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Teoria Geral dos Contratos
Maria Bernadete Miranda Mestre em Direito das Relações Sociais, sub-área Direito Empresarial, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Coordenadora e Professora do Curso de Pós-Graduação da Faculdade de Direito de Itu e Professora de Direito Empresarial, Direito do Consumidor e Mediação e Arbitragem da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis de São Roque. Advogada.

1. Introdução A presente pesquisa tem por objetivo apresentar a teoria geral dos contratos iniciando-se com a origem etimológica e conceito de contrato, seguindo-se para os princípios gerais dos contratos, sua função social e boa-fé objetiva. Posteriormente apresenta-se a classificação dos contratos, sua formação e lugar, defeitos na formação e extinção dos contratos. Em um próximo tópico faz-se referência ao contrato preliminar, as arras, aos vícios redibitórios e a evicção seguindo-se para as conclusões. A metodologia de apresentação está dividida em tópicos, sendo que no primeiro, apresenta-se a origem etimológica e conceito de contrato, seguindo-se para os princípios gerais dos contratos, sua função social e boa-fé objetiva. Posteriormente apresenta-se a classificação dos contratos, sua formação e lugar, defeitos na formação e extinção dos contratos. Em um próximo tópico faz-se referência ao contrato preliminar, as arras, aos vícios redibitórios e a evicção seguindo-se para as conclusões. O conteúdo descrito a seguir foi desenvolvido de forma a propiciar um fácil entendimento dos conceitos apresentados. 2. Origem Etimológica e Conceito de Contrato A origem etimológica do vocábulo contrato conduz ao vínculo jurídico das vontades com vistas a um objeto específico. O verbo contrahere conduz a contractus, que traz o sentido de ajuste, convenção ou pacto, sendo um acordo de vontades criador de direitos e obrigações. É o acordo entre duas ou mais pessoas
Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 - 2008

que convencionam. modificação ou extinção do vínculo patrimonial. 30. É o trato em que duas ou mais pessoas assumem certos compromissos ou obrigações. de escolher o tipo e o objeto do contrato e de dispor o conteúdo contratual de acordo com os interesses a serem auto-regulados. São Paulo: Saraiva. com o escopo de adquirir. Curso de direito civil brasileiro. Contratos. Rio de Janeiro: Forense. Na definição de Ulpiano contrato “est pactio duorum pluriumve in idem placitum consensus”. 4. 3. p. agente capaz. Clóvis. 4 Na concepção moderna contrato é negócio jurídico bilateral que gera obrigações para ambas as partes. p. modificar. Clóvis Beviláqua entende por contrato “o acordo de vontade de duas ou mais pessoas com a finalidade de adquirir. Maria Helena. 3 DINIZ. verificando. resguardar. Nova Cultural. 10.2008 . Princípios Gerais dos Contratos A validade do contrato exige acordo de vontades. ou asseguram entre si algum direito. 7. destinado a estabelecer uma regulamentação de interesses entre as partes. vol. BEVILÁQUA. na conformidade da ordem jurídica. resguardar.1916. 2 Para Maria Helena Diniz. p. 4 GOMES. 3 Nos ensinamentos de Orlando Gomes “contrato é. fazer ou não fazer alguma coisa. a constituição.Orlando. 245. p. objeto lícito. 1 Contrato é o acordo de vontade entre duas ou mais pessoas com a finalidade de adquirir. possível. Grande Enciclopédia Larousse Cultura. a dar. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . determinado ou determinável e forma prescrita ou não defesa em lei. assim. que sujeita as partes à observância de conduta idônea à satisfação dos interesses que regularam”. transferir ou extinguir direitos. 3. modificar ou extinguir direito”. que em vernáculo significa “o mútuo consenso de duas ou mais pessoas sobre o mesmo objeto”. assim.1598. modificar ou extinguir relações jurídicas de natureza patrimonial”. o negócio jurídico bilateral.2 para um fim qualquer. 1 2 LARROUSE. Incidem sobre os contratos três princípios básicos: a) Autonomia da vontade: significa a liberdade das partes de contratar. 2007. “contrato é o acordo de duas ou mais vontades. vol. 2004. ou plurilateral. 2008. Código civil anotado. por consentimento recíproco. Rio de Janeiro: Francisco Alves. vol.

