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P rojeto

PERGUNTE
E
RESPONDEREMOS
ON-LINE

Apostolado Veritatis Spiendor


com autorizagáo de
Dom Estéváo Tavares Bettencourt, osb
(in memoriam)
APRESENTTAQAO
DA EDIQÁO ON-LINE
Diz Sao Pedro que devemos estar
preparados para dar a razáo da nossa
esperanza a todo aquele que no-la pedir
(1 Pedro 3,15).

Esta necessidade de darmos conta


da nossa esperanga e da nossa fé hoje é
mais premente do que outrora, visto que
somos bombardeados por numerosas
correntes filosóficas e religiosas contrarias á
— fé católica. Somos assim incitados a procurar
consolidar nossa crenga católica mediante
um aprofundamento do nosso estudo.

Eis o que neste site Pergunte e


Responderemos propóe aos seus leitores:
aborda questoes da atualidade
~ "" '•; controvertidas, elucidando-as do ponto de
vista crístáo a fim de que as dúvidas se
¡ dissipem e a vivencia católica se fortalega no
— Brasil e no mundo. Queira Deus abengoar
= "~ este trabalho assim como a equipe de
Veritatis Splendor que se encarrega do
respectivo site.

Rio de Janeiro, 30 de julho de 2003.

Pe. Esteváo Bettencourt, OSB

NOTA DO APOSTOLADO VERITATIS SPLENDOR

Celebramos convenio com d. Esteváo Bettencourt e


passamos a disponibilizar nesta área, o excelente e sempre atual
conteúdo da revista teológico - filosófica "Pergunte e
Responderemos", que conta com mais de 40 anos de publicagáo.

A d. Estéváo Bettencourt agradecemos a confiaga depositada


em nosso trabalho, bem como pela generosidade e zelo pastoral
assim demonstrados.
\
D Ano xl Maio 1999

Estranha Bem-aventuranca! /

Possessáo Diabólica e Exorcismo

"A Cura pela Missa" por Robert DeGrandis

O Médium que dizia receber o Dr. Fritz

"Os Mitos da Educacáo Sexual" por Josh McDowell

"A Maconaria do outro lado da Luz" por William


Schnoebelen

"Santos Padres Santos Podres" por Horacio


Silveira

O Médico e a Vida Humana

Livros em Estante
PERGUNTE E RESPONDEREMOS MAI01999
Publica9áo Mensal N"444

Diretor Responsável SUMARIO


Estéváo Bettencourt OSB Estranha Bem-aventuranca! 193
Autor e Redator de toda a materia
Novo Ritual da Igreja:
publicada neste periódico
Possessáo Diabólica e Exorcismo 194

Diretor-Administrador: Praxe recente:


D. Hildebrando P. Martins OSB "A Cura pela Missa" por Robert
DeGrandis 201
Adminístracio e Distribuicáo: Desvendando um pouco do enigma:
Edicóes "Lumen Christi" O Médium que dizia receber
Rúa Dom Gerardo, 40 - 5° andar-sala 501 o Dr. Fritz 206
Tel.: (021) 291-7122 Brado de Alerta:
Fax (021) 263-5679 "Os Mitos da Educacáo Sexual" por
Josh McDowell 209
Enderece para Correspondencia:
Um Clamor se faz ouvir:
Ed. "Lumen Christi*
"A Maconaria do outro lado da Luz" por
Caixa Postal 2666 William Schnoebelen 216
CEP 20001-970 - Rio de Janeiro - RJ
Respondendo a um irmáo:
Visite o MOSTEIRO DE SAO BENTO "Santos Padres Santos Podres" por
Horacio Silveira 226
e "PERGUNTE E RESPONDEREMOS"
na INTERNET: http://www.osb.org.br Falamos Médicos:
O Médico e a Vida Humana 236
e-mail: LUMEN.CHRISTI @ PEMAIL.NET
Livros em Estante 238

COM APROVACÁO ECLESIÁSTICA

NO PRÓXIMO NÚMERO:

A fé e os obstáculos á fé. - O testemunho de ateus. -Todas as Religióes sao equivalen


tes entre si? -"O demonio entende portugués". - As etapas de desenvolvimento do feto
humano. - Doacáo e venda de semen humano. - Livros em estante.

(PARA RENOVACÁO OU NOVA ASSINATURA: R$ 30,00).


(NÚMERO AVULSO R$ 3,00).

O pagamento poderá ser a sua escolha:

1. Enviar em Carta, cheque nominal ao MOSTEIRO DE SAO BENTO/RJ.

2. Depósito em qualquer agencia do BANCO DO BRASIL, para agencia 0435-9 Rio na


C/C 31.304-1 do Mosteiro de S. Bento/RJ, enviando em seguida por carta ou fax,
comprovante do depósito, para nosso controle.

3. Em qualquer agencia dos Correios, VALE POSTAL, enderecado as EDICÓES "LUMEN


CHRISTI" Caixa Postal 2666 / 20001-970 Rio de Janeiro-RJ

Obs.: Correspondencia para: Edicóes "Lumen Christi"


Caixa Postal 2666
20001-970 Rio de Janeiro - RJ >
ESTRANHA BEM-AVENTURANQA!

Entre as bem-aventurancas evangélicas há urna que parece particular


mente estranha: "Bem-aventurados os que tém fome e sede de justica, por
que seráo saciados" (Mt 5, 6). Justica, no caso, é mais do que urna virtude
cardeal; tem o sentido bíblico de ordem que Deus quer para o homem e o
mundo ou também santidade. Pois bem; ter fome e sede de justica implica
nao ter justica ou santidade - o que é muito incómodo; mas o Senhor proclama
felizes aqueles que, apesar de tudo, aspiram á santidade ou á perfeícáo crista.
A aspiracáo aos nobres ideáis tende a esmorecer - e de fato muitas
vezes desfalece - por causa das repetidas falhas da criatura; o desánimo
prevalece sobre o entusiasmo inicial e a pessoa acaba contentando-se com a
mediocridade. Ora, a quem assim se encontra, o Senhor Jesús ensina a nao
ter vergonha e a teimar na procura da perfeicáo. Se Ele chama, está claro que
dá a graca para que atinjamos a meta. Ele nao chamaría para urna fínaüdade
inatingível. Mesmo as tentacóes que acometem o homem, sao regidas pela
Providencia Divina; Sao Paulo lembra que "Ele nao permite sejamos tentados
ácima das nossas torcas, mas com a tentacáo dá os meios de sair déla e a
torca para a suportar" (1Cor 10,13).
A impecabilidade absoluta é impossível. Todos os dias o Senhor nos
ensinou a pedir perdáo por nossas ofensas, como nos perdoamos aos nos-
sos ofensores. Mas estejamos certos de que tender incessantemente á per
feicáo já é perfeicáo, como bem observa Sao Bernardo {t 1153):

"O zelo incansável pelo progresso espiritual e o esforco continuo em


demanda da perfeicáo sao tidos como perfeicáo. Se, pois, tender á perfei
cáo é ser perfeito, sem dúvida nao querer progredir é retroceder. Onde es-
táo, pois, os que costumam dizer: 'Basta-nos, nao queremos ser melhores do
que os nossos país'? ... Dizes-me: 'Quero viver para mim como me acho, e
permanecer na fase a que cheguei; nao pensó em me tornar pior, nem desejo
tornar-me melhor1. Assim queres o que é impossível, pois que coisa neste
século é permanente?" (epístola 254, 3-5).
Tender á perfeicáo já é perfeicáo... No fim desta vida o Senhor fará
ver a cada qual de nos que a luta perseverante em prol da perfeicáo espiritual,
embora aparentemente frustrada, terá sido altamente meritoria pelo próprio
fato de ter sido perseverante.

O cristáo, em seu vocabulario, ignora algumas palavras "feias": desáni


mo, pusilanimidade, mesquinhez, medo, covardia, capitulacáo ou entrega dos
pontos...

No mes de maio, dedicado a María SSma., volte-se o olhar do fiel cató


lico para a Senhora forte, que ficou intrépida ao pé da Cruz, com o discípulo
amado, enquanto os demais fugiram, e considere em María um modelo dt
fidelidade perseverante até o extremo. Obtenha ela, para seus filhos ainda
peregrinos, a graca de chegarem á plenitude da sua estatura espiritual ou da
santidade a que sao chamados!
E.B.

193
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS"

Ano XL - N9 444 - Maio de 1999

Novo Ritual da Igreja:

POSSESSÁO DIABÓLICA E EXORCISMO

Em síntese: O novo Ritual da Igreja aprésenla urna revisáo do


capítulo referente á possessáo diabólica eao exorcismo. A Igreja aípro-
fessa a existencia do demonio, que o Senhor Jesús classifica como o Pai
da Mentira (cf. Jo 8, 44). Ele tenta levar os homens ao pecado, direta-
mente, através da tentagáo para o mal ou, indiretamente, mediante o es
tado dito "de possessáo diabólica"; quando esta ocorre, o Maligno se
serve das faculdades da pessoa para blasfemar contra Deus e os San
tos. A possessáo diabólica há de ser criteriosamente diagnosticada, para
que com ela nao se confundam estados patológicos. O exorcismo propri-
amente dito é reservado a sacerdotes especialmente designados pelo
Bispo diocesano. Existem, porém, oragóes que podem ser ditas por qual-
quer pessoa que presuma estar o demonio infestando alguma criatura;
todavía a Igreja recomenda cautela, para que os fiéis nao imaginem ser
toda desgraga proveniente do Maligno.

O Concilio do Vaticano II preconizou a revisao dos livros litúrgicos


da Igreja. Conseqüentemente o Missal, a Liturgia das Horas, o Pontifical
e o Ritual foram retocados e atualizados. O último capítulo do Ritual a ser
revisto era o que se refere á possessáo diabólica e ao exorcismo. O texto
anterior ao Concilio datava de 1614 e necessitava realmente de atualiza-
cáo. Ora esta tarefa foi executada no decorrer de dez anos, mediante
estudos e consultas feitas pela Comissáo Revisora a peritos e Conferen
cias Episcopais. O novo texto, cuidadosamente elaborado, foi assumido
pela Congregacáo para o Culto Divino e submetido ao Santo Padre Joao
Paulo II, que o aprovou. Tornou-se público aos 26/01/99 em língua latina,
devendo ser traduzido para as línguas modernas, aos cuidados de cada
Conferencia Episcopal; as traducdes seráo apresentadas á Santa Sé para
obter o devido reconhecimento.

194
POSSESSÁO DIABÓLICA E EXORCISMO

A leitura do texto leva a perceber as seguintes grandes linhas do


documento.

Tragos fundamentáis

1. O demonio existe

A Igreja professa a existencia dos anjos, dos quais muitos se per-


verteram, pecando por soberba. Tal doutrina está claramente documen
tada na Escritura e na Tradicao, como afirma o Catecismo da Igreja Ca
tólica:

"328. A existencia dos seres espirituais, nao corpóreos, que a Sa


grada Escritura chama habitualmente anjos, é urna verdade de fé. O tes-
temunho da Escritura a respeito é táo claro quanto a unanimidade da
Tradicao.

391. Por tras da opgáo de desobediencia dos nossos primeiros pais,


há urna voz sedutora que se opóe a Deus e que, por inveja, os faz caima
morte. A Escritura e a Tradigáo da Igreja véem neste ser um anjo destro
nado, chamado Satanás ou Diabo. A Igreja ensina que ele tinha sido
anteriormente um anjo bom, criado por Deus... Com efeito, o Diabo e os
outros demonios foram por Deus criados bons em (sua) natureza, mas se
tornaram maus por sua própria iniciativa".

