M i n i s t é r i o d o M e i o A m b i e n t e

´ A r e a s e A ç õ e s P r i o r i t á r i a s p a r a C o n s e r v a ç ã o d a B i o d i v e r s i d a d e

C E R R A D O E P A N T A N A L

B i o d i v e r s i d a d e 1 7

CERRADO E PANTANAL
Áreas e Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade 

República Federativa do Brasil Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Vice-Presidente JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA Ministério do Meio Ambiente Ministra MARINA SILVA Secretário-Executivo JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO Secretaria de Biodiversidade e Florestas Secretária MARIA CECÍLIA WEY DE BRITO Departamento de Conservação da Biodiversidade Diretor BRAULIO FERREIRA DE SOUZA DIAS Gerência de Conservação da Biodiversidade Gerente DANIELA AMÉRICA SUÁREZ DE OLIVEIRA 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE SECRETARIA DE BIODIVERSIDADE E FLORESTAS

CERRADO E PANTANAL
Áreas e Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade

Brasília - DF 2007 

Gerência do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira PROBIO Daniela América Suárez de Oliveira Coordenador do Seminário de Trabalho sobre Cerrado e Pantanal Roberto B. Cavalcanti, Consórcio Coordenador Fundação Pró-Natureza (FUNATURA), Conservation International (CI), Fundação Biodiversitas (FB), Universidade de Brasília (UnB) Colaboração Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Fundação André Tosello & Base de Dados Tropical. Fotos gentilmente cedidas por Conservação Internacional do Brasil. foto da capa: Haroldo Castro, (Foto: capítulo Biota Aquatica - PNDPA/IBAMA) Projeto Gráfico Mayko Daniel A. Miranda e Marcelo Rodrigues Soares. Organização de Textos Karla Yoshida Arns e Marcus Alves

Catalogação na Fonte Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis B615 Biodiversidade do Cerrado e Pantanal: áreas e ações prioritárias para conservação / Ministério do Meio Ambiente. – Brasília: MMA, 2007. 540 p.: il. color. (Série Biodiversidade 17) Bibliografia ISBN 978-85-87166-87-6 1. Cerrado. 2. Pantanal. 3. Diversidade biológica. I. Ministério do Meio Ambiente. II. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. III. Título. IV. Série. CDU(2.ed.) 504.7

Ministério do Meio Ambiente - MMA Centro de Informação e Documentação Luiz Eduardo Magalhães – CID Ambiental Esplanada dos Ministério – Bloco B – Térreo CEP: 70068-900 – Brasília-DF Fone:55 61 3317 1235 Fax: 55 61 3317 1980 e-mail:cid@mma.gov.br 

SUMÁRIO
Apresentação..................................................................................................................................................7

Introdução.....................................................................................................................................................13

Parte I – Fatores Bióticos ..........................................................................................................................17 Vegetação e Flora.........................................................................................................................................19 Invertebrados..............................................................................................................................................141 Biota Aquática.............................................................................................................................................193 Anfíbios e Reptéis.......................................................................................................................................257 Avifauna. ......................................................................................................................................................277 Mastofauna. .................................................................................................................................................300

Parte II – Fatores de Pressão e Vulnerabilidade . ..................................................................................322 Fatores Abióticos: Solos..............................................................................................................................325 Conhecimento Científico.............................................................................................................................327 Aspectos Sócio-Econômicos e Políticas Públicas. ......................................................................................333 Unidades de Conservação dos Biomas Cerrado e Pantanal......................................................................379

Parte III – Síntese e Recomendações .....................................................................................................387 Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade no Cerrado e Pantanal. ....................................... 393 



em seguida. Cada subprojeto foi estruturado ao redor de uma oficina de trabalho (ou workshop). • Indicação de alternativas para uso dos recursos naturais do Cerrado e Pantanal.PROBIO.092. indicando áreas prioritárias para conservação e recomendações para cada uma delas. Um passo fundamental nesse processo foi a identificação de prioridades regionais. População e Natureza (ISPN). gerando desdobramentos extraordinários. 126. a Fundação de Pesquisa e Tecnologia André Tosello. primeiramente. tais como o reconhecimento oficial das 900 áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. os consultores levantaram e produziram dados científicos. Durante a oficina. botânica. Ao se completarem dez anos do início dessa relevante iniciativa. por meio de Decreto nº. coordenada pela Fundação Pró-Natureza (FUNATURA) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). a Fundação Biodiversitas e o Instituto Sociedade. Dois critérios amplos foram utilizados para orientar o estabelecimento dessas prioridades: a importância biológica da área e a urgência das ações para sua conservação. a oficina referente ao Cerrado e Pantanal. 5. que foi redesenhado de modo a incluir as áreas prioritárias definidas nos workshops da Amazônia e da Mata Atlântica. em Brasília. Essa oficina de trabalho contou com a participação de mais de 200 especialistas em diversos temas e teve como objetivos: • Definição das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. compreendendo a realização de inventários e pesquisas. socioeconomia e unidades de conservação. cobertura vegetal. atividades de manejo. de 27 de maio de 2004. Mata Atlântica e Campos Sulinos. que foi realizada entre 23 e 27 de março de 1998. por meio do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira . Em dezembro de 1996. indicadores sócioeconômicos e mapas cartográficos atualizados. este livro objetiva resgatar o resultado de seu marco inicial. de 21 de maio de 2004. mamíferos. O desenvolvimento desses subprojetos foi um marco para a conservação da biodiversidade. invertebrados. apresentar uma estratégia global de conservação da sua biodiversidade. Os mapas e relatórios foram disponibilizados na Rede Mundial de Computadores (internet) para avaliações prévias dos participantes da etapa seguinte. Zona Costeira e Zona Marinha. influenciando e subsidiando políticas e atitudes do governo federal e dos estados e subsidiando outros projetos importantes. uma reunião preparatória para a oficina possibilitou uma primeira análise das informações organizadas nos seguintes temas: aspectos físicos. apoiou entre 1996 e 2001 cinco subprojetos para avaliar as áreas e ações prioritárias para conservação da biodiversidade dos seguintes biomas e regiões: Cerrado e Pantanal. conduzida entre 1996 e 1997. recuperação de áreas degradadas e criação de Unidades de Conservação (UCs). • Indicação das ações prioritárias para conservação desses biomas. regulamentado pela Portaria MMA nº.APRESENTAÇÃO A Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. • Promoção de um movimento de conscientização e participação efetiva da sociedade na conservação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal. os participantes foram divididos em grupos temáticos para identificar áreas prioritárias dentro da ótica de cada tema e do grau de conhecimento científico  sobre a diversidade biológica. Durante a fase preparatória. Os resultados desses subprojetos foram amplamente divulgadas por meio de publicações e acabaram por se transformar em um instrumento utilizado pelo MMA e outros órgãos governamentais para priorização de áreas de trabalho e de ações. répteis e anfíbios. . Caatinga. tais como o Projeto ARPA e o Projeto Corredores Ecológicos do Programa Piloto para a Proteção da Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7). biota aquática. compatíveis com a conservação da biodiversidade. aves. a Conservação Internacional do Brasil (CI). e Floresta Amazônica. que teve como objetivo avaliar a riqueza biológica do bioma e os condicionantes socioeconômicos da região para.

representam um consenso técnicocientífico dos dez grupos temáticos citados acima e coroaram um trabalho de quase três anos. endemismos de espécies e taxa superiores. O resultado final apresentou diversos padrões significativos. de geomorfologia. ao longo do eixo central da distribuição do bioma Cerrado. municipal e de propriedade privada. indicadas as ações necessárias para conservação dessas áreas e do Cerrado e Pantanal como um todo. Cada área prioritária também recebeu recomendações de ações visando a conservação e o uso sustentável dos biomas.As principais estratégias adotadas pelos Grupos Temáticos foram: • apresentações orais breves das análises preparadas pelos participantes dos grupos. acrescentando-se informações sobre as unidades não cadastradas. quanto aos parâmetros: riqueza de espécies. muito alta. endemismos de espécies e táxons superiores. • revisão da listas de espécies e da distribuição de espécies endêmicas e espécies raras e/ou ameaçadas do Cerrado e do Pantanal. As áreas de maior importância biológica concentraram-se nos Estados de Goiás. de sistemas de terra e paisagens. o mapa geral de prioridades foi refinado e as estratégias de conservação definidas. mas também puderam destacar situações únicas que exigissem atenção especial. Mato Grosso e Tocantins. • identificação e mapeamento das principais pressões antrópicas em curso sobre as paisagens naturais do Cerrado e do Pantanal. • identificação de lacunas no sistema. • fenômenos biológicos excepcionais (migrações. foram definidas 87 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade dos biomas e. realização de inventários e estabelecimento de corredores biológicos. diversidade filética. hotspots e fenômenos biológicos excepcionais. • revisão dos principais condicionantes socioeconômicos da ocupação humana no Cerrado e no Pantanal. Um número substancial de áreas. Assim. alta e de informação insuficiente). • revisão do mapa e banco de dados das Unidades de Conservação. criação de UCs associada a atividades de manejo ambiental. • avaliação da representatividade do sistema de unidades de conservação existentes na região. com especial ênfase para as de nível estadual. de solos. riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. segundo os seguintes tipos de atividades propostas: criação de unidades de conservação (UCs). Essas áreas. riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. • identificação das ações mais importantes para a conservação da biodiversidade nas áreas prioritárias. • revisão da qualidade dos dados disponíveis para mapeamento climático. Bahia. em termos de representatividade geográfica. • avaliação da eficácia das estratégias integradas de conservação na região (por exemplo nas áreas dos Parques Nacionais Grande  Sertão Veredas e Chapada dos Veadeiros). com a apresentação da síntese dos trabalhos. diversidade filética. • áreas de alta biodiversidade e sob alta pressão antrópica (hotspots). com a delimitação das áreas mais importantes segundo os parâmetros de riqueza de espécies. de hábitats e quanto à manutenção de elementos da fauna e flora endêmica e ameaçada de extinção. Em reuniões plenárias. entretanto. • proposição de metodologia para planejamento socioeconômico utilizando parâmetros de biodiversidade. implantação de manejo ambiental. de acordo com a categoria de importância biológica nas quais foram subdivididas (extremamente alta. • elaboração de mapas síntese de áreas prioritárias. com vistas à proteção dos recursos bióticos. teve informação . revisão e/ou elaboração dos mapas de conhecimento. • análise dos padrões de distribuição geográfica de biodiversidade no Cerrado e no Pantanal. sintetizadas no Mapa de Distribuição das Áreas Prioritárias dos Biomas Cerrado e Pantanal apresentado ao final deste livro. comunidades especiais). As informações obtidas nos “grupos temáticos” foram cruzadas pelos participantes então reunidos em grupos multidisciplinares separados em regiões geográficas. Os “grupos integradores” identificaram áreas de importância consensual entre os diversos temas.

embora as áreas prioritárias tenham se destacado como resultado do seminário de consulta. ainda que o quadro geral resultante da oficina de trabalho não tenha sido radicalmente mudado (especialmente em termos de recomendações). com. Além da carência de inventários. mas também assegurar o papel do Pantanal como corredor de dispersão de espécies e de integração dos biomas associados. a lista de espécies vegetais para o Cerrado. A estratégia de conservação para o Pantanal teve como fundamento uma abordagem que considerou a região de maneira integral. a riqueza de informações gerada pelos documentos preparatórios aqui apresentados constitui-se em um marco referencial e histórico para o conhecimento da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. do que na época do workshop. As espécies ameaçadas também foram revistas em 2003 e o status de algumas das espécies do Cerrado foi também revisto. com algumas delas sendo subdivididas. De fato. Ao publicar este livro. redesenhando suas verdadeiras distribuições geográficas. As recomendações geradas a partir desses documentos também são importantíssimas e merecem ser registradas e consideradas com mais profundidade pelos tomadores de decisões. o que fez com que o Ministério do Meio Ambiente optasse por trazer essa contribuição ao público na forma de um livro para padronizar informações que estavam disponíveis apenas parcialmente na internet. Avançou-se de uma concepção de fauna generalista e comum a outras áreas para a idéia de que há conjuntos de espécies (comunidades) realmente únicos no Cerrado e a simples ocorrência das espécies em outros biomas não assegura a conservação dos processos e dos cenários evolutivos em que estas entidades biológicas evoluíram.). devido ao longo hiato entre a realização da oficina citada e esta publicação. A estratégia proposta buscou apontar não somente áreas representativas dos diversos sub-ecossistemas regionais. que então contava com cerca de 6. . pess. hoje chega quase a 12. tendo havido consideráveis mudanças no arranjo sistemático destas. em Goiás e sobre a qual não se tinha nenhuma informação desde sua descrição original. acumulou-se um volume adicional considerável de inventários locais e pode-se dizer que se conhece bem melhor hoje a fauna de vertebrados e a de mamíferos. confirmando e fortalecendo a posição de especial importância que este bioma representa em termos da biodiversidade mundial. inclusive a redescoberta do tiê-bicudo ( Conothraupis mesoleuca). e a necessidade de se proceder inventários de campo na maior parte do Cerrado e do Pantanal.000 (Jeanine Felfilli e Roberta Mendonça. Em quase todas as áreas prioritárias. Áreas protegidas realmente grandes (acima de um milhão de hectares). em relação ao conhecimento científico sobre o Cerrado e o Pantanal. resultando na descrição de novas espécies e outras tendo sua condição de endêmica alterada pelo registro recente em outras localidades fora do Cerrado.  Em relação à avifauna. necessárias para a manutenção de populações de predadores de topo ainda são demandadas e sua viabilização constituem um desafio no cenário atual (Jader Marinho-Filho.000 espécies. Para os mamíferos. onde as áreas prioritárias devem estar conectadas e as ações devem levar em conta as interdependências de seus diversos ecossistemas. pess. o reduzido número de UCs foi considerado um problema grave.). Isto ressaltou a carência de dados biológicos para a região. Por exemplo. Entretanto. estas figuras gerais ganham detalhamento à medida que o tempo passa e o conhecimento avança. com. O número de espécies foi ampliado em 10% e se aproxima das 215 espécies. a criação de novas unidades foi assinalada como a ação mais urgente a ser efetuada. O que não mudou significativamente foram as taxas de conversão dos hábitats naturais e a urgência de se proteger uma fração significativa do que resta de áreas de Cerrado e Pantanal em boas condições.insuficiente para que sua importância pudesse ser aferida. A maioria das espécies recém descritas é conhecida apenas da localidade tipo e ainda é preciso tempo para rever o material das coleções. o MMA tem consciência de que muitos dados aqui expostos já estão desatualizados. em particular. novos registros e novas espécies foram descritos.

as ações prioritárias para cada uma delas e sua urgência de realização. Conservação Internacional.Embora não tenha sido alcançado um número ideal de Unidades de Conservação. buscando a adequação aos novos paradigmas em termos de conservação da natureza – incluindo o desenvolvimento sustentável e a repartição de benefícios da biodiversidade. setor acadêmico. além da expansão dos Parques Nacionais do Grande Sertão Veredas e da Chapada dos Veadeiros. na região do Sucuriú e do Jauru. The Nature Conservancy e WWF. atendendo à demanda estabelecida pelo Decreto n°. sua importância biológica. considerado fundamental para que fossem pactuadas metas que permitirão ao País reduzir a perda de biodiversidade. 126 que ao instituírem as áreas prioritárias previram a necessidade de revisão à luz do avanço do conhecimento. priorizando o processo participativo de negociação e a formação de consenso. Também o conhecimento sobre esses biomas ampliou-se. por exemplo. alguns avanços. no Distrito Federal e a Estação Ecológica Serra Geral. Recomendações sobre este tema foram também acatadas pelos estados abrangidos pelo Cerrado e pelo Pantanal. com o apoio da Coordenação Geral de Zoneamento Ambiental do Ibama. manteve-se o predomínio de áreas classificadas como de importância extremamente alta. devem ser registrados. Outra importante evolução a ser registrada refere-se às próprias áreas prioritárias. nas Serras do Cachimbo e do Amolar e em áreas na região do Paranã. Com relação à proporção das categorias de importância. O PNAP inclui objetivos. Rede Cerrado. traçar os alvos e as metas de conservação para o Cerrado e o Pantanal e elaborar um mapa de importância biológica para os biomas. Portanto. um grande avanço foi a elaboração de um novo Sistema de Unidades de Conservação – SNUC. Foram indicadas 50 áreas prioritárias no Pantanal e 431 áreas no Cerrado. algumas das categorias de UCs citadas foram modificadas. Seguindo os princípios do Planejamento Sistemático para Conservação (conforme orientação metodológica aprovada pela Deliberação nº. foram criados. Fortalecendo o SNUC foi criado o Plano Nacional de Áreas Protegidas – PNAP.092 e pela Portaria MMA nº.CONABIO). por meio da consolidação de um sistema ampliado de áreas protegidas. antiga aspiração dos conservacionistas. realizou em 2006 a atualização das áreas prioritárias para os biomas Cerrado e Pantanal. principalmente em áreas representativas do Cerrado e Pantanal como um todo. num sistema ecologicamente representativo e efetivamente manejado até 2015. para ambos os biomas. Importantes Áreas de Proteção Ambiental. da Chapada das Mesas. da Serra da Bodoquena. em Goiás e a do Planalto Central. quase uma centena de especialistas participou de duas reuniões técnicas em Brasília com o objetivo levantar as informações disponíveis que auxiliassem o processo de atualização. em fases subseqüentes. contando com representantes do governo. Foi a primeira etapa do processo que teve continuidade com a realização de um seminário regional que. Com o apoio do Probio. . as demais áreas protegidas. como Meandros do Araguaia e Nascentes do Rio Vermelho. cuja estrutura de vegetação temse apresentado muito mais complexa e diversa do que era imaginado há algum tempo atrás. Ainda em relação às UCs. resultantes das recomendações oriundas do workshop. Entre as ações propostas. Neste período. 5. Rede Pantanal. das Sempre Vivas. povos e comunidades tradicionais e do setor privado definiu as Áreas Prioritárias para a Biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. 20 inventários biológicos foram realizados em todo o Brasil em áreas consideradas como insuficientemente conhecidas e. organizações ambientalistas. que criaram significativas UCs em diferentes categorias de conservação. no que se refere ao Cerrado e Pantanal. os Parques Nacionais Cavernas do Peruaçu. diretrizes e estratégias para as áreas terrestres e marinhas do Sistema Nacional 10 de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e também define estratégias para integrar. como terras indígenas e quilombolas. do Tocantins foram também criadas. foram realizados inventários na Chapada Diamantina. A Secretaria de Biodiversidade e Florestas. 39 da Comissão Nacional de Biodiversidade .

a conservação e manutenção da quantidade e qualidade da água merecem destaque uma vez que são aspectos essenciais quando se pensa em Cerrado e Pantanal. o Probio apoiou seis subprojetos visando o realização de levantamento da cobertura vegetal dos biomas brasileiros. Esse processo. Finalmente. como a presença de populações locais/tradicionais em áreas com elevada importância biológica e as funções ecossistêmicas (serviços ambientais) desses dois importantes biomas. de 08 de novembro de 2005. e conta com uma comissão para acompanhar a implementação do Programa.Comissão Nacional do Programa Cerrado Sustentável. especial destaque deve se dar à criação do Núcleo Cerrado e Pantanal no âmbito da Secretaria de Biodiversidade e Florestas. sem desmerecer os demais aspectos. 5. A maior dificuldade tem sido encontrar informações que auxiliem o processo de identificação de áreas e para isso a colaboração da comunidade científica e especialistas têm sido essencial. elaborado de forma participativa pelo GT do Cerrado. Braulio Ferreira de Souza Dias Diretor de Conservação da Biodiversidade. Assim. A segunda indicação mais freqüente foi de recuperação de ambientes degradados.577/2005. denominada Conacer . além do Programa Cerrado Sustentável. aparecendo em 56% das áreas o que indica que apesar de ter-se produzido volume expressivo de conhecimento científico a respeito da biodiversidade destes biomas. com participação de representantes do governo e da sociedade civil. em 2004.destacou-se a recomendação pela realização de inventários biológicos. numa resposta à redução na biodiversidade em áreas onde houve significativa perda de hábitat. Nesse particular. MMA 11 . hoje contamos com melhores instrumentos para realizar a gestão e a implementação de políticas em favor destes importantes biomas brasileiros. ainda são necessários investimentos em pesquisa a respeito da biodiversidade. Esse programa foi institucionalmente criado por meio de Decreto Presidencial nº. entre eles o Cerrado e o Pantanal. De forma complementar às informações geradas pela execução dos subprojetos de avaliação de áreas e ações prioritárias. bem como estudos sócio-antropológicos na região. completando lacunas de conhecimento e atualizando os dados existentes sobre o tema. entre os anos de 1998 e 2006. conferiu maior ênfase às dimensões socioambientais da biodiversidade. A elaboração desse programa passou por consultas públicas em algumas cidades e recebeu diversas contribuições.

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UCs. Grupos Regionais e Ações Prioritárias. uma reunião preparatória para a Oficina de avaliação possibilitou uma primeira análise das informações. Nas últimas décadas. Existem. com mais de 110. Elaboração de propostas de modelos de repartição de benefícios do uso econômico da biodiversidade do Cerrado e Pantanal • Durante a fase preparatória. ao lado da Mata Atlântica. conduzida entre 1996 e 1997. O método de trabalho adotado consistiu na organização do conhecimento através dos seguintes Grupos Temáticos: Biodiversidade. O Pantanal. ção nestas áreas. os consultores levantaram e produziram dados científicos. pequenas em número e concentradas em poucas regiões. O frágil equilíbrio dos ecossistemas pantaneiros. O Cerrado é uma forma­ção do tipo savana tropical. Sócio-Economia e Unidades de Conservação. Em dezembro de 1996. Biota Aquática. compreendendo realização de inventários e pesquisas. Calcula-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das espécies de abelhas sejam endêmicas. a maior planície inundável do mundo. especialmente em vista das limitações das áreas protegidas. seja por expansão agrícola. composta por ilhas inseridas numa matriz de agroecossistemas. Revisão da listas de espécies e da distribuição de espécies endêmicas e espécies raras e/ou ameaçadas do Cerrado e Pantanal. Os modelos tradicio­nais 13 de pesca e pecuária estão sendo rapidamente substituídos pela exploração intensiva. definidos por dinâmicas de inundações periódicas. o Cerrado. atividades de manejo. só ocorrem nas savanas brasileiras. A extensa transformação antrópica do Cerrado tem o potencial de produzir grandes perdas de biodiversidade. Mamíferos. reúne um mosaico de diferentes ambientes e abriga uma rica biota terrestre e aquática. Fatores Abióticos. Entre as estratégias adotadas pelos Grupos Temáticos estão: • Apresentações orais breves das análises prepa- radas pelos participantes dos grupos. Estimativas apontam mais de 6. acompanhada de desmatamentos e alteração de áreas naturais. • . recuperação de áreas degradadas e criação de Unidades de Conservação (UCs). várias outras fisionomias. isto é. Objetivos da Oficina de avaliação: • Definição das áreas prioritárias para conser­ vação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal.000km². compatíveis com a conservação da biodiversidade. está sendo ameaçado pelas novas tendências de desenvolvimento econômico. sendo proposta a exploração mais intensa dessa região. A ocupação humana e a construção de estradas fizeram com que uma massa contínua de área com biota natural se trans­formasse numa paisagem cada vez mais fragmentada.INTRODUÇÃO Panorama do Cerrado e Pantanal Sabe-se hoje que o Cerrado é uma das regiões de maior biodiversidade do planeta e cobre 25% do território nacional. Invertebrados. entretanto. Aves. indo desde os campos limpos até as formações arbóreas.000 espécies de árvores e 800 espécies de aves. é considerado um dos “hotspots” mundiais. com uma pequena inclusão na Bolívia. indicadores sócio-econômicos e mapas cartográficos atualizados. Cobertura Vegetal do Cerrado. embora esforços importantes de pesquisa tenham sido iniciados na década de 1980. além de grande variedade de peixes e outras formas de vida. Répteis e Anfíbios. Devido a esta excepcional riqueza biológica. isto é. com extensão de cerca de dois milhões de km² no Brasil Central. Botânica. A fisionomia mais comum é uma formação aberta de árvores e arbustos baixos coexistindo com uma camada rasteira graminosa. Desenvolvimento Social e Sócio-Economico. O grau de endemismo da biota do Cerrado é significativo e pouco se conhece sobre a distribuição das espécies dentro do bioma. o Cerrado tem sido visto como uma alternativa ao desmatamento na Amazônia. • Revisão e/ou elaboração dos mapas de conhecimento. Os mapas e relatórios foram disponibilizados na Internet para avaliações prévias pelos participantes da etapa seguinte. • Indicação das ações prioritárias para conserva- • Avaliação das alternativas para uso dos recursos naturais do Cerrado e Pantanal. organizadas nos seguintes temas: Aspectos Físicos. seja por plantios florestais para fixar carbono atmosférico. um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. O processo de ocupa­ção do bioma chegou a tal ponto que não é mais apropriado considerá-lo como “fronteira”.

o reduzido número de UCs é um problema sério. com especial ênfase para as de nível estadual. comunidades especiais).Fenômenos biológicos excepcionais (migrações. e de proprie­dade privada. municipal. “hotspots”.Riqueza de Espécies. Isto ressalta a carência de dados biológicos para a região. o estudo científico (inventários). • Identificação das principais pressões antrópicas em curso sobre as paisagens naturais do Cerrado e Pantanal. enfatizando áreas de alta riqueza de espécies. diversidade filética. Em quase todas as áreas prioritárias. de sistemas de terra e paisagens. Destaca-se. fenômenos biológicos excepcionais (migrações. com alto grau de endemismo biológico e com presença de comunidades únicas.Diversidade Filética. acrescentando informações sobre as unidades não cadastradas. Foram definidas 88 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da região e indicadas as ações necessárias para conservação destas áreas e do Cerrado e Pantanal como um todo. Bahia. assim. teve informação insuficiente para avaliar sua importância. comunidades especiais). . A estratégia de conservação para o Pantanal tem como fundamento uma abordagem que considera a região de maneira integral. de hábitats e quanto à manutenção de elementos da fauna e flora endêmica e ameaçada de extinção. quanto aos parâmetros: riqueza de espécies. de solos. endemismos de espécies e taxa superiores. • Avaliação da representatividade do sistema de UCs existentes na região. Identificação de lacunas no sistema. A estratégia proposta busca apontar não somente áreas representativas dos diversos sub-ecossistemas regionais.Riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. • Proposição de metodologia para planejamento sócio-econômico utilizando parâmetros de biodiversidade. com vistas à proteção dos recursos bióticos. As áreas de maior importância biológica concentram-se nos Estados de Goiás. onde as áreas prioritárias devem estar conectadas e as ações levam em conta as interdependências de seus diversos ecossistemas. • Elaboração de mapas síntese de áreas prioritárias. riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. a sua importância no contexto biogeográfico Neotropical.• Revisão da qualidade dos dados disponíveis para mapeamento climático. . Finalmente foram apresentadas as recomen­ dações dos Grupos de Trabalho sobre as Ações Prioritárias de Conservação. . entretanto. em termos de representatividade geográfica.Endemismos de espécies e táxons superiores. 14 . Chapada dos Veadeiros). A delimitação das áreas foi realizada com base nas distribuições de elementos da biota. • Mapeamento dos principais eixos de pressão sobre o Cerrado e Pantanal. • Revisão dos principais condicionantes sócioeconômicos da ocupação humana no Cerrado e Pantanal. Estas ações abrangem a proteção (criação de UCs). Um número substancial de áreas. Foi realizado um diagnóstico da importância biológica e uma avaliação das ações prioritárias para a conservação das áreas recomendadas. • Análise dos padrões de distribuição geográfica de biodiversidade no Cerrado e Pantanal com a delimitação das áreas mais importantes segundo os parâmetros de: . o uso direto dos recursos bióticos e a restauração ou recuperação de áreas antropizadas (manejo). mas também assegurar o papel do Pantanal como corredor de dispersão de espécies e de integração dos biomas circunjacentes. O resultado final apresenta diversos padrões significativos. Mato Grosso e Tocantins. • Identificação das ações mais importantes para a conservação da biodiversidade nas áreas prioritárias.Revisão do mapa e banco de dados das Unidades de Conservação (UCs). . e a necessidade urgente de proceder a inventários de campo na maior parte do Cerrado e Pantanal. Além da carência de inventários. de geomorfologia. As áreas identificadas como prioritárias para conservação da biodiversidade nos biomas Cerrado e Pantanal incluem cerrados na divisa do Paraná e São Paulo até as savanas amazônicas do Amapá e Roraima. • Avaliação da eficácia das estratégias integradas de conservação na região (por exemplo nas áreas dos Parques Nacionais Grande Sertão Veredas. a criação de novas unidades foi assinalada como a ação mais urgente. - “Hotspots”: áreas de alta biodiver­sidade e sob alta pressão antrópica . ao longo do eixo central da distribuição do bioma Cerrado.

Um segundo nível de priorização engloba as áreas onde as políticas de desenvolvimento devem observar padrões rígidos quanto a ações de desmatamento. Trabalhos recentes. O objetivo foi estabelecer um regime particularizado de uso da terra capaz de compatibilizar o seu potencial produtivo com a conservação de seus recursos naturais. articulação de políticas e órgãos governamentais. legislação. corredores ecológicos e proteção regional. monitoramento e pesquisa. poluição por agentes químicos. onde se recomenda o estabelecimento de UCs de uso direto ou indireto. 15 . além de implementar um plano pormenorizado para o uso do solo.Os conceitos de bacias hidrográficas e de gradientes de inundação também são essenciais na escolha de áreas e em sua priorização e na indicação de uma abordagem que incorpore a estratégia dos corredores ecológicos. O mesmo encontra-se publicado e distribuído pelo Ministério do Meio Ambiente. como o Plano de Conservação da bacia do Alto Paraguai (PCBAP) e as indicações do PRODEAGRO para o Estado de Mato Grosso foram utilizados. consolidação das UCs e inventários. As recomendações de ações prioritárias para conservação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal foram agrupadas em seis grandes tópicos: mudanças de enfoque. O mapa síntese das Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Pantanal foi apresentado e aprovado em uma Plenária Final com a indicação das diversas e distintas ações de conservação necessárias. respeitando seu status constitucional de Patrimônio Nacional. O nível máximo de prioridade refere-se às áreas nucleares. As demais áreas devem receber um tratamento diferenciado por parte dos gestores públicos e privados para proteção deste bioma singular. As áreas apontadas como prioritárias para o Pantanal Mato-Grossense estão divididas em três classes. bem como o Sumário Executivo dos resultados do projeto. erosão.

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Vegetação e Flora FATORES BIÓTICOS 17 Parte I .

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Vegetação e Flora Vegetação e Flora 19 .

Ratter Jeanine Felfilli John DuVall Hay José Angelo Rizzo José C. Dianese José Carlos Sousa Silva Lídio Coradin Linda Styer Caldas Luiz Alfredo Rodrigues Pereira Maria de Fátima P. de Miranda Chaves Suzana Maria De Salis Suelma Ribeiro Silva Taciana B. Cavalcanti Tarciso Filgueiras Temilze Gomes Duarte Terezinha Aparecida Borges Dias Vali Joana Pott Valmira Vieira Mecenas William Wayt Thomas 20 . Castro Arnildo Pott Bruno Machado Teles Walter Carlos Augusto Klink Carolina Joana da Silva Carolyn Proença Cássia Beatriz Rodrigues Munhoz Fabian Borghetti Fernando Martins Germano Guarim Neto Gilmar Batista dos Santos Glocimar Pereira da Silva James A. Silva Maria Goreth Nóbrega Miramy Macedo Patrícia Rodrigues Regina Célia de Oliveira Samuel Bridgewater Semiramis Pedrosa de Almeida Sérgio A.Participantes do Grupo de Trabalho José Felipe Ribeiro (Coordenador) Abisoye Emmannuel Onigemo Alba Evangelista Ramos Alba Valéria Rezende Alexandre Bonesso Sampaio Ana Palmira Silva Antônio Alberto Jorge F.

Estas informações são de autoria de Ratter et al. O primeiro tema tratou das fitofisionomias do bioma Cerrado. inúmeros estudos têm sido realizados. A partir dessa década. 21 Essa extensa revisão sobre a flora vascular do bioma foi elaborada por Mendonça et al. Essa análise apresenta. A partir destes levantamentos foram avaliadas as grandes lacunas onde inventários rápidos ainda não haviam sido realizados para mostrar importância da ação imediata de levantamentos nestes locais. Apesar do ainda decantado desconhecimento das espécies.br. Carolyn Proença e vários alunos do curso de mestrado em botânica que colaboraram focando seus estudos buscando definir centros de biodiversidade e endemismo a partir de táxons indicadores selecionados. e foram anexados como documento/base para a discussão dos grupos. Essa informação foi ampliada para analisar a distribuição.cpac. espécies peculiares e acessórias e super-centros de biodiversidade. Nesse momento. liderado pela professora Jeanine Felfili-Fagg (UnB). Mais dados deste projeto podem ser encontrados no site html://cmbbc. preliminarmente. com a devida citação de autoria. 1982 e 1989 enfocaram principalmente a intensa ocupação agrícola que tomou conta do uso da terra na região. Os temas foram abordados da forma mais abrangente possível. o incremento da consciência ambiental. por estado.embrapa. e do Sul com as informações da situação atual e propostas para conservação e manejo dos cerrados remanescentes no Paraná trazidos pelos estudos de Fernando Straube. a distribuição espacial da flora lenhosa foi analisada. a preocupação com o desenvolvimento sustentável e a preservação já estavam ocupando posição de destaque dos cientistas de todo planeta. Aqueles realizados até a metade dos anos 70 (1962. e as lacunas sanadas dentro do escopo do workshop. Estas lacunas foram confirmadas no estudo seguinte da professora da Universidade de Brasília. . estes autores apresentaram uma listagem parcial de aproximadamente 6.Vegetação e Flora Diversidade e conservação da vegetação e da flora José Felipe Ribeiro e Terezinha Dias (Organizadores)� Introdução Até o início dos anos 60 pouquíssimos eram os estudos sobre os recursos naturais no bioma Cerrado. No mais recente. realizado em 1996. o espaço dos estudos sobre os recursos naturais voltou a ser dividido mais eqüitativamente com a agricultura. em parceria com o IBGE e a Embrapa Recursos Genéticos. do Norte com o Amapá. focos de coleta. com a evolução da pesquisa neste assunto. onde foram apresentados centros de endemismo. As informações fornecidas nos textos disponibilizados foram então consideradas como ponto de partida que. Elas fizeram parte do acervo disponível naquele momento e várias delas ainda não haviam sido publicadas. e foram submetidas para publicação no Boletim Ezequias Heringer do Jardim Botânico de Brasília. Já os realizados em 1979. a distribuição de algumas espécies com relação ao tipo de solo de ocorrência e discute espécies de distribuição generalista e restrita. de 581 espécies lenhosas encontradas na fitofisionomia de Cerrado sentido restrito. Para complementar as informações para a análise também foram incluídos para os participantes as informações dos cerrados do Nordeste trazidos pelo pesquisador Alberto Jorge Castro. Para ajudar nas ações e na indicação de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. As informações apresentadas a seguir são muitas vezes cópias dos originais dos artigos ou dos manuscritos enviados para a oficina.500 táxons. A listagem do estudo da flora lenhosa do componente arbustivo-arbóreo do Cerrado sentido amplo preparada no estudo de Castro et al 1998 também foi fundamental para as tomadas de decisão durante o trabalho de equipe. e mostrou a necessidade de maiores esforços de coleta para a proposta de categorias corológicas para a análise de padrões fitogeográficos. Esta provocação iniciou-se com apenas quatro táxons. 1971 e 1976) buscaram mostrar a importância dos estudos da vegetação nativa para o cenário nacional. 1965. a partir dos estudos de Marco Antonio Chagas e colaboradores. Em seguida foi apresentada a revisão da flora vascular do Cerrado disponível a partir de vários estudos de campo e de herbário das atividades dos projetos “Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado” liderado pela Embrapa Cerrados e com parceria com a UnB/RBGE/ISPN/IBAMA e apoiado pelo Governo Britânico-DFID e do “Biogeografia dos Cerrados”. Desde então foram realizados oito simpósios sobre o tema. fazem parte deste documento da reunião. adicionadas às informações trazidas pelos participantes. As informações sobre o estado do conhecimento atual sobre a vegetação do bioma Cerrado aqui apresentadas estão baseadas nas informações da publicação Cerrado: ambiente e flora editada por Sano e Almeida em 1998.

na Chapada dos Veadeiros. conferem ao Cerrado uma diversificação térmica bastante grande. Mato Grosso. Lopes. o mecanismo atmosférico geral determina uma marcha estacional de precipitação semelhante em toda a região. Embrapa Cerrados. Fora do Brasil ocupa áreas na Bolívia e Paraguai. Piauí. O Cerrado caracteriza-se pela presença de invernos secos e verões chuvosos. Trata-se de um complexo vegetacional que possui relações ecológicas e fisionômicas com outras savanas da América tropical e de continentes como África e Austrália (Beard. O Cerrado está localizado no Planalto Central do Brasil e é o segundo maior bioma do país em área. Rondônia e São Paulo e também ocorre em áreas disjuntas ao Norte nos Estados do Amapá. totalizando 11ha amostrados. Ocorre em altitudes que variam de cerca de 300m.62. Possui média anual de precipitação da ordem de 1. O contraste entre as superfícies mais baixas (inferiores a 300m). 1994. Fitofisionomias do Bioma Cerrado. 1987).500mm. As espécies apresentaram distribuição em mosaicos. 1972. distribuídas aleatoriamente ao longo dos gradientes observados. Vila Propício em Goianésia-GO. Pará e Roraima. as longas chapadas entre 900 e 1. B. enquanto paisagens semelhantes são encontradas na Colômbia. em pequenas “ilhas” no Paraná. 87-166. Minas Gerais. ainda.Foi. o que representa cerca de 23% do território brasileiro. Guiana. recebendo outras denominações como “Llanos”. Área de Proteção Ambiental Gama-Cabeça de Veado-DF. parte dos Estados da Bahia. Mato Grosso do Sul. A diversidade florística foi avaliada pelo índice de Shannon variando de 3. Tocantins e o Distrito Federal. na Chapada dos Veadeiros (GO). Este documento apresenta. e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros-GO. sendo que apenas 12 delas são comuns a todas as áreas.600m. Cole. baseado em Mantovani e Pereira. 1989): há uma estação seca e outra chuvosa 22 . Por outro lado. incluindo as unidades de conservação nas duas Chapadas: Parque Nacional de Brasília-DF. Suriname e Venezuela. 1987). Colinas do Sul-GO e Serra Negra em Niquelândia. 1994) e no Pantanal (Adámoli. Estação Ecológica de Águas Emendadas-DF e os municípios de Silvânia-GO. existem hoje apenas 900 espécies de fungos associadas às plantas de toda a região. In: S. a mais de 1. No território brasileiro. Pp. Serra da Mesa em Minaçu-GO.O bioma Cerrado e suas fitofisionomias (revisão baseada em: Ribeiro. a exemplo da Baixada Cuiabana (MT). apenas superado pela Floresta Amazônica. 1998. Sano e S. Utilizou-se método padronizado de 10 parcelas de 20x50m. variando de 750-2000mm (Adámoli et al. para ilustrar a pressão ambiental acontecendo na região na oportunidade do evento. Paracatu-MG e Patrocínio-MG na Chapada Pratinha. particularmente dos fungos. a necessidade urgente de ampliação dos estudos da diversidade dos microorganismos. A intensidade amostral foi de 1ha para cada local. também.600m e a extensa distribuição em latitude. Amazonas. para amostrar os indivíduos lenhosos com um diâmetro mínimo de 5cm. apresenta-se a estimativa da cobertura vegetal do Cerrado lato sensu. J. Foram selecionadas onze áreas para o estudo. No Cerrado predominam os Latossolos. Almeida.000km². um clima classificado como Aw de Köppen (tropical chuvoso). A grande lacuna neste conhecimento reside nas informações dos organismos do solo e nas doenças. ocorrendo ainda solos concrecionários em grandes extensões (Ab´Sáber. Allem e Valls. criando assim uma tendência de uniformidade pluviométrica (Nimer. Caatinga (Eiten. 1983. 1998. Os locais estudados são representativos dos sistemas de terra encontrados em cada unidade fisiográfica. visando a subsidiar a conservação e o manejo racional do Cerrado. Abrange como área contínua os Estados de Goiás. I . incluindo o Pantanal Matogrossense. 1987). Campinaçu. 1953. As chuvas são praticamente concentradas de outubro a março (estação chuvosa) e a temperatura média do mês mais frio é superior a 18°C. Finalmente.000. Alto Paraíso de Goiás-GO. portanto. DF). Ceará. Floresta Atlântica. As análises por classificação e ordenação separaram as áreas na Chapada Pratinha daquelas na Chapada dos Veadeiros. discutida alfa diversidade na comparação a florística e fitossociologia das Chapadas Pratinha e dos Veadeiros dentro do escopo do projeto Biogeografia do Bioma Cerrado. Sobre os fungos existentes no bioma Cerrado é fato que. e Walter. Allem e Valls. O Cerrado corresponde às “Oréades” no sistema de Martius. calculada a partir de dados TM/Landsat. Eiten.01 a 3. 1984). e ao Sul. Cerrado: ambiente e flora. tanto em áreas sedimentares quanto em terrenos cristalinos. 1958. as disjunções acontecem na Floresta Amazônica. 1982. Maranhão. escritas e validamente publicadas. e ocupa mais de 2.

pode ocorrer o clima Cwa (Eiten. Em sentido fisionômico. que no Brasil hoje estariam representadas respectivamente pelas Florestas Amazônica e Atlântica.000 anos atrás (Prance. 1979.000 e 12. Essas têm sido consideradas as principais causas da existência das formações florestais no Cerrado. existindo diferentes acepções do termo pelo mundo. Nos períodos interglaciais as florestas úmidas teriam se expandido. devido ao lento retorno para um clima mais úmido/quente nos últimos 12. grandes alterações climáticas e geomorfológicas teriam causado expansões e retrações das florestas úmidas e secas da América do Sul. Eiten. Já o termo campo designa áreas com predomínio de espécies herbáceas e algumas arbustivas. 1975. intercalados por intervalos menores com temperaturas mais altas (interglaciais). da disponibilidade de água e nutrientes. florísticos ou ecológicos (ver Eiten 1972. dentre outros. devido à forte ligação que têm com as linhas de drenagem naturais (Coutinho. Ab’Sáber. enquanto que Santos (1975). Cabrera e Willink (1973). queimadas como manejo de pastagens etc). faltando árvores na paisagem. Ao Sul do bioma. com longos intervalos de tempo com temperaturas baixas (glaciações). e as que não possuem associação com cursos de água (interflúvios). Oliveira Filho e Ratter. 1978. em áreas de clima mais ameno. geralmente em solos mais úmidos. É com tal sentido que esses termos e suas variantes são apresentados no texto. Nestes períodos glaciais quaternários.1 . 1994). com alguns indícios de retração dessas florestas espe- . As formações florestais associadas aos cursos de água (perenes ou não) são tidas como tipos de vegetação extra-cerrado. 1994). O Cerrado ocorre apenas onde não há geada ou onde não seja freqüente (Eiten. acima de 1200 metros de altitude. entre 18. Oliveira Filho e Ratter. Rizzini. topografia. 23 A definição de savana apresentada não é universal. que também caracteriza os locais mais altos da região central. 1977. 1993. Paralelamente. A flora do Cerrado é característica e diferenciada dos biomas adjacentes. 1995). A vegetação apresenta fisionomias que englobam formações florestais. A partir de então estas florestas secas retraíram-se e as florestas úmidas passaram a se expandir. savânicas e campestres. tipicamente secos. 1973. sem a formação de dossel contínuo. as quais englobam o Cerrado. da química e física do solo.Vegetação e Flora bem definida. IBGE (1989) e Heringer e Paula (1989). Troppmair e Machado (1974) e Fernandes e Bezerra (1990) consideram-nas como intrusões tanto da Floresta Amazônica quanto da Atlântica. como a atual (Salgado-Labouriau. sugerem uma ligação mais forte com a Floresta Amazônica. 1977a.000 anos (Holoceno). que segundo Eiten (1994) tem efeitos indiretos sobre a vegetação (o clima agiria sobre o solo). Tais evidências são fornecidas pela atual distribuição geográfica de muitas espécies típicas dessas florestas em diferentes biomas. cerrado e caatinga) por grandes extensões do continente. 1975). por sua vez. a distribuição da flora é condicionada pela latitude. em solos mais ricos (Prado e Gibbs. e pelas florestas semidecíduas e decíduas da Caatinga e Florestas Meridionais. coincidindo com a contração das florestas úmidas. freqüência de queimadas. Prado e Gibbs. ao passo que Rizzini (1979) liga-as mais à Floresta Atlântica. sugerem que tais formações também conectariam a Floresta Amazônica com as Florestas Meridionais (bacia dos rios ParanáParaguai). houve grandes pulsações climáticas. 1993. 1994). em especial. retirada seletiva de madeira. na escala espacial estas formações seriam influenciadas por variações locais em parâmetros como hidrografia. profundidade do lençol freático. Na escala temporal. e da geomorfologia e topografia. Bigarella et al. As formações associadas aos cursos de água. 1994). O termo savana1 refere-se a áreas com árvores e arbustos espalhados sobre um estrato graminoso.Origem das formações vegetais Fatores temporais (tempos geológico e ecológico) e espaciais (variações locais) são responsáveis pela ocorrência das formações florestais do bioma Cerrado. 1995). No Quaternário. onde há formação de dossel. Allem e Valls I . no que concordam Oliveira Filho e Ratter (1995). Salgado-Labouriau. pastejo e inúmeros fatores antrópicos (abertura de áreas para atividades agropecuárias. atingindo áreas que hoje compreendem o bioma Cerrado. sítios específicos teriam possibilitado a manutenção de alguns remanescentes das florestas úmidas e a expansão das florestas secas e formações vegetais mais abertas (campo. floresta representa áreas com predominância de espécies arbóreas. Estas podem englobar significados fisionômicos. ou em áreas disjuntas pela América do Sul (Bigarella et al. retraindo-se posteriormente nas glaciações. 1994). 1 cialmente no final do Pleistoceno (glaciação WürmWisconsiana) e início do Holoceno. Além do clima. profundidade do lençol freático e fertilidade e profundidade dos solos. Pode-se considerar a existência de dois grupos de formações florestais do Cerrado que parecem ter sua atual distribuição vinculada à hidrografia e aos solos. embora muitas fisionomias compartilhem espécies com outros biomas (Heringer et al. Prado e Gibbs (1993) propuseram que as florestas semidecíduas e decíduas na América do Sul teriam alcançado a sua máxima extensão ao final da última glaciação. contínuo ou descontínuo.

Existem similaridades florísticas das florestas associadas aos cursos de água do Cerrado com as de outros biomas, embora haja evidências de particularidades nas florestas do Cerrado que as diferenciam daquelas de outras regiões (Ratter et al, 1973, 1978; Heringer et al, 1977; Rizzini, 1979; Oliveira Filho, 1989; Oliveira Filho e Ratter, 1995; Walter, 1995). Apesar da identidade florística com outros biomas ainda estar mal definida, Oliveira Filho e Ratter (1995) constataram que um número considerável de espécies distribui-se desde a Floresta Amazônica até a Atlântica, cruzando o Cerrado numa rota Noroeste-Sudeste através da rede dendrítica de florestas associadas aos cursos de água. Segundo estes autores as florestas do Norte e Oeste do Cerrado apresentam ligação florística mais forte com as florestas da Amazônia, ao passo que as do Centro e Sul ligam-se mais às florestas semidecíduas montanas do Sudeste brasileiro. Em relação às florestas que não possuem associação com cursos de água, a sua origem é menos debatida na literatura. Dos poucos estudos sobre o assunto, Prado e Gibbs (1993) investigaram a possível ligação florística entre o “corredor de savana” ou “diagonal de formações abertas”, que na América do Sul liga a Caatinga (Maranhão-Ceará), o Cerrado e a região do Chaco (Bolívia-Paraguai e Norte da Argentina - “Gran Chaco”). Sustentaram que a ligação florística Caatinga-Cerrado-Chaco mostrou-se desprezível, embora tenham detectado três padrões de distribuição de espécies lenhosas vinculando esses biomas, incluindo também áreas na Amazônia e nos Andes. Os autores destacaram a ausência de espécies da Caatinga e do Chaconas nas formações savânicas e campestres do Cerrado, embora em áreas calcárias (ou em solos mais ricos), disjuntas, muitas espécies sejam compartilhadas pelos três biomas. Oliveira Filho e Ratter (1995), por sua vez, também sugeriram que as espécies dessas florestas dependeriam essencialmente de solos mais férteis, e distribuir-se-iam ao longo de um arco Nordeste-Sudoeste conectando a Caatinga às fronteiras do Chaco. Como argumentam estes autores, se há uma rota noroeste-sudeste para espécies de florestas associadas a cursos de água no Brasil Central, também há esse arco nordeste-sudoeste para espécies calcífilas decíduas. Portanto, inúmeras espécies das florestas do Brasil Central parecem ajustar-se a esses dois grandes padrões de distribuição (Oliveira Filho e Ratter, 1995).

1.2 – Origem das formações savânicas e campestres A origem das formações savânicas e campestres do Cerrado é muito discutida e a literatura é rica em teorias que tentam explicá-la (Warming, 1973; Rawitscher, 1948; Beard, 1953; Alvim, 1954, 1996; Arens, 1958a, 1958b, 1963; Ferri, 1963; Eiten, 1972, 1994; Coutinho, 1978; Goodland e Ferri, 1979; Coutinho 1980,1992). De maneira geral, tais teorias podem ser sintetizadas em três grupos, utilizando termos sugeridos por Beard (1953) para as savanas da América Tropical:
1 - teorias climáticas, pelas quais a vegetação seria o resultado do clima, principalmente em função da limitação sazonal de água no período seco (estacionalidade) (Warming, 1973); 2 - teorias bióticas, nas quais a vegetação seria o resultado de ação antrópica, principalmente pelo uso freqüente do fogo; ou ainda resultante da atividade de outros agentes da biota como as formigas (Rawitscher, 1948; Coutinho, 1980, 1992); e 3 - teorias pedológicas, em que a vegetação seria dependente de aspectos edáficos e geológicos,como deficiências minerais (oligotrofismo), saturação por elementos como alumínio, diferenças de drenagem e profundidade dos solos (Beard, 1953; Goodland e Ferri, 1979). No final do século XIX, Warming (1973) foi quem primeiro indicou o clima como o fator determinante das formações savânicas e campestres do bioma, onde a deficiência hídrica no período seco seria o principal fator limitante. Posteriormente, Rawitscher (1948) sugeriu que os fatores antrópicos poderiam ter tanta influência quanto o clima e a deficiência hídrica. Nas décadas seguintes, a deficiência nutricional do solo foi investigada e teve sua importância reconhecida (Beard, 1953; Alvim, 1954; Arens, 1958b, 1963; Eiten, 1972, 1994; Goodland e Ferri, 1979). Segundo Eiten (1994) as formas fisionômicas do Cerrado dependeriam de três aspectos do substrato: a fertilidade e o teor de alumínio disponível (baixa fertilidade, altos teores de alumínio), a profundidade do solo, e o grau de saturação hídrica das camadas superficial e subsuperficial do solo. Alvim (1996) voltou a defender a deficiência hídrica como principal fator limitante para a origem do Cerrado, embora tenha identificado os aspectos edáficos e as queimadas como fatores de modificação da flora e das características fisionômicas da região. Contudo, conforme conclusão desse autor, tanto o solo quanto o fogo “nada têm a ver com os processos evolutivos que deram origem ao aparecimento das 24

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plantas típicas do ecossistema”, o que demonstra a polêmica que ainda cerca o assunto. Atualmente há uma tendência em admitir que os fatores clima, biota e solo contribuiriam de alguma forma para o aspecto geral da vegetação, tanto em escala evolutiva (tempo geológico) quanto em escala sucessional (tempo ecológico). O clima tem influência temporal na origem da vegetação. As chuvas ao longo do tempo geológico intemperizaram os solos deixando-os pobres em nutrientes essenciais, e com alta disponibilidade de alumínio. Em função disto, a vegetação pode ser definida como o resultado indireto do clima, induzindo-a para um clímax edáfico (Eiten, 1994).

1.3 – Cerrado: definição de termos Antes de analisar os tipos fitofisionômicos que compõem o mosaico vegetacional do bioma Cerrado, é importante definir alguns termos, discutindo especialmente seu conceito. Cerrado é uma palavra de origem espanhola que significa fechado. Este termo busca traduzir a característica geral da vegetação lenhosa densa que ocorre na formação savânica. Entretanto, a falta de uniformidade na sua utilização ao longo da história gerou uma série de controvérsias e dificuldades na comparação de trabalhos da literatura.
Cerrado tem sido usado tanto para designar tipos de vegetação (tipos fitofisionômicos) quanto para definir formas de vegetação (formação ou categoria fitofisionômica).Também pode estar associado a adjetivos que se referem a características estruturais ou florísticas particulares, encontradas em regiões específicas. Por tipo de vegetação entende-se a fisionomia, a flora e o ambiente, e por forma de vegetação apenas a fisionomia (Eiten, 1979). A fisionomia inclui a estrutura, as formas de crescimento (árvores, arbustos etc.) e as mudanças estacionais (sempre-verde, semidecídua etc.) predominantes na vegetação. A estrutura, por sua vez, refere-se à disposição, organização e arranjo dos indivíduos na comunidade, tanto em altura (estrutura vertical) quanto em densidade (estrutura horizontal). Alguns sistemas de classificação também podem definir fisionomia pelos critérios consistência e tamanho das folhas (Eiten, 1979). Para definir um tipo de vegetação, em qualquer escala, pode-se usar um, dois ou os três critérios que compõem este termo. O mesmo vale para definir fisionomias, embora a estrutura ou as formas de crescimento dominantes, ou ambas, sejam os critérios mais utilizados. Portanto, o uso do termo “cerrado” como tipo de vegetação pode incorporar componentes que não são observados quando apenas a forma de vegetação é considerada.

O emprego do termo “cerrado” evoluiu, de modo que atualmente existem três acepções gerais de uso corrente, e que devem ser diferenciadas. A primeira e mais abrangente, refere-se ao bioma predominante no Brasil Central, que deve ser escrita com a inicial maiúscula (“Cerrado”). Quando se fala em região do Cerrado ou região dos Cerrados, normalmente a referência é feita ao bioma, ou à área geográfica coincidente com o bioma. O termo Cerrado não deve ser usado no plural para indicar o bioma, pois existe apenas um bioma Cerrado. A segunda acepção, cerrado sentido amplo (lato sensu = s.l.), reúne as formações savânicas e campestres do bioma, incluindo desde o cerradão até o campo limpo (Coutinho, 1978; Eiten, 1994). Portanto, sob este conceito há uma única formação florestal incluída, o cerradão. O Cerrado sentido amplo é um tipo de vegetação definido pela composição florística e pela fisionomia (formas de crescimento), sem que o critério estrutura seja considerado. Alguns autores falam em região dos cerrados, ou cerrados, fazendo referência apenas ao Cerrado sentido amplo e não ao bioma. A terceira acepção do termo, cerrado s.s. (sensu stricto ), designa um dos tipos fitofisionômicos que ocorrem na formação savânica, definido pela composição florística e pela fisionomia, considerando tanto a estrutura quanto as formas de crescimento dominantes. Por ser uma das suas principais fitofisionomias o cerrado s.s. caracteriza bem o bioma Cerrado. Outras aplicações que a palavra “cerrado” pode apresentar são variantes ou subdivisões de algum dos três conceitos anteriores, principalmente do Cerrado sentido amplo. Em geral designam tipos de vegetação. Como exemplos, na literatura são encontrados termos como campo cerrado, cerrado aberto, cerrado denso e cerrado interfluvial, cuja adoção segue algum autor ou determinada escala de trabalho.

I.4 – Trabalhos abordando terminologia fitofisionômica A problemática da definição e uniformização da nomenclatura dos tipos fisionômicos do Cerrado tem sido bastante discutida. Ao classificar a vegetação mundial o assunto foi abordado por Eiten (1968), entre outros, e discutido para a América do Sul por Beard (1953) e Eiten (1974). Para a vegetação brasileira como um todo, o tema foi tratado por Löfgren (1898), Dansereau (1948), Aubréville (1961), Magnanini (1961), Eiten (1968, 1983), Ferri (1974, 1980), Rizzini (1979), Kuhlmann e Correia (1982), Fernandes e Bezerra (1990) e IBGE (1992). Já os diferentes tipos ou formas de vegetação do Cerrado foram tratados por Veloso (1948), Kuhlmann (1956), Cole (1958), Goodland (1971), Goodland e Polard (1973), Coutinho (1978),
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Eiten (1979, 1994), Aoki e Santos (1979), Ribeiro et al (1983) e Nogueira Neto (1991). Trabalhos mais detalhados em áreas específicas, procurando incluir no conceito dos tipos fisionômicos alguns componentes da flora foram discutidos por Azevedo (1962, 1966), Rizzini e Heringer (1962), Ratter et al (1973,1978), Rizzini (1975), Eiten (1976, 1977 e 1978), Goodland e Ferri (1979), Ratter (1980) e Oliveira Filho e Martins (1986). De maneira geral, a maioria dos autores acima mencionados enfocou somente as formações savânicas e campestres do bioma, sem considerar convenientemente as formações florestais. Exceções são encontradas nos trabalhos de Eiten (1972, 1983), Ratter et al (1973), Ribeiro et al (1983) e Oliveira Filho e Martins (1986), entre outros. Por outro lado, Hueck (1972) para a América do Sul, Campos (1943) e Dansereau (1948) para o Brasil, enfocaram basicamente as florestas, discutindo em seus trabalhos os tipos existentes no Cerrado. Já Prado e Gibbs (1993) e Oliveira Filho e Ratter (1995) apresentaram breves definições tipológicas da vegetação florestal no Brasil Central, a partir dos atuais padrões de distribuição geográfica de algumas espécies arbóreas. A fitossociologia tem sido um recurso de grande valia para destacar diferenças entre as fitofisionomias do bioma. Como exemplos, esta foi usada para diferenciar as várias formas de cerrado sentido amplo (Goodland e Polard, 1973); para ampliar as diferenças estruturais e florísticas do cerradão para outras formas de Cerrado sentido amplo (Ribeiro et al, 1982a, Araújo e Haridasan, 1989, Ribeiro e Haridasan, 1990); para testar diferenças de fatores abióticos entre fitofisionomias (Oliveira Filho et al, 1989) e para diferenciar subtipos de matas de galeria no Brasil Central (Walter, 1995).

(1979) propôs uma terminologia universal auto-explicativa que busca descrever, sucintamente, as formas de vegetação, em detrimento de termos regionais que seriam dúbios. O autor destacou que sua terminologia seria indicada para caracterizações precisas, adotando termos como “mata aberta com escrube fechado, ambos latifoliados”; “arvoredo de escrube e árvores latifoliado semidecíduo” ou “savana curtigraminosa estacional com árvores latifoliadas semidecíduas e escrube com palmeiras acaules”. Nogueira Neto (1991), por sua vez, apresentou termos como “quase-maxicerrado aberto”, “mesocerrado medianamente aberto” ou “minicerrado denso”. Os termos propostos por estes autores são demasiadamente longos, de pouca difusão, ou ainda de difícil aplicabilidade prática para inúmeros trabalhos. Neste capítulo adota-se e amplia-se a terminologia básica definida por Ribeiro et al (1983), por ser mais simples e por utilizar termos regionais consagrados. Esta terminologia tem sido bastante usada em projetos na escala de comunidades e tem integrado trabalhos de diferentes áreas da pesquisa no Cerrado, principalmente em disciplinas correlatas à botânica.

I.6 - Principais tipos fisionômicos do Cerrado. Os critérios aqui adotados para diferenciar os tipos fitofisionômicos são baseados primeiramente na fisionomia (forma), definida pela estrutura, pelas formas de crescimento dominantes e por possíveis mudanças estacionais. Posteriormente consideram-se aspectos do ambiente (fatores edáficos) e da composição florística. No caso de tipos fitofisionômicos em que há subtipos, o ambiente e a composição florística foram os principais critérios de separação. Nas novas fitofisionomias propostas, não consideradas por Ribeiro et al (1983), foram adotados termos regionais de uso difundido.
São descritos onze tipos fitofisionômicos gerais, muitos dos quais apresentam subtipos: a) Formações florestais (Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca e Cerradão), b) Formações savânicas (Cerrado s.s., Parque de Cerrado, Palmeiral e Vereda) e c) Formações campestres (Campo Sujo, Campo Rupestre e Campo Limpo). a) Formações florestais: As formações florestais do Cerrado englobam os tipos de vegetação com predomínio de espécies arbóreas e formação de dossel. A Mata Ciliar e a Mata de Galeria são fisionomias associadas a cursos de água, que podem ocorrer em terrenos bem drenados ou mal drenados. A Mata Seca e o Cerradão ocorrem nos 26

1.5 – Terminologia fitofisionômica Padronizar a nomenclatura dos tipos fitofisionômicos encontrados na região do Cerrado tem sido uma tarefa difícil, pois diferentes autores adotam critérios e escalas distintas, baseadas em princípios ou origens diferenciadas. Kuhlmann e Correia (1982) classificaram tais critérios nas seguintes categorias: localização ou situação geográfica, topografia ou fatores geográficos, geológicos ou pedológicos, condições ecológicas, categorias fitofisionômicas (ou tipos) e terminologia regional ou local de diversas origens. Esses autores destacam que no Cerrado e na Caatinga (AndradeLima, 1981) concentram-se as maiores dificuldades de classificação da vegetação, apesar da existência de várias tentativas, a maioria das quais sem continuidade. Eiten

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interflúvios, em terrenos bem drenados. A Mata de Galeria possui dois subtipos: nãoInundável e Inundável. A Mata Seca, três subtipos: Sempre-Verde, Semi-Decídua e Decídua. O Cerradão pode ser classificado como Mesotrófico ou Distrófico. Mata Ciliar: caracteriza-se pela vegetação florestal que acompanha os rios de médio e grande porte da região do Cerrado, em que a vegetação arbórea não forma galerias. Em geral essa Mata é relativamente estreita em ambas as margens, dificilmente ultrapassando 100m de largura em cada. É comum a largura em cada margem ser proporcional à largura do leito do rio, embora em áreas planas possa ser maior. Porém, geralmente a Mata Ciliar ocorre sobre terrenos acidentados, podendo haver uma transição nem sempre evidente para outras fisionomias florestais como a Mata Seca e o Cerradão. A Mata Ciliar diferencia-se da Mata de Galeria pela composição florística e pela deciduidade, sendo que na Mata Ciliar há diferentes graus de caducifolia na estação seca enquanto que a Mata de Galeria é perenifólia. Floristicamente, ela é similar à Mata Seca, diferenciando-se desta pela associação ao curso de água e pela estrutura, que em geral é mais densa e mais alta. Os solos podem ser rasos como os Cambissolos, Concrecionários ou Litossolos profundos, como os Latossolos e Podzólicos, ou ainda ser solos Aluviais ou Hidromórficos. Muitas vezes os indivíduos arbóreos crescem entre as fendas de afloramentos de rochas, que podem ser comuns na fitofisionomia. A camada de serapilheira que se forma é sempre menos profunda que a encontrada nas Matas de Galeria. As árvores, predominantemente eretas, variam em altura de 20 a 25m, com alguns poucos indivíduos emergentes alcançando 30m ou mais. As espécies típicas são predominantemente caducifólias, com algumas sempre-verdes, conferindo à Mata Ciliar um aspecto semidecíduo. Ao longo do ano as árvores fornecem uma cobertura arbórea variável de 50 a 90%. Na estação chuvosa a cobertura chega a 90%, dificilmente ultrapassando este valor, ao passo que na estação seca pode até mesmo ser < 50% em alguns trechos. Como espécies arbóreas freqüentes podem ser citadas: Anadenanthera spp. (angicos), Apeiba tibourbou (pau-de-jangada, pente-demacaco), Aspidosperma spp.(perobas), Celtis iguanaea (grão-de-galo), Enterolobium contortisiliquum (tamboril), Inga spp. (ingás), Myracrodruon urundeuva (aroeira), Sterculia striata (chichá), Tabebuia spp. (ipês), Trema micrantha (crindiúva) e Triplaris gardneriana (pajeú). Também pode ser comum a presença das espécies Cecropia pachystachya (embaúba) e Attalea speciosa (babaçu) em locais abertos (clareiras). O número de espécies de Orchidaceae epífitas é baixo, embora as espécies Encyclia linearifolioides, Oncidium cebolleta, 27

O.fuscopetalum, O. macropetalum e Lockhartia goyazensis sejam freqüentes na comunidade, tal qual ocorre nas Matas Secas Semidecíduas e Decíduas. Diferentes trechos ao longo de uma Mata Ciliar podem apresentar composição florística bastante variável, havendo faixas que podem ser dominadas por poucas espécies. Ao lado dos leitos dos rios, em locais sujeitos às grandes enchentes, pode haver o predomínio de espécies arbóreas como Celtis iguanaea, Ficus spp.(gameleiras), Inga spp. e Trema micrantha, ou mesmo de gramíneas de grande porte como Gynerium sagittatum (canarana) ou Guadua paniculata (taquara, bambu); como ocorre nos grandes rios ao nordeste do Estado de Goiás. Nesta região é comum a formação de bancos de areia (praias) onde predomina uma vegetação arbustivo herbácea característica, com a presença de espécies das famílias Boraginaceae, Myrtaceae e Rubiaceae. Nos locais onde pequenos afluentes (córregos ou riachos) deságuam no rio principal, a flora típica da Mata Ciliar pode misturar-se à flora da Mata de Galeria, fazendo com que a delimitação fisionômica entre um tipo e outro seja dificultada. Mata de Galeria: caracteriza-se pela vegetação florestal que acompanha os rios de pequeno porte e córregos dos planaltos do Brasil Central, formando corredores fechados (galerias) sobre o curso de água. A Mata de Galeria geralmente localiza-se nos fundos dos vales ou nas cabeceiras de drenagem onde os cursos de água ainda não escavaram um canal definitivo (Ratter et al, 1973, Ribeiro et al, 1983). Essa fisionomia é perenifólia, não apresentando caducifolia durante a estação seca. Quase sempre é circundada por faixas de vegetação não florestal em ambas as margens, e em geral ocorre uma transição brusca com formações savânicas e campestres. A transição é quase imperceptível quando ocorre com Matas Ciliares, Matas Secas ou mesmo Cerradões, o que é mais raro, muito embora pela composição florística seja possível diferenciá-las. A altura média do estrato arbóreo varia entre 20-30m, apresentando uma superposição das copas que fornecem cobertura arbórea de 70 a 95%. No seu interior a umidade relativa é alta mesmo na época mais seca do ano. A presença de árvores com pequenos sapopemas ou saliências nas raízes é freqüente, principalmente nos locais mais úmidos. É comum haver grande número de espécies epífitas, principalmente Orchidaceae, em quantidade superior à que ocorre nas demais formações florestais do Cerrado. Os solos são geralmente Cambissolos, Concrecionários, Podzólicos, Hidromórficos ou Aluviais, podendo mesmo ocorrer Latossolos semelhantes aos das áreas de cerrado (sentido amplo) adjacentes. Neste último caso, devido a

posição topográfica, os Latossolos apresentam maior fertilidade devido ao carreamento de material das áreas adjacentes e da matéria orgânica oriunda da própria vegetação. Não obstante, os solos da Mata podem apresentar acidez maior que a encontrada naquelas áreas. De acordo com a composição florística e características ambientais, como topografia e variação na altura do lençol freático ao longo do ano, a Mata de Galeria pode ser de dois tipos: a) Mata de Galeria não-Inundável e Mata de Galeria Inundável. Mata de Galeria não-Inundável é uma vegetação florestal que acompanha um curso de água, onde o lençol freático não está próximo ou sobre a superfície do terreno na maior parte dos trechos o ano todo, mesmo na estação chuvosa. Apresenta trechos longos com topografia acidentada, sendo poucos os locais planos. Possui solos bem drenados e uma linha de drenagem (leito do córrego) definida. Caracteriza-se pela grande importância fitossociológica de espécies das famílias Apocynaceae (Aspidosperma spp.), Leguminosae, Lauraceae (Nectandra spp., Ocotea spp.) e Rubiaceae por um número expressivo de espécies das famílias Leguminosae (Apuleia leiocarpa, Copaifera langsdorffii, Hymenaea courbaril, Ormosia spp., Sclerolobium spp.), Myrtaceae (Gomidesia lindeniana, Myrcia spp.) e Rubiaceae (Alibertia spp., Amaioua spp., Ixora spp.,Guettarda viburnoides). Além dessas espécies podem ser destacadas: Bauhinia rufa (pata-de-vaca), Callisthene major (tapicuru), Cardiopetalum calophyllum, Cariniana rubra(jequitibá), Cheiloclinum cognatum, Erythroxylumdaphnites, Guarea guidonea (marinheiro), Guarea kunthiana, Guatteria sellowiana, Licania apetala (ajurú, oiti), Piptocarpha macropoda (coração de-negro), Tetragastris balsamifera, Vochysia pyramidalis, Vochysia tucanorum (pau-de-tucano) e Xylopia sericea (pindaíbavermelha). Por Mata de Galeria Inundável entende-se a vegetação florestal que acompanha um curso de água, onde o lençol freático está próximo ou sobre a superfície do terreno na maior parte dos trechos durante o ano todo, mesmo na estação seca. Apresenta trechos longos com topografia bastante plana, sendo poucos os locais acidentados. Possui drenagem deficiente e linha de drenagem (leito do córrego) muitas vezes pouco definida e sujeita a modificações. Caracteriza-se pela grande importância fitossociológica de espécies das famílias Burseraceae (Protium spp.), Clusiaceae (Calophyllum brasiliense, Clusia spp.), Euphorbiaceae (Richeria grandis) e Magnoliaceae (Talauma ovata), e por um número expressivo de espécies das famílias Melastomataceae (Miconia spp, Tibouchina spp.), Piperaceae (Piper spp.) e Rubiaceae (Coccocypselum guianense, Ferdinandusa speciosa, Palicourea spp. e Posoqueria latifo28

lia) (Walter, 1995). Além destas espécies podem ser destacadas: Cedrela odorata (cedro), Croton urucurana (sangra d´água), Dendropanax cuneatum (maria-mole), Euplassa inaequalis, Euterpe edulis (jussara), Hedyosmum brasiliense (chá-de-soldado), Guarea macrophylla (marinheiro), Mauritia flexuosa (buriti), Prunus spp., Virola urbaniana (virola) e Xylopia emarginata (pindaíba-preta). Espécies como Miconia chartacea, Ocotea aciphylla (canela-amarela) e Pseudolmedia laevigata (larga-galha) também são indicadoras de terrenos com lençol freático mais alto, embora dificilmente sejam encontradas em terrenos permanentemente inundados. Algumas espécies podem ser encontradas indistintamente, tanto na Mata de Galeria não-Inundável quanto na Mata de Galeria Inundável. São espécies indiferentes aos níveis de inundação do solo. Entre estas: Protium heptaphyllum (breu, almécega), Psychotria carthagenensis, Schefflera morototoni (morototó), Styrax camporum (cuia-debrejo), Symplocos nitens (congonha), Tapirira guianensis (pau-pombo, pombeiro) e Virola sebifera (virola). Protium heptaphyllum eTapirira guianensis, em particular, podem apresentar grande importância fitossociológica nos dois subtipos de Mata de Galeria. Mata Seca: estão incluídas aqui as formações florestais caracterizadas por diversos níveis de caducifolia durante a estação seca, dependentes das condições químicas, físicas e principalmente da profundidade do solo. A Mata Seca não possui associação com cursos de água, ocorrendo nos interflúvios em solos geralmente mais ricos em nutrientes. Em função do tipo de solo, da composição florística e, em conseqüência, da queda de folhas no período seco, a Mata Seca pode ser de três subtipos: Mata Seca Sempre-Verde, Mata Seca Semidecídua, a mais comum, e Mata Seca Decídua . Em todos esses subtipos a queda de folhas contribui para o aumento da matéria orgânica no solo, mesmo na Mata Seca Sempre-Verde. A Mata Seca pode ser encontrada em solos desenvolvidos em rochas básicas de alta fertilidade (Terra Roxa, Brunizém ou Cambissolos), em Latossolos Roxo e Vermelho-Escuro, de média fertilidade, em que ocorrem as Matas Secas Sempre-Verde e Semidecídua. Sobre solos de origem calcária, às vezes com afloramentos rochosos típicos, geralmente ocorre a Mata Seca Decídua, que também pode ocorrer em solos de outras origens. A altura média do estrato arbóreo varia entre 15-25m. A grande maioria das árvores é ereta, com alguns indivíduos emergentes. Na época chuvosa as copas se tocam fornecendo uma cobertura arbórea de 70-95%. Na época seca a cobertura pode ser <50%, especialmente na Mata Decídua, onde predominam espécies caducifólias. O dossel fechado na época chuvosa desfavorece a presença de muitas

Vegetação e Flora

plantas arbustivas, enquanto a diminuição da cobertura na época seca não possibilita a presença de muitas espécies epífitas. Estas ocorrem, em menor quantidade do que na Mata de Galeria, havendo até mesmo espécies de Orchidaceae indicadoras das Matas Secas Decídua e Semidecídua como Encyclia linearifolioides, Oncidium cebolleta, O. fuscopetalum, O. macropetalum e O.pumilum (L. Bianchetti, com. pes.). Como espécies arbóreas freqüentes encontram-se: Amburana cearensis (cerejeira, imburana), Anadenanthera colubrina (angico), Cariniana estrellensis (bingueiro, jequitibá), Cassia ferruginea (canafístula-preta), Cedrela fissilis (cedro), Centrolobium tomentosum (araribá), Chloroleucon tenuiflorum (jurema), Chorisia speciosa (paineira), Dilodendron bippinatum (maria-pobre), Guazuma ulmifolia (mutamba), Jacaranda caroba (caroba), Lonchocarpus sericeus (imbira-de-porco), Myracrodruon urundeva (aroeira), Physocallimma scaberrimum (cega-machado), Platycyamus regnellii (pau-pereira, folha-de-bolo), Tabebuia spp. (ipês, pau d´arco), Terminalia spp (capitão), Trichilia elegans e Zanthoxylum rhoifolium (maminha-de-porca). A Mata Seca Decídua pode apresentar-se com um aspecto singular (estrutura e ambiente), se ocupa áreas rochosas de origem calcária, quando também é conhecida por “Mata Seca em solo calcário” ou ainda “Mata Calcária”. Tais áreas em geral são bastante acidentadas e possuem a composição florística ligeiramente diferenciada dos demais tipos de Mata Seca, mesmo as Decíduas sobre outros solos mesotróficos. As copas não se tocam necessariamente (dossel pode ser descontínuo), fornecendo uma cobertura arbórea de 50 -70% na estação chuvosa. Além da topografia, a caracterização desta fitofisionomia se dá pela presença de espécies como Bursera leptophloeus (amburanade-cambão), Cavanillesia arborea (barriguda), Chorisia speciosa (barriguda), Combretum duarteanum, Spondias tuberosa (umbuzeiro), agrupamentos de Cyrtopodium spp. (sumaré) e algumas espécies de Cactaceae e Araceae. É também grande o número de espécies espinhosas ou urticantes. De acordo com Ratter et al; (1978) esse tipo de Mata possui grande afinidade florística com a Caatinga, podendo ser considerada como um tipo de “Caatinga arbórea” (Andrade-Lima 1981, Prado e Gibbs, 1993). Cerradão: é uma formação florestal com aspectos xeromórficos, sendo também conhecido pelo nome “Floresta Xeromorfa” (Rizzini, 1963). Para Campos (1943) “o Cerradão é mata mais rala e fraca”. Caracteriza-se pela presença de espécies que ocorrem no Cerrado s.s. e também por espécies de mata. Do ponto de vista fisionômico é uma floresta, mas floristicamente é mais similar a um Cerrado. O Cerradão apresenta dossel predominantemente contínuo e cobertura arbórea que pode oscilar de 50 29

a 90%. A altura média do estrato arbóreo varia de 815m, proporcionando condições de luminosidade que favorecem à formação de estratos arbustivo e herbáceo diferenciados. Embora possa ser perenifólio, muitas espécies comuns ao Cerrado como Caryocar brasiliense, Kielmeyera coriacea e Qualea grandiflora apresentam caducifolía em determinados períodos na estação seca; períodos nem sempre coincidentes com aqueles das populações do Cerrado (Ribeiro et al, 1982b). A presença de espécies epífitas é reduzida. Em sua maioria, os solos de Cerradão são profundos, bem drenados, de média e baixa fertilidade, ligeiramente ácidos, pertencentes às classes Latossolo Vermelho-Escuro, Vermelho-Amarelo ou Roxo. Também pode ocorrer em proporção menor Cambissolo Distrófico. O teor de matéria orgânica nos horizontes superficiais é médio e recebe um incremento anual de resíduos orgânicos provenientes da deposição de folhas durante a estação seca. De acordo com a fertilidade do solo o Cerradão pode ser classificado como Cerradão Distrófico (solos pobres) ou Cerradão Mesotrófico (solos mais ricos), cada qual possuindo espécies características adaptadas a esses ambientes (Ratter et al, 1978, Ribeiro et al, 1982a, 1985, Araújo e Haridasan, 1989, Ribeiro e Haridasan, 1990, Oliveira Filho e Ratter, 1995). De maneira geral, as espécies arbóreas mais freqüentes no Cerradão são: Callisthene fasciculata (jacaré-da-folhagrande), Caryocar brasiliense (pequi), Copaifera langsdorffii (copaíba), Emmotum nitens (sobre, carvalho), Hirtella glandulosa (oiti), Lafoensia pacari (mangaba-brava, pacari), Magonia pubescens (tinguí), Siphoneugenia densiflora (maria-preta), Vochysia haenkeana (escorrega-macaco) e Xylopia aromatica (pindaíba, pimenta-de-macaco). Há autores (Rizzini e Heringer, 1962, Ratter et al, 1978) que também mencionam como espécies normalmente encontradas Agonandra brasiliensis (pau-marfim), Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Dalbergia miscolobium (jacarandá-do-cerrado), Dimorphandra mollis (faveiro), Kielmeyera coriacea (pau-santo), Machaerium opacum (jacarandá-muchiba), Platypodium elegans (canzileiro), Pterodon emarginatus (sucupira branca), Qualea grandiflora (pau-terra-grande) e Sclerolobium paniculatum (carvoeiro). Como espécies freqüentes Rizzini e Heringer (1962) citam, entre outras, as espécies Alibertia edulis (marmelada-de-cachorro), A. sessilis, Brosimum gaudichaudii (mama-cadela), Bauhinia bongardii (unha de-vaca), Casearia sylvestris, C. javitensis, Copaifera oblongifolia, Duguetia furfuracea, Miconia albicans, M. macrothyrsa e Rudgea viburnoides (bugre). Do estrato herbáceo Filgueiras (1994) menciona como freqüentes, para a região da Chapada dos Veadeiros (GO), espécies dos seguintes gêneros de Poaceae: Aristida, Axonopus, Paspalum e Trachypogon. Todas as espécies mencionadas podem ser encontradas em outras formações florestais

ou savânicas. Ao estudarem a vegetação da Chapada Pratinha, Felfili et al (1994) não encontraram nenhuma espécie exclusiva de Cerradão, quer no estrato arbóreo, quer no estrato arbustivo. b) Formações savânicas: As formações savânicas do Cerrado englobam quatro tipos fitofisionômicos principais: o Cerrado s.s., o Parque de Cerrado, o Palmeiral e a Vereda. O Cerrado s.s. caracteriza-se pela presença dos estratos arbóreo e arbustivo-herbáceo definidos, com as árvores distribuídas aleatoriamente sobre o terreno em diferentes densidades. No Parque de Cerrado a ocorrência de árvores é concentrada em locais específicos do terreno. No Palmeiral, que pode ocorrer tanto em áreas bem drenadas quanto em áreas mal drenadas, há a presença marcante de determinada espécie de palmeira arborescente e as árvores de outras espécies (dicotiledôneas) não têm destaque. Já a Vereda também é caracterizada pela presença de uma única espécie de palmeira, o buriti, mas esta ocorre em menor densidade que em um Palmeiral e é circundada por um estrato arbustivo-herbáceo característico. De acordo com a densidade (estrutura) arbóreo-arbustiva, ou do ambiente em que se encontram, o Cerrado s.s. apresenta quatro subtipos: Cerrado Denso, Cerrado Típico, Cerrado Ralo e Cerrado Rupestre. O Palmeiral pode ter vários subtipos, determinados pela espécie dominante. Cerrado s.s.: É caracterizado pela presença de árvores baixas, inclinadas, tortuosas, com ramificações irregulares e retorcidas, e geralmente com evidências de queimadas. Os arbustos e subarbustos encontramse espalhados, com algumas espécies apresentando órgãos subterrâneos perenes (xilopódios), que permitem a rebrota após a ocorrência de queimadas ou corte. Na época chuvosa os estratos subarbustivo e herbáceo tornam-se exuberantes devido ao seu rápido crescimento. Os troncos das plantas lenhosas em geral possuem cascas com cortiça grossa, fendida ou sulcada, e as gemas apicais de muitas espécies são protegidas por densa pilosidade. As folhas em geral são rígidas e coriáceas. Esses caracteres fornecem aspectos de adaptação à condições de seca (xeromorfismo). Todavia é bem relatado na literatura que as plantas arbóreas não sofrem restrição hídrica durante a estação seca (Goodland e Ferri, 1979), pelo menos os indivíduos de espécies que possuem raízes profundas (Ferri 1974), embora o assunto ainda seja controverso (Alvim, 1996). Grande parte dos solos da vegetação de Cerrado é das classes Latossolo Vermelho-Escuro, Latossolo Vermelho-Amarelo e Latossolo Roxo. Apesar das boas características físicas, são solos forte ou moderadamente ácidos (pH 4,5-5,5), com carência 30

generalizada dos nutrientes essenciais, principalmente fósforo e nitrogênio. Com freqüência apresentam altas taxas de alumínio. O teor de matéria orgânica varia de médio a baixo. A fitofisionomia pode também ocorrer em Cambissolos, Areias Quartzosas, Litossolos, Solos Concrecionários ou Hidromórficos. Quando a vegetação nativa de Cerrado é retirada, a área fica suscetível a problemas de erosão, o que é mais grave sobre Areias Quartzosas. Ratter e Dargie (1992), Castro (1994 b) e Ratter et al (1996) compararam diversos trabalhos publicados sobre a vegetação do Cerrado s.s., listando as espécies arbóreas mais características. Das 98 áreas comparadas pelo Brasil, Ratter et al (1996) mostraram que 26 espécies ocorreram em pelo menos 50% das áreas. São elas: Acosmium dasycarpum (amargosinha), Annona crassiflora (araticum), Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves), Brosimum gaudichaudii, Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Byrsonima coccolobifolia (murici), B. verbascifolia (murici), Caryocar brasiliense, Connarus suberosus, Curatella americana (lixeira), Dimorphandra mollis (faveiro), Erythroxylum suberosum, Hancornia speciosa (mangaba), Hymenaea stigonocarpa (jatobá-do-cerrado), Kielmeyera coriacea, Lafoensia pacari, Machaerium acutifolium (jacarandá), Pouteria ramiflora (curriola), Qualea grandiflora, Q. multiflora (pau-terra-liso), Q. parviflora (pau-terra-roxo), Roupala montana (carne-de-vaca), Salvertia convallariaeodora (bate-caixa), Tabebuia aurea,T. ochracea (ipê-amarelo) e Tocoyena formosa (jenipapodo-cerrado). (Figuras 1-9). Outras espécies arbóreas freqüentes são: Anacardium occidentale (cajueiro), Diospyros hispida (olho-de-boi), Enterolobium ellipticum (vinhático cascudo), Guapira opposita (maria-mole), Miconia ferruginata, Ouratea hexasperma (cabeça-de-negro), Piptocarpha rotundifolia (coração-de-negro), Plathymenia reticulata (vinhático), Salacia crassifolia (bacupari), Schefflera macrocarpum (mandiocão-do-cerrado), Simarouba versicolor (simaruba), Sclerolobium aureum (carvoeiro), Vochysia elliptica e V. rufa (pau doce) (Figura 10). Como espécies de distribuição restrita, destacam-se Andira cordata, Caryocar coriaceum e Parkia platycephala, na região nordeste, Acosmium subelegans e Eremanthus glomerulatus na região centro-sul e Mezilaurus crassiramea mais a Oeste (Figuras 11-12). Áreas marginais que limitam o Cerrado com outros biomas podem apresentar outras espécies características,como no Oeste da Bahia e Sul do Maranhão: Caryocar coriaceum (pequi), Dimorphandra gardneriana (faveiro), Eremanthus graciellae, Eschweilera nana (sapucainha), Hirtella ciliata, Mouriri elliptica (puçá), Myrcia sellowiana, Parkia platycephala (faveira) e Platonia insignis (bacuri) (Eiten 1994a, Walter e Ribeiro, 1996). Áreas disjuntas na Amazônia parecem apresentar as mesmas espécies da área nuclear, ou área core do Cerrado, porém com menor riqueza (Miranda, 1993). As espécies arbustivas mais

Vegetação e Flora Figura 1: Distribuição geográfica de Annona crassiflora Mart. 31 .

32 .Figura 2: Distribuição geográfica de Astronium fraxinifolium Schott.

Vegetação e Flora Figura 3: Distribuição geográfica de Brosimum gaudichaudii Trécul. 33 .

34 .Figura 4: Distribuição geográfica de Bowdichia virgilioides Kunth.

35 .Vegetação e Flora Figura 5: Distribuição geográfica de Byrsonima coccolobifolia Kunt.

Figura 6: Distribuição geográfica de Cariocar brasiliense Cambess.

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Vegetação e Flora

Figura 7: Distribuição geográfica de Curatella americana L.

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Figura 8: Distribuição geográfica de Dimorphandra mollis Benth.

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Figura 9: Distribuição geográfica de Hancornia speciosa Gomez.

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Figura 10: Distribuição geográfica de Anacardium occidentale L.

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Figura 11: Distribuição geográfica de Cariocar coriaceum Wittm.

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Figura 12: Distribuição geográfica de Eremanthus glomerulatus Less.

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Hidromórficos e Litólicos. solos Litólicos ou Concrecionários. 1994. Representa a forma mais baixa e menos densa de Cerrado s. tipicamente em solos rasos com presença de afloramentos de rocha e por apresentar outras espécies características. Davilla elliptica. Bromeliaceae. Norantea spp. Vermelho-Amarelo e nos Cambissolos. condições hídricas e profundidade do solo (Eiten. Cochlospermum regium (algodão-do-campo). com cobertura arbórea de 20-50% e altura média de 3-6m. Os reflexos desses fatores aparecem na estrutura.s. Solos Concrecionários. sendo as principais: o Cerrado Denso. Areias Quartzosas. Eriocaulaceae. Goodland. Schizachirium tenerum e Trachypogon spp. Loudetiopsis chrysotrix. e a densidade é variável e dependente do volume de solo. Heliotropium indicum. Lychnophora ericoides (arnica). Possui cobertura arbórea variável de 5-20%. Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá). Duguetia furfuracea. Elephantopus mollis. Filgueiras. 1952. adaptadas a esse ambiente. enquanto em outros a flora arbustivo-herbácea pode predominar. mas geralmente aparece em mosaicos. mas ainda assim com árvores presentes. 1948. Os estratos arbustivo e herbáceo são mais ralos. Vellozia squamata (canela-de-ema) e Zeyheria digitalis (bolsa-de-pastor). 1973). 1982). altura média de 2-4m. Parinari obtusifolia (fruto-de-ema).Vermelho-Escuro. na distribuição espacial dos indivíduos lenhosos e na composição florística da vegetação. Devido à complexidade dos fatores condicionantes. Cissampelos ovalifolia.s.. tomentosa. 1953). Manihot spp. Esenbeckia pumila. e Kielmeyera rubriflora. Araújo e Haridasan. 1948). A composição florística inclui basicamente as espécies características anteriormente citadas. Vermelho-Amarelo. Ocorre principalmente em Latossolo Vermelho-Amarelo. O estrato arbustivo herbáceo é mais destacado que nos subtipos anteriores. mas a composição florística é semelhante (Aoki e Santos. O Cerrado Ralo é um subtipo de vegetação arbóreo-arbustiva. O Cerrado Ralo apresenta diferenças estruturais em relação aos subtipos anteriores.s. 1989). Campomanesia corymbosa (gabiroba). 1994.Vegetação e Flora freqüentes são: Casearia sylvestris. 1980. destacando-se no estrato subarbustivo-herbáceo algumas espécies das famílias Asteraceae. provavelmente devido ao sombreamento resultante da maior densidade de árvores. Echinolaena inflexa (capim-flexinha). com cobertura arbórea de 5-20%e altura média de 2-3m. o Cerrado Típico e o Cerrado Ralo. Goodland e Ferri. Schefflera .s. Diplusodon spp. muitas exóticas. Davilla elliptica (lixeirinha). A. encontram-se plantas invasoras como Brachiaria decumbens. Trata-se 43 de uma forma comum e intermediária entre o Cerrado Denso e o Cerrado Ralo. Vários fatores parecem influenciar na densidade arbórea do Cerrado s. Cambissolos. pode-se acrescentar a presença de arbustos e subarbustos como: Anacardium humile (cajuí). Areias Quartzosas. Hyptis spp. fertilidade. Representa a forma mais densa e alta de Cerrado s. Os solos. O Cerrado Denso é um subtipo de vegetação predominantemente arbóreo. Em áreas com pressão antrópica. seguindo um gradiente de densidade decrescente do Cerrado Denso ao Cerrado Ralo. (Felfili et al. Rubiaceae e Velloziaceae. Pode ocorrer em trechos contínuos. Melinis minutiflora (capim-gordura) e Triumpheta semitriloba (carrapicho). A flora do Cerrado Rupestre apresenta alguns elementos florísticos também presentes no Campo Rupestre. Myrtaceae. Às listas de espécies características já citadas. além da freqüência de queimadas (Coutinho. Já o Cerrado Rupestre diferencia-se dos três subtipos anteriores pelo substrato. 1972.. ácidos e apresentam baixos teores de matéria orgânica. O Cerrado Rupestre é um subtipo de vegetação arbóreo-arbustiva que ocorre em ambientes rupestres (litófilos ou rochosos). o substrato é um critério de fácil diferenciação. Há casos em que as árvores podem dominar a paisagem. O Cerrado Típico é um subtipo de vegetação predominantemente arbóreo-arbustivo. Eremanthus glomerulatus (coração-de-negro). Palicourea rigida (bate-caixa). Syagrus petraea (coco-de-vassoura). Ocorre principalmente nos Latossolos Roxo. pois comporta pouco solo entre afloramentos de rocha. (mata pasto). além de Annona monticola. além do Cerrado Rupestre. Litólicos. Mesosetum loliiforme. 1979). e estrato arbustivo-herbáceo também destacado. pH e saturação de alumínio (Alvim e Araújo. entre outras. Cactaceae. Cambissolos. Jararanda decurrens e Sabicea brasiliensis (sangue-decristo) (Warming.. Paspalum spp. incluído em outros tipos de vegetação. Protium ovatum (breu-do-cerrado). No Cerrado Rupestre os indivíduos arbóreos concentramse nas fendas entre as rochas. Das herbáceas menciona-se: Axonopus barbigerus. pobres em nutrientes. Embora possua estrutura semelhante ao Cerrado Ralo. Syagrus flexuosa (coco-do-campo). 1992) e ações antrópicas (Rawitscher. com cobertura de 50-70% e altura média de 5-8m. 1971. dentre outros. Beard. Melastomataceae. Byrsonima crassa (murici). dentre outros. As três primeiras refletem variações na forma dos agrupamentos e espaçamento entre os indivíduos lenhosos. são originados da decomposição de arenitos e quartzitos. originam-se subdivisões fisionômicas distintas do Cerrado s. O Cerrado Típico ocorre em Latossolos Vermelho-Escuro. como as condições edáficas (Waibel. No estrato arbóreo-arbustivo são comuns as espécies Chamaecrista orbiculata. Ab’Sáber 1983. 1994).

uma fitofisionomia em que há necessariamente um estrato arbustivo-herbáceo acompanhando o buriti. A flora herbácea predomina nas áreas planas adjacentes aos murundus. caracterizando o babaçual. 1983. embora quando presentes ocorram com freqüência baixa. Palmeirais em solos mal drenados (brejosos). Os murundus são elevações convexas características. No Centro-Oeste o babaçu não chega a povoar grandes áreas como em largos trechos do Maranhão (Hueck. Dipteryxalata. embora sua presença seja marcante onde ocorre. 1994). De acordo com Oliveira Filho (1992a) a origem dos murundus parece estar muito vinculada à atividade dos cupins. Parque de Cerrado: É uma formação savânica caracterizada pela presença de árvores agrupadas em pequenas elevações do terreno. porém com espécies que provavelmente apresentam maior tolerância à saturação hídrica do perfil do solo (Oliveira Filho. Entre as espécies arbóreas mais freqüentes pode-se citar: Alibertia edulis. a cobertura pode variar de 60 a 80%. O dossel do buritizal possui de 12 a 20m alt. Quando o dossel é tipicamente descontínuo ou ainda quando não há formação de dossel.1-1. o buritizal diferencia-se da Mata de Galeria Inundável pela flora que. Palmeiral: A formação savânica caracterizada pela presença marcante de uma única espécie de palmeira arbórea é denominada Palmeiral. Andira cuyabensis. 1972). Em sentido puramente fisionômico. algumas vezes imperceptíveis. O babaçual caracteriza-se por altura média de 8-15m e uma cobertura variável de 30-60%. Sipolisia lanuginosa (veludo) e Wunderlichia crulsiana.. Qualea grandiflora e Q. compõe-se de inúmeras espécies. parviflora. formando dossel contínuo. No buritizal há formação de dossel. onde pode havera formação de galerias acompanhando as linhas de drenagem (Eiten. Das arbustivo-herbáceas citam-se os gêneros Allagoptera. Oliveira Filho. quase sempre são dominados pela espécie Mauritia flexuosa (buriti). Qualea parviflorae Pouteria ramiflora. e a espécie dominante pertence a gêneros como Acrocomia. Em certos casos também podem estar presentes outras espécies de palmeiras em pequena densidade. Annona. Caryocar brasiliense. sem a dominância marcante do buriti.2-20m diâm. A flora que ocorre nos murundus é similar à que ocorre no Cerrado s. Os solos são Hidromórficos. que faz sucumbir outras espécies arbóreas (Eiten. variável de 40 a 70%. como Mauritiella armata (buritirana). Miconia albicans. 1990.vinosa (mandiocão). A origem desses microrrelevos é bastante controvertida e as hipóteses mais comuns apontam-nos como cupinzeiros ativos ou inativos ou resultantes de erosão diferencial (Penteado-Orellana. embora localmente possam ocupar trechos consideráveis do terreno. Oliveira Filho e Furley. Na região nuclear do Cerrado ocorrem em áreas localizadas. Como um agrupamento de buritis eventualmente pode formar galerias. Muitas vezes o buritizal tem sido referido como Vereda. Araújo Neto et al. . 1992a. geralmente há um dossel mais contínuo que os casos anteriores. chegando a compor a vegetação ciliar. conhecidas como “murundus” ou“monchões”. 1992b). 1986. 1981. Também são freqüentes nessa fisionomia algumas espécies já mencionadas como Davilla elliptica. Eriotheca gracilipes. Entretanto. embora também ocorram em 44 terrenos mal drenados. Neste caso. e forma uma cobertura quase homogênea ao longo do ano. e 0. Maprounea guianensis. o que também vale para determinados trechos com outras espécies de palmeiras arbóreas. Terminalia fagifolia e Vochysia petraea (Oliveira Filho e Martins. em longo processo de sucessão. presentes ao longo dos fundos de vales do Brasil Central. Pelo domínio de determinada espécie. ainda que descontínuo. 1992b). 1986). Se a espécie dominante é Attalea speciosa (babaçu). A espécie resiste a fogo moderado. As árvores possuem altura média de 3-6m e formam uma cobertura arbórea de 5-20% . na Mata. Nesta fitofisionomia praticamente não existem árvores. Curatella americana. No bioma Cerrado podem ser encontrados diferentes subtipos de palmeirais. e melhor drenados nos murundus que nas áreas planas adjacentes. sem a formação de dossel. A presença do babaçu parece associar-se fortemente a áreas antropizadas. cujo solo formou-se a partir da construção dos ninhos pelos cupins e da erosão e degradação de numerosas gerações de cupinzeiros.que variam em média de 0.5m alt. Apesar de ser típico dos interflúvios. Bromelia e Vernonia. e caracterizam o buritizal. 1980.s. e é similar a que ocorre nos campos úmidos. considerando que apenas uma parte do volume de terra do murundu permanece livre de possíveis inundações. embora não haja uma vegetação arbustivo-herbácea associada da maneira típica como na Vereda. Em geral os Palmeirais do Cerrado ocorrem em terrenos bem drenados. também pode ocupar faixas ao longo dos rios de maior porte da região. Araújo Neto. os Palmeirais comumente são formados pelas espécies Acrocomia aculeata (que caracteriza o macaubal) ou Syagrus oleracea (guerobal). Attalea ou Syagrus. 1994a). pode-se designar um trecho de vegetação com o nome comum da espécie dominante. onde coloniza agressivamente antigas formações florestais desmatadas. alguns trechos com buritizal devem ser considerados como formações florestais. além de Ferdinandusa elliptica. que variam em estrutura de acordo com a espécie dominante. Palmeirais em solos bem drenados geralmente são encontrados nos interflúvios. Kielmeyera rubriflora. isto ocorre apenas nos trechos onde o solo é bem drenado e não sujeito a inundações periódicas.

Quando na área ocorrem microrelevos mais elevados (murundus). muitas vezes. Symplocos nitens e Virola sebifera. Além dessas são comuns espécies dos gêneros Andira. 1995). quanto pela composição florística. 1973). Campo Limpo Úmido e Campo Limpo com Murundus. tem-se o Campo Sujo com Murundus. Veredas são circundadas por Campo Limpo. Também são comuns numa posição intermediária do terreno. Paspalum. Panicum. No Campo Limpo a presença de arbustos e subarbustos é insignificante. Aristida. Geralmente ocupam os vales ou áreas planas acompanhando linhas de drenagem mal definidas. o Campo Rupestre e o Campo Limpo.. 1973). ainda assim. Ichnanthus. A família mais freqüentemente encontrada é Poaceae (Gramineae) e destacam-se gêneros como Aristida. A composição florística em áreas de Campo Rupestre pode variar . A fisionomia é encontrada tanto em solos rasos como os Litólicos. O Campo Sujo caracteriza-se pela presença marcante de arbustos e subarbustos por entre o estrato herbáceo. Hyptis. Trachypogon e Tristachya. arenitos ou itacolomitos. A composição florística e a importância fitossociológica das espécies nos três subtipos de Campo Sujo podem diferir se o solo for bem drenado (Campo Sujo Seco) ou mal drenado (Campo Sujo Úmido ou com Murundus). Lippia. Elas exercem papel fundamental na manutenção da fauna do Cerrado. Diplusodon. são constituídas 45 por indivíduos menos desenvolvidos das espécies arbóreas do Cerrado s. em geral sem murundus. Gomphrena officinalis. Campo Sujo: É um tipo fisionômico exclusivamente herbáceo-arbustivo. e os buritis não formam dossel como ocorre no buritizal . como acontece na Chapada Diamantina (Harley. Se o lençol freático é alto. Axonopus. Piriqueta.s. destacando-se os gêneros Andropogon. fonte de alimento e local de reprodução também para a fauna terrestre e aquática (Carvalho. São solos ácidos. Paspalum e Trachypogon (Warming. Na presença de um lençol freático profundo ocorre o Campo Sujo Seco. podem ser encontradas espécies arbóreas como Richeria grandis. como Leandra. ou mesmo logo após queimadas. Na Vereda os buritis caracterizam-se por 12-15m alt. Vernonia e Xyris. funcionando como local de pouso para a avifauna. ocupando trechos de afloramentos rochosos. Syagrus. geralmente úmido. Mas. diferenciando-se tanto pelo substrato. próximas às nascentes (olhos d’água). A ocorrência da Vereda condiciona-se ao afloramento do lençol freático. Respectivamente. e a cobertura de 5 a 10%. atuando como refúgio. O Campo Rupestre possui estrutura similar ao Campo Sujo. as espécies características pertencem aos gêneros anteriormente referidos. Aspilia. Eryngium. Deianira. São eles: Campo Sujo Seco. Em geral ocorre em altitudes >900m. Os solos. Hippeastrum spp e Paepalanthus spp. ou na borda de Matas de Galeria. 1978). devido à pouca profundidade e reduzida capacidade de retenção pelo solo (Sendulski e Burman. Griffinia spp. 1991). saturados durante a maior parte do ano. Baccharis.Vegetação e Flora Vereda: É a fitofisionomia com a palmeira arbórea Mauritia flexuosa emergente. Diversas espécies de outras famílias destacam-se pela floração exuberante na época chuvosa. Em estádios mais avançados deformação de Mata. c) Formações campestres: Englobam três tipos fitofisionômicos principais: o Campo Sujo. 1966). A disponibilidade de água é restrita. dias quentes e noites frias. pobres em nutrientes e podem formar depósitos de areia quando o relevo permite. o Campo Sujo e o Campo Limpo podem apresentar três subtipos cada. Trembleya e Lavoisiera.Veredas são encontradas em solos hidromórficos. Em função de particularidades ambientais o Campo Sujo pode apresentar três subtipos fisionômicos distintos. decorrente de camadas de permeabilidade diferentes em áreas sedimentares do Cretáceo e Triássico (Azevedo. De acordo com particularidades topográficas ou edáficas. eventualmente com pequenos afloramentos rochosos de pouca extensão (sem caracterizar um “Campo Rupestre”). com arbustos e subarbustos esparsos cujas plantas. Habenaria. Campo Sujo Úmido e Campo Sujo com Murundus e Campo Limpo Seco. Cyperaceae (Bulbostylis e Rhynchospora) e Eriocaulaceae (Paepalanthus e Syngonanthus). Polygala. abrigo. pois as águas pluviais escoam rapidamente para os rios. geralmente são originados da decomposição de quartzitos. Abrange um complexo de vegetação que agrupa paisagens em microrelevos com espécies típicas. que inclui muitos endemismos. Cuphea. Echinolaena. Mimosa. Loudetiopsis. Campo Rupestre: É um tipo fitofisionômico predominantemente herbáceo-arbustivo. Litólicos. ocorrendo como arbustos ou arvoretas. todas com aspecto graminóide (Warming. Além dessas famílias são comuns alguns gêneros de Melastomataceae. e outras espécies que caracterizam a Mata de Galeria Inundável. ou ainda em solos mais profundos e poucos férteis como os Latossolos Concrecionários. como Alstroemeria spp. há o Campo Sujo Úmido. com a presença eventual de arvoretas pouco desenvolvidas de até 2m alt. Famílias freqüentemente encontradas nas áreas mais úmidas da Vereda são Poaceae (Gramineae).. Crumenaria. composto por afloramentos de rocha. Outra família importante é Cyperaceae e são comuns espécies dos gêneros Bulbostylis e Rhyncosphora. que permanecem nas frestas dos afloramentos ou podem ser carreados para locais mais baixos. em áreas onde há ventos constantes. em meio a agrupamentos mais ou menos densos de espécies arbustivo herbáceas.

se fosse feita uma seleção cuidadosa para não incluir espécies “estranhas” como espécies invasoras como as cecropias e algumas outras oriundas das matas de galeria. geralmente em solos pouco profundos. de. Habenaria. entre outros fatores. cuja presença é condicionada. Iridaceae ( Sisyrinchium. determinando uma coluna quadrangular (esquarrosa) (Eiten. o Campo Limpo com Murundus é menos freqüente que o Campo Sujo com Murundus. Embrapa Cerrados. deveria conter entre 5. disponibilidade de água etc. Melastomataceae (Miconia. Trachypogon). Mesosetum. Lythraceae (Cuphea. com 774 espécies arbustivas e arbóreas. Lentibulariaceae ( Utricularia ). Os gêneros comumente encontrados são :Burmanniaceae (Burmannia). 1978. Walter. Mimosa ). com diferentes variações no grau de umidade. Syngonanthus ). espessadas e coriáceas. 1995). Há locais em que praticamente dominam a paisagem.. Filgueiras.753 espécies lenhosas. 46 O Campo Limpo. tem-se o Campo Limpo com Murundus. Nos afloramentos rochosos. A. profundidade e fertilidade do solo. Por suas particularidades ambientais. pela umidade disponível no solo. circundando as Veredas e na borda das Matas de Galeria.s. os indivíduos lenhosos concentram-se nas fendas das rochas.024 espécies de angiospermas e que a flora lenhosa comportaria entre 366 e 575 gêneros e de 88 e 210 famílias. Trimezia ). Droseraceae (Drosera). além de folhas densamente opostas cruzadas. Harley. Labiatae (Hyptis). Koellensteinia. P. S. Heringer et al (1977). Ratter et al (1997) afirmam que o número de espécies de árvores ou arbustos grandes não excederia 800. Silva Júnior. nos olhos d´água. Felfili. 1990. 1998). Declieuxia ). Cyperaceae (Bulbostylis. Galactia. o campo rupestre apresenta como forte característica a presença de muitos endemismos e plantas raras (Giulietti e Forero. o que se deve especialmente à sua grande variedade de paisagens e tipos fitofisionômicos. Microlicia).). como o Campo Sujo. Tillandsia).. Entretanto. S. M. Trachypogon ). Cerrado: ambiente e flora. Epidendrum. há o Campo Limpo Úmido.A flora vascular do bioma Cerrado (baseado em: Mendonça.268 e 7. Pelexia ). Lentibulariaceae (Utricularia). também apresenta variações dependentes de particularidades ambientais. Pode-se considerar Vellozia como bom indicador desse tipo fitofisionômico (Harley. B. Rizzini (1963) apresentou 537 espécies entre árvores e arbustos. dependente das condições edáficas restritivas e do clima peculiar. Flora Vascular do Cerrado. Castro et al (1992. enquanto em outros a flora herbácea predomina. 1995). “Várzea” ou “Brejo”. P. Pp. muitas com espécies que também ocorrem no Campo Sujo. A flora do bioma Cerrado é ainda pouco conhecida. Diplusodon). Essas estimativas sugerem grande riqueza florística no bioma. Lychnophora. Pilosocereus). é encontrado com mais freqüência nas encostas.. Paepalanthus. Rhynchospora). contíguas aos rios e inundadas periodicamente. T. onde a densidade pode ser muito variável. Na presença de um lençol freático profundo ocorre o Campo Limpo Seco. Leiothrix. e Almeida. Harley. 1973). Cyperaceae (Rhynchospora). Axonopus. Cactaceae (Melocactus.. determinadas pela umidade do solo e topografia. cada qual com sua flora específica. Orchidaceae (Cyrtopodium. Bromeliaceae (Dyckia. Habenaria. Em geral. relativamente extensas. 287-556. Mais tarde. II . Paspalum. R. 1994. A flora é típica. fertilidade. Rezende. Rubiaceae ( Chiococca. e a densidade das espécies depende do substrato (profundidade do solo. 1995) sugeriram que a flora magnoliofítica do Cerrado l. Iridaceae (Cipura. Eriocaulaceae ( Eriocaulon. J. Leguminosae (Calliandra. Mesosetum.em poucos metros de distância. e Nogueira. Castro (1994 b) apontou 1. com raros arbustos e ausência completa de árvores. MG (Warming. por exemplo. Quando ocorre em áreas planas. excluindo lianas e bem recentemente em um trabalho ainda inédito Mendonça et al (1998) apontaram aproximadamente 6. A primeira listagem foi elaborada em 1892 por Warming a partir de seu estudo na região de Lagoa Santa. Paspalum. Orchidaceae (Cleistes. Pode ser encontrado em diversas posições topográficas. DF. M. como ocorre a algumas aráceas e orquidáceas. In: Sano. Entre as espécies omuns há inúmeras características xeromórficas como folhas pequenas.. Também são comuns agrupamentos de indivíduos de uma única espécie. As espécies mais freqüentes que compõem a flora do campo rupestre pertencem às seguintes famílias e gêneros: Asteraceae (Baccharis. Sarcoglottis) e Poaceae (Aristida. Poaceae ( Panicum. Velloziaceae ( Vellozia ). Algumas espécies podem crescer diretamente sobre as rochas. 1995). embora algumas espécies desse gênero possam ocorrerem outras formações campestres ou até mesmo nas savânicas.671 táxons nativos para o bioma. também é chamado de “Campo de Várzea”. . mas se o lençol freático é alto. Vochysiaceae ( Qualea ) e Xyridaceae (Xyris). Quando aparecem os murundus. nas chapadas. sem que haja solo. Filgueiras. Sisyrinchium). Panicum. Chamaecrista. Lythraceae (Cuphea). Myrtaceae (Myrcia). Campo Limpo: É uma fitofisionomia predominantemente herbácea. Vernonia).

