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Comparação entre os métodos auscultatório e oscilométrico de determinação da Pressão Arterial

Comparison between auscultatory and oscilometric methods for Blood Pressure determination

Endi Lanza Galvão 1 ; Jaqueline Guimarães Batista 2 ; Flávia Lourenço de Figueiredo 3 ; Wagner de Fátima Pereira 4 ; Alex Erickson Ferreira

5

Correspondência: Wagner de Fátima Pereira (wafape@bol.com.br)

  • 1 - Fisioterapeuta pela UFVJM

  • 2 - Fisioterapeuta pela UFVJM

  • 3 - Fisioterapeuta pela UFVJM

  • 4 - Mestre em Odontologia / Especialista em Fisiologia do Exercício / Professor Assistente de Fisiologia & Fisiologia Exercício - UFVJM

  • 5 - Mestre em Estatística, Professor Assistente de Estatística, Geometria analítica e Álgebra linear - UFVJM

RESUMO

_________________________________________________________________________________

A monitorização da pressão arterial (PA) é indispensável para o diagnóstico e prevenção de complicações cardiovasculares. A PA pode ser mensurada indiretamente pelos métodos auscultatório e oscilométrico. Contudo, existem poucos estudos que comparam as medidas obtidas pelos mesmos. Comparar e correlacionar as medidas da pressão arterial obtidas por meio dos métodos auscultatório e oscilométrico. Estudo transversal com 250 adolescentes de 14 a 17 anos de idade, selecionados em duas escolas na cidade de Diamantina (MG), não havendo distinção de gênero, etnia e condição socioeconômica. Cada participante teve a sua pressão arterial aferida por um aparelho aneróide marca (Becton, Dickinson and Company) e, em seguida, por um aparelho digital marca (Mark of Fitness modelo MF81). A média da pressão arterial sistólica verificada pelo método auscultatório foi 108,1 mmHg (DP + 11,9 mmHg) e pelo método oscilométrico foi 110,6 mmHg (DP + 11,3 mmHg). Considerando-se a pressão arterial diastólica, as médias para esses dois métodos respectivamente foram 63,8 mmHg (DP + 8,8 mmHg) e 69,5 mmHg (DP + 8,4 mmHg). Após a comparação dos valores pressóricos entre os dois métodos, verificou-se uma boa correlação para os valores sistólicos (r = 0,7522) e baixa correlação para os valores diastólicos (r = 0,2815). De forma geral, verificou-se uma baixa correlação dos resultados ao se realizar a comparação dos aparelhos digital e aneróide para medida da pressão arterial. Descritores: Determinação da Pressão Arterial; Instrumentação; Oscilometria; Esfigmomanômetros; Estudos transversais.

ABSTRACT

_________________________________________________________________________________ Monitoring of blood pressure (BP) is essential for the diagnosis and prevention of cardiovascular complications. The BP can be measured indirectly by auscultatory and oscillometric methods. However, there are few studies that compare the measurements obtained by them. Compare and correlate the measures of blood pressure obtained by auscultatory and oscillometric methods. Cross- sectional study with 250 adolescents, from 14 to 17 years of age, selected from two schools in the city of Diamantina (MG), with no distinction of gender, ethnicity and socioeconomic condition. Each participant had the blood pressure measured by an aneroid device mark (Becton, Dickinson and Company) and then by a digital device mark (Mark of Fitness model MF 81). The average systolic blood pressure checked by the auscultatory method was 108.1 mmHg (SD + 11.9 mmHg) and the oscillometric method was 110.6 mmHg (SD + 11.3 mmHg). Considering the mean diastolic blood pressure for these two methods respectively were 63.8 mmHg (SD + 8.8 mmHg) and 69.5 mmHg (SD + 8.4 mmHg). After comparison of pressure values between the two methods showed a good correlation for the systolic values (r = 0.7522). For diastolic values there was low correlation (r= 0.2815). There was a low correlation of results when conducting a comparison of digital and aneroid devices for blood pressure measurement. Key Words: Blood Pressure Determination; Instrumentation; Oscillometry; Sphygmomanometers; Cross-sectional studies.

