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ARTIGOS DE REVISÃO

RESPOSTAS FISIOLÓGICAS PARA DETECTAR O OVERTRAINING
PHYSIOLOGICAL RESPONSES TO DETECTION OVERTRAINING

Gustavo Gomes de Araujo∗ ** Claudio Alexandre Gobatto *** Rosário Dominguez Crespo Hirata **** Mário Hiroyuki Hirata ***** Cláudia Regina Cavaglieri ****** Rozangela Verlengia

RESUMO
O exercício, quando praticado de modo intenso e sem períodos adequados de recuperação, pode desencadear o overtraining, o qual é caracterizado por uma série de distúrbios fisiológicos e metabólicos, associados à redução da performance. O overtraining pode ser monitorado por respostas cardiorrespiratória nas quais se observa diminuição do consumo máximo de oxigênio e da freqüência cardíaca. Os biomarcadores são parâmetros hormonais, bioquímicos, imunológicos e hematológicos utilizados também para diagnosticar, tratar e prevenir o estado de overtraining. Embora existam muitos estudos que relacionam o overtraining e as respostas desses biomarcadores ao longo do treinamento, ainda não há consenso na literatura quanto ao melhor indicador fisiológico. Desse modo, o objetivo do presente estudo de revisão é relatar as principais respostas fisiológicas causadas pelo overtraining para que pesquisadores, treinadores e atletas aprofundem seu conhecimento sobre os meios de detectar este estado ocasionado pelo mau planejamento do treinamento.
Palavras-chave: Overtraining. Hormônios. Metabólitos.

INTRODUÇÃO

O overtraining pode ser caracterizado como uma desordem fisiológica que acomete principalmente atletas, causando redução do desempenho competitivo, incapacidade de manutenção das cargas de treinamento, fadiga crônica, desequilíbrios na homeostasia, enfermidades freqüentes e transtornos psicológicos (KUIPERS, 1998; MAcKINNON, 2000; HALSON; JEUKENDRUP, 2004). O desequilíbrio nas cargas de treinamento, excesso de competições
∗ ** *** ****

e períodos inadequados de recuperação são alguns dos principais agentes causadores do overtraining, que pode durar semanas ou até meses (LEHMANN; LORMES; OPITZ-GRESS et al., 1997; HEDELIN; KENITA; WIKLUND et al., 2000). Segundo Halson e Jeukendrup (2004), o overtraining é definido como o acúmulo de cargas intensas de treinamento com recuperação inadequada que resulta em queda na performance por um longo período; sendo assim, quando mais precoce o diagnóstico, melhor a restauração da performance (Fluxograma 1).

Doutorando em Biodinâmica da Motricidade Humana, Universidade Estadual Paulista-UNESP. Professor Assistente Doutor, Universidade Estadual Paulista-UNESP. . Professor Associado da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo-USP Professor Titular do Departamento de Análises Clinicas e Toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas, Universidade de São Paulo-USP. Professora Titular da Faculdade de Ciências da Saúde. Universidade Metodista de Piracicaba-UNIMEP. Professora Doutora da Faculdade de Ciências da Saúde. Universidade Metodista de Piracicaba-UNIMEP.

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R. da Educação Física/UEM

Maringá, v. 19, n. 2, p. 275-289, 2. trim. 2008

2007). Tem sido visto que o estado de overtraining altera a funcionalidade da freqüência cardíaca. além do acervo bibliográfico. R. PIZZA. hematológicas. não são evidentes os conjuntos de variáveis fisiológicas unânimes capazes de caracterizar o overtraining como uma síndrome. KEAST. GARCIA-WEBB et al. sono inadequado e distúrbios emocionais . diminuição da atividade de enzimas oxidativas. BOONE et al. 19. DIOGUARDI. Em ciclistas foi verificada diminuição de 8% no VO2 max durante duas semanas de treinamento intenso (4.capes. Essas alterações indicam efeitos negativos do overtraining sobre essa variável de performance. 1998. 1999.. FLYNN. o serviço de comutação (COMUT). Para o levantamento bibliográfico foram utilizados principalmente artigos científicos de periódicos pesquisados através de sistemas de busca das áreas de ciências biológicas e ciências da saúde. DUCLOS.br>). as principais diferenças entre o overreaching e o overtraining são o tempo de tratamento necessário para a recuperação e a duração dos sintomas (ROWBOTTOM. o overtraining pode ser considerado um estado em que se torna possível reverter e/ou prevenir tal situação. RAGLIN et al.podem prolongar ou antecipar o estado de overtraining (MORGAN. 2006). não existe ainda consenso quanto aos parâmetros utilizados para se detectar a existência desse estado. dieta inadequada. 1994. SNYDER. inúmeras análises clínicas passaram a ser utilizadas na ciência do esporte para aprimorar os meios de detecção do overtraining. FORSYTHE.gov. Estudos têm relatado algumas variações na performance de atletas em overtraining pela diminuição nos valores de consumo máximo de oxigênio (VO2 max). como a redução dos estoques de energia. Embora na literatura se discuta o uso dos termos overreaching e overtraining como processos relacionados ao estresse orgânico. a qual pode ser utilizada como um indicativo de alteração parassimpático ou simpática (HYNYNEN. com o treinamento controlado. da Educação Física/UEM Maringá. GUINOT. USITALO. Não obstante. (1995) após 15 dias de treinamento de alta intensidade (4. As bases de dados mais utilizadas foram encontradas na página digital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) (<http://www. 2007). Por esse motivo. uma vez que. Adaptado de Halson e Jeukendrup (2004).9 vs 4.8 vs 4. Respostas cardiorrespiratória ao overtraining O sistema nervoso autônomo é controlado basicamente pelos sistemas parassimpático e simpático. Fatores não inerentes ao treinamento físico como balanço energético negativo. MACEDO. v. 2006). as bibliotecas da Universidade Estadual Paulista Campus Rio Claro . o objetivo deste trabalho é revisar a literatura referente às principais alterações fisiológicas geradas pelo overtraining entre as variáveis cardiorrespiratórias. os quais influenciam diretamente as funções cardiorrespiratórias. CHORAYEB. ZOPPI. 2000).. SNYDER et al. imunológicas.4 L/min) (JEUKENDRUP. 1992). o conceito de overtraining passou a ser direcionado também às alterações fisiológicas (BAPTISTA. n. KONTTINEN et al. 2. Isso se deve a outros fatores periféricos que podem influenciar na redução do VO 2 max. 275-289. são esperados aumentos no VO2 max (ZAVORSKY.276 Araujo et al. hormonais.. Por esse motivo. Não obstante. o qual possibilitou a obtenção de trabalhos não encontrados pelos meios supracitados. Além da idéia principal sobre o acúmulo de esforço. BROWN. bem como demonstrar indicativos fisiológicos mais recentes utilizados para detectar o overtraining.. trim. Além disso. 2008 . METODOLOGIA Fluxograma 1: Conseqüências do acúmulo de treinamento.7 L/min). p. Destarte. Especificamente.e da Universidade de São Paulo – São Paulo foram consultadas e forneceram.. Le BOUC. 2. Resultados semelhantes foram encontrados por Snyder et al. LOWERY. 1987. 1997. HESSELLINK. periodicos. as reduções no VO 2 max não estão diretamente relacionadas ao sistema de controle autônomo como a freqüência cardíaca.

