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ALFABETIZAÇÃO HOJE- TEORIAS, CONCEPÇÕES VIGENTES E PRÁTICAS DOCENTES DOS PROFESSORES ALFABETIZADORES

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Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins, 17 – 21 de outubro de 2011

III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO

ALFABETIZAÇÃO HOJE: TEORIAS, CONCEPÇÕES VIGENTES E PRÁTICAS DOCENTES DOS PROFESSORES ALFABETIZADORES. Cássia Leticia Fernandes – cassialeticia@yahoo.com.br Dulcimar Betramini Rodrigues – dulcibetramini@ig.com.br Édina Aparecida de Souza Silva – ednasosilva@hotmail.com Flavia Dayany Claudino de Souza – flaviadayany@ig.com.br Profa. Orientadora Denise Rocha Pereira – deniserochap@hotmail.com RESUMO O presente trabalho objetiva conhecer quais são as teorias e concepções vigentes, referentes à alfabetização, e como os professores alfabetizadores têm articulado, em suas práticas docentes, tais concepções teóricas. O procedimento metodológico utilizado foi estudo qualitativo, em aproximação de categorias de resposta, empregando questionário a professoras que trabalham com turmas em processo de alfabetização. Questionou-se, até que ponto há uma real compreensão, dos educadores sobre teorias educacionais, a respeito da língua e sua aquisição, no ato de ler e escrever. Nas considerações finais, destacou -se as contribuições que o tema pode trazer para melhoria da prática alfabetizadora, nos dias atuais. Palavras-chave: Alfabetização. Letramento. Aprendizagem. Prática Pedagógica.

INTRODUÇÃO É imprescindível para o educador refletir sobre a relação teoria e prática, a fim de conduzir melhor sua atuação pedagógica. Neste sentido, o presente artigo procura conhecer quais são as teorias e as concepções vigentes, referentes à alfabetização, nos dias de hoje, e como os professores alfabetizadores têm articulado, em suas práticas docentes tais concepções teóricas. Considerando essa temática, os objetivos desse trabalho foram, portanto, o de pesquisar a respeito da construção da leitura e da escrita e sua utilização social, nos dias de hoje; pesquisar teorias que nortearam o processo de alfabetização, bem como as concepções hoje vigentes e, paralelamente, identificar, a partir da pesquisa de campo, as concepções teóricas que os professores alfabetizadores possuem; refletir sobre as diferenças semânticas entre letrar e alfabetizar, buscando possíveis relações entre esses dois processos, na prática docente de professores alfabetizadores e, por fim, conhecer os programas de formação de professores, oferecidos pelo Poder Público e, por meio da pesquisa de campo, verificar se, de fato, houve participação dos professores alfabetizadores, bem como impactos nas práticas docentes.

de acordo com suas necessidades. . significando. cada vez mais. era preciso decifrar e entender esses símbolos. escrever e conseguir transmitir seu pensamento. como também uma dimensão política muito forte. Nesta perspectiva. Com o intuito de mudar essa situação. até chegar à escrita convencional dos dias de hoje. por meio de questionário. e estes termos: alfabetização e letramento passaram a ser comumente confundidos. registros históricos mostram que a escrita surgiu da necessidade de os homens se comunicarem uns com os outros. 2 ALFABETIZAR E LETRAR O conceito alfabetização sofreu ao longo do tempo modificações. propondo principalmente a jovens e adultos analfabetos. foi bibliográfico a partir de material já elaborado. Paulo Freire. portanto. com solicitação de informações a um grupo professores alfabetizadores. de forma coletiva.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. tornando-se fundamental para que os indivíduos pudessem participar ativamente da sociedade. na década de 60. uma nova forma de se alfabetizar. para que possam. contribua para que o processo alfabetizador seja cada vez mais estudado pelos profissionais docentes. A divulgação da escrita aconteceu lentamente e de forma desigual entre as camadas sociais. Já que dentro dessa concepção o analfabetismo vai além do saber não saber ler e escrever. A escrita tornou-se objeto de poder entre dominantes e dominados. que este artigo. que envolve não somente a dimensão social. um poderoso instrumento de emancipação e libertação. ter uma prática pedagógica eficaz. houve a necessidade do surgimento da palavra letramento. ler e entender o que se está lendo. ficando muito amplo seu sentido. com isso. a humanidade foi aprimorando esse código. condições estas muito relevantes para o homem exercer seu papel na sociedade contemporânea. já que a oralidade. estar ciente que é um ser ativo que interage com os seus semelhantes e que juntos têm forças para melhorar o futuro. pois. quanto aos procedimentos. em muitas situações. garantindo a compreensão entre emissores e receptores. não teria valia inventar símbolos para comunicar ou registrar coisas simplesmente. é imprescindível para o homem moderno. buscando enriquecer seus conhecimentos teóricos. constituído principalmente de livros e de pesquisa de campo. o analfabetismo é uma condição imposta pelas elites para manter as pessoas em estado de ignorância e assim determinar o domínio sobre elas. contudo. Espera-se. além da dimensão pedagógica. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO Este trabalho. No entanto. não era suficiente. segundo Freire (2001). questionou os métodos tradicionais de alfabetização desprovidos de sentido. Desenvolvimento 1 A CONSTRUÇÃO SOCIAL DA ESCRITA Apesar de muitos povos ainda serem ágrafos e a oralidade desempenhar uma função muito importante na comunicação social.

