M i n i s t é r i o d o M e i o A m b i e n t e

´ A r e a s e A ç õ e s P r i o r i t á r i a s p a r a C o n s e r v a ç ã o d a B i o d i v e r s i d a d e

C E R R A D O E P A N T A N A L

B i o d i v e r s i d a d e 1 7

CERRADO E PANTANAL
Áreas e Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade 

República Federativa do Brasil Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Vice-Presidente JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA Ministério do Meio Ambiente Ministra MARINA SILVA Secretário-Executivo JOÃO PAULO RIBEIRO CAPOBIANCO Secretaria de Biodiversidade e Florestas Secretária MARIA CECÍLIA WEY DE BRITO Departamento de Conservação da Biodiversidade Diretor BRAULIO FERREIRA DE SOUZA DIAS Gerência de Conservação da Biodiversidade Gerente DANIELA AMÉRICA SUÁREZ DE OLIVEIRA 

MINISTÉRIO DO MEIO AMBIENTE SECRETARIA DE BIODIVERSIDADE E FLORESTAS

CERRADO E PANTANAL
Áreas e Ações Prioritárias para Conservação da Biodiversidade

Brasília - DF 2007 

Gerência do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira PROBIO Daniela América Suárez de Oliveira Coordenador do Seminário de Trabalho sobre Cerrado e Pantanal Roberto B. Cavalcanti, Consórcio Coordenador Fundação Pró-Natureza (FUNATURA), Conservation International (CI), Fundação Biodiversitas (FB), Universidade de Brasília (UnB) Colaboração Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Fundação O Boticário de Proteção à Natureza, Fundação André Tosello & Base de Dados Tropical. Fotos gentilmente cedidas por Conservação Internacional do Brasil. foto da capa: Haroldo Castro, (Foto: capítulo Biota Aquatica - PNDPA/IBAMA) Projeto Gráfico Mayko Daniel A. Miranda e Marcelo Rodrigues Soares. Organização de Textos Karla Yoshida Arns e Marcus Alves

Catalogação na Fonte Instituto do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis B615 Biodiversidade do Cerrado e Pantanal: áreas e ações prioritárias para conservação / Ministério do Meio Ambiente. – Brasília: MMA, 2007. 540 p.: il. color. (Série Biodiversidade 17) Bibliografia ISBN 978-85-87166-87-6 1. Cerrado. 2. Pantanal. 3. Diversidade biológica. I. Ministério do Meio Ambiente. II. Secretaria de Biodiversidade e Florestas. III. Título. IV. Série. CDU(2.ed.) 504.7

Ministério do Meio Ambiente - MMA Centro de Informação e Documentação Luiz Eduardo Magalhães – CID Ambiental Esplanada dos Ministério – Bloco B – Térreo CEP: 70068-900 – Brasília-DF Fone:55 61 3317 1235 Fax: 55 61 3317 1980 e-mail:cid@mma.gov.br 

SUMÁRIO
Apresentação..................................................................................................................................................7

Introdução.....................................................................................................................................................13

Parte I – Fatores Bióticos ..........................................................................................................................17 Vegetação e Flora.........................................................................................................................................19 Invertebrados..............................................................................................................................................141 Biota Aquática.............................................................................................................................................193 Anfíbios e Reptéis.......................................................................................................................................257 Avifauna. ......................................................................................................................................................277 Mastofauna. .................................................................................................................................................300

Parte II – Fatores de Pressão e Vulnerabilidade . ..................................................................................322 Fatores Abióticos: Solos..............................................................................................................................325 Conhecimento Científico.............................................................................................................................327 Aspectos Sócio-Econômicos e Políticas Públicas. ......................................................................................333 Unidades de Conservação dos Biomas Cerrado e Pantanal......................................................................379

Parte III – Síntese e Recomendações .....................................................................................................387 Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade no Cerrado e Pantanal. ....................................... 393 



Em dezembro de 1996. biota aquática. e Floresta Amazônica. 5. a Fundação de Pesquisa e Tecnologia André Tosello. apoiou entre 1996 e 2001 cinco subprojetos para avaliar as áreas e ações prioritárias para conservação da biodiversidade dos seguintes biomas e regiões: Cerrado e Pantanal. Zona Costeira e Zona Marinha. Essa oficina de trabalho contou com a participação de mais de 200 especialistas em diversos temas e teve como objetivos: • Definição das áreas prioritárias para conservação da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. os participantes foram divididos em grupos temáticos para identificar áreas prioritárias dentro da ótica de cada tema e do grau de conhecimento científico  sobre a diversidade biológica. influenciando e subsidiando políticas e atitudes do governo federal e dos estados e subsidiando outros projetos importantes. Dois critérios amplos foram utilizados para orientar o estabelecimento dessas prioridades: a importância biológica da área e a urgência das ações para sua conservação. por meio de Decreto nº. Os mapas e relatórios foram disponibilizados na Rede Mundial de Computadores (internet) para avaliações prévias dos participantes da etapa seguinte. . Os resultados desses subprojetos foram amplamente divulgadas por meio de publicações e acabaram por se transformar em um instrumento utilizado pelo MMA e outros órgãos governamentais para priorização de áreas de trabalho e de ações. mamíferos. Ao se completarem dez anos do início dessa relevante iniciativa. 126. os consultores levantaram e produziram dados científicos. este livro objetiva resgatar o resultado de seu marco inicial. que foi realizada entre 23 e 27 de março de 1998.092.APRESENTAÇÃO A Secretaria de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente. regulamentado pela Portaria MMA nº. a Fundação Biodiversitas e o Instituto Sociedade. compatíveis com a conservação da biodiversidade. de 21 de maio de 2004. População e Natureza (ISPN). apresentar uma estratégia global de conservação da sua biodiversidade. répteis e anfíbios. Caatinga. primeiramente. • Indicação das ações prioritárias para conservação desses biomas. conduzida entre 1996 e 1997. Durante a oficina. indicando áreas prioritárias para conservação e recomendações para cada uma delas. coordenada pela Fundação Pró-Natureza (FUNATURA) em parceria com a Universidade de Brasília (UnB). em Brasília. cobertura vegetal. invertebrados. Mata Atlântica e Campos Sulinos. uma reunião preparatória para a oficina possibilitou uma primeira análise das informações organizadas nos seguintes temas: aspectos físicos. compreendendo a realização de inventários e pesquisas. recuperação de áreas degradadas e criação de Unidades de Conservação (UCs).PROBIO. aves. em seguida. a Conservação Internacional do Brasil (CI). que teve como objetivo avaliar a riqueza biológica do bioma e os condicionantes socioeconômicos da região para. Um passo fundamental nesse processo foi a identificação de prioridades regionais. atividades de manejo. por meio do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira . Cada subprojeto foi estruturado ao redor de uma oficina de trabalho (ou workshop). tais como o Projeto ARPA e o Projeto Corredores Ecológicos do Programa Piloto para a Proteção da Florestas Tropicais do Brasil (PPG-7). gerando desdobramentos extraordinários. Durante a fase preparatória. botânica. O desenvolvimento desses subprojetos foi um marco para a conservação da biodiversidade. • Indicação de alternativas para uso dos recursos naturais do Cerrado e Pantanal. tais como o reconhecimento oficial das 900 áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade. • Promoção de um movimento de conscientização e participação efetiva da sociedade na conservação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal. a oficina referente ao Cerrado e Pantanal. que foi redesenhado de modo a incluir as áreas prioritárias definidas nos workshops da Amazônia e da Mata Atlântica. socioeconomia e unidades de conservação. de 27 de maio de 2004. indicadores sócioeconômicos e mapas cartográficos atualizados.

mas também puderam destacar situações únicas que exigissem atenção especial. com especial ênfase para as de nível estadual. quanto aos parâmetros: riqueza de espécies. • fenômenos biológicos excepcionais (migrações. • revisão do mapa e banco de dados das Unidades de Conservação. • revisão da qualidade dos dados disponíveis para mapeamento climático. • avaliação da eficácia das estratégias integradas de conservação na região (por exemplo nas áreas dos Parques Nacionais Grande  Sertão Veredas e Chapada dos Veadeiros). de solos. muito alta. em termos de representatividade geográfica. Assim. As áreas de maior importância biológica concentraram-se nos Estados de Goiás. com a apresentação da síntese dos trabalhos. com vistas à proteção dos recursos bióticos. riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. criação de UCs associada a atividades de manejo ambiental. Bahia. Mato Grosso e Tocantins. implantação de manejo ambiental. diversidade filética. • identificação das ações mais importantes para a conservação da biodiversidade nas áreas prioritárias. • avaliação da representatividade do sistema de unidades de conservação existentes na região.As principais estratégias adotadas pelos Grupos Temáticos foram: • apresentações orais breves das análises preparadas pelos participantes dos grupos. Essas áreas. de hábitats e quanto à manutenção de elementos da fauna e flora endêmica e ameaçada de extinção. de sistemas de terra e paisagens. acrescentando-se informações sobre as unidades não cadastradas. • análise dos padrões de distribuição geográfica de biodiversidade no Cerrado e no Pantanal. riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. municipal e de propriedade privada. hotspots e fenômenos biológicos excepcionais. foram definidas 87 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade dos biomas e. com a delimitação das áreas mais importantes segundo os parâmetros de riqueza de espécies. teve informação . endemismos de espécies e taxa superiores. de geomorfologia. o mapa geral de prioridades foi refinado e as estratégias de conservação definidas. • identificação de lacunas no sistema. • proposição de metodologia para planejamento socioeconômico utilizando parâmetros de biodiversidade. indicadas as ações necessárias para conservação dessas áreas e do Cerrado e Pantanal como um todo. • elaboração de mapas síntese de áreas prioritárias. • revisão da listas de espécies e da distribuição de espécies endêmicas e espécies raras e/ou ameaçadas do Cerrado e do Pantanal. • áreas de alta biodiversidade e sob alta pressão antrópica (hotspots). representam um consenso técnicocientífico dos dez grupos temáticos citados acima e coroaram um trabalho de quase três anos. comunidades especiais). ao longo do eixo central da distribuição do bioma Cerrado. As informações obtidas nos “grupos temáticos” foram cruzadas pelos participantes então reunidos em grupos multidisciplinares separados em regiões geográficas. entretanto. alta e de informação insuficiente). • revisão dos principais condicionantes socioeconômicos da ocupação humana no Cerrado e no Pantanal. diversidade filética. Em reuniões plenárias. Cada área prioritária também recebeu recomendações de ações visando a conservação e o uso sustentável dos biomas. Um número substancial de áreas. Os “grupos integradores” identificaram áreas de importância consensual entre os diversos temas. revisão e/ou elaboração dos mapas de conhecimento. de acordo com a categoria de importância biológica nas quais foram subdivididas (extremamente alta. O resultado final apresentou diversos padrões significativos. • identificação e mapeamento das principais pressões antrópicas em curso sobre as paisagens naturais do Cerrado e do Pantanal. sintetizadas no Mapa de Distribuição das Áreas Prioritárias dos Biomas Cerrado e Pantanal apresentado ao final deste livro. realização de inventários e estabelecimento de corredores biológicos. endemismos de espécies e táxons superiores. segundo os seguintes tipos de atividades propostas: criação de unidades de conservação (UCs).

a lista de espécies vegetais para o Cerrado. Além da carência de inventários. novos registros e novas espécies foram descritos. Áreas protegidas realmente grandes (acima de um milhão de hectares). Por exemplo. em relação ao conhecimento científico sobre o Cerrado e o Pantanal. redesenhando suas verdadeiras distribuições geográficas. . As espécies ameaçadas também foram revistas em 2003 e o status de algumas das espécies do Cerrado foi também revisto. Avançou-se de uma concepção de fauna generalista e comum a outras áreas para a idéia de que há conjuntos de espécies (comunidades) realmente únicos no Cerrado e a simples ocorrência das espécies em outros biomas não assegura a conservação dos processos e dos cenários evolutivos em que estas entidades biológicas evoluíram. Em quase todas as áreas prioritárias. O número de espécies foi ampliado em 10% e se aproxima das 215 espécies. com algumas delas sendo subdivididas. pess. com. inclusive a redescoberta do tiê-bicudo ( Conothraupis mesoleuca). pess. O que não mudou significativamente foram as taxas de conversão dos hábitats naturais e a urgência de se proteger uma fração significativa do que resta de áreas de Cerrado e Pantanal em boas condições. Isto ressaltou a carência de dados biológicos para a região.).000 (Jeanine Felfilli e Roberta Mendonça. que então contava com cerca de 6. em particular. embora as áreas prioritárias tenham se destacado como resultado do seminário de consulta.000 espécies. o MMA tem consciência de que muitos dados aqui expostos já estão desatualizados. Entretanto. devido ao longo hiato entre a realização da oficina citada e esta publicação. acumulou-se um volume adicional considerável de inventários locais e pode-se dizer que se conhece bem melhor hoje a fauna de vertebrados e a de mamíferos.insuficiente para que sua importância pudesse ser aferida. As recomendações geradas a partir desses documentos também são importantíssimas e merecem ser registradas e consideradas com mais profundidade pelos tomadores de decisões. com. resultando na descrição de novas espécies e outras tendo sua condição de endêmica alterada pelo registro recente em outras localidades fora do Cerrado. em Goiás e sobre a qual não se tinha nenhuma informação desde sua descrição original. Para os mamíferos. confirmando e fortalecendo a posição de especial importância que este bioma representa em termos da biodiversidade mundial. hoje chega quase a 12. Ao publicar este livro. e a necessidade de se proceder inventários de campo na maior parte do Cerrado e do Pantanal. tendo havido consideráveis mudanças no arranjo sistemático destas. o que fez com que o Ministério do Meio Ambiente optasse por trazer essa contribuição ao público na forma de um livro para padronizar informações que estavam disponíveis apenas parcialmente na internet. o reduzido número de UCs foi considerado um problema grave. A estratégia proposta buscou apontar não somente áreas representativas dos diversos sub-ecossistemas regionais. mas também assegurar o papel do Pantanal como corredor de dispersão de espécies e de integração dos biomas associados. necessárias para a manutenção de populações de predadores de topo ainda são demandadas e sua viabilização constituem um desafio no cenário atual (Jader Marinho-Filho. A estratégia de conservação para o Pantanal teve como fundamento uma abordagem que considerou a região de maneira integral. a criação de novas unidades foi assinalada como a ação mais urgente a ser efetuada. De fato.  Em relação à avifauna. onde as áreas prioritárias devem estar conectadas e as ações devem levar em conta as interdependências de seus diversos ecossistemas. ainda que o quadro geral resultante da oficina de trabalho não tenha sido radicalmente mudado (especialmente em termos de recomendações). estas figuras gerais ganham detalhamento à medida que o tempo passa e o conhecimento avança. do que na época do workshop. A maioria das espécies recém descritas é conhecida apenas da localidade tipo e ainda é preciso tempo para rever o material das coleções.). a riqueza de informações gerada pelos documentos preparatórios aqui apresentados constitui-se em um marco referencial e histórico para o conhecimento da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal.

um grande avanço foi a elaboração de um novo Sistema de Unidades de Conservação – SNUC. devem ser registrados. por exemplo. os Parques Nacionais Cavernas do Peruaçu. diretrizes e estratégias para as áreas terrestres e marinhas do Sistema Nacional 10 de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e também define estratégias para integrar. Recomendações sobre este tema foram também acatadas pelos estados abrangidos pelo Cerrado e pelo Pantanal. Entre as ações propostas. realizou em 2006 a atualização das áreas prioritárias para os biomas Cerrado e Pantanal. Com relação à proporção das categorias de importância. foram realizados inventários na Chapada Diamantina. as ações prioritárias para cada uma delas e sua urgência de realização. antiga aspiração dos conservacionistas. considerado fundamental para que fossem pactuadas metas que permitirão ao País reduzir a perda de biodiversidade. 39 da Comissão Nacional de Biodiversidade . O PNAP inclui objetivos. setor acadêmico. Foram indicadas 50 áreas prioritárias no Pantanal e 431 áreas no Cerrado. algumas das categorias de UCs citadas foram modificadas. sua importância biológica. Fortalecendo o SNUC foi criado o Plano Nacional de Áreas Protegidas – PNAP.092 e pela Portaria MMA nº. Importantes Áreas de Proteção Ambiental. priorizando o processo participativo de negociação e a formação de consenso. nas Serras do Cachimbo e do Amolar e em áreas na região do Paranã. Rede Pantanal. alguns avanços. Ainda em relação às UCs. além da expansão dos Parques Nacionais do Grande Sertão Veredas e da Chapada dos Veadeiros. traçar os alvos e as metas de conservação para o Cerrado e o Pantanal e elaborar um mapa de importância biológica para os biomas. 5. The Nature Conservancy e WWF. no que se refere ao Cerrado e Pantanal. como Meandros do Araguaia e Nascentes do Rio Vermelho. Foi a primeira etapa do processo que teve continuidade com a realização de um seminário regional que. Neste período. contando com representantes do governo. Rede Cerrado. buscando a adequação aos novos paradigmas em termos de conservação da natureza – incluindo o desenvolvimento sustentável e a repartição de benefícios da biodiversidade. na região do Sucuriú e do Jauru. foram criados. em fases subseqüentes. 20 inventários biológicos foram realizados em todo o Brasil em áreas consideradas como insuficientemente conhecidas e. do Tocantins foram também criadas. Também o conhecimento sobre esses biomas ampliou-se. por meio da consolidação de um sistema ampliado de áreas protegidas. num sistema ecologicamente representativo e efetivamente manejado até 2015. Outra importante evolução a ser registrada refere-se às próprias áreas prioritárias. atendendo à demanda estabelecida pelo Decreto n°. Com o apoio do Probio. com o apoio da Coordenação Geral de Zoneamento Ambiental do Ibama. no Distrito Federal e a Estação Ecológica Serra Geral. quase uma centena de especialistas participou de duas reuniões técnicas em Brasília com o objetivo levantar as informações disponíveis que auxiliassem o processo de atualização. da Serra da Bodoquena. as demais áreas protegidas. organizações ambientalistas.CONABIO). principalmente em áreas representativas do Cerrado e Pantanal como um todo.Embora não tenha sido alcançado um número ideal de Unidades de Conservação. que criaram significativas UCs em diferentes categorias de conservação. das Sempre Vivas. Portanto. resultantes das recomendações oriundas do workshop. como terras indígenas e quilombolas. Conservação Internacional. da Chapada das Mesas. povos e comunidades tradicionais e do setor privado definiu as Áreas Prioritárias para a Biodiversidade do Cerrado e do Pantanal. A Secretaria de Biodiversidade e Florestas. manteve-se o predomínio de áreas classificadas como de importância extremamente alta. 126 que ao instituírem as áreas prioritárias previram a necessidade de revisão à luz do avanço do conhecimento. Seguindo os princípios do Planejamento Sistemático para Conservação (conforme orientação metodológica aprovada pela Deliberação nº. para ambos os biomas. . cuja estrutura de vegetação temse apresentado muito mais complexa e diversa do que era imaginado há algum tempo atrás. em Goiás e a do Planalto Central.

Esse processo. denominada Conacer . MMA 11 . De forma complementar às informações geradas pela execução dos subprojetos de avaliação de áreas e ações prioritárias. 5.Comissão Nacional do Programa Cerrado Sustentável. com participação de representantes do governo e da sociedade civil. entre os anos de 1998 e 2006.destacou-se a recomendação pela realização de inventários biológicos.577/2005. Finalmente. bem como estudos sócio-antropológicos na região. ainda são necessários investimentos em pesquisa a respeito da biodiversidade. aparecendo em 56% das áreas o que indica que apesar de ter-se produzido volume expressivo de conhecimento científico a respeito da biodiversidade destes biomas. elaborado de forma participativa pelo GT do Cerrado. além do Programa Cerrado Sustentável. conferiu maior ênfase às dimensões socioambientais da biodiversidade. entre eles o Cerrado e o Pantanal. Nesse particular. como a presença de populações locais/tradicionais em áreas com elevada importância biológica e as funções ecossistêmicas (serviços ambientais) desses dois importantes biomas. e conta com uma comissão para acompanhar a implementação do Programa. A elaboração desse programa passou por consultas públicas em algumas cidades e recebeu diversas contribuições. hoje contamos com melhores instrumentos para realizar a gestão e a implementação de políticas em favor destes importantes biomas brasileiros. Braulio Ferreira de Souza Dias Diretor de Conservação da Biodiversidade. de 08 de novembro de 2005. o Probio apoiou seis subprojetos visando o realização de levantamento da cobertura vegetal dos biomas brasileiros. completando lacunas de conhecimento e atualizando os dados existentes sobre o tema. A maior dificuldade tem sido encontrar informações que auxiliem o processo de identificação de áreas e para isso a colaboração da comunidade científica e especialistas têm sido essencial. sem desmerecer os demais aspectos. Assim. a conservação e manutenção da quantidade e qualidade da água merecem destaque uma vez que são aspectos essenciais quando se pensa em Cerrado e Pantanal. Esse programa foi institucionalmente criado por meio de Decreto Presidencial nº. em 2004. A segunda indicação mais freqüente foi de recuperação de ambientes degradados. numa resposta à redução na biodiversidade em áreas onde houve significativa perda de hábitat. especial destaque deve se dar à criação do Núcleo Cerrado e Pantanal no âmbito da Secretaria de Biodiversidade e Florestas.

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indo desde os campos limpos até as formações arbóreas. um dos biomas mais ricos e ameaçados do planeta. Os mapas e relatórios foram disponibilizados na Internet para avaliações prévias pelos participantes da etapa seguinte. Biota Aquática. seja por expansão agrícola. organizadas nos seguintes temas: Aspectos Físicos. especialmente em vista das limitações das áreas protegidas.INTRODUÇÃO Panorama do Cerrado e Pantanal Sabe-se hoje que o Cerrado é uma das regiões de maior biodiversidade do planeta e cobre 25% do território nacional. os consultores levantaram e produziram dados científicos. com extensão de cerca de dois milhões de km² no Brasil Central. acompanhada de desmatamentos e alteração de áreas naturais. pequenas em número e concentradas em poucas regiões. Aves. Devido a esta excepcional riqueza biológica. Existem. conduzida entre 1996 e 1997. seja por plantios florestais para fixar carbono atmosférico. • . uma reunião preparatória para a Oficina de avaliação possibilitou uma primeira análise das informações. Objetivos da Oficina de avaliação: • Definição das áreas prioritárias para conser­ vação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal. o Cerrado. O Pantanal. Estimativas apontam mais de 6. reúne um mosaico de diferentes ambientes e abriga uma rica biota terrestre e aquática. O método de trabalho adotado consistiu na organização do conhecimento através dos seguintes Grupos Temáticos: Biodiversidade. A extensa transformação antrópica do Cerrado tem o potencial de produzir grandes perdas de biodiversidade. Entre as estratégias adotadas pelos Grupos Temáticos estão: • Apresentações orais breves das análises prepa- radas pelos participantes dos grupos. a maior planície inundável do mundo. Nas últimas décadas. Revisão da listas de espécies e da distribuição de espécies endêmicas e espécies raras e/ou ameaçadas do Cerrado e Pantanal. entretanto. Répteis e Anfíbios. UCs. Mamíferos. definidos por dinâmicas de inundações periódicas. Desenvolvimento Social e Sócio-Economico. O grau de endemismo da biota do Cerrado é significativo e pouco se conhece sobre a distribuição das espécies dentro do bioma. Elaboração de propostas de modelos de repartição de benefícios do uso econômico da biodiversidade do Cerrado e Pantanal • Durante a fase preparatória. recuperação de áreas degradadas e criação de Unidades de Conservação (UCs). composta por ilhas inseridas numa matriz de agroecossistemas. isto é. só ocorrem nas savanas brasileiras. Fatores Abióticos.000 espécies de árvores e 800 espécies de aves. está sendo ameaçado pelas novas tendências de desenvolvimento econômico. atividades de manejo. Calcula-se que mais de 40% das espécies de plantas lenhosas e 50% das espécies de abelhas sejam endêmicas. O Cerrado é uma forma­ção do tipo savana tropical. compatíveis com a conservação da biodiversidade. A fisionomia mais comum é uma formação aberta de árvores e arbustos baixos coexistindo com uma camada rasteira graminosa. sendo proposta a exploração mais intensa dessa região. ção nestas áreas. Os modelos tradicio­nais 13 de pesca e pecuária estão sendo rapidamente substituídos pela exploração intensiva. compreendendo realização de inventários e pesquisas. O processo de ocupa­ção do bioma chegou a tal ponto que não é mais apropriado considerá-lo como “fronteira”. Invertebrados. Grupos Regionais e Ações Prioritárias. com mais de 110. é considerado um dos “hotspots” mundiais.000km². várias outras fisionomias. além de grande variedade de peixes e outras formas de vida. O frágil equilíbrio dos ecossistemas pantaneiros. embora esforços importantes de pesquisa tenham sido iniciados na década de 1980. Sócio-Economia e Unidades de Conservação. Botânica. • Revisão e/ou elaboração dos mapas de conhecimento. Cobertura Vegetal do Cerrado. com uma pequena inclusão na Bolívia. • Indicação das ações prioritárias para conserva- • Avaliação das alternativas para uso dos recursos naturais do Cerrado e Pantanal. Em dezembro de 1996. o Cerrado tem sido visto como uma alternativa ao desmatamento na Amazônia. indicadores sócio-econômicos e mapas cartográficos atualizados. isto é. ao lado da Mata Atlântica. A ocupação humana e a construção de estradas fizeram com que uma massa contínua de área com biota natural se trans­formasse numa paisagem cada vez mais fragmentada.

O resultado final apresenta diversos padrões significativos. . Chapada dos Veadeiros).Diversidade Filética. A estratégia proposta busca apontar não somente áreas representativas dos diversos sub-ecossistemas regionais. “hotspots”. . a sua importância no contexto biogeográfico Neotropical. . municipal. comunidades especiais). Foram definidas 88 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da região e indicadas as ações necessárias para conservação destas áreas e do Cerrado e Pantanal como um todo. • Identificação das principais pressões antrópicas em curso sobre as paisagens naturais do Cerrado e Pantanal.Revisão do mapa e banco de dados das Unidades de Conservação (UCs). Destaca-se. com alto grau de endemismo biológico e com presença de comunidades únicas. • Proposição de metodologia para planejamento sócio-econômico utilizando parâmetros de biodiversidade. assim. riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas.Riqueza de Espécies. As áreas identificadas como prioritárias para conservação da biodiversidade nos biomas Cerrado e Pantanal incluem cerrados na divisa do Paraná e São Paulo até as savanas amazônicas do Amapá e Roraima. enfatizando áreas de alta riqueza de espécies. entretanto. Além da carência de inventários. o uso direto dos recursos bióticos e a restauração ou recuperação de áreas antropizadas (manejo). com vistas à proteção dos recursos bióticos. quanto aos parâmetros: riqueza de espécies. Estas ações abrangem a proteção (criação de UCs). de geomorfologia. Em quase todas as áreas prioritárias. • Análise dos padrões de distribuição geográfica de biodiversidade no Cerrado e Pantanal com a delimitação das áreas mais importantes segundo os parâmetros de: . de hábitats e quanto à manutenção de elementos da fauna e flora endêmica e ameaçada de extinção. • Avaliação da eficácia das estratégias integradas de conservação na região (por exemplo nas áreas dos Parques Nacionais Grande Sertão Veredas. Identificação de lacunas no sistema.Fenômenos biológicos excepcionais (migrações. diversidade filética. • Elaboração de mapas síntese de áreas prioritárias. o estudo científico (inventários). comunidades especiais). Um número substancial de áreas. mas também assegurar o papel do Pantanal como corredor de dispersão de espécies e de integração dos biomas circunjacentes. o reduzido número de UCs é um problema sério. endemismos de espécies e taxa superiores. e a necessidade urgente de proceder a inventários de campo na maior parte do Cerrado e Pantanal. onde as áreas prioritárias devem estar conectadas e as ações levam em conta as interdependências de seus diversos ecossistemas. Mato Grosso e Tocantins. - “Hotspots”: áreas de alta biodiver­sidade e sob alta pressão antrópica .• Revisão da qualidade dos dados disponíveis para mapeamento climático. • Identificação das ações mais importantes para a conservação da biodiversidade nas áreas prioritárias.Endemismos de espécies e táxons superiores.Riqueza de espécies raras e/ou ameaçadas. de solos. e de proprie­dade privada. a criação de novas unidades foi assinalada como a ação mais urgente. teve informação insuficiente para avaliar sua importância. 14 . acrescentando informações sobre as unidades não cadastradas. Foi realizado um diagnóstico da importância biológica e uma avaliação das ações prioritárias para a conservação das áreas recomendadas. em termos de representatividade geográfica. com especial ênfase para as de nível estadual. Finalmente foram apresentadas as recomen­ dações dos Grupos de Trabalho sobre as Ações Prioritárias de Conservação. • Avaliação da representatividade do sistema de UCs existentes na região. Isto ressalta a carência de dados biológicos para a região. • Mapeamento dos principais eixos de pressão sobre o Cerrado e Pantanal. Bahia. fenômenos biológicos excepcionais (migrações. . A delimitação das áreas foi realizada com base nas distribuições de elementos da biota. A estratégia de conservação para o Pantanal tem como fundamento uma abordagem que considera a região de maneira integral. As áreas de maior importância biológica concentram-se nos Estados de Goiás. de sistemas de terra e paisagens. • Revisão dos principais condicionantes sócioeconômicos da ocupação humana no Cerrado e Pantanal. ao longo do eixo central da distribuição do bioma Cerrado.

As recomendações de ações prioritárias para conservação da biodiversidade do Cerrado e Pantanal foram agrupadas em seis grandes tópicos: mudanças de enfoque. articulação de políticas e órgãos governamentais. O nível máximo de prioridade refere-se às áreas nucleares. respeitando seu status constitucional de Patrimônio Nacional. 15 .Os conceitos de bacias hidrográficas e de gradientes de inundação também são essenciais na escolha de áreas e em sua priorização e na indicação de uma abordagem que incorpore a estratégia dos corredores ecológicos. poluição por agentes químicos. As demais áreas devem receber um tratamento diferenciado por parte dos gestores públicos e privados para proteção deste bioma singular. As áreas apontadas como prioritárias para o Pantanal Mato-Grossense estão divididas em três classes. além de implementar um plano pormenorizado para o uso do solo. bem como o Sumário Executivo dos resultados do projeto. como o Plano de Conservação da bacia do Alto Paraguai (PCBAP) e as indicações do PRODEAGRO para o Estado de Mato Grosso foram utilizados. monitoramento e pesquisa. O mapa síntese das Áreas Prioritárias para Conservação da Biodiversidade do Cerrado e Pantanal foi apresentado e aprovado em uma Plenária Final com a indicação das diversas e distintas ações de conservação necessárias. erosão. legislação. consolidação das UCs e inventários. Trabalhos recentes. O objetivo foi estabelecer um regime particularizado de uso da terra capaz de compatibilizar o seu potencial produtivo com a conservação de seus recursos naturais. O mesmo encontra-se publicado e distribuído pelo Ministério do Meio Ambiente. onde se recomenda o estabelecimento de UCs de uso direto ou indireto. corredores ecológicos e proteção regional. Um segundo nível de priorização engloba as áreas onde as políticas de desenvolvimento devem observar padrões rígidos quanto a ações de desmatamento.

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Vegetação e Flora FATORES BIÓTICOS 17 Parte I .

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Vegetação e Flora Vegetação e Flora 19 .

Cavalcanti Tarciso Filgueiras Temilze Gomes Duarte Terezinha Aparecida Borges Dias Vali Joana Pott Valmira Vieira Mecenas William Wayt Thomas 20 . Dianese José Carlos Sousa Silva Lídio Coradin Linda Styer Caldas Luiz Alfredo Rodrigues Pereira Maria de Fátima P. Ratter Jeanine Felfilli John DuVall Hay José Angelo Rizzo José C. Castro Arnildo Pott Bruno Machado Teles Walter Carlos Augusto Klink Carolina Joana da Silva Carolyn Proença Cássia Beatriz Rodrigues Munhoz Fabian Borghetti Fernando Martins Germano Guarim Neto Gilmar Batista dos Santos Glocimar Pereira da Silva James A.Participantes do Grupo de Trabalho José Felipe Ribeiro (Coordenador) Abisoye Emmannuel Onigemo Alba Evangelista Ramos Alba Valéria Rezende Alexandre Bonesso Sampaio Ana Palmira Silva Antônio Alberto Jorge F. de Miranda Chaves Suzana Maria De Salis Suelma Ribeiro Silva Taciana B. Silva Maria Goreth Nóbrega Miramy Macedo Patrícia Rodrigues Regina Célia de Oliveira Samuel Bridgewater Semiramis Pedrosa de Almeida Sérgio A.

O primeiro tema tratou das fitofisionomias do bioma Cerrado. com a devida citação de autoria. Mais dados deste projeto podem ser encontrados no site html://cmbbc.Vegetação e Flora Diversidade e conservação da vegetação e da flora José Felipe Ribeiro e Terezinha Dias (Organizadores)� Introdução Até o início dos anos 60 pouquíssimos eram os estudos sobre os recursos naturais no bioma Cerrado. e foram submetidas para publicação no Boletim Ezequias Heringer do Jardim Botânico de Brasília.cpac. Em seguida foi apresentada a revisão da flora vascular do Cerrado disponível a partir de vários estudos de campo e de herbário das atividades dos projetos “Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado” liderado pela Embrapa Cerrados e com parceria com a UnB/RBGE/ISPN/IBAMA e apoiado pelo Governo Britânico-DFID e do “Biogeografia dos Cerrados”. e do Sul com as informações da situação atual e propostas para conservação e manejo dos cerrados remanescentes no Paraná trazidos pelos estudos de Fernando Straube. preliminarmente. 1982 e 1989 enfocaram principalmente a intensa ocupação agrícola que tomou conta do uso da terra na região. Desde então foram realizados oito simpósios sobre o tema. 1971 e 1976) buscaram mostrar a importância dos estudos da vegetação nativa para o cenário nacional. a preocupação com o desenvolvimento sustentável e a preservação já estavam ocupando posição de destaque dos cientistas de todo planeta. do Norte com o Amapá. No mais recente. a distribuição espacial da flora lenhosa foi analisada. 21 Essa extensa revisão sobre a flora vascular do bioma foi elaborada por Mendonça et al. realizado em 1996. A partir dessa década. e as lacunas sanadas dentro do escopo do workshop. Para ajudar nas ações e na indicação de áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade do Cerrado e do Pantanal.embrapa. Carolyn Proença e vários alunos do curso de mestrado em botânica que colaboraram focando seus estudos buscando definir centros de biodiversidade e endemismo a partir de táxons indicadores selecionados. fazem parte deste documento da reunião. Esta provocação iniciou-se com apenas quatro táxons. e mostrou a necessidade de maiores esforços de coleta para a proposta de categorias corológicas para a análise de padrões fitogeográficos. Essa informação foi ampliada para analisar a distribuição. adicionadas às informações trazidas pelos participantes. Essa análise apresenta. Apesar do ainda decantado desconhecimento das espécies. 1965. A listagem do estudo da flora lenhosa do componente arbustivo-arbóreo do Cerrado sentido amplo preparada no estudo de Castro et al 1998 também foi fundamental para as tomadas de decisão durante o trabalho de equipe. focos de coleta. Aqueles realizados até a metade dos anos 70 (1962. Elas fizeram parte do acervo disponível naquele momento e várias delas ainda não haviam sido publicadas. A partir destes levantamentos foram avaliadas as grandes lacunas onde inventários rápidos ainda não haviam sido realizados para mostrar importância da ação imediata de levantamentos nestes locais. e foram anexados como documento/base para a discussão dos grupos. Para complementar as informações para a análise também foram incluídos para os participantes as informações dos cerrados do Nordeste trazidos pelo pesquisador Alberto Jorge Castro. liderado pela professora Jeanine Felfili-Fagg (UnB).500 táxons. As informações apresentadas a seguir são muitas vezes cópias dos originais dos artigos ou dos manuscritos enviados para a oficina. estes autores apresentaram uma listagem parcial de aproximadamente 6. onde foram apresentados centros de endemismo. em parceria com o IBGE e a Embrapa Recursos Genéticos. a partir dos estudos de Marco Antonio Chagas e colaboradores. . Nesse momento. por estado. com a evolução da pesquisa neste assunto. Já os realizados em 1979. de 581 espécies lenhosas encontradas na fitofisionomia de Cerrado sentido restrito. a distribuição de algumas espécies com relação ao tipo de solo de ocorrência e discute espécies de distribuição generalista e restrita. o incremento da consciência ambiental. As informações sobre o estado do conhecimento atual sobre a vegetação do bioma Cerrado aqui apresentadas estão baseadas nas informações da publicação Cerrado: ambiente e flora editada por Sano e Almeida em 1998. Estas informações são de autoria de Ratter et al. inúmeros estudos têm sido realizados. Estas lacunas foram confirmadas no estudo seguinte da professora da Universidade de Brasília.br. As informações fornecidas nos textos disponibilizados foram então consideradas como ponto de partida que. espécies peculiares e acessórias e super-centros de biodiversidade. o espaço dos estudos sobre os recursos naturais voltou a ser dividido mais eqüitativamente com a agricultura. Os temas foram abordados da forma mais abrangente possível.

Alto Paraíso de Goiás-GO. ocorrendo ainda solos concrecionários em grandes extensões (Ab´Sáber. Mato Grosso do Sul. as disjunções acontecem na Floresta Amazônica. Campinaçu. O Cerrado caracteriza-se pela presença de invernos secos e verões chuvosos. visando a subsidiar a conservação e o manejo racional do Cerrado. Allem e Valls. Colinas do Sul-GO e Serra Negra em Niquelândia. apenas superado pela Floresta Amazônica. Caatinga (Eiten. Eiten. incluindo as unidades de conservação nas duas Chapadas: Parque Nacional de Brasília-DF. na Chapada dos Veadeiros. Maranhão. Almeida. No território brasileiro. Possui média anual de precipitação da ordem de 1. Finalmente. variando de 750-2000mm (Adámoli et al. In: S. Sano e S. 1972. Minas Gerais. 1983. Embrapa Cerrados. As espécies apresentaram distribuição em mosaicos. Este documento apresenta. Ocorre em altitudes que variam de cerca de 300m.600m. 1987).600m e a extensa distribuição em latitude. 1984). 1998. 1987). 1987). sendo que apenas 12 delas são comuns a todas as áreas. Suriname e Venezuela. a mais de 1. Tocantins e o Distrito Federal. DF). 1989): há uma estação seca e outra chuvosa 22 . parte dos Estados da Bahia. Ceará. Pará e Roraima. recebendo outras denominações como “Llanos”. Paracatu-MG e Patrocínio-MG na Chapada Pratinha. portanto. baseado em Mantovani e Pereira. No Cerrado predominam os Latossolos. Guiana. apresenta-se a estimativa da cobertura vegetal do Cerrado lato sensu. criando assim uma tendência de uniformidade pluviométrica (Nimer. e o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros-GO. a necessidade urgente de ampliação dos estudos da diversidade dos microorganismos. 87-166. 1953. 1994) e no Pantanal (Adámoli.000km². Cole. discutida alfa diversidade na comparação a florística e fitossociologia das Chapadas Pratinha e dos Veadeiros dentro do escopo do projeto Biogeografia do Bioma Cerrado. e ao Sul. Sobre os fungos existentes no bioma Cerrado é fato que.500mm. Fitofisionomias do Bioma Cerrado. As chuvas são praticamente concentradas de outubro a março (estação chuvosa) e a temperatura média do mês mais frio é superior a 18°C. na Chapada dos Veadeiros (GO). enquanto paisagens semelhantes são encontradas na Colômbia. escritas e validamente publicadas. As análises por classificação e ordenação separaram as áreas na Chapada Pratinha daquelas na Chapada dos Veadeiros. Utilizou-se método padronizado de 10 parcelas de 20x50m. Allem e Valls. o que representa cerca de 23% do território brasileiro. Amazonas.000. Piauí. Trata-se de um complexo vegetacional que possui relações ecológicas e fisionômicas com outras savanas da América tropical e de continentes como África e Austrália (Beard. I . 1982. particularmente dos fungos. incluindo o Pantanal Matogrossense. o mecanismo atmosférico geral determina uma marcha estacional de precipitação semelhante em toda a região. Pp. Mato Grosso. O contraste entre as superfícies mais baixas (inferiores a 300m). a exemplo da Baixada Cuiabana (MT). Estação Ecológica de Águas Emendadas-DF e os municípios de Silvânia-GO. A intensidade amostral foi de 1ha para cada local. também. Abrange como área contínua os Estados de Goiás.Foi. um clima classificado como Aw de Köppen (tropical chuvoso). e Walter.O bioma Cerrado e suas fitofisionomias (revisão baseada em: Ribeiro. em pequenas “ilhas” no Paraná. Foram selecionadas onze áreas para o estudo. tanto em áreas sedimentares quanto em terrenos cristalinos. Serra da Mesa em Minaçu-GO. e ocupa mais de 2. Fora do Brasil ocupa áreas na Bolívia e Paraguai.62. Os locais estudados são representativos dos sistemas de terra encontrados em cada unidade fisiográfica. J. 1998. A diversidade florística foi avaliada pelo índice de Shannon variando de 3. calculada a partir de dados TM/Landsat. B. totalizando 11ha amostrados. existem hoje apenas 900 espécies de fungos associadas às plantas de toda a região. ainda. 1994. 1958. as longas chapadas entre 900 e 1. Por outro lado. para amostrar os indivíduos lenhosos com um diâmetro mínimo de 5cm. A grande lacuna neste conhecimento reside nas informações dos organismos do solo e nas doenças. conferem ao Cerrado uma diversificação térmica bastante grande. O Cerrado está localizado no Planalto Central do Brasil e é o segundo maior bioma do país em área. para ilustrar a pressão ambiental acontecendo na região na oportunidade do evento. Floresta Atlântica. Cerrado: ambiente e flora. Vila Propício em Goianésia-GO. Rondônia e São Paulo e também ocorre em áreas disjuntas ao Norte nos Estados do Amapá. O Cerrado corresponde às “Oréades” no sistema de Martius. distribuídas aleatoriamente ao longo dos gradientes observados. Lopes. Área de Proteção Ambiental Gama-Cabeça de Veado-DF.01 a 3.

1994). Ab’Sáber. Nos períodos interglaciais as florestas úmidas teriam se expandido. grandes alterações climáticas e geomorfológicas teriam causado expansões e retrações das florestas úmidas e secas da América do Sul. pastejo e inúmeros fatores antrópicos (abertura de áreas para atividades agropecuárias. 1979. Tais evidências são fornecidas pela atual distribuição geográfica de muitas espécies típicas dessas florestas em diferentes biomas. 1 cialmente no final do Pleistoceno (glaciação WürmWisconsiana) e início do Holoceno. cerrado e caatinga) por grandes extensões do continente. que segundo Eiten (1994) tem efeitos indiretos sobre a vegetação (o clima agiria sobre o solo). É com tal sentido que esses termos e suas variantes são apresentados no texto.Vegetação e Flora bem definida. sugerem que tais formações também conectariam a Floresta Amazônica com as Florestas Meridionais (bacia dos rios ParanáParaguai). a distribuição da flora é condicionada pela latitude. Em sentido fisionômico. sítios específicos teriam possibilitado a manutenção de alguns remanescentes das florestas úmidas e a expansão das florestas secas e formações vegetais mais abertas (campo. 1975). As formações associadas aos cursos de água. 1995). houve grandes pulsações climáticas. e as que não possuem associação com cursos de água (interflúvios). 1994). no que concordam Oliveira Filho e Ratter (1995). savânicas e campestres. ou em áreas disjuntas pela América do Sul (Bigarella et al. e pelas florestas semidecíduas e decíduas da Caatinga e Florestas Meridionais. 1995). 1994). florísticos ou ecológicos (ver Eiten 1972. Ao Sul do bioma. onde há formação de dossel. da disponibilidade de água e nutrientes. 1994). Já o termo campo designa áreas com predomínio de espécies herbáceas e algumas arbustivas. 1994). como a atual (Salgado-Labouriau. sem a formação de dossel contínuo. floresta representa áreas com predominância de espécies arbóreas. enquanto que Santos (1975). que também caracteriza os locais mais altos da região central. em especial. Na escala temporal. intercalados por intervalos menores com temperaturas mais altas (interglaciais). as quais englobam o Cerrado. em áreas de clima mais ameno. profundidade do lençol freático. Nestes períodos glaciais quaternários. IBGE (1989) e Heringer e Paula (1989). entre 18. acima de 1200 metros de altitude. Estas podem englobar significados fisionômicos.000 anos (Holoceno). Rizzini. No Quaternário. As formações florestais associadas aos cursos de água (perenes ou não) são tidas como tipos de vegetação extra-cerrado. Oliveira Filho e Ratter. retirada seletiva de madeira.Origem das formações vegetais Fatores temporais (tempos geológico e ecológico) e espaciais (variações locais) são responsáveis pela ocorrência das formações florestais do bioma Cerrado. devido ao lento retorno para um clima mais úmido/quente nos últimos 12. em solos mais ricos (Prado e Gibbs. 1973. Oliveira Filho e Ratter. atingindo áreas que hoje compreendem o bioma Cerrado. topografia. Troppmair e Machado (1974) e Fernandes e Bezerra (1990) consideram-nas como intrusões tanto da Floresta Amazônica quanto da Atlântica. A partir de então estas florestas secas retraíram-se e as florestas úmidas passaram a se expandir. Pode-se considerar a existência de dois grupos de formações florestais do Cerrado que parecem ter sua atual distribuição vinculada à hidrografia e aos solos. por sua vez. Prado e Gibbs (1993) propuseram que as florestas semidecíduas e decíduas na América do Sul teriam alcançado a sua máxima extensão ao final da última glaciação. na escala espacial estas formações seriam influenciadas por variações locais em parâmetros como hidrografia. coincidindo com a contração das florestas úmidas. O Cerrado ocorre apenas onde não há geada ou onde não seja freqüente (Eiten. contínuo ou descontínuo.1 . A flora do Cerrado é característica e diferenciada dos biomas adjacentes. retraindo-se posteriormente nas glaciações. Além do clima. Eiten. sugerem uma ligação mais forte com a Floresta Amazônica. Cabrera e Willink (1973). com alguns indícios de retração dessas florestas espe- . embora muitas fisionomias compartilhem espécies com outros biomas (Heringer et al. tipicamente secos.000 e 12. 1993. 1977a. devido à forte ligação que têm com as linhas de drenagem naturais (Coutinho. geralmente em solos mais úmidos. O termo savana1 refere-se a áreas com árvores e arbustos espalhados sobre um estrato graminoso. Salgado-Labouriau. Prado e Gibbs. 1975. que no Brasil hoje estariam representadas respectivamente pelas Florestas Amazônica e Atlântica. 1993. ao passo que Rizzini (1979) liga-as mais à Floresta Atlântica. pode ocorrer o clima Cwa (Eiten. A vegetação apresenta fisionomias que englobam formações florestais. da química e física do solo. e da geomorfologia e topografia. com longos intervalos de tempo com temperaturas baixas (glaciações). 23 A definição de savana apresentada não é universal. dentre outros. 1978. faltando árvores na paisagem. Allem e Valls I . freqüência de queimadas. existindo diferentes acepções do termo pelo mundo.000 anos atrás (Prance. profundidade do lençol freático e fertilidade e profundidade dos solos. 1977. Bigarella et al. Paralelamente. Essas têm sido consideradas as principais causas da existência das formações florestais no Cerrado. queimadas como manejo de pastagens etc).

Existem similaridades florísticas das florestas associadas aos cursos de água do Cerrado com as de outros biomas, embora haja evidências de particularidades nas florestas do Cerrado que as diferenciam daquelas de outras regiões (Ratter et al, 1973, 1978; Heringer et al, 1977; Rizzini, 1979; Oliveira Filho, 1989; Oliveira Filho e Ratter, 1995; Walter, 1995). Apesar da identidade florística com outros biomas ainda estar mal definida, Oliveira Filho e Ratter (1995) constataram que um número considerável de espécies distribui-se desde a Floresta Amazônica até a Atlântica, cruzando o Cerrado numa rota Noroeste-Sudeste através da rede dendrítica de florestas associadas aos cursos de água. Segundo estes autores as florestas do Norte e Oeste do Cerrado apresentam ligação florística mais forte com as florestas da Amazônia, ao passo que as do Centro e Sul ligam-se mais às florestas semidecíduas montanas do Sudeste brasileiro. Em relação às florestas que não possuem associação com cursos de água, a sua origem é menos debatida na literatura. Dos poucos estudos sobre o assunto, Prado e Gibbs (1993) investigaram a possível ligação florística entre o “corredor de savana” ou “diagonal de formações abertas”, que na América do Sul liga a Caatinga (Maranhão-Ceará), o Cerrado e a região do Chaco (Bolívia-Paraguai e Norte da Argentina - “Gran Chaco”). Sustentaram que a ligação florística Caatinga-Cerrado-Chaco mostrou-se desprezível, embora tenham detectado três padrões de distribuição de espécies lenhosas vinculando esses biomas, incluindo também áreas na Amazônia e nos Andes. Os autores destacaram a ausência de espécies da Caatinga e do Chaconas nas formações savânicas e campestres do Cerrado, embora em áreas calcárias (ou em solos mais ricos), disjuntas, muitas espécies sejam compartilhadas pelos três biomas. Oliveira Filho e Ratter (1995), por sua vez, também sugeriram que as espécies dessas florestas dependeriam essencialmente de solos mais férteis, e distribuir-se-iam ao longo de um arco Nordeste-Sudoeste conectando a Caatinga às fronteiras do Chaco. Como argumentam estes autores, se há uma rota noroeste-sudeste para espécies de florestas associadas a cursos de água no Brasil Central, também há esse arco nordeste-sudoeste para espécies calcífilas decíduas. Portanto, inúmeras espécies das florestas do Brasil Central parecem ajustar-se a esses dois grandes padrões de distribuição (Oliveira Filho e Ratter, 1995).

1.2 – Origem das formações savânicas e campestres A origem das formações savânicas e campestres do Cerrado é muito discutida e a literatura é rica em teorias que tentam explicá-la (Warming, 1973; Rawitscher, 1948; Beard, 1953; Alvim, 1954, 1996; Arens, 1958a, 1958b, 1963; Ferri, 1963; Eiten, 1972, 1994; Coutinho, 1978; Goodland e Ferri, 1979; Coutinho 1980,1992). De maneira geral, tais teorias podem ser sintetizadas em três grupos, utilizando termos sugeridos por Beard (1953) para as savanas da América Tropical:
1 - teorias climáticas, pelas quais a vegetação seria o resultado do clima, principalmente em função da limitação sazonal de água no período seco (estacionalidade) (Warming, 1973); 2 - teorias bióticas, nas quais a vegetação seria o resultado de ação antrópica, principalmente pelo uso freqüente do fogo; ou ainda resultante da atividade de outros agentes da biota como as formigas (Rawitscher, 1948; Coutinho, 1980, 1992); e 3 - teorias pedológicas, em que a vegetação seria dependente de aspectos edáficos e geológicos,como deficiências minerais (oligotrofismo), saturação por elementos como alumínio, diferenças de drenagem e profundidade dos solos (Beard, 1953; Goodland e Ferri, 1979). No final do século XIX, Warming (1973) foi quem primeiro indicou o clima como o fator determinante das formações savânicas e campestres do bioma, onde a deficiência hídrica no período seco seria o principal fator limitante. Posteriormente, Rawitscher (1948) sugeriu que os fatores antrópicos poderiam ter tanta influência quanto o clima e a deficiência hídrica. Nas décadas seguintes, a deficiência nutricional do solo foi investigada e teve sua importância reconhecida (Beard, 1953; Alvim, 1954; Arens, 1958b, 1963; Eiten, 1972, 1994; Goodland e Ferri, 1979). Segundo Eiten (1994) as formas fisionômicas do Cerrado dependeriam de três aspectos do substrato: a fertilidade e o teor de alumínio disponível (baixa fertilidade, altos teores de alumínio), a profundidade do solo, e o grau de saturação hídrica das camadas superficial e subsuperficial do solo. Alvim (1996) voltou a defender a deficiência hídrica como principal fator limitante para a origem do Cerrado, embora tenha identificado os aspectos edáficos e as queimadas como fatores de modificação da flora e das características fisionômicas da região. Contudo, conforme conclusão desse autor, tanto o solo quanto o fogo “nada têm a ver com os processos evolutivos que deram origem ao aparecimento das 24

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plantas típicas do ecossistema”, o que demonstra a polêmica que ainda cerca o assunto. Atualmente há uma tendência em admitir que os fatores clima, biota e solo contribuiriam de alguma forma para o aspecto geral da vegetação, tanto em escala evolutiva (tempo geológico) quanto em escala sucessional (tempo ecológico). O clima tem influência temporal na origem da vegetação. As chuvas ao longo do tempo geológico intemperizaram os solos deixando-os pobres em nutrientes essenciais, e com alta disponibilidade de alumínio. Em função disto, a vegetação pode ser definida como o resultado indireto do clima, induzindo-a para um clímax edáfico (Eiten, 1994).

1.3 – Cerrado: definição de termos Antes de analisar os tipos fitofisionômicos que compõem o mosaico vegetacional do bioma Cerrado, é importante definir alguns termos, discutindo especialmente seu conceito. Cerrado é uma palavra de origem espanhola que significa fechado. Este termo busca traduzir a característica geral da vegetação lenhosa densa que ocorre na formação savânica. Entretanto, a falta de uniformidade na sua utilização ao longo da história gerou uma série de controvérsias e dificuldades na comparação de trabalhos da literatura.
Cerrado tem sido usado tanto para designar tipos de vegetação (tipos fitofisionômicos) quanto para definir formas de vegetação (formação ou categoria fitofisionômica).Também pode estar associado a adjetivos que se referem a características estruturais ou florísticas particulares, encontradas em regiões específicas. Por tipo de vegetação entende-se a fisionomia, a flora e o ambiente, e por forma de vegetação apenas a fisionomia (Eiten, 1979). A fisionomia inclui a estrutura, as formas de crescimento (árvores, arbustos etc.) e as mudanças estacionais (sempre-verde, semidecídua etc.) predominantes na vegetação. A estrutura, por sua vez, refere-se à disposição, organização e arranjo dos indivíduos na comunidade, tanto em altura (estrutura vertical) quanto em densidade (estrutura horizontal). Alguns sistemas de classificação também podem definir fisionomia pelos critérios consistência e tamanho das folhas (Eiten, 1979). Para definir um tipo de vegetação, em qualquer escala, pode-se usar um, dois ou os três critérios que compõem este termo. O mesmo vale para definir fisionomias, embora a estrutura ou as formas de crescimento dominantes, ou ambas, sejam os critérios mais utilizados. Portanto, o uso do termo “cerrado” como tipo de vegetação pode incorporar componentes que não são observados quando apenas a forma de vegetação é considerada.

O emprego do termo “cerrado” evoluiu, de modo que atualmente existem três acepções gerais de uso corrente, e que devem ser diferenciadas. A primeira e mais abrangente, refere-se ao bioma predominante no Brasil Central, que deve ser escrita com a inicial maiúscula (“Cerrado”). Quando se fala em região do Cerrado ou região dos Cerrados, normalmente a referência é feita ao bioma, ou à área geográfica coincidente com o bioma. O termo Cerrado não deve ser usado no plural para indicar o bioma, pois existe apenas um bioma Cerrado. A segunda acepção, cerrado sentido amplo (lato sensu = s.l.), reúne as formações savânicas e campestres do bioma, incluindo desde o cerradão até o campo limpo (Coutinho, 1978; Eiten, 1994). Portanto, sob este conceito há uma única formação florestal incluída, o cerradão. O Cerrado sentido amplo é um tipo de vegetação definido pela composição florística e pela fisionomia (formas de crescimento), sem que o critério estrutura seja considerado. Alguns autores falam em região dos cerrados, ou cerrados, fazendo referência apenas ao Cerrado sentido amplo e não ao bioma. A terceira acepção do termo, cerrado s.s. (sensu stricto ), designa um dos tipos fitofisionômicos que ocorrem na formação savânica, definido pela composição florística e pela fisionomia, considerando tanto a estrutura quanto as formas de crescimento dominantes. Por ser uma das suas principais fitofisionomias o cerrado s.s. caracteriza bem o bioma Cerrado. Outras aplicações que a palavra “cerrado” pode apresentar são variantes ou subdivisões de algum dos três conceitos anteriores, principalmente do Cerrado sentido amplo. Em geral designam tipos de vegetação. Como exemplos, na literatura são encontrados termos como campo cerrado, cerrado aberto, cerrado denso e cerrado interfluvial, cuja adoção segue algum autor ou determinada escala de trabalho.

I.4 – Trabalhos abordando terminologia fitofisionômica A problemática da definição e uniformização da nomenclatura dos tipos fisionômicos do Cerrado tem sido bastante discutida. Ao classificar a vegetação mundial o assunto foi abordado por Eiten (1968), entre outros, e discutido para a América do Sul por Beard (1953) e Eiten (1974). Para a vegetação brasileira como um todo, o tema foi tratado por Löfgren (1898), Dansereau (1948), Aubréville (1961), Magnanini (1961), Eiten (1968, 1983), Ferri (1974, 1980), Rizzini (1979), Kuhlmann e Correia (1982), Fernandes e Bezerra (1990) e IBGE (1992). Já os diferentes tipos ou formas de vegetação do Cerrado foram tratados por Veloso (1948), Kuhlmann (1956), Cole (1958), Goodland (1971), Goodland e Polard (1973), Coutinho (1978),
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Eiten (1979, 1994), Aoki e Santos (1979), Ribeiro et al (1983) e Nogueira Neto (1991). Trabalhos mais detalhados em áreas específicas, procurando incluir no conceito dos tipos fisionômicos alguns componentes da flora foram discutidos por Azevedo (1962, 1966), Rizzini e Heringer (1962), Ratter et al (1973,1978), Rizzini (1975), Eiten (1976, 1977 e 1978), Goodland e Ferri (1979), Ratter (1980) e Oliveira Filho e Martins (1986). De maneira geral, a maioria dos autores acima mencionados enfocou somente as formações savânicas e campestres do bioma, sem considerar convenientemente as formações florestais. Exceções são encontradas nos trabalhos de Eiten (1972, 1983), Ratter et al (1973), Ribeiro et al (1983) e Oliveira Filho e Martins (1986), entre outros. Por outro lado, Hueck (1972) para a América do Sul, Campos (1943) e Dansereau (1948) para o Brasil, enfocaram basicamente as florestas, discutindo em seus trabalhos os tipos existentes no Cerrado. Já Prado e Gibbs (1993) e Oliveira Filho e Ratter (1995) apresentaram breves definições tipológicas da vegetação florestal no Brasil Central, a partir dos atuais padrões de distribuição geográfica de algumas espécies arbóreas. A fitossociologia tem sido um recurso de grande valia para destacar diferenças entre as fitofisionomias do bioma. Como exemplos, esta foi usada para diferenciar as várias formas de cerrado sentido amplo (Goodland e Polard, 1973); para ampliar as diferenças estruturais e florísticas do cerradão para outras formas de Cerrado sentido amplo (Ribeiro et al, 1982a, Araújo e Haridasan, 1989, Ribeiro e Haridasan, 1990); para testar diferenças de fatores abióticos entre fitofisionomias (Oliveira Filho et al, 1989) e para diferenciar subtipos de matas de galeria no Brasil Central (Walter, 1995).

(1979) propôs uma terminologia universal auto-explicativa que busca descrever, sucintamente, as formas de vegetação, em detrimento de termos regionais que seriam dúbios. O autor destacou que sua terminologia seria indicada para caracterizações precisas, adotando termos como “mata aberta com escrube fechado, ambos latifoliados”; “arvoredo de escrube e árvores latifoliado semidecíduo” ou “savana curtigraminosa estacional com árvores latifoliadas semidecíduas e escrube com palmeiras acaules”. Nogueira Neto (1991), por sua vez, apresentou termos como “quase-maxicerrado aberto”, “mesocerrado medianamente aberto” ou “minicerrado denso”. Os termos propostos por estes autores são demasiadamente longos, de pouca difusão, ou ainda de difícil aplicabilidade prática para inúmeros trabalhos. Neste capítulo adota-se e amplia-se a terminologia básica definida por Ribeiro et al (1983), por ser mais simples e por utilizar termos regionais consagrados. Esta terminologia tem sido bastante usada em projetos na escala de comunidades e tem integrado trabalhos de diferentes áreas da pesquisa no Cerrado, principalmente em disciplinas correlatas à botânica.

I.6 - Principais tipos fisionômicos do Cerrado. Os critérios aqui adotados para diferenciar os tipos fitofisionômicos são baseados primeiramente na fisionomia (forma), definida pela estrutura, pelas formas de crescimento dominantes e por possíveis mudanças estacionais. Posteriormente consideram-se aspectos do ambiente (fatores edáficos) e da composição florística. No caso de tipos fitofisionômicos em que há subtipos, o ambiente e a composição florística foram os principais critérios de separação. Nas novas fitofisionomias propostas, não consideradas por Ribeiro et al (1983), foram adotados termos regionais de uso difundido.
São descritos onze tipos fitofisionômicos gerais, muitos dos quais apresentam subtipos: a) Formações florestais (Mata Ciliar, Mata de Galeria, Mata Seca e Cerradão), b) Formações savânicas (Cerrado s.s., Parque de Cerrado, Palmeiral e Vereda) e c) Formações campestres (Campo Sujo, Campo Rupestre e Campo Limpo). a) Formações florestais: As formações florestais do Cerrado englobam os tipos de vegetação com predomínio de espécies arbóreas e formação de dossel. A Mata Ciliar e a Mata de Galeria são fisionomias associadas a cursos de água, que podem ocorrer em terrenos bem drenados ou mal drenados. A Mata Seca e o Cerradão ocorrem nos 26

1.5 – Terminologia fitofisionômica Padronizar a nomenclatura dos tipos fitofisionômicos encontrados na região do Cerrado tem sido uma tarefa difícil, pois diferentes autores adotam critérios e escalas distintas, baseadas em princípios ou origens diferenciadas. Kuhlmann e Correia (1982) classificaram tais critérios nas seguintes categorias: localização ou situação geográfica, topografia ou fatores geográficos, geológicos ou pedológicos, condições ecológicas, categorias fitofisionômicas (ou tipos) e terminologia regional ou local de diversas origens. Esses autores destacam que no Cerrado e na Caatinga (AndradeLima, 1981) concentram-se as maiores dificuldades de classificação da vegetação, apesar da existência de várias tentativas, a maioria das quais sem continuidade. Eiten

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interflúvios, em terrenos bem drenados. A Mata de Galeria possui dois subtipos: nãoInundável e Inundável. A Mata Seca, três subtipos: Sempre-Verde, Semi-Decídua e Decídua. O Cerradão pode ser classificado como Mesotrófico ou Distrófico. Mata Ciliar: caracteriza-se pela vegetação florestal que acompanha os rios de médio e grande porte da região do Cerrado, em que a vegetação arbórea não forma galerias. Em geral essa Mata é relativamente estreita em ambas as margens, dificilmente ultrapassando 100m de largura em cada. É comum a largura em cada margem ser proporcional à largura do leito do rio, embora em áreas planas possa ser maior. Porém, geralmente a Mata Ciliar ocorre sobre terrenos acidentados, podendo haver uma transição nem sempre evidente para outras fisionomias florestais como a Mata Seca e o Cerradão. A Mata Ciliar diferencia-se da Mata de Galeria pela composição florística e pela deciduidade, sendo que na Mata Ciliar há diferentes graus de caducifolia na estação seca enquanto que a Mata de Galeria é perenifólia. Floristicamente, ela é similar à Mata Seca, diferenciando-se desta pela associação ao curso de água e pela estrutura, que em geral é mais densa e mais alta. Os solos podem ser rasos como os Cambissolos, Concrecionários ou Litossolos profundos, como os Latossolos e Podzólicos, ou ainda ser solos Aluviais ou Hidromórficos. Muitas vezes os indivíduos arbóreos crescem entre as fendas de afloramentos de rochas, que podem ser comuns na fitofisionomia. A camada de serapilheira que se forma é sempre menos profunda que a encontrada nas Matas de Galeria. As árvores, predominantemente eretas, variam em altura de 20 a 25m, com alguns poucos indivíduos emergentes alcançando 30m ou mais. As espécies típicas são predominantemente caducifólias, com algumas sempre-verdes, conferindo à Mata Ciliar um aspecto semidecíduo. Ao longo do ano as árvores fornecem uma cobertura arbórea variável de 50 a 90%. Na estação chuvosa a cobertura chega a 90%, dificilmente ultrapassando este valor, ao passo que na estação seca pode até mesmo ser < 50% em alguns trechos. Como espécies arbóreas freqüentes podem ser citadas: Anadenanthera spp. (angicos), Apeiba tibourbou (pau-de-jangada, pente-demacaco), Aspidosperma spp.(perobas), Celtis iguanaea (grão-de-galo), Enterolobium contortisiliquum (tamboril), Inga spp. (ingás), Myracrodruon urundeuva (aroeira), Sterculia striata (chichá), Tabebuia spp. (ipês), Trema micrantha (crindiúva) e Triplaris gardneriana (pajeú). Também pode ser comum a presença das espécies Cecropia pachystachya (embaúba) e Attalea speciosa (babaçu) em locais abertos (clareiras). O número de espécies de Orchidaceae epífitas é baixo, embora as espécies Encyclia linearifolioides, Oncidium cebolleta, 27

O.fuscopetalum, O. macropetalum e Lockhartia goyazensis sejam freqüentes na comunidade, tal qual ocorre nas Matas Secas Semidecíduas e Decíduas. Diferentes trechos ao longo de uma Mata Ciliar podem apresentar composição florística bastante variável, havendo faixas que podem ser dominadas por poucas espécies. Ao lado dos leitos dos rios, em locais sujeitos às grandes enchentes, pode haver o predomínio de espécies arbóreas como Celtis iguanaea, Ficus spp.(gameleiras), Inga spp. e Trema micrantha, ou mesmo de gramíneas de grande porte como Gynerium sagittatum (canarana) ou Guadua paniculata (taquara, bambu); como ocorre nos grandes rios ao nordeste do Estado de Goiás. Nesta região é comum a formação de bancos de areia (praias) onde predomina uma vegetação arbustivo herbácea característica, com a presença de espécies das famílias Boraginaceae, Myrtaceae e Rubiaceae. Nos locais onde pequenos afluentes (córregos ou riachos) deságuam no rio principal, a flora típica da Mata Ciliar pode misturar-se à flora da Mata de Galeria, fazendo com que a delimitação fisionômica entre um tipo e outro seja dificultada. Mata de Galeria: caracteriza-se pela vegetação florestal que acompanha os rios de pequeno porte e córregos dos planaltos do Brasil Central, formando corredores fechados (galerias) sobre o curso de água. A Mata de Galeria geralmente localiza-se nos fundos dos vales ou nas cabeceiras de drenagem onde os cursos de água ainda não escavaram um canal definitivo (Ratter et al, 1973, Ribeiro et al, 1983). Essa fisionomia é perenifólia, não apresentando caducifolia durante a estação seca. Quase sempre é circundada por faixas de vegetação não florestal em ambas as margens, e em geral ocorre uma transição brusca com formações savânicas e campestres. A transição é quase imperceptível quando ocorre com Matas Ciliares, Matas Secas ou mesmo Cerradões, o que é mais raro, muito embora pela composição florística seja possível diferenciá-las. A altura média do estrato arbóreo varia entre 20-30m, apresentando uma superposição das copas que fornecem cobertura arbórea de 70 a 95%. No seu interior a umidade relativa é alta mesmo na época mais seca do ano. A presença de árvores com pequenos sapopemas ou saliências nas raízes é freqüente, principalmente nos locais mais úmidos. É comum haver grande número de espécies epífitas, principalmente Orchidaceae, em quantidade superior à que ocorre nas demais formações florestais do Cerrado. Os solos são geralmente Cambissolos, Concrecionários, Podzólicos, Hidromórficos ou Aluviais, podendo mesmo ocorrer Latossolos semelhantes aos das áreas de cerrado (sentido amplo) adjacentes. Neste último caso, devido a

posição topográfica, os Latossolos apresentam maior fertilidade devido ao carreamento de material das áreas adjacentes e da matéria orgânica oriunda da própria vegetação. Não obstante, os solos da Mata podem apresentar acidez maior que a encontrada naquelas áreas. De acordo com a composição florística e características ambientais, como topografia e variação na altura do lençol freático ao longo do ano, a Mata de Galeria pode ser de dois tipos: a) Mata de Galeria não-Inundável e Mata de Galeria Inundável. Mata de Galeria não-Inundável é uma vegetação florestal que acompanha um curso de água, onde o lençol freático não está próximo ou sobre a superfície do terreno na maior parte dos trechos o ano todo, mesmo na estação chuvosa. Apresenta trechos longos com topografia acidentada, sendo poucos os locais planos. Possui solos bem drenados e uma linha de drenagem (leito do córrego) definida. Caracteriza-se pela grande importância fitossociológica de espécies das famílias Apocynaceae (Aspidosperma spp.), Leguminosae, Lauraceae (Nectandra spp., Ocotea spp.) e Rubiaceae por um número expressivo de espécies das famílias Leguminosae (Apuleia leiocarpa, Copaifera langsdorffii, Hymenaea courbaril, Ormosia spp., Sclerolobium spp.), Myrtaceae (Gomidesia lindeniana, Myrcia spp.) e Rubiaceae (Alibertia spp., Amaioua spp., Ixora spp.,Guettarda viburnoides). Além dessas espécies podem ser destacadas: Bauhinia rufa (pata-de-vaca), Callisthene major (tapicuru), Cardiopetalum calophyllum, Cariniana rubra(jequitibá), Cheiloclinum cognatum, Erythroxylumdaphnites, Guarea guidonea (marinheiro), Guarea kunthiana, Guatteria sellowiana, Licania apetala (ajurú, oiti), Piptocarpha macropoda (coração de-negro), Tetragastris balsamifera, Vochysia pyramidalis, Vochysia tucanorum (pau-de-tucano) e Xylopia sericea (pindaíbavermelha). Por Mata de Galeria Inundável entende-se a vegetação florestal que acompanha um curso de água, onde o lençol freático está próximo ou sobre a superfície do terreno na maior parte dos trechos durante o ano todo, mesmo na estação seca. Apresenta trechos longos com topografia bastante plana, sendo poucos os locais acidentados. Possui drenagem deficiente e linha de drenagem (leito do córrego) muitas vezes pouco definida e sujeita a modificações. Caracteriza-se pela grande importância fitossociológica de espécies das famílias Burseraceae (Protium spp.), Clusiaceae (Calophyllum brasiliense, Clusia spp.), Euphorbiaceae (Richeria grandis) e Magnoliaceae (Talauma ovata), e por um número expressivo de espécies das famílias Melastomataceae (Miconia spp, Tibouchina spp.), Piperaceae (Piper spp.) e Rubiaceae (Coccocypselum guianense, Ferdinandusa speciosa, Palicourea spp. e Posoqueria latifo28

lia) (Walter, 1995). Além destas espécies podem ser destacadas: Cedrela odorata (cedro), Croton urucurana (sangra d´água), Dendropanax cuneatum (maria-mole), Euplassa inaequalis, Euterpe edulis (jussara), Hedyosmum brasiliense (chá-de-soldado), Guarea macrophylla (marinheiro), Mauritia flexuosa (buriti), Prunus spp., Virola urbaniana (virola) e Xylopia emarginata (pindaíba-preta). Espécies como Miconia chartacea, Ocotea aciphylla (canela-amarela) e Pseudolmedia laevigata (larga-galha) também são indicadoras de terrenos com lençol freático mais alto, embora dificilmente sejam encontradas em terrenos permanentemente inundados. Algumas espécies podem ser encontradas indistintamente, tanto na Mata de Galeria não-Inundável quanto na Mata de Galeria Inundável. São espécies indiferentes aos níveis de inundação do solo. Entre estas: Protium heptaphyllum (breu, almécega), Psychotria carthagenensis, Schefflera morototoni (morototó), Styrax camporum (cuia-debrejo), Symplocos nitens (congonha), Tapirira guianensis (pau-pombo, pombeiro) e Virola sebifera (virola). Protium heptaphyllum eTapirira guianensis, em particular, podem apresentar grande importância fitossociológica nos dois subtipos de Mata de Galeria. Mata Seca: estão incluídas aqui as formações florestais caracterizadas por diversos níveis de caducifolia durante a estação seca, dependentes das condições químicas, físicas e principalmente da profundidade do solo. A Mata Seca não possui associação com cursos de água, ocorrendo nos interflúvios em solos geralmente mais ricos em nutrientes. Em função do tipo de solo, da composição florística e, em conseqüência, da queda de folhas no período seco, a Mata Seca pode ser de três subtipos: Mata Seca Sempre-Verde, Mata Seca Semidecídua, a mais comum, e Mata Seca Decídua . Em todos esses subtipos a queda de folhas contribui para o aumento da matéria orgânica no solo, mesmo na Mata Seca Sempre-Verde. A Mata Seca pode ser encontrada em solos desenvolvidos em rochas básicas de alta fertilidade (Terra Roxa, Brunizém ou Cambissolos), em Latossolos Roxo e Vermelho-Escuro, de média fertilidade, em que ocorrem as Matas Secas Sempre-Verde e Semidecídua. Sobre solos de origem calcária, às vezes com afloramentos rochosos típicos, geralmente ocorre a Mata Seca Decídua, que também pode ocorrer em solos de outras origens. A altura média do estrato arbóreo varia entre 15-25m. A grande maioria das árvores é ereta, com alguns indivíduos emergentes. Na época chuvosa as copas se tocam fornecendo uma cobertura arbórea de 70-95%. Na época seca a cobertura pode ser <50%, especialmente na Mata Decídua, onde predominam espécies caducifólias. O dossel fechado na época chuvosa desfavorece a presença de muitas

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plantas arbustivas, enquanto a diminuição da cobertura na época seca não possibilita a presença de muitas espécies epífitas. Estas ocorrem, em menor quantidade do que na Mata de Galeria, havendo até mesmo espécies de Orchidaceae indicadoras das Matas Secas Decídua e Semidecídua como Encyclia linearifolioides, Oncidium cebolleta, O. fuscopetalum, O. macropetalum e O.pumilum (L. Bianchetti, com. pes.). Como espécies arbóreas freqüentes encontram-se: Amburana cearensis (cerejeira, imburana), Anadenanthera colubrina (angico), Cariniana estrellensis (bingueiro, jequitibá), Cassia ferruginea (canafístula-preta), Cedrela fissilis (cedro), Centrolobium tomentosum (araribá), Chloroleucon tenuiflorum (jurema), Chorisia speciosa (paineira), Dilodendron bippinatum (maria-pobre), Guazuma ulmifolia (mutamba), Jacaranda caroba (caroba), Lonchocarpus sericeus (imbira-de-porco), Myracrodruon urundeva (aroeira), Physocallimma scaberrimum (cega-machado), Platycyamus regnellii (pau-pereira, folha-de-bolo), Tabebuia spp. (ipês, pau d´arco), Terminalia spp (capitão), Trichilia elegans e Zanthoxylum rhoifolium (maminha-de-porca). A Mata Seca Decídua pode apresentar-se com um aspecto singular (estrutura e ambiente), se ocupa áreas rochosas de origem calcária, quando também é conhecida por “Mata Seca em solo calcário” ou ainda “Mata Calcária”. Tais áreas em geral são bastante acidentadas e possuem a composição florística ligeiramente diferenciada dos demais tipos de Mata Seca, mesmo as Decíduas sobre outros solos mesotróficos. As copas não se tocam necessariamente (dossel pode ser descontínuo), fornecendo uma cobertura arbórea de 50 -70% na estação chuvosa. Além da topografia, a caracterização desta fitofisionomia se dá pela presença de espécies como Bursera leptophloeus (amburanade-cambão), Cavanillesia arborea (barriguda), Chorisia speciosa (barriguda), Combretum duarteanum, Spondias tuberosa (umbuzeiro), agrupamentos de Cyrtopodium spp. (sumaré) e algumas espécies de Cactaceae e Araceae. É também grande o número de espécies espinhosas ou urticantes. De acordo com Ratter et al; (1978) esse tipo de Mata possui grande afinidade florística com a Caatinga, podendo ser considerada como um tipo de “Caatinga arbórea” (Andrade-Lima 1981, Prado e Gibbs, 1993). Cerradão: é uma formação florestal com aspectos xeromórficos, sendo também conhecido pelo nome “Floresta Xeromorfa” (Rizzini, 1963). Para Campos (1943) “o Cerradão é mata mais rala e fraca”. Caracteriza-se pela presença de espécies que ocorrem no Cerrado s.s. e também por espécies de mata. Do ponto de vista fisionômico é uma floresta, mas floristicamente é mais similar a um Cerrado. O Cerradão apresenta dossel predominantemente contínuo e cobertura arbórea que pode oscilar de 50 29

a 90%. A altura média do estrato arbóreo varia de 815m, proporcionando condições de luminosidade que favorecem à formação de estratos arbustivo e herbáceo diferenciados. Embora possa ser perenifólio, muitas espécies comuns ao Cerrado como Caryocar brasiliense, Kielmeyera coriacea e Qualea grandiflora apresentam caducifolía em determinados períodos na estação seca; períodos nem sempre coincidentes com aqueles das populações do Cerrado (Ribeiro et al, 1982b). A presença de espécies epífitas é reduzida. Em sua maioria, os solos de Cerradão são profundos, bem drenados, de média e baixa fertilidade, ligeiramente ácidos, pertencentes às classes Latossolo Vermelho-Escuro, Vermelho-Amarelo ou Roxo. Também pode ocorrer em proporção menor Cambissolo Distrófico. O teor de matéria orgânica nos horizontes superficiais é médio e recebe um incremento anual de resíduos orgânicos provenientes da deposição de folhas durante a estação seca. De acordo com a fertilidade do solo o Cerradão pode ser classificado como Cerradão Distrófico (solos pobres) ou Cerradão Mesotrófico (solos mais ricos), cada qual possuindo espécies características adaptadas a esses ambientes (Ratter et al, 1978, Ribeiro et al, 1982a, 1985, Araújo e Haridasan, 1989, Ribeiro e Haridasan, 1990, Oliveira Filho e Ratter, 1995). De maneira geral, as espécies arbóreas mais freqüentes no Cerradão são: Callisthene fasciculata (jacaré-da-folhagrande), Caryocar brasiliense (pequi), Copaifera langsdorffii (copaíba), Emmotum nitens (sobre, carvalho), Hirtella glandulosa (oiti), Lafoensia pacari (mangaba-brava, pacari), Magonia pubescens (tinguí), Siphoneugenia densiflora (maria-preta), Vochysia haenkeana (escorrega-macaco) e Xylopia aromatica (pindaíba, pimenta-de-macaco). Há autores (Rizzini e Heringer, 1962, Ratter et al, 1978) que também mencionam como espécies normalmente encontradas Agonandra brasiliensis (pau-marfim), Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Dalbergia miscolobium (jacarandá-do-cerrado), Dimorphandra mollis (faveiro), Kielmeyera coriacea (pau-santo), Machaerium opacum (jacarandá-muchiba), Platypodium elegans (canzileiro), Pterodon emarginatus (sucupira branca), Qualea grandiflora (pau-terra-grande) e Sclerolobium paniculatum (carvoeiro). Como espécies freqüentes Rizzini e Heringer (1962) citam, entre outras, as espécies Alibertia edulis (marmelada-de-cachorro), A. sessilis, Brosimum gaudichaudii (mama-cadela), Bauhinia bongardii (unha de-vaca), Casearia sylvestris, C. javitensis, Copaifera oblongifolia, Duguetia furfuracea, Miconia albicans, M. macrothyrsa e Rudgea viburnoides (bugre). Do estrato herbáceo Filgueiras (1994) menciona como freqüentes, para a região da Chapada dos Veadeiros (GO), espécies dos seguintes gêneros de Poaceae: Aristida, Axonopus, Paspalum e Trachypogon. Todas as espécies mencionadas podem ser encontradas em outras formações florestais

ou savânicas. Ao estudarem a vegetação da Chapada Pratinha, Felfili et al (1994) não encontraram nenhuma espécie exclusiva de Cerradão, quer no estrato arbóreo, quer no estrato arbustivo. b) Formações savânicas: As formações savânicas do Cerrado englobam quatro tipos fitofisionômicos principais: o Cerrado s.s., o Parque de Cerrado, o Palmeiral e a Vereda. O Cerrado s.s. caracteriza-se pela presença dos estratos arbóreo e arbustivo-herbáceo definidos, com as árvores distribuídas aleatoriamente sobre o terreno em diferentes densidades. No Parque de Cerrado a ocorrência de árvores é concentrada em locais específicos do terreno. No Palmeiral, que pode ocorrer tanto em áreas bem drenadas quanto em áreas mal drenadas, há a presença marcante de determinada espécie de palmeira arborescente e as árvores de outras espécies (dicotiledôneas) não têm destaque. Já a Vereda também é caracterizada pela presença de uma única espécie de palmeira, o buriti, mas esta ocorre em menor densidade que em um Palmeiral e é circundada por um estrato arbustivo-herbáceo característico. De acordo com a densidade (estrutura) arbóreo-arbustiva, ou do ambiente em que se encontram, o Cerrado s.s. apresenta quatro subtipos: Cerrado Denso, Cerrado Típico, Cerrado Ralo e Cerrado Rupestre. O Palmeiral pode ter vários subtipos, determinados pela espécie dominante. Cerrado s.s.: É caracterizado pela presença de árvores baixas, inclinadas, tortuosas, com ramificações irregulares e retorcidas, e geralmente com evidências de queimadas. Os arbustos e subarbustos encontramse espalhados, com algumas espécies apresentando órgãos subterrâneos perenes (xilopódios), que permitem a rebrota após a ocorrência de queimadas ou corte. Na época chuvosa os estratos subarbustivo e herbáceo tornam-se exuberantes devido ao seu rápido crescimento. Os troncos das plantas lenhosas em geral possuem cascas com cortiça grossa, fendida ou sulcada, e as gemas apicais de muitas espécies são protegidas por densa pilosidade. As folhas em geral são rígidas e coriáceas. Esses caracteres fornecem aspectos de adaptação à condições de seca (xeromorfismo). Todavia é bem relatado na literatura que as plantas arbóreas não sofrem restrição hídrica durante a estação seca (Goodland e Ferri, 1979), pelo menos os indivíduos de espécies que possuem raízes profundas (Ferri 1974), embora o assunto ainda seja controverso (Alvim, 1996). Grande parte dos solos da vegetação de Cerrado é das classes Latossolo Vermelho-Escuro, Latossolo Vermelho-Amarelo e Latossolo Roxo. Apesar das boas características físicas, são solos forte ou moderadamente ácidos (pH 4,5-5,5), com carência 30

generalizada dos nutrientes essenciais, principalmente fósforo e nitrogênio. Com freqüência apresentam altas taxas de alumínio. O teor de matéria orgânica varia de médio a baixo. A fitofisionomia pode também ocorrer em Cambissolos, Areias Quartzosas, Litossolos, Solos Concrecionários ou Hidromórficos. Quando a vegetação nativa de Cerrado é retirada, a área fica suscetível a problemas de erosão, o que é mais grave sobre Areias Quartzosas. Ratter e Dargie (1992), Castro (1994 b) e Ratter et al (1996) compararam diversos trabalhos publicados sobre a vegetação do Cerrado s.s., listando as espécies arbóreas mais características. Das 98 áreas comparadas pelo Brasil, Ratter et al (1996) mostraram que 26 espécies ocorreram em pelo menos 50% das áreas. São elas: Acosmium dasycarpum (amargosinha), Annona crassiflora (araticum), Astronium fraxinifolium (gonçalo-alves), Brosimum gaudichaudii, Bowdichia virgilioides (sucupira-preta), Byrsonima coccolobifolia (murici), B. verbascifolia (murici), Caryocar brasiliense, Connarus suberosus, Curatella americana (lixeira), Dimorphandra mollis (faveiro), Erythroxylum suberosum, Hancornia speciosa (mangaba), Hymenaea stigonocarpa (jatobá-do-cerrado), Kielmeyera coriacea, Lafoensia pacari, Machaerium acutifolium (jacarandá), Pouteria ramiflora (curriola), Qualea grandiflora, Q. multiflora (pau-terra-liso), Q. parviflora (pau-terra-roxo), Roupala montana (carne-de-vaca), Salvertia convallariaeodora (bate-caixa), Tabebuia aurea,T. ochracea (ipê-amarelo) e Tocoyena formosa (jenipapodo-cerrado). (Figuras 1-9). Outras espécies arbóreas freqüentes são: Anacardium occidentale (cajueiro), Diospyros hispida (olho-de-boi), Enterolobium ellipticum (vinhático cascudo), Guapira opposita (maria-mole), Miconia ferruginata, Ouratea hexasperma (cabeça-de-negro), Piptocarpha rotundifolia (coração-de-negro), Plathymenia reticulata (vinhático), Salacia crassifolia (bacupari), Schefflera macrocarpum (mandiocão-do-cerrado), Simarouba versicolor (simaruba), Sclerolobium aureum (carvoeiro), Vochysia elliptica e V. rufa (pau doce) (Figura 10). Como espécies de distribuição restrita, destacam-se Andira cordata, Caryocar coriaceum e Parkia platycephala, na região nordeste, Acosmium subelegans e Eremanthus glomerulatus na região centro-sul e Mezilaurus crassiramea mais a Oeste (Figuras 11-12). Áreas marginais que limitam o Cerrado com outros biomas podem apresentar outras espécies características,como no Oeste da Bahia e Sul do Maranhão: Caryocar coriaceum (pequi), Dimorphandra gardneriana (faveiro), Eremanthus graciellae, Eschweilera nana (sapucainha), Hirtella ciliata, Mouriri elliptica (puçá), Myrcia sellowiana, Parkia platycephala (faveira) e Platonia insignis (bacuri) (Eiten 1994a, Walter e Ribeiro, 1996). Áreas disjuntas na Amazônia parecem apresentar as mesmas espécies da área nuclear, ou área core do Cerrado, porém com menor riqueza (Miranda, 1993). As espécies arbustivas mais

31 .Vegetação e Flora Figura 1: Distribuição geográfica de Annona crassiflora Mart.

Figura 2: Distribuição geográfica de Astronium fraxinifolium Schott. 32 .

Vegetação e Flora Figura 3: Distribuição geográfica de Brosimum gaudichaudii Trécul. 33 .

34 .Figura 4: Distribuição geográfica de Bowdichia virgilioides Kunth.

Vegetação e Flora Figura 5: Distribuição geográfica de Byrsonima coccolobifolia Kunt. 35 .

Figura 6: Distribuição geográfica de Cariocar brasiliense Cambess.

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Figura 7: Distribuição geográfica de Curatella americana L.

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Figura 8: Distribuição geográfica de Dimorphandra mollis Benth.

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Figura 9: Distribuição geográfica de Hancornia speciosa Gomez.

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Figura 10: Distribuição geográfica de Anacardium occidentale L.

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Figura 11: Distribuição geográfica de Cariocar coriaceum Wittm.

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Figura 12: Distribuição geográfica de Eremanthus glomerulatus Less.

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1971. 1953). Vários fatores parecem influenciar na densidade arbórea do Cerrado s. e estrato arbustivo-herbáceo também destacado. Pode ocorrer em trechos contínuos. O Cerrado Ralo apresenta diferenças estruturais em relação aos subtipos anteriores. seguindo um gradiente de densidade decrescente do Cerrado Denso ao Cerrado Ralo.. além da freqüência de queimadas (Coutinho. Hidromórficos e Litólicos. solos Litólicos ou Concrecionários. (Felfili et al. Heliotropium indicum. entre outras. e Kielmeyera rubriflora. pois comporta pouco solo entre afloramentos de rocha. Lychnophora ericoides (arnica). 1972. o Cerrado Típico e o Cerrado Ralo. o substrato é um critério de fácil diferenciação. No Cerrado Rupestre os indivíduos arbóreos concentramse nas fendas entre as rochas. enquanto em outros a flora arbustivo-herbácea pode predominar. sendo as principais: o Cerrado Denso. 1994). Davilla elliptica (lixeirinha). Possui cobertura arbórea variável de 5-20%. na distribuição espacial dos indivíduos lenhosos e na composição florística da vegetação. Cambissolos. tipicamente em solos rasos com presença de afloramentos de rocha e por apresentar outras espécies características. Esenbeckia pumila. Myrtaceae. Jararanda decurrens e Sabicea brasiliensis (sangue-decristo) (Warming. A composição florística inclui basicamente as espécies características anteriormente citadas. Eremanthus glomerulatus (coração-de-negro). como as condições edáficas (Waibel. Mesosetum loliiforme. dentre outros. 1979). Das herbáceas menciona-se: Axonopus barbigerus.Vermelho-Escuro. fertilidade. Hyparrhenia rufa (capim-jaraguá). 1989). Cissampelos ovalifolia. Já o Cerrado Rupestre diferencia-se dos três subtipos anteriores pelo substrato. Ocorre principalmente nos Latossolos Roxo. O Cerrado Denso é um subtipo de vegetação predominantemente arbóreo. Parinari obtusifolia (fruto-de-ema). Byrsonima crassa (murici). Schefflera . Trata-se 43 de uma forma comum e intermediária entre o Cerrado Denso e o Cerrado Ralo. 1994. provavelmente devido ao sombreamento resultante da maior densidade de árvores. Os reflexos desses fatores aparecem na estrutura. são originados da decomposição de arenitos e quartzitos. O Cerrado Típico ocorre em Latossolos Vermelho-Escuro. Beard. Syagrus petraea (coco-de-vassoura). altura média de 2-4m. Melinis minutiflora (capim-gordura) e Triumpheta semitriloba (carrapicho). A. pH e saturação de alumínio (Alvim e Araújo. tomentosa. Os solos. Paspalum spp. mas ainda assim com árvores presentes. Duguetia furfuracea. Syagrus flexuosa (coco-do-campo). mas geralmente aparece em mosaicos. Representa a forma mais densa e alta de Cerrado s. com cobertura arbórea de 20-50% e altura média de 3-6m. com cobertura arbórea de 5-20%e altura média de 2-3m. Hyptis spp. As três primeiras refletem variações na forma dos agrupamentos e espaçamento entre os indivíduos lenhosos.s. Cactaceae. originam-se subdivisões fisionômicas distintas do Cerrado s. Davilla elliptica. pode-se acrescentar a presença de arbustos e subarbustos como: Anacardium humile (cajuí). 1992) e ações antrópicas (Rawitscher. Vermelho-Amarelo e nos Cambissolos.s. Embora possua estrutura semelhante ao Cerrado Ralo. Às listas de espécies características já citadas. ácidos e apresentam baixos teores de matéria orgânica. 1952... adaptadas a esse ambiente. Protium ovatum (breu-do-cerrado). destacando-se no estrato subarbustivo-herbáceo algumas espécies das famílias Asteraceae. Goodland. Norantea spp. Bromeliaceae. A flora do Cerrado Rupestre apresenta alguns elementos florísticos também presentes no Campo Rupestre. Vellozia squamata (canela-de-ema) e Zeyheria digitalis (bolsa-de-pastor). Schizachirium tenerum e Trachypogon spp. Litólicos. Ocorre principalmente em Latossolo Vermelho-Amarelo. encontram-se plantas invasoras como Brachiaria decumbens. mas a composição florística é semelhante (Aoki e Santos. com cobertura de 50-70% e altura média de 5-8m. Solos Concrecionários. incluído em outros tipos de vegetação. Em áreas com pressão antrópica. além do Cerrado Rupestre. Cochlospermum regium (algodão-do-campo). Echinolaena inflexa (capim-flexinha). (mata pasto). Rubiaceae e Velloziaceae.s.s. Vermelho-Amarelo. Eriocaulaceae. 1980. condições hídricas e profundidade do solo (Eiten. Areias Quartzosas. Melastomataceae. Goodland e Ferri. muitas exóticas. Representa a forma mais baixa e menos densa de Cerrado s. Ab’Sáber 1983. Areias Quartzosas. Diplusodon spp. 1982). e a densidade é variável e dependente do volume de solo. Manihot spp. Araújo e Haridasan. Palicourea rigida (bate-caixa). dentre outros. Filgueiras. O Cerrado Rupestre é um subtipo de vegetação arbóreo-arbustiva que ocorre em ambientes rupestres (litófilos ou rochosos). Há casos em que as árvores podem dominar a paisagem. No estrato arbóreo-arbustivo são comuns as espécies Chamaecrista orbiculata. Cambissolos. 1994. 1973). O Cerrado Típico é um subtipo de vegetação predominantemente arbóreo-arbustivo. Os estratos arbustivo e herbáceo são mais ralos. 1948. Elephantopus mollis. pobres em nutrientes.Vegetação e Flora freqüentes são: Casearia sylvestris. O estrato arbustivo herbáceo é mais destacado que nos subtipos anteriores. Campomanesia corymbosa (gabiroba). Loudetiopsis chrysotrix. Devido à complexidade dos fatores condicionantes. além de Annona monticola. 1948). O Cerrado Ralo é um subtipo de vegetação arbóreo-arbustiva.

Sipolisia lanuginosa (veludo) e Wunderlichia crulsiana. cujo solo formou-se a partir da construção dos ninhos pelos cupins e da erosão e degradação de numerosas gerações de cupinzeiros. os Palmeirais comumente são formados pelas espécies Acrocomia aculeata (que caracteriza o macaubal) ou Syagrus oleracea (guerobal). quase sempre são dominados pela espécie Mauritia flexuosa (buriti). No bioma Cerrado podem ser encontrados diferentes subtipos de palmeirais.5m alt. que faz sucumbir outras espécies arbóreas (Eiten. . variável de 40 a 70%. 1981. Eriotheca gracilipes. a cobertura pode variar de 60 a 80%. caracterizando o babaçual. Annona. Bromelia e Vernonia. além de Ferdinandusa elliptica. O dossel do buritizal possui de 12 a 20m alt. 1994). Neste caso. embora sua presença seja marcante onde ocorre. Oliveira Filho e Furley. sem a dominância marcante do buriti. A presença do babaçu parece associar-se fortemente a áreas antropizadas. embora quando presentes ocorram com freqüência baixa. alguns trechos com buritizal devem ser considerados como formações florestais. A espécie resiste a fogo moderado.vinosa (mandiocão). Miconia albicans. Andira cuyabensis. Em geral os Palmeirais do Cerrado ocorrem em terrenos bem drenados. Como um agrupamento de buritis eventualmente pode formar galerias. o buritizal diferencia-se da Mata de Galeria Inundável pela flora que. embora não haja uma vegetação arbustivo-herbácea associada da maneira típica como na Vereda. Pelo domínio de determinada espécie. 1983. No Centro-Oeste o babaçu não chega a povoar grandes áreas como em largos trechos do Maranhão (Hueck. Muitas vezes o buritizal tem sido referido como Vereda. Parque de Cerrado: É uma formação savânica caracterizada pela presença de árvores agrupadas em pequenas elevações do terreno. pode-se designar um trecho de vegetação com o nome comum da espécie dominante. e é similar a que ocorre nos campos úmidos. que variam em estrutura de acordo com a espécie dominante. Palmeiral: A formação savânica caracterizada pela presença marcante de uma única espécie de palmeira arbórea é denominada Palmeiral. isto ocorre apenas nos trechos onde o solo é bem drenado e não sujeito a inundações periódicas. porém com espécies que provavelmente apresentam maior tolerância à saturação hídrica do perfil do solo (Oliveira Filho. e melhor drenados nos murundus que nas áreas planas adjacentes. Em sentido puramente fisionômico. Oliveira Filho. ainda que descontínuo. A origem desses microrrelevos é bastante controvertida e as hipóteses mais comuns apontam-nos como cupinzeiros ativos ou inativos ou resultantes de erosão diferencial (Penteado-Orellana. geralmente há um dossel mais contínuo que os casos anteriores. o que também vale para determinados trechos com outras espécies de palmeiras arbóreas. Caryocar brasiliense. No buritizal há formação de dossel. Das arbustivo-herbáceas citam-se os gêneros Allagoptera. conhecidas como “murundus” ou“monchões”. Os murundus são elevações convexas características. onde pode havera formação de galerias acompanhando as linhas de drenagem (Eiten. 1992a. embora também ocorram em 44 terrenos mal drenados.que variam em média de 0. como Mauritiella armata (buritirana). uma fitofisionomia em que há necessariamente um estrato arbustivo-herbáceo acompanhando o buriti. Em certos casos também podem estar presentes outras espécies de palmeiras em pequena densidade. Palmeirais em solos bem drenados geralmente são encontrados nos interflúvios. Na região nuclear do Cerrado ocorrem em áreas localizadas. compõe-se de inúmeras espécies. Maprounea guianensis. em longo processo de sucessão. A flora que ocorre nos murundus é similar à que ocorre no Cerrado s. Qualea grandiflora e Q. Nesta fitofisionomia praticamente não existem árvores. Também são freqüentes nessa fisionomia algumas espécies já mencionadas como Davilla elliptica.2-20m diâm. e caracterizam o buritizal. As árvores possuem altura média de 3-6m e formam uma cobertura arbórea de 5-20% . Se a espécie dominante é Attalea speciosa (babaçu). e 0. Quando o dossel é tipicamente descontínuo ou ainda quando não há formação de dossel.1-1. Os solos são Hidromórficos. Araújo Neto. 1990. onde coloniza agressivamente antigas formações florestais desmatadas. Terminalia fagifolia e Vochysia petraea (Oliveira Filho e Martins. Araújo Neto et al. na Mata. Attalea ou Syagrus. chegando a compor a vegetação ciliar. Entretanto. 1992b). e a espécie dominante pertence a gêneros como Acrocomia. Apesar de ser típico dos interflúvios. 1972). Palmeirais em solos mal drenados (brejosos). embora localmente possam ocupar trechos consideráveis do terreno. De acordo com Oliveira Filho (1992a) a origem dos murundus parece estar muito vinculada à atividade dos cupins. parviflora. Curatella americana. 1980. O babaçual caracteriza-se por altura média de 8-15m e uma cobertura variável de 30-60%. formando dossel contínuo. Dipteryxalata. A flora herbácea predomina nas áreas planas adjacentes aos murundus. e forma uma cobertura quase homogênea ao longo do ano. também pode ocupar faixas ao longo dos rios de maior porte da região. 1994a). sem a formação de dossel. considerando que apenas uma parte do volume de terra do murundu permanece livre de possíveis inundações. 1986). Kielmeyera rubriflora.s. 1992b). algumas vezes imperceptíveis. Qualea parviflorae Pouteria ramiflora. presentes ao longo dos fundos de vales do Brasil Central. Entre as espécies arbóreas mais freqüentes pode-se citar: Alibertia edulis.. 1986.

ocorrendo como arbustos ou arvoretas. A composição florística em áreas de Campo Rupestre pode variar . Griffinia spp. Polygala. funcionando como local de pouso para a avifauna. as espécies características pertencem aos gêneros anteriormente referidos. No Campo Limpo a presença de arbustos e subarbustos é insignificante. Vernonia e Xyris. o Campo Rupestre e o Campo Limpo. Axonopus. Além dessas famílias são comuns alguns gêneros de Melastomataceae. Veredas são circundadas por Campo Limpo. abrigo. Syagrus. próximas às nascentes (olhos d’água). geralmente são originados da decomposição de quartzitos. 1991). Hippeastrum spp e Paepalanthus spp. atuando como refúgio. todas com aspecto graminóide (Warming. Piriqueta. Também são comuns numa posição intermediária do terreno. devido à pouca profundidade e reduzida capacidade de retenção pelo solo (Sendulski e Burman. O Campo Sujo caracteriza-se pela presença marcante de arbustos e subarbustos por entre o estrato herbáceo. Elas exercem papel fundamental na manutenção da fauna do Cerrado. ou ainda em solos mais profundos e poucos férteis como os Latossolos Concrecionários. são constituídas 45 por indivíduos menos desenvolvidos das espécies arbóreas do Cerrado s.Veredas são encontradas em solos hidromórficos. Outra família importante é Cyperaceae e são comuns espécies dos gêneros Bulbostylis e Rhyncosphora. em geral sem murundus.Vegetação e Flora Vereda: É a fitofisionomia com a palmeira arbórea Mauritia flexuosa emergente. A disponibilidade de água é restrita. Deianira. Campo Limpo Úmido e Campo Limpo com Murundus. 1973). decorrente de camadas de permeabilidade diferentes em áreas sedimentares do Cretáceo e Triássico (Azevedo. Paspalum e Trachypogon (Warming. Mimosa. pois as águas pluviais escoam rapidamente para os rios. composto por afloramentos de rocha. ou mesmo logo após queimadas. Symplocos nitens e Virola sebifera. como acontece na Chapada Diamantina (Harley. tem-se o Campo Sujo com Murundus. com a presença eventual de arvoretas pouco desenvolvidas de até 2m alt. Diplusodon. que permanecem nas frestas dos afloramentos ou podem ser carreados para locais mais baixos.s. Cuphea. diferenciando-se tanto pelo substrato. Panicum. Quando na área ocorrem microrelevos mais elevados (murundus). dias quentes e noites frias.. Crumenaria. São eles: Campo Sujo Seco. em áreas onde há ventos constantes. O Campo Rupestre possui estrutura similar ao Campo Sujo. A família mais freqüentemente encontrada é Poaceae (Gramineae) e destacam-se gêneros como Aristida. 1973). 1966). Respectivamente.. Na Vereda os buritis caracterizam-se por 12-15m alt. Litólicos. Geralmente ocupam os vales ou áreas planas acompanhando linhas de drenagem mal definidas. Trachypogon e Tristachya. Campo Sujo: É um tipo fisionômico exclusivamente herbáceo-arbustivo. Na presença de um lençol freático profundo ocorre o Campo Sujo Seco. Loudetiopsis. ou na borda de Matas de Galeria. eventualmente com pequenos afloramentos rochosos de pouca extensão (sem caracterizar um “Campo Rupestre”). com arbustos e subarbustos esparsos cujas plantas. Baccharis. pobres em nutrientes e podem formar depósitos de areia quando o relevo permite. Em estádios mais avançados deformação de Mata. Em geral ocorre em altitudes >900m. e outras espécies que caracterizam a Mata de Galeria Inundável. Hyptis. destacando-se os gêneros Andropogon. e os buritis não formam dossel como ocorre no buritizal . podem ser encontradas espécies arbóreas como Richeria grandis. Campo Rupestre: É um tipo fitofisionômico predominantemente herbáceo-arbustivo. Famílias freqüentemente encontradas nas áreas mais úmidas da Vereda são Poaceae (Gramineae). Em função de particularidades ambientais o Campo Sujo pode apresentar três subtipos fisionômicos distintos. Diversas espécies de outras famílias destacam-se pela floração exuberante na época chuvosa. quanto pela composição florística. fonte de alimento e local de reprodução também para a fauna terrestre e aquática (Carvalho. Lippia. Gomphrena officinalis. De acordo com particularidades topográficas ou edáficas. A fisionomia é encontrada tanto em solos rasos como os Litólicos. arenitos ou itacolomitos. Se o lençol freático é alto. Cyperaceae (Bulbostylis e Rhynchospora) e Eriocaulaceae (Paepalanthus e Syngonanthus). A ocorrência da Vereda condiciona-se ao afloramento do lençol freático. Aspilia. geralmente úmido. Campo Sujo Úmido e Campo Sujo com Murundus e Campo Limpo Seco. Aristida. Ichnanthus. há o Campo Sujo Úmido. Os solos. Echinolaena. o Campo Sujo e o Campo Limpo podem apresentar três subtipos cada. ocupando trechos de afloramentos rochosos. Além dessas são comuns espécies dos gêneros Andira. Eryngium. Paspalum. ainda assim. muitas vezes. saturados durante a maior parte do ano. que inclui muitos endemismos. Trembleya e Lavoisiera. A composição florística e a importância fitossociológica das espécies nos três subtipos de Campo Sujo podem diferir se o solo for bem drenado (Campo Sujo Seco) ou mal drenado (Campo Sujo Úmido ou com Murundus). 1995). Abrange um complexo de vegetação que agrupa paisagens em microrelevos com espécies típicas. São solos ácidos. como Leandra. 1978). em meio a agrupamentos mais ou menos densos de espécies arbustivo herbáceas. Mas. c) Formações campestres: Englobam três tipos fitofisionômicos principais: o Campo Sujo. Habenaria. como Alstroemeria spp. e a cobertura de 5 a 10%.

Quando ocorre em áreas planas. determinando uma coluna quadrangular (esquarrosa) (Eiten. Rizzini (1963) apresentou 537 espécies entre árvores e arbustos. Quando aparecem os murundus.. Mais tarde. Nos afloramentos rochosos. Lychnophora. II . Axonopus. DF. Entretanto. S. Tillandsia).024 espécies de angiospermas e que a flora lenhosa comportaria entre 366 e 575 gêneros e de 88 e 210 famílias. onde a densidade pode ser muito variável. 1995). Declieuxia ). Rubiaceae ( Chiococca. Walter. Bromeliaceae (Dyckia. Trachypogon). de.s. Syngonanthus ). com diferentes variações no grau de umidade. Entre as espécies omuns há inúmeras características xeromórficas como folhas pequenas. In: Sano. os indivíduos lenhosos concentram-se nas fendas das rochas. Chamaecrista. Pilosocereus). se fosse feita uma seleção cuidadosa para não incluir espécies “estranhas” como espécies invasoras como as cecropias e algumas outras oriundas das matas de galeria. Rhynchospora). 1973). Heringer et al (1977). é encontrado com mais freqüência nas encostas. Leiothrix. excluindo lianas e bem recentemente em um trabalho ainda inédito Mendonça et al (1998) apontaram aproximadamente 6. Pode ser encontrado em diversas posições topográficas. Epidendrum. deveria conter entre 5. Droseraceae (Drosera). contíguas aos rios e inundadas periodicamente. relativamente extensas. Trachypogon ). Sisyrinchium). Pelexia ). pela umidade disponível no solo. Velloziaceae ( Vellozia ). Mesosetum. Ratter et al (1997) afirmam que o número de espécies de árvores ou arbustos grandes não excederia 800. além de folhas densamente opostas cruzadas. MG (Warming. há o Campo Limpo Úmido.. Silva Júnior. fertilidade.. M. Os gêneros comumente encontrados são :Burmanniaceae (Burmannia). também apresenta variações dependentes de particularidades ambientais. Paspalum. como ocorre a algumas aráceas e orquidáceas. Harley. Harley. o campo rupestre apresenta como forte característica a presença de muitos endemismos e plantas raras (Giulietti e Forero. determinadas pela umidade do solo e topografia. circundando as Veredas e na borda das Matas de Galeria. e Almeida. Habenaria. Cyperaceae (Bulbostylis. Microlicia). Pode-se considerar Vellozia como bom indicador desse tipo fitofisionômico (Harley. Paspalum. Na presença de um lençol freático profundo ocorre o Campo Limpo Seco. com raros arbustos e ausência completa de árvores. Cerrado: ambiente e flora. o Campo Limpo com Murundus é menos freqüente que o Campo Sujo com Murundus. 1978. Iridaceae ( Sisyrinchium. nas chapadas. Paepalanthus. Felfili. Cactaceae (Melocactus. Mesosetum. Também são comuns agrupamentos de indivíduos de uma única espécie. Rezende. As espécies mais freqüentes que compõem a flora do campo rupestre pertencem às seguintes famílias e gêneros: Asteraceae (Baccharis. Mimosa ). embora algumas espécies desse gênero possam ocorrerem outras formações campestres ou até mesmo nas savânicas. Diplusodon). espessadas e coriáceas.268 e 7. muitas com espécies que também ocorrem no Campo Sujo. Por suas particularidades ambientais. cada qual com sua flora específica. Pp.. 46 O Campo Limpo. Lythraceae (Cuphea. Filgueiras. Em geral. 287-556. Labiatae (Hyptis). Há locais em que praticamente dominam a paisagem. dependente das condições edáficas restritivas e do clima peculiar. Vernonia). T. cuja presença é condicionada. Koellensteinia. Campo Limpo: É uma fitofisionomia predominantemente herbácea. por exemplo. A. M. Poaceae ( Panicum. também é chamado de “Campo de Várzea”. Castro (1994 b) apontou 1. com 774 espécies arbustivas e arbóreas. entre outros fatores. Melastomataceae (Miconia. geralmente em solos pouco profundos. Myrtaceae (Myrcia). S. enquanto em outros a flora herbácea predomina. Cyperaceae (Rhynchospora). . R. Flora Vascular do Cerrado. Castro et al (1992. A flora do bioma Cerrado é ainda pouco conhecida. profundidade e fertilidade do solo. Orchidaceae (Cyrtopodium. disponibilidade de água etc. 1995). 1998). e a densidade das espécies depende do substrato (profundidade do solo. Iridaceae (Cipura. Orchidaceae (Cleistes. Embrapa Cerrados.671 táxons nativos para o bioma. Eriocaulaceae ( Eriocaulon. 1995) sugeriram que a flora magnoliofítica do Cerrado l.). A primeira listagem foi elaborada em 1892 por Warming a partir de seu estudo na região de Lagoa Santa. como o Campo Sujo. P. Habenaria. tem-se o Campo Limpo com Murundus.753 espécies lenhosas. Lentibulariaceae ( Utricularia ). J. Algumas espécies podem crescer diretamente sobre as rochas. e Nogueira. 1995). Sarcoglottis) e Poaceae (Aristida. B. A flora é típica. 1994. o que se deve especialmente à sua grande variedade de paisagens e tipos fitofisionômicos.. Filgueiras. Galactia. Lentibulariaceae (Utricularia). Trimezia ). “Várzea” ou “Brejo”. 1990. Lythraceae (Cuphea). sem que haja solo.em poucos metros de distância.A flora vascular do bioma Cerrado (baseado em: Mendonça. Leguminosae (Calliandra. Vochysiaceae ( Qualea ) e Xyridaceae (Xyris). Panicum. P. mas se o lençol freático é alto. nos olhos d´água. Essas estimativas sugerem grande riqueza florística no bioma.