Comparação entre os métodos auscultatório e oscilométrico

INTRODUÇÃO

A monitorização da pressão arterial (PA) é indispensável para o diagnóstico e prevenção de complicações cardiovasculares. Uma das maneiras de se medir a pressão intra-arterial é por meio de técnicas invasivas, com o uso de equipamentos sofisticados. Pela maior praticidade, o método indireto é o mais utilizado verificando-se habitualmente, três tipos de sistemas de registro: coluna de mercúrio, eletrônico e aneróide 1 . Dentre os métodos indiretos, os manômetros de mercúrio são considerados os mais fidedignos se comparados aos demais instrumentos. Entretanto, os aparelhos aneróides, ainda que menos precisos, são mais utilizados na prática clínica em decorrência do menor preço e

tamanho 2 . Neste caso, as medidas são feitas através pelo método auscultatório e estão sujeitas aos inúmeros fatores de erros, considerando-se as influências relacionadas ao avaliador, ao ambiente onde essas

medidas foram realizadas 3

e o equipamento

5

, os

utilizado 3,4 . Segundo Mion Jr et al.

aparelhos automáticos podem apresentar imprecisões mais facilmente que os aneróides e os de coluna de mercúrio, sendo seu uso rotineiro contra-indicado para os profissionais da área da saúde. Entretanto, esses aparelhos podem ser úteis para os pacientes hipertensos controlarem sua PA em casa. Os aparelhos eletrônicos funcionam pelo método oscilométrico e diferem dos demais por utilizarem o próprio manguito pressurizado como meio de detecção do sinal, não se fazendo necessário o uso de um amplificador sonoro 6 . Devido à grande variedade de aparelhos digitais disponíveis no mercado,

Plavnik et al.

7

reforçam a necessidade de que

os mesmos apresentem uma correspondência em grau satisfatório com os métodos convencionais.

Essas técnicas não invasivas de medida da PA evoluíram rapidamente e, apesar das suas vantagens e desvantagens, são capazes de prover resultados acurados 8 . Tendo em vista as várias técnicas de mensurar a pressão arterial, o objetivo deste estudo foi comparar e correlacionar as medidas obtidas através dos métodos auscultatório e oscilométrico.

MÉTODOS

Este trabalho é parte integrante de um estudo transversal realizado no ano de 2006 na cidade de Diamantina (MG), em 250

estudantes do ensino médio na faixa etária de

14

a

17

anos,

não

havendo

distinção de

gênero,

etnia

e

condição socioeconômica.

Após contato inicial com seis escolas, na zona urbana de Diamantina (MG), foram selecionadas somente duas dessas, levando em consideração a facilidade de acesso, sendo uma escola pública e uma particular. Após a escolha das escolas, os pesquisadores entregaram o termo de consentimento livre e esclarecido a todos os alunos interessados na pesquisa. Foram escolhidos para participar da pesquisa somente os alunos até 17 anos e que tiveram o termo de consentimento assinado pelos pais ou responsáveis, ou seja, 250 estudantes, quantidade esta suficiente para se realizar as análises estatísticas, com base na população total, nessa faixa etária, averiguada previamente nessas escolas. A limitação da idade máxima objetivou o favorecimento da análise dos dados em relação à incidência de hipertensão na população estudada, com base em percentis (resultados descritos em outro trabalho).

A coleta de dados ocorreu sempre no período da manhã, das 7 horas até o horário

do lanche e continuou após o lanche,

respeitando-se

o

jejum

de

pelo

menos

30

minutos para avaliação da PA. As avaliações

da PA foram realizadas em uma sala previamente selecionada na própria escola. As

salas

escolhidas

propiciaram

um

ambiente

silencioso,

sendo

os

alunos

avaliados

individualmente.

Os

avaliadores

receberam

treinamento

prévio

e

a

confiabilidade

interavaliadores foi testada. Estabeleceu-se,

para cada aluno,

repouso mínimo de cinco

minutos, jejum

de pelo menos meia hora

e

ausência

da

realização

de

exercício

físico

prévio no dia da avaliação. Para a

padronização

da

técnica,

os

estudantes

permaneceram sentados e as mensurações

foram

realizadas

sempre

no

braço

direito,

estando o mesmo apoiado ao nível do coração. A realização prévia de exercício físico pelo aluno serviu como critério de exclusão. Entretanto, isso não gerou perdas, uma vez que os pesquisadores realizarem as

avaliações durante vários dias; assim, o aluno

excluído em

um

determinado

dia,

teve

a

oportunidade de participar em outra ocasião.

