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Tintas e Vernizes

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Sumário

1. Dados Históricos 2. Definição de Tintas e Vernizes 3. Composição das Tintas e Vernizes 4. Formação da Película 5. Processo de Fabricação 6. Características das Tintas 7. Referências

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1. Dados Históricos: É muito difícil estabelecer uma data para o surgimento da tinta. O homem não estava procurando criar ou inventar algo que embelezasse ou protegesse sua casa quando a tinta surgiu, mesmo porque, naquela época, ele ainda morava em cavernas. Foi graças à incessante necessidade do homem expressar os seus pensamentos, emoções e a cultura de seu povo que ela foi descoberta. Primeiramente, as tintas tiveram um papel puramente estético. Somente mais tarde, quando introduzidas em países do norte da América e da Europa, onde as condições climáticas eram mais severas, o aspecto de proteção ganharia maior importância. Pré História: A tinta para os povos pré-históricos tinha a função puramente decorativa. Eles fabricavam tintas moendo materiais coloridos como plantas e argila em pó, e adicionando água. A técnica empregada era simples, pois as cores eram preparadas com os próprios dedos e algumas vezes prensadas entre pedras. Usavam-na para a decoração de suas cavernas e tumbas, e sobre seus corpos. • Egito: O primeiro povo a pintar com grande variedade de cores foram os egípcios. Inicialmente, fabricavam as tintas a partir de materiais encontrados na terra de seu próprio país e das regiões próximas. Somente entre 8.000 e 5.800 a.C. é que surgiram os primeiros pigmentos sintéticos. Para obterem cores adicionais, os egípcios importavam anileira e garança da Índia. Com a anileira, podia-se obter um azul profundo e, com a garança, nuances de vermelho, violeta e marrom. Os egípcios também aprenderam a fabricar brochas brutas, com as quais aplicavam a tinta. • China: As primeiras tintas de escrever foram provavelmente inventadas pelos antigos egípcios e chineses. As datas exatas dessa invenção são desconhecidas. Manuscritos de cerca de 2.000 a.C. comprovam que os chineses já conheciam e utilizavam nanquins. • Roma: Os romanos aprenderam a técnica de fabricar tinta com os egípcios. Exemplares de tintas e pinturas romanas podem ser vistos nas ruínas de Pompéia. Por volta do século V a.C., os romanos utilizaram pela primeira vez na história o alvaiade como pigmento. Após a queda do Império Romano, a arte de fabricar tintas perdeu-se, sendo retomada pelos ingleses somente no final da Idade Média. • Idade Média: Na Idade Média, o aspecto de proteção começa a ganhar importância. Os ingleses usavam as tintas, principalmente, em igrejas e, depois, em prédios públicos e residências de pessoas importantes. Durante os séculos XV e XVI, artistas italianos fabricavam pigmentos e veículos para tintas. Nessa época, a produção de tinta era particularizada e altamente sigilosa. Cada artista ou artesão desenvolvia seu próprio processo de fabricação de tinta. Tratadas como se fossem um "segredo de Estado", as fórmulas de tintas eram enterradas com seu inventor.
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Revolução Industrial: No ápice da Revolução Industrial, final do século XVIII e início do XIX, os fabricantes de tintas começaram a usar equipamentos mecânicos. Os primeiros fabricantes, entretanto, apenas preparavam os materiais para tinta, fornecendo-os para os pintores, que compunham suas próprias misturas. Em 1867, os fabricantes introduziram as primeiras tintas preparadas no mercado. O desenvolvimento de novos equipamentos de moer e misturar tintas no final do século XIX também facilitou a produção em larga escala. • Século XX: Durante a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, períodos considerados pelos historiadores bastante fértil para ciência, químicos desenvolveram novos pigmentos e resinas sintéticas.
Tabela 1 – Resinas desenvolvidas e suas respectivas décadas.