o lactato sanguíneo. refletindo-se em variações na freqüência cardíaca devido ao aumento das concentrações urinárias de adrenalina e noradrenalina. fosfato inorgânico e adenosina monofosfato (PAROLIN. assim como o período de treinamento e possíveis adaptações positivas. (1991) e Urhausen. BONIFAZI. RIBEIRO. Lactato O lactato é um metabólito produzido constantemente em repouso por diversos tecidos do corpo.9 vs 2. LUPPO. por ser um método barato e de fácil aplicabilidade (ACHTEN. p. 2004). as alterações na freqüência cardíaca podem realmente diagnosticar o estado de overtraining. Entretanto. amônia e creatinina possibilitam identificar funções e respostas de componentes metabólicos celulares em sessões agudas ou mesmo após períodos prolongados de treinamento. A formação de lactato também está relacionada à taxa de produção energética pelo glicogênio muscular (SHULMAN. Esse efeito foi relacionado à incapacidade do atleta de atingir esforços máximos durante o estado de overtraining o que provoca.. as mensurações da freqüência cardíaca podem ser um método viável para detecção do overtraining. (1998) demonstraram redução após um período de treinamento intenso. aumento da mioglobina plasmática e outros (CUNHA. Pichot e Lacoste et al. Segundo Brooks. Fahey e White (1996). menor atividade cardíaca. devido às alterações encontradas em períodos de treinamento mais intensos (ATLAOUI. 1999) e vasoconstrição periférica. Lehmann. pois outras variáveis (bioquímicas. 2003). parece ser um bom indicador de esforço anaeróbio lático.4 mmol/L) e após esforços máximos (11. (intestinos. 2005). Mann e Gastmann et al. existem inúmeras causas para o aumento da concentração do lactato. principalmente em períodos de treinamento mais intensos. Bosquet. hemácias e músculos) e principalmente durante o exercício predominantemente anaeróbio. JEUKENDRUP. conseqüentemente. Por outro lado. Gastmann e Petersen et al. n. LACOSTE et al.. JEUKENDRUP. já que o decréscimo desse parâmetro indica melhora do volume de ejeção. Atlaoui. aliado a outros parâmetros.3 vs 9. SKAK et al. não é evidente que a queda na freqüência cardíaca máxima seja conseqüência da fadiga prematura. LERGER. 2005). glicólise acelerada devido à atividade aumentada das enzimas lactatodesidrogenase e fosfofrutoquinase. 2000). são necessários mais estudos que analisem a freqüência cardíaca durante o treinamento para identificação das mudanças ocorrentes no overtraining. 2002. redução e densidade do número de receptores βadrenérgicos. Respostas bioquímicas ao overtraining Na fisiologia do exercício. Durante o esforço físico. MATSOS et al. 2. diminuindo a oxigenação em diversos tecidos e atenuando a ligação do H+ ao O2 (NIELSEN. levando a uma adaptação cardíaca positiva ao treinamento. análises bioquímicas com lactato. 2. da Educação Física/UEM Maringá. Sendo assim. Por outro lado. (1996) verificaram reduções significativas nas concentrações de lactato após esforço submáximo (2. CLEMMESEN.5 mmol/L) em indivíduos com overtraining.. Leger e Legros (2001) mostraram que indivíduos com overtraining e overreaching apresentaram reduções nas concentrações de lactato em teste incremental quando comparados a indivíduoscontrole. 275-289. LEGROS et al. Não obstante. uréia.Respostas fisiológicas para detectar o overtraining 277 capilarização reduzida. SARDELA. trim. podendo ser utilizado ao longo do treinamento como um marcador de overtraining (BOSQUET. saturação nos mecanismos de bombas de prótons. PICHOT. SCHELEY. também influenciam na resposta ao overtraining (HALSON. (2007) relataram que o overtraining altera a atividade do sistema nervoso autônomo. creatinaquinase. aumento da fosforilase devido a maior concentração de cálcio. Zavorsky (2000) relata que a queda da freqüência cardíaca máxima não deve estar considerada como indicativo de overtraining. fígado. v. SHULMAN. Kindermann et al. 2008 .. Gabriel. 2004). Lehmann. 2001. Em relação à freqüência cardíaca. 2006). como a diminuição do consumo de oxigênio pelas células musculares (GLADDEN. moleculares e psicológicas). OLIVERIA. baixas concentrações de lactato durante o exercício podem ser explicadas pela R. é necessário cautela na avaliação dos parâmetros VO2 max e freqüência cardíaca de forma isolada. 2007). 19. Mesmo assim.