A

aferição

da

PA

pelo

método

auscultatório se deu pelo uso de aparelhos da marca Becton, Dickinson and Company (BD) (fabricado no Brasil) – modelo Adulto Médio com Fecho Metal - desenhados para circunferências de braço entre 24 e 32 cm e compostos de esfigmomanômetro aneróide e estetoscópio biauricular. A aferição da PA pelo método oscilométrico foi feita através de aparelhos digitais da marca Mark of Fitness

Galvão EL, Batista JG, Figueiredo FL, Pereira WF, Ferreira AE

modelo MF81 (fabricado insuflação automática.

na Indonésia), de

Com o uso do esfigmomanômetro aneróide (método auscultatório) foram realizadas duas medições, com intervalo de um minuto entre elas. Em seguida, esse aparelho foi substituído pelo aparelho digital (método oscilométrico), colocado no punho direito do estudante e realizada uma medição. Os esfigmomanômetros aneróides foram previamente calibrados pela assistência técnica e os aparelhos digitais não foram previamente calibrados por falta de assistência técnica, entretanto eram aparelhos novos. A pressão arterial sistólica (PAS) pelo método auscultatório foi determinada a partir do surgimento do primeiro som de Korotkoff (K1) e a pressão arterial diastólica (PAD) com o desaparecimento dos sons (K5) 9,10 .

A comparação entre os dois métodos foi feita utilizando-se os valores médios do método auscultatório e o valor absoluto obtido pelo método oscilométrico. Utilizou-se o teste de Shapiro – Wilk, que detectou que os dados não seguiram uma distribuição normal. Sendo assim, realizou-se o teste de Wilcoxon para variáveis não paramétricas. Finalmente, foram construídos diagramas de dispersão e calculado o coeficiente de correlação de Pearson para os dois métodos de medida da pressão arterial. Os resultados foram obtidos utilizando-se o programa R.

Este estudo teve aprovação prévia do Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

(UFVJM) sob o registro número 161/06. Cada aluno foi informado sobre os valores da sua PA. Aqueles que apresentaram valores condizentes com hipertensão foram instruídos sobre a necessidade de acompanhamento ambulatorial com finalidade de confirmação diagnóstica.

RESULTADOS

Os

dados

referentes

às

pressões

sistólica e diastólica foram analisados separadamente a fim de melhor visualização e comparação dos resultados.

a

A média dos valores encontrados para pressão arterial sistólica pelo Método

Auscultatório

foi

108,1

mmHg

(DP

+

11,9

mmHg) enquanto

que

pelo

Método

Oscilométrico foi 110,6

mmHg

(DP

+

11,3

mmHg),

 

apresentando

diferença

estatisticamente

significante

(p<

0,05).

O

maior

e

o

menor

valor

encontrados

pelo

Método Auscultatório foram 158,0 mmHg e

85,0

mmHg

e

pelo

Método

Oscilométrico

foram 154,0 mmHg e 73,0 mmHg,

respectivamente (Tabela 1).

Ao

considerar

a pressão arterial

diastólica, o maior valor encontrado pelo Método Auscultatório foi 90,0 mmHg e o menor valor 36,0 mmHg, com média de 63,8 mmHg. Já pelo Método Oscilométrico, o maior valor foi 98,0 mmHg e o menor 32,0 mmHg, com média de 69,5 mmHg (Tabela 2). Esses resultados também apresentaram diferenças estatisticamente significantes (p< 0,05).

Tabela 1 - Medidas descritivas da Pressão Arterial Sistólica, em mmHg, para os métodos auscultatório e oscilométrico .

 

Método

Método

Medida descritiva

Auscultatório

Oscilométrico

Média

108,1

110,6

Desvio padrão

11,9

11,3

1º Quartil (25%)

100

103

2º Quartil (50%) mediana

107

110

3º Quartil (75%)

114,9

117

Maior valor

158

154

Menor valor

85

73

Amplitude

73

81

Comparação entre os métodos auscultatório e oscilométrico

Tabela 2 - Medidas descritivas da Pressão Arterial Diastólica, em mmHg, para os métodos aucultatório e oscilométrico.

