ao dia, preferencialmente à noite, mantendo-a sob oclusão.
• Verrugas e calosidades de mãos e pés (geralmente de 5 a 40%): aplicar 1 a 2
vezes ao dia, por até 12 semanas.

Crianças com mais de 2 anos

• Psoríase: aplicar sobre a área limpa e seca, uma vez ao dia, considerando-se o
risco aumentado de toxicidade devido à maior proporção da área tratada em
relação à superfície corporal total.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5, 8

• Absorção sistêmica: aproximadamente 25%.
• Pode atravessar a barreira placentária.
• Eliminação urinária.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

756

efeitos adversos 1-6, 8

• Irritação local, dermatite, ressecamento da pele.
• Salicilismo, geralmente após aplicação excessiva, particularmente em crian-

ças.

Interações medicamentosas 4, 5, 8

• Vacina contra varicela: evitar o uso da pomada durante as 6 semanas após a
administração da vacina devido ao risco aumentado de desenvolvimento da
síndrome de Reye.
• Efeito sinérgico com antifúngicos, pois facilita sua absorção pela redução da
camada de ceratina.

orientações aos pacientes 1-6, 8

• Orientar para evitar contato com o rosto, olhos, boca, mucosas, região anal
ou genital.
• Orientar para evitar o uso de outros produtos tópicos ao mesmo tempo e no
mesmo local.

Aspectos farmacêuticos 4, 6, 8

• Conservar em temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes bem fechados.

ALCATrão MInerAL

Marcela de Andrade Conti

na rename 2006: item 18.4
Apresentação

• Pomada 1%.

Indicações 1, 2, 4, 5

• Psoríase em placa crônica, em monoterapia ou associada à radiação ultravio-

leta.
• Fase de liquenificação de eczema crônico.

Contra-indicações 1-3, 5, 8

• Psoríase purulenta, aguda ou inflamada, eczema exsudativo.
• Foliculite ou acne.
• Hipersensibilidade.
• Uso anterior sem resposta clínica.

precauções 1-6, 8

• Evitar exposição do paciente à luz solar ou à radiação ultravioleta para redu-
zir as reações de fotossensibilidade.
• Caso seja parte do tratamento com radiação ultravioleta, essa deve ocorrer
de 2 a 72 horas após a aplicação da pomada de alcatrão mineral que deve ser
previamente removida da pele.
• Não aplicar em áreas inflamadas ou lesionadas ou nas regiões genital ou re-

tal.
• Evitar contato com os olhos.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.
• Lactação, não há estudos conclusivos sobre o uso de alcatrão mineral durante
a lactação.

esquemas de administração 1-5, 8

Adultos e crianças

• Aplicar sobre a pele limpa, uma a três vezes ao dia.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 5

• Excreção: urinária, detecta-se acridina na urina após o uso tópico.

efeitos adversos 1-5, 8

• Mais comum: foliculite estéril.

757

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

• Pouco freqüentes: irritação, alergia de contato, reações de fotossensibilidade,
fototoxicidade.
• Alteração da cor de pele e pêlos.

orientações aos pacientes 1-5, 8

• Orientar para proteger a área tratada da luz solar durante 72 horas.
• Orientar para evitar contato com os olhos.
• Alertar que a pomada possui odor desagradável e pode manchar a roupa.

Aspectos farmacêuticos 4, 8

• Conservar em temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes bem fechados.

pASTA d’áGuA

Marcela de Andrade Conti

na rename 2006: item 18.4
Apresentação 14

• Pasta (Formulário Nacional).

Indicação 2-4, 6, 8

• Adstringente suave, em irritações cutâneas, eczemas, feridas e hemorróidas.