sem sombra de dúvida. Boa-Fé Objetiva O Código Civil brasileiro também consagrou como princípio básico regente da matéria contratual. o que justifica a utilização das expressões "razão" e "limite" do já mencionado dispositivo legal. c) Obrigatoriedade do contrato: significa que o contrato faz lei entre as partes.3 b) Supremacia da ordem pública: significa que a autonomia da vontade é relativa. e falando promete. Os contratos devem ser cumpridos. pacta sunt servanda. mas sim da própria razão de ser de todas as outras regras contratuais. a autonomia do princípio da função social (lá da propriedade. de forma difusa. Não pode ser objeto de contrato herança de pessoa viva. 4. na esteira do insuperável Orlando Gomes quando comentava a função social da propriedade. 5. também gera repercussões e . pois não se constitui em simples limitação normativa. a boa-fé objetiva. Função Social do Contrato Da mesma forma que constitucionalmente previsto para a propriedade. Trata-se. embora aprioristicamente se refira somente às partes pactuantes (relatividade subjetiva). Dever da veracidade. “Pode calar-se ou falar. além da própria sociedade. aqui do contrato). sujeita à lei e aos princípios da moral e da ordem pública. mas se o faz. O contrato. “Ninguém é obrigado a tratar. a lei o constrange a cumprir tal promessa”. É importante ressaltar. é obrigado a cumprir”. do princípio básico que deve reger todo o ordenamento normativo no que diz respeito à matéria contratual. 421. que devem gravitar em torno de si.2008 . Mas se fala.por que não dizer? . O distrato faz-se pela mesma forma que o contrato.deveres jurídicos para terceiros. CC-02). a "liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato" (art. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 .

que consagra. a) Contratos consensuais são aqueles que se tornam perfeitos pelo simples consentimento das partes. e) de execução imediata. mandato. comissão. na forma do artigo 1. diferida e sucessiva. portanto. d) contratos comutativos e aleatórios. no prestígio à boa-fé." A boa-fé que se procura preservar. do papel que tomam na relação jurídica. Consideram-se formados pela simples proposta e aceitação. nesse aspecto. como em sua execução. e da sua regulamentação legal ou não. i) contratos principais e acessórios. e l) contratos atípicos e inominados. Não se trata. entendida essa como a exigível do homem mediano. locação. Destaque-se que. h) contratos paritários e de adesão. o instituto. do interesse que tem a pessoa com quem se contrata. f) contratos solenes e não solenes. da boa-fé subjetiva. do sistema norte-americano. o Código Civil pode ser considerado mais explícito. g) contratos escritos ou verbais. etc. c) contratos gratuitos e onerosos. 6. Em face desses elementos teremos então: a) contratos consensuais e reais. os princípios de probidade e boa-fé. prestigiando-se no texto legal. mas não dessa forma tão expressa e genérica. Classificação dos Contratos Os contratos se classificam em função de sua formação. é a objetiva. das vantagens que podem trazer para as partes. indubitavelmente. que o próprio Código de Defesa do Consumidor. da realidade da contraprestação.4 É o que se extrai do novel artigo 422. j) contratos típicos e nominados.2008 . UMA DAS LEIS MAIS AVANÇADAS DO PAÍS. assim na conclusão do contrato. b) contratos unilaterais e bilaterais. numa aplicação específica do critério do "reazonable man". que preceitua: "Os contratantes são obrigados a guardar. dos requisitos exigidos para a sua formação. tão cara aos Direitos Reais. do modo de execução. por exemplo: compra e venda. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . das obrigações que originam.201 do CC-02.