respondendo às necessidades sociais. Letramento e alfabetização. pois é uma porta de entrada. cada método buscou atender às necessidades sociais. Portanto. o foco de atenção. são. qualificando o educando como simplesmente um decodificador de letras. Este processo é parte constituinte da prática da leitura e da escrita e sua especificidade não pode ser desprezada. Assim. na sociedade. mas aquele que se coloca como sujeito do processo de ler. Na Perspectiva Tradicional. desde muito cedo. têm acesso a materiais escritos e. Paulo Freire (2001) afirma que ler inclui também posturas como interpretar. passou-se a considerar alfabetizada a pessoa que consegue ler e escrever. durante o processo de aquisição da leitura e da escrita. e letrada a pessoa que. a fim de que o ato de ensinar esteja diretamente ligado ao ato de . embora sejam processos distintos. alfabetizar e letrar devem ser ações concomitantes. De acordo com Kohl (2002). a partir dessa visão. ou seja. Fica evidenciado que. a alfabetização acontece por meio de uma sistematização de conteúdos. trazem implicitamente o que o professor pode atingir no que se refere à sua atuação com os alunos. no qual o professor é o transmissor do conhecimento. de acordo com cada época. vão construindo suas hipóteses a respeito da escrita e de sua utilidade no meio social. de acordo com as convenções gramaticais da língua. pode-se. ao mesmo tempo. questionar. Abordar a alfabetização numa visão sócio-histórica implica uma modificação de conceitos sobre o significado. interdependentes e indissociáveis. assim. na aquisição da lectoescrita. inferir. Até a década de 80. de domínio do código alfabético e ortográfico. lembrar que. predominou a chamada linha tradicional. em que se perceba a relação existente entre texto e contexto. na área educacional. além de saber ler e escrever consegue utilizar socialmente a leitura e a escrita. 3 ALFABETIZAÇÃO E LINHAS PEDAGÓGICAS Os métodos de alfabetização. criticar. está centrado na investigação de como a criança apreende as funções da escrita e de como desenvolve a necessidade de utilizá-la como instrumento psicológico. Os métodos se desenvolveram e se concretizaram de acordo com as formas de organização da sociedade. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO Segundo Soares (2003). devendo ser ensinada de forma sistemática. a compreensão do texto acontece por meio de uma leitura crítica. utilizando como recurso a cartilha. Outra Perspectiva de alfabetização é a Sócio-histórica. possibilitando ao indivíduo autonomia para ler e escrever. além de orientar as ações do educador.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. com vistas a tornar a ação pedagógica mais adequada e produtiva. Cabe. nas quais ler e escrever também são necessários. definir letramento como o resultado da ação de ensinar e aprender as práticas sociais de leitura e escrita. a língua escrita é marcante no cotidiano e que as crianças. alfabetização é uma técnica específica e fundamental de aquisição do sistema de escrita. ao alfabetizar o aluno com embasamento nesta perspectiva. para desenvolver um método. valoriza-se o produto final do ato de ler e escrever. Ao ampliar o conceito de alfabetização. Assim. ainda. o papel e o impacto da escolarização. na qual o leitor crítico não é apenas um decifrador de sinais. na vida do educando.

