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Apostila Portugues

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Apostila Digital

Língua Portuguesa
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O TEXTO EM NOSSO COTIDIANO

Caro aluno, seja bem-vindo! Vamos dar início às nossas atividades discutindo alguns aspectos interessantes a respeito da presença dos textos em nossa vida. Você deve estar acostumado a ver e ouvir a palavra “texto”, seja no trabalho, na faculdade, em livros, revistas etc. Então, aí vem a pergunta: você saberia dizer quais são os conceitos, os significados e a importância do “texto” para o seu dia a dia? Talvez você tenha parado para pensar sobre o assunto e, no momento, surgiram algumas dúvidas:

- Texto é um aglomerado de palavras e frases? Roupas, caderno, lindo. Fui ontem ao cinema. O cinema do shopping é muito bonito. No shopping tem muitas coisas para se comprar. A compra da nossa casa não deu certo porque o banco não aprovou o financiamento.

- Texto pode ser somente aquilo que escrevemos?

- Texto é o que a professora ou o professor pede para a gente elaborar na aula de redação?

- Texto é aquilo que a gente lê no jornal, no livro, na internet etc.?

Nós levantamos muitas hipóteses a respeito do que é texto. Será que alguma das perguntas acima seria a sua real definição? Fiorin (1996, p.16) diz que texto “é um todo organizado de sentido”, ou seja, nós não podemos entender que o texto seja apenas um conjunto de palavras ou frases que se juntam de forma aleatória para constituí-lo, mas, sim, que essas palavras e frases devam estar ligadas entre si para que haja uma continuidade entre elas, a fim de que a sua totalidade forme uma unidade de sentido. Talvez, você esteja dizendo: “mas isso é óbvio!”, entretanto, não é essa a noção de texto que boa parte dos estudantes emprega na prática.

Na escola, quando o professor ou a professora pede para que seja elaborada uma redação é comum os alunos lhe perguntarem: “com quantas linhas?” ou “em quantas palavras?”. Perguntas desse tipo demonstram mais preocupação em atender às exigências de números de linhas ou palavras, do que construir um texto que faça sentido para quem o lê. A produção textual, nesse caso, não é concebida como um todo com unidade de sentido, isto é, uma organização de ideias com começo, meio e fim, mas como uma somatória de linhas, um amontoado de palavras sucessivas. Pior é que essa concepção de texto também está presente nas atividades de leitura. Muitas vezes, lemos apenas parte de um texto e achamos que o entendemos em sua completude. É isso o que ocorre quando o professor nos dá um romance para ler e lemos apenas o resumo ou partes de capítulos, imaginando que a leitura parcial seja suficiente para ter sucesso na avaliação. Veja o texto de Ricardo Ramos:

Circuito Fechado
Ricardo Ramos1 Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo; pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, documentos, caneta, chaves, lenço, relógio, maços de cigarros, caixa de fósforos. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapos. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, blocos de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis.(...)

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Ricardo Ramos nasceu em Palmeira dos Índios, em 1929, ano em que o pai Graciliano Ramos exercia a função de prefeito. Formado em Direito, destacou-se como homem da propaganda, professor de comunicação, jornalista e escritor em São Paulo. Sua obra literária é extensa: contos, romances e novelas, e representa, com destaque, a prosa contemporânea da literatura brasileira.

Apesar do texto, em uma primeira leitura não aparentar relação entre as palavras, se você observar atentamente, poderá perceber que se trata do cotidiano de um indivíduo, e é possível perceber sua rotina e até mesmo seu gênero: se é masculino ou feminino. Leia o restante do texto que complementa nossa análise e tente buscar outras informações importantes que o texto passa para o leitor:

(...) Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetos de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras, cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.

Práticas como essas demonstram que precisamos rever o conceito de texto. Observe o texto a seguir:

Esse texto é uma “tirinha” publicada no jornal Folha de São Paulo, em 1/12/2008. As tirinhas são textos curtos formados por quadrinhos de texto verbal e visual dispostos linearmente na página do jornal. Essa tira, em particular, tem dois quadrinhos. No primeiro, temos um coelho que ao passear num parque é elogiado por duas garotas. Diante desse elogio, ele se sente insatisfeito e não aprecia os adjetivos que lhe são atribuídos. Já no segundo quadro, temos, no mesmo parque, coelhas que também o elogiam, todavia, esses elogios são apreciados pelo coelho. Se fôssemos analisar esse texto, isolando cada quadro, não entenderíamos o humor que ali se estabelece, isto é, ficaríamos apenas na observação que fizemos acima, sem uma ligação entre um quadro e outro. Para depreendermos a unidade de sentido, devemos observar a relação que se estabelece entre os elementos que constituem a tira. Além das observações já realizadas, precisamos levar em conta que são meninas – seres humanos – que, no primeiro quadro, estão fazendo o elogio. Elas se utilizam do sufixo diminutivo (–inho) para qualificar o animal. Portanto, a relação que caberia aqui, não passaria de HUMANO x ANIMAL, sendo o animal apenas um “objeto” de manuseio e admiração do humano. Essa é uma relação que não agrada ao coelho. Já no segundo quadro, os elogios são dados por coelhas e elas se utilizam do sufixo aumentativo (-ão) para caracterizar o ser da mesma espécie, enaltecendo sua macheza e virilidade. Portanto, a relação que cabe aqui é COELHO x COELHAS, de cunho sexual, o que traz satisfação ao coelho, pois é esse tipo de relacionamento que o interessa. Diante disso, vemos que o riso só se dá quando comparamos um quadro ao outro. Dessa forma, podemos chegar à seguinte conclusão:

Um texto é um todo organizado de sentido, porque o significado de uma parte depende das outras com que se relaciona de tal forma que combinam entre si, a fim de gerar uma unidade.

Essa definição será fundamental para analisarmos e elaborarmos textos. Por isso, tenham-na sempre em mente, pois já estamos de certa forma, condicionados a analisarmos os textos de forma fragmentada, não observando todos os elementos que estão ali presentes. Vejamos se você compreendeu bem o que foi dito até aqui e se já conseguiu direcionar a sua mente para entender que todos os elementos presentes no texto são importantes para a depreensão de sentido e, para isso, vamos analisar mais um exemplo: Observe a propaganda a seguir retirada do site http://naweb.wordpress.com/. Ela se constitui em três quadros. Faça a leitura mediante as questões abaixo.

a) Se você observar apenas o primeiro quadro, abaixo, qual o sentido que você depreende?

b) Agora, observe o segundo quadro. Ele corresponde ao sentido que você obteve do primeiro?

c) Vamos ao terceiro quadro. Ele é uma confirmação da leitura que você fez do primeiro e segundo quadros ou somente quando você observou o terceiro quadro é que houve um entendimento da propaganda?

Nesse momento, observe abaixo a propaganda toda.

Edson Baeta http://naweb.wordpress.com/. Acesso em 11/11/2009

Podemos perceber que a propaganda é um alerta acerca do consumo de bebida alcoólica e do ato de dirigir, ou seja, os dois “não devem andar juntos”, pois o álcool prejudica a atenção dos motoristas e aumenta a ocorrência de acidentes. Essa leitura só é possível pela visualização e depreensão de sentido dos três quadros juntos. Por isso, falamos que o texto é uma unidade de sentido e para obter essa unidade é necessário observar e pensar em todos os aspectos que nele estão envolvidos.

Mas, talvez você deva estar se perguntando: “A propaganda acima ou mesmo a tirinha é um texto? Mas elas são compostas por poucas palavras.!!!!!” Eis, então, a resposta: ELAS SÃO TEXTO, pois texto, também, é toda manifestação linguística, paralinguística e imagética que transmite uma mensagem ou um ato de comunicação a fim de obter uma interação com o outro. Por isso, dizemos que existem três tipos de texto: verbal, não verbal e sincrético ou misto (verbal e não verbal). Quando dizemos manifestação linguística falamos de recursos expressos pela palavra (que pode ser oral ou escrita); o paralinguístico é quando usamos gestos, olhares etc.; e o imagético é formado por imagens ou figuras. Cotidianamente as pessoas se deparam com uma grande variedade de palavras e imagens que apresentam características diferentes e que são elaboradas com objetivos bem distintos. Veremos a seguir produções que relacionam elementos expressivos verbais, não verbais e mistos.

Texto verbal
Existem várias formas de comunicação. Quando o homem se utiliza da palavra, ou seja, da linguagem oral ou escrita, dizemos que ele está utilizando uma linguagem verbal, pois o código usado é a língua. Tal código está presente, quando falamos com alguém, quando lemos ou quando escrevemos. A linguagem verbal é a forma de comunicação mais presente em nosso cotidiano. Mediante a língua falada ou escrita, expomos aos outros as nossas idéias e pensamentos, comunicando-nos por meio desse código verbal imprescindível em nossas vidas. Portanto, a linguagem verbal é aquela que tem as palavras como recurso expressivo, como exemplo: textos orais ou escritos, em prosa ou em verso. Leia o texto:

Resenha de filme: Crepúsculo Luma Jatobá 18/01/2009 Baseado nos livros de Stephenie Meyer, Crepúsculo vem às telonas contar a história da jovem Isabella Swan (Kristen Stewart) que ao se mudar para a casa do pai em Forks, Washington, conhece no colégio uma família diferente: os Cullen. Por serem anti-sociais e muito reservados, são os estranhos da escola. Bella logo se apaixona por Edward Cullen (Robert Pattinson) e ele por ela. Seria algo lindo e normal se o rapaz não fosse um vampiro. E é deste meado que se desenvolve a história: o romance proibido, o segredo que não pode ser descoberto e a perseguição dos Cullen, após James (Cam Gigandet), o vampiro sanguinário, descobrir o "namoro" deles. Agora os Cullen e a jovem Bella estão correndo perigo. A corrida é contra o relógio para acabar com o vampiro antes que o pior aconteça. A história do filme é legal e prende do início ao fim, mas falta uma trilha sonora de peso e abusa quando dão a desculpa de que vampiros não saem ao sol porque brilham como diamantes. O livro está no terceiro volume, Crepúsculo é apenas o primeiro da série que ainda trás Lua nova e Eclipse. Dizem por aí que a nova adaptação de Romeu e Julieta veio pra substituir o bruxinho Harry Potter, será? (http://centralrocknet.com.br/index.php?news=677)

Observamos que o texto acima é uma resenha, cuja finalidade é descrever o filme Crepúsculo, para que o leitor tenha uma visão da história, a fim de verificar se é interessante assisti-lo. Para isso, o autor utilizou-se da linguagem verbal, pois como vemos, utilizou-se a língua escrita para se comunicar. Além da resenha, encontramos a linguagem verbal em textos de propagandas; reportagens (jornais, revistas etc.); obras literárias e científicas; na comunicação entre as pessoas; em discursos (do Presidente da República, dos representantes de classe, de candidatos a cargos públicos etc.) e em várias outras situações.

Texto não verbal
As pessoas não se comunicam apenas por palavras. Os movimentos faciais e corporais, as cores, o desenho, a dança, os sons, os gestos, os olhares, a entoação são também importantes: são os elementos não verbais da comunicação. Os significados de determinados gestos e comportamentos variam muito de uma cultura para outra e de época para época. Portanto, o texto não verbal consiste no uso de imagens, figuras, símbolos, tom de voz, postura corporal, pintura, música, mímica, escultura como meio de comunicação. A linguagem não verbal pode ser até percebida nos animais. Quando um cachorro balança a cauda quer dizer que está feliz e quando coloca a cauda entre as pernas significa medo e tristeza. Outros exemplos: sinalização de trânsito, semáforo, logotipos, bandeiras, uso de cores para chamar a atenção ou exprimir uma mensagem. Dessa forma, é muito interessante observar que para manter uma comunicação não é preciso usar a fala e sim utilizar uma linguagem, seja ela verbal ou não verbal. Observe a figura ao lado. Se ela fosse encontrada em um consultório médico, faríamos a leitura de que, naquele local, as pessoas devem falar baixo e, se possível, manter silêncio. A linguagem utilizada é a não verbal, pois não utiliza a língua para transmitir “silêncio”.

O semáforo, também, é um exemplo de texto não verbal - um objeto cujo sentido das cores comanda o trânsito e que é capaz de interferir na vida do ser humano de forma extraordinária.

Texto Sincrético ou misto (verbal e não verbal)
Falamos em texto misto – verbal e não verbal – quando os dois recursos expressivos são utilizados em conjunto. Isso ocorre, por exemplo, em história em quadrinhos, propagandas, filmes e outras produções que utilizam ao mesmo tempo palavras e imagens. Observemos a charge:

Ao observarmos o que está expresso na superfície textual, ou seja, aquilo que é visível notamos que esse texto é formado por um tema “trabalho escravo”; logo a seguir, há uma imagem de homens que se subdividem em dois grupos: possíveis cortadores de cana de açúcar e o “patrão”, com um chicote na mão, junto aos seus capatazes armados; e abaixo da imagem, temos os dizeres: “Aquele que ficar por aí inventando esse tipo de mentira já sabe: duzentas chibatadas!” Percebemos, portanto, que por meio da linguagem verbal e não verbal, o texto aborda a questão do trabalho escravo, tema muito discutido no Congresso Nacional Brasileiro, na época de publicação da charge. O governo pretendia combater esse tipo de crime, mas encontrava resistência por parte de alguns deputados e senadores, porque esses parlamentares eram proprietários de algumas das fazendas investigadas. A charge ironiza justamente essa questão: a existência do trabalho escravo de forma não assumida. O “patrão” diz que denunciar o trabalho escravo é inventar mentira, mas, ao mesmo tempo, encontra-se com um chicote na mão como faziam

os senhores e feitores, na época da escravatura. É claro que essa leitura só será possível se fizermos a junção dos dois tipos de imagens. Portanto, o sentido desse texto, e de todos os outros que analisamos, ocorre pela relação que um elemento mantém com os demais constituintes do todo. Esse sentido do todo não é mera soma de partes, mas pelas várias relações que se estabelecem entre si. Por isso, não podemos fazer a leitura somente da imagem ou somente do que está escrito, é necessário fazermos a leitura do todo. Além dessas questões tratadas até aqui, cabe dizer que todo texto é produzido por um sujeito num determinado tempo e num determinado espaço. Conforme diz Fiorin (1996, 17-18),

(...) esse sujeito, por pertencer a um grupo social num tempo e num espaço, expõe em seus textos as idéias, os anseios, os temores, as expectativas de seu tempo e de seu grupo social. Todo texto tem um caráter histórico, não no sentido de que narra fatos históricos, mas no de que revela os ideais e as concepções de um grupo social numa determinada época. Cada período histórico coloca para os homens certos problemas e os textos pronunciam-se sobre eles.

Por isso, em um texto temos sempre a amostragem de um fato, ocorrido num determinado momento, vista sob um ponto de vista social representado por um sujeito. Dessa forma, ao analisarmos um texto, além de verificarmos a unidade existente entre as partes, temos de observar o contexto.

Texto e Contexto
Quando analisamos a charge “Trabalho Escravo”, dissemos que esse assunto estava sendo discutido no Congresso Nacional e que alguns parlamentares apresentavam certa resistência para discutir o assunto. Ora, essas questões são importantes para o entendimento da charge, mas elas não estão marcadas na superfície textual. O seu sentido ocorrerá mediante o conhecimento de mundo do

leitor, em saber em que situação ela foi produzida, ou seja, levando em conta o CONTEXTO. Fiorin (1994, 12) define contexto como “uma unidade linguística maior onde se encaixa uma unidade linguística menor”. Assim, a palavra encaixa-se no contexto da frase, esta no contexto do parágrafo, o parágrafo encaixa-se no contexto do capítulo, o capítulo no contexto da obra toda e a obra encaixa-se no contexto social. Fica mais clara a questão do contexto, quando adotamos a metáfora do iceberg. Aquilo que visualizamos é chamado ponta do iceberg, pois, como o próprio nome diz, é uma pequena parte que fica exposta na superfície da água. Contudo, essa ponta se apóia numa imensa parte que fica submersa, a fim de dar sustentação. Essa parte submersa é o que chamamos de contexto, pois é ele quem dá sustentação ao texto, que é a ponta do iceberg. Observe o texto:

Para entender essa tirinha, precisamos considerar algumas questões que não estão explícitas, mas que fazem sentido no contexto. Vivemos, hoje, um padrão de beleza feminino em que a mulher tem de ser considerada magra. A dieta e a “boa forma” são um dos assuntos mais comentados. Isso não significa que sempre tenha sido dessa forma. Na época da Renascença, o padrão “gordinha” era sinônimo de beleza, pois demonstrava que a família da referida mulher era abastada. Na Idade Média, a ideia de fertilidade imposta como contraponto de uma época de matanças ocorridas nas cruzadas, trazia uma mulher de quadril largo e ventre avolumado. Em nossos dias a beleza, assim como a moda, está relacionada a padrões de magreza impostos pela indústria da moda, para valorizar a roupa.

Portanto, em nossa época, quando um homem chama uma mulher de gorda, está “comprando briga”. É o que ocorre na tirinha. E além de tudo, e o que é pior, ele repetiu que ela havia engordado!!!! Fiorin (1996), também traz um exemplo muito esclarecedor para

compreendermos a importância do contexto. Quando Lula disse a Collor no primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 1989 “Eu sabia que você era collorido por fora, mas caiado por dentro”, todos os brasileiros entenderam que essa frase não queria dizer você tem cores por fora, mas é revestido de cal por dentro, mas você apresentou um discurso moderno, de centro-esquerda, mas é reacionário. Como foi possível entender a frase dessa maneira? Porque ela foi colocada dentro do contexto dos discursos da campanha presidencial. Nele, o adjetivo collorido significa relativo à Collor, “adepto de Collor”, ou seja, Collor apresenta-se como um renovador, como alguém que pretendia modernizar o país, melhorar a distribuição de renda, combater os privilégios dos mais favorecidos. Havia também, na disputa, o candidato Ronaldo Caiado, de extrema direita que defendia a manutenção do status quo. As frases ganham sentidos porque estão correlacionadas umas às outras, dentro de uma situação comunicacional, que é o contexto. Portanto, diante do exposto, podemos entender que o contexto traz informações importantes que acompanham o texto. Assim sendo, não basta a leitura do texto, é preciso retomar os elementos do contexto, aqueles que estiveram presentes na situação de sua construção. A produção e recepção de um texto estão condicionadas à situação; daí a importância de o leitor conhecer as circunstâncias e ambiente que motivaram a seleção e a organização dos aspectos linguísticos. Podemos dizer que existem o contexto imediato e o situacional. O contexto imediato relaciona-se com os elementos que seguem ou precedem o texto imediatamente. São os chamados referentes textuais. O título de um poema pode despertar determinadas decodificações. Esse contexto é aquele que

compreendemos em uma frase, quando a lemos no parágrafo; ou quando entendemos o parágrafo, no momento em que lemos todo o texto. Leia o poema a seguir:

O que se diz Carlos Drummond de Andrade Que frio! Que vento! Que calor! Que caro! Que absurdo! Que bacana! Que tristeza! Que tarde! Que amor! Que besteira! Que esperança! Que modos! Que noite! Que graça! Que horror! Que doçura! Que novidade! Que susto! Que pão! Que vexame! Que mentira! Que confusão! Que vida! Que talento! Que alívio! Que nada... Assim, em plena floresta de exclamações, vai se tocando a vida (http://www.portalimpacto.com.br/docs/JoanaVestF3Aula16_09.pdf)

Nesse poema, o seu sentido está tanto no título “o que se diz”, quanto no último verso “Assim, em plena floresta de exclamações, vai se tocando a vida”, pois são eles que nos faz compreender sobre o que poema está tratando: o fato de nós exclamarmos todos os dias e muitas vezes não percebemos. Observe que os elementos que nos dão sentido ao texto estão no próprio texto, por isso, falamos de um CONTEXTO IMEDIATO. O contexto situacional é formado por elementos exteriores ao texto. Esse contexto acrescenta informações históricas, geográficas, sociológicas e literárias, para maior eficácia da leitura que se imprime ao texto. Para isso, exige-se uma postura ativa do leitor, ou seja, é necessário que ele tenha um conhecimento de mundo, a fim de depreender o sentido exigido. Esse conhecimento de mundo está ligado à nossa vivência, pois durante a nossa vida, vamos armazenando informações que serão importantes para entendermos e interpretarmos o mundo. Por isso, é fundamental a leitura, assistirmos ao noticiário, irmos a museus, termos contato com pessoas que nos acrescentarão conhecimento. Quando temos suporte para lermos um texto e retirarmos dele o que está além dos seus aspectos linguísticos, a nossa leitura será muito mais prazerosa e consequentemente, o texto será enriquecido, às vezes, reinventado, e até recriado. Faça a leitura desta charge:

Qual a leitura que você fez? Você a compreendeu? Do que está tratando a charge? Para compreendê-la é necessário que você observe todos os aspectos que estão envolvidos na construção dessa charge: o que está escrito na lousa, o logotipo que está abaixo da lousa, as pessoas que estão nas carteiras, o que essas pessoas carregam em sua cintura, o que está escrito no balão, a forma como a pessoa que está ensinando diz etc. Quando a observamos, vemos que é uma charge que trata das olimpíadas que ocorrerá no Rio de Janeiro em 2016. Hoje, o Rio é conhecido como uma cidade violenta e há uma grande preocupação quanto à segurança, quando houver as olimpíadas. Nessa charge, os bandidos estão já se preparando para esse evento, pois quando forem “atuar”, farão na língua dos estrangeiros. É claro que para entender isso, tivemos de ativar o nosso conhecimento das línguas portuguesa e inglesa e do nosso conhecimento de mundo, ou seja, recorremos ao CONTEXTO SITUACIONAL. A compreensão de um texto vai além da simples compreensão de termos nele impressos; não basta o simples reconhecimento de palavras, parágrafos, é preciso levar em conta em que situação ele é produzido. A compreensão exige do

leitor uma sintonia com os fatos situados no seu dia a dia e que aparecem subliminarmente impressos na mensagem textual. Isso ocorre também em relação à produção textual, pois todas as vezes em que se produz um texto, seja ele oral ou escrito, ele é determinado por uma série de fatores que interferem, por exemplo, em sua estrutura e na organização de suas informações. Um desses fatores é o interlocutor a quem se dirige o texto. Mesmo na situação em que o indivíduo parece falar consigo mesmo (com os próprios botões), a fala tem como interlocutor a representação de si mesmo que o indivíduo construiu. Assim, sempre que se escreve e sempre que se fala isso é feito tendo em vista um interlocutor, alguém que, obviamente, interfere na produção textual. Nas situações reais de interação, as pessoas levam em conta, dentre outros, os seguintes fatores:

Por que escrevo?

Para quem escrevo?

De onde eu escrevo? Que efeitos de sentido quero provocar? Que efeitos de sentido NÃO quero provocar? O que sei sobre o assunto de que vou tratar?

Daí se vê que toda produção textual é construída a partir e em função desses fatores que configuram o contexto enunciativo, ou seja, todas essas produções textuais são marcadas e definidas pelos lugares/papéis sociais que caracterizam, na situação de interação comunicativa.

COMO INTERPRETAMOS UM TEXTO

Caro aluno, Como tem sido as suas leituras? Você lê com frequência? Quando lê, você consegue entender claramente o que o texto quer dizer? Uma das maiores dificuldades encontradas pelos alunos, em relação ao aprendizado de um conteúdo, é a deficiência na leitura e compreensão do sentido dessa leitura. Isto quer dizer que muitos não conseguem entender o que leem ou apenas reproduzem, com as mesmas palavras, o que está escrito na superfície textual, ou seja, naquilo que está escrito ”literalmente” ou mostrado. Abaixo segue uma crônica de Ignácio de L. Brandão, publicada no jornal O Estado de São Paulo. Leia-a atentamente, para entender o que acabamos de falar:

Para quem não dorme de touca Na infância, ele era diferente. Acreditava nos outros, acreditava nas coisas. Quando alguém dizia: - Por que não vai ver se estou na esquina? Ele corria até a esquina, olhava, esperava um pouco, reconfirmava e voltava: - Não tem ninguém na esquina. - Quer dizer que voltei. - Por que não me avisou que voltou? - Voltei por outro caminho. - Que outro caminho? - O caminho das pedras. Não conhece o caminho das pedras? - Não. - Então não vai ser nada na vida. Outra vez, numa discussão, alguém foi imperioso: - Quer saber? Vá plantar batatas. Ele correu no armazém, comprou um quilo de batatas e foi até o quintal, plantou tudo. Não é que as batatas germinaram! Houve também aquele dia em que um amigo convidou: - Vamos matar o bicho? - Onde o bicho está? - Ali no bar. - Que bicho? É perigoso? Me dê um minuto, passo em casa, pego a espingarda do meu pai ... - Espingarda? Venha com a sede. - Não estou com sede. - Matar o bicho, meu caro, é beber uma pinga.

Em outra ocasião, um primo perguntou: - Você fez alguma coisa para a Mercedes? - Não. Por quê? - Ela passou por mim, está com a cara amarrada. - Amarrada com barbante, com corda, com arame? Por que uma pessoa amarra a cara da outra? - Nada, esquece! Você ficou com a cara de mamão macho, me deixou com cara de tacho. É um cara-de-pau e ainda fica aí me olhando com a mesma cara. Outra vez, uma menina, que ele queria namorar, se encheu: - Pára! Não me amole! Por que não vai pentear macaco? Naquela tarde ele foi surpreendido no minizoológico do bairro, com um pente na mão e tentando agarrar um macaco, a quem procurava seduzir com bananas. Uma noite combinaram de jogar baralho e um dos parceiros propôs: - Vai ser a dinheiro ou a leite de pato? - Leite de pato, propuseram os jogadores. Ele se levantou: - Então, esperem um pouco. Trouxe dinheiro, mas não leito e de pato. Vou providenciar. - E onde vai buscar leite de pato? - A Mirela, ali da esquina, tem um galinheiro enorme, está cheio de patos. Vou ver o que arranjo. Voltou meia hora depois: - Não vou poder jogar. Os patos, me disse a Mirela, não estão dando leite faz uma semana. Riram e mandaram ele sentar e jogar. Em certo momento, um jogador se irritou, porque o adversário, apesar de ingênuo e inocente, tinha muita sorte. - Vou parar. Você está jogando com cartas marcadas. - Claro que tem marca! É Copag, a melhor fábrica de baralhos. Boa marca, não conheço outra. - Está me fazendo de bobo, mas aí tem dente de coelho. - Juro que não! Por que haveria de ter dente de coelho? Quem tirou o dente do coelho? - Além do mais, você mente com quantos dentes tem na boca. A gente precisa ficar de orelha em pé. - Não estou fazendo nada. Estou na minha, com meu joguinho, vocês é que implicam. - Desculpa de mau jogador. - Não devo nada a ninguém aqui. - Deve os olhos da cara. - Devo? Não comprei os meus olhos. Nasceram comigo. Só se meus pais compraram e não pagaram. Todos provocaram, pagavam para ver. - Não venha com conversa mole, pensa que dormimos de botina? - Não penso nada. Aliás, nunca vi nenhum de vocês de botina. - Melhor enrolar a língua, se não se enrosca todo. - Não venha nos fazer a boca doce, que bem te conhecemos! As conversas eram sempre assim. Pelo menos foram até meus 20 anos, quando deixei a cidade. A essa altura, vocês podem estar pensando que ele era sonso, imbecilizado. Garanto que não. Tanto que, hoje, é um empresário bem-sucedido,

fabrica lençóis, fronhas e edredons, é dono de uma marca bem conhecida, a Bem Querer & Bem-Estar. Não sei se um de vocês já comprou. Se não, recomendo. Claro, recomendo a quem não dorme de touca, quem não tem conversa mole para boi dormir, quem não dorme no ponto, quem não dorme na portaria, para aqueles que não dormem sobre louros. Enfim, para quem não dorme com um olho aberto e o outro fechado. (BRANDÃO, Ignácio de Loyola. O Estado de São Paulo, 8 jul. 2005. Caderno 2, p. D14.)

Observamos que nessa crônica, o sujeito destacado pelo narrador somente entendia as orações de forma literal, ou seja, ele não conseguia entender a intenção proposta pelas pessoas, quando diziam algo. Você já vivenciou esse fato? Essa história parece ser até ridícula; aparentemente nenhuma pessoa faria isso, pois dentro da ação comunicativa, o indivíduo consegue entender que essas expressões são formas de dizer, ou seja, elas são expressões populares, usadas como figuras de linguagem para dizer algo com outro sentido. Infelizmente, essa situação é muito comum durante o ato da leitura, porque, muitas vezes, o leitor não consegue entender a intenção do autor. Ele começa a pensar e a dizer algo que não está no texto. Você já leu um texto, fez uma interpretação e quando foi ver a sua interpretação não era a ideia central do texto? Por que será que isso ocorre? Porque muitas vezes nós queremos entender o texto de forma literal, ou então isolamos palavras ou frases e fazemos nossa análise sem olhar o todo. Devemos entender que a totalidade de sentido de um texto não está somente naquilo que está escrito, conhecido como superfície textual (o que é mostrado), mas também está nos aspectos considerados não ditos.

Talvez, você esteja se perguntando: “Como assim?”

No texto, podemos dizer que existem dois planos: aquilo que está mostrado mediante as letras, palavras, figuras e gestos; e aquilo que está implícito, oculto, ou seja, aquilo que está além dessas letras, palavras, figuras e gestos. É o que acontece na crônica. Quando foi dito “Vai ver se eu estou na esquina” a pessoa não

queria que o sujeito que recebeu essa informação fosse até à esquina a fim de verificar essa informação, porque não haveria necessidade, uma vez que ela já estava bem à sua frente. Na realidade, por meio desses dizeres, o desejo dessa pessoa é que o outro parasse de perturbá-la. No entanto, deverá surgir uma nova pergunta: “Será que eu tenho essas mesmas atitudes em relação à interpretação dos textos?” Infelizmente, muitos ainda têm. Quer fazer um teste? Leia a seguir a fábula de Millôr Fernandes: A RAPOSA E AS UVAS

De repente a raposa, esfomeada e gulosa, fome de quatro dias e gula de todos os tempos, saiu do areal do deserto e caiu na sombra deliciosa do parreiral que descia por um precipício a perder de vista. Olhou e viu, além de tudo, à altura de um salto, cachos de uvas maravilhosos, uvas grandes, tentadoras. Armou o salto, retesou o corpo, saltou, o focinho passou a um palmo das uvas. Caiu, tentou de novo, não conseguiu. Descansou, encolheu mais o corpo, deu tudo o que tinha, não conseguiu nem roçar as uvas gordas e redondas. Desistiu, dizendo entre dentes, com raiva: “Ah, também, não tem importância. Estão muito verdes.” E foi descendo, com cuidado, quando viu à sua frente uma pedra enorme. Com esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra, perigosamente, pois o terreno era irregular e havia risco de despencar, esticou a pata e... Conseguiu! Com avidez colocou na boca quase o cacho inteiro. E cuspiu. Realmente as uvas estavam muito verdes! MORAL: A frustração é uma forma de julgamento tão boa como qualquer outra.
Fonte: (FERNANDES, Millôr. Fábulas Fabulosas. Rio de Janeiro: Nórdica, 1991)

Se alguém lhe perguntasse “o que você entendeu do texto?”, o que diria? Tente formular, em sua mente, a interpretação do texto. Talvez, tenha conseguido formular a

seguinte interpretação: Essa fábula narra a história de uma raposa, que não comia já há quatro dias e que, portanto, estava com muita fome. Ela saiu do areal do deserto e foi a um parreiral que descia por um precipício. Ela olhou e viu que os cachos de uvas eram grandes e maravilhosos.

A raposa tentou pegá-los por diversas vezes, mas como não conseguiu, desistiu, dizendo que as uvas estavam muito verdes. Quando estava indo embora, se deparou com uma pedra enorme. Com muito esforço empurrou a pedra até o local em que estavam os cachos de uva, trepou na pedra e conseguiu pegá-lo. Colocou o cacho inteiro na boca e o cuspiu imediatamente, por que as uvas estavam muito verdes. Se essa foi a sua interpretação, ela foi apenas uma reprodução do que está na superfície do texto, ou seja, ela é muito parecida com o sujeito da crônica que entendia tudo literalmente. Ao contar essa fábula, a intenção é muito maior do que apenas narrar a história de uma raposa que estava com fome. Então, qual seria a possibilidade de interpretação? Tente enxergar outros significados que estão além das palavras. Por exemplo:

O que é uma fábula? Qual a relação da fábula com a moral?

Observe que essas questões estão nos fazendo olhar não apenas para aquilo que está dito, mas buscarmos significados que estão além do texto. Isso deve ocorrer na interpretação de todo texto.

Ao analisar a fábula “A Raposa e as Uvas”, devemos primeiramente ter o conhecimento de que uma fábula é uma narrativa figurada, na qual as personagens são geralmente animais que possuem características humanas. Pode ser escrita em prosa ou em verso e é sustentada sempre por uma lição de moral, constatada na conclusão da história. Ela é muito utilizada com fins

educacionais. Muitos provérbios ou ditos populares vieram da moral contida nesta narrativa alegórica, como por exemplo: “A pressa é inimiga da perfeição” na fábula A lebre e a tartaruga e “Um amigo na hora da necessidade é um amigo de verdade” em A cigarra e as Formigas. Portanto, sempre que alguém redige uma fábula ele deve ter em mente um ensinamento. Além disso, observamos que na fábula a raposa não tem procedimentos próprios de um animal, mas de ser humano, pois ela falou, empurrou a pedra, armou toda uma estratégia para pegar as uvas etc. Diante disso, uma vez que a fábula sempre procura trazer um ensinamento, devemos analisar a relação que existe entre a narrativa e a moral. Num primeiro momento, o texto parece ter um caráter ingênuo, de uma narrativa aparentemente infantil, conforme literal. apontamos Contudo, naquela quando

interpretação

observamos alguns elementos textuais que estão presentes na fábula, ampliamos a nossa leitura. Logo no início da narrativa é colocada não uma necessidade fisiológica (a fome da raposa), mas uma questão comportamental (a gula da personagem), dado importante para reforçar a conclusão. Além disso, aparecem várias tentativas do animal em obter o objeto de desejo que alimentaria sua gula, mesmo depois de vários fracassos. Só então a raposa emite um juízo “Ah, também não tem importância. Estão muito verdes.” (É bom ressaltar que esse

enunciado é precedido das expressões “entre dentes, com raiva”, que evidenciam as condições da raposa no momento em que diz).

A partir daí, novos dizeres se apresentam no texto em virtude da intenção de sentido. Ao se deparar com uma enorme pedra, a raposa é reanimada e tenta novamente atingir seu objetivo, ignorando o que havia afirmado anteriormente, premida pelas circunstâncias. Isso, aparentemente, comprova que as palavras da personagem eram apenas tidas como desculpas por não ter conseguido a fruta para saciar sua gula. Contudo, a raposa consegue, com muito esforço, o que pretendia - apanhar as uvas - mas, ao contrário do que desejava, as uvas estavam realmente verdes, expelindo-as de sua boca de tal forma que não as consumisse. Nesse ponto, o texto amplia os horizontes do significado, determinando a moral, cujo sentido está em confirmar a questão comportamental e não a necessidade fisiológica. As uvas já se mostravam verdes e a raposa já havia percebido, tanto que já o havia declarado anteriormente, mas o estado de gula era tal, que se sobrepôs à razão. Somente no momento em que provou as uvas e houve a confirmação do que já sabia é que veio a consciência de não poder desfrutar daquela fruta, daí, então, ocorre a frustração. É claro que para fazer essa leitura e interpretação, é necessário que o leitor comece a perceber que aquilo que é visível num texto não é a única leitura, mas a partir desses aspectos visíveis associados a outros aspectos que já fazem parte da vivência do leitor, essa leitura será ampliada. Portanto, para compreender o que está além daquilo que é visível, precisamos ativar o que chamamos de conhecimento de mundo.

Mas, o que é esse conhecimento de mundo?

Durante a nossa vida, nós adquirimos vários tipos de conhecimentos que ficam arquivados em nossa memória. Por isso, é fundamental que um indivíduo tenha acesso à cultura, faça diversas leituras, ouça música, veja filmes, pois quanto maior for a sua experiência, maior será o seu conhecimento. Ao fazermos uma leitura ou uma interpretação de texto, nós ativamos esse conhecimento de mundo, para estabelecer sentido ao texto. Por isso, a leitura é uma atividade na qual se leva em conta as experiências e os conhecimentos do leitor. Koch e Elias (2007, 11) dizem que “a leitura de um texto exige do leitor bem mais que o conhecimento do código linguístico, uma vez que o texto não é simples produto da codificação de um emissor a ser decodificado por um receptor passivo.” Isso quer dizer que quando lemos algo, não basta apenas conhecermos as letras ou identificarmos as imagens, pois isso caracterizaria uma leitura ingênua. Durante o ato da leitura, não somos simples leitores num estado de passividade, apenas recebendo informação, mas, devemos ser pessoas ativas nessa leitura, buscando preencher as

lacunas que o texto tem e procurando descobrir a intenção que está por trás dessa “superfície textual”. Essa ação crítico. é o que chamamos os de

posicionamento

Segundo

Parâmetros

Curriculares Nacionais A leitura é o processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de compreensão e interpretação do texto, a partir de seus objetivos, de seu conhecimento sobre o assunto, sobre o autor, de tudo o que sabe sobre a linguagem etc. Não se trata de extrair informação, decodificando letra por letra, palavra por palavra. Trata-se de uma atividade que implica estratégias de seleção, antecipação, inferência e verificação, sem as quais não é possível proficiência. É o uso desses procedimentos que possibilita controlar o que vai sendo lido, permitindo tomar decisões diante de dificuldades

de compreensão, avançar na busca de esclarecimentos, validar no texto suposições feitas. (BRASIL. PCNS: terceiro e quarto ciclos do ensino fundamental. Língua Portuguesa. Brasília: MEC/SEF, 1998, pp. 69-70.) Portanto, o nosso desafio é fazê-lo perceber que há níveis de leitura e entendimento de um texto. Muitas vezes, uma pessoa fica somente no primeiro nível, o da superfície do texto, sendo que o sentido do texto vai muito além. Para ajudar ainda mais no entendimento desse sentido, é necessário saber, também, que tudo é construído dentro de um aspecto ideológico.

Aspecto Ideológico? O que é isto?

Quando Millôr Fernandes escreveu a fábula “A Raposa e as Uvas” procurou, conforme analisamos, trazer como ensinamento a repreensão à gula. Para isso, ele parte do princípio que a gula é algo condenado socialmente, uma vez que ela pertence aos sete pecados capitais. Dessa forma, essa fábula confirma os valores sociais, mostrando a gula de forma depreciativa, passível de um julgamento. Agora, suponhamos que uma empresa de alimentos fosse fazer uma propaganda. Você acha que ela seria a favor ou contra a gula? Pegue como exemplo alguns comerciais de alimentos, principalmente quando se trata de algum chocolate: neles, normalmente, aparece uma criança toda lambuzada, pois ela come o doce com tanto prazer, que acaba se sujando toda.

Agora me responda: a empresa que faz a propaganda tem a mesma visão de gula presente na fábula ou uma visão contrária? Por que isso ocorre? Percebemos que é uma visão contrária, pois o objetivo dessa empresa é fazer que o leitor consuma o maior número possível de produtos, para que ela obtenha lucros. Portanto, a gula não seria vista como algo maléfico, mas benéfico. Agora, leia o poema a seguir:

A gula Sorvo delícias em prazeres que mal mastigo... Compenso-me em torrões mascavados de deleite

Repasto-me em trouxas douradas de ovos moles Degusto ostras ovadas de luar e empanturro-me em iguarias às quais não ofereço resistência

E confesso-me pecadora e escrava desta gula, que leva à mesa, o banquete que me sacia, meu regozijo e conforto, prova das minhas fraquezas.
Maria Fernanda Reis Esteves (http://www.luso-poemas.net)

Nesse poema, como é vista a gula? É vista como algo aceito ou condenado pelo eu-lírico, ou seja, por aquele que está dizendo o poema? O que o faz ter esse posicionamento? Ao analisarmos o poema, vemos uma pessoa que se declara pecadora e escrava da gula. Embora consciente de que a gula é algo condenado socialmente, ela sente prazer no que faz. E parece não ligar por estar transgredindo os valores sociais. Ela sabe que a gula é uma fraqueza dela, todavia, ela se sente confortável. Essa consciência e esse conforto vêm marcados no poema pelos verbos “sorvo”, “repasto”, “degusto” e “empanturro”, pois estão todos ligados a ação de

saborear algo. Esse posicionamento se mostra diferente da fábula e da empresa de alimentos. Então, o que nos leva a ter essas três visões diferenciadas da gula? São os chamados pressupostos ideológicos de cada sujeito constituído no texto. Dessa forma, cabe-nos ver um pouco sobre a questão da ideologia e a linguagem. Segundo Marilena Chauí (O que é ideologia, p. 113), “a ideologia é um conjunto lógico, sistemático e coerente de representações (ideias e valores) e de normas e de regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar e como devem pensar o que devem valorizar e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer.”

Leia novamente essa definição e pense no que Marilena Chauí quer dizer. Esse é um bom teste para ver o seu nível de leitura. Se você for a um dicionário ou a um livro de filosofia, verá outras definições de ideologia, todavia, essa definição dada por Chauí está bem apropriada ao que estamos falando. Um indivíduo, durante a sua formação vai adquirindo valores sociais, regras de conduta que vão direcionar a sua vida. Ele buscará interpretar os fatos e se expressar de acordo com essas ideias. Por exemplo, se um indivíduo é de uma família em que certas palavras não podem ser ditas porque são proibidas, esse indivíduo sempre as verá dessa forma, por isso, procurará evitá-las. Isso é o que ocorre nos textos, cuja temática é sobre a gula. O modo de ver a gula e falar dela dependerá dessa questão de valores. Esses valores, essas regras e normas são o que formam a ideologia, portanto, o seu significado está ligado a um conjunto de ideias, de pensamentos, das experiências de vida de um indivíduo e é por meio desta ideologia que o indivídio interpreta seu mundo, os textos que lê e as informações que recebe por meio de suas ações e linguagem. Todavia, muitas vezes, a ideologia é utilizada dentro de um aspecto negativo, porque ela pode ser usada como uma forma de mascarar a verdade. Por exemplo, quando o patrão diz aos empregados que quanto mais eles produzirem, mais

pessoas dignas e de sucesso serão; na realidade, esse patrão está se utilizando dos aspectos ideológicos nessa fala, pois, o que de fato deseja é a grande produção para um maior faturamento. Na sua fala há uma intenção implícita que não é condizente com o que ele está transmitindo. Isso é muito comum na propaganda. Com o propósito de vender um produto, a empresa

mostra todas as qualificações desse produto, nos passando a ideia de que ele é importantíssimo para o

consumidor e nós somos persuadidos de tal forma que queremos adquiri-lo. Veja esta propaganda antiga. Em meados do século XX, a enceradeira surgiu como uma

inovação tecnológica importante para a dona de casa, pois muitas mulheres enceravam a sua casa com um escovão ou de joelho com um pano na mão. Procure observar essa

propaganda e veja como ela procura vender o produto “enceradeira”. Se você nunca passou uma enceradeira, pergunte para sua mãe se era dessa forma que ela encerava a casa: salto, cabelo escovado, saia e blusa, como se fosse uma princesa. Tenho certeza de que não era assim. Observe que a propaganda quer vender a ideia de que quem comprasse a Enceradeira Arno Super iria ter prazer em fazer a faxina de casa e nem sentiria cansaço. Todavia, essa ideia não é verdadeira. Portanto, a empresa se apropriou dos aspectos ideológicos para camuflar a verdade. Dessa forma, a realidade é distorcida a partir de um conjunto de representações pelo qual os homens se utilizam para explicar e compreender sua própria vida individual e social. Isso ocorre com todos os indivíduos, porque nós somos governados por uma ordem social.

A ideologia, portanto, é um sinal de significação que está presente em qualquer tipo de mensagem, pois, em toda mensagem sempre há por trás uma intenção que normalmente não é claramente dita. Desta forma podemos afirmar que todos nós deixamos nossa marca de visão de mundo, dos nossos valores e crenças, e de INTENÇÃO, ou seja, de nossa ideologia, no uso que fazemos da linguagem, pois nós recorremos a ela para expressar nossos sentimentos, opiniões e desejos. E é por meio da linguagem que interpretamos a realidade que nos cerca. Porém, essa interpretação não é totalmente livre, pois ela é construída historicamente a partir de uma série de aspectos ideológicos que todos nós temos, mesmo sem nos darmos conta de sua existência.

Toda essa questão parece ser muito complexa, pois é muito conceitual. Então veremos a seguir como de fato a ideologia se dá nos textos.

Tomem como exemplo textos que valorizam a imagem da mulher como a dona de casa perfeita, por exemplo, recorrem a um vocabulário que traduz as características vistas como positivas, tais como, a mulher é a rainha do lar, o anjo do lar, a mãe exemplar, a esposa perfeita, a santa senhora. Tais expressões eram muito utilizadas nas propagandas das décadas de 40, 50 e 60. Elas funcionavam para encobrir, na realidade, a verdadeira trabalhadora do lar, a qual deveria manusear todos os eletrodomésticos para manter sua casa permanentemente limpa para seu esposo. Para entendermos ainda melhor os conceitos que estamos trabalhando, no quadro a seguir, encontramos três músicas. Faça uma comparação entre elas e veja qual é o perfil de juventude que encontramos nessas músicas. São os mesmos perfis? A data da composição das músicas é importante para a concepção desses perfis?

Alegria, Alegria Caminhando contra o vento Sem lenço e sem documento No sol de quase dezembro Eu vou... O sol se reparte em crimes Espaçonaves, guerrilhas Em cardinales bonitas Eu vou... Em caras de presidentes Em grandes beijos de amor Em dentes, pernas, bandeiras Bomba e Brigitte Bardot... O sol nas bancas de revista Me enche de alegria e preguiça Quem lê tanta notícia Eu vou... Por entre fotos e nomes Os olhos cheios de cores O peito cheio de amores vãos Eu vou Por que não? Por que não? Ela pensa em casamento E eu nunca mais fui à escola Sem lenço e sem documento, Eu vou...

Como Nossos Pais Não quero lhe falar, Meu grande amor, Das coisas que aprendi Nos discos... Quero lhe contar como eu vivi E tudo o que aconteceu comigo Viver é melhor que sonhar Eu sei que o amor É uma coisa boa Mas também sei Que qualquer canto É menor do que a vida De qualquer pessoa... Por isso cuidado meu bem Há perigo na esquina Eles venceram e o sinal Está fechado prá nós Que somos jovens... Para abraçar seu irmão E beijar sua menina na rua É que se fez o seu braço, O seu lábio e a sua voz... Você me pergunta Pela minha paixão Digo que estou encantada Como uma nova invenção Eu vou ficar nesta cidade Não vou voltar pro sertão Pois vejo vir vindo no vento Cheiro de nova estação Eu sei de tudo na ferida viva Do meu coração...

Geração Coca-Cola Quando nascemos fomos programados A receber o que vocês Nos empurraram com os enlatados Dos U.S.A., de nove as seis. Desde pequenos nós comemos lixo Comercial e industrial Mas agora chegou nossa vez Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês Somos os filhos da revolução Somos burgueses sem religião Somos o futuro da nação Geração Coca-Cola Depois de 20 anos na escola Não é difícil aprender Todas as manhas do seu jogo sujo Não é assim que tem que ser Vamos fazer nosso dever de casa E aí então vocês vão ver Suas crianças derrubando reis Fazer comédia no cinema com as suas leis Somos os filhos da revolução Somos burgueses sem religião Somos o futuro da nação Geração Coca-Cola Geração Coca-Cola Geração Coca-Cola

Já faz tempo Eu vi você na rua Cabelo ao vento Gente jovem reunida Eu tomo uma coca-cola Na parede da memória Ela pensa em casamento Essa lembrança E uma canção me consola É o quadro que dói mais...

Eu vou... Por entre fotos e nomes Sem livros e sem fuzil Sem fome, sem telefone No coração do Brasil... Ela nem sabe até pensei Em cantar na televisão O sol é tão bonito Eu vou... Sem lenço, sem documento Nada no bolso ou nas mãos Eu quero seguir vivendo, amor Eu vou... Por que não? Por que não? Caetano Veloso Composição: Caetano Veloso/ 1967

Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo o que fizemos Ainda somos os mesmos E vivemos Ainda somos os mesmos E vivemos Como os nossos pais... Nossos ídolos Ainda são os mesmos E as aparências Não enganam não Você diz que depois deles Não apareceu mais ninguém Você pode até dizer Que eu tô por fora Ou então Que eu tô inventando... Mas é você Que ama o passado E que não vê É você Que ama o passado E que não vê Que o novo sempre vem... Hoje eu sei Que quem me deu a idéia De uma nova consciência E juventude Tá em casa Guardado por Deus Contando vil metal... Minha dor é perceber Que apesar de termos Feito tudo, tudo, Tudo o que fizemos Nós ainda somos Os mesmos e vivemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Ainda somos Os mesmos e vivemos Como os nossos pais... Elis Regina Composição:Belchior1976

Geração Coca-Cola Legião Urbana Composição: Renato Russo / Fê Lemos / 1985

Você percebeu que essas músicas foram compostas em três décadas diferentes? A primeira em 1967, a segunda em 1976 e a terceira em 1985. Nelas, encontramos diferenças nos perfis dos jovens que está intimamente ligada com a ideologia dominante da época. Veja a análise!!! Na primeira música, temos um jovem que vive a opressão sofrida nas ruas, nos meios de comunicação, em sua cultura nativa, no seu próprio país na década de 60. A letra denuncia o abuso de poder de forma metafórica: “caminhando contra o vento/sem lenço e sem documento”; expressa a violência praticada pelo regime: “sem livros e sem fuzil,/ sem fome, sem telefone, no coração do Brasil”; denuncia a precariedade na educação brasileira proporcionada pela ditadura que queria pessoas alienadas: “O sol nas bancas de revista /me enche de alegria e preguiça/quem lê tanta notícia?”. Na segunda música, a canção fala sobre o tempo e a juventude, a maturidade e a impotência, a ilusão e a decepção, sobre ganhar e perder. Embora as pessoas sejam tão previsíveis e as histórias, inclusive políticas, costumem acabar praticamente sempre “em pizza”, como se costuma dizer no Brasil, o autor nos alerta do quão é importante que façamos a nossa parte. É importante não desistir. Na terceira, temos uma geração marcada pelo consumismo, que procuram para si a praticidade e os produtos importados. É uma juventude que se deixa envolver pelo caminho mais fácil, deixando de lado ideais revolucionários. Como se vê, as idéias produzidas num determinado tempo, numa dada época estão sempre presentes no texto. Por isso, é preciso verificar as concepções e fatos correntes na época e na sociedade em que o texto foi produzido, para ajudar-nos a entender os aspectos ideológicos, ou seja, as crenças, valores e pensamentos relacionados à época e, consequentemente, fazermos uma leitura além da superfície de um texto.

AS QUALIDADES DO TEXTO
Concisão: Consiste em apresentar os parágrafos de forma objetiva, sem o excesso de explicações e exemplos, que na maioria das vezes deixa a leitura cansativa me desinteressante. Clareza: É a qualidade que facilita a compreensão ao texto, frasco bem elaboradas e pontuadas adequadamente. Não dando margem para interpretações incorretas ou duplas. Correção: Diz respeito a aplicação das normas linguísticas estabelecidas: concordância nominal e verbal, pontuação, acentuação, ortografia, etc. Elegância: Aqui, embora o nome sugira, mão é algo menos importante tema ver com a apresentação visual do texto: a distribuição das partes em título e parágrafos, a divisão de palavras quando não cabe na linha, a letra, etc.

A CONSTRUÇÃO DO TEXTO COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAIS CONCEITO DE TÓPICO

A CONSTRUÇÃO DO TEXTO A noção de texto é central na lingüística textual e na teoria do texto, abrangendo realizações tanto orais quanto escritas, que tenham a extensão mínima de dois signos lingüísticos, sendo que a situação pode assumir o lugar de um dos signos como em "Socorro!". (Stammerjohann, 1975). Para a construção de um texto é necessária a junção de vários fatores que dizem respeito tanto aos aspectos formais como as relações sintático-semânticas, quanto às relações entre o texto e os elementos que o circundam: falante, ouvinte, situação (pragmática). Um texto bem construído e, naturalmente, bem interpretado, vai apresentar aquilo que Beaugrande e Dressier chamam de textualidade, conjunto de características que fazem, de um texto, e não uma seqüência de frases. Esses autores apontam sete aspectos que são responsáveis pela textualidade de um texto bem constituído:
FATORES LINGÜÍSTICOS Coesão Coerência Intertextualidade FATORES EXTRALINGÜÍSTICOS Intencionalidade Aceitabilidade Informatividade Situacionalidade

Coerência

É o aspecto que assumem os conceitos e relações subtextuais, em um nível ideativo. A coerência é responsável pelo sentido do texto, envolvendo fatores lógico-semânticos e cognitivos, já que a interpretabilidade do texto depende do conhecimento partilhado entre os interlocutores. Um texto é coerente quando compatível como conhecimento de mundo do receptor. Observar a coerência é interessante, porque permite perceber que um texto não existe em si mesmo, mas sim constrói-se na relação emissor-receptor-mundo. Coesão É a manifestação lingüística da coerência. Provém da forma como as relações lógico-semânticas do texto são expressas na superfície textual. Assim, a coesão de um texto é verificada mediante a análise de seus mecanismos lexicais e gramaticais de construção. Ex: "Os corvos ficaram à espreita. As aves aguardaram o momento de se lançarem sobre os animais mortos." (hiperônimo ) "Gosto muito de doce. Cocada, então, eu adoro." (hipônimo) "–Aonde você foi ontem? –f f À casa de Paulo. – f f Sozinha? – Não, f f com amigos." (elipse) Os elementos de coesão também proporcionam ao texto a progressão do fluxo informacional, para levar adiante o discurso. Ex: "Primeiro vi a moto, depois o ônibus." (tempo) Embora tenha estudado muito, não passou. (contraste)

Intertextualidade Concerne aos fatores que tornam a interpretação de um texto dependente da interpretação de outros. Cada texto constrói-se, não isoladamente, mas em relação a outro já dito, do qual abstrai alguns aspectos para dar-lhes outra feição. O contexto de um texto também pode ser outros textos com os quais se relaciona.

Intencionalidade

Refere-se ao esforço do produtor do texto em construir uma comunicação eficiente capaz de satisfazer os objetivos de ambos os interlocutores. Quer dizer, o texto produzido deverá ser compatível com as intenções comunicativas de quem o produz.

Aceitabilidade O texto produzido também deverá ser compatível com a expectativa do receptor em colocar-se diante de um texto coerente, coeso, útil e relevante. O contrato de cooperação estabelecido pelo produtor e pelo receptor permite que a comunicação apresente falhas de quantidade e de qualidade, sem que haja vazios comunicativos. Isso se dá porque o receptor esforça-se em compreender os textos produzidos.

Informatividade É a medida na qual as ocorrências de um texto são esperadas ou não, conhecidas ou não, pelo receptor. Um discurso menos previsível tem mais informatividade. Sua recepção é mais trabalhosa, porém mais interessante, envolvente. O excesso de informatividade pode ser rejeitado pelo receptor, que não poderá processá-lo. O ideal é que o texto se mantenha num nível mediano de informatividade, que fale de informações que tragam novidades, mas que venham ligadas a dados conhecidos.

Situacionalidade É a adequação do texto a uma situação comunicativa, ao contexto. Note-se que a situação orienta o sentido do discurso, tanto na sua produção como na sua interpretação. Por isso, muitas vezes, menos coeso e, aparentemente, menos claro pode funcionar melhor em determinadas situações do que outro de configuração mais completa. É importante notar que a situação comunicativa interfere na produção do texto,

assim como este tem reflexos sobre toda a situação, já que o texto não é um simples reflexo do mundo real. O homem serve de mediador, com suas crenças e idéias, recriando a situação. O mesmo objeto é descrito por duas pessoas distintamente, pois elas o encaram de modo diverso. Muitos lingüistas têm-se preocupado em desenvolver cada um dos fatores citados, ressaltando sua importância na construção dos textos. A COERÊNCIA TEXTUAL Dos trabalhos que desenvolvem os aspectos da coerência dos textos, o de Charolles (1978) é freqüentemente citado em estudos descritivos e aplicados. Partindo da noção de textualidade apresentada por Beaugrande e Dressier, Charolles também entende a coerência como uma propriedade ideativa do texto e enumera as quatro meta-regras que um texto coerente deve apresentar: 1. Repetição: Diz respeito à necessária retomada de elementos no decorrer do discurso. Um texto coerente tem unidade, já que nele há a permanência de elementos constantes no seu desenvolvimento. Um texto que trate a cada passo de assuntos diferentes sem um explícito ponto comum não tem continuidade. Um texto coerente apresenta continuidade semântica na retomada de conceitos, idéias. Isto fica evidente na utilização de recursos lingüísticos específicos como pronomes, repetição de palavras, sinônimos, hipônimos, hiperônimos etc. Os processos coesivos de continuidade só se podem dar com elementos expressos na superfície textual; um elemento coesivo sem referente expresso, ou com mais de um referente possível, torna o texto mal-formado. 2. Progressão: O texto deve retomar seus elementos conceituais e formais, mas não deve limitar-se a isso. Deve, sim, apresentar novas informações a propósito dos elementos mencionados. Os acréscimos semânticos fazem o sentido do texto progredir. No plano da coerência, percebe-se a progressão pela soma das idéias novas às que são já tratadas.

Há muitos recursos capazes de conferir seqüenciação a um texto. 3. Não-contradição: um texto precisa respeitar princípios lógicos elementares. Não pode afirmar A e o contrário de A . Suas ocorrências não podem se contradizer, devem ser compatíveis entre si e com o mundo a que se referem, já que o mundo textual tem que ser compatível com o mundo que representa. Esta não-contradição expressa-se nos elementos lingüísticos, no uso do vocabulário, por exemplo. Em redações escolares, costuma-se encontrar significantes que não condizem com os significados pretendidos. Isso resulta do desconhecimento, por parte do emissor, do vocabulário a que recorreu. 4. Relação: um texto articulado coerentemente possui relações estabelecidas, firmemente, entre suas informações, e essas têm a ver umas com as outras. A relação em um texto refere-se à forma como seus conceitos se encadeiam, como se organizam, que papeis exercem uns em relação aos outros. As relações entre os fatos têm que estar presentes e ser pertinentes.

A COESÃO TEXTUAL Um texto, seja oral ou escrito, está longe de ser um mero conjunto aleatório de elementos isolados, mas, sim, deve apresentar-se como uma totalidade semântica, em que os componentes estabelecem, entre si, relações de significação. Contudo, ser uma unidade semântica não basta para que um tal. Essa unidade deve revestir-se de um valor intersubjetivo e pragmático, isto é, deve ser capaz de representar uma ação entre interlocutores, dentro de um padrão particular de produção. A capacidade de um texto possuir um valor intersubjetivo e pragmático está no nível argumentativo das produções lingüísticas, mas a sua totalidade semântica decorre de valores internos à estrutura de um texto e se chama coesão textual. (Pécora, 1987, p. 47) Assim, estudar os elementos coesivos de um texto nada mais é que avaliar os componentes textuais cuja significação depende de outros dentro do mesmo texto ou no mesmo contexto situacional. Os processos de coesão textual são eminentemente semânticos, e ocorrem quando a interpretação de um elemento no discurso depende da interpretação de outro elemento. Embora seja uma relação semântica, a coesão envolve todos os componentes do sistema léxico-gramatical. Portanto há formas de coesão realizadas através da gramática, e outra através do léxico. Deve-se ter em mente que a coesão não é condição necessária nem suficiente para a existência do texto. Podemos encontrar textualidade em textos que não apresentam recursos coesivos; em contrapartida a coesão não é suficiente para que um texto tenha textualidade. Segundo Halliday & Hasan, há cinco diferentes mecanismos de coesão: 1. Referência: elementos referenciais são os que não podem ser interpretados por si próprios, mas têm que ser relacionados a outros elementos no discurso para serem compreendidos. Há dois tipos de referência: a situacional (exofórica ) feita a algum elemento da situação e a textual (endofórica)

Ex: Você não se arrependerá de ler este anúncio. – exofórica Paulo e José são advogados. Eles se formaram na PUC. – endofórica 2. Substituição: colocação de um item no lugar de outro no texto, seja este outro uma palavra, seja uma oração inteira. Ex: Pedro comprou um carro e José também. O professor acha que os alunos estão preparados, mas eu não penso assim.

Para Halliday & Hasan, a distinção entre referência e substituição, está em que, na ocorrência desta, há uma readaptação sintática a novos sujeitos ou novas especificações. Ex: Pedro comprou uma camisa vermelha, mas eu preferi uma verde. (há alteração de uma camisa vermelha para uma camisa verde.) 3. Elipse: substituição por f : omissão de um item, de uma palavra, um sintagma, ou uma frase: – Você vai à Faculdade hoje? – f Nãof f f. Conjunção: este tipo de coesão permite estabelecer relações significativas entre elementos e palavras do texto. Realiza-se através de conectores como e, mas, depois etc. Há elementos meramente continuativos: agora ( abre um novo estágio na comunicação, um novo ponto de argumentação, ou atitude tomada ou considerada pelo falante ); bem ( significa "eu sei de que trata a questão e vou dar uma resposta ") Coesão lexical: obtida através de dois mecanismos: repetição de um mesmo item lexical, ou sinônimos, pronomes, hipônimos, ou heterônimos. Ex: O Presidente foi ao cinema ver Tropa de elite. Ele levou a esposa. Vi ontem um menino de rua correndo pelo asfalto. O moleque parecia assustado. Assisti ontem a um documentário sobre papagaios mergulhadores. Esses pássaros podem nadar a razoáveis profundidades. Colocação: Uso de termos pertencentes a um mesmo campo semântico. Ex: Houve um grande acidente na

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estrada. Dezenas de ambulâncias transportaram os feridos para o hospital mais próximo. Koch, tomando por base os mecanismos coesivos na construção do texto, estabelece a existência de duas modalidades de coesão: 1.– coesão referencial: existe coesão entre dois elementos de um texto, quando um deles para ser interpretado semanticamente, exige a consideração do outro, que pode aparecer depois ou antes do primeiro ( catáfora e anáfora, respectivamente ) – Ele era tão bom, o meu marido! (catáfora) – O homem subiu as escadas correndo. Lá em cima ele bateu furiosamente à uma porta. (anáfora). A forma retomada pelo elemento coesivo chama-se referente. O elemento, cuja interpretação necessita do referente, chama-se forma remissiva. O referente tanto pode ser um nome, um sintagma, um fragmento de oração, uma oração, ou todo um enunciado. Ex: A mulher criticava duramente todas as suas decisões. Isso o aborrecia profundamente. (oração) Perto da estação havia uma pequena estalagem. Lá reuniam-se os trabalhadores da ferrovia.(sintagma nominal) No quintal, as crianças brincavam. O prédio vizinho estava em construção. Os carros passavam buzinando. Tudo isso tirava-me a concentração. (enunciado) Elementos de várias categorias diferentes podem servir de formas remissivas: – pronomes possessivos – Joana vendeu a casa. Depois que seus pais morreram, ela não quis ficar lá. – pronomes relativos – É esta a árvore à cuja sombra sentam-se os viajantes. – advérbios – Antônio acha que a desonestidade não compensa, mas nem todos pensam assim. – nomes ou grupos nominais – Imagina-se que existam outros planetas habitados. Essa hipótese se confirma pelo grande número de OVNIs avistados.