por exemplo: sociedade em conta de participação. por exemplo: sociedade. corretagem.2008 . doação. por exemplo: escrituras de compra e venda de imóvel. troca. por exemplo: depósito. por exemplo: compra e venda. ou entende que recebe. As partes se arriscam a uma contraprestação inexistente ou desproporcional. etc. Cada uma das partes recebe. por exemplo: compra e venda. compra e venda. por exemplo: doação pura e simples. de um risco. forma especial. f) Contratos solenes são aqueles para os quais se exigem formalidades especiais e que dão ao ato um caráter solene. b) Contratos unilaterais são aqueles em que somente uma das partes assume a obrigação. Contratos verbais são aqueles que podem ser celebrados por simples acordo verbal. De execução sucessiva são aqueles cumpridos em etapas periódicas. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . d) Contratos comutativos são contratos onerosos em que as prestações de ambas as partes são certas. por exemplo: seguro. Contratos bilaterais ou sinalagmáticos são aqueles em que ambas as partes assumem obrigações. g) Contratos escritos são aqueles que só podem ser contraídos mediante escritura pública ou particular. por exemplo: comodato. uma contraprestação mais ou menos equivalente. mútuo. e) De execução imediata e diferida são aqueles de prazo único. Contratos onerosos são aqueles onde ambas as partes visam as vantagens correspondentes às respectivas prestações por exemplo: locação. por exemplo: agência e distribuição. aposta. etc. locação. mútuo. comissão. locação. etc. jogo. penhor. Contratos aleatórios são contratos onerosos nos quais a prestação de uma ou de ambas as partes fica na dependência de um caso fortuito. c) Contratos gratuitos são aqueles onde somente uma das partes é beneficiada.5 Contratos reais são aqueles que só se completam se. Contratos não solenes são aqueles aos quais a lei não prescreve. doação. além do consentimento houver a entrega da coisa que lhe serve de objeto. para a sua celebração.

os reais com a entrega da coisa e os formais com a realização da solenidade. Diz-se expressa quando a manifestação da vontade se revela através de propósito deliberado de uma das partes. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . sem direito de discutir ou modificar cláusulas. incompatíveis com a decisão contrária. Correspondem a manifestações indiretas da vontade. por exemplo: compra e venda. Pode se revelar através da palavra escrita ou verbal. Contratos acessórios são aqueles que acompanham o contrato principal e cuja finalidade é a segurança e a garantia da obrigação principal. de externar o seu pensamento em determinado sentido. distribuição. Contratos de adesão são aqueles em que um dos contratantes é obrigado a tratar nas condições que lhe são oferecidas e impostas pela outra parte. Diz-se tácita quando o consentimento provém de ato do agente. i) Contratos principais são aqueles que existem por si só.6 h) Contratos paritários são aqueles em que as partes estão em pé de igualdade. por exemplo: todo e qualquer contrato desde que seja lícito. por exemplo: locação. por exemplo: compra e venda. de modo expresso ou tácito. Subsistem de forma independente. troca. mútuo. por exemplo: fiança. seguro. O proponente ou policitante propõe e o aceitante ou oblato aceita.2008 . Formação e Lugar dos Contratos Os contratos consensuais formam-se com a proposta e a aceitação. etc. sem dependência de outro. j) Contratos típicos e nominados são aqueles tipificados na lei. por exemplo: contratos bancários. não tem denominação e nem regulamentação própria. escolhendo o contratante e debatendo livremente as cláusulas. doação. l) Contratos atípicos e inominados são aqueles resultantes de variadas combinações entre as partes. 7. que tem uma denominação específica em direito e regulamentação própria. comissão. por meio de gestos. Contrato entre presentes é aquele em que a proposta ou oferta é feita e a aceitação é imediata. penhor.

que o aceitante introduz alterações na proposta. Contratos entre ausentes é aquele em que a parte a quem é dirigida a proposta não manifesta imediatamente a sua vontade. declarando se aceita ou se a recusa. e-mail ou outro meio similar. um acordo entre as partes. Retratação será uma declaração lícita do policitante para obstar os efeitos da proposta. a parte que recebeu a proposta) manifesta através da expedição de correspondência. Ou. será uma declaração lícita do aceitante. divergências ou não ajuste perfeito entre as partes. desde que a retratação chegue ao proponente antes ou conjuntamente com a aceitação. onde o proponente fornece número de telefone para que o pedido seja feito ou fornece cupom no próprio anúncio ou oferta na tela do computador. em revistas. Somente se torna eficaz chegando ao conhecimento do proponente antes ou juntamente com a aceitação. mas sim a toda uma coletividade. neste caso o aceitante passa a ser proponente e vice versa. após o envio da aceitação. Seria a hipótese de anúncios pagos na televisão. Contraproposta significa dizer. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . aceitando o contrato proposto sem condição nem reservas. O aceitante poderá. Na hipótese de formação de contratos entre ausentes. fazendo adições ou restrições. são contratos celebrados entre ausentes. em jornais.7 Considera-se também entre presentes o contrato celebrado por meio telefônico. retratar-se. Consenso significa dizer. A oferta ao público equivale a proposta quando encerra os requisitos essenciais ao contrato A proposta pode não ser dirigida a uma pessoa determinada. na Internet. Dissenso significa dizer. Somente se torna eficaz chegando ao conhecimento do aceitante antes ou juntamente com a proposta. nos sites da Internet. reputa-se constituído o contrato no momento em que o oblato (isto é. no sentido de contratar. Os contratos celebrados por meio de fax. e os contratos celebrados em salas de Chat. para obstar os efeitos da aceitação.2008 .