Orchidaceae e Gramineae foram as mais ricas do bioma Cerrado. Como também nas Florestas Atlântica e Amazônica. Lauraceae e Meliaceae (Gentry. 1997) e no Cerrado. Asclepiadaceae e Labiatae também podem ser destacadas. 1998 As famílias Leguminosae. com dois táxons) e 6. va- riedades/sub-espécies e táxons que compõem a flora nativa do bioma Cerrado (Mendonça et al.880 e a florestal 2. Monimiaceae e Hippocrateaceae estão entre as mais ricas na Floresta Atlântica. Existem inúmeros táxons comuns 47 . Grupo Pteridófitas Gimnospermas Angiospermas Total Famílias Gêneros Espécies Variedades N° Táxons 19 1 150 170 51 1 1. com 51% das espécies. mas contribuíram com mais de 51% da riqueza florística do Cerrado.540 (Tabela 3). savânicas e campestres do bioma Cerrado. pertencentes a 6. Mendonça et al.200 estimados para a América do Sul como um todo (Gentry et al.055 táxons enquanto que a formação savânica 2. Melastomataceae. dados que confirmam as informações de Warming (1973).092 gêneros. mas na compilação de Mendonça et al.671 táxons nativos descritos em Mendonça et al (1998) estão distribuídos em 170 famílias e 1. Orchidaceae. O número de gêneros de fanerógamas representa 26% dos 4. incluindo-se também as matas ocorrentes nesses domínios. seguida de Compositae. que retratam menos de 7% do total de famílias encontradas. Caatinga. várias famílias ricas em espécies na Floresta Amazônica. Myrtaceae está também entre as famílias mais ricas. como Chrysobalanaceae.Riqueza florística do bioma Cerrado Os 6. Chaco e Pantanal. espécies. No Cerrado.060 6. gêneros. Gramineae. Dessas espécies. Número de famílias.092 1. não estão entre as mais representativas do Cerrado. 1990) são ricas em ambos os biomas. Essas dez famílias. Euphorbiaceae e Melastomataceae (Gentry. Sapotaceae.060) representa 65% das 9. 1.429 espécies. Compositae foi a família com maior número de espécies no estudo de Warming (1973). A formação campestre apresenta 2. Myrtaceae. 282 táxons).671 formações florestais.144 267 2 6. apresentando respectivamente 106 e 103 espécies.144 gêneros.060 angiospermas (150 famílias. Entretanto. 267 são pteridófitas (19 famílias. 1 .062 espécies (que incluem 425 variedades ou subespécies). 1997). Orchidaceae está entre aquelas que apresentam maior número de espécies no bioma Cerrado. Rubiaceae. assim como na Floresta Amazônica e Atlântica (Gentry et al. Aqui.389 táxons nativos. com 37%. seguida de espécies epifíticas. 1. Euphorbiaceae. porém são menos representadas na Floresta Amazônica (Gentry et al. e um gênero – Podocarpus. Em contrapartida outras famílias como Rubiaceae.387 6.Vegetação e Flora II. 51 gêneros. 1998).300 estimadas por Gentry et al (1997) para o Cerrado. 1997). Malpighiaceae e Lythraceae (Tabela 2). com seu respectivo hábito e fitofisionomia de ocorrência.387 táxons) (Tabela 1). (1998) apresentam também a lista das espécies fanerogâmicas registradas para as et al.093 gêneros e 151 famílias. além de 451 variedades e/ou subespécies. O número de espécies de angiospermas (6. duas gimnospermas (uma família – Podocarpaceae.429 Subespécies 26 0 425 451 282 2 6. As famílias mais representadas no bioma foram Leguminosae. Tabela 1. São 6. Essa lista inclui 6. Llanos. Compositae. 6. Leguminosae é tipicamente rica nos trópicos e Gramineae é característica de ambientes savânicos. (1998) ficou na segunda posição (Tabela 2). 1990). há o predomínio de orquídeas terrestres.

Com isso. extensas áreas cobertas por vegetação nativa. Por esta razão elas não devem ser tomadas como conclusivas. 5. III – Distribuição das espécies lenhosas (arvores e arbustos grandes) nos estados brasileiros e padrões biogegráficos (revisão baseada em Ratter. principalmente considerando que estas ocupam área bastante pequena em relação às formações savânicas e campestres. se além dos números acima expostos forem consideradas as plantas invasoras. sobre a grande riqueza florística das formações florestais do bioma. Bridgewater e Ribeiro. Neste caso as descrições dos indivíduos foram feitas pelas mesmas equipes. .et al. além de ressaltar sua importância em escala nacional e mundial que deve ser priorizada para conservação e manejo racional. porém sob forte pressão de desenvolvimento agrícola. 5-43). Tais esforços são prementes.1994. sendo portanto. (Boletim Ezequias Paulo Heringer v. Esses valores confirmam as conclusões de Felfili (1993. A contribuição das formações florestais como as Matas de Galeria e a Mata seca para a riqueza do Cerrado é elevada. 1997. 1997). assim como existem aqueles exclusivos de cada uma. 1997). a importância intrínseca do seu patrimônio genético merece maior reconhecimento. Mendonça et al (1998) apontam ainda que.s.. Uma indicação de maior precisão dessa tendência foi apresentada pelo projeto Biogeografia do bioma Cerrado (Felfili et al. das 534 espécies encontradas. Mesmo assim verifica-se que os valores apresentados ainda são modestos devido 48 ao reduzido trabalho de coleta e amostragens em várias fitofisionomias e regiões do bioma que cobre praticamente 25% do país. Ramos (1994) e Ratter et al (1997). amostragens padronizadas nas diferentes regiões do bioma e revisões taxonômicas são ainda imprescindíveis para que possa ser feita a avaliação global da sua composição florística. especialmente das Matas de Galeria. Esforços intensivos de coleta.5:1 (Tabela 3). enquanto estudos mais detalhados no Distrito Federal (Ratter. bastante consistentes. 1995) para espécies e famílias apenas do Cerrado l. uma vez que existem. 1993) mostram valores que variam entre 4-7 vezes superior para o número da camada rasteira quando comparado com o estrato arbóreo. onde se encontrou a proporção de aproximadamente 3:1. ainda. a riqueza florística apresentada por estes autores. Felfili et al (1997) apontam a presença de várias novas citações para a Chapada dos Veadeiros ou para o Estado de Goiás. 1977) para a vegetação mais alta. O conhecimento da flora do Cerrado é fundamental para delinear estratégias governamentais para a preservação de áreas representativas do bioma. 1986. ficando próxima das estimativas de Castro et al (1992. 1998 entre essas formações. embora muito superior quando se tratando de gêneros. embora possam refletir a tendência geral para o bioma. A comparação de 98 estudos da vegetação realizados por Ratter et al (1996) mostrou ainda que. sendo que parte dessas informações foi obtida nos registros de etiquetas de herbário. existem 6960 táxons e 6718 espécies ocorrendo espontaneamente no bioma Cerrado. O Cerrado tem mostrado ser muito mais rico do que se previa a princípio e muitas das suas tipologias são endêmicas da América do Sul e do Brasil. Rizzini (1963) mostrou valores com mais de 500 gêneros de plantas pequenas contra menos de 200 (incrementado para 261 em Hering et al. Mendonça et al (1998) apontam também que a proporção de hábito arbustivo-herbáceo para o arbóreo foi de 4. Certamente. Ratter et al (1997) mostraram que em alguns locais a diversidade alfa de árvores e arbustos pode chegar a 120 espécies/ha. Felfili et al (1994. ultrapassou bastante as compilações pré-existentes. p. Distribuição geográfica das espécies lenhosas da fitofisionomia Cerrado sentido restrito nos estados compreendidos pelo bioma Cerrado. algumas espécies podem estar em risco de extinção antes mesmo de serem conhecidas pela ciência. para o bioma. 158 ocorreram em apenas um local e apenas 28 estiveram presentes em mais de 50% dos estudos. Portanto. Pereira et al. 1995).

A. Hancornia speciosa. Todas estas espécies estão relacionadas como as mais freqüentes para os Cerrados em Ratter et al (1996). Byrsonima coccolobifolia. Este estudo apresenta uma lista de 581 espécies oriundas de levantamentos em 206 áreas distribuídas no bioma Cerrado. Pouteria ramiflora. “árvores ou arbustos grandes”. não são considerados. Para estes casos. e Parkia platycephala. seria importante relevá-las. Caryocar coriaceum. estes indivíduos precisam apresentar ramos lenhosos permanentes com mais que 4cm na base e atingir como indivíduo adulto a altura de 1. T. o que vale dizer que muitas delas podem ocorrer em outros estados em outras fitofisionomias. Entretanto.Vegetação e Flora Trabalhos recentes como os de Ratter e Dargie (1992). Qualea dichotoma. Desse modo. No futuro. Lafoensia pacari. aquelas que não mantém um sistema aéreo permanente. Algumas espécies poderiam ser eliminadas da última categoria. Assim. . Com distribuição restrita destaca-se Hirtella ciliata na região Norte. no Distrito Federal. verbascifolia. com pH mais elevado e níveis mais altos de cálcio. mais do que em formações savânicas de Cerrado s. este é mais um critério difícil de aplicar. Tabebuia aurea. com mais detalhes de ocorrência das espécies lenhosas consideradas na listagem do Cerrado. Brosimum gaudichaudii. Estas espécies são originárias de formações florestais de duas categorias. ou seja. no Oeste e Nordeste. fósforo e nitrogênio enquanto os solos distróficos são os mais pobres nestes nutrientes 49 essenciais e ainda apresentam altas taxas de alumínio e ferro. aquelas associadas com solos mesotróficos e as associadas com solos distróficos. Qualea grandiflora. Dimorphandra mollis. Buchenavia tomentosa e Mouriri elliptica. Deste modo. próximo das formações savânicas. Quanto à fertilidade do solo. Adicionalmente. Curatella americana. Os padrões devem ser tratados com mais cuidado já que problemas de identificação ou mesmo falta de informações em algumas áreas também podem gerar a falsa idéia de ocorrência localizada de determinadas espécies.5m. ochracea e Tocoyena formosa. a ampliação dos estudos já existentes viria a ser de grande valia. Acosmium subelegans. os solos mesotróficos são aqueles considerados mais férteis. Salvertia convallariaeodora. como por exemplo Tococa formicaria e Palicourea marcgravii as quais não podem ser eminentemente consideradas tanto como espécies de Cerrado nem como um arbusto grande. B.. enquanto que em áreas do Leste do Mato Grosso e Goiás crescem como árvores. a espécie Symplocos nitens somente havia sido observada como árvores em áreas úmidas de Matas de Galeria. As espécies características de cada uma dessas categorias florestais encontram-se indicadas na Tabela 4. parviflora. Erythroxylum suberosum. como a Andira inermis. As características ecológicas ressaltam principalmente espécies relacionadas com aspectos da fertilidade do solo e da sua ocorrência em áreas mais fechadas próximas de formações florestais ou mais abertas. Eremanthus glomerulatus e Vochysia thyrsoidea na região Centro-Sul e Mezilaurus crassiramea mais à Oeste e Salacia crassifolia na região Central. como estas espécies foram encontradas em levantamentos realizados por outros autores. mas rebrotam de um xilopodium todo ano. Muito embora as informações disponíveis ainda não sejam exaustivas. Por exemplo.s. são classificadas 71 espécies que pertencem às formações vegetais de Cerradão-Mata Seca mesotrófica e 74 espécies que pertencem à fitofisionomia Cerradão-Mata Seca Distrófica. Machaerium acutifolium. Bowdichia virgilioides. Hymenaea stigonocarpa. Astronium fraxinifolium. e Cerrado Ralo. Vale ressaltar que a lista providenciada aqui mostra a distribuição das espécies encontradas apenas na fitofisionomia cerrado s. Hyptiodendron canum e Euplassa inequalis são espécies típicas de Matas de Galeria ou de suas margens. Entretanto. Como distribuição genérica destaca-se entre outras Acosmium dasycarpum. Byrsonima basiloba e Kielmeyera rubriflora crescem como hemicriptogamas no Distrito Federal. crassiflora. a experiência em trabalhos com a vegetação do bioma Cerrado demonstra que muitas espécies se distribuem em diferentes fitofisionomias em diferentes regiões. Da mesma maneira. enquanto que alguns estudos comparados as apontam como presentes no Cerrado. a partir de uma revisão maior e com as observações de campo realizadas por toda a região. este estudo representa uma indicação preliminar das principais espécies lenhosas e de sua distribuição pelos estados compreendidos na região do Cerrado. Q. Q. Annona coriacea.s. Castro (1994 a) e Ratter et al (1996) mostraram padrões fitogeográficos no bioma cerrado baseados na distribuição das suas espécies lenhosas. multiflora. Como principais informações que podem ser conseguidas a partir deste estudo estão a ocorrência de espécies com distribuição genérica e aquelas com distribuição restrita. Outro aspecto que pode ser evidenciado é a presença adicional de várias espécies periféricas oriundas de formações florestais (formas típicas de Cerradão). Outro ponto relevante é o tamanho considerado para indivíduos “lenhosos”. pois formas de crescimento podem variar. na região Nordeste. Desta maneira as hemicriptogamas. Connarus suberosus. pretende-se elaborar uma descrição do ambiente geral e da comunidade. Roupala montana. Caryocar brasiliense. Kielmeyera coriacea.

Cerrado ou 50 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 51 .

Tabela 4 (continuação) 52 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 53 .

Tabela 4 (continuação) 54 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 55 .

Tabela 4 (continuação) 56 .

Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) 57 .

Tabela 4 (continuação) 58 .

mas pode atingir árvores de até 8m ou mais no Mato Grosso e no Mato Grosso do Sul. Para as exsicatas que não tinham coordenadas deduziu-se uma coordenada aproximada baseada no “Índice de Topônimos contidos na carta do Brasil 1:1000000” (Vanzolini e Papavero.Vegetação e Flora Tabela 4 (continuação) Além das espécies consideradas anteriormente. 480 de Miconia e 137 de Solanum. data de coleta. pois estão entre as espécies mais freqüentes do Cerrado. as de Miconia por Cassia Munhoz e as de Mimosa por Marcelo Fragomeni Simon. A identificação de espécies endêmicas em determinado bioma depende de extensivo trabalho de campo de herbário e de intensa experiência taxonômica. MG. UFMT. CEN. Brosimum gaudichaudii e Caryocar brasiliense são outros exemplos relevantes. As identificações de Habenaria foram feitas por João Nogueira Batista. BA. estado. C. a mesma foi desconsiderada. HISA. A primeira espécie é encontrada no DF geralmente apenas como um arbusto com ramos bem finos. O banco de dados consta de 993 coordenadas de Habenaria. x 1º 30’ long. e Santos. Trabalhou-se. GO. Já Caryocar brasiliense é geralmente uma árvore. as de Solanum por Suelma Ribeiro Silva. BOTU. Siman M. As coletas foram todas revistas e as que estavam indeterminadas foram identificadas. Esta variabilidade às vezes dificulta na inclusão ou não de espécies na lista das espécies oriundas de levantamentos em 206 áreas distribuídas no bioma Cerrado. coletor e nº de coleta. HUEFS. VIC.. solicitou-se o empréstimo das exsicatas coletadas nos Estados do MT. Apesar destas dificuldades. TO. UFG. localização. F. Para as análises dividiu-se o cerrado contínuo em quadrículas de 1º lat. 59 IV . HUFU. usando táxons indicadores (baseado em: Proença. portanto. 1968). Ramalho C. CPAP. IBGE. mas pode ser encontrados indivíduos pequenos com pouco mais de 1m em cerrados de São Paulo (Fazenda Campininha) e Sul de Minas Gerais. UFMS e TEPB. coordenadas (quando disponíveis). Solanum. PAMG. Miconia e Mimosa (Tabela 5). 1133 de Mimosa. com material de 16 instituições botânicas.. HEPH. (escala e delimitação do Cerrado do Projeto Radambrasil . apresenta-se aqui a identificação de grupos taxonomicos endêmicos do cerrado baseado nos gêneros Habenaria. ao nível de resolução de subquadrículas de 30’ latitude x 30’ longitude. Centros de Biodiversidade e Endemismo do Cerrado usando Táxons Indicadores. totalizando 2743 coordenadas. obtendo-se um total de 180 quadrículas. Quando a informação contida no rótulo não possibilitava a localização da coleta em uma destas sub-quadrículas. Foram coletadas informações contidas nos rótulos das exsicatas na seguinte ordem: espécie. BHCB.Centros de biodiversidade e endemismo do Cerrado.1: 250000). PI e DF dos seguintes herbários: UB. Para a coleta dos dados . MA.

1997). Para Habenaria. mesmo tendenciosas para os táxons-alvo. O Cerrado contínuo abrange 180 quadrículas que são ocupadas. o grande número de espécies de Habenaria.1 .0 (Microsoft Corporation. abrangendo as áreas supracitadas.8 dias de coleta.Esforço de coleta no bioma Cerrado A probabilidade de que uma espécie seja coletada depende de vários fatores. No decorrer deste trabalho foram feitas viagens de coleta para Mato Grosso. Na realidade. sendo que dentre essas uma única quadrícula concentrava 43% das coletas. aferindo os dados do teste com o que se conhece da Flora do Distrito Federal após 30 anos de coletas. 1995). posteriormente. Isto se tornou patente ao verificarmos que nove quadrículas apenas. em média. Daqui para frente será usado o gênero Habenaria como exemplo: das 125 quadrículas de Cerrado contínuo. Esta última é aquela onde se localiza Brasília e as principais Reservas do DF. podemos concluir que há registro do gênero Habenaria em cerca de 42% do Cerrado contínuo ao nível de resolução adotado neste trabalho. versão 3. convertidas para o sistema decimal que é usado pelo GIS. sendo coletada somente uma espécie (H.Geographic Information System for Windows. Mato Grosso do Sul. Tocantins e Oeste da Bahia utilizando-se um método de levantamento que prevê a coleta de exemplares dos grupos-alvo em 5 . Os mais importantes são sem dúvida esforço de coleta (quantidade de expedições de coleta efetuadas na área) e freqüência da espécie nas áreas visitadas durante as expedições de coleta. bem como em Reservas e Parques Nacionais alvos de programas intensivos de coleta. O método adotado nas viagens do trabalho foi testado no Distrito Federal e revelou que coletas de poucos dias de duração em uma quadrícula. No entanto. o teste do método teve resposta baixíssima. No Cerrado contínuo houve um esforço muito maior de coleta na Região do Distrito Federal. o número de quadrículas que são total ou principalmente ocupadas por cerrado contínuo é de cerca de 125. Outros fatores que também influem são apelo visual da espécie. a ampla distribuição geográfica do gênero (Pabst e Dungs. IV. na Chapada dos Veadeiros e na Serra do Espinhaço (Tabela 6). o número de 180 inclui um grande número de quadrículas “marginais” que tem somente pequenas áreas de bioma Cerrado. das quais apenas 53 apresentaram coleta de pelo menos uma amostra do gênero Habenaria. tais como a Fazenda Água Limpa da Universidade de Brasília.5 As coordenadas geográficas coletadas e estimadas foram registradas em uma planilha do programa EXCEL versão 7. obtusa) entre as 54 presentes (Simon. Infelizmente. sendo que intensivas para Habenaria nos últimos 10 anos. 1975) e a ocorrência em praticamente todas as áreas de cerrado já visitadas levam a crer que o gênero deve ocorrer em toda a extensão do bioma Cerrado e que o valor de 42% reflete a paucidade de coleta no bioma como um todo (Tabela 6). de 15% da flora presente e que as espécies coletadas são quase que exclusivamente as mais comuns na área. 60 . facilidade de coleta e duração do período de floração. As quarenta e cinco quadrículas restantes foram responsáveis por 19% das coletas. o esforço de coleta não é de modo algum geograficamente eqüitativo no Cerrado contínuo e as coletas tendem a se concentrar ao longo das estradas e em torno dos grandes centros. tendem a coletar. a Reserva Ecológica do IBGE e o Jardim Botânico de Brasília. 1995) e. inclusive. ca. concentravam 81% das coletas de Habenaria.0 (Caliper Cooporation. visto que as espécies normalmente só são coletadas quando em flor. A partir da relação de coordenadas elaborou-se os mapas do gênero e das espécies através do programa MAPTITUDE . pelo bioma Cerrado. total ou parcialmente. Assim.

visto que três entre as quatro quadrículas apresentavam número relativamente baixo de coletas: 4. temos a ausência da espécie no Distrito Federal e na Serra do Espinhaço. mas normalmente mais espécies em solo pobre e ambientes abertos (várias espécies são ruderais) (Tabela 7). por exemplo. 2) Endêmicas amplas e 3) Endêmicas restritas. exemplares de Mimosa ou Solanum são geralmente coletados. não só de Habenaria como de Solanum e Miconia) tende a 0%. A ausência de coletas desses gêneros em algumas áreas do cerrado contínuo indica que esses locais ainda não foram coletados. Em resumo.Savanas). a confiabilidade do dado de presença tende a 100%. se cuidadosamente analisados. As formas de vida e estratégias de dispersão também diferem drásticamente. Juntos. Alguns pressupostos para as categorias corológicas são listadas abaixo: a) categorias numéricas (1-5) . A presença é sempre verdadeira (salvo erros de rotulação. nossa experiência revela que ainda estão surgindo novas ocorrências. Assim. RO (onde não há nenhuma coleta de Habenaria). A estimativa foi de 90% para a quadrícula mais bem coletada (Brasília. tendo espécies que preferem solos pobres e outras preferem solos ricos. DF) porque. fica bastante dificultada a interpretação fitogeográfica dos dados de herbário. Mimosa varia de arbórea até herbácea e apresenta dispersão classicamente epizoocórica (craspédio ou lomento dotado de espinhos ou pelos retrorsos). . regiões bem coletadas. IV. 2 . Edaficamente. Porém. Mimosa é mais ampla edaficamente. são extremamente simples. correspondente à Chapada dos Veadeiros. Mesmo em locais pouco estudados. são propostas as categorias corológicas abaixo.As categorias numéricas são principalmente geográficas. visando a sua fácil aplicabilidade e amplitude da abrangência. sendo duas do norte de Goiás e 2 do Tocantins) provavelmente trata-se de espécie comum naquela região do Cerrado contínuo.Vegetação e Flora Quando ocorre um grande diferencial de esforço de coleta tal como foi esboçado acima. como país ou estado) e agrupamentos ecológicos.. para o atual nível de conhecimento de Habenaria no Cerrado contínuo. Solanum varia de arbórea. Habenaria é sempre herbácea e possui sementes diminutas dispersas pelo vento. a espécie Habenaria candolleana (com quatro coletas e cada qual em uma quadrícula diferente. sendo que. como a Mimosa. identificação ou entrada de dados) ao passo que a ausência pode ser verdadeira ou representar um baixo esforço de coleta na quadrícula. Habenaria prefere solos úmidos e áreas abertas e não apresenta espécies ruderais. poderão ser tiradas algumas conclusões dos mesmos. Solanum tem uma preferência por solos ricos e ambientes de mata. estes dados sugerem que Habenaria candolleana é uma espécie comum em Tocantins e no norte goiano. Os gêneros amostrados têm características ecológicas distintas. . apesar do esforço intensivo ao longo dos últimos 30 anos. Assim. O maior problema na interpretação fitogeográfica de dados de coleta não é a presença de uma espécie numa quadrícula. Categoria 2 . acredita-se que. a ausência de coleta da espécie na quadrícula “Brasília” tende a 100% e na quadrícula “Vilhena” (não há praticamente material botânico algum de Rondônia presente nos herbários consultados. escandente a herbácea e apresenta dispersão endozoocórica (ornitocoria e mamaliocoria) (Figuras de 13 a 16). apresentou um número mediano de coletas: 23. permitindo agrupamentos mais finos. Assim sendo. tendo em vista a ubiqüidade de Mimosa e Solanum no Cerrado de um modo geral.Propostas de categorias corológicas para futura análise dos padrões fitogeográficos As três categorias corológicas consideradas: 1) Cerrado e outros biomas. devido à própria característica ruderal de algumas espécies destes dois gêneros. 4 e 3. na quadrícula Brasília. mas em alguns casos a delimitação geográfica tem fundamento ecológico (e. Foram testadas com vários gêneros e espécies do Cerrado e pretendem ser um meio-termo entre a facilidade de obtenção de dados (floras são freqüentemente baseadas em áreas políticas. serão tecidas abaixo algumas considerações que foram da maior importância na interpretação dos nossos dados.g. A outra 61 quadrícula.As categorias numéricas são aditivas e mutuamente exclusivas geograficamente. Os índices das outras quadrículas foram calculados baseados no número proporcional de coletas. mas sim a sua ausência. a ausência de registro da espécie Habenaria candolleana. A coleta de uma espécie em uma quadrícula onde o esforço de coleta foi baixo sugere que a espécie é comum na quadrícula (baseado no teste do método realizado no DF). estando ausente no sul-sudeste do Cerrado contínuo. ao passo que a confiabilidade do dado de ausência varia de 0-100% aumentando em proporção direta ao aumento do esforço de coleta (esforço “amostral”). Dentro de uma filosofia de crescente sofisticação das análises. Aliado a isto. também apresenta várias espécies ruderais (Tabela 8). mas também autocórica em um número razoável de espécies. Pode-se dizer que. DF tem um índice de confiabilidade bem maior do que a sua ausência na quadrícula Vilhena.

Neotropical 2 . a escolha de usar uma categoria dominante elimina o uso da alfabética normal indica que esta é duvidosa ou desconhecida Áreas corológicas 1 .Cerrados do Paraguai e Bolívia N .Chaquenha . PI. GO. PA. PE.Core/Centro-Oeste (BA. Cuba. RN) 4 .Sudeste (São Paulo não-cerrado.Antilhas.Brasil S .Sul/Sudeste (Argentina. MS.Sul (PR não-cerrado.Norte (AC.Savanas S . .Savanas disjuntas ao norte do rio Amazonas. até o Panamá excluindo Áreas acima de 1000 m. ES) N .México I . RO) M .m. triângulo MG. Paraguai não cerrado) N .Categoria ecológica dominante E . AP não-cerrado) E .Rupestre . ou seja.Norte/Nordeste (Peru.Nordeste (BA. SC. MA) C .As categorias alfabéticas são hierarquicamente inferiores às numéricas .Endêmica restrita . RJ.América Central. etc. RR. SE. Venezuela. etc. Ecuador. MT.Andina .Cerrado contínuo L .) A .Categoria ecológica domi- 5.Leste (MG extra Triângulo Mineiro) N .Marginal . MA não-cerrado. CE.As categorias alfabéticas normais são aditivas e mutuamente exclusivas geograficamente. E – Estados Unidos. TO. RS) D . Colombia.s. AM e PA não-savana. DF.América do Sul S .Categoria ecológica dominante C . RO não-cerrado. Guianas. 3 .Categoria ecológica dominante R .Norte (Norte de GO.As categorias alfabéticas dominantes sobrepujam as geográficas e não são aditivas. Uruguai. exceto México M .b) categorias alfabéticas . 6 62 .Categoria dominante nante – A falta da categoria alfabética após a numérica P .Cerrados disjuntos do Brasil ao sul do rio Amazonas A . AL.

longipes M.GO. humifusa M. DF MG.MG.MS Mart. ex Colla DF. BA MT GO. caliciadenia M. manidea M. Benth. dominarum M. eriorrhachis M.GO. leprosa M. MG.BA MG GO GO BA. Mart.MG. camporum M.TO MG MT MG MG MA. laticifera M. ex Benth. DF GO GO MA DF. Rizzini Benth.PI. Benth. UFU. bipennatula M. humivagans M. Barneby Taub.DF. laniceps M. Barneby Barneby Benth.MS. inamoena M.PI MG MG. leptorachis M.BA Glaz. Benth. BA. MG MG.BA Heringer & Paula MG.GO DF DF. DF. bimucronata M.MT GO DF. adenophylla M. albolanata M. PI. 1991): Mimosa accedens M. cubatanensis M. Benth. MA (Willd. macrocephala M. interrupta M. acutistipula M. T. montis-carasae Vell. dicerastes M. Benth. MG.GO. Benth. MG. MS. flavocaesia M. Mart. Lista preliminar das espécies de Mimosa do bioma Cerrado (contínuo) e estados de ocorrência (dados pesquisados nos herbários UB. auriberbis M.MT. minarum M.MS PI GO.MG. hypnodes M. MG. Barneby Barneby Hoechne Taub. bombycina M.MS. Benth. BOTU. invisa M. hebecarpa M.MT MT. guaranitica M. Barneby Mart. brevipina M. hapaloclada M. MS. antrorsa M. debilis M. digitata M. cylindraceae M. Benth. lithoreas M. Taub.) GO. gatesiae M. diplotricha M. capito M.MG. MS 63 . gemmulata M. distans Barneby Barneby Benth. DF. calodendron M. chrysastra M. MS. arenosa M.MS.BA MG MT MG MS.MT DF. MG.Vegetação e Flora Tabela 7. Benth. Barneby Dusén Barneby GO PI MG MG MG GO GO MG GO MG GO DF. GO. exalbescens M. CH. hirsutissima M.MT GO.BA Barneby Mart.GO GO. macedoana M. foliolosa M.GO. Barneby Barneby Benth. irwinii M. MT. longepedunculata Taub.GO. cryptoglea M.MA PI GO MG RO GO Benth. amnis-atri M. GO.GO Rizz. Barneby Barneby Mart. monacensis M. claussenii M. burchelli M. HUEFS. diptera M.BA. TO GO GO MG. Taub. itatiaiensis M. GO. aurivillus M. brachycarpa M.DF MG MG MG. Barneby Barneby Barneby Benth. callithrix M.PI GO MT MG.MG GO DF. Benth. modesta M. dolens M.MG MG MG PI MG MG MG Mart.GO Chodat & Hassler (DC. adamantina M. barretoi M.MG GO.MG.BA. acroconica M.BA MS GO MG GO DF.& B. Barneby Benth. H. cisparanaensis M. MA GO. Benth. falcipina M. MG (Benth. adenocarpa M.GO. coruscocaesia M. MT.BA MG MG.MS.DF. densa M. Benth.DF GO BA. adenotricha M. Benth. Barneby Barneby Benth. microcarpa M. aguapeia M. PI. echinocaula M. & Mattos MT. artemisiana M.GO.MG Benth. Wright Barneby Barneby Benth GO GO. cryptothamnos M. Barneby Benth. DF. Barneby Barneby Benth Malme Benth. lanuginose M.GO GO GO. BA GO GO DF. Barneby Barneby Benth. maguirei M. melanocarpa M. Benth. discobola M. brevipes M.TO. kuhlmannii M.MG DF.BA TO.MS. hypoglauca M. filipes M. Barneby Benth. GO. (Mart.) Kuntze MG. apodocarpa M. lepidophora M. MG. BA. calocephala M. Benth. dichroa M. brachystachya M. decorticans M. Barneby Malme Mart. ex Buck. heringeri M. GO. GO.) Macbride M. gardneri M. Barneby Mart. TO Barneby Benth.TO M.MG. GO. flabelifolia M. leiocephala M. cyclophylla M.BA. Barneby Barneby Dusén Hoehne Barneby DF.GO.GO. GO.MG.BA DF. CEN e Barneby. monticola M. irrigua M. ex Willd. Hoehne Barneby Barneby Benth. gracilis M.) Poir.MS. MS GO.

pratincola M.MG. paraibana M. Benth.PI. Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Barneby Taub. somnians M. L. Benth.MG. setistipula M. L.GO GO. somnambulans M.BA. ex Barneby DF. Benth. pyrenea M.TO. phyllodinea M. polycephala M. ursine M. polycarpa M. ourobrancoensis Burk. regina M. Benth.BA GO DF.BA MS PI MG MG MS GO. ulei M. struthinoptera M. nitens M. pocullata M. piptoptera M. MS. vestita M.GO. oedoclada M. pudica M.GO TOTAL: 186 espécies 64 . setifera M.MA. scaberrima M. TO. multiplex M. verrucosa M. MA. prorepens M. ulbrichiana M. pithecolobioides M. MG Spruce ex Benth. Barneby Benth. piresii M. Barneby Benth. Benth. MG Glaz.MG. oligosperma M. verecunda M. Barneby Barneby Benth. rhodostegia M. MG. & K.GO.MG.MS.MG. Bong.TO. Barneby Benth.) Poir. procurrens M. sensitive M. Benth. paucifolia M. velloziana M.GO. pogonoclada M. rufipila M.GO. peduncularis M. pabstiana M. GO.MA GO DF.MS.MT DF.PI DF. orthocarpa M. MS.GO.BA MG.BA.MA MG MG DF. pellita M.PA GO MG GO PI. Barneby Barneby Barneby MT MG GO DF.BA MT MG DF. ex Willd.MS.MS.GO. M. BA. ex Willd.MT. MA Taub. thernarum M. MT GO PA GO GO DF. skinneri M.GO GO DF.TO GO Bong. Hoehne L. BA.TO. radula M. MG. BA DF. MS.GO.PI H. MG H. PI. MT GO GO.Tabela 7 (continuação) M. pachycarpoides M. nuda M. myriophilla M. Benth. platyphilla M. Benth. pseudofoliolosa M.MS. Mart. ex Benth. Barneby Barneby Benth. regnellii M.BA M. & K. PI GO. MT. stylosa M. MT (Willd. Benth.GO.GO MS. pilulifera M. Harms Barneby Mart.MG RO DF. Benth. tenuiflora M. papposa M. Barneby Benth.K. uniceps M. Barneby DF. pseudoradula M.GO PI. thomista M. L. xanthocentra M. splendida M. rondoniana M. Benth. virgule M. riedelii M. pteridifolia M. Hoehne Benth. GO.BA.TO.PI.TO MG. pumilio M. weddelliana M. sericantha M.MG.MT. rheiptera M. PI Barneby Malme Benth.MS GO.MT. quadrivalvis Benth.BA. venatorum M. nycteridis M.MG MG GO. speciosissima M. spixiana M.BA MG MG. Barneby Barneby Benth. supravisa M.DF MG GO GO MG DF GO. petiolaris M. pycnocoma M. setosissima M. TO. Kunth Benth. DF. H.GO. setosa M. rava M. Barneby Barneby Benth. xavantinae Benth.B. Taub. Barneby Barneby Benth. multiceps Barneby M. pogocephala M.MS DF GO MG GO GO MT RO DF. Pilger Benth Benth. pusilliceps M.TO.MT GO GO GO MG MG MT GO PI. ex Benth. Barneby GO. polydactila M. parviceps M. suburbana M.MG. Barneby Barneby Benth. Taub.GO GO GO DF.MA MT.MG.

Nee Sendt. incarceratum S.SP. viarum PR.RJ Espécie S.MG.BA DF. MG. GO.BA. RS S. L. PI. Ruiz & Pavón DF. Espécie Solanum acerifolium Dunal S. MT S.RS.PI. palinacanthum S. PR. DF. GO. cladotrichum Dunal DF. ES. RS.BA. SP. SC. MS. BA. AL. MT. PR GO. S.SP. RS DF. asperum S. PR. SP. MG. CE. Dunal lanatum leprosum Paxton L. BA.SP DF.SP. BA.SP. sp2 (Tombo 2388 . MS. RJ. GO. sp1 (Neto 854 . Figura 15: Amplitude da distribuição das espécies de Solanum presentes no Cerrado contínuo. C.MG.GO. MG. DF.MT Figura 13: Amplitude da distribuição das espécies de Habenaria presentes no Cerrado contínuo. . Figura 14: Amplitude da distribuição das espécies de Mimosa presentes no Cerrado contínuo. AL. gemellum S. GO. GO S. CH. MS. MG. MT. MT.MT DF. SP. jasminoides S.RJ.MS. SC. americanum S. MA. MS. TE e UEC).MT.GO.Vegetação e Flora Tabela 8. HEPH.PR.-Hil. oocarpum Miller Dunal Local DF. stenandrum Sendt.CE. RJ. lycocarpum S.TEPB) PI.MG. BA. RO S. PR. MG. SP. aspero- S. RJ S. BA. BA. MG S. aff. paniculatum Dunal L. RJ.RS DF. BA S. PR. sec. Local DF. GO. sisymbriifolium Lam. S.MG DF.GO. S. SC DF. BA. MG. ES. PR. MS.MG. Lam.SP St-Hil. PR. crinitum S. SP S.MG. SP.SC. argenteum S. subinerme Sw. BA. 65 Figura 16: Amplitude da distribuição das espécies de Miconia presentes no Cerrado contínuo. S. PE. MG. DF.MS. foederale S. MS.PE DF. CEN. subumbellatum TO Dunal DF. RS.CH) MT S. Lista preliminar das espécies de Solanum do bioma Cerrado (contínuo) e estados de ocorrência (dados pesquisados nos herbários UB. alternato-pinnatum Steud.MG. MG. MG. mammosum S. schlechtendalianum Walpers DF. chaetecanthum Dunal MG S.MG.MS. IBGE.RJ. SC DF.GO. MT. MG. RJ. RJ. DF.SP DF. macrantum Dunal BA. AC.BA. lycocarpum St. Rich. Torvum BA. DF TOTAL: 31 espécies Ruiz & Pavón DF.GO. Sendt. GO S. gamphodes Dunal MT S.PR. MG. AM. GO. SP.GO.SP. SC Vell.GO. SP. aff.DF. MG. SP.MG. granuloso.GO DF.

l. discretas. publicadas e/ou inéditas. Nos llanos del Orinoco. Os cerrados associados com a Formação Barreiras são chamados também de cerrados migratórios. sim. 1994a. entretanto. 1997).Grupos de Cerrado no Brasil Com base em uma comparação florístico-geográfica de amostras de Cerrado (listas de espécies lenhosas: arbustos e árvores) levantadas até 1992. PC2 e PC3). Com uma distribuição vertical considerável (8-1. Ao que se sabe. conforme Castro (1994a. apesar da amplitude longitudinal da distribuição dos cerrados ser também considerável (35° . Os cerrados do litoral (Grupo LIT) estão associados à Formação Barreiras (do Terciário). a sobreposição de espécies é significativa conferindo-lhe um padrão florístico longitudinal pouco consistente. Castro et al (1998) e Mendonça et al (1998).Análise dos cerrados do Nordeste (revisão baseada Castro et al. porém compartimentada. Os cerrados do litoral e do Nordeste. mas diferentemente do primeiro caso. suas abundâncias e estruturas populacionais estão diretamente associadas com o fogo. os de São Paulo. também chamados de tabuleiros litorâneos. quando então se separaram os escudos Guiano e Brasileiro. A interpretação ecológica do Cerrado do Brasil tem progredido significativamente a partir dos trabalhos de Ratter e Dargie (1992). com flora. Os dois grupos de cerrados de São Paulo apresentam altíssima sobreposição. Em função disto.l. b). b). restinga e tabuleiro (litorâneo) não podem ser considerados como duas formações vegetais 66 . como antes foram referidos. são compostos por oito grupos: cerrados de São Paulo (Grupos SP1 e SP2). Neste caso. nenhuma relação têm com o litoral. b). como os últimos.) existem espécies permanentes que têm ou não ampla distribuição geográfica. centrais. há sobreposição de espécies sem mascarar. por sua vez. 1 .200m). o padrão latitudinal é inequívoco até porque a amplitude dos cerrados no Brasil. não existe uma flora permanente para o cerrado s. correspondem aos de baixa altitude (0-500m). no entanto. de uma forma tal que se podem visualizar os grupos de cerrados de baixa altitude. em termos de latitude. Em termos de padrão florístico. Castro (1996) e Castro et al (1998). 1987) ou “glacis” de erosão (Guerra. é possível especular que eles venham a pertencer aos cerrados guianenses. porque têm algumas similaridades com as savanas arboladas da Colômbia e Venezuela. o padrão florístico dos cerrados do Brasil é latialtitudinal (Castro. no contexto do espaço natural dos cerrados. tanto quanto os cerrados de Humaitá (AM). cerrados do Nordeste (Grupo NE). não podem ser confundidos com restingas. Em função disto. 1997). 1994a. em termos de consistência. provavelmente aconteceu depois da formação da bacia Amazônica. pertencem floristicamente aos cerrados brasileiros. Entretanto. um padrão florístico altitudinal apresenta-se como significativo e mais do que em termos longitudinais. mas sim como um contínuo vegetacional composto por espécies adaptadas a solos arenosos. V. é considerável.l. Byrsonima crassifolia Kunth e Bowdichia virgilioides Kunth. do Nordeste e do litoral. Os cerrados do litoral. há sobreposição entre os grupos de cerrado do Planalto Central. em termos de mesoescala. estão associados à Formação Boa Vista (do Quaternário) e. meridionais. este padrão. Do mesmo modo. é preciso não confundir espécies. 1980). aos cerrados de média altitude (500-900m) e os do Planalto Central. podendo até mesmo serem considerados como apenas um único grupo (Grupo SP). uma flora característica para cada local ou área de cerrado s. Existe. cerrados do Planalto Central (Grupos PC1. diferentemente. os cerrados (cerrado s. os avanços têm sido similares a partir de Barbosa et al (1996). cerrados do Pantanal (Grupo PAN) e cerrados do Litoral (Grupo LIT). as áreas de cerrado apresentam-se com alta sobreposição. não apresentam nenhuma sobreposição. setentrionais. Entretanto. Os cerrados de Roraima. aos cerrados de alta altitude (900-1. Similar a este. área de ocupação e considerações sobre a sua fitodiversidade). não há perda de consistência por causa de suas sobreposições. 1995. os de média altitude e os de baixa altitude. Em termos de flora. 1999 Cerrados do Brasil e do Nordeste: caracterização. continental ( -4°-24°). Espécies como Curatella americana L. Para Leitão Filho (com. Os grupos de cerrado do Pantanal.. pess. são comuns entre os dois. A separação entre os dois conjuntos florísticos. associados que são à hipótese de migração de diásporas versus “glacis” de acumulação (Figueiredo e Fernandes. por exemplo. b. a flora do cerrado é “areal” (Castro. entretanto. Castro (1994a.175m). apesar de mais savanóides. os cerrados do litoral (grupo LIT).63°). diferentemente do primeiro caso. Considerando o Nordeste. Ratter et al (1996. no Brasil.). porque estas são mais recentes (do Quaternário) e não estão associadas àquela primeira formação geomorfológica. Para Oliveira-Filho (1993) e Oliveira-Filho e Carvalho (1993). 1996. com variados padrões distribucionais de acordo com a exposição às influências marinhas. sendo analisadas isoladamente.V .

apud Giulietti e Forero. florísticas e de continuidade espacial ocorreriam na área nuclear (Laboriau. ainda que em uma escala de tempo e espaço diferentes. 2 . Nelson et al. apud Giulietti e Forero. entretanto. segundo Guild (1953.Centros de endemismos. em função de suas expansões e retrações. V. quanto em nível de Nordeste. Como a maior parte do domínio do Cerrado está na região central do Brasil. tanto em nível de Brasil.l. há ainda questões fundamentais sem respostas. Ferri. Especulações dessa e daquela natureza têm. um centro de diversidade pode ser um centro de irradiação. 3 . foram ou passaram a ser centros de irradiação. mostra que apesar dos cerrados serem uma das formações vegetais mais estudadas no Brasil. centros de diversidade e focos de coleta Com base nos resultados de Castro (1994a. porque este pode ser apenas um centro de dispersão. centros de diversidade e focos de coleta. O primeiro diz respeito ao simples espaço geográfico. não haveria confusão entre centros de endemismo e focos de coleta. seguiu na direção de cotas altimétricas mais baixas. com toda a sua abrangência. 1972.000 espécies da flora central oreádica são endêmicas. que se tinha antigamente. Como nem todo centro de endemismo é um centro de diversidade. a questão maior é se um ou mais desses centros de diversidade são. até porque.Espécies peculiares. mais ainda. seria o maior centro de endemismo da América do Sul.1987). pois tratam-se de áreas onde tem ocorrido maior concentração de coletas. algumas daquelas especulações são muito consistentes. CE) e remanescentes ou velhas superfícies de erosão foram colocadas a altitudes variadas. acompanhadas ou não de fragmentações. centros de diversidade (Watanabe. Desta forma. espécies acessórias e centros de distribuição As máximas expressões fisionômicas. com algumas exceções. a despeito dos grandes vazios ainda existentes. marginais. o domínio morfoclimático e fitogeográfico dos cerrados (Ab’Sáber. b). deixando um pouco de lado os aspectos relacionados aos diversos delineamentos amostrais e/ou às análises de representatividades florísticas das amostras. O quarto aspecto. estando este em áreas marginais. Centros de endemismo podem ser centros de evolução e. Para Richardson (1978. Se alguns táxons de origem marginal (de cotas altimétricas mais baixas) melhor se estabeleceram e mais efetiva67 mente evoluíram em cotas altimétricas mais altas é uma hipótese que pode muito bem ser considerada. mas nas suas aceitações e adoções: monismo versus pluralismo. a despeito do conhecimento compartimentado e localizado do cerrado s. porém acres- . 1977b) seria ou conteria o centro de endemismo para aquela flora o que. Dois de índole física (natural) e dois de índole cultural.000 m. acentuando os processos de erosão. 1979). apud Goodland. a cada antropoevento. ao nível dos resultados a partir de Castro (1994a) que. O problema não está nessas especulações e nem sequer nos questionamentos que a partir delas podem surgir. De qualquer modo. (1989. as questões de espécies ou flora permanentes trazem à tona questões relacionadas com centros de endemismo. como ainda hoje muda. 1966). pelo menos. As áreas marginais. o empobrecimento da flora partiu dele em vez de nele terminar ou completar-se. No domínio dos cerrados. cerca de 3. Assim. Resultado: a flora central oreádica. Por causa de paleoeventos epirogênicos (porque lentos e de grande escala) camadas cretáceas marinhas foram elevadas a cerca de 900m de altitude (Chapada do Araripe. há coincidência entre as partes centrais e marginais do espaço territorial brasileiro com as floras centrais e marginais.Vegetação e Flora V. além de central. O segundo aspecto diz respeito à variável altitude. o pólo central eqüidistante.. a flora oreádica central é de fato central. primário ou secundário. pela sua extensão. Se eventualmente ou não. nesta vegetação os levantamentos não foram tão localizados. por causa da elevação do continente (Bigarella et al 1975). mudou de posição a cada paleoevento. 1977). O terceiro aspecto diz respeito a questões de herança de especulações anteriores por parte de fitogeógrafos renomados do Brasil e do exterior (que conheceram os cerrados). Para a Amazônia. com vantagens para o primeiro. 1990) consideraram que alguns centros de endemismo poderiam ser artefatos. por conta da variação do seu espaço geográfico. diz respeito ao nível do conhecimento atual e. onde fases mais secas alternaram-se com fases mais úmidas. periféricas e/ou disjuntas apresentariam uma flora empobrecida em relação à área nuclear. 1963) ou “core” (Eiten.l. ainda que importantes. Durante essas fases algumas formações vegetais pulsaram ao longo do tempo. por conseguinte. 1971. desde algumas centenas de metros até mais de 2. Para o Triângulo Mineiro (MG). quatro aspectos conspiradores. 1990). Para o cerrado s. central (Rizzini. Segundo Bigarella et al (1975). altitudes atuais de 700m já atingiram no passado aquele patamar. as informações geológicas assinalam um caráter policíclico para as mudanças e flutuações climáticas.

etc. Paraíba. assim. necessariamente que os cerrados centrais são. 1992). 1982. seria esperado encontrar grande riqueza florística em decorrência. ca. a homogeneidade florística é um mito. as áreas marginais.9% dos cerrados no Brasil) são ocupados por este domínio (Sanchez et al. Como o Estado de São Paulo apresenta áreas marginais disjuntas e os Estados do Piauí e Maranhão apresentam áreas marginais distais de Cerrado. 1963 e 1979). a partir de 15ºS 45ºW. provavelmente estão diretamente relacionados com esta substituição de espécies.867. é fato reconhecido há muito tempo na Ecologia que. Se espécies peculiares e acessórias vierem a ter significado ecológico. 49. Assim.821. Além destas barreiras climáticas (estreitamente relacionadas com este polígonos). modificado). A primeira. o cerrado s. próprias ou “centrais” e acessórias ou “marginais” se sobrepõem.1%) dominado por áreas não semi-áridas. Pernambuco. como fatores ecológicos. Por outro lado. do Planalto Central ao Nordeste ou do Planalto Central ao Sudeste Meridional (São Paulo). Maranhão e Bahia.800ha. na forma de centros de distribuição. regulados pela presença e eficácia de barreiras (microclimáticas.060. 5 . comporta-se como um mosaico e espécies peculiares. Rizzini.866ha (20. Este último autor denominou aqueles elementos florísticos de espécies ou elementos acessórios e de espécies ou elementos peculiares ou próprios os que ocorrem nos cerradões da área nuclear. diferentemente dos centros de distribuição intragrupos. na direção oposta. Entre os cerrados do Sudeste Meridional e os do Planalto Central e entre estes e os cerrados do Nordeste duas barreiras climáticas se estabelecem.156. principalmente. entre populações adaptadas a condições diferentes. principalmente pela sua fisionomia e composição florística. Rio Grande do Norte. 1990. altitudes de 400-900m. 1992). Na direção sudeste-nordeste. podem ser utilizadas como delimitadoras daqueles grandes centros. Isto não significa 68 . a substituição de espécies é uma constante. Não se deve excluir dessa discussão a variação de abundância das diversas espécies. 58. diz respeito ao polígono das geadas e a segunda. como para a Amazônia (TCA. porém afirmou que tais espécies peculiares não existiriam porque seriam atribuídas a outras formações vegetacionais. onde se encontram os cerrados do Nordeste. os grupos PC1/PC2/PC3/PAN e o grupo NE podem ser considerados como três grandes centros de diversidade e as áreas de sobreposição entre estes como centros de distribuição. em torno do paralelo 20°. geográficas. b). 32. nesta Região. estas últimas não estariam presentes necessariamente em áreas marginais em um sentido de localização centrífuga (nas bordas.Supercentros de diversidade Ao longo da distribuição dos cerrados brasileiros.100ha (62%) correspondem ao semi-árido nordestino e o restante. o grupo SP (SP1/SP2). Contudo. que ocorrem tanto no espaço. o semi árido ocupa apenas 78. Dos grupos de cerrado do Brasil.806. Alagoas e Sergipe há também cerrado ou nas partes não semi-áridas destas unidades federativas V. periféricas e/ou disjuntas de Cerrado são facilmente distinguíveis das demais formações vegetacionais circunvizinhas. V. entretanto.046. a deficiência hídrica anual (no solo) aumenta e. orográficas.8% da região ou 15. geomorfológicas. 1974. a temperatura média mensal diminui. se uma população de uma determinada espécie ocorre e se mantém em um certo local. cerca de 96.) ou antrópicas. favoráveis. Para Souza et al (1994). ao longo de todo o seu domínio (Castro. como no tempo. principalmente nos tempos atuais. em decorrência da dinâmica do ecossistema. Fernandes e Bezerra.l. No Ceará.cida de elementos florísticos advindos das formações vegetacionais circunvizinhas (Eiten. carecendo então de significado ecológico. diz respeito ao polígono das secas. 1994a). 1986). 1972.100 ha (38%). Como são nestas últimas áreas e em algumas outras áreas de exceção subúmidas do semi árido.Área de ocupação dos cerrados do Nordeste Dos 154. o segundo maior domínio florístico vegetacional (Andrade-Lima. do grande número de espécies acessórias.9%) do território nordestino. barreiras climáticas e altitude separam os cerrados do Brasil em (três) supercentros de biodiversidade: cerrados do Sudeste Meridional. foram ou passaram a ser centros obrigatórios de irradiação de espécies ou centros únicos de irradiação da flora oreádica. disjuntas ou não.200ha da área do Nordeste. Deficiência hídrica e temperatura. é porque está adaptada às condições daquele ambiente que lhe são. apud Aoki. ficando o restante (76. estes são os que imprimem efetivamente. Tais variações não são consideradas em estudos florísticos e mais uma vez são argumentos para se discutir a distinção entre espécies peculiares e acessórias dos cerrados (Castro. 1994a). De tal fato decorre que a distinção entre espécies peculiares e acessórias nos cerrados é artificial e discutível.400ha (50. Considerando-se apenas os Estados do Piauí. Do mesmo modo. cerrados do Planalto Central e cerrados do Nordeste (Castro 1994a. 4 . às áreas não semi-áridas (Melo Neto. da área poligonal do domínio florístico vegetacional dos cerrados).

principalmente do Piauí e do Maranhão. levantamentos com base em uma única excursão ao campo. A partir de Castro (1994a). No Piauí e no Maranhão as áreas de transição são significativas. a maioria dos trabalhos relacionam-se com levantamentos expeditos.l. quando presentes. campos periodicamente inundáveis e/ou vegetação de parque” (Castro et al. um total de 11. Una (Baixa Grande do Ribeiro. Mata de Babaçu. Mata Seca decídua. Mata de Babaçu (cocais. quando apresentou as idéias de “zona marginal” e de “individualidade fitogeográfica do cerrado piauiense maranhense”. Para o Ceará. diferentemente da forma “disjunta” como se encontram os cerrados marginais no Sudeste meridional (São Paulo). estabelecendo-se riquíssimas áreas ecotonais. Além do mais. No Maranhão. seletivos. perfazem um valor relativo de 47. 1976). no Nordeste.3% em termos de ocupação. 1994a. uma vez que níveis de secundarização. o segundo. 1992). caracterizando uma flora lenhosa (árvores. estas duas últimas estimativas correspondem a 33. levantamentos com base em material de herbário (com problemas de fidedignidade em termos de determinação botânica). um total de 9. por sua vez. Oliveira-Filho (1993) e Oliveira-Filho e Carvalho (1993). Goergen (1986) e Jenrich (1989) ofereceram também valiosas contribuições. ou por questões antrópicas.9% do cerrado no Nordeste) correspondem ao cerrado s. bibliográficos (com problemas de repetição e acumulação de erros de compilação) ou com levantamentos inexpressivos em termos de cobertura amostral. fez a mesma coisa para a Estação Ecológica de Uruçuí.l.0% em termos da área do estado. há contatos dos cerrados com a Caatinga.Vegetação e Flora ou encravado no domínio da caatinga ainda que em pequenas manchas (Andrade-Lima 1986). os contatos ocorrem com florestas (de vários tipos). um total de 249 espécies (conhecidas: completamente identificadas) são apresentadas para a flora lenhosa (árvores. Sarmento e Soares (1971) e Tavares (1964a. Para os cerrados de Pernambuco.000ha (4. arbustos e lianas) com uma listagem de 128 espécies e apresentando um mapeamento para a vegetação do Cerrado s. Em Barbosa et al (1996). Entretanto.866ha (5. mata dicótilo palmácea) ou Mata Ripícola. arbustos e lianas) com uma listagem de 116 espécies para o Parque Nacional de Sete Cidades (Piracuruca. Albuquerque (1987).. No Maranhão.Base bibliográfica: considerações Para os cerrados do Nordeste a base bibliográfica ainda é pequena. Haynes (1970). mas diferentes do contexto atual (Castro. Nos dois estados. PI). por sua vez. No Piauí. são importantes. Barroso e Guimarães (1980) apresentaram o primeiro levantamento florístico considerado intensivo.349. especificamente. que é formado por um mosaico de vegetação composto por “Campo Cerrado. o primeiro.759ha (70.107ha (29. campos. et al (1990) e Stannard (1995). b). nas áreas de transição.4%) encontram-se em sua área de domínio e 3. “Cerrado s. com aspectos de oreadicidade.6%) em sua área de transição (CEPRO. campos inundáveis (periódicos e permanentes).9% do cerrado no Brasil ou 36.l. com a apresentação de uma listagem de plantas árboreas e arbustivas associadas com as suas respectivas importâncias econômicas. Castro (1984). o Cerrado s. isto é. Mata Estacional subdecídua. A expressão “distais” refere-se ao fato de que estes cerrados são a continuação fisionômica e estrutural dos cerrados do Planalto Central de forma contínua. Carrasco. caracterizando uma flora lenhosa (árvores. Para os cerrados da Bahia destacam-se: Pinto . “Campo Cerrado”.856. porque circunstanciais e de acordo com o domínio do conhecimento de quando foram realizados. dos quais 8. fitogeográficas. No Piauí. de um dos supercentros de biodiversidade dentre os três já citados anteriormente.5% do cerrado no Nordeste) correspondem ao Cerrado s. porque estão distribuídos nas margens do espaço geográfico ocupado pelos cerrados brasileiros.s. acabam por influir sobre a estrutura (organização). Andrade-Lima (1957). 1998). com a apresentação de “critérios ecológicos para o desenvolvimento de modelos de aproveitamento agrícola” e. PI). passam a ser chamados de “cerrados marginais distais”. principalmente. sim. Savana de Copernicia. importantes. Estes subtipos são determinados por questões naturais. apresenta-se a idéia da existência. primárias. mas não com a conotação de “marginais” porque teriam uma flora preponderantemente composta de “espécies acessórias” (sensu Rizzini) e.l.507.” e “Cerradão de Cerrado”.800. Para o Piauí. o que. Para a Paraíba. No lugar de “individualidade florística” (sensu Rizzini). somadas.9% do cerrado no Brasil ou 30. determinados que foram por questões antrópicas. b) e Granjeiro (1983). Mata Ripícola ou com um complexo vegetacional denominado de “complexo de Campo Maior”. por sua vez. 6 . arbustos e lianas) 69 V. respectivamente. apresentase na forma dos subtipos “Campo Sujo de Cerrado”. Figueiredo (1989a. Por outro lado. Fernandes e Figueiredo (1977). Carnaubal. os cerrados do Nordeste. b). Para os cerrados do Piauí e do Maranhão as principais contribuições estão associadas com Rizzini (1963.3% e 14. sem nenhuma ligação necessária com qualidade da flora ou das espécies. pedológicas.

Sul do Ceará (Sertão de Salgado e Crato). 1963 e 1970. delimitação e caracterização dos “cerradões” continuam ainda em aberto. distribuídas em 28 e 19 famílias botânicas. foram realizados em algumas localidades do Noroeste da Bahia (Formoso do rio Preto). podem estar associados com sazonalidade hídrica na presença de concreções. em Imperatriz. 1996. Byrsonima crassifolia. plintita (laterita) e com cores que variam do cinza claro ao amarelo. Com base em 13 (treze) destes levantamentos florísticos e/ou fitossociológicos. critérios de inclusão e delineamentos amostrais foram diferentes. São João dos Patos e Fortaleza dos Nogueiras) (Ratter et al. igual ou maior que 5cm. Sanaiotti (1996). expeditos e. Fazenda Parnaíba. Rizzini (1976) listou 11 espécies.000ha. das quais 39 (26. Carolina. As temperaturas médias anuais variam de 26. Gilbués e Santa Filomena) e Sul do Maranhão (rio Balsinha.do Nordeste. Pedra Caída. inéditos ou em fase de publicação.430m de altitudes.709mm e as deficiências hídricas anuais de 365-560mm. que não mantenha relações de oreadicidade. nem sempre bem drenados ou podem ser pobres em cálcio. qualitativos. porém mais concentrada entre os meses de dezembro-abril. o que certamente influiu sobre o baixo número de espécies comuns. denominado pelos autores de “levantamento rápido”. foram considerados todos os indivíduos arbustivos e arbóreos e.3° . O método de levantamento utilizado. V. distribuídas em 22 famílias. o que pode indicar que estes pertencem muito mais ao cerrado s. Métodos.1.45º15’W e 70 . com cerca de 700. SEMATUR (1991) apresenta os principais problemas ambientais do Estado do Maranhão. Qualea parviflora. Na caracterização da flora lenhosa (árvores. No terceiro. Castro et al (1998) apresentam uma caracterização dos cerrados do Nordeste (Piauí). Em geral. comparadas por Castro (1994a). Nestas publicações os levantamentos são gerais. As primeiras análises fitossociológicas começam com Imaña-Encinas et al (1995). Stryphnodendron coriaceum e Vatairea macrocarpa. caracterizando as floras silvestre e campestre.l. Para os dois primeiros o 70 critério de inclusão foi o de indivíduos com diâmetro à altura padrão (DAP). o número de espécies é pequeno.7 . os indivíduos com diâmetro ao nível do solo (DNS) igual ou maior que 3cm. Destas. Alto Parnaíba.9%) referem-se a cerradões. Outros levantamentos florísticos. Para Imperatriz (MA) e Afonso Cunha (MA). do que a uma classe florestal. Haluli e Duarte (1985) listaram as 78 espécies arbóreas que foram coletadas em dezesseis municípios da bacia do rio Itapecuru. conforme o método de Thornthwaite e Mather (1955). melhor que à “altura do peito”. arbustos e lianas) um total de 308 espécies (conhecidas e desconhecidas: identificadas ao nível de família de gênero e não identificadas) são listadas. encontra-se em andamento o primeiro levantamento fitossociológico. Tasso Fragoso. muito expeditos. Pé de Galinha. foram apresentadas. Destes levantamentos. 1977. as precipitações anuais de 1. 11 (onze) foram quantitativos e 2 (dois). em todos os grupos de cerrado no Brasil há amostras de cerradão. mais do que a natural heterogeneidade espacial característica: Byrsonima crassifolia. e mais especificamente no Piauí. De um modo geral. respectivamente. O clima varia de Subúmido Seco a Subúmido Úmido. 32 e 33 espécies foram amostradas.Cerradão do Nordeste: características As questões de conceito. de transição ou não. Gerais de Balsas. 1997). tomando como base os 17 (dezessete) levantamentos selecionados por Castro (1994a).8º51’S e 41º43’ . Soares (1996) e Ferreira (1997). nos municípios de Santa Quitéria do Maranhão e Carolina. para cada um deles. em Afonso Cunha. Qualea grandiflora. os cerrados do Piauí distribuem-se entre as latitudes de 3º58’ . com exceção da primeira. Barão de Grajaú.217 . 65 espécies arbóreas foram listadas. Para Santa Quitéria do Maranhão. Para o Parque Estadual do Mirador (Mirador.27ºC. Para o Maranhão. ainda que possa tê-las em termos de estrutura (fitofisionomia). Plathymenia reticulata. os cerrados do Nordeste. Ratter e Bridgewater. Com base naqueles 13 levantamentos. Eiten (1994) publica os resultados das excursões que realizou nos anos de 1962. no último. Na forma de diagnóstico. Sudoeste do Piauí (Corrente. Para Carolina (MA). apesar da presença de Orbignya e Copernicia. a fidedignidade da determinação botânica das espécies é consideravelmente suspeita. com as grandes variações do lençol freático. MA). Com base nas 145 amostras de cerrado s. das quais apenas 38 espécies foram amostradas em termos quantitativos. A distribuição das chuvas apresenta se de modo irregular.l. Com relação aos solos. respectivamente. e UEMA (1988) apresentou uma listagem de 89 espécies de Magnoliophyta (monocotiledôneas e dicotiledôneas) e Lycopodiophyta (pteridófitas). Loreto. os cerradões meridionais são mais . Ouratea spectabilis (possivelmente Ouratea hexasperma) e Qualea parviflora foram consideradas como as mais importantes sob o aspecto ecológico-silvicultural. 41 espécies arbóreas. de acordo com a classificação indicada pelos seus próprios autores. refletiu diretamente sobre as baixas representatividades florísticas das amostras. dezoito anos depois da sua criação: 1980.

1994a). existem espécies características deste tipo ou subtipo de vegetação e segundo Rizzini (1979).Vegetação e Flora florestais e. a hipótese é: há cerradões que representam um dos subtipos do cerrado s.s. fisionomicamente.”. o cerradão “do ponto de vista fisionômico é uma floresta. os cerradões do Nordeste são chamados de “chapadas”. 1093 gêneros e 151 famílias. há outras que são endêmicas e outras que são características de tipos ou subtipos de vegetação circunvizinhas não oreádicas. esta flora é composta.l. incluindo florística e fitossociologia de “florestas xeromorfas”. entre outras. b). essa florística poderia distinguir um “cerradão de cerrado” (em analogia ao “campo sujo de cerrado”) de um outro tipo de cerradão. no mínimo. Algumas espécies do cerrado s. poderão indicar respostas satisfatórias e comprovar ou não aquela hipótese. como por exemplo Dias (1996). Dentre as principais espécies destacam-se Parkia platycephala. quanto mais meridionais. considerando as formas florestais. principalmente porque ocorrem em terrenos altos e planos. outras ainda. Desta forma.l. De qualquer modo. Segundo Ribeiro e Walter (1998). O crescimento simpodial dos ramos está presente e o nível de tortuosidade dos ramos e/ou de suberosidade dos caules têm relação direta com o tipo e/ou freqüência do fogo. mas floristicamente é mais similar a um cerrado”. mais savanóides (Castro. Os componentes herbáceo subarbustivos e arbustivo arbóreos sempre estão presentes. uma vez nestas áreas. pelo menos mais do que a flora herbáceo subarbustiva. deixando fácil. Para alguns. por exemplo. A expressão “cerradão” é um conceito mais fisionômico do que florístico. “no sentido de que não têm relação com o cerrado s. um total de 6062 espécies. a diversidade de espécies descarta facilmente este enquadramento. provocam muito mais confusão do que consenso. os cerradões do Nordeste não são os mesmos que os cerradões do Planalto Central ou do Sudeste meridional. de 989 a 1753 táxons específicos e subespecíficos. outras.. arbustos grandes. Entretanto. O nível de substituição tanto em um subtipo quanto no outro é que poderia dar indicação das diferenças entre campo sujo e campo sujo de cerrado e entre cerradão de cerrado e cerradão. V. particular ou não. Nos cerradões é a flora arbustivo-arbórea que predomina e a flora deste componente (arbustivo-arbóreo) é eurioreádica em termos de cerrado s. muito simplista. etc.) e. entretanto. os cerradões do Nordeste são referidos como “vegetação de parque”. A florística. Ratter e Ribeiro (1996) e Ratter et al (1997). a penetração de luz. Em Mendonça et al (1998) parte destas estimativas globais foram confirmadas. incluindo todas as comunidades que nele estão presentes. Luetzelburg (1922. no entanto. etc. Para os cerrados outras estimativas globais existem. hábitos de crescimento. Byrsonima sericea. 71 Popularmente. Algumas se baseiam em perspectivas diferentes de área de ocupação. são substituídas no “cerradão de cerrado”. outras se baseiam no “bioma”. Os solos em geral são profundos e variam de arenosos a argilosos. os rebanhos são cuidados de forma extensiva ainda nos dias de hoje. 1994a) e. sensu Eiten) corresponde ao dobro ou ao triplo do número de espécies lenhosas. Caryocar coriaceum. mais distantes floristicamente do cerrado s. Alguns indivíduos do componente arbóreo atingem facilmente porte de 10-15m. a flora total dos cerrados é estimada como sendo composta de 3956 a 7012 espécies. quase que apertada”. como se baseiam em critérios diferentes. A expressão “cerradão” foi a que mais resistiu em termos de classificação informal e além disto. O problema maior é que não é discreta a separação entre os “dois tipos de cerradão”. A copa das árvores se tocam. dentro e fora do domínio morfoclimático vegetacional do cerrado s.) para a computação das . Como ambos têm fisionomia florestal. savânicas e campestres do “bioma” Cerrado. e há os que não o são floristicamente (Castro. em termos de fanerógamas.l. tradicionalmente. 1923). formas biológicas. no mínimo. incluem critérios de sobreposição (caule grosso. entretanto. Entretanto. os setentrionais. Neste aspecto.l. tanto quanto algumas espécies do campo cerrado são também substituídas no campo sujo de cerrado. 8 . na medida em que indicaram. somente estudos futuros mais refinados. Sclerolobium paniculatum. então. A serapilheira existe. a flora do cerradão é a mesma que a do campo cerrado. mas nunca como nas matas.. o que leva a crer que a generalização de que todo cerradão não representa um subtipo dos cerrados é. é que poderia separar os dois tipos de cerradão. 1987. de 366 a 575 gêneros e de 88 a 210 famílias botânicas. Para este autor.l. o conhecimento sobre a florística dos cerradões do Nordeste tem muito que contribuir.Estimativas da riqueza total de espécies Com base na última atualização do conhecimento da flora lenhosa (arbustos e árvores) dos cerrados brasileiros (Castro 1994a. Agonandra brasiliensis. aconchegada. Como o número de espécies não lenhosas (espécies do componente rasteiro. já os caracteriza em termos de fisionomia como “um campo cerrado da flora arbórea. consideram de modo diferente os critérios de inclusão (diâmetro mínimo.

pouca oferta de variabilidade genética vai ser aproveitada pelas gerações tecnológicas seguintes. estimativas de 1000 espécies para a flora arbóreo arbustiva de caule grosso (Eiten. para agora e para o futuro. Castro (1994a). isto é.espécies.6% da estimativa total da fitodiversidade dos cerrados do Brasil. 1987).3%) e não identificados (4. álicos. 1994a. as estimativas da riqueza total de espécies apontam para números na ordem de 924 a 1232 espécies para proporções de 1:2 . como tem a RPPN (Reserva Particular do Patrimônio Natural). respectivamente. Uma porcentagem de 31. baseando-se nos mesmos critérios de Castro (1994a). Quanto deste deve ficar intacto ou sob controle de preservação? Quanto deste deve ser conservado? Quais níveis de antropismo devem ser permitidos em áreas de seu domínio? Na criação de mais Unidades de \Conservação de controle privado. 1991. árvores e lianas). a conclusão do desconhecimento das espécies é inequívoca. considerando apenas as que efetivamente são amostradas e toda a 72 V. O impacto ambiental produzido pelo desmatamento de grandes áreas para a introdução de monoculturas de grãos. Para o Nordeste. tendo desenvolvido adaptações físicas. Oliveira e Leitão-Filho. Para o Piauí. além da isenção do Imposto Territorial Rural.8%) a espécies identificadas com dúvidas e 667 (38. ao contrário do que muitos pensam. Ainda assim. levando em consideração a maior estimativa.1%) correspondem a espécies identificadas não duvidosas. O grande número de classificações fisionômicas e a adoção de inúmeros critérios de inclusão produzem efeitos imediatos sobre as estimativas globais.5%) é preocupante. Assim. segundo Castro et al (1998). por exemplo.arbóreas do cerrado. estimuladas muito mais por interesses sócio-econômicos incongruentes com a realidade nacional.1:3 (uma espécie do componente lenhoso para duas ou três espécies do componente rasteiro). corresponderia a 17.0%). torna-se óbvio que são bancos gênicos de muito maior valor do que lhes é atribuído e que merecem ter importância muito maior do que apenas produzir carvão e enormes áreas de cultivo. com base nas 145 listas de espécies relacionadas às 78 áreas comparadas de cerrado s. completamente identificados. tem uma relação de custo benefício negativa quando se pensa em desenvolvimento sustentável que leva em conta a manutenção da biodiversidade. o que significa. apud TCA.. O nível de conhecimento taxonômico e as questões das sinonímias. geram listas de espécies incompletas. as proporções estimadas. instituída pelo Ibama em 1990? Por outro lado. alguns levantamentos quantitativos têm mostrado a riqueza de espécies com acompanhamento providencial de testes de representatividade florística das amostras. Sem o conhecimento necessário do patrimônio florístico dos cerrados. em termos comparativos. apenas 210 (68. por exemplo. Em levantamentos florísticos realizados (Castro. A realidade da situação taxonômica para os cerrados. regional. em função dos dados até então obtidos. é pouco conhecida e em alguns aspectos. De acordo ainda com o conhecimento da flora arbustivo-arbórea dos cerrados brasileiros (Castro. muitas vezes. que evoluíram sob forte pressão de herbivoria (Fowler e Duarte. No entanto. algumas questões de ordem prática aparecem. o número de angiospermas é estimado em 60.000 espécies para a Amazônia (brasileira e extra brasileira). químicas e simbióticas. Desta forma. a fitodiversidade dos cerrados do Nordeste.2%) táxons são conhecidos. que vantagens devem ser acrescentadas. áreas de cerrado (cerradão de cerrado) de cerca de 30ha podem conter mais de 70-80 espécies lenhosas (arbustos.Considerações sobre a fitodiversidade do Cerrado Considerando que os cerrados apresentam plantas que ocorrem em solos distróficos e. a fitodiversidade e a arquitetura (organização) compartimentada do Cerrado impossibilitam a extrapolação de resultados. por exemplo. até o momento. Isto também produz efeito imediato sobre as estimativas globais. uma enorme preocupação. Por que não existem estimativas específicas para a nossa Amazônia? Na impossibilidade real de fazer censos florísticos.l. b).8% para os táxons desconhecidos: identificados até o nível de gênero (26. 1987). 9 .1%) a espécies desconhecidas – ou porque foram incompletamente identificadas. problemática. 1994) pulam para 10000 espécies para a flora de angiospermas (Dias. apenas 1019 (58. uma flora com uma estimativa na ordem de 7000 espécies? Segundo Salati (1983. poucas são as estimativas que vêm acompanhadas de lista(s) de espécies (checklists). 1996). 67 (3. muitas vezes prolongada. de espécies herbáceo-subarbustivas e arbustivo. ou porque não foram sequer identificadas botanicamente. 1992). mesmo que através da quantidade de espécies lenhosas conhecidas e desconhecidas projeta. listou 50 variações de fitofisionomias e 42 variações de critérios de inclusão. Além do mais. que as plantas arbóreas adultas suportam deficiência hídrica. Na abertura de uma fronteira agrícola qualquer em áreas de cerrado. inclusivas ou superestimadas. . Dos 1753 táxons específicos e subespecíficos. até o nível de família (1.

tanto quanto as idéias anônimas e infundadas de que a destruição dos cerrados favorece a conservação da Amazônia. conforme o nível de conhecimento que venha a ser adquirido. a taxa de crescimento anual das pastagens plantadas e nativas é de 1. 4. menor aproveitamento e mais estanque desenvolvimento. isto é. Segundo Dias (1994) e Lima e Shiki (1994). As ações que devem ser implementadas não são estritamente de ordem fitotaxonômica.718 indivíduos lenhosos foram dendrometricamente medidos e. na segunda. a substituição destes pelos controles biológicos artificiais.Vegetação e Flora área de estudo. em sua maioria. vem a fragilidade dos controles biológicos naturais. no Parque Estadual de Vaçununga (Santa Rita do Passa Quatro). as áreas das unidades amostrais. O poder público. em uma área de mesmo tamanho amostral. antes de tudo. pelo menos até que. principalmente sob uma perspectiva interinstitucional. Na primeira área. 1996). Soluções já existem para uma série de problemas. de fato e de direito. uma fisionomia de “cerradão savanóide” (Castro. Problemas de amostragem devem ser evitados e critérios de inclusão precisam ser padronizados. de conservação e de manutenção da biodiversidade é. A idéia antiga de que é preciso alterar a paisagem para dar a impressão de utilização em termos de produção. Seguindo ao empobrecimento da diversidade biológica. porque hoje produção deve incluir também manutenção da biodiversidade (Castro. tudo indica que somente depois de os cerrados atingirem os níveis de perturbação que alguns dos outros grandes ecossistemas já atingiram. Entre as duas áreas. 2. estudos florísticos e fitossociológicos precisam a todo custo ser intensificados. como as reportadas por Lugo (1988). Poucos recursos para a pesquisa com o enfoque aqui colocado e em geral sua provisoriedade garantem. as áreas entre estas unidades e as que ficam no entorno. de que a cobertura vegetal oreádica atrapalha mais do que auxilia a utilização dos recursos solo e água e de que madeiras sem valor comercial direto ou ainda desconhecido não são essenciais para a sobrevivência de outras que o possuem. de 768 a 1. de 1. venham a acontecer nesta mesma geração.12% e das culturas anuais e perenes e dos re- florestamentos. Segundo Dias (1994). se devolutas e de controle municipal. As diferenças de densidade determinam para a primeira área uma fisionomia de “cerradão florestal” e. na medida em que a partir desta. parte destas automaticamente passaria a ser produtivas. podem ceder frações para a instalação de UCs do patrimônio florístico.155 indivíduos. o simples fato de aqueles recursos poderem ser preservados em unidades particulares de conservação no interior de suas terras. interdisciplinar e em bases que permitam comparação. por exemplo. redescobertos. menor domínio florístico e fitossociológico da província do Cerrado. O quadro atual dos cerrados no Brasil. se possa partir para estudos mais detalhados (Castro. que embora pontuais. precisa acabar. Estes resultados mostram que o empobrecimento genético (erosão genética) é muito acentuado e abrupto por ocasião de um desmatamento em grande escala para a abertura de uma fronteira agrícola horizontal. mas ainda estão apenas sob a forma de relatórios técnicos. e/ou de serem considerados como dotados de uma biodiversidade comercializável. 1983). de monografias e de teses acadêmicas. pelos controles químicos. 1987). principalmente quando este não considera as “ilhas de biodiversidade” e os seus corredores de ligação. Assim. 1996). um reflexo de nossa cultura (Castro. 1987) em uma área de amostragem de 0. imediatamente circunvizinhas. os cerrados precisam urgentemente ser redescobertos. para a segunda. nos cerrados. na Fazenda Piloto Chapada Grande (Tanque do Piauí) e com os mesmos procedimentos metodológicos. a riqueza florística é semelhante.44%. Como a maior parte da responsabilidade sobre o futuro dos recursos naturais do Cerrado está em mãos de proprietários privados e das relações culturais com seus antepassados imediatos. Mesmo assim. 83 espécies arbustivo-arbóreas foram inventariadas. em função da crescente perda de potencialidade biológica e produtiva que o cerrado complementarmente poderia assegurar.000 municípios brasileiros têm cerrados em suas áreas geográficas (antes do pool de criação dos novos municípios brasileiros) e. é que. 1996). o Cerrado será visto de outra forma. Em São Paulo (Castro. conceitos antigos possam ser reavaliados e outros tantos. No Piauí (Castro. em termos de ocupação. já ao curto prazo. 1994a). A verdade é que.6ha. 76 espécies foram computadas. 73 . tanto quanto aqueles. a iniciativa privada e a sociedade civil têm co-responsabilidade. Isto mostra que não será preciso muito tempo para que os níveis de perturbação atinjam patamares deletérios e que taxas assustadoras de extinção de espécies. detêm as facilidades e custos menores de manutenção. pelos desastres ecológicos com amplas repercussões econômicas e sociais de desagregação (Castro.

Em 1997. usos e inferências (revisão baseada nas informações de Rabelo. A Oficina sobre “Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade do bioma Cerrado”. 1993 . e Cavalcanti. Na ocasião. . coloca esse ecossistema em condição de ameaça de erosão de sua biodiversidade. a pesquisadora deveria elaborar um documento técnico fornecendo subsídios à conservação de áreas de Cerrado no Amapá. 1 . SEPLAN/IEPA. A pesquisadora estava estudando a “Biodiversidade de Áreas Savaníticas da Amazônia”. Nesse contexto. A EMBRAPA respondeu positivamente através do pesquisador do CPAC. cuja funcionalidade necessita ser conservada para garantir a manutenção dos processos ecológicos essências e a preservação da diversidade genética local. o Cerrado do Amapá aparece entre a floresta de terra firme e os campos inundáveis. com apenas 10. Em contrapartida. Ainda em 1993. informou-se que o projeto da EMBRAPA/CPAC limitava-se às áreas de Cerrado contínuas do Centro-Oeste. Em 1993. proporcionado pela intensificação de sua ocupação para diversos fins. responsável pelo projeto “Conservação e Manejo da Biodiversidade do Bioma Cerrado”.Breve histórico das ações institucionais O Estado do Amapá detém 1. Em março de 1996.Aspectos Ambientais do Amapá. Benedito e Chagas. As primeiras iniciativas convergiram no sentido de inserir a SEMA nos fóruns de discussão técnico-científica sobre o bioma Cerrado e sistematizar as informações pré-existentes e identificar pesquisas em andamento. Marco Antonio. no período de 23 a 27/03/98. . Esse trabalho foi executado pela TNC. A. Foram contatadas as seguintes instituições afins: EMBRAPA/CPAC. 1995. com sérios reflexos para o equilíbrio ambiental local.000. Como citação.Subsídios ao Zoneamento Econômico-Ecológico do Amapá: Uma Análise das Unidades de Conservação Biológicas e outros . M.345.000ha de suas áreas do Cerrado do Amapá. a Champion Papel e Celulose iniciou uma Avaliação Ecológica Rápida de 280.000ha. A única amostra protegida legalmente desse ecossistema encontra-se na APA do Curiaú. Dr.Conservação do Cerrado no Amapá: aspectos fisiográficos.VI . cujo tema de tese de doutorado poderia contribuir aos interesses da SEMA. do Royal Botanic Gardens. O alto índice de pressão antrópica sobre o Cerrado do Amapá. bem como o direcionamento para a definição de políticas integradas de uso sustentável e conservação do bioma. No nível de políticas integradas globais. sob a coordenação do Dr. como as da Amazônia e. em particular. destacando-se a silvicultura. B. em Brasília. Roberto. James Ratter. a SEMA deu início aos estudos técnicos necessários a criação de uma Unidade de Conservação no Cerrado do Amapá. David C.) O Cerrado é o único bioma que não apresenta representatividade territorial no Sistema Estadual de Unidades de Conservação do Amapá. geomorfologia. orientada pelo Dr. Vários trabalhos técnicos desenvolvidos pela SEMA e outros autores apontam para a necessidade de resguardar amostra representativa desse ecossistema. Macapá. INPA e MPEG. Este documento é uma contribuição de técnicos do Amapá e reflete um esforço conjunto de instituições locais que apoiam uma ampla discussão sobre o assunto. a SEMA procurou a pesquisadora e lhe foi oferido suporte às suas excursões de campo ao Amapá. Em julho de 1994 foi entregue à SEMA o trabalho “Savanas do Estado do Amapá: Sugestões para sua Conservação”. tendo a participação dos técnicos da SEMA Marco Antonio Chagas e Emmanuel Soares. banhado pelas águas do rio Amazonas e do oceano Atlântico. mas que existiam possibilidades de extensão para as áreas descontínuas. Em escala real. através do MPEG. 1995 . José Felipe Ribeiro. e Chagas.370ha da Amazônia Oriental. realizado em Brasília.Aspectos Ambientais do Amapá. principalmente quanto à possibilidade de um planejamento diversificado de sua ocupação e uso sustentável. Edimburgo/Escócia. Em função das várias iniciativas já executadas e em curso. foi realizado o 1ST International Symposium on Tropical Savannas/VIII Simpósio sobre o Cerrado. 74 VI. O INPA identificou a pesquisadora Tânia Sanaiotti. possibilitou o nivelamento de informações entre a comunidade técnico-científica presente. tornou-se oportuno a sistematização dessas informações e o desenvolvimento de ações complementares para elaboração da proposta de criação de uma Unidade de Conservação no Cerrado do Amapá. com o objetivo de implementar uma política interna de conservação desse ecossistema.000ha de áreas de Cerrado. com uma diversidade de ecossistemas em boas condições de conservação. a Agenda 21 e a Convenção da Diversidade Biológica estabelecem o roteiro da ética que a humanidade deve trilhar para garantir a sobrevivência do planeta. entre as quais a do Amapá. destacam-se Rabelo. o Amapá representa uma pequena porção territorial de 14. Oren. as do Amapá.

brechoide e conglomeráticas. no Oiapoque. são acompanhadas por particularidades topográficas e. independente de sua estrutura e diversidade florística. A diversidade e a estrutura desse estrato são indicadores primários na individualização de tipologias do Cerrado. reflexo de um processo evolutivo ainda pouco estudado. a flora desse estrato é formada por plantas perenes e semi-perenes. Geologia/Geomorfologia O Cerrado do Amapá ocorre sobre uma estreita faixa longitudinal de sedimentos. são caracterizados como sedimentos argilosos. de idade Devoniano e Siluriano. VI. O estrato arbóreo/arborescente inclui um grupo restrito de plantas relacionadas à flora lenhosa do Brasil Central. por correspondências de tipo de solo. cavernosa. Vegetação Três estratos básicos compõem o gradiente florístico do Cerrado do Amapá: o estrato herbáceo. limitar a faixa de sedimentos quaternários que compõem a paisagem costeira do Amapá. assentam-se discordantemente sobre as rochas Pré-Cambrianas do Complexo Guianense. sempre presente em quaisquer das tipologias consideradas. é composto por conjuntos de hemicriptófitas. nitidamente manifesta alterações que estão ligadas a disposição do componente arbóreo. amarelados e esbranquiçados. Como resultado. que gradam para folhelho preto e arenito com folhelho fossilíferos intercalados. embora esteja presente nos diferentes ambientes particularizados. A priori. A relação de estrutura.Enfoque Conceitual Definido em função de seu aspecto fisionômico – semelhante à vegetação do Brasil Central – o Cerrado do Amapá vem sendo definido espacialmente sem levar-se muito em conta as alterações e categorizações de formas que estão intimamente relacionadas à sua evolução. no sul do Amapá. o Cerrado também ocorre sobre seqüências sedimentares. De modo geral. 2 . a diversidade desse estrato é baixa. respectivamente. Ao longo do ano é possível acompanhar a sucessão desse estrato através da observação de espécies estacionais. invariavelmente. Do ponto de vista florístico. relevo e gradiente hídrico. maciça. apresentando níveis cauliníticos intercalados. diversidade e eqüidistância dos indivíduos que compõem o referido estrato também pode ser considerado como indicativo de tipo particular de Cerrado. A coloração desses sedimentos é variada. de granulação fina a média. com passagens e zonações que estão intimamente relacionadas com padrões particulares do Cerrado. que a princípio. que se estende desde a região do Jari. Litologicamente. sem que isso signifique alteração na fisionomia do estrato como um todo. etc. siltosos e arenosos. predominado tons avermelhados. pois sua característica é dada pela estrutura das plantas graminóides. com destaque para o adensamento de ciperáceas e poáceas cespitosas. o estrato subarbustivo/arbustivo e o estrato arbóreo/ arborescente. com estruturas tipo nodular. A Formação Curuá é constituída por folhelhos cinza-escuros intercalados com siltitos e horizontes de arenitos fossilíferos. No sul do Amapá. onde limita-se a Oeste. ressalvadas as particularidades que se refletem em tipologias individualizadas. as particularidades apresentadas pelo Cerrado do Amapá apontam para a necessidade de considerar-se as diferentes tipologias dominantes como conjuntos fisiográficos que podem servir de indicadores primários para a definição de áreas prioritárias para uso sustentável e conservação da biodiversidade.Aspectos fisiográficos Em sua totalidade. esses sedimentos de idade terciária. Entretanto. existe uma clara correspondência entre a estrutura e a diversidade da flora lenhosa. suprimento d’água. como por exemplo. bem selecionados. 3 . até o alto curso do Uaçá. De modo geral. com estratificação horizontal. mas a medida em que se avalia sua evolução e relação com parâmetros naturais. distingue-se conjuntos espaciais que merecem estudos mais detalhados. possivelmente. Correspondendo ao grupo geologicamente descrito na literatura como Barreiras. Marcante nesse ambiente é a existência de espessas capas lateritícas. O estrato herbáceo. nada se contrapõe a esse enfoque. mapeadas e descritas como formações Curuá e Trombetas. Seus representantes manifestam claramente adaptações morfo-fisiológicas como resultantes dos tensores físico-antrópicos a que estão submetidos. A Formação Trombetas é caracterizada por arenitos brancos. tem-se na literatura diferentes informações técnicas derivadas dos estudos do Projeto RADAM. 75 . o Cerrado do Amapá é marcado por características físico-naturais que guardam relativa uniformidade ao longo de sua distribuição espacial. O estrato subarbustivo/arbustivo. que considera como Cerrado toda área savanítica norte e centro-leste e enclaves na porção sul do Estado.Vegetação e Flora VI. além de.

principalmente de buriti. correspondentes a afloramentos da Formação Barreiras em pleno domínio Quaternário. é enfatizado a importância desse ecossistema como base genética. Sua representatividade alcança domínios geopolíticos de 13 municípios. fruticultura.400 28.000 7. • Estratégica VI.030 1.440 0. pecuária bovina extensiva. limites de tipologias dominantes e inferências sobre espécies consideradas potenciais da flora.300 12.55 Tartarugalzinho 674. No plano espacial é tratada sua abrangência territorial.72 Pracuúba 497.000. fica enfatizado que o Cerrado não pode ser avaliado somente do ponto de vista do aporte químico do solo.910 14.Em sua extensa distribuição.400 29. Representatividade Territorial Tendo como maior eixo de ocorrência a faixa norte-sul que se estende desde as proximidades de Macapá até o Oiapoque. ainda que.70 Itaubal 156.150 0. com rede de drenagem bastante densa e ramificações de canais de cabeceira.760 1. na medida em que outras variáveis passam a ser consideradas e. alguns vales com fundo plano.600 9. sem maiores definições. 5 .160 55. considerando as reais condições que os órgãos estaduais detêm. escala 1:1. admite-se que o tratamento dado a esse ecossistema situou-se no conjunto da metodologia do trabalho. São observáveis.433. que indicam uma retomada de erosão recente.50 Ferreira Gomes 507. área protegida. núcleo de expansão urbana. em forma de meia laranja. ou como relevo colinoso. o Cerrado do Amapá se expressa morfologicamente como platôs baixos dissecados. correspondendo a cerca de 1.300 48. Em termos territoriais.000. neste caso. unidade experimental de estudos e outros.900 3. com a seguinte percentualidade e área: Município Área Total Área de Municipio Área total Área de Cerrado (ha) (ha) % de Cerrado % de Macapá 656.350 66.04 Mazagão 1. Como resultado. avalia-se quais as reais contribuições que a Primeira Aproximação do ZEE do Amapá tem a oferecer.95 Porto Grande 442.17 Calçoene 1.000 ha.Visualização do Cerrado do Amapá no âmbito da primeira aproximação do ZEE/AP Diante dos encaminhamentos que a ocupação do Cerrado do Amapá vem tendo e das recentes atenções que vêm suscitando em decorrência da extensividade de seu uso pela silvicultura.95 Amapá 920. Sua aptidão se amplia.117. assoreados com depósitos aluviais. o Cerrado representa 7.10 Santana 159.000 Com essa conotação é avaliado sua relação edafotopográfica pela qual é atribuído valor integrado a condição física de seu solo e sua associação com os favoráveis gradientes topográficos.950 0.22 Fonte: Aplicação de SIG com base no mapeamento do Projeto RADAM.1% da área total do Estado.980 43. cultura temporária. também.272. Com base nessas considerações. Sob esse ponto de vista. • Imediato estabelecimento de legislação que normatize o uso do Cerrado remanescente. onde ocorrem extensas concentrações de palmeiras. pequena propriedade particular. o Cerrado do Amapá também inclui áreas menores situadas ao sul do Estado e pequenos enclaves nos domínios da planície flúviomarinha.240 184. seu papel no conjunto de fatores que concorrem para a manutenção do equilíbrio da floresta contígua e considerações sobre história evolutiva.90 Cutias 212. constituindo 76 .04 Oiapoque 2.200 200. considerando seus atuais níveis de alteração. cultura de dendê. duas questões concorrentes se apresentam como prioritárias: • Proceder estudos direcionados que visem a dimensionar a capacidade de suporte desse ecossistema.Usos e representatividade do Cerrado do Amapá Usos Os principais usos do Cerrado do Amapá estão enquadrados nas seguintes categorias: silvicultura. funcionamento e condicionamentos fitoestrutural. a questão que se apresenta diz respeito a como fazê-los. O Tratamento do Cerrado no Âmbito da Primeira Aproximação do ZEE/AP Como ponto de partida. o Cerrado é visto através de duas condições: • Ambiental Incluindo contextualização e representação espacial.960 48.200 33. para o qual tem-se as seguintes especificações temáticas: a) Inferências atribuídas pela Carta de Avaliação do Potencial dos Recursos Naturais Sob a concepção de potencial.300 129.970 78.318.220 170.700 2.91 Laranjal do Jari 3.570 5. 4 . VI.800 27.

b) Inferências atribuídas pela Carta de Avaliação das Limitações Naturais São visualizados quatro situações limitantes: • Susceptibilidade à seca d) Inferências atribuídas pela Carta Síntese Sócio-Ambiental Nessa Carta. • Vulnerabilidade natural à erosão moderada Destaca a equivalência de níveis medianos de estabilidade/vulnerabilidade do solo. conseqüentemente. Em atenção à sensibilidade desse ambiente à estiagem prolongada. • Concentração de alumínio Descrição: Abrange parte do Cerrado e áreas de transição. base geológica.800 Total Obs. centro urbanos e exploração mineral. 3o Nível: Abrange dois segmentos distintos: • Segmento Cerrado e Entornos. com grandes alterações da cobertura vegetal · Descrição: Envolve áreas de Cerrado. sobre o aporte de áreas remanescentes e. dado que. 2o Nível: Marcada pela presença de vias de integração terrestre e maior dinamização sócio-produtiva. consequentemente. • Segmento Cerrado e Entornos. em seu conjunto. • Oferecer subsídios ao conhecimento de limites e extensão dos principais sítios topográficos. sem grandes alterações da cobertura vegetal. é avaliado a concorrência dessas condições para o desencadeamento das práticas de queimadas sazonais. buscou: • Oferecer subsídios que atendessem à visão integrada dos acontecimentos e permitissem. ainda assim. causando limitações ao desenvolvimento radicular pivotante e. concentradas principalmente da região do Pacuí e entornos. além dos centros urbanos e áreas de influência. No sentido inverso. As áreas de formação florestal disjuntas. o que leva a concluir. de transição e de galeria. Os altos níveis de concentração de alumínio do Cerrado impõem limitações químicas refletidas diretamente na capacidade de aproveitamento desses solos. • Pedregosidade Diz respeito à camada laterítica que permeia os solos do Cerrado. As atividades produtivas são de pequeno e médio porte. O Cerrado remanescente. o Cerrado é visto como parte de três categorizações do espaço estadual: 1o Nível: Com características naturais determinantes associadas a formas diversificadas de uso e ocupação do território. Reflexões Pertinentes Dado as análises temáticas. ao mesmo tempo. circunstancialmente.Vegetação e Flora condições favoráveis a práticas mecanizadas do solo e usos estruturais. apesar da mesma apresentarse com estrutura pouco protetora.400 Ferreira Gomes 8. com usos intensivos pela silvicultura e cultivo do dendê. c) Inferências atribuídas pela Carta de Desempenho Socio-Econômico e Ocupação Territorial Nessa Carta. fica acrescida de mais importância face ao gradiente de fragilidade do substrato. são marcadas pela maior alteração da cobertura vegetal. ressalta o papel da vegetação para a manutenção desse estado de equilíbrio. com reflexos que denotam desequilíbrio no balanço hídrico e grandes conseqüências para a vegetação. Em decorrência.000 Macapá 35. caracteristicamente marcada por usos extensivos e pela “situação” de comunidades rurais. margens de negociação tipo. relevo e vegetação. • Chamar atenção para as possibilidades de diversificação de uso desse ambiente. o Cerrado é visto no conjunto da avaliação atribuída às áreas alteradas no Estado e.600 Porto Grande 180. de transição e de formação florestal disjunta. decorrente da prática agropecuária itinerante. observa-se que o trabalho de ZEE. custo/benefício ou valor compensatório. isoladamente. inclui propriedades particulares com diferentes fins e núcleos rurais com significativa atividade produtiva. A análise reflete o percentual dessa atividade no município em relação ao total de áreas alteradas. sendo a pecuária uma prática utilizada de forma alternativa ou complementar à atividade primária desenvolvida nas áreas úmidas. destacando-se: formas de urbanização e infra-estrutura de circulação. a determinados usos agrícolas. Não foram consideradas as novas áreas do Projeto da Champion Papel e Celulose. sobre a representatividade florística dessas áreas. passa a ser avaliado em função da silvicultura. compreendido no conjunto de suas áreas campestres. Complementarmente. floresta/cerrado e cerrado/área úmida.800 Itaubal 18. tem-se o seguinte quadro: Silvicultura em Cerrado (ha) Município 118. 77 .

dispersão e germinação de sementes. II) Pelo menos uma UC representativa deve ser estabelecida em cada área de enclave de Cerrado na Amazônia. Quando substitui-se a queima das pastagens nativas pela roçagem. plantios homogêneos.000 a 3. elevando-se com isso. pode estar diminuindo o potencial produtivo dessas pastagens. podendo resultar até na morte de árvores. ou seja na queima trienal (Mochiutti et al. os mamíferos. produção. com precipitações anuais de 2. Uma preocupação constante dos trabalhos de pesquisa realizados são as condições de clima e solos peculiares do Cerrado amapaense. principalmente as cabeceiras dos cursos d’água. Assim. recomenda-se a criação de UCs suficientemente extensas para comportar espécies faunísticas de grande porte. reduzindo a produção de espécies forrageiras. os solos do Cerrado possuem certa fragilidade para sua utilização em sistemas agrícolas que utilizam métodos de revolvimento de solos. ao contrário. como as ciperáceas e gramíneas de baixa palatabilidade. III) Devido ao intenso processo de fragmentação de habitats por conversão em pastagens. como por exemplo. Grande parte dos estudos desenvolvidos pela EMBRAPA/Amapá para o aproveitamento dos Cerrados para fins agrícolas utilizam técnicas de cultivo mínimo. mesmo em áreas destinadas a conservação permanente. observa-se uma completa mudança da composição botânica do estrato herbáceo. Paspalum carinatum e a ciperácea Rhynchospora spp. aumentando os riscos de incêndios de difícil controle e de queimadas com temperaturas mais intensas. obtêm maiores rendimentos com utilização de menor freqüência de queima. Porém. 78 Estudos desenvolvidos em uma área de Cerrado do Amapá. 6 . A pecuária extensiva é atividade que ocupa a maior parte da região do Cerrado. por desdobramento. .000mm. devido principalmente a baixa produção e qualidade das pastagens nativas do Cerrado. com pequena interferência no ecossistema. visando a eliminar a biomassa seca acumulada durante o período de estiagem e melhorar a qualidade da forragem produzida com o rebrote. 1997). altas temperaturas que elevam a intensificação dos ciclos biológicos.• Enfatizar o conjunto de área alterada. aliado a pastejo intenso no início do crescimento das plantas. as gramíneas Elyonurus sp. demonstraram que há diferenças significativas no comportamento das espécies que compõem o estrato herbáceo com relação a utilização do fogo. a utilização freqüente do fogo. Muitas espécies do Cerrado necessitam da queima para estimular a floração. obtendo os maiores rendimentos quando a freqüência de queima é anual ou bienal. concentrados no período de janeiro a julho. Com o objetivo de melhorar o desempenho da pecuária nessa região. além da alta toxidez de alumínio e baixa saturação de bases. IV) Para manterem populações geneticamente viáveis de espécies de grande porte e de elementos do topo da cadeia alimentar. Os resultados obtidos com os trabalhos realizados demonstram a necessidade de um manejo adequado de queima. reduzindo a freqüência das espécies consumidas pelos bovinos e aumentando a presença das espécies não consumidas. levando a maior parte dos solos a apresentar baixos teores de matéria orgânica (próximos 1%). induz à tomada de decisão a propósito das áreas remanescentes. o que. etc. estabelecimento de pastagens cultivadas e manejo das pastagens nativas. Uma pratica comum dos pecuaristas da região do Cerrado é a utilização da queima anual. notadamente. tem como objetivo seu aproveitamento e utilização econômica de forma sustentável. recomenda-se que os estudos técnicos básicos considerem a representatividade das bacias hidrográficas. sendo caracterizada pela baixa produtividade dos rebanhos. As gramíneas nativas Trachypogon plumusus e Axonopus pulcher apresentam interação positiva com a utilização do fogo.. VI. agricultura. Entre as recomendações gerais tiradas na oficina com relação ao estabelecimento de UCs no Cerrado do Amapá foram: I) Para quaisquer UCs a ser criada no Cerrado. a EMBRAPA/ Amapá vem desenvolvendo estudos de introdução de espécies com maior potencial forrageiro nas pastagens nativas.Tecnologia para a conservação dos cerrados do Amapá A maioria dos trabalhos de geração de tecnologias executados ou em execução pela EMBRAPA/ Amapá no ecossistema Cerrado. há uma redução das possibilidades de perdas de solos por erosão. permanecendo a vegetação herbácea nativa como cobertura do solo. Por essas peculiaridades. Muitos anos sem queima acumulam uma grande quantidade de material morto. para o plantio de fruteiras e outras espécies perenes utiliza-se um sistema onde o preparo do solo consiste em apenas abertura de cova e eliminação de árvores que possam competir com o novo cultivo. A presença milenar do fogo no Cerrado parece determinar que essa vegetação adaptou-se a essa condição e que o uso de queimadas controladas pode ajudar a proteger esse importante ecossistema. causando maiores danos a vegetação arbórea.