2. – coesão seqüencial: conjunto de procedimentos lingüísticos que relacionam o que foi dito ao que vai ser dito, estabelecendo relações semânticas e/ou pragmáticas à medida que faz o texto progredir. Os elementos que marcam a coesão seqüencial são chamados relatores e podem estabelecer uma série de relações: a) implicação entre um antecedente e um conseqüente: se etc.

b) restrição, oposição, contraste: ainda que, mas, no entanto etc c) soma de argumentos a favor de uma conclusão: e, bem como, também etc.

d) justificativa, explicação do ato de fala: pois etc. e) f) introdução de exemplificação seja...seja, como etc. alternativa (disjunção ): ou etc. ou especificação:

g) extensão, amplificação: aliás, também etc. h) correção: isto é, ou melhor etc. E mais as relações estabelecidas por outras conjunções coordenadas e subordinadas.

CONCEITO DE TÓPICO Na conversação, parte-se geralmente de uma noção conhecida pelo interlocutor, para a desconhecida que se lhe quer comunicar. Essa noção pode estar disponível na situação, sendo supostamente conhecida pelo ouvinte, ou pode ser um dado a ser ativado em sua memória. A noção já conhecida que serve de ponto de partida do enunciado é o tópico. A noção desconhecida chama-se comentário. A definição tradicional de sujeito "ser sobre o qual se declara alguma coisa " é mais bem aplicada à noção de tópico. Ex: – Essa máquina, ela reproduz cem cópias por minuto. – As construções de tópico são normalmente características do discurso coloquial e do

diálogo em que o falante escolhe como ponto de partida de seu enunciado um elemento qualquer que julga se objeto de atenção de seu interlocutor. Na escrita, o tópico também está presente, e serve de ponte entre dois períodos seqüencializados no texto. O processo de topicalização consiste em fazer de um constituinte da frase o tópico, cujo comentário é o restante da frase. Na asserção, a topicalização faz do sintagma-nominal-sujeito o tópico da frase, embora o sintagma-nominal-objeto e o sintagma-preposicional façam parte do sintagma-verbal. Ex: –Os sinos, já não há quem os dobre. – A Brasília, só irei na próxima semana. Na análise da conversação, o tópico também é o assunto tratado pelos interlocutores. Uma mesma conversação pode conter vários tópicos.

NÍVEIS DE LINGUAGEM
A linguagem está dividida em três diferentes níveis: Culto, comum e popular. O nível culto diz respeito ao uso padrão de língua, ou seja, utilizando as normas estabelecidas de gramática, ortografia, concordância verbal e meninal, etc. Este nível deve ser utilizado em todas as situações formais. O Nível comum é normalmente utilizado em ambientes familiares ou até em ambientes de trabalho, mas em situações informais. Falamos de forma despreocupada com padrões pore´m há um limite que envolve respeito. O Nível popular engloba usos de geria (pesada), palavrões, erros de descuido das normais: Resistro (para registro, pobrema (para problema).... ou seja, tudo o que deve ser evitado em língua escrita.

ADEQUAÇÃO LINGUÍSTICA
O correto uso da língua deve ser feito considerando os diferentes ambientes (mais ou menos formal) e seus receptores (ouvintes), que poderão ser mais ou menos cultos, ou ainda mais ou menos próximos de nós (íntimos). A língua falada é menos desprendida de normas. A língua falada admite, para algumas palavras, critérios de simplificação. EX: está = tá, você = cê , não é = né , cantar = cantá , estou = estô, então = intão. Não devemos, porém, nos esquecer de que essas adaptações são admitidas apenas na fala.

VARIAÇÃO LINGUISTAS
Todas as línguas do mundo sofrem um processo natural de variações, que pode ser tanto de pronúncia: diferença no som do R, S; diferença no som do E, O (que podem ter som aberto ou fechado),diferença na seleção do vocabulário ( quando usamos palavras diferentes para designar um mesmo item ; menino, guri, garoto, piá, etc. Normalmente a variação se dá em regiões que se distanciam, mas pode também ocorrer por causa da circunstâncias. Neste caso, somente a de seleção de vocabulário, considerando a situação da comunicação (mais ou menos formal). Chamamos de variação diatópica a que ocorre quando um mesmo vocábulo (palavra), pode ser pronunciado de formas diferentes conforme o lugar. A variação diatópica pode ocorrer no campo lexical (aipim, mandioca, macaxeira) ou no campo fonético: fechado | féchado , porta | porrrta . Quando variamos os termos utilizados com a finalidade formal, fazemos uso da variação diafásica. Existe ainda a variação sintática, que ocorre quando utilizamos a língua mais ou menos de acordo com as normas pré-estabelecidas, considerando também a situação. EX: Vou te enviar um documento. Envio-te um documento.

OS DEFEITOS DO TEXTO
Prolixidade: Ser prolixo é usar termos como chavões, ditos populares, frases feitas. Ex: Desde que o mundo é mundo; Antes de mais nada; Deus ajuda quem cedo madruga; Quem tem boca vai a Roma. O texto deve ser original, de autoria própria, se for citar a frase de alguém, está deve vir entre aspas. Ambiguidade: Há ambiguidade quando o texto induz a dupla interpretação Ex: Encontrei seu chefe e marcamos uma reunião no seu escritório. do chefe? da pessoa a quem se dirige? Obscuridade: Deixar o texto confuso Parágrafo muito longos, falta de pontuação, vocabulário Pleonasmo: Repetir um termo já dito. Ex: Visitaremos o pomar de frutas. Ele teve um infarto do coração O assassino de Realengo é um demente mental. Cacofonia: Consiste na seleção de palavras que juntas, na hora de ler, causa som desagradável. Ex: Comprei um aparelho de socar alho Ex: Vi a porca dela Solecismo: São erros quando á gramática e ortografia gosto de trabalhar rezistrada. Tanto poblema ! Não posso resolver! me telefona. Eco: A reunião tratou da contribuição para a elaboração daquela solicitação que foi feita.

EXERCÍCIOS
1. Classifique os erros das frases em: Barbarismo (Sole cismo), ambiguidade, pleonasmo, cacófato ou eco. a)Coitado do burro do meu amigo.Morreu *Ambiguidade b)O garçom trousse o cardápio para eu. *solecismo c)Depois que ele mudou, mandou cartas, renunciou ao cargo que pleiteou *Eco d)O adevogado trocou o pneu do carro *solecismo e)Recolhem-se os pássaros à tardinha. *ambiguidade f)Ama o filho a boa mãe. *ambiguidade g)É admirável a fé dele cacófato h)O carrasco decaptou a cabeça do condenado *pleonasmo i)Entre dentro do carro para sentir o conforto *pleonasmo

j)Escapei do perigo Deus sabe como! *cacófato l)Preciso de um rapaz para caçar pássaros e uma garota menor *ambiguidade m)Manoel assistiu ao incêndio do prédio *ambiguidade n)Tomei o ônibus correndo *ambiguidade o)Faziam anos que não morria pessoas nesta rua *solecismo

PARAGRAFAÇÃO E TÓPICO FRASAL
O texto é produzido em parágrafos deva-se levar em conta o tema para produzi-lo, no estado, cada parágrafo deve apresentar um aspecto específico do tema sugerido.Assim, cada parágrafo deve conter um tópico frasal diferente dos demais parágrafos . Isso garante ao texto qualidade de informações. Seja o esquema de uma boa dissertação. --> Tema - Parágrafo inicial: Introdução e resumo dos aspectos a serem tratados . (três aspectos é um bom número). - Primeiro aspecto -Segundo aspecto -Terceiro aspecto -Parágrafo final: Reafirmação dos aspectos citados e conclusão Exemplo de texto dissertação bem esquematizado TEMA: VIOLÊNCIA URBANA 1º Parágrafo: Um assunto extremamente mostrado e discutido nos jornais impressos e televisivos é a violência urbana. Além das facilidades disponíveis nas grandes metrópoles, encontramos inevitavelmente violência como a do trânsito, contra a mulher e virtual, entre outras. 2º Parágrafo: Cidades grandes e trânsito é hoje, como se fossem termos sinônimos. Todos os dias, gastam-se, em média, do dia presos no tráfego... 3º Parágrafo: Um outro tipo de violência, visível na área urbana, é contra as mulheres, as quais conquistam postos em diferentes áreas, no entanto, recebem salários normalmente abaixo dos pagos á funcionários do sexo oposto... 4º Parágrafo: Dentre os mais recentes tipos de violência urbana, citamos a virtual... 5º Parágrafo (final): Vemos que muitas são as vantagens de se viver na área urbana, não esquecendo que no que diz respeito à violência devemos considerar sérios pontos negativos como os vistos acima...

Conceitos e Noções Gerais de Dissertação
Existem dois tipos de dissertação: a dissertação expositiva e a dissertação argumentativa. A primeira tem como objetivo expor, explicar ou interpretar idéias; a segun-da procura persuadir o leitor ou ouvinte de que determinada tese deve ser acatada. Na dissertação argumentativa, além disso, tentamos, explicitamente, formar a opinião do leitor ou ouvinte, procurando persuadi-lo de que a razão está co-nosco. Na dissertação expositiva, podemos explanar sem combater idéias de que discordamos. Por exemplo, um professor de História pode fazer uma explicação sobre os modos de produção, aparentando impessoalidade, sem tentar con-vencer seus alunos das vantagens das vantagens e desvanta-gens deles. Mas, se ao contrário, ele fizer uma explanação com o propósito claro de formar opinião dos seus alunos, mostrando as inconveniências de determinado sistema e valorizando um outro, esse professor estará argumentando explicitamente. Para a argumentação ser eficaz, os argumentos devem possuir consistência de raciocínio e de provas. O raciocínio consistente é aquele que se apóia nos princípios da lógica, que não se perde em especulações vãs, no “bate-boca”estéril. As provas, por sua vez, servem para reforçar os argumntos. Os tipos mais comuns de provas são: os fatos-exemplos, os dados estatísticos e o testemunho.

Como fazer uma dissertação argumentativa
Como fazer nossas dissertações? Como expor com clareza nosso ponto de vista? Como argumentar coerentemente e validamente? Como organizar a estrutura lógica de nosso texto, com introdução, desenvolvimento e conclusão? Vamos supor que o tema proposta seja Nenhum homem é uma ilha. Primeiro, precisamos entender o tema. Ilha, naturalmente, está em sentido figurado, significando solidão, isolamento. Vamos sugerir alguns passos para a elaboração do rascunho de sua redação. 1. Transforme o tema em uma pergunta: Nenhum homem é uma ilha? 2. Procure responder essa pergunta, de um modo simples e claro, concordando ou discordando (ou, ainda, concordando em parte e discordando em parte): essa resposta é o seu pon-to de vista. 3. Pergunte a você mesmo, o porquê de sua resposta, uma causa, um motivo, uma razão para justificar sua posição: aí estará o seu argumento principal. 4. Agora, procure descobrir outros motivos que ajudem a defender o seu ponto de vista, a fundamentar sua posição. Estes serão argumentos auxiliares. 5.Em seguida, procure algum fato que sirva de exemplo para reforçar a sua posição. Este fato-exemplo pode vir de sua memória visual, das coisas que você ouviu, do que você leu. Pode ser um fato da vida política, econômica, social. Pode ser um fato histórico. Ele precisa ser bastante expressivo e coerente com o seu ponto de vista. O fato-exemplo, geralmente, dá força e clareza à nossa argumentação. Esclarece a nossa opinião, fortalece os nossos argumentos. Além disso, pessoaliza o nosso texto, diferencia o nosso texto: como ele nasce da experiência de vida, ele dá uma marca pessoal à dissertação. 6. A partir desses elementos, procure juntá-los num texto, que é o rascunho de sua redação. Por enquanto, você pode agrupá-los na seqüência que foi sugerida:

Os passos
1) interrogar o tema; 2) responder, com a opinião 3) apresentar argumento básico 4) apresentar argumentos auxiliares

5) apresentar fato- exemplo 6) concluir

Como ficaria o esquema
1º parágrafo: a tese 2º parágrafo: argumento 1 3º parágrafo: argumento 2 4º parágrafo: fato-exemplo 5º parágrafo: conclusão

Exemplo de redação com esse esquema:
Tema: Como encarar a questão do erro Título: Buscar o sucesso Tese 1º§ O homem nunca pôde conhecer acer-tos sem lidar com seus erros.

Argumentação
2º§ O erro pressupõe a falta de conheci-mento ou experiência, a deficiência de sintonia entre o que se propõe a fazer e os meios para a realização do ato. Deriva-se de inúmeras causas, que incluem tanto a falta de informação, como a inabilidade em lidar com elas. 3º§ Já acertar, obter sucesso, constitui-se na exata coordenação entre informação e execu-ção de qualquer atividade. É o alinhamento preci-so entre o que fazer e como fazer, sendo esses dois pontos indispensáveis e inseparáveis. Fato-exemplo 4º§ Como atingir o acento? A experiência é fundamental e, na maior das vezes, é alicerçada em erros anteriores, que ensinarão os caminhos para que cada experiência ruim não mais ocorra. Assim, um jovem que presta seu primeiro vesti-bular e fracassa pode, a partir do erro, descobrir seus pontos falhos e, aos poucos, aliar seus co-nhecimentos à capacidade de enfrentar uma situa-ção de nova prova e pressão. Esse mesmo jovem, no mercado de trabalho, poderá estar envolvido em situações semelhantes: seus momentos de fracasso estimularão sua criatividade e maior em-penho, o que fatalmente levará a posteriores acertos fundamentais em seu trabalho. Conclusão 5º§ Assim, o aparecimento dos erros nos atos humanos é inevitável. Porém, é preciso, aci-ma de tudo, saber lidar com eles, conscientizarse de cada ato falho e tomá-los como desafio, nunca se conformando, sempre buscando a superação e o sucesso. Antes do alcance da luz, será sempre preciso percorrer o túnel. (Redação de aluno.)

Esquema da antítese
Como incluir a contra-argumentação numa dissertação argumentativa

A dissertação argumentativa começa com a proposição clara e sucinta da idéia que irá ser comprovada, a TESE. A essa primeira parte do texto dissertativo chamamos de introdução. A segunda parte, chamada desenvolvimento, visa à apresentação dos argumentos que comprovem a tese, ou seja, a PROVA. É costume estruturar a argumentação em ordem crescente de importância, como foi explicado no início desta lição, a fim de prender cada vez mais a atenção do leitor às razões apresentadas. Essas razões baseiam-se em provas demonstráveis através dos fatos-exemplo, dados estatísticos e testemunhos. Na dissertação argumentativa mais formal, o desen-volvimento apresenta uma subdivisão, a ANTÍTESE, na qual se refutam possíveis contra-argumentos que possam contrariar a tese ou as provas. Nessa parte, a ordem de importância inverte-se, colocando-se, em primeiro lugar, a refutação do contra-argumento mais forte e, por último, do mais fraco, com o propósito de se depreciarem as idéias contrárias e ir-se, aos pontos, refutando a tese adversa,ao mesmo tempo em que se afasta o leitor ou ouvinte dos contra-argumentos mais poderosos. Na última parte, a conclusão, enumeraram-se os argumentos e conclui-se, reproduzindo as tese, isto é, faz-se uma SÍNTESE. Além de fazer uma síntese das idéias discu-tidas, pode-se propor, na conclusão, uma solução para o problema discutido. Esquema de uma dissertação com antítese Tema: Vestibular, um mal necessário. Tese: O vestibular privilegia os candidatos pertencentes às classes mais favorecidas economicamente. Prova: Os candidatos que estudaram em escolas com infra-estrutura deficiente, com as escolas públicas do Brasil, por mais que se esforcem, não têm condições de concorrer com aqueles que freqüentaram bons colégios. Antítese: Mesmo que o acesso à universidade fosse facilitado para candidatos de condição econômica inferior, o problema não seria resolvido, pois a falta de um aprendizado sólido, no primeiro e segundo grau, comprometeria o ritmo do curso superior. Conclusão (síntese´): As diferenças entre as escolas públicas e privadas são as verdadeiras responsáveis pela seleção dos candidatos mais ricos.

Relação entre causa e conseqüência
Você possui um tema para ser analisado. Neste caso, a melhor forma de desenvolvê-la é estabelecer a relação causaconseqüência. Vamos à prática com o seguinte tema: Tema Constatamos que no Brasil existe um grande número de correntes migratórias que se deslocam do campo para as médias ou grandes cidades. Para encontrarmos uma causa, perguntamos: Por quê? ao tema acima. Dentre as respostas possíveis, poderíamos citar o seguinte fato: Causa: A zona rural apresenta inúmeros problemas que dificultam a permanência do homem no campo. No sentido de encontrar uma conseqüência para o problema enfocado no tema acima, cabe a seguinte pergunta: O que acontece em razão disso? Uma das possíveis respostas seria: Conseqüência

As cidades encontram-se despreparadas para absorver esses migrantes e oferecer-lhes condições de subsistência e de trabalho Veja que a causa e a conseqüência citadas neste exemplo podem ser perfeitamente substituídas por outras, encontradas por você, desde que tenham relação direta com o assunto. As sugestões apresentadas de maneira nenhuma são as únicas possíveis.

Veja outros exemplos:
Causa: As pessoas mais velhas têm medo do novo, elas são mais conservadoras, até em assuntos mais prosaicos. Tema: Muitas pessoas são analfabetas eletrônicas, pois não conseguem operar nem um videocassete. Conseqüência: Elas se tornam desajustadas, pois dependem dos mais jovens até para ligar um forno microondas, elas precisam acompanhar a evolução do mundo. Causa: A nação que deixa depredar as construções consideradas como patrimônios históricos destrói parte da História de seu país. Tema: É de fundamental importância a preservação das construções que se constituem em patrimônios históricos. Conseqüência: Isso demonstra claramente o subdesenvolvimento de uma nação, pois quando não se conhece o passado de um povo e não se valorizam suas tradições, estamos desprezando a herança cultural deixada por nossos antepassados.

Causa: A maioria dos parlamentares preocupa-se muito mais com a discussão dos mecanismos que os fazem chegar ao poder do que com os problemas reais da população. Tema: A maior parte da classe política não goza de muito prestígio e confiabilidade por parte da população. Conseqüência: Os grandes problemas que afligem o povo brasileiro deixam de ser convenientemente discutidos.

Causa: Algumas pessoas refugiam-se nas drogas na tentativa de esquecer seus problemas. Tema: Muitos jovens deixam-se dominar pelo vício em diversos tipos de entorpecentes, mal que se alastra cada vez mais em nossa sociedade. Conseqüência: Acabam formando-se dependentes dos psicóticos dos quais se utilizam e, na maioria das vezes, transformam-se em pessoas inúteis para si mesmas e para a comunidade.

Exercícios
Apresentaremos alguns temas e você se incumbirá de encontrar uma causa e uma conseqüência para cada um deles. Escreva-as, seguindo o modelo apresentado acima: 1 Tema: As linhas de ônibus que percorrem os bairros das grandes metrópoles não têm demonstrado muita eficiência no atendimento a seus usuários. Causa: Conseqüência: 2 A convivência familiar está muito difícil. causa: Conseqüência:

3 As novelas de televisão passaram a exercer uma profunda influência nos hábitos e na maneira de pensar da maioria dos telespectadores. Causa: Conseqüência: 4 As doenças infecto-contagiosas atingem particularmente as camadas mais carentes da população. Causa: Conseqüências: 5 Apesar de alertados por ecologistas, os lavradores continuam utilizando produtos agrotóxicos indiscriminadamente. Causa: Conseqüência: Esquema de redação com causa-conseqüência Título Introdução (o problema): 1º parágrafo: Apresentação do tema (com ligeira ampliação). Desenvolvimento: 2º parágrafo - Causa (explicações adicionais) 3º parágrafo - Conseqüência (com explicações adicionais) Conclusão(a solução): 4º § - Expressão inicial + reafirmação do tema + observação final Proposta de redação Escolha um dos temas apresentados nesta folha e redija um texto em quatro parágrafos, conforme o esquema desenhado acima. Não se esqueça de aplicar a relação causa-conseqüência. (Do livro Técnicas Básicas de Redação, Branca Granatic, Editora Scipione)

Outro esquema interessante:
O texto Aquilo por que vivi, de Bertrand Russel, revela uma estrutura que o vestibulando poderá usar em sua redação. Leia o texto: Aquilo por que vivi Três paixões, simples, mas irresistivelmente fortes, governaram-me a vida: o anseio de amor, a busca do conhecimento e a dolorosa piedade pelo sofrimento da humanidade. Tais paixões, como grandes vendavais, impeliram-me para aqui e acolá, em curso, instável, por sobre o profundo oceano de angústia, chegando às raias do desespero. Busquei, primeiro, o amor, porque ele produz êxtase – um êxtase tão grande que, não raro, eu sacrificava todo o resto da minha vida por umas poucas horas dessa alegria. Ambicionava-o, ainda, porque o amor nos liberta da solidão – essa solidão terrível através da qual nossa trêmula percepção observa, além dos limites do mundo, esse abismo frio e exânime. Busquei-o, finalmente, porque vi na união do amor, numa

miniatura mística, algo que prefigurava a visão que os santos e os poetas imaginavam. Eis o que busquei e, embora isso possa parecer demasiado bom para a vida humana, foi isso que – afinal – encontrei. Com paixão igual, busquei o conhecimento. Eu queria compreender o coração dos homens. Gostaria de saber por que cintilam as estrelas. E procurei apreender a força pitagórica pela qual o número permanece acima do fluxo dos acontecimentos. Um pouco disto, mas não muito, eu o consegui. Amor e conhecimento, até ao ponto em que são possíveis, conduzem para o alto, rumo ao céu. Mas a piedade sempre me trazia de volta à terra. Ecos de gritos de dor ecoavam em meu coração. Crianças famintas, vítimas torturadas por opressores, velhos desvalidos a construir um fardo para seus filhos, e todo o mundo de solidão, pobreza e sofrimentos, convertem numa irrisão o que deveria ser a vida humana. Anseio por avaliar o mal, mas não posso, e também sofro. Eis o que tem sido a minha vida. Tenho-a considerado digna de ser vivida e, de bom grado, tornaria a vivê-la, se me fosse dada tal oportunidade. (Bertrand Russel, Autobiografia. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1967.) O texto, cujo tema está explícito no título – os motivos fundamentais da vida do autor – apresenta cinco parágrafos. No primeiro parágrafo, o autor revela as suas “três paixões”: a) amor; b) conhecimento; c) piedade. Em seguida, dedica três parágrafos para cada uma dessas paixões. O segundo parágrafo fala sobre a busca do amor; terceiro, sobre a procura do conhecimento; e o quarto, sobre a importância do sentimento piedade diante do sofrimento. O quinto e último parágrafo realiza a conclusão do texto. Eis o esquema: 1º§ - a, b, c; 2º§ - a; 3º§ - b; 4º§ - c; 5º§ - a, b, c. (in Novas Palavras, de Emília Amaral e outros, editora FTD-1997) Observar a estrutura dos textos dissertativos é um bom momento de aprendizagem. Recomenda-se tal exercício aos vestibulandos: ler editoriais e artigos de jornais. Proposta de redação A TV brasileira completa 50 anos. No início, houve quem considerasse o televisor mais um eletrodoméstico na casa. Hoje, sabe-se que ele não é só isso, a televisão é um modo de vida. Redija um texto dissertativo, em prosa, com 30 linhas, analisando se a TV brasileira FORMA, INFORMA ou DEFORMA. Use o esquema acima.

Descrição

Introdução
A descrição é um texto, literário ou não, em que predominam verbos de estado e adjetivos que caracterizam pessoas, ambientes e objetos. É muito raro encontrarmos um texto exclusivamente descritivo. Quase sempre a descrição vem mesclada a outras modalidades, caracterizando uma personagem, detalhando um cenário, um ambiente ou paisagem, dentro de um romance, conto, crônica ou novela. Assim, a descrição pura geralmente aparece como parte de um relatório técnico, como no caso da descrição de peças de máquinas, órgãos do corpo humano, funcionamento de determinados aparelhos (descrição de processo). Dessa maneira, na prática, seja literária ou técnico-científica, a descrição é sempre um fragmento, é um parágrafo dentro de uma narração, é parte de um relatório, de uma pesquisa, de dissertações em geral. Mas o estudante precisa aprender a descrever; a prática escolar assim o exige. Geralmente pede-se u texto menor que a narração ou a dissertação. Um texto descritivo com aproximadamente 15 linhas costuma conter todos os aspectos caracterizados que permitam ao leitor visualizar o ser ou objetivo descrito. Para tanto, o observador deve explorar as sensações gustativas, olfativas, auditivas, visuais, táteis e impressões subjetivas. O que se descreve Podemos descrever o que vemos (aquilo que está próxima), o que imaginamos (aquilo que conhecemos mas não está próximo no momento da descrição) ou o que nossa imaginação cria, qualquer entid ade inventada: um ser extraterreno, uma mulher que você nunca viu, uma futurista, um aparelho inovador etc. Como se descreve De acordo com os objetivos de quem escreve, a descrição pode privilegiar diferentes aspectos: • pormenorização – corresponde a uma persistência na caracterização de detalhes; • dinamização – é a captação dos movimentos de objetivos e seres; • impressão – são os filtros da subjetividade, da atividade psicológica, interpretando os elementos observados. A organização da descrição No processo de composição de uma redação descritiva, o emissor seleciona os elementos organiza para levar o receptor a formar ou conhecer a imagem do objetivo descrito, isto é, a concebê-lo sensorial ou perceptualmente. A descrição é fundamentalmente espacial. Eventualmente pode aparecer um índice temporal, porém sua função é meramente circunstancial, serve apenas para precisar o registro descritivo. Observe como Vinícius de Morais descreve a casa materna, priorizando o espaço, mas situando-a num tempo subjetivo que só existe nas impressões interiorizadas da lembrança do observador: A casa materna Há, desde a entrada, um sentimento de tempo na casa materna. As grades do portão têm uma velha ferrugem e trinco se oculta num lugar que só a mão filial conhece. O jardim pequeno parece mais verde e úmido que os demais, com suas plantas, tinhorões a samambaias que a mão filial, fiel a um gesto de infância, desfolha ao longo da haste.

É sempre quieta a casa materna, mesmo aos domingos, quando as mãos filiais se pousam sobre a mesa farta de almoço, repetindo uma antiga imagem. Há um tradicional silêncio em suas salas e um dorido repouso em suas poltronas. O assoalho encerado, sobre o qual ainda escorrega o fantasma da cachorrinha preta, guarda as mesmas manchas e o mesmo taco solto de outras primaveras. As coisas vivem como em prece, nos mesmos lugares onde as situaram as mãos maternas quando eram moças e lisas. Rostos irmãos se olham dos porta-retratos, a se amarem e compreenderem mudamente. O piano fechado, com uma longa tira de flanela sobre as teclas, repete ainda passadas valsas, de quando as mãos maternas careciam sonhar. A casa materna é o espelho de outras, em pequenas coisas que o olhar filial admirava ao tempo que tudo era belo: o licoreiro magro, a bandeja triste, o absurdo bibelô. E tem um corredor à escuta de cujo teto à noite pende uma luz morta, com negras aberturas para quartos cheios de sombras. Na estante, junto à escada, há um tesouro da juventude com o dorso puído de tato e de tempo. Foi ali que o olhar filial primeiro viu a forma gráfica de algo que passaria a ser para ele a forma suprema de beleza: o verso. Na escada há o degrau que estala e anuncia aos ouvidos maternos a presença dos passos filiais. Pois a casa materna se divide em dois mundos: o térreo, onde se processa a vida presente, e o de cima, onde vive a memória. Embaixo há sempre coisas fabulosas na geladeira e no armário da copa: roquefort amassado, ovos frescos, mangas espadas, untuosas compotas, bolos de chocolate, biscoito de araruta – pois não há lugar mais ´propício do que a casa materna para uma boa ceia noturna . E porque é uma casa velha, há sempre uma barata que aparece e é morta com uma repugnância que vem de longe. Em cima ficaram guardados antigos, os livros que lembram a infância, o pequeno oratório em frente ao qual ninguém, a não ser a figura materna, sabe por que queima, às vezes, uma vela votiva. E a cama onde a figura paterna repousava de sua agitação diurna. Hoje, vazia. A imagem paterna persiste no interior da casa materna. Seu violão dorme encostado junto à vitrola. Seu corpo como se marca ainda na velha poltrona da sala e como se pode ouvir ainda o brando ronco de sua sesta dominical. Ausente para sempre da casa, a figura paterna parece mergulhá-la docemente na eternidade, enquanto as mãos maternas se faziam mais lentas e mãos filiais mais unidas em torno da grande mesa, onde já vibram também vozes infantis. (Vinícius de Morais)

ELEMENTOS PREDOMINANTES NA DESCRIÇÃO
• Frases nominais (sem verbo) ou orações em que predominam verbos de estado ou condição. Sol já meio de esguelha, sol das três horas. A areia, um borralho de quente. A caatinga, um mundo perdido. Tudo, tudo parado: parado e morto.(Mário Palmério) Efetivamente a rua era aquela; e o velho palácio estava na minha frente. Era um palácio de trezentos anos, cor de barro, que me parecia muito familiar quanto ao desenho de sua alta porta, aos ornatos das colunas e ao lançamento da escada do vestíbulo.(Cecília Meireles) •Frases enumerativas: seqüência de nomes, geralmente sem verbo. “A cama de ferro; a colcha branca, o travesseiro com fronha de morim. O lavatório esmaltado, a bacia e o jarro. Uma mesa de pau, uma cadeira de pau, o tinteiro, papéis, uma caneta. Quadros na parede.” (Érico Veríssimo) •Adjetivação: caracterizadores qualificando nomes. A pele da cabocla era desse moreno enxuto e parelho das chinesas. Tinha uns olhos graúdos, lustrosos e negros como os cabelos lisos, e um sorriso suave e limpo a animar-lhe o rosto oval de feições delicadas. (Érico Veríssimo) •Figuras de linguagem: recursos expressivos, geralmente em linguagem conotativa? A mais usadas na descrição são a metáfora, a compara;’ao, a prosopopéia, a onomatopéia e a sinestesia. O rio era aquele cantador de viola, em cuja alma se refletia o batuque das estrelas nuas, perdidas no vácuo milenarmente frio do espaço...Depois ele ia cantando isso de perau em perau, de cachoeira em cachoeira...

•Sensações: uso dos cinco sentidos, ou seja, das percepções visuais, auditivas, gustativas, olfativas e táteis. Os sons se sacodem, berram...Dentro dos sons movem-se cores, vivas, ardentes...Dentro dos sons e das cores, movem-se os cheiros, cheiro de negro...Dentro dos cheiros, o movimento dos tatos violentos, brutais...Tatos, sons, cores, cheiros se fundem em gostos de gengibre... (Graça Aranha)

A DESCRIÇÃO CONVENCIONAL
Leia o texto abaixo e observe a técnica descritiva explorada pelo autor, para descrever convencionalmente um canário. A praça, o templo. Lugar de encontro. Os homens reunidos para a discussão, para o divertimento, para as rezas. Perguntas e perguntas, respostas, respostas, diálogos com Deus, passeatas, sermões, discursos, procissões, bandas de música, circos, mafuás, andores carregados, mastros e bandeiras, carrosséis, barracas, badalar de sinos, girândolas e fogos de artifício lançados para o alto, ampliando, na direção das torres, o espaço horizontal da praça. Joana, descalça, vestida de branco, os cabelos ouro esvoaçado, traz sobre o peito a imagem emoldurada de São Sebastião. Por cima dos ombros, encobrindo-lhe braços, mãos, e tão comprida que quase chega ao solo, estenderam uma toalha de crochê, com figuras de centauro. As setas grossas, no tronco do santo, parecem atravessa-lo, cravar-se firmes em Joana. Por trás, numa fila torta, cantando em altas vozes, com velas acesas, muitas mulheres. A noite de dezembro não caiu de todo, alguma luz diurna resta no ar. Posso ver que os olhos de Joana são azuis e grandes; e que seu rosto, embora desfigurado, pois ela ainda está convalescente, difere de todos que encontrei, firme e delicado a um tempo. Adaga de cristal. (...) Meio cega, ausente das coisas, febril, as pernas mortas. (Osman Lins) Nesta descrição, impressões líricas compõem a imagem mística de uma mulher enferma. A linguagem moderna de Osman Lins alterna a concisão das frases nominais com a sinuosidade das frases verbais. As frases nominais, telegráficas, abrem o texto, formando, num único parágrafo, uma seqüência de enumerações, onde estão justapostos elementos de natureza diversa: o humano X o divino, o concreto X o abstrato. O segundo parágrafo estende-se entre breves frases nominais e frases de maior complexidade: “Por cima dos ombros, encobrindo-lhe braços, mãos, e tão comprida que quase chega ao solo, estenderam uma toalha de crochê, com figuras de centauro.” As impressões do autor, através da adjetivação, registram fartamente os aspectos visuais:”os olhos de Joana são azuis e grandes.” As sensações auditivas aparecem num flagrante: “cantando em altas vozes.” O subjetivismo está não apenas na manifestação do autor, em 1ª pessoa, mas também nas captações pessoais, únicas, metafóricas: “As setas grossas, no tronco do santo, parecem atravessá-la, cavar-se firmes em Joana”; “firme e delicado a um tempo. Adaga de cristal.” Há, ainda, fragmentos de descrição estática (“Joana descalça, vestida de branco (...) traz sobre o peito a imagem de São Sebastião.” E dinâmica (“ os cabelos de ouro esvoaçando”; “cantando em altas vozes”). Assim, o texto compõe o retrato de um cenário e das pessoas que o animam, entre objetos, cores e movimentos liricamente caracterizados.

A DESCRIÇÃO ORIGINAL
Veja como, aos olhos de um observador sensível, até uma prosaica cena ganha impressões inesperadas. O esmagamento das gotas Eu não sei, olhe, é terrível como chove. Chove o tempo todo, lá fora fechada e cinza, aqui contra a sacada, com gotões coalhados e duros que fazem plaf e se esmagam como bofetadas um através do outro. Agora aparece a gotinha no alto da esquadria da janela, fica tremelicando contra o céu e se esmigalha em mil brilhos apagados, vai crescendo e balouça, já vai

cair, não cai ainda. Está segura com todas as unhas, não quer cair e se vê que ela se agarra com os dentes enquanto lhe cresce a barriga, já é uma gotona que se prende majestosa e de repente zup, lá vai ela, plaf, desmanchada, nada, uma viscosidade no mármore. (Júlio Cortázar) Júlio Cortazar transforma em testemunho descritivo a experiência de observar a chuva e particularizá-la na gota pendente da janela. A tímida e indefinida impressão inicial (“Eu não sei, olhe, é terrível como chove”) dá lugar a uma dinâmica caracterização que atribui movimento e vida a uma gota de chuva, através da concentração de imagens visuais e onomatopéias (plaf,zup), personificando sua resistência e aniquilamento: “fica tremelicando (...), vai crescendo e balouça, (...). Está segura com todas as unhas, não quer cair (...) ela se agarra com os dentes enquanto lhe cresce a barriga”; “se prende majestosa”. AS EXPERIÊNCIAS SENSORIAIS NA DESCRIÇÃO A descrição está intimamente ligada à experiência das sensações físicas e das percepções subjetivas. O leitor capta impressões sensoriais e psicológicas transmitindo-as através de recursos expressivos de linguagem. Assim, a descrição traduz com palavras a especialidade de uma imagem bem como estados de espírito, traços de personalidade e comportamento que seres e objetivos suscitam no observador. Sensações visuais As sensações visuais e/ou percepções visuais são as mais freqüentes e estão relacionadas a cor, forma, dimensões, linhas etc. Quando especificamente relacionadas as cores, são chamadas cromáticas. Companheiros de classe Os companheiros de classe eram cerca de vinte; uma variedade de tipos que me divertia. O Gualtério, miúdo, redondo de costas, cabelos revoltos, mobilidade brusca e caretas de símio – palhaço dos outros, como dizia o professor; (...) o Maurílio, nervoso, insofrido, fortíssimo na tabuada: cinco vezes três, vezes dois, noves fora, vezes sete? ... lá estava Maurílio, trêmulo, sacudindo no ar o dedinho esperto... olhos fúlgidos no rosto moreno, marcado por uma pinta na testa; o negrão, de ventas acesas, lábios inquietos, fisionomia agreste de cabra, canhoto e anguloso, incapaz de ficar sentado três minutos, sempre à mesa do professor e sempre enxotado, debulhando um risinho de pouca-vergonha (...) (Raul Pompéia) Sensações auditivas Muito comuns, as sensações e/ou percepções auditivas estão relacionadas ao som (intensidade, altura, timbre, proveniência, direção, ausência etc). Está sempre a rir, sempre a cantar. Canta o dia inteiro, num tom arrastado, apregoando as revistas que vende.(Graciliano Ramos) Sensações gustativas As sensações e/ou percepções gustativas relacionam-se ao paladar (doce, azedo, amargo, salgado etc). E a saliva daqueles infelizes Inchava em minha boca, de tal arte Que eu, para não cuspir por toda parte, Ia engolindo aos poucos a hemoptise. (Augusto dos Anjos)

Sensações olfativas
As sensações e/ou percepções olfativas relacionam-se a cheiro (um perfume, o hálito, uma fragrância etc).

A avenida é o mar dos foliões Serpentinas cortam o ar carregado de éter, rolam das sacadas... (Marques Rebelo) Sensações táteis As sensações e/ou percepções táteis resultam do contato da pele com os objetos (aspereza, calor, frio etc.). A tua mão é dura como casca de árvore, ríspida e grossa como um cacto. Cassiano Ricardo) Observe,a seguir, como Graça Aranha mescla, de forma original, todos os sentidos, num texto denso de imagens: Carnaval Maravilha do ruído, encantamento do barulho. Zé Pereira, bumba, bumba. Falsetes, zombeteiam. Viola chora e espinoteia. Melopéia negra, melosa, feiticeira, candomblé. Tudo é instrumento, flautas, violões, reco-recos, saxofones, pandeiros, liras, gaitas e trompetes. Instrumentos sem nome, inventados no delírio da improvisação, do ímpeto musical. Tudo é canto. Os sons se sacodem, berram. Lutam, arrebentam no ar sonoro dos ventos, vaias, klaxons, aços estrepitosos. Dentro dos sons movem-se cores, vivas, ardentes, pulando, dançando, desfilando sob o verde das árvores, em face do azul da baía no mundo dourado.Dentro dos sons e das cores, movem-se os cheiros, cheiro de negro, cheiro de mulato, cheiro branco, cheiro de todos os matizes, de todas as excitações e de todas as náuseas. Dentro dos cheiros, o movimento dos tatos violentos, sons, brutais, suaves, lúbricos,meigos, alucinantes. Tatos, sons, cores, cheiros se fundem em gostos de gengibre, de mendublim, de castanhas, de bananas, de laranjas, de bocas e de mucosas. Libertação dos sentidos envolventes das massas frenéticas, que mexericam, de Madureira à Gávea na unidade do prazer desencadeado. (Graça Aranha) Numa fusão dos cinco sentidos, o autor percorre um canário carnavalesco, registrando as sensações que produzem sons, cores, cheiro, tatos e gostos. Frases nominais e enumerativas caracterizam um espaço vibrante e dinâmico (“maxixam, gritam,tresandam”), além do impressionismo provocado pelas combinações sinestésicas em “viola chora e espinoteia”, “os sons se sacodem”, “cheiro de todos os matizes”, “tatos alucinantes” e “gostos de gengibre”. A técnica de enumeração e repetição vocabular utilizada pelo autor reproduz a intensidade das sensações e a dinâmica do contexto carnavalesco. Observe agora, num texto em versos, o aproveitamento das sensações: Natureza morta Na sala ao sol seco do meio-dia sobre a ingenuidade da faiança portuguesa os frutos cheiram violentamente e a toalha é fria e alva na mesa. Há um gosto áspero de ananases e um brilho fosco de uvaias flácidas e um aroma adstringente de cajus, de pálidas carambolas de âmbar desbotado e um estalo oco de jabuticabas de polpa esticada e um fogo bravo de tangerinas. E sobre esse jogo de cores, gostos e perfumes a sala toma a transparência abafada de uma redoma. (Guilherme Almeida) Aguçando os cinco sentidos, o poeta intensifica a composição do cenário, através do olfato (“os frutos cheiram violentamente”), do tato (“a toalha é fria”), da visão (“um brilho fosco”), do paladar (“um gosto áspero”) e da audição (“um estalo oco”). Nessas sinestesias estão os cruzamentos inesperados e subjetivos das sensações que empolgam o observador. Sensações espaciais

Além das sensações físicas percebidas pelos cinco sentidos, existem as experiências pessoais de espaço (perspectiva, ângulo, dimensão, direção), como por exemplo altura, largura, profundidade. Há ainda as experiências relacionadas a medidas, como peso, volume, força, densidade, pressão. Antônio Vítor veio andando em grandes passadas e mesmo antes de atingir o pequeno terreiro onde, em frente à casa ciscavam galinhas(...) Parou ao lado da porta da casa de barro batido, mais alta do lado direito que o do esquerdo, uma construção apressada e baixa, aumentada depois para o fundo, e olhou o céu, a alegria estampada no rosto caboclo. (Jorge Amado) Sensações subjetivas Faz também parte da descrição a sensibilidade “interna” do universo do observador (sensações inerentes ao ser humano): alegria, tristeza, amor, ira, náusea, fome, fadiga, vontade, nostalgia, enfim, estados emocionais. A força de meu pai encontraria resistência e gastar-se-ia em palavras. Débil e ignorante, incapaz de conversa ou defesa (...). O coração bate-me forte, desanima, como se fosse parar, a voz emperra, a vista escurece, uma cólera doida agita coisas adormecidas cá dentro. A horrível sensação que me furam tímpanos com pontas de ferro. (...) Sozinho, vi-o de novo cruel e forte, separando, espumando. E ali permaneci, miúdo e insignificante, tão insignificante e miúdo como as aranhas que trabalham na telha negra. (Graciliano Ramos)

RECURSOS EXPRESSIVOS NA DESCRIÇÃO
A caracterização de um ser ou objeto vazada em linguagem subjetiva implica o uso de determinados recursos expressivos que favoreçam o delineamento dos elementos retratados. Esses recursos são as figuras; dentro as mais comuns, citamos a metáfora, a comparação, a prosopopéia, a onomatopéia e a sinestesia. Metáfora A metáfora consiste no uso de uma palavra com sentido diferente daquele que lhe é próprio. É uma comparação abreviada, em que não aparecem os nexos comparativos. Jerônimo era alto, espadaúdo, construção de touro, pescoço de Hércules, punho de quebrar um coco com um murro: era a força tranqüila, o pulso de chumbo. O outro, franzino, um palmo mais baixo que o português, pernas e braços secos, agilidade de maracajá: era a força nervosa; era o arrebatamento que tudo desbarata no sobressalto do primeiro instante. Um sólido e resistente; o outro, ligeiro e destemido; mas ambos corajosos. (Aluísio Azevedo)

Comparação
A comparação consiste no conforto de duas idéias por meio de uma conjunção comparativa. Sentia-me preso como um cachorro acorrentado, como um urubu atraído pela carniça. (Graciliano Ramos) O espelho da águas, liso e polido como um cristal, refletia a claridade das estrelas... (José de Alencar) Apareceram os primeiros ventos gerais, doidamente, que nem um bando solto de demônios travessos e brincalhões.(Aluísio Azevedo) Prosopopéia A prosopopéia consiste em atribuir características animais a seres inanimados (animação) e características humanas a seres não humanos (personificação),

E até onde a vista alcança, num semicírculo imenso, há montes de água estrondando nesse cantochão, árvores tremendo, ilhas dependuradas, insanas, se toucando de arco-íris... (Rubem Braga) Onomatopéia A onomatopéia consiste na imitação aproximada de ruídos e sons de qualquer natureza. Exemplos: relógio = tique-taque moeda = tilintim pássaro = piu-piu galo = cocorocó Até o ar é próprio; não vibram nele fonfons de auto, nem cornetas de bicicletas, nem campainhas de carroça, nem pregões de italianos, nem tenténs de sorveteiros, nem plás-plás de mascates sírios. Só velhos sons coloniais – o sino, o chilreio das andorinhas na torre da igreja, o rechino dos carros de boi, o cincerro de tropas raras, o trabalhar das baitacas que em bando rumoroso cruzam e recruzam o céu.(Monteiro Lobato) As palavras que resultam da transformação do som reproduzido em verbo ou em substantivo chamam-se vocábulos onomatopéicos, como é o caso de “o chilreio das andorinhas”, “o richino dos carros de boi”, “o cincerro das tropas raras” e “o taralhar das baitacas”, que aparecem no fragmento descritivo de Monteiro Lobato. É mais comum o uso de vocábulos onomatopéicos do que da onomatopéia. Observe o exemplo abaixo: A noite enchia-se de vozes estranhas, os sapos coaxavam,gargarejavam; eram trissos, zizios sutis, estilos, pios crebos e, de quando em quando, numa lufada mais forte, o farfalho das ramas escachoava como num rebojo d’águas.(Coelho Neto) Sinestesia A sinestesia consiste no cruzamento de sensações diferentes. Olívia era atraente, tinha uns olhos quentes, uma boca vermelha de lábios cheios. olhos = sensação visual quentes = sensação tátil (térmica) (Clarice Lispector) Voltou-se o canto, o rosto próximo da parede – a camada de ar ali como se guardava mais fresca, e com o relento de limo, cheiro verde, quase musgoso... cheiro = sensação olfativa verde = sensação visual (Guimarães Rosa)

A fusão de percepções físicas (olfato, gustação, visão, audição e tato) com impressões psicológicas ou subjetivas também produz sinestesia. A bondade era morna e leve cheirava a carne crua bondade = percepção espiritual guardada há muito tempo. (Guimarães Rosa)

morna = percepção tátil leve = percepção sensitiva cheirava = percepção olfativa Os retirantes O calor continuava. Nada diminuía sua intensidade, de manhã o sol se levantava apoplético, sumindo ao entardecer raivoso e vermelho. A terra permanecia sedenta, com bocarras abertas à espera de água. No céu esplendidamente azul, nem uma nuvem, nenhum sinal de chuva. Um azul límpido, tranqüilo, um imenso borrão azul, nada mais. Na cidade, apareciam bandos de retirantes, famélicos, trêmulo, magros, como bambus ao vento. (Odete de Barros Mott) Nesse flagrante descritivo, temos uma combinação de recursos expressivos caracterizadores das impressões que mais sensibilizam o observador. As prosopopéias (“o sol se levantava apoplético”; “entardecer raivoso”; “terra(...) sedenta, com bocarras abertas”), a sinestesia (“azul(...)tranqüilo”), a metáfora (céu = “um imenso borrão azul”) e a comparação (“trêmulos, magros, como bambus ao vento”) dão ao texto um caráter essencialmente impressionista.

A PERSPECTIVA NA DESCRIÇÃO
A descrição é um trabalho que envolve todo um processo: o observador deverá selecionar o objeto quer descrever, a visão que ele quer dar do objeto, os elementos que colocará em destaque, o ângulo de visão, a distância, etc; isso é organizar. A leitura de um texto descritivo supõe, pois, o trabalho de perceber o modo de que o observador se serviu para compô-lo. É essencial que o leitor explore a organização do texto, percebendo os elementos e estabelecendo relações entre eles na busca de perspectivas de visualização do objetivo descrito. Quando observamos bem um objeto, vemos sua forma global, suas partes e seus pormenores. Na leitura ou elaboração de um texto descritivo, é importante a visualização do objeto, suas partes e pormenores. Dessa forma, quando descrevemos, organizamos o texto, selecionando os elementos, suas características mais marcantes, as impressões sensoriais que melhor os distinguem e uma dimensão essencial da descrição: a perspectiva do descrevedor diante do objeto. Observe, no texto seguinte, o ângulo assumido pelo observador: A estrada estendia-se deserta; à esquerda os campos desdobravam-se a perder de vista, serenos, verdes, clareados pela luz macia do sol morrente, manchados de pontas de gado que iam se arrolhando nos paradouros da noite; à direita, o sol, muito baixo, vermelho-dourado, entrando em massa de nuvens de beiradas luminosas. Nos atoleiros, secos, nem um quero-quero: uma outra perdiz, sorrateira, piava de manso Poe entre os pastos maduros; e longe, entre o resto de luz que fugia de um lado e a noite que vinha, peneirada, do outro, alvejava a brancura de um Joãogrande, voando, sereno, quase sem mover as asas, como numa despedida triste, em que a gente também não sacode os braços... Foi caindo uma aragem fresca; e um silêncio grande em tudo. (J.Simões Lopes Neto) O olho humano parece rastear todos os ângulos da paisagem, percorrendo os espaços como uma câmera: desloca-se da esquerda para a direita, focaliza os atoleiros e os pastos maduros e depois lança sua perspectiva para o horizonte longínquo para dividi-lo em dois – de um lado, “o resto de luz que fugia”, e de outro, “a noite que vinha peneirada.” Enquanto a precisão do olhar dimensionada os ângulos do espaço (a paisagem), a sensibilidade da visão recorta a magnitude do momento ( o pôr-do-sol), sendo a sinestesia seu ponto de fusão: “pela luz macia do sol morrente”, “iam se arrolhando nos paradouros da noite”, “um silêncio grande em tudo.”

Além das sinestesias, a comparação é de grande efeito na imagem que encerra o texto: “voando, sereno, quase sem mover as asas como despedida triste, em que a gente também não sacode os braços...”

DESCRIÇÃO OBJETIVA E SUBJETIVA
Há dois aspectos fundamentais na maneira de ver o mundo – o objetivo e o subjetivo -, que são flagrantes, de modo especial, na descrição. Apreendemos o mundo com nossos sentidos e transformamos nossa percepção em palavras. Das diferenças de sensibilidade de cada observador decorre o predomínio da abordagem objetiva ou subjetiva. Amanhecera um domingo alegre no cortiço, um bom dia de abril. Muita luz e pouco calor. As tinas estavam abandonadas; os coradouros despidos. Tabuleiros de roupa engomada saíam das casinhas, carregados na maior parte pelos filhos das próprias lavadeiras que se mostravam agora quase todas de fato limpos; os casaquinhos brancos avultavam por cima das saias de chita de cor. Desprezavam-se os grandes chapéus de palha e os aventais de aniagem; agora as portuguesas tinham na cabeça um lenço novo de ramagens vistosas e as brasileiras haviam penteado o cabelo e pregado nos cachos negros um ramalhete de dois vinténs; aquelas trançavam no ombro xales de lã vermelha, e estas de crochê, de um amarelo desbotado. Viram-se homens de corpo nu, jogando a placa, com grande algazarra. Um grupo de italianas, assentado debaixo de uma árvore, conversa ruidosamente, fumando cachimbo. Mulheres ensaboavam os filhos pequenos debaixo da bica, muito zangadas, a darem-lhes murros, a praguejar, e as crianças berravam, de olhos fechados, esperneando. A casa da Machona estava num rebuliço, porque a família ia sair a passeio; gritava Nenen, gritava o Agostinho. De muitas outras saíam cantos ou sons de instrumentos; ouviam-se guitarras, cuja discreta melodia era de vez em quando interrompida por um ronco forte de trombone. (Aloísio Azevedo) A descrição objetiva é a reprodução fiel do objeto. É a visão das características do objeto (tamanho, cor, forma, espessura, consistência, volume, dimensões etc.), segundo uma percepção comum a todos, de acordo com a realidade. Na descrição objetiva há grande preocupação com a exatidão dos detalhes e a precisão vocabular. O observador descreve o objeto tal qual ele se apresenta na realidade. “Há um pinheiro e extático, há grandes salso-chorões derramados para o chão, e a graça menina de uma cerejeira cor de vinho, que o sol oblíquo acende e faz fulgurar; mas o álamo junto do portão tem um vigor e uma pureza que me fazem bem pela manhã, como se toda manhã, ao abrir a janela, eu visse uma jovem imensa, muito clara, de olhos verdes, de pé, sorrindo para mim.” (Rubem Braga) A descrição subjetiva é a apreensão de realidade interior, isto é, da imagem. O objeto é transfigurado pela sensibilidade do emissor-observador. É a reprodução do objeto como ele é visto e sentido. A descrição subjetiva apresenta o modo particular e pessoal de o escritor ou relator sentir e interpretar o que descreve, traduzindo as impressões que tem da realidade exterior. Na descrição subjetiva não deve haver preocupação quanto à exatidão do objeto. O que importa é transmitir a impressão que o objeto causa ao observador. Descrição subjetiva Substantivos abstratos Adjetivos antepostos Linguagem conotativa Linguagem com função poética Descrição objetiva substantivos concretos adjetivos pospostos linguagem denotativa linguagem com função referencial

Impressionismo Perspectiva literária, artística Visão pessoal e parcial Captação imprecisa Frases elaboradas

expressionismo Perspectiva técnica, científica, geométrica, anatômica visão fria, isenta e imparcial Captação exata Frases curtas, ordem direta

Acompanhe a análise do texto “Na Pedreira” e observe como o autor dosou a distribuição de elementos objetivos num trabalho artesanal em que a linguagem ora desponta denotativa ora conotativamente. Na pedreira Aqui e ali, por toda a parte, encontram-se trabalhadores, uns ao sol, outros debaixo de pequenas barracas feiras de lona ou de lona de palmeira. De um lado cunhavam pedra cantando; de outro a quebravam a picareta; de outro afeiçoavam lajedos a ponta de picão; mais adiante faziam paralelepípedos a escopro e macete.

E todo aquele retintim de ferramentas, e o marchar da forja, e o coro dos que lá em cima brocavam a rocha para lançar-lhe fogo, e a surda zoada ao longo, que vinha do cortiço, como de uma aldeia alarmada; tudo dava a idéia de uma atividade feroz, de uma luta de vingança e de ódio. Aqueles homens gotejantes de suor, bêbados de calor, desvairados de insolação a quebrarem, a espicaçarem, a torturarem a pedra, pareciam um punhado de demônios revoltados na sua impotência contra o impassível gigante que as contemplava com desprezo, imperturbável a todos os golpes e a todos os tipos que lhe desfechavam no dorso, deixando sem um gemido que lhe abrissem as entranhas de granito. (Aluísio Azevedo) Observe no texto o predomínio da descrição subjetiva sobre a descrição objetiva. Na caracterização objetiva, os seres e objetos são apresentados através de linguagem referencial. A percepção dos elementos é igual para todos os observadores (“barracas feitas de lona”). Na descrição objetiva predominam: •Substantivos concretos (trabalhadores, sol, barracas, lonas, pedras); •Adjetivos pospostos (“aldeia alarmada”); •Linguagem denotativa, referencial (de Aqui e ali até a escopro e macete); •Percepção fria e imparcial (de Aqui e ali a escopro e macete). Na caracterização subjetiva, os seres e objetos são apresentados sob um enfoque pessoal, impressionista, individual. Sua apreciação combina as sensações do observador, através dos cinco sentidos (tato, visão, audição, paladar, gustação), com as impressões psicológicas, emocionais, comportamentais. (atividade feroz, a sua zoada ao longe). Na descrição subjetiva predominam: •substantivos abstratos (luta de vingança e ódio); •adjetivos antepostos (pequenas barracas); •linguagem conotativa (bêbados de calor, desvairados de insolação; a espicaçarem, a torturarem a pedra); •percepção pessoal e impressionista (de E todo aquele retintim até entranhas de granito).

DESCRIÇÃO ESTÁTICA E DINÂMICA

A captação de uma realidade espacial pode ocorrer de duas maneiras: estática, como numa fotografia; ou dinâmica, como um filme. Lendo ou elaborando um texto descritivo, precisamos formar ou dar a conhecer uma dessas duas realidades. Imaginamos um pôr-do-sol captado por uma máquina fotográfica e esse estímulo registrado por uma filmadora. A concepção fixa da realidade seria dada pela fotografia; já o movimento do Sol, só o filme poderia mostrar. Observe como o autor, de forma singela, caracteriza um pôr-do-sol: O Sol, manhoso, vinha botando a cabeça de fora, no horizonte. Malandro, sem-vergonha! Olhava o tempo com o pedacinho do olho, indeciso. A cara, ainda não vermelha, bem dizia que acordava chateado, não queria espantar o mundo. Começou somente mostrando a careca de cabeça, que a linha do horizonte deixava ver. Depois, a fatia foi aumentando, aumentando um pouco mais até que já se via praticamente a metade da cara dele. Vinha subindo devagar. Mas um devagar ligeiro, que se percebia claramente, fácil, fácil. Afinal, lá apareceu todinho no horizonte, aquele disco alaranjado, maior do que um prato, calado, imponente, mandando luz para toda parte. Era o dia. (Everaldo Moreira Veras) Dinamicamente, o amanhecer e descrito como um despertar humano (O Sol manhoso, vinha botando a cabeça de fora, no horizonte. Malandro, sem-vergonha). Todos os movimentos do alvorecer são caracterizados através da personificação: Começou somente mostrando a careca (...); Depois, a fatia foi aumentando (...); Vinha subindo devagar; lá apareceu todinho; mandando luz para toda parte. Note que a cena de um incêndio, como a do exemplo abaixo, só poderia ganhar a intensidade e o movimento que lhe são próprios através dos recursos da descrição dinâmica: A um só tempo viram-se fartas mangas de água chicoteando o fogo por todos os lados; enquanto, sem saber como, homens, mais ágeis que macacos, escalavam os telhados abrasados por escadas que mal se distinguiam; e outros invadiam o coração vermelho do incêndio, a dardejar duchas em torno de se, rodando, saltando, piruetando, até estrangularem as chamas que se atiravam ferozes para cima deles, como dentro de um inferno(...) (Aluísio Azevedo) Quando temos o registro de um objeto ou ser em movimento, numa seqüência temporal, distinguimos uma passagem narrativa. (Ver capítulo sobre narração). Quando se registra o movimento do ser ou objeto numa disposição espacial, o estudo é uma descrição: A um só tempo viramse fartas mangas de água chicoteando o fogo por todos os lados; (...) e outros invadiam o coração vermelho do incêndio, a bardejar em torno de si, rodando, saltando, piruetando (...). Nesse dinamismo de imagens, a cena ganha, aos olhos do leitor, a perspectiva cinematográfica do observador. Observe a mesma dinamicidade, desta vez na retratação de uma queimada: Os homens olhavam-se atônitos, diante do clamor geral das vítimas. Línguas de fogo viperinas procuravam atingi-los. Pelos cimos de mata se escapavam aves espantadas, remontando às alturas num vôo desesperado, pairando sobre o fumo. Uma araponga feria o ar com um grito metálico e cruciante. (Graça Aranha) Através dos textos analisados, percebe-se que para se descrever os movimentos de seres e objetos usam-se verbos que caracterizam esse dinamismo, como no caso do fragmento acima: olhavam-se, escapavam, pairando. Há também na

descrição dinâmica o predomínio de nomes que detonam ações: diante do clamor geral das vítimas; línguas de fogo viperinas; aves espantadas; num vôo desesperado. Na descrição estática predominam as formas nominais, com a presença de frases sem verbo ou com verbos que expressam estado ou condição: estar, ser, haver, parecer e outros. Observe o exemplo abaixo: A antecâmara de Alzira Era a antecâmara da formosa Alzira rigorosamente posta ao caprichoso gosto da época. Guarneciam-na móveis de madeira, esculpida e pintada de branco, com arabescos de ouro, que variava entre o fusco e o luzente, formando torturados desenhos de ornato. Pombas aos pares e anjinhos rechonchudos serviam de adorno às guarnições das portas. Sobre peanhas e cantoneiras havia jarras de sévres, com pinturas assinadas, em que se viam pastores enfeitados de fitas azuis e cor-de-rosa, na cinta, nos joelhos, no pescoço e nos tornozelos, tocando avena e flauta, ao lado de roliças raparigas de saia curta listrada com sobre-saia de tufos de seda clara, chapéu de palha, coberto de flores, uma corbelha enfiada no braço, sapatinhos quase invisíveis, e um dos peitos à mostra, branco e levemente rosado, como trêmula gota de leite sobre uma pétala de rosa. Nas paredes, forradas de uma tapeçaria azul celeste, destacavam-se suavemente por cima das portas e contornando os móveis, desenhos do mesmo azul um pouco mais escuro, representando alegorias pastoris. Prendiam a tapeçaria cordões de arame de prata entrançando, com grandes nós de espaço, terminando em amplas borlas do mesmo metal, que afirmam admiravelmente com os bordados das cortinas. (Aluísio Azevedo) Alguns textos descritivos mesclam a realidade espacial, apresentando ora trechos estáticos e ora dinâmicos. Observe como tal procedimento pode até mesmo ocorrer num texto em verso, numa descrição de paisagem: Lembrança rural Chão verde e mole. Cheiros de relva. Babas de lodo. A encosta barrenta aceita o frio, toda nua. Carros de bois, falas ao vento, braços, foices. Os passarinhos bebem do céu pingos de chuvas. Casebres caindo, na erma tarde. Nem existem na história Do mundo. Sentam-se à porta as mães descalças. É tão profundo, o campo, que ninguém chega a ver que é triste. A roupa da noite esconde tudo, quando passa... Flores molhadas. Última abelha. Nuvens gordas. Vestidos vermelhos, muito longe, dançam nas cercas. Cigarra escondida, ensaiando na sombra rumores de bronze. Debaixo da ponte, a água suspira, presa... Vontade de ficar neste sossego toda a vida:

Para andar à toa, falando sozinha, Enquanto as formigas caminhavam nas árvores... (Cecília Meireles) Quando a paisagem e o verso encontram, em Cecília Meireles, surge a descrição poética. Na 1ª estrofe despontam as sensações visuais, olfativas e táteis, através de imagens estáticas (chão verde e mole. Cheios de relva. Babas de lobo.) e líricas (A encosta barrenta aceita o frio, toda nua). As enumerações do 1º, 3º e 9º versos que predominam formas nominais, dão conta da profusão de elementos campestres que compões a paisagem flagrada. Nas demais estrofes, intercala-se descrições dinâmicas (Casebres caindo, na erma tarde; Sentam-se à porta as mães descalças), enumeração estática (Flores molhadas. Última abelha. Nuvens gordas) e reflexões subjetivas ( Vontade de ficar neste sossego toda a vida:/ para andar à toa falando sozinho). O poema compreende uma captação evocativa do passado. Assim, o “eu” lírico descreve uma realidade visual e afetiva que lhe resta na memória.