Orchidaceae está entre aquelas que apresentam maior número de espécies no bioma Cerrado. Aqui.671 táxons nativos descritos em Mendonça et al (1998) estão distribuídos em 170 famílias e 1. Grupo Pteridófitas Gimnospermas Angiospermas Total Famílias Gêneros Espécies Variedades N° Táxons 19 1 150 170 51 1 1. mas na compilação de Mendonça et al. além de 451 variedades e/ou subespécies. mas contribuíram com mais de 51% da riqueza florística do Cerrado. Caatinga. pertencentes a 6.387 6. Myrtaceae. 1. A formação campestre apresenta 2. O número de gêneros de fanerógamas representa 26% dos 4. com 37%. dados que confirmam as informações de Warming (1973). Essas dez famílias. 1990). com 51% das espécies. 51 gêneros.144 267 2 6.062 espécies (que incluem 425 variedades ou subespécies). Orchidaceae e Gramineae foram as mais ricas do bioma Cerrado. (1998) ficou na segunda posição (Tabela 2). Asclepiadaceae e Labiatae também podem ser destacadas. seguida de Compositae. Melastomataceae. apresentando respectivamente 106 e 103 espécies. Em contrapartida outras famílias como Rubiaceae. 1997).429 espécies. Monimiaceae e Hippocrateaceae estão entre as mais ricas na Floresta Atlântica. 1 . seguida de espécies epifíticas. Entretanto.060) representa 65% das 9. não estão entre as mais representativas do Cerrado. várias famílias ricas em espécies na Floresta Amazônica. 1998). incluindo-se também as matas ocorrentes nesses domínios. São 6. que retratam menos de 7% do total de famílias encontradas.389 táxons nativos. espécies. 1990) são ricas em ambos os biomas.671 formações florestais.144 gêneros.093 gêneros e 151 famílias. 1997) e no Cerrado. Sapotaceae. e um gênero – Podocarpus. gêneros. 6. como Chrysobalanaceae. Tabela 1. Euphorbiaceae e Melastomataceae (Gentry. 1997). com dois táxons) e 6.Riqueza florística do bioma Cerrado Os 6. 1. Gramineae. Leguminosae é tipicamente rica nos trópicos e Gramineae é característica de ambientes savânicos.387 táxons) (Tabela 1). Orchidaceae.Vegetação e Flora II. Mendonça et al. Myrtaceae está também entre as famílias mais ricas. com seu respectivo hábito e fitofisionomia de ocorrência. porém são menos representadas na Floresta Amazônica (Gentry et al. Malpighiaceae e Lythraceae (Tabela 2). duas gimnospermas (uma família – Podocarpaceae. Euphorbiaceae.055 táxons enquanto que a formação savânica 2.880 e a florestal 2. Chaco e Pantanal. Rubiaceae. Lauraceae e Meliaceae (Gentry.092 gêneros.060 angiospermas (150 famílias.540 (Tabela 3).200 estimados para a América do Sul como um todo (Gentry et al. Compositae foi a família com maior número de espécies no estudo de Warming (1973). Como também nas Florestas Atlântica e Amazônica.092 1. Essa lista inclui 6. há o predomínio de orquídeas terrestres. va- riedades/sub-espécies e táxons que compõem a flora nativa do bioma Cerrado (Mendonça et al. 1998 As famílias Leguminosae. Dessas espécies.429 Subespécies 26 0 425 451 282 2 6. assim como na Floresta Amazônica e Atlântica (Gentry et al. 267 são pteridófitas (19 famílias. O número de espécies de angiospermas (6. No Cerrado. (1998) apresentam também a lista das espécies fanerogâmicas registradas para as et al. Compositae. 282 táxons). Número de famílias. Llanos. As famílias mais representadas no bioma foram Leguminosae. Existem inúmeros táxons comuns 47 .060 6.300 estimadas por Gentry et al (1997) para o Cerrado. savânicas e campestres do bioma Cerrado.

III – Distribuição das espécies lenhosas (arvores e arbustos grandes) nos estados brasileiros e padrões biogegráficos (revisão baseada em Ratter. a riqueza florística apresentada por estes autores. sobre a grande riqueza florística das formações florestais do bioma. porém sob forte pressão de desenvolvimento agrícola. 1995). 1997. especialmente das Matas de Galeria. além de ressaltar sua importância em escala nacional e mundial que deve ser priorizada para conservação e manejo racional. algumas espécies podem estar em risco de extinção antes mesmo de serem conhecidas pela ciência. embora possam refletir a tendência geral para o bioma. Certamente. 158 ocorreram em apenas um local e apenas 28 estiveram presentes em mais de 50% dos estudos. Ratter et al (1997) mostraram que em alguns locais a diversidade alfa de árvores e arbustos pode chegar a 120 espécies/ha. Mendonça et al (1998) apontam ainda que. Tais esforços são prementes. embora muito superior quando se tratando de gêneros. 1997)..1994. (Boletim Ezequias Paulo Heringer v. extensas áreas cobertas por vegetação nativa. se além dos números acima expostos forem consideradas as plantas invasoras. a importância intrínseca do seu patrimônio genético merece maior reconhecimento. 5-43). 1998 entre essas formações. Portanto. amostragens padronizadas nas diferentes regiões do bioma e revisões taxonômicas são ainda imprescindíveis para que possa ser feita a avaliação global da sua composição florística. 1993) mostram valores que variam entre 4-7 vezes superior para o número da camada rasteira quando comparado com o estrato arbóreo. Pereira et al. O conhecimento da flora do Cerrado é fundamental para delinear estratégias governamentais para a preservação de áreas representativas do bioma. bastante consistentes.5:1 (Tabela 3). ainda. p. Mendonça et al (1998) apontam também que a proporção de hábito arbustivo-herbáceo para o arbóreo foi de 4. Rizzini (1963) mostrou valores com mais de 500 gêneros de plantas pequenas contra menos de 200 (incrementado para 261 em Hering et al. 1997). Mesmo assim verifica-se que os valores apresentados ainda são modestos devido 48 ao reduzido trabalho de coleta e amostragens em várias fitofisionomias e regiões do bioma que cobre praticamente 25% do país.et al. 1995) para espécies e famílias apenas do Cerrado l. enquanto estudos mais detalhados no Distrito Federal (Ratter. A contribuição das formações florestais como as Matas de Galeria e a Mata seca para a riqueza do Cerrado é elevada. Bridgewater e Ribeiro. A comparação de 98 estudos da vegetação realizados por Ratter et al (1996) mostrou ainda que. Esforços intensivos de coleta. . Com isso. principalmente considerando que estas ocupam área bastante pequena em relação às formações savânicas e campestres. Neste caso as descrições dos indivíduos foram feitas pelas mesmas equipes. sendo portanto. Felfili et al (1997) apontam a presença de várias novas citações para a Chapada dos Veadeiros ou para o Estado de Goiás. ultrapassou bastante as compilações pré-existentes. ficando próxima das estimativas de Castro et al (1992. 1977) para a vegetação mais alta.s. onde se encontrou a proporção de aproximadamente 3:1. Por esta razão elas não devem ser tomadas como conclusivas. Felfili et al (1994. Ramos (1994) e Ratter et al (1997). 1986. existem 6960 táxons e 6718 espécies ocorrendo espontaneamente no bioma Cerrado. assim como existem aqueles exclusivos de cada uma. Esses valores confirmam as conclusões de Felfili (1993. Uma indicação de maior precisão dessa tendência foi apresentada pelo projeto Biogeografia do bioma Cerrado (Felfili et al. das 534 espécies encontradas. Distribuição geográfica das espécies lenhosas da fitofisionomia Cerrado sentido restrito nos estados compreendidos pelo bioma Cerrado. uma vez que existem. 5. O Cerrado tem mostrado ser muito mais rico do que se previa a princípio e muitas das suas tipologias são endêmicas da América do Sul e do Brasil. para o bioma. sendo que parte dessas informações foi obtida nos registros de etiquetas de herbário.

este é mais um critério difícil de aplicar. crassiflora. Hyptiodendron canum e Euplassa inequalis são espécies típicas de Matas de Galeria ou de suas margens. ou seja. Tabebuia aurea. Bowdichia virgilioides. parviflora. Lafoensia pacari. Muito embora as informações disponíveis ainda não sejam exaustivas. Assim.s. pretende-se elaborar uma descrição do ambiente geral e da comunidade. Para estes casos. Astronium fraxinifolium. As espécies características de cada uma dessas categorias florestais encontram-se indicadas na Tabela 4. A. Outro aspecto que pode ser evidenciado é a presença adicional de várias espécies periféricas oriundas de formações florestais (formas típicas de Cerradão). Kielmeyera coriacea. são classificadas 71 espécies que pertencem às formações vegetais de Cerradão-Mata Seca mesotrófica e 74 espécies que pertencem à fitofisionomia Cerradão-Mata Seca Distrófica. não são considerados. como a Andira inermis. Byrsonima basiloba e Kielmeyera rubriflora crescem como hemicriptogamas no Distrito Federal. Q. no Oeste e Nordeste. Da mesma maneira. Pouteria ramiflora. multiflora. fósforo e nitrogênio enquanto os solos distróficos são os mais pobres nestes nutrientes 49 essenciais e ainda apresentam altas taxas de alumínio e ferro. Eremanthus glomerulatus e Vochysia thyrsoidea na região Centro-Sul e Mezilaurus crassiramea mais à Oeste e Salacia crassifolia na região Central. Caryocar coriaceum. pois formas de crescimento podem variar. na região Nordeste.s. Os padrões devem ser tratados com mais cuidado já que problemas de identificação ou mesmo falta de informações em algumas áreas também podem gerar a falsa idéia de ocorrência localizada de determinadas espécies. Buchenavia tomentosa e Mouriri elliptica. como estas espécies foram encontradas em levantamentos realizados por outros autores. Estas espécies são originárias de formações florestais de duas categorias. verbascifolia. Acosmium subelegans. Curatella americana. Brosimum gaudichaudii. Com distribuição restrita destaca-se Hirtella ciliata na região Norte. a espécie Symplocos nitens somente havia sido observada como árvores em áreas úmidas de Matas de Galeria. com pH mais elevado e níveis mais altos de cálcio. seria importante relevá-las. Q. Algumas espécies poderiam ser eliminadas da última categoria. Outro ponto relevante é o tamanho considerado para indivíduos “lenhosos”. As características ecológicas ressaltam principalmente espécies relacionadas com aspectos da fertilidade do solo e da sua ocorrência em áreas mais fechadas próximas de formações florestais ou mais abertas.. Qualea dichotoma. os solos mesotróficos são aqueles considerados mais férteis. mas rebrotam de um xilopodium todo ano. próximo das formações savânicas. Machaerium acutifolium. Erythroxylum suberosum. Caryocar brasiliense. Hancornia speciosa. Dimorphandra mollis. e Cerrado Ralo. Este estudo apresenta uma lista de 581 espécies oriundas de levantamentos em 206 áreas distribuídas no bioma Cerrado. a ampliação dos estudos já existentes viria a ser de grande valia.5m. Deste modo. B. Connarus suberosus. Hymenaea stigonocarpa. Desta maneira as hemicriptogamas. no Distrito Federal. Entretanto. Vale ressaltar que a lista providenciada aqui mostra a distribuição das espécies encontradas apenas na fitofisionomia cerrado s. ochracea e Tocoyena formosa. o que vale dizer que muitas delas podem ocorrer em outros estados em outras fitofisionomias. como por exemplo Tococa formicaria e Palicourea marcgravii as quais não podem ser eminentemente consideradas tanto como espécies de Cerrado nem como um arbusto grande. Como distribuição genérica destaca-se entre outras Acosmium dasycarpum. Salvertia convallariaeodora. Todas estas espécies estão relacionadas como as mais freqüentes para os Cerrados em Ratter et al (1996). Desse modo.Vegetação e Flora Trabalhos recentes como os de Ratter e Dargie (1992). . Como principais informações que podem ser conseguidas a partir deste estudo estão a ocorrência de espécies com distribuição genérica e aquelas com distribuição restrita. enquanto que em áreas do Leste do Mato Grosso e Goiás crescem como árvores. mais do que em formações savânicas de Cerrado s. Annona coriacea. T. a experiência em trabalhos com a vegetação do bioma Cerrado demonstra que muitas espécies se distribuem em diferentes fitofisionomias em diferentes regiões. este estudo representa uma indicação preliminar das principais espécies lenhosas e de sua distribuição pelos estados compreendidos na região do Cerrado. Roupala montana. aquelas que não mantém um sistema aéreo permanente. Byrsonima coccolobifolia. Quanto à fertilidade do solo. e Parkia platycephala. Castro (1994 a) e Ratter et al (1996) mostraram padrões fitogeográficos no bioma cerrado baseados na distribuição das suas espécies lenhosas. Entretanto. enquanto que alguns estudos comparados as apontam como presentes no Cerrado. No futuro. Adicionalmente. Por exemplo. com mais detalhes de ocorrência das espécies lenhosas consideradas na listagem do Cerrado. Qualea grandiflora. “árvores ou arbustos grandes”. estes indivíduos precisam apresentar ramos lenhosos permanentes com mais que 4cm na base e atingir como indivíduo adulto a altura de 1. a partir de uma revisão maior e com as observações de campo realizadas por toda a região. aquelas associadas com solos mesotróficos e as associadas com solos distróficos.

Cerrado ou 50 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 51 .

Tabela 4 (continuação) 52 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 53 .

Tabela 4 (continuação) 54 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 55 .

Tabela 4 (continuação) 56 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 57 .

Tabela 4 (continuação) 58 .

As coletas foram todas revistas e as que estavam indeterminadas foram identificadas. coordenadas (quando disponíveis). A primeira espécie é encontrada no DF geralmente apenas como um arbusto com ramos bem finos. MA. BOTU. Foram coletadas informações contidas nos rótulos das exsicatas na seguinte ordem: espécie. F. as de Solanum por Suelma Ribeiro Silva. (escala e delimitação do Cerrado do Projeto Radambrasil . Brosimum gaudichaudii e Caryocar brasiliense são outros exemplos relevantes. C. Siman M. data de coleta. Trabalhou-se. pois estão entre as espécies mais freqüentes do Cerrado. VIC. Centros de Biodiversidade e Endemismo do Cerrado usando Táxons Indicadores. ao nível de resolução de subquadrículas de 30’ latitude x 30’ longitude. MG. O banco de dados consta de 993 coordenadas de Habenaria. Solanum. totalizando 2743 coordenadas. As identificações de Habenaria foram feitas por João Nogueira Batista. HUFU. usando táxons indicadores (baseado em: Proença. Quando a informação contida no rótulo não possibilitava a localização da coleta em uma destas sub-quadrículas. mas pode atingir árvores de até 8m ou mais no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. GO. BHCB. e Santos. portanto. apresenta-se aqui a identificação de grupos taxonomicos endêmicos do cerrado baseado nos gêneros Habenaria. com material de 16 instituições botânicas. obtendo-se um total de 180 quadrículas. as de Miconia por Cassia Munhoz e as de Mimosa por Marcelo Fragomeni Simon. A identificação de espécies endêmicas em determinado bioma depende de extensivo trabalho de campo de herbário e de intensa experiência taxonômica. a mesma foi desconsiderada. UFMT. BA. 480 de Miconia e 137 de Solanum. Para a coleta dos dados . Apesar destas dificuldades.. HISA. TO. 59 IV . mas pode ser encontrados indivíduos pequenos com pouco mais de 1m em cerrados de São Paulo (Fazenda Campininha) e Sul de Minas Gerais.. PI e DF dos seguintes herbários: UB. 1133 de Mimosa. UFMS e TEPB. coletor e nº de coleta. Para as exsicatas que não tinham coordenadas deduziu-se uma coordenada aproximada baseada no “Índice de Topônimos contidos na carta do Brasil 1:1000000” (Vanzolini e Papavero. solicitou-se o empréstimo das exsicatas coletadas nos Estados do MT. estado.1: 250000). x 1º 30’ long. Miconia e Mimosa (Tabela 5).Centros de biodiversidade e endemismo do Cerrado. Ramalho C. CEN.Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) Além das espécies consideradas anteriormente. Esta variabilidade às vezes dificulta na inclusão ou não de espécies na lista das espécies oriundas de levantamentos em 206 áreas distribuídas no bioma Cerrado. CPAP. HUEFS. UFG. 1968). IBGE. HEPH. PAMG. Já Caryocar brasiliense é geralmente uma árvore. localização. Para as análises dividiu-se o cerrado contínuo em quadrículas de 1º lat.

obtusa) entre as 54 presentes (Simon. Isto se tornou patente ao verificarmos que nove quadrículas apenas. tais como a Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília. inclusive. convertidas para o sistema decimal que é usado pelo GIS. Na realidade. sendo que dentre essas uma única quadrícula concentrava 43% das coletas. Esta última é aquela onde se localiza Brasília e as principais Reservas do DF. No Cerrado contínuo houve um esforço muito maior de coleta na Região do Distrito Federal. IV. As quarenta e cinco quadrículas restantes foram responsáveis por 19% das coletas. Assim. 1995).8 dias de coleta. de 15% da flora presente e que as espécies coletadas são quase que exclusivamente as mais comuns na área. Infelizmente. Para Habenaria. No decorrer deste trabalho foram feitas viagens de coleta para Mato Grosso.0 (Caliper Cooporation. o número de quadrículas que são total ou principalmente ocupadas por cerrado contínuo é de cerca de 125. ca. O método adotado nas viagens do trabalho foi testado no Distrito Federal e revelou que coletas de poucos dias de duração em uma quadrícula. a ampla distribuição geográfica do gênero (Pabst e Dungs. Daqui para frente será usado o gênero Habenaria como exemplo: das 125 quadrículas de Cerrado contínuo. concentravam 81% das coletas de Habenaria. bem como em Reservas e Parques Nacionais alvos de programas intensivos de coleta. a Reserva Ecológica do IBGE e o Jardim Botânico de Brasília. sendo que intensivas para Habenaria nos últimos 10 anos.0 (Microsoft Corporation. 1995) e.1 . podemos concluir que há registro do gênero Habenaria em cerca de 42% do Cerrado contínuo ao nível de resolução adotado neste trabalho. visto que as espécies normalmente só são coletadas quando em flor. o número de 180 inclui um grande número de quadrículas “marginais” que tem somente pequenas áreas de bioma Cerrado. 60 . A partir da relação de coordenadas elaborou-se os mapas do gênero e das espécies através do programa MAPTITUDE . Mato Grosso do Sul. total ou parcialmente. O Cerrado contínuo abrange 180 quadrículas que são ocupadas. Outros fatores que também influem são apelo visual da espécie. sendo coletada somente uma espécie (H. na Chapada dos Veadeiros e na Serra do Espinhaço (Tabela 6). aferindo os dados do teste com o que se conhece da Flora do Distrito Federal após 30 anos de coletas. o grande número de espécies de Habenaria. 1975) e a ocorrência em praticamente todas as áreas de cerrado já visitadas levam a crer que o gênero deve ocorrer em toda a extensão do bioma Cerrado e que o valor de 42% reflete a paucidade de coleta no bioma como um todo (Tabela 6). posteriormente. No entanto.Esforço de coleta no bioma Cerrado A probabilidade de que uma espécie seja coletada depende de vários fatores. abrangendo as áreas supracitadas. Os mais importantes são sem dúvida esforço de coleta (quantidade de expedições de coleta efetuadas na área) e freqüência da espécie nas áreas visitadas durante as expedições de coleta. Tocantins e Oeste da Bahia utilizando-se um método de levantamento que prevê a coleta de exemplares dos grupos-alvo em 5 . em média. 1997). das quais apenas 53 apresentaram coleta de pelo menos uma amostra do gênero Habenaria. tendem a coletar. versão 3. o esforço de coleta não é de modo algum geograficamente eqüitativo no Cerrado contínuo e as coletas tendem a se concentrar ao longo das estradas e em torno dos grandes centros.Geographic Information System for Windows. facilidade de coleta e duração do período de floração. mesmo tendenciosas para os táxons-alvo.5 As coordenadas geográficas coletadas e estimadas foram registradas em uma planilha do programa EXCEL versão 7. pelo bioma Cerrado. o teste do método teve resposta baixíssima.

tendo espécies que preferem solos pobres e outras preferem solos ricos. regiões bem coletadas. são extremamente simples. devido à própria característica ruderal de algumas espécies destes dois gêneros. Pode-se dizer que. 2 . Habenaria é sempre herbácea e possui sementes diminutas dispersas pelo vento. visto que três entre as quatro quadrículas apresentavam número relativamente baixo de coletas: 4.As categorias numéricas são principalmente geográficas. identificação ou entrada de dados) ao passo que a ausência pode ser verdadeira ou representar um baixo esforço de coleta na quadrícula. por exemplo. permitindo agrupamentos mais finos. O maior problema na interpretação fitogeográfica de dados de coleta não é a presença de uma espécie numa quadrícula. Categoria 2 . A presença é sempre verdadeira (salvo erros de rotulação. Habenaria prefere solos úmidos e áreas abertas e não apresenta espécies ruderais. Dentro de uma filosofia de crescente sofisticação das análises. se cuidadosamente analisados. para o atual nível de conhecimento de Habenaria no Cerrado contínuo. exemplares de Mimosa ou Solanum são geralmente coletados. Juntos. sendo que. fica bastante dificultada a interpretação fitogeográfica dos dados de herbário. . Foram testadas com vários gêneros e espécies do Cerrado e pretendem ser um meio-termo entre a facilidade de obtenção de dados (floras são freqüentemente baseadas em áreas políticas. serão tecidas abaixo algumas considerações que foram da maior importância na interpretação dos nossos dados. Mimosa varia de arbórea até herbácea e apresenta dispersão classicamente epizoocórica (craspédio ou lomento dotado de espinhos ou pelos retrorsos). apesar do esforço intensivo ao longo dos últimos 30 anos. mas em alguns casos a delimitação geográfica tem fundamento ecológico (e. IV.. poderão ser tiradas algumas conclusões dos mesmos. são propostas as categorias corológicas abaixo. DF) porque.Vegetação e Flora Quando ocorre um grande diferencial de esforço de coleta tal como foi esboçado acima. mas também autocórica em um número razoável de espécies. escandente a herbácea e apresenta dispersão endozoocórica (ornitocoria e mamaliocoria) (Figuras de 13 a 16). a confiabilidade do dado de presença tende a 100%. A coleta de uma espécie em uma quadrícula onde o esforço de coleta foi baixo sugere que a espécie é comum na quadrícula (baseado no teste do método realizado no DF). ao passo que a confiabilidade do dado de ausência varia de 0-100% aumentando em proporção direta ao aumento do esforço de coleta (esforço “amostral”). A outra 61 quadrícula. 2) Endêmicas amplas e 3) Endêmicas restritas. estando ausente no sul-sudeste do Cerrado contínuo. Porém.g. As formas de vida e estratégias de dispersão também diferem drásticamente. Aliado a isto. como a Mimosa. Assim. na quadrícula Brasília. DF tem um índice de confiabilidade bem maior do que a sua ausência na quadrícula Vilhena.As categorias numéricas são aditivas e mutuamente exclusivas geograficamente. também apresenta várias espécies ruderais (Tabela 8). mas normalmente mais espécies em solo pobre e ambientes abertos (várias espécies são ruderais) (Tabela 7). Os gêneros amostrados têm características ecológicas distintas.Savanas). Solanum varia de arbórea. 4 e 3. a ausência de registro da espécie Habenaria candolleana. apresentou um número mediano de coletas: 23. acredita-se que. Os índices das outras quadrículas foram calculados baseados no número proporcional de coletas.Propostas de categorias corológicas para futura análise dos padrões fitogeográficos As três categorias corológicas consideradas: 1) Cerrado e outros biomas. Assim sendo. como país ou estado) e agrupamentos ecológicos. Em resumo. visando a sua fácil aplicabilidade e amplitude da abrangência. temos a ausência da espécie no Distrito Federal e na Serra do Espinhaço. A ausência de coletas desses gêneros em algumas áreas do cerrado contínuo indica que esses locais ainda não foram coletados. . A estimativa foi de 90% para a quadrícula mais bem coletada (Brasília. sendo duas do norte de Goiás e 2 do Tocantins) provavelmente trata-se de espécie comum naquela região do Cerrado contínuo. mas sim a sua ausência. Solanum tem uma preferência por solos ricos e ambientes de mata. não só de Habenaria como de Solanum e Miconia) tende a 0%. Mesmo em locais pouco estudados. tendo em vista a ubiqüidade de Mimosa e Solanum no Cerrado de um modo geral. Alguns pressupostos para as categorias corológicas são listadas abaixo: a) categorias numéricas (1-5) . a espécie Habenaria candolleana (com quatro coletas e cada qual em uma quadrícula diferente. Edaficamente. Mimosa é mais ampla edaficamente. correspondente à Chapada dos Veadeiros. a ausência de coleta da espécie na quadrícula “Brasília” tende a 100% e na quadrícula “Vilhena” (não há praticamente material botânico algum de Rondônia presente nos herbários consultados. Assim. nossa experiência revela que ainda estão surgindo novas ocorrências. RO (onde não há nenhuma coleta de Habenaria). estes dados sugerem que Habenaria candolleana é uma espécie comum em Tocantins e no norte goiano.

Categoria ecológica domi- 5.Categoria ecológica dominante E .Sul (PR não-cerrado.Savanas disjuntas ao norte do rio Amazonas.Core/Centro-Oeste (BA. 6 62 .Rupestre . RS) D . RO não-cerrado. Venezuela. PE.Sudeste (São Paulo não-cerrado. exceto México M .) A . RR. MT. ES) N . 3 . até o Panamá excluindo Áreas acima de 1000 m. SE.Savanas S . Colombia.As categorias alfabéticas dominantes sobrepujam as geográficas e não são aditivas. Paraguai não cerrado) N .Cerrados do Paraguai e Bolívia N . Cuba.Nordeste (BA.Sul/Sudeste (Argentina.Chaquenha . Guianas.Neotropical 2 . AM e PA não-savana.Cerrados disjuntos do Brasil ao sul do rio Amazonas A .México I . . CE. GO. AL. DF. AP não-cerrado) E . a escolha de usar uma categoria dominante elimina o uso da alfabética normal indica que esta é duvidosa ou desconhecida Áreas corológicas 1 . PI.s.Antilhas. RJ. Uruguai. RN) 4 . MA não-cerrado.As categorias alfabéticas normais são aditivas e mutuamente exclusivas geograficamente.América Central. PA.Norte (AC.Leste (MG extra Triângulo Mineiro) N . triângulo MG.Marginal . etc. E – Estados Unidos.Categoria ecológica dominante R .Brasil S . etc.Norte/Nordeste (Peru.Andina . SC. MS.Cerrado contínuo L .América do Sul S . TO.As categorias alfabéticas são hierarquicamente inferiores às numéricas . RO) M .Endêmica restrita . Ecuador. ou seja. MA) C .Categoria dominante nante – A falta da categoria alfabética após a numérica P .Norte (Norte de GO.m.b) categorias alfabéticas .Categoria ecológica dominante C .

BA GO GO DF.BA TO.GO. Benth. BA MT GO. Benth.BA.MG MG MG PI MG MG MG Mart.MG. Barneby Barneby Barneby Benth. irwinii M.MG. PI. Barneby Barneby Mart.PI GO MT MG. minarum M. apodocarpa M. MG. GO.BA DF. kuhlmannii M. leprosa M. distans Barneby Barneby Benth. (Mart. MG MG. hirsutissima M. Benth. echinocaula M. cryptothamnos M. Barneby Barneby Dusén Hoehne Barneby DF. Barneby Taub. macrocephala M. Barneby Barneby Benth.GO GO GO.MA PI GO MG RO GO Benth. claussenii M.MG GO DF.BA MG MG.) Kuntze MG. amnis-atri M. artemisiana M.BA Barneby Mart. MG.MT MT.MG. humivagans M. heringeri M. BA. hebecarpa M. lithoreas M. MS. T. MT.) GO. bipennatula M. Barneby Barneby Benth. eriorrhachis M.MS. decorticans M.MG. MA (Willd. Barneby Benth. Barneby Mart.TO M. Barneby Malme Mart.MT GO DF. hypnodes M.BA MS GO MG GO DF. brevipes M. hypoglauca M. acroconica M.DF GO BA. modesta M. MT. BA.DF. diptera M. GO. callithrix M.Vegetação e Flora Tabela 7. DF GO GO MA DF. PI. CH. Barneby Dusén Barneby GO PI MG MG MG GO GO MG GO MG GO DF. cryptoglea M.BA. monacensis M. leiocephala M. falcipina M. flavocaesia M. Barneby Barneby Benth Malme Benth. barretoi M. adenocarpa M. hapaloclada M. auriberbis M. MS.GO. cisparanaensis M.BA Glaz. arenosa M. burchelli M.MG DF. MG. bimucronata M. 1991): Mimosa accedens M. chrysastra M. laniceps M.DF. MG.GO. GO. itatiaiensis M. flabelifolia M.PI. camporum M. leptorachis M.MS.TO. Mart. adenophylla M. capito M. antrorsa M. Taub. lepidophora M. Barneby Barneby Benth. GO. Mart. GO. ex Buck. adenotricha M. invisa M. GO.GO. debilis M. aurivillus M. brachystachya M. Benth.GO. discobola M. dicerastes M. exalbescens M. calocephala M. Wright Barneby Barneby Benth GO GO. gemmulata M. foliolosa M. irrigua M.) Poir. ex Colla DF. aguapeia M. Benth. Barneby Benth. interrupta M. DF.MS.GO.MS. MG (Benth.GO Rizz. Benth. calodendron M.GO DF DF. Barneby Mart. Lista preliminar das espécies de Mimosa do bioma Cerrado (contínuo) e estados de ocorrência (dados pesquisados nos herbários UB. Benth. monticola M. MG. montis-carasae Vell. maguirei M. DF MG.MG. cyclophylla M.MT. Benth.GO.MS PI GO. adamantina M. acutistipula M. dichroa M.BA Heringer & Paula MG.MG. dolens M. Hoehne Barneby Barneby Benth. GO. ex Benth. caliciadenia M.MG.PI MG MG. densa M. gracilis M.MG Benth. Rizzini Benth. microcarpa M. UFU. lanuginose M.MG GO. brachycarpa M. manidea M. guaranitica M. GO. cubatanensis M. DF. filipes M. gardneri M. humifusa M. Benth. diplotricha M. Benth. BOTU.GO.GO. HUEFS.BA MG GO GO BA. Benth. TO Barneby Benth. bombycina M. Benth.& B.MS. Barneby Barneby Benth. MS GO. longepedunculata Taub. macedoana M.MT GO. MS 63 . DF. dominarum M. Benth. MA GO. coruscocaesia M. laticifera M.BA.BA MG MT MG MS.) Macbride M. Benth. Taub. ex Willd. Barneby Benth. melanocarpa M. brevipina M. MG.MS. longipes M. digitata M. inamoena M. gatesiae M. albolanata M. cylindraceae M.GO Chodat & Hassler (DC. Benth.DF MG MG MG. MS. TO GO GO MG.GO GO. & Mattos MT. Barneby Barneby Hoechne Taub.MT DF.TO MG MT MG MG MA.MS Mart. CEN e Barneby. H.

L.MT. Hoehne Benth. setistipula M. pumilio M. Barneby Barneby Benth. PI. regnellii M.PI H.TO. rondoniana M. scaberrima M. paucifolia M. splendida M. supravisa M.MS.MA MG MG DF. & K. pusilliceps M. MG Glaz.TO GO Bong.TO. speciosissima M. venatorum M. setosissima M.PI. MT GO PA GO GO DF.GO.PA GO MG GO PI. pabstiana M. pycnocoma M.GO. Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Taub. weddelliana M. Barneby Benth.BA. piresii M. Taub. ex Benth. vestita M. thomista M. Hoehne L. Harms Barneby Mart. virgule M. Benth. Benth. regina M. Barneby Barneby Benth.GO. orthocarpa M. oligosperma M.BA MS PI MG MG MS GO. MG. Benth.DF MG GO GO MG DF GO. setifera M. MG. rheiptera M. L. parviceps M. pilulifera M.MT. peduncularis M. platyphilla M.MG MG GO.MG. PI Barneby Malme Benth.TO. Barneby Benth. nuda M.GO GO. myriophilla M. BA. H. Benth. Benth. somnians M. piptoptera M. suburbana M.BA MT MG DF. ex Willd. ourobrancoensis Burk.BA MG. sensitive M. oedoclada M. Mart.TO.MG. BA. multiplex M. spixiana M. xanthocentra M. pachycarpoides M. struthinoptera M. radula M.BA.TO.BA MG MG. M.GO TOTAL: 186 espécies 64 . pseudofoliolosa M.MG. BA DF. pogonoclada M. Benth. Benth. pocullata M. GO. pteridifolia M. MS. & K.BA M. rhodostegia M.MA GO DF.TO MG. pyrenea M. verrucosa M. MT (Willd.GO. xavantinae Benth. MA. MT GO GO. thernarum M. Barneby Barneby Benth. tenuiflora M. paraibana M. sericantha M. Benth. Benth. MS. ulei M. petiolaris M. Kunth Benth.MG.BA. pratincola M.MA MT. skinneri M. pogocephala M.BA GO DF.MT DF. Barneby Barneby Benth.GO.GO. uniceps M. L. polycarpa M.) Poir.MS.GO GO DF.GO MS. pudica M. stylosa M. procurrens M.PI DF.Tabela 7 (continuação) M. Barneby Barneby Benth. setosa M. ulbrichiana M. MT. MG Spruce ex Benth. phyllodinea M. somnambulans M. rufipila M. TO. MG H. papposa M. pseudoradula M. riedelii M.MG RO DF.MS. Benth. Barneby GO.B. Bong.GO GO GO DF.MS. Barneby DF. Barneby Barneby Benth.MA. quadrivalvis Benth. verecunda M.K. MA Taub. ex Benth. pellita M.MS.MS DF GO MG GO GO MT RO DF. pithecolobioides M. Barneby Benth.MG. rava M.MG.MG. ursine M. TO. nitens M. nycteridis M. Barneby Barneby Barneby MT MG GO DF.BA. polydactila M.MG.GO.GO PI. polycephala M.MT GO GO GO MG MG MT GO PI. Benth.PI. MS. prorepens M. Taub. ex Willd.GO. Pilger Benth Benth.MS GO. Barneby Benth.MT.GO. GO. multiceps Barneby M. PI GO. ex Barneby DF. velloziana M. DF.

MT.MS. Local DF.DF. cladotrichum Dunal DF. C. argenteum S. SP. RO S. SC DF. SP. S.MG. DF.MT DF.MG. Torvum BA. lycocarpum St. DF. DF. MG. MT. TE e UEC). PR. macrantum Dunal BA. CEN. RJ. S.RS DF. aff. schlechtendalianum Walpers DF.CE.Vegetação e Flora Tabela 8. Rich. PR. americanum S. viarum PR. Figura 14: Amplitude da distribuição das espécies de Mimosa presentes no Cerrado contínuo.SP St-Hil. AL. MT S. MG.TEPB) PI. SP. MG S. SP.MG DF. SP. BA.SP. crinitum S.SP.MG. RS.SC. gemellum S. PR.SP. Nee Sendt. S. SP.SP. ES. mammosum S. GO S. IBGE. Ruiz & Pavón DF. PE. MG. MG. SC. stenandrum Sendt. MG. palinacanthum S. BA. BA. MG.MS. RJ. foederale S.PI.GO DF.CH) MT S. GO. GO.MT Figura 13: Amplitude da distribuição das espécies de Habenaria presentes no Cerrado contínuo.MG. MG. Espécie Solanum acerifolium Dunal S. MT.GO.GO. jasminoides S.SP DF. MA. AM. L. . sisymbriifolium Lam. RJ S.RS. alternato-pinnatum Steud. 65 Figura 16: Amplitude da distribuição das espécies de Miconia presentes no Cerrado contínuo. CH. paniculatum Dunal L. MT.BA DF. MS.MG. Lista preliminar das espécies de Solanum do bioma Cerrado (contínuo) e estados de ocorrência (dados pesquisados nos herbários UB.PE DF. AC.MG. BA S. RS. MS. BA.GO. PR. chaetecanthum Dunal MG S. subumbellatum TO Dunal DF.MG. aspero- S.MS. DF TOTAL: 31 espécies Ruiz & Pavón DF. SP S. GO. AL. RJ. lycocarpum S.SP DF. SC. GO. CE. PI.RJ.PR. DF. Sendt. MS. granuloso. RJ. MG. MG. sp1 (Neto 854 . sp2 (Tombo 2388 .MT.GO. MS. sec. PR GO. SC DF. SP. asperum S. BA.BA.RJ. GO. PR.GO. GO S. incarceratum S. GO. MG. MG.GO. Figura 15: Amplitude da distribuição das espécies de Solanum presentes no Cerrado contínuo. SP. BA. oocarpum Miller Dunal Local DF. Lam. RJ.BA. subinerme Sw.RJ Espécie S. BA.-Hil.GO. ES. aff.BA. MS. gamphodes Dunal MT S. HEPH.PR.MG. MS. SC Vell. RS DF. BA. MG. PR. S. RS S. Dunal lanatum leprosum Paxton L.SP.

por exemplo. por sua vez. Os cerrados do litoral (Grupo LIT) estão associados à Formação Barreiras (do Terciário). setentrionais. a flora do cerrado é “areal” (Castro. este padrão. suas abundâncias e estruturas populacionais estão diretamente associadas com o fogo. conforme Castro (1994a.). diferentemente do primeiro caso. também chamados de tabuleiros litorâneos. correspondem aos de baixa altitude (0-500m). continental ( -4°-24°). de uma forma tal que se podem visualizar os grupos de cerrados de baixa altitude. não podem ser confundidos com restingas. há sobreposição de espécies sem mascarar. aos cerrados de média altitude (500-900m) e os do Planalto Central. mas sim como um contínuo vegetacional composto por espécies adaptadas a solos arenosos. sendo analisadas isoladamente. em termos de latitude. discretas. com variados padrões distribucionais de acordo com a exposição às influências marinhas. com flora. Os cerrados de Roraima. 1987) ou “glacis” de erosão (Guerra. A separação entre os dois conjuntos florísticos.l. porque têm algumas similaridades com as savanas arboladas da Colômbia e Venezuela.63°). no Brasil. podendo até mesmo serem considerados como apenas um único grupo (Grupo SP). estão associados à Formação Boa Vista (do Quaternário) e. Similar a este. 1995. mas diferentemente do primeiro caso. 1 . as áreas de cerrado apresentam-se com alta sobreposição.. Espécies como Curatella americana L. Em termos de padrão florístico. Em termos de flora.Análise dos cerrados do Nordeste (revisão baseada Castro et al. uma flora característica para cada local ou área de cerrado s. os avanços têm sido similares a partir de Barbosa et al (1996). no entanto. entretanto.l. Entretanto. é possível especular que eles venham a pertencer aos cerrados guianenses. 1980). Os cerrados do litoral e do Nordeste. do Nordeste e do litoral. no contexto do espaço natural dos cerrados.l. cerrados do Planalto Central (Grupos PC1. nenhuma relação têm com o litoral. Em função disto. os cerrados (cerrado s. Para Leitão Filho (com. b). Os cerrados do litoral. Ratter et al (1996. cerrados do Pantanal (Grupo PAN) e cerrados do Litoral (Grupo LIT). pess. meridionais. como os últimos. a sobreposição de espécies é significativa conferindo-lhe um padrão florístico longitudinal pouco consistente. Os dois grupos de cerrados de São Paulo apresentam altíssima sobreposição. associados que são à hipótese de migração de diásporas versus “glacis” de acumulação (Figueiredo e Fernandes. os de média altitude e os de baixa altitude. o padrão florístico dos cerrados do Brasil é latialtitudinal (Castro. b. entretanto. um padrão florístico altitudinal apresenta-se como significativo e mais do que em termos longitudinais.) existem espécies permanentes que têm ou não ampla distribuição geográfica. tanto quanto os cerrados de Humaitá (AM). b). porque estas são mais recentes (do Quaternário) e não estão associadas àquela primeira formação geomorfológica. Neste caso. b). os cerrados do litoral (grupo LIT). são comuns entre os dois. aos cerrados de alta altitude (900-1. apesar de mais savanóides. o padrão latitudinal é inequívoco até porque a amplitude dos cerrados no Brasil. 1999 Cerrados do Brasil e do Nordeste: caracterização. pertencem floristicamente aos cerrados brasileiros. os de São Paulo. provavelmente aconteceu depois da formação da bacia Amazônica. PC2 e PC3). Do mesmo modo. Castro et al (1998) e Mendonça et al (1998). cerrados do Nordeste (Grupo NE). em termos de mesoescala. é preciso não confundir espécies. Para Oliveira-Filho (1993) e Oliveira-Filho e Carvalho (1993). Existe. apesar da amplitude longitudinal da distribuição dos cerrados ser também considerável (35° . Considerando o Nordeste. Byrsonima crassifolia Kunth e Bowdichia virgilioides Kunth. são compostos por oito grupos: cerrados de São Paulo (Grupos SP1 e SP2).V . publicadas e/ou inéditas. há sobreposição entre os grupos de cerrado do Planalto Central. Castro (1996) e Castro et al (1998). 1994a. Ao que se sabe. A interpretação ecológica do Cerrado do Brasil tem progredido significativamente a partir dos trabalhos de Ratter e Dargie (1992). Em função disto. Os cerrados associados com a Formação Barreiras são chamados também de cerrados migratórios. em termos de consistência. 1996. não há perda de consistência por causa de suas sobreposições. Com uma distribuição vertical considerável (8-1. 1997).200m). Os grupos de cerrado do Pantanal. restinga e tabuleiro (litorâneo) não podem ser considerados como duas formações vegetais 66 . 1997). não apresentam nenhuma sobreposição. quando então se separaram os escudos Guiano e Brasileiro. como antes foram referidos. Nos llanos del Orinoco. não existe uma flora permanente para o cerrado s. Castro (1994a. sim. porém compartimentada. 1994a.Grupos de Cerrado no Brasil Com base em uma comparação florístico-geográfica de amostras de Cerrado (listas de espécies lenhosas: arbustos e árvores) levantadas até 1992. área de ocupação e considerações sobre a sua fitodiversidade). é considerável. Entretanto.175m). diferentemente. centrais. V.

1963) ou “core” (Eiten. o pólo central eqüidistante. porque este pode ser apenas um centro de dispersão. 1990). primário ou secundário. apud Giulietti e Forero. 1966). 3 . onde fases mais secas alternaram-se com fases mais úmidas. entretanto. deixando um pouco de lado os aspectos relacionados aos diversos delineamentos amostrais e/ou às análises de representatividades florísticas das amostras. centros de diversidade e focos de coleta Com base nos resultados de Castro (1994a. Para o cerrado s. por conta da variação do seu espaço geográfico. até porque. No domínio dos cerrados. Durante essas fases algumas formações vegetais pulsaram ao longo do tempo. mas nas suas aceitações e adoções: monismo versus pluralismo. Para o Triângulo Mineiro (MG). florísticas e de continuidade espacial ocorreriam na área nuclear (Laboriau.Vegetação e Flora V. As áreas marginais. O terceiro aspecto diz respeito a questões de herança de especulações anteriores por parte de fitogeógrafos renomados do Brasil e do exterior (que conheceram os cerrados).. ainda que em uma escala de tempo e espaço diferentes. Especulações dessa e daquela natureza têm.1987). o domínio morfoclimático e fitogeográfico dos cerrados (Ab’Sáber. as questões de espécies ou flora permanentes trazem à tona questões relacionadas com centros de endemismo. diz respeito ao nível do conhecimento atual e. pois tratam-se de áreas onde tem ocorrido maior concentração de coletas. Ferri. com toda a sua abrangência. mais ainda. Nelson et al. 1979). Resultado: a flora central oreádica. Se eventualmente ou não. com vantagens para o primeiro. Para Richardson (1978. 1971. seria o maior centro de endemismo da América do Sul. como ainda hoje muda. Como nem todo centro de endemismo é um centro de diversidade.000 espécies da flora central oreádica são endêmicas.Espécies peculiares. 1977). acentuando os processos de erosão. segundo Guild (1953. foram ou passaram a ser centros de irradiação. central (Rizzini. altitudes atuais de 700m já atingiram no passado aquele patamar. Por causa de paleoeventos epirogênicos (porque lentos e de grande escala) camadas cretáceas marinhas foram elevadas a cerca de 900m de altitude (Chapada do Araripe. por conseguinte. O segundo aspecto diz respeito à variável altitude. Segundo Bigarella et al (1975). O problema não está nessas especulações e nem sequer nos questionamentos que a partir delas podem surgir. CE) e remanescentes ou velhas superfícies de erosão foram colocadas a altitudes variadas. cerca de 3. 1990) consideraram que alguns centros de endemismo poderiam ser artefatos. Para a Amazônia. por causa da elevação do continente (Bigarella et al 1975). a flora oreádica central é de fato central. espécies acessórias e centros de distribuição As máximas expressões fisionômicas. seguiu na direção de cotas altimétricas mais baixas. 1977b) seria ou conteria o centro de endemismo para aquela flora o que. O primeiro diz respeito ao simples espaço geográfico. a despeito do conhecimento compartimentado e localizado do cerrado s. mudou de posição a cada paleoevento. a despeito dos grandes vazios ainda existentes. Se alguns táxons de origem marginal (de cotas altimétricas mais baixas) melhor se estabeleceram e mais efetiva67 mente evoluíram em cotas altimétricas mais altas é uma hipótese que pode muito bem ser considerada. 1972. o empobrecimento da flora partiu dele em vez de nele terminar ou completar-se. desde algumas centenas de metros até mais de 2. as informações geológicas assinalam um caráter policíclico para as mudanças e flutuações climáticas. De qualquer modo.Centros de endemismos. um centro de diversidade pode ser um centro de irradiação. ao nível dos resultados a partir de Castro (1994a) que. ainda que importantes. periféricas e/ou disjuntas apresentariam uma flora empobrecida em relação à área nuclear. b). pelo menos. (1989. além de central. 2 . O quarto aspecto. V. a questão maior é se um ou mais desses centros de diversidade são.l. Desta forma.l. quatro aspectos conspiradores. apud Giulietti e Forero. porém acres- . com algumas exceções. acompanhadas ou não de fragmentações. tanto em nível de Brasil. Assim. a cada antropoevento. há coincidência entre as partes centrais e marginais do espaço territorial brasileiro com as floras centrais e marginais. quanto em nível de Nordeste. apud Goodland. pela sua extensão. há ainda questões fundamentais sem respostas. marginais. que se tinha antigamente. Como a maior parte do domínio do Cerrado está na região central do Brasil. em função de suas expansões e retrações. não haveria confusão entre centros de endemismo e focos de coleta. Dois de índole física (natural) e dois de índole cultural. nesta vegetação os levantamentos não foram tão localizados. centros de diversidade e focos de coleta. mostra que apesar dos cerrados serem uma das formações vegetais mais estudadas no Brasil. estando este em áreas marginais. Centros de endemismo podem ser centros de evolução e. centros de diversidade (Watanabe.000 m. algumas daquelas especulações são muito consistentes.

as áreas marginais. estas últimas não estariam presentes necessariamente em áreas marginais em um sentido de localização centrífuga (nas bordas. como para a Amazônia (TCA. a deficiência hídrica anual (no solo) aumenta e. 32.800ha.) ou antrópicas. principalmente nos tempos atuais. como fatores ecológicos.1%) dominado por áreas não semi-áridas.l. 1972. principalmente. modificado).046. 1992). periféricas e/ou disjuntas de Cerrado são facilmente distinguíveis das demais formações vegetacionais circunvizinhas. necessariamente que os cerrados centrais são.cida de elementos florísticos advindos das formações vegetacionais circunvizinhas (Eiten. Este último autor denominou aqueles elementos florísticos de espécies ou elementos acessórios e de espécies ou elementos peculiares ou próprios os que ocorrem nos cerradões da área nuclear. na forma de centros de distribuição. 1990. Rizzini. favoráveis. disjuntas ou não. apud Aoki. os grupos PC1/PC2/PC3/PAN e o grupo NE podem ser considerados como três grandes centros de diversidade e as áreas de sobreposição entre estes como centros de distribuição. o cerrado s.Supercentros de diversidade Ao longo da distribuição dos cerrados brasileiros. ficando o restante (76. Maranhão e Bahia. Como o Estado de São Paulo apresenta áreas marginais disjuntas e os Estados do Piauí e Maranhão apresentam áreas marginais distais de Cerrado. o grupo SP (SP1/SP2). como no tempo. o segundo maior domínio florístico vegetacional (Andrade-Lima. em decorrência da dinâmica do ecossistema. o semi árido ocupa apenas 78. 1963 e 1979). se uma população de uma determinada espécie ocorre e se mantém em um certo local. seria esperado encontrar grande riqueza florística em decorrência. em torno do paralelo 20°. comporta-se como um mosaico e espécies peculiares. 4 . Pernambuco. 5 . Rio Grande do Norte. diz respeito ao polígono das geadas e a segunda. 1986). entre populações adaptadas a condições diferentes. Tais variações não são consideradas em estudos florísticos e mais uma vez são argumentos para se discutir a distinção entre espécies peculiares e acessórias dos cerrados (Castro. cerca de 96. geográficas. Por outro lado. na direção oposta. Na direção sudeste-nordeste. ca. foram ou passaram a ser centros obrigatórios de irradiação de espécies ou centros únicos de irradiação da flora oreádica. nesta Região. é porque está adaptada às condições daquele ambiente que lhe são. estes são os que imprimem efetivamente. a temperatura média mensal diminui. Assim. Deficiência hídrica e temperatura. diz respeito ao polígono das secas. Para Souza et al (1994).8% da região ou 15. da área poligonal do domínio florístico vegetacional dos cerrados). Além destas barreiras climáticas (estreitamente relacionadas com este polígonos). No Ceará. do Planalto Central ao Nordeste ou do Planalto Central ao Sudeste Meridional (São Paulo). próprias ou “centrais” e acessórias ou “marginais” se sobrepõem. 1992). Do mesmo modo. geomorfológicas. a substituição de espécies é uma constante. Considerando-se apenas os Estados do Piauí. é fato reconhecido há muito tempo na Ecologia que. barreiras climáticas e altitude separam os cerrados do Brasil em (três) supercentros de biodiversidade: cerrados do Sudeste Meridional. provavelmente estão diretamente relacionados com esta substituição de espécies.9%) do território nordestino. 49. Isto não significa 68 . etc. 1974. A primeira. que ocorrem tanto no espaço. regulados pela presença e eficácia de barreiras (microclimáticas.200ha da área do Nordeste. do grande número de espécies acessórias. Paraíba. a homogeneidade florística é um mito. De tal fato decorre que a distinção entre espécies peculiares e acessórias nos cerrados é artificial e discutível. Entre os cerrados do Sudeste Meridional e os do Planalto Central e entre estes e os cerrados do Nordeste duas barreiras climáticas se estabelecem. cerrados do Planalto Central e cerrados do Nordeste (Castro 1994a.9% dos cerrados no Brasil) são ocupados por este domínio (Sanchez et al. diferentemente dos centros de distribuição intragrupos.821.Área de ocupação dos cerrados do Nordeste Dos 154. Contudo. entretanto. 1994a).156. orográficas. Fernandes e Bezerra. porém afirmou que tais espécies peculiares não existiriam porque seriam atribuídas a outras formações vegetacionais. Dos grupos de cerrado do Brasil.866ha (20. onde se encontram os cerrados do Nordeste. Não se deve excluir dessa discussão a variação de abundância das diversas espécies. b).806. assim. às áreas não semi-áridas (Melo Neto.060. a partir de 15ºS 45ºW.100 ha (38%). altitudes de 400-900m. Como são nestas últimas áreas e em algumas outras áreas de exceção subúmidas do semi árido. 1994a). Se espécies peculiares e acessórias vierem a ter significado ecológico. podem ser utilizadas como delimitadoras daqueles grandes centros.867. principalmente pela sua fisionomia e composição florística. carecendo então de significado ecológico.100ha (62%) correspondem ao semi-árido nordestino e o restante. 58.400ha (50. 1982. V. ao longo de todo o seu domínio (Castro. Alagoas e Sergipe há também cerrado ou nas partes não semi-áridas destas unidades federativas V.

o primeiro. importantes. caracterizando uma flora lenhosa (árvores. Por outro lado. Sarmento e Soares (1971) e Tavares (1964a. Estes subtipos são determinados por questões naturais. arbustos e lianas) com uma listagem de 116 espécies para o Parque Nacional de Sete Cidades (Piracuruca. são importantes. nas áreas de transição. No Maranhão.s.759ha (70. “Campo Cerrado”. com a apresentação de “critérios ecológicos para o desenvolvimento de modelos de aproveitamento agrícola” e. apresentase na forma dos subtipos “Campo Sujo de Cerrado”. campos. mas diferentes do contexto atual (Castro. levantamentos com base em material de herbário (com problemas de fidedignidade em termos de determinação botânica). b). 1976). Mata Seca decídua. PI). et al (1990) e Stannard (1995).Base bibliográfica: considerações Para os cerrados do Nordeste a base bibliográfica ainda é pequena.0% em termos da área do estado. No Maranhão. mata dicótilo palmácea) ou Mata Ripícola.l. “Cerrado s. diferentemente da forma “disjunta” como se encontram os cerrados marginais no Sudeste meridional (São Paulo). A expressão “distais” refere-se ao fato de que estes cerrados são a continuação fisionômica e estrutural dos cerrados do Planalto Central de forma contínua. quando apresentou as idéias de “zona marginal” e de “individualidade fitogeográfica do cerrado piauiense maranhense”. estas duas últimas estimativas correspondem a 33. quando presentes. campos periodicamente inundáveis e/ou vegetação de parque” (Castro et al. primárias. por sua vez. Carnaubal.107ha (29. Mata de Babaçu (cocais.507. 6 . Além do mais. Nos dois estados.9% do cerrado no Brasil ou 36. fitogeográficas. especificamente. um total de 9. sem nenhuma ligação necessária com qualidade da flora ou das espécies. caracterizando uma flora lenhosa (árvores. 1998). Para a Paraíba.5% do cerrado no Nordeste) correspondem ao Cerrado s. 1994a. determinados que foram por questões antrópicas. sim. arbustos e lianas) com uma listagem de 128 espécies e apresentando um mapeamento para a vegetação do Cerrado s. Una (Baixa Grande do Ribeiro. de um dos supercentros de biodiversidade dentre os três já citados anteriormente. bibliográficos (com problemas de repetição e acumulação de erros de compilação) ou com levantamentos inexpressivos em termos de cobertura amostral. a maioria dos trabalhos relacionam-se com levantamentos expeditos.349. que é formado por um mosaico de vegetação composto por “Campo Cerrado. Goergen (1986) e Jenrich (1989) ofereceram também valiosas contribuições. o que. Castro (1984). Para os cerrados de Pernambuco. pedológicas. com a apresentação de uma listagem de plantas árboreas e arbustivas associadas com as suas respectivas importâncias econômicas. Para os cerrados do Piauí e do Maranhão as principais contribuições estão associadas com Rizzini (1963.000ha (4. Barroso e Guimarães (1980) apresentaram o primeiro levantamento florístico considerado intensivo. fez a mesma coisa para a Estação Ecológica de Uruçuí. Oliveira-Filho (1993) e Oliveira-Filho e Carvalho (1993). o Cerrado s. porque estão distribuídos nas margens do espaço geográfico ocupado pelos cerrados brasileiros. respectivamente. Mata de Babaçu.4%) encontram-se em sua área de domínio e 3. passam a ser chamados de “cerrados marginais distais”. Figueiredo (1989a. porque circunstanciais e de acordo com o domínio do conhecimento de quando foram realizados. os contatos ocorrem com florestas (de vários tipos).Vegetação e Flora ou encravado no domínio da caatinga ainda que em pequenas manchas (Andrade-Lima 1986). Haynes (1970). os cerrados do Nordeste.. mas não com a conotação de “marginais” porque teriam uma flora preponderantemente composta de “espécies acessórias” (sensu Rizzini) e. Carrasco.9% do cerrado no Brasil ou 30. Savana de Copernicia. somadas. Para os cerrados da Bahia destacam-se: Pinto . por sua vez. Mata Estacional subdecídua. Para o Ceará.3% e 14. Para o Piauí. perfazem um valor relativo de 47. com aspectos de oreadicidade.” e “Cerradão de Cerrado”. PI). No lugar de “individualidade florística” (sensu Rizzini). No Piauí. um total de 11.l.l. arbustos e lianas) 69 V. Em Barbosa et al (1996). dos quais 8. por sua vez. levantamentos com base em uma única excursão ao campo.800. Entretanto. o segundo. uma vez que níveis de secundarização. acabam por influir sobre a estrutura (organização).3% em termos de ocupação. no Nordeste. campos inundáveis (periódicos e permanentes).l.856. um total de 249 espécies (conhecidas: completamente identificadas) são apresentadas para a flora lenhosa (árvores. 1992). há contatos dos cerrados com a Caatinga. No Piauí. apresenta-se a idéia da existência. isto é. Albuquerque (1987).9% do cerrado no Nordeste) correspondem ao cerrado s. seletivos. ou por questões antrópicas. b) e Granjeiro (1983). A partir de Castro (1994a). principalmente do Piauí e do Maranhão.866ha (5. estabelecendo-se riquíssimas áreas ecotonais. Andrade-Lima (1957).6%) em sua área de transição (CEPRO. principalmente. b). No Piauí e no Maranhão as áreas de transição são significativas. Fernandes e Figueiredo (1977). Mata Ripícola ou com um complexo vegetacional denominado de “complexo de Campo Maior”.

709mm e as deficiências hídricas anuais de 365-560mm. Sudoeste do Piauí (Corrente. os cerrados do Nordeste. Para o Maranhão. podem estar associados com sazonalidade hídrica na presença de concreções. respectivamente.l. em todos os grupos de cerrado no Brasil há amostras de cerradão. arbustos e lianas) um total de 308 espécies (conhecidas e desconhecidas: identificadas ao nível de família de gênero e não identificadas) são listadas. com cerca de 700.8º51’S e 41º43’ . para cada um deles.l. 32 e 33 espécies foram amostradas. Destas. caracterizando as floras silvestre e campestre. os indivíduos com diâmetro ao nível do solo (DNS) igual ou maior que 3cm.000ha. Ratter e Bridgewater. Carolina. melhor que à “altura do peito”. O clima varia de Subúmido Seco a Subúmido Úmido. São João dos Patos e Fortaleza dos Nogueiras) (Ratter et al. distribuídas em 28 e 19 famílias botânicas. os cerradões meridionais são mais . Eiten (1994) publica os resultados das excursões que realizou nos anos de 1962. tomando como base os 17 (dezessete) levantamentos selecionados por Castro (1994a). ainda que possa tê-las em termos de estrutura (fitofisionomia). Na forma de diagnóstico. SEMATUR (1991) apresenta os principais problemas ambientais do Estado do Maranhão. o que pode indicar que estes pertencem muito mais ao cerrado s. os cerrados do Piauí distribuem-se entre as latitudes de 3º58’ . Pé de Galinha. 1996. Ouratea spectabilis (possivelmente Ouratea hexasperma) e Qualea parviflora foram consideradas como as mais importantes sob o aspecto ecológico-silvicultural.3° . no último. Métodos. nem sempre bem drenados ou podem ser pobres em cálcio. foram considerados todos os indivíduos arbustivos e arbóreos e. 11 (onze) foram quantitativos e 2 (dois). distribuídas em 22 famílias. porém mais concentrada entre os meses de dezembro-abril. critérios de inclusão e delineamentos amostrais foram diferentes. a fidedignidade da determinação botânica das espécies é consideravelmente suspeita. 1977. e mais especificamente no Piauí. Gerais de Balsas. nos municípios de Santa Quitéria do Maranhão e Carolina. Soares (1996) e Ferreira (1997). As primeiras análises fitossociológicas começam com Imaña-Encinas et al (1995). delimitação e caracterização dos “cerradões” continuam ainda em aberto. Gilbués e Santa Filomena) e Sul do Maranhão (rio Balsinha. Outros levantamentos florísticos. 65 espécies arbóreas foram listadas. Rizzini (1976) listou 11 espécies. que não mantenha relações de oreadicidade. Stryphnodendron coriaceum e Vatairea macrocarpa. As temperaturas médias anuais variam de 26. qualitativos. MA). muito expeditos.do Nordeste. plintita (laterita) e com cores que variam do cinza claro ao amarelo. Plathymenia reticulata. inéditos ou em fase de publicação. Com base nas 145 amostras de cerrado s. 1963 e 1970.27ºC. Qualea parviflora. Em geral. encontra-se em andamento o primeiro levantamento fitossociológico. o que certamente influiu sobre o baixo número de espécies comuns. Byrsonima crassifolia. e UEMA (1988) apresentou uma listagem de 89 espécies de Magnoliophyta (monocotiledôneas e dicotiledôneas) e Lycopodiophyta (pteridófitas). expeditos e. Na caracterização da flora lenhosa (árvores. dezoito anos depois da sua criação: 1980. foram apresentadas. V. Para os dois primeiros o 70 critério de inclusão foi o de indivíduos com diâmetro à altura padrão (DAP). De um modo geral. Castro et al (1998) apresentam uma caracterização dos cerrados do Nordeste (Piauí). Para Imperatriz (MA) e Afonso Cunha (MA).430m de altitudes. o número de espécies é pequeno. conforme o método de Thornthwaite e Mather (1955). foram realizados em algumas localidades do Noroeste da Bahia (Formoso do rio Preto). comparadas por Castro (1994a). com exceção da primeira. em Imperatriz.9%) referem-se a cerradões. refletiu diretamente sobre as baixas representatividades florísticas das amostras. de transição ou não. Para Carolina (MA).217 .Cerradão do Nordeste: características As questões de conceito. A distribuição das chuvas apresenta se de modo irregular. de acordo com a classificação indicada pelos seus próprios autores. Nestas publicações os levantamentos são gerais. O método de levantamento utilizado. Sanaiotti (1996). Com relação aos solos. igual ou maior que 5cm. Alto Parnaíba. Qualea grandiflora. Fazenda Parnaíba. das quais 39 (26. Barão de Grajaú. Haluli e Duarte (1985) listaram as 78 espécies arbóreas que foram coletadas em dezesseis municípios da bacia do rio Itapecuru. Tasso Fragoso. Com base naqueles 13 levantamentos. Com base em 13 (treze) destes levantamentos florísticos e/ou fitossociológicos. as precipitações anuais de 1. das quais apenas 38 espécies foram amostradas em termos quantitativos.7 .1. mais do que a natural heterogeneidade espacial característica: Byrsonima crassifolia. No terceiro. com as grandes variações do lençol freático. do que a uma classe florestal. 41 espécies arbóreas. Pedra Caída. Sul do Ceará (Sertão de Salgado e Crato). Loreto. Destes levantamentos. 1997). Para Santa Quitéria do Maranhão. denominado pelos autores de “levantamento rápido”. em Afonso Cunha. apesar da presença de Orbignya e Copernicia. Para o Parque Estadual do Mirador (Mirador. respectivamente.45º15’W e 70 .

os cerradões do Nordeste são chamados de “chapadas”. considerando as formas florestais. Para alguns. provocam muito mais confusão do que consenso. 1994a). outras se baseiam no “bioma”. poderão indicar respostas satisfatórias e comprovar ou não aquela hipótese. os cerradões do Nordeste são referidos como “vegetação de parque”. uma vez nestas áreas. pelo menos mais do que a flora herbáceo subarbustiva.Estimativas da riqueza total de espécies Com base na última atualização do conhecimento da flora lenhosa (arbustos e árvores) dos cerrados brasileiros (Castro 1994a. somente estudos futuros mais refinados. 8 . tanto quanto algumas espécies do campo cerrado são também substituídas no campo sujo de cerrado. a penetração de luz. na medida em que indicaram. Para os cerrados outras estimativas globais existem. quanto mais meridionais. existem espécies características deste tipo ou subtipo de vegetação e segundo Rizzini (1979). entretanto.l. “no sentido de que não têm relação com o cerrado s. Como o número de espécies não lenhosas (espécies do componente rasteiro. os rebanhos são cuidados de forma extensiva ainda nos dias de hoje. há outras que são endêmicas e outras que são características de tipos ou subtipos de vegetação circunvizinhas não oreádicas. um total de 6062 espécies. de 989 a 1753 táxons específicos e subespecíficos. 1093 gêneros e 151 famílias. Desta forma. esta flora é composta. 71 Popularmente. 1994a) e. De qualquer modo. Entretanto.s. Nos cerradões é a flora arbustivo-arbórea que predomina e a flora deste componente (arbustivo-arbóreo) é eurioreádica em termos de cerrado s. O nível de substituição tanto em um subtipo quanto no outro é que poderia dar indicação das diferenças entre campo sujo e campo sujo de cerrado e entre cerradão de cerrado e cerradão. 1987.l. Agonandra brasiliensis. sensu Eiten) corresponde ao dobro ou ao triplo do número de espécies lenhosas.Vegetação e Flora florestais e. outras. os setentrionais. etc. e há os que não o são floristicamente (Castro. entre outras.) e. A expressão “cerradão” é um conceito mais fisionômico do que florístico. consideram de modo diferente os critérios de inclusão (diâmetro mínimo. tradicionalmente. Alguns indivíduos do componente arbóreo atingem facilmente porte de 10-15m. no mínimo. entretanto. a diversidade de espécies descarta facilmente este enquadramento. A florística. no mínimo. Os solos em geral são profundos e variam de arenosos a argilosos. fisionomicamente. incluindo florística e fitossociologia de “florestas xeromorfas”. Ratter e Ribeiro (1996) e Ratter et al (1997). mais distantes floristicamente do cerrado s.l. incluem critérios de sobreposição (caule grosso. a flora do cerradão é a mesma que a do campo cerrado. essa florística poderia distinguir um “cerradão de cerrado” (em analogia ao “campo sujo de cerrado”) de um outro tipo de cerradão. mas nunca como nas matas. formas biológicas. O problema maior é que não é discreta a separação entre os “dois tipos de cerradão”. O crescimento simpodial dos ramos está presente e o nível de tortuosidade dos ramos e/ou de suberosidade dos caules têm relação direta com o tipo e/ou freqüência do fogo. aconchegada. a hipótese é: há cerradões que representam um dos subtipos do cerrado s. Os componentes herbáceo subarbustivos e arbustivo arbóreos sempre estão presentes. outras ainda. arbustos grandes. A copa das árvores se tocam. Em Mendonça et al (1998) parte destas estimativas globais foram confirmadas. b). incluindo todas as comunidades que nele estão presentes. mais savanóides (Castro. em termos de fanerógamas.l. Entretanto. por exemplo. Byrsonima sericea. Caryocar coriaceum. o conhecimento sobre a florística dos cerradões do Nordeste tem muito que contribuir. hábitos de crescimento. no entanto. os cerradões do Nordeste não são os mesmos que os cerradões do Planalto Central ou do Sudeste meridional. o que leva a crer que a generalização de que todo cerradão não representa um subtipo dos cerrados é. a flora total dos cerrados é estimada como sendo composta de 3956 a 7012 espécies. Como ambos têm fisionomia florestal.) para a computação das . Luetzelburg (1922. Sclerolobium paniculatum. Para este autor. Neste aspecto. são substituídas no “cerradão de cerrado”.. V. muito simplista.l. Algumas espécies do cerrado s. A serapilheira existe. de 366 a 575 gêneros e de 88 a 210 famílias botânicas. Segundo Ribeiro e Walter (1998).. como por exemplo Dias (1996). particular ou não.”. já os caracteriza em termos de fisionomia como “um campo cerrado da flora arbórea. é que poderia separar os dois tipos de cerradão. savânicas e campestres do “bioma” Cerrado. dentro e fora do domínio morfoclimático vegetacional do cerrado s. A expressão “cerradão” foi a que mais resistiu em termos de classificação informal e além disto. principalmente porque ocorrem em terrenos altos e planos. etc. então. como se baseiam em critérios diferentes. deixando fácil. quase que apertada”. 1923). o cerradão “do ponto de vista fisionômico é uma floresta. mas floristicamente é mais similar a um cerrado”. Dentre as principais espécies destacam-se Parkia platycephala. Algumas se baseiam em perspectivas diferentes de área de ocupação.

por exemplo. isto é. que vantagens devem ser acrescentadas.. tendo desenvolvido adaptações físicas.l. A realidade da situação taxonômica para os cerrados. químicas e simbióticas. Para o Nordeste. é pouco conhecida e em alguns aspectos. 1996).1:3 (uma espécie do componente lenhoso para duas ou três espécies do componente rasteiro). a conclusão do desconhecimento das espécies é inequívoca. O grande número de classificações fisionômicas e a adoção de inúmeros critérios de inclusão produzem efeitos imediatos sobre as estimativas globais. 1992). estimuladas muito mais por interesses sócio-econômicos incongruentes com a realidade nacional. 1991. O nível de conhecimento taxonômico e as questões das sinonímias.1%) correspondem a espécies identificadas não duvidosas. Além do mais. 67 (3.8% para os táxons desconhecidos: identificados até o nível de gênero (26. poucas são as estimativas que vêm acompanhadas de lista(s) de espécies (checklists). apenas 210 (68. 1994) pulam para 10000 espécies para a flora de angiospermas (Dias. de espécies herbáceo-subarbustivas e arbustivo. baseando-se nos mesmos critérios de Castro (1994a). como tem a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). ao contrário do que muitos pensam. alguns levantamentos quantitativos têm mostrado a riqueza de espécies com acompanhamento providencial de testes de representatividade florística das amostras. geram listas de espécies incompletas. o que significa.3%) e não identificados (4. 1987). Em levantamentos florísticos realizados (Castro. que evoluíram sob forte pressão de herbivoria (Fowler e Duarte. instituída pelo Ibama em 1990? Por outro lado. uma enorme preocupação. as estimativas da riqueza total de espécies apontam para números na ordem de 924 a 1232 espécies para proporções de 1:2 . pouca oferta de variabilidade genética vai ser aproveitada pelas gerações tecnológicas seguintes.arbóreas do cerrado. corresponderia a 17. tem uma relação de custo benefício negativa quando se pensa em desenvolvimento sustentável que leva em conta a manutenção da biodiversidade. segundo Castro et al (1998).2%) táxons são conhecidos. apud TCA. 1987).8%) a espécies identificadas com dúvidas e 667 (38. álicos. Para o Piauí.0%). por exemplo. . por exemplo. muitas vezes prolongada. com base nas 145 listas de espécies relacionadas às 78 áreas comparadas de cerrado s. O impacto ambiental produzido pelo desmatamento de grandes áreas para a introdução de monoculturas de grãos. árvores e lianas).5%) é preocupante. Ainda assim. as proporções estimadas. que as plantas arbóreas adultas suportam deficiência hídrica. mesmo que através da quantidade de espécies lenhosas conhecidas e desconhecidas projeta. Castro (1994a). No entanto. Quanto deste deve ficar intacto ou sob controle de preservação? Quanto deste deve ser conservado? Quais níveis de antropismo devem ser permitidos em áreas de seu domínio? Na criação de mais Unidades de \Conservação de controle privado. uma flora com uma estimativa na ordem de 7000 espécies? Segundo Salati (1983.espécies. Desta forma. De acordo ainda com o conhecimento da flora arbustivo-arbórea dos cerrados brasileiros (Castro.1%) a espécies desconhecidas – ou porque foram incompletamente identificadas. a fitodiversidade e a arquitetura (organização) compartimentada do Cerrado impossibilitam a extrapolação de resultados. até o nível de família (1. Isto também produz efeito imediato sobre as estimativas globais.Considerações sobre a fitodiversidade do Cerrado Considerando que os cerrados apresentam plantas que ocorrem em solos distróficos e. Assim. em termos comparativos. respectivamente. ou porque não foram sequer identificadas botanicamente. o número de angiospermas é estimado em 60. apenas 1019 (58.6% da estimativa total da fitodiversidade dos cerrados do Brasil. Na abertura de uma fronteira agrícola qualquer em áreas de cerrado.000 espécies para a Amazônia (brasileira e extra brasileira). listou 50 variações de fitofisionomias e 42 variações de critérios de inclusão. áreas de cerrado (cerradão de cerrado) de cerca de 30ha podem conter mais de 70-80 espécies lenhosas (arbustos. Dos 1753 táxons específicos e subespecíficos. até o momento. torna-se óbvio que são bancos gênicos de muito maior valor do que lhes é atribuído e que merecem ter importância muito maior do que apenas produzir carvão e enormes áreas de cultivo. completamente identificados. Sem o conhecimento necessário do patrimônio florístico dos cerrados. a fitodiversidade dos cerrados do Nordeste. Uma porcentagem de 31. algumas questões de ordem prática aparecem. 1994a. para agora e para o futuro. Por que não existem estimativas específicas para a nossa Amazônia? Na impossibilidade real de fazer censos florísticos. estimativas de 1000 espécies para a flora arbóreo arbustiva de caule grosso (Eiten. inclusivas ou superestimadas. em função dos dados até então obtidos. problemática. 9 . além da isenção do Imposto Territorial Rural. b). considerando apenas as que efetivamente são amostradas e toda a 72 V. Oliveira e Leitão-Filho. regional. muitas vezes. levando em consideração a maior estimativa.

de monografias e de teses acadêmicas.155 indivíduos. Soluções já existem para uma série de problemas.44%. O quadro atual dos cerrados no Brasil. 2. tudo indica que somente depois de os cerrados atingirem os níveis de perturbação que alguns dos outros grandes ecossistemas já atingiram. 1987) em uma área de amostragem de 0. se possa partir para estudos mais detalhados (Castro. Seguindo ao empobrecimento da diversidade biológica. Problemas de amostragem devem ser evitados e critérios de inclusão precisam ser padronizados. Entre as duas áreas. O poder público. podem ceder frações para a instalação de UCs do patrimônio florístico. de conservação e de manutenção da biodiversidade é. tanto quanto as idéias anônimas e infundadas de que a destruição dos cerrados favorece a conservação da Amazônia. antes de tudo. 1994a). conceitos antigos possam ser reavaliados e outros tantos. a iniciativa privada e a sociedade civil têm co-responsabilidade. Mesmo assim. em uma área de mesmo tamanho amostral. a substituição destes pelos controles biológicos artificiais. venham a acontecer nesta mesma geração. mas ainda estão apenas sob a forma de relatórios técnicos. as áreas entre estas unidades e as que ficam no entorno. na medida em que a partir desta. estudos florísticos e fitossociológicos precisam a todo custo ser intensificados. interdisciplinar e em bases que permitam comparação. detêm as facilidades e custos menores de manutenção. em termos de ocupação. a riqueza florística é semelhante.Vegetação e Flora área de estudo. de 768 a 1. e/ou de serem considerados como dotados de uma biodiversidade comercializável. isto é. de fato e de direito. os cerrados precisam urgentemente ser redescobertos. tanto quanto aqueles. porque hoje produção deve incluir também manutenção da biodiversidade (Castro. nos cerrados. na segunda. Estes resultados mostram que o empobrecimento genético (erosão genética) é muito acentuado e abrupto por ocasião de um desmatamento em grande escala para a abertura de uma fronteira agrícola horizontal. de 1. pelos desastres ecológicos com amplas repercussões econômicas e sociais de desagregação (Castro. 1996). Assim.12% e das culturas anuais e perenes e dos re- florestamentos.6ha.000 municípios brasileiros têm cerrados em suas áreas geográficas (antes do pool de criação dos novos municípios brasileiros) e. Segundo Dias (1994) e Lima e Shiki (1994). principalmente quando este não considera as “ilhas de biodiversidade” e os seus corredores de ligação. principalmente sob uma perspectiva interinstitucional. é que. parte destas automaticamente passaria a ser produtivas. que embora pontuais. Em São Paulo (Castro. Poucos recursos para a pesquisa com o enfoque aqui colocado e em geral sua provisoriedade garantem. o simples fato de aqueles recursos poderem ser preservados em unidades particulares de conservação no interior de suas terras. no Parque Estadual de Vaçununga (Santa Rita do Passa Quatro). na Fazenda Piloto Chapada Grande (Tanque do Piauí) e com os mesmos procedimentos metodológicos. 1987). o Cerrado será visto de outra forma. precisa acabar. já ao curto prazo.718 indivíduos lenhosos foram dendrometricamente medidos e. 73 . a taxa de crescimento anual das pastagens plantadas e nativas é de 1. as áreas das unidades amostrais. em sua maioria. vem a fragilidade dos controles biológicos naturais. de que a cobertura vegetal oreádica atrapalha mais do que auxilia a utilização dos recursos solo e água e de que madeiras sem valor comercial direto ou ainda desconhecido não são essenciais para a sobrevivência de outras que o possuem. 4. menor domínio florístico e fitossociológico da província do Cerrado. A idéia antiga de que é preciso alterar a paisagem para dar a impressão de utilização em termos de produção. conforme o nível de conhecimento que venha a ser adquirido. se devolutas e de controle municipal. Segundo Dias (1994). redescobertos. 1983). pelos controles químicos. Isto mostra que não será preciso muito tempo para que os níveis de perturbação atinjam patamares deletérios e que taxas assustadoras de extinção de espécies. imediatamente circunvizinhas. 1996). menor aproveitamento e mais estanque desenvolvimento. A verdade é que. Como a maior parte da responsabilidade sobre o futuro dos recursos naturais do Cerrado está em mãos de proprietários privados e das relações culturais com seus antepassados imediatos. por exemplo. Na primeira área. 83 espécies arbustivo-arbóreas foram inventariadas. 1996). um reflexo de nossa cultura (Castro. em função da crescente perda de potencialidade biológica e produtiva que o cerrado complementarmente poderia assegurar. 76 espécies foram computadas. como as reportadas por Lugo (1988). As ações que devem ser implementadas não são estritamente de ordem fitotaxonômica. No Piauí (Castro. pelo menos até que. para a segunda. As diferenças de densidade determinam para a primeira área uma fisionomia de “cerradão florestal” e. uma fisionomia de “cerradão savanóide” (Castro.

cujo tema de tese de doutorado poderia contribuir aos interesses da SEMA. A pesquisadora estava estudando a “Biodiversidade de Áreas Savaníticas da Amazônia”. e Cavalcanti. Em março de 1996. Marco Antonio. A única amostra protegida legalmente desse ecossistema encontra-se na APA do Curiaú. orientada pelo Dr. . tornou-se oportuno a sistematização dessas informações e o desenvolvimento de ações complementares para elaboração da proposta de criação de uma Unidade de Conservação no Cerrado do Amapá. através do MPEG. tendo a participação dos técnicos da SEMA Marco Antonio Chagas e Emmanuel Soares. No nível de políticas integradas globais. Em julho de 1994 foi entregue à SEMA o trabalho “Savanas do Estado do Amapá: Sugestões para sua Conservação”. responsável pelo projeto “Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado”. Este documento é uma contribuição de técnicos do Amapá e reflete um esforço conjunto de instituições locais que apoiam uma ampla discussão sobre o assunto. mas que existiam possibilidades de extensão para as áreas descontínuas. a Champion Papel e Celulose iniciou uma Avaliação Ecológica Rápida de 280.000ha de suas áreas do Cerrado do Amapá. as do Amapá. A. a SEMA deu início aos estudos técnicos necessários a criação de uma Unidade de Conservação no Cerrado do Amapá. com apenas 10. 1993 . bem como o direcionamento para a definição de políticas integradas de uso sustentável e conservação do bioma. Vários trabalhos técnicos desenvolvidos pela SEMA e outros autores apontam para a necessidade de resguardar amostra representativa desse ecossistema. possibilitou o nivelamento de informações entre a comunidade técnico-científica presente. Em contrapartida. sob a coordenação do Dr. As primeiras iniciativas convergiram no sentido de inserir a SEMA nos fóruns de discussão técnico-científica sobre o bioma Cerrado e sistematizar as informações pré-existentes e identificar pesquisas em andamento. . em particular. Oren. Benedito e Chagas. Esse trabalho foi executado pela TNC. Na ocasião.) O Cerrado é o único bioma que não apresenta representatividade territorial no Sistema Estadual de Unidades de Conservação do Amapá. proporcionado pela intensificação de sua ocupação para diversos fins. INPA e MPEG.Conservação do Cerrado no Amapá: aspectos fisiográficos.000. coloca esse ecossistema em condição de ameaça de erosão de sua biodiversidade. 1995 .Subsídios ao Zoneamento Econômico-Ecológico do Amapá: Uma Análise das Unidades de Conservação Biológicas e outros . Em escala real. Ainda em 1993. o Cerrado do Amapá aparece entre a floresta de terra firme e os campos inundáveis. geomorfologia. Em função das várias iniciativas já executadas e em curso. 1 .Aspectos Ambientais do Amapá. A Oficina sobre “Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade do bioma Cerrado”. e Chagas. 74 VI. James Ratter. usos e inferências (revisão baseada nas informações de Rabelo. Em 1993. em Brasília. a pesquisadora deveria elaborar um documento técnico fornecendo subsídios à conservação de áreas de Cerrado no Amapá. Em 1997. Roberto. com sérios reflexos para o equilíbrio ambiental local.Aspectos Ambientais do Amapá. banhado pelas águas do rio Amazonas e do oceano Atlântico. a SEMA procurou a pesquisadora e lhe foi oferido suporte às suas excursões de campo ao Amapá.VI . como as da Amazônia e. O alto índice de pressão antrópica sobre o Cerrado do Amapá. David C. com uma diversidade de ecossistemas em boas condições de conservação.370ha da Amazônia Oriental. do Royal Botanic Gardens. SEPLAN/IEPA. O INPA identificou a pesquisadora Tânia Sanaiotti.000ha de áreas de Cerrado.345. A EMBRAPA respondeu positivamente através do pesquisador do CPAC.Breve histórico das ações institucionais O Estado do Amapá detém 1. B. o Amapá representa uma pequena porção territorial de 14. 1995. a Agenda 21 e a Convenção da Diversidade Biológica estabelecem o roteiro da ética que a humanidade deve trilhar para garantir a sobrevivência do planeta. Como citação. realizado em Brasília. M. entre as quais a do Amapá. informou-se que o projeto da EMBRAPA/CPAC limitava-se às áreas de Cerrado contínuas do Centro-Oeste. José Felipe Ribeiro. principalmente quanto à possibilidade de um planejamento diversificado de sua ocupação e uso sustentável. Nesse contexto. com o objetivo de implementar uma política interna de conservação desse ecossistema.000ha. destacando-se a silvicultura. no período de 23 a 27/03/98. Macapá. Foram contatadas as seguintes instituições afins: EMBRAPA/CPAC. Dr. cuja funcionalidade necessita ser conservada para garantir a manutenção dos processos ecológicos essências e a preservação da diversidade genética local. destacam-se Rabelo. Edimburgo/Escócia. foi realizado o 1ST International Symposium on Tropical Savannas/VIII Simpósio sobre o Cerrado.

Litologicamente. mapeadas e descritas como formações Curuá e Trombetas. brechoide e conglomeráticas. Correspondendo ao grupo geologicamente descrito na literatura como Barreiras. a diversidade desse estrato é baixa. pois sua característica é dada pela estrutura das plantas graminóides. 3 . de granulação fina a média. Geologia/Geomorfologia O Cerrado do Amapá ocorre sobre uma estreita faixa longitudinal de sedimentos. Marcante nesse ambiente é a existência de espessas capas lateritícas. são acompanhadas por particularidades topográficas e. assentam-se discordantemente sobre as rochas Pré-Cambrianas do Complexo Guianense. A diversidade e a estrutura desse estrato são indicadores primários na individualização de tipologias do Cerrado. cavernosa. Do ponto de vista florístico. O estrato arbóreo/arborescente inclui um grupo restrito de plantas relacionadas à flora lenhosa do Brasil Central. O estrato herbáceo. suprimento d’água. independente de sua estrutura e diversidade florística. siltosos e arenosos. com destaque para o adensamento de ciperáceas e poáceas cespitosas. distingue-se conjuntos espaciais que merecem estudos mais detalhados. existe uma clara correspondência entre a estrutura e a diversidade da flora lenhosa. invariavelmente. tem-se na literatura diferentes informações técnicas derivadas dos estudos do Projeto RADAM. com estratificação horizontal. com passagens e zonações que estão intimamente relacionadas com padrões particulares do Cerrado. que a princípio. maciça. possivelmente. no sul do Amapá. A Formação Trombetas é caracterizada por arenitos brancos. o Cerrado também ocorre sobre seqüências sedimentares. sempre presente em quaisquer das tipologias consideradas. No sul do Amapá.Aspectos fisiográficos Em sua totalidade. Seus representantes manifestam claramente adaptações morfo-fisiológicas como resultantes dos tensores físico-antrópicos a que estão submetidos. A Formação Curuá é constituída por folhelhos cinza-escuros intercalados com siltitos e horizontes de arenitos fossilíferos. o estrato subarbustivo/arbustivo e o estrato arbóreo/ arborescente. bem selecionados. é composto por conjuntos de hemicriptófitas. que se estende desde a região do Jari. etc. reflexo de um processo evolutivo ainda pouco estudado. VI. amarelados e esbranquiçados. no Oiapoque. predominado tons avermelhados. sem que isso signifique alteração na fisionomia do estrato como um todo. Como resultado. o Cerrado do Amapá é marcado por características físico-naturais que guardam relativa uniformidade ao longo de sua distribuição espacial. embora esteja presente nos diferentes ambientes particularizados. Vegetação Três estratos básicos compõem o gradiente florístico do Cerrado do Amapá: o estrato herbáceo.Enfoque Conceitual Definido em função de seu aspecto fisionômico – semelhante à vegetação do Brasil Central – o Cerrado do Amapá vem sendo definido espacialmente sem levar-se muito em conta as alterações e categorizações de formas que estão intimamente relacionadas à sua evolução. limitar a faixa de sedimentos quaternários que compõem a paisagem costeira do Amapá. A priori. além de. A relação de estrutura. Entretanto. até o alto curso do Uaçá. como por exemplo. relevo e gradiente hídrico. 75 .Vegetação e Flora VI. por correspondências de tipo de solo. as particularidades apresentadas pelo Cerrado do Amapá apontam para a necessidade de considerar-se as diferentes tipologias dominantes como conjuntos fisiográficos que podem servir de indicadores primários para a definição de áreas prioritárias para uso sustentável e conservação da biodiversidade. A coloração desses sedimentos é variada. 2 . de idade Devoniano e Siluriano. a flora desse estrato é formada por plantas perenes e semi-perenes. diversidade e eqüidistância dos indivíduos que compõem o referido estrato também pode ser considerado como indicativo de tipo particular de Cerrado. onde limita-se a Oeste. De modo geral. que considera como Cerrado toda área savanítica norte e centro-leste e enclaves na porção sul do Estado. com estruturas tipo nodular. De modo geral. O estrato subarbustivo/arbustivo. esses sedimentos de idade terciária. que gradam para folhelho preto e arenito com folhelho fossilíferos intercalados. nada se contrapõe a esse enfoque. ressalvadas as particularidades que se refletem em tipologias individualizadas. respectivamente. apresentando níveis cauliníticos intercalados. Ao longo do ano é possível acompanhar a sucessão desse estrato através da observação de espécies estacionais. mas a medida em que se avalia sua evolução e relação com parâmetros naturais. nitidamente manifesta alterações que estão ligadas a disposição do componente arbóreo. são caracterizados como sedimentos argilosos.

assoreados com depósitos aluviais.240 184. • Imediato estabelecimento de legislação que normatize o uso do Cerrado remanescente. principalmente de buriti.318. com rede de drenagem bastante densa e ramificações de canais de cabeceira. pequena propriedade particular. o Cerrado do Amapá se expressa morfologicamente como platôs baixos dissecados. Com base nessas considerações. ainda que. sem maiores definições.Visualização do Cerrado do Amapá no âmbito da primeira aproximação do ZEE/AP Diante dos encaminhamentos que a ocupação do Cerrado do Amapá vem tendo e das recentes atenções que vêm suscitando em decorrência da extensividade de seu uso pela silvicultura. a questão que se apresenta diz respeito a como fazê-los.200 33.1% da área total do Estado.95 Amapá 920.90 Cutias 212. ou como relevo colinoso. em forma de meia laranja.030 1. 5 . Sua representatividade alcança domínios geopolíticos de 13 municípios.272. 4 . para o qual tem-se as seguintes especificações temáticas: a) Inferências atribuídas pela Carta de Avaliação do Potencial dos Recursos Naturais Sob a concepção de potencial. escala 1:1.910 14. São observáveis.800 27. o Cerrado do Amapá também inclui áreas menores situadas ao sul do Estado e pequenos enclaves nos domínios da planície flúviomarinha.570 5. funcionamento e condicionamentos fitoestrutural. pecuária bovina extensiva.000 Com essa conotação é avaliado sua relação edafotopográfica pela qual é atribuído valor integrado a condição física de seu solo e sua associação com os favoráveis gradientes topográficos.000.55 Tartarugalzinho 674.350 66. com a seguinte percentualidade e área: Município Área Total Área de Municipio Área total Área de Cerrado (ha) (ha) % de Cerrado % de Macapá 656. fica enfatizado que o Cerrado não pode ser avaliado somente do ponto de vista do aporte químico do solo. avalia-se quais as reais contribuições que a Primeira Aproximação do ZEE do Amapá tem a oferecer.000 ha. duas questões concorrentes se apresentam como prioritárias: • Proceder estudos direcionados que visem a dimensionar a capacidade de suporte desse ecossistema.400 28.17 Calçoene 1.200 200.220 170.600 9.440 0.400 29.300 129. Sob esse ponto de vista.72 Pracuúba 497. Sua aptidão se amplia.980 43. unidade experimental de estudos e outros. • Estratégica VI. o Cerrado é visto através de duas condições: • Ambiental Incluindo contextualização e representação espacial. alguns vales com fundo plano. na medida em que outras variáveis passam a ser consideradas e. constituindo 76 . núcleo de expansão urbana. considerando as reais condições que os órgãos estaduais detêm. Como resultado. é enfatizado a importância desse ecossistema como base genética. onde ocorrem extensas concentrações de palmeiras. No plano espacial é tratada sua abrangência territorial.91 Laranjal do Jari 3.900 3. área protegida. admite-se que o tratamento dado a esse ecossistema situou-se no conjunto da metodologia do trabalho.10 Santana 159. cultura de dendê.760 1.70 Itaubal 156. o Cerrado representa 7.300 48.000.95 Porto Grande 442. correspondendo a cerca de 1.04 Mazagão 1.300 12. correspondentes a afloramentos da Formação Barreiras em pleno domínio Quaternário.150 0. que indicam uma retomada de erosão recente.04 Oiapoque 2. Representatividade Territorial Tendo como maior eixo de ocorrência a faixa norte-sul que se estende desde as proximidades de Macapá até o Oiapoque.Usos e representatividade do Cerrado do Amapá Usos Os principais usos do Cerrado do Amapá estão enquadrados nas seguintes categorias: silvicultura.50 Ferreira Gomes 507.117. limites de tipologias dominantes e inferências sobre espécies consideradas potenciais da flora. VI. considerando seus atuais níveis de alteração. cultura temporária.970 78.22 Fonte: Aplicação de SIG com base no mapeamento do Projeto RADAM. Em termos territoriais.160 55.950 0.Em sua extensa distribuição. seu papel no conjunto de fatores que concorrem para a manutenção do equilíbrio da floresta contígua e considerações sobre história evolutiva. também.000 7.433. neste caso. fruticultura. O Tratamento do Cerrado no Âmbito da Primeira Aproximação do ZEE/AP Como ponto de partida.700 2.960 48.

observa-se que o trabalho de ZEE. • Vulnerabilidade natural à erosão moderada Destaca a equivalência de níveis medianos de estabilidade/vulnerabilidade do solo. sobre a representatividade florística dessas áreas. Os altos níveis de concentração de alumínio do Cerrado impõem limitações químicas refletidas diretamente na capacidade de aproveitamento desses solos.400 Ferreira Gomes 8. custo/benefício ou valor compensatório. As atividades produtivas são de pequeno e médio porte. 77 . decorrente da prática agropecuária itinerante. Não foram consideradas as novas áreas do Projeto da Champion Papel e Celulose. No sentido inverso. As áreas de formação florestal disjuntas. destacando-se: formas de urbanização e infra-estrutura de circulação. de transição e de galeria. com reflexos que denotam desequilíbrio no balanço hídrico e grandes conseqüências para a vegetação.000 Macapá 35. caracteristicamente marcada por usos extensivos e pela “situação” de comunidades rurais. apesar da mesma apresentarse com estrutura pouco protetora. fica acrescida de mais importância face ao gradiente de fragilidade do substrato. • Concentração de alumínio Descrição: Abrange parte do Cerrado e áreas de transição. compreendido no conjunto de suas áreas campestres. margens de negociação tipo. 3o Nível: Abrange dois segmentos distintos: • Segmento Cerrado e Entornos. com usos intensivos pela silvicultura e cultivo do dendê. conseqüentemente. o que leva a concluir. o Cerrado é visto como parte de três categorizações do espaço estadual: 1o Nível: Com características naturais determinantes associadas a formas diversificadas de uso e ocupação do território. O Cerrado remanescente. Reflexões Pertinentes Dado as análises temáticas. Complementarmente. relevo e vegetação. floresta/cerrado e cerrado/área úmida. são marcadas pela maior alteração da cobertura vegetal.800 Total Obs. b) Inferências atribuídas pela Carta de Avaliação das Limitações Naturais São visualizados quatro situações limitantes: • Susceptibilidade à seca d) Inferências atribuídas pela Carta Síntese Sócio-Ambiental Nessa Carta. sobre o aporte de áreas remanescentes e. tem-se o seguinte quadro: Silvicultura em Cerrado (ha) Município 118. 2o Nível: Marcada pela presença de vias de integração terrestre e maior dinamização sócio-produtiva. ao mesmo tempo. em seu conjunto. isoladamente. • Pedregosidade Diz respeito à camada laterítica que permeia os solos do Cerrado. sendo a pecuária uma prática utilizada de forma alternativa ou complementar à atividade primária desenvolvida nas áreas úmidas. centro urbanos e exploração mineral. A análise reflete o percentual dessa atividade no município em relação ao total de áreas alteradas. de transição e de formação florestal disjunta. consequentemente. com grandes alterações da cobertura vegetal · Descrição: Envolve áreas de Cerrado. além dos centros urbanos e áreas de influência. a determinados usos agrícolas. • Chamar atenção para as possibilidades de diversificação de uso desse ambiente. inclui propriedades particulares com diferentes fins e núcleos rurais com significativa atividade produtiva. o Cerrado é visto no conjunto da avaliação atribuída às áreas alteradas no Estado e. base geológica.600 Porto Grande 180. concentradas principalmente da região do Pacuí e entornos. sem grandes alterações da cobertura vegetal. buscou: • Oferecer subsídios que atendessem à visão integrada dos acontecimentos e permitissem. Em decorrência. Em atenção à sensibilidade desse ambiente à estiagem prolongada.Vegetação e Flora condições favoráveis a práticas mecanizadas do solo e usos estruturais. ressalta o papel da vegetação para a manutenção desse estado de equilíbrio. c) Inferências atribuídas pela Carta de Desempenho Socio-Econômico e Ocupação Territorial Nessa Carta. • Oferecer subsídios ao conhecimento de limites e extensão dos principais sítios topográficos. passa a ser avaliado em função da silvicultura. circunstancialmente. causando limitações ao desenvolvimento radicular pivotante e. • Segmento Cerrado e Entornos.800 Itaubal 18. ainda assim. é avaliado a concorrência dessas condições para o desencadeamento das práticas de queimadas sazonais. dado que.

78 Estudos desenvolvidos em uma área de Cerrado do Amapá. notadamente. Uma preocupação constante dos trabalhos de pesquisa realizados são as condições de clima e solos peculiares do Cerrado amapaense. aumentando os riscos de incêndios de difícil controle e de queimadas com temperaturas mais intensas. principalmente as cabeceiras dos cursos d’água. como as ciperáceas e gramíneas de baixa palatabilidade. estabelecimento de pastagens cultivadas e manejo das pastagens nativas. causando maiores danos a vegetação arbórea. há uma redução das possibilidades de perdas de solos por erosão.• Enfatizar o conjunto de área alterada. permanecendo a vegetação herbácea nativa como cobertura do solo. levando a maior parte dos solos a apresentar baixos teores de matéria orgânica (próximos 1%). ou seja na queima trienal (Mochiutti et al. Porém. altas temperaturas que elevam a intensificação dos ciclos biológicos. etc. demonstraram que há diferenças significativas no comportamento das espécies que compõem o estrato herbáceo com relação a utilização do fogo. visando a eliminar a biomassa seca acumulada durante o período de estiagem e melhorar a qualidade da forragem produzida com o rebrote. 1997). recomenda-se a criação de UCs suficientemente extensas para comportar espécies faunísticas de grande porte. 6 . obtendo os maiores rendimentos quando a freqüência de queima é anual ou bienal. sendo caracterizada pela baixa produtividade dos rebanhos. Grande parte dos estudos desenvolvidos pela EMBRAPA/Amapá para o aproveitamento dos Cerrados para fins agrícolas utilizam técnicas de cultivo mínimo. Uma pratica comum dos pecuaristas da região do Cerrado é a utilização da queima anual. para o plantio de fruteiras e outras espécies perenes utiliza-se um sistema onde o preparo do solo consiste em apenas abertura de cova e eliminação de árvores que possam competir com o novo cultivo. pode estar diminuindo o potencial produtivo dessas pastagens. observa-se uma completa mudança da composição botânica do estrato herbáceo. dispersão e germinação de sementes. agricultura. por desdobramento.. A pecuária extensiva é atividade que ocupa a maior parte da região do Cerrado. os solos do Cerrado possuem certa fragilidade para sua utilização em sistemas agrícolas que utilizam métodos de revolvimento de solos. os mamíferos. A presença milenar do fogo no Cerrado parece determinar que essa vegetação adaptou-se a essa condição e que o uso de queimadas controladas pode ajudar a proteger esse importante ecossistema. tem como objetivo seu aproveitamento e utilização econômica de forma sustentável. Muitas espécies do Cerrado necessitam da queima para estimular a floração. Por essas peculiaridades. ao contrário. obtêm maiores rendimentos com utilização de menor freqüência de queima. Entre as recomendações gerais tiradas na oficina com relação ao estabelecimento de UCs no Cerrado do Amapá foram: I) Para quaisquer UCs a ser criada no Cerrado. III) Devido ao intenso processo de fragmentação de habitats por conversão em pastagens. com pequena interferência no ecossistema. aliado a pastejo intenso no início do crescimento das plantas. As gramíneas nativas Trachypogon plumusus e Axonopus pulcher apresentam interação positiva com a utilização do fogo. VI. Quando substitui-se a queima das pastagens nativas pela roçagem. II) Pelo menos uma UC representativa deve ser estabelecida em cada área de enclave de Cerrado na Amazônia. as gramíneas Elyonurus sp. Os resultados obtidos com os trabalhos realizados demonstram a necessidade de um manejo adequado de queima. Paspalum carinatum e a ciperácea Rhynchospora spp.Tecnologia para a conservação dos cerrados do Amapá A maioria dos trabalhos de geração de tecnologias executados ou em execução pela EMBRAPA/ Amapá no ecossistema Cerrado. podendo resultar até na morte de árvores. como por exemplo. o que. plantios homogêneos. devido principalmente a baixa produção e qualidade das pastagens nativas do Cerrado. . Muitos anos sem queima acumulam uma grande quantidade de material morto. induz à tomada de decisão a propósito das áreas remanescentes. além da alta toxidez de alumínio e baixa saturação de bases. recomenda-se que os estudos técnicos básicos considerem a representatividade das bacias hidrográficas. concentrados no período de janeiro a julho. produção. com precipitações anuais de 2. IV) Para manterem populações geneticamente viáveis de espécies de grande porte e de elementos do topo da cadeia alimentar. reduzindo a produção de espécies forrageiras. Assim. a utilização freqüente do fogo.000 a 3. reduzindo a freqüência das espécies consumidas pelos bovinos e aumentando a presença das espécies não consumidas. elevando-se com isso. a EMBRAPA/ Amapá vem desenvolvendo estudos de introdução de espécies com maior potencial forrageiro nas pastagens nativas. mesmo em áreas destinadas a conservação permanente. Com o objetivo de melhorar o desempenho da pecuária nessa região.000mm.

Em trabalho desenvolvido no Cerrado do Amapá. de modo a inseri-lo como base produtiva do Estado. corresponde às áreas de Cerrado do Centro-Leste do Estado. aves.000ha (Fonseca.O Cerrado no Paraná: ocorrência original e atual e subsídios para a sua conservação (revisão baseada em Fernando Costa Straube. VI. O uso de agrotoxicos deve ser evitado a qualquer custo em função da densa rede de drenagem local. através da The Nature Conservancy (TNC) e MPEG.000ha e. 7 .. sendo irrelevante e insuficiente para garantir a conservação da biodiversidade local. Entretanto.c). . matas secas e ambientes úmidos.b. Outra citação de significativa importância para o conhecimento da biodiversidade do Cerrado do Amapá é o trabalho que está sendo desenvolvido pela Empresa Champion Papel e Celulose Ltda. que essas unidades devem ser representativas dos diferentes tipos fitofisionomicos e. V) Seja efetivamente cumprido as normas legais de proteção ambiental incidente sobre o bioma Cerrado.Vegetação e Flora as probabilidades de preservação de outras espécies genética e demograficamente mais tolerantes à fragmentação e ao isolamento da área. A pesquisadora cita que a composição florística do Cerrado do Amapá apresenta baixa diversidade quando comparado a áreas de Cerrado do Brasil Central. como: a) sua localização ao norte do Brasil. apresentaram na Oficina duas proposições de áreas prioritárias para a conservação do Cerrado do Amapá. as que tratam das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. 1983. os técnicos da SEMA Marco Antonio Chagas e Emmanuel Soares. Salvertia convallariodora). enfatizando ainda. idealmente. Está situada entre os municípios de Macapá e Tartarugalzinho. sem saber da enorme particularidade da vegetação local principalmente no que diz respeito à flora herbácea. essa condição não é limitante para definição de estratégias de conservação da biodiversidade. apresenta-se bastante modificada pelo plantio de Pinus (cerca de 100. Esse bioma apresenta diferentes tipos de vegetações: florestas de galeria. ainda não muito bem definida biogeograficamente.000 ha) e abriga padrões fitofisionômicos diversificados. principalmente de plantas lenhosas) e outros parâmetros importantes para a avaliação da biodiversidade do Cerrado do Amapá.. existe uma opinião formada sobre a necessidade de ofertá-lo a manejos altamente técnicos. cita a pesquisadora. 1996). 1995a. A percepção local para a região encontra-se na ótica de que o Cerrado deve ser utilizado para a preservação floresta de terra firme. habitats de campos sujos. O acentuado escoamento superficial das águas pluviais pode constituir parâmetro indicador dos cuidados com o uso de agrotóxicos e outras possíveis fontes poluidoras. e c) é o único cerrado com influência da borda marinha. Com base no valor biológico e no índice de pressão antrópica das áreas de Cerrado do Amapá. a pesquisadora do INPA Tânia Sanaiotti realizou levantamentos da distribuição de espécies arbóreas e descrição do estrato herbáceo e do solo. Para melhor conservação desta paisagem a necessidade de uma abordagem integrada tendo em vista os avanços de tecnologias voltadas ao pequeno e médio produtor incluindo recuperação e manutenção de APPs e reservas legais. representando o extremo norte da distribuição para algumas espécies (e. Coordenado pelo pesquisador do MPEG David C. de campos limpos e extensas florestas de galeria com densidade de palmeiras. pois o Cerrado do Amapá apresenta outros aspectos que caracterizam sua importância. notadamente.5 a 1. sugere-se que as UCs tenham no mínimo 80. G. b) apresenta-se isolado de outras áreas de cerrado (enclaves). representa as áreas de Cerrado do 79 Norte do Estado e está situada entre os municípios de Amapá e Calçoene. flora (inventários florísticos.8 milhões de quilômetros quadrados (Ab’Saber. Corresponde a área descrita por Sanaiotti (1994) como “savanas inundáveis”. Como sugestão. se possível. Finalmente foi levantado que a área protegida com Cerrado e atualmente menor que 1 %. esse trabalho fornecerá informações sobre fauna (mamíferos. a pesquisadora do INPA indica algumas áreas prioritárias para a criação de UCs. 1998) O Domínio Morfoclimático do Cerrado é a segunda maior região ecológica em toda a América do Sul. A primeira. A segunda área. alocadas em diferentes pontos latitudinais. As informações científicas existentes sobre o Cerrado do Amapá devem-se ao esforço de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). cobrindo cerca de 1. peixes de água doce. Oren. Oren. répteis e anfíbios).Abordagem conclusiva sobre a ocupação do Cerrado Pelas limitações naturais que o Cerrado apresenta diante de práticas de manejos primitivos. Predominam nessa área. VII .g. 1977. juntamente com o pesquisador do MPEG David C. Silva. área maior que 300.