A Igreja nao deixa de falar de "demonio, diabo, Maligno...", ao con


trario do que se tem dito. O demonio é um ser inteligente, dotado de
vontade, mas sem corpo, cuja atitude permanente é de aversáo a Deus e
aos homens.

O Senhor Jesús caracteriza o diabo como sendo o pai da mentira


(cf. Jo 8,44); foi pela mentira que ele seduziu os primeiros pais, levándo
os ao pecado e á morte.

2. A acáo do Maligno

Satanás recebe de Deus a autorizacáo para tentar os homens, ¡n-


citando-os ao pecado. A tentacáo diabólica nao deixa de ser regida pela
Providencia Divina, que a permite a fim de que seja provada e consolida
da a virtude dos homens. Sao Paulo ensina que "Deus é fiel; nao permite
sejamos tentados ácima das nossas forcas, mas, com a tentacáo, dá os
meios de sair déla e a forca para a suportar" (1Cor 10,13).

O Catecismo da Igreja Católica observa:

"O poder de Satanás nao é infinito. Ele nao passa de urna criatura,
poderosa pelo fato de ser puro espirito, mas sempre criatura; nao é ca
paz de impedirá edificacáo do Reino de Deus. Embora Satanás atue no

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"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

mundo por odio contra Deus e o seu Reino em Jesús Cristo, e, embora a
sua agáo cause graves danos - de natureza espiritual e, indiretamente,
até de natureza física - para cada homem e para a sociedade, esta agáo
é permitida pela Divina Providencia, que com vigor e dogura dirige a his
toria do homem e do mundo. A permissáo divina da atividade diabólica é
um grande misterio, mas nos sabemos que Deus coopera em tudo para o
bem daqueles que o amam (Rm 8, 28)" (§ 395).

3. Possessáo diabólica

A Escritura ensina que o Maligno exerce a sua atividade de manei-


ras diversas, inclusive praticando a chamada "possessáo diabólica". Esta
certamente nao é o modo mais freqüente da acáo diabólica. Por ela o
demonio se apodera das faculdades e da atividade física de um ser hu
mano e o leva a blasfemar contra Deus, a Virgem María, os demais San
tos, a Cruz e as imagens. Todavía o demonio nao se pode apoderar da
vontade da pessoa possessa, obrigando-a a pecar; é certo, porém, que a
violencia física exercida sobre a vítima tende a levá-la ao pecado, que é
a finalidade de toda a atividade diabólica.

Os síntomas de possessáo diabólica hao de ser criteriosamente


examinados: nem o falar línguas estranhas nem a revelacáo de coisas
desconhecídas nem as demonstracoes de forca sao necessariamente
indicios de possessáo. Por conseguinte, antes de proceder ao rito de
expulsáo do demonio ou ao exorcismo, o Bispo e o sacerdote háo de
consultar peritos a fim de nao ceder á ilusáo de que determinado caso
mórbido é possessáo diabólica.

A propósito diz o Catecismo da Igreja Católica:

"Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome


de Jesús Cristo, que urna pessoa ou um objeto sejam protegidos contra a
influencia do Maligno e subtrafdos a seu dominio, fala-se de exorcismo.
Jesús o praticou (cf. Me 1, 25s). É dele que a Igreja recebeu o poder e o
encargo de exorcizar (cf. Me 3, 15; 6, 7.13; 16, 17).

Sob forma simples, o exorcismo é praticado durante a celebragáo


do Batismo. O exorcismo solene, chamado 'grande exorcismo', só pode
ser praticado por um sacerdote, com a permissáo do Bispo. Nele é ne-
cessário proceder com prudencia, observando estritamente as regras
estabelecidas pela Igreja. O exorcismo visa a expulsar o demonio ou li-
vrar da influencia demoniaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesús
confiou á sua Igreja. Bem diferente é o caso de doengas, sobretudo psí
quicas, cujo tratamento depende da ciencia médica. É importante, pois,
assegurar-se, antes de celebrar o exorcismo, se se trata de urna presen-
ga do Maligno ou de urna doenga" (§ 1673).

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POSSESSÁO DIABÓLICA E EXORCISMO

O Código de Direito Canónico, por sua vez, dispóe:

«Canon 1172 • § 1. Ninguém pode legítimamente fazer exorcismo


em possessos a nao ser que tenha obtido licenga especial e expressa do
Ordinario local.

§ 2. Essa licenga seja concedida pelo Ordinario local somente a


sacerdote que se distinga pela piedade, ciencia, prudencia e integridade
de vida".

Essa licenga pode ser concedida caso por caso ou de modo geral e
permanente ao sacerdote ou aos sacerdotes que faz(em) as vezes de
exorcista(s) na diocese.

É oportuno ainda frisar que a acáo do Maligno neste mundo se


exerce muito mais por vias discretas e simuladas do que pela teatralidade
da possessáo diabólica. A inversáo das categorías do bem e do mal, o
erotismo avassalador, a venda da honra e da dignidade humana por di-
nheiro, a corrupcáo dos costumes na esfera pública tanto quanto na pri
vada sao frutos da acáo direta ou indireta do poder do Mal neste mundo.
Talvez nao se dé a devida atencáo a tais fatos, quase tidos como inevitá-
veis; mais caso se faz, hoje em dia, das desgrasas físicas, que nao sao
propriamente o objetivo da acáo do demonio.

Observa ainda o Catecismo (§ 409) que a presenca do diabo e da


sua atividade cria urna situacáo dramática neste mundo. "Este se acha
sob o poder do Maligno (Uo 5, 19), o que faz da vida do homem um
combate". O Catecismo cita entáo a Constituicáo Gaudium et Spes do
Vaticano II:

"Urna ¡uta ardua contra o poder das trevas perpassa a historia univer
sal da humanidade. Iniciada desde a origem do mundo, vai durar até o último
dia, segundo as palavras do Senhor. Inserido nesta batalha, o homem deve
lutar sempre para aderir ao bem; nao consegue alcangar a unidade inte
rior senáo com grandes labutas e o auxilio da graga de Deus" (§ 37, 2).

4. Tres tipos de exorcismo

O novo Ritual distingue tres tipos de acáo contra o Maligno:

a) o exorcismo propriamente dito a ser aplicado por um sacerdo


te autorizado canónicamente a urna pessoa devidamente reconhecida
como possessa;

b) oracóes a ser recitadas publicamente por um sacerdote, com


a licenca do Bispo, quando se julga prudentemente que há influxo de
Satanás sobre determinado lugar, objeto ou ser humano, sem que se
possa falar de possessao diabólica propriamente dita;

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"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

c) oracóes que podem ser recitadas particularmente por fiéis


que suspeitem, com boas razoes, estar sujeitos á influencia do demonio.
A Igreja deseja que nao se facam tais suspeitas de maneira precipitada e
fantasiosa.

APÉNDICE

Á guisa de ilustracáo, citamos, a seguir, um caso ocorrido no Acre


em novembro pp., em que a credulidade popular imaginou estarem pos-
sessos numerosos adultos e enancas. Evidentemente nao se tratava de
possessao diabólica; o pastor que a afirmava, é que sofria de desequilibrio
mental, como foi apurado pela Policía e pela reportagem. A noticia é ex
traída de O GLOBO de 30/11/98, p. 8:

«RESPONSÁVEL POR MATANCA D1ZIA SER DEUS


Tarauacá (AC). Francisco Bezerra de Moráis, o Totó, o falso pastor
que induziu lavradores do Seringal Lavras, no Acre, a matar seis pessoas
- entre elas tres criancas - a pauladas para exorcizar demonios, dizia
para os fiéis que era Deus. Exigía que o povo se curvasse a seus pés em
adoracáo, dizia perdoar pecados e prometía o arrebatamento das almas
puras aos céus.

O lavrador, de 35 anos, se diz pastor da Igreja Pentecostal Unida do


Brasil. Sua mulher, Raimunda Bezerra, fazia questáo de ser carregada
nos bracos pelo seringal e, de vez em quando, abria seus bracos como a
imitar a Cristo pregado na cruz. Sobreviventes do ritual macabro realiza
do há dez dias contaram que Totó quería matar pelo menos 40 dos 70
moradores do seringal.

Fiéis ainda acham que morios tinham o diabo no corpo

A chacina só nao foi maior porque muitos lavradores conseguiram


fugir para o mato após terem sido agredidos pelos fanáticos que se dei-
xaram envolver pela historia do falso pastor, todos evangélicos da Igreja
Pentecostal Unida do Brasil. Totó pregava numa língua desconhecida
nos cultos, que dizia ser usada por Deus. Mesmo presos há mais de urna
semana na delegada de Tarauacá por homicidio qualificado, os fanáti
cos continuam acreditando na presenca do demonio nos corpos de adul
tos e criancas espancadas até a morte.

- Meu filho morreu com o demonio. Vi nele a mancha de Satanás.


Joguei-o no chao e pisei nele com os pés até que morresse. Ele morreu
e nao falou nada. Nao dava para ter tirado o demonio do corpo dele sem
matar - disse Francisco Lopes da Silva, de 31 anos, que matou o filho
José Francisco, de 12 anos.

198
POSSESSÁO DIABÓLICA E EXORCISMO

O delegado de Tarauacá, Mardilson Vitorino de Siqueira, que hoje


vai indiciar o falso pastor e seus cinco cúmplices, acredita que o isola-
mento desse grupo na floresta, sem contato com a civilizacáo, levou ao
fanatismo. Para chegar á vila, é preciso andar quatro días de barco e
mais algumas horas a pé pela mata.

Há mais de um ano o verdadeiro pastor da Igreja Pentecostal Uni


da, que mora em Cruzeiro do Sul, nao aparecía no seringal. Em sua au
sencia, o líder espiritual passou a ser um dos próprios lavradores, Fran
cisco Oliveira Franca Bezerra. Foi com ele que Totó se desentendeu,
provocando a discussáo que deu inicio aos quatro dias de barbarie.

- Ele nao era nem pastor, mas como passou a dizer que era Deus,
as pessoas acreditaran! - disse Oliveira, que fugiu do seringal após se
fingir de morto e chamou a policía.

Totó dizia aos fiéis que só a morte tiraría o demonio do corpo dos
lavradores. Inventou urna vigilia de oracoes, obrigou os lavradores a ini
ciar um jejum de 40 dias e, em seu discurso fanático, dísse que a Térra
iría arder em fogo e que só se salvariam, sendo arrebatados aos céus, os
mais puros e os que ajudassem a espantar o Satanás.

- Eu matei meus filhos porque Totó dizía que era Deus que manda-
va matar. Eu tinha muito amor pelos meus filhos, mas tínha de me livrar
deles porque pareciam urna legiáo de demonios. Na hora eu nao sentí
amor nenhum por eles - contou Adalberto Taveira de Souza, de 37 anos.

Ele matou os filhos Samuel, de 3 anos, e Israel, de 5, na frente de


seus dois outros filhos, ateou fogo em sua casa e queimou lá dentro os
corpos das duas enancas e aínda deixou que Totó matasse sua muiher,
María Luiza. A fílha dele, Andréia Pinheiro de Souza, 9 anos, fugiu, após
ver o pai matar os irmáos e Totó assassinar sua mae».

"'A ordem de Jesús era para matar'

Tarauacá (AC). Nao há sinal de arrependimento em Francisco Be


zerra de Moráis, que comandou o ritual macabro no Acre. Ele mostra
sinais de desequilibrio e diz que mandou matar por ordem de Deus.

O GLOBO: Por que vocé mandou matar os fiéis?