o construtivismo. .Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. pois esses signos representam significados e. assim. A partir da década de 80. Por isso. que as confrontam com sua realidade e com as idéias de outras pessoas. para a construção do conhecimento. com seus estudos. gestos. mas também o aluno. o educando passa por novas e complexas transformações psicointelectuais. Emília Ferreiro (1989). No entanto. a aquisição da linguagem escrita engloba a representação simbólica da realidade. Partindo desse pressuposto. colaborou para tal processo. e construtivista (defendida por Emilia Ferreiro). interagindo com o conhecimento. É por isso que. identifica-se uma continuidade entre atividades simbólicas. desenhos etc. para chegar ao conhecimento. mas pela compreensão do funcionamento desse código. destaca que a construção do código linguístico não se dá pelo cumprimento de uma série de tarefas ou pelo conhecimento das letras e das sílabas. surge um novo paradigma educacional . a intervenção do professor deve ter como ponto de partida um contexto real. segundo ele. o aprendizado da língua escrita também representa um grande avanço neste desenvolvimento.que se apresenta não como um método novo. mostrando que os educandos têm idéias e hipóteses e. considera-se o pressuposto de que não existe um conhecimento pronto e acabado sobre o mundo que possa ser ensinado por uma metodologia. como: brinquedos. Segundo Vygotsky (2002). ele acreditava que a linguagem falada atuaria como um dos principais fatores para o desenvolvimento das capacidades intelectuais do educando e. por meio de suas investigações. uma vez que o domínio deste sistema proporciona diferentes modos de pensar e de interagir com as pessoas e com o conhecimento. no qual o aluno possa interagir com o objeto do conhecimento de forma significativa. Para tanto. dentro da perspectiva psicogenética (defendida por Piaget). isto é. Jean Piaget (1969). A teoria de Emilia Ferreiro é chamada Psicogênese da Língua Escrita e traz como centro do processo de ensino aprendizagem não só o professor.. Na tentativa de compreender como funciona o pensamento da criança. consequentemente. mas sim um posicionamento inspirado numa visão de aprendizagem e de homem que essa linha nos traz. foram realizadas pesquisas em torno desta temática. conseguiu descrever o processo humano de amadurecimento cognitivo e mental de maneira bem minuciosa. pela participação ativa do educando. deslocando o eixo das discussões dos métodos de ensino para o processo de aprendizagem da criança. procurou explicar como se dá a interação da criança com o mundo e com os outros. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO aprender. Apesar de Piaget (1983) não ter focado seus estudos na linguagem. Não existe um método instalado a partir da visão sócio-histórica. de ensino-aprendizagem. já que ele acreditava que o conhecimento é construído por meio da interação entre o sujeito e o objeto. a história da lectoescrita na criança começava muito antes de ir para a escola e aprender o desenho das letras. A partir dos estudos de Piaget. na perspectiva de alfabetização defendida por Vygotsky. Ao adquirir a linguagem escrita. mas como uma “revolução conceitual”. pois. aplicada por um professor. essas atividades contribuem no processo do aprendizado da língua escrita. quando está aprendendo a ler e a escrever. pois.