Mata Atlântica). 1984. 1991. W. 1994. 1996) e pequenos mamíferos (Nicola e Silva. 1 . a um bioma (Eiten. Laroca. répteis e ectoparasitas). em prep. Veja-se. com. Há uma rápida apreciação sobre questões fisiológicas de algumas espécies vegetais. Morato. Há mesmo a vegetação típica de Cerrado em áreas que se aproximam bastante do litoral da Bahia. 1851. A questão de seu isolamento. a presença de cerrado no Paraná é absolutamente inusitada considerando-se as condições ambientais extremamente discordantes daquelas verificadas em regiões centro-brasileiras. O nome dado à vegetação (definida por sua composição florística e congruências distribucionais) costuma. Vanzolini. Schwartz-Filho com.). um extensivo estudo fitossociológico foi realizado por 80 Uhlmann (1995) no Parque Estadual do Cerrado e que constitui-se de ponto de partida fundamental para pesquisas posteriores e atividades de conservação. Além disso. Motta depositados em coleções variadas que. 1998) foram até então publicados. termo aplicado na África. como um todo. Embora esperada.). 1949. nordeste de Minas Gerais e Centro-Leste da Bahia (Castro. Castro.g. realizada por Coutinho e Ferri (1960) em Campo Mourão. para revisões e bibliografia vide Dias. Laroca. como a de Johann Natterer.). apenas os resultados obtidos de aves (Scherer-Neto et al. é pouco conhecida e muito polêmica. fragmentos isolados (chamados de encraves ou refúgios) na periferia da área core do bioma. uma vez que dispõe apenas de exemplares depositados em acervos científicos e escasso material publicado. com. 1997). 1972. seja por ter representação predominante seja por apresentar fisionomia mais característica. 1994). A. T. VII. Zanella e D. no Brasil. o que seria uma característica biotópica básica (Eiten. No Paraná não há estação seca bem definida. 1998) e herpetológicas (e. a exemplo de muitas denominações de regiões fitogeográficas (e. T. como os arredores de Ilhéus e Feira de Santana (A. por exemplo. embora haja esforços para compilações sobre répteis (S. Há menções isoladas de espécies obtidas em expedições de coleta do século passado. é também controvertida. bem como grande parte de sua flora. 1871.pess. Hoehne. ou seja. pelo menos. espera-se que o cerrado não ocorra . Piora a problemática se considerarmos que a vegetação de cerrado pode ser denominada savana. F. a constituição morfológica das espécies vegetais. conforme mencionado acima. suportadas por indícios climáticos. Além disso. Bérnils e J. Isso pode ser verificado em inúmeras outras regiões.de Moura-Leite. 1998). V. embora esteja claro que o bioma tenha participado do contato geográfico entre táxons amazônicos e atlânticos. J.g. A composição biológica do Cerrado do Paraná carece de estudos que suportem seu manejo e conservação.embora a maior parte seja representada por uma vegetação savanóide conhecida como cerrado (Eiten. gênero Liolaemus). A.pess. O Paraná não está inserido no bioma do Cerrado (vide limites geográficos em Ab’Saber.) e insetos sociais (S. aves. F. 1963). Straube. Dusén e F. e também generalizadamente.000 números e aparentemente sem divulgação apropriada. O presente documento visa descrever sucintamente as características geográficas. 1994) Deve ser considerado que. CI-BRASIL. dificilmente ultrapassam o volume de 1. contribuindo para seu manejo e conservação regionais. foram realizadas por integrantes do Museu de História Natural Capão da Imbuia entre 1977 e 1991 e da Coleção Entomológica Padre Jesus Moure (S. entretanto. A. ser confundido com o atribuído ao bioma. três teorias sobre sua origem e dispersão. isso gera sérios problemas de ordem conceitual e mesmo conservacionista. é de se ressaltar a descoberta de afinidades biogeográficas entre o Cerrado e as restingas do litoral fluminense. 1992 e Pinto. pess. 1990. 1995. o quadro é semelhante. Hoehne (SaintHilaire. De pesquisa botânica contemporânea. 1993. Per Karl H. 1930. no centro-sul do Piauí. 1997.História biogeográfica do Cerrado paranaense A história biogeográfica do Cerrado. C. Dombrowski e J. somados. Stellfeld. 1996. edáficos e mesmo antrópicos (Cataldo. Hatschbach. 1993) Excursões mais recentes. 1990). Há. Apesar do trabalho de pesquisa em campo. durante períodos de mudanças climático-vegetacionais do Quaternário. faunísticas e fitofisionômicas da vegetação de cerrado lato sensu no Estado do Paraná. R. no qual sobressaem espécimens coletados por G. a fitofisionomia característica da vegetação de cerrado. A representação dessa vegetação em território paranaense é uma repetição de episódios que ocorrem em todo o Brasil. S. é necessário distinguir bioma de tipo vegetacional. 1977). confirmada por informações palinológicas (Behling. sudeste do Pará. L. algumas delas célebres. por intermédio das suas florestas estacionais (Silva. Auguste de Saint-Hilaire. C. Sobre sua proximidade com o litoral. em Roraima. L. Noroeste de Rondônia. aparecem em alguns locais isolados desse Estado. o clima. Pelzeln. por exemplo. de caráter pontual e esporádico para observações e coleta de alguns grupos zoológicos (mamíferos. Silva.

também relictuais. sofreriam semelhante invasão das florestas) e às matas de araucária e estacionais. pelo menos. com aproximadamente 1. Waibel. nas áreas paranaenses representadas por ele. nas proximidades de Maringá. segundo a literatura e observações pessoais do autor e colaboradores. 1981. todas nas nascentes do rio das Cinzas e englobando parte dos municípios de Jaguariaíva.740km2. Assim. engloba a maior e mais 81 . em São Paulo). 2 .Distribuição original do Cerrado no Paraná A vegetação de Cerrado atinge seu limite meridional de ocorrência no Estado do Paraná. Cerradinho). três manchas: fazenda Chapada de Santo Antônio (24º15’S/49º48’W). Essa opinião não é unânime. entre as cidades de Sabaudia e Astorga. Cerrados do Norte Novo. particularmente o fogo (Coutinho e Ferri.000km2. embora a maior parte dos mapas e outras apreciações fitogeográficas ignorem-no em áreas ao Sul de São Paulo. Região de Faxinal dos Mendes (24º35’S/ 50º35’W). predominando essa última. meio à floresta estacional planáltica. antes da colonização. um aumento de umidade e temperatura foi aparente. VII.Vegetação e Flora onde há episódios de geadas mas. mas apenas nos primórdios do Holoceno. quando tais características climáticas eram mais coerentes com a ocorrência dessa fitofisionomia. Uma pequena representação está inserida no Parque Estadual do Guartelá e áreas limítrofes. Apesar de ser a vegetação original menos representativa em área no Paraná. Pode ainda miscigenar sua flora e fisionomia típica com as matas de araucária. ou seja. 1949. Ali. Cerrados de Campo Mourão. teoriza-se uma retração histórica dessa vegetação. realizadas nos últimos 15 anos. 1960). esbarrando em hipóteses de uma expansão recente do cerrado em direção aos campos como frentes de colonização vegetacional decorrentes de antropismos. três macro-regiões geográficas de ocorrência: Cerrados do vale do rio das Cinzas. Pode-se distinguir. tais fenômenos são comuns e a temperatura média anual pode ser inferior a 16 ºC. cerca de 1% do território estadual (Maack. Sua localização mais precisa (23º15’S/51º40’W) é o interflúvio dos rios Bandeirantes do Norte e Pirapó. Conselheiro Mairinck (23º35’S/50º10’W) e Ribeirão do Pinhal (23º25’S/50º20’W). atingindo valores negativos com frequência. Em plena área onde desenvolveu-se a cidade de Campo Mourão (24º00’S/52º20’W). permitindo expansões de florestas estacionais e. composta por. pode ser encontrada imediatamente à margem de rios de médio porte como o rio das Perdizes em Arapoti. Originalmente era uma área bastante significativa. no Centro-Noroeste do Paraná. talvez no triângulo formado pelas sedes municipais de São Jerônimo da Serra (23º45’S/50º45’W). Arapoti. Com a gradativa modificação climática pós-glacial. somou. no atual Parque Estadual do Cerrado). 1948) a considerar o cerrado paranaense como uma vegetação relictual do Período Quaternário. quase 2. provavelmente decorrentes de sua insignificância perimétrica em escalas menores e mesmo em alusão aos limites generalizados do bioma. quando ocorreu em zonas com acentuado e pronunciado período de secas. Registros pontuais dessa formação foram obtidos nas seguintes localidades: Região de Jaguariaíva. 1998). de florestas pluviais (Behling. visto que essa vegetação serviu para a denominação de vários topônimos regionais (Cerrado. 1981). Em muitos pontos. próximo às cidades de Telêmaco Borba e Tibagi. Com pouco mais de 40km2. Aparentemente o cerrado ocorria em alguns pontos dispersos. munido de argumentação palinológica. Área hipotética mas mencionada e relatada por cronistas do século passado ou moradores antigos da região. essa vegetação desenvolve-se lentamente a partir do campo limpo. originalmente com 102km2. o Cerrado expandiu-se efetivamente por sobre os campos. levando-a a um isolamento em fragmentos (testemunhos) junto aos campos planálticos (os quais. Cerrados do Norte Velho. 1931. Piraí do Sul e Sengés (esse último interligando-se com os cerrados de Itararé. afluentes da margem esquerda do rio Iapó. rio das Perdizes (24º15’S/49º15’W) e Pesqueiro (24º10’S/49º40’W.100m. Localizado na região Nordeste paranaense. significativa área de Cerrado no Estado. nas altitudes de 730 e 1. entre os rios Conceição e Imbaú. todos na margem direita do rio Tibagi. posteriormente. Segundo Behling (1998). Todo esse panorama de discrepâncias levou alguns pesquisadores (Maack. Apresenta grande relação fitofisionômica com áreas de transição entre floresta estacional e mata de araucária.

Também típica é a presença da cactácea arbórea Cereus peruvianus (algumas vezes com até 3m. mas que não perdeu sua fisionomia característica. Essa vegetação é a mesma que reveste grande parte do território paranaense. não podia imaginar o quanto subestimada seria a sua descrição. Após avaliar quase duas dezenas de remanescentes. duas espécies. Minas Gerais e Goiás por ele visitadas). no município de Santa Mônica (23º05’S/53º10’W). relativamente denso e com caducifolia mediana. 1948). Trata-se de uma floresta com árvores bastante altas e robustas de troncos grossos. evidenciando o arenito desagregado da Formação Paranavaí (Popp e Bigarella. especialmente nas porções Oeste e Norte (Goetzke. 1981). bem como florestas estacionais planálticas. visitamos um fragmento com quase 700ha bastante preservados. Chama a atenção ainda a grande quantidade de espécies e indivíduos de Myrtaceae de porte arbóreo (porém reduzido). fisionomia e mesmo evidenciar algumas associações vegetais características. esse é composto por inúmeros 82 adensamentos de uma bromeliácea terrícola (Bromelia antiacantha) que torna praticamente impossível o deslocamento à pé em vários locais. bastante aberta e com parco sub-bosque. contrastando muito com o seu texto apresentado anteriormente. embora previsível levando-se em conta o afirmado por Maack. Em mapas fitogeográficos de uso corrente considera-se que. as quais quase dominam o estrato médio. no vale do rio Paraná e na foz de seus principais afluentes (Paranapanema. Maack (1941). mas nunca de tronco grosso. É o caso das arecáceas denominadas de macaúbas (Acrocomia aculeata) (espécie restrita à região Noroeste). que ressaltava diferenças incontestáveis entre os dois tipos fitofisionômicos. O que dá a entender é que a vegetação descrita trata-se efetivamente de um cerradão.VII. Situações muito parecidas com essa são observadas na região do Pantanal de Miranda (Mato Grosso do Sul) e no Triângulo Mineiro (Minas Gerais) (obs. convivendo com o jerivá (Arecastrum sp). com tronco peculiar de espécies do Cerrado. O solo. o arenito Caiuá. abundante e diversificada flora epifítica. formação mais recente e de origem eólica. é totalmente arenoso. percebe-se facilmente o solo típico da chamada “terra roxa”. sub-bosque sempre verde. 1981). com notável escassês de palmáceas (Cocos romanzoffiana predominante e raramente Euterpe)”. como o Parque Nacional do Iguaçu. A serapilheira permanece úmida durante a maior parte do ano e por baixo dela. inclusive sobre outro tipo de assentamento geológico. inclusive porque as condições climáticas (o Noroeste do Paraná é a região mais quente e seca em todo o Sul do Brasil) são muito mais apropriadas para sua existência do que as observadas no Nordeste paranaense. em ambas edições do seu clássico “Geografia física do Estado do Paraná”. há diversas áreas com cerradões em outras regiões limítrofes como o Sudoeste do Mato Grosso do Sul (às vezes interpreta- . foi realizada em abril de 1997 uma expedição à região Noroeste. oriunda da metamorfização de rochas arenito-basálticas. a fim de encontrar um suposto tipo diferenciado de vegetação que acompanharia grande parte do terço inferior do rio Ivaí. 1990). contudo. pelo menos. Não é nada improvável que se trate mesmo da facies arbórea do cerrado. Baseados em indícios apresentados por uma publicação antiga de autoria de Maack (1941). Ele próprio. floresta tropical. uma delas espinhosa (Guadua spinosissima) e outra mais delicada (Chusquea). com presença de várias espécies da floresta estacional. A mesma configuração vegetacional e biotópica pode ser encontrada em quase todo o Noroeste do Paraná. sendo possível observar sua composição florística original. Piquiri) ocorre o tipo vegetacional batizado por Veloso et al (1991) de floresta estacional semidecidual ou suas outras denominações (floresta pluvial subtropical. Em certas unidades de conservação. No último dia de campo. quando descreveu essa fitofisionomia (que chamou de cerradão. floresta dos planaltos interiores) (Maack. de CAP) e de uma espécie de Leguminosae não identificada. Foi uma grande surpresa. raramente excedendo os 15m. por não encontrar diferenças entre ela e outras áreas de São Paulo. constatamos que todas tinham a mesma estrutura fitofisionômica da floresta estacional semidecidual. sob uma fina camada de serapilheira. omite esse tipo diferenciado de vegetação. datada do cretáceo. No também clássico “Mapa fitogeográfico do Estado do Paraná” (Maack in Stellfeld. Tratava-se de uma floresta com árvores relativamente baixas. Além disso. na região Noroeste do Paraná. encontrar uma vegetação completamente distinta de tudo o que havíamos encontrado até então nesta e em várias outras expedições para a região. ela encontra-se perfeitamente preservada. quase todo o Noroeste do Paraná seria dominado por um “mato pluvial tropical menos exuberante. pess.). Junto a ela estão macegas de taquara de. 1975). Ivaí. áreas com vegetação reconhecidamente afim ou inclusa no domínio do bioma Cerrado (Adámoli. o Cerrado no Paraná estaria confinado a algumas manchas dispersas em regiões nas quais predominam as matas de araucária e campos. a quase 50km da foz do rio Ivaí.Argumentos geográficos e florísticos Conforme mencionado na literatura regional. 3 . Há nesse ambiente espécies que chamam a atenção pela singularidade que imprimem à fisionomia.

. a vegetação da região de Santa Mônica trata-se efetivamente de um cerradão. A. É previsível também que hajam espécies típicas do Cerrado inseridas em formações florestais estacionais. R. de Moura-Leite. assim. Cedrela fissilis. 1995. gralha-do-cerrado (Cyanocorax cristatellus). Por outro lado. tapaculo-decolar (Melanopareia torquata). dentre outras que encontram-se lado a lado com Araucaria angustifolia. e Copaifera langsdorfii. Willis 1998. Ocotea pretiosa. uma formação relictual de períodos com climas distintos dos atuais. Não há como descartar que. essa questão parece definitiva no julgamento da presente hipótese. formavam uma figura de “y” invertido. na região de Jaguariaíva (que possui cerrado sensu stricto) há um tipo de formação florestal distinta da floresta ombrófila mista (mata de araucária) (Klein. tal hipótese é perfeitamente aceitável. Verificando o padrão de distribuição geral desses táxons excludentes. o cerrado sensu stricto é esse tipo vegetacional diferenciado e. A julgar pela argumentação de o Cerrado ser. intercaladas com matas ripárias. 1993). Piptadenia comunis. exemplificados pelo formigueirobicudo (Herpsilochmus longirostris). formigueiroruivo (Formicivora rufa) e barranqueiro (Hylocryptus rectirostris) (Straube e Bornschein. todos eram representativos ou mesmo endêmicos do bioma do Cerrado. A explicação cabível é que aves que ocupam ambientes abertos no Brasil Central (campos limpos. esse fenômeno encontra paralelos em outros grupos animais. Croton sp. Straube. é conhecida por ser coberta originalmente por 100km2 de cerrado típico. codorna (Nothura minor). O. 1996). como que testemunho dessas oscilações ambientais. Bérnils e J. assim como os de zonas florestadas não estão presentes em todas as florestas do Noroeste. Cabralea canjerana. no futuro. seriam portanto. 1992). 1979. codorninha (Taoniscus nanus) e seriema (Cariama cristata). respectivamente). como os répteis (S. Straube et al. ombrófila mista e savana. um cerradão. campos sujos e cerrado sensu stricto ) estariam ocorrendo na área Nordeste do Paraná. bem como da conseqüente invasão de espécies da floresta mais úmida em direção aos campos e cerrados (Behling. à medida que suas distribuições atingem latitudes maiores a Sul. Os táxons de habitats abertos do Brasil Central não ocorrem em todos os tipos vegetacionais do Nordeste do Paraná. sabese que existiram numerosas fitofisionomias abertas. tal como Maack (1941) sugeriu. mencionados por Ihering (1908) e Braga (1962). surjam ocorrências de aves florestais em áreas do Nordeste paranaense. Ademais. com. com.Argumentos zoogeográficos Após inúmeras análises de distribuição de aves no Paraná. Por outro lado. Vochysia tucanorum. o autor referiu-se a esse conjunto como um misto da floresta ombrófila densa. Teorizou-se. 1998). no Paraná. Essa formação é. A afinidade de tais “campos”. Isso indica que nessas duas regiões deveriam existir tipos vegetacionais relictuais conflitantes com a formação fitogeográfica predominante (floresta ombrófila mista com campos e floresta estacional semidecidual. as espécies de ambientes florestados (cerradão. provavelmente. limpa-folhas-castanho (Philydor dimidiatus ). apresentando grandes relações florísticas e fitofisionômicas com a mata de araucária. 1996. ainda. 1979). Uhlmann (1995) e Scherer-Neto et al (1996). é também esperada a presença de táxons de habitats abertos 83 VII. por exemplo (Scherer-Neto et al. situação que apenas poderá ser comprovada mediante estudos florísticos detalhados de tais remanescentes.pess. ao que tudo indica. formigueiro-cinzento ( Herpsilochmus atricapillus ).Vegetação e Flora dos como “matas secas”) e Oeste e Sudoeste de São Paulo (E. distante pouco mais de 150km do remanescente de Santa Mônica. excluem-se ocupando regiões diferenciadas no Paraná (Straube e Bornschein. Morato. matas mesofíticas) ocupariam a região Noroeste. dois tipos de padrão distribucional os quais. pess. sanhaço-do-cerrado (Cypsnagra hirundinacea). corruiruçu (Thryothorus leucotis). A. tal como verificado por Maack (1949). percebeu-se que quase . 1991. tangará-de-topete ( Antilophia galeata). C. 1992).). pode indicar relações históricas com os campos meridionais (que apresentam nítida influência andino-patagônica) ou com os campos limpos (uma das facies do cerrado do Brasil Central). afinal há ali um tipo florestal que miscigena espécies florísticas de Cerrado com as de matas de araucária e tem uma fisionomia de cerradão (Klein. É o caso do sanhaço-cinzento (Neothraupis fasciata). constatamos que algumas espécies ocorriam regionalmente apenas na região Noroeste (vale do rio Paraná até aproximadamente na foz do rio Piquiri) ou Nordeste (vale do rio das Cinzas) (Straube e Bornschein. representantes que convivem no Brasil Central mas que. A região de Campo Mourão. à figura de várzeas. Na região Nordeste paranaense. agrupados. 4 .). S. Scherer-Neto et al 1996). Assentados sobre zonas de menores altitudes nas proximidades do vale do rio Paraná. caracterizada pela predominância de Anadenanthera colubrina. acompanhada por espécies como Alchornea triplinervea. Aspidosperma sp.

aproximadamente uma quadra urbana e situa-se nas proximidades do aeroporto da cidade de Campo Mourão. Sobre a enigmática vegetação de cerradão do Noroeste. adicionada a sobrevôos em grandes extensões do vale do rio Ivaí. Fazenda Chapada de Santo Antônio. Não se pode deixar de mencionar a pequena parte composta por cerrados do Parque Estadual do Guartelá (cerca de 5ha). Kielmeyera coriacea. os quais já se encontram quase que completamente alterados. orientado por pesquisas em gabinete (indícios e informações históricas de remanescentes desconhecidos ou teóricos. Já as atividades efetivas para a conservação dos cerrados no Paraná depende de duas ações emergenciais: a criação de unidades de conservação e a reformulação de áreas protegidas já estabelecidas. Aves de habitats abertos não foram até hoje encontradas em Campo Mourão (região Centro-Noroeste). Há apenas duas unidades de conservação. mas a grande maioria não excede essa superfície.na região Noroeste e vários deles por conseqüência da alteração ambiental ali ocorrida nas últimas cinco décadas (Moura-Leite et al.1993.Situação atual As pretensas manchas de Cerrado do Norte Velho foram (se é que existiram) provavelmente erradicadas. alterado em pequenas extensões (Uhlmann. frente ao panorama de ocupação humana e de desmatamento regional. a qual abriga uma área com cerrado superior talvez a 500ha. Rio das Perdizes. mas esse desconhecimento pode ser efeito de sub-amostragens. um levantamento detalhado dos últimos remanescentes de cerrado e cerradão nas regiões Noroeste (notadamente na foz dos rios Paranapanema. propõe-se as seguintes localidades: 1. sem dúvida. município de Arapoti. ambas oficiais e situadas no vale do rio das Cinzas e região de Campo Mourão. 1995). elementos característicos da vegetação estão presentes e marcadamente abundantes: Caryocar brasiliense. ou seja. Em sua flora. A curto prazo é a única esperança conservacionista para essa vegetação em território paranaense. RPPNs).Propostas para conservação e manejo A título de investigação propõe-se. Pouco mais representativos são os resquícios com até 50ha. a situação é simplesmente calamitosa e praticamente irreparável. etc) e principalmente em campo. análise de material cartográfico. engloba uma superfície total de quase 430ha. Acompanhando um processo de colonização que se estabeleceu há menos de 40 anos. VII. VII. O Parque Estadual do Cerrado é a única área protegida com Cerrado em quantidade significativa no Paraná. 84 . 1996) e a geração de imagens índices de vegetação (IVDN) (Bittencourt et al. ainda abriga espécies típicas como o barbatimão Stryphnodendron adstringens e a palmeira-anã Syagrus microphylla. Não há qualquer tipo de estudo biológico e sua criação. Entretanto. 1996) merecem aplicação imediata para o cerrado paranaense. A esse trabalho será fundamental a obtenção de informações básicas sobre o ambiente como um todo. serviu mais para fins políticos do que preservacionistas. de 27 de março de 1992. pode-se prever que seja possível a completa erradicação regional do cerradão. Para a criação de UCs. Qualea cordata e Vochysia tucanorum. fitossociológico e faunístico. chamada Estação Ecológica do Cerrado (jurisdição municipal). Straube. evidenciou que não existem mais de duas dezenas de fragmentos com área superior a 300ha. no município de Jaguariaíva. 6 . situado no município de Tibagi. as quais podem ser efetivadas sob a forma de parques estaduais ou mesmo reservas particulares (por exemplo. Nossa expedição de abril de 1997. Criado pelo Decreto Estadual nº 1232. diminuindo a característica subjetiva e pontual das pesquisas paranaenses sobre essa fitofisionomia. bem como no interflúvio desses dois últimos) e Nordeste (particularmente na região do Norte Velho) do Paraná. de áreas semelhantes à observada em Santa Mônica. conforme pode-se avaliar in situ (abril de 1997). associado a um intensivo inventário florístico. O mesmo pode-se dizer daquelas do Norte Novo . Técnicas cartográficas avançadas. 5 . já que nunca realizou-se ali nenhum levantamento ornitológico. dos quais a maior parte constitui-se de cerrado (em suas cinco fisionomias clássicas). em franca utilização em outras regiões brasileiras como a espectro-radiometria de reflexão (Baptista e Leite. Já a outra UC. a região Noroeste teve sua vegetação natural quase que totalmente erradicada. 2. com urgência. apesar de estar condenada a funcionar mais do que como um pequeno museu vivo mostrando espécimens florísticos extintos regionalmente. Stryphnodendron adstringens. Assim. Ivaí e Piquiri. é provavelmente a menor unidade de conservação brasileira: conta com uma área inferior a 1ha. 1995). Curatella americana.

Motta. bibliografia especializada e especialistas. denominação dada pelos autores. com. Martius et al 1840/1906. Os resultados desta compilação estão na Tabela 9 onde os autores relacionaram 986 espécies em 85 famílias. Componente lenhoso (arbustivo arbóreo): indicado direta ou indiretamente pelos autores. não foi incluída na recém-criada RPPN-Itaitiba (ca. sugere-se: a).. Estes estudos de espécies arbóreas e arbustos lenhosos foram refinados a partir de vários levantamentos em pelo menos 78 localidades levando em consideração sinonímias e mudanças taxonômicas recentes. através da indicação direta ou indireta dos autores que os incluíram em suas listas. W. b). lista cujo objetivo principal não era o de fazer um inventário florístico propriamente dito. Pela relativa menor dificuldade na identificação. a modificação da categoria de RPPN do remanescente de Santa Mônica para Parque Estadual. subarbustos e herbáceas.. a estimativa da riqueza de espécies do bioma Cerrado começou pelas espécies lenhosas arbóreas e arbustivas. G. 104 referências selecionadas (92 referências publicadas e 12 referências inéditas). listas que indicavam apenas as espécies principais. Cerrado s. Rizzini 1963. 1000ha de mata de araucária). referências especializadas (por exemplo. b. VIII – A flora lenhosa do componente arbustivo arbóreo (revisão baseada em Castro et al. T. (1999) baseou-se em publicações de levantamento e listas de espécies. and Shepherd. 300ha) existente na propriedade contígua. F. Referências consultadas a.J. Lima per J. Index Kewensis. b. Essa sugestão serve de apoio para a criação de unidades de conservação. subtipos e transição. b. quando esta envolvia algum subtipo de cerrado. incluindo a fração de cerrado (ca. muito significativas ou amostragem quantitativa em uma área determinada de um certo local. A.Vegetação e Flora na margem da rodovia PR-092. Como reformulação de UCs. c. 1999. campo limpo e campo rupestre. Heringer et al 1977. inclusive de pequeno porte. 1999). a ampliação do Parque Estadual do Guartelá. Ortografia: nomes científicos e de seus autores confirmado através de bibliografia especializada (Brummitt 1992. Zurlo 1978). até 1992. J. senão quando significativas floristicamente (Figueiredo e Fernandes 1987. Ferri. mortos. 43 referências eliminadas (31 por causa dos critérios adotados e 12 porque foram resgatadas após a composição final do banco de dados). o número de espécies lenhosas arbustivas ou arbóreas pode chegar a 2000. A abordagem do estudo de Castro et al. 66 listas eliminadas (46 por causa dos critérios adotados e 20 porque foram resgatadas após a composição final do banco de dados). l. com área de aproximadamente 50ha. por iniciativa de seus proprietários. Levantamentos feitos no campo: publicados ou inéditos. listas de espécies produzidas a partir de herbário ou que se referiam exclusivamente a campo. (Cerrado. R. Martins. 1971). Cerrados): todos os 85 . quando indicados direta ou indiretamente pelos autores. Os autores indicam que este número ainda é impreciso e apontam a extrema urgência de estudo mais aprofundados que os até então existentes. Listas de espécies a. Tamashiro. F. b. A. Critérios de seleção das listas de espécies: a.pess. 1977. Castro. favorecendo o intercâmbio gênico entre vegetais de populações meridionais e centro-brasileiras.) associado a outras entidades de pesquisa em silvicultura. Eliminação: cipós (ou lianas). enquanto essas possam contribuir como últimas alternativas regionais de material para planos de recomposição florística. 145 listas selecionadas (79 listas quantitativas e 66 listas qualitativas). Sinonimização: eliminação da repetição de binômios. trabalhos que fizeram coletas periódicas. Brummitt e Powel 1992). Conferência das espécies e listas: a. c. a qual.. 1969. Dependendo das considerações. Destaca-se ainda a necessidade de um apoio mais intenso a propostas envolvendo formação de bancos de sementes e de outros meios que propiciem a base para recomposições de flora. tal como recentemente desenvolvido pelo Instituto Ambiental do Paraná (M. Y.

Fr. E.) R. Duguetia echinophora R. Duguetia furfuracea (A.-Hil. Rollinia sylvatica (A. Xylopia emarginata Mart. Xylopia aromatica (Lam. St. Lista de espécies da flora lenhosa registradas para o Cerrado.Tabela 9. Annona pygmaea (Warm. Fr. Bocageopsis mattogrossensis (R.-Hil. Duguetia lanceolata A. St. Annona muricata L. Xylopia aromatica (Lam. St. E. Fr. & Hook.) Mart. Guatteria silvatica R. E. FAMÍLIAS ESPÉCIES CONHECIDAS MAGNOLIACEAE ANNONACEAE Talauma ovata A. Fr. E. Xylopia brasiliensis Spreng. Cardiopetalum calophyllum Schltdl. Annona crassiflora Mart. Hil. Fr. St. Xylopia sericea A. Unonopsis lindmani R. Fr.-Hil.) Mart. Annona reticulata L.) Mart.f. Annona coriacea Mart.-Hil. Annona dioica A. 86 . Rollinia emarginata Schltdl. St. Annona cornifolia A.-Hil. Annona tomentosa R. Annona crotonifolia Mart. E. St. Annona campestris R. E. E.) Warm. Ephedranthus parviflorus S. St.) Benth. Moore Guatteria nigrescens Mart.-Hil. Guatteria subsessilis Mart. Fr.

& Spix) Mez Abuta grandifolia (Mart.C. ex Mez Mezilaurus lindaviana Schwacke & Mez Nectandra lanceolata Nees & Mart. Virola surinamensis (Rol.Vegetação e Flora Tabela 9. Virola sessilis (A. Continuação MYRISTICACEAE MONIMIACEAE LAURACEAE MENISPERMACEAE ULMACEAE MORACEAE Virola malmei A.) Taub. ex Nees Phoebe erythropus (Mart.) DC.) Mez Ocotea odorifera (Vell. Nectandra nitidula Nees & Mart.) Sandwith Abuta selloana (Benth. Siparuna guianensis Aubl.) Blume Brosimum gaudichaudii Trécul Brosimum guianensis (Aubl. ex Nees Nectandra membranacea (Sw.) Sarg.) Warb.) Mez Persea caerulea (Ruiz & Pav. Siparuna cujabana (Mart. Celtis pubescens Kunth Trema micrantha (L.) Warb. ex Nees Ocotea acutifolia (Nees) Mez Ocotea velutina (Nees) Rohwer Ocotea corymbosa (Meisn. DC.) Rohwer Ocotea pulchella (Nees) Mez Ocotea spixiana (Nees) Mez Ocotea diospyrifolia (Meisn. Virola sebifera Aubl.) Mez Ocotea diospyrifolia (Meisn.) Huber 87 . ) Mez Persea major Kopp Persea pyrifolia Nees & Mart.Sm.) Eichler Celtis iguanea (Jacq. Mezilaurus crassiramea (Meisn.) Griseb.

Schmidt) Lundell Guapira noxia (Netto) Lundell Guapira opposita (Vell. Sorocea sprucei (Baill.A. ex Ham. 88 .-Hil. St..-Hil. Coccoloba mollis Casar. ex J. Cecropia obtusa Trécul Cecropia pachystachya Trécul Guapira graciliflora (Mart.) Reitz Guapira subferruginea (Mart. Macbr. Davilla cearensis Huber Davilla elliptica A. Coccoloba grandifolia Jacq.) Guapira tomentosa (Casar. & Kunth Pseudolmedia laevigata Trécul Sorocea ilicifolia Miq. Gomphrena macrocephala A. Continuação CECROPIACEAE NYCTAGINACEAE Ficus citrifolia Mill. St. Davilla rugosa Poir. Bonpl. Ficus gomelleira Kunth & Bouche ex Kunth Ficus guyanensis Desv.Tabela 9.) Lundell Neea macrophylla Britton Neea spruceana Heimerl Neea theifera Oerst. Curatella americana L. F.) J. Ficus obtusifolia Humb.-Hil. St. CACTACEAE AMARANTHACEAE POLYGONACEAE DILLENIACEAE Cereus jamacaru DC. & Tul. Davilla grandiflora A. Cecropia cinerea Miq. Cecropia adenopus Mart. Cecropia concolor Willd.

Ternstroemia oleaefolia Wawra Norantea guianensis Aubl. Calophyllum brasiliense Cambess. Ouratea cuspidata (A.) Baill. St. Ternstroemia brasiliensis Cambess. Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl. Kielmeyera corymbosa (Spreng. Kielmeyera suberosa Kielmeyera variabilis (Spreng.-Hil.) Mart. Ouratea floribunda (A. Kielmeyera grandiflora (Wawra) Saddi Kielmeyera rubriflora Cambess. Platonia insignis Mart.) Mart. Mahurea exstipulata Benth.f. St. Clusia microphylla Klotzsch ex Engl. Vismia amazonica Ewan Vismia brasiliensis Choisy Vismia cayennensis (Jacq.St.-Hil. Symphonia globulifera L. Ouratea nana (A.) Engl. Kielmeyera abdita Saddi Kielmeyera coriacea (Spreng. Kielmeyera speciosa A.-Hil. St. Continuação OCHNACEAE CARYOCARACEAE THEACEAE MARCGRAVIACEAE CLUSIACEAE Ouratea acuminata (DC. Ouratea schomburgkii (Planch.) Engl. Ouratea spectabilis (Mart.) Mart.-Hil.-Hil. Ouratea hexasperma (A. Caryocar brasiliense Cambess. 89 .) Pers.) Engl. Ouratea castanaefolia (DC.) Engl. Caryocar coriaceum Wittm.) Engl.Vegetação e Flora Tabela 9. St. Clusia sellowiana Schltdl. Ouratea confertiflora (Pohl) Engl.) Engl.) Engl.

Robyns Eriotheca pubescens (Mart.Robyns Pseudobombax marginatum (A. Helicteres corylifolia Nees Helicteres guazumifolia Kunth Helicteres macropetala A. Robyns Pseudobombax tomentosum (Mart.) Urb. Sterculia striata A. Helicteres sacarolha A. Eriotheca gracilipes (K. Helicteres brevispira A.) A. Apeiba tibourbou Aubl. & Schltdl. Luehea paniculata Mart.) A.) A.-Hil. A. Bombax cyathophorum (Casar. & Cambess. Pseudobombax longiflorum (Mart. St. Casearia commersoniana Cambess.Knuth) Mori Eschweilera nana (Berg) Miers Casearia arborea (Rich.Robyns Hibiscus furcellatus Lam.Schum. Triumfetta semitriloba Jacq.Schum. Luehea speciosa Willd. Schum. & Zucc. St.Tabela 9.) Choisy Vismia magnoliaefolia Cham.Juss. & Naudin Waltheria indica L. & Zucc. Helicteres ovata Lam.) K. Melochia hirsuta Cav. St.) A.) Schott & Endl.-Hil. 90 .. Continuação TILIACEAE STERCULIACEAE BOMBACACEAE MALVACEAE LECYTHIDACEAE FLACOURTIACEAE Vismia guianensis (Aubl. Waltheria polyanthos K.-Hil. Luehea divaricata Mart. & Zucc. Pavonia malacophylla Garcke Eschweilera brancoensis ( R. Guazuma ulmifolia Lam. St.-Hil. St.-Hil.

Casearia lasiophylla Eichler Casearia sylvestris Sw. Cochlospermum vitifolium (Willd.) Radlk.) Urb. Gaylussacia brasiliensis Meisn.Vegetação e Flora Tabela 9. Manilkara bidentata ( A. Chrysophyllum marginatum (Hook. Casearia guianensis (Aubl. & Arn. 91 . Clethra brasiliensis Cham. Pouteria torta (Mart.) Radlk. & Eichler) Pierre Pouteria ramiflora (Mart. Leucothoe pohlii (Don) Sleumer Leucothoe serrulata DC. Micropholis venulosa ( Mart. Casearia gossypiosperma Briq. D. Laetia procera (Poeppig) Eichler Lindackeria latifolia Benth. Manilkara triflora (Alemão) Monach. Lacistema aggregatum (Bergius) Rusby Lacistema hasslerianum Chodat Piriqueta aurea (Cambess. Gaylussacia pseudo-gaultheria Cham.) Radlk. & Eichler) Pierre Diospyros brasiliensis Mart.) Urb. Ryania mansoana Eichler Cochlospermum regium (Schrank) Pilg. Casearia grandiflora Cambess. & Schltdl. Pouteria ramiflora (Mart. DC) Chev. Continuação BIXACEAE LACISTEMATACEAE TURNERACEAE CLETHRACEAE ERICACEAE SAPOTACEAE EBENACEAE Casearia decandra Jacq. Penn. & Schltdl.) Radlk.) Spreng. Micropholis venulosa ( Mart. Chrysophyllum brevipes (Pierre) T.

) Mez Rapanea leuconeura (Mart. Cybianthus boissieri DC. Symplocos platyphylla (Pohl) Benth. Symplocos fallax Brand Symplocos lanceolata (Mart. Rourea induta Planch. Symplocos uniflora (Pohl) Benth. Symplocos rhamnifolia DC.) Planch. DC. ex Miq.) Mez Rapanea umbellata (Mart. DC. Styrax camporum Pohl Styrax ferrugineum Nees & Mart. Cybianthus detergens Mart.) Mez Stylogyne warmingii Mez Connarus perrottetii (DC. Symplocos pubescens Klotzsch ex Benth. Connarus suberosus Planch. Diospyros hispida A. Symplocos tenuifolia Brand Symplocos tetrandra Mart.) Griseb. Continuação STYRACACEAE SYMPLOCACEAE MYRSINACEAE CONNARACEAE CUNONIACEAE Diospyros burchellii Hiern Diospyros coccolobaefolia Mart.Tabela 9.) DC. Diospyros sericea A. Cybianthus goyazensis Mez Rapanea ferruginea (Ruiz & Pav.) Mez Rapanea parvifolia (DC. Maba inconstans (Jacq. Symplocos nitens (Pohl) Benth.) Mez Rapanea guyanensis Aubl. Rapanea lancifolia (Mart. 92 . Lamanonia ternata Vell.

Calliandra dysantha Benth.f. ex Roem. & Schltdl. Prunus sellowii Koehne Rubus brasiliensis Mart. Licania kunthiana Hook. Calliandra parviflora Benth.f.) Fritsch Licania blackii Prance Licania gardneri (Hook. & Schltdl.) Speg.) Britton & Rose 93 .) Brenan Anadenanthera peregrina (L.) Urb. Parinari campestre Aubl.Vegetação e Flora Tabela 9. ex Hook. Prunus myrtifolia (L. Acacia plumosa Lowe Anadenanthera colubrina (Vell.Mey. & Zucc. & Zucc.) Benth. f.f.) Prance Hirtella hoehnei Pilg.) Fritsch Licania hoehnei Pilg. Anadenanthera macrocarpa (Benth. Licania humilis Cham. Continuação ROSACEAE CHRYSOBALANACEAE MIMOSACEAE Prunus brasiliensis (Cham. Licania octandra (Hoffmanns. Hirtella gracilipes (Hook. Hirtella racemosa Lam. Couepia grandiflora (Mart.) Prance Hirtella ciliata Mart. Licania minuscula Cuatrec. Chloroleucon mangense (Jacq.Dietr. Exellodendron gardneri (Hook. Hirtella glandulosa Spreng.) D. Calliandra microphylla Benth.) Brenan Anadenanthera falcata (Benth. Calliandra abbreviata Benth.f. Calliandra foliolosa Benth. & Schult.) Kuntze Licania rigida Benth.) Speg. Licania apetala (E. Parinari obtusifolia Hook.f.

Mimosa caesalpiniifolia Benth. Mimosa pteridifolia Benth.F. Plathymenia foliolosa Benth. Pithecellobium dumosum Benth. F. Piptadenia obliqua (Pers.) J.) Mart. Continuação Enterolobium contortisiliquum (Vell. Piptadenia gonoacantha (Mart. Pithecellobium marginatum Spruce ex Benth. Pithecellobium foliolosum Benth. Mimosa millefoliata Scheele Mimosa obovata Benth. F. ex Burkat Mimosa lasiophylla Benth. Mimosa sonderstromii Barneby Mimosa verrucosa Benth. Stryphnodendron adstringens (Mart. Macbr.) J.) Benth. Inga scabriuscula Benth. Mimosa lanuginosa Glaz. Enterolobium schomburgkii (Benth. Inga fagifolia (L. Pithecellobium incuriale (Vell. Macbr. Mimosa claussenii Benth. ex Benth.Tabela 9.) J.) Willd. Mimosa foliolosa Benth. Mimosa rigida Benth. Mimosa albolanata Taub. Mimosa platyphylla Benth.) Benth. Mimosa xanthocentra Mart.) Morong Enterolobium gummiferum (Mart. Stryphnodendron obovatum Benth.) Coville Stryphnodendron coriaceum Benth. Plathymenia reticulata Benth. Mimosa acutistipula Benth. 94 . Inga affinis DC.Macbr. Inga sessilis (Vell. Parkia platycephala Benth. Inga heterophylla Willd.

S. Irwin & Barneby Copaifera coriacea Mart.) H. S. Irwin & Barneby Chamaecrista zygophyloides (Taub. Bauhinia pulchella Benth. Bauhinia tenella Benth. Apuleia leiocarpa (Vog.) H. S. Bauhinia ungulata L. S.Dietr.) H. Irwin & Barneby Chamaecrista claussenii (Benth. 95 . Cassia moschata Kunth Cassia pendula Humb.) Killip Chamaecrista ensiformis (Vell. S.) H. Bauhinia rufa (Bong. Caesalpinia ferrea Mart. Irwin & Barneby Chamaecrista conferta (Benth. Irwin & Barneby Chamaecrista desvauxii (Collad. Bauhinia amplifolia Ducke Bauhinia brevipes Vogel Bauhinia cupulata Benth.) H. Bauhinia mollis D.) H. Irwin & Barneby Chamaecrista orbiculata (Benth. S. Chamaecrista cathartica (Mart.) Steud.F.) H. Copaifera langsdorffii Desf. Irwin & Barneby Chamaecrista dalbergiifolia (Benth. Irwin & Barneby Chamaecrista isidorea (Benth. Continuação CAESALPINIACEAE Stryphnodendron polyphyllum Mart. S. Bauhinia dubia Don Bauhinia goyazensis Harms Bauhinia macrostachya Benth.) J. & Bonpl.) Steud. Cenostigma macrophyllum Tul. Cenostigma gardnerianum Tul.) H. S. Irwin & Barneby Chamaecrista juruenensis (Hoehne) H. S. Irwin & Barneby Chamaecrista cotonifolia (Don) H. Bauhinia cuyabensis (Bong.Macbr. Caesalpinia bracteosa Tul. ex Tul. S. S.Vegetação e Flora Tabela 9. Irwin & Barneby Chamaecrista rotundata (Vogel) H. ex Willd.

) Blake Sclerolobium aureum (Tul. ex Benth. S. Irwin & Barneby Senna velutina (Vogel) H. Peltophorum vogelianum Benth.) H. Schizolobium parayba (Vell. Hymenaea maranhensis Y.) Roxb. Swartzia racemosa Benth. Senna bicapsularis (L.Irwin & Barneby Swartzia flaemingii Raddi Swartzia latifolia Benth. S. Diptychandra glabra Benth. S. Lee & Langenh.) H. T. Sclerolobium paniculatum Vogel Senna alata (L. S.) H. Hymenaea martiana Hayne Hymenaea stigonocarpa Mart. S. 96 . Pterogyne nitens Tul. ex Hayne Hymenaea velutina Ducke Macrolobium bifolium (Aubl.S.) Roxb. Irwin & Barneby Senna silvestris (Vell. S. S. Dimorphandra mollis Benth. Peltogyne paniculata Benth. Diptychandra aurantiaca Tul. Senna latifolia (G. Irwin & Barneby Senna spectabilis (DC. Martiodendron mediterraneum (Mart. Irwin & Barneby Senna trachypus (Benth.) Benth.) H.Tabela 9.) H. Sclerolobium hypoleucum Benth. Hymenaea courbaril L. Irwin & Barneby Senna macranthera (Collad.) Koeppen Peltogyne confertiflora (Hayne) Benth. Irwin & Barneby Senna obtusifolia (L. Irwin & Barneby Senna rugosa (Don) H. Continuação Copaifera luetzelburgii Harms Copaifera martii Hayne Dimorphandra gardneriana Tul.Mey) H.) Pers.

Dipteryx alata Vogel Dipteryx odorata (Aubl.) Benth. Bowdichia virgilioides Kunth Camptosema coriaceum (Nees & Mart. Lonchocarpus araripensis Benth. ex Pulle Andira vermifuga Mart. Camptosema pedicellatum Benth.) Yakovlev Aeschynomene paniculata Willd. Indigofera suffruticosa Mill.f.) R. Andira cuyabensis Benth. Continuação FABACEAE Acosmium dasycarpum (Vogel) Yakovlev Acosmium lentiscifolium Schott Acosmium subelegans (Mohlenbr. Dioclea glabra Mart. Andira fraxinifolia Benth. Coursetia arborea Griseb.C.Sm. ex Benth. Macbr.) Willd. Ateleia glazioveana Baill. Dalbergia miscolobium Benth. F. Andira anthelmia (Vell. ex Vogel Amburana cearensis (Alemão) A.Cowan Bowdichia nitida Spruce ex Benth. ex Benth.Vegetação e Flora Tabela 9. Andira legalis (Vell. 97 . Centrolobium tomentosum Guill. ex Benth.) Toledo Andira nanum Andira paniculata Benth. Andira inermis (Sw. Andira spectabilis Saldanha Andira surinamensis (Bondt) Splitg. Galactia glaucescens Kunth Harpalyce brasiliana Benth. Bocoa mollis (Benth.) Kunth Andira laurifolia Benth. Dioclea huberii Ducke Dioclea reflexa Hook. Dioclea bicolor Benth.) J.

Lafoensia replicata Pohl Physocalymma scaberrimum Pohl Daphinopsis fasciculata (Meisn.) Nevling 98 . Machaerium opacum Vogel Machaerium stipitatum (DC.) Stellfeld Machaerium lanatum Tul. Mascherpa & Stainier Zollernia paraensis Huber Euplassa inaequalis (Pohl) Engl.Tabela 9. Cuphea thymoides Cham.) Harms Platymiscium trinitatis Benth. St. Vatairea macrocarpa (Benth. Pterocarpus rohrii Vahl Pterocarpus violaceus Vogel Pterodon emarginatus Vogel Tephrosia purpurea (L) Pers.) Ducke Vigna firmula (Benth. Continuação PROTEACEAE LYTHRACEAE THYMELAEACEAE Luetzelburgia auriculata (Alemão) Ducke Machaerium acutifolium Vogel Machaerium arboreum (Jacq. & Schltdl.) Maréchal. Lafoensia puniciifolia DC. Roupala brasiliensis Klotzsch Roupala montana Aubl. Platypodium elegans Vogel Platypodium grandiflorum Benth.) Vogel Machaerium hirtum (Vell.-Hil.) Vogel Machaerium villosum Vogel Ormosia arborea (Vell. Diplusodon ramosissimus Pohl Diplusodon virgatus Pohl Lafoensia densiflora Pohl Lafoensia pacari A.

Continuação MYRTACEAE Blepharocalyx salicifolius (Humb.Legrand Campomanesia lineatifolia Ruiz & Pavon Campomanesia pubescens (DC. Campomanesia xanthocarpa Berg Eugenia albo-tomentosa Camb. Eugenia spathulata Berg Eugenia uniflora L.) Berg Campomanesia rufa (Berg) Nied. Myrcia daphnoides DC.) D.) Toledo Campomanesia adamantium (Camb. Eugenia pluriflora Mart. & Kunth) DC. Eugenia chrysantha Berg Eugenia dysenterica Mart. Gomidesia affinis (Camb. Myrcia floribunda Miq.) D.. Myrcia formosiana DC. Eugenia gamaeana Glaz. Myrcia bella Camb. Myrcia canescens Berg Myrcia castrensis (Berg) D.) Berg Campomanesia dichotoma (Berg) Mattos Campomanesia eugenioides (Camb. Eugenia livida Berg Eugenia mansonii Berg Eugenia obversa Berg Eugenia pitanga (Berg) Kiaersk.. Eugenia punicifolia (Humb.Legrand Myrcia cuprea (Berg) Kiaersk.Vegetação e Flora Tabela 9. & Kunth) Berg Calycorectes acutatus (Miq.Legrand Gomidesia lindeniana Berg Myrcia albo-tomentosa DC. Myrcia guajavaefolia Berg 99 . Bonpl. ex DC. Bonpl. Eugenia aurata Berg Eugenia bimarginata DC. Eugenia hiemalis Camb.

Psidium guineense Sw. Myrcia rufipes DC. Myrcia uberavensis Berg Myrcia variabilis DC. Myrcia schottiana Berg Myrcia stricta (Berg) Kiaersk. Myrcia laevigata Berg Myrcia laruotteana Camb. Myrcia polyantha DC. Myrcia obtusata (Schauer) D.) DC. Myrcia superba Berg Myrcia tomentosa DC. Myrcia nigro-punctata DC.Legrand Myrciaria floribunda (West ex Willd.) Berg Psidium acutangulum DC. Continuação Myrcia hayneana Berg Myrcia intermedia (Berg) Kiaersk. Myrcia lasiantha DC. Psidium myrsinoides Berg 100 . Myrcia pubipetala Miq. Myrcia multiflora (Lam. Psidium aerugineum Berg Psidium australe Camb. Myrcia rorida (Berg) Kiaersk. Legrand Myrcia pallens DC. Psidium cambessedianum Psidium cinereum DC. Myrcia rostrata DC. Myrcia lingua Berg Myrcia longipes (Berg) Kiaersk. Myrcianthes pungens (Berg) D. Psidium cinereum DC.Tabela 9. Myrcia venulosa DC. Psidium firmum Berg Psidium guajava L.

Clidemia hirta (L. ex DC. 101 . Continuação MELASTOMATACEAE Psidium submetrale McVaugh Psidium australe Camb. Leandra involucrata DC. Miconia albicans (Sw. Leandra polystachia (Naudin) Cogn.) Triana Miconia albo-rufescens Naudin Miconia argentea DC. Leandra purpurascens (DC. Leandra lacunosa Cogn.) Triana Miconia langsdorffii Cogn. Miconia holosericea (L.) Burret Psidium rufum DC.-Hil.Don Clidemia rubra (Aubl.) Triana Miconia ibaquensis (Bonpl.) DC.) Mart. Miconia paulensis Naudin Miconia pepericarpa DC. Miconia pohliana Cogn. St. Miconia cinnamomifolia (Mart. Psidium bergianum (Nied. Miconia ligustroides (DC. Siphoneugena densiflora Berg Cambessedesia espora (A.) DC. ex DC. Miconia burchellii Triana Miconia chamissois Naudin Miconia chartacea Triana Miconia cinerea Cogn.Vegetação e Flora Tabela 9. Miconia guianensis (Aubl.) DC. Miconia adenostemon Cogn.) Naudin Miconia minutiflora (Bonpl.) Cogn.) D.) Naudin Miconia cuspidata Naudin Miconia fallax DC. Miconia ferruginata (Schrank & Mart. Leandra lancifolia Cogn.) Cogn.

) Cogn. Tibouchina sellowiana (Cham. Tibouchina papyrifera (Pohl ex Naudin) Cogn. Tibouchina gracilis (Bonpl.) Cogn. ex DC. Tibouchina clidemioides (Berg ex Triana) Cogn.) Eichler Combretum ellipticum Kuhlmann Combretum fruticosum (Loefl. Combretum mellifluum Eichler Terminalia argentea Mart. Miconia theaezans (Bonpl. Tibouchina adenostemon (Schrank ex DC. Terminalia brasiliensis (Camb. Tibouchina stenocarpa (Schrank & Mart. Mouriri guianensis Aubl. Tibouchina pogonanthera (Naudin) Cogn.) DC. ex DC.) Cogn. ex Zucc.) Eichler Terminalia fagifolia Mart. ex DC. Miconia sellowiana (Cham. Miconia rufescens (Aubl. Tibouchina aspera Aubl. & Zucc.) Stuntz Combretum leprosum Mart.) Cogn.) DC. Continuação COMBRETACEAE Miconia rubiginosa DC. Mouriri pusa Gardner Ossaea congestiflora (Naudin) Cogn.) DC.) DC. Trembleya phlogiformis (Mart. Terminalia phaeocarpa Eichler 102 . Don) Cogn. ex DC. Buchenavia grandis Ducke Buchenavia tomentosa (Mart. Tibouchina barbigera (Naudin) Baill. & Schrank ex DC. Tibouchina candolleana (Mart. Terminalia januariensis DC.Tabela 9. Trembleya parviflora (D.) Naudin Miconia stenostachya (Schrank & Mart.) Cogn. Miconia tiliaefolia Naudin Mouriri acutiflora Naudin Mouriri elliptica Mart. Tococa formicaria Mart.

Ximenia americana L. Tontelea micrantha (Mart. Continuação OLACACEAE OPILIACEAE CELASTRACEAE HIPPOCRATEACEAE AQUIFOLIACEAE ICACINACEAE EUPHORBIACEAE Thiloa glaucocarpa (Mart. Sm. Peritassa campestris (Camb.) A.Arg. C. Alchornea schomburgkii Klotzsch Alchornea triplinervia (Spreng. Maytenus rigida Mart. & Poepp.) Peyr. Ilex cerasifolia Reissek Ilex conocarpa Reissek Emmotum nitens (Benth. Sm.) Ducke Cnidosculus vitifolius Pohl Croton floribundus Spreng.) Miers Actinostemon communis (Müll.) Müll.Vegetação e Flora Tabela 9. Croton pohlianus Müll.) Eichler Heisteria densifrons Engl. Cheiloclinium cognatum (Miers) A.) Pax Alchornea discolor Endl. ex Schult.Sm. Salacia campestris Walp. Chaetocarpus echinocarpus (Baill.Arg.C.) A. Croton salutaris Casar. Salacia crassifolia (Mart.) Peyr. Salacia micrantha (Mart. Ilex affinis Gardner Ilex asperula Mart. 103 .Arg. Agonandra brasiliensis Miers Austroplenckia populnea (Reissek) Lundell Maytenus alaternoides Reissek Maytenus communis Reissek Maytenus evonymoides Reissek Maytenus obtusifolia Mart. C.

E. St. Arg. Arg.-Hil. Manihot coerulescens Pohl Manihot pruinosa Pohl Manihot tripartita (Spreng. Pera ferruginea (Schott) Müll.) O. Sacoglottis guianensis Benth. Erythroxylum deciduum A. Maprounea guianensis Aubl. Manihot violacea Pohl Maprounea brasiliensis A. Arg. Pera obovata (Klotzsch) Baill.Tabela 9. Schulz Erythroxylum orinocense Kunth Erythroxylum strobilaceum Peyr. Pera glabrata (Schott) Baill.) Müll.-Hil.) O. Continuação RHAMNACEAE ERYTHROXYLACEAE HUMIRIACEAE Mabea fistulifera Mart. Schulz Erythroxylum gonocladum (Mart.) Pax Rhamnidium elaeocarpum Reissek Rhamnus sphaerosperma Sw. St. Pera bicolor (Klotzsch) Müll.) Müll. St. 104 . Sebastiania bidentata (Mart. Sapium marginatum (Müll. Humiria balsamifera Aubl. Erythroxylum suberosum A. Erythroxylum cuneifolium (Mart. Schulz Erythroxylum daphinites Mart. Erythroxylum citrifolium A. Arg. Erythroxylum tortuosum Mart. E. Sapium biglandulosum Müll. Arg. St. E. Erythroxylum campestre A. Schulz Erythroxylum flexuosum O.-Hil. Savia dictyocarpa Müll.-Hil. Arg. E. St. Erythroxylum ambiguum Peyr.-Hil. Arg. Erythroxylum engleri O.

Byrsonima guilleminiana A. Byrsonima intermedia f. Byrsonima pachyphylla A. Gates Banisteriopsis malifolia (Nees & Mart. Juss. Juss. Gates Banisteriopsis megaphylla (A. Juss. Gates Banisteriopsis oxyclada (A. Juss. Juss. Juss. Banisteriopsis schizoptera (A. Byrsonima linguifera Cuatrec. R. Gates Byrsonima basiloba A. Juss. Juss. Juss.) B. Juss. Juss. Gates Banisteriopsis campestris (A. Byrsonima blanchetiana Miq. Byrsonima fagifolia Nied.) B.) Kunth Byrsonima crassa Nied.) Cuatrec.) B. Continuação MALPIGHIACEAE Banisteria paraisia Banisteriopsis argirophylla (A. Gates Banisteriopsis irwiing B. Juss. Juss. Byrsonima gautherioides Griseb. Juss. Gates Banisteriopsis latifolia (A. Byrsonima sericea DC. Juss. Byrsonima orbignyana A.) W. Byrsonima laxiflora Griseb. Juss. Byrsonima stipulacea A.) B. Juss. Byrsonima indorum S.Vegetação e Flora Tabela 9.) B. parvifolia Nied. Gates Banisteriopsis variabilis B. Gates Banisteriopsis laevifolia (A. 105 . Byrsonima lancifolia A. latifolia Nied. Gates Banisteriopsis pubipetala (A. Byrsonima schomburgkiana Benth. Byrsonima coccolobifolia Kunth Byrsonima coccolobifolia f.) B.) B.) Little Banisteriopsis clausseniana (A. Byrsonima coriacea (Sw. Moore Byrsonima intermedia A. Byrsonima crassifolia Kunth Byrsonima cydoniifolia A. Anderson & B.

Callisthene fasciculata Mart. Qualea grandiflora Mart.-Hil. Heteropterys pteropetala A. Tetrapterys ramiflora A. Juss. Juss.Juss. Heteropterys acutifolia A. Juss. Callisthene major Mart. Peixotoa parviflora A. Heteropterys xanthophylla A. Qualea multiflora Mart. Byrsonima verbascifolia (L. Qualea densiflora Spreng. Vochysia pruinosa Pohl 106 . Byrsonima verbascifolia ssp.Tabela 9. Juss.) A. ex A. pilosa Warm.) Warm. Juss. Juss. St. Callisthene hassleri Briq. leiocarpa Griseb. Callisthene microphylla Warm. Juss. Juss. Qualea parviflora Mart. Callisthene major var. Galphimia brasiliensis (L. Byrsonima variabilis A. Juss. Heteropterys byrsonimiifolia A. Juss. Vochysia haenkeana Mart. Pterandra pyroidea A. Vochysia gardneri Warm. Salvertia convallariodora A. Vochysia cinnamomea Pohl Vochysia elliptica Mart. discolor f.) Rich. Juss. Heteropterys umbellata A. Vochysia herbacea Pohl Vochysia petraea Warm. Qualea cordata Spreng. Peixotoa hirta A. Continuação VOCHYSIACEAE Byrsonima vacciniifolia A. Qualea dichotoma (Mart. Heteropterys tomentosa A. Juss. Juss.

) Cuatrec.Vegetação e Flora Tabela 9. Continuação POLYGALACEAE KRAMERIACEAE SAPINDACEAE BURSERACEAE Vochysia rufa Mart.) Marchand Protium ovatum Engl. St. St.W. ex Spreng. Benn. Bredemeyera laurifolia Klotzch Krameria argentea Mart. Matayba elaeagnoides Radlk. Cupania vernalis Camb. Allophylus sericeus (Camb. Protium heptaphyllum (Aubl. Magonia pubescens A. Cupania racemosa (Vell.) Radlk.-Hil.) Radlk. Cupania revoluta Radlk. Tetragastris unifoliolata (Engl.-Hil. Allophylus quercifolius (Mart. Serjania erecta Radlk. Krameria tomentosa A. Bursera simaruba (L. Diatenopteryx sorbifolia Radlk. Bursera leptophloeos Engl. Vochysia thyrsoidea Pohl Vochysia tucanorum Mart.) Marchand Protium brasiliense (Spreng. Dilodendron bipinnatum Radlk. Matayba guianensis Aubl. 107 .) Radlk. Protium pilosissimum Engl. Protium elegans Engl.) Engl.) Sarg.) Radlk. Bredemeyera altissima A. Matayba arborescens (Aubl. Protium almecega Marchand Protium aracouchini (Aubl.

St. St. Miracrodruon urundeuva Alemão Schinus terebinthifolius Raddi Spondias purpurea L. 108 .) Engl.Juss. Spiranthera odoratissima A.-Hil.) Mart. Esenbeckia pumila Pohl Zanthoxylum rugosum A. St. Zanthoxylum cinereum Engl. Hortia brasiliensis Vand.-Hil. Zanthoxylum rieldelianum Engl. Simarouba amara Aubl. Simaba warmingiana Engl. Continuação ANACARDIACEAE SIMAROUBACEAE MELIACEAE OXALIDACEAE Anacardium humile A. Trichilia pallida Sw. Simaba trichilioides Engl. Dictyoloma incanescens DC.-Hil. ex DC. Oxalis hirsutissima Mart. Cabralea canjerana (Vell.-Hil. Guarea macrophylla Vahl Trichilia elegans A. Zanthoxylum rhoifolium Lam. Tapirira guianensis Aubl.Tabela 9. St. Simarouba versicolor A. Hil. Cedrela fissilis Vell. Esenbeckia febrifuga (A. & Tul. Erythrochiton brasiliensis Nees & Mart. Anacardium occidentale L.) A. Astronium fraxinifolium Schott Astronium ulei Mattick Lithraea molleoides (Vell. ex Mart. Juss. Tapirira marchandii Engl. & Zucc. St.

Arg. Hancornia speciosa M. Arg.) Woodson Himatanthus phagedaenicus (Mart. Arg.) Miers Peschiera hystrix (Steud.T.) Woodson Mandevilla gentianoides (Mill. St. Aspidosperma cuspa (Kunth) S. Aspidosperma pyrifolium Mart. Himatanthus obovatus (Müll.) Decne. & Schltdl. & Schltdl. DC. DC. Gómez Himatanthus articulatus (Vahl) Woodson Himatanthus bracteatus (A.) Seemann Didymopanax morototoni (Aubl. Arg. Antonia ovata Pohl Strychnos martii Progel Strychnos pseudoquina A.Blake Aspidosperma cylindrocarpon Müll. Aspidosperma tomentosum Mart.) Woodson Himatanthus cuneatus Sm. Aspidosperma polyneuron Müll. Continuação ARALIACEAE LOGANIACEAE APOCYNACEAE ASCLEPIADACEAE Dendropanax cuneatum (DC. Arg.) A. Aspidosperma multiflorum A.) Woodson Odontadenia lutea (Vell. Aspidosperma pyricolium Müll. & Planch. Arg. Didymopanax vinosum Cham.-Hil.) Decne.) Woodson Mandevilla erecta (Vell. Aspidosperma nobile Müll.DC. Aspidosperma verbascifolium Müll. ex A. Rauvolfia ternifolia Kunth Hemipogon setaceus Decne. 109 .Vegetação e Flora Tabela 9. DC. Aspidosperma macrocarpon Mart. Didymopanax distractiflorum Harms Didymopanax macrocarpum (Cham. Aspidosperma subincanum Mart.) Markgr. Arg. Peschiera affinis (Müll. & Planch.

Cordia superba Cham. Cordia discolor Cham. Merremia aturensis (Kunth) Hallier Cestrum corymbosum Schltdl. Cordia ecalyculata Vell. ex Sendtn.) A.-Hil. Cestrum obovatum Sendtn. Aegiphila splendens Schauer Aegiphila verticillata Vell. ) Oken Cordia bicolor A. Solanum macranthum Dunal Solanum subinerme Jacq. Cordia glabrata (Mart. DC. Cestrum sendtnerianum Mart. 110 . Cordia alliodora (Ruiz & Pav. Aegiphila parviflora Moldenke Aegiphila pernambucensis Moldenke Aegiphila sellowiana Cham. Solanum lycocarpum A. Continuação SOLANACEAE CONVOLVULACEAE BORAGINACEAE VERBENACEAE Aegiphila amazonica Moldenke Aegiphila intermedia Moldenke Aegiphila lhotszkiana Cham. Cordia nodosa Lam. Lantana camara L. Cordia sellowiana Cham. Cordia insignis Cham. St.Tabela 9. Ipomoea albiflora Moric. Solanum baturitense Huber Solanum cordifolium Dunal Solanum grandiflorum Ruiz & Pavon Solanum horridum Dunal Solanum jamaicense Mill. DC.

Schum.) Sandwith Arrabidaea inaequalis Baill. Arrabidaea corallina (Jacq. St. Lantana trifolia L. Hyptis eriophylla Pohl ex Benth. Vitex schomburgkiana Schauer Hyptis cana Pohl ex Benth. Cybistax antisyphilitica (Mart. & Schauer Lippia lasiocalycina Cham. Arrabidaea brachypoda (DC. Lippia lupulina Cham.) Mart. Lippia corymbosa Cham.) Stellfeld Anemopaegma glaucum Mart. Petrea racemosa Nees Vitex cymosa Bertero Vitex flavens Kunth Vitex megapotamica (Spreng. Lippia eupatorium Schauer Lippia glandulosa Schauer Lippia gracilis Schauer Lippia lacunosa Mart. Ruellia geminiflora Kunth Anemopaegma arvense (Vell.) Bureau & K. Hyptis macrantha A.Vegetação e Flora Tabela 9. Hyptis pauliana Epling Linociera hassleriana Hassl. Arrabidaea sceptrum (Cham. ex Benth. 111 .) Moldenke Vitex polygama Cham. Lippia martiana Schauer Lippia salviaefolia Cham.) Sandwith Crescentia cujete L. Continuação LAMIACEAE OLEACEAE ACANTHACEAE BIGNONIACEAE Lantana fucata Lindl.-Hil.

) A. Schum. Jacaranda jasminoides (Thunb. Don Jacaranda cuspidifolia Mart.Silva Manso) Benth. Jacaranda brasiliana (Lam. & Hook.) Sandwith Tabebuia aurea (J.) Standley Tabebuia chrysantha (Jacq.) Standley Tabebuia roseo-alba (Ridl.) Urb.Silva Manso) Miers Memora peregrina (Miers) Sandwith Tabebuia alba (Cham. Rich. Alibertia sessilis (Vell. Fridericia speciosa Mart. Alibertia elliptica K.) K. Jacaranda caroba (Vell. Alibertia obtusa K. & Bonpl. Continuação RUBIACEAE Distictella mansoana (DC.) Sandwith Tabebuia ochracea (Cham. Alibertia macrophylla (Mart. Jacaranda rufa J. Schum. Schum. Memora axilaris Bureau & K. Alibertia concolor (Cham. ex DC. Rich. Jacaranda decurrens Cham. Jacaranda acutifolia Humb.) Sandwith Tabebuia serratifolia (Vahl) G. Moore 112 .Nicholson Tecoma leucoxylon Mart. Alibertia edulis (A.) K.) Sandwith Jacaranda paucifoliolata Mart.) G. Alibertia verrucosa S. Schum. Memora nodosa (J. Zeyheria montana Mart. Schum. Jacaranda copaia (Aubl.Schum. Memora cuspidata Hassl. Tabebuia impetiginosa (Mart.Silva Manso Jacaranda ulei Bureau & K.) DC.) D. ex DC.) K. ex DC.) Pers.Tabela 9. Nicholson Tabebuia insignis (Miq. Jacaranda puberula Cham. Schum.

-Hil.Schum. Chiococca nitida Benth. & Schltdl. & Schltdl.) K. 113 .) Mart. Palicourea rigida Kunth Palicourea rigida var. Psychotria involucrata Psychotria sessilis (Vell. Ferdinandusa elliptica Pohl Genipa americana L. Randia armata (Sw. & Hook. Chomelia ribesioides Benth. Arg. ex Müll. Palicourea xanthophylla Müll. Rudgea viburnoides (Cham.Vegetação e Flora Tabela 9.) Müll. St. Tocoyena formosa (Cham. Coussarea hydrangeaefolia (Benth. Faramea crassifolia Benth.-Hil. ex A.) DC. Arg. Guettarda viburnoides Cham. Moore Palicourea marcgravii A. Arg. Remijia amazonica K. Rudgea villosa Benth. Sabicea cana Hook. Chomelia obtusa Cham. Ladenbergia chapadensis S. Thieleodoxa lanceolata Cham.) Pers. Ixora gardneriana Benth.Arg. Chomelia pohliana Müll.Schum.) Benth. Tocoyena bullata (Vell.) DC. ex Glaz. Psychotria carthagenensis Jacq. genuina Müll.) Benth. & Schltdl. Calycophyllum multiflorum Griseb. Arg. Rudgea amazonica Müll. Declieuxia lysimachioides Zucc.Arg. Guettarda platypoda DC. Remijia ferruginea (A. St. Guettarda angelica Mart.f. Arg. Gray Coccocypselum lanceolatum (Ruiz & Pav. Continuação Amaioua guianensis Aubl. Chomelia anisomeris Müll.

Brickellia pinifolia A.) Cabrera Gochnatia pulchra Cabrera Gochnatia velutina (Bong. M. Continuação Tocoyena formosa ssp. ex DC. Lychnophora ericoides Mart. Baccharis tridentata Vahl Baccharis trimera DC. tomentosa (Mart) A.) Cabrera Hoehnephytum trixioides (Gardner) Cabrera Ichthyothere cunabi Mart. ex Baker Eupatorium vauthierianum DC. Gray Clibadium rotundifolium DC.L.) Baker Eupatorium barbacense Hieron. 114 .Barroso Baccharis pseudotenuifolia I. Mikania sessilifolia DC. Bip. Eremanthus goyazensis (Gardner) Sch. Brown ASTERACEAE Baccharis concinna G. E. Teodoro Baccharis ramosissima Gardner Baccharis reticularia DC. Gochnatia barrosii Cabrera Gochnatia floribunda Cabrera Gochnatia polymorpha (Less. Dasyphyllum orthacantum (DC. Baccharis semiserrata DC. Eremanthus glomeratus Less. Eupatorium squalidum DC. Eupatorium trixoides Mart. Eupatorium maximiliani Schrad. Barroso Baccharis dracunculifolia DC. Baccharis lymannii G.) Cabrera Elephantopus biflora Sch.Prado Tocoyena neglecta N. L. Bip.Tabela 9. Eremanthus mattogrossensis Kuntze Eremanthus sphaerocephalus (DC.M. Eupatorium laevigatum Lam.

Vernonia missionis Gardner Vernonia mucronulata Less. Vernonia chamissonis Less. Vernonia diffusa (Spreng. Vernonia brasiliensis (Spreng. ex DC. Attalea humilis Mart.Monteiro Vernonia polyanthes (Spreng.Rodr.) Less. ex Mart.) Baker Senecio brasiliensis Less. Symphyopappus polystachyus (DC. Wunderlichia mirabilis Riedel ex Baker ARECACEAE Acanthococos emensis Toledo Acrocomia aculeata (Jacq. ex DC. Astrocaryum vulgare Mart. Attalea exigua Drude Attalea geraensis Barb.) Baker Trichogonia alternata Trichogonia campestris Gardner Trixis verbasciformis Less. Eupatorium cuneatum DC. 115 . Vernonia bardanoides Less. Vanillosmopsis erythropappa Sch. Vernonia oligolepis Sch. ex Baker Vernonia phosphorea (Vell.) Lodd.) H.) Glassman Astrocaryum campestre Mart. Vernonia grandiflora Less. Acrocomia totai Mart.Vegetação e Flora Tabela 9.) Less. Bip. Vernonia ferruginea Less.) Kuntze Syagrus romanzoffiana (Cham. Vernonia fruticulosa Mart. Continuação Piptocarpha rotundifolia (Less.) Less.Bip. Allagoptera campestris (Mart. Vernonia rubriramea Mart. Vernonia ruficoma Schltdl. Vernonia glabrata Less.

Rodr. 116 . Oenocarpus distichus Mart. Continuação POACEAE VELLOZIACEAE Attalea phalerata Mart.Tabela 9. E. Syagrus loefgrenii Glassman Syagrus petraea (Mart.) H.f. Butia leiospatha (Mart. ex Schult.) Mart.) L. Syagrus flexuosa (Mart. Syagrus comosa (Mart. Orbignya phalerata Mart. Moore Mauritia martiana Spruce Maximiliana regia Mart. & Spreng.Bailey Copernicia prunifera (Mill.) Becc. Actinocladum verticillatum (Nees) MacClure & Sonderstron Arundinaria cannavieira Silveira Vellozia flavicans Mart.) Becc.) Becc.H. Butia paraguayensis (Barb.

sob baixo impacto antrópico. os quais são determinados pelo número de espécies presentes na comunidade e pela base da escala logarítmica escolhida. A fitofisionomia estudada foi o cerrado sensu stricto (Ribeiro et al. as cartas do IBGE e do Exército Brasileiro. com 10 parcelas de 20x50m resultando numa intensidade amostral de um hectare efetivamente amostrado em cada localidade. Silva Jr. 1990). além de imagens de satélite e fotos aéreas. usando aquele trabalho como base. Todos os indivíduos lenhosos com diâmetro mínimo de 5cm. As duas primeiras são cobertas predominantemente por florestas úmidas. 1990). Os espécimens coletados estão depositados no herbário IBGE e/ou no herbário UB (Universidade de Brasília). O sistema utilizado para a alocação das unidades amostrais foi o aleatório (Phillips. A escolha das áreas de amostragem obedeceu a critérios de cobertura geográfica de pontos extremos dentro dos sistemas de terra propostos por Cochrane et al (1985) e à disponibilidade de áreas com vegetação natural. Felfili et al.000 a. 1994). As coletas botânicas foram realizadas na estação seca e na estação chuvosa. Castro (1994). 1990) foi usada para a seleção dos pontos amostrais em cada área selecionada. Ratter e Dargie (1992). A província do Cerrado inclui considerável variedade de fisionomias vegetais. Uma adaptação do método Gradsect (Austin e Heyligers. 1990). enquanto que o Cerrado e a Caatinga. Prado e Gibbs (1993). 1994). Felfili. 1990). M. incluindo todas as fitofisionomias presentes na área. a província Atlântica. num esforço conjunto entre CIAT e EMBRAPA. Felfili e Silva Júnior. Para avaliar a diversidade florística entre as comunidades e para fazer comparações entre elas foi utilizado o Índice de Shannon. são recobertos principalmente por florestas estacionais entremeadas por formações abertas e florestas úmidas de galeria. 1988). Imaña-Encinas. abrangendo 40% da extensão latitudinal e 24% da extensão longitudinal do cerrado.. 1983.Vegetação e Flora IX – Riqueza florística e diversidade em localidades em diferentes sistemas de terra em Chapadas do Brasil Central (baseado em: J. Seis áreas estão localizadas na chapada Pratinha (terras altas da superfície Pratinha e terras com erosão da superfície Pratinha) e cinco áreas na Chapada dos Veadeiros (terras altas do Tocantins). em raríssimos casos. M. Rezende. e J. a província Central ou dos cerrados. Eiten. 117 . Evidências palinológicas e botânicas indicam que o clima e substrato são os fatores determinantes para o desenvolvimento dos cerrados e que este se deu antes dos impactos antropogênicos por incêndios e desmatamento só observados em torno de 600 a. Os principais eixos rodoviários foram tomados como base procurando-se abranger ao máximo a variabilidade florístico-estrutural de cada fitofisionomia. 1993). Apesar da rápida taxa de conversão do Cerrado em monoculturas. quando ocorreram significativas queimadas naturais. 1996) O Brasil possui cinco grandes províncias biogeográficas: a província Amazônica.5 e. foram incluídos na amostragem. 1993. 1950) foram calculados utilizando o software INFLO. Oliveira-Filho e Ratter (1995) e Ratter et al (1996) obtiveram padrões fitogeográficos para algumas fisionomias. A amostragem incluiu 11 áreas distribuídas ao longo de um gradiente de seis graus de latitude Sul e quatro graus de longitude Oeste. A. Walter. 1992. Esses sistemas de terra são ainda pouco conhecidos quanto à possível existência de comunidades bióticas particulares. Ledru. ultrapassa 5 (Margurran. duas das 25 unidades fisiográficas identificadas para o Brasil Central (Cochrane et al 1985). subdividiram o Brasil Central em 25 grandes unidades fisiográficas com mais de 70 sistemas de terra distintos. (Van Der Hammem. B. tipos de solos e comunidades animais ocorrentes no Brasil Central (Eiten.C. Os parâmetros fitossociológicos (Curtis e McIntosh. Felfili. O projeto Biogeografia do bioma Cerrado (Felfili et al. são poucos os estudos biogeográficos que possam orientar o delineamento de políticas públicas para a conservação e manejo racional dos recursos do bioma. P. As listas de espécies obtidas nas áreas estudadas foi composta pelas coletas de herbário e pelas espécies identificadas nas parcelas. exceto lianas. desenvolvido no Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília.. O evento de período seco em torno de 6. 1983. Geralmente está entre 1.C. Nogueira. refletindo um clima estacional. Cochrane et al (1985).5-3. executou levantamentos padronizados e fez comparações bióticas dentro e entre sistemas de terra. a província Nordestina ou das caatingas e a província Sulina ou campesina (Fernandes e Bezerra. parece ter favorecido a expansão do Cerrado no Brasil Central. Há poucos trabalhos fitogeográficos ao nível das principais fisionomias (Fernandes e Bezerra. Este índice varia de 0 a valores positivos. assim como os resultados do projeto RADAMBRASIL.

com a maioria das áreas apresentando um índice em torno de 3. Porém. baseadas na densidade das espécies. as similaridades foram mais baixas entre as áreas da Chapada dos Veadeiros do que entre aquelas da Chapada Pratinha. utilizou-se o Índice de Sørensen e para as comparações quantitativas. Estes valores são superiores àqueles comumente encontrados nos cerrados do DF e na Chapada Pratinha. Felfili et al 1992. que possam ser associados com o ambiente e corroborados com observações de campo (Kent e Cocker.s.s. E também na comparação de Serra Negra com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.. qualitativa e quantitativa. As amostras são classificadas primeiramente pela sucessiva dicotomização. 1994). 1 – A riqueza florística e a diversidade O cerrado s. Para as comparações qualitativas. Mesmo quando presente em UCs. . de Serra Negra. tanto florística como estrutural. em Serra Negra e Serra da Mesa (Tabela 10). A similaridade entre áreas foi calculada usando-se o programa MVSP (Kovach. 1979). 1994). especialmente quando comparando Paracatu e Patrocínio com as demais áreas. nesses casos. Para ambos os índices quanto mais próximo do valor 1. a similaridade estrutural foi mais baixa (Índice de Czanowski). 1993). Os valores do índice de Shannon calculados para os cerrados variam de 3. em Vila Propício e no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. indicando uma maior diferenciação entre aquelas áreas. circundados por campos e matas mesofíticas. Na utilização dos índices presume-se que a alta similaridade entre as áreas denota sua semelhança ecológica. Serra da Mesa e no município de Alto Paraíso de Goiás apresentaram-se extraordinariamente ricos. características ecológicas locais. como é o caso da comparação entre Alto Paraíso de Goiás x Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. Nem sempre a proximidade entre as áreas significou alta similaridade florística. Para ambas as comparações. A similaridade florística (Índice de Sorensen) foi alta na comparação entre as áreas da Chapada Pratinha (Tabela 11).s. usando as classificações das amostras como base. maior a similaridade. as espécies. foi baixa quando comparado o cerrado de Alto Paraíso de Goiás com os demais. 1992).5 (Tabela 10). A classificação da vegetação foi efetuada pelo método TWINSPAN . Felfili e Silva Júnior (1993) indicaram a densidade como um dos mais importantes fatores diferenciadores entre as áreas de Cerrado s. As dicotomias são obtidas pela divisão das ordenações pela metade. utilizou-se o Índice de Czesanowski (Kent e Coker.5 é considerada alta.Two-Way Indicator Species Analisys (Hill. até 97 espécies. IX. salientando a importância desse parâmetro para a tomada de decisões quanto às estratégias para proteção de populações do bioma 118 Cerrado. entre 50-80 espécies (Felfili e Silva Jr. Isto indica que. Na Chapada dos Veadeiros a similaridade. Os cerrados s. Na amostragem o número de espécies variou de 82. tais como as edáficas. baseadas na presença e ausência das espécies (MuellerDumbois e Ellemberg.7. O método constrói uma tabela dicotômica (Two-way) pela identificação de espécies preferenciais.1-3.As comparações entre comunidades foram efetuadas por meio de índices de similaridade e métodos de análise multivariada. Em seguida. são classificadas da mesma maneira. sobre solos rochosos. 1993. Uma similaridade maior que 0. contrastando com as condições na Chapada Pratinha onde essa fisionomia é freqüentemente encontrada em latossolos profundos e distróficos (Felfili et al. na Chapada dos Veadeiros é muito rico em espécies arbóreas. principalmente aquelas representadas em baixas densidades. 1992). em encostas suaves. A classificação por TWINSPAN é aplicada na procura de padrões na distribuição das espécies. estão se sobrepondo aos gradientes geográficos tais como latitude e longitude. As características de solo e topografia locais condicionam a sua ocorrência em manchas. 1974). uma espécie pode não estar protegida a longo prazo devido ao seu isolamento.

Erythroxylum suberosum.s. a similaridade florística foi baixa quando este foi comparado com a maioria das áreas não protegidas. por conseguinte. Byrsonima verbascifolia. de maior variabilidade genética intra-específica. Serra Negra e Paracatu sendo. Connarus suberosus.Vegetação e Flora O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros apresentou similaridade alta quando comparado com as áreas protegidas da Chapada Pratinha. É positivo o fato das áreas protegidas apresentarem elevada similaridade florística entre si. portanto. Estes resultados apoiam a hipótese da heterogeneidade espacial da biota para a fitofisionomia cerrado s. Ouratea hexasperma. Estas podem ser consideradas espécies típicas desta porção do Brasil Central.30 indicando uma divisão forte (Gauch. nas Chapadas Pratinha e dos Veadeiros são aquelas de Alto Paraíso de Goiás. pois as chances de preservação das populações lá existentes e. A ordenação pelo método DECORANA corroborou os resultados da classificação. 1982). Kielmeyera coriacea. ou seja. Serra Negra e Paracatu. 119 . considerando-se a primeira e segunda divisões (Figura 17). necessária e urgente a criação de UCs nessas áreas. Sclerolobium paniculatum e Tabebuia ochracea. ficam mais asseguradas. existe diferenciação florística e estrutural entre as unidades fisiográficas da Chapada dos Veadeiros e da Chapada Pratinha (Figura 18). A classificação pelo método TWINSPAN separou as áreas da Chapada dos Veadeiros das áreas da Chapada Pratinha. Byrsonima coccolobifolia. Os cerrados menos similares foram aqueles de Alto Paraíso de Goiás. mas por outro lado. As áreas mais críticas para proteção em relação a florística do cerrado s. Qualea grandiflora. Os auto-valores (EIGENvalues) foram superiores a 0. Bowdichia virgilioides.s. Aspidosperma tomentosum. Apenas 12 espécies foram comuns a todas as onze localidadades nas duas chapadas: Acosmium dasycarpum.

Àreas estudadas nas Chapadas Pratinha e dos Veadeiros 120 .Figura 17 .

1995). Além disso. Salacia crassifolia. Uma das razões dessa grande carência está na falta de especialista em taxonomia de fungos no país. PARNA=Parque Nacional). controle biológico de insetos e doenças de plantas etc. jcarmine@guarany.. Os dados não levaram em conta o grande número de saprófitas do solo e matéria orgânica e nem fungos associados a animais. 1998 . José Carmine1 Os fungos compõem a segunda maior fração da biodiversidade. apesar de se conhecer menos de 3% das espécies presentes no cerrado. vírus .000 espécies. fontes industriais de enzimas e outras moléculas. escritas e validamente publicadas. existem 38. Estimativas recentes (Hawksworth.000 espécies. APA=APA Gama-Cabeça do Veado. etc. permite a produção de um faturamento anual de um bilhão de dólares. Lacunas do conhecimento sobre a diversidade fúngica (micodiversidade) do Cerrado.20 e 25 espécies fúngicas respectivamente (Dianese et al. o qual foi o fator único e decisivo a permitir o uso extensivo do transplante de órgãos. algas microscópicas menos de 60.não publicado). sem detalhar a importância dos fungos como alimento.unb.) somados às 270. Dianese.000 espécies de fungos) baseia-se em dados conservadores gerados a partir de estatísticas resultantes de observações da incidência de fungos sobre plantas em condições de clima temperado (Inglaterra).br . flexuosa) estão associados a 17. existem hoje apenas 900 espécies de fungos associadas a plantas em toda a região. onde ocorrem seis espécies diferentes de fungos por espécies de plantas.130. sendo superados em número de espécies apenas pelos insetos. A grande lacuna no conhecimento dos fungos de cerrado está no fato de que. Para clima tropical a expectativa é bem maior que o dobro. (EEAE=Águas Emendadas. Tabebuia ochracea e Mauritia vinifera (= M. cpd. micoplasmas. basta lembrar que a indústria de antibióticos de origem microbiana gera um faturamento anual de 34 bilhões de dólares. Chaves & Dianese. X. Comparandose com as plantas do cerrado onde provavelmente 90% das espécies já foram descritas. Esta cifra é exponencialmente superior ao conjunto de todos os demais microorganismos (bactérias -30.Vegetação e Flora Figura 18: Posicionamento das 11 áreas de estudo nos eixos de ordenação pelo método DECORANA. viróides.400 espécies de fungos associadas à vegetação do cerrado. 1 Como dados recentes mostram a ocorrência de aproximadamente 6.500. sendo que. cifra inferior a 4% estimado para todo o globo (Hawksworth et al. apenas um produto de origem fúngica .000 espécies.a ciclosporina. conclui-se (usando a proporção de seis espécies fúngicas por espécies de plantas) que. fabricação de queijos e molhos. Apenas para se tomar uma idéia de importância de se conhecer a diversidade fúngica (micodiversidade) do cerrado. no mínimo.400 espécies de plantas no cerrado. 1997. Esse número (1.000 espécies de plantas vasculares. 1991) sustentam a hipótese de que existem 1 milhão e meio de espécies fúngicas. indústria cervejeira e de fermentação em geral. por exemplo. a situação dos fungos configura-se alarmante quando se analisa a carência 121 Professor do Departamento de Fitopatologia da Universidade de Brasília DF.

UnB. Cabe lembrar que entre 1967 e 1992 o trabalho de descrição da diversidade fúngica do cerrado foi paralisado com a morte de A. R. órgão voltado para a genética e biotecnologia e responsável pela guarda de valioso germoplasma vegetal e animal. trata-se de uma primeira aproximação válida por cobrir coletas extensivas em cerrados s. Diamantina e outras regiões importantes em termos de endemismos vegetais. Mato Grosso do Sul (região de Campo Grande). 1997. Maranhão (Imperatriz. sendo de todo importante cobrir aquelas consideradas críticas do ponto de vista da preservação da própria vegetação. 2. sugere-se as seguintes localidades como prioritárias para futuras coletas: Cerrados da Bahia. 5. Estes mapas poderão ser gerados pelos micólogos da Universidade de Brasília. uma cota significativa de bolsas para estimular a formação de tais especialistas. Grajaú até Balsas. sendo que as coleções oficiais européias (Bélgica. e Emas. 3. além das coletas de americanos (Hennen. pois os fungos dependem das plantas. Os dados disponíveis na Universidade de Brasília permitem a elaboração de mapas mostrando a distribuição geográficas dos fungos associados a plantas do cerrado..s.quase absoluta da área de micologia. Cabe lembrar que os grandes laboratórios farmacêuticos mantém coleções de microorganismos que atingem cifras da ordem de 300 a 500 mil culturas. Chapada dos Veadeiros. à semelhança de outras existentes nos Estados Unidos. Serra do Cipó. Norte do Mato Grosso. Cristalina. J. via Estreito. Campos das Vertentes. Uma revisão sobre biodiversidade dos fungos do cerrado foi publicada (Dianese. sendo esta interação altamente específicas.000 espécimens de fungos do Cerrado. Este material está sendo paulatinamente estudado e nos próximos anos deverá permitir um diagnóstico parcial da distribuição de fungos no cerrado. Pq: 367-417).& Santos. 122 . Esta coleção poderá constituir-se em uma Coleção Nacional de Culturas Fúngicas. B. Vale do Urucuia. capazes de conservar ex situ fração importante da micodiversidade do Cerrado. Holway e outros) e europeus. Parque Nacional de Brasília. estão depositados 15. Assim. B. Batista e a aposentadoria de Ahmés Pinto Viégas. propõe-se: 1. Planaltina de Goiás. de coleção de culturas. Torna-se necessário obter suporte financeiro e de pessoal para coletar em áreas ainda não cobertas. 4. na maioria dos casos. L. propõe-se a elaboração de mapas que conterão também todos os dados referentes a coletas iniciadas por Ernest Ule no final do século XIX até a primeira década do século XX.IBGE e Fazenda Água Limpa . Hong Konk Univ. Como a grande maioria das espécies fúngicas podem ser cultivadas. Norte de Minas. Press.T. Reserva do Roncador . H.P. foram feitas coletas intensivas nos seguintes Parques Nacionais: Brasília. realizados a partir da década de 20. Europa e Japão. Além disso. mantidas a temperaturas inferiores a -140 C. Padre Bernardo. Fungos da Amazônia e Mata Atlântica poderiam ser incorporados tornando a Coleção Nacional um instrumento estratégico para o desenvolvimento da engenharia genética e biotecnologia em geral. savanas amazônicas. principalmente com base em pesquisas realizadas a partir de 1993. Grande Sertão Veredas. Heringer e de estudos por Augusto Chaves Batista e Ahmém Pinto Viégas. Sul do Piauí. Apesar de tratar-se de uma distribuição baseada. que incluem todo o Distrito Federal. é necessário a implantação.C. Como ações prioritárias para a conservação da diversidade fúngica. Para um aprofundamento do conhecimento dos fungos que ocorrem no Cerrado. Chapada dos Guimarães. reservas estaduais e privadas disseminadas pelo cerrado. Piauí (Sul do Piauí até cercanias de Campo Maior). Tendo em vista a extrema carência de especialistas em taxonomia de fungos é imprescindível incluir-se prioritariamente no CNPq para área de Microbiologia. Estados de Tocantins. iniciada em 1992. Na Coleção Micológica de referência (Herbário Micológico) da Universidade de Brasília. Medeiros. com levantamentos intensivos na Reserva Ecologica de Água Emendadas. várias regiões de Minas Gerais (Triângulo Mineiro. Biodiversity of Tropical Microfungi. Esta tarefa seria muito bem localizada no CENARGEN – EMBRAPA. In: Hyde. a médio prazo. ou em N líquido. todos os fungos descritos a partir de material obtido por Ezechias P. kong. K. Paracatú e Serra do Cipó): Goiás (Sudoeste. de volta a Imperatriz). a grande maioria com identificação parcial. Recomendar ao MEC (CAPES) e CNPq o fortalecimento dos centros de pós-graduação do país que possam contribuir com o treinamento de especialistas em taxonomia de fungos.. Holanda) contem entre 20 e 35 mil espécies fúngicas armazenadas. Inglaterra. Todos os acessos estão contidos em bancos de dados programado em Microsoft Access. em identificações em nível de gênero. Norte de Goiás.

(Tabela 12) Tabela 12. 7.correspondente a Cerrado/Pantanal. No Pantanal. Expandir as coletas para Mata de Galeria. onde está envolvida a equipe de Micologia da Unb.Mata de Galeria liderado por José Felipe Ribeiro.77 17. As porções ainda bem conservadas estão em três regiões distintas. de São Paulo. Nestas áreas. e c) Divisa entre Tocantins. Estão incluídas nesta classe os campos nativos utilizados para pastagem. foi incluída nesta categoria. Os resultados indicam que apenas 1/3 das áreas de Cerrado do Brasil encontram-se pouco antropizadas. a integridade da cobertura vegetal nativa do Cerrado lato sensu. As principais regiões de grande impacto antrópico estão nos estados do Mato Grosso do Sul e de Goiás. as porções pequenas recentemente queimadas e sem características de ocupação agrícola. diversas imagens mostram de 50% a 92% da superfície de cerrado em condições fortemente antropizada. com mais de 48% de cerrado não-antropizada: a) Divisa entre o Estado do Piauí. Cerrado antropizado: áreas com vestígios de antropismo.45 16. 123 . por meio de análise visual. áreas atualmente com atividade antrópicas e que eram ocupadas por vegetação não .000. A vegetação ripária. b) Divisa entre Tocantins. Mato Grosso e Goiás. envolta por cerrado.Integridade da cobertura vegetal do Cerrado e Pantanal (baseado em Mantovani e Pereira. áreas de culturas agrícolas florestais ou de pastagens implantadas. áreas urbanizadas. O mapa ilustra a abordagem utilizada para classe Cerrado não-antropizada. as áreas com padrões espectrais de cerrado.Vegetação e Flora 6. A coleta de fungos sobre espécies de plantas endêmicas do cerrado e ameaçadas de extinção é uma providência que deve ser tomada com urgência. e foram aplicados valores de porcentagem com intervalo mínimo de 5%. Para cada uma das quadrículas foram estimadas as áreas ocupadas pelas manchas correspondentes às quatro classes. e no estado de Mato Grosso do Sul. as porções próximas a estradas. incluindo o Pantanal Matogrossense. Cada imagem foi dividida em 100 quadrículas iguais para diminuir o tempo de interpretação e aumentar a acuracidade na estimativa da porcentagem das áreas ocupadas pelas classes de integridade da vegetação. Cerrado não-antropizado: áreas com padrões espectrais e espaciais da vegetação do Cerrado/ Pantanal sem vestígios de antropização. porém com bordas nítidas e retilíneas. pertencentes ao Banco de Imagens mantido pelo INPE (ATUS/INPE) e datadas de 1987 a 1993. tura vegetal do Cerrado lato sensu.72. 1998) Como parte dos estudos preliminares para a Oficina. na divisa de São Paulo com Paraná. Foram definidas quatro classes de cobertura vegetal: (Figura 19) Não-cerrado: áreas ocupadas por vegetação não correspondentes a Cerrado/Pantanal corpos d’água naturais e artificiais onde não foi possível determinar a vegetação original. foi estimada a partir de imagens de satélite. Goiás e Bahia na região do Pantanal sul mato-grossense. Classe não-cerrado cerrado não antropizado cerrado antropizado cerrado fortemente antropizado Média geral (%) 49. Foram utilizadas 144 imagens TM/Landsat na escala 1:250. O trabalho demonstra intensa a antropização que está ocorrendo no Cerrado e no Pantanal e aponta as poucas áreas onde ainda podem ser criadas áreas protegidas de grande extensão. através de esforço já iniciado com o PROBIO .11 16. destaca-se a área mais bem preservada na região sul mato-grossense. Percentagem das classes de cober- XI . do Maranhão e da Bahia. Cerrado fortemente antropizado: áreas com resposta espectral predominante do solo e padrões espaciais retilíneos. áreas com padrões espectrais de vegetação queimada e padrões especiais geométricos e nítidos.

Figura 19: Mapa com a porcentagem do Cerrado não-antropizado 124 .

como a mata seca calcária presente na região norte do Distrito Federal e o cerradão na região de Paracatu. nas regiões 1. portanto. 13. destacando-se contudo. Não houve priorização relativa entre os 41 locais indicados. apesar de ter sido priorizada a conservação das principais fitofisionomias nas diferentes sub-regiões do Cerrado. 10. O cerrado rupestre e campo rupestre estão representados principalmente nas áreas 3. também merecem destaque especial na identificação de áreas prioritárias. 125 . A conservação da vegetação do Cerrado e do Pantanal deve ter como ponto de partida as 41 áreas consideradas prioritárias. As áreas indicadas compreendem locais com diferentes dimensões. praticamente todos são da máxima urgência para implantação. Quanto às áreas áreas/regiões prioritárias para inventários sobre a vegetação de Cerrado senso estrito. pois. A seguir estão relacionadas algumas áreas do bioma Cerrado deficientes em levantamentos florísticos. 11 e 19. considerou-se que praticamente em todos os estados onde ocorre Cerrado (áreas contínuas). a carência de informações sobre as áreas de Cerrado do Estado de Tocantins e Bahia. As áreas de números 9. onde a realização de tais inventários deve ser priorizada (Tabela 13).Vegetação e Flora Síntese do Grupo Temático – áreas prioritárias para o grupo de vegetação e flora Estudos sobre a composição e distribuição da flora do Cerrado indicam que a ocorrência de espécies é bastante heterogênea e. onde há necessidade de realização de levantamentos. Outras fisionomias estão melhor representadas em pontos específicos. A ocorrência de cerrado típico e ralo rupestre. existem lacunas de variadas extensões. 30 e 34. são exemplos de localidades indicadas para a conservação de formações parque de cerrado. que agrupam espécies de distribuição genérica e restrita. a sua conservação é complexa e depende da identificação de grupos fitogeográficos. 17 e 21. apontadas no mapa. cuja indicação reflete não apenas as grandes lacunas de conhecimento. 5. As fitofisionomias de mata de galeria e mata ciliar estão presentes em todas as 41 áreas. MG. mas também as regiões já conhecidas e sem unidades de conservação. A primeira recomendação é que a criação de unidades de conservação leve em conta as variações locais e regionais. 8.

Paranatinga e Buriti. município de Praia Rica e Diamantina. Ipameri e Catalão. na parte ao Norte. Uberlândia. Orizona. Côcos entre outros. parte Noroeste nos municípios de Porangatu. Jeroaquara e Uruaçu. 126 . até o município de Guajara-Mirim.Tabela 13. Floriano e Grucui e ao Norte. parte nordeste deste estado e pequena área de Cerrado ao Sul do Pará localizadas a Oeste do braço maior do rio Araguaia. englobando municípios de Mhabiquara e Utiariti. Parte Central. municípios de Cratéus. Salinas. municípios de Coração de Jesus. Dianópolis. Campo Maior. área a Sudoeste do estado. Divinópolis e Tiros entre outros. Babaçulandia e Itacajá. municípios de Poxoré. municípios de Pedra Azul. área central. municípios de Iturama. municípios de Bom Jesus. Altos. ao Sul da cidade de Barreiras. Norte da Chapada dos Guimarães. Área a Noroeste. Triângulo Mineiro. parte central. Valença do Piauí e Amarante. Prata e Lizandra. Formiga. Regiões sugeridas como prioritárias para levantamentos da vegetação lenhosa no bioma Cerrado. parte Oeste nos municípios de Araguacena e Couto 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Piauí Piauí Maranhão Ceará Bahia Bahia Minas Gerais Minas Gerais Minas Gerais Minas Gerais Minas Gerais Magalhães e ao Sul. Tocantinópolis. parte central e Oeste. municípios de Santana. na porção Leste. municípios de Dores do Indaiá. Bom Jesus da Lapa e Condeubá. Jaragua. municípios de Luiz Correia. a Oeste da cidade de Cuiabá. Uberaba. São Jõao do Piauí e Simplício Mendes. Capelinha e Montes Claros. parte Central e Sul do estado. Monte Carmelo e também Araxá e Nova Ponte. Goiatuba e rio Verde. parte sudeste. municípios de Guanhambi. porção no nordeste deste estado. municípios de Januária e Manga. Brumado. municípios de São Jõao do Araguaia. próximo à divisa política com o Estado do Piauí. pequena área ao Sul. municípios Taguatinga. parte Norte. municípios de Porto França e Grajaú. Número (figura 1) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Estado Rondônia Mato Grosso Mato-Grosso Mato-Grosso Mato-Grosso Mato Grosso Goiás Goiás Goiás Tocantins Região faixa de Cerrado que corta este estado no sentido Leste-Oeste. englobando o município de Barra do Bugre. extremo Oeste do estado. Piripiri. entre os municípios de Nerópolis. municípios de Oeiras. parte Norte deste estado. Correntina. Inhaúmas. Ipueiras e Viçosa do Ceará. próximo à divisa com a Bahia. parte Sudoeste. Diamantina. municípios de Peixe e Paraná. Pirapora. municípios de Cristalina.

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Vegetação e Flora

Áreas prioritárias para a conservação da vegetação e da flora do Cerrado e do Pantanal
1. Formosa do rio Preto – BA, Barreiras / Posse – BA/ GO, São Desidério / Roda Velha – BA, cerrados ao sul de Barreiras – BA; 2. Cerrados ao norte de Bom Jesus da Lapa – BA; 3. Chapada Diamantina – BA 4. Chapada das Mangabeiras (áreas degradadas das chapadas do sudoeste do Piauí) – PI; 5. Complexo de Campo Maior – PI (Parque Nacional de Sete Cidades); 6. Serra de Ricardo Franco – MT; 7. Serra do Cachimbo – MT/PA; 8. Sítio de Santa Filina (região de abrigos rupestres – Baixada Cuiabana) – MT; 9. Região do ribeirão Cascalheira (Pantanal do Rio das Mortes) – MT 10. Pantanal de Cáceres – MT 11. Pantanal de Barão de Melgaço (baía Chacororé e Morraria) – MT 12. Nova Xavantina / Areões – MT 13. Serra do Lajeado - TO 14. Região de Niquelândia (afloramentos serpentinos) – GO 15. Serra dos Pirineus (Parque Estadual dos Pirineus) – GO 16. Serra Dourada (APA Mossâmedes) – GO 17. Chapada dos Veadeiros e adjacências – GO 18. Norte do Distrito Federal (Fercal – Bacia do rio Maranhão) – DF 19. Gerais de Balsas (Carolina e Riachão) – MA 20. Paracatu / Patrocínio / Coromandel – MG 21. Serra da Petrovina – MT 22. Pantanal de Porto Murtinho – MS 23. Maciço do Urucum (Corumbá) – MS 24. Morro de Santo Antônio de Leverger – MT 25. Nhecolândia / rio Negro (Corumbá e Aquidauana) – MS 26. Aquidauana (Serra de Maracaju) – MS 27. Côco-Javaé – TO 28. Margem direita do rio Parnaíba – PI 29. Serra da Bodoquena (Guia Lopes) – MS 30. Vilhena – RO 31. Cristalina – GO 32. Serra de Grão Mogol – MG 33. Serra do Cabral – MG 34. Diamantina – MG 35. Pedra Menina – MG 36. Chapadinha – MA 37. Estação Ecológica de Uruçuí-Una - PI 38. Chapada do Araripe – CE 39. Três Lagoas – MS 40. Paiaguás – Leste – MS 41. Nabileque / Bodoquena – MS

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Figura 19: Áreas prioritárias para a conservação da vegetação e da flora do Cerrado e do Pantanal

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Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação

Fauna
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140 .

Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Invertebrados 141 .

Reid Kiniti Kitayama Onildo João Marini Filho Paulo César Motta Reginaldo Constantino Rosana T.Participantes do grupo de trabalho Ivone Diniz (coordenadora) Helena Castanheira de Morais (sub coordenadora) Anthony Raw (consultor) Amabílio J. Sklorz Simone Wagner Rios Largura Thomas Michael Lewinsohn Vitor O. Becker 142 . Aires de Camargo Carlos Roberto Ferreira Brandão Geraldo Wilson Fernandes Janet W.

também se pautar nas identificações e relações genealógicas de todos os taxa das áreas. ferramentas no controle das pragas. Há um grande valor econômico com a conservação dos insetos. por exemplo. em parte. os critérios utilizados para a conservação dos invertebrados devem ser priorizados segundo outros parâmetros como: a utilização de espécies como indicadoras biológicas. ocorrem nos mais diversos habitats e em diferentes e extremas condições climáticas.9% de indivíduos do Reino Animal (Hadfield. espécies de apelo público (borboletas. assim. muitas vezes. A maioria dos pesquisadores argumenta que o tamanho das reservas para manutenção das populações de vertebrados preservam os invertebrados.000 a 1 milhão de espécies descritas) e em número de indivíduos. No mundo a estimativa do custo da polinização é de 1. Idealmente as decisões deveriam. 1995). parasitas e transmissores de agentes patogênicos determinando. 1990) e pode chegar a 15 milhões (May. as relações de estrutura entre os vários organismos. devido à falta de recursos para programas de conservação. às alterações antrópicas do habitat e. Por isso. A perda de poucos hectares de habitat de nidificação para um grupo de abelhas solitárias pode resultar na não polinização de muitos km² de plantas (Janzen 1984). da presença de plantas hospedeiras e de habitats especiais para um completo ciclo de vida. Os insetos. como subproduto. Devido ao fato de ocorrerem migrações sazonais de populações inteiras. não está disponível para a maioria das áreas. A diversidade de insetos nos trópicos é muito alta. genomas não resistentes aos inseticidas e às modificações ambientais. 1988). Portanto. de espécies. a caracterização biogeográfica da entomofauna é ainda pouco contemplada em inventários de biodiversidade tropical. este tipo de informação. Aos insetos cabem. Entretanto. As orquidáceas. 1987a). ainda. 1/3 da nossa alimentação é direta ou indiretamente dependente dos serviços de polinização das abelhas. Além disso. A priorização de áreas para conservação normalmente está baseada nas comparações do número. através do consumo seletivo de algumas espécies (Bulla 1990). relativo ou absoluto. papel primordial na aceleração dos processos de decomposição do material vegetal. 1991). Cerca de 15% da nossa dieta consiste de vegetais que são polinizados por abelhas. libélulas).590 milhões de dólares (O’Toole 1993). A distribuição geográfica dos insetos e demais invertebrados é menos conhecida que a dos vertebrados e a informação disponível está em geral menos sistematizada. Áreas pequenas e fragmentadas são importantes para a manutenção de insetos se elas contiverem as plantas hospedeiras e outros requerimentos (Janzen 1984. por outro lado. com a América do Sul sendo conhecida por possuir a maior diversidade do mundo. invertebrados. 1988). constituem-se como instrumento de monitoramento do ambiente e como parte dos recursos naturais renováveis (Dourojeanni 1987). devido à extrema riqueza das espécies. deve conter as espécies de plantas hospedeiras) e da ocorrência de ciclos de vida bastante complexos. 1993). além do tamanho adequado. são consumidos por enormes quantidades de predadores vertebrados (Janzen 1987b. à enorme abundância de alguns grupos. parasitóides. Samways. Possuem.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Ivone Dias e Helena Castanheira de Morais (Organizadores) Introdução Os invertebrados pertencem a cerca de 30 Phyla com mais de 95% das espécies e 99. no qual toda a comunidade tem dependência funcional) e espécies guarda-chuva porque outras estão sob sua proteção. Esta crise na conservação dos invertebrados ocorre. 1988). ainda. além de fonte de alimento para numerosas espécies. os invertebrados necessitam. de mais de uma área. especialmente para as regiões de grande riqueza. O Brasil. tais como: banco de genes e de espécies. às 143 dificuldades taxonômicas principalmente dos grupos hiperdiversos. os dados são esparsos. a maior variabilidade genética e o maior número de interações bióticas entre os animais metazoários nos ecossistemas terrestres (Janzen. Mesmo para grupos bem estudados como borboletas. A despeito da sua importância numérica e funcional. Consomem grandes quantidades de partes das plantas e. incluindo dados absolutos de riqueza de espécies. ainda. na realocação de alguns nutrientes e na determinação da composição florística da comunidade. de 50% das espécies tropicais serem herbívoras (o que. Já existem dados na literatura que mostram extinção de populações de insetos em ecossistemas preservados e onde a flora e os vertebrados permaneceram inalterados (Thomas. o Peru e a Colômbia são os três países do mundo com o maior número de espécies conhecidas de animais e plantas (Mittermeir. espécies-chave (como o krill. Há possivelmente um milhão de espécies de nematódeos (Briggs 1991). O número total de espécies de artrópodes tropicais tem sido estimado em seis a nove milhões (Thomas. 1987a. a maior biomassa. são numerosos como espécies (750. a maior família de plantas com flores .