FRANCISCO DE MORÁIS: Recebi urna ordem de Deus para matar


aquetas pessoas. Deus me disse que o povo do mundo inteiro estava
todo dominado por Satanás.

• Quantas pessoas vocé matou? Como?

FRANCISCO: Batí de pau. Matei só a muiher do pastor Adalberto,

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8 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

matei porque ele mandou. Estava todo mundo endemoninhado. Os que


morreram nao eram gente, eram o Satanás. Eles tinham a feicáo de pes-
soas mas nao eram gente. As enancas caiam na escada porque os de
monios empurravam.

• Depois do críme, o que vocé sentiu?

FRANCISCO: Nao sentí nada, minha cabeca estava rodando. Peguei


o barco e quando cheguei no meio da viagem tudo escureceu. Depois
clareou e apareceu urna listra bem azulzinha perto das nuvens. Deus
mostrou que ali era a porta do céu. Vi Cristo descendo naquela nuvem.

• Vocé aínda acha que fez urna coisa boa para essas pessoas que
morreram?

FRANCISCO: Aqueles corpos que estavam jogados lá fora nao per-


tenciam a Deus. Em sua mensagem, Deus disse: 'Tudo vai ser destruido
pelo fogo, o mundo todo, e as almas váo para o céu'. Deus apareceu
para mim.

• Quem fez vocé mandar matar essas pessoas?

FRANCISCO: A ordem de Jesús era para matar. Ele disse que eu


estava sendo ungido pastor e que ela (aponta para a mulher, Raimunda)
seria a ungida de Deus. O (pastor) Oliveira era o demonio. O cheiro que
saía dele ninguém suportava. Era o demonio que estava fazendo aquilo
para condenar ele também. Deus disse á Raimunda que ela era a esco-
Ihida por ele. Mandei bater numas 30 pessoas. A gente batia para expul
sar o demonio.

• Por que vocé ordenou ojejum na comunidade?

FRANCISCO: Para a gente se consagrar. Nao sei quantos dias fica-


mos sem comer porque tudo ficou virado na minha mente. Mas só era
proibido mesmo comer carne. A gente bebía leite, cha, garapa e comia
macaxeira.

• Os fiéis ficaram ñus?

FRANCISCO: Disse a eles: 'Tira a roupa que Jesús está mandando.


Tira e queima, para acabar com os pecados'. Queimamos aquela roupa
toda porque elas eram do pecado».

Após quanto foi dito ñas páginas precedentes, dispensam-se co


mentarios.

200
Praxe recente:

"A CURA PELA MISSA"


por Robert DeGrandis S.S.J.

Em síntese: O Pe. Robert DeGrandis propoe a S. Missa como o


recurso mais eficaz para que o cristáo possa obter a cura de seus males
físicos e espirituais. Em seu livro explana o rito da Missa parte por parte,
pondo em evidencia o valor curativo de cada urna dessas partes. A obra
é um incentivo á participagáo da S. Missa; todavía sugere quatro obser-
vagóes: 1) a S. Missa, além de ser impetragáo ou súplica, é adoragáo,
agradecimento e expiagao; estas tres outras modalidades náopodem ser
preteridas numa auténtica piedade eucarística; 2) nao há que perdoar a
Jesús pelas cruzes que nos envía (Jesús nao faina, mesmo quando nao
O compreendemos); 3) ninguém paga pelos pecados de seus antepas-
sados (a responsabilidade é pessoal); 4) nao se pode dizer que, quanto
mais alguém oferece a Deus seus bens materiáis, tanto mais receberá
curas ou beneficios (nao se pode nem deve tentar fazer comercio com
Deus).

Tem-se propagado o hábito de celebrar a "Missa de Cura", enten-


dendo-se por cura qualquer graca espiritual ou física. A Missa seria o
melhor recurso do cristáo para obter beneficios. Conseqüentemente o
ritual da Missa é adaptado as intencóes de cura. -O P. Robert DeGrandis
S.S.J. publicou a respeito um livro intitulado "A Cura pela Missa"1; nesse
escrito o autor analisa o rito de celebracáo da Missa parte por parte e
mostra como cada qual dessas partes tem valor curativo. O livro vem a
ser um incentivo á participacáo da S. Missa; todavía sugere algumas ob-
servacóes, que passamos a expor.

Quatro observacóes

Eis o que nos ocorre dizer:

1. Que é a Missa?

A Missa é a perpetuacáo ou a re-apresentacáo do sacrificio de Cristo


sobre os nossos altares para que a Igreja (ou nos) possamos participar
da entrega de Cristo ao Pai. No Calvario Jesús (como Sacerdote) se

Ed. Loyola, Sao Paulo (SP) 1987, 140x210mm, 94 pp.

201
}0 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

ofereceu (como Hostia) a sos; na Missa Ele oferece com a Igreja, sendo
a Igreja cooferente e cooferecida. Esta oferta tem quatro finalidades:

- adorar a Deus, que é o Sumo Bem, o Soberano Senhor;

- agradecer a Deus, porque Ele é santo e nos outorga os seus


dons (até mesmo as cruzes sao gracas de Deus);

- pedir perdáo ou expiar os pecados dos oferentes humanos e do


mundo inteiro;

- impetrar ou suplicar as gracas de que a Igreja e a humanidade


precisam para desenvolver sua missáo e chegar um día á Casa do Pai.

Esta quarta finalidade é muito necessária, mas nao deve fazer es-
quecer as tres anteriores. Quem participa da Missa, nao vai somente
pedir, mas dispoe-se a entrar no grande ato de entrega de tudo ao Pai
que teve inicio em Cristo no Calvario; a Missa é o ato central da vida
crista, que compreende todas as modalidades de relacionamento do cris-
táo com o Pai mediante o Filho no Espirito Santo. É muito necessário nao
restringir a piedade eucarística ao ato de pedir.

2. Perdoar a Jesús

Á p. 27 escreve o autor:
"Senhor, eu vos perdóo pelas vezes em que a morte, a enfermida-
de e as dificuldades financeiras abateram minha familia, e poraquilo que
me pareceu um castigo e que, segundo diziam, era a vontade de Deus".

A propósito deve-se notar que tal locuc.áo é ¡nadequada, pois nin-


guém tem o que perdoar a Jesús. Perdoar significa esquecer um erro ou
urna falha; ora Jesús e a Providencia Divina nao podem cometer erros.
Tem-se difundido a prática de perdoar ao Senhor e á Virgem Maria os
momentos difíceis que ocorrem na vida de alguém como se nao tives-
sem sentido positivo. É pela Cruz, e somente pela Cruz, que o cristáo se
salva, de modo que é necessário incutir aos fiéis urna visáo de fé sobre
as tribulacoes da vida presente; estas sao as grandes ocasióes de cres-
cimento espiritual.

3. Herdar a culpa

Á p. 27 escreve Robert DeGrandis:


"A culpa amontoa-se sobre nos de muitos modos: a nossa própría,
a que os país nos atiram ás costas, a que os irmaos e irmas atiram uns
aos outros, a que os professores passam aos alunos, a que marido e
mulher empurram um ao outro. Antes de atingirmos a idade de dez ou

202
"A CURA PELA MISSA" 11

doze anos, podemos estar acabrunhados pela culpa sem o perceber.


Mesmo o nascimento de urna crianga pode estar cercado de culpa, se ela
nao foi desejada, se os país esperavam filho de outro sexo, ou se ela
aprésenla defeito. A culpa pode langar rafzes num ente humano desde
sua mais tenra idade, e muitos a carregam durante toda a vida".

O texto é, no mínimo, ambiguo: pode dar a entender que os des


cendentes carregam as culpas de seus antepassados; sofrem o castigo
devido a faltas de pessoas que já faleceram. Tal tese tem-se difundido,
contrariando a doutrina católica.

a) Nao se pode dizer que os pecados de familiares falecidos sao


punidos por Deus nos respectivos descendentes. O pecado é de respon-
sabilidade estritamente pessoal; cada qual responde a Deus porseu com-
portamento próprio. É o que os Profetas do Antigo Testamento ensina-
ram muito enfáticamente, contradizendo á tese de que Deus castiga f¡-
Ihos e netos por causa das faltas dos antepassados:

Jr 31,29s: "Nesses días já nao se dirá: 'Os pais comeram uvas


verdes e os dentes dos filhos se embotaram'. Mas cada um morrerá por
sua própria falta. Todo homem que tenha comido uvas verdes, terá seus
dentes embotados". Cf. Ez 18,2-32.

b) Por isto também nao se deve dizer que o pecado se transmite


como urna doenca física se transmite; nao se diga que alguém é hoje
libertino(a) em materia sexual porque sua avó foi tal. Existem microbios e
bacterias que transmitem doencas corporais, sim; mas nao existem mi
crobios que transmitem doencas do espirito ou do comportamento.

c) Pelo mesmo motivo nao se pode dizer que os traumas, os cho


ques ou os males sofridos pelos ancestrais perduram no além, como se
as almas dos defuntos continuassem a sofrer as emocóes e os senti-
mentos que sofriam na térra, podendo ser curadas desses traumas pelas
oracóes de seus descendentes.

Todas estas concepcóes redundam, de algum modo, em espiritis


mo kardecista ou em umbandismo e candomblé. Na verdade, nao há
comunicacáo das pessoas na Térra com o além senáo pela oracáo. As
preces que sao feitas pelos falecidos ou pelas almas do purgatorio tém
por objetivo táo somente pedir a Deus que o amor as purifique de qual-
quer resquicio de pecado para que possam desfrutar da visáo de Deus
sem demora.

Podemos também rezar aos Santos, pedindo-lhes que intercedam


por nos a fim de que sejamos dotados das gracas necessárias para che-
garmos á patria celeste.

203
12 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

Os Santos podem corresponder a tais pedidos, porque Deus, que


nos fez solidarios entre nos, permite que os Santos conhecam nossas
preces, e, conseqüentemente, intercedam por nos.
Tal é o tipo de contato ou de intercambio que existe entre os viven-
tes deste mundo e os viventes do céu e do purgatorio; além disto, nada
mais se pode afirmar a nao ser que Deus, por excepcional designio, per
mita que alguma alma do além se manifesté a urna pessoa existente
neste mundo.

4. Pagar o dizimo

Ás pp. 70s escreve o autor:


«Tudo isto nos recorda a coleta, a oferta do dizimo no altar. Como
pode acontecer aqui urna cura?, perguntará vocé. Com efeito, este as-
sunto é delicado para muita gente. Como se pode conferir a cura pela
coleta? Pois há cura mesmo na coleta! "... Dai, e vos será dado; será
derramada no vosso regago urna boa medida, calcada, sacudida, trans
bordante, pois com a medida com que medirdes seréis medidos também'
(Le 6,38). Dar o dizimo é um modo de curar suas difículdades financeiras,
preocupagóes e pavores. Nao conhego ninguém que dé o dizimo sem
receber urna béngáo em retribuigáo. O dizimo está repleto de aspectos
positivos. Muita gente que dá o dizimo sustenta que viu recuperarse sua
condigno financeira...

Em Nova Orleans, disse-me urna senhora: 'Há 25 anos que meu


marido e eu enfrentamos difículdades. Sempre em dividas. Mas, após
ouvir um sermáo sobre o dizimo, comecei a contribuir e, ao fim de um
ano, sem nenhuma mudanga ñas nossas finangas, todas as nossas divi
das estavam pagas pela primeira vez na vida. Nao entendo o que foi isso,
mas aconteceu!'...