Em 2001. então. para o ser que aprende. O Pró-Letramento. Este programa proporciona aos professores uma complementação teórica. componentes curriculares mais trabalhados nos anos inicias do ensino fundamental. que frequentam a 2ª série/3º ano até o final do ano e também recuperar a aprendizagem de leitura e escrita das séries/anos restantes do Ciclo I do Ensino Fundamental. O Programa de Formação de Professores Alfabetizadores (PROFA) veio para revolucionar o trabalho dos educadores. podendo. com parcerias das Universidades. a preocupação deve ser desenvolver a linguagem escrita e não a escrita de letras. visando atender às necessidades estaduais. assim. Em 2007. que era tradicionalmente o professor. através de uma intervenção pedagógica eficaz. 4 O EDUCADOR E O PROCESSO DE ALFABETIZAR No final da década de 90. mas também ao ensino da matemática. No construtivismo. O Letra e Vida visava implementar um trabalho de conscientização do professor sobre o processo de aprendizagem da leitura e escrita de seus alunos e contribuir para a capacitação continuada desses profissionais. O construtivismo. aos demais professores. tendo como meta alfabetizar todas as crianças com até oito anos de idade que estão matriculadas na rede estadual. foi desviado para a criança. existe o Projeto Intensivo no Ciclo (PIC) . que se dedicam à alfabetização. que cada criança desenvolve. a oportunidade de compreender este processo de construção da aprendizagem. Ainda dentro do Programa Ler e Escrever. mostraram que o centro do trabalho.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo SE/SP lançou um programa semelhante ao PROFA. a pesquisa sobre os processos de aprendizagem da leitura e escrita desencadeou uma revolução no conceito de alfabetização e proporcionou a implantação de programas de ensino que visassem a real alfabetização dos alunos e a formação contínua dos professores das séries iniciais do ensino fundamental. criado em 2006. a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo implantou o Programa Ler e Escrever. . Estados e Municípios para embasar os trabalhos de todos os professores que estão em exercício nos anos/séries iniciais do ensino fundamental das escolas públicas. Segundo a SE/SP (2007). As pesquisas de Piaget e Emília Ferreiro ajudaram a compreender como se dá o processo de alfabetização e possibilitaram aos educadores o conhecimento de como o educando se apropria da linguagem. com o nome de Letra e Vida. fornecendo formação continuada e proporcionando aos professores brasileiros uma maior familiarização com os estudos sobre a aprendizagem da criança e oferecendo. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO Emília Ferreiro e Ana Teberosky (1999). enfoca que o processo de alfabetização precisa ser organizado por intermédio de uma linguagem contextualizada e significativa. tornando a assimilação do código linguístico uma atividade de pensamento e não mecânica. foi uma iniciativa do Ministério da Educação e Cultura (MEC). com seus estudos. mediar a construção do conhecimento.3ª e 4ª séries/4º e 5º anos que visa à recuperação da aprendizagem. não apenas sobre o ensino da leitura e da escrita. é um projeto que busca a melhoria do ensino de toda a rede estadual. isto é.

