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Trabalho Sobre a Historia Da IEADJO

Trabalho Sobre a Historia Da IEADJO

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Publicado porPr Márcio Batista
Trabalho acadêmico do alunos Márcio Batista e Edilson Casagrande da Disciplina Missiologia do CEEDUC.
Trabalho acadêmico do alunos Márcio Batista e Edilson Casagrande da Disciplina Missiologia do CEEDUC.

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CENTRO EVANGÉLICO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DISCIPLINA MISSIOLOGIA

MÁRCIO BATISTA; CASAGRANDE

EDILSON

HISTÓRIA MISSIONÁRIA DA IGREJA – MISSIOLOGIA – 2009

JOINVILLE 2009

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CENTRO EVANGÉLICO DE EDUCAÇÃO E CULTURA DISCIPLINA MISSIOLOGIA

HISTÓRIA MISSIONÁRIA DA IGREJA – MISSIOLOGIA – 2009

Trabalho Acadêmico apresentado à disciplina Missiologia do Centro Evangélico de Educação e Cultura, para o módulo da disciplina Missiologia. Avaliador: Prof. Pr. Joel Montanha

JOINVILLE 2009 Márcio Batista; Edilson Casagrande

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HISTÓRIA MISSIONÁRIA DA IGREJA – MISSIOLOGIA – 2009

Trabalho Acadêmico apresentado à disciplina Missiologia do Centro Evangélico de Educação e Cultura, para primeira nota neste módulo da disciplina Missiologia.

Entregue em 22 de junho de 2009.

AVALIADOR

________________________________________
Prof. Pr. Joel Montanha CEEDUC Avaliador

JOINVILLE 2009

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SUMÁRIO
1 2 3 4 5 6 Introdução........................................................................................................ 5 História da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de SC............................... 6 História da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville.......................9 Detalhes minuciosos da fundação da IEADJO................................................. 11 Conclusão.......................................................................................................... 21 Referências........................................................................................................ 22

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Introdução

Este trabalho traz a história da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Santa Catarina e da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville (IEADJO). Diante das pesquisas realizadas pelo pastor Ismael dos Santos em seu livro “Raízes de nossa fé1”, vimos que para contar a história de Joinville, é necessário contar a história do irmão André Bernardino, que foi precursor do primeiro pastor da IEADJO, Manoel Germano de Miranda. Aprendemos bastante através desta pesquisa, haja visto o acadêmico Márcio Batista fazer parte da comissão organizadora dos 75 anos, Jubileu de Diamante, da IEADJO, acompanhou bem de perto as fotos históricas e dados relevantes para este trabalho. Hoje, esta pesquisa está disponível no site oficial da IEADJO, www.adjoinville.org.br.

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SANTOS, Ismael dos. Raízes da Nossa Fé. Blumenau, SC: Editora Letra Viva, 1.996.

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História da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de SC

André Bernardino, o pioneiro das Assembléias de Deus em Santa Catarina

Para falar da história da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville, como iniciou o trabalho eclesiástico nesta cidade, é necessário contar a história do missionário André Bernardino que foi o primeiro homem visitar esta cidade e iniciar as atividades evangelísticas, a realização do primeiro culto na casa de uma irmã, há mais de 75 anos. A história do missionário André Bernardino, nos leva a um sonho, tornar-se padre. Aos dezessete anos, Bernardino deixou a cidade de Itajaí/SC e viajou para o Rio de Janeiro/RJ para então estudar com os Irmãos Maristas. Ele pensou da seguinte forma, “breve serei um respeitado sacerdote da igreja Católica”, ao pisar no pátio do Seminário. Segundo Ismael dos Santos, a “carreira teológica cedo começou a ruir. Após alguns meses de estudo envolveu-se negativamente com a vida noturna carioca. Fugia quase todas as noites em direção às escolas de samba e, em uma dessas experiências com a boemia, acabou contraindo tuberculose”. (SANTOS, 1996) Quando os párocos souberam da situação do André Bernardino, expulsaram-no do colégio. Qual foi o seu destino? Quando ele se encontrou com os dois pulmões já afetados pela doença, aceitou a sugestão de um colega para morar em um camarote do navio Boa Vista, de propriedade de um empresário Joinvilense. Segundo Ismael dos Santos, “a embarcação estava ancorada, para reforma, no porto do Rio de Janeiro e, temporariamente, havia se tornado numa espécie de alojamento para pessoas ‘sem teto’. Era o mês de agosto de 1930. Um dos operários do cais ouviu falar de uma igreja que ‘curava’. Compadecido do jovem catarinense, entrou em contato com a Assembléia de Deus em São Cristovão e, dias depois, apareceria naquele porão de navio os irmãos Daniel Berg, Gunnar Vingren e Paulo Leivas Macalão”. (SANTOS, 1996) Os missionários oraram pelo jovem André que naquele instante foi curado imediatamente. Nesta oportunidade, levaram-no para as instalações do templo da Assembléia de Deus em São Cristóvão/RJ, onde permaneceu morando por sete meses. Com a saúde do jovem André milagrosamente restaurada e dando provas de sua conversão, Bernardino passou a receber treinamento bíblico ministrado pelo pastor