Recentemente encontré! um homem que dá 20% de sua renda em


dízimos. Tanto recebera oferecendo apenas 10% que dobrou seus dízimos,
a ver se o principio se mantinha. Pois se manteve. Está táo feliz que dá
20% de sua renda ao Senhor e considerase abengoado!
Um homem certa vez veio pedir-me auxilio, pois estava para falir.
Disse-lhe que comegasse a dar o dizimo. Reagiu com raiva. Eu reiteren
'Se quiser auxilio financeiro, é melhor dirigirse a empresas de consultoria,
mas, se quiser urna resposta conforme o Evangelho, comece a dar o
dizimo'. Ele fez assim e salvou seus negocios».

Que dizer a propósito?

- A recomendagáo dos dízimos acha-se em MI 3, 7-10, que R.


DeGrandis cita. Todavía o Novo Testamento enfatiza a gratuidade dos
dons de Deus:

204
"A CURA PELA MISSA" 13

Mt 10,8: "De graca recebestes, de graca da¡". - Nos antecedentes


Jesús dissera: "Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os le
prosos, expulsai os demonios". Disto se deduz que os fiéis recebem gra
tuitamente de Deus a sua graca, até mesmo... os beneficios corporais
que Ele queira conceder. A graca é gratuita, nao comprada; por isto tem
que ser transmitida gratuitamente; nao se fala de dinheiro no caso.

Ef 2, 8: Sao Paulo é muito claro ao dizer que somos salvos gratui


tamente, nao pelo dízimo nem pelo dinheiro que alguém dé á Igreja:

"Pela graga fostes salvos, pormeio da fé. E isso nao vem de vos, é
o dom de Deus. Nao vem das obras, para que ninguém se encha de
orgulho".

O Apostólo acentúa fortemente a gratuidade da salvacáo. Ninguém


a compra; S. Paulo nao faz referencia ao dinheiro. A salvacáo nao é algo
que alguém mereca porque é bom independentemente da graga de Deus;
é Deus quem chama o homem gratuitamente para ser seu amigo. Verda-
de é que Sao Tiago acrescenta que ninguém permanece na amizade
com Deus, se nao pratica a virtude e a caridade para com os irmáos.
Quem eré e nao pratica a virtude, é como o demonio que tem fé, mas nao
pratica o bem; por isto eré e estremece (cf. Tg 2, 18-24). É de notar que
Sao Tiago fala da caridade para com os irmáos, mas nao fala do dinheiro
pago á Igreja ou do dízimo.

At 20, 35: Sao palavras de Sao Paulo: "Em tudo vos mostrei que,
afadigando-nos assim, é que devemos ajudar os fráeos, tendo presentes
as palavras do Senhor Jesús, que disse: 'Há mais felicidade em dar do
que em receber'".

Eis um principio solene enunciado por Jesús: há mais felicidade


em dar do que em receber. Se isto vale para nos, homens, vale por exce
lencia para Deus, que é o primeiro Doador. É Ele quem tem a iniciativa de
dar; quer dar de graca, porque "Ele primeiro nos amou" {cf. Uo 4, 19).
Ele quer dar muito mais do que a criatura pode imaginar ou quer receber.
Todavía ninguém provoca Deus, ninguém obriga Deus a dar mediante o
dízimo ou a oferta. Pensar que isto seja possível equivale a fazer de
Deus um grande Banqueiro ou um esperto negociante humano.

Eis as reflexóes que a atual pratica da "Missa de Cura" nos sugere.


É muito para desejar que a piedade do povo de Deus se intensifique
cada vez mais. Nao é menos para desejar que ¡sto ocorra dentro dos
parámetros da reta fé. Nao se torne a religiáo antropocéntrica em vez de
teocéntrica!

205
Desvenda-se um pouco do enigma:

O MÉDIUM QUE D1ZIA RECEBER O Dr. FRITZ

Em síntese: O Dr. Rubens Faria Júnior dizia receber o espirito do


Dr. Fritzafim de realizar portentosas intervengóes cirúrgicas. A imprensa
em fevereiro pp. noticiou fatos que revelam outra faceta da realidade.

Em fevereiro pp. a ¡mprensa publicou significativas noticias a res-


peito do Dr. Rubens Faria Júnior, engenheiro e médium, que realizava
intervencóes cirúrgicas por obra do Dr. Fritz, que ele dizia incorporar. O
Dr. Fritz seria um médico alemáo falecido na primeira guerra mundial
(1914-18) sem ter completado a sua missáo na térra; por isto voltava ele,
como se dizia, para operar através de Zé Arigó (Congonhas do Campo),
Edson de Queiroz (Recife) e Rubens Faria Júnior (Rio de Janeiro).

As noticias vieram á tona depois que foi preso o ex-bombeiro Nel-


son José Nunes Júnior, seguranca de Rubens Faria Júnior. Este auxiliar
do médium fez declaracóes á Policía. Para bem da verdade, transcreve-
remos, a seguir, alguns tópicos publicados pelo jornal EXTRA, edicáo de
6/02/99, p. 3:

"O Segredo do Dr. Fritz

Seguran?a acusa médium de enviar pacientes que morreram para


Getúlio Vargas

«A prisáo do seguranga Nelson José Nunes Júnior pode levar a


Policía Federal a desvendar o segredo do Doutor Fritz. Em depoimento á
PF, o ex-bombeiro - preso no dia primeiro, após tres anos trabalhando
para o engenheiro Rubens Faria Júnior, que diz incorporar o espirito do
médico alemáo - afirmou que o médium encaminhava os corpos dos pa
cientes que morriam em seu galpáo, na Penha, para o Hospital Getúlio
Vargas.

Lá, aínda segundo o seguranga, os funcionarios sabiam o que fa-


zercom eles. José Nunes confessou que ele mesmo levou tres corpos de
pacientes do Doutor Fritz para o hospital. Ontem, o EXTRA tentou entrar
em contato com a assessoria do Getúlio Vargas, mas nao obteve retorno.

Rubens Faria pode ser preso. A PF instaurou o inquérito 062/99,


no qual ele é acusado de homicidio culposo, sonegagáo fiscal, lavagem
de dinheiro, medicina ilegal e lesáo corporal, conforme o EXTRA anteci-

206
O MÉDIUM QUE DIZ1A RECEBER O Dr. FRITZ 15

pou ontem com exclusividade. A fortuna do médium está avaliada em


mais de R$ 2 milhoes.

O seguranga Nelson José Nunes foi preso quando ospoliciais, que


investigam sonegagáo fiscal, foram ao galpáo de Rubens, entregar
intimagdes. Eles encontraram Nelson armado com urna pistola e o pren-
deram. O delegado Marcelo Bertolucci, que preside o inquérito, disse
que vai encaminhar a denuncia ao Ministerio Público.

- Existem indicios veementes de que ele cometeu esses delitos -


disse Bertolucci».

Eis outro tópico da mesma página:

«Tratamento de cáncer suspenso

O seguranga do Doutor Frítz contou á Policía Federal que o mé


dium mandou urna doente de cáncer parar de fazera quimioterapia e se
tratar exclusivamente com ele. Segundo o seguranga, a mulherhoje está
em estado terminal, porque parou o tratamento.

Nelson diz que Rubens cobrava R$ 15 por consulta no Rio de Ja


neiro (ele atende no galpáo da Rúa Quito, na Penha) e R$ 20 em Sao
Paulo.

Segundo o ex-bombeiro, Rubens fazia questáo de conferir real por


real a arrecadagáo do dia. Aínda de acordó com o depoimento de Nelson,
Rubens já chegou a atender a cerca de duas mil pessoas por dia. Hoje,
sao 600 pacientes. O seguranga contou que fazia depósitos constante
mente na conta do médium.

Segundo o seguranga, Rubens tem aínda conta ñas linas Cayman


e em Miami. A Policía Federal está investigando para saberse o médium
envía dinheiro ilegalmente para o exterior. Se for condenado pelos cri-
mes de que é acusado, Rubens pode pegar mais de dez anos de prisao».

Na mesma página 3 aínda se lé o seguinte:

«Cura espiritual nao é profissáo

'Dai de graga o que de graga recebestes'. Para o presidente da


Uniáo das Sociedades Espiritas do Rio de Janeiro, Gerson Simóes
Monteiro, a frase de Jesús Cristo serve para todos os médiuns que este-
jam cobrando por servigos espirituais. Sem querer comentar especifica-
mente a conduta de Rubens Faria Júnior, que diz incorporar o espirito de
Dr. Frítz, Gerson afirmou que, de acordó com a doutrina espirita, a
mediunidade nao pode servir como fonte de receita:

- A mediunidade seria nao pode ser nunca urna profissáo e nin-


guém que tenha o dom de curar pode cobrar por isto.

207
16 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

Ele acrescenta que pessoas que se utilizam de sua capacidade


mediúnica para gerar riqueza sao abandonadas pelos bons espíritos e
perdem seu poder de cura.

Segundo Gérson, a mediunidade deve ser encarada como canda-


de e o médium deve ter urna profissáo como qualquer outra pessoa».

Respetarnos o Dr. Rubens Faria Júnior, mas eremos que é neces-


sário manifestar ao público que nem todas as curas maravilhosas sao
realmente maravilhosas; em muitos casos pode-se admitir que haja ma-
nipulacáo da boa fé do público e interesses financeiros em jogo.

A parapsicología explica por vias psicológicas os fenómenos atri


buidos a espíritos "desencarnados", de modo a dispensar a intervencáo
do dito Dr. Fritz ou de outra entidade do além. A denuncia de abusos
pode contribuir para dissuadir o público de procurar curas portentosas
em centro espirita ou em terreiro de religiáo afro-brasileira. Eis a razáo
pela qual publicamos as noticias do jornal EXTRA, corroboradas alias
por outras noticias publicadas pelo O GLOBO de 12/02/99, p. 14.

Jornadas Espirituais rumo á plenitude da fé, por Roben Baram.


Tradugáo de Roberto Vidal da Silva Martins. - Ed. Quadrante, Rúa Iperoig
604, 05016-000 Sao Paulo (SP) 1998, 140 x 210 mm, 332 pp.

Este livro dá inicio a urna colegáo dita "Testemunho". Contém vinte


e um relatos de pessoas que se converteram ao Catolicismo a partir das
mais diversas posicóés filosóficas e religiosas: protestantismo,
mormonismo, judaismo, ortodoxia grega, hinduismo, Nova Era... Falam
ai artistas de teatro, anfitriás de talk-shows, advogados, editores e cor-
retores de seguros, escritores profissionais, professores de psicología...
As vias que levaram tais pessoas até a Igreja Católica, sao também muito
variadas: a razáo sequiosa de descobrir a verdade através de sucessivas
etapas; adoreo sofrimento, que fizeram pensar no "outro lado da vida";
o testemunho de urna esposa, de um sacerdote, de um amigo; urna expe
riencia mística... É altamente interessante e instrutivo acompanhar cada
um(a) desse(a)s caminheiro(a)s na demanda de resposta para seus
anseios mais profundos e na ¡uta contra os obstáculos que o próprio eu
Ihes opunha. Urna das conclusóes que mais evidentemente se
depreendem da leitura de tais relatos, é a que Sheldon Vanauken formu
la: "O melhor argumento em favor do Cristianismo sao os cristáos: a sua
alegría, a sua seguranga, a sua plenitude. Mas o melhor argumento con
tra o Cristianismo sao também os cristáos; quando sao tristonhos e som
bríos, quando se consideram justos e cheios de si mesmos, quando se
mostram estreitos ou repressivos, o Cristianismo morre mil mortes" (cita
do áp. 10 da obra em foco).

O livro promete ser de grande utilidade, pois a vida é urna escola.