 

Medida descritiva

 

Método

Método

Auscultatório

Oscilométrico

 

Média

 

63,8

69,5

Desvio padrão

8,8

8,4

1º Quartil (25%)

59

64

2º Quartil (50%) mediana

63,3

69

3º Quartil (75%)

69

75

Maior valor

90

98

Menor valor

36

32

Amplitude

54

66

Os

Histogramas apresentando os

(Figura 2),

os

dados

caracterizam

maior

resultados da PAS para ambos os métodos

distribuição em torno da média para o Método

(Figura 1) evidenciaram uma assimetria à Auscultatório, ao contrário do Método esquerda, sendo mais acentuada para
(Figura
1)
evidenciaram
uma
assimetria
à
Auscultatório,
ao
contrário
do
Método
esquerda,
sendo
mais
acentuada
para
o
Método
Auscultatório.
Em
relação
à
PAD,
Oscilométrico em que se observa maior
concentração desses dados.

Figura 1 – Medidas da Pressão Arterial Sistólica, em mmHg, para os métodos auscultatório e oscilométrico.

Comparação entre os métodos auscultatório e oscilométrico Tabela 2 - Medidas descritivas da Pressão Arterial Diastólica,

Figura 2 – Medidas da Pressão Arterial Diastólica, em mmHg, para os métodos auscultatório e oscilométrico.

Comparação entre os métodos auscultatório e oscilométrico

Ao confrontar os dois métodos, foi observada uma boa correlação para a PAS (r= 0,7522), sendo que para a PAD os resultados

encontraram-se muito dispersos (r= 0,2815), portanto, estabelecendo uma fraca correlação entre as medidas realizadas (Figura 3).

Pressão Sistólica Pressão Diastólica Método Método Auscultatório Oscilométrico Figura 3 – Pressões Arteriais Sistólica e Diastólica,obtidas
Pressão Sistólica
Pressão Diastólica
Método
Método
Auscultatório
Oscilométrico
Figura 3 – Pressões Arteriais Sistólica e Diastólica,obtidas pelos métodos Auscultatório e Oscilométrico.
DISCUSSÃO
presente
trabalho
está
de
acordo
com
Método - 2
Método - 2

os

De modo geral, recomenda-se o uso dos manômetros de mercúrio como referência para os registros indiretos da pressão arterial por serem considerados os mais fidedignos. Contudo, o presente estudo preconizou a comparação entre aparelhos aneróides e digitais por serem as técnicas de medida mais utilizadas na prática clínica em razão dos seus menores preços e tamanhos.

Furusawa

et

al. 12 ,

em

estudo

envolvendo indivíduos com idade média de

16,3 anos, encontraram por meio de aparelho

digital, média

da

PAS de

101,4

mmHg e

da

PAD de 59,5 mmHg, diferindo dos resultados

deste

estudo,

os

quais

revelaram

valores

médios, para as mesmas pressões, na ordem

de 110,6

mmHg e de 69,5 mmHg

respectivamente.

Mano et al. 13 , em estudo de validação do aparelho digital DIXTAL DX2710, utilizaram

o

aparelho

de

coluna

de

mercúrio

como

método-padrão,

concordância

observaram

que

para

a

pressão

houve

sistólica,

enquanto que a média da PAD para o aparelho testado foi significativamente menor.

Lithell

et al. 14 , em estudo realizado com o

aparelho semiautomático tipo oscilométrico (Visomat OZ D2 International), também

encontraram que o aparelho testado apresentou médias mais baixas para a PAD. O

resultados encontrados para a PAS. Contudo,

para a PAD foram observados valores relativamente maiores pelo método

oscilométrico. Ainda, em

relação

à

comparação

das

médias

obtidas

por

meio

desses métodos de medida da PA, Keavney et

al. 15

verificaram

semelhanças

entre

as

mesmas, discordando do presente estudo.