Os vícios que invalidam o consentimento são: erro. A nulidade pode limitarse apenas a uma cláusula se não contaminar as demais. dolo. esperteza. a vontade se desvia ou não é real. ao contrário. coação. O ato nulo (nulidade absoluta) não pode ser convalidado nem ratificado. estado de perigo. isto é. ele estará perfeito no momento em que ocorrer a remessa da aceitação. Portanto. engano. ardil. Assim. o proponente ficará vinculado juridicamente aos termos da sua proposta. caso alguém manifeste sua vontade no sentido de contratar antes da proposta feita ao público ser retirada. manha. Uma vez formulada a oferta ao público. se o contrato for consensual. lesão e fraude contra credores. Erro é a falsa noção ou falsa idéia. dolo. O ato anulável (nulidade relativa). fraude. coação.2008 . o anunciante fica vinculado à sua proposta. pode ser ratificado pelas partes. etc. dolus (latim) astúcia. dolo. Assenta-se na má fé e na indução ao erro. violência. Reputar-se-á celebrado o contrato no lugar onde foi proposto. desprovido de qualquer ato que se venha interpretar de forma negativa como ameaça. Provém do não conhecimento da verdadeira natureza do objeto. por qualquer pessoa. Dolo. 8. Nulo é o contrato que atenta contra norma de ordem pública ou que não tenha os pressupostos e requisitos de validade do negócio jurídico. se forem preenchidos os requisitos essenciais ao contrato. podendo a nulidade ser argüida a qualquer tempo. ou viciado por erro. Defeitos na Formação do Contrato Nos contratos. Na formação dos contratos podem surgir vícios que o tornem nulo ou anulável. Anulável é o contrato celebrado por pessoa relativamente incapaz. isto é. o consentimento deve ser voluntário. medo. lesão ou fraude contra credores. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . enquanto não ocorrer a decadência. estado de perigo. Só os interessados diretos podem alegar a nulidade relativa.8 Esse “pedido” tem a natureza jurídica de aceitação à proposta feita por meio do anúncio e como tal deve ser tratada.

O objetivo da conduta é conduzir em erro a parte contrária. assume obrigação excessivamente onerosa. Lesão ocorre quando uma pessoa. Extinção dos Contratos O contrato extingue-se normalmente pela sua execução com o cumprimento.2008 . de grave dano conhecido pela outra parte. Fraude à lei o chamado “jeitinho brasileiro” com o intuito de fugir à incidência da lei e seus efeitos. 9. fraudare (latim). Coação. a manobra com objetivo de fraudar terceiros. Os atos viciados por fraude são anuláveis por meio da Ação Pauliana. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . O agente quer o resultado ilícito. ou por inexperiência. falsear ou ocultar a verdade com intenção de prejudicar ou enganar. restringir a liberdade do querer. se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. premido da necessidade de salvar-se. A forma normal de extinção do contrato é pelo cumprimento das obrigações por eles geradas. nulo é o contrato. Viciado o consentimento pela coação. forçar. Estado de perigo é quando alguém. impor. violentar. cogere (latim) constranger. material ou moral para que alguém faça ou deixe de fazer alguma coisa. obrigar. sob premente necessidade.9 Ações dolosas objetivam o não cumprimento da promessa. Para anular o ato é necessário que a coação seja injusta. Fraude contra credores. Para caracterizar a fraude basta que o devedor tenha consciência de que seu ato irá prejudicar ou trazer prejuízos a terceiros. Fraude contra credores é o artifício malicioso empregado para prejudicar terceiros despidos de quaisquer garantias reais. Assim como eles nascem. Qualquer emprego de forma física ou simples ameaça de mal físico. onde os bens transferidos fraudulentamente retornam ao patrimônio do credor. também se extinguem. coactio. É o artifício. Há várias formas pelas quais os contratos se extinguem. contrário ao direito. ou a pessoa de sua família.