208
Brado de Alerta:

"OS MITOS DA EDUCAQÁO SEXUAL"


por Josh McDowell

Em síntese: O autor julga que a educacáo sexual como era (ou é)


ministrada ñas escolas dos Estados Unidos (diríamos:... também ñas do
Brasil) tornou-se (ou tornase) incentivo á prática sexual prematura. Por
isto esmerase em desfazeras concepgoes que fundamentam talproces-
so pedagógico e preconiza a abstinencia sexual antes do casamento. - A
tese de Josh McDowell é válida, sem dúvida; todavía nem todos os argu
mentos com que ele pretende fundamentá-la, sao convincentes - o que
nao diminuí o interesse que o livro possa despertar.
* * *

Josh McDowell é autor protestante, de rígida observancia, gradua


do pelo Seminario Teológico Tallot (U.S.A.). Exerce as funcóes de repre
sentante itinerante da Cruzada Infantil e Profissional para Cristo. Es-
creveu diversos livros, entre os quais The Myths of Sex Education (Os
Mitos da Educacáo Sexual) \ á guisa de Carta Aberta a Diretoria da Es
cola de seus quatro filhos. O autor censura o que ele chama "Educacáo
Sexual Abrangente" como sendo estímulo á prática sexual precoce e aos
traumatizantes efeitos que daí decorrem. Apo¡a-se em densa documen-
tacao, que compreende 672 títulos de livros e artigos redigidos em inglés
e concementes á educacáo sexual, ao homossexualismo, á AIDS, a do-
encas sexualmente transmissíveis...
O livro é rico em depoimentos, episodios, textos legislativos, etc.,
fornecendo valioso material a quem se queira aprofundar na temática.
Compreende quatro Partes: 1) Seis Suposicóes Falsas sobre a Sexuali-
dade do Adolescente; 2) Seis Mitos sobre a Educacáo Sexual Abrangente;
3) Sete Estrategias para resolver a Crise da Sexualidade na Adolescen
cia; 4) Recursos para avallar a Educacáo Sexual para a Abstinencia.
Josh McDowell publicou o original de sua obra em inglés no ano de
1990, de modo que certos procedimentos escolares e educativos daque-
la data podem hoje estar modificados. A tese de McDowell é válida, sem
dúvida, mas nem todos os argumentos com que ele pretende fundaménta
la, sao convincentes - o que nao diminuí o interesse que o livro pode
despertar.

1 Ed. Candela (Rúa Belarmino Cardoso deAlmeida, 108, 04809-270 Sao Paulo SP),
140 x 200 mm, 340 pp.

209
"PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

A seguir, poremos em destaque alguns dos tópicos mais significa


tivos da obra.

1. Conseqüéncias do Aborto

«A abstinencia livra vocé do trauma do aborto

As responsabilidades da gravidez sao freqüentemente negligenci-


adas no calor da paixáo. Para um adolescente, criar um filho é um gran
de peso financeiro e social. Dar o filho para adocáo pode deixar urna
penosa cicatriz emocional. Mas talvez a angustia mais terrível associada
á gravidez indesejada seja o trauma do aborto.

O aborto pode resolver a situacao da gravidez indesejada no


momento, mas ele jamáis resolve a culpa ou quebra os lagos entre a
mae e seu filho. A Dra. Anne Speckhard estudou o impacto emocional
do aborto sobre a máe. Embora as mulheres estudadas por ela proce-
dessem de ambientes diversos, as reacóes foram praticamente idénticas:
81% comunicaram preocupacáo com a enanca abortada;
73% comunicaram lembrancas em flashback da experiencia do
aborto;
69% comunicaram sentimentos de 'loucura' após o aborto;
54% comunicaram pesadelos relacionados com o aborto;
35% tiveram visóes sensoriais da enanca abortada;
23% comunicaram alucinacóes relacionadas com o aborto.

Ñas descobertas da Dra. Speckhard, 72% das pessoas examina


das disseram nao ter crencas religiosas por ocasiáo do aborto, e 96%,
em retrospecto, consideravam o aborto como tirar urna vida, como um
assassinato.

O relatório 'Abortos Legáis e a Saúde Pública', pela Academia Na


cional de Ciencias, destaca:

Certas tendencias emergem de urna revisáo da literatura científica


sobre os efeitos do aborto na saúde mental. A tensáo e o sofrimento
emocionáis estáo envolvidos na decisáo de fazer um aborto, e essas sao
emocoes fortes que permeiam todo o processo... As complicacóes clíni
cas associadas ao aborto legal podem ocorrer por ocasiáo do aborto (¡me
diatas), dentro de 30 dias depois da intervencáo (adiadas), ou mais tarde
(tardías).

O aborto é um procedimento penoso. Complicacóes podem surgir


e os efeitos emocionáis podem ser devastadores. M. Uchtman, diretor da
organizacáo Suicidas Anónimos de Ohio, declarou ao Conselho Munici
pal de Cincinnati em 19 de setembro de 1981: 'O grupo Suicidas Anóni
mos, em um período de 35 meses, informou ter aconselhado 5.620 mem-
"OS MITOS DA EDUCACÁO SEXUAL" 19

bros na área de Cincinnati, Ohio. Os membros tinham tentado ou esta-


vam considerando o suicidio. Dentre esses, 1.800 mulheres haviam feito
aborto, das quais 1.400 estavam entre 15 e 24 anos de idade'.

O Instituto Alan Guttmacher, secáo de pesquisas da PPFA, admi-


tiu: 'As conseqüéncias para a saúde, sociais e económicas da gravidez
das adolescentes sao quase todas adversas. A gravidez que termina em
aborto ou perda espontánea é, na melhor das hipóteses, perturbadora e
algumas vezes traumática para a mulher grávida'.

Hall e Zissok, em seu estudo 'Angustia Psicológica após Aborto


Terapéutico', descobriu que "o trauma do aborto pode ter seqüelas (con
seqüéncias) emocionáis significativas'. Kumar e Robson relatam na pu-
blícacáo Psychological Medicine que '8 dentre 21 mulheres que tinham
feito aborto encontravam-se clínicamente deprimidas e ansiosas. Em
contraste, só 8 dentre 98 que nao haviam abortado mostraram sinais de
depressao'.

O Dr. Bulfin, no artigo 'Um Novo Problema na Ginecología das Ado


lescentes1, no Southern Medical Journal, explica que algumas adoles
centes tém complícales serias pós-aborto.

Em vista de mais abortos estarem sendo feitos em adolescentes


do que jamáis ocorreu antes, um número extraordinariamente alto de
complicacóes está sendo encontrado por alguns médicos particulares.
Muitas dessas pacientes adolescentes que passam por complicacóes
nao voltam aos médicos que fizeram o aborto, portanto dados corretos
sobre a incidencia das complicacóes surgidas sao dificéis de obter... A
diversidade de complicacóes que podem ocorrer ñas adolescentes de-
pois do aborto legal é surpreendente» (pp. 274s).

2. Dependencia Sexual

«A abstinencia protege vocé do vicio sexual

Psicólogos e conselheiros Ihe diráo que os vicios sexuais sao um


problema que aumenta rápidamente na sociedade, e o aconseihamento
de viciados em sexo é urna tendencia crescente. Se o vicio sexual é um
problema estritamente psicológico ou uma combinacao de problemas
psicológicos e físicos, ninguém pode dizer com seguranca no momento;
mas é um verdadeiro vicio. Como a compulsao de comer, a bulimia ou a
anorexia, o vicio sexual pode ser causado por um trauma mental ou de-
sordens da personalidade na vida da pessoa.

A pornografía está provando ser, para muitas pessoas, um vicio


comparável as drogas, álcool ou comida. O sexo pré-marital pode tornar
se também um vicio. O estímulo sexual constante causa mudancas quí
micas no corpo, da mesma forma que outros vicios. Vocé precisa ter uma

211
20 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

relafáo física com alguém para sobreviver. A comunicacáo comeca a


desaparecer. As caricias tornam-se um padráo, e é difícil voltar a dar as
máos. Outras áreas do seu relacionamento também ficam obscurecidas
pela parte física. Uma garota que era grande adepta de drogas escreveu:
'O sexo é como as drogas. Vocé quer mais e mais viagens. Acho que foi
isso que aconteceu comigo. Eu ficava alta e depois fazia alguma coisa
maluca. O sexo normal nao bastava. Eu fazia coisas que me faziam sen-
tir-me mal depois. Entao tomava mais drogas para acabar com o sofri-
mento. Era um círculo vicioso'» (pp. 276s).

«O primeiro foro sobre dependencia sexual ocorreu em Los Angeles


em 1989. A Associacao Nacional sobre Problemas de Dependencia Se
xual informa:

'Vivemos numa sociedade que tende a usar coisas como bebida,


comida e sexo como solucóes para a ansiedade', diz Patrick Carnes,
criador do primeiro programa de ¡nternacao para viciados em sexo - a
Unidade de Dependencia Sexual no Instituto Golden Valley (Minnesota)
de Medicina Comportamental. 'Somos uma cultura muito dependente'.

Embora os viciados em sexo possam ser criminosos que ocupem


as manchetes, a maioria nao é composta de margináis.

'As pessoas tém uma certa imagem dos tarados sexuais em men
te', diz Robín Anderson, do Golden Valley. 'A verdade é que a maioria
deles sao profissionais com uma doenca devastadora'.

Uma pesquisa recente de 54 pacientes do Golden Valley mostrou


que 42% ganhavam mais de US$ 30.000 por ano; 58% tinham curso
superior. Igualmente revelador: quando criancas, 74% tinham sofrido abu
so sexual; 91% sofreram abuso emocional.

'Quanto mais vocé sofreu abusos quando crianca, tanto mais vici
os tenderá a ter na idade adulta', diz Carnes.

O vicio sexual - cujos síntomas podem variar desde a masturbacáo


excessiva até o incesto - pode ser táo destrutivo quanto o álcool ou a depen
dencia de drogas, freqüentemente arruinando carreiras e casamentos.

Os viciados em sexo geralmente:

- Tém uma vida sexual secreta, mergulhada em mentiras e vergo-


nha.

- Acham praticamente impossível controlar seus impulsos.

- Perseguem obsessivamente os interesses sexuais, apesar dos


riscos pessoais e financeiros.

As obsessoes costumam permanecer ocultas» (pp. 277s).

212
"OS MITOS DA EDUCAQÁO SEXUAL"

3. AIDS

«Nenhuma outra doenca em tempos recentes causou provavelmen-


te tanto medo ou chamou tanto a atencáo do público quanto a AIDS. Esta
infeccáo viral estranha e mortal tem origens bastante obscuras. As pes
quisas ¡ndicam que a AIDS pode ter comecado na África Central. O pri-
meiro caso conhecido de AIDS foi registrado em 1978 pelos Centros de
Controle de Doencas. O primeiro caso entre homossexuais do sexo mas
culino foi registrado em 1979 e entre os usuarios de drogas injetadas
intravenosamente em coméeos de 1980. Só em 1981 a primeira trans-
missáo heterossexual da AIDS foi registrada.

Os especialistas dizem que, embora os adolescentes respondam por


'menos de 1% de todos os casos de AIDS registrados, o seu comportamen-
to sexual, inclusive o intercurso com varios parceiros e o uso freqüente de
preservativos, torna-os mais vulneráveis ao HIV do que muitos adultos1. Se
gundo os Centros de Controle de Doencas, adolescentes do sexo feminino
tém mais probabilidade do que adolescentes do sexo masculino de contrair
AIDS. A proporcáo homem-mulher de casos de AIDS entre adolescentes é
de cinco para um; entre adultos, essa proporcáo é de doze para um. 'Os
dados mostram que a maior fonte de exposicáo ao virus relatada por paci
entes adolescentes do sexo feminino foi o contato heterossexual, citado
por quase quatro entre cada dez pacientes. Cerca de 72% das adoles
centes do sexo feminino com AIDS sao negras ou de origem hispánica'.