000ha (Fonseca. Finalmente foi levantado que a área protegida com Cerrado e atualmente menor que 1 %. O uso de agrotoxicos deve ser evitado a qualquer custo em função da densa rede de drenagem local. representando o extremo norte da distribuição para algumas espécies (e.b. VII . 1998) O Domínio Morfoclimático do Cerrado é a segunda maior região ecológica em toda a América do Sul. como: a) sua localização ao norte do Brasil. através da The Nature Conservancy (TNC) e MPEG. apresenta-se bastante modificada pelo plantio de Pinus (cerca de 100. b) apresenta-se isolado de outras áreas de cerrado (enclaves). A pesquisadora cita que a composição florística do Cerrado do Amapá apresenta baixa diversidade quando comparado a áreas de Cerrado do Brasil Central. Coordenado pelo pesquisador do MPEG David C.Abordagem conclusiva sobre a ocupação do Cerrado Pelas limitações naturais que o Cerrado apresenta diante de práticas de manejos primitivos. cobrindo cerca de 1.000ha e. sem saber da enorme particularidade da vegetação local principalmente no que diz respeito à flora herbácea. sugere-se que as UCs tenham no mínimo 80. Está situada entre os municípios de Macapá e Tartarugalzinho. O acentuado escoamento superficial das águas pluviais pode constituir parâmetro indicador dos cuidados com o uso de agrotóxicos e outras possíveis fontes poluidoras. enfatizando ainda. flora (inventários florísticos. juntamente com o pesquisador do MPEG David C. As informações científicas existentes sobre o Cerrado do Amapá devem-se ao esforço de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (INPA) e do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG).000 ha) e abriga padrões fitofisionômicos diversificados. representa as áreas de Cerrado do 79 Norte do Estado e está situada entre os municípios de Amapá e Calçoene. existe uma opinião formada sobre a necessidade de ofertá-lo a manejos altamente técnicos. ainda não muito bem definida biogeograficamente. sendo irrelevante e insuficiente para garantir a conservação da biodiversidade local. se possível. Em trabalho desenvolvido no Cerrado do Amapá. 1977. pois o Cerrado do Amapá apresenta outros aspectos que caracterizam sua importância. essa condição não é limitante para definição de estratégias de conservação da biodiversidade.c).5 a 1. 7 . a pesquisadora do INPA Tânia Sanaiotti realizou levantamentos da distribuição de espécies arbóreas e descrição do estrato herbáceo e do solo. de modo a inseri-lo como base produtiva do Estado. as que tratam das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. 1983. área maior que 300. A segunda área. corresponde às áreas de Cerrado do Centro-Leste do Estado.g. Com base no valor biológico e no índice de pressão antrópica das áreas de Cerrado do Amapá. alocadas em diferentes pontos latitudinais. Como sugestão. principalmente de plantas lenhosas) e outros parâmetros importantes para a avaliação da biodiversidade do Cerrado do Amapá. Oren. V) Seja efetivamente cumprido as normas legais de proteção ambiental incidente sobre o bioma Cerrado. cita a pesquisadora. os técnicos da SEMA Marco Antonio Chagas e Emmanuel Soares. . 1996). Outra citação de significativa importância para o conhecimento da biodiversidade do Cerrado do Amapá é o trabalho que está sendo desenvolvido pela Empresa Champion Papel e Celulose Ltda. e c) é o único cerrado com influência da borda marinha.Vegetação e Flora as probabilidades de preservação de outras espécies genética e demograficamente mais tolerantes à fragmentação e ao isolamento da área. habitats de campos sujos. que essas unidades devem ser representativas dos diferentes tipos fitofisionomicos e. Silva. 1995a. Esse bioma apresenta diferentes tipos de vegetações: florestas de galeria. répteis e anfíbios). idealmente. matas secas e ambientes úmidos. notadamente. apresentaram na Oficina duas proposições de áreas prioritárias para a conservação do Cerrado do Amapá. aves. A primeira. Predominam nessa área. A percepção local para a região encontra-se na ótica de que o Cerrado deve ser utilizado para a preservação floresta de terra firme. a pesquisadora do INPA indica algumas áreas prioritárias para a criação de UCs. Entretanto. Corresponde a área descrita por Sanaiotti (1994) como “savanas inundáveis”. esse trabalho fornecerá informações sobre fauna (mamíferos. de campos limpos e extensas florestas de galeria com densidade de palmeiras.. Para melhor conservação desta paisagem a necessidade de uma abordagem integrada tendo em vista os avanços de tecnologias voltadas ao pequeno e médio produtor incluindo recuperação e manutenção de APPs e reservas legais. VI. peixes de água doce.O Cerrado no Paraná: ocorrência original e atual e subsídios para a sua conservação (revisão baseada em Fernando Costa Straube.. Oren. G. Salvertia convallariodora).8 milhões de quilômetros quadrados (Ab’Saber.

algumas delas célebres. 1977). S. Laroca. Noroeste de Rondônia. Laroca. gênero Liolaemus). um extensivo estudo fitossociológico foi realizado por 80 Uhlmann (1995) no Parque Estadual do Cerrado e que constitui-se de ponto de partida fundamental para pesquisas posteriores e atividades de conservação. Há mesmo a vegetação típica de Cerrado em áreas que se aproximam bastante do litoral da Bahia. três teorias sobre sua origem e dispersão. 1972. De pesquisa botânica contemporânea. J. L. espera-se que o cerrado não ocorra . 1994) Deve ser considerado que. Castro. 1963).). T. apenas os resultados obtidos de aves (Scherer-Neto et al. seja por ter representação predominante seja por apresentar fisionomia mais característica. a presença de cerrado no Paraná é absolutamente inusitada considerando-se as condições ambientais extremamente discordantes daquelas verificadas em regiões centro-brasileiras.de Moura-Leite. uma vez que dispõe apenas de exemplares depositados em acervos científicos e escasso material publicado. 1 . Piora a problemática se considerarmos que a vegetação de cerrado pode ser denominada savana. 1995. L. fragmentos isolados (chamados de encraves ou refúgios) na periferia da área core do bioma. Dusén e F.000 números e aparentemente sem divulgação apropriada. o clima. no qual sobressaem espécimens coletados por G. A representação dessa vegetação em território paranaense é uma repetição de episódios que ocorrem em todo o Brasil. isso gera sérios problemas de ordem conceitual e mesmo conservacionista. Morato. aparecem em alguns locais isolados desse Estado.pess. Sobre sua proximidade com o litoral. dificilmente ultrapassam o volume de 1. 1984. bem como grande parte de sua flora. a fitofisionomia característica da vegetação de cerrado. em Roraima. é de se ressaltar a descoberta de afinidades biogeográficas entre o Cerrado e as restingas do litoral fluminense. com. 1990. como um todo. Stellfeld. répteis e ectoparasitas). Straube. por intermédio das suas florestas estacionais (Silva. como a de Johann Natterer. o quadro é semelhante. 1998) foram até então publicados. é necessário distinguir bioma de tipo vegetacional. embora haja esforços para compilações sobre répteis (S. é pouco conhecida e muito polêmica. C. 1851. Há. suportadas por indícios climáticos. O Paraná não está inserido no bioma do Cerrado (vide limites geográficos em Ab’Saber. a um bioma (Eiten.pess. Além disso. A. O nome dado à vegetação (definida por sua composição florística e congruências distribucionais) costuma.g. ou seja. por exemplo. 1998) e herpetológicas (e. O presente documento visa descrever sucintamente as características geográficas. Hoehne (SaintHilaire. Bérnils e J. Dombrowski e J. nordeste de Minas Gerais e Centro-Leste da Bahia (Castro. edáficos e mesmo antrópicos (Cataldo. A composição biológica do Cerrado do Paraná carece de estudos que suportem seu manejo e conservação. 1996. 1994).História biogeográfica do Cerrado paranaense A história biogeográfica do Cerrado. 1997. pess. F. Mata Atlântica). 1992 e Pinto. CI-BRASIL. Além disso. 1949. Pelzeln. para revisões e bibliografia vide Dias. Hoehne. com. Auguste de Saint-Hilaire. Motta depositados em coleções variadas que. durante períodos de mudanças climático-vegetacionais do Quaternário. 1993) Excursões mais recentes. no centro-sul do Piauí. em prep. 1991. foram realizadas por integrantes do Museu de História Natural Capão da Imbuia entre 1977 e 1991 e da Coleção Entomológica Padre Jesus Moure (S. Silva. é também controvertida. Vanzolini. somados. ser confundido com o atribuído ao bioma. A. sudeste do Pará. de caráter pontual e esporádico para observações e coleta de alguns grupos zoológicos (mamíferos. 1930. realizada por Coutinho e Ferri (1960) em Campo Mourão. VII. Embora esperada. 1993.g. A. F. T. V.embora a maior parte seja representada por uma vegetação savanóide conhecida como cerrado (Eiten. Per Karl H. 1994. a constituição morfológica das espécies vegetais. R. e também generalizadamente. confirmada por informações palinológicas (Behling. aves. 1871. 1998). Há menções isoladas de espécies obtidas em expedições de coleta do século passado. a exemplo de muitas denominações de regiões fitogeográficas (e. 1997). A questão de seu isolamento. 1990). conforme mencionado acima. Isso pode ser verificado em inúmeras outras regiões. Há uma rápida apreciação sobre questões fisiológicas de algumas espécies vegetais. No Paraná não há estação seca bem definida. no Brasil. Apesar do trabalho de pesquisa em campo. entretanto.). W. termo aplicado na África. Hatschbach. Veja-se. faunísticas e fitofisionômicas da vegetação de cerrado lato sensu no Estado do Paraná. como os arredores de Ilhéus e Feira de Santana (A. Schwartz-Filho com. C. embora esteja claro que o bioma tenha participado do contato geográfico entre táxons amazônicos e atlânticos. Zanella e D. por exemplo. contribuindo para seu manejo e conservação regionais.).) e insetos sociais (S. 1996) e pequenos mamíferos (Nicola e Silva. pelo menos. o que seria uma característica biotópica básica (Eiten.

essa vegetação desenvolve-se lentamente a partir do campo limpo. três manchas: fazenda Chapada de Santo Antônio (24º15’S/49º48’W). embora a maior parte dos mapas e outras apreciações fitogeográficas ignorem-no em áreas ao Sul de São Paulo. VII. no Centro-Noroeste do Paraná. 1981). entre as cidades de Sabaudia e Astorga. 1948) a considerar o cerrado paranaense como uma vegetação relictual do Período Quaternário. Pode-se distinguir. Piraí do Sul e Sengés (esse último interligando-se com os cerrados de Itararé. pelo menos. Uma pequena representação está inserida no Parque Estadual do Guartelá e áreas limítrofes. Com a gradativa modificação climática pós-glacial. 2 . Originalmente era uma área bastante significativa.000km2. realizadas nos últimos 15 anos. três macro-regiões geográficas de ocorrência: Cerrados do vale do rio das Cinzas. Essa opinião não é unânime. todos na margem direita do rio Tibagi. Assim. 1998). visto que essa vegetação serviu para a denominação de vários topônimos regionais (Cerrado. Todo esse panorama de discrepâncias levou alguns pesquisadores (Maack. levando-a a um isolamento em fragmentos (testemunhos) junto aos campos planálticos (os quais.Distribuição original do Cerrado no Paraná A vegetação de Cerrado atinge seu limite meridional de ocorrência no Estado do Paraná. o Cerrado expandiu-se efetivamente por sobre os campos. talvez no triângulo formado pelas sedes municipais de São Jerônimo da Serra (23º45’S/50º45’W). esbarrando em hipóteses de uma expansão recente do cerrado em direção aos campos como frentes de colonização vegetacional decorrentes de antropismos. quase 2. entre os rios Conceição e Imbaú. 1960). pode ser encontrada imediatamente à margem de rios de médio porte como o rio das Perdizes em Arapoti. meio à floresta estacional planáltica. quando tais características climáticas eram mais coerentes com a ocorrência dessa fitofisionomia.Vegetação e Flora onde há episódios de geadas mas. Cerradinho). Apresenta grande relação fitofisionômica com áreas de transição entre floresta estacional e mata de araucária. teoriza-se uma retração histórica dessa vegetação. permitindo expansões de florestas estacionais e. um aumento de umidade e temperatura foi aparente. engloba a maior e mais 81 . particularmente o fogo (Coutinho e Ferri. predominando essa última. Cerrados de Campo Mourão. Com pouco mais de 40km2. 1931. todas nas nascentes do rio das Cinzas e englobando parte dos municípios de Jaguariaíva. Em muitos pontos. Waibel. rio das Perdizes (24º15’S/49º15’W) e Pesqueiro (24º10’S/49º40’W. também relictuais. Cerrados do Norte Novo. sofreriam semelhante invasão das florestas) e às matas de araucária e estacionais. munido de argumentação palinológica. no atual Parque Estadual do Cerrado). 1981. atingindo valores negativos com frequência. Em plena área onde desenvolveu-se a cidade de Campo Mourão (24º00’S/52º20’W). provavelmente decorrentes de sua insignificância perimétrica em escalas menores e mesmo em alusão aos limites generalizados do bioma. Ali. Pode ainda miscigenar sua flora e fisionomia típica com as matas de araucária. cerca de 1% do território estadual (Maack. antes da colonização. Área hipotética mas mencionada e relatada por cronistas do século passado ou moradores antigos da região. Registros pontuais dessa formação foram obtidos nas seguintes localidades: Região de Jaguariaíva. significativa área de Cerrado no Estado. quando ocorreu em zonas com acentuado e pronunciado período de secas. Apesar de ser a vegetação original menos representativa em área no Paraná. nas áreas paranaenses representadas por ele. Localizado na região Nordeste paranaense. Segundo Behling (1998). composta por. Região de Faxinal dos Mendes (24º35’S/ 50º35’W). Arapoti. Cerrados do Norte Velho. Sua localização mais precisa (23º15’S/51º40’W) é o interflúvio dos rios Bandeirantes do Norte e Pirapó. somou. ou seja. nas altitudes de 730 e 1. afluentes da margem esquerda do rio Iapó. de florestas pluviais (Behling. nas proximidades de Maringá. 1949. segundo a literatura e observações pessoais do autor e colaboradores. posteriormente. Conselheiro Mairinck (23º35’S/50º10’W) e Ribeirão do Pinhal (23º25’S/50º20’W). mas apenas nos primórdios do Holoceno. tais fenômenos são comuns e a temperatura média anual pode ser inferior a 16 ºC.100m. Aparentemente o cerrado ocorria em alguns pontos dispersos.740km2. em São Paulo). com aproximadamente 1. próximo às cidades de Telêmaco Borba e Tibagi. originalmente com 102km2.

Argumentos geográficos e florísticos Conforme mencionado na literatura regional. Ivaí. uma delas espinhosa (Guadua spinosissima) e outra mais delicada (Chusquea). No último dia de campo. especialmente nas porções Oeste e Norte (Goetzke. no município de Santa Mônica (23º05’S/53º10’W). Além disso. datada do cretáceo. Também típica é a presença da cactácea arbórea Cereus peruvianus (algumas vezes com até 3m. Essa vegetação é a mesma que reveste grande parte do território paranaense. a fim de encontrar um suposto tipo diferenciado de vegetação que acompanharia grande parte do terço inferior do rio Ivaí. Maack (1941). Há nesse ambiente espécies que chamam a atenção pela singularidade que imprimem à fisionomia. há diversas áreas com cerradões em outras regiões limítrofes como o Sudoeste do Mato Grosso do Sul (às vezes interpreta- . No também clássico “Mapa fitogeográfico do Estado do Paraná” (Maack in Stellfeld. evidenciando o arenito desagregado da Formação Paranavaí (Popp e Bigarella. Tratava-se de uma floresta com árvores relativamente baixas. Minas Gerais e Goiás por ele visitadas). é totalmente arenoso. A serapilheira permanece úmida durante a maior parte do ano e por baixo dela. que ressaltava diferenças incontestáveis entre os dois tipos fitofisionômicos. a quase 50km da foz do rio Ivaí. convivendo com o jerivá (Arecastrum sp). mas nunca de tronco grosso. 3 . o arenito Caiuá. quase todo o Noroeste do Paraná seria dominado por um “mato pluvial tropical menos exuberante. ela encontra-se perfeitamente preservada. Não é nada improvável que se trate mesmo da facies arbórea do cerrado. em ambas edições do seu clássico “Geografia física do Estado do Paraná”. embora previsível levando-se em conta o afirmado por Maack. formação mais recente e de origem eólica.VII. inclusive porque as condições climáticas (o Noroeste do Paraná é a região mais quente e seca em todo o Sul do Brasil) são muito mais apropriadas para sua existência do que as observadas no Nordeste paranaense. floresta tropical. Baseados em indícios apresentados por uma publicação antiga de autoria de Maack (1941). Situações muito parecidas com essa são observadas na região do Pantanal de Miranda (Mato Grosso do Sul) e no Triângulo Mineiro (Minas Gerais) (obs. raramente excedendo os 15m. no vale do rio Paraná e na foz de seus principais afluentes (Paranapanema. quando descreveu essa fitofisionomia (que chamou de cerradão. contrastando muito com o seu texto apresentado anteriormente. na região Noroeste do Paraná. áreas com vegetação reconhecidamente afim ou inclusa no domínio do bioma Cerrado (Adámoli. omite esse tipo diferenciado de vegetação. com presença de várias espécies da floresta estacional. Em certas unidades de conservação. Junto a ela estão macegas de taquara de. encontrar uma vegetação completamente distinta de tudo o que havíamos encontrado até então nesta e em várias outras expedições para a região. A mesma configuração vegetacional e biotópica pode ser encontrada em quase todo o Noroeste do Paraná. 1975). as quais quase dominam o estrato médio. esse é composto por inúmeros 82 adensamentos de uma bromeliácea terrícola (Bromelia antiacantha) que torna praticamente impossível o deslocamento à pé em vários locais.). visitamos um fragmento com quase 700ha bastante preservados. como o Parque Nacional do Iguaçu. Foi uma grande surpresa. relativamente denso e com caducifolia mediana. mas que não perdeu sua fisionomia característica. Em mapas fitogeográficos de uso corrente considera-se que. O que dá a entender é que a vegetação descrita trata-se efetivamente de um cerradão. duas espécies. contudo. O solo. floresta dos planaltos interiores) (Maack. Chama a atenção ainda a grande quantidade de espécies e indivíduos de Myrtaceae de porte arbóreo (porém reduzido). pess. Ele próprio. percebe-se facilmente o solo típico da chamada “terra roxa”. Trata-se de uma floresta com árvores bastante altas e robustas de troncos grossos. o Cerrado no Paraná estaria confinado a algumas manchas dispersas em regiões nas quais predominam as matas de araucária e campos. com notável escassês de palmáceas (Cocos romanzoffiana predominante e raramente Euterpe)”. fisionomia e mesmo evidenciar algumas associações vegetais características. bem como florestas estacionais planálticas. 1990). bastante aberta e com parco sub-bosque. sob uma fina camada de serapilheira. de CAP) e de uma espécie de Leguminosae não identificada. abundante e diversificada flora epifítica. 1948). por não encontrar diferenças entre ela e outras áreas de São Paulo. com tronco peculiar de espécies do Cerrado. pelo menos. É o caso das arecáceas denominadas de macaúbas (Acrocomia aculeata) (espécie restrita à região Noroeste). constatamos que todas tinham a mesma estrutura fitofisionômica da floresta estacional semidecidual. Piquiri) ocorre o tipo vegetacional batizado por Veloso et al (1991) de floresta estacional semidecidual ou suas outras denominações (floresta pluvial subtropical. 1981). inclusive sobre outro tipo de assentamento geológico. oriunda da metamorfização de rochas arenito-basálticas. Após avaliar quase duas dezenas de remanescentes. sub-bosque sempre verde. 1981). sendo possível observar sua composição florística original. não podia imaginar o quanto subestimada seria a sua descrição. foi realizada em abril de 1997 uma expedição à região Noroeste.

assim. percebeu-se que quase . É o caso do sanhaço-cinzento (Neothraupis fasciata). 1996). no futuro. como os répteis (S. sabese que existiram numerosas fitofisionomias abertas. no Paraná. 1992). ao que tudo indica. excluem-se ocupando regiões diferenciadas no Paraná (Straube e Bornschein. a vegetação da região de Santa Mônica trata-se efetivamente de um cerradão. caracterizada pela predominância de Anadenanthera colubrina. Ademais. 1991. 1979. apresentando grandes relações florísticas e fitofisionômicas com a mata de araucária. formavam uma figura de “y” invertido. Por outro lado. O. É previsível também que hajam espécies típicas do Cerrado inseridas em formações florestais estacionais. esse fenômeno encontra paralelos em outros grupos animais. exemplificados pelo formigueirobicudo (Herpsilochmus longirostris). A região de Campo Mourão. A explicação cabível é que aves que ocupam ambientes abertos no Brasil Central (campos limpos. corruiruçu (Thryothorus leucotis). pess. é conhecida por ser coberta originalmente por 100km2 de cerrado típico. campos sujos e cerrado sensu stricto ) estariam ocorrendo na área Nordeste do Paraná. tal como verificado por Maack (1949). à medida que suas distribuições atingem latitudes maiores a Sul.pess. à figura de várzeas. Bérnils e J. todos eram representativos ou mesmo endêmicos do bioma do Cerrado. agrupados. tal hipótese é perfeitamente aceitável. seriam portanto. codorna (Nothura minor). afinal há ali um tipo florestal que miscigena espécies florísticas de Cerrado com as de matas de araucária e tem uma fisionomia de cerradão (Klein. as espécies de ambientes florestados (cerradão.). A julgar pela argumentação de o Cerrado ser. essa questão parece definitiva no julgamento da presente hipótese.Argumentos zoogeográficos Após inúmeras análises de distribuição de aves no Paraná. pode indicar relações históricas com os campos meridionais (que apresentam nítida influência andino-patagônica) ou com os campos limpos (uma das facies do cerrado do Brasil Central). Straube et al.. gralha-do-cerrado (Cyanocorax cristatellus). Assentados sobre zonas de menores altitudes nas proximidades do vale do rio Paraná. limpa-folhas-castanho (Philydor dimidiatus ). 1992). acompanhada por espécies como Alchornea triplinervea. é também esperada a presença de táxons de habitats abertos 83 VII. por exemplo (Scherer-Neto et al. matas mesofíticas) ocupariam a região Noroeste. tangará-de-topete ( Antilophia galeata). dois tipos de padrão distribucional os quais. Verificando o padrão de distribuição geral desses táxons excludentes. 1995. uma formação relictual de períodos com climas distintos dos atuais. R. bem como da conseqüente invasão de espécies da floresta mais úmida em direção aos campos e cerrados (Behling. 1998). Willis 1998. ainda. Straube. 1993). sanhaço-do-cerrado (Cypsnagra hirundinacea). Cabralea canjerana. respectivamente). de Moura-Leite. na região de Jaguariaíva (que possui cerrado sensu stricto) há um tipo de formação florestal distinta da floresta ombrófila mista (mata de araucária) (Klein. Scherer-Neto et al 1996). Piptadenia comunis. formigueiro-cinzento ( Herpsilochmus atricapillus ). A. Teorizou-se. Cedrela fissilis. Vochysia tucanorum. Essa formação é. Por outro lado. constatamos que algumas espécies ocorriam regionalmente apenas na região Noroeste (vale do rio Paraná até aproximadamente na foz do rio Piquiri) ou Nordeste (vale do rio das Cinzas) (Straube e Bornschein. o cerrado sensu stricto é esse tipo vegetacional diferenciado e. Croton sp. mencionados por Ihering (1908) e Braga (1962). dentre outras que encontram-se lado a lado com Araucaria angustifolia. distante pouco mais de 150km do remanescente de Santa Mônica. como que testemunho dessas oscilações ambientais. com. um cerradão. A. com.Vegetação e Flora dos como “matas secas”) e Oeste e Sudoeste de São Paulo (E. Morato.). intercaladas com matas ripárias. Não há como descartar que. C. tal como Maack (1941) sugeriu. 1979). representantes que convivem no Brasil Central mas que. Ocotea pretiosa. Na região Nordeste paranaense. 1996. ombrófila mista e savana. Uhlmann (1995) e Scherer-Neto et al (1996). o autor referiu-se a esse conjunto como um misto da floresta ombrófila densa. assim como os de zonas florestadas não estão presentes em todas as florestas do Noroeste. surjam ocorrências de aves florestais em áreas do Nordeste paranaense. S. Os táxons de habitats abertos do Brasil Central não ocorrem em todos os tipos vegetacionais do Nordeste do Paraná. formigueiroruivo (Formicivora rufa) e barranqueiro (Hylocryptus rectirostris) (Straube e Bornschein. codorninha (Taoniscus nanus) e seriema (Cariama cristata). provavelmente. situação que apenas poderá ser comprovada mediante estudos florísticos detalhados de tais remanescentes. A afinidade de tais “campos”. Isso indica que nessas duas regiões deveriam existir tipos vegetacionais relictuais conflitantes com a formação fitogeográfica predominante (floresta ombrófila mista com campos e floresta estacional semidecidual. tapaculo-decolar (Melanopareia torquata). e Copaifera langsdorfii. 4 . Aspidosperma sp.

etc) e principalmente em campo. Há apenas duas unidades de conservação. sem dúvida. Acompanhando um processo de colonização que se estabeleceu há menos de 40 anos. bem como no interflúvio desses dois últimos) e Nordeste (particularmente na região do Norte Velho) do Paraná. Técnicas cartográficas avançadas. engloba uma superfície total de quase 430ha. Fazenda Chapada de Santo Antônio. as quais podem ser efetivadas sob a forma de parques estaduais ou mesmo reservas particulares (por exemplo. chamada Estação Ecológica do Cerrado (jurisdição municipal). de 27 de março de 1992. 1995). ambas oficiais e situadas no vale do rio das Cinzas e região de Campo Mourão. Qualea cordata e Vochysia tucanorum. a qual abriga uma área com cerrado superior talvez a 500ha. dos quais a maior parte constitui-se de cerrado (em suas cinco fisionomias clássicas). Não se pode deixar de mencionar a pequena parte composta por cerrados do Parque Estadual do Guartelá (cerca de 5ha). 84 . Curatella americana. de áreas semelhantes à observada em Santa Mônica.1993. Sobre a enigmática vegetação de cerradão do Noroeste. 1996) merecem aplicação imediata para o cerrado paranaense. Assim. frente ao panorama de ocupação humana e de desmatamento regional. já que nunca realizou-se ali nenhum levantamento ornitológico.Situação atual As pretensas manchas de Cerrado do Norte Velho foram (se é que existiram) provavelmente erradicadas. evidenciou que não existem mais de duas dezenas de fragmentos com área superior a 300ha. Já as atividades efetivas para a conservação dos cerrados no Paraná depende de duas ações emergenciais: a criação de unidades de conservação e a reformulação de áreas protegidas já estabelecidas. Pouco mais representativos são os resquícios com até 50ha. orientado por pesquisas em gabinete (indícios e informações históricas de remanescentes desconhecidos ou teóricos. serviu mais para fins políticos do que preservacionistas. conforme pode-se avaliar in situ (abril de 1997). Straube. associado a um intensivo inventário florístico. Para a criação de UCs. alterado em pequenas extensões (Uhlmann. um levantamento detalhado dos últimos remanescentes de cerrado e cerradão nas regiões Noroeste (notadamente na foz dos rios Paranapanema. A curto prazo é a única esperança conservacionista para essa vegetação em território paranaense. município de Arapoti. 6 .Propostas para conservação e manejo A título de investigação propõe-se. ainda abriga espécies típicas como o barbatimão Stryphnodendron adstringens e a palmeira-anã Syagrus microphylla. Entretanto. RPPNs). Em sua flora. Nossa expedição de abril de 1997. Kielmeyera coriacea. análise de material cartográfico. fitossociológico e faunístico. VII. 2. A esse trabalho será fundamental a obtenção de informações básicas sobre o ambiente como um todo. Aves de habitats abertos não foram até hoje encontradas em Campo Mourão (região Centro-Noroeste). O mesmo pode-se dizer daquelas do Norte Novo . em franca utilização em outras regiões brasileiras como a espectro-radiometria de reflexão (Baptista e Leite. os quais já se encontram quase que completamente alterados. 1995). 1996) e a geração de imagens índices de vegetação (IVDN) (Bittencourt et al. VII. adicionada a sobrevôos em grandes extensões do vale do rio Ivaí. O Parque Estadual do Cerrado é a única área protegida com Cerrado em quantidade significativa no Paraná. elementos característicos da vegetação estão presentes e marcadamente abundantes: Caryocar brasiliense. é provavelmente a menor unidade de conservação brasileira: conta com uma área inferior a 1ha. situado no município de Tibagi. aproximadamente uma quadra urbana e situa-se nas proximidades do aeroporto da cidade de Campo Mourão. mas esse desconhecimento pode ser efeito de sub-amostragens. ou seja. Não há qualquer tipo de estudo biológico e sua criação. Stryphnodendron adstringens. a situação é simplesmente calamitosa e praticamente irreparável. Criado pelo Decreto Estadual nº 1232. diminuindo a característica subjetiva e pontual das pesquisas paranaenses sobre essa fitofisionomia. Ivaí e Piquiri. com urgência. a região Noroeste teve sua vegetação natural quase que totalmente erradicada. mas a grande maioria não excede essa superfície. apesar de estar condenada a funcionar mais do que como um pequeno museu vivo mostrando espécimens florísticos extintos regionalmente. Rio das Perdizes. no município de Jaguariaíva. Já a outra UC.na região Noroeste e vários deles por conseqüência da alteração ambiental ali ocorrida nas últimas cinco décadas (Moura-Leite et al. propõe-se as seguintes localidades: 1. 5 . pode-se prever que seja possível a completa erradicação regional do cerradão.

favorecendo o intercâmbio gênico entre vegetais de populações meridionais e centro-brasileiras. Os resultados desta compilação estão na Tabela 9 onde os autores relacionaram 986 espécies em 85 famílias.) associado a outras entidades de pesquisa em silvicultura. 66 listas eliminadas (46 por causa dos critérios adotados e 20 porque foram resgatadas após a composição final do banco de dados).J. G. 1999). c. Essa sugestão serve de apoio para a criação de unidades de conservação. senão quando significativas floristicamente (Figueiredo e Fernandes 1987. VIII – A flora lenhosa do componente arbustivo arbóreo (revisão baseada em Castro et al. l. inclusive de pequeno porte. (1999) baseou-se em publicações de levantamento e listas de espécies. A. até 1992. Eliminação: cipós (ou lianas). Conferência das espécies e listas: a. sugere-se: a). quando indicados direta ou indiretamente pelos autores. 1969. 1971). referências especializadas (por exemplo. Brummitt e Powel 1992). Listas de espécies a. T. F. Levantamentos feitos no campo: publicados ou inéditos.. b). através da indicação direta ou indireta dos autores que os incluíram em suas listas. por iniciativa de seus proprietários. Martius et al 1840/1906. 145 listas selecionadas (79 listas quantitativas e 66 listas qualitativas). Heringer et al 1977. a ampliação do Parque Estadual do Guartelá. subtipos e transição. subarbustos e herbáceas. 1999. a modificação da categoria de RPPN do remanescente de Santa Mônica para Parque Estadual. Os autores indicam que este número ainda é impreciso e apontam a extrema urgência de estudo mais aprofundados que os até então existentes. A abordagem do estudo de Castro et al. listas que indicavam apenas as espécies principais. Como reformulação de UCs. F. 1977. mortos..pess. 1000ha de mata de araucária). 300ha) existente na propriedade contígua.Vegetação e Flora na margem da rodovia PR-092. and Shepherd. 104 referências selecionadas (92 referências publicadas e 12 referências inéditas). Ortografia: nomes científicos e de seus autores confirmado através de bibliografia especializada (Brummitt 1992. tal como recentemente desenvolvido pelo Instituto Ambiental do Paraná (M. b. a estimativa da riqueza de espécies do bioma Cerrado começou pelas espécies lenhosas arbóreas e arbustivas. Destaca-se ainda a necessidade de um apoio mais intenso a propostas envolvendo formação de bancos de sementes e de outros meios que propiciem a base para recomposições de flora. Critérios de seleção das listas de espécies: a. muito significativas ou amostragem quantitativa em uma área determinada de um certo local.. Componente lenhoso (arbustivo arbóreo): indicado direta ou indiretamente pelos autores. não foi incluída na recém-criada RPPN-Itaitiba (ca. bibliografia especializada e especialistas. trabalhos que fizeram coletas periódicas. denominação dada pelos autores. b. A. Rizzini 1963. Sinonimização: eliminação da repetição de binômios. b. enquanto essas possam contribuir como últimas alternativas regionais de material para planos de recomposição florística. R. J. a qual. b. Castro. c. Tamashiro. Zurlo 1978). Dependendo das considerações. Martins. Lima per J. Motta. (Cerrado. Y. incluindo a fração de cerrado (ca. W. com. Cerrado s. listas de espécies produzidas a partir de herbário ou que se referiam exclusivamente a campo. Cerrados): todos os 85 . campo limpo e campo rupestre. o número de espécies lenhosas arbustivas ou arbóreas pode chegar a 2000. Ferri. Estes estudos de espécies arbóreas e arbustos lenhosos foram refinados a partir de vários levantamentos em pelo menos 78 localidades levando em consideração sinonímias e mudanças taxonômicas recentes. Pela relativa menor dificuldade na identificação. lista cujo objetivo principal não era o de fazer um inventário florístico propriamente dito. 43 referências eliminadas (31 por causa dos critérios adotados e 12 porque foram resgatadas após a composição final do banco de dados). quando esta envolvia algum subtipo de cerrado. Referências consultadas a. com área de aproximadamente 50ha. Index Kewensis.

-Hil.-Hil.-Hil. Xylopia brasiliensis Spreng. E. Rollinia sylvatica (A. Guatteria subsessilis Mart. Fr.-Hil. Xylopia sericea A. Hil. Annona crotonifolia Mart. 86 . St. Rollinia emarginata Schltdl. Xylopia aromatica (Lam. St.) R.) Mart.) Benth. Duguetia echinophora R. Fr. Cardiopetalum calophyllum Schltdl. Ephedranthus parviflorus S. E. Annona muricata L. Fr.) Mart.-Hil. Xylopia emarginata Mart. Fr. Unonopsis lindmani R. FAMÍLIAS ESPÉCIES CONHECIDAS MAGNOLIACEAE ANNONACEAE Talauma ovata A. Annona cornifolia A. St.f. E. Annona reticulata L. Annona dioica A. E. Annona coriacea Mart. St. Lista de espécies da flora lenhosa registradas para o Cerrado.) Mart. Fr.Tabela 9. E. Fr. Annona pygmaea (Warm. & Hook. Guatteria silvatica R. St. St. Bocageopsis mattogrossensis (R. Xylopia aromatica (Lam. Duguetia furfuracea (A. Annona campestris R. Fr.-Hil. Moore Guatteria nigrescens Mart. St.) Warm. Annona tomentosa R. Annona crassiflora Mart. E. E. Duguetia lanceolata A.

Continuação MYRISTICACEAE MONIMIACEAE LAURACEAE MENISPERMACEAE ULMACEAE MORACEAE Virola malmei A. ex Nees Phoebe erythropus (Mart.) Warb. Mezilaurus crassiramea (Meisn.Sm. Virola sebifera Aubl. ) Mez Persea major Kopp Persea pyrifolia Nees & Mart.) DC.C. ex Nees Ocotea acutifolia (Nees) Mez Ocotea velutina (Nees) Rohwer Ocotea corymbosa (Meisn.) Eichler Celtis iguanea (Jacq.Vegetação e Flora Tabela 9.) Taub.) Mez Ocotea odorifera (Vell.) Griseb. ex Mez Mezilaurus lindaviana Schwacke & Mez Nectandra lanceolata Nees & Mart. Siparuna cujabana (Mart. DC.) Huber 87 .) Blume Brosimum gaudichaudii Trécul Brosimum guianensis (Aubl. Siparuna guianensis Aubl.) Mez Ocotea diospyrifolia (Meisn. & Spix) Mez Abuta grandifolia (Mart. Virola surinamensis (Rol.) Warb. Nectandra nitidula Nees & Mart.) Sarg.) Rohwer Ocotea pulchella (Nees) Mez Ocotea spixiana (Nees) Mez Ocotea diospyrifolia (Meisn. ex Nees Nectandra membranacea (Sw. Celtis pubescens Kunth Trema micrantha (L.) Mez Persea caerulea (Ruiz & Pav. Virola sessilis (A.) Sandwith Abuta selloana (Benth.

Cecropia concolor Willd.) Guapira tomentosa (Casar. Continuação CECROPIACEAE NYCTAGINACEAE Ficus citrifolia Mill. Gomphrena macrocephala A. Cecropia obtusa Trécul Cecropia pachystachya Trécul Guapira graciliflora (Mart. Sorocea sprucei (Baill.) J.. F. St.A. 88 . Macbr.-Hil. Cecropia adenopus Mart. Davilla grandiflora A. Coccoloba mollis Casar. Cecropia cinerea Miq. Coccoloba grandifolia Jacq. St.-Hil. ex Ham. Curatella americana L. Bonpl. St. Ficus gomelleira Kunth & Bouche ex Kunth Ficus guyanensis Desv.Schmidt) Lundell Guapira noxia (Netto) Lundell Guapira opposita (Vell. & Tul.Tabela 9.-Hil. Davilla rugosa Poir. & Kunth Pseudolmedia laevigata Trécul Sorocea ilicifolia Miq.) Lundell Neea macrophylla Britton Neea spruceana Heimerl Neea theifera Oerst.) Reitz Guapira subferruginea (Mart. ex J. Davilla cearensis Huber Davilla elliptica A. Ficus obtusifolia Humb. CACTACEAE AMARANTHACEAE POLYGONACEAE DILLENIACEAE Cereus jamacaru DC.

Kielmeyera speciosa A. Caryocar brasiliense Cambess. Calophyllum brasiliense Cambess.) Mart. Ouratea nana (A. Ouratea schomburgkii (Planch.) Engl.-Hil.) Engl. Clusia sellowiana Schltdl.f.) Engl. Ouratea fieldingiana (Gardner) Engl. Continuação OCHNACEAE CARYOCARACEAE THEACEAE MARCGRAVIACEAE CLUSIACEAE Ouratea acuminata (DC. Vismia amazonica Ewan Vismia brasiliensis Choisy Vismia cayennensis (Jacq. Kielmeyera suberosa Kielmeyera variabilis (Spreng. Ouratea confertiflora (Pohl) Engl. Kielmeyera grandiflora (Wawra) Saddi Kielmeyera rubriflora Cambess. Kielmeyera abdita Saddi Kielmeyera coriacea (Spreng.-Hil.) Engl.-Hil. Kielmeyera corymbosa (Spreng.) Engl. Ouratea floribunda (A.) Engl. Ouratea cuspidata (A.-Hil. Ouratea spectabilis (Mart.) Baill. St.) Pers. Ouratea castanaefolia (DC. Ouratea hexasperma (A. St. Clusia microphylla Klotzsch ex Engl.) Mart.-Hil. Caryocar coriaceum Wittm. Symphonia globulifera L. 89 . Ternstroemia oleaefolia Wawra Norantea guianensis Aubl. St.) Mart. Ternstroemia brasiliensis Cambess. St.St. Platonia insignis Mart.Vegetação e Flora Tabela 9. Mahurea exstipulata Benth.) Engl.

Robyns Pseudobombax marginatum (A.-Hil. Helicteres corylifolia Nees Helicteres guazumifolia Kunth Helicteres macropetala A. St. Pseudobombax longiflorum (Mart.) A. Helicteres brevispira A. Robyns Pseudobombax tomentosum (Mart. Schum. & Schltdl. & Naudin Waltheria indica L. St. Helicteres ovata Lam. A. Helicteres sacarolha A. & Zucc.) Urb. Bombax cyathophorum (Casar.Robyns Hibiscus furcellatus Lam.) Choisy Vismia magnoliaefolia Cham. Luehea paniculata Mart. Pavonia malacophylla Garcke Eschweilera brancoensis ( R.) A. Casearia commersoniana Cambess. Guazuma ulmifolia Lam.Schum.) A.) K. Robyns Eriotheca pubescens (Mart. & Zucc. & Zucc.Tabela 9.. & Cambess. St.Juss. Melochia hirsuta Cav. Triumfetta semitriloba Jacq.) Schott & Endl. Luehea divaricata Mart.Knuth) Mori Eschweilera nana (Berg) Miers Casearia arborea (Rich. Apeiba tibourbou Aubl. 90 . St. Continuação TILIACEAE STERCULIACEAE BOMBACACEAE MALVACEAE LECYTHIDACEAE FLACOURTIACEAE Vismia guianensis (Aubl. Luehea speciosa Willd. Waltheria polyanthos K.-Hil. St. Sterculia striata A.-Hil.-Hil.-Hil. Eriotheca gracilipes (K.) A.Schum.

Gaylussacia pseudo-gaultheria Cham. Laetia procera (Poeppig) Eichler Lindackeria latifolia Benth.) Radlk. Pouteria ramiflora (Mart. & Arn.Vegetação e Flora Tabela 9. Casearia grandiflora Cambess.) Radlk.) Spreng. Chrysophyllum brevipes (Pierre) T. & Eichler) Pierre Pouteria ramiflora (Mart. Clethra brasiliensis Cham. Manilkara triflora (Alemão) Monach. Casearia lasiophylla Eichler Casearia sylvestris Sw. & Schltdl. Cochlospermum vitifolium (Willd. DC) Chev. Micropholis venulosa ( Mart. Penn.) Radlk.) Urb. Leucothoe pohlii (Don) Sleumer Leucothoe serrulata DC. Casearia gossypiosperma Briq.) Urb. Casearia guianensis (Aubl. Gaylussacia brasiliensis Meisn. & Schltdl. Micropholis venulosa ( Mart. Chrysophyllum marginatum (Hook. Lacistema aggregatum (Bergius) Rusby Lacistema hasslerianum Chodat Piriqueta aurea (Cambess. Continuação BIXACEAE LACISTEMATACEAE TURNERACEAE CLETHRACEAE ERICACEAE SAPOTACEAE EBENACEAE Casearia decandra Jacq. D. & Eichler) Pierre Diospyros brasiliensis Mart.) Radlk. Ryania mansoana Eichler Cochlospermum regium (Schrank) Pilg. 91 . Manilkara bidentata ( A. Pouteria torta (Mart.

DC. Maba inconstans (Jacq. Symplocos fallax Brand Symplocos lanceolata (Mart.) Mez Rapanea leuconeura (Mart. Styrax camporum Pohl Styrax ferrugineum Nees & Mart. Cybianthus goyazensis Mez Rapanea ferruginea (Ruiz & Pav.) Mez Stylogyne warmingii Mez Connarus perrottetii (DC. ex Miq. Diospyros sericea A. Rourea induta Planch.) Planch.Tabela 9.) DC. Cybianthus boissieri DC. Symplocos tenuifolia Brand Symplocos tetrandra Mart. Symplocos platyphylla (Pohl) Benth. Symplocos nitens (Pohl) Benth. 92 . Continuação STYRACACEAE SYMPLOCACEAE MYRSINACEAE CONNARACEAE CUNONIACEAE Diospyros burchellii Hiern Diospyros coccolobaefolia Mart.) Mez Rapanea umbellata (Mart. DC. Rapanea lancifolia (Mart. Symplocos rhamnifolia DC. Lamanonia ternata Vell. Cybianthus detergens Mart. Connarus suberosus Planch. Symplocos pubescens Klotzsch ex Benth. Diospyros hispida A.) Mez Rapanea guyanensis Aubl.) Mez Rapanea parvifolia (DC.) Griseb. Symplocos uniflora (Pohl) Benth.

) Prance Hirtella hoehnei Pilg.Vegetação e Flora Tabela 9. Licania apetala (E.) Brenan Anadenanthera falcata (Benth. f. & Schltdl.Dietr. Licania kunthiana Hook. Continuação ROSACEAE CHRYSOBALANACEAE MIMOSACEAE Prunus brasiliensis (Cham. Hirtella gracilipes (Hook.f. Licania octandra (Hoffmanns. Chloroleucon mangense (Jacq. & Schltdl. Calliandra microphylla Benth.) D.) Speg.) Fritsch Licania blackii Prance Licania gardneri (Hook. & Zucc.) Urb.) Prance Hirtella ciliata Mart. Calliandra parviflora Benth. Calliandra foliolosa Benth. ex Roem.f. Hirtella glandulosa Spreng. ex Hook. & Zucc. Couepia grandiflora (Mart.f.) Brenan Anadenanthera peregrina (L. Exellodendron gardneri (Hook.) Speg.) Fritsch Licania hoehnei Pilg. Prunus myrtifolia (L.) Benth.Mey. Anadenanthera macrocarpa (Benth.f. Calliandra dysantha Benth. Parinari obtusifolia Hook. Licania minuscula Cuatrec.) Britton & Rose 93 . Licania humilis Cham. Acacia plumosa Lowe Anadenanthera colubrina (Vell. Calliandra abbreviata Benth. Prunus sellowii Koehne Rubus brasiliensis Mart.) Kuntze Licania rigida Benth. Parinari campestre Aubl. & Schult.f. Hirtella racemosa Lam.

Mimosa millefoliata Scheele Mimosa obovata Benth. Plathymenia foliolosa Benth. Enterolobium schomburgkii (Benth. Inga sessilis (Vell. Stryphnodendron adstringens (Mart. Pithecellobium foliolosum Benth. Mimosa sonderstromii Barneby Mimosa verrucosa Benth. Inga fagifolia (L. Mimosa albolanata Taub. Piptadenia gonoacantha (Mart.Macbr. ex Benth. Piptadenia obliqua (Pers. Inga affinis DC.) J. Continuação Enterolobium contortisiliquum (Vell. Mimosa claussenii Benth. Mimosa rigida Benth. F. Plathymenia reticulata Benth. Stryphnodendron obovatum Benth. Pithecellobium marginatum Spruce ex Benth. Inga heterophylla Willd. Pithecellobium dumosum Benth. Mimosa platyphylla Benth. Inga scabriuscula Benth. Macbr. Mimosa lanuginosa Glaz.F.) Morong Enterolobium gummiferum (Mart. Macbr.) Benth. ex Burkat Mimosa lasiophylla Benth. Pithecellobium incuriale (Vell.) J. 94 .Tabela 9. Parkia platycephala Benth. Mimosa pteridifolia Benth.) Coville Stryphnodendron coriaceum Benth.) Benth. Mimosa foliolosa Benth. Mimosa xanthocentra Mart.) J. Mimosa acutistipula Benth.) Mart. Mimosa caesalpiniifolia Benth. F.) Willd.

Cassia moschata Kunth Cassia pendula Humb.) J.F. S.) H. Apuleia leiocarpa (Vog. S.) Steud. Bauhinia dubia Don Bauhinia goyazensis Harms Bauhinia macrostachya Benth. Irwin & Barneby Copaifera coriacea Mart. Irwin & Barneby Chamaecrista conferta (Benth. Irwin & Barneby Chamaecrista isidorea (Benth.) H. S. Cenostigma macrophyllum Tul. Irwin & Barneby Chamaecrista claussenii (Benth. Bauhinia mollis D. S. S.Dietr. ex Tul. S. Bauhinia tenella Benth.) H. Irwin & Barneby Chamaecrista dalbergiifolia (Benth. S. S.) H. Irwin & Barneby Chamaecrista cotonifolia (Don) H. 95 . Bauhinia ungulata L. Continuação CAESALPINIACEAE Stryphnodendron polyphyllum Mart. & Bonpl. ex Willd. Bauhinia cuyabensis (Bong.Vegetação e Flora Tabela 9.) Killip Chamaecrista ensiformis (Vell. Irwin & Barneby Chamaecrista rotundata (Vogel) H. Bauhinia rufa (Bong. Irwin & Barneby Chamaecrista zygophyloides (Taub. S.) H.) Steud. Cenostigma gardnerianum Tul.Macbr. Irwin & Barneby Chamaecrista orbiculata (Benth. Bauhinia amplifolia Ducke Bauhinia brevipes Vogel Bauhinia cupulata Benth. Caesalpinia ferrea Mart. Copaifera langsdorffii Desf.) H. Caesalpinia bracteosa Tul.) H.) H. S. Chamaecrista cathartica (Mart. Irwin & Barneby Chamaecrista juruenensis (Hoehne) H. S. Irwin & Barneby Chamaecrista desvauxii (Collad. Bauhinia pulchella Benth.

) Pers.) H. Lee & Langenh. Irwin & Barneby Senna velutina (Vogel) H.) Koeppen Peltogyne confertiflora (Hayne) Benth. Senna bicapsularis (L. Irwin & Barneby Senna silvestris (Vell.) Roxb. Irwin & Barneby Senna spectabilis (DC. S. Senna latifolia (G. Peltogyne paniculata Benth. Swartzia racemosa Benth. Irwin & Barneby Senna trachypus (Benth.Mey) H. Martiodendron mediterraneum (Mart. S. Dimorphandra mollis Benth. Hymenaea courbaril L. Diptychandra glabra Benth.Tabela 9. Irwin & Barneby Senna rugosa (Don) H. S.) H.) Roxb. Hymenaea maranhensis Y.) H. Schizolobium parayba (Vell. Sclerolobium hypoleucum Benth. 96 .) Benth. S.) Blake Sclerolobium aureum (Tul. Irwin & Barneby Senna macranthera (Collad. T. S.) H. Sclerolobium paniculatum Vogel Senna alata (L. ex Benth. Hymenaea martiana Hayne Hymenaea stigonocarpa Mart. ex Hayne Hymenaea velutina Ducke Macrolobium bifolium (Aubl. Peltophorum vogelianum Benth. Irwin & Barneby Senna obtusifolia (L. Diptychandra aurantiaca Tul. Pterogyne nitens Tul.Irwin & Barneby Swartzia flaemingii Raddi Swartzia latifolia Benth.S. Continuação Copaifera luetzelburgii Harms Copaifera martii Hayne Dimorphandra gardneriana Tul. S.) H. S.

Centrolobium tomentosum Guill.) Kunth Andira laurifolia Benth.) Yakovlev Aeschynomene paniculata Willd. ex Benth. Lonchocarpus araripensis Benth.f. 97 . Dipteryx alata Vogel Dipteryx odorata (Aubl.C.) Benth. ex Benth. Indigofera suffruticosa Mill. Galactia glaucescens Kunth Harpalyce brasiliana Benth. ex Vogel Amburana cearensis (Alemão) A. Coursetia arborea Griseb. Dioclea bicolor Benth. Bocoa mollis (Benth. Dioclea huberii Ducke Dioclea reflexa Hook.) J. Andira anthelmia (Vell. Dalbergia miscolobium Benth. Andira inermis (Sw.Sm. Ateleia glazioveana Baill. Andira cuyabensis Benth.Vegetação e Flora Tabela 9. Dioclea glabra Mart. Macbr.) Toledo Andira nanum Andira paniculata Benth.) Willd. Andira spectabilis Saldanha Andira surinamensis (Bondt) Splitg.Cowan Bowdichia nitida Spruce ex Benth. ex Pulle Andira vermifuga Mart. Bowdichia virgilioides Kunth Camptosema coriaceum (Nees & Mart. Andira legalis (Vell.) R. Andira fraxinifolia Benth. F. Camptosema pedicellatum Benth. ex Benth. Continuação FABACEAE Acosmium dasycarpum (Vogel) Yakovlev Acosmium lentiscifolium Schott Acosmium subelegans (Mohlenbr.

Lafoensia replicata Pohl Physocalymma scaberrimum Pohl Daphinopsis fasciculata (Meisn.) Harms Platymiscium trinitatis Benth. & Schltdl.Tabela 9.) Stellfeld Machaerium lanatum Tul.) Vogel Machaerium hirtum (Vell. Pterocarpus rohrii Vahl Pterocarpus violaceus Vogel Pterodon emarginatus Vogel Tephrosia purpurea (L) Pers. Vatairea macrocarpa (Benth. Diplusodon ramosissimus Pohl Diplusodon virgatus Pohl Lafoensia densiflora Pohl Lafoensia pacari A.) Nevling 98 . Cuphea thymoides Cham. Machaerium opacum Vogel Machaerium stipitatum (DC. Lafoensia puniciifolia DC. Platypodium elegans Vogel Platypodium grandiflorum Benth.) Ducke Vigna firmula (Benth. Continuação PROTEACEAE LYTHRACEAE THYMELAEACEAE Luetzelburgia auriculata (Alemão) Ducke Machaerium acutifolium Vogel Machaerium arboreum (Jacq. Mascherpa & Stainier Zollernia paraensis Huber Euplassa inaequalis (Pohl) Engl. Roupala brasiliensis Klotzsch Roupala montana Aubl. St.) Vogel Machaerium villosum Vogel Ormosia arborea (Vell.) Maréchal.-Hil.

) Berg Campomanesia dichotoma (Berg) Mattos Campomanesia eugenioides (Camb. Myrcia floribunda Miq. Continuação MYRTACEAE Blepharocalyx salicifolius (Humb. Eugenia pluriflora Mart. Bonpl.. Myrcia daphnoides DC. Myrcia formosiana DC.Legrand Campomanesia lineatifolia Ruiz & Pavon Campomanesia pubescens (DC. Gomidesia affinis (Camb. Eugenia livida Berg Eugenia mansonii Berg Eugenia obversa Berg Eugenia pitanga (Berg) Kiaersk. Campomanesia xanthocarpa Berg Eugenia albo-tomentosa Camb. Eugenia spathulata Berg Eugenia uniflora L..) Toledo Campomanesia adamantium (Camb.Vegetação e Flora Tabela 9.) D.) D. ex DC.) Berg Campomanesia rufa (Berg) Nied.Legrand Myrcia cuprea (Berg) Kiaersk. Eugenia punicifolia (Humb. Myrcia guajavaefolia Berg 99 . & Kunth) Berg Calycorectes acutatus (Miq. Myrcia canescens Berg Myrcia castrensis (Berg) D. Eugenia chrysantha Berg Eugenia dysenterica Mart. Myrcia bella Camb. Eugenia hiemalis Camb. & Kunth) DC.Legrand Gomidesia lindeniana Berg Myrcia albo-tomentosa DC. Eugenia gamaeana Glaz. Eugenia aurata Berg Eugenia bimarginata DC. Bonpl.

Myrcia polyantha DC. Psidium aerugineum Berg Psidium australe Camb. Myrcia lingua Berg Myrcia longipes (Berg) Kiaersk. Myrcia laevigata Berg Myrcia laruotteana Camb. Myrcia schottiana Berg Myrcia stricta (Berg) Kiaersk.) Berg Psidium acutangulum DC.Tabela 9. Myrcia rorida (Berg) Kiaersk. Myrcia rostrata DC. Myrcianthes pungens (Berg) D. Legrand Myrcia pallens DC. Myrcia multiflora (Lam. Myrcia rufipes DC. Psidium guineense Sw. Myrcia superba Berg Myrcia tomentosa DC. Myrcia venulosa DC. Psidium cinereum DC. Psidium cambessedianum Psidium cinereum DC. Psidium myrsinoides Berg 100 . Myrcia uberavensis Berg Myrcia variabilis DC. Psidium firmum Berg Psidium guajava L. Myrcia pubipetala Miq.Legrand Myrciaria floribunda (West ex Willd. Myrcia nigro-punctata DC. Continuação Myrcia hayneana Berg Myrcia intermedia (Berg) Kiaersk. Myrcia lasiantha DC. Myrcia obtusata (Schauer) D.) DC.

) DC.) Triana Miconia ibaquensis (Bonpl. Miconia pohliana Cogn. Leandra polystachia (Naudin) Cogn.) Naudin Miconia minutiflora (Bonpl.) DC. Miconia holosericea (L. ex DC.Vegetação e Flora Tabela 9. Clidemia hirta (L. ex DC. Miconia ligustroides (DC. Miconia burchellii Triana Miconia chamissois Naudin Miconia chartacea Triana Miconia cinerea Cogn. Continuação MELASTOMATACEAE Psidium submetrale McVaugh Psidium australe Camb. Miconia cinnamomifolia (Mart. Leandra involucrata DC. Leandra lacunosa Cogn.) Cogn. Miconia albicans (Sw.) Naudin Miconia cuspidata Naudin Miconia fallax DC.) DC. Miconia ferruginata (Schrank & Mart.) Triana Miconia langsdorffii Cogn. Siphoneugena densiflora Berg Cambessedesia espora (A.) Mart. 101 .) D.Don Clidemia rubra (Aubl.-Hil. St. Miconia paulensis Naudin Miconia pepericarpa DC. Leandra lancifolia Cogn.) Cogn. Psidium bergianum (Nied. Miconia adenostemon Cogn. Miconia guianensis (Aubl. Leandra purpurascens (DC.) Burret Psidium rufum DC.) Triana Miconia albo-rufescens Naudin Miconia argentea DC.

Tibouchina sellowiana (Cham. ex DC.) DC. Miconia theaezans (Bonpl.) Cogn. Tibouchina aspera Aubl.) Cogn.) Cogn. Miconia sellowiana (Cham. Tibouchina clidemioides (Berg ex Triana) Cogn. Miconia tiliaefolia Naudin Mouriri acutiflora Naudin Mouriri elliptica Mart.) DC. Mouriri guianensis Aubl. Don) Cogn. ex Zucc. Tibouchina gracilis (Bonpl.) DC. & Schrank ex DC. Trembleya parviflora (D. Tibouchina stenocarpa (Schrank & Mart.) Eichler Terminalia fagifolia Mart. Trembleya phlogiformis (Mart. Tibouchina barbigera (Naudin) Baill. Mouriri pusa Gardner Ossaea congestiflora (Naudin) Cogn. Terminalia januariensis DC. ex DC. Tococa formicaria Mart. ex DC. Tibouchina adenostemon (Schrank ex DC. Combretum mellifluum Eichler Terminalia argentea Mart. ex DC.) Stuntz Combretum leprosum Mart.) Cogn. Continuação COMBRETACEAE Miconia rubiginosa DC. Terminalia brasiliensis (Camb. Tibouchina pogonanthera (Naudin) Cogn.) DC. Terminalia phaeocarpa Eichler 102 . Tibouchina papyrifera (Pohl ex Naudin) Cogn. & Zucc.) Naudin Miconia stenostachya (Schrank & Mart.Tabela 9. Buchenavia grandis Ducke Buchenavia tomentosa (Mart. Tibouchina candolleana (Mart. Miconia rufescens (Aubl.) Eichler Combretum ellipticum Kuhlmann Combretum fruticosum (Loefl.) Cogn.

Sm. Tontelea micrantha (Mart. 103 .Arg.) Miers Actinostemon communis (Müll. Alchornea schomburgkii Klotzsch Alchornea triplinervia (Spreng. Peritassa campestris (Camb. Ximenia americana L. C.C.Arg. Cheiloclinium cognatum (Miers) A. Salacia crassifolia (Mart. C.Arg. Continuação OLACACEAE OPILIACEAE CELASTRACEAE HIPPOCRATEACEAE AQUIFOLIACEAE ICACINACEAE EUPHORBIACEAE Thiloa glaucocarpa (Mart.Sm.) Eichler Heisteria densifrons Engl.) Pax Alchornea discolor Endl.) Müll.Vegetação e Flora Tabela 9. Maytenus rigida Mart. ex Schult. Croton pohlianus Müll.) Peyr. Agonandra brasiliensis Miers Austroplenckia populnea (Reissek) Lundell Maytenus alaternoides Reissek Maytenus communis Reissek Maytenus evonymoides Reissek Maytenus obtusifolia Mart.) A. & Poepp. Croton salutaris Casar.) Peyr. Ilex cerasifolia Reissek Ilex conocarpa Reissek Emmotum nitens (Benth. Salacia micrantha (Mart. Sm.) A. Ilex affinis Gardner Ilex asperula Mart. Chaetocarpus echinocarpus (Baill. Salacia campestris Walp.) Ducke Cnidosculus vitifolius Pohl Croton floribundus Spreng.

) O. Schulz Erythroxylum flexuosum O. Arg. Manihot violacea Pohl Maprounea brasiliensis A. St. Erythroxylum tortuosum Mart. Maprounea guianensis Aubl.) O.-Hil. Erythroxylum citrifolium A. Sebastiania bidentata (Mart. Schulz Erythroxylum gonocladum (Mart. Pera bicolor (Klotzsch) Müll.) Müll. Sapium biglandulosum Müll. Pera ferruginea (Schott) Müll. Erythroxylum campestre A.-Hil. Manihot coerulescens Pohl Manihot pruinosa Pohl Manihot tripartita (Spreng. E. Arg. St.-Hil. St. Schulz Erythroxylum daphinites Mart. Arg. St. Savia dictyocarpa Müll. Pera obovata (Klotzsch) Baill. Continuação RHAMNACEAE ERYTHROXYLACEAE HUMIRIACEAE Mabea fistulifera Mart. St.-Hil. Erythroxylum suberosum A.Tabela 9. Arg.) Pax Rhamnidium elaeocarpum Reissek Rhamnus sphaerosperma Sw. 104 . Arg. Erythroxylum deciduum A. Arg. Sacoglottis guianensis Benth. E.-Hil. Sapium marginatum (Müll. Erythroxylum engleri O. E. Arg. E. Erythroxylum cuneifolium (Mart. Erythroxylum ambiguum Peyr. Humiria balsamifera Aubl. Pera glabrata (Schott) Baill. Schulz Erythroxylum orinocense Kunth Erythroxylum strobilaceum Peyr.) Müll.

Juss. Anderson & B. Byrsonima crassifolia Kunth Byrsonima cydoniifolia A. Byrsonima guilleminiana A. Byrsonima schomburgkiana Benth. Juss. Juss. Byrsonima coccolobifolia Kunth Byrsonima coccolobifolia f. Gates Banisteriopsis laevifolia (A.) B.Vegetação e Flora Tabela 9. Byrsonima stipulacea A. Juss. Byrsonima gautherioides Griseb. Byrsonima coriacea (Sw. Byrsonima intermedia f. Gates Banisteriopsis malifolia (Nees & Mart.) Cuatrec.) B. Byrsonima sericea DC.) B. Gates Banisteriopsis variabilis B. Gates Banisteriopsis latifolia (A. Byrsonima fagifolia Nied. Byrsonima indorum S.) Kunth Byrsonima crassa Nied. parvifolia Nied. Juss.) B. Juss. Byrsonima pachyphylla A. Juss. Byrsonima lancifolia A. Continuação MALPIGHIACEAE Banisteria paraisia Banisteriopsis argirophylla (A. Juss. Gates Banisteriopsis irwiing B. Gates Banisteriopsis megaphylla (A. 105 . Juss.) B.) B. latifolia Nied. Moore Byrsonima intermedia A. Gates Banisteriopsis oxyclada (A. Juss. Juss. Juss. Juss.) W. Byrsonima laxiflora Griseb. Juss. Juss. Byrsonima linguifera Cuatrec. Juss. R. Gates Banisteriopsis pubipetala (A. Byrsonima blanchetiana Miq. Byrsonima orbignyana A.) B. Gates Byrsonima basiloba A. Banisteriopsis schizoptera (A. Juss. Gates Banisteriopsis campestris (A.) Little Banisteriopsis clausseniana (A.

Juss. Heteropterys tomentosa A. Qualea dichotoma (Mart. Juss. ex A. Peixotoa parviflora A. Juss. Callisthene microphylla Warm. Vochysia pruinosa Pohl 106 . Vochysia cinnamomea Pohl Vochysia elliptica Mart. Juss. Galphimia brasiliensis (L. St. Qualea densiflora Spreng. Qualea grandiflora Mart.) Rich. Peixotoa hirta A. discolor f. Callisthene major Mart. Salvertia convallariodora A. Juss. Juss. Heteropterys byrsonimiifolia A. Vochysia herbacea Pohl Vochysia petraea Warm. Tetrapterys ramiflora A.Juss.Tabela 9. Juss.) A. Callisthene major var. Continuação VOCHYSIACEAE Byrsonima vacciniifolia A. Juss. Juss. Qualea parviflora Mart. Vochysia haenkeana Mart.) Warm. Callisthene hassleri Briq. Byrsonima variabilis A. Qualea cordata Spreng. Callisthene fasciculata Mart. leiocarpa Griseb. Byrsonima verbascifolia ssp. Juss. Pterandra pyroidea A. Heteropterys xanthophylla A. Byrsonima verbascifolia (L. Heteropterys umbellata A.-Hil. Vochysia gardneri Warm. Juss. Juss. Juss. Heteropterys pteropetala A. Qualea multiflora Mart. pilosa Warm. Heteropterys acutifolia A.

-Hil. St. Allophylus quercifolius (Mart. Benn. Serjania erecta Radlk.W.) Radlk. Cupania revoluta Radlk.) Radlk.) Radlk. Continuação POLYGALACEAE KRAMERIACEAE SAPINDACEAE BURSERACEAE Vochysia rufa Mart. Tetragastris unifoliolata (Engl. Bursera leptophloeos Engl. Krameria tomentosa A. Bredemeyera altissima A. ex Spreng.) Marchand Protium ovatum Engl. Protium almecega Marchand Protium aracouchini (Aubl.) Cuatrec. Diatenopteryx sorbifolia Radlk. Vochysia thyrsoidea Pohl Vochysia tucanorum Mart. Protium pilosissimum Engl. 107 . Cupania racemosa (Vell.) Marchand Protium brasiliense (Spreng. Allophylus sericeus (Camb. Matayba elaeagnoides Radlk.-Hil. Bursera simaruba (L. Matayba arborescens (Aubl.) Sarg. St.) Engl. Dilodendron bipinnatum Radlk. Matayba guianensis Aubl. Protium elegans Engl.) Radlk. Bredemeyera laurifolia Klotzch Krameria argentea Mart. Protium heptaphyllum (Aubl. Cupania vernalis Camb.Vegetação e Flora Tabela 9. Magonia pubescens A.

Tabela 9. St. St.) A. Juss.Juss. Simarouba versicolor A. Cabralea canjerana (Vell.) Engl. St. Astronium fraxinifolium Schott Astronium ulei Mattick Lithraea molleoides (Vell. Trichilia pallida Sw. Zanthoxylum rieldelianum Engl. 108 . Spiranthera odoratissima A. Guarea macrophylla Vahl Trichilia elegans A. Simaba trichilioides Engl. St.) Mart.-Hil. Simaba warmingiana Engl. & Tul. Esenbeckia pumila Pohl Zanthoxylum rugosum A. Anacardium occidentale L. Hil.-Hil. Miracrodruon urundeuva Alemão Schinus terebinthifolius Raddi Spondias purpurea L. Zanthoxylum cinereum Engl. Zanthoxylum rhoifolium Lam. Tapirira marchandii Engl.-Hil. ex DC. Continuação ANACARDIACEAE SIMAROUBACEAE MELIACEAE OXALIDACEAE Anacardium humile A. Oxalis hirsutissima Mart. Tapirira guianensis Aubl. ex Mart. & Zucc. Cedrela fissilis Vell.-Hil. St. Simarouba amara Aubl. Erythrochiton brasiliensis Nees & Mart. Esenbeckia febrifuga (A. Hortia brasiliensis Vand. Dictyoloma incanescens DC.

Arg. Gómez Himatanthus articulatus (Vahl) Woodson Himatanthus bracteatus (A.Vegetação e Flora Tabela 9. Antonia ovata Pohl Strychnos martii Progel Strychnos pseudoquina A. Aspidosperma pyricolium Müll. & Planch. Didymopanax distractiflorum Harms Didymopanax macrocarpum (Cham.) Woodson Himatanthus phagedaenicus (Mart.Blake Aspidosperma cylindrocarpon Müll. Hancornia speciosa M.) Miers Peschiera hystrix (Steud. Didymopanax vinosum Cham. DC. Himatanthus obovatus (Müll. Continuação ARALIACEAE LOGANIACEAE APOCYNACEAE ASCLEPIADACEAE Dendropanax cuneatum (DC. 109 . Peschiera affinis (Müll. Aspidosperma cuspa (Kunth) S. & Planch. Aspidosperma nobile Müll.T. Aspidosperma macrocarpon Mart. Aspidosperma verbascifolium Müll.) Woodson Mandevilla gentianoides (Mill. & Schltdl. Aspidosperma multiflorum A. Arg.) Woodson Himatanthus cuneatus Sm.) Decne. Aspidosperma tomentosum Mart. Arg. St.-Hil. Rauvolfia ternifolia Kunth Hemipogon setaceus Decne. DC.) Woodson Mandevilla erecta (Vell.DC.) A. Aspidosperma pyrifolium Mart. Arg. Arg. Arg. Arg.) Decne.) Markgr.) Seemann Didymopanax morototoni (Aubl.) Woodson Odontadenia lutea (Vell. & Schltdl. DC. Aspidosperma subincanum Mart. ex A. Aspidosperma polyneuron Müll.

Aegiphila parviflora Moldenke Aegiphila pernambucensis Moldenke Aegiphila sellowiana Cham. Cordia sellowiana Cham. Aegiphila splendens Schauer Aegiphila verticillata Vell.) A. ) Oken Cordia bicolor A. 110 . ex Sendtn. Cordia glabrata (Mart. Cordia superba Cham. Solanum baturitense Huber Solanum cordifolium Dunal Solanum grandiflorum Ruiz & Pavon Solanum horridum Dunal Solanum jamaicense Mill. Ipomoea albiflora Moric. Cestrum obovatum Sendtn. Solanum lycocarpum A. Cordia discolor Cham. Solanum macranthum Dunal Solanum subinerme Jacq. Continuação SOLANACEAE CONVOLVULACEAE BORAGINACEAE VERBENACEAE Aegiphila amazonica Moldenke Aegiphila intermedia Moldenke Aegiphila lhotszkiana Cham.Tabela 9. Cordia alliodora (Ruiz & Pav.-Hil. Cordia insignis Cham. St. Cordia nodosa Lam. Merremia aturensis (Kunth) Hallier Cestrum corymbosum Schltdl. DC. Cordia ecalyculata Vell. Cestrum sendtnerianum Mart. Lantana camara L. DC.

Cybistax antisyphilitica (Mart.Schum. 111 . Hyptis macrantha A. Ruellia geminiflora Kunth Anemopaegma arvense (Vell.) Moldenke Vitex polygama Cham.) Sandwith Arrabidaea inaequalis Baill. Vitex schomburgkiana Schauer Hyptis cana Pohl ex Benth. St. Petrea racemosa Nees Vitex cymosa Bertero Vitex flavens Kunth Vitex megapotamica (Spreng.) Bureau & K. Continuação LAMIACEAE OLEACEAE ACANTHACEAE BIGNONIACEAE Lantana fucata Lindl. Arrabidaea brachypoda (DC. Hyptis pauliana Epling Linociera hassleriana Hassl. Hyptis eriophylla Pohl ex Benth. ex Benth. & Schauer Lippia lasiocalycina Cham. Arrabidaea sceptrum (Cham.) Sandwith Crescentia cujete L. Lippia corymbosa Cham.Vegetação e Flora Tabela 9. Lantana trifolia L. Lippia martiana Schauer Lippia salviaefolia Cham. Arrabidaea corallina (Jacq.) Stellfeld Anemopaegma glaucum Mart. Lippia lupulina Cham.-Hil. Lippia eupatorium Schauer Lippia glandulosa Schauer Lippia gracilis Schauer Lippia lacunosa Mart.) Mart.

& Hook.Silva Manso Jacaranda ulei Bureau & K. Schum. Jacaranda decurrens Cham. Jacaranda jasminoides (Thunb.Silva Manso) Benth. Zeyheria montana Mart. Continuação RUBIACEAE Distictella mansoana (DC. Memora cuspidata Hassl.) K. Moore 112 .) DC. Tabebuia impetiginosa (Mart. Jacaranda puberula Cham. ex DC. Memora axilaris Bureau & K. Fridericia speciosa Mart.) Urb. Alibertia verrucosa S. Schum. ex DC.) Standley Tabebuia roseo-alba (Ridl.) Sandwith Tabebuia ochracea (Cham. Schum.) K. Schum. Alibertia sessilis (Vell. & Bonpl.Silva Manso) Miers Memora peregrina (Miers) Sandwith Tabebuia alba (Cham.Schum. Alibertia obtusa K. Memora nodosa (J.) Pers.) Sandwith Tabebuia aurea (J.) Sandwith Jacaranda paucifoliolata Mart. Alibertia elliptica K. Don Jacaranda cuspidifolia Mart. Jacaranda caroba (Vell.) A. Rich. Alibertia concolor (Cham. Jacaranda copaia (Aubl.) G.) D. Jacaranda brasiliana (Lam.) Sandwith Tabebuia serratifolia (Vahl) G.Nicholson Tecoma leucoxylon Mart. Jacaranda rufa J.) Standley Tabebuia chrysantha (Jacq. ex DC. Alibertia macrophylla (Mart.) K. Jacaranda acutifolia Humb.Tabela 9. Schum. Schum. Rich. Alibertia edulis (A. Nicholson Tabebuia insignis (Miq.

Tocoyena formosa (Cham. ex A.-Hil. Psychotria involucrata Psychotria sessilis (Vell. 113 . Calycophyllum multiflorum Griseb.) DC. Moore Palicourea marcgravii A. Guettarda viburnoides Cham. Coussarea hydrangeaefolia (Benth.) Mart.Schum.) Benth. & Hook.) Pers. Randia armata (Sw. Chomelia anisomeris Müll.Vegetação e Flora Tabela 9. Arg. Guettarda platypoda DC. Ferdinandusa elliptica Pohl Genipa americana L. Rudgea viburnoides (Cham.-Hil. Chomelia ribesioides Benth. Faramea crassifolia Benth. Sabicea cana Hook. Chiococca nitida Benth.) Benth. Chomelia pohliana Müll. Ladenbergia chapadensis S. Psychotria carthagenensis Jacq. Gray Coccocypselum lanceolatum (Ruiz & Pav. Declieuxia lysimachioides Zucc. Remijia ferruginea (A. Arg.f.Arg. ex Glaz. Guettarda angelica Mart. Palicourea rigida Kunth Palicourea rigida var.) DC. Thieleodoxa lanceolata Cham. & Schltdl. St. & Schltdl. ex Müll. Ixora gardneriana Benth. Rudgea amazonica Müll. Arg. Continuação Amaioua guianensis Aubl.Arg. St. Remijia amazonica K.Schum. Arg. genuina Müll. Tocoyena bullata (Vell. Palicourea xanthophylla Müll. Rudgea villosa Benth. Chomelia obtusa Cham.) Müll. Arg. & Schltdl.) K.

Eremanthus mattogrossensis Kuntze Eremanthus sphaerocephalus (DC.L. Eupatorium laevigatum Lam. Lychnophora ericoides Mart. Eupatorium trixoides Mart. Gochnatia barrosii Cabrera Gochnatia floribunda Cabrera Gochnatia polymorpha (Less. Bip. 114 .) Baker Eupatorium barbacense Hieron. Gray Clibadium rotundifolium DC.) Cabrera Elephantopus biflora Sch. Barroso Baccharis dracunculifolia DC. Brown ASTERACEAE Baccharis concinna G. E. Baccharis tridentata Vahl Baccharis trimera DC. tomentosa (Mart) A. L. Eupatorium squalidum DC. Baccharis semiserrata DC. Teodoro Baccharis ramosissima Gardner Baccharis reticularia DC. Bip. M. Brickellia pinifolia A. Baccharis lymannii G. ex Baker Eupatorium vauthierianum DC.Prado Tocoyena neglecta N.) Cabrera Gochnatia pulchra Cabrera Gochnatia velutina (Bong.M. Dasyphyllum orthacantum (DC. Mikania sessilifolia DC. Continuação Tocoyena formosa ssp.Tabela 9. Eupatorium maximiliani Schrad.) Cabrera Hoehnephytum trixioides (Gardner) Cabrera Ichthyothere cunabi Mart. Eremanthus goyazensis (Gardner) Sch. ex DC. Eremanthus glomeratus Less.Barroso Baccharis pseudotenuifolia I.

Vernonia grandiflora Less.Bip. Attalea exigua Drude Attalea geraensis Barb. Vernonia missionis Gardner Vernonia mucronulata Less.) Baker Senecio brasiliensis Less. Astrocaryum vulgare Mart. Allagoptera campestris (Mart.) Less. Vernonia diffusa (Spreng.) Baker Trichogonia alternata Trichogonia campestris Gardner Trixis verbasciformis Less.Rodr.) H. Symphyopappus polystachyus (DC. ex DC. Wunderlichia mirabilis Riedel ex Baker ARECACEAE Acanthococos emensis Toledo Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. Vernonia bardanoides Less.) Glassman Astrocaryum campestre Mart. Vernonia ferruginea Less. ex Baker Vernonia phosphorea (Vell. Bip. Vernonia chamissonis Less.) Less. Vernonia ruficoma Schltdl. Acrocomia totai Mart.) Less. Attalea humilis Mart.Monteiro Vernonia polyanthes (Spreng. Continuação Piptocarpha rotundifolia (Less. 115 .Vegetação e Flora Tabela 9. Vernonia glabrata Less.) Kuntze Syagrus romanzoffiana (Cham. ex DC. Vanillosmopsis erythropappa Sch. Vernonia brasiliensis (Spreng. Vernonia oligolepis Sch. ex Mart. Vernonia rubriramea Mart. Vernonia fruticulosa Mart. Eupatorium cuneatum DC.

Rodr.Tabela 9.Bailey Copernicia prunifera (Mill. Butia paraguayensis (Barb. 116 . Orbignya phalerata Mart. Syagrus flexuosa (Mart.) Becc. ex Schult. Continuação POACEAE VELLOZIACEAE Attalea phalerata Mart.) H.) Mart. Syagrus comosa (Mart. Oenocarpus distichus Mart. Butia leiospatha (Mart.) L.H. Syagrus loefgrenii Glassman Syagrus petraea (Mart. E. Moore Mauritia martiana Spruce Maximiliana regia Mart. Actinocladum verticillatum (Nees) MacClure & Sonderstron Arundinaria cannavieira Silveira Vellozia flavicans Mart.) Becc. & Spreng.) Becc.f.

Seis áreas estão localizadas na chapada Pratinha (terras altas da superfície Pratinha e terras com erosão da superfície Pratinha) e cinco áreas na Chapada dos Veadeiros (terras altas do Tocantins). Walter. usando aquele trabalho como base. Felfili. As listas de espécies obtidas nas áreas estudadas foi composta pelas coletas de herbário e pelas espécies identificadas nas parcelas. Esses sistemas de terra são ainda pouco conhecidos quanto à possível existência de comunidades bióticas particulares.000 a. Ratter e Dargie (1992). exceto lianas. Os espécimens coletados estão depositados no herbário IBGE e/ou no herbário UB (Universidade de Brasília). refletindo um clima estacional. Felfili e Silva Júnior. B. A fitofisionomia estudada foi o cerrado sensu stricto (Ribeiro et al. Nogueira. além de imagens de satélite e fotos aéreas. Felfili et al. P. O projeto Biogeografia do bioma Cerrado (Felfili et al. Rezende. quando ocorreram significativas queimadas naturais.5 e. O evento de período seco em torno de 6. a província Atlântica. Castro (1994). a província Nordestina ou das caatingas e a província Sulina ou campesina (Fernandes e Bezerra. 1993. Silva Jr. As duas primeiras são cobertas predominantemente por florestas úmidas. 1983. Prado e Gibbs (1993). Os principais eixos rodoviários foram tomados como base procurando-se abranger ao máximo a variabilidade florístico-estrutural de cada fitofisionomia. executou levantamentos padronizados e fez comparações bióticas dentro e entre sistemas de terra. A escolha das áreas de amostragem obedeceu a critérios de cobertura geográfica de pontos extremos dentro dos sistemas de terra propostos por Cochrane et al (1985) e à disponibilidade de áreas com vegetação natural. sob baixo impacto antrópico. M.. 1990). Oliveira-Filho e Ratter (1995) e Ratter et al (1996) obtiveram padrões fitogeográficos para algumas fisionomias. e J. 1994). A. 1990). os quais são determinados pelo número de espécies presentes na comunidade e pela base da escala logarítmica escolhida. 117 . num esforço conjunto entre CIAT e EMBRAPA.5-3. incluindo todas as fitofisionomias presentes na área. com 10 parcelas de 20x50m resultando numa intensidade amostral de um hectare efetivamente amostrado em cada localidade.. As coletas botânicas foram realizadas na estação seca e na estação chuvosa. 1996) O Brasil possui cinco grandes províncias biogeográficas: a província Amazônica. A província do Cerrado inclui considerável variedade de fisionomias vegetais. 1994). 1983. Evidências palinológicas e botânicas indicam que o clima e substrato são os fatores determinantes para o desenvolvimento dos cerrados e que este se deu antes dos impactos antropogênicos por incêndios e desmatamento só observados em torno de 600 a. Há poucos trabalhos fitogeográficos ao nível das principais fisionomias (Fernandes e Bezerra. 1993). 1992. em raríssimos casos. M.C. parece ter favorecido a expansão do Cerrado no Brasil Central. Apesar da rápida taxa de conversão do Cerrado em monoculturas. enquanto que o Cerrado e a Caatinga. Eiten. Para avaliar a diversidade florística entre as comunidades e para fazer comparações entre elas foi utilizado o Índice de Shannon. 1990).Vegetação e Flora IX – Riqueza florística e diversidade em localidades em diferentes sistemas de terra em Chapadas do Brasil Central (baseado em: J. Todos os indivíduos lenhosos com diâmetro mínimo de 5cm. 1990) foi usada para a seleção dos pontos amostrais em cada área selecionada. assim como os resultados do projeto RADAMBRASIL. são poucos os estudos biogeográficos que possam orientar o delineamento de políticas públicas para a conservação e manejo racional dos recursos do bioma. Imaña-Encinas. Geralmente está entre 1. duas das 25 unidades fisiográficas identificadas para o Brasil Central (Cochrane et al 1985). 1988). as cartas do IBGE e do Exército Brasileiro. Este índice varia de 0 a valores positivos. abrangendo 40% da extensão latitudinal e 24% da extensão longitudinal do cerrado. 1950) foram calculados utilizando o software INFLO. tipos de solos e comunidades animais ocorrentes no Brasil Central (Eiten. A amostragem incluiu 11 áreas distribuídas ao longo de um gradiente de seis graus de latitude Sul e quatro graus de longitude Oeste. Uma adaptação do método Gradsect (Austin e Heyligers. 1990). Ledru. Cochrane et al (1985). Felfili. Os parâmetros fitossociológicos (Curtis e McIntosh. a província Central ou dos cerrados. O sistema utilizado para a alocação das unidades amostrais foi o aleatório (Phillips. desenvolvido no Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Brasília. foram incluídos na amostragem. (Van Der Hammem.C. subdividiram o Brasil Central em 25 grandes unidades fisiográficas com mais de 70 sistemas de terra distintos. são recobertos principalmente por florestas estacionais entremeadas por formações abertas e florestas úmidas de galeria. ultrapassa 5 (Margurran.

Para as comparações qualitativas. tanto florística como estrutural. A similaridade florística (Índice de Sorensen) foi alta na comparação entre as áreas da Chapada Pratinha (Tabela 11). As amostras são classificadas primeiramente pela sucessiva dicotomização. A classificação por TWINSPAN é aplicada na procura de padrões na distribuição das espécies. Felfili e Silva Júnior (1993) indicaram a densidade como um dos mais importantes fatores diferenciadores entre as áreas de Cerrado s. em Serra Negra e Serra da Mesa (Tabela 10).7. As dicotomias são obtidas pela divisão das ordenações pela metade. Os cerrados s. E também na comparação de Serra Negra com o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. usando as classificações das amostras como base. em encostas suaves.5 (Tabela 10). O método constrói uma tabela dicotômica (Two-way) pela identificação de espécies preferenciais. circundados por campos e matas mesofíticas.5 é considerada alta.s. 1979). 1994). Os valores do índice de Shannon calculados para os cerrados variam de 3. contrastando com as condições na Chapada Pratinha onde essa fisionomia é freqüentemente encontrada em latossolos profundos e distróficos (Felfili et al. características ecológicas locais. 1993. a similaridade estrutural foi mais baixa (Índice de Czanowski). qualitativa e quantitativa. Na amostragem o número de espécies variou de 82. principalmente aquelas representadas em baixas densidades. 1974).s. Mesmo quando presente em UCs. 1994).1-3. são classificadas da mesma maneira. Isto indica que. estão se sobrepondo aos gradientes geográficos tais como latitude e longitude.Two-Way Indicator Species Analisys (Hill. As características de solo e topografia locais condicionam a sua ocorrência em manchas. uma espécie pode não estar protegida a longo prazo devido ao seu isolamento. 1 – A riqueza florística e a diversidade O cerrado s. que possam ser associados com o ambiente e corroborados com observações de campo (Kent e Cocker. baseadas na densidade das espécies. entre 50-80 espécies (Felfili e Silva Jr. Porém. utilizou-se o Índice de Czesanowski (Kent e Coker. Felfili et al 1992. as similaridades foram mais baixas entre as áreas da Chapada dos Veadeiros do que entre aquelas da Chapada Pratinha. salientando a importância desse parâmetro para a tomada de decisões quanto às estratégias para proteção de populações do bioma 118 Cerrado. Serra da Mesa e no município de Alto Paraíso de Goiás apresentaram-se extraordinariamente ricos. IX. foi baixa quando comparado o cerrado de Alto Paraíso de Goiás com os demais. A classificação da vegetação foi efetuada pelo método TWINSPAN . A similaridade entre áreas foi calculada usando-se o programa MVSP (Kovach. 1992).s. de Serra Negra. utilizou-se o Índice de Sørensen e para as comparações quantitativas. tais como as edáficas. na Chapada dos Veadeiros é muito rico em espécies arbóreas. 1993). especialmente quando comparando Paracatu e Patrocínio com as demais áreas.As comparações entre comunidades foram efetuadas por meio de índices de similaridade e métodos de análise multivariada. maior a similaridade. Na Chapada dos Veadeiros a similaridade. 1992). Para ambas as comparações. como é o caso da comparação entre Alto Paraíso de Goiás x Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.. Na utilização dos índices presume-se que a alta similaridade entre as áreas denota sua semelhança ecológica. nesses casos. Nem sempre a proximidade entre as áreas significou alta similaridade florística. Para ambos os índices quanto mais próximo do valor 1. . baseadas na presença e ausência das espécies (MuellerDumbois e Ellemberg. as espécies. sobre solos rochosos. até 97 espécies. Estes valores são superiores àqueles comumente encontrados nos cerrados do DF e na Chapada Pratinha. em Vila Propício e no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. com a maioria das áreas apresentando um índice em torno de 3. Em seguida. indicando uma maior diferenciação entre aquelas áreas. Uma similaridade maior que 0.

existe diferenciação florística e estrutural entre as unidades fisiográficas da Chapada dos Veadeiros e da Chapada Pratinha (Figura 18). Serra Negra e Paracatu. portanto.30 indicando uma divisão forte (Gauch. de maior variabilidade genética intra-específica. 1982). 119 . Byrsonima coccolobifolia. ou seja. As áreas mais críticas para proteção em relação a florística do cerrado s.s. a similaridade florística foi baixa quando este foi comparado com a maioria das áreas não protegidas. Ouratea hexasperma. por conseguinte. Os auto-valores (EIGENvalues) foram superiores a 0. ficam mais asseguradas. pois as chances de preservação das populações lá existentes e. mas por outro lado. Connarus suberosus. A ordenação pelo método DECORANA corroborou os resultados da classificação. Aspidosperma tomentosum. necessária e urgente a criação de UCs nessas áreas. A classificação pelo método TWINSPAN separou as áreas da Chapada dos Veadeiros das áreas da Chapada Pratinha. Os cerrados menos similares foram aqueles de Alto Paraíso de Goiás. Sclerolobium paniculatum e Tabebuia ochracea. Bowdichia virgilioides. Serra Negra e Paracatu sendo. considerando-se a primeira e segunda divisões (Figura 17). Apenas 12 espécies foram comuns a todas as onze localidadades nas duas chapadas: Acosmium dasycarpum. Estes resultados apoiam a hipótese da heterogeneidade espacial da biota para a fitofisionomia cerrado s. Byrsonima verbascifolia. Erythroxylum suberosum.s. nas Chapadas Pratinha e dos Veadeiros são aquelas de Alto Paraíso de Goiás. É positivo o fato das áreas protegidas apresentarem elevada similaridade florística entre si. Estas podem ser consideradas espécies típicas desta porção do Brasil Central.Vegetação e Flora O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros apresentou similaridade alta quando comparado com as áreas protegidas da Chapada Pratinha. Qualea grandiflora. Kielmeyera coriacea.

Figura 17 .Àreas estudadas nas Chapadas Pratinha e dos Veadeiros 120 .

indústria cervejeira e de fermentação em geral. vírus . jcarmine@guarany. escritas e validamente publicadas. o qual foi o fator único e decisivo a permitir o uso extensivo do transplante de órgãos. onde ocorrem seis espécies diferentes de fungos por espécies de plantas. 1995). flexuosa) estão associados a 17. apesar de se conhecer menos de 3% das espécies presentes no cerrado.000 espécies. Esse número (1. existem hoje apenas 900 espécies de fungos associadas a plantas em toda a região. APA=APA Gama-Cabeça do Veado.400 espécies de plantas no cerrado. fontes industriais de enzimas e outras moléculas. fabricação de queijos e molhos. Dianese. Além disso. por exemplo. Tabebuia ochracea e Mauritia vinifera (= M. cpd. Comparandose com as plantas do cerrado onde provavelmente 90% das espécies já foram descritas. X.não publicado).br . 1997. algas microscópicas menos de 60. Chaves & Dianese. permite a produção de um faturamento anual de um bilhão de dólares.unb. José Carmine1 Os fungos compõem a segunda maior fração da biodiversidade. 1 Como dados recentes mostram a ocorrência de aproximadamente 6.) somados às 270. sem detalhar a importância dos fungos como alimento.a ciclosporina. no mínimo. Uma das razões dessa grande carência está na falta de especialista em taxonomia de fungos no país. Lacunas do conhecimento sobre a diversidade fúngica (micodiversidade) do Cerrado. basta lembrar que a indústria de antibióticos de origem microbiana gera um faturamento anual de 34 bilhões de dólares. conclui-se (usando a proporção de seis espécies fúngicas por espécies de plantas) que. Os dados não levaram em conta o grande número de saprófitas do solo e matéria orgânica e nem fungos associados a animais.20 e 25 espécies fúngicas respectivamente (Dianese et al.000 espécies de plantas vasculares.400 espécies de fungos associadas à vegetação do cerrado. 1991) sustentam a hipótese de que existem 1 milhão e meio de espécies fúngicas. PARNA=Parque Nacional). Para clima tropical a expectativa é bem maior que o dobro.000 espécies. Salacia crassifolia. A grande lacuna no conhecimento dos fungos de cerrado está no fato de que. 1998 .Vegetação e Flora Figura 18: Posicionamento das 11 áreas de estudo nos eixos de ordenação pelo método DECORANA.. Estimativas recentes (Hawksworth. controle biológico de insetos e doenças de plantas etc. existem 38.000 espécies de fungos) baseia-se em dados conservadores gerados a partir de estatísticas resultantes de observações da incidência de fungos sobre plantas em condições de clima temperado (Inglaterra). apenas um produto de origem fúngica . Esta cifra é exponencialmente superior ao conjunto de todos os demais microorganismos (bactérias -30. viróides. (EEAE=Águas Emendadas. Apenas para se tomar uma idéia de importância de se conhecer a diversidade fúngica (micodiversidade) do cerrado. sendo que. micoplasmas.000 espécies.500. sendo superados em número de espécies apenas pelos insetos. cifra inferior a 4% estimado para todo o globo (Hawksworth et al.130. a situação dos fungos configura-se alarmante quando se analisa a carência 121 Professor do Departamento de Fitopatologia da Universidade de Brasília DF. etc.

R. além das coletas de americanos (Hennen.UnB.. Cabe lembrar que os grandes laboratórios farmacêuticos mantém coleções de microorganismos que atingem cifras da ordem de 300 a 500 mil culturas. Norte de Goiás. Norte do Mato Grosso. iniciada em 1992. Cabe lembrar que entre 1967 e 1992 o trabalho de descrição da diversidade fúngica do cerrado foi paralisado com a morte de A. Sul do Piauí. Planaltina de Goiás. todos os fungos descritos a partir de material obtido por Ezechias P. Paracatú e Serra do Cipó): Goiás (Sudoeste. Uma revisão sobre biodiversidade dos fungos do cerrado foi publicada (Dianese. Chapada dos Guimarães. savanas amazônicas. sugere-se as seguintes localidades como prioritárias para futuras coletas: Cerrados da Bahia. Mato Grosso do Sul (região de Campo Grande). Apesar de tratar-se de uma distribuição baseada. ou em N líquido.P. Os dados disponíveis na Universidade de Brasília permitem a elaboração de mapas mostrando a distribuição geográficas dos fungos associados a plantas do cerrado.quase absoluta da área de micologia. a grande maioria com identificação parcial. K. Esta tarefa seria muito bem localizada no CENARGEN – EMBRAPA. Holway e outros) e europeus. à semelhança de outras existentes nos Estados Unidos. Europa e Japão. de volta a Imperatriz). foram feitas coletas intensivas nos seguintes Parques Nacionais: Brasília. reservas estaduais e privadas disseminadas pelo cerrado. Esta coleção poderá constituir-se em uma Coleção Nacional de Culturas Fúngicas. sendo que as coleções oficiais européias (Bélgica. em identificações em nível de gênero. e Emas. Batista e a aposentadoria de Ahmés Pinto Viégas. Diamantina e outras regiões importantes em termos de endemismos vegetais. Inglaterra. mantidas a temperaturas inferiores a -140 C. Como ações prioritárias para a conservação da diversidade fúngica. 122 . que incluem todo o Distrito Federal. Recomendar ao MEC (CAPES) e CNPq o fortalecimento dos centros de pós-graduação do país que possam contribuir com o treinamento de especialistas em taxonomia de fungos. Este material está sendo paulatinamente estudado e nos próximos anos deverá permitir um diagnóstico parcial da distribuição de fungos no cerrado. uma cota significativa de bolsas para estimular a formação de tais especialistas. via Estreito. Estes mapas poderão ser gerados pelos micólogos da Universidade de Brasília. L. várias regiões de Minas Gerais (Triângulo Mineiro. Tendo em vista a extrema carência de especialistas em taxonomia de fungos é imprescindível incluir-se prioritariamente no CNPq para área de Microbiologia. é necessário a implantação. Hong Konk Univ. trata-se de uma primeira aproximação válida por cobrir coletas extensivas em cerrados s. 3. Estados de Tocantins. Todos os acessos estão contidos em bancos de dados programado em Microsoft Access. Campos das Vertentes. Maranhão (Imperatriz. 2. Para um aprofundamento do conhecimento dos fungos que ocorrem no Cerrado.. a médio prazo. kong. Grande Sertão Veredas. Cristalina. H.& Santos.C.IBGE e Fazenda Água Limpa . Press. Grajaú até Balsas. J. propõe-se a elaboração de mapas que conterão também todos os dados referentes a coletas iniciadas por Ernest Ule no final do século XIX até a primeira década do século XX. capazes de conservar ex situ fração importante da micodiversidade do Cerrado. principalmente com base em pesquisas realizadas a partir de 1993. Holanda) contem entre 20 e 35 mil espécies fúngicas armazenadas. 1997. Na Coleção Micológica de referência (Herbário Micológico) da Universidade de Brasília.s. Padre Bernardo. propõe-se: 1. Heringer e de estudos por Augusto Chaves Batista e Ahmém Pinto Viégas. B. estão depositados 15.T. B. Vale do Urucuia. órgão voltado para a genética e biotecnologia e responsável pela guarda de valioso germoplasma vegetal e animal. Assim. Biodiversity of Tropical Microfungi. Reserva do Roncador . In: Hyde. Torna-se necessário obter suporte financeiro e de pessoal para coletar em áreas ainda não cobertas. Parque Nacional de Brasília. Chapada dos Veadeiros. sendo de todo importante cobrir aquelas consideradas críticas do ponto de vista da preservação da própria vegetação. Pq: 367-417).000 espécimens de fungos do Cerrado. na maioria dos casos. Fungos da Amazônia e Mata Atlântica poderiam ser incorporados tornando a Coleção Nacional um instrumento estratégico para o desenvolvimento da engenharia genética e biotecnologia em geral. realizados a partir da década de 20. de coleção de culturas. Serra do Cipó. sendo esta interação altamente específicas. Norte de Minas. 4. 5. Piauí (Sul do Piauí até cercanias de Campo Maior). Além disso. Como a grande maioria das espécies fúngicas podem ser cultivadas. com levantamentos intensivos na Reserva Ecologica de Água Emendadas. pois os fungos dependem das plantas. Medeiros.

a integridade da cobertura vegetal nativa do Cerrado lato sensu.72. destaca-se a área mais bem preservada na região sul mato-grossense. e foram aplicados valores de porcentagem com intervalo mínimo de 5%. Mato Grosso e Goiás. envolta por cerrado. áreas de culturas agrícolas florestais ou de pastagens implantadas. Cada imagem foi dividida em 100 quadrículas iguais para diminuir o tempo de interpretação e aumentar a acuracidade na estimativa da porcentagem das áreas ocupadas pelas classes de integridade da vegetação. Estão incluídas nesta classe os campos nativos utilizados para pastagem. Expandir as coletas para Mata de Galeria. Cerrado não-antropizado: áreas com padrões espectrais e espaciais da vegetação do Cerrado/ Pantanal sem vestígios de antropização.11 16. do Maranhão e da Bahia. e no estado de Mato Grosso do Sul. As porções ainda bem conservadas estão em três regiões distintas. Cerrado antropizado: áreas com vestígios de antropismo. pertencentes ao Banco de Imagens mantido pelo INPE (ATUS/INPE) e datadas de 1987 a 1993. e c) Divisa entre Tocantins.45 16. O trabalho demonstra intensa a antropização que está ocorrendo no Cerrado e no Pantanal e aponta as poucas áreas onde ainda podem ser criadas áreas protegidas de grande extensão. com mais de 48% de cerrado não-antropizada: a) Divisa entre o Estado do Piauí. incluindo o Pantanal Matogrossense. por meio de análise visual. Classe não-cerrado cerrado não antropizado cerrado antropizado cerrado fortemente antropizado Média geral (%) 49. as porções próximas a estradas. 7. b) Divisa entre Tocantins. de São Paulo. (Tabela 12) Tabela 12. Para cada uma das quadrículas foram estimadas as áreas ocupadas pelas manchas correspondentes às quatro classes. Os resultados indicam que apenas 1/3 das áreas de Cerrado do Brasil encontram-se pouco antropizadas. Foram definidas quatro classes de cobertura vegetal: (Figura 19) Não-cerrado: áreas ocupadas por vegetação não correspondentes a Cerrado/Pantanal corpos d’água naturais e artificiais onde não foi possível determinar a vegetação original. áreas atualmente com atividade antrópicas e que eram ocupadas por vegetação não . onde está envolvida a equipe de Micologia da Unb.Integridade da cobertura vegetal do Cerrado e Pantanal (baseado em Mantovani e Pereira. O mapa ilustra a abordagem utilizada para classe Cerrado não-antropizada. A vegetação ripária.Mata de Galeria liderado por José Felipe Ribeiro. Percentagem das classes de cober- XI . as áreas com padrões espectrais de cerrado. tura vegetal do Cerrado lato sensu. as porções pequenas recentemente queimadas e sem características de ocupação agrícola. No Pantanal. foi estimada a partir de imagens de satélite. na divisa de São Paulo com Paraná. Nestas áreas.Vegetação e Flora 6.77 17. áreas urbanizadas. porém com bordas nítidas e retilíneas. diversas imagens mostram de 50% a 92% da superfície de cerrado em condições fortemente antropizada. foi incluída nesta categoria. Goiás e Bahia na região do Pantanal sul mato-grossense. A coleta de fungos sobre espécies de plantas endêmicas do cerrado e ameaçadas de extinção é uma providência que deve ser tomada com urgência. 1998) Como parte dos estudos preliminares para a Oficina.000. áreas com padrões espectrais de vegetação queimada e padrões especiais geométricos e nítidos. através de esforço já iniciado com o PROBIO . 123 . Cerrado fortemente antropizado: áreas com resposta espectral predominante do solo e padrões espaciais retilíneos. Foram utilizadas 144 imagens TM/Landsat na escala 1:250.correspondente a Cerrado/Pantanal. As principais regiões de grande impacto antrópico estão nos estados do Mato Grosso do Sul e de Goiás.

Figura 19: Mapa com a porcentagem do Cerrado não-antropizado 124 .

portanto. 8. apesar de ter sido priorizada a conservação das principais fitofisionomias nas diferentes sub-regiões do Cerrado. A conservação da vegetação do Cerrado e do Pantanal deve ter como ponto de partida as 41 áreas consideradas prioritárias. destacando-se contudo. apontadas no mapa. As áreas indicadas compreendem locais com diferentes dimensões. O cerrado rupestre e campo rupestre estão representados principalmente nas áreas 3. 30 e 34. a sua conservação é complexa e depende da identificação de grupos fitogeográficos. As áreas de números 9. a carência de informações sobre as áreas de Cerrado do Estado de Tocantins e Bahia. existem lacunas de variadas extensões. mas também as regiões já conhecidas e sem unidades de conservação. 5. pois. como a mata seca calcária presente na região norte do Distrito Federal e o cerradão na região de Paracatu. A seguir estão relacionadas algumas áreas do bioma Cerrado deficientes em levantamentos florísticos. 10. Não houve priorização relativa entre os 41 locais indicados. também merecem destaque especial na identificação de áreas prioritárias. que agrupam espécies de distribuição genérica e restrita. considerou-se que praticamente em todos os estados onde ocorre Cerrado (áreas contínuas). 11 e 19. As fitofisionomias de mata de galeria e mata ciliar estão presentes em todas as 41 áreas. MG.Vegetação e Flora Síntese do Grupo Temático – áreas prioritárias para o grupo de vegetação e flora Estudos sobre a composição e distribuição da flora do Cerrado indicam que a ocorrência de espécies é bastante heterogênea e. 13. A ocorrência de cerrado típico e ralo rupestre. cuja indicação reflete não apenas as grandes lacunas de conhecimento. A primeira recomendação é que a criação de unidades de conservação leve em conta as variações locais e regionais. são exemplos de localidades indicadas para a conservação de formações parque de cerrado. 17 e 21. 125 . Outras fisionomias estão melhor representadas em pontos específicos. onde a realização de tais inventários deve ser priorizada (Tabela 13). nas regiões 1. praticamente todos são da máxima urgência para implantação. Quanto às áreas áreas/regiões prioritárias para inventários sobre a vegetação de Cerrado senso estrito. onde há necessidade de realização de levantamentos.

porção no nordeste deste estado. Dianópolis. Piripiri. Inhaúmas. Pirapora. na porção Leste. municípios de Poxoré. Floriano e Grucui e ao Norte. próximo à divisa com a Bahia. municípios de Cratéus. municípios de Bom Jesus. São Jõao do Piauí e Simplício Mendes. municípios de Peixe e Paraná. municípios de São Jõao do Araguaia. municípios de Januária e Manga. Jaragua. municípios Taguatinga. próximo à divisa política com o Estado do Piauí. municípios de Santana. município de Praia Rica e Diamantina. Capelinha e Montes Claros. municípios de Coração de Jesus. municípios de Luiz Correia. Uberaba. Tocantinópolis. englobando municípios de Mhabiquara e Utiariti. Prata e Lizandra. Correntina. na parte ao Norte. Área a Noroeste. até o município de Guajara-Mirim. municípios de Guanhambi. municípios de Oeiras.Tabela 13. Salinas. extremo Oeste do estado. municípios de Porto França e Grajaú. Orizona. a Oeste da cidade de Cuiabá. Norte da Chapada dos Guimarães. Formiga. ao Sul da cidade de Barreiras. Parte Central. Jeroaquara e Uruaçu. parte Oeste nos municípios de Araguacena e Couto 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Piauí Piauí Maranhão Ceará Bahia Bahia Minas Gerais Minas Gerais Minas Gerais Minas Gerais Minas Gerais Magalhães e ao Sul. parte Norte. Uberlândia. municípios de Dores do Indaiá. Monte Carmelo e também Araxá e Nova Ponte. área central. municípios de Pedra Azul. Diamantina. parte sudeste. englobando o município de Barra do Bugre. Paranatinga e Buriti. parte Sudoeste. Ipueiras e Viçosa do Ceará. Valença do Piauí e Amarante. 126 . pequena área ao Sul. Babaçulandia e Itacajá. municípios de Cristalina. entre os municípios de Nerópolis. Campo Maior. parte Norte deste estado. Goiatuba e rio Verde. Côcos entre outros. Bom Jesus da Lapa e Condeubá. Brumado. parte Noroeste nos municípios de Porangatu. municípios de Iturama. Altos. Triângulo Mineiro. Regiões sugeridas como prioritárias para levantamentos da vegetação lenhosa no bioma Cerrado. parte central e Oeste. Número (figura 1) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Estado Rondônia Mato Grosso Mato-Grosso Mato-Grosso Mato-Grosso Mato Grosso Goiás Goiás Goiás Tocantins Região faixa de Cerrado que corta este estado no sentido Leste-Oeste. Divinópolis e Tiros entre outros. Ipameri e Catalão. parte Central e Sul do estado. parte nordeste deste estado e pequena área de Cerrado ao Sul do Pará localizadas a Oeste do braço maior do rio Araguaia. parte central. área a Sudoeste do estado.

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Vegetação e Flora

Áreas prioritárias para a conservação da vegetação e da flora do Cerrado e do Pantanal
1. Formosa do rio Preto – BA, Barreiras / Posse – BA/ GO, São Desidério / Roda Velha – BA, cerrados ao sul de Barreiras – BA; 2. Cerrados ao norte de Bom Jesus da Lapa – BA; 3. Chapada Diamantina – BA 4. Chapada das Mangabeiras (áreas degradadas das chapadas do sudoeste do Piauí) – PI; 5. Complexo de Campo Maior – PI (Parque Nacional de Sete Cidades); 6. Serra de Ricardo Franco – MT; 7. Serra do Cachimbo – MT/PA; 8. Sítio de Santa Filina (região de abrigos rupestres – Baixada Cuiabana) – MT; 9. Região do ribeirão Cascalheira (Pantanal do Rio das Mortes) – MT 10. Pantanal de Cáceres – MT 11. Pantanal de Barão de Melgaço (baía Chacororé e Morraria) – MT 12. Nova Xavantina / Areões – MT 13. Serra do Lajeado - TO 14. Região de Niquelândia (afloramentos serpentinos) – GO 15. Serra dos Pirineus (Parque Estadual dos Pirineus) – GO 16. Serra Dourada (APA Mossâmedes) – GO 17. Chapada dos Veadeiros e adjacências – GO 18. Norte do Distrito Federal (Fercal – Bacia do rio Maranhão) – DF 19. Gerais de Balsas (Carolina e Riachão) – MA 20. Paracatu / Patrocínio / Coromandel – MG 21. Serra da Petrovina – MT 22. Pantanal de Porto Murtinho – MS 23. Maciço do Urucum (Corumbá) – MS 24. Morro de Santo Antônio de Leverger – MT 25. Nhecolândia / rio Negro (Corumbá e Aquidauana) – MS 26. Aquidauana (Serra de Maracaju) – MS 27. Côco-Javaé – TO 28. Margem direita do rio Parnaíba – PI 29. Serra da Bodoquena (Guia Lopes) – MS 30. Vilhena – RO 31. Cristalina – GO 32. Serra de Grão Mogol – MG 33. Serra do Cabral – MG 34. Diamantina – MG 35. Pedra Menina – MG 36. Chapadinha – MA 37. Estação Ecológica de Uruçuí-Una - PI 38. Chapada do Araripe – CE 39. Três Lagoas – MS 40. Paiaguás – Leste – MS 41. Nabileque / Bodoquena – MS

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Figura 19: Áreas prioritárias para a conservação da vegetação e da flora do Cerrado e do Pantanal

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Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação

Fauna
139

140 .

Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Invertebrados 141 .

Participantes do grupo de trabalho Ivone Diniz (coordenadora) Helena Castanheira de Morais (sub coordenadora) Anthony Raw (consultor) Amabílio J. Reid Kiniti Kitayama Onildo João Marini Filho Paulo César Motta Reginaldo Constantino Rosana T. Aires de Camargo Carlos Roberto Ferreira Brandão Geraldo Wilson Fernandes Janet W. Becker 142 . Sklorz Simone Wagner Rios Largura Thomas Michael Lewinsohn Vitor O.

relativo ou absoluto. Já existem dados na literatura que mostram extinção de populações de insetos em ecossistemas preservados e onde a flora e os vertebrados permaneceram inalterados (Thomas. Samways. os invertebrados necessitam. através do consumo seletivo de algumas espécies (Bulla 1990). ainda. incluindo dados absolutos de riqueza de espécies. constituem-se como instrumento de monitoramento do ambiente e como parte dos recursos naturais renováveis (Dourojeanni 1987). A diversidade de insetos nos trópicos é muito alta. da presença de plantas hospedeiras e de habitats especiais para um completo ciclo de vida. a caracterização biogeográfica da entomofauna é ainda pouco contemplada em inventários de biodiversidade tropical. 1987a. deve conter as espécies de plantas hospedeiras) e da ocorrência de ciclos de vida bastante complexos. às alterações antrópicas do habitat e. de 50% das espécies tropicais serem herbívoras (o que. este tipo de informação. por outro lado. 1/3 da nossa alimentação é direta ou indiretamente dependente dos serviços de polinização das abelhas. são numerosos como espécies (750. 1988). 1991). Os insetos. de espécies. Aos insetos cabem. Consomem grandes quantidades de partes das plantas e. A perda de poucos hectares de habitat de nidificação para um grupo de abelhas solitárias pode resultar na não polinização de muitos km² de plantas (Janzen 1984). além de fonte de alimento para numerosas espécies. papel primordial na aceleração dos processos de decomposição do material vegetal. A despeito da sua importância numérica e funcional. ferramentas no controle das pragas. libélulas). invertebrados. as relações de estrutura entre os vários organismos. não está disponível para a maioria das áreas. Há um grande valor econômico com a conservação dos insetos. à enorme abundância de alguns grupos. são consumidos por enormes quantidades de predadores vertebrados (Janzen 1987b. No mundo a estimativa do custo da polinização é de 1. A distribuição geográfica dos insetos e demais invertebrados é menos conhecida que a dos vertebrados e a informação disponível está em geral menos sistematizada. Entretanto. genomas não resistentes aos inseticidas e às modificações ambientais. Portanto. os critérios utilizados para a conservação dos invertebrados devem ser priorizados segundo outros parâmetros como: a utilização de espécies como indicadoras biológicas.590 milhões de dólares (O’Toole 1993). O Brasil. como subproduto. parasitóides. parasitas e transmissores de agentes patogênicos determinando. 1987a). ainda. os dados são esparsos. Por isso. Além disso. além do tamanho adequado. a maior família de plantas com flores . 1990) e pode chegar a 15 milhões (May. por exemplo. às 143 dificuldades taxonômicas principalmente dos grupos hiperdiversos. Esta crise na conservação dos invertebrados ocorre. assim.9% de indivíduos do Reino Animal (Hadfield. espécies-chave (como o krill. 1988). Idealmente as decisões deveriam. a maior variabilidade genética e o maior número de interações bióticas entre os animais metazoários nos ecossistemas terrestres (Janzen. especialmente para as regiões de grande riqueza. A maioria dos pesquisadores argumenta que o tamanho das reservas para manutenção das populações de vertebrados preservam os invertebrados. Áreas pequenas e fragmentadas são importantes para a manutenção de insetos se elas contiverem as plantas hospedeiras e outros requerimentos (Janzen 1984. tais como: banco de genes e de espécies. de mais de uma área. 1988). 1993). muitas vezes. O número total de espécies de artrópodes tropicais tem sido estimado em seis a nove milhões (Thomas. Cerca de 15% da nossa dieta consiste de vegetais que são polinizados por abelhas. A priorização de áreas para conservação normalmente está baseada nas comparações do número. ocorrem nos mais diversos habitats e em diferentes e extremas condições climáticas. a maior biomassa. no qual toda a comunidade tem dependência funcional) e espécies guarda-chuva porque outras estão sob sua proteção. em parte. Possuem. 1995). também se pautar nas identificações e relações genealógicas de todos os taxa das áreas. na realocação de alguns nutrientes e na determinação da composição florística da comunidade. o Peru e a Colômbia são os três países do mundo com o maior número de espécies conhecidas de animais e plantas (Mittermeir. As orquidáceas. espécies de apelo público (borboletas. devido à falta de recursos para programas de conservação. Devido ao fato de ocorrerem migrações sazonais de populações inteiras.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Ivone Dias e Helena Castanheira de Morais (Organizadores) Introdução Os invertebrados pertencem a cerca de 30 Phyla com mais de 95% das espécies e 99. com a América do Sul sendo conhecida por possuir a maior diversidade do mundo. ainda. Há possivelmente um milhão de espécies de nematódeos (Briggs 1991). devido à extrema riqueza das espécies. Mesmo para grupos bem estudados como borboletas.000 a 1 milhão de espécies descritas) e em número de indivíduos.