Resina Alquídica Vínilica Acrílica Borracha Clorada Epóxi Poliuretano Silicone

Período (Década) 20 20 30 30 40 40 40

Esses pigmentos e veículos substituíram ingredientes das tintas, como óleo de linhaça, necessário para fins militares. Pesquisas desenvolvidas por químicos e engenheiros tornaram-se atividade importante na fabricação de tinta. No final da década de 50, químicos criaram tintas especiais para pintura de exteriores, novos tipos de esmaltes para acabamento de automóveis e tintas à prova de gotejamento para superfícies externas e internas. Nos anos 60, a pesquisa continuada com resinas sintéticas conferiu às tintas maior resistência contra substâncias químicas e gases. Foi nessa época, que as tintas fluorescentes se popularizaram. Devido à descoberta de envenenamento, por chumbo, de muitas crianças após terem comido lascas de tinta seca, na década de 1970 os governos de alguns países impuseram restrições ao conteúdo de chumbo nas tintas de uso doméstico, limitando-o a cerca de 0,5%. • A Tinta no Brasil: A história da indústria brasileira de tintas tem dois começos, igualmente dignos, igualmente significativos. O primeiro, em 1886, na cidade de Blumenau, Santa Catarina. O segundo, em 1904, na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal. Os 18 anos e os mil quilômetros que separam as duas iniciativas não representam grande diferença, se considerarmos as semelhanças entre os empreendedores e suas realizações. Os pioneiros são Paulo Hering, fundador das Tintas Hering, e Carlos Kuenerz, fundador da usina São Cristóvão. Emigrantes alemães. Traçando seus caminhos na virada do século XIX, eles foram espectadores e personagens dos primórdios da industrialização do país acrescentando, cada um a seu modo e vocação, uma parcela de progresso à nossa cultura e desenvolvimento econômico. A primeira fase, dos grandes pioneiros, tem início com a fundação da Usina São Cristóvão, em 1904, e se estende até a implantação no Brasil da Sherwin-Williams, em 1944.
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O segundo período engloba os eventos compreendidos entre a chegada da Sherwin-Williams e a implantação da Glasurit no Brasil. Significativamente são duas empresas internacionais que, com diferença de mais de 20 anos, entram no mercado através da aquisição do controle acionário de indústrias brasileiras: a Superba, em 1944, e a Combilaca, em 1967. É da mesma forma, dois marcos mercadológico bastantes definido. Os americanos da Sherwin-Williams trazem a indústria brasileira para a realidade tecnológica do século XX. A entrada da Glasurit no Brasil, associação promovida pela Combilaca, vai iniciar um processo de concentração industrial irreversível. A terceira fase da história da indústria de tintas no Brasil está claramente marcada pelo progresso de internacionalização que presidiu a economia do país a partir da segunda metade dos anos 60. Antes disso, é claro, algumas empresas internacionais já haviam se estabelecido no país. Além da Sherwin-Williams já tinham vindo a Internacional e a Atlantis (na década de 20), a American Marietta (nos anos 50) e outras de menor expressão. Mas a partir da entrada da Glasurit que o processo de aquisições, fusões e associações se precipitam. Hoje, o mercado se encontra claramente definido, compreendendo três tipos de empresas no setor de tintas: grandes conglomerados (nacionais e internacionais), empresas de porte médio, com administração de caráter familiar, e pequenas e médias indústrias voltadas ao atendimento de segmentos específicos do mercado.
2. Definição de Tinta e Verniz:

A tinta é considerada como uma mistura estável de uma parte sólida (que forma a película aderente à superfície a ser pintada) em um componente volátil (água ou solventes orgânicos). Uma terceira parte denominada aditivos, embora representando uma pequena percentagem da composição, é responsável pela obtenção de propriedades importantes tanto nas tintas quanto no revestimento. Sendo a quarta parte chamada de pigmento, que conferem a coloração desejada. A tinta é uma preparação, o que significa que há uma mistura de vários insumos na sua produção. A combinação dos elementos sólidos e voláteis define as propriedades de resistência e de aspecto, bem como o tipo de aplicação e custo do produto final. A tinta é muito comum e aplica-se a praticamente a qualquer tipo de objeto. Usa-se para produzir arte; na indústria: estruturas metálicas, produção de automóveis, equipamentos, tubulações, produtos eletroeletrônicos; como proteção anti-corrosiva; na construção civil: em paredes interiores, em superfícies exteriores, expostas às condições meteorológicas; um grande número de aplicações atuais e futuras, como frascos utilizados para perfumes e maquiagens. O verniz é uma película de acabamento quase transparente, usada geralmente em madeira e outros materiais para proteção, profundidade e brilho. Sua formulação tradicional contém óleo secante, resinas e um solvente como aguarrás, mas modernamente são utilizados também derivados de petróleo como poliuretano ou epóxi. O verniz é utilizado para ressaltar a textura ou cor natural e também como última camada sobre pintura, para proteção e
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efeito de profundidade. Aplicada como um líquido, com um pincel ou pulverizador, forma uma película ao secar em contato com o ar.
3. Composição das Tintas e Vernizes:

A tinta é constituída, basicamente, por três partes partes, que são os veículos (resinas e solventes), os pigmentos e os aditivos.