DESCRIÇÃO DE PESSOA
Ao descrever uma pessoa ou uma paisagem, podemos reproduzir os pormenores físicos e/ou psicológicos. Os pormenores físicos compreendem as características aprendidas pelos sentidos (visão, gustação, olfato, tato, paladar), retratando os aspectos exteriores do ser: os traços faciais, as partes do corpo ou ainda a maneira de andar, de falar, de vestir. Os pormenores psicológicos retratam os aspectos emocionais ou mentais: caráter, comportamento, temperamento, defeitos, virtudes, preferências, inclinações, personalidade. A dosagem equilibrada desses dois aspectos garante um texto descritivo em que subjetividade se projeta sobre a objetividade dos traços físicos: olhar viperino, sorriso doce, passo tímido, gestos nervosos, boca desdenhosa, nariz altivo, cabelos selvagens, dentes felinos, corpo sensual, andar provocante, voz envolvente. Observe a projeção dos dados psicológicos sobre os aspectos físicos: “Ela não era feia; amorenada, com seus traços acanhados, o narizinho malfeito, mas galante, não muito baixa nem muito magra e a sua aparência de bondade passiva, de indolência de corpo, de idéia e de sentidos.” (Lima Barreto) Há descrições em que perfil psicológico é sugerido pelos dados físicos. O observador induz o leitor a perceber a interioridade da personagem muitas vezes utilizando apenas a descrição física. Observe como Machado obtém magistralmente esse efeito: Chegando à rua, arrependi-me de ter saído. A baronesa era uma das pessoas que mais desconfiavam de nós. Cinqüenta e cinco anos, que pareciam quarenta, macia, risonha, vestígios de beleza, porte elegante e maneiras finas. Não falava muito nem sempre; possuía a grande arte de escutar os outros, espiando-os; reclinava-se então na cadeira, desembainhava um olhar afiado e comprido, e deixava-se estar. Os outros, não sabendo o que era, falavam, olhavam, gesticulavam, ao tempo que ela olhava só, ora fixa, ora móbil, levando a astúcia ao ponto de olhar às vezes para dentro se si, porque deixava cair as pálpebras; mas, como as pestanas eram rótulas, o olhar continuava o seu ofício, remexendo a lama e a vida dos outros. (Machado de Assis)

No texto, os traços físicos, como maneirismos, trejeitos e ademanes, caracterizam, num amálgama de impressões, de forma reveladora, o comportamento e a personalidade da personagem. Nesse tempo meu pai e minha mãe estavam caracterizados: um homem sério, de testa larga, uma das mais belas testas que já vi, dentes fortes, queixo rijo, fala tremenda, uma senhora enfezada, agressiva, ranzinza, sempre a mexer-se, bossas na cabeça mal protegida por um cabelinho relo, boca má, olhos maus que em momentos de cólera se inflamavam com um brilho de loucura. Esses dois entes difíceis ajustavam-se. (Graciliano Ramos) Na descrição da figura paterna, a caracterização explora essencialmente os dados físicos: “testa larga”, “dentes fortes”, “queixo rijo”, “fala tremenda”. Somente um aspecto psicológico define o pai: “homem sério”. Já a mãe, caracteriza-se quase integralmente através de impressões psicológicas: “enfezada”, “ranzinza”, “boca má”, “olhos maus”, “se inflamavam com um brilho de loucura”,. Fisicamente, temos: “bossas na cabeça mal protegida por um cabelinho ralo”. Meu pai era um sonhador, minha mãe uma realista. Enquanto ela mantinha os pés firmemente plantados na terra, Ele se deixava erguer no balão iridescente de sua fantasia, Recusando ver a realidade, oferecendo a lua a si mesmo e aos Outros, desejando sempre o impossível... (Érico Veríssimo) No texto de Veríssimo, somente a visão psicológica compõe a imagem do pai e mãe; enquanto ele é “sonhador”, ela é “realista”. O autor transmite apenas traços do comportamento: os anseios, a mentalidade, a visão da realidade. Descrição de pessoa em verso O descritivismo é específico da prosa. Uma poesia também ser descritiva, construída em linguagem objetiva e/ou subjetiva, enquadrando uma imagem real ou imaginária.

Retrato
Eu não tinha este rosto de hoje, Assim calmo, assim triste, assim magro, Nem estes olhos tão vazios, Nem o lábio amargo. Eu não tinha estas mãos sem força, Tão paradas e frias e mortas; Eu não tinha este coração Que nem se mostra. Eu não dei por esta mudança,

Tão simples, tão certa, tão, tão fácil: _ Em que espelho ficou perdida a minha face? (Cecília Meireles)

O poema é descritivo, pois o retrato do “eu” lírico. Através da adjetivação, são relevadas características físicas e estados interiores. Os versos apresentam sobretudo um estado de espírito, pois a adjetivação ultrapassa o aspecto físico para simbolizar o universo íntimo de um “eu” poético desesperançado, introspectivo e pessimista. Esse efeito em que o estado de espírito vai além dos traços físicos, resulta da combinatória de palavras que a autora selecionou, num trabalho de linguagem em que o sentido denotativo (o valor real das palavras) é menos revelador que o sentido conotativo (figurado, subjetivo). Portanto, é a conotação que compõe o retrato psicológico nesse poema, através de expressões como “olhos vazios”, “lábio amargo”, “mãos sem força(...) frias e mortas”, “este coração que nem se mostra”. Já as características “rosto(...) assim calmo, assim triste, assim magro” podemos interpretar denotativamente. O poema explora o sentido das palavras através da conotação. Esse recurso que privilegia a emoção permitiu o processo de mudança íntima do “eu” poético.

ANÁLISE DE TEXTO DESCRITIVO
Auto-retrato Passo então à inspeção. O vidro me manda a cara espessa dum velho onde já não descubro o longo pescoço do adolescente e do moço que fui, nem seus cabelos tão densos que pareciam dois fios nascidos de cada brilho. Castanho, meu velho moreno corado. A beiçalhada sadia...Hoje o pescoço encurtou, como se a massa dos ombros tivesse subido por ele, como cheia em torno de pilastra de ponte. Cabelos brancos tão rarefeitos que o crânio aparece dentro da transparência que lês fazem. Olhos avermelhados, escleróticas sujas expressão, dentro do empapuçamento e sob o cenho fechado, é de tristeza e tem um que da máscara de choro do teatro. (...) Par de sulcos fundos saem dos lados das ventas arreganhadas e seguem com as bochechas caídas até o contorno da cara. A boca também despencou e tem mais ou menos a forma de um “V” muito aberto. Dolorosamente encaro o velho que tomou conta de mim e vejo que ele foi configurado à custa de uma espécie de desbarrancamento, avalanche, desmonte – queda dos traços s da partes moles deslizando sobre o esqueleto permanente. Erosão. (Pedro Nava) Compondo se auto-retrato, Pedro Nava empreende um percurso patético sobre os reflexos do próprio rosto, desvendando-lhe as marcas do tempo. A juventude é lembrada para pôr em relevo a velhice: “já não descubro o longo pescoço do adolescente e do moço que fui”. As comparações produzem uma imagem exacerbada da senilidade: “Hoje o pescoço encurtou, como se massa dos ombros tivesse subido Poe ele, como cheia em torno de pilastra de ponte”. Do inventário lexial – adjetivos, verbos e substantivos – usado para se autodefinir, resultam impressões de desencanto, desalento e tristeza: “Sua expressão, dentro do empapuçamento e sob o cenho fechado, é de tristeza e tem quê da máscara de choro de teatro”. Uma imagem caricatural surge da dimensão hiperbólica dos traços: “ventas arreganhadas”, “A boca também despencou (...)”; “tem mais ou menos a forma de um ‘V’ muito aberto”. Metáforas de grande expressividade traduzem a visão amarga e angustiante da senectude: “Dolorosamente encaro o velho que tomou conta de mim e vejo que ele foi configurado à custa de uma espécie de desbarrancamento, avalanche, desmonte – queda dos traços e das partes moles deslizando sobre o esqueleto permanente. Erosão”. Auto-Retrato Eu sou um menino maior que muitos e menor que outros. Na cabeça tenho cabelo que mamãe manda cortar muito mais do que eu gosto e, na boca, muitos dentes, que doem. Estou sempre maior que a roupa, por mais que a roupa do mês passado

fosse muito grande. Só gosto de comer o que a mãe não me quer dar e ela só gosta de me dar o que eu detesto. Em matéria de brincadeiras as que eu gosto mais são as perversas, mas essa minha irmãzinha grita muito. (Millôr Fernandes) Com irreverência e humor, Millôr Fernandes recupera num auto-retrato traços psicológicos e lingüísticos da criança. As noções de tamanho – relevantes no universo infantil – ganham comicidade nos ingênuos paralelismos semânticos: “Eu sou um menino maior que muitos e menor que outros”. A redundância tipicamente primária (“Na cabeça tenho cabelo (...) e, na boca, muitos dentes, que doem “.) reproduz o ponto de vista de um observador infantil, cujas impressões físicas e subjetivas determinam-se pela comparação e pelo gosto. É, pois, uma leveza de estilo que se opõe frontalmente à austeridade da linguagem de Pedro Nava. Retrato grotesco Bocatorta Bocatorta excedeu a toda a pintura. A hediondez personificara-se nele, avultando, sobretudo, na monstruosa deformação da boca. Não tinha beiços e as gengivas largas, violáceas, com raros cotos de dentes bestiais fincados às tontas, mostravam-se cruas, como enorme chaga viva. E torta, posta de viés na cara, num esgar diabólico, resumindo o que o feio pode compor de horripilante. Embora se lhe estampasse na boca o quanto fosse preciso para fazer aquela criatura a culminância da ascosidade, a natureza malvada fora além, dando-lhe pernas cambaias e uns pés deformados que nem remotamente lembrariam a forma de um pé humano. E olhos vivíssimos, que pulavam das órbitas empapuçadas, veiados de sangue na esclerótica amarela. E pele grumosa, escamada de escaras cinzentas. Tudo nele quebrava o equilíbrio normal do corpo humano, como se a tecnologia caprichasse em criar a sua obra prima. (Monteiro Lobato) Quando as características físicas de uma personagem fogem à nomalidade de traços, essas anomalias podem-se definir numa visão que ultrapassa o possível para compor o hediondo, o grotesco. A caracterização de Monteiro Lobato, através de comparações e metáforas, põe em evidência uma aberração teratogênica que aproxima o patológico do animalesco: “e as gengivas largas, violáceas, com raros cotos de dentes bestiais fincados às tontas, mostravam-se cruas, como enorme chaga viva”. Caricatura Cabelos Compridos _ Coitada da Das Dores, tão boazinha... Das Dores é isso, só isso – boazinha. Não possui outra qualidade. É feia, é desengraçada, é inteligente, é magérrima, não tem seios, nem cadeiras, nem nenhuma rotundidade posterior; é pobre de bens e de espírito; é filha daquele Joaquim da Venda, ilhéu de burrice ebúrnea – isto é, dura como o marfim. Moça que não tem por onde se lhe pegue fica sendo apenas isso – boazinha. _ Coitada da Das Dores, tão boazinha... Só tem uma coisa a mais que as outras – cabelo. A fita da sua trança toca-lhe a barra da saia. Em compensação, suas idéias medem-se por frações de milímetro, tão curtinhas são. Cabelos compridos, idéias curtas – já o dizia Schopenhauer. A natureza pôs-lhe na cabeça um tablóide homeopático de inteligência, um grânulo de memória, uma pitada de raciocínio – e plantou a cabeleira por cima. Essa mesquinhez por dentro. Por fora ornou-lhe a asa do nariz com um grão de ervilha, que ela modestamente denomina verruga, arrebitou-lhes as ventas, rasgou-lhe boca de dimensões comprometedoras e deu-lhe uns pés...Nossa Senhora, que pés! E tantas outras pirraças lhe fez que ao vê-la todos dizem comiserados: _ Coitada da Das Dores, tão boazinha... (Monteiro Lobato)

O humor debochado despontou da esdrúxula caracterização da personagem. O discurso direto reiterado (“ _ Coitada da Das Dores”) reproduz uma impressão generalizada (“ao vê-la todos dizem comiserados”) que se confirma nas caracterizações particulares do observador: “É feia, é desengraçada, é inelegante, é magérrima (...)”. A combinatória vocabular é típica da capacidade inventiva de Monteiro Lobato: “ilhéu de burrice ebúrnea”, “um tablóide homeopático de inteligência”, “um grânulo de memória”, “ornou-lhe a asa do nariz com um grão de ervilha”. A linguagem é íntima do leitor, pois instaura a comicidade que torna inventiva e original a visão caricatural de uma figura feminina. Tipo “Lá vem ele. E ganjento, pilantra: roupinha de brim amarela, vincada a ferro; chapéu tombado de banda, lenço e caneta no bolsinho do jaquetão abotoado; relógio-de-pulso, pegador de monograma na gravata chumbadinha de vermelho”. (Mário Palmério) Se a criatura é a exorbitância sobre os traços definidos de uma personagem, o tipo é a representação ou o modelo que se firmou culturalmente, sobretudo nas artes e na literatura. O despojamento e a irreverência da malandragem têm nos gestos e nas roupas a sua expressividade maior: vinco, chapéu de banda, lenço e caneta à mostra, jaquetão abotoado, relógio-de-pulso e pegador de gravata. O observador explora visualmente esses adereços que tipificam o malandro. A roupa é um recurso de aparência que a literatura brasileira consagrou no tipo que vive de expedientes e abusa da confiança alheia.

DESCRIÇÃO DE CENÁRIO
A casa de Botafogo
Prédio talvez um pouco antigo, porém limpo; desde o portão da chácara pressentia-se logo que ali habitava gente fina e de gosto bem educado; atravessando-se o jardim por entre a simetria dos canteiros e limosas estátuas cobertas de verdura e enormes vasos de tinhorões e begônias do Amazonas, e bolhas de vidro de várias cores com pedestal de ferro fosco, e lampiões de três globos que surgiam de pequeninos grupos de palmeiras sem tronco, e banco de madeira rústica, e trombones de faiança azul-nanquim, alcançava-se uma vistosa escadaria de granito, cujo patamar guarneciam duas grandes águias de bronze polido, com as asas em meio descanso, espalmando as nodosas garras sobre colunatas de pedra branca. Na sala de entrada, por entre muitos objetos de arte, notava-se, mesmo de passagem, meia dúzia de telas originais; umas em cavaletes, outras suspensas contra a parede por grossos cordéis de seda frouxa; e, afastando o soberbo reposteiro de repes verde que havia na porta do fundo, penetrava-se imediatamente no principal salão da casa. (Aluísio Azevedo) É mais do que uma enumeração de plantas e adornos, pois o observador procede a um minucioso inventário de detalhes, entre matérias, contornos e cores: “atravessando-se o jardim por entre a simetria dos canteiros e limosas estátuas(...) e tamboretes de faiança azul-nanquim”. Isento de captações subjetivas, o autor atravessa os espaços, registrando-os com fidelidade fotográfica. Trata-se de uma descrição objetiva. Há um pôr-de-sol de primavera e uma velha casa abandonada. Está em ruínas. A velha casa não mais abriga vidas em seu interior. Tudo é passado. Tudo é lembrança. Hoje, apenas almas juvenis brincam despreocupados e felizes entre suas paredes trêmulas.Em seu chão, despido da madeira polida que a cobria, brotam ervas daninhas. Entre a vegetação que busca minimizar as doces recordações do passado, surge a figura amarela e suave da margarida, flor-mulher. As nuanças de suas cores sorriem e denunciam lembranças de seus ocupantes.

A velha casa está em ruínas. Pássaros saltitam e gorjeiam nas amuradas que a cercam. Seus trinados são melodias no altar do tempo à espera de redentoras orações. Raízes vorazes de grandes árvores infiltram-se entre as pedras do alicerce e abalam suas estruturas. Agoniza a velha casa. Agora, somente imagens desfilam, ao longo das noites. As janelas são bocas escancaradas. A casa velha em ruínas clama por vozes e movimento... (Geraldo M. de Carvalho) Nessa descrição, o observador enquadra liricamente uma casa em ruínas. Lançando sua visão subjetiva e nostálgica sobre o cenário, reveste de metáforas e impressões sinestésicas os espaços que sua sensibilidade percorre: “paredes trêmulas”, “suas cores sorriem”, “melodias no altar do tempo”, “raízes vorazes”, “agoniza a velha casa”, “as janelas são bocas escancaradas”. Temos, portanto, uma descrição subjetiva de cenário. Uns inhos engenheiros Onde eu estava ali era um quieto. O ameno âmbito, lugar entre-as-guerras e invasto territorinho, fundo de chácara. Várias árvores. A manhã se-a-si bela: alvoradas aves. O ar andava, terso, fresco. O céu – uma blusa. Uma árvore disse quantas flores, outra respondeu dois pássaros. Esses, limpos. Tão lindos, meigos, quê? Sozinhos adeuses. E eram o amor em sua forma aérea. Juntos voaram, às alamedas frutíferas, voam com uniões e discrepâncias. Indo que mais iam, voltaram. O mundo é todo encantado. Instante estive lá, por um evo, atento apenas ao auspício. Perto, pelo pomar, tem-se o plenário deles, que pilucam as frutas: gaturamossabiassanhaços. De seus pios e cantos respinga um pouco até aqui.. Vez ou vez, qual que qual, vem um, pessoativo, se avizinha. Aonde já se despojaram as laranjeiras, do redondo de laranjas só resta uma que outra, se sim podre ou muruchuca, para se picorar. Mas há uma figueira, parrada, a grande opípara. Os figos atraem. O sabiá pulador. O sabiazinho imperturbado. Sabiá dos pés de chumbo. Os sanhaços lampejam um entrepossível azul, sacam, sacam-se oblíquos do espaço, sempre novos, sempre laivos. O gaturamo é o antes, é seu reflexo sem espelhos, minúscula imensidão, é: minuciosamente indescriptível. O Sabiá, só. Ou algum guaxe, brusco, que de mais fora trouxe. Diz-se tlique – e dá-se um dissipar de vôos. Tão enfins, punhado. E mesmo os que vêm a outro esmo, que não o de frugivorar. O tico-tico, no saltitanteio, a safar-se de surpresa em surpresa, tico-te-tico no levitar preciso. Ou uma garricha, a corruir, a chilra silvetriz das hortas, de traseirinho arrebitado, que se espevita sobre a cerca, e camba – apontada, iminentíssima. De âmago: as rolas. No entre mil, porém, este par valeria deferente, vê-se de outra espécie – de rara oscibilidade e silfidez. Quê? Qual? Sei, num certo sonho, uma deles já acudiu por “o apavoradinho”, ave Maria! E há quem lhes dê o apodo de Mariquinha Tece-Seda. São os que sim sós. Podem-se imiscuir com o silêncio. O ao alto. A alma arbórea. A graça sem pausas. Amavio. São mais que existe o sol, mais a mim, de outrures. Aqui estamos dentro da amizade. (João Guimarães Rosa) Na criatividade lingüística de Guimarães Rosa uma paisagem campestre é recriada com dinamismo e poeticidade. O lirismo se faz presente nos neologismos “gaturamossabiassanhaços”, “pessoativo”, “entrepossível”, “frugivorar”, “saltitanteio”, “silvetriz”, “aamavio” e outros recursos expressivos que dão cadência melódica ao fragmento descrito: “O sabiá, só”, “Tão enfins, punhado”, “O ao alto. A alma arbórea”. A presença do observador sensibilizado diante do canário (“O mundo é todo encantado”, “Tão lindos, meigos, quê?”) chega ao enternecimento quando capta cinematograficamente os movimentos dos pássaros: “O tico-tico, no saltitanteio, a safar-se de surpresa em surpresa, tico-te-tico no levitar preciso.” A singularidade da linguagem garante a exclusividade do espaço retratado, que é único, porque é roseano. Oito horas da manhã. A cerração ainda envolve tudo. Do lado da terra, mal se enxergam as partes baixas dos edifícios próximos; para o lado do mar, então, a vista é impotente contra aquela treva esbranquiçada e flutuante, contra aquela muralha de flocos e opaca, que de condensa ali e aqui em aparições, em semelhanças de coisas. O mar está silencioso: há grandes intervalos entre o seu fraco marulho. Vê-se da praia um pequeno trecho, sujo, coberto de algas, e o odor da maresia parece mais forte com a neblina. Para a esquerda e para a direita, é o desconhecido, o Mistério. (Lima Barreto) Como se estivesse num ponto fixo, girando sobre si mesmo, o observador descortina um paisagem marinha, identificando contornos que a cerração encobre. Entre percepções visuais (“treva esbranquiçada e flutuante”, “sujo, coberto de algas”), surgem sensações auditivas (“O mar está silencioso(...)”, “fraco marulho”) e olfativas (“o odor da maresia parece mais forte

Narração – teoria e exemplos
(Curso Objetivo) O ato de escrever é prazer, diversão. É a sensação de poder, de domínio. Criar gente, fabricar fantasias, inventar cidades, dar vida e dar morte, criar um terremoto ou furacão, fazer o que eu quiser. Escrever é um jogo, brincadeira. Conseguir segurar, prender uma pessoa, mantêla atrelada a si (é o leitor diante do livro: sua sensação divina). (Ignácio de Loyola Brandão) Dominando a palavra o homem tentou perpetuar seus mitos, sua visão mágica do mundo, suas conquistas, sua história. Nas narrativas, nas lendas, nas epopéias e canções, alegorizou seus ritos, temores e feitos, Seus registros venceram o tempo nos traçados de múltiplos códigos, como a escrita cuneiforme, os hieróglifos e a arte primitiva. Assim, as pinturas rupestres da caverna de Altamira, as escrituras sagradas dos Vedas, as epopéias gregas, as cantigas provençais, os contos de fadas contam cada qual a fantasia, a mitologia,a história de seu povo. No texto oral ou escrito, ouvir e ler histórias é uma atividade antropológico-social que distingue culturalmente o homem. Desde que descobriu o poder encantatório da palavra, o ser humano deu curso ao pensamento mítico, deu permanência às crenças, às divindades, à criação do mundo, ao cosmos, envolvendo-os em alegorias. Nos séculos XVI e XVII, na literatura oral de raízes populares, predominam os contos folclóricos, os ditos e provérbios. Na segunda metade do século XVII, propaga-se a ação sistemática da Igreja para cristianizar a cultura popular, mas o patrimônio imaginário dos contos, sobretudo os de fadas, resiste à luta de forças da Contra Reforma que domina o cenário religioso e escolar daquele século. Com a evolução da História, a interpretação dos acontecimentos foi-se distanciando das alegorias, da imaginação; entre o mito e as formas derivadas da narrativa (o romance, a novela, o conto, a crônica), os heróis divinos torna-se personagens humanas. Os fator históricos de épocas primordiais cedem lugar aos episódios cotidianos contemporâneo. Hoje, afirma Nelly Novaes Coellho (O conto de fadas), “uma das características mais significativas do nosso século é a coexistência, pacífica ou não, entre inteligência racional/cientificista, altamente desenvolvida, e o pensamento mágico que dinamiza o imaginário”. Nas narrativas orais, nas fábulas, nos contos de fadas ou nos romances contemporâneos, é a imaginação que faz com que apreciemos os encantamentos de Branca de Neve como apreciamos o fascínio de Cem anos de solidão. Foi pensando no imaginário, na magia e na fantasia que foram selecionados os textos narrativos desta coletânea. Histórias que, sem deixar à margem o padrão culto da língua, encantam pela simplicidade, pelo humor, pela sátira, pela inovação, pela singularidade, enfim pelo aproveitamento exemplar das virtualidades da língua. Definição Narrar é contar uma história (real ou fictícia). O fato narrado apresenta uma seqüência de ações envolvendo personagens no tempo e no espaço. São exemplos de narrativas a novela, o romance, o conto, ou uma crônica; uma notícia de jornal, uma piada, um poema, uma letra de música, uma história em quadrinhos, desde que apresentam uma sucessão de acontecimentos, de fatos. Situações narrativas podem aparecer até mesmo numa única frase. Exemplos: O menino caiu. “Minha sogra ficou avó.” (Oswald de Andrade). Repare que a última frase resume ações que envolvem o casamento, a maternidade e a transformação da sogra em avó. Estrutura da narração Convencionalmente, o enredo da narração pode ser assim estruturados: exposição (apresentação das personagens e/ou do cenário e/ou da época), desenvolvimento (desenrolar dos fatos apresentando complicação e clímax) e desfecho (arremate da trama). Entretanto, há diferentes possibilidades de se compor uma trama, seja iniciá-la pelo desfecho, construí-la apenas através de diálogos, ou mesmo fugir ao nexo lógico de episódios. Escritores (romancistas, contistas, novelistas) não compões um texto estritamente narrativo. O que eles produzem é um tecido literário em que aparecem, além da narração, segmentos descritivos e dissertativos. As narrativas mais longas podem explorar mais detalhadamente as noções de tempo – cronológico (marcado pelas horas, por datas) ou psicológico (marcado pelo fluxo do inconsciente) – e de espaço (cenário, paisagem, ambiente).

O envolvimento de várias personagens e os múltiplos núcleos de conflito em torno de uma situação também são comuns nas narrativas extensas. Portanto, oferecer ao aluno um painel de narrações literárias (romances, novelas, contos) como modelo é distanciar-se da finalidade prática da redação escolar, mas alguns textos são exemplares para ilustrar procedimentos narrativos. Elementos básicos da narração São elementos básicos da narração: enredo (ação), personagem, tempo e espaço. Quando a história é curta, como na narração escolar, são imprescindíveis: enredo e personagens. A perspectiva de quem escreve é dada pelo foco narrativo ( de 1ª ou 3ª pessoa). Os discursos (direto, indireto e indireto livre) representam a fala da personagem. No texto a seguir, “Um homem de consciência”, foram apontados os elementos básicos, a estrutura narrativa – exposição, desenvolvimento e desfecho -, os vários discursos e o foco narrativo. A onisciência do narrador revela-se no conhecimento íntimo que tem da personagem, desenvolvendo-lhe os pensamentos e apreensões.

Um homem de consciência – Monteiro Lobato 1.º parágrafo Chamava-se João Teodoro, só. O mais pacato e modesto dos homens. Honestíssimo e lealíssimo, com um defeito apenas: não dar o mínimo valor a si próprio. Para João Teodoro, a coisa de menos importância no mundo era João Teodoro. [Até aqui é exposição.] 2.º parágrafo Nunca fora nada na vida, nem admira a hipótese de vir a ser alguma coisa. E por muito tempo não quis nem sequer o que todos ali queriam: mudar-se para terra melhor. 3.º parágrafo Mas João acompanhava com aperto de coração o deperecimento visível de sua itaoca. [Nesses dois parágrafos, discurso do narrador.] 4.º parágrafo - Isto já foi muito melhor, dizia consigo. Já teve três médicos bem bons – agora só um bem ruinzote. Já teve seis advogados e hoje mal há serviço para um rábula ordinário como o Tenório. Nem circo de cavalinhos bate mais por aqui. A gente que presta se muda. Fica o restolho. Decididamente, a minha Itaoca está se acabando... [Monólogo interior.] 5.º parágrafo João Teodoro entrou a incubar a idéia de também mudar-se, mas para isso necessitava dum fato qualquer que o convencesse de maneira absoluta de que Itaoca não tinha mesmo conserto ou arranjo possível. [Discurso do narrador.] 6.º parágrafo - É isso, deliberou lá por dentro. Quando eu verificar que tudo está perdido, que Itaoca não vale mais nada de nada de nada, então arrumo a trouxe e boto-me fora daqui. [Monólogo interior.] 7.º parágrafo Um dia aconteceu a grande novidade: a nomeação de João Teodoro para delegado. Nosso homem recebeu a notícia como se fosse uma porretada no crânio. Delegado, ele! Ele que na era nada, nunca fora nada, não queria ser nada, não se julgava capaz de nada... 8.º parágrafo Ser delegado numa cidadezinha daquelas é coisa serilíssima. Não há cargo mais importante. É o homem que prende os outros, que solta, que manda dar sovas, que vai à capital falar com o governo. Uma coisa colossal ser delegado – e estava ele, João Teodoro, de-le-ga-do de Itaoca!...[Discurso do narrador.] 9.º parágrafo João Teodoro caiu em meditação profunda. Passou a noite em claro, pensando e arrumando as mals. Pela madrugada botou-as num burro, montou seu cavalo magro e partiu.[Clímax da história.] 10.º parágrafo - Que é isso, João? Para onde se atira tão cedo, assim de armas e bagagens? 11.º parágrafo - Vou-me embora, respondeu o retirante. Verifiquei que Itaoca chegou mesmo ao fim. 12.º parágrafo - Mas, como? Agora que você está delegado? 13.º parágrafo - Justamente por isso. Terra em que João Teodoro chega a delegado, eu não moro. Adeus. [Discurso direto.] 14.º parágrafo E sumiu. [Desfecho.] Exposição: 1.º parágrafo Desenvolvimento: do 2.º ao 13.º parágrafo

Desfecho: 14.º parágrafo Complicação: 7.º e 8.º parágrafos. Clímax: 9.º parágrafo A tessitura narrativa A narrativa deve tentar elucidar os acontecimentos, respondendo às seguintes perguntas essenciais: O QUÊ? – o(s) fato(s) que determina(m) a história; QUEM ? _ a personagem ou personagens; COMO? _ o enredo, o modo como se tecem os fatos; ONDE? _ o lugar ou lugares da ocorrência; QUANDO? _ o momento ou momentos em que se passam os fatos; POR QUÊ? _ a causa do acontecimento. Observe como se aplicam no texto de Manuel Bandeira esses elementos: Tragédia brasileira Manuel Bandeira Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade. Conheceu Maria Elvira na Lapa – prostituída, com sífilis, Demite nos dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria. Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou médico, dentista, manicura...Dava tudo quanto Ela queria. Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado. Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez nada disso: mudou de casa. Viveram três anos assim. Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa. Os amantes moravam no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato, Inválidos... Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito dorsal, vestida de organdi azul. •O quê? Romance conturbado, que resulta em crime passional. •Quem? Misael e Maria Elvira. •Como? O envolvimento inconseqüente de um homem de 63 anos com uma prostituta. •Onde? Lapa, Estácio, Rocha,Catete e vários outros lugares. •Quando? Duração do relacionamento: três anos. •Por quê? Promiscuidade de Maria Elvira. Quanto à estrutura narrativa convencional, acompanhe a seqüência de ações que compõem o enredo: •Exposição: a união de Misael, 63 anos, funcionário público, a Maria Elvira, prostituta; •Composição: a infidelidade de Maria Elvira obriga Misael a buscar nova moradia para o casal; •Clímax: as sucessivas mudanças de residência, provocadas pelo comportamento desregrado de Maria Elvira, acarretam o descontrole emocional de Misael; •Desfecho: a polícia encontra Maria Elvira assassinada com seis tiros. Personagem Personagem é uma palavra feminina que deriva do grego persona (máscara). Modernamente, já se convencionou o emprego da palavra nos dois gêneros, tanto para se referir a seres humanos, seres animados ou antes personificados.Literariamente, pode-se definir a personagem como a pessoa ou ser personificado ou animado que figura na história e nela se envolve ativa ou passivamente. Criada no espectro infinito da imaginação, a personagem assume o perfil físico e psicológico único que só a individualidade de cada autor permite. Dessa forma, uma personagem revela-se através de dados e aspectos definidos pelo autor, que a dota de características éticas, sociais, ideológicos, políticas, profissionais, etárias e até fantásticas. Sendo assim, uma personagem pode ser definida psicologicamente:

A mulher do coronel era o tipo de mãe de família. Tinha quarenta anos e ainda na fronte, embora secas, as rosas da mocidade. Era uma mistura de austeridade e meiguice, de extrema bondade e de extrema rigidez. Gostava muito de conversar e rir, e tinha a particularidade de amar a discussão, exceto em dois pontos que para ele estavam acima das controvérsias humanas: a religião e o marido. A sua melhor esperança, afirmava, seria morrer nos braços de ambos. (Machado de Assis) ou fisicamente: Magro, meão na altura, dum moreno doentio abria admiravelmente os olhos molhados de tristeza e calmos como um bálsamo. Barba dura sem trato. Os lábios emoldurados no crespo dos cabelos moviam como se rezassem. O ombro direito mais baixo que o outro parecia suportar forte peso e quem lhe visse as costas das mãos notara duas cicatrizes como feitas por bala. Fraque escuro, bastante velho. Chapéu gasto, de um negro oscilante. (Mário de Andrade) Em alguns casos, o narrador não revela as características psicológicas da personagem, mas procura traduzi-las através de suas ações e comportamento. Observe no seguinte texto como o autor apresenta sua personagem: Está sempre a rir, sempre a cantar. Canta o dia inteiro, num tom arrastado, apregoando as revistas que vende. Pr aqui, por ali, vai, vem, corre, galopa, atravessa as ruas com uma rapidez de raio, persegue os veículos, desliza entre os automóveis como sombra. Parece invulnerável. (Graciliano Ramos) Portanto, aparência, a gestualidade, o comportamento e as ações concorrem para esboçar personagens complexas (personalidade contraditória) e lineares (comportamento previsível). Essa classificação (complexas e lineares) abrange os tipos e caricaturas, as principais e secundárias, os protagonistas e antagonistas. Personagem linear E personagem linear define-se pela permanência e previsibilidade de sua conduta; seu caráter e suas atitudes mantêm-se inalteráveis ao longo da narrativa. Os heróis das narrativas folhetinescas (romances populares) costumam ser corajosos, sedutores, românticos. Apresentam caráter nobre, gestos solidários, redentores e justiceiros. Até os traços físicos correspondem à luminosidade de sua conduta: olhos ternos, beleza diáfana, viril. Sua ação heróica será tanto um ato de bravura física quanto um exercício habilidoso da razão ou a prática da nobreza de espírito. Já o vilão, em sua linearidade, apresenta em geral aparência repugnante: nariz adunco, olhar injetado, lábios finos, expressão glacial. O aspecto fisionômico do vilão confere com a vilania de seu comportamento: a hostilidade, as paixões vis, a velhacaria, o cinismo, a mentira, o oportunismo e outros aspectos negativos definem e seu mau-caráter. O Coringa, personagem do time Batmam, e Juliana, a serviçal de O Primo Basílio, de Eça de Queirós, tipificam o vilão que tem na hediondez o ponto de intersecção entre o físico e o psicológico. Assim, a personagem linear encerra um tipo facilmente identificável que permeia as produções da indústria cultural: histórias em quadrinhos (Mônica, Cascão), telenovelas, romances do gênero romântico, personagens de programas de humor etc. Personagem complexa A personagem complexa, por sua vez, é imprevisível em suas atitudes, pois seu comportamento é contraditório, osciliando entre ações edificantes e degeneradas, redentoras e infamantes, benevolentes e hostis, amorosas e odiosas, como o seres humanos. Assim, o caráter de personagem complexa mostra variações de humor e atitudes em suas ações e em sua interioridade psicológica. Mesmo surgida nos romances do século XIX, contemporaneamente a personagem complexa atravessa algumas produções da indústria cultural é o caso, por exemplo, de Charlie Brown, ora ingênuo, ora altivo; e Charles Chaplin representando Carlitos – debochado em Tempos Modernos, sentimental e altruísta em Luzes da Ribalta, pernóstico em O Grande Ditador ou humilde e resignado em O Garoto. Tipo e Caricatura Real ou fictícia, apresentando um conjunto de traços físicos e psicológicos que a definem em sua individualidade, a personagem pode também ser um tipo ou uma caricatura. O tipo é uma figura singular, de características marcantes que, por suas peculiaridades comportamentais, universaliza-se e terniza-se. É o caso, Por exemplo, de D. Quixote, Romeu e Julieta e Conselheiro Acácio (O Primo Basílio). Há ainda tipos reconhecidamente populares: o bêbado, a fofoqueira, o malandro, o mascate, a beata, o chato e outros. Era a comadre uma mulher baixa, excessivamente gorda, bonachona, ingênua ou tola até um certo ponto, e finória até outro; vivia do ofício de parteira, que adotada por curiosidade, e benzia de quebranto; todos a conheciam por muito beata e pela mais desabrida papa-missas da cidade. Era a folhinha mais exata de todas as festas que aqui se faziam(...) (Manuel Antônio de Almeida)

Quanto à caricatura, sua única qualidade ou tendência é dilatada ao extremo, provocando uma distorção propositada, a serviço da sátira ou do cômico. O Dr. Lustosa Era um homem baixo, de ombros estritos a caídos. Uma gordura mal distribuída acumulava-se notadamente nos quadris, na região sacrococcigiana, no ventre e nas bochechas. Quanto ao resto, dava a impressão dum tipo magro e frágil. Os braços, coxas e pernas eram finos; as mãos, miúdas e delicadas, como mãos de menino. Tinha a pele macilenta e pintalgada de cravos principalmente na testa, no nariz reluzente e no queixo, onde a barba azulava, mais cerrada. A cabeça parecia ter sido modelada com material de confeitaria, procurasse vingar-se dessa circunstância dando à sua obra traços de caricatura. No indicador da mão direita o desembargador trazia sempre o anel simbólico, com um grande rubi engastado. No inverno, quando fazia muito frio, usava-o por cima da luva. Sempre que queria dar relevo a um trecho da conversação, riscava o ar com dedo do anel, sublinhado assim as palavras com um traço vermelho e chispante. (Érico Veríssimo) Personagens não-humanas Segundo Massaud Moisés, “a própria etimologia do vocábulo personagem assinala um restrição semântica que merece registro: animais não podem ser personagens, menos ainda os seres inanimados de qualquer espécie. Quando comparecem no universo ficcional, os animais tendem a ser meras projeções (como no caso de Quincas Borba), ou denotam qualidades superiores à sua condição, uma espécie de “inteligência humana (como a Baleia, de Vidas Secas), ou servem de motivo para a ação (como em Moby Dick). Os apólogos ou fábulas utilizam os animais como protagonistas, mas envolvem-nos de um simbólico que os subtrai do círculo zoológico inferior para alça-la ao perímetro urbano.” Como ilustração, lembramos a cachorra baleia: Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio de preás. E lembraria as mãos de Fabiano, um Fabiano enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com ela num pátio enorme, num chiqueiro enorme. O mundo ficaria todo cheio de preás gordos, enormes.” (Graciliano Ramos) Quando o protagonista é um ser inanimado (num apólogo) ou um animal (numa fábula), temos um antropomorfização. O protagonista se reveste de traços humanos, sobretudo quanto à inteligência e ao caráter: é a agulha altiva em “Um Apólogo”, de Machado de Assis, é a raposa ardilosa na fábula “A raposa e as uvas”, de Esopo. A antropomortização é obtida através do uso da prosopopéia. (Ver figuras de pensamento). Esse recurso expressivo, utilizado com mais freqüência nos textos descritivos, é expediente comum nos apólogos e nas fábulas. A prosopopéia consiste na atribuição de características humans a seres não-humanos (personificação) ou de características animais a seres inanimados (animização). No universo literário, podemos encontrar também personagens coletivas, figurativizadas ou não (é o caso de Vasco da Gama, em Os Lusíadas, metaforizando o heroísmo e o espírito de conquista do povo português). Já no romance O Cortiço, o próprio cortiço e o sobrado que moradias, personificam o antagonismo de classes. Principais e Secundárias As personagens, quanto à sua atuação no enredo, podem ser classificadas como principais ou secundárias. A personagem principal é aquela que produz os fatos, trama os acontecimentos, ou é o móvel da maioria das ações. São as personagens secundárias que dão suporte à história, tecendo pequenas ações em torno das personagens principais. Protagonistas e antagonistas Outra classificação possível, que geralmente atinge as personagens principais, é a oposição entre protagonista e antagonista. O primeiro deseja algo que ao segundo cabe impedir, dificultar, cobiçar, destruir, desejar etc. O antagonista nem sempre é uma pessoa; pode ser um objeto, um animal, uma situação financeira, cultural, social (pobreza, instrução, trabalho), um problema físico ou ainda uma peculiaridade psicológica, que dificulta o acesso àquilo que o protagonista deseja. Enredo O enredo ou trama corresponde à maneira como a história se desenrola, aos “arranjos” narrativos que cercam as personagens, e às situações que as envolvem. Essa articulação pode revelar o núcleo temático da matéria narrada, seja ela real ou ficcional; assim, falamos em enredo cujas temáticas podem ser conflitos passionais, casos de mistério ou terror, dramas sociais, experiências existenciais, ficção científica etc. Esse enovelamento de ações a que chamamos enredo abrange as etapas já explicadas na estrutura narrativa: exposição, desenvolvimento (complicação – ponto de tensão – e clímax – ponto de maior tensão) e desfecho. O texto narrativo resulta, portanto, de duas articulações: a história (seqüência de fatos) e o enredo (organização dos fatos). Dessa forma, o enredo é a maneira como o narrador organiza os dados que a história oferece. Observe como na contextualização de Domingo no Parque, de Gilberto Gil, os arranjos formais – versificação, rima, estrofe e refrão – e a

organização dos fatos, articulando personagens, tempo, espaço e ação, proporcionam dimensão e expressividade a um episódio que seria, como notícia de jornal, apenas corriqueiro. Domingo no Parque (Gilberto Gil) Exposição: identificação das personagens O rei da brincadeira – ê José O rei da confusão – ê João Um trabalhava na feira – ê José Outro na construção – ê João Desenvolvimento: encadeamento de ações A semana passada, no fim da semana, João resolveu não brigar. No domingo de tarde saiu apressado E não foi pra ribeira jogar Capoeira pra lá, pra ribeira, Foi namorar. O José como sempre, no fim da semana Guardou a barraca e sumiu. Foi fazer, no domingo, um passeio no parque, Lá perto da boca do rio. Foi no parque que ele avistou Juliana, Foi que ele viu Juliana na roda com João, Uma rosa e um sorvete na mão. Juliana, seu sonho, uma ilusão, Juliana e o amigo João. Complicação: ponto de tensão O espinho da rosa feriu Zé E o sorvete gelou seu coração. O sorvete e a rosa – ê José A rosa e o sorvete – ê José Oi dançando no peito – ê José Do José brincalhão – ê José O sorvete e a rosa – ê José A rosa e o sorvete – ê José Oi girando na mente – ê José Do José brincalhão – ê José Juliana girando – oi girando Oi a roda gigante – oi girando Oi na roda gigante – oi girando O amigo João – oi João O sorvete é morango – é vermelho Oi girando e a rosa – é vermelha Oi girando, girando – é vermelha Clímax: ponto de maior tensão Oi girando, girando – olha a faca Olha o sangue na mão – ê José Juliana no chão – ê José

Outro caído – ê José Seu amigo João – ê José Desfecho Amanhã não tem feira – ê José Não tem mais construção – ê João Não tem mais brincadeira – ê José Não tem confusão – ê João. Segundo Fred de Góes (Literatura Comentada), “existe texto se caracteriza por sua construção cinematográfica em que, após situar as personagens e descrever o cenário onde a ação se desenrolará, o compositor possa a narrar os fatos, empregando a técnica de montagem em pequenos flashes. Além de letra e melodia, o compositor junta ruídos, palavras e gritos sincronizados às cenas descritivas, evocando realistaticamente um parque de diversões”. Para que o enredo tenha unidade, os fatos devem estar inter-relacionados, de tal modo que uns sejam a conseqüência ou efeito dos outros. Assim como são muitas as possibilidades de se desenvolver uma narrativa, muitas são as teorias literárias para analisá-las, sobretudo nos romances. Estudiosos como Wolfgang Kayser, Vitor de Aguiar e Silva, Temístocles Linhares, Gerard Genette e Gerg Luckás são alguns dos nomes que elaboram teorias sobre a narrativa romanesca. Também a Semiótica estuda as estruturas narrativas, segundo as idéias de ª J. Greimas, Roland Barthes e outros. Semiótica é a ciência da significação, cujo objeto de estudo são os códigos verbais e não-verbais, como os gestos, a música, a pintura, o cinema etc, e as produções discursivas que lhes correspondem. O interesse da Semiótica compreende a análise da linguagem e da ideologia nos mais diversos discursos. Dessa forma, o enredo, numa interpretação semiótica, constrói-se num percurso temporal onde se destacam invariantes que determinam a fórmula canônica da narração: um sujeito (personagem) num de disjunção, isto é, apartado de seu objeto-valor (uma paixão, um bem material, um desejo), tentando chegar a um estado de conjunção, obtendo o objeto-valor pretendido. As variantes narrativas ficam por conta de uma sucessão de funções que enredam o sujeito na trajetória em busca de seu objeto-valor, numa evolução marcada pelas lógicas temporal e causal: a primeira resulta de uma conologia, é a sucessão de ações no tempo; a segunda é uma relação de causa e conseqüência – uma ação antecedente provoca uma conseqüente. Assim, o enredo, interpretado semioticamente, surge de um recurso narrativo no qual se entretecem elementos mínimos invariantes (um sujeito e seu objeto-valor). Além dessas variantes, que nos dão a fórmula convencional da narrativa, ressaltamos outros elementos: •manipulação: uma personagem manipulada outra para induzi-la a um fazer (projeto do fazer), envolvendo um querer; •competência: um saber ou um poder permite executar o projeto do fazer; •performance: a personagem executa o projeto do fazer; •sanção: conforme a ação executada, o sujeito do fazer é punido ou recompensado. Uma análise subordinada às interpretações semióticas consta do apêndice, ilustrando o percurso narrativo do texto machadiano “Conto de Escola”. Tempo Há duas maneiras de lidar com o tempo em uma narração: cronologicamente ou psicologicamente. Tempo cronológico O tempo cronológico é o tempo em que se desenrola a ação. Indica-se, conforme o caso, dia, mês, ano, hora, minuto, segundo, década, século etc. Não é preciso menciona-los sempre, mas deve-se dar a entender ao leitor o tempo de duração da história, utilizando-se de expressões como: alguns minutos, instantes, no dia seguinte, algum tempo depois, passaram-se meses, anos ou dias etc. O ano era de 1840. Naquele dia – uma segunda-feira do mês de maio – deixei-me estar alguns instantes na Rua da Princesa. (Machado de Assis) O escritor monta o tempo narrativo distribuindo-o de tal forma que seja aceito pelo leitor: No dia seguinte, estava Rubião ansioso por ter o pé de si o recente amigo da estrada de ferro, e determinou ir a Santa Teresa, à tarde; mais foi o próprio Palha que o procurou logo de manhã... (Machado de Assis)

Seja em saltos abruptos (milênios, séculos, décadas), ou em períodos curtos (no mesmo dia, em uma semana), mantém-se a sucessão temporal. Um recurso possível para alterar a linha temporal é antecipar um fato futuro (Quando pequeno gostava de lidar com animais sem imaginar que um dia seria veterinário) ou regredir, em flashbak, para um passado a ser relatado (Lembrou-se de quando a conheceu. Há trinta anos, numa manhã chuvosa, viu-a num ponto de ônibus e resolveu...). Tempo psicológico O tempo psicológico, que não é material nem mensurável, flui na mente das personagens. Nesse caso, transmite-se a sensação experimentada durante o tempo em que o fato ocorreu: a personagem pode ter passado por situações que pareceram extremamente longas, mas que, na realidade, duraram apenas alguns minutos. O tempo psicológico é produto de uma experiência interior, não mensurável mecanicamente, mas subjetivamente. Traduz-se com palavras a duração de um acontecimento,através da intensidade emocional que o acompanha. O suplício durou bastante, mas, por muito prolongado que tenha sido; não igualava a mortificação da fase preparatória: o olho duro a magnetizar-me, os gestos ameaçadores, a voz rouca a mastigar uma interrogação incompreensível (Graciliano Ramos) Partículas temporais As partículas denotadoras de tempo mais importantes são as conjunções e locuções conjuntivas, que exprimem: •tempo anterior: antes que; •tempo posterior: depois que, assim que; •tempo imediatamente posterior: logo que, mal, apenas; •tempo simultâneo ou concomitante: quando, enquanto; •tempo inicial (tempo a partir do qual se inicia a ação): desde que, desde quando; •tempo em que termina a ação iniciada no passado e prolongada até o momento em que se fala: agora que, hoje que, a última vez que; •ações reiteradas ou habituais: cada vez que; toda vez que, sempre que. A algumas dessas locuções conjuntivas agregam-se com freqüência partículas ou advérbios de valor intensivo: pouco antes que, muito antes que, imediatamente depois que etc. O pronome relativo entra em vários conglomerados de sentido temporal: depois do que, durante o tempo em que, até o dia (hora, momento) em que, no instante em que etc. Vocabulário da área semântica de tempo. Simultaneidade: durante, enquanto, ao mesmo tempo, simultaneamente, coincidentemente, ao passo que, à medida que... Antecipação: antes, primeiro, antecipadamente, véspera... Posteridade: depois, posteriormente, a seguir, em seguida, sucessivamente, por fim, mais tarde... Intervalo: meio tempo, ínterim... Tempo presente: atualmente, agora, já neste instante, o dia de hoje, modernamente... Tempo futuro: amanhã, futuramente, em breve, dentro em pouco, proximamente, iminente, prestes ª.. Tempo passado: tempos idos, outros tempos, outrora, antigamente... Freqüência: constantemente, habitualmente, costumeiramente, usualmente, corrinqueiramente, repetidamente, tradicionalmente, amiúda, com freqüência, muitas vezes... Infreqüência: raras vezes, raramente, raro, poucas vezes, nem sempre, ocasionalmente, esporadicamente, de quando em quando, de vez em quando, de tempos em tempos... A sucessão temporal para o encadeamento das ações, conferindo um caráter dinâmico à narração. Espaço Sejam as seguintes expressões: num certo lugar, distante daquele local, numa casa (rua ou país), temos determinados do espaço e, para caracteriza-lo, são empregados recursos descritivos que recuperam a percepção objetiva (dos cinco sentidos) e as impressões subjetivas (psicológicas). Se a cobertura descritiva desvela integralmente o objeto, pessoa, cena ou paisagem, temos a fidelidade fotográfica que permite ao leitor “visualizar” o espaço descritivo. Quando a descrição apenas sugere traços (objetivos e subjetivos) dos elementos, o leitor é instigado a completar a imagem com a criatividade e a fecundidade de sua imaginação.

Cenário funcional e decorativo O canário no qual as personagens se movimentam e integram pode ser decorativo ou funcional. Quando decorativo, o espaço é lugar de referência, apenas situando onde acontece o fato, fazendo sobressair quem dele participa. As pausas descritivas podem precisar ou reter o curso narrativo, promovendo o afrouxamento da narrativa ou irrompendo a força imaginativa do leitor. Enquanto o cenário funcionar detalha para a ação, o decorativo detalha para a inércia contemplativa. Se o aparato descritivo for subtraído de um texto, pode reduzi-lo a um relato sem fecundidade, sem virtuosismo. Na estética do Romantismo, a especialidade é explorada em detalhes, correspondendo ao gosto da época em que floresceu sua literatura. Quando o cenário é a natureza, o descritivismo reflete os estados interiores do “eu”. A descrição romântica é, sobretudo, um recurso decorativo. Já o espaço funcional é determinante da história, antecipando a ação ou enquadrando o lugar em que se desenrolará um episódio um episódio. No Realismo, o cenário físico age as personagens, conforme os ideários que orientavam as produções literárias da época. Assim, textos de Machado de Assis, Euclides da Cunha, Aluísio Azevedo ou Eça de Queiroz inserem seus personagens num espaço fundamental. No Realismo, o meio (definido descritivamente) interfere no comportamento psicológico e social das personagens, confirmado a teoria determinista de que o homem é produto do meio. A descrição, quando funcional, como no Realismo, é sempre uma relação decifradora de traços e acontecimentos entre o homem e o mundo exterior. Na descrição realista, o empenho documental recria a realidade. Nenhum detalhe é desprovido de interesse, ganhando destaque através das impressões sensoriais. Assim, pode-se aprender o mundo com olhos realistas ou com pulsações românticas, caracterizando lugares, personagens, o espaço e a ação. Compare agora as descrições de ambiente romântico e realista, respectivamente: Havia à Rua do Hospício, próximo ao campo, uma casa que desapareceu com as últimas reconstruções. Tinha três janelas de peitoril na frente; duas pertenciam à sala de visitas; a outra a um gabinete contíguo. O aspecto da casa revelava, bem como seu interior, a pobreza da habitação. A mobília da sala consistia em sofá, seis cadeiras e dois consolos de jacarandá, que já não conservavam o menor vestígio de verniz. O papel da parede de branco passara a amarela e percebia-se que em alguns pontos já havia sofrido hábeis remendos. O gabinete oferecia a mesma aparência. O papel que fora primitivamente azul tomara a cor de folha seca. Havia no aposento uma cômoda de cedro que também servia de toucador, um armário de vinhático, uma mesa de escrever, e finalmente a marquesa, de ferro, com o lavatório, e vestida de mosquiteiro verde. Tudo isto, se tinha o mesmo ar de velhice dos móveis da sala, era como aqueles cuidadosamente limpo e espanejado, respirando o mais escrupuloso asseio. Não se via uma teia de aranha na parede, nem sinal de poeira nos trastes. O soalho mostrava aqui e ali fendas na madeira; mas uma nódoa sequer não manchava as tábuas areadas.” (José de Alencar) Era a sala geral do estudo, á beira do pátio central, uma peça incomensurável, muito mais extensa do que larga. De uma das extremidades, quem não tivesse extraordinária vista custaria a reconhecer outra pessoa na extremidade exposta. A um lado, encarreiravam-se quatro ordens de carteiras de pau envernizado e os bancos. À parede, em frente, perfilavam-se grandes armários de portas numeradas, correspondentes a compartimentos fundos; depósito de livros.Livros é o que menos se guardava em muitos compartimentos. O dono pregava um cadeado à portinha e formava um interior à vontade. Uns, os futuros sportmen, criavam ratinhos cuidadosamente desdentados a tesoura, que se atrelavam a pequenos carros de papelão; outros, os políticos futuros, criavam camaleões e lagartixas, declarando- se-lhes precoce a propensão pelo viver de rastos e pela cambiante das peles; outros, entomologistas, enchiam de casulos dormentes a estante e vinham espiar a eflorescência das borboletas; os colecionadores, Ladislaus Netos um dia, fingiam museus minerológicos, museus botânicos, onde abundavam as delicadas rendas secas de filamentos das folhas descarnadas; outros davam-se à zoologia e tinham caveiras de passarinhos, ovos vazados, cobras em canhaça. Um destes últimos sofreu uma decepção. Guardava preciosamente o crânio de não sei que fenomenal quadrúpede encontrado em escravações de uma horta, quando verificou-se que era uma carcaça de galinha! (Raul Pompéia)

Espaço físico e social

Pode-se também descriminar os espaços físico e social. No físico os domínios da natureza. Lembramos na literatura romântica os espaços nostálgicos, sacralizados ou devoradores: a primavera eterna, as torrentes avassaladoras, os penhascos sombrios, as matas virgens, os sertões ernos. No social, estão os limites culturais, como nos romances urbanos: as sociedades dos salões, dos saraus, dos teatros, além de cortiços, vendas, feiras, ambientes espúrios, enfim a pobreza citadina. Observe no fragmento romântico abaixo, o arrebatamento descritivo de um espaço físico – um cenário da natureza: Enquanto uma canoa deslizava misteriosamente, levando Ceci e Peri, o castelo senhorial de D. Antônio de Maria esturgia nos ares, destruído pelo paiol de pólvora incendiado. Da nobre e opulenta mansão restava apenas um noturno e uma tristíssima lenbrança. Sobreviviam somente Cecília, o índio e D. Diego. A água do rio subiu espantosa e repentinamente. Os dois, Ceci e Peri, acolheram-se ao topo de uma palmeira. E a inundação aumenta numa catástrofe assustadora. O índio arranca a palmeira da terra. E a palmeira, arrastada pela corrente impetuosa do Paraíba, seguia o destino das águas. Seguia rapidamente...até sumir-se no horizonte. (José de Alencar) Atente para a descrição de um espaço social em um canto atual: O prédio, de ordinário, é velho, imundo, e em suas paredes sobram suores, tensões, histórias. À entrada ficam tipos magros que vagabundeiam, esbranquiçadas ou encardidos, mexendo a prosa macia que verifica pernas que passam, discute jogo e conta casos, com as falas coloridas de uma gíria própria, tão dissimulada quando a dos bicheiros, dos camelôs ou dos turistas. A entrada é de um bar comum, comum. Como os outros. Mas este é um fecha-nunca, olho aceso dia e noite, noite e dia. Mantém pipoqueiro, engraxataria, banca de jornais. E movimento. Adiante é que estão o balcão das bebidas, o salão do barbeiro, a manicure, talvez até a prateleira de frutas. Depois, as cortinas verdes, , em todo o rigor do estilo, ou, mais simplesmente, a porta de vaivém. E, a um passo, se cai na boca do inferno, chamada salão, campo, casa, bigorna, gramado. O nome mais usual e descolorido é salão de bilhar. É lá que se ouve, logo à entradinha, uma fala macia enfeitada de um gesto de mão, um chamamento e uma ginga de corpo, como uma suave, matreira e desbochada declaração de guerra: _ Olá, meu parceirinho! Está a jogo ou a passeio? (João Antônio)

Foco narrativo Contar (ato de narrar) ou como contar ( o estilo pessoal) implica uma determinada posição do narrador com relação ao acontecimento. Assim, o narrador pode assumir três pontos de vista na narrativa: Narrador participante O narrador participante é uma das personagens, principal ou secundária,. De sua história. Ele está “dentro” e “vê” os acontecimentos de dentro para fora. Nesse caso, a narrativa, elaborada em 1ª pessoa (eu – nós), tende a ser autobiográfica, memorialista ou confessional. Lembre-se: não se confunde autor com narrador. O autor tem existência real, é uma pessoa que existe fisicamente. O narrador é uma personagem criada pelo autor para contar a história. Coloquei-me acima de minha classe, creio que me elevei bastante. Como lhes disse, fui guia de cego, vendedor de doces e trabalhador de aluguel. Estou convencido de quem nenhum desses ofícios me daria os recursos intelectuais necessários para engenhar esta narrativa. (Graciliano Ramos) Narrador observador O narrador observador simplesmente relata os fatos, registrando as ações e as falas das personagens; ele conta como mero espectador, uma história vivida por terceiros. É a narrativa escrita em 3ª pessoa (ele, ela, eles, elas). Os campos, segundo o costume, acabava de descer do almoço e, a pena atrás da orelha, p lenço por dentro do colarinho, dispunha-se a prosseguir o trabalho interrompido poucos antes. Entrou no escritório e foi sentar-se à secretária>” (Aluísio Azevedo) Narrador onisciente

O narrador onisciente ou onipresente é uma espécie de testemunha invisível de tudo quanto ocorre, em todos os lugares e em todos os momentos; ele não só se preocupa em dizer o que as personagens fazem ou falam, mas também traduz o que pensam e sentem. Portanto, ele tenta passar para o leitor as emoções, os pensamentos e os sentimentos das personagens. Um segundo depois, muito suave ainda, o pensamento ficou levemente mais intenso, quase tentador: não dê, elas são suas. Laura espantou-se um pouco: por que as coisas nunca eram dela?” (Clarice Lispector) Discurso narrativo Na comparação de um texto narrativo, o narrador pode reproduzir a fala da personagem, empregando as seguintes possibilidades direto, discurso indireto, discurso indireto livre. No discurso direto, o narrador reproduz na íntegra a fala das personagens ou interlocutores. Geralmente, essa fala é introduzida por travessão. - Mete a mão no bolso. Não te falta nada? – perguntou Honório. - Falta-me a carteira. Sabes se alguém a achou? – indagou Gustavo - Achei-a eu – respondeu Honório. (Machado de Assis) Discurso direto No discurso direto, indica-se o interlocutor e caracteriza-se=lhe a fala por meio de verbos dicendi: dizer, exclamar, suspirar, explicar, perguntar, responder, replicar etc; Nem sempre o autor indica de quem são as falas, já que elas se esclarecem dentro do contexto. O exemplo ilustra essa possibilidade: O Paranóico só fala no telefone tapando o bocal com um lenço. Para disfarçar a voz. - Podem estar gravando. - Mas você ligou para saber a hora certa! - Nunca se sabe. (Luís Fernando Veríssimo) O diálogo acelera a narrativa, levando o leitor a entrar em contato direto com as personagens. O narrador apenas dá indicações sobre quem fala. Além de imprimir mais dinamicidade e realismo à narração, o diálogo presentifica a história. Os traços lingüística do discurso revelam a identidade cultural e social da personagem e, ao mesmo tempo, oferecem elementos para sua caracterização psicológica. Segundo Celso Cunha e Lindley Cintra (Nova gramática do português contemporâneo), “no plano expressivo, a força da narração em discurso direto provém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio, fazendo emergir da situação a personagem, tornando-a para o ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador desempenha a mera função de indicador das falas. Estas, na reprodução direta, ganham na naturalidade e vivacidade, enriquecidos por elementos lingüísticos tais como exclamações, interrogações, interjeições, vocativos e imperativos, que costumam impregnar de emotividade a expressão oral”. Observe o efeito dos diálogos na pequena narração abaixo: Namorados O rapaz chegou-se para junto da moça e disse: - Antônia, ainda não me acostumei com seu corpo, com a sua cara. A moça olhou e esperou. - Você não sabe quando a gente é criança e de repente vê uma lagarta listada? A moça se lembrava: - A gente fica olhando... A meninice brincou de novo nos olhos dela. O rapaz prosseguiu com muita doçura: - Antônia, você parece uma lagarta listada. A moça arregalou os olhos, fez exclamações. O rapaz concluiu: - Antônia, você é engraçada! Você parece louca. (Manuel Bandeira) Ao utilizar o discurso direto – diálogos (com ou sem travessão) entre as personagens -, pode-se, quando à pontuação, optar por um dos três estilos abaixo: Estilo 1

- Que tal o carro? – perguntou João. - Horroroso! – respondeu Antônio.