2. A elevação sérica da CK é atribuída a danos teciduais. é interessante destacar que os valores de CK sofrem alterações conforme o período de análise após o exercício. Milias. n. Embora as concentrações de catecolaminas não tenham apresentado diferenças. promovendo diminuições na CK sérica (MUJIKA. BOONE et al. v. 2008 . Creatina Quinase (CK) A CK é uma enzima amplamente utilizada como biomarcador de estresse e alteração na atividade muscular. Fosfofrutoquinase (PFK) entre outras. FYNN et al.278 Araujo et al. Kuiper. LEGER. Costill. PIZZA. 19. Barron. esse efeito pode ser decorrente de uma adaptação orgânica positiva em diminuir sua capacidade produtora para uma mesma intensidade de esforço (HALSON. o período de polimento é a principal fase do treinamento e aquela na qual há melhor recuperação muscular. sendo importante analisar a atividade de algumas enzimas do metabolismo glicolítico. 2003). Snyder. PIZZA. Em contraste. que os valores máximos de CK foram obtidos 96 horas após a realização de exercício resistido. devido à peroxidação lipídica (ZOPPI. 1994). Sardella e Luppo (2000) relataram que a produção de lactato em nadadores pode ser um bom indicador de aumento de energia anaeróbia no período de polimento. 2001).. Embora a redução do lactato sanguíneo seja um bom parâmetro para diagnosticar o overtraining. Embora ainda existam controvérsias na literatura quanto à aplicabilidade dessa enzima como ferramenta efetiva na identificação do estado de overtraining. As diferenças na produção de lactato em resposta ao overtraining podem estar relacionadas à capacidade de mobilização do substrato energético (BOSQUET. citocinas e de CK.. Por outro lado. PYNE. JEUKENDRUP. MUTHO. Noakes e Levy et al. KELMANN et al. reduções nas concentrações de lactato após excessivos períodos de treinamento (overreaching) podem exercer efeitos supercompensatórios durante o período de recuperação (STEINACKER. em humanos. Bruunsgaard. Nakaji e Suzuki et al. no entanto. p.. 2004). Tem sido verificado que as concentrações de CK se alteram em resposta a mudanças no volume e intensidade de treinamento (YAMAMOTO.. Por outro lado. (1995) mostraram que diminuições na concentração de lactato podem ocorrer em indivíduos com overtraining mesmo com os estoques de glicogênio em condições normais. (1988) verificaram que inúmeras sessões intensas de treinamento provocaram deficiências na ressíntese do glicogênio. 275-289. trim. entre outras conseqüências. FLYNN. ROBERGRS et al. COSTILL.. Lactato Desidrogenase (LD). LORMES. (2002) verificaram que o pico de liberação da CK sérica ocorreu 48 horas após exercício intenso e que 24 horas de repouso não foram suficientes para manifestação do efeito agudo do exercício. 2000). MIYASHITA et al. 1994). incapacidade produtora da musculatura ou pelo aumento de sua utilização no músculo e em outros órgãos. no entanto. Totsuka. 1988. Uréia A uréia é um composto orgânico formado pelo metabolismo final proteico e pode indicar R. COSTILL. Bonifazi. FLYNN. as concentrações de CK aumentaram significativamente 4 dias após a atividade excêntrica. a CK parece ser sensível às alterações de volume do treinamento (KIRWAN. MACEDO. Galbo e HalkjaerKristensen (1997) analisaram o efeito da contração excêntrica e concêntrica sobre as concentrações de catecolaminas.. PADILHA. 1991. LEGROS et al. da Educação Física/UEM Maringá. Desse modo. como Glicogênio Sintase Quinase 3 (GSK3). (1985) relataram que a baixa produção de lactato juntamente com a hipoglicemia durante o exercício (independentemente dos estoques de glicogênio) demonstra que alterações no hormônio do crescimento e cortisol em indivíduos em overtraining são responsáveis por esse efeito. Cheng et al. estando relacionada à melhora dos estoques intramusculares de glicogênio e à capacidade de transporte desse metabólito para a corrente sanguínea. THOMAS. 2004).. Nomikos e Fragopoulou et al. 2. a concentração de lactato isolada não pode ser usada como um marcador específico de overtraining. Muitos mecanismos estão envolvidos na redução do lactato sanguíneo em indivíduos com overtraining. BOONE et al. podendo resultar em aumento da permeabilidade da membrana celular. 1988. Flynn e Kirwan et al. (2005) verificaram. Glicogênio Sintase (GS).