O minhocuçu (Glossoscolex sp. também. A estação está nos limites da Floresta Atlântica e do Cerrado e inclui áreas mata mesófila. Arachnida Na área da APA Gama-Cabeça de Veado (DF) foram obtidas 23 espécies de aranhas de teia (entre 50-200cm alt. Os esforços para a conservação de insetos são quase inexistentes.(20. Phoretina hawayana originária da Índia e Malásia. Pelo menos 10 dessas espécies ocorrem na região de cerrado (Righi 1990). sp.). Motta acrescentou. já resultaram em 29 espécies de 10 famílias de aranhas cursoriais (Luz & Motta 1996. serrulatus (Lourenço 1980).000 espécies conhecidas). Schwartz (com. Algumas têm ampla distribuição.). Existem. porém. Para os invertebrados. o número é de cerca de 67 mil espécies correspondendo a 20% de toda a biota. As pesquisas manipuladoras são muito mais fáceis de serem desenvolvidas no contexto da biodiversidade se forem realizadas com insetos (Janzen 1984).Oligochaeta Já foram assinaladas 45 espécies de minhocas para a região do Mato Grosso e Rondônia.) e 23 espécies de aranhas no folhedo. abundante na região calcária de Minas Gerais. exceto para algumas espécies de Lepidoptera incluídas em listas como ameaçadas de extinção (Janzen 1984). especialmente Lepidoptera e insetos sociais.000 espécies. esse grupo tem um valor comercial considerável. Nestes casos as ações estão centralizadas no ecoturismo.Copepoda Os copépodos (crustáceos) são um componente importante de toda a fauna de invertebrados aquáticos e invadem também muitos habitats úmidos semi-terrestres. com. brejos permanentes e de sucessão secundária (Pedralli & Guimarães-Neto 1997). cerrado. 1983. No Brasil. . Os parques nacionais podem e legitimamente limitam a coleta de vertebrados e de plantas. Ctenidae (6 spp. distribuídas por 35 filos e 89 classes. Uma população de onicóforos foi encontrada na região da Usina Hidroelétrica do rio Manso (Chapada dos Guimarães. estes devem ser coletados e identificados como material de referência para a confecção de guias de campo. em diferentes fisionomias vegetais do DF. foi criada em 1978 com o objetivo de proteger populações de Peripatus acacioi. ainda.Tityus bahiensis e T. parece estar substituindo gradualmente uma espécie da região de cerrado. são polinizadas por abelhas. na fazenda de criação e na proteção dos habitats representativos. Coletas com armadilhas do tipo alçapão. foram registradas outras três espécies de aranhas para a região de cerrado (Lucas et al. porém ainda não identificada. De 12 espécies presentes em áreas abertas. 1990). Peripatus acacioi (Marcus & Marcus 1955) é uma das espécies de invertebrados presentes na Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. A Estação Ecológica do Tripuí em Ouro Preto (MG).) e Theraphosidae (6 spp. Motta. há alguns inventários para uns poucos grupos de insetos. vespas e alguns pássaros (O’Toole 1993). Muitas espécies de minhocas ocorrem em mais de uma região do mundo e são chamadas de espécies peregrinas (Righi. de Porifera a artrópodos. e apresentam distribuição restrita e disjunta (Monge-Najera 1996). informações sobre a fauna de escorpiões na região de cerrado.) as mais comuns. mariposas. Inventário e riqueza de invertebrados no Cerrado Braulio Dias (1992) apresentou uma estimativa da ordem de 320. besouros. Levi & Eickstedt 1989). resultando em um total de 46 espécies de 16 famílias (Dall’Aglio 1992). Pontoscolex 144 Crustacea . MT) por A. devido ao mundo desconhecido dos insetos. vem sendo fortemente explorada comercialmente. (Alho & Martins 1995). Sebben e C. Além das espécies listadas. Onychophora Os onicóforos são um antigo grupo de invertebrados. As informações sobre riqueza de espécies nestes grupos estão muito dispersas na literatura e a maior parte está presente em revisões taxonômicas. pelo menos 7 ocorrem em cerrado. pes. como Ananteris balzani e Bothiurus araguayae e duas espécies foram introduzidas em ambientes urbanos da região .). Os copépodos de vida livre são qualitativamente importantes em ambientes planctônicos. com 337ha. Apesar dos problemas levantados anteriormente. Além disso. vários levantamentos locais para outros grupos de invertebrados. pes. para a biota da região dos cerrados brasileiros.). chamados de “elo perdido” entre os anelídeos e os artrópodos. Annelida . é estimado que 500 milhões de borboletas são mortas para fins comerciais (Samways 1995). sendo Lycosidae (8 spp. dípteros. New & Collins 1991) e Ornithoptera alexandrae da Nova Guiné (Parsons 1992). As famosas exceções de conservação de espécies restringem-se à Papilio homerus da Jamaica (Emmel & Garraway 1990.

Apenas neste pequeno campo úmido foram encontradas mais de 30 espécies. Várias das espécies descritas são conhecidas de apenas um ou de poucos locais no cerrado. Devido à precipitação anual relativamente alta. As mais de 50 espécies de copépodos do cerrado. As únicas espécies conhecidas do gênero de ciclopóides Ponticyclops e do gênero de harpactioides Murunducaris foram descritas de um campo úmido na Fazenda Água 145 Limpa da Universidade de Brasília. o Pantanal devido às mudanças anuais extremas no nível da água e a intensa predação por peixes planctívoros.) yemanjae. ocorrem relativamente poucas espécies que são generalistas e amplamente distribuídas (Reid 1992. Loftus. existe um rico conjunto de ambientes aquáticos que incluem rios e riachos. 1997). os copépodos tropicais bênticos e aqueles associados a substratos tendem a ter uma distribuição geográfica limitada. b). Os copépodos são também qualitativamente significantes. J. Entretanto. Uma situação bastante similar aparentemente ocorre nos Everglades da Flórida onde. de uma extensiva série de pequenos locais. já que o conhecimento de suas distribuições geográficas e diversidade em comunidades fornecem informações sobre biogeografia. Esta impressão. Certamente existem copépodos endêmicos. ecologia. O Cerrado e o Pantanal brasileiros são dois biomas distintos e. O Pantanal com suas inundações fortemente cíclicas. e a representação de espécies verdadeiramente bênticas ou infauna parece ser pequena (Reid & Moreno 1990). Neste local a diversidade de copépodos planctônicos é baixa. os solos hidromórficos do cerrado. como o calanóide Argyrodiaptomus nhumirim recentemente descrito proveniente do Sul do Pantanal que parece ocorrer apenas em baías sem peixes (Reid 1997). parece não abrigar uma assembléia diversa de copépodos. 1994d). isto é. de acordo com as informações disponíveis atualmente. 1994a. Eles têm uma importante função ecológica de agrupar bactérias e material vegetal em pacotes (seus próprios corpos) facilmente disponíveis para os peixes o que provavelmente aumenta a eficiência das cadeias alimentares aquáticas. W. suportam um rico conjunto de pequenos invertebrados aquáticos. Se apenas uns poucos exemplos de ambientes diferentes são preservados. suas faunas de copépodos refletem estas diferenças. Se os padrões de distribuição de outros invertebrados aquáticos forem semelhantes aos dos copépodos. Minas Gerais e Bahia.b). na Argentina (Lansac-Toha et al. lagoas salinas (salinas) e nos diques. e Canthocamptus (Bryocamptus) campaneri. em contraste com a fauna rica em espécies do Médio Paraná. Exemplos são Attheyella (Delachauxiella) broiensis e A. o único membro conhecido do grupo de espécies Bryocamptus na América do Sul (Reid 1994c). mantendo as características estáveis. A maioria das espécies parece ser planctônica ou epibêntica nas lagoas de água doce (baías). F. é reforçada por amostragens a longo prazo em habitats lênticos e lóticos ao longo do Alto Rio Paraná. incluem uma alta proporção de espécies endêmicas (Reid 1984. e são muito modificados pela atividade humana. muitas das quais ainda não descritas. Existem poucos lagos naturais no Cerrado. A assembléia de copépodos planctônicos é típica em muitas regiões tropicais. existem relativamente poucas espécies e estas têm uma ampla distribuição (Reid 1994a. especialmente os solos altamente orgânicos dos campos úmidos e dos murundus. Entretanto. o nível de água tende a permanecer próximo à superfície durante a maior parte do ano e muitos ambientes úmidos ou brejosos são perenes. Em contraste. baseada em apenas poucas amostras. vários tipos de ambientes brejosos como os buritizais e veredas em terras baixas e os campos úmidos nas baixadas que freqüentemente incluem os murundus. Muitas espécies parasitam peixes e invertebrados aquáticos e outras podem ser úteis no controle biológico de mosquitos transmissores de doenças. pode ser um ambiente pouco hospitaleiro para copépodos. nos trópicos. monitoramento de ecossistemas e outros aspectos de interesse para os esforços de conservação. O aumento de informações sobre a meiofauna de ambientes brejosos leva às seguintes considerações: a) a presença dessa rica meiofauna de copépodos que é composta por uma excepcional proporção de espécies endêmicas levanta um interesse especial para a assembléia de espécies dos campos úmidos. apesar de manter um conjunto imensamente diverso de plantas aquáticas e de outros grupos. Em contraste com as espécies de regiões temperadas. Reid & W. imediatamente abaixo do Pantanal. (D. além de riachos subterrâneos nas cavernas calcárias da Província Espeleológica Bambuí nos Estados de Goiás. lagoas efêmeras e nascentes.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação bênticos e subterrâneos. DF (Reid 1987. dados não publicados). o que é considerado como recorde mundial para riqueza de espécies de copépodos continentais em um único tipo de habitat. existe um risco de perda das espécies que apresentam distribuições geográficas restritas (Reid 1994e). é importante a preservação. duas espécies do extremo Norte de distribuição da fauna do Sul das terras do Gondwana na América do Sul. também. b) a fauna e a flora dos campos úmidos em áreas mais extensas da região de cerrado do Brasil central .

Recentemente foram publicadas várias revisões de gêneros de Cerambycidae da América do Sul. A família com maior número de espécies foi Scarabaeidae com cerca de 100 morfoespécies (Diniz. Martins & Galileo 1995a.000m em uma área de campo limpo (IBGE.363 indivíduos de mais Diptera Na região Neotropical a família Drosophilidae inclui 25 gêneros com 715 espécies das quais 436 pertencem ao gênero Drosophila (com 8 subgêneros). foram encontradas 191 espécies de besouros serra-pau na América do Sul. por exemplo.4 50.385 N° de espécimes em 50 redadas 53. Esses campos ocupam uma pequena porção da área total. 1994a). Janzen & Schoener (1968). DF (Pinheiro & Diniz. Os oito locais Tabela 1. (1980) fizeram coletas de drosófilas em diferentes domínios morfoclimáticos do Brasil e os resultados são apresentados abaixo. Considerando oito destes trabalhos (Magno 1995.044 146 . utilizando a mesma metodologia de coleta. Comparação da abundância de insetos. Monné 1997). Utilizando-se somente uma armadilha de interceptação tipo Janela. no período de um ano. Pinheiro & Diniz (dados não publicados). Agrias (Carabidae) e Brahypnoea (Chrysomelidae) (Erwin & Pongue 1988. Das 133 espécies com ocorrência no Brasil. As espécies de besouros arborícolas do gênero Agrias encontradas no platô do Mato Grosso parecem ser mais relacionadas às espécies do flanco sul-andino (Erwin & Pongue 1988). (1973).8 Fonte 1 2 3 4 Allan et al. N° de espécimes 2. foram encontrados 42 famílias de Coleoptera (Diniz. em uma área de cerrado da Fazenda Água Limpa (DF).000 Janzen (1973). A drenagem para o uso agrícola dessas áreas vem sendo aumentada intensamente. coletas efetuadas por redes de varredura. de 300 morfoespécies de Coleoptera. Martins 1997.3 110. 45 (34%) ocorrem na região de cerrado. DF (4) 1. o grupo apresenta uma grande abundância e uma alta riqueza de espécies na região. No entanto. N° de áreas 5 4 18 3 3. Os trabalhos sobre riqueza e distribuição de coleópteros no Cerrado são raros e se restringem a gêneros como. Os coleópteros foram muito pouco coletados nesta região. Napp & Santos 1996. mas provavelmente fornecem um refúgio crítico e corredores de migração para espécies endêmicas de plantas e de invertebrados aquáticos. Com armadilha luminosa no período de um ano foram coletados 8.9 139. Assim. confirmam a abundância e riqueza de insetos em geral e de besouros em particular (Tabelas 1 e 2). com outras áreas tropicais.046 31.continuam pouco estudadas.000 800 1. Área 1 2 3 Total N° de Famílias 9 14 7 15 N° de Espécies 69 94 42 155 N° de espécimes 667 291 86 1. 4. em vários de pontos de coleta em um transecto de cerca de 1. Ribeiro et al. Insecta Coleoptera Essa é a maior ordem de insetos e as informações sobre o grupo no Cerrado são muito dispersas na literatura. DF). dados não publicados). Riqueza e abundância de Coleoptera em três áreas de cerrado lato sensu da Fazenda Água Limpa (FAL) da Universidade de Brasília.940 8. Dados obtidos no cerrado da região do DF comparados com os de outras regiões. Uma alta porcentagem dessas espécies só é conhecida pelos espécimes descritos da localidade tipo (Val & Kenshiro 1988). Napp & Martins 1997. Marques & Napp 1996. a preservação de uma proporção significativa desses habitats deve receber prioridade na estratégia de conservação para a região de cerrado. Sene et al. Tabela 2. dados não publicados).b. 2. Local Porto Rico (1) Costa Rica (2) Costa Rica e Caribe (3) Cerrado. dados não publicados).134 8. N° de redadas por área 400 2.

Este último é considerado o local com o maior número de formas de galhas conhecido no mundo (Lara & Fernandes 1996). e muitas dessas espécies são consideradas pragas agrícolas. SP). Minas Gerais. que foram examinadas durante 17 meses (Lopes 1995). (*) Ambiente ou Local Floresta Amazônica Costas brasileiras Rio Grande do Sul Chaco Pantanal Cerrado Caatinga Serra do Cipó N° de Espécies de Drosophila + 31 + 22 + 11 + 18 + 16 + 34 (*) + 16 28 (+ 10) (*) R. Entre os insetos indutores de galhas (cecidógenos). informações sobre os tefritídeos e os cecidomideos. W.600m. Essa distribuição reflete o material disponível em coleções. Dessas apenas 13 espécies ocorrem na região de cerrado (Terra 1995). 80% são dípteros Cecidomiidae e destes cerca de 90% são espécies novas (G. Lewinshon realizando coletas intensivas em capítulos de compostas (Asteraceae). Mantodea Entre as cerca de 500 espécies de louva-a-deus presentes na Região Neotropical. ainda. Estas espécies foram encontradas em 1. Odonata Foram obtidas 28 espécies de cinco famílias de libélulas em Brasília (DF). Homoptera Foram encontradas 26 espécies de Membracidae em um cerrado da Fazenda Campininha (Mogi Guaçu. Mogi Guaçu e São Paulo (SP). 183 espécies ocorrem no Brasil. Pirenópolis e Serra Dourada (GO). Entre os dípteros existem. Alchisme goiana. é a única conhecida para o Brasil Central. McKamey & Deitz (1996) consideram que o gênero Alchisme de Membracidae deve ocorrer em habitats Thysanoptera Já foram registradas mais de 400 espécies de trips no Brasil. Estas espécies foram obtidas de coletas em 10 localidades: Lagoa Santa (MG). 20 (31%) são restritas a estas áreas e 50% são espécies novas. sendo Drosophila prosaltans Duda a espécie mais comum. (1994) encontraram 38 espécies de drosófilas na Serra do Cipó (MG). em apenas 40 horas de coleta (Ono 1982). 147 .025 plantas marcadas. e em 54 locais de coleta na Serra do Cipó (MG). Riqueza de espécies de Drosophila (Diptera: Drosophilidae) em vários ambientes. São Paulo e uma única espécie em Goiás). Campo Grande e Caracol (MS). uma espécie nova cujo local tipo é a Fazenda Aceiro em Jataí (GO). Itu. Esses dados foram retirados de revisão sistemática feita a partir de coleções biológicas. Destas. O exame das localidades presentes nos rótulos do material examinado mostra claramente a ausência de material do Centro-Oeste e do Nordeste brasileiros. Brasília (DF). A riqueza de espécies de galhas é muito alta: em seis locais de coleta no Vale do Jequitinhonha (MG) foram encontradas 156 morfoespécies de galhas. encontrou 64 espécies de 11 gêneros de Tephritidae em áreas de campos ruprestres de Minas Gerais. Foram registradas 58 espécies de Tabela 3. no Peru e no Brasil (Pará. Tidon-Sklorz informou a existência de pelo menos 34 espécies de drosófilas no cerrado sendo que algumas categorias supra específicas incluem conjuntos de espécies crípticas (Tabela 4). Rio de Janeiro. sendo 10 espécies introduzidas e nenhuma endêmica (Tabela 3). em um transecto de 3. tendo sido encontrado ainda três gêneros novos. úmidos montanhosos e submontanhosos do Norte da América Central ao Norte do Chile e no platô brasileiro. Tidon-Sklorz et al. em apenas um local em Três Marias (MG) mais de 150 morfoespécies. Fernandes). Barreiras (BA).Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação de coleta no Cerrado mostraram uma grande variação na abundância e na composição de espécies. já foram encontradas mais de 300 morfoespécies de galhas. A revisão do gênero (Creão-Duarte & Sakakibara 1997) mostrou que ele ocorre da América Central até a Argentina com ocorrência de espécies na Bolívia. o que representa cerca de 10% da fauna mundial.

fummipenis subgrupo D. No entanto. algumas das quais podem apresentar interesse econômico no âmbito da química de produtos naturais (revisado por Prestwich 1984). A região Neotropical é a segunda em diversidade de cupins com 505 espécies conhecidas ficando atrás apenas da região Etiópica. para D. maculifrons D. e também influenciam na distribuição de plantas. A maioria das espécies de cupins vive nas regiões tropicais e subtropicais. melanogaster D. São Pedro (Monteiro et al. Piracicaba. Isso significa que a eliminação de algumas espécies de cupins de um ecossistema em particular causaria a perda de inúmeras espécies de outros organismos que dependem destes insetos para sobreviver e se reproduzir. nebulosa D. limitado se comparado com os extensivos trabalhos realizados por europeus em várias partes da África.Tabela 4. aparentemente especializada em “Didymopanax” vinosum (Araliaceae) (Del Claro & Mound 1996). repleta D. atingindo densidades impressionantes em algumas áreas e alguns deles constituem-se em espécies-chave ou “keystone species” (Redford 1984). Mais conhecidos por sua importância econômica como pragas de madeira e de outros materiais celulósicos. willistoni D. SP) e em Uberlândia (MG). Nas décadas de 50 a 70. Essa fauna começou a ser conhecida no início deste século. buzzatii D. cardini D. 1996). polymorpha D. coroica trips. nigricruria D. capricorni D. que contém cerca de 2. Embiratermes festivellus e Velocitermes heteropterus. A família Termitidae. Os termiteiros servem de abrigo a uma fauna diversa. que serviu de base para muitos trabalhos taxonômicos realizados por ele e outros autores. organismos que afetam a disponibilidade de recursos para outras espécies através de mudanças físicas em materiais bióticos ou abióticos. bandeirantorum grupo tripunctata D. Araújo realizou levantamentos principalmente nos cerrados de Minas Gerais e São Paulo (Araújo 1958a. Outra característica importante dos cupins é seu efeito na estrutura física do ambiente através da construção de ninhos e movimentação de solo. Eles seriam o que Lawton (1997) chama de “engenheiros do ecossistema”. latifasciaeformis D. A maioria das generalizações sobre a biologia de cupins se baseia em estudos detalhados de algumas poucas espécies norte-americanas e européias pertencentes às famílias Kalotermitidae. subgrupo D. kikkawai D. griseolineata D. em apenas 15 dias de coletas. o estudo dos cupins neotropicais encontra-se. atingindo biomassa elevada e ao mesmo tempo servindo de alimento para um grande número de organismos (Wood & Sands 1978). Os cupins formam um componente dominante e conspícuo da fauna do Cerrado. bocainensis D. Rhinotermitidae e Termopsidae. 1996).500 espécies conhecidas no mundo.b) e organizou a importante coleção de Isoptera do Museu de Zoologia da USP. ainda. Eles são capazes de direcionar para si uma proporção considerável do fluxo de energia. Para o Brasil estão registradas cerca de 280 espécies. pallidepennis D. cardinoides D. austrosaltans D. e se constituem em um dos grupos dominantes na fauna de solo de ecossistemas tropicais. neocordata D. hidey D. serido D. Horto Florestal. busckii D. mercatorum D. O trabalho realizado por Mathews (1977) na Serra do Roncador foi o primeiro a incluir 148 Isoptera Os cupins são insetos sociais da ordem Isoptera. que contém cerca de 70% das espécies vivas de cupins e é quase exclusivamente tropical. Tidon Sklorz). como Armitermes euamignathus. ararama D. Essa ordem de insetos permite um exemplo do efeito do trabalho de taxonomistas com o material de uma região.Campus Luiz de Queirós. prosaltans D. sendo duas novas. immigrans D. Constrictotermes cyphergaster. quando o entomólogo italiano Filipo Silvestri estudou os cupins em algumas partes de Mato Grosso (Silvestre 1903) e descreveu algumas das espécies mais comuns dessa região. Lista de espécies de Drosophila conhecidas para a região de cerrado (R. . exercendo um papel importante nos processos de ciclagem de nutrientes e formação de solo (Eggleton et al. paranaensis D. em janeiro de 1995 e em três locais do Estado de São Paulo . Esses insetos são primariamente detritívoros. malerkotliana D. Outra característica de interesse nos cupins é o fato de os soldados de muitas espécies produzirem diversas substâncias defensivas. os cupins também tem atraído a atenção de muitos cientistas devido ao seu singular sistema social. com algumas poucas se estendendo até latitudes mais elevadas. Renato L. sturtevanti D. Rio Claro. raramente além de 40°N ou S. simulans D. Uma espécie nova foi registrada no cerrado da Fazenda Campininha (Mogi Guaçu.

Devido à falta de inventários nas outras regiões. embora limite-se a uma pequena área de Mato Grosso na transição para a Amazônia. Coles de Negret & Redford (1982). . uma diversidade local alta. podemos distinguir alguns padrões. infelizmente sem um tratamento taxonômico mais detalhado. ocorrendo apenas em matas ou em campos/cerrados. Amapá e Santarém. 1986) e São Paulo (Araújo 1958b). Cornitermes cumulans. Sabe-se muito pouco também sobre a fauna do Pantanal. Comparação de riqueza de espécies de Isoptera em áreas de cerrado e de savanas africanas. Syntermes obtusus). Pantanal e Savanas Amazônicas. com informações mais detalhadas apenas da Serra do Roncador (Mathews 1977). das quais seis eram novas. A lista de espécies de cupins registradas para a região do Cerrado. como Syntermes grandis. é conhecido apenas do Amapá e Nasutitermes myersi apenas da savanas de Roraima. porém várias outras espécies têm sido registradas. Coles (1980) registrou 60 espécies para o DF. também. Brandão 1991. provavelmente devido ao inverno mais intenso e à ocorrência de geadas. MG. Fontes 1980. Domingos et al. Localidade Serra do Roncador (MT) 1 Distrito Federal Serra da Mesa (GO) Sete Lagoas (MG) 2 Costa do Marfim 3 Southern Guinea (Nigéria) 3 Northern Guinea (Nigéria) 3 1. Mathews (1977). Coles (1980) e Coles de Negret & Redford (1982) acrescentaram novos dados sobre a biologia e ecologia dos cupins do cerrado. parecem ocorrer em todas as formas de vegetação aberta desde as Guianas até os enclaves de Cerrado de São Paulo. Constantino coletou 46 espécies.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação informações ecológicas mais detalhadas e contém. não é possível definir outros padrões ou áreas de endemismo. em especial as revisões taxonômicas de alguns gêneros comuns no Cerrado. mas ocorrem de Minas Gerais e Goiás até algumas Savanas Amazônicas. que tem distribuição geográfica bem conhecida e que nunca foram encontrados em São Paulo. A fauna das matas de galeria da região do Cerrado é ainda muito mal conhecida. Além disso. Dias 1994). Syntermes wheeleri. ambas com ampla distribuição geográfica. Um outro padrão bem definido é de várias espécies que ocorrem apenas em São Paulo. A grande maioria das espécies de cupins apresenta grande fidelidade de habitat. Egler 1984. 12 não foram identificadas (e podem ser novas) e quatro foram registros novos para o Cerrado. A fauna das Savanas Amazônicas é pouco conhecida. por exemplo. comparável à observada por Coles (1980) no DF. com alguma informação apenas de Humaitá. Campo Grande e Goiânia. 2. Domingos et al. Algumas espécies. várias eram previamente conhecidas apenas da localidade-tipo. apontam cerca de 119 espécies. O número de espécies encontrado na Serra do Roncador (Mathews 1977) é maior do que o obtido em outras localidades. Labiotermes brevilabius). (1986) encontraram 47 espécies de cupins em uma área de 5. DF (Coles 1980). O número de espécies de Isoptera encontrado em áreas de cerrado é alto e o número obtido no DF é muito maior do que o descrito para savanas Africanas (Coles de Negret & Redford 1982) (Tabela 5). Tabela 5. R. Outros pontos com alguma informação incluem Cuiabá. porém. O grau de conhecimento da taxonomia dos cupins do Cerrado pode ser ilustrado com o seguinte exemplo: durante 10 dias de coleta em Serra da Mesa-GO. Dentre as espécies identificadas. As áreas de campo rupestre aparentemente contêm endemismos de Isoptera. existem estudos mais específicos sobre a biologia e ecologia de alguns cupins do cerrado (Domingos 1980. Minas Gerais (Araújo 1958a. Algumas 149 poucas ocorrem tanto em matas como em vegetação aberta. das quais 15 ainda não estão identificadas e podem ser espécies novas. (1986). Com base nas informações disponíveis sobre distribuição geográfica. O esforço de inventário dos cupins no Cerrado está concentrado em algumas poucas áreas. O número de espécies registradas para o DF atualmente é 68. A obra de Mathews tem sido usada como referência para a termitofauna do Cerrado. como Heterotermes tenuis e Neocapritermes opacus.000m² de cerrado em Sete Lagoas. Sul de Goiás e Distrito Federal (Procornitermes araujoi. mas ao que tudo indica é composta de elementos predominantemente amazônicos e alguns da Mata Atlântica. Domingos et al. As Savanas Amazônicas provavelmente também devem apresentar alguns endemismos: Amitermes aporema. Muitas espécies parecem ser excluídas das áreas mais ao Sul. e inclua muitas espécies de distribuição amazônica (que têm sido erroneamente incluídas na fauna de Cerrado). das quais mais da metade são restritas ao Cerrado. e na sua lista muitas identificações estavam incorretas ou incompletas. Algumas espécies que ocorrem no Norte da Argentina e/ou Paraguai são registradas também de alguns pontos de Mato Grosso do Sul e provavelmente apresentam distribuição marginal dentro do Cerrado/Pantanal (Synhamitermes brevicorniger. Isso incluiria Serritermes serrifer e Cornitermes silvestrii. Minas Gerais. N° de Espécies 99 68 46 47 36 23 19 3. Corumbá. inclui áreas de mata seca e elementos amazônicos. a descrição de muitas espécies comuns no Cerrado.

As anotações de Kempf contêm também uma lista de 188 espécies de formigas de Brasília. No entanto. Tenthredinidae). o número de espécies mostrado aqui para o cerrado (292) provavelmente é muito abaixo do real e reflete tanto os problemas taxonômicos do grupo como a intensidade de coletas na região. Formicidae As anotações do Frei Walter Kempf publicadas postumamente (Kempf 1978a) registram mais de 500 espécies de formigas para o Estado de São Paulo (coletas realizadas entre 1952-74). e as metodologias de coletas para esses subconjuntos são diferentes. Espécies de Pergidae minadores são conhecidos de Eucalyptus na Austrália e este é o primeiro exemplo de minador nos neotrópicos para essa família. Os primeiros resultados indicam uma alta riqueza local (Tabela 6) e uma baixa similaridade faunística entre locais. Orussidae). Quatro já tinham sido descritas sendo que três delas foram listadas pela primeira vez para o DF e as outras cinco espécies foram represen­tadas por um único indivíduo ou por machos o que foi insuficiente para determinar se eram espécies já descritas ou novas (Smith 1981). na Argentina e no Paraguai e Urocerus gigas flavicornis (Fabricius 1781) que ocorre no Canadá. Algumas áreas específicas desse “planalto” foram mais intensamente amostradas como. Dias (com. o que torna difícil a comparação da riqueza de faunas locais. Dias coletou 21 espécies de Symphyta (Pergidae. A Coleção Kempf. Estados Unidos. Siricidae. MT e em mais de 60 locais em várias áreas de cerrado resolvem parcialmente o problema de coletas no cerrado. São conhecidas pelo menos 25 espécies de Symphyta para a região de cerrado sendo que a localidade tipo de 13 delas está no DF.) encontrou mais de 150 espécies de cada uma destas famílias na Reserva Ecológica . A fauna de sínfitas neotropicais não é tão bem conhecida quanto a fauna neártica e a de algumas outras regiões do mundo. 1993). também. Morais 1980. Algumas regiões foram muito mais intensivamente amostradas como a Grande São Paulo. cita 18 espécies para o Brasil. não era coletada desde a sua descrição e é minadora de folha de Roupala montana (Proteaceae). que foi de Brasília para a Coleção do Museu de Zoologia da USP e as coletas relativamente intensivas. também. Considerando-se que 2. Existem poucas informações sobre a historia natural de algumas espécies destas vespas em cerrado (Martins 1991. Smith (1988). O “planalto” do interior do estado. onde se encontram as manchas de cerrado foi pouco amostrada e conta com 104 espécies de formigas. sobre o chão. encontrada no Mato Grosso (rio Itunana). formando subconjuntos de espécies em um mesmo local. entre as quatro famílias menores (Cimbicidae. do IBGE (DF). DF. entre set/78 e abr/1979. sendo que a maioria das espécies pertencem à família Tenthredinidae o que corresponde a cerca de 5% dos himenópteros (Gamez & Gauld 1993). Entretanto. Esse material foi depositado na coleção do Museu de Zoologia da USP e começa a ser trabalhado do ponto de vista de riqueza e de distribuição geográfica. Xiphydriidae. Quase todos esses insetos são fitófagos (exceto Orussidae que é parasitóide) e a maioria alimenta-se externamente de folhas. Corynophilus pumilus (Klug 1834). a planície costeira e a Mata Atlântica. Uma dessas espécies. a região de São José do Rio Preto onde foram encontradas mais de 100 espécies. por exemplo. na região do rio Manso. Usando-se estas listas e alguns outros registros de espécies para a região de Cerrado (Kempf 1975. Com o uso de armadilhas tipo Tenda de Malaise. Duas outras espécies de sínfitas são conhecidas para o DF (Dias 1976.358 espécies de formigas já foram descritas para a Região Neotropical (Bolton 1995). México e foi. as espécies encontradas em cerrados do Estado de São Paulo (94 espécies). pes. o mesmo autor (1978b) lista as espécies de formigas da região do cerrado brasileiro cuja distribuição geográfica tem seu limite Sul no Estado de São Paulo e lista. no litter. Usando as informações do Catálogo de Formigas Neotropicais (Kempf 1972). sendo 12 novas. Na Região Neotropical esses insetos são menos coletados e ocorrem em menor abundância do que nas regiões temperadas (Smith 1988). S. no solo). coletas 150 Pompilidae e Sphecidae Existe um grande número de espécies de vespas caçadoras.Hymenoptera Symphyta A subordem Symphyta é constituída de 14 famílias. Como as formigas nidificam e forrageiam em diferentes estratos (arborícolas. Brandão 1991) chega-se a um total de 292 espécies de formigas para os cerrados. Smith 1995). realizadas no final dos anos 80 e início de 90. em uma ampla revisão do material existente em museus e em coleções particulares. que foi um dos poucos locais com coleta. Sete famílias ocorrem no Brasil. o número de espécies que ocorre nos Neotrópicos é bastante próximo ou maior que o encontrado na Região Neártica. Braulio F. Duas dessas espécies ocorrem na região de cerrado: Pseudochylostiticta subflavata (Kirby 1882) (Cimbicidae) que ocorre em Corumbá (MS). na Reserva Ecológica do IBGE (DF). Argidae.

301 ocorrem no Brasil. Local Costa Rica (1) Costa Rica(2) São Paulo(3) São Paulo(3) Distrito Federal(4) (1) Ambiente cacau em floresta úmida cacau em floresta úmida Faz. As coletas foram realizadas em locais restritos com o uso de iscas distribuídas regularmente no chão (C. (4) Diniz (dados não publicados).200 6 1. Coletas No. F. Isto representa 24% das vespas das Américas e 43% das registradas no Brasil (Raw. Campininha. Riqueza de espécies de Vespidae em diferentes locais do cerrado. (2) Young (1986). Vespidae Nos 25 gêneros de Vespidae que ocorrem na Região Neotropical existem 488 espécies descritas e destas. Campininha. (3) Morais (1980). 52 16 27 42 45 Ref. a título de exemplo.200 6 400 1 Cajuru (SP) Luiz Antônio (SP) No. Muitas das 127 espécies de Mischocyttarus (o único gênero na tribo Mischocyttarini) e várias de Polybia e Protopolybia são restritas a áreas muito pequenas (Raw 1998). de iscas No. Clypearia. Riqueza de espécies de formigas em diferentes áreas de cerrado. Nectarinella. Asteloeca. É interessante notar que o número de es- pécies obtido nestes locais é sempre igual ou menor do que o encontrado por Brandão para apenas um estrato em outras áreas de cerrado (Tabela 6).chão. 1 2 3 3 4 Young (1983). Na região de cerrado as faunas locais são ricas (Tabela 8). cerrado IBGE. 1998). de espécies coletado estimado 50 58 76 92 81 93 63 81 Tabela 7.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação locais com metodologias específicas têm sido feitas e.B. tendo sido registradas 139 espécies de 21 gêneros de vespas sociais. R. alguns valores são apresentados para áreas de cerrado e de outros ambientes tropicais (Tabela 7). Comparação da riqueza de espécies de Formicidade em vários ambientes. A maior parte dessas espécies Tabela 8. coleta no ano Niquelândia (GO) 400 1 Locais R. litter N° spp. Várias das 155 espécies de Epiponini (que reproduzem por enxames) e das 83 espécies de Polistes das Américas têm amplas distribuições geográficas. Os gêneros que possuem muitos membros amplamente distribuídos são Polistes. e Metapolybia. cerrado Faz. de Águas (DF) Emendadas 1. campo sujo Método de coleta vários: litter e arborícolas Arborícolas Arborícolas isca chão e vegetação alçapão . Eumeninae) contém 75 espécies. Brandão. As espécies de vespas sociais podem apresentar uma ampla distribuição geográfica ou ocorrer em áreas restritas e espécies com diferentes distribuições podem pertencer a um mesmo gênero. Polybia e Synoeca. O gênero Montezumia (Vespidae. dados não publicados). Local Distrito Federal Goiás Velho (GO) UH Rio Manso (MT) Xavantina e Serra do Cachimbo (MT) N° de espécies 63 43 30 51 Referência Raw (1998) Raw (1991) Diniz & Kitayama (1994) Diniz & Kitayama (1994) 151 . Tabela 6. Os gêneros de Epiponini cujas espécies têm distribuições restritas são Marimbonda.

(75%) são encontradas no arco que começa no início do rio Amazonas. 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 3 Os problemas taxonômicos no grupo não permitem uma comparação entre locais a partir da literatura. para o cerrado. Raw realizou coletas em pelo menos 59 locais de cerrado nos Estados de Goiás. Costa Rica Kourou.500 espécies). continuando até o Equador. Estas coletas locais mostram um grande número de espécies em áreas de cerrado (Tabela 9). incluindo parte do Norte da Argentina e Paraguai. Tabela 9. das seis localidades de Cerrado apresentadas na tabela 9. Uma lista de espécies de abelhas silvestres do DF está disponível em Raw et al. Raw trabalhou com as espécies identificadas. voltando para baixo na região dos Andes do Peru e Bolívia. Apoidea Com pelo menos 25. Vários inventários de abelhas silvestres para diferentes regiões e ambientes. Após esta publicação Carvalho & Bego (1996) apresentaram um inventário para uma área de cerrado em Uberlândia (MG). em Goiás Velho e Alto Paraíso de Goiás (GO) e em Patos de Minas (MG). obtendo um total de 377 espécies. os pássaros (8. 152 . e especialmente. Os números de espécies identificadas para cada localidade (Tabela 10) contrastam com os apresentados anteriormente. Cerca de 800 espécies de 118 gêneros de abelhas silvestres já foram coletadas em cerrado (Raw. Minas Gerais. O esforço de coleta foi variável sendo maior em áreas do DF. atingindo o Sul do Brasil e subindo (Floresta Atlântica) até a Bahia.600) e os mamíferos (3. dados não publicados). Mato Grosso e Bahia. 7% são espécies novas e outras 10% possivelmente são espécies novas.000 espécies descritas as abelhas ultrapassam em muito os anfíbios e répteis (5.500). Guiana Francesa Ponte Nova (MG) São José dos Pinhais (PR) Curitiba (PR) São Paulo (SP) Ribeirão Preto (SP) Casa Nova (BA) Corumbataí (SP) Cajuru (SP) Paraopeba (MG) Uberlândia (MG) Lençóis (BA) Distrito Federal Ambiente Floresta e savana Floresta e savana Vegetação secundária e borda de mata Vegetação secundária Urbanizada Urbanizada Urbanizada Caatinga Cerrado Cerrado Cerrado Cerrado Cerrado Cerrado N° espécies 192 210 119 167 74 133 212 42 117 196 175 128 147 503 Ref.000 no Brasil (O’Toole & Raw 1991). Há mais de 7. dados não publicados). A comparação do material coletado em Corumbataí (SP) e em Paraopeba (MG) resultou em um total de 257 espécies com apenas 47 delas (18%) comuns entre as duas áreas (Silveira & Campos 1995). O número de espécies de abelhas já coletadas no DF é surpreendente quando comparado aos outros valores da tabela. Comparação da riqueza de espécies de Apoidea em vários locais e ambientes. Destas. uma boa parte da Venezuela e da Colômbia. passando pelo Norte das Guianas. Localidade Guanacaste. DF. (1998). As outras espécies constituem uma fauna diferenciada de áreas abertas e ocorrem na Caatinga e nos Cerrados brasileiros (Willink 1988).000 espécies de abelhas na América do Sul e mais de 4. Do total de 809 espécies coletadas em áreas de cerrado 31% não foram identificadas. foram resumidos em Silveira & Campos (1995). 420 espécies (52%) são conhecidas somente da região de cerrado e várias são endêmicas a certos locais dentro da região (Raw.

(2) Camargo (1997) 153 .000-12. realizados no Planalto Central Brasileiro (Brown & Mielke 1967a. Essas espécies foram comparadas com o material dos museus Britânico. de Berlim e de Viena e. no Novo Mundo e no Cerrado. No Hemisfério Sul essas abelhas são nativas apenas das “Índias Ocidentais” e da América do Sul (Williams 1994).8% destas espécies não constam da lista de 604 espécies do cerrado citada Tabela 11. à composição daquela da região Neotropical como um todo (Becker 1991). decrescendo para o cerradão e sendo menor ainda nas matas ciliares. O número de espécies novas.0 17.5 Cerrados ² N° espécies 81 52 26 8 % 48. todas do subgênero Fervidobombus. o número de espécies de mariposas fique entre 10. As mamangabas sociais (gênero Bombus) são abundantes nos ambientes alpinos temperados e árticos do Hemisfério Norte. Saturniidae Subfamília Hemileucinae Ceratocampinae Arsenurinae Saturniinae (1) Novo Mundo ¹ N° espécies 650 161 60 71 % 69. Os autores listaram.200 espécies e obviamente nem todas as 700 descritas estão representadas na coleção. com. pes.1 6. com. Becker (com. também. Na coleção do Vitor Becker há 1. Quatro espécies de mamangabas sociais ocorrem na região do Cerrado e três delas no complexo do Pantanal (Moure & Sakagami 1962). principalmente devido aos gêneros coletores de óleos que visitam as plantas da família Malpighiaceae e Apidae. mesmo assim.288 espécies de borboletas (Brown.1 15. O número total foi de 377 espécies identificadas (Raw 1998).). Entretanto. acima (Motta. espécies de borboletas da região de Belo Horizonte e da Serra do Cipó (Brown & Mielke 1968). só foi Lepdoptera Os levantamentos de borboletas.4 7. pes. Número de espécies identificadas de abelhas em seis localidades de cerrado. proporcionalmente. para algumas famílias de mariposas como Sphingidae e Satuniidae cujos indivíduos são de tamanho grande varia em torno de 1-2%. No Brasil ocorrem seis espécies.b) resultaram em uma lista de 604 espécies e em uma estimativa dos autores de mais de 900 espécies para esta região. Para o Brasil a estimativa é de 3. Para as porcentagens de espécies identificadas em cada local foram usados os valores da Tabela 9. Com base em uma experiência de mais de 25 anos de coletas V.2 31. A região de Brasília situa-se em uma faixa de transição para as espécies da floresta amazônica e da mata atlântica e a composição da fauna de mariposas dos Cerrado não corresponde. principalmente em mata mesófila semi-decídua.000. Representatividade absoluta e percentual de espécies de Saturniidae. Para se ter uma idéia.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 10. por subfamília. O. esta proporção para várias famílias de microlepidópteros. Levantamentos realizados na região de Uberlândia (MG). resultaram em 178 espécies de borboletas sendo que apenas 2. pes) estima que na região do Cerrado. Local Corumbataí (SP) Cajuru (SP) Paraopeba (MG) Uberlândia (MG) Lençóis (BA) Distrito Federal N°de espécies 86 137 128 61 91 229 % do total (n = 377) 23 36 34 16 24 61 % identificada 74 70 73 48 62 46 A fauna de abelhas do Cerrado caracteriza-se pela grande representatividade das famílias Anthophoridae.). Para as mariposas a tendência é de uma maior proporção de endemismos na fauna do cerrado propriamente dita. a família Gelechiidae inclui 700 espécies para a região Neotropical (México-Argentina).5 4. como Gracillariidae e Lyonetiidae é de 90%. devido principalmente aos Meliponinae (abelhas nativas sem ferrão). no Cerrado.8 Lemaire (1978).

ainda.). A riqueza de espécies de borboletas encontradas em uma Área de Proteção Ambiental (APA) do Distrito Federal é comparável à encontrada em áreas de parques bem estudados na Costa Rica e no Panamá (Tabela 14). A distribuição da fauna de saturnídeos do cerrado e suas relações com outros biomas é complexa e ainda mal compreendida.2%) e parte é restrita às áreas de contato com a Amazônia (9.5%) são exclusivas da região e duas delas ainda não foram des- critas.4 Cerrados ² 26. O restante da fauna é compartilhada com estes biomas vizinhos. Tabela 12.8 11. Coletas locais mostram variação na riqueza de espécies e o DF fica entre as regiões mais ricas (Tabela 13). Entretanto.possível identificar 250 espécies. Esta fauna é composta. Na área contínua da região dos Cerrados ocorrem 167 espécies o que corresponde a cerca de 42% da fauna brasileira de saturnídeos. com.132 3.352 3.251 755 365 956 838 43 dias em 4 anos 1. A região do Planalto Central é ponto de ocorrência comum para alguns elementos Amazônicos e Atlânticos. Parte das espécies têm uma ampla distribuição no Brasil (7. ocorrem 290 espécies e é provável que esse número chegue a 400 porque muitas regiões foram pouco amostradas.100 2.0 18. mais de 950 espécies são novas (Becker.8 11.6%). O Brasil tem perto da metade (44%) das espécies de borboletas conhecidas para a Região Neotropical.179 3.550 1.316 1. MG) e espécies compartilhadas com a Mata Atlântica podem ocorrer ao Norte do DF (Loxolomia serpentina com registro de ocorrência até Alto Paraíso de Goiás). Certas espécies compartilhadas com a Amazônia podem ocorrer até próximo ao limite Sul dos cerrados (Arsenura ciocolatina tem ocorrência registrada até Uberaba. As mariposas da família Saturniidae são representadas por 942 espécies no novo mundo.0 70. (2) Camargo (1997) % de gêneros Região Neotropical ¹ 25. Riqueza de espécies de borboletas em vários locais (Beccaloni & Gaston 1995). 21 (12. com exceção do gênero Hylesia. de um menor número de espécies por gênero. No Brasil.0 26.6%). (1) N° espécies/gênero 1 2 3 até 3 Lemaire (1978). Proporcionalidade da riqueza de gêneros de Saturniidae na Região Neotropical (93 gêneros) e na região de Cerrado (50 gêneros).0 Tabela 13. Portanto. com a Mata Atlântica (3.0%) e uma espécie com a Caatinga.000 horas/pessoa + 6 anos 300 horas/pessoa + 2 anos + 2 anos maior área Esforço de coleta 154 . com o Chaco (3. Quatro subfamílias ocorrem na região com uma representação proporcionalmente maior de Ceratocampinae e Arsenurinae quando comparada à fauna do novo mundo (Tabela 11). Das 167 espécies de saturnídeos encontradas no Cerrado. é possível visualizar alguns padrões gerais. sendo este o limite geográfico para várias espécies. Vale ressaltar que a Caatinga é pobremente coletada. pes. Local Neotrópicos Peru Brasil Colômbia Venezuela Panamá Costa Rica Região Distrito Federal Região Manaus (AM) Jarú (RO) Caucalândia (RO) N° Espécies 7. sendo que a proporção de gêneros representados por três ou menos espécies é de 70% nos cerrados contra 49% nos neotrópicos (Tabela 12) (Camargo.8 49. 1997).

Parque Nacional de Santa Rosa (SR). O menor número de ninhos expostos no cerradão. uma família de himenópteros parasitóides. APA Gama-Cabeça de Veado. Chapin et al. Riqueza de espécies de borboletas em uma área de cerrado do DF. Brasil) Curitiba (PR. Localidade Guanacaste (Costa Rica) Santa Rosa (Costa Rica) ¹ Turrialba (Costa Rica) Belém (PA. Estes conceitos vêm sendo modificados e ampliados e a importância de funções na manutenção . Este inventário pode ser baseado também no hospedeiro (recurso) como. Diniz & Morais 1997). Lycaenidae e Riodinidae para APA e Santa Rosa. Thompson nas discussões sobre diversidade e sua conservação. Brasil) Cerrados (Brasil) Costa Rica México Equador Brasil (1) N° de espécies 33 35 39 49 84 109 141 167 84 193 267 400 e regulação da diversidade vem sendo cada vez mais enfatizada na literatura (Meffe & Carroll 1994. O mesmo tipo de comparação para locais bem coletados no Brasil e em outras áreas das Américas foi feito para Saturniidae (Tabela 15). este aumento está diretamente relacionado com a biomassa vegetal presente.320 colônias de térmitas por km² na região de cerrado (Raw 1996).Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 14. 1996.s. Parque Nacional do Corcovado (CV) em Costa Rica e na Ilha de Barro Colorado (BCI) no Panamá. A densidade de termiteiros expostos aumentou do campo úmido ao cerrado s. 1997). por exemplo. Comparação da riqueza de espécies de Saturniidae em várias regiões tropicais (Camargo 1997). a biomassa desses insetos na região é enorme. também o Cerrado apresenta uma grande riqueza de espécies ainda que menor do que encontrada em regiões tropicais úmidas como o Equador. Dados deste tipo sobre insetos herbívoros associados a plantas hospedeiras (recurso) são freqüentes na literatura (Strong et al. por exemplo. Lewinshon sugere a utilização do conceito de “diversidade centrada em recurso” de J. Marquis & Braker 1994) e começam a ser disponíveis para a região de cerrado (Lewinsohn 1991. Apesar de diminutos. e em outras áreas neotropicais (Diniz & Morais 1997). N. 14°30’-21°30’S). Gilbert (1980) afirmou que a manutenção da diversidade nos Neotrópicos está ligada à manutenção de espécies chaves. Família Papilionidae Pieridae Nymphalidae Total Borboletas ¹ APA 4 8 137 149 297 SR 13 21 91 125 LS 20 20 164 204 CV 18 18 138 174 BCI 12 17 107 136 345 * Borboletas inclui Hesperiidae. La Selva (LS). Lara & Fernandes 1996. aparentemente. Estima-se 34. A densidade das colônias aumenta do campo úmido à mata de galeria e. os inventários são realizados em um recurso e incluem informações sobre funções e estrutura em comunidades. o conjunto de parasitóides de lagartas de lepidópteros. Neste caso. Brasil) Distrito Federal (Brasil) Rio de Janeiro (RJ. na mata seca e na mata de galeria pode ser explicado pelo maior número de colônias subterrâneas e das que sobrevivem dentro de madeira nesses habitats. Tabela 15. Price et al. Espécies-chave Os cupins são considerados os animais mais abundantes no Brasil Central. Tradicionalmente os inventários são feitos por grupos taxonômicos como. A densidade e composição de espécies também variam 155 segundo Janzen (1987a) Bibliografia comentada sobre invertebrados do cerrado Além de inventários e riqueza de espécies as prioridades de conservação são também baseadas em espécies ou características com importantes funções nos ecossistemas. Nesse grupo. 1984. A densidade de termiteiros foi medida em seis tipos de vegetação e em 18 localidades (46°20’-57°15’W. mosaicos de formigas e anéis co-evoluídos. Assim pode se obter a riqueza de parasitóides associados a diferentes hospedeiros e a relação entre riqueza e características do hospedeiro.

das folhas foi uma característica importante para explicar a variação da herbivoria em espécies de plantas de uma floresta no Panamá. borboletas que usam as fezes dos pássaros como fonte de sais e dípteros que parasitam as formigas (Hölldobler & Wilson 1990). na sua importância como alimento para vertebrados e seus cupinzeiros. funcionando como agentes do “turnover” da matéria vegetal morta. Oliveira & Silva 1993). Majer 1992). Byrsonima (Barros 1992). 1991). formando mosaicos de formigas e afetam. elas movimentam uma grande biomassa vegetal. em Minas Gerais. também. O grande número de trabalhos sobre polinização de plantas de cerrado tem sido publicados: Aspilia e Cochlospermum (Noronha & Gottsberger 1980).em áreas pequenas e relativamente homogêneas (Lacher et al. Proença & Gibbs 1994). 1986). mesmo após a morte da colônia. . por afetarem a composição e abundância de outros artrópodes. Formigas cortadeiras. Egler 1984. Freitas & Oliveira 1996) e podem afetar a produção de frutos nessas plantas (Del Claro et al. 1992). os efeitos de formigas cortadeiras na vegetação de cerrado são surpreendentemente pouco conhecidos. Ao contrário das formigas cortadeiras muitas espécies de formigas são predadoras de artrópodes e algumas delas dominam grandes volumes de vegetação. Nectários extra-florais funcionam também como defesa das plantas contra herbívoros (Costa et al. Vasconcelos & Cherrett 1997). afetem grandes áreas de vegetação (Morais 1994). Neivamyrmex e Nonamyrmex). Marquis et al. na grande quantidade de inquilinos que vivem em suas colônias incluindo larvas bioluminescentes de besouros. Domingos & Gontijo 1996. saúvas e quem-quem (Myrmicinae: Attini). Apenas as altas taxas de herbivoria artificial afetaram o crescimento e a reprodução da planta (Nascimento & Hay 1994) ao curto prazo. ou quantidade de fibras. por vespas e himenópteros parasitóides. Essas espécies são pouco conhecidas. 1992. bem como. também podem ser consideradas espécies-chave no cerrado. 1992). No entanto. Redford & Dorea 1984. No cerrado a descontinuidade da vegetação impede que as formigas predadoras. Polinização Gibbs (1990) lista uma alta proporção de espécies de plantas comuns no cerrado como autoincompatíveis o que as torna dependente de um “transportador” de pólen. Nectários florais e extra-florais Rico-Gray (1989) chama a atenção para a importância de nectários florais e extra-florais na manutenção de formigas que habitam regiões secas. eles corresponderam de 47% a 51% da densidade relativa da fauna de artrópodes (Ribeiro et al. são acompanhadas por vários animais como pássaros (Formicariidae). As grandes frentes de formigas de correição (gênero Eciton). Na região de cerrado esse gênero é raro. Kielmeyera (Oliveira & Sazima 1990. fortemente territoriais. Em solos de cerrado. alteram as características locais do solo e abrigam vários inquilinos em seus ninhos (Brandão & Vanzolini 1985). Como os cupins. são comuns. Essas fontes de néctar (floral e extra-floral) são usadas. principalmente no chão e na vegetação rasteira. conhecidas para as florestas tropicais úmidas. Esses mosaicos funcionam como espécies chave e nunca foram estudados em matas de galeria. Vellozia (Oliveira et al. No cerrado essa característica tem muito pouca relação com a herbivoria (Marquis et al. 1996). Styrax (Saraiva et al. 1993). 1991). Qualea (Fisher & Gordo 1993). 1993. O efeito de saúvas na regeneração de florestas tropicais tem sido estudado (Moutinho et al. Eryotheca (Oliveira et al. no processo de expansão de mata sobre áreas de campo nas savanas da Venezuela (Brener & Silva 1996). Myrtaceae (Proença 1992. São muito freqüentes em armadilhas do tipo Alçapão e são utilizadas como alimento por tatus. mas algumas são predadoras de formigas cortadeiras. Redford 1984a. A exceção é o efeito dessas formigas no estabelecimento de gramíneas nativas e introduzidas (Klink 1996). A vegetação de cerrado é rica em nectários extra-florais (Oliveira & Leitão-Filho 1987) e estes são usados por uma rica fauna de formigas (Oliveira & Brandão 1991). Solanum (Oliveira-Filho & Oliveira 1988). Herbivoria e herbívoros A proporção média de área foliar consumida por insetos herbívoros no cerrado fica entre 5-10% e é semelhante aquela encontrada em outros ambientes tropicais (Fowler & Duarte 1991. de forma diferencial. 1988). funcionam como abrigo para uma grande quantidade de organismos vertebrados e invertebrados (Mill 1981. São conhecidos por seu papel fundamental nos processos de decomposição. A dureza. Vochysia (Oliveira & Gibbs 1994). As formigas de correição (Ecitoninae) podem criar mosaicos. mas três 156 outros gêneros (Labidus. Os térmitas são considerados espécies-chave no Cerrado devido às alterações que causam nas características do solo. 1997). com formigas e colônias menores.b. a composição e a abundância de insetos herbívoros nessas áreas (Leston 1978. Viviani & Bechara 1997). Egler & Haridasan 1987. Mesmo flores polinizadas por vertebrados são visitadas por uma abundante e rica fauna de insetos (Rocha et al.

lagartas de Sphingidae . similaridade intermediária no Leste da América do Norte e baixa similaridade no Caribe e na América do Sul. porem não se tem informação a respeito. Por outro lado.maior parte de Minas Gerais. 1995). Os autores reconheceram a existência de áreas distintas de cerrado: (1) Cerrado do Sul . A fauna de solo (micro. a fauna de formigas arborícolas não se recompôs um ano após a passagem do fogo (Morais & Benson 1988). 1996. A fauna de insetos herbívoros associada às espécies de plantas do cerrado é muito rica.Coleoptera (Janzen 1980). As reservas para conservação da biodiversidade deveriam representar também essas diferentes regiões de cerrado. seu efeito na fauna de invertebrados ainda é praticamente desconhecido. Reid (1994e) encontrou grande similaridade faunística entre diferentes pontos de coletas do Noroeste da América do Norte. (5) Cerrados do Norte . A riqueza de espécies de galhas no cerrado ultrapassa a de todos os outros 300 locais estudados com metodologia semelhante e em Bacharis concinna (Asteraceae) já foram encontradas 15 espécies de galhas (Lara & Fernandes 1996). vá se chegar a um conflito entre o manejo com fogo e a manutenção da diversidade como o colocado por Morrison et al.Lepidoptera (Janzen 1984). (1996) para a Austrália. Por outro lado. Prada et al. uma comunidade de herbívoros pode ser extinta localmente pela eliminação de uma única espécie de planta. assim como. Estes herbívoros são pouco abundantes no final da seca e no início das chuvas quando a maior parte das plantas de cerrado estão com folhas novas. R. Baixa similaridade faunística entre áreas de cerrado foi observada também em abelhas (Silveira & Campos 1995) e em formigas (C. O número médio de espécies de lagartas de Lepidoptera por espécie de planta.São Paulo e Sul de Minas Gerais. Como padrão geral. 1997. 1995. nessa época as folhas novas sofrem uma maior taxa de herbivoria que pode ser devida a besouros e gafanhotos. . Milhomem et al. mostraram que das 534 espécies de árvores e arbustos de grande porte. Tocantins e Pará. Variações geográficas e espécies endêmicas Ratter et al. Alguns insetos herbívoros tendem a maior abundância (Vieira et al. Uma das poucas exceções se refere à distribuição de espécies de Papilionidae de especial interesse para a conservação nos Neotrópicos (Tyler et al.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Em se tratando das lagartas de Lepidoptera. (3) Cerrado Central . (2) Cerrado sudeste . 158 (30%) ocorrem em um único local. para nove espécies (três gêneros e três famílias) de plantas hospedeiras foi oito vezes maior que os encontrados para insetos herbívoros em ambientes tropicais (Diniz & Morais 1997). A fauna de insetos indutores da formação de galhas no cerrado confirma o padrão geral de aumento da diversidade com o aumento da complexidade da arquitetura das plantas hospedeiras (Fernandes 1997). nas florestas e savanas tropicais está baseada na riqueza de espécies de plantas e na heterogeneidade de habitats. meso e macro) pode ser afetada por queimadas. No entanto. Na América do Sul as espécies tendem a ocorrer em áreas mais restritas. a herbivoria tende a ser mais alta nas áreas queimadas. o cerrado disjunto da Amazônia . a abundância de alguns grupos de insetos aumenta muito após a passagem do fogo (Diniz 1997). Considerando um grupo de copépodos (Crustacea) com um grande número de amostras em áreas continentais. Na realidade os efeitos do fogo na diversidade do cerrado ainda são pouco compreendidos e. 1997). Uma parte substancial da grande riqueza da fauna. principalmente dos insetos. Pinheiro et al. (1996) em um estudo baseado na composição florística de 98 áreas de cerrado. por exemplo. Goiás e Mato Grosso do Sul. Bruchidae . com uma maior tendência a endemismos. dados não publicados). 1994). Demonstraram que a vegetação do cerrado é extremamente heterogênea: nenhuma das 534 espécies ocorrer em todos os locais e somente 28 espécies estão presentes em 50% ou mais desses locais. Brandão. ocorrendo uma tendência a uma maior dominância e a uma menor riqueza de herbívoros. Tem sido usado para a produção de pastagem nativa e tem sido proposto para o manejo e proteção de áreas de conservação. Às vezes. Goiás e partes de Minas Gerais. Os problemas taxonômicos de grupos hiperdiversos. Mesmo em uma pequena área queimada. Informações sobre a distribuição geográfica de invertebrados na região de cerrado são muito esparsas (Vanzolini & Heyer 1988). (4) Cerrado Centro-Oeste . provavelmente. As informações sobre distribuições e similaridades faunísticas entre regiões são ainda mais raras.inclui principalmente Maranhão. a abundância de herbívoros não está relacionada à fenologia das plantas hospedeiras (Price et al. Há uma alta especificidade inseto-planta para muitos herbívoros tropicais como.DF.maior parte de Mato Grosso. normalmente 157 Fogo O fogo é um fenômeno que ocorre comumen­ te no Cerrado. a intensidade de coletas relativamente baixa e a distribuição dos locais de coletas.

Entre as abelhas.. ameaçadas de extinção e/ou pobremente conhecidas: Parides burchellanus (Westwood. Os dípteros Tephritidae associados a espécies de Asteraceae apresentam um alto grau de endemismo em áreas de campos rupestres de Minas Gerais. Tabela 16.5% são restritas ao cerrado. Serra do Cabral e Diamantina. É conhecida de Sete Lagoas e Paraopeba (MG) onde só foi encontrada em flores de Vochysia rufa (Vochysiaceae) (Silveira & Campos 1995). até agora 420 espécies são conhecidas somente para a região dos cerrados representando 52% do total de espécies (809) já registradas (Tabela 16). cujo local tipo é a APA Gama-Cabeça de Veado. Parides panthonus castilhoi (Parides castilhoi D’Almeida. considerada ameaçada de extinção da mata de galeria do rio Paraná na borda do Estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul (ocorre no Noroeste de São Paulo). Santiago mourei parece ter distribuição muito restrita. As mariposas da família Saturniidae confirmam esse padrão e. como Serra do Cipó. Cinco espécies de Megachile são conhecidas da região e três delas foram encontradas cada qual em uma área muito restrita próxima a Brasília. panthonus (Cramer 1780) (Papilionidae). A presença desta espécie pode ser considerada como uma prova da integridade do complexo sistema de vegetação da mata de galeria. 1967 = P. A distribuição dessas espécies por grandes biomas é apresentada em um mapa produzido pelo IBGE (1992) denominado “Fauna ameaçada de extermínio”. possui ocorrência local e rara no Brasil Central e está decrescendo. e as poucas coleções regionais. Uma espécie de Anthophoridae. Nenhuma dessas espécies está assinalada como ocorrendo na região do Pantanal. 25 espécies mais três subespécies de Lepidoptera e seis espécies de Odonata). aparentemente. À esta lista podem ser acrescentadas outras espécies que ocorrem no cerrado e que podem ser 158 consideradas vulneráveis. Família Colletidae Oxaeidae Halictidae Andrenidae Megachilidae Anthophoridae Apidae Total N° total de espécies 42 4 186 11 141 335 90 Proporção por família 5 1 23 1 18 42 11 N° de espécies restritas 26 0 121 9 74 172 18 420 Proporção por família 6 0 29 2 18 42 4 809 Espécies Ameaçadas de Extinção A Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (23/02/89) contém 32 espécies de invertebrados não marinhos (uma espécie de Onychophora. É interessante lembrar que várias destas espécies são registros de um local e. Número de espécies total e restritas de abelhas do cerrado com a representação proporcional de cada família. tornam quase inexistente a informação sobre endemismos de invertebrados em cerrado. A fauna de mariposas da região de cerrado não apresenta forte endemismo e a composição de espécies mais ao Norte tende a ser mais semelhante à da região amazônica enquanto que as espécies dos cerrados mais ao sul. e as espécies que ocorrem na região de Cerrado (quatro espécies) são assinaladas.concentrados próximo a instituições acadêmicas ou a locais de acesso mais fácil. A fauna de copépodos de campo úmido apresenta uma alta proporção de espécies endêmicas e dois gêneros monoespecíficos são conhecidos apenas de um campo úmido na Fazenda Água Limpa. 12. das 167 espécies listadas. DF. devido às inundações ocasionadas pelas represas. normalmente em precárias condições de conservação. DF. Entre os cupins ocorre uma alta proporção de espécies restritas ao cerrado (55% das 119 espécies listadas) e as áreas de campo rupestre e das savanas amazônicas aparentemente contêm endemismos de Isoptera. 1994). Além dessas espécies pode ser acrescentada como endêmica do cerrado Aucula munroei Noctuidae (Agaristinae). tendem a ser semelhantes as da Mata Atlântica (Becker 1991). são endêmicas de áreas muito restritas. A lista é apresentada abaixo (Tabela 17). Um casal dessa subespécie foi captu- . Grão Mogol. A presença desta espécie pode ser considerada como uma prova da integridade do complexo sistema de vegetação ripária (Tyler et al. Os onicóforos constituem um grupo tipicamente com distribuições restritas. 1872) (Papilionidae).

1822) Eutresis hypereia imeriensis Brown. 1928) Nymphalidae Agrias caludenia Godart. 1895) X X X 159 . 1905) Hypoleria mulviania D’Almeida. 1819) Perrhybris flava (Oberthur. 1932 Papilionidae Eurytides iphitas (Hubner.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 17. 1909) Papilio zagreus zagreus (Doubleday. 1821) Eurytides lysithous harrisianees (Swainson. 1869) Eresis erysice (Geyer. 1948) Melinaea mnasias (Hewitson. 1862) Orobrassolis ornamentalis (Stichel. 1906 Papilio himeros himeros (Hopffer. 1945 Mechanitis bipuncta (Forbes. 1928) Pieridae Moschoneura methymna (Godart. 1977 Papilio himeros baia Rothschild & Jordan. 1852) Hyalyris leptalina leptalina (Felder & Felder. 1775) Parides lysander mattogrossensis (Talbot. 1865) Hyalyris fiammentta (Hewitson. 1865) Hypoleria fallens (Haensch. 1866) Papilio zagreus bedoci (Le Corf. 1955) (23/02/89) com 32 Cerrado X INSECTA Lepidóptera Lycaenidae Joiceya jaeclara (Talbot. 1824 Callicole selima sanguinea Dasyophthalma vertebralis (Butter. 1925) Papilio zagreus neyi (Niepelt. 1958 Hypothyris mayi D’Almeida. ONYCHOPHORA Brasil Peripatidae Peripatus acacioi (Marcus & Marcus. 1855) Napeogenes cyrianassa xanthone (Bates. Lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção espécies de invertebrados não marinhos. 1832) Heliconius nattereii (Felder & Felder. 1906) Scada karschina delicata Talbot. 1847) Parides ascanius ascanius (Cramer.

am MG MG MG MG MG MG Biodiversitas.am vulnerável MG MG Vespidae Chartegellus communis X Marimbonda albogrisea MT. Pés. Campos rupestres MG Lewinsohn. = provavelmente ameaçada de extinção) GRUPO Grau Endêmico Restrito Região Fontes Annelida Fimoscolex sporadochaetus p. 1997 Opisthodrilus rhopalopera p. Glossoscolex gordurensis. 1839 Coenagrionidae Acanthagrion taxaensis Santos. Com. fafner p. p. raros e/ou de distribuição restrita (p. 1997 Biodiversitas. am Em perigo p. Lagoas. 1968 Pseudostigmatidae Mecistogaster asticta Selys. Paraopeba MG Silveira & Campos. alatus R. 1997 Diptera Tephritidae 20 spp. 1968 Leptagrion siqueiroi Santos. ext. p. 1995 Biodiversitas. 1997 Crustacea Copepoda DF Reid. 1997 Raw. am. 1997 Biodiversitas. 1998 Raw. marginata M. 1860 Mecistogaster pronoti Sjoestedt.am Rhinodriluss garbei R. 1993 Insecta Coleoptera Cerambycidae Hypocephalus armatus vulnerável MG Biodiversitas. rufiventris p. ext = provavelmente extinta. Biodiversitas. Grupos e/ou espécies de Invertebrados ameaçados de extinção. endêmicos. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. Hymenoptera Apoidea Anthophoridae Santiago mourei S. ext. 1918 Tabela 18.am MG M. 1965 Leptagrion dardanoi Santos. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas.Tabela 17 (continuação) Odonata Anysoptera Zygoptera Aeshnidae Staurophlebia reticulata Burmeister. MS 160 . 1997 Biodiversitas. Onychophora Peripatus acacioi Em perigo MG X Pedralli & Guimarães Neto 1997. 1998 Apidae Melipona bicolor p.

leptalina leptalina Hypoleria fallens Orobrassolis ornamentalis Ortilia polinella Prepona deiphile vulnerável Em perigo vulnerável p. panthonus castilhoi Em perigo X X rara Tyler et al. 1997 Biodiversitas. MS Lepidoptera Hesperiidae Pyrrhopyge rhacia p. 1998 Raw. goyanus M.. 1997 Biodiversitas. em perigo Em perigo vulnerável Em perigo Em perigo vulnerável MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG Biodiversitas. davillae X X X Raw. 1998 Raw.. 1994 Região Itaipú 161 . 1994. 1997 Biodiversitas. ext. marginatus BA X DF MT. 1997 Biodiversitas. 1997 Tithorea harmonia caissara Em perigo Papilionidae Parides 3spp. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1998 Raw. 1997 Lycaenidae Arawacus aethesa Cyanophrys bertha Joiceya joeclara Nirodia belphegor Magnastigma julia Synargis athelinda Em perigo vulnerável MG MG Biodiversitas. p.am MG Biodiversitas. 1997 cerrado MG MG MG vulnerável vulnerável p.. 1998 Raw. MS X Mischocyttarus sp.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 18 (continuação) Polistes satan P. vertebralis Doxocopa laurona Heliconius nattereri Hyalyris fiammeta H. lysander matogrossensis X P. 1998 Raw. 1997 Biodiversitas. chapadae M. 1998 Raw. campestris M. 1997 Biodiversitas. com. 1998 Raw. 1998 Mischocyttarus matogrossoensis M. 1997 Biodiversitas. 1997 Tyler et al. P. 1997 Biodiversitas. Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. pess.n MT. 1997 Lista Oficial Biodiversitas. 1994 Lista Oficial MG Tyler et al. 1997 Biodiversitas. 1998 Raw. burchellanus P. Nymphalidae Agrias claudina godmani Callicore hydarnis Dasyophthalma geraensis D. DF Becker.am Noctuidae Aucula munroei Local tipo. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas.am Em perigo Crit. 1997 Biodiversitas. giffordi M.

Biodiversitas. As populações desta subespécie. o contraste entre o número de espécies para os grupos de vertebrados e de invertebrados na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção é espantoso (Tabela 20). 1997 Biodiversitas. Outra subespécie.am Crit. se persistirem. jaguarae. ao Norte de Belo Horizonte. p. Entretanto.am Em perigo Em perigo MG MG MG MG Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. em perigo p. Tabela 19. endêmicas.am vulnerável MG Tyler et al. 1994). 27 anos depois em dezembro de 1991 foi observada uma única fêmea. panthonus jaraguae Actinote quadra Actinote morio Charonius theano theano Cuniza hirlanda planasia Moschoneura methymna Crit. 1997 Crit. devem ser pontuais (Tyler et al. Grupo Annelida N° de espécies ameaçadas de extinção 6 Onycophora 1 Coleoptera 1 Hymenoptera 3 Lepidoptera 28 Odonata Copepoda 6 ~ 20 Problemas para a conservação de invertebrados no Cerrado Como já é de conhecimento geral. foi vista pela última vez nos anos de 1930 no centro de Minas Gerais (o local tipo é a Fazenda do Jaguara. 1994. 1997 Pieridae Saturniidae 21 spp. em perigo rado perto da cidade de Castilho no fim de novembro de 1964 por Lauro Travassos Filho e descrita como uma espécie por D’Almeida em 1967 e depois disto após a inundação não foi mais vista. 1997 Biodiversitas. em perigo p. Em três visitas em 1967 e 1992 não foi localizada. 1997 Camargo. 1997 Biodiversitas.am p. 1997 Biodiversitas. no Rio das Velhas. 162 . A lista destas espécies é apresentada na tabela 18 e o número de espécies ameaçadas de extinção em diferentes grupos é apresentado na Tabela 19. 1997 MG MG MG MG MG Biodiversitas. 1997 Catoraeschna margarethae Em perigo Megapodagrionidae Heteragrion dorsale H. Odonata Aeshnidae Aeshna eduardoi vulnerável MG MG Biodiversitas. absoletum Pseudostigmatidae Mecistogaster asticta p. 1997 Biodiversitas. raras e/ou de distribuição restrita. Isto reflete o principal problema para a conservação de invertebrados que é o pouco conhecimento sobre essa fauna. Ocorre da Costa Rica ao Brasil Central (Tyler et al. Eurytides pausanias = Mimoides pausanias (Hewitson 1852). 1994). P. Número de espécies reconhecidas como ameaçadas de extinção em diferentes grupos de invertebrados do cerrado. embora tenha uma distribuição ampla e seja uma espécie comum é muito pouco conhecida.. petiense H. 1997 Biodiversitas. Existem ainda informações compiladas pela Fundação Biodiversitas e outras fontes para espécies ameaçadas de extinção.Tabela 18 (continuação) P.

sem tradição de empréstimo e intercâmbio científico. os hospedeiros para parasitas e parasitóides. Cuiabá. Uberlândia. As espécies de invertebrados estão desaparecendo rapidamente em quase todos os habitats conhecidos. os papéis ecológicos e seus significados são extrapolados a partir de uma proporção muito pequena de espécies certamente desconhecidas do grande público. dados não publicados). Pinheiro & Ortiz 1992. a falta de coleções e/ou museus nessa região. Apesar da alta diversidade. a América do Sul é um dos continentes menos conhecidos biologicamente. Para manter a diversidade dos insetos temos que basear-nos na riqueza de espécies de plantas e no número adequado de tipos de habitat. especialmente no que diz respeito aos invertebrados. O padrão de alto índice de espécies raras com uma baixa similaridade entre áreas próximas com mesma fitofisionomia e entre diferentes fitofisionomias parece ser geral para os insetos do cerrado (Lacher et al. e efetuar medidas que beneficiem a população local (New et al. 1995. a conservação dos invertebrados não pode seguir apenas os parâmetros usados para a conservação de vertebrados. Diniz & Morais 1997). praticamente não existem informações sobre tamanhos de populações e variações populacionais em ambientes alterados e/ou fragmentados. Animais Número de Espécies Brasil Cerrado Pantanal 0 5 Invertebrados 32 4 Vertebrados 271 34 Os problemas para a conservação de invertebrados são muitos. Para isso torna-se necessário um maior incentivo para os projetos de pesquisa nas áreas de conservação existentes. um aumento de conheci­mento sobre as espécies e o ecossistema. Trabalhos sob essa ótica esbarram em um outro problema que é a falta de coletas em diversas áreas. mesmo para os poucos grupos taxonomicamente melhor conhecidos. Goiânia e Brasília. Apesar da grande quantidade de informações existentes sobre vários grupos de invertebrados. local de nidificação para insetos sociais. Se os nossos objetivos são maximizar a conservação da biodiversidade a situação ideal seria basearmos nos dados de riqueza de espécies (que é inadequada quando considerada isolada). Acrescidos a esta falta de conhecimento os invertebrados apresentam outras características que devem ser levados em consideração no planejamento da conservação da biodiversidade. São José do rio Preto. Além disso. selecionarmos as áreas prioritárias para conservação. portanto. Em uma outra escala de estudos. isso só é possível se a historia natural e a dinâmica populacional de uma espécie é bem conhecida em “ambiente natural” incluindo diferentes habitats ou diferentes áreas de um mesmo tipo de habitat. Entretanto. se movimentar sazonalmente de uma área para outra. nas relações filogenéticas das espécies envolvidas e nas comparações de suas distribuições para podermos entender os fatores históricos e atuais que determinaram essas distribuições e. É urgente. 1986. Os insetos são parte crítica para a manutenção da biodiversidade. 163 Os nematódios podem apresentar ciclos de vida muito mais complexos e constituem um grande grupo ainda menos conhecido que os insetos. Número de espécies de vertebrados e invertebrados presentes na Lista Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção. essas coleções não estão estruturadas com curadores. as plantas hospedeiras para os herbívoros. Os insetos no cerrado flutuam muito em densidade durante o ano (Diniz 1997) e entre anos (Morais & Diniz. 1995). a simples listagem ou catalogação das espécies descritas não foi feita para a maior parte dos grupos. nos inventários em várias áreas de cerrado para que possamos trabalhar . Price et al. Entretanto. Populações inteiras de invertebrados podem. existem pequenas coleções em Belo Horizonte. Os padrões de distribuição não são claros. Alguns trabalhos de revisão taxonômica mostram claramente a falta de coletas para a região central do país. Sem dúvida. na produção de listas de regionais de espécies ameaçadas ou não de extinção. também. funcionar bem como indicadores de qualidade ambiental. muitos insetos possuem um ciclo de vida muito complexo o que demanda um tipo especial de habitat para parte desse ciclo como. local para a postura e desenvolvimento das espécies aquáticas. Essas informações mostram uma grande ausência de material do Brasil central nos museus brasileiros e em museus estrangeiros e ressalta. por exemplo. O uso de invertebrados como indicadores de qualidade ambiental promete ser uma das principais áreas de utilização desses organismos nas questões de conservação. a informação raramente foi trabalhada com uma visão biogeográfica. e em geral são mantidas em condições mínimas de conservação. freqüentemente. A maior ênfase deve ser a proteção de habitats. principalmente para salvaguardar os locais pobremente coletados. Para os invertebrados esses dados não existem. então.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 20. Campo Grande. Assim. No entanto. Os ciclos de vida relativamente curtos e com várias gerações por ano sugerem que alguns desses organismos podem responder mais rapidamente às alterações ambientais e.

Estimativa de número de espécies para grupos de invertebrados para regiões (N=neotrópicos. Estimativa de espécies restritas à região de cerrados para diferentes grupos de invertebrados. Estas coletas devem que ser preservadas e mantidas em locais adequados e reconhecidas pelas Instituições de Pesquisa.425) representa 47% da fauna estimada para o Brasil.179 N 3. Ao contrário do tradicionalmente aceito para vertebrados.000 DF Borboletas   7.000 13.288 Saturnídeos Abelhas Vespas Cupins Drosófilas 7.com distribuição geográfica das espécies e um alto investimento em sistemática e em coleções científicas.000 900 820 755 DF 27% 503 DF 16% 63 DF 43% 68 DF 41% 942 NM 400 167 109 DF 41% 550 N 320 139 504 N 280 116 ? > 200 ? Formigas 3. Grupo de Invertebrado Copépodes Cupins Espécies restritas ao cerrado (%) 50 50 Abelhas 30 – 40 Formigas 5 – 10 Mariposas Saturnídeos 12 Dípteros Tefritídeos (*) 30 Dípteros Cecidomiideos galhadores (*) (*) Espécies só de Campos Rupestres > 50 164 . em três ordens de insetos (Lepidoptera. especialmente. Cipó 500 300 S. Grupo de Invertebrado Região Número de Espécies Brasil Cerrado Local Brasil 56% Lepidópteros 46.000 N 23.000 10. parece existir uma fauna de típica de cerrado para insetos e. para o Brasil. Hymenoptera. AS=América do Sul). a concentração de informações sobre a fauna do Distrito Federal e Serra do Cipó. A representatividade da fauna de Cerrado em relação à fauna brasileira varia entre os grupos indo de menos de 20% (abelhas e formigas) a mais 50% para os lepidópteros (mariposas e borboletas). Isoptera) o número de espécies estimado para o cerrado (14. com a proporção de espécies do cerrado em relação à fauna brasileira. também. É necessário o estabelecimento de um museu de biodiversidade do cerrado que deveria ser localizado na região central. com uma alta proporção de espécies sendo exclusiva da região.000 AS 5. para copépodos. Cipó ? 50 DF Galhas cecidógenas 1. A Tabela 21 resume as informações sobre o número de espécies de alguns grupos de invertebrados apresentadas acima e inclui algumas estimativas.000 350 188 DF 17% ? 38 S. No entanto. Tabela 21. Fica clara.000 N 2.800 N Copépodos 250 AS 150 A Tabela 22 resume as proporções estimadas de espécies restritas à região de cerrados. Tabela 22. Questões funda­men­talmente científicas sobre biodiversidade só podem ser levantadas e respondidas mediante grandes coleções. NM=novo mundo. o cerrado e áreas de cerrado.

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Riqueza geral de espécies dos cerrados O exame da biota da região revela a presença de grandes números de espécies (Tabela 25). porém dados não estão disponíveis quanto ao número de espécies destas ordens. a riqueza de espécies e aspectos do conhecimento dos insetos nos cerrados.1 0. Um total de 68. Estes números são comparáveis com a riqueza dos insetos nas florestas úmidas do continente.os térmitas. 34.7 Diptera 13. Baseado nos seus grandes números e no fato de que os térmitas compõem-se do grupo principal de herbívoros dos cerrados. sua importância no funcionamento do ecossistema dos cerrados é claramente demonstrada e.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Antony Raw (Organizador) Introdução Este trabalho está dividido em três partes.  Riqueza de espécies e zoogeografia das vespas sociais dos Cerrados do Brasil central. em média. a riqueza de espécies e aspectos do conhecimento dos insetos nos cerrados.1 0. Números totais de indivíduos Talvez o grupo de insetos mais comum nos cerrados seja da Ordem Isoptera . os baixos números de espécies registrados para vários outros grupos podem refletir o pequeno esforço de coleta ao invés da baixa riqueza de espécies. Contrariamente. e os números enormes de Collembola (Diniz 1997). Os quatro métodos de coleta utilizados foram três tipos de armadilhas (malaise. janela e alçapão) e varredura com rede entomológica. a biomassa total destes animais na região é surpreendente .1 < 0. (I. Bahia 173 . Diniz 1997) % do total de indivíduos Coleoptera 2. apesar de seus pequenos tamanhos. Redford e Dorea 1984.  Números de insetos.��� A representação das ordens de insetos Em termos dos números de indivíduos de insetos nos cerrados. R.0 Homoptera 1. em prep).  Riqueza de espécies e zoogeografia das abelhas silvestres dos Cerrados do Brasil central.640. I.7 * Baseado em trabalho apresentado por Antony Raw * Professor títular da Universidade Estadual de Saúde Cruz. Diptera e Coleoptera. Pelos métodos utilizados é difícil capturar insetos de maior tamanho e foram capturados relativamente poucos besouros.2 0. uma geral e duas especializadas. enquanto libélulas não foram registradas. gafanhotos.000 km2) o que atinge. Números de insetos. mariposas e borboletas.5 Isoptera 2. III. Raw. Existem grandes quantidades de Orthoptera. A biomassa deste grupo nos cerrados é enorme.8 Collembola Dictyoptera Embioptera Hemiptera 70. várias ordens são bem representadas (Tabela 23).000 colônias de térmitas foi estimado para a região dos cerrados (de 2. Tabela 23.000. 1987.7 < 0. Um total de 835. Hemiptera. 1985. I.8 % do total de indivíduos Hymenoptera Lepidoptera Neuroptera Orthoptera Psocoptera Thysanaptera 6.4 0. Porcentagens dos números de insetos coletadas em áreas de cerrado em Brasília utilizando quatro métodos de coleta. Cerca de 25 % das espécies de térmitas das Américas ocorrem nos cerrados (dados de Araújo 1977).000.892 indivíduos foi coletado. II.320 colônias/ km2 (Tabela 24) (Raw 1996). Esses térmitas formam ligações importantes nas cadeias alimentares dos cerrados (Redford 1984.9 0.1 0.

000.200.000 Número de colônias na área total dos cerrados Tabela 25.3 Número de Porcentagem de colônias no tipo colônias no tipo de vegetação de vegetação Campo limpo 125 140 200.) (Raw 1996) Número por hectare Área total do termiteiros colônias tipo de vegetação em km2 (%) Tipo de vegetação Campo úmido 35 40 60.000 11.3 700. Os casos das mariposas são ainda mais impressionantes.200 a 1.000 23.800. O número de espécies neotropicais já conhecidas na literatura é de 700. Números de espécies conhecidas de cinco grupos de insetos.000. Totais nas áreas Região Cerrados neotropical Distrito Federal Referência Lepidoptera 40000 10000 8000 V. respetivamente.1 Campo sujo 155 200 400. pess).000 (3) 240. principalmente entre os micro-lepidópteros. Nesta contribuição ele coletou 112 espécies das quais 54 foram espécies novas.000 km2 (baseadas nos números levantados nos maiores tipos de vegetação.000 700 100. uma área total de c. 124 espécies são registradas do Estado de Mato Grosso. 500 e 820.000 0. Gifford com.000.000 espécies foram coletadas na região neotropical (Zatller com.000.000 (25) 16.9 (2) 2.000 4. no entanto.Tabela 24.000.7 500. Vespas sociais Richards (1978) citou um total de 12 espécies de vespas sociais para o Distrito Federal. 2.5 (5) 7.400.R.000 10. pess).233 100 ? Lepidoptera Pelo menos 1.000. Estimativas dos números e porcentagens de colônias de térmitas nos sete tipos principais de vegetação dos cerrados do Brasil. Um quarto destas espécies (129 em 43 gêneros) encontrase na região dos cerrados ao redor de Brasília (dados pessoais). mais de 3.000 (35) 32.000.000. Após 17 anos de coletas o número aumentou e atualmente são 174 Térmitas Os térmitas são muito comuns na região dos cerrados.500 espécies na região dos cerrados das quais foram coletadas.000. Recentemente 297 espécies foram registradas em três reservas: Fazenda Água Limpa (FAL). É de grande interesse o levantamento feito por Mathews (1977).O. Becker dados pessoais Araújo 1977 e Raw dados pessoais Raw dados pessoais Richards 1978 e Raw dados pessoais Kempf 1972 Térmitas 443 103 31 Abelhas 2385 820 503 Vespas sociais 547 129 63 Formigas 2. Estimativas são de cerca de 600 espécies de abelhas no Distrito Federal e de 1. Raw e Egler 1985).400 ha. também.000. Um estudo em andamento sobre a família Gelechiidae mostra a riqueza da região neotropical e. dos cerrados. Atualmente.2 68.640. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Jardim Botânico de Brasília (JBB).000 46. uma área total de 10. Abelhas A fauna apícola dos cerrados é grande e se compõe de diversas espécies. Mathews 1977.000.000 3.000.000 (20) Campo cerrado 160 320 Cerrado sensu stricto 170 460 Cerradão e mata sazonal Mata sempre-verde 90 50 8.250 espécies de borboletas foram coletadas no Distrito Federal (D.000 600 40.000 (10) 2. Um total de 443 espécies de térmitas (em 67 gêneros) são conhecidas da região neotropical . (Araújo 1977.

Números de espécies novas depois de coletas intensivas em três grupos de insetos. 2. nos cerrados. por isso. Abelhas foram coletadas em 59 municípios (Tabela 27) que representam somente 6. Riqueza de espécies e zoogeografia das abelhas silvestres dos cerrados do Brasil Central 1. Este número inclui 49 novos registros de espécies já conhecidas e duas espécies novas (Raw 1985).000 77 % (Lepidoptera) Gelechiidae Cerrados 200 > 1. dados pessoais. dois fatos que explicam a forte interdependência entre as abelhas e as plantas floridas. 420 espécies são conhecidas somente da região dos cerrados (51 % do sendo várias restritas total) e várias deste número são endêmicas a certas locais dentro da região. 175 As abelhas compõem o mais numeroso e importante grupo de visitantes florais e quase todas as espécies de abelhas dependem do pólen das flores como sua fonte única de proteína.4 % do número total dos 921 da região. Até agora. Com estimativas de 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres registradas da região dos cerrados. Formigas Somente 100 espécies de formigas foram registradas na região dos cerrados que representam 4. nas florestas. principalmente.5 % das 2.000 espécies de abelhas silvestres no Brasil e 7. Existem cerca de 5. 3. em Michener et al. Grupo Região antes conhecidas Número de espécies Porcentagem de espécies novas Referência atualmente (Zatller dados pessoais) Gelechiidae Neotrópicos 700 3. Os resultados mostram que necessitam-se muitas coletas adicionais para se poder interpretar a zoogeografia do grupo satisfatoriamente.ampla. Esforço de coleta Em quase todos os grupos de insetos. nas savanas. 4. O nível da taxonomia das abelhas da região prejudica análises mais detalhadas. a amostragem não é considerada representativa dos cerrados. Alguns grupos foram selecionados para mostrar esta situação (Tabela 26). . Tabela 26. em vários grupos.S.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados 63 espécies conhecidas do DF (Raw. Aproximadamente 80 % das espécies de abelhas são solitárias e muitas destas cavam seus ninhos no chão. estudos intensivos revelam a enorme riqueza de espécies e. 20 ocasionais e somente 4 são muitas e 2 intensivas. A nomenclatura utilizada aqui está baseada. Quatro categorias de esforço de coletas são reconhecidas: poucas (43 municípios). Levantamentos Relação das localidades inventariadas.000 na região neotropical (Moure. Quatro categorias de distribuição geográfica são reconhecidas .233 espécies neotropicais listadas por Frei W. Raw. A apifauna dos cerrados é grande e diversa e as espécies das abelhas silvestres estão associadas com a ampla diversidade de plantas com flores nos cerrados.000 80 % (Lepidoptera) Térmitas Mato Grosso 74 103 12 % (Zatller dados pessoais) (Mathews 1977) II. dados pessoais). porém os resultados indicam a grande riqueza da apifauna da região. Entre essas existem grande variedades de tamanho e morfologia dos adultos e das histórias vitais (O’Toole & Raw 1991). (1994). Kempf (1972). há grandes números de espécies novas . É importante enfatizar o fato que os dados nesta Tabela mostram números de espécies novas para a ciência e não simplesmente registros novos de espécies já conhecidas cientificamente.ou não conhecidas cientificamente. dados pessoais). O conceito de gênero na tribo Meliponini utilizado é de Padre J. a riqueza da apifauna é considerada grande. Moure e fornece um total de 16 gêneros na tribo. 5. Somente duas das coletas são consideradas adequadas para avaliar a riqueza da apifauna com confiança e.

MG Uberlândia. SP MG 61 137 Corumbataí. Parque Nacional de Brasília. Dados adicionais estão extraídos do livro de Moure e Hurd (1987). foram feitas muitas coletas em volta da Cidade de Goiás. beira do rio Maranhão e Sobradinho. Um total de 377 espécies identificadas foram coletadas em seis localidades (Tabela 28). I = intensivas (>1200). Bahia (Martins 1994) e de Camillo et al. Os 59 municípios da região dos cerrados onde foram feitas coletas de abelhas por Anthony Raw e o esforço de coleta (em dias). Levantamento das 377 espécies identificadas de abelhas silvestres encontradas em seis localidades dos cerrados Local Distrito Federal Paraopeba. Abadiania Água Boa Alexânia Alto Paraíso de Goiás Alvorada do Norte Anápolis Aragarças Araxá Barra do Garças Barreiras Bom Jardim de Goiás Brasília Caldas Novas Carmo de Paranaíba Cassilândia Ceres Chapada dos Guimarães Conceição do Araguaia Corumbá de Goiás Cristalina P P P M O O O P O O P I P P P P O P O O Cuiabá Flores de Goiás Formosa Goiás Guará Ibiá Inhumas Itaberaí Itajá Jataí João Pinheiro Lagamar Lagoa Formosa Luziânia Mambaí Morrinhos Mossamedes Mozarlândia Nova Xavantina Padre Bernardo P P O I O P P M O P O P P P P P P P O O Paracatu Paraopeba Patos de Minas Patrocínio Piranhas Pirenópolis Planaltina Posse Presidente Olegário Rosário de Oeste Santo Antônio do Descoberto São Gotardo São João Daliança Serranópolis Sete Lagoas Taguatinga Teresinha de Goiás Trindade Vargem Bonita O P M P P O O P P P O P P P P O P P M As taxas de coleta são: P = poucas (1 a 10). SP BA 86 91 Número de espécies 229 128 Porcentagem do número total de espécies 61 34 16 36 23 24 176 . em torno de Brasília e Goiás. O total de 732 locais deu a média de 1. Tabela 27. M = muitas 51 a 500). vale da Cabeça de Veado.Coletas intensivas foram feitas em duas localidades. Reserva do IBGE. porém a vegetação citada é cerrado. Tabela 28. Dentro do Distrito Federal os locais incluem Brasília. (1995). no Estado de Goiás. Também. São publicados os de uma reserva perto de Uberlândia (Carvalho e Bego 1996) e Lençóis. O = ocasionais (11 a 50). Lençóis. Cajuru. Levantamento da bibliografia Inventários das abelhas dos cerrados foram realizados em algumas localidades. Algumas dessas localidades são fora da região delimitada.9 locais por espécie. Fazenda Água Limpa.

Relação sobre o estado de conhecimento das espécies de abelhas coletadas nos cerrados Família Espécies Espécies não Espécies Possivelmente Número total identificadas identificadas novas espécies novas de espécies Colletidae 15 12 4 11 42 Oxaeidae 4 0 0 0 4 Halictidae 72 81 21 12 186 Andrenidae 3 1 4 3 11 Megachilidae 72 60 8 4 141 Anthophoridae 187 85 20 49 335 Apidae 74 15 1 4 90 Total de espécies 415 254 58 81 820 Porcentagem do total 51 31 7 10 Riqueza de espécies da apifauna dos cerrados Estimativas apontam cerca de 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres registradas da região dos cerrados. A diferença entre os totais de espécies identificadas (de 377 nas Tabelas 28 e 29 e 415 na Tabela 30 ) refere-se as 38 espécies coletadas fora das seis localidades citadas na Tabela 28.br/zoo). sendo é possível que 139 (17 %) sejam novas. Por exemplo. É interessante lembrar que várias dessas espécies são registradas de um local e. No Distrito Federal 503 espécies foram coletadas até o momento e um total de 227 (45 %) destas espécies identificadas (http://www. 417 espécies são conhecidas somente da região dos cerrados (Tabela 31).500 espécies de abelhas nos cerrados o equivalente a cerca de 20 % das espécies neotropicais.unb. 177 . a riqueza da apifauna é considerada grande (Tabela 27). Até agora. das quais 58 espécies e 3 gêneros são novos e mais 81 espécies e 3 gêneros são possivelmente novos.200 a 1. perto de Brasília (Raw em prep).000. cada uma em uma área muito pequena.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Estado de conhecimento do grupo O número de espécimes de abelhas coletados soma cerca de 22. Isso representa 52 % do total registrado para a região. cinco espécies de Megachile pertencem a um subgênero novo e todas são conhecidas desta região e três dessas foram encontradas. No entanto. A estimativa da taxa de endemismo também é grande. foi descoberto um total de 206 espécies de abelhas em dois anos de coleta em uma área de um quilômetro quadrado no vale da Cabeça de Veado. são endêmicas a áreas muito restritas. A riqueza de espécies em certos locais é grande. os resultados mostram que são necessárias muitas coletas adicionais para podermos interpretar a zoogeografia do grupo satisfatoriamente Tabela 29. As dificuldades na identificação e a falta das informações biológicas criam sérios problemas em qualquer avaliação desses organismos na região e o nível da taxonomia das abelhas da região prejudica análises mais detalhadas. Por exemplo. aparentemente. Minha estimativa é que existem de 1. Totais de 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres foram coletadas na região dos cerrados (Tabelas 29 e 30).

COLLETIDAE Hylaeus Chilicola Bicolletes Leioproctus Colletes Ptiloglossa Mydrosoma HALICTIDAE Agapostemon Caenalictus Dialictus Habralictus Halictus Pseudagapostemon Sphecodes Augochlora Augochlorodes Augochlorella Augochloropsis Ceratalictus Corynura Megalopta Megaloptina Neocorynura Paroxystoglossa Pereirapis Pseudaugochloropsis Rhinocorynura Temnosoma Thectochlora ANDRENIDAE Acamptopeum Arhysosage Cephalurgus Parapsaenythia Psaenythia Rhophitulus near Rhophitulus 24 1 1 2 7 4 2 42 2 1 27 8 1 5 3 30 1 3 54 5 2 5 1 10 2 7 8 3 5 3 186 1 1 1 1 3 1 1 ANTHOPHORIDAE Anthophora Dasyhalonia Florilegus Gaesischia Megascirtetica Melissodes Melissoptila Micronychapis Santiago Thygater Trichocerapis Ancyloscelis Exomalopsis Tapinotaspis Paratetrapedia Monoeca Centris Epicharis Melitoma Diadasia Ptilothrix Coelioxoides Tetrapedia Rathymus Acanthopus Ctenioschelus Ciphomelissa Hopliphora Mesocheira Mesonychium Mesoplia Nomada Pachysvastra Alepidosceles Parepeolus Osiris Protosiris Leiopodus Odyneropsis Thalestria Triepeolus Ceratina Ceratinula Xylocopa 1 2 7 8 1 2 9 1 1 1 1 4 22 3 39 8 21 5 1 1 3 14 3 2 1 1 1 3 3 8 14 1 1 1 5 1 1 1 1 1 43 8 26 OXAEIDAE Oxaea MEGACHILIDAE Lithurgus Megachile Coelioxys Anthidium Anthidulum Anthodioctes Odontostelis Dianthidium Dicranthidium Epanthidium Hypanthidioides Larocanthidium Saranthidium 4 77 25 2 2 3 1 9 2 9 1 6 3 141 4 New genus 1 57 APIDAE Eufriesea Euglossa Eulaema Exaerete Bombus Cephalotrigona Lestrimelitta Leurotrigona Melipona Nannotrigona Oxytrigona Paratrigona Partamona P. (Frieseomelitta) T. genus 1 Undet. Lista das 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres registrados nos cerrados.Tabela 30. Genus 1 Undet. (Tetragona) T. (Friesella) Plebeia (Scaura) Plebeia (Schwarziana) Scaptotrigona T. Genus 2 336 178 Apis 1 90 . (Plebeia) P. Genus 1 11 Undet. (Tetragonisca) Trigonisca 4 18 5 2 4 1 1 1 4 1 2 2 3 1 1 4 1 4 12 5 4 2 1 8 New genus 1 Undet. (Geotrigona) T. (Trigona) T.

e de espécies que ocorrem nas áreas de vegetação aberta. Parece que a alta riqueza de espécies é resultado de. Vários aspectos das vidas das abelhas são interligados. É interessante que. (A soma da porcentagem do total sendo mais que 100 % é porque várias espécies ocorrem em mais de um tipo de vegetação) Colletidae Cerrado Mata ciliar Floresta Tipo não definido Total 5 27 11 1 44 55 24 79 185 60 160 Oxaeidae 2 2 4 Halictidae 27 Andrenidae 1 1 Anthophoridae 49 103 Apidae 14 22 9 1 12 88 112 352 67 10 113 870 Megachilidae 22 31 47 Número de espécies 120 239 246 265 Porcentagem do total 18 37 38 41 133 Resumo dos fatores que influenciam a riqueza de espécies de abelhas na região A questão de distribuição geográfica dos cerrados é fascinante. c) o grande mosaico de pequenos habitats muito variados. Uma Tabela 32.) Zoogeografia da apifauna dos cerrados A apifauna dos cerrados é uma mistura de espécies que ocorrem nas matas ciliares ao longo dos rios e riachos. das 820 espécies conhecidas. em prep. O grande número de espécies inclui espécies do Sul do continente. do nordeste do . pelo menos. observações pessoais mostram claramente que o tipo de vegetação influencia muito a distribuição espacial das abelhas dos cerrados. Efeito do tipo de vegetação Como foi descoberto em estudos sobre outros grupos de organismos. Raw. 179 d) e a justaposição de três grandes bacias fluviais. provavelmente. sendo as 265 preferências não foram identificadas (Tabela 32). Números de espécies de abelhas em três tipos de vegetação dos cerrados. as distribuições da maioria das espécies estão relacionadas com as matas. ainda nesta região. b) os grandes números de espécies de plantas com flores. (1996: 821-822. é importante é a existência de “founder-controlled communities” (de Begon et al. Outro fator que. Números de espécies de abelhas silvestres nos cerrados Número total de (%) espécies nos cerrados Espécies restritas aos cerrados (%) Colletidae 42 5 26 0 6 0 Oxaeidae 4 1 Andrenidae 11 1 Megachilidae 141 18 Apidae Total Halictidae 186 23 118 29 9 2 74 18 Anthophoridae 335 42 172 42 90 11 18 4 820 420 análise preliminar foi feita sobre as preferências de vegetação para 544 espécies. quatro fatores: a) os grandes números de espécies de abelhas solitárias.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Tabela 31.

enquanto T. possivelmente. cujo centro geográfico está nesta região. Por isso. Muitas dessas espécies ocorrem em vários tipos de habitat. Outras nidificam na floresta e forrageiam nas flores em áreas abertas.Oeste é a presença ao redor de Brasília de indivíduos que possuem a mistura dos caracteres morfológicos da Amazônia e das populações costeiras. Monoeca e Tetrapedia estão entre as mais notáveis nos Neotrópicos e. tanto estas abelhas. Várias espécies são restritas aos cerrados e. Buchmann 1987) que são utilizados para criar a prole. 3. Entretanto. certas espécies são endêmicas à região dos cerrados. 4. Um ponto que merece maior investigação é o de que as distâncias entre remanescentes de floresta podem ser um fator importante (Raw 1989). em duas espécies da tribo Meliponini: Trigona spinipes das savanas e T. cujas flores secretam óleos em vez de néctar (Vogel 1969b. Trigona s. nas savanas. Um aspecto geográfico interessante visto em alguns dos táxons com esta distribuição Leste . Espécies das savanas . Comentários adicionais Muitas espécies são muito conservadoras na sua escolha do lugar de nidificação. III. Talvez algumas espécies precisem de locais parcialmente perturbados para nidificar (Raw 1989). jaty ocorre do México até Goiás. Nos cerrados os adultos estão ativos principalmente durante os meses mais secos e muitas delas são especialistas que visitam plantas típicas dos cerrados. j. São Paulo e Santa Catarina. (Tetragonisca) jaty das florestas existem duas subespécies. Como indicado acima. Parece que algumas são endêmicas a locais específicos. Quatro categorias de distribuição geográfica são reconhecidas . 3. pode ser interessante a presença de vários remanescentes pequenos e próximos.desde México até Argentina. angustula ocorre na Argentina. nas florestas. Certas abelhas são polinizadoras de Malpighiaceae. Trigona s. É possível que os locais de nidificação sejam tão importantes quanto os recursos alimentares para manter as populações de certas espécies. Por exemplo. 1. Existem dois casos estranhos entre as abelhas. 1. 4. como as plantas têm muitas espécies nos cerrados. Similarmente Tetragonisca j. concolor se encontra ao longo do trecho do Uruguai e Rio Grande do Sul até o Distrito Federal. Espécies de ampla distribuição . A maioria das espécies neste grupo são solitárias e univoltinas com dietas especializadas. Ambas as subespécies de ambas as espécies ocorrem em volta de Brasília onde foi vista uma colônia que continha ambas as subespécies de T. As grandes espécies de Xylocopa e dos gêneros Centris. são raramente encontradas nas regiões vizinhas. 5. São 139 espécies e 21 gêneros de vespas sociais (cabas ou marimbondos) registradas na região dos cerrados. os adultos aparecem somente durante um período particular do ano quando suas plantas preferidas florescem. é possível reconhecer quatro categorias de distribuições geográficas das abelhas dos cerrados. Epicharis. 2. Eulaema e Euplusia são os visitantes principais de muitas árvores e trepadeiras tropicais. spinipes. Riqueza de espécies e zoogeografia das vespas sociais dos cerrados do Brasil Central. certas espécies dos cerrados são endêmicas. Epicharis. nos cerrados. Estas abelhas voam longas distâncias e podem especializar-se nas suas dietas e visitar árvores esparsamente dispersas ao longo de uma rota memorizada até 20 km.Brasil e da Amazônia. 2.Certas espécies deste grupo são restritas às florestas e raramente são encontradas em vegetação aberta.Os membros deste grupo ocorrem ao longo do trecho dos Pampas da Argentina até às Caatingas do nordeste brasileiro. A proximidade da água é importante para certas abelhas e pode ser o fator crucial na localização do ninho. Raw 1979. A maioria da tribo Meliponini são espécies das florestas. As relações dos membros dos gêneros Centris. Os resultados sugerem que necessitam-se muitas coletas adicionais para poder-se interpretar os dados satisfatoriamente. Baseado largamente em investigações pessoais da apifauna da região. A justificativa principal para a inclusão deste grupo taxonómico no presente trabalho é sua a implicação para avaliações zoogeográficas das informações sobre a recolonização e extinção freqüente de espécies ao longo de tempo. Espécies das florestas . Paratetrapedia. Cerrados . Outras. 180 .Muitas espécies ocorrem do México e América Central até Paraguai e Argentina.ampla.Algumas espécies são endêmicas aos cerrados do Brasil central. spinipes ocorre na maior parte da região neotropical . Paraguai e nos Estados de Rio Grande do Sul e Mato Grosso.