No Brasil. resultando em um total de 46 espécies de 16 famílias (Dall’Aglio 1992). é estimado que 500 milhões de borboletas são mortas para fins comerciais (Samways 1995). O minhocuçu (Glossoscolex sp.) e 23 espécies de aranhas no folhedo. distribuídas por 35 filos e 89 classes. cerrado.Oligochaeta Já foram assinaladas 45 espécies de minhocas para a região do Mato Grosso e Rondônia. Motta acrescentou. porém. vários levantamentos locais para outros grupos de invertebrados. especialmente Lepidoptera e insetos sociais. sp. . Uma população de onicóforos foi encontrada na região da Usina Hidroelétrica do rio Manso (Chapada dos Guimarães. Algumas têm ampla distribuição. Pelo menos 10 dessas espécies ocorrem na região de cerrado (Righi 1990). (Alho & Martins 1995). Os copépodos de vida livre são qualitativamente importantes em ambientes planctônicos. 1990). abundante na região calcária de Minas Gerais. o número é de cerca de 67 mil espécies correspondendo a 20% de toda a biota. como Ananteris balzani e Bothiurus araguayae e duas espécies foram introduzidas em ambientes urbanos da região . devido ao mundo desconhecido dos insetos. Annelida . Phoretina hawayana originária da Índia e Malásia.). Os esforços para a conservação de insetos são quase inexistentes. A estação está nos limites da Floresta Atlântica e do Cerrado e inclui áreas mata mesófila. Peripatus acacioi (Marcus & Marcus 1955) é uma das espécies de invertebrados presentes na Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçadas de Extinção. chamados de “elo perdido” entre os anelídeos e os artrópodos. há alguns inventários para uns poucos grupos de insetos. para a biota da região dos cerrados brasileiros. 1983. já resultaram em 29 espécies de 10 famílias de aranhas cursoriais (Luz & Motta 1996. pes. As informações sobre riqueza de espécies nestes grupos estão muito dispersas na literatura e a maior parte está presente em revisões taxonômicas. Onychophora Os onicóforos são um antigo grupo de invertebrados.) e Theraphosidae (6 spp. também. informações sobre a fauna de escorpiões na região de cerrado. New & Collins 1991) e Ornithoptera alexandrae da Nova Guiné (Parsons 1992).).(20. pes. vespas e alguns pássaros (O’Toole 1993). serrulatus (Lourenço 1980). Inventário e riqueza de invertebrados no Cerrado Braulio Dias (1992) apresentou uma estimativa da ordem de 320. Coletas com armadilhas do tipo alçapão. Pontoscolex 144 Crustacea .000 espécies.Copepoda Os copépodos (crustáceos) são um componente importante de toda a fauna de invertebrados aquáticos e invadem também muitos habitats úmidos semi-terrestres. exceto para algumas espécies de Lepidoptera incluídas em listas como ameaçadas de extinção (Janzen 1984). As famosas exceções de conservação de espécies restringem-se à Papilio homerus da Jamaica (Emmel & Garraway 1990. besouros. na fazenda de criação e na proteção dos habitats representativos. Os parques nacionais podem e legitimamente limitam a coleta de vertebrados e de plantas. Existem. esse grupo tem um valor comercial considerável. Para os invertebrados. Schwartz (com. porém ainda não identificada. A Estação Ecológica do Tripuí em Ouro Preto (MG). foi criada em 1978 com o objetivo de proteger populações de Peripatus acacioi. As pesquisas manipuladoras são muito mais fáceis de serem desenvolvidas no contexto da biodiversidade se forem realizadas com insetos (Janzen 1984). Ctenidae (6 spp. dípteros.Tityus bahiensis e T. Sebben e C. De 12 espécies presentes em áreas abertas. ainda. MT) por A. foram registradas outras três espécies de aranhas para a região de cerrado (Lucas et al. com. e apresentam distribuição restrita e disjunta (Monge-Najera 1996).). Apesar dos problemas levantados anteriormente. Motta. em diferentes fisionomias vegetais do DF. Nestes casos as ações estão centralizadas no ecoturismo. parece estar substituindo gradualmente uma espécie da região de cerrado. Levi & Eickstedt 1989). são polinizadas por abelhas.000 espécies conhecidas).). mariposas. de Porifera a artrópodos. estes devem ser coletados e identificados como material de referência para a confecção de guias de campo. sendo Lycosidae (8 spp. vem sendo fortemente explorada comercialmente.) as mais comuns. pelo menos 7 ocorrem em cerrado. com 337ha. Arachnida Na área da APA Gama-Cabeça de Veado (DF) foram obtidas 23 espécies de aranhas de teia (entre 50-200cm alt. Muitas espécies de minhocas ocorrem em mais de uma região do mundo e são chamadas de espécies peregrinas (Righi. Além das espécies listadas. brejos permanentes e de sucessão secundária (Pedralli & Guimarães-Neto 1997). Além disso.

ecologia. Se apenas uns poucos exemplos de ambientes diferentes são preservados.) yemanjae. em contraste com a fauna rica em espécies do Médio Paraná. ocorrem relativamente poucas espécies que são generalistas e amplamente distribuídas (Reid 1992. lagoas efêmeras e nascentes. duas espécies do extremo Norte de distribuição da fauna do Sul das terras do Gondwana na América do Sul. Certamente existem copépodos endêmicos. existe um risco de perda das espécies que apresentam distribuições geográficas restritas (Reid 1994e). dados não publicados). A maioria das espécies parece ser planctônica ou epibêntica nas lagoas de água doce (baías). vários tipos de ambientes brejosos como os buritizais e veredas em terras baixas e os campos úmidos nas baixadas que freqüentemente incluem os murundus. DF (Reid 1987. Existem poucos lagos naturais no Cerrado. Entretanto. é importante a preservação. parece não abrigar uma assembléia diversa de copépodos. existem relativamente poucas espécies e estas têm uma ampla distribuição (Reid 1994a. e são muito modificados pela atividade humana. Exemplos são Attheyella (Delachauxiella) broiensis e A. suportam um rico conjunto de pequenos invertebrados aquáticos. muitas das quais ainda não descritas. O aumento de informações sobre a meiofauna de ambientes brejosos leva às seguintes considerações: a) a presença dessa rica meiofauna de copépodos que é composta por uma excepcional proporção de espécies endêmicas levanta um interesse especial para a assembléia de espécies dos campos úmidos. o nível de água tende a permanecer próximo à superfície durante a maior parte do ano e muitos ambientes úmidos ou brejosos são perenes. Devido à precipitação anual relativamente alta. de uma extensiva série de pequenos locais. Esta impressão. imediatamente abaixo do Pantanal. Entretanto. O Cerrado e o Pantanal brasileiros são dois biomas distintos e. os copépodos tropicais bênticos e aqueles associados a substratos tendem a ter uma distribuição geográfica limitada. Uma situação bastante similar aparentemente ocorre nos Everglades da Flórida onde. existe um rico conjunto de ambientes aquáticos que incluem rios e riachos. suas faunas de copépodos refletem estas diferenças. Neste local a diversidade de copépodos planctônicos é baixa. pode ser um ambiente pouco hospitaleiro para copépodos. monitoramento de ecossistemas e outros aspectos de interesse para os esforços de conservação. lagoas salinas (salinas) e nos diques. já que o conhecimento de suas distribuições geográficas e diversidade em comunidades fornecem informações sobre biogeografia. 1994d). e Canthocamptus (Bryocamptus) campaneri. A assembléia de copépodos planctônicos é típica em muitas regiões tropicais. Várias das espécies descritas são conhecidas de apenas um ou de poucos locais no cerrado. b). As únicas espécies conhecidas do gênero de ciclopóides Ponticyclops e do gênero de harpactioides Murunducaris foram descritas de um campo úmido na Fazenda Água 145 Limpa da Universidade de Brasília. F. Minas Gerais e Bahia. Os copépodos são também qualitativamente significantes. Reid & W. O Pantanal com suas inundações fortemente cíclicas. além de riachos subterrâneos nas cavernas calcárias da Província Espeleológica Bambuí nos Estados de Goiás. nos trópicos. de acordo com as informações disponíveis atualmente. Em contraste. isto é. os solos hidromórficos do cerrado. mantendo as características estáveis. baseada em apenas poucas amostras. b) a fauna e a flora dos campos úmidos em áreas mais extensas da região de cerrado do Brasil central . 1994a. especialmente os solos altamente orgânicos dos campos úmidos e dos murundus. Apenas neste pequeno campo úmido foram encontradas mais de 30 espécies. o Pantanal devido às mudanças anuais extremas no nível da água e a intensa predação por peixes planctívoros. (D. J. é reforçada por amostragens a longo prazo em habitats lênticos e lóticos ao longo do Alto Rio Paraná.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação bênticos e subterrâneos. Muitas espécies parasitam peixes e invertebrados aquáticos e outras podem ser úteis no controle biológico de mosquitos transmissores de doenças. o que é considerado como recorde mundial para riqueza de espécies de copépodos continentais em um único tipo de habitat. W. apesar de manter um conjunto imensamente diverso de plantas aquáticas e de outros grupos. como o calanóide Argyrodiaptomus nhumirim recentemente descrito proveniente do Sul do Pantanal que parece ocorrer apenas em baías sem peixes (Reid 1997). 1997). na Argentina (Lansac-Toha et al. Eles têm uma importante função ecológica de agrupar bactérias e material vegetal em pacotes (seus próprios corpos) facilmente disponíveis para os peixes o que provavelmente aumenta a eficiência das cadeias alimentares aquáticas. Se os padrões de distribuição de outros invertebrados aquáticos forem semelhantes aos dos copépodos.b). e a representação de espécies verdadeiramente bênticas ou infauna parece ser pequena (Reid & Moreno 1990). As mais de 50 espécies de copépodos do cerrado. incluem uma alta proporção de espécies endêmicas (Reid 1984. também. o único membro conhecido do grupo de espécies Bryocamptus na América do Sul (Reid 1994c). Loftus. Em contraste com as espécies de regiões temperadas.

Com armadilha luminosa no período de um ano foram coletados 8. DF (Pinheiro & Diniz.000 Janzen (1973). Dados obtidos no cerrado da região do DF comparados com os de outras regiões. Os coleópteros foram muito pouco coletados nesta região. N° de redadas por área 400 2. Martins 1997.3 110.363 indivíduos de mais Diptera Na região Neotropical a família Drosophilidae inclui 25 gêneros com 715 espécies das quais 436 pertencem ao gênero Drosophila (com 8 subgêneros).134 8. foram encontrados 42 famílias de Coleoptera (Diniz. Os oito locais Tabela 1. dados não publicados). o grupo apresenta uma grande abundância e uma alta riqueza de espécies na região. Riqueza e abundância de Coleoptera em três áreas de cerrado lato sensu da Fazenda Água Limpa (FAL) da Universidade de Brasília. em uma área de cerrado da Fazenda Água Limpa (DF). foram encontradas 191 espécies de besouros serra-pau na América do Sul. Ribeiro et al. Recentemente foram publicadas várias revisões de gêneros de Cerambycidae da América do Sul. (1980) fizeram coletas de drosófilas em diferentes domínios morfoclimáticos do Brasil e os resultados são apresentados abaixo. Insecta Coleoptera Essa é a maior ordem de insetos e as informações sobre o grupo no Cerrado são muito dispersas na literatura.continuam pouco estudadas. Assim.385 N° de espécimes em 50 redadas 53.046 31. a preservação de uma proporção significativa desses habitats deve receber prioridade na estratégia de conservação para a região de cerrado. Considerando oito destes trabalhos (Magno 1995. Área 1 2 3 Total N° de Famílias 9 14 7 15 N° de Espécies 69 94 42 155 N° de espécimes 667 291 86 1. de 300 morfoespécies de Coleoptera. Das 133 espécies com ocorrência no Brasil. N° de áreas 5 4 18 3 3. coletas efetuadas por redes de varredura. Sene et al. Janzen & Schoener (1968). 1994a).000m em uma área de campo limpo (IBGE. em vários de pontos de coleta em um transecto de cerca de 1. No entanto. As espécies de besouros arborícolas do gênero Agrias encontradas no platô do Mato Grosso parecem ser mais relacionadas às espécies do flanco sul-andino (Erwin & Pongue 1988). Utilizando-se somente uma armadilha de interceptação tipo Janela. 45 (34%) ocorrem na região de cerrado. A drenagem para o uso agrícola dessas áreas vem sendo aumentada intensamente. dados não publicados). DF (4) 1. 2. Pinheiro & Diniz (dados não publicados). N° de espécimes 2.4 50. Local Porto Rico (1) Costa Rica (2) Costa Rica e Caribe (3) Cerrado. 4.8 Fonte 1 2 3 4 Allan et al. Monné 1997). Martins & Galileo 1995a. Esses campos ocupam uma pequena porção da área total. Agrias (Carabidae) e Brahypnoea (Chrysomelidae) (Erwin & Pongue 1988. Napp & Santos 1996. no período de um ano. Napp & Martins 1997.940 8. Comparação da abundância de insetos. com outras áreas tropicais.9 139.b. DF). dados não publicados). Os trabalhos sobre riqueza e distribuição de coleópteros no Cerrado são raros e se restringem a gêneros como. utilizando a mesma metodologia de coleta. confirmam a abundância e riqueza de insetos em geral e de besouros em particular (Tabelas 1 e 2). por exemplo. A família com maior número de espécies foi Scarabaeidae com cerca de 100 morfoespécies (Diniz.000 800 1. Tabela 2. mas provavelmente fornecem um refúgio crítico e corredores de migração para espécies endêmicas de plantas e de invertebrados aquáticos.044 146 . Uma alta porcentagem dessas espécies só é conhecida pelos espécimes descritos da localidade tipo (Val & Kenshiro 1988). Marques & Napp 1996. (1973).

Dessas apenas 13 espécies ocorrem na região de cerrado (Terra 1995). uma espécie nova cujo local tipo é a Fazenda Aceiro em Jataí (GO). W. São Paulo e uma única espécie em Goiás). Odonata Foram obtidas 28 espécies de cinco famílias de libélulas em Brasília (DF). SP). tendo sido encontrado ainda três gêneros novos.600m. Itu. Entre os insetos indutores de galhas (cecidógenos). já foram encontradas mais de 300 morfoespécies de galhas. (1994) encontraram 38 espécies de drosófilas na Serra do Cipó (MG). McKamey & Deitz (1996) consideram que o gênero Alchisme de Membracidae deve ocorrer em habitats Thysanoptera Já foram registradas mais de 400 espécies de trips no Brasil. Homoptera Foram encontradas 26 espécies de Membracidae em um cerrado da Fazenda Campininha (Mogi Guaçu. Esses dados foram retirados de revisão sistemática feita a partir de coleções biológicas. Estas espécies foram obtidas de coletas em 10 localidades: Lagoa Santa (MG). O exame das localidades presentes nos rótulos do material examinado mostra claramente a ausência de material do Centro-Oeste e do Nordeste brasileiros. Essa distribuição reflete o material disponível em coleções. Minas Gerais. Mogi Guaçu e São Paulo (SP). Entre os dípteros existem. Barreiras (BA). Rio de Janeiro. 20 (31%) são restritas a estas áreas e 50% são espécies novas. encontrou 64 espécies de 11 gêneros de Tephritidae em áreas de campos ruprestres de Minas Gerais. ainda. em apenas 40 horas de coleta (Ono 1982). em um transecto de 3. Lewinshon realizando coletas intensivas em capítulos de compostas (Asteraceae). A revisão do gênero (Creão-Duarte & Sakakibara 1997) mostrou que ele ocorre da América Central até a Argentina com ocorrência de espécies na Bolívia. Brasília (DF). 147 . Fernandes). (*) Ambiente ou Local Floresta Amazônica Costas brasileiras Rio Grande do Sul Chaco Pantanal Cerrado Caatinga Serra do Cipó N° de Espécies de Drosophila + 31 + 22 + 11 + 18 + 16 + 34 (*) + 16 28 (+ 10) (*) R. o que representa cerca de 10% da fauna mundial. sendo Drosophila prosaltans Duda a espécie mais comum. Este último é considerado o local com o maior número de formas de galhas conhecido no mundo (Lara & Fernandes 1996). em apenas um local em Três Marias (MG) mais de 150 morfoespécies. Tidon-Sklorz informou a existência de pelo menos 34 espécies de drosófilas no cerrado sendo que algumas categorias supra específicas incluem conjuntos de espécies crípticas (Tabela 4). Destas. 80% são dípteros Cecidomiidae e destes cerca de 90% são espécies novas (G. Alchisme goiana. Mantodea Entre as cerca de 500 espécies de louva-a-deus presentes na Região Neotropical. A riqueza de espécies de galhas é muito alta: em seis locais de coleta no Vale do Jequitinhonha (MG) foram encontradas 156 morfoespécies de galhas. sendo 10 espécies introduzidas e nenhuma endêmica (Tabela 3). é a única conhecida para o Brasil Central. úmidos montanhosos e submontanhosos do Norte da América Central ao Norte do Chile e no platô brasileiro. que foram examinadas durante 17 meses (Lopes 1995). Pirenópolis e Serra Dourada (GO). Foram registradas 58 espécies de Tabela 3. e em 54 locais de coleta na Serra do Cipó (MG).Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação de coleta no Cerrado mostraram uma grande variação na abundância e na composição de espécies. no Peru e no Brasil (Pará. e muitas dessas espécies são consideradas pragas agrícolas. Riqueza de espécies de Drosophila (Diptera: Drosophilidae) em vários ambientes. informações sobre os tefritídeos e os cecidomideos. 183 espécies ocorrem no Brasil. Campo Grande e Caracol (MS).025 plantas marcadas. Tidon-Sklorz et al. Estas espécies foram encontradas em 1.

aparentemente especializada em “Didymopanax” vinosum (Araliaceae) (Del Claro & Mound 1996). Embiratermes festivellus e Velocitermes heteropterus. atingindo densidades impressionantes em algumas áreas e alguns deles constituem-se em espécies-chave ou “keystone species” (Redford 1984). coroica trips. raramente além de 40°N ou S. Eles seriam o que Lawton (1997) chama de “engenheiros do ecossistema”. serido D. em apenas 15 dias de coletas. quando o entomólogo italiano Filipo Silvestri estudou os cupins em algumas partes de Mato Grosso (Silvestre 1903) e descreveu algumas das espécies mais comuns dessa região. . atingindo biomassa elevada e ao mesmo tempo servindo de alimento para um grande número de organismos (Wood & Sands 1978). Os cupins formam um componente dominante e conspícuo da fauna do Cerrado. A região Neotropical é a segunda em diversidade de cupins com 505 espécies conhecidas ficando atrás apenas da região Etiópica. pallidepennis D. Rio Claro. subgrupo D. Uma espécie nova foi registrada no cerrado da Fazenda Campininha (Mogi Guaçu. 1996). mercatorum D.Campus Luiz de Queirós. kikkawai D. buzzatii D. que contém cerca de 70% das espécies vivas de cupins e é quase exclusivamente tropical. e se constituem em um dos grupos dominantes na fauna de solo de ecossistemas tropicais. maculifrons D. bandeirantorum grupo tripunctata D. neocordata D. bocainensis D. limitado se comparado com os extensivos trabalhos realizados por europeus em várias partes da África. A família Termitidae. paranaensis D. Rhinotermitidae e Termopsidae. simulans D. para D. os cupins também tem atraído a atenção de muitos cientistas devido ao seu singular sistema social. Renato L. Outra característica de interesse nos cupins é o fato de os soldados de muitas espécies produzirem diversas substâncias defensivas. SP) e em Uberlândia (MG). Eles são capazes de direcionar para si uma proporção considerável do fluxo de energia. immigrans D.Tabela 4. Tidon Sklorz). Horto Florestal. A maioria das espécies de cupins vive nas regiões tropicais e subtropicais. Araújo realizou levantamentos principalmente nos cerrados de Minas Gerais e São Paulo (Araújo 1958a. organismos que afetam a disponibilidade de recursos para outras espécies através de mudanças físicas em materiais bióticos ou abióticos. Esses insetos são primariamente detritívoros. que contém cerca de 2.b) e organizou a importante coleção de Isoptera do Museu de Zoologia da USP. nigricruria D. A maioria das generalizações sobre a biologia de cupins se baseia em estudos detalhados de algumas poucas espécies norte-americanas e européias pertencentes às famílias Kalotermitidae. sturtevanti D. No entanto. como Armitermes euamignathus. repleta D. algumas das quais podem apresentar interesse econômico no âmbito da química de produtos naturais (revisado por Prestwich 1984). Os termiteiros servem de abrigo a uma fauna diversa. prosaltans D. ainda. Constrictotermes cyphergaster. Essa ordem de insetos permite um exemplo do efeito do trabalho de taxonomistas com o material de uma região. em janeiro de 1995 e em três locais do Estado de São Paulo . Nas décadas de 50 a 70. exercendo um papel importante nos processos de ciclagem de nutrientes e formação de solo (Eggleton et al. o estudo dos cupins neotropicais encontra-se. com algumas poucas se estendendo até latitudes mais elevadas. fummipenis subgrupo D. nebulosa D. O trabalho realizado por Mathews (1977) na Serra do Roncador foi o primeiro a incluir 148 Isoptera Os cupins são insetos sociais da ordem Isoptera. Para o Brasil estão registradas cerca de 280 espécies. hidey D. São Pedro (Monteiro et al. austrosaltans D. cardini D.500 espécies conhecidas no mundo. cardinoides D. polymorpha D. 1996). sendo duas novas. malerkotliana D. Outra característica importante dos cupins é seu efeito na estrutura física do ambiente através da construção de ninhos e movimentação de solo. latifasciaeformis D. busckii D. Lista de espécies de Drosophila conhecidas para a região de cerrado (R. Essa fauna começou a ser conhecida no início deste século. Isso significa que a eliminação de algumas espécies de cupins de um ecossistema em particular causaria a perda de inúmeras espécies de outros organismos que dependem destes insetos para sobreviver e se reproduzir. que serviu de base para muitos trabalhos taxonômicos realizados por ele e outros autores. willistoni D. Mais conhecidos por sua importância econômica como pragas de madeira e de outros materiais celulósicos. Piracicaba. melanogaster D. griseolineata D. capricorni D. e também influenciam na distribuição de plantas. ararama D.

como Syntermes grandis. Domingos et al. das quais 15 ainda não estão identificadas e podem ser espécies novas. Dias 1994). 12 não foram identificadas (e podem ser novas) e quatro foram registros novos para o Cerrado. N° de Espécies 99 68 46 47 36 23 19 3. provavelmente devido ao inverno mais intenso e à ocorrência de geadas. Dentre as espécies identificadas. Comparação de riqueza de espécies de Isoptera em áreas de cerrado e de savanas africanas. 2. não é possível definir outros padrões ou áreas de endemismo. inclui áreas de mata seca e elementos amazônicos. Labiotermes brevilabius). que tem distribuição geográfica bem conhecida e que nunca foram encontrados em São Paulo. Mathews (1977). Um outro padrão bem definido é de várias espécies que ocorrem apenas em São Paulo. existem estudos mais específicos sobre a biologia e ecologia de alguns cupins do cerrado (Domingos 1980. O número de espécies de Isoptera encontrado em áreas de cerrado é alto e o número obtido no DF é muito maior do que o descrito para savanas Africanas (Coles de Negret & Redford 1982) (Tabela 5). O número de espécies encontrado na Serra do Roncador (Mathews 1977) é maior do que o obtido em outras localidades. e inclua muitas espécies de distribuição amazônica (que têm sido erroneamente incluídas na fauna de Cerrado). é conhecido apenas do Amapá e Nasutitermes myersi apenas da savanas de Roraima. apontam cerca de 119 espécies. Minas Gerais. Syntermes wheeleri. com informações mais detalhadas apenas da Serra do Roncador (Mathews 1977). ambas com ampla distribuição geográfica. ocorrendo apenas em matas ou em campos/cerrados. . R. A lista de espécies de cupins registradas para a região do Cerrado. Muitas espécies parecem ser excluídas das áreas mais ao Sul. Corumbá. A obra de Mathews tem sido usada como referência para a termitofauna do Cerrado. Outros pontos com alguma informação incluem Cuiabá. O número de espécies registradas para o DF atualmente é 68. Egler 1984. por exemplo. Pantanal e Savanas Amazônicas. Com base nas informações disponíveis sobre distribuição geográfica. embora limite-se a uma pequena área de Mato Grosso na transição para a Amazônia. Campo Grande e Goiânia. das quais mais da metade são restritas ao Cerrado. Amapá e Santarém. Domingos et al. com alguma informação apenas de Humaitá. porém várias outras espécies têm sido registradas. comparável à observada por Coles (1980) no DF. em especial as revisões taxonômicas de alguns gêneros comuns no Cerrado. mas ocorrem de Minas Gerais e Goiás até algumas Savanas Amazônicas. O esforço de inventário dos cupins no Cerrado está concentrado em algumas poucas áreas.000m² de cerrado em Sete Lagoas. Sul de Goiás e Distrito Federal (Procornitermes araujoi. Syntermes obtusus). Fontes 1980. podemos distinguir alguns padrões. As áreas de campo rupestre aparentemente contêm endemismos de Isoptera. Localidade Serra do Roncador (MT) 1 Distrito Federal Serra da Mesa (GO) Sete Lagoas (MG) 2 Costa do Marfim 3 Southern Guinea (Nigéria) 3 Northern Guinea (Nigéria) 3 1. Coles (1980) e Coles de Negret & Redford (1982) acrescentaram novos dados sobre a biologia e ecologia dos cupins do cerrado. Algumas espécies. também. a descrição de muitas espécies comuns no Cerrado. A fauna das Savanas Amazônicas é pouco conhecida. como Heterotermes tenuis e Neocapritermes opacus. mas ao que tudo indica é composta de elementos predominantemente amazônicos e alguns da Mata Atlântica. das quais seis eram novas. Algumas espécies que ocorrem no Norte da Argentina e/ou Paraguai são registradas também de alguns pontos de Mato Grosso do Sul e provavelmente apresentam distribuição marginal dentro do Cerrado/Pantanal (Synhamitermes brevicorniger. 1986) e São Paulo (Araújo 1958b). (1986). parecem ocorrer em todas as formas de vegetação aberta desde as Guianas até os enclaves de Cerrado de São Paulo. MG. (1986) encontraram 47 espécies de cupins em uma área de 5. Além disso. DF (Coles 1980). Isso incluiria Serritermes serrifer e Cornitermes silvestrii. Cornitermes cumulans. Devido à falta de inventários nas outras regiões. e na sua lista muitas identificações estavam incorretas ou incompletas. Sabe-se muito pouco também sobre a fauna do Pantanal. uma diversidade local alta. Coles de Negret & Redford (1982). Minas Gerais (Araújo 1958a. infelizmente sem um tratamento taxonômico mais detalhado.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação informações ecológicas mais detalhadas e contém. Algumas 149 poucas ocorrem tanto em matas como em vegetação aberta. Constantino coletou 46 espécies. porém. várias eram previamente conhecidas apenas da localidade-tipo. A grande maioria das espécies de cupins apresenta grande fidelidade de habitat. As Savanas Amazônicas provavelmente também devem apresentar alguns endemismos: Amitermes aporema. Brandão 1991. Coles (1980) registrou 60 espécies para o DF. O grau de conhecimento da taxonomia dos cupins do Cerrado pode ser ilustrado com o seguinte exemplo: durante 10 dias de coleta em Serra da Mesa-GO. A fauna das matas de galeria da região do Cerrado é ainda muito mal conhecida. Tabela 5. Domingos et al.

MT e em mais de 60 locais em várias áreas de cerrado resolvem parcialmente o problema de coletas no cerrado. Brandão 1991) chega-se a um total de 292 espécies de formigas para os cerrados. a planície costeira e a Mata Atlântica. que foi de Brasília para a Coleção do Museu de Zoologia da USP e as coletas relativamente intensivas. também. Usando-se estas listas e alguns outros registros de espécies para a região de Cerrado (Kempf 1975. São conhecidas pelo menos 25 espécies de Symphyta para a região de cerrado sendo que a localidade tipo de 13 delas está no DF. A Coleção Kempf. sobre o chão.358 espécies de formigas já foram descritas para a Região Neotropical (Bolton 1995). Na Região Neotropical esses insetos são menos coletados e ocorrem em menor abundância do que nas regiões temperadas (Smith 1988). na Argentina e no Paraguai e Urocerus gigas flavicornis (Fabricius 1781) que ocorre no Canadá. e as metodologias de coletas para esses subconjuntos são diferentes. Estados Unidos. A fauna de sínfitas neotropicais não é tão bem conhecida quanto a fauna neártica e a de algumas outras regiões do mundo. Existem poucas informações sobre a historia natural de algumas espécies destas vespas em cerrado (Martins 1991. Como as formigas nidificam e forrageiam em diferentes estratos (arborícolas. Entretanto. do IBGE (DF). Formicidae As anotações do Frei Walter Kempf publicadas postumamente (Kempf 1978a) registram mais de 500 espécies de formigas para o Estado de São Paulo (coletas realizadas entre 1952-74). no solo). no litter. Esse material foi depositado na coleção do Museu de Zoologia da USP e começa a ser trabalhado do ponto de vista de riqueza e de distribuição geográfica. Uma dessas espécies. Algumas áreas específicas desse “planalto” foram mais intensamente amostradas como. Orussidae). a região de São José do Rio Preto onde foram encontradas mais de 100 espécies. Argidae. Morais 1980. na região do rio Manso. Xiphydriidae. Dias coletou 21 espécies de Symphyta (Pergidae. o número de espécies mostrado aqui para o cerrado (292) provavelmente é muito abaixo do real e reflete tanto os problemas taxonômicos do grupo como a intensidade de coletas na região.) encontrou mais de 150 espécies de cada uma destas famílias na Reserva Ecológica . que foi um dos poucos locais com coleta. Duas dessas espécies ocorrem na região de cerrado: Pseudochylostiticta subflavata (Kirby 1882) (Cimbicidae) que ocorre em Corumbá (MS). onde se encontram as manchas de cerrado foi pouco amostrada e conta com 104 espécies de formigas. encontrada no Mato Grosso (rio Itunana). Os primeiros resultados indicam uma alta riqueza local (Tabela 6) e uma baixa similaridade faunística entre locais. Algumas regiões foram muito mais intensivamente amostradas como a Grande São Paulo. México e foi. Usando as informações do Catálogo de Formigas Neotropicais (Kempf 1972). No entanto. não era coletada desde a sua descrição e é minadora de folha de Roupala montana (Proteaceae). As anotações de Kempf contêm também uma lista de 188 espécies de formigas de Brasília. Quase todos esses insetos são fitófagos (exceto Orussidae que é parasitóide) e a maioria alimenta-se externamente de folhas. Quatro já tinham sido descritas sendo que três delas foram listadas pela primeira vez para o DF e as outras cinco espécies foram represen­tadas por um único indivíduo ou por machos o que foi insuficiente para determinar se eram espécies já descritas ou novas (Smith 1981). Com o uso de armadilhas tipo Tenda de Malaise. Dias (com. o que torna difícil a comparação da riqueza de faunas locais. DF. coletas 150 Pompilidae e Sphecidae Existe um grande número de espécies de vespas caçadoras. Braulio F. Siricidae. também. Espécies de Pergidae minadores são conhecidos de Eucalyptus na Austrália e este é o primeiro exemplo de minador nos neotrópicos para essa família. Considerando-se que 2. em uma ampla revisão do material existente em museus e em coleções particulares. S. na Reserva Ecológica do IBGE (DF). formando subconjuntos de espécies em um mesmo local. Duas outras espécies de sínfitas são conhecidas para o DF (Dias 1976. o número de espécies que ocorre nos Neotrópicos é bastante próximo ou maior que o encontrado na Região Neártica. Smith 1995). Tenthredinidae). as espécies encontradas em cerrados do Estado de São Paulo (94 espécies). Sete famílias ocorrem no Brasil. Smith (1988). entre set/78 e abr/1979. O “planalto” do interior do estado.Hymenoptera Symphyta A subordem Symphyta é constituída de 14 famílias. por exemplo. pes. realizadas no final dos anos 80 e início de 90. cita 18 espécies para o Brasil. sendo 12 novas. o mesmo autor (1978b) lista as espécies de formigas da região do cerrado brasileiro cuja distribuição geográfica tem seu limite Sul no Estado de São Paulo e lista. 1993). sendo que a maioria das espécies pertencem à família Tenthredinidae o que corresponde a cerca de 5% dos himenópteros (Gamez & Gauld 1993). entre as quatro famílias menores (Cimbicidae. Corynophilus pumilus (Klug 1834).

As coletas foram realizadas em locais restritos com o uso de iscas distribuídas regularmente no chão (C. Várias das 155 espécies de Epiponini (que reproduzem por enxames) e das 83 espécies de Polistes das Américas têm amplas distribuições geográficas. de espécies coletado estimado 50 58 76 92 81 93 63 81 Tabela 7. Asteloeca. Eumeninae) contém 75 espécies. Campininha. F. de iscas No. Campininha. É interessante notar que o número de es- pécies obtido nestes locais é sempre igual ou menor do que o encontrado por Brandão para apenas um estrato em outras áreas de cerrado (Tabela 6).200 6 1.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação locais com metodologias específicas têm sido feitas e. tendo sido registradas 139 espécies de 21 gêneros de vespas sociais. Coletas No. (4) Diniz (dados não publicados). 1 2 3 3 4 Young (1983). A maior parte dessas espécies Tabela 8. Os gêneros de Epiponini cujas espécies têm distribuições restritas são Marimbonda. cerrado Faz. alguns valores são apresentados para áreas de cerrado e de outros ambientes tropicais (Tabela 7). 1998). Polybia e Synoeca. litter N° spp. Comparação da riqueza de espécies de Formicidade em vários ambientes. coleta no ano Niquelândia (GO) 400 1 Locais R. (3) Morais (1980).B. Nectarinella. Local Costa Rica (1) Costa Rica(2) São Paulo(3) São Paulo(3) Distrito Federal(4) (1) Ambiente cacau em floresta úmida cacau em floresta úmida Faz. Brandão. de Águas (DF) Emendadas 1. As espécies de vespas sociais podem apresentar uma ampla distribuição geográfica ou ocorrer em áreas restritas e espécies com diferentes distribuições podem pertencer a um mesmo gênero. Os gêneros que possuem muitos membros amplamente distribuídos são Polistes. e Metapolybia.200 6 400 1 Cajuru (SP) Luiz Antônio (SP) No. Riqueza de espécies de formigas em diferentes áreas de cerrado. Tabela 6. 52 16 27 42 45 Ref. R. O gênero Montezumia (Vespidae. Na região de cerrado as faunas locais são ricas (Tabela 8). Muitas das 127 espécies de Mischocyttarus (o único gênero na tribo Mischocyttarini) e várias de Polybia e Protopolybia são restritas a áreas muito pequenas (Raw 1998). cerrado IBGE. a título de exemplo. Riqueza de espécies de Vespidae em diferentes locais do cerrado.chão. 301 ocorrem no Brasil. (2) Young (1986). dados não publicados). Isto representa 24% das vespas das Américas e 43% das registradas no Brasil (Raw. Vespidae Nos 25 gêneros de Vespidae que ocorrem na Região Neotropical existem 488 espécies descritas e destas. Clypearia. campo sujo Método de coleta vários: litter e arborícolas Arborícolas Arborícolas isca chão e vegetação alçapão . Local Distrito Federal Goiás Velho (GO) UH Rio Manso (MT) Xavantina e Serra do Cachimbo (MT) N° de espécies 63 43 30 51 Referência Raw (1998) Raw (1991) Diniz & Kitayama (1994) Diniz & Kitayama (1994) 151 .

foram resumidos em Silveira & Campos (1995). Estas coletas locais mostram um grande número de espécies em áreas de cerrado (Tabela 9). Raw trabalhou com as espécies identificadas. 7% são espécies novas e outras 10% possivelmente são espécies novas. 420 espécies (52%) são conhecidas somente da região de cerrado e várias são endêmicas a certos locais dentro da região (Raw. em Goiás Velho e Alto Paraíso de Goiás (GO) e em Patos de Minas (MG). O esforço de coleta foi variável sendo maior em áreas do DF.000 espécies descritas as abelhas ultrapassam em muito os anfíbios e répteis (5. uma boa parte da Venezuela e da Colômbia. para o cerrado. As outras espécies constituem uma fauna diferenciada de áreas abertas e ocorrem na Caatinga e nos Cerrados brasileiros (Willink 1988).000 espécies de abelhas na América do Sul e mais de 4. continuando até o Equador. 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 1 3 Os problemas taxonômicos no grupo não permitem uma comparação entre locais a partir da literatura. Localidade Guanacaste.500). Uma lista de espécies de abelhas silvestres do DF está disponível em Raw et al.600) e os mamíferos (3. voltando para baixo na região dos Andes do Peru e Bolívia. A comparação do material coletado em Corumbataí (SP) e em Paraopeba (MG) resultou em um total de 257 espécies com apenas 47 delas (18%) comuns entre as duas áreas (Silveira & Campos 1995). das seis localidades de Cerrado apresentadas na tabela 9. passando pelo Norte das Guianas. Minas Gerais.500 espécies). os pássaros (8. Vários inventários de abelhas silvestres para diferentes regiões e ambientes. DF. Há mais de 7. Destas.000 no Brasil (O’Toole & Raw 1991). Após esta publicação Carvalho & Bego (1996) apresentaram um inventário para uma área de cerrado em Uberlândia (MG). Os números de espécies identificadas para cada localidade (Tabela 10) contrastam com os apresentados anteriormente. e especialmente. Costa Rica Kourou. incluindo parte do Norte da Argentina e Paraguai. (1998). O número de espécies de abelhas já coletadas no DF é surpreendente quando comparado aos outros valores da tabela. dados não publicados).(75%) são encontradas no arco que começa no início do rio Amazonas. obtendo um total de 377 espécies. Tabela 9. Apoidea Com pelo menos 25. Do total de 809 espécies coletadas em áreas de cerrado 31% não foram identificadas. atingindo o Sul do Brasil e subindo (Floresta Atlântica) até a Bahia. Guiana Francesa Ponte Nova (MG) São José dos Pinhais (PR) Curitiba (PR) São Paulo (SP) Ribeirão Preto (SP) Casa Nova (BA) Corumbataí (SP) Cajuru (SP) Paraopeba (MG) Uberlândia (MG) Lençóis (BA) Distrito Federal Ambiente Floresta e savana Floresta e savana Vegetação secundária e borda de mata Vegetação secundária Urbanizada Urbanizada Urbanizada Caatinga Cerrado Cerrado Cerrado Cerrado Cerrado Cerrado N° espécies 192 210 119 167 74 133 212 42 117 196 175 128 147 503 Ref. Cerca de 800 espécies de 118 gêneros de abelhas silvestres já foram coletadas em cerrado (Raw. dados não publicados). Mato Grosso e Bahia. Comparação da riqueza de espécies de Apoidea em vários locais e ambientes. Raw realizou coletas em pelo menos 59 locais de cerrado nos Estados de Goiás. 152 .

b) resultaram em uma lista de 604 espécies e em uma estimativa dos autores de mais de 900 espécies para esta região.000-12.200 espécies e obviamente nem todas as 700 descritas estão representadas na coleção. pes) estima que na região do Cerrado.8 Lemaire (1978). O número de espécies novas. pes. principalmente em mata mesófila semi-decídua. Para as mariposas a tendência é de uma maior proporção de endemismos na fauna do cerrado propriamente dita. Levantamentos realizados na região de Uberlândia (MG). também. acima (Motta.5 Cerrados ² N° espécies 81 52 26 8 % 48. Número de espécies identificadas de abelhas em seis localidades de cerrado. no Cerrado. decrescendo para o cerradão e sendo menor ainda nas matas ciliares. por subfamília. No Brasil ocorrem seis espécies.5 4. o número de espécies de mariposas fique entre 10. como Gracillariidae e Lyonetiidae é de 90%.288 espécies de borboletas (Brown.0 17. espécies de borboletas da região de Belo Horizonte e da Serra do Cipó (Brown & Mielke 1968). O número total foi de 377 espécies identificadas (Raw 1998). principalmente devido aos gêneros coletores de óleos que visitam as plantas da família Malpighiaceae e Apidae. Para se ter uma idéia. com.1 15. Na coleção do Vitor Becker há 1. (2) Camargo (1997) 153 .1 6. Para o Brasil a estimativa é de 3. proporcionalmente. A região de Brasília situa-se em uma faixa de transição para as espécies da floresta amazônica e da mata atlântica e a composição da fauna de mariposas dos Cerrado não corresponde. Quatro espécies de mamangabas sociais ocorrem na região do Cerrado e três delas no complexo do Pantanal (Moure & Sakagami 1962). Os autores listaram.4 7. todas do subgênero Fervidobombus. No Hemisfério Sul essas abelhas são nativas apenas das “Índias Ocidentais” e da América do Sul (Williams 1994).). para algumas famílias de mariposas como Sphingidae e Satuniidae cujos indivíduos são de tamanho grande varia em torno de 1-2%. Becker (com. Essas espécies foram comparadas com o material dos museus Britânico. esta proporção para várias famílias de microlepidópteros. só foi Lepdoptera Os levantamentos de borboletas. de Berlim e de Viena e. à composição daquela da região Neotropical como um todo (Becker 1991). Com base em uma experiência de mais de 25 anos de coletas V. no Novo Mundo e no Cerrado. Representatividade absoluta e percentual de espécies de Saturniidae. As mamangabas sociais (gênero Bombus) são abundantes nos ambientes alpinos temperados e árticos do Hemisfério Norte. devido principalmente aos Meliponinae (abelhas nativas sem ferrão). mesmo assim. pes. Para as porcentagens de espécies identificadas em cada local foram usados os valores da Tabela 9.). resultaram em 178 espécies de borboletas sendo que apenas 2. Local Corumbataí (SP) Cajuru (SP) Paraopeba (MG) Uberlândia (MG) Lençóis (BA) Distrito Federal N°de espécies 86 137 128 61 91 229 % do total (n = 377) 23 36 34 16 24 61 % identificada 74 70 73 48 62 46 A fauna de abelhas do Cerrado caracteriza-se pela grande representatividade das famílias Anthophoridae. a família Gelechiidae inclui 700 espécies para a região Neotropical (México-Argentina).Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 10. Entretanto. com.000. realizados no Planalto Central Brasileiro (Brown & Mielke 1967a. Saturniidae Subfamília Hemileucinae Ceratocampinae Arsenurinae Saturniinae (1) Novo Mundo ¹ N° espécies 650 161 60 71 % 69.2 31.8% destas espécies não constam da lista de 604 espécies do cerrado citada Tabela 11. O.

0%) e uma espécie com a Caatinga. Das 167 espécies de saturnídeos encontradas no Cerrado. Tabela 12. O Brasil tem perto da metade (44%) das espécies de borboletas conhecidas para a Região Neotropical.179 3.251 755 365 956 838 43 dias em 4 anos 1. Riqueza de espécies de borboletas em vários locais (Beccaloni & Gaston 1995).550 1. A distribuição da fauna de saturnídeos do cerrado e suas relações com outros biomas é complexa e ainda mal compreendida. Coletas locais mostram variação na riqueza de espécies e o DF fica entre as regiões mais ricas (Tabela 13).6%).2%) e parte é restrita às áreas de contato com a Amazônia (9. (2) Camargo (1997) % de gêneros Região Neotropical ¹ 25.6%).100 2.4 Cerrados ² 26. mais de 950 espécies são novas (Becker. As mariposas da família Saturniidae são representadas por 942 espécies no novo mundo. Entretanto. ocorrem 290 espécies e é provável que esse número chegue a 400 porque muitas regiões foram pouco amostradas.0 26. A riqueza de espécies de borboletas encontradas em uma Área de Proteção Ambiental (APA) do Distrito Federal é comparável à encontrada em áreas de parques bem estudados na Costa Rica e no Panamá (Tabela 14). Parte das espécies têm uma ampla distribuição no Brasil (7. Esta fauna é composta.). Certas espécies compartilhadas com a Amazônia podem ocorrer até próximo ao limite Sul dos cerrados (Arsenura ciocolatina tem ocorrência registrada até Uberaba. A região do Planalto Central é ponto de ocorrência comum para alguns elementos Amazônicos e Atlânticos. Vale ressaltar que a Caatinga é pobremente coletada. MG) e espécies compartilhadas com a Mata Atlântica podem ocorrer ao Norte do DF (Loxolomia serpentina com registro de ocorrência até Alto Paraíso de Goiás).132 3. com exceção do gênero Hylesia. é possível visualizar alguns padrões gerais. (1) N° espécies/gênero 1 2 3 até 3 Lemaire (1978).8 11. No Brasil.8 49. Quatro subfamílias ocorrem na região com uma representação proporcionalmente maior de Ceratocampinae e Arsenurinae quando comparada à fauna do novo mundo (Tabela 11). com. sendo que a proporção de gêneros representados por três ou menos espécies é de 70% nos cerrados contra 49% nos neotrópicos (Tabela 12) (Camargo.possível identificar 250 espécies. Proporcionalidade da riqueza de gêneros de Saturniidae na Região Neotropical (93 gêneros) e na região de Cerrado (50 gêneros). 21 (12. 1997).8 11. sendo este o limite geográfico para várias espécies. Local Neotrópicos Peru Brasil Colômbia Venezuela Panamá Costa Rica Região Distrito Federal Região Manaus (AM) Jarú (RO) Caucalândia (RO) N° Espécies 7.316 1. Na área contínua da região dos Cerrados ocorrem 167 espécies o que corresponde a cerca de 42% da fauna brasileira de saturnídeos.0 Tabela 13. com a Mata Atlântica (3.352 3. de um menor número de espécies por gênero.0 18.0 70.000 horas/pessoa + 6 anos 300 horas/pessoa + 2 anos + 2 anos maior área Esforço de coleta 154 . Portanto. pes.5%) são exclusivas da região e duas delas ainda não foram des- critas. ainda. O restante da fauna é compartilhada com estes biomas vizinhos. com o Chaco (3.

A densidade de termiteiros foi medida em seis tipos de vegetação e em 18 localidades (46°20’-57°15’W. Dados deste tipo sobre insetos herbívoros associados a plantas hospedeiras (recurso) são freqüentes na literatura (Strong et al. o conjunto de parasitóides de lagartas de lepidópteros. Brasil) Distrito Federal (Brasil) Rio de Janeiro (RJ. APA Gama-Cabeça de Veado. 1996. Lycaenidae e Riodinidae para APA e Santa Rosa. A densidade de termiteiros expostos aumentou do campo úmido ao cerrado s. O menor número de ninhos expostos no cerradão. e em outras áreas neotropicais (Diniz & Morais 1997). Lara & Fernandes 1996. Brasil) Cerrados (Brasil) Costa Rica México Equador Brasil (1) N° de espécies 33 35 39 49 84 109 141 167 84 193 267 400 e regulação da diversidade vem sendo cada vez mais enfatizada na literatura (Meffe & Carroll 1994. Este inventário pode ser baseado também no hospedeiro (recurso) como. 1997). Família Papilionidae Pieridae Nymphalidae Total Borboletas ¹ APA 4 8 137 149 297 SR 13 21 91 125 LS 20 20 164 204 CV 18 18 138 174 BCI 12 17 107 136 345 * Borboletas inclui Hesperiidae. Price et al. 1984. mosaicos de formigas e anéis co-evoluídos. por exemplo. Neste caso. Estes conceitos vêm sendo modificados e ampliados e a importância de funções na manutenção . A densidade das colônias aumenta do campo úmido à mata de galeria e. Localidade Guanacaste (Costa Rica) Santa Rosa (Costa Rica) ¹ Turrialba (Costa Rica) Belém (PA.s. O mesmo tipo de comparação para locais bem coletados no Brasil e em outras áreas das Américas foi feito para Saturniidae (Tabela 15). Parque Nacional do Corcovado (CV) em Costa Rica e na Ilha de Barro Colorado (BCI) no Panamá.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 14. 14°30’-21°30’S).320 colônias de térmitas por km² na região de cerrado (Raw 1996). Espécies-chave Os cupins são considerados os animais mais abundantes no Brasil Central. os inventários são realizados em um recurso e incluem informações sobre funções e estrutura em comunidades. N. Diniz & Morais 1997). Tabela 15. Chapin et al. na mata seca e na mata de galeria pode ser explicado pelo maior número de colônias subterrâneas e das que sobrevivem dentro de madeira nesses habitats. também o Cerrado apresenta uma grande riqueza de espécies ainda que menor do que encontrada em regiões tropicais úmidas como o Equador. A densidade e composição de espécies também variam 155 segundo Janzen (1987a) Bibliografia comentada sobre invertebrados do cerrado Além de inventários e riqueza de espécies as prioridades de conservação são também baseadas em espécies ou características com importantes funções nos ecossistemas. por exemplo. aparentemente. Estima-se 34. Comparação da riqueza de espécies de Saturniidae em várias regiões tropicais (Camargo 1997). Marquis & Braker 1994) e começam a ser disponíveis para a região de cerrado (Lewinsohn 1991. Parque Nacional de Santa Rosa (SR). este aumento está diretamente relacionado com a biomassa vegetal presente. La Selva (LS). Apesar de diminutos. Tradicionalmente os inventários são feitos por grupos taxonômicos como. a biomassa desses insetos na região é enorme. Riqueza de espécies de borboletas em uma área de cerrado do DF. Thompson nas discussões sobre diversidade e sua conservação. Lewinshon sugere a utilização do conceito de “diversidade centrada em recurso” de J. uma família de himenópteros parasitóides. Gilbert (1980) afirmou que a manutenção da diversidade nos Neotrópicos está ligada à manutenção de espécies chaves. Brasil) Curitiba (PR. Assim pode se obter a riqueza de parasitóides associados a diferentes hospedeiros e a relação entre riqueza e características do hospedeiro. Nesse grupo.

Freitas & Oliveira 1996) e podem afetar a produção de frutos nessas plantas (Del Claro et al. no processo de expansão de mata sobre áreas de campo nas savanas da Venezuela (Brener & Silva 1996). Byrsonima (Barros 1992). Ao contrário das formigas cortadeiras muitas espécies de formigas são predadoras de artrópodes e algumas delas dominam grandes volumes de vegetação. Essas fontes de néctar (floral e extra-floral) são usadas. Nectários florais e extra-florais Rico-Gray (1989) chama a atenção para a importância de nectários florais e extra-florais na manutenção de formigas que habitam regiões secas. No entanto. mesmo após a morte da colônia. As grandes frentes de formigas de correição (gênero Eciton). Proença & Gibbs 1994). Styrax (Saraiva et al. 1993). Essas espécies são pouco conhecidas. Formigas cortadeiras. Neivamyrmex e Nonamyrmex). A dureza. Qualea (Fisher & Gordo 1993). principalmente no chão e na vegetação rasteira. 1986). Majer 1992). a composição e a abundância de insetos herbívoros nessas áreas (Leston 1978. A exceção é o efeito dessas formigas no estabelecimento de gramíneas nativas e introduzidas (Klink 1996). Em solos de cerrado. Os térmitas são considerados espécies-chave no Cerrado devido às alterações que causam nas características do solo. Domingos & Gontijo 1996. Kielmeyera (Oliveira & Sazima 1990. São muito freqüentes em armadilhas do tipo Alçapão e são utilizadas como alimento por tatus. na grande quantidade de inquilinos que vivem em suas colônias incluindo larvas bioluminescentes de besouros. na sua importância como alimento para vertebrados e seus cupinzeiros. 1992). No cerrado a descontinuidade da vegetação impede que as formigas predadoras. são comuns. Vochysia (Oliveira & Gibbs 1994). São conhecidos por seu papel fundamental nos processos de decomposição. eles corresponderam de 47% a 51% da densidade relativa da fauna de artrópodes (Ribeiro et al. 1993. de forma diferencial. 1992). O efeito de saúvas na regeneração de florestas tropicais tem sido estudado (Moutinho et al. borboletas que usam as fezes dos pássaros como fonte de sais e dípteros que parasitam as formigas (Hölldobler & Wilson 1990). As formigas de correição (Ecitoninae) podem criar mosaicos. funcionam como abrigo para uma grande quantidade de organismos vertebrados e invertebrados (Mill 1981. são acompanhadas por vários animais como pássaros (Formicariidae). 1997). Egler & Haridasan 1987. bem como. 1991). em Minas Gerais. alteram as características locais do solo e abrigam vários inquilinos em seus ninhos (Brandão & Vanzolini 1985). ou quantidade de fibras. No cerrado essa característica tem muito pouca relação com a herbivoria (Marquis et al. Marquis et al.b. Como os cupins. Myrtaceae (Proença 1992. mas três 156 outros gêneros (Labidus. por vespas e himenópteros parasitóides. conhecidas para as florestas tropicais úmidas. formando mosaicos de formigas e afetam. . Polinização Gibbs (1990) lista uma alta proporção de espécies de plantas comuns no cerrado como autoincompatíveis o que as torna dependente de um “transportador” de pólen. também. Nectários extra-florais funcionam também como defesa das plantas contra herbívoros (Costa et al. afetem grandes áreas de vegetação (Morais 1994). elas movimentam uma grande biomassa vegetal. Esses mosaicos funcionam como espécies chave e nunca foram estudados em matas de galeria. saúvas e quem-quem (Myrmicinae: Attini). Vasconcelos & Cherrett 1997). O grande número de trabalhos sobre polinização de plantas de cerrado tem sido publicados: Aspilia e Cochlospermum (Noronha & Gottsberger 1980). 1988). das folhas foi uma característica importante para explicar a variação da herbivoria em espécies de plantas de uma floresta no Panamá. 1991). fortemente territoriais. A vegetação de cerrado é rica em nectários extra-florais (Oliveira & Leitão-Filho 1987) e estes são usados por uma rica fauna de formigas (Oliveira & Brandão 1991). 1996). Eryotheca (Oliveira et al. 1992. também podem ser consideradas espécies-chave no cerrado. Apenas as altas taxas de herbivoria artificial afetaram o crescimento e a reprodução da planta (Nascimento & Hay 1994) ao curto prazo. mas algumas são predadoras de formigas cortadeiras. Solanum (Oliveira-Filho & Oliveira 1988). Viviani & Bechara 1997). Mesmo flores polinizadas por vertebrados são visitadas por uma abundante e rica fauna de insetos (Rocha et al. com formigas e colônias menores. por afetarem a composição e abundância de outros artrópodes. Na região de cerrado esse gênero é raro. Redford & Dorea 1984. os efeitos de formigas cortadeiras na vegetação de cerrado são surpreendentemente pouco conhecidos. funcionando como agentes do “turnover” da matéria vegetal morta. Redford 1984a. Egler 1984. Oliveira & Silva 1993). Vellozia (Oliveira et al.em áreas pequenas e relativamente homogêneas (Lacher et al. Herbivoria e herbívoros A proporção média de área foliar consumida por insetos herbívoros no cerrado fica entre 5-10% e é semelhante aquela encontrada em outros ambientes tropicais (Fowler & Duarte 1991.

Há uma alta especificidade inseto-planta para muitos herbívoros tropicais como. 1994).Coleoptera (Janzen 1980). O número médio de espécies de lagartas de Lepidoptera por espécie de planta. Pinheiro et al. As informações sobre distribuições e similaridades faunísticas entre regiões são ainda mais raras.São Paulo e Sul de Minas Gerais. Os autores reconheceram a existência de áreas distintas de cerrado: (1) Cerrado do Sul . Considerando um grupo de copépodos (Crustacea) com um grande número de amostras em áreas continentais. principalmente dos insetos. . 1995. vá se chegar a um conflito entre o manejo com fogo e a manutenção da diversidade como o colocado por Morrison et al. Baixa similaridade faunística entre áreas de cerrado foi observada também em abelhas (Silveira & Campos 1995) e em formigas (C. mostraram que das 534 espécies de árvores e arbustos de grande porte. provavelmente. (1996) em um estudo baseado na composição florística de 98 áreas de cerrado. a intensidade de coletas relativamente baixa e a distribuição dos locais de coletas. Informações sobre a distribuição geográfica de invertebrados na região de cerrado são muito esparsas (Vanzolini & Heyer 1988). (2) Cerrado sudeste . para nove espécies (três gêneros e três famílias) de plantas hospedeiras foi oito vezes maior que os encontrados para insetos herbívoros em ambientes tropicais (Diniz & Morais 1997). dados não publicados).maior parte de Mato Grosso. Como padrão geral. assim como. Variações geográficas e espécies endêmicas Ratter et al. Reid (1994e) encontrou grande similaridade faunística entre diferentes pontos de coletas do Noroeste da América do Norte. A fauna de insetos herbívoros associada às espécies de plantas do cerrado é muito rica.inclui principalmente Maranhão. No entanto. a abundância de herbívoros não está relacionada à fenologia das plantas hospedeiras (Price et al. com uma maior tendência a endemismos. o cerrado disjunto da Amazônia .DF. (4) Cerrado Centro-Oeste . 1997). seu efeito na fauna de invertebrados ainda é praticamente desconhecido. Demonstraram que a vegetação do cerrado é extremamente heterogênea: nenhuma das 534 espécies ocorrer em todos os locais e somente 28 espécies estão presentes em 50% ou mais desses locais. Por outro lado. porem não se tem informação a respeito. normalmente 157 Fogo O fogo é um fenômeno que ocorre comumen­ te no Cerrado. Bruchidae . R. Brandão. Uma das poucas exceções se refere à distribuição de espécies de Papilionidae de especial interesse para a conservação nos Neotrópicos (Tyler et al. a fauna de formigas arborícolas não se recompôs um ano após a passagem do fogo (Morais & Benson 1988). nessa época as folhas novas sofrem uma maior taxa de herbivoria que pode ser devida a besouros e gafanhotos. 158 (30%) ocorrem em um único local.maior parte de Minas Gerais. Alguns insetos herbívoros tendem a maior abundância (Vieira et al. lagartas de Sphingidae . a herbivoria tende a ser mais alta nas áreas queimadas. Os problemas taxonômicos de grupos hiperdiversos. a abundância de alguns grupos de insetos aumenta muito após a passagem do fogo (Diniz 1997). Por outro lado. Uma parte substancial da grande riqueza da fauna. Às vezes. A fauna de insetos indutores da formação de galhas no cerrado confirma o padrão geral de aumento da diversidade com o aumento da complexidade da arquitetura das plantas hospedeiras (Fernandes 1997). A riqueza de espécies de galhas no cerrado ultrapassa a de todos os outros 300 locais estudados com metodologia semelhante e em Bacharis concinna (Asteraceae) já foram encontradas 15 espécies de galhas (Lara & Fernandes 1996). uma comunidade de herbívoros pode ser extinta localmente pela eliminação de uma única espécie de planta. por exemplo. Na América do Sul as espécies tendem a ocorrer em áreas mais restritas. Tem sido usado para a produção de pastagem nativa e tem sido proposto para o manejo e proteção de áreas de conservação. nas florestas e savanas tropicais está baseada na riqueza de espécies de plantas e na heterogeneidade de habitats. ocorrendo uma tendência a uma maior dominância e a uma menor riqueza de herbívoros. (3) Cerrado Central . (5) Cerrados do Norte . Estes herbívoros são pouco abundantes no final da seca e no início das chuvas quando a maior parte das plantas de cerrado estão com folhas novas. Goiás e Mato Grosso do Sul. Goiás e partes de Minas Gerais. Milhomem et al. meso e macro) pode ser afetada por queimadas.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Em se tratando das lagartas de Lepidoptera. Prada et al. Na realidade os efeitos do fogo na diversidade do cerrado ainda são pouco compreendidos e. (1996) para a Austrália. Tocantins e Pará. Mesmo em uma pequena área queimada. A fauna de solo (micro.Lepidoptera (Janzen 1984). 1996. 1995). similaridade intermediária no Leste da América do Norte e baixa similaridade no Caribe e na América do Sul. As reservas para conservação da biodiversidade deveriam representar também essas diferentes regiões de cerrado. 1997.

É interessante lembrar que várias destas espécies são registros de um local e. considerada ameaçada de extinção da mata de galeria do rio Paraná na borda do Estado de São Paulo com Mato Grosso do Sul (ocorre no Noroeste de São Paulo). cujo local tipo é a APA Gama-Cabeça de Veado. Um casal dessa subespécie foi captu- . Serra do Cabral e Diamantina. das 167 espécies listadas. A fauna de copépodos de campo úmido apresenta uma alta proporção de espécies endêmicas e dois gêneros monoespecíficos são conhecidos apenas de um campo úmido na Fazenda Água Limpa. e as poucas coleções regionais. possui ocorrência local e rara no Brasil Central e está decrescendo. tornam quase inexistente a informação sobre endemismos de invertebrados em cerrado. Uma espécie de Anthophoridae. A fauna de mariposas da região de cerrado não apresenta forte endemismo e a composição de espécies mais ao Norte tende a ser mais semelhante à da região amazônica enquanto que as espécies dos cerrados mais ao sul. 1994). A lista é apresentada abaixo (Tabela 17). DF. A presença desta espécie pode ser considerada como uma prova da integridade do complexo sistema de vegetação ripária (Tyler et al.. À esta lista podem ser acrescentadas outras espécies que ocorrem no cerrado e que podem ser 158 consideradas vulneráveis. DF. devido às inundações ocasionadas pelas represas. Cinco espécies de Megachile são conhecidas da região e três delas foram encontradas cada qual em uma área muito restrita próxima a Brasília. Nenhuma dessas espécies está assinalada como ocorrendo na região do Pantanal. e as espécies que ocorrem na região de Cerrado (quatro espécies) são assinaladas. Grão Mogol.5% são restritas ao cerrado. ameaçadas de extinção e/ou pobremente conhecidas: Parides burchellanus (Westwood. Família Colletidae Oxaeidae Halictidae Andrenidae Megachilidae Anthophoridae Apidae Total N° total de espécies 42 4 186 11 141 335 90 Proporção por família 5 1 23 1 18 42 11 N° de espécies restritas 26 0 121 9 74 172 18 420 Proporção por família 6 0 29 2 18 42 4 809 Espécies Ameaçadas de Extinção A Lista Oficial de Espécies da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção (23/02/89) contém 32 espécies de invertebrados não marinhos (uma espécie de Onychophora. Além dessas espécies pode ser acrescentada como endêmica do cerrado Aucula munroei Noctuidae (Agaristinae).concentrados próximo a instituições acadêmicas ou a locais de acesso mais fácil. são endêmicas de áreas muito restritas. como Serra do Cipó. Santiago mourei parece ter distribuição muito restrita. Número de espécies total e restritas de abelhas do cerrado com a representação proporcional de cada família. Tabela 16. É conhecida de Sete Lagoas e Paraopeba (MG) onde só foi encontrada em flores de Vochysia rufa (Vochysiaceae) (Silveira & Campos 1995). As mariposas da família Saturniidae confirmam esse padrão e. A distribuição dessas espécies por grandes biomas é apresentada em um mapa produzido pelo IBGE (1992) denominado “Fauna ameaçada de extermínio”. Os dípteros Tephritidae associados a espécies de Asteraceae apresentam um alto grau de endemismo em áreas de campos rupestres de Minas Gerais. até agora 420 espécies são conhecidas somente para a região dos cerrados representando 52% do total de espécies (809) já registradas (Tabela 16). Parides panthonus castilhoi (Parides castilhoi D’Almeida. A presença desta espécie pode ser considerada como uma prova da integridade do complexo sistema de vegetação da mata de galeria. aparentemente. Entre as abelhas. normalmente em precárias condições de conservação. panthonus (Cramer 1780) (Papilionidae). 12. Os onicóforos constituem um grupo tipicamente com distribuições restritas. 25 espécies mais três subespécies de Lepidoptera e seis espécies de Odonata). Entre os cupins ocorre uma alta proporção de espécies restritas ao cerrado (55% das 119 espécies listadas) e as áreas de campo rupestre e das savanas amazônicas aparentemente contêm endemismos de Isoptera. tendem a ser semelhantes as da Mata Atlântica (Becker 1991). 1967 = P. 1872) (Papilionidae).

1819) Perrhybris flava (Oberthur. 1775) Parides lysander mattogrossensis (Talbot. 1945 Mechanitis bipuncta (Forbes. 1865) Hypoleria fallens (Haensch. 1862) Orobrassolis ornamentalis (Stichel. 1928) Pieridae Moschoneura methymna (Godart. 1847) Parides ascanius ascanius (Cramer. 1928) Nymphalidae Agrias caludenia Godart. Lista oficial de espécies da fauna brasileira ameaçada de extinção espécies de invertebrados não marinhos. 1932 Papilionidae Eurytides iphitas (Hubner. 1869) Eresis erysice (Geyer. ONYCHOPHORA Brasil Peripatidae Peripatus acacioi (Marcus & Marcus. 1909) Papilio zagreus zagreus (Doubleday. 1821) Eurytides lysithous harrisianees (Swainson. 1855) Napeogenes cyrianassa xanthone (Bates. 1832) Heliconius nattereii (Felder & Felder. 1906) Scada karschina delicata Talbot. 1852) Hyalyris leptalina leptalina (Felder & Felder. 1824 Callicole selima sanguinea Dasyophthalma vertebralis (Butter. 1865) Hyalyris fiammentta (Hewitson. 1948) Melinaea mnasias (Hewitson. 1925) Papilio zagreus neyi (Niepelt. 1866) Papilio zagreus bedoci (Le Corf. 1905) Hypoleria mulviania D’Almeida.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 17. 1958 Hypothyris mayi D’Almeida. 1977 Papilio himeros baia Rothschild & Jordan. 1906 Papilio himeros himeros (Hopffer. 1955) (23/02/89) com 32 Cerrado X INSECTA Lepidóptera Lycaenidae Joiceya jaeclara (Talbot. 1895) X X X 159 . 1822) Eutresis hypereia imeriensis Brown.

p. Com. Hymenoptera Apoidea Anthophoridae Santiago mourei S. am MG MG MG MG MG MG Biodiversitas. 1918 Tabela 18. 1997 Opisthodrilus rhopalopera p. rufiventris p. Glossoscolex gordurensis. ext. p. MS 160 . 1839 Coenagrionidae Acanthagrion taxaensis Santos. 1997 Biodiversitas. Campos rupestres MG Lewinsohn. 1995 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. Pés. 1860 Mecistogaster pronoti Sjoestedt. marginata M. 1997 Biodiversitas.Tabela 17 (continuação) Odonata Anysoptera Zygoptera Aeshnidae Staurophlebia reticulata Burmeister. 1965 Leptagrion dardanoi Santos. 1993 Insecta Coleoptera Cerambycidae Hypocephalus armatus vulnerável MG Biodiversitas. am. Onychophora Peripatus acacioi Em perigo MG X Pedralli & Guimarães Neto 1997. Biodiversitas. Paraopeba MG Silveira & Campos. raros e/ou de distribuição restrita (p.am Rhinodriluss garbei R. ext. 1997 Biodiversitas. ext = provavelmente extinta. 1968 Leptagrion siqueiroi Santos. am Em perigo p. alatus R. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. Grupos e/ou espécies de Invertebrados ameaçados de extinção. 1997 Raw. endêmicos.am vulnerável MG MG Vespidae Chartegellus communis X Marimbonda albogrisea MT. 1997 Diptera Tephritidae 20 spp. fafner p.am MG M. Lagoas. 1997 Crustacea Copepoda DF Reid. 1998 Raw. 1998 Apidae Melipona bicolor p. = provavelmente ameaçada de extinção) GRUPO Grau Endêmico Restrito Região Fontes Annelida Fimoscolex sporadochaetus p. 1968 Pseudostigmatidae Mecistogaster asticta Selys.

giffordi M. P. 1998 Raw. 1998 Raw.. burchellanus P. MS Lepidoptera Hesperiidae Pyrrhopyge rhacia p. 1994 Região Itaipú 161 . ext. 1997 Biodiversitas. campestris M.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 18 (continuação) Polistes satan P. lysander matogrossensis X P. chapadae M.am MG Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1997 Tyler et al. 1997 Lista Oficial Biodiversitas. 1997 Biodiversitas.. 1997 Biodiversitas. 1998 Raw. 1998 Raw. 1998 Raw. 1997 Biodiversitas. 1997 cerrado MG MG MG vulnerável vulnerável p. pess. em perigo Em perigo vulnerável Em perigo Em perigo vulnerável MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG MG Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. vertebralis Doxocopa laurona Heliconius nattereri Hyalyris fiammeta H. 1998 Raw. 1997 Biodiversitas.. DF Becker. leptalina leptalina Hypoleria fallens Orobrassolis ornamentalis Ortilia polinella Prepona deiphile vulnerável Em perigo vulnerável p. com.n MT. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1998 Raw.am Em perigo Crit. marginatus BA X DF MT. 1994 Lista Oficial MG Tyler et al. Biodiversitas. 1998 Raw. MS X Mischocyttarus sp. 1997 Biodiversitas. 1998 Mischocyttarus matogrossoensis M. panthonus castilhoi Em perigo X X rara Tyler et al. 1997 Biodiversitas. 1994. Nymphalidae Agrias claudina godmani Callicore hydarnis Dasyophthalma geraensis D. p. davillae X X X Raw.am Noctuidae Aucula munroei Local tipo. 1997 Biodiversitas. goyanus M. 1997 Lycaenidae Arawacus aethesa Cyanophrys bertha Joiceya joeclara Nirodia belphegor Magnastigma julia Synargis athelinda Em perigo vulnerável MG MG Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. 1997 Tithorea harmonia caissara Em perigo Papilionidae Parides 3spp.

am Em perigo Em perigo MG MG MG MG Biodiversitas. As populações desta subespécie.am Crit. raras e/ou de distribuição restrita. foi vista pela última vez nos anos de 1930 no centro de Minas Gerais (o local tipo é a Fazenda do Jaguara. ao Norte de Belo Horizonte.. 27 anos depois em dezembro de 1991 foi observada uma única fêmea. 1997 Camargo. Entretanto. 1994. Em três visitas em 1967 e 1992 não foi localizada. Tabela 19. panthonus jaraguae Actinote quadra Actinote morio Charonius theano theano Cuniza hirlanda planasia Moschoneura methymna Crit. devem ser pontuais (Tyler et al. absoletum Pseudostigmatidae Mecistogaster asticta p. 1997 Biodiversitas. Ocorre da Costa Rica ao Brasil Central (Tyler et al. Grupo Annelida N° de espécies ameaçadas de extinção 6 Onycophora 1 Coleoptera 1 Hymenoptera 3 Lepidoptera 28 Odonata Copepoda 6 ~ 20 Problemas para a conservação de invertebrados no Cerrado Como já é de conhecimento geral. Outra subespécie. 162 . 1997 Biodiversitas. em perigo rado perto da cidade de Castilho no fim de novembro de 1964 por Lauro Travassos Filho e descrita como uma espécie por D’Almeida em 1967 e depois disto após a inundação não foi mais vista. Eurytides pausanias = Mimoides pausanias (Hewitson 1852).am p. Número de espécies reconhecidas como ameaçadas de extinção em diferentes grupos de invertebrados do cerrado. p. embora tenha uma distribuição ampla e seja uma espécie comum é muito pouco conhecida. 1997 Biodiversitas. 1994). o contraste entre o número de espécies para os grupos de vertebrados e de invertebrados na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção é espantoso (Tabela 20). P. 1997 Crit. petiense H. A lista destas espécies é apresentada na tabela 18 e o número de espécies ameaçadas de extinção em diferentes grupos é apresentado na Tabela 19. 1997 Catoraeschna margarethae Em perigo Megapodagrionidae Heteragrion dorsale H. 1997 MG MG MG MG MG Biodiversitas. jaguarae.Tabela 18 (continuação) P. Existem ainda informações compiladas pela Fundação Biodiversitas e outras fontes para espécies ameaçadas de extinção. 1997 Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. em perigo p. endêmicas. se persistirem. 1994). Isto reflete o principal problema para a conservação de invertebrados que é o pouco conhecimento sobre essa fauna. Odonata Aeshnidae Aeshna eduardoi vulnerável MG MG Biodiversitas. 1997 Biodiversitas. no Rio das Velhas. Biodiversitas. 1997 Pieridae Saturniidae 21 spp. em perigo p. 1997 Biodiversitas.am vulnerável MG Tyler et al. 1997 Biodiversitas.

e efetuar medidas que beneficiem a população local (New et al. Para os invertebrados esses dados não existem. 1995. então. a simples listagem ou catalogação das espécies descritas não foi feita para a maior parte dos grupos. Assim. Entretanto. e em geral são mantidas em condições mínimas de conservação. Para manter a diversidade dos insetos temos que basear-nos na riqueza de espécies de plantas e no número adequado de tipos de habitat. 1986. Price et al. No entanto. Diniz & Morais 1997). 1995). 163 Os nematódios podem apresentar ciclos de vida muito mais complexos e constituem um grande grupo ainda menos conhecido que os insetos. Entretanto. Se os nossos objetivos são maximizar a conservação da biodiversidade a situação ideal seria basearmos nos dados de riqueza de espécies (que é inadequada quando considerada isolada). existem pequenas coleções em Belo Horizonte. Cuiabá. praticamente não existem informações sobre tamanhos de populações e variações populacionais em ambientes alterados e/ou fragmentados. muitos insetos possuem um ciclo de vida muito complexo o que demanda um tipo especial de habitat para parte desse ciclo como.Invertebrados do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Tabela 20. O uso de invertebrados como indicadores de qualidade ambiental promete ser uma das principais áreas de utilização desses organismos nas questões de conservação. A maior ênfase deve ser a proteção de habitats. dados não publicados). Número de espécies de vertebrados e invertebrados presentes na Lista Oficial de Espécies Ameaçadas de Extinção. a informação raramente foi trabalhada com uma visão biogeográfica. as plantas hospedeiras para os herbívoros. local para a postura e desenvolvimento das espécies aquáticas. a falta de coleções e/ou museus nessa região. As espécies de invertebrados estão desaparecendo rapidamente em quase todos os habitats conhecidos. Animais Número de Espécies Brasil Cerrado Pantanal 0 5 Invertebrados 32 4 Vertebrados 271 34 Os problemas para a conservação de invertebrados são muitos. sem tradição de empréstimo e intercâmbio científico. Pinheiro & Ortiz 1992. portanto. um aumento de conheci­mento sobre as espécies e o ecossistema. Os insetos no cerrado flutuam muito em densidade durante o ano (Diniz 1997) e entre anos (Morais & Diniz. Apesar da alta diversidade. O padrão de alto índice de espécies raras com uma baixa similaridade entre áreas próximas com mesma fitofisionomia e entre diferentes fitofisionomias parece ser geral para os insetos do cerrado (Lacher et al. Essas informações mostram uma grande ausência de material do Brasil central nos museus brasileiros e em museus estrangeiros e ressalta. na produção de listas de regionais de espécies ameaçadas ou não de extinção. Goiânia e Brasília. nos inventários em várias áreas de cerrado para que possamos trabalhar . É urgente. Populações inteiras de invertebrados podem. Os insetos são parte crítica para a manutenção da biodiversidade. Em uma outra escala de estudos. Acrescidos a esta falta de conhecimento os invertebrados apresentam outras características que devem ser levados em consideração no planejamento da conservação da biodiversidade. a conservação dos invertebrados não pode seguir apenas os parâmetros usados para a conservação de vertebrados. por exemplo. local de nidificação para insetos sociais. freqüentemente. funcionar bem como indicadores de qualidade ambiental. Alguns trabalhos de revisão taxonômica mostram claramente a falta de coletas para a região central do país. Apesar da grande quantidade de informações existentes sobre vários grupos de invertebrados. também. São José do rio Preto. essas coleções não estão estruturadas com curadores. selecionarmos as áreas prioritárias para conservação. especialmente no que diz respeito aos invertebrados. Além disso. a América do Sul é um dos continentes menos conhecidos biologicamente. mesmo para os poucos grupos taxonomicamente melhor conhecidos. se movimentar sazonalmente de uma área para outra. os hospedeiros para parasitas e parasitóides. os papéis ecológicos e seus significados são extrapolados a partir de uma proporção muito pequena de espécies certamente desconhecidas do grande público. Para isso torna-se necessário um maior incentivo para os projetos de pesquisa nas áreas de conservação existentes. Sem dúvida. Os ciclos de vida relativamente curtos e com várias gerações por ano sugerem que alguns desses organismos podem responder mais rapidamente às alterações ambientais e. principalmente para salvaguardar os locais pobremente coletados. Trabalhos sob essa ótica esbarram em um outro problema que é a falta de coletas em diversas áreas. isso só é possível se a historia natural e a dinâmica populacional de uma espécie é bem conhecida em “ambiente natural” incluindo diferentes habitats ou diferentes áreas de um mesmo tipo de habitat. nas relações filogenéticas das espécies envolvidas e nas comparações de suas distribuições para podermos entender os fatores históricos e atuais que determinaram essas distribuições e. Uberlândia. Os padrões de distribuição não são claros. Campo Grande.

800 N Copépodos 250 AS 150 A Tabela 22 resume as proporções estimadas de espécies restritas à região de cerrados. Questões funda­men­talmente científicas sobre biodiversidade só podem ser levantadas e respondidas mediante grandes coleções. especialmente. Tabela 21.000 DF Borboletas   7. Cipó 500 300 S. AS=América do Sul). com a proporção de espécies do cerrado em relação à fauna brasileira.000 900 820 755 DF 27% 503 DF 16% 63 DF 43% 68 DF 41% 942 NM 400 167 109 DF 41% 550 N 320 139 504 N 280 116 ? > 200 ? Formigas 3.000 10. NM=novo mundo. Estas coletas devem que ser preservadas e mantidas em locais adequados e reconhecidas pelas Instituições de Pesquisa. Isoptera) o número de espécies estimado para o cerrado (14. Cipó ? 50 DF Galhas cecidógenas 1. o cerrado e áreas de cerrado. parece existir uma fauna de típica de cerrado para insetos e. Hymenoptera. com uma alta proporção de espécies sendo exclusiva da região. Grupo de Invertebrado Região Número de Espécies Brasil Cerrado Local Brasil 56% Lepidópteros 46. também.179 N 3.000 AS 5. para o Brasil. Tabela 22. Fica clara. É necessário o estabelecimento de um museu de biodiversidade do cerrado que deveria ser localizado na região central. para copépodos. Ao contrário do tradicionalmente aceito para vertebrados. Grupo de Invertebrado Copépodes Cupins Espécies restritas ao cerrado (%) 50 50 Abelhas 30 – 40 Formigas 5 – 10 Mariposas Saturnídeos 12 Dípteros Tefritídeos (*) 30 Dípteros Cecidomiideos galhadores (*) (*) Espécies só de Campos Rupestres > 50 164 .000 13.000 N 2. a concentração de informações sobre a fauna do Distrito Federal e Serra do Cipó.288 Saturnídeos Abelhas Vespas Cupins Drosófilas 7. Estimativa de espécies restritas à região de cerrados para diferentes grupos de invertebrados.com distribuição geográfica das espécies e um alto investimento em sistemática e em coleções científicas. No entanto.000 N 23. em três ordens de insetos (Lepidoptera. A representatividade da fauna de Cerrado em relação à fauna brasileira varia entre os grupos indo de menos de 20% (abelhas e formigas) a mais 50% para os lepidópteros (mariposas e borboletas). Estimativa de número de espécies para grupos de invertebrados para regiões (N=neotrópicos.000 350 188 DF 17% ? 38 S.425) representa 47% da fauna estimada para o Brasil. A Tabela 21 resume as informações sobre o número de espécies de alguns grupos de invertebrados apresentadas acima e inclui algumas estimativas.

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Hemiptera. Números totais de indivíduos Talvez o grupo de insetos mais comum nos cerrados seja da Ordem Isoptera . I. Um total de 68. III.8 % do total de indivíduos Hymenoptera Lepidoptera Neuroptera Orthoptera Psocoptera Thysanaptera 6. Um total de 835. Os quatro métodos de coleta utilizados foram três tipos de armadilhas (malaise. Riqueza geral de espécies dos cerrados O exame da biota da região revela a presença de grandes números de espécies (Tabela 25). Pelos métodos utilizados é difícil capturar insetos de maior tamanho e foram capturados relativamente poucos besouros. (I. Esses térmitas formam ligações importantes nas cadeias alimentares dos cerrados (Redford 1984.os térmitas.9 0.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Antony Raw (Organizador) Introdução Este trabalho está dividido em três partes. Baseado nos seus grandes números e no fato de que os térmitas compõem-se do grupo principal de herbívoros dos cerrados. Porcentagens dos números de insetos coletadas em áreas de cerrado em Brasília utilizando quatro métodos de coleta. Números de insetos. e os números enormes de Collembola (Diniz 1997).7 < 0. Contrariamente. A biomassa deste grupo nos cerrados é enorme.  Riqueza de espécies e zoogeografia das vespas sociais dos Cerrados do Brasil central. em média. sua importância no funcionamento do ecossistema dos cerrados é claramente demonstrada e.��� A representação das ordens de insetos Em termos dos números de indivíduos de insetos nos cerrados. II. 34.892 indivíduos foi coletado.1 0. os baixos números de espécies registrados para vários outros grupos podem refletir o pequeno esforço de coleta ao invés da baixa riqueza de espécies.2 0. 1985. Redford e Dorea 1984.  Números de insetos.8 Collembola Dictyoptera Embioptera Hemiptera 70.000. janela e alçapão) e varredura com rede entomológica. Diptera e Coleoptera. várias ordens são bem representadas (Tabela 23). em prep). apesar de seus pequenos tamanhos. gafanhotos.4 0. Cerca de 25 % das espécies de térmitas das Américas ocorrem nos cerrados (dados de Araújo 1977). Diniz 1997) % do total de indivíduos Coleoptera 2. a riqueza de espécies e aspectos do conhecimento dos insetos nos cerrados. I. uma geral e duas especializadas. porém dados não estão disponíveis quanto ao número de espécies destas ordens. enquanto libélulas não foram registradas.000.1 0.1 < 0. Estes números são comparáveis com a riqueza dos insetos nas florestas úmidas do continente.7 * Baseado em trabalho apresentado por Antony Raw * Professor títular da Universidade Estadual de Saúde Cruz. mariposas e borboletas. Tabela 23.  Riqueza de espécies e zoogeografia das abelhas silvestres dos Cerrados do Brasil central.1 0. Existem grandes quantidades de Orthoptera. a riqueza de espécies e aspectos do conhecimento dos insetos nos cerrados. R. Raw.640.5 Isoptera 2.0 Homoptera 1. a biomassa total destes animais na região é surpreendente . Bahia 173 . 1987.000 colônias de térmitas foi estimado para a região dos cerrados (de 2.7 Diptera 13.000 km2) o que atinge.320 colônias/ km2 (Tabela 24) (Raw 1996).

pess).000. respetivamente.000 10. 2.000 espécies foram coletadas na região neotropical (Zatller com. Nesta contribuição ele coletou 112 espécies das quais 54 foram espécies novas. 500 e 820.Tabela 24. no entanto.400.200.000 0.000 23.000 3. Raw e Egler 1985). uma área total de c.000.000 Número de colônias na área total dos cerrados Tabela 25.000 11. uma área total de 10. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o Jardim Botânico de Brasília (JBB).000.000. também.000. Mathews 1977. Recentemente 297 espécies foram registradas em três reservas: Fazenda Água Limpa (FAL). Estimativas dos números e porcentagens de colônias de térmitas nos sete tipos principais de vegetação dos cerrados do Brasil. Números de espécies conhecidas de cinco grupos de insetos. principalmente entre os micro-lepidópteros.3 Número de Porcentagem de colônias no tipo colônias no tipo de vegetação de vegetação Campo limpo 125 140 200.250 espécies de borboletas foram coletadas no Distrito Federal (D.000 46. mais de 3.000 (35) 32.O.200 a 1. É de grande interesse o levantamento feito por Mathews (1977). (Araújo 1977.9 (2) 2.5 (5) 7.7 500. O número de espécies neotropicais já conhecidas na literatura é de 700. dos cerrados.000. Um estudo em andamento sobre a família Gelechiidae mostra a riqueza da região neotropical e.800.000.640. Vespas sociais Richards (1978) citou um total de 12 espécies de vespas sociais para o Distrito Federal. Estimativas são de cerca de 600 espécies de abelhas no Distrito Federal e de 1. Becker dados pessoais Araújo 1977 e Raw dados pessoais Raw dados pessoais Richards 1978 e Raw dados pessoais Kempf 1972 Térmitas 443 103 31 Abelhas 2385 820 503 Vespas sociais 547 129 63 Formigas 2. pess).000 (10) 2.400 ha.000.000.500 espécies na região dos cerrados das quais foram coletadas. Os casos das mariposas são ainda mais impressionantes.000. Após 17 anos de coletas o número aumentou e atualmente são 174 Térmitas Os térmitas são muito comuns na região dos cerrados.000 700 100.000 600 40. Gifford com. Um total de 443 espécies de térmitas (em 67 gêneros) são conhecidas da região neotropical . Totais nas áreas Região Cerrados neotropical Distrito Federal Referência Lepidoptera 40000 10000 8000 V.000 4.3 700.000 (25) 16. 124 espécies são registradas do Estado de Mato Grosso.233 100 ? Lepidoptera Pelo menos 1.000.000 km2 (baseadas nos números levantados nos maiores tipos de vegetação. Abelhas A fauna apícola dos cerrados é grande e se compõe de diversas espécies.000 (3) 240.) (Raw 1996) Número por hectare Área total do termiteiros colônias tipo de vegetação em km2 (%) Tipo de vegetação Campo úmido 35 40 60.000 (20) Campo cerrado 160 320 Cerrado sensu stricto 170 460 Cerradão e mata sazonal Mata sempre-verde 90 50 8. Atualmente.2 68. Um quarto destas espécies (129 em 43 gêneros) encontrase na região dos cerrados ao redor de Brasília (dados pessoais).000.1 Campo sujo 155 200 400.R.

O nível da taxonomia das abelhas da região prejudica análises mais detalhadas. Raw. Este número inclui 49 novos registros de espécies já conhecidas e duas espécies novas (Raw 1985). principalmente. 420 espécies são conhecidas somente da região dos cerrados (51 % do sendo várias restritas total) e várias deste número são endêmicas a certas locais dentro da região.5 % das 2. É importante enfatizar o fato que os dados nesta Tabela mostram números de espécies novas para a ciência e não simplesmente registros novos de espécies já conhecidas cientificamente. há grandes números de espécies novas . 5. nas savanas. Riqueza de espécies e zoogeografia das abelhas silvestres dos cerrados do Brasil Central 1. Grupo Região antes conhecidas Número de espécies Porcentagem de espécies novas Referência atualmente (Zatller dados pessoais) Gelechiidae Neotrópicos 700 3. . 175 As abelhas compõem o mais numeroso e importante grupo de visitantes florais e quase todas as espécies de abelhas dependem do pólen das flores como sua fonte única de proteína.233 espécies neotropicais listadas por Frei W. dados pessoais). nos cerrados. dados pessoais). porém os resultados indicam a grande riqueza da apifauna da região.ampla. Aproximadamente 80 % das espécies de abelhas são solitárias e muitas destas cavam seus ninhos no chão. Levantamentos Relação das localidades inventariadas. O conceito de gênero na tribo Meliponini utilizado é de Padre J. a amostragem não é considerada representativa dos cerrados. Alguns grupos foram selecionados para mostrar esta situação (Tabela 26).S. Até agora. em Michener et al.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados 63 espécies conhecidas do DF (Raw. em vários grupos. Números de espécies novas depois de coletas intensivas em três grupos de insetos. Somente duas das coletas são consideradas adequadas para avaliar a riqueza da apifauna com confiança e.000 espécies de abelhas silvestres no Brasil e 7. dados pessoais. a riqueza da apifauna é considerada grande. Esforço de coleta Em quase todos os grupos de insetos. Abelhas foram coletadas em 59 municípios (Tabela 27) que representam somente 6.000 na região neotropical (Moure. Quatro categorias de distribuição geográfica são reconhecidas . 3. Os resultados mostram que necessitam-se muitas coletas adicionais para se poder interpretar a zoogeografia do grupo satisfatoriamente. nas florestas. Entre essas existem grande variedades de tamanho e morfologia dos adultos e das histórias vitais (O’Toole & Raw 1991).ou não conhecidas cientificamente. A nomenclatura utilizada aqui está baseada. Moure e fornece um total de 16 gêneros na tribo. Formigas Somente 100 espécies de formigas foram registradas na região dos cerrados que representam 4. (1994). Quatro categorias de esforço de coletas são reconhecidas: poucas (43 municípios). Existem cerca de 5. estudos intensivos revelam a enorme riqueza de espécies e. Tabela 26.4 % do número total dos 921 da região.000 77 % (Lepidoptera) Gelechiidae Cerrados 200 > 1. dois fatos que explicam a forte interdependência entre as abelhas e as plantas floridas. Com estimativas de 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres registradas da região dos cerrados. 2. por isso. 4. A apifauna dos cerrados é grande e diversa e as espécies das abelhas silvestres estão associadas com a ampla diversidade de plantas com flores nos cerrados. Kempf (1972). 20 ocasionais e somente 4 são muitas e 2 intensivas.000 80 % (Lepidoptera) Térmitas Mato Grosso 74 103 12 % (Zatller dados pessoais) (Mathews 1977) II.

SP BA 86 91 Número de espécies 229 128 Porcentagem do número total de espécies 61 34 16 36 23 24 176 . M = muitas 51 a 500). O = ocasionais (11 a 50). beira do rio Maranhão e Sobradinho. MG Uberlândia. (1995). Levantamento da bibliografia Inventários das abelhas dos cerrados foram realizados em algumas localidades. Dados adicionais estão extraídos do livro de Moure e Hurd (1987). Parque Nacional de Brasília. O total de 732 locais deu a média de 1. I = intensivas (>1200). São publicados os de uma reserva perto de Uberlândia (Carvalho e Bego 1996) e Lençóis. Também. vale da Cabeça de Veado. Tabela 27. Algumas dessas localidades são fora da região delimitada. Lençóis.9 locais por espécie. no Estado de Goiás. Cajuru. Tabela 28. Abadiania Água Boa Alexânia Alto Paraíso de Goiás Alvorada do Norte Anápolis Aragarças Araxá Barra do Garças Barreiras Bom Jardim de Goiás Brasília Caldas Novas Carmo de Paranaíba Cassilândia Ceres Chapada dos Guimarães Conceição do Araguaia Corumbá de Goiás Cristalina P P P M O O O P O O P I P P P P O P O O Cuiabá Flores de Goiás Formosa Goiás Guará Ibiá Inhumas Itaberaí Itajá Jataí João Pinheiro Lagamar Lagoa Formosa Luziânia Mambaí Morrinhos Mossamedes Mozarlândia Nova Xavantina Padre Bernardo P P O I O P P M O P O P P P P P P P O O Paracatu Paraopeba Patos de Minas Patrocínio Piranhas Pirenópolis Planaltina Posse Presidente Olegário Rosário de Oeste Santo Antônio do Descoberto São Gotardo São João Daliança Serranópolis Sete Lagoas Taguatinga Teresinha de Goiás Trindade Vargem Bonita O P M P P O O P P P O P P P P O P P M As taxas de coleta são: P = poucas (1 a 10).Coletas intensivas foram feitas em duas localidades. Dentro do Distrito Federal os locais incluem Brasília. SP MG 61 137 Corumbataí. foram feitas muitas coletas em volta da Cidade de Goiás. Um total de 377 espécies identificadas foram coletadas em seis localidades (Tabela 28). Fazenda Água Limpa. Levantamento das 377 espécies identificadas de abelhas silvestres encontradas em seis localidades dos cerrados Local Distrito Federal Paraopeba. Os 59 municípios da região dos cerrados onde foram feitas coletas de abelhas por Anthony Raw e o esforço de coleta (em dias). em torno de Brasília e Goiás. Reserva do IBGE. porém a vegetação citada é cerrado. Bahia (Martins 1994) e de Camillo et al.

Por exemplo. Minha estimativa é que existem de 1. a riqueza da apifauna é considerada grande (Tabela 27). Totais de 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres foram coletadas na região dos cerrados (Tabelas 29 e 30). perto de Brasília (Raw em prep). A diferença entre os totais de espécies identificadas (de 377 nas Tabelas 28 e 29 e 415 na Tabela 30 ) refere-se as 38 espécies coletadas fora das seis localidades citadas na Tabela 28.unb.500 espécies de abelhas nos cerrados o equivalente a cerca de 20 % das espécies neotropicais. Isso representa 52 % do total registrado para a região. aparentemente. são endêmicas a áreas muito restritas. Relação sobre o estado de conhecimento das espécies de abelhas coletadas nos cerrados Família Espécies Espécies não Espécies Possivelmente Número total identificadas identificadas novas espécies novas de espécies Colletidae 15 12 4 11 42 Oxaeidae 4 0 0 0 4 Halictidae 72 81 21 12 186 Andrenidae 3 1 4 3 11 Megachilidae 72 60 8 4 141 Anthophoridae 187 85 20 49 335 Apidae 74 15 1 4 90 Total de espécies 415 254 58 81 820 Porcentagem do total 51 31 7 10 Riqueza de espécies da apifauna dos cerrados Estimativas apontam cerca de 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres registradas da região dos cerrados. Por exemplo. os resultados mostram que são necessárias muitas coletas adicionais para podermos interpretar a zoogeografia do grupo satisfatoriamente Tabela 29. 417 espécies são conhecidas somente da região dos cerrados (Tabela 31). A riqueza de espécies em certos locais é grande. 177 .br/zoo). No Distrito Federal 503 espécies foram coletadas até o momento e um total de 227 (45 %) destas espécies identificadas (http://www. foi descoberto um total de 206 espécies de abelhas em dois anos de coleta em uma área de um quilômetro quadrado no vale da Cabeça de Veado. cada uma em uma área muito pequena.000. As dificuldades na identificação e a falta das informações biológicas criam sérios problemas em qualquer avaliação desses organismos na região e o nível da taxonomia das abelhas da região prejudica análises mais detalhadas. das quais 58 espécies e 3 gêneros são novos e mais 81 espécies e 3 gêneros são possivelmente novos. A estimativa da taxa de endemismo também é grande. É interessante lembrar que várias dessas espécies são registradas de um local e. Até agora. cinco espécies de Megachile pertencem a um subgênero novo e todas são conhecidas desta região e três dessas foram encontradas.200 a 1. No entanto. sendo é possível que 139 (17 %) sejam novas.A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Estado de conhecimento do grupo O número de espécimes de abelhas coletados soma cerca de 22.

COLLETIDAE Hylaeus Chilicola Bicolletes Leioproctus Colletes Ptiloglossa Mydrosoma HALICTIDAE Agapostemon Caenalictus Dialictus Habralictus Halictus Pseudagapostemon Sphecodes Augochlora Augochlorodes Augochlorella Augochloropsis Ceratalictus Corynura Megalopta Megaloptina Neocorynura Paroxystoglossa Pereirapis Pseudaugochloropsis Rhinocorynura Temnosoma Thectochlora ANDRENIDAE Acamptopeum Arhysosage Cephalurgus Parapsaenythia Psaenythia Rhophitulus near Rhophitulus 24 1 1 2 7 4 2 42 2 1 27 8 1 5 3 30 1 3 54 5 2 5 1 10 2 7 8 3 5 3 186 1 1 1 1 3 1 1 ANTHOPHORIDAE Anthophora Dasyhalonia Florilegus Gaesischia Megascirtetica Melissodes Melissoptila Micronychapis Santiago Thygater Trichocerapis Ancyloscelis Exomalopsis Tapinotaspis Paratetrapedia Monoeca Centris Epicharis Melitoma Diadasia Ptilothrix Coelioxoides Tetrapedia Rathymus Acanthopus Ctenioschelus Ciphomelissa Hopliphora Mesocheira Mesonychium Mesoplia Nomada Pachysvastra Alepidosceles Parepeolus Osiris Protosiris Leiopodus Odyneropsis Thalestria Triepeolus Ceratina Ceratinula Xylocopa 1 2 7 8 1 2 9 1 1 1 1 4 22 3 39 8 21 5 1 1 3 14 3 2 1 1 1 3 3 8 14 1 1 1 5 1 1 1 1 1 43 8 26 OXAEIDAE Oxaea MEGACHILIDAE Lithurgus Megachile Coelioxys Anthidium Anthidulum Anthodioctes Odontostelis Dianthidium Dicranthidium Epanthidium Hypanthidioides Larocanthidium Saranthidium 4 77 25 2 2 3 1 9 2 9 1 6 3 141 4 New genus 1 57 APIDAE Eufriesea Euglossa Eulaema Exaerete Bombus Cephalotrigona Lestrimelitta Leurotrigona Melipona Nannotrigona Oxytrigona Paratrigona Partamona P. (Geotrigona) T. Lista das 820 espécies e de 121 gêneros de abelhas silvestres registrados nos cerrados. (Friesella) Plebeia (Scaura) Plebeia (Schwarziana) Scaptotrigona T. (Plebeia) P. (Trigona) T. Genus 1 11 Undet.Tabela 30. genus 1 Undet. (Tetragonisca) Trigonisca 4 18 5 2 4 1 1 1 4 1 2 2 3 1 1 4 1 4 12 5 4 2 1 8 New genus 1 Undet. (Frieseomelitta) T. (Tetragona) T. Genus 1 Undet. Genus 2 336 178 Apis 1 90 .

e de espécies que ocorrem nas áreas de vegetação aberta. Uma Tabela 32. Vários aspectos das vidas das abelhas são interligados. Efeito do tipo de vegetação Como foi descoberto em estudos sobre outros grupos de organismos. pelo menos. provavelmente. Números de espécies de abelhas silvestres nos cerrados Número total de (%) espécies nos cerrados Espécies restritas aos cerrados (%) Colletidae 42 5 26 0 6 0 Oxaeidae 4 1 Andrenidae 11 1 Megachilidae 141 18 Apidae Total Halictidae 186 23 118 29 9 2 74 18 Anthophoridae 335 42 172 42 90 11 18 4 820 420 análise preliminar foi feita sobre as preferências de vegetação para 544 espécies. (1996: 821-822. das 820 espécies conhecidas. ainda nesta região. c) o grande mosaico de pequenos habitats muito variados. Raw. Parece que a alta riqueza de espécies é resultado de. quatro fatores: a) os grandes números de espécies de abelhas solitárias. O grande número de espécies inclui espécies do Sul do continente. Números de espécies de abelhas em três tipos de vegetação dos cerrados. observações pessoais mostram claramente que o tipo de vegetação influencia muito a distribuição espacial das abelhas dos cerrados. do nordeste do . é importante é a existência de “founder-controlled communities” (de Begon et al. em prep. sendo as 265 preferências não foram identificadas (Tabela 32).A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Tabela 31. b) os grandes números de espécies de plantas com flores. (A soma da porcentagem do total sendo mais que 100 % é porque várias espécies ocorrem em mais de um tipo de vegetação) Colletidae Cerrado Mata ciliar Floresta Tipo não definido Total 5 27 11 1 44 55 24 79 185 60 160 Oxaeidae 2 2 4 Halictidae 27 Andrenidae 1 1 Anthophoridae 49 103 Apidae 14 22 9 1 12 88 112 352 67 10 113 870 Megachilidae 22 31 47 Número de espécies 120 239 246 265 Porcentagem do total 18 37 38 41 133 Resumo dos fatores que influenciam a riqueza de espécies de abelhas na região A questão de distribuição geográfica dos cerrados é fascinante. Outro fator que. 179 d) e a justaposição de três grandes bacias fluviais. É interessante que. as distribuições da maioria das espécies estão relacionadas com as matas.) Zoogeografia da apifauna dos cerrados A apifauna dos cerrados é uma mistura de espécies que ocorrem nas matas ciliares ao longo dos rios e riachos.

3. tanto estas abelhas. nas savanas. 3. Epicharis. Parece que algumas são endêmicas a locais específicos.Certas espécies deste grupo são restritas às florestas e raramente são encontradas em vegetação aberta. A maioria das espécies neste grupo são solitárias e univoltinas com dietas especializadas.Os membros deste grupo ocorrem ao longo do trecho dos Pampas da Argentina até às Caatingas do nordeste brasileiro. certas espécies dos cerrados são endêmicas. é possível reconhecer quatro categorias de distribuições geográficas das abelhas dos cerrados. Talvez algumas espécies precisem de locais parcialmente perturbados para nidificar (Raw 1989). 5. possivelmente. São 139 espécies e 21 gêneros de vespas sociais (cabas ou marimbondos) registradas na região dos cerrados. Espécies das florestas . cujo centro geográfico está nesta região. (Tetragonisca) jaty das florestas existem duas subespécies. Ambas as subespécies de ambas as espécies ocorrem em volta de Brasília onde foi vista uma colônia que continha ambas as subespécies de T. Certas abelhas são polinizadoras de Malpighiaceae. Nos cerrados os adultos estão ativos principalmente durante os meses mais secos e muitas delas são especialistas que visitam plantas típicas dos cerrados. As grandes espécies de Xylocopa e dos gêneros Centris. concolor se encontra ao longo do trecho do Uruguai e Rio Grande do Sul até o Distrito Federal. Quatro categorias de distribuição geográfica são reconhecidas . Baseado largamente em investigações pessoais da apifauna da região. Similarmente Tetragonisca j. Comentários adicionais Muitas espécies são muito conservadoras na sua escolha do lugar de nidificação. Muitas dessas espécies ocorrem em vários tipos de habitat. nos cerrados. 4. Paraguai e nos Estados de Rio Grande do Sul e Mato Grosso.Muitas espécies ocorrem do México e América Central até Paraguai e Argentina. Um ponto que merece maior investigação é o de que as distâncias entre remanescentes de floresta podem ser um fator importante (Raw 1989). 1.ampla. Trigona s. Outras nidificam na floresta e forrageiam nas flores em áreas abertas. spinipes ocorre na maior parte da região neotropical . Cerrados . Por exemplo. 4. como as plantas têm muitas espécies nos cerrados. Paratetrapedia.Brasil e da Amazônia. em duas espécies da tribo Meliponini: Trigona spinipes das savanas e T. 180 . certas espécies são endêmicas à região dos cerrados.desde México até Argentina. cujas flores secretam óleos em vez de néctar (Vogel 1969b. III. São Paulo e Santa Catarina. Os resultados sugerem que necessitam-se muitas coletas adicionais para poder-se interpretar os dados satisfatoriamente. A justificativa principal para a inclusão deste grupo taxonómico no presente trabalho é sua a implicação para avaliações zoogeográficas das informações sobre a recolonização e extinção freqüente de espécies ao longo de tempo. angustula ocorre na Argentina. Um aspecto geográfico interessante visto em alguns dos táxons com esta distribuição Leste . Entretanto. jaty ocorre do México até Goiás.Oeste é a presença ao redor de Brasília de indivíduos que possuem a mistura dos caracteres morfológicos da Amazônia e das populações costeiras. os adultos aparecem somente durante um período particular do ano quando suas plantas preferidas florescem. É possível que os locais de nidificação sejam tão importantes quanto os recursos alimentares para manter as populações de certas espécies. pode ser interessante a presença de vários remanescentes pequenos e próximos. A proximidade da água é importante para certas abelhas e pode ser o fator crucial na localização do ninho. Por isso. Várias espécies são restritas aos cerrados e. Buchmann 1987) que são utilizados para criar a prole. nas florestas. 1. Estas abelhas voam longas distâncias e podem especializar-se nas suas dietas e visitar árvores esparsamente dispersas ao longo de uma rota memorizada até 20 km. Trigona s. Como indicado acima. Espécies das savanas . spinipes. enquanto T. Espécies de ampla distribuição . As relações dos membros dos gêneros Centris. 2. Monoeca e Tetrapedia estão entre as mais notáveis nos Neotrópicos e. Existem dois casos estranhos entre as abelhas. Epicharis. j. 2. Outras. são raramente encontradas nas regiões vizinhas. Eulaema e Euplusia são os visitantes principais de muitas árvores e trepadeiras tropicais.Algumas espécies são endêmicas aos cerrados do Brasil central. Raw 1979. Riqueza de espécies e zoogeografia das vespas sociais dos cerrados do Brasil Central. A maioria da tribo Meliponini são espécies das florestas.

o segundo será tratado aqui. muitas 181 espécies das 127 espécies de Mischocyttarus (o único gênero na tribo Mischocyttarini) e várias de Polybia e Protopolybia são restritas a áreas muito pequenas. Os números de espécies de vespas conhecidas de cinco áreas de 8 a 18 milhões de quilometros quadrados foram comparados e o resultado (Figura 1) sugere que as coletas nos cerrados e no Brasil ainda são deficientes para poder basear análises zoogeográficas nos dados existentes. Os números registrados refletem tanto o esforço de coleta e o trabalho dos taxonomistas como a composição da fauna. O Brasil é o país mais rico das Américas em números de espécies com 58% do total (Tabela 33).A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Levantamentos . Ainda faltam muitos dados sobre as distribuições geográficas destas espécies. Também. Richards (1978) registrou 12 espécies. Por exemplo. Estes são a latitude e a vegetação.br/zoo). dados pessoais). dados pessoais).bibliografia A única publicação sobre a classificação com informações zoogeográficas deste grupo de vespas na região do Brasil Central é o importante livro de Richards (1978). dos quais. porém. após 17 anos de coletas. foram encontradas somente nas últimas décadas. . Gêneros de Epiponini cujas espécies têm distribuições restritas são Marimbonda. Aparentemente dois fatores ambientais influenciam os números de vespas sociais que ocorrem nas regiões continentais. são Polistes. 2 por Raw (1985) e as descrições de 4 ainda não foram publicadas. Asteloeca. Deste total. das Américas têm amplas distribuições geográficas. o que aumentaria o total para 80 espécies. Várias das 155 espécies de Epiponini (que reproduzem por enxames) e das 83 espécies de Polistes Figura 1. Dados adicionais são fornecidos por Raw (1985). Clypearia e Metapolybia. Clypearia. Nectarinella. Coletas recentes sugerem que é bem possível que várias espécies ainda não sejam conhecidas. Levantamento da região Na região dos cerrados são 139 espécies e 21 gêneros de vespas sociais registradas (Tabela 23). o número aumentou e atualmente são 63 espécies conhecidas do DF (Raw. 15 por Richards (1978). Os gêneros que possuem muitos membros amplamente distribuídos.unb. que são restritas. Archer 1989. Entretanto. em vários gêneros existem espécies que são amplamente distribuídas e outras. Polybia e Synoeca. As vespas sociais nas Américas As 139 espécies registradas nos cerrados representam 24 % das vespas sociais conhecidas nas Américas e 43 % das registradas no Brasil (Richards 1978. 21 espécies novas (15 %). Relação das localidades inventariadas Em todos os locais citados no trabalho sobre as abelhas silvestres da região. para o Distrito Federal. Números de espécies de vespas sociais conhecidas em cinco áreas (após Richards 1978 e Raw http://www. as vespas sociais também foram vistoriadas. enquanto é possível que 17 que ocorrem nas vizinhanças no Estado de Goiás também ocorram no DF.

versicolor. 35 espécies de vespas sociais foram registradas em um área de 8ha perto de Brasília. Restritas aos cerrados Algumas espécies como Polistes davillae. Goiás e Mato Grosso. seis ocorreram em poucos censos consecutivos e 24 desapareceram e reapareceram em um total de 38 ocasiões. melanoxanthus são restritas às regiões de altitude ao redor de Brasília. são reconhecidas quatro categorias de distribuições das vespas sociais. isto é a recolonização e extinção freqüente e de espécies ao longo do tempo. A alta taxa de mudança (de ¼ a ½ das espécies desapareceram de um levantamento ao próximo) mostra que o sistema está aberto. em contraste. Os fenômenos de extinção local e recolonização são bem conhecidos em comunidades sucessionais (desde Cowles 1899) e sua importância no que diz respeito à biota em ilhas foi enfatizada por Macarthur e Wilson (1967). Protonecterina sylveirae é uma espécie típica das regiões secas com vegetação aberta desde Argentina e Paraguai até Ceará. M. O autor considera importante levar estes resultados em mente quando tenta interpretar as análises zoogeográficas de outros grupos taxonómicos. Um inventário de longo prazo das vespas sociais neotropicais foi utilizado para avaliar a hipótese de não equilíbrio (Raw). Protopolybia sedula e Brachygastra lecheguana. Várias espécies de Polistes são comuns em savanas e habitats perturbados enquanto. 3. Entretanto. O número médio de espécies registrado por ano foi 17. Baseado principalmente nas investigações pessoais sobre a fauna apícola da região. Em 9 censos conduzidos a cada dois ou três anos durante 21 anos. que são conhecidas somente do Distrito Federal. Principalmente restritas às savanas Membros deste grupo ocorrem dos pampas do Sul até à Caatinga e são comuns nos cerrados. Mischocyttarus campestris.Efeito do tipo de vegetação As vespas sociais se encontram em vários tipos de habitat e muitas espécies mostram preferências para certos tipos de vegetação (Raw 1992). Parachartergus fraternus. P. e são mais generalistas em termos de dieta e com nichos mais amplos. goyanus. enquanto mais 10 a 14 compõem se um total de 30 espécies. M. . e as quatro cujas descrições ainda não são publicadas. 48º 52’ W). 12km ao sul do centro de Brasília (15º 52’ S. Cinco espécies estavam presentes em cada censo. Estas incluem Mischocyttarus campestris e M. Polybia emaciata e P. Entretanto. A recolonização e extinção freqüente de espécies A hipótese “não-equilíbrio” de Hubbell (1979) procurou explicar a alta diversidade de espécies de árvores nas florestas tropicais. como muitas das espécies de Mischocyttarus são restritas a florestas tropicais é provável que a maioria dos novos registros de espécies conhecidas e coletas de espécies novas seriam nas matas ciliares. P. Polistes erythrocephalus.2 (de 15 a 19). O agrupamento das vespas como espécies da floresta. Outras nidificam nas matas e visitam flores nas áreas de vegetação aberta. Destas últimas. a riqueza das espécies dos locais vizinhos e a disponibilidade das vespas para recolonizar um local. mattogrossoensis e M. em Minas Gerais. Principalmente restritas às florestas Certas espécies são restritas às florestas e raramente encontradas fora das matas de galeria. satan. muitas espécies de enxames e a grande maioria das espécies de Mischocyttarus são restritas a florestas tropicais. A sugestão é que a classificação da comunidade inteira de vespas como determinística ou estocástica simplifica demais a situação porque a comunidade contém espécies dos dois tipos. giffordi. são ativas como adultos durante o ano inteiro. um estudo sobre arvores da floresta primaria levaria séculos. O estudo foi feito no vale da Cabeça de Veado. A justificativa principal para fornecer informações para este encontro sobre este grupo taxonómico é a interpretação das informações sobre a recolonização e extinção freqüente de espécies ao longo de tempo. 2. Entretanto. Estas são: 1. Áreas críticas O problema na tentativa de identificar áreas críticas é que os dados são insuficientes para fazer uma avaliação confiável sobre os locais. Muitas destas espécies ocorrem do México e América Central até Argentina. occidentalis se encontram desde a América central até o Brasil. é difícil coletar informações sobre este assunto em florestas. Amplamente distribuídas Certas espécies de marimbondos que ocorrem no Brasil central possuem amplas distribuições geográficas (Richards 1978). São ativas como adultos principalmente durante a época chuvosa e são mais especialistas visitando flores das plantas do cerrado. Stelopolybia multipicta. Polistes carnifex e P. 4. Possivelmente algumas são endêmicas. Várias delas encontram-se em vários tipos de habitat. canadensis se distribuem desde o Arizona nos Estados Unidos até o sul do Brasil. da borda de floresta e da savana sugere que cada subgrupo compõe-se larga182 Distribuições zoogeográficas nos cerrados A questão de distribuição geográfica dos cerrados é fascinante.