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Vingren. Era músico experiente, André tocava com habilidade vários instrumentos, enriquecendo os cultos em São Cristóvão/RJ. Segundo Ismael dos Santos, “mesmo sabendo que seus pais não queriam ouvir falar do filho ‘herege’, que havia abandonado a ‘Santa Igreja Católica’, André decidiu retornar a Itajaí para visitar a família. No último culto que participou no Rio de Janeiro, Deus falou profeticamente dizendo que o usaria para dar início a uma grande obra evangelística”. (SANTOS, 1996) Quando André chegou em Itajaí/SC, foi recebido por sua tia que morava próximo ao cais do porto e, naquele mesmo dia, aquiesceu ao convite da tia descrente para realizar um culto. Suas duas primas, curiosas para saberem como era uma ‘missa dos crentes’, participaram também da reunião e ajudaram a cantar os hinos. O irmão André Bernardino, após pedir permissão para fazer uma oração, abriu a Bíblia Sagrada no Evangelho de Marcos, capítulo dezesseis, e pregou um dos primeiros sermões pentecostais em terras catarinenses. Naquele culto, duas almas tomaram a decisão de seguir a Jesus Cristo, “Herculano e Cornélio”. Começava então, no dia 15 de março de 1931, a história das Assembléias de Deus em Santa Catarina. Segundo Ismael dos Santos, “no seu relato à equipe organizadora da coletânea sobre o Jubileu de Ouro, o pastor Bernardino conta que: ‘No outro dia pela manhã, o Sr. João Santana perguntoume se poderia realizar outra 'reza', o que ficou marcado para aquela noite onde Deus salvou mais nove almas. Pouco tempo depois o irmão Santana ofereceu o terreno onde morava, dizendo que faria para ele uma pequena casa nos fundos. Na frente poderíamos construir um salão para as reuniões. Assim, foi iniciado um mutirão para a abertura de uma rua que daria acesso ao referido terreno. Esta rua passou a chamar-se Rua Pentecostal2’”. (SANTOS, 1996) Em junho de 1931, foi realizado o primeiro batismo em terras catarinenses e desceram às águas 25 novos crentes no rio Itajaí-Açu na cidade de Itajaí.. O pastor Gunnar

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Jubileu de Ouro. Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Itajaí: 1981. p. 07