Estilo 2 João perguntou: “Que tal o carro?” Antônio respondeu: “Horroroso!” Estilo 3 - Estou vendo que você adorou o carro, disse infusivamente João - Você está redondamente enganado, retrucou Antônio. Observação: O estilo 3 só deve ser utilizado em caso de oração afirmativa. Discurso indireto No discurso indireto, o narrador exprime indiretamente a fala da personagem. O narrador funciona como testemunha auditiva e passa para o leitor o que ouviu da personagem. Nessa transcrição, o verbo aparece na 3ª pessoa, sendo imprescindível a p0resença de verbos dicendi (dizer, responder, retrucar, replicar, perguntar, pedir, exclamar, contestar, concordar, ordenar, gritar, indicar, declarar, afirmar, mandar etc), seguidos dos conectivos que (dicendi afirmativo) ou se (dicendi interrogativo) para introduzirem a fala da personagem na voz do narrador. Observe nos exemplos abaixo os discursos indiretos grifados: “Ele começou, então, a contar que tivera um sonho estranho”. “Todos se calaram para ouvi-lo e ele, muito sério, perguntou qual era o assunto. Informado, prosseguiu dizendo que estava profundamente interessado em colaborar”. “João perguntou se ele estava interessado nas aulas”. Na narração, para reconstruir a fala da personagem, utiliza-se a estrutura de um discurso direto ou de um discurso indireto. O domínio dessas estruturas é importante tanto para se empregar corretamente os tipos de discurso na redação escolar, como para exercitar a transformação desses discursos exigida em alguns exames vestibulares. Na passagem do discurso direto para o indireto, cabem as seguintes observações quanto à construção da frase: Discurso direto • Presente A enfermeira afirmou: -É uma menina • Futuro do presente Pedindo gritou: - Não sairei do carro. • Pretérito perfeito - Já esperei demais, retrucou com indignação. •Imperativo Olhou-a e disse secamente: - Deixe-me em paz. • Primeira ou segunda pessoa Maria disse: - Não quero sair com Roberto • Demonstrativo este ou esse Retirou o livro da estante e acrescentou:

- Este é o melhor · Vocativo - Você quer café, João? Perguntou a prima • Forma interrogativa ou imperativa Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa: - E o amarelo? Discurso indireto · Pretérito imperfeito A enfermeira afirmou que era uma menina. · Futuro do pretérito Pedrinho gritou que não sairia do carro. · Pretérito mais-que-perfeito Retrucou com indignação que já esperara (ou tinha esperado) demais. · Pretérito imperfeito do subjuntivo Olhou-a e disse secamente que ela o deixasse em paz. · Terceira pessoa Maria disse que não queria sair com Roberto. · Demonstrativo aquele Retirou o livro da estante e acrescentou que aquele era o melhor. · Objeto indireto na oração principal A prima perguntou a João se ele queria café. · Forma declarativa Abriu o estojo, contou os lápis e depois perguntou ansiosa pele amarelo. Discurso indireto livre Resultante de mistura dos discursos direto e indireto, existe uma terceira modalidade de técnica narrativa, o chamado discurso indireto livre, processo de grande efeito estilístico. É uma espécie de monólogo interior das personagens, mas expresso pelo narrador. Este interrompe a narrativa para registrar e inserir reflexões ou pensamentos das personagens, com as quais passa a confundir-se. As orações do discurso indireto livre são, em regra, independentes, sem verbos dicendi, sem pontuação que marque a passagem da fala do narrador para a fala do personagem, mas com transposições do tempo do verbo (pretérito imperfeito) e dos pronomes (3ª pessoa). O foco narrativo deve ser de 3ª pessoa. Esse discurso é muito empregado na narrativa moderna, pela fluência e ritmo que confere ao texto. Deu um passo para a catingueira. Se ele gritasse “Desafasta”, que faria a polícia? Não se afastaria, ficaria colado ao pé de pau . Uma lazeira, a gente podia xingar a mãe dele. Mas então... Fabiano estirava o beiço e rosnava. Aquela coisa arriada e achacada metia as pessoas na cadeia, dava-lhes surra. Não entendia. Se fosse uma criatura de saúde e muque, estava certo. Enfim, apanhar do governo não é desfeita, e Fabiano até sentia orgulho ao recordar-se da aventura. Mas aquilo...Soltou uns grunhidos. Por que motivo o governo aproveitava gente assim? Só se ele tinha receio de empregar tipos direitos. Aquela cambada só servia para morder as pessoas inofensivas. Ele, Fabiano, seria tão ruim se andasse fardado? Iria pisar os pés dos trabalhadores e dar pancadas neles? Não iria. (Graciliano Ramos) Discurso do narrador Há também o discurso em que o narrador registra a ação das personagens, além de comentar, analisar, inferir, interpretar e relacionar fatos da história. É o discurso do narrador.

De repente, Honório olhou para o chão e viu uma carteira. Abaixar-se, apanha-la e guarda-la foi obra de alguns instantes. Ninguém o viu, salvo um homem que estava à porta de uma loja... (Machado de Assis) Resumindo Foco narrativo ou ponto de vista do narrador • Narrador personagem ou participante: foco narrativo em 1ª pessoa. • Narrador observador: foco narrativo em 3ª pessoa. • Narrador onisciente: foco narrativo em 3ª pessoa. Tipos de discurso • direto (diálogo) : o narrador reproduz textualmente a fala da personagem. • indireto: o narrador conta o que a personagem fala. • indireto livre: a fala da personagem funde-se com a fala do narador. • do narrador: o narrador conta a história e tece comentários sobre personagens e acontecimentos. As variantes da narração O romance, o como, a novela, o apólogo, a fábula e a crônica são modalidades narrativas consagradas pela literatura. Sobre a crônica, lembramos que, de sua gênese o jornalismo, com Machado de Assis e contemporaneamente em Rubem Braga, Fernando Sabino e outros, ela passou à complicação literária. Temos ainda como narrativas as histórias em quadrinhos (com ou sem legendas), os poemas épicos, os poemas ou letras de música que falam de um acontecimento, as piadas (ilustradas, legendadas ou sem palavras) e ainda as notícias de jornal que contam um fato. a) A piada Durante um forte vendável, o policial vê uma velha senhora parada numa esquina, segurando seu chapéu com todas as forças, enquanto o vento levantava seu vestido e revelava toda a sua intimidade. Por isso, o policial foi até lá e fez o alerta: - A senhora fica segurando o chapéu em vez de segurar o vestido... Agora todos ficam olhando tudo o que a senhora tem aí. - Escute, rapaz. O que eles estão vendo tem 80 anos. Mas esse chapéu aqui é novinho em folha. ••• Aula de Português. A professora pergunta para Zequinha: - “A mulher comprou”. Que tempo é esse? - Passado, professora. - Está certo. Agora mais uma pergunta para você tirar nota 10. Se eu digo: “Seu pai tem dinheiro”, que tempo é esse? - A primeira semana do mês. A piada também é uma forma de narração. Apóia-se numa seqüência de ações cujo desfecho é sempre cômico. É freqüente encontramos, nesse tipo de narrativa, personagens estereotipadas (o português simplório, o papagaio malicioso, a criança ingênua, a sogra implicante) e trocadilhos. b) Notícia de jornal Foi pescar e foi pescado No último domingo, sob a acusação de ter tentado furtar dinheiro da Igreja Nossa Senhora do Brasil, no Jardim América, foi detido e encaminhado ao 15º Distrito o meliante Gorgônio Pancrácio Porciúncula, de 68 anos, que alegou estar fazendo uma oferenda àquela instituição pia. Segundo os fiéis, o sexagenário, aparentemente embriagado, tentava pescar o dízimo arrecadado durante a missa, usando um arame para retira-lo do cofre. Observe que o texto modelo inicia-se com uma breve exposição do fato (a tentativa de roubo), seguido da conseqüência para o acusado (a detenção). Os aspectos descritivos compreendem as características pessoais do envolvido. A tática para consumar a ação (a pesca do dinheiro) conclui a notícia. Esses mesmos dados poderiam ser apresentados ao leitor em qualquer seqüência.

c) A História em quadrinhos A imagem é recurso expressivo fundamental da história em quadrinhos. Utilizando as palavras ou prescindindo delas, encerra um gênero narrativo dos mais populares. Seja em revista ou tiras de jornal, produzir humor é sua finalidade. Na seqüência acima, a comicidade surge em apenas três quadros. d) O Cartum No único quadro, o Cartum resume um processo narrativo em que a seqüência temporal, antes (as pedras sendo oferecidas pelo mordomo ao menino) e depois (a quebra dos lustres), é captada em conjunto. A comicidade resulta do clima solene e dos requintes da modelagem do menino rico: a formalidade dos mordomos, as pedras na bandeja, o poste particular, a roupa sóbria do garoto e a mansão ao fundo caracterizam uma visão excêntrica da infância milionária. e) O Poema Poema tirado de uma notícia de jornal João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia, num barracão sem número Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro. Bebeu Cantou Dançou Depois se atirou na lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado. (Manuel Bandeira) A versatilidade da narração, quando se expande para o verso, adquire foros de poesia. Nesse texto, a forma poética (a disposição vertical) ajusta-se a uma concisão narrativa que reduz ao mínimo a informação os elementos que a caracterizam: • personagem – João Gostoso; • tempo – Uma noite ele chegou (...) Depois atirou; • ação – chegou, bebeu, cantou, dançou, se atirou e morreu; • espaço – morro da Babilônia, barracão sem número, bar Vinte de Novembro, Lagoa Rodrigo de Freitas. Assim, a referencialidade comum às notícias policiais é absorvida pelo poético, numa recriação do universo jornalístico pelo literário. Como é comum às narrativas, o texto apresenta clímax (os três verbos da ação) e desfecho (o fim trágico que chega inesperadamente). Nota-se que o apelido da personagem (João Gostoso) e a generalidade de seu endereço evidenciam o estereótipo do malandro pobre. Acrobatismo Parou o vento. Todas as árvores quiseram ver o salto original. Então quedaram-se todas com os seus anéis azuis de orvalho e os seus colares de ouro teatral, prestando muita atenção. Foi como se um silêncio fofo de veludo Começasse a passear seus pés de lã por tudo. Nisto uma folha sai, muito viva, de uma rama, e vai cair sem o menor rumor sobre o tapete da grama. É um louva-a-deus lépido e longo que se jogou de um trapézio como um pequeno palhaço verde e lá se foi, a rodopiar às cambalhotas

no ar. (Cassiano Ricardo) Quando a temporalidade, a caracterização e o lirismo se reúnem, mediados pela criação de um poeta, o resultado é um poema narrativodescritivo. É o que faz Cassiano Ricardo, valendo-se de sinestesias e prosopopéias (“como se um silêncio fofo de veludo/Começasse a passear seus pés de lã por tudo”). Ao narrar as seqüências do salto de um louva-a-deus e as características singelas desse flagrante, o poema aproxima o simples e o belo.

f) O Apólogo Opostos No meio de uma poesia, o ponto saltou na vírgula com intenção de namorar. Foi coisa bem passageira, dessas que ninguém liga, mas entre o ponto e a vírgula de pano pra manga da briga. A vírgula, toda prosa, pro papo continuar. O ponto queria descanso, ficar de papo pro ar. A vírgula esticava uma frase, lero-lero, coisa e tal, lá vinha o ponto correndo e botava um ponto final. Foi indo, a vírgula ficou nervosa. Falou do direito e do avesso, falou do fim pro começo, berrou e perdeu o senso. O ponto? Nem ligava pra ausência de consenso. Ponto é silêncio no texto. Imagine se muda de jeito! A vírgula, na mesma hora, resolveu ir embora numa frase de efeito. O ponto ficou zangado, achou de botar defeito: - Podes ir, tagarela – falou com voz amarela – Como és chata, criatura! Nem escritor te atura! A vírgula, atrevida, optou pela pirraça: toda hora requebra de graça em qualquer frase sentido. O ponto, quando ela passa, esquece de lado o passado, fica todo derretido. O poeta investiga as razões da eterna briga: os opostos se atraem, querem sempre se juntar. Não há sem franqueza, nem feiúra sem beleza e a sorte depende do azar. (Ciça Fitipaldi) Trata-se de um apólogo, uma narrativa em que seres inanimados agem como personagens humanos. No caso, o ponto e a vírgula, entidades lingüísticas, assumem comportamento humano. O apólogo ilustra uma lição de sabedoria cuja moral é sempre expressa no desfecho: “os opostos se atraem, querem sempre se juntar. Não há força sem fraqueza, nem feiúra sem beleza e a sorte depende do azar”. O lirismo infantil, bem como as rimas internas (“A vírgula esticava uma frase, lero-lero, coisa e tal, lá vinha o ponto correndo e botava um ponto final”) configuram o texto como prosa poética.. g) A fábula A barata e o rato Era uma dessas baratinhas brancas e nojentas, acostumadas à só imundície e ao monturo, comendo calmamente sua refeição composta de um pedaço de batata podre e um pedaço de tomate podre (1). Chegou junto dela um Rato transmissor de peste bubônica e lhe disse: “Comadre, ontem tive uma aventura extraordinária. Estive num lugar realmente impressionante, como você, comadre, certo jamais encontrará em toda a sua vida”. Barata comendo”. O lugar era uma coisa que realmente me deixou de boca aberta” – prosseguiu o Rato – “tão espantoso e tão diferente é de tudo que tenho visto em minha vida rodeara” (2). Barata comendo. “Imagina você” – prosseguiu o Rato – “que descobri o lugar por acaso. Vou indo numa as cavidades subterrâneas por onde passeio sempre, entrando aqui e ali numa casa e noutra, quando, de repente, percebo uma galeria que não conheço. Meto-me nela, um pouco amedontrado por não saber onde vai dar e de repente saio numa cozinha inacreditável. O chão, limpo, que nem espelho! Os espelhos de um brilho de cegar! As panelas, polidas como você não pode imaginar! O fogão, que nem um brinco! As paredes, sem uma mancha! O teto, claro e branco como se tivesse sido acabado de pintar! Os armários, tão arrumados e cuidados que estavam até perfumados! Poeira em nenhuma parte, umidade inexistente, no chão nem um palito de fósforo...” E foi aí que a barata não se conteve. Levou a mão à boca num espasmo e protestou: “Que mania” Que horror! Sempre vem contar essas histórias exatamente no momento em que está comendo!” MORAL; PARA O VÍRUS A PENICILIANA É UMA DOENÇA. SUBMORAL; A ECOLOGIA É MUITO RELATIVA. (1) Causando inveja a muita gente. (1) O rato rói. É sua sina. (Millôr Fernandes) As fábulas são narrações de caráter alegórico, destinadas a ilustrar um preceito. A simplicidade da linguagem incipiente (“que nem espelho”) articula o impressionável universo da fantasia alegorizado pela barata e pelo rato. As nações de higiene que se intensificam ao longo da narrativa ganham expressividade descritiva (“numa cozinha inacreditável (...), no chão nem um palito de fósforo”), para então atingir o desfecho numa completa inversão de valores humanos que a moral endossa.

No texto de Millôr Fernandes, a definição de fábula é renovada, já que o texto, reunindo non-sense e criatividade, apresenta, além da tradicional “moral da história”, uma submoral, ambas plenas de humor e originalidade.

h) A Música O Velho Francisco Já gozei de boa vida Tinha até meu bangalô Cobertor, comida Roupa lavada Vida veio e me levou Fui eu mesmo alforriado Pela mão do Imperador Tive terra, arado Cavalo e brida Vida veio e me levou Hoje é dia de visita Vem aí meu grande amor Ela vem toda de brinco Vem todo domingo Tem cheiro de flor Quem me vê, vê nem bagaço Do que viu quem me enfrentou Campeão do mundo Em queda de braço Vida veio e me levou Li jornal, bula e prefácio Que aprendi sem professor Freqüentei palácio Sem fazer feio Vida veio me levou Hoje é dia de visita Vem aí meu grande amor Ela vem toda de brinco Vem todo domingo Tem cheiro de flor Eu gerei dezoito filhas Me tornei navegador Vice-rei das ilhas Da Caraíba Vida veio e me levou Fechei negócio da China Desbravei o interior Possuí mina De prata, jazida Vida veio e me levou Hoje é dia de visita Vem aí meu grande amor Hoje não deram almoço, né

Acho que o moço até Nem me lavou Acho que fui deputado Acho que tudo acabou Quase que Já não me lembro de nada Vida veio e me levou. (Chico Buarque) Numa ambivalência que oscila entre o humano e o geográfico, o título “O Velho Francisco” pode ser interpretado em sua dualidade: o idoso e o rio. Nesse poema narrativo, manifesta-se em 1ª pessoa um idoso supostamente internado num asilo (“Hoje é dia de visita”) “Hoje não me deram almoço, né”) e a veneranda existência do Rio São Francisco (“Desbravei o interior/Possuí mina/De prata, jazida”). Tanto o idoso como o rio têm na memória um passado. Nas lembranças fragmentadas do Velho Francisco, a decrepitude supera a lucidez (“Vice-rei das ilhas/Da Caraíba”; “Acho que fui deputado”; “Já não me lembro de nada”). Há ainda um processo antitético: por parte do idoso, temos a longevidade esgotada (“Vida veio e me levou”): por parte do rio, a resistência e sobrevivência ao longo do tempo. Assim, tanto a vida quanto o rio fluem irreversivelmente do passado para o presente; observe os verbos. Cada estrofe do poema é um fragmento da memória do velho/rio, é o curso da memória que acompanha o curso do rio através do fluxo de consciência. A personificação do rio (configuração como um homem idoso) confunde-se com as características do São Francisco, na qualidade de navegável (“Me tornei navegador”) e na extensão, atravessando três Estados (“Desbravei o interior”). A linguagem do texto é reveladora da simplicidade do Velho Francisco (“Ela vem toda de brinco”); “Quem me vê, vê nem bagaço”). Em seu aspecto formal (uma seqüência de dez versos), o poema lembra a sinuosidade do rio.

O Descritivismo na narração As passagens descritivas numa narração revestem com expressividade personagens, objetos e situações. Como uma pintura realçada por vários matizes, a narração ganha humor, lirismo ou dramaticidade no descritivismo oportuno e manejado com estilo. Note a intervenção descritiva na composição das personagens e situações do texto abaixo: Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí Chegou em casa, na Rua das Marrecas, soltando marimbondos contra o carnaval. E enquanto tirava o colarinho de goma: - País desgraçado! Tudo é feriado! Um funcionário de responsabilidade, com encargo de chefe de seção na pode trabalhar. Ninguém despacha coisa alguma. É só pulo de macaco e fantasia de baiana. Até o Desembargador Jupiaçu Feijó vai sair de Marquês de Pomba. É o fim do mundo, Dona Escolástica! E colocando os colarinhos na cadeira: - Não agüento mais. Vou para os capuchinhos fazer meu retiro espiritual. Já falei co Dom Alvorado. Dona Escolástica, avassaladora senhora de prendas domésticas, fina como um machucador de cozinha, bateu palmas. E nas palmas dos cem quilos de Dona Escolástica embarcou Torquato Saquarema para a paz dos capuchinhos. Na porta de casa, orgulhosa do marido, a terrível senhora deu a última mão de tinta no seu consentimento: - Vai, Saquarema. Vai com Deus, meu filho. Foi. Mas deu azar. O Bloco Vai Que Eu Fico Em Casa, da moça do estandarte ao último tamborim, entrou numa grade de não caber na delegacia, pelo que transbordou pelas páginas dos jornais. E lá veio, em quatro colunas, encadernado de baiana, o marido de Dona Escolástica. Na quarta-feira, ao deixar a prisão. Torquato Saquarema tomou uma providência enérgica. Pediu asilo na Embaixada do Peru. (José Cândido de Carvalho) Nessa narrativa, além dos recursos lingüísticos, as imagens descritivas revelam um humor diferenciado, com sabor tipicamente brasileiro. Observe o que resultaria do texto, caso fossem suprimidas as passagens caracterizadoras: Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí

Chegou em casa, na Rua das Marrecas. E enquanto tirava o colarinho: - País! Tudo é feriado! Um funcionário com encargo de chefe de seção, não pode trabalhar. Ninguém despacha coisa alguma. Até o Desembargador Jupiaçu Feijó vai sair de Marquês de Pomba. E o fim do mundo, Dona Escolástica! E colocando os colarinhos na cadeira:

- Não agüento mais. Vou para os capuchinhos fazer meu retiro. Já falei com Dom Alvorado. Dona Escolástica bateu palmas. E nas palmas de Dona Escolástica embarcou Torquato Saquarema para a paz dos capuchinhos. Na porta de casa, a senhora deu a última mão de tinta no seu consentimento. - Vai, Saquarema. Vai com Deus, meu filho. Foi. Mas deu azar. O bloco Vai Que Eu Fico Em Casa, da moça do estandarte ao último tamborim, entrou numa grade, pelo que transbordou pelas páginas dos jornais. E lá veio o marido de Dona Escolástica. Na quarta-feira, ao deixar a prisão, Torquato Saquarema tomou uma providência. Pediu asilo na Embaixada do Peru. Observe no trecho que segue, extraído do romance Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, a caracterização enumerativa, os núcleos mínimos significativos, a cronologia temporal demarcada através da seqüência de ações e a impressão emotiva que, reunidos num estilo compacto e sincopado, marcam a expressividade narrativa e a precisão descritiva do texto. Notas Soluços, lágrimas, casa armada, veludo preto nos portais, um homem que veio vestir o cadáver, outro que tomou a medida do caixão, caixão, essa, tocheiros, convites, convidados que entravam, lentamente, a passo surdo, e apertavam a mão à família, alguns tristes, todos sérios e calados, padre e sacristão, rezas, aspersões d’água benta, o fechar do caixão, a prego e martelo, seis pessoa que o tornam de essa, e o levantam, e o descem a custo pela escada, não obstante os gritos, soluções e novas lágrimas da família, e vão o coche fúnebre, e o colocam em cima, e traspassam e apertam as correias, o rodar do coche, o rodar dos carros, um a um ... Isto que parece um simples inventário eram notas que eu havia tomado para um capítulo triste vulgar que não escrevo. (Machado de Assis) Estilo É o estilo que empresta ao texto singularidade lingüística, tornando-o diferenciado. Podemos falar em estilo de época (estilo romântico, realista, barroco), figuras de estilo (metáfora, metonímia, hipérbole) e estilo individual. Cada época tem um estilo: conjunto de características específicas e semelhantes que se refletem na arte, na ciência, na religião, nos costumes em geral. A essa semelhança na maneira de conceber e expressar a realidade chamamos estilo da época. Apesar de um mesmo estilo literário (Romântico, por exemplo) definir várias obras (romances, contos, poesias), o que as diferencia é o manejo das possibilidades lingüísticas, que tornam única a produção de cada autor. O estilo individual traduz os movimentos do pensamentos e do sentimento, através de uma linguagem que faz emergir a individualidade daquele que escreve. O estilo revela a manipulação dos recursos de uma língua como um meio de expressão determinado pela sensibilidade e pela natureza do autor. Estilo é, pois, uma atitude do escritor diante das possibilidades que um código oferece, num processo de seleção vocabular e ordenação das palavras, chegando a arranjos próprios que resultam num modo de escrever, numa estética peculiar. Paulo Mendes Campos, ao apresentar, sob a forma de crônica, as várias interpretações (versões) dadas a um mesmo fato, com humor e irreverência, mostra toda a versatilidade dos recursos da língua, levando o leitor a apreciar soluções estilísticas que traduzem diferentes processos mentais de elaboração do código: Os diferentes estilos Parodiando Raymond Quesneau, que toma um livro inteiro para descrever os modos possíveis um episódio corriqueiro, acontecido em um ônibus de Paris, narra-se aqui, em diversas modalidades de estilo, um fato comum da vida carioca, a saber: o corpo de um homem de quarenta anos presumíveis é encontrado de madrugada pelo vigia de uma construção, à margem da Lagoa Rodrigo de Freitas, não existindo sinais de morte violenta. Estilo interjeitivo – Um cadáver! Encontrado em plena madrugada! Em pleno bairro de Ipanema! Um homem desconhecido! Coitado! Menos de quarenta anos! Um que morreu quando a cidade acordava! Que pena! Estilo colorido – Na hora cor-de-rosa da aurora, à margem da cinzenta Lagoa Rodrigo de Freitas, um vigia de cor preta encontrou o cadáver de um homem branco, cabelos louros, olhos azuis, trajando calça amarela, casaco pardo, sapato marrom, gravata branca com bolinhas azuis. Para este o destino foi negro. Estilo antimunicipalista – Quando mais um dia de sofrimento e desmandos nasceu para esta cidade tão mal governada, nas margens imundas, esburacadas e fétidas da Lagoa Rodrigo de Freitas, e em cujos arredores falta água há vários meses, sem falar nas freqüentes mortandades de peixes já famosas, o vigia de uma construção (já permitiram, por debaixo do pano, a ignominiosa elevação de gabarito em Ipanema) encontrou o cadáver de um desgraçado morador desta cidade sem policiamento. Como não podia deixar de ser, o corpo ficou ali entregue às marcas que pululam naquele perigoso foco de epidemias. Até quando? Estilo então – Então o vigia de uma construção em Ipanema, não tendo sono, saiu então para passeio de madrugada. Encontrou então o cadáver de um homem. Resolveu então procurar um guarda. Então o guarda veio e tomou então as providências necessárias. Aí então eu resolvi te contar isto.

Estilo precionista – No crepúsculo matutino de hoje, quando fugia solitária e longínqua a Estrela-d’Alva, o atalaia de uma construção civil, que perambulava insone pela orla sinuosa e murmurante de uma lagoa serena, deparou com a atra lúrida visão de um ignoto e gélido ser humano, já eternamente sem o hausto que verifica. Estilo Nélson Rodrigues – Usava gravata de bolinhas azuis e morreu! Estilo sem jeito – Eu queria tanto ter o dom de palavra , o gênio de um Rui ou o estro de um Castro Alves, para descrever o que se passou na manhã de hoje. Mas não sei escrever, porque nem todas as pessoas que têm sentimento são capazes de expressar esse sentimento. Mas eu gostaria de deixar, ainda que sem brilho literário, tudo aquilo que senti. Não sei se cabe aqui a palavra sensibilidade. Talvez não caiba. Talvez seja uma tragédia. Não sei escrever mas o leitor poderá perfeitamente imaginar o que foi isso. Triste, muito triste. Ah, se eu soubesse escrever. Estilo feminino – Imagine você, Tutsi, que ontem eu fui ao Sacha’s, legalíssimo, e dormi tarde. Com o Tony. Pois logo hoje, minha filha, que eu estava exausta e tinha hora marcada no cabeleireiro, e estava também querendo dar uma passada na costureira, acho mesmo que vou fazer aquele plissadinho, como o da Teresa, o Roberto resolveu me telefonar quando eu estava no melhor do sono. Mas o que era mesmo que eu queria te contar? Ah, menina, quando eu olhei da janela, vi uma coisa horrível, um homem morto lá na beira da lagoa. Estou tão nervosa! Logo eu que tenho horror de gente morta! Estilo lúdico ou infantil – Na madrugada de hoje por cima, o corpo de um homem por baixo foi encontrado por cima pelo vigia de uma construção por baixo. A vítima por baixo não trazia identificação por cima. Tinha aparentemente por cima a idade de quarenta anos por baixo. Estilo didático – Podemos encarar a morte do desconhecido encontrado morto à margem da Lagoa em três aspectos:a) policial;b) humano;c) teológico. Policial: o homem em sociedade; humano: o homem em si mesmo; teológico: o homem em Deus. Policia e homem: fenômeno; alma e Deus: epifenômeno. Muito simples, como os senhores vêem. (Paulo Mendes Campos) Narração e versão Ao narrar, podemos contar o que presenciamos, o que outras pessoas nos contam ou que imaginamos. Presenciando fatos ou ouvindo-os de terceiros, acabamos por dar uma interpretação dos acontecimentos, pois imprimimos à história nossa versão sobre ela. Às vezes, é mais importante a versão do que propriamente o fato. Na leitura do conto “Dom José não era”, de Murilo Rubião, aparecia as várias versões dadas a um mesmo fato. Dom José não era Uma explosão violenta sacudiu a cidade. Surgiram-se outras – menores e maiores. Desnorteado, o povo corria de um lado para outro. Alguém que se conversara calmo no meio de tanta desordem, gritou: Não é o fim do mundo! Eliminada a pior hipótese, surgiram novas conjeturas: Para um bombardeio, falavam os aviões. Exercícios de artilharia? Muito provável, apoiaram alguns, apressados em explicar o mistério. E os canhões? – indagaram os mais lúcidos. Houve quem falasse de uma invasão misteriosa, para em seguida concordarem todos: D. José estava matando a esposa a dinamite. Os populares hesitaram em aproximar-se do prédio. Após curto silêncio, vários estampidos foram ouvidos. Um vagabundo, que ainda não se emocionara com os acontecimentos, comentou: Será que a dinamite foi insuficiente e ele recorreu ao revólver? Tornaram-se pálidos os rostos e, ansiosos, aguardaram o final do drama. – Tragédia? Não. D.José estava experimentando fogos de artifício. Ninguém quis confessar o desapontamento nem o gasto inútil de imaginação que, naquela meia hora de terror, fora exagerado nos espectadores. Não a matou desta vez, mas ela não escapará de outra. Seu ódio por D. Sofia é incontrolável. – D. José odiava alguém? Calúnia! Amava a mulher, os pássaros e as árvores. Ela, sim; detestava-o, irritava-se com os animais. Infelicidade conjugal? Nunca! Os esposos combinavam admiravelmente bem. Mas, entre os habitantes do lugar, não havia quem acreditasse nisso: Ela finge amá-lo somente pelo seu dinheiro Estúpidos! D. José era o homem mais podre da cidade tinha uma úlcera no estômago.

– À mais leve contestação, contrapunham-se novas acusações: Falso! D. José perdera os filhos (cinco), vítimas da tuberculose. Agora recorda-se deles manipulando um aparelho que imitava o pranto infantil. E comovia muito mais que qualquer choro de criança. – D. José falava sempre de um livro que estava escrevendo. Um livro sobre duendes. Era um fabulista? Não. Os duendes habitavam a sua própria casa, ao alcance de seus olhos. Seria a mulher um deles? – Um dia encontrara-no enforcado. Disseram imediatamente: É só fingimento. O nó está pouco apertado. Vejam que cara matreira! Está zombando de nós. Infâmia! D. José suicidara-se mesmo. Por quê? Todo o mundo fingiu não saber. – Aos que lhe tomaram a defesa, anos após a sua morte perguntavam: Afinal, o que fazia esse D. José? Se não fumava, não bebia, não tinha amantes? Amava o povo. E o povo? Observando-o com ferocidade. – Mais tarde erigiram-lhe uma estátua. Com um dístico: “D. José, nobre espanhol e benfeitor da cidade”. Derradeira mentira. D,. José era um pobre diabo e não possuía nenhum título de nobreza. Chamava-se Danilo José Rodrigues. (Murilo Rubião) A criatividade na narração Não há ordem convencional que regule a articulação entre personagens, ação, tempo e espaço> O percurso narrativo pode desenvolver-se a partir de um diálogo, de uma descrição, de um acontecimento crucial ou marcante, uma digressão temporal, um perfil de personagem etc. As técnicas narrativas variam de autor para autor. São as variantes de estilo que conferem à obra um traço especial na produção da trama ou enredo, onde se pode instaurar a realidade, imitar o real com arranjos ficcionais ou trazer ao leitor o universo imaginário que ao escritor é dado ultrapassar. Assim na narrativa, todos os procedimentos ganham dimensão estética e todos os acontecimentos, por mais fantásticos ou improváveis, ganham a receptividade do leitor, quando o contexto legitima se conteúdo. Aprecie, ma seqüência, a variedade de procedimentos que o painel de textos selecionados oferece como amostra de narrações criativas. As narrativas oswaldianas Órfão O céu jogava tinas de água sobre o noturno que me devolvia a São Paulo. O comboio brecou lento para as ruas molhadas, furou a gare suntuosa e me jogou nos óculos mineiros de um grupo negro. Sentaram-me num automóvel de pêsames. Longo soluço empurrou o corredor conhecido contra o peito de tia Gabriela no ritmo de luto que vestia a casa. (Oswald De Andrade) Essa narrativa é marcada por uma linguagem que ensina a morte, sem alusões diretas. O luto transfere-se da personagem para os objetos que a cercam. A cor preta é várias vezes sugerida (“noturno”, “grupo negro”, “automóvel de pêsames”, “ritmo de luto”), o que reforça a impressão pesada que envolve a morte e a orfandade. Sob essa preferência sintagmática transparece a profundidade semântica: no 1º parágrafo, o impacto que o canário exerce sobre o órfão impressionável; no 2º parágrafo de morosidade que acompanha a chegada do comboio; no 3º parágrafo, a inércia da personagem que se deixa sentar por ação alheia; no último parágrafo, o lento e doloroso ritmo do luto que se instaura no ambiente doméstico. O título encaminha o significado da leitura, sem que haja no texto qualquer menção à orfandade. Natal Minha sogra ficou avó. (Oswald de Andrade) A história é contada numa única frase, de maneira telegráfica, sem qualquer índice temporal ou espacial. O signo sogra traz em seu significado projeções culturais que estigmatizaram esse grau de parentesco, investindo-o de conotações negativas – é uma mulher intrometida, possessiva, daí a expressão “casa da sogra”. O signo avó, entretanto, preenche um significado mais terno (geralmente é ela quem adula e mima os netos). Contraponham- se os conteúdos desses signos (avó e sogra), adicionam-se os desdobramentos subjacentes à história ( sua mulher engravidou, deu à e o narrador tornou-se pai e ter-se-á o poder de síntese do autor, cujo estilo fez dele figura de vanguarda do movimento modernista.

Há ainda a relação do título (“Natal”) com o texto: desprende-se que o nascimento da criança foi tão significativo quanto a data magna do Cristianismo. Primeiro contato de Serafim e a malícia A–e–i–o–u Ba – Be – Bi – Bo – Bu Ca – Ce – Ci – Co – Cu (Oswald de Andrade) Repare como o autor, combinando vogais e consoantes, na seqüência em que se dá primeiro contato com a alfabetização, faz supor ap leitor que a personagem Serafim, soletrando as primeiras letras, deteve-se na palavra que se vulgarizou como impropério. É título que indica a leitura maliciosa, acentuando o caráter maroto que a personagem dá aos exercícios de aprendizagem. A extrapolação do real Tema para um tapete O general tem só oitenta homens, e o inimigo, cinco mil. Na sua tenda, o general blasfema e chora. Então, escreve um problema inspirado que pombas mensageiras derramam sobre o acampamento inimigo... Duzentos infantes passam para o lado do general. Segue uma luta que o general ganha facilmente, e os dois regimentos inteiros passam para o seu lado. Três dias depois. O inimigo tem só oitenta homens e o general tem cinco mol. Então o general escreve outro proclama, e setenta e nove homens passam para o seu bando. Resta apenas um inimigo, acuado pelo exército do general que espera em silêncio. Transcorre a noite e o inimigo não passa para o lado do general. O general blasfema e chora na sua tenda. Ao amanhecer, o inimigo desembainha lentamente a espada e avança até a tenda do general. Entra e aponta para ele. O exército do general se dissolve. Sai o sol. (Júlio Cortazar) Trata-se de uma narrativa de enredo incomum que parte de uma situação comum – a guerra -, extrapolando o real e lançando o leitor no heterogêneo universo do ficcional e do improvável. Protagonista e antagonista (general X inimigo) dispõem de armas diferentes: o primeiro usa a palavras (“proclama inspirado”) e outro, a espada, a força bruta que, por fim, sai vitoriosa. Como se mesclasse a parábola e a alegoria, o texto configura as relações de conquista e poder, através da imagem hiperbólica extraída das estratégias bélicas.

O fantástico O homem que entrou no cano Abriu a torneira e entrou pelo cano. Depois se acostumou. E, com a água, foi seguindo. Andou quilômetros. Aqui e ali ouvia barulhos familiares. Vez ou outra, um desvio, era uma secção que terminava em torneira. Vários dias foi rolando, até que tudo se tornou monótono. O cano por dentro não era interessante. No primeiro desvio, entrou. Vozes de mulher. Uma criança brincava.Ficou na torneira, à espera que abrissem. Então percebeu que as engrenagens giravam e caiu numa pia. À sua volta era um branco intenso, uma água límpida. E a cara da menina aparecia redonda e grande, olha-lo interessada. Ela gritou: “Mamãe, tem um homem dentro da pia”. Não obteve resposta. Esperou, tudo quieto. A menina se cansou, abriu o tampão e ele desceu pelo esgoto. (Ignácio de Loyola Brandão) O inovador nessa narrativa é seu teor fantástico, resultante de um acontecimento irreal num cenário real. A linguagem é segmentada em períodos curtos, marcando o percurso monótono que leva a personagem a uma pia e daí – por uma omissão de resposta – ao esgoto. O desfecho pressupõe, aos olhos do leitor, conseqüências nefastas que justificam a ambivalência do título: entrar pelo cano no enredo fantástico da narrativas ou, segundo o clichê popular, dar-se mal numa empreitada.

Um tipo As Marias

Maria, filha de Maria, a filha, tem trinta e um desgostos. Lava a roupa. Lava a louça, varre que varre, e patroa – Jesus Maria José – a patroa ralhando. Aos sete anos, foi esquina. Mulher cheia de filhos, não podia com mais um: deu a pobre da Maria. Sempre em casa estranha, dormindo em cama-de-vento, comendo em pé ao lado do fogão. Trabalhadeira, era de confiança e não tinha boca para pedir Pálida, vivia debaixo de chá de ervas. Sonhando, rilhava os dentes, com as bichas alvoroçadas. Maria, aí dela, nunca soube qual de uma pêra-d’água! O guarda-comida trancado a chave, ela roía com fome um naco de rapadura, escondida sob o travesseiro. Lenço amarrado na bochecha, usava cera milagrosa para dor de dente – até que perdia o dente. Vagarosa por culpa de unha encravada. De lidar na potassa, partiam-se os dedos e sofria de panarício. Nunca se despedia, era despachada pela patroa, aborrecida de suas aflições e sua cara de pamonha. Ao rolar de uma para outra casa, engordava com os anos, gemia de dor nas cadeiras e enleava-se no serviço. Sua alegria era lavar o cueiro do bebê Ah, mas beijar a criancinha... - Está proibida, ouviu, Maria? Criada não conhece o seu lugar, podia ter alguma doença. Menina séria, não ia ao baile com as outras. No carão anêmico esfregava papel de seda escarlate molhado na língua e, mal surgia à janela, a espiar um soldadinho verde, a patroa ralhava. - Maria, já escolheu o arroz? - Maria, já passou a roupa? - Já encerrou a casa, ó Maria? Areada a chapa do fogão, guardava a louça, varrida a cozinha, chegava-se medrosa à porta. O soldado rondava, parava, batia continência. Tinha pressa como soldado era de guerra: queria pegar na mão e cobrir de beijos. - Deus me livre, podia ter alguma doença! Maria faz o sinal-da-cruz: a boca só o marido é que iria beijar. Onde estão os praças de cavalaria, o tinir da esporas na calçada? Trinta e um anos de Maria! Até proibida de passear com a Marta. - Pois vá chorar no quarto – ordena-lhe a patroa – Não suporto cena de gentinha! Essa Maria, um objeto de casa, o capacho da porta, a vassoura no prego. Maria não vai ao cinco, o palhaço é tão gozado. Maria não vai ao Passeio Público ver o macaquinho comer banana. Maria não vai ao cineminha na sexta-feira assistir a Vida, Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Maria, a filha de Maria, destraída no domingo com a Marta, viu seu coração rolar do peito e, prato lhe escapou dos dedos gordurosos (a patroa vai ralhar?). partir-se em sete pedaços de sangue pelo chão. Era um cabo? Maria nunca soube de que ama. Falava lindo e tão difícil, puxando no xis – vixto, mocinha? – que ela, a saltirar ora numa perna ora noutra, esganada roia as unhas. - Tem gente, cabo. Você me respeite, ô cabo! Ele a levou ao circo e Maria entrou soberba como uma patroa entre a gentinha que fazia cena: no pescoço a velha pele de coelho mordendo a cauda. A charanga, o peludo de cara pintada, o cabo das grandes botas de general. Um palhaço xinga o outro de “Gigolô!” o circo vem debaixo de tanta gargalhada. Maria sorri, o cabo lhe tira sangue do peito. - Ocê me deixa louco, Maria. Sob o espanto do barbeiro, anunciando “Óia a bala oi...”, ela beijou a mão do cabo. Em nove meses Maria, filha de Maria, vai ser mãe de Maria. (Dalton Trevisan)

A personagem Maria incorpora, na popularidade de seu nome e na ausência das domésticas errantes, doentes, esfaimadas, sonhadoras. Maria resume um tipo que reitera modelos previsíveis de comportamento; é o retrato das mazelas de uma doméstica. Na linguagem cortante de Dalton Trevisan, pode-se divisar a crítica à subalternidade das domésticas, à sua condição subumana de vida e à opressão das patroas (“Essa Maria, um objeto de casa, capacho da porta, a vassoura no prego”). Na “mitologia” daltoniana, Maria é a donzela casadoura, é a personagem que se perde como a mãe e a avó, daí a insistente genealogia tipificadora “Maria, filha de Maria, a filha de Maria”. A concisão e a repetição seqüenciada reproduzem a motoneta das ladainhas – uma analogia ao marasmo dos serviços caseiros (“Maria não vai ao circo”; “Maria n~]ao vai ao Passeio Público”, “Maria não vai ao cineminha”) e à beatitude das filhas de Maria. A idealização de um soldado leva à aspiração matrimonial de uma donzela tardia (“Onde estão os praças de cavalaria, o tinir das esporas na calçada? Trinta e um anos de Maria!”). O assédio do “cabo” e a ingenuidade de Maria compõem o clímax da narrativa. Na conclusão, o continuísmo da tragédia irônica: “Em nove meses, Maria, filha de Maria, vai ser mãe de Maria”.

O humor na linguagem Um quarteirão de peruca para Clodovil Pereira Entrou numa casa especializada e pediu uma peruca: - Coisa moderna, de fazer vista. O especialista, com jeito técnico, aconselhou: - Para o cavalheiro, se permite a sugestão, o melhor é uma peça discreta, tipo Napoleão Bonaparte. - O aprendiz de calvo, que era exagerado, repeliu o conselho. E enérgico: - - Não serve! Quero peça ostentosa, de Cristóvão Colombo para cima. Negócio de devastar corações na primeira perucada. - O especialista arrumou para Clodovil um quarteirão de peruca. - Trabalho tão sortido de ondas que Pereira pensou em colocar, no alto da cabeça, um farol de aviso aos navegantes. E no espelho, de peruca em cima: - - É uma peça! Mata a pau qualquer coração. - E assim, cabeludão, modernão, transitou sua belezura para Alfenas, onde devia cativar os interesses de moça bem apanhada de cara e de dinheiro. Só em moeda corrente do pa´si sua beleza pulava na frente de dois bilhões. Estava tudo encaminhado por um primo dela, o encalacrado Barbirato Carvalhais., que participava dos entendimentos na força de dez por cento. E no balancinho do trem, que levava Pereira para sua mina de Alfenas, em presença do espelho do lavatório, Clodovil mais uma vez espalhou elogios em louvor das marolas da peruca: - - É demais! Um cabelo assim nem vai caber em Alfenas. Vão pedir outra cidade de reforço. - Chegou, ficou um par de dias na casa da prima de Barbirato, valsou com ela na sala de visitas, pisou luar em sua companhia, encaixou dois poréns no ouvido da menina e voltou, no trem das sete, para seu negócio de representante a domicílio no Laboratório Almeida Guedes. E já pensava, de dentes acesos, na alta corretagem que Barbirato ia abocanhar (“Mais de cem mil dinheiro contado! Ladrão!”), quando recebeu do dito Barbirato o seguinte telegrama: “Casamento foi pelo barranco. Prima apreciou educação, teu pé de valsa, mas achou cabelo demais. A prima é louca por careca.” (José Cândido de Carvalho) Narração bem-humorada cuja linguagem compõe o mundo mental do protagonista Clodovil Pereira, candidato a dar o famoso “golpe do baú”, frustração exatamente pelas “marolas da peruca” que tanto fez questão de comprar. Observe a inventividade de José Cândido de Carvalho, compondo o inovador universo lingüístico da narrativa: “farol de aviso aos navegantes” ( = peruca), “pisou luar”, “encaixou dois poréns” “ dentes acesos”. Sua linguagem incorpora o gosto brasileiro pelo aumentativo e pelo diminutivo (“cabeludão”, “modernão”, “balancinho”) com a mesma naturalidade com que dá novos contornos ao oportunismo da malandragem. O desfecho, momento fundamental, é tão inesperado quanto cômico. O Cotidiano burlesco Era covardia Tem sogra at[e boazinha, que faz o chamado biombo conjugal, isto é, fica aparando os golpes da gente para que a filha não se chateie, não aparece pro jantar e a sogra, morando na afiliação da filha, inventa enredo para que ela não dê bronca, aventando hipóteses tais como plantão no escritório, pneu do carro furado de condução e outras desculpas próprias para amenizar a raiva da esposa que vê afrouxar o chamado laço conjugal. Exemplo admirável de sogra camarada foi Tia Zulmira, quando vivia com sua filha única, a Prima Yayá, ora residente em São Paulo e agora mais solteira que o Belo Antônio, de Brancati. Uma vez Prima Yayá achou um lenço do marido sujo de batom e, quando ia dar a bronca regulamentar, Zulmira – com a dignidade que impõe seu porte altivo – explicou que o batom era dela, que pedira emprestado o lenço do genro, para tirar a pintura. A prima Yayá sabia que Tia Zulmira nunca usou batom, mas compreendeu depressa o sacrifício da velha, mentindo para evitar uma situação pior, e acomodou a coisa, tal como fez o Congresso, ao voltar o regime esse que andava aí. Já Primo Altamirando, que ontem, na 43ª Vara de Família, conseguiu anular se décimo-primeiro casamento, nunca se deu bem com sogras, por motivos óbvios. Esta última, então – da qual vem de se livrar protegido pela justiça dos homens -, era de lascar. Até potassa a jararaca botou no açougueiro, pra ver se envenenava Marinho. Ontem lá estivemos, frente ao juiz, servindo de testemunha no processo de anulação do casamento. Jandira, a que suou a camisa nº 11 no time de Primo Altamirando, estava triste, pois adorava o marido (consta que Mirinho tem truques pra mulher que até Deus duvida). Mas a sogra estava mais furiosa que a torcida do Madureira. E tudo porque a separação foi proposta justamente depois do dia em que ela saiu no tapa com o padeiro e Marinho assistiu a sogra apanhar uma surra bizantina, impávido e – por que não dizer – um tanto ou quanto eufórico. Aliás, o juiz resolveu anular o casamento, por causa desse episódio, revoltado com o cinismo de nosso nefando parente: - O senhor viu sua sogra levar uma sura do padeiro e não ajudou? – quis saber o magistrado. - Não, excelência – respondeu Mirinho. - E por que não ajudou? – estranhou o juiz.

- Porque não ficava bem, dois homens batendo numa velha só. (Stanislaw Ponte Preta) Stanislaw Ponte Preta é um mestre das narrativas bem-humoradas que reproduzem o burlesco familiar. Nota-se que o texto é trabalhado em linguagem despojada, coloquial, com referências diretas ao cotidiano carioca e ao futebol, elementos freqüentes nas imagens do autor. Partindo de uma apresentação estereotipada (“Tem até sogra boazinha”), o autor reforça uma imagem que o vulgo pejorativamente conserva, particularizando-a na sogra de Primo Altamirando, para, inesperadamente, desfechar a narrativa com picardia e graça. Só diálogos O clube dos Suicidas A senhora – o que foi que tomou, mesmo? Comprimidos. Não sabe que comprimidos? Gardenal. Muitos? Cuidado, não pise no fio do microfone. Dez comprimidos. É o que foi que sentiu? Uma gostosa! Vejam só, uma tontura gostosa! Não é notável? Uma tontura gostosa. E foi por causa de quem? Olha o fio. Do marido. O marido bebia. Batia também? Batia. Voltava bêbado e batia. Quebrava toda a louça. Agora prometeu se regenerar. E ela não vai mais tomar Gardenal. Palmas. Olha o fio. Fica lá, à esquerda. Ali, junto com as outras. Depois recebe o brinde. Aproveito este breve intervalo para anunciar que a moça loira da semana passada – lembram, aquela que tomou pó de rato? Morreu ontem. A família veio aqui me avisar. Foi uma dura lição, infelizmente ela não poderá aproveitar. Outros o farão. E a senhora? Ah, não foi a senhora, foi a menina. Que idade tem ela? Dez. Tomou querosene? Por que a senhora bateu nela? A senhora não bate mais, ouviu? E tu não toma mais querosene, menina. A propósito, que tal o gosto? Ruim Não tomou com guaraná? Ontem esteve aqui uma que tomou com guaraná. Diz que melhorou o gosto. Não sei, nunca provei. De qualquer modo, bem-vinda ao nosso Clube. Fica ali, junto as outras. Cuidado com o fio. Olha um homem! Homem é raro aqui. O que foi que houve? A mulher lhe deixou? Miserável. Ah, não foi a mulher. Perdeu o emprego. Também não é isto. Fala mais alto! Está desenganado. É câncer? Não sabe o que é. Quem foi que desenganou? Os doutores às vezes se enganam. Fica ali à esquerda e aguarde o brinde. E esta moça? Fui Flit? Tu pensas que é barata, minha filha? Vai ali para a esquerda. Olha o fio, olha o fio. E esta senhora, tão velhinha – já me disseram que a senhora quis se enforcar. É verdade? Com o fio do ferro elétrico, quem diria! E dá? Dá? Mostra para nós como é que foi. Pode usar o fio do microfone. (Moacir Scliar) O autor subverte o discurso direto, já que somene o entrevisador se manifesta. O leitor supõe a existência dos interlocutores unicamene através da fala do narrador, que retoma, até com certa insistência, a provável resposta dos entrevistados: O marido bebia. Batia também? Batia. Voltava bêbado e bati. Observe-se ainda que o autor interpõe, durante a narrativa, impressões que levam ao leitor elementos íntimos do cenário e da situação em que se encaixam as entrevistas: Cuidado, não pise no io do microfone. Olha o fio; Fica lá, à esquerda. Ali, junto com as outras. Esse é um exemplo de narrativa montada com o uso exclusivo de diálogos. As frases curtas e coordenadas parecem reproduzir a perfomance de um apresentador de programas de auditório em que um assunto como o suicídio é exposto publicamente. O microfone evidencia o número grande de pessoas que participam do Clube, tomando conhecimento das experiência alheias.

Uma questão de semântica Desliturgias Entrei para o seminário com 12 anos, me ordenei padre com 24, anos 30 dei baixa. De modo que fui, boa parte da vida, um profissional de rituais de passagem, do batizado à extrema-unção. Então, não gostaria de falar do rituais mais clássicos. Gostaria de falar de certas liturgias pessoais, únicas. De bobos momentos em que uma pequena, pobre coisa se deu, marcante para sempre. Meu primeiro nome feio. Uma vez, no seminário, um colega quase foi expulso porque sugeriu, no piano, a possibilidade de um nome feio. No caso, muito feio mesmo. É que numa tarde de domingo de chuva ele tocou os primeiros acordes de um tango cuja letra, a certa altura, continha, segundo um dedo-duro presente, a palavra lupanar. Um nome muito feio mesmo. O padre-diretor ordenou uma pesquisa da letra do tango; o tal lupanar de fato pintava e o menino quase foi expulso. Eu, que estava perto, fui chamado para depor e tergiversei ao máximo. Eu já achava nome feio uma coisa muito bonita. Tudo por causa do meu primeiro nome feio. Ele se deu nos campos as minha infância, numa chacrinha perdida entre lavras e Bagé, em pleno pampa gaúcho. Na frente da casa, embaixo de um cinamomo, mateavam alguns tosquiadores de ovelha quando lá no alto da coxilha despontou um homem a cavalo. Um pontinho que veio crescendo, crescendo e chegou. Era um gauchito desempenado, barba meio crescida, dentes muito brancos. Eu nunca tinha visto o mar, mas me pareceu, menino, que aquele homem vinha do mar. Antes mesmo de apesar, deu um toque no aba-larga, riu largo e esporeou: - Buenas tardes, fiadasputa. Eu achei aquela saudação tão leal, tão limpa e tão terna, que nunca mais pude achar feio um nome feio. A não ser lupanar, cartório,inadimplência, essas coisas. (Carlos Moraes)

O narrador vai buscar num episódio de infância as impressões ingênuas que, na idade adulta, o levariam a representar as convenções lingüísticas em suas raízes moralizantes. A narrativa combina temporalidade (a retrospectiva da memória), descritivismo (a caracterização do pampa e do gauchito) e reflexão (os comentários subjetivos do narrador). Em suas reflexões quase confessionais o narrador declara-se, por força de uma formação seminarista, um “profissional de rituais de passagem”. Mas é nas “liturgias pessoais” que ele detém, cotejando lembranças de situações díspares (no seminário e nos campos). Sua visão analítica expande-se além da semântica para criticar convenções e moralismos. Na simplicidade internacionalmente infantil de sua linguagem, percebe-se o espírito mordaz que extrai da aproximação dos dois episódios uma crítica aos desmandos da educação eclesiástica: a censura à palavra “lupanar” numa composição musical nega um fato lingüístico – a liberdade do falante em fazer uso do vernáculo. Na trajetória de suas impressões, um “nome feio” como “fiasdaputa” é destituído de pejoratividade, pois surge com a espontaneidade da linguagem oral, num contexto que neutraliza seu caráter ofensivo. Para o narrador, “fiasdaputa” interpreta-se semanticamente como uma saudação “leal”, “cristã”, “limpa” e “eterna”, numa retomada dos conceitos valorativos da educação religiosa que recebeu. Já as palavras “lupanar”, “cartório”, “inadimplência”, que traduzem a institucionalização, as convenções e os códigos, são considerados impropérios devido aos significados que a sociedade lhes imprimiu.

As virtualidades da linguagem Nós, os temulentos Como que, casual, por ele perpassou um padre conhecido, que retirou do breviário os óculos, para a ele dizer: - Bêbado, outra vez... – em um pito de pastor a ovelha. – É? Eu também... – O Chico respondeu, com báquicos, o melhor soluço e sorriso. E, como a vida é também alguma repetição, dali a pouco de novo o apostrofaram: - Bêbado outra vez? E: - Não senhor... – o Chico retrucou - ...ainda é a mesma. E, mais três passos, pernibambo, tapava o caminho a uma senhora, de paupérrimas feições, que em ira o mirou, com trinta espetos. – Feia! – O Chico disse; fora-se-lhe a galanteira. – E você, seu bêbado!? – megerizou a cuja. E, aí, o Chico: - Ah, mas...Eu?...Eu, amanhã, estou bem... ............................................................................................................................................. E não menos deteve-o um polícia: - Você está bebaço borracho! – Estou não estou... – Então, ande reto nesta linha do chão. – Em qual das duas? E foi de ziguezague, veio de ziguezague. Viram-no, à entrada de um edifício, todo curvabundo, tentabumdo. – Como é que o senhor quer abrir a porta com um charuto? – É...Então, acho que fumei a chave... E, hora depois, peru-de-fim-de-ano, pairava ali, chave no ar, na mão, constando-se de tranqüilo terremoto: - Eu? Estou esperando a vez da minha casa passar, para poder abrir... Meteram-no a dentro. (Guimarães Rosa) A situação humorística e a inventividade lingüística cruzan-se num efeito estático único, que só a linguagem de Guimarães Rosa alcança. A intercalação das ações com os diálogos resulta em grande expressividade: “Feia! – O Chico disse; fora-se-lhe a galanteria. E você, seu bêbado!? – megerizou a cuja”. Os neologismos em Guimarães Rosa são marcas discursivas que põem em relevo as possibilidades da língua como um inventário aberto de produtividade: “permibanbo”, “megerizou a cuja”, “zaguezigue”, curvabundo”, “tentabundo”.

O senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem termo real. Eu estendi as mãos para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mãos para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura...E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo: - Meu amor!... Foi assim. Eu tinha me debruçado na janela, para poder não presenciar o mundo. (Guimarães Rosa) Nesse trecho de Grande Sertão: Veredas, temos um fragmento da capacidade criadora de Guimarães Rosa, voltada para as forças virtuais da linguagem, na qual se fundem a lírica e a narrativa. Entre elipses, deslocamentos sináticos e inovações estilísticas, Guimarães Rosa reproduz a fala do sertanejo com grande expressão poética “Cabelos que, no só ser, haviam de dar para baixo da cintura...”). A estática do vago

A vaguidão específica As mulheres têm uma maneira de falar que chamo de vago-específica. Richard Gelman

- Maria, ponha isso lá fora em qualquer parte. - Junto com as outras? - Não ponha junto com as outras, não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas. Ponha no lugar do outro dia. - Sim senhora. Olha, o homem está aí. - Aquele de quando choveu? - Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo. - Que é que você disse a ele? - Eu disse pra ele continuar. - Ele já começou? - Acho que já. Eu disse que podia principiar por onde quisesse. - É bom? - Mais ou menos. O outro parece mais capaz. - Você trouxe tudo pra cima? - Não senhora, só trouxe as coisas. O resto não trouxe porque a senhora recomendou para deixar até a véspera. - Mas traga, traga. Na ocasião, nós descemos tudo de novo. É melhor, se não atravanca a entrada e ele reclama como na outra noite. - Está bem, vou ver como. (Millôr Fernandes)

Millôr Fernandes é exemplar quando se trata de produzir textos criativos, rompendo estruturas convencionais, inovando na linguagem e nas situações inusitadas. O texto “A Vaguidão Específica” é uma seqüência de diálogos vagos para o leitor (“Não ponha junto com as outras não. Senão pode vir alguém”), pois não aparece determinada a situação em que eles ocorrem. Percebe-se o espaço doméstico através da suposta relação entre patroa e empregada. A linguagem coloquial apresenta traços da oralidade cotidiana fática e descuidada, na presença do anacoluto (“Aquele de quando choveu?”) e da sintaxe truncada pelo uso incorreto de pronomes e conectivos (“Ponha no lugar do outro dia”; “Não, o que a senhora foi lá e falou com ele no domingo”). Não há precisão informativa no que se refere à seqüência de ações, à relação entre as personagens e aos objetos dos quais se fala (“Não ponha junto com as outras não. Senão pode vir alguém e querer fazer qualquer coisa com elas.”; “Olha, o homem está aí”). Os diálogos e até mesmo as noções espaciais (“lá fora”, “pra cima”,”aí”,”a entrada”) caracterizam o texto como narrativo; entretanto, a estrutura cronológica – começo, meio e fim – é identificada; há também fragmentos temporais imprecisos: “do outro dia”, “no domingo”,”a véspera”,”na ocasião”,”na outra noite”. É um texto que poderíamos qualificar como “sem pé nem cabeça”.

O Latinorum no gymnasyum Rosa, rosa, rosae Rosa, Rosa, Rosae, na aula de latinorum do Prof. José Evangelistorum, só as moscas voorum, nimguém piorum. Rosae, Rosa, Rosam por qualquer coisorum o Prf. José Evangelista relampeorum, trovejorum. A todos castigabus, gritava Violeta, Violeta, Violetorum escrever mil vezes vezorum nunca mais hei de mascar chicles, chicletes, chicletorum na aula de latinorum. Paulo Paulis Paulu ficabus de joelho lá na frente frentorum e se outra vez eu te pegorum, dominus, domine, dimini, o Prof. José Evangelistorum a mesa, esmurrorum na aula, aula, aulae de latinorum, como Joe Louisorum, a mesa, mesae nocauterorum. Calca, calça, calçae, quase pega fragorum, cruz crudibus na lapela, o Prof. José Evangelista 12 anos passorum na soli, solidão, solidorum do seminário. Nunca ridibus, sempre serius e de meia preta, o colarinho da camisa encardido encardidae, as pontas viradas, nos olhos duas olheiras cor de uma sexta-feira da Paixãozorum. Só de entrar na sala, lá vem El Tigre Tigrorum, todos tremorum, aos alunos fuzilorum com seu olhar de lobisomem lobisomorum e todos tremiam peronia século seculorum. (Roberto Drummond) Satirizando a austeridade das aulas de latim, a narrativa ridiculariza o clássico exemplo rosa, rosae, modelo segundo o qual todos os substantivos se flexionam na primeira declinação. A sonora verbosidade do latim percorre todo o texto, onde o humor e a criatividade sobressaem ao fato narrado (os rigores do professor durante uma aula), que, em sua essência, é prosaico. Adulterando as declinações, flexões e o caráter das palavras, o narrador descamba para o deboche ao reproduzir uma aula de latim em que o

professor é reduzido à condição de caricatura, nos maneirismos (“por qualquer coisorum (...) relampeorum”, “a todos castigabus”, “nunca ridibus, sempre serius” etc) e no aspecto físico (“de meia preta, o colarinho da camisa encardido, encardidae, as pontas viradas, nos olhos duas olheiras cor de uma sexta-feira da Paixãozorum”). A alusão à formação seminarista acentua o estereótipo do professor de latim (“12 anos passorum na soli, solidão, solidorum”) e, no trânsito irreverente das palavras, ele é ao mesmo tempo Evangelista e Evangelistorum. A conclusão do texto remete aos textos medievais de cunho eclesiástico (“peronia século seculorum”), nos quais era recorrente a imagem da permanência divina ao longo dos séculos. Assim, a narrativa recupera a temática arcaica de uma aula de latim no ginásio (realidade anterior à Reforma Capanema, década de 50), para inovar na recriação da linguagem e criticar a a aprendizagem falha decorrente da postura autoritária do “mestre”.

Transgredindo as regras do jogo narrativo Snooker Certa vez eu jogava uma partida de sinuca e só havia a bola sete na mesa. De modo que mastiguei-a lentamente saboreando-lhe os bocados com prazer. Refiro-me à refeição que havia pedido ao garçon. Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola. Em seguida saí montando nela e a égua de que estou falando agora, chegou calmamente à fazenda de minha mãe. Fui encontra-la morta na mesa, meu irmão comia-lhe uma perna com prazer e ofereceu-me um pedaço: “obrigado”, disse eu “já comi galinha no almoço”. Logo em seguida chegou minha mulher e deu-me na cara. Um beijo, digo. Ao mesmo tempo eu dei-lhe um pontapé e a cachorrinha latindo. Então apertei-a contra mim e dei-lhe um beijo na boca. De minha mulher, digo. Dei-lhe um abraço. Fazia calor. Daí a pouco minha camisa estava inteiramente molhada. Refiro-me à que estava na corda secando quando começou a chover. Minha sogra apareceu para apanhar a camisa. Não tive outro remédio senão esmaga-la com o pé. Estou falando da barata que ia trepando na cadeira. Malaquias, meu primo, vivia com uma velha de oitenta anos. A velha era sua avó, esclareço. Malaquias tinha dezoito filhos mas nunca se casou. Isto é, nunca se casou com uma mulher que durasse mais de um ano. Agora, sentado à nossa frente, Malaquias fura o coração com uma faca. Depois corta as pernas e o sangue vermelho do corpo enche a bacia. Nos bons tempos passeávamos juntos. Eu tinha um carro. Malquias tinha uma namorada. Um dia rolou a ribanceira. Me refiro a Malaquias. Entrou pela pretoria a dentro arrebentando a porta e parou resgolegante junto do juiz pálido do susto. Me refiro ao carro. Depois então saiu da pretoria com a noiva já na direção. Me refiro ao caro. E a Malaquias. (Millôr Fernandes) Uma sucessão de ações desconexas cruzam-se como num jogo de snooker: assim como a bola sete vai de encontro às demais, que se chocam entre si, num confuso vaivém, a narrativa de Millôr Fernandes reproduz, com episódio fragmentados e descontínuos (“ Dei-lhe duas tacadas na cara. Estou me referindo à bola”), a profusão de movimentos de uma mesa de bilhar. É um procedimento lúdico em que o narrador, como que incorporada à bola sete, elabora combinatórias inesperadas. A ausência de enredo criativamente transgride as relações de causa e conseqüência, pois em lugar de uma inter-relação entre as personagens, temos episódios distintos, sem nexo causal, desencadeados como numa partida de sinuca. A conclusão inexiste: não poderia haver desfecho, já que não há trama. O texto detém-se repentinamente, tal como as bolas se paralisam após os choques que se sucedem à primeira tacada. Era uma vez... Era uma vez um homem que estava pescando, Maria. Até que apanhou um peixinho! Mas o peixinho era tão pequenininho e inocente, e tinha um azulado tão indescritível nas escamas, que o homem ficou com pena. E retirou cuidadosamente o anzol e pincelou com iodo a garganta do coitadinho. Depois guardou-o no bolso traseiro das calças, para que o animalzinho sarasse no quente. E desde então ficaram inesperáveis. Aonde o homem ia, o peixinho o acompanhava, a trote, que nem um cachorrinho. Pelos elevadores. Pelos cafés. Como era tocante vê-los no “17”! – o homem, grave, de preto, uma das mãos segurando a xícara de fumegante, com a outra lendo o jornal, com a outra fumando, com a outra cuidando o peixinho, enquanto este, silencioso e levemente melancólico, tomava laranjada por um canudinho especial... Ora, um dia o homem e o peixinho passeavam à margem do rio onde o segundo dos dois fora pescado. E eis que os olhos do primeiro se encheram de lágrimas. E disse o homem ao peixinho: “Não, não assiste o direito de te guardar comigo. Por que roubar-te por mais tempo o carinho do teu pai, da tua mãe, dos teus irmãozinhos, da tua tia solteira? Não, não! Volta para o seio de tua família. E viva eu cá na terra sempre triste!...” Dito isto, verteu copioso pranto e, desviando o rosto, atirou o peixinho n’água. E a água fez um redemoinho, que foi serenando, serenando...até que o peixinho morreu afogado... (Mário Quintana) Fórmula consagradas pelos contos da carochinha combinam-se com elementos do maravilhoso fantástico nessa narrativa de Mário Quintana, ultrapassando os limites do imaginário. Das narrativas infantis Mário Quintana reproduz a nostálgica expressão “Era uma vez”, seguida do vocativo “Maria”, recuperando um

procedimento das narrativas orais. Opondo-se essa simplicidade, o autor, no terceiro parágrafo, elabora com refinamento lingüístico a fala da personagem humana, lembrando a linguagem tradicional dos antigos contos de fadas de Perrault e dos irmãos Grimm: veja o 3ª parágrafo. Outro contraste da narrativa é o cenário contemporâneo (elevadores, café) no qual o maravilhoso fantástico resulta do afastamento ou distorção da realidade: o peixinho acompanhando o homem como um cachorrinho, a imagem das várias mãos (para segurar uma xícara, um jornal, um cigarro e cuidar do peixinho), o animalzinho tomando laranjada de canudinho e a tristeza que o acomete à margem do rio. O relacionamento de um homem com um peixe remonta ao conto do rodovalho encantado, de Perrault. Ao desfecho inesperado (o afogamento do peixinho) somam-se os traços fantásticos, a linguagem simples do narrador e as palavras arcaizantes da personagem, compondo uma narrativa moderna que subverte criativamente o texto inaugural de Perrault.