A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados mente ou totalmente de uma “comunidade controlada pelas fundadoras” [founder-controlled community] na qual nenhuma espécies é dominante. seus nichos são semelhantes ou idênticos e todos os membros do subgrupo estabelecem sua presença em uma “loteria competitiva” (Sale 1977. S = sulista. Begon et al. A = Amazônia. M = margem. As distribuições geográficas são: G = grande.unb. Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica Polistes carnifex (F) 1 1 1 1 1 1 major Palisot de Beauvois 1 1 1 brevifissus Richards 1 1 1 1 1 1 1 canadensis (L) 1 1 1 1 1 1 erythrocephalus Latreille 1 1 1 1 1 1 ferreri de Saussure 1 1 1 1 1 goeldii (Ducke) 1 1 1 1 lanio (F) 1 1 1 1 1 1 1 satan Bequaert 1 1 1 1 versicolor (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 bicolor Lepeletier 1 1 1 1 b. S = savana. Tabela 33. E = endêmica. biglumoides Ducke 1 1 1 b. 1979. S F S S M F S S S M S S C C G A A G G G S paraguayensis Bertoni 1 1 cinerascens de Saussure 1 1 1 1 1 1 davillae Richards 1 1 1 geminatus Fox 1 1 1 1 1 1 melanosoma de Saussure 1 1 1 niger Brèthes 1 1 occipitalis Ducke 1 1 1 F A pacificus F 1 1 1 1 1 rufiventris Ducke 1 1 1 subsericeus de Saussure 1 1 1 1 1 1 1 testaceicolor Bequaert 1 1 1 1 thoracicus Fox 1 1 1 1 1 Mischocyttarus drewseni de Saussure 1 1 1 1 1 1 1 labiatus (F) 1 1 1 1 matogrossoensis Zikán 1 1 1 M M S C G gynandromorphus Richards 1 1 S M F A 183 . Raw http://www. A riqueza de espécies no local é mantida alta por causa da grande riqueza de espécies nos locais ao redor de onde os recrutas vêm (Sale e Douglas 1984). C = cerrados. Listas das 139 espécies de vespas sociais registradas da região dos cerrados (Richards 1978.floresta.br/zoo/. ruficornis de Saussure s s 1 s s 1 s s s M. As espécies ocupam espaços quando estejam disponíveis e qualquer espécie pode ocupar qualquer espaço indiferente de qual das espécies venha a desocupá-lo. S M. S M M M M. dados pessoais). 1996: 821- 822). billardieri F 1 1 b. Os tipos de vegetação são: F .

Raw MS 1 1 Pseudopolybia compressa (de Saussure) 1 1 1 1 difficilis (Ducke) 1 1 1 vespiceps (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 1 Chartergellus communis Richards Parachartergus 1 1 1 1 1 1 M C F F M. styx Richards 1 1 1 s giffordi Raw 1 1 melanoxanthus Richards 1 1 1 1 surinamensis (de Saussure) 1 1 1 1 tertius Richards 1 1 F F M M F M M F A E artifex (Ducke) 1 1 tricolor Richards 1 1 1 undulatus (Ducke) 1 1 atramentarius Zikán 1 1 1 frontalis (Fox) 1 1 1 funerulus Zikán 1 goyanus Zikán 1 1 1 1 injucundus (de Saussure) ? 1 1 1 1 latior (Fox) 1 1 1 1 campestris Raw 1 cassanunga (Ihering) 1 1 1 1 f. cerberus Ducke 1 1 c. flavicornis Zikán 1 1 1 1 1 marginatus (Fox) 1 1 1 1 F M M M S M C C M S E C metathoracicus (de Saussure) 1 1 1 chapadae (Fox) 1 1 collarellus Richards 1 1 omicron Richards 1 1 punctatus (Ducke) 1 1 1 foveatus Richards 1 1 1 lecointei (Ducke) 1 1 new sp.S G M F A E 184 .Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica rotundicollis (Cameron) 1 1 1 1 1 1 1 1 F G tomentosus Zikán 1 1 1 1 annulatus Richards 1 1 1 c.

A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica fraternus (Gribodo) 1 1 1 1 1 1 1 F. M G lenkoi Richards 1 1 pseudapicalis Willink 1 1 1 1 1 smithii (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 Leipomeles dorsata (F) Marimbonda albogrisea Richards Angiopolybia pallens (Lepeletier) 1 1 1 1 1 1 1 1 paraensis (Spinola) 1 1 1 1 Stelopolybia F F G A 1 1 C 1 1 1 1 F G F M F F F F F F F F F F F F F S G A angulata (F) 1 1 1 1 1 1 angulicollis (Spinola) 1 1 1 cajennensis (F) 1 1 1 1 1 flavipennis (Ducke) 1 1 1 1 1 1 fulvofasciata (Degeer) 1 1 1 1 1 hamiltoni Richards 1 1 1 hyalinipennis Richards MS 1 1 1 lobipleura Richards 1 1 multipicta (Haliday) 1 1 1 1 1 myrmecophila (Ducke) 1 1 1 1 1 pallipes (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 testacea (F) 1 1 1 1 1 vicina (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 Apoica F F S F G G F G G G arborea (de Saussure) 1 1 1 1 1 flavissima Van der Vecht 1 1 1 1 1 1 pallens (F) 1 1 1 1 1 1 pallida (Olivier) 1 1 1 1 1 thoracica du Buysson 1 1 1 1 1 1 1 Protopolybia gelida Van der Vecht 1 1 1 1 strigata Richards 1 1 1 1 M M. S chartergoides (Gribodo) 1 1 1 1 1 1 exigua (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 185 .

ruficeps Schrottky 1 1 1 1 1 scrobalis Richards 1 1 1 1 1 dimidiata (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 emaciata Ducke 1 1 1 1 1 1 1 scutellaris (White) 1 1 1 1 1 singularis Ducke 1 1 1 1 1 affinis du Buysson 1 1 1 1 chrysothorax (Lichtenstein 1 1 1 1 1 1 1 1 ignobilis (Haliday) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 sericea (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 tinctipennis Fox 1 1 1 1 1 1 Protonectarina M F. playcephala Richards 1 1 1 s M. S M M. sylvestris Richards r. S M G S p. M S F.Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica sedula (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 1 1 M Charterginus 1 1 1 1 1 M fulvus Fox Polybia F F M F. S F. xanthops Richards 1 1 s s M M M. M M liliacea (F) 1 1 1 1 1 1 1 striata (F) 1 1 1 1 1 1 jurinei bifasciata quadricincta rejecta (F) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 bistriata (F) 1 1 1 1 1 1 erythrothorax Richards 1 1 1 1 1 fastidiosuscula de Saussure 1 1 1 1 1 1 flavifrons hecuba Richards 1 1 1 1 1 1 1 occidentalis (Olivier) 1 1 1 1 1 1 1 1 1 paulista von Ihering 1 1 1 1 1 p. M M G s r. M G G gorytoides Fox 1 1 micans Ducke 1 1 1 1 S sylveirae (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 Brachygastra S M S G albula Richards 1 1 1 augusti (de Saussure) 1 1 1 1 1 1 bilineolata Spinola 1 1 1 1 lecheguana (Latreille) 1 1 1 1 1 1 1 1 186 .

A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados Tabela 33 (continuação) Vespa BA DF GO+TO MA MG MT+MS PA RO Cerra- Habitat Distribuição dos geográfica moebiana (de Saussure) 1 1 1 1 1 S scutellaris (F) 1 1 1 1 1 1 smithii (de Saussure) 1 1 1 Chartergus chartarius (Olivier) 1 1 1 1 globiventris (Olivier) 1 1 1 1 1 metanotalis Richards 1 1 1 1 Epipona M M M M M M M G G quadrituberculata (Gribodo) 1 1 1 1 1 tatua (Gribodo) 1 1 1 1 1 1 Clypearia M F angustior Ducke 1 1 1 humeralis Richards 1 1 Occipitalia 1 1 M new species 1 Raw MS Metapolybia F. M F M M G cingulata (F) 1 1 1 1 1 1 servilis Richards ms 1 1 1 1 suffusa (Fox) 1 1 1 1 Synoeca surinama (L) Resumo Polistes Mischocyttarus Pseudopolybia Chartegellus Parachartergus Leipomeles Marimbonda Angiopolybia Stelopolybia Apoica Protopolybia Charterginus Polybia Protonectarina Brachygastra Chartergus 11 14 13 3 13 1 1 1 1 1 1 1 1 1 5 12 18 16 3 24 6 24 12 5 32 9 3 1 1 2 1 1 3 3 3 1 1 1 1 1 1 1 1 3 2 2 4 2 1 4 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 2 3 2 3 3 2 6 5 5 12 10 7 7 13 7 2 4 4 3 6 4 2 2 3 3 2 3 2 3 3 1 1 1 1 1 12 17 19 11 17 26 20 14 26 1 1 1 1 1 1 2 3 4 2 2 7 5 3 7 3 1 3 2 1 3 187 .

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O Parque não está implantado na sua totalidade e falta a inclusão das encostas ricas em espécies. evidenciado pelas espécies bênticas de copépodes. pois apresentam alto grau de endemismo de espécies de invertebrados. enclaves de Cerrado e faixas de transição com outros biomas (Vanzolini 1986. A representatividade da fauna regional em relação à brasileira varia entre os grupos. Mato Grosso. incluindo o Distrito Federal. tais como florestas decíduas em afloramentos calcários. Os limites das áreas protegidas já criadas também devem ser revistos. Em três ordens de insetos. campos rupestres. Ao contrário do tradicionalmente aceito para vertebrados. norte de Tocantins. a maior parte do Tocantins. inclusive experimental. afetar toda área do Pantanal. incluindo o Triângulo Mineiro. C. o Centro-Oeste brasileiro. c. As ações prioritárias para conservação da biodiversidade de invertebrados no Cerrado e no Pantanal. a representação geográfica das regiões e dos estados. Hymenoptera e Isoptera. torna-se necessário o: a. indo de menos de 20% (abelhas e formigas) a mais de 50% para os lepdópteros (mariposas e borboletas).As veredas. adjacentes às áreas altas do Parque. na identificação de três grandes sub-regiões faunísticas para alguns grupos de insetos. como. As áreas no limite norte da distribuição dos cerrados são muito menos conhecidas e a separação em sub-regiões é mais clara nas regiões de Goiás. áreas no Pantanal Mato-Grossense. especialmente. A área do norte de Minas também é muito pouco conhecida. A situação é especialmente crítica em Goiânia. a parte norte do Mato Grosso do Sul e parte de Minas Gerais. As subregiões são: A. O vão do Paranã e porção adjacente ao Parque abrigam muitas espécies de Lepdoptera do sul do Brasil. dinâmica e funcionamento dos diferentes tipos de ecossistemas do bioma Cerrado e sua biota. Estabelecimento de Reservas Científicas próximas de universidades e outras instituições de pesquisa com o propósito de facilitar. também.425 e representa 47% da fauna estimada do Brasil. que têm aí o seu limite norte de distribuição. para copépodos. em especial Hymenoptera. d. Duas áreas contínuas deveriam ser acrescentadas ao Parque: o vão do Paranã (mata de aroeira) e a parte alta à direita da estrada que ficou fora da área de preservação. o leste da Chapada dos Veadeiros e do vão do Paranã incluindo cerrados do norte de Minas. por exemplo. O ambiente peculiar das cavernas propicia alta taxa de espécies endêmicas. Maranhão e Piauí. Como já apontado. Lepidoptera. b. Aumento de áreas já preservadas. Vale a pena ressaltar a evidente concentração de informações sobre a fauna do Distrito Federal e da Serra do Cipó. baseiam-se inicialmente. Com base nas informações disponíveis e na experiência de coleta de alguns dos participantes da 190 Oficina de Avaliação foram sugeridas três grandes sub-regiões faunísticas para alguns grupos de insetos do cerrado (figura 2).Síntese dos Grupos Temáticos Áreas prioritárias e Recomendações para Conservação dos Invertebrados do Cerrado e Pantanal Uma surpreendente quantidade de informação foi reunida sobre os invertebrados do Cerrado. Estas duas áreas são contínuas. A degradção dos rios e das nascentes do Planalto Central poderá. especialmente daquelas fitofisionomias do Cerrado ainda mal representadas. A região do Parque Nacional da Chapada dos Guimarães engloba a transição entre o Cerrado do Planalto Central e a Planicie Amazônica. florestas estacionais em afloramentos basálticos. sobre a estrutura. Bahia e Minas Gerais. ao tamanho das unidades e à representatividade da enorme heterogeneidade regional do bioma do Cerrado. Estabelecimento de novas UCs. As regiões com grutas e cavernas devem receber atenção especial para garantir a sobrevivência das espécies restritas a esses ambientes peculiares. a região mais ao sul e sudeste dos cerrados incluindo São Paulo e parte de Minas Gerais. Bahia. Também recomenda-se a utilização das bacias hidrográficas no planejamento das Unidades de Conservação. Estabelecimento de áreas que incluam regiões de grutas e cavernas. B. o número de espécies estimado para o Cerrado é de 14. Por isso. como o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. carrascos. Leptoptera e Isoptera. Alho & Martins 1995). parece existir uma fauna de invertebrados típica do Cerrado e. com uma alta proporção de espécies exclusivas do bioma. o Parque Nacional Chapada dos Veadeiros. MG. os campos úmidos e de murundu são também prioritárias. Goiás. Quanto às Unidades de Conservação (UCs) do Cerrado. Campo Grande e Teresina (Dias 1994). estas foram consideradas mal distribuídas quanto aos tipos. . Dias 1994. muitas espécies de Lepidoptera do sul do Brasil tem aí o seu limite norte de distribuição. baratear e otimizar a realização de pesquisa.

devido ao alto grau de endemismo de espécies de invertebrados. d) as áreas disjuntas da Amazônia. 7) Pequenas áreas de preservação: Para a fauna de invertebrados as pequenas áreas são também importantes e devem ser mantidas e distribuídas em toda a região de cerrado. de conhecimentos faunísticos e pela grande variedade de fisionomias. Para a fauna de invertebrados aquáticos e terrestres. 1) Áreas que não foram amostradas Para a maioria dos 32 filos e 89 classes listados por Dias (1992) as áreas não amostradas infelizmente incluem praticamente toda a região de Cerrado. com o incentivo para o conhecimento de suas biotas. (1996). f. c) campos de murundus. inclusive experimental. barateia e otimiza a realização de pesquisa. b) campos úmidos. as propostas por Ratter et al. 3) Áreas de cabeceiras Estas áreas. nas áreas de preservação já existentes. A área de Grão . Assim. 6) Áreas de cerrado no Estado de São Paulo Para o Estado de São Paulo deverão ser seguidas as recomendações do PROBIO (1997). Grão Mogol e Diamantina. por exemplo. f) as faixas de transição com outros biomas. quanto a representação geográfica das regiões e dos estados. frágeis e que sofrem uma grande pressão antrópica. podendo ser acrescentada às áreas próximas a Uberlândia e Lavras. dinâmica e funcionamento dos diferentes tipos de ecossistemas do bioma Cerrado e sua biota. Utilizar as bacias hidrográficas no planejamento das áreas de conservação. torna-se necessária uma melhor distribuicão da malha de unidades de preservação em toda a região.pela ausência de áreas de preservação. para os grupos tratados mais detalhadamente aqui as áreas de Cerrado com menor ou nenhum conhecimento são: a) a parte mais ao norte da distribuição contínua de Cerrado incluindo especialmente o Tocantins. Seguem-se ainda algumas propostas específicas para a conservação da biodiversidade no Cerrado. sobre a estrutura. Pequenas áreas apresentam desvantagens quanto à manutenção e gerenciamento. especialmente Amazônia e Caatinga. algumas recomendações gerais sobre áreas de preservação na região do Cerrado estão listadas a seguir: mostrando diferentes sub-regiões florísticas como. b) áreas com afloramento basáltico com solos ricos e matas semi-decíduas no eixo Morrinhos . evidenciado pelas espécies bênticas de copépodes (Reid 1994e).A riqueza de espécies e aspectos zoogeográficos nos cerrados e. com implementação de planos de manejo. Além da grande variação fitofisionômica do Cerrado. englobando o maior número possível de veredas. campos úmidos e de murundus. 4) Áreas em diferentes subregiões do Cerrado As UCs do Cerrado são mal distribuídas quanto aos tipos. Estas áreas apresentam alto endemismo conhecido para dípteros e têm sua biota muito pouco conhecida. 1) Estabelecimento de novas Unidades de Conservação a) Na divisa do Piauí com a Bahia . Maranhão e Piauí.Goiânia . A partir das informações acima. são consideradas importantes corredores de migração dentro de bacias hidrográficas. d) áreas de carrasco e outras fitofisionomias.Serra Dourada. estudos com a vegetação deste bioma vêm 191 5) Áreas de preservação próximas a instituições de pesquisa O estabelecimento de áreas de preservação próximas a instituições de pesquisa facilita.Niquelândia e Goiás Velho . c) os enclaves de campo rupestre. No entanto. especialmente nos parques nacionais na região do Cerrado.Pirenópolis . Têm uma fauna muito pouco conhecida e as informações existentes apontam para uma fauna muito rica e fortemente endêmica. esta quase no limite sul da distribuição dos cerrados em Minas Gerais. as cabeceiras incluem uma grande variedade de fisionomias como: a) veredas. Campo Grande e Teresina (Dias 1994). 2) Áreas com características específicas São áreas com fisionomias ou outras características específicas que provavelmente incluem alta proporção de espécies exclusivas: a) áreas de afloramentos calcáreos com cavernas e matas semi decíduas. e) as áreas disjuntas de savanas amazônicas. porém podem representar uma vantagem do ponto de vista de disponibilidade de terras especialmente em regiões sob forte crescimento demográfico. Está razoavelmente bem conservada atualmente e não apresenta grande ocupação humana. conhecido como “Mato Grosso de Goiás”. b) o norte de Minas Gerais. Este Grupo de Trabalho aponta também para sub-regiões faunísticas no cerrado. Estabelecer muitas UCs. 8) Áreas de preservação já existentes Recomenda-se um forte esforço para a manutenção. A área da Serra do Cabral é rica em belezas cênicas e pinturas rupestres. ao tamanho e à representatividade da enorme heterogeneidade regional do bioma do Cerrado. c) a região do Triângulo Mineiro. b) Nos campos rupestres de Minas Gerais nas regiões de Serra do Cabral (município de Joaquim Felício). A situação é crítica em Goiânia.

campos úmidos e de murundus.s. c) Em Posse (GO) . A área de Diamantina está na parte central do Espinhaço Meridional.Áreas prioritárias para conservação da Biodiversidade dos Invertebrados 192 .sul do Pará e) Em áreas de veredas. noroeste do Mato Grosso. Recomenda-se a criação de um museu na região c������� entral do Cerrado. representando o início da transição cerrado . evidenciado pelas espécies bênticas de copépodes. Duas áreas contínuas deveriam ser acrescentadas ao Parque: o vão do Paranã (mata de aroeira) e a parte alta à direita da estrada que ficou fora da área de preservação. d) Grandes áreas de Cerrado sem inventários e sem Unidades de Conservação: noroeste de Goiás . O Parque não está implantado na sua totalidade e falta a inclusão das encostas (ricas em espécies) adjacentes às áreas altas do Parque.Mogol apresenta elementos de ecossistemas áridos.caatinga em direção ao rio São Francisco. sudeste do Mato Grosso . A região engloba a transição entre o Cerrado do Planalto Central e a Planície Amazônica. com praticamente nenhum inventário. b) Parque da Chapada dos Guimarães. especialmente em áreas menos conhecidas do Cerrado e nos parques nacionais. Possui beleza cênica com potencial para ecoturismo e interesse histórico. Humaitá (AM). e veredas bem preservadas. devido ao alto grau de endemismo de espécies de invertebrados. nordeste do Mato Grosso . Rondônia. É imprescindível também que os materiais coletados sejam adequadamente acondicionados em coleções reconhecidas.possui áreas de cerrado s. Figura 2 . Estas duas áreas são contínuas. e que permitam e facilitem o acesso de ����������������������������� taxonomistas a seus acervos. Faz-se urgente um esforço de inventários. 2) Aumento de áreas já preservadas a) Parque da Chapada dos Veadeiros.sul de Tocantins. possui inventários extensivos sobre a maioria dos grupos apresentando alta diversidade.norte do Mato Grosso do Sul.

Diversidade e conservação da biota aquática Biota Aquática 193 .

Participantes do grupo de trabalho Mauro César Lambert de Brito Ribeiro (Coordenador) Heraldo Britski (consultor) Alcides Ramos Júnior Andrea Figueiredo Carolina Joana da Silva Claudia Padovesi Fonseca Débora Calheiros Francisco Arruda Machado Francisco Antonio R. J. Barbosa Janet Reid João Paulo Viana June S. de Freitas Victor S. Perdigão Walter Barrella Warton Monteiro .

é preciso considerar simultaneamente as influências próprias e conjuntas da história zoogeográfica dos organismos e da evolução físico – climática global e continental sobre os processos regionais e locais que atuam sobre as associações atuais de espécies em cada bacia hidrográfica. (v) Endemismos e raridades. C. (iii) caracterização da riqueza.950 (com 195 Unidades ictiofaunísticas do Cerrado e Pantanal A ocorrência local de espécies de peixes de água doce está relacionada a diversos fatores que atuam em uma complexa hierarquia de escalas temporais e espaciais. composição de ordens. foram recentemente testadas estatisticamente por Matthews (1998) e explicam a evolução do conjunto de espécies disponíveis para colonizar as respectivas bacias hidrográficas que as compõem. Em águas doces da Região Neotropical na América do Sul. Cerrado e Pantanal são drenados por uma densa rede de riachos e pequenos rios. Este capítulo é uma compilação daqueles dois documentos. devido à pouca disponibilidade de informações sobre o assunto até a data do workshop. gêneros e espécies e padrões de similaridade entre as diferentes regiões ictiofaunísticas. Seu contorno é limitado pelas partes mais altas do relevo. por apresentarem grande número de informações e serem bem representativos dos processos e padrões que organizam os ecossistemas aquáticos continentais. interconexões pretéritas entre bacias hidrográficas e redirecionamento de trechos de drenagens (captura entre bacias) tornaram-se avenidas pré-históricas de dispersão de peixes entre bacias atualmente isoladas. e que variam desde bilhões de anos e abrangência global e continental. formadores das principais bacias hidrográficas do Brasil. acrescida das discussões e sugestões do grupo temático advindas da Oficina. Nelson (1994) estima em 24. com o objetivo de estabelecer para o bioma: (i) regiões ictiofaunísticas. Bacias hidrográficas atualmente isoladas. classificadas hierarquicamente como Províncias e Domínios ictiofaunísticos (em escala sub-continental) e Regiões Ictiogeográficas (em escala global). B. com o canal principal correndo no fundo dos vales (Ferreira 1988). H.618 o número de espécies de peixes conhecidos da ciência. e (x) medidas de ação prioritárias para a conservação e uso sustentável da biodiversidade aquática. cada bacia hidrográfica possui geralmente uma ictiofauna isolada das outras bacias por extensões de terras intransponíveis. 1966). Assim. e mudanças climáticas sobretudo no Pleistoceno) foram fatores preponderantes no controle da densidade de espécies e padrões de evolução dos peixes em cada bacia hidrográfica. 1998). Por isso. M. a região zoogeográfica de maior riqueza de espécies de peixes do mundo. (vi) principais ameaças e habitats e regiões mais vulneráveis. homólogas àquelas propostas no século 19 por Alfred Russell Wallace para a fauna terrestre (Myers. 1998) e à biodiversidade de espécies (“Peixes do Cerrado e Pantanal” – Britski. Em conjunto. Esse painel temático subsidiou as recomendações do grupo sobre (viii) áreas prioritárias para conservação da biota aquática. a ictiofauna da bacia tem sua história evolutiva mais recente vinculada primariamente à história da própria bacia.Diversidade e conservação da biota aquática Diversidade e conservação da Biota Aquática Mauro César Lambert de Brito Ribeiro (Organizador) Introdução Com o objetivo de subsidiar as discussões e recomendações do Grupo Biota Aquática. Assim. destacando as (ii) principais lacunas de conhecimentos sobre a biodiversidade aquática nessas regiões. (ix) áreas prioritárias para inventários da biota aquática. famílias. Considerações sobre os princípios gerais que podem influenciar a organização da biota aquática no Cerrado e Pantanal pautaram esses estudos preparatórios e as discussões no grupo temático. foram elaborados dois estudos preparatórios que focalizaram de forma complementar critérios e atributos relativos à biodiversidade de ecossistemas (“Conservação e Uso Sustentável da Biota Aquática do Cerrado e Pantanal” – Ribeiro.. Smith (1981) concluiu que barreiras à dispersão (limites das bacias hidrográficas dentro dos continentes e limites entre continentes em escala global. mas com histórias evolutivas entrelaçadas. A biodiversidade genética da biota aquática foi abordada superficialmente nesses textos. conectividade histórica entre bacias hidrográficas atualmente isoladas. o número de espécies é estimado em cerca de 2.. L. Por outro lado. aos processos ecológicos atuais e . Essas unidades ictiofaunísticas hierarquicamente estruturadas. A bacia hidrográfica ou sistema fluvial compreende o conjunto de terras drenadas por um rio principal e seus afluentes. pertencentes a três Domínios Ictiofaunísticos (Ringuelet 1975) da Região Neotropical. formam unidades maiores com razoável similaridade ictiofaunística entre si. o Cerrado e o Pantanal englobam frações distintas de cinco Províncias Ictiográficas. locais. Esses estudos basearam-se nos peixes como grupo indicador aquático. (vii) uso sustentável da biodiversidade. e a (iv) comparação desses padrões regionais com padrões locais. conhecidas como divisores de águas.

base em Nelson, 1994; Kullander, 1989; Miller, 1966). Na área nuclear do Cerrado e no Pantanal estimamos o número válido de espécies em cerca de 780; entretanto, este número pode sofrer consideráveis alterações no futuro, devido ao desconhecimento que ainda temos dessa ictiofauna, especialmente daquela dos rios que correm no Cerrado. As bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal pertencentes a cada uma dessas Províncias tem sua fauna ictiológica própria (Figura 1).

e trechos de seus afluentes da margem esquerda na Bahia (cursos superiores e médios dos rios Carinhanha e Correntes e cursos superiores dos rios Grande e Preto); (b) Província do Nordeste do Brasil, incluindo os cursos superiores de algumas bacias costeiras dos Estados do Piauí e Maranhão (rios Parnaíba, Itapecuru e Mearim). Outros trechos dessas bacias encontram-se em “Áreas de Tensão Ecológica” entre o Cerrado e biomas

Figura 1. Bacias hidrográficas do Brasil e área dos biomas Cerrado e Pantanal.

O Pantanal está inserido no Domínio do Paraná e é drenado apenas pelos cursos inferiores e médios dos afluentes da margem esquerda do alto rio Paraguai, (Província Alto-Paraguai), cujas cabeceiras estão localizadas no Cerrado. A Área Nuclear do Cerrado abrange parte dos Domínios do Paraná, Amazônico e do Leste do Brasil. O Domínio do Paraná, representado pela Província Alto-Paraná, estende-se (a) pelas cabeceiras do rio Paranaíba, seus afluentes da margem esquerda, e alguns de seus afluentes da margem direita, como o rio São Marcos e o alto-médio rio Corumbá; (b) pelos afluentes da margem direita do Alto rio Paraná (entre os rios Aporé e Anhanduí-Pardo). O Domínio Amazônico, na porção extremo-sudeste da Província Amazonas, abrange os cursos superiores e médios dos rios Araguaia e Tocantins e, na porção extremo-sul, os cursos superiores de alguns afluentes dos rios Xingu, Tapajós e Madeira. O Domínio do Leste do Brasil está representado (a) pela Província Rio São Francisco, incluindo as cabeceiras do rio São Francisco; seus afluentes da margem esquerda em Minas Gerais e Distrito Federal (subbacias do alto São Francisco, rios Paracatu e Urucuia); 196

adjacentes. No Ecótone Cerrado-Amazônia encontram-se as continuações dos cursos superiores de afluentes dos rios Madeira, Tapajós e Xingu. No Ecótone Cerrado-Caatinga estão o curso médio-superior do rio São Francisco e os cursos inferiores de seus afluentes na Bahia (baixo Carinhanha, baixo Correntes e baixo rio Grande). No Ecótone Cerrado-Amazônia-Caatinga encon­tram-se os cursos médios dos rios costeiros do Maranhão (rios Mearim e Itapecuru) e os cursos médio e inferior do rio Parnaíba. Em intrusões da Mata Atlântica no Cerrado estão os afluentes da margem direita do rio Paranaíba (rios Verde, Claro, Meia Ponte e dos Bois, além do curso inferior do rio Corumbá) e afluentes da margem esquerda do Alto Paraná (rios Paranapanema, Tietê e Grande). Cada uma dessas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal tem sua fauna ictiológica própria. No que se refere às condições físicas, existe certa similaridade entre os cursos de cabeceira de diferentes bacias hidrográficas em áreas do Cerrado. Apesar disso, em regra geral, a ictiofauna das cabeceiras tem relações mais estreitas com a da própria bacia a jusante do que com a de cabeceiras de outras bacias.

Diversidade e conservação da biota aquática

O grau de diferença entre a ictiofauna do curso superior de uma bacia e a do seu curso médio e inferior depende, em grande parte, do grau de isolamento atual entre essas porções da bacia, o que geralmente, é determinado pelo número e desnível das cachoeiras e corredeiras ao longo dos cursos; mas essa diferença também depende de outros fatores históricos, como a ocorrência de captura de cursos de outras bacias, e persistência ou não daquelas mesmas barreiras no decurso do tempo. O Cerrado apresenta ainda hoje importantes conexões entre cabeceiras de bacias adjacentes, áreas conhecidas como “Águas Emendadas”, que podem ter representado ou ainda representarem oportunidades de trocas (misturas) entre ictiofaunas que evoluíam isoladamente. A maior concentração dessas áreas encontra-se na Região Metropolitana do Distrito Federal. Nessa região encontram-se três conexões importantes: (a) entre as cabeceiras dos rios Maranhão-São Bartolomeu/Corumbá (Tocantins-Paranaíba); (b) entre as cabeceiras dos rios Paranã-Preto/Paracatu (TocantinsSão Francisco); (c ) entre as cabeceiras dos rios PretoSão Marcos (São Francisco-Paranaíba). Dessas áreas, apenas a primeira encontra-se protegida pela Estação Ecológica de Águas Emendadas, no Distrito Federal. A segunda desapareceu com a urbanização da cidade de Formosa-GO, restando apenas conexões via tubulões subterrâneos conectando duas lagoas. A terceira área, localizada no córrego Arrependido-MG, afluente do rio Preto que em parte do ano se “arrepende” e drena para o rio São Marcos, está fadada a desaparecer sob as águas do reservatório de Queimados, caso o projeto original seja implementado. Dentro de cada bacia hidrográfica, os padrões de distribuição da ictiofauna estão relacionados a diferentes fatores físicos e bióticos que atuam desde a escala sub-regional de sub-bacias, à escala local que envolve trechos ou segmentos de rios, habitats e microhabitats. Para as bacias hidrográficas que drenam o Cerrado e Pantanal essas relações ainda não foram estabelecidas dificultando a compreensão dos padrões de distribuição da ictiofauna nessas escalas mais finas de observação. Todavia, para embasar as discussões e recomendações propostas para a conservação da biota aquática faremos algumas considerações sobre abordagens possíveis. Na escala sub-regional, a distribuição das espécies dentro de cada bacia hidrográfica parece relacionada à compartimentação geológica – geomorfológica da bacia, aliada às diferenciações hidrológicas sub-regionais. Sub-divisões das bacias hidrográficas em sub-bacias e micro-bacias por ordem de drenagem é a abordagem mais utilizada, mas englobar unidades de drenagem eco197

logicamente equivalentes é uma tendência crescente na América do Norte e Austrália. Ecorregiões (Hawkes et al. 1986; Omernik 1987; Bayley 1995), que relacionam as distribuições dos peixes ao nível da paisagem com geologia, geomorfologia, hidrografia e padrões de uso da terra, são interessantes para antecipar áreas sob ameaças e formular políticas de manejo e conservação espacialmente diferenciadas dentro de cada bacia hidrográfica. Abordagens sub-regionais alternativas foram produzidas também por Poff & Allen (1995), que classificaram as comunidades com base em padrões hidrológicos relativos à freqüência e previsibilidade das enchentes nas diferentes sub-bacias. Bayley & Li (1992) recomendam a combinação dessa abordagem com parâmetros químicos e fisiográficos da paisagem, como a melhor classificação na escala regional, pois a hidrologia está diretamente relacionada com o habitat físico, além de refletir características geomorfológicas da bacia de drenagem. Da cabeceira à foz, as bacias hidrográficas apresentam uma sucessão de ambientes e de fatores que atuam sob diferentes e escalas condicionam a estrutura e funcionamento de sua biota aquática nas escalas subseqüentes. Assim, as bacias hidrográficas podem ser divididas em três partes, estrutural e funcionalmente distintas: as cabeceiras (rhithron de alto gradiente), o curso médio (rhithron de baixo gradiente) e as planícies do curso inferior (potamon). O rhithron e o potamon impõem diferenças adaptativas marcantes em suas comunidades. Na escala de segmentos, sob diferentes ordens de drenagem, a estrutura das comunidade está correlacionada ao tipo e à distribuição dos habitats, enquanto ambos parecem influenciados por fatores geoquímicos e geomorfológicos das bacias de drenagem. Angermeier & Smogor (1995) evidenciam que muitas espécies com distribuições amplas na bacia apresentam distribuições descontínuas em escalas menores, como a dos segmentos e habitats. Distribuições descontínuas de espécies entre as unidades de habitats podem resultar de dois fatores ou da interação desses: seletividade do habitat e densidade populacional. A seleção de recursos ao nível do habitat é limitada por interações biológicas, como predação, competição e parasitismo, que podem moldar a composição de espécies, adaptações morfológicas e comportamentais e a estrutura de comprimentos das espécies presentes nas associações locais.

Inventários e lacunas de conhecimento sobre a ictiofauna nas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal
Inventários da ictiofauna
Num trabalho sobre os peixes do Pantanal Mato-Grossense (Britski, Silimon & Lopes, 1999), assinalaram na área 265 espécies. Tal levantamento, alicerçado não apenas na bibliografia pertinente, mas principalmente em amplas coleções realizadas pelos autores na região e em muitas outras coleções acumuladas no Museu de Zoologia da USP (MZUSP) ao longo de 20 anos, permite considerar o inventário dos peixes dessa região como sendo relativamente amplo e representativo. Obviamente, ainda há espécies novas a serem descritas e espécies descritas de outras áreas (mormente da própria bacia do Prata) que deverão ser encontradas na região, mas o número delas só poderá alcançar uma pequena porcentagem das espécies já assinaladas. Fazendo um apanhado das revisões de grupos de peixes sul-americanos realizadas nos últimos anos, constatamos que tais revisões, no geral, aumentam muito pouco o número de espécies na região do Pantanal; um dos poucos grupos que apresentou aumento apreciável de espécies nos últimos anos é o dos Rivulidae, grupo de peixes anuais que vivem em pequenas poças d’água e que em levantamentos anteriores foram negligenciados quase completamente. O levantamento das espécies da bacia do Alto Paraná envolve o rio Paraná propriamente dito, acima de Guaíra, seus afluentes da margem direita e as bacias de seus formadores, os rios Grande e Paranaíba. Este levantamento está baseado na literatura (Fowler, 1948, 1950, 1951, 1954, por exemplo) mas também, principalmente, no trabalho de identificação de peixes de toda esta região, realizados durante um período de cerca de 40 anos. Resultados deste trabalho estão em publicações (Britski, 1972) e relatório (Cetesb, 1980). Das bacias aqui consideradas, esta é a que apresenta o inventário mais completo. O levantamento dos peixes na área entre Guaíra e Foz do Iguaçu, previamente ao fechamento da barragem de Itaipu, permitiu confirmar que a ictiofauna a montante de Sete Quedas era, então, substancialmente distinta da ictiofauna de jusante e, portanto, que esse degrau no curso do rio representou, ao longo dos tempos, uma barreira suficientemente eficaz para impedir o livre deslocamento de muitas espécies de peixes de jusante

para montante e vice-versa. Entretanto, o fechamento da barragem de Itaipu elevou o nível das águas ao longo do canion a jusante de Sete Quedas, afogando esta barreira e incorporando à fauna de montante todos os elementos da fauna de jusante ali presentes. Esse fato se constituiu numa introdução em massa de elementos de uma zona ictiofaunística em outra; talvez uma das introduções mais espetaculares realizadas pelo homem. Muitos elementos da fauna de jusante já se estabeleceram no trecho de montante e progressivamente estão colonizando áreas mais acima na bacia. Tal fato deve ser enfatizado quando se fala em conservação da biodiversidade, mesmo não se conhecendo com rigor o que ocorre com os elementos da fauna de montante sob o impacto da competição com elementos estranhos à área; pode-se inferir, porém, que isto altera substancialmente a composição da fauna e pode implicar na perda progressiva de elementos na região do alto Paraná. A calha do rio Paraná desde o encontro do rio Paranaíba e Grande até a região do Iguaçu foi intensivamente coletada por equipes da Seção de Peixes do MZUSP, especialmente na oportunidade da construção das grandes barragens desse rio no Estado de São Paulo (Jupiá, Ilha Solteira, Porto Primavera) e também pela equipe da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (CETESB) em Itaipu; mais recentemente o Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura (NUPELIA) fez amplas coleções na região de Porto Rico. Grande parte dessas coleções foram depositadas no MZUSP, embora muitas delas ainda não estudadas em maiores detalhes. Mas outras coleções importantes foram realizadas também no rio Grande e Paranaíba e depositadas nas coleções do MZUSP. Assim, sob o aspecto de inventário ictiofaunístico, não existe, no momento, necessidades de coletas gerais nesses rios, que hoje estão praticamente transformados numa série de lagos artificiais e povoados com muitos elementos exóticos e alóctones. Esta situação muda muito quando se consideram os afluentes da margem direita do Paraná e do Paranaíba, nos estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Nesse sentido, o rio Corumbá é uma exceção, visto que há anos o biólogo Mauro C. L. B. Ribeiro vem fazendo coletas nos afluentes desse rio, dentro da área do Distrito Federal, e o NUPELIA coleta intensivamente na área mais a jusante. O levantamento ictiofaunístico do rio São Francisco, dentro da área do Cerrado, baseia-se principalmente no manual de identificação elaborado sobre os peixes da área de Três Marias (Britski, Sato & Rosa, 1984); este trabalho apoia-se em amplas cole198

Diversidade e conservação da biota aquática

tas realizadas principalmente naquela área até aquele ano; muitas outras coleções feitas posteriormente nas proximidades de Três Marias foram identificadas e depositadas nas coleções do MZUSP; além disso, outras espécies novas foram descritas desde então. Assim, às espécies, relacionadas naquele manual somam-se as espécies descritas e identificadas posteriormente na área. Este levantamento foi realizado tendo por base o catálogo de Fowler (1948, 1950, 1951 e 1954), o trabalho de Roberts (1973) e as coleções identificadas depositadas nas coleções de peixes do MZUSP; foi alicerçado também nas revisões mais recentes dos diferentes grupos, os quais serviram para atualização dos nomes que aqui constam. Desde 1986, coletas intensivas vêm sendo realizadas pelo biólogo Mauro C. L. B. Ribeiro no alto curso do rio Preto no Distrito Federal, formador do rio Paracatu, um dos principais afluentes do médio São Francisco. Dentre as grandes bacias hidrográficas no Cerrado e Pantanal, a menos conhecida é do Parnaíba. Há necessidade de um inventário mais amplo sobre os peixes dessa bacia, apoiado em coleções mais representativas. As primeiras publicações sobre peixes do Parnaíba baseiam-se nas coleções feitas pela expedição da Academia Imperial de Ciências de Viena, realizada em 1903, sob a chefia do eminente ictiólogo austríaco Franz Steindachner (Vanzolini, 1992) e estudadas por ele mesmo, e nas coleções realizadas sob a chefia de Rodolpho von Ihering e enviadas à Filadélfia, estudadas por Fowler (1941). Mas, em décadas passadas, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) fez grandes coleções de peixes em toda área do Nordeste Brasileiro, inclusive na bacia do Parnaíba, as quais não foram ainda estudadas. O MZUSP tem também pequenas coleções não estudadas das vizinhanças de Teresina e de áreas esparsas do Piauí. Os estudos das comunidades de peixes na bacia Araguaia-Tocantins foram realizados por Santos et al. (1984), para o baixo Tocantins; INPA (1986), Ataliba (1990) e Leite (1993), para o reservatório de Tucuruí; CET-ELETRONORTE(1988a), para o médio Tocantins e Fialho Garro (no prelo), para o alto curso. Desde 1986, coletas intensivas vêm sendo realizadas pelo biólogo Mauro C. L. B. Ribeiro no alto curso do rio Maranhão, no Distrito Federal. No Araguaia, os estudos se restringiram ao baixo (INPA, 1986) e alto (Lowe McConnell, 1991 e ENGEVIX, 1989) cursos. Por outro lado, importantes habitats, como as planícies de inundação da Ilha do Bananal e do rio Paraná permanecem não amostrados. O levantamento das espécies da bacia Araguaia - Tocantins exclui aquelas assinaladas apenas na parte mais baixa do Tocantins, ou seja, o trecho que vai da confluência desses dois rios até a 199

foz. Esta relação de espécie foi gentilmente cedida por Flávio Thadeu de Lima, que durante os últimos anos empenhou-se na catalogação dos peixes desse sistema, tendo por base inicial os catálogos de Fowler (1948, 1950, 1951, 1954) que foram complementados por todas as publicações posteriores a eles. Certamente, dentro dos levantamentos aqui apresentados, o deste sistema, juntamente com o do rio Parnaíba, é o mais incompleto. Isto se deduz pelo número de espécies novas descritas ou citações de novas ocorrências para esses rios nos últimos tempos. Vari (1989, 1991, 1992a, 1992b), por exemplo, cita 11 espécies de Curimatidae neste sistema das quais 4 são espécies novas e 5 são ocorrências novas; ou seja, suas revisões aumentaram em mais de 80% o número de espécies conhecidas desta bacia. O professor Wilson J.E.M. Costa, numa série de trabalhos nos últimos anos, descreveu mais de uma dezena de espécies de Rivulidae nessa área.

Lacunas de conhecimento taxonômico da ictiofauna das cabeceiras e dos grandes rios A calha principal dos rios de cada uma dessas bacias do Cerrado e a de seus afluentes maiores foram relativamente bem inventariadas. Pode-se dizer que no Brasil as coletas, visando ao levantamento ictiofaunístico, sempre se concentraram nos rios principais, sendo os afluentes menores e a complexa rede de pequenos rios de cabeceiras só esporadicamente ou incidentalmente amostrados ao longo do tempo. Em conseqüência, são raras as publicações sobre a ictiofauna desses cursos menores. Existem coleções de peixes, nem sempre volumosas, feitas nessas áreas, que foram acumuladas em museus e outras instituições, das quais foram pinçados exemplares que serviram de base para a descrição de espécies novas ou revisões de grupos particulares; as publicações relativas a esses exemplares estão dispersas pelas mais diferentes revistas especializadas, dificultando a reunião das mesmas num bloco compreensivo. Mas, mesmo que se realizasse tal compilação, o resultado seria pouco útil devido à precariedade dos dados disponíveis.
Em resumo, com respeito às cabeceiras, podemos dizer que: de algumas áreas restritas temos um conhecimento relativamente bom da ictiofauna; de determinadas áreas temos coleções relativamente boas, as quais não foram necessariamente estudadas e os resultados publicados; de outras, também restritas, temos um conhecimento sofrível e da maior parte delas não conhecemos quase nada. Há que destacar assim essa discrepância existente entre o conhecimento da ictiofauna dos grandes rios e aquele da ictiofauna de cabeceiras desses rios, que se localizam exatamente nas terras mais altas da área nuclear do Cerrado.

Considerando, pois, a ictiofauna do rio principal e dos afluentes de porte grande e médio de cada uma das bacias do Cerrado, verifica-se que aí não se aplica aí a tão decantada estimativa de Boehlke et al. (1978), segundo a qual 30 a 40% da ictiofauna é ainda desconhecida. Tal estimativa pode ser aplicada, como acentuamos, à ictiofauna de cabeceiras, e, em alguns casos, ela pode até subestimar o número de espécies conhecidas (vide exemplo abaixo). Essa questão já foi amplamente considerada por Menezes (1996) num trabalho sobre a diversidade dos peixes de água doce em nosso país. Dos rios principais, provavelmente, a ictiofauna melhor conhecida é a do Alto Paraná, vindo em seqüência, em ordem decrescente, as do São Francisco, Pantanal, Araguaia-Tocantins e Parnaíba. Nestes rios principais, com muita freqüência, são encontradas espécies que apresentam ampla distribuição por diferentes bacias (como, por exemplo, Astyanax fasciatus, Hoplias malabaricus, Rhamdia quelen, Gymnotus carapo, etc.). É muito provável que revisões futuras conceituem as populações dessas espécies, em cada uma das diferentes bacias, como espécies distintas; entretanto, mesmo que isto aconteça, não deverá ocorrer um aumento do número de espécies conhecidas dentro de cada uma delas. Exemplos concretos que justificam esta previsão são os recentes trabalhos de revisão dos gêneros da família Curimatidae realizados por Vari (1984, 1989, 1992a, 1992b); estes trabalhos modificam drasticamente a posição genérica das espécies da família e os nomes das mesmas, mas aumentam pouco o número de espécies na maior parte das bacias aqui consideradas.

caracterizados por maior variabilidade de temperatura, oxigênio e descarga. O potamon engloba ambientes com a maior variabilidade de tamanho, profundidade e fluxo, que formam o complexo rio-planície de inundação, incluindo canais largos, ilhas e canais anastomosados, lagos em ferradura e habitats da planície de inundação (lagos e florestas periodicamente inundadas). Nos sistemas das cabeceiras, condições restritivas impostas pelo menor tamanho e diversidade de habitats, pela maior força hidráulica e imprevisibilidade hidrológica, limitam a diversificação da forma do corpo e da partilha de recursos. Isto é melhor expresso em termos do tamanho, formato e metabo­lismo de suas comunidades. As espécies de cabeceiras apresentam menor porte, para ganhar maior agilidade e capacidade de realizar manobras. Nas espécies pelágicas, a forma do corpo, expressa pela proporção comprimento/altura, distribui-se em torno de 4.5, considerado ótimo para esses ambientes, em contraste com a maior variação encontrada no potamon. As comunidades do rhithron apresentam também maiores taxas metabólicas e, apesar do maior estresse acarretado pela correnteza, maiores taxas produção/biomassa (P/B ratio). Nesses aspectos, o rhithron é similar às planícies de inundação. Ambos os ambientes são rasos e submetidos à maiores flutuações hidrológicas do que o canal dos grandes rios; peixes de pequeno porte, representados pelos jovens das espécies de grande porte do potamon, também dominam as planícies de inundação, onde ocorrem maiores taxas de crescimento e produção. Assim, as espécies de pequeno porte das comunidades do rhithron e os jovens das de grande porte, nas planícies de inundação apresentam maiores taxas de recomposição (r-estrategistas), do que as comunidades lóticas do potamon, compostas por espécies de maior porte, com menores P/B ratio e taxa de recomposição (k-estrategistas). O tamanho corporal impõe limites às especializações tróficas e às estratégias reprodutivas. Comunidades típicas do rhithron são dominadas por peixes pequenos adaptados ao consumo de pequenos invertebrados aquáticos ou terrestres trazidos pela correnteza. Maior diversificação é possível no potamon, onde maiores habitats e diversidade alimentar conferem vantagens tanto para peixes grandes, como pequenos (Welcomme 1985). Nas planícies de inundação, detritus e a microflora associada são a principal fonte alimentar, mantendo várias espécies especializadas em detritivoria. As estratégias reprodutivas também variam ao longo da bacia. No potamon, todas as estratégias visam permitir, à maior parte possível da prole, acesso à grande produtividade das áreas recém inundadas 200

Lacunas de conhecimento ecológico Para fins de conservação da biota aquática, é preciso ter conhecimento sobre os padrões de distribuição das espécies, como destacado acima, bem como dos fatores que condicionam a organização nesses sistemas aquáticos. Destacaremos a seguir alguns fatores reconhecidamente importantes na estruturação desses sistemas em regiões temperadas e tropicais no mundo, mas que ainda necessitam ser testados para as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal.
Já foi destacado anteriormente que, dentro de uma mesma bacia hidrográfica, as regiões de cabeceiras e a planície de inundação são estrutural e funcionalmente distintas. As cabeceiras são mais restritivas: os ambientes são menores, mais frios, mais oxigenados e apresentam uma sequência de habitats (corredeiras cachoeiras - corredores de ligação - poços) expostos à altas correntezas e flutuações hidrológicas mais rápidas e de menor previsibilidade (enxurradas provocadas por chuvas locais). O rhithron de baixo gradiente, típico de relevos mais suaves com drenagem superficial são

Diversidade e conservação da biota aquática

pela enchente anual. Espécies com desova parcelada e cuidados parentais tendem à desovar na própria planície, realizando apenas movimentos locais em busca dos melhores ambientes. Espécies com desova anual, realizam extensas migrações influenciadas pelo ciclo hidrológico, desovando logo após o início da enchente, no canal dos grandes rios ou subindo ao rrhithron à procura de locais rasos e bem oxigenados. Em ambos os casos, os descendentes são carreados para as planícies de inundação, onde se criam. Espécies do rrhithron desovam localmente, de preferência em pedrais/corredeiras. A seletividade de habitats produz desconti­ nuidade somente se a espécie possui aversão forte a um tipo de habitat (por exemplo, corredeiras com forte correnteza). Entretanto, à medida que a densidade populacional aumenta, a competição intra­específica faz com que unidades de habitats de menor qualidade sejam rogressivamente ocupadas, porque a superlotação das melhores unidades de habitats diminui sua qualidade. Assim, a menos que a aversão ao habitat seja muito forte, a maior parte (ou todas) das unidades de habitas disponíveis tendem a ser ocupadas pela espécie em condições de alta densidade populacional e a descontinuidade da espécie deve refletir a descontinuidade do próprio habitat. No entanto, a descontinuidade devido à baixa densidade populacional (quando uma espécie não pode ocupar todas as unidades de habitats disponíveis, por não apresentar abundância para tanto) parece ser muito mais comum, tendo em vista que toda espécie é rara em algum local e, como evidenciado pelas curvas de espécie-abundância, grande parte das espécies em uma comunidade apresentam baixas densidades populacionais e distribuições descontínuas, sendo, portanto, raras. Angermeier & Smogor (1995), questionando quais tipos de rios suportariam baixas densidades populacionais, sugerem que rios com maior homegeneidade de habitats parecem associados à menores densidades populacionais e, por conseguinte, parecem abrigar poucas espécies dominantes e um maior número de espécies raras do que rios com maior heterogeneidade de habitats. Esses resultados corroboraram os de outros estudos (Lyons 1992) e ajudam a estabelecer critérios para a conservação de espécies raras e, para a amostragem de comunidades de peixes. A predação pode ainda influenciar os padrões de uso do habitat, balanço energético e alimentação de suas presas, através de intimidação. A competição entre associações de espécies nativas geralmente evoca o princípio de exclusão competitiva, através da seletividade e segregação interativa. O efeito de doenças nas comunidades de peixes pode estar sendo subes201

timado. Os parasitas podem causar maiores impactos diretos e indiretos sobre as comunidades do que os predadores (Holmes & Price 1986). Padrões de abundância e distribuição podem parecer controlados por processos físicos aleatórios, quando de fato algumas espécies podem ser susceptíveis a algum microparasita, enquanto outras não o são. Price et al. (1986) invocam que “muitas interações entre duas espécies, na verdade envolvem uma terceira. Desconsiderando esse fato, muitos modelos podem estar distantes da realidade da natureza, ou apenas alcançá-la espuriamente (Bayley & Li 1992). O desenvolvimento de conceitos unificadores que forneçam paradigmas ecológicos para comparações entre comunidades dentro e entre sistemas ainda está na sua infância. No entanto, três conceitos, rio continuum (Vanote et al. 1980), pulso hidrológico (Junk et al. 1989) e dinâmica de manchas (Naiman et al. 1988; Pringle at al. 1988), têm potencial para orientar a formulação de hipóteses visando identificar mecanismos dominantes (especialmente os que operam em escala espaço-temporais adjacentes), além de melhorar as classificações nas diversas escalas existentes, de modo a possibilitar predições úteis para a conservação e o manejo em sistemas apropriados (Bayley & Li 1992). De acordo com a teoria do rio continuum, das cabeceiras para a foz, os rios apresentam um gradiente contínuo de condições físicas, que propiciam uma série de respostas da biota, resultando em ajustes contínuos das comunidades, consistentes com os padrões de carga, transporte, utilização e estocagem de matéria orgânica ao longo do rio. Baseados na teoria do equilíbrio energético dos geomorfologistas fluviais, Vannote et al. (1980) estabeleceram por hipótese, que as características funcionais e estruturais das comunidades aquáticas estão adaptadas a este continuum das variáveis físicas; as comunidades também formam um continuum, com a finalidade de processar a energia com eficiência máxima, com as comunidades de jusante estando adaptadas à capitalizar as ineficiências de processamento de montante. Ao contrário da teoria do fluxo contínuo, Junk et al. (1989) demonstraram que em sistemas rio-planície de inundação, a principal força responsável pela existência, produtividade e interações entre a biota é o pulso hidrológico. As planícies de inundação são distintas por não dependerem das ineficiências de processamento da matéria orgânica de montante, embora seu conteúdo de nutrientes seja influenciado periodicamente por trocas laterais de água, sedimentos e espécies com o canal principal. O conceito do “pulso hidrológico” é distinto, pois os fluxos internos independem da posição da planície na bacia de drenagem.

Embora ambos os conceitos tenham sido concebidos para atuar até a escala da bacia hidrográfica, eles são mutuamente excludentes nos segmentos de baixo gradiente do potamon, onde o pulso hidrológico reconhece a natureza periódica das interações entre o ciclo de cheias e secas e, a planície de inundação, que influenciam as adaptações das comunidades bióticas. O conceito do Pulso Hidrológico tem também certa importância no rrhithron de alto gradiente de riachos e pequenos rios que nascem ou são margeados por áreas inundadas, mas neste segmento o conceito do rio continuum fornece uma descrição mais apropriada. No entanto, o conceito original do continuum deve adaptar-se às (a) diferenças nas matas ciliares do rithron; (b) transportes ascendentes de nutrientes e biomassa através das migrações de peixes e, (c ) descontinuidades espaciais, formando um mosaico de manchas ou fragmentos. Considerar não apenas o rithron, mas também o potamon, como um mosaico de manchas longitudinais e laterais, fornece uma nova perspectiva para a compreensão da dinâmica de suas comunidades. Os mecanismos que controlam a distribuição espaço-temporal das comunidades podem ser investigados em diversas escalas, por meio do exame das interrelações básicas de manchas homogêneas do sistema. Esta abordagem pode então complementar aquelas teorias unificadoras que enfatizam os controles longitudinais e laterais do sistema.

Pantanal abrigam 848 espécies de peixes, das quais 780 podem ser consideradas espécies válidas para a ciência. As bacias Tocantins – Araguaia e Pantanal são as que apresentam maior riqueza de espécies, enquanto as bacias do Alto Paraná e São Francisco apresentam riqueza intermediária e o Parnaíba pode ser considerado relativamente pobre pelo estado atual dos conhecimentos disponíveis (Tabela1). Entre os grupos de peixes considerados, os Characiformes são os mais importantes em quase todas as bacias hidrográficas, a exceção do alto Paraná, onde os siluriformes são ligeiramente mais numerosos. O número de espécies de Cichlidae é também ligeiramente superior ao de Gymnoti­formes e Cyprinodontiforme no Tocantins, Pantanal e Parnaíba, mas são menos representados que esses no Alto Paraná e São Francisco. Comparada aos valores médios encontrados nas bacias do continente Sul Americano, a distribuição da riqueza relativa por grupo taxonômico nas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal é significativamente distinta para os Characiformes (p<0.012), Siluriformes (p<0.048), Gymnotiformes (p<0.008) e Cichlidade (p<0.022). Apenas os Cyprinodontiformes (p>0.158) e miscelânea (p>0.402) estão dentro do padrão esperado (Tabela 2, Figura 2). Entre as bacias do Cerrado, a do Alto Paraná é a que mais se aproxima da média esperada para a América do Sul. As bacias do Parnaíba e do Pantanal são as mais distintas. Em termos de composição ictiofaunística, as 780 espécies válidas do Cerrado e Pantanal estão agrupadas

Ictiofauna das bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal Riqueza e composição taxonômica
Tradicionalmente, os peixes de água doce sulamericanos têm sido divididos em seis grupos: Characiformes (dourados, lambaris, piaus, etc.), 2) Gymnotiformes (peixes-elétricos), 3) Siluriformes (peixes de couro, cascudos, acaris), 4) Cyprinodontiformes (guarus, Rivulus, etc.), 5) Cichlidae (acarás, tucunarés, etc.) e 6) miscelânea (conjunto heterogêneo integrado por formas pertencentes a diferentes grupos, ou seja, aquelas que integram os grupos de “rélitos” e de “invasores marinhos”). Utilizaremos esta divisão para apresentar de forma sintética o número de espécies de cada bacia hidrográfica do Cerrado e do Pantanal. Assim, para cada uma será especificado o número absoluto (Tabela 1) e a porcentagem (Tabela 2) de espécies de cada um dos grupos principais de peixes de água doce. De acordo com a lista de espécies apresentada na (Tabela 9), as bacias hidrográficas do Cerrado e 202

Figura 2. Dendrograma do agrupamento pela média não ponderada (UPGMA) das similaridades percentuais entre as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal e da América do Sul como base na distribuição da riqueza relativa de espécies entre os grupos taxonômicos de peixes.

em 296 gêneros, 45 famílias e 14 ordens. Ao nível de ordens, as bacias hidrográ­ficas do Cerrado e Pantanal apresentam aproximadamente 70% de similaridade (Figura 3). Entre essas, podem ser distinguidos dois grupos: a) Paraná – São Francisco (com 07 gêneros cada; 0.85 de similaridade) e b) Pantanal – Tocantins – Parnaíba (com 13, 11 e 9 gêneros,

sua distribuição geográfica e suas relações. o endemismo em áreas de cabeceiras está . a ictiofauna de rios pequenos tende a ser a mesma daquela dos rios principais e dos afluentes maiores de cada bacia. e o curso do alto e médio São Francisco. apresentam populações em cada bacia. enquanto apenas sete são exclusivas Figura 4. 203 Endemismos Tendo em vista os aspectos focalizados. conforme destacado na Figura 4. Tocantins e Pantanal podem ser consideradas como bacias com alta diversificação de famílias (41 e 35. Essas cachoeiras separam dois trechos desses rios.30) apresentam alguma similaridade de espécies. Entretanto. as ictiofaunas do Tocantins e Pantanal apresentam a maior riqueza de gêneros exclusivos (76 e 46. Figura 3. e Parnaíba (3). respectivamente. As bacias do Alto Paraná. como vimos. na realidade. Dendrograma de agrupamento pela média não ponderada (UPGMA) sobre a matriz de similaridade de Sorensen para dados de presença e ausência de Ordens entre as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal. Entre as 780 espécies válidas. Desde que não existam barreiras representadas efetivamente por cachoeiras e corredeiras.Diversidade e conservação da biota aquática respectivamente. respectivamente) mostram similaridades correspondentemente menores (75%). 26 e 25 famílias. desconhecimento que impede determinar com maior precisão as espécies válidas de cada um desses grupos.62) e Parnaíba. Exemplos típicos dessa situação são o Alto Paraná. na bacia do Tocantins e Lepidosireniformes. cada um deles com composição ictiofaunistica típica. com diferenças suficientemente grandes para que cada uma delas seja considerada como espécie distinta. Dendrograma de agrupamento pela média não ponderada (UPGMA) sobre a matriz de similaridade de Sorensen para dados de presença e ausência de espécies entre as bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal. São Francisco e Paranaíba (com 28. no Pantanal). 1992b). principalmente daquelas espécies de porte maior. respectivamente). têm barreiras geográficas ao longo de amplos trechos de seus cursos. 1992a.58).80 de similaridade). Entre os 296 gêneros registrados. tal compartilhamento de formas entre bacias pode ser real e depender da própria história dessas bacias. 1989. separado do Médio e Baixo (antes da construção da barragem de Itaipu) por Sete Quedas. Trabalhos recentes têm demonstrado que espécies consideradas de ampla distribuição por várias bacias hidrográficas. Semelhante ao agrupamento das bacias em relação às Ordens de peixes. 0. novamente do Pantanal (01 família) e do Tocantins (06 famílias). mostrando a baixa similaridade entre aquelas ictiofaunas. porém reduzida em muitos de seus elementos. enquanto cinco são amplamente representadas em todas as bacias da região. os trabalhos de Kullander (1983) e Vari (1984. 0. Vejam-se. seguidas pelas bacias do São Francisco (12). 1991. Paraná (11). respectivamente) e formam um grupo com cerca de 85% de similaridade. 0. O padrão geral de similaridade observado para ordens e famílias também se mantém. Existem. por exemplo. Das 14 ordens. seguidas de Alto Paraná e São Francisco (93 e 90 gêneros. com um agrupamento entre as bacias com maior diversificação de gêneros ( Tocantins e Pantanal com 195 e 163 gêneros. enquanto Tocantins e Parnaíba apresentam grande proporção de espécies exclusivas. Assim. 84% podem ser consideradas exclusivas de alguma bacia hidrográfica do Cerrado e Pantanal. refletindo mais nosso desconhecimento dos peixes. espécies que figuram em duas ou mais dessas bacias. Entre as 45 famílias registradas. A questão de áreas de endemismo dentro da própria bacia hidrográfica envolve também algumas considerações. com 71gêneros. 16 são comuns a todas as bacias. separado do seu baixo curso por Paulo Afonso. apenas três são exclusivas de alguma bacia hidrográfica (Osteoglossiformes e Tetraodontiformes. bem como seus afluentes principais e mesmo secundários. e apenas de 5 a 13 espécies com ampla distribuição entre todas as bacias. Apenas as bacias do Alto Paraná e São Francisco (0. 148 (50%) são exclusivos de alguma bacia hidrográfica. Também a este nível taxonômico. Os rios principais que correm no Cerrado. a questão do endemismo deve ser considerada primeiramente sob o ponto de vista de que cada bacia hidrográfica tem uma ictiofauna com composição própria. como já assinalamos. mas pode também ser fictício.

combinada a fatores históricos.1 39.61    5. em outubro de 1993.26    7.0 100. Os resultados desses estudos foram parcialmente mostrados por Zanata (1995) e Britski (1996) e comentados anteriormente por Menezes (1994). especialmente captura de cabeceiras.00 100.92   43. Riqueza de espécies por grupo taxonômico de peixes em cada bacia hidrográfica dentro do Bioma Cerrado.14   37.60   37.05 e ** = 0. Verifica-se.16   45. * = 0.57    3.37    5.14   3.45   38.08    3.0   3. que estimou em 60% o número de espécies novas a serem descritas do total de espécies que integram essas coleções. cujas cabeceiras estão na Serra do Mar e a dos cursos d’água que nascem na “cuesta” que atravessa o Estado no sentido aproximado SW-NE. Uma equipe do Museu de Zoologia da USP.56    7. coletou algumas centenas de exemplares. ribeirões. isto é. dentro de alguns grupos que foram imediatamente estudados.25    7. Britski (1997) reconheceu duas áreas de endemismo: a do alto Tietê. no Estado de São Paulo.29    2.07   44. Riqueza percentual de espécies por grupo taxonômico de peixes em cada bacia hidrográfica dentro do Bioma Cerrado e na América do Sul (os asteriscos representam o nível de significância do Teste t de Student para os grupos taxonômicos do Cerrado e Pantanal em relação à média esperada para as bacias hidrografias da América do Sul.02    7. é integrada pelos mesmos elementos que se encontram nas pequenas águas (lagoas.11    5. os ambientes de cabeceiras no Planalto Ocidental são uma extensão dos ambientes marginais dos grandes rios. 204 constatando-se depois que muitas espécies.43   6. Se este mesmo princípio se aplica a todas as demais bacias hidrográficas do cerrado.0   4. Num resumo sobre os peixes de cabeceiras da bacia do Rio Paraná.59    4.0 áreas relativamente planas as barreiras físicas que impeçam o livre deslocamento desses peixes.21    4. Grupo Taxonômico Characiformes Gymnotiformes Siluriformes Cyprinodontiformes Cichlidae Miscelânea TOTAL Pantanal Alto Paraná São Francisco Rio Parnaíba 41 AraguaiaTocantins 158 110   67   68   11   13   07 106   77   56   10   11   12   17   07   04   11   01   06 265 176 153 04   15 36 114 02   19 05   26 07   18 95 350 Tabela 2.98    2. que rios interceptados por séries de cachoeiras e corredeiras em seus cursos.18    0. charcos) que ocorrem ao longo do grande rio Paraná ou de seus grandes afluentes. ou seja.75   36.44   43. . tendem a isolar em suas cabeceiras uma ictiofauna muito peculiar com muitos elementos endêmicos.associado à presença de barreiras. eram novas e muito provavelmente endêmicas desses rios. Não existindo em Tabela 1. assim. deveremos encontrar áreas de endemismo.00 100.80    6. como é o caso dos diferentes afluentes do Tapajós.84    2.8   6. naquelas de topografia mais acidentada e não nas áreas de topografia plana.00 100. Os pequenos cursos nas áreas do Planalto Ocidental do Estado de São Paulo não possuem fauna de peixes típica de cabeceira.57   43.1   4.00 100.43   8. mas sim a mesma ictiofauna encontrada na área marginal dos grandes rios. para a maioria dos grupos de peixes. Grupo Taxonômico Characiformes ** Gymnotiformes ** Siluriformes * Cyprinodontiformes Cichlidae * Miscelânea TOTAL Pantanal Alto Paraná São Francisco Rio Parnaíba Araguaia- Tocantins América do Sul 41. as for- mas endêmicas são encontradas exatamente nas áreas de topografia mais íngreme. numa excursão realizada às cabeceiras de alguns rios afluentes do Arinos (bacia do Tapajós).01).00 100. no norte do Mato Grosso.89   32.38    4.

Muitas espécies do Pantanal estão assinaladas também na bacia amazônica. como detectado nas análises de agrupamento apresentadas acima. quando se realizam trabalhos de drenagem e/ou preparo de vastas áreas de terreno para agricultura. seis delas sendo comuns à outras bacias. atualmente. porém. 1986). rio Descoberto. o endemismo relativamente alto deve representar um reflexo da história geológica da própria bacia e do isolamento da ictiofauna desse rio daquela das partes mais inferiores da bacia. e pode fornecer subsídios às políticas de uso e ocupação territorial dessa região (Figura 5). a semelhança entre a fauna do Pantanal e das regiões do Prata mais ao sul é maior que antigamente. 1970). até recentemente. Tendo em vista a pobreza de conheci­mentos sobre a ictiofauna de amplas áreas de cabeceiras no Cerrado. Um total de quinze espécies foram introduzidas na região. Entretanto. Isso nos mostra que a relação atual das espécies comuns às duas bacias ainda é altamente provisória. Considerando a questão mais a fundo. 1989. executado pela Reserva Ecológica do IBGE desenvolve um programa de pesquisas científicas sobre os níveis de organização ecológica e sustentabilidade dos ecossistemas aquáticos da região sob diferentes usos antrópicos. freqüentemente. Em conseqüência. a riqueza estimada para o rio Corumbá é de 144 espécies (desvio padrão= 15. 1992a. das quais 104 são nativas. A Ictiofauna do rio Corumbá no Distrito Federal no Cenário da Região Hidrográfica do Rio Paraná no Bioma Cerrado A ictiofauna dos córregos e pequenos rios que drenam a bacia do alto-médio rio Corumbá na Região Metropolitana do Distrito Federal foi amostrada em todas as 22 Unidades de Drenagem e nos canais principais de suas quatro sub-bacias: rio São Bartolomeu. cujas paisagens representam uma síntese do potencial natural e dos desafios de sustentabilidade de todo o Bioma. Isto deve ter determinado uma diferença ictiofaunística entre essas regiões.Diversidade e conservação da biota aquática Num trabalho recente Pavanelli & Britski (1999) descrevem uma nova espécie de Steindachnerina do rio Corumbá. 1982. a bacia do alto-médio rio Corumbá no Distrito Federal apresenta 119 espécies. pois infere-se que as duas regiões estiveram francamente ligadas em passado não muito distante (Beurlen. É o que se pode deduzir 205 dos recentes trabalhos de revisão dos Curimatidae de Vari (1984. Cumpre ressaltar. Porém. infere-se que esta diferença foi-se diluindo com a mistura das faunas. Tal fato chamounos poderosa­mente a atenção. finalmente. de acordo com Beurlen (1970). Os trabalhos de Vari. a fim de que sirvam de referência para apreciar as questões relativas a inventários ictiofaunísticos e à conservação da diversidade de peixes nessas áreas como um todo.44 espécies). segundo Silva. estavam assinaladas dez espécies no Pantanal. certamente. depois que seu curso foi invertido.138 indivíduos. esses peixes têm distribuição muito restrita e. deverão reduzir o número de espécies em comum às duas bacias. rio Alagado/Ponte Alta e rio Corumbá. Desde 1986. o Projeto Levantamentos e Informatização de Dados sobre os Recursos Naturais do Brasil (FAUFL – IBGE). inclusive à Amazônica (Fowler. 1950). a situação do Pantanal. visto que o gênero foi recentemente revisado por Vari (1991). que assinalou apenas uma espécie em toda a bacia do alto Paraná. assinalam oito espécies dessa família no Pantanal. afluente do Paranaíba. Ictiofauna do Distrito Federal: Estudo de caso detalhado sobre as cabeceiras das principais bacias hidrográficas do Cerrado A região do Distrito Federal e Entorno está localizada na área nuclear do Bioma Cerrado. são poucos os estudos acurados que permitem assegurar que isto realmente ocorra em todos os casos assinalados. que vivem em poças que secam durante o período da estiagem. Utilizando-se a técnica Jackknife (Heltshe & forrester 1983). um isolamento da região do Pantanal daquelas regiões do Médio e Baixo Paraguai e do restante da bacia do Prata como um todo (Tricart. 1992b): anteriormente. verificamos que o rio Corumbá se constitui numa área de endemismo relativamente alto e que tal endemismo pode ter relação com o fato de que esse rio corria para o norte (para o rio Tocantins) em passado não muito remoto. Houve. e é drenada pelas cabeceiras daquelas três principais regiões hidrográficas. que totalizaram 37. e somente em futuro mais distante (com revisões mais acuradas dos diferentes grupos) poder-se-á ter uma idéia mais concreta da situação real. Ou seja. indicando que cerca de outras 30 espécies ainda podem vir a ser coletadas . esta situação é compreensível. Com base nas amostras coletadas. como tal. podem se extinguir com a destruição dessas poças. Além das espécies de cabeceiras. 1991. onde mais de 400 estações de amostragem foram levantadas. Esse projeto deve representar o estudo mais intensivo sobre as cabeceiras das bacias hidrográficas no Cerrado. após a quebra da barreira que as isolava. sendo que apenas duas delas ocorrem também na Amazônia. devemos fazer referência ao endemismo exibido pelas formas de Rivulidae anuais. consideramos essencial a citação de tais exemplos. Trabalhos de revisão.

oito gêneros e cinco famílias. Entre os Characiformes.04% da abundância) e Anostomidae (com 9 espécies distribuidas em três gêneros). que totalizam 2% da abundância). 11gêneros e 1. 34. Figura 5. em cada ordem de peixes amostrados na bacia do rio Corumbá na região metropolitana Distrito Federal ORDEM CHARACIFORMES GYMNOTIFORMES SILURIFORMES FAMÍLIAS NÚMERO DE GÊNERO NÚMERO DE ESPÉCIES Characidae 16 35 Crenuchidae 1 10 Lebiasinidae 1 1 Erythrinidae 2 1 Curimatidae 2 4 Prochilodontidae 1 1 Anostomidae 3     Subtotal 28 9 65 Parodontidae 2 4 Gymnotidae 1 1 Sternopygidae 1 1 Apteronotidae 1 1     Subtotal 3 3 Auchenipteridae 1 1 Pinelodidae 11 12 Trychonycteridae 1 1 Cetopsidae 1 1 206 . Riqueza de gêneros e espécies por família. apenas 3. 36. as demais famílias registram. Merecem destaque as famílias Pimelodidae (com 12 espécies.59% dos gêneros. Os Siluriformes formam o segundo grupo em importância. agrupados em 19 famílias e cinco ordens (Tabela 3). 16. Characidae é a família mais importante da bacia.5% das espécies (68).4% da abundância.6% das espécies e 28% dos gêneros nativos) e distribuição em todas as sub-bacias. em conjunto.9%).8% dos Tabela 3.4% das famílias (9).7% do número de espécies e 28% do número de gêneros. Pontos de amostragem de peixes e de 60 atributos físicos e 30 parâmetros químicos nas 52 unidades hidrográficas que formam as cabeceiras dos rios Maranhão (Bacia Tocantins).3% da abundância. que respondem por 2. Entre essas. 30% das espécies (31). e por 33.7%). Os Characiformes formam o grupo mais importante.54% da abundância total) e Callichthyidae (com 2 gêneros e duas espécies. 49.34% do número de espécies e 27. as demais famílias respondem por apenas 6.6% das famílias (6). com dominância de 83.3%). que rivalizam com os Siluriformes em abundância (8. com ampla dominância (77% da abundância. Entre os Siluriformes. Perciformes e Cyprinodonti­formes formam o restante da comunidade. Alto Corumbá (Alto Paraná) e Preto (São Francisco) no Distrito Federal.1% dos gêneros (28) e 47.3% das capturas e incluindo 63.5%) e de gêneros (8. Segunda família em abundância total na bacia (4. Gymnotiformes. apresentando um conjunto com oito espécies. A amostragem revelou ainda a ocorrência de 57 gêneros. Loricaiidae apresenta também o segundo maior número de espécies (13.na bacia. merecem destaque as famílias Crenuchidae (com 10 espécies e um gênero.56% da abundância total. respondendo por 8. gêneros (21) e 31.

mas baixa similaridade dessas comunidades (inferior a 50%) com aquelas a montante dos represamentos Lago Paranoá e Lago Descoberto (Figura 6). Microlepidogaster só está ausente no rio Corumbá. enquanto os levantamentos de Agostinho et al. que ocupa a oitava posição (1. Destas. 77 e 91 espécies de peixes. bem como de alguns migradores nobres. Entre as demais ordens. Tendo em vista tratar-se de um sistema de cabeceiras.13% da abundância total. e Beaumord & Petrere (1994) encontraram 80 espécies no rio Manso (Província Alto-Paraguai). (1997) nos rios Piquiri. com 1.92%). constitui a terceira família mais abundante na bacia (3.47%). Cumpre ressaltar ainda que cerca de 60 espécies apresentam abundância relativa inferior à 0. Por outro lado. grande diversificação (10 espécies) e ampla distribuição em toda a bacia.47%. Hoplosternum. o único gênero de destaque é Rivulus (3. São Bartolomeu e Descoberto. Hypostomus é o gênero mais importante. quinta posição) com distribuição bastante concentrada na sub-bacia do Lago Paranoá. 36 espécies apareceram em somente uma localidade. ocupando a quarta posição (3.Diversidade e conservação da biota aquática PERCIFORMES Callichthyidae 2 2 Loricariidae     Subtotal     Subtotal     Subtotal        Total 5 14 21 2 3 57 31 2 3 104 CYPRINODONTIFORMES Rivulidae 2 2 Cichlidae 3 3 Rivulidae. a riqueza observada é bastante alta. Entre os Siluriformes. revelaram a presença de 57. Comparações entre a composição de espécies nas diferentes bacias estudadas na Província Alto-Paranaíba no Distrito Federal indicam uma sobreposição superior a 60% entre as principais drenagens com conectividade natural (São Bartolomeu – Alagado – Descoberto). Dendrograma mostrando a similaridade entre a composição de espécies das diferentes bacias amostradas na Província Alto – Paranaíba no Distrito Federal. Na décima segunda posição. Figura 6. 207 . podendo ser consideradas raras na comunidade.62%). Iguatemi e Ivinheima. Essas diferenças podem ser atribuídas ao isolamento natural dessas comunidades pelas antigas cachoeiras onde foram construídos os respectivos barramentos. tem distribuição mais restrita às sub-bacias do Lago Paranoá. Barrella (1998) coletando nos rios Tietê e Paranapanema (área influenciadas pelo Ecótone com Mata Atlântica) encontrou 64 espécies. Muito embora diferenças metodológicas de amostragem dificultem comparações precisas. cumpre destacar a baixíssima abundância e riqueza de ciclídeos nativos e peixes elétricos (Gymnotidae. estando ausente no Alagado/Ponte Alta e no Corumbá. com apenas um gênero e uma espécie. quando comparada a outros afluentes do rio Paraná (Tabela 4) . Sternopygidae e Apteronotidae) na bacia. como Prochilodontidade e Salmininae.1%. sendo consideradas como espécies únicas na bacia do alto rio Corumbá no Distrito Federal. respectivamente.

Os Characiformes formam o grupo mais importante (Tabela 17). a bacia do alto-médio rio Maranhão apresenta 110 espécies. marcada pela ausência de alguns grupos importantes. Ageneiosidae. A Ictiofauna do rio Maranhão no Distrito Federal no Cenário da Região Hidrográfica do Rio Tocantins no Bioma Cerrado A ictiofauna dos córregos e pequenos rios que drenam a bacia do alto-médio rio Maranhão na Região Metropolitana do Distrito Federal foi amostrada em todas as sete Unidades de Drenagem que compõem este estudo no alto rio Maranhão. 33. Aspredinidae e Scoloplacidae (Siluriformes). e por 29.97% das espécies (35).71% da abundância. 30. Piquiri e Iguatemi) e Alto Paraguai (rio Manso). Doradidae.21% do número de gêneros. sete gêneros e quatro famílias. como Cynodontidae (Characi­formes). com ampla dominância (67. A sobreposição de espécies diminui acentuadamente em direção às cabeceiras desses sistemas. o número de famílias é relativamente mais baixo que o daquelas bacias. indicando que cerca de outras 32 espécies ainda podem vir a ser coletadas na bacia.61% da abundância total). Rhamphichthyidae e Hypopomidae (Gymnotiformes).7% das famílias (5). Comparações preliminares entre essas comunidades com aquelas amostradas nas demais bacias da Região Hidrográfica do rio Paraná no Bioma Cerrado apontam para uma baixa sobreposição (inferior a 10% das espécies). Paranapanema.85% da abundância) e Crenuchidae (com 6 espécies e um gênero.5% dos gêneros (21) e 27.37% da abundância. distribuidas em dois gêneros. que totalizaram 36.08 espécies). que respondem por 8.14% da abundância total). onde notadamente o alto rio Corumbá no Distrito Federal apresenta uma ictiofauna bastante diferenciada. Utilizando-se a técnica Jackknife (Heltshe & forrester 1983). Com base nas amostras coletadas. sendo inferior apenas à do rio Ivinheima (66). apresentando um conjunto com seis espécies.68% das espécies (71).138 indivíduos. a riqueza estimada para o rio Maranhão é de 14 2 espécies (desvio padrão= 16. que essa lista será acrescida em cerca de 30% com a inclusão das novas espécies descobertas no alto-médio rio Corumbá no Distrito Federal. Perciformes e Cyprinodontiformes formam o restante da comunidade. 208 .18% das capturas e incluindo 62. das quais 107 são nativas.45%) da abundância total dos Siluriformes.Tabela 4. agrupados em 18 famílias e cinco ordens (Tabela 5). Serrasalmidae (com 8 espécies e 4 gêneros. Os Siluriformes formam o segundo grupo em importância. Entre essas. Britski (1998) relaciona 176 espécies. as demais famílias respondem por outros 17. 50% dos gêneros (28) e 50% das famílias (9). nas Províncias ictiográficas do Alto Paranaíba (rio Corumbá). merecem destaque as famílias e Anostomidae (com 9 espécies. Entre os Characiformes. totalizando 0. de gêneros e de famílias nativas em tributários da bacia do Paraná. respondendo por 13. que representam apenas metade (6. Ivinheima. rivalizando com a do rio Iguatemi (55). Por outro lado.20% do número de espécies e 23. Gymnotiformes. 134 gêneros e 27 famílias válidas para as bacias de drenagem do rio Paraná na região do Cerrado (Províncias do Alto Paranaíba e Alto Paraná). Apenas duas espécies foram introduzidas na região. respondendo por 1. com base no presente estudo. Comparações entre riqueza de espécies.63% das espécies e 26.24% da abundância toal. Characidae é a família mais importante da bacia. além de Symbranchidae (Perciformes). ECO-REGIÕES DA BACIA DO PARANÁ Rio Corumbá – Distrito Federal Rios Tietê e Parapanema Rio Ivinheima Rio Piquiri Rio Iguatemi Rio Manso Bacia do Paraná no Cerrado NÚMERO DE ESPÉCIES 104 64 91 57 77 35 176 NÚMERO DE GÊNERO 57 46 66 38 55 32 134 NÚMERO DE FAMÍLIAS 19 22 23 15 23 15 27 A riqueza de gêneros também é relativamente alta (57) na bacia do Alto rio Corumbá. 37. Estima-se. A amostragem revelou ainda a ocorrência de 53 gêneros. Alto Paraná (rio Tietê.79% dos gêneros nativos) e distribuição em todas as sub-bacias. com dominância de 80.

35%) e de gêneros (21.42%).11% da abundância total). os resultados apresentados na tabela 16 indicam que a riqueza dos diferentes níveis taxonômicos da comunidade de peixes da bacia do alto rio Maranhão na Região Metropolitana do Distrito Federal é semelhante àquela encontrada por Carvalho (1988) para o alto rio Araguaia. como Prochilodontidade e Salmininae.27%). Muito embora diferenças metodológicas de amostragem dificultem comparações precisas. em cada ordem de peixes amostrados na bacia do rio Tocantins na região metropolitana Distrito Federal.07% dos gêneros.62% do número de espécies e 16. Poeciliidae. com apenas um gênero e uma espécie exótica. 10. GYMNOTIFORMES SILURIFORMES CYPRINODONTIFORMES PERCIFORMES FAMÍLIAS Characidae Erythrinidae Curimatidae Crenuchidae Anostomidae Parodontidae Prochilodontidae Hemiodidae Gasteropelecidae Serrasalmidae Subtotal Sternopygidae Subtotal Auchenipteridae Pimelodidae Trychonycteridae Cetopsidae Loricariidae Subtotal Rivulidae Poecilidae Subtotal Cichlidae Subtotal Total NÚMERO DE GÊNERO 14 1 2 1 2 1 1 1 1 4 28 1 1 1 5 1 1 10 18 1 1 2 4 4 53 NÚMERO DE ESPÉCIES 36 2 3 6 9 2 1 1 1 8 69 1 1 1 8 2 1 22 34 1 1 2 4 4 110 Segunda família em abundância total na bacia (8. . Entre os Siluriformes. ORDEM CHARACIFORMES . 5 gêneros e 1.78%). Por outro lado. Tendo em vista tratar-se de um sistema de cabeceiras.59% da abundância total. bem como de alguns migradores nobres. Merece destaque apenas a família Pimelodidae (com 8 espécies. em conjunto.Diversidade e conservação da biota aquática Tabela 5. Loricaiidae apresenta também o segundo maior número de espécies (20. a riqueza observada é bastante alta. cumpre destacar a baixíssima abundância e riqueza de ciclídeos nativos e de peixes elétricos (representados apenas pela família 209 Sternopygidae) na bacia. e representa cerca de 1/3 da biodiversidade taxonômica do rio Tocantins no Bioma Cerrado. apenas 4. constitui a quarta família mais abundante na bacia (5. Riqueza de gêneros e espécies por família. quando comparada a outros afluentes do rio Tocantins (Tabela 6). as demais famílias registram.

5 gêneros e 2.35% do número de espécies e 22.58% do número de gêneros. as demais famílias registram. Cumpre destacar também a baixíssima abundância e riqueza de ciclídeos nativos e de peixes elétricos (representados apenas pela família Sternopygidae) na bacia.15% das famílias (6). como Prochilodontidade e Salmininae. 134 gêneros e 27 famílias válidas para as bacias de drenagem do rio Tocantins na região do Cerrado (Províncias do Alto Paranaíba e Alto Tocantins).58% dos gêneros.5% da abundância total). com as espécies em comum restritas. indicando que cerca de outras 26 espécies ainda podem vir a ser coletadas na bacia.5% dos gêneros (10) e 30.99% das espécies e 32. Estima-se. respondendo por 12% da abundância. A sobreposição de espécies diminui acentuadamente em direção às cabeceiras desses sistemas. apenas 2. Tendo em vista tratar-se de um sistema de cabeceiras. Entre os Characiformes. constitui uma das família menos abundantes na bacia (0. Merece destaque apenas a família Pimelodidae (com 8 espécies. as demais famílias respondem por outros 10. A segunda família em abundância total na bacia (9.76% das famílias (4). quando comparada a outros afluentes do rio São Francisco (Tabela 8).08% do número de espécies e 22. que totalizaram 5. em conjunto.25 espécies). Com base nas amostras coletadas.99% das espécies (22).78% da abundância total. 30. aos canais principais daqueles tributários. com dominância de 87. A amostragem revelou ainda a ocorrência de 33 gêneros.39% das espécies (23). apresentando um conjunto com oito espécies. Loricaiidae apresenta também o segundo maior número de espécies (18. de gêneros e de famílias nativas em diferentes eco-regiões da bacia do rio Tocantins.889 indivíduos. a bacia do alto-médio rio Preto apresenta 71 espécies. onde notadamente o rio Maranhão apresenta uma ictiofauna bastante diferenciada. ECO-REGIÕES DA BACIA DO ALTO TOCANTINS Rio Tocantins (Bioma Cerrado) Alto Rio Araguaia Alto Rio Maranhão (DF) NÚMERO DE ESPÉCIES 360 114 110 NÚMERO DE GÊNERO 195 64 53 NÚMERO DE FAMÍLIAS 41 24 18 A ictiofauna do rio Preto no cenário da bacia do rio São Francisco A ictiofauna dos córregos e pequenos rios que drenam a bacia do alto-médio rio Preto na Região Metropolitana do Distrito Federal foi amostrada em todas as dezoito Unidades de Drenagem que compõem este estudo. bem como de alguns migradores nobres. que respondem por 4.Muito embora diferenças metodológicas de amostragem dificultem comparações precisas. Comparações preliminares entre a composição de espécies nas diferentes sub-bacias estudadas nas Províncias AltoTocantins e Alto Maranhão no Distrito Federal indicam uma sobreposição inferior a 10%. com base no presente estudo. Comparações entre riqueza de espécies. a riqueza estimada para o rio Preto é de 97 espécies (desvio padrão = 3. Tabela 6. com apenas um gênero e duas espécies exóticas. 51% dos gêneros (17) e 46.6% da abundância total.84% da abundância) e Crenuchidae (com 8 espécies e um gênero. Gymnotiformes. seis gêneros e três famílias. Apenas três espécies foram introduzidas na região. 32.62% dos gêneros nativos).64% das capturas e incluindo 30. merecem destaque as famílias Anostomidae (com 4 espécies. Entre essas. sobretudo. que representam apenas 0. que essa lista será acrescida em cerca de 30% com a inclusão das novas espécies descobertas no alto-médio rio Maranhão. 14. 37. os resultados apresentados na Tabela 1 indicam que a . agrupados em 13 famílias e cinco ordens (Tabela 7).25% dos gêneros nativos) e distribui210 ção em todas as sub-bacias. das quais 68 são nativas. respondendo por 2. com ampla dominância (77.07%).22%). Curimatidae (com 3 espécies e 2 gêneros. distribuidas em dois gêneros. Characidae é a família mais importante da bacia.Britski (1998) relaciona 176 espécies. Poeciliidae.36% da abundância total. Os Siluriformes formam o segundo grupo em importância. Os Characiformes formam o grupo mais importante (Tabela 29). e por 25. totalizando 2.71% da abundância total). Entre os Siluriformes.04% da abundância. a riqueza observada é bastante alta.65% da abundância total). Perciformes e Cyprinodontiformes formam o restante da comunidade.30%) e apenas três gêneros (9. Utilizando-se a técnica Jackknife (Heltshe & forrester 1983).

com as espécies em comum restritas. sobretudo. Britski (1998) relaciona 153 espécies. que essa lista será acrescida em cerca de 30% com a inclusão das novas espécies descobertas no alto-médio rio Preto. Riqueza de gêneros e espécies por família.Diversidade e conservação da biota aquática Tabela 7. Estima-se. aos canais principais daqueles tributários. 211 . ORDEM CHARACIFORMES GYMNOTIFORMES SILURIFORMES CYPRINODONTIFORMES PERCIFORMES FAMÍLIAS Characidae Erythrinidae Curimatidae Crenuchidae Anostomidae Prochilodontidae Subtotal Sternopygidae Subtotal Pimelodidae Trychonycteridae Cetopsidae Loricariidae Subtotal Poecilidae Subtotal Cichlidae Subtotal Total NÚMERO DE GÊNEROS 10 1 2 1 2 1 17 2 2 5 1 1 3 10 1 1 3 3 33 NÚMERO DE ESPÉCIES 22 2 3 8 4 1 40 2 2 8 1 1 13 23 2 2 4 4 71 riqueza dos diferentes níveis taxonômicos da comunidade de peixes da bacia do alto rio Preto na Região Metropolitana do Distrito Federal é proporcionalmente semelhante àquela encontrada nas demais bacias do Distrito Federal. em cada ordem de peixes amostrados na bacia do rio Preto na região metropolitana Distrito Federal. Comparações preliminares entre a composição de espécies nas diferentes sub-bacias estudadas nas Províncias Alto-São Francisco e Alto Rio Preto no Distrito Federal indicam uma sobreposição inferior a 10%. A sobreposição de espécies diminui acentuadamente em direção às cabeceiras desses sistemas. com base no presente estudo. e englobam cerca de metade da diversidade de famílias e espécies e 1/3 dos gêneros do rio São Francisco no Bioma Cerrado. 90 gêneros e 26 famílias válidas para as bacias de drenagem do rio São Francisco na região do Cerrado (Províncias do Alto Paranaíba e Alto São Francisco). onde notadamente o rio Preto apresenta uma ictiofauna bastante diferenciada.

com a finalidade de processar a energia com eficiência máxima. (c) descontinuidades espaciais. transporte. expressa na ocorrência de cerca de 60 espécies únicas (uma única coleta em cerca de 400 pontos amostrados). sedimentos e espécies com o canal principal. de modo a possibilitar predições úteis para a conservação e o manejo em sistemas apropriados (Bayley & Li 1996). 1989) e dinâmica de manchas (Naiman et al.(1980) estabeleceram por hipótese. Pringle et al. No entanto. rio continuum (Vanote et al. por meio do exame das interrelações básicas de manchas homogêneas do sistema. a planície de inundação. De acordo com a teoria do rio continuum. Os mecanismos que controlam a distribuição espaço-temporal das comunidades podem ser investigados em diversas escalas. 1988. a principal força responsável pela existência. Os dados apresentados neste trabalho sugerem a existência de controle longitudinal dentro das unidades hidrográficas. eles são mutuamente excludentes nos segmentos de baixo gradiente do potamon. com ajustes das comunidades associados à ordem de drenagem. Esta abordagem pode então complementar aquelas teorias unificadoras que enfatizam os controles longitudinais e laterais do sistema. 1980). que propiciam uma série de respostas da biota. que as características funcionais e estruturais das comunidades aquáticas estão adaptadas a este continuum das variáveis físicas. além de melhorar as classificações nas diversas escalas existentes. As planícies de inundação são distintas por não dependerem das ineficiências de processa­mento da matéria orgânica de montante. embora seu conteúdo de nutrientes seja influenciado periodicamente por trocas laterais de água. produtividade e interações entre a biota é o pulso 212 hidrológico. O conceito do Pulso Hidrológico tem também certa importância no rhithron de alto gradiente de riachos e pequenos rios que nascem ou são margeados por áreas inundadas. que influenciam as adaptações das comunidades bióticas. onde o pulso hidrológico reconhece a natureza periódica das interações entre o ciclo de cheias e secas e. com as comunidades de jusante estando adaptadas à capitalizar as ineficiências de processamento de montante. Considerar o rhithron como um mosaico de manchas longitudinais e laterais. ao longo de uma mesma “mancha natural ou ordem de drenagem” ocorrem modificações nas comunidades relacionadas com modificações locais nos habitats aquáticos naturais . consistentes com os padrões de carga. Destaca-se ainda a grande quantidade de prováveis endemismos. Ao contrário da teoria do rio contínuo. de gêneros e de famílias nativas em diferentes eco-regiões da bacia do rio Preto. No entanto. formando um mosaico de manchas ou fragmentos. (b) transportes ascendentes de nutrientes e biomassa através das migrações de peixes e. resultando em ajustes contínuos das comunidades. (1989) demonstraram que em sistemas rio-planície de inundação. da área relativamente pequena. Francisco (área do cerrado) Alto Rio Preto NÚMERO DE ESPÉCIES 153 71 NÚMERO DE GÊNERO 90 33 NÚMERO DE FAMÍLIAS 26 13 Padrões de distribuição das comunidades de peixes no Distrito Federal Apesar da altitude. O desenvolvimento de conceitos unificadores que forneçam paradigmas ecológicos para comparações entre comuni­dades dentro e entre sistemas ainda está na sua infância. utilização e estocagem de matéria orgânica ao longo do rio. ECO-REGIÕES DA BACIA DO SÃO FRANCISCO Rio S. o conceito original do continuum deve adaptar-se às (a) diferenças nas matas ciliares do rithron. pulso hidrológico (Junk et al. Entretanto. as comunidades também formam um continuum. pois os fluxos internos independem da posição da planície na bacia de drenagem. o Distrito Federal apresenta uma fauna de peixes bastante diversificada (234 espécies – 90 gêneros e 23 famílias nativas). O conceito do “pulso hidrológico” é distinto. que representariam “manchas espaciais naturais”. têm potencial para orientar a formu­ lação de hipóteses visando identificar meca­nismos dominantes (especialmente os que operam em escala espaço-temporais adjacen­tes). e de suas pequenas drenagens. Vannote et al. os rios apresentam um gradiente contínuo de condições físicas. 1988). fornece uma nova perspectiva para a compreensão da dinâmica de suas comunidades.Tabela 8. mas neste segmento o conceito do rio continuum fornece uma descrição mais apropriada. Comparações entre riqueza de espécies. Embora ambos os conceitos tenham sido concebidos para atuar até a escala da bacia hidrográfica. Junk et al. Baseados na teoria do equilíbrio energético dos geomorfologistas fluviais. das cabeceiras para a foz. três conceitos.