2003). Respostas hormonais ao overtraining Testosterona e Cortisol A testosterona possui tanto ação anabólica quanto androgênica.. Diferentemente. LEHMANN. embora pareça existir uma relação discreta entre o elevado volume de treinamento e o aumento da uremia (HALSON. JEUKENDRUP et al. GENDRISCH et al.. A mensuração das concentrações plasmáticas de testosterona livre vem sendo muito utilizada entre pesquisadores que buscam identificar algumas respostas fisiológicas do treinamento (MAcKINNON. conseqüentemente a formação de uréia deve ser aumentada. 19. LANCASTER. 2006. 1997). HALSON. Considerando-se que indivíduos em overtraining apresentam alto catabolismo proteico. ou seja. nem sempre são observados aumentos nas concentrações séricas desse hormônio durante o período de overtraining (HOOPER. HOOPER. verificaram que o treinamento de maior volume e menor intensidade apresentou maior incidência de queda na razão T/C quando comparado ao grupo de velocistas. dependendo do tecido de ação. 2006). JONES et al. 1991). já o decréscimo sugere que o método de treinamento utilizado representa um estímulo estressor intenso para o organismo. v.. GORDON et al. 2004). 2008 . a relação testosterona/cortisol (T/C) tem sido empregada no monitoramento do treinamento físico. Gabriel e Kindermann (1998) verificaram em indivíduos em overtraining significativa diminuição da performance em atletas de endurance e concentrações de testosterona normais. isso indica um resultado positivo em relação ao treinamento. Quando a razão T/C é aumentada. 1997. da Educação Física/UEM Maringá. GASTMANN. o cortisol apresenta uma ação catabólica. a concentração de testosterona é maior que a concentração de cortisol.. comparando a razão T/C entre corredores fundistas e velocistas. JONES et al. prevenindo a reesterificação de ácidos graxos e induzindo a lipólise. podendo indicar o nível de estresse imposto pela fase do treinamento. MAcKINNON. (2004). Padinha e Pyne et al. Pizza e Boone et al.Respostas fisiológicas para detectar o overtraining 279 indiretamente a decomposição celular e das proteínas do organismo. (1998) relataram que indivíduos em overtraining têm cortisol sérico aumentado em relação a indivíduos com atividade física normal (264 ± 28 vs 254 ± 19 nmol/L). Gabriel e kindermann et al. Simões. JEUKENDRUP. trim. Amônia O aumento da amônia no organismo indica alta atividade do ciclo da uréia. DICKHUTH. JEUKENDRUP et al. Mujika. 1991. parecendo não existir nenhuma variação com o volume e intensidade de treinamento (LEHMANN. Contraditoriamente. p. Mesmo assim. a razão T/C pode indicar um balanço entre anabolismo e catabolismo.. Urhausen. GENDRISCH et al. HALSON. n. aumentando a síntese proteica. HOOPER. SANTHIAGO. DICKHUTH. 2. podendo indicar indiretamente qualquer alteração no metabolismo proteico. Creatinina A creatinina é um produto da degradação da fosfocreatina que é produzida constantemente pelo organismo. 2003). No músculo esquelético. SANTHIAGO. Considerando-se o efeito antagonista desses hormônios. SILVA. algumas pesquisas com atletas em overtraining não revelaram nenhuma alteração nas concentrações desse metabólito (LEHMANN. Flynn. (2004) R. (1994) observaram um decréscimo nas concentrações de testosterona livre coincidentemente com diminuição da performance durante o overtraining... porém esses resultados ainda são contraditórios. 275-289.. No entanto. Sendo um dos principais indicativos do estado de treinamento. são poucos os estudos que verificaram alterações nesse composto em atletas em overtraining (SILVA. Entretanto. Ainda não se sabe certamente qual a sua relação com o overtraining. GOBATTO et al. MACKINNON. A creatinina é um marcador útil de função glomerular renal. GOBATTO. Marcon e Oliveira et al. 1992. diferentemente da análise individual das concentrações séricas de testosterona e cortisol.. Urhausen. 1993. a testosterona atua como hormônio anabólico. PETERSEN et al. No fígado a amônia produzida é convertida em uréia. 2. LANCASTER. Esses resultados sugerem que a razão T/C seja mais influenciada pelo volume do que pela intensidade dos treinamentos.

Durante o exercício incremental. como aumento da freqüência cardíaca basal e diminuição do volume de ejeção (ATLAOUI.. menor que 30%. Nesse contexto. 1992).. Adaptado de Mujika. 2006). Bacurau e Navarro et al. PICHOT. a não-alteração dessa razão em atletas e as variações encontradas em atletas em overtraining demonstram algum padrão de resposta do parâmetro em indicar o nível anabólico e catabólico do treinamento. O monitoramento das catecolaminas (plasma e urina) pode ser feito durante períodos de treinamento. 19. LACOSTE et al.... USITALO. as análises isoladas de cortisol e testosterona não devem ser excluídas. 1995. sugerindo a ocorrência de uma adaptação positiva às cargas impostas. 2. KENTTA. as concentrações de adrenalina e noradrenalina correlacionam-se com o aumento exponencial no lactato sangüíneo (SCHNEIDER. tendo verificado que o aumento abrupto no volume de treino foi o principal fator responsável por uma diminuição nessa razão.. Os sistemas parassimpático e simpático são responsáveis pelo controle do sistema nervoso autônomo.. Esses resultados demonstram que a razão T/C pode ser utilizada como uma ferramenta confiável para determinação do estado de treinamento. 2006). trim. secretando os dois principais neurotransmissores (noradrenalina e acetilcolina). o aumento da freqüência cardíaca máxima indica efeitos positivos do treinamento modulados diretamente pela ação das catecolaminas (HYNYNEN. Banfi. SANTHIAGO. LACOSTE et al. ATLAOUI. um decréscimo na razão T/C de aproximadamente 30% é considerado um valor relevante como indicativo de uma resposta estressante ao treinamento (BANFI. KAMIMORI et al. Padinha e Pyne et al. 2. (2004). Martinelli e Roi (1993) mostraram que indivíduos em overtraining apresentavam menores valores na razão T/C em comparação a patinadores velocistas que treinavam intensamente. A alteração parassimpática é observada com maior freqüência em atletas de endurance. obtendo apenas variações nas concentrações sanguíneas isoladas de testosterona e cortisol (Quadro 1). cortisol e razão testosterona/cortisol. McGUIGGIN.280 Araujo et al. 2000). v. 2007). (2004) mostraram que o treinamento de força após oito semanas em mulheres jovens aumentou a razão T/C na situação de repouso. Durante o esforço na ausência do overtraining. GABRIEL. 2006). Em atletas em overtraining. da Educação Física/UEM Maringá. GOBATTO et al. WIKLUND et al. A forma simpática de overtraining é caracterizada pelo aumento do sistema nervoso autônomo em repouso e provoca alterações básicas da funcionalidade orgânica. Além disso. Mesmo assim. KONTTINEN et al. 275-289. 2006). PICHOT. KONDERMANN et al. 2008 . apatia e função alterada dos sistemas imunológico e reprodutor. 2007). o sistema parassimpático aumentado em repouso indica que houve uma modulação positiva com o treinamento pela redução da freqüência cardíaca de repouso e melhora do volume de ejeção (HEDELIN. n. p. descreveram que a razão T/C não se altera após o período de polimento em atletas. tendo seu tônus aumentado no repouso e durante o exercício (SILVA. KONTTINEN et al. Sistema nervoso autônomo Quadro 2: Efeitos do polimento nas concentrações sanguíneas de testosterona. Em contraste.. competição e logo após o término da atividade (URHAUSEN. A atividade desses sistemas é alterada em situações de estresse e desequilíbrios na homeostasia (HYNYNEN. Israel (1976) verificou que podem existir dois tipos de overtraining: o simpático e o parassimpático. USITALO. Uchida. Durante o exercício prolongado com intensidades abaixo do limiar R. DOLCI. Halson e Jeukendrup (2004) descrevem que a forma parassimpática é caracterizada pelo aumento da fadiga.