O solilóquio O aventureiro Ulisses Ainda tinha duzentos réis. E como eram sua única fortuna meteu a mão no bolso e segurou a moeda. Ficou com ela na mão fechada. Neste instante estava na Avenida Celso Garcia. E sentia no peito todo o frio da manhã. Duzentão. Quer dizer: dois sorvetes de casquinha. Pouco. Ah! Muito sofre quem padece. Muito sofre quem padece? É uma canção de Sorocaba. Não. Não é. Então que é? Mui-to so-fre quem pa-de-ce. Alguém dizia isto sempre. Eltevina? Seu Cosme? Com certeza Etelvira, que vivia amando toda a gente. Até ele. Sujeitinha impossível. Só vendo o jeito de olhar dela. Bobagens. O melhor é ir andando. Foi. Pé no chão é bom só na roça. Na cidade é uma porcaria. Toda a gente estranha. É verdade. Agora é que ele reparava direito: ninguém andava descalço. Sentiu um mal-estar horrível. As mãos a gente ainda esconde nos bolsos. Mas os pés? Cousa horrorosa. Desafogou a cintura. Puxou as calças para baixo. Encolheu os artelhos. Deu dez passos assim. Pipocas. Não dava jeito mesmo.Pipocas. A gente da cidade que vá bugiar no inferno. Ajustou a cintura. Levantou as calças acima dos tornozelos. Acintosamente. E muito vermelho foi jogando os pés na calçada. Andando duro como se estivesse calçado. (Antônio de Alcântara Machado) Quando a personagem é emissora e receptora de sua própria mensagem, temos um solilóquio. A narrativa de Alcântara Machado é introduzida por uma exposição sobre a condição social e física da personagem (“Ainda tinha duzentos réis”. “E sentia no peito todo o frio da manhã”) e o local em que ela se encontra (“Neste instante estava na Avenida Celso Garcia”). O que evidencia a passagem imediata da exposição para o solilóquio é a linguagem popular e segmentada de Ulisses (“Duzentão. Quer dizer: dois sorvetes de casquinha. Pouco”). A totalidade do terceiro parágrafo e a única linha do parágrafo seguinte reproduzem a fala interior da personagem. O narrador retoma seu foco a partir de um lacômico “Foi”. O último parágrafo é construído com discursos indiretos livres – a fala do narrador e da personagem aparecem fundidas sem o uso de verbos dicendi (disse, falou, respondeu etc): “Desafogou a cintura. Puxou as calças para baixo. Encolheu os artelhos. Deu dez passos assim. Pipocas. Não dava jeito mesmo. Pipocas. A gente da cidade que vá bugiar no inferno”). A expressividade do texto está na variação de atitudes da personagem, inicialmente sofrida (“Ah! Muito sofre quem padece”), depois constrangida (“Sentiu um mal-estar horrível”) e, por fim, irreverente (“A gente da cidade que vá bugiar no inferno. Ajustou a cintura. Levantou as calças acima dos tornozelos. Acintosamente. E muito vermelho foi jogando os pés na calçada. Andando duro como se estivesse calçado”). Assim, o monólogo interior aponta as alterações de comportamento do aventureiro Ulisses.

Ação...sem verbos Circuito fechado Chinelos, vaso, descarga, Pia, sabonete. Água, Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete, água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias, sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, jornais, documentos, caneta, chaves, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforo. Jornal. Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira, cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena.Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, relatórios, cartas, notas, vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis, Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadeiras, esboços de anúncios, fotos, cigarro, fósforo, bloco de papel, caneta, projetor de filmes, xícara, cartaz, lápis, cigarro, fósforo, quadro negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guardanapo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel,

relógio, papel, pasta, cigarro, fósforo, papel e caneta, telefone, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal, cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata, copo, revista. Quadros. Mesa, cadeiras, pratos, talheres, copos, guardanapos.. Xícaras. Cigarro e fósforo. Poltrona, livro. Cigarro e fósforo. Televisor, poltrona. Cigarro e fósforo. Abotoaduras, camisa, sapatos, meias, calça, cueca, pijama, chinelos, Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro. (Ricardo Ramos) Numa narrativa atípica, em que foram abolidos verbos, adjetivos e conjunções, o narrador relata o dia-a-dia de um executivo, sugerindo-lhe as ações dos substantivos que preenchem seu cotidiano. O autor viabiliza a narrativa na sucessão de cenários e objetos afins, tornando sutil a passagem do ambiente doméstico para o escritório e vice-versa: num movimento circular, subentende-se a ida ao trabalho e o retorno a casa, sendo os objetos, e o espaço a que pertencem, os índices espaciais e temporais desse percurso. Mesmo compondo um inventário de objetos, o texto perde seu caráter descritivo pela ausência de adjetivos que atribuíram características a cada substantivo. A estrutura narrativa é corrompida para apresentar, num único parágrafo, o automatismo do cotidiano de um publicitário. A segmentação de objetos é monótona, repetitiva e circular: começa quando o executivo desperta e termina quando ele se deita, após fechar um circuito diário de atividades lineares e invariáveis. Não há tensão, não há clímax. Assim, dispensando os elementos essenciais da narração, o texto alcança máxima originalidade nos índices domésticos (creme de barbear, pincel, cueca, gravata, paletó) e profissionais (esboço de anúncios, fotos, projetor de filmes, prova de anúncio). Temos, paradoxalmente, uma narrativa que conta a rotina de um homem voltado para o universo da publicidade, de onde se deduz que, nas invariantes do cotidiano, inserem-se as variantes da criação.

O jogo entre pontuação e sonoridade Zilzinho Zero a zero que zebra o time já não tem gás o tempo é fugaz o juiz vai finalizar que azar Zinho não desistiu faz o sinal da cruz buscando luz e zarpa com rapidez bola no pé e que clareza desliza esvazia a defesa e que beleza um chute cruzado mas sem diretriz que infeliz por um triz é sem juízo esse Zinho só tem verniz vai passar pó-de-arroz vai ser atriz a galera ta que ta zangada exaltada enfezada e com razão quer dar vazão arma o banzé exige desempenho e desempate um golzinho só unzinho faz a fineza seu juiz de desonrar sua origem inglesa atrase o relógio mostre grandeza e lá vai o Zinho de novo sozinho solta essa bola rapaz não seja voraz mas que esperteza que braveza é esse rapaz é um faz-tudo. Em zigue-zague d e s t i n a d o deixa a zaga zonza pra traz ta na cozinha e zás-trás gol BRAZILZILZILZINHO!!!! (Lia Zatz) O texto reproduz a irradiação de uma partida de futebol: a ausência de pontuação dá o ritmo acelerado da locução de rádio. A aliteração contínua forma rimas que produzem sonoridade e acrescentam poeticidade ao texto (“que clareza desliza esvazia a defesa e que beleza”). Um recurso concretiza acentua a estética inovadora e poética: a quebra da linearidade com palavra zigue-zague corta bruscamente a leitura, diminuindo-lhe o ritmo – (como faz um locutor nos lances que antecedem o gol) -, intensificando o som até culminar com a fusão gráfica e fonética Brasil/Zil/Zinho. A disposição oblíqua da palavra desatinado forma a letra “z! (matriz das aliterações predominantes), que graficamente forma o zigue-zague do drible do jogador e impõe uma leitura lenta. Assim, temos um flagrante narrativo em que um tema prosaico como uma partida de futebol torna-se criativamente poético.

A narração Escolar

A narração, no sentido escolar do termo, é um texto conciso e superficial, em que os fatos na podem ser aprofundados devido a exíguo espaço para consecução da história (em média 30 linhas). Por esse motivo, os índices temporais devem ser os imprescindíveis para mensurar cronologicamente a história; o espaço é apenas citado ( nos romances, a localização espacial é delimitada e caracterizada, às vezes, em muitas páginas); as personagens são apenas as essenciais ao desenrolar dos fatos; quanto ao enredo, as ações são geradas em função de um acontecimento (nas narrações extensas são vários os acontecimentos que engendram o enredo). A narração é a modalidade, idade mais criativa e que mais possibilidades dá à imaginação para tecer infinitas combinações de estrutura e enredo. Entretanto, numa simplificação pedagógica, convencionou-se uma estrutura em que as personagens, o espaço e o tempo geralmente são mencionadas na exposição. A partir do desenvolvimento, o acontecimento instaurador da tensão ou conflito começa a se delinear ( um casamento, um crime, um encontro, uma surpresa etc), provocando suspense. A complicação decorrente atinge um ponto maior de tensão chamado clímax. O desfecho caracteriza-se pela solução do conflito ou pelo esclarecimento da trama ou ainda por apresentar uma situação de equilíbrio desejada. Ao desenvolver um texto narrativo-descritivo, o aluno deve intercalar passagens de ação com flagrantes descritivos, de modo a delinear personagens e lugares com intenção funcional, já que na concisão da narrativa escolar devem figurar somente os dados relevantes ao enredo. Se o aluno preferir um texto essencialmente narrativo, pode prescindir do descritivismo, privilegiando apenas as ações em seu percurso temporal. Assim, visando à narração para vestibular, personagens e ação são imprescindíveis. Além desses elementos, em sua redação não deve faltar emoção, suspense, surpresa e criatividade para torna-la cativante ao leitor. Leia cuidadosamente os textos transcritos na parte de “criatividade na narração” e observe como a linguagem é fundamental para definir o estilo, conferindo um toque de originalidade à história. Receita de texto narrativo • Com alguns traços marcantes e essenciais, procure caracterizar física e psicologicamente sua personagem. Torne sua idealização interessante para o leitor. Ex: fisicamente: olhos castanhos. Psicologicamente: incrédulo, ingênuo. • Trabalhe sua linguagem de modo a combinar dados físicos e psicológicos, oferecendo uma visão totalizante da personagem. Ex: Nos olhos castanhos de Miguel, havia um brilho incrédulo e ingênuo enquanto lia a carta de Joana. • Lembre-se de que os períodos muito longos (num espaço aproximado de 30 linhas) tornam o texto “arrastado”; já os períodos curtos demais, se não forem bem construídos, podem tornar primária a redação. Prefira períodos curtos, sintetizando as ações. Ex: Todos correram alvoroçados; ninguém se machucou. Primeiro o pânico, depois o riso. • Procure criar uma situação inusitada que desencadeia uma complicação, pois é o inesperado que sustenta o gosto pela leitura. • Você pode narrar com ou sem diálogos. Os discursos diretos, quanto à pontuação, devem ser padronizados. Observe que os diálogos são um recurso da literatura para cativar o leitor. Quando bem articulados, tornam mais fluente a narrativa. Ex: - O que você esperava que eu fizesse? – gritou João. - Esperava que reagisse, só isso!. • Ao introduzir o ambiente na narração, não se detenha em detalhes supérfluos. Caracterize os espaços e objetos determinantes da ação. Ex: Na sala, apenas o sofá vermelho que acalentava as noites insones de Luís. •Procure estender ao desfecho a criatividade que você manteve ao longo do texto. O desfecho deve ser original, inesperado, surpreendente, para não transformar a narrativa num simples relato. • Não se esqueça de que o enredo de sua narrativa, antes do desfecho, deve apresentar suspense e clímax. Assim, esquematizando, temos: Personagem(s) definem-se características e pelas ações. Enredo ação, organização de fatos. Tempo cronológico (tempo real) psicológico (tempo mental) Espaço lugar (definido pela descrição ou apenas citado) Foco narrativo

de terceira pessoa – narrador onisciente (tudo sabe, conhece a interioridade das personagens) narrador observador (tudo vê) de primeira pessoa (de dentro da história) - narrador-personagem (conta o que vê como personagem) Discurso direto (fala da personagem) indireto (o narrador (o narrador traduz a fala da personagem) indireto livre (fusão da fala do autor e da personagem) Uma narração escolar Considerado que o aluno, na escola, é preparado para ter bom desempenho no vestibular, sua narração não deve ser longa como um conto, nem tão curta quanto uma piada; no entanto, deve ter o enredo cativante de um conto e a simplicidade de uma piada, sempre com a originalidade e a linguagem que devem caracterizar a mentalidade e a criatividade de um adolescente. Observe como a proposta abaixo foi habilmente desenvolvida por uma aluna. Proposta de redação Elabore um texto narrativo imaginando os possíveis desfechos da situação apresentada no texto abaixo. A narrativa apresenta um conteúdo inusitado e você não deve adapta-lo aos padrões da realidade; portanto, não conclua seu texto dizendo que tudo não passou de um sonho. Não se esqueça de que você deve dar continuidade à história; por isso, narra em 3ª pessoa, contando as situações por que passou a personagem do texto.

O homem cuja orelha cresceu Estava escrevendo, sentiu a orelha pesada. Pensou que fosse cansaço, eram 11 da noite, estava fazendo hora extra. Escriturário de uma firma de tecidos, solteiro,35 anos, ganhava pouco, reforçava com extras. Mas o peso foi aumentando e ele percebeu que as orelhas cresciam. Apavorado, passou a mão. Deviam ter uns 10 centímetros. Eram moles, como de cachorro. Correu ao banheiro. As orelhas estavam na altura do ombro e continuavam crescendo. Procurou uma tesoura, ia cortar a orelha, não importava que doesse. Mas não encontrou, as gavetas das moças estavam fechadas. O armário do material também. O melhor era correr para a pensão, se fechar, antes que não pudesse mais andar na rua. (Ignácio de Loyola Brandão) Super-orelha, o herói tupiniquim Fez peripécias incríveis para passar pela rua antes de chegar à pensão; vestiu uma capa de chuva e pôs o capuz em pleno calor de verão. Só falavam os óculos e o chapéu para se tornar uma criatura perfeita de um espião de filmes classe B. Um Bond tupiniquim. Entrou na pensão como um larápio, pé ante pé, sem chamar a atenção de uma mísera mosca. Chegou em casa e percebeu tristemente que as orelhas haviam crescido por demais. Sentiu-se o próprio Dumbo. Para esconde-las, enrolou-as no alto da cabeça, amarrou-as e pôs seu enorme chapéu Panamá, que usou no carnaval para sair de malandro. Do jeito que estavam, não haveriam de ficar! Saiu durante a noite para oxigenar seu cérebro. Viu tipos estranhos na cidade: bêbados, prostitutas, homossexuais, viciados. Todos tipos estranhos, e a sociedade aceitava-os como eles eram, por que não a ele e às suas enormes orelhas? Tomou a decisão mais difícil de sua vida: revelaria ao mundo suas orelhas. Tirou seu chapéu, soltou-as e pensou consigo como era bom ser livre de convenções, de dogmas, de tabus. Saiu contente pela cidade afora, balançando suas enormes orelhas. Chegou em casa e sentiu-se mais humano, afinal tinha-se aceitado como realmente era. Dormiu o sono dos deuses e dos anjos. Acordou no outro dia, como outro dia qualquer da semana, e foi ao seu trabalho. Todos o olhavam, mas nada comentavam com ele, porém percebia os cochichos às suas costas. Foi despedido e descriminado por todos. Porém, ele agora era especial, ouvia a quinhentos metros de distância e voava, como um super-herói. Passou a trabalhar na polícia, como agente muito especial, que ouvia o que os criminosos planejavam e voava para contar à polícia. Quem disse que o Terceiro Mundo não pode ter super-heróis? Pode sim, e no Brasil ele agora é conhecido como Super-Orelha, o herói tupiniquim. Luciana Andréa S. Simão 2º Colegial – Unidade Santo Amaro - SP

LINGUAGEM DENOTATIVA E LINGUAGEM CONOTATIVA: QUANDO E POR QUE AS UTILIZAMOS

Você já pensou na importância que as palavras ou as frases têm quando queremos expressar uma idéia ou escrever um texto? Pois é, ao escrever ou falar, valemo-nos do significado das palavras, para propositalmente mostrarmos a nossa intenção. Se quisermos ser objetivos no que redigimos ou falamos, precisamos utilizar uma linguagem denotativa, a palavra ou sentença empregada está na sua significação usual, literal, referindo-se a uma realidade concreta ou imaginária. Por exemplo, a publicação da seguinte manchete no jornal: “NÃO CHOVE NO NORDESTE HÁ DOIS MESES”. O verbo chover está sendo empregado numa linguagem denotativa, pois a sua significação é literal, refere-se à precipitação pluviométrica ou, trocando em miúdos, à água que cai do céu. Agora, se quisermos evocar idéias por intermédio da emoção ou subjetividade, temos a linguagem conotativa, que corresponde a uma transferência do significado usual para um sentido figurado. Quando isso acontece, as figuras enriquecem o texto ou discurso. Por exemplo, se lermos em um site de relacionamento a seguinte frase: “NÃO CHOVE EM MINHA HORTA HÁ ALGUM TEMPO.”, o verbo chover, aqui, não está num sentido literal, mas figurativo, porque o seu significado não dá a idéia de chuva propriamente dita, mas de que faz algum tempo que uma pessoa que não tem nenhum relacionamento com alguém.

Portanto, as palavras, expressões e enunciados da língua atuam em dois planos distintos: a linguagem denotativa e a linguagem conotativa. Vejamos cada uma delas com mais detalhes, para saber quando e por que as usamos.

Linguagem denotativa
Leia o texto abaixo.

Há alguns anos, o Dr. Johnson O’ Connor, do Laboratório de Engenharia Humana, de Boston, e do Instituto de Tecnologia, de Hoboken, Nova Jersey, submeteu a um teste de vocabulário cem alunos de um curso de formação de dirigentes de empresas industriais, os executivos. Cinco anos mais tarde, verificou que os dez por cento que havia revelado maior conhecimento ocupavam cargos de direção, ao passo que dos vinte e cinco por cento mais “fracos” nenhum alcançara igual posição. Isso não prova, entretanto, que, para “vencer na vida”, basta ter um bom vocabulário; outras qualidades se fazem, evidentemente, necessárias. Mas parece não restar dúvida de que, dispondo de palavras suficientes e adequadas à expressão do pensamento de maneira clara, fiel e precisa, estamos em melhores condições de assimilar conceitos, de refletir, de escolher, de julgar, do que outros cujo acervo léxico seja insuficiente ou medíocre para tarefa vital da comunicação. Pensamento e expressão são interdependentes, tanto é certo que as palavras são o revestimento das idéias e que, sem elas, é praticamente impossível pensar. Como pensar que “amanhã tenho uma aula às 8 horas”, se não prefiguro mentalmente essa atividade por meio dessas ou outras palavras equivalentes? Não há como se pensar no nada. A própria clareza das idéias (se é que a temos sem palavras) está intimamente relacionada com a clareza e a precisão das expressões que as traduzem. As próprias impressões colhidas em contato com o mundo físico, através da experiência sensível, são tanto mais vivas quanto mais capazes de serem traduzidas em palavras – e sem impressões vivas não haverá expressão eficaz. É um círculo vicioso, sem dúvida: “... nossos hábitos linguísticos afetam e são igualmente afetados pelo nosso comportamento, pelos nossos hábitos físicos e mentais normais, tais como a observação, a percepção, os sentimentos, a emoção, a imaginação”. De forma que um vocabulário escasso e inadequado, incapaz de veicular impressões e concepções, mina o próprio desenvolvimento mental, tolhe a imaginação e o poder criador, limitando a capacidade de observar, compreender e até mesmo de sentir. (...) Portanto, quanto mais variado e ativo é o vocabulário disponível, tanto mais claro, tanto mais profundo e acurado é o processo mental da reflexão. Reciprocamente, quanto mais escasso e impreciso, tanto mais dependentes estamos do grunhido, do grito ou do gesto, formas rudimentares de comunicação capazes de traduzir apenas expansões instintivas dos primitivos, dos infantes e... dos irracionais. (GARCIA, Othon M. Comunicação em Prosa Moderna. 8 ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1980, p. 155-56).

Otton M. Garcia, nesse texto, trata sobre a importância de termos um vocabulário amplo, pois quanto mais palavras conhecermos, mais condições teremos de nos expressar quando comunicamos. Todavia, se tivermos um vocabulário escasso e inadequado, teremos grandes dificuldades em expor nossas idéias e compreender o que outras pessoas dizem. Para expor essa temática da importância do vocabulário, Garcia utilizou-se de uma estatística feita nos Estados Unidos, comprovando que aquelas pessoas que tinham revelado um maior vocabulário se tornaram chefes de seus setores, no entanto, entre aqueles que tinham um vocabulário muito limitado,

nenhum chegou a ocupar tal posto. As palavras usadas no texto por Garcia, para desenvolver este assunto, são, na sua grande maioria, abstratas, tais como “conhecimento, posição, qualidade, pensamento, expressão etc.”, pois fazem referência a conceitos, preservando seu sentido literal. Portanto, há linguagem denotativa quando tomamos a palavra no seu sentido usual ou literal, isto é, naquele que lhe atribuem os dicionários; seu sentido é objetivo, explícito. Ela designa ou denota determinado objeto, referindo-se a um único sentido. Você se lembra do texto “Para quem não dorme de touca”, cuja personagem entendia tudo literalmente? Segundo o entendimento dessa

personagem, a linguagem tem somente uma forma de expressão. Todavia, isso não é verdade, pois ela pode ser conotativa também.

Linguagem Conotativa
Além do sentido literal, cada palavra remete a inúmeros outros sentidos virtuais, conotativos, que são apenas sugeridos, evocando outras idéias associadas de ordem abstrata, subjetiva. Leia o poema abaixo. No Corpo De que vale tentar reconstruir com palavras o que o verão levou entre nuvens e risos junto com o jornal velho pelos ares? O sonho na boca, o incêndio na cama, o apelo na noite agora são apenas esta contração (este clarão) de maxilar dentro do rosto A poesia é o presente Ferreira Gullar

Ao lermos esse poema, percebemos que as palavras não têm um sentido literal, mas figurativo. O eu-lírico compara seu passado a um jornal velho levado pelo vento. O seu passado é apenas uma memória. Ele começa a reviver esse passado na segunda estrofe, principalmente a sua vivência amorosa (“incêndio na cama”, “o apelo na noite”). Disso, o que ficou no momento (“agora”) são apenas as boas lembranças, que lhes trazem um sorriso estampado no rosto (“(este clarão) de maxilar dentro do rosto”). É muito comum encontrarmos a linguagem conotativa em textos literários, pois eles têm uma preocupação essencialmente estética. No entanto, a encontramos também em propagandas, textos jornalísticos, histórias em

quadrinhos, charges e em outros gêneros textuais. Pois, por meio dessa linguagem se exploram diversos significados de uma palavra, causando o interesse do leitor para a manchete ou provocando o riso e o duplo sentido. Veja esta propaganda a seguir:

O outdoor da Assistência Funeral SINAF “Como arrumar uma coroa” utiliza-se tanto o verbo como o substantivo no seu sentido conotativo (arrumar = conseguir, coroa = senhora idosa) e para contribuir com esse sentido é colocada a imagem de um senhor idoso e jovial (um coroa esperto) ao lado da mensagem escrita. Porém, com o auxílio da imagem (este senhor idoso) atrelada ao nome do produto (Assistência Funeral) se faz uma outra leitura: o verbo arrumar e o substantivo coroa passam a ter seu sentido original, denotativo (conseguir enfeite de flores utilizados em funerais). É preciso que o destinatário tenha um conhecimento linguístico e cultural para perceber a brincadeira irônica feita na mensagem publicitária como um recurso suavizador do assunto

(morte) delicado para nós ocidentais. A ambiguidade suaviza e dissimula a mensagem, mas os dados precisam estar armazenados na memória do público alvo para que ele reconheça o jogo da mensagem. Os provérbios ou ditos

populares são também um outro exemplo de exploração da linguagem no seu uso conotativo. Assim,

"Quem está na chuva é para se

molhar" equivale a "Quando alguém opta por uma determinada experiência, deve assumir todas as regras e consequências decorrentes dessa experiência". Do mesmo modo, "Casa de ferreiro, espeto de pau" significa “O que a pessoa faz fora de casa, para os outros, não faz em casa, para si mesma.” Leia, agora, este texto jornalístico.

A seca está de volta

Um dia, em janeiro passado, anunciada pelo pau d’arco que não floriu, pelo jabuti que não pôs, pelo pássaro João-de-barro que fez sua casa com a porta virada para o nascente, a seca reapareceu no Nordeste e plantou-se em Irecê, na Bahia. Dali, espalhou-se pelo centro do Estado: consumiu terras de Ibitiba, Ibipeba, Jussara, Brumado, Barra do Mendes e de mais 140 municípios. Com duas semanas, tomou Xique-Xique da influência do rio São Francisco. Depois saltou para o norte de Minas Gerais e apoderou-se de Janaúba, Espinosa, Mato Verde, Porteirinha, Várzea de Palma e de mais de 35 cidades. Então retrocedeu, cortou o sul da Bahia e insinuou-se pelo sudeste do Piauí. Dormiu por muitas noites em São Raimundo Nonato. Acordou de outras tantas em São João do Piauí, Simplício Mendes, Paulistana, Jaicós e Picos, onde era aguardada pelo antropólogo popular João Feliciano da Silva Rego que, em dezembro do ano passado, no dia de Santa Luzia, fizera a experiência das três pedrinhas de sal e sentenciara para os incrédulos: - A seca está chegando. Ela ocupou Afrânio, Parnamirim, Bodocó, Trindade e Salgueiro, no oeste de Pernambuco, e reduziu à metade o movimento comercial na rotineira feira de gado de Ouricuri. Foi vista chegando em dias de março no oeste do Rio Grande do Norte, onde permanece no Vale do Siridó, e no

sudoeste do Ceará, na região dos Inhamus, onde encontrou bom abrigo. Trilhou depois os caminhos sertanejos da Paraíba e estimulou agricultores a invadir três cidades. Alastrou-se em seguida pelo oeste de Alagoas e está agora crescendo lentamente no nordeste de Sergipe. Já engoliu até hoje 811 mil quilômetros quadrados de 736 municípios, 222 dos quais considerados irrecuperáveis em termos de produção agrícola. E atinge direta e indiretamente 12 milhões de pessoas. NOBLAT. Ricardo. A arte de fazer um jornal diário. São Paulo: Contexto, 2003. p.102-03

Nesse texto vemos que o objetivo do jornalista Ricardo Noblat é escrever sobre a seca que devastou o Nordeste brasileiro. Para isso, ele não se utilizou da linguagem denotativa, mas conotativa. Ele procura personificar a seca, ou seja, ele atribui ações humanas para um elemento que não é humano. Essa personificação ocorre mediante uma escolha cuidadosa dos verbos (reapareceu, plantou-se, espalhou-se, consumiu, saltou, apoderou-se, retrocedeu, cortou, dormiu, acordou, ocupou, trilhou, engoliu etc.). Além disso, observamos que o termo seca só aparece uma vez no título e duas no corpo do texto (uma no primeiro parágrafo e a outra na fala do antropólogo popular), ele procura nomeá-la por figuras verbais que remetem à seca. Noblat recorre, também, aos pronomes (o pronome pessoal ela e o reflexivo se), que ajudam a reforçar no leitor a idéia de um ser dotado de vontade própria, que escolhe os caminhos por onde passará na sua viagem de destruição. Embora se espere um caráter mais objetivo, mais literal, em um texto jornalístico, a intenção de Noblat foi a de permitir que os leitores pudessem construir uma imagem dos efeitos da passagem da seca pela região. Para isso, precisava atribuir a esse fenômeno um comportamento quase humano, algo que só pode ser obtido pela exploração do uso figurado de vários termos. O resultado é um texto quase poético que nos permite visualizar as cidades flageladas e imaginar o sofrimento de tantas pessoas afetadas.

Portanto, a conotação é a significação subjetiva e figurada da palavra; ocorre quando um termo evoca outras realidades por associações que ele provoca. O quadro abaixo sintetiza as diferenças fundamentais entre denotação e conotação:

DENOTAÇÃO palavra com significação restrita palavra com sentido comum do dicionário palavra usada de modo automatizado linguagem comum

CONOTAÇÃO palavra com significação ampla palavra cujos sentidos extrapolam o sentido comum palavra usada de modo criativo linguagem rica e expressiva

Exemplos de conotação e denotação. Nas receitas a seguir, as palavras têm, na primeira, um sentido objetivo, explícito, constante; foram usadas denotativamente. Na segunda, apresentam múltiplos sentidos, foram usadas conotativamente. Observa-se que os verbos que ocorrem tanto em uma quanto em outra - dissolver, cortar, juntar, servir, retirar, reservar - são aqueles que costumam ocorrer nas receitas; entretanto, o que faz a diferença são as palavras com as quais os verbos combinam, combinações esperadas no texto 1, combinações inusitadas no texto 2. Vejam a seguir e compreendam melhor o que acabamos de expor.

TEXTO I Bolo de arroz 3 xícaras de arroz 1 colher (sopa) de manteiga 1 gema 1 frango 1 cebola picada Receita

TEXTO II

Ingredientes 2 conflitos de gerações 4 esperanças perdidas 3 litros de sangue fervido 5 sonhos eróticos

1colher (sopa) de molho inglês 1colher (sopa) de farinha de trigo 1 xícara de creme de leite Salsa picadinha Prepare o arroz branco, bem solto. Ao mesmo tempo, faça o frango ao molho, bem temperado e saboroso. Quando pronto, retire os pedaços, desosse e desfie. Reserve. Quando o arroz estiver pronto, junte a gema, a manteiga, coloque numa forma de buraco e leve ao forno. No caldo que sobrou do frango, junte a cebola, o molho inglês, a farinha de trigo e leve ao fogo para engrossar. Retire do fogo e junte o creme de leite. Vire o arroz, já assado, num prato. Coloque o frango no meio e despeje por cima o molho. Sirva quente. (Terezinha Terra)

2 canções dos Beatles Modo de preparar Dissolva os sonhos eróticos nos dois litros de sangue fervido e deixe gelar seu coração. Leve a mistura ao fogo, adicionando dois conflitos de gerações às esperanças perdidas. Corte tudo em pedacinhos e repita com as canções dos Beatles o mesmo processo usado com os sonhos eróticos, mas desta vez deixe ferver um pouco mais e mexa até dissolver. Parte do sangue pode ser substituída por suco de groselha, mas os resultados não serão os mesmos. Sirva o poema simples ou com ilusões. (Nicolas Behr)

Fonte: (http://acd.ufrj.br/~pead/tema04/denotacaoeconotacao.html)

Leia o poema “Profundamente” de Manuel Bandeira. Observe que ele trabalha com um termo de forma denotativa e conotativa. Procure verificar que termo é esse? Profundamente

Quando ontem adormeci Na noite de São João Havia alegria e rumor Vozes cantigas e risos Ao pé das fogueiras acesas. No meio da noite despertei Não ouvi mais vozes nem risos Apenas balões Passavam errantes Silenciosamente Apenas de vez em quando O ruído de um bonde Cortava o silêncio Como um túnel. Onde estavam os que há pouco Dançavam Cantavam E riam Ao pé das fogueiras acesas? — Estavam todos dormindo Estavam todos deitados Dormindo Profundamente.

Quando eu tinha seis anos Não pude ver o fim da festa de São João Porque adormeci.

Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo Minha avó Meu avô Totônio Rodrigues Tomásia Rosa Onde estão todos eles? — Estão todos dormindo Estão todos deitados Dormindo Profundamente.

Você conseguiu achar qual é o termo? Sobre o que fala o poema?

Interpretando o poema, pode-se dizer que o eu-lírico se apresenta em dois tempos distintos: o passado (quando tinha seis anos) e o presente (hoje); bem destacados pelos advérbios que aparecem no início da 1ª (“ontem”) e da 6ª (“hoje”) estrofes, respectivamente. O início do texto mostra algumas lembranças do eu-lírico vividas na noite de São João, quando ele tinha seis anos e não pôde ver o final da festa, porque tinha adormecido. Então, ao acordar (possivelmente, no meio da madrugada), toda a alegria produzida pelas músicas, risadas e brincadeiras do cotidiano das pessoas daquela época tinha desaparecido, porque todos da casa estavam dormindo profundamente (no sentido literal - denotativo). No entanto, a partir da 5ª estrofe, percebe-se a mudança de tempo e a mesma angústia vivida pelo eu-lírico de não ouvir mais as vozes daquele tempo e se questiona até perceber que eles não estavam mais lá, pois haviam morrido (“dormido profundamente” no sentindo conotativo). É interessante a brincadeira que o poeta faz com as palavras em seu sentido denotativo e conotativo (“dormir profundamente”- 4ª e 7ª estrofes); percebe-se, portanto, que se trata de um bom entendedor das palavras que o cercam e que, mediante um vocabulário simples, consegue atingir temas tão profundos como a morte e a saudade. Portanto, ao analisarmos um texto, temos que observar bem o significado das palavras, a fim de depreendermos os sentidos que estão nele presentes. O que nos ajudará muito entendermos se a palavra tem um sentido conotativo ou literal será o contexto, conforme vimos nos capítulos anteriores.

Significação das palavras:

Sinônimos, Antônimos e Parônimos
Sinônimos São palavras que apresentam, entre si, o mesmo significado. triste = melancólico. resgatar = recuperar maciço = compacto ratificar = confirmar digno = decente, honesto reminiscências = lembranças insipiente = ignorante. Antônimos São palavras que apresentam, entre si, sentidos opostos, contrários. bom x mau bem x mal condenar x absolver simplificar x complicar Homônimos São palavras iguais na forma e diferentes na significação. Homônimos Perfeitos #êm a mesma grafia e o mesmo som. cedo $adv%rbio& e cedo $verbo ceder&' meio $numeral&, meio $ad(etivo& e meio $substantivo&. Homônimos Homófonos #êm o mesmo som e grafias diferentes. sessão $reunião&, seção $repartição& e cessão $ato de ceder&' concerto $harmonia& e conserto $remendo&. Homônimos Homófagros #êm a mesma grafia e sons diferentes. almoço $refeição& e almoço $verbo almoçar&' sede $vontade de beber& e sede $residência&. Parônimos São palavras de significação diferente, mas de forma parecida, semelhante. retificar e ratificar' emergir e imergir. Lista de Parônimos acender = atear fogo ascender = subir acerca de = a respeito de, sobre cerca de = aproximadamente há cerca de = fa) aproximadamente, existe aproximadamente, acontece aproximadamente afim = semelhante, com afinidade a fim de = com a finalidade de amoral = indiferente * moral imoral = contra a moral, libertino, devasso apreçar = marcar o preço apressar = acelerar arrear = p!r arreios arriar = abaixar á três tipos de hom!nimos"

bucho = est!mago de ruminantes buxo = arbusto ornamental caçar = abater a caça cassar = anular cela = aposento sela = arreio censo = recenseamento senso = (u+)o cessão = ato de doar seção ou secção = corte, divisão sessão = reunião chá = bebida xá = t+tulo de soberano no ,riente chal% = casa campestre xale = cobertura para os ombros cheque = ordem de pagamento xeque = lance do (ogo de xadre), contratempo comprimento = extensão cumprimento = saudação concertar = harmoni)ar, combinar consertar = remendar, reparar con(etura = suposição, hipótese con(untura = situação, circunst-ncia coser = costurar co)er = co)inhar deferir = conceder diferir = adiar descrição = representação discrição = ato de ser discreto descriminar = inocentar discriminar = diferençar, distinguir despensa = compartimento dispensa = desobrigação despercebido = sem atenção, desatento desapercebido = desprevenido discente = relativo a alunos docente = relativo a professores emergir = vir * tona imergir = mergulhar emigrante = o que sai imigrante = o que entra eminente = nobre, alto, excelente iminente = prestes a acontecer esperto = ativo, inteligente, vivo experto = perito, entendido espiar = olhar sorrateiramente expiar = sofrer pena ou castigo estada = permanência de pessoa estadia = permanência de ve+culo flagrante = evidente fragrante = aromático f.sil = que se pode fundir fu)il = carabina fus+vel = resistência de fusibilidade calibrada incerto = duvidoso inserto = inserido, incluso incipiente = iniciante insipiente = ignorante indefesso = incansável indefeso = sem defesa

infringir = transgredir, violar, desrespeitar intemerato = puro, +ntegro, incorrupto intimorato = destemido, valente, cora(oso intercessão = s.plica, rogo interse$c&ção = ponto de encontro de duas linhas laço = laçada lasso = cansado, frouxo ratificar = confirmar retificar = corrigir soar = produ)ir som suar = transpirar sortir = abastecer surtir = originar sustar = suspender suster = sustentar tacha = brocha, pequeno prego taxa = tributo tachar = censurar, notar defeito em taxar = estabelecer o preço vultoso = volumoso vultuoso = atacado de vultuosidade $congestão na face&

Estrutura e formação de palavras

Conceitos básicos: Observe as seguintes palavras: escol-a escol-ar escol-arização escol-arizar sub-escol-arização Observando-as, percebemos que há um elemento comum a todas elas: a forma escol-. Al m disso, em todas há elementos destacáveis, responsáveis por algum detalhe de significação. !ompare, por e"emplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se escolar pelo acr scimo do elemento destacável -ar. #or meio desse trabalho de comparação entre as diversas palavras que selecionamos, podemos depreender a e"ist$ncia de diferentes elementos formadores. !ada um desses elementos formadores uma unidade m%nima de significação, um elemento significativo indecompon%vel, a que damos o nome de morfema.

Classificação dos morfemas: Radical &á um morfema comum a todas as palavras que estamos analisando: escol-. ' esse morfema comum ( o radical ( que faz com que as consideremos palavras de uma mesma fam%lia de significação ( os cognatos. O radical a parte da palavra responsável por sua significação principal. Afixos !omo vimos, o acr scimo do morfema (ar cria uma nova palavra a partir de escola. )e maneira semelhante, o acr scimo dos morfemas sub- e (arização * forma escol- criou subescolarização. +sses morfemas recebem o nome de afi"os. ,uando são colocados antes do radical, como acontece com sub-, os afi"os recebem o nome de prefixos. ,uando, como –arização, surgem depois do radical os afi"os são chamados de sufixos. Prefixos e sufixos, al m de operar mudança de classe gramatical, são capazes de introduzir modificaç-es de significado no radical a que são acrescentados. esin!ncias ,uando se con.uga o verbo amar, obt$m-se formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis, amavam. +ssas modificaç-es ocorrem * medida que o verbo vai sendo fle"ionado em n/mero 0singular e plural1 e pessoa 0primeira, segunda ou terceira1. 2amb m ocorrem se modificarmos o tempo e o modo do verbo 0amava, amara, amasse, por e"emplo1. #odemos concluir, assim, que e"istem morfemas que indicam as fle"-es das palavras. +sses morfemas sempre surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de desin$ncias. &á desin$ncias nominais e desin$ncias verbais. 3 )esin$ncias nominais: indicam o g$nero e o n/mero dos nomes. #ara a indicação de g$nero, o portugu$s costuma opor as desin$ncias -o"#a: garoto4garota5 menino4menina #ara a indicação de n/mero, costuma-se utilizar o morfema –s$ que indica o plural em oposição * aus$ncia de morfema, que indica o singular: garot o4garotos5 garota4garotas5 menino4meninos5 menina4meninas. 6o caso dos nomes terminados em –r e –z, a desin$ncia de plural assume a forma #es: mar4mares5 rev7lver4rev7lveres5 cruz4cruzes. 3 )esin$ncias verbais: em nossa l%ngua, as desin$ncias verbais pertencem a dois tipos distintos. &á aqueles que indicam o modo e o tempo 0desin$ncias modo-temporais1 e aquelas que indicam o n/mero e a pessoa

dos verbos 0desin$ncia n/mero-pessoais1: cant#á#va#mos cant#á#sse#is cant: radical #á#: vogal temática -á#: vogal temática

cant: radical

#va#: desin$ncia sse#:desin$ncia modo-temporal modo-temporal 0caracteriza o 0caracteriza o pret rito pret rito imperfeito do imperfeito do indicativo1 sub.untivo1 #mos: desin$ncia #is: desin$ncia n/meron/mero-pessoal pessoal 0caracteriza a 0caracteriza a segunda pessoa primeira do plural1 pessoa do plural1 %o&al temática Observe que, entre o radical cant# e as desin$ncias verbais, surge sempre o morfema –a. +sse morfema, que liga o radical *s desin$ncias, chamado de vo&al temática. 8ua função ligar-se ao radical, constituindo o chamado tema. ' ao tema 0radical 9 vogal temática1 que se acrescentam as desin$ncias. 2anto os verbos como os nomes apresentam vogais temáticas. 3 :ogais temáticas nominais: 8ão #a$ #e$ e #o, quando átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola, triste, base, combate. 6esses casos, não poder%amos pensar que essas terminaç-es são desin$ncias indicadoras de g$nero, pois a mesa, escola, por e"emplo, não sofrem esse tipo de fle"ão. ' a essas vogais temáticas que se liga a desin$ncia indicadora de plural: mes a#s, escola#s, perda-s. Os nomes terminados em vogais t;nicas 0sofá, caf', cip(, caqui, por e"emplo1 não apresentam vogal temática. 3 :ogais temáticas verbais: 8ão #a$ #e e #i, que caracterizam tr$s grupos de verbos a que se dá o nome de con.ugaç-es. Assim, os verbos cu.a vogal temática #a pertencem * primeira con.ugação5 aqueles cu.a vogal temática #e pertencem * segunda con.ugação e os que t$m vogal temática #i pertencem * terceira con.ugação. primeira segunda con.ugação con.ugação govern-ava atac-a-va realiz-a-sse estabelec-esse cr-e-ra me"-e-rá terceira con.ugação

defin-i-ra

imped-i-sse ag-i-mos

%o&al ou consoante de li&ação As vogais ou consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos euf;nicos, ou se.a, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra. 2emos um e"emplo de vogal de ligação na palavra escolaridade: o #i# entre os sufi"os #ar- e #dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros e"emplos: gas;metro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira, tricota. &á em #ortugu$s: palavras primitivas, palavras derivadas, palavras simples, palavras compostas. Palavras primitivas: aquelas que, na l%ngua portuguesa, não prov$m de outra palavra. #edra, flor. Palavras derivadas: a)uelas )ue$ na l*n&ua portu&uesa$ prov!m de outra palavra. #edreiro, floricultura. Palavras simples: aquelas que possuem um s7 radical. Azeite, cavalo. Palavras compostas: aquelas que possuem mais de um radical. !ouve-flor, planalto. As palavras compostas podem ou não ter seus elementos ligados por h%fen. Processos de formação de palavras: Composição &averá composição quando se .untarem dois ou mais radicais para formar nova palavra. &á dois tipos de composição5 .ustaposição e aglutinação. + ,ustaposição: ocorre quando os elementos que formam o composto são postos lado a lado, ou se.a, .ustapostos: #ára-raios, corre-corre, guarda-roupa, segunda-feira, girassol. + Composição por a&lutinação: ocorre quando os elementos que formam o composto se aglutinam o que pelo menos um deles perde sua integridade sonora: Aguardente 0água 9 ardente1, planalto 0plano 9 alto1 #ernalta 0perna 9 alta1, vinagre 0vinho 9 acre1 erivação por acr'scimo de afixos ' o processo pelo qual se obt$m palavras novas 0derivada1 pela ane"ação de afi"os * palavra primitiva. A derivação pode ser: prefi"al, sufi"al e parassint tica. 3 Prefixal -ou prefixação.: a palavra nova <n--------feliz des----------leal #refi"o radical prefi"o radical 3 /ufixal -ou sufixação.: a palavra nova =eliz----mente leal------dade >adical sufi"o radical sufi"o + Parassint'tica: a palavra nova obtida pelo acr scimo simult?neo de prefi"o e sufi"o. #or parass%ntese formam-se principalmente verbos. +n-------trist-----ecer #refi"o radical sufi"o en--------tard-----ecer prefi"o radical sufi"o obtida por acr scimo de sufi"o. obtida por acr scimo de prefi"o.

0utros tipos de derivação &á dois casos em que a palavra derivada formada sem que ha.a a presença de afi"os. 8ão eles: a derivação regressiva e a derivação impr7pria. + erivação re&ressiva: a palavra nova obtida por redução da palavra primitiva. Ocorre, sobretudo, na formação de substantivos derivados de verbos. + erivação impr(pria: a palavra nova 0derivada1 obtida pela mudança de categoria gramatical da palavra primitiva. 6ão ocorre, pois, alteração na forma, mas tão-somente na classe gramatical. Observe: .antar 0substantivo1 deriva de .antar 0verbo1 mulher aranha 0o ad.etivo aranha deriva do substantivo aranha1 6ão entendi o porqu$ da briga. 0o substantivo porqu$ deriva da con.unção porque1 0utros processos de formação de palavras: 1ibridismo: a palavra formada com elementos oriundos de l%nguas diferentes. autom7vel 0auto: grego5 m7vel: latim1 sociologia 0socio: latim5 logia: grego1 samb7dromo 0samba: dialeto africano5 dromo: grego1 ARCA2/30: Arca%smo uma palavra, uma e"pressão ou mesmo uma construção frasal que caiu em desuso. #ortanto, compromete a comunicação. :e.a como #aulo @endes !ampos inicia sua cr;nica A8er brotinhoA, em edição de BCDE do livro O Cego de Ipanema. "Ser brotinho não é viver em um píncaro azulado: é muito mais! Ser brotinho é sorrir bastante dos homens e rir interminavelmente das mulheres, rir como se o ridículo, visível ou invisível, provocasse uma tosse de riso irresistível". Os arca%smos, portanto, não foram sempre arca%smos. +les passam a e"istir com o passar do tempo e, muitas vezes, dependem do local ou conte"to onde as e"press-es vocabulares são utilizadas. &á e"press-es usadas ho.e em #ortugal que no Frasil são consideradas arca%smos. :e.a:

A seguir, alguns arca%smos e seus significados:

:amos substituir os arca%smos no te"to abai"oG ão !i"ue macamb#zio, seus "uitutes e acepipes estão supimpas$ esse sarau de trovadores e menestréis, servir%se%& alguma beberagem' O te"to, então, fica assim: 6ão fique triste, seus salgadinhos e docinhos estão e"celentes. 6essa reunião de poetas e m/sicos, será servida alguma bebidaG 4E05067/30: 4eolo&ismo ' uma palavra ou e"pressão nova ou com sentido renovado, que conforme a intensidade do uso pode ser assimilada pela l%ngua padrão. +"pressa o dinamismo da l%ngua4linguagem. Os neologismos surgem da necessidade de nomear uma nova realidade, tanto no campo da ci$ncia quanto no da arte, e mesmo a partir da linguagem comum e da influ$ncia de uma l%ngua estrangeira 0veremos na pr7"ima coluna, que será sobre E/8RA46E7R7/30/1. Alguns neologismos atuais:

Processos de formação dos neolo&ismos: &á m/ltiplos processos de formação de neologismos. A criação de termos ou e"press-es pode surgir a partir de comparação com termos .á usados, por prefi"ação, sufi"ação, .ustaposição ou aglutinação de termos e por empr stimo de termos de outras l%nguas 0estrangeirismos1. +"emplos: • • • • • • • • 8uper-her7i 0her7i muito capacitado1 6ão-policial 0civil1 +n"ugamento 0contenção de despesas1 #acotão, mensalão 0con.unto de medidas1 Festeirol 0con.unto c;mico de bobagens1 8Hatistas 0que usam sHate1 Ieans 0estrangeirismo1 Jampu 0estrangeirismo1 Aba.ur 0estrangeirismo1 Observe o uso de neologismos 0no n%vel da palavra e da frase1 criados magnificamente por Kuimarães >osa neste e"certo do conto A=ita verde no cabeloA. "(avia uma aldeia em algum lugar, nem maior nem menor, com velhos e velhas "ue velhavam, homens e mulheres "ue esperavam, e meninos e meninas "ue nasciam e cresciam$ )odos com *uízo, su!icientemente, menos uma meninazinha$ +"uela, um dia, saiu de l& com uma !ita verde inventada no cabelo$ Sua mãe mandara%a, com um cesto e um pote, , av-, "ue a amava, a uma outra e "uase igualzinha aldeia$ .ita%/erde partiu, sobre logo, ela a linda, tudo era uma vez$ O pote continha um doce em calda, e o cesto estava vazio, "ue para buscar !ramboesas$ 0aí, "ue, indo, no atravessar o bos"ue, viu s- os lenhadores, "ue por l& lenhavam1 mas o lobo nenhum, desconhecido nem peludo$ 2ois os lenhadores tinham e3terminado o lobo$" Iá vimos que os neologismos podem e"pressar inventividade no te"to escrito. ' comum, portanto, os neologismos indicarem que o autor pessoa atualizada - assim como o uso e"agerado de arca%smos pode indicar que a pessoa não está sintonizada com as mudanças de seu tempo. :e.a, a seguir, como o uso de neologismos indicativo de modernidade:

E/8RA46E7R7/30/

!omo vimos na coluna anterior, AArca%smos e 6eologismosA, neologismo uma palavra ou e"pressão que criamos quando necessitamos nomear uma nova realidade. !onforme a intensidade do uso, o neologismo pode ser assimilado pela l%ngua-padrão. :imos tamb m que há vários processos de formação dos neologismos. Lm destes processos resulta nos estrangeirismos. +strangeirismo o uso de termos ou e"press-es tomadas por empr stimo de outras l%nguas. o que

Os estrangeirismos podem ser de várias origens: Anglicanismos 0ou anglicismos1: provenientes do ingl$s 0futebol 4 shopping 4 happM-hour1. Arabismos: provenientes do árabe 0bazar 4 beirute1. Kalicismos 0ou francesismos1: provenientes do franc$s 0matin$ 4 toalete1. !astelhanismos: provenientes do espanhol 0guitarra 4 massivo1. <talianismos: provenientes do italiano 0pizza 4 fogazza1. Kermanismos: provenientes do alemão 0chope 4 chucrute1. Krecismos: do grego 0ol%mpico1. Natinismos: provenientes do latim 0curr%culo1. Oual o .ovem que nunca usou os seguintes termosG linHar, blogueiro, internauta, clicar, site... Os vezes, usamos a palavra ou e"pressão estrangeira da forma como sHatistas 0que usam AsHateA1 .eans 0tecido 4 calças1 avant-premiPre 0primeira apresentação1 apartheid 0vida separada 4 segregação1 tele" 0meio de comunicação1 grafada na l%ngua original:

Outra vezes, fazemos adaptaç-es na grafia: "ampu 0shampoo: produto de higiene1 aba.ur 0abat-.our: quebra-luz1 gol 0goal: meta1 Algumas adaptaç-es de termos franceses que resultaram em galicismos:

Algumas curiosidades sobre anglicanismos: 8andu%che: no s culo J:<<<, Iohn @ontagu, conde +duardo de.8andQich 0BRBS-BRCT1, sentia-se tão bem * mesa de .ogo que nem mesmo para tomar as refeiç-es dela se afastava.. 2eve, então, a id ia de mandar preparar fatias de pão com carne ou quei.o, saboreando-as enquanto .ogava. Ninchar: derivado do nome pr7prio ingl$s NMnch, e da e"pressão NMnchUs laQ 0lei de NMnch1 .+ntre o s culo J: e o s culo J<J, vários .u%zes com o mesmo nome, na <rlanda e na Am rica, condenaram criminosos sem processo legal. ANincharA significa Ae"ecutar sumariamente, segundo a lei chamada de NMnch5 aplicação da lei de NMnch5 e"ecução sumária por uma populaçãoA. Foicote: do ingl$s AFoMcottA, proveniente do nome do capitão ingl$s Iames ou !harles !unningham FoMcott

0BSVT-CR1, administrador das fazendas de Nord +rne, no distrito de !omemara, <rlanda. FoMcott provocou, por volta de BSSE, em conseqW$ncia.de suas e"ig$ncias e"cessivas e severidades e"ageradas, uma recusa geral de trabalhar *s suas ordens. AFoicoteA significa Aforma de coerção ou represália que consiste em impedir ou romper qualquer relação social ou comercialA. 8logan: do ingl$s AsloganA, grito de guerra dos antigos montanheses da +sc7cia. Freve f7rmula para fins e propaganda, apelo, lembrança, sugestão em poucas palavras, divisa, lema.A 0=onte:IWrgen 8chmidt->adefeldt e )orothea 8uring - )icionário dos Anglicismos e Kermanismos da N%ngua #ortuguesa, =ranHfurt am @ain, =errer de @esquita, BCCR apud <NA><, <ntrodução ao estudo do l "ico. 8ão #aulo: !onte"to, TEET. p. TX1. Observe o refrão da m/sica abai"o, e ve.a como os compositores transformaram o verbo AequalizeA 0em <ngl$s1 em AequalizarA 0em #ortugu$s1.

)e acordo com a gramática oficial da l%ngua portuguesa, o estrangeirismo classificado como barbarismo, ou se.a, um v%cio de linguagem. 6o entanto, atualmente há uma pol$mica sobre a adequação ou não do uso de estrangeirismos no portugu$s. #or um lado, há os que consideram inadequado o uso de estrangeirismos. Lm deputado apresentou, recentemente, pro.eto de lei que prop-e puniç-es para o uso abusivo de palavras estrangeiras em nosso idioma. #or outro lado, há os que consideram que a l%ngua din?mica e se os falantes introduziram termos emprestados de outros idiomas porque isto se fez necessário. !omo traduzir, por e"emplo, as palavras ApizzaA, Afil A ou Apur$AG #ara finalizar, observe como Yeca Faleiro faz uma cr%tica bem-humorada ao uso e"agerado de estrangeirismos na N%ngua #ortuguesa.

Observação: sempre que voc$ for escrever um estrangeirismo em sua forma original, as palavras ou e"press-es devem vir em itálico ou, se manuscritos, entre aspas.

PONTUAÇÃO
Há certos recursos da linguagem - pausa, melodia, entonação e até mesmo, silêncio - que só estão presentes na oralidade. Na linguagem escrita, para substituir tais recursos, usamos os sinais de pontuação. Estes são também usados para destacar palavras, expressões ou ora ões e esclarecer o sentido de !rases, a !im de dissipar qualquer tipo de ambig"idade. ponto:

Emprega-se o ponto, basicamente, para indicar o término de um !rase declarativa de um per#odo simples ou composto. $esejo-lhe uma feliz viagem. A casa, quase sempre fechada, parecia abandonada, no entanto tudo no seu interior era conservado com primor. % ponto é também usado em quase todas as abreviaturas, por exemplo& !ev. ' !evereiro, (ab. ' (abitante, rod. ' rodovia. % ponto que é empregado para encerrar um texto escrito recebe o nome de ponto final. o ponto-e-vírgula:

)tili*a-se o ponto-e-v#rgula para assinalar uma pausa maior do que a da v#rgula, praticamente uma pausa intermediária entre o ponto e a v#rgula. +eralmente, emprega-se o ponto-e-v#rgula para& a, separar ora ões coordenadas que ten(am um certo sentido ou aquelas que -á apresentam separa ão por v#rgula& .riança, foi uma garota sapeca; moça, era inteligente e alegre; agora, mulher madura, tornou-se uma doidivanas. b, separar vários itens de uma enumera ão& /rt. 012. % ensino será ministrado com base nos seguintes princ#pios& 3 - igualdade de condi ões para o acesso e perman4ncia na escola5 33 - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber5 333 - pluralismo de idéias e de concep ões, e coexist4ncia de institui ões p6blicas e privadas de ensino5 37 - gratuidade do ensino em estabelecimentos o!iciais5 8.onstitui ão da 9ep6blica :ederativa do ;rasil, dois-pontos:

%s dois-pontos são empregados para& a, uma enumera ão& ... ubião recordou a sua entrada no escrit!rio do "amacho, o modo porque falou# e da$ tornou atr%s, ao pr!prio ato. &stirado no gabinete, evocou a cena# o menino, o carro, os cavalos, o grito, o salto que deu, levado de um $mpeto irresist$vel... 8<ac(ado de /ssis, b, uma cita ão&

7isto que ela nada declarasse, o marido indagou# - Afinal, o que houve' c, um esclarecimento& =oana conseguira enfim realizar seu desejo maior# seduzir (edro. )ão porque o amasse, mas para magoar *ucila. %bserve que os dois-pontos são também usados na introdu ão de exemplos, notas ou observa ões. >ar+nimos são vocábulos di!erentes na signi!ica ão e parecidos na !orma. Exemplos& rati!icar?reti!icar, censo?senso, descriminar?discriminar etc. Nota& / preposi ão per, considerada arcaica, somente é usada na !rase de per si 8' cada um por sua ve*, isoladamente,. %bservação& Na linguagem coloquial pode-se aplicar o grau diminutivo a alguns advérbios& cedin(o, longin(o, mel(or*in(o, pouquin(o etc. NOTA / invoca ão em correspond4ncia 8social ou comercial, pode ser seguida de dois-pontos ou de v$rgula& ,uerida amiga# (rezados senhores, ponto de interrogação:

% ponto de interroga ão é empregado para indicar uma pergunta direta, ainda que esta não exi-a resposta& - criado pediu licença para entrar# - - senhor não precisa de mim' - )ão obrigado. A que horas janta-se' - .s cinco, se o senhor não der outra ordem. - /em. - - senhor sai a passeio depois do jantar' de carro ou a cavalo' - )ão. 8=osé de /lencar, ponto de exclamação:

% ponto de exclama ão é empregado para marcar o !im de qualquer enunciado com entona ão exclamativa, que normalmente exprime admiração, surpresa, assombro, indignação etc. - 0iva o meu pr$ncipe1 2im, senhor... &is aqui um comedouro muito compreens$vel e muito repousante, 3acinto1 - &ntão janta, homem1 8E a de @ueiro*, NOTA % ponto de exclama ão é também usado com inter-ei ões e locu ões inter-etivas& %h1 0alha-me 4eus1

O uso da vírgula:

Emprega-se a v#rgula 8uma breve pausa,& a, para separar os elementos mencionados numa rela ão& / nossa empresa est% contratando engenheiros, economistas, analistas de sistemas e secret%rias. - apartamento tem três quartos, sala de visitas, sala de jantar, %rea de serviço e dois banheiros. <esmo que o e ven(a repetido antes de cada um dos elementos da enumera ão, a v$rgula deve ser empregada& 9odrigo estava nervoso. Andava pelos cantos, e gesticulava, e falava em voz alta, e ria, e ro$a as unhas . b, para isolar o vocativo& "ristina, desligue j% esse telefone1 (or favor, icardo, venha at5 o meu gabinete.

c, para isolar o aposto& 4ona 2$lvia, aquela me6eriqueira do quarto andar, ficou presa no elevador. afael, o gênio da pintura italiana, nasceu em 7rbino. d, para isolar palavras e expressões explicativas 8a saber, por e6emplo, isto 5, ou melhor, ali%s, al5m disso etc.,& 9astamos : ;.<<<,<< na reforma do apartamento, isto 5, tudo o que t$nhamos economizado durante anos. &les viajaram para a Am5rica do )orte, ali%s, para o "anad%. e, para isolar o ad-unto adverbial antecipado& *% no sertão, as noites são escuras e perigosas. -ntem = noite, fomos todos jantar fora. !, para isolar elementos repetidos& - pal%cio, o pal%cio est% destru$do. &stão todos cansados, cansados de dar d!1 g, para isolar, nas datas, o nome do lugar& 2ão (aulo, >> de maio de ?@@;. oma, ?A de dezembro de ?@@;. (, para isolar os ad-untos adverbiais& A multidão foi, aos poucos, avançando para o pal%cio. -s candidatos serão atendidos, das sete =s onze, pelo pr!prio gerente. i, para isolar as ora ões coordenadas, exceto as introdu*idas pela con-un ão e& &le j% enganou v%rias pessoas, logo não 5 digno de confiança. 0ocê pode usar o meu carro, mas tome muito cuidado ao dirigir.

)ão compareci ao trabalho ontem, pois estava doente. -, para indicar a elipse de um elemento da ora ão& Boi um grande escCndalo. .s vezes gritava; outras, estrebuchava como um animal. )ão se sabe ao certo. (aulo diz que ela se suicidou, a irmã, que foi um acidente. A, para separar o paralelismo de provérbios& *adrão de tostão, ladrão de milhão. -uvir cantar o galo, sem saber onde. l, após a sauda ão em correspond4ncia 8social e comercial,& "om muito amor, espeitosamente, m, para isolar as ora ões ad-etivas explicativas& Darina, que 5 uma criatura maldosa, Epu6ou o tapeteE de 3uliana l% no trabalho. 0idas 2ecas, que 5 um romance contemporCneo, foi escrito por 9raciliano amos. n, para isolar ora ões intercaladas& Não lhe posso garantir nada, respondi secamente. - filme, disse ele, 5 fant%stico.