Forsberg et al. Os peixes dos rios Cuiabá e Bento Gomes apresentaram maiores . aceito para publicação. que alteram radicalmente os habitats disponíveis para alimentação. é também uma ameaça. Assim. 1992).. principalmente no rio São Lourenço. Na Amazônia e no Pantanal. Principais ameaças às comunidades de peixes no Cerrado e Pantanal Os principais impactos que ameaçam a ictiofauna e a pesca são o desmatamento. Cuiabá e Bento Gomes. e a pirapitinga Colossoma brachypomum. já que este encontra-se mais distante do canal do rio. O desmatamento decorrente do garimpo de ouro aluvionar ou de cassiterita é mais grave quando ocorre em riachos. não conseguem mais enxergar as arraias. e o da mata de galeria priva os peixes de importante recurso alimentar.. desde o início da década de 70. quando é maior a disponibilidade de água para lavar a terra retirada dos barrancos pelas chupadeiras. porque o aporte de matéria orgânica e sais minerais é mais lento que na várzea. Goulding et al. como no alto Madeira. ocasionando a formação de um “mosaico de manchas”. flores e folhas quanto dos insetos que dela dependem. depende da velocidade de metilação. a agricultura intensiva da soja.. A situação poderá evoluir para um nível tão extremo de gravidade. A recente expansão da cultura de arroz tem agravado a poluição devido aos pesticidas. Na região Amazônica. tanto nas chapadas quanto na área alagável. que será necessário preconizar a absurda medida. na época da cheia. que conhecem essa dependência. muitos biótopos terminam por ficarem muito alterados. dependente de insumos (com larga aplicação de pesticidas) vem provocando o assoreamento dos rios que drenam para o Pantanal. Se a contaminação por metil-mercúrio vai comprometer a saúde das gerações futuras. A preservação dessas florestas inundáveis é de grande interesse para os ribeirinhos. os índios não enxergam mais os peixes e não podem mais usar o arco e a flecha para pescar rio abaixo. as modificações da biota ocorrem em consequência do desmatamento do cerrado das chapadas e da própria área alagada.Diversidade e conservação da biota aquática ou de origem antrópica. causando a diminuição de alguns estoques de peixes. para detecção de mercúrio. que é maior nas águas pretas ou em áreas onde. que parece representar a melhor perspectiva para a compreensão dos padrões de funcionamento desses sistemas. para muitos peixes. O desmatamento vem se processando no Brasil em escala de intensidade variável de região para região. Alertá-los para a importância da mata de várzea. embora o desmatamento extensivo esteja concentrado na floresta de terra firme. a poluição por mercúrio decorrente do garimpo de ouro é grave e irreversível por causa da grande quantidade de mercúrio metálico .que é misturado ao ouro para extraí-lo . o pacu Mylossoma spp. Ainda não existem estudos mostrando que o garimpo interfere com a pesca em um rio de grande porte. na Amazônia e no Cerrado estão ocorrendo desmatamentos para implantação de atividades agropecuárias e da agroindústria da soja. principalmente para os agricultores que vêm do sul para explorar a região. 1992). desova. cerca de 90% da floresta original ainda persiste. 1992. o garimpo. Vieira (1991) analisou o tecido muscular e o fígado de peixes capturados nos rios Paraguai. Vale ressaltar que o cultivo tradicional da várzea dos rios amazônicos pelos ribeirinhos ocorre com um mínimo de desmatamento. Mais recentemente. ou atingir níveis epidêmicos. como o tambaqui Colossoma macropomum. Particularmente importante seria um programa de educação ambiental. a matrinxã Brycon spp. principalmente do rio Taquari. Goulding (1979). pode-se afirmar que a cadeia alimentar se inicia no ambiente terrestre. A concentração de mercúrio nas populações ribeirinhas que mais consomem peixe é preocupante. Myleus spp. Malm et al. pois é comum ouví-los dizer que “quando a mata da beira do rio e do lago é cortada. com a consequente construção de destilarias. No Pantanal.já lançada no ambiente. com a crescente deposição de sedimentos rio abaixo. assim como a de igapó. principalmente nas áreas críticas. também ocorre. 1994). os frutos e sementes. mas isso realmente deve ocorrer nas áreas próximas a “ninhos” de dragas. impossível de ser implantada. Nas chapadas. de se impedir o consumo e/ou a pesca de peixes carnívoros (Petrere. mas na região da Mata Atlântica. o peixe vai-se embora”. em menor escala. apenas 12% das florestas estão intactas (Brown & Brown. ocorre transbordamento de água preta. O desmatamento das terras mais altas provoca o assoreamento dos rios. (1988) mostraram a extrema importância da vegetação para muitas espécies de peixes. Por causa da cor da água. tanto dos frutos/sementes. o desmatamento das várzeas e igapós.. A lavoura de cana-de-açucar. A água de cor 213 amarelada fica ainda mais escura e barrenta na época da cheia. que demora mais a se recuperar. industrial e de insumos aplicados à agricultura. A longo prazo. etc. que descarregam vinhaça nos rios. No caso da Amazônia. e já provocou mortalidade em massa de peixes. a construção de barragens e aterros. e a abundância de peixes na porção poluída do rio diminui bastante (Petrere. que interrompem o “continuum dentro da mancha”. ainda que em menor escala. canalização de rios e córregos. para poderem se proteger das ferroadas. apoluição de origem doméstica.

em oito. dieldrina e endrina. e o cádmio. tóxico para o zooplâncton. pequeno Glandulocaudinae descrito do rio Bodoquena. determinar áreas prioritárias para conservação da biodiversidade e detectar mudanças futuras na composição ictiofaunística. raridades. e concluiu que os níveis de HCHTOTAL. Britski & Figueiredo (1972) fizeram considerações sobre essas questões . pois. dieldrina e PCB1260 eram normais. tóxico para zooplâncton. etc. Segundo Godinho (1991). fitoplâncton e peixes. dos sedimentos e dos peixes. porque estão mais próximos da área de garimpo de ouro aluvionar. Em um estudo sobre 17 represas do Estado de São Paulo. Espécies raras e ameaçadas de extinção dentro da ictiofauna do Pantanal e Cerrado talvez se possam considerar apenas as formas de Rivulidae anuais. Assim. zinco. algumas populações podem ficar separadas pela barragem. os peixes são impedidos de migrarem rio acima. tóxico para zooplâncton e peixes. no ano de 1945. no Pantanal. Tudo sugere. Entretanto. mencionamos o caso de Xenurobrycon macropus Myers & Ribeiro. em cinco represas. aquático. (1987) estudaram a concentração de pesticidas organoclorados em 38 represas de sete bacias hidrográficas do Estado de São Paulo. a concentração de resíduos de praguicidas era menor que a habitualmente assinalada para águas continentais de clima temperado. e. que devemos encarar com cautela tais questões. níquel. rio Tietê. em termos genéticos. O efeito mais direto da construção de uma represa sobre a atividade pesqueira ocorre em relação às espécies reofílicas. Calheiros (1993) estudou a contaminação da água. a piranha Serrasalmus spilopleura (carnívora) e o bivalvo filtrador Anodontites trapezeus. aldrina. Steindachnerina insculpta (iliófago). pois os habitats restritos em que vivem podem ser facilmente destruídos por ações antrópicas. Em todas as amostras coletadas na superfície da água foram detectados resíduos de BHC e DDT. tóxico para os peixes. envolve também muitas dificuldades em razão de nosso desconhecimento da ictiofauna e a dificuldade de observar os peixes em seu ambiente natural. até fins da década de 70 a espécie era conhecida apenas pelos exemplares-tipos dessa localidade. diversidade de espécies. representa um obstáculo sério e torna inútil qualquer tentativa de estimar a diversidade de peixes em água doce. mas é preciso assinalar que essa situação é transitória. Maier et al. sem o que é impossível delimitar áreas ameaçadas. fasciatus estavam muito acima dos valores normais estabelecidos pela OMS. sob o ponto de vista . heptacloro. em quatro represas. As espécies de peixes mais importantes na pesca comercial são migradoras. pode acelerar a eutrofização. com exceção da piranha. As principais repercussões devidas à ocupação e exploração da terra são as seguintes: desmatamento das margens e intensificação do rítmo natural de colmatação por práticas inadequadas de ordenação e exploração agrícola que. bem como aquelas ameaçadas de extinção. pelo uso de pesticidas organoclorados. Felizmente a piranha não é consumida na região. contaminada por DDE e PCB1260. mostrando que o conceito de espécie rara em peixes de água doce em escala regional reflete apenas tal desconhecimento da ictiofauna. já que essas concentrações tendem a aumentar à medida que aumenta a demanda de produção de alimentos. podendo ser considerada uma espécie endêmica do Pantanal e rara. mesmo as escadas de peixes ainda têm sua eficácia discutida. quando a barragem é muito alta. Cáceres et al. durante o verão.concentrações do que aqueles do rio Paraguai. mas na escala regional. clordano. em sete. As concentrações encontradas no pintado Pseudoplatystoma corruscans e cachara P. (1990) detectaram a presença de elementos metálicos como o cromo. coletaramse ali – a centenas de quilômetros da localidade-tipo – dezenas de exemplares dessa espécie: este simples fato excluiu totalmente as hipóteses precedentes. em três. também tóxico para zooplâncton e peixes. junto com a poluição. DDTTOTAL. A dispersão dos juvenis rio abaixo também pode ser 214 influenciada pelo represamento. aldrina. Espécies raras e ameaçadas de extinção A questão de determinar espécies raras de peixes. nos anos de 1976 a 1978. na represa de Barra Bonita. pois. em sete. tóxico para zooplâncton e peixes. em muitos dos ambientes aquáticos mais importantes. raridade está ligada à ocorrência das espécies em diferentes localidades. Enfatiza também a necessidade de se realizar uma melhor documentação da ictiofauna realizando estudos mais amplos de taxonomia e biogeografia. como o lambari Astyanax bimaculatus (onívoro). Na escala local vimos que a maioria das espécies em uma assembléia de peixes é rara. As represas situadas em zonas com atividades agrícolas mais intensas apresentaram maiores concentrações de BHC e DDT do que o previsto. Menezes (1996) pondera que para calcular a diversidade de peixes brasileiros poder-se-iam utilizar os critérios e índices correntes . Para citar apenas um exemplo mais atual dentro da área de estudo. Na maioria das represas.mas a falta de conhecimento sobre o número de espécies e identificação das mesmas. chumbo. alumínio. com os trabalhos de levantamento de peixes na área de Itaipu..como os de riqueza.

ou desmatamento das áreas das planícies de inundação com fins agrícolas ou de exploração madeireira. . em função do inverno climático. apenas uma pequena parcela das pesquisas com a ictiofauna de água doce tem sido destinada a estudá-las. pode-se afirmar que o padrão migratório no rio São Francisco é bastante semelhante ao descrito por Lowe-McConnell (1964) para a bacia do rio Rupununi. caracterizam cada sistema hidrológico como um verdadeiro “território” (“Home”) para as respectivas populações. “subienda” nos demais países sul-americanos.Diversidade e conservação da biota aquática de conservação. após a desova. os peixes adultos e larvas. Os movimentos migratórios de espécies tropicais são. face a ausência de lagoas marginais nos cursos superiores. e. encontram nos trópicos uma fase homóloga: “inverno fisiológico”(Welcome. os jovens se mudam para o lar trófico dos peixes adultos. respectivamente. por meio da construção de represas para gerar energia. 1959. Este padrão geral só parece ser “quebrado” nas imediações do lago de Sobradinho. para os quais migram. que designa forte migração de cardumes rio acima. como tal. ocorrendo no rio Cuiabá em outubro-novembro. uma séria ameaça às migrações dessas espécies. no início da vazante. 1967. os 215 peixes se concentram em grandes cardumes na boca dos lagos e são muito vulneráveis à captura. Tomando as informações e hipóteses daquele trabalho como verdadeiras. ocorrendo simultaneamente com a piracema. 1954. Ribeiro (1995) apresentou uma revisão completa das principais informações extraidas desta literatura e. no entanto. os habitat de inverno fisiológico . por hipótese. constituindo. EMBRAPA/CPAP. 1964. onde possam desfrutar de um suprimento alimentar. haja vista que. os peixes adultos tornam a descer até o lar trófico e. Por compreenderem ciclos de movimentos entre os habitat reprodutivos. o fenômeno ocorre em abril-junho. 1946. considerando a crescente demanda de programas de desenvolvimento das bacias hidrográficas. vem-se tor­nando cada vez mais importante obter informações detalhadas sobre os padrões migratórios das espécies de peixes. de onde partem. que descreve o comportamento exibido pelos peixes no momento da reprodução. 1957. durante a estação seca. Bonetto et al. durante a lua cheia. na Bolívia). Não obstante a importância econômica das migrações. Este padrão é representado por uma migração reprodutiva ascendente no início da enchente. bastante semelhantes àqueles apresentados por espécies tropicais asiáticas e africanas. ocorrem três ciclos principais de migrações de peixes. Nas regiões do baixo e médio Rio Paraná (Bonetto. Esses padrões migratórios são. que corresponde a um “inverno fisiológico”. em geral. nesta viagem de retorno são acompanhado pelas larvas que. 1979). No Pantanal. são carretadas pela correnteza até o lar trófico comum (Bayley. No rio Cuiabá. 1963.aos quais retornam obrigatoriamente todos os anos.. o estudo das migrações das espécies de peixes potramodômicos só teve início. com o retorno ao canal principal. também. verifica-se a existência de três tipos básicos de padrões migratórios nos sistemas do Cerrado e Pantanal. através de experimentos de marcação-e-recaptura não muito bem sucedidos e que forneceram relativamente poucos esclarecimentos sobre os padrões envolvidos. (1995). 1971). Por um curto período. A desova para a maioria das espécies se dá entre dezembro e fevereiro (Ferraz de Lima. similares àqueles identificados em espécies potamodrômicas das regiões temperadas. tróficos e. no alto Rio Paraná (Godoy. 1973). com base em entrevistas com pescadores experientes no Submédio e Alto São Francisco estabeleu. seguida por movimentos laterais tróficos em direção à planície de inundação. com a presença de dois lares tróficos. (b) a “piracema”. para referências). Tais programas acarretam obstrução das vias fluviais. No médio-alto Tocantins e em todo o rio Araguaia existiam apenas informações gerais encontradas em Silva (1905) e Paiva (1983). Antes de atingida a maturidade sexual. 1972 e 1975). que designa migrações laterais de peixes vindos dos lagos em direção ao rio principal. em essência. a partir da década de 50 (veja Welcome.tais migrações são consideradas cíclicas e. As migrações de peixes no rio São Francisco foram estudadas por Jucá (1978) e Paiva & Bastos (1982). em uma escala científica. em certos casos. Nas regiões tropicais. as migrações de Prochilodus envolvem um ciclo migratório mais complexo. O padrão migratório mais simples é característica do rio Pilcomayo (Alto-Paraguai. durante a cheia.1986. posteriormente. fluxo de peixe acima) no Brasil ou. 1979. que por sua dimensão e peculiaridade. Ribeiro et al. os quais determinam as estratégias de pesca: (a) a “lufada”. Bonetto & Pignalberi. Do lar reprodutivo. de um modo geral. além das tradicionais migrações reprodutivas e tróficas. de onde estes partem em uma longa migração ascendente para desovar nas cabeceiras. (c) a “rodada”. os movimentos sazonais ocorridos nas regiões temperadas. onde permanecem durante seca. 1991). parecem representar uma alternativa aos deslocamentos tróficos e ao inverno fisiológico. na Guiana. Analisando esses estudos. o padrão geral das migrações de peixes nesta bacia a ser testado neste trabalho. em uma migração ascendente rumo ao lar reprodutivo conhecida como “piracema”(do tupi-guarani. Este padrão envolve a presença de um único lar trófico para peixes jovens e adultos. 1984. em períodos correspondentes .

enquanto soluções de engenharia são mais complicadas e caras a longo prazo. a compatibilização de usos humanos adequados com comunidades balanceadas e auto-reguladas . Espécies exóticas têm contribuido para dizimação local de muitas comunidades nativas. mas a transferência de doenças tem crescido à taxas alarmantes. Por outro lado. No entanto. depósito de poluentes. como competição e predação são fortes (como no potamon). pois causam mais problemas do que soluções. que passam a flutuar em níveis de organização progressivamente mais baixos. redução do tamanho médio. e o tratamento é irreversível (Ross 1997). introduções de espécies exóticas. geralmente. O crescente desenvolvimento de novos “pacotes tecnológicos” para a criação de espécies nativas. consequentemente. Existe ainda muita controvérsia sobre quais fatores (bióticos ou abióticos) controlam a estrutura das associações de peixes. substituição de espécies nativas por espécies exóticas. renova constantemente a motivação para outros . agricultura da terra firme. Além disso. visando incrementar populações deplecionadas.) ou indiretas nas bacias de drenagem (desmatamentos. Por outro lado. Quando as interações. assoreamento. reconhecendo padrões distintos para o médio Tocantins-baixo Araguaia. e outras degradações difusas) ocasionam modificações na estrutura e nos processos desses ecossistemas. mas em torno de níveis aceitáveis de integridade ecológica (embora nunca tão altos como nos sistemas primitivos). impactos nos rios provenientes da bacia de captação podem se manifestar por centenas de anos. Por outro lado. forneceram melhores evidências para estabelecer hipóteses migratórias para aquela região. é provável que os fatores bióticos não apresentem respostas em tempo suficientemente curto para intervir.com base em observações pessoais. sobretudo em reservatórios ou para restaurar espécies ameaçadas de extinção. poderiam alternativamente produzir flutuações menos intensas. redução nas capturas. etc. O fluxo gênico das espécies exóticas para o genoma das espécies nativas pode interromper as sequências genéticas que permitem às nativas permanecerem bem adaptadas às condições específicas de seu nicho ambiental (Krueger & May 1991). geração de energia. Em geral. à partir de matrizes criadas em laboratório. Peixamentos com espécies nativas. habitats e segmentos de rios advêm sobretudo da parte central dos Estados Unidos. pastagens. interferindo de forma diferenciada na capacidade de sobrevivência das diferentes espécies da comunidade. Estas modificações diminuem a integridade ecológica desses sistemas. Tentativas de mitigação de impactos com a introdução de espécies exóticas ou através de peixamentos com espécies nativas provenientes de laboratório têm tido grande apelo popular nas últimas décadas. especialmente em áreas sob pressão de desenvolvimento (Moyle & Williams 1990). Parasitas carregados em hospedeiros resistentes podem facilitar sua invasão ao infectarem competidores nativos. Como poucos peixes são utilizados como matrizes reprodutivas em laboratório. redução da qualidade das capturas. os procedimentos mitigatórios de melhor custo-benefício são aqueles que imitam e aceleram os processos naturais de restauração. submédio Araguaia e médio-alto Araguaia. Ou seja. têm sistematicamente fracassado. se mudanças em uma espécie afetam as respostas das demais espécies associadas. se as forças físicas são muito dinâmicas (como no rhithron ou em áreas submetidas à forte pressão antrópica). de modo a alcançar o “melhor dos dois mundos” ou seja. presume-se que a perda ou adição de espécies modifique a estrutura daquelas remanescentes. controle de inundações. em entrevistas com pescadores experientes e em estatísticas de desembarque pesqueiro no médio Tocantins. em predação ou competição. 216 Os efeitos e a restauração de distúrbios nas unidades ambientais e nas comunidades dependem da escala. são as piores armas. irrigação. com a diminuição da abundância das nativas. essa estratégia “mitigatória” continua sendo enfatizada. As respostas das comunidades de peixes à esses fatores estressores acontece na seguinte sequência: eliminação das principais espécies migratórias. Além disso. progressiva eliminação dos elementos maiores da comunidade. flutuações nas capturas. espécies introduzidas podem hibridizar com espécies nativas se os dois taxa forem próximos. acabam acontecendo retrocruzamentos que diminuem a variabilidade genética e. ocorre perda de variabilidade genética tornando-as ainda menos aptas à se ajustar às condições ambientais variáveis. Alterações antrópicas diretas nos ecossistemas aquáticos (usos diversos da água para navegação. No entanto. As interações entre as espécies exóticas e nativas implica. a restauração de habitats/comunidades previamente alteradas ou interferências antrópicas mais adequadas à esses sistemas. e aumento da necessidade de intervenção humana para manter o sistema (Welcomme 1995). caracterizadas como “usos sustentáveis”. Exemplos bem sucedidos de restauração de microhabitats. Os microhabitats são mais sensíveis aos distúrbios antropogênicos. diminuem a adaptabilidade da pequena população sob restauração. mas são também mais rápidos de serem restaurados.

Cumpre ressaltar.Diversidade e conservação da biota aquática peixamentos. enquanto ignoram ou mesmo excluem as possibilidades de conservação efetiva das comunidades nativas. além dos interesses dos consumidores e de outros usuários. Não obstante sua importância estratégica para a região. em conformidade com a conceituação oficial de Desenvolvimento Sustentável da Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente (ONU 1987). A maioria desses conflitos ocorre entre pescadores profissionais e esportivos que competem pelos mesmos recursos pesqueiros. modificações na estrutura das comunidades submetidas à excessiva pressão de pesca são análogas àquelas decorrentes de outros usos da água ou da terra na bacia de drenagem. refletindo-se em frustração e abondono do setor a sua própria sorte. as características ecológicas dos recursos explotados e do seu ambiente. a “crença popular e oficial” de que as redes acabam indiscriminadamente com qualquer estoque pesqueiro. portanto. leva em consideração as condições econômicas. (b) aumentos crescentes da demanda por pescado nativo requerem suplementação dos estoques. desarticulado e desfocado das necessidades e oportunidades regionais. A ausência dos órgãos de controle e extensão pesqueira Federal e Estaduais e. as agências de desenvolvimento interessadas costumam argumentar que (a) os sistemas aquáticos estão se tornando tão perturbados que inviabilizarão a explotação pesqueira se não houver suplementação dos estoques. Welcomme & Henderson (1976) propuseram um modelo para explicar as modificações nas pescarias multi-específicas. Paralelamente. Assim. este Código reconhece o interesse de todos os agentes relacionados com a pesca e. Elaborado a partir dos 217 compromissos sugeridos pela “Declaração de Cancun” e pela “AGENDA 21” da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD 1992) e. a pesca foi relegada a um plano secundário nas ações de governo. sociais e culturais da sociedade. Assim. Uma das maiores evidências da crise estrutural do setor pesqueiro nas bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal é a existência. (b) da insensibilidade e despreparo do Poder Público para perceber a necessidade e a natureza ideal de suas intervenções no gerenciamento de uma atividade marcada pela grande variabilidade natural e sócio-econômico-político-cultural. Considerando que o governo brasileiro referenda esse Código de Conduta como um “Marco Teórico Referencial” a ser perseguido. estoques individuais vão sendo progressivamente sobrepescados. com diminuição do comprimento médio das espécies sob maior pressão e. Este modelo (Figura 7). sob a nova ética de respeito ao ecossistema. o modelo de desenvolvimento sustentável para a pesca deve se coadunar com suas disposições e premissas. ocasiona a perda das espécies de maior porte da comunidade ou daquelas preferenciais ao consumo humano. que a pesca. a pesca vive uma profunda crise estrutural. com vistas a assegurar a explotação sustentável dos recursos aquáticos vivos. as espécies preferenciais vão sendo progressivamente substituídas por espécies secundárias. à biodiversidade e às necessidades da sociedade. não apenas a uma ou duas espécies de grande porte referenciais (Welcomme 1995). econômica e cultural em muitas das bacias hidrográficas do Cerrado e Pantanal. segundo a percepção dos usuários. propõe que aumentos na pressão pesqueira acarretem um crescimento inicial nas capturas até um patamar que é sustentável sob uma gama de pressões de pesca crescentes. Uso sustentável da biodiversidade aquática no Cerrado e Pantanal Welcomme (1995) demonstrou que efeitos similares são produzidos nas comunidades de peixes independente da natureza do fator estressor. sob qualquer intensidade. de graves conflitos entre grupos distintos de pescadores. já validado para diferentes sistemas temperados e tropicais (Welcomme 1995). Herança (a) da ideologia desenvolvimentista equivocada e omissa que (des)orientou a atuação do setor pesqueiro até o final da década de 80 com a falta de uma política explícita e consistente. Cumpre. A pesca é uma das atividades tradicionais de maior importância social. Aumentos na pressão além de certos limites resultam em desestabilização e eventual colapso da pescaria. posteriormente de suas capturas. O Código de Conduta para a Pesca Responsável (FAO 1994) estabelece diretrizes e normas internacionais voluntárias para a aplicação de práticas responsáveis. engendradas no imaginário da sociedade por outros usuários do recurso (especialmente por pescadores amadores) ou por outros setores de desenvolvimento. causadas pelo aumento da intensidade das capturas. sua dúbia reputação por agir também como “polícia ambiental” contribuiram para agravar a situação. investigar quão distante a realidade atual se encontra da “Gestão Responsável”. e. culminaram por estigmatizar os pescadores profissionais como os gran- . Neste sentido. Esse enfoque visa favorecer alguns grupos de interesse. estão em crescente depleção. cada vez mais espalhada. com a diversificação do esforço por um número maior de espécies. então. Durante aquela fase em que a captura total permanece constante. Isto implica que os conceitos de sobrepesca ou rendimento ótimo sustentável devem referir-se à comunidade como um todo. os quais. (c ) do planejamento setorial.

Os maiores desafios passam pela redefinição da interferência que se espera do Estado. Modelo do processo de fishing-up proposto por Welcomme & Henderson (1976). A diversidade ambiental. tirando proveito e. governo e sociedade civil estão paulatinamente estreitando relações e redirecionando a atuação do setor pesqueiro regional em busca daquelas oportunidades. des culpados por uma imaginada depleção generalizada dos recursos pesqueiros e.diversos setores de governo e da sociedade civil. com a prioridade que lhe é devida. as discussões se polarizaram por algum tempo entre conservacionistas extremados (que passaram a lutar pela proibição das redes) e os antigos desenvol­vimentistas (clamando pela reestruturação do setor sob as mesmas bases que nortearam sua desorganização). Figura 7. a variabilidade existente. ainda há um longo caminho a percorrer para que se alcance a sustentabilidade do setor e sua gestão responsável. Mas. possibilitando extrair das oportunidades regionais soluções criativas para a sua própria sustentabilidade. ao mesmo tempo conservando. Nesta atmosfera dissonante. por assim dizer. A exploração e a conservação dos recursos pesqueiros estão fortemente condicionadas aos usos e ocupação das bacias de drenagem promovidos pelos 218 . Motivados pela necessidade e urgência da mediação dos conflitos. Assim. Não obstante as soluções criativas que vêm sendo implementadas sob a nova ótica oficial. devendo ser tratado no âmbito do “Planejamento Integrado do Governo”. das novas formas de integração e atuação da sociedade nos processos de planejamento regional e da articulação integral de todas as dimensões do desenvolvimento humano no Cerrado e Pantanal. Este contexto paradoxal está expresso também na constatação de Becker (1995) de que a saída para o modelo da economia globalizada está na valorização das diferenças. o desenvolvimento sustentável de todos os agentes de desenvolvimento das bacias hidrográficas. Existem oportunidades promissoras para que a economia regional se fortaleça com base na explotação sustentável de recursos que se renovam anualmente pelo ciclo das águas. cultural e política da pesca regional torna o seu manejo extremamente complexo. o desenvolvimento sustentável do Setor Pesqueiro reflete. como os típicos vilões dos conflitos. é dessa mesma variabilidade que devem ser extraídas as bases para o seu sucesso. social.

erythrurus Chalceus macrolepidotus Triportheus paranensis X X X X X X X X X X X X X X X X X X Triportheus nematurus Triportheus guentheri Triportheus signatus Triportheus angulatus Triportheus elongatus Diversidade e conservação da biota aquática Triportheus auritus *Triportheus trifurcatus . cf. orbignyanus Brycon hilarii 219 B. brachyura P. aff. falkneri Potamotrygon signatus *Potamotrygon dorbigny Potamotrygon sp. 1 Brycon sp. 2 Chalceus sp.Tabela 9. aff. Lepidosireniformes Lepidosirenidae Lepidosiren paradoxa X Osteoglossiformes Osteoglossidae X X Osteoglossum bicirrhosum Arapaimidae Arapaima gigas Clupeiformes Pristigasteridae Pellona flavipinnis X X X X X X X Pellona castelnaeana Pristigaster cayana X Characiformes Characidae Brycon microlepis Brycon nattereri B. Lista de espécies por bacia hidrográfica do Cerrado e Pantanal e seu uso econômico PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Rajiiformes Potamotrygonidae Potamotrygon motoro P. reinhardti X Brycon matrinchao Brycon brevicauda Brycon pesu Brycon sp. melanopterus Brycon sp. pesu Brycon sp. lundii B.n.n.

georgiae Moenkhausia gracilima Moenkhausia grandisquamis Moenkhausia sp. melogramma Moenkhausia sp. cf. cf.Tabela 9 (continuação) PANTANAL FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Triportheus albus X X X Tetragonopterus argenteus Tetragonopterus chalceus Markiana nigripinnis Bryconamericus chapadae Bryconamericus exodon Bryconamericus stramineus Bryconamericus sp. X X X X X X X Bryconamericus victoriae *Bryconamericus novae Gymnocorymbus ternetzi Gymnocorymbus thayeri Moenkhausia dichroura 220 X Moenkhausia intermedia X Moenkhausia oligolepis Moenkhausia sanctaefilomenae X Moenkhausia costae X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Moenkhausia sp Moenkhausia colletti Moenkhausia cotinho Moenkhausia sp. newtoni *Moenkhausia pyrophthalma Bryconops melanurus Bryconops caudomaculatus Bryconops novae Bryconops gracilis Ctenobrycon alleni X X Ctenobrycon hauxwellianus .cf. justae/jamesi Moenkhausia lepidura *Moenkhausia loweae Moenkhausia sp. cf.

ulreyi Diversidade e conservação da biota aquática Hemigrammus brevis H. scabripinnis X A. cf. gracilior Astyanax sp. maxillaris H. schubarti X X X X X A. nanus . intermedius rivularis A. marginatus H. cf. trierythropterus Astyanax lineatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Astyanax marionae 221 X Astyanax pellegrini A. taeniatus Astyanax guianensis Astyanax polylepis Astyanax scintillans Astyanax symmetricus *Astyanax goyacensis Astyanax sp. lacustris A. ocellifer X X X X X H. eigenmanniorum X X Astyanax fasciatus A.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X X X X X X X Coptobrycon hanseni Piabarcus analis Deuterodon acanthogaster Astyanacinus moori *Astyanacinus goyacensis Astyanax bimaculatus X X Astyanax bimaculatus novae A. tridens H. anteroides *Astyanax kullanderi Hemigrammus lunatus X X H. paranahybae A.

elachys H. dentatus A. paraguayensis . beni *Creagrutus atrisignum *Knodus breviceps *Rhinopetitia myersi Thayeria boehlkei Prionobramma paraguayensis X X X X Megalamphodus megalopterus X Aphyocharax anisitsi A. herbertaxelrodi H. cf. callistus Hyphessobrycon eques H. lutkeni H. cf. Phenacogaster jancupa P. rodwayi Hemigrammus sp. santae H. serpae Hyphessobrycon gracilis Hyphessobrycon gr.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Hemigrammus sp. tegatus Phenacogaster franciscoensis Psellogrammus kennedyi Hyphessobrycon anisitsi H. bentosi 222 X X Hyphessobrycon sp1 *Hyphessobrycon balbus *Hyphessobrycon coelestinus *Hyphessobrycon haraldschultzi *Hyphessobrycon stegemanni Hyphessobrycon spp. Piabina argentea X Engraulisoma taeniatum Creatochanes affinis Creagrutus sp.

kincaidi *Cynopotamus tocantinensis Galeocharax humeralis Diversidade e conservação da biota aquática Galeocharax knerii . stenodon Cheirodon sp Odontostilbe calliura O.cf. cf. kriegi X X X X X X X X O. paraguayensis Odontostilbe microcephala Odontosbilbe sp. microdon O. pusillus Holoshestes pequira Holoshestes heterodon X Aphyocheirodon hemigrammus Cheirodon piaba C. rathbuni X X X X X X X X X X Aphyocharax difficilis Aphyocharax sp. fugitiva Compsura heterura X X Megalamphodus micropterus Xenurobrycon macropus X X X X X Mimagoniates barberi Planaltinae myersi Planaltinae sp Hysteronotus megalostomus Clupeacharax anchoveoides X X X X X X X X X X X X X X X Piabucus melanostomus Iguanodectes spilurus Salminus maxillosus Saminus hilarii Salminus brasiliensis Cynopotamus argenteus X X X X X C. Odontostilbe iheringi 223 X X X Odontostilbe sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL FRANCISCO ESPORTIVA X X X PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES A.

planaltinae Oligosarcus jenynsii O. paranensis O. meadi Poptella paraguayensis X X Poptella compressa Brachychalcinus retrospina Brachychalcinus parnaibae Orthospinus franciscensis Catoprion mento X . Acestrorhynchus pantanero X X X X X X Acestrorhynchus lacustris Acestrorhynchus britskii Acestrorhynchus sp Acestrorhynchus falcatus Acestrorhynchus microlepis Oligosarcus pintoi X X X X X X X X O. calverti Phenacogaster sp. descalvadensis R. Charax leticiae X X X X X X X X Charax sp Roestes molossus Exodon paradoxus Roeboexodon sp.cf. paranensis R.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X Galeocharax gulo Acestrocephalus sardina Roeboides bonariensis R. 224 X Phenacogaster sp. xenodon Roeboides myersi Roeboides thurni Roeboides sp. prognatus Roeboides francisci R.

orbignyanus X Mylossoma aureum X Mylossoma duriventris Piaractus mesopotamicus X X 225 X Piaractus brachypomus Myleus altipinnis Myleus schomburgkii Myleus asterias Myleus pacu Myleus sp. mola X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Metynnis sp. torquatus Myleus spp. Myleus sp2. cf. Metynnis maculatus M. Metynnis orbicularis Metynnis fasciatus Metynnis hypsauchen Mylossoma paraguayensis M. Myleus sp1. *Acnodon normani Utiaritichthys sennaebragai *Mylesinus paucisquamatus Pygocentrus nattereri Pygocentrus piraya Serrasalmus marginatus Diversidade e conservação da biota aquática S. spilopleura Serrasalmus rhombeus . asterias Myloplus sp. micans Myleus sp. cf. Myleus sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL X ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Myloplus levis Myloplus tiete Myloplus aureum X Myloplus cf. ou Myloplus sp.

zebra Characidium fasciatum Characidium sp1 Characidium sp2 Characidium sp. Parodontidae Apareiodon affinis X X X X X X X X X X A.3 226 X X *Melanocharacidium auroradiatum Cynodontidae Rhaphiodon vulpinus Cynodon gibbus Hydrolycus sp. Crenuchidae Characidium borellii X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X C.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Serrasalmus brandtii Serrasalmus eigenmanni Serrasalmus humeralis *Serrasalmus geryi *Serrasalmus gibbus Pristobrycon serrulatus Agoniates anchovia Agoniates sp. A Apareiodon sp. zebra X X Characidium aff. Hemiodontidae Hemiodopsis semitaeniatus X X X X H. ibitiensis A. B Apareiodon aff. piracicabae Apareiodon hasemani Apareiodon sp. pirassunungae Parodon gestri Parodon tortuosus X Parodon hilarii Parodon sp. lateralis C. microlepis Hemiodopsis gracilis *Hemiodopsis ternetzi .

vanderi Cyphocharax gilberti Cyphocharax notatus Cyphocharax stilbolepis *Cyphocharax signatus Diversidade e conservação da biota aquática Steindachnerina brevipinna S. vimboides Prochilodus affinis P.n. conspersa . marggravii Prochilodus lacustris Prochilodus nigricans X Semaprochilodus squamilentus Semaprochilodus brama 227 X Gasteropelecidae Thoracocharax stellatus Curimatidae Curimatopsis myersi X X X X X X X Psectrogaster curviventris Psectrogaster rhomboides Psectrogaster amazonica Curimatella dorsalis Curimatella lepidura X Curimatella immaculata Potamorhyna squamoralevis X X X X X X X X X X X Cyphocharax gillii Cyphocharax modesta C. X X X X X X X X X X *Bivibranchia velox Anodus orinocensis Prochilodontidae Prochilodus lineatus P.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Hemiodus orthonops Hemiodus notatus Hemiodus parnaguae Hemiodus rodolphoi Hemiodus unimaculatus Argonectes sp. nageli C.

n. 1 Leporinus sp. nigrotaenia Steindachnerina insculpta Steindachnerina sp. piau L. reinhardti L.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES S. octofasciatus L. melanopleura L. taeniatus Leporinus fasciatus Leporinus affinis Leporinus pachycheilus *Leporinus tigrinus Leporinus trifasciatus *Leporinus bimaculatus Leporinus sp. paranensis L. obtusidens L. macrocephalus 228 X L.n. lacustris X L. 2 . friderici L. microphthalmus L. marggravii L. Steindachnerina elegans Steindachnerina notonota *Steindachnerina gracilis *Steindachnerina amazonica Curimata macrops X X X X X X X X X X X X X X X X Curimata cyprinoides *Curimata acutirostris Anostomidae Leporellus vittatus Leporellus cartledgei X Leporinus elongatus L. striatus Leporinus amblyrhynchus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X L.

Abramites hypselonotus X Schizodon borellii S. Leporinus sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Leporinus sp.n.4. Gymnotiformes Rhamphichthyidae Rhamphichthys hahni X X X X X Rhamphichthys rostratus *Rhamphichthys marmoratus Diversidade e conservação da biota aquática Gymnorhamphichthys hypostomus Gymnorhamphichthys rondoni . lacerdae X Chilodontidae Caenotropus labyrinthicus Chilodus punctatus Ctenoluciidae Boulengerella cuvieri Boulengerella maculata Incertae Sedis Microschemobrycon sp. X X X X X Leporinus sp. malabaricus Hoplias gr. isognathus Schizodon knerii Schizodon rostratus X X X S. 3 Leporinus maculatus Leporinus spp. dissimilis S. fasciatus Schizodon altoparanae Schizodon nasutus Schizodon vittatus X X X X X X X X X X X X X X X Anostomus ternetzi 229 X X X X X *Laemolyta petiti Laemolyta taeniata Anostomoides laticeps Lebiasinidae Pyrrhulina australis Erythrinidae Erythrinus erythrinus Hoplerythrinus unitaeniatus X X X X X X X X X X X X X X X X Hoplias malabaricus Hoplias gr.

Sternachorhynchus oxyrhynchus Sternarchogiton sp. herberti . brasiliensis T. Brachyhypopomus pinnicaudatus Brachyhypopomus sp. virescens *Archolaemus blax Hypopomidae Sp. C. 1 230 X X X Brachyhypopomus sp. aff. B Sp. eichorniarium T. A X X X X X X X Sp. brasiliensis Porotergus ellisi Sternachella curvioperculata Sternarchella schotti Sternarchorhamphus hahni Sternarchorhynchus curvirostris X Sternarchorhynchus sp. Platyurosternarchus sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Gymnotidae Gymnotus carapo Gymnotus inequilabiatus Sternopygidae Sternopygus macrurus Sternopygus obtusirostris Eigenmannia trilineata E. virescens Eigenmannia microstoma Eigenmannia microstoma *Eigenmannia vicentespelaea Eigenmannia sp. 2 Hypopomus sp X Apteronotidae Apteronotus albifrons X X X X X X X X X X X X X X Apteronotus sp A. Electrophoridae Electrophorus electricus Siluriformes Trichomycteridae Trichomycterus amazonicus X X T.

Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES T. reinhardti *Trichomycterus punctatissimus Paravandellia bertoni Ochmacanthus batrachostomus X Pseudostegophilus maculatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Parastegophilus scarificator Stegophilus insidiosus Ituglanis parkoi *Henonemus intermedius *Tridentopsis tocantisi *Ammoglanis diaphanus X X X X Pareiodon microps Vandellia cirrhosa Ageneiosidae Ageneiosus brevifilis 231 X X X X X X X X X A. tenebrosa *Phenacorhamdia somnians Phenacorhamdia sp. quelen Pimelodella gracilis . pubescens Diversidade e conservação da biota aquática R. valenciennesi X Ageneiosus dentatus Pimelodidae Hypophthalmus edentatus X X Hypophthalmus marginatus Phenacorhamdia hoehnei Phenacorhamdia unifasciata X X X X X X X X X P. Pseudopimelodus zungaro Pseudopimelodus roosevelti Pseudopimelodus fowleri Microglanis cottoides X X X X X X Microglanis sp Rhamdia hilari R. ucayalensis X A. johnsoni Trichomycterus proops X T.

mucosa P. taenioptera Pimelodella avanhandavae P. cf. avanhandavae Pimelodus argenteus 232 X X X X X X X X X X X X X P. ornatus P.1 Pimelodus blochii Pimelodus sp. cristata Pimelodella sp. notomelas P. rudolphi P. fasciatum Bergiaria westermanni . lateristriga P. steindachneri X X X X X X X X X X Pimelodella sp. laurenti P. maculatus P. vittata Pimelodella cristata P. megalura P. parnahybae P. cf. Iheringithchys labrosus X Pinirampus pirinampu Luciopimelodus pati X X Megalonema platanus Leiarius pictus X Hemisorubim platyrhynchus Paulicea luetkeni Sorubim lima Pseudoplatystoma corruscans X P. cf.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES P. insignis P. fur Pimelodus fur P. paranensis X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Pimelodus sp.

Rhamdella sp Brachyplatystoma filamentosum B. novo brachynema Gen.parnahybae Pimelodina flavipinnis Nannorhamdia sp. Zungaro zungaro Sorubimichthys planiceps Phractocephalus hemioliopterus Platynematichys notatus Platystomatichthys sturio *Aguarunichthys tocantinsensis Aspredinidae Amaralia hypsiura X X X X Bunocephalus australis Diversidade e conservação da biota aquática B. novo hollandi Rhamdiopsis sp. doriae Bunocephalus larai . Brachyrhamdia sp. mirini I. Steindachneridion scripta Bagropsis reinhardti Conorhynchus conirostris Duopalatinus emarginatus 233 X Lophiosilurus alexandri X Pseudopimelodus fowleri X X Pseudopimelodus sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Imparfinis minutus I. cf. hollandi X Cetopsorhamdia iheringi X X X Cetopsorhamdia sp. novo longicauda X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Gen. Heptapterus sp X X X Gen. schubarti Imparfinis microcephalus Imparfinis sp.n.

striatulus P. 2 Aspredo aspredo Dysichthys coracoideus Dysichthys aleuropsis Auchenipteridae Entomocorus benjamini Tatia neivai Tatia schultzi *Tatia simplex Pseudotatia parva X X Epapterus chaquensis X X X X X Auchenipterus nigripinnis A. leopardinus Glanidium cesarpintoi Glanidium albescens Tocantisia piresi Doradidae Genero novo sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X Bunocephalus sp. nova Anadoras weddellii X X X X X X X X X Platydoras armatulus Platydoras costatus Pterodoras granulosus Rhinodoras dorbignyi X Rhinodoras sp. Oxydoras kneri X Oxydoras niger Trachydoras paraguayensis X X X X X Doras eigenmanni Franciscodoras marmoratus Hassar affinis Hassar sp. 1 Bunocephalus sp. nuchalis X X X X Auchenipterichthys thoracatus Trachelyopterus coriaceus X X X X X X X Parauchenipterus galeatus 234 X X X X X P.n. .

pectorale X X X X X X X H. personatus Hoplosternum thoracatum X Corydoras aeneus C. microps C. paleatus C. treitlii *Corydoras araguaiensis *Corydoras maculifer *Corydoras cochui *Brochis splendens Brochis britskii X Aspidoras fuscoguttatus A. polystictus 235 Corydoras sp C. lakoi Aspidoras raimundi *Aspidoras pauciradiatus *Aspidoras albater *Aspidoras eurycephalus Diversidade e conservação da biota aquática Aspidoras poecilus Aspidoras aff. multimaculatus Corydoras julii C.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Megalodoras uranoscopus Cetopsidae Pseudocetopsis gobioides Pseudocetopsis chalmersi Pseudocetopsis plumbeus Cetopsis coeticuens Callichthyidae Calichthys callichthys Hoplosternum littorale X H. garbei C. hastatus X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X C. aurofrenatus C. macropterus C. poecilus .

pentamaculata Rineloricaria lima R. oxyrhynchus X *Farlowella henriquei Farlowella amazona Farlowella spp. Hemiodontichthys acipenserinus X Spatuloricaria evansii Rinelocaria cacerensis R. platymetopon Loricariichthys parnahybae L.B: Sturisoma barbatum S. hoehnei R. nigricauda X X X X X X X X R.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X X X X X X X X Megalechis personatus Megalechis thoracatus Scoloplacidae Scoloplax empousa Scoloplax distolothrix Loricariidae Neoplecostomus paranensis Neoplecostomus franciscoensis X Neoplecostomus sp. steindachneri Rineloricaria derbyi Rineloricaria sp Loricariichthys labialis X X X X X X L. typus Loricariichthys nudirostris Pseudohemiodon platycephalus X . rostratum X X X X X X 236 X X X Sturisoma sp. parva Rineloricaria latirostris R.A: Farlowella sp. Farlowella jauruensis X F. Farlowella sp.

cirrhosus Ancistrus sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Pyxiloricaria menezesi Brochyloricaria macrodon Loricaria apeltogaster L. piauhiae *Loricaria lata Loricaria spp. vittatus Otocinclus sp. Parotocinclus britskii Parotocinclus sp. lentiginosa Loricaria nudiventris Loricaria parnahybae L. Otocinclus hasemani Hisonotus francirochai X X X X Hisonotus sp. X Harttia sp. hoplogenys Ancistrus stigmaticus *Ancistrus sp1 *Ancistrus cryptophthalmus Ancistrus ranunculus Diversidade e conservação da biota aquática Ancistrus cf. similima X Loricaria macrodon L. cataphracta L. piracicabae L. guntheri Otocinclus vittatus Otocinclus cf.2 . Hartia sp. prolixa L. Ancistrus cirrhosus X X X X X X X X A.n. 237 Pseudoloricaria punctata Hypoptopoma guentheri X X X Hypoptopoma cf.

cf. piratatu X X X X X X X X X X X X X H. hermanii H. lexi . margaritifer H. margaritifer H. commersonii H. scaphyceps H. Panaque nigrolineatus X Panaque sp. latirostris H. variostictus Hypostomus albopunctatus H. regani H.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Megalancistrus aculeatus Pterygoplichthys etentaculatus P. boulengeri H. fluviatilus H. macrops H. nigromaculatus H. paulinus H. strigaticeps H. cf. Acanthicus hystrix Pseudacanthicus spinosus Pseudacanthicus sp. multiradiatus Xenocara damasceni *Hemiancistrus niveatus Hemiancistrus sp. lituratus P. commersoni H. Rhinelepis strigosa X X X X X Rhinelepis aspera Liposarcus anisitsi X X X X X X X X X X Hypostomus auroguttatus 238 H. latifrons H.

C. hollandi Diversidade e conservação da biota aquática P. Hypostomus sp.A Hypostomus sp. brevis H. vivipara Gen. vaillanti *Hypostomus atropinnis *Hypostomus asperatus Hypostomus sp d *Hypostomus goyazensis 239 X X *Hypostomus vermicularis Hypostomus spp. sp. garmani Hypostomus alatus H. iheringi H. jucundus Poecialia reticulata P.n 4 . spilurus H. *Glyptoperichthys joselimaianus Cochliodon cochliodon X X X X X X X X X Cyprinodontiformes Poeciliidae Pamphorichthys hasemani X *Pamphorichthys araguaiensis *Cnesterodon septentrionalis Phalloceros caudimaculatus Phallotorynus fasciolatus P. ancistroides H. francisi H. Plecostomus sp. Hypostomus sp. plecostomus H. Plecostomus sp.B. variipictus H. wuchereri Hypostomus sp H.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES H.

Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES Rivulidae Rivulus punctatus Rivulus pictus Rivulus decoratus R. apiamici R. ghisolfii S. pinima Rivulus vittatus Rivulus sp *Rivulus zygonectes *Rivulus violaceus Cynolebias boitonei X X X X X Cynolebias perforatus X X *Cynolebias griseus Pterolebias longipinnis X P. trilineatus S. flavicaudatus S. fulminantis S. magnificus S. phasianus Plesiolebias glaucopterus X *Plesiolebias aruana X X X X X X X X X 240 X X X *Plesiolebias lacerdai *Plesiolebias xavantei Trigonectes balzanii *Trigonectes strigabundus *Trigonectes rubromarginatus Neofundulus paraguayensis N. zonatus *Simpsonichthys flammeus *Simpsonichthys multiradiatus . hellneri S. parvipinnis X Stenolebias bellus Stenolebias damacenoi Simpsonichthys alternatus X X X X X X X X X X S.

vittata Crenicichla jaguarensis . squamosissimus Plagioscion surinamensis Pachyurus bonariensis X X X 241 X X Pachyurus francisi P. semifasciata Diversidade e conservação da biota aquática C. commbrae A. inconspicua A. squamipinnis *Pachyurus paucirastrus Cichlidae Apistogramma borellii X X X X X X X X X X X X A. trifasciatus Apistogramma agassizi Apistogramma sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES *Simpsonichthys notatus *Simpsonichthys costai *Simpsonichthys marginatus *Pituna compacta *Pituna poranga *Maratecoara lacortei X *Maratecoara formosa Beloniformes Belonidae Potamorhaphis eigenmanni X X X X X X X X Potamorrhaphis guianensis Pseudotylosurus angusticeps Pseudotylosurus microps Perciformes Sciaenidae Plagioscion ternetzi Plagioscion auratus P. Cichla sp X Cichla monoculus Cichla temensis Gymnogeophagus balzanii X X X X X X X Satanoperca pappaterra Satanoperca jurupari Crenicichla edithae C.

Astronotus ocellatus Chaetobranchopsis australis X X X X X X X X X X X X X Cichlasoma dimerus Cichlasoma facetum C. cf. Laetacara dorsigera X X Laetacara sp. jegui Crenicichla johanna Crenicichla lugubris *Crenicichla cf. jupiaensis C. stocki Crenicichla lacustris Crenicichla strigata Bujurquina vittata X X X X X X Aequidens plagiozonatus 242 X X X X Aequidens cf. haroldoi C. Astronotus ocellatus Biotodoma cupido *Retroculus lapidifer Heros severus . vittatus Aequidens sp.Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X X X X X X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA COMERCIAL PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES C. paranaense Cichlasoma sanctifranciscense *Cichlasoma Mesonauta festivus X *Mesonauta acora Geophagus brasiliensis Geophagus sp. britskii Crenicichla lepidota Crenicichla saxatilis *Crenicichla astroblepa Crenicichla inpa Crenicichla regani Crenicichla sp.

Tabela 9 (continuação) PANTANAL X X X X X FRANCISCO ESPORTIVA PARANÁ SÃO PARNAÍBA TOCANTINS ENDÊMICAS MIGRADORAS PESCA PESCA COMERCIAL ORDEM FAMÍLIAS ESPÉCIES X X X X Hypselacara temporale Chaetobranchus flavescens Synbranchiformes Synbranchidae Synbranchus marmoratus Pleuronectiformes Achiridae Catathyridium jenynsii Apionichthys spp.(?) Achiropsis asphyxiatus Clupeiformes Engraulidae Anchoviella vaillanti X X X X X X X Anchoviella sp Anchovia pallida Anchovia potiana Anchovia surinamensis Lycengraulis batesii Tetraodontiformes Tetraodontidae Colomesus psittacus 243 Diversidade e conservação da biota aquática .

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com auxílio de um Sistema de Informações Geográficas. evitando assim seccionar unidades ambientais naturais e suas comunidades. recomenda-se também proteger efetivamente todas as áreas com conexões entre bacias. são habitadas por várias espécies anuais de distribuição muito restrita. . Neste sentido. De acordo com esses critérios. compreendem: (a) as cabeceiras das bacias de drenagem.áreas prioritárias e recomendações para a conservação da biodiversidade aquática A diversidade de espécies no Cerrado e no Pantanal pode ser exemplificada pelos dados de ictiofauna. Ecótone Cerrado-Amazônia. (b) Hidrografia. Cumpre salientar que. Esses dados têm sofrido constantes alterações com descobertas recentes de várias espécies pela ciência. por possuir conjuntos únicos de paisagens e elementos da biodiversidade. ÁREA NUCLEAR DO CERRADO (a. entretanto. Bacias dos rios Xingu. novas Unidades de Conservação devem ser estabelecidas para proteger especificamente a biodiversidade contida nas águas continentais do Cerrado e Pantanal. os cursos de alguns rios. recomendase também proteger efetivamente (d) todas as áreas com conexões entre bacias. (b) as veredas e brejos de altitude. dentro das possibilidades atuais de avaliação. sem indicar trechos ou áreas delimitadas. Cada uma dessas unidades. Cabeceiras de afluentes do rio Miranda na Serra de Maracaju. Para conservar essa enorme riqueza. Áreas e componentes prioritários para a conservação As unidades de conservação para a biodiversidade de água continentais do Cerrado e Pantanal devem ser estabelecidas com o objetivo proteger toda a comunidade presente no sistema ou segmento do sistema. por controlarem a organização do potamon. em especial (d. Os sistemas mais ameaçados na região e. no Chapadão Oeste da Bahia e (d. c. d. ao invés de focalizar apenas em uma determinada espécie ou habitat ameaçados. devem ser alvo de esforços de conservação. Em face de seu caráter excepcional. o que. nas proximidades do Distrito Federal. (c ) as planícies de inundação dos grandes rios. Bacia do Alto Paranaíba. II. habitadas por várias espécies anuais de distribuição muito restrita.2) a do córrego Arrependido (rio Preto-rio São Marcos). que deveriam receber prioridade para proteção.rio São Marcos) nas proximidades do Distrito Federal. toda a diversidade de habitats do sistema/segmento a ser protegido. Ecótone CerradoCaatinga). Recomenda-se que as áreas protegidas incluam toda a diversidade de habitats. como expressamos poderá ser feito posteriormente. ÁREAS DE ECÓTONE ( a. considerando toda a comunidade presente no sistema ou em seu segmento. por controlarem a estrutura e funcionamento do rhithron. Bacias do Nordeste). Os sistemas mais ameaçados na região e que devem ter prioridade compreendem as cabeceiras das bacias de drenagem e as planícies de inundação dos grandes rios. indicando um ponto de referência (coordenadas geográficas) em suas cabeceiras. apenas 0.44% do Cerrado e do Pantanal estão contemplados por unidades de conservação genuinamente aquáticas. para proteger todas as estratégias de vida do sistema. f.Diversidade e conservação da biota aquática Síntese do grupo temático . c.1) a do rio Sapão (rio do Sono-rio Preto). b. a área mínima necessária para uma unidade de conservação aquática deve ser estabelecida com base na área de vida das espécies migradoras. Cumpre salientar que. As veredas e brejos de altitude estão incluídas nesta avaliação. Alguns desses pontos podem estar incluídos em unidades de conservação já existentes. selecionamos. Estimativas para a América do Sul apontam para a ocorrência de quase 3000 espécies de peixes. Bacia do Alto Paraguai. usando os seguintes critérios de cruzamento em Sistema de Informação Geográfico: (a) Compartimentação Geológica – Geomorfológica. Tapajós e Madeira. a distribuição dessas áreas deve basear-se na bacia hidrográfica e sua posição no Bioma (área nuclear ou de ecótone) : I. Bacia Araguaia-Tocantins.rio Preto) no chapadão oeste da Bahia e a região do córrego Arrependido (rio Preto . Bacia do rio São Francisco. em especial a do rio Sapão (rio do Sono . b. (c) Regime Hidrológico. Ecótone Cerrado-Mata Atlântica. O ideal. as unidades de conservação devem procurar abranger 251 Bacia do Alto Rio Paraguai (Figura 8) 1. sendo que cerca de 780 podem ser encontradas no Cerrado e no Pantanal. e. A segmentação de unidades ambientais naturais e suas comunidades deve ser evitada. em vez de focalizar apenas uma determinada espécie ou hábitat ameaçados. a área mínima necessária para uma unidade de conservação aquática deve ser estabelecida com base na área de vida das espécies migradoras. Estado de Mato Grosso do Sul (21º40’S 56º10’W). Em face de seu caráter excepcional. Ao nível da paisagem. Atualmente. (d) Distribuição de espécies ou mesmo gêneros. pois. é subdividir cada bacia hidrográfica em unidades de drenagem ecologicamente equivalentes (UDEEs). para proteger todas as estratégias de vida presentes no sistema.

afluente do Paranaíba. 6. Cabeceira do rio das Almas (15º30’S 49º20’W). 21. Cabeceiras de rios que nascem do lado sul da Chapada dos Parecis (entre 300 e 500m e entre 62ºW e 64ºW) e correm para o rio Guaporé. Cabeceiras do Pindaré. Lago de Parnaguá. Cabeceiras do rio Arinos (14º00’S 56º23’W). Esta é uma área de contato entre as duas bacias (São Francisco e Tocantins). 23. como outros dessa área. Nasce a altitudes de aproximadamente 800m e apresenta extensas áreas alagadas ao longo de seu curso superior e médio. MT. 25. no Estado de Goiás (16º20’S 49º55’W): afluente do Paranaíba que corre na direção N . GO. Cabeceira do rio das Mortes (15º20’S 55º00’W). Rios que nascem na Chapada dos Parecis a altitudes aproximadas de 600m e 700m. As áreas inundáveis do Alto Xingu (13º00’S 53º00’W). Cabeceiras do rio Veredão (afluente do Arrojado e este do Corrente) Estado da Bahia (13º50’S 46º00’W). e correm para o norte: 27. Estado de Mato Grosso do Sul (19º20’S e 54º30’W). 9. MA (6º50’S 45º45’W). 19. afluente da margem direita do Araguaia (14º30’S 50º20’W). 4. já mencionado na bacia do São Francisco). 17. Cabeceiras do rio Araguaia (17º30’S e 53º15’W). Cabeceira do rio Culuene (14º45’S 54º30’W). originando-se no Parque Nacional da Emas (18º15’S 53ºW). MT Sistema Araguaia-Tocantins 15. 252 Bacia do Rio Xingu 30. Cabeceiras do rio Cuiabá (14º15’S 55º10’W). Cabeceiras de alfuentes do Ivinheima (rio Vacaria ou Brilhante) que nasce na Serra de Maracaju. . Rios do Maranhão e Piauí 10. MT 28. RO. divisa MT-GO. Estado de Mato Grosso. Roosevelt (12º00’S 60º20’ W).S. afluente da margem esquerda do Tocantins (13º50’S 49º05’W). 22. Alto Parnaíba. GO. MT e Aripuanã (11º00’S 59ºW). Cabeceiras do rio Pium. Formadores do rio Correntes. Estado de Mato Grosso do Sul (21º10’S 55º25’W). Cabeceiras do Coxim na Serra de Maracaju. MT. Cabeceiras do rio Teles Pires (14º20’S 54º35’W). 14. Cabeceiras do rio Santa Teresa. Estado de Mato Grosso. Bacia do Alto Rio Paraná 5. PI (10º00’S 45º50’W). Cabeceiras do rio Sapão (afluente do Preto e este do Grande) e rio Novo (afluente do Sono na bacia do Tocantins). rios que nascem na Chapada dos Parecis a baixas altitudes (aproximadamente 300m) e correm para o norte. 18. 20. rio São Domingo (13º25’S 46º10’W). 13. 12. entre os Estados da Bahia e Goiás (10º40’S 46º15’W). Cabeceiras do Grajaú e Mearim (muito próximas entre si). Cabeceiras do Itapecuru. RO. Trechos dos sistemas rio – planície do rio Paraná em Goiás. MT. Cabeceiras de afluentes do São Lourenço (16º35’S 53º00’W). MT. 3. Cabeceira do rio dos Bois. Cabeceiras do rio Novo. GO. 16. PI (10º15’S 44º40’W) Bacia do Rio Tapajós 26. MA (5º55’S 47º00’W). Bacia do Rio Madeira 24. que corre na direção NW-SE. Cabeceiras do Machado (12º30’S 60º00’W). MT 29. Cabeceira de afluentes do Paranã na Serra Geral de Goiás: rio Vermelho (afluente do Corrente) (14º25’S 46º05’W). GO. MA (6º00’S 46º30’W). rio Sobrado (afluente do Palma) (12º30’S 46º15’W). GO. Cabeceira do rio Crixás. 31.2. GO. afluente do Sono (que tem conexão com o Sapão. Bacia do Rio São Francisco 8. 11. GO] 7. Papagaio e Juruena (14º00’S 59º00’W). afluente da margem direita do Araguaia (10º30’S 49º10’W). Cabeceiras dos rios do Sangue. com muitos rios intermitentes nas cabeceiras.

principalmente. por apresentarem melhor custo-benefício. é preciso conceber uma 253 . torna-se vital desenvolver estratégias de conservação e manejo da biodiversidade aquática também fora de unidades de conservação formalmente constituídas. (d) experimentação e modelagem para determinar os mecanismos principais atuando na organização dos sistemas e permitir melhor entendimento para as comparações entre sistemas ecologicamente equivalentes. Áreas e componentes prioritários para inventários biológicos Em face do nível atual de desconhecimento sobre a composição e mecanismos de controle da organização das comunidades aquáticas do Cerrado e Pantanal. Estudos de impactos ambientais devem ser conduzidos por especialistas com experiência. pela comunidade nativa. Para isso. Tendo em vista que pesquisas dessa natureza são controladas pelo custo. serão necessários novos inventários. de modo a evitar que persista o enfoque “utilitarista” . convém estratificar as diferentes bacias com relação ao tipo. Como medida preparatória para o estabelecimento de um programa de inventário. A tentativa de reversão de impactos por meio de obras de engenharia deve ser evitada. em experimentos de médiolongo prazo. proprietários rurais e órgãos ambientais é crucial para permitir que esses experimentos se realizem. Cumpre definir que tipo de informação deve ser obtida prioritariamente. de modo a possibilitar restabelecer as condições adequadas à recolonização natural dos habitats manejados. deve-se observar a adequação dos delineamentos amostrais e a eficiência dos métodos de coleta dos dados (Figuras 7-8). que por sua vez é governado por limitações amostrais. O estabelecimento de mecanismos de cooperação entre cientistas aquáticos. a partir de dados confiáveis. Incentivos à adoção de práticas adequadas ao correto manejo e proteção do solo nas bacias de drenagem devem ser incentivadas. A mitigação de impactos deve enfocar prioritariamente procedimentos que “imitem a natureza”. os estudos devem enfocar (a) estudos ao nível de ecossistema/comunidade. Preferencialmente. Neste sentido. a introdução de espécies exóticas. (c) estudos de longo-prazo realizados concomitantemente entre sistemas “ecologicamente comparáveis”. deve-se evitar o repovoamento com espécies nativas e. com freqüência e densidade apropriadas para averiguar as interações entre espécies e habitats e as respostas da comunidade à distúrbios não previstos ou à efeitos de longo-prazo. por criterioso monitoramento. mas ainda não existe esta “cultura” no Brasil. que possibilitem avaliar o custo-benefício desse manejo e. A restauração de habitats aquáticos já é uma realidade nos Estados Unidos. (c) estudos sobre padrões migatórios. com (b) experimentação e modelagem e. para possibilitar compreender as necessidades ambientais das comunidades. elaborar protocolos adequados de manejo e aplicar essas descobertas aos problemas de conservação. portanto.Diversidade e conservação da biota aquática Áreas e componentes prioritários para restauração Considerando que cerca de 56% da área do Bioma Cerrado constitui “paisagem natural Manejada” . à exceção de situações especiais. para orientar mais rápida e adequadamente as políticas de conservação e uso sustentável. a estratégia mais adequada deve enfocar comparações entre sistemas equivalentes. para conter o assoreamento dos canais. com o delineamento de um programa de inventário da biodiversidade aquática dos sistemas do cerrado e Pantanal. A estratégia ideal é acelerar os processos naturais de recuperação. em sua maioria sob o domínio privado. O desenvolvimento de cooperações técnicas com vistas a adaptar desenvolver técnicas de restauração apropriadas para as diversas condições no Cerrado e Pantanal é necessário e urgente. preferencialmente. as práticas de peixamento/introdução de espécies devem ser precedidas por experimentos cuidadosos e bem conduzidos de bioma­nipulação. De forma análoga. (e) revisões taxonômicas e elaboração de chaves de identificação para cada sistema estudado. restauração ou explotação em outros sistemas. constituindo. baseado apenas em descrições incompletas (geralmente físicoquímicas) dos ecossistemas aquáticos. estratégia amostral que maximize os resultados por unidade de custo operacional das coletas. Essas pesquisas devem combinar (a) coletas extensivas de dados empíricos. Em reservatórios urbanos já muito alterados. Os desafios de manejo e conservação da biodiversidade aquática requerem dos cientistas um esforço no sentido de obtenção de dados mais confiáveis e sintonizados com esses objetivos. para avaliar seus resultados. (b) estudos sobre produção e esforço da pesca multi-específica. Cumpre ressaltar que os impactos sobre as comunidades de peixes devem ser analisados como um tema distinto e complementar aos impactos sobre os recursos pesqueiros e a pesca. como prática de manejo. como das mudanças globais.

 Rios que nascem no chapadão ocidental do Estado da Bahia e na Serra Geral de Goiás. Rio Corrente. Cabeceiras dos rios do Sangue. Rios que nascem na Serra dos Pirineus. Miranda e Apa. e as dos rios Arino e Teles Pires. onde se situam as cabeceiras dos diferentes cursos d´agua que correm para o rio principal de cada bacia de drenagem do cerrado. rios que nascem na chapada dos Parecis a altitudes de 600 e 700m. incluindo os seguintes rios e tributários: Rio Grande. devemos enfatizar a necessidade de levantamentos imediatos em áreas que foram precariamente inventariadas ou que nunca o foram e que são aquelas situadas nas partes mais altas do Planalto Central. Bacia do Alto Rio Paraná 2. segundo os mesmos critérios discutidos anteriormente (para seleção das áreas prioritárias para conservação) é recomendada como a melhor estratégia a ser implementada em curto prazo. Itapecuru e Parnaíba e seus afluentes que nascem em altitudes entre 300 e 400m. suficientemente inventariado). do Tombador e Azul (aproximadamente 500m de altitude). afluentes do Madeira que se originam num divisor (Chapada dos Parecis) de baixas altitudes (aproximadamente 300m). o rio das Mortes. das Almas e Maranhão (este suficientemente inventariado na área do Distrito Federal). serão sugeridas a seguir as áreas prioritárias dentro das diferentes bacias aqui consideradas: Ao norte. estas são exatamente as de cabeceiras. Verde Pardo e Ivenheima) e que deságuam na margem direita do Paranaíba ou do Paraná. Rios que nascem do lado norte e leste do Pantanal a altitudes de 500 a 700m: São Lourenço. rios que nascem na Serra das Divisões (ou Santa Marta). à aproximadamente 1000m de altitude. e as do Tocantins e seus principais afluentes. Deve-se excluir dessa relação aqueles afluentes do Paracatu que drenam a área do Distrito Federal. e Serra dos Caiapós. cujas nascentes estão nas das serras das Araras. 254 . Grajaú-Mearim. Bacia do Rio Tapajós 7. ouvidos os usuários quanto ao seu delineamento. a altitudes relativamente mais baixas ( Sucuriú. Bacia do Alto Rio Paraguai 1. Entre os paralelos de 11º30’S e 13º30’S e os meridianos de 52ºW e 54W existem vastas áreas alagáveis nesses rios. A sub-divisão das bacias hidrográficas em Unidades de Drenagem Ecologicamente Equivalentes. Rios dos Estados de Maranhão e Piauí 4. Para a finalidade do presente trabalho. Os rios que nascem no interflúvio desses dois rios principais e fluem para o Araguaia ou o Tocantins. Sistema Araguaia-Tocantins 5.precisão e grau de atualização dos dados disponíveis. Taquari. Rio Cariranha. esses rios nascem a altitudes de 600 e 800 metros e muitos trechos desses cursos estão em áreas alagadas. Negro. se devemos apontar área prioritárias. nos Estados da Bahia e Minas Gerais. mais ao sul (Correntes e Paracatu) as altitudes nas nascentes são maiores (aproximadamente 1000 m). que são muito pouco conhecidas. à cerca de 900m de altitude (Claro. que tem suas nascentes no Distrito Federal. Roosevelt e Aripuanã. Cabeceiras do Machado. Toda a informação disponível e a ser gerada deve ser disseminada e disponibilizada aos usuários em diferentes formatos. e as cabeceiras dos rios que se originam no lado oposto desse divisor e correm para o Guaporé. pois nessas áreas coletas intensivas têm sido feitas por Mauro Ribeiro. Os afluentes da margem direita do Maranhão que nascem na Serra Geral de Goiás. Rio Urucuia e Rio Paracatu. mas. Todos esses rios possuem dezenas de corredeiras e cachoeiras que tendem a isolar francamente as faunas de peixes das partes mais altas daquelas das partes mais baixas. na ausência desses critérios. que nascem a altitudes de aproxima­damente 800m. Piquiri-Itiquira. Bacia do Rio São Francisco 3. afluentes da margem direita do Paranaíba: Meia Ponte e dos Bois (excetuando o Corumbá. Cabeceiras do Pindaré. Bacia do Rio Madeira 6. O desenvolvimento/aprimoramento de bancos de dados deve ser incentivado. Todas as cabeceiras mais ao sul desses dois sistemas: as do rio Araguaia e seu principal afluente. Obviamente também esses rios principais necessitam ser melhor inventariados. Verde. Correntes). Aquidauana. Todavia. As cabeceiras do Culuene e Suiá-missu e seus alfuentes que se originam a altitudes de 500 a 700m. Papagaio e Juruena. no entanto. Bacia do Rio Xingu 8.

Bahia.Minas Gerais. 16. Cabeceiras do alto rio Parnaíba . cachoeiras e águas emendadas 10.   9. cabeceiras do rio das Mortes. lagoas marginais. cachoeiras e águas emendadas com o rio São Francisco. com forte pressão antrópica. Alto do rio Parnaíba . Presença de veredas.Mato Grosso do Sul 255 . Alto rio Tocantins (rio Maranhão . Presença de cachoeiras e corredeiras. Alto curso com canal bem encaixado e muitas quedas d’água 12.rio das Almas) 13. planos e programas do MMA/ IBAMA que já estão pautados nas diretrizes mais adequadas para o setor. Grandes veredas exploradas por plantações de soja.sul do Piauí e Maranhão  4. lagoas marginais e matas de galeria. Ocorrência de cachoeiras nos tributários dos rios Madeira . mata de galeria.Mato Grosso do Sul e Goiás  3. Cabeceiras dos rios Paracatu e Urucuia. Região da Serra da Bodoquena . deve-se fortalecer as posições. Área de agricultura de soja. Cabeceira dos afluentes da margem esquerda do médio rio São Francisco. Presença de várzea e planície de inundação.Guaporé   7. com a utilização de todos os instrumentos de gestão disponíveis. Médio rio Araguaia. O manejo e a conservação da biodiversidade de águas continentais deve ser adotado como parte da política de recuros hídricos. com vistas a garantir que os interesses da conservação de sua biodiversidade sejam de fato integrados aos planos e programas daquelas pastas. 11. Região de alta declividade com cachoeiras e corredeiras.Diversidade e conservação da biota aquática Políticas públicas A biodiversidade de águas continentais deve integrar explicitamente todos os planos e programas de ação com rebatimento na área ambiental. Figura 7 . 15. Neste sentido. Presença de cerrado. Alto rio Araguaia. Médio superior do rio São Francisco .Mato Grosso. Neste sentido. Região da calha principal com lagos marginais.Minas Gerais.Corredores Ecológicos e Áreas Prioritárias para a Conservação da Biota Aquática na Bacia do Alto Paraguai.Mato Grosso   6. Cabeceiras dos rios Teles Pires e Juruena . Cerrados do centro de Rondônia.   8. Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade aquática  1. Presença de corredeiras. cumpre destacar a iniciativa do Setor elétrico em desenvolver diretrizes específicas para a conservação e uso sustentável dos recursos aquáticos nas áreas de influência de seus empreendimentos hidrelétricos/termelétricos. 17. Cabeceiras do Pantanal   5. Médio rio Tocantins. incluindo cabeceiras e afluentes da margem direita.São Paulo  2. Afluentes da margem direita do rio Paraná . Ocorrência de veredas. Bacia do alto rio São Francisco . foz de tributários e planícies de inundação 14. Região de cultivo de soja. A natureza integradora dos ecossistemas aquáticos impõe a necessidade de implementar parcerias com os demais setores de desenvolvimento.Minas Gerais. em conformidade com os princípios da pesca responsável. do rio das Mortes até a ilha do Bananal. A conservação da biodiversidade de águas continentais deve ser a base dos programas de utilização sustentável de recursos pesqueiros. Alto rio Araguaia . Presença de garimpo e extensas áreas de monocultura. Alto rio Tocantins. Alto rio Tietê . região de Vão do Paranã.

Áreas Prioritárias para Conservação da Biota Aquática dos biomas Cerrado e Pantanal.Figura 8 . 256 .

Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Anfíbios e Répteis 257 .

Pinto Nelson J. Batista Elizabeth M. Colli. Bastos 258 . Brandão Rogério P. (Coordenador) Alexandre F. B.Participantes do Grupo de Trabalho Guarino R. Costa Franciane J. M. Neves Christine Strüssmann Cristiane G. M. C. Reuber A. da Silva Jr. de Araújo Beatriz M. Zerbini Luiz Eduardo de Oliveira Maria G. da Silva Gláucia J.

Considerando a sua grande extensão territorial e a crescente taxa de destruição do habitat natural. 300 indivíduos. são cobertas com vegetação de cerrado (Eiten 1983). foi feito um levantamento das localidades de coleta de lagartos no Museu Paraense Emílio Goeldi (Tabela 1). o lençol freático aproxima-se da superfície resultando no alagamento de vastas regiões. somada às afinidades florísticas com o Cerrado. sendo que as áreas restantes são paisagens naturais manejadas (56%) ou paisagens antrópicas (37%). Localidade Posto Indígena Gorotire Andaraí Ibiquera Palmas do Monte Alto Brasília Aragarças Goiânia Nerópolis Porangatú Santa Rita do Araguaia São Domingos Trindade Balsas Buriticupú Porto Franco Reserva Indígena Guajajara Santo Antonio do Balsas Itacarambí Barra do Bugres Barra do Garças Chapada dos Guimarães Tapirapé Conceição do Araguaia Serra do Cachimbo Cabeceiras Lagoa Alegre União Vilhena Araguatins Macaúbas Porto Jarbas Passarinho Estado Esp. é surpreendente que o Cerrado seja o bioma brasileiro menos conhecido do ponto de vista da herpetofauna. devido à pobre capacidade de drenagem do solo ou à inundação dos rios. cobrindo uma área aproximada de 1. Pela sua localização central no continente. cerca de 97% das localidades do Cerrado estudadas foram pobremente amostradas no que diz respeito às espécies lagartos. Estas áreas estão sujeitas ao clima Aw na classificação de Köppen. o Cerrado possui contatos com dois grandes biomas florestais (Floresta Amazônica e Floresta Atlântica) e com dois grandes biomas abertos (Chaco e Caatinga). As áreas bem drenadas. Chapada dos Guimarães-MT e Minaçu-GO) indicam que a diversidade local de lagartos no Cerrado está em torno de 20 espécies e que. Este panorama é ainda mais crítico para os anfíbios (Heyer 1988) e. As Savanas Amazônicas ocorrem como ilhas espalhadas em meio às áreas florestais da Amazônia. principalmente no Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul.00km2.8 milhões de km2. Ind. sendo que em todas as restantes o número de espécies foi inferior a 12. como os topos de murunduns. Atualmente o Cerrado é um dos biomas mais ameaçados pela expansão das atividades humanas na América do Sul. na Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (Tabela 2) e no Museu Nacional do Rio de Janeiro (Tabela 3).5-1. cerca de 25% do território nacional (Ab’Saber 1977). para serpentes (Silva & Sites 1995). Número de espécies e de indivíduos por localidade de coleta. Coll��������������� i ������������� (Organizador) Introdução O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro. provavelmente. A fraca associação entre Savanas Amazônicas com fatores climáticos e edáficos. Das 101 localidades inventariadas.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Herpetofauna do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Guarino R. mas as Savanas Amazônicas possuem menos endemismos e uma diversidade mais baixa (Eiten 1978). para todos os acessos de lagartos da Coleção Herpetológica do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG). Coletas exaustivas em três localidades (Brasília-DF. Portanto. recebendo em geral menos de 1700mm de precipitação anual e tendo uma estação seca que se estende por pelo menos três meses (Eidt 1968. Para se ter uma idéia da qualidade das amostragens até então realizadas no Cerrado. A fitofisionomia se assemelha à do Cerrado. Haffer 1987). Mesmo as espécies comuns e com ampla distribuição 259 geo­gráfica são pobremente representadas em coleções científicas e muitas regiões do Cerrado permanecem ainda completamente inexplo­radas.pelo menos. O Pantanal é uma grande planície que ocupa cerca de 110.000km2 (ou 2%) do território brasileiro (Pires 1973). Tabela 1. em apenas três foram coletadas mais de 20 espécies de lagartos. para que seja obtido este número de espécies é necessário coletar . ? 3 10 BA 1 8 BA 1 27 BA 1 14 DF 5 6 GO 7 32 GO 4 24 GO 1 9 GO 1 1 GO 1 1 GO 1 6 GO 1 3 MA 3 7 MA 2 2 MA 1 1 MA 7 73 MA 3 11 MG 1 1 MT 11 36 MT 1 2 MT 2 2 MT 4 63 PA 3 14 PA 2 8 PI 3 26 PI 3 16 PI 2 17 RO 1 1 TO 1 17 TO 1 37 TO 3 15 . cobrindo aproximadamente 150. Durante a estação chuvosa. sugere que sua distribuição geográfica é melhor explicada por fatores históricos. do que por fatores ecológicos atuais (Carneiro 1991). Dias (1994) estimou que apenas 7% do bioma constituem paisagens naturais preservadas. Projeções otimistas sobre o uso da terra para o Cerrado estimam que no ano 2000 cerca de 70% da sua área seriam representados por pastagens plantadas e lavouras (Alho & Martins 1995).

para todos os acessos de lagartos do Museu Nacional do Rio de Janeiro (MNRJ). Localidade Ciriquiqui Humaitá Amapá Ferreira Gomes Macapá Tartarugalzinho Cocos Correntina Eunápolis Faz. Número de espécies e de indivíduos por localidade de coleta.Tabela 2. Número de espécies e de indivíduos por localidade de coleta. Localidade Alto Paraíso Corumbá Iaciara Minaçu Palmas Lagoa Santa Lavras Aquidauana Cáceras Corumbá Coxim Piraputanga Salobra Xavantina Barra do Bugres Barra do Tapirapé Jacaré Posto Xingu Santana da Chapada São João da Barra Tapirapoã Utiariti Valinhos Alto Paraíso Corumbá Iaciara Minaçu Palmas Lagoa Santa Lavras Estado Esp. AM 2 8 AM 6 233 AP 7 237 AP 3 21 AP 8 357 AP 7 103 BA 4 10 BA 12 74 BA 1 2 BA 2 7 DF 23 839 DF 1 1 DF 1 1 DF 8 9 DF 5 30 DF 4 52 GO 8 40 GO 3 4 GO 5 43 GO 3 8 GO 3 1 GO 1 1 GO 22 1384 GO 8 17 GO 2 8 GO 3 4 GO 11 227 GO 2 4 GO 1 1 GO 1 2 GO 1 11 GO 2 8 GO 1 1 GO 1 1 GO 1 2 GO 2 5 MA 1 6 MA 4 18 MG 2 2 MG 5 41 MG 1 12 MG 2 3 MG 1 6 MG 4 4 MS 4 4 MT 8 345 MT 22 219 MT 1 1 MT 1 3 MT 1 1 PA 5 186 PA 4 136 PA 5 219 PA 5 12 RR 9 179 SP 1 1 SP 1 5 SP 1 1 Tabela 3. GO 1 1 GO 1 1 GO 1 1 GO 2 2 GO 1 1 MG 4 25 MG 1 3 MS 2 3 MS 6 11 MS 1 1 MS 1 1 MS 1 1 MS 4 7 MS 5 13 MT 1 4 MT 11 107 MT 1 12 MT 1 3 MT 1 2 MT 1 1 MT 1 1 MT 1 2 SP 1 56 GO 1 1 GO 1 1 GO 1 1 GO 2 2 GO 1 1 MG 4 25 MG 1 3 Figura 1. Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília e Museu Nacional do Rio de Janeiro. Ind. Dados obtidos do Museu Paraense Emílio Goeldi. Trijuná Brasília Brazlândia Gama Planaltina Sobradinho Taguatinga Alto Paraíso Aruanã Baliza Cristalina Flores de Goiás Formosa Minaçu Mineiros Nerópolis Niquelândia Pirenópolis Planaltina de Goiás Ribeirão Preto Santa Maria Santo Antônio do Descoberto Serra Dourada São Jorge São Miguel de Goiás Valparaíso Vão do Paranã Balsas Estreito Campos Altos Paracatu Santa Fé Serra do Cipó Uberaba Unaí Corumbá Barra do Garças Chapada dos Guimarães Juciara Reserva Indígena Xavante Rosário Oeste Alter do Chão Cachimbo Carajás Serra das Andorinhas Boa Vista Botucatu Ribeirão Preto Sorocaba Estado Esp. 260 . Ind. Distribuição de frequência do número de espécies de lagartos pelas localidades de coleta. para todos os acessos de lagartos da Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (CHUNB).

T. Muitas espécies novas de répteis e anfíbios do Cerrado foram descritas recentemente (Vanzolini 1971. Entretanto. Para o Pantanal. que é de aproximadamente 50% (Heringer et al. sendo que duas (Caiman latirostris e Melanosuchus niger) estão listadas no Apêndice I da CITES e as demais estão listadas no Apêndice II (Tabela 5). 1985. além de revelarem novas espécies. e E. Dentre os anfíbios. Seis espécies de lagartos são ameaçadas: Iguana iguana. Colli 1996). pelo menos para anfisbenas. Sete espécies de serpentes estão listadas no Apêndice II da CITES: Boa constrictor. 22 de lagartos (Tabela 7) e 67 de serpentes (Tabela 8). Todas estas espécies de lagartos estão listadas no Apêndice II da CITES (Tabela 7). Tupinambis cf. que ocorre nos três biomas. Ávila-Pires 1995. Vanzolini & Carvalho 1991. para o qual o Cerrado não possuiria uma fauna característica. Presentemente. ao contrário do que afirmou Vanzolini (1963. unifilis. Rondônia. pictus (Tabela 9). certamente. quadrilineatus. merianae. Epicrates cenchria. Um número razoável de enclaves de Savana Amazônica já foi amostrado. do Pantanal e Savanas Amazônicas. 8 (53%) são endêmicas (Tabela 6). Relação entre o número de espécies e o número de indivíduos amostrados para lagartos do Cerrado (círculos abertos) e Savanas Amazônicas (círculos fechados). Nós consideramos as informações disponíveis sobre os anfíbios insuficientes para fazer uma estimativa para o grupo. Vitt & Carvalho 1995. Esta estimativa para serpentes e lagartos é praticamente o dobro do número de espécies registradas por Silva & Sites (1995) e Vanzolini (1988). têm revelado um grande número de endêmicos. Este nível de endemicidade difere bastante do registrado para aves. Dracaena paraguayensis. 15 de anfisbenas (Tabela 6). que é de 3. hortulanus. das 15 espécies de anfisbenas conhecidas para o Cerrado. Vanzolini 1997. 13 de anfisbenas (Tabela 6). Corallus caninus. três espécies estão também listadas no Apêndice II da CITES: Epipedobates braccatus. e Humaitá (Magnusson et al. e T. Eunectes murinus. flavopictus. Para as Savanas Amazônicas. e contrasta com a assertiva de Vitt (1991) de que a diversidade de lagartos do Cerrado é menor que aquela registrada para a Caatinga. Para as Savanas Amazônicas apenas 3 (13%) espécies de lagartos podem ser consideradas endêmicas (Tabela 7). 3 de anfisbenas (Tabela 6) e 23 de lagartos (Tabela 7). Dentre as grandes áreas de savana na Amazônia ainda não estudadas detalhadamente. 4 de jacarés (Tabela 5). 103 de serpentes (Tabela 8) e 113 de anfíbios (Tabela 9). Por exemplo. Quatro espécies de quelônios são ameaçadas: Podocnemis expansa e P. E. Serra do Cachimbo-PA e Monte Alegre-PA. três (23%) espécies de anfisbenas (Tabela 6) e uma (5%) espécie de lagarto (Tabela 7). A diversidade de lagartos em Savanas Amazônicas é sempre menor que 10 espécies. 5 de jacarés (Tabela 5). duseni e T. 261 Estudos sobre a herpetofauna do Cerrado. 47 de lagartos (Tabela 7). Colli et al. Pombal & Bastos 1996. é superior ao registrado para a flora. que ocorre nos três biomas. e Geochelone carbonaria e G. e 32 (28%) dentre as 113 espécies de anfíbios são também endêmicas (Tabela 9). 1977). Nascimento et al. Todas as espécies de jacarés são ameaçadas. são registradas 7 espécies de quelônios (Tabela 4). Vanzolini 1994. que é restrita ao Pantanal. Rodrigues 1987. Carajás. Sazima & Caramaschi 1986. mesmo para aquelas áreas que foram bem amostradas. C. Vanzolini 1986. região de Santarém. estes trabalhos se concentraram mais na fauna de lagartos. Espécies endêmicas e ameaçadas Figura 2. Roraima. Rodrigues 1996. teguixin. 1988. que ocorrem no Cerrado e Savanas Amazônicas. são conhecidos os seguintes endêmicos: uma subspécie de jacaré (Tabela 5).Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Para o Pantanal. dentre as 47 de espécies de lagartos do Cerrado. E. 12 (26%) são endêmicas (Tabela 7). . Nós consideramos as informações disponíveis sobre as serpentes e os anfíbios também insuficientes para fazer uma estimativa do número de espécies. 1998) e. são registradas para o Cerrado 10 espécies de quelônios (Tabela 4). Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília e Museu Nacional do Rio de Janeiro. muitas outras existem para serem descritas. que ocorrem nos três biomas. incluindo-se aqui os enclaves do Amapá. do Cerrado. 4 de jacarés (Tabela 5). Dados obtidos do Museu Paraense Emílio Goeldi. todas listadas no Apêndice II da CITES (Tabela 4). respectivamente. destacam-se a região do alto rio Paru. Nascimento 1987. Vitt & Caldwell 1993. Caramaschi 1996.8% (Silva 1995) e. Vanzolini 1995. são registradas 7 espécies de quelônios (Tabela 4). denticulata. 1988). sendo que dados sobre serpentes e anfíbios necessitam ainda de uma maior sistematização e talvez de um esforço de coleta adicional. notaeus e Hydrodynastes gigas (Tabela 8).

II CITES Ap. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status TESTUDINES Pelomedusidae Podocnemis expansa Podocnemis unifilis x x x x Pritchard & Trebbau (1984) Pritchard & Trebbau (1984) King & Burke (1997) Pritchard & Trebbau (1984) King & Burke (1997) Ernst & Barbour (1989) King & Burke (1997) Pritchard & Trebbau (1984) Pritchard & Trebbau (1984) Pritchard & Trebbau (1984) CITES Ap. I CITES Ap. Pantanal e Savanas Amazônicas. I CITES Ap. II Tabela 6. Relação das espécies de anfisbenas conhecidas para o Cerrado. Pantanal e Savanas Amazônicas. Relação das espécies de jacarés conhecidas para o Cerrado. II CITES Ap. II CITES Ap. Relação das espécies de quelônios conhecidas para o Cerrado. II CITES Ap. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status CROCODYLIA Alligattoridae Caiman crocodilus crocodilus x x Carvalho (1951) Caiman crocodilus yacare x x Ross & Magnusson (1989) Caiman latirostris x x King & Burke (1997) Melanosuchus niger x x x Carvalho (1951) Paleosuchus palpebrosus x x x Ross & Magnusson (1989) Paleosuchus trigonatus x x King & Burke (1997) TOTAL DE ESPÉCIES 5 4 4 CITES Ap. 262 . end. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status Amphisbaenidae Amphisbaena alba x x x Gans (1962a) Amphisbaena anaemariae x Vanzolini (1997) Amphisbaena bolivica x Montero (1996) Amphisbaena camura x Gans (1965) Amphisbaena crisae x (?) Vanzolini (1997) Amphisbaena fuliginosa x x x Vanzolini (1951) Amphisbaena leeseri x x Gans (1967) end.Tabela 4. II end. II CITES Ap. CITES Ap. II Chelidae Acanthochelys macrocephala Chelus fimbriatus Phrynops geoffroanus Phrynops gibbus Phrynops vanderhaegei Platemys platycephala Kinosternon scorpioides Geochelone carbonaria Geochelone denticulata TOTAL DE ESPÉCIES Hydromedusa tectifera x x x x x x x x x x x x x x x x 10 x x x 7 Kinosternidae Testudinidae x Pritchard & Trebbau (1984) 7 Tabela 5. Pantanal e Savanas Amazônicas.

II end.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 6. Pantanal e Savanas Amazônicas. end. end. Leposternon infraorbitale x x Gans (1971) Leposternon microcephalum x x Gans (1971) TOTAL DE ESPÉCIES (endêmicos) 16 (8) 13 (3) 3 (0) Tabela 7. end. Amphisbaena talisiae x Vanzolini (1995) end. Cercolophia roberti x Vanzolini (1992) Cercolophia steindachneri x x Vanzolini (1992) Cercolophia sp. Relação das espécies de lagartos conhecidas para o Cerrado. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status Hoplocercidae Hoplocercus spinosus x Ávila-Pires (1995) Iguanidae Iguana iguana x x x Ávila-Pires (1995) Polychrotidae Anolis auratus x Magnusson et al. Cercolophia sp. Vanzolini (1997) end. Amphisbaena neglecta x Gans (1962b). CITES Ap. (1988) Gymnodactylus geckoides x Vanzolini (1968b) end. Vanzolini (1991) Bronia kraoh x Vanzolini (1971). (1985) Anolis chrysolepis brasiliensis Anolis meridionalis Enyalius bilineatus Enyalius brasiliensis Enyalius catenatus Polychrus acutirostris x x x x x x x x Ávila-Pires (1995) Vitt (1991) Jackson (1978) Jackson (1978) Jackson (1978) Ávila-Pires (1995) end. Vanzolini (1991) end. nov. nov. 263 . Tropiduridae Stenocercus caducus x x Frost (1992) Tropidurus etheridgei x x Rodrigues (1987) Tropidurus hispidus x x Ávila-Pires (1995) Tropidurus insulanus x Rodrigues (1987) Tropidurus itambere x Van Sluys (1993) Tropidurus montanus x Rodrigues (1987) Tropidurus oreadicus x x Rodrigues (1987) Tropidurus spinulosus x x Vitt (1991) Tropidurus torquatus x x Rodrigues (1987) Gekkonidae Coleodactylus brachystoma x Vanzolini (1968b) Coleodactylus meridionalis x Vanzolini (1968a) Gonatodes humeralis x Nascimento et al. Bronia brasiliana x (?) Cunha et al. 2 x end. Amphisbaena vermicularis x Hoogmoed & Ávila-Pires (1991) Bronia bedai x Vanzolini (1991) end. Gans (1964). 1 x end. Amphisbaena sanctaeritae x (?) Vanzolini (1994) end. (Continuação) Amphisbaena mertensi x Peters & Orejas-Miranda (1986) Amphisbaena miringoera x Vanzolini (1971) end. Amphisbaena silvestrii x Gans (1962b). end. (1985).

Bachia sp. nov. (Continuação) Hemidactylus mabouia x x x Vanzolini (1968b) Hemydactylus palaichthus x Ávila-Pires (1995) Lygodactylus wetzeli x Bons & Pasteur (1977) Phyllopezus pollicaris x x Vanzolini (1968b) Teiidae Ameiva ameiva x x x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus cryptus x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus gramivagus x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus lemniscatus x Ávila-Pires (1995) Cnemidophorus ocellifer x x Vitt (1991) Dracaena paraguayensis x Vanzolini & Valencia (1965) CITES Ap. x Vanzolini & Carvalho (1991) end. nov. II Gymnophthalmidae Bachia bresslaui x Colli et al. x end. II Tupinambis quadrilineatus x Colli et al. II Tupinambis merianae x x x Ávila-Pires (1995) CITES Ap. (1998a) end.Tabela 7. Gymnophthalmus sp. Kentropyx striata x Ávila-Pires (1995) Kentropyx vanzoi x Gallagher (1979) end. Cercosaura ocellata x x x Ávila-Pires (1995) Colobosaura modesta x x Ávila-Pires (1995) Gymnophthalmus leucomystax x Ávila-Pires (1995) end. II Kentropyx calcarata x x Ávila-Pires (1995) Kentropyx paulensis x Gallagher (1979) end. duseni x CITES Ap. Gymnophthalmus underwoodi x Ávila-Pires (1995) Micrablepharus atticolus x Rodrigues (1987) end. Kentropyx viridistriga x x Gallardo (1962) Teius teyou x x Tupinambis cf. Micrablepharus maximiliani x Rodrigues (1987) Pantodactylus albostrigatus x Pantodactylus schreibersii x x x Vitt (1991) Vanzosaura rubricauda x x Rodrigues (1987) Scincidae Mabuya bistriata (= ficta) x Ávila-Pires (1995) Mabuya dorsivittata x Peters & Orejas-Miranda (1986) Mabuya frenata x x Nascimento et al. (1988) Mabuya guaporicola x x x Ávila-Pires (1995) Mabuya nigropunctata (= bistriata) x x Ávila-Pires (1995) Anguidae Ophiodes striatus x Amaral (1937) TOTAL DE ESPÉCIES (endêmicos) 48 (12) 22 (1) 23 (3) 264 . (1998b) end..CITES Ap. Bachia dorbignyi x Dixon (1973) Bachia scolecoides x Dixon (1973) end. II Tupinambis teguixin x x Ávila-Pires (1995) CITES Ap.

taeniatus x Atractus pantostictus x Fernandes & Puorto (1993) Boiruna maculata x x Zaher (1996) Chironius bicarinatus x Silva & Sites (1995) Chironius exoletus x Dixon & Kofron (1983) Chironius flavolineatus x x Silva & Sites (1995) Chironius laurenti x x Dixon & Kofron (1983) Chironius quadricarinatus x x Silva & Sites (1995) Clelia bicolor x x Strüssmann & Sazima (1993) Clelia occipitolutea x Silva & Sites (1995) Clelia plumbea x x Zaher (1996) Clelia quimi x Franco et al. II CITES Ap. Táxon Cerrado Pantanal Savanas Amazônicas Fonte Status Anomalepididae Liotyphlops beui x Liotyphlops ternetzii x Leptotyphlopidae Leptotyphlops albifrons Leptotyphlops koppesi x x Dixon & Kofron (1983) Dixon & Kofron (1983) Amaral (1954) Velosa & Caramaschi (1996) Strüssmann & Sazima (1993) Leptotyphlops munoai x Typhlopidae Typhlops brongersmianus x Aniliidae Anilius scytale x Boiidae Boa constrictor Corallus caninus Corallus hortulanus Epicrates cenchria x x Strüssmann & Sazima (1993) x x x x Silva & Sites (1995) CITES Ap. II Eunectes murinus x x Silva & Sites (1995) Eunectes notaeus x Colubridae Apostolepis assimilis x Silva & Sites (1995) Apostolepis dimidiata x Apostolepis erythronota x Silva & Sites (1995) Apostolepis flavotorquata Apostolepis goiasensis x Silva & Sites (1995) Apostolepis intermedia x Apostolepis quinquelineata Apostolepis vittata x Atractus reticulatus x Silva & Sites (1995) Atractus cf. (1997) Clelia rustica x Zaher (1996) Dipsas indica Drymarchon corais Drymoluber brazili Erythrolamprus aesculapii Gomesophis brasiliensis Helicops angulatus Helicops carinicaudus x x x x x x x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Gomes (1918) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) 265 . II CITES Ap. II CITES Ap. II CITES Ap. Relação das espécies de serpentes conhecidas para o Cerrado e Pantanal.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 8. II CITES Ap.

Tabela 8. (1975) Silva & Sites (1995) Stuart (1941) Silva & Sites (1995) CITES Ap. (Continuação) Helicops gomesi x Silva & Sites (1995) Helicops leopardinus x x Helicops modestus x Silva & Sites (1995) Hydrodynastes bicinctus x Silva & Sites (1995) Hydrodynastes gigas x x Silva & Sites (1995) Imantodes cenchoa x x Leptodeira annulata x x Silva & Sites (1995) Leptophis ahaetulla x x Silva & Sites (1995) Liophis almadensis x x Silva & Sites (1995) Liophis brazili x Silva & Sites (1995) Liophis cobellus x Liophis dilepis x Liophis cf. II x x x x x x x x x (?) Oxybelis aeneus x x Oxyrhopus guibei Oxyrhopus petola Oxyrhopus rhombifer Oxyrhopus trigeminus Phalotris concolor Phalotris lativittatus Phalotris mertensi Phalotris multipunctatus Phalotris nasutus Phalotris tricolor Philodryas aestivus Philodryas livida Philodryas mattogrossensis Philodryas nattereri Philodryas olfersii Philodryas patagoniensis Phimophis guerini Pseudablabes agassizii Pseudoboa neuwiedii Pseudoboa nigra Pseudoeryx plicatilis Psomophis genimaculatus x x (?) Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x (?) Silva & Sites (1995) x Ferrarezzi (1993) x Ferrarezzi (1993) x Silva & Sites (1995) x Puorto & Ferrarezzi (1993) x Silva & Sites (1995) x x x Silva & Sites (1995) x x Thomas & Fernandes (1996) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x Silva & Sites (1995) x Silva & Sites (1995) x x Silva & Sites (1995) x x Strüssmann & Sazima (1993) x x Myers & Cadle (1994) 266 . flavifrenatus x Liophis jaegeri x Liophis joberti x x Silva & Sites (1995) Liophis lineatus x Silva & Sites (1995) Liophis meridionalis x x Silva & Sites (1995) Liophis miliaris x Liophis poecilogyrus x x Silva & Sites (1995) Liophis reginae Liophis typhlus Lystrophis dorbignyi Lystrophis histricus Lystrophis mattogrossensis Lystrophis nattereri Mastigodryas bifossatus Mastigodryas boddaerti x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Scrocchi & Cruz (1993) Hoge et al.

267 . (Continuação) Psomophis joberti x Myers & Cadle (1994) Rachidelus brazili Sibynomorphus mikanii x Silva & Sites (1995) Sibynomorphus turgidus x x Silva & Sites (1995) Sibynomorphus ventrimaculatus x Simophis rhinostoma x x Silva & Sites (1995) Sordellina punctata x Spilotes pullatus x x Silva & Sites (1995) Taeniophallus occipitalis x Silva & Sites (1995) Tantilla melanocephala x x Silva & Sites (1995) Thamnodynastes pallidus Thamnodynastes rutilus x Silva & Sites (1995) Thamnodynastes strigilis x x Silva & Sites (1995) Thamnodynastes sp. Relação das espécies de anfíbios conhecidas para o Cerrado e Pantanal.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 8. Táxon Cerrado Fonte Status APODA Caeciliidae Siphonops annulatus x Siphonops paulensis x ANURA Bufonidae Bufo crucifer x Frost (1995) Bufo granulosus x Frost (1995) Bufo guttatus x Frost (1995) Bufo ocellatus x Frost (1995) Bufo paracnemis x Frost (1995) Bufo rufus x Frost (1995) Bufo typhonius x Frost (1995) Centrolaenidae Hyalinobatrachium eurygnathum x Frost (1995) Dendrobatidae end. x Strüssmann & Sazima (1993) Tomodon dorsatus x Waglerophis merremi x x Silva & Sites (1995) Xenopholis undulatus x x Silva & Sites (1995) Xenoxybelis argenteus Elapidae Micrurus frontalis Micrurus lemniscatus x x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Campbell & Lamar (1989) Strüssmann & Sazima (1993) Silva & Sites (1995) Micrurus pyrrhocryptus Micrurus tricolor Viperidae Bothrops alternatus x Bothrops itapetiningae x Silva & Sites (1995) Bothrops jararacussu x Bothrops moojeni Bothrops neuwiedi Crotalus durissus TOTAL DE ESPÉCIES x x x x Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) Silva & Sites (1995) x x 99 65 Tabela 9.

(Continuação) Colostethus goianus x Frost (1995) Epipedobates braccatus x Haddad & Martins (1994) Epipedobates flavopictus x Haddad & Martins (1994) Epipedobates pictus x Haddad & Martins (1994) Hylidae Aplastodiscus pervirides x Frost (1995) Corythomantis greeningi x Feio & Caramaschi (1995) Hyla albopunctata x Frost (1995) Hyla alvarengai x Frost (1995) Hyla anataliasiasi x Frost (1995) Hyla biobeba x Frost (1995) Hyla branneri x Bastos & Pombal (1996) Hyla cipoensis x Haddad et al. CITES Ap. Scinax acuminata Scinax canastrensis Scinax centralis Scinax duartei Scinax fuscomarginata Scinax fuscovaria Scinax luizotavioi Scinax machadoi Scinax maracaya end.Tabela 9. II CITES Ap. end. end. (1988) Hyla circumdata x Feio & Caramaschi (1995) Hyla crepitans x Frost (1995) Hyla faber x Frost (1995) Hyla ibitinguara x Frost (1995) Hyla melanargyrea x Frost (1995) Hyla microcephala x Frost (1995) Hyla minuta Hyla multifasciata Hyla nana Hyla nanuzae Hyla pardalis Hyla pinima Hyla polytaenia Hyla pseudopseudis Hyla pulchella Hyla punctata Hyla raniceps Hyla rubicundula Hyla saxicola Hyla sazimai Hyla tritaeniata Phasmahyla jandaia Phrynohyas venulosa Phyllomedusa burmeisteri Phyllomedusa centralis Phyllomedusa hypocondrialis Phyllomedusa megacephala Tabela 9. end. II CITES Ap. end. end. end. end. x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) end. end. 268 . end. end. II end. (Continuação) end. end. end. end. end.

Physalaemus deimaticus x Frost (1995) Physalaemus evangelistai x Frost (1995) Physalaemus fuscomaculatus x Frost (1995) Physalaemus nattereri x Frost (1995) Proceratophrys cururu x Eterovick & Sazima (1998) Proceratophrys goyana x Frost (1995) Pseudopaludicola boliviana x Lobo (1995) Pseudopaludicola falcipes x Lobo (1994) Pseudopaludicola mineira x Lobo (1994) Pseudopaludicola mystacalis x Lobo (1996) Pseudopaludicola saltica x Frost (1995) Pseudopaludicola ternetzi x Frost (1995) Thoropa megatympanum x Frost (1995) Microhylidae Chiasmocleis albopunctata x Frost (1995) end. end.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Tabela 9. end. end. end. end. end. end. 269 . (Continuação) Scinax nebulosa x Frost (1995) Scinax squalirostris x Frost (1995) Trachycephalus nigromaculatus x Frost (1995) Leptodactylidae Adenomera bokermanni x Frost (1995) Adenomera martinezi x Frost (1995) Barycholos savagei x Frost (1995) Crossodactylus bokermanni x Frost (1995) Crossodactylus tachystomus x Frost (1995) Eleutherodactylus fenestratus x Frost (1995) Eleutherodactylus juipoca x Frost (1995) Hylodes otavioi x Frost (1995) Leptodactylus camaquara x Frost (1995) Leptodactylus chaquensis x Frost (1995) Leptodactylus cunicularius x Frost (1995) Leptodactylus furnarius x Frost (1995) Leptodactylus fuscus x Frost (1995) Leptodactylus jolyi x Frost (1995) Leptodactylus labyrinthicus x Frost (1995) Leptodactylus mistaceus Leptodactylus mystacinus Leptodactylus ocellatus Leptodactylus petersii Leptodactylus podicipinus Leptodactylus pustulatus Leptodactylus syphax Leptodactylus troglodytes Leptodactylus tapiti Odontophrynus americanus Odontophrynus cultripes Odontophrynus moratoi Odontophrynus salvatori Physalaemus albonotatus Physalaemus centralis Physalaemus cuvieri x x x x x x x x x x x x x x x x Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Feio & Caramaschi (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) Caramaschi (1996) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) end. end. end. end.

Chiasmocleis centralis Chiasmocleis mehelyi Dermatonotus muelleri Elachistocleis bicolor Elachistocleis ovalis x x x x x Caramaschi & Cruz (1997) Caramaschi & Cruz (1997) Frost (1995) Frost (1995) Frost (1995) end. Pseudidae Lysapsus caraya x Frost (1995) Lysapsus limellus Pseudis paradoxa x x Frost (1995) Frost (1995) Ranidae Rana palmipes x Frost (1995) TOTAL DE ESPÉCIES 113 270 .

o Cerrado Perde Espaço. 1973. Kansas 57:1 . Aspectos zoogeográficos dos anfíbios do médio Rio Jequitinhonha. W. Caramaschi. 14. ________. U. Mus. R. ________. 5. Nova espécie de Odontophrynus Reinhardt & Lütken. Amaral. Journal of Herpetology 31:483-490. Editora da Universidade de Brasília e Secretaria do Meio Ambiente. C. G. 1998b. Mem. Sc. Amazonian savanna lizards and the biogeography of Amazonia. Northern Amazon Basin Brazil. Lilloana 18:243-250. Carvalho. 1977. ________. 1983. Reptilia). 1983. 1962a. Am. Copeia 1988:159-164. Sci. Gallagher. Vegetatio 36:169-178. & Martins. Dixon. A systematic review of the teiid lizards. J. P. Herpetologica 54. D. Leptotyphlopidae). Teiidae) en la Republica Argentina. Inst. WWF-Fundo Mundial para a Natureza. Ocupação e Perspectivas. 1998a.). Ávila-Pires. Texas A&M University. Novit. Bons. 1978.. Gans. Ciência e Tecnologia do Distrito Federal. CNPq/Coordenação Editorial. dissertation. A. A. A Systematic Revision of the South American Lizard Genus Kentropyx (Sauria: Teiidae). G.. Butantã 55:21-38. 1954.47. The Venomous Reptiles of Latin America. Lizards of Brazilian Amazonia (Reptilia: Squamata). Leiden 1995:3-706.. Eiten. Brasília. Conservação da natureza no cerrado 271 brasileiro. D. Paris 284:2547-2550. H. 1998. New species of Proceratophrys (Anura: Leptodactylidae) from southeastern Brazil. A new species of Atractus from Brazil and the status of A. Franco. Contribution to the Study of the Forest-Savanna Mosaic in the Area of Roraima. Butantã 55:7-14. 1989. Frost. De Grão em Grão. Fernandes. Lista remissiva dos lacertilios do Brasil. R. Mus. N. Mem. J. Nac. Rio de Janeiro 42:127-139. Notes on amphisbaenids (Amphisbaenia. Cornell University Press. M. F. Anura. C. A. 1995. Nac. & Lamar. p. Xenodontinae). International Institute for Aerospace Survey and Earth Sciences. Ithaca. Misc. Bachia bresslaui. Ferrarezzi. Unpubl. Hist. & Caramaschi. Mem. Butantã 11:1-47. Geomorfologia 52:1-21. Feio. 1962. Inst. J. Unpubl. 1991. Ph. Gallardo. Arq. Inst.1979. Dissertation. University of California. Mem. Univ. Nat. 1995. A redefinition and biogeography of Amphisbaena alba Linné.D. G. Butantãn 26:203-205. 1995. Campbell. U. A.Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Referências bibliográficas Ab’Saber. nova sér. Alho.. Two new species of colubrid snakes of the genus Clelia from Brazil. Mus. Os domínios morfoclimáticos da América do Sul. Notes on the ecology and geographical distribution of the rare gymnophthalmid lizard. Acad. Colli. & Kofron. Teiidae) from central Brazil. El genero Kentropyx (Sauria. with remarks on Heterodactylus and Anotosaura. Estudos sobre lacertilios neotropicos. M.. 24:1-31. et al. In: Cerrado: Caracterização. A new species of Tupinambis (Sauria. & Sazima. 607-663. 1937. 4. Os jacarés do Brasil. Amphibia-Reptilia 4:164-241. Leptodactylidae). Electronic manuscript maintained under the auspices of The Herpetologists’ League. C. Colubridae. Revista Ceres 42:53-61. Contribuição ao conhecimento dos ofídios do Brasil. The Central and South American anomalepid snakes of the genus Liotyphlops. Dias. Descrição de duas espécies novas de “cobra-cega” (fam. Brasília. A. Ph. Bol. Pinto (ed. . genus Bachia. Eterovick. 1862 do Brasil central (Amphibia. Publ. 1993. Zool. 1993. ________. Verh. guentheri (Serpentes: Colubridae). & Pasteur. Acta Zool. B. 1997. C. T. 1977. Primeira aproximação. 1994. 1996. Version 2/95. J. Nota sobre o gênero Phalotris com revisão do grupo nasutus e descrição de três novas espécies (Serpentes. 1951. & Puorto. Delimitation of the Cerrado concept. Brasília. Zool. Carneiro. R. Herpetologica 54. Inst. Amphibian Species of the World. Classificação da Vegetação do Brasil. 1995.D. Solution histologique à un problème de taxinomie herpétologique intéressant les rapports paléobiologiques de l’Amérique du Sud et de l’Afrique. with an analysis of morphological and genetic variation in the genus. Mus. Rio de Janeiro 367:1-8. 1996. I. ________. G. nordeste de Minas Gerais. Unpubl.

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Áreas Prioritárias para Inventários a) Tocantins. na Coleção Herpetológica da Universidade de Brasília (Tabela 2) e no Museu Nacional do Rio de Janeiro (Tabela 3) e também em contribuições de Christine Strüssmann (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). região do Distrito Federal. da Silva Jr. enclaves de Cerrado da Bahia: áreas de transição entre o Cerrado. praticamente inexploradas. mas em que medida fatores como a geomorfologia. Caatinga e Floresta Atlântica. região de Belo Horizonte-MG. c) Norte do Mato Grosso e sul do Pará: área de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. Bastos (Goiás). com endemismos. entre os enclaves de Roraima e do Amapá. e Rogério P. e/ou sob alta pressão antrópica. e) Região central do Estado de Mato Grosso: praticamente desconhecida. (Figura 3) Recomendações finais Um considerável esforço de amostragem é ainda necessário para se identificar os padrões e processos de distribuição da herpetofauna no Cerrado. praticamente inexplorada. contendo ainda florestas estacionais. dentre os 274 . Piauí. A presença de Unidades de Conservação não foi levada em consideração na seleção destas áreas. f) Região da Serra de Santa Bárbara. completamente desconhecida do ponto de vista da herpetofauna. região Sul do Estado de Goiás. Áreas Prioritárias para Conservação Foram consideradas áreas prioritárias para conservação aquelas com alta diversidade da herpetofauna. tanto processos ecológicos quanto históricos devem estar envolvidos. região de Minaçu-GO. Pantanal — região de Corumbá-MS. onde ocorre um endêmico (Tropidurus insulanus). região de Pirassununga-SP. região de Cuiabá-MT e Chapada dos Guimarães-MT. região do vale do Jequitinhonha-MG. dentre outros. região de Correntina-BA e Posse-GO. b) Mato Grosso do Sul: área de transição entre o Pantanal e o Cerrado. Naturalmente. d) Norte e oeste de Minas Gerais. com vários enclaves de vegetação aberta. região de Uberlândia-MG. onde se localiza o ponto mais elevado do estado. região da Serra do CachimboPA. Savanas Amazônicas — região de Humaitá-AM. a cobertura vegetal.Síntese dos Grupos Temáticos Áreas prioritárias e recomendações para conservação dos répteis e anfíbios do Cerrado e Pantanal Estas recomendações foram baseadas em um levantamento das localidades de coleta de lagartos no Museu Paraense Emílio Goeldi (Tabela 1). oeste da Bahia e sul do Maranhão: amplas regiões de Cerrado praticamente desconhecidas do ponto de vista da herpetofauna. g) Savanas do alto rio Paru: extensa mancha de Savana Amazônica. quais se destaca a Serra do Cachimbo. Nelson J. MT: região de alta diversidade topográfica. a proximidade com outros biomas. região de Vilhena-RO. inexplorada. região da Ilha do Bananal-GO. determinam a distribuição geográfica da herpetofauna do Cerrado. Pantanal e Savanas Amazônicas está ainda para ser investigado e é um conhecimento fundamental para a formulação de uma política de conservação destes biomas. As seguintes áreas podem ser consideradas como razoavelmente inventariadas: Cerrado — região de Alto Araguaia-GO. Pantanal e Savanas Amazônicas.