Um quinto das pessoas com AIDS está na casa dos 20. Muitas
foram infectadas quando adolescentes. Um estudo revelou que 'tres en
tre cada 1.000 universitarios estáo contaminados com o HIV. O ex-Dire-
tor Nacional de Saúde disse: 'É provável que a maioria dessas pessoas
tenha contraído o HIV quando se achava ainda na escola secundaria'.

A Dra. Helene Gayle, dos Centros de Controle de Doencas, reve


lou que, em 1988, 7% dos individuos com AIDS haviam sido infectados
pelo HIV quando eram adolescentes. Foi também revelado que 'a pro
porcáo de mulheres entre os adolescentes com AIDS é maior do que
entre os adultos com AIDS (14% versus 7%)'.

Como era de se esperar, as pesquisas indicaram que aqueles cujo


estilo de vida envolve múltiplos parceiros sexuais tém muito maior proba
bilidade de contrair a infeccáo por HIV do que os que se envolveram em
atividade heterossexual estritamente monógama (tal como num casa
mento em que nenhum dos parceiros é infiel). Dos 400 individuos hete-
rossexuais envolvidos em relacóes monógamas, apenas 0,25% era HIV
positivo, enquanto 5% dos homens e 7% das mulheres num grupo de
400 heterossexuais, com pelo menos seis parceiros sexuais anualmen
te, para os cinco anos anteriores ao estudo, eram HIV positivos.

213
22 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

As enancas nascidas de máes com AIDS tém uma chance de 30-


60% de um teste positivo de HIV.

Alguns individuos infectados pelo HIV podem nao apresentar tes


tes positivos para o virus da AIDS 'durante meses e até anos'.

O HIV que causa a AIDS ataca os mecanismos de defesa do corpo


contra as doencas, invadindo certas células sanguíneas brancas, cha
madas linfócitos de ajuda-T, que geralmente auxiliam o corpo a combater
as infeccóes. Depois de penetrar nesses linfócitos de ajuda-T, o virus
multiplica-se com extrema rapidez e, no processo, destrói as células e
prejudica a capacidade do corpo para combater as doencas. Como re
sultado, o individuo fica suscetível a todo tipo de infeccóes pouco usuais
que raramente contaminam os seres humanos.

Uma dessas infeccóes muito comuns nos pacientes com AIDS


envolve os organismos pneumocystis carinii que causam as pneumoní
as. Esta ¡nfeccáo pode causar falta de ar, hipoxemia (baixo nivel de oxi-
génio no corpo) e morte. Felizmente, existem antibióticos que podem
combaté-la eficazmente.

Outra ¡nfeccáo comum nos pacientes com AIDS, mas que rara
mente causa doencas nos adultos saudáveis, é a mycobacterium avium-
intracelulare. Além de causar pneumonía, este tipo de ¡nfeccáo provoca
feridas nos intestinos, diarréia, perda de peso, febre persistente e outros
problemas.

Os pacientes de AIDS podem ser vitimados por ¡números tipos de


infeccáo por fungos, assim como pela candida albicans (candidíase), que
afetam a boca e a garganta, tornando difícil o ato de comer. Em alguns
casos, velhas ¡nfeccóes pela tuberculose (mycobacterium tuberculosis)
sao reativadas ou novas ¡nfeccóes sao contraídas pelas vítimas de AIDS.
Além disso, outras pneumonías bacterianas e sífilis sao também encon
tradas nesses pacientes.

A incapacidade dos pacientes aidéticos para combater as infec


cóes leva a formas muito severas de ¡nfeccóes comuns. Por exemplo, a
infeccáo por herpes pode causar feridas graves e extensas e ulceracóes
ñas zonas genital e retal, assim como na boca e no esófago desses paci
entes.

Varios tipos de cáncer foram também observados como tendo as-


sociacáo com as ¡nfeccóes provocadas pela AIDS. Em particular, o
sarcoma de Kaposi provoca uma Iesao avermelhada na pele e linfomas
ou tumores ñas glándulas linfáticas, e a sua associacáo com a infeccáo
viral da AIDS foi detectada.

214
"OS MITOS DA EDUCAQÁO SEXUAL" 23

Danos cerebrais graves e demencia tém sido encontrados nesses


pacientes. Eles podem sofrer de desorientacáo, confusáo, perda de me
moria e convulsóes. Um psiquiatra observou que a demencia era 'táo
severa quanto qualquer demencia de Alzheimer que já vi1».

4. Sexo Seguro

«As frases "sexo seguro' e 'sexo mais seguro' podem fácilmente


causar confusáo. Os defensores da educacáo sexual abrangente cunha-
ram o termo 'sexo seguro' para estimular o uso de preservativo, e as
Universidades apoiaram o falso conceito patrocinando programas do tipo
'Semana do Sexo Seguro'. A seguir, depois da forte oposicáo baseada
em pesquisas médicas sobre a porcentagem de falha dos preservativos
e outros métodos anticoncepcionais, eles mudaram a frase para 'sexo
mais seguro'» (p. 65).

«Preservativos e Gravidez

O uso do preservativo garante seguranca contra a gravidez


indesejada? Nao. Essa é urna suposicáo falsa. Urna pesquisa da entida-
de de Planejamento Familiar - publicada na revista Family Píanning
Perspectives (Perspectivas de Planejamento Familiar) - revelou fatos
importantes sobre os métodos de controle da natalidade em 1986. A ta-
bela a seguir identifica certas porcentagens de gravidez indesejada de
mulheres solteiras. Observe: nenhum dos métodos, inclusive o preserva
tivo, mostrou-se totalmente confiável.

Porcentagem de Gravidez Indesejada no


Primeiro Ano de Uso de Anticoncepcionais

Idade Pílula DIU Tabela Preser- Dia- Esper- Outros Nenhum


vativo fragma micida Métodos Método

Menos- 18 11,0% 10,5% 33,9% 18,4% 31,6% 34,0% 21,1% 62,9%

18-19 9,6 9,3 30,6 16,3 28,3 34,0 18,7 62,9

20-24 7,2 6,9 23,9 12,3 21,7 23,5 14,2 7,6

25-29 5,0 4,8 17,4 8,6 15,6 17,0 10,0 36,3

30-44 1,9 1,8 7,0 3,3 6,2 6,8 3,9 15,7

Todos 5,7 5,4 23,0 10,8 23,3 19,4 15,4 44,7

Existem muitas razóes para tal porcentagem de falhas (18,4%) dos


preservativos com os adolescentes. Urna razáo básica é que os jovens
sao suscetíveis a urna percepcáo prejudicada pela bebida, drogas, exci-
tacao sexual etc., que ¡nterfere com o uso apropriado dos preservativos,
provocando os problemas» (p. 67).

215
24 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

«Preservativos e AIDS, HIV e Outras DSTs

A gravidez nao é o maior perigo proveniente da falha do preserva


tivo. O virus da AIDS é 450 vezes menor do que o espermatozoide.

O Consumer Reports nota que o exame das membranas de pelícu


las de preservativos sob um microscopio eletrónico revela:

'...carnadas de fibras se entrecruzando em varios padrees. Esse


entrelacamento fortalece as películas, mas possibilita um poro ocasio
nal, algumas vezes com até 1,5 mícron de largura. Isso é menor que um
espermatozoide, urna célula branca ou até algumas bacterias de
gonorréia. Mas é mais do que 10 vezes o tamanho do virus da AIDS, e
mais que 25 vezes o tamanho do virus da hepatite B'.

A fim de impedir que a AIDS se propague', declara um artigo do


Ministerio de Educacjio, 'o preservativo deve funcionar dez vezes melhor
(do que para o controle da natalidade). A mulher fica fértil durante cerca
de 36 dias por ano, mas alguém com AIDS pode transmitir a doenca 365
dias por ano'. Além disso, devemos considerar os seguintes fatos:

Só a mulher pode engravidar, mas o virus da AIDS (e outras DSTs)


pode infectar homens e mulheres.

A falha do preservativo na prevencáo da gravidez produz urna nova


vida, mas na prevencáo da AIDS produz a morte.

Mesmo que o 'sexo mais seguro' reduza outras doencas sexual-


mente transmissíveis, ele nao reduz necessariamente a predominancia
da infeccáo pelo HIV» (p. 69s).

APÉNDICE
O jornal O GLOBO, em sua edicáo de 9/2/99, p. 31, traz a seguinte
noticia, que atualiza quanto acaba de ser dito:

«ATIVISTAS DEFENDEM ABSTINENCIA SEXUAL E MONOGAMIA

Semana da Castidade combate sexo antes do casamento nos EUA


• Washington. Mais de 60 organizagóes reuniram-se ontem em Washing
ton para participar dos eventos da Segunda Semana Nacional da Casti
dade, entre 8 e 14 de fevereiro. O principal objetivo do encontró é con
vencer adolescentes a se absterem de praticarsexo antes do casamento
e advertir os casados de que nao devem ter aventuras extraconjugais.
- O sexo é urna industria de muitos milhoes de dólares e quem o
promove vé em nossos filhos um mercado para a pornografía, os anticon-
cepcionais e 0?. abonos - ressaltou Carmen Pate, presidente da organi-
zagao Concerned Women for América (CWA).

216
"OS MITOS DA EDUCAQÁO SEXUAL" 25

O presidente do grupo 'Why Life', Andrew Daub, afirmou que as


atividades da Semana da Castidade visam a 'promover e a apoiar a vida
casta, a fidelidade e o matrimonio':

- É para lembrar a todos que a castidade é urna virtude - disse


Daub. -A castidade beneficia e promove a familia, a dignidade do indivi
duo, impede a gravidez fora do casamento e diminuí a possibilidade de
se contraírem enfermidades - destacou...

Tres décadas de educacao sexual ñas escolas americanas e a abun


dancia de material erótico nos meios de comunicagáo, na opiniáo de
Carmen Pate, produziram um contexto social no qual os jovens sofrem
com a 'perda de respeito por si próprios, a promiscuidade, a falta de res-
ponsabilidade e o temor aos compromissos'.

- A cada ano na televisáo há milhares de cenas que implicam coi


to, mas em nenhuma délas faz-se referencia a doengas venéreas, a gra
videz nao desejada. Também nao há referencia ao impacto emocional do
sexo - críticou a ativista...

- A verdadeira solugáo para urna sexualidade sá é a abstinencia


antes do casamento e a monogamia - enfatizou Carmen.

Para Andrew Daub, em vez de se gastar tempo, energía e dinheiro


educando os jovens sobre o sexo seguro e os últimos métodos
contraceptivos, 'deveríamos dedicar todos os recursos para difundir o
fato de que o único sexo seguro e gratificante é o que ocorre dentro do
matrimonio'».

VOCÉ CONHECE DEUS?


A Escola "Mater Ecclesiae" Ihe oferece o seu 169 Curso por Cor
respondencia, que versa sobre DEUS UNO E TRINO. Considera a ima-
gem de Deus expressa no Antigo Testamento e procura aprofundar os
atributos divinos ai enunciados. A seguir, estuda o Novo Testamento, no
qual se manifesta a riqueza da vida de Deus, que se afirma em tres Pes-
soas; após a exegese bíblica, o Curso percorre a historia do dogma
trinitario, pondo em relevo as etapas que Ievaram á formulacáo exata da
verdade da fé: há urna só natureza divina em tres Pessoas. Por último, os
Módulos se dedicam á penetracio sistemática do dogma trinitario, ilus
trando o que parece ser um enigma, mas na verdade é motivo de imenso
deleite espiritual para o cristáo interessado no assunto.