Contra-indicação 8

• Hipersensibilidade.

precaução 4, 8

• Evitar contato com olhos e mucosas.

esquemas de administração 8, 525

Adultos e crianças

• Aplicar sobre a pele limpa, duas a três vezes ao dia.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4

• Não há absorção sistêmica relevante.

efeito adverso 8

• Irritação local.

orientações aos pacientes 4

• Orientar para evitar contato com olhos e mucosas.
• Orientar para aplicar quantidade suficiente para cobrir a área afetada.

Aspectos farmacêuticos 4, 8

• Conservar em temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes bem fechados.

perÓxIdo de BenzoíLA

Marcela de Andrade Conti

na rename 2006: item 18.4
Apresentação

• Gel 2,5 e 5%.

Indicações 1, 2, 4-6, 8

• Acne leve a moderada, com boa resposta em comedões e lesões inflamadas.
• Adjuvante ao tratamento oral em casos de acne grave.

Contra-indicação 5, 8

• Hipersensibilidade ao produto.

precauções 4, 8

• Crianças com menos de 12 anos: segurança e eficácia não estabelecidas.
• Lactação.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): C.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

758

esquemas de administração 1, 2, 4, 5, 8

Adultos e crianças maiores de 12 anos

• Aplicar camada fina sobre a pele lavada com água e sabão, 1-2 vezes ao dia,
durante três dias. Se necessário, e caso não se desenvolvam irritações locais,
aplicar duas vezes ao dia. Inicia-se com formulação de menor concentração,
evoluindo-se, gradualmente para o uso de maior concentração.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4-6

• Absorção: transforma-se em ácido benzóico na pele; 5% do fármaco trans-
formado é sistemicamente absorvido.
• Início da ação: 48 horas.
• Melhora da condição clínica: 4 a 6 semanas.
• Eliminação urinária.

efeitos adversos 1-6, 8

• Pouco freqüentes: irritação local no início do tratamento (pode requerer re-
dução da freqüência de aplicações ou suspensão temporária), ressecamento
ou descamação da pele, coloração de pêlos e pele.

Interações medicamentosas 4

• Antibacterianos ou retinóides tópicos, se aplicados concomitantemente na
mesma região, podem ter seus efeitos terapêuticos diminuídos, além de au-
mentar irritação local da pele.

orientações aos pacientes 1-5, 8

• Orientar para lavar a região com sabão neutro antes da aplicação e não voltar
a lavar por pelo menos 1 hora.
• Orientar para não utilizar qualquer produto sobre a pele pelo período de 1
hora antes e 1 hora após a aplicação.
• Alertar para evitar contato com olhos, boca, mucosas e pele sensível, irritada
ou inflamada.
• Alertar para evitar exposição ao sol durante o uso deste medicamento.

Aspectos farmacêuticos 4, 8

• Conservar em temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes bem fechados e
ao abrigo da luz.

podoFILInA

Marcela de Andrade Conti

na rename 2006: item 18.4
Apresentação

• Soluções 10% e 25%.

Indicação 1-6, 8

• Tratamento de verrugas anogenitais externas (condiloma acuminado).

Contra-indicações 1-6, 8

• Categoria de risco na gravidez (FDA): X.
• Lactação.
• Crianças.

precauções 1-3, 5, 6, 526

• Evitar uso em áreas extensas e mucosas.
• Evitar contato com rosto, olhos, pele normal e feridas abertas.
• Para prevenir contato com a área adjacente, recomenda-se aplicação de va-
selina em torno da área afetada antes da aplicação da podofilina; como al-
ternativa, ou de forma conjunta, pode-se aplicar talco sobre a área onde foi
aplicada a podofilina.
• A aplicação deve ser feita por médico.