Coletas recentes sugerem que é bem possível que várias espécies ainda não sejam conhecidas. Por exemplo. Também. dados pessoais). 2 por Raw (1985) e as descrições de 4 ainda não foram publicadas. Deste total.bibliografia A única publicação sobre a classificação com informações zoogeográficas deste grupo de vespas na região do Brasil Central é o importante livro de Richards (1978). enquanto é possível que 17 que ocorrem nas vizinhanças no Estado de Goiás também ocorram no DF. Os números de espécies de vespas conhecidas de cinco áreas de 8 a 18 milhões de quilometros quadrados foram comparados e o resultado (Figura 1) sugere que as coletas nos cerrados e no Brasil ainda são deficientes para poder basear análises zoogeográficas nos dados existentes. Gêneros de Epiponini cujas espécies têm distribuições restritas são Marimbonda. Clypearia e Metapolybia. . Archer 1989. o segundo será tratado aqui. são Polistes. Clypearia. dos quais. o que aumentaria o total para 80 espécies. as vespas sociais também foram vistoriadas.unb. O Brasil é o país mais rico das Américas em números de espécies com 58% do total (Tabela 33). Números de espécies de vespas sociais conhecidas em cinco áreas (após Richards 1978 e Raw http://www. para o Distrito Federal. das Américas têm amplas distribuições geográficas. Dados adicionais são fornecidos por Raw (1985). Ainda faltam muitos dados sobre as distribuições geográficas destas espécies. Aparentemente dois fatores ambientais influenciam os números de vespas sociais que ocorrem nas regiões continentais. Polybia e Synoeca. Os gêneros que possuem muitos membros amplamente distribuídos.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Levantamentos . muitas 181 espécies das 127 espécies de Mischocyttarus (o único gênero na tribo Mischocyttarini) e várias de Polybia e Protopolybia são restritas a áreas muito pequenas. Várias das 155 espécies de Epiponini (que reproduzem por enxames) e das 83 espécies de Polistes Figura 1.br/zoo). Relação das localidades inventariadas Em todos os locais citados no trabalho sobre as abelhas silvestres da região. Estes são a latitude e a vegetação. em vários gêneros existem espécies que são amplamente distribuídas e outras. Levantamento da região Na região dos cerrados são 139 espécies e 21 gêneros de vespas sociais registradas (Tabela 23). As vespas sociais nas Américas As 139 espécies registradas nos cerrados representam 24 % das vespas sociais conhecidas nas Américas e 43 % das registradas no Brasil (Richards 1978. após 17 anos de coletas. que são restritas. Entretanto. porém. Richards (1978) registrou 12 espécies. 21 espécies novas (15 %). Os números registrados refletem tanto o esforço de coleta e o trabalho dos taxonomistas como a composição da fauna. 15 por Richards (1978). foram encontradas somente nas últimas décadas. o número aumentou e atualmente são 63 espécies conhecidas do DF (Raw. Nectarinella. Asteloeca. dados pessoais).

melanoxanthus são restritas às regiões de altitude ao redor de Brasília. Áreas críticas O problema na tentativa de identificar áreas críticas é que os dados são insuficientes para fazer uma avaliação confiável sobre os locais. mattogrossoensis e M. em Minas Gerais. P. A sugestão é que a classificação da comunidade inteira de vespas como determinística ou estocástica simplifica demais a situação porque a comunidade contém espécies dos dois tipos. giffordi. da borda de floresta e da savana sugere que cada subgrupo compõe-se larga182 Distribuições zoogeográficas nos cerrados A questão de distribuição geográfica dos cerrados é fascinante. isto é a recolonização e extinção freqüente e de espécies ao longo do tempo. Principalmente restritas às florestas Certas espécies são restritas às florestas e raramente encontradas fora das matas de galeria. Stelopolybia multipicta. Parachartergus fraternus. Os fenômenos de extinção local e recolonização são bem conhecidos em comunidades sucessionais (desde Cowles 1899) e sua importância no que diz respeito à biota em ilhas foi enfatizada por Macarthur e Wilson (1967). Outras nidificam nas matas e visitam flores nas áreas de vegetação aberta. Protopolybia sedula e Brachygastra lecheguana. versicolor. Amplamente distribuídas Certas espécies de marimbondos que ocorrem no Brasil central possuem amplas distribuições geográficas (Richards 1978). Restritas aos cerrados Algumas espécies como Polistes davillae. Entretanto. Polybia emaciata e P.Efeito do tipo de vegetação As vespas sociais se encontram em vários tipos de habitat e muitas espécies mostram preferências para certos tipos de vegetação (Raw 1992). são reconhecidas quatro categorias de distribuições das vespas sociais. Destas últimas. Possivelmente algumas são endêmicas. goyanus. um estudo sobre arvores da floresta primaria levaria séculos. Um inventário de longo prazo das vespas sociais neotropicais foi utilizado para avaliar a hipótese de não equilíbrio (Raw). seis ocorreram em poucos censos consecutivos e 24 desapareceram e reapareceram em um total de 38 ocasiões. 2. Entretanto. A alta taxa de mudança (de ¼ a ½ das espécies desapareceram de um levantamento ao próximo) mostra que o sistema está aberto. 4. muitas espécies de enxames e a grande maioria das espécies de Mischocyttarus são restritas a florestas tropicais. Goiás e Mato Grosso. 3. 12km ao sul do centro de Brasília (15º 52’ S. Estas incluem Mischocyttarus campestris e M. é difícil coletar informações sobre este assunto em florestas. em contraste. Entretanto. enquanto mais 10 a 14 compõem se um total de 30 espécies. 35 espécies de vespas sociais foram registradas em um área de 8ha perto de Brasília. que são conhecidas somente do Distrito Federal. satan. canadensis se distribuem desde o Arizona nos Estados Unidos até o sul do Brasil. 48º 52’ W). Polistes erythrocephalus. occidentalis se encontram desde a América central até o Brasil. M. e são mais generalistas em termos de dieta e com nichos mais amplos. O número médio de espécies registrado por ano foi 17. como muitas das espécies de Mischocyttarus são restritas a florestas tropicais é provável que a maioria dos novos registros de espécies conhecidas e coletas de espécies novas seriam nas matas ciliares. A recolonização e extinção freqüente de espécies A hipótese “não-equilíbrio” de Hubbell (1979) procurou explicar a alta diversidade de espécies de árvores nas florestas tropicais. Polistes carnifex e P. são ativas como adultos durante o ano inteiro. Cinco espécies estavam presentes em cada censo. O agrupamento das vespas como espécies da floresta. O estudo foi feito no vale da Cabeça de Veado. Baseado principalmente nas investigações pessoais sobre a fauna apícola da região. . M. Estas são: 1. A justificativa principal para fornecer informações para este encontro sobre este grupo taxonómico é a interpretação das informações sobre a recolonização e extinção freqüente de espécies ao longo de tempo. Em 9 censos conduzidos a cada dois ou três anos durante 21 anos.2 (de 15 a 19). P. Principalmente restritas às savanas Membros deste grupo ocorrem dos pampas do Sul até à Caatinga e são comuns nos cerrados. Mischocyttarus campestris. a riqueza das espécies dos locais vizinhos e a disponibilidade das vespas para recolonizar um local. O autor considera importante levar estes resultados em mente quando tenta interpretar as análises zoogeográficas de outros grupos taxonómicos. São ativas como adultos principalmente durante a época chuvosa e são mais especialistas visitando flores das plantas do cerrado. Protonecterina sylveirae é uma espécie típica das regiões secas com vegetação aberta desde Argentina e Paraguai até Ceará. Várias delas encontram-se em vários tipos de habitat. Várias espécies de Polistes são comuns em savanas e habitats perturbados enquanto. e as quatro cujas descrições ainda não são publicadas. Muitas destas espécies ocorrem do México e América Central até Argentina.

ruficornis de Saussure s s 1 s s 1 s s s M.floresta. biglumoides Ducke 1 1 1 b. 1996: 821- 822). S F S S M F S S S M S S C C G A A G G G S paraguayensis Bertoni 1 1 cinerascens de Saussure 1 1 1 1 1 1 davillae Richards 1 1 1 geminatus Fox 1 1 1 1 1 1 melanosoma de Saussure 1 1 1 niger Brèthes 1 1 occipitalis Ducke 1 1 1 F A pacificus F 1 1 1 1 1 rufiventris Ducke 1 1 1 subsericeus de Saussure 1 1 1 1 1 1 1 testaceicolor Bequaert 1 1 1 1 thoracicus Fox 1 1 1 1 1 Mischocyttarus drewseni de Saussure 1 1 1 1 1 1 1 labiatus (F) 1 1 1 1 matogrossoensis Zikán 1 1 1 M M S C G gynandromorphus Richards 1 1 S M F A 183 . As espécies ocupam espaços quando estejam disponíveis e qualquer espécie pode ocupar qualquer espaço indiferente de qual das espécies venha a desocupá-lo. seus nichos são semelhantes ou idênticos e todos os membros do subgrupo estabelecem sua presença em uma “loteria competitiva” (Sale 1977. A riqueza de espécies no local é mantida alta por causa da grande riqueza de espécies nos locais ao redor de onde os recrutas vêm (Sale e Douglas 1984).unb. Raw http://www. billardieri F 1 1 b. Os tipos de vegetação são: F . S = sulista. Listas das 139 espécies de vespas sociais registradas da região dos cerrados (Richards 1978. Begon et al. dados pessoais). S = savana. Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica Polistes carnifex (F) 1 1 1 1 1 1 major Palisot de Beauvois 1 1 1 brevifissus Richards 1 1 1 1 1 1 1 canadensis (L) 1 1 1 1 1 1 erythrocephalus Latreille 1 1 1 1 1 1 ferreri de Saussure 1 1 1 1 1 goeldii (Ducke) 1 1 1 1 lanio (F) 1 1 1 1 1 1 1 satan Bequaert 1 1 1 1 versicolor (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 bicolor Lepeletier 1 1 1 1 b. Tabela 33. As distribuições geográficas são: G = grande. 1979. A = Amazônia.br/zoo/.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados mente ou totalmente de uma “comunidade controlada pelas fundadoras” [founder-controlled community] na qual nenhuma espécies é dominante. S M M M M. E = endêmica. C = cerrados. S M. M = margem.

cerberus Ducke 1 1 c.Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica rotundicollis (Cameron) 1 1 1 1 1 1 1 1 F G tomentosus Zikán 1 1 1 1 annulatus Richards 1 1 1 c. flavicornis Zikán 1 1 1 1 1 marginatus (Fox) 1 1 1 1 F M M M S M C C M S E C metathoracicus (de Saussure) 1 1 1 chapadae (Fox) 1 1 collarellus Richards 1 1 omicron Richards 1 1 punctatus (Ducke) 1 1 1 foveatus Richards 1 1 1 lecointei (Ducke) 1 1 new sp. Raw MS 1 1 Pseudopolybia compressa (de Saussure) 1 1 1 1 difficilis (Ducke) 1 1 1 vespiceps (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 1 Chartergellus communis Richards Parachartergus 1 1 1 1 1 1 M C F F M. styx Richards 1 1 1 s giffordi Raw 1 1 melanoxanthus Richards 1 1 1 1 surinamensis (de Saussure) 1 1 1 1 tertius Richards 1 1 F F M M F M M F A E artifex (Ducke) 1 1 tricolor Richards 1 1 1 undulatus (Ducke) 1 1 atramentarius Zikán 1 1 1 frontalis (Fox) 1 1 1 funerulus Zikán 1 goyanus Zikán 1 1 1 1 injucundus (de Saussure) ? 1 1 1 1 latior (Fox) 1 1 1 1 campestris Raw 1 cassanunga (Ihering) 1 1 1 1 f.S G M F A E 184 .

M G lenkoi Richards 1 1 pseudapicalis Willink 1 1 1 1 1 smithii (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 Leipomeles dorsata (F) Marimbonda albogrisea Richards Angiopolybia pallens (Lepeletier) 1 1 1 1 1 1 1 1 paraensis (Spinola) 1 1 1 1 Stelopolybia F F G A 1 1 C 1 1 1 1 F G F M F F F F F F F F F F F F F S G A angulata (F) 1 1 1 1 1 1 angulicollis (Spinola) 1 1 1 cajennensis (F) 1 1 1 1 1 flavipennis (Ducke) 1 1 1 1 1 1 fulvofasciata (Degeer) 1 1 1 1 1 hamiltoni Richards 1 1 1 hyalinipennis Richards MS 1 1 1 lobipleura Richards 1 1 multipicta (Haliday) 1 1 1 1 1 myrmecophila (Ducke) 1 1 1 1 1 pallipes (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 testacea (F) 1 1 1 1 1 vicina (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 Apoica F F S F G G F G G G arborea (de Saussure) 1 1 1 1 1 flavissima Van der Vecht 1 1 1 1 1 1 pallens (F) 1 1 1 1 1 1 pallida (Olivier) 1 1 1 1 1 thoracica du Buysson 1 1 1 1 1 1 1 Protopolybia gelida Van der Vecht 1 1 1 1 strigata Richards 1 1 1 1 M M.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica fraternus (Gribodo) 1 1 1 1 1 1 1 F. S chartergoides (Gribodo) 1 1 1 1 1 1 exigua (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 185 .

M G G gorytoides Fox 1 1 micans Ducke 1 1 1 1 S sylveirae (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 Brachygastra S M S G albula Richards 1 1 1 augusti (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 bilineolata Spinola 1 1 1 1 lecheguana (Latreille) 1 1 1 1 1 1 1 1 186 .Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica sedula (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 1 M Charterginus 1 1 1 1 1 M fulvus Fox Polybia F F M F. S F. M M G s r. playcephala Richards 1 1 1 s M. M M liliacea (F) 1 1 1 1 1 1 1 striata (F) 1 1 1 1 1 1 jurinei bifasciata quadricincta rejecta (F) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 bistriata (F) 1 1 1 1 1 1 erythrothorax Richards 1 1 1 1 1 fastidiosuscula de Saussure 1 1 1 1 1 1 flavifrons hecuba Richards 1 1 1 1 1 1 1 occidentalis (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 paulista von Ihering 1 1 1 1 1 p. sylvestris Richards r. S M M. ruficeps Schrottky 1 1 1 1 1 scrobalis Richards 1 1 1 1 1 dimidiata (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 emaciata Ducke 1 1 1 1 1 1 1 scutellaris (White) 1 1 1 1 1 singularis Ducke 1 1 1 1 1 affinis du Buysson 1 1 1 1 chrysothorax (Lichtenstein 1 1 1 1 1 1 1 1 ignobilis (Haliday) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 sericea (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 tinctipennis Fox 1 1 1 1 1 1 Protonectarina M F. M S F. xanthops Richards 1 1 s s M M M. S M G S p.

M F M M G cingulata (F) 1 1 1 1 1 1 servilis Richards ms 1 1 1 1 suffusa (Fox) 1 1 1 1 Synoeca surinama (L) Resumo Polistes Mischocyttarus Pseudopolybia Chartegellus Parachartergus Leipomeles Marimbonda Angiopolybia Stelopolybia Apoica Protopolybia Charterginus Polybia Protonectarina Brachygastra Chartergus 11 14 13 3 13 1 1 1 1 1 1 1 1 1 5 12 18 16 3 24 6 24 12 5 32 9 3 1 1 2 1 1 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 3 2 2 4 2 1 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 2 3 3 2 6 5 5 12 10 7 7 13 7 2 4 4 3 6 4 2 2 3 3 2 3 2 3 3 1 1 1 1 1 12 17 19 11 17 26 20 14 26 1 1 1 1 1 1 2 3 4 2 2 7 5 3 7 3 1 3 2 1 3 187 .A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica moebiana (de Saussure) 1 1 1 1 1 S scutellaris (F) 1 1 1 1 1 1 smithii (de Saussure) 1 1 1 Chartergus chartarius (Olivier) 1 1 1 1 globiventris (Olivier) 1 1 1 1 1 metanotalis Richards 1 1 1 1 Epipona M M M M M M M G G quadrituberculata (Gribodo) 1 1 1 1 1 tatua (Gribodo) 1 1 1 1 1 1 Clypearia M F angustior Ducke 1 1 1 humeralis Richards 1 1 Occipitalia 1 1 M new species 1 Raw MS Metapolybia F.

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a maior parte do Tocantins. inclusive experimental. Por isso.Síntese dos Grupos Temáticos Áreas prioritárias e Recomendações para Conservação dos Invertebrados do Cerrado e Pantanal Uma surpreendente quantidade de informação foi reunida sobre os invertebrados do Cerrado. os campos úmidos e de murundu são também prioritárias. Bahia. especialmente. também. para copépodos. A degradção dos rios e das nascentes do Planalto Central poderá. Goiás. B. Maranhão e Piauí. Dias 1994. Duas áreas contínuas deveriam ser acrescentadas ao Parque: o vão do Paranã (mata de aroeira) e a parte alta à direita da estrada que ficou fora da área de preservação. Também recomenda-se a utilização das bacias hidrográficas no planejamento das Unidades de Conservação. Aumento de áreas já preservadas. Mato Grosso. o número de espécies estimado para o Cerrado é de 14. o leste da Chapada dos Veadeiros e do vão do Paranã incluindo cerrados do norte de Minas. A representatividade da fauna regional em relação à brasileira varia entre os grupos. A região do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães engloba a transição entre o Cerrado do Planalto Central e a Planicie Amazônica. adjacentes às áreas altas do Parque. o Centro-Oeste brasileiro. Hymenoptera e Isoptera. torna-se necessário o: a. Ao contrário do tradicionalmente aceito para vertebrados. muitas espécies de Lepidoptera do sul do Brasil tem aí o seu limite norte de distribuição. Com base nas informações disponíveis e na experiência de coleta de alguns dos participantes da 190 Oficina de Avaliação foram sugeridas três grandes sub-regiões faunísticas para alguns grupos de insetos do cerrado (figura 2). Lepidoptera. Estabelecimento de Reservas Científicas próximas de universidades e outras instituições de pesquisa com o propósito de facilitar. As ações prioritárias para conservação da biodiversidade de invertebrados no Cerrado e no Pantanal.425 e representa 47% da fauna estimada do Brasil. Campo Grande e Teresina (Dias 1994). como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. ao tamanho das unidades e à representatividade da enorme heterogeneidade regional do bioma do Cerrado. a parte norte do Mato Grosso do Sul e parte de Minas Gerais. As subregiões são: A. como. em especial Hymenoptera. enclaves de Cerrado e faixas de transição com outros biomas (Vanzolini 1986. Vale a pena ressaltar a evidente concentração de informações sobre a fauna do Distrito Federal e da Serra do Cipó. Bahia e Minas Gerais. com uma alta proporção de espécies exclusivas do bioma. . o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros. afetar toda área do Pantanal. a representação geográfica das regiões e dos estados. na identificação de três grandes sub-regiões faunísticas para alguns grupos de insetos. Estas duas áreas são contínuas. estas foram consideradas mal distribuídas quanto aos tipos. norte de Tocantins. C. Como já apontado. parece existir uma fauna de invertebrados típica do Cerrado e. Estabelecimento de novas UCs. As áreas no limite norte da distribuição dos cerrados são muito menos conhecidas e a separação em sub-regiões é mais clara nas regiões de Goiás. Quanto às Unidades de Conservação (UCs) do Cerrado. Leptoptera e Isoptera. áreas no Pantanal Mato-Grossense. indo de menos de 20% (abelhas e formigas) a mais de 50% para os lepdópteros (mariposas e borboletas). b. por exemplo. Estabelecimento de áreas que incluam regiões de grutas e cavernas. O vão do Paranã e porção adjacente ao Parque abrigam muitas espécies de Lepdoptera do sul do Brasil. As regiões com grutas e cavernas devem receber atenção especial para garantir a sobrevivência das espécies restritas a esses ambientes peculiares. c. dinâmica e funcionamento dos diferentes tipos de ecossistemas do bioma Cerrado e sua biota. florestas estacionais em afloramentos basálticos. O ambiente peculiar das cavernas propicia alta taxa de espécies endêmicas. baseiam-se inicialmente. especialmente daquelas fitofisionomias do Cerrado ainda mal representadas. A área do norte de Minas também é muito pouco conhecida. MG. a região mais ao sul e sudeste dos cerrados incluindo São Paulo e parte de Minas Gerais. evidenciado pelas espécies bênticas de copépodes. baratear e otimizar a realização de pesquisa. Os limites das áreas protegidas já criadas também devem ser revistos. d. A situação é especialmente crítica em Goiânia. incluindo o Triângulo Mineiro. tais como florestas decíduas em afloramentos calcários. pois apresentam alto grau de endemismo de espécies de invertebrados. incluindo o Distrito Federal. que têm aí o seu limite norte de distribuição. sobre a estrutura. Alho & Martins 1995).As veredas. O Parque não está implantado na sua totalidade e falta a inclusão das encostas ricas em espécies. campos rupestres. carrascos. Em três ordens de insetos.

6) Áreas de cerrado no Estado de São Paulo Para o Estado de São Paulo deverão ser seguidas as recomendações do PROBIO (1997).Niquelândia e Goiás Velho .Serra Dourada. Têm uma fauna muito pouco conhecida e as informações existentes apontam para uma fauna muito rica e fortemente endêmica. com implementação de planos de manejo. c) os enclaves de campo rupestre. ao tamanho e à representatividade da enorme heterogeneidade regional do bioma do Cerrado.Pirenópolis . Pequenas áreas apresentam desvantagens quanto à manutenção e gerenciamento. A área da Serra do Cabral é rica em belezas cênicas e pinturas rupestres. A situação é crítica em Goiânia. esta quase no limite sul da distribuição dos cerrados em Minas Gerais. evidenciado pelas espécies bênticas de copépodes (Reid 1994e). Seguem-se ainda algumas propostas específicas para a conservação da biodiversidade no Cerrado. barateia e otimiza a realização de pesquisa. Além da grande variação fitofisionômica do Cerrado. 2) Áreas com características específicas São áreas com fisionomias ou outras características específicas que provavelmente incluem alta proporção de espécies exclusivas: a) áreas de afloramentos calcáreos com cavernas e matas semi decíduas. 7) Pequenas áreas de preservação: Para a fauna de invertebrados as pequenas áreas são também importantes e devem ser mantidas e distribuídas em toda a região de cerrado. Para a fauna de invertebrados aquáticos e terrestres. torna-se necessária uma melhor distribuicão da malha de unidades de preservação em toda a região. frágeis e que sofrem uma grande pressão antrópica. (1996). inclusive experimental. b) campos úmidos. A área de Grão . Este Grupo de Trabalho aponta também para sub-regiões faunísticas no cerrado. para os grupos tratados mais detalhadamente aqui as áreas de Cerrado com menor ou nenhum conhecimento são: a) a parte mais ao norte da distribuição contínua de Cerrado incluindo especialmente o Tocantins. Utilizar as bacias hidrográficas no planejamento das áreas de conservação. 8) Áreas de preservação já existentes Recomenda-se um forte esforço para a manutenção. as cabeceiras incluem uma grande variedade de fisionomias como: a) veredas. Maranhão e Piauí. c) a região do Triângulo Mineiro. Estabelecer muitas UCs. nas áreas de preservação já existentes. englobando o maior número possível de veredas.Goiânia . d) as áreas disjuntas da Amazônia.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados e. dinâmica e funcionamento dos diferentes tipos de ecossistemas do bioma Cerrado e sua biota. d) áreas de carrasco e outras fitofisionomias. Campo Grande e Teresina (Dias 1994). e) as áreas disjuntas de savanas amazônicas. sobre a estrutura. c) campos de murundus. de conhecimentos faunísticos e pela grande variedade de fisionomias. A partir das informações acima. algumas recomendações gerais sobre áreas de preservação na região do Cerrado estão listadas a seguir: mostrando diferentes sub-regiões florísticas como. 4) Áreas em diferentes subregiões do Cerrado As UCs do Cerrado são mal distribuídas quanto aos tipos. especialmente nos parques nacionais na região do Cerrado. 1) Áreas que não foram amostradas Para a maioria dos 32 filos e 89 classes listados por Dias (1992) as áreas não amostradas infelizmente incluem praticamente toda a região de Cerrado. conhecido como “Mato Grosso de Goiás”. quanto a representação geográfica das regiões e dos estados. Grão Mogol e Diamantina. f. estudos com a vegetação deste bioma vêm 191 5) Áreas de preservação próximas a instituições de pesquisa O estabelecimento de áreas de preservação próximas a instituições de pesquisa facilita. Está razoavelmente bem conservada atualmente e não apresenta grande ocupação humana. No entanto.pela ausência de áreas de preservação. especialmente Amazônia e Caatinga. f) as faixas de transição com outros biomas. devido ao alto grau de endemismo de espécies de invertebrados. b) Nos campos rupestres de Minas Gerais nas regiões de Serra do Cabral (município de Joaquim Felício). as propostas por Ratter et al. b) o norte de Minas Gerais. por exemplo. com o incentivo para o conhecimento de suas biotas. Assim. campos úmidos e de murundus. Estas áreas apresentam alto endemismo conhecido para dípteros e têm sua biota muito pouco conhecida. porém podem representar uma vantagem do ponto de vista de disponibilidade de terras especialmente em regiões sob forte crescimento demográfico. b) áreas com afloramento basáltico com solos ricos e matas semi-decíduas no eixo Morrinhos . 1) Estabelecimento de novas Unidades de Conservação a) Na divisa do Piauí com a Bahia . são consideradas importantes corredores de migração dentro de bacias hidrográficas. 3) Áreas de cabeceiras Estas áreas. podendo ser acrescentada às áreas próximas a Uberlândia e Lavras.

É imprescindível também que os materiais coletados sejam adequadamente acondicionados em coleções reconhecidas. devido ao alto grau de endemismo de espécies de invertebrados. possui inventários extensivos sobre a maioria dos grupos apresentando alta diversidade. O Parque não está implantado na sua totalidade e falta a inclusão das encostas (ricas em espécies) adjacentes às áreas altas do Parque. Figura 2 . e veredas bem preservadas. especialmente em áreas menos conhecidas do Cerrado e nos parques nacionais.Mogol apresenta elementos de ecossistemas áridos. 2) Aumento de áreas já preservadas a) Parque da Chapada dos Veadeiros.sul de Tocantins. d) Grandes áreas de Cerrado sem inventários e sem Unidades de Conservação: noroeste de Goiás . Duas áreas contínuas deveriam ser acrescentadas ao Parque: o vão do Paranã (mata de aroeira) e a parte alta à direita da estrada que ficou fora da área de preservação.possui áreas de cerrado s.Áreas prioritárias para conservação da Biodiversidade dos Invertebrados 192 . e que permitam e facilitem o acesso de ����������������������������� taxonomistas a seus acervos. sudeste do Mato Grosso . campos úmidos e de murundus.caatinga em direção ao rio São Francisco. com praticamente nenhum inventário. b) Parque da Chapada dos Guimarães. A área de Diamantina está na parte central do Espinhaço Meridional. Estas duas áreas são contínuas. nordeste do Mato Grosso . Rondônia.norte do Mato Grosso do Sul. representando o início da transição cerrado .sul do Pará e) Em áreas de veredas.s. evidenciado pelas espécies bênticas de copépodes. Possui beleza cênica com potencial para ecoturismo e interesse histórico. noroeste do Mato Grosso. A região engloba a transição entre o Cerrado do Planalto Central e a Planície Amazônica. Recomenda-se a criação de um museu na região c������� entral do Cerrado. Faz-se urgente um esforço de inventários. Humaitá (AM). c) Em Posse (GO) .

Diversidade e conservação da biota aquática Biota Aquática 193 .

de Freitas Victor S. Perdigão Walter Barrella Warton Monteiro . Barbosa Janet Reid João Paulo Viana June S. J.Participantes do grupo de trabalho Mauro César Lambert de Brito Ribeiro (Coordenador) Heraldo Britski (consultor) Alcides Ramos Júnior Andrea Figueiredo Carolina Joana da Silva Claudia Padovesi Fonseca Débora Calheiros Francisco Arruda Machado Francisco Antonio R.

interconexões pretéritas entre bacias hidrográficas e redirecionamento de trechos de drenagens (captura entre bacias) tornaram-se avenidas pré-históricas de dispersão de peixes entre bacias atualmente isoladas. conhecidas como divisores de águas. Essas unidades ictiofaunísticas hierarquicamente estruturadas. foram recentemente testadas estatisticamente por Matthews (1998) e explicam a evolução do conjunto de espécies disponíveis para colonizar as respectivas bacias hidrográficas que as compõem. 1998) e à biodiversidade de espécies (“Peixes do Cerrado e Pantanal” – Britski. composição de ordens.Diversidade e conservação da biota aquática Diversidade e conservação da Biota Aquática Mauro César Lambert de Brito Ribeiro (Organizador) Introdução Com o objetivo de subsidiar as discussões e recomendações do Grupo Biota Aquática. Por isso. C. acrescida das discussões e sugestões do grupo temático advindas da Oficina. mas com histórias evolutivas entrelaçadas. devido à pouca disponibilidade de informações sobre o assunto até a data do workshop. Em águas doces da Região Neotropical na América do Sul. é preciso considerar simultaneamente as influências próprias e conjuntas da história zoogeográfica dos organismos e da evolução físico – climática global e continental sobre os processos regionais e locais que atuam sobre as associações atuais de espécies em cada bacia hidrográfica. homólogas àquelas propostas no século 19 por Alfred Russell Wallace para a fauna terrestre (Myers. Assim. destacando as (ii) principais lacunas de conhecimentos sobre a biodiversidade aquática nessas regiões. Cerrado e Pantanal são drenados por uma densa rede de riachos e pequenos rios. formam unidades maiores com razoável similaridade ictiofaunística entre si. B. Assim. foram elaborados dois estudos preparatórios que focalizaram de forma complementar critérios e atributos relativos à biodiversidade de ecossistemas (“Conservação e Uso Sustentável da Biota Aquática do Cerrado e Pantanal” – Ribeiro. (ix) áreas prioritárias para inventários da biota aquática. Considerações sobre os princípios gerais que podem influenciar a organização da biota aquática no Cerrado e Pantanal pautaram esses estudos preparatórios e as discussões no grupo temático. famílias. Este capítulo é uma compilação daqueles dois documentos.618 o número de espécies de peixes conhecidos da ciência. e mudanças climáticas sobretudo no Pleistoceno) foram fatores preponderantes no controle da densidade de espécies e padrões de evolução dos peixes em cada bacia hidrográfica. e (x) medidas de ação prioritárias para a conservação e uso sustentável da biodiversidade aquática. com o canal principal correndo no fundo dos vales (Ferreira 1988). a ictiofauna da bacia tem sua história evolutiva mais recente vinculada primariamente à história da própria bacia. 1998). 1966). Esse painel temático subsidiou as recomendações do grupo sobre (viii) áreas prioritárias para conservação da biota aquática. (iii) caracterização da riqueza.. e que variam desde bilhões de anos e abrangência global e continental. Nelson (1994) estima em 24. Esses estudos basearam-se nos peixes como grupo indicador aquático. cada bacia hidrográfica possui geralmente uma ictiofauna isolada das outras bacias por extensões de terras intransponíveis. Em conjunto. (vii) uso sustentável da biodiversidade. M. (v) Endemismos e raridades. gêneros e espécies e padrões de similaridade entre as diferentes regiões ictiofaunísticas. aos processos ecológicos atuais e . a região zoogeográfica de maior riqueza de espécies de peixes do mundo. Smith (1981) concluiu que barreiras à dispersão (limites das bacias hidrográficas dentro dos continentes e limites entre continentes em escala global. por apresentarem grande número de informações e serem bem representativos dos processos e padrões que organizam os ecossistemas aquáticos continentais.950 (com 195 Unidades ictiofaunísticas do Cerrado e Pantanal A ocorrência local de espécies de peixes de água doce está relacionada a diversos fatores que atuam em uma complexa hierarquia de escalas temporais e espaciais. classificadas hierarquicamente como Províncias e Domínios ictiofaunísticos (em escala sub-continental) e Regiões Ictiogeográficas (em escala global). A bacia hidrográfica ou sistema fluvial compreende o conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. e a (iv) comparação desses padrões regionais com padrões locais. Bacias hidrográficas atualmente isoladas. (vi) principais ameaças e habitats e regiões mais vulneráveis. A biodiversidade genética da biota aquática foi abordada superficialmente nesses textos. com o objetivo de estabelecer para o bioma: (i) regiões ictiofaunísticas.. H. conectividade histórica entre bacias hidrográficas atualmente isoladas. Seu contorno é limitado pelas partes mais altas do relevo. o número de espécies é estimado em cerca de 2. locais. pertencentes a três Domínios Ictiofaunísticos (Ringuelet 1975) da Região Neotropical. Por outro lado. L. formadores das principais bacias hidrográficas do Brasil. o Cerrado e o Pantanal englobam frações distintas de cinco Províncias Ictiográficas.

base em Nelson, 1994; Kullander, 1989; Miller, 1966). Na área nuclear do Cerrado e no Pantanal estimamos o número válido de espécies em cerca de 780; entretanto, este número pode sofrer consideráveis alterações no futuro, devido ao desconhecimento que ainda temos dessa ictiofauna, especialmente daquela dos rios que correm no Cerrado. As bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal pertencentes a cada uma dessas Províncias tem sua fauna ictiológica própria (Figura 1).

e trechos de seus afluentes da margem esquerda na Bahia (cursos superiores e médios dos rios Carinhanha e Correntes e cursos superiores dos rios Grande e Preto); (b) Província do Nordeste do Brasil, incluindo os cursos superiores de algumas bacias costeiras dos Estados do Piauí e Maranhão (rios Parnaíba, Itapecuru e Mearim). Outros trechos dessas bacias encontram-se em “Áreas de Tensão Ecológica” entre o Cerrado e biomas

Figura 1. Bacias hidrográficas do Brasil e área dos biomas Cerrado e Pantanal.

O Pantanal está inserido no Domínio do Paraná e é drenado apenas pelos cursos inferiores e médios dos afluentes da margem esquerda do alto rio Paraguai, (Província Alto-Paraguai), cujas cabeceiras estão localizadas no Cerrado. A Área Nuclear do Cerrado abrange parte dos Domínios do Paraná, Amazônico e do Leste do Brasil. O Domínio do Paraná, representado pela Província Alto-Paraná, estende-se (a) pelas cabeceiras do rio Paranaíba, seus afluentes da margem esquerda, e alguns de seus afluentes da margem direita, como o rio São Marcos e o alto-médio rio Corumbá; (b) pelos afluentes da margem direita do Alto rio Paraná (entre os rios Aporé e Anhanduí-Pardo). O Domínio Amazônico, na porção extremo-sudeste da Província Amazonas, abrange os cursos superiores e médios dos rios Araguaia e Tocantins e, na porção extremo-sul, os cursos superiores de alguns afluentes dos rios Xingu, Tapajós e Madeira. O Domínio do Leste do Brasil está representado (a) pela Província Rio São Francisco, incluindo as cabeceiras do rio São Francisco; seus afluentes da margem esquerda em Minas Gerais e Distrito Federal (subbacias do alto São Francisco, rios Paracatu e Urucuia); 196

adjacentes. No Ecótone Cerrado-Amazônia encontram-se as continuações dos cursos superiores de afluentes dos rios Madeira, Tapajós e Xingu. No Ecótone Cerrado-Caatinga estão o curso médio-superior do rio São Francisco e os cursos inferiores de seus afluentes na Bahia (baixo Carinhanha, baixo Correntes e baixo rio Grande). No Ecótone Cerrado-Amazônia-Caatinga encon­tram-se os cursos médios dos rios costeiros do Maranhão (rios Mearim e Itapecuru) e os cursos médio e inferior do rio Parnaíba. Em intrusões da Mata Atlântica no Cerrado estão os afluentes da margem direita do rio Paranaíba (rios Verde, Claro, Meia Ponte e dos Bois, além do curso inferior do rio Corumbá) e afluentes da margem esquerda do Alto Paraná (rios Paranapanema, Tietê e Grande). Cada uma dessas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal tem sua fauna ictiológica própria. No que se refere às condições físicas, existe certa similaridade entre os cursos de cabeceira de diferentes bacias hidrográficas em áreas do Cerrado. Apesar disso, em regra geral, a ictiofauna das cabeceiras tem relações mais estreitas com a da própria bacia a jusante do que com a de cabeceiras de outras bacias.

Diversidade e conservação da biota aquática

O grau de diferença entre a ictiofauna do curso superior de uma bacia e a do seu curso médio e inferior depende, em grande parte, do grau de isolamento atual entre essas porções da bacia, o que geralmente, é determinado pelo número e desnível das cachoeiras e corredeiras ao longo dos cursos; mas essa diferença também depende de outros fatores históricos, como a ocorrência de captura de cursos de outras bacias, e persistência ou não daquelas mesmas barreiras no decurso do tempo. O Cerrado apresenta ainda hoje importantes conexões entre cabeceiras de bacias adjacentes, áreas conhecidas como “Águas Emendadas”, que podem ter representado ou ainda representarem oportunidades de trocas (misturas) entre ictiofaunas que evoluíam isoladamente. A maior concentração dessas áreas encontra-se na Região Metropolitana do Distrito Federal. Nessa região encontram-se três conexões importantes: (a) entre as cabeceiras dos rios Maranhão-São Bartolomeu/Corumbá (Tocantins-Paranaíba); (b) entre as cabeceiras dos rios Paranã-Preto/Paracatu (TocantinsSão Francisco); (c ) entre as cabeceiras dos rios PretoSão Marcos (São Francisco-Paranaíba). Dessas áreas, apenas a primeira encontra-se protegida pela Estação Ecológica de Águas Emendadas, no Distrito Federal. A segunda desapareceu com a urbanização da cidade de Formosa-GO, restando apenas conexões via tubulões subterrâneos conectando duas lagoas. A terceira área, localizada no córrego Arrependido-MG, afluente do rio Preto que em parte do ano se “arrepende” e drena para o rio São Marcos, está fadada a desaparecer sob as águas do reservatório de Queimados, caso o projeto original seja implementado. Dentro de cada bacia hidrográfica, os padrões de distribuição da ictiofauna estão relacionados a diferentes fatores físicos e bióticos que atuam desde a escala sub-regional de sub-bacias, à escala local que envolve trechos ou segmentos de rios, habitats e microhabitats. Para as bacias hidrográficas que drenam o Cerrado e Pantanal essas relações ainda não foram estabelecidas dificultando a compreensão dos padrões de distribuição da ictiofauna nessas escalas mais finas de observação. Todavia, para embasar as discussões e recomendações propostas para a conservação da biota aquática faremos algumas considerações sobre abordagens possíveis. Na escala sub-regional, a distribuição das espécies dentro de cada bacia hidrográfica parece relacionada à compartimentação geológica – geomorfológica da bacia, aliada às diferenciações hidrológicas sub-regionais. Sub-divisões das bacias hidrográficas em sub-bacias e micro-bacias por ordem de drenagem é a abordagem mais utilizada, mas englobar unidades de drenagem eco197

logicamente equivalentes é uma tendência crescente na América do Norte e Austrália. Ecorregiões (Hawkes et al. 1986; Omernik 1987; Bayley 1995), que relacionam as distribuições dos peixes ao nível da paisagem com geologia, geomorfologia, hidrografia e padrões de uso da terra, são interessantes para antecipar áreas sob ameaças e formular políticas de manejo e conservação espacialmente diferenciadas dentro de cada bacia hidrográfica. Abordagens sub-regionais alternativas foram produzidas também por Poff & Allen (1995), que classificaram as comunidades com base em padrões hidrológicos relativos à freqüência e previsibilidade das enchentes nas diferentes sub-bacias. Bayley & Li (1992) recomendam a combinação dessa abordagem com parâmetros químicos e fisiográficos da paisagem, como a melhor classificação na escala regional, pois a hidrologia está diretamente relacionada com o habitat físico, além de refletir características geomorfológicas da bacia de drenagem. Da cabeceira à foz, as bacias hidrográficas apresentam uma sucessão de ambientes e de fatores que atuam sob diferentes e escalas condicionam a estrutura e funcionamento de sua biota aquática nas escalas subseqüentes. Assim, as bacias hidrográficas podem ser divididas em três partes, estrutural e funcionalmente distintas: as cabeceiras (rhithron de alto gradiente), o curso médio (rhithron de baixo gradiente) e as planícies do curso inferior (potamon). O rhithron e o potamon impõem diferenças adaptativas marcantes em suas comunidades. Na escala de segmentos, sob diferentes ordens de drenagem, a estrutura das comunidade está correlacionada ao tipo e à distribuição dos habitats, enquanto ambos parecem influenciados por fatores geoquímicos e geomorfológicos das bacias de drenagem. Angermeier & Smogor (1995) evidenciam que muitas espécies com distribuições amplas na bacia apresentam distribuições descontínuas em escalas menores, como a dos segmentos e habitats. Distribuições descontínuas de espécies entre as unidades de habitats podem resultar de dois fatores ou da interação desses: seletividade do habitat e densidade populacional. A seleção de recursos ao nível do habitat é limitada por interações biológicas, como predação, competição e parasitismo, que podem moldar a composição de espécies, adaptações morfológicas e comportamentais e a estrutura de comprimentos das espécies presentes nas associações locais.

Inventários e lacunas de conhecimento sobre a ictiofauna nas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal
Inventários da ictiofauna
Num trabalho sobre os peixes do Pantanal Mato-Grossense (Britski, Silimon & Lopes, 1999), assinalaram na área 265 espécies. Tal levantamento, alicerçado não apenas na bibliografia pertinente, mas principalmente em amplas coleções realizadas pelos autores na região e em muitas outras coleções acumuladas no Museu de Zoologia da USP (MZUSP) ao longo de 20 anos, permite considerar o inventário dos peixes dessa região como sendo relativamente amplo e representativo. Obviamente, ainda há espécies novas a serem descritas e espécies descritas de outras áreas (mormente da própria bacia do Prata) que deverão ser encontradas na região, mas o número delas só poderá alcançar uma pequena porcentagem das espécies já assinaladas. Fazendo um apanhado das revisões de grupos de peixes sul-americanos realizadas nos últimos anos, constatamos que tais revisões, no geral, aumentam muito pouco o número de espécies na região do Pantanal; um dos poucos grupos que apresentou aumento apreciável de espécies nos últimos anos é o dos Rivulidae, grupo de peixes anuais que vivem em pequenas poças d’água e que em levantamentos anteriores foram negligenciados quase completamente. O levantamento das espécies da bacia do Alto Paraná envolve o rio Paraná propriamente dito, acima de Guaíra, seus afluentes da margem direita e as bacias de seus formadores, os rios Grande e Paranaíba. Este levantamento está baseado na literatura (Fowler, 1948, 1950, 1951, 1954, por exemplo) mas também, principalmente, no trabalho de identificação de peixes de toda esta região, realizados durante um período de cerca de 40 anos. Resultados deste trabalho estão em publicações (Britski, 1972) e relatório (Cetesb, 1980). Das bacias aqui consideradas, esta é a que apresenta o inventário mais completo. O levantamento dos peixes na área entre Guaíra e Foz do Iguaçu, previamente ao fechamento da barragem de Itaipu, permitiu confirmar que a ictiofauna a montante de Sete Quedas era, então, substancialmente distinta da ictiofauna de jusante e, portanto, que esse degrau no curso do rio representou, ao longo dos tempos, uma barreira suficientemente eficaz para impedir o livre deslocamento de muitas espécies de peixes de jusante

para montante e vice-versa. Entretanto, o fechamento da barragem de Itaipu elevou o nível das águas ao longo do canion a jusante de Sete Quedas, afogando esta barreira e incorporando à fauna de montante todos os elementos da fauna de jusante ali presentes. Esse fato se constituiu numa introdução em massa de elementos de uma zona ictiofaunística em outra; talvez uma das introduções mais espetaculares realizadas pelo homem. Muitos elementos da fauna de jusante já se estabeleceram no trecho de montante e progressivamente estão colonizando áreas mais acima na bacia. Tal fato deve ser enfatizado quando se fala em conservação da biodiversidade, mesmo não se conhecendo com rigor o que ocorre com os elementos da fauna de montante sob o impacto da competição com elementos estranhos à área; pode-se inferir, porém, que isto altera substancialmente a composição da fauna e pode implicar na perda progressiva de elementos na região do alto Paraná. A calha do rio Paraná desde o encontro do rio Paranaíba e Grande até a região do Iguaçu foi intensivamente coletada por equipes da Seção de Peixes do MZUSP, especialmente na oportunidade da construção das grandes barragens desse rio no Estado de São Paulo (Jupiá, Ilha Solteira, Porto Primavera) e também pela equipe da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) em Itaipu; mais recentemente o Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (NUPELIA) fez amplas coleções na região de Porto Rico. Grande parte dessas coleções foram depositadas no MZUSP, embora muitas delas ainda não estudadas em maiores detalhes. Mas outras coleções importantes foram realizadas também no rio Grande e Paranaíba e depositadas nas coleções do MZUSP. Assim, sob o aspecto de inventário ictiofaunístico, não existe, no momento, necessidades de coletas gerais nesses rios, que hoje estão praticamente transformados numa série de lagos artificiais e povoados com muitos elementos exóticos e alóctones. Esta situação muda muito quando se consideram os afluentes da margem direita do Paraná e do Paranaíba, nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse sentido, o rio Corumbá é uma exceção, visto que há anos o biólogo Mauro C. L. B. Ribeiro vem fazendo coletas nos afluentes desse rio, dentro da área do Distrito Federal, e o NUPELIA coleta intensivamente na área mais a jusante. O levantamento ictiofaunístico do rio São Francisco, dentro da área do Cerrado, baseia-se principalmente no manual de identificação elaborado sobre os peixes da área de Três Marias (Britski, Sato & Rosa, 1984); este trabalho apoia-se em amplas cole198

Diversidade e conservação da biota aquática

tas realizadas principalmente naquela área até aquele ano; muitas outras coleções feitas posteriormente nas proximidades de Três Marias foram identificadas e depositadas nas coleções do MZUSP; além disso, outras espécies novas foram descritas desde então. Assim, às espécies, relacionadas naquele manual somam-se as espécies descritas e identificadas posteriormente na área. Este levantamento foi realizado tendo por base o catálogo de Fowler (1948, 1950, 1951 e 1954), o trabalho de Roberts (1973) e as coleções identificadas depositadas nas coleções de peixes do MZUSP; foi alicerçado também nas revisões mais recentes dos diferentes grupos, os quais serviram para atualização dos nomes que aqui constam. Desde 1986, coletas intensivas vêm sendo realizadas pelo biólogo Mauro C. L. B. Ribeiro no alto curso do rio Preto no Distrito Federal, formador do rio Paracatu, um dos principais afluentes do médio São Francisco. Dentre as grandes bacias hidrográficas no Cerrado e Pantanal, a menos conhecida é do Parnaíba. Há necessidade de um inventário mais amplo sobre os peixes dessa bacia, apoiado em coleções mais representativas. As primeiras publicações sobre peixes do Parnaíba baseiam-se nas coleções feitas pela expedição da Academia Imperial de Ciências de Viena, realizada em 1903, sob a chefia do eminente ictiólogo austríaco Franz Steindachner (Vanzolini, 1992) e estudadas por ele mesmo, e nas coleções realizadas sob a chefia de Rodolpho von Ihering e enviadas à Filadélfia, estudadas por Fowler (1941). Mas, em décadas passadas, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) fez grandes coleções de peixes em toda área do Nordeste Brasileiro, inclusive na bacia do Parnaíba, as quais não foram ainda estudadas. O MZUSP tem também pequenas coleções não estudadas das vizinhanças de Teresina e de áreas esparsas do Piauí. Os estudos das comunidades de peixes na bacia Araguaia-Tocantins foram realizados por Santos et al. (1984), para o baixo Tocantins; INPA (1986), Ataliba (1990) e Leite (1993), para o reservatório de Tucuruí; CET-ELETRONORTE(1988a), para o médio Tocantins e Fialho Garro (no prelo), para o alto curso. Desde 1986, coletas intensivas vêm sendo realizadas pelo biólogo Mauro C. L. B. Ribeiro no alto curso do rio Maranhão, no Distrito Federal. No Araguaia, os estudos se restringiram ao baixo (INPA, 1986) e alto (Lowe McConnell, 1991 e ENGEVIX, 1989) cursos. Por outro lado, importantes habitats, como as planícies de inundação da Ilha do Bananal e do rio Paraná permanecem não amostrados. O levantamento das espécies da bacia Araguaia - Tocantins exclui aquelas assinaladas apenas na parte mais baixa do Tocantins, ou seja, o trecho que vai da confluência desses dois rios até a 199

foz. Esta relação de espécie foi gentilmente cedida por Flávio Thadeu de Lima, que durante os últimos anos empenhou-se na catalogação dos peixes desse sistema, tendo por base inicial os catálogos de Fowler (1948, 1950, 1951, 1954) que foram complementados por todas as publicações posteriores a eles. Certamente, dentro dos levantamentos aqui apresentados, o deste sistema, juntamente com o do rio Parnaíba, é o mais incompleto. Isto se deduz pelo número de espécies novas descritas ou citações de novas ocorrências para esses rios nos últimos tempos. Vari (1989, 1991, 1992a, 1992b), por exemplo, cita 11 espécies de Curimatidae neste sistema das quais 4 são espécies novas e 5 são ocorrências novas; ou seja, suas revisões aumentaram em mais de 80% o número de espécies conhecidas desta bacia. O professor Wilson J.E.M. Costa, numa série de trabalhos nos últimos anos, descreveu mais de uma dezena de espécies de Rivulidae nessa área.

Lacunas de conhecimento taxonômico da ictiofauna das cabeceiras e dos grandes rios A calha principal dos rios de cada uma dessas bacias do Cerrado e a de seus afluentes maiores foram relativamente bem inventariadas. Pode-se dizer que no Brasil as coletas, visando ao levantamento ictiofaunístico, sempre se concentraram nos rios principais, sendo os afluentes menores e a complexa rede de pequenos rios de cabeceiras só esporadicamente ou incidentalmente amostrados ao longo do tempo. Em conseqüência, são raras as publicações sobre a ictiofauna desses cursos menores. Existem coleções de peixes, nem sempre volumosas, feitas nessas áreas, que foram acumuladas em museus e outras instituições, das quais foram pinçados exemplares que serviram de base para a descrição de espécies novas ou revisões de grupos particulares; as publicações relativas a esses exemplares estão dispersas pelas mais diferentes revistas especializadas, dificultando a reunião das mesmas num bloco compreensivo. Mas, mesmo que se realizasse tal compilação, o resultado seria pouco útil devido à precariedade dos dados disponíveis.
Em resumo, com respeito às cabeceiras, podemos dizer que: de algumas áreas restritas temos um conhecimento relativamente bom da ictiofauna; de determinadas áreas temos coleções relativamente boas, as quais não foram necessariamente estudadas e os resultados publicados; de outras, também restritas, temos um conhecimento sofrível e da maior parte delas não conhecemos quase nada. Há que destacar assim essa discrepância existente entre o conhecimento da ictiofauna dos grandes rios e aquele da ictiofauna de cabeceiras desses rios, que se localizam exatamente nas terras mais altas da área nuclear do Cerrado.

Considerando, pois, a ictiofauna do rio principal e dos afluentes de porte grande e médio de cada uma das bacias do Cerrado, verifica-se que aí não se aplica aí a tão decantada estimativa de Boehlke et al. (1978), segundo a qual 30 a 40% da ictiofauna é ainda desconhecida. Tal estimativa pode ser aplicada, como acentuamos, à ictiofauna de cabeceiras, e, em alguns casos, ela pode até subestimar o número de espécies conhecidas (vide exemplo abaixo). Essa questão já foi amplamente considerada por Menezes (1996) num trabalho sobre a diversidade dos peixes de água doce em nosso país. Dos rios principais, provavelmente, a ictiofauna melhor conhecida é a do Alto Paraná, vindo em seqüência, em ordem decrescente, as do São Francisco, Pantanal, Araguaia-Tocantins e Parnaíba. Nestes rios principais, com muita freqüência, são encontradas espécies que apresentam ampla distribuição por diferentes bacias (como, por exemplo, Astyanax fasciatus, Hoplias malabaricus, Rhamdia quelen, Gymnotus carapo, etc.). É muito provável que revisões futuras conceituem as populações dessas espécies, em cada uma das diferentes bacias, como espécies distintas; entretanto, mesmo que isto aconteça, não deverá ocorrer um aumento do número de espécies conhecidas dentro de cada uma delas. Exemplos concretos que justificam esta previsão são os recentes trabalhos de revisão dos gêneros da família Curimatidae realizados por Vari (1984, 1989, 1992a, 1992b); estes trabalhos modificam drasticamente a posição genérica das espécies da família e os nomes das mesmas, mas aumentam pouco o número de espécies na maior parte das bacias aqui consideradas.

caracterizados por maior variabilidade de temperatura, oxigênio e descarga. O potamon engloba ambientes com a maior variabilidade de tamanho, profundidade e fluxo, que formam o complexo rio-planície de inundação, incluindo canais largos, ilhas e canais anastomosados, lagos em ferradura e habitats da planície de inundação (lagos e florestas periodicamente inundadas). Nos sistemas das cabeceiras, condições restritivas impostas pelo menor tamanho e diversidade de habitats, pela maior força hidráulica e imprevisibilidade hidrológica, limitam a diversificação da forma do corpo e da partilha de recursos. Isto é melhor expresso em termos do tamanho, formato e metabo­lismo de suas comunidades. As espécies de cabeceiras apresentam menor porte, para ganhar maior agilidade e capacidade de realizar manobras. Nas espécies pelágicas, a forma do corpo, expressa pela proporção comprimento/altura, distribui-se em torno de 4.5, considerado ótimo para esses ambientes, em contraste com a maior variação encontrada no potamon. As comunidades do rhithron apresentam também maiores taxas metabólicas e, apesar do maior estresse acarretado pela correnteza, maiores taxas produção/biomassa (P/B ratio). Nesses aspectos, o rhithron é similar às planícies de inundação. Ambos os ambientes são rasos e submetidos à maiores flutuações hidrológicas do que o canal dos grandes rios; peixes de pequeno porte, representados pelos jovens das espécies de grande porte do potamon, também dominam as planícies de inundação, onde ocorrem maiores taxas de crescimento e produção. Assim, as espécies de pequeno porte das comunidades do rhithron e os jovens das de grande porte, nas planícies de inundação apresentam maiores taxas de recomposição (r-estrategistas), do que as comunidades lóticas do potamon, compostas por espécies de maior porte, com menores P/B ratio e taxa de recomposição (k-estrategistas). O tamanho corporal impõe limites às especializações tróficas e às estratégias reprodutivas. Comunidades típicas do rhithron são dominadas por peixes pequenos adaptados ao consumo de pequenos invertebrados aquáticos ou terrestres trazidos pela correnteza. Maior diversificação é possível no potamon, onde maiores habitats e diversidade alimentar conferem vantagens tanto para peixes grandes, como pequenos (Welcomme 1985). Nas planícies de inundação, detritus e a microflora associada são a principal fonte alimentar, mantendo várias espécies especializadas em detritivoria. As estratégias reprodutivas também variam ao longo da bacia. No potamon, todas as estratégias visam permitir, à maior parte possível da prole, acesso à grande produtividade das áreas recém inundadas 200

Lacunas de conhecimento ecológico Para fins de conservação da biota aquática, é preciso ter conhecimento sobre os padrões de distribuição das espécies, como destacado acima, bem como dos fatores que condicionam a organização nesses sistemas aquáticos. Destacaremos a seguir alguns fatores reconhecidamente importantes na estruturação desses sistemas em regiões temperadas e tropicais no mundo, mas que ainda necessitam ser testados para as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal.
Já foi destacado anteriormente que, dentro de uma mesma bacia hidrográfica, as regiões de cabeceiras e a planície de inundação são estrutural e funcionalmente distintas. As cabeceiras são mais restritivas: os ambientes são menores, mais frios, mais oxigenados e apresentam uma sequência de habitats (corredeiras cachoeiras - corredores de ligação - poços) expostos à altas correntezas e flutuações hidrológicas mais rápidas e de menor previsibilidade (enxurradas provocadas por chuvas locais). O rhithron de baixo gradiente, típico de relevos mais suaves com drenagem superficial são

Diversidade e conservação da biota aquática

pela enchente anual. Espécies com desova parcelada e cuidados parentais tendem à desovar na própria planície, realizando apenas movimentos locais em busca dos melhores ambientes. Espécies com desova anual, realizam extensas migrações influenciadas pelo ciclo hidrológico, desovando logo após o início da enchente, no canal dos grandes rios ou subindo ao rrhithron à procura de locais rasos e bem oxigenados. Em ambos os casos, os descendentes são carreados para as planícies de inundação, onde se criam. Espécies do rrhithron desovam localmente, de preferência em pedrais/corredeiras. A seletividade de habitats produz desconti­ nuidade somente se a espécie possui aversão forte a um tipo de habitat (por exemplo, corredeiras com forte correnteza). Entretanto, à medida que a densidade populacional aumenta, a competição intra­específica faz com que unidades de habitats de menor qualidade sejam rogressivamente ocupadas, porque a superlotação das melhores unidades de habitats diminui sua qualidade. Assim, a menos que a aversão ao habitat seja muito forte, a maior parte (ou todas) das unidades de habitas disponíveis tendem a ser ocupadas pela espécie em condições de alta densidade populacional e a descontinuidade da espécie deve refletir a descontinuidade do próprio habitat. No entanto, a descontinuidade devido à baixa densidade populacional (quando uma espécie não pode ocupar todas as unidades de habitats disponíveis, por não apresentar abundância para tanto) parece ser muito mais comum, tendo em vista que toda espécie é rara em algum local e, como evidenciado pelas curvas de espécie-abundância, grande parte das espécies em uma comunidade apresentam baixas densidades populacionais e distribuições descontínuas, sendo, portanto, raras. Angermeier & Smogor (1995), questionando quais tipos de rios suportariam baixas densidades populacionais, sugerem que rios com maior homegeneidade de habitats parecem associados à menores densidades populacionais e, por conseguinte, parecem abrigar poucas espécies dominantes e um maior número de espécies raras do que rios com maior heterogeneidade de habitats. Esses resultados corroboraram os de outros estudos (Lyons 1992) e ajudam a estabelecer critérios para a conservação de espécies raras e, para a amostragem de comunidades de peixes. A predação pode ainda influenciar os padrões de uso do habitat, balanço energético e alimentação de suas presas, através de intimidação. A competição entre associações de espécies nativas geralmente evoca o princípio de exclusão competitiva, através da seletividade e segregação interativa. O efeito de doenças nas comunidades de peixes pode estar sendo subes201

timado. Os parasitas podem causar maiores impactos diretos e indiretos sobre as comunidades do que os predadores (Holmes & Price 1986). Padrões de abundância e distribuição podem parecer controlados por processos físicos aleatórios, quando de fato algumas espécies podem ser susceptíveis a algum microparasita, enquanto outras não o são. Price et al. (1986) invocam que “muitas interações entre duas espécies, na verdade envolvem uma terceira. Desconsiderando esse fato, muitos modelos podem estar distantes da realidade da natureza, ou apenas alcançá-la espuriamente (Bayley & Li 1992). O desenvolvimento de conceitos unificadores que forneçam paradigmas ecológicos para comparações entre comunidades dentro e entre sistemas ainda está na sua infância. No entanto, três conceitos, rio continuum (Vanote et al. 1980), pulso hidrológico (Junk et al. 1989) e dinâmica de manchas (Naiman et al. 1988; Pringle at al. 1988), têm potencial para orientar a formulação de hipóteses visando identificar mecanismos dominantes (especialmente os que operam em escala espaço-temporais adjacentes), além de melhorar as classificações nas diversas escalas existentes, de modo a possibilitar predições úteis para a conservação e o manejo em sistemas apropriados (Bayley & Li 1992). De acordo com a teoria do rio continuum, das cabeceiras para a foz, os rios apresentam um gradiente contínuo de condições físicas, que propiciam uma série de respostas da biota, resultando em ajustes contínuos das comunidades, consistentes com os padrões de carga, transporte, utilização e estocagem de matéria orgânica ao longo do rio. Baseados na teoria do equilíbrio energético dos geomorfologistas fluviais, Vannote et al. (1980) estabeleceram por hipótese, que as características funcionais e estruturais das comunidades aquáticas estão adaptadas a este continuum das variáveis físicas; as comunidades também formam um continuum, com a finalidade de processar a energia com eficiência máxima, com as comunidades de jusante estando adaptadas à capitalizar as ineficiências de processamento de montante. Ao contrário da teoria do fluxo contínuo, Junk et al. (1989) demonstraram que em sistemas rio-planície de inundação, a principal força responsável pela existência, produtividade e interações entre a biota é o pulso hidrológico. As planícies de inundação são distintas por não dependerem das ineficiências de processamento da matéria orgânica de montante, embora seu conteúdo de nutrientes seja influenciado periodicamente por trocas laterais de água, sedimentos e espécies com o canal principal. O conceito do “pulso hidrológico” é distinto, pois os fluxos internos independem da posição da planície na bacia de drenagem.

Embora ambos os conceitos tenham sido concebidos para atuar até a escala da bacia hidrográfica, eles são mutuamente excludentes nos segmentos de baixo gradiente do potamon, onde o pulso hidrológico reconhece a natureza periódica das interações entre o ciclo de cheias e secas e, a planície de inundação, que influenciam as adaptações das comunidades bióticas. O conceito do Pulso Hidrológico tem também certa importância no rrhithron de alto gradiente de riachos e pequenos rios que nascem ou são margeados por áreas inundadas, mas neste segmento o conceito do rio continuum fornece uma descrição mais apropriada. No entanto, o conceito original do continuum deve adaptar-se às (a) diferenças nas matas ciliares do rithron; (b) transportes ascendentes de nutrientes e biomassa através das migrações de peixes e, (c ) descontinuidades espaciais, formando um mosaico de manchas ou fragmentos. Considerar não apenas o rithron, mas também o potamon, como um mosaico de manchas longitudinais e laterais, fornece uma nova perspectiva para a compreensão da dinâmica de suas comunidades. Os mecanismos que controlam a distribuição espaço-temporal das comunidades podem ser investigados em diversas escalas, por meio do exame das interrelações básicas de manchas homogêneas do sistema. Esta abordagem pode então complementar aquelas teorias unificadoras que enfatizam os controles longitudinais e laterais do sistema.

Pantanal abrigam 848 espécies de peixes, das quais 780 podem ser consideradas espécies válidas para a ciência. As bacias Tocantins – Araguaia e Pantanal são as que apresentam maior riqueza de espécies, enquanto as bacias do Alto Paraná e São Francisco apresentam riqueza intermediária e o Parnaíba pode ser considerado relativamente pobre pelo estado atual dos conhecimentos disponíveis (Tabela1). Entre os grupos de peixes considerados, os Characiformes são os mais importantes em quase todas as bacias hidrográficas, a exceção do alto Paraná, onde os siluriformes são ligeiramente mais numerosos. O número de espécies de Cichlidae é também ligeiramente superior ao de Gymnoti­formes e Cyprinodontiforme no Tocantins, Pantanal e Parnaíba, mas são menos representados que esses no Alto Paraná e São Francisco. Comparada aos valores médios encontrados nas bacias do continente Sul Americano, a distribuição da riqueza relativa por grupo taxonômico nas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal é significativamente distinta para os Characiformes (p<0.012), Siluriformes (p<0.048), Gymnotiformes (p<0.008) e Cichlidade (p<0.022). Apenas os Cyprinodontiformes (p>0.158) e miscelânea (p>0.402) estão dentro do padrão esperado (Tabela 2, Figura 2). Entre as bacias do Cerrado, a do Alto Paraná é a que mais se aproxima da média esperada para a América do Sul. As bacias do Parnaíba e do Pantanal são as mais distintas. Em termos de composição ictiofaunística, as 780 espécies válidas do Cerrado e Pantanal estão agrupadas

Ictiofauna das bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal Riqueza e composição taxonômica
Tradicionalmente, os peixes de água doce sulamericanos têm sido divididos em seis grupos: Characiformes (dourados, lambaris, piaus, etc.), 2) Gymnotiformes (peixes-elétricos), 3) Siluriformes (peixes de couro, cascudos, acaris), 4) Cyprinodontiformes (guarus, Rivulus, etc.), 5) Cichlidae (acarás, tucunarés, etc.) e 6) miscelânea (conjunto heterogêneo integrado por formas pertencentes a diferentes grupos, ou seja, aquelas que integram os grupos de “rélitos” e de “invasores marinhos”). Utilizaremos esta divisão para apresentar de forma sintética o número de espécies de cada bacia hidrográfica do Cerrado e do Pantanal. Assim, para cada uma será especificado o número absoluto (Tabela 1) e a porcentagem (Tabela 2) de espécies de cada um dos grupos principais de peixes de água doce. De acordo com a lista de espécies apresentada na (Tabela 9), as bacias hidrográficas do Cerrado e 202

Figura 2. Dendrograma do agrupamento pela média não ponderada (UPGMA) das similaridades percentuais entre as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal e da América do Sul como base na distribuição da riqueza relativa de espécies entre os grupos taxonômicos de peixes.

em 296 gêneros, 45 famílias e 14 ordens. Ao nível de ordens, as bacias hidrográ­ficas do Cerrado e Pantanal apresentam aproximadamente 70% de similaridade (Figura 3). Entre essas, podem ser distinguidos dois grupos: a) Paraná – São Francisco (com 07 gêneros cada; 0.85 de similaridade) e b) Pantanal – Tocantins – Parnaíba (com 13, 11 e 9 gêneros,

Existem. O padrão geral de similaridade observado para ordens e famílias também se mantém.80 de similaridade). apresentam populações em cada bacia. Apenas as bacias do Alto Paraná e São Francisco (0. respectivamente. seguidas pelas bacias do São Francisco (12).30) apresentam alguma similaridade de espécies. Os rios principais que correm no Cerrado. 1991.62) e Parnaíba. no Pantanal). e apenas de 5 a 13 espécies com ampla distribuição entre todas as bacias. Figura 3. enquanto cinco são amplamente representadas em todas as bacias da região. 1992b). mostrando a baixa similaridade entre aquelas ictiofaunas. têm barreiras geográficas ao longo de amplos trechos de seus cursos. respectivamente) e formam um grupo com cerca de 85% de similaridade. com um agrupamento entre as bacias com maior diversificação de gêneros ( Tocantins e Pantanal com 195 e 163 gêneros. seguidas de Alto Paraná e São Francisco (93 e 90 gêneros. Trabalhos recentes têm demonstrado que espécies consideradas de ampla distribuição por várias bacias hidrográficas. Vejam-se. mas pode também ser fictício.Diversidade e conservação da biota aquática respectivamente. Essas cachoeiras separam dois trechos desses rios. respectivamente) mostram similaridades correspondentemente menores (75%). 84% podem ser consideradas exclusivas de alguma bacia hidrográfica do Cerrado e Pantanal. com diferenças suficientemente grandes para que cada uma delas seja considerada como espécie distinta. 1992a. 1989. 203 Endemismos Tendo em vista os aspectos focalizados. Entre os 296 gêneros registrados. Tocantins e Pantanal podem ser consideradas como bacias com alta diversificação de famílias (41 e 35. as ictiofaunas do Tocantins e Pantanal apresentam a maior riqueza de gêneros exclusivos (76 e 46. Entre as 45 famílias registradas. como já assinalamos. espécies que figuram em duas ou mais dessas bacias.58). Desde que não existam barreiras representadas efetivamente por cachoeiras e corredeiras. Semelhante ao agrupamento das bacias em relação às Ordens de peixes. apenas três são exclusivas de alguma bacia hidrográfica (Osteoglossiformes e Tetraodontiformes. enquanto apenas sete são exclusivas Figura 4. principalmente daquelas espécies de porte maior. Assim. 0. 26 e 25 famílias. Entre as 780 espécies válidas. novamente do Pantanal (01 família) e do Tocantins (06 famílias). os trabalhos de Kullander (1983) e Vari (1984. como vimos. porém reduzida em muitos de seus elementos. Exemplos típicos dessa situação são o Alto Paraná. refletindo mais nosso desconhecimento dos peixes. conforme destacado na Figura 4. separado do Médio e Baixo (antes da construção da barragem de Itaipu) por Sete Quedas. Das 14 ordens. tal compartilhamento de formas entre bacias pode ser real e depender da própria história dessas bacias. Dendrograma de agrupamento pela média não ponderada (UPGMA) sobre a matriz de similaridade de Sorensen para dados de presença e ausência de Ordens entre as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal. respectivamente). na realidade. desconhecimento que impede determinar com maior precisão as espécies válidas de cada um desses grupos. o endemismo em áreas de cabeceiras está . As bacias do Alto Paraná. com 71gêneros. separado do seu baixo curso por Paulo Afonso. 148 (50%) são exclusivos de alguma bacia hidrográfica. Paraná (11). a questão do endemismo deve ser considerada primeiramente sob o ponto de vista de que cada bacia hidrográfica tem uma ictiofauna com composição própria. por exemplo. Também a este nível taxonômico. cada um deles com composição ictiofaunistica típica. na bacia do Tocantins e Lepidosireniformes. A questão de áreas de endemismo dentro da própria bacia hidrográfica envolve também algumas considerações. 16 são comuns a todas as bacias. sua distribuição geográfica e suas relações. Entretanto. 0. São Francisco e Paranaíba (com 28. e o curso do alto e médio São Francisco. Dendrograma de agrupamento pela média não ponderada (UPGMA) sobre a matriz de similaridade de Sorensen para dados de presença e ausência de espécies entre as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal. a ictiofauna de rios pequenos tende a ser a mesma daquela dos rios principais e dos afluentes maiores de cada bacia. bem como seus afluentes principais e mesmo secundários. enquanto Tocantins e Parnaíba apresentam grande proporção de espécies exclusivas. e Parnaíba (3). 0.

que rios interceptados por séries de cachoeiras e corredeiras em seus cursos.0   3.25    7. Grupo Taxonômico Characiformes ** Gymnotiformes ** Siluriformes * Cyprinodontiformes Cichlidae * Miscelânea TOTAL Pantanal Alto Paraná São Francisco Rio Parnaíba Araguaia- Tocantins América do Sul 41.0   4.60   37. Britski (1997) reconheceu duas áreas de endemismo: a do alto Tietê.1 39.43   8.43   6.14   3.92   43.18    0. dentro de alguns grupos que foram imediatamente estudados. Os pequenos cursos nas áreas do Planalto Ocidental do Estado de São Paulo não possuem fauna de peixes típica de cabeceira.38    4. charcos) que ocorrem ao longo do grande rio Paraná ou de seus grandes afluentes.00 100. Os resultados desses estudos foram parcialmente mostrados por Zanata (1995) e Britski (1996) e comentados anteriormente por Menezes (1994). é integrada pelos mesmos elementos que se encontram nas pequenas águas (lagoas.1   4.75   36. Grupo Taxonômico Characiformes Gymnotiformes Siluriformes Cyprinodontiformes Cichlidae Miscelânea TOTAL Pantanal Alto Paraná São Francisco Rio Parnaíba 41 AraguaiaTocantins 158 110   67   68   11   13   07 106   77   56   10   11   12   17   07   04   11   01   06 265 176 153 04   15 36 114 02   19 05   26 07   18 95 350 Tabela 2.56    7. ribeirões.26    7. eram novas e muito provavelmente endêmicas desses rios. mas sim a mesma ictiofauna encontrada na área marginal dos grandes rios. para a maioria dos grupos de peixes. coletou algumas centenas de exemplares.16   45. Não existindo em Tabela 1. combinada a fatores históricos. as for- mas endêmicas são encontradas exatamente nas áreas de topografia mais íngreme. no Estado de São Paulo. no norte do Mato Grosso. Se este mesmo princípio se aplica a todas as demais bacias hidrográficas do cerrado. 204 constatando-se depois que muitas espécies.57   43. em outubro de 1993. Riqueza percentual de espécies por grupo taxonômico de peixes em cada bacia hidrográfica dentro do Bioma Cerrado e na América do Sul (os asteriscos representam o nível de significância do Teste t de Student para os grupos taxonômicos do Cerrado e Pantanal em relação à média esperada para as bacias hidrografias da América do Sul. .0 áreas relativamente planas as barreiras físicas que impeçam o livre deslocamento desses peixes.02    7.45   38.84    2.11    5. especialmente captura de cabeceiras.80    6. isto é.29    2. como é o caso dos diferentes afluentes do Tapajós.00 100. naquelas de topografia mais acidentada e não nas áreas de topografia plana.57    3. cujas cabeceiras estão na Serra do Mar e a dos cursos d’água que nascem na “cuesta” que atravessa o Estado no sentido aproximado SW-NE. Num resumo sobre os peixes de cabeceiras da bacia do Rio Paraná.14   37.59    4. numa excursão realizada às cabeceiras de alguns rios afluentes do Arinos (bacia do Tapajós).08    3. * = 0.00 100.associado à presença de barreiras. assim.37    5.05 e ** = 0.00 100.89   32.61    5. que estimou em 60% o número de espécies novas a serem descritas do total de espécies que integram essas coleções. Verifica-se. os ambientes de cabeceiras no Planalto Ocidental são uma extensão dos ambientes marginais dos grandes rios.0 100.07   44.98    2.00 100. Riqueza de espécies por grupo taxonômico de peixes em cada bacia hidrográfica dentro do Bioma Cerrado. ou seja. deveremos encontrar áreas de endemismo.01). tendem a isolar em suas cabeceiras uma ictiofauna muito peculiar com muitos elementos endêmicos.21    4.44   43.8   6. Uma equipe do Museu de Zoologia da USP.

assinalam oito espécies dessa família no Pantanal. Muitas espécies do Pantanal estão assinaladas também na bacia amazônica. que vivem em poças que secam durante o período da estiagem. finalmente. e somente em futuro mais distante (com revisões mais acuradas dos diferentes grupos) poder-se-á ter uma idéia mais concreta da situação real. verificamos que o rio Corumbá se constitui numa área de endemismo relativamente alto e que tal endemismo pode ter relação com o fato de que esse rio corria para o norte (para o rio Tocantins) em passado não muito remoto.Diversidade e conservação da biota aquática Num trabalho recente Pavanelli & Britski (1999) descrevem uma nova espécie de Steindachnerina do rio Corumbá. afluente do Paranaíba. indicando que cerca de outras 30 espécies ainda podem vir a ser coletadas . Isto deve ter determinado uma diferença ictiofaunística entre essas regiões. Isso nos mostra que a relação atual das espécies comuns às duas bacias ainda é altamente provisória. visto que o gênero foi recentemente revisado por Vari (1991). a fim de que sirvam de referência para apreciar as questões relativas a inventários ictiofaunísticos e à conservação da diversidade de peixes nessas áreas como um todo. e é drenada pelas cabeceiras daquelas três principais regiões hidrográficas. rio Alagado/Ponte Alta e rio Corumbá. depois que seu curso foi invertido. certamente. e pode fornecer subsídios às políticas de uso e ocupação territorial dessa região (Figura 5). Com base nas amostras coletadas. atualmente. 1970). onde mais de 400 estações de amostragem foram levantadas. esses peixes têm distribuição muito restrita e. A Ictiofauna do rio Corumbá no Distrito Federal no Cenário da Região Hidrográfica do Rio Paraná no Bioma Cerrado A ictiofauna dos córregos e pequenos rios que drenam a bacia do alto-médio rio Corumbá na Região Metropolitana do Distrito Federal foi amostrada em todas as 22 Unidades de Drenagem e nos canais principais de suas quatro sub-bacias: rio São Bartolomeu. Houve. 1950). a riqueza estimada para o rio Corumbá é de 144 espécies (desvio padrão= 15.138 indivíduos. Esse projeto deve representar o estudo mais intensivo sobre as cabeceiras das bacias hidrográficas no Cerrado. executado pela Reserva Ecológica do IBGE desenvolve um programa de pesquisas científicas sobre os níveis de organização ecológica e sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos da região sob diferentes usos antrópicos. Tendo em vista a pobreza de conheci­mentos sobre a ictiofauna de amplas áreas de cabeceiras no Cerrado.44 espécies). É o que se pode deduzir 205 dos recentes trabalhos de revisão dos Curimatidae de Vari (1984. a situação do Pantanal. infere-se que esta diferença foi-se diluindo com a mistura das faunas. pois infere-se que as duas regiões estiveram francamente ligadas em passado não muito distante (Beurlen. a bacia do alto-médio rio Corumbá no Distrito Federal apresenta 119 espécies. quando se realizam trabalhos de drenagem e/ou preparo de vastas áreas de terreno para agricultura. freqüentemente. 1986). que totalizaram 37. um isolamento da região do Pantanal daquelas regiões do Médio e Baixo Paraguai e do restante da bacia do Prata como um todo (Tricart. Em conseqüência. Os trabalhos de Vari. sendo que apenas duas delas ocorrem também na Amazônia. o Projeto Levantamentos e Informatização de Dados sobre os Recursos Naturais do Brasil (FAUFL – IBGE). segundo Silva. Ictiofauna do Distrito Federal: Estudo de caso detalhado sobre as cabeceiras das principais bacias hidrográficas do Cerrado A região do Distrito Federal e Entorno está localizada na área nuclear do Bioma Cerrado. 1989. estavam assinaladas dez espécies no Pantanal. após a quebra da barreira que as isolava. das quais 104 são nativas. Trabalhos de revisão. podem se extinguir com a destruição dessas poças. são poucos os estudos acurados que permitem assegurar que isto realmente ocorra em todos os casos assinalados. 1992b): anteriormente. como tal. Além das espécies de cabeceiras. rio Descoberto. consideramos essencial a citação de tais exemplos. Entretanto. até recentemente. porém. 1992a. seis delas sendo comuns à outras bacias. deverão reduzir o número de espécies em comum às duas bacias. 1991. Tal fato chamounos poderosa­mente a atenção. Cumpre ressaltar. 1982. Utilizando-se a técnica Jackknife (Heltshe & forrester 1983). inclusive à Amazônica (Fowler. de acordo com Beurlen (1970). Um total de quinze espécies foram introduzidas na região. cujas paisagens representam uma síntese do potencial natural e dos desafios de sustentabilidade de todo o Bioma. Porém. Ou seja. devemos fazer referência ao endemismo exibido pelas formas de Rivulidae anuais. que assinalou apenas uma espécie em toda a bacia do alto Paraná. Considerando a questão mais a fundo. Desde 1986. a semelhança entre a fauna do Pantanal e das regiões do Prata mais ao sul é maior que antigamente. esta situação é compreensível. como detectado nas análises de agrupamento apresentadas acima. o endemismo relativamente alto deve representar um reflexo da história geológica da própria bacia e do isolamento da ictiofauna desse rio daquela das partes mais inferiores da bacia.

34% do número de espécies e 27.7% do número de espécies e 28% do número de gêneros. Gymnotiformes.3% da abundância.1% dos gêneros (28) e 47. gêneros (21) e 31. Entre os Siluriformes.3%).6% das espécies e 28% dos gêneros nativos) e distribuição em todas as sub-bacias. apenas 3.56% da abundância total. Figura 5.54% da abundância total) e Callichthyidae (com 2 gêneros e duas espécies. Merecem destaque as famílias Pimelodidae (com 12 espécies. Alto Corumbá (Alto Paraná) e Preto (São Francisco) no Distrito Federal.59% dos gêneros.5% das espécies (68).5%) e de gêneros (8. Loricaiidae apresenta também o segundo maior número de espécies (13. as demais famílias registram. Characidae é a família mais importante da bacia. agrupados em 19 famílias e cinco ordens (Tabela 3). Riqueza de gêneros e espécies por família. em conjunto. com dominância de 83. que rivalizam com os Siluriformes em abundância (8.6% das famílias (6). em cada ordem de peixes amostrados na bacia do rio Corumbá na região metropolitana Distrito Federal ORDEM CHARACIFORMES GYMNOTIFORMES SILURIFORMES FAMÍLIAS NÚMERO DE GÊNERO NÚMERO DE ESPÉCIES Characidae 16 35 Crenuchidae 1 10 Lebiasinidae 1 1 Erythrinidae 2 1 Curimatidae 2 4 Prochilodontidae 1 1 Anostomidae 3     Subtotal 28 9 65 Parodontidae 2 4 Gymnotidae 1 1 Sternopygidae 1 1 Apteronotidae 1 1     Subtotal 3 3 Auchenipteridae 1 1 Pinelodidae 11 12 Trychonycteridae 1 1 Cetopsidae 1 1 206 . 49.3% das capturas e incluindo 63. 36. 30% das espécies (31). com ampla dominância (77% da abundância. A amostragem revelou ainda a ocorrência de 57 gêneros. Os Characiformes formam o grupo mais importante. e por 33.7%).8% dos Tabela 3.4% das famílias (9). Entre essas. as demais famílias respondem por apenas 6.na bacia. Os Siluriformes formam o segundo grupo em importância.4% da abundância. que totalizam 2% da abundância). oito gêneros e cinco famílias.9%). Entre os Characiformes. 16. que respondem por 2. Pontos de amostragem de peixes e de 60 atributos físicos e 30 parâmetros químicos nas 52 unidades hidrográficas que formam as cabeceiras dos rios Maranhão (Bacia Tocantins). Perciformes e Cyprinodonti­formes formam o restante da comunidade. apresentando um conjunto com oito espécies. Segunda família em abundância total na bacia (4. respondendo por 8.04% da abundância) e Anostomidae (com 9 espécies distribuidas em três gêneros). 34. merecem destaque as famílias Crenuchidae (com 10 espécies e um gênero. 11gêneros e 1.

a riqueza observada é bastante alta. e Beaumord & Petrere (1994) encontraram 80 espécies no rio Manso (Província Alto-Paraguai).47%). constitui a terceira família mais abundante na bacia (3. Hoplosternum. Comparações entre a composição de espécies nas diferentes bacias estudadas na Província Alto-Paranaíba no Distrito Federal indicam uma sobreposição superior a 60% entre as principais drenagens com conectividade natural (São Bartolomeu – Alagado – Descoberto). Barrella (1998) coletando nos rios Tietê e Paranapanema (área influenciadas pelo Ecótone com Mata Atlântica) encontrou 64 espécies. com apenas um gênero e uma espécie. Muito embora diferenças metodológicas de amostragem dificultem comparações precisas. Sternopygidae e Apteronotidae) na bacia. quando comparada a outros afluentes do rio Paraná (Tabela 4) . Destas.92%). (1997) nos rios Piquiri. respectivamente. 77 e 91 espécies de peixes. Figura 6. Na décima segunda posição. cumpre destacar a baixíssima abundância e riqueza de ciclídeos nativos e peixes elétricos (Gymnotidae. revelaram a presença de 57. quinta posição) com distribuição bastante concentrada na sub-bacia do Lago Paranoá.1%. que ocupa a oitava posição (1. Cumpre ressaltar ainda que cerca de 60 espécies apresentam abundância relativa inferior à 0. como Prochilodontidade e Salmininae. ocupando a quarta posição (3. Essas diferenças podem ser atribuídas ao isolamento natural dessas comunidades pelas antigas cachoeiras onde foram construídos os respectivos barramentos. sendo consideradas como espécies únicas na bacia do alto rio Corumbá no Distrito Federal. bem como de alguns migradores nobres. Entre as demais ordens.47%. o único gênero de destaque é Rivulus (3. enquanto os levantamentos de Agostinho et al. com 1. Entre os Siluriformes. Microlepidogaster só está ausente no rio Corumbá. 207 . Iguatemi e Ivinheima. Tendo em vista tratar-se de um sistema de cabeceiras. Por outro lado.13% da abundância total. Hypostomus é o gênero mais importante. 36 espécies apareceram em somente uma localidade. tem distribuição mais restrita às sub-bacias do Lago Paranoá. podendo ser consideradas raras na comunidade.Diversidade e conservação da biota aquática PERCIFORMES Callichthyidae 2 2 Loricariidae     Subtotal     Subtotal     Subtotal        Total 5 14 21 2 3 57 31 2 3 104 CYPRINODONTIFORMES Rivulidae 2 2 Cichlidae 3 3 Rivulidae.62%). Dendrograma mostrando a similaridade entre a composição de espécies das diferentes bacias amostradas na Província Alto – Paranaíba no Distrito Federal. São Bartolomeu e Descoberto. grande diversificação (10 espécies) e ampla distribuição em toda a bacia. estando ausente no Alagado/Ponte Alta e no Corumbá. mas baixa similaridade dessas comunidades (inferior a 50%) com aquelas a montante dos represamentos Lago Paranoá e Lago Descoberto (Figura 6).

37% da abundância. Perciformes e Cyprinodontiformes formam o restante da comunidade.7% das famílias (5). das quais 107 são nativas. A Ictiofauna do rio Maranhão no Distrito Federal no Cenário da Região Hidrográfica do Rio Tocantins no Bioma Cerrado A ictiofauna dos córregos e pequenos rios que drenam a bacia do alto-médio rio Maranhão na Região Metropolitana do Distrito Federal foi amostrada em todas as sete Unidades de Drenagem que compõem este estudo no alto rio Maranhão. Serrasalmidae (com 8 espécies e 4 gêneros.85% da abundância) e Crenuchidae (com 6 espécies e um gênero. Britski (1998) relaciona 176 espécies. Ageneiosidae.08 espécies). sendo inferior apenas à do rio Ivinheima (66). além de Symbranchidae (Perciformes). o número de famílias é relativamente mais baixo que o daquelas bacias. Os Siluriformes formam o segundo grupo em importância.14% da abundância total).63% das espécies e 26.79% dos gêneros nativos) e distribuição em todas as sub-bacias. 30. com ampla dominância (67. Paranapanema. ECO-REGIÕES DA BACIA DO PARANÁ Rio Corumbá – Distrito Federal Rios Tietê e Parapanema Rio Ivinheima Rio Piquiri Rio Iguatemi Rio Manso Bacia do Paraná no Cerrado NÚMERO DE ESPÉCIES 104 64 91 57 77 35 176 NÚMERO DE GÊNERO 57 46 66 38 55 32 134 NÚMERO DE FAMÍLIAS 19 22 23 15 23 15 27 A riqueza de gêneros também é relativamente alta (57) na bacia do Alto rio Corumbá. respondendo por 1. que totalizaram 36.61% da abundância total). a riqueza estimada para o rio Maranhão é de 14 2 espécies (desvio padrão= 16.71% da abundância. Gymnotiformes. Entre essas. as demais famílias respondem por outros 17.20% do número de espécies e 23. Aspredinidae e Scoloplacidae (Siluriformes). 134 gêneros e 27 famílias válidas para as bacias de drenagem do rio Paraná na região do Cerrado (Províncias do Alto Paranaíba e Alto Paraná). Estima-se. Comparações preliminares entre essas comunidades com aquelas amostradas nas demais bacias da Região Hidrográfica do rio Paraná no Bioma Cerrado apontam para uma baixa sobreposição (inferior a 10% das espécies). nas Províncias ictiográficas do Alto Paranaíba (rio Corumbá). Piquiri e Iguatemi) e Alto Paraguai (rio Manso).45%) da abundância total dos Siluriformes. Rhamphichthyidae e Hypopomidae (Gymnotiformes). Doradidae. rivalizando com a do rio Iguatemi (55). que essa lista será acrescida em cerca de 30% com a inclusão das novas espécies descobertas no alto-médio rio Corumbá no Distrito Federal. totalizando 0.Tabela 4. Por outro lado. respondendo por 13. Os Characiformes formam o grupo mais importante (Tabela 17). Utilizando-se a técnica Jackknife (Heltshe & forrester 1983).18% das capturas e incluindo 62. a bacia do alto-médio rio Maranhão apresenta 110 espécies. Ivinheima.97% das espécies (35). 33. onde notadamente o alto rio Corumbá no Distrito Federal apresenta uma ictiofauna bastante diferenciada.21% do número de gêneros. sete gêneros e quatro famílias. marcada pela ausência de alguns grupos importantes.24% da abundância toal. 208 . Com base nas amostras coletadas. A sobreposição de espécies diminui acentuadamente em direção às cabeceiras desses sistemas. de gêneros e de famílias nativas em tributários da bacia do Paraná. Comparações entre riqueza de espécies. com base no presente estudo. Alto Paraná (rio Tietê. Entre os Characiformes. Characidae é a família mais importante da bacia.5% dos gêneros (21) e 27. Apenas duas espécies foram introduzidas na região. merecem destaque as famílias e Anostomidae (com 9 espécies.138 indivíduos. distribuidas em dois gêneros. 50% dos gêneros (28) e 50% das famílias (9). com dominância de 80. 37. A amostragem revelou ainda a ocorrência de 53 gêneros. que representam apenas metade (6. indicando que cerca de outras 32 espécies ainda podem vir a ser coletadas na bacia. que respondem por 8. como Cynodontidae (Characi­formes). e por 29. apresentando um conjunto com seis espécies.68% das espécies (71). agrupados em 18 famílias e cinco ordens (Tabela 5).

62% do número de espécies e 16. Por outro lado. com apenas um gênero e uma espécie exótica. bem como de alguns migradores nobres. 10. cumpre destacar a baixíssima abundância e riqueza de ciclídeos nativos e de peixes elétricos (representados apenas pela família 209 Sternopygidae) na bacia. os resultados apresentados na tabela 16 indicam que a riqueza dos diferentes níveis taxonômicos da comunidade de peixes da bacia do alto rio Maranhão na Região Metropolitana do Distrito Federal é semelhante àquela encontrada por Carvalho (1988) para o alto rio Araguaia. ORDEM CHARACIFORMES .27%). Riqueza de gêneros e espécies por família. Loricaiidae apresenta também o segundo maior número de espécies (20. Poeciliidae. e representa cerca de 1/3 da biodiversidade taxonômica do rio Tocantins no Bioma Cerrado.11% da abundância total).78%). . Muito embora diferenças metodológicas de amostragem dificultem comparações precisas. 5 gêneros e 1.35%) e de gêneros (21. em cada ordem de peixes amostrados na bacia do rio Tocantins na região metropolitana Distrito Federal. as demais famílias registram.07% dos gêneros.59% da abundância total. em conjunto. Tendo em vista tratar-se de um sistema de cabeceiras. apenas 4.42%). Entre os Siluriformes. constitui a quarta família mais abundante na bacia (5. Merece destaque apenas a família Pimelodidae (com 8 espécies. quando comparada a outros afluentes do rio Tocantins (Tabela 6). como Prochilodontidade e Salmininae. GYMNOTIFORMES SILURIFORMES CYPRINODONTIFORMES PERCIFORMES FAMÍLIAS Characidae Erythrinidae Curimatidae Crenuchidae Anostomidae Parodontidae Prochilodontidae Hemiodidae Gasteropelecidae Serrasalmidae Subtotal Sternopygidae Subtotal Auchenipteridae Pimelodidae Trychonycteridae Cetopsidae Loricariidae Subtotal Rivulidae Poecilidae Subtotal Cichlidae Subtotal Total NÚMERO DE GÊNERO 14 1 2 1 2 1 1 1 1 4 28 1 1 1 5 1 1 10 18 1 1 2 4 4 53 NÚMERO DE ESPÉCIES 36 2 3 6 9 2 1 1 1 8 69 1 1 1 8 2 1 22 34 1 1 2 4 4 110 Segunda família em abundância total na bacia (8.Diversidade e conservação da biota aquática Tabela 5. a riqueza observada é bastante alta.

apresentando um conjunto com oito espécies.04% da abundância. como Prochilodontidade e Salmininae. Estima-se. com ampla dominância (77. 134 gêneros e 27 famílias válidas para as bacias de drenagem do rio Tocantins na região do Cerrado (Províncias do Alto Paranaíba e Alto Tocantins).35% do número de espécies e 22. Entre os Siluriformes. que totalizaram 5.07%). ECO-REGIÕES DA BACIA DO ALTO TOCANTINS Rio Tocantins (Bioma Cerrado) Alto Rio Araguaia Alto Rio Maranhão (DF) NÚMERO DE ESPÉCIES 360 114 110 NÚMERO DE GÊNERO 195 64 53 NÚMERO DE FAMÍLIAS 41 24 18 A ictiofauna do rio Preto no cenário da bacia do rio São Francisco A ictiofauna dos córregos e pequenos rios que drenam a bacia do alto-médio rio Preto na Região Metropolitana do Distrito Federal foi amostrada em todas as dezoito Unidades de Drenagem que compõem este estudo. Characidae é a família mais importante da bacia.64% das capturas e incluindo 30.84% da abundância) e Crenuchidae (com 8 espécies e um gênero. e por 25.62% dos gêneros nativos).58% dos gêneros.39% das espécies (23). Os Characiformes formam o grupo mais importante (Tabela 29). 51% dos gêneros (17) e 46.30%) e apenas três gêneros (9. a riqueza estimada para o rio Preto é de 97 espécies (desvio padrão = 3. constitui uma das família menos abundantes na bacia (0. Gymnotiformes. que representam apenas 0. com apenas um gênero e duas espécies exóticas. a bacia do alto-médio rio Preto apresenta 71 espécies. com base no presente estudo. Curimatidae (com 3 espécies e 2 gêneros.Britski (1998) relaciona 176 espécies. 32. a riqueza observada é bastante alta. Utilizando-se a técnica Jackknife (Heltshe & forrester 1983).76% das famílias (4). as demais famílias respondem por outros 10. 5 gêneros e 2. em conjunto. Tendo em vista tratar-se de um sistema de cabeceiras.78% da abundância total. Perciformes e Cyprinodontiformes formam o restante da comunidade. onde notadamente o rio Maranhão apresenta uma ictiofauna bastante diferenciada. bem como de alguns migradores nobres.6% da abundância total. indicando que cerca de outras 26 espécies ainda podem vir a ser coletadas na bacia. Comparações preliminares entre a composição de espécies nas diferentes sub-bacias estudadas nas Províncias AltoTocantins e Alto Maranhão no Distrito Federal indicam uma sobreposição inferior a 10%.Muito embora diferenças metodológicas de amostragem dificultem comparações precisas. sobretudo.5% da abundância total). totalizando 2. Poeciliidae. com as espécies em comum restritas.22%). Comparações entre riqueza de espécies.65% da abundância total). Tabela 6.99% das espécies e 32.08% do número de espécies e 22. Apenas três espécies foram introduzidas na região.15% das famílias (6).36% da abundância total. as demais famílias registram.889 indivíduos. Os Siluriformes formam o segundo grupo em importância. Merece destaque apenas a família Pimelodidae (com 8 espécies.25 espécies). quando comparada a outros afluentes do rio São Francisco (Tabela 8). A segunda família em abundância total na bacia (9. apenas 2. seis gêneros e três famílias. Entre essas.99% das espécies (22). aos canais principais daqueles tributários. Loricaiidae apresenta também o segundo maior número de espécies (18. os resultados apresentados na Tabela 1 indicam que a .58% do número de gêneros. Entre os Characiformes. com dominância de 87. merecem destaque as famílias Anostomidae (com 4 espécies. distribuidas em dois gêneros.71% da abundância total).5% dos gêneros (10) e 30. Cumpre destacar também a baixíssima abundância e riqueza de ciclídeos nativos e de peixes elétricos (representados apenas pela família Sternopygidae) na bacia. das quais 68 são nativas.25% dos gêneros nativos) e distribui210 ção em todas as sub-bacias. respondendo por 12% da abundância. respondendo por 2. que essa lista será acrescida em cerca de 30% com a inclusão das novas espécies descobertas no alto-médio rio Maranhão. A sobreposição de espécies diminui acentuadamente em direção às cabeceiras desses sistemas. Com base nas amostras coletadas. que respondem por 4. 14. de gêneros e de famílias nativas em diferentes eco-regiões da bacia do rio Tocantins. A amostragem revelou ainda a ocorrência de 33 gêneros. 37. agrupados em 13 famílias e cinco ordens (Tabela 7). 30.

que essa lista será acrescida em cerca de 30% com a inclusão das novas espécies descobertas no alto-médio rio Preto. com base no presente estudo. sobretudo.Diversidade e conservação da biota aquática Tabela 7. onde notadamente o rio Preto apresenta uma ictiofauna bastante diferenciada. 211 . em cada ordem de peixes amostrados na bacia do rio Preto na região metropolitana Distrito Federal. aos canais principais daqueles tributários. Estima-se. ORDEM CHARACIFORMES GYMNOTIFORMES SILURIFORMES CYPRINODONTIFORMES PERCIFORMES FAMÍLIAS Characidae Erythrinidae Curimatidae Crenuchidae Anostomidae Prochilodontidae Subtotal Sternopygidae Subtotal Pimelodidae Trychonycteridae Cetopsidae Loricariidae Subtotal Poecilidae Subtotal Cichlidae Subtotal Total NÚMERO DE GÊNEROS 10 1 2 1 2 1 17 2 2 5 1 1 3 10 1 1 3 3 33 NÚMERO DE ESPÉCIES 22 2 3 8 4 1 40 2 2 8 1 1 13 23 2 2 4 4 71 riqueza dos diferentes níveis taxonômicos da comunidade de peixes da bacia do alto rio Preto na Região Metropolitana do Distrito Federal é proporcionalmente semelhante àquela encontrada nas demais bacias do Distrito Federal. Riqueza de gêneros e espécies por família. Britski (1998) relaciona 153 espécies. 90 gêneros e 26 famílias válidas para as bacias de drenagem do rio São Francisco na região do Cerrado (Províncias do Alto Paranaíba e Alto São Francisco). Comparações preliminares entre a composição de espécies nas diferentes sub-bacias estudadas nas Províncias Alto-São Francisco e Alto Rio Preto no Distrito Federal indicam uma sobreposição inferior a 10%. com as espécies em comum restritas. e englobam cerca de metade da diversidade de famílias e espécies e 1/3 dos gêneros do rio São Francisco no Bioma Cerrado. A sobreposição de espécies diminui acentuadamente em direção às cabeceiras desses sistemas.

eles são mutuamente excludentes nos segmentos de baixo gradiente do potamon. a planície de inundação. ao longo de uma mesma “mancha natural ou ordem de drenagem” ocorrem modificações nas comunidades relacionadas com modificações locais nos habitats aquáticos naturais . e de suas pequenas drenagens. de gêneros e de famílias nativas em diferentes eco-regiões da bacia do rio Preto. que representariam “manchas espaciais naturais”. pulso hidrológico (Junk et al. O desenvolvimento de conceitos unificadores que forneçam paradigmas ecológicos para comparações entre comuni­dades dentro e entre sistemas ainda está na sua infância. de modo a possibilitar predições úteis para a conservação e o manejo em sistemas apropriados (Bayley & Li 1996). Destaca-se ainda a grande quantidade de prováveis endemismos. o conceito original do continuum deve adaptar-se às (a) diferenças nas matas ciliares do rithron. expressa na ocorrência de cerca de 60 espécies únicas (uma única coleta em cerca de 400 pontos amostrados). (c) descontinuidades espaciais. ECO-REGIÕES DA BACIA DO SÃO FRANCISCO Rio S. (b) transportes ascendentes de nutrientes e biomassa através das migrações de peixes e. formando um mosaico de manchas ou fragmentos. O conceito do “pulso hidrológico” é distinto. com as comunidades de jusante estando adaptadas à capitalizar as ineficiências de processamento de montante. Comparações entre riqueza de espécies. Os mecanismos que controlam a distribuição espaço-temporal das comunidades podem ser investigados em diversas escalas. mas neste segmento o conceito do rio continuum fornece uma descrição mais apropriada. que influenciam as adaptações das comunidades bióticas. por meio do exame das interrelações básicas de manchas homogêneas do sistema.(1980) estabeleceram por hipótese. Baseados na teoria do equilíbrio energético dos geomorfologistas fluviais. rio continuum (Vanote et al. com ajustes das comunidades associados à ordem de drenagem. Entretanto. No entanto. Esta abordagem pode então complementar aquelas teorias unificadoras que enfatizam os controles longitudinais e laterais do sistema. transporte. as comunidades também formam um continuum. (1989) demonstraram que em sistemas rio-planície de inundação. o Distrito Federal apresenta uma fauna de peixes bastante diversificada (234 espécies – 90 gêneros e 23 famílias nativas). Ao contrário da teoria do rio contínuo. Pringle et al. que as características funcionais e estruturais das comunidades aquáticas estão adaptadas a este continuum das variáveis físicas.Tabela 8. As planícies de inundação são distintas por não dependerem das ineficiências de processa­mento da matéria orgânica de montante. pois os fluxos internos independem da posição da planície na bacia de drenagem. 1989) e dinâmica de manchas (Naiman et al. Considerar o rhithron como um mosaico de manchas longitudinais e laterais. produtividade e interações entre a biota é o pulso 212 hidrológico. da área relativamente pequena. onde o pulso hidrológico reconhece a natureza periódica das interações entre o ciclo de cheias e secas e. além de melhorar as classificações nas diversas escalas existentes. têm potencial para orientar a formu­ lação de hipóteses visando identificar meca­nismos dominantes (especialmente os que operam em escala espaço-temporais adjacen­tes). Vannote et al. No entanto. De acordo com a teoria do rio continuum. Junk et al. Francisco (área do cerrado) Alto Rio Preto NÚMERO DE ESPÉCIES 153 71 NÚMERO DE GÊNERO 90 33 NÚMERO DE FAMÍLIAS 26 13 Padrões de distribuição das comunidades de peixes no Distrito Federal Apesar da altitude. que propiciam uma série de respostas da biota. Embora ambos os conceitos tenham sido concebidos para atuar até a escala da bacia hidrográfica. embora seu conteúdo de nutrientes seja influenciado periodicamente por trocas laterais de água. 1988. Os dados apresentados neste trabalho sugerem a existência de controle longitudinal dentro das unidades hidrográficas. 1988). fornece uma nova perspectiva para a compreensão da dinâmica de suas comunidades. 1980). a principal força responsável pela existência. utilização e estocagem de matéria orgânica ao longo do rio. resultando em ajustes contínuos das comunidades. com a finalidade de processar a energia com eficiência máxima. O conceito do Pulso Hidrológico tem também certa importância no rhithron de alto gradiente de riachos e pequenos rios que nascem ou são margeados por áreas inundadas. os rios apresentam um gradiente contínuo de condições físicas. sedimentos e espécies com o canal principal. consistentes com os padrões de carga. das cabeceiras para a foz. três conceitos.

causando a diminuição de alguns estoques de peixes.. A lavoura de cana-de-açucar. para poderem se proteger das ferroadas. principalmente do rio Taquari. A água de cor 213 amarelada fica ainda mais escura e barrenta na época da cheia. Assim. que interrompem o “continuum dentro da mancha”. Principais ameaças às comunidades de peixes no Cerrado e Pantanal Os principais impactos que ameaçam a ictiofauna e a pesca são o desmatamento. como no alto Madeira. de se impedir o consumo e/ou a pesca de peixes carnívoros (Petrere. é também uma ameaça. flores e folhas quanto dos insetos que dela dependem. que será necessário preconizar a absurda medida. impossível de ser implantada. quando é maior a disponibilidade de água para lavar a terra retirada dos barrancos pelas chupadeiras. Goulding et al. A concentração de mercúrio nas populações ribeirinhas que mais consomem peixe é preocupante. Alertá-los para a importância da mata de várzea. canalização de rios e córregos. O desmatamento decorrente do garimpo de ouro aluvionar ou de cassiterita é mais grave quando ocorre em riachos. etc. Nas chapadas. as modificações da biota ocorrem em consequência do desmatamento do cerrado das chapadas e da própria área alagada. 1992. pode-se afirmar que a cadeia alimentar se inicia no ambiente terrestre. para detecção de mercúrio. principalmente para os agricultores que vêm do sul para explorar a região. No caso da Amazônia. depende da velocidade de metilação. como o tambaqui Colossoma macropomum. 1994). Mais recentemente. na Amazônia e no Cerrado estão ocorrendo desmatamentos para implantação de atividades agropecuárias e da agroindústria da soja. ocasionando a formação de um “mosaico de manchas”. Ainda não existem estudos mostrando que o garimpo interfere com a pesca em um rio de grande porte. Malm et al. para muitos peixes. e a abundância de peixes na porção poluída do rio diminui bastante (Petrere. A preservação dessas florestas inundáveis é de grande interesse para os ribeirinhos. mas isso realmente deve ocorrer nas áreas próximas a “ninhos” de dragas.Diversidade e conservação da biota aquática ou de origem antrópica. Cuiabá e Bento Gomes. Forsberg et al. Na Amazônia e no Pantanal. assim como a de igapó. Na região Amazônica. com a crescente deposição de sedimentos rio abaixo. desde o início da década de 70. aceito para publicação. que parece representar a melhor perspectiva para a compreensão dos padrões de funcionamento desses sistemas. e já provocou mortalidade em massa de peixes. Por causa da cor da água. A recente expansão da cultura de arroz tem agravado a poluição devido aos pesticidas. na época da cheia. desova. Vale ressaltar que o cultivo tradicional da várzea dos rios amazônicos pelos ribeirinhos ocorre com um mínimo de desmatamento. a poluição por mercúrio decorrente do garimpo de ouro é grave e irreversível por causa da grande quantidade de mercúrio metálico . ou atingir níveis epidêmicos. o garimpo. No Pantanal. a construção de barragens e aterros. (1988) mostraram a extrema importância da vegetação para muitas espécies de peixes. Myleus spp.. que conhecem essa dependência. pois é comum ouví-los dizer que “quando a mata da beira do rio e do lago é cortada. industrial e de insumos aplicados à agricultura. e a pirapitinga Colossoma brachypomum. já que este encontra-se mais distante do canal do rio. A longo prazo. embora o desmatamento extensivo esteja concentrado na floresta de terra firme.. que é maior nas águas pretas ou em áreas onde. o pacu Mylossoma spp. muitos biótopos terminam por ficarem muito alterados. 1992). os frutos e sementes. o desmatamento das várzeas e igapós.que é misturado ao ouro para extraí-lo . que alteram radicalmente os habitats disponíveis para alimentação. com a consequente construção de destilarias. também ocorre. Vieira (1991) analisou o tecido muscular e o fígado de peixes capturados nos rios Paraguai. Os peixes dos rios Cuiabá e Bento Gomes apresentaram maiores . e o da mata de galeria priva os peixes de importante recurso alimentar. Particularmente importante seria um programa de educação ambiental. O desmatamento vem se processando no Brasil em escala de intensidade variável de região para região. porque o aporte de matéria orgânica e sais minerais é mais lento que na várzea. dependente de insumos (com larga aplicação de pesticidas) vem provocando o assoreamento dos rios que drenam para o Pantanal. cerca de 90% da floresta original ainda persiste. ocorre transbordamento de água preta. não conseguem mais enxergar as arraias. a matrinxã Brycon spp. que descarregam vinhaça nos rios. os índios não enxergam mais os peixes e não podem mais usar o arco e a flecha para pescar rio abaixo.. O desmatamento das terras mais altas provoca o assoreamento dos rios. que demora mais a se recuperar. ainda que em menor escala. tanto dos frutos/sementes. tanto nas chapadas quanto na área alagável. em menor escala. a agricultura intensiva da soja. 1992). A situação poderá evoluir para um nível tão extremo de gravidade. principalmente no rio São Lourenço. principalmente nas áreas críticas. o peixe vai-se embora”. mas na região da Mata Atlântica. Se a contaminação por metil-mercúrio vai comprometer a saúde das gerações futuras. apenas 12% das florestas estão intactas (Brown & Brown. apoluição de origem doméstica. Goulding (1979).já lançada no ambiente.