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Vingren, “com a roupa que usou no batismo”, segundo o irmão Daniel Graudin, “a roupa secou no corpo, o motivo de ele ficar enfermo e ter que ir rapidamente para o Rio de Janeiro e meses depois foi para Suécia, onde faleceu”, disse irmão Graudin3. Segundo Claiton Pommerening, “no dia seguinte ao batismo, foi celebrada a primeira Santa Ceia pelo missionário Gunnar Vingren. A primeira crente a receber o batismo com o Espírito Santo foi a irmã Emília Stuart”4. (POMMERENING, 2008) O irmão André Bernardino da Silva foi ordenado a pastor pelo missionário Gunnar Vingren no dia 3 de janeiro de 1932. Segundo Ismael dos Santos, “Gunnar Vingren lhe havia dito: ‘Não deveria consagrá-lo ao ministério. Você ainda tem muito pouco tempo de conversão e é solteiro, mas devido a falta de obreiros vou separá-lo para o pastorado’. (SANTOS, 1996) Dois anos depois o pastor André Bernardino casou-se com uma jovem, Dzidra Graudin, da igreja em Guaramirim/SC e permaneceu trabalhando em nosso estado por doze anos. Segundo Claiton Pommerening, em 1932, “a Assembléia de Deus foi oficializada em Santa Catarina. A partir de então, a chama pentecostal começou a se espalhar por todo o estado. Em 1932, seis membros da igreja em Itajaí se mudaram para Joinville. Entre eles estava a irmã Ana Salvador. Sem um local para reunirem-se para adorar a Deus, esses irmãos começaram a orar, pedindo a Deus que enviasse alguém para estabelecer um ponto de pregação a fim de que um trabalho fosse iniciado aqui”. (POMMERENING, 2008) Enquanto tudo isso acontecia, o Espírito de Deus tocou no coração de Manoel Germano de Miranda - um novo convertido na cidade de Itajaí, vamos contar no próximo capítulo sua história - para que viesse pregar o Evangelho na cidade de Joinville. Já o missionário André Bernardino, em 1943, retornou definitivamente para o Rio de Janeiro/RJ.

Entrevista concedida pelo irmão Daniel Graudin ao pastor Márcio Batista, juntamente com o pastor Carlos Mafra na residência da Irmã Dzidra Graudin (in memorian), esposa do pastor André Bernardino, quando ainda estava viva, em 2006. 4 POMMERENING, Claiton Ivan. O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.

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História da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville

Início do trabalho da Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Joinville

O primeiro obreiro a dirigir a IEADJO foi o irmão Manoel Germano de Miranda. Ele nasceu na cidade de Itajaí, no dia 29 de dezembro de 1900, o pastor Manoel Germano Miranda demonstrou desde sua infância uma enorme paixão pelo mar. Habilidoso na arte culinária, logo se tornou cozinheiro de um pequeno navio pesqueiro, denominado “Boa Vista”, este barco atuava no transporte de madeira. Numa noite, quando o navio estava ancorado no cais do porto de Itajaí, Miranda visitou a pequena congregação da Assembléia de Deus. Ali, foi profundamente tocado pela mensagem do evangelho de Cristo e, naquela mesma noite, confessou Jesus como Senhor e Salvador de sua vida. Segundo Ismael dos Santos “nascia um novo homem. Tal como o apóstolo Pedro abandonou as redes e atendeu o chamado do Mestre para pescar almas. Antes, porém, de despedir-se do barco pesqueiro, aproveitou para testemunhar de Cristo aos colegas de profissão e pelo menos dois marinheiros foram conquistados para o Reino de Deus: Emilio Strauss e Eugênio C. Muller”. (SANTOS, 1996) Manoel Germano de Miranda sempre esteve atento à voz do Espírito Santo e sentiu-se impelido a lançar a rede do Evangelho no norte do Estado. Orientado pelo pastor André Bernardino transferiu-se para Joinville, onde, para sustentar sua família, empregou-se como operário da antiga estrada de ferro (RFPSC). Segundo Ismael dos Santos, “usando a estratégia de cultos em casas familiares, organizou as primeiras reuniões na Avenida Cubas e depois, nas proximidades do bairro Itaum, fazendo surgir a primeira congregação da Assembléia de Deus em Joinville, em Julho de 1933”. (SANTOS, 1996) Segundo Pommerening, “a primeira referência histórica das Assembléias de Deus em Joinville data o ano 1933. Tendo como local a residência da irmã Ana Salvador situada à Avenida Cubas e como fundador o irmão Manoel Germano de Miranda”. (POMMERENING, 2008) Manoel Germano de Miranda era um homem simples, porém muito amado pelos irmãos. Era um verdadeiro missionário, pois seu coração ardia de paixão pelas almas. Era um evangelista e “tal como o apóstolo Pedro abandonou as redes e atendeu o chamado do Mestre para pescar almas”.