759

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

• Em lesões ceratinizadas, usar outras formas de terapia, como crioterapia ou
ablação cirúrgica.

esquemas de administração 1-6, 8

Adultos

• Aplicar, cuidadosamente, apenas sobre as verrugas, evitando contato com a
pele normal; enxaguar após 1 a 6 horas. Repetir a aplicação, semanalmente,
por até 4 a 6 semanas.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4

• Absorção sistêmica se houver aplicação sobre áreas extensas ou feridas aber-
tas, com efeitos sobre sistemas nervoso central, gastrintestinal, renal e hema-
tológico.

efeitos adversos 1-6, 8

• Irritação local.
• Efeitos sistêmicos resultantes de absorção cutânea, geralmente, após aplica-
ções excessivas: náusea, vômito, dor abdominal, diarréia, leucopenia transi-
tória, trombocitopenia, insuficiência renal, hepatotoxicidade, neurotoxicida-
de tardia, incluindo alucinações visuais e auditivas, desorientação, confusão
e delírio.

orientações aos pacientes 4

• Orientar para lavar a área tratada com bastante água e sabonete após o trata-

mento.

• Orientar sobre risco de contágio do condiloma acuminado no parceiro sexual.

Aspectos farmacêuticos 4, 6, 8

• Conservar em temperaturas entre 15 e 30 ºC, em recipientes de cor âmbar,
bem fechados.

ATENçãO: a aplicação de podofilina deve ser realizada por médico, em am-
biente hospitalar Devem-se tratar poucas verrugas ao mesmo tempo, e a
permanência do produto sobre a verruga não deve ultrapassar 6 horas, mi-
nimizando o risco de toxicidade 4, 5, 8

18.5 escabicida e pediculicida

Permetrina atua como pediculicida (loção) e escabicida (creme). Admite-se
que uma única aplicação de permetrina possa levar a 90% de cura, com pou-
quíssima toxicidade e irritação da pele. Ensaio clínico randomizado527

compa-
rou permetrina a ivermectina oral, mostrando, 14 dias após o término dos tra-
tamentos, maior taxa de cura clínica com permetrina. Em revisão sistemática528
,
permetrina a 1% (loção) aumentou significativamente as taxas de erradicação
comparativamente a lindano a 1% (xampu) depois de 14 dias. Em escabiose,
permetrina apresenta benefício definido, aumentando a cura clínica e determi-
nando erradicação do parasita em 28 dias529
.

perMeTrInA

Simone Saad Calil

na rename 2006: item 18.5
Apresentações

• Creme 5%.
• Loção 1%.

Indicações 1

• Escabiose e pediculose.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

760

Contra-indicações 3-5, 8

• Hipersensibilidade à permetrina ou outras piretrinas, sintéticas e naturais.
• Crianças com menos de 2 meses de idade.

precauções 1-5, 8

• Inflamação ou cortes em pele e escalpo (risco de exacerbação da lesão).
• Evitar contato com olhos e mucosas.
• O uso da loção em crianças menores de 6 meses e do creme em crianças entre
2 meses e 2 anos deve ser feito somente sob supervisão médica.
• O uso na pediculose pubiana não é recomendado para menores de 18 anos.
• Categoria de risco na gravidez (FDA): B.

esquemas de administração 1-5, 8

Adultos e crianças maiores de 2 anos

Escabiose e pediculose corporal (creme 5%)

• Aplicar na pele limpa, da cabeça às solas dos pés, deixando em contato
por 8 a 14 horas, e enxaguar com água abundante. Aplicar novamente se
as mãos forem lavadas em menos de 8 horas. Repetir a aplicação após 14
dias.

Pediculose (loção 1%)

• Aplicar nos cabelos, recém-lavados com xampu e ainda úmidos. Saturar
o couro cabeludo e o cabelo, e deixar agir por 10 minutos. Enxaguar com
água abundante e remover as lêndeas com pente fino. O tratamento deve
ser feito por 4 dias e repetido após uma semana.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 4, 5

• Absorção: 2% ou menos.
• Pico de resposta: 7 dias (creme).
• Duração da ação: 14 dias.

efeitos adversos 1-5

• Pouco freqüentes: prurido, eritema, queimação local.
• Raros: rash cutâneo, edema.