O inadimplente responderá também por perdas e danos. A denúncia unilateral ocorre nos contratos por tempo indeterminado. a denúncia unilateral só produzirá efeito depois de transcorrido prazo compatível com a natureza e o vulto dos investimentos. o distrato equivale a uma revenda. somente para a frente. Se. O distrato somente produz efeitos para o futuro. É um novo contrato com a finalidade de dissolver o anterior. chamada “aviso prévio”. pois não se admite contratos perpétuos.2008 . Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . O distrato é feito pelo mútuo acordo e deve ter a mesma forma do contrato celebrado. a extinção pela vontade de uma das partes deve ser precedida de notificação. Ocorre a inexecução involuntária quando o descumprimento do contrato é advindo de dificuldade fora do comum. poderá exigir o implemento do outro. Em alguns contratos por tempo indeterminado. A parte lesada pelo inadimplemento pode requerer a rescisão do contrato com perdas e danos se não preferir exigir-lhe o cumprimento. É o acordo entre as partes. porém. Seu efeito é ex nunc . como caso fortuito ou força maior. não retroage aos efeitos anteriores. uma transferência da propriedade. Se determinado ato foi através de escritura pública.10 O credor atestará o pagamento por meio de quitação regular. antes de cumprida a sua obrigação. vale a quitação por instrumento particular. dada com certa antecedência. A exceção do contrato não cumprido é aquela onde nenhum dos contratantes. Nos contratos indeterminados as partes não estipulam sua duração. No inadimplemento o prejudicado pode pleitear a resolução do contrato em juízo. A quitação vale qualquer que seja a forma do contrato. por iniciativa de uma das partes. isto é. A extinção pode se dar a qualquer tempo. Nos contratos bilaterais está sempre implícita uma cláusula resolutiva em caso de inadimplemento. a fim de extinguir vínculo contratual anteriormente estabelecido. dada a natureza do contrato. uma das partes houver feito investimentos consideráveis para a sua execução.

suprir a vontade da parte inadimplente. assinando prazo à outra para que o efetive. poderá o juiz. depois de concluído o contrato. podendo o devedor pedir a resolução do contrato. salvo se a isto se opuser a natureza da obrigação. com extrema vantagem para a outra. e pedir perdas e danos. O contrato preliminar deverá ser levado ao registro competente. poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida.11 Se. Arras Arras ou sinal são garantia do contrato preliminar. Esgotado o prazo. e desde que dele não conste cláusula de arrependimento. Resolução por onerosidade excessiva ocorre quando a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. a fim de evitar a onerosidade excessiva. exceto quanto à forma. conferindo caráter definitivo ao contrato preliminar. pode a outra recusar-se à prestação que lhe incumbe. 10. A resolução poderá ser evitada. até que aquela satisfaça a que lhe compete ou dê garantia bastante de satisfazê-la. a pedido do interessado. gerando presunção de acordo final e tornando obrigatório o contrato. Contrato Preliminar O contrato preliminar. Concluído o contrato preliminar. 11. sobrevier a uma das partes contratantes diminuição em seu patrimônio capaz de comprometer ou tornar duvidosa a prestação pela qual se obrigou. em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. Se o estipulante não der execução ao contrato preliminar. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação.2008 . Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . poderá a outra parte considerá-lo desfeito. deve conter todos os requisitos essenciais ao contrato a ser celebrado. ou que seja alterado o modo de executála. qualquer das partes terá o direito de exigir a celebração do definitivo.