Além de tal Curso, quinze outros sao oferecidos pela mesma Esco
la. TeleFAX: (021) 242-4552, Caixa Postal 1362, 20001-970 Rio (RJ).

217
Um clamor se faz ouvir:

"A MAQONARIA DO OUTRO LADO DA LUZ"


por William Schnoebelen

Em síntese: O livro de W. Schnoebelen é interessante pelas infor-


magóes que fornece; rasga, de algum modo, o véu da sociedade secreta
magónica. Mas também manifesta uma certa obsessao do autor por Sata
e o Satanismo, atribuindo ao Maligno influencia exagerada sobre as Lo-
jas Magónicas. O autor é um ex-magom, atualmente protestante
fundamentalista, que nao pode ser tomado ao pé da letra quando associa
Magonaria e Lucifer. Pode-se crerque algumas correntes magónicas pres-
tem culto a Satanás; tal será a corrente ou a Loja Paladium (Resurrectíon
Street 13, Chicago, U.S.A.), que Schnoebelen apresenta as pp. 196-202
do seu livro; é mesclada de ocultismo e bruxaría; tal, porém, nao parece
ser o caso mais freqüente no conjunto das Lojas Magónicas.

William Schnoebelen é um autor norte-americano que durante nove


anos foi macom, tendo chegado ao grau 32...; ao mesmo tempo era
mórmon. Diziam-lhe os amigos que protestantismo e maconaria se coa-
dunavam muito bem entre si, pois a Maconaria seria uma excelente orga-
nizacáo crista. Além disto, Schnoebelen passou dezesseis anos na bru-
xaria. Finalmente, desiludido, fez-se protestante, membro de uma deno-
minacáo menos recente e escreveu o livro Masonry-beyond the Light
(Maconaria do outro lado da Luz) \ em que relata as suas experiencias
religiosas e magónicas:

«Minha própria experiencia passada com ocultismo, feitigaria e até


satanismo, anterior á participagáo na igreja mórmon, dera-me um conhe-
cimento abrangente da magonaria oculta e esotérica (secreta, de alto
nivel) e da magia cerimonial.

Além disso, eu estivera envolvido com a magonaria por mais de


nove anos e passara tanto pelo Rito Escocés quanto pelo de York, pelo
Santuario Místico e pela Ordem da Estrela do Oriente. Ocupeipostos em
meia dúzia de organizagóes magónicas, incluindo o de Vigilante Júnior
da minha Loja Azul, a Kilbourne n9 3 de Milwaukee, em Wisconsin, e
Patrono Associado da Estrela do Oriente. Cada um destes postos exigía
muita dedicagáo, memorizagáo e estudo. Fui um magom fanático.

1 Ed. Luz e Vida (Caixa Postal2350) 80001-970 Curitiba (PR), 140x210mm, 278pp.

218
"A MAQONARIA DO OUTRO LADO DA LUZ" 27

Agora, pela ajuda e graga de Deus, eu recebera na Biblia os recur


sos para avaliar todas as experiencias e o conhecimento que ele me per-
mitiu acumular durante dezesseis anos na bruxaria e nove na magonaria.
Este livro, acompanhado de muitas oragoes, é o resultado da minha ava-
liagáo» (p. 15).

«Nao fui um magom típico. Uni-me á Loja por sugestao dos meus
mentores no ocultismo, porque eles entendiam que os graus da Loja se-
riam urna parte essencial da minha evolugáo espiritual. Fiz isso obedien
temente, e fiz o meu máximo para ser um magom fiel.

Fui instruido a tomar primeiro a senda do Rito de York. Urna vez


que me tornei um Cavaleiro Templario (o equivalente ao 32sgrau do Rito
Escocés), fui considerado digno dos graus magónicos europeus. Meu
progresso através destes graus foi fértil em iniciagóes estranhas, terri-
veis demais para relatar. Num endurecimento gradual da minha consci-
éncia, fui levado através dos ritos egipcios da magonaria e recebi o grau
90, um nivel que poucos magons americanos até mesmo sabem que exis
te!» (p. 205).

O autor é extremamente crítico em relagáo á Maconaria, que ele


julga satánica desde os primeiros passos: "O simples magom já colocou
um pé na estrada da uniáo com demonios" (p. 205).

Nao podemos concordar com tio freqüentes alusóes a Satanás,


ao qual o autor atribuí papel exagerado ou obsessivo. Nao queremos
negar a existencia do Maligno e sua agáo neste mundo, mas nao pode
mos esquecer os dizeres de S. Agostinho: "O demonio é um cao
acorrentado; pode latir muito, mas só morde a quem se Ihe chega perto".
Na verdade, o ser humano é suficientemente fraco e falível para cometer,
por sua própria desordem interior, muitos desatinos e pecados, sem ser
instigado por Satanás.

Também se pode admitir que nem todos os ramos da Maconaria


sao dados ao ocultismo e á bruxaria, como insinúa o autor. É costume
distinguir entre Magonaria Regular e Maconaria Irregular: aquela guar
da a crenga no Grande Arquiteto do Universo e procura ser fiel á sua
origem deísta; a M. Irregular, porém, se desviou dos seus principios e
enveredou por caminhos irreligiosos ou falsamente religiosos. É impor
tante distinguir matizes na Magonaria. Embora a Magonaria, como tal,
mereca a condenagáo dos cristaos por seu caráter relativista e secreto, a
justica pede que nela se reconhecam graus diversos de incompatibilida-
de com o Cristianismo.

Ñas páginas que se seguem, apresentaremos alguns tópicos do livro


em pauta que chamam a atencáo por esclarecerem (de maneira que parece
fiel) o que é a Maconaria ou o que sao certas correntes da Magonaria.

219
28 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

1. A Estrutura da Maconaria

Á p. 279, no final do livro o autor redige um quadro intitulado "A


Estrutura da Maconaria", que vai, a seguir, reproduzido:

RITO DE YORK RITO ESCOCÉS ANTIGO E ACEITO


339 Grande Inspetor-Geral
Ordem dos Cavaleiros Templarios 329 Sublime Príncipe do Real Segredo
Ordem dos Cavaleiros de Malta 319 Grande Juiz Comendador
30s Cavaleiro Kadosh
Ordem da Cruz Vermelha 292 Grande Cavaleiro Escocés de San
to André
Mestre Super Excelente 289 Cavaleiro do Sol
Mestre Seleto 27S Grande Comendador do Templo

Corpos Auxiliares 269 Príncipe da Mercé


Real Mestre (para mulheres) 259 Cavaleiro da Serpente de Bronze
Ordem da Estrela
do Oriente 249 Príncipe do Tabernáculo
Filhas do Nilo 239 Chefe do Tabernáculo
Macom do Arco Real Santuario Branco 21- Cavaleiro do Machado Real
(para jovens) 21s Cavaleiro Nóaquita ou Prussiano
De Molay 209 Soberano Príncipe da Maconaria
Filhas de Jó 199 Grande Pontífice
Mestre Mais Excelente Arco-iris 189 Cavaleiro Rosa-Cruz
17a Cavaleiro do Oriente e do Ocidente
16S Príncipe de Jerusalém
159 Cavaleiro do Oriente
149 Grande Eleito
Past Master 139 Cavaleiro do Arco Real
129 Grao Mestre Arquiteto
Mestre de Marca 119 Sublime Cavaleiro Eleito dos Doze
109 Cavaleiro Eleito dos Quinze
99 Cavaleiro Eleito dos Nove
89 Intendente dos Edificios
79 Preboste ou Juiz
6a Secretario íntimo
59 Mestre Perfeito
49 Mestre Secreto

LOJAA^UL:
39 Mestre
2a Companheiro
19 Aprendiz

220
"A MAgONARIA DO OUTRO LADO DA LUZ" 29

Dito ¡sto, vejamos algo sobre

2. Juramentos, Sinais e Toques

2.1. Juramentos

Muito comentados sao os juramentos de segredo que o macom


deve prestar. Eis como Schnoebelen os apresenta:

«Deixamos nosso intrépido candidato no altar, tentando decidir se


fará ou nao o juramento. O que o candidato nao sabe é que o Venerável
Mestre o está engañando, ao assegurar que o juramento é inofensivo.
Ele pode nao perceber essa fraude, mas está transmitindo ao iniciado
urna verdade que, como veremos, na verdade está chela de mentiras.

A maior parte dos candidatos deseja continuar e fazer o juramento.


Um exame detalhado, mesmo que só dos juramentos da Loja, já está
além do escopo deste capitulo, mas veja aquí o climax do juramento de
iniciagáo do aprendiz:

'Tudo isso eu prometo ejuro com a maior solenidade e sincerídade,


com urna resolugáo firme e inabalável de realizá-lo, [...] prendendo a mim
mesmo com urna penalidade nada menor do que ter minha garganta
cortada, minha língua arrancada pela raíz e meu corpo enterrado ñas
areias ásperas da praia, com maré baixa, onde as aguas sobem duas
vezes por día, se eu conscientemente violar esse meu compromisso de
Iniciagáo de Aprendiz. Que Deus me ajude e me guarde inabalável na
devida realizagáo do mesmo. (Venerável Mestre:) Em sinal de sua since
rídade, vocé agora separará suas máos e beijará o livro que descansa
em suas máos, que é a Biblia Sagrada'.» (p. 87).

Á p. 64 lé-se:
"O Rito de York insiste em que seus companheiros fagam juramen
tos de sangue, comprometendo-se a ter sua orelha cortada, sua língua
dividida ao meio da ponta até a raíz, seu coragáo arrancado e colocado
para apodrecer num monte de estrume, ou seu cránio aberto e seus mió
los expostos aos ratos do sol do meio-dia, se eles violarem seus juramen
tos".

Voltando ás pp. 89, lé-se a fórmula:

«'Nao falarei mal de um Companheiro Magom do Arco Real, nem


pelas costas, nem na sua face, mas o avisarei de todo o perigo que se
aproxima, no limite das minhas possibilidades".

Finalmente, o candidato promete:

"... empregar um Companheiro Magom do Arco Real de preferencia


a quaisquer outras pessoas de iguais qualificagdes'».

221
30 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

Comenta Schnoebelen:

"Estes juramentos podem interferir com as obrigagóes do magom


para com sua nacáo. Já ouvi varios magons jactándose de que, durante
a Segunda Guerra Mundial, os magons alemaes deram tratamento espe
cial aos prisioneiros de guerra americanos que eram magons. Alguns até
puderam escapar. Em retrospectiva isso foi bom para os norte-america
nos, mas aqueles magons alemaes cometeram alta traigáo.

Será que nos terfamos gostado se os magons dos Estados Unidos


tivessem feito a mesma coisa para os magons alemaes? É claro que nao!
E nao é só isso; os juramentos ácima também causariam as seguintes
cenas muito problemáticas:

1) Um oficial de justiga que soubesse de um mandato de prisao


contra um irmáo magom, teña de avisá-lo ¡mediatamente, de modo que
este pudesse fugir da jurisdigáo.

2) Um magom que ficasse sabendo dos crímes de um irmáo magom,


incluindo até mesmo estupro, roubo ou abuso de criangas, teña de guar
dar em segredo seu conhecimento desses crímes, até mesmo no tribunal!

3) Um magom do Arco Real que soubesse que um companheiro


magom é assassino ou traidor, teña que guardar em segredo esse conhe
cimento!

