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MMESIS 1) Plato: a crtica da mimese em Plato remete a uma problemtica poltica, antes

que esttica. Esquece-se, s vezes, de que a famosa expulso dos poetas para fora da cidade justa, no livro X da Repblica, retoma e conclui toda uma discusso feita nos livros anteriores, sobre a educao adequada dos guerreiros e dos dirigentes. Trata-se de um problema ideolgico de primeira importncia, a saber, da educao apropriada das futuras elites. _Cabe aqui lembrar que, na poca de Plato, a representao artstica em geral chamada de mmesis. A traduo por imitao empobrece muito o sentido. Os gregos clssicos pensam sempre a arte como uma figurao enraizada na mmesis, na representao, ou, melhor, na apresentao da beleza do mundo. _Em oposio nossa viso moderna, que v na arte principalmente uma criao subjetiva, que reala o carter inovador da subjetividade do gnio, a viso antiga insiste muito mais na fidelidade da representao ao objeto representado: ele, o objeto, que desencadeia, por sua beleza, o impulso mimtico. A arte tenta aproximar-se dele com respeito e preciso e, por isso, sempre figurativa, nesse sentido amplo, mimtica. Essa primazia do objeto preside a toda discusso da Repblica sobre o modelo a ser seguido para a formao de uma cidade justa e, no nosso caso especfico, sobre aquilo que deve ou no ser contado s crianas, no intuito de educ-las para serem cidados justos. Nos livros III e IV, Plato estabelece as regras s quais uma historia boa deve obedecer, tanto no seu contedo como na sua forma. _A imagem mimtica na filosofia de Plato muito fraca, muito irreal, ilusria e, ao mesmo tempo, forte e ativa.