análises de catecolaminas urinárias parecem indicar um estado de funcionalidade do sistema nervoso simpático. a IGFBP-1.. neste mesmo estudo foi observada elevação das concentrações de citocinas inflamatórias. por meio de inúmeras vias. 2. 2006).46. GABRIEL. A mensuração das catecolaminas pode fornecer informações sobre alterações bioquímicas diante de uma carga de exercício e ser correlacionada com a intensidade do treinamento visando minimizar o estresse imposto (KNOPFLI. Se a intensidade do exercício exceder o limiar anaeróbio. Halson e Jeukendrup (2004) afirmaram que essas diferenças encontradas podem ser atribuídas às diferentes metodologias aplicadas entre os autores e às diferenças interindividuais dos sujeitos utilizados.. Lehmann. 275-289. as concentrações de lactato permanecem constantes ou até mesmo se reduzem (URHAUSEN. 2006). trim. (1998). pois estes não encontraram diferenças nas concentrações plasmáticas de catecolaminas em atletas em overtraining. Os exercícios de curta duração e alta intensidade (anaeróbio lático) são caracterizados por uma maior liberação de catecolaminas (URHAUSEN. GOBATTO et al. R. Atlaoui. como o Fator de Necrose Tumoral-alfa (TNF-α) e Interleucina1beta (IL-1β). (2002) demonstraram decréscimo de elementos do eixo GH-IGF-I na circulação após exercício aeróbio e intenso em adolescentes. 19. devido à correlação negativa encontrada entre a excreção de catecolaminas e a latência da fase REM do sono (r=-0. no entanto. Nemet. (1998) relataram baixas concentrações de hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) e hormônio do crescimento (GH) em atletas em overtraining. 2008 . cujas concentrações são elevadas pelo exercício extenuante. KINDERMANN. Gabriel e Kindermann et al. no entanto esses resultados não puderam ser reproduzidos por Urhausen. Lormes e Opitz-gress et al. Pichot e Lacoste et al. A elevada concentração plasmática de catecolaminas tem sido relacionada a indivíduos em overtraining (HOOPER. (1997) descreveram que o overtraining em atletas de endurance causou diminuição noturna da excreção urinária de catecolaminas. O exato mecanismo de supressão do eixo GH-IGF-I não é totalmente conhecido. v. sinalizando alta atividade simpatoadrenérgica. GABRIEL.Respostas fisiológicas para detectar o overtraining 281 anaeróbio. Gastmann e Petersen et al. da Educação Física/UEM Maringá. Com isso. GORDON et al. 2001).01) (SILVA. a mensuração plasmática de outros hormônios é utilizada para diagnosticar o estado de treinamento em atletas. pode induzir a diminuição da concentração circulante de IGF-I. BAR-OR et al. já que diferenças foram encontradas com os parâmetros de performance. Hormônio do Crescimento (GH) Além dos hormônios testosterona e cortisol. Concomitantemente. receptores e proteínas ligantes que modulam o desenvolvimento de muitos tecidos e também estão envolvidos com a adaptação ao exercício. Mesmo assim. IL-1β e TNF-α são indicadores de atividade catabólica e inibem o IGF-I. 1995). p. KINDERMANN. 2. MAcKINNON. principalmente pela atenuação da bioatividade do IGF-I via aumento da inibição das proteínas ligantes de IGF (IGFBPs). a concentração das catecolaminas aumenta. Urhausen. entretanto Scheett. CALVERT. IL-1β. SILVA. p<0. OH e KIM et al. Por outro lado. (2002) relataram que o envolvimento das citocinas proinflamatórias circulantes. SANTHIAGO. Steinle (1997) relatou que uma diminuição na excreção de catecolaminas pode indicar a presença de fadiga central. as catecolaminas aumentam de forma duração-dependente. A IGFBP-3 é responsável por mais de 90% da ligação do IGF-I. 1993). tendo sido sugerido que ela pode ativar a bioatividade anabólica do IGF-I. (1992) observaram aumentos significativos de noradrenalina no repouso em indivíduos durante um período intenso de treinamento. 1995. Com relação aos estados de anabolismo e catabolismo. GOBATTO. Nemet e Stoppani et al. SANTHIAGO. Gabriel e Kindermann et al. (2007) relataram que a determinação das catecolaminas pode ser utilizada como um marcador do nível de estresse do treinamento.. e TNF-α. o eixo GH – Fator de Crescimento Insulínico-I (IGF-I) é um sistema que integra mediadores. n. Hormônio Adrenocorticotrófico (ACTH). Lehmann.