Entretanto. DDTTOTAL. junto com a poluição. (1987) estudaram a concentração de pesticidas organoclorados em 38 represas de sete bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. níquel. em oito. dos sedimentos e dos peixes. os peixes são impedidos de migrarem rio acima. a concentração de resíduos de praguicidas era menor que a habitualmente assinalada para águas continentais de clima temperado. pois os habitats restritos em que vivem podem ser facilmente destruídos por ações antrópicas. durante o verão. sob o ponto de vista . dieldrina e endrina. raridade está ligada à ocorrência das espécies em diferentes localidades. A dispersão dos juvenis rio abaixo também pode ser 214 influenciada pelo represamento. etc. representa um obstáculo sério e torna inútil qualquer tentativa de estimar a diversidade de peixes em água doce. Calheiros (1993) estudou a contaminação da água. chumbo. envolve também muitas dificuldades em razão de nosso desconhecimento da ictiofauna e a dificuldade de observar os peixes em seu ambiente natural. Felizmente a piranha não é consumida na região. Na escala local vimos que a maioria das espécies em uma assembléia de peixes é rara. dieldrina e PCB1260 eram normais. aldrina. e. fasciatus estavam muito acima dos valores normais estabelecidos pela OMS. a piranha Serrasalmus spilopleura (carnívora) e o bivalvo filtrador Anodontites trapezeus. aquático. quando a barragem é muito alta. coletaramse ali – a centenas de quilômetros da localidade-tipo – dezenas de exemplares dessa espécie: este simples fato excluiu totalmente as hipóteses precedentes. com os trabalhos de levantamento de peixes na área de Itaipu. Em um estudo sobre 17 represas do Estado de São Paulo. em termos genéticos.mas a falta de conhecimento sobre o número de espécies e identificação das mesmas. também tóxico para zooplâncton e peixes. alumínio. fitoplâncton e peixes. em cinco represas.concentrações do que aqueles do rio Paraguai. mencionamos o caso de Xenurobrycon macropus Myers & Ribeiro. como o lambari Astyanax bimaculatus (onívoro). determinar áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e detectar mudanças futuras na composição ictiofaunística. pois. (1990) detectaram a presença de elementos metálicos como o cromo. até fins da década de 70 a espécie era conhecida apenas pelos exemplares-tipos dessa localidade. em muitos dos ambientes aquáticos mais importantes. em quatro represas. zinco.como os de riqueza. pode acelerar a eutrofização. já que essas concentrações tendem a aumentar à medida que aumenta a demanda de produção de alimentos. As represas situadas em zonas com atividades agrícolas mais intensas apresentaram maiores concentrações de BHC e DDT do que o previsto. diversidade de espécies. Em todas as amostras coletadas na superfície da água foram detectados resíduos de BHC e DDT. com exceção da piranha. tóxico para o zooplâncton. tóxico para os peixes. rio Tietê. tóxico para zooplâncton e peixes. nos anos de 1976 a 1978. podendo ser considerada uma espécie endêmica do Pantanal e rara. Assim. Espécies raras e ameaçadas de extinção dentro da ictiofauna do Pantanal e Cerrado talvez se possam considerar apenas as formas de Rivulidae anuais. Britski & Figueiredo (1972) fizeram considerações sobre essas questões . Maier et al. Tudo sugere. que devemos encarar com cautela tais questões. sem o que é impossível delimitar áreas ameaçadas. As concentrações encontradas no pintado Pseudoplatystoma corruscans e cachara P. Cáceres et al. na represa de Barra Bonita. Segundo Godinho (1991). bem como aquelas ameaçadas de extinção. no ano de 1945. heptacloro. e o cádmio. em sete. Para citar apenas um exemplo mais atual dentro da área de estudo. algumas populações podem ficar separadas pela barragem. clordano. mas é preciso assinalar que essa situação é transitória. em três. mostrando que o conceito de espécie rara em peixes de água doce em escala regional reflete apenas tal desconhecimento da ictiofauna. pelo uso de pesticidas organoclorados. porque estão mais próximos da área de garimpo de ouro aluvionar. Na maioria das represas. As espécies de peixes mais importantes na pesca comercial são migradoras. Espécies raras e ameaçadas de extinção A questão de determinar espécies raras de peixes. tóxico para zooplâncton. e concluiu que os níveis de HCHTOTAL. O efeito mais direto da construção de uma represa sobre a atividade pesqueira ocorre em relação às espécies reofílicas. Steindachnerina insculpta (iliófago). tóxico para zooplâncton e peixes. aldrina.. Menezes (1996) pondera que para calcular a diversidade de peixes brasileiros poder-se-iam utilizar os critérios e índices correntes . As principais repercussões devidas à ocupação e exploração da terra são as seguintes: desmatamento das margens e intensificação do rítmo natural de colmatação por práticas inadequadas de ordenação e exploração agrícola que. pois. mesmo as escadas de peixes ainda têm sua eficácia discutida. contaminada por DDE e PCB1260. no Pantanal. em sete. Enfatiza também a necessidade de se realizar uma melhor documentação da ictiofauna realizando estudos mais amplos de taxonomia e biogeografia. mas na escala regional. pequeno Glandulocaudinae descrito do rio Bodoquena. raridades.

aos quais retornam obrigatoriamente todos os anos. Esses padrões migratórios são. durante a estação seca. com o retorno ao canal principal. em geral. ocorrem três ciclos principais de migrações de peixes. Analisando esses estudos. 1979. Do lar reprodutivo. 1973). 1954. uma séria ameaça às migrações dessas espécies.tais migrações são consideradas cíclicas e. verifica-se a existência de três tipos básicos de padrões migratórios nos sistemas do Cerrado e Pantanal. que descreve o comportamento exibido pelos peixes no momento da reprodução. com base em entrevistas com pescadores experientes no Submédio e Alto São Francisco estabeleu. No médio-alto Tocantins e em todo o rio Araguaia existiam apenas informações gerais encontradas em Silva (1905) e Paiva (1983). que designa migrações laterais de peixes vindos dos lagos em direção ao rio principal. encontram nos trópicos uma fase homóloga: “inverno fisiológico”(Welcome. 1957. em certos casos. para referências). face a ausência de lagoas marginais nos cursos superiores. EMBRAPA/CPAP. como tal. Ribeiro (1995) apresentou uma revisão completa das principais informações extraidas desta literatura e. No Pantanal. Bonetto & Pignalberi. em função do inverno climático. haja vista que. através de experimentos de marcação-e-recaptura não muito bem sucedidos e que forneceram relativamente poucos esclarecimentos sobre os padrões envolvidos. são carretadas pela correnteza até o lar trófico comum (Bayley. por meio da construção de represas para gerar energia. (1995). pode-se afirmar que o padrão migratório no rio São Francisco é bastante semelhante ao descrito por Lowe-McConnell (1964) para a bacia do rio Rupununi. tróficos e. respectivamente. o padrão geral das migrações de peixes nesta bacia a ser testado neste trabalho. de onde estes partem em uma longa migração ascendente para desovar nas cabeceiras. posteriormente. com a presença de dois lares tróficos. 1979).Diversidade e conservação da biota aquática de conservação. Nas regiões tropicais. os peixes adultos tornam a descer até o lar trófico e. na Guiana. 1963. e. além das tradicionais migrações reprodutivas e tróficas. apenas uma pequena parcela das pesquisas com a ictiofauna de água doce tem sido destinada a estudá-las. seguida por movimentos laterais tróficos em direção à planície de inundação. Tais programas acarretam obstrução das vias fluviais. 1984. No rio Cuiabá. 1959. nesta viagem de retorno são acompanhado pelas larvas que. após a desova. onde permanecem durante seca. que por sua dimensão e peculiaridade. Este padrão geral só parece ser “quebrado” nas imediações do lago de Sobradinho. em períodos correspondentes . vem-se tor­nando cada vez mais importante obter informações detalhadas sobre os padrões migratórios das espécies de peixes.. Bonetto et al. os 215 peixes se concentram em grandes cardumes na boca dos lagos e são muito vulneráveis à captura. 1964. 1972 e 1975). Tomando as informações e hipóteses daquele trabalho como verdadeiras. os jovens se mudam para o lar trófico dos peixes adultos. bastante semelhantes àqueles apresentados por espécies tropicais asiáticas e africanas. parecem representar uma alternativa aos deslocamentos tróficos e ao inverno fisiológico. no alto Rio Paraná (Godoy. que corresponde a um “inverno fisiológico”. . (b) a “piracema”. o estudo das migrações das espécies de peixes potramodômicos só teve início. Este padrão envolve a presença de um único lar trófico para peixes jovens e adultos. de um modo geral. no entanto. Os movimentos migratórios de espécies tropicais são. os quais determinam as estratégias de pesca: (a) a “lufada”. em essência. no início da vazante. ou desmatamento das áreas das planícies de inundação com fins agrícolas ou de exploração madeireira. Por compreenderem ciclos de movimentos entre os habitat reprodutivos. O padrão migratório mais simples é característica do rio Pilcomayo (Alto-Paraguai. para os quais migram. considerando a crescente demanda de programas de desenvolvimento das bacias hidrográficas. constituindo. por hipótese. os habitat de inverno fisiológico .1986. Nas regiões do baixo e médio Rio Paraná (Bonetto. as migrações de Prochilodus envolvem um ciclo migratório mais complexo. “subienda” nos demais países sul-americanos. a partir da década de 50 (veja Welcome. em uma escala científica. 1967. na Bolívia). (c) a “rodada”. caracterizam cada sistema hidrológico como um verdadeiro “território” (“Home”) para as respectivas populações. durante a cheia. em uma migração ascendente rumo ao lar reprodutivo conhecida como “piracema”(do tupi-guarani. Ribeiro et al. similares àqueles identificados em espécies potamodrômicas das regiões temperadas. As migrações de peixes no rio São Francisco foram estudadas por Jucá (1978) e Paiva & Bastos (1982). Por um curto período. A desova para a maioria das espécies se dá entre dezembro e fevereiro (Ferraz de Lima. 1991). 1971). ocorrendo simultaneamente com a piracema. ocorrendo no rio Cuiabá em outubro-novembro. Este padrão é representado por uma migração reprodutiva ascendente no início da enchente. onde possam desfrutar de um suprimento alimentar. Antes de atingida a maturidade sexual. durante a lua cheia. de onde partem. Não obstante a importância econômica das migrações. que designa forte migração de cardumes rio acima. fluxo de peixe acima) no Brasil ou. 1946. também. os peixes adultos e larvas. os movimentos sazonais ocorridos nas regiões temperadas. o fenômeno ocorre em abril-junho.

e aumento da necessidade de intervenção humana para manter o sistema (Welcomme 1995). No entanto. se mudanças em uma espécie afetam as respostas das demais espécies associadas. controle de inundações. agricultura da terra firme. As respostas das comunidades de peixes à esses fatores estressores acontece na seguinte sequência: eliminação das principais espécies migratórias. Além disso. e outras degradações difusas) ocasionam modificações na estrutura e nos processos desses ecossistemas. O crescente desenvolvimento de novos “pacotes tecnológicos” para a criação de espécies nativas. pastagens. introduções de espécies exóticas. Espécies exóticas têm contribuido para dizimação local de muitas comunidades nativas. renova constantemente a motivação para outros . irrigação. assoreamento. O fluxo gênico das espécies exóticas para o genoma das espécies nativas pode interromper as sequências genéticas que permitem às nativas permanecerem bem adaptadas às condições específicas de seu nicho ambiental (Krueger & May 1991). impactos nos rios provenientes da bacia de captação podem se manifestar por centenas de anos. acabam acontecendo retrocruzamentos que diminuem a variabilidade genética e.com base em observações pessoais. Por outro lado. mas são também mais rápidos de serem restaurados. sobretudo em reservatórios ou para restaurar espécies ameaçadas de extinção. têm sistematicamente fracassado. habitats e segmentos de rios advêm sobretudo da parte central dos Estados Unidos. que passam a flutuar em níveis de organização progressivamente mais baixos. Parasitas carregados em hospedeiros resistentes podem facilitar sua invasão ao infectarem competidores nativos. consequentemente. No entanto. como competição e predação são fortes (como no potamon). interferindo de forma diferenciada na capacidade de sobrevivência das diferentes espécies da comunidade. Quando as interações. à partir de matrizes criadas em laboratório. especialmente em áreas sob pressão de desenvolvimento (Moyle & Williams 1990). poderiam alternativamente produzir flutuações menos intensas. é provável que os fatores bióticos não apresentem respostas em tempo suficientemente curto para intervir. Alterações antrópicas diretas nos ecossistemas aquáticos (usos diversos da água para navegação. em predação ou competição. Existe ainda muita controvérsia sobre quais fatores (bióticos ou abióticos) controlam a estrutura das associações de peixes. diminuem a adaptabilidade da pequena população sob restauração. Os microhabitats são mais sensíveis aos distúrbios antropogênicos. forneceram melhores evidências para estabelecer hipóteses migratórias para aquela região. enquanto soluções de engenharia são mais complicadas e caras a longo prazo. com a diminuição da abundância das nativas. redução do tamanho médio. progressiva eliminação dos elementos maiores da comunidade. em entrevistas com pescadores experientes e em estatísticas de desembarque pesqueiro no médio Tocantins. redução da qualidade das capturas. reconhecendo padrões distintos para o médio Tocantins-baixo Araguaia. geralmente. e o tratamento é irreversível (Ross 1997). Tentativas de mitigação de impactos com a introdução de espécies exóticas ou através de peixamentos com espécies nativas provenientes de laboratório têm tido grande apelo popular nas últimas décadas. Estas modificações diminuem a integridade ecológica desses sistemas. Ou seja. Exemplos bem sucedidos de restauração de microhabitats. a restauração de habitats/comunidades previamente alteradas ou interferências antrópicas mais adequadas à esses sistemas. presume-se que a perda ou adição de espécies modifique a estrutura daquelas remanescentes. Peixamentos com espécies nativas. Em geral. são as piores armas. 216 Os efeitos e a restauração de distúrbios nas unidades ambientais e nas comunidades dependem da escala.) ou indiretas nas bacias de drenagem (desmatamentos. caracterizadas como “usos sustentáveis”. essa estratégia “mitigatória” continua sendo enfatizada. submédio Araguaia e médio-alto Araguaia. ocorre perda de variabilidade genética tornando-as ainda menos aptas à se ajustar às condições ambientais variáveis. a compatibilização de usos humanos adequados com comunidades balanceadas e auto-reguladas . depósito de poluentes. Como poucos peixes são utilizados como matrizes reprodutivas em laboratório. Por outro lado. As interações entre as espécies exóticas e nativas implica. visando incrementar populações deplecionadas. de modo a alcançar o “melhor dos dois mundos” ou seja. substituição de espécies nativas por espécies exóticas. flutuações nas capturas. Por outro lado. os procedimentos mitigatórios de melhor custo-benefício são aqueles que imitam e aceleram os processos naturais de restauração. mas a transferência de doenças tem crescido à taxas alarmantes. mas em torno de níveis aceitáveis de integridade ecológica (embora nunca tão altos como nos sistemas primitivos). Além disso. redução nas capturas. espécies introduzidas podem hibridizar com espécies nativas se os dois taxa forem próximos. etc. se as forças físicas são muito dinâmicas (como no rhithron ou em áreas submetidas à forte pressão antrópica). geração de energia. pois causam mais problemas do que soluções.

posteriormente de suas capturas. Paralelamente. sob qualquer intensidade. causadas pelo aumento da intensidade das capturas. refletindo-se em frustração e abondono do setor a sua própria sorte. Considerando que o governo brasileiro referenda esse Código de Conduta como um “Marco Teórico Referencial” a ser perseguido. com diminuição do comprimento médio das espécies sob maior pressão e. culminaram por estigmatizar os pescadores profissionais como os gran- . segundo a percepção dos usuários. propõe que aumentos na pressão pesqueira acarretem um crescimento inicial nas capturas até um patamar que é sustentável sob uma gama de pressões de pesca crescentes. que a pesca. em conformidade com a conceituação oficial de Desenvolvimento Sustentável da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente (ONU 1987). cada vez mais espalhada. A maioria desses conflitos ocorre entre pescadores profissionais e esportivos que competem pelos mesmos recursos pesqueiros. não apenas a uma ou duas espécies de grande porte referenciais (Welcomme 1995). e. A pesca é uma das atividades tradicionais de maior importância social. enquanto ignoram ou mesmo excluem as possibilidades de conservação efetiva das comunidades nativas. engendradas no imaginário da sociedade por outros usuários do recurso (especialmente por pescadores amadores) ou por outros setores de desenvolvimento. Durante aquela fase em que a captura total permanece constante. a “crença popular e oficial” de que as redes acabam indiscriminadamente com qualquer estoque pesqueiro. Welcomme & Henderson (1976) propuseram um modelo para explicar as modificações nas pescarias multi-específicas. já validado para diferentes sistemas temperados e tropicais (Welcomme 1995). Uso sustentável da biodiversidade aquática no Cerrado e Pantanal Welcomme (1995) demonstrou que efeitos similares são produzidos nas comunidades de peixes independente da natureza do fator estressor. A ausência dos órgãos de controle e extensão pesqueira Federal e Estaduais e. Isto implica que os conceitos de sobrepesca ou rendimento ótimo sustentável devem referir-se à comunidade como um todo.Diversidade e conservação da biota aquática peixamentos. as agências de desenvolvimento interessadas costumam argumentar que (a) os sistemas aquáticos estão se tornando tão perturbados que inviabilizarão a explotação pesqueira se não houver suplementação dos estoques. com a diversificação do esforço por um número maior de espécies. Herança (a) da ideologia desenvolvimentista equivocada e omissa que (des)orientou a atuação do setor pesqueiro até o final da década de 80 com a falta de uma política explícita e consistente. de graves conflitos entre grupos distintos de pescadores. Assim. este Código reconhece o interesse de todos os agentes relacionados com a pesca e. Neste sentido. (c ) do planejamento setorial. Uma das maiores evidências da crise estrutural do setor pesqueiro nas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal é a existência. à biodiversidade e às necessidades da sociedade. então. Cumpre. Não obstante sua importância estratégica para a região. portanto. o modelo de desenvolvimento sustentável para a pesca deve se coadunar com suas disposições e premissas. (b) aumentos crescentes da demanda por pescado nativo requerem suplementação dos estoques. Assim. Esse enfoque visa favorecer alguns grupos de interesse. além dos interesses dos consumidores e de outros usuários. sua dúbia reputação por agir também como “polícia ambiental” contribuiram para agravar a situação. (b) da insensibilidade e despreparo do Poder Público para perceber a necessidade e a natureza ideal de suas intervenções no gerenciamento de uma atividade marcada pela grande variabilidade natural e sócio-econômico-político-cultural. estão em crescente depleção. as características ecológicas dos recursos explotados e do seu ambiente. Aumentos na pressão além de certos limites resultam em desestabilização e eventual colapso da pescaria. sob a nova ética de respeito ao ecossistema. modificações na estrutura das comunidades submetidas à excessiva pressão de pesca são análogas àquelas decorrentes de outros usos da água ou da terra na bacia de drenagem. investigar quão distante a realidade atual se encontra da “Gestão Responsável”. desarticulado e desfocado das necessidades e oportunidades regionais. econômica e cultural em muitas das bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal. Elaborado a partir dos 217 compromissos sugeridos pela “Declaração de Cancun” e pela “AGENDA 21” da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD 1992) e. Cumpre ressaltar. com vistas a assegurar a explotação sustentável dos recursos aquáticos vivos. a pesca foi relegada a um plano secundário nas ações de governo. ocasiona a perda das espécies de maior porte da comunidade ou daquelas preferenciais ao consumo humano. estoques individuais vão sendo progressivamente sobrepescados. leva em consideração as condições econômicas. O Código de Conduta para a Pesca Responsável (FAO 1994) estabelece diretrizes e normas internacionais voluntárias para a aplicação de práticas responsáveis. a pesca vive uma profunda crise estrutural. sociais e culturais da sociedade. as espécies preferenciais vão sendo progressivamente substituídas por espécies secundárias. Este modelo (Figura 7). os quais.

das novas formas de integração e atuação da sociedade nos processos de planejamento regional e da articulação integral de todas as dimensões do desenvolvimento humano no Cerrado e Pantanal. Não obstante as soluções criativas que vêm sendo implementadas sob a nova ótica oficial. por assim dizer. governo e sociedade civil estão paulatinamente estreitando relações e redirecionando a atuação do setor pesqueiro regional em busca daquelas oportunidades. des culpados por uma imaginada depleção generalizada dos recursos pesqueiros e. cultural e política da pesca regional torna o seu manejo extremamente complexo. A exploração e a conservação dos recursos pesqueiros estão fortemente condicionadas aos usos e ocupação das bacias de drenagem promovidos pelos 218 . ao mesmo tempo conservando. possibilitando extrair das oportunidades regionais soluções criativas para a sua própria sustentabilidade.diversos setores de governo e da sociedade civil. a variabilidade existente. social. Existem oportunidades promissoras para que a economia regional se fortaleça com base na explotação sustentável de recursos que se renovam anualmente pelo ciclo das águas. Nesta atmosfera dissonante. Os maiores desafios passam pela redefinição da interferência que se espera do Estado. Figura 7. é dessa mesma variabilidade que devem ser extraídas as bases para o seu sucesso. ainda há um longo caminho a percorrer para que se alcance a sustentabilidade do setor e sua gestão responsável. tirando proveito e. Este contexto paradoxal está expresso também na constatação de Becker (1995) de que a saída para o modelo da economia globalizada está na valorização das diferenças. como os típicos vilões dos conflitos. devendo ser tratado no âmbito do “Planejamento Integrado do Governo”. Assim. Mas. Motivados pela necessidade e urgência da mediação dos conflitos. A diversidade ambiental. com a prioridade que lhe é devida. o desenvolvimento sustentável de todos os agentes de desenvolvimento das bacias hidrográficas. Modelo do processo de fishing-up proposto por Welcomme & Henderson (1976). as discussões se polarizaram por algum tempo entre conservacionistas extremados (que passaram a lutar pela proibição das redes) e os antigos desenvol­vimentistas (clamando pela reestruturação do setor sob as mesmas bases que nortearam sua desorganização). o desenvolvimento sustentável do Setor Pesqueiro reflete.

Lista de espécies por bacia hidrográfica do Cerrado e Pantanal e seu uso econômico PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Rajiiformes Potamotrygonidae Potamotrygon motoro P.n. pesu Brycon sp.Tabela 9.n. lundii B. reinhardti X Brycon matrinchao Brycon brevicauda Brycon pesu Brycon sp. cf. erythrurus Chalceus macrolepidotus Triportheus paranensis X X X X X X X X X X X X X X X X X X Triportheus nematurus Triportheus guentheri Triportheus signatus Triportheus angulatus Triportheus elongatus Diversidade e conservação da biota aquática Triportheus auritus *Triportheus trifurcatus . aff. 1 Brycon sp. falkneri Potamotrygon signatus *Potamotrygon dorbigny Potamotrygon sp. melanopterus Brycon sp. aff. 2 Chalceus sp. orbignyanus Brycon hilarii 219 B. Lepidosireniformes Lepidosirenidae Lepidosiren paradoxa X Osteoglossiformes Osteoglossidae X X Osteoglossum bicirrhosum Arapaimidae Arapaima gigas Clupeiformes Pristigasteridae Pellona flavipinnis X X X X X X X Pellona castelnaeana Pristigaster cayana X Characiformes Characidae Brycon microlepis Brycon nattereri B. brachyura P.

X X X X X X X Bryconamericus victoriae *Bryconamericus novae Gymnocorymbus ternetzi Gymnocorymbus thayeri Moenkhausia dichroura 220 X Moenkhausia intermedia X Moenkhausia oligolepis Moenkhausia sanctaefilomenae X Moenkhausia costae X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Moenkhausia sp Moenkhausia colletti Moenkhausia cotinho Moenkhausia sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Triportheus albus X X X Tetragonopterus argenteus Tetragonopterus chalceus Markiana nigripinnis Bryconamericus chapadae Bryconamericus exodon Bryconamericus stramineus Bryconamericus sp. newtoni *Moenkhausia pyrophthalma Bryconops melanurus Bryconops caudomaculatus Bryconops novae Bryconops gracilis Ctenobrycon alleni X X Ctenobrycon hauxwellianus . georgiae Moenkhausia gracilima Moenkhausia grandisquamis Moenkhausia sp. melogramma Moenkhausia sp. cf.cf. cf. cf. justae/jamesi Moenkhausia lepidura *Moenkhausia loweae Moenkhausia sp.

trierythropterus Astyanax lineatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Astyanax marionae 221 X Astyanax pellegrini A.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X X X X X X X Coptobrycon hanseni Piabarcus analis Deuterodon acanthogaster Astyanacinus moori *Astyanacinus goyacensis Astyanax bimaculatus X X Astyanax bimaculatus novae A. intermedius rivularis A. anteroides *Astyanax kullanderi Hemigrammus lunatus X X H. cf. scabripinnis X A. ocellifer X X X X X H. paranahybae A. taeniatus Astyanax guianensis Astyanax polylepis Astyanax scintillans Astyanax symmetricus *Astyanax goyacensis Astyanax sp. cf. schubarti X X X X X A. tridens H. nanus . ulreyi Diversidade e conservação da biota aquática Hemigrammus brevis H. maxillaris H. eigenmanniorum X X Astyanax fasciatus A. lacustris A. gracilior Astyanax sp. marginatus H.

rodwayi Hemigrammus sp. Phenacogaster jancupa P. santae H. tegatus Phenacogaster franciscoensis Psellogrammus kennedyi Hyphessobrycon anisitsi H. dentatus A. serpae Hyphessobrycon gracilis Hyphessobrycon gr. cf. Piabina argentea X Engraulisoma taeniatum Creatochanes affinis Creagrutus sp. bentosi 222 X X Hyphessobrycon sp1 *Hyphessobrycon balbus *Hyphessobrycon coelestinus *Hyphessobrycon haraldschultzi *Hyphessobrycon stegemanni Hyphessobrycon spp. beni *Creagrutus atrisignum *Knodus breviceps *Rhinopetitia myersi Thayeria boehlkei Prionobramma paraguayensis X X X X Megalamphodus megalopterus X Aphyocharax anisitsi A. paraguayensis . cf. herbertaxelrodi H.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Hemigrammus sp. lutkeni H. elachys H. callistus Hyphessobrycon eques H.

pusillus Holoshestes pequira Holoshestes heterodon X Aphyocheirodon hemigrammus Cheirodon piaba C. kriegi X X X X X X X X O. fugitiva Compsura heterura X X Megalamphodus micropterus Xenurobrycon macropus X X X X X Mimagoniates barberi Planaltinae myersi Planaltinae sp Hysteronotus megalostomus Clupeacharax anchoveoides X X X X X X X X X X X X X X X Piabucus melanostomus Iguanodectes spilurus Salminus maxillosus Saminus hilarii Salminus brasiliensis Cynopotamus argenteus X X X X X C. rathbuni X X X X X X X X X X Aphyocharax difficilis Aphyocharax sp. cf. stenodon Cheirodon sp Odontostilbe calliura O.cf. microdon O. paraguayensis Odontostilbe microcephala Odontosbilbe sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL FRANCISCO ESPORTIVA X X X PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES A. kincaidi *Cynopotamus tocantinensis Galeocharax humeralis Diversidade e conservação da biota aquática Galeocharax knerii . Odontostilbe iheringi 223 X X X Odontostilbe sp.

Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X Galeocharax gulo Acestrocephalus sardina Roeboides bonariensis R. xenodon Roeboides myersi Roeboides thurni Roeboides sp. calverti Phenacogaster sp. descalvadensis R. 224 X Phenacogaster sp. paranensis R. Charax leticiae X X X X X X X X Charax sp Roestes molossus Exodon paradoxus Roeboexodon sp. Acestrorhynchus pantanero X X X X X X Acestrorhynchus lacustris Acestrorhynchus britskii Acestrorhynchus sp Acestrorhynchus falcatus Acestrorhynchus microlepis Oligosarcus pintoi X X X X X X X X O. planaltinae Oligosarcus jenynsii O. paranensis O. prognatus Roeboides francisci R.cf. meadi Poptella paraguayensis X X Poptella compressa Brachychalcinus retrospina Brachychalcinus parnaibae Orthospinus franciscensis Catoprion mento X .

cf. Myleus sp2. Metynnis orbicularis Metynnis fasciatus Metynnis hypsauchen Mylossoma paraguayensis M. ou Myloplus sp. Myleus sp1. micans Myleus sp. torquatus Myleus spp. cf. orbignyanus X Mylossoma aureum X Mylossoma duriventris Piaractus mesopotamicus X X 225 X Piaractus brachypomus Myleus altipinnis Myleus schomburgkii Myleus asterias Myleus pacu Myleus sp. mola X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Metynnis sp. Metynnis maculatus M. *Acnodon normani Utiaritichthys sennaebragai *Mylesinus paucisquamatus Pygocentrus nattereri Pygocentrus piraya Serrasalmus marginatus Diversidade e conservação da biota aquática S. asterias Myloplus sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL X ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Myloplus levis Myloplus tiete Myloplus aureum X Myloplus cf. Myleus sp. spilopleura Serrasalmus rhombeus .

Hemiodontidae Hemiodopsis semitaeniatus X X X X H. zebra X X Characidium aff. Crenuchidae Characidium borellii X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X C. ibitiensis A. A Apareiodon sp.3 226 X X *Melanocharacidium auroradiatum Cynodontidae Rhaphiodon vulpinus Cynodon gibbus Hydrolycus sp. pirassunungae Parodon gestri Parodon tortuosus X Parodon hilarii Parodon sp. lateralis C.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Serrasalmus brandtii Serrasalmus eigenmanni Serrasalmus humeralis *Serrasalmus geryi *Serrasalmus gibbus Pristobrycon serrulatus Agoniates anchovia Agoniates sp. B Apareiodon aff. zebra Characidium fasciatum Characidium sp1 Characidium sp2 Characidium sp. piracicabae Apareiodon hasemani Apareiodon sp. microlepis Hemiodopsis gracilis *Hemiodopsis ternetzi . Parodontidae Apareiodon affinis X X X X X X X X X X A.

X X X X X X X X X X *Bivibranchia velox Anodus orinocensis Prochilodontidae Prochilodus lineatus P.n. vanderi Cyphocharax gilberti Cyphocharax notatus Cyphocharax stilbolepis *Cyphocharax signatus Diversidade e conservação da biota aquática Steindachnerina brevipinna S. vimboides Prochilodus affinis P. nageli C. marggravii Prochilodus lacustris Prochilodus nigricans X Semaprochilodus squamilentus Semaprochilodus brama 227 X Gasteropelecidae Thoracocharax stellatus Curimatidae Curimatopsis myersi X X X X X X X Psectrogaster curviventris Psectrogaster rhomboides Psectrogaster amazonica Curimatella dorsalis Curimatella lepidura X Curimatella immaculata Potamorhyna squamoralevis X X X X X X X X X X X Cyphocharax gillii Cyphocharax modesta C. conspersa .Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Hemiodus orthonops Hemiodus notatus Hemiodus parnaguae Hemiodus rodolphoi Hemiodus unimaculatus Argonectes sp.

microphthalmus L. paranensis L. octofasciatus L. lacustris X L. striatus Leporinus amblyrhynchus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X L. macrocephalus 228 X L. Steindachnerina elegans Steindachnerina notonota *Steindachnerina gracilis *Steindachnerina amazonica Curimata macrops X X X X X X X X X X X X X X X X Curimata cyprinoides *Curimata acutirostris Anostomidae Leporellus vittatus Leporellus cartledgei X Leporinus elongatus L. 2 . obtusidens L. nigrotaenia Steindachnerina insculpta Steindachnerina sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES S.n. n. taeniatus Leporinus fasciatus Leporinus affinis Leporinus pachycheilus *Leporinus tigrinus Leporinus trifasciatus *Leporinus bimaculatus Leporinus sp. reinhardti L. friderici L. marggravii L. melanopleura L. piau L. 1 Leporinus sp.

4. X X X X X Leporinus sp. dissimilis S. Leporinus sp. 3 Leporinus maculatus Leporinus spp. Gymnotiformes Rhamphichthyidae Rhamphichthys hahni X X X X X Rhamphichthys rostratus *Rhamphichthys marmoratus Diversidade e conservação da biota aquática Gymnorhamphichthys hypostomus Gymnorhamphichthys rondoni . fasciatus Schizodon altoparanae Schizodon nasutus Schizodon vittatus X X X X X X X X X X X X X X X Anostomus ternetzi 229 X X X X X *Laemolyta petiti Laemolyta taeniata Anostomoides laticeps Lebiasinidae Pyrrhulina australis Erythrinidae Erythrinus erythrinus Hoplerythrinus unitaeniatus X X X X X X X X X X X X X X X X Hoplias malabaricus Hoplias gr. lacerdae X Chilodontidae Caenotropus labyrinthicus Chilodus punctatus Ctenoluciidae Boulengerella cuvieri Boulengerella maculata Incertae Sedis Microschemobrycon sp. Abramites hypselonotus X Schizodon borellii S.n. malabaricus Hoplias gr.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Leporinus sp. isognathus Schizodon knerii Schizodon rostratus X X X S.

brasiliensis T. 1 230 X X X Brachyhypopomus sp. Sternachorhynchus oxyrhynchus Sternarchogiton sp. A X X X X X X X Sp. eichorniarium T. Platyurosternarchus sp. brasiliensis Porotergus ellisi Sternachella curvioperculata Sternarchella schotti Sternarchorhamphus hahni Sternarchorhynchus curvirostris X Sternarchorhynchus sp. C. aff. B Sp. Electrophoridae Electrophorus electricus Siluriformes Trichomycteridae Trichomycterus amazonicus X X T.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Gymnotidae Gymnotus carapo Gymnotus inequilabiatus Sternopygidae Sternopygus macrurus Sternopygus obtusirostris Eigenmannia trilineata E. herberti . Brachyhypopomus pinnicaudatus Brachyhypopomus sp. virescens Eigenmannia microstoma Eigenmannia microstoma *Eigenmannia vicentespelaea Eigenmannia sp. 2 Hypopomus sp X Apteronotidae Apteronotus albifrons X X X X X X X X X X X X X X Apteronotus sp A. virescens *Archolaemus blax Hypopomidae Sp.

Pseudopimelodus zungaro Pseudopimelodus roosevelti Pseudopimelodus fowleri Microglanis cottoides X X X X X X Microglanis sp Rhamdia hilari R. tenebrosa *Phenacorhamdia somnians Phenacorhamdia sp. valenciennesi X Ageneiosus dentatus Pimelodidae Hypophthalmus edentatus X X Hypophthalmus marginatus Phenacorhamdia hoehnei Phenacorhamdia unifasciata X X X X X X X X X P. johnsoni Trichomycterus proops X T. ucayalensis X A. pubescens Diversidade e conservação da biota aquática R. quelen Pimelodella gracilis . reinhardti *Trichomycterus punctatissimus Paravandellia bertoni Ochmacanthus batrachostomus X Pseudostegophilus maculatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Parastegophilus scarificator Stegophilus insidiosus Ituglanis parkoi *Henonemus intermedius *Tridentopsis tocantisi *Ammoglanis diaphanus X X X X Pareiodon microps Vandellia cirrhosa Ageneiosidae Ageneiosus brevifilis 231 X X X X X X X X X A.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES T.

avanhandavae Pimelodus argenteus 232 X X X X X X X X X X X X X P. Iheringithchys labrosus X Pinirampus pirinampu Luciopimelodus pati X X Megalonema platanus Leiarius pictus X Hemisorubim platyrhynchus Paulicea luetkeni Sorubim lima Pseudoplatystoma corruscans X P. cf.1 Pimelodus blochii Pimelodus sp. taenioptera Pimelodella avanhandavae P. fur Pimelodus fur P. insignis P. laurenti P. rudolphi P. ornatus P. notomelas P. vittata Pimelodella cristata P. cf. parnahybae P. steindachneri X X X X X X X X X X Pimelodella sp. megalura P. paranensis X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Pimelodus sp. lateristriga P.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES P. cf. cristata Pimelodella sp. mucosa P. maculatus P. fasciatum Bergiaria westermanni .

Rhamdella sp Brachyplatystoma filamentosum B. mirini I.n. cf.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Imparfinis minutus I.parnahybae Pimelodina flavipinnis Nannorhamdia sp. Heptapterus sp X X X Gen. Steindachneridion scripta Bagropsis reinhardti Conorhynchus conirostris Duopalatinus emarginatus 233 X Lophiosilurus alexandri X Pseudopimelodus fowleri X X Pseudopimelodus sp. hollandi X Cetopsorhamdia iheringi X X X Cetopsorhamdia sp. novo brachynema Gen. Brachyrhamdia sp. doriae Bunocephalus larai . novo hollandi Rhamdiopsis sp. schubarti Imparfinis microcephalus Imparfinis sp. novo longicauda X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Gen. Zungaro zungaro Sorubimichthys planiceps Phractocephalus hemioliopterus Platynematichys notatus Platystomatichthys sturio *Aguarunichthys tocantinsensis Aspredinidae Amaralia hypsiura X X X X Bunocephalus australis Diversidade e conservação da biota aquática B.

leopardinus Glanidium cesarpintoi Glanidium albescens Tocantisia piresi Doradidae Genero novo sp. 2 Aspredo aspredo Dysichthys coracoideus Dysichthys aleuropsis Auchenipteridae Entomocorus benjamini Tatia neivai Tatia schultzi *Tatia simplex Pseudotatia parva X X Epapterus chaquensis X X X X X Auchenipterus nigripinnis A. striatulus P. Oxydoras kneri X Oxydoras niger Trachydoras paraguayensis X X X X X Doras eigenmanni Franciscodoras marmoratus Hassar affinis Hassar sp. 1 Bunocephalus sp. nova Anadoras weddellii X X X X X X X X X Platydoras armatulus Platydoras costatus Pterodoras granulosus Rhinodoras dorbignyi X Rhinodoras sp. . nuchalis X X X X Auchenipterichthys thoracatus Trachelyopterus coriaceus X X X X X X X Parauchenipterus galeatus 234 X X X X X P.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X Bunocephalus sp.n.

pectorale X X X X X X X H.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Megalodoras uranoscopus Cetopsidae Pseudocetopsis gobioides Pseudocetopsis chalmersi Pseudocetopsis plumbeus Cetopsis coeticuens Callichthyidae Calichthys callichthys Hoplosternum littorale X H. hastatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X C. macropterus C. lakoi Aspidoras raimundi *Aspidoras pauciradiatus *Aspidoras albater *Aspidoras eurycephalus Diversidade e conservação da biota aquática Aspidoras poecilus Aspidoras aff. poecilus . aurofrenatus C. microps C. personatus Hoplosternum thoracatum X Corydoras aeneus C. paleatus C. treitlii *Corydoras araguaiensis *Corydoras maculifer *Corydoras cochui *Brochis splendens Brochis britskii X Aspidoras fuscoguttatus A. polystictus 235 Corydoras sp C. multimaculatus Corydoras julii C. garbei C.

Hemiodontichthys acipenserinus X Spatuloricaria evansii Rinelocaria cacerensis R.A: Farlowella sp. platymetopon Loricariichthys parnahybae L. hoehnei R. steindachneri Rineloricaria derbyi Rineloricaria sp Loricariichthys labialis X X X X X X L. oxyrhynchus X *Farlowella henriquei Farlowella amazona Farlowella spp. rostratum X X X X X X 236 X X X Sturisoma sp. nigricauda X X X X X X X X R. parva Rineloricaria latirostris R. pentamaculata Rineloricaria lima R.B: Sturisoma barbatum S. Farlowella jauruensis X F. typus Loricariichthys nudirostris Pseudohemiodon platycephalus X . Farlowella sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X X Megalechis personatus Megalechis thoracatus Scoloplacidae Scoloplax empousa Scoloplax distolothrix Loricariidae Neoplecostomus paranensis Neoplecostomus franciscoensis X Neoplecostomus sp.

Otocinclus hasemani Hisonotus francirochai X X X X Hisonotus sp. Parotocinclus britskii Parotocinclus sp. prolixa L.2 . cirrhosus Ancistrus sp. vittatus Otocinclus sp. cataphracta L. lentiginosa Loricaria nudiventris Loricaria parnahybae L. similima X Loricaria macrodon L.n. piauhiae *Loricaria lata Loricaria spp. hoplogenys Ancistrus stigmaticus *Ancistrus sp1 *Ancistrus cryptophthalmus Ancistrus ranunculus Diversidade e conservação da biota aquática Ancistrus cf. piracicabae L. 237 Pseudoloricaria punctata Hypoptopoma guentheri X X X Hypoptopoma cf. Hartia sp. Ancistrus cirrhosus X X X X X X X X A. X Harttia sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Pyxiloricaria menezesi Brochyloricaria macrodon Loricaria apeltogaster L. guntheri Otocinclus vittatus Otocinclus cf.

latifrons H. nigromaculatus H. variostictus Hypostomus albopunctatus H. scaphyceps H. lexi . multiradiatus Xenocara damasceni *Hemiancistrus niveatus Hemiancistrus sp. regani H.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Megalancistrus aculeatus Pterygoplichthys etentaculatus P. strigaticeps H. paulinus H. Panaque nigrolineatus X Panaque sp. Acanthicus hystrix Pseudacanthicus spinosus Pseudacanthicus sp. Rhinelepis strigosa X X X X X Rhinelepis aspera Liposarcus anisitsi X X X X X X X X X X Hypostomus auroguttatus 238 H. macrops H. lituratus P. hermanii H. latirostris H. margaritifer H. piratatu X X X X X X X X X X X X X H. boulengeri H. cf. cf. commersoni H. margaritifer H. commersonii H. fluviatilus H.

sp.n 4 . vaillanti *Hypostomus atropinnis *Hypostomus asperatus Hypostomus sp d *Hypostomus goyazensis 239 X X *Hypostomus vermicularis Hypostomus spp. variipictus H. plecostomus H. *Glyptoperichthys joselimaianus Cochliodon cochliodon X X X X X X X X X Cyprinodontiformes Poeciliidae Pamphorichthys hasemani X *Pamphorichthys araguaiensis *Cnesterodon septentrionalis Phalloceros caudimaculatus Phallotorynus fasciolatus P. Plecostomus sp. francisi H. Hypostomus sp.B. vivipara Gen.C. Plecostomus sp. jucundus Poecialia reticulata P. Hypostomus sp.A Hypostomus sp. spilurus H.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES H. iheringi H. wuchereri Hypostomus sp H. garmani Hypostomus alatus H. ancistroides H. hollandi Diversidade e conservação da biota aquática P. brevis H.

hellneri S. pinima Rivulus vittatus Rivulus sp *Rivulus zygonectes *Rivulus violaceus Cynolebias boitonei X X X X X Cynolebias perforatus X X *Cynolebias griseus Pterolebias longipinnis X P. ghisolfii S. parvipinnis X Stenolebias bellus Stenolebias damacenoi Simpsonichthys alternatus X X X X X X X X X X S. trilineatus S. flavicaudatus S.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Rivulidae Rivulus punctatus Rivulus pictus Rivulus decoratus R. fulminantis S. zonatus *Simpsonichthys flammeus *Simpsonichthys multiradiatus . phasianus Plesiolebias glaucopterus X *Plesiolebias aruana X X X X X X X X X 240 X X X *Plesiolebias lacerdai *Plesiolebias xavantei Trigonectes balzanii *Trigonectes strigabundus *Trigonectes rubromarginatus Neofundulus paraguayensis N. apiamici R. magnificus S.

trifasciatus Apistogramma agassizi Apistogramma sp. inconspicua A. squamosissimus Plagioscion surinamensis Pachyurus bonariensis X X X 241 X X Pachyurus francisi P. commbrae A.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES *Simpsonichthys notatus *Simpsonichthys costai *Simpsonichthys marginatus *Pituna compacta *Pituna poranga *Maratecoara lacortei X *Maratecoara formosa Beloniformes Belonidae Potamorhaphis eigenmanni X X X X X X X X Potamorrhaphis guianensis Pseudotylosurus angusticeps Pseudotylosurus microps Perciformes Sciaenidae Plagioscion ternetzi Plagioscion auratus P. vittata Crenicichla jaguarensis . semifasciata Diversidade e conservação da biota aquática C. Cichla sp X Cichla monoculus Cichla temensis Gymnogeophagus balzanii X X X X X X X Satanoperca pappaterra Satanoperca jurupari Crenicichla edithae C. squamipinnis *Pachyurus paucirastrus Cichlidae Apistogramma borellii X X X X X X X X X X X X A.

Astronotus ocellatus Biotodoma cupido *Retroculus lapidifer Heros severus . Astronotus ocellatus Chaetobranchopsis australis X X X X X X X X X X X X X Cichlasoma dimerus Cichlasoma facetum C. jegui Crenicichla johanna Crenicichla lugubris *Crenicichla cf. vittatus Aequidens sp. haroldoi C. stocki Crenicichla lacustris Crenicichla strigata Bujurquina vittata X X X X X X Aequidens plagiozonatus 242 X X X X Aequidens cf. paranaense Cichlasoma sanctifranciscense *Cichlasoma Mesonauta festivus X *Mesonauta acora Geophagus brasiliensis Geophagus sp. Laetacara dorsigera X X Laetacara sp. jupiaensis C. cf. britskii Crenicichla lepidota Crenicichla saxatilis *Crenicichla astroblepa Crenicichla inpa Crenicichla regani Crenicichla sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES C.

Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X Hypselacara temporale Chaetobranchus flavescens Synbranchiformes Synbranchidae Synbranchus marmoratus Pleuronectiformes Achiridae Catathyridium jenynsii Apionichthys spp.(?) Achiropsis asphyxiatus Clupeiformes Engraulidae Anchoviella vaillanti X X X X X X X Anchoviella sp Anchovia pallida Anchovia potiana Anchovia surinamensis Lycengraulis batesii Tetraodontiformes Tetraodontidae Colomesus psittacus 243 Diversidade e conservação da biota aquática .

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c. as unidades de conservação devem procurar abranger 251 Bacia do Alto Rio Paraguai (Figura 8) 1. indicando um ponto de referência (coordenadas geográficas) em suas cabeceiras. Tapajós e Madeira. sem indicar trechos ou áreas delimitadas.rio São Marcos) nas proximidades do Distrito Federal. com auxílio de um Sistema de Informações Geográficas. Estado de Mato Grosso do Sul (21º40’S 56º10’W). Ecótone Cerrado-Amazônia. Ecótone Cerrado-Mata Atlântica. os cursos de alguns rios. Estimativas para a América do Sul apontam para a ocorrência de quase 3000 espécies de peixes. (c ) as planícies de inundação dos grandes rios. apenas 0. novas Unidades de Conservação devem ser estabelecidas para proteger especificamente a biodiversidade contida nas águas continentais do Cerrado e Pantanal. em especial (d. Bacia do Alto Paraguai. Cabeceiras de afluentes do rio Miranda na Serra de Maracaju. Neste sentido. a distribuição dessas áreas deve basear-se na bacia hidrográfica e sua posição no Bioma (área nuclear ou de ecótone) : I. sendo que cerca de 780 podem ser encontradas no Cerrado e no Pantanal. evitando assim seccionar unidades ambientais naturais e suas comunidades. a área mínima necessária para uma unidade de conservação aquática deve ser estabelecida com base na área de vida das espécies migradoras. em especial a do rio Sapão (rio do Sono .2) a do córrego Arrependido (rio Preto-rio São Marcos). Bacias do Nordeste). ÁREA NUCLEAR DO CERRADO (a. a área mínima necessária para uma unidade de conservação aquática deve ser estabelecida com base na área de vida das espécies migradoras. Os sistemas mais ameaçados na região e que devem ter prioridade compreendem as cabeceiras das bacias de drenagem e as planícies de inundação dos grandes rios. As veredas e brejos de altitude estão incluídas nesta avaliação. Em face de seu caráter excepcional. A segmentação de unidades ambientais naturais e suas comunidades deve ser evitada. Bacia Araguaia-Tocantins. Bacias dos rios Xingu.rio Preto) no chapadão oeste da Bahia e a região do córrego Arrependido (rio Preto . ÁREAS DE ECÓTONE ( a.44% do Cerrado e do Pantanal estão contemplados por unidades de conservação genuinamente aquáticas. nas proximidades do Distrito Federal. c. (b) Hidrografia. por controlarem a estrutura e funcionamento do rhithron. Bacia do rio São Francisco. devem ser alvo de esforços de conservação. selecionamos.áreas prioritárias e recomendações para a conservação da biodiversidade aquática A diversidade de espécies no Cerrado e no Pantanal pode ser exemplificada pelos dados de ictiofauna. para proteger todas as estratégias de vida presentes no sistema. d. entretanto. Cumpre salientar que. Os sistemas mais ameaçados na região e. recomendase também proteger efetivamente (d) todas as áreas com conexões entre bacias. no Chapadão Oeste da Bahia e (d. usando os seguintes critérios de cruzamento em Sistema de Informação Geográfico: (a) Compartimentação Geológica – Geomorfológica. compreendem: (a) as cabeceiras das bacias de drenagem. Cumpre salientar que. b. o que. Recomenda-se que as áreas protegidas incluam toda a diversidade de habitats. De acordo com esses critérios. em vez de focalizar apenas uma determinada espécie ou hábitat ameaçados. Alguns desses pontos podem estar incluídos em unidades de conservação já existentes. b. habitadas por várias espécies anuais de distribuição muito restrita. Bacia do Alto Paranaíba. II. Para conservar essa enorme riqueza. por possuir conjuntos únicos de paisagens e elementos da biodiversidade. que deveriam receber prioridade para proteção. ao invés de focalizar apenas em uma determinada espécie ou habitat ameaçados.Diversidade e conservação da biota aquática Síntese do grupo temático . recomenda-se também proteger efetivamente todas as áreas com conexões entre bacias. (b) as veredas e brejos de altitude. Ao nível da paisagem. são habitadas por várias espécies anuais de distribuição muito restrita. Áreas e componentes prioritários para a conservação As unidades de conservação para a biodiversidade de água continentais do Cerrado e Pantanal devem ser estabelecidas com o objetivo proteger toda a comunidade presente no sistema ou segmento do sistema. (c) Regime Hidrológico. Em face de seu caráter excepcional. . considerando toda a comunidade presente no sistema ou em seu segmento. O ideal. para proteger todas as estratégias de vida do sistema.1) a do rio Sapão (rio do Sono-rio Preto). pois. por controlarem a organização do potamon. (d) Distribuição de espécies ou mesmo gêneros. como expressamos poderá ser feito posteriormente. Atualmente. é subdividir cada bacia hidrográfica em unidades de drenagem ecologicamente equivalentes (UDEEs). Ecótone CerradoCaatinga). Cada uma dessas unidades. toda a diversidade de habitats do sistema/segmento a ser protegido. e. f. dentro das possibilidades atuais de avaliação. Esses dados têm sofrido constantes alterações com descobertas recentes de várias espécies pela ciência.

Cabeceiras do rio Santa Teresa. divisa MT-GO.S.2. e correm para o norte: 27. Rios que nascem na Chapada dos Parecis a altitudes aproximadas de 600m e 700m. MT. originando-se no Parque Nacional da Emas (18º15’S 53ºW). afluente do Sono (que tem conexão com o Sapão. como outros dessa área. já mencionado na bacia do São Francisco). Cabeceiras de afluentes do São Lourenço (16º35’S 53º00’W). MT 28. 19. RO. Alto Parnaíba. MT e Aripuanã (11º00’S 59ºW). GO. Cabeceiras do rio Arinos (14º00’S 56º23’W). Cabeceiras dos rios do Sangue. GO] 7. GO. . Cabeceiras do Coxim na Serra de Maracaju. rios que nascem na Chapada dos Parecis a baixas altitudes (aproximadamente 300m) e correm para o norte. PI (10º15’S 44º40’W) Bacia do Rio Tapajós 26. Cabeceira do rio Crixás. Cabeceiras do Pindaré. Nasce a altitudes de aproximadamente 800m e apresenta extensas áreas alagadas ao longo de seu curso superior e médio. Cabeceiras de alfuentes do Ivinheima (rio Vacaria ou Brilhante) que nasce na Serra de Maracaju. afluente da margem direita do Araguaia (10º30’S 49º10’W). MT. MT. que corre na direção NW-SE. entre os Estados da Bahia e Goiás (10º40’S 46º15’W). Cabeceira de afluentes do Paranã na Serra Geral de Goiás: rio Vermelho (afluente do Corrente) (14º25’S 46º05’W). rio São Domingo (13º25’S 46º10’W). rio Sobrado (afluente do Palma) (12º30’S 46º15’W). Estado de Mato Grosso. RO. Cabeceiras do rio Teles Pires (14º20’S 54º35’W). Papagaio e Juruena (14º00’S 59º00’W). 23. GO. 4. 14. 13. Lago de Parnaguá. Estado de Mato Grosso. PI (10º00’S 45º50’W). no Estado de Goiás (16º20’S 49º55’W): afluente do Paranaíba que corre na direção N . 17. Cabeceiras do rio Cuiabá (14º15’S 55º10’W). Cabeceira do rio das Almas (15º30’S 49º20’W). 16. 12. 9. Cabeceiras do rio Araguaia (17º30’S e 53º15’W). Cabeceiras do Machado (12º30’S 60º00’W). Esta é uma área de contato entre as duas bacias (São Francisco e Tocantins). MA (6º00’S 46º30’W). afluente do Paranaíba. 22. Roosevelt (12º00’S 60º20’ W). 11. Trechos dos sistemas rio – planície do rio Paraná em Goiás. 3. GO. Bacia do Alto Rio Paraná 5. GO. Bacia do Rio Madeira 24. Cabeceiras do rio Pium. MA (6º50’S 45º45’W). Formadores do rio Correntes. 31. MT 29. MT Sistema Araguaia-Tocantins 15. 25. Cabeceira do rio dos Bois. 252 Bacia do Rio Xingu 30. 21. com muitos rios intermitentes nas cabeceiras. Cabeceiras do Grajaú e Mearim (muito próximas entre si). afluente da margem direita do Araguaia (14º30’S 50º20’W). Cabeceira do rio das Mortes (15º20’S 55º00’W). Cabeceiras do Itapecuru. Cabeceiras de rios que nascem do lado sul da Chapada dos Parecis (entre 300 e 500m e entre 62ºW e 64ºW) e correm para o rio Guaporé. Cabeceiras do rio Veredão (afluente do Arrojado e este do Corrente) Estado da Bahia (13º50’S 46º00’W). 6. Cabeceiras do rio Novo. Estado de Mato Grosso do Sul (21º10’S 55º25’W). Cabeceiras do rio Sapão (afluente do Preto e este do Grande) e rio Novo (afluente do Sono na bacia do Tocantins). GO. Cabeceira do rio Culuene (14º45’S 54º30’W). MT. Estado de Mato Grosso do Sul (19º20’S e 54º30’W). As áreas inundáveis do Alto Xingu (13º00’S 53º00’W). MA (5º55’S 47º00’W). Rios do Maranhão e Piauí 10. Bacia do Rio São Francisco 8. afluente da margem esquerda do Tocantins (13º50’S 49º05’W). 18. 20.

portanto. Como medida preparatória para o estabelecimento de um programa de inventário. por apresentarem melhor custo-benefício. estratégia amostral que maximize os resultados por unidade de custo operacional das coletas. os estudos devem enfocar (a) estudos ao nível de ecossistema/comunidade. principalmente. (c) estudos sobre padrões migatórios. (b) estudos sobre produção e esforço da pesca multi-específica. a estratégia mais adequada deve enfocar comparações entre sistemas equivalentes.Diversidade e conservação da biota aquática Áreas e componentes prioritários para restauração Considerando que cerca de 56% da área do Bioma Cerrado constitui “paisagem natural Manejada” . serão necessários novos inventários. (e) revisões taxonômicas e elaboração de chaves de identificação para cada sistema estudado. mas ainda não existe esta “cultura” no Brasil. para conter o assoreamento dos canais. para possibilitar compreender as necessidades ambientais das comunidades. O estabelecimento de mecanismos de cooperação entre cientistas aquáticos. a introdução de espécies exóticas. Em reservatórios urbanos já muito alterados. de modo a evitar que persista o enfoque “utilitarista” . torna-se vital desenvolver estratégias de conservação e manejo da biodiversidade aquática também fora de unidades de conservação formalmente constituídas. com freqüência e densidade apropriadas para averiguar as interações entre espécies e habitats e as respostas da comunidade à distúrbios não previstos ou à efeitos de longo-prazo. Neste sentido. De forma análoga. Áreas e componentes prioritários para inventários biológicos Em face do nível atual de desconhecimento sobre a composição e mecanismos de controle da organização das comunidades aquáticas do Cerrado e Pantanal. à exceção de situações especiais. como prática de manejo. em sua maioria sob o domínio privado. para orientar mais rápida e adequadamente as políticas de conservação e uso sustentável. elaborar protocolos adequados de manejo e aplicar essas descobertas aos problemas de conservação. preferencialmente. Estudos de impactos ambientais devem ser conduzidos por especialistas com experiência. Os desafios de manejo e conservação da biodiversidade aquática requerem dos cientistas um esforço no sentido de obtenção de dados mais confiáveis e sintonizados com esses objetivos. deve-se observar a adequação dos delineamentos amostrais e a eficiência dos métodos de coleta dos dados (Figuras 7-8). Cumpre definir que tipo de informação deve ser obtida prioritariamente. que possibilitem avaliar o custo-benefício desse manejo e. (c) estudos de longo-prazo realizados concomitantemente entre sistemas “ecologicamente comparáveis”. Preferencialmente. O desenvolvimento de cooperações técnicas com vistas a adaptar desenvolver técnicas de restauração apropriadas para as diversas condições no Cerrado e Pantanal é necessário e urgente. A mitigação de impactos deve enfocar prioritariamente procedimentos que “imitem a natureza”. A restauração de habitats aquáticos já é uma realidade nos Estados Unidos. Tendo em vista que pesquisas dessa natureza são controladas pelo custo. (d) experimentação e modelagem para determinar os mecanismos principais atuando na organização dos sistemas e permitir melhor entendimento para as comparações entre sistemas ecologicamente equivalentes. a partir de dados confiáveis. por criterioso monitoramento. baseado apenas em descrições incompletas (geralmente físicoquímicas) dos ecossistemas aquáticos. pela comunidade nativa. A estratégia ideal é acelerar os processos naturais de recuperação. Incentivos à adoção de práticas adequadas ao correto manejo e proteção do solo nas bacias de drenagem devem ser incentivadas. que por sua vez é governado por limitações amostrais. A tentativa de reversão de impactos por meio de obras de engenharia deve ser evitada. proprietários rurais e órgãos ambientais é crucial para permitir que esses experimentos se realizem. Cumpre ressaltar que os impactos sobre as comunidades de peixes devem ser analisados como um tema distinto e complementar aos impactos sobre os recursos pesqueiros e a pesca. deve-se evitar o repovoamento com espécies nativas e. para avaliar seus resultados. é preciso conceber uma 253 . Essas pesquisas devem combinar (a) coletas extensivas de dados empíricos. Para isso. com (b) experimentação e modelagem e. em experimentos de médiolongo prazo. constituindo. com o delineamento de um programa de inventário da biodiversidade aquática dos sistemas do cerrado e Pantanal. as práticas de peixamento/introdução de espécies devem ser precedidas por experimentos cuidadosos e bem conduzidos de bioma­nipulação. restauração ou explotação em outros sistemas. de modo a possibilitar restabelecer as condições adequadas à recolonização natural dos habitats manejados. convém estratificar as diferentes bacias com relação ao tipo. como das mudanças globais.

devemos enfatizar a necessidade de levantamentos imediatos em áreas que foram precariamente inventariadas ou que nunca o foram e que são aquelas situadas nas partes mais altas do Planalto Central. Verde. afluentes da margem direita do Paranaíba: Meia Ponte e dos Bois (excetuando o Corumbá. se devemos apontar área prioritárias. Piquiri-Itiquira. e as cabeceiras dos rios que se originam no lado oposto desse divisor e correm para o Guaporé. Rio Urucuia e Rio Paracatu. incluindo os seguintes rios e tributários: Rio Grande. As cabeceiras do Culuene e Suiá-missu e seus alfuentes que se originam a altitudes de 500 a 700m. Correntes). esses rios nascem a altitudes de 600 e 800 metros e muitos trechos desses cursos estão em áreas alagadas. no entanto. serão sugeridas a seguir as áreas prioritárias dentro das diferentes bacias aqui consideradas: Ao norte. o rio das Mortes. na ausência desses critérios. Bacia do Alto Rio Paraguai 1. Taquari. Os afluentes da margem direita do Maranhão que nascem na Serra Geral de Goiás. cujas nascentes estão nas das serras das Araras.precisão e grau de atualização dos dados disponíveis. Cabeceiras do Pindaré. que são muito pouco conhecidas. Itapecuru e Parnaíba e seus afluentes que nascem em altitudes entre 300 e 400m. Miranda e Apa. Bacia do Rio São Francisco 3. pois nessas áreas coletas intensivas têm sido feitas por Mauro Ribeiro. onde se situam as cabeceiras dos diferentes cursos d´agua que correm para o rio principal de cada bacia de drenagem do cerrado. ouvidos os usuários quanto ao seu delineamento. a altitudes relativamente mais baixas ( Sucuriú. Obviamente também esses rios principais necessitam ser melhor inventariados. Rio Corrente. Bacia do Rio Madeira 6. e as do Tocantins e seus principais afluentes. à cerca de 900m de altitude (Claro. rios que nascem na Serra das Divisões (ou Santa Marta). Toda a informação disponível e a ser gerada deve ser disseminada e disponibilizada aos usuários em diferentes formatos. Os rios que nascem no interflúvio desses dois rios principais e fluem para o Araguaia ou o Tocantins. Roosevelt e Aripuanã. A sub-divisão das bacias hidrográficas em Unidades de Drenagem Ecologicamente Equivalentes. O desenvolvimento/aprimoramento de bancos de dados deve ser incentivado. Rios que nascem do lado norte e leste do Pantanal a altitudes de 500 a 700m: São Lourenço. 254 . mais ao sul (Correntes e Paracatu) as altitudes nas nascentes são maiores (aproximadamente 1000 m). à aproximadamente 1000m de altitude. Sistema Araguaia-Tocantins 5. Rios que nascem na Serra dos Pirineus. estas são exatamente as de cabeceiras. Rio Cariranha. que nascem a altitudes de aproxima­damente 800m. que tem suas nascentes no Distrito Federal. Entre os paralelos de 11º30’S e 13º30’S e os meridianos de 52ºW e 54W existem vastas áreas alagáveis nesses rios. Rios dos Estados de Maranhão e Piauí 4. Todavia. Negro. e Serra dos Caiapós. das Almas e Maranhão (este suficientemente inventariado na área do Distrito Federal). Papagaio e Juruena. Para a finalidade do presente trabalho. e as dos rios Arino e Teles Pires. Todos esses rios possuem dezenas de corredeiras e cachoeiras que tendem a isolar francamente as faunas de peixes das partes mais altas daquelas das partes mais baixas. Todas as cabeceiras mais ao sul desses dois sistemas: as do rio Araguaia e seu principal afluente. Grajaú-Mearim. Rios que nascem no chapadão ocidental do Estado da Bahia e na Serra Geral de Goiás. afluentes do Madeira que se originam num divisor (Chapada dos Parecis) de baixas altitudes (aproximadamente 300m). Aquidauana. mas. Bacia do Rio Xingu 8. rios que nascem na chapada dos Parecis a altitudes de 600 e 700m. Cabeceiras dos rios do Sangue. Bacia do Alto Rio Paraná 2. suficientemente inventariado). nos Estados da Bahia e Minas Gerais. Cabeceiras do Machado. Verde Pardo e Ivenheima) e que deságuam na margem direita do Paranaíba ou do Paraná. do Tombador e Azul (aproximadamente 500m de altitude). Deve-se excluir dessa relação aqueles afluentes do Paracatu que drenam a área do Distrito Federal. Bacia do Rio Tapajós 7. segundo os mesmos critérios discutidos anteriormente (para seleção das áreas prioritárias para conservação) é recomendada como a melhor estratégia a ser implementada em curto prazo.

incluindo cabeceiras e afluentes da margem direita. O manejo e a conservação da biodiversidade de águas continentais deve ser adotado como parte da política de recuros hídricos. Alto rio Araguaia .Minas Gerais. lagoas marginais. Alto rio Tocantins (rio Maranhão . A natureza integradora dos ecossistemas aquáticos impõe a necessidade de implementar parcerias com os demais setores de desenvolvimento. Figura 7 . Cabeceiras dos rios Paracatu e Urucuia. em conformidade com os princípios da pesca responsável. Região da calha principal com lagos marginais. Grandes veredas exploradas por plantações de soja. planos e programas do MMA/ IBAMA que já estão pautados nas diretrizes mais adequadas para o setor. Bacia do alto rio São Francisco . 15. lagoas marginais e matas de galeria. Médio rio Tocantins. do rio das Mortes até a ilha do Bananal. Alto rio Tocantins. cachoeiras e águas emendadas com o rio São Francisco. Cabeceira dos afluentes da margem esquerda do médio rio São Francisco. Região da Serra da Bodoquena . com a utilização de todos os instrumentos de gestão disponíveis. Alto rio Araguaia. Presença de corredeiras.sul do Piauí e Maranhão  4. Área de agricultura de soja. Médio superior do rio São Francisco .Diversidade e conservação da biota aquática Políticas públicas A biodiversidade de águas continentais deve integrar explicitamente todos os planos e programas de ação com rebatimento na área ambiental.Minas Gerais. 17.Minas Gerais. 16. Região de alta declividade com cachoeiras e corredeiras. Cabeceiras dos rios Teles Pires e Juruena . deve-se fortalecer as posições. cumpre destacar a iniciativa do Setor elétrico em desenvolver diretrizes específicas para a conservação e uso sustentável dos recursos aquáticos nas áreas de influência de seus empreendimentos hidrelétricos/termelétricos.Guaporé   7. Presença de cachoeiras e corredeiras. região de Vão do Paranã. 11. Bahia. Cabeceiras do alto rio Parnaíba . Presença de cerrado. Alto rio Tietê . Cerrados do centro de Rondônia.Mato Grosso   6. A conservação da biodiversidade de águas continentais deve ser a base dos programas de utilização sustentável de recursos pesqueiros. Médio rio Araguaia. Afluentes da margem direita do rio Paraná . foz de tributários e planícies de inundação 14. cabeceiras do rio das Mortes. Presença de veredas. mata de galeria.Mato Grosso do Sul e Goiás  3. Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade aquática  1. Neste sentido.São Paulo  2.   8. cachoeiras e águas emendadas 10. Cabeceiras do Pantanal   5.   9. com vistas a garantir que os interesses da conservação de sua biodiversidade sejam de fato integrados aos planos e programas daquelas pastas. Presença de várzea e planície de inundação. Ocorrência de cachoeiras nos tributários dos rios Madeira .rio das Almas) 13.Mato Grosso do Sul 255 . Ocorrência de veredas. Presença de garimpo e extensas áreas de monocultura. com forte pressão antrópica. Alto curso com canal bem encaixado e muitas quedas d’água 12.Mato Grosso. Neste sentido. Região de cultivo de soja. Alto do rio Parnaíba .Corredores Ecológicos e Áreas Prioritárias para a Conservação da Biota Aquática na Bacia do Alto Paraguai.

Áreas Prioritárias para Conservação da Biota Aquática dos biomas Cerrado e Pantanal.Figura 8 . 256 .

Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Anfíbios e Répteis 257 .

Neves Christine Strüssmann Cristiane G. Reuber A. (Coordenador) Alexandre F. Pinto Nelson J. Zerbini Luiz Eduardo de Oliveira Maria G.Participantes do Grupo de Trabalho Guarino R. C. M. Colli. M. Batista Elizabeth M. Bastos 258 . da Silva Gláucia J. Brandão Rogério P. da Silva Jr. Costa Franciane J. de Araújo Beatriz M. B.

As áreas bem drenadas. Tabela 1. sendo que as áreas restantes são paisagens naturais manejadas (56%) ou paisagens antrópicas (37%). provavelmente. Das 101 localidades inventariadas. Projeções otimistas sobre o uso da terra para o Cerrado estimam que no ano 2000 cerca de 70% da sua área seriam representados por pastagens plantadas e lavouras (Alho & Martins 1995). Chapada dos Guimarães-MT e Minaçu-GO) indicam que a diversidade local de lagartos no Cerrado está em torno de 20 espécies e que. cobrindo uma área aproximada de 1. Considerando a sua grande extensão territorial e a crescente taxa de destruição do habitat natural. como os topos de murunduns. somada às afinidades florísticas com o Cerrado. para serpentes (Silva & Sites 1995). são cobertas com vegetação de cerrado (Eiten 1983). Coll��������������� i ������������� (Organizador) Introdução O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro. Este panorama é ainda mais crítico para os anfíbios (Heyer 1988) e. o lençol freático aproxima-se da superfície resultando no alagamento de vastas regiões.5-1. Mesmo as espécies comuns e com ampla distribuição 259 geo­gráfica são pobremente representadas em coleções científicas e muitas regiões do Cerrado permanecem ainda completamente inexplo­radas. cerca de 25% do território nacional (Ab’Saber 1977). sendo que em todas as restantes o número de espécies foi inferior a 12. 300 indivíduos. em apenas três foram coletadas mais de 20 espécies de lagartos. Localidade Posto Indígena Gorotire Andaraí Ibiquera Palmas do Monte Alto Brasília Aragarças Goiânia Nerópolis Porangatú Santa Rita do Araguaia São Domingos Trindade Balsas Buriticupú Porto Franco Reserva Indígena Guajajara Santo Antonio do Balsas Itacarambí Barra do Bugres Barra do Garças Chapada dos Guimarães Tapirapé Conceição do Araguaia Serra do Cachimbo Cabeceiras Lagoa Alegre União Vilhena Araguatins Macaúbas Porto Jarbas Passarinho Estado Esp. para que seja obtido este número de espécies é necessário coletar . Dias (1994) estimou que apenas 7% do bioma constituem paisagens naturais preservadas. recebendo em geral menos de 1700mm de precipitação anual e tendo uma estação seca que se estende por pelo menos três meses (Eidt 1968.8 milhões de km2. Durante a estação chuvosa. foi feito um levantamento das localidades de coleta de lagartos no Museu Paraense Emílio Goeldi (Tabela 1). devido à pobre capacidade de drenagem do solo ou à inundação dos rios. Portanto. A fraca associação entre Savanas Amazônicas com fatores climáticos e edáficos. O Pantanal é uma grande planície que ocupa cerca de 110.000km2 (ou 2%) do território brasileiro (Pires 1973). principalmente no Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul. Ind. A fitofisionomia se assemelha à do Cerrado.00km2. Haffer 1987). sugere que sua distribuição geográfica é melhor explicada por fatores históricos. Número de espécies e de indivíduos por localidade de coleta. cobrindo aproximadamente 150. Pela sua localização central no continente. Coletas exaustivas em três localidades (Brasília-DF. Para se ter uma idéia da qualidade das amostragens até então realizadas no Cerrado. do que por fatores ecológicos atuais (Carneiro 1991). ? 3 10 BA 1 8 BA 1 27 BA 1 14 DF 5 6 GO 7 32 GO 4 24 GO 1 9 GO 1 1 GO 1 1 GO 1 6 GO 1 3 MA 3 7 MA 2 2 MA 1 1 MA 7 73 MA 3 11 MG 1 1 MT 11 36 MT 1 2 MT 2 2 MT 4 63 PA 3 14 PA 2 8 PI 3 26 PI 3 16 PI 2 17 RO 1 1 TO 1 17 TO 1 37 TO 3 15 . mas as Savanas Amazônicas possuem menos endemismos e uma diversidade mais baixa (Eiten 1978).Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Herpetofauna do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Guarino R. é surpreendente que o Cerrado seja o bioma brasileiro menos conhecido do ponto de vista da herpetofauna. Estas áreas estão sujeitas ao clima Aw na classificação de Köppen.pelo menos. cerca de 97% das localidades do Cerrado estudadas foram pobremente amostradas no que diz respeito às espécies lagartos. o Cerrado possui contatos com dois grandes biomas florestais (Floresta Amazônica e Floresta Atlântica) e com dois grandes biomas abertos (Chaco e Caatinga). na Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (Tabela 2) e no Museu Nacional do Rio de Janeiro (Tabela 3). As Savanas Amazônicas ocorrem como ilhas espalhadas em meio às áreas florestais da Amazônia. para todos os acessos de lagartos da Coleção Herpetológica do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Atualmente o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados pela expansão das atividades humanas na América do Sul.

260 . Ind. Localidade Ciriquiqui Humaitá Amapá Ferreira Gomes Macapá Tartarugalzinho Cocos Correntina Eunápolis Faz. GO 1 1 GO 1 1 GO 1 1 GO 2 2 GO 1 1 MG 4 25 MG 1 3 MS 2 3 MS 6 11 MS 1 1 MS 1 1 MS 1 1 MS 4 7 MS 5 13 MT 1 4 MT 11 107 MT 1 12 MT 1 3 MT 1 2 MT 1 1 MT 1 1 MT 1 2 SP 1 56 GO 1 1 GO 1 1 GO 1 1 GO 2 2 GO 1 1 MG 4 25 MG 1 3 Figura 1. Dados obtidos do Museu Paraense Emílio Goeldi. Número de espécies e de indivíduos por localidade de coleta. AM 2 8 AM 6 233 AP 7 237 AP 3 21 AP 8 357 AP 7 103 BA 4 10 BA 12 74 BA 1 2 BA 2 7 DF 23 839 DF 1 1 DF 1 1 DF 8 9 DF 5 30 DF 4 52 GO 8 40 GO 3 4 GO 5 43 GO 3 8 GO 3 1 GO 1 1 GO 22 1384 GO 8 17 GO 2 8 GO 3 4 GO 11 227 GO 2 4 GO 1 1 GO 1 2 GO 1 11 GO 2 8 GO 1 1 GO 1 1 GO 1 2 GO 2 5 MA 1 6 MA 4 18 MG 2 2 MG 5 41 MG 1 12 MG 2 3 MG 1 6 MG 4 4 MS 4 4 MT 8 345 MT 22 219 MT 1 1 MT 1 3 MT 1 1 PA 5 186 PA 4 136 PA 5 219 PA 5 12 RR 9 179 SP 1 1 SP 1 5 SP 1 1 Tabela 3. Distribuição de frequência do número de espécies de lagartos pelas localidades de coleta. Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília e Museu Nacional do Rio de Janeiro. Localidade Alto Paraíso Corumbá Iaciara Minaçu Palmas Lagoa Santa Lavras Aquidauana Cáceras Corumbá Coxim Piraputanga Salobra Xavantina Barra do Bugres Barra do Tapirapé Jacaré Posto Xingu Santana da Chapada São João da Barra Tapirapoã Utiariti Valinhos Alto Paraíso Corumbá Iaciara Minaçu Palmas Lagoa Santa Lavras Estado Esp. Número de espécies e de indivíduos por localidade de coleta.Tabela 2. para todos os acessos de lagartos do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ). Ind. Trijuná Brasília Brazlândia Gama Planaltina Sobradinho Taguatinga Alto Paraíso Aruanã Baliza Cristalina Flores de Goiás Formosa Minaçu Mineiros Nerópolis Niquelândia Pirenópolis Planaltina de Goiás Ribeirão Preto Santa Maria Santo Antônio do Descoberto Serra Dourada São Jorge São Miguel de Goiás Valparaíso Vão do Paranã Balsas Estreito Campos Altos Paracatu Santa Fé Serra do Cipó Uberaba Unaí Corumbá Barra do Garças Chapada dos Guimarães Juciara Reserva Indígena Xavante Rosário Oeste Alter do Chão Cachimbo Carajás Serra das Andorinhas Boa Vista Botucatu Ribeirão Preto Sorocaba Estado Esp. para todos os acessos de lagartos da Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (CHUNB).

teguixin. e Humaitá (Magnusson et al. 8 (53%) são endêmicas (Tabela 6). que ocorrem no Cerrado e Savanas Amazônicas. das 15 espécies de anfisbenas conhecidas para o Cerrado. que ocorre nos três biomas. são conhecidos os seguintes endêmicos: uma subspécie de jacaré (Tabela 5). Roraima. merianae. 1998) e. que é restrita ao Pantanal. E. Sazima & Caramaschi 1986. mesmo para aquelas áreas que foram bem amostradas. sendo que duas (Caiman latirostris e Melanosuchus niger) estão listadas no Apêndice I da CITES e as demais estão listadas no Apêndice II (Tabela 5). pictus (Tabela 9). e 32 (28%) dentre as 113 espécies de anfíbios são também endêmicas (Tabela 9). do Cerrado. para o qual o Cerrado não possuiria uma fauna característica. Vitt & Caldwell 1993. 13 de anfisbenas (Tabela 6). Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília e Museu Nacional do Rio de Janeiro. que é de aproximadamente 50% (Heringer et al.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Para o Pantanal.8% (Silva 1995) e. e T. Epicrates cenchria. Dados obtidos do Museu Paraense Emílio Goeldi. 22 de lagartos (Tabela 7) e 67 de serpentes (Tabela 8). do Pantanal e Savanas Amazônicas. Colli 1996). são registradas para o Cerrado 10 espécies de quelônios (Tabela 4). que ocorrem nos três biomas. destacam-se a região do alto rio Paru. 47 de lagartos (Tabela 7). Rondônia. Para as Savanas Amazônicas apenas 3 (13%) espécies de lagartos podem ser consideradas endêmicas (Tabela 7). Esta estimativa para serpentes e lagartos é praticamente o dobro do número de espécies registradas por Silva & Sites (1995) e Vanzolini (1988). respectivamente. 261 Estudos sobre a herpetofauna do Cerrado. Corallus caninus. Sete espécies de serpentes estão listadas no Apêndice II da CITES: Boa constrictor. Pombal & Bastos 1996. Nascimento et al. três (23%) espécies de anfisbenas (Tabela 6) e uma (5%) espécie de lagarto (Tabela 7). Vitt & Carvalho 1995. Vanzolini & Carvalho 1991. Dentre as grandes áreas de savana na Amazônia ainda não estudadas detalhadamente. muitas outras existem para serem descritas. Vanzolini 1986. Eunectes murinus. dentre as 47 de espécies de lagartos do Cerrado. Este nível de endemicidade difere bastante do registrado para aves. pelo menos para anfisbenas. . notaeus e Hydrodynastes gigas (Tabela 8). Espécies endêmicas e ameaçadas Figura 2. quadrilineatus. flavopictus. Muitas espécies novas de répteis e anfíbios do Cerrado foram descritas recentemente (Vanzolini 1971. são registradas 7 espécies de quelônios (Tabela 4). além de revelarem novas espécies. que é de 3. 1985. duseni e T. 4 de jacarés (Tabela 5). Nascimento 1987. unifilis. certamente. Rodrigues 1996. sendo que dados sobre serpentes e anfíbios necessitam ainda de uma maior sistematização e talvez de um esforço de coleta adicional. Presentemente. Serra do Cachimbo-PA e Monte Alegre-PA. Quatro espécies de quelônios são ameaçadas: Podocnemis expansa e P. Tupinambis cf. Todas as espécies de jacarés são ameaçadas. 103 de serpentes (Tabela 8) e 113 de anfíbios (Tabela 9). e contrasta com a assertiva de Vitt (1991) de que a diversidade de lagartos do Cerrado é menor que aquela registrada para a Caatinga. Para o Pantanal. 1988. Colli et al. ao contrário do que afirmou Vanzolini (1963. 3 de anfisbenas (Tabela 6) e 23 de lagartos (Tabela 7). e Geochelone carbonaria e G. 1988). A diversidade de lagartos em Savanas Amazônicas é sempre menor que 10 espécies. denticulata. Vanzolini 1994. 12 (26%) são endêmicas (Tabela 7). que ocorre nos três biomas. E. Carajás. todas listadas no Apêndice II da CITES (Tabela 4). T. 5 de jacarés (Tabela 5). Seis espécies de lagartos são ameaçadas: Iguana iguana. Por exemplo. são registradas 7 espécies de quelônios (Tabela 4). incluindo-se aqui os enclaves do Amapá. Vanzolini 1995. Dracaena paraguayensis. Entretanto. Vanzolini 1997. Caramaschi 1996. C. Nós consideramos as informações disponíveis sobre as serpentes e os anfíbios também insuficientes para fazer uma estimativa do número de espécies. estes trabalhos se concentraram mais na fauna de lagartos. Um número razoável de enclaves de Savana Amazônica já foi amostrado. Todas estas espécies de lagartos estão listadas no Apêndice II da CITES (Tabela 7). região de Santarém. Ávila-Pires 1995. 1977). três espécies estão também listadas no Apêndice II da CITES: Epipedobates braccatus. 15 de anfisbenas (Tabela 6). Relação entre o número de espécies e o número de indivíduos amostrados para lagartos do Cerrado (círculos abertos) e Savanas Amazônicas (círculos fechados). Nós consideramos as informações disponíveis sobre os anfíbios insuficientes para fazer uma estimativa para o grupo. hortulanus. 4 de jacarés (Tabela 5). e E. é superior ao registrado para a flora. Dentre os anfíbios. Rodrigues 1987. Para as Savanas Amazônicas. têm revelado um grande número de endêmicos.

II CITES Ap. Pantanal e Savanas Amazônicas. Pantanal e Savanas Amazônicas. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status TESTUDINES Pelomedusidae Podocnemis expansa Podocnemis unifilis x x x x Pritchard & Trebbau (1984) Pritchard & Trebbau (1984) King & Burke (1997) Pritchard & Trebbau (1984) King & Burke (1997) Ernst & Barbour (1989) King & Burke (1997) Pritchard & Trebbau (1984) Pritchard & Trebbau (1984) Pritchard & Trebbau (1984) CITES Ap. II Chelidae Acanthochelys macrocephala Chelus fimbriatus Phrynops geoffroanus Phrynops gibbus Phrynops vanderhaegei Platemys platycephala Kinosternon scorpioides Geochelone carbonaria Geochelone denticulata TOTAL DE ESPÉCIES Hydromedusa tectifera x x x x x x x x x x x x x x x x 10 x x x 7 Kinosternidae Testudinidae x Pritchard & Trebbau (1984) 7 Tabela 5. end. I CITES Ap. Relação das espécies de anfisbenas conhecidas para o Cerrado. II end. Relação das espécies de jacarés conhecidas para o Cerrado. II Tabela 6. I CITES Ap. II CITES Ap. II CITES Ap. CITES Ap. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status Amphisbaenidae Amphisbaena alba x x x Gans (1962a) Amphisbaena anaemariae x Vanzolini (1997) Amphisbaena bolivica x Montero (1996) Amphisbaena camura x Gans (1965) Amphisbaena crisae x (?) Vanzolini (1997) Amphisbaena fuliginosa x x x Vanzolini (1951) Amphisbaena leeseri x x Gans (1967) end. II CITES Ap. Pantanal e Savanas Amazônicas. II CITES Ap.Tabela 4. Relação das espécies de quelônios conhecidas para o Cerrado. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status CROCODYLIA Alligattoridae Caiman crocodilus crocodilus x x Carvalho (1951) Caiman crocodilus yacare x x Ross & Magnusson (1989) Caiman latirostris x x King & Burke (1997) Melanosuchus niger x x x Carvalho (1951) Paleosuchus palpebrosus x x x Ross & Magnusson (1989) Paleosuchus trigonatus x x King & Burke (1997) TOTAL DE ESPÉCIES 5 4 4 CITES Ap. 262 .

Relação das espécies de lagartos conhecidas para o Cerrado. Amphisbaena silvestrii x Gans (1962b). Amphisbaena talisiae x Vanzolini (1995) end.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 6. 2 x end. Cercolophia sp. nov. Tropiduridae Stenocercus caducus x x Frost (1992) Tropidurus etheridgei x x Rodrigues (1987) Tropidurus hispidus x x Ávila-Pires (1995) Tropidurus insulanus x Rodrigues (1987) Tropidurus itambere x Van Sluys (1993) Tropidurus montanus x Rodrigues (1987) Tropidurus oreadicus x x Rodrigues (1987) Tropidurus spinulosus x x Vitt (1991) Tropidurus torquatus x x Rodrigues (1987) Gekkonidae Coleodactylus brachystoma x Vanzolini (1968b) Coleodactylus meridionalis x Vanzolini (1968a) Gonatodes humeralis x Nascimento et al. Pantanal e Savanas Amazônicas. Amphisbaena sanctaeritae x (?) Vanzolini (1994) end. (Continuação) Amphisbaena mertensi x Peters & Orejas-Miranda (1986) Amphisbaena miringoera x Vanzolini (1971) end. Vanzolini (1991) Bronia kraoh x Vanzolini (1971). Amphisbaena vermicularis x Hoogmoed & Ávila-Pires (1991) Bronia bedai x Vanzolini (1991) end. 1 x end. end. 263 . Vanzolini (1991) end. (1985) Anolis chrysolepis brasiliensis Anolis meridionalis Enyalius bilineatus Enyalius brasiliensis Enyalius catenatus Polychrus acutirostris x x x x x x x x Ávila-Pires (1995) Vitt (1991) Jackson (1978) Jackson (1978) Jackson (1978) Ávila-Pires (1995) end. II end. Bronia brasiliana x (?) Cunha et al. nov. Vanzolini (1997) end. Cercolophia roberti x Vanzolini (1992) Cercolophia steindachneri x x Vanzolini (1992) Cercolophia sp. end. Gans (1964). end. (1988) Gymnodactylus geckoides x Vanzolini (1968b) end. Leposternon infraorbitale x x Gans (1971) Leposternon microcephalum x x Gans (1971) TOTAL DE ESPÉCIES (endêmicos) 16 (8) 13 (3) 3 (0) Tabela 7. (1985). Amphisbaena neglecta x Gans (1962b). Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status Hoplocercidae Hoplocercus spinosus x Ávila-Pires (1995) Iguanidae Iguana iguana x x x Ávila-Pires (1995) Polychrotidae Anolis auratus x Magnusson et al. CITES Ap. end.

(1998b) end. II Tupinambis quadrilineatus x Colli et al. (1988) Mabuya guaporicola x x x Ávila-Pires (1995) Mabuya nigropunctata (= bistriata) x x Ávila-Pires (1995) Anguidae Ophiodes striatus x Amaral (1937) TOTAL DE ESPÉCIES (endêmicos) 48 (12) 22 (1) 23 (3) 264 . x end.Tabela 7.. Cercosaura ocellata x x x Ávila-Pires (1995) Colobosaura modesta x x Ávila-Pires (1995) Gymnophthalmus leucomystax x Ávila-Pires (1995) end. Kentropyx viridistriga x x Gallardo (1962) Teius teyou x x Tupinambis cf. II Tupinambis merianae x x x Ávila-Pires (1995) CITES Ap. Gymnophthalmus sp. II Gymnophthalmidae Bachia bresslaui x Colli et al. nov. Bachia sp.CITES Ap. II Kentropyx calcarata x x Ávila-Pires (1995) Kentropyx paulensis x Gallagher (1979) end. x Vanzolini & Carvalho (1991) end. Kentropyx striata x Ávila-Pires (1995) Kentropyx vanzoi x Gallagher (1979) end. nov. II Tupinambis teguixin x x Ávila-Pires (1995) CITES Ap. Micrablepharus maximiliani x Rodrigues (1987) Pantodactylus albostrigatus x Pantodactylus schreibersii x x x Vitt (1991) Vanzosaura rubricauda x x Rodrigues (1987) Scincidae Mabuya bistriata (= ficta) x Ávila-Pires (1995) Mabuya dorsivittata x Peters & Orejas-Miranda (1986) Mabuya frenata x x Nascimento et al. duseni x CITES Ap. (Continuação) Hemidactylus mabouia x x x Vanzolini (1968b) Hemydactylus palaichthus x Ávila-Pires (1995) Lygodactylus wetzeli x Bons & Pasteur (1977) Phyllopezus pollicaris x x Vanzolini (1968b) Teiidae Ameiva ameiva x x x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus cryptus x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus gramivagus x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus lemniscatus x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus ocellifer x x Vitt (1991) Dracaena paraguayensis x Vanzolini & Valencia (1965) CITES Ap. (1998a) end. Gymnophthalmus underwoodi x Ávila-Pires (1995) Micrablepharus atticolus x Rodrigues (1987) end. Bachia dorbignyi x Dixon (1973) Bachia scolecoides x Dixon (1973) end.

(1997) Clelia rustica x Zaher (1996) Dipsas indica Drymarchon corais Drymoluber brazili Erythrolamprus aesculapii Gomesophis brasiliensis Helicops angulatus Helicops carinicaudus x x x x x x x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Gomes (1918) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) 265 . II CITES Ap. II CITES Ap.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 8. II Eunectes murinus x x Silva & Sites (1995) Eunectes notaeus x Colubridae Apostolepis assimilis x Silva & Sites (1995) Apostolepis dimidiata x Apostolepis erythronota x Silva & Sites (1995) Apostolepis flavotorquata Apostolepis goiasensis x Silva & Sites (1995) Apostolepis intermedia x Apostolepis quinquelineata Apostolepis vittata x Atractus reticulatus x Silva & Sites (1995) Atractus cf. II CITES Ap. Relação das espécies de serpentes conhecidas para o Cerrado e Pantanal. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status Anomalepididae Liotyphlops beui x Liotyphlops ternetzii x Leptotyphlopidae Leptotyphlops albifrons Leptotyphlops koppesi x x Dixon & Kofron (1983) Dixon & Kofron (1983) Amaral (1954) Velosa & Caramaschi (1996) Strüssmann & Sazima (1993) Leptotyphlops munoai x Typhlopidae Typhlops brongersmianus x Aniliidae Anilius scytale x Boiidae Boa constrictor Corallus caninus Corallus hortulanus Epicrates cenchria x x Strüssmann & Sazima (1993) x x x x Silva & Sites (1995) CITES Ap. II CITES Ap. II CITES Ap. taeniatus x Atractus pantostictus x Fernandes & Puorto (1993) Boiruna maculata x x Zaher (1996) Chironius bicarinatus x Silva & Sites (1995) Chironius exoletus x Dixon & Kofron (1983) Chironius flavolineatus x x Silva & Sites (1995) Chironius laurenti x x Dixon & Kofron (1983) Chironius quadricarinatus x x Silva & Sites (1995) Clelia bicolor x x Strüssmann & Sazima (1993) Clelia occipitolutea x Silva & Sites (1995) Clelia plumbea x x Zaher (1996) Clelia quimi x Franco et al.

(Continuação) Helicops gomesi x Silva & Sites (1995) Helicops leopardinus x x Helicops modestus x Silva & Sites (1995) Hydrodynastes bicinctus x Silva & Sites (1995) Hydrodynastes gigas x x Silva & Sites (1995) Imantodes cenchoa x x Leptodeira annulata x x Silva & Sites (1995) Leptophis ahaetulla x x Silva & Sites (1995) Liophis almadensis x x Silva & Sites (1995) Liophis brazili x Silva & Sites (1995) Liophis cobellus x Liophis dilepis x Liophis cf. flavifrenatus x Liophis jaegeri x Liophis joberti x x Silva & Sites (1995) Liophis lineatus x Silva & Sites (1995) Liophis meridionalis x x Silva & Sites (1995) Liophis miliaris x Liophis poecilogyrus x x Silva & Sites (1995) Liophis reginae Liophis typhlus Lystrophis dorbignyi Lystrophis histricus Lystrophis mattogrossensis Lystrophis nattereri Mastigodryas bifossatus Mastigodryas boddaerti x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Scrocchi & Cruz (1993) Hoge et al. II x x x x x x x x x (?) Oxybelis aeneus x x Oxyrhopus guibei Oxyrhopus petola Oxyrhopus rhombifer Oxyrhopus trigeminus Phalotris concolor Phalotris lativittatus Phalotris mertensi Phalotris multipunctatus Phalotris nasutus Phalotris tricolor Philodryas aestivus Philodryas livida Philodryas mattogrossensis Philodryas nattereri Philodryas olfersii Philodryas patagoniensis Phimophis guerini Pseudablabes agassizii Pseudoboa neuwiedii Pseudoboa nigra Pseudoeryx plicatilis Psomophis genimaculatus x x (?) Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x (?) Silva & Sites (1995) x Ferrarezzi (1993) x Ferrarezzi (1993) x Silva & Sites (1995) x Puorto & Ferrarezzi (1993) x Silva & Sites (1995) x x x Silva & Sites (1995) x x Thomas & Fernandes (1996) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x Silva & Sites (1995) x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Strüssmann & Sazima (1993) x x Myers & Cadle (1994) 266 . (1975) Silva & Sites (1995) Stuart (1941) Silva & Sites (1995) CITES Ap.Tabela 8.

(Continuação) Psomophis joberti x Myers & Cadle (1994) Rachidelus brazili Sibynomorphus mikanii x Silva & Sites (1995) Sibynomorphus turgidus x x Silva & Sites (1995) Sibynomorphus ventrimaculatus x Simophis rhinostoma x x Silva & Sites (1995) Sordellina punctata x Spilotes pullatus x x Silva & Sites (1995) Taeniophallus occipitalis x Silva & Sites (1995) Tantilla melanocephala x x Silva & Sites (1995) Thamnodynastes pallidus Thamnodynastes rutilus x Silva & Sites (1995) Thamnodynastes strigilis x x Silva & Sites (1995) Thamnodynastes sp. 267 .Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 8. Relação das espécies de anfíbios conhecidas para o Cerrado e Pantanal. x Strüssmann & Sazima (1993) Tomodon dorsatus x Waglerophis merremi x x Silva & Sites (1995) Xenopholis undulatus x x Silva & Sites (1995) Xenoxybelis argenteus Elapidae Micrurus frontalis Micrurus lemniscatus x x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Campbell & Lamar (1989) Strüssmann & Sazima (1993) Silva & Sites (1995) Micrurus pyrrhocryptus Micrurus tricolor Viperidae Bothrops alternatus x Bothrops itapetiningae x Silva & Sites (1995) Bothrops jararacussu x Bothrops moojeni Bothrops neuwiedi Crotalus durissus TOTAL DE ESPÉCIES x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) x x 99 65 Tabela 9. Táxon Cerrado Fonte Status APODA Caeciliidae Siphonops annulatus x Siphonops paulensis x ANURA Bufonidae Bufo crucifer x Frost (1995) Bufo granulosus x Frost (1995) Bufo guttatus x Frost (1995) Bufo ocellatus x Frost (1995) Bufo paracnemis x Frost (1995) Bufo rufus x Frost (1995) Bufo typhonius x Frost (1995) Centrolaenidae Hyalinobatrachium eurygnathum x Frost (1995) Dendrobatidae end.

end. 268 . CITES Ap. end. end. x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) end. end. end. (Continuação) end. end. II end. end. Scinax acuminata Scinax canastrensis Scinax centralis Scinax duartei Scinax fuscomarginata Scinax fuscovaria Scinax luizotavioi Scinax machadoi Scinax maracaya end. end. end. end. end. (Continuação) Colostethus goianus x Frost (1995) Epipedobates braccatus x Haddad & Martins (1994) Epipedobates flavopictus x Haddad & Martins (1994) Epipedobates pictus x Haddad & Martins (1994) Hylidae Aplastodiscus pervirides x Frost (1995) Corythomantis greeningi x Feio & Caramaschi (1995) Hyla albopunctata x Frost (1995) Hyla alvarengai x Frost (1995) Hyla anataliasiasi x Frost (1995) Hyla biobeba x Frost (1995) Hyla branneri x Bastos & Pombal (1996) Hyla cipoensis x Haddad et al. end. II CITES Ap.Tabela 9. (1988) Hyla circumdata x Feio & Caramaschi (1995) Hyla crepitans x Frost (1995) Hyla faber x Frost (1995) Hyla ibitinguara x Frost (1995) Hyla melanargyrea x Frost (1995) Hyla microcephala x Frost (1995) Hyla minuta Hyla multifasciata Hyla nana Hyla nanuzae Hyla pardalis Hyla pinima Hyla polytaenia Hyla pseudopseudis Hyla pulchella Hyla punctata Hyla raniceps Hyla rubicundula Hyla saxicola Hyla sazimai Hyla tritaeniata Phasmahyla jandaia Phrynohyas venulosa Phyllomedusa burmeisteri Phyllomedusa centralis Phyllomedusa hypocondrialis Phyllomedusa megacephala Tabela 9. II CITES Ap. end. end.

Physalaemus deimaticus x Frost (1995) Physalaemus evangelistai x Frost (1995) Physalaemus fuscomaculatus x Frost (1995) Physalaemus nattereri x Frost (1995) Proceratophrys cururu x Eterovick & Sazima (1998) Proceratophrys goyana x Frost (1995) Pseudopaludicola boliviana x Lobo (1995) Pseudopaludicola falcipes x Lobo (1994) Pseudopaludicola mineira x Lobo (1994) Pseudopaludicola mystacalis x Lobo (1996) Pseudopaludicola saltica x Frost (1995) Pseudopaludicola ternetzi x Frost (1995) Thoropa megatympanum x Frost (1995) Microhylidae Chiasmocleis albopunctata x Frost (1995) end. end. end. end.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 9. (Continuação) Scinax nebulosa x Frost (1995) Scinax squalirostris x Frost (1995) Trachycephalus nigromaculatus x Frost (1995) Leptodactylidae Adenomera bokermanni x Frost (1995) Adenomera martinezi x Frost (1995) Barycholos savagei x Frost (1995) Crossodactylus bokermanni x Frost (1995) Crossodactylus tachystomus x Frost (1995) Eleutherodactylus fenestratus x Frost (1995) Eleutherodactylus juipoca x Frost (1995) Hylodes otavioi x Frost (1995) Leptodactylus camaquara x Frost (1995) Leptodactylus chaquensis x Frost (1995) Leptodactylus cunicularius x Frost (1995) Leptodactylus furnarius x Frost (1995) Leptodactylus fuscus x Frost (1995) Leptodactylus jolyi x Frost (1995) Leptodactylus labyrinthicus x Frost (1995) Leptodactylus mistaceus Leptodactylus mystacinus Leptodactylus ocellatus Leptodactylus petersii Leptodactylus podicipinus Leptodactylus pustulatus Leptodactylus syphax Leptodactylus troglodytes Leptodactylus tapiti Odontophrynus americanus Odontophrynus cultripes Odontophrynus moratoi Odontophrynus salvatori Physalaemus albonotatus Physalaemus centralis Physalaemus cuvieri x x x x x x x x x x x x x x x x Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Feio & Caramaschi (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Caramaschi (1996) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) end. end. end. end. end. end. 269 . end. end.

Pseudidae Lysapsus caraya x Frost (1995) Lysapsus limellus Pseudis paradoxa x x Frost (1995) Frost (1995) Ranidae Rana palmipes x Frost (1995) TOTAL DE ESPÉCIES 113 270 .Chiasmocleis centralis Chiasmocleis mehelyi Dermatonotus muelleri Elachistocleis bicolor Elachistocleis ovalis x x x x x Caramaschi & Cruz (1997) Caramaschi & Cruz (1997) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) end.

1993. Anura. ________. 1997. A. et al. C. Amazonian savanna lizards and the biogeography of Amazonia. 1998a. 5. Unpubl. Teiidae) from central Brazil. 1962. J. Ávila-Pires. C. Mem. The Venomous Reptiles of Latin America. N. 1962a. Ph. Bachia bresslaui. ________. 1991. Journal of Herpetology 31:483-490. Amphibian Species of the World. Reptilia). with an analysis of morphological and genetic variation in the genus.. Eiten. Primeira aproximação. Univ. Ferrarezzi. A systematic review of the teiid lizards. J. International Institute for Aerospace Survey and Earth Sciences.. The Central and South American anomalepid snakes of the genus Liotyphlops. R. Brasília. Teiidae) en la Republica Argentina. 1951. Campbell. Northern Amazon Basin Brazil. Geomorfologia 52:1-21. 1995. 1995. Copeia 1988:159-164. Misc. Butantãn 26:203-205.D. A Systematic Revision of the South American Lizard Genus Kentropyx (Sauria: Teiidae). A. ________. Xenodontinae). Dixon. A redefinition and biogeography of Amphisbaena alba Linné. Notes on the ecology and geographical distribution of the rare gymnophthalmid lizard. Carneiro. 1996. Mus. Editora da Universidade de Brasília e Secretaria do Meio Ambiente.1979.. Eterovick. A new species of Tupinambis (Sauria. Lizards of Brazilian Amazonia (Reptilia: Squamata). Gallardo. Gans. & Puorto. G. Ciência e Tecnologia do Distrito Federal. Zool. Contribution to the Study of the Forest-Savanna Mosaic in the Area of Roraima. Sc. Zool. A new species of Atractus from Brazil and the status of A. CNPq/Coordenação Editorial. T. Inst. In: Cerrado: Caracterização. Am. J. Fernandes. 1998b. Mem. Aspectos zoogeográficos dos anfíbios do médio Rio Jequitinhonha. Texas A&M University. ________. Classificação da Vegetação do Brasil. Nova espécie de Odontophrynus Reinhardt & Lütken. ________. P.. Butantã 11:1-47. 4. Acad. o Cerrado Perde Espaço. Butantã 55:7-14. Mem. Dias. U. 1993. Gallagher. 1973. Sci. H. Inst. 1994. Pinto (ed. nordeste de Minas Gerais. Bol. guentheri (Serpentes: Colubridae). Colli. Cornell University Press. Os jacarés do Brasil. Leptodactylidae). Amaral. Inst. 1996. 1989. 607-663. Brasília. 1978. M. 1862 do Brasil central (Amphibia. G. B. Nac. Verh. R. 1977. . Leiden 1995:3-706. Ocupação e Perspectivas. Herpetologica 54. 24:1-31. Bons.D. Lilloana 18:243-250. 14. R. C. Publ. W. Rio de Janeiro 367:1-8. I. 1954. Contribuição ao conhecimento dos ofídios do Brasil. Unpubl. U. Hist. & Martins. Two new species of colubrid snakes of the genus Clelia from Brazil. WWF-Fundo Mundial para a Natureza. 1998. Feio. Version 2/95. & Kofron.47. Nat. Vegetatio 36:169-178. 1983. A. Paris 284:2547-2550. G. Alho. 1995. Rio de Janeiro 42:127-139. F. & Lamar. G. Butantã 55:21-38. Acta Zool. Mus. Mem. Colubridae. Lista remissiva dos lacertilios do Brasil. Herpetologica 54. & Caramaschi. El genero Kentropyx (Sauria. Novit. C. Amphibia-Reptilia 4:164-241. with remarks on Heterodactylus and Anotosaura. Ithaca. 1977. Unpubl. Caramaschi. University of California. De Grão em Grão. D. Kansas 57:1 . Electronic manuscript maintained under the auspices of The Herpetologists’ League. Dissertation. D.).Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Referências bibliográficas Ab’Saber. Os domínios morfoclimáticos da América do Sul. genus Bachia. J. Notes on amphisbaenids (Amphisbaenia. Revista Ceres 42:53-61. Estudos sobre lacertilios neotropicos. Inst. Descrição de duas espécies novas de “cobra-cega” (fam. & Pasteur. Nac. Carvalho. nova sér. 1937. Conservação da natureza no cerrado 271 brasileiro. dissertation. Mus. & Sazima. Mus. p. Ph.. Delimitation of the Cerrado concept. Solution histologique à un problème de taxinomie herpétologique intéressant les rapports paléobiologiques de l’Amérique du Sud et de l’Afrique. Leptotyphlopidae). 1995. Arq. A. M. Nota sobre o gênero Phalotris com revisão do grupo nasutus e descrição de três novas espécies (Serpentes. Frost. New species of Proceratophrys (Anura: Leptodactylidae) from southeastern Brazil. Brasília. 1983. A. Franco.

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f) Região da Serra de Santa Bárbara. oeste da Bahia e sul do Maranhão: amplas regiões de Cerrado praticamente desconhecidas do ponto de vista da herpetofauna. região de Uberlândia-MG. As seguintes áreas podem ser consideradas como razoavelmente inventariadas: Cerrado — região de Alto Araguaia-GO. entre os enclaves de Roraima e do Amapá. mas em que medida fatores como a geomorfologia. quais se destaca a Serra do Cachimbo. e) Região central do Estado de Mato Grosso: praticamente desconhecida. b) Mato Grosso do Sul: área de transição entre o Pantanal e o Cerrado. Nelson J. inexplorada. Pantanal — região de Corumbá-MS. completamente desconhecida do ponto de vista da herpetofauna. praticamente inexplorada. MT: região de alta diversidade topográfica. região de Cuiabá-MT e Chapada dos Guimarães-MT. tanto processos ecológicos quanto históricos devem estar envolvidos. determinam a distribuição geográfica da herpetofauna do Cerrado. A presença de Unidades de Conservação não foi levada em consideração na seleção destas áreas. região da Ilha do Bananal-GO. Piauí. com vários enclaves de vegetação aberta. dentre os 274 . Áreas Prioritárias para Conservação Foram consideradas áreas prioritárias para conservação aquelas com alta diversidade da herpetofauna. Bastos (Goiás). e/ou sob alta pressão antrópica. contendo ainda florestas estacionais. Savanas Amazônicas — região de Humaitá-AM. com endemismos. g) Savanas do alto rio Paru: extensa mancha de Savana Amazônica. Naturalmente. região de Pirassununga-SP. da Silva Jr. onde ocorre um endêmico (Tropidurus insulanus). região de Correntina-BA e Posse-GO. d) Norte e oeste de Minas Gerais. praticamente inexploradas. Pantanal e Savanas Amazônicas. Pantanal e Savanas Amazônicas está ainda para ser investigado e é um conhecimento fundamental para a formulação de uma política de conservação destes biomas. a cobertura vegetal.Síntese dos Grupos Temáticos Áreas prioritárias e recomendações para conservação dos répteis e anfíbios do Cerrado e Pantanal Estas recomendações foram baseadas em um levantamento das localidades de coleta de lagartos no Museu Paraense Emílio Goeldi (Tabela 1). e Rogério P. região Sul do Estado de Goiás. região de Minaçu-GO. Áreas Prioritárias para Inventários a) Tocantins. região do Distrito Federal. c) Norte do Mato Grosso e sul do Pará: área de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. região do vale do Jequitinhonha-MG. enclaves de Cerrado da Bahia: áreas de transição entre o Cerrado. onde se localiza o ponto mais elevado do estado. região da Serra do CachimboPA. região de Vilhena-RO. Caatinga e Floresta Atlântica. (Figura 3) Recomendações finais Um considerável esforço de amostragem é ainda necessário para se identificar os padrões e processos de distribuição da herpetofauna no Cerrado. região de Belo Horizonte-MG. a proximidade com outros biomas. na Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (Tabela 2) e no Museu Nacional do Rio de Janeiro (Tabela 3) e também em contribuições de Christine Strüssmann (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). dentre outros.

