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Aula 07 - Bens Publicos - Aquisicao e Alienacao

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AULA 06

BENS PÚBLICOS – AQUISIÇÃO E ALIENAÇÃO

Como vimos, a administração dos bens públicos repousa na obediência aos preceitos constitucionais e aos princípios que norteiam a Administração, assim, em sentido amplo, administrar o patrimônio público também significa gerir de forma correta a aquisição e a alienação de tais bens. A alienação que é a transferência de propriedade, de forma gratuita ou remunerada, pode ocorrer pela venda, permuta, doação, dação em pagamento, investidura, legitimação de posse ou concessão de domínio, motivo pelo qual estudaremos uma a uma. Porém, antes devemos ressaltar que as negociações envolvendo bens públicos somente poderão ocorrer se e somente se o bem não for de uso comum do povo ou de uso especial, pois como já estudado em aulas anteriores, aqueles são para o uso de todos, de forma indiscriminada ou individualizada e estes são os que a Administração põe à disposição do povo para a execução do serviço público, do que concluímos que somente podem ser negociados os bens dominiais. E para que o bem que não é dominical passe a receber tal classificação é necessário que ele seja desafetado do uso ou da utilidade pública, se tornando obsoleto ou inservível.

VENDA: contrato pelo qual uma das partes (vendedor) transfere a propriedade de um bem a outra (comprador), mediante pagamento de preço certo em dinheiro. (art. 481, CC). Todo contrato de venda, mesmo que envolva patrimônio público é regido pelo Direito Privado, pois não existe VENDA

ADMINISTRATIVA. Assim a Administração, nestes casos, figura em condições de igualdade com o particular. Isso não significa que o interesse público se

a título de evitar prejuízos ao erário. já os Estados e Municípios podem ter suas regras.equipara ao particular. prévia avaliação do bem e caso seja doação com encargos. 538 e 539. e se preciso for. sempre visando o interesse maior do povo. transfere seu patrimônio. em regra a Lei nº 8. além da geração de encargos (responsabilidades) para o particular que está negociando com o Estado. para a Administração contratar em compra e venda. . para a Administração Federal. valerá para as demais modalidades de alienação e de aquisição. a formalidade de desafetação do bem. sob pena de nulidade do negócio firmado. 2) O que já fora mencionado quanto às exigências formais em vendas. CC. A Administração pode fazer doação de seus bens móveis ou imóveis. como já dito. desde que estejam desafetados. Para que haja o procedimento de compra (aquisição) ou de venda (alienação). porém sempre em consonância com a lei mencionada. Para bens móveis e semoventes. é somente a condição da Administração no ato da contratação de compra e venda. pode haver disputa licitatória. é sempre necessária a existência de lei autorizatória. desta forma. Cabe lembrar também que a Administração sempre se preserva. avaliação do bem por peritos. Exige-se aqui lei autorizatória. quanto à natureza ou situação do bem. ou parte dele a outro (donatário). de processo licitatório.666/93. a fim de indicar o melhor donatário. há regras rígidas a serem seguidas. Também é um contrato civil. DOAÇÃO: contrato pelo qual o doador. OBS: 1) em casos de imóveis a licitação é sempre exigida. por sua liberalidade. tudo vai depender do valor do bem. seguindo as regras dos art. obedecendo-se.

evitando-se lesão ao erário. . entre os respectivos proprietários. Logicamente não há a necessidade de procedimento licitatório. PERMUTA: contrato pelo qual é feita a troca de um bem por outro bem. que não seja dinheiro. porém deve existir lei autorizatória e prévia avaliação dos bens a serem permutados. caso o donatário não cumpra a obrigação imposta. o bem poderá ser revertido ao patrimônio do ente público doador. Mais uma vez vale lembrar que o bem deve estar desafetado. mas depende da aceitação do credor. A coisa a ser dada em pagamento pode ser de qualquer natureza.Cumpre esclarecer que encargos aqui. Aqui também não se exige procedimento licitatório. A Administração pode também se utilizar dessa modalidade de aquisição/alienação. ou então podendo haver o pagamento da diferença em dinheiro. não diz respeito a pagamento de qualquer espécie. A Administração pode se utilizar dessa modalidade. Mas é sempre bom estar em alerta para que haja a comprovação do interesse público. Essa modalidade é muito utilizada para o favorecimento de construções que servirão de melhoria para o serviço público. pois o negócio é para pagamento de pessoa certa (o credor). podendo ser constada cláusula de reversão. A Permuta pode ser feita com bens que tenham o mesmo valor. mas sim obrigações do que o donatário deverá fazer no uso do bem doado. devendo estar constante da lei que autorizou o ato. objetivando a solvência de uma obrigação (dívida) anterior. mas depende de lei autorizatória e de avaliação prévia do bem. DAÇÃO EM PAGAMENTO: é a entrega de um bem.