2000). Desse modo. identificar o percentual de glóbulos vermelhos ou hemácias no volume total de sangue. A imunossupressão causada durante um longo período de estresse físico pode provocar aumento de citocinas e mau R. as principais citocinas estudadas são a IL-6 e TNFα. As citocinas são pequenas proteínas ou peptídeos que compreendem um grupo muito extenso de moléculas envolvidas na emissão de sinais entre as células. 2. Todas as citocinas são pequenas proteínas ou peptídeos e podem ser enquadradas em diversas classificações. indivíduos em overtraining apresentam depressão imunológica. Em relação ao exercício físico. essas análises não parecem apresentar relevância para o diagnóstico do overtraing como visto com outros marcadores. HOOPER. diminuindo o número e a resposta mitogênica dos linfócitos e aumentando significativamente o índice de contração de doenças infecciosas. n. (1992) reportaram que as concentrações de glutamina foram reduzidas significativamente em indivíduos em overtraining. Pesquisas vêm demonstrando que indivíduos em overtraining apresentam diminuição nos valores de hematócrito. células brancas e da glutamina.. fator de necrose tumoral (TNFα e TNFα) e fator de transformação de crescimento (TGFβ). 2004). Hooper e Jones et al. mantendo-se elevada em resposta ao exercício físico (OSTROWSKI.. Halson e Jeukendrup (2004) afirmaram que as concentrações de glutamina nem sempre se alteram no overtraining. como monócitos. como cortisol. em comparação ao grupo-controle. o overtraining provoca também alterações no estado das citocinas. linfócitos e outras que não sejam linfóides. a determinação do hematócrito ou eritrócitos é a mais utilizada. p. 275-289. 2. LAC et al. (2005) verificaram significativas reduções desse aminoácido após inúmeras sessões intensas de treinamento. Kargotich. VARLET-MARIE. A mensuração do hematócrito possibilita. SCHJERLING. Varlet-Marie. Uma das razões para esse arrefecimento do sistema imunológico é o aumento exacerbado dos hormônios de estresse. durante o desencadeamento das respostas imunes (SILVA. É sintetizada pelos macrófagos e possui a função de ativar os linfócitos para determinada região tecidual específica. SANTHIAGO. GOBATTO 2006). JONES et al. A deficiência de glutamina deprime o sistema imunológico. 2008 . 19. No entanto. como: interferons (IFN). (1997) verificaram que o índice de redução dos eritrócitos foi semelhante à diminuição da hemoglobina durante 4 semanas de treinamento de elevado volume em nadadores. fator estimulador de colônias (CSF). por meio de centrifugação sanguínea. MASO. (2006) mostraram que o hematócrito sofre variações específicas com o período do treinamento. eritrócito e viscosidade plasmática (MAcKINNON. v. Parry-Billings et al. na regulação da síntese e degradação de proteínas. Glutamina A glutamina é o principal substrato energético para células do sistema imunológico. Em relação ao overtraining. entre outras. macrófagos. através de um processo análogo ao dos hormônios. interleucinas (IL). por ser um exame rápido e que necessita de apenas uma pequena quantidade de sangue. RESPOSTAS HEMATOLÓGICAS AO OVERTRAINING Hematócrito e eritrócitos Dentre os principais indicativos hematológicos do overtraining. A IL-6 é uma proteína prduzida principalmente por células brancas T. RESPOSTAS IMUNOLÓGICAS AO OVERTRAINING principalmente para os linfócitos e macrófagos. PEDERSEN et al. Citocinas Fisiologicamente.282 Araujo et al. Mackinnon. 1997.. no controle do volume celular. na desintoxicação corporal do nitrogênio e da amônia. As citocinas podem ser produzidas por diversas células. essa técnica possibilita indicar alterações na viscosidade sanguínea. Goodman e Dawson et al. Mercier e Brun et al. exercendo importantes funções na manutenção do sistema imunológico. podendo levar o atleta a infecções e doenças do trato respiratório. da Educação Física/UEM Maringá. e sendo assim. trim. No entanto. embora a viscosidade sanguínea não indique sensivelmente as condições de overtraining.

Sharp e Koute (1992). em revisão de literatura. p. Períodos de intensificação do treinamento associados ao overtraining estão diretamente relacionados a disfunções imunológicas. 2000). Malm (2006) analisou a susceptibilidade de infecções em atletas de elite e relatou que não existe deficiência do sistema imunológico nessa população. causando morte por apoptose. indicando que a intensidade e volume de treinamento associado com recuperação insuficiente seria uma das causas do overtraining. durante o overtraining sua resposta inflamatória a uma lesão muscular e a supressão do sistema imunológico são aumentadas (SMITH. quando comparados a intensidades baixas e elevadas (Gráfico 3). Glesson (2006) relatou que atletas de elite possuem uma adaptação positiva do sistema imunológico diminuindo o risco de infecções do tratorespiratório mesmo realizando altas cargas e volume de treinamento. atividades em intensidades moderadas de exercício evitam possíveis danos ao sistema imunológico. que podem gerar respostas inflamatórias. Bruunsgaard. Santhiago e Gobatto (2006) relataram que o aumento das citocinas em resposta ao exercício físico ocorre principalmente nas atividades em que a contração é excêntrica. Silva. Como o TNFα está envolvido em inflamações orgânicas. No entanto. proliferação e diferenciação celular e podendo originar tumores e replicação viral. O TNFα regula as células imunes do organismo. verificando-se apenas variações na relação glutamina/glutamato. Lancaster e Jeukendrup et al.Respostas fisiológicas para detectar o overtraining 283 funcionamento do sistema imune. protegendo e prevenindo inflamações e infecções do trato respiratório. Períodos prolongados de estresse físico podem causar depressão temporária em vários aspectos da função imunológica. Gráfico 4: Risco de infecção em relação a variações na intensidade e volume do treinamento em atletas de elite. 2. Proposta de Sinvertido para o índice de infecção. Contudo. devido às microlesões musculares. (1997) compararam o efeito da contração excêntrica e concêntrica sobre a elevação de citocinas e de CK. 2. 275-289. Adaptado de Malm (2006). em indivíduos normais tem-se visto que em intensidade e volume moderados de treinamento ocorrem as melhores respostas imunes. mesmo diminuindo a performance. 2006). elevando a produção de citocinas. Respostas imunológicas Gráfico 3: Risco de infecção em relação a variações na intensidade e volume do treinamento em indivíduos normais. n. aumentando o índice de infecções (GLEESON. e propôs outro comportamento da relação entre índice de infecção e variações na intensidade do treinamento (Gráfico 4). levando o atleta ao overtraining. verificaram que a resposta inflamatória aumenta durante o overtraining. Halson. constaram em ciclistas em overtraining que. as citocinas não se alteraram durante o treinamento intenso de duas semanas. Galbo e Halkjaer-Kristensen et al. Adaptado de Malm (2006). (2003). Esse estudo demonstrou que a concentração de citocinas aumentou muitas vezes após o exercício excêntrico. v. 2008 . 19. Nieman (1994) verificou que existem relações entre índice de infecções e alterações na intensidade e volume do treinamento. da Educação Física/UEM Maringá. Desse modo. trim. Células imunológicas Com relação às células do sistema imunológico ocorrem alterações nos R.