ao longo dos anos. na qual é citada a sondagem diagnóstica da escrita. Notou-se que não ficou claro para algumas professoras que ao se perguntar “como”. dentro desse contexto. três atividades que são essenciais para a criança se alfabetizarem. Percebeu-se. referentes às concepções teóricas que norteiam a prática alfabetizadora desses professores. a partir de questionário de sondagem. Pediu-se para que as professoras citassem. Pode ser verificado que algumas professoras não especificaram o método. o professor pode apenas repetir a mesma prática. quando o tempo favorece e fortalece sua prática. nesse caso específico. O questionário foi preparado com 12 (doze) questões dissertativas. Questionou-se como é feita a avaliação da aprendizagem da escrita. Perguntou-se às professoras se fazem sondagem da escrita na perspectiva da Psicogênese da Língua Escrita. Perguntou-se sobre qual o método e/ou processo utilizado para alfabetizar os alunos. em ordem de prioridade. a partir daí. que 44% das professoras citaram teóricos. ou seja. Vale ressaltar que experiência. Negativo. entregue a 14 (catorze) professores alfabetizadores. Diante do exposto. A partir das respostas obtidas. pode ser algo tanto positivo quanto negativo. como também certa confusão referente à teoria utilizada com o local e/ou à forma como têm contato com a teoria propriamente dita. pois não conseguiram vincular sua atuação em sala de aula com qualquer teoria. percebe-se que. também. aproximadamente 35% das professoras pesquisadas. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO 5 ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA DE CAMPO A pesquisa de campo foi feita por amostragem. Mas um número considerável de professoras ainda acredita que a leitura do alfabeto. têm menos de 10 (dez) anos de experiência de trabalho com turmas de alfabetização. Positivo. fizeram um recorte de seu trabalho. disseram utilizar o construtivismo. é um instrumento que favorece a avaliação e o acompanhamento dos avanços dos educandos.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. com a diferenciação entre vogais e consoantes seja de fundamental . Nesta questão todas disseram que utilizam a sondagem diagnóstica. que metade das professoras (51%). sendo que 37% incluíram Emília Ferreiro nas suas respostas. ainda. há uma desaproximação entre a prática dos professores e a teoria que embasa esta prática. Pode-se averiguar que a maioria (51%) das professoras disseram trabalhar com diversidade textual. buscar qualificar cada vez mais sua prática docente. ninguém citou o nome de sua teoria. no entanto. Pode ser constatado que 37% das professoras citaram a sondagem (termo utilizado entre os professores referente à teoria de Emília Ferreiro). assim sendo. Isso ocorre quando o professor está aberto a refletir sobre sua atuação no referido processo para. simplificando sua prática. Ao se questionar sobre qual a base teórica que norteia a construção da prática alfabetizadora de cada professora participante observou-se que houve uma provável dificuldade na compreensão da pergunta por parte de mais da metade das entrevistadas. durante o processo de alfabetização. no sentido de que. como também suas práticas pedagógicas propriamente ditas. esperava-se como resposta qual era o instrumento utilizado para avaliar. ressalta-se que a teoria deveria ser instrumento para o professor avaliar sua prática. a teoria da Psicogênese da Língua Escrita. Observou-se. contrariando às respostas dadas à pergunta anterior. já que é o que se preconiza atualmente como ideal.

Foi pedido às professoras para citarem quais conhecimentos a criança deve ter para se alfabetizar. foi pedida a opinião das professoras. É necessário apontar que 44% das professoras responderam que. desconsiderando a função social da escrita. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO importância para as crianças se alfabetizarem. Enceramos a pesquisa perguntando às professoras se existe diferença entre alfabetização e letramento. ter segurança familiar. na vida cotidiana. A partir das respostas obtidas sobre a importância da alfabetização para a criança. alunos). verifica-se assim. observou-se que a maioria. enquanto alfabetizadoras. autoestima. Com base nas respostas. Num primeiro momento. Foi perguntado se os professores já fizeram algum curso sobre alfabetização. é necessário conhecer as letras e os sons. autoconfiança. e não apenas de imediato na aprendizagem escolar. Apenas 21% das professoras trazem a responsabilidade desse índice para a atuação profissional dos educadores. De acordo com as respostas apresentadas. não considerando o interesse pelas palavras escritas ou a vivência das crianças. o domínio de seus usos sociais. Observa-se. o que mostra que não conseguiram enxergar a importância da integração escola (equipe gestora. uma postura bastante tradicional. além da habilidade de saber ler e escrever. Posteriormente. ou seja. até o final do ano letivo? As respostas apresentadas pelas professoras indicam que 72% acreditam que isso dá-se por conta de fatores externos à escola. Perguntou-se. família e sociedade. valorizando aspectos ligados à fonética sobre o sentido textual. se elas acreditam que é importante a atuação da família.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. a fim de . 86%. também. com relação à seguinte questão: por que há um índice tão elevado de crianças que não conseguem ser alfabetizadas. portanto que essas professoras. ao longo do tempo. família e aluno. De acordo com as respostas apresentadas nota-se que as mesmas caminharam mais para as condições necessárias aos educandos para iniciarem o processo de alfabetização (ser estimulada. ou seja. pode-se perceber que. nota-se que as professoras reconhecem a importância da atuação da família junto à escola. para o aluno se alfabetizar. E que apenas 7% das professoras atribuíram a responsabilidade a um conjunto de fatores. colocando-se alheias a este fato. observou-se que. a maioria das professoras conseguem enxergar a importância da alfabetização. ser sociável) do que para os conhecimentos prévios que deveriam ter. pedindo para citar o nome do curso e quando o fizeram. durante o processo de alfabetização. CONCLUSÃO Os estudos aqui citados trouxeram à tona importantes considerações referentes às teorias e concepções vigentes das práticas de professores alfabetizadores nos dias de hoje. percebeu-se que as professoras reconhecem que sua prática. a longo prazo. professores. A partir das respostas obtidas. no processo de alfabetização da criança e que percebem que é possível alcançar bons resultados mesmo com a ausência da participação da família. de uma maneira geral. às professoras. a escrita se fez necessária para registrar o saber acumulado pela humanidade. esperam uma criança “preparada”. das professoras já participaram de cursos de alfabetização para aperfeiçoamento do trabalho em sala de aula. deve garantir aos alunos.