Fluxograma 1 – Composição geral das Tintas.

Veículos: Os veículos são considerados a base da tinta, pois neles estão presentes os principais componentes da sua formulação que são responsáveis por grande parte de suas propriedades. Os veículos são classificados de acordo com as suas características: Resinas: As resinas são veículo não-volátil (VNV). São formadoras da película da tinta e responsáveis pela maioria das características físicas e químicas desta, pois determinam o brilho, a resistência química e física, a secagem, a aderência, e outras. As primeiras tintas desenvolvidas utilizavam resinas de origem natural (principalmente vegetal). Atualmente, com exceção de trabalhos artísticos, as resinas utilizadas pela indústria de tinta são sintéticas e constituem compostos de alto peso molecular. São através das características das resinas que se classificam os tipos de tintas. Quanto ao seu comportamento, as resinas podem ser divididas em:  Termofixas (VNV conversíveis): Resinas que sob a ação do calor sofrem um processo de reticulação interna (crosslinking), o que é tecnicamente chamado de processo de cura. O filme final é insolúvel em solventes. Este processo de cura é promovido através do uso de grupos funcionais reativos (sistemas mono ou poli componentes). Ex: Cura do filme de uma resina acrílica hidroxilada com uma resina melamina-formaldeído a 140°C
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(processo utilizado na maioria das montadoras de veículos do Brasil).  Termoplásticas (VNV não-conversíveis): Resinas cujo processo de formação de filme ocorre exclusivamente pela secagem física (evaporação de solventes). Se o filme final for exposto aos solventes adequados será solubilizado novamente. Geralmente são utilizadas resinas acrílicas com alta temperatura de transição vítrea (Tg), comumente chamadas "lacas acrílicas". Este tipo de sistema não é muito utilizado na produção de tintas devido a sua baixa performance quanto a resistência aos solventes e a excessiva emissão de VOC (sigla para Volatile Organic Compounds, ou compostos orgânicos voláteis). Estas resinas precisam ter um peso molecular muito alto, o que demanda uma quantidade excessiva de solventes a fim de obter uma viscosidade de aplicação adequada. As resinas mais usuais são as alquídicas, epóxi, poliuretânicas, acrílicas, poliéster, vinílicas e nitrocelulose. Uma breve descrição de cada uma destas resinas encontra-se a seguir:  Resina alquídica: Polímero obtido pela esterificação de poliácidos e ácidos graxos com poliálcoois. Usadas para tintas que secam por oxidação ou polimerização por calor.  Resinas epóxi: Formadas na grande maioria pela reação do bisfenol A com eplicloridina; os grupos glicidila presentes na sua estrutura conferem-lhe uma grande reatividade com grupos amínicos presentes nas poliaminas e poliamidas.  Resinas acrílicas: Polímeros formados pela polimerização de monômeros acrílicos e metacrílicos; por vezes o estireno é copolimerizado com estes monômeros. A polimerização destes monômeros em emulsão (base de água) resulta nas denominadas emulsões acrílicas usadas nas tintas látex. A polimerização em solvente conduz a resina indicada para esmaltes termoconvertíveis (cura com resinas melamínicas) ou em resinas hidroxiladas para cura com poliisocianatos formando os chamados poliuretânicos acrílicos.  Resina poliéster: Ésteres são produtos da reação de ácidos com alcoóis. Quando ela é modificada com óleo, recebe o nome de alquídica. As resinas poliéster são usadas na fabricação de primers e acabamentos de cura à estufa, combinadas com resinas amínicas, epoxídicas ou com poliisocianatos bloqueados e não bloqueados.  Emulsões vinílcas: São polímeros obtidos na copolimerização em emulsão (base água) de acetato de vinila com diferentes monômeros: acrilato de butila, di-butil maleato, etc. Estas emulsões são usadas nas tintas látex vinílicas e vinil-acrílicas.  Resina nitrocelulose: Produzida pela reação de celulose, altamente purificada, com ácido nítrico, na presença de ácido sulfúrico. A nitrocelulose possui grande uso na obtenção de lacas, cujo sistema de cura é por evaporação de solventes. São usados em composições de secagem rápida para pintura de automóveis, objetos industriais, móveis de madeira, aviões, brinquedos e papel celofane. • Solventes:
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São considerados veículos solúveis formados por compostos (orgânicos ou água) responsáveis pelo aspecto líquido da tinta com uma determinada viscosidade. Após a aplicação da tinta, o solvente evapora deixando uma camada de filme seco sobre o substrato. Como as resinas, os solventes também fazem parte de uma subclasse dos veículos, porém estes são denominados de veículos voláteis. Os solventes orgânicos são geralmente divididos em dois grupos: os hidrocarbonetos e os oxigenados. Por sua vez, os hidrocarbonetos podem ser subdivididos em dois tipos: alifáticos e aromáticos, enquanto que os oxigenados englobam os alcoóis, acetatos, cetonas, éteres, etc. As tintas de base aquosa utilizam como fase volátil água adicionada