como está associado a um aumento excessivo das cargas de treinamento. GP96 e HSP 60. ROBERTS et al. Lehmann. MORALES et al.. Mesmo assim. Essas proteínas bloqueiam a transcrição de genes dependentes do fator O aumento do consumo de oxigênio (O2) durante o esforço físico leva ao aumento da formação de espécies reativas de oxigênio (EROs). LOREZ et al. SAYEM.. demonstrando que os períodos e características do treinamento podem interferir em sua expressão. Com o objetivo de diminuir a ação tóxica das EROs. Esses estudos tiveram ênfase nos efeitos de exercícios agudos e crônicos sobre a expressão das HSPs em resposta às lesões teciduais (SCHNEIDER. 1999)... além disso. 1994) e espécies reativas do oxigênio (ZOU. 2. aumento do cálcio intracelular (KIANG. THOMPSON. (FEBBRAIO. NOBLE. p. 2006). (1996) e Halson. SALMINEN. 19. STARNES. Lehmann. diminuindo a incidência de doenças infecciosas e o overtraining. No entanto. (1997) relataram que durante o estado de overtraining há aumento da síntese da HSP70 como mecanismo reparador celular. BURG et al. Outras células do sistema imunológico parecem responder semelhantemente aos leucócitos. faz diminuir o número dessas células de defesa (MATVIENKO. tais como fagocitose e inflamação. a expressão das HSPs é alterada pelo aumento da temperatura (HARRIS. URBAUSE . 1981). superóxido dismutase (SOD). e atuam como antígenos. VAISBERG. podendo levar à morte celular. 1998). catalase (CAT). 2003). Zoppi e Macedo (2007) consideraram três semanas de treinamento de endurance em esteira como suficientes para gerar o overtraining em ratos. as quais contribuem efetivamente para o desequilíbrio intracelular. CARR. como adrenalina e cortisol. Esses autores verificaram aumento na expressão da HSP72 principalmente em fibras oxidativas (Tipo I). DILLMANN. possivelmente devido a eventuais aumentos dos hormônios do estresse. 2000). OUTROS MARCADORES DE OVERTRAINING A constante busca de novos marcadores que identificam precisamente o estado de overtraining tem possibilitado utilizar técnicas laboratoriais recentes que possam identificar conseqüências do overtraining a nível molecular. 2001). 1998). Imediatamente após o exercício essas células se encontram aumentadas. GABRIEL. hipóxia/isquemia (MESTRIL. 2. estresse metabólico. HSP90. Lancaster e Jeukendrup et al. VALET et al. Jenkins e Goldfarb (1993) verificaram que 2 a 5% do O2 consumido dão origem a EROs. VAISBERG. Silva. Poucos estudos avaliaram os efeitos do overtraining sobre as HSPs. 1994). 2002). KOUKOULAS.. n. (2006) relataram que as principais diminuições das células de defesa em atletas em overtraining acontecem com os eosinófilos (FRY. GARCIA-WEBB et al. Mann e Gastmann et al..284 Araujo et al. Heat-Shock Proteins (HSP) nuclear NF-κB. devido à sua capacidade de peroxidação lipídica carbonilação proteica e de causar danos ao DNA. MORTON. Santhiago e Gobatto et al. Após um período de recuperação de aproximadamente 30 minutos se verifica queda nos neutrófilos e leucócitos (ROSA. números/contagens de leucócitos e neutrófilos após sessões de exercício (ROSA. Não obstante. trim. regulando a produção de citocinas pró-inflamatórias. o organismo dispõe de um sistema de defesa antioxidante com enzimas protetoras: citocromo c oxidade. O overtraining. MAYNARD. da Educação Física/UEM Maringá. 1992. 275-289. 2002). v. As HSs respondem imediatamente em diversas situações. agem tanto como sinalizadoras de dano celular quanto como carregadoras de antígeno para a resposta imune (MULTHOFF. principalmente HSP70. Lormes e Opitz-Gress et al. Nesse sentido. NIESS. 2002. As proteínas de choque térmico têm-se mostrado um mecanismo relevante no reparo das células musculares em resposta à prática de exercícios físicos extenuantes. Espécies reativas de oxigênio (ERO) As proteínas de estresse. glutationa peroxidase e redutase R. secreção de catecolaminas (PAROO. 2008 . (2003) verificaram que não existe variação do número de leucócitos eosinófilos e linfócitos em atletas em overtraining. é verificado que a intensidade do esforço e o treinamento a longo prazo podem provocar respostas adaptativas.