ACENTUAÇÃO GRÁFICA
A acentuação é um dos requisitos que perfazem as regras estabelecidas pela Gramática Normativa. A mesma compõese de algumas particularidades !s quais devemos estar atentos procurando estabelecer uma relação de familiaridade e consequentemente colocando-as em prática ao nos referirmos ! linguagem escrita. " medida que desenvolvemos o #ábito da leitura e a prática de redigir automaticamente aprimoramos essas compet$ncias e tão logo nos adequamos ! forma padrão. %m se tratando do referido assunto devemos nos ater ! questão das Novas &egras 'rtográficas da ()ngua *ortuguesa as quais entraram em vigor desde o dia +, de -aneiro de .//0. % como toda mudança implica em adequação o ideal é que façamos uso das mesmas o quanto antes. ' estudo e1posto a seguir visa aprofundar nossos con#ecimentos no que se refere ! maneira correta de grafamos as palavras levando em consideração as regras de acentuação por elas utilizadas. (embrando que as mesmas -á estão voltadas para o novo acordo ortográfico. Regras básicas – Acentuação t nica A acentuação t2nica implica na intensidade como são pronunciadas as s)labas das palavras. Aquela que se dá de forma mais acentuada conceitua-se como s)laba t2nica. As demais como são pronunciadas com menos intensidade são denominadas de átonas. 3e acordo com a tonicidade as palavras são classificadas como4 '1)tonas 5 6ão aquelas cu-a s)laba t2nica recai sobre a 7ltima s)laba. %14 café 5 coração 5 ca-á 5 atum 5 ca-u - papel *aro1)tonas 5 6ão aquelas em que a s)laba t2nica se evidencia na pen7ltima s)laba. %14 7til 5 t8ra1 5 tá1i 5 leque 5 retrato 5 pass)vel *roparo1)tonas - 6ão aquelas em que a silaba t2nica se evidencia na antepen7ltima s)laba. %14 l9mpada - c9mara - t)mpano - médico - 2nibus :omo podemos observar mediante todos os e1emplos mencionados os vocábulos possuem mais de uma s)laba mas em nossa l)ngua e1istem aqueles com uma s)laba somente são os c#amados monoss)labos que quando pronunciados #á certa diferenciação quanto ! intensidade. ;al diferenciação s8 é percebida quando os pronunciamos em uma dada sequ$ncia de palavras. :omo podemos observar o e1emplo a seguir4 <6ei que não vai dar em nada 6eus segredos sei de cor=. 's monoss)labos ora em destaque classificam-se como t2nicos os demais como átonos >que em de?. Os acentos @ acento agudo >A? 5 :olocado sobre as letras a i u e sobre o e do grupo <em= indica que estas letras representam as vogais t2nicas de palavras como Amapá ca) p7blico parabéns. 6obre as letras <e= e <o= indica além da tonicidade timbre aberto. %14 #er8i 5 médico 5 céu @ acento circunfle1o >B? 5 colocado sobre as letras <a= <e= e <o= indica além da tonicidade timbre fec#ado4 t9mara 5 Atl9ntico 5 p$ssego 5 sup2s @ acento grave >C? 5 indica a fusão da preposição <a= com artigos e pronomes. %14 ! !s !quelas !queles @ ' trema >D? 5 3e acordo com a nova regra foi totalmente abolido das palavras. Apenas #á uma e1ceção4 6omente é utilizado em palavras derivadas de nomes pr8prios estrangeiros.

%14 mElleriano >de FEller? @ ' til >G? 5 indica que as letras <a= e <o= representam vogais nasais. %14 coração 5 melão 5 8rgão - )mã Regras !un"a#entais$ *alavras o1)tonas4 Acentuam-se todas as o1)tonas terminadas em4 a e o em seguidas ou não do plural>s? *ará 5 café>s? 5 cip8>s? 5 armazém>s? %ssa regra também é aplicada aos seguintes casos4 Fonoss)labos t2nicos terminados em a e o seguidos ou não de <s=. %14 pá 5 pé 5 d8 5 cr$ 5 #á Hormas verbais terminadas em a e o t2nicos seguidas de lo la los lãs. respeitá-lo 5 perceb$-lo 5 comp2-lo *aro1)tonas4 Acentuam-se as palavras paro1)tonas terminadas em4 - i is tá1i 5 lápis 5 -7ri - us um uns v)rus 5 álbuns 5 f8rum - l n r 1 ps autom8vel 5 elétron- cadáver 5 t8ra1 5 f8rceps - ã ãs ão ãos )mã 5 )mãs 5 8rfão 5 8rgãos -ditongo oral crescente ou decrescente seguido ou não de <s=. água 5 p2nei 5 mágoa 5 -8quei Regras es%eciais$ @'s ditongos de pron7ncia aberta ei oi que antes eram acentuados perderam o acento de acordo com a nova regra. %14 Antes asse#b&'ia i"'ia ge&'ia (ib)ia a%)ia *+erbo a%oiar, %aran)ico Agora asse#b&eia i"eia ge&eia (iboia a%oia %aranoico

'bservação importante 5 ' acento das palavras #er8i anéis fiéis ainda permanece. @ Iuando a vogal do #iato for <i= ou <u= t2nicos acompan#ados ou não de s #averá acento %14 sa)da 5 fa)sca 5 ba7 5 pa)s 5 (u)s 'bservação importante4

Não serão mais acentuados <i= e <u= t2nicos formando #iato quando vierem depois de ditongo4 %14 Antes Agora bocai-+a !ei-ra .au/%e bocaiu+a !eiura

@ ' acento pertencente aos #iatos <oo= e <ee= que antes e1istia agora foi abolido. %14 Antes Agora cr0e# &0e# + o en( o cree# &ee# +oo en(oo

@Não se acentuam o i e o u que formam #iato quando seguidos na mesma s)laba de l m n r ou z4 &a-ul ru-im con-tri-bu-in-te sa-ir-des -u-iz @Não se acentuam as letras i e u dos #iatos se estiverem seguidas do d)grafo n#4 ra-i-n#a vem-to-i-n#a. @Não se acentuam as letras i e u dos #iatos se vierem precedidas de vogal id$ntica4 1i-i-ta pa-ra-cu-u-ba No entanto se tratar de palavra proparo1)tona #averá o acento -á que a regra de acentuação das proparo1)tonas prevalece sobre a dos #iatos4 fri-)s-si-mo se-ri-)s-si-mo @ As formas verbais que possu)am o acento t2nico na raiz com >u? t2nico precedido de >g? ou >q? e seguido de >e? ou >i? não serão mais acentuadas. %14 Antes 1e%ois a%a2ig-e *a%a2iguar, a+erig-e *a+eriguar, arg-i *arguir, @ Acentuam-se os verbos pertencentes ! terceira pessoa do plural de4 ele tem 5 eles t$m ele vem 5 eles v$m @ A regra prevalece também para os verbos conter obter reter deter abster. ele contém 5 eles cont$m ele obtém 5 eles obt$m ele retém 5 eles ret$m ele convém 5 eles conv$m @ Não se acentuam mais as palavras #om8grafas que antes eram acentuadas para diferenciar de outras semel#antes. Apenas em algumas e1ceções como4 A forma verbal p2de >terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do modo indicativo? ainda continua sendo acentuada para diferenciar-se de pode >terceira pessoa do singular do presente do indicativo?. ' mesmo ocorreu com o verbo p2r para diferenciar da preposição por. 3a&a+ras 4o#)gra!as pola >2? substantivo 5 pola >8? substantivo polo >s? >substantivo? - polo>s? >contração de por J o? pera >substantivo? - pera >preposição antiga? para >verbo? - para >preposição? a%a2igue a+erigue argui

pelo>s? >substantivo? - pelo >contração? pelo >do verbo pelar? - pelo >contração? pela pelas >substantivo e verbo? - pela >contração?

Classes de palavras
As palavras são classificadas de acordo com as funções exercidas nas orações. Na língua portuguesa podemos classificar as palavras em: • • • • • • • • • • Substantivo Adjetivo Pronome erbo Artigo Numeral Adv!rbio Preposição "nterjeição #onjunção

Substantivo: $ a palavra vari%vel &ue denomina &ualidades' sentimentos' sensações' ações' estados e seres em geral. (uanto a sua formação' o substantivo pode ser primitivo )jornal* ou derivado )jornalista*' simples )alface* ou composto )guarda+c,uva*. -% &uanto a sua classificação' ele pode ser comum )cidade* ou pr.prio )#uritiba*' concreto )mesa* ou abstrato )felicidade*. /s substantivos concretos designam seres de exist0ncia real ou &ue a imaginação apresenta como tal: alma' fada' santo. -% os substantivos abstratos designam &ualidade' sentimento' ação e estado dos seres: bele1a' cegueira' dor' fuga. /s substantivos pr.prios são sempre concretos e devem ser grafados com iniciais mai2sculas. #ertos substantivos pr.prios podem tornar+se comuns' pelo processo de derivação impr.pria )um judas 3 traidor 4 um panam% 3 c,ap!u*. /s substantivos abstratos t0m exist0ncia independente e podem ser reais ou não' materiais ou não. (uando esses substantivos abstratos são de &ualidade tornam+se concretos no plural )ri&ue1a 5 ri&ue1as*. 6uitos substantivos podem ser variavelmente abstratos ou concretos' conforme o sentido em &ue se empregam )a redação das leis re&uer clare1a 4 na redação do aluno' assinalei v%rios erros*. -% no tocante ao g0nero )masculino 5 feminino* os substantivos podem ser: • • • • • biformes: &uando apresentam uma forma para o masculino e outra para o feminino. )rato' rata ou conde 5 condessa*. uniformes: &uando apresentam uma 2nica forma para ambos os g0neros. Nesse caso' eles estão divididos em: epicenos: usados para animais de ambos os sexos )mac,o e f0mea* + albatro1' badejo' besouro' codorni17 comum de dois gêneros: a&ueles &ue designam pessoas' fa1endo a distinção dos sexos por palavras determinantes + aborígine' camarada' ,erege' mane&uim' m%rtir' m!dium' silvícola7 sobrecomuns + apresentam um s. g0nero gramatical para designar pessoas de ambos os sexos + algo1' ap.stolo' c8njuge' guia' testemun,a' verdugo7

Alguns substantivos' &uando mudam de g0nero' mudam de sentido. )o cisma 5 a cisma 4 o corneta 5 a corneta 4 o crisma 5 a crisma 4 o cura 5 a cura 4 o guia 5 a guia 4 o lente 5 a lente 4 o língua 5 a língua 4 o moral 5 a moral 4 o maria+fumaça 5 a maria+fumaça 4 o voga 5 a voga*. /s nomes terminados em +ão fa1em feminino em +ã' +oa ou +ona )alemã' leoa' valentona*.

/s nomes terminados em +e mudam+no para +a' entretanto a maioria ! invari%vel )monge 5 monja' infante 5 infanta' mas o4a dirigente' o4a estudante*. (uanto ao n2mero )singular 5 plural*' os substantivos simples formam o plural em função do final da palavra. • • vogal ou ditongo )exceto +9/*: acr!scimo de +S )porta 5 portas' trof!u 5 trof!us*7 ditongo +9/: +:;S 4 +9;S 4 +9/S' variando em cada palavra )pagãos' cidadãos' cortesãos' escrivães' sacristães' capitães' capelães' tabeliães' deães' faisães' guardiães*.

/s substantivos paroxítonos terminados em +ão fa1em plural em +ãos )b0nçãos' .rfãos' g.lfãos*. Alguns gram%ticos registram artesão )artífice* + artesãos e artesão )adorno ar&uitet8nico* + artesões. • • • +;6' +"6' +/6' +<6: acr!scimo de +NS )jardim 5 jardins*7 += ou +>: +;S )mar 5 mares' rai1 5 raí1es*7 +S: substantivos oxítonos acr!scimo de +;S )país 5 países*. /s não+oxítonos terminados em +S são invari%veis' marcando o n2mero pelo artigo )os atlas' os l%pis' os 8nibus*' cais' c.s e xis são invari%veis7 +N: +S ou +;S' sendo a 2ltima menos comum ),ífen 5 ,ifens ou ,ífenes*' c?non @ c?nones7 +5: invari%vel' usando o artigo para o plural )t.rax 5 os t.rax*7 +AA' ;A' /A' <A: troca+se +A por +"S )animal 5 animais' barril 5 barris*. ;xceto mal por males' c8nsul por c8nsules' real )moeda* por r!is' mel por m!is ou meles7 "A: se oxítono' trocar +A por +S. Se não oxítonos' trocar +"A por +;"S. )til 5 tis' míssil 5 mísseis*. Observação: r!ptil 4 reptil por r!pteis 4 reptis' proj!til 4 projetil por proj!teis 4 projetis7 sufixo diminutivo +>"NB/)A* 4 +>"C/)A*: colocar a palavra primitiva no plural' retirar o +S e acrescentar o sufixo diminutivo )cae1itos' coronei1in,os' mul,ere1in,as*. /bservação: palavras com esses sufixos não recebem acento gr%fico. metafonia: +o t8nico fec,ado no singular muda para o timbre aberto no plural' tamb!m variando em função da palavra. )ovo 5 ovos' mas bolo 5 bolos*. Observação: av8s )av8 paterno D av8 materno*' av.s )av. D av. ou av8 D av.*.

• • • • •

/s substantivos podem apresentar diferentes graus' por!m grau não ! uma flexão nominal. São tr0s graus: normal' aumentativo e diminutivo e podem ser formados atrav!s de dois processos: • • analítico: associando os adjetivos )grande ou pe&ueno' ou similar* ao substantivo7 sint!tico: anexando+se ao substantivo sufixos indicadores de grau )meninão 5 meninin,o*. alguns sufixos aumentativo: +%1io' +orra' +ola' +a1' +ão' +eirão' +al,ão' +arão' +arrão' +1arrão7 alguns sufixos diminutivo: +ito' +ulo+' +culo' +ote' +ola' +im' +el,o' +in,o' +1in,o )o sufixo +1in,o ! obrigat.rio &uando o substantivo terminar em vogal t8nica ou ditongo: cafe1in,o' pai1in,o*7

#ertos substantivos' apesar da forma' não expressam a noção aumentativa ou diminutiva. )cartão' cartil,a*. • •

/ aumentativo pode exprimir despre1o )sabic,ão' ministraço' poetastro* ou intimidade )amigão*7 en&uanto o diminutivo pode indicar carin,o )fil,in,o* ou ter valor pejorativo )livreco' casebre*. Algumas curiosidades sobre os substantivos: Palavras masculinas: • • • • • • • • • • • • • • • %gape )refeição dos primitivos cristãos*7 an%tema )excomungação*7 axioma )premissa verdadeira*7 caudal )cac,oeira*7 carcinoma )tumor maligno*7 c,ampan,a' clã' clarinete' contralto' coma' diabete4diabetes )Ee6 classificam como g0nero vacilante*7 diadema' estratagema' fibroma )tumor benigno*7 ,erpes' ,osana ),ino*7 j?ngal )floresta da Fndia*7 l,ama' praça )soldado raso*7 praça )soldado raso*7 proclama' sabi%' soprano )Ee6 classificam como g0nero vacilante*7 su!ter' tapa )Ee6 classificam como g0nero vacilante*7 teir. )parte de arma de fogo ou arado*7 telefonema' trema' vau )trec,o raso do rio*.

Palavras femininas: • • • • • • • • • • • • • • • • • abusão )engano*7 alcíone )ave doa antigos*7 aluvião' ara&uã )ave*7 %spide )reptil peçon,ento*7 baitaca )ave*7 cataplasma' cal' cl?mide )manto grego*7 c.lera )doença*7 derme' dinamite' entorce' f%cies )aspecto*7 filoxera )inseto e doença*7 g0nese' guriatã )ave*7 ,!lice )Ee6 classificam como g0nero vacilante*7 jaçanã )ave*7 juriti )tipo de aves*7 libido' mascote' omoplata' r0s' suçuarana )felino*7 sucuri' tíbia' trama' ub% )canoa*7 usucapião )Ee6 classificam como g0nero vacilante*7 xerox )c.pia*. acauã )falcão*7 inambu )ave*7 laringe' personagem )#eg. fala &ue ! usada indistintamente nos dois g0neros' mas &ue ,% prefer0ncia de autores pelo masculino*7 víspora. abade + abadessa7 abegão )feitor* + abegoa7 alcaide )antigo governador* + alcaidessa' alcaidina7 aldeão + aldeã7 anfitrião + anfitrioa' anfitriã7 beirão )natural da Geira* + beiroa7 besuntão )porcal,ão* + besuntona7 bonac,ão + bonac,ona7 bretão + bretoa' bretã7 cantador + cantadeira7 cantor + cantora' cantadora' cantarina' cantatri17 castelão )dono do castelo* + castelã7 catalão + catalã7 cavaleiro + cavaleira' ama1ona7 c,arlatão + c,arlatã7 coimbrão + coimbrã7 c8nsul + consulesa7 comarcão + comarcã7 c8nego + canonisa7 c1ar + c1arina7 deus + deusa' d!ia7 di%cono )cl!rigo* + diaconisa7 doge )antigo magistrado* + dogesa7 druida + druidesa7 elefante + elefanta e ali% )#eilão*7 embaixador + embaixadora e embaixatri17 ermitão + ermitoa' ermitã7 faisão + faisoa )#egalla*' faisã7 ,ortelão )trata da ,orta* + ,orteloa7 javali + javalina7 ladrão + ladra' ladroa' ladrona7

Gênero vacilante: • • • •

Alguns femininos: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

• • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

fel% )campon0s* + felaína7 fl?mine )antigo sacerdote* + flamínica7 frade + freira7 frei + s.ror7 gigante + giganta7 grou + grua7 lebrão + lebre7 maestro + maestrina7 maganão )malicioso* + magana7 melro + m!lroa7 mocetão + mocetona7 oficial + oficiala7 padre + madre7 papa + papisa7 pardal + pardoca' pardaloca' pardaleja7 parvo + p%rvoa7 peão + peã' peona7 perdigão + perdi17 prior + prioresa' priora7 mu ou mulo + mula7 raj% + rani7 rapa1 + rapariga7 rascão )desleixado* + rascoa7 sandeu + sandia7 sintrão + sintrã7 sultão + sultana7 tabar!u + tabaroa7 varão + matrona' mul,er7 veado + veada7 vilão + viloa' vilã. alão + alões' alãos' alães7 aldeão + aldeãos' aldeões7 capelão + capelães7 castelão + castelãos' castelões7 cidadão + cidadãos7 cortesão + cortesãos7 ermitão + ermitões' ermitãos' ermitães7 escrivão + escrivães7 folião + foliões7 ,ortelão + ,ortelões' ,ortelãos7 pagão + pagãos7 sacristão + sacristães7 tabelião + tabeliães7 tecelão + tecelões7 verão + verãos' verões7 vilão + vilões' vilãos7 vulcão + vulcões' vulcãos.

Substantivos em -ÃO e seus plurais: • • • • • • • • • • • • • • • • •

Alguns substantivos ue sofrem metafonia no plural: abrol,o' caroço' corcovo' corvo' coro' despojo' destroço' escol,o' esforço' estorvo' forno' forro' fosso' imposto' jogo' miolo' poço' porto' posto' reforço' rogo' socorro' tijolo' toco' torno' torto' troco. Substantivos s! usados no plural: anais' antol,os' arredores' arras )bens' pen,or*' calendas )HI dia do m0s romano*' cãs )cabelos brancos*' c.cegas' condol0ncias' damas )jogo*' endoenças )solenidades religiosas*' esponsais )contrato de casamento ou noivado*' espos.rios )presente de n2pcias*' ex!&uias )cerim8nias f2nebres*' fastos )anais*' f!rias' fe1es' manes )almas*' matinas )brevi%rio de orações matutinas*' n2pcias' .culos' ol,eiras' primícias

)começos' prel2dios*' p0sames' vísceras' víveres etc.' al!m dos nomes de naipes. Coletivos: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • alavão + ovel,as leiteiras7 armento + gado grande )b2falos' elefantes*7 assembleia )parlamentares' membros de associações*7 atil,o + espigas7 baixela + utensílios de mesa7 banca + de examinadores' advogados7 bandeira + garimpeiros' exploradores de min!rios7 bando + aves' ciganos' crianças' salteadores7 boana + peixes mi2dos7 cabido + c8negos )consel,eiros de bispo*7 c%fila + camelos7 cainçal,a + cães7 cambada + caranguejos' malvados' c,aves7 cancioneiro + poesias' canções7 caterva + desordeiros' vadios7 c,oldra' joldra + assassinos' malfeitores7 c,usma + populares' criados7 consel,o + vereadores' diretores' juí1es militares7 concili%bulo + feiticeiros' conspiradores7 concílio + bispos7 can1oada + cães7 conclave + cardeais7 congregação + professores' religiosos7 consist.rio + cardeais7 fato + cabras7 feixe + capim' len,a7 junta + bois' m!dicos' credores' examinadores7 gir?ndola + foguetes' fogos de artifício7 grei + gado mi2do' políticos7 ,emeroteca + jornais' revistas7 legião + anjos' soldados' dem8nios7 malta + desordeiros7 matula + desordeiros' vagabundos7 miríade + estrelas' insetos7 nuvem + gafan,otos' p.7 panapan% + borboletas migrat.rias7 penca + bananas' c,aves7 r!cua + cavalgaduras )bestas de carga*7 ren&ue + %rvores' pessoas ou coisas enfileiradas7 r!stia + al,o' cebola7 ror + grande &uantidade de coisas7 s2cia + pessoas desonestas' patifes7 tal,a +len,a7 tert2lia + amigos' intelectuais7 tropil,a + cavalos7 vara + porcos.

Substantivos compostos: /s substantivos compostos formam o plural da seguinte maneira: • • sem ,ífen formam o plural como os simples )pontap!4pontap!s*7 caso não ,aja caso específico' verifica+se a variabilidade das palavras &ue compõem o substantivo para plurali1%+los. São palavras vari%veis: substantivo' adjetivo' numeral' pronomes' particípio. São palavras invari%veis: verbo' preposição' adv!rbio' prefixo7 em elementos repetidos' muito parecidos ou onomatopaicos' s. o segundo vai para o plural )tico+ ticos' ti&ue+ta&ues' corre+corres' pingue+pongues*7

• • •

• •

com elementos ligados por preposição' apenas o primeiro se flexiona )p!s+de+mole&ue*7 são invari%veis os elementos grão' grã e bel )grão+du&ues' grã+cru1es' bel+pra1eres*7 s. variar% o primeiro elemento nos compostos formados por dois substantivos' onde o segundo limita o primeiro elemento' indicando tipo' semel,ança ou finalidade deste )sambas+enredo' bananas+maçã* nen,um dos elementos vai para o plural se formado por verbos de sentidos opostos e frases substantivas )os leva+e+tra1' os bota+fora' os pisa+mansin,o' os bota+abaixo' os louva+a+Jeus' os gan,a+pouco' os di1+&ue+me+di1*7 compostos cujo segundo elemento j% est% no plural não variam )os troca+tintas' os salta+pocin,as' os espirra+canivetes*7 palavra guarda' se fi1er refer0ncia a pessoa varia por ser substantivo. #aso represente o verbo guardar' não pode variar )guardas+noturnos' guarda+c,uvas*.

Ad"etivo: $ a palavra vari%vel &ue restringe a significação do substantivo' indicando &ualidades e características deste. 6ant!m com o substantivo &ue determina relação de concord?ncia de g0nero e n2mero. • adjetivos p%trios: indicam a nacionalidade ou a origem geogr%fica' normalmente são formados pelo acr!scimo de um sufixo ao substantivo de &ue se originam )Alagoas por alagoano*. Podem ser simples ou compostos' referindo+se a duas ou mais nacionalidades ou regiões7 nestes 2ltimos casos assumem sua forma redu1ida e erudita' com exceção do 2ltimo elemento )franco+ítalo+brasileiro*. locuções adjetivas: expressões formadas por preposição e substantivo e com significado e&uivalente a adjetivos )anel de prata 3 anel arg0nteo 4 andar de cima 3 andar superior 4 estar com fome 3 estar faminto*. aç2car + sacarino7 %guia + a&uilino7 anel + anular7 astro + sideral7 bexiga + vesical7 bispo + episcopal7 cabeça + cef%lico7 c,umbo + pl2mbeo7 c,uva + pluvial7 cin1a + cin!reo7 cobra + colubrino' ofídico7 din,eiro + pecuni%rio7 est8mago + g%strico7 f%brica + fabril7 fígado + ,ep%tico7 fogo + ígneo7 guerra + b!lico7 ,omem + viril7 inverno + ,ibernal7 lago + lacustre7 lebre + leporino7 lobo + lupino7 marfim + eb2rneo' eb.reo7 mem.ria + mnem8nico7 moeda + monet%rio' numism%tico7 neve + níveo7 pedra + p!treo7 prata + arg0nteo' argentino' argírico7 raposa + vulpino7 rio + fluvial' pot?mico7 roc,a + rupestre7 son,o + onírico7 sul + meridional' austral7

São ad"etivos eruditos: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • •

• • •

tarde + vespertino7 vel,o' vel,ice + senil7 vidro + vítreo' ,ialino.

(uanto K variação dos adjetivos' eles apresentam as seguintes características: / g0nero ! uniforme ou biforme )inteligente 5 ,onestoLaM*. (uanto ao g0nero' não se di1 &ue um adjetivo ! masculino ou feminino' e sim &ue tem terminação masculina ou feminina. No tocante a n2mero' os adjetivos simples formam o plural segundo os mesmos princípios dos substantivos simples' em função de sua terminação )agrad%vel 5 agrad%veis*. -% os substantivos utili1ados como adjetivos ficam invari%veis )blusas cin1a*. /s adjetivos terminados em +/S/' al!m do acr!scimo do +S de plural' mudam o timbre do primeiro +o' num processo de metafonia. (uanto ao grau' os adjetivos apresentam duas formas: comparativo e superlativo. / grau comparativo refere+se a uma mesma &ualidade entre dois ou mais seres' duas ou mais &ualidades de um mesmo ser. Pode ser de igualdade: tão alto &uanto )como 4 &uão*7 de superioridade: mais alto )do* &ue )analítico* 4 maior )do* &ue )sint!tico* e de inferioridade: menos alto )do* &ue. / grau superlativo exprime &ualidade em grau muito elevado ou intenso. / superlativo pode ser classificado como absoluto' &uando a &ualidade não se refere K de outros elementos. Pode ser analítico )acr!scimo de adv!rbio de intensidade* ou sint!tico )+íssimo' +!rrimo' +ílimo*. )muito alto 5 altíssimo* / superlativo pode ser tamb!m relativo' &ualidade relacionada' favor%vel ou desfavoravelmente' K de outros elementos. Pode ser de superioridade analítico )o mais alto de4dentre*' de superioridade sint!tico )o maior de4dentre* ou de inferioridade )o menos alto de4dentre*. São superlativos absolutos sint#ticos eruditos da l$ngua portuguesa: • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • acre + ac!rrimo7 alto + supremo' sumo7 am%vel + amabilíssimo7 amigo + amicíssimo7 baixo + ínfimo7 cruel + crudelíssimo7 doce + dulcíssimo7 d.cil + docílimo7 fiel + fidelíssimo7 frio + frigidíssimo7 ,umilde + ,umílimo7 livre + lib!rrimo7 magro + mac!rrimo7 mísero + mis!rrimo7 negro + nig!rrimo7 pobre + paup!rrimo7 s%bio + sapientíssimo7 sagrado + sacratíssimo7 são + saníssimo7 velo1 + velocíssimo. t0m como regra geral' flexionar o 2ltimo elemento em g0nero e n2mero )lentes c8ncavo+convexas' problemas s.cio+econ8micos*7 são invari%veis cores em &ue o segundo elemento ! um substantivo )blusas a1ul+tur&uesa' bolsas branco+gelo*7 não variam as locuções adjetivas formadas pela expressão cor+de+... )vestidos cor+de+rosa*7 as cores: a1ul+celeste e a1ul+marin,o são invari%veis7 em surdo+mudo flexionam+se os dois elementos.

Os ad"etivos compostos formam o plural da seguinte forma: • • • • •

Pronome: $ palavra vari%vel em g0nero' n2mero e pessoa &ue substitui ou acompan,a um substantivo' indicando+o como pessoa do discurso. A diferença entre pronome substantivo e pronome adjetivo pode ser atribuída a &ual&uer tipo de pronome' podendo variar em função do contexto frasal. Assim' o pronome substantivo ! a&uele &ue substitui um substantivo' representando+o. );le prestou socorro*. -% o pronome adjetivo ! a&uele &ue acompan,a um substantivo' determinando+o. )A&uele rapa1 ! belo*. /s pronomes pessoais são sempre substantivos. (uanto Ks pessoas do discurso' a língua portuguesa apresenta tr0s pessoas: HN pessoa + a&uele &ue fala' emissor7 ON pessoa + a&uele com &uem se fala' receptor7 PN pessoa + a&uele de &ue ou de &uem se fala' referente. Pronome pessoal: "ndicam uma das tr0s pessoas do discurso' substituindo um substantivo. Podem tamb!m representar' &uando na PN pessoa' uma forma nominal anteriormente expressa )A moça era a mel,or secret%ria' ela mesma agendava os compromissos do c,efe*. A seguir um &uadro com todas as formas do pronome pessoal: Pronomes pessoais Pronomes obl$ uos 'tonos ()nicos

%&mer o

Pesso a

Pronomes retos

primeir a singular segund a terceira primeir a plural segund a terceira

eu tu ele' ela

me te o' a' l,e' se

mim' comigo ti' contigo ele' ela' si' consigo

n.s v.s eles' elas

nos vos os' as' l,es' se

n.s' conosco v.s' convosco eles' elas' si' consigo

/s pronomes pessoais apresentam variações de forma dependendo da função sint%tica &ue exercem na frase. /s pronomes pessoais retos desempen,am' normalmente' função de sujeito7 en&uanto os oblí&uos' geralmente' de complemento. /s pronomes oblí&uos t8nicos devem vir regidos de preposição. ;m comigo' contigo' conosco e convosco' a preposição com j% ! parte integrante do pronome. /s pronomes de tratamento estão en&uadrados nos pronomes pessoais. São empregados como refer0ncia K pessoa com &uem se fala )ON pessoa*' entretanto' a concord?ncia ! feita com a PN pessoa. Camb!m são considerados pronomes de tratamento as formas voc0' voc0s )provenientes da redução de ossa 6erc0*' Sen,or' Sen,ora e Sen,orita. (uanto ao emprego' as formas oblí&uas o' a' os' as completam verbos &ue não v0m regidos de preposição7 en&uanto l,e e l,es para verbos regidos das preposições a ou para )não expressas*. Apesar de serem usadas pouco' as formas mo' to' no+lo' vo+lo' l,o e flexões resultam da fusão de dois

objetos' representados por pronomes oblí&uos )Ningu!m mo disse 3 ningu!m o disse a mim*. /s pronomes %tonos o' a' os e as viram lo)a4s*' &uando associados a verbos terminados em r' s ou 1 e viram no)a4s*' se a terminação verbal for em ditongo nasal. /s pronomes o4a )s*' me' te' se' nos' vos desempen,am função se sujeitos de infinitivo ou verbo no ger2ndio' junto ao verbo fa1er' deixar' mandar' ouvir e ver )6andei+o entrar 4 ;u o vi sair 4 Jeixei+as c,orando*. A forma voc0' atualmente' ! usada no lugar da ON pessoa )tu4v.s*' tanto no singular &uanto no plural' levando o verbo para a PN pessoa. -% as formas de tratamento serão precedidas de ossa' &uando nos dirigirmos diretamente K pessoa e de Sua' &uando fi1ermos refer0ncia a ela. Croca+se na abreviatura o . pelo S. (uando precedidos de preposição' os pronomes retos )exceto eu e tu* passam a funcionar como oblí&uos. ;u e tu não podem vir precedidos de preposição' exceto se funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo )"sto ! para eu fa1er Q para mim fa1er*. /s pronomes acompan,ados de s. ou todos' ou seguido de numeral' assumem forma reta e podem funcionar como objeto direto );stava s. ele no banco 4 ;ncontramos todos eles*. /s pronomes me' te' se' nos' vos podem ter valor reflexivo' en&uanto se' nos' vos + podem ter valor reflexivo e recíproco. As formas si e consigo t0m valor exclusivamente reflexivo e usados para a PN pessoa. -% conosco e convosco devem aparecer na sua forma analítica )com n.s e com v.s* &uando vierem com modificadores )todos' outros' mesmos' pr.prios' numeral ou oração adjetiva*. /s pronomes pessoais retos podem desempen,ar função de sujeito' predicativo do sujeito ou vocativo' este 2ltimo com tu e v.s )N.s temos uma proposta 4 ;u sou eu e pronto 4 R' tu' Sen,or -esus*. (uanto ao uso das preposições junto aos pronomes' deve+se saber &ue não se pode contrair as preposições de e em com pronomes &ue sejam sujeitos );m ve1 de ele continuar' desistiu Q i as bolsas dele bem a&ui*. /s pronomes %tonos podem assumir valor possessivo )Aevaram+me o din,eiro 4 Pesavam+l,e os ol,os*' en&uanto alguns %tonos são partes integrantes de verbos como suicidar+se' apiedar+se' condoer+se' ufanar+ se' &ueixar+se' vangloriar+se. -% os pronomes oblí&uos podem ser usados como expressão expletiva )Não me ven,a com essa*. Pronome possessivo: Ea1em refer0ncia Ks pessoas do discurso' apresentando+as como possuidoras de algo. #oncordam em g0nero e n2mero com a coisa possuída. São pronomes possessivos da língua portuguesa as formas: HN pessoa: meu)s*' min,a)s* nosso)a4s*7 ON pessoa: teu)s*' tua)s* vosso)a4s*7 PN pessoa: seu)s*' sua)s* seu)s*' sua)s*. (uanto ao emprego' normalmente' vem antes do nome a &ue se refere7 podendo' tamb!m' vir depois do substantivo &ue determina. Neste 2ltimo caso' pode at! alterar o sentido da frase. / uso do possessivo seu )a4s* pode causar ambiguidade' para desfa10+la' deve+se preferir o uso do dele )a4s* );le disse &ue 6aria estava trancada em sua casa + casa de &uemS*7 pode tamb!m indicar aproximação num!rica )ele tem l% seus TU anos*. -% nas expressões do tipo VSeu -oãoV' seu não tem valor de posse por ser uma alteração fon!tica de Sen,or. Pronome demonstrativo: "ndicam posição de algo em relação Ks pessoas do discurso' situando+o no tempo e4ou no espaço. São: este )a4s*' isto' esse )a4s*' isso' a&uele )a4s*' a&uilo. "sto' isso e a&uilo são invari%veis e se empregam exclusivamente como substitutos de substantivos. As formas mesmo' pr.prio' semel,ante' tal )s* e o )a4s* podem desempen,ar papel de pronome

demonstrativo. (uanto ao emprego' os pronomes demonstrativos apresentam+se da seguinte maneira: • • • • • uso d0itico' indicando locali1ação no espaço + este )a&ui*' esse )aí* e a&uele )l%*7 uso d0itico' indicando locali1ação temporal + este )presente*' esse )passado pr.ximo* e a&uele )passado remoto ou bastante vago*7 uso anaf.rico' em refer0ncia ao &ue j% foi ou ser% dito + este )novo enunciado* e esse )retoma informação*7 o' a' os' as são demonstrativos &uando e&uivalem a a&uele )a4s*' isto )Aeve o &ue l,e pertence*7 tal ! demonstrativo se puder ser substituído por esse )a*' este )a* ou a&uele )a* e semel,ante' &uando anteposto ao substantivo a &ue se refere e e&uivalente a Va&ueleV' Vid0nticoV )/ problema ainda não foi resolvido' tal demora atrapal,ou as negociações 4 Não brigue por semel,ante causa*7 mesmo e pr.prio são demonstrativos' se precedidos de artigo' &uando significarem Vid0nticoV' VigualV ou VexatoV. #oncordam com o nome a &ue se referem )Separaram crianças de mesmas s!ries*7 como refer0ncia a termos j% citados' os pronomes a&uele )a4s* e este )a4s* são usados para primeira e segunda ocorr0ncias' respectivamente' em apostos distributivos )/ m!dico e a enfermeira estavam calados: a&uele amedrontado e esta calma 4 ou: esta calma e a&uele amedrontado*7 pode ocorrer a contração das preposições a' de' em com os pronomes demonstrativos )Não acreditei no &ue estava vendo 4 Eui K&uela região de montan,as 4 Ee1 alusão K pessoa de a1ul e K de branco*7 podem apresentar valor intensificador ou depreciativo' dependendo do contexto frasal );le estava com a&uela paci0ncia 4 A&uilo ! um marido de enfeite*7 nisso e nisto )em D pronome* podem ser usados com valor de VentãoV ou Vnesse momentoV )Nisso' ela entrou triunfante + nisso 3 adv!rbio*.

• •

Pronome relativo: =etoma um termo expresso anteriormente )antecedente* e introdu1 uma oração dependente' adjetiva. /s pronomes relativos são: &ue' &uem e onde + invari%veis7 al!m de o &ual )a4s*' cujo )a4s* e &uanto )a4s*. /s relativos são c,amados relativos indefinidos &uando são empregados sem antecedente expresso )(uem espera sempre alcança 4 Ee1 &uanto p8de*. (uanto ao emprego' observa+se &ue os relativos são usados &uando: • • • • • o antecedente do relativo pode ser demonstrativo o )a4s* )/ Grasil divide+se entre os &ue leem ou não*7 como relativo' &uanto refere+se ao antecedente tudo ou todo )/uvia tudo &uanto me interessava* &uem ser% precedido de preposição se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados expressos7 &uem 3 relativo indefinido &uando ! empregado sem antecedente claro' não vindo precedido de preposição7 cujo )a4s* ! empregado para dar a ideia de posse e não concorda com o antecedente e sim com seu conse&uente. ;le tem sempre valor adjetivo e não pode ser acompan,ado de artigo.

Pronome indefinido: =eferem+se K PN pessoa do discurso &uando considerada de modo vago' impreciso ou gen!rico' representando pessoas' coisas e lugares. Alguns tamb!m podem dar ideia de conjunto ou &uantidade indeterminada. ;m função da &uantidade de pronomes indefinidos' merece atenção sua identificação. São pronomes indefinidos de: • • • pessoas: &uem' algu!m' ningu!m' outrem7 lugares: onde' algures' al,ures' nen,ures7 pessoas' lugares' coisas: &ue' &ual' &uais' algo' tudo' nada' todo )a4s*' algum )a4s*' v%rios )a*' nen,um )a4s*' certo )a4s*' outro )a4s*' muito )a4s*' pouco )a4s*' &uanto )a4s*' um )a4s*' &ual&uer )s*' cada. algum' ap.s o substantivo a &ue se refere' assume valor negativo )3 nen,um* )#omputador algum resolver% o problema*7

Sobre o emprego dos indefinidos devemos atentar para: •

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cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral );las receberam P balas cada uma*7 alguns pronomes indefinidos' se vierem depois do nome a &ue estiverem se referindo' passam a ser adjetivos. )#ertas pessoas deveriam ter seus lugares certos 4 #omprei v%rias balas de sabores v%rios* bastante pode vir como adjetivo tamb!m' se estiver determinando algum substantivo' unindo+se a ele por verbo de ligação )"sso ! bastante para mim*7 o pronome outrem e&uivale a V&ual&uer pessoaV7 o pronome nada' colocado junto a verbos ou adjetivos' pode e&uivaler a adv!rbio );le não est% nada contente ,oje*7 o pronome nada' colocado junto a verbos ou adjetivos' pode e&uivaler a adv!rbio );le não est% nada contente ,oje*7 existem algumas locuções pronominais indefinidas + &uem &uer &ue' o &ue &uer' seja &uem for' cada um etc. todo com valor indefinido antecede o substantivo' sem artigo )Coda cidade parou para ver a banda Q Coda a cidade parou para ver a banda*.

Pronome interrogativo: São os pronomes indefinidos &ue' &uem' &ual' &uanto usados na formulação de uma pergunta direta ou indireta. =eferem+se K PN pessoa do discurso. )(uantos livros voc0 temS 4 Não sei &uem l,e contou*. Alguns interrogativos podem ser adverbiais )(uando voltarãoS 4 /nde encontr%+losS 4 #omo foi tudoS*. *erbo: $ a palavra vari%vel &ue exprime um acontecimento representado no tempo' seja ação' estado ou fen8meno da nature1a. /s verbos apresentam tr0s conjugações. ;m função da vogal tem%tica' podem+se criar tr0s paradigmas verbais. Je acordo com a relação dos verbos com esses paradigmas' obt!m+se a seguinte classificação: • • regulares: seguem o paradigma verbal de sua conjugação7 irregulares: não seguem o paradigma verbal da conjugação a &ue pertencem. As irregularidades podem aparecer no radical ou nas desin0ncias )ouvir + ouço4ouve' estar + estou4estão*7

;ntre os verbos irregulares' destacam+se os an8malos &ue apresentam profundas irregularidades. São classificados como an8malos em todas as gram%ticas os verbos ser e ir. • defectivos: não são conjugados em determinadas pessoas' tempo ou modo )falir + no presente do indicativo s. apresenta a HN e a ON pessoa do plural*. /s defectivos distribuem+se em tr0s grupos: impessoais' unipessoais )vo1es ou ruídos de animais' s. conjugados nas PN pessoas* por eufonia ou possibilidade de confusão com outros verbos7 abundantes + apresentam mais de uma forma para uma mesma flexão. 6ais fre&uente no particípio' devendo+se usar o particípio regular com ter e ,aver7 j% o irregular com ser e estar )aceito4aceitado' acendido4aceso + ten,o4,ei aceitado Q !4est% aceito*7 au+iliares: juntam+se ao verbo principal ampliando sua significação. Presentes nos tempos compostos e locuções verbais7 certos verbos possuem pronomes pessoais %tonos &ue se tornam partes integrantes deles. Nesses casos' o pronome não tem função sint%tica )suicidar+se' apiedar+se' &ueixar+se etc.*7 formas ri1ot8nicas )tonicidade no radical + eu canto* e formas arri1ot8nicas )tonicidade fora do radical + n.s cantaríamos*. n&mero: singular ou plural7 pessoa gramatical: HN' ON ou PN7 tempo: refer0ncia ao momento em &ue se fala )pret!rito' presente ou futuro*. / modo imperativo s. tem um tempo' o presente7 vo,: ativa' passiva e reflexiva7 modo: indicativo )certe1a de um fato ou estado*' subjuntivo )possibilidade ou desejo de reali1ação de um fato ou incerte1a do estado* e imperativo )expressa ordem' advert0ncia ou pedido*.

• • •

(uanto K flexão verbal' temos: • • • • •

As tr0s formas nominais do verbo )infinitivo' ger2ndio e particípio* não possuem função exclusivamente verbal. "nfinitivo ! antes substantivo' o particípio tem valor e forma de adjetivo' en&uanto o ger2ndio e&uipara+se ao adjetivo ou adv!rbio pelas circunst?ncias &ue exprime.

(uanto ao tempo verbal' eles apresentam os seguintes valores: • • • • • • • • • presente do indicativo: indica um fato real situado no momento ou !poca em &ue se fala7 presente do sub"untivo: indica um fato prov%vel' duvidoso ou ,ipot!tico situado no momento ou !poca em &ue se fala7 pret#rito perfeito do indicativo: indica um fato real cuja ação foi iniciada e concluída no passado7 pret#rito imperfeito do indicativo: indica um fato real cuja ação foi iniciada no passado' mas não foi concluída ou era uma ação costumeira no passado7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: indica um fato prov%vel' duvidoso ou ,ipot!tico cuja ação foi iniciada mas não concluída no passado7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: indica um fato real cuja ação ! anterior a outra ação j% passada7 futuro do presente do indicativo: indica um fato real situado em momento ou !poca vindoura7 futuro do pret#rito do indicativo: indica um fato possível' ,ipot!tico' situado num momento futuro' mas ligado a um momento passado7 futuro do sub"untivo: indica um fato prov%vel' duvidoso' ,ipot!tico' situado num momento ou !poca futura7

(uanto K formação dos tempos' os c,amados tempos simples podem ser primitivos )presente e pret!rito perfeito do indicativo e o infinitivo impessoal* e derivados: São derivados do presente do indicativo: • • pret#rito imperfeito do indicativo: C;6A do presente D A )HN conj.* ou "A )ON e PN conj.* D Jesin0ncia n2mero pessoal )JNP*7 presente do sub"untivo: =AJ da HN pessoa singular do presente D ; )HN conj.* ou A )ON e PN conj.* D JNP7 imperativo negativo )todo derivado do presente do subjuntivo* e imperativo afirmativo )as ON pessoas v0m do presente do indicativo sem S' as demais tamb!m v0m do presente do subjuntivo*. pret!rito mais+&ue+perfeito do indicativo: C;6A do perfeito D =A D JNP7 pret!rito imperfeito do subjuntivo: C;6A do perfeito D SS; D JNP7 futuro do subjuntivo: C;6A do perfeito D = D JNP. São derivados do infinitivo impessoal: futuro do presente do indicativo: C;6A do infinitivo D =A D JNP7 futuro do pret#rito: C;6A do infinitivo D ="A D JNP7 infinitivo pessoal: infinitivo impessoal D JNP )+;S + ON pessoa' +6/S' +J;S' +;6* ger&ndio: C;6A do infinitivo D +NJ/7 partic$pio regular: infinitivo impessoal sem vogal tem%tica ) C* e = D AJ/ )HN conjugação* ou "J/ )ON e PN conjugação*.

/s verbos em +ear t0m duplo VeV em ve1 de VeiV na HN pessoa do plural )passeio' mas passeemos*. •

São derivados do pret#rito perfeito do indicativo: • • • • • • • • •

(uanto K formação' os tempos compostos da vo1 ativa constituem+se dos verbos auxiliares C;= ou BA ;= D particípio do verbo &ue se &uer conjugar' dito principal. %o modo -ndicativo. os tempos compostos são formados da seguinte maneira: • • • • pret#rito perfeito: presente do indicativo do auxiliar D particípio do verbo principal ) P* LCen,o faladoM7 pret#rito mais- ue-perfeito: pret!rito imperfeito do indicativo do auxiliar D particípio do P )Cin,a falado*7 futuro do presente: futuro do presente do indicativo do auxiliar D particípio do P )Cerei falado*7 futuro do pret#rito: futuro do pret!rito indicativo do auxiliar D particípio do P )Ceria falado*. pret#rito perfeito: presente do subjuntivo do auxiliar D particípio do P )Cen,a falado*7 pret#rito mais- ue-perfeito: imperfeito do subjuntivo do auxiliar D particípio do P )Civesse falado*7 futuro composto: futuro do subjuntivo do auxiliar D particípio do P )Civer falado*. infinitivo composto: infinitivo pessoal ou impessoal do auxiliar D particípio do P )Cer falado 4 Ceres falado*7

%o modo Sub"untivo a formação se d/ da seguinte maneira: • • •

0uanto 1s formas nominais. elas são formadas da seguinte maneira: •

ger2ndio composto: ger2ndio do auxiliar D particípio do P )Cendo falado*.

/ modo subjuntivo apresenta tr0s pret!ritos' sendo o imperfeito na forma simples e o perfeito e o mais+&ue+ perfeito nas formas compostas. Não ,% presente composto nem pret!rito imperfeito composto 0uanto 1s vo,es. os verbos apresentam a vo,: • • ativa: sujeito ! agente da ação verbal7 passiva: sujeito ! paciente da ação verbal7 anal$tica: + verbo auxiliar D particípio do verbo principal7 sint#tica: na PN pessoa do singular ou plural D S; )partícula apassivadora*7 refle+iva: sujeito ! agente e paciente da ação verbal. Camb!m pode ser recíproca ao mesmo tempo )acr!scimo de S; 3 pronome reflexivo' vari%vel em função da pessoa do verbo*7

A vo, passiva pode ser anal$tica ou sint#tica: • • •

Na transformação da vo1 ativa na passiva' a variação temporal ! indicada pelo auxiliar )ser na maioria das ve1es*' como notamos nos exemplos a seguir: ;le fe1 o trabal,o + / trabal,o foi feito por ele )mantido o pret!rito perfeito do indicativo* 4 / vento ia levando as fol,as + As fol,as iam sendo levadas pelas fol,as )mantido o ger2ndio do verbo principal*. Alguns verbos da língua portuguesa apresentam problemas de conjugação. A seguir temos uma lista' seguida de coment%rios sobre essas dificuldades de conjugação. • Abolir )defectivo* + não possui a HN pessoa do singular do presente do indicativo' por isso não possui presente do subjuntivo e o imperativo negativo. )3 banir' carpir' colorir' delin&uir' demolir' descomedir+se' emergir' exaurir' fremir' fulgir' ,aurir' retor&uir' urgir* Acudir )altern?ncia voc%lica o4u* + presente do indicativo + acudo' acodes... e pret!rito perfeito do indicativo + com u )3 bulir' consumir' cuspir' engolir' fugir* 4 Ade&uar )defectivo* + s. possui a HN e a ON pessoa do plural no presente do indicativo Aderir )altern?ncia voc%lica e4i* + presente do indicativo + adiro' adere... )3 advertir' cer1ir' despir' diferir' digerir' divergir' ferir' sugerir* Agir )acomodação gr%fica g4j* + presente do indicativo + ajo' ages... )3 afligir' coagir' erigir' espargir' refulgir' restringir' transigir' urgir* Agredir )altern?ncia voc%lica e4i* + presente do indicativo + agrido' agrides' agride' agredimos' agredis' agridem )3 prevenir' progredir' regredir' transgredir* 4 Aguar )regular* + presente do indicativo + %guo' %guas...' + pret!rito perfeito do indicativo + aguei' aguaste' aguou' aguamos' aguastes' aguaram )3 desaguar' enxaguar' minguar* Apra,er )irregular* + presente do indicativo + apra1o' apra1es' apra1... 4 pret!rito perfeito do indicativo + aprouve' aprouveste' aprouve' aprouvemos' aprouvestes' aprouveram Arguir )irregular com altern?ncia voc%lica o4u* + presente do indicativo + arguo )2*' arg2is' arg2i' arguimos' arguis' arg2em + pret!rito perfeito + argui' arguiste... )com trema* Atrair )irregular* + presente do indicativo + atraio' atrais... 4 pret!rito perfeito + atraí' atraíste... )3 abstrair' cair' distrair' sair' subtrair* Atribuir )irregular* + presente do indicativo + atribuo' atribuis' atribui' atribuímos' atribuís' atribuem + pret!rito perfeito + atribuí' atribuíste' atribuiu... )3 afluir' concluir' destituir' excluir' instruir' possuir' usufruir* Averiguar )altern?ncia voc%lica o4u* + presente do indicativo + averiguo )2*' averiguas )2*' averigua )2*' averiguamos' averiguais' averiguam )2* + pret!rito perfeito + averigWei' averiguaste... + presente do subjuntivo + averig2e' averig2es' averig2e... )3 apa1iguar* Cear )irregular* + presente do indicativo + ceio' ceias' ceia' ceamos' ceais' ceiam + pret!rito perfeito indicativo + ceei' ceaste' ceou' ceamos' ceastes' cearam )3 verbos terminados em +ear: falsear' passear... + alguns apresentam pron2ncia aberta: estreio' estreia...* Coar )irregular* + presente do indicativo + c8o' c8as' c8a' coamos' coais' coam + pret!rito perfeito + coei' coaste' coou... )3 abençoar' magoar' perdoar* 4 #omerciar )regular* + presente do indicativo + comercio' comercias... + pret!rito perfeito + comerciei... )3 verbos em +iar ' exceto os seguintes verbos: mediar' ansiar' remediar' incendiar' odiar* Compelir )altern?ncia voc%lica e4i* + presente do indicativo + compilo' compeles... + pret!rito perfeito indicativo + compeli' compeliste... Compilar )regular* + presente do indicativo + compilo' compilas' compila... + pret!rito perfeito indicativo + compilei' compilaste... Construir )irregular e abundante* + presente do indicativo + construo' constr.is )ou construis*' constr.i )ou construi*' construímos' construís' constroem )ou construem* + pret!rito perfeito indicativo + construí' construíste...

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Crer )irregular* + presente do indicativo + creio' cr0s' cr0' cremos' credes' cr0em + pret!rito perfeito indicativo + cri' creste' creu' cremos' crestes' creram + imperfeito indicativo + cria' crias' cria' críamos' críeis' criam 2alir )defectivo* + presente do indicativo + falimos' falis + pret!rito perfeito indicativo + fali' faliste... )3 aguerrir' combalir' foragir+se' remir' ren,ir* 2rigir )acomodação gr%fica g4j e altern?ncia voc%lica e4i* + presente do indicativo + frijo' freges' frege' frigimos' frigis' fregem + pret!rito perfeito indicativo + frigi' frigiste... -r )irregular* + presente do indicativo + vou' vais' vai' vamos' ides' vão + pret!rito perfeito indicativo + fui' foste... + presente subjuntivo + v%' v%s' v%' vamos' vades' vão 3a,er )irregular* + presente do indicativo + ja1o' ja1es... + pret!rito perfeito indicativo + ja1i' ja1este' ja1eu... 4obiliar )irregular* + presente do indicativo + mobílio' mobílias' mobília' mobiliamos' mobiliais' mobíliam + pret!rito perfeito indicativo + mobiliei' mobiliaste... 4 /bstar )regular* + presente do indicativo + obsto' obstas... + pret!rito perfeito indicativo + obstei' obstaste... Pedir )irregular* + presente do indicativo + peço' pedes' pede' pedimos' pedis' pedem + pret!rito perfeito indicativo + pedi' pediste... )3 despedir' expedir' medir* 4 Polir )altern?ncia voc%lica e4i* + presente do indicativo + pulo' pules' pule' polimos' polis' pulem + pret!rito perfeito indicativo + poli' poliste... Precaver-se )defectivo e pronominal* + presente do indicativo + precavemo+nos' precaveis+vos + pret!rito perfeito indicativo + precavi+me' precaveste+te... 4 Prover )irregular* + presente do indicativo + provejo' prov0s' prov0' provemos' provedes' prov0em + pret!rito perfeito indicativo + provi' proveste' proveu... 4 =eaver )defectivo* + presente do indicativo + reavemos' reaveis + pret!rito perfeito indicativo + reouve' reouveste' reouve... )verbo derivado do ,aver' mas s. ! conjugado nas formas verbais com a letra v* 5emir )defectivo* + presente do indicativo + remimos' remis + pret!rito perfeito indicativo + remi' remiste... 5e uerer )irregular* + presente do indicativo + re&ueiro' re&ueres... + pret!rito perfeito indicativo + re&ueri' re&uereste' re&uereu... )derivado do &uerer' diferindo dele na HN pessoa do singular do presente do indicativo e no pret!rito perfeito do indicativo e derivados' sendo regular* 5ir )irregular* + presente do indicativo + rio' rir' ri' rimos' rides' riem + pret!rito perfeito indicativo + ri' riste... )3 sorrir* Saudar )altern?ncia voc%lica* + presente do indicativo + sa2do' sa2das... + pret!rito perfeito indicativo + saudei' saudaste... Suar )regular* + presente do indicativo + suo' suas' sua... + pret!rito perfeito indicativo + suei' suaste' sou... )3 atuar' continuar' ,abituar' individuar' recuar' situar* *aler )irregular* + presente do indicativo + val,o' vales' vale... + pret!rito perfeito indicativo + vali' valeste' valeu... Pronominais: Apiedar+se' dignar+se' persignar+se' precaver+se presente do indicativo: caibo' cabes' cabe' cabemos' cabeis' cabem7 presente do sub"untivo: caiba' caibas' caiba' caibamos' caibais' caibam7 pret#rito perfeito do indicativo: coube' coubeste' coube' coubemos' coubestes' couberam7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: coubera' couberas' coubera' coub!ramos' coub!reis' couberam7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: coubesse' coubesses' coubesse' coub!ssemos' coub!sseis' coubessem7 futuro do sub"untivo: couber' couberes' couber' coubermos' couberdes' couberem. presente do indicativo: dou' d%s' d%' damos' dais' dão7 presente do sub"untivo: d0' d0s' d0' demos' deis' d0em7 pret#rito perfeito do indicativo: dei' deste' deu' demos' destes' deram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: dera' deras' dera' d!ramos' d!reis' deram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: desse' desses' desse' d!ssemos' d!sseis' dessem7 futuro do sub"untivo: der' deres' der' dermos' derdes' derem.

Camb!m merecem atenção os seguintes verbos irregulares: • Caber • • • • • • 6ar • • • • • • 6i,er

• • • • • • • •

presente do indicativo: digo' di1es' di1' di1emos' di1eis' di1em7 presente do sub"untivo: diga' digas' diga' digamos' digais' digam7 pret#rito perfeito do indicativo: disse' disseste' disse' dissemos' dissestes' disseram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: dissera' disseras' dissera' diss!ramos' diss!reis' disseram7 futuro do presente: direi' dir%s' dir%' etc.7 futuro do pret#rito: diria' dirias' diria' etc.7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: dissesse' dissesses' dissesse' diss!ssemos' diss!sseis' dissessem7 futuro do sub"untivo: disser' disseres' disser' dissermos' disserdes' disserem7

Seguem esse modelo os derivados bendi1er' condi1er' contradi1er' desdi1er' maldi1er' predi1er. /s particípios desse verbo e seus derivados são irregulares: dito' bendito' contradito' etc. 7star • • • • • • 2a,er • • • • • • presente do indicativo: faço' fa1es' fa1' fa1emos' fa1eis' fa1em7 presente do sub"untivo: faça' faças' faça' façamos' façais' façam7 pret#rito perfeito do indicativo: fi1' fi1este' fe1' fi1emos' fi1estes' fi1eram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: fi1era' fi1eras' fi1era' fi1!ramos' fi1!reis' fi1eram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: fi1esse' fi1esses' fi1esse' fi1!ssemos' fi1!sseis' fi1essem7 futuro do sub"untivo: fi1er' fi1eres' fi1er' fi1ermos' fi1erdes' fi1erem. presente do indicativo: estou' est%s' est%' estamos' estais' estão7 presente do sub"untivo: esteja' estejas' esteja' estejamos' estejais' estejam7 pret#rito perfeito do indicativo: estive' estiveste' esteve' estivemos' estivestes' estiveram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: estivera' estiveras' estivera' estiv!ramos' estiv!reis' estiveram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: estivesse' estivesses' estivesse' estiv!ssemos' estiv!sseis' estivessem7 futuro do sub"untivo: estiver' estiveres' estiver' estivermos' estiverdes' estiverem7

Seguem esse modelo desfa1er' li&uefa1er e satisfa1er. /s particípios desse verbo e seus derivados são irregulares: feito' desfeito' li&uefeito' satisfeito' etc. 8aver • • • • • • -r • • • • • • • Poder • • • • presente do indicativo: posso' podes' pode' podemos' podeis' podem7 presente do sub"untivo: possa' possas' possa' possamos' possais' possam7 pret#rito perfeito do indicativo: pude' pudeste' p8de' pudemos' pudestes' puderam7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: pudera' puderas' pudera' pud!ramos' pud!reis' puderam7 presente do indicativo: vou' vais' vai' vamos' ides' vão7 presente do sub"untivo: v%' v%s' v%' vamos' vades' vão7 pret#rito imperfeito do indicativo: ia' ias' ia' íamos' íeis' iam7 pret#rito perfeito do indicativo: fui' foste' foi' fomos' fostes' foram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: fora' foras' fora' f8ramos' f8reis' foram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: fosse' fosses' fosse' f8ssemos' f8sseis' fossem7 futuro do sub"untivo: for' fores' for' formos' fordes' forem. presente do indicativo: ,ei' ,%s' ,%' ,avemos' ,aveis' ,ão7 presente do sub"untivo: ,aja' ,ajas' ,aja' ,ajamos' ,ajais' ,ajam7 pret#rito perfeito do indicativo: ,ouve' ,ouveste' ,ouve' ,ouvemos' ,ouvestes' ,ouveram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: ,ouvera' ,ouveras' ,ouvera' ,ouv!ramos' ,ouv!reis' ,ouveram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: ,ouvesse' ,ouvesses' ,ouvesse' ,ouv!ssemos' ,ouv!sseis' ,ouvessem7 futuro do sub"untivo: ,ouver' ,ouveres' ,ouver' ,ouvermos' ,ouverdes' ,ouverem.

• • P)r • • • • • • •

pret#rito imperfeito do sub"untivo: pudesse' pudesses' pudesse' pud!ssemos' pud!sseis' pudessem7 futuro do sub"untivo: puder' puderes' puder' pudermos' puderdes' puderem. presente do indicativo: pon,o' pões' põe' pomos' pondes' põem7 presente do sub"untivo: pon,a' pon,as' pon,a' pon,amos' pon,ais' pon,am7 pret#rito imperfeito do indicativo: pun,a' pun,as' pun,a' p2n,amos' p2n,eis' pun,am7 pret#rito perfeito do indicativo: pus' puseste' p8s' pusemos' pusestes' puseram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: pusera' puseras' pusera' pus!ramos' pus!reis' puseram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: pusesse' pusesses' pusesse' pus!ssemos' pus!sseis' pusessem7 futuro do sub"untivo: puser' puseres' puser' pusermos' puserdes' puserem.

Codos os derivados do verbo p8r seguem exatamente esse modelo: antepor' compor' contrapor' decompor' depor' descompor' dispor' expor' impor' indispor' interpor' opor' pospor' predispor' pressupor' propor' recompor' repor' sobrepor' supor' transpor são alguns deles. 0uerer • • • • • • Saber • • • • • • Ser • • • • • • • (er • • • • • • • (ra,er presente do indicativo: ten,o' tens' tem' temos' tendes' t0m7 presente do sub"untivo: ten,a' ten,as' ten,a' ten,amos' ten,ais' ten,am7 pret#rito imperfeito do indicativo: tin,a' tin,as' tin,a' tín,amos' tín,eis' tin,am7 pret#rito perfeito do indicativo: tive' tiveste' teve' tivemos' tivestes' tiveram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: tivera' tiveras' tivera' tiv!ramos' tiv!reis' tiveram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: tivesse' tivesses' tivesse' tiv!ssemos' tiv!sseis' tivessem7 futuro do sub"untivo: tiver' tiveres' tiver' tivermos' tiverdes' tiverem. presente do indicativo: sou' !s' !' somos' sois' são7 presente do sub"untivo: seja' sejas' seja' sejamos' sejais' sejam7 pret#rito imperfeito do indicativo: era' eras' era' !ramos' !reis' eram7 pret#rito perfeito do indicativo: fui' foste' foi' fomos' fostes' foram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: fora' foras' fora' f8ramos' f8reis' foram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: fosse' fosses' fosse' f8ssemos' f8sseis' fossem7 futuro do sub"untivo: for' fores' for' formos' fordes' forem. presente do indicativo: sei' sabes' sabe' sabemos' sabeis' sabem7 presente do sub"untivo: saiba' saibas' saiba' saibamos' saibais' saibam7 pret#rito perfeito do indicativo: soube' soubeste' soube' soubemos' soubestes' souberam7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: soubera' souberas' soubera' soub!ramos' soub!reis' souberam7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: soubesse' soubesses' soubesse' soub!ssemos' soub!sseis' soubessem7 futuro do sub"untivo: souber' souberes' souber' soubermos' souberdes' souberem. presente do indicativo: &uero' &ueres' &uer' &ueremos' &uereis' &uerem7 presente do sub"untivo: &ueira' &ueiras' &ueira' &ueiramos' &ueirais' &ueiram7 pret#rito perfeito do indicativo: &uis' &uiseste' &uis' &uisemos' &uisestes' &uiseram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: &uisera' &uiseras' &uisera' &uis!ramos' &uis!reis' &uiseram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: &uisesse' &uisesses' &uisesse' &uis!ssemos' &uis!sseis' &uisessem7 futuro do sub"untivo: &uiser' &uiseres' &uiser' &uisermos' &uiserdes' &uiserem7

As segundas pessoas do imperativo afirmativo são: s0 )tu* e sede )v.s*.

Seguem esse modelo os verbos ater' conter' deter' entreter' manter' reter.