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Segundo Claiton Pommerening, “o pastor André Bernardino da Silva casualmente, supervisionava o trabalho de Manoel Germano de Miranda e, esporadicamente vinha de Itajaí a Joinville para cooperar no trabalho e orientar o irmão Miranda”. (POMMERENING, 2008) Em Joinville, Miranda começou a desenvolver um frutífero trabalho de evangelismo e muitas pessoas aceitaram a Cristo, inclusive Francisco Lemos, primeiro presbítero da igreja em Joinville, neste período, em fevereiro de 1942, também aceitou a Jesus o irmão Antonio Lemos. Mais tarde, juntamente com o irmão Antônio Lemos, Miranda foi ordenado ministro da Igreja Evangélica Assembléia de Deus catarinense. Com a chegada do missionário norte-americano Virgil F. Smith, o pastor Manoel Germano Miranda foi transferido para Mafra, dando início a uma bem sucedida carreira ministerial em várias cidades do nosso Estado. Encerrou os seus dias em Itajaí, sua terra natal. No próximo capítulo, vamos trazer minuciosamente a história missionária de Manoel Germano de Miranda na conquista de Joinville para Jesus, para hoje, a IEADJO completar 75 anos de vida, “mantendo a chama”, dos apóstolos, da Igreja Primitiva, de Daniel Berg e Gunnar Vingren, de André Bernardino e de Manoel Germano de Miranda “viva”.

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Detalhes minuciosos da fundação da IEADJO

Nestes detalhes minuciosos, vamos trazer uma grande parte do livro, “O Reino entre príncipes e princesas5” de autoria do pastor Claiton Ivan Pommerening, editado pela editora Refidim, das páginas 18 a 22. Por aproximadamente seis meses os cultos foram realizados na Avenida Cubas, na residência da irmã Ana Salvador. Porém, a pequena igreja começou a crescer e o irmão Sérgio Segal franqueou sua residência na rua Monsenhor Gercino, no bairro Itaum, para que os cultos fossem ali realizados. Nesse local, a igreja se reuniu até aproximadamente o ano de 1935. Conforme relato do próprio pastor André Bernardino da Silva: ‘Os crentes de Itajaí vinham no início do trabalho, para Joinville a pé; os cultos eram realizados na Avenida Cubas, depois mudaram para o Itaum (próximo à fábrica Mettalueth) e dali para a Avenida Getúlio Vargas, onde permanecem até hoje’. Possivelmente, durante o período em que a igreja se reuniu na rua Monsenhor Gercino, iniciaram-se também ali as primeiras reuniões da Escola Dominical. Entre os primeiros crentes em Joinville estão os irmãos Vergílio Veloso e sua esposa Paulina Veloso, Pedro Gonçalves e sua esposa Elvira Gonçalves, Hercílio Cidral e família, Miguel Alves e família, Francisco Lemos, Eugênio Muller e família, Emílio Strauss e família, Rosa Brandão, João Bernardino da Silveira e família, Agnelo José da Costa, José Felício Filho, Luíza de Sena e Maria Marques Miranda. Em 1933 foi realizado o primeiro batismo em águas no rio Cachoeira, nas imediações do bairro Boa Vista, quando cinco novos convertidos desceram às águas, entre eles, o
POMMERENING, Claiton Ivan. O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.
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irmão Osmar Cabral pai do pastor Elienai Cabral. Poucos meses depois, houve outro batismo em águas. Manoel Germano de Miranda pastoreava o pequeno rebanho que, aos poucos, começava a crescer recebendo em seu meio pessoas impactadas pela mensagem do Evangelho. Neste local Deus também operava maravilhas através da oração dos irmãos. Uma senhora chamada Maria Veloso, embora tendo os pais crentes, era muito contrária ao Evangelho. Esta foi acometida de câncer de mama e recebendo a oração da igreja foi curada, resultando em sua conversão. Uma violenta perseguição se iniciou contra os pioneiros do trabalho, culminando com o apedrejamento da residência onde os cultos eram realizados na rua Monsenhor Gercino. Nesta época, o pastor Manoel Germano de Miranda foi aconselhado pelo então capitão Mimoso Rui, que cuidava da segurança no município, a mudar o lugar das reuniões para mais próximo ao centro da cidade, pois assim as autoridades poderiam prover a devida segurança. Desse modo, o pastor Manoel Germano de Miranda alugou uma casa na Avenida Getúlio Vargas, 481, para as reuniões dos pioneiros da IEADJO. O irmão Miguel Alves se responsabilizou pelo pagamento do aluguel da casa onde eram realizados os cultos. Conforme relato da irmã Geralmina Muller (in