de uma pequena quantidade de líquidos orgânicos compatíveis. A escolha de um solvente em uma tinta deve ser feita de acordo com a solubilidade das resinas respectivas da tinta, viscosidade e da forma de aplicação. Uma exceção importante são as tintas látex, onde a água é a fase dispersora e não solubilizadora do polímero responsável pelo revestimento. Devem ser utilizados pelo menos 3 solventes em uma tinta para que se permita a evaporação deste sem a formação de poros ou retenção de solvente na tinta ,o que gera um estufamento desta. Os solventes são:  Solvente de evaporação rápida: Aumenta a viscosidade, com isso, a tinta não escorre;  Solvente de evaporação média : Aumenta a viscosidade permitindo que a tinta chegue aos poros ocupando todo espaço;  Solvente de evaporação lenta: Aumenta a viscosidade por um tempo para que os 2 outros solventes saiam. Os solventes também podem ser classificados em:  Solventes verdadeiros: Aqueles que dissolvem, ou são miscíveis, em quaisquer proporções, com uma determinada resina. Como exemplo tem-se aguarrás (solvente para óleos vegetais, resinas modificadas e óleos) e as cetonas (solventes para resinas epóxi, poliuretana e acrílica);  Solventes auxiliares: Aqueles que sozinhos não solubilizam a resina, mas aumentam o poder de solubilização do solvente verdadeiro. Como exemplo tem-se o tolueno que funciona com um solvente auxiliar para resinas acrílicas e vinílicas;  Falso solvente: Substância que possui baixo poder de solvência do VNV. É utilizado usualmente para diminuir o custo final das tintas. Certos fluidos são muito viscosos para serem facilmente bombeados ou muito densos para fluir de um ponto a outro. Isto pode ser problemático, devido ao custo economicamente proibitivo para transportar estes fluidos neste estado. Para facilitar este movimento, os diluentes são adicionados. Isto diminui a viscosidade destes fluidos, diminuindo os custos de transporte. Geralmente os diluentes são fornecidos juntos com a tinta para aumentar a temperatura do fluido também diminui a sua viscosidade, diminuindo assim a quantidade de diluente necessária. Atualmente existe um esforço mundial no sentido de diminuir o uso de solventes orgânicos em tintas, com iniciativas tais como: substituição por água, aumento do teor de sólidos, desenvolvimento de tintas em pó, desenvolvimento do sistema de cura por ultravioleta dentre outras. • Pigmentos:
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Pigmentos: São sólidos finamente divididos, insolúveis no veículo da tinta e que conferem principalmente cor e poder de cobertura, contribuindo também para a proteção, resistência ao intemperismo, brilho, impermeabilidade e outras características exigidas. Os pigmentos de maior uso são: Branco: Dióxido de titânio (rutilo e anatase) e óxido de zinco; Preto: Negro de fumo e óxido de ferro preto; Amarelo: amarelo hansa e amarelo de cromo; Laranja: Laranja de cormo, laranja de molibidato e laranja azo; Vermelho: Óxido de ferro, vermelho toluidina, vermelho de cinquásia e vermelho de molibdato; Violeta: Violeta cinquásia; Verde: Verde de cromo e verde ftalocianina; Azul: Azul prússia e azul ftalocianina; Metálico: Pó de alumínio com folhamento e sem folhamento. Os corantes se fixam na superfície que vão colorir através de mecanismos de adsorção, ou ligações iônicas e covalentes enquanto que os pigmentos são dispersos no meio (tinta) formando uma dispersão relativamente estável. Os corantes são muito utilizados na indústria têxtil e os pigmentos são fundamentais em tintas para revestimento. Existem 3 tipos de pigmentos: Anticorrosivos: São pigmentos que ao serem incorporados as tintas conferem proteção anticorrosiva às superfícies por mecanismos químicos ou eletroquímicos. Tintoriais: Conferem uma coloração opaca à tinta. Retém a cor de modo a ser mantida por um longo período. Cargas: As cargas são minerais industriais com características adequadas de brancura e granulometria sendo as propriedades físicas e químicas também importantes. Elas são importantes na produção de tintas látex e seus complementos, esmaltes sintéticos foscos e acetinados, tintas a óleo, tintas de fundo, etc. Os minerais mais utilizados são: carbonato de cálcio, agalmatolito, caulim, barita, etc. Também são importantes os produtos de síntese (cargas sintéticas) como, por exemplo: Carbonato de cálcio precipitado, sulfato de bário, sílica, silico-aluminato de sódio, etc. As cargas além de baratearem uma tinta também colaboram para a melhoria de certas propriedades como cobertura, resistência às intempéries e etc. Aditivos: Este grupo de produtos químicos envolve uma vasta gama de componentes que são empregados em baixas concentrações (geralmente <5%), que têm funções específicas como conferir importantes propriedades às tintas e aos revestimentos respectivos, tais como: aumento da proteção anticorrosiva, bloqueadores dos raios UV, catalisadores de reações, dispersantes e umectantes de pigmentos e cargas, melhoria de nivelamento, preservantes e antiespumantes.
Tabela 2 – Principais aditivos e as suas respectivas funções.