• • • • • • • • *er • • • • • •

presente do indicativo: trago' tra1es' tra1' tra1emos' tra1eis' tra1em7 presente do sub"untivo: traga' tragas' traga' tragamos' tragais' tragam7 pret#rito perfeito do indicativo: trouxe' trouxeste' trouxe' trouxemos' trouxestes' trouxeram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: trouxera' trouxeras' trouxera' troux!ramos' troux!reis' trouxeram7 futuro do presente: trarei' trar%s' trar%' etc.7 futuro do pret#rito: traria' trarias' traria' etc.7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: trouxesse' trouxesses' trouxesse' troux!ssemos' troux!sseis' trouxessem7 futuro do sub"untivo: trouxer' trouxeres' trouxer' trouxermos' trouxerdes' trouxerem. presente do indicativo: vejo' v0s' v0' vemos' vedes' v0em7 presente do sub"untivo: veja' vejas' veja' vejamos' vejais' vejam7 pret#rito perfeito do indicativo: vi' viste' viu' vimos' vistes' viram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: vira' viras' vira' víramos' víreis' viram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: visse' visses' visse' víssemos' vísseis' vissem7 futuro do sub"untivo: vir' vires' vir' virmos' virdes' virem.

Seguem esse modelo os derivados antever' entrever' prever' rever. Prover segue o modelo acima apenas no presente do indicativo e seus tempos derivados7 nos demais tempos' comporta+se como um verbo regular da segunda conjugação. *ir • • • • • • • • presente do indicativo: ven,o' vens' vem' vimos' vindes' v0m7 presente do sub"untivo: ven,a' ven,as' ven,a' ven,amos' ven,ais' ven,am7 pret#rito imperfeito do indicativo: vin,a' vin,as' vin,a' vín,amos' vín,eis' vin,am7 pret#rito perfeito do indicativo: vim' vieste' veio' viemos' viestes' vieram7 pret#rito mais- ue-perfeito do indicativo: viera' vieras' viera' vi!ramos' vi!reis' vieram7 pret#rito imperfeito do sub"untivo: viesse' viesses' viesse' vi!ssemos' vi!sseis' viessem7 futuro do sub"untivo: vier' vieres' vier' viermos' vierdes' vierem7 partic$pio e ger&ndio: vindo.

Seguem esse modelo os verbos advir' convir' desavir+se' intervir' provir' sobrevir. / emprego do infinitivo não obedece a regras bem definidas. / impessoal ! usado em sentido gen!rico ou indefinido' não relacionado a nen,uma pessoa' o pessoal refere+se Ks pessoas do discurso' dependendo do contexto. =ecomenda+se sempre o uso da forma pessoal se for necess%rio dar K frase maior clare1a e 0nfase. 9sa-se o impessoal: • • • • sem refer0ncia a nen,um sujeito: $ proibido fumar na sala7 nas locuções verbais: Jevemos avaliar a sua situação7 &uando o infinitivo exerce função de complemento de adjetivos: $ um problema f%cil de solucionar7 &uando o infinitivo possui valor de imperativo + ;le respondeu: V6arc,arXV &uando o sujeito do infinitivo ! diferente do sujeito da oração principal: ;u não te culpo por saíres da&ui7 &uando' por meio de flexão' se &uer realçar ou identificar a pessoa do sujeito: Eoi um erro responderes dessa maneira7 &uando &ueremos determinar o sujeito )usa+se a PN pessoa do plural*: + ;scutei baterem K porta.

9sa-se o pessoal: • • • Artigo Precede o substantivo para determin%+lo' mantendo com ele relação de concord?ncia. Assim' &ual&uer expressão ou frase fica substantivada se for determinada por artigo )/ Ycon,ece+te a ti mesmoY ! consel,o s%bio*. ;m certos casos' serve para assinalar g0nero e n2mero )o4a colega' o4os 8nibus*. /s artigos podem ser classificado em: • definido + o' a' os' as + um ser claramente determinado entre outros da mesma esp!cie7

indefinido + um' uma' uns' umas + um ser &ual&uer entre outros de mesma esp!cie7

Podem aparecer combinados com preposições )numa' do' K' entre outros*. 0uanto ao emprego do artigo: • não ! obrigat.rio seu uso diante da maioria dos substantivos' podendo ser substituído por outra palavra determinante ou nem usado )o rapa1 Q este rapa1 4 Aera numa revista &ue mul,er fica mais gripada &ue ,omem*. Nesse sentido' conv!m omitir o uso do artigo em prov!rbios e m%ximas para manter o sentido generali1ante )Cempo ! din,eiro 4 Jedico esse poema a ,omem ou a mul,erS*7 não se deve usar artigo depois de cujo e suas flexões7 outro' em sentido determinado' ! precedido de artigo7 caso contr%rio' dispensa+o )Ei&uem dois a&ui7 os outros podem ir Q <ns estavam atentos7 outros conversavam*7 não se usa artigo diante de expressões de tratamento iniciadas por possessivos' al!m das formas abreviadas frei' dom' são' expressões de origem estrangeira )Aord' Sir' 6adame* e s.ror ou s.ror7 ! obrigat.rio o uso do artigo definido entre o numeral ambos )ambos os dois* e o substantivo a &ue se refere )ambos os c8njuges*7 diante do possessivo )função de adjetivo* o uso ! facultativo7 mas se o pronome for substantivo' torna+se obrigat.rio )os LseusM planos foram descobertos' mas os meus ainda estão em segredo*7 omite+se o artigo definido antes de nomes de parentesco precedidos de possessivo )A moça deixou a casa a sua tia*7 antes de nomes pr.prios personativos' não se deve utili1ar artigo. / seu uso denota familiaridade' por isso ! geralmente usado antes de apelidos. /s antrop8nimos são determinados pelo artigo se usados no plural )os 6aias' /s Bomeros*7 geralmente dispensado depois de c,eirar a' saber a )3 ter gosto a* e similares )c,eirar a jasmim 4 isto sabe a vin,o*7 não se usa artigo diante das palavras casa )3 lar' moradia*' terra )3 c,ão firme* e pal%cio a menos &ue essas palavras sejam especificadas )ven,o de casa 4 ven,o da casa paterna*7 na expressão uma ,ora' significando a primeira ,ora' o emprego ! facultativo )era perto de 4 da uma ,ora*. Se for indicar ,ora exata' K uma ,ora )como &ual&uer expressão adverbial feminina*7 diante de alguns nomes de cidade não se usa artigo' a não ser &ue ven,am modificados por adjetivo' locução adjetiva ou oração adjetiva )Aracaju' Sergipe' #uritiba' =oma' Atenas*7 usa+se artigo definido antes dos nomes de estados brasileiros. #omo não se usa artigo nas denominações geogr%ficas formadas por nomes ou adjetivos' excetuam+se AA' Z/' 6C' 6Z' P;' S#' SP e S;7 expressões com palavras repetidas repelem artigo )gota a gota 4 face a face*7 não se combina com preposição o artigo &ue fa1 parte de nomes de jornais' revistas e obras liter%rias' bem como se o artigo introdu1ir sujeito )li em /s Ausíadas 4 ;st% na ,ora de a onça beber %gua*7 depois de todo' emprega+se o artigo para conferir id!ia de totalidade )Coda a sociedade poder% participar 4 toda a cidade Q toda cidade*. VCodosV exige artigo a não ser &ue seja substituído por outro determinante )todos os familiares 4 todos estes familiares*7 repete+se artigo: a* nas oposições entre pessoas e coisas )o rico e o pobre* 4 b* na &ualificação antonímica do mesmo substantivo )o bom e o mau ladrão* 4 c* na distinção de g0nero e n2mero )o patrão e os oper%rios 4 o genro e a nora*7 não se repete artigo: a* &uando ,% sinonímia indicada pela explicativa ou )a bot?nica ou fitologia* 4 b* &uando adjetivos &ualificam o mesmo substantivo )a clara' persuasiva e discreta exposição dos fatos nos abalou*.

• • • • • • •

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• •

%umeral: Numeral ! a palavra &ue indica &uantidade' n2mero de ordem' m2ltiplo ou fração. #lassifica+se como cardinal )H' O' P*' ordinal )primeiro' segundo' terceiro*' multiplicativo )dobro' duplo' triplo*' fracion%rio )meio' metade' terço*. Al!m desses' ainda ,% os numerais coletivos )d21ia' par*. (uanto ao valor' os numerais podem apresentar valor adjetivo ou substantivo. Se estiverem acompan,ando e modificando um substantivo' terão valor adjetivo. -% se estiverem substituindo um substantivo e designando seres' terão valor substantivo. L;le foi o primeiro jogador a c,egar. )valor adjetivo* 4 ;le ser% o primeiro desta ve1. )valor substantivo*M. 0uanto ao emprego:

• •

os ordinais como 2ltimo' pen2ltimo' antepen2ltimo' respectivos... não possuem cardinais correspondentes. os fracion%rios t0m como forma pr.pria meio' metade e terço' todas as outras representações de divisão correspondem aos ordinais ou aos cardinais seguidos da palavra avos )&uarto' d!cimo' mil!simo' &uin1e avos*7 designando s!culos' reis' papas e capítulos' utili1a+se na leitura ordinal at! d!cimo7 a partir daí usam+se os cardinais. )Auís 5" + &uator1e' Papa Paulo "" + segundo*7

Se o numeral vier antes do substantivo' ser% obrigat.rio o ordinal )55 Gienal + vig!sima' " Semana de #ultura + &uarta*7 • • • • 1ero e ambos)as* tamb!m são numerais cardinais. HT apresenta duas formas por extenso cator1e e &uator1e7 a forma mil,ar ! masculina' portanto não existe Valgumas mil,ares de pessoasV e sim alguns mil,ares de pessoas7 alguns numerais coletivos: grosa )do1e d21ias*' lustro )período de cinco anos*' ses&uicenten%rio )H[U anos*7 um: numeral ou artigoS Nestes casos' a distinção ! feita pelo contexto.

Numeral indicando &uantidade e artigo &uando se opõe ao substantivo indicando+o de forma indefinida. 0uanto 1 fle+ão. varia em gênero e n&mero: • variam em g0nero: Cardinais: um' dois e os du1entos a novecentos7 todos os ordinais7 os multiplicativos e fracion%rios' &uando expressam uma ideia adjetiva em relação ao substantivo. • variam em n2mero: #ardinais terminados em +ão7 todos os ordinais7 os multiplicativos' &uando t0m função adjetiva7 os fracion%rios' dependendo do cardinal &ue os antecede. /s cardinais' &uando substantivos' vão para o plural se terminarem por som voc%lico )Cirei dois de1 e tr0s &uatros*. Adv#rbio: $ a palavra &ue modifica o sentido do verbo )maioria*' do adjetivo e do pr.prio adv!rbio )intensidade para essas duas classes*. Jenota em si mesma uma circunst?ncia &ue determina sua classificação: • • • • • • • lugar: longe' junto' acima' ali' l%' atr%s' al,ures7 tempo: breve' cedo' j%' agora' outrora' imediatamente' ainda7 modo: bem' mal' mel,or' pior' devagar' a maioria dos adv. com sufixo +mente7 negação: não' &ual nada' tampouco' absolutamente7 d&vida: &uiç%' talve1' provavelmente' porventura' possivelmente7 intensidade: muito' pouco' bastante' mais' meio' &uão' demais' tão7 afirmação: sim' certamente' deveras' com efeito' realmente' efetivamente.

As palavras onde )de lugar*' como )de modo*' por&ue )de causa*' &uanto )classificação vari%vel* e &uando )de tempo*' usadas em frases interrogativas diretas ou indiretas' são classificadas como adv!rbios interrogativos )&ueria saber onde todos dormirão 4 &uando se reali1ou o concurso*. /nde' &uando' como' se empregados com antecedente em orações adjetivas são adv!rbios relativos )estava na&uela rua onde passavam os 8nibus 4 ele c,egou na ,ora &uando ela ia falar 4 não sei o modo como ele foi tratado a&ui*. As locuções adverbiais são geralmente constituídas de preposição D substantivo + K direita' K frente' K vontade' de cor' em vão' por acaso' frente a frente' de maneira alguma' de man,ã' de repente' de ve1 em &uando' em breve' em mão )em ve1 de Vem mãosV* etc. São classificadas' tamb!m' em função da circunst?ncia &ue expressam. (uanto ao grau' apesar de pertencer K categoria das palavras invari%veis' o adv!rbio pode apresentar variações de grau comparativo ou superlativo. Comparativo: igualdade + tão D adv!rbio D &uanto superioridade + mais D adv!rbio D )do* &ue

inferioridade + menos D adv!rbio D )do* &ue Superlativo: sint!tico + adv!rbio D sufixo )+íssimo* analítico + muito D adv!rbio. Gem e mal admitem grau comparativo de superioridade sint!tico: mel,or e pior. As formas mais bem e mais mal são usadas diante de particípios adjetivados. );le est% mais bem informado do &ue eu*. 6el,or e pior podem corresponder a mais bem 4 mal )adv.* ou a mais bom 4 mau )adjetivo*. 0uanto ao emprego: • • tr0s adv!rbios pronominais indefinidos de lugar vão caindo em desuso: algures' al,ures e nen,ures' substituídos por em algum' em outro e em nen,um lugar7 na linguagem colo&uial' o adv!rbio recebe sufixo diminutivo. Nesses casos' o adv!rbio assume valor superlativo absoluto sint!tico )cedin,o 4 pertin,o*. A repetição de um mesmo adv!rbio tamb!m assume valor superlativo )saiu cedo' cedo*7 &uando os adv!rbios terminados em +mente estiverem coordenados' ! comum o uso do sufixo s. no 2ltimo )Ealou r%pida e pausadamente*7 muito e bastante podem aparecer como adv!rbio )invari%vel* ou pronome indefinido )vari%vel + determina substantivo*7 otimamente e pessimamente são superlativos absolutos sint!ticos de bem e mal' respectivamente7 adjetivos adverbiali1ados mant0m+se invari%veis )terminaram r%pido o trabal,o 4 ele falou claro*.

• • • •

As palavras denotativas são s!ries de palavras &ue se assemel,am ao adv!rbio. A Norma Zramatical Grasileira considera+as apenas como palavras denotativas' não pertencendo a nen,uma das HU classes gramaticais. #lassificam+se em função da ideia &ue expressam: • • • • • • • • • • • • adição: ainda' al!m disso etc. )#omeu tudo e ainda &ueria mais*7 afastamento: embora )Eoi embora da&ui*7 afetividade: ainda bem' feli1mente' infeli1mente )Ainda bem &ue passei de ano*7 apro+imação: &uase' l% por' bem' uns' cerca de' por volta de etc. )$ &uase H, a p!*7 designação: eis );is nosso carro novo*7 e+clusão: apesar' somente' s.' salvo' unicamente' exclusive' exceto' senão' se&uer' apenas etc. )Codos saíram' menos ela 4 Não me descontou se&uer um real*7 e+plicação: isto !' por exemplo' a saber etc. )Ai v%rios livros' a saber' os cl%ssicos*7 inclusão: at!' ainda' al!m disso' tamb!m' inclusive etc. );u tamb!m vou 4 Ealta tudo' at! %gua*7 limitação: s.' somente' unicamente' apenas etc. )Apenas um me respondeu 4 S. ele veio K festa*7 realce: ! &ue' c%' l%' não' mas' ! por&ue etc. ); voc0 l% sabe essa &uestãoS*7 retificação: ali%s' isto !' ou mel,or' ou antes etc. )Somos tr0s' ou mel,or' &uatro*7 situação: então' mas' se' agora' afinal etc. )Afinal' &uem perguntaria a eleS*.

Preposição: $ a palavra invari%vel &ue liga dois termos entre si' estabelecendo relação de subordinação entre o termo regente e o regido. São antepostos aos dependentes )objeto indireto' complemento nominal' adjuntos e orações subordinadas*. Jivide+se em: • • essenciais )maioria das ve1es são preposições*: a' ante' ap.s' at!' com' contra' de' desde' em' entre' para' per' perante' por' sem' sob' sobre' tr%s7 acidentais )palavras de outras classes &ue podem exercer função de preposição*: afora' conforme )3 de acordo com*' consoante' durante' exceto' salvo' segundo' senão' mediante' visto )3 devido a' por causa de* etc. ) estimo+nos conforme a moda e o tempo 4 /s ,er.is tiveram como pr0mio a&uela taça 4 6ediante meios escusos' ele conseguiu a vaga 4 ov. dormiu durante a viagem*.

As preposições essenciais regem pronomes oblí&uos t8nicos7 en&uanto preposições acidentais regem as formas retas dos pronomes pessoais. )Ealei sobre ti4Codos' exceto eu' vieram*. As locuções prepositivas' em geral' são formadas de adv!rbio )ou locução adverbial* D preposição + abaixo de' acerca de' a fim de' al!m de' defronte a' ao lado de' apesar de' atrav!s de' de acordo com' em ve1 de' junto de' perto de' at! a' a par de' devido a. /bserva+se &ue a 2ltima palavra da locução prepositiva ! sempre uma preposição' en&uanto a 2ltima palavra de uma locução adverbial nunca ! preposição.

0uanto ao emprego. as preposiç:es podem ser usadas em: • • • • • combinação: preposição D outra palavra sem perda fon!tica )ao4aos*7 contração: preposição D outra palavra com perda fon!tica )na4K&uela*7 não se deve contrair de se o termo seguinte for sujeito );st% na ,ora de ele falar*7 a preposição ap.s' pode funcionar como adv!rbio )3 atr%s* )Cerminada a festa' saíram logo ap.s.*7 tr%s' atualmente' s. se usa em locuções adverbiais e prepositivas )por tr%s' para tr%s por tr%s de*.

(uanto K diferença entre pronome pessoal oblí&uo' preposição e artigo' deve+se observar &ue a preposição liga dois termos' sendo invari%vel' en&uanto o pronome oblí&uo substitui um substantivo. -% o artigo antecede o substantivo' determinando+o. As preposições podem estabelecer as seguintes relações: isoladamente' as preposições são palavras va1ias de sentido' se bem &ue algumas conten,am uma vaga noção de tempo e lugar. Nas frases' exprimem diversas relações: • • • • • • • • • • • • • • • • • autoria + m2sica de #aetano lugar + cair sobre o tel,ado' estar sob a mesa tempo + nascer a H[ de outubro' viajar em uma ,ora' viajei durante as f!rias modo ou conformidade + c,egar aos gritos' votar em branco causa + tremer de frio' preso por vadiagem assunto + falar sobre política fim ou finalidade + vir em socorro' vir para ficar instrumento + escrever a l%pis' ferir+se com a faca compan;ia + sair com amigos 4 meio + voltar a cavalo' viajar de 8nibus mat#ria + anel de prata' pão com farin,a posse + carro de -oão oposição + Elamengo contra Eluminense conte&do + copo de )com* vin,o preço + vender a )por* =\ PUU' UU origem + descender de família ,umilde especialidade + formou+se em 6edicina destino ou direção + ir a =oma' ol,e para frente.

-nter"eição: São palavras &ue expressam estados emocionais do falante' variando de acordo com o contexto emocional. Podem expressar: • • • • • • • • • • • alegria + a,X' o,X' obaX advertência + cuidadoX' atenção afugentamento + foraX' ruaX' passaX' x8X al$vio + ufaX' arreX animação + coragemX' avanteX' eiaX aplauso + bravoX' bisX' mais umX c;amamento + al8X' ol%X' psitX dese"o + oxal%X' tomaraX 4 dor + aiX' uiX espanto + puxaX' o,X' c,iX' u!X impaciência + ,umX' ,emX silêncio + sil0ncioX' psiuX' &uietoX

São locuções interjetivas: puxa vidaX' não digaX' &ue ,orrorX' graças a JeusX' ora bolasX' cru1 credoX Con"unção: $ a palavra &ue liga orações basicamente' estabelecendo entre elas alguma relação )subordinação ou coordenação*. As conjunções classificam+se em: #oordenativas' a&uelas &ue ligam duas orações independentes )coordenadas*' ou dois termos &ue exercem a mesma função sint%tica dentro da oração. Apresentam cinco tipos: • • aditivas )adição*: e' nem' mas tamb!m' como tamb!m' bem como' mas ainda7 adversativas )adversidade' oposição*: mas' por!m' todavia' contudo' antes )3 pelo contr%rio*' não obstante' apesar disso7

• • •

alternativas )altern?ncia' exclusão' escol,a*: ou' ou ... ou' ora ... ora' &uer ... &uer7 conclusivas )conclusão*: logo' portanto' pois )depois do verbo*' por conseguinte' por isso7 e+plicativas )justificação*: + pois )antes do verbo*' por&ue' &ue' por&uanto. causais: por&ue' visto &ue' j% &ue' uma ve1 &ue' como' desde &ue7

Subordinativas + ligam duas orações dependentes' subordinando uma K outra. Apresentam de1 tipos: • Palavra &ue liga orações basicamente' estabelecendo entre elas alguma relação )subordinação ou coordenação*. As conjunções classificam+se em: • • • • • • • • • comparativas: como' )tal* &ual' assim como' )tanto* &uanto' )mais ou menos D* &ue7 condicionais: se' caso' contanto &ue' desde &ue' salvo se' sem &ue )3 se não*' a menos &ue7 consecutivas )conse&u0ncia' resultado' efeito*: &ue )precedido de tal' tanto' tão etc. + indicadores de intensidade*' de modo &ue' de maneira &ue' de sorte &ue' de maneira &ue' sem &ue7 conformativas )conformidade' ade&uação*: conforme' segundo' consoante' como7 concessiva: embora' con&uanto' posto &ue' por muito &ue' se bem &ue' ainda &ue' mesmo &ue7 temporais: &uando' en&uanto' logo &ue' desde &ue' assim &ue' mal )3 logo &ue*' at! &ue7 finais + a fim de &ue' para &ue' &ue7 proporcionais: K medida &ue' K proporção &ue' ao passo &ue' &uanto mais )D tanto menos*7 integrantes + &ue' se.

As conjunções integrantes introdu1em as orações subordinadas substantivas' en&uanto as demais iniciam orações subordinadas adverbiais. 6uitas ve1es a função de interligar orações ! desempen,ada por locuções conjuntivas' adv!rbios ou pronomes.

Pronomes

É palavra variável em gênero, número e pessoa que substitui ou acompanha um substantivo, indicando-o como pessoa do discurso. A diferença entre pronome substantivo e pronome adjetivo pode ser atribu da a qualquer tipo de pronome, podendo variar em funç!o do conte"to frasal. Assim, o pronome substantivo # aquele que substitui um substantivo, representando-o. $%le prestou socorro&. 'á o pronome adjetivo # aquele que acompanha um substantivo, determinando-o. $Aquele rapa( # belo&. )s pronomes pessoais s!o sempre substantivos. *uanto +s pessoas do discurso, a l ngua portuguesa apresenta três pessoas, -. pessoa - aquele que fala, emissor/ 0. pessoa - aquele com quem se fala, receptor/ 1. pessoa - aquele de que ou de quem se fala, referente. Pronome pessoal: 2ndicam uma das três pessoas do discurso, substituindo um substantivo. 3odem tamb#m representar, quando na 1. pessoa, uma forma nominal anteriormente e"pressa $A moça era a melhor secretária, ela mesma agendava os compromissos do chefe&. A seguir um quadro com todas as formas do pronome pessoal, Pronomes pessoais Pronomes oblíquos Número Pessoa Pronomes retos Átonos primeira eu singular segunda tu terceira ele, ela primeira n4s plural segunda v4s terceira eles, elas me te o, a, lhe, se nos vos Tônicos mim, comigo ti, contigo ele, ela, si, consigo n4s, conosco v4s, convosco

os, as, lhes, se eles, elas, si, consigo

)s pronomes pessoais apresentam variaç5es de forma dependendo da funç!o sintática que e"ercem na frase. )s pronomes pessoais retos desempenham, normalmente, funç!o de sujeito/ enquanto os obl quos, geralmente, de complemento. )s pronomes obl quos t6nicos devem vir regidos de preposiç!o. %m comigo, contigo, conosco e convosco, a preposiç!o com já # parte integrante do pronome. )s pronomes de tratamento est!o enquadrados nos pronomes pessoais. 7!o empregados como referência + pessoa com quem se fala $0. pessoa&, entretanto, a concord8ncia # feita com a 1. pessoa. 9amb#m s!o considerados pronomes de tratamento as formas você, vocês $provenientes da reduç!o de :ossa ;ercê&, 7enhor, 7enhora e 7enhorita. *uanto ao emprego, as formas obl quas o, a, os, as completam verbos que n!o vêm regidos de

preposiç!o/ enquanto lhe e lhes para verbos regidos das preposiç5es a ou para $n!o e"pressas&. Apesar de serem usadas pouco, as formas mo, to, no-lo, vo-lo, lho e fle"5es resultam da fus!o de dois objetos, representados por pronomes obl quos $<ingu#m mo disse = ningu#m o disse a mim&. )s pronomes átonos o, a, os e as viram lo$a>s&, quando associados a verbos terminados em r, s ou ( e viram no$a>s&, se a terminaç!o verbal for em ditongo nasal. )s pronomes o>a $s&, me, te, se, nos, vos desempenham funç!o se sujeitos de infinitivo ou verbo no gerúndio, junto ao verbo fa(er, dei"ar, mandar, ouvir e ver $;andei-o entrar > %u o vi sair > ?ei"ei-as chorando&. A forma você, atualmente, # usada no lugar da 0. pessoa $tu>v4s&, tanto no singular quanto no plural, levando o verbo para a 1. pessoa. 'á as formas de tratamento ser!o precedidas de :ossa, quando nos dirigirmos diretamente + pessoa e de 7ua, quando fi(ermos referência a ela. 9roca-se na abreviatura o :. pelo 7. *uando precedidos de preposiç!o, os pronomes retos $e"ceto eu e tu& passam a funcionar como obl quos. %u e tu n!o podem vir precedidos de preposiç!o, e"ceto se funcionarem como sujeito de um verbo no infinitivo $2sto # para eu fa(er @ para mim fa(er&. )s pronomes acompanhados de s4 ou todos, ou seguido de numeral, assumem forma reta e podem funcionar como objeto direto $%stava s4 ele no banco > %ncontramos todos eles&. )s pronomes me, te, se, nos, vos podem ter valor refle"ivo, enquanto se, nos, vos - podem ter valor refle"ivo e rec proco. As formas si e consigo têm valor e"clusivamente refle"ivo e usados para a 1. pessoa. 'á conosco e convosco devem aparecer na sua forma anal tica $com n4s e com v4s& quando vierem com modificadores $todos, outros, mesmos, pr4prios, numeral ou oraç!o adjetiva&. )s pronomes pessoais retos podem desempenhar funç!o de sujeito, predicativo do sujeito ou vocativo, este último com tu e v4s $<4s temos uma proposta > %u sou eu e pronto > A, tu, 7enhor 'esus&. *uanto ao uso das preposiç5es junto aos pronomes, deve-se saber que n!o se pode contrair as preposiç5es de e em com pronomes que sejam sujeitos $%m ve( de ele continuar, desistiu @ :i as bolsas dele bem aqui&. )s pronomes átonos podem assumir valor possessivo $Bevaram-me o dinheiro > 3esavam-lhe os olhos&, enquanto alguns átonos s!o partes integrantes de verbos como suicidar-se, apiedar-se, condoer-se, ufanar-se, quei"ar-se, vangloriar-se. 'á os pronomes obl quos podem ser usados como e"press!o e"pletiva $<!o me venha com essa&. Pronome possessivo: Ca(em referência +s pessoas do discurso, apresentando-as como possuidoras de algo. Doncordam em gênero e número com a coisa possu da. 7!o pronomes possessivos da l ngua portuguesa as formas, -. pessoa, meu$s&, minha$s& nosso$a>s&/ 0. pessoa, teu$s&, tua$s& vosso$a>s&/ 1. pessoa, seu$s&, sua$s& seu$s&, sua$s&. *uanto ao emprego, normalmente, vem antes do nome a que se refere/ podendo, tamb#m, vir depois do substantivo que determina. <este último caso, pode at# alterar o sentido da frase. ) uso do possessivo seu $a>s& pode causar ambiguidade, para desfa(ê-la, deve-se preferir o uso do dele $a>s& $%le disse que ;aria estava trancada em sua casa - casa de quemE&/ pode tamb#m indicar apro"imaç!o num#rica $ele tem lá seus FG anos&. 'á nas e"press5es do tipo H7eu 'o!oH, seu n!o tem valor de posse por ser uma alteraç!o fon#tica de 7enhor. Pronome demonstrativo: 2ndicam posiç!o de algo em relaç!o +s pessoas do discurso, situando-o no tempo e>ou no espaço.

7!o, este $a>s&, isto, esse $a>s&, isso, aquele $a>s&, aquilo. 2sto, isso e aquilo s!o invariáveis e se empregam e"clusivamente como substitutos de substantivos. As formas mesmo, pr4prio, semelhante, tal $s& e o $a>s& podem desempenhar papel de pronome demonstrativo. *uanto ao emprego, os pronomes demonstrativos apresentam-se da seguinte maneira, • • • • • uso dêitico, indicando locali(aç!o no espaço - este $aqui&, esse $a & e aquele $lá&/ uso dêitico, indicando locali(aç!o temporal - este $presente&, esse $passado pr4"imo& e aquele $passado remoto ou bastante vago&/ uso anaf4rico, em referência ao que já foi ou será dito - este $novo enunciado& e esse $retoma informaç!o&/ o, a, os, as s!o demonstrativos quando equivalem a aquele $a>s&, isto $Beve o que lhe pertence&/ tal # demonstrativo se puder ser substitu do por esse $a&, este $a& ou aquele $a& e semelhante, quando anteposto ao substantivo a que se refere e equivalente a HaqueleH, HidênticoH $) problema ainda n!o foi resolvido, tal demora atrapalhou as negociaç5es > <!o brigue por semelhante causa&/ mesmo e pr4prio s!o demonstrativos, se precedidos de artigo, quando significarem HidênticoH, HigualH ou He"atoH. Doncordam com o nome a que se referem $7epararam crianças de mesmas s#ries&/ como referência a termos já citados, os pronomes aquele $a>s& e este $a>s& s!o usados para primeira e segunda ocorrências, respectivamente, em apostos distributivos $) m#dico e a enfermeira estavam calados, aquele amedrontado e esta calma > ou, esta calma e aquele amedrontado&/ pode ocorrer a contraç!o das preposiç5es a, de, em com os pronomes demonstrativos $<!o acreditei no que estava vendo > Cui +quela regi!o de montanhas > Ce( alus!o + pessoa de a(ul e + de branco&/ podem apresentar valor intensificador ou depreciativo, dependendo do conte"to frasal $%le estava com aquela paciência > Aquilo # um marido de enfeite&/ nisso e nisto $em I pronome& podem ser usados com valor de Hent!oH ou Hnesse momentoH $<isso, ela entrou triunfante - nisso = adv#rbio&.

• •

Pronome relativo: Jetoma um termo e"presso anteriormente $antecedente& e introdu( uma oraç!o dependente, adjetiva. )s pronomes demonstrativos s!o, que, quem e onde - invariáveis/ al#m de o qual $a>s&, cujo $a>s& e quanto $a>s&. )s relativos s!o chamados relativos indefinidos quando s!o empregados sem antecedente e"presso $*uem espera sempre alcança > Ce( quanto p6de&. *uanto ao emprego, observa-se que os relativos s!o usados quando, • • • • • o antecedente do relativo pode ser demonstrativo o $a>s& $) Krasil divide-se entre os que leem ou n!o&/ como relativo, quanto refere-se ao antecedente tudo ou todo $)uvia tudo quanto me interessava& quem será precedido de preposiç!o se estiver relacionado a pessoas ou seres personificados e"pressos/ quem = relativo indefinido quando # empregado sem antecedente claro, n!o vindo precedido de preposiç!o/ cujo $a>s& # empregado para dar a ideia de posse e n!o concorda com o antecedente e sim com seu consequente. %le tem sempre valor adjetivo e n!o pode ser acompanhado de artigo.

Pronome indefinido: Jeferem-se + 1. pessoa do discurso quando considerada de modo vago, impreciso ou gen#rico, representando pessoas, coisas e lugares. Alguns tamb#m podem dar ideia de conjunto ou quantidade indeterminada. %m funç!o da quantidade de pronomes indefinidos, merece atenç!o sua identificaç!o. 7!o pronomes indefinidos de, • • • pessoas, quem, algu#m, ningu#m, outrem/ lugares, onde, algures, alhures, nenhures/ pessoas, lugares, coisas, que, qual, quais, algo, tudo, nada, todo $a>s&, algum $a>s&, vários $a&, nenhum $a>s&, certo $a>s&, outro $a>s&, muito $a>s&, pouco $a>s&, quanto $a>s&, um $a>s&, qualquer $s&,

cada. 7obre o emprego dos indefinidos devemos atentar para, • • • algum, ap4s o substantivo a que se refere, assume valor negativo $= nenhum& $Domputador algum resolverá o problema&/ cada deve ser sempre seguido de um substantivo ou numeral $%las receberam 1 balas cada uma&/ alguns pronomes indefinidos, se vierem depois do nome a que estiverem se referindo, passam a ser adjetivos. $Dertas pessoas deveriam ter seus lugares certos > Domprei várias balas de sabores vários& bastante pode vir como adjetivo tamb#m, se estiver determinando algum substantivo, unindo-se a ele por verbo de ligaç!o $2sso # bastante para mim&/ o pronome outrem equivale a Hqualquer pessoaH/ o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a adv#rbio $%le n!o está nada contente hoje&/ o pronome nada, colocado junto a verbos ou adjetivos, pode equivaler a adv#rbio $%le n!o está nada contente hoje&/ e"istem algumas locuç5es pronominais indefinidas - quem quer que, o que quer, seja quem for, cada um etc. todo com valor indefinido antecede o substantivo, sem artigo $9oda cidade parou para ver a banda @ 9oda a cidade parou para ver a banda&.

• • • • • •

Pronome interrogativo: 7!o os pronomes indefinidos que, quem, qual, quanto usados na formulaç!o de uma pergunta direta ou indireta. Jeferem-se + 1. pessoa do discurso. $*uantos livros você temE > <!o sei quem lhe contou&. Alguns interrogativos podem ser adverbiais $*uando voltar!oE > )nde encontrá-losE > Domo foi tudoE&.

Concordância Nominal
Concordância nominal nada mais é que o ajuste que fazemos aos demais termos da oração para que concordem em gênero e número com o substantivo. Teremos que alterar portanto o artigo o adjetivo o numeral e o pronome. !lém disso temos também o verbo que se fle"ionar# $ sua maneira merecendo um estudo separado de concordância verbal. REGRA GERAL% & artigo o adjetivo o numeral e o pronome concordam em gênero e número com o substantivo. ' ! pequena criança é uma gracin(a. ' & garoto que encontrei era muito gentil e simp#tico. CASOS ESPECIAIS% )eremos alguns casos que fogem $ regra geral mostrada acima. a) Um adjetivo após vários substantivos * + ,ubstantivos de mesmo gênero% adjetivo vai para o plural ou concorda com o substantivo mais pr-"imo. ' .rmão e primo recém'c(egado estiveram aqui. ' .rmão e primo recém'c(egados estiveram aqui. / + ,ubstantivos de gêneros diferentes% vai para o plural masculino ou concorda com o substantivo mais pr-"imo. ' 0la tem pai e mãe louros. ' 0la tem pai e mãe loura. 1 + !djetivo funciona como predicativo% vai obrigatoriamente para o plural. ' & (omem e o menino estavam perdidos. ' & (omem e sua esposa estiveram (ospedados aqui. b) Um adjetivo anteposto a vários substantivos * + !djetivo anteposto normalmente% concorda com o mais pr-"imo. Comi delicioso almoço e sobremesa. 2rovei deliciosa fruta e suco. / + !djetivo anteposto funcionando como predicativo% concorda com o mais pr-"imo ou vai para o plural. 0stavam feridos o pai e os fil(os. 0stava ferido o pai e os fil(os. c) Um substantivo e mais de um adjetivo *' antecede todos os adjetivos com um artigo. 3alava fluentemente a l4ngua inglesa e a espan(ola. /' coloca o substantivo no plural. 3alava fluentemente as l4nguas inglesa e espan(ola. d) Pronomes de tratamento * + sempre concordam com a 15 pessoa. )ossa santidade esteve no 6rasil.

e) Anexo, incluso, próprio, obrigado * + Concordam com o substantivo a que se referem. !s cartas estão ane"as. ! bebida est# inclusa. 2recisamos de nomes pr-prios. &brigado disse o rapaz. f) Um(a) e outro(a), num(a) e noutro(a) * + !p-s essas e"press7es o substantivo fica sempre no singular e o adjetivo no plural. 8enato advogou um e outro caso f#ceis. 2usemos numa e noutra bandeja rasas o pei"e. g) É bom, é necessário, é proibido *' 0ssas e"press7es não variam se o sujeito não vier precedido de artigo ou outro determinante. Canja é bom. 9 ! canja é boa. : necess#rio sua presença. 9 : necess#ria a sua presença. : proibido entrada de pessoas não autorizadas. 9 ! entrada é proibida. ) !uito, pouco, caro *' Como adjetivos% seguem a regra geral. Comi muitas frutas durante a viagem. 2ouco arroz é suficiente para mim. &s sapatos estavam caros. /' Como advérbios% são invari#veis. Comi muito durante a viagem. 2ouco lutei por isso perdi a batal(a. Comprei caro os sapatos. i) !esmo, bastante *' Como advérbios% invari#veis 2reciso mesmo da sua ajuda. 3iquei bastante contente com a proposta de emprego. /' Como pronomes% seguem a regra geral. ,eus argumentos foram bastantes para me convencer. &s mesmos argumentos que eu usei você copiou. j) !enos, alerta *' 0m todas as ocasi7es são invari#veis. 2reciso de menos comida para perder peso. 0stamos alerta para com suas c(amadas. ") #al $ual *' ;Tal< concorda com o antecedente ;qual< concorda com o conseq=ente. !s garotas são vaidosas tais qual a tia. &s pais vieram fantasiados tais quais os fil(os.

l) Poss%vel *' >uando vem acompan(ado de ;mais< ;menos< ;mel(or< ou ;pior< acompan(a o artigo que precede as e"press7es. ! mais poss4vel das alternativas é a que você e"p?s. &s mel(ores cargos poss4veis estão neste setor da empresa. !s piores situaç7es poss4veis são encontradas nas favelas da cidade. m) !eio *' Como advérbio% invari#vel. 0stou meio insegura. /' Como numeral% segue a regra geral. Comi meia laranja pela man(ã. n) &ó *' apenas somente @advérbioA% invari#vel. ,- consegui comprar uma passagem. /' sozin(o @adjetivoA% vari#vel. 0stiveram s-s durante (oras. Exercícios Faça a Concordância Correta rasurando o termo incorreto. B*. Ten(o Cbastante 9 bastantesD raz7es para julg#'lo. B/. )iveram situaç7es Cbastante 9 bastantesD tensas. B1. 0stavam Cbastante 9 bastantesD preocupados. BE. !col(eu'me com palavras Cmeio 9 meiasD tortas. BF. &s processos estão Cincluso 9 inclusosD na pasta. BG. 0stas casas custam Ccaras 9 caroD. BH. ,eguem Cane"a 9ane"asD as faturas. BI. : Cproibido 9 proibidaD conversas no recinto. BJ. )ocês estão Cquite 9 quitesD com a mensalidadeK *B. Loje temos Cmenas 9 menosD liç7es. **. Mgua é Cboa 9 bomD para rejuvenescer. */. 0la caiu e ficou Cmeio 9 meiaD tonta. *1. 0las estão Calerta 9 alertasD. *E. !s duplicatas Cane"a 9 ane"asD j# foram resgatadas. *F. >uando c(eguei era meio'dia e Cmeia 9 meioD. *G. ! lealdade é Cnecess#ria 9 necess#rioD. *H. ! decisão me custou muito Ccaro 9caraD. *I. !s meninas me disseram Cobrigada 9 obrigadasD. *J. ! porta ficou Cmeia 9 meioD aberta. /B. 0m Cane"o 9 ane"osD vão os documentos. /*. : Cpermitido 9 permitidaD entrada de crianças. //. C,alvo 9 ,alvosD os doentes os demais partiram. /1. !s camisas estão Ccaro 9 carasD. /E. ,eu pai j# est# Cquite 9 quitesD com o meuK /F. 0scol(emos as cores mais vivas Cposs4vel 9 poss4veisD. /G. : Cnecess#rio 9 necess#riaD muita fé. /H. : Cnecess#rio 9 necess#riaD a ação da pol4cia. /I. ! maçã é Cboa 9 bomD para os dentes. /J. C0"cetos 9 0"cetoD os dois menores todos entram. 1B. ! sala tin(a Cbastante 9 bastantesD carteiras. 1*. 0ram moças Cbastante 9 bastantesD competentes.

1/. ,uas opini7es são Cbastante 9 bastantesD discutidas. 11. Noão ficara a Cs-s 9 s-D. 1E. : Cproibido 9 proibidaD a entrada neste recinto. 1F. 6ebida alco-lica não é Cboa 9 bomD para o f4gado. 1G. Oaçã é Cbom 9 boaD para os dentes. 1H. : Cproibida 9 proibidoD a permanência de ve4culos. 1I. ). 0"a. est# Cenganada 9 enganadoD sen(or vereador. 1J. 0st# Cincluso 9 inclusaD a comissão. EB. Ten(o uma colega que é Cmeia 9 meioD ingênua. E*. 0la apareceu Cmeio 9 meiaD nua. E/. Oanuel est# Cmeio 9 meiaD gripado. E1. !s crianças ficaram Cmeia 9 meioD gripadas. EE. Punca fui pessoa de Cmeio 9 meiaD palavra. EF. ! casa estava Cmeia 9 meioD vel(a. EG. >uero Cmeio 9 meiaD porção de fritas. EH. )ocês Cs- 9 s-sD fizeram issoK EI. 3iquem Calerta 9 alertasD rapazes. EJ. 0sperava Cmenas 9 menosD pergunta na prova. FB. !s certid7es Cane"a 9 ane"asD devem ser seladas. F*. Oãe e fil(o moravam Cjunto 9 juntosD. F/. !s viagens ao nordeste estão Ccaro 9 carasD. F1. ,egue Cane"o 9 ane"aD a biografia que pediu. FE. 0st# Cinclusas 9 inclusaD na nota a ta"a de serviços. FF. 0stou Cquite 9 quitesD com as crianças. FG. 2rocure comer Cbastantes 9 bastanteD frutos. FH. &s militares estão Calerta 9 alertasD. FI. Ouito Cobrigada 9 obrigadasD disseram elas. FJ. 2edro e Oaria viajaram Cs-s 9 s-D. GB. &s rapazes disseram somente muito Cobrigados 9 obrigadoD. G*. ! lista vai Cane"o 9 ane"aD ao pacote. G/. : Cnecess#rio 9 necess#riaD a virtude dos bons. G1. Todos estão Csalvos 9 salvoD e"ceto o barqueiro. GE. !s janelas estavam Cmeio 9 meiaD fec(adas. GF. C,- 9 ,-sD os dois enfrentaram a fera. GG. 0"aminamos Cbastante 9 bastantesD planos. GH. Mgua de melissa é muito Cbom 9 boaD. GI. 2ara trabal(o caseiro é Cbom 9 boaD uma empregada. GJ. Pão é Cpermitido 9 permitidaD a entrada de crianças. HB. 0les ficaram Cs-s 9 s-D depois do baile. H*. &s c(eques estão Cane"o 9 ane"osD aos documentosK H/. 0"aminamos Cbastantes 9 bastanteD projetos. H1. &s quadros eram os mais cl#ssicos Cposs4vel 9 poss4veisD. HE. &s documentos vão Cincluso 9 inclusosD na carta. HF. ,eguem Cane"as 9 ane"osD três certid7es. HG. 2ara quem esta entrada é Cproibido 9 proibidaDK HH. Coal(ada é Cboa 9 bomD para a saúde. HI. ! coal(ada dessa padaria é Cbom 9 boaD. HJ. Oaria passeou Cs-s 9 s-D pelo bosque. IB. C,- 9 ,-sD ela faria as liç7es. I*. Oais amor Cmenas 9 menosD confiança. I/. Loje temos Cmenos 9 menasD liç7es. I1. & governo destinou Cbastante 9 bastantesD recursos. IE. 0les faltaram Cbastantes 9 bastanteD vezes. IF. Ten(o Cbastantes 9 bastanteD raz7es para ajud#'lo. IG. ,eguem Cinclusa 9 inclusasD a carta e a procuração. IH. !s mordomias custam Ccara 9 caroD. II. 0sta viagem sair# Ccaro 9 caraD. IJ. !s peras custam Ccara 9 caroD. JB. !quelas mercadorias custaram Ccaro 9 caraD. J*. &s mam7es custaram muito Ccaros 9 caroD. J/. !s mercadorias eram Cbarata 9 baratoD. J1. &s mam7es ficaram Ccaros 9 caroD. JE. Pão tin(am Cbastante 9 bastantesD motivos para faltar.

JF. !s crianças estavam Cbastante 9 bastantesD crescidas. JG. & governo destinou Cbastantes9 bastanteD recursos. JH. ,uas opini7es são Cbastante 9 bastantesD discutidas. JI. 0sta aveia é Cboa 9 bomD para a saúde. JJ. 2imenta é Cboa 9 bomD para tempero. *BB. : Cproibido 9 proibidaD a caça nesta reserva. *B*. : Cproibida 9 proibidoD entrada. *B/. ! pimenta é Cbom 9 boaD para tempero. *B1. Mgua t?nica é Cbom 9 boaD para o est?mago. *BE. !s crianças viajarão Cjunto 9 juntasD a mim. *BF. 0las sempre c(egam Cjunto 9 juntasD. *BG. 0las nunca sa4ram Cjuntas 9 juntoD. *BH. ! fil(a e o pai c(egaram Cjunto 9 juntosD. *BI. &s fortes sentimentos vêm Cjunto 9 juntosD. *BJ. &s alunos Cmesmo 9 mesmosD darão $ redação final. **B. 0la não sabia disso Cmesmo 9 mesmaD. ***. 0las Cmesmo 9 mesmasD fizeram a festa. **/. C!ne"o 9 !ne"osD estavam os documentos. **1. 0stou Cquite 9 quitesD com a tesouraria. **E. 0les estão Cquite 9 quitesD com a mensalidade. **F 0la est# Cquite 9 quitesD com vocêK **G. ! menina me disse Cobrigado 9 obrigadaD. **H. &s computadores custam Ccaros 9 caroD. **I. 2ermitam'me que eu as dei"e Cs- 9 s-sD. **J. 0les ficaram Cs- 9 s-sD depois do baile. */B. !gora é meio'dia e Cmeio 9 meiaD. */*. 6ebida alco-lica não é Cpermitida 9 permitidoD. *//. &s guardas estavam Calertas 9 alertaD. */1. Oeu fil(o emagrecia a Col(os vistos 9 ol(o vistoD. */E. )ai Cane"o 9 ane"aD a declaração solicitada. */F. !s certid7es Cane"os 9 ane"asD devem ser seladas. */G. C!ne"o 9 !ne"osD seguem os formul#rios. */H. &s juros estão o mais elevado Cposs4vel 9 poss4veisD. */I. 0nfrento problemas o mais dif4ceis Cposs4vel 9 poss4veisD. */J. 0nfrento problemas os mais dif4ceis Cposs4vel 9 poss4veisD. *1B. )isitamos os mais belos museus Cposs4vel 9 poss4veisD. *1*. P-s Cmesmo 9 mesmosD edificaremos a casa. *1/. 0les são Cmesmos 9 mesmoD respons#veis. *11. 0la Cmesma 9 mesmoD agradeceu. *1E. Tudo depende delas Cmesmas 9 mesmoD.

GA ARI!O B*. Ten(o bastantes @muitasA raz7es para julg#'lo. B/. )iveram situaç7es bastante @muitoA tensas. B1. 0stavam bastante preocupados. BE. !col(eu'me com palavras meio @um tantoA tortas. BF. 's processos estão inclusos na pasta. BG. 0stas casas custam caro @invari#velA. BH. ,eguem ane"as as faturas. BI. : proibido @Q artigoA conversas no recinto. BJ. (oc)s estão quites com a mensalidadeK *B. Loje temos menos @sempreA liç7es. **. Mgua é bom @Q artigoA para rejuvenescer.

*/. 0la caiu e ficou meio @um tantoA tonta. *1. 0las estão alerta @sempreA. *E. As duplicatas ane"as j# foram resgatadas. *F. >uando c(eguei era meio'dia e meia @(oraA. *G. ! lealdade é necess#ria @com artigoA. *H. ! decisão me custou muito caro. *I. As meninas me disseram obrigadas. *J. ! porta ficou meio @um poucoA aberta. /B. 0m ane"o vão os documentos. /*. : permitido entrada de crianças. //. ,alvo @invari#velA os doentes os demais partiram. /1. As camisas estão caras @sem custarA. /E. &eu pai j# est# quite com o meuK /F. 0scol(emos as cores mais vivas poss4veis. /G. : necess#ria muita fé. /H. : necess#ria a a*+o da pol4cia. /I. ! ma*+ é boa para os dentes. /J. 0"ceto @sempreA os dois menores todos entram. 1B. ! sala tin(a bastantes carteiras 1*. 0ram moças bastante competentes. 1/. ,uas opini7es são bastante discutidas. 11. Noão ficara a s-s. 1E. : proibida a entrada neste recinto. 1F. 6ebida alco-lica não é bom para o f4gado. 1G. ! ma*+ é boa para os dentes. 1H. : proibida a perman)ncia de ve4culos. 1I. ). 0"a. est# enganado sen or vereador. 1J. 0st# inclusa a comiss+o. EB. Ten(o uma colega que é meio ingênua. E*. 0la apareceu meio nua. E/. Oanuel est# meio gripado. E1. !s crianças ficaram meio gripadas. EE. Punca fui pessoa de meia @metadeA palavras. EF. ! casa estava meio vel(a. EG. >uero meia @R EEA porção de fritas. EH. )ocês s- @somenteA fizeram issoK EI. 3iquem alerta @sempreA rapazes. EJ. 0sperava menos @sempreA pergunta na prova. FB. As certid,es ane"as devem ser seladas. F*. !+e e fil o moravam juntos. F/. !s viagens ao nordeste estão caras @sem custarA. F1. ,egue ane"a a biografia que pediu. FE. 0st# inclusa na nota a taxa de servi*os. FF. -stou quite com as crianças. FG. 2rocure comer bastantes frutos. FH. &s militares estão alerta. FI. Ouito obrigadas disseram elas. FJ. 2edro e Oaria viajaram s-s @sozin(osA. GB. 's rapa.es disseram somente muito obrigados G*. A lista vai ane"a ao pacote. G/. : necess#ria a virtude dos bons G1. Todos estão salvos @salvadosA e"ceto o barqueiro. GE. !s janelas estavam meio fec(adas. GF. ,- @somenteA os dois enfrentaram a fera. GG. 0"aminamos bastantes planos. GH. Mgua de melissa é muito bom.

GI. 2ara trabal(o caseiro é bom uma empregada. GJ. Pão é permitida a entrada de crianças. HB. 0les ficaram s-s @sozin(osA depois do baile. H*. 's c e/ues estão ane"os aos documentosK H/. 0"aminamos bastantes projetos. H1. &s quadros eram os mais cl#ssicos poss4veis. HE. 's documentos vão inclusos na carta. HF. ,eguem ane"as três @asA certid,es. HG. 2ara quem esta entrada é proibidaK HH. Coal(ada é bom para a saúde. HI. ! coal(ada dessa padaria é boa. HJ. Oaria passeou s- @somenteA pelo bosque. IB. ,- @R HJA ela faria as liç7es. I*. Oais amor menos confiança. I/. Loje temos menos liç7es. I1. & governo destinou bastantes recursos. IE. 0les faltaram bastantes vezes. IF. Ten(o bastantes raz7es para ajud#'lo. IG. ,eguem inclusas a carta e a procura*+o. IH. !s mordomias custam caro. II. -sta viagem sair# cara. IJ. !s peras custam caro. JB. !quelas mercadorias custaram caro. J*. &s mam7es custaram muito caro. J/. As mercadorias eram baratas @R IIA. J1. 's mam,es ficaram caros. JE. Pão tin(am bastantes motivos para faltar. JF. !s crianças estavam bastante crescidas. JG. & governo destinou bastantes recursos. JH. ,uas opini7es são bastante discutidas. JI. 0sta aveia é boa para a saúde. JJ. 2imenta é bom para tempero. *BB. : proibida a ca*a nesta reserva. *B*. : proibido entrada. *B/. ! pimenta é boa para tempero. *B1. Mgua t?nica é bom para o est?mago. *BE. !s crianças viajarão junto a mim. *BF. -las sempre c(egam juntas. *BG. -las nunca sa4ram juntas. *BH. A fil a e o pai c(egaram juntos. *BI. 's fortes sentimentos vêm juntos. *BJ. 's alunos mesmos darão $ redação final. **B. 0la não sabia disso mesmo @de fatoA. ***. -las mesmas fizeram a festa. **/. !ne"os estavam os documentos. **1. -stou quite com a tesouraria. **E. -les estão quites com a mensalidade. **F. -la est# quite com vocêK **G. ! menina me disse obrigada. **H. &s computadores custam caro. **I. 2ermitam'me que eu as dei"e s-s @sozin(asA. **J. 0les ficaram s-s @R **IA depois do baile. */B. !gora é meio'dia e meia. */*. 6ebida alco-lica não é permitido. *//. &s guardas estavam alerta. */1. Oeu fil(o emagrecia a ol(os vistos. */E. )ai ane"a a declara*+o solicitada. */F. As certid,es ane"as devem ser seladas. */G. !ne"os seguem os formulários. */H. &s juros estão o mais elevado poss4vel. */I. 0nfrento problemas o mais dif4ceis poss4vel. */J. 0nfrento problemas os mais dif4ceis poss4veis. *1B. )isitamos os mais belos museus poss4veis.

*1*. 0ós mesmos edificaremos a casa. *1/. -les são mesmo @de fatoA respons#veis. *11. -la mesma agradeceu. *1E. Tudo depende delas mesmo @de fatoA.

Concordância Verbal
SUJEITO CONSTITUÍDO PELOS PRONOMES QUE & QUEM QUE: se o sujeito for o pronome relativo que, o verbo concorda com o antecedente do pronome relativo. - Fui eu que falei. (eu falei) - Fomos nós que falamos. (nós falamos) QUE : se o sujeito for o pronome relativo quem, o verbo ficar! na terceira pessoa do sin"ular ou concordar! com o antecedente do pronome (pouco usado). - Fui eu quem falou. (ele (#$ pessoa) falou) %bs: nas e&press'es (um dos que), (uma das que), o verbo deve ir para o plural. *or+m, al"uns estudiosos e escritores aceitam ou usam a concord,ncia no sin"ular. - -o.o foi um dos que sa/ram. PRONOME DE TRATAMENTO % verbo fica sempre na #$ pessoa (ele 0 eles). - 1ossa 2lte3a deve viajar. - 1ossas 2lte3as devem viajar. DAR – BATER – SOAR (indicando horas Quando 4ouver sujeito (reló"io, sino) os verbos concordam normalmente com ele. - % reló"io deu on3e 4oras. - % 5eló"io: sujeito 6eu: concorda com o sujeito. Quando n.o 4ouver sujeito, o verbo concorda com as 4oras que passam a ser o sujeito da ora7.o. - 6eram on3e 4oras. - 6eram tr8s 4oras no meu reló"io. SUJEITO COLETI!O (SUJEITO SIMPLES - % cardum- e escapou da rede. - %s cardumes escaparam da rede. 9esses dois e&emplos o verbo concordou com o coletivo (sujeito simples). Quando o sujeito + formado de um coletivo sin"ular se"uido de complemento no plural, admitem-se duas concord,ncias: :$) verbo no sin"ular. - % bando de passarin4os cantava no jardim. - Um "rupo de professores acompan4ou os estudantes. ;$) o verbo pode ficar no plural, nesse caso o verbo no plural dar! 8nfase ao complemento. - % bando de passarin4os cantavam no jardim. - Um "rupo de professores acompan4aram os estudantes SE 1erbos transitivos diretos e verbos transitivos diretos e indiretos < 0 se: =e o termo que recebe a a7.o estiver no plural, o verbo deve ir para o plural, se estiver no sin"ular, o verbo deve ir para o sin"ular. - 2lu"am-se cavalos.

(2lu"ar) + verbo transitivo direto. (>avalos) recebe a a7.o e est! no plural, lo"o o verbo vai para o plural. 2qui o (se) + c4amado de part/cula apassivadora (>avalos s.o alu"ados). %utros e&emplos: - 1endem-se casas. - 2lu"am-se apartamentos. - E&i"em-se refer8ncias. - >onsertam-se pianos. - *lastificam-se documentos. - Entre"ou-se uma flor ? mul4er. (verbo transitivo direto e indireto) %@=: =omente os verbos transitivos diretos t8m vo3 passiva. Qualquer outro tipo de verbo (transitivo indireto ou intransitivo) fica no sin"ular. - *recisa-se de professores. (*recisar + verbo transitivo indireto) - Arabal4a-se muito aqui. (trabal4ar + verbo intransitivo) 9esse caso, o (se) + c4amado de /ndice de indetermina7.o do sujeito ou part/cula indeterminadora do sujeito. "A!ER – #A$ER (Baver) no sentido de (e&istir), indicando (tempo) ou no sentido de (ocorrer) ficar! na terceira pessoa do sin"ular. C impessoal, ou seja, n.o admite sujeito. (Fa3er) quando indica (tempo) ou (fenDmenos da nature3a), tamb+m + impessoal e dever! ficar na terceira pessoa do sin"ular. - 9esta sala 4! bons e maus alunos. (E e&iste) - -! 4ouve muitos acidentes aqui. (E ocorrer) - Fa3 :F anos que me formei. (E tempo decorrido) SUJEITO COMPOSTO RESUMIDO POR UM INDE#INIDO % verbo concordar! com o indefinido. - Audo, jornais, revistas, A1, só tra3ia boas noticias. - 9in"u+m, ami"os, primos, irm.os veio visit!-lo. - 2mi"os, irm.os, primos, todos foram viajar. PESSOAS DI#ERENTES % verbo fle&iona-se no plural na pessoa que prevalece (a :$ sobre a ;$ e a ;$ sobre a #$). Eu e tu: nós Eu e voc8: nós Ela e eu: nós Au e ele: vós - Eu, tu e ele resolvemos o mist+rio. (:$ pessoa prevalece) - % diretor, tu e eu sa/mos apressados. (:$ pessoa prevalece) - % professor e eu fomos ? reuni.o. (:$ pessoa prevalece) - Au e ele deveis fa3er a tarefa. (;$ pessoa prevalece) %bs: como a ;$ pessoa do plural (vós) + muito pouco usado na l/n"ua contempor,nea , + prefer/vel usar a #$ pessoa quando ocorre a ;$ com a #$. - Au e ele riam ? be7a. - Em que l/n"ua tu e ele falavamG *odemos tamb+m substituir o (tu) por (voc8). - 1oc8 e ele: voc8s

NOMES PR%PRIOS NO PLURAL =e o nome vier antecedido de arti"o no plural, o verbo dever! concordar no plural. - %s 2ndes ficam na 2m+rica do =ul. =e n.o 4ouver arti"o no plural, o verbo dever! concordar no sin"ular. - =antos fica em =.o *aulo. - ( emórias *óstumas de @r!s >ubas) consa"rou ac4ado de 2ssis.