1. Serra do Cipó (MG): área de campo rupestre. Área de alta biodiversidade e endemismo 14. sendo amplamente ocupada com cultivos de soja. Parque Nacional do Pantanal. Poconé (MS): área de ocorrência dos endêmicos Dracaena paraguayensis.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Áreas Prioritárias para conservação da biodiversidade da herpertofauna dos biomas Cerrado e Pantanal Áreas de alta diversidade: Estas áreas se destacam por possuírem alta diversidade da herpetofauna.. dentro do Cerrado. Eunectes notaeus e Acanthochelys macrocephala. onde ocorrem os seguintes endêmicos: Tropidurus nanuzae. Vale do Rio Araguaia (GO): entre Registro do Araguaia e Luiz Alves. Parque Nacional da Serra da Canastra (MG). Área de ocorrência de populações isoladas de Bothrops neuwiedi e Tupinambis merianae na Amazônia. área de ocorrência dos endêmicos Scinax canastrensis e Hyla sazimai. muito provavelmente. Serra do Cachimbo (PA): área de ocorrência do endêmico Tropidurus insulanus. Physalaemus deimaticus e Proceratophrys cururu. 7. Entretanto. área-alvo para futuros projetos de desenvolvimento como usinas hidrelétricas e projetos agropecuários. 12. apenas ao destacado esforço de amostragem desprendido nestas áreas. Savanas de Humaitá (AM): enclave de Savana Amazônica. Uma das poucas áreas de ocorrência de Bothrops alternatus em Goiás. área-alvo de projetos extensivos de agricultura irrigada. Parque Nacional da Chapada dos Guimarães 4. área de transição entre o Cerrado e a Caatinga. Área de influência da UHE de Serra da Mesa 2. 275 . Distrito Federal 3. Área com tabuleiros de desova de Podocnemis expansa. cumpre destacar que esta alta diversidade se deve. 10. Cerradão entre Jataí e Rio Verde (GO): áreas com ocorrência de manchas preservadas de cerradão. Vale do Rio Tocantins: entre Palmeirópolis-GO e Barra do rio Araguaia-TO. Áreas de endemismos: 5. 8. 6. área de ocorrência dos seguintes endêmicos: Odontophrynus salvatori e Leptodactylus tapeti. Região de Goiânia e Silvânia. ameaçadas de desapropriação pelo INCRA para o assentamento dos sem-terra. Vale do Rio Jequitinhonha: entre os municípios de Turmalina a Grão-Mogol. 13. Áreas sob alta pressão antrópica: 9. Hyla cipoensis. 11. com grande riqueza de espécies de anfíbios e sob alta pressão antrópica. Chapada dos Veadeiros (GO).

Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da herpertofauna dos biomas Cerrado e Pantanal 276 .Figura 3.

Diversidade e Conservação avifauna 277 .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

Participantes do Grupo de Trabalho José Maria Cardoso da Silva (Coordenador) Adriani Hass Anamaria Achtschin Ferreira Carlos A. Marini Ricardo Bomfim Machado 278 . Willis Fernando Straube Leandro Baumgarten Luiz A. Bianchi Dárius Tubelis Edwin O. Pedreira Gonzaga Marcelo Bagno Márcia Paes Maria Alice dos Santos Alves Miguel A.

. foram identificadas mais de 500 localidades para a região do Cerrado e Pantanal. Apresenta bordas com as duas maiores regiões de floresta sul-americanas (Amazônia e Floresta Atlântica) e com as duas maiores regiões semi-áridas (Chaco e Caatinga). nas suas mais diversas formas estruturais. elementos com centro de distribuição nas savanas do Norte da América do Sul (Llanos) e elementos amplamente distribuídos na América do Sul (Silva et al. a vegetação dominante é o Cerrado. Humaitá (AM). a qualidade destes tipos de informação quase nunca é avaliada. R. A região do Cerrado pode ser dividida em áreas de planaltos (altitude geralmente acima de 500m) e áreas de depressões (altitude geralmente abaixo de 500m). em qualquer escala espacial. As savanas amazônicas são consideradas como 279 testemunhas de uma vegetação aberta que predominava na Amazônia durante um período climático diferente do atual (Ab’Saber 1977). o primeiro passo nesta análise da avifauna da região do Cerrado e do Pantanal foi avaliar a qualidade dos dados então disponíveis em museus de história natural e na literatura. Os principais enclaves de savanas amazônicas são: Roraima (RR). Foram listadas todas as localidades onde algum estudo ornitológico tinha sido feito dentro destas duas regiões.8 milhões de km2 e está localizada principalmente no Brasil Central. A avifauna do Pantanal é composta por elementos com centros de distribuição nas áreas adjacentes.Diversidade e Conservação Avifauna do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação José Maria Cardoso da Silva (Organizador) Contextualização biogeográfica A região do Cerrado possui área entre 1. Para aves. As savanas amazônicas não possuem espécies endêmicas. Paru-Trombetas (PA). Entretanto. com pequenas áreas estendendo-se no nordeste do Paraguai e Leste da Bolívia (Ab’Saber 1983).5 a 1. A sua avifauna apóia bem esta hipótese baseada na geomorfologia. as florestas de galeria sobre os planaltos são principalmente influenciadas pela Floresta Atlântica (Silva 1996). pois informações incompletas ou inadequadas podem interferir bastante em nossa visão sobre como a riqueza e a endemicidade de espécies estão distribuídas dentro de uma região. do Museu de Zoologia Comparada. da Amazônia.00km2 dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Isto é uma atitude muito infeliz do investigador. Serra do Cachimbo (PA) e uma série de isolados de savanas no interflúvio Tocantins-Araguaia/Xingu no Sul do Estado do Pará (PA). A princípio este número de localidades parece ser razoável. Amapá (AP). No contexto dos domínios morfoclimáticos sul-americanos. A partir do dicionário elaborado para o Brasil. A região do Cerrado é considerada como uma importante área de endemismo para vários grupos de organismos (Müller 1973. indicando que as duas regiões parecem ser bem amostradas para aves. Silva 1995a). De modo geral. decidiu-se fazer uma análise incluindo somente aquelas localidades que foram consideradas como “minimamente amostradas”. As savanas amazônicas estão distribuídas como enclaves de área variável na Amazônia. 1997). são dependentes de bons dados sobre a sistemática e a distribuição geográfica dos grupos selecionados para análise. O Pantanal situa-se em uma área rebaixada da depressão do rio Paraguai. Como uma região de transição. pois foi descoberto que o dicionário geográfico listava também muitas localidades onde nenhum ou muito poucos dados sobre aves tinham sido coletados. As subespécies que têm sido indicadas como possivelmente endêmicas a algumas savanas amazônicas necessitam de revisão taxonômica detalhada para serem aceitas. Serra dos Carajás (PA). com uma mistura de diferentes tipos de vegetação. da Universidade de Harvard. as savanas amazônicas possuem 150. Estados Unidos. o Pantanal pode ser considerado como uma região de transição entre os domínios do Cerrado. que inclui desde extensas florestas de galeria com forte influência amazônica até florestas secas com uma biota associada à Caatinga e ao Chaco (Silva 1995a). a paisagem é muito mais complexa. ou seja. Entretanto. Por causa disso. pois a região não possui espécies endêmicas. várias zonas de contato entre espécies ou subespécies aparentadas são encontradas no Pantanal. localidades nas quais 80 espécimes de aves tinham sido coletados ou mais de 100 espécies de aves tinham sido registradas visualmente ou através de coleta. A qualidade do inventário ornitológico Estudos biogeográficos aplicados a biologia da conservação. uma região dominada principalmente por florestas. pois existe uma série excelente de dicionários geográficos trazendo todas os pontos de estudos ornitológicos na América do Sul. este resultado não é totalmente confiável. No total. do Chaco e da Floresta Atlântica (Ab’Saber 1983). conclui-se que mais de 70% da região do Cerrado e do Pantanal nunca teve sua avifauna estudada de forma adequada. englobando uma área estimada de 110. A avifauna das savanas amazônicas é uma mistura de elementos com centro de distribuição na região do Cerrado. isso foi relativamente fácil. Paynter Jr. Por causa deste problema. Cracraft 1985. A região do Cerrado ocupa uma posição central em relação aos outros biomas sul-americanos.000 km2.Avifauna do Cerrado e Pantanal . Nos planaltos. . publicados sob a coordenação do Dr. Nas depressões.

8%) é uma das mais baixas entre os grandes biomas sul-americanos. Entretanto. mas eles não apresentam nenhuma espécie endêmica. 12.8% (28 espécies). não incluída nas listas). visitante do Sul do hemisfério Sul. 3. A porcentagem de espécies endêmicas de aves (3. Destas. Riqueza de espécies e endemicidade Uma lista de todas as espécies de aves da região do Cerrado foi apresentada por Silva (1995a.8%). 22 são residentes. e UU. Destas. somente quatro ocorrem no Pantanal propriamente dito. Mato Grosso do Sul. quase ameaçada. Sul de Goiás e do Piauí. Das espécies endêmicas ameaçadas ou quase ameaçadas. Um grupo de quatro espécies ameaçadas ou quase ameaçadas . A porcentagem de espécies endêmicas na avifauna que se reproduz no domínio do Cerrado é 3. No Pantanal. Estas espécies foram classificadas quanto ao status na região do Cerrado e Pantanal (BR. todo o Estado de Tocantins. somente 45 espécies foram consideradas como espécies realmente associadas às savanas.8%) vivem tanto em florestas como em áreas abertas.As áreas prioritárias para novos estudos ornitológicos no Cerrado são todas as áreas em branco da Figura 2b de Silva (1995c).4%) vivem em áreas abertas e 158 (20. listagem avaliada e modificada pelos membros do grupo temático). que é de aproximadamente 50% (Heringer et al. Estas áreas incluem o Sul do Maranhão. quanto ao hábitat (1.5%). 1997). afastando-se das áreas mais amostradas que ficam em torno de Corumbá e Poconé. portanto. mas com status desconhecido foram excluídas da análise). nenhuma delas é realmente endêmica ao Pantanal. 0. b. 208 (27. Todos os outros enclaves podem ser considerados como tendo a avifauna muito pouco conhecida e. 2. merece atenção especial pelos naturalistas. Destas. A avifauna destes enclaves é um sub-conjunto empobrecido da avifauna do Cerrado centro-brasileiro. Trinta e três espécies que ocorrem na região do Cerrado e/ou Pantanal foram classificadas como ameaçadas ou quase ameaçadas. apesar de que estudos genéticos podem indicar diferenciação em algumas espécies de aves (Tabela 2). (1992. 3.7%) reproduzem nesta região. florestas) e quanto ao nível de ameaça (a. Silva et al.1%). e (d) espécies com status desconhecido (32. migrante altitudinal. Não são conhecidas espécies endêmicas de aves das savanas amazônicas. vegetações abertas + florestas. somente 293 espécies de aves são conhecidas do Pantanal propriamente dito. vegetações abertas. Entre as espécies residentes. Estudando com atenção a distribuição destas quatro espécies. 759 (90. e c. AM. O restante é composto de espécies que vivem em florestas de galeria ou usam tanto as florestas como nas savanas. e 3. (b) visitantes do Sul da América do Sul (12. 1977). por estar isolada das outros planaltos relituais pela depressão do Pantanal. com alguma mistura com a avifauna dos campos meridionais. A Serra do Amolar. Isto contrasta fortemente com o nível de endemicidade registrado para a flora do domínio do Cerrado. (1997) listou 179 espécies para um trecho de savana amazônica no Amapá. Foram registradas 837 espécies de aves distribuídas em 64 famílias. Todas ocorrem também nos domínios adjacentes. Os enclaves de Cerrado nos Estados de São Paulo e Paraná são ainda pouco estudados.8%) espécies são dependentes de ambientes de floresta. Brown (1986) listou 658 espécies de aves para a região do Pantanal com base em uma revisão ampla da bibliografia e de informações de vários pesquisadores 280 Espécies endêmicas e ameaçadas Um total de 62 espécies de aves da região do Cerrado e do Pantanal (Tabela 3) são endêmicas e/ou listadas como ameaçadas ou quase ameaçadas por Collar et al. é preciso inventariar mais localidades distribuídas em todos os setores da Depressão. O único enclave que possui a sua avifauna minimamente explorada é o do Amapá (Silva et al. As savanas amazônicas são ainda pouco estudadas no que diz respeito a sua avifauna. oito são consideradas como ameaçadas e seis como quase ameaçadas. quatro são migrantes do Sul da América do Sul e três são possivelmente migrantes altitudinais provenientes da Floresta Atlântica. Destas. As espécies restantes incluem: (a) visitantes da América do Norte (26. (c) prováveis migrantes altitudinais do sudeste do Brasil (8. merecendo alta prioridade para futuras investigações. quatro possuem status desconhecido. residente. O número de espécies que se reproduzem no domínio do Cerrado é o dobro do que tinha sido estimado anteriormente (Silva 1995a). Brown (1986) sugeriu que 10 espécies de aves seriam endêmicas do Pantanal e seus arredores. o Oeste da Bahia e Minas Gerais. Das espécies que se reproduzem no domínio do Cerrado. Tabela 1). VS. A maioria destas espécies vive nas áreas abertas (nove) e não nas florestas (cinco). O Pantanal não possui endemismos em aves. a maioria ocorre nas vegetações abertas (9) ao invés das florestas (5). status desconhecido). Das 29 espécies endêmicas (três espécies possivelmente endêmicas. que trabalharam na região.9%). 393 (51. ameaçada. 14 espécies são consideradas ou como ameaçadas de extinção ou como quase ameaçadas.

Das espécies não endêmicas. Três espécies da Floresta Atlântica (migrantes altitudinais) e quatro da região dos campos meridionais (migrantes do Hemisfério Sul) migram para a região do Cerrado e/ou Pantanal durante o inverno de suas respectivas regiões de reprodução.Diversidade e Conservação possui status desconhecido na região do Cerrado e/ou Pantanal. A região do Cerrado e o Pantanal são também áreas onde espécies ameaçadas ou quase ameaçadas de regiões adjacentes passam boa parte de seus ciclos biológicos. Das espécies endêmicas.Avifauna do Cerrado e Pantanal .7%) ocorrem no Pantanal. somente sete (24. mas que apresentam problemas de conservação. Estes dados ilustram bem que os maiores problemas para a conservação das aves estão na região do Cerrado ao invés do Pantanal propriamente dito. somente quatro (12. 281 .1%) ocorrem no Pantanal. Todas são conhecidas somente das vegetações abertas.

Espécies Rhea americana Tinamus tao Tinamus solitarius Tinamus major Tinamus guttatus Crypturellus cinereus Crypturellus soui Crypturellus obsoletus Crypturellus undulatus Crypturellus strigulosus Crypturellus noctivagus Crypturellus parvirostris Crypturellus tataupa Rhynchotus rufescens Nothura minor* Nothura maculosa Taoniscus nanus* Podilymbus podiceps Podiceps dominicus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR X X X X X X X X X X X X X 282 X X X X P X Espécies Cochlearius cochlearius Tigrisoma fasciatum Tigrisoma lineatum Zebrilus undulatus Ixobrychus exilis Botaurus pinnatus Mycteria americana Ciconia maguari Ephippiorhynchus mycteria Harpiprion caerulescens Theristicus caudatus Mesembrinis cayennensis Phimosus infuscatus Plegadis chihi Ajaia ajaja Anhima cornuta Chauna torquata Dendrocygna bicolor Dendrocygna viduata Dendrocygna autumnalis Neochen jubatus Cairina moschata Sarkidiornis melanotos Calloneta leucophrys Amazonetta brasiliensis Netta erythrophthalma Mergus octosetaceus Oxyura dominica Cathartes aura Cathartes burrovianus Coragyps atratus Sarcorhamphus papa C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X P RHEIDAE TINAMIDAE CICONIIDAE THRESKIORNITHIDAE ANHIMIDAE PODICIPEDIDAE ANATIDAE Podiceps Rolland PHALACROCORACIDAE Phalacrocorax brasilianus Anhinga anhinga Syrigma sibilatrix Pilherodius pileatus Ardea cocoi Egretta alba Egretta caerulea Egretta thula Bubulcus ibis Butorides striatus Agamia agami Nycticorax nycticorax BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR ANHINGIDAE ARDEIDAE CATHARTIDAE .Tabela 1. os códigos representam o status de cada espécie na região: BR (reproduz na região). AM (possivelmente migrante altitudinal). Na lista de aves do Pantanal. UU (desconhecido). Espécies marcadas com um asterisco são as espécies endêmicas à região do Cerrado. as espécies migrantes do hemisfério Norte estão excluídas. Lista da região do Cerrado segundo Silva (1995a) e lista do Pantanal segundo Brown (1986). Lista de espécies de aves da região do Cerrado (C) e do Pantanal (P). MN (migrante do hemisfério Norte). Na lista de aves do Cerrado. MS (migrante do Sul da América do Sul).

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies C P Espécies Micrastur semitorquatus Falco sparverius Falco rufigularis C BR BR BR BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU UU BR BR UU UU UU BR BR BR P PANDIONIDAE Pandion haliaetus Leptodon cayanensis Chondrohierax uncinatus Elanoides forficatus Gampsonyx swainsonii Elanus leucurus Rostrhamus sociabilis Harpagus diodon Ictinia plumbea Circus buffoni Accipiter poliogaster Accipiter superciliosus Accipiter striatus Accipiter bicolor Geranospiza caerulescens Leucopternis kuhli Leucopternis albicollis Asturina nitida Buteogallus urubitinga Buteogallus meridionalis Harpyhaliaetus coronatus Busarellus nigricollis Geranoaetus melanoleucus Parabuteo unicinctus Buteo magnirostris Buteo platypterus Buteo brachyurus Buteo swainsoni Buteo albonotatus Buteo albicaudatus Harpia harpyja Spizastur melanoleucus Spizaetus tyrannus Spizaetus ornatus Daptrius ater Daptrius americanus Polyborus plancus Milvago chimachima Herpetotheres cachinnans Micrastur ruficollis Micrastur gilvicollis VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR VN BR VN UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR 283 X X X X X X X X X X X X X ACCIPITRIDAE X X X Falco femoralis Falco deiroleucus Falco peregrinus Ortalis canicollis Ortalis guttata Penelope superciliaris Penelope jacquacu Penelope ochrogaster* Pipile pipile Mitu tuberosa Crax fasciolata Odontophorus gujanensis Odontophorus capueira Odontophorus stellatus Aramus guarauna Eulabeornis saracura Eulabeornis ypecaha Eulabeornis cajaneus Eulabeornis concolor Rallus nigricans Coturnicops schomburgkii Laterallus viridis Laterallus melanophaius Laterallus xenopterus Porzana flaviventer Porzana albicollis Porzana erythrops Gallinula chloropus Gallinula melanops Gallinula flavirostris Gallinula martinica Heliornis fulica Eurypyga helias CRACIDAE X X X X PHASIANIDAE ARAMIDAE X RALLIDAE X X X FALCONIDAE X X X X HELIORNITHIDAE EURYPYGIDAE CARIAMIDAE .

Tabela 1 (continuação) Espécies Cariama cristata Jacana jacana Himantopus mexicanus Vanellus cayanus Vanellus chilensis Pluvialis dominica Charadrius collaris Limosa haemastica Bartramia longicauda Tringa melanoleuca Tringa flavipes Tringa solitaria Actitis macularia Gallinago paraguaiae Gallinago undulata Calidris minutilla Calidris fuscicollis Calidris melanotos Micropalama himantopus Tryngites subruficollis Larus cirrocephalus Phaetusa simplex Sterna superciliaris Rynchops nigra Columba speciosa Columba picazuro Columba cayennensis Columba plumbea Columba subvinacea Zenaida auriculata Columbina minuta Columbina talpacoti Columbina picui Columbina cyanopis* C BR BR BR BR BR VN BR VN VN VN VN VN VN BR BR VN VN VN VN VN UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X Espécies Claravis pretiosa Claravis godefrida Scardafella squammata Uropelia campestris Leptotila verreauxi Leptotila rufaxilla C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X X JACANIDAE RECURVIROSTRIDAE CHARADRIIDAE X X Hoploxypterus cayanus Geotrygon violacea Geotrygon montana Anodorhynchus hyacinthinus PSITTACIDAE X X X X X Ara ararauna Ara macao Ara chloroptera Ara auricollis Ara severa Ara manilata Ara maracana Ara nobilis X Aratinga acuticaudata Aratinga leucophthalmus Aratinga auricapilla Aratinga jandaya Aratinga wedelli Aratinga cactorum Aratinga aurea Pyrrhura devillei X X X Pyrrhura frontalis Pyrrhura rhodogaster Pyrrhura molinae Pyrrhura pfrimeri* Pyrrhura picta Myiopsitta monachus X X Forpus xanthopterygius Brotogeris tirica Brotogeris chiriri Brotogeris cyanoptera X X X X Pionus menstruus Pionus maximiliani Amazona xanthops* Amazona aestiva Amazona amazonica 284 SCOLOPACIDAE X X X X X LARIDAE Nandayus nenday RHYNCHOPIDAE COLUMBIDAE X X X X X X .

Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Amazona farinosa Opisthocomus hoazin Coccyzus cinereus Coccyzus americanus Coccyzus euleri Coccyzus melacoryphus Piaya cayana Piaya melanogaster Piaya minuta Crotophaga major Crotophaga ani Guira guira Tapera naevia Dromococcyx phasianellus Dromococcyx pavoninus Neomorphus geoffroyi Tyto alba Otus choliba Otus watsonii Otus atricapillus Lophostrix cristata Pulsatrix perspicillata Bubo virginianus Ciccaba virgata Ciccaba huhula Glaucidium minutissimum Glaucidium brasilianum Speotyto cunicularia Aegolius harrisii Asio clamator Asio stygius Nyctibius grandis Nyctibius aethereus Nyctibius griseus Lurocalis semitorquatus Chordeiles pusillus C BR BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P Espécies Chordeiles rupestris Chordeiles acutipennis C BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR UU UU BR UU UU BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P OPISTHOCOMIDAE X CUCULIDAE Chordeiles minor Nyctiprogne leucopyga Podager nacunda Nyctidromus albicollis Nyctiphrynus ocellatus X X X X X X X X X X X Caprimulgus rufus Caprimulgus candicans* Caprimulgus maculicaudus Caprimulgus parvulus Hydropsalis brasiliana Eleothreptus anomalus Aerornis senex Streptoprocne zonaris Streptoprocne biscutatus Chaetura cinereiventris Chaetura egregia Chaetura chapmani Chaetura andrei X X APODIDAE TYTONIDAE STRIGIDAE X Chaetura brachyura Tachornis squamata Glaucis hirsuta Threnetes leucurus TROCHILIDAE X X Phaethornis hispidus Phaethornis petrei Phaethornis subochraceus Phaethornis nattereri X X X Phaethornis ruber Campylopterus largipennis Eupetomena macroura Florisuga mellivora Melanotrochilus fuscus Colibri serrirostris Anthracothorax viridigula Anthracothorax nigricollis Chrysolampis mosquitus Lophornis magnífica Chlorostilbon mellisugus X NYCTIBIIDAE X CAPRIMULGIDAE X 285 Chlorostilbon aureoventris X .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

Tabela 1 (continuação) Espécies Thalurania furcata Thalurania glaucopis Hylocharis cyanus Hylocharis chrysura Leucochloris albicollis Polytmus guainumbi Amazilia chionogaster Amazilia versicolor Amazilia fimbriata Amazilia lactea Aphantochroa cirrochloris Augastes scutatus* Heliothryx aurita Heliactin cornuta Heliomaster longirostris Heliomaster squamosus Heliomaster furcifer Calliphlox amethystina Trogon melanurus Trogon viridis Trogon collaris Trogon rufus Trogon surrucura Trogon aurantius Trogon curucui Trogon violaceus Megaceryle torquata Chloroceryle amazona Chloroceryle americana Chloroceryle inda Chloroceryle aenea Electron platyrhynchum Baryphthengus ruficapillus Baryphthengus martii Momotus momota Brachygalba lugubris Galbula cyanicollis Galbula ruficauda C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X Espécies Galbula leucogastra Jacamerops aurea C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P BUCCONIDAE X Notharchus macrorhynchus Notharchus tectus Bucco tamatia Nystalus chacuru X X Nystalus striolatus Nystalus maculatus Malacoptila striata Malacoptila rufa Nonnula rubecula Nonnula ruficapilla Monasa nigrifrons Monasa morphoeus Chelidoptera tenebrosa X Capito dayi Pteroglossus inscriptus Pteroglossus bitorquatus Pteroglossus aracari Pteroglossus castanotis X X Selenidera gouldii Selenidera maculirostris Ramphastos dicolorus Ramphastos vitellinus Ramphastos toco X X X X Ramphastos tucanus Picumnus aurifrons Picumnus cirratus Picumnus albosquamatus Melanerpes candidus Melanerpes cruentatus Melanerpes flavifrons Picoides mixtus X Veniliornis passerinus Veniliornis maculifrons Veniliornis affinis Piculus leucolaemus X 286 Piculus flavigula X X CAPITONIDAE RAMPHASTIDAE TROGONIDAE X ALCEDINIDAE X PICIDAE X X MOMOTIDAE X GALBULIDAE .

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Piculus chrysochloros Colaptes melanochloros Colaptes campestris Celeus elegans x lugubris Celeus lugubris Celeus flavescens Celeus grammicus Celeus flavus Celeus torquatus Dryocopus lineatus Campephilus rubricollis Campephilus robustus Campephilus melanoleucus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X Espécies Furnarius rufus Schoeniophylax phryganophila Synallaxis ruficapilla Synallaxis frontalis Synallaxis albescens Synallaxis spixi Synallaxis hypospodia Synallaxis cinerascens Synallaxis simoni* C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X X X Synallaxis albilora Synallaxis rutilans Synallaxis scutata X X X Cranioleuca pallida Certhiaxis semicinerea Certhiaxis vulpina Certhiaxis cinnamomea Asthenes luizae* Phacellodomus rufifrons Phacellodomus ruber Anumbius annumbi Lochmias nematura Pseudoseisura cristata Berlepschia rikeri Philydor rufosuperciliatus Campephilus leucopogon DENDROCOLAPTIDAE Dendrocincla fuliginosa Dendrocincla turdina Dendrocincla merula Sittasomus griseicapillus Glyphorhynchus spirurus Nasica longirostris Hylexetastes perrotii Xiphocolaptes promeropirhynchus Xiphocolaptes albicollis Xiphocolaptes major Dendrocolaptes certhia Dendrocolaptes pallescens Dendrocolaptes platyrostris Xiphorhynchus picus Xiphorhynchus obsoletus Xiphorhynchus elegans Xiphorhynchus guttatus Lepidocolaptes angustirostris Lepidocolaptes squamatus Lepidocolaptes fuscus Lepidocolaptes albolineatus Campylorhamphus trochilirostris Campylorhamphus falcularius Geobates poecilopterus* Furnarius figulus Furnarius leucopus BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR X X X X X X Philydor erythrocercus Philydor erythropterus Philydor lichtensteini Philydor rufus X Philydor dimidiatus* Automolus ochrolaemus Automolus leucophthalmus X X X Automolus rectirostris* Sclerurus rufigularis Sclerurus scansor Xenops tenuirostris Xenops minutus X X Xenops rutilans Megaxenops parnaguae Cymbilaimus lineatus Hypoedaleus guttatus FURNARIIDAE FORMICARIIDAE X 287 Mackenziaena severa .

Tabela 1 (continuação) Espécies Taraba major Sakesphorus luctuosus Thamnophilus doliatus Thamnophilus palliatus Thamnophilus aethiops Thamnophilus schistaceus Thamnophilus punctatus Thamnophilus amazonicus Thamnophilus caerulescens Thamnophilus torquatus Dysithamnus mentalis Thamnomanes saturninus Thamnomanes caesius Myrmotherula brachyura Myrmotherula sclateri Myrmotherula surinamensis Myrmotherula hauxwelli Myrmotherula leucophthalma Myrmotherula ornata Myrmotherula axillaris Myrmotherula menetriesii Myrmochilus strigilatus Herpsilochmus atricapillus Herpsilochmus longirostris* Herpsilochmus rufimarginatus Microrhopias quixensis Formicivora grisea Formicivora serrana Formicivora melanogaster Formicivora rufa Drymophila ferruginea Drymophila ochropyga Drymophila devillei Cercomacra cinerascens Cercomacra nigrescens Cercomacra melanaria Cercomacra ferdinandi* Pyriglena leuconota Pyriglena leucoptera Myrmoborus leucophrys Myrmoborus myotherinus Hypocnemis cantator C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X Espécies Hypocnemoides maculicauda Sclateria naevia Myrmeciza loricata Myrmeciza hemimelaena Myrmeciza atrothorax Rhegmatorhina hoffmannsi Hylophilax punctulata Hylophilax poecilinota Phlegopsis nigromaculata Formicarius colma C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X Formicarius analis Hylopezus berlepschi Chamaeza sp. CONOPOPHAGIDAE Conopophaga lineata Melanopareia torquata* Scytalopus novacapitalis* Phyllomyias fasciatus Phyllomyias virescens Phyllomyias reiseri* Ornithion inerme X Camptostoma obsoletum Phaeomyias murina Sublegatus modestus Suiriri suiriri Myiopagis gaimardii X X Myiopagis caniceps Myiopagis viridicata Elaenia flavogaster Elaenia spectabilis Elaenia albiceps X X Elaenia parvirostris Elaenia mesoleuca Elaenia cristata Elaenia chiriquensis Elaenia obscura Serpophaga nigricans Serpophaga subcristata Serpophaga munda Inezia inornata 288 BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR VS VS BR BR BR BR VS BR VS BR X X X X X X RHYNOCRYPTIDAE TYRANNIDAE .

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Culicivora caudacuta Polystictus superciliaris* Polystictus pectoralis Pseudocolopteryx sclateri Euscarthmus meloryphus Euscarthmus rufomarginatus Mionectes oleagineus Mionectes rufiventris Leptopogon amaurocephalus Phylloscartes flaveolus Phylloscartes ventralis Corythopis delalandi Corythopis torquata Myiornis auricularis Myiornis ecaudatus Hemitriccus minor Hemitriccus diops Hemitriccus flammulatus Hemitriccus zosterops Hemitriccus minimus Hemitriccus striaticollis Hemitriccus nidipendulum Hemitriccus margaritaceiventer Todirostrum plumbeiceps Todirostrum fumifrons Todirostrum latirostre Todirostrum poliocephalum Todirostrum cinereum Ramphotrigon megacephala Ramphotrigon ruficauda Ramphotrigon fuscicauda Tolmomyias sulphurescens Tolmomyias assimilis Tolmomyias flaviventris Platyrinchus mystaceus Platyrinchus platyrhinchos Onychorhynchus coronatus Terenotriccus erythrurus Myiobius barbatus Myiobius atricaudus Myiophobus fasciatus Lathrotriccus euleri C BR BR BR VS BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P Espécies Contopus cinereus Cnemotriccus fuscatus Pyrocephalus rubinus Xolmis cinerea C BR BR BR BR BR BR AM BR BR BR AM VS BR BR BR BR BR BR BR BR AM UU BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X Xolmis velata Heteroxolmis dominicana Knipolegus cyanirostris Knipolegus orenocensis Knipolegus franciscanus* Knipolegus lophotes Knipolegus nigerrimus X Hymenops perspicillata Fluvicola pica Arundinicola leucocephala Colonia colonus Alectrurus tricolor Gubernetes yetapa Satrapa icterophrys Hirundinea ferruginea Machetornis rixosus X X X X X X X Muscipipra vetula Attila phoenicurus Attila bolivianus Attila rufus Attila spadiceus X X X Casiornis rufa Casiornis fusca Rhytipterna simplex Rhytipterna immunda Laniocera hypopyrra Sirystes sibilator X X X X X X X X X X X X X Myiarchus tuberculifer Myiarchus swainsoni Myiarchus ferox Myiarchus tyrannulus Pitangus sulphuratus Philohydor lictor Megarhynchus pitangua X X X 289 Myiozetetes cayanensis Myiozetetes similis Myiodynastes maculatus Legatus leucophaius .

Tabela 1 (continuação) Espécies Empidonomus varius Gryseotyrannus aurantiocristatus Tyrannopsis sulphurea Tyrannus albogularis Tyrannus melancholicus Tyrannus savana Pachyramphus viridis Pachyramphus castaneus Pachyramphus polychopterus Pachyramphus marginatus Pachyramphus minor Pachyramphus validus Tityra cayana Tityra semifasciata Tityra inquisitor Schiffornis virescens Schiffornis turdinus Piprites chloris Xenopipo atronitens Antilophia galeata* Tyranneutes stolzmanni Neopelma pallescens Neopelma sulphureiventer Heterocercus linteatus Machaeropterus pyrocephalus Manacus manacus Illicura militaris Chiroxiphia pareola Chiroxiphia caudata Pipra nattereri Pipra fasciicauda Pipra rubrocapilla Phibalura flavirostris Carpornis cucullatus Lipaugus vociferans Xipholena punicea Gymnoderus foetidus Querula purpurata Pyroderus scutatus Cephalopterus ornatus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR AM AM BR BR BR BR AM BR P X X Espécies Procnias nudicollis Oxyruncus cristatus Tachycineta albiventer C AM BR BR BR BR VN BR BR BR BR UU BR VN VN VN VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR VN AM VS BR BR VS BR BR P HIRUNDINIDAE X X X X X X X Tachycineta leucorrhoa Phaeoprogne tapera Progne subis Progne chalybea Notiochelidon cyanoleuca Atticora fasciata Atticora melanoleuca Neochelidon tibialis Alopochelidon fucata Stelgidopteryx ruficollis X Riparia riparia Hirundo rustica Hirundo pyrrhonota Anthus lutescens Anthus hellmayri X Donacobius atricapillus Campylorhynchus turdinus Odontorchilus cinereus Cistothorus platensis Thryothorus genibarbis Thryothorus leucotis Thryothorus guarayanus Troglodytes aedon Microcerculus marginatus Mimus saturninus Mimus triurus Catharus fuscescens Platycichla flavipes Turdus nigriceps Turdus rufiventris X Turdus leucomelas Turdus amaurochalinus Turdus fumigatus Turdus hauxwelli 290 X PIPRIDAE MOTACILLIDAE X TROGLODYTIDAE X X X X X X MIMIDAE X X COTINGIDAE MUSCICAPIDAE X X .

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Turdus albicollis Ramphocaenus melanurus Polioptila dumicola Zonotrichia capensis Myospiza humeralis Poospiza cinerea* Sicalis citrina Sicalis columbiana Sicalis flaveola Sicalis luteola Emberizoides herbicola Embernagra longicauda* Volatinia jacarina Sporophila schistacea Sporophila plumbea Sporophila collaris Sporophila lineola Sporophila nigricollis Sporophila melanops* Sporophila caerulescens Sporophila albogularis Sporophila leucoptera Sporophila hypochroma Sporophila nigrorufa Sporophila bouvreuil Sporophila hypoxantha Sporophila ruficollis Sporophila palustris Sporophila castaneiventris Sporophila cinnamomea Sporophila melanogaster Oryzoborus maximiliani Oryzoborus angolensis Amaurospiza moesta Tiaris fuliginosa Arremon taciturnus Arremon flavirostris Charitospiza eucosma* Coryphaspiza melanotis Coryphospingus pileatus Coryphospingus cucullatus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR UU BR UU BR VS UU BR BR BR VS UU VS VS BR BR UU UU BR BR BR BR BR BR P Espécies Paroaria dominicana Paroaria gularis C BR BR BR P X X X Paraoaria baeri* Paroaria capitata Pheucticus aureoventris Pitylus grossus Saltator maximus EMBERIZIDAE Paroaria coronata BR UU BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR X X X X X Saltator similis Saltator coerulescens Saltator atricollis* Cyanoloxia glaucocaerulea Cyanocompsa cyanoides X X X X Cyanocompsa cyanea Porphyrospiza caerulescens* Schistochlamys ruficapillus X X Schistochlamys melanopis Neothraupis fasciata Cypsnagra hirundinacea Conothraupis mesoleuca* X X Cissopis leveriana Compsothraupis loricata Thlypopsis sordida Pyrrhocoma ruficeps Hemithraupis guira X X X Hemithraupis ruficapilla Hemithraupis flavicollis Nemosia pileata Eucometis penicillata Lanio versicolor Tachyphonus cristatus Tachyphonus nattereri* X X X X Tachyphonus luctuosus Tachyphonus coronatus Tachyphonus rufus Tachyphonus phoenicius Trichothraupis melanops Habia rubica Piranga flava Ramphocelus carbo Thraupis sayaca X X X X X 291 Thraupis palmarum .

Tabela 1 (continuação) Espécies Pipraieda melanota Euphonia chlorotica Euphonia violacea Euphonia laniirostris Euphonia chalybea Euphonia musica Euphonia chrysopasta Euphonia minuta Euphonia rufiventris Euphonia pectoralis Tangara mexicana Tangara chilensis Tangara seledon Tangara cyanoventris Tangara gyrola Tangara cayana Tangara cyanicollis Tangara nigrocincta Dacnis lineata Dacnis cayana Chlorophanes spiza Cyanerpes caeruleus Cyanerpes cyaneus Tersina viridis Coereba flaveola Parula pitiayumi Dendroica striata Geothlypis aequinoctialis Basileuterus flaveolus Basileuterus culicivorus Basileuterus hypoleucus Basileuterus leucoblepharus Basileuterus leucophrys* Basileuterus fulvicauda Granatellus pelzelni Conirostrum speciosum Cyclarhis gujanensis Vireo olivaceus Hylophilus thoracicus Hylophilus amaurocephalus Hylophilus pectoralis C UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X Espécies Hylophilus muscicapinus Hylophilus hypoxanthus Psarocolius decumanus Psarocolius bifasciatus Cacicus cela Cacicus haemorrhous Cacicus solitarius Icterus cayanensis Icterus icterus Agelaius cyanopus Agelaius ruficapillus Leistes superciliaris Pseudoleistes guirahuro Amblyramphus holosericeus Gnorimopsar chopi Molothrus badius Molothrus rufoaxillaris Molothrus bonariensis Scaphidura oryzivora Dolichonyx oryzivorus Carduelis magellanica Carduelis olivacea C BR BR BR BR BR BR P ICTERIDAE X X X X X X X X Cacicus chrysopterus BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR VN BR UU BR BR BR BR X X X X X FRINGILLIDAE PARULIDAE X X CORVIDAE Cyanocorax cyanomelas Cyanocorax cristatellus* Cyanocorax chrysops X X X X Cyanocorax cyanopogon X X X VIREONIDAE X 292 .

1. 2. a) Harpia harpyja (R. c) Saltator atricollis (R. A taxonomia segue Silva (1995a). as convenções são as seguintes: status (R.Avifauna do Cerrado e Pantanal . 1. 3. As espécies com o nome em negrito ocorrem no Pantanal e no domínio do Cerrado. Espécies de aves endêmicas no domínio do Cerrado e Pantanal. 2. a) Pyrrhura pfrimeri (R. 2. 3. áreas abertas. c) Charitospiza eucosma (R. b) Procnias nudicollis (MA. b) Agamia agami (R. a) 293 Megaxenops parnaguae (R. 1. 1. a) Eleothreptus anomalus (D. c. 2. florestas). ameaçada. Dentro dos parênteses. 1. b) Euscarthmus rufomarginatus (R. b) Mergus octasetaceus (R. 3. 3. 1. c) Polystictus superciliaris (R. 1. b) Sporophila palustris (VS. as convenções são as seguintes: status (R. b) Antilophia galeata (R. 3. c) Basileuterus leucophrys (R. 1. 1. a) Anodorhynchus hyacinthinus (R. b) Geobates poecilopterus (R. a) Sporophila ruficollis (R. c) Synallaxis simoni (R. Espécies de aves sob ameaça no domínio do Cerrado e Pantanal. a) Culicivora caudacuta (R. b) Sporophila melanogaster (VS. D. 3. a) Sporophila cinnamomea (VS. c) Asthenes luizae (R. 1992 e espécies quase-ameaçadas segundo Collar et al. c) Cercomacra ferdinandi (R. A taxonomia segue Silva (1995a). a) Neochen jubatus (R. 1. c) Herpsilochmus longirostris (R.Diversidade e Conservação Tabela 2. 2. 1. a) Sporophila nigrorufa (D. 2. 3. Rhea americana (R. 3. 3. b) Coryphaspiza melanotis (R. b) Falco deiroleucus (R. status desconhecido). não incluida nas listas. a) Taoniscus nanus (R. 3. 3. VS. 3. áreas abertas + florestas. as espécies restantes não ocorrem no Pantanal. Nothura minor (R. 1. visitante do Sul.1. visitante do Sul. migrante altitudinal. b) Knipolegus franciscanus (R. b) Harpyhaliaetus coronatus (R. 2. b) Caprimulgus candicans (R. a) Penelope ochrogaster (R. 1992 e espécies quase-ameaçadas segundo Collar et al. hábitat (1. 1. b) Tigrisoma fasciatum (R. VS. residente. migrante altitudinal. Dentro dos parênteses. b. b) Accipiter poliogaster (R. c) Poospiza cinerea (R. 1. a) Augastes scutatus (R. b) Spizastur melanoleucus (R. b) Polystictus pectoralis (R. status desconhecido). c) Scytalopus novacapitalis (R. 3. áreas abertas + florestas. 1. 3. não incluida nas listas. 1. 3. a) Sporophila hypochroma (VS. b) . 2. c) Paroaria baeri (R. a) Phyllomyias reiseri (R. 3. espécies ameaçadas segundo Collar et al. 1. florestas). b) Automolus rectirostris (R. ameaçada. b) Crypturellus noctivagus (R. 1992 e modificações feitas pelos membros do grupo temático). 1992 e modificações feitas pelos membros do grupo temático). 3. 1. as espécies restantes não ocorrem no Pantanal. c) Tabela 3. 1. 1. a) Columbina cyanopis (R. 3. 3. a) Embernagra longicauda (R. 3. 1. 1. b) Phibalura flavirostris (MA. 1. 1. b) Aratinga auricapilla (R. hábitat (1. 1. MA. D. espécies ameaçadas segundo Collar et al. c) Cyanocorax cristatellus (R. 3. b) Oryzoborus maximiliani (R. a) Philydor dimidiatus (R. residente. quase ameaçada. As espécies com o nome em negrito ocorrem no Pantanal e no domínio do Cerrado. nível de ameaça (a. 1. 1. 2. b) Carponis cucullatus (MA. c) Porphyrospiza caerulescens (R. c) Melanopareia torquata (R. b. a) Alectrurus tricolor (R. 1. 3. b) Sporophila melanops (D. b) Laterallus xenopterus (D. c. b) Amazona xanthops (R. 3. MA. 1. 2. 1. quase ameaçada. 1. nível de ameaça (a. áreas abertas. a) Ara maracana (R. 1.

Haag. 1997. _______. E. Dr. Bird Conservation International 5: 291-304. _______. O domínio dos Cerrados: Introdução ao conhecimento. W. Brown. 1997. EMBRAPA-UFMS. Ferri (ed. 1996. 1992.137-178. J. Amapá. _______. Zoogeografia da região do Pantanal Mato-Grossense. 1995b. Silva. South America. _______. Birds of the Cerrado Region. South America.211232 in M. J. Composition and distribution patterns of the avifauna of an Amazonian upland savanna. Pp. 1995c. K. et al. Pp.Referências bibliográficas Ab’Saber. Serv. Brazil. Biogeographic analysis of the South American Cerrado avifauna. Endemic bird species and conservation in the Cerrado Region. A. Steenstrupia 21: 69-92. Avian inventory of the Cerrado Region. South America: Implications for biological conservation. Ornitologia Neotropical 7: 1-18. Heringer. Editora Itatiaia e EDUSP. 1973. Historical biogeography and patterns of differentiation within the South American avifauna: Areas of endemism. Müller. 1977. et al. R. Steenstrupia 21: 49-67. Os domínios morfoclimáticos da América do Sul. G.). 1977. IV Simpósio sobre o Cerrado. Cracraft. 294 . 1986. Brasília 111:41-55. A flora do Cerrado. _______. Cambridge: BirdLife International. Primeira aproximação. 1985. Distribution of Amazonian and Atlantic bird in the gallery forests of the Cerrado Region. et al. Biogeographica II. Corumbá Collar. ______. 1983. South America. Belo Horizonte e São Paulo. Geomorfologia 52:1-21. Ornithological Monographs 36: 49-84. P. Ornithological Monographs 48:743-762. N. The Dispersal Centers of Terrestrial Vertebrates in the Neotropical Realm. 1995a. Púb. Junk. Biodiversity and Conservation 6: 435-450. Threatened birds of the Americas. A Study in the Evolution of the Neotropical Biota and its Native Landscapes. In: Anais do I Simpósio sobre recursos naturais e sócioeconômicos do Pantanal.

As áreas foram definidas pelo cruzamento dos três critérios acima. menor estado de proteção e com pequeno grau de alteração foram classificadas no nível 3 de . o menor estado de proteção e o maior grau de alteração. O cruzamento desses três critérios define como prioridade máxima as áreas com o menor nível de conhecimento. No nível 2. estão indicadas as áreas que combinam pouco conhecimento científico.Avifauna do Cerrado e Pantanal . Áreas prioritárias para a conservação da avifauna do Cerrado e Pantanal  Duas abordagem direcionam a indicação das 21 áreas prioritárias para a conservação da avifauna do Cerrado e do Pantanal. estão enquadradas nesta classe de prioridade máxima.Áreas prioritárias e recomendações para conservação da avifauna do Cerrado e Pantanal Áreas Prioritárias para Inventários Faunísticos Foram empregados três critérios para se determinar áreas prioritárias para futuros estudos: (a) nível de conhecimento (baseado em Silva 1995c). o estado de proteção das regiões e o grau de alte295 ração antrópica das formações naturais. No nível 2 foram colocadas as áreas que combinavam o maior nível de desconhecimento. para onde devem ser direcionadas as futuras pesquisas científicas. menor estado de proteção e um nível médio de alteração. As áreas de número 1 a 6. destaca a necessidade de criação de novas unidades de conservação. menor estado de proteção e maior nível de alteração. As áreas prioritárias para futuros estudos estão classificadas de acordo com o nível de conhecimento atual. abrangendo as localidades de 7 a 14. o menor estado de proteção e um grau médio de alteração. (c) níveis de alteração do Cerrado (baseado em Silva 1995c). No nível 3 foram colocadas as áreas com maior nível de desconhecimento. As áreas com pouco conhecimento. menor estado de proteção e com pequeno nível de alteração. (b) estado de proteção das regiões (com base no mapa de UCs). A segunda. considerando-se como prioridade nível 1 as áreas com maior nível de desconhecimento. A primeira análise enfoca os grandes vazios de conhecimento científico. As áreas definidas foram as seguintes (Figura 1): Figura 1: Mapa de distribuição das áreas inventariadas com relação a avifauna nos biomas Cerrado e Pantanal. indicadas no mapa.Diversidade e Conservação Síntese dos grupos temáticos .

21.14. como a Chapada do Araripe. Como resultado. 20. 6..Sul do Maranhão (Centro-Oeste do Estado do Maranhão) Área 6 .A recomendação para os Cerrados em São Paulo e no Paraná incluem ainda a proteção de todas as áreas ainda intactas e o desenvolvimento de estudos para manejo de unidades de conservação através do fogo. O nível 3 de priorização inclui as áreas 7. a Chapada Diamantina.Borda Pará-Tocantins Área 20 . mas por estarem representadas por uma ou mais unidades de conservação. indicadas no mapa.Norte de Minas Gerais Definição das áreas prioritárias para estabelecimento de UCS A definição das áreas prioritárias para o estabelecimento de novas UCs na região do Cerrado e Pantanal foi baseada na sobreposição dos mapas de todas as espécies endêmicas do Cerrado que possuem distribuição restrita (i. Sul de GO e o Triângulo Mineiro) Área 2 . e aqueles localizados na região sudeste.Bodoquena (Sudoeste de Mato Grosso do Sul. mas indica uma priorização para o estabelecimento de novas unidades de conservação de uso indireto.11. aos mapas de modificação antrópica. em cada uma dos maiores remanescentes de vegetação nativa.16. 5.Tocantins-Bahia (Leste do Estado de Tocantins e Oeste da Bahia) . aquelas espécies com área de distribuição até 60. As demais áreas.Noroeste de Goiás (Noroeste do Goiás. recomenda-se a criação de pelo menos uma unidade de conservação de uso indireto. Vitória da Conquista.e. em São Paulo. por exemplo.Maranhão-Tocantins (Sudoeste do Estado do Maranhão. são da mais alta prioridade para criação de unidades de conservação. Estudos urgentes são recomendados também nas savanas da Amazônia. Prioridade nível 1 (valor 5) Área 1 . 8. Essa avaliação sobrepõe os mapas das espécies endêmicas do Cerrado que possuem distribuição restrita. foram definido o seguinte ranking de áreas prioritárias: 296 Prioridade nível 4 (valor 2) Área 15 . 18. 4. nas localidades de 15 a 21. entre os Estados de Goiás e Mato Grosso) Prioridade nível 2 (valor 4) Área 3 .Alto Araguaia (região do Alto Araguaia. 17.Centro-Sul de Tocantins Área 14 . de conhecimento ornitológico e de UCs.Guaporé (centro do Estado do Mato Grosso do Sul) Área 17 . na divisa com o Estado de Tocantins) Área 5 . na divisa com o Estado de Tocantins) Área 4 . A prioridade deve ser dada para Amapá.Pantanal (planície do Pantanal. enclaves na região nordeste. não foram incluídas na análise de prioridades.Oeste do Mato Grosso (Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul) Área 12 . de conhecimento ornitológico e de unidades de conservação.A classificação proposta não indica que as áreas não incluídas não merecem ser conservadas.MT-RO (Noroeste do Estado de Mato Grosso e sudeste de Rondônia) Área 19 . Áreas como o planalto de Brasília.Norte Tocantins/Sul Maranhão Área 16 .São Francisco (Norte de MG e Oeste do Estado da Bahia) Prioridade nível 3 (valor 3) Área 7 .000 km2).Centro de Mato Grosso do Sul (centro-sudeste do Estado de Mato Grosso) Área 10 .Centro-Norte de Minas Gerais Área 13 . com no mínimo 100. encontram-se na classe 4.10.prioridade.Sul do Bananal (Noroeste do Estado de Tocantins) Área 21 . Roraima e região de Humaitá. para evitar que espécies associadas a capins desapareçam. devido à forte pressão antrópica que estas áreas estão sujeitas atualmente. o vale do rio Araguaia foram todas consideradas como de interesse extraordinário para a conservação da avifauna do Cerrado. 9 e 12 ocupam um segundo lugar no nível de priorização dentro do mesmo critério. Esse mapa indicando os subcentros de endemismo na região do Cerrado foi então sobreposto aos mapas de modificação antrópica. entre os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) Área 8 .Limite Sul da área nuclear (Sudeste e Leste do MS.19. As áreas 3. ao Sul do limite do Pantanal) Área 9 . As áreas de número 1 e 2. 15.000 ha.13. No que diz respeito às savanas amazônicas. o vale do rio Paranã.Norte do Mato Grosso Área 18 . A segunda abordagem define as regiões onde o estabelecimento de novas unidades de conservação é urgente.Centro do Mato Grosso Área 11 .

s. Assim.2ha de vegetação do Cerrado s. Este comportamento tem. O mapeamento e o monitoramento dos ninhais seria outra importante prioridade de estudo. Foram documentados movimentos sazonais que incluem desde simples movimentos inter-hábitats de pequena distância até movimentos intra-continentais de longa distância. Estes dados biológicos básicos são essenciais para que se possa avaliar de forma criteriosa propostas de manejo para áreas e mesmo para dimensionar as conseqüências das alterações antrópicas sobre a avifauna destas duas regiões. c) comunidades especiais: A região do Cerrado e do Pantanal são heterogêneas. o Vale do rio Paranã. florestas de galeria alagadas e cerradão. em bom estado. d) dados biológicos: A história natural da grande maioria das espécies que vivem na região do Cerrado e no Pantanal ainda é pouco conhecida. florestas estacionais (decíduas e semidecíduas). Prioridade deve ser dada para o Amapá. portanto. A região do Cerrado e do Pantanal se destaca como área de invernada de algumas espécies de aves que se reproduzem nos campos meridionais. Naturalmente que estas estimativas são grosseiras e que aves mais pesadas vão exigir áreas mais extensas para sobrevivência. Para muitas espécies. baseadas no tamanho dos territórios de duas das mais importantes espécies de aves dos bandos mistos de aves na vegetação do Cerrado indicam os seguintes valores: (a) para se proteger 500 indivíduos de Neothraupis fasciata serão necessários 707. devido a forte pressão antrópica que estas áreas estão sujeitas atualmente. 297 . o vale do rio Araguaia e os afluentes do rio Xingu.450ha de Cerrado s. Estes cálculos. campos limpos úmidos. indicam que reservas no Cerrado com menos de 7. Infelizmente.000ha possivelmente terão problemas em conservar parte significativa da sua biodiversidade inicial. mesmo informações básicas sobre a voz e as fases de plumagem das espécies não estão disponíveis. estima-se que cerca de 6070% da avifauna da região do Cerrado e do Pantanal realizam algum tipo de movimento sazonal anualmente. entretanto. Muitas destas espécies migrantes encontram-se ameaçadas de extinção devido as modificações que estão ocorrendo em suas áreas de reprodução. Hábitats que foram recomendados como merecedores de atenção especial para estudos e conservação são os seguintes: campos rupestres. a identificação e o manejo das áreas de invernada destas espécies deveria ser considerada como uma meta importante para futuros estudos ornitológicos nas duas regiões. Roraima e Humaitá. o Vale do rio Araguaia foram todas consideradas como de interesse extraordinário para a conservação da avifauna do Cerrado.s. Em outras palavras. b) ninhais: A distribuição dos ninhais de aves na região do Cerrado e no Pantanal ainda é muito pouco conhecida. eles não foram sequer incluídas em nossa análise de prioridades. a Chapada da Diamantina. De modo geral. para evitar que espécies associadas com capins desapareçam. (b) para se proteger 500 indivíduos de Lepidocolaptes angustirostris seriam necessários pelo menos 6. as informações disponíveis atualmente são insuficientes para caracterizar cada um destes hábitats. É recomendado o seguinte para os enclaves de Cerrado em São Paulo e Paraná: a proteção de todas as áreas ainda intactas e o desenvolvimento de estudos para manejar estas UCs através do fogo. Regiões que deveriam ser investigadas com mais detalhes para ninhais incluem o vale do rio Paranã.000ha) em cada uma das maiores ilhas de savanas amazônicas. Existe somente alguns poucos dados do Pantanal. Alguns hábitats são bem conhecidos por abrigarem comunidades bióticas de alto valor para conservação. Estimativas do tamanho de territórios de aves vivendo no Cerrado podem oferecer uma idéia da área mínima para que uma reserva tenha alguma funcionalidade. Este ranking indica somente quais as áreas que merecem prioridade para o estabelecimento de novas UCs de uso indireto. elas seriam pouco funcionais para fins de conservação biológica. No que diz respeito às savanas amazônicas. Projeções feitas por Maria Alice dos S.Avifauna do Cerrado e Pantanal . mas como elas já estão conservadas em uma ou mais UCs. formadas por um mosaico de hábitats bastante distintos. que são insuficientes. o grupo recomenda a criação de pelo menos uma unidade de conservação de uso indireto com um tamanho adequado (pelo menos 100. Alves de áreas mínimas para conservação. implicações óbvias para o manejo e conservação destas espécies. Recomendações Gerais a) migrações: Estudos devem ser feitos para compreender os padrões de migrações das aves que vivem na região do Cerrado e no Pantanal.Diversidade e Conservação O ranking de áreas proposto aqui não indica que as áreas não incluídas não merecem ser conservadas. Áreas como o Planalto de Brasília.

Tocantins-Bahia (Leste do Estado de Tocantins e Oeste da BA) Área 21 .Sul do Bananal (Noroeste do Estado de Tocantins) Área 20 .Noroeste de Goiás (Noroeste do GO.Limite Sul da área nuclear (Sudeste e Leste do MS.Oeste do Mato Grosso (Oeste do Estado de Mato Grosso) Área 10 .g.Centro do Mato Grosso Área 11 . 298 .Alto Araguaia (região do Alto Araguaia.Centro-Norte de Minas Gerais Área 12 . Chapada do Araripe.São Francisco (Norte de Minas Gerais e Oeste do Estado da Bahia) Área 13 . Prioridade nível 1 (valor 5) Área 1 . entre os Estados de GO e MT) Área 3 .Norte Tocantins/Sul Maranhão Prioridade nível 3 (valor 3) Área 15 .g. São Paulo) brasileiros. Sul de GO e o Triângulo Mineiro) Área 2 .Norte do Mato Grosso Área 18 . etc.Centro de Mato Grosso do Sul (Centro-Sudeste do Estado de Mato Grosso) Área 9 ..Sul do Maranhão (Centro-Oeste do Estado do Maranhão) Área 6 .Centro-Sul de Tocantins Área 14 . na divisa com o Estado de Tocantins) Área 4 - Maranhão-Tocantins (Sudoeste do Estado do Maranhão..Bodoquena (Sudoeste de Mato Grosso do Sul.Borda Pará-Tocantins Área 19 .Guaporé (centro do Estado do Mato Grosso do Sul) Área 16 . entre os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) Área 8 . na divisa com o estado de TO) Área 5 .Norte de Minas Gerais Os membros do grupo temático também recomendaram que se façam estudos urgentes nos enclaves de savanas na Amazônia e nos enclaves localizados no nordeste (e.MT-RO (Noroeste do Estado de Mato Grosso e sudeste de Rondônia) Área 17 . ao Sul do limite do Pantanal) Prioridade nível 2 (valor 4) Área 7 .Áreas prioritárias para conservação da avifauna nos biomas Cerrado e Pantanal.Pantanal (planície do Pantanal. Vitória da Conquista.) e sudeste (e.

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Figura 1: Áreas prioritárias para conservação da avifauna nos biomas Cerrado e Pantanal. 299 .

300 .

Mastofauna do Cerrado e Pantanal .diversidade e conservação Mastofauna 301 .

Rodrigues Guilherme Mourão Gustavo Fonseca Hamilton Garboggini Júlio Cesar Dalponte Keila Macfadem Juarez Laurenz Pinder Leandro Silveira Ludmilla Moura de Souza Aguiar Luiz Flamarion Barbosa de Oliveira Manrique Prada Villalobos Marc Johnson Marcelo Lima Reis Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril Maria Luiza de A. Gastal Marisa Carvalho Milton Thiago de Mello Patrícia Avello Nicola Patrícia Seixas de Oliveira Raimundo Barros Henriques Rodiney de Arruda Mauro Rogerio Ferreira de Souza Dias Rosa M. Jácomo Bernardo Brito Cleber Alho Daniel Louzada da Silva Daniela Coelho Emerson M. G.Particpantes do grupo de trabalho Jader Marinho Filho (coordenador) Adriana Bocchiglieri Alice Guimarães Anah Tereza A. Vieira Fernanda Diefenthaeler Flávio H. Lemos de Sá Teresa Cristina Anacleto Thomas Lacher Walfrido Tomás Vanner Boere 302 .

onde foi estudada e descrita por Étienne Geoffroy St. mais grave ainda. pode sugerir que um pequeno número de unidades de conservação possa ser suficiente para uma boa representação destes elementos que. indicam que a área total protegida até o momento é absolutamente insuficiente para preservar e representar satisfatoriamente a diversidade de habitats. entre os quais 76 espécimes de 65 espécies de mamíferos) foi depositado no Museu d’Ajuda. As revisões ainda não publicadas ou em andamento de muitas espécies ou gêneros tem resultado no reconhecimento de diversas formas de distribuição mais restrita em vez de apenas uma ou duas espécies de distribuição mais ampla. 1985. Sick 1965. as diferenças já encontradas na composição específica e abundância das espécies em diferentes cerrados. bem como uma breve análise do esforço de inventariar a mastofauna. Evidentemente haverá discordância em relação ao status taxonômico e distribuição geográfica de algumas espécies por parte de especialistas em cada grupo. somente nos anos 90. as províncias do Grão-Pará. Isto reflete em parte o conhecimento ainda insuficiente sobre a fauna do cerrado (como de resto para a fauna de mamíferos em todo o país). o que tende a reduzir 303 o apelo conservacionista e. 1994). A flora herbácea é também rica e quase 100% das espécies é endêmica à região (Dias 1992). De modo geral.b. a autoridade taxonômica e geográfica é Wilson & Reeder (1993). A distância entre as áreas não é o fator mais importante na determinação das diferenças de composição específica e abundância das espécies em cada área.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Marinho-Filho & Reis 1989. inclusive. A idéia de uma fauna generalista e comum a outros biomas adjacentes tem prevalecido como a principal caracterização da fauna do Cerrado. em que se encontra uma flora bastante distinta. As florestas de galeria parecem desempenhar um papel muito importante. 1994). Bahia e formado pela Universidade de Coimbra em 1779 foi o primeiro naturalista a produzir registros formais da fauna do cerrado. a fauna do cerrado partilha a maioria dos seus elementos com os biomas adjacentes. Uma análise comparativa das comunidades de pequenos mamíferos não voadores de 11 áreas de cerrado no Brasil Central mostra um alto “turnover” de espécies (beta-diversidade) entre as áreas. Muitos grupos necessitam revisões extensivas e a etapa de reconhecimento. Hilaire (Hershkovitz 1987). Cerca de metade das quase 2000 espécies de arbustos e árvores do cerrado são endêmicas deste bioma e a maior parte destas plantas mostra adaptações como raízes profundas. 1979. como corredores mésicos que permitem a penetração de elementos primariamente associados a ambientes florestais mais úmidos no interior de formações abertas e com estação seca muito pronunciada (Mares et al. Em sua “Viagem Filosófica” (Rodrigues Ferreira 1971. Para citar um breve exemplo. Medellin & Redford 1992). Ao contrário. Mato Grosso e Cuiabá. descrição e classificação das formas existentes ainda está longe de ser superada. Redford & Fonseca 1986. Portugal. Silva 1989) que também não exibem adaptações específicas para a vida no Cerrado. Toda esta coleção foi confiscada quando da invasão do exército de Napoleão e levada para o Museu de História Natural de Paris. A heterogeneidade do habitat foi a variável melhor correlacionada com a riqueza de espécies em todas as áreas (Marinho-Filho et al. Todo o material por ele coletado (592 espécimes de 471 espécies de animais. uma delas de um gênero novo (Hershkovitz 1990a. brasileiro nascido em 1756 em Salvador. . os seus padrões de diversidade e sua distribuição no bioma do Cerrado. distribuída em formações que vão desde campos abertos até florestas de galeria e matas semidecíduas. rio Negro. Estudos comparativos sobre as floras locais de diferentes áreas de cerrado mostram que a similaridade na composição específica de difentes áreas tende a diminuir com a distância entre as áreas consideradas (Ratter & Dargie 1992). Relação das principais localidades inventariadas no Cerrado e Pantanal Alexandre Rodrigues Ferreira. xeromor­fismo e resistência a altas concentrações de alumínio no solo (Goodland & Ferri 1979). também ocorrem em outros ecossistemas e regiões do país. de 1783 a 1792. Isto resulta em níveis relativamente baixos de endemismo para os vertebrados (Vanzolini 1963. espécies e seus processos populacionais e interações ecológicas O presente trabalho corresponde a uma compilação da informação disponível e acessível. especialmente as formações florestais da Amazônia e da Mata Atlântica. 1972) explorou. 1993). na região de Brasília foram descritas três novas espécies de mamíferos. bem como grande variação de abundância das espécies entre as áreas (Marinho-Filho et al. retornando a Lisboa no ano de 1798.diversidade e conservação Mastofauna do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Jader Marinho Filho (Organizador) Introdução O Cerrado ocupa uma área total de cerca de 2 milhões de Km2. Em contraste a este quadro.

(1997). Localidade No. Marinho-Filho et al. GO 4 Formosa. Marinho-Filho et al (1997) Juarez (1997). com as referências bibliográficas pertinentes. Hershkovitz (1990a. Guimarães (1997) Brasília. Rodrigues & Monteiro-Filho (1996). Maranhão e Pará (Hershkovitz 1987). filha do Imperador da Áustria com D. a vinda da família real para o Brasil. Mares et al (1986.1988). Rodrigues (1996). Mello & Moojen (1979) Naturae (1996) Naturae (1996) Anacleto (1997) Magnusson et al. Lacher et al (1989). Bahia. Lacher et al. Ceará. se estabelece um intercâmbio muito mais intenso com a Europa com a “abertura dos portos brasileiros às nações amigas” e o noivado da Arquiduquesa Leopoldina. BA 2 No início do século 19. respectivamente zoólogo e botânico do Museu da Academia de Ciências de Munique.b. GO 1 Cabeceiras. SP 1 Belo Horizonte. a 5 de novembro de 1817. Motta-Junior et al. viajou e coletou na região dos . insetos e até helmintos.Tabela 1. do Museu Imperial de História Natural de Viena. MS 1 Corumbá. Mares & Ernst (1995). MG 1 Ibiá. Por três anos eles viajam pelos atuais Estados do 304 Rio de Janeiro. MS 1 Camapuã. Henriques & Alho (1991). Schaller & Vasconcelos (1978) Vieira (1997) Avila Pires & Wutke (1981) Bouchardet & Guimarães-Filho (1988) Avila Pires & Wutke (1981). Natterer era devotado à coleta e estudo das aves. Ref. MG 1 Serra da Canastra. MT Chapada dos Guimarães. Relação de localidades estudadas no Cerrado de Pantanal. MG 1 Paracatu. Minas Gerais. Rocha et al. (1994) Marinho-Filho et al. Em julho de 1817. outros vertebrados. (1995) Magnusson et al (1995) Marinho-Filho (1993ab. GO 2 Minaçu. 1989). Leeuwemberg et al.b. mas seus interesses também se estendiam aos mamíferos. MG 1 Serra do Cipó. Eles compilam uma lista de 42 espécies de mamíferos da região do sertão dos campos gerais de São Felipe. MG 1 Caldas Novas. Príncipe da Coroa de Portugal e Brasil. São Paulo. Nitkman & Mares (1987). chega ao Brasil o naturalista vienense Johann Naterer. (1997) Schaller & Crawshaw (1980 1981). (1994). GO 1 Alter do Chão. MT 2 Miranda. DF 22 Bonito. De outubro de 1822 a julho de 1829. (1996). (1994) Marinho-Filho et al. (1986). MG 1 Campos Altos. Vieira & Palma (1996) Avila Pires & Wutke (1981) Avila Pires & Wutke (1981) Shaller (1983). Na mesma época. Baumgarten & Vieira (1994). Schaller (1983) Marinho-Filho (1992) Marinho-Filho et al. Lacher et al (1986). A comitiva da arquiduquesa incluia alguns dos mais brilhantes jovens cientistas da Áustria e Bavária. Pedro. Fonseca & Redford (1984). Vieira & Baumgarten (1995). Merino et al (1996) Mello (1980). SP 1 Mogi Guaçu. 1993). (1994) rio Zoo (1996) Redford (1987). Referências Alho et al (1986). Moojen (1965). chegam ao Brasil Johan Baptist Ritter von Spix e Carl Friedrich von Martius. (Alho et al 1987a. PA 1 Correntina. GO 1 PaNa Emas. Dietz (1983. BA 3 Jaborandi. Dalponte. 1994). (1990). MS 8 Poconé. Lacher & Alho (1989). MS 3 Itirapina. (1994). GO 1 Niquelândia. Avila Pires & Wutke (1966). 1984) Taddei et al 1983 Marinho-Filho et al. PA 1 Santarém.

dietas. uso do habitat. Rosário. Planaltina. A quase totalidade do material coletado por estes naturalistas está depositada em museus da Europa. Sobradinho. sob forte pressão antrópica em zonas de fronteira de colonização. Áreas de contato Cerrado-Amazônia: Norte do Mato Grosso. Gama. Padre Bernardo. Cristalina. Brasilândia. A coleção científica do Departamento de Zoologia da UnB é uma das maiores e de maior cobertura geográfica para o Cerrado. Goiás: Minaçu. Planaltina de Goiás. Unaí. Não há qualquer estudo ou programa de pesquisa delineado para a realização de inventários. Áreas de contato Cerrado-Caatinga: Maranhão. Jaborandi.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Florestas semidecíduas: Talvez seja o habitat natural mais ameaçado na região dos cerrados. Baliza. Cocalzinho. Três Marias. A reconstituição exata das localidades e espécies coletadas no cerrado é um trabalho meticuloso. Regiões de fauna pouco estudada em áreas de densidades populacionais humanas consideráveis e em situação de extrema pobreza. as vertentes destas chapadas com matas mesofíficas e afloramentos calcários e as extensas veredas e cerrados na baixada até o Vale do Rio São Francisco. Niquelândia. De fato. imobiliários ou represas hidrelétricas. mesmo que locais. caro. Existem muitos estudos pontuais e relatos sobre a biologia e/ou ecologia de uma ou algumas espécies. Jataí. Bahia e Minas Gerais. Há também um conjunto de localidades amostradas e das quais há registros em coleções científicas. Enclaves de Cerrado na Amazônia: Amapá. Poconé. 1. baseada na literatura mais moderna e mais imediatamente disponível. Pirenópolis. Nestas baixadas as densidades populacionais humanas ainda podem ser consideradas baixas e ainda seria possível a indicação de uma UC de grande porte (ca. 305 . À exceção de alguns poucos grupos de animais e plantas. Minas Gerais: Ibiá. Existem também listagens de faunas locais ou regionais em Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto sobre o Meio-Ambiente (EIA-RIMAs) para diversas localidades onde vem sendo realizados grandes empreendimentos industriais. têm o mesmo peso trabalhos específicos sobre um aspecto qualquer da biologia de uma ou mais espécies de mamíferos ou inventários de maior prazo. Chapadão do Céu. A seguir é apresentada uma listagem por estado das localidades (municípios) onde este material foi coletado. A seguir é apresentada uma relação preliminar de localidades amostradas no cerrado. do Norte do atual Estado de São Paulo até a região do rio Madeira. Alexânia. além das formações mais típicas dos cerrados deveriam também incluir carrascos e campos que ainda se encontram nesta região. a quase totalidade destes trabalhos corresponde a ocorrência presumida de espécies a partir de outras listas regionais ou por estar a localidade considerada dentro da área suposta de distribuição das espécies consideradas. Trata-se de isolados periféricos de cerrado encravados no interior de formações florestais da Amazônia. Guará. contendo cerca de 3500 exemplares para a região considerada. Roraima e Rondônia. Bahia: Correntina.000. Formosa. É importante frisar que não há homogeneização hierárquica em relação a abrangência ou profundidade dos dados e informações disponíveis. Paracatu.diversidade e conservação cerrados. DF: Brasília. Piauí. Torixoréu. Regiões pouco conhecidas faunisticamente. Iaciara. Práticas antigas e inadequadas associadas a formas tradicionais de uso e manejo dos recursos naturais tendem a agravar os problemas de conservação da diversidade biológica nesta região. Rondônia.000ha) e que. Campos Altos. hoje sob forte pressão antrópica relacionada à expansão da fronteira agrícola. estas manchas de cerrado são pouco conhecidas do ponto de vista faunístico e da estrutura das suas comunidades bióticas. Pará. Chapada dos Guimarães. Assim. Mambaí. etc. Maranhão e Rondônia. e ainda por ser feito. As taxas de remoção e a intensidade do uso dos recursos que estas florestas representam são elevadas. para este tipo de formação. Tocantins. Identificação de áreas prioritárias para inventários biológicos Grande Sertão: desde a vertente Leste do Chapadão Ocidental da Bahia até a calha do rio São Francisco. A seguir são relacionadas às localidades sobre as quais existe informação sobre a mastofauna. Esta área engloba o topo do Espigão Mestre. há poucos inventários locais ou regionais com metodologia adequada. Mato Grosso: Ponte Branca. relatando porções consideráveis ou grupos da fauna de mamíferos para uma localidade ou região. Porém. com as respectivas referências bibliográficas (Tabela 2). mas de evidente interesse histórico e biológico.

na porção nordeste deste bioma. 7 distribuem-se na porção central e centro-sudeste do Cerrado. e risco potencial. como as veredas e florestas semidecíduas (endemismos mais restritos). e em todo o Pantanal. Mais problemática na região do Pantanal em relação ao jacaré e onças. Assim. Foram elaborados mapas de distribuições no cerrado de algumas das espécies ameaçadas de extinção. merece especial atenção o estabelecimento da hidrovia do Paraguai. gerando assoreamento de importantes cursos d’água e da bacia de sedimentação. foram consideradas endêmicas do Cerrado. importância. Tolypeutes tricinctus tem apenas dois pontos de ocorrência conhecida no Cerrado. logo acima do Pantanal. • Ungulados (caça).poluição por metais pesados. particularmente aqueles de hábitats insulares. Oecomys cleberi. 1989). de acordo com a lista oficial do IBAMA. Efeitos pontuais • Impacto de usinas hidroelétricas (inundação. • Garimpo e mineração . Por sua extensão. Outras três espécies ocorrem na porção central (Oncifelis colocolo) e Centro-Sul-Sudoeste do Cerrado. acelerado pelas transformações econômicas e sociais. 306 . Caça e pesca • A caça é praticada por toda região dos Cerrados e Pantanal. A totalidade dos endemismos está na metade mais ao Sul da distribuição do Cerrado. cleberi e Carterodon sulcidens. • Espécies de topo de cadeias tróficas: carnívoros (redução e fragmentação do hábitat). Kunzia fronto. espécies como Monodelphis kunzi. Considerou-se endemismo os casos de espécies representadas apenas nestes biomas e a análise restringiu-se ao Brasil. incluindo o Pantanal (Blastoceros dichotomus – e Ozotoceros bezoarticus). Há 16 espécies incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (Bernardes et al. Não foram consideradas aquelas espécies cuja distribuição engloba todo o Cerrado e/ou outros biomas. Fragmentação do hábitat • Conversão de áreas de vegetação natural em lavouras e pasto com a ocorrência por toda a distribuição original do bioma do Cerrado. • Especialistas de hábitat com distribuições restritas.Principais tipos de pressão antrópica na região do Cerrado Os principais tipos de pressão exercida por populações humanas sobre as formações nativas do Cerrado são listadas a seguir: Espécies mais vulneráveis aos processos de degradação em curso. baseadas em Fonseca et al. Não há endemismos conhecidos restritos à porção Norte. O. Microakodontomys transitorius (Figura 4). alteração de regimes fluviais). Cinco delas têm suas distribuições restritas à localidade tipo no DF e em Lagoa Santa-MG: Juscelinomys candango. Erosão e sedimentação • Erosão em larga escala no topo e bordas dos chapadões em torno do Pantanal. O mesmo foi realizado para 15 das 16 espécies endêmicas aos dois biomas considerados. Isto parece representar apenas a maior concentração de estudos nesta faixa mais acessível e próxima dos centros científicos mais importantes. • A pesca é praticada em escala comercial em vários dos grandes rios da região. fragmentação de hábitat. • Ampliação da área de influência de cidades/ malha urbana sendo o processo prevalente em toda a área de distribuição do Cerrado. mesmo levando-se em conta a sua ocorrência na Bolívia. 2 na metade Sul e 2 na porção Noroeste. Trata-se de 18 espécies endêmicas do Cerrado e duas do Pantanal. especialmente mercúrio. Destas 15 espécies. particularmente o Araguaia. obs. e assoreamento de bacias de sedimentação e cursos d’água pelo desmonte de montanhas e barrancos de rios. 4 estão restritas ao sudeste. Geralmente ocorre em pequena escala e mesmo assim provoca efeitos sensíveis sobre as densidades populacionais das espécies mais procuradas. Distribuição da fauna endêmica e ameaçada de extinção Na Tabela 2 são assinaladas as espécies endêmicas e as ameaçadas de extinção. (1994).

Além de mal conhecidas. Além destas regiões. Ocupando quase 25% da extensão territorial do país. A representação atual dos cerrados no sistema federal de Unidades de Conservação é absolutamente insuficiente para conservar satisfatoriamente a diversidade de espécies. 307 . • Chapadas Diamantina (BA). o Cerrado tem apenas cerca de 1% de sua área representada em Unidades de Conservação federais (Dias 1990. • PARNA Emas. • PARNA Grande Sertão Veredas: Única UC na grande área entre o Espigão Mestre e a calha do São Francisco.diversidade e conservação Unidades de conservação e a proteção da fauna de mamíferos. dos Guimarães (MT). GO: Fauna de mamíferos de médio e maior porte exuberante e acessível. dos Veadeiros (GO): Há muitos endemismos já registrados para estas chapadas e os Parques Nacionais implantados carecem de toda a infra-estrutura e apoio necessários para o seu efetivo funcionamento. As áreas e regiões já definidas acima como prioritárias para inventários biológicos. as áreas a seguir também necessitam de mais e melhores atenções no que diz respeito a conservação da fauna de mamíferos. hábitats e interações ecológicas existentes no bioma. de modo geral não existem ou são insuficientes ou inoperantes as UCs estabelecidas para a proteção dos acervos específicos de espécies e ecossistemas nestas áreas. • Pantanal: é necessário criar mais unidades de conservação no Pantanal pois há poucas UCs na região e são absolutamente insuficientes para abrigar e proteger a diversidade de espécies e habitats regional. são também merecedoras de atenções especiais em relação à sua conservação. Pádua 1992). • Florestas Semidecíduas: Trata-se de uma das formações mais ameaçadas no domínio do Cerrado e praticamente não há Ucs contendo porções significativas deste tipo de formação.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Lista preliminar de áreas candidatas a prioritárias para conservação.

1804) Cabassous unicinctus (Linnaeus. 1776) Monodelphis dimidiata (Wagner. 1758) Dasypus septemcinctus (Linnaeus. 1758) Dasypus novemcinctus (Linnaeus. 1899) Philander opossum (Linnaeus 1758) Thylamys pusilla (Desmarest. 1758) Ce Ce Ce Ce Ce 308 . 1854) Lutreolina crassicaudata (Desmarest. 1780) Didelphis albiventris Lund.1975) Monodelphis rubida (Thomas. 1840 Gracilinanus agilis (Burmeister. 1817) Micoureus demerarae (Thomas. 1804) Marmosa murina (Linnaeus.1905) Monodelphis americana (Muller. 1758) Chironectes minimus (Zimmermann. 1758) Bradypus variegatus (Schinz. 1818) Caluromys philander (Linnaeus. 1758) Tamandua tetradactyla (Linnaeus. 1980) Cabassous tatouay (Desmarest. 1758 Ce Micoureus constantiae (Thomas. 1904) Ce Ce Pa Pa X Ce Monodelphis brevicaudata (Erxleben. 1842) Monodelphis domestica (Wagner. 1777) Ce Ce Ce Pa X Ce Ordem Xenarthra (=Edentata) Família MYRMECOPHAGIDAE Myrmecophaga tridactyla (Linnaeus. Checklist das espécies de mamíferos do Cerrado e Pantanal. 1825) Ce Ce Pa Pa Família BRADYPODIDAE Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família DASYPODIDAE Cabassous chacoensis (Wetzel.Tabela 2. 1844) Metachirus nudicaudatus (Desmarest. 1758) Euphractus sexcintus (Linnaeus. 1758) Marmosops noctivagus (Tschudi. 1842) Monodelphis kunzi (Pine. incluindo localidade (Cerrado ou Pantanal) e status (endêmica ou ameaçada de extinção) Táxon Localidade Status Ordem Didelphimorphia Família DIDELPHIDAE Caluromys lanatus (Olfers. 1804) Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Didelphis marsupialis Linnaeus.

1838) Saccopterix leptura (Schreber. 1766) Lonchophylla bokermanni (Sazima et. 1843) Pteronotus personatus (Wagner. 1856) Desmodus rotundus (E. 1818) Anoura geoffroyi (Gray. 1818) Artibeus planirostris (Spix. 1860 Chiroderma trinitatum (Goodwin. 1856) Artibeus concolor (Peters. 1758) Chiroderma villosum Peters. 1843) Anoura caudifer (Geoffroy. 1958) Choeroniscus minor (Peters. 1843) Rhichonycteris naso (Wied-Neuwied. 1893) Diphylla ecaudata (Spix. 1821) Artibeus lituratus (Olfers. 1818) Noctilio leporinus (Linnaeus.diversidade e conservação Tabela 2 (continuação) Táxon Priodontes maximus (Kerr. 1758) Localidade Ce Ce Pa Pa Status X X Ce Ordem Chiroptera Família EMBALLONURIDAE Peropteryx kappleri (Peters. 1810) Diaemus youngi (Jentink. 1792) Tolypeutes matacus (Desmarest.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . 1758) Pteronotus parnelii (Gray. 1774) Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Ce Centronycteris maximiliani (Fischer. 1821) Carollia perspicillata (Linnaeus. Geoffroy. 1804) Tolypeutes tricinctus (Linnaeus. 1868) Chrotopterus auritus (Peters. al. 1823) Glossophaga soricina (Pallas. 1983) 309 Ce Ce Familia NOCTILIONIDAE Família MORMOOPIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família PHYLLOSTOMIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa X Ce Ce . 1838) Artibeus cinereus (Gervais. 1820) Saccopteryx bilineata (Temminck. 1829) Noctilio albiventris (Desmarest. 1865) Artibeus jamaicensis (Leach. 1867) Peropteryx macrotis (Wagner. 1823) Carollia brevicauda (Schinz.. 1978) Lonchophylla dekeyseri (Taddei et al.

1865) Sturnira lilium (Geoffroy. 1843) Phyllostomus elongatus (Geoffroy. 1810) Sturnira tildae (de la Torre. 1838) Furipterus horrens (F. 1866) Platyrrhinus lineatus (Geoffroy. 1796) 310 . 1856) Mimon benetti (Gray. 1842) Micronycteris minuta (Gervais. 1915) Eptesicus furinalis (d’Orbigny. 1959) Tonatia bidens (Spix. Cuvier. 1810) Rhinophylla pumilio (Peters. Geoffroy. 1824) Lasiurus borealis (Müller. 1823) Uroderma magnirostrum (Davis. 1968) Localidade Ce Ce Pa Pa Status Ce Ce Ce Pa Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pygoderma bilibiatum (Wagner. 1823) Tonatia brasiliense (Peters. 1865) Phyllostomus discolor (Wagner. 1866) Vampiressa pusilla (Wagner. 1776) Lasiurus ega (Gervais. 1866) Tonatia silvícola (d’Orbigny. 1843) Vampyrum spectrum (Linnaeus. 1843) Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Uroderma bilobatum (Peters. 1863) Macrophylum macrophylum (Schinz. 1810) Phylloderma stenops (Peters. 1758) Natalus stramineus (Gray. Geoffroy. 1767) Platyrrhinus helleri (Peters. 1819) Eptesicus diminutus (Osgood. 1810) Phyllostomus hastatus (Pallas. 1865) Micronycteris megalotis (Gray. 1828) Eptesicus brasiliensis (Desmarest. 1856) Ce Família NATALIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família FURIPTERIDAE Família VESPERTILIONIDAE Ce Lasiurus cinereus (Beauvoir. 1836) Thrachops cirrhosus (Spix. 1838) Mimon crenulatum (E. 1847) Histiotus velatus (I.Tabela 2 (continuação) Táxon Lonchorhina aurita (Tomes. 1821) Micronycteris behni (Peters.

1836) Callicebus personatus (Geoffroy. 1942) Molossops planirostris (Peters. 1815) Lycalopex vetulus (Lund.1821) Myoyis riparius (Handley. 1812) Alouatta caraya (Humboldt. 1840) Promops nasutus (Spix. 1800) Eumops bonariensis (Peters. 1874) Eumops glaucinus (Wagner. 1806) Myotis nigricans (Schinz. 1805) Molossus molossus (Pallas. 1812) Cebus apella (Linnaeus. 1823) Tadarida brasiliensis (Geoffroy. 1843) Eumops perotis (Schinz. 1766) Chrysocyon brachyurus (Illiger. 1766) Nyctinomops aurispinosus (Peale. 1805) Nyctinomops macrotis (Gray. 1866) Eumops auripendulus (Shaw. 1820) Callicebus donacophilus (d’Orbigny. 1812) Ce Ce Ce Pa Ce Ce Pa Pa Pa Pa Familia CEBIDAE Aotus infulatus (Kuhl. 1854) Molossus ater (Geoffroy.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Allen. 1758) Ce Ce Ordem Carnívora Família CANIDAE Cerdocyon thous (Linnaeus. 1960) Rhogeessa tumida (H. 1758) Callithrix melanura (Geoffroy in Humboldt. 1812) Callithrix penicillata (Geoffroy in Humboldt. 1865) Molossops temminckii (Burmeister. 1771) Callithrix jacchus (Linnaeus. 1848) Nyctinomops laticaudatus (Geoffroy. 1827) Molossops mattogrossensis (Vieira. 1842) Ce Ce Ce Pa Pa Pa X 311 . 1824) Localidade Ce Ce Ce Pa Pa Pa Status Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família MOLOSSIDAE Ce Ce Ce Ordem Primates Família CALLITHRICHIDAE Callithrix argentata (Linnaeus. 1821) Molossops abrasus (Temminck.diversidade e conservação Tabela 2 (continuação) Táxon Myotis albescens (Geoffroy.

1771) Localidade Ce Pa Status X X Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Familia PROCYONIDAE Ce Família MUSTELIDAE X X Família FELIDAE X X X X X X Ordem Cetácea Família DELPHINIDAE Sotalia fluviatilis (Gervais & Deville. 1758) Puma concolor (Linnaeus. 1758) Ce Pa Ordem Artiodactyla Familia TAYASSUIDAE Pecari tajacu (Linnaeus. 1777) Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa X Família CERVIDAE 312 . 1818) Pteronura brasiliensis (Gmelin. 1788) Herpailurus yaguaroundi (Lacépède. 1758) Galictis cuja (Molina.Tabela 2 (continuação) Táxon Speothos venaticus (Lund. 1758) Leopardus tigrinus (Schreber. 1853) Inia geoffrensis (de Blainville. 1795) Blastoceros dichotomus (Illiger. 1775) Leopardus wiedii (Schinz. 1844) Panthera onca (Linnaeus. 1842) Atelocynus microtis (Sclater. 1758) Tayassu pecari (Link. 1883) Nasua nasua (Linnaeus. 1815) Mazama americana (Erxleben. 1821) Oncifelis colocolo (Molina. 1766) Potos flavus (Schreber. 1784) Eira barbara (Linnaeus. 1776) Lontra longicaudis (Olfers. 1809) Leopardus pardalis (Linnaeus. 1774) Procyon cancrivorus (Cuvier. 1798) Conepatus semistriatus (Boddaert. 1817) Ce Ce Família PLATANISTIDAE Ordem Perissodactyla Familia TAPIRIDAE Tapirus terrestris (Linnaeus. 1782) Galictis vittata (Schreber. 1810) Oncifelis geoffroy (d´Órbigny & Gervais.

1873) Oryzomys subflavus (Wagner. 1818) Oryzomys lamia (Thomas. 1887) Akodon lindberghi (Hershkovitz. 1845) Oligoryzomys flavescens (Waterhouse. 1893) Oligoryzomys eliurus (Wagner. 1845) Oligoryzomys chacoensis (Myers & Chapman. 1830) Calomys laucha (Fischer. 1887) Bolomys lasiurus (Lund. 1887) Kunsia tomentosus (Lichtenstein. 1921) Ce Pa X Ce Ce Ce Pa X X X X X Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Ce Pa X Ce Ce Ce Ce Pa Ce Ce Ce Pa Ce Ce Ce Ce X Ce Pa X X Ce Ce Ce 313 . 1901) Pseudoryzomys simplex (Winge. 1860) Oecomys cleberi (Locks. 1758) Localidade Ce Ce Pa Pa Status X Ordem Rodentia Familia SCIURIDAE Sciurus ignitus (Gray. 1916) Oligoryzomys nigripes (Olfers. 1965) Kunsia fronto (Winge.Mastofauna do Cerrado e Pantanal .diversidade e conservação Tabela 2 (continuação) Táxon Mazama gouazoupira (Fischer. 1814) Calomys tener (Winge. 1887) Rhipidomys mastacalis (Lund. 1818) Oryzomys capito (Olfers. 1990) Bibimys labiosus (Winge. 1887) Holochilus brasiliensis (Desmarest. 1842) Juscelinomys candango (Moojen. 1819) Holochilus sciureus (Wagner. 1841) Calomys callosus (Rengger. 1814) Ozotoceros bezoarticus (Linnaeus. 1842) Oxymycterus roberti (Thomas. 1827) Oecomys bicolor (Tomes. 1867) Akodon cursor (Winge. 1901) Oryzomys ratticeps (Hensel. 1830) Microakodontomys transitorius (Hershkovitz. 1981) Oecomys concolor (Wagner. 1840) Pa Familia MURIDAE Ce Ce Pa X Ce Ce Akodon toba (Thomas. 1993) Neacomys spinosus (Thomas. 1882) Nectomys squamipes (Brants. 1837) Oligoryzomys microtis (Allen.

1909) Echymys brasiliensis (Waterhouse. Fischer. 1826) Ctenomys nattereri (Wagner. 1766) Agouti paca (Linnaeus. 1820) Hydrochaeris hydrochaeris (Linnaeus. 1821) Coendou prehensilis (Linnaeus. 1992) Trichomys apereoides (Lund. 1831) Kerodon rupestris (Wied. 1841) Clyomys bishopi (Avila-Pires & Wutke 1981) Clyomys laticeps (Thomas. 1990) Thalpomys lasiotis (Thomas. 1848) Euryzygomatomys spinosus (G. 1814) Isothrix bistriata (Wagner 1845) Proechymys longicaudatus (Hengger. Oliveira & Reis. 1758) Sphiggurus spinosus (F. 1842) Ctenomys brasiliensis (Blainville. 1830) Trinomys moojeni (Pessoa. 1758) TOTAL Ce 195 Pa 132 19 17 314 . 1823) Cavia aperea (Erxleben.Tabela 2 (continuação) Táxon Thalpomys cerradensis (Hershkovitz. 1766) Dasyprocta azarae (Lichtenstein. Cuvier. 1823) Localidade Ce Ce X X Status Ce Ce Pa Família ERETHIZONTIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa X X X Família CAVIIDAE Família HYDROCHAERIDAE Família AGOUTIDAE Família DASYPROCTIDAE Dasyprocta punctata (Gray. 1839) Família CTENOMYDAE Ce Ce Ce Ce Ce Família ECHYMYIDAE Ce Pa Pa X X Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Ordem Lagomorpha Família LEPORIDAE Sylvilagus brasiliensis (Linnaeus. 1916) Wiedomys pyrrhorhinos (Wied-Neuwied. 1848) Carterodon sulcidens (Lund. 1777) Galea spixii (Wagler.

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Os ungulados têm sido alvo intenso de caça. apesar de geralmente ocorrer em pequena escala.diversidade e conservação Síntese dos grupos temáticos . 319 . Outros fatores pontuais. As espécies mais vulneráveis aos processos de degradação são as de topo de cadeias tróficas. assinalando as espécies endêmicas e aquelas incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. observada em toda a distribuição original do bioma. como a construção de usinas hidroelétricas. As espécies especialistas de hábitats com distribuição restrita. como os carnívoros. foram identificadas 132 espécies e duas endêmicas (Tabela 2). A erosão em larga escala no topo e nas bordas dos chapadões em torno do Pantanal vem provocando assoreamentos de importantes cursos d’água e da bacia de sedimentação e ameaçando o equilíbrio dos ecossistemas da região. podem ser mencionados. o estabelecimento da hidrovia do Paraguai deve receber especial atenção.  A caça. A seguir.áreas prioritárias e recomendações para conservação de mamíferos do Cerrado e do Pantanal Como síntese do conhecimento sobre a mastofauna do Cerrado e Pantanal. estão listadas as áreas indicadas para conservação dos mamíferos do Cerrado e Pantanal. importância e risco potencial. sendo 18 endêmicas. particularmente aquelas de hábitats insulares. e no Pantanal. A conversão de áreas de vegetação natural em lavouras e pastagem. também devem receber atenção especial para a sua preservação. Por sua extensão. As espécies de mamíferos com ocorrência no Cerrado totalizam 195. A fragmentação de hábitats é uma das principais conseqüências da in- terferência de populações humanas sobre as formações nativas do Cerrado. bastante sensíveis à redução e fragmentação do hábitat. é apresentada uma listagem das espécies presentes em cada um destes biomas. provoca efeitos sensíveis sobre as densidades populacionais de várias espécies. como as veredas e florestas semidecíduas. 16 estão incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. como onças no Pantanal.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Das espécies com ocorrência no Cerrado e no Pantanal. garimpo e mineração. tem sido acentuada nas últimas décadas. mas igualmente impactantes.

formada principalmente por formações mais abertas de cerrado e matas de galeria. Esta área engloba o topo do Espigão Mestre. Localidades tipo de várias espécies e ocorrência de espécies insuficientemente conhecidas. Região de chapadões com matas estacionais. 22 Chapadão dos Parecis . Parte ao norte com floresta estacional e estacional decidual.1 Ecótono Cerrado / Floresta .000 ha) que deve incluir também carrascos e grameais. 18 Borda oeste do Pantanal  19 Rio Negro 20 Foz do Rio Ivinhema 21 P. do Cerrado e entorno .Cerrados abertos sobre solos arenosos e latossolos em contato com florestas.000. Hábitats fluvio-lacustres. 23 Serra da Bodoquena  24 Alto Paraná  25 Coromandel 26 Transição para o chaco  320 . 15 Ponta Sudoeste . A maior parte das espécies endêmicas de cerrado ocorrem na região. veado e outros 3 Rio das Almas . Área de interesse biológico com alta diversidade de espécies em região ainda preservada.Área sob grande pressão antrópica com remanescentes de cerrados. Entretanto. Inexistência de áreas protegidas com grandes extensões de transição.Altitude abaixo de 500 m. Esta região pode conter elementos de três biomas.Zona de contato entre cerrados e florestas na serra do Roncador. Ocorrência de cerrados e cerradões 16 Pantanal do rio Paraguaizinho  17 Alto Guaporé . Áreas inventariadas por expedições científicas em Xavantina e Cachimbo 2 Pantanal do rio das Mortes .Remanescentes de cerrado do Paraná e São Paulo. pela criação de novas áreas urbanas. Área de provável biodiversidade elevada e endemismos. que vêm sofrendo fragmentação acentuada pela ação antrópica. matas de galeria e matas semidecíduas.1200m. ariranha. Grandes áreas de floresta decídua. na região de São Domingos.Áreas abertas alagáveis com manchas de cerrado e capões de mata. 7 Chapadões e adjacências do Maranhão. Nestas baixadas indica-se uma unidade de conservação de grande porte (ca. 1. Inexistência de unidades de conservação protegendo os tipos especiais de habitas ocorrentes no chapadão.Cerrados e chapadão ocidental da Bahia. Ocorrência de florestas semidecíduas e da maior província cavernária da América do Sul. 8 Cerradão/Caatinga  9 Ampliação do Parque Nacional de Sete Cidades 10 Criação da REBIO Três Biomas . As vertentes das chapadas apresentam matas mesofíficas e afloramentos calcários. Presença de grande malha viária 4 DF e entorno . 12 Serra do Cipó .Região central do Cerrado.Área de transição de cerrado e caatinga na margem leste e floresta de babaçu para oeste.Presença de cerrados e campos de altitude 13 Nova Ponte  14 Parque Nacional Emas e entorno . Área com forte pressão antrópica. Tocantins e Piauí. 5 Vale do Paranã  6 Grande Sertão . matas ciliares e extensas áreas de cerrado e campos sazonais.Ocorrência de planaltos e planícies. A conservação e o manejo da biodiversidade nestas áreas é um desafio complexo. hoje sob forte pressão antrópica relacionada à expansão da fronteira agrícola. Alta a média pressão antrópica.Altitudes entre 800 . esta é possivelmente a maior extensão de cerrado sob baixa pressão antrópica. As extensas veredas e cerrados na baixada até o vale do São Francisco também estão incluídas.Fauna de mamíferos de médio e grande porte exuberante e local acessível. Existem indícios de boas populações de espécies ameaçadas de extinção como o cervo do pantanal.E. 11 Paracatu/Três Marias . Estas áreas correm o risco de ser fortemente degradadas pela agricultura irrigada. que ainda requer conhecimento básico sobre a distribuição e abundância das espécies. e que comporta uma alta diversidade de espécies.

Mastofauna do Cerrado e Pantanal .diversidade e conservação Áreas Prioritárias para conservação de mamíferos Figura 1 .Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade de mamíferos no Cerrado e Pantanal 321 .

322 .

Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Fatores de Pressão e Vulnerabilidade 323 Parte II .

324 .

Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Fatores abióticos: solos 325 .

Participantes do grupo de trabalho Eduardo Assad (coordenador) Alfredo da Costa Pereira Junior (consultor) José Eduardo Mantovani João dos Santos Vila da Silva Ricardo José Calembo Marra 326 .

Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Conhecimento Científico Eduardo Assad Introdução Na avaliação de vários grupos temáticos. O conhecimento científico sobre aves também é deficiente.Áreas inventariadas para diversos grupos temáticos 327 . a quantidade de informações sobre adiversidade do Cerrado e do Pantanal é insuficiente. bem como em reservas e parques nacionais. Infelizmente. Mesmo as espécies comuns são prbremnte representadas em coleções cientificas e muitas regiões do Cerrado ainda permanecem enxploradas. é surpreendente que este seja o bioma brasileiro menos conhecido do ponto de vista da herpetofauna. Para répteis e anfíbios. As coletadas já realizadas tendem a se concentrar ao longo das estradas e em torno dos grandes centros. A Figura 1 indica as áreas inventaridas para os diversos grupos temáticos. De acordo com os levantamentos realizados. destacando-se a carência de informações no estado de Tocantins e da Bahia. considerando a grande extensão territorial do Cerrado e a crescente taxa de de destruição do habitat natural. grandes vazios de conhecimento científico na regiaão de dominio do Cerrado e do Pantanal. ao mesmo tempo. sendo que cerca de 70% da região nunca tiveram sua avifauna estudada de forma adequada. Nesta análise. o esforço de coleta para flora também não é geograficamente eqüitativa no Cerrado. Esse panorama é ainda mais críticos para os anfíbios e provavelemnte para as serpentes. há necessidade de realização de levantamentos. cobrindo probremente todas as variedades de habitats do bioma. Praticamente em todos os estados existem lacunas no conhecimento botânico de variadas extensões. Nestas regiões. é de se esperar que continuem sendo descritas novas espécied e expandidas as distribuições conhecidas da fauna e da flora. quandosão alvos de programas intensivos de coletas. Figura 1 . Como ainda a maior parte do bioma é inadequadamente inventaridade do ponto de vista cientifico. Observam-se algumas regiões em que os esforços de pesquisas são mais concentrados e. cerca de 97% das localidades estudas foram pouco amostradas para o grupo de lagartos. áreas consideradas minimamente amostradas tiveram um esforço igual ou maior a 80 espéices coletadas ou 100 espéices de aves registradas visualmente.

e estabelecer o mais rapidamente possível os limites das áreas de Unidades de Conservação que tenham as características das classes predominantes estabelecidas neste estudo. entre eles a classe que desponta como mais importante. estes três indicadores foram cruzados. Classes de solos. onde 12 classes não possuíam áreas significativas em valores absolutos (>1000ha). Alguns locais com mais de 1200m de altitude foram desconsiderados. predominantes nos cerrados brasileiros. Latossolos Vermelhos. precipitação com 1400-1600mm/ano e altitude com 600-900m. Surgem alguns aspectos. Tabela 1. precipitação e altitude. num primeiro momento sem ponderação ou pesos. Solos Precipitação (mm) Altitude (m) 0-300 600-900 900-1200 LV 1000–1200 LA 1400–1600 AQ LE 1200–1400 300-600 328 . Na Tabela 2 são apresentadas as 36 classes que respeitaram as condições de cruzamento. posteriormente a precipitação pluviométrica e finalmente a altitude. O cruzamento destas informações gerou 48 classes homogêneas de meio físico. Em se tratando de 36 classes deve-se hierarquizá-las considerando o grau de antropização.Amarelos e os Latossolos Amarelos e Areias quartzosas. Nesta mesma categoria. A classe mais importante na análise revelou-se aquela que combina as características de solo do tipo Latossolo Vermelho-Escuro. Pôr prioridade. restando. Com esta classificação. classes de precipitação pluviométrica e altitude (Tabela 1). Assim. foram utilizadas as informações referentes a tipos de solos (quatro). para identificação e localização das áreas com alto potencial em termos de biodiversidade. indiretamente. a duração dos períodos secos. aparecem os solos tipo Latossolo Vermelho-Escuro. precipitação com 1400-1600mm/ano e altitude entre 300-600m. além da média pluviomé­trica anual. 36 classes listadas na tabela acima. o primeiro parâmetro considerado foi o solo. representando em torno de 132 milhões de hectares. que oscilam entre três a sete meses. portanto.Fatores abióticos: Solos Identificação e localização das áreas Para identificação das áreas prioritárias para preservação. pode-se obter. No caso dos solos. A operação de cruzamento limitou-se a cruzar as informações do Solo S com a precipitação P e com a altitude A. Estas quatro classes representam mais de 65% dos tipos de solos da região (Goedert. As classes de precipitação pluviométrica foram selecionadas dentro de uma faixa de variação de 10001600mm/ano. foram selecionados quatro classes dos solos predominantes nos cerrados a saber:Latossolos Vermelho-Escuro. 1986) . devido a escala de trabalho.As classes de altitude variam de 0-1200m.

406.200 C35 68.962.600 C20 640.800 C24 2.597.000 C17 2. Resultado do cruzamento dos três parâmetros da Tabela 1.113.600 C19 3.667.560.200 C14 2.200 C22 4.377.400 300-600 LE 300-600 1400-1600 300-600 300-600 LA 300-600 1200-1400 600-900 900-1200 0-300 1400-1600 300-600 600-900 329 .000 C16 162.400 C13 2.800 C21 2.800 C15 4.400 C25 C26 C27 C28 C29 C30 C31 C32 C33 C34 268.600 C10 C11 6.600 C18 2.000 300-600 LV 300-600 1400-1600 300-600 C12 4.200 C9 1.600 C8 265.400 C7 1.236.600 7.400 C3 C5 511.427.282.369.000 C4 1. Solos Precipitação(mm) Altitude(m) 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 C Área(ha) 1000-1200 1200-1400 1000-1200 1200-1400 1000-1200 C1 3.937.800 C6 1.600 C2 302.893.600 C23 3.374.880.200 630.Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Tabela 2.348.

452. caso a área não tivesse as características de solo.400 C45 1.600 C43 1.313. Esta hipótese pode ser questionável.333.Fatores abióticos: Solos 1000-1200 1200-1400 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 C36 C37 1. 330 .600 C40 C41 1. ou seja.000 C38 2.200 C39 1. Estas áreas em branco são aquelas que não respeitaram a nenhuma das condições de cruzamento.161.800 C47 C48 968.400 300-600 AQ 300-600 1400-1600 300-600 Na Figura 1 são ilustradas as 36 classes resultantes do cruzamento e áreas em branco.701.545. não seriam consideradas como aptas para demarcação possível de reservas. Porém. limitantes nas hipóteses iniciais. Figura 1: Mapa da distribuição das 36 classes de solo nos Biomas Cerrado e Pantanal.600 C44 104. caso sejam utilizadas informações espaciais mais precisas. os limites são razoáveis. Um refinamento posterior é desejável.000 C46 3.659. chuva e altitude.344.600 C42 3. na escala de trabalho em que foi realizado o estudo.

A identificação das áreas prioritárias para preservação segundo os fatores abióticos utilizou as informações referentes aos tipos de solos. As classes de precipitação pluviométrica foram selecionadas dentro de uma faixa de variação de 1. Atualmente. a duração dos períodos secos. 420 p.W. K. 1986. os Latossolos Vermelho-Escuro. Essa abordagem revela a grande diversidade de ambientes existentes no Cerrado e que se reflete na riqueza biológica da região.Foram selecionadas quatro classes dos solos predominantes nos cerrados. A. como áreas aptas para reservas. como é o caso do Triângulo Mineiro e o sudoeste de São Paulo. Referências bibliográficas Assad.Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Entretanto é importante salientar que as classes obtidas vão de encontro aos estudos anteriores de aptidão de áreas para reservas (Ramalho Filho & Beek 1995). As unidades foram agrupadas em quatro classes no mapa. Solos dos Cerrados. além da média pluviométrica anual. 1995. gerando 36 classes homogêneas de meio físico.000 ha. Chuvas nos Cerrados: Análise e espacialização. O procedimento para aprimorar a seleção das áreas deve levar em conta o grau de antropização. os Latossolos Vermelho-Amarelo e os Latossolos Amarelos e Areias Quartzosas. Sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras. que consideravam somente as áreas inaptas para agricultura como apropriadas para tal fim. que oscilam entre três a sete meses. & Beek. Outros refinamentos podem ser feitos. devido à escala de trabalho. indiretamente. Neste caso sugere-se que sejam prioritariamente selecionadas aquelas áreas mais antropizadas. portanto devem ser consideradas como áreas aptas para UCs. 1994. Ramalho Filho. devem ser consideradas como prioritárias para a criação de unidades de conservação.200 metros de altitude foram desconsiderados. às classes de precipitação pluviométrica e altitude. 331 . E finalmente no quarto nível predominam as Areias Quartzosas. Rio de Janeiro: Embrapa/CNPS. No segundo predomina o Latossolo VermelhoEscuro. Estas classes representam mais de 65% dos tipos de solos da região. Goedert. As classes de altitude variam de 0 metros até 1.200 metros. como é o caso do Triângulo Mineiro e do sudoeste de São Paulo. Tecnologias e estratégias de manejo. Brasília: Embrapa/SPI. 65p. defende-se que as áreas com alto potencial de biodiversidade. devido a diversidade de ambientes. 423p. considerando o solo como principal elemento. No terceiro nível predomina o Latossolo Amarelo. que consideravam somente as áreas inaptas para agricultura. com área acima de 1. pode-se também obter. Alguns locais com mais de 1.600 mm/ano. Planaltina-São Paulo: Embrapa/CPAC-Nobel. É importante salientar que a variedade de classes obtida contraria alguns estudos anteriores para o estabelecimento de unidades de conservação. E. respeitandose as limitações de escala. na medida em que tenhamos mais detalhamento das informações de solos. abrangendo 132 milhões de hectares.000 mm/ano até 1. Neste caso sugere-se que sejam prioritariamente selecionadas aquelas áreas onde a antropização é mais acentuada. Com essa classificação. A indicação e a localização das áreas com alto potencial em termos de biodiversidade foram obtidas por meio do cruzamento desses três indicadores. O procedimento para aprimorar a seleção das áreas. O primeiro nível corresponde a classe onde predomina o Latossolo Vermelho-Amarelo. A hipótese utilizada atualmente é que todas as áreas têm alto potencial de biodiversidade. do clima e da altitude. deve levar em conta o grau de antropização. 3ª edição.

332 .

Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Aspectos Sócio-Econômicos e Políticas Públicas 333 .

Roberto Engel Aduan Sérgio A. de M. Chaves Sérgio Henrique Guimarães Vanderlei Pereira de Castro Washington Novaes 334 .Participantes do grupo de trabalho Donald Sawyer (coordenador) Adriana Gonçalves Moreira Adriana Ramos Alcides Faria Bruno Pagnoccheschi Dalmo Marcelo Albuquerque Lima Edimilson Avelino da Silva Fernando Paiva Scardua Frei Rodrigo de Castro Amédee Pért Gabriel de Lima Ferreira Jean-François Timmers Jozeneida Lúcia Pimenta de Aguiar Laura Maria Goulart Duarte Luiz Beltrão Gomes de Souza Luiz Cavalcanti Cunha Bahiana Maria Cecília Wey de Brito Maria Clara Couto Soares Marcelo Resende de Souza Marco van der Ree Mauro Mendonça Magliano Mauro Oliveira Pires Moacyr Mendonça Bittencourt Jr.