juntos. com vistas a tornar a ação pedagógica mais adequada e produtiva. averiguou-se também que o Poder Público tem oferecido. comprovou-se que parece não sentirem falta de um respaldo teórico. todo profissional precisa recorrer a determinados referenciais que justifiquem. e que hoje é imprescindível. duas abordagens devem ser consideradas: uma que valoriza o processo de aquisição da linguagem. contudo. várias perspectivas influenciam as práticas pedagógicas dos professores. Verificou-se também que o conceito de alfabetização passou por significativas mudanças. Portanto. quando responderam as questões. hoje. transpondo seu significado e passou a ser entendida como a apropriação da linguagem escrita. dentro do contexto de alfabetização. para compreender o processo de alfabetização. para o homem moderno. a respeito da língua e sua aquisição. mas pela compreensão do funcionamento desse código. no processo de alfabetização. têm forças para melhorar o futuro. alfabetizar e letrar devem ser ações concomitantes. Deve-se considerar que as pesquisas de Piaget e Emilia Ferreiro ajudaram a . 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO transmitir conhecimentos. não basta apenas participar de cursos. bastava o domínio do código escrito. sem se preocupar com a aprendizagem do indivíduo. é necessário o comprometimento profissional e pessoal. Perspectiva Sócio-Histórica e o Construtivismo. ao longo do tempo. inventando e reinventando novas formas. que ressalta o seu significado social. assim. tenha influenciado tal recorte. e outra. como também condições estruturais. Em alguns casos. que as práticas de alfabetização utilizaram de reflexão e memorização para ensinar as crianças a ler e escrever. dentre os que participaram desta pesquisa. deu-se o letramento. no ato de ler e escrever. mostrando que os educandos têm ideias e hipóteses e que as confrontam com sua realidade e com as ideias de outras pessoas. A alfabetização adquiriu dimensões maiores. Antes.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. devem ser analisadas. inserida em seus possíveis usos sociais e. escrever e conseguir transmitir seu pensamento. simplificando sua prática. Dessa forma. todas que foram citadas: Perspectiva Tradicional. por parte das instituições de ensino. neste trabalho. ao longo das últimas décadas. das teorias educacionais. Entretanto. fundamentem e guiem sua atuação. e hoje. a fim de que o professor possa realmente desenvolver um trabalho significativo e de acordo com o que é proposto. Percebe-se. pois tiveram suas dicotomias. Questionou-se. estar ciente que é um ser ativo que interage com os seus semelhantes e que. nas referidas capacitações. ler e entender o que se está lendo. programas de formação continuada a professores alfabetizadores e que. isso reforça que a prática desses profissionais deveria estar condizente com as concepções teóricas vigentes. sistematicamente. No entanto. Neste trabalho. No entanto. porque nem citam isso. condições estas muito relevantes para o homem exercer seu papel na sociedade contemporânea. Quanto às teorias e concepções vigentes. buscando atender às necessidades educacionais. A concepção hoje vigente destaca que a construção do código linguístico não se dá pelo cumprimento de uma série de tarefas ou pelo conhecimento das letras e das sílabas. estes não conseguem vincular sua prática a essas teorias. 57% confirmaram sua participação nos cursos mais atualizados. uma nova concepção de alfabetização se fez necessária. devido ao surgimento de inovações situacionais e linguísticas. É provável que a experiência prática cotidiana desses professores. referentes à alfabetização. por parte dos educadores. até que ponto há uma real compreensão. deixando um recorte em seu trabalho.