memorian), nesse local os cultos eram realizados quase que diariamente. Às segundas, terças e quartas-feiras eram os cultos de oração e doutrina, quinta-feira e domingo eram os cultos públicos. Durante os cultos havia a participação do primeiro coral iniciado e regido pela irmã Elly da Silveira. Também havia uma pequena orquestra que adorava a Deus com seus acordes. Alguns dos

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componentes da orquestra eram os irmãos: Maria M. de Miranda, Marcílio Miranda, Mussolino Miranda, Zadir Miranda, Geralmina Muller, Alfredo Alves, Lígio Cidral e outros. Segundo irmã Geralmina, em relato ao Boletim Informativo publicado em novembro de 1982, “Ali Deus operava com seu Espírito e concedia dons espirituais e o batismo com Espírito Santo em abundância”. O casal Muller conheceu a Cristo através do pastor Manoel Germano de Miranda em 1937. Irmã Geralmina, mais conhecida como irmã Doma, sempre foi muito atuante na obra do Senhor. Foi designada pelo pastor Miranda para dirigir a classe de senhoras na Escola Dominical e, mais tarde, pelo pastor Virgil Smith foi enviada para dirigir os cultos na cidade vizinha de Araquari. Somente em 12 de julho de 1939, a igreja em Joinville adquiriu personalidade jurídica, quando foi eleita a seguinte diretoria: Presidente: Manoel Germano de Miranda Vice Presidente: Emílio Strauss 1º Secretário: José Geraldo 2º Secretário: Eugênio Muller 1º Tesoureiro: Francisco Lemos 2º Tesoureiro: Miguel Alves. Neste período, as violentas perseguições não deixaram de ocorrer. A preciosa semente do Evangelho foi lançada em solo Joinvilense com muitas lágrimas e sofrimentos. Apedrejados, marginalizados e não raras vezes

ridicularizados, os irmãos seguiam firmes na fé convictos de que, se necessário fosse, entregariam suas próprias vidas em prol do Evangelho de Cristo. Essas perseguições se estenderam ao longo de toda a trajetória da igreja. Embora diminuíssem de intensidade e forma, elas ainda ocorriam até as décadas de 60 e 70 conforme relatos de

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muitos irmãos. Como exemplo, citamos o relato do pastor Virgilio Vieira que trabalhou com o missionário Virgil Smith em Joinville: “Em Joinville no Km 4, Schimitt [sic] pela manhã me deixava ali para fazer visita. A noite dirigia o culto na casa do Espíndola. Ali enfrentei uma perseguição, me jogaram ovos podres, pedra, pau e fezes de animais e o missionário de dentro do seu carro orando por mim. [...] Iririú, ele me levava ali e orava por mim e eu ficava ali com duas pastas cheia de literatura para convidar para o culto. A noite só depois do culto ele ia me buscar, muitos dos dias [sic] o tempo era chuvoso, frio e com muita fome, mas Deus estava comigo”. Em 20 de fevereiro de 1941, o missionário norteamericano Virgil Frank Smith assumiu o pastorado da igreja em Joinville. Com a chegada dele, Miranda foi então transferido para a cidade de Mafra. Em 08 de fevereiro de 1942, juntamente com Antonio Lemos, Manoel Germano de Miranda foi ordenado pastor. Sua vida de fé deixou rastros marcantes na cidade de Joinville. O missionário Virgil Smith era pastor, músico e também o pioneiro das Assembléias de Deus no Ceará e Alagoas. Dentre sua realizações no período em que esteve à frente da igreja em Joinville destacam-se: a construção do primeiro templo, uma casa pastoral anexa ao templo, a construção de templos em diversos bairros da cidade, o aprimoramento da Escola Dominical, com a criação dos departamentos adulto e infantil, a divisão dos alunos em faixa etária e as reuniões de professores, a ampliação do coro Harmonia Santa, sendo o seu regente e a implantação de aulas de música. Ministrou ainda os primeiros conhecimentos em Bibliologia, Cristologia e Geografia Bíblica em escolas para obreiros. No dia 23 de junho de 1943, o primeiro templo da Assembléia de Deus em Joinville foi inaugurado.