orientações aos pacientes 4, 5, 8

• Reforçar que o uso é exclusivamente externo; em caso de contato com os
olhos, lavar abundantemente com água corrente.
• Orientar para usar sabonetes neutros, pois sabonetes escabicidas aumentam
o risco de irritação.
• Orientar para a necessária agitação do frasco da loção antes do uso.
• Alertar para aplicar com cuidado nos espaços interdigitais e não lavar as
mãos após a aplicação.
• Orientar para emprego do pente fino e para a troca diária de roupas de uso e
roupas de cama; ensinar a ferver as roupas e passar a ferro bem quente para
não haver reinfestação.
• Orientar para a necessidade de investigar infestação em familiares e pessoas
próximas.
• Alertar que, após o tratamento da escabiose, o prurido pode permanecer por
algumas semanas, o que isso raramente significa falha da terapêutica, não
sendo necessária a repetição do tratamento.

Aspectos farmacêuticos 4, 5, 8

• Conservar à temperatura ambiente, em recipientes bem fechados. Manter ao
abrigo de luz, calor e umidade. Evitar congelamento.

18.6 outros

Óleo mineral tem ação emoliente. É o principal veículo empregado em
formulações de ceratolíticos, devido à sua consistência e por não sofrer ran-
cificação. Em estudo que comparou a lipofilia de vários veículos, óleo mineral
mostrou a menor capacidade lipofílica530

. Em ensaio randomizado e duplo-

761

Medicamentos Tópicos usados em pele, Mucosas e Fâneros

cego531

, óleo mineral foi comparado a óleo de côco virgem para tratamento de
ressecamento de pele por duas semanas. Os efeitos foram similares, em termos
de hidratação e aumento dos lipídios da pele.

ÓLeo MInerAL

Simone Saad Calil

na rename 2006: item 18.6
Apresentações

• Frasco 100 mL.

Indicações 5, 6, 8

• Emoliente para pele seca ou irritada.
• Remoção de cerúmen no canal auditivo.

Contra-indicações 5, 8

• Hipersensibilidade.

precauções 8

• Não é recomendado seu uso como lubrificante para preservativos masculi-
nos de látex, pois o óleo mineral ataca o látex.
• Área de pele recoberta com óleo mineral não deve ser exposta à luz solar

direta.

• A irrigação do canal auditivo deve ser evitada em crianças pequenas e naque-
las com história de otite externa recorrente.

esquemas de administração 5, 8

Adultos e crianças

Emoliente

• aplicar sobre a pele, várias vezes ao dia.

Remoção de cerúmen no canal auditivo

• pingar uma ou duas gotas no ouvido, duas vezes ao dia, por poucos dias,
antes de irrigar o canal e aspirar por sucção.

Aspectos farmacocinéticos clinicamente relevantes 8

• Não é absorvido pela via cutânea.

efeitos adversos 5, 8

• Prurido, irritação local.

Aspectos farmacêuticos 5, 6, 8

• Armazenar em recipientes bem fechados, ao abrigo da luz.

Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos estratégicos/MS - FTn

762

19 MEDICAMENTOS TóPICOS
USADOS NO SISTEMA OCULAR

19 MEDICAMENTOS TÓpICOS uSADOS NO
SISTEMA OCuLAR 765
19 1 Anestésico local 765
cloridrato de proximetacaína 765
19 2 Antiinfectantes 766
cloridrato de tetraciclina 766
nitrato de prata 766
sulfato de gentamicina 767
19 3 Antiinflamatório e antialérgico 767
dexametasona 767
19 4 Midriático e cicloplégico 768
sulfato de atropina 769
tropicamida 769
19 5 Antiglaucomatosos 770
acetazolamida 770
cloridrato de pilocarpina 772
maleato de timolol 773
19 6 Substituto da lágrima 774
hipromelose 774
19 7 Agentes diagnósticos 775
fluoresceína sódica 775
tropicamida 776

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