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Melancia- Coco Verde (análise literária)

Melancia- Coco Verde (análise literária)

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Melancia-Coco Verde, João Simões Lopes Neto, é um dos contos gauchescos, narrado por Blau Nunes, o vaqueano. Aqui, é feita a análise explicativa do conto, que por ter um linguajar gaudério pode muitas vezes se tornar um tanto complicado para entender.
Melancia-Coco Verde, João Simões Lopes Neto, é um dos contos gauchescos, narrado por Blau Nunes, o vaqueano. Aqui, é feita a análise explicativa do conto, que por ter um linguajar gaudério pode muitas vezes se tornar um tanto complicado para entender.

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Melancia – Coco verde (resumo e análise literária

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A história começa, sendo narrada por Blau Nunes, que está na presença de um companheiro, e para quem narra um longo causo. O narrador pede para o receptor esperar, fumar, que ele vai ao encontro de um velho conhecido, o Reduzo, índio que foi “posteiro” da família Costas, em outros tempos. Neste momento há uma pausa, longa, a da conversa com o Reduzo, que é expressa por uma série de pontos, e é interrompida quando o narrador volta a falar com seu ouvinte. A partir de então, ele narra a hístória do índio Reduzo, também chamado chiru, ao longo do texto. Recorda sua história desde menino, quando nasceu e foi criado na casa dos Costas, onde o patriarca é Iunanco Costa, um homem de vida feita, bem empregado, que comprou quatro sesmarias (terrenos não cultivados, no Brasil, cedidos para os novos povoadores pelos reis de Portugal) , para ele e para seus filhos. O chiru criou-se com os filhos do Costa, juntos faziam várias tarefas quando crianças, que com o passar do tempo ficavam mais pesadas. Um dos filhos, chamado comumente Costinha, foi servir para as forças armadas, e o Reduzo também, como companheiro e súdito. O Costinha era apaixonado pela sia Talapa, filha de um fazendeiro das redondezas, chamado Severo. Ele às vezes passava pelas fazendas do último, para ver a amada. Porém, Severo não queria que a filha se casasse com ele, mas sim com seu sobrinho, um ilhéu dito vegetariano no texto, visto que ele não tinha a mesma cultura tipicamente gaúcha de comer churrasco entre outras iguarias citadas, e nem a cultura de andar a cavalo, diz no texto que pra ele o cavalo tinha que ser manso lento e “porongudo”, ou seja, atrofiado nas pernas, com dificuldade de andar. Acontecia que este ilhéu era Galego. Quando este ilhéu chegava de visita, o cardápio todo mudava, e sia Talapa ficava muito triste quando as pessoas comentavam sobre seu casamento com o primo. Ele retoma o romance de sia Talapa e o Costinha. Fala que os dois fizeram um juramento, de que se casariam, ainda que ela tivesse que sair de casa. Por causa de alguns ataques de castelhanos, o Costinha teve que se despedir da amada, deu-lhe uma memória, e ela, para retribuir, uma mecha de cabelo. Então surge o título do conto, quando eles combinam que seus nomes codificados, da sia e do Costinha seriam Melancia e Coco verde, respectivamente, para mensagens, e que só os dois saberiam. Costinha, no escuro, rouba um beijo da moça, que só o Reduzo viu. E parte. Passa um tempo e o velho Severo manda buscar seu sobrinho, junto a uma carta, para o casório com a filha. Chegou muita gente para o casamento, entre vizinhos, parentes e empregados. Sia Talapa, junto com a empregada que lhe havia amamentado choravam. A segunda discretamente, com medo de ser punida. A família Costa não fora convidada. Entretanto um viajante passou pelas bandas, e levou a notícia ate os ouvidos dos Costas. Quando Costinha ficou sabendo, estava a caminho de uma batalha e mandou Reduzo enviar a mensagem à sia Talapa de que Coco Verde manda novas à Melancia, e contextualiza para o chiru, enquanto os dois se defendem dos ataques e matam homens inimigos. O chiru foi, na maior velocidade possível sem pausas sem alimentação, só trocas de cavalos. Quando encontrou o Severo, este o convidou para comer, comemorar e fazer uma “saúde”, ou seja, um comprimento, desejar um bom casamento. Quando chegou a hora de fazê-lo disse: “Eu venho de lá bem longe, da banda do Pau Fincado: Melancia, coco verde te manda muito recado!”. A noiva, que se encontrava empalidecida e de olhos profundos, ficou com a pele acobreada e com os olhos brilhando. Todos riram.

Depois ele falou: “Na polvadeira da estrada, o teu amor vem da guerra:... Melancia desbotada!... Coco verde está na terra!… Amigo! Nem lhe sei contar o resto!...”. Nestas palavras a moça desmaiou e o ilhéu culpou o Reduzo por ele estar com as armas ainda embainhadas e ter deixado a menina apavorada. Os convidados começaram a maldizêlo, ele fugiu, pulou de uma janela e foi embora. Dois dias depois chegou o Costinha, que declarou seu desejo de casar-se com sia Talapa para o velho Severo, que aquiesceu. Reduzo se escondeu por um tempo por causa do Severo, mas com o Costinha já casado, e com posto de capataz, era o homem no qual todos confiavam. Na conclusão do narrador: “Veja vancê que artes de namorados: Melancia… Cocoverde!…”, simples e direta, ele mostra como se sente diante de todos os fatos, e este conto é uma narração muito romântica, que demonstra os perigos enfrentados e os artifícios que são utilizados por amor, como verdadeira prova do mesmo.

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