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Em 1953 o pastor Virgil Smith deixou o pastorado da igreja em Joinville transferindo-se para São Paulo. Assumiu o pastorado da igreja o então evangelista Satyro Loureiro. Em 20 de março de 1954, Satyro Loureiro foi ordenado pastor, e permaneceu na responsabilidade da igreja em Joinville até 1957, quando foi transferido para a igreja em Blumenau. Em 11 de março de 1957, o pastor Henrique Alteruthmeyer assumiu a direção da igreja em Joinville e permaneceu por sete meses, sendo portanto um pastor de transição. Em 11 de outubro de 1957 o pastor Antonieto Grangeiro Sobrinho assumiu a direção da igreja em Joinville. Ele remodelou o templo central fazendo a galeria.

Desenvolveu a Escola Dominical no templo sede e estabeleceu novas Escolas Dominicais nas congregações. Em 1961, Joinville recebeu a visita de um dos pioneiros das Assembléias de Deus no Brasil, o missionário sueco Daniel Berg. Nesta ocasião, fez-se a gravação em áudio de uma entrevista com o pioneiro que está amplamente difundida na internet e certamente é a única de que se tem notícia. O entrevistador foi o Pr. Antonieto Grangeiro. Em 1969 o pastor Artur Montanha assumiu o pastorado da igreja em Joinville. Em sua gestão fundou a Sociedade Assistencial Deus Proverá (SASEDEP) e, juntamente com o pastor Satyro Loureiro, a Campanha Evangelística “Cristo é a Resposta” que foi realizada em várias partes do país principalmente no Norte e Nordeste. Apaixonado pela obra de evangelização, Pr. Montanha empreendeu inúmeras campanhas evangelísticas ao longo de seu pastorado. Em 22 de maio de 1972 o pastor Liosés Domiciano assumiu o pastorado da igreja em Joinville. Foi amante da

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obra missionária e incentivou e apoiou missionários na Argentina e no Chile. Em sua gestão a Assembléia de Deus em Joinville realizou o 1º Congresso de Jovens. Embora não tenha sido o primeiro congresso de jovens realizado no estado (o primeiro foi em São Francisco do Sul) a confraternização realizada em Joinville se tornaria, dentre outros congressos da UMADJO (União da Mocidade das Assembléia de Deus em Joinville), referência desse modelo de encontro para o estado de Santa Catarina e sul do país. Em 17 de janeiro de 1979 o pastor Satyro Loureiro novamente assumiu o pastorado da igreja em Joinville. Neste mesmo ano, a igreja foi sacudida por um grande avivamento. Mais de quinhentos irmãos receberam o batismo no Espírito Santo através de um poderoso e abundante derramamento do poder de Deus sobre a cidade de Joinville. Em 1980, aproximadamente setenta jovens se reuniam aos sábados à noite para orar no templo sede. Buscavam a Deus tendo um propósito específico: a salvação e libertação de pessoas, principalmente jovens oprimidos e viciados. Embora tivessem o hábito de evangelizar nas praças do centro da cidade, o pastor Leandro Ferreira lançou a eles um grande desafio: evangelizar cada casa em Joinville. Prontamente eles se dispuseram a tal tarefa. Surgiu então a campanha evangelística denominada “A Última Casa”. De janeiro à dezembro de 1980 os jovens reuniam-se no templo sede todos os domingos às seis horas da manhã e buscavam a Deus em oração até as sete horas. Depois se dirigiam a determinado bairro da cidade, todos

uniformizados e munidos de panfletos evangelísticos com o tema: Você é feliz? Visitavam casa a casa lançando a