. mediante o pagamento o justo valor. um terreno urbano ou gleba de terra rural se torna inaproveitável por sua nova condição ou situação (contornos). Tanto o particular pode compelir o Estado a proceder a investidura de área pública ao seu patrimônio. INVESTIDURA: é a incorporação de uma área isoladamente inaproveitável à uma área lindeira. se da Administração ao particular. Essa modalidade pode ocorrer tanto para a incorporação de áreas públicas a particulares e vice-versa. Não é obrigatório que se faça a investidura. ou seja. mas caso haja negociação de tais áreas. deve haver o devido registro em Cartório Imobiliário. sendo feita a transmissão da propriedade a título gratuito ou oneroso. CONCESSÃO DE DOMÍNIO: é forma de alienação de terras públicas. sendo regularizada somente por lei se procedida entre entes públicos. será por esta modalidade. Logicamente. sendo que neste caso também haverá o pagamento do justo valor. só se dispensa o procedimento de disputa licitatória. quando não há transferência de propriedade. como pode a Administração proceder a desapropriação. pois são inaproveitáveis se ficarem isoladas. a qual precedida de lei autorizatória. e de prévia avaliação das glebas. Aqui é feita a alienação do imóvel e não somente a concessão de uso ou de direito real de uso. mas deve haver lei autorizatória (interesse público) e prévia avaliação da área a ser investida. voltam à sua condição de aproveitamento.A Permuta pode ocorrer entre entes públicos ou entre a Administração e particular. mas incorporadas à área lindeira. caso o particular não queira investir ao patrimônio público a área inaproveitável. se como resultante de uma obra pública ou então de uma particular. é possível o procedimento de aquisição/alienação para o aproveitamento delas.

Deve haver o devido registro em nome do legitimado. art. para melhor compreensão. quando for o caso (Lei 4. continuando sem uso. como para construção de edificação para seu uso. art.717/65. Para a realização dessas aquisições. art.” . até mesmo por ação popular (lei 4. etc. art. 36ª edição. nos termos do contrato aquisitivo. desde que ocupada por longo tempo por particular. precedido de licitação. Melhor explicando: se o imóvel veio para o patrimônio público em razão de abandono do dono anterior e não houve nenhuma anotação dessa condição. imóvel. Esse instituto visa à perfeita adequação do fim social do imóvel. e legislação estadual e municipal pertinentes). I e III). 1º e 4º). 315. procede-se a legitimação da posse (que é na verdade uma transferência de domínio). tanto para cultivo. pág. outro particular se apossou do mesmo e agora para a regularização. móvel. Dec. a forma e as condições de aquisição e as dotações próprias para a despesa a ser feita com prévio empenho (Lei Federal 4. 70.LEGITIMAÇÃO DE POSSE: modo excepcional de transferência de domínio (propriedade) de terra devoluta ou área pública sem utilização. 1º. 60). cumprindo preceito constitucional. Caso haja registro anterior. e a responsabilização do infrator pro emprego irregular de verbas ou rendas públicas (CP. e posteriormente.320/64. este será substituído pela legitimação. no caso de Prefeito Municipal. resta apenas o comentário de Hely Lopes Meirelles. –lei 201/67. além do ressarcimento do dano.320/64. se houver lesão aos cofres públicos. esta se sobrepõe às anteriores. para o bom atendimento e para a correta prestação de seus serviços de adquirir bens de qualquer natureza. O desatendimento das exigências legais na aquisição de bens para o patrimônio público poderá dar causa a invalidação do contrato. art. em sua obra “Direito Administrativo Brasileiro”. AQUISIÇÃO: a Administração necessita. como já vimos as modalidades. 576: “Toda aquisição de bens pela Administração deverá constar de processo regular no qual se especifiquem as coisas a serem adquiridas e sua destinação.

ao falarmos de bens afetados. pois o interesse público é superior ao particular. fazendo constar esses valores em sua previsão orçamentária (lei orçamentária). assim havendo processo que defina dívida da Fazenda Pública. bem como não pode ser reclamado por possíveis credores.REGIME JURÍDICO DOS BENS PÚBLICOS: Pela destinação dos bens públicos e também em face de sua afetação ao uso comum do povo ou ao uso especial em benefício da coletividade. sendo: Imprescritibilidade: a propriedade do Estado sobre os bens afetados é imprescritível. enquanto são mantidos na condição de afetados. como já explicado. os bens públicos são regidos por regime jurídico próprio. falamos de bens dos quais o Estado não pode dispor em qualquer hipótese. Essa condição nos leva a três características de inalienabilidade dos bens públicos afetados. a fim de cumprir e buscar a liquidação das dívidas. quer seja pelo uso comum. quer seja como instrumento para a prestação do serviço público. sendo essa condição de aceitação universal. O credor do Estado tem a garantia por requisição de pagamento. porém nunca por penhora de seus bens. o Estado deverá prover recurso para o pagamento de tais obrigações. da CF/88 e no CPC. 100. que se não cumpridas poderá gerar intervenção no ente federativo devedor. há regras próprias para o Estado cumprir execução judicial. . estando afastados do comércio jurídico de direito privado. visto que os bens do Estado são para direta ou indiretamente servir ao povo. pois tais bens estão ligados direta ou indiretamente ao benefício da coletividade. portanto. Impenhorabilidade: os bens públicos são impenhoráveis. Como expresso no art. Esse posicionamento se justifica pela condição do interesse coletivo.

gerando ao credor direitos reais de garantia sobre coisa alheia. assim. anticrese e hipoteca são formas de oneração dos bens. resta a proibição constitucional. pois é menos drástica. desta forma não sendo possível a oneração. principalmente se afetados ao serviço ou utilidade públicos.Não Oneração: penhor. pois esta acompanha o bem. Resta a possibilidade de sequestro de valores. . porém não poderá recair em bens. Para os bens desafetados e para as rendas públicas. fica a Administração de ofertar seus bens como garantia de dívidas. visto que os bens públicos são alvo do interesse público.

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