Aditivo

Função
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Fotoiniciadores Secantes Agentes Reológicos Inibidores de Corrosão Dispersantes Umectantes Bactericidas Coalescentes Anti-espumante Antisedimentante Plastificante

Formação de radicais livres quando submetidos á ação da radiação UV iniciando a cura das tintas de cura por UV. Catalisadores de secagem oxidativa de resinas alquídicas e óleos vegetais polimerizados. Modificam a reologia das tintas (aquosas ou sintéticas), modificação esta necessária para se conseguir um melhor nivelamento, diminuição do escorrimento e etc. Conferem propriedades anti-corrosivas ao revestimento. Melhoram a dispersão dos pigmentos na tinta. Nos sistemas aquosos, aumentam a molhabilidade de cargas e pigmentos, facilitando a sua dispersão. Evitam a degradação do filme da tinta devido à ação de bactérias, fungos e algas. Facilitam a formação de um filme contínuo na secagem de tintas a base de água unindo as partículas do látex. Evitam a formação de espuma durante a fabricação e a aplicação do produto. Reduz a tendência de sedimentação dos pigmentos, impedindo a formação de sedimento duro e compacto no fundo do recipiente de estocagem. Lubrifica a cadeia permitindo um movimento, ou seja, uma flexibilidade as películas.
Fonte: Guia Técnico Ambiental Tintas e Vernizes - Série P+L