São Paulo: Martins Fontes. OLIVEIRA. nesta importante questão social e espera-se que o assunto não fique estagnado. Acesso em 27 jul. 2001. Porto Alegre: Artmed. P. Brasília. Este trabalho traz à tona reflexões acerca das teorias. Diante do exposto. 6. no seu convívio com o universo que o cerca. Brasília. um trabalho de suporte a essa tarefa.A.br. REFERÊNCIAS BARBOSA. D. Ainda vale lembrar toda a dimensão social que representa estar alfabetizado. São Paulo: Cortez. São Paulo: Cortez. LERNER. 2001. assim. 2010. jan. FREIRE. K.. M. 24. mas que seja uma ferramenta para o aprofundamento desta temática. FERRERO. M. J. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. CARRETERO. F. E. COLE. Pró-letramento: guia geral do ministério da educação.mec. 41. Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. 1991. _____. focando que é preciso. 2001.mec. São Paulo: Cortez. São Paulo: FTD.gov.. por meio de uma intervenção pedagógica eficaz. considerando sua individualidade e de forma que este possa utilizar a leitura e a escrita como uma conquista que o auxiliará a ter um bom desempenho. 2000. concepções vigentes e práticas atuais de professores alfabetizadores. São Paulo: Ática. ed. BRASIL. 1996. alfabetização e socioconstrutivismo. alunos de Pedagogia e demais interessados. ed. fica evidente que a tarefa do professor deve estar pautada em conceitos sólidos de alfabetização e estar consciente da melhor forma para sua aplicação. a fim de que o conhecimento avance e que os professores possam atuar cada vez melhor. set.2010.gov. M. A. em seu sentido mais amplo. para que ele não se sinta solitário. .. M. M. portanto. no processo de ensino. Piaget – Vygotsky: novas contribuições para o debate. além do trabalho do educador. Reflexões sobre alfabetização. 2007. que abriga também as condições estruturais ao professor. Alfabetização e leitura. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO compreender como se dá o processo de alfabetização e possibilitaram aos educadores o conhecimento de como o educando se apropria da lectoescrita. Acesso em 27 jul. ed. CASTORINA. Et al. de todos os que ainda não tiveram acesso a ela. 2002. 2002. E. mediar a construção do conhecimento. Disponível em: http:// www. J. FERRERO. CÓCCO. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos psicológicos superiores. podendo. garantindo o direito à alfabetização. pode servir como instrumento para discussões de profissionais da área. Disponível em: http:// www. HAILER. Didática de alfabetização: decifrar o mundo.br. Construtivismo e educação.Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins. pois o processo de alfabetização deve contemplar o indivíduo como um todo. J.

Educação e Pesquisa: a produção do conhecimento e a formação de pesquisadores Lins.br. 2. Seis estudos de psicologia. traduções de Caixeiro. S. módulo 3. 2010. Pedagogia Cidadã: Cadernos de formação: alfabetização. WEISZ.fde. 1993. Alfabetização na sociedade e na história. São Paulo: Unesp. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Daeir. Piero. FRAGO. A Epistemologia genética: sabedoria e ilusão da filosofia. Letra e vida. 2000. _____. M. O. MENDONÇA. São Paulo: Ática. A. 2010. . E. Porto Alegre: Artmed. p. Porto Alegre: Artmed. São Paulo: Abril. V. 2003. Disponível em: http://cenp. Disponível em: _____. São Paulo: 2003. Acesso em 27 jul. Acesso em 27 jul. Psicogênese da língua escrita. J. O diálogo entre o ensino e a aprendizagem. São Paulo. COELHO. http://lereescrever. PIAGET. SÃO PAULO. A. Ler e escrever. T. São Paulo. ed.gov.edunet. 1983.sp. 1964. _____. Letra e vida: programa de formação de professores alfabetizadores. (Org). 1999.gov. S.3-8. 17 – 21 de outubro de 2011 III ENCONTRO CIENTÍFICO E SIMPÓSIO DE EDUCAÇÃO UNISALESIANO _____. TEBEROSKY.sp.

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