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semente do Evangelho e convidando as pessoas para um culto à noite no templo da Assembléia de Deus naquele bairro. Evangelizavam até as 18:00 horas fazendo apenas um intervalo ao meio dia para uma alegre refeição em comum. À noite cooperavam no culto retornando somente depois para seus lares. No ano de 1984, passados 51 anos da construção do primeiro templo, Joinville já abrigava 50 congregações e aproximadamente 12.000 membros e congregados tendo novamente a necessidade de enfrentar o desafio da construção de outro templo que oferecesse maior espaço físico. Em nota ao Boletim Informativo do mesmo ano foi anunciado: A diretoria da igreja por meio de seu presidente pastor Satyro Loureiro, resolveu enfrentar esta situação e construir um novo templo, com espaço físico maior, a fim de atender as necessidades que ora se apresentam. Com isto, dentro de poucos dias, passaremos a nos abrigar em um galpão localizado, à rua Alexandre Schelemm [sic], entre a rua São Paulo e a Av. Getúlio Vargas, defronte a Manchester Processamento de Dados. Vamos orar para que em futuro próximo, possamos inaugurar novo templo central. No dia 08 de julho de 1984 foi realizado o último culto no primeiro templo construído em Joinville. Dois dias após, os irmãos já se reuniam no salão provisório. No dia 15 de maio de 1988, aconteceram as solenidades de inauguração do templo central. O governador Pedro Ivo Campos e o prefeito Wittich Freitag desataram a fita inaugural do novo templo da Assembléia de Deus em Joinville. Cerca de três mil pessoas participaram da solenidade que contou ainda com a presença de inúmeras autoridades. Dentre as grandes realizações de sua gestão frente a igreja em Joinville está a construção do templo central, a criação

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do Centro de Recuperação Desafio Jovem Shalom e diversas creches e jardins de infância, todos vinculados à SASEDEP Sociedade de Assistência Social e

Educacional Deus Proverá; a implantação da EETAD Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus, dois módulos da Faculdade Teológica de Lorena e um instituto bíblico local, o IBADEJ - Instituto Bíblico da Assembléia de Deus em Joinville. Seu ministério teve projeção nacional, através do ensino e da evangelização. Foi um dos líderes e pregadores da Cruzada Evangelística “Cristo é a Resposta”, realizada em diversas localidades do país. Em 28 de outubro de 1990 pastor Satyro Loureiro, com a saúde debilitada, entregou o pastorado da igreja em Joinville ao seu vice-presidente, pastor José João Vieira. Ele faleceu em 11 de abril de 1993, aos 71 anos. Na década de 90 a IEADJO, sob a direção do Pr. José João Vieira, desfrutou de contínua expansão. Nesse período houve crescimento no número de missionários enviados pelo Departamento de Missões Siloé. Destaca-se ainda a criação da Faculdade Teológica Refidim e o início da EBOJ - Escola Bíblica para Obreiros em Joinville, que se tornou uma tradição na cidade. Construíram-se também várias congregações nos bairros, evidenciando cada vez mais o expressivo crescimento espiritual e numérico da igreja. O pastor Vieira jubilou-se no ano 2000 e o pastor Valmor Leonel Batista (in memorian) assumiu o pastorado da igreja em Joinville em 31 de janeiro de 2000. Dentre as realizações de sua gestão destaca-se a solicitação em Brasília de uma emissora educativa para levar através da FUNADEJ - Fundação Assistencial e de Difusão