e exigir sua devolução mais o equivalente. as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar. a título de arras. Se a parte que deu as arras não executar o contrato. por ocasião da conclusão do contrato. e de um ano se for imóvel. também. Vícios Redibitórios A coisa recebida em virtude de contrato comutativo pode ser enjeitada por vícios ou defeitos ocultos. A responsabilidade do alienante subsiste ainda que a coisa pereça em poder do alienatário. com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. se provar maior prejuízo. dinheiro ou outro bem móvel. uma parte der à outra. A parte inocente pode pedir indenização suplementar. valendo as arras como taxa mínima. mais o equivalente. que a tornem imprópria ao uso a que é destinada. O adquirente decai do direito de obter a redibição ou abatimento no preço no prazo de trinta dias se a coisa for móvel. em caso de execução. poderá a outra tê-lo por desfeito. O adquirente pode no lugar de rejeitar a coisa. com as perdas e danos. a parte inocente exigir a execução do contrato. tão-somente restituirá o valor recebido. se o não conhecia.2008 . já existente ao tempo da tradição. juros e honorários de advogado. Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes. poderá quem as deu haver o contrato por desfeito. valendo as arras como o mínimo da indenização. 12. Pode. retendo-as. contado da Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . e quem as recebeu devolvê-las-á. Neste caso. se perecer por vício oculto. ou lhe diminuam o valor. redibindo o contrato reclamar abatimento no preço.12 Se. se do mesmo gênero da principal. ser restituídas ou computadas na prestação devida. deverão as arras. restituirá o que recebeu com perdas e danos. se a inexecução for de quem recebeu as arras. mais as despesas do contrato. Se o alienante conhecia o vício ou defeito da coisa. quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte.

c) às custas judiciais e aos honorários do advogado por ele constituído. não o assumiu. para os imóveis. em se tratando de bens móveis. por cláusula expressa. o prazo contar-se-á do momento em que dele tiver ciência. se esta se der. tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta. da coisa pelo adquirente. b) à indenização pelas despesas dos contratos e pelos prejuízos que diretamente resultarem da evicção. reforçar. Se já estava na posse. reafirmando que o contrato não pode ser mais encarado da mesma forma que era quando da plenitude do liberalismo. dele informado. com prestígio à boa-fé e à equivalência material das partes. só puder ser conhecido mais tarde. 13. por força de decisão judicial baseada em causa preexistente a contrato. Podem as partes. alfandegária ou administrativa. além da restituição integral do preço ou das quantias que pagou: a) à indenização dos frutos que tiver sido obrigado a restituir. diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. por sua natureza. 14. como apreensão judicial. tem direito o evicto. reduzido à metade. Considerações Finais Essas são as breves considerações da pesquisa. mas por outro motivo. se não soube do risco da evicção. o alienante responde pela evicção. o prazo conta-se da alienação. até o prazo máximo de cento e oitenta dias. Nos contratos onerosos. e de um ano. Quando o vício. Subsiste esta garantia ainda que a aquisição se tenha realizado em hasta pública. Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção. mas sim sob o enfoque de uma solidariedade social que prestigie a efetiva manifestação da vontade.13 entrega efetiva. Salvo estipulação em contrário. ou. ou parcial.2008 . realizando o macroprincípio constitucional da dignidade da pessoa Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . A jurisprudência tem reconhecido a evicção mesmo quando a perda da coisa não foi ocasionada por decisão judicial. Evicção A evicção é a perda total.

de forma absoluta e axiologicamente deplorável. Direito civil brasileiro. VENOSA. Caio Mário da Silva – Instituições de direito civil. 2008.1916. Direito civil. Clóvis. RODRIGUES. Rio de Janeiro: Forense. Devendo esta ser a visão moderna do contrato. COELHO. 2007. 2006. Roberto Senise. Código civil anotado. São Paulo: Saraiva. Fabio Ulhoa. Carlos Roberto. pois o contrato é instrumento a serviço da sociedade. Direito civil. 2004. 2005. Manual elementar de direito civil. São Paulo: Saraiva. Maria Helena – Curso de direito civil brasileiro. São Paulo: Atlas. e não é a sociedade que deve se submeter. São Paulo: Saraiva. São Paulo: Nova Cultural. 2007. Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 . aos abusos dos que se valem do contrato para impor o seu poder. 2007. LARROUSE. PEREIRA. GONÇALVES. Silvio. Curso de direito civil. Grande enciclopédia larrouse cultural. São Paulo: Saraiva.14 humana. Silvio Salvo Venosa. 2007. 2008. DINIZ. Contratos. São Paulo: Revista dos Tribunais. Rio de Janeiro: Francisco Alves. LISBOA. Referências Bibliográficas BEVILÁQUA. MONTEIRO.Orlando. Washington de Barros – Curso de direito civil. Rio de Janeiro: Forense. São Paulo: Saraiva. GOMES. 2005.2008 .

15 Revista Virtual Direito Brasil – Volume 2 – nº 2 .2008 .

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