7. Área de influência da UHE de Serra da Mesa 2. ameaçadas de desapropriação pelo INCRA para o assentamento dos sem-terra. área-alvo para futuros projetos de desenvolvimento como usinas hidrelétricas e projetos agropecuários. Área com tabuleiros de desova de Podocnemis expansa. Serra do Cachimbo (PA): área de ocorrência do endêmico Tropidurus insulanus. muito provavelmente.. Vale do Rio Tocantins: entre Palmeirópolis-GO e Barra do rio Araguaia-TO. área de ocorrência dos seguintes endêmicos: Odontophrynus salvatori e Leptodactylus tapeti. cumpre destacar que esta alta diversidade se deve. Vale do Rio Araguaia (GO): entre Registro do Araguaia e Luiz Alves. área-alvo de projetos extensivos de agricultura irrigada. Área de alta biodiversidade e endemismo 14. com grande riqueza de espécies de anfíbios e sob alta pressão antrópica. 275 . dentro do Cerrado. Áreas sob alta pressão antrópica: 9. Cerradão entre Jataí e Rio Verde (GO): áreas com ocorrência de manchas preservadas de cerradão. Uma das poucas áreas de ocorrência de Bothrops alternatus em Goiás. 13. área de transição entre o Cerrado e a Caatinga. Chapada dos Veadeiros (GO). 6. Physalaemus deimaticus e Proceratophrys cururu. área de ocorrência dos endêmicos Scinax canastrensis e Hyla sazimai. Região de Goiânia e Silvânia. sendo amplamente ocupada com cultivos de soja. Área de ocorrência de populações isoladas de Bothrops neuwiedi e Tupinambis merianae na Amazônia. Eunectes notaeus e Acanthochelys macrocephala. 11. Entretanto. apenas ao destacado esforço de amostragem desprendido nestas áreas. 12. 1. 8. Hyla cipoensis. 10. Parque Nacional do Pantanal. Distrito Federal 3. Áreas de endemismos: 5. Parque Nacional da Chapada dos Guimarães 4. Poconé (MS): área de ocorrência dos endêmicos Dracaena paraguayensis. Vale do Rio Jequitinhonha: entre os municípios de Turmalina a Grão-Mogol. Savanas de Humaitá (AM): enclave de Savana Amazônica. Serra do Cipó (MG): área de campo rupestre. onde ocorrem os seguintes endêmicos: Tropidurus nanuzae. Parque Nacional da Serra da Canastra (MG).Herpetofauna – diversidade e áreas prioritárias para conservação Áreas Prioritárias para conservação da biodiversidade da herpertofauna dos biomas Cerrado e Pantanal Áreas de alta diversidade: Estas áreas se destacam por possuírem alta diversidade da herpetofauna.

Áreas prioritárias para conservação da biodiversidade da herpertofauna dos biomas Cerrado e Pantanal 276 .Figura 3.

Diversidade e Conservação avifauna 277 .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

Participantes do Grupo de Trabalho José Maria Cardoso da Silva (Coordenador) Adriani Hass Anamaria Achtschin Ferreira Carlos A. Marini Ricardo Bomfim Machado 278 . Bianchi Dárius Tubelis Edwin O. Pedreira Gonzaga Marcelo Bagno Márcia Paes Maria Alice dos Santos Alves Miguel A. Willis Fernando Straube Leandro Baumgarten Luiz A.

Os principais enclaves de savanas amazônicas são: Roraima (RR). decidiu-se fazer uma análise incluindo somente aquelas localidades que foram consideradas como “minimamente amostradas”. Isto é uma atitude muito infeliz do investigador. conclui-se que mais de 70% da região do Cerrado e do Pantanal nunca teve sua avifauna estudada de forma adequada. foram identificadas mais de 500 localidades para a região do Cerrado e Pantanal. várias zonas de contato entre espécies ou subespécies aparentadas são encontradas no Pantanal. do Museu de Zoologia Comparada. Cracraft 1985. ou seja. da Amazônia. são dependentes de bons dados sobre a sistemática e a distribuição geográfica dos grupos selecionados para análise. a vegetação dominante é o Cerrado. . Serra dos Carajás (PA).5 a 1. Amapá (AP). As subespécies que têm sido indicadas como possivelmente endêmicas a algumas savanas amazônicas necessitam de revisão taxonômica detalhada para serem aceitas. pois a região não possui espécies endêmicas. Entretanto. pois existe uma série excelente de dicionários geográficos trazendo todas os pontos de estudos ornitológicos na América do Sul. com pequenas áreas estendendo-se no nordeste do Paraguai e Leste da Bolívia (Ab’Saber 1983). Paru-Trombetas (PA). este resultado não é totalmente confiável. 1997). localidades nas quais 80 espécimes de aves tinham sido coletados ou mais de 100 espécies de aves tinham sido registradas visualmente ou através de coleta. Apresenta bordas com as duas maiores regiões de floresta sul-americanas (Amazônia e Floresta Atlântica) e com as duas maiores regiões semi-áridas (Chaco e Caatinga). englobando uma área estimada de 110. No contexto dos domínios morfoclimáticos sul-americanos. Para aves. isso foi relativamente fácil.Avifauna do Cerrado e Pantanal . A avifauna das savanas amazônicas é uma mistura de elementos com centro de distribuição na região do Cerrado. elementos com centro de distribuição nas savanas do Norte da América do Sul (Llanos) e elementos amplamente distribuídos na América do Sul (Silva et al. Por causa deste problema. o primeiro passo nesta análise da avifauna da região do Cerrado e do Pantanal foi avaliar a qualidade dos dados então disponíveis em museus de história natural e na literatura. Silva 1995a). da Universidade de Harvard. A qualidade do inventário ornitológico Estudos biogeográficos aplicados a biologia da conservação. A sua avifauna apóia bem esta hipótese baseada na geomorfologia. No total.00km2 dos Estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. pois informações incompletas ou inadequadas podem interferir bastante em nossa visão sobre como a riqueza e a endemicidade de espécies estão distribuídas dentro de uma região. Nos planaltos. A região do Cerrado ocupa uma posição central em relação aos outros biomas sul-americanos.Diversidade e Conservação Avifauna do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação José Maria Cardoso da Silva (Organizador) Contextualização biogeográfica A região do Cerrado possui área entre 1. que inclui desde extensas florestas de galeria com forte influência amazônica até florestas secas com uma biota associada à Caatinga e ao Chaco (Silva 1995a). pois foi descoberto que o dicionário geográfico listava também muitas localidades onde nenhum ou muito poucos dados sobre aves tinham sido coletados. Como uma região de transição.. Por causa disso. Humaitá (AM). do Chaco e da Floresta Atlântica (Ab’Saber 1983). De modo geral. Serra do Cachimbo (PA) e uma série de isolados de savanas no interflúvio Tocantins-Araguaia/Xingu no Sul do Estado do Pará (PA). A avifauna do Pantanal é composta por elementos com centros de distribuição nas áreas adjacentes. as florestas de galeria sobre os planaltos são principalmente influenciadas pela Floresta Atlântica (Silva 1996). a qualidade destes tipos de informação quase nunca é avaliada. O Pantanal situa-se em uma área rebaixada da depressão do rio Paraguai. As savanas amazônicas são consideradas como 279 testemunhas de uma vegetação aberta que predominava na Amazônia durante um período climático diferente do atual (Ab’Saber 1977). a paisagem é muito mais complexa. as savanas amazônicas possuem 150.8 milhões de km2 e está localizada principalmente no Brasil Central. A partir do dicionário elaborado para o Brasil. R. indicando que as duas regiões parecem ser bem amostradas para aves. uma região dominada principalmente por florestas. Entretanto. Nas depressões. com uma mistura de diferentes tipos de vegetação. As savanas amazônicas estão distribuídas como enclaves de área variável na Amazônia. A princípio este número de localidades parece ser razoável. Paynter Jr. Foram listadas todas as localidades onde algum estudo ornitológico tinha sido feito dentro destas duas regiões.000 km2. A região do Cerrado é considerada como uma importante área de endemismo para vários grupos de organismos (Müller 1973. Estados Unidos. A região do Cerrado pode ser dividida em áreas de planaltos (altitude geralmente acima de 500m) e áreas de depressões (altitude geralmente abaixo de 500m). o Pantanal pode ser considerado como uma região de transição entre os domínios do Cerrado. publicados sob a coordenação do Dr. As savanas amazônicas não possuem espécies endêmicas. em qualquer escala espacial. nas suas mais diversas formas estruturais.

visitante do Sul do hemisfério Sul. e c. com alguma mistura com a avifauna dos campos meridionais. 208 (27. Estas áreas incluem o Sul do Maranhão. Destas. 1977). e (d) espécies com status desconhecido (32. nenhuma delas é realmente endêmica ao Pantanal. somente 293 espécies de aves são conhecidas do Pantanal propriamente dito. (1997) listou 179 espécies para um trecho de savana amazônica no Amapá. O restante é composto de espécies que vivem em florestas de galeria ou usam tanto as florestas como nas savanas. Isto contrasta fortemente com o nível de endemicidade registrado para a flora do domínio do Cerrado. 3. Entre as espécies residentes. Riqueza de espécies e endemicidade Uma lista de todas as espécies de aves da região do Cerrado foi apresentada por Silva (1995a. Não são conhecidas espécies endêmicas de aves das savanas amazônicas. 14 espécies são consideradas ou como ameaçadas de extinção ou como quase ameaçadas. A avifauna destes enclaves é um sub-conjunto empobrecido da avifauna do Cerrado centro-brasileiro. quanto ao hábitat (1.4%) vivem em áreas abertas e 158 (20. Estudando com atenção a distribuição destas quatro espécies.5%). ameaçada. merecendo alta prioridade para futuras investigações. 759 (90. (1992. 0.9%). Um grupo de quatro espécies ameaçadas ou quase ameaçadas . merece atenção especial pelos naturalistas. Estas espécies foram classificadas quanto ao status na região do Cerrado e Pantanal (BR. b. e UU.8%). (c) prováveis migrantes altitudinais do sudeste do Brasil (8. quatro são migrantes do Sul da América do Sul e três são possivelmente migrantes altitudinais provenientes da Floresta Atlântica. somente quatro ocorrem no Pantanal propriamente dito. residente. Todos os outros enclaves podem ser considerados como tendo a avifauna muito pouco conhecida e. mas com status desconhecido foram excluídas da análise). Das 29 espécies endêmicas (três espécies possivelmente endêmicas. quase ameaçada. vegetações abertas + florestas. As espécies restantes incluem: (a) visitantes da América do Norte (26. 12. Destas. 2. Trinta e três espécies que ocorrem na região do Cerrado e/ou Pantanal foram classificadas como ameaçadas ou quase ameaçadas. O único enclave que possui a sua avifauna minimamente explorada é o do Amapá (Silva et al. Brown (1986) listou 658 espécies de aves para a região do Pantanal com base em uma revisão ampla da bibliografia e de informações de vários pesquisadores 280 Espécies endêmicas e ameaçadas Um total de 62 espécies de aves da região do Cerrado e do Pantanal (Tabela 3) são endêmicas e/ou listadas como ameaçadas ou quase ameaçadas por Collar et al. oito são consideradas como ameaçadas e seis como quase ameaçadas. A porcentagem de espécies endêmicas na avifauna que se reproduz no domínio do Cerrado é 3. apesar de que estudos genéticos podem indicar diferenciação em algumas espécies de aves (Tabela 2). A maioria destas espécies vive nas áreas abertas (nove) e não nas florestas (cinco). VS. a maioria ocorre nas vegetações abertas (9) ao invés das florestas (5). migrante altitudinal. No Pantanal. A Serra do Amolar. Das espécies endêmicas ameaçadas ou quase ameaçadas. florestas) e quanto ao nível de ameaça (a. 1997). é preciso inventariar mais localidades distribuídas em todos os setores da Depressão. Das espécies que se reproduzem no domínio do Cerrado.As áreas prioritárias para novos estudos ornitológicos no Cerrado são todas as áreas em branco da Figura 2b de Silva (1995c). portanto. listagem avaliada e modificada pelos membros do grupo temático).1%). 3. Foram registradas 837 espécies de aves distribuídas em 64 famílias. status desconhecido). e 3. AM. vegetações abertas. Silva et al. Mato Grosso do Sul. Sul de Goiás e do Piauí.8%) espécies são dependentes de ambientes de floresta. Tabela 1). (b) visitantes do Sul da América do Sul (12. As savanas amazônicas são ainda pouco estudadas no que diz respeito a sua avifauna. A porcentagem de espécies endêmicas de aves (3. Todas ocorrem também nos domínios adjacentes. Destas. o Oeste da Bahia e Minas Gerais. mas eles não apresentam nenhuma espécie endêmica. 22 são residentes.8%) é uma das mais baixas entre os grandes biomas sul-americanos. afastando-se das áreas mais amostradas que ficam em torno de Corumbá e Poconé.8%) vivem tanto em florestas como em áreas abertas. O número de espécies que se reproduzem no domínio do Cerrado é o dobro do que tinha sido estimado anteriormente (Silva 1995a). Brown (1986) sugeriu que 10 espécies de aves seriam endêmicas do Pantanal e seus arredores. Os enclaves de Cerrado nos Estados de São Paulo e Paraná são ainda pouco estudados. Destas. que trabalharam na região. O Pantanal não possui endemismos em aves.7%) reproduzem nesta região. que é de aproximadamente 50% (Heringer et al. somente 45 espécies foram consideradas como espécies realmente associadas às savanas. Entretanto. todo o Estado de Tocantins. por estar isolada das outros planaltos relituais pela depressão do Pantanal. quatro possuem status desconhecido. 393 (51. não incluída nas listas).8% (28 espécies).

Diversidade e Conservação possui status desconhecido na região do Cerrado e/ou Pantanal. mas que apresentam problemas de conservação. Das espécies endêmicas. somente quatro (12.Avifauna do Cerrado e Pantanal .7%) ocorrem no Pantanal. Das espécies não endêmicas. Três espécies da Floresta Atlântica (migrantes altitudinais) e quatro da região dos campos meridionais (migrantes do Hemisfério Sul) migram para a região do Cerrado e/ou Pantanal durante o inverno de suas respectivas regiões de reprodução. Estes dados ilustram bem que os maiores problemas para a conservação das aves estão na região do Cerrado ao invés do Pantanal propriamente dito. Todas são conhecidas somente das vegetações abertas.1%) ocorrem no Pantanal. 281 . somente sete (24. A região do Cerrado e o Pantanal são também áreas onde espécies ameaçadas ou quase ameaçadas de regiões adjacentes passam boa parte de seus ciclos biológicos.

MS (migrante do Sul da América do Sul). as espécies migrantes do hemisfério Norte estão excluídas. Na lista de aves do Pantanal.Tabela 1. AM (possivelmente migrante altitudinal). os códigos representam o status de cada espécie na região: BR (reproduz na região). Lista de espécies de aves da região do Cerrado (C) e do Pantanal (P). Espécies Rhea americana Tinamus tao Tinamus solitarius Tinamus major Tinamus guttatus Crypturellus cinereus Crypturellus soui Crypturellus obsoletus Crypturellus undulatus Crypturellus strigulosus Crypturellus noctivagus Crypturellus parvirostris Crypturellus tataupa Rhynchotus rufescens Nothura minor* Nothura maculosa Taoniscus nanus* Podilymbus podiceps Podiceps dominicus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR X X X X X X X X X X X X X 282 X X X X P X Espécies Cochlearius cochlearius Tigrisoma fasciatum Tigrisoma lineatum Zebrilus undulatus Ixobrychus exilis Botaurus pinnatus Mycteria americana Ciconia maguari Ephippiorhynchus mycteria Harpiprion caerulescens Theristicus caudatus Mesembrinis cayennensis Phimosus infuscatus Plegadis chihi Ajaia ajaja Anhima cornuta Chauna torquata Dendrocygna bicolor Dendrocygna viduata Dendrocygna autumnalis Neochen jubatus Cairina moschata Sarkidiornis melanotos Calloneta leucophrys Amazonetta brasiliensis Netta erythrophthalma Mergus octosetaceus Oxyura dominica Cathartes aura Cathartes burrovianus Coragyps atratus Sarcorhamphus papa C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X P RHEIDAE TINAMIDAE CICONIIDAE THRESKIORNITHIDAE ANHIMIDAE PODICIPEDIDAE ANATIDAE Podiceps Rolland PHALACROCORACIDAE Phalacrocorax brasilianus Anhinga anhinga Syrigma sibilatrix Pilherodius pileatus Ardea cocoi Egretta alba Egretta caerulea Egretta thula Bubulcus ibis Butorides striatus Agamia agami Nycticorax nycticorax BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR ANHINGIDAE ARDEIDAE CATHARTIDAE . Lista da região do Cerrado segundo Silva (1995a) e lista do Pantanal segundo Brown (1986). Espécies marcadas com um asterisco são as espécies endêmicas à região do Cerrado. UU (desconhecido). Na lista de aves do Cerrado. MN (migrante do hemisfério Norte).

Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies C P Espécies Micrastur semitorquatus Falco sparverius Falco rufigularis C BR BR BR BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU UU BR BR UU UU UU BR BR BR P PANDIONIDAE Pandion haliaetus Leptodon cayanensis Chondrohierax uncinatus Elanoides forficatus Gampsonyx swainsonii Elanus leucurus Rostrhamus sociabilis Harpagus diodon Ictinia plumbea Circus buffoni Accipiter poliogaster Accipiter superciliosus Accipiter striatus Accipiter bicolor Geranospiza caerulescens Leucopternis kuhli Leucopternis albicollis Asturina nitida Buteogallus urubitinga Buteogallus meridionalis Harpyhaliaetus coronatus Busarellus nigricollis Geranoaetus melanoleucus Parabuteo unicinctus Buteo magnirostris Buteo platypterus Buteo brachyurus Buteo swainsoni Buteo albonotatus Buteo albicaudatus Harpia harpyja Spizastur melanoleucus Spizaetus tyrannus Spizaetus ornatus Daptrius ater Daptrius americanus Polyborus plancus Milvago chimachima Herpetotheres cachinnans Micrastur ruficollis Micrastur gilvicollis VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR VN BR VN UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR 283 X X X X X X X X X X X X X ACCIPITRIDAE X X X Falco femoralis Falco deiroleucus Falco peregrinus Ortalis canicollis Ortalis guttata Penelope superciliaris Penelope jacquacu Penelope ochrogaster* Pipile pipile Mitu tuberosa Crax fasciolata Odontophorus gujanensis Odontophorus capueira Odontophorus stellatus Aramus guarauna Eulabeornis saracura Eulabeornis ypecaha Eulabeornis cajaneus Eulabeornis concolor Rallus nigricans Coturnicops schomburgkii Laterallus viridis Laterallus melanophaius Laterallus xenopterus Porzana flaviventer Porzana albicollis Porzana erythrops Gallinula chloropus Gallinula melanops Gallinula flavirostris Gallinula martinica Heliornis fulica Eurypyga helias CRACIDAE X X X X PHASIANIDAE ARAMIDAE X RALLIDAE X X X FALCONIDAE X X X X HELIORNITHIDAE EURYPYGIDAE CARIAMIDAE .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

Tabela 1 (continuação) Espécies Cariama cristata Jacana jacana Himantopus mexicanus Vanellus cayanus Vanellus chilensis Pluvialis dominica Charadrius collaris Limosa haemastica Bartramia longicauda Tringa melanoleuca Tringa flavipes Tringa solitaria Actitis macularia Gallinago paraguaiae Gallinago undulata Calidris minutilla Calidris fuscicollis Calidris melanotos Micropalama himantopus Tryngites subruficollis Larus cirrocephalus Phaetusa simplex Sterna superciliaris Rynchops nigra Columba speciosa Columba picazuro Columba cayennensis Columba plumbea Columba subvinacea Zenaida auriculata Columbina minuta Columbina talpacoti Columbina picui Columbina cyanopis* C BR BR BR BR BR VN BR VN VN VN VN VN VN BR BR VN VN VN VN VN UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X Espécies Claravis pretiosa Claravis godefrida Scardafella squammata Uropelia campestris Leptotila verreauxi Leptotila rufaxilla C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X X JACANIDAE RECURVIROSTRIDAE CHARADRIIDAE X X Hoploxypterus cayanus Geotrygon violacea Geotrygon montana Anodorhynchus hyacinthinus PSITTACIDAE X X X X X Ara ararauna Ara macao Ara chloroptera Ara auricollis Ara severa Ara manilata Ara maracana Ara nobilis X Aratinga acuticaudata Aratinga leucophthalmus Aratinga auricapilla Aratinga jandaya Aratinga wedelli Aratinga cactorum Aratinga aurea Pyrrhura devillei X X X Pyrrhura frontalis Pyrrhura rhodogaster Pyrrhura molinae Pyrrhura pfrimeri* Pyrrhura picta Myiopsitta monachus X X Forpus xanthopterygius Brotogeris tirica Brotogeris chiriri Brotogeris cyanoptera X X X X Pionus menstruus Pionus maximiliani Amazona xanthops* Amazona aestiva Amazona amazonica 284 SCOLOPACIDAE X X X X X LARIDAE Nandayus nenday RHYNCHOPIDAE COLUMBIDAE X X X X X X .

Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Amazona farinosa Opisthocomus hoazin Coccyzus cinereus Coccyzus americanus Coccyzus euleri Coccyzus melacoryphus Piaya cayana Piaya melanogaster Piaya minuta Crotophaga major Crotophaga ani Guira guira Tapera naevia Dromococcyx phasianellus Dromococcyx pavoninus Neomorphus geoffroyi Tyto alba Otus choliba Otus watsonii Otus atricapillus Lophostrix cristata Pulsatrix perspicillata Bubo virginianus Ciccaba virgata Ciccaba huhula Glaucidium minutissimum Glaucidium brasilianum Speotyto cunicularia Aegolius harrisii Asio clamator Asio stygius Nyctibius grandis Nyctibius aethereus Nyctibius griseus Lurocalis semitorquatus Chordeiles pusillus C BR BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P Espécies Chordeiles rupestris Chordeiles acutipennis C BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR UU UU BR UU UU BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P OPISTHOCOMIDAE X CUCULIDAE Chordeiles minor Nyctiprogne leucopyga Podager nacunda Nyctidromus albicollis Nyctiphrynus ocellatus X X X X X X X X X X X Caprimulgus rufus Caprimulgus candicans* Caprimulgus maculicaudus Caprimulgus parvulus Hydropsalis brasiliana Eleothreptus anomalus Aerornis senex Streptoprocne zonaris Streptoprocne biscutatus Chaetura cinereiventris Chaetura egregia Chaetura chapmani Chaetura andrei X X APODIDAE TYTONIDAE STRIGIDAE X Chaetura brachyura Tachornis squamata Glaucis hirsuta Threnetes leucurus TROCHILIDAE X X Phaethornis hispidus Phaethornis petrei Phaethornis subochraceus Phaethornis nattereri X X X Phaethornis ruber Campylopterus largipennis Eupetomena macroura Florisuga mellivora Melanotrochilus fuscus Colibri serrirostris Anthracothorax viridigula Anthracothorax nigricollis Chrysolampis mosquitus Lophornis magnífica Chlorostilbon mellisugus X NYCTIBIIDAE X CAPRIMULGIDAE X 285 Chlorostilbon aureoventris X .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

Tabela 1 (continuação) Espécies Thalurania furcata Thalurania glaucopis Hylocharis cyanus Hylocharis chrysura Leucochloris albicollis Polytmus guainumbi Amazilia chionogaster Amazilia versicolor Amazilia fimbriata Amazilia lactea Aphantochroa cirrochloris Augastes scutatus* Heliothryx aurita Heliactin cornuta Heliomaster longirostris Heliomaster squamosus Heliomaster furcifer Calliphlox amethystina Trogon melanurus Trogon viridis Trogon collaris Trogon rufus Trogon surrucura Trogon aurantius Trogon curucui Trogon violaceus Megaceryle torquata Chloroceryle amazona Chloroceryle americana Chloroceryle inda Chloroceryle aenea Electron platyrhynchum Baryphthengus ruficapillus Baryphthengus martii Momotus momota Brachygalba lugubris Galbula cyanicollis Galbula ruficauda C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X Espécies Galbula leucogastra Jacamerops aurea C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P BUCCONIDAE X Notharchus macrorhynchus Notharchus tectus Bucco tamatia Nystalus chacuru X X Nystalus striolatus Nystalus maculatus Malacoptila striata Malacoptila rufa Nonnula rubecula Nonnula ruficapilla Monasa nigrifrons Monasa morphoeus Chelidoptera tenebrosa X Capito dayi Pteroglossus inscriptus Pteroglossus bitorquatus Pteroglossus aracari Pteroglossus castanotis X X Selenidera gouldii Selenidera maculirostris Ramphastos dicolorus Ramphastos vitellinus Ramphastos toco X X X X Ramphastos tucanus Picumnus aurifrons Picumnus cirratus Picumnus albosquamatus Melanerpes candidus Melanerpes cruentatus Melanerpes flavifrons Picoides mixtus X Veniliornis passerinus Veniliornis maculifrons Veniliornis affinis Piculus leucolaemus X 286 Piculus flavigula X X CAPITONIDAE RAMPHASTIDAE TROGONIDAE X ALCEDINIDAE X PICIDAE X X MOMOTIDAE X GALBULIDAE .

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Piculus chrysochloros Colaptes melanochloros Colaptes campestris Celeus elegans x lugubris Celeus lugubris Celeus flavescens Celeus grammicus Celeus flavus Celeus torquatus Dryocopus lineatus Campephilus rubricollis Campephilus robustus Campephilus melanoleucus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X Espécies Furnarius rufus Schoeniophylax phryganophila Synallaxis ruficapilla Synallaxis frontalis Synallaxis albescens Synallaxis spixi Synallaxis hypospodia Synallaxis cinerascens Synallaxis simoni* C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X X X Synallaxis albilora Synallaxis rutilans Synallaxis scutata X X X Cranioleuca pallida Certhiaxis semicinerea Certhiaxis vulpina Certhiaxis cinnamomea Asthenes luizae* Phacellodomus rufifrons Phacellodomus ruber Anumbius annumbi Lochmias nematura Pseudoseisura cristata Berlepschia rikeri Philydor rufosuperciliatus Campephilus leucopogon DENDROCOLAPTIDAE Dendrocincla fuliginosa Dendrocincla turdina Dendrocincla merula Sittasomus griseicapillus Glyphorhynchus spirurus Nasica longirostris Hylexetastes perrotii Xiphocolaptes promeropirhynchus Xiphocolaptes albicollis Xiphocolaptes major Dendrocolaptes certhia Dendrocolaptes pallescens Dendrocolaptes platyrostris Xiphorhynchus picus Xiphorhynchus obsoletus Xiphorhynchus elegans Xiphorhynchus guttatus Lepidocolaptes angustirostris Lepidocolaptes squamatus Lepidocolaptes fuscus Lepidocolaptes albolineatus Campylorhamphus trochilirostris Campylorhamphus falcularius Geobates poecilopterus* Furnarius figulus Furnarius leucopus BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR X X X X X X Philydor erythrocercus Philydor erythropterus Philydor lichtensteini Philydor rufus X Philydor dimidiatus* Automolus ochrolaemus Automolus leucophthalmus X X X Automolus rectirostris* Sclerurus rufigularis Sclerurus scansor Xenops tenuirostris Xenops minutus X X Xenops rutilans Megaxenops parnaguae Cymbilaimus lineatus Hypoedaleus guttatus FURNARIIDAE FORMICARIIDAE X 287 Mackenziaena severa .

Tabela 1 (continuação) Espécies Taraba major Sakesphorus luctuosus Thamnophilus doliatus Thamnophilus palliatus Thamnophilus aethiops Thamnophilus schistaceus Thamnophilus punctatus Thamnophilus amazonicus Thamnophilus caerulescens Thamnophilus torquatus Dysithamnus mentalis Thamnomanes saturninus Thamnomanes caesius Myrmotherula brachyura Myrmotherula sclateri Myrmotherula surinamensis Myrmotherula hauxwelli Myrmotherula leucophthalma Myrmotherula ornata Myrmotherula axillaris Myrmotherula menetriesii Myrmochilus strigilatus Herpsilochmus atricapillus Herpsilochmus longirostris* Herpsilochmus rufimarginatus Microrhopias quixensis Formicivora grisea Formicivora serrana Formicivora melanogaster Formicivora rufa Drymophila ferruginea Drymophila ochropyga Drymophila devillei Cercomacra cinerascens Cercomacra nigrescens Cercomacra melanaria Cercomacra ferdinandi* Pyriglena leuconota Pyriglena leucoptera Myrmoborus leucophrys Myrmoborus myotherinus Hypocnemis cantator C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X Espécies Hypocnemoides maculicauda Sclateria naevia Myrmeciza loricata Myrmeciza hemimelaena Myrmeciza atrothorax Rhegmatorhina hoffmannsi Hylophilax punctulata Hylophilax poecilinota Phlegopsis nigromaculata Formicarius colma C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X Formicarius analis Hylopezus berlepschi Chamaeza sp. CONOPOPHAGIDAE Conopophaga lineata Melanopareia torquata* Scytalopus novacapitalis* Phyllomyias fasciatus Phyllomyias virescens Phyllomyias reiseri* Ornithion inerme X Camptostoma obsoletum Phaeomyias murina Sublegatus modestus Suiriri suiriri Myiopagis gaimardii X X Myiopagis caniceps Myiopagis viridicata Elaenia flavogaster Elaenia spectabilis Elaenia albiceps X X Elaenia parvirostris Elaenia mesoleuca Elaenia cristata Elaenia chiriquensis Elaenia obscura Serpophaga nigricans Serpophaga subcristata Serpophaga munda Inezia inornata 288 BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR VS VS BR BR BR BR VS BR VS BR X X X X X X RHYNOCRYPTIDAE TYRANNIDAE .

Avifauna do Cerrado e Pantanal .Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Culicivora caudacuta Polystictus superciliaris* Polystictus pectoralis Pseudocolopteryx sclateri Euscarthmus meloryphus Euscarthmus rufomarginatus Mionectes oleagineus Mionectes rufiventris Leptopogon amaurocephalus Phylloscartes flaveolus Phylloscartes ventralis Corythopis delalandi Corythopis torquata Myiornis auricularis Myiornis ecaudatus Hemitriccus minor Hemitriccus diops Hemitriccus flammulatus Hemitriccus zosterops Hemitriccus minimus Hemitriccus striaticollis Hemitriccus nidipendulum Hemitriccus margaritaceiventer Todirostrum plumbeiceps Todirostrum fumifrons Todirostrum latirostre Todirostrum poliocephalum Todirostrum cinereum Ramphotrigon megacephala Ramphotrigon ruficauda Ramphotrigon fuscicauda Tolmomyias sulphurescens Tolmomyias assimilis Tolmomyias flaviventris Platyrinchus mystaceus Platyrinchus platyrhinchos Onychorhynchus coronatus Terenotriccus erythrurus Myiobius barbatus Myiobius atricaudus Myiophobus fasciatus Lathrotriccus euleri C BR BR BR VS BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P Espécies Contopus cinereus Cnemotriccus fuscatus Pyrocephalus rubinus Xolmis cinerea C BR BR BR BR BR BR AM BR BR BR AM VS BR BR BR BR BR BR BR BR AM UU BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X X X X Xolmis velata Heteroxolmis dominicana Knipolegus cyanirostris Knipolegus orenocensis Knipolegus franciscanus* Knipolegus lophotes Knipolegus nigerrimus X Hymenops perspicillata Fluvicola pica Arundinicola leucocephala Colonia colonus Alectrurus tricolor Gubernetes yetapa Satrapa icterophrys Hirundinea ferruginea Machetornis rixosus X X X X X X X Muscipipra vetula Attila phoenicurus Attila bolivianus Attila rufus Attila spadiceus X X X Casiornis rufa Casiornis fusca Rhytipterna simplex Rhytipterna immunda Laniocera hypopyrra Sirystes sibilator X X X X X X X X X X X X X Myiarchus tuberculifer Myiarchus swainsoni Myiarchus ferox Myiarchus tyrannulus Pitangus sulphuratus Philohydor lictor Megarhynchus pitangua X X X 289 Myiozetetes cayanensis Myiozetetes similis Myiodynastes maculatus Legatus leucophaius .

Tabela 1 (continuação) Espécies Empidonomus varius Gryseotyrannus aurantiocristatus Tyrannopsis sulphurea Tyrannus albogularis Tyrannus melancholicus Tyrannus savana Pachyramphus viridis Pachyramphus castaneus Pachyramphus polychopterus Pachyramphus marginatus Pachyramphus minor Pachyramphus validus Tityra cayana Tityra semifasciata Tityra inquisitor Schiffornis virescens Schiffornis turdinus Piprites chloris Xenopipo atronitens Antilophia galeata* Tyranneutes stolzmanni Neopelma pallescens Neopelma sulphureiventer Heterocercus linteatus Machaeropterus pyrocephalus Manacus manacus Illicura militaris Chiroxiphia pareola Chiroxiphia caudata Pipra nattereri Pipra fasciicauda Pipra rubrocapilla Phibalura flavirostris Carpornis cucullatus Lipaugus vociferans Xipholena punicea Gymnoderus foetidus Querula purpurata Pyroderus scutatus Cephalopterus ornatus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR AM AM BR BR BR BR AM BR P X X Espécies Procnias nudicollis Oxyruncus cristatus Tachycineta albiventer C AM BR BR BR BR VN BR BR BR BR UU BR VN VN VN VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR VN AM VS BR BR VS BR BR P HIRUNDINIDAE X X X X X X X Tachycineta leucorrhoa Phaeoprogne tapera Progne subis Progne chalybea Notiochelidon cyanoleuca Atticora fasciata Atticora melanoleuca Neochelidon tibialis Alopochelidon fucata Stelgidopteryx ruficollis X Riparia riparia Hirundo rustica Hirundo pyrrhonota Anthus lutescens Anthus hellmayri X Donacobius atricapillus Campylorhynchus turdinus Odontorchilus cinereus Cistothorus platensis Thryothorus genibarbis Thryothorus leucotis Thryothorus guarayanus Troglodytes aedon Microcerculus marginatus Mimus saturninus Mimus triurus Catharus fuscescens Platycichla flavipes Turdus nigriceps Turdus rufiventris X Turdus leucomelas Turdus amaurochalinus Turdus fumigatus Turdus hauxwelli 290 X PIPRIDAE MOTACILLIDAE X TROGLODYTIDAE X X X X X X MIMIDAE X X COTINGIDAE MUSCICAPIDAE X X .

Diversidade e Conservação Tabela 1 (continuação) Espécies Turdus albicollis Ramphocaenus melanurus Polioptila dumicola Zonotrichia capensis Myospiza humeralis Poospiza cinerea* Sicalis citrina Sicalis columbiana Sicalis flaveola Sicalis luteola Emberizoides herbicola Embernagra longicauda* Volatinia jacarina Sporophila schistacea Sporophila plumbea Sporophila collaris Sporophila lineola Sporophila nigricollis Sporophila melanops* Sporophila caerulescens Sporophila albogularis Sporophila leucoptera Sporophila hypochroma Sporophila nigrorufa Sporophila bouvreuil Sporophila hypoxantha Sporophila ruficollis Sporophila palustris Sporophila castaneiventris Sporophila cinnamomea Sporophila melanogaster Oryzoborus maximiliani Oryzoborus angolensis Amaurospiza moesta Tiaris fuliginosa Arremon taciturnus Arremon flavirostris Charitospiza eucosma* Coryphaspiza melanotis Coryphospingus pileatus Coryphospingus cucullatus C BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR UU BR UU BR VS UU BR BR BR VS UU VS VS BR BR UU UU BR BR BR BR BR BR P Espécies Paroaria dominicana Paroaria gularis C BR BR BR P X X X Paraoaria baeri* Paroaria capitata Pheucticus aureoventris Pitylus grossus Saltator maximus EMBERIZIDAE Paroaria coronata BR UU BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR X X X X X Saltator similis Saltator coerulescens Saltator atricollis* Cyanoloxia glaucocaerulea Cyanocompsa cyanoides X X X X Cyanocompsa cyanea Porphyrospiza caerulescens* Schistochlamys ruficapillus X X Schistochlamys melanopis Neothraupis fasciata Cypsnagra hirundinacea Conothraupis mesoleuca* X X Cissopis leveriana Compsothraupis loricata Thlypopsis sordida Pyrrhocoma ruficeps Hemithraupis guira X X X Hemithraupis ruficapilla Hemithraupis flavicollis Nemosia pileata Eucometis penicillata Lanio versicolor Tachyphonus cristatus Tachyphonus nattereri* X X X X Tachyphonus luctuosus Tachyphonus coronatus Tachyphonus rufus Tachyphonus phoenicius Trichothraupis melanops Habia rubica Piranga flava Ramphocelus carbo Thraupis sayaca X X X X X 291 Thraupis palmarum .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

Tabela 1 (continuação) Espécies Pipraieda melanota Euphonia chlorotica Euphonia violacea Euphonia laniirostris Euphonia chalybea Euphonia musica Euphonia chrysopasta Euphonia minuta Euphonia rufiventris Euphonia pectoralis Tangara mexicana Tangara chilensis Tangara seledon Tangara cyanoventris Tangara gyrola Tangara cayana Tangara cyanicollis Tangara nigrocincta Dacnis lineata Dacnis cayana Chlorophanes spiza Cyanerpes caeruleus Cyanerpes cyaneus Tersina viridis Coereba flaveola Parula pitiayumi Dendroica striata Geothlypis aequinoctialis Basileuterus flaveolus Basileuterus culicivorus Basileuterus hypoleucus Basileuterus leucoblepharus Basileuterus leucophrys* Basileuterus fulvicauda Granatellus pelzelni Conirostrum speciosum Cyclarhis gujanensis Vireo olivaceus Hylophilus thoracicus Hylophilus amaurocephalus Hylophilus pectoralis C UU BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR VN BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR P X Espécies Hylophilus muscicapinus Hylophilus hypoxanthus Psarocolius decumanus Psarocolius bifasciatus Cacicus cela Cacicus haemorrhous Cacicus solitarius Icterus cayanensis Icterus icterus Agelaius cyanopus Agelaius ruficapillus Leistes superciliaris Pseudoleistes guirahuro Amblyramphus holosericeus Gnorimopsar chopi Molothrus badius Molothrus rufoaxillaris Molothrus bonariensis Scaphidura oryzivora Dolichonyx oryzivorus Carduelis magellanica Carduelis olivacea C BR BR BR BR BR BR P ICTERIDAE X X X X X X X X Cacicus chrysopterus BR BR BR BR BR BR BR BR BR BR UU BR BR VN BR UU BR BR BR BR X X X X X FRINGILLIDAE PARULIDAE X X CORVIDAE Cyanocorax cyanomelas Cyanocorax cristatellus* Cyanocorax chrysops X X X X Cyanocorax cyanopogon X X X VIREONIDAE X 292 .

b. áreas abertas. b) Falco deiroleucus (R. Rhea americana (R. 1992 e modificações feitas pelos membros do grupo temático). a) Embernagra longicauda (R. 1. Espécies de aves sob ameaça no domínio do Cerrado e Pantanal. visitante do Sul. quase ameaçada. 3. c. 1. as convenções são as seguintes: status (R. b) Knipolegus franciscanus (R. a) Augastes scutatus (R. 2. a) Philydor dimidiatus (R. b) Sporophila melanops (D. 3. 3. a) Ara maracana (R. espécies ameaçadas segundo Collar et al. 2. c) Synallaxis simoni (R. Dentro dos parênteses. 1. b) Tigrisoma fasciatum (R. 1.1. 3. As espécies com o nome em negrito ocorrem no Pantanal e no domínio do Cerrado. b) Phibalura flavirostris (MA. a) Sporophila ruficollis (R. migrante altitudinal. a) Taoniscus nanus (R. 1. a) Sporophila cinnamomea (VS. 1. A taxonomia segue Silva (1995a). 1. status desconhecido). c) Tabela 3. 1. b) Aratinga auricapilla (R. residente. b) Coryphaspiza melanotis (R. 3. 1. 2. 1. 3. florestas). c) Charitospiza eucosma (R. a) Penelope ochrogaster (R. 1. 3. a) Alectrurus tricolor (R. 2. 3. 1. nível de ameaça (a. 1. b) Sporophila melanogaster (VS. as espécies restantes não ocorrem no Pantanal. 3. as convenções são as seguintes: status (R. 1. b) Polystictus pectoralis (R. b) . c. 1. hábitat (1. 3. 2. a) Sporophila hypochroma (VS. a) Sporophila nigrorufa (D. b) Laterallus xenopterus (D. status desconhecido). 3. 2. 2. b) Caprimulgus candicans (R. c) Scytalopus novacapitalis (R. 1. 1. nível de ameaça (a. b) Antilophia galeata (R. a) Phyllomyias reiseri (R. b) Harpyhaliaetus coronatus (R. 1. 1. migrante altitudinal. c) Poospiza cinerea (R. VS. 3. áreas abertas + florestas. Espécies de aves endêmicas no domínio do Cerrado e Pantanal. residente. ameaçada. 1992 e modificações feitas pelos membros do grupo temático). a) Columbina cyanopis (R. hábitat (1.Diversidade e Conservação Tabela 2. florestas). 1. c) Polystictus superciliaris (R. 1. áreas abertas. 3. b) Automolus rectirostris (R. b) Carponis cucullatus (MA. 1992 e espécies quase-ameaçadas segundo Collar et al. b) Mergus octasetaceus (R. b) Procnias nudicollis (MA. b) Sporophila palustris (VS. Nothura minor (R. D. 1. As espécies com o nome em negrito ocorrem no Pantanal e no domínio do Cerrado. c) Porphyrospiza caerulescens (R. b. 1. 1. b) Spizastur melanoleucus (R. 3. 1. a) Harpia harpyja (R. c) Melanopareia torquata (R. c) Asthenes luizae (R. áreas abertas + florestas. b) Geobates poecilopterus (R. 2. c) Herpsilochmus longirostris (R. 3. c) Paroaria baeri (R.Avifauna do Cerrado e Pantanal . a) Anodorhynchus hyacinthinus (R. b) Agamia agami (R. MA. 1992 e espécies quase-ameaçadas segundo Collar et al. c) Cyanocorax cristatellus (R. Dentro dos parênteses. 3. b) Oryzoborus maximiliani (R. 3. 1. 2. A taxonomia segue Silva (1995a). D. 1. 3. a) Neochen jubatus (R. 3. 1. VS. a) Eleothreptus anomalus (D. c) Basileuterus leucophrys (R. b) Accipiter poliogaster (R. b) Euscarthmus rufomarginatus (R. a) Culicivora caudacuta (R. espécies ameaçadas segundo Collar et al. c) Cercomacra ferdinandi (R. 3. 1. a) 293 Megaxenops parnaguae (R. 3. visitante do Sul. quase ameaçada. não incluida nas listas. não incluida nas listas. ameaçada. a) Pyrrhura pfrimeri (R. c) Saltator atricollis (R. 2. b) Amazona xanthops (R. 1. 3. 3. 1. MA. 1. as espécies restantes não ocorrem no Pantanal. b) Crypturellus noctivagus (R.

Ornitologia Neotropical 7: 1-18. Corumbá Collar. Biogeographica II. A. In: Anais do I Simpósio sobre recursos naturais e sócioeconômicos do Pantanal. _______. 1992. Brazil. Cracraft. Amapá. Belo Horizonte e São Paulo. Distribution of Amazonian and Atlantic bird in the gallery forests of the Cerrado Region. Brown. 1997. K. 1995a.137-178. Ornithological Monographs 36: 49-84. Historical biogeography and patterns of differentiation within the South American avifauna: Areas of endemism. Cambridge: BirdLife International. 1983. Birds of the Cerrado Region. R.). 1985. Biodiversity and Conservation 6: 435-450. Biogeographic analysis of the South American Cerrado avifauna. 1997. Heringer. 1973. Müller. Steenstrupia 21: 49-67. A flora do Cerrado. 1986. 1996. Ornithological Monographs 48:743-762. N. South America. Dr. Editora Itatiaia e EDUSP. 1977. Púb. Ferri (ed. South America: Implications for biological conservation. Primeira aproximação. Endemic bird species and conservation in the Cerrado Region.Referências bibliográficas Ab’Saber. et al. Haag. Serv. 1977. Geomorfologia 52:1-21. South America. Composition and distribution patterns of the avifauna of an Amazonian upland savanna. et al. Pp. The Dispersal Centers of Terrestrial Vertebrates in the Neotropical Realm. Brasília 111:41-55. A Study in the Evolution of the Neotropical Biota and its Native Landscapes. J. 1995c. P. ______. IV Simpósio sobre o Cerrado. Zoogeografia da região do Pantanal Mato-Grossense. 1995b. G. 294 . J. Os domínios morfoclimáticos da América do Sul. Steenstrupia 21: 69-92. _______. _______. _______. _______. O domínio dos Cerrados: Introdução ao conhecimento. EMBRAPA-UFMS. W. Junk. Avian inventory of the Cerrado Region. et al.211232 in M. E. Bird Conservation International 5: 291-304. Silva. Threatened birds of the Americas. Pp. South America.

abrangendo as localidades de 7 a 14. menor estado de proteção e um nível médio de alteração. menor estado de proteção e maior nível de alteração. estão enquadradas nesta classe de prioridade máxima. A primeira análise enfoca os grandes vazios de conhecimento científico. As áreas prioritárias para futuros estudos estão classificadas de acordo com o nível de conhecimento atual. para onde devem ser direcionadas as futuras pesquisas científicas. o estado de proteção das regiões e o grau de alte295 ração antrópica das formações naturais. considerando-se como prioridade nível 1 as áreas com maior nível de desconhecimento. A segunda. No nível 2. o menor estado de proteção e um grau médio de alteração.Avifauna do Cerrado e Pantanal . No nível 2 foram colocadas as áreas que combinavam o maior nível de desconhecimento. menor estado de proteção e com pequeno grau de alteração foram classificadas no nível 3 de . indicadas no mapa. As áreas com pouco conhecimento. As áreas definidas foram as seguintes (Figura 1): Figura 1: Mapa de distribuição das áreas inventariadas com relação a avifauna nos biomas Cerrado e Pantanal. No nível 3 foram colocadas as áreas com maior nível de desconhecimento. (c) níveis de alteração do Cerrado (baseado em Silva 1995c). (b) estado de proteção das regiões (com base no mapa de UCs). destaca a necessidade de criação de novas unidades de conservação. As áreas de número 1 a 6. Áreas prioritárias para a conservação da avifauna do Cerrado e Pantanal  Duas abordagem direcionam a indicação das 21 áreas prioritárias para a conservação da avifauna do Cerrado e do Pantanal. As áreas foram definidas pelo cruzamento dos três critérios acima. menor estado de proteção e com pequeno nível de alteração.Diversidade e Conservação Síntese dos grupos temáticos . o menor estado de proteção e o maior grau de alteração. estão indicadas as áreas que combinam pouco conhecimento científico.Áreas prioritárias e recomendações para conservação da avifauna do Cerrado e Pantanal Áreas Prioritárias para Inventários Faunísticos Foram empregados três critérios para se determinar áreas prioritárias para futuros estudos: (a) nível de conhecimento (baseado em Silva 1995c). O cruzamento desses três critérios define como prioridade máxima as áreas com o menor nível de conhecimento.

e. O nível 3 de priorização inclui as áreas 7.14. foram definido o seguinte ranking de áreas prioritárias: 296 Prioridade nível 4 (valor 2) Área 15 .. Áreas como o planalto de Brasília.Noroeste de Goiás (Noroeste do Goiás.13.Centro de Mato Grosso do Sul (centro-sudeste do Estado de Mato Grosso) Área 10 .Bodoquena (Sudoeste de Mato Grosso do Sul.prioridade.10. 21.Norte Tocantins/Sul Maranhão Área 16 . por exemplo. indicadas no mapa. 6. As áreas 3. mas indica uma priorização para o estabelecimento de novas unidades de conservação de uso indireto. Vitória da Conquista. 5.Borda Pará-Tocantins Área 20 . 4. 9 e 12 ocupam um segundo lugar no nível de priorização dentro do mesmo critério. de conhecimento ornitológico e de unidades de conservação. na divisa com o Estado de Tocantins) Área 4 . como a Chapada do Araripe. e aqueles localizados na região sudeste. Roraima e região de Humaitá.Centro do Mato Grosso Área 11 .Sul do Bananal (Noroeste do Estado de Tocantins) Área 21 . As demais áreas. encontram-se na classe 4.Sul do Maranhão (Centro-Oeste do Estado do Maranhão) Área 6 . As áreas de número 1 e 2.MT-RO (Noroeste do Estado de Mato Grosso e sudeste de Rondônia) Área 19 . na divisa com o Estado de Tocantins) Área 5 . A prioridade deve ser dada para Amapá.Maranhão-Tocantins (Sudoeste do Estado do Maranhão. o vale do rio Araguaia foram todas consideradas como de interesse extraordinário para a conservação da avifauna do Cerrado.Norte do Mato Grosso Área 18 . são da mais alta prioridade para criação de unidades de conservação.11. em São Paulo. 17. Estudos urgentes são recomendados também nas savanas da Amazônia. 8. entre os Estados de Goiás e Mato Grosso) Prioridade nível 2 (valor 4) Área 3 . enclaves na região nordeste.16. 18. não foram incluídas na análise de prioridades. Sul de GO e o Triângulo Mineiro) Área 2 . devido à forte pressão antrópica que estas áreas estão sujeitas atualmente. com no mínimo 100.19.Alto Araguaia (região do Alto Araguaia.Oeste do Mato Grosso (Oeste do Estado de Mato Grosso do Sul) Área 12 . 20.São Francisco (Norte de MG e Oeste do Estado da Bahia) Prioridade nível 3 (valor 3) Área 7 . para evitar que espécies associadas a capins desapareçam.Limite Sul da área nuclear (Sudeste e Leste do MS.000 km2). No que diz respeito às savanas amazônicas. a Chapada Diamantina. mas por estarem representadas por uma ou mais unidades de conservação.A classificação proposta não indica que as áreas não incluídas não merecem ser conservadas. o vale do rio Paranã. recomenda-se a criação de pelo menos uma unidade de conservação de uso indireto. nas localidades de 15 a 21.Centro-Norte de Minas Gerais Área 13 . entre os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) Área 8 . de conhecimento ornitológico e de UCs.Guaporé (centro do Estado do Mato Grosso do Sul) Área 17 . Prioridade nível 1 (valor 5) Área 1 . Como resultado.A recomendação para os Cerrados em São Paulo e no Paraná incluem ainda a proteção de todas as áreas ainda intactas e o desenvolvimento de estudos para manejo de unidades de conservação através do fogo. Esse mapa indicando os subcentros de endemismo na região do Cerrado foi então sobreposto aos mapas de modificação antrópica.Centro-Sul de Tocantins Área 14 . em cada uma dos maiores remanescentes de vegetação nativa. A segunda abordagem define as regiões onde o estabelecimento de novas unidades de conservação é urgente. Essa avaliação sobrepõe os mapas das espécies endêmicas do Cerrado que possuem distribuição restrita. 15. aquelas espécies com área de distribuição até 60.Norte de Minas Gerais Definição das áreas prioritárias para estabelecimento de UCS A definição das áreas prioritárias para o estabelecimento de novas UCs na região do Cerrado e Pantanal foi baseada na sobreposição dos mapas de todas as espécies endêmicas do Cerrado que possuem distribuição restrita (i. aos mapas de modificação antrópica.000 ha.Tocantins-Bahia (Leste do Estado de Tocantins e Oeste da Bahia) . ao Sul do limite do Pantanal) Área 9 .Pantanal (planície do Pantanal.

A região do Cerrado e do Pantanal se destaca como área de invernada de algumas espécies de aves que se reproduzem nos campos meridionais. Assim. portanto. Infelizmente.Avifauna do Cerrado e Pantanal . para evitar que espécies associadas com capins desapareçam. b) ninhais: A distribuição dos ninhais de aves na região do Cerrado e no Pantanal ainda é muito pouco conhecida.000ha) em cada uma das maiores ilhas de savanas amazônicas. Hábitats que foram recomendados como merecedores de atenção especial para estudos e conservação são os seguintes: campos rupestres. Projeções feitas por Maria Alice dos S. baseadas no tamanho dos territórios de duas das mais importantes espécies de aves dos bandos mistos de aves na vegetação do Cerrado indicam os seguintes valores: (a) para se proteger 500 indivíduos de Neothraupis fasciata serão necessários 707. o Vale do rio Paranã. Estimativas do tamanho de territórios de aves vivendo no Cerrado podem oferecer uma idéia da área mínima para que uma reserva tenha alguma funcionalidade. florestas de galeria alagadas e cerradão. florestas estacionais (decíduas e semidecíduas). Em outras palavras. De modo geral. indicam que reservas no Cerrado com menos de 7. Recomendações Gerais a) migrações: Estudos devem ser feitos para compreender os padrões de migrações das aves que vivem na região do Cerrado e no Pantanal. Alguns hábitats são bem conhecidos por abrigarem comunidades bióticas de alto valor para conservação. devido a forte pressão antrópica que estas áreas estão sujeitas atualmente. Este comportamento tem. o grupo recomenda a criação de pelo menos uma unidade de conservação de uso indireto com um tamanho adequado (pelo menos 100. Alves de áreas mínimas para conservação. elas seriam pouco funcionais para fins de conservação biológica. c) comunidades especiais: A região do Cerrado e do Pantanal são heterogêneas. estima-se que cerca de 6070% da avifauna da região do Cerrado e do Pantanal realizam algum tipo de movimento sazonal anualmente. O mapeamento e o monitoramento dos ninhais seria outra importante prioridade de estudo. o vale do rio Araguaia e os afluentes do rio Xingu. o Vale do rio Araguaia foram todas consideradas como de interesse extraordinário para a conservação da avifauna do Cerrado. Roraima e Humaitá. 297 . Naturalmente que estas estimativas são grosseiras e que aves mais pesadas vão exigir áreas mais extensas para sobrevivência. Muitas destas espécies migrantes encontram-se ameaçadas de extinção devido as modificações que estão ocorrendo em suas áreas de reprodução. d) dados biológicos: A história natural da grande maioria das espécies que vivem na região do Cerrado e no Pantanal ainda é pouco conhecida.450ha de Cerrado s. implicações óbvias para o manejo e conservação destas espécies. em bom estado. formadas por um mosaico de hábitats bastante distintos. a Chapada da Diamantina. É recomendado o seguinte para os enclaves de Cerrado em São Paulo e Paraná: a proteção de todas as áreas ainda intactas e o desenvolvimento de estudos para manejar estas UCs através do fogo. Existe somente alguns poucos dados do Pantanal. Estes cálculos. as informações disponíveis atualmente são insuficientes para caracterizar cada um destes hábitats. mas como elas já estão conservadas em uma ou mais UCs.s. Regiões que deveriam ser investigadas com mais detalhes para ninhais incluem o vale do rio Paranã. (b) para se proteger 500 indivíduos de Lepidocolaptes angustirostris seriam necessários pelo menos 6. que são insuficientes. Áreas como o Planalto de Brasília. No que diz respeito às savanas amazônicas.s. Estes dados biológicos básicos são essenciais para que se possa avaliar de forma criteriosa propostas de manejo para áreas e mesmo para dimensionar as conseqüências das alterações antrópicas sobre a avifauna destas duas regiões. mesmo informações básicas sobre a voz e as fases de plumagem das espécies não estão disponíveis. Para muitas espécies. entretanto. Foram documentados movimentos sazonais que incluem desde simples movimentos inter-hábitats de pequena distância até movimentos intra-continentais de longa distância. Prioridade deve ser dada para o Amapá.2ha de vegetação do Cerrado s.000ha possivelmente terão problemas em conservar parte significativa da sua biodiversidade inicial.Diversidade e Conservação O ranking de áreas proposto aqui não indica que as áreas não incluídas não merecem ser conservadas. Este ranking indica somente quais as áreas que merecem prioridade para o estabelecimento de novas UCs de uso indireto. campos limpos úmidos. eles não foram sequer incluídas em nossa análise de prioridades. a identificação e o manejo das áreas de invernada destas espécies deveria ser considerada como uma meta importante para futuros estudos ornitológicos nas duas regiões.

Alto Araguaia (região do Alto Araguaia.Centro de Mato Grosso do Sul (Centro-Sudeste do Estado de Mato Grosso) Área 9 .MT-RO (Noroeste do Estado de Mato Grosso e sudeste de Rondônia) Área 17 . 298 .Áreas prioritárias para conservação da avifauna nos biomas Cerrado e Pantanal. Sul de GO e o Triângulo Mineiro) Área 2 .Norte do Mato Grosso Área 18 . Chapada do Araripe.Limite Sul da área nuclear (Sudeste e Leste do MS. ao Sul do limite do Pantanal) Prioridade nível 2 (valor 4) Área 7 .Borda Pará-Tocantins Área 19 .Sul do Bananal (Noroeste do Estado de Tocantins) Área 20 .Tocantins-Bahia (Leste do Estado de Tocantins e Oeste da BA) Área 21 .Centro do Mato Grosso Área 11 . Vitória da Conquista.g. na divisa com o Estado de Tocantins) Área 4 - Maranhão-Tocantins (Sudoeste do Estado do Maranhão.Pantanal (planície do Pantanal. São Paulo) brasileiros.Sul do Maranhão (Centro-Oeste do Estado do Maranhão) Área 6 .Centro-Sul de Tocantins Área 14 . na divisa com o estado de TO) Área 5 ..g.Oeste do Mato Grosso (Oeste do Estado de Mato Grosso) Área 10 . entre os Estados do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso) Área 8 .Norte Tocantins/Sul Maranhão Prioridade nível 3 (valor 3) Área 15 . Prioridade nível 1 (valor 5) Área 1 ..Noroeste de Goiás (Noroeste do GO.Centro-Norte de Minas Gerais Área 12 .São Francisco (Norte de Minas Gerais e Oeste do Estado da Bahia) Área 13 . entre os Estados de GO e MT) Área 3 .) e sudeste (e.Bodoquena (Sudoeste de Mato Grosso do Sul. etc.Guaporé (centro do Estado do Mato Grosso do Sul) Área 16 .Norte de Minas Gerais Os membros do grupo temático também recomendaram que se façam estudos urgentes nos enclaves de savanas na Amazônia e nos enclaves localizados no nordeste (e.

Diversidade e Conservação Figura 1: Áreas prioritárias para conservação da avifauna nos biomas Cerrado e Pantanal. 299 .Avifauna do Cerrado e Pantanal .

300 .

Mastofauna do Cerrado e Pantanal .diversidade e conservação Mastofauna 301 .

Jácomo Bernardo Brito Cleber Alho Daniel Louzada da Silva Daniela Coelho Emerson M.Particpantes do grupo de trabalho Jader Marinho Filho (coordenador) Adriana Bocchiglieri Alice Guimarães Anah Tereza A. Rodrigues Guilherme Mourão Gustavo Fonseca Hamilton Garboggini Júlio Cesar Dalponte Keila Macfadem Juarez Laurenz Pinder Leandro Silveira Ludmilla Moura de Souza Aguiar Luiz Flamarion Barbosa de Oliveira Manrique Prada Villalobos Marc Johnson Marcelo Lima Reis Marcelo Ximenes Aguiar Bizerril Maria Luiza de A. Vieira Fernanda Diefenthaeler Flávio H. Gastal Marisa Carvalho Milton Thiago de Mello Patrícia Avello Nicola Patrícia Seixas de Oliveira Raimundo Barros Henriques Rodiney de Arruda Mauro Rogerio Ferreira de Souza Dias Rosa M. G. Lemos de Sá Teresa Cristina Anacleto Thomas Lacher Walfrido Tomás Vanner Boere 302 .

retornando a Lisboa no ano de 1798. 1994). especialmente as formações florestais da Amazônia e da Mata Atlântica. as diferenças já encontradas na composição específica e abundância das espécies em diferentes cerrados. Uma análise comparativa das comunidades de pequenos mamíferos não voadores de 11 áreas de cerrado no Brasil Central mostra um alto “turnover” de espécies (beta-diversidade) entre as áreas. bem como grande variação de abundância das espécies entre as áreas (Marinho-Filho et al. na região de Brasília foram descritas três novas espécies de mamíferos. Estudos comparativos sobre as floras locais de diferentes áreas de cerrado mostram que a similaridade na composição específica de difentes áreas tende a diminuir com a distância entre as áreas consideradas (Ratter & Dargie 1992). indicam que a área total protegida até o momento é absolutamente insuficiente para preservar e representar satisfatoriamente a diversidade de habitats. Silva 1989) que também não exibem adaptações específicas para a vida no Cerrado. mais grave ainda.b. Hilaire (Hershkovitz 1987). bem como uma breve análise do esforço de inventariar a mastofauna. De modo geral. espécies e seus processos populacionais e interações ecológicas O presente trabalho corresponde a uma compilação da informação disponível e acessível. a fauna do cerrado partilha a maioria dos seus elementos com os biomas adjacentes. onde foi estudada e descrita por Étienne Geoffroy St. 1979. As revisões ainda não publicadas ou em andamento de muitas espécies ou gêneros tem resultado no reconhecimento de diversas formas de distribuição mais restrita em vez de apenas uma ou duas espécies de distribuição mais ampla. . Redford & Fonseca 1986. o que tende a reduzir 303 o apelo conservacionista e. A idéia de uma fauna generalista e comum a outros biomas adjacentes tem prevalecido como a principal caracterização da fauna do Cerrado. A flora herbácea é também rica e quase 100% das espécies é endêmica à região (Dias 1992). 1993). somente nos anos 90. Ao contrário. xeromor­fismo e resistência a altas concentrações de alumínio no solo (Goodland & Ferri 1979). Em contraste a este quadro. Para citar um breve exemplo. Isto resulta em níveis relativamente baixos de endemismo para os vertebrados (Vanzolini 1963. os seus padrões de diversidade e sua distribuição no bioma do Cerrado. descrição e classificação das formas existentes ainda está longe de ser superada. de 1783 a 1792. Todo o material por ele coletado (592 espécimes de 471 espécies de animais. 1994). brasileiro nascido em 1756 em Salvador. a autoridade taxonômica e geográfica é Wilson & Reeder (1993). pode sugerir que um pequeno número de unidades de conservação possa ser suficiente para uma boa representação destes elementos que. Relação das principais localidades inventariadas no Cerrado e Pantanal Alexandre Rodrigues Ferreira. inclusive. Cerca de metade das quase 2000 espécies de arbustos e árvores do cerrado são endêmicas deste bioma e a maior parte destas plantas mostra adaptações como raízes profundas. 1985. Portugal. uma delas de um gênero novo (Hershkovitz 1990a. Bahia e formado pela Universidade de Coimbra em 1779 foi o primeiro naturalista a produzir registros formais da fauna do cerrado. Sick 1965.diversidade e conservação Mastofauna do Cerrado e Pantanal – diversidade e conservação Jader Marinho Filho (Organizador) Introdução O Cerrado ocupa uma área total de cerca de 2 milhões de Km2. As florestas de galeria parecem desempenhar um papel muito importante. Em sua “Viagem Filosófica” (Rodrigues Ferreira 1971. Muitos grupos necessitam revisões extensivas e a etapa de reconhecimento. 1972) explorou. Isto reflete em parte o conhecimento ainda insuficiente sobre a fauna do cerrado (como de resto para a fauna de mamíferos em todo o país). rio Negro. Evidentemente haverá discordância em relação ao status taxonômico e distribuição geográfica de algumas espécies por parte de especialistas em cada grupo. como corredores mésicos que permitem a penetração de elementos primariamente associados a ambientes florestais mais úmidos no interior de formações abertas e com estação seca muito pronunciada (Mares et al. entre os quais 76 espécimes de 65 espécies de mamíferos) foi depositado no Museu d’Ajuda. em que se encontra uma flora bastante distinta.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Medellin & Redford 1992). também ocorrem em outros ecossistemas e regiões do país. Marinho-Filho & Reis 1989. distribuída em formações que vão desde campos abertos até florestas de galeria e matas semidecíduas. Mato Grosso e Cuiabá. as províncias do Grão-Pará. Toda esta coleção foi confiscada quando da invasão do exército de Napoleão e levada para o Museu de História Natural de Paris. A heterogeneidade do habitat foi a variável melhor correlacionada com a riqueza de espécies em todas as áreas (Marinho-Filho et al. A distância entre as áreas não é o fator mais importante na determinação das diferenças de composição específica e abundância das espécies em cada área.

(1990). Por três anos eles viajam pelos atuais Estados do 304 Rio de Janeiro. PA 1 Santarém. Hershkovitz (1990a. GO 1 Alter do Chão. Schaller (1983) Marinho-Filho (1992) Marinho-Filho et al. PA 1 Correntina. Guimarães (1997) Brasília. Referências Alho et al (1986). Mares & Ernst (1995). MS 1 Camapuã. filha do Imperador da Áustria com D. MT Chapada dos Guimarães. GO 1 Cabeceiras. MG 1 Serra do Cipó. Pedro. Relação de localidades estudadas no Cerrado de Pantanal. GO 4 Formosa. (1995) Magnusson et al (1995) Marinho-Filho (1993ab. Mello & Moojen (1979) Naturae (1996) Naturae (1996) Anacleto (1997) Magnusson et al. MG 1 Serra da Canastra. MG 1 Paracatu. Mares et al (1986. Eles compilam uma lista de 42 espécies de mamíferos da região do sertão dos campos gerais de São Felipe. Em julho de 1817. Henriques & Alho (1991). São Paulo. se estabelece um intercâmbio muito mais intenso com a Europa com a “abertura dos portos brasileiros às nações amigas” e o noivado da Arquiduquesa Leopoldina. (Alho et al 1987a. Marinho-Filho et al.b. MG 1 Caldas Novas. mas seus interesses também se estendiam aos mamíferos. (1994) rio Zoo (1996) Redford (1987). SP 1 Belo Horizonte. com as referências bibliográficas pertinentes. MG 1 Campos Altos. 1984) Taddei et al 1983 Marinho-Filho et al.1988). Marinho-Filho et al (1997) Juarez (1997). do Museu Imperial de História Natural de Viena. MS 3 Itirapina. Ceará. 1989). Dalponte. 1994). respectivamente zoólogo e botânico do Museu da Academia de Ciências de Munique. Bahia. Motta-Junior et al. A comitiva da arquiduquesa incluia alguns dos mais brilhantes jovens cientistas da Áustria e Bavária.b. Vieira & Baumgarten (1995). Príncipe da Coroa de Portugal e Brasil. Dietz (1983. Schaller & Vasconcelos (1978) Vieira (1997) Avila Pires & Wutke (1981) Bouchardet & Guimarães-Filho (1988) Avila Pires & Wutke (1981). chegam ao Brasil Johan Baptist Ritter von Spix e Carl Friedrich von Martius. (1994) Marinho-Filho et al. MS 1 Corumbá. BA 3 Jaborandi. GO 1 PaNa Emas. Moojen (1965). viajou e coletou na região dos . Minas Gerais. 1993). Merino et al (1996) Mello (1980). outros vertebrados. Lacher & Alho (1989). (1994). MS 8 Poconé. Vieira & Palma (1996) Avila Pires & Wutke (1981) Avila Pires & Wutke (1981) Shaller (1983). Rodrigues (1996). a 5 de novembro de 1817. (1994) Marinho-Filho et al. Na mesma época. Lacher et al (1989). MT 2 Miranda. Avila Pires & Wutke (1966). Rodrigues & Monteiro-Filho (1996). Fonseca & Redford (1984). (1994). chega ao Brasil o naturalista vienense Johann Naterer. a vinda da família real para o Brasil. (1996). Natterer era devotado à coleta e estudo das aves. Rocha et al. (1997) Schaller & Crawshaw (1980 1981). SP 1 Mogi Guaçu. Lacher et al (1986). Leeuwemberg et al. De outubro de 1822 a julho de 1829. DF 22 Bonito. (1997). BA 2 No início do século 19. Localidade No. Baumgarten & Vieira (1994). GO 1 Niquelândia. (1986). MG 1 Ibiá. GO 2 Minaçu.Tabela 1. Lacher et al. Ref. Maranhão e Pará (Hershkovitz 1987). Nitkman & Mares (1987). insetos e até helmintos.

Mato Grosso: Ponte Branca. Goiás: Minaçu. A coleção científica do Departamento de Zoologia da UnB é uma das maiores e de maior cobertura geográfica para o Cerrado. Assim. Rosário. caro. 1. Cocalzinho. Florestas semidecíduas: Talvez seja o habitat natural mais ameaçado na região dos cerrados. Piauí. Sobradinho. Três Marias. Regiões pouco conhecidas faunisticamente. 305 . sob forte pressão antrópica em zonas de fronteira de colonização. Identificação de áreas prioritárias para inventários biológicos Grande Sertão: desde a vertente Leste do Chapadão Ocidental da Bahia até a calha do rio São Francisco. Porém. De fato. Nestas baixadas as densidades populacionais humanas ainda podem ser consideradas baixas e ainda seria possível a indicação de uma UC de grande porte (ca. Existem também listagens de faunas locais ou regionais em Estudos de Impacto Ambiental e Relatórios de Impacto sobre o Meio-Ambiente (EIA-RIMAs) para diversas localidades onde vem sendo realizados grandes empreendimentos industriais. a quase totalidade destes trabalhos corresponde a ocorrência presumida de espécies a partir de outras listas regionais ou por estar a localidade considerada dentro da área suposta de distribuição das espécies consideradas. DF: Brasília. as vertentes destas chapadas com matas mesofíficas e afloramentos calcários e as extensas veredas e cerrados na baixada até o Vale do Rio São Francisco. A quase totalidade do material coletado por estes naturalistas está depositada em museus da Europa. imobiliários ou represas hidrelétricas. Jaborandi. Não há qualquer estudo ou programa de pesquisa delineado para a realização de inventários.000ha) e que. Formosa. Iaciara. uso do habitat. A reconstituição exata das localidades e espécies coletadas no cerrado é um trabalho meticuloso. dietas. há poucos inventários locais ou regionais com metodologia adequada. Enclaves de Cerrado na Amazônia: Amapá. Bahia e Minas Gerais. Há também um conjunto de localidades amostradas e das quais há registros em coleções científicas. Áreas de contato Cerrado-Amazônia: Norte do Mato Grosso. Maranhão e Rondônia. Baliza. Áreas de contato Cerrado-Caatinga: Maranhão. para este tipo de formação. À exceção de alguns poucos grupos de animais e plantas. Niquelândia. Trata-se de isolados periféricos de cerrado encravados no interior de formações florestais da Amazônia. É importante frisar que não há homogeneização hierárquica em relação a abrangência ou profundidade dos dados e informações disponíveis.000. Paracatu. Chapada dos Guimarães. do Norte do atual Estado de São Paulo até a região do rio Madeira. Práticas antigas e inadequadas associadas a formas tradicionais de uso e manejo dos recursos naturais tendem a agravar os problemas de conservação da diversidade biológica nesta região. Padre Bernardo. Torixoréu. Rondônia. têm o mesmo peso trabalhos específicos sobre um aspecto qualquer da biologia de uma ou mais espécies de mamíferos ou inventários de maior prazo. Tocantins. Campos Altos. Unaí. Bahia: Correntina. estas manchas de cerrado são pouco conhecidas do ponto de vista faunístico e da estrutura das suas comunidades bióticas. Jataí. e ainda por ser feito. Regiões de fauna pouco estudada em áreas de densidades populacionais humanas consideráveis e em situação de extrema pobreza. A seguir é apresentada uma relação preliminar de localidades amostradas no cerrado. contendo cerca de 3500 exemplares para a região considerada. Alexânia. Roraima e Rondônia. Chapadão do Céu.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . Existem muitos estudos pontuais e relatos sobre a biologia e/ou ecologia de uma ou algumas espécies. Poconé. hoje sob forte pressão antrópica relacionada à expansão da fronteira agrícola. etc. além das formações mais típicas dos cerrados deveriam também incluir carrascos e campos que ainda se encontram nesta região. Planaltina de Goiás. com as respectivas referências bibliográficas (Tabela 2). relatando porções consideráveis ou grupos da fauna de mamíferos para uma localidade ou região.diversidade e conservação cerrados. Pirenópolis. A seguir são relacionadas às localidades sobre as quais existe informação sobre a mastofauna. Esta área engloba o topo do Espigão Mestre. Pará. Minas Gerais: Ibiá. mas de evidente interesse histórico e biológico. mesmo que locais. Planaltina. baseada na literatura mais moderna e mais imediatamente disponível. Gama. Mambaí. As taxas de remoção e a intensidade do uso dos recursos que estas florestas representam são elevadas. Cristalina. A seguir é apresentada uma listagem por estado das localidades (municípios) onde este material foi coletado. Brasilândia. Guará.

espécies como Monodelphis kunzi. particularmente aqueles de hábitats insulares. Tolypeutes tricinctus tem apenas dois pontos de ocorrência conhecida no Cerrado. O mesmo foi realizado para 15 das 16 espécies endêmicas aos dois biomas considerados. de acordo com a lista oficial do IBAMA. mesmo levando-se em conta a sua ocorrência na Bolívia. 1989). • Especialistas de hábitat com distribuições restritas. Cinco delas têm suas distribuições restritas à localidade tipo no DF e em Lagoa Santa-MG: Juscelinomys candango. Não há endemismos conhecidos restritos à porção Norte. Microakodontomys transitorius (Figura 4). importância. fragmentação de hábitat. Efeitos pontuais • Impacto de usinas hidroelétricas (inundação. Isto parece representar apenas a maior concentração de estudos nesta faixa mais acessível e próxima dos centros científicos mais importantes. e assoreamento de bacias de sedimentação e cursos d’água pelo desmonte de montanhas e barrancos de rios. Mais problemática na região do Pantanal em relação ao jacaré e onças. Destas 15 espécies. na porção nordeste deste bioma.Principais tipos de pressão antrópica na região do Cerrado Os principais tipos de pressão exercida por populações humanas sobre as formações nativas do Cerrado são listadas a seguir: Espécies mais vulneráveis aos processos de degradação em curso. Kunzia fronto. Assim. Oecomys cleberi. 2 na metade Sul e 2 na porção Noroeste. A totalidade dos endemismos está na metade mais ao Sul da distribuição do Cerrado. Geralmente ocorre em pequena escala e mesmo assim provoca efeitos sensíveis sobre as densidades populacionais das espécies mais procuradas. logo acima do Pantanal. Há 16 espécies incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção (Bernardes et al. Trata-se de 18 espécies endêmicas do Cerrado e duas do Pantanal. alteração de regimes fluviais). • Ungulados (caça). • Garimpo e mineração . 4 estão restritas ao sudeste.poluição por metais pesados. cleberi e Carterodon sulcidens. especialmente mercúrio. Erosão e sedimentação • Erosão em larga escala no topo e bordas dos chapadões em torno do Pantanal. como as veredas e florestas semidecíduas (endemismos mais restritos). merece especial atenção o estabelecimento da hidrovia do Paraguai. Por sua extensão. • A pesca é praticada em escala comercial em vários dos grandes rios da região. obs. baseadas em Fonseca et al. foram consideradas endêmicas do Cerrado. Outras três espécies ocorrem na porção central (Oncifelis colocolo) e Centro-Sul-Sudoeste do Cerrado. gerando assoreamento de importantes cursos d’água e da bacia de sedimentação. Distribuição da fauna endêmica e ameaçada de extinção Na Tabela 2 são assinaladas as espécies endêmicas e as ameaçadas de extinção. Não foram consideradas aquelas espécies cuja distribuição engloba todo o Cerrado e/ou outros biomas. (1994). O. Caça e pesca • A caça é praticada por toda região dos Cerrados e Pantanal. incluindo o Pantanal (Blastoceros dichotomus – e Ozotoceros bezoarticus). 7 distribuem-se na porção central e centro-sudeste do Cerrado. Foram elaborados mapas de distribuições no cerrado de algumas das espécies ameaçadas de extinção. Considerou-se endemismo os casos de espécies representadas apenas nestes biomas e a análise restringiu-se ao Brasil. Fragmentação do hábitat • Conversão de áreas de vegetação natural em lavouras e pasto com a ocorrência por toda a distribuição original do bioma do Cerrado. acelerado pelas transformações econômicas e sociais. e risco potencial. particularmente o Araguaia. • Espécies de topo de cadeias tróficas: carnívoros (redução e fragmentação do hábitat). 306 . e em todo o Pantanal. • Ampliação da área de influência de cidades/ malha urbana sendo o processo prevalente em toda a área de distribuição do Cerrado.

A representação atual dos cerrados no sistema federal de Unidades de Conservação é absolutamente insuficiente para conservar satisfatoriamente a diversidade de espécies. hábitats e interações ecológicas existentes no bioma. Além de mal conhecidas. Ocupando quase 25% da extensão territorial do país. Lista preliminar de áreas candidatas a prioritárias para conservação.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . são também merecedoras de atenções especiais em relação à sua conservação. dos Veadeiros (GO): Há muitos endemismos já registrados para estas chapadas e os Parques Nacionais implantados carecem de toda a infra-estrutura e apoio necessários para o seu efetivo funcionamento. Além destas regiões. 307 . de modo geral não existem ou são insuficientes ou inoperantes as UCs estabelecidas para a proteção dos acervos específicos de espécies e ecossistemas nestas áreas. GO: Fauna de mamíferos de médio e maior porte exuberante e acessível. As áreas e regiões já definidas acima como prioritárias para inventários biológicos. • Florestas Semidecíduas: Trata-se de uma das formações mais ameaçadas no domínio do Cerrado e praticamente não há Ucs contendo porções significativas deste tipo de formação. dos Guimarães (MT). • PARNA Emas.diversidade e conservação Unidades de conservação e a proteção da fauna de mamíferos. • Pantanal: é necessário criar mais unidades de conservação no Pantanal pois há poucas UCs na região e são absolutamente insuficientes para abrigar e proteger a diversidade de espécies e habitats regional. as áreas a seguir também necessitam de mais e melhores atenções no que diz respeito a conservação da fauna de mamíferos. Pádua 1992). • PARNA Grande Sertão Veredas: Única UC na grande área entre o Espigão Mestre e a calha do São Francisco. o Cerrado tem apenas cerca de 1% de sua área representada em Unidades de Conservação federais (Dias 1990. • Chapadas Diamantina (BA).

1899) Philander opossum (Linnaeus 1758) Thylamys pusilla (Desmarest. 1758) Tamandua tetradactyla (Linnaeus. 1818) Caluromys philander (Linnaeus. 1904) Ce Ce Pa Pa X Ce Monodelphis brevicaudata (Erxleben. 1758) Euphractus sexcintus (Linnaeus.Tabela 2. 1844) Metachirus nudicaudatus (Desmarest.1905) Monodelphis americana (Muller. 1825) Ce Ce Pa Pa Família BRADYPODIDAE Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família DASYPODIDAE Cabassous chacoensis (Wetzel. 1758 Ce Micoureus constantiae (Thomas. 1758) Marmosops noctivagus (Tschudi. 1758) Bradypus variegatus (Schinz. 1758) Ce Ce Ce Ce Ce 308 . 1777) Ce Ce Ce Pa X Ce Ordem Xenarthra (=Edentata) Família MYRMECOPHAGIDAE Myrmecophaga tridactyla (Linnaeus. 1842) Monodelphis domestica (Wagner. 1780) Didelphis albiventris Lund. 1804) Marmosa murina (Linnaeus. 1842) Monodelphis kunzi (Pine.1975) Monodelphis rubida (Thomas. incluindo localidade (Cerrado ou Pantanal) e status (endêmica ou ameaçada de extinção) Táxon Localidade Status Ordem Didelphimorphia Família DIDELPHIDAE Caluromys lanatus (Olfers. 1980) Cabassous tatouay (Desmarest. 1804) Cabassous unicinctus (Linnaeus. Checklist das espécies de mamíferos do Cerrado e Pantanal. 1854) Lutreolina crassicaudata (Desmarest. 1758) Dasypus septemcinctus (Linnaeus. 1804) Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Didelphis marsupialis Linnaeus. 1817) Micoureus demerarae (Thomas. 1840 Gracilinanus agilis (Burmeister. 1758) Chironectes minimus (Zimmermann. 1776) Monodelphis dimidiata (Wagner. 1758) Dasypus novemcinctus (Linnaeus.

1856) Artibeus concolor (Peters. 1958) Choeroniscus minor (Peters. al. 1829) Noctilio albiventris (Desmarest. 1843) Pteronotus personatus (Wagner. 1983) 309 Ce Ce Familia NOCTILIONIDAE Família MORMOOPIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família PHYLLOSTOMIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa X Ce Ce . 1792) Tolypeutes matacus (Desmarest. 1838) Saccopterix leptura (Schreber. 1823) Carollia brevicauda (Schinz. 1823) Glossophaga soricina (Pallas. 1818) Noctilio leporinus (Linnaeus. 1810) Diaemus youngi (Jentink. 1865) Artibeus jamaicensis (Leach. Geoffroy. 1774) Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Ce Centronycteris maximiliani (Fischer.diversidade e conservação Tabela 2 (continuação) Táxon Priodontes maximus (Kerr. 1856) Desmodus rotundus (E. 1821) Carollia perspicillata (Linnaeus. 1843) Rhichonycteris naso (Wied-Neuwied.. 1893) Diphylla ecaudata (Spix. 1821) Artibeus lituratus (Olfers. 1978) Lonchophylla dekeyseri (Taddei et al. 1820) Saccopteryx bilineata (Temminck. 1804) Tolypeutes tricinctus (Linnaeus. 1818) Artibeus planirostris (Spix.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . 1867) Peropteryx macrotis (Wagner. 1758) Pteronotus parnelii (Gray. 1758) Chiroderma villosum Peters. 1818) Anoura geoffroyi (Gray. 1766) Lonchophylla bokermanni (Sazima et. 1860 Chiroderma trinitatum (Goodwin. 1758) Localidade Ce Ce Pa Pa Status X X Ce Ordem Chiroptera Família EMBALLONURIDAE Peropteryx kappleri (Peters. 1838) Artibeus cinereus (Gervais. 1868) Chrotopterus auritus (Peters. 1843) Anoura caudifer (Geoffroy.

1828) Eptesicus brasiliensis (Desmarest. 1959) Tonatia bidens (Spix. 1776) Lasiurus ega (Gervais. 1810) Rhinophylla pumilio (Peters. 1758) Natalus stramineus (Gray. 1842) Micronycteris minuta (Gervais. 1838) Mimon crenulatum (E. 1843) Phyllostomus elongatus (Geoffroy. 1865) Micronycteris megalotis (Gray. 1838) Furipterus horrens (F. 1847) Histiotus velatus (I. 1866) Vampiressa pusilla (Wagner. Geoffroy. 1968) Localidade Ce Ce Pa Pa Status Ce Ce Ce Pa Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pygoderma bilibiatum (Wagner. 1810) Phylloderma stenops (Peters. 1821) Micronycteris behni (Peters. 1863) Macrophylum macrophylum (Schinz. 1866) Tonatia silvícola (d’Orbigny. 1866) Platyrrhinus lineatus (Geoffroy. 1819) Eptesicus diminutus (Osgood. 1865) Phyllostomus discolor (Wagner. Geoffroy. 1823) Tonatia brasiliense (Peters.Tabela 2 (continuação) Táxon Lonchorhina aurita (Tomes. 1856) Mimon benetti (Gray. 1810) Phyllostomus hastatus (Pallas. 1843) Vampyrum spectrum (Linnaeus. 1836) Thrachops cirrhosus (Spix. 1856) Ce Família NATALIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família FURIPTERIDAE Família VESPERTILIONIDAE Ce Lasiurus cinereus (Beauvoir. 1843) Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Uroderma bilobatum (Peters. 1823) Uroderma magnirostrum (Davis. 1915) Eptesicus furinalis (d’Orbigny. 1796) 310 . 1767) Platyrrhinus helleri (Peters. 1824) Lasiurus borealis (Müller. Cuvier. 1810) Sturnira tildae (de la Torre. 1865) Sturnira lilium (Geoffroy.

1854) Molossus ater (Geoffroy.1821) Myoyis riparius (Handley. 1865) Molossops temminckii (Burmeister. 1874) Eumops glaucinus (Wagner.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . 1942) Molossops planirostris (Peters. 1824) Localidade Ce Ce Ce Pa Pa Pa Status Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Família MOLOSSIDAE Ce Ce Ce Ordem Primates Família CALLITHRICHIDAE Callithrix argentata (Linnaeus. 1812) Ce Ce Ce Pa Ce Ce Pa Pa Pa Pa Familia CEBIDAE Aotus infulatus (Kuhl. 1960) Rhogeessa tumida (H. 1840) Promops nasutus (Spix. 1758) Callithrix melanura (Geoffroy in Humboldt. 1815) Lycalopex vetulus (Lund. 1806) Myotis nigricans (Schinz. 1827) Molossops mattogrossensis (Vieira. 1820) Callicebus donacophilus (d’Orbigny. 1771) Callithrix jacchus (Linnaeus. 1823) Tadarida brasiliensis (Geoffroy. 1805) Molossus molossus (Pallas. 1800) Eumops bonariensis (Peters. 1866) Eumops auripendulus (Shaw.diversidade e conservação Tabela 2 (continuação) Táxon Myotis albescens (Geoffroy. 1812) Cebus apella (Linnaeus. 1843) Eumops perotis (Schinz. 1758) Ce Ce Ordem Carnívora Família CANIDAE Cerdocyon thous (Linnaeus. 1842) Ce Ce Ce Pa Pa Pa X 311 . 1836) Callicebus personatus (Geoffroy. 1821) Molossops abrasus (Temminck. 1805) Nyctinomops macrotis (Gray. 1812) Callithrix penicillata (Geoffroy in Humboldt. 1766) Chrysocyon brachyurus (Illiger. 1812) Alouatta caraya (Humboldt. 1766) Nyctinomops aurispinosus (Peale. 1848) Nyctinomops laticaudatus (Geoffroy. Allen.

1844) Panthera onca (Linnaeus. 1771) Localidade Ce Pa Status X X Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Pa Familia PROCYONIDAE Ce Família MUSTELIDAE X X Família FELIDAE X X X X X X Ordem Cetácea Família DELPHINIDAE Sotalia fluviatilis (Gervais & Deville. 1766) Potos flavus (Schreber. 1815) Mazama americana (Erxleben. 1817) Ce Ce Família PLATANISTIDAE Ordem Perissodactyla Familia TAPIRIDAE Tapirus terrestris (Linnaeus. 1758) Galictis cuja (Molina. 1774) Procyon cancrivorus (Cuvier. 1883) Nasua nasua (Linnaeus. 1788) Herpailurus yaguaroundi (Lacépède. 1821) Oncifelis colocolo (Molina. 1758) Leopardus tigrinus (Schreber. 1782) Galictis vittata (Schreber. 1853) Inia geoffrensis (de Blainville. 1758) Tayassu pecari (Link. 1776) Lontra longicaudis (Olfers. 1798) Conepatus semistriatus (Boddaert. 1777) Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa X Família CERVIDAE 312 . 1809) Leopardus pardalis (Linnaeus. 1784) Eira barbara (Linnaeus. 1795) Blastoceros dichotomus (Illiger. 1818) Pteronura brasiliensis (Gmelin. 1758) Ce Pa Ordem Artiodactyla Familia TAYASSUIDAE Pecari tajacu (Linnaeus. 1775) Leopardus wiedii (Schinz. 1758) Puma concolor (Linnaeus.Tabela 2 (continuação) Táxon Speothos venaticus (Lund. 1810) Oncifelis geoffroy (d´Órbigny & Gervais. 1842) Atelocynus microtis (Sclater.

1887) Bolomys lasiurus (Lund. 1921) Ce Pa X Ce Ce Ce Pa X X X X X Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Ce Pa X Ce Ce Ce Ce Pa Ce Ce Ce Pa Ce Ce Ce Ce X Ce Pa X X Ce Ce Ce 313 . 1901) Pseudoryzomys simplex (Winge. 1814) Calomys tener (Winge.Mastofauna do Cerrado e Pantanal . 1818) Oryzomys lamia (Thomas. 1819) Holochilus sciureus (Wagner. 1842) Juscelinomys candango (Moojen. 1867) Akodon cursor (Winge. 1887) Holochilus brasiliensis (Desmarest. 1887) Kunsia tomentosus (Lichtenstein. 1841) Calomys callosus (Rengger. 1758) Localidade Ce Ce Pa Pa Status X Ordem Rodentia Familia SCIURIDAE Sciurus ignitus (Gray. 1981) Oecomys concolor (Wagner. 1887) Rhipidomys mastacalis (Lund. 1993) Neacomys spinosus (Thomas. 1887) Akodon lindberghi (Hershkovitz. 1901) Oryzomys ratticeps (Hensel. 1842) Oxymycterus roberti (Thomas. 1845) Oligoryzomys flavescens (Waterhouse. 1893) Oligoryzomys eliurus (Wagner. 1845) Oligoryzomys chacoensis (Myers & Chapman. 1965) Kunsia fronto (Winge. 1827) Oecomys bicolor (Tomes. 1830) Microakodontomys transitorius (Hershkovitz. 1882) Nectomys squamipes (Brants. 1916) Oligoryzomys nigripes (Olfers. 1873) Oryzomys subflavus (Wagner. 1990) Bibimys labiosus (Winge. 1840) Pa Familia MURIDAE Ce Ce Pa X Ce Ce Akodon toba (Thomas. 1814) Ozotoceros bezoarticus (Linnaeus.diversidade e conservação Tabela 2 (continuação) Táxon Mazama gouazoupira (Fischer. 1837) Oligoryzomys microtis (Allen. 1818) Oryzomys capito (Olfers. 1830) Calomys laucha (Fischer. 1860) Oecomys cleberi (Locks.

1909) Echymys brasiliensis (Waterhouse. 1990) Thalpomys lasiotis (Thomas. 1814) Isothrix bistriata (Wagner 1845) Proechymys longicaudatus (Hengger. 1758) TOTAL Ce 195 Pa 132 19 17 314 . 1830) Trinomys moojeni (Pessoa. 1820) Hydrochaeris hydrochaeris (Linnaeus. 1821) Coendou prehensilis (Linnaeus.Tabela 2 (continuação) Táxon Thalpomys cerradensis (Hershkovitz. 1848) Carterodon sulcidens (Lund. 1766) Dasyprocta azarae (Lichtenstein. 1831) Kerodon rupestris (Wied. 1916) Wiedomys pyrrhorhinos (Wied-Neuwied. 1842) Ctenomys brasiliensis (Blainville. 1823) Localidade Ce Ce X X Status Ce Ce Pa Família ERETHIZONTIDAE Ce Ce Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Pa Pa X X X Família CAVIIDAE Família HYDROCHAERIDAE Família AGOUTIDAE Família DASYPROCTIDAE Dasyprocta punctata (Gray. Fischer. 1826) Ctenomys nattereri (Wagner. Cuvier. 1841) Clyomys bishopi (Avila-Pires & Wutke 1981) Clyomys laticeps (Thomas. 1758) Sphiggurus spinosus (F. 1992) Trichomys apereoides (Lund. 1777) Galea spixii (Wagler. 1823) Cavia aperea (Erxleben. 1766) Agouti paca (Linnaeus. 1839) Família CTENOMYDAE Ce Ce Ce Ce Ce Família ECHYMYIDAE Ce Pa Pa X X Ce Ce Ce Ce Ce Pa Pa Ordem Lagomorpha Família LEPORIDAE Sylvilagus brasiliensis (Linnaeus. Oliveira & Reis. 1848) Euryzygomatomys spinosus (G.

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319 . As espécies especialistas de hábitats com distribuição restrita. observada em toda a distribuição original do bioma. provoca efeitos sensíveis sobre as densidades populacionais de várias espécies. 16 estão incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção.áreas prioritárias e recomendações para conservação de mamíferos do Cerrado e do Pantanal Como síntese do conhecimento sobre a mastofauna do Cerrado e Pantanal. como os carnívoros. assinalando as espécies endêmicas e aquelas incluídas na lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. é apresentada uma listagem das espécies presentes em cada um destes biomas. garimpo e mineração. podem ser mencionados. A seguir. Por sua extensão. mas igualmente impactantes. também devem receber atenção especial para a sua preservação. como as veredas e florestas semidecíduas. particularmente aquelas de hábitats insulares. bastante sensíveis à redução e fragmentação do hábitat. estão listadas as áreas indicadas para conservação dos mamíferos do Cerrado e Pantanal. apesar de geralmente ocorrer em pequena escala.Mastofauna do Cerrado e Pantanal .diversidade e conservação Síntese dos grupos temáticos . Os ungulados têm sido alvo intenso de caça. e no Pantanal. como onças no Pantanal. como a construção de usinas hidroelétricas. foram identificadas 132 espécies e duas endêmicas (Tabela 2). A erosão em larga escala no topo e nas bordas dos chapadões em torno do Pantanal vem provocando assoreamentos de importantes cursos d’água e da bacia de sedimentação e ameaçando o equilíbrio dos ecossistemas da região. As espécies mais vulneráveis aos processos de degradação são as de topo de cadeias tróficas. sendo 18 endêmicas. As espécies de mamíferos com ocorrência no Cerrado totalizam 195. Outros fatores pontuais. A fragmentação de hábitats é uma das principais conseqüências da in- terferência de populações humanas sobre as formações nativas do Cerrado. A conversão de áreas de vegetação natural em lavouras e pastagem.  A caça. tem sido acentuada nas últimas décadas. importância e risco potencial. Das espécies com ocorrência no Cerrado e no Pantanal. o estabelecimento da hidrovia do Paraguai deve receber especial atenção.

1 Ecótono Cerrado / Floresta .Remanescentes de cerrado do Paraná e São Paulo. 18 Borda oeste do Pantanal  19 Rio Negro 20 Foz do Rio Ivinhema 21 P. Inexistência de áreas protegidas com grandes extensões de transição. matas ciliares e extensas áreas de cerrado e campos sazonais.Altitudes entre 800 . 8 Cerradão/Caatinga  9 Ampliação do Parque Nacional de Sete Cidades 10 Criação da REBIO Três Biomas . Áreas inventariadas por expedições científicas em Xavantina e Cachimbo 2 Pantanal do rio das Mortes .Região central do Cerrado.Áreas abertas alagáveis com manchas de cerrado e capões de mata. esta é possivelmente a maior extensão de cerrado sob baixa pressão antrópica. As vertentes das chapadas apresentam matas mesofíficas e afloramentos calcários.Área sob grande pressão antrópica com remanescentes de cerrados. Esta região pode conter elementos de três biomas.Área de transição de cerrado e caatinga na margem leste e floresta de babaçu para oeste. Entretanto. 12 Serra do Cipó . 15 Ponta Sudoeste . e que comporta uma alta diversidade de espécies.1200m. Grandes áreas de floresta decídua.Presença de cerrados e campos de altitude 13 Nova Ponte  14 Parque Nacional Emas e entorno .Cerrados e chapadão ocidental da Bahia. As extensas veredas e cerrados na baixada até o vale do São Francisco também estão incluídas. do Cerrado e entorno . Esta área engloba o topo do Espigão Mestre. ariranha. 7 Chapadões e adjacências do Maranhão.000 ha) que deve incluir também carrascos e grameais.Altitude abaixo de 500 m. A maior parte das espécies endêmicas de cerrado ocorrem na região.Fauna de mamíferos de médio e grande porte exuberante e local acessível. veado e outros 3 Rio das Almas . Ocorrência de cerrados e cerradões 16 Pantanal do rio Paraguaizinho  17 Alto Guaporé . A conservação e o manejo da biodiversidade nestas áreas é um desafio complexo. Região de chapadões com matas estacionais. 22 Chapadão dos Parecis .Ocorrência de planaltos e planícies. que vêm sofrendo fragmentação acentuada pela ação antrópica. Existem indícios de boas populações de espécies ameaçadas de extinção como o cervo do pantanal. que ainda requer conhecimento básico sobre a distribuição e abundância das espécies. na região de São Domingos. Alta a média pressão antrópica. Parte ao norte com floresta estacional e estacional decidual.Zona de contato entre cerrados e florestas na serra do Roncador. Ocorrência de florestas semidecíduas e da maior província cavernária da América do Sul. Presença de grande malha viária 4 DF e entorno . 1. 11 Paracatu/Três Marias . Hábitats fluvio-lacustres. hoje sob forte pressão antrópica relacionada à expansão da fronteira agrícola. Localidades tipo de várias espécies e ocorrência de espécies insuficientemente conhecidas. Tocantins e Piauí. Inexistência de unidades de conservação protegendo os tipos especiais de habitas ocorrentes no chapadão. Área com forte pressão antrópica. Área de interesse biológico com alta diversidade de espécies em região ainda preservada. 23 Serra da Bodoquena  24 Alto Paraná  25 Coromandel 26 Transição para o chaco  320 . Estas áreas correm o risco de ser fortemente degradadas pela agricultura irrigada. Área de provável biodiversidade elevada e endemismos. formada principalmente por formações mais abertas de cerrado e matas de galeria. 5 Vale do Paranã  6 Grande Sertão .000. Nestas baixadas indica-se uma unidade de conservação de grande porte (ca. pela criação de novas áreas urbanas.E. matas de galeria e matas semidecíduas.Cerrados abertos sobre solos arenosos e latossolos em contato com florestas.

diversidade e conservação Áreas Prioritárias para conservação de mamíferos Figura 1 .Mastofauna do Cerrado e Pantanal .Áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade de mamíferos no Cerrado e Pantanal 321 .

322 .

Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Fatores de Pressão e Vulnerabilidade 323 Parte II .

324 .

Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Fatores abióticos: solos 325 .

Participantes do grupo de trabalho Eduardo Assad (coordenador) Alfredo da Costa Pereira Junior (consultor) José Eduardo Mantovani João dos Santos Vila da Silva Ricardo José Calembo Marra 326 .

a quantidade de informações sobre adiversidade do Cerrado e do Pantanal é insuficiente. O conhecimento científico sobre aves também é deficiente. grandes vazios de conhecimento científico na regiaão de dominio do Cerrado e do Pantanal.Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Conhecimento Científico Eduardo Assad Introdução Na avaliação de vários grupos temáticos. sendo que cerca de 70% da região nunca tiveram sua avifauna estudada de forma adequada. Como ainda a maior parte do bioma é inadequadamente inventaridade do ponto de vista cientifico. quandosão alvos de programas intensivos de coletas. A Figura 1 indica as áreas inventaridas para os diversos grupos temáticos. cobrindo probremente todas as variedades de habitats do bioma. considerando a grande extensão territorial do Cerrado e a crescente taxa de de destruição do habitat natural. Figura 1 . Nestas regiões. é de se esperar que continuem sendo descritas novas espécied e expandidas as distribuições conhecidas da fauna e da flora. Observam-se algumas regiões em que os esforços de pesquisas são mais concentrados e. áreas consideradas minimamente amostradas tiveram um esforço igual ou maior a 80 espéices coletadas ou 100 espéices de aves registradas visualmente. As coletadas já realizadas tendem a se concentrar ao longo das estradas e em torno dos grandes centros. Nesta análise. há necessidade de realização de levantamentos. De acordo com os levantamentos realizados. é surpreendente que este seja o bioma brasileiro menos conhecido do ponto de vista da herpetofauna. Mesmo as espécies comuns são prbremnte representadas em coleções cientificas e muitas regiões do Cerrado ainda permanecem enxploradas. cerca de 97% das localidades estudas foram pouco amostradas para o grupo de lagartos. Esse panorama é ainda mais críticos para os anfíbios e provavelemnte para as serpentes. destacando-se a carência de informações no estado de Tocantins e da Bahia. Praticamente em todos os estados existem lacunas no conhecimento botânico de variadas extensões.Áreas inventariadas para diversos grupos temáticos 327 . ao mesmo tempo. o esforço de coleta para flora também não é geograficamente eqüitativa no Cerrado. Infelizmente. Para répteis e anfíbios. bem como em reservas e parques nacionais.

Nesta mesma categoria. portanto. num primeiro momento sem ponderação ou pesos. A classe mais importante na análise revelou-se aquela que combina as características de solo do tipo Latossolo Vermelho-Escuro. foram selecionados quatro classes dos solos predominantes nos cerrados a saber:Latossolos Vermelho-Escuro. foram utilizadas as informações referentes a tipos de solos (quatro). O cruzamento destas informações gerou 48 classes homogêneas de meio físico.Amarelos e os Latossolos Amarelos e Areias quartzosas. que oscilam entre três a sete meses. Com esta classificação. representando em torno de 132 milhões de hectares. Estas quatro classes representam mais de 65% dos tipos de solos da região (Goedert. restando. para identificação e localização das áreas com alto potencial em termos de biodiversidade. posteriormente a precipitação pluviométrica e finalmente a altitude.Fatores abióticos: Solos Identificação e localização das áreas Para identificação das áreas prioritárias para preservação. Em se tratando de 36 classes deve-se hierarquizá-las considerando o grau de antropização. predominantes nos cerrados brasileiros. 36 classes listadas na tabela acima. Latossolos Vermelhos. As classes de precipitação pluviométrica foram selecionadas dentro de uma faixa de variação de 10001600mm/ano. Pôr prioridade. devido a escala de trabalho. precipitação e altitude. Na Tabela 2 são apresentadas as 36 classes que respeitaram as condições de cruzamento. Classes de solos. onde 12 classes não possuíam áreas significativas em valores absolutos (>1000ha). além da média pluviomé­trica anual. precipitação com 1400-1600mm/ano e altitude entre 300-600m. indiretamente. Alguns locais com mais de 1200m de altitude foram desconsiderados. classes de precipitação pluviométrica e altitude (Tabela 1). e estabelecer o mais rapidamente possível os limites das áreas de Unidades de Conservação que tenham as características das classes predominantes estabelecidas neste estudo. a duração dos períodos secos. Tabela 1. A operação de cruzamento limitou-se a cruzar as informações do Solo S com a precipitação P e com a altitude A. o primeiro parâmetro considerado foi o solo. Assim. estes três indicadores foram cruzados. entre eles a classe que desponta como mais importante. 1986) . precipitação com 1400-1600mm/ano e altitude com 600-900m. Surgem alguns aspectos. No caso dos solos. pode-se obter.As classes de altitude variam de 0-1200m. aparecem os solos tipo Latossolo Vermelho-Escuro. Solos Precipitação (mm) Altitude (m) 0-300 600-900 900-1200 LV 1000–1200 LA 1400–1600 AQ LE 1200–1400 300-600 328 .

400 C13 2. Resultado do cruzamento dos três parâmetros da Tabela 1.600 C20 640.600 C19 3.800 C24 2.400 C25 C26 C27 C28 C29 C30 C31 C32 C33 C34 268.282.000 300-600 LV 300-600 1400-1600 300-600 C12 4.800 C15 4.236.200 C14 2.800 C21 2.600 C23 3.600 C18 2.962.Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Tabela 2.667.600 C10 C11 6.400 C3 C5 511.937.000 C17 2.400 300-600 LE 300-600 1400-1600 300-600 300-600 LA 300-600 1200-1400 600-900 900-1200 0-300 1400-1600 300-600 600-900 329 .597.200 C9 1.200 C35 68.427.200 630.800 C6 1.600 C2 302.400 C7 1.000 C16 162. Solos Precipitação(mm) Altitude(m) 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 C Área(ha) 1000-1200 1200-1400 1000-1200 1200-1400 1000-1200 C1 3.600 C8 265.600 7.880.560.348.374.377.893.000 C4 1.369.113.200 C22 4.406.

chuva e altitude.400 300-600 AQ 300-600 1400-1600 300-600 Na Figura 1 são ilustradas as 36 classes resultantes do cruzamento e áreas em branco. Estas áreas em branco são aquelas que não respeitaram a nenhuma das condições de cruzamento.161.200 C39 1.600 C40 C41 1.600 C44 104. 330 . não seriam consideradas como aptas para demarcação possível de reservas.800 C47 C48 968. limitantes nas hipóteses iniciais.701.545. Porém. caso sejam utilizadas informações espaciais mais precisas.400 C45 1.452. Um refinamento posterior é desejável.344.600 C43 1. Figura 1: Mapa da distribuição das 36 classes de solo nos Biomas Cerrado e Pantanal.000 C46 3. caso a área não tivesse as características de solo.000 C38 2. os limites são razoáveis.Fatores abióticos: Solos 1000-1200 1200-1400 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 0-300 600-900 900-1200 C36 C37 1.333.659. ou seja. na escala de trabalho em que foi realizado o estudo.313.600 C42 3. Esta hipótese pode ser questionável.

respeitandose as limitações de escala. indiretamente. Ramalho Filho. Alguns locais com mais de 1. como áreas aptas para reservas. os Latossolos Vermelho-Amarelo e os Latossolos Amarelos e Areias Quartzosas. Goedert. devem ser consideradas como prioritárias para a criação de unidades de conservação. E. deve levar em conta o grau de antropização. O primeiro nível corresponde a classe onde predomina o Latossolo Vermelho-Amarelo.200 metros de altitude foram desconsiderados. Neste caso sugere-se que sejam prioritariamente selecionadas aquelas áreas onde a antropização é mais acentuada. na medida em que tenhamos mais detalhamento das informações de solos. 423p. K. portanto devem ser consideradas como áreas aptas para UCs. do clima e da altitude. como é o caso do Triângulo Mineiro e o sudoeste de São Paulo. 1986.Conhecimento Científico nos Biomas Cerrado e Panatanal Entretanto é importante salientar que as classes obtidas vão de encontro aos estudos anteriores de aptidão de áreas para reservas (Ramalho Filho & Beek 1995). A identificação das áreas prioritárias para preservação segundo os fatores abióticos utilizou as informações referentes aos tipos de solos. Sistema de avaliação da aptidão agrícola das terras. As classes de precipitação pluviométrica foram selecionadas dentro de uma faixa de variação de 1. Tecnologias e estratégias de manejo. devido à escala de trabalho.000 ha. além da média pluviométrica anual. 65p. No segundo predomina o Latossolo VermelhoEscuro. Referências bibliográficas Assad. que consideravam somente as áreas inaptas para agricultura. No terceiro nível predomina o Latossolo Amarelo.Foram selecionadas quatro classes dos solos predominantes nos cerrados. Com essa classificação.600 mm/ano. 1994. como é o caso do Triângulo Mineiro e do sudoeste de São Paulo. & Beek. defende-se que as áreas com alto potencial de biodiversidade. Estas classes representam mais de 65% dos tipos de solos da região. que oscilam entre três a sete meses. O procedimento para aprimorar a seleção das áreas deve levar em conta o grau de antropização. 1995. Brasília: Embrapa/SPI. Rio de Janeiro: Embrapa/CNPS. Planaltina-São Paulo: Embrapa/CPAC-Nobel. As unidades foram agrupadas em quatro classes no mapa.200 metros. Outros refinamentos podem ser feitos.W. pode-se também obter. que consideravam somente as áreas inaptas para agricultura como apropriadas para tal fim. 420 p. a duração dos períodos secos. As classes de altitude variam de 0 metros até 1. E finalmente no quarto nível predominam as Areias Quartzosas. considerando o solo como principal elemento. Solos dos Cerrados. Essa abordagem revela a grande diversidade de ambientes existentes no Cerrado e que se reflete na riqueza biológica da região. Chuvas nos Cerrados: Análise e espacialização. Atualmente. A hipótese utilizada atualmente é que todas as áreas têm alto potencial de biodiversidade. 3ª edição. com área acima de 1.000 mm/ano até 1. às classes de precipitação pluviométrica e altitude. devido a diversidade de ambientes. Neste caso sugere-se que sejam prioritariamente selecionadas aquelas áreas mais antropizadas. os Latossolos Vermelho-Escuro. A. abrangendo 132 milhões de hectares. 331 . É importante salientar que a variedade de classes obtida contraria alguns estudos anteriores para o estabelecimento de unidades de conservação. gerando 36 classes homogêneas de meio físico. O procedimento para aprimorar a seleção das áreas. A indicação e a localização das áreas com alto potencial em termos de biodiversidade foram obtidas por meio do cruzamento desses três indicadores.

332 .

Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Aspectos Sócio-Econômicos e Políticas Públicas 333 .

Chaves Sérgio Henrique Guimarães Vanderlei Pereira de Castro Washington Novaes 334 . Roberto Engel Aduan Sérgio A.Participantes do grupo de trabalho Donald Sawyer (coordenador) Adriana Gonçalves Moreira Adriana Ramos Alcides Faria Bruno Pagnoccheschi Dalmo Marcelo Albuquerque Lima Edimilson Avelino da Silva Fernando Paiva Scardua Frei Rodrigo de Castro Amédee Pért Gabriel de Lima Ferreira Jean-François Timmers Jozeneida Lúcia Pimenta de Aguiar Laura Maria Goulart Duarte Luiz Beltrão Gomes de Souza Luiz Cavalcanti Cunha Bahiana Maria Cecília Wey de Brito Maria Clara Couto Soares Marcelo Resende de Souza Marco van der Ree Mauro Mendonça Magliano Mauro Oliveira Pires Moacyr Mendonça Bittencourt Jr. de M.