Os vernizes contem os mesmos componentes da tinta, com exceção dos pigmentos. Os vernizes clássicos, a óleo, comportam resina ou goma, óleo secativo, solventes voláteis e diferentes ativos. Quando o verniz seca, seu solvente evapora-se, e o produto que permanece oxida-se no ar ou se polimeriza, formando um revestimento duro e contínuo. A resina pode ser a goma laca, o copal, a colofônia. Solvente é uma essência mineral, a essência de terebintina, o tolueno, o álcool, etc. Os vernizes atuais são mais freqüentemente à base de polímeros sintéticos, como as resinas uréia-formol, as resinas acrílicas e vinílicas. 4. Formação da Película: A formação da película depende da coesão entre os constituintes do revestimento e adesão do revestimento à superfície. Esses dois fatores são inversamente proporcionais, ou seja, se a coesão for máxima a adesão será nula. Assim para que a tinta esteja bem formulada, é necessário obter-se grande aderência, sem prejuízo da sua coesão molecular, para resultar em películas resistentes e flexíveis. As forças coesivas e adesivas podem apresentar-se, distintamente, como forças mecânicas e forças moleculares. • Forças Mecânicas: Partindo do princípio de que as superfícies a serem revestidas não possuam áreas de repelência , o revestimento penetra nas suas irregularidades e endurece, formando um elo que permite uma boa aderência da tinta ao substrato.
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Forças Moleculares: Todos os sistemas fechados tendem para uma desordem molecular cada vez maior, isto é um aumento de entropia. Qualquer processo antagônico requer energia, que pode ser traduzida pelas forças que se desenvolvem entre as moléculas. Tais forças, que tem função definida na formação da película e influenciam o equilíbrio coesão – adesão: Força Eletrostáticas; Força de Van der Waals; Ligação Metálica; Ligação Iônica. Esse mecanismo consiste na forma de um filme úmido que se transforma em um filme sólido com determinadas propriedades, como nestes exemplos de mecanismos: • Evaporação dos solventes: Utilizam-se produtos já polimerizados e solubilizados com auxilio de solventes .Quando a solução é aplicada sobre uma superfície, os solventes se evaporam, deixando sobre a superfície uma película sólida, adesiva e contínua, desde que haja equilíbrio entre as forças adesivas e coesivas. Como veículos típicos desse mecanismo têm-se as resinas acrílicas, vinílicas, borracha clorada e acetato de celulose. As tintas obtidas com este mecanismo apresentam como vantagens o fato de serem monocomponentes e terem uma boa aderência entre demãos. E como desvantagem apresenta uma fraca resistência a solventes. • Por Oxidação: Neste tipo de mecanismo, a formação da película ocorre através da evaporação dos solventes e da reação da resina com o oxigênio do ar, através das duplas ligações existentes nas moléculas. Formação de um Peróxido,

Que reagiria com outra dupla ligação de uma molécula próxima, dando início ao processo de polimerização. Assim:

Por ativação Térmica: Existem resinas nas quais a polimerização se processa com auxilio de energia de ativação, geralmente térmica. Aplicase um pré-polímero, dissolvido em solventes apropriados, sobre um substrato seguido de aquecimento. Então ocorre uma polimerização por condensação e formação da película. Resinas obtidas por esse mecanismo são: Fenólicas, epóxi-fenólicas, alquídicas-melamina e etc. Polimerização à temperatura ambiente: As tintas em que as películas são formadas por esse mecanismo são normalmente fornecidas em dois
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ou mais componentes, tendo-se a resina e o agente de cura. No momento do uso os componentes são misturados em proporções adequadas, reagindo quimicamente. As tintas obtidas por este mecanismo são as epoxídicas e as poliuretânicas, sendo os agentes de cura usuais as poliaminas e poliamidas para as primeiras e os poliisocianatos para as segundas. Fusão térmica: Este tipo de película ocorre em resinas empregadas na fabricação de tintas em pó. As tintas em pó são aplicadas por meio de pistolas eletrostáticas. As partículas da tinta carregadas negativamente são atraídas para peça metálica. Após ser totalmente recoberta a peça é levada para uma estufa a aproximadamente 230°C, onde ocorre a fusão do pó e a conseqüente formação da película. Em geral obtêm-se películas com excelentes propriedades mecânicas, anticorrosivas e estética. Hidrólise: A formação da película ocorre através da reação da resina com a umidade do ar. Uma das resinas que formam a película por este mecanismo é a de silicato de etila. Coalescência: As partículas da resina geralmente de forma esférica ficam dispersas no solvente. Com evaporação do solvente as partículas se aglomeram vindo a formar películas coesas e geralmente bastante plásticas. As resinas que formam este tipo de película são PVA e as emulsões acrílicas.

5. Processo de Fabricação: A indústria de tintas é caracterizada pela produção em lotes, o que facilita o ajuste da cor e o acerto final das propriedades da tinta. Nas etapas de fabricação predominam as operações físicas (mistura, dispersão, completagem, filtração e envase), sendo que as conversões químicas acontecem na produção dos componentes (matérias-primas) da tinta e na secagem do filme após aplicação. De maneira geral, estas etapas são aplicadas ao processo de fabricação de todos os tipos de tintas, porém apresentando pequenas diferenças em função do tipo de tinta. Serão explicitados os processos de fabricação de alguns tipos de tintas: • Tintas para Revestimentos - Base de Solvente e Base de Água: A determinação das quantidades dos insumos deve ser feita através de pesagem e medição volumétrica com acuracidade adequada para tintas com as propriedades desejadas. O processo de produção deste tipo de tinta, geralmente abrange as seguintes operações unitárias: Pré-mistura: Os insumos são adicionados a um tanque (aberto ou fechado) provido de agitação adequado na ordem indicada na fórmula. O conteúdo é agitado durante um período de tempo prédeterminado a fim de se conseguir uma relativa homogeneização. Dispersão (Moagem): O produto pré-disperso é submetido à dispersão em moinhos adequados. Normalmente são utilizados moinhos horizontais ou verticais, dotados de diferentes meios de moagem: areia, zirconita, etc. Esta operação é contínua, o que significa que há transferência do produto de um tanque de préPágina | 11