A organização dos dados de sócio­economia na região do Cerrado e Pantanal. Áreas Antropizadas. • Impactos econômicos do uso da biodiversidade sobre populações locais. regionais e nacionais. Migração para áreas periféricas de Cerrado devido a projetos agro-industriais. são apresentados os produtos finais do trabalho. instalado no Instituto Sociedade. nem o Estado de São Paulo. que é a única unidade para a qual se dispõe de dados censitários. . iii. Com relação às informações apresentadas. População e Natureza mediante cooperação técnica com a França. v. Para fins metodológicos. • Principais espécies nativas de uso econômico. ii. acesso e uso de recursos naturais e biodiversidade. conforme seu grau de alteração no presente e futuro. População e Natureza (ISPN). as áreas a serem preservadas e/ou conservadas foram subdivididas. iv. no presente relatório. atendendo ao referido Termo de Referência. Fatores de aceleração dos processos degradadores (infra-estrutura de transporte e energia).Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal I Desenvolvimento Social e Econômico: pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Donald Sawyer (Organizador) Apresentação Tendo como base os trabalhos de sócio-economia elaborados pelo ISPN e experiências dos participantes do Grupo Temático. aqui chamados de mapas. coordenado pela FUNATURA. ii. O sistema inclui dados dos censos demográficos e agropecuários. foram utilizados os seguintes pressupostos: i. Estes referem-se a: • Economia e Demografia do Cerrado e Pantanal. que subsidiassem a realização do Workshop. Diversificação e verticalização da agricultura de pequenos proprietários. ficou a cargo da equipe do ISPN. Os mapas foram gerados a partir do sistema SAMBA-CABRAL. Este sistema é capaz de gerar cartogramas. • Estruturas sociais. cartogramas) de dados demográficos e econômicos selecionados referentes ao período recente (a partir de 1980) para todos os municípios que fazem parte da área “core” do Cerrado. O diagnóstico integra-se às etapas preparatórias para a Oficina“Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. estabelecido entre a Fundação Pró-Natureza (FUNATURA) e o Instituto Sociedade. A Oficina é componente do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO). O relatório foi dividido de forma a visualizar os produtos especificados no Termo de Referência. Outras áreas. Não se incluíram as áreas isoladas de Cerrado. b) Impactos econômicos 335 Introdução O relatório entregue ao MMA consolidou o conjunto de atividades desenvolvidas para o diagnóstico sobre temas sociais e econômicos na região do Cerrado e Pantanal. Para a definição de área prioritárias para Conservação do Cerrado. Condicionantes presentes e futuros de pressão.e. foram produzidos em papel tamanho carta. em: i. apoiado financeiramente pelo Tesouro Nacional e Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF). Áreas Prioritárias para Conservação. entre outras fontes não utilizadas no presente trabalho. de acordo com o Termo de Referência do Contrato 003/97. Todos os cartogramas seguem anexados em formato magnético. Entrada de agrobusiness (avicultura e suinocultura) e aumento da demanda de água. Portanto. inicialmente foram elaborados mapas (i. são apontados abaixo alguns fatores e processos que estão pressionando a ocupação dos Cerrados (Figuras 1-5): i. iii. Fruticultura irrigada e agricultura irrigada. A unidade cartográfica utilizada é o município. Os valores das variáveis foram agrupadas em escalas de cor ou circunferências. O Pantanal foi incluído posteriormente. Foram incluídos todos os municípios que incluem alguma área de Cerrado. iii. Compõe-se nas seguintes partes: a) economia e demografia do Cerrado e Pantanal. Aumento da população em centros urbanos. dentro dos limites acima mencionados. Nesta fase. Fatores limitantes (água e energia). ii.

Produção Agrícola Municipal.257.02 1988 19.27 1992 19. 2) texto sobre principais programas e projetos de ocupação e infraestrutura no Cerrado e Pantanal. 336 . Economia e demografia do Cerrado e Pantanal A seguir são apresentados os dados referentes a Economia e Demografia na região do Cerrado e Pantanal.883.879 116.73 70.419.00 9. Além disso. 1987.818 106. e cálculos da densidade demográfica ou da produção. devido a mudanças na malha municipal. 1988.87 10.294 100.769 123.25 * . foram elaborados tabelas e cartogramas da produção municipal (cabeças) e densidade (cabeças por km2 do município) da pecuária bovina a partir do Censo Agrope­cuário de 1985 e da Produção da Pecuária Municipal (PPM) de 1991 e 1992.05 67.496.644.689.463 121. foram elaboradas tabelas e cartogramas da produção municipal (toneladas) e densidade (toneladas por km2 do município) das culturas de arroz. Em primeiro lugar.378. A seguir. 1989.65 1993 20. foi impossível o cálculo de taxas de crescimento demográfico entre 1991 e 1996. d) estruturas sociais.766. 4) Termo de Referência.938 162.130 101. não estavam disponíveis dos dados do Censo Agropecuário de 1996. apresenta-se a (Tabela 1) que demonstra a produção de grãos e o número de bovinos na área “core” do Cerrado.00 58.do uso da biodiversidade sobre populações locais.790.838 133. em segundo lugar.64 60. realizados pelo IBGE.857 127.126 132. De início. em terceiro lugar.850 100.975.62 11.37 n.444. é preciso mencionar as dificuldades de análise decorrentes de algumas restrições derivadas dos dados sobre a região.02 76.00 57.725 115.704.608 101.d. 1987. 3) listagem dos cartogramas. 5) arquivos magnéticos contendo todos os cartogramas gerados.342.45 15. Economia do Cerrado e Pantanal No que se refere a economia.Referente a 1985 Fonte: IBGE.288 107.270. n. 1986. 1989. foram encaminhados os seguintes documentos ou arquivos magnéticos: 1) texto sobre Índice de Pressão Antrópica (IPA). regionais e nacionais.586 93.681 122.659 105. IBGE.109.282 112. 1991.580.78 1989 22. 1993 e 1994.70 9.638.843 128. 1992.134 109.54 75. 1991.75 10. 1985. é importante de mencionar que na época da elaboração do presente material. Anos Produção de Grãos (t)1 %* Área colhida (há) %* Nº de bovinos2 %* 1985 14.07 11. milho e soja a partir do Censo Agropecuário de 1985 e Produção Agrícola Municipal (PAM) de 1991 e 1992.322 131. 1988. c) principais espécies vegetais nativas de uso econômico do Cerrado e Pantanal. 64.Produção de grãos e número de bovinos na área “core” do Cerrado. o que dificultou o mapeamento Tabela 1 . Produção da Pecuária Municipal.067.547.826.838 111.187 117.229 100.583. 1985.85 10.34 1990 13.857.167.440.235 149.309 119.793.378.76 10.96 1986 16.d. 1993 e 1994.29 71. Como anexos. havia também problemas decorrentes da ausência da malha municipal e da área dos municípios para 1996. Finalmente.791 110.047.548.357. acesso e uso de recursos naturais e biodiversidade.94 1994 23. 1990.885 163.64 1987 17. 1992.49 1991 18.33 10.461 137. 1990. 1986. foram feitos tabelas e cartogramas da extensão municipal (hectares) e densidade (hectares por km2 do município) de pastagens plantadas e nativas a partir do Censo Agropecuário de 1985.

eucalipto. toras. moirões. toras. ipecacuanha. carnaúba. pinus americano � (Figura 3). estacas. ipê. especialmente em Minas Gerais. não se dispõe ainda da malha municipal para 1996. sabia. por outro lado. mandioca. além de outros pontos isolados. ipeca­cuanha. ceras. porém com algumas mudanças nos municípios do eixo Oeste. seguem em anexo no formato magnético. milho. Este ganho deve-se ao aumento das variedades cultivadas. carnaúba. carvão vegetal. assim como cartogramas para 1980 e 1991. A criação de bovinos.96% na sua produção. ou mesmo em pontos específicos. Também foram entregues as bases cartográficas para os anos de 1985. • Produção Agrícola Municipal (1985 a 1994) arroz. 337 • Produção da Pecuária Municipal (1985 a 1994) número de bovinos. O milho em 1992 demonstrou padrão semelhante a 1991. vigas. vem crescendo anualmente. lenha. com um aumento 32. pinus americano. • taxas de crescimento da população total entre 1980 e 1991. não será possível calcular as taxas de crescimento entre 1991 e 1996 enquanto o IBGE não fornecer a população em 1991 dos municípios existentes em 1996. É provável que este tipo de atividade pressione o desmatamento e a abertura de novas áreas. o extensivo. urbana e rural em 1980.07% em um período de 9 anos. dado o tipo de criação adotado. com alguns pontos na fronteira. moirões. postes. carvão vegetal. resinas. das seguintes variáveis demográficas: • população total. Em segundo. 1991 e 1996. Em 1992. barba­timão. Em primeiro lugar. mangaba. mangaba. foram feitas tabelas de dados municipais dos Censos Demográficos de 1980 e 1991 e da Contagem Populacional de 1996. os dados da Contagem Populacional de 1996 foram obtidos no IBGE no dia 21 de agosto em forma publicada e em CD-ROM. sabiá. haja vista que a densidade de bovinos em áreas de Cerrado é baixa. sementes. postes. mudas e outros produtos.25%. angico. período em que foi implantado o Plano Collor. estacas. pinus americano. Demografia do Cerrado e Pantanal Com relação à demografia. com algum crescimento em regiões de fronteira em Mato Grosso e no Oeste da Bahia (Figura 2). 1991 e 1993 para a área “core” do Cerrado. mandioca. postes. moirões. vigas. eucalipto. A produção de milho em 1991 estava concentrada em regiões e ocupação mais antiga. mangaba. a produção de soja em 1992 revela padrão praticamente idêntico a 1991. ceras. 1991 e 1996. O mesmo foi feito para dados das microrre­giões homogêneas (MRH) de 1980 e das microrregiões ge- . carvão vegetal. carnaúba. na forma de cartogramas. ipê. Essas informações. ipê. resinas. cana-de-açúcar e café. • grau de urbanização em 1980. 1991 e 1996. vigas. porém com decréscimo no Nordeste e aumento no eixo Oeste. o que impede a elaboração dos cartogramas para aquele ano. mudas e outros produtos. feijão. toras. milho. buriti. Já os dados seguintes foram entregues em disquete no formato ASC II para a Fundação Biodiversitas. seguida de uma diminuição em 1990. buriti. estacas. a um aumento do nível tecnológico empregado pelos agricultores e a uma melhoria da mão-de-obra. sabiá (Figura 4). ceras. Um mapa de densidade de bovinos provavelmente mostraria valores elevados entre os municípios pequenos do sul de Minas. ipecacuanha. • Produção da Extração Vegetal (1985) angico. buriti. lenha. A produção de soja em 1991 estava concentrada em partes específicas do Cerrado. cana-deaçúcar e café. resinas. soja. A produção de arroz em 1991 demonstra padrões diferenciados de arroz de fronteira e de arroz mecanizado. sementes. barbatimão. Os bovinos em 1985 estavam concentrados em Mato Grosso do Sul. 1991 e 1996. soja. a produção de grãos na área “core” do Cerrado aumentou 62. • Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (1993) angico. deve ser calculada a produção por km2. lenha. sementes. eucalipto (Figura 5). com maior produtividade. Uma vez que o valor depende da extensão do município. • Censo Agropecuário de 1985 arroz.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Como pode ser observado na referida tabela. O mapa do arroz em 1992 demonstra padrão igual. barbatimão. Apesar disso. que neste mesmo período teve um acréscimo de 19. é importante registrar algumas observações sobre a disponibilidade ou não dos dados demográficos. Em terceiro. feijão. Sudoeste de Goiás e Triângulo Mineiro. • densidade da população total em 1980. mudas e outros produtos. O aumento da produção de grãos não se deve exclusivamente a abertura de fronteiras agrícolas. • densidade da população rural em 1980.

2.091.46 17. Em 1996.050 14.753 7. adotou-se a área da região “core” do Cerrado como sendo de 2.568 km2 . No período de 1991 a 1996.99 2. Os respectivos cartogramas seguem em anexo.54 76.870 63.789 % da População Total na participação nacional 16.95 7.em 1991. o ritmo de crescimento mostrou uma queda brusca nos últimos 5 anos. 1980. quase que duplicou nos últimos 26 anos.643 ——- 3. não se dispõe da divisão dos municípios segundo MRG. No período de 1970 a 1980.00 19.594. pode-se observar que esta área apresenta aproximadamente 20% da população rural do Brasil e o aumento populacional registrado neste período vem se transferindo na sua maior parte para a área urbana. Para 1996. no formato magnético. entretanto.675 21.101.443.317.563 6.018 2. devido a migração ou êxodo rural. No período de 1980 a 1991.992.933. registrado para o Brasil em 1996.701. 3. Fonte: IBGE.220 26.Dados populacionais para a área “core” do Cerrado.350 20. esse aumento populacional vai ocorrer preferencialmente em áreas urbanas e periurbanas.36 %. a taxa de crescimento na área “core” do Cerrado é superior a registrada para o Brasil.44 % da População Urbana na participação nacional 14. mulheres Taxa crescimento (%) Grau de Urbanização (%) 47.739.645.21 16.91 5.238 28. podemos observar que esta ainda é uma área com baixa densidade populacional. menor que a registrada para o país. de 1.036 0.76 2.99 1.241.550.02 População Rural População Urbana Densidade Populacional (hab. 338 .99 2.38%.947 7.ográficas (MRG) de 1991.056 13.62 7.672.91 10./km )* 3. 1970. contendo informações sobre a população na área “core” do Cerrado.551 72. Por outro lado.036.57 20. Tabela 2 .57 Crescimento Absoluto N. Variáveis Anos 1970 1980 1991 1996 População Total 15.05 17.582 18. De qualquer forma.638 7. Apesar de a área “core” dos municípios do Cerrado corresponder a aproximadamente 1/3 do território brasileiro.121 Razão de Sexo 1 1.77 18.188 14.994.06 10. O grau de urbanização também teve um aumento relativamente alto. aproximando-se do grau de urbanização de 78. A população total na área “core” do Cerrado. 1.95 ——- 7.09 20. Devido aos programas de governo previstos é possível que haja um crescimento populacional na região.167.431 10.784 5.164 12. Abaixo.549. apresenta-se a (Tabela 2).107.58 Densidade População Rural (hab.403 13.10 2. conforme pode ser observado na (Tabela 2).750.216. homens N.109.441.002 0.005 % da População Rural na participação nacional 19. 1991 e 1996. no mesmo ano.57 17.404.919 10.08 5.64 17. porém este deverá ser circunscrito a algumas localidades./km2)* 2 8.01 * Para o cálculo da densidade populacional.226.

Portanto. o que significa cidades médias ou grandes. de um município com mais de 11. uma vez que os valores apresentados não sofrem influência da extensão territorial. o que indica imigração. simplesmente porque o denominador era muito reduzido. a população total de 1991 menos a população total de 1980. Com exceção do Nordeste do Mato Grosso e Sul do Piauí. é importante examinar fluxos. bem como . observa-se crescimento demográfico generalizado. regionais e nacionais A região do Cerrado tem enfrentado nas últimas décadas uma grande a pressão proveniente da expansão da fronteira agrícola no país. ou seja. não há nenhuma extensão grande de Cerrado distante mais de 200 km. no centro da Bahia. Uma vez que a população rural depende muito da extensão territorial do município.704 habitantes urbanos que não esteja adjacente a pelo menos um município com população urbana maior que 4.704.213 habitantes. houve crescimento negativo em muitos municípios de densidade mais elevada. como nos casos do Sul de Minas e do Mato Grosso de Goiás. em Mato Grosso. ferroviária e hidroviária) e de energia (energia elétrica. no centro de Goiás. ao longo da Belém-Brasília e em parte do Piauí e do Maranhão. Por causa deste efeito do tamanho territorial. ou seja.770 em 1991. concentrando-se na parte Sul da região. Com o intuito de subsidiar a realização da Oficina “Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. Impactos econômicos do uso da biodiversidade sobre populações locais. gasoduto). A densidade populacional (habitantes por km2) demonstra um padrão mais diferenciado que o padrão acima observado. De modo geral. a malha viária (rodoviária asfaltada. podiam ser pequenas por causa deste tamanho reduzido. em anexo. alguns municípios com extensão territorial grande podiam possuir populações maiores em função do tamanho territorial maior. Por outro lado. realizou-se um levantamento e mapeamento de projetos de infra-estrutura existentes ou previstos para a área do Cerrado e Pantanal. com alguns outros bolsões menores. Rondônia e Tocantins. o Pantanal também tem enfrentado problemas concernentes principalmente a grandes projetos de ocupação. O mapa reflete um padrão praticamente idêntico ao mapa de taxas de crescimento. estão localizadas nas regiões mais desenvolvidas. permanecendo muito semelhante à distribuição em 1980. Embora mais recente. As maiores populações urbanas (acima de 47. não há praticamente nenhum município com menos de 4. Em 1991. o crescimento populacional. Contudo. No entanto.959 habitantes). Há que se tomar algum cuidado com o fato de que as populações municipais em áreas que concentram municípios com territórios pequenos. o padrão espacial da distribuição da população municipal total não se modificou muito. Por outro lado. Além de estoques populacionais. A maior parte dos municípios que tinham menos de 4. no Maranhão e em Piauí. A densidade demográfica em 1991 permaneceu muito semelhante a 1980. seria preferível examinar a densidade da população rural. com muitas taxas superiores a 5% ao ano. os dados disponíveis não permitem separar o crescimento urbano do rural. observando-se contudo algum crescimento no eixo Oeste. tais como instalação de hidrovias ou projetos de produção de soja em larga escala. devido a expansão da fronteira agrícola ao longo da BR-364 e adjacências. As populações municipais menores encontravam-se principalmente nas partes Oeste e central. elaborou-se um mapa de crescimento absoluto. as maiores densidades ocorriam no Sul de Minas. Municípios que em 1980 possuíam populações pequenas poderiam ter taxas muito elevadas.770 habitantes em 1980 passou a ter mais de 4. O levantamento incluiu o “Brasil em Ação”. porque não se dispõe da população urbana e rural em 1980 dos municípios existentes em 1991. Em 1980.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal A população total em 1980 (dos municípios existentes em 1991) estava distribuída de forma bastante desigual. As informações coletadas durante o levantamento encontram-se disponíveis no texto intitulado “Principais programas e projetos de ocupação e infraestrutura no Cerrado e Pantanal”. Infelizmente. 339 O cuidado que deve ser tomado com a interpretação de taxas de crescimento refere-se a bases iniciais de tamanho muito diferenciado. Os dados do Censo Demográfico de 1991 permitem examinar separadamente a população urbana e a rural quanto a tamanho e densidade. em séculos passados ou quando da expansão da fronteira agrícola no período de pós-guerra. especialmente em Minas Gerais. Esta distribuição mostra concentração populacional maior em áreas de ocupação antiga. seria importante examinar a densidade demográfica (habitantes por km2). inclusive acima de 10% ao ano. a população rural é maior nas regiões menos dinâmicas (emigração) e nas mais dinâmicas (imigração). As taxas médias anuais de crescimento populacional entre 1980 e 1991 mostram crescimento mais acelerado no eixo Oeste e no Nordeste de Mato Grosso. e em grau menor no extremo Norte.

Além desses. haja vista o número de vazios presentes para as mesmas regiões amostradas no censo agropecuário. os dados sobre extrativismo vegetal no Brasil sofrem de problemas de disponibilidade.o mapeamento de projetos agrícolas e agroindustriais. que contam com populações locais que muito apreciam este fruto. realizouse também um levantamento das principais espécies vegetais nativas de uso econômico na região de Cerrado e Pantanal. postes de madeira. No que se refere à silvicultura. pequi. parece não ter havido diminuição proporcional da produção. como acontece em muitos outros casos. carvão vegetal. palmito. O pequi apresentou. Ree e Pires. toras. Para o presente trabalho. formato e qualidade. Ree e Pires (1997). castanha do Pará. palanques. comercialização. eucalipto. que publica os Censos Agropecuários (CA). castanha de caju. buriti. por exemplo. Principais espécies vegetais nativas de uso econômico Para subsidiar a preparação da Oficina. e conseqüente deslocamento para áreas menos fiscalizadas. Isto se deve à existência de indústrias siderúrgicas e metalúrgicas que consomem este tipo de produto em seus alto-fornos. o que sinaliza a possibilidade de adensamento da sua extração em algumas áreas. o PRODECER. Com base nesses levantamentos. mangaba. que entre 1973 e 1985 denominava-se Produção da Extração Vegetal (PEV) mas que recentemente passou a incluir a silvicultura. produtores. mas de estimativas elaboradas pelo IBGE com base numa rede de informantes que inclui entidades públicas e privadas. a Produção da Extração Vegetal (PEV) de 1985 e a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) de 1993. As informações destes periódicos não provém de um levantamento feito diretamente junto aos produtores. toras. babaçu. Este levantamento apoiou-se em grande parte nas informações contidas no texto “Comercialização de espécies vegetais nativas do Cerrado” (Sawyer. Neste texto ressaltava-se que. a PEVS está atrasada em . aromatizantes e corantes. Sawyer. Foram extraídas informações sobre todos os municípios contemplando as seguintes espécies: extração vegetal de carnaúba. desde 1993. pupunha e produtos alimentícios. Por exemplo. borracha. 1997). o POLOCENTRO. pode-se observar que apenas o pequi e o palmito apresentam uma exploração mais ampla ao longo de quase toda a área “core” do Cerrado (dados de 1985). Também foram realizados levantamentos da extração de lenha. 1997). casca de angico. No entanto. especialmente na culinária. Ree e Pires. Conforme salientam Sawyer. os problemas de dados referentes à produção extrativa são mais graves do que. destaca-se que esta apresenta um deslocamento para a parte Norte da área “core” do Cerrado. Contudo. foi realizado o levantamento de lenha. cascas de taníferas. ainda. No que se refere à extração vegetal de palmito. Pode-se verificar. técnicos e órgãos ligados direta ou indiretamente aos setores da produção. há ainda informações em Produção Agrícola Municipal (PAM) e Produção da Pecuária Municipal (PPM). entre 1985 e 1993. sabiá e angico. vigas. jatobá. devendo ser examinadas as seguintes possibilidades: i) deslocamento devido ao esgotamento resultante da sobreexploração desta cultura observado a partir de 1985. A principal fonte é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). palanques e postes de madeira. 1997:5). 340 mangabeira. É relevante registrar ainda que nos dados da PEVS há a estranha ausência de produção de pequi nos Estados de Tocantins e Goiás. pode-se observar que este último apresenta problemas de amostragem. foram pesquisados o Censo Agropecuário de 1985. sendo que a exploração de lenha e carvão vegetal ocorre com maior intensidade nos municípios de Minas Gerais e nas regiões vizinhas. pinus. vigas. que a extração de produtos madeireiros ocorre em toda a área. Quando se analisa os dados provenientes do Censo Agropecuário de 1985 e os dados da PEV de 1985. carvão vegetal. Ree e Pires. e os planos do governo federal de expansão da a´rea de produção agrícola e esmagamento de grãos. uma sensível diminuição de sua área explorada. A ausência desta informação possivelmente está atrelada a problemas de amostragem ou de metodologia utilizada. As razões desse deslocamento suscitam hipóteses. que identifica as principais fontes de dados disponíveis no que concerne às espécies vegetais nativas de importância econômica da região. ii) por pressões por parte dos órgãos ambientais que forçaram mudanças de postura por parte das empresas ou pessoas envolvidas com sua exploração. a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS). o que se verifica nas fontes de dados sobre o extrativismo vegetal “é que os dados são divulgados com alguns anos de atraso. também publicados pelo IBGE. industrialização e fiscalização (Cf. os quais incluem o PADAP. os problemas de dados referentes à produção agrícola e da pecuária (Sawyer.

sem especificidade. foram feitas análises de alguns fundos de investimento em projetos de biodiversidade na área do Cerrado (PPP. Por outro lado. haja vista que seus resultados podem enviesar a real dimensão destas áreas quando plotadas no âmbito municipal. FNMA. e locais onde são necessários. por meio de reagregação dos dados municipais. e os mesmos foram plotados. Ao lado disso. dando uma noção da origem e demanda de recursos financeiros para á área de biodiversidade. Não será possível dentro do escopo do presente projeto fazer a sobreposição de áreas indígenas com a base cartográfica municipal. Em parte. Representam não só a existência de entidades. a informação é bastante atualizada. as categorias de produtos são muito amplas. Com a finalidade de levantarmos a demanda reprimida de recursos. não se considera a diferença entre palmito doce (de juçara ou açaí) e palmito amargo (guariroba). foram plotados os municípios que apresentavam áreas indígenas. • A Ecolista. Além do PPP. que possui base cartográfica própria. Para fins de análise. Estruturas sociais e acesso a biodiversidade Iniciativas locais relacionadas a biodiversidade Foi feito cartograma de cerca de 345 projetos comunitários sobre uso sustentável da biodiversidade do Cerrado apresentados ao Programa de Pequenos Projetos (PPP) do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) em três editais entre 1995 e 1997. foram consideradas diversas outras fontes possíveis de dados sobre iniciativas locais relacionadas com a biodiversidade: • Um cadastro de cerca de 800 entidades ambientalistas no Cerrado. cujo número chegou a cerca de 80. Este mapa na realidade não pode ser utilizado integralmente. 341 Áreas indígenas As áreas indígenas serão identificadas pelo Instituto Sócio-Ambiental (ISA). . estes problemas são decorrentes da ausência de uma comunidade de usuários preocupada com qualidade e que interaja com os órgãos responsáveis pela coleta e divulgação desses importantes periódicos. isso ocorre porque não se utiliza o nome científico das espécies. em geral. Os projetos identificados dizem respeito especificamente a biodiversidade. que dizem respeito especificamente a biodiversidade. optouse pela utilização de dados do PPP. Pequenos produtores A produção municipal de mandioca e de feijão informada na Produção Agrícola Municipal de 1994 foi utilizada como indicador da presença de pequenos produtores. como no caso de urucum e caju. Muitas vezes é impossível separar a produção extrativa da cultivada. foram analisados os projetos apresentados a este Programa. por meio de um projeto do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB). que inclui informação atualizada. Como as fontes muitas das vezes. inclui um número reduzido de entidades não governamentais no Cerrado (150 entidades) e Pantanal (53 entidades). Assim sendo. • Os 1. Além disso. o que é possível apenas na PEVS. Neste sentido. estão sendo examinados. não se restringiam a área do cerrado. é preciso mencionar que os dados sobre extração vegetal são. Pretende-se também analisar os dados do Censo Agropecuário de 1985 que se referem ao número de estabelecimentos com até 50 ha. Por exemplo. causando dificuldades na interpretação dos dados. e ocorrem problemas de classificação e localização. Finalmente. “a agregação dos dados tabulados por estado nos anuários estatísticos torna difícil a identificação do bioma. tendo um dos componentes a biodiversidade. • A Rede Cerrado de ONGs está em vias de recadastramento de seus membros. utilizado pelo PPP para divulgação dos editais. não a meio ambiente em geral. Ree e Pires. 1997:7).080 projetos apresentados ao FUNBIO. que destina recursos para pequenos projetos para a área de cerrado. • Os projetos apresentados ao Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) apresentam problemas de classificação.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal cinco anos e já se passaram 12 anos desde o último Censo Agropecuário”. como também iniciativas de proposição de execução de atividades. tais como variações abruptas e inexplicáveis de um ano para outro ou descontinuidade espacial” (Sawyer. PROBIO). defasados e deficientes. e o número aprovado no Cerrado e Pantanal é relativamente pequeno. notam-se inconsistências nos dados. mostrou-se desatualizado e não se refere especificamente a biodiversidade. mas não será possível ter acesso a todos os dados em tempo hábil. ou muitas vezes não eram específicas para biodiversidade.

tais como o número do projetos do PPP. possam servir aos propósitos da Oficina.Considerações Finais Espera-se que o conjunto de informações de sócioeconomia aqui consolidado possa ser útil e se adeqüe às atividades preparatórias para a realização da Oficina “Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. Por outro lado que os dados da PEVS mostraram-se deficientes para o objetivo de diagnosticar os usos econômicos de espécies vegetais nativas. espera-se ainda que a proposta de Índice de Pressão Antrópica e o texto sobre os principais programas e projetos de ocupação do Cerrado e Pantanal sirvam para estimular o debate durante a realização do evento e contribuir concretamente para a elaboração de estratégias e ações em prol da conservação desses dois biomas. Da mesma forma. os participantes possam apresentar críticas e sugestões que venham a aprofundar o nível de detalhamento necessário para a elaboração de estratégias de conservação do Cerrado e Pantanal.Níveis de Pressão Antrópica para o Cerrado e Pantanal 342 . Figura 1 . Espera-se também que. Além disso. a ser realizado no segundo semestre de 1998. espera-se que as sugestões de indicadores aqui apresentados. durante a realização da Oficina.

Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal A) Pinus 343 .

Área Área Área Área ” 344 .

sejam de depleção (extração ou retirada de matéria) ou de poluição (introdução de dejetos). Contudo. os recursos hídricos e a capacidade de absorção de poluentes de diversos tipos. desenvolvidos por meio da cooperação técnica francesa da ORSTOM. regiões. a partir das bases de dados municipais do SAMBA-CABRAL e do SAPOPEMA. biomas ou áreas menores. O ISPN participou. As pressões antrópicas também se distinguem conceitual e operacionalmente de vulnera­bilidade ambiental. da água e dos solos capazes de absorver a poluição. Os recursos naturais costumam ser divididos em duas categorias. nacional e local. em contraposição a impactos ambientais. Os dados a serem utilizados são dos censos demográficos e agropecuários bem como das séries anuais de Produção Agrícola Municipal (PAM). existe certa tensão entre universalidade e particularidade. podem servir como fonte de matéria ou energia. o IPA também constitui um 345 Base conceitual Conceitos gerais Pressão antrópica define-se do ponto de vista da natureza. Introdução Dentro do esforço de implementação prática do conceito de desenvolvimento sustentável. os recortes de densidade e crescimento seriam outros. que é o caso do ar.ISPN (Organizador) indicador “precursor” (leading indicator) de tendências futuras. a não ser que estas iniciativas já tenham reflexo nas variáveis demográficas ou econômicas que podem ser observadas no território todo. renováveis e não-renováveis. segundo contrato entre a FUNATURA e o ISPN. Produção da Pecuária Municipal (PPM) e Produção do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS) publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). tais como microrregiões.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal II Índice de Pressão Antrópica (IPA): uma Proposta Metodológica Donald Sawyer . utilizado para analisar impactos ambientais. também. fauna ou variáveis tais como qualidade da água. no qual fará outra aplicação do IPA para os Estados do Centro-Oeste. o sentido mais comum do termo. As aplicações imediatas e experimentais do IPA foram realizadas no projeto Workshop Cerrado. segundo projeto desenvolvido pelo IPEA e pelo ISPN. Em outras áreas. ou seja. O objetivo deste projeto é estabelecer prioridades para conservação da biodiversidade no bioma do Cerrado. consideramos principalmente as pressões antrópicas sobre a diversidade biológica por meio de conversão para uso agropecuário ou extrativismo insustentável. que também refere-se ao meio ambiente natural. por sua vez. Ressalta-se que o IPA aqui proposto refere-se a variáveis que podem ser observados em todos os municípios. como para todos os indicadores. o IPA resume tendências do passado recente quanto fornecer indicações sobre as prováveis tendências do futuro próximo. que é a entidade responsável pela parte de sócio-economia. contudo. Há que se esclarecer que o IPA. As pressões diretas podem se dar em dois sentidos. Num marco estado-pressão-resposta (statepressure-response). Ao mesmo tempo. . Também existem pressões antrópicas indiretas. Para os fins de estabelecimento de prioridades para conservação. bioma em que as densidades são geralmente menores e as taxas de crescimento geralmente maiores do que na média do Brasil. Estes impactos teriam que ser observados por meio de levantamentos de dados primários sobre flora. O IPA será utilizado de forma mais abrangente no projeto Base de Indicadores da Dinâmica Espacial Brasileira. O índice pode servir para o Brasil todo. Rondônia. O ISPN ainda participa do projeto do PRONEX sobre “Migração e Meio Ambiente em São Paulo e no Centro-Oeste”. Inicialmente. Tocantins e São Paulo. refere-se a pressões sobre o meio ambiente. Esta base municipal cobre a totalidade do território nacional. cons­truído a partir de dados secundários. poderá refletir diversos aspectos de estado. a estas pressões estão estreitamente associadas as pressões sobre o estoque de carbono. o IPA refere-se evidentemente a pressão. ou como depósito de dejetos. Quanto à dimensão temporal. Assim. Os recursos naturais. O IPA foi utilizado para municípios ou agregações de municípios. este texto destina-se a apresentar a elaboração de uma proposta inicial de conceituação e operacionalização de um Índice de Pressão Antrópica (IPA). que afetam os ecossistemas em espaços ou momentos mais abrangentes que as pressões diretas e imediatas. tais como alterações de habitat ou introdução de espécies exóticas. Contudo. entre abrangência ampla e restrita. Não se levam em conta projetos ou obras específicas. que pode sofrer diversos tipos de pressão decorrente das atividades humanas. o IPA foi desenvolvido para uso no Cerrado. a ser utilizado como indicador sintético de pressões econômicas e demográficas sobre o meio ambiente. além de resumir a situação atual. resultado de processos passados. de workshops sobre a Amazônia e a Mata Atlântica. como no Sudeste e Sul do Brasil.

indicadores puramente de produção agropecuária não refletiriam as pressões decorrentes de concentrações urbanas tais como demanda de produtos extrativos (lenha. A principal sugestão aqui apresentada em relação ao desenvolvimento de um indicador de pressão antrópica é de combinar as dimensões de estoque e fluxo. houve representação cartográfica separada para densidade e crescimento. que pode ser considerada como um índice de pressão antrópica que sintetiza estoque e fluxo. propõe-se combinar indicadores demográficos e econômicos para construir um indicador sintético de pressão antrópica. Medição de estoque Os estoques podem ser representados por valores absolutos de tamanho. Por estas diversas razões. mercado de trabalho e mercado consumidor que atraem as atividades produtivas. para a escolha de prioridades para conservação. comparando a pecuária no Sul de Minas e no Centro-Oeste. a intensidade da atividade agropecuária sinaliza potencial para a atração de migrantes. o procedimento pode ser de somar uma dimensão e outra. uma associação entre ocupação demográfica e ocupação econômica. Entretanto. baixo. isto é. Além disso. das dimensões de estoque e de fluxo. A malha municipal muito fina no Sul de Minas implica um cartograma que sugere ausência de bovinos naquela região. pesca. de população. De um lado. Em alguns casos. como se segue: Estoque 0 Fluxo 0 1 2 0 1 2 Operacionalização 1 1 2 3 2 2 3 4 Pressões demográficas e agropecuárias Embora exista. que será abreviado IPA. a pressão sobre o ambiente natural pode ser menor que em municípios com territórios pequenos. ao menos da agropecuária mais moderna e intensiva. no entanto. o crescimento absoluto nestas áreas pode ser pequena. Para garantir maior comparabilidade em termos de pressão direta sobre os ecossistemas.). o cruzamento entre as duas variáveis gera uma matriz 3 x 3. Observa-se que as taxas mais elevadas de crescimento de população ou de produção agropecuária ocorrem em áreas de fronteira. o que é pouco útil. Supõe-se que a pressão é maior onde o estoque e o fluxo são elevados e menor onde ambos são reduzidos . Por outro lado. existem algumas convergências entre tendências demográficas e econômicas. com 9 caselas. onde as bases iniciais são pequenas. no caso. De outro. rebanho bovino e população rural são muito influenciados pelo tamanho territorial do município. Citam-se como exemplos a densidade da . por si só. serviços. Cruzamento de estoque e fluxo Se as dimensões de estoque (tamanho ou densidade) e fluxo (velocidade ou crescimento) forem divididas em três níveis. plantas medicinais etc. É o que se observa. dividindo a primeira variável pela área do município em quilômetros quadrados. Ao mesmo tempo. representados pelos valores 0. indicadores puramente demográficos não refletiriam as pressões sobre os ecossistemas decorrentes da pecuária extensiva ou da produção de soja. carvão. numa base de dados municipais. a densidade ou o tamanho absoluto costumam ser maiores em áreas já degradadas. com combinações intermediárias. De um lado. o que é uma distorção da realidade. por exemplo. Se um estoque grande em termos absolutos for muito diluído no espaço de um município de grande extensão. Mesmo com taxas elevadas. supondo que a pressão antrópica seja maior onde os indicadores demográficos e agropecuários apontam na mesma direção e menor onde os dois tipos de indicadores apontam na outra direção. médio e alto. também existem exceções importantes. no plano mais geral. os valores de variáveis tais como área cultivada. caça. com diversas situações intermediárias. especialmente numa visão prospectiva. 1 e 2. sugere-se transformar o estoque absoluto das variáveis relacionadas a espaço rural em densidade. a concentração demográfica sinaliza condições favoráveis de infra-estrutura. como por exemplo a avaliação de prioridades de conservação no Nordeste realizada pela Conservation International.Estoque e fluxo Um dos problemas básicos que surge no desenvolvimento de um indicador de pressão antrópica é a escolha entre velocidade/crescimento/fluxo e densidade/tamanho/estoque. De outro. parece aconselhável construir o IPA de tal forma que sintetize as dimensões demográficas e agropecuárias. Como no caso da síntese 346 A soma dos valores das duas variáveis gera uma escala de 0 a 4. sua extensão em quilômetros quadrados.

Calcula-se o valor de “r” a partir do logaritmo natural do incremento. não é a densidade urbana que interessa. Para algumas outras variáveis que não se relacionam com a área do município. supondo-se crescimento contínuo ao longo do tempo. porque não se compara população com bovinos ou com hectares de área cultivada. é preferível usar o valor absoluto do estoque. Assim. A densidade da população rural (DPR) é do município. sem necessariamente representar pressão intensa. e a população urbana.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal população rural. Para a população urbana. Contudo. porque não influi na distribuição dos municípios entre as categorias alto. Por exemplo. a pressão antrópica populacional (PAP) é calculada a partir dos seguintes subíndices e suas respectivas variáveis de estoque e fluxo: 347 . Ainda falta a malha municipal para 1996. Uma vez que o IBGE ainda não forneceu a compatibilização dos dados municipais entre 1980 e 1991 por situação de domicílio ou entre 1991 e 1996. ou seja. sem calcular densidade. que serve como indicador de pressões atuais tais como extrativismo (e. entre dois censos. Portanto. para o cálculo da DCA da população municipal (DCR) foi utilizada a população total no período 1980 a 1991 e o crescimento absoluto urbano da MRG (CAU) foi calculada para o período 1991 a 1996. embora a comparabilidade não seja tão importante quanto no caso das taxas. nem para a população total. mas o tamanho absoluto da população urbana. normalmente calculadas como taxas médias geométricas de crescimento anual. A DCA evita esse problema e separa completamente as medidas de estoque e de fluxo. Considerando a disponibilidade atual de dados. o crescimento absoluto (CA) dividido pela área do município em km2. Pode-se considerar separadamente a população rural. propõe-se calcular os fluxos relacionados a área em termos de densidade do crescimento absoluto (abreviado DCA). Para os fins de quantificar a pressão antrópica. Dispõe-se apenas da compatibilização para a população total entre 1980 e 1991. Medição de fluxo As medidas convencionais de fluxo são taxas de crescimento. Como já foi mencionado. Este valor também pode ser anualizado dividindo-se pelo número de anos no intervalo intercensitário. por exemplo. 1 e 0). As desvantagem de usar taxas de crescimento calculadas em relação à base inicial é que os valores são puxados para baixo quando o estoque anterior é grande. contribui para a pressão antrópica. Uma taxa pequena a partir de uma base inicial grande pode esconder uma pressão absoluta grande. médio e baixo (2. alguns municípios do Norte de Mato Grosso atingem taxas de crescimento populacional acima de 15% ao ano. O problema das taxas de crescimento para os presentes fins é que são muito influenciadas pela base inicial. onde qualquer crescimento implica uma taxa de crescimento elevada. o número de bovinos por km2 ou hectares de área cultivada por km2 do município. deve-se usar CA. lenha. Pode-se comparar microrregiões geográficas entre 1991 e 1996. não relacionada a área territorial do município. a proximidade de uma cidade grande. O tamanho absoluto da população urbana (TAU) é da microrregião geográfica da qual o município faz parte. infra-estrutura e serviços concentrados nas cidades. quando a ocupação demográfica e econômica é apenas incipiente. que é muito sensível a área. no momento atual há um problema de disponibilidade de dados para o cálculo de crescimento. inclusive como tendência para o futuro. Nota-se que a DCA independe do estoque anterior. Neste caso. que normalmente exerce atividades de pressão direta sobre a biodiversidade.g. oferecendo condições favoráveis para a agropecuária moderna. propõe-se construir um índice demográfico parcial com população rural e outro com a população urbana. O exemplo mais claro é de população urbana. plantas medicinais ou caça) para o mercado consumidor urbano assim como pressões futuras de expansão urbana e desenvolvimento agropecuário em função do mercado consumidor. Dados de população Os dados de população disponíveis para a construção do IPA por município são dos censos demográficos de 1980 e 1991 bem como a Contagem Populacional de 1996. mesmo que seja de outro município. Outra maneira de medir fluxo é considerar o crescimento absoluto (abreviado CA) entre um ano e outro. Portanto. adjacente ou não. A anualização de taxas decenais ou qüinqüenais para que se expressem em termos de “x porcento ao ano” facilita a compreensão e a comparabilidade. as taxas mais elevadas de crescimento costumam ser encontradas em áreas de fronteira. que pressiona diretamente via atividades tais como caça ou indiretamente. A DCA pode ser anualizada ou não. ainda não é possível calcular taxas de crescimento da população urbana ou rural dos municípios nos períodos intercensitários.

A DCA de bovinos (DCB) por sua vez. para o qual existe informação. não incluem informação detalhada sobre a utilização das terras e não incluem a área de pastagens. cada um dos quais se compõe pelo cruzamento das respectivas variáveis de estoque e fluxo. Atualmente. Como 348 não se dispõe de informação sobre a área plantada ao longo do tempo. o IPA foi experimentado para o conjunto dos municípios que compõem a área core do Cerrado e o Pantanal. Aplicação Inicialmente. de acordo com a disponibilidade atual de dados. seja de acordo com sua área. para ter maior comparabilidade interregional. a pressão antrópica da agropecuária (PAA). corresponde ao período de 1990 a 1994. A densidade da lavoura (DLA) corresponde à área em culturas temporárias e permanentes dividida pela área total do município no ano mais recente para o qual se dispõe de informação na PAM. é calculada a partir dos seguintes subíndices e suas respectivas variáveis de estoque e fluxo: PAL .CA da população urbana da MRG entre 1991 e 1996 (0-2) PAR . antes da divulgação dos resultados completos do Censo Agropecuário de 1995/1996. Posteriormente. PPM de 1985 a 1994 e PEVS de 1993. As pressões decorrentes do pasto para a criação de gado e de algumas culturas tais como soja são extensivas. que resulta do cruzamento de: • DPR .DCA de lavouras entre 1990 e 1994 (0-2) PAB .Pressão Antrópica dos Bovinos (0-4). As séries anuais do IBGE.densidade de bovinos em 1994 (0-2) • DCB . que resulta do cruzamento de: • DLA . As culturas consideradas são todas aquelas contidas na PAM. 1 e 2) de acordo com sua distribuição. as lavouras (inclusive a silvicultura) e os pastos.tamanho absoluto da população urbana da MRG em 1996 (0-2) • CAU .Pressão Antrópica das Lavouras (0-4). PAR. É verdade que poder haver outras pressões decorrentes da produção agropecuária tais como efluentes da suinocultura. Existem dados sobre silvicultura na Produção do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS). Os cartogramas correspondentes às etapas de elaboração do índice encontram-se em anexo. PAL e PAB. além de não estarem disponíveis para todos os anos. Diante destas limitações de dados. mas estas costumam ser pontuais em algumas áreas. que resulta do cruzamento de: • DBO .densidade de lavouras em 1994 (0-2) • DCL . Obser- . por outro lado. enquanto as pressões decorrentes de lavouras são geralmente mais intensivas.Pressão Antrópica Rural (0-4). poderão ser experimentados recortes a partir do conjunto de municípios brasileiros.PAU . Os valores das variáveis foram divididos em três categorias (0. Para fins de representação em cartogramas. há que se usar a área colhida. mas não há série temporal para a silvicultura. O IPA se expressa numa escala final de 0 a 4. A escala decorrente deste exercício aplicou-se apenas à área de estudo. Resumindo. A densidade de bovinos (DBO) corresponde ao número médio de bovinos por km2 do município.DCA do rebanho de bovinos entre 1990 e 1994 (0-2) Síntese das variáveis demográficas e agropecuárias O IPA consiste na média aritmética dos valores de PAU. A DCA da lavoura (DCL) corresponde ao período entre 1990 e 1994. seja de acordo com o número de municípios.Pressão Antrópica Urbana (0-4). O Censo Agropecuário de 1985 está bastante desatualizado e a malha municipal é diferente daquela do período mais recente. conta-se apenas com os dados do Censo Agropecuário de 1985 e da PAM de 1985 a 1994.DCA da população total do município entre 1980 e 1991(0-2) Dados da produção agropecuária A produção agropecuária que exerce pressão antrópica em escala ampla pode ser dividida em duas partes principais.densidade da população rural do município em 1991 (0-2) • DCR . propõe-se combinar índices referentes a lavouras (sem silvicultura) e bovinos. que resulta do cruzamento de: • TAU . com um terço dos municípios em cada categoria. os valores do IPA podem ser divididos em qualquer número de categorias. Os dados disponíveis neste momento para o Brasil como um todo são os dos censos agropecuários e das pesquisas anuais de Produção Agrícola Municipal (PAM) e Produção da Pecuária Municipal (PPM).

ou seja. Em exercícios futuros. Há que se lembrar que o IPA tal como operacionalizado neste momento não inclui a silvicultura. o IPA parece constituir um indicador sintético robusto e útil de pressões sobre o meio ambiente que pode ser gerado a custo reduzido a partir de dados secundários disponíveis e adaptado a situações específicas em termos de realidade local ou disponibilidade de informações. Por outro lado. Goiás e Mato Grosso do Sul. Tocantins. um arco de influ­ên­cia mais direta de São Paulo. que passam a integrar o arco de pressão mais intensa. Barreiras e Correntina. os recortes do IPA final foram feitos de modo a deixar áreas mais equilibradas. Figura 5 .Níveis de Pressão Antrópica para o Cerrado e Pantanal 349 . É o que será testado nos futuros desdobramentos. Mato Grosso. talvez seja o caso de dividir as categorias 0. o IPA não é fortemente influenciado pelo crescimento rápido que significa relativamente pouco em termos absolutos. Por causa das diferenças entre número e área dos municípios. As exceções ao padrão geral acima descrito são de dois tipos. os bolsões de pressão antrópica reduzida nesse arco são o Pantanal. sul do Maranhão e Piauí. será possível contar com dados sobre o crescimento populacional municipal urbano e rural entre 1991 e 1996 e com os resultados do Censo Agropecuário de 1995/1996. partes do Norte de Goiás e o vale do Jequitinhonha. No futuro próximo. Os principais são as regiões de Rondonôpolis. Palmas. o que é lógico: o terço dos municípios com densidades menores representa mais que um terço da área total de todos os municípios. o que permitirá aperfeiçoar o IPA. O índice também poderá ser experimentado em outras regiões com outras distribuições de valores de estoques e fluxos e outras dinâmicas. Nas regiões de fronteira. O que se pode observar do resultado final é que as pressões antrópicas mais intensas encontram-se principalmente nas áreas de ocupação mais antiga em Minas Gerais. 1 e 2 de modo a ter aproximadamente um terço da área total em categoria.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal va-se que a divisão dos municípios em três categorias iguais em termos de número resulta em áreas bastante diferentes quanto a sua extensão. alguns municípios ou conjuntos de municípios destacam-se do padrão médio de pressão antrópica na fronteira por combinar estoques e fluxos significativos. Pelo visto até o momento. que ameaça o Pantanal. Assim. em contra­posição às áreas de ocupação mais recente em Rondônia. o que poderia mudar o quadro do Jequitinhonha. nem obras como a Hidrovia do Paraguai-Paraná.

realizado no primeiro semestre de 1998. coexistindo com árvores e arbustos esparsos. Tocantins. que se refletem numa grande e ainda desconhecida heterogeneidade de biota nas diferentes áreas do Cerrado. mecanização etc. havia o predomínio da criação de bovinos para corte. na qual predomina uma vegetação rasteira. cobrindo um quinto do Estado de São Paulo. e os planos governamentais de expansão da área de produção agrícola e plantas de esmagamento de grãos. Ocorre também em regiões descontínuas e isoladas na região Norte. com duas estações bem definidas: seca e úmida. Nordeste e ao longo da transição entre a Amazônia. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza . o presente trabalho pretende identificar os principais programas e projetos desenvolvidos ou a serem implementados na região do Cerrado e. e para o Sul em uma série de áreas descontínuas. que favoreceram a expansão da fronteira agrícola para as áreas do Cerrado. Portanto. Nas últimas décadas. que inclui a parte Sul do Mato Grosso. trata-se de um levantamento de dados secundários disponíveis em órgãos governamentais. tais como os sistemas de transportes (rodoviário. O Cerrado é relacionado de modo ecológico e fisionômico às savanas existentes em regiões com intensidade pluviométrica durante o verão. monoculturas. ocupando diferentes bacias hidrográficas (Amazonas. que. possuindo solos antigos. População e Natureza. por meio de gasoduto). essa ocupação passou por mudanças substanciais caracterizadas pelas inovações tecnológicas. Paraná. Tocantins. na região do Pantanal. essencialmente. formada principalmente por gramíneas. a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) identificou cerca de 25 unidades fisiográficas distintas e cerca de 100 sistemas de terra diferentes para esta região. Principais programas e projetos de ocupação e de infraestrutura no Cerrado e Pantanal Introdução O presente trabalho foi elaborado como parte integrante do “Diagnóstico sobre temas sociais e econômicos no Cerrado e Pantanal”. a Caatinga e a Mata Atlântica. Oeste de Minas Gerais e o Distrito Federal. Mato Grosso do Sul. Esta região exibe uma enorme heteroge­neidade espacial. A metodologia adotada baseou-se. Na história de sua ocupação. não existe um único e homogêneo Cerrado mas muitos e distintos. este bioma ocupa cerca de 2 milhões de km2. destinada inicialmente para o abastecimento local e posteriormente aos mercados regionais e extra-regionais. Como objetivo central.WWF (1995). baseada nos parâmetros da agricultura moderna (dependente de insumos químicos. Estende-se para fora da região central em penínsulas: para o Norte. dentre os quais destacam-se o Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (PADAP). 1979: 5). ácidos e de baixa fertilidade. O clima é estacional.). No núcleo desta atividade econômica. o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (POLOCENTRO). coordenado pelo Instituto Sociedade. Conforme as diretrizes da Oficina. e na análise de documentos de programas governamentais executados e em andamento na região. com altos níveis de ferro e alumínio. apoiado financeiramente pelo Tesouro Nacional e Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF). sociais e econômicas na agricultura brasileira. em especial para os recursos naturais e a biodi­versidade. ferroviário e hidroviário) e de energia (elétrica e de gás. por acréscimo do Pantanal. o Programa de Cooperação Nipo-brasileira para o Desenvolvimento do Cerrados (PRODECER). A Oficina é componente do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO). São Francisco e Parnaíba). fez parte das etapas preparatórias para a realização da Oficina sobre“Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. Dias (1996) menciona que em recente estudo. cobrindo o Sul do Maranhão e o Norte do Piauí. agrotóxicos. que apresentam possíveis implicações para o meio ambiente. na pesquisa bibliográfica sobre a ocupação e infraestrutura do Cerrado e. 350 . em uma franja. entrevistas e literatura pertinente. Paraguai. havia a grande propriedade rural marcada pela exploração direta dos estabelecimentos – por seus proprietários – e pelos baixos níveis de produtividade e de rendimento na atividade agropecuária (IBGE. Oeste da Bahia. por sua vez. notadamente aqueles de apoio à produção agrícola. para o Oeste. profundos e bem drenados. Este trabalho concentra-se no mapeamento dos projetos de desenvolvimento agrícolas e agroindustriais já executados ou em execução. por acréscimo.III. Portanto. Também identifica os projetos de infraestrutura existentes ou projetados. através de Rondônia. até os anos cinqüenta do século passado. o Pantanal é incluído aqui como parte da região do Cerrado. Caracterização da região Segundo Eiten (1992). o Cerrado abrange o Brasil Central. coordenado pela Fundação Pró-Natureza (FUNATURA). ou 22% do território nacional. todo o Estado de Goiás.

Absorve as águas das chuvas que vem do planalto brasileiro e do degelo das Cordilheiras dos Andes. a região passou a ser explorada para a criação extensiva de gado. é importante proceder avaliações e monitoramento dos impactos socioambientais trazidos pelos projetos econômicos implantados e previstos para a região. Paralelamente.5% do Cerrado está preservado por lei em unidades de conservação. A estrada de ferro foi um forte indutor do crescimento e criação de cidades. Acredita-se. Virtualmente inexistente na década de 60. ainda. no entanto. as formas de intervenção com expansão mais significativa na região têm sido a formação de pastagens plantadas e a lavoura comercial. Apesar de os impactos ambientais das atividades econômicas serem mais recentes. Após a exaustão das minas. A partir de meados da década de 70. pela grande quantidade de terras devolutas. e têm enfrentados problemas ambientais comuns. e a adoção de estratégias e políticas de desenvolvimento e investimentos em infra-estrutura entre 1968 e 1980. depois de ser represada durante meses. em áreas abrangidas pelo seu trecho. apenas 1. sendo que a soja foi a que experimentou maior incremento. sendo que a média nacional é de 3. entre novembro e abril. da Bolívia e do Paraguai. através da ligação ferroviária entre São Paulo e Anápolis. Durante o Estado Novo tentou-se induzir a abertura da região central do país ao mercado nacional. . Ao mesmo tempo. em especial para a biodiversidade. A construção de Brasília e de um sistema rodoviário ligando-a ao sudeste do país favoreceu a abertura de novas áreas e a ocupação de várias localidades. Estes fatores. no final dos anos 50. A região do Pantanal cobre parte dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. São dois ciclos climáticos distintos: o período de cheias. e servindo como um viveiro de biodiversidade. pode-se distinguir o Pantanal do Cerrado. café. na expansão da agricultura comercial. ambos mantêm uma biota com grande semelhança. a migração foi incentivada pela propaganda oficial cunhada de “marcha para o Oeste”. dois fatores promoveram a expansão agrícola mais recente na região: a construção da nova capital federal. passando pelo Triângulo Mineiro. Este período caracterizou-se por empreendimentos de caráter extensivo com baixa densidade populacional. feijão e mandioca. o crescimento econômico verificado à época limitou-se a poucas áreas. 1995). que se intensificou a partir dos anos 30. Grande parte da água absorvida escorrese pelos rios da região. os corredores ecológicos e os recursos e patrimônios naturais. Dias. cujo valor não é totalmente estimado. tais como a construção de grandes barragens.5% (Cf. todas voltadas primordialmente para a agropecuária. Para o WWF (1995). e a sul-americana de 4. o caso do Pantanal não é menos grave. a partir da década de 70. tais como as conseqüências da instalação de alguns projetos agrícolas e de infraestrutura na região. O Pantanal detém a maior planície alagada do mundo. formando bacias e áreas inundadas. Para o presente trabalho. 1996:08). Além do crescimento horizontal das atividades agropecuárias. pode ser um importante mecanismo indutor do desenvolvimento eqüitativo e da preservação ambiental. hidrovias e estradas e a mineração. pelo assentamento da população rural em projetos oficiais de colonização. mas dois terços de suas áreas estão localizados em território brasileiro. outros fenômenos apresentam implicações para a integridade dos ecossistemas e recursos naturais renováveis na região. por meio dos assentamentos de povoados – denominados corrutelas. que realizar a identificação e a promoção de meios sustentáveis de utilização da 351 biodiversidade local. Entretanto. a consolidação das atividades agrícolas convencionais e a expansão da fronteira agrícola na região apresentaram e apresentam conseqüências para o meio ambiente (até hoje não totalmente estimadas).Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Entretanto. associados às políticas públicas de incentivo econômico. Por diversos critérios ambientais e socioeconômicos. durante o restante do ano. E as transformações econômicas do Brasil entre 50 e 70 promovidas pelo crescimento industrial e pela intensificação do processo de urbanização modificaram a participação da área central do Cerrado na organização regional do país (Cf. a outra metade evapora-se.7%. arroz. WWF. a região do Cerrado compreende o bioma Pantanal. milho. O uso sustentável e a preservação dos recursos naturais renováveis no Cerrado e Pantanal requerem a consolidação e a divulgação dos conhecimentos sobre a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas e o seu comportamento perante fatores impactantes. As lavouras mais importantes da região são soja. e o período de seca. 1995). a expansão agrícola no Cerrado e Pantanal O ciclo do ouro marcou início da ocupação do Cerrado. criando colônias agrícolas em Goiás e Mato Grosso para assentamento de migrantes do Sul e sudeste do país e mesmo do exterior. tecnologia tradicional e alterações ambientais localizadas (Cf. principalmente no que se refere aos prejuízos para a conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade local. Na década de 40 deste século. cujos efeitos para comunidades locais e tradicionais envolvidas nem sempre são considerados. resultaram. WWF.

a área cultivada expandiu-se apenas 1.6% a. facilitando assim a visualização de fenômenos localizados.7 milhões de hectares em 1970 para 31 milhões em 1985” (op. Este emprego não acompanhou o crescimento no setor agrícola.9 vez. milho. o Distrito Federal. cit. Possui elevada acessibilidade aos principais mercados do país e infra-estrutura básica relativamente desenvolvida (Cf.354 unidades entre 1970 e 1985. ademais. Zona I: área de agricultura comercial moderna Abrange todo o Mato Grosso do Sul.6%.a.. mas cujas unidades ainda apresentam intensidade e tecnificação reduzidas (op. 1995: 24). Houve um crescimento substancial na bovinocultura. POLOCENTRO e PRODECER.. Em decorrência. Também apresenta produtividade consideravelmente maior que as outras zonas devido a evolução da lavoura irrigada. a produção de soja dobrou de 4.6 milhões de cabeças. O estoque de tratores da região cresceu de 12. localizam-se as áreas de agropecuária comercial moderna e relativamente consolidada. que passou de 16. Zona II: agricultura periférica em expansão Abrange os municípios de Barra do Garças. mesmo em termos nacionais..8 milhões de toneladas. Apesar das dificuldades de precisar a produção agrícola recente. conforme demonstra o estudo coordenado pelo WWF (1995). Enquanto a produção cresceu 1. A expansão agropecuária favoreceu o crescimento do uso de equipamentos mecanizados. “Este crescimento foi acompanhado por um avanço significativo das pastagens plantadas que passaram de 8. Esta sub-região..4% ao ano. estimativas podem ser feitas para o período 1985-94. Canarana e Água Boa.). não dotava de localização beneficiada. b) área de agricultura periférica em expansão. no Mato Grosso.atualmente a soja representa cerca de um quarto da produção nacional de grãos. beneficiada pelos projetos do PADAP. As zonas propostas são: a) área de agricultura comercial moderna. para 38 milhões. elevado nível de tecnificação. ocorrendo um ganho de produtividade significativo (ao passo em que o tamanho da área cresceu 1. Goiás. WWF. O estudo do WWF (1995) propõe uma divisão Cerrado em três zonas. o Centro. Entre 1970 e 1985.. o Triângulo Mineiro. e vem apresentando ganhos em produtividade. cit.a. De acordo com o levantamento realizado pelo WWF (1995: 30). A Zona I é a maior produtora de soja. esta área já estava praticamente ocupada e seus estabelecimentos agrícolas alterados por processos agrope­cuários.). nem infra-estrutura de transporte e comercialização. especialmente em Goiás. Além disso. concomitantes e convergentes que vêm definindo a realidade agrícola na região. esta caracteriza-se por ser fortemente concentrada e com tendências de recrudescimento. e a densidade de bovinos era reduzida (op. seguido do arroz que representa 13%. A Zona II é área de expansão recente da fronteira agrícola.8 vez. Por outro laco. a produção mais que dobrou). cit. está incorporada ao complexo agro-industrial do centro-sul do Brasil. “[. e Bahia. 1995: 08). a área em lavouras expandiu-se em 5. WWF. 1995: 24). o rebanho bovino em 5. e a mandioca. Sudoeste e sudeste de Goiás. 5% da produção nacional (Cf. Neste agrupamento.4% a. Conforme se comprova pelos números do Censo Agropecuário de 1985. e o estoque de tratores em 13. e c) área de agropecuária inci352 piente. que durante esta época teve um incremento populacional eminentemente urbano (Cf. o café 8%. em 1985 (o que na época representaram cerca de um terço do rebanho nacional). algumas áreas dessa sub-região começaram a demonstrar dinamismo e . concentra parcela amplamente majoritária do rebanho bovino da região” (WWF. No período mencionado. Boa parte de unidades apresentava agricultura de média intensidade. WWF.). Para o WWF (1995:36). o Sul de Mato Grosso.282 a 94. 1995). Minas Gerais. em 1985.a.7% a. os impactos da expansão e modernização da agricultura sobre a estrutura fundiária foram modestos. o feijão 11%. neste ano o seu espaço territorial não se encontrava inteiramente incorporado a estabelecimentos agropecuários. referentes à expansão da agricultura.1 milhões para 8. houve mudanças no padrão de emprego da mão-deobra. a uma taxa média anual de 3.] Em 1985.5% a. enquanto o pessoal ocupado cresceu apenas 2. apresentava baixo nível de intervenção agropecuária. em 1970.a. e o Oeste de Minas Gerais. café e feijão do Cerrado e tem importante participação na produção regional de arroz e de mandioca. por seu turno. e partes de Tocantins.2 vez. Este zoneamento é útil para a identificação de processos diferentes. a área em pastagens plantadas em 8. Nova Xavantina. e produtividade apreciável. no Cerrado coexistem tanto fazendas de criação extensiva de bovinos e de baixa produtividade quanto estabelecimentos modernos e eficientes. O milho. representa 16% da produção nacional. Com relação à estrutura fundiária na região. Esses valores podem explicar o declínio da população rural da parte Sul do Cerrado.

servem de indicativo do uso futuro da terra na região.6 milhões para 4. e partes de Mato Grosso e Tocantins. Esta cultura beneficiou-se das condições propícias do mercado internacional e da restruturação da política agrícola ocorrida após 1990. com base nos Censos Agropecuários. esta passou de 2.4 Terras produtivas sem uso 11.9 milhões de toneladas. 1995 Tabela 4 Ocupação agrícola do Cerrado em 1994 Destinação das áreas Área (milhões – ha) Lavouras 11. como crise econômica ou desestruturação da política agrícola. armazéns e energia). o caso de Barreiras. na Bahia. A Zona I produziu cerca de 81% da soja do Cerrado. Projeções da evolução das principais culturas. cultural e econômica.6 Total (38. As Tabelas 3 e 4 representam uma situação de ocupação em 1985 e 1994 e apontam para duas direções: uma pessimista (Tabela 5). Por outro lado. “Este foi. essa região do Norte do Tocantins e Sul do Maranhão congrega comunidades indígenas e tradicionais. 1995 69. Atualmente. De acordo com o levantamento do WWF (1995). onde a expansão da agricultura após 1985 fornece um exemplo do caráter provisório da presente regionalização” (op.5 . no período entre 1985 e 1994 – novamente. Tabela 3 Ocupação agrícola do Cerrado em 1985 Destinação das áreas Lavouras Área (milhões de ha. serão apresentados alguns dados da expansão recente da agricultura no Cerrado.000 (WWF. não alcançarão crescimento no âmbito da agricultura comercial. essas atividades nem sempre são seguidas de ações necessárias para a amenização dos prejuízos causados. A produção de feijão foi irregular.5 Pastagens plantadas 46. verifica-se que em alguns lugares dessa sub-região houve uma retração na agricultura. que consiste em condições de dificuldade para o crescimento agropecuário. No caso da produção de milho. e a outra otimista (Tabela 6). pastagens plantadas e áreas produtivas mas não utilizadas. passando de 187 mil toneladas em 1985 para 331 mil em 1994. Esta situação comprova que a criação de infraestrutura altera a intensidade e o volume da expansão agrícola. provavelmente em decorrência da implantação do PRODECER e outros estímulos governamentais em suas áreas. O arroz sofreu queda de 2 milhões para 1 milhão de toneladas entre 1985 e 1990. tendo como base o documento do WWF (1995). Após a exposição sobre este zoneamento sugerido. pois. as novas técnicas de formação de pastagens plantadas no Cerrado dispensam o ciclo prévio de plantio de arroz. se mantidas as circunstancias atuais. a área de influência do sistema ferroviário Carajás-Norte-Sul (a região de Balsas . 1995).).) 9. são áreas remotas que. cujos interesses e direitos também nem sempre são considerados na implantação de grandes projetos de ampla dimensão social. por exemplo. sendo que a zona moderna contribuiu com 80% do total.MA) vem recebendo investimentos de infra-estrutura e financeiros.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal modernização. Além disso. a Zona I correspondeu a 95% do total. como boas condições de mercado ou melhora do apoio governamental a agropecuária para o ano 2. em 1994. Adicionalmente.8 milhão. para o período 1995-2000.1% da área do Cerrado) 50. de modo que poderá abrigar uma agricultura comercial voltada principalmente para o abastecimento do mercado externo. A produtividade do arroz no Cerrado é baixa. crescendo 353 Pastagens plantadas 30. que consiste em condições apropriadas para o crescimento agropecuário. É possível que o crescimento das atividades agrícolas nessa área apresente repercussões ambientais.3 Total (28.6% do Cerrado) Fonte: WWF.9 Terras produtivas sem uso 10. pois em muitos casos não houve a implantação de infraestrutura de apoio à produção (estradas.7 Fonte: WWF. cit. e não consegue competir com o arroz irrigado do Rio Grande do Sul. conforme prometido.5 Zona III: agropecuária incipiente Abrange os Estados do Maranhão e Piauí. além de ela conter peculiaridades por estar situada numa zona de transição entre biomas. em 1994 para 1.

apud Pires. ao final dos anos 90. como é o caso do projeto de corredor de transporte intermodal Norte-Sul. do trigo e do café. houve uma especialização em torno do cultivo da soja. vista até então como incerta e economicamente insegura.Tocantins (PRODIAT). Desde a sua programação.7 No que diz respeito à infra-estrutura de apoio às atividades econômicas foram propostos projetos na área de transportes objetivando abaixar os custos da produção agrícola. O Programa de Financiamento de Equipamentos para a irrigação (PROFIR) e o Programa Nacional de Irrigação (PRONI) foram iniciativas do governo federal na área da irrigação que visavam aumentar a produtividade agrícola. centros rurais e habitações (Cf. destacam-se o Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (POLOAMAZÔNIA). alguns desses estão sendo retomados. atuando também no controle do processo de produção diretamente nas propriedades. 1984. contando com a supervisão. ambos desenvolvidos pelo Governo Federal. o Programa Especial de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso. o Programa Especial da Região Geoeconômica de Brasília. 1995 PADAP Trata-se de um programa iniciado em 1973 que procurou comprovar a viabilidade técnica e econômica da ocupação agrícola do Cerrado.8% da área do Cerrado) 87. Apesar de estarem previstas diferentes tipos de cultura na execução do PADAP. o Programa Especial de Desenvolvimento do Estado do Mato Grosso do Sul. a partir de 1982. por meio de empresários rurais que receberiam incentivos para a intensificação da demanda de máquinas. implementado pelo governo de Minas Gerais. Para os propósitos do presente trabalho. Entre estas. Conforme França (1984:35 apud Pires. 1988. os amplos subsídios e a infra-estrutura do governo de Minas Gerais. tais como o pivô-central. “começou a ser cultivado devido a elevação do seu preço e a necessidade de rotação de culturas. que influenciou parte dos Estados de Goiás. vários desses projetos não se concretizaram. 1996:58).5 Pastagens plantadas Total (45. sob os desígnios políticos do programa federal intitulado Brasil em Ação. Pessoa. uma vez que não se limitou apenas no fornecimento de infra-estrutura. serão mencionados três programas que fizeram e fazem parte da história da ocupação do Cerrado: o PADAP. 1996:56). eram previstos o emprego de técnicas aperfeiçoadas para a utilização dos insumos modernos” (Pires. por meio principalmente da introdução de equipamentos. Tocantins e Mato Grosso. 56. Foi executado pela Cooperativa Agrícola de Cotia (COTIA). O milho.ha) Lavouras 12. Este programa consistiu na instalação de quatro núcleos de colonização em municípios da região Alto Paranaíba. ou anunciados.) Lavouras 14. o Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (PADAP). e agora. 1995.1996:58). equipamentos e fertilizantes. “A ação estatal visava proporcionar a exploração capitalista da terra. o Programa de Desenvolvimento Integrado da Bacia do Araguaia .3 Tabela 6 Projeção otimista da ocupação agrícola do Cerrado em 2000 Destinação das áreas Área (milhões de ha.6 Pastagens plantadas 61. com atuação no Distrito Federal e Entorno. e foram gastos cerca de US$ 200 milhões de dólares em estradas. As áreas escolhidas localizavam-se estrategicamente próximas do corredor de exportação. linhas de transmissão de energia elétrica. 354 Os incentivos governamentais na região No processo de ocupação da região do Cerrado e Pantanal. este programa representou uma nova forma de intervenção do Estado na agricultura. Contudo. . Terras produtivas sem uso 12.5 Terras produtivas sem uso 11. o monitoramento.8 Total (48. o POLOCENTRO e o PRODECER (Cf. 1996). San Martin & Pelegrini.9 Fonte: WWF. 1996:58).4% do Cerrado) Fonte: WWF. Pires. várias foram as iniciativas de cunho governamental que incentivaram o assentamento de projetos agrícolas voltados para a produção de culturas nos moldes da agricultura comercial. em função das incidências de doenças e pragas na soja e no trigo” (Pires.Tabela 5 Projeção pessimista da ocupação agrícola do Cerrado em 2000 Destinação das áreas Área (milhões . o POLOCENTRO e o PRODECER. o Programa Especial da Região de Grande Dourados (PRODEGRAN).9 81.

como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA)..2 milhão de ha. especialmente aqueles relativos a perda de biodiversidade. de 1972) e do PADAP. no período de 1975-80. Parte dos recursos para a pesquisa destinou-se à criação do Centro de 355 PRODECER O Programa de Cooperação Nipo-brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (PRODECER) configurou uma outra forma de intervenção estatal no direcionamento da fronteira agrícola do país (Pires. assistência e crédito rural” (Cf. Com relação à estrutura fundiária. os investimentos distribuíram-se em quatro estados destinados em grande parte às médias e grandes propriedades agrícolas” (Pires. cit. No entanto. Em torno de 868 milhões de dólares foram gastos neste programas na área de transporte. sendo 1. Mato Grosso do Sul. para a implantação do PRODECER. em função da retirada das barreiras naturais para o cultivo extenso. p.4 milhões de ha. Tinha como meta atingir mais de 3 milhões de ha. Pires. resultaram na desativação do POLOCENTRO a partir de 1979. No segundo. denominada “Companhia de Promoção Agrícola (CPA/CAMPO)”. POLOCENTRO O POLOCENTRO. que articula os interesses envolvidos tanto do lado brasileiro quanto do lado japonês. Goiás. aliadas ao estabelecimento das negociações entre os governos brasileiro e japonês. Estima-se que tenha sido responsável pela ocupação de 2. 1996:61). nitidamente houve a redução das pequenas propriedades. organizava e canalizava a compra de insumos. no primeiro. em pecuária. 61). não oferecendo alternativas para atingir. após 10 anos de aragem. em bases empresariais. “Este Programa foi executado em 12 pólos de crescimento espalhados pelos Estados de Mato Grosso. Vários autores (Pires.7 milhão de ha em reflorestamento. 1996:67). 1996) aponta que os problemas ambientais advindos da implantação do PADAP na região resumem-se em: erosão dos solos. A perda da produtividade da soja e do trigo nas áreas. Para isso. ao crédito rural subsidiado e à infra-estrutura física de estradas. silos e armazéns) com a . a fim de alcançar o aumento da produção agrícola. que tivessem suporte empresarial e capacidade de utilizar novas tecnologias intensivas em capital. o problema da ocupação e da migração rural” (op.. energia. conforme constata Pires (1996): “A introdução de culturas como soja. O principal objetivo era incorporar a região do Cerrado à produção de grãos do país.1996: 59). na origem. apud Pires. criada especificamente para esta finalidade. e Minas Gerais. Contou com a participação do capital estrangeiro (japonês) e vem sendo executado por uma empresa bi-nacional (de capital público e privado). 1984. Verdésio (1993. 1984 apud Pires.8 milhão de ha em lavouras e 0. relaciona-se com a compactação do solos que. Desta maneira. 1988) demonstram que a ineficiência produtiva e a intensificação do processo inflacionário no país. o POLOCENTRO transformou-se em reforço às condições estruturais de desigual distribuição de terras e de renda nas regiões em que atuou. era necessário uma infra-estrutura (ferrovias. Pesquisa Agropecuária do Cerrado (CPAC) [da EMBRAPA]” (op. Naquela época. café e trigo e a implementação da infra-estrutura elevaram o preço das terras. ressalta-se que na implantação do Programa não houve preocupação com os problemas ambientais dele decorrentes.cit. 1996. energia e armazenagem. Não há estudos que fazem estimativas sobre efeitos deste programa para a perda de diversidade biológica. nos moldes dos atuais instrumentos de licenciamento ambiental. não era comum — nem obrigatório — a avaliação de impactos ambientais em empreendimentos desta natureza. Assim. “O objetivo do PRODECER era criar fazendas de grande porte e articular agricultores vinculados a cooperativas. rodovias. 1996). Pessoa. pois beneficiava o complexo agro-industrial à medida que incentivava. e aparecimento de pragas devido a ausência da rotação de culturas. p. à assistência técnica. incorporou as experiências do Programa de Crédito Integrado (PCI. ambos criados pelo governo de Minas Gerais. “O PADAP e o POLOCENTRO apresentam semelhanças relativas ao suporte à pesquisa. criado em 1975. houve a concentração geográfica dos investimentos e interferência direta na organização produtiva. Distinguem-se.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal O papel da COTIA neste empreendimento colaborou para a integração da agricultura à indústria. contudo. armazenamento. porque. 1. portos. apresentaram uma zona de impedimento para a passagem da água e de raízes. França. coletava e armazenava a produção (Cf. para o crescimento da competitividade dos produtos agrícolas no mercado internacional. ou cerca de 31 % da área total adicionada a estabelecimentos agrícolas nas zonas atingidas. pesquisa e agropecuária. França.61-62). contornado parcialmente com a introdução do cultivo do milho.

1996). Tabela 7 . ocupando uma área de aproximadamente 49.000 Subtotal 21. Iniciou-se no região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em Minas Gerais (PRODECER I) e.Tipos de ocupação do PRODECER I . que prevê empréstimos fundiários. Atualmente. encontrase o crédito supervisionado.000 TOTAL 135 Elaborado por Pires (1996:76). etapa piloto). Entre os seus principais instrumentos.000 hectares de terra. Ao contrário do POLOCENTRO.000 ha. na assistência técnica e no fornecimento de credito. continuou em Minas Gerais mas expandiu-se para áreas em Goiás. Mato Grosso do Sul e Bahia (PRODECER II.000 Paracatu/Unaí Coromandel 5. coube a possibilidade de contribuir com a instalação de uma relativa infra-estrutura na região abrangida (Cf. 18 COSUEL 26 COOPERVAP 41 10. um localizado no município de Balsas (MA) e o outro em Pedro Afonso (TO).finalidade precípua de facilitar. previa-se que a infra-estrutura e o fornecimento de tecnologias apropriadas competiam ao lado brasileiro.000 9. 20. composta de dois projetos agrícolas. em Minas Gerais.000 CDAC Curral de Fogo Faz.000 hectares (Cf. etapa piloto e expansão).000 6. Nesta fase piloto do Programa. incorporando cerca de 21. De acordo com o quadro apresentado em Pires (1996:76) tem-se uma visão geral dos tipos de ocupação desenvolvidos pelo Programa. de cobertura de despesas operacionais e de subsistência do mutuário. Coromandel Paracatu 10.Programa Piloto Discriminação Mundo Novo Coromandel Iraí de Minas Entre Ribeiros I Localização Paracatu Coromandel Iraí de Minas Paracatu Cooperativa COTIA Colonos Área (ha) Projetos de Colonização 50 24. a sua expansão. assim como a fronteira agrícola.000 70. Coube ao PADAP fornecer as diretrizes sobre colonização agrícola na região por intermédio de uma cooperativa e apoio estatal na montagem da infra-estrutura. Pires. Segundo Pires (1996). O PRODECER tem sido desenvolvido. de Produt. tem sido em direção ao Norte do Cerrado. PRODECER I Os resultados positivos do PADAP e do POLOCENTRO influenciaram a execução do PRODECER I (ou Programa Piloto). A realização do PRODECER I ocorreu em aproximadamente 70. com a ocupação de cerca de 40 mil hectares cada. e duas empresas agrícolas. 1996: 67).000 Ass.000 Empresas Agrícolas Subtotal 135 49. Mato Grosso. o crédito é concedido a taxas de juros reais.000 hectares a mais do que previsto originalmente (Tabela 7). desenvolve a sua terceira etapa (PRODECER III. Ao POLOCENTRO. em médio prazo.000 6. de investimento. o escoamento da produção ao mercado externo” (Pires. em 1985. 356 . por etapas localizadas em áreas distintas. foram criados quatro projetos de colonização. Pires. 1996:73) No contrato de financiamento firmado entre o governo brasileiro e o governo japonês. desde a sua criação em 1979.

em Tapurah – MT.MG Bonfinópolis. As duas etapas possibilitaram a incorporação de aproximadamente 180 mil hectares.MG Paracatu .MG Ipameri . com onze projetos (sete em Minas Gerais. no município de Lucas do Rio Verde . 1996:82).984 FEMECAP 49 16.Etapa Expansão Denominação PC Entre Ribeiros II PC Entre Ribeiros III PC Entre Ribeiros IV PC Bonfinópolis PC PIRATINGA PC Buritis PC Guarda Mor PC Paineiras PC Cristalina PC Buriti Alto PC Alvorada Elaborado por Pires (1996:87). e um no Estado do Mato Grosso do Sul). dois no Estado de Mato Grosso e dois no Oeste do Estado da Bahia.588 COOPERTINGA 53 20.274 6. em que não o preço do trabalho era mais baixo.028 COPERLUCAS 39 16.000 357 .MT.MS Cooperativa Colonos Área . com quatro núcleos agrícolas.BA. Localizados em Formosa do Rio Preto. Preto Formosa R.) COTIA 48 16. e • Projeto de Colonização Ana Terra (PC-AT). Os projetos de colonização que fazem parte da etapa Piloto desta fase foram os seguintes: • Projeto de Colonizaçao Ouro Verde (PC-OV).MG Formoso . também localizado em Formosa do rio Preto.000 COOPERVAP 10 3.615 56 22.GO Alto Paraíso-GO Água Clara . três em Goiás.004 COOPSUBRA 37 11.MG Buritis . localizado em Formosa do rio Preto . e uma etapa expansão.115 COPACEN 40 15.404 COACERAL 38 15. houve a utilização de bóias-frias.843 COOPERVAP 20 6. os projetos PC-OV e PC-BC têm a cidade de Barreiras – Ba como cidade âncora.643 COOPAGO 42 17.Etapa Piloto Denominação PC Ouro Verde PC Brasil Central PC Piúva PC Ana Terra Elaborado por Pires.ha COOPERVAP 28 10. Pires. • Projeto de Colonização Brasil Central (PCBC).Projetos de Colonização PRODECER II .MG Paracatu .GO Cristalina . Localidade Paracatu .Projetos de Colonização do PRODECER II . • Projeto de Colonização Piuva (PC-PI). Muito desses trabalhadores rurais eram trazidos de outras regiões. que não mantêm vínculo empregatício com os colonos e são geralmente contratados pelos agenciadores (gato).600 Tabela 9 . Preto Lucas R. Verde Tapurah Cooperativa Colonos Área (ha. (Tabelas 8 e 9).717 COOPERCANA 40 18. Tabela 8 .Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Quanto à geração de empregos temporários. a partir de 1985 (Cf.1996:85 Localidade Formosa R. Essa informação é necessária para dimensionar a relação entre comunidades rurais localizadas nas áreas envolvidas e o desenvolvimento dos projetos implantados nos moldes do Programa.MG Guarda Mor.916 COCARI 29 COCARI 16 CAMAS 8. PRODECER II O PRODECER II compreende uma etapa piloto.

(1993) e Pires (1996). al. Os recursos a serem investidos na consolidação do sistema rodoviário são advindos do BIRD (op. Esta possibilidade funda-se na diminuição dos custos de transporte. 1996:143). “O argumento central para a formulação do PCEN foi a existência de dois milhões de hectares de cerrado ainda não explorados racionalmente aliada a possibilidade de oferecer competitividade da soja no mercado internacional. além da iniciativa privada. não ocorreu” (Pires. tais como café. 1996:90).260 kg/ha no quinquênio 1987/91. Baseado em Nabuco et. a partir da utilização do trecho inicial da Ferrovia Norte .Os dois projetos no Estado da Bahia apresentaram baixa produtividade na cultura da soja. apresenta-se o quadro 03 que contém os projetos desta etapa. nem experiência dos colonos” (Pires. que envolve uma área de 128. PC-CRIS e PC-MOR. na Holanda. Este programa prevê a produção de cinco milhões de toneladas de grãos por ano. “Os cultivos de plantas exóticas como a seringueira e o urucum afetaram negativamente o desempenho agrícola. e IV) situados no município de Paracatu e tem a COOPERVAP como cooperativa. que escoaria a produção pelo porto da Ponta da Madeira.. BASA e BNDES) (Cf. 1996: 143). laranja e seringueira e urucum. planejado pela Cia. em relação ao porto de Paranaguá (PN)” (Pires. 1996:90). A sub-utilização também contribuiu para o endividamento dos colonos. em São Luís (MA). pela EMBRAPA e pelo Banco do Brasil. Esta baixa na produtividade pode ser decorrência da distância e das precariedades das estradas até a cidade pólo. da energia elétrica e do ônus decorrente dos erros de aprendizagem. concorrendo com os Estados Unidos. às condições edafoclimáticas do Cerrado e às de mercado. o tamanho das áreas é pequeno para oferecer a lucratividade almejada” (Pires.Sul e da Estrada de Ferro Carajás. Nos projetos. al. da manutenção. pois. a introdução da irrigação trouxe um incremento suplementar aos endividamentos. em função das expectativas de baixo rendimentos e do custo elevado para sua manutenção. Pires. III. na maioria dos casos. e bancos públicos (BNB. o que significaria uma redução de 3. Estes dois projetos vieram a se integrar às iniciativas governamentais existentes na região Norte do Cerrado. PRODECER III – Fase Piloto A fase piloto do PRODECER III compõe-se de dois projetos: o Projeto de Colonização Gerais de Balsas (PC-GEBAL). faz-se abaixo resumidamente algumas ponderações quanto aos principais resultados trazidos pelo Programa em sua segunda fase.2 mil km no trajeto até o porto de Roterdã (principal porto na Europa para a produção de soja). al. esta não foi favorecida com financiamento para o custeio. 1996:85). no Tocantins. houve o aumento suplementar das dívidas dos colonos ao invés de geração de receitas (Nabuco et. Sul do Maranhão. Abaixo. Além da restrição na aptidão agrícola das áreas. a instalação da irrigação deveria ser acompanhada de um sistemático estudo de viabilidade técnica e econômica que. em Balsas. não haviam tecnologia e manejo adequados. apud Pires. Nos projetos PC-PAl.500kg/ha). III e IV (PC-PER II. a medida que. e o Projeto de Colonização Pedro Afonso (PC-PA). ocasionada pelo insuficiente tamanho médio da superfície da área agricultável: 320 ha. índices abaixo da média nacional no mesmo período (1. 1996:90). De acordo com Nabuco et. Vale do Rio Doce. Por ser um investimento elevado. Da mesma forma. 1993. os projetos contam com inconstâncias pluviométricas (Nabuco et. contando para tanto com recursos do governos federal e estadual. Devido ao elevado padrão tecnológico assimilado. Já na etapa Expansão do PRODECER II destacam-se os Projetos de Colonizaçao Entre Ribeiros II. al. “Isto é decorrência dos altos custos de implementação. 1993 apud Pires. .024 kg/ha e 1. 1996:93) os colonos com estrutura de irrigação têm um nível de endividamento superior aos demais no mesmo projeto. 144). que oscilou entre 1. a região de Balsas contou com o programa intitulado Pólo Agro-industrial do Sul Maranhense (POLAGRIS-). como o Programa Corredor de Exportação Norte (PCEN). sendo 20 ha voltados para as culturas permanentes e 300 ha para a produção de grãos. em decorrência da ausência de conhecimentos específicos e adaptação das variedades perenes. 358 a irrigação apesar de ter apresentado viabilidade produtiva para o milho e feijão não conseguiu viabilidade financeira. para estas culturas. cit. Resultado negativo teve também a cultura do café nos projetos. Com repercussões diretas ao PC-GEBAL. 1993 (apud: Pires.000 km2 no Sul do estado. Com relação aos investimentos em benfeito­ rias e equipamentos existem evidências que indicam que no Programa houve “sub-utilização.1996:91). além da Secretaria de Desenvolvimento Regional.

26 a. 1996:167). sob a alegação de que estes tem baixa capacidade de produção. . o PRODECER tem-se apropriado de um discurso. neste sentido.BA (fase II) e de Balsas . Pires. tem alcançado sucesso. Paralelamente. culturas e mentalidade sustentáveis. de forma resumida. Por outro lado. 1996. O Maranhão conta ainda com a maior parte de sua população na zona rural. além de novos núcleos Em Goiás. Entretanto. Apresenta-se abaixo algumas observações sobre a terceira fase do PRODECER. Balsas tinha 73% de sua população na zona urbana e 27% na zona rural. destacadamente os da fase II. há uma forte dependência ao padrão tecnológico-produtivo. ou jargão. sobre a problemática ambiental do Programa. neste município tem ocorrido uma paulatina expulsão dos pequenos produtores para a cidade. conforme previsto no planejamento. Pará e Rondônia. 1996). ao uso de insumos inorgânicos (fertilizantes e agrotóxicos) e ao emprego de sementes melhoradas e adaptadas aos insumos químicos. além de estar no centro das atenções governamentais na microrregião. proporcionou um desmata­mento de aproximadamente onze mil hectares (valores coletados no primeiro semestre de 1996) para o cultivo sequeiro principalmente da soja. portanto. 1996).Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal O município de Balsas. Durante a etapa do planejamento da terceira fase do Programa não houve mudanças que o redirecionassem para a assimilação das práticas que amenizem os 359 prejuízos socioambientais nas áreas em que os projetos seriam implantados. Os selecionados em grande maioria têm longa experiência com o padrão da agricultura moderna.. Pires. Os impactos ambientais do PRODECER Apesar de não existirem estudos conclusivos sobre os impactos ambientais dos projetos de colonização do PRODECER. diante de suas práticas e estratégias. planejando a etapa expansão para os stados do Piauí. mesmo que vários de seus projetos. é sabido que a empresa CAMPO e os governos dos Estados do Maranhão e Tocantins têm interesse na criação de uma estrada que ligue os dois projetos do Programa. alguns trabalhos realizados (Lima et al. e conforme dados do Censo realizado em 1991. iniciada em 1995. mas. observa-se que a preocupação com o meio ambiente demonstrada pelos administrados do Programa nem sempre vem acompanhada de mudanças substanciais no Programa e nas práticas produtivas dos agentes sociais envolvidos.a. notadamente no entorno do projeto agrícola de Iraí de Minas. ainda respaldada nas possibilidades e limitações advindas da agricultura comercial de grãos.MA (fase III). ecológico de modo que demonstra apresentar-se como modelo de desenvolvimento sustentável. Balsas presencia a diminuição da absorção de trabalhadores no setor primário. Em primeiro lugar. 5. Com base nas análises de Pires (1996). barata para a mecanização. Além disso. o estudo ambiental realizado recomendava a instalação paulatina do empreendimento em pequenas etapas. O mesmo se seguiu nas etapas de implementação dos núcleos agrícolas. em função da alta tecnificação da agricultura. Outra iniciativa refere-se ao levantamento fitossociológico que uma equipe de pesquisadores da EMBRAPA vem desenvolvendo nos projetos de Ouro Verde . há algum tempo. toda a área destinada a exploração agrícola fora incorporada. mas de todo o sul maranhense. 1996:184). “Neste Programa. Essa expansão ocorrerá. Abaixo seguem algumas considerações. O Programa serviu de estímulo à ocupação agrícola no Cerrado fundamentada na expansão da agricultura. A implantação do projeto de Balsas. de acordo com Pires (1996). o objetivo era o estabelecimento rápido de um núcleo de assentamento (Pires. à disponibilidade de energia fóssil. embora parte de quatro lotes destinou-se ao cultivo do arroz. de modo a torná-los menos impactantes. tenham fracassados isoladamente (Cf. apud Pires. Essa alternativa não foi considerada pois. 1996. A implantação do PRODECER está propiciando as condições infra-estruturais que acelerarão a exploração agrícola não só dessa microrregião. Walter & Ribeiro. No entanto. 1996:94) iniciaram pesquisas sobre a sustentabilidade agrícola e ambiental nas áreas do Programa. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. diminuindo a excessiva fragmentação da cobertura vegetal nativa. ou seja. visando diminuir os custos de transportes (Pires. Minas Gerais. incidindo em uma perda menor da proteção natural do solo. Esta constatação é reforçada pelo tipo de critério adotado na seleção de colonos e da cooperativa. “Exemplo disso é o fato de que os seus executores já estão. desconhecendo técnicas. o que se percebe é a vontade de prevalecer a sua expansão agrícola. Em menos de um ano. é atualmente um município que possui uma das maiores taxas de crescimento populacional do estado. entretanto. por meio da incorporação de novas áreas e. sem uma avaliação global dos efeitos do Programa para o meio ambiente” (Cf.

contribuindo para a formação dos corredores de migração aos animais. de uma iniciativa de grande envergadura. a compostagem e a adubação verde não são implementadas em função de a relação custo-beneficio ser negativa. 1996: 18). quatro corredores intermodais de transporte. dobrando a atual área agrícola brasileira (Cf. As práticas utilizadas são as curvas de nível e terraceamento. portanto. 1996:04). Sergipe. além de secundariamente os Estados de Ceará. Paraíba. Alagoas. Pretendia-se criar a interligação dos diversos tipos de modais que teoricamente implicasse a diminuição dos custos do transporte da produção agrícola. Pires. é simultaneamente um importante indutor desse padrão no Cerrado E com relação aos temas ambientais. os energéticos” (Cf. as áreas de Cerrado adjacentes a BR-364. pois incorre em maior desperdício de recursos. 1996). bem como as demais iniciativas públicas de incremento à produção agrícola na região. atingindo portanto grandes áreas do Cerrado. o Programa veio priorizando em sua história os aspectos lucrativos em detrimento dos problemas ambientais causados. o mesmo não se aplica a áreas agricultáveis mas que detêm alguma importância para o equilíbrio ecológico (Cf. e as áreas contínuas ao Sul do Estado do Amazonas e ao Norte/Nordeste do Acre (Cf. O programa tem adotado técnicas tradicionais de conservação do solo visando a prevenção dos processos erosivos. tem-se a compactação dos solos. Para a implantação dos quatro corredores intermodais — quais sejam. MAA. 1996: 95 Cf. Piauí e Goiás (Cf. o corredor Centro-Leste assistiria principalmente a região do entorno do Distrito Federal e o Noroeste de Minas Gerais até a cidade de Pirapora (MG) e desta até Belo Horizonte (Cf. a formação de culturas homogêneas em grandes extensões de terras provoca a excessiva exposição dos solos propiciando as erosões e diminuição da microbiota” (Pires. aumentando as vantagens comparativas principalmente da produção de grãos brasileira no mercado internacional. as deficiências nutricionais. Conforme os estudiosos. A partir de uma reestruturação do sistema de transporte. provocando desperdícios hídricos” (op. entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM). notadamente. e o Noroeste de Goiás. cuja metade seria oriunda das inversões públicas.. Caso fosse implementada esta proposta. 1996). o sudeste do Pará.Em decorrência do grau de mecanização. Shiki. O objetivo era apresentar as alternativas de escoamento da produção agrícola por . E se “o padrão produtivo assimilado para o Cerrado proporciona degradação ambiental. MAA. Rio Grande do Norte. todos mantendo forte conexão com a região central do país. que provoca a diminuição da altura das plantas. o Sul do Maranhão e do Piauí. Tratava-se. mas cujos impactos ambientais não foram 360 Os planos governamentais de expansão agrícola e esmagamento de soja O Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA) e o Ministério dos Transportes realizaram entre 1995 e 1996 uma avaliação dos “estrangulamentos que a infraestrutura de transportes brasileira impõe sobre o setor agrícola” (MAA: 1996:01). o Leste do Mato Grosso. pretendia-se abrir novas fronteiras agrícolas nas zonas de abrangência desses corredores.] Da mesma maneira. principalmente os de médio e grande porte. Cf. esta está “baseada numa alta demanda energética e hídrica. a baixa umidade relativa do ar redundam em perdas de até 70% da água. o seu fracasso também traz danos ambientais. Um aspecto importante na análise da problemática ambiental no Programa refere-se ao fato de que em alguns projetos as áreas que não servem para a agricultura geralmente são destinadas a reserva legal em sistema de condomínio. Portanto. o Noroeste. No entanto. o aparecimento da impermeabilidade dos solos e o favorecimento aos processos erosivos [. O corredor Noroeste influenciaria diretamente a Chapada dos Parecis.. poderia-se incorporar cerca de 50 milhões de hectares para a agricultura. Shiki. Há que se frisar que o PRODECER. seriam diretamente beneficiados. O corredor Nordeste abrangeria áreas dos Estados de Minas Gerais. Bahia e Pernambuco. Nordeste e Centro-Leste — havia a necessidade de investimentos na ordem de U$ 800 milhões. as áreas próximas à hidrovia do rio Madeira. 1995:23). cuja eficiência é afetada pelas condições atmosféricas das regiões do Cerrado. nos Estados de Mato Grosso e Rondônia. MAA. Técnicas menos impactante como o plantio direto. a curto prazo. além de refletir o padrão agrícola convencional. MAA. cit. 1995:24). 1996:01). Estes investimentos seriam compensados a médio e longo prazos pela diminuição dos preços dos produtos agrícolas que proporcionariam. ao mesmo tempo em que seriam indutores na expansão da fronteira para o norte do Cerrado. Por último. vê-se que os projetos agrícolas do PRODECER. Pires. desenvolvida em diversos projetos do Programa. Já o corredor Centro-Norte exerceria influência em grande parte do Cerrado central e setentrional abrangendo todo o Estado do Tocantins. Centro-Norte.1996:27). No que se refere à irrigação.

ao seu sudeste só tomou impulso após 1970. de propriedade da CEVAL (uma das maiores empresas presente no complexo agroalimentar no país). A intenção do Governo Federal era atrair cada vez mais a iniciativa privada para investimentos ligados ao complexo agroalimentar. Há que se registrar ainda os impactos ambientais decorrentes da implantação de hidrovias pretendidas. e orientando a economia deste para o centro-sul. Além dessas. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil chegou a Campo Grande (MT) na segunda década deste século e. no sentido Sul-Norte o Brasil Central. Essas ferrovias tiveram importância relativa sobre a expansão agrícola. bem como. uma vez que criou acessibilidade desta e estimulou a incorporação de suas terras à agropecuária. Composto pelo ramo ferroviário da FERRONORTE (concessão privada) que liga Cuiabá a Uberlândia3. Nos anos cinqüenta. com a capacidade de esmagar em torno de duas mil toneladas de grãos por dia ou seiscentas mil toneladas por ano. e pela estrada de ferro Vitória-Minas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). 361 A infra-estrutura de transporte e energia no Cerrado e pantanal Sistemas de transporte Pode-se afirmar que o sistema rodoviário é o principal estruturador da ocupação e abertura da região. Foi nesse contexto que se construiu várias rodoviastronco. primeira via de ligação a atravessar . permitindo sua abertura e ocupação. permitindo a evolução da bovinocultura menos extensiva. a Estrada de Ferro Goiás atingiu a cidade de Anápolis. 267 e 364)” (WWF. especialmente aqueles referentes à remoção de camada vegetal nativa. em 1935. Minas Gerais e Espírito Santo.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal apresentados. 262. 050. os projetos do PRODECER III e a construção de uma indústria de celulose compõem um conjunto de medidas nesta direção. que atravessam a área Centro-Oeste do país e a conecta com os vários pontos de escoamento da produção e centros de consumo. mais especificamente no caso do corredor centro-norte. ligando essas áreas ao Centro-Sul do país (por exemplo. Além disso. reduzindo a influência de Belém. A este corredor deverá ser agregado os trechos ferroviários Unaí-Pirapora (projetado pela CVRD) e o trecho Pirapora-Belo Horizonte da SR-2 da RFFSA. apesar de as estradas serem necessárias. favorecendo os processos erosivos dos solos e os assoreamentos dos cursos naturais de água. A conclusão das obras desta indústria estava prevista para o final de 1997. 1995:25). 163. que mais à frente será analisado. O eixo básico desta proposta de corredores intermodais foi posteriormente incorporado ao atual Brasil em Ação. as BR-020. denominadas corredores. no então Estado de Mato Grosso. dando acesso a extensas áreas do atual Estado de Tocantins. Esta indústria de esmagamento de soja. quase nunca são considerados os problemas e a fragilidade de algumas áreas abertas pelos investimentos rodoviários. tendo como extremidades os portos de Tubarão. a construção rodoviária apenas tocou a sua periferia meridional. voltada ao mercado de São Paulo. Este corredor envolve os Estados de Mato Grosso. elas não suficientes para a expansão da agricultura comercial. pela Ferrovia BrasíliaBelo Horizonte. A construção de rodovias no Centro-Sul do Cerrado foi relativamente intensa. Entretanto. é implantada a rodovia Belém . 060. fazendo parte dos corredores intermodais pretendidos pelo governo federal. como deixa claro a condição da parte Noroeste do Cerrado atingido por rodovias. a expansão agrícola das áreas mais ao Norte da região. expondo à degradação partes do Cerrado que precisam ser preservadas. Entretanto. implicando a perda de biodiversidade. Praia Mole e Vitória. No conjunto das propostas de formação dos corredores intermodais. no Maranhão. Nas décadas de 50 e 60. na cidade de São Luís. a partir da década de 70. do governo federal. “[. fazendo parte de uma série de projetos governamentais que visavam a integração dos enormes vazios da Amazônia e do Noroeste do Centro-Oeste à economia nacional. Os principais são os seguintes: Corredor Centro-Leste. Quanto à malha ferroviária existem várias estruturas. A infra-estrutura de transportes da região era extremamente precária até o início da década de 50. havia a iniciativa governamental de continuar incentivando a construção de uma indústria processadora de soja.. 040. foram construídas diversas rodovias alimentadoras e de interconexão. levou mais tempo para integrar-se à economia nacional. conforme mencionado na seção anterior.Brasília. pois não se criou um sistema de estradas alimentadoras. especialmente aquele relacionado a exportação de grãos. da Superintendência Regional de Belo Horizonte (SR-2) da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). 070..] A parte Oeste da região. O seu principal motivo infraestrutural refere-se ao desejo de impulsionar a exportação brasileira pelo porto de Ponta da Madeira. Goiás. para a parte Norte do Cerrado.

no trecho Pirapora-Petrolina. o sistema elétrico está segmentado em três sistemas distintos: Sistema interligado Sul/Sudeste/Centro-Oeste. diversos corredores de exportação ligando o Cerrado a portos que ampliarão o potencial agropecuário de parcelas significativas da região. A capacidade instalada dos Sistemas Isolados é de 1. em termos de subdivisão. Embora seja um trecho com capacidade limitada. Sistema interligado Norte/Nordeste . Sistemas isolados. Goiás e Rio de Janeiro e como extremidades os portos do Rio de Janeiro. Corresponde aos mercados da região do baixo Tocantins. a complementação do sistema com programas termelétrico nuclear.A). e. onde se interligará com a Transnordestina e daí a Fortaleza. e apenas 1/3 dessa capacidade é devida à geração hidrelétrica. Corredor do Rio. pela ferrovia de Carajás da CVRD. Araguari-São Paulo e São Paulo-Pinhalzinho da FEPASA (Ferrovias Paulistas S. Produção de energia Atualmente toda a matriz energética brasileira é fortemente pautada nos sistemas hidrelétricos. em 1996. por meio de uma linha de transmissão entre Imperatriz (MA) e a UHE Serra da Mesa (GO). Minas Gerais. com 187 usinas hidrelétricas e 25 usinas termelétricas. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Tocantins. Estão programados. Envolve os Estados de Goiás. A produção térmica destina-se aos sistemas isolados e ao complemento do atendimento do mercado dos sistemas interligados nos períodos hidrologi­camente desfavoráveis. “ou em fase de implementação. e Pecém em Fortaleza. As extremidades são os portos de Aratú em Alvador. ou para atendimento localizado. o sistema Carajás-norte-sul. com impactos sobre a expansão agrícola em partes do norte-nordeste do Cerrado. Belém. Paraná. Corredor Nordeste. e a interligação norte/sul.1% do total nacional em operação e dispõe de um potencial de 57. consideram a otimização das fontes disponíveis. que é acessado a partir de Uruguaiana. será incorporado ao sistema do Corredor Nordeste a Hidrovia do São Francisco. Destacam-se entre estes: o corredor apoiado na ferrovia Vitória-Minas. de gás natural e de carvão são apenas complementares. Representa 66. ampliando as perspectivas do Cerrado do Sul de Mato Grosso. São Paulo. sendo que a maioria corresponde à usinas termelétricas. área de influência da UHE Tucuruí e toda a região Nordeste. Xingú e Tapajós. com 18 usinas hidrelétricas e 2 termeléticas. Tem como extremidades os portos de Santos e Paranaguá e o Mercosul. o corredor que deverá se apoiar na ferrovia em construção pelo governo do Estado do Paraná e que melhorará a ligação do Sudoeste 362 do Cerrado ao porto de Paranaguá. a ferrovia Leste-Oeste.já que os sistemas nuclear.807 MW para ser aproveitado considerando as bacias do Tocantins/Araguaia. Composto pela Ferrovia Brasília-Belo Horizonte da SR-2. a participação no . previstas no Programa Decenal de Geração (1997/2006). Conforme consta no Programa Decenal de Geração.Corredor Sul. a ligação Brasília-Angra dos Reis é a única direta. A participação hidrelétrica na capacidade instalada atual evoluiu de 84%. Comporto pela Ferrovia norte-sul (concessão da VALEC). Os estados envolvidos neste corredor são Goiás. além da hidrovia Tocantins-Araguaia. Sua capacidade representa 24. As diretrizes de longo prazo. onde Itaipu contribui com 50%. Composto pelos trechos ferroviários Brasília-Araguari da Superintendência Regional de Belo Horizonte (SR-2). interligada à ferrovia de bitola larga Belo Horizonte-Rio da SR-3 (Juiz de Fora).680 MW. Suape em Recife. para 92%. Com a implantação do trecho Unaí-Pirapora. Envolve os Estados de Minas Gerais. Corredor Norte. Recife e Salvador. Tem como extremidade o Porto de Itaqui no Maranhão. prevista no Brasil em Ação. Faz parte também o trecho ferroviário BrasíliaAngra dos Reis da SR-2. Com 300 localidades eletricamente isoladas uma das outras (a maioria na Região Norte). a carvão e gás natural. ligando o sudeste da região ao porto de Vitória. hoje precariamente servidas por vias de transporte” (WWF. quando ocorrem restrições de transmissão. sem necessidade de operações de transbordo. Em contrapartida. com impacto principalmente sobre a parte Sul-Sudoeste da região. Composto pelos trechos feroviários Brasília-Belo Horizonte-Salvador. Uma análise no Plano 2015 da Eletrobrás verifica que a Região Amazônica e a do Cerrado detêm cerca de 70% e 15% do potencial de geração futura . em 1970. finalmente. e das ferrovias Pinhalzinho-Curitiba-Porto Alegre-Uruguaiana da SR-5 (Curitiba) e SR-6 (Porto Alegre) da RFFSA. Pará e Maranhão. o corredor do qual faz parte o sistema hidroviário Paraná-Tietê. pela ferrovia Transnordestina e pelos trechos ferroviários Salgueiro-Suape. 1995:25). em fase adiantada de construção.5% do total nacional em operação. envolvendo as SR-2 (Belo Horizonte) e SR-7 (Salvador). da SR-10 (Recife) e SR-11 (Fortaleza). Sepetiba e Angra dos Reis.

Eixos do Sudeste. associada às BR-364 e BR-163. Configurado como eixo do Nordeste. Entretanto. Os Eixos constituem uma opção pela interiori­ zação do desenvolvimento em direção aos espaços menos ocupados e potencialmente dinâmicos. toda a expansão da fronteira agropecuária recente. do que uma atuação dispersa e generalizada em todas as áreas e segmentos da economia. formado pelo vetor de integração dos Estados de Rondônia e Acre à região Centro-Sul. desembocam os três eixos de integração Norte/Sul. Até o ano de 2006 estão previstas a implantação de plantas industriais de porte significativo no Rio de Janeiro. procura permitir ao mesmo tempo a consideração da diversidade social. espacialmente localizadas. Na listagem abaixo são apresentados os eixos identificados no PPA os mais relevantes na indução de alterações futuras no Cerrado. sistema. mais ao Oeste do país. econômica e ambiental das regiões.8% da região Nordeste. envolvendo ainda as atividades econômicas do Estado do Espírito Santo. das Regiões Norte e Centro-Oeste é de apenas 10. É um dos três eixos de integração do país. propiciando a interligação com os portos do oceano Atlântico para escoamento da produção destinada à exportação. Cana Brava e Serra da Mesa) estão com o seu planejamento de transmissão associado ao da interligação Norte/Sul. Tem potencial de possibilitar o acesso ao Oceano Pacífico. mais ao Leste. no nível espacial. Espírito Santo e Goiás. tendo em vista a integração maior das economias regionais e a articulação com os mercados internacionais. Para esse efeito. no sentido Norte-Sul. Subjacente a idéia de trabalhar com os subespa­ ços. Complementa o eixo Araguaia – Tocantins pois permite a viabilização econômica do Oeste brasileiro e da parte meridional do Cerrado. a ligação com a Bolívia a ser efetivada com o sistema de gás natural trará considerável impacto na transmissão dos Estados de Mato Grosso e Mato Gro