Segundo Cerulli 6 ,

o

método

oscilométrico pode fornecer medidas

significativamente discrepantes sem

que

sejam consideradas incorretas. Esse achado pode estar relacionado ao fato dos valores

obtidos pelos aparelhos digitais serem resultado de estimativas da PAS e PAD (pressão arterial média) contrastando com os

aparelhos aneróides, que fornecem

valores

absolutos da pressão arterial. O estudo de Basso et al. 16 constatou

excelente concordância para a PAS e boa concordância para a PAD, entre as medidas obtidas pelos dois aparelhos. Rego Filho et al. 17 , num estudo de acurácia do método oscilométrico, comparando-o com o auscultatório por meio do aparelho de coluna de mercúrio, em crianças, encontrou maior correlação para a pressão sistólica (r = 0,83), do que a diastólica (r = 0,47). O presente estudo concorda com esses achados, uma vez que se verificou uma boa correlação para os

valores

sistólicos

(r

= 0,7522)

e

uma baixa

Galvão EL, Batista JG, Figueiredo FL, Pereira WF, Ferreira AE

correlação

(r

=

0,2815)

para

os

valores

diastólicos.

Em outro estudo, realizado por Lunardi, Perego e Santos 18 sobre comparação de medidas de pressão arterial obtidas por aparelho digital de punho e esfigmomanômetro aneróide, em indivíduos na faixa etária de 18 a 84 anos, os autores também concluíram diferenças estatísticas significantes entre as medidas dos dois instrumentos, sendo que ambos apresentaram variação similar tanto para a PAS quanto para a PAD.

A pressão arterial diastólica (PAD) para adultos acima de 18 anos é considerada normal com valores inferiores a 85 mmHg, segundo o III Consenso Brasileiro de Hipertensão Arterial 19. Valores de PAD entre 85 e 90 mmHg são preditores de uma pressão limítrofe (85 – 90 mmHg) e quando acima de 90 mmHg já é considerada hipertensão em seus vários graus. Portanto, a obtenção de valores corretos da PAD são importantes tanto para o diagnóstico de hipertensão quanto para a tomada de medidas curativas e preventivas da mesma. Fuchs et al. 20 abordam que a elevação da pressão arterial diastólica aumenta o risco para eventos vasculares, especialmente o acidente vascular encefálico (AVE), destacando assim a importância da monitoração correta dessa pressão.

A substituição do método auscultatório pelo método oscilométrico não é recomendada 17,21 . Contudo, têm-se observado que o uso de equipamentos automáticos

facilita a monitorização arterial em casa e o consequente gerenciamento de hipertensos

6,21

. Apesar dos aparelhos aneróides ainda serem os mais utilizados no âmbito ambulatorial, acreditamos que não se deve descartar a praticidade dos aparelhos digitais e sua aplicação na prática domiciliar como forma de monitorização frequente e preventiva da hipertensão arterial. Todavia, sugere-se, com base nesses resultados, que a mensuração da PA seja realizada sempre pelo mesmo método, evitando-se, assim, um possível comprometimento do acompanhamento clínico de um paciente.

Dentre

as

limitações do presente

estudo, destacamos a realização de apenas uma medida da PA pelo método oscilométrico

em cada sujeito. Outra limitação foi a utilização apenas do aparelho aneróide modelo Adulto Médio para a realização do método

auscultatório, não havendo, portanto,

a

adequação conforme a circunferência do braço. Além disso, não foi realizada a calibração dos aparelhos com base no padrão

ouro (coluna de mercúrio)

apesar dos

aparelhos aneróides terem sido previamente calibrados pela assistência técnica e os aparelhos digitais utilizados pela primeira vez.

Dessa forma, sugerimos a realização de novos estudos no sentido de comparar os dois métodos de medida de PA aqui descritos e acrescentar aferições com o aparelho coluna de mercúrio, no sentido de identificar qual aparelho apresenta resultados mais próximos do aparelho considerado padrão ouro.

CONCLUSÃO

Diante desses resultados, pôde-se verificar diferença entre os métodos auscultatório e oscilométrico de medida da pressão arterial. Verificou-se também boa correlação entre as medidas da PAS obtidas pelos dois métodos e em relação à PAD não foi verificada correlação.

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experimental

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part

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blood

pressure

measurement

in

humans:

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statement

for

professionals

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Recebido em 16/09/2008. Aprovado em 22/01/2009.