mistura para o tanque de completagem. Durante esta operação ocorre o desagregamento dos pigmentos e cargas e ao mesmo tempo há a formação de uma dispersão maximizada e estabilizada desses sólidos. A dispersão maximizada e estabilizada permite a otimização do poder de cobertura e da tonalidade da tinta durante um período de tempo correspondente a validade da mesma. Completagem: Em um tanque provido com agitação são misturados de acordo com a fórmula, o produto de dispersão e os restantes componentes da tinta. Nesta fase são feitos os acertos finais para que a tinta apresente parâmetros e propriedades desejados; assim é feito o acerto da cor e da viscosidade, a correção do teor de sólidos, etc. Filtração: Após a completagem e aprovação, a tinta é filtrada e imediatamente após é envasada. Envase: A tinta é envasada em embalagens pré-determinadas. O processo deve garantir a quantidade de tinta em cada embalagem. O fluxograma a seguir ilustra o processo de fabricação:

Fluxograma 2 – Produção de Tinta a base de solvente para revestimento.

As etapas do processo de produção de tintas para revestimento a base de água são os mesmos utilizados para tintas para revestimento a base de solvente, porém apresentam três diferenças, que são: A pré-mistura e a dispersão são realizadas em seqüência em um mesmo equipamento, o processo de filtração e de envase ocorrem simultaneamente e a ordem de adição dos componentes é diferente. Este processo pode ser visto no Fluxograma a seguir:

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Fluxograma 3 – Produção de tinta a base de água para revestimento.

Tinta em Pó: As tintas em pó são isentas de componentes líquidos em sua formulação. São produtos sólidos apresentando-se na forma de pó à temperatura ambiente. A aplicação é geralmente feita através de processos eletrostáticos, isto é, o pó é carregado com carga elétrica proporcionada por um revólver nebulizador especial para tal finalidade. Entre o revólver e a peça a ser pintada há a formação de um campo elétrico e de uma diferença de potencial adequada. O pó fica aderido eletricamente na superfície da peça por um período de tempo suficiente para que esta seja aquecida em uma estufa a uma temperatura adequada para que ocorra a fusão do pó e em seguida a formação do revestimento. As tintas em pó podem ser classificadas em dois grupos considerando o mecanismo da formação do revestimento: Tintas em pó termoplásticas: O pó depois de aplicado é aquecido a uma temperatura superior à da fusão quando então o líquido resultante recobre a superfície; o resfriamento da peça para as condições normais de temperatura transforma esse revestimento líquido em um revestimento duro e protetor. Não há qualquer transformação química nesse mecanismo. São exemplos: tintas em pó à base de nylon, tintas em pó base PVC, etc. Tintas em pó termoconvertíveis: Ocorre uma reação entre a resina e o agente de cura após a fusão do pó. Ocorre então, a formação de outra espécie química com um peso molecular muito grande; como conseqüência as propriedades físicas e químicas do revestimento são maximizadas. As tintas em pó do tipo termoconvertíveis são mais importantes na pintura de produtos industriais tais como, eletrodomésticos, tubos de aço para oleodutos, etc. São exemplos: Tintas em pó epóxi, tintas em pó epóxi – poliéster, tintas em pó acrílicas, poliéster puro, etc. Como foi dito anteriormente não há insumos líquidos na fabricação de tintas em pó. O processo produtivo envolve as seguintes etapas:
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Pré-mistura: Os componentes da fórmula são misturados em um misturador de produtos sólidos até se conseguir uma relativa homogeneização. Extrusão: O produto da pré-mistura é extrusado em ume extrusora cujo canhão tenha zonas de diferentes temperaturas. A temperatura de saída do material é ao redor de 95 °C. É muito importante controlar as temperaturas das diferentes partes do canhão para se obter uma extrusão eficiente e evitar acidentes. Na extrusão ocorre a homogeneização do material bem a dispersão dos pigmentos e das cargas minerais. Resfriamento: O material extrusado é resfriado em uma cinta de aço resfriadora. Granulação: O produto resfriado é granulado em partículas de tamanho variando entre 2 a 3 mm. Moagem: O produto granulado é moído em um micronizador dotado de sistema de classificação e possível de ser regulado para que se obtenha uma determinada distribuição granulométrica do pó. Um perfil granulométrico típico apresenta partículas com tamanhos variando entre 10 e 100 micrômetros. O micronizador deve ter um sistema eficiente de dissipação do calor formado na micronização. Classificação e envase: O processo de envasamento deve estar acoplado a um sistema de classificação granulométrica a fim de evitar que, partículas maiores que o especificado, contamine o produto embalado. Geralmente as tintas em pó são embaladas em caixas de papelão providas com um saco plástico. O fluxograma a seguir ilustra o processo de fabricação de tinta em pó:

Fluxograma 4 – Produção de tinta em pó para revestimentos industriais.

Vernizes: Mistura: A produção de verniz é simples e não exige as etapas de dispersão e moagem. O produto é feito em apenas uma etapa, a
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mistura. São homogeneizados em tanques ou tachos, as resinas, solventes e aditivos. Dispersão: Alguns tipos de vernizes necessitam também desta etapa. Quando algumas das matérias-primas são difíceis de serem incorporadas, é necessário aplicar maior força de cisalhamento a fim de evitar grumos. Filtração: Concluída a mistura, o lote é filtrado para remover qualquer partícula do tamanho acima do máximo permitido. Envase: Depois de aprovado pelo Laboratório de Controle de Qualidade, o verniz é então, envasado em latas, tambores ou containeres, rotulado, embalado e encaminhado para o estoque. O fluxograma a seguir representa o processo:

Fluxograma 5 – Produção de Verniz.

6. Características das Tintas: Existe uma série de características, que são desejáveis em uma tinta, e que podem variar de acordo com a finalidade do produto. Mas, as principais características são: • Estabilidade: Não apresentando sedimentação, coagulação, empedramento, separação de pigmentos, sinéreses ou formação de nata, tal que não possa tornar-se homogênea através de simples agitação manual; • Facilidade de aplicação: A tinta tem que espalhar-se facilmente, de maneira que o rolo ou a trincha deslizem suavemente sobre a superfície. As marcas desses instrumentos devem desaparecer logo após a aplicação da tinta, resultando em uma película uniforme; • Rendimento e cobertura: O rendimento da tinta refere-se ao volume necessário para pintar uma determinada área. A cobertura significa a capacidade da tinta em cobrir totalmente a superfície. Essas duas propriedades estão diretamente relacionadas ao tipo, à qualidade e à quantidade de resinas e pigmentos utilizados na formulação da tinta; • Durabilidade: É a resistência das tintas à ação das intempéries. A durabilidade de uma tinta também depende diretamente do tipo, da
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qualidade e da quantidade de resinas e pigmentos utilizados em sua formulação; Lavabilidade: As tintas devem ser laváveis, resistindo à ação de agentes químicos comuns ao uso doméstico, tais como detergentes, água sanitária e outros; Secagem: A secagem de uma tinta não deve ser tão rápida que não permita uma fácil aplicação e nivelamento, nem tão lenta que não permita demãos posteriores num tempo conveniente.

7. Referências:
Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas. Disponível em: <http://www.sbrt.ibict.br>. Acessado em: 14/06/2009. Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Tinta>. Acessado em: 14/06/2009. Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Verniz>. Acessado em: 14/06/2009. Medicina Avançada – Doutora Shirley de Campos. Disponível em: < http://www.dra shirleydecampos.com.br/noticias/24318>. Acessado em: 14/06/2009. Serviço de Respostas Técnicas (SEBRAE-MG). Disponível em: <http://colorpratic. tripod.com/sitebuildercontent/sitebuilderfiles/sebrae.pdf>. Acessado em: 15/06/2009. Guia Técnico Ambiental Tintas e Vernizes – P+L. Disponível em: <http://www.abrafati. com.br/bnews3/images/multimidia/Documentos/sbd.pdf>. Acessado em: 15/06/2009. Tintas e Vernizes. Disponível em: <http://br.geocities.com/tintasevernizes/principal. htm>. Acessado em: 15/06/2009. Revista Química e seus Derivados. Disponível em: <http://www.quimicaederivados. com.br/revista/qd426/tintas1.htm>. Acessado em: 15/06/2009.

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