é R.Respostas fisiológicas para detectar o overtraining 285 (DÉKÁNY. porém suas concentrações circulantes aumentam em indivíduos em overtraining (PETIBOIS. trim. por sua vez. (2006) verificaram que a concentração de DNA no plasma fica alterada em diferentes períodos de treinamento ao longo de um treinamento resistido (Gráfico 5). 2006). Estudos têm verificado que as concentrações de leptina podem ser influenciadas por diversos fatores fisiológicos. JAMURTAS et al. excesso de fadiga. p. medida após exercício resistido de baixo (Período 1). Sabe-se que o exercício físico intenso desencadeia o estresse oxidativo. também aumentam a expressão de leptina (SARRAF. alto (Período 2). a densos calendários competitivos bem como a tempos inadequados de recuperação. inflamações e O crescente desenvolvimento da ciência no âmbito esportivo vem proporcionando novos métodos de treinamento físico para que se alcance o máximo desempenho dos atletas. Análises da atividade e expressão das enzimas antioxidantes têm sido utilizadas para verificar o nível de ataque oxidativo gerado pelo treinamento. 19... em virtude de serem produzidas como resposta adaptativa a um treinamento. O overtraining é uma desordem fisiológica que acomete principalmente atletas. TURNER et al. HAGERMAN. FATOUROS. como. Greilberger e Oetti (2004) relataram que danos musculares causados por EROs são mais acentuados em indivíduos pouco treinados que realizam exercícios com intensidade e duração acima da sua condição física. (2001) verificaram que o treinamento moderado minimiza os efeitos do estresse oxidativo ao exercício agudo de alta intensidade. 1997). A principal ação da leptina é inibir os neurotranmissores onorexígenos (neuropeptídeo Y e AGRP) e ativar substâncias anorexígenas. Além disso. CAZORLA. excedendo muitas vezes o limite individual de cada atleta e desencadeando overtraining. Miyazaki. Oh-Ishi e Ookawara et al. podendo resultar em diminuição da performance. No entanto. v. 275-289. valores de CK e Uréia responderam de forma semelhante ao DNA plasmático durante os diferentes períodos do treinamento. Destouni. GYORE et al. danos musculares no overtraining e alterações importantes no sistema imune (ALESSIO. várias citocinas. CONCLUSÃO O DNA circulante pode estar alterado em condições traumáticas. n. A leptina é um hormônio produzido no tecido adiposo. 2008 . Gráfico 5: Concentração de DNA no plasma em 17 participantes. gravidez. 2007). Para se diagnosticar com precisão o overtraining. como TNF-α. enfermidades e outros desequilíbrios metabólicos. da Educação Física/UEM Maringá. Além disso. devido à constante exigência de bons resultados. 2.. 2. IL-1 e IL-6. Ainda não se conhece o mecanismo envolvido na variabilidade da leptina durante o exercício. Margonis et al.. por exemplo. POORTMANS et al. muito alto (Período 3) e baixo volume (Período 4). Aumentos significativos de CAT e GP indicam que essas enzimas podem ser utilizadas como marcadores de overtraining (MARGONIS. fatores hormonais (concentração de insulina e glicocorticoides). (2006).. FREDERICH. fadiga muscular. Lamprecht. sugerindo que o DNA pode ser um marcador sensível para monitorar e quantificar o overtraining em atletas. FULKERSON et al. 2002). provoca diminuição do desempenho físico. que. Respostas do DNAp Plasmático Esse achado demonstra que a concentração plasmática de DNA aumenta em proporção à carga de treinamento. Fatouros. Leptina câncer. sendo responsável pelo controle da saciedade. NEMESKÉRI. 2000). Adaptado de Fatouros et al. alguns princípios do treinamento não são respeitados.

Hagerstown. S. AGAPE. 24-hr urinary catecholamine excretion. outros indicadores de estresse orgânico por exercícios físicos. M. p. 14. European Journal of Applied Physiology. BROOKS. trim. Although there are many studies on overtraining. metabolic. C. Exercise-induced increase in interleukin-6 is related to muscle damage. com vista a prevenir o overtraining ou promover uma eficaz recuperação dos indivíduos por ele afetados. M. 28.. NOAKES. LACOSTE. Sports Medicine.. The Journal of Physiology. 1998. G. 32. Metabolites. Stuttgart. n. Stuttgart. BANFI. Mountain View Calif. International Journal of Sports Medicine. 368-373. THOMAS. et al. J. O Exercício. W. DUCLOS. 249-254. H. 2nd ed. BARRON. Heart rate monitoring: applications and limitations. However. 2006. to characterize the overtraining is important that these biomarkers as hormonal. Heidelberg.. HAGERMAN. vêm sendo mensurados com o objetivo de melhor monitorar o treinamento. BONIFAZI. Medicine and Science in Sports and Exercise. devido à ampla literatura disponível e às suas boas associações com os diferentes períodos de treinamento. juntamente com as variáveis de performance.. ATLAOUI. VO2 max and heart variability be associated with declining in performance.. PHYSIOLOGICAL RESPONSES TO DETECTION OVERTRAINING ABSTRACT The excessive exercises allied with inadequate recovery periods can result in the overtraining which is characterized by a series of disturbs in metabolic and physiological parameters associated to a reduction on performance. no. 517-38. Por outro lado. p. LUPPO.. FLYNN. FULKERSON. bioquímicos. as alterações hormonais. LEVY. p.. 1985. P. V. PICHOT. Baltimore.. FAHEY.. 1993.. devido à grande variabilidade das respostas encontradas por diferentes pesquisadores. B. T (Ed. no. T. Exercise Physiology: human bioenergetics and its application. N. COSTILL. J. S.. LEGER. 7. v. WHITE. v. Effects of repeated days of intensified training on muscle glycogen and swimming performance. M. 2. MACLEAN. R. MILLAR. v. 33. mesmo com contradições. 2006. p. 46.). 2008 . extremamente importante a associação de alguns biomarcadores hormonais. 2001. no. trainers and athletes deepen their knowledge on the way to detect overtraining caused by inadequate program of training. v.. 1997. p. B.. SMITH. MARINELLI. 1996. D. D. 833-841. L. Contudo. A. K. GOUARNE. No entanto. P. Stuttgart. G. et al. v. GALBO. p. p. 2000.. Adaptations to swimming training: influence of training R. D. 313-320. bioquímicas e de performance. J. ALESSIO.. enzimas antioxidantes e DNA livre. 3. v. R. Usefulness of free testosterone/cortisol ratio during a season of elite speed skating athletes. ROI. A.. G..: Mayfield. como as proteínas de choque térmico.. COSTILL. no. São Paulo: Atheneu. L. . KIRWAN. no. 5-6. E. E.. na literatura ainda não há um consenso quanto ao melhor indicador fisiológico. p. A. 60. BANFI. 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