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Educativa e Cultural de Joinville, educação, cultura cristã e informação. Surgiu então a 107,5 FM6. A igreja cresceu não só na comunicação, mas em todos os aspectos. Quando Pr. Valmor assumiu a IEADJO, ela contava com 64 congregações distribuídas em 6 distritos. Em 2005 já contava com 134 congregações organizadas em 26 distritos e 20.205 membros. De 73 imóveis pertencentes ao patrimônio da igreja, o número foi acrescido para 155 imóveis. Em 2000, haviam 62 missionários sustentados pela IEADJO e em 2006 já contava com 162 deles atuando em diversas regiões do estado, país e no exterior. Pastor Valmor, como todos os pastores que passaram por Joinville, tinha uma vida pautada pelo dinamismo, honestidade e seriedade no trabalho de Deus. Em 2005, Pr. Valmor foi acometido de câncer e, mesmo lutando com todas suas forças e ainda atuante no trabalho, em 25 de novembro de 2006, aos 67 anos, passou a estar com o Senhor. No dia 10 de dezembro de 2006 aconteceu a posse do atual Pastor Presidente da Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Joinville, Pr. Arcelino Victor de Melo. Na solenidade estiveram presentes Pr. Samuel Câmara (1º Vice-presidente da CGADB e Presidente da AD em Belém do Pará), Pr. Nirton dos Santos (Presidente de Honra da CIADESCP) e inúmeros pastores de cidades vizinhas. O pastor Arcelino é também o presidente da Convenção Estadual da Assembléia de Deus de Santa Catarina e Sudoeste do Paraná. Sentindo-se plenamente na vontade de Deus, vontade esta que lhe guiou em toda a sua vida espiritual e ministerial o pastor Arcelino tem dado continuidade à administração da

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Dados adquiridos no DepCom com diretor geral, Pr. Márcio Batista.

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igreja com a aquisição de terrenos e a construção de novos templos, além de impulsionar cada vez mais a evangelização de Joinville. Isto se evidencia no fato de que, somente em 2007, a IEADJO recebeu mais de 1.500 novos membros que desceram as águas batismais. Comprometido com os valores do Reino de Deus o pastor Arcelino tem apoiado de maneira notável a educação teológica na Assembléia de Deus em Joinville

disponibilizando recursos e motivando o corpo ministerial para a devida formação bíblico-teológica. Também tem motivado a igreja a caminhar na direção do Espírito Santo dando ampla liberdade à Sua ação. O pastor Arcelino conta ainda com o apoio de sua dedicada esposa, irmã Iracildes, em todas as suas atividades ministeriais, bem como, com o apoio de todos os demais pastores e obreiros que atuam em Joinville. Atualmente a Igreja Evangélica Assembléia de Deus em Joinville tem 21.633 pessoas em seu rol de membros e um ministério composto por 72 pastores, 30 evangelistas, 546 presbíteros, 465 diáconos, 857 auxiliares e cooperadores, distribuídos em 140 congregações e 27 distritos. Conta ainda com aproximadamente 11.000 alunos matriculados na Escola Bíblica Dominical e 1.300 professores. Sustenta 210 missionários espalhados pelo Brasil e exterior. Tem uma Faculdade Teológica que alia conhecimento e espiritualidade a serviço do Reino e colabora para a formação de obreiros que atuam em todo o estado de Santa Catarina. Tem um Colégio Evangélico que oferece educação infantil e ensino fundamental através de educação por princípios. Destaca-se ainda pela Rádio 107,5 FM que leva educação, cidadania e cultura à população Joinvilense.

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CONCLUSÃO

Concluímos que diante dos fatos apresentados neste trabalho de pesquisa, da disciplina Missiologia, não há argumentos de que realmente o Espírito Santo esteve atuante nesta igreja, fazendo-a de uma cidade evangelizada, a uma cidade evangelizadora. Hoje centenas, porque não dizer, milhares de almas recebem a Jesus como Salvador, fruto da semeadura que a IEADJO está exercendo tanto em Joinville, como cidades vizinhas, SC, Brasil e o mundo.

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REFERÊNCIAS

(01) SANTOS, Ismael dos. Raízes da Nossa Fé. Blumenau, SC: Editora Letra Viva, 1.996. 270 páginas.

(02) Jubileu de Ouro. Igreja Evangélica Assembléia de Deus de Itajaí: 1981. p. 07.

(03) POMMERENING, Claiton Ivan. O Reino entre príncipes e princesas: 75 anos de história da Assembléia de Deus em Joinville. Joinville: REFIDIM, 2008.

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