 Fatores de aceleração dos processos degradadores (infra-estrutura de transporte e energia). Todos os cartogramas seguem anexados em formato magnético. regionais e nacionais. A unidade cartográfica utilizada é o município. Este sistema é capaz de gerar cartogramas. ii. acesso e uso de recursos naturais e biodiversidade. Fatores limitantes (água e energia). Fruticultura irrigada e agricultura irrigada. iv. foram utilizados os seguintes pressupostos: i. nem o Estado de São Paulo. Para a definição de área prioritárias para Conservação do Cerrado. A organização dos dados de sócio­economia na região do Cerrado e Pantanal. População e Natureza mediante cooperação técnica com a França. Entrada de agrobusiness (avicultura e suinocultura) e aumento da demanda de água. que subsidiassem a realização do Workshop.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal I Desenvolvimento Social e Econômico: pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Donald Sawyer (Organizador) Apresentação Tendo como base os trabalhos de sócio-economia elaborados pelo ISPN e experiências dos participantes do Grupo Temático. iii. b) Impactos econômicos 335 Introdução O relatório entregue ao MMA consolidou o conjunto de atividades desenvolvidas para o diagnóstico sobre temas sociais e econômicos na região do Cerrado e Pantanal. Com relação às informações apresentadas. Os mapas foram gerados a partir do sistema SAMBA-CABRAL. ii. Os valores das variáveis foram agrupadas em escalas de cor ou circunferências. estabelecido entre a Fundação Pró-Natureza (FUNATURA) e o Instituto Sociedade. • Principais espécies nativas de uso econômico. Migração para áreas periféricas de Cerrado devido a projetos agro-industriais. • Impactos econômicos do uso da biodiversidade sobre populações locais. as áreas a serem preservadas e/ou conservadas foram subdivididas. • Estruturas sociais. são apresentados os produtos finais do trabalho. em: i. Compõe-se nas seguintes partes: a) economia e demografia do Cerrado e Pantanal. inicialmente foram elaborados mapas (i. apoiado financeiramente pelo Tesouro Nacional e Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF). Aumento da população em centros urbanos. Áreas Antropizadas. Estes referem-se a: • Economia e Demografia do Cerrado e Pantanal. no presente relatório. Portanto. O diagnóstico integra-se às etapas preparatórias para a Oficina“Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. aqui chamados de mapas. Áreas Prioritárias para Conservação. cartogramas) de dados demográficos e econômicos selecionados referentes ao período recente (a partir de 1980) para todos os municípios que fazem parte da área “core” do Cerrado. conforme seu grau de alteração no presente e futuro. Nesta fase. ficou a cargo da equipe do ISPN. A Oficina é componente do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO). v. O Pantanal foi incluído posteriormente. iii. ii. O sistema inclui dados dos censos demográficos e agropecuários. Foram incluídos todos os municípios que incluem alguma área de Cerrado. Diversificação e verticalização da agricultura de pequenos proprietários. são apontados abaixo alguns fatores e processos que estão pressionando a ocupação dos Cerrados (Figuras 1-5): i. Condicionantes presentes e futuros de pressão. Outras áreas. O relatório foi dividido de forma a visualizar os produtos especificados no Termo de Referência. entre outras fontes não utilizadas no presente trabalho.e. foram produzidos em papel tamanho carta. Para fins metodológicos. iii. Não se incluíram as áreas isoladas de Cerrado. instalado no Instituto Sociedade. que é a única unidade para a qual se dispõe de dados censitários. População e Natureza (ISPN). coordenado pela FUNATURA. atendendo ao referido Termo de Referência. de acordo com o Termo de Referência do Contrato 003/97. . dentro dos limites acima mencionados.

857 127.27 1992 19. 1987.235 149. havia também problemas decorrentes da ausência da malha municipal e da área dos municípios para 1996.288 107.29 71.818 106.34 1990 13.73 70.378.548.109. Economia e demografia do Cerrado e Pantanal A seguir são apresentados os dados referentes a Economia e Demografia na região do Cerrado e Pantanal. Como anexos.00 58.975. 3) listagem dos cartogramas.586 93. Anos Produção de Grãos (t)1 %* Área colhida (há) %* Nº de bovinos2 %* 1985 14. 1986.02 1988 19.608 101. e cálculos da densidade demográfica ou da produção.838 111.62 11. 1991. 1989. n.843 128. d) estruturas sociais.00 57.do uso da biodiversidade sobre populações locais.282 112.681 122.187 117. foram feitos tabelas e cartogramas da extensão municipal (hectares) e densidade (hectares por km2 do município) de pastagens plantadas e nativas a partir do Censo Agropecuário de 1985. 1992.78 1989 22. 1993 e 1994.850 100.45 15.64 1987 17. Economia do Cerrado e Pantanal No que se refere a economia. c) principais espécies vegetais nativas de uso econômico do Cerrado e Pantanal. foram encaminhados os seguintes documentos ou arquivos magnéticos: 1) texto sobre Índice de Pressão Antrópica (IPA).49 1991 18.047.229 100.879 116. 2) texto sobre principais programas e projetos de ocupação e infraestrutura no Cerrado e Pantanal.638.d.790.885 163.547. foram elaborados tabelas e cartogramas da produção municipal (cabeças) e densidade (cabeças por km2 do município) da pecuária bovina a partir do Censo Agrope­cuário de 1985 e da Produção da Pecuária Municipal (PPM) de 1991 e 1992.769 123.725 115. 1992. 1988. Finalmente.689.05 67.766.309 119. 1991.938 162.126 132.419.583. 64. Produção da Pecuária Municipal. 1990.02 76.00 9. 1993 e 1994.793.37 n. 1989.64 60. é importante de mencionar que na época da elaboração do presente material.838 133.134 109. realizados pelo IBGE. Em primeiro lugar.270.25 * .067.d. apresenta-se a (Tabela 1) que demonstra a produção de grãos e o número de bovinos na área “core” do Cerrado.87 10.496. 336 .580. devido a mudanças na malha municipal. o que dificultou o mapeamento Tabela 1 . em terceiro lugar. 1985.94 1994 23.444.96 1986 16.76 10.Referente a 1985 Fonte: IBGE. 1987.Produção de grãos e número de bovinos na área “core” do Cerrado. 1986.857.357. foi impossível o cálculo de taxas de crescimento demográfico entre 1991 e 1996.342.294 100.75 10. 5) arquivos magnéticos contendo todos os cartogramas gerados.644. foram elaboradas tabelas e cartogramas da produção municipal (toneladas) e densidade (toneladas por km2 do município) das culturas de arroz.440. em segundo lugar.378.70 9. é preciso mencionar as dificuldades de análise decorrentes de algumas restrições derivadas dos dados sobre a região. Produção Agrícola Municipal.463 121.659 105.07 11.65 1993 20.791 110.85 10. 1985.704.54 75. IBGE. milho e soja a partir do Censo Agropecuário de 1985 e Produção Agrícola Municipal (PAM) de 1991 e 1992.322 131. não estavam disponíveis dos dados do Censo Agropecuário de 1996.167. Além disso. regionais e nacionais. acesso e uso de recursos naturais e biodiversidade.130 101.826. 1988. De início.257. A seguir.883. 1990.33 10. 4) Termo de Referência.461 137.

sabiá. • Produção da Extração Vegetal (1985) angico. • grau de urbanização em 1980. mudas e outros produtos. 1991 e 1996. com maior produtividade. ipeca­cuanha. urbana e rural em 1980. ipê. O mapa do arroz em 1992 demonstra padrão igual. barbatimão. A produção de milho em 1991 estava concentrada em regiões e ocupação mais antiga. haja vista que a densidade de bovinos em áreas de Cerrado é baixa. foram feitas tabelas de dados municipais dos Censos Demográficos de 1980 e 1991 e da Contagem Populacional de 1996. sementes. ipê. é importante registrar algumas observações sobre a disponibilidade ou não dos dados demográficos. porém com algumas mudanças nos municípios do eixo Oeste. • densidade da população rural em 1980. o que impede a elaboração dos cartogramas para aquele ano. barbatimão. resinas. toras. pinus americano. pinus americano. assim como cartogramas para 1980 e 1991. carnaúba. carnaúba. mudas e outros produtos. ipê. moirões. 1991 e 1996. sabia. Um mapa de densidade de bovinos provavelmente mostraria valores elevados entre os municípios pequenos do sul de Minas.25%. ipecacuanha. ceras. eucalipto. toras. Sudoeste de Goiás e Triângulo Mineiro. período em que foi implantado o Plano Collor. por outro lado. carvão vegetal. moirões. 1991 e 1993 para a área “core” do Cerrado. lenha. Os bovinos em 1985 estavam concentrados em Mato Grosso do Sul. lenha. 1991 e 1996. mangaba. ipecacuanha. seguida de uma diminuição em 1990. O milho em 1992 demonstrou padrão semelhante a 1991. Em 1992. Demografia do Cerrado e Pantanal Com relação à demografia. com um aumento 32. estacas. seguem em anexo no formato magnético. a produção de soja em 1992 revela padrão praticamente idêntico a 1991. moirões.07% em um período de 9 anos. buriti. especialmente em Minas Gerais. milho. feijão. mangaba. Também foram entregues as bases cartográficas para os anos de 1985. vigas. Em terceiro. buriti. com algum crescimento em regiões de fronteira em Mato Grosso e no Oeste da Bahia (Figura 2). • Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (1993) angico. • Produção Agrícola Municipal (1985 a 1994) arroz. buriti. que neste mesmo período teve um acréscimo de 19. milho. deve ser calculada a produção por km2. Apesar disso. os dados da Contagem Populacional de 1996 foram obtidos no IBGE no dia 21 de agosto em forma publicada e em CD-ROM. postes. A produção de soja em 1991 estava concentrada em partes específicas do Cerrado. pinus americano � (Figura 3). Já os dados seguintes foram entregues em disquete no formato ASC II para a Fundação Biodiversitas. cana-deaçúcar e café. vigas. Essas informações. Este ganho deve-se ao aumento das variedades cultivadas. a um aumento do nível tecnológico empregado pelos agricultores e a uma melhoria da mão-de-obra. toras. sabiá (Figura 4). sementes. ou mesmo em pontos específicos. sementes. Em primeiro lugar.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Como pode ser observado na referida tabela. 1991 e 1996. soja. Em segundo. o extensivo. A produção de arroz em 1991 demonstra padrões diferenciados de arroz de fronteira e de arroz mecanizado. A criação de bovinos. feijão. • taxas de crescimento da população total entre 1980 e 1991. angico. carnaúba. ceras. mandioca. vigas. 337 • Produção da Pecuária Municipal (1985 a 1994) número de bovinos. porém com decréscimo no Nordeste e aumento no eixo Oeste. postes. vem crescendo anualmente. eucalipto. postes. soja. não será possível calcular as taxas de crescimento entre 1991 e 1996 enquanto o IBGE não fornecer a população em 1991 dos municípios existentes em 1996. cana-de-açúcar e café. barba­timão. • Censo Agropecuário de 1985 arroz. a produção de grãos na área “core” do Cerrado aumentou 62. Uma vez que o valor depende da extensão do município. mangaba. além de outros pontos isolados.96% na sua produção. carvão vegetal. lenha. • densidade da população total em 1980. estacas. mudas e outros produtos. O aumento da produção de grãos não se deve exclusivamente a abertura de fronteiras agrícolas. estacas. das seguintes variáveis demográficas: • população total. resinas. eucalipto (Figura 5). resinas. dado o tipo de criação adotado. É provável que este tipo de atividade pressione o desmatamento e a abertura de novas áreas. com alguns pontos na fronteira. mandioca. O mesmo foi feito para dados das microrre­giões homogêneas (MRH) de 1980 e das microrregiões ge- . na forma de cartogramas. não se dispõe ainda da malha municipal para 1996. ceras. carvão vegetal.

esse aumento populacional vai ocorrer preferencialmente em áreas urbanas e periurbanas.06 10.101. Tabela 2 .62 7.00 19.226.08 5.056 13. Por outro lado.317.76 2.638 7. mulheres Taxa crescimento (%) Grau de Urbanização (%) 47.164 12.404.091.57 17.350 20. quase que duplicou nos últimos 26 anos.216.91 5. Devido aos programas de governo previstos é possível que haja um crescimento populacional na região.701.01 * Para o cálculo da densidade populacional.36 %. no formato magnético.870 63.919 10.99 2. pode-se observar que esta área apresenta aproximadamente 20% da população rural do Brasil e o aumento populacional registrado neste período vem se transferindo na sua maior parte para a área urbana.77 18.220 26.550. devido a migração ou êxodo rural. Em 1996.121 Razão de Sexo 1 1. 3.241.99 2.643 ——- 3.431 10. o ritmo de crescimento mostrou uma queda brusca nos últimos 5 anos.21 16.em 1991.672. No período de 1970 a 1980.582 18.38%. Para 1996. entretanto. a taxa de crescimento na área “core” do Cerrado é superior a registrada para o Brasil.568 km2 ./km2)* 2 8.57 Crescimento Absoluto N. adotou-se a área da região “core” do Cerrado como sendo de 2.95 ——- 7. 2.238 28.64 17.036. No período de 1991 a 1996.784 5.107. aproximando-se do grau de urbanização de 78.Dados populacionais para a área “core” do Cerrado.018 2.002 0.947 7. 338 .563 6.403 13.95 7.58 Densidade População Rural (hab. menor que a registrada para o país.549. podemos observar que esta ainda é uma área com baixa densidade populacional. Abaixo. homens N.188 14. Fonte: IBGE.675 21.645. Apesar de a área “core” dos municípios do Cerrado corresponder a aproximadamente 1/3 do território brasileiro. Variáveis Anos 1970 1980 1991 1996 População Total 15.551 72. 1.109.44 % da População Urbana na participação nacional 14.739.933.10 2.789 % da População Total na participação nacional 16.91 10. Os respectivos cartogramas seguem em anexo.005 % da População Rural na participação nacional 19.99 1./km )* 3. de 1. 1970. registrado para o Brasil em 1996. no mesmo ano. conforme pode ser observado na (Tabela 2).54 76.57 20. 1991 e 1996.167.441.750.05 17. O grau de urbanização também teve um aumento relativamente alto. apresenta-se a (Tabela 2).02 População Rural População Urbana Densidade Populacional (hab.036 0. 1980.443.050 14.753 7.09 20.992.594. No período de 1980 a 1991. A população total na área “core” do Cerrado. contendo informações sobre a população na área “core” do Cerrado. porém este deverá ser circunscrito a algumas localidades.46 17. De qualquer forma. não se dispõe da divisão dos municípios segundo MRG.ográficas (MRG) de 1991.994.

no centro da Bahia. Contudo. ou seja. Com o intuito de subsidiar a realização da Oficina “Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”.959 habitantes). 339 O cuidado que deve ser tomado com a interpretação de taxas de crescimento refere-se a bases iniciais de tamanho muito diferenciado. Rondônia e Tocantins. As maiores populações urbanas (acima de 47.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal A população total em 1980 (dos municípios existentes em 1991) estava distribuída de forma bastante desigual. Por outro lado. uma vez que os valores apresentados não sofrem influência da extensão territorial. Em 1991. ferroviária e hidroviária) e de energia (energia elétrica. em séculos passados ou quando da expansão da fronteira agrícola no período de pós-guerra. é importante examinar fluxos. As populações municipais menores encontravam-se principalmente nas partes Oeste e central.704 habitantes urbanos que não esteja adjacente a pelo menos um município com população urbana maior que 4. Esta distribuição mostra concentração populacional maior em áreas de ocupação antiga. e em grau menor no extremo Norte. em anexo. a população total de 1991 menos a população total de 1980. no Maranhão e em Piauí. concentrando-se na parte Sul da região. Há que se tomar algum cuidado com o fato de que as populações municipais em áreas que concentram municípios com territórios pequenos. Por causa deste efeito do tamanho territorial. ao longo da Belém-Brasília e em parte do Piauí e do Maranhão. o padrão espacial da distribuição da população municipal total não se modificou muito. Portanto. Impactos econômicos do uso da biodiversidade sobre populações locais. ou seja. Em 1980. A densidade demográfica em 1991 permaneceu muito semelhante a 1980. o crescimento populacional. Infelizmente. o que significa cidades médias ou grandes. seria preferível examinar a densidade da população rural. estão localizadas nas regiões mais desenvolvidas. como nos casos do Sul de Minas e do Mato Grosso de Goiás. simplesmente porque o denominador era muito reduzido. porque não se dispõe da população urbana e rural em 1980 dos municípios existentes em 1991. permanecendo muito semelhante à distribuição em 1980. não há praticamente nenhum município com menos de 4. As taxas médias anuais de crescimento populacional entre 1980 e 1991 mostram crescimento mais acelerado no eixo Oeste e no Nordeste de Mato Grosso. os dados disponíveis não permitem separar o crescimento urbano do rural.704. houve crescimento negativo em muitos municípios de densidade mais elevada. com alguns outros bolsões menores. em Mato Grosso. No entanto. Uma vez que a população rural depende muito da extensão territorial do município. O mapa reflete um padrão praticamente idêntico ao mapa de taxas de crescimento. Por outro lado. a população rural é maior nas regiões menos dinâmicas (emigração) e nas mais dinâmicas (imigração). o Pantanal também tem enfrentado problemas concernentes principalmente a grandes projetos de ocupação. Além de estoques populacionais. Municípios que em 1980 possuíam populações pequenas poderiam ter taxas muito elevadas. As informações coletadas durante o levantamento encontram-se disponíveis no texto intitulado “Principais programas e projetos de ocupação e infraestrutura no Cerrado e Pantanal”. De modo geral. com muitas taxas superiores a 5% ao ano.770 habitantes em 1980 passou a ter mais de 4. não há nenhuma extensão grande de Cerrado distante mais de 200 km. o que indica imigração. inclusive acima de 10% ao ano. realizou-se um levantamento e mapeamento de projetos de infra-estrutura existentes ou previstos para a área do Cerrado e Pantanal. seria importante examinar a densidade demográfica (habitantes por km2). O levantamento incluiu o “Brasil em Ação”. devido a expansão da fronteira agrícola ao longo da BR-364 e adjacências. especialmente em Minas Gerais. alguns municípios com extensão territorial grande podiam possuir populações maiores em função do tamanho territorial maior. no centro de Goiás. A densidade populacional (habitantes por km2) demonstra um padrão mais diferenciado que o padrão acima observado. Embora mais recente. Os dados do Censo Demográfico de 1991 permitem examinar separadamente a população urbana e a rural quanto a tamanho e densidade. A maior parte dos municípios que tinham menos de 4. observando-se contudo algum crescimento no eixo Oeste. gasoduto).770 em 1991. elaborou-se um mapa de crescimento absoluto. regionais e nacionais A região do Cerrado tem enfrentado nas últimas décadas uma grande a pressão proveniente da expansão da fronteira agrícola no país.213 habitantes. Com exceção do Nordeste do Mato Grosso e Sul do Piauí. observa-se crescimento demográfico generalizado. podiam ser pequenas por causa deste tamanho reduzido. as maiores densidades ocorriam no Sul de Minas. de um município com mais de 11. tais como instalação de hidrovias ou projetos de produção de soja em larga escala. a malha viária (rodoviária asfaltada. bem como .

jatobá. mangaba. Foram extraídas informações sobre todos os municípios contemplando as seguintes espécies: extração vegetal de carnaúba. produtores. toras. Por exemplo. o que sinaliza a possibilidade de adensamento da sua extração em algumas áreas. comercialização. babaçu. sendo que a exploração de lenha e carvão vegetal ocorre com maior intensidade nos municípios de Minas Gerais e nas regiões vizinhas. É relevante registrar ainda que nos dados da PEVS há a estranha ausência de produção de pequi nos Estados de Tocantins e Goiás. que entre 1973 e 1985 denominava-se Produção da Extração Vegetal (PEV) mas que recentemente passou a incluir a silvicultura. Conforme salientam Sawyer. Para o presente trabalho. Isto se deve à existência de indústrias siderúrgicas e metalúrgicas que consomem este tipo de produto em seus alto-fornos. o que se verifica nas fontes de dados sobre o extrativismo vegetal “é que os dados são divulgados com alguns anos de atraso. pequi. e os planos do governo federal de expansão da a´rea de produção agrícola e esmagamento de grãos. pode-se observar que este último apresenta problemas de amostragem. O pequi apresentou. pinus. Ree e Pires (1997). devendo ser examinadas as seguintes possibilidades: i) deslocamento devido ao esgotamento resultante da sobreexploração desta cultura observado a partir de 1985. borracha. palmito. No que se refere à silvicultura. postes de madeira. Sawyer. Além desses.o mapeamento de projetos agrícolas e agroindustriais. 1997:5). ii) por pressões por parte dos órgãos ambientais que forçaram mudanças de postura por parte das empresas ou pessoas envolvidas com sua exploração. castanha do Pará. Quando se analisa os dados provenientes do Censo Agropecuário de 1985 e os dados da PEV de 1985. carvão vegetal. que a extração de produtos madeireiros ocorre em toda a área. desde 1993. os problemas de dados referentes à produção extrativa são mais graves do que. castanha de caju. a PEVS está atrasada em . ainda. os problemas de dados referentes à produção agrícola e da pecuária (Sawyer. toras. especialmente na culinária. palanques. aromatizantes e corantes. a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS). Ree e Pires. o PRODECER. A principal fonte é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). industrialização e fiscalização (Cf. entre 1985 e 1993. Ree e Pires. por exemplo. buriti. 340 mangabeira. Pode-se verificar. uma sensível diminuição de sua área explorada. e conseqüente deslocamento para áreas menos fiscalizadas. técnicos e órgãos ligados direta ou indiretamente aos setores da produção. os quais incluem o PADAP. 1997). 1997). Com base nesses levantamentos. As razões desse deslocamento suscitam hipóteses. Contudo. parece não ter havido diminuição proporcional da produção. foi realizado o levantamento de lenha. Neste texto ressaltava-se que. que identifica as principais fontes de dados disponíveis no que concerne às espécies vegetais nativas de importância econômica da região. foram pesquisados o Censo Agropecuário de 1985. a Produção da Extração Vegetal (PEV) de 1985 e a Produção da Extração Vegetal e da Silvicultura (PEVS) de 1993. Principais espécies vegetais nativas de uso econômico Para subsidiar a preparação da Oficina. pupunha e produtos alimentícios. destaca-se que esta apresenta um deslocamento para a parte Norte da área “core” do Cerrado. como acontece em muitos outros casos. os dados sobre extrativismo vegetal no Brasil sofrem de problemas de disponibilidade. casca de angico. realizouse também um levantamento das principais espécies vegetais nativas de uso econômico na região de Cerrado e Pantanal. carvão vegetal. que contam com populações locais que muito apreciam este fruto. Este levantamento apoiou-se em grande parte nas informações contidas no texto “Comercialização de espécies vegetais nativas do Cerrado” (Sawyer. No que se refere à extração vegetal de palmito. pode-se observar que apenas o pequi e o palmito apresentam uma exploração mais ampla ao longo de quase toda a área “core” do Cerrado (dados de 1985). há ainda informações em Produção Agrícola Municipal (PAM) e Produção da Pecuária Municipal (PPM). No entanto. eucalipto. Também foram realizados levantamentos da extração de lenha. A ausência desta informação possivelmente está atrelada a problemas de amostragem ou de metodologia utilizada. palanques e postes de madeira. cascas de taníferas. sabiá e angico. haja vista o número de vazios presentes para as mesmas regiões amostradas no censo agropecuário. As informações destes periódicos não provém de um levantamento feito diretamente junto aos produtores. que publica os Censos Agropecuários (CA). mas de estimativas elaboradas pelo IBGE com base numa rede de informantes que inclui entidades públicas e privadas. vigas. formato e qualidade. vigas. também publicados pelo IBGE. Ree e Pires. o POLOCENTRO.

Para fins de análise. Assim sendo. e locais onde são necessários. tendo um dos componentes a biodiversidade. cujo número chegou a cerca de 80. • A Rede Cerrado de ONGs está em vias de recadastramento de seus membros.080 projetos apresentados ao FUNBIO. as categorias de produtos são muito amplas. Estruturas sociais e acesso a biodiversidade Iniciativas locais relacionadas a biodiversidade Foi feito cartograma de cerca de 345 projetos comunitários sobre uso sustentável da biodiversidade do Cerrado apresentados ao Programa de Pequenos Projetos (PPP) do Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF) em três editais entre 1995 e 1997. estão sendo examinados. que inclui informação atualizada. e ocorrem problemas de classificação e localização. estes problemas são decorrentes da ausência de uma comunidade de usuários preocupada com qualidade e que interaja com os órgãos responsáveis pela coleta e divulgação desses importantes periódicos. inclui um número reduzido de entidades não governamentais no Cerrado (150 entidades) e Pantanal (53 entidades). 341 Áreas indígenas As áreas indígenas serão identificadas pelo Instituto Sócio-Ambiental (ISA). foram plotados os municípios que apresentavam áreas indígenas. Como as fontes muitas das vezes. • Os 1. causando dificuldades na interpretação dos dados. Ao lado disso.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal cinco anos e já se passaram 12 anos desde o último Censo Agropecuário”. Finalmente. • A Ecolista. que dizem respeito especificamente a biodiversidade. que destina recursos para pequenos projetos para a área de cerrado. optouse pela utilização de dados do PPP. não a meio ambiente em geral. • Os projetos apresentados ao Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA) apresentam problemas de classificação. Com a finalidade de levantarmos a demanda reprimida de recursos. é preciso mencionar que os dados sobre extração vegetal são. Além disso. isso ocorre porque não se utiliza o nome científico das espécies. por meio de um projeto do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS) da Universidade de Brasília (UnB). como também iniciativas de proposição de execução de atividades. 1997:7). e o número aprovado no Cerrado e Pantanal é relativamente pequeno. tais como variações abruptas e inexplicáveis de um ano para outro ou descontinuidade espacial” (Sawyer. Pretende-se também analisar os dados do Censo Agropecuário de 1985 que se referem ao número de estabelecimentos com até 50 ha. notam-se inconsistências nos dados. por meio de reagregação dos dados municipais. foram feitas análises de alguns fundos de investimento em projetos de biodiversidade na área do Cerrado (PPP. a informação é bastante atualizada. Pequenos produtores A produção municipal de mandioca e de feijão informada na Produção Agrícola Municipal de 1994 foi utilizada como indicador da presença de pequenos produtores. mas não será possível ter acesso a todos os dados em tempo hábil. haja vista que seus resultados podem enviesar a real dimensão destas áreas quando plotadas no âmbito municipal. Não será possível dentro do escopo do presente projeto fazer a sobreposição de áreas indígenas com a base cartográfica municipal. Os projetos identificados dizem respeito especificamente a biodiversidade. Por outro lado. como no caso de urucum e caju. Este mapa na realidade não pode ser utilizado integralmente. dando uma noção da origem e demanda de recursos financeiros para á área de biodiversidade. Além do PPP. em geral. Neste sentido. Por exemplo. sem especificidade. Em parte. Muitas vezes é impossível separar a produção extrativa da cultivada. e os mesmos foram plotados. mostrou-se desatualizado e não se refere especificamente a biodiversidade. Ree e Pires. o que é possível apenas na PEVS. ou muitas vezes não eram específicas para biodiversidade. que possui base cartográfica própria. . não se restringiam a área do cerrado. utilizado pelo PPP para divulgação dos editais. “a agregação dos dados tabulados por estado nos anuários estatísticos torna difícil a identificação do bioma. FNMA. PROBIO). não se considera a diferença entre palmito doce (de juçara ou açaí) e palmito amargo (guariroba). Representam não só a existência de entidades. foram analisados os projetos apresentados a este Programa. defasados e deficientes. foram consideradas diversas outras fontes possíveis de dados sobre iniciativas locais relacionadas com a biodiversidade: • Um cadastro de cerca de 800 entidades ambientalistas no Cerrado.

Além disso.Níveis de Pressão Antrópica para o Cerrado e Pantanal 342 . Espera-se também que. durante a realização da Oficina. possam servir aos propósitos da Oficina. tais como o número do projetos do PPP.Considerações Finais Espera-se que o conjunto de informações de sócioeconomia aqui consolidado possa ser útil e se adeqüe às atividades preparatórias para a realização da Oficina “Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. Por outro lado que os dados da PEVS mostraram-se deficientes para o objetivo de diagnosticar os usos econômicos de espécies vegetais nativas. os participantes possam apresentar críticas e sugestões que venham a aprofundar o nível de detalhamento necessário para a elaboração de estratégias de conservação do Cerrado e Pantanal. espera-se ainda que a proposta de Índice de Pressão Antrópica e o texto sobre os principais programas e projetos de ocupação do Cerrado e Pantanal sirvam para estimular o debate durante a realização do evento e contribuir concretamente para a elaboração de estratégias e ações em prol da conservação desses dois biomas. Da mesma forma. Figura 1 . a ser realizado no segundo semestre de 1998. espera-se que as sugestões de indicadores aqui apresentados.

Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal A) Pinus 343 .

Área Área Área Área ” 344 .

este texto destina-se a apresentar a elaboração de uma proposta inicial de conceituação e operacionalização de um Índice de Pressão Antrópica (IPA). Ressalta-se que o IPA aqui proposto refere-se a variáveis que podem ser observados em todos os municípios. As pressões diretas podem se dar em dois sentidos. Não se levam em conta projetos ou obras específicas. por sua vez. os recortes de densidade e crescimento seriam outros. de workshops sobre a Amazônia e a Mata Atlântica. Inicialmente. Em outras áreas. Tocantins e São Paulo. o sentido mais comum do termo. que é a entidade responsável pela parte de sócio-economia. ou como depósito de dejetos. como para todos os indicadores. refere-se a pressões sobre o meio ambiente. O IPA foi utilizado para municípios ou agregações de municípios. . consideramos principalmente as pressões antrópicas sobre a diversidade biológica por meio de conversão para uso agropecuário ou extrativismo insustentável. Também existem pressões antrópicas indiretas. contudo. a não ser que estas iniciativas já tenham reflexo nas variáveis demográficas ou econômicas que podem ser observadas no território todo. o IPA resume tendências do passado recente quanto fornecer indicações sobre as prováveis tendências do futuro próximo. a ser utilizado como indicador sintético de pressões econômicas e demográficas sobre o meio ambiente. Esta base municipal cobre a totalidade do território nacional. que também refere-se ao meio ambiente natural. nacional e local. Rondônia. Contudo. Os recursos naturais. podem servir como fonte de matéria ou energia. além de resumir a situação atual. tais como microrregiões. segundo contrato entre a FUNATURA e o ISPN. o IPA também constitui um 345 Base conceitual Conceitos gerais Pressão antrópica define-se do ponto de vista da natureza. As aplicações imediatas e experimentais do IPA foram realizadas no projeto Workshop Cerrado. em contraposição a impactos ambientais.ISPN (Organizador) indicador “precursor” (leading indicator) de tendências futuras. que é o caso do ar. o IPA refere-se evidentemente a pressão. da água e dos solos capazes de absorver a poluição. que afetam os ecossistemas em espaços ou momentos mais abrangentes que as pressões diretas e imediatas. O ISPN participou. fauna ou variáveis tais como qualidade da água. Contudo. como no Sudeste e Sul do Brasil. Assim. Ao mesmo tempo.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal II Índice de Pressão Antrópica (IPA): uma Proposta Metodológica Donald Sawyer . ou seja. Num marco estado-pressão-resposta (statepressure-response). desenvolvidos por meio da cooperação técnica francesa da ORSTOM. Para os fins de estabelecimento de prioridades para conservação. a partir das bases de dados municipais do SAMBA-CABRAL e do SAPOPEMA. entre abrangência ampla e restrita. os recursos hídricos e a capacidade de absorção de poluentes de diversos tipos. Estes impactos teriam que ser observados por meio de levantamentos de dados primários sobre flora. sejam de depleção (extração ou retirada de matéria) ou de poluição (introdução de dejetos). existe certa tensão entre universalidade e particularidade. Os recursos naturais costumam ser divididos em duas categorias. Há que se esclarecer que o IPA. regiões. Os dados a serem utilizados são dos censos demográficos e agropecuários bem como das séries anuais de Produção Agrícola Municipal (PAM). poderá refletir diversos aspectos de estado. utilizado para analisar impactos ambientais. a estas pressões estão estreitamente associadas as pressões sobre o estoque de carbono. também. Introdução Dentro do esforço de implementação prática do conceito de desenvolvimento sustentável. O IPA será utilizado de forma mais abrangente no projeto Base de Indicadores da Dinâmica Espacial Brasileira. resultado de processos passados. tais como alterações de habitat ou introdução de espécies exóticas. bioma em que as densidades são geralmente menores e as taxas de crescimento geralmente maiores do que na média do Brasil. biomas ou áreas menores. o IPA foi desenvolvido para uso no Cerrado. no qual fará outra aplicação do IPA para os Estados do Centro-Oeste. Quanto à dimensão temporal. segundo projeto desenvolvido pelo IPEA e pelo ISPN. O índice pode servir para o Brasil todo. que pode sofrer diversos tipos de pressão decorrente das atividades humanas. Produção da Pecuária Municipal (PPM) e Produção do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS) publicadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O objetivo deste projeto é estabelecer prioridades para conservação da biodiversidade no bioma do Cerrado. As pressões antrópicas também se distinguem conceitual e operacionalmente de vulnera­bilidade ambiental. renováveis e não-renováveis. cons­truído a partir de dados secundários. O ISPN ainda participa do projeto do PRONEX sobre “Migração e Meio Ambiente em São Paulo e no Centro-Oeste”.

representados pelos valores 0. A principal sugestão aqui apresentada em relação ao desenvolvimento de um indicador de pressão antrópica é de combinar as dimensões de estoque e fluxo. Ao mesmo tempo. isto é. De um lado. como por exemplo a avaliação de prioridades de conservação no Nordeste realizada pela Conservation International. no plano mais geral. de população. carvão. pesca. a pressão sobre o ambiente natural pode ser menor que em municípios com territórios pequenos. a densidade ou o tamanho absoluto costumam ser maiores em áreas já degradadas. De outro. existem algumas convergências entre tendências demográficas e econômicas. Além disso. De um lado. o cruzamento entre as duas variáveis gera uma matriz 3 x 3. houve representação cartográfica separada para densidade e crescimento.). Entretanto. indicadores puramente demográficos não refletiriam as pressões sobre os ecossistemas decorrentes da pecuária extensiva ou da produção de soja. dividindo a primeira variável pela área do município em quilômetros quadrados. com diversas situações intermediárias. com 9 caselas. Medição de estoque Os estoques podem ser representados por valores absolutos de tamanho. sua extensão em quilômetros quadrados. Observa-se que as taxas mais elevadas de crescimento de população ou de produção agropecuária ocorrem em áreas de fronteira. De outro. das dimensões de estoque e de fluxo. médio e alto. Cruzamento de estoque e fluxo Se as dimensões de estoque (tamanho ou densidade) e fluxo (velocidade ou crescimento) forem divididas em três níveis. É o que se observa. para a escolha de prioridades para conservação. por exemplo. o que é uma distorção da realidade. Mesmo com taxas elevadas. numa base de dados municipais.Estoque e fluxo Um dos problemas básicos que surge no desenvolvimento de um indicador de pressão antrópica é a escolha entre velocidade/crescimento/fluxo e densidade/tamanho/estoque. que pode ser considerada como um índice de pressão antrópica que sintetiza estoque e fluxo. o procedimento pode ser de somar uma dimensão e outra. Supõe-se que a pressão é maior onde o estoque e o fluxo são elevados e menor onde ambos são reduzidos . 1 e 2. rebanho bovino e população rural são muito influenciados pelo tamanho territorial do município. Em alguns casos. baixo. mercado de trabalho e mercado consumidor que atraem as atividades produtivas. Por outro lado. Se um estoque grande em termos absolutos for muito diluído no espaço de um município de grande extensão. onde as bases iniciais são pequenas. caça. Citam-se como exemplos a densidade da . como se segue: Estoque 0 Fluxo 0 1 2 0 1 2 Operacionalização 1 1 2 3 2 2 3 4 Pressões demográficas e agropecuárias Embora exista. os valores de variáveis tais como área cultivada. a intensidade da atividade agropecuária sinaliza potencial para a atração de migrantes. A malha municipal muito fina no Sul de Minas implica um cartograma que sugere ausência de bovinos naquela região. também existem exceções importantes. parece aconselhável construir o IPA de tal forma que sintetize as dimensões demográficas e agropecuárias. ao menos da agropecuária mais moderna e intensiva. o crescimento absoluto nestas áreas pode ser pequena. o que é pouco útil. indicadores puramente de produção agropecuária não refletiriam as pressões decorrentes de concentrações urbanas tais como demanda de produtos extrativos (lenha. especialmente numa visão prospectiva. com combinações intermediárias. a concentração demográfica sinaliza condições favoráveis de infra-estrutura. sugere-se transformar o estoque absoluto das variáveis relacionadas a espaço rural em densidade. Para garantir maior comparabilidade em termos de pressão direta sobre os ecossistemas. supondo que a pressão antrópica seja maior onde os indicadores demográficos e agropecuários apontam na mesma direção e menor onde os dois tipos de indicadores apontam na outra direção. comparando a pecuária no Sul de Minas e no Centro-Oeste. Como no caso da síntese 346 A soma dos valores das duas variáveis gera uma escala de 0 a 4. plantas medicinais etc. uma associação entre ocupação demográfica e ocupação econômica. Por estas diversas razões. no entanto. propõe-se combinar indicadores demográficos e econômicos para construir um indicador sintético de pressão antrópica. no caso. que será abreviado IPA. serviços. por si só.

mas o tamanho absoluto da população urbana. a proximidade de uma cidade grande. alguns municípios do Norte de Mato Grosso atingem taxas de crescimento populacional acima de 15% ao ano. por exemplo. Dispõe-se apenas da compatibilização para a população total entre 1980 e 1991. infra-estrutura e serviços concentrados nas cidades. no momento atual há um problema de disponibilidade de dados para o cálculo de crescimento. Outra maneira de medir fluxo é considerar o crescimento absoluto (abreviado CA) entre um ano e outro. é preferível usar o valor absoluto do estoque. sem calcular densidade. inclusive como tendência para o futuro. oferecendo condições favoráveis para a agropecuária moderna. adjacente ou não. Para algumas outras variáveis que não se relacionam com a área do município. A anualização de taxas decenais ou qüinqüenais para que se expressem em termos de “x porcento ao ano” facilita a compreensão e a comparabilidade. médio e baixo (2. que serve como indicador de pressões atuais tais como extrativismo (e.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal população rural. Para os fins de quantificar a pressão antrópica. a pressão antrópica populacional (PAP) é calculada a partir dos seguintes subíndices e suas respectivas variáveis de estoque e fluxo: 347 . 1 e 0). O tamanho absoluto da população urbana (TAU) é da microrregião geográfica da qual o município faz parte. O problema das taxas de crescimento para os presentes fins é que são muito influenciadas pela base inicial. ou seja. deve-se usar CA. Portanto. Dados de população Os dados de população disponíveis para a construção do IPA por município são dos censos demográficos de 1980 e 1991 bem como a Contagem Populacional de 1996. plantas medicinais ou caça) para o mercado consumidor urbano assim como pressões futuras de expansão urbana e desenvolvimento agropecuário em função do mercado consumidor. sem necessariamente representar pressão intensa. normalmente calculadas como taxas médias geométricas de crescimento anual. mesmo que seja de outro município. Uma taxa pequena a partir de uma base inicial grande pode esconder uma pressão absoluta grande. onde qualquer crescimento implica uma taxa de crescimento elevada. e a população urbana. o número de bovinos por km2 ou hectares de área cultivada por km2 do município. porque não influi na distribuição dos municípios entre as categorias alto. Medição de fluxo As medidas convencionais de fluxo são taxas de crescimento.g. quando a ocupação demográfica e econômica é apenas incipiente. entre dois censos. Portanto. Por exemplo. Nota-se que a DCA independe do estoque anterior. que é muito sensível a área. lenha. A densidade da população rural (DPR) é do município. Assim. supondo-se crescimento contínuo ao longo do tempo. Uma vez que o IBGE ainda não forneceu a compatibilização dos dados municipais entre 1980 e 1991 por situação de domicílio ou entre 1991 e 1996. o crescimento absoluto (CA) dividido pela área do município em km2. as taxas mais elevadas de crescimento costumam ser encontradas em áreas de fronteira. A DCA evita esse problema e separa completamente as medidas de estoque e de fluxo. Contudo. que normalmente exerce atividades de pressão direta sobre a biodiversidade. para o cálculo da DCA da população municipal (DCR) foi utilizada a população total no período 1980 a 1991 e o crescimento absoluto urbano da MRG (CAU) foi calculada para o período 1991 a 1996. Considerando a disponibilidade atual de dados. embora a comparabilidade não seja tão importante quanto no caso das taxas. Ainda falta a malha municipal para 1996. ainda não é possível calcular taxas de crescimento da população urbana ou rural dos municípios nos períodos intercensitários. Para a população urbana. contribui para a pressão antrópica. porque não se compara população com bovinos ou com hectares de área cultivada. Este valor também pode ser anualizado dividindo-se pelo número de anos no intervalo intercensitário. propõe-se calcular os fluxos relacionados a área em termos de densidade do crescimento absoluto (abreviado DCA). Pode-se considerar separadamente a população rural. O exemplo mais claro é de população urbana. Neste caso. Calcula-se o valor de “r” a partir do logaritmo natural do incremento. nem para a população total. A DCA pode ser anualizada ou não. não é a densidade urbana que interessa. Como já foi mencionado. que pressiona diretamente via atividades tais como caça ou indiretamente. Pode-se comparar microrregiões geográficas entre 1991 e 1996. As desvantagem de usar taxas de crescimento calculadas em relação à base inicial é que os valores são puxados para baixo quando o estoque anterior é grande. propõe-se construir um índice demográfico parcial com população rural e outro com a população urbana. não relacionada a área territorial do município.

que resulta do cruzamento de: • TAU . Atualmente. PPM de 1985 a 1994 e PEVS de 1993. mas não há série temporal para a silvicultura. 1 e 2) de acordo com sua distribuição.densidade de lavouras em 1994 (0-2) • DCL . PAR. de acordo com a disponibilidade atual de dados. O IPA se expressa numa escala final de 0 a 4. A escala decorrente deste exercício aplicou-se apenas à área de estudo.DCA do rebanho de bovinos entre 1990 e 1994 (0-2) Síntese das variáveis demográficas e agropecuárias O IPA consiste na média aritmética dos valores de PAU. Existem dados sobre silvicultura na Produção do Extrativismo Vegetal e da Silvicultura (PEVS). PAL e PAB.densidade de bovinos em 1994 (0-2) • DCB . que resulta do cruzamento de: • DLA . Posteriormente. poderão ser experimentados recortes a partir do conjunto de municípios brasileiros. corresponde ao período de 1990 a 1994. É verdade que poder haver outras pressões decorrentes da produção agropecuária tais como efluentes da suinocultura. os valores do IPA podem ser divididos em qualquer número de categorias. O Censo Agropecuário de 1985 está bastante desatualizado e a malha municipal é diferente daquela do período mais recente. que resulta do cruzamento de: • DBO .Pressão Antrópica dos Bovinos (0-4). Como 348 não se dispõe de informação sobre a área plantada ao longo do tempo. enquanto as pressões decorrentes de lavouras são geralmente mais intensivas. seja de acordo com o número de municípios. para o qual existe informação. Aplicação Inicialmente. o IPA foi experimentado para o conjunto dos municípios que compõem a área core do Cerrado e o Pantanal.PAU . A DCA de bovinos (DCB) por sua vez. propõe-se combinar índices referentes a lavouras (sem silvicultura) e bovinos. é calculada a partir dos seguintes subíndices e suas respectivas variáveis de estoque e fluxo: PAL . as lavouras (inclusive a silvicultura) e os pastos.Pressão Antrópica Urbana (0-4). As séries anuais do IBGE. Os valores das variáveis foram divididos em três categorias (0. Os dados disponíveis neste momento para o Brasil como um todo são os dos censos agropecuários e das pesquisas anuais de Produção Agrícola Municipal (PAM) e Produção da Pecuária Municipal (PPM). a pressão antrópica da agropecuária (PAA). além de não estarem disponíveis para todos os anos.CA da população urbana da MRG entre 1991 e 1996 (0-2) PAR . mas estas costumam ser pontuais em algumas áreas. A DCA da lavoura (DCL) corresponde ao período entre 1990 e 1994. Os cartogramas correspondentes às etapas de elaboração do índice encontram-se em anexo. Obser- .Pressão Antrópica das Lavouras (0-4).densidade da população rural do município em 1991 (0-2) • DCR . não incluem informação detalhada sobre a utilização das terras e não incluem a área de pastagens. há que se usar a área colhida. cada um dos quais se compõe pelo cruzamento das respectivas variáveis de estoque e fluxo. Para fins de representação em cartogramas. para ter maior comparabilidade interregional. Resumindo.tamanho absoluto da população urbana da MRG em 1996 (0-2) • CAU . As culturas consideradas são todas aquelas contidas na PAM.DCA da população total do município entre 1980 e 1991(0-2) Dados da produção agropecuária A produção agropecuária que exerce pressão antrópica em escala ampla pode ser dividida em duas partes principais. seja de acordo com sua área. com um terço dos municípios em cada categoria.Pressão Antrópica Rural (0-4). A densidade de bovinos (DBO) corresponde ao número médio de bovinos por km2 do município. As pressões decorrentes do pasto para a criação de gado e de algumas culturas tais como soja são extensivas. que resulta do cruzamento de: • DPR . Diante destas limitações de dados.DCA de lavouras entre 1990 e 1994 (0-2) PAB . antes da divulgação dos resultados completos do Censo Agropecuário de 1995/1996. conta-se apenas com os dados do Censo Agropecuário de 1985 e da PAM de 1985 a 1994. por outro lado. A densidade da lavoura (DLA) corresponde à área em culturas temporárias e permanentes dividida pela área total do município no ano mais recente para o qual se dispõe de informação na PAM.

Goiás e Mato Grosso do Sul. Palmas. As exceções ao padrão geral acima descrito são de dois tipos. No futuro próximo. Nas regiões de fronteira. Os principais são as regiões de Rondonôpolis. o que é lógico: o terço dos municípios com densidades menores representa mais que um terço da área total de todos os municípios. o que permitirá aperfeiçoar o IPA. O que se pode observar do resultado final é que as pressões antrópicas mais intensas encontram-se principalmente nas áreas de ocupação mais antiga em Minas Gerais. Há que se lembrar que o IPA tal como operacionalizado neste momento não inclui a silvicultura. alguns municípios ou conjuntos de municípios destacam-se do padrão médio de pressão antrópica na fronteira por combinar estoques e fluxos significativos. talvez seja o caso de dividir as categorias 0. Pelo visto até o momento. partes do Norte de Goiás e o vale do Jequitinhonha. que passam a integrar o arco de pressão mais intensa. o IPA parece constituir um indicador sintético robusto e útil de pressões sobre o meio ambiente que pode ser gerado a custo reduzido a partir de dados secundários disponíveis e adaptado a situações específicas em termos de realidade local ou disponibilidade de informações. será possível contar com dados sobre o crescimento populacional municipal urbano e rural entre 1991 e 1996 e com os resultados do Censo Agropecuário de 1995/1996. o que poderia mudar o quadro do Jequitinhonha. 1 e 2 de modo a ter aproximadamente um terço da área total em categoria. O índice também poderá ser experimentado em outras regiões com outras distribuições de valores de estoques e fluxos e outras dinâmicas. Tocantins. Figura 5 .Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal va-se que a divisão dos municípios em três categorias iguais em termos de número resulta em áreas bastante diferentes quanto a sua extensão. sul do Maranhão e Piauí. Em exercícios futuros. nem obras como a Hidrovia do Paraguai-Paraná. que ameaça o Pantanal. os bolsões de pressão antrópica reduzida nesse arco são o Pantanal. um arco de influ­ên­cia mais direta de São Paulo. Mato Grosso. Por causa das diferenças entre número e área dos municípios. o IPA não é fortemente influenciado pelo crescimento rápido que significa relativamente pouco em termos absolutos.Níveis de Pressão Antrópica para o Cerrado e Pantanal 349 . os recortes do IPA final foram feitos de modo a deixar áreas mais equilibradas. Barreiras e Correntina. em contra­posição às áreas de ocupação mais recente em Rondônia. Por outro lado. ou seja. Assim. É o que será testado nos futuros desdobramentos.

e na análise de documentos de programas governamentais executados e em andamento na região.). o presente trabalho pretende identificar os principais programas e projetos desenvolvidos ou a serem implementados na região do Cerrado e. apoiado financeiramente pelo Tesouro Nacional e Fundo para o Meio Ambiente Mundial (GEF). Portanto. Caracterização da região Segundo Eiten (1992). na região do Pantanal. que. coordenado pela Fundação Pró-Natureza (FUNATURA). cobrindo um quinto do Estado de São Paulo. este bioma ocupa cerca de 2 milhões de km2. Estende-se para fora da região central em penínsulas: para o Norte. Nordeste e ao longo da transição entre a Amazônia. Paraná. Paraguai. Tocantins. Tocantins. em especial para os recursos naturais e a biodi­versidade. Como objetivo central. ou 22% do território nacional. mecanização etc. não existe um único e homogêneo Cerrado mas muitos e distintos. coexistindo com árvores e arbustos esparsos. a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) identificou cerca de 25 unidades fisiográficas distintas e cerca de 100 sistemas de terra diferentes para esta região. havia a grande propriedade rural marcada pela exploração direta dos estabelecimentos – por seus proprietários – e pelos baixos níveis de produtividade e de rendimento na atividade agropecuária (IBGE. com duas estações bem definidas: seca e úmida. Oeste de Minas Gerais e o Distrito Federal. monoculturas. coordenado pelo Instituto Sociedade. Conforme as diretrizes da Oficina. Esta região exibe uma enorme heteroge­neidade espacial. ácidos e de baixa fertilidade. Na história de sua ocupação. por meio de gasoduto).III. o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (POLOCENTRO). Principais programas e projetos de ocupação e de infraestrutura no Cerrado e Pantanal Introdução O presente trabalho foi elaborado como parte integrante do “Diagnóstico sobre temas sociais e econômicos no Cerrado e Pantanal”. que se refletem numa grande e ainda desconhecida heterogeneidade de biota nas diferentes áreas do Cerrado. O clima é estacional. tais como os sistemas de transportes (rodoviário. e os planos governamentais de expansão da área de produção agrícola e plantas de esmagamento de grãos. entrevistas e literatura pertinente. o Pantanal é incluído aqui como parte da região do Cerrado. que inclui a parte Sul do Mato Grosso. possuindo solos antigos. que apresentam possíveis implicações para o meio ambiente. que favoreceram a expansão da fronteira agrícola para as áreas do Cerrado. em uma franja. Mato Grosso do Sul. por sua vez. com altos níveis de ferro e alumínio. realizado no primeiro semestre de 1998. para o Oeste. 1979: 5). baseada nos parâmetros da agricultura moderna (dependente de insumos químicos. cobrindo o Sul do Maranhão e o Norte do Piauí. destinada inicialmente para o abastecimento local e posteriormente aos mercados regionais e extra-regionais. na qual predomina uma vegetação rasteira. através de Rondônia. ocupando diferentes bacias hidrográficas (Amazonas. essencialmente. Nas últimas décadas. agrotóxicos. No núcleo desta atividade econômica. por acréscimo. trata-se de um levantamento de dados secundários disponíveis em órgãos governamentais. havia o predomínio da criação de bovinos para corte. ferroviário e hidroviário) e de energia (elétrica e de gás. Este trabalho concentra-se no mapeamento dos projetos de desenvolvimento agrícolas e agroindustriais já executados ou em execução. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza . 350 . sociais e econômicas na agricultura brasileira. formada principalmente por gramíneas. na pesquisa bibliográfica sobre a ocupação e infraestrutura do Cerrado e. o Cerrado abrange o Brasil Central. População e Natureza. essa ocupação passou por mudanças substanciais caracterizadas pelas inovações tecnológicas. São Francisco e Parnaíba). profundos e bem drenados. a Caatinga e a Mata Atlântica. dentre os quais destacam-se o Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (PADAP). Ocorre também em regiões descontínuas e isoladas na região Norte.WWF (1995). o Programa de Cooperação Nipo-brasileira para o Desenvolvimento do Cerrados (PRODECER). por acréscimo do Pantanal. Dias (1996) menciona que em recente estudo. A metodologia adotada baseou-se. todo o Estado de Goiás. Portanto. fez parte das etapas preparatórias para a realização da Oficina sobre“Ações Prioritárias para Conservação do bioma Cerrado-Pantanal”. até os anos cinqüenta do século passado. e para o Sul em uma série de áreas descontínuas. Oeste da Bahia. O Cerrado é relacionado de modo ecológico e fisionômico às savanas existentes em regiões com intensidade pluviométrica durante o verão. Também identifica os projetos de infraestrutura existentes ou projetados. notadamente aqueles de apoio à produção agrícola. A Oficina é componente do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO).

formando bacias e áreas inundadas. tais como a construção de grandes barragens. da Bolívia e do Paraguai. sendo que a soja foi a que experimentou maior incremento. Após a exaustão das minas. A região do Pantanal cobre parte dos Estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. as formas de intervenção com expansão mais significativa na região têm sido a formação de pastagens plantadas e a lavoura comercial. sendo que a média nacional é de 3.5% (Cf. e servindo como um viveiro de biodiversidade. pode-se distinguir o Pantanal do Cerrado. O Pantanal detém a maior planície alagada do mundo. depois de ser represada durante meses. todas voltadas primordialmente para a agropecuária. 1996:08). Grande parte da água absorvida escorrese pelos rios da região. é importante proceder avaliações e monitoramento dos impactos socioambientais trazidos pelos projetos econômicos implantados e previstos para a região. Virtualmente inexistente na década de 60. pela grande quantidade de terras devolutas. a região do Cerrado compreende o bioma Pantanal. passando pelo Triângulo Mineiro. pode ser um importante mecanismo indutor do desenvolvimento eqüitativo e da preservação ambiental. As lavouras mais importantes da região são soja. O uso sustentável e a preservação dos recursos naturais renováveis no Cerrado e Pantanal requerem a consolidação e a divulgação dos conhecimentos sobre a estrutura e o funcionamento dos ecossistemas e o seu comportamento perante fatores impactantes. e têm enfrentados problemas ambientais comuns. hidrovias e estradas e a mineração. ainda.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Entretanto. os corredores ecológicos e os recursos e patrimônios naturais. associados às políticas públicas de incentivo econômico. A partir de meados da década de 70. café. Estes fatores. Dias. São dois ciclos climáticos distintos: o período de cheias. o caso do Pantanal não é menos grave. Ao mesmo tempo. 1995). durante o restante do ano. pelo assentamento da população rural em projetos oficiais de colonização. a consolidação das atividades agrícolas convencionais e a expansão da fronteira agrícola na região apresentaram e apresentam conseqüências para o meio ambiente (até hoje não totalmente estimadas). Por diversos critérios ambientais e socioeconômicos. 1995). apenas 1. por meio dos assentamentos de povoados – denominados corrutelas. cujo valor não é totalmente estimado. Durante o Estado Novo tentou-se induzir a abertura da região central do país ao mercado nacional. e o período de seca. na expansão da agricultura comercial. Na década de 40 deste século. resultaram. no final dos anos 50. o crescimento econômico verificado à época limitou-se a poucas áreas. Paralelamente. a outra metade evapora-se. ambos mantêm uma biota com grande semelhança. Apesar de os impactos ambientais das atividades econômicas serem mais recentes. E as transformações econômicas do Brasil entre 50 e 70 promovidas pelo crescimento industrial e pela intensificação do processo de urbanização modificaram a participação da área central do Cerrado na organização regional do país (Cf. e a sul-americana de 4.7%. tecnologia tradicional e alterações ambientais localizadas (Cf. A estrada de ferro foi um forte indutor do crescimento e criação de cidades. a região passou a ser explorada para a criação extensiva de gado. principalmente no que se refere aos prejuízos para a conservação dos recursos hídricos e da biodiversidade local. WWF. a partir da década de 70. arroz. através da ligação ferroviária entre São Paulo e Anápolis. Além do crescimento horizontal das atividades agropecuárias. em áreas abrangidas pelo seu trecho. que se intensificou a partir dos anos 30. mas dois terços de suas áreas estão localizados em território brasileiro.5% do Cerrado está preservado por lei em unidades de conservação. Entretanto. a expansão agrícola no Cerrado e Pantanal O ciclo do ouro marcou início da ocupação do Cerrado. Acredita-se. Este período caracterizou-se por empreendimentos de caráter extensivo com baixa densidade populacional. Para o presente trabalho. que realizar a identificação e a promoção de meios sustentáveis de utilização da 351 biodiversidade local. feijão e mandioca. Absorve as águas das chuvas que vem do planalto brasileiro e do degelo das Cordilheiras dos Andes. WWF. e a adoção de estratégias e políticas de desenvolvimento e investimentos em infra-estrutura entre 1968 e 1980. outros fenômenos apresentam implicações para a integridade dos ecossistemas e recursos naturais renováveis na região. tais como as conseqüências da instalação de alguns projetos agrícolas e de infraestrutura na região. em especial para a biodiversidade. milho. entre novembro e abril. Para o WWF (1995). cujos efeitos para comunidades locais e tradicionais envolvidas nem sempre são considerados. A construção de Brasília e de um sistema rodoviário ligando-a ao sudeste do país favoreceu a abertura de novas áreas e a ocupação de várias localidades. no entanto. dois fatores promoveram a expansão agrícola mais recente na região: a construção da nova capital federal. criando colônias agrícolas em Goiás e Mato Grosso para assentamento de migrantes do Sul e sudeste do país e mesmo do exterior. . a migração foi incentivada pela propaganda oficial cunhada de “marcha para o Oeste”.

o rebanho bovino em 5. o Triângulo Mineiro. localizam-se as áreas de agropecuária comercial moderna e relativamente consolidada. WWF.] Em 1985. De acordo com o levantamento realizado pelo WWF (1995: 30). e a densidade de bovinos era reduzida (op.. o café 8%. para 38 milhões. está incorporada ao complexo agro-industrial do centro-sul do Brasil. especialmente em Goiás. apresentava baixo nível de intervenção agropecuária. Zona II: agricultura periférica em expansão Abrange os municípios de Barra do Garças.6% a. Sudoeste e sudeste de Goiás.354 unidades entre 1970 e 1985. e o estoque de tratores em 13. Enquanto a produção cresceu 1. algumas áreas dessa sub-região começaram a demonstrar dinamismo e . não dotava de localização beneficiada. A Zona I é a maior produtora de soja. e Bahia. Zona I: área de agricultura comercial moderna Abrange todo o Mato Grosso do Sul. enquanto o pessoal ocupado cresceu apenas 2.6 milhões de cabeças. WWF. concentra parcela amplamente majoritária do rebanho bovino da região” (WWF. representa 16% da produção nacional.7 milhões de hectares em 1970 para 31 milhões em 1985” (op. Em decorrência. 1995: 24). Além disso. cit. Goiás. Esta sub-região. o Centro. mas cujas unidades ainda apresentam intensidade e tecnificação reduzidas (op. houve mudanças no padrão de emprego da mão-deobra.9 vez. os impactos da expansão e modernização da agricultura sobre a estrutura fundiária foram modestos. ocorrendo um ganho de produtividade significativo (ao passo em que o tamanho da área cresceu 1. As zonas propostas são: a) área de agricultura comercial moderna.a.. estimativas podem ser feitas para o período 1985-94. O milho. Para o WWF (1995:36). “Este crescimento foi acompanhado por um avanço significativo das pastagens plantadas que passaram de 8.. cit.a.4% ao ano. o feijão 11%.7% a.). POLOCENTRO e PRODECER.a. por seu turno. Houve um crescimento substancial na bovinocultura. O estudo do WWF (1995) propõe uma divisão Cerrado em três zonas. Este zoneamento é útil para a identificação de processos diferentes.). facilitando assim a visualização de fenômenos localizados. O estoque de tratores da região cresceu de 12. e o Oeste de Minas Gerais. 1995).. nem infra-estrutura de transporte e comercialização.8 vez. Neste agrupamento. cit.). referentes à expansão da agricultura. Nova Xavantina. mesmo em termos nacionais. a área em pastagens plantadas em 8. Minas Gerais. seguido do arroz que representa 13%. que durante esta época teve um incremento populacional eminentemente urbano (Cf. café e feijão do Cerrado e tem importante participação na produção regional de arroz e de mandioca. Apesar das dificuldades de precisar a produção agrícola recente.6%. o Sul de Mato Grosso. “[. Também apresenta produtividade consideravelmente maior que as outras zonas devido a evolução da lavoura irrigada. No período mencionado. Este emprego não acompanhou o crescimento no setor agrícola. Com relação à estrutura fundiária na região. neste ano o seu espaço territorial não se encontrava inteiramente incorporado a estabelecimentos agropecuários. esta caracteriza-se por ser fortemente concentrada e com tendências de recrudescimento. elevado nível de tecnificação. beneficiada pelos projetos do PADAP. Possui elevada acessibilidade aos principais mercados do país e infra-estrutura básica relativamente desenvolvida (Cf..2 vez. Boa parte de unidades apresentava agricultura de média intensidade. no Mato Grosso.1 milhões para 8. A expansão agropecuária favoreceu o crescimento do uso de equipamentos mecanizados.5% a. A Zona II é área de expansão recente da fronteira agrícola. a área em lavouras expandiu-se em 5.8 milhões de toneladas. Canarana e Água Boa. 1995: 24). conforme demonstra o estudo coordenado pelo WWF (1995).282 a 94. o Distrito Federal. e produtividade apreciável.4% a. em 1970. ademais. no Cerrado coexistem tanto fazendas de criação extensiva de bovinos e de baixa produtividade quanto estabelecimentos modernos e eficientes. a uma taxa média anual de 3. a área cultivada expandiu-se apenas 1. Entre 1970 e 1985. que passou de 16. 1995: 08). e a mandioca. concomitantes e convergentes que vêm definindo a realidade agrícola na região. Esses valores podem explicar o declínio da população rural da parte Sul do Cerrado. b) área de agricultura periférica em expansão. e vem apresentando ganhos em produtividade. a produção mais que dobrou). 5% da produção nacional (Cf. esta área já estava praticamente ocupada e seus estabelecimentos agrícolas alterados por processos agrope­cuários. Por outro laco. a produção de soja dobrou de 4. WWF.atualmente a soja representa cerca de um quarto da produção nacional de grãos. em 1985. Conforme se comprova pelos números do Censo Agropecuário de 1985.a. em 1985 (o que na época representaram cerca de um terço do rebanho nacional). e partes de Tocantins. milho. e c) área de agropecuária inci352 piente.

Após a exposição sobre este zoneamento sugerido. em 1994 para 1. serão apresentados alguns dados da expansão recente da agricultura no Cerrado.5 . onde a expansão da agricultura após 1985 fornece um exemplo do caráter provisório da presente regionalização” (op.9 milhões de toneladas.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal modernização. 1995).4 Terras produtivas sem uso 11. no período entre 1985 e 1994 – novamente. O arroz sofreu queda de 2 milhões para 1 milhão de toneladas entre 1985 e 1990. esta passou de 2.). e não consegue competir com o arroz irrigado do Rio Grande do Sul. provavelmente em decorrência da implantação do PRODECER e outros estímulos governamentais em suas áreas. em 1994. a área de influência do sistema ferroviário Carajás-Norte-Sul (a região de Balsas . É possível que o crescimento das atividades agrícolas nessa área apresente repercussões ambientais.3 Total (28.5 Zona III: agropecuária incipiente Abrange os Estados do Maranhão e Piauí. com base nos Censos Agropecuários.1% da área do Cerrado) 50. Além disso. De acordo com o levantamento do WWF (1995).5 Pastagens plantadas 46. a Zona I correspondeu a 95% do total. “Este foi. sendo que a zona moderna contribuiu com 80% do total.MA) vem recebendo investimentos de infra-estrutura e financeiros. que consiste em condições de dificuldade para o crescimento agropecuário. além de ela conter peculiaridades por estar situada numa zona de transição entre biomas. essa região do Norte do Tocantins e Sul do Maranhão congrega comunidades indígenas e tradicionais. como boas condições de mercado ou melhora do apoio governamental a agropecuária para o ano 2. tendo como base o documento do WWF (1995). não alcançarão crescimento no âmbito da agricultura comercial. Projeções da evolução das principais culturas. Tabela 3 Ocupação agrícola do Cerrado em 1985 Destinação das áreas Lavouras Área (milhões de ha.7 Fonte: WWF. para o período 1995-2000. cultural e econômica. pastagens plantadas e áreas produtivas mas não utilizadas.6 milhões para 4. as novas técnicas de formação de pastagens plantadas no Cerrado dispensam o ciclo prévio de plantio de arroz. 1995 Tabela 4 Ocupação agrícola do Cerrado em 1994 Destinação das áreas Área (milhões – ha) Lavouras 11. cit. verifica-se que em alguns lugares dessa sub-região houve uma retração na agricultura.6 Total (38. pois. A produtividade do arroz no Cerrado é baixa. passando de 187 mil toneladas em 1985 para 331 mil em 1994. conforme prometido. Esta cultura beneficiou-se das condições propícias do mercado internacional e da restruturação da política agrícola ocorrida após 1990.8 milhão.) 9. por exemplo.000 (WWF. crescendo 353 Pastagens plantadas 30. Atualmente. No caso da produção de milho. servem de indicativo do uso futuro da terra na região. se mantidas as circunstancias atuais. e partes de Mato Grosso e Tocantins. pois em muitos casos não houve a implantação de infraestrutura de apoio à produção (estradas. A Zona I produziu cerca de 81% da soja do Cerrado. são áreas remotas que.6% do Cerrado) Fonte: WWF. Esta situação comprova que a criação de infraestrutura altera a intensidade e o volume da expansão agrícola. Por outro lado. de modo que poderá abrigar uma agricultura comercial voltada principalmente para o abastecimento do mercado externo. e a outra otimista (Tabela 6). Adicionalmente. na Bahia. que consiste em condições apropriadas para o crescimento agropecuário. como crise econômica ou desestruturação da política agrícola. o caso de Barreiras. armazéns e energia). As Tabelas 3 e 4 representam uma situação de ocupação em 1985 e 1994 e apontam para duas direções: uma pessimista (Tabela 5). A produção de feijão foi irregular. 1995 69. cujos interesses e direitos também nem sempre são considerados na implantação de grandes projetos de ampla dimensão social. essas atividades nem sempre são seguidas de ações necessárias para a amenização dos prejuízos causados.9 Terras produtivas sem uso 10.

como é o caso do projeto de corredor de transporte intermodal Norte-Sul. destacam-se o Programa de Pólos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (POLOAMAZÔNIA).9 81.) Lavouras 14.1996:58). Pessoa. ao final dos anos 90. Entre estas. “A ação estatal visava proporcionar a exploração capitalista da terra. o POLOCENTRO e o PRODECER.4% do Cerrado) Fonte: WWF. 1996). os amplos subsídios e a infra-estrutura do governo de Minas Gerais. San Martin & Pelegrini. o Programa Especial da Região de Grande Dourados (PRODEGRAN). Para os propósitos do presente trabalho. 1995 PADAP Trata-se de um programa iniciado em 1973 que procurou comprovar a viabilidade técnica e econômica da ocupação agrícola do Cerrado. eram previstos o emprego de técnicas aperfeiçoadas para a utilização dos insumos modernos” (Pires. uma vez que não se limitou apenas no fornecimento de infra-estrutura. atuando também no controle do processo de produção diretamente nas propriedades. Conforme França (1984:35 apud Pires.Tabela 5 Projeção pessimista da ocupação agrícola do Cerrado em 2000 Destinação das áreas Área (milhões . o Programa Especial da Região Geoeconômica de Brasília. Apesar de estarem previstas diferentes tipos de cultura na execução do PADAP. o Programa de Desenvolvimento Integrado da Bacia do Araguaia . 1988. por meio principalmente da introdução de equipamentos. 1995. ou anunciados. 56. alguns desses estão sendo retomados.5 Pastagens plantadas Total (45. com atuação no Distrito Federal e Entorno. sob os desígnios políticos do programa federal intitulado Brasil em Ação. o Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (PADAP).9 Fonte: WWF. por meio de empresários rurais que receberiam incentivos para a intensificação da demanda de máquinas.7 No que diz respeito à infra-estrutura de apoio às atividades econômicas foram propostos projetos na área de transportes objetivando abaixar os custos da produção agrícola. tais como o pivô-central. que influenciou parte dos Estados de Goiás. o Programa Especial de Desenvolvimento do Estado do Mato Grosso do Sul. Pires. o Programa Especial de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso. centros rurais e habitações (Cf. Tocantins e Mato Grosso. Foi executado pela Cooperativa Agrícola de Cotia (COTIA). 1996:56). este programa representou uma nova forma de intervenção do Estado na agricultura. serão mencionados três programas que fizeram e fazem parte da história da ocupação do Cerrado: o PADAP.8% da área do Cerrado) 87. vários desses projetos não se concretizaram. As áreas escolhidas localizavam-se estrategicamente próximas do corredor de exportação. vista até então como incerta e economicamente insegura.5 Terras produtivas sem uso 11. Este programa consistiu na instalação de quatro núcleos de colonização em municípios da região Alto Paranaíba. contando com a supervisão. . 1996:58). 1996:58). linhas de transmissão de energia elétrica. em função das incidências de doenças e pragas na soja e no trigo” (Pires. e foram gastos cerca de US$ 200 milhões de dólares em estradas. e agora. o monitoramento. Terras produtivas sem uso 12. equipamentos e fertilizantes. ambos desenvolvidos pelo Governo Federal.Tocantins (PRODIAT). O Programa de Financiamento de Equipamentos para a irrigação (PROFIR) e o Programa Nacional de Irrigação (PRONI) foram iniciativas do governo federal na área da irrigação que visavam aumentar a produtividade agrícola. várias foram as iniciativas de cunho governamental que incentivaram o assentamento de projetos agrícolas voltados para a produção de culturas nos moldes da agricultura comercial.8 Total (48. O milho. implementado pelo governo de Minas Gerais. do trigo e do café. apud Pires. “começou a ser cultivado devido a elevação do seu preço e a necessidade de rotação de culturas. Contudo.ha) Lavouras 12. o POLOCENTRO e o PRODECER (Cf.6 Pastagens plantadas 61. 1984. houve uma especialização em torno do cultivo da soja. 354 Os incentivos governamentais na região No processo de ocupação da região do Cerrado e Pantanal.3 Tabela 6 Projeção otimista da ocupação agrícola do Cerrado em 2000 Destinação das áreas Área (milhões de ha. a partir de 1982. Desde a sua programação.

contudo. 1984. no primeiro. Vários autores (Pires.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal O papel da COTIA neste empreendimento colaborou para a integração da agricultura à indústria.7 milhão de ha em reflorestamento. pois beneficiava o complexo agro-industrial à medida que incentivava. 1996:61). Parte dos recursos para a pesquisa destinou-se à criação do Centro de 355 PRODECER O Programa de Cooperação Nipo-brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (PRODECER) configurou uma outra forma de intervenção estatal no direcionamento da fronteira agrícola do país (Pires. incorporou as experiências do Programa de Crédito Integrado (PCI. 1996:67). cit. sendo 1. para a implantação do PRODECER. Pesquisa Agropecuária do Cerrado (CPAC) [da EMBRAPA]” (op. o problema da ocupação e da migração rural” (op. 1996) aponta que os problemas ambientais advindos da implantação do PADAP na região resumem-se em: erosão dos solos. relaciona-se com a compactação do solos que. 1996. p. que articula os interesses envolvidos tanto do lado brasileiro quanto do lado japonês. criada especificamente para esta finalidade. Naquela época. energia e armazenagem. 1988) demonstram que a ineficiência produtiva e a intensificação do processo inflacionário no país. A perda da produtividade da soja e do trigo nas áreas. conforme constata Pires (1996): “A introdução de culturas como soja. O principal objetivo era incorporar a região do Cerrado à produção de grãos do país.4 milhões de ha. Desta maneira. silos e armazéns) com a . como o Estudo de Impacto Ambiental (EIA). especialmente aqueles relativos a perda de biodiversidade. Contou com a participação do capital estrangeiro (japonês) e vem sendo executado por uma empresa bi-nacional (de capital público e privado). para o crescimento da competitividade dos produtos agrícolas no mercado internacional. “O PADAP e o POLOCENTRO apresentam semelhanças relativas ao suporte à pesquisa. nitidamente houve a redução das pequenas propriedades. energia. Tinha como meta atingir mais de 3 milhões de ha. Verdésio (1993.. Estima-se que tenha sido responsável pela ocupação de 2. resultaram na desativação do POLOCENTRO a partir de 1979. 1996). houve a concentração geográfica dos investimentos e interferência direta na organização produtiva. Distinguem-se.cit. 1. denominada “Companhia de Promoção Agrícola (CPA/CAMPO)”. POLOCENTRO O POLOCENTRO. Para isso. em pecuária. à assistência técnica. armazenamento. aliadas ao estabelecimento das negociações entre os governos brasileiro e japonês. porque. Em torno de 868 milhões de dólares foram gastos neste programas na área de transporte. Mato Grosso do Sul. ambos criados pelo governo de Minas Gerais. e Minas Gerais. em função da retirada das barreiras naturais para o cultivo extenso. 61). pesquisa e agropecuária. organizava e canalizava a compra de insumos. apresentaram uma zona de impedimento para a passagem da água e de raízes. ao crédito rural subsidiado e à infra-estrutura física de estradas. França.8 milhão de ha em lavouras e 0. coletava e armazenava a produção (Cf. “O objetivo do PRODECER era criar fazendas de grande porte e articular agricultores vinculados a cooperativas. após 10 anos de aragem. no período de 1975-80. ou cerca de 31 % da área total adicionada a estabelecimentos agrícolas nas zonas atingidas. No segundo. contornado parcialmente com a introdução do cultivo do milho. na origem. era necessário uma infra-estrutura (ferrovias. criado em 1975. “Este Programa foi executado em 12 pólos de crescimento espalhados pelos Estados de Mato Grosso. a fim de alcançar o aumento da produção agrícola.61-62). que tivessem suporte empresarial e capacidade de utilizar novas tecnologias intensivas em capital.2 milhão de ha. em bases empresariais. ressalta-se que na implantação do Programa não houve preocupação com os problemas ambientais dele decorrentes. Pessoa. apud Pires. de 1972) e do PADAP. 1984 apud Pires. Assim.1996: 59). café e trigo e a implementação da infra-estrutura elevaram o preço das terras.. não era comum — nem obrigatório — a avaliação de impactos ambientais em empreendimentos desta natureza. Pires. Com relação à estrutura fundiária. No entanto. portos. p. os investimentos distribuíram-se em quatro estados destinados em grande parte às médias e grandes propriedades agrícolas” (Pires. nos moldes dos atuais instrumentos de licenciamento ambiental. não oferecendo alternativas para atingir. o POLOCENTRO transformou-se em reforço às condições estruturais de desigual distribuição de terras e de renda nas regiões em que atuou. Goiás. assistência e crédito rural” (Cf. rodovias. França. e aparecimento de pragas devido a ausência da rotação de culturas. Não há estudos que fazem estimativas sobre efeitos deste programa para a perda de diversidade biológica.

000 hectares (Cf. que prevê empréstimos fundiários.Programa Piloto Discriminação Mundo Novo Coromandel Iraí de Minas Entre Ribeiros I Localização Paracatu Coromandel Iraí de Minas Paracatu Cooperativa COTIA Colonos Área (ha) Projetos de Colonização 50 24. composta de dois projetos agrícolas. de Produt. um localizado no município de Balsas (MA) e o outro em Pedro Afonso (TO). 1996: 67). Iniciou-se no região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba em Minas Gerais (PRODECER I) e. a sua expansão. em médio prazo. assim como a fronteira agrícola. Tabela 7 .000 ha.000 TOTAL 135 Elaborado por Pires (1996:76). por etapas localizadas em áreas distintas.000 Ass. Coube ao PADAP fornecer as diretrizes sobre colonização agrícola na região por intermédio de uma cooperativa e apoio estatal na montagem da infra-estrutura. Ao contrário do POLOCENTRO. de investimento.Tipos de ocupação do PRODECER I . A realização do PRODECER I ocorreu em aproximadamente 70.000 CDAC Curral de Fogo Faz. tem sido em direção ao Norte do Cerrado. Atualmente. Ao POLOCENTRO. etapa piloto). 356 .000 70.000 Empresas Agrícolas Subtotal 135 49. em 1985.000 6. incorporando cerca de 21.000 Paracatu/Unaí Coromandel 5. Coromandel Paracatu 10. com a ocupação de cerca de 40 mil hectares cada. desenvolve a sua terceira etapa (PRODECER III. 18 COSUEL 26 COOPERVAP 41 10. Nesta fase piloto do Programa. o escoamento da produção ao mercado externo” (Pires.finalidade precípua de facilitar. PRODECER I Os resultados positivos do PADAP e do POLOCENTRO influenciaram a execução do PRODECER I (ou Programa Piloto). de cobertura de despesas operacionais e de subsistência do mutuário. o crédito é concedido a taxas de juros reais. desde a sua criação em 1979. foram criados quatro projetos de colonização. em Minas Gerais. continuou em Minas Gerais mas expandiu-se para áreas em Goiás. e duas empresas agrícolas. etapa piloto e expansão). 1996:73) No contrato de financiamento firmado entre o governo brasileiro e o governo japonês.000 Subtotal 21.000 6. encontrase o crédito supervisionado. Segundo Pires (1996). coube a possibilidade de contribuir com a instalação de uma relativa infra-estrutura na região abrangida (Cf. previa-se que a infra-estrutura e o fornecimento de tecnologias apropriadas competiam ao lado brasileiro. Pires. Mato Grosso do Sul e Bahia (PRODECER II. Pires. ocupando uma área de aproximadamente 49.000 hectares a mais do que previsto originalmente (Tabela 7).000 hectares de terra. 1996). Entre os seus principais instrumentos. na assistência técnica e no fornecimento de credito. Mato Grosso. De acordo com o quadro apresentado em Pires (1996:76) tem-se uma visão geral dos tipos de ocupação desenvolvidos pelo Programa. O PRODECER tem sido desenvolvido. 20.000 9.

Tabela 8 .MG Guarda Mor.1996:85 Localidade Formosa R.MG Buritis . Os projetos de colonização que fazem parte da etapa Piloto desta fase foram os seguintes: • Projeto de Colonizaçao Ouro Verde (PC-OV).ha COOPERVAP 28 10.404 COACERAL 38 15.000 COOPERVAP 10 3.004 COOPSUBRA 37 11.GO Alto Paraíso-GO Água Clara .Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal Quanto à geração de empregos temporários. (Tabelas 8 e 9).MG Ipameri . Preto Formosa R. Essa informação é necessária para dimensionar a relação entre comunidades rurais localizadas nas áreas envolvidas e o desenvolvimento dos projetos implantados nos moldes do Programa.843 COOPERVAP 20 6. e um no Estado do Mato Grosso do Sul). e uma etapa expansão.984 FEMECAP 49 16. no município de Lucas do Rio Verde . 1996:82). Localidade Paracatu . Localizados em Formosa do Rio Preto. • Projeto de Colonização Brasil Central (PCBC).643 COOPAGO 42 17. com quatro núcleos agrícolas. Preto Lucas R. Verde Tapurah Cooperativa Colonos Área (ha. houve a utilização de bóias-frias. As duas etapas possibilitaram a incorporação de aproximadamente 180 mil hectares.) COTIA 48 16.000 357 .GO Cristalina .615 56 22. três em Goiás.028 COPERLUCAS 39 16.Etapa Expansão Denominação PC Entre Ribeiros II PC Entre Ribeiros III PC Entre Ribeiros IV PC Bonfinópolis PC PIRATINGA PC Buritis PC Guarda Mor PC Paineiras PC Cristalina PC Buriti Alto PC Alvorada Elaborado por Pires (1996:87).Projetos de Colonização PRODECER II . e • Projeto de Colonização Ana Terra (PC-AT). PRODECER II O PRODECER II compreende uma etapa piloto. que não mantêm vínculo empregatício com os colonos e são geralmente contratados pelos agenciadores (gato).MG Paracatu .MS Cooperativa Colonos Área . dois no Estado de Mato Grosso e dois no Oeste do Estado da Bahia.600 Tabela 9 .115 COPACEN 40 15.Etapa Piloto Denominação PC Ouro Verde PC Brasil Central PC Piúva PC Ana Terra Elaborado por Pires. em que não o preço do trabalho era mais baixo. os projetos PC-OV e PC-BC têm a cidade de Barreiras – Ba como cidade âncora.BA. Muito desses trabalhadores rurais eram trazidos de outras regiões. também localizado em Formosa do rio Preto.MT. Pires.MG Bonfinópolis.MG Formoso . a partir de 1985 (Cf.Projetos de Colonização do PRODECER II .MG Paracatu . localizado em Formosa do rio Preto . • Projeto de Colonização Piuva (PC-PI).274 6. em Tapurah – MT.916 COCARI 29 COCARI 16 CAMAS 8.588 COOPERTINGA 53 20. com onze projetos (sete em Minas Gerais.717 COOPERCANA 40 18.

como o Programa Corredor de Exportação Norte (PCEN). Pires. laranja e seringueira e urucum. e IV) situados no município de Paracatu e tem a COOPERVAP como cooperativa. 1996:143). Devido ao elevado padrão tecnológico assimilado.000 km2 no Sul do estado. Por ser um investimento elevado. (1993) e Pires (1996). apud Pires. al. que oscilou entre 1. al. Da mesma forma.1996:91). na Holanda. 1993. BASA e BNDES) (Cf. pela EMBRAPA e pelo Banco do Brasil. tais como café. a partir da utilização do trecho inicial da Ferrovia Norte . e o Projeto de Colonização Pedro Afonso (PC-PA). “Isto é decorrência dos altos custos de implementação. além da iniciativa privada. a introdução da irrigação trouxe um incremento suplementar aos endividamentos. que escoaria a produção pelo porto da Ponta da Madeira.Os dois projetos no Estado da Bahia apresentaram baixa produtividade na cultura da soja. não haviam tecnologia e manejo adequados. em São Luís (MA). para estas culturas. em função das expectativas de baixo rendimentos e do custo elevado para sua manutenção. que envolve uma área de 128. esta não foi favorecida com financiamento para o custeio. índices abaixo da média nacional no mesmo período (1. 1996: 143). Além da restrição na aptidão agrícola das áreas. Abaixo.Sul e da Estrada de Ferro Carajás.2 mil km no trajeto até o porto de Roterdã (principal porto na Europa para a produção de soja). não ocorreu” (Pires. concorrendo com os Estados Unidos. em Balsas. 358 a irrigação apesar de ter apresentado viabilidade produtiva para o milho e feijão não conseguiu viabilidade financeira. 1996:93) os colonos com estrutura de irrigação têm um nível de endividamento superior aos demais no mesmo projeto. 1996:90). ocasionada pelo insuficiente tamanho médio da superfície da área agricultável: 320 ha. na maioria dos casos. o que significaria uma redução de 3. A sub-utilização também contribuiu para o endividamento dos colonos. o tamanho das áreas é pequeno para oferecer a lucratividade almejada” (Pires. PRODECER III – Fase Piloto A fase piloto do PRODECER III compõe-se de dois projetos: o Projeto de Colonização Gerais de Balsas (PC-GEBAL). no Tocantins. em decorrência da ausência de conhecimentos específicos e adaptação das variedades perenes. “Os cultivos de plantas exóticas como a seringueira e o urucum afetaram negativamente o desempenho agrícola.. a região de Balsas contou com o programa intitulado Pólo Agro-industrial do Sul Maranhense (POLAGRIS-). Nos projetos. PC-CRIS e PC-MOR. III. cit. 1996:85). Já na etapa Expansão do PRODECER II destacam-se os Projetos de Colonizaçao Entre Ribeiros II. Sul do Maranhão. a medida que. da energia elétrica e do ônus decorrente dos erros de aprendizagem. Nos projetos PC-PAl. 1996:90). da manutenção.260 kg/ha no quinquênio 1987/91. os projetos contam com inconstâncias pluviométricas (Nabuco et. a instalação da irrigação deveria ser acompanhada de um sistemático estudo de viabilidade técnica e econômica que. Baseado em Nabuco et. Este programa prevê a produção de cinco milhões de toneladas de grãos por ano. Resultado negativo teve também a cultura do café nos projetos. em relação ao porto de Paranaguá (PN)” (Pires. Esta baixa na produtividade pode ser decorrência da distância e das precariedades das estradas até a cidade pólo. Com repercussões diretas ao PC-GEBAL. nem experiência dos colonos” (Pires. 1993 apud Pires. 1996:90). faz-se abaixo resumidamente algumas ponderações quanto aos principais resultados trazidos pelo Programa em sua segunda fase. Vale do Rio Doce. além da Secretaria de Desenvolvimento Regional. Com relação aos investimentos em benfeito­ rias e equipamentos existem evidências que indicam que no Programa houve “sub-utilização. apresenta-se o quadro 03 que contém os projetos desta etapa. contando para tanto com recursos do governos federal e estadual. 144). III e IV (PC-PER II. Estes dois projetos vieram a se integrar às iniciativas governamentais existentes na região Norte do Cerrado. 1993 (apud: Pires. pois.024 kg/ha e 1.500kg/ha). Esta possibilidade funda-se na diminuição dos custos de transporte. . sendo 20 ha voltados para as culturas permanentes e 300 ha para a produção de grãos. al. “O argumento central para a formulação do PCEN foi a existência de dois milhões de hectares de cerrado ainda não explorados racionalmente aliada a possibilidade de oferecer competitividade da soja no mercado internacional. planejado pela Cia. De acordo com Nabuco et. e bancos públicos (BNB. Os recursos a serem investidos na consolidação do sistema rodoviário são advindos do BIRD (op. houve o aumento suplementar das dívidas dos colonos ao invés de geração de receitas (Nabuco et. al. às condições edafoclimáticas do Cerrado e às de mercado.

sob a alegação de que estes tem baixa capacidade de produção. Pires. Por outro lado. é sabido que a empresa CAMPO e os governos dos Estados do Maranhão e Tocantins têm interesse na criação de uma estrada que ligue os dois projetos do Programa. mas de todo o sul maranhense.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal O município de Balsas. conforme previsto no planejamento. o estudo ambiental realizado recomendava a instalação paulatina do empreendimento em pequenas etapas. iniciada em 1995. Em menos de um ano. Os impactos ambientais do PRODECER Apesar de não existirem estudos conclusivos sobre os impactos ambientais dos projetos de colonização do PRODECER. Pará e Rondônia. Outra iniciativa refere-se ao levantamento fitossociológico que uma equipe de pesquisadores da EMBRAPA vem desenvolvendo nos projetos de Ouro Verde . mesmo que vários de seus projetos. A implantação do projeto de Balsas. de modo a torná-los menos impactantes. .BA (fase II) e de Balsas . O Maranhão conta ainda com a maior parte de sua população na zona rural. alguns trabalhos realizados (Lima et al. o objetivo era o estabelecimento rápido de um núcleo de assentamento (Pires. por meio da incorporação de novas áreas e. Entretanto. Balsas presencia a diminuição da absorção de trabalhadores no setor primário. sem uma avaliação global dos efeitos do Programa para o meio ambiente” (Cf. diminuindo a excessiva fragmentação da cobertura vegetal nativa. proporcionou um desmata­mento de aproximadamente onze mil hectares (valores coletados no primeiro semestre de 1996) para o cultivo sequeiro principalmente da soja. tem alcançado sucesso. 1996. de acordo com Pires (1996). além de novos núcleos Em Goiás. 1996). embora parte de quatro lotes destinou-se ao cultivo do arroz. notadamente no entorno do projeto agrícola de Iraí de Minas. toda a área destinada a exploração agrícola fora incorporada. à disponibilidade de energia fóssil. Além disso. Durante a etapa do planejamento da terceira fase do Programa não houve mudanças que o redirecionassem para a assimilação das práticas que amenizem os 359 prejuízos socioambientais nas áreas em que os projetos seriam implantados. observa-se que a preocupação com o meio ambiente demonstrada pelos administrados do Programa nem sempre vem acompanhada de mudanças substanciais no Programa e nas práticas produtivas dos agentes sociais envolvidos. Minas Gerais. Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Walter & Ribeiro. Esta constatação é reforçada pelo tipo de critério adotado na seleção de colonos e da cooperativa. Apresenta-se abaixo algumas observações sobre a terceira fase do PRODECER. apud Pires. é atualmente um município que possui uma das maiores taxas de crescimento populacional do estado. ao uso de insumos inorgânicos (fertilizantes e agrotóxicos) e ao emprego de sementes melhoradas e adaptadas aos insumos químicos.26 a. 1996:167). Paralelamente. diante de suas práticas e estratégias. há algum tempo.MA (fase III). planejando a etapa expansão para os stados do Piauí. em função da alta tecnificação da agricultura. “Exemplo disso é o fato de que os seus executores já estão. 1996:94) iniciaram pesquisas sobre a sustentabilidade agrícola e ambiental nas áreas do Programa. entretanto. culturas e mentalidade sustentáveis. Pires. Em primeiro lugar. neste município tem ocorrido uma paulatina expulsão dos pequenos produtores para a cidade. incidindo em uma perda menor da proteção natural do solo. há uma forte dependência ao padrão tecnológico-produtivo. Com base nas análises de Pires (1996). O mesmo se seguiu nas etapas de implementação dos núcleos agrícolas. além de estar no centro das atenções governamentais na microrregião. Essa expansão ocorrerá. e conforme dados do Censo realizado em 1991. A implantação do PRODECER está propiciando as condições infra-estruturais que acelerarão a exploração agrícola não só dessa microrregião. “Neste Programa. ou jargão. ecológico de modo que demonstra apresentar-se como modelo de desenvolvimento sustentável. Os selecionados em grande maioria têm longa experiência com o padrão da agricultura moderna. 5. 1996. Balsas tinha 73% de sua população na zona urbana e 27% na zona rural. neste sentido. 1996). Abaixo seguem algumas considerações. tenham fracassados isoladamente (Cf. sobre a problemática ambiental do Programa.. ainda respaldada nas possibilidades e limitações advindas da agricultura comercial de grãos. de forma resumida. o PRODECER tem-se apropriado de um discurso. No entanto. portanto. destacadamente os da fase II. visando diminuir os custos de transportes (Pires.a. 1996:184). ou seja. mas. barata para a mecanização. o que se percebe é a vontade de prevalecer a sua expansão agrícola. desconhecendo técnicas. O Programa serviu de estímulo à ocupação agrícola no Cerrado fundamentada na expansão da agricultura. Essa alternativa não foi considerada pois.

Cf.. Pires. o Leste do Mato Grosso. Bahia e Pernambuco. as áreas próximas à hidrovia do rio Madeira. Sergipe. 1996: 95 Cf. o sudeste do Pará. além de secundariamente os Estados de Ceará. além de refletir o padrão agrícola convencional. Shiki.. que provoca a diminuição da altura das plantas. principalmente os de médio e grande porte. de uma iniciativa de grande envergadura. Shiki. Paraíba. tem-se a compactação dos solos. nos Estados de Mato Grosso e Rondônia. o Sul do Maranhão e do Piauí. contribuindo para a formação dos corredores de migração aos animais. e o Noroeste de Goiás. Pretendia-se criar a interligação dos diversos tipos de modais que teoricamente implicasse a diminuição dos custos do transporte da produção agrícola. a formação de culturas homogêneas em grandes extensões de terras provoca a excessiva exposição dos solos propiciando as erosões e diminuição da microbiota” (Pires. Alagoas. MAA. quatro corredores intermodais de transporte. 1996). esta está “baseada numa alta demanda energética e hídrica. 1995:23). mas cujos impactos ambientais não foram 360 Os planos governamentais de expansão agrícola e esmagamento de soja O Ministério da Agricultura e do Abastecimento (MAA) e o Ministério dos Transportes realizaram entre 1995 e 1996 uma avaliação dos “estrangulamentos que a infraestrutura de transportes brasileira impõe sobre o setor agrícola” (MAA: 1996:01). Conforme os estudiosos. o mesmo não se aplica a áreas agricultáveis mas que detêm alguma importância para o equilíbrio ecológico (Cf. As práticas utilizadas são as curvas de nível e terraceamento. entre Porto Velho (RO) e Itacoatiara (AM). Técnicas menos impactante como o plantio direto. Já o corredor Centro-Norte exerceria influência em grande parte do Cerrado central e setentrional abrangendo todo o Estado do Tocantins. 1996: 18). o Noroeste. No entanto. Centro-Norte. 1995:24). O corredor Nordeste abrangeria áreas dos Estados de Minas Gerais. aumentando as vantagens comparativas principalmente da produção de grãos brasileira no mercado internacional. E se “o padrão produtivo assimilado para o Cerrado proporciona degradação ambiental. pois incorre em maior desperdício de recursos. Para a implantação dos quatro corredores intermodais — quais sejam. O corredor Noroeste influenciaria diretamente a Chapada dos Parecis.] Da mesma maneira. cit. seriam diretamente beneficiados. Caso fosse implementada esta proposta. a baixa umidade relativa do ar redundam em perdas de até 70% da água.1996:27). desenvolvida em diversos projetos do Programa. os energéticos” (Cf. pretendia-se abrir novas fronteiras agrícolas nas zonas de abrangência desses corredores. bem como as demais iniciativas públicas de incremento à produção agrícola na região. cuja eficiência é afetada pelas condições atmosféricas das regiões do Cerrado. Estes investimentos seriam compensados a médio e longo prazos pela diminuição dos preços dos produtos agrícolas que proporcionariam. ao mesmo tempo em que seriam indutores na expansão da fronteira para o norte do Cerrado. MAA. 1996:04). é simultaneamente um importante indutor desse padrão no Cerrado E com relação aos temas ambientais.Em decorrência do grau de mecanização. a compostagem e a adubação verde não são implementadas em função de a relação custo-beneficio ser negativa. todos mantendo forte conexão com a região central do país. o Programa veio priorizando em sua história os aspectos lucrativos em detrimento dos problemas ambientais causados. Pires. Tratava-se. Um aspecto importante na análise da problemática ambiental no Programa refere-se ao fato de que em alguns projetos as áreas que não servem para a agricultura geralmente são destinadas a reserva legal em sistema de condomínio. vê-se que os projetos agrícolas do PRODECER. e as áreas contínuas ao Sul do Estado do Amazonas e ao Norte/Nordeste do Acre (Cf. poderia-se incorporar cerca de 50 milhões de hectares para a agricultura. a curto prazo. A partir de uma reestruturação do sistema de transporte. as áreas de Cerrado adjacentes a BR-364. Nordeste e Centro-Leste — havia a necessidade de investimentos na ordem de U$ 800 milhões. 1996). o corredor Centro-Leste assistiria principalmente a região do entorno do Distrito Federal e o Noroeste de Minas Gerais até a cidade de Pirapora (MG) e desta até Belo Horizonte (Cf. O objetivo era apresentar as alternativas de escoamento da produção agrícola por . provocando desperdícios hídricos” (op. No que se refere à irrigação. as deficiências nutricionais. o aparecimento da impermeabilidade dos solos e o favorecimento aos processos erosivos [. 1996:01). O programa tem adotado técnicas tradicionais de conservação do solo visando a prevenção dos processos erosivos. cuja metade seria oriunda das inversões públicas. MAA. notadamente. Portanto. atingindo portanto grandes áreas do Cerrado. portanto. Por último. dobrando a atual área agrícola brasileira (Cf. Há que se frisar que o PRODECER. Rio Grande do Norte. Piauí e Goiás (Cf. o seu fracasso também traz danos ambientais. MAA.

a expansão agrícola das áreas mais ao Norte da região. especialmente aqueles referentes à remoção de camada vegetal nativa. O eixo básico desta proposta de corredores intermodais foi posteriormente incorporado ao atual Brasil em Ação. na cidade de São Luís. com a capacidade de esmagar em torno de duas mil toneladas de grãos por dia ou seiscentas mil toneladas por ano. favorecendo os processos erosivos dos solos e os assoreamentos dos cursos naturais de água. do governo federal. da Superintendência Regional de Belo Horizonte (SR-2) da Rede Ferroviária Federal (RFFSA). denominadas corredores. Foi nesse contexto que se construiu várias rodoviastronco. as BR-020. ligando essas áreas ao Centro-Sul do país (por exemplo. Há que se registrar ainda os impactos ambientais decorrentes da implantação de hidrovias pretendidas. de propriedade da CEVAL (uma das maiores empresas presente no complexo agroalimentar no país). 1995:25).. e pela estrada de ferro Vitória-Minas da Companhia Vale do Rio Doce (CVRD). Além dessas. voltada ao mercado de São Paulo. Os principais são os seguintes: Corredor Centro-Leste. levou mais tempo para integrar-se à economia nacional. mais especificamente no caso do corredor centro-norte. Goiás. a construção rodoviária apenas tocou a sua periferia meridional. 163. A conclusão das obras desta indústria estava prevista para o final de 1997. como deixa claro a condição da parte Noroeste do Cerrado atingido por rodovias. reduzindo a influência de Belém. “[. permitindo a evolução da bovinocultura menos extensiva. A infra-estrutura de transportes da região era extremamente precária até o início da década de 50. no sentido Sul-Norte o Brasil Central.. que mais à frente será analisado. ao seu sudeste só tomou impulso após 1970. permitindo sua abertura e ocupação. bem como. para a parte Norte do Cerrado. fazendo parte de uma série de projetos governamentais que visavam a integração dos enormes vazios da Amazônia e do Noroeste do Centro-Oeste à economia nacional. especialmente aquele relacionado a exportação de grãos. que atravessam a área Centro-Oeste do país e a conecta com os vários pontos de escoamento da produção e centros de consumo. Essas ferrovias tiveram importância relativa sobre a expansão agrícola. Além disso. pois não se criou um sistema de estradas alimentadoras. 262. implicando a perda de biodiversidade. quase nunca são considerados os problemas e a fragilidade de algumas áreas abertas pelos investimentos rodoviários. 361 A infra-estrutura de transporte e energia no Cerrado e pantanal Sistemas de transporte Pode-se afirmar que o sistema rodoviário é o principal estruturador da ocupação e abertura da região. A Estrada de Ferro Noroeste do Brasil chegou a Campo Grande (MT) na segunda década deste século e. 050. a Estrada de Ferro Goiás atingiu a cidade de Anápolis. Entretanto.Brasília. Minas Gerais e Espírito Santo. A construção de rodovias no Centro-Sul do Cerrado foi relativamente intensa. no então Estado de Mato Grosso. 070. Nos anos cinqüenta. 267 e 364)” (WWF. no Maranhão. No conjunto das propostas de formação dos corredores intermodais. em 1935. e orientando a economia deste para o centro-sul. Composto pelo ramo ferroviário da FERRONORTE (concessão privada) que liga Cuiabá a Uberlândia3.] A parte Oeste da região. Nas décadas de 50 e 60. a partir da década de 70. elas não suficientes para a expansão da agricultura comercial. A este corredor deverá ser agregado os trechos ferroviários Unaí-Pirapora (projetado pela CVRD) e o trecho Pirapora-Belo Horizonte da SR-2 da RFFSA. os projetos do PRODECER III e a construção de uma indústria de celulose compõem um conjunto de medidas nesta direção.Desenvolvimento Social e Econômico: Pressões antrópicas no Cerrado e Pantanal apresentados. Este corredor envolve os Estados de Mato Grosso. expondo à degradação partes do Cerrado que precisam ser preservadas. tendo como extremidades os portos de Tubarão. conforme mencionado na seção anterior. fazendo parte dos corredores intermodais pretendidos pelo governo federal. dando acesso a extensas áreas do atual Estado de Tocantins. Entretanto. havia a iniciativa governamental de continuar incentivando a construção de uma indústria processadora de soja. é implantada a rodovia Belém . primeira via de ligação a atravessar . foram construídas diversas rodovias alimentadoras e de interconexão. Quanto à malha ferroviária existem várias estruturas. 060. O seu principal motivo infraestrutural refere-se ao desejo de impulsionar a exportação brasileira pelo porto de Ponta da Madeira. 040. Praia Mole e Vitória. uma vez que criou acessibilidade desta e estimulou a incorporação de suas terras à agropecuária. Esta indústria de esmagamento de soja. apesar de as estradas serem necessárias. pela Ferrovia BrasíliaBelo Horizonte. A intenção do Governo Federal era atrair cada vez mais a iniciativa privada para investimentos ligados ao complexo agroalimentar.

interligada à ferrovia de bitola larga Belo Horizonte-Rio da SR-3 (Juiz de Fora). Suape em Recife. será incorporado ao sistema do Corredor Nordeste a Hidrovia do São Francisco. a participação no . Sistemas isolados. sendo que a maioria corresponde à usinas termelétricas. em 1996. São Paulo. e. Paraná. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A capacidade instalada dos Sistemas Isolados é de 1. Corresponde aos mercados da região do baixo Tocantins. e apenas 1/3 dessa capacidade é devida à geração hidrelétrica. hoje precariamente servidas por vias de transporte” (WWF. finalmente.5% do total nacional em operação. ligando o sudeste da região ao porto de Vitória.A). com 187 usinas hidrelétricas e 25 usinas termelétricas. em 1970. onde Itaipu contribui com 50%. para 92%. quando ocorrem restrições de transmissão. diversos corredores de exportação ligando o Cerrado a portos que ampliarão o potencial agropecuário de parcelas significativas da região. pela ferrovia Transnordestina e pelos trechos ferroviários Salgueiro-Suape. Os estados envolvidos neste corredor são Goiás. Estão programados. A produção térmica destina-se aos sistemas isolados e ao complemento do atendimento do mercado dos sistemas interligados nos períodos hidrologi­camente desfavoráveis. Envolve os Estados de Minas Gerais. da SR-10 (Recife) e SR-11 (Fortaleza). além da hidrovia Tocantins-Araguaia. As extremidades são os portos de Aratú em Alvador. Composto pelos trechos feroviários Brasília-Belo Horizonte-Salvador. Envolve os Estados de Goiás. a ferrovia Leste-Oeste. e a interligação norte/sul. em fase adiantada de construção. Com a implantação do trecho Unaí-Pirapora. envolvendo as SR-2 (Belo Horizonte) e SR-7 (Salvador). Conforme consta no Programa Decenal de Geração. a ligação Brasília-Angra dos Reis é a única direta. Representa 66. a carvão e gás natural. área de influência da UHE Tucuruí e toda a região Nordeste. a complementação do sistema com programas termelétrico nuclear. Com 300 localidades eletricamente isoladas uma das outras (a maioria na Região Norte). Tem como extremidade o Porto de Itaqui no Maranhão. “ou em fase de implementação. com 18 usinas hidrelétricas e 2 termeléticas. com impactos sobre a expansão agrícola em partes do norte-nordeste do Cerrado. no trecho Pirapora-Petrolina. Recife e Salvador. A participação hidrelétrica na capacidade instalada atual evoluiu de 84%. com impacto principalmente sobre a parte Sul-Sudoeste da região. Corredor Nordeste.807 MW para ser aproveitado considerando as bacias do Tocantins/Araguaia. Tem como extremidades os portos de Santos e Paranaguá e o Mercosul. o sistema Carajás-norte-sul. o sistema elétrico está segmentado em três sistemas distintos: Sistema interligado Sul/Sudeste/Centro-Oeste. por meio de uma linha de transmissão entre Imperatriz (MA) e a UHE Serra da Mesa (GO). Faz parte também o trecho ferroviário BrasíliaAngra dos Reis da SR-2. onde se interligará com a Transnordestina e daí a Fortaleza.já que os sistemas nuclear. que é acessado a partir de Uruguaiana. ou para atendimento localizado. As diretrizes de longo prazo. sem necessidade de operações de transbordo. Sepetiba e Angra dos Reis. Comporto pela Ferrovia norte-sul (concessão da VALEC). Composto pelos trechos ferroviários Brasília-Araguari da Superintendência Regional de Belo Horizonte (SR-2). 1995:25). Araguari-São Paulo e São Paulo-Pinhalzinho da FEPASA (Ferrovias Paulistas S. Belém. previstas no Programa Decenal de Geração (1997/2006). Sua capacidade representa 24. consideram a otimização das fontes disponíveis. o corredor do qual faz parte o sistema hidroviário Paraná-Tietê. Uma análise no Plano 2015 da Eletrobrás verifica que a Região Amazônica e a do Cerrado detêm cerca de 70% e 15% do potencial de geração futura . Pará e Maranhão. Goiás e Rio de Janeiro e como extremidades os portos do Rio de Janeiro. e Pecém em Fortaleza.680 MW.1% do total nacional em operação e dispõe de um potencial de 57. em termos de subdivisão. Em contrapartida. Embora seja um trecho com capacidade limitada. pela ferrovia de Carajás da CVRD. e das ferrovias Pinhalzinho-Curitiba-Porto Alegre-Uruguaiana da SR-5 (Curitiba) e SR-6 (Porto Alegre) da RFFSA. Minas Gerais. Corredor Norte. ampliando as perspectivas do Cerrado do Sul de Mato Grosso. Corredor do Rio.Corredor Sul. Destacam-se entre estes: o corredor apoiado na ferrovia Vitória-Minas. de gás natural e de carvão são apenas complementares. o corredor que deverá se apoiar na ferrovia em construção pelo governo do Estado do Paraná e que melhorará a ligação do Sudoeste 362 do Cerrado ao porto de Paranaguá. Xingú e Tapajós. Sistema interligado Norte/Nordeste . Tocantins. Composto pela Ferrovia Brasília-Belo Horizonte da SR-2. Produção de energia Atualmente toda a matriz energética brasileira é fortemente pautada nos sistemas hidrelétricos. prevista no Brasil em Ação.

das Regiões Norte e Centro-Oeste é de apenas 10. o sudeste do Mato Grosso. Eixos do Sudeste. procurando identificar as características do sistema econômico nacional que. percebese que a proposta não considera a vulnerabilidade dos ecossistemas existentes quando do deta­lhamento dos projetos componentes dos diferentes eixos. Suas área de influência articula também as atividades econômicas da Região Sul. os recursos energéticos e a sua navegabilidade. Rio de Janeiro e São Paulo. Nesse sentido. que organizam economicamente o país acima do paralelo 18º. A sua área de influência articula as economias agroindustriais presentes no Cerrado e as economias industriais de Minas Gerais. Cana Brava e Serra da Mesa) estão com o seu planejamento de transmissão associado ao da interligação Norte/Sul. Eixo do rio São Francisco. todos com elevado consumo de energia. o Triângulo Mineiro. desembocam os três eixos de integração Norte/Sul. no ano de 1996. Os sistemas de transmissão para o aproveitamento da hidreletricidade da Amazônia pelas Regiões Nordeste e Sudeste iniciam pelo Médio Tocantins. mais ao Oeste do país. Espírito Santo e Goiás. Complementa o eixo Araguaia – Tocantins pois permite a viabilização econômica do Oeste brasileiro e da parte meridional do Cerrado. Eixo Oeste. 363 As propostas do Plano Plurianual (PPA) 95/98 para a região O PPA introduziu a idéia de Eixos Nacionais de Integração e Desenvolvimento que. que o País seja dividido em um conjunto de subespaços. no sentido Norte-Sul. a todas as demais.