%bs :: >om nome de obras art/sticas, admite-se a concord,ncia ideoló"ica com a palavra (obra), que est! impl/cita na frase. - (%s Hus/adas) imortali3ou >am'es. %bs ;: >om o verbo (ser) e o predicativo no sin"ular, o verbo fica no sin"ular. (%s Hus/adas) + a maior obra da Hiteratura *ortu"uesa. - %s EU2 j! foi o primeiro mercado consumidor. SER % verbo (ser) concordar! com o predicativo quando o sujeito for o pronome interro"ativo (que) ou (quem). - Quem s.o os eleitosG - Que seriam aqueles ru/dos estran4osG - Que s.o dois mesesG - Que s.o c+lulasG - Quem foram os respons!veisG Quando o verbo (ser) indicar tempo, data, dias ou dist,ncia, deve concordar com a apalavra se"uinte. - C uma 4ora. - =.o duas 4oras. - =.o nove e quin3e da noite. - C um minuto para as tr8s. - -! s.o de3 para uma. - 6a praia at+ a nossa casa, s.o cinco minutos. - Boje + ou s.o :I de jul4oG Em rela7.o ?s datas, quando a palavra (dia) n.o est! e&pressa, a concord,ncia + facultativa. =e um dos elementos (sujeito ou predicativo) for pronome pessoal, o verbo concordar! com ele. - Eu sou o c4efe. - 9ós somos os respons!veis. - Eu sou a diretora. Quando o sujeito + um dos pronomes isto, isso, aquilo, o, tudo, o verbo (ser) concordar! com o predicativo. - Audo s.o flores. - Jsso s.o lembran7as de via"ens. *ode ocorrer tamb+m o verbo no sin"ular concordando com o pronome (raro). - Audo + flores. Quando o verbo (ser) aparece nas e&press'es (+ muito), (+ bastante), (+ pouco), (+ suficiente) denotando quantidade, dist,ncia, peso, etc ele ficar! no sin"ular. - %itocentos reais + muito. - >inco quilos + suficiente. EXERCÍCIOS – 01 :. 2ssinale a op7.o em que 4! erro de conju"a7.o verbal em rela7.o ? norma culta da l/n"ua:

a) =e ele vir o nosso trabal4o, ficar! muito doente. b) 9.o desanimesK continua batal4ando. c) eu pai interveio na discuss.o. d) =e ele reouvesse o que 4avia perdido. e) Quando eu requiser a se"unda via do documento... 2. 2 Lnica frase que 9M% apresenta desvio em rela7.o ? concord,ncia verbal recomendada pela norma culta +: a) 2 lista brasileira de s/tios arqueoló"icos, uma ve3 aceita pela Unesco, aumenta as c4ances de preserva7.o e sustenta7.o por meio do ecoturismo. b) 9en4um dos parlamentares que vin4am defendendo o cole"a nos Lltimos dias inscreveram-se para falar durante os trabal4os de ontem. c) =e"undo a assessoria, o problema do atraso foi resolvido em pouco mais de uma 4ora, e quem faria cone&.o para outros Estados foram alojados em 4ot+is de >ampinas. d) Eles aprendem a andar com ben"ala lon"a, o equipamento que os au&ilia a ir e vir de onde estiver para onde entender. e) as foram nas monta"ens do Nirov que ele conquistou fama, especialmente na cena (5eino das =ombras), o ponto mais alto desse trabal4o. 3. 2 Lnica frase em que as formas verbais est.o corretamente empre"adas +: a) Especialistas temem que ór".os de outras esp+cies podem transmitir v/rus peri"osos. b) 2l+m disso, mesmo que for adotado al"um tipo de ajuste fiscal imediato, o @rasil ainda estar! muito lon"e de tornar-se um participante ativo do jo"o mundial. c) % primeiro-ministro e o presidente devem ser do mesmo partido, embora nen4um far! a sociedade em que eu acredito. d) 2 inteli"8ncia + como um ti"re solto pela casa e só n.o causar! problema se o suprir de carne e o manter na jaula. e) % nome secreto de 6eus era o princ/pio ativo da cria7.o, mas di38-lo por completo equivalia a um sacril+"io, ao pecado de saber mais do que nos convin4a. 4. (FU1E=A) >omplete as frases abai&o com as formas corretas dos verbos indicados entre par8nteses. a) Quando eu OOOOOOOOOOOOOOOOO os livros, nunca mais os emprestarei. (reaver) b) %s alienados sempre OOOOOOOOOOOOOO neutros. ( an!er"#e) c) 2s provas que OOOOOOOOOOOOO mais erros seriam comentadas. (con!er) d) Quando ele OOOOOOOOOOOOOOOOO uma can7.o de pa3, poder! descansar. (co $or) %. (FP1) 9as quest'es abai&o, ocorrem espa7os va3ios. *ara preenc48-los, escol4a um dos se"uintes verbos: &a'er( !ran#$or( de!er( ir. Utili3e a forma verbal mais adequada. :) =e OOOOOOOOOOOOOOO dias frios no inverno, talve3 as coisas fossem diferentes. ;) Quando o cavalo OOOOOOOOOOOOOOOO todos os obst!culos, a corrida terminar!. #) =e o cavalo OOOOOOOOOOOOOOO mais facilmente os obst!culos, alcan7aria com mais fol"a a lin4a de c4e"ada. I) =e a equipe econDmica n.o se OOOOOOOOOOOOOOOOOO nos aspectos re"ionais e considerar os aspectos "lobais, a possibilidade de solu7.o ser! maior. Q) >aso ela OOOOOOOOOOOOOO ao jo"o aman4., dever! pa"ar antecipadamente o in"resso. ). (E9P. 2>N) 2s formas que completariam o per/odo (*a"ando parte de suas d/vidas anteriores, o comerciante OOOOOOOOOOOOOOOO novamente seu arma3+m, sem que se OOOOOOOOOO com seus credores, para os quais voltou a merecer confian7a), seriam: a) proveu 0 indispusesse b) proviu 0 indispu3esse

c) proveio 0 indispu3esse d) proveio 0 indispusesse e) n.d.a. *. (UF=>ar) (% acordo n.o OOOOOO as reivindica7'es, a n.o ser que OOOOOO os nossos direitos e OOOOO da luta.) a) substitui 0 abdicamos 0 desistimos b) substitue 0 abdicamos 0 desistimos c) substitui 0 abdiquemos 0 desistamos d) substitui 0 abidiquemos 0 desistimos e) substitue 0 abdiquemos 0 desistamos +. >omplete os espa7os com um dos verbos colocados nos par8nteses: a) OOOOOOOOOOOOOOOOos fil4os e o pai... (c,e-o./c,e-ara ) b) Fomos nós que OOOOOOOOOOOOOOO na quest.o. (!oco./!oca o#) c) 9.o serei eu quem OOOOOOOOOOOOOOOOO o din4eiro. (recol,erei/ recol,er0) d) ais de um torcedor OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO estupidamente. (a-redi."#e/a-redira "#e) e) % fa3endeiro com os pe'es OOOOOOOOOOOOOOOOOO a cerca. (levan!o./ levan!ara ) 1. >omo no e&erc/cio anterior. a) OOOOOOOOOOOOO de 4aver al"umas mudan7as no seu "overno. (,0/ ,2o) b) =empre que OOOOOOOOOOOOOO al"uns pedidos, procure atend8-los rapidamente. (,o.ver/ ,o.vere ) c) *ouco me OOOOOOOOOOOOOOO as desculpas que ele c4e"ar a dar. (i $or!a/ i $or!a ) d) -amais OOOOOOOOOOOOOO tais pretens'es por parte daquele funcion!rio. (e3i#!i./ e3i#!ira ) e) Audo estava calmo, como se n.o OOOOOOOOOOOOOOOO 4avido tantas reivindica7'es. (!ive##e/ !ive##e ) 10. >omplete os espa7os com um dos verbos colocados nos par8nteses. a) Espero que se OOOOOOOOOOOOOOOOO as ta&as de juro. ( an!en,a/ an!en,a )

b) C importante que se OOOOOOOOOOOOOOO outras solu7'es para o problema. (b.#4.e/ b.#4.e ) c) 9.o se OOOOOOOOOOOOOO em pessoas que n.o nos ol4am nos ol4os. (con&ia/con&ia ) d) Boje j! n.o se OOOOOOOOOOOOOOOOOO deste modelo de carro. (-o#!a/ -o#!a ) e) 2 verdade + que OOOOOOOOOOOOOOOO certos pormenores pouco convincentes. (ob#ervo./ob#ervara )

Re#ol.52o6 01 " E 02 " 7 03 " E 04 " a) reo.ver b) an!8 / an!ivera c) con!ive##e d) co $.#er

0% " 1) &i'e##e 2) !ran#$.#er 3) !ran#$.#e##e 4) de!iver %) v0 0) " 7 0* " E 0+ " a) C,e-ara b) !oca o# c) recol,er0 d) a-redira "#e e) levan!ara 01 " a) 90 b) ,o.ver c) i $or!a d) e3i#!ira e) !ive##e 10 " a) an!en,a b) b.#4.e c) con&ia d) -o#!a e) ob#ervara EXERCÍCIOS – 02 1 – (:;<R) – Ob#erve a concordância verbal6 : 0 2l"um de vós conse"uirei a bolsa de estudoG ; 0 =ei que pelo menos um ter7o dos jo"adores estavam dentro do campo naquela 4ora. # 0 %s Estados Unidos s.o um pa/s muito rico. I 0 9o reló"io do Har"o da atri3 bateu cinco 4oras: era o sinal esperado. a) =omente a frase : est! errada. b) =omente a frase ; est! errada. c) 2s frases ; e # est.o erradas. d) 2s frases : e I est.o erradas. e) 2s frases ; e I est.o erradas. Re#$o#!a6 = Quais de vós, quantos de nós, al"uns de nós, etc. admitem as se"uintes concord,ncias: o verbo concorda com o pronome indefinido ou interro"ativo, ficando na #$ pessoa do plural ou concorda com o pronome pessoal. *or+m, se o pronome estiver no sin"ular o verbo ficar! na #$ pessoa do sin"ular. 9a indica7.o de 4oras o verbo bater concorda com o nLmero de 4oras, que normalmente + o sujeito. % verbo bater pode ter outra palavra como sujeito, com a qual deve concordar. ; 0 (UE*P 0 *5) - 2ssinale a alternativa incorreta, se"undo a norma "ramatical: a) %s Estados Unidos, em :RI:, declararam "uerra ? 2leman4a. b) 2queles casais parecia viverem feli3es. c) >ancelamos o passeio, 4aja visto o mau tempo. d) ais de um dos candidatos se cumprimentaram. e) 9.o t/n4amos visto as crian7as que fa3iam oito anos.

Re#$o#!a6 C %correm as se"uintes concord,ncias: a e&press.o haja vista fica invari!vel quando equivalente a atente-seK por e&emplo. % verbo haver varia quando equivale a vejam-se. # 0 (UF>E) 0 >omo a frase (fui eu quem fe3 o casamento), tamb+m est.o corretos os per/odos abai&o: :. Fui eu que fi3 o casamento. ;. Foi eu quem fe3 o casamento. I. Fui eu que fe3 o casamento. S. Foste tu que fi3este o casamento. :T. Foste tu quem fe3 o casamento. #;. Fostes vós que fe3 o casamento. TI. Fostes vós quem fe3 o casamento. Re#$o#!a6 +1 Quando o sujeito for o pronome relativo QUE o verbo fica na #$ pessoa do sin"ular ou concorda com o antecedente. =e o sujeito for o pronome relativo QUE o verbo concorda com o antecedente. I 0 (>E=P5295J%) 0 B! concord,ncia inadequada em: a) clima e terras descon4ecidas. b) clima e terra descon4ecidos. c) terras e clima descon4ecidas. d) terras e clima descon4ecido. e) terras e clima descon4ecidos. Re#$o#!a6 C % adjetivo posposto a dois ou mais substantivos 4! duas concord,ncias: % adjetivo concorda com o mais pró&imo ou vai para o plural. =e os "8neros s.o diferentes, prevalece o masculino. Q 0 (UE*P 0 *5) 0 arque a frase absolutamente inaceit!vel, do ponto de vista da concord,ncia nominal:

a) C necess!ria paci8ncia. b) 9.o + bonito ofendermos aos outros. c) C bom bebermos cerveja. d) 9.o + permitido presen7a de estran4os. e) U"ua de Re#$o#!a6 7 B! duas concord,ncias para as e&press'es + bom, + necess!rio, etc.: - fica invari!vel, portanto no masculino, se o sujeito n.o vem precedido de arti"o ou outro elemento determinante. =e vier precedido de arti"o ou elemento determinante concorda com o sujeito. T 0 (>E=>E 0 =*) 0 -! ... anos, ... neste local !rvores e flores. Boje, só ... ervas danin4as. elissa + ótimo para os nervos.

a) fa3emV4aviaVe&iste b) fa3emV4aviaVe&iste c) fa3emV4aviamVe&istem d) fa3V4aviaVe&istem e) fa3V4aviaVe&iste Re#$o#!a6 = BaverVfa3er s.o verbos impessoais. =.o empre"ados apenas na #$ pessoa do sin"ular. Baver (sentido de e&istir, ocorrer) e o verbo Fa3er (na indica7.o de tempo). E&istir + pessoal e concorda normalmente com o sujeito. W 0 (UF*5) 0 Qual a alternativa em que as formas dos verbos bater, consertar e haver nas frases abai&o, s.o usadas na concord,ncia corretaG - 2s aulas come7am quando ... oito 4oras. - 9essa loja ... reló"ios de parede. - %ntem ... ótimos pro"ramas na televis.o. a) batem 0 consertam-se 0 4ouve b) bate 0 consertam-se 0 4avia c) bateram 0 conserta-se 0 4ouveram d) batiam 0 conserta-se-.o 0 4aver! e) batem 0 consertarei 0 4aviam Re#$o#!a6 7 @ater empre"ado com refer8ncia ?s 4oras concorda com o nLmero de 4oras. Quando 4! sujeito, o verbo concorda com ele. 2 part/cula =E na se"unda ora7.o + apassivadoraK concorda com o sujeito da ora7.o. % verbo 4aver, no sentido de e&istir, ocorrer, conju"a-se na #$ pessoa do sin"ular. S 0 (*U>>2 * 0 =*) 0 =e a alt/ssimo corresponde alto, a celeb+rrimo, lib+rrimo, crudel/ssimo, 4um/limo, paup+rrimo, respectivamente, 4! de corresponder: a) c+lebre, l/bero, cruel, Lmido, pobre. b) c+lebre, livre, cru, Lmido, pobre. c) c+lebre, livre, cruel, 4umilde, pau. d) c+lebre, livre, cruel, 4umilde, pobre. e) c+lebre, livre, cru, 4umilde, pobre. Re#$o#!a6 = % superlativo absoluto e&pressa a qualidade de um ser, no seu "rau mais elevado, sem compara7.o com outro ser. 9esta quest.o temos e&emplos de superlativo absoluto sint+tico. C formado pelo radical do adjetivo < sufi&o. R 0 (UF1- P) 0 Em todos os itens o pronome =E + apassivador, EX>EA%: a) =abe-se que ele + 4onesto. b) %r"ani3ou-se, ontem, esta prova.

c) 9.o se dever! reali3ar mais a festa. d) 9ada mais se via. e) 2ssistiu-se ? cerimDnia inteira. Re#$o#!a6 E 2 ora7.o E n.o pode ser passada para a vo3 passiva anal/tica, ent.o, n.o pode ser pronome apassivador. % (=E) + /ndice de indetermina7.o do sujeito. Quem assistiu ? cerimDniaG 9.o sabemos quem + o sujeito. :F 0 (*U>>2 *-=*) 0 (Nunca chegará ao fim, por mais depressa que ande). 2 ora7.o destacada +: a) =ubordinada adverbial causal. b) =ubordinada adverbial concessiva. c) =ubordinada adverbial condicional. d) =ubordinada adverbial consecutiva. e) =ubordinada adverbial comparativa. Re#$o#!a6 > 2 %ra7.o subordinada adverbial concessiva indica uma concess.o ?s a7'es do verbo da ora7.o principal, isto +, 4! uma contradi7.o ou um fato inesperado. :: 0 (UF*5) 0 Julieta ficou à janela na esperança de que 5omeu voltasse. 2 ora7.o em destaque +: a) subordinada substantiva subjetiva. b) subordinada substantiva completiva nominal. c) subordinada substantiva predicativa. d) subordinada adverbial causal. e) subordinada adjetiva e&plicativa. Re#$o#!a6 > 2 ora7.o subordinada substantiva completiva nominal funciona como complemento nominal de um substantivo, adjetivo ou adv+rbio da ora7.o principal.

Regência Verbal
O estudo da regência verbal nos ajuda a escrever melhor. Quanto à regência verbal, os verbos podem ser: - Transitivo direto - Transitivo indireto - Transitivo direto e indireto - Intransitivo ASPIRAR O verbo aspirar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. Transitivo direto: quando signi ica !sorver", !tragar", !inspirar" e e#ige complemento sem preposi$%o. - &la aspirou o aroma das lores. - Todos n's gostamos de aspirar o ar do campo. Transitivo indireto: quando signi ica !pretender", !desejar", !almejar" e e#ige complemento com a preposi$%o !a". - O candidato aspirava a uma posi$%o de destaque. - &la sempre aspirou a esse emprego. Obs: Quando ( transitivo indireto n%o admite a substitui$%o pelos pronomes lhe)s*. +evemos substituir por !a ele)s*", !a ela)s*". - ,spiras a este cargo- .im, aspiro a ele. )e n%o !aspiro-lhe"*. ASSISTIR O verbo assistir pode ser transitivo indireto, transitivo direto e intransitivo. Transitivo indireto: quando signi ica !ver", !presenciar", !caber", !pertencer" e e#ige complemento com a preposi$%o !a". - ,ssisti a um ilme. )ver* - &le assistiu ao jogo. - &ste direito assiste aos alunos. )caber* Transitivo direto: quando signi ica !socorrer", !ajudar" e e#ige complemento sem preposi$%o. - O m(dico assiste o erido. )cuida* Obs: /esse caso o verbo !assistir" pode ser usado com a preposi$%o !a". - ,ssistir ao paciente. Intransitivo: quando signi ica !morar" e#ige a preposi$%o !em". - O papa assiste no 0aticano. )no: em 1 o* - &u assisto no 2io de 3aneiro. !/o 0aticano" e !no 2io de 3aneiro" s%o adjuntos adverbiais de lugar. CHAMAR O verbo chamar pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. 4 transitivo direto quando signi ica !convocar", ! a5er vir" e e#ige complemento sem preposi$%o. - O pro essor chamou o aluno.

4 transitivo indireto quando signi ica !invocar" e ( usado com a preposi$%o !por". - &la chamava por 3esus. 6om o sentido de !apelidar" pode e#igir ou n%o a preposi$%o, ou seja, pode ser transitivo direto ou transitivo indireto. ,dmite as seguintes constru$7es: - 6hamei 8edro de bobo. )chamei-o de bobo* - 6hamei a 8edro de bobo. )chamei-lhe de bobo* - 6hamei 8edro bobo. )chamei-o bobo* - 6hamei a 8edro bobo. )chamei-lhe bobo* VISAR 8ode ser transitivo direto )sem preposi$%o* ou transitivo indireto )com preposi$%o*. Quando signi ica !dar visto" e !mirar" ( transitivo direto. - O uncion9rio j9 visou todos os cheques. )dar visto* - O arqueiro visou o alvo e atirou. )mirar* Quando signi ica !desejar", !almejar", !pretender", !ter em vista" ( transitivo indireto e e#ige a preposi$%o !a". - :uitos visavam ao cargo. - &le visa ao poder. /esse caso n%o admite o pronome lhe)s* e dever9 ser substitu;do por a ele)s*, a ela)s*. Ou seja, n%o se di5: viso-lhe. Obs: Quando o verbo !visar" ( seguido por um in initivo, a preposi$%o ( geralmente omitida. - &le visava atingir o posto de comando. ESQUECER – LEMBRAR - <embrar algo = esquecer algo - <embrar-se de algo = esquecer-se de algo )pronominal* /o >? caso, os verbos s%o transitivos diretos, ou seja e#igem complemento sem preposi$%o. - &le esqueceu o livro. /o @? caso, os verbos s%o pronominais )-se, -me, etc* e e#igem complemento com a preposi$%o !de". .%o, portanto, transitivos indiretos. - &le se esqueceu do caderno. - &u me esqueci da chave. - &les se esqueceram da prova. - /'s nos lembramos de tudo o que aconteceu. A9 uma constru$%o em que a coisa esquecida ou lembrada passa a uncionar como sujeito e o verbo so re leve altera$%o de sentido. 4 uma constru$%o muito rara na l;ngua contemporBnea , por(m, ( 9cil encontr9la em te#tos cl9ssicos tanto brasileiros como portugueses. :achado de ,ssis, por e#emplo, e5 uso dessa constru$%o v9rias ve5es. - &squeceu-me a trag(dia. )cair no esquecimento* - <embrou-me a esta. )vir à lembran$a* O verbo lembrar tamb(m pode ser transitivo direto e indireto )lembrar alguma coisa a algu(m ou algu(m de alguma coisa*. PREFERIR 4 transitivo direto e indireto, ou seja, possui um objeto direto )complemento sem preposi$%o* e um objeto indireto )complemento com preposi$%o*

- 8re iro cinema a teatro. - 8re iro passear a ver T0. /%o ( correto di5er: !8re iro cinema do que teatro". SIMPATIZAR ,mbos s%o transitivos indiretos e e#igem a preposi$%o !com". - /%o simpati5ei com os jurados. QUERER 8ode ser transitivo direto )no sentido de !desejar"* ou transitivo indireto ) no sentido de !ter a eto", !estimar"*. - , crian$a quer sorvete. - Quero a meus pais. NAMORAR 4 transitivo direto, ou seja, n%o admite preposi$%o. - :aria namora 3o%o. Obs: /%o ( correto di5er: !:aria namora com 3o%o". OBEDECER 4 transitivo indireto, ou seja, e#ige complemento com a preposi$%o !a" )obedecer a*. - +evemos obedecer aos pais. Obs: embora seja transitivo indireto, esse verbo pode ser usado na vo5 passiva. - , ila n%o oi obedecida. VER 4 transitivo direto, ou seja, n%o e#ige preposi$%o. - &le viu o ilme. Exercícios – 01 >. )ICD&* ,ssinale a op$%o que apresenta a regência verbal incorreta, de acordo com a norma culta da l;ngua: a* Os sertanejos aspiram a uma vida mais con ort9vel. b* Obedeceu rigorosamente ao hor9rio de trabalho do corte de cana. c* O rapa5 presenciou o trabalho dos canavieiros. d* O a5endeiro agrediu-lhe sem necessidade. e* ,o assinar o contrato, o usineiro visou, apenas, ao lucro pretendido. @. )ICD&* ,ssinale a op$%o que cont(m os pronomes relativos, regidos ou n%o de preposi$%o, que completam corretamente as rase abai#o: Os navios negreiros, ....... donos eram tra icantes, oram revistados. /ingu(m conhecia o tra icante ....... o a5endeiro negociava. a* nos quais E que b* cujos E com quem c* que E cujo d* de cujos E com quem e* cujos E de quem F. )ICD&* ,ssinale a op$%o em que as duas rases se completam corretamente com o pronome lhe:

a* /%o ..... amo mais. E O ilho n%o ..... obedecia. b* &spero-..... h9 anos. E &u j9 ..... conhe$o bem. c* /'s ..... queremos muito bem. E /unca ..... perdoarei, 3o%o. d* ,inda n%o ..... encontrei trabalhando, rapa5. E +esejou-..... elicidades. e* .empre ..... vejo no mesmo lugar. E 6hamou-..... de tolo. G. )ICD&* ,ssinale a op$%o em que todos os adjetivos devem ser seguidos pela mesma preposi$%o: a* 9vido E bom E inconseqHente b* indigno E odioso E perito c* leal E limpo E oneroso d* orgulhoso E rico E sedento e* oposto E p9lido E s9bio I. )JK-K<J:I/&/.&* ,ssinale a rase em que est9 usado indevidamente um dos pronomes seguintes: o, lhe. a* /%o lhe agrada semelhante providênciab* , resposta do pro essor n%o o satis e5. c* ,jud9-lo-ei a preparar as aulas. d* O poeta assistiu-a nas horas amargas, com e#trema dedica$%o. e* 0ou visitar-lhe na pr'#ima semana. L. )CC* 2egência impr'pria: a* /%o o via desde o ano passado. b* Komos à cidade pela manh%. c* In ormou ao cliente que o aviso chegara. d* 2espondeu à carta no mesmo dia. e* ,visamos-lhe de que o cheque oi pago. M. )CC* ,lternativa correta: a* 8recisei de que osses comigo. b* ,visei-lhe da mudan$a de hor9rio. c* Imcumbiu-me para reali5ar o neg'cio. d* 2ecusei-me em a5er os e#ames. e* 6onvenceu-se nos erros cometidos. N. )&86,2* O que devidamente empregado s' n%o seria regido de preposi$%o na op$%o: a* O cargo ....... aspiro depende de concurso. b* &is a ra5%o ....... n%o compareci. c* 2ui ( o orador ....... mais admiro. d* O jovem ....... te re eriste oi reprovado. e* ,li est9 o abrigo ....... necessitamos. O. )J/IKI6* Os encargos ....... nos obrigaram s%o aqueles ....... o diretor se re eria. a* de que - que b* a cujos - cujos c* por que - que d* cujos - cujo e* a que - a que >P. )KT:-,2,6,3J* ,s mulheres da noite ....... o poeta a5 alus%o ajudam a colorir ,racaju, ....... cora$%o bate de noite, no silêncio. , alternativa que completa corretamente as lacunas da rase acima (: a* as quais E de cujo o b* a que E no qual c* de que E o qual d* às quais E cujo e* que E em cujo

GABARITO: 1. D 2. D .! ". D #. E $. E %. A &. E '. E 10. D

Regência Nominal
A regência verbal ou nominal determina se os seus complementos são acompanhados por preposição. Os nomes pedem complemento nominal; e os verbos, objetos diretos ou indiretos. Exemplo: Ela tem necessidade de roupa. !uem tem necessidade, tem necessidade "de# alguma coisa. $e roupa: complemento nominal. %i& uma re'erência a um escritor 'amoso. !uem 'a& re'erência 'a& re'erência "a# alguma coisa. A um escritor 'amoso: complemento nominal (a verdade, não existem regras. )ada palavra exige um complemento e rege uma preposição. *uitas regências n+s aprendemos de tanto escut, las, por-m não signi'ica .ue todas estejam corretas. "/re'iro mais cinema do .ue teatro.# Escutamos esta 'rase .uase todos os dias. /re'erir mais, não existe, pois ningu-m pre'ere menos. 0, portanto, uma redund1ncia. !uem pre'ere pre'ere alguma coisa "a# outra. A 'rase 'icaria correta desta 'orma: "/re'iro cinema a teatro#. O verbo pre'erir - transitivo direto e indireto e o objeto indireto deve vir com a preposição. "a#. "/re'iro isso do .ue a.uilo.# $o .ue - uma regência popular e deve ser evitada em provas, redaç2es e concursos. "/re'iro ir 3 praia a estudar.# 4/re'erir a 5 a praia: a 5 a: 3 6 veja )rase7. Acess8vel a Acostumado a ou com Alheio a Alusão a Ansioso por Atenção a ou para Atento a ou em 9en-'ico a )ompat8vel com )uidadoso com $esacostumado a ou com $esatento a $es'avor,vel a $esrespeito a Estranho a %avor,vel a %iel a :rato a ;,bil em

;abituado a <nacess8vel a <ndeciso em <nvasão de =unto a ou de >eal a *aior de *orador em (atural de (ecess,rio a (ecessidade de (ocivo a ?dio a ou contra Odioso a ou para /osterior a /re'erência a ou por /re'er8vel a /rejudicial a /r+prio de ou para /r+ximo a ou de !uerido de ou por @esidente em @espeito a ou por Aens8vel a Aimpatia por Aimp,tico a Btil a ou para Cersado em

Figuras de Linguagem
São recursos que tornam mais expressivas as mensagens. Subdividem-se em figuras de som, figuras de construção, figuras de pensamento e figuras de palavras. Figuras de som a) aliteração: consiste na repetição ordenada de mesmos sons consonantais. “Esperando, parada, pregada na pedra do porto. b) asson!ncia: consiste na repetição ordenada de sons voc"licos id#nticos. “Sou um mulato nato no sentido lato mulato democr"tico do litoral. c) paronom"sia: consiste na aproximação de palavras de sons parecidos, mas de significados distintos. “Eu que passo, penso e peço. Figuras de construção a) elipse: consiste na omissão de um termo facilmente identific"vel pelo contexto. “$a sala, apenas quatro ou cinco convidados. %omissão de &avia) b) 'eugma: consiste na elipse de um termo que (" apareceu antes. Ele prefere cinema) eu, teatro. %omissão de prefiro) c) poliss*ndeto: consiste na repetição de conectivos ligando termos da oração ou elementos do per*odo. “ E sob as ondas ritmadas e sob as nuvens e os ventos e sob as pontes e sob o sarcasmo e sob a gosma e sob o v+mito %...) d) inversão: consiste na mudança da ordem natural dos termos na frase. “,e tudo ficou um pouco. ,o meu medo. ,o teu asco. e) silepse: consiste na concord!ncia não com o que vem expresso, mas com o que se subentende, com o que est" impl*cito. - silepse pode ser: . ,e g#nero /ossa Excel#ncia est" preocupado. . ,e n0mero 1s 2us*adas glorificou nossa literatura. . ,e pessoa “1 que me parece inexplic"vel 3 que os brasileiros persistamos em comer essa coisin&a verde e mole que se derrete na boca. f) anacoluto: consiste em deixar um termo solto na frase. $ormalmente, isso ocorre porque se inicia uma determinada construção sint"tica e depois se opta por outra. - vida, não sei realmente se ela vale alguma coisa. g) pleonasmo: consiste numa redund!ncia cu(a finalidade 3 reforçar a mensagem. “E rir meu riso e derramar meu pranto. &) an"fora: consiste na repetição de uma mesma palavra no in*cio de versos ou frases. “ -mor 3 um fogo que arde sem se ver) 4 ferida que d5i e não se sente) 4 um contentamento descontente) 4 dor que desatina sem doer

Figuras de pensamento a) ant*tese: consiste na aproximação de termos contr"rios, de palavras que se op6em pelo sentido. “1s (ardins t#m vida e morte. b) ironia: 3 a figura que apresenta um termo em sentido oposto ao usual, obtendo-se, com isso, efeito cr*tico ou &umor*stico. “- excelente ,ona 7n"cia era mestra na arte de (udiar de crianças. c) eufemismo: consiste em substituir uma expressão por outra menos brusca) em s*ntese, procura-se suavi'ar alguma afirmação desagrad"vel. Ele enriqueceu por meios il*citos. %em ve' de ele roubou) d) &ip3rbole: trata-se de exagerar uma id3ia com finalidade enf"tica. Estou morrendo de sede. %em ve' de estou com muita sede) e) prosopop3ia ou personificação: consiste em atribuir a seres inanimados predicativos que são pr5prios de seres animados. 1 (ardim ol&ava as crianças sem di'er nada. f) gradação ou cl*max: 3 a apresentação de id3ias em progressão ascendente %cl*max) ou descendente %anticl*max) “8m coração c&agado de dese(os 2ate(ando, batendo, restrugindo. g) ap5strofe: consiste na interpelação enf"tica a algu3m %ou alguma coisa personificada). “Sen&or ,eus dos desgraçados9 ,i'ei-me v5s, Sen&or ,eus9

Figuras de palavras a) met"fora: consiste em empregar um termo com significado diferente do &abitual, com base numa relação de similaridade entre o sentido pr5prio e o sentido figurado. - met"fora implica, pois, uma comparação em que o conectivo comparativo fica subentendido. “:eu pensamento 3 um rio subterr!neo. b) meton*mia: como a met"fora, consiste numa transposição de significado, ou se(a, uma palavra que usualmente significa uma coisa passa a ser usada com outro significado. ;odavia, a transposição de significados não 3 mais feita com base em traços de semel&ança, como na met"fora. - meton*mia explora sempre alguma relação l5gica entre os termos. 1bserve: $ão tin&a teto em que se abrigasse. %teto em lugar de casa) c) catacrese: ocorre quando, por falta de um termo espec*fico para designar um conceito, torna-se outro por empr3stimo. Entretanto, devido ao uso cont*nuo, não mais se percebe que ele est" sendo empregado em sentido figurado. 1 p3 da mesa estava quebrado. d) antonom"sia ou per*frase: consiste em substituir um nome por uma expressão que o identifique com facilidade: ...os quatro rapa'es de 2iverpool %em ve' de os <eatles) e) sinestesia: trata-se de mesclar, numa expressão, sensaç6es percebidas por diferentes 5rgãos do sentido. - lu' crua da madrugada invadia meu quarto.

Vícios de linguagem - gram"tica 3 um con(unto de regras que estabelece um determinado uso da l*ngua, denominado norma culta ou l*ngua padrão. -contece que as normas estabelecidas pela gram"tica normativa nem sempre são obedecidas, em se tratando da linguagem escrita. 1 ato de desviar-se da norma padrão no intuito de

alcançar uma maior expressividade, refere-se =s figuras de linguagem. >uando o desvio se d" pelo não con&ecimento da norma culta, temos os c&amados v*cios de linguagem. a) barbarismo: consiste em grafar ou pronunciar uma palavra em desacordo com a norma culta. pesqui'a %em ve' de pesquisa) prototipo %em ve' de prot5tipo) b) solecismo: consiste em desviar-se da norma culta na construção sint"tica. ?a'em dois meses que ele não aparece. %em ve' de fa' ) desvio na sintaxe de concord!ncia) c) ambiguidade ou anfibologia: trata-se de construir a frase de um modo tal que ela apresente mais de um sentido. 1 guarda deteve o suspeito em sua casa. %na casa de quem: do guarda ou do suspeito@) d) cac5fato: consiste no mau som produ'ido pela (unção de palavras. Aaguei cinco mil reais por cada. e) pleonasmo vicioso: consiste na repetição desnecess"ria de uma ideia. 1 pai ordenou que a menina entrasse para dentro imediatamente. 1bservação: >uando o uso do pleonasmo se d" de modo enf"tico, este não 3 considerado vicioso. f) eco: trata-se da repetição de palavras terminadas pelo mesmo som. 1 menino repetente mente alegremente.

Flexão Verbal

O que representa as flexões verbais As flexões verbais são expressas por meio dos tempos, modo e pessoa da seguinte forma: • • • O tempo indica o momento em que ocorre o processo verbal. O modo indica a atitude do falante ( dúvida, certeza, impossibilidade, pedido, imposi ão, etc.!" A pessoa marca na forma do verbo a pessoa gramatical do su#eito.

Tempos $" tempos do presente, do passado ( pret%rito ! e do futuro. Modo Modo Indicativo &ndica uma certeza relativa do falante com refer'ncia ao que o verbo exprime( pode ocorrer no tempo presente, passado ou futuro: Presente ( &d)r !: )rocesso simult*neo ao ato da fala + fato corriqueiro, ,abitual: Compro livros nesta livraria. nota: -sa+se tamb%m o presente com o valor de passado + passado ,ist.rico ( nos contos, narrativas ! Tempos do pretérito ( passado ( &d )t !: /xprimem processos anteriores ao ato da fala. 0ão eles:

• Pretérito imperfeito • •
/xprime um processo ,abitual, ou com dura ão no tempo: Naquela época eu cantava como um pássaro. Pretérito perfeito /xprime uma a ão acabada: Paulo quebrou meu violão de estimação. Pretérito mais!que!perfeito /xprime um processo anterior a um processo acabado: Embora tivera deixado a escola, ele nunca deixou de estudar.

Tempos do futuro ( &d 1t !: &ndicam processos que irão acontecer:

• Futuro do presente •
/xprime um processo que ainda não aconteceu: Farei essa viagem no fim do ano. Futuro do pretérito /xprime um processo posterior a um processo que #" passou: Eu faria essa viagem se não tivesse comprado o carro.

Modo "ub#untivo /xpressa incerteza, possibilidade ou dúvida em rela ão ao processo verbal e não est" ligado com a no ão de tempo. $" tr's tempos: presente, imperfeito e futuro. 2uero que voltes para mim. 3ão pise na grama.

4 poss5vel que ele se#a ,onesto. /spero que ele fique contente. 6uvido que ele se#a o culpado. )rocuro algu%m que se#a meu compan,eiro para sempre. Ainda que ele queira, não l,e ser" concedida a vaga. "e eu fosse bailarina, estaria na 7ússia. $uando eu tiver din,erio, irei para as praias do nordeste. Modo Imperativo /xprime atitude de ordem, pedido ou solicita ão: Vai e não voltes mais. Pessoa A norma da l5ngua portuguesa estabelece tr's pessoas: 0ingular: eu , tu , ele, ela . )lural: n.s, v.s, eles, elas. nota: 3o portugu's brasileiro % comum o uso do pronome de tratamento você s! em lugar do tu e v"s. T%MPO" % MO&O"' P(%"%)T% &O I)&I*+TIVO' O 8O6O &36&9A:&;O serve para expressar a ões definidas, reais. O :/8)O )7/0/3:/, normalmente, exprime as a ões que acontecem no momento em que se fala. /ntretanto, este tempo verbal pode ser tamb%m empregado em outras circunst*ncias. + )7/0/3:/ 8O8/3:<3/O: =3ão percamos de vista o ardente 05lvio que l" vai, que desce e sobe, escorrega e salta.= + 8. Assis. (1ato atual, que se d" no momento em que se fala( o narrador, aqui, est" presenciando as a ões do personagem! + )7/0/3:/ 6-7A:&;O: =A &gre#a condena a p5lula anticomcepcional e a 9i'ncia a aprova.= (A ões ou estados considerados permanentes! + )7/0/3:/ $A>&:-A? ou 17/2@/3:A:&;O: =Aqueles #ovens estudam na mesma escola.= + )7/0/3:/ $&0:A7&9O ou 3A77A:&;O: =)rocuram+se e ac,am+se. /nfim, 05lvio ac,ou 05lvia( viram+se, ca5ram nos bra os um do outro, ofegantes de canseira, mas remidos com a paga. -nem+se, entrela am os bra os e regressam palpitando da inconsci'ncia para a consci'ncia.= + 8. Assis. (;erbos no presente para dar mais vivacidade Bs a ões acontecidas no passado! + )7/0/3:/ 9O8 0/3:&6O 6/ 1-:-7O 8-&:O )7AC&8O: =;ou arrumar as malas e, aman,ã, embarco para a /uropa.= =;ou B 7oma, depois sigo para ?ondres.= ()ara se evitar qualquer tipo de ambigDidade, deve+se usar adv%rbios de tempo que exprimem futuro, #unto ao verbo no presente! &8)/7A:&;O. 0endo por excel'ncia o modo que exprime =ordens e mandamentos=, o &mperativo tamb%m pode expressar outros sentimentos, inten ões e interesses do ser ,umano.

/xemplos: 0aia daquiE (ordem! )artamos antes que se#a tarde. (consel,o! 3ão se preocupe com isso. (consel,o expresso pelo &mperativo 3egativo! ;en,a B nossa casa ,o#e B noite. (convite! 3ão deixem de comparecer B festa. (convite expresso pelo &mperativo 3egativo! )or favor, espere por mimE =)erdoai as nossas ofensas...= =?ivrai+nos do mal.= (súplicas! =3ão nos deixeis cair em tenta ão...= (súplica expressa pelo &mperativo 3egativo! O modo &mperativo Afirmativo % formado da seguinte maneira: tu e v.s do )resente do &ndicativo, sem o s final, e as demais pessoas (voc'Fele, n.s, voc'sFeles! do )resente do 0ub#untivo. G" o imperativo negativo % formado com todas as pessoas deste tempo. 3ão se usa a primeira pessoa do singular em ambos os casos. O sistema de con#uga ão dos imperativos vale para todos os verbos da l5ngua portuguesa, com exce ão do verbo ser. /ste verbo s. não segue a regra nas duas segundas pessoas do imperativo afirmativo: s' (tu! e sede (v.s!, esta lida com o primeiro =e= fec,ado, do mesmo #eito que se l' a palavra que significa vontade de beber. /xemplo: =)ara ser grande, s' inteiro: nada teu exagera ou exclui. 0' todo em cada coisa. )õe quanto %s no m5nimo que fazes.= (1ernando )essoa, sob o ,eterHnimo de 7icardo 7eis!

MO&O ",-.,)TIVO' 8odo que se caracteriza por expressar a ões e fatos ,ipot%ticos, isto %, tudo aquilo que est" no campo de nossos dese#os, de nossas aspira ões. 4 o modo das ora ões subordinadas por excel'ncia. :/8)O0: + )resente. /ste tempo pode expressar a ões tanto no presente quanto no futuro. /xemplos: 6uvido que ele 0/GA rico. (a ão presente! 4 bom que voc' ;O?:/ aman,ã. (a ão futura! Observa ão: A primeira pessoa do singular do presente do indicativo d" origem ao presente do sub#untivo. /xemplos: =/u ve#o= d" origem a =que eu ve#a=( =eu ou o= d" origem a =que eu ou a=( =eu digo= d" origem a =que eu diga=. 0e a primeira do singular do presente do indicativo % nula, como nos verbos defectivos, todo o presente do sub#untivo % nulo. + &mperfeito. /mbora esta se#a uma forma do tempo pret%rito, pode tamb%m expressar fatos no presente e no futuro. /xemplos: 1osse verdade o que dizes, e todos estariam felizes. (a correla ão com a forma verbal =dizes= d" B forma =fosse= um aspecto tamb%m de presente! 9,ovesse ou fizesse sol, ele ia ao trabal,o. )ediu+l,e que voltasse na pr.xima semana. (a expressão adverbial =na pr.xima semana= traz um matiz de

futuro B ora ão! + )ret%rito. 1orma verbal sempre no tempo composto, formado pelo auxiliar :/7 no presente do sub#untivo, acrescido do partic5pio passado do verbo principal. /xemplos: Acredito que ele :/3$A )A00A6O no exame. (fato passado, supostamente conclu5do! /spero que ela :/3$A A77-8A6O tudo antes de eu c,egar. (fato passado, supostamente terminado antes de outro fato no futuro acontecer! + )ret%rito mais+que+perfeito. :amb%m um tempo composto, formado por um auxiliar no &mperfeito do sub#untivo e um verbo principal no partic5pio passado. /xemplos: 3ão esperava que ela :&;/00/ 9$/IA6O aqui antes de mim. (a ão conclu5da eventualmente antes de outra, ambas no passado! :&;/00/ 9$/IA6O antes, e o pr'mio seria seu. (a ão ,ipot%tica, ocorrida no passado! + 1uturo (simples!. )ode ser empregado nas ora ões adverbiais ou ad#etivas. /xemplos: 0/ 2-&0/7, irei v'+lo. (id%ia de eventualidade no futuro! :rarei presentes aos que me /39O8/36A7/8. + 1uturo (composto!. 1ormado do verbo auxiliar no futuro simples e o partic5pio passado do verbo principal. /xemplos: 2uando :&;/7 /39O3:7A6O a resposta, revelarei a todos. (fato futuro eventualmente terminado em rela ão a outro tamb%m no futuro!

Funções da Linguagem
Para entendermos com clareza as funções da linguagem, é bom primeiramente conhecermos as etapas da comunicação. Ao contrário do que muitos pensam, a comunicação não acontece somente quando falamos, estabelecemos um diálogo ou redigimos um texto, ela se faz presente em todos ou quase todos! os momentos. "omunicamo#nos com nossos colegas de trabalho, com o li$ro que lemos, com a re$ista, com os documentos que manuseamos, atra$és de nossos gestos, ações, até mesmo atra$és de um bei%o de &boa noite'. ( o que diz )ordena$e quando se refere * comunicação+
A comunicação confunde#se com a pr,pria $ida. -emos tanta consci.ncia de que comunicamos como de que respiramos ou andamos. /omente percebemos a sua essencial import0ncia quando, por acidente ou uma doença, perdemos a capacidade de nos comunicar. )ordena$e, 1234. p.15#2!

6o ato de comunicação percebemos a exist.ncia de alguns elementos, são eles+ a! emissor: é aquele que en$ia a mensagem pode ser uma 7nica pessoa ou um grupo de pessoas!. b) mensagem # é o contéudo assunto! das informações que ora são transmitidas. c! receptor: é aquele a quem a mensagem é endereçada um indi$8duo ou um grupo!, também conhecido como destinatário. d! canal de comunicação: é o meio pelo qual a mensagem é transmitida. e! código: é o con%unto de signos e de regras de combinação desses signos utilizado para elaborar a mensagem+ o emissor codifica aquilo que o receptor irá decodificar. f! contexto: é o ob%eto ou a situação a que a mensagem se refere. Partindo desses seis elementos 9oman :a;obson, linguista russo, elaborou estudos acerca das funções da linguagem, os quais são muito 7teis para a análise e produção de textos. As seis funções são+ 1. Função referencial: referente é o ob%eto ou situação de que a mensagem trata. A função referencial pri$ilegia %ustamente o referente da mensagem, buscando transmitir informações ob%eti$as sobre ele. <ssa função predomina nos textos de caráter cient8fico e é pri$ilegiado nos textos %ornal8sticos. =. Função emotiva: atra$és dessa função, o emissor imprime no texto as marcas de sua atitude pessoal+ emoções, a$aliações, opiniões. > leitor sente no texto a presença do emissor. ?. Função conativa: essa função procura organizar o texto de forma a que se imponha sobre o receptor da mensagem, persuadindo#o, seduzindo#o. 6as mensagens em que predomina essa função, busca#se en$ol$er o leitor com o conte7do transmitido, le$ando#o a adotar este ou aquele comportamento. @.Função fática: a pala$ra fático significa &ru8do, rumor'. Aoi utilizada inicialmente para designar certas formas que se usam para chamar a atenção ru8dos como psiu, ahn, ei!. <ssa função ocorre quando a mensagem se orienta sobre o canal de comunicação ou contato, buscando $erificar e fortalecer sua efici.ncia. B. Função metalinguística: quando a linguagem se $olta sobre si mesma, transformando#se em seu pr,prio referente, ocorre a função metalingu8stica. 4. Função poética: quando a mensagem é elaborada de forma ino$adora e impre$ista, utilizando combinações sonoras ou r8tmicas, %ogos de imagem ou de ideias, temos a manifestação da função poética

da linguagem. <ssa função é capaz de despertar no leitor prazer estético e surpresa. ( explorado na poesia e em textos publicitários. <ssas funções não são exploradas isoladamente, de modo geral, ocorre a superposição de $árias delas. Cá, no entanto, aquela que se sobressai, assim podemos identificar a finalidade principal do texto. Função referencial ou denotativa: transmite uma informação ob%eti$a, expõe dados da realidade de modo ob%eti$o, não faz comentários, nem a$aliação. Deralmente, o texto apresenta#se na terceira pessoa do singular ou plural, pois transmite impessoalidade. A linguagem é denotati$a, ou se%a, não há possibilidades de outra interpretação além da que está exposta. <m alguns textos é mais predominante essa função, como+ cient8ficos, %ornal8sticos, técnicos, didáticos ou em correspond.ncias comerciais. Por exemplo+ &)ancos terão no$as regras para acesso de deficientes'. > Popular, 14 out. =EE3. Função emotiva ou expressiva+ o ob%eti$o do emissor é transmitir suas emoções e anseios. A realidade é transmitida sob o ponto de $ista do emissor, a mensagem é sub%eti$a e centrada no emitente e, portanto, apresenta#se na primeira pessoa. A pontuação ponto de exclamação, interrogação e retic.ncias! é uma caracter8stica da função emoti$a, pois transmite a sub%eti$idade da mensagem e reforça a entonação emoti$a. <ssa função é comum em poemas ou narrati$as de teor dramático ou rom0ntico. Por exemplo+ &Porém meus olhos não perguntam nada.F > homem atrás do bigode é sério, simples e forte.FGuase não con$ersa.F-em poucos, raros amigosFo homem atrás dos ,culos e do bigode.' Poema de sete faces, "arlos Hrummond de Andrade! Função conativa ou apelativa+ > ob%eti$o é de influenciar, con$encer o receptor de alguma coisa por meio de uma ordem uso de $ocati$os!, sugestão, con$ite ou apelo da8 o nome da função!. >s $erbos costumam estar no imperati$o "ompreI AaçaI! ou con%ugados na =J ou ?J pessoa Koc. não pode perderI <le $ai melhorar seu desempenhoI!. <sse tipo de função é muito comum em textos publicitários, em discursos pol8ticos ou de autoridade. Por exemplo+ 6ão perca a chance de ir ao cinema pagando menosI Função metalingüística: <ssa função refere#se * metalinguagem, que é quando o emissor explica um c,digo usando o pr,prio c,digo. Guando um poema fala da pr,pria ação de se fazer um poema, por exemplo. Ke%a+ &Pegue um %ornal Pegue a tesoura. <scolha no %ornal um artigo do tamanho que $oc. dese%a dar a seu poema. 9ecorte o artigo.' <ste trecho da poesia, intitulada &Para fazer um poema dada8sta' utiliza o c,digo poema! para explicar o pr,prio ato de fazer um poema. Função fática: > ob%eti$o dessa função é estabelecer uma relação com o emissor, um contato para $erificar se a mensagem está sendo transmitida ou para dilatar a con$ersa. Guando estamos em um diálogo, por exemplo, e dizemos ao nosso receptor &<stá entendendoL', estamos utilizando este tipo de função ou quando atendemos o celular e dizemos &>i' ou &AlM'. Função poética: > ob%eti$o do emissor é expressar seus sentimentos atra$és de textos que podem ser enfatizados por meio das formas das pala$ras, da sonoridade, do ritmo, além de elaborar no$as possibilidades de combinações dos signos lingN8sticos. ( presente em textos literários, publicitários e em letras de m7sica.

Análise Sintática
A Análise sintática estuda a estrutura do período, divide e classifica suas orações, observa a função da palavra na oração ou no período. Período é a frase expressa através de uma ou várias orações terminadas por ponto, ponto de exclamação, ponto de interrogação ou reticências. período pode ser simples !"uando possui uma s# oração$ ou composto !"uando possui mais de uma oração$. %rase é todo e "ual"uer enunciado de sentido completo, pode ser formada por uma simples palavra, uma oração ou um período. A frase pode ou não ter verbo. ração é o con&unto de palavras organi'adas em torno de um verbo. Para "ue (a&a oração é necessário um verbo e cada verbo forma uma oração. Assim (averá tantas orações "uantos forem os verbos existentes no período. s termos da oração são formados por palavras "ue se relacionam entre si e cada um desses termos desempen(a uma função. termo pode ser formado por uma ou várias palavras. )xemplo* +uana desfila !o termo su&eito é +uana$ A bela +uana desfila !o termo su&eito é A bela +uana$ bs. ,e&a "ue o termo -A bela +uana. é formado por / palavras. 0uando o termo é formado por um con&unto de palavras, (á sempre uma "ue se destaca 1 é a mais importante 1, a ela damos o nome de n2cleo. 3estarte, no termo su&eito -A bela +uana. o n2cleo é +uana. 4)56 7 3A 5A89

s termos da oração são classificados de acordo com a import:ncia "ue exercem dentro da oração. 7ão* ;. 4ermos essenciais da oração* su&eito e predicado <. 4ermos integrantes* complemento verbal, complemento nominal /. 4ermos acess#rios* ad&unto adnominal, ad&unto adverbial, aposto !explicativo, enumerativo, especificativo, distributivo, oracional, recapitulativo ou resumidor, comparativo$, vocativo. 4)56 7 )77)=>?A?7 3A !7@A)?4 e P5)3?>A3 $ 5A89

7@A)?4 su&eito é o termo da oração a respeito do "ual se enuncia algo. =2cleo do su&eito* é a palavra !substantivo ou pronome$ "ue realmente indica a função sintática "ue está exercendo. )xemplo* computador travou novamente. 7u&eito* computador =2cleo* computador 4?P 7 3) 7@A)?4 ;. 3)4)56?=A3 su&eito é determinado "uando pode ser identificado na oração, "uer se apresente de forma explícita, "uer implícita, é facilmente apontado na oração, e subdivideBse em* simples e composto. 7imples 1 "uando o su&eito possui um 2nico n2cleo. )xemplo* o menino "uebrou o brin"uedo.

n2cleo >omposto 1 "uando o su&eito apresenta dois ou mais n2cleos. )xemplo* +ula e 3irceu cambaleavam pela rua. n2cleo n2cleo ?mplícito 1 "uando o su&eito não está expresso claramente e s# é possível identificáBlo através da desinência verbal. )xemplo* ,ia&aremos para 7ão Paulo. 7u&eito* !n#s$ <. ?=3)4)56?=A3 0uando o su&eito não está expresso na oração, ou por não se dese&ar "ue ele se&a con(ecido, ou pela impossibilidade de sua explicitação, ou se&a, não é possível determináBlo na oração. su&eito indeterminado apresentaBse de duas maneiras* ;. ,erbo na /C pessoa do plural, sem a existência de outro elemento "ue exi&a essa flexão do verbo. )xemplo* 6andaram o pintor concluir o serviço. <.,erbo na /C pessoa do singular acompan(ado do pronome se. )xemplo* PrecisaBse de costureiras. bservação* su&eito é indeterminado com a partícula se funcionando como índice de indeterminação. ,e&a as características* o verbo sempre na /C pessoa do singularD não (á palavra "ue funcione como su&eitoD geralmente aparece preposição depois do pronome seD não pode ser transformada em vo' passiva analítica. )xemplo* %alouBse de você. su&eito não é indeterminado com a partícula se funcionando como partícula apassivadora. ,e&a as características* o verbo pode estar na /C pessoa do singular ou pluralD possui su&eito expresso na oração, nunca ocultoD &amais aparece preposição depois o pronome seD pode ser transformado em vo' passiva analítica. )xemplo* >onsertamBse botões. /. 5A8E)7 7)6 7@A)?4 7ão orações constituídas apenas pelo predicado, pois a informação fornecida não se refere a nen(um su&eito. As principais são* ;. ,erbos "ue exprimem fenFmenos da nature'a* c(over, trove&ar, nevar, anoitecer, aman(ecer, etc. )xemplo* >(oveu muito (o&e pela aman(ã G =evou bastante no inverno. <. verbo (aver no sentido de existir ou indicação de tempo transcorrido. )xemplo* Houve sérios problemas na rede elétrica G Há vários anos não via&amos. /. verbo fa'er, ser e estar indicando tempo transcorrido ou tempo "ue indi"ue fenFmeno da nature'a. )xemplo* %a' duas semanas "ue não c(ove G )stá muito "uente (o&e G )ra noite "uando ele c(egou. A+I@6A7 J7)5,A8E)7* ;. verbo ser, impessoal, concorda com o predicativo, podendo aparecer na /C pessoa do plural. )xemplo* 7ão oito (oras da man(ã G K uma (ora da tarde. <. s verbos "ue indicam fenFmenos da nature'a, "uando usados em sentido conotativo !figurado$ deixam de ser impessoais. )xemplo* Aman(eci disposto G c(overam reclamações sobre as operadoras de telefonia. /. 0uando um pronome indefinido representa o su&eito, ele deve ser classificado como determinado. )xemplo* Alguém pegou a min(a borrac(a G =inguém ligou (o&e. P5)3?>A3 predicado é a"uilo "ue se comenta sobre o su&eito. Para estudáBlo é necessário con(ecer o verbo "ue forma o predicado. 0uanto L predicação os verbos podem ser classificados como* intransitivos, transitivos e de ligação. ,)5J ?=45A=7?4?, 7ão verbos "ue não exigem complemento, pois têm sentido completos. )xemplo* A menina caiu G computador "uebrou.

,)5J 45A=7?4?, * 7ão verbos "ue exigem complemento e se dividem em* transitivo direto, transitivo indireto e transitivo direto e indireto. ;. 4ransitivo direto* não exigem preposição, ligandoBse diretamente ao seu complemento, c(amado ob&eto direto. )xemplo* As empresas tiveram pre&uí'os. <. 4ransitivo ?ndireto* exigem preposição, ligandoBse indiretamente ao seu complemento, c(amado de ob&eto indireto. )xemplo* Iustavo gostava de c(ocolate. /. 4ransitivo direto e indireto* exigem os dois complemento 1 ob&eto direto e ob&eto indireto 1 ao mesmo tempo. )xemplo* Alan pediu um carro ao pai. ,)5J 3) +?IA89 7ão verbos "ue expressam estado ou mudança de estado e ligam o su&eito ao predicativo. )xemplo* alunos permaneceram na sala.

s

verbo de ligação pode expressar* ;. )stado permanente* expressa o "ue é (abitual, o "ue não se modifica. ,erbos ser e viver. )xemplo* Anita é bonita. <. )stado transit#rio* expressa o "ue é passageiro* ,erbos estar, andar, ac(arBse, encontrarBse. )xemplo* AntFnio anda preocupado G A criança está doente. /. 6udança de estado* revela transformação. ,erbos ficar, tornarBse, acabar, cair, meterBse. )xemplo* A pintura ficou bonita. M. >ontinuação de estado. ,erbos continuar, permanecer. )xemplo* computador permaneceu desligado G Aosé continua febril. N. )stado aparente. ,erbo parecer. )xemplo* A sobremesa parece saborosa. 4?P 7 3) P5)3?>A3 Há três tipos de predicado* predicado nominal, predicado verbal e predicado verboBnominal. ;. Predicado =ominal )xpressa o estado do su&eito. verbo é de ligação. )xemplos* dia continua "uente G 4odos permaneciam apreensivos. bservação* condição. n2cleo do predicado nominal é c(amado predicativo do su&eito, pois atribui "ualidade ou

<. Predicado ,erbal )xpressa a ação praticada ou recebida pelo su&eito. )xemplo* s professores receberam o prêmio. bservação* o n2cleo do predicado verbal é o verbo, pois sua mensagem principal é a ação praticada ou recebida pelo su&eito. ,e&a* s trabal(adores exigem mel(ores condições de trabal(o. /. Predicado ,erboB=ominal ?nforma a ação e o estado do su&eito. )xemplos* =#s c(egamos cansados G >:ndida retornou feli' da viagem. bservação* o predicado verboBnominal é constituído de dois n2cleos 1 um verbo e um nome 1 por"ue fornece duas informações* ação e estado. ,e&a* comprador saiu da lo&a estressado G A criança dormia tran"Oila. 4)56 7 ?=4)I5A=4)7 3A 5A89 7ão termos "ue servem para complementar o sentido de certos verbos ou nomes, pois seu significado s# se completa com a presença de tais termos. s termos integrantes da oração são*

;. >omplemento verbal <. >omplemento =ominal > 6P+)6)=4 ,)5JA+ P b&eto direto P b&eto indireto b&eto 3ireto 4ermo não regido por preposição. >ompleta o sentido do verbo transitivo direto. )xemplos* )les esperavam o Fnibus G 5ita vendia doce. P7* @m método bem prático para determinar o ob&eto direto é perguntar "uemQ ou o "uêQ depois do verbo. )x* )la vendia !o "uê$ doce. b&eto 3ireto preposicionado 6esmo não sendo regido de preposição, (á casos em "ue o ob&eto direto necessita de uma preposição* ;. 0uando é formado por pronomes oblí"uos tFnicos. )xemplo* Assim, pre&udicas a ti. <. 0uando é formado por substantivos pr#prios ou referentes a pessoas. )xemplo* Amai a 3eus sobre todas as coisas. /. 0uando é formado por pronomes demonstrativos, indefinidos e de tratamento. )xemplo* A foto sensibili'ou a todos. M. 0uando é formado pelo pronome relativo "uem. )xemplo* 0ueremos con(ecer o professor a "uem admiras tanto. N. 0uando o ob&eto direto é a palavra ambos. )xemplo* A c(uva mol(ou a ambos. R. Para evitar ambigOidade* )xemplo* >onvenceu ao pai o fil(o mais vel(o. S. 0uando se "uer indicar idéia de parte, porção. )xemplo* Jeberemos deste vin(o. b&eto 3ireto Pleonástico 0uando se "uer dar ênfase L idéia, o ob&eto direto aparece repetido na oração. )xemplo* )ste livro, eu o comprei. b&eto ?ndireto >ompleta o sentido do verbo transitivo indireto e é regido por preposição. )xemplo* Aline gosta de frutas. G =ão confio em políticos. P7* Para recon(ecer o ob&eto indireto, basta a pergunta "uem ou "uê depois do verbo T preposição ade"uada. )xemplo* Aline gosta !de "uê$ de frutas. b&eto ?ndireto Pleonástico K "uando o ob&eto indireto aparece duplamente na oração para se dar ênfase a idéia. )xemplo* A mim ensinaramBme muito bem. > 6P+)6)=4 = 6?=A+ >omplemento =ominal é o termo "ue completa o sentido de substantivos, ad&etivos e advérbios, ligando a esses nomes por meios de preposição. )xemplo* 4en(o a certe'a de sua culpa. G A árvore está c(eia de frutos. Para determinar o complemento nominal basta seguir o seguinte es"uema* =ome T preposição T "uem ou "uêQ )xemplo* )le é perito em computação. 3iferença entre o >omplemento =ominal e b&eto ?ndireto )n"uanto o complemento nominal completa s# sentido dos nomes !substantivo, ad&etivo e advérbio$, o ob&eto indireto completa o sentido de um verbo transitivo indireto. )xemplo* +embreiBme de min(a terra natal. !ob&eto indireto$ )la manteve seu gosto pelo luxo. !complemento nominal$ AI)=4) 3A PA77?,A Agente da Passiva corre em orações cu&o verbo se apresenta na vo' passiva a fim de indicar o elemento

"ue executa a ação verbal. )xemplo* As terras foram invadidas pelos semBterra. G A cidade estava cercada de bele'as naturais. J7)5,A89 * agente da passiva, o ob&eto indireto e o complemento nominal são regidos por preposição, muitas ve'es (á d2vidas na diferenciação dos três. 0uando isso ocorrer, basta observar o su&eito da oração. Para ser agente da passiva o su&eito precisa ser paciente, ou se&a, sofre a ação verbal. )xemplo* A estatueta (avia sido levada pelos invasores. !agente da passiva$ 7entiaBse livre de "ual"uer responsabilidade. !complemento nominal$ ,amos precisar de sua compreensão. !ob&eto indireto$ 4)56 7 A>)77U5? 7 3A 5A89 Apesar de prescindíveis são necessários para o entendimento do enunciado por"ue informam alguma característica ou circunst:ncia dos substantivos, pronomes ou verbos "ue os acompan(am. 7ão considerados termos acess#rios da oração* V ad&unto adnominalD V ad&unto adverbialD V aposto A3A@=4 A3= 6?=A+ 7ão palavras "ue acompan(am o substantivo para caracteri'áBlo, determináBlo ou individuali'áBlo. ad&unto adnominal pode ser representado por* ad&etivosD artigosD numeraisD pronomes ad&etivosD locuções ad&etivas. Ad&etivo* As casas A=4?IA7 eram mais trabal(adas. Ad&. Adnominal Ad&etivo Artigo* A7 estrelas iluminavam A noite. Ad&. Adnominal Ad&. adnominal Artigo artigo =umeral* 45W7 árvores caíram. Ad&. Adnominal =umeral Pronome ad&etivo A0@)+)7 computadores estão "uebrados. Ad&. Adnominal Pronome ad&etivo +ocução ad&etiva* suco 3) +A5A=AA estava gostoso. Ad&. Adnominal +ocução ad&etiva J7)5,A89 * %uncionam também como ad&untos adnominais os pronomes oblí"uos "uando assumem o valor de pronomes possessivos. )xemplo* %eriramBme as pernas. !%eriram min(as pernas$ 3?%)5)=8A )=45) A3A@=4 A3= 6?=A+ ) > 6P+)6)=4 = 6?=A+

Ad&untos Adnominais são palavras "ue acompan(am o n2cleo do su&eito ou do predicativo do su&eito dandoB

l(es características, delimitandoBos. 7ão termos acess#rios da oração, do ponto de vista da análise sintática. )x. amor de mãe fa' bem a "ual"uer um. >omplemento =ominal é o termo "ue completa o sentido de substantivos, ad&etivos e advérbios, ligando a esses nomes por meios de preposição. )sses nomes !substantivos, ad&etivos e advérbios$ se comportam de maneira similar aos verbos transitivos, isto é, exigem um complemento. "ue é denominado de complemento nominal. )xemplo* 7antos 3umont foi o responsável pela invenção do avião. !>=$ A3A@=4 A3,)5J?A+ 4ermo "ue se refere ao verbo, ao ad&etivo ou a outro advérbio, para indicar uma circunst:ncia. >ircunst:ncia de tempo* 7# obtivemos os gabaritos do vestibular = 3?A 7)I@?=4). Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de lugar* tr:nsito está engarrafado =A A,)=?3A 3) 79 Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de modo* s turistas foram recebidos A+)I5)6)=4). Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de intensidade* >omemos P @> no almoço. Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de causa* )stávamos tremendo 3) %5? . Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de compan(ia* ,ou sair > 6 , >W. Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de instrumento* > 6 A ,A77 @5A retirou a su&eira da sala. Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de d2vida* P 77?,)+6)=4) c(egaremos atrasados. Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de finalidade* )studo PA5A A@6)=4A5 6)@7 > =H)>?6)=4 7. Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de meio* Prefiro via&ar 3) >A55 . Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de assunto* >onversamos 7 J5) )> = 6?A. Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de negação* =9 deixarei desarrumarem a casa. +@X7.

Ad&. Adverbial >ircunst:ncia de afirmação* > 6 >)54)YA iremos ao par"ue. Ad&. Adverbial. AP 74 K o termo "ue tem por ob&etivo explicar, esclarecer, resumir ou comentar algo sobre outro termo da oração. 5ecife, A ,)=)YA J5A7?+)?5A, sofre durante o período c(uvoso. Aposto A63, %AJ5?>A=4) 3) P5 >)77A3 5)7, vem gan(ando mercado. Aposto J7)5,A8E)7* aposto pode aparecer anteposto ao termo a "ue se refere. )xemplo* ,)=)YA J5A7?+)?5A, 5ecife está sofrendo com o começo do inverno. Aposto aposto pode aparecer precedido de expressões explicativas. )xemplo* Algumas matérias, a saber, 6A4)6Z4?>A, %X7?>A e 0@X6?>A, são as "ue apresentam maiores dificuldades de aprovação no vestibular. , >A4?, 1 4)56 ?=3)P)=3)=4) K considerado um termo independente da oração por"ue não fa' parte de sua estrutura. K usado para expressar o sentimento do falanteD sentimento esse usado para invocar, c(amar, interpelar ou apelar a "uem o falante se dirige. )xemplo* 6)=?= , ven(a cá[ ,ocativo 6)@7 %?+H 7, ten(am calma. ,ocativo 3?%)5)=8A )=45) , >A4?, ) AP 74 vocativo não mantém relação sintática com nen(um termo da oração, en"uanto o aposto mantém relação sintática com um ou vários termos da oração. 6)=?= 7, voltem a"ui. ,ocativo 7ão Paulo, >)=45 %?=A=>)?5 , sofre com as altas taxas de desemprego. Aposto

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