4) Um magom do Arco Real seria obrigado a empregar um compa


nheiro magom, inclusive para profissóes sofisticadas e que exigem habi-
lidade, mesmo se ele nao tiver as qualificagóes requeridas.

Além disso, apesar de isto nao ser mencionado nos juramentos, os


magons muitas vezes tém um julgamento 'mais justo' nos tribunais que
sao presididos porjuízes magons. Um grande número dejuízes [nos Es
tados Unidos] é magom, e muitos advogados também o sao. Se um magom
aparece na corte contra um náo-magom, tudo o que tem a fazer é urna
certa quantidade de gestos ou palavras obscuras para ojuiz, e este será
obrigado a decidir em seu favor. Ninguém no saláo da corte entenderá
(exceto outro magom, que sería proibido de trazer o incidente a luz).

É fácil ver como estes elementos dos juramentos poderíam estar


definitivamente em detrimento do bem-estar nacional. Os magons, costu-
ma-se dizer, 'cuidam de si mesmos', o que fazem em grau assustador».

2.2 Sinais e Toques

«Os magons podem identificarse através de palavras ou gestos


secretos que sao numerosos demais para serem completamente catalo
gados. Todavía pode ser útil conhecer alguns dos básicos. Em prímeiro
lugar, os magons geralmente identificam-se pelo apeno de máos. Urna

222
"A MAgONARIA DO OUTRO LADO DA LUZ"

pressáo com polegar no espago entre a segunda e a terceira junta da


máo da outra pessoa é suficiente para alguém identificarse como Mestre
Magom.

Quando nao é possfvel um aperto de máo (como num tribunal), um


magom pode aproximarse assim da corte:

'Dar tres passos normáis para a frente [afastarse] com o seu pé


esquerdo um passo completo, e levar o calcanhar direito até a cavidade
do pé esquerdo; depois afastarse um passo com o pé direito, e trazer o
calcanhar do pé esquerdo até a cavidade do pé direito; por último afas
tarse um passo com o pé esquerdo, e juntar os dois calcanhares'.

Isso parece complicado, mas todo oficial magónicojá o fez milha-


res de vezes, e pode fazé-lo parecer táo natural quanto possível.

Outra forma é através de frases, simples ou complexas dependen-


do das circunstancias. Por exemplo, um advogado magom pode dizer no
tribunal: 'Esperava ter umjulgamento no PRUMO, Meritíssimo', com ape
nas urna sombra de énfase na palavra prumo. Ele também poderla dizer
que está no NÍVEL'. Estas frases sao parte da conversagáo normal, mas,
com a devida énfase, o outro magom entende.

Omesmo expediente pode ser usado na hora da barganha, na com


pra de um carro ou de urna casa. Ao ir a urna joalheria para comprar
pedras preciosas, eu poderla dizer ao gerente: 'Ouvi dizer que aqui pos-
so fazer um negocio no prumo'. Ele (caso nao me conhega pessoalmente
como magom) poderla dizer: 'Vejo que vocé é um homem viajado'.

Eu respondería: 'Sou. Viajei do Ocidente ao Oriente e do Oriente


ao Ocidente novamente'.

Ele poderia perguntar: 'Por que vocé deixou o Ocidente e viajou ao


Oriente?'

Eu respondería: 'Em busca do que estava perdido'. Isso bastaría.


Ele saberla que sou um Mestre Magom, e geralmente me venderá as
jóias pelo prego de custo! Isso pode parecer inofensivo em transagóes
menores, mas imagine o que acontecería se fosse feito em um tribunal! E
isso está sendo feito, todos os dias!

Outra expressáo (ou gesto), que só deve ser usada em situagóes


extremas, é o Grande Saudagáo de magom em difículdade.

Nosso advogado magom poderia, em determinado momento, afun-


darsua cabega ñas máos e clamar: 'Oh! Senhormeu Deus, nao há ajuda
para o filho da viúva?' Isso poderia parecer estranho para o ouvinte co-
mum, mas seria entendido como um grito de socorro. Se umjuiz ou jura
do magom ouvir, deve, por urna obrigagáo de honra (de um juramento de

223
32 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

sangue) absolver tal pessoa, oupelo menos Mar por uma suspensáo do
julgamento!

O gesto que acompanha (ou pode ser empregado sozinho, caso


necessárío) é a pessoa levantar seus bragos ácima da cabega (quase
como na posigáo de 'maos ao alto') e entáo abaixá-los em tres etapas,
girando os antebragos nos cotovelos até que fiquem perpendiculares ao
chao, com as palmas para baixo.

Todo magom, vendo esse gesto (ou ouvindo as palavras ácima),


deve, por uma obrigagáo de juramento, fazer todo o possível para salvar
o outro magom doperigo, até arriscando á própria vida!» (pp. 124-126).

Haveria um Batismo Masónico:

«O novo mestre magom 'morre' com o 'cristo'magónico Hiráo Abif,


e entáo é 'levantado com ele', com o forte apeno de máo da pata do leáo,
pelo 'rei Salomáo'. Esta é a origem da frase: 'Ser levantado ao grau subli
me de Mestre Magom'.

A ressurreigáo com Hiráo objetiva ser o que os ocultistas chamam


de 'experiencia que aumenta o nivel de consciéncia'. Supoe-se que indu-
za a um estado alterado de consciéncia, na verdade um portal aberto
para a ópressáo demoníaca!

Veja a que provagáo o Mestre magom é exposto. Depois de passar


pela costumeira ladainha por uma hora ou duas, como nos dois primeiros
graus, ele recebe um golpe psicológicamente humilhante do Mestre da
Loja. É-lhe dito num tom rispido que ele nao é um Mestre magom, e nem
nunca será! Ele é entáo advertido que pode nem mesmo sobreviver ao
que está em vias de experimentar.

Ele é vendado e levado rápidamente em torno da loja, e abordado


violentamente por tres homens. Finalmente, ele recebe na cabega um
golpe com uma 'marreta' acolchoada e é empurrado com forga para que
caía de costas num trampolim provisorio. Ele entáo é arrastado como um
corpo moño, 'enterrado' duas vezes e finalmente 'ressuscitado'pela máo
forte de um Mestre Magom, e ¡he é dada a palavra secreta de passe, em
voz baixa pelo Mestre, fingindo ser Salomáo» (pp. 223s).

3. A Juventude Magónica

Pergunta o autor: Que dizer das Ordens Juvenis da Maznaría?

E responde:

«As principáis sao a Ordem de DeMolay para os rapazes e as or


dens das Mogas do Arco-iris e das Filhas de Jó para asjovens.

Sob alguns aspectos, estas organizagóes sao como os Escoteiros

224
"A MAQONARIA DO OUTRO LADO DA LUZ" 33

ou as Bandeirantes. E provéem diversáo e companheirismo aparente


mente inocente. Contudo, os pais que enviam seu filho (ou sua filha) a
um destes grupos magónicos presumindo que será exposto apenas a
influencias saudáveis estáo, infelizmente, engañados.
A DeMolay é uma ordem na qual o drama ritual central gira em
torno do julgamento de Jacques DeMolay, o último Grande Mestre dos
Cavaleiros Templarios. O ritual pretende ensinar lealdade, honra e fideli-
dade a promessas e obrigagóes.
As filhas de Jó usam os personagens bíblicos de Jó e suas filhas
para ensinar virtudes semelhantes, contudo, com uma apresentagao mais
feminina. O grupo do Arco-iris é aínda mais brando que as filhas de Jó,
pouca coisa parece estar fora do lugar.
Nao obstante, até mesmo suas qualidades inocuas devem servir
de sinal de alerta, visto que estáo táo intimamente associadas com as
ordens magónicas adultas...
Todos estes grupos estáo enquadrados sob a autoridade magóni-
ca. A nenhum dos grupos é permitido reunirse ou funcionar sem a pre-
senga de um Mestre Magom. Ninguém pode associar-se sem que isso
seja relatado a um Mestre Magom.

Estes grupos sao programas de captagáo, projetados para atrair


jovens para as ordens magónicas adultas. Isso é técnicamente chamado
de magonaria de adogáo, e o jovem que ingressa é adotado espiritual-
mente pela familia magónica, mesmo nao sendo realmente um magom».
(pp. 107-109).

"A pressáo dos colegas é um fatora ser levado em conta. Todos os


que sao alguém no colegio, estaráo na DeMolay ou na Arco-iris. Os ado
lescentes acham extremamente difícil resistir a esse tipo de pressáo" (p.
114).

4. Conclusáo

O livro de Schnoebelen é interessante pelas informacóes que for-


nece; rasga, de algum modo, o véu da sociedade macónica. Mas revela
obsessáo do autor por Sata e Satanismo, atribuindo ao Maligno influen
cia exagerada sobre as Lojas. Schnoebelen é um protestante
fundamentalista, que nao pode ser tomado ao pé da letra quando asso-
cia Maconaria e Lucifer. Pode-se crer que algumas correntes macónicas
cultuem Satanás: tal seria a corrente ou Loja Paladium (Resurrection Street
13, Chicago, U.S.A.), que Schnoebelen apresenta as pp. 196-202; esse
tipo de Maconaria é mesclado de ocultismo e bruxaria; tal, porém, nao
parece ser o caso mais freqüente no conjunto das Lojas magónicas.

225
Respondendo a um irmáo:

"SANTOS PADRES SANTOS PODRES"


por Horacio Silveira

Em síntese: O pastor Horacio Silveira escreveu um Hvro altamente


agressivo a Igreja Católica, em que se encontram muitas verdades e
inverdades. O autor demonstra terpouco senso crítico, pois aceita qual-
quer documento que ataque a Igreja, sem levar em conta o grau de auto-
ridade (maior, menor ou nula) que possa ter. Em conseqüéncia H. Silveira
ataca fantoches por ele construidos e atribuidos á Igreja Católica. Sem
dúvida, o pecado existe na Igreja, mas nao é da Igreja; o próprío Jesús
predisse que no campo do Senhor haveria trigo (semeado por Ele) e joio
(semeado pelo adversario); o patrao do campo nao quer arrancar o joio,
mas quer que ele fique ateo fim dos tempos. Em conseqüéncia o obser
vador nao se surpreende com a presenga do joio; pode mesmo dizer que
um campo sem joio nao seria o campo do Senhor.

O pastor Horacio Silveira é promotor de Justica aposentado, por-


tanto homem de cultura e responsabilidade. Todavía a obra que escre
veu com o título "Santos Padres Santos Podres" revela mentalidade ce-
gamente agressiva, que pode lancar areia nos olhos do leitor despre
venido, mas é testemunho de espirito fanático, pouco interessado na
pesquisa e na transmissáo da verdade; está preso a preconceitos, que
nao Ihe permitem considerar com objetividade os temas que aborda.
Embora o autor declare á p. 8 que nao escreve "um libelo-crime
acusatorio", nao faz outra coisa senáo acusar de demonismo, prostitui-
cáo, prevahcacáo... os seus irmaos católicos.

Vamos responder-lhe em poucos tópicos, cientes de que urna res-


posta plena exigiría denso livro, visto que numerosas páginas da obra
contém erros ou imprecisóes.

1. Observacóes Gerais

1) Horacio Silveira demonstra nao ter tido acesso direto as obras


dos Padres da Igreja e de outros autores que ele cita, utilizando citacóes
feitas em terceira ou quarta máo. Carece do sadio senso crítico necessá-
ho a quem estuda historia, pois nem todos os documentos-fontes sao
fidedignos: é preciso que o historiador saiba distinguir o grau de autorida-
de (maior, menor ou nula) de suas fontes, pois a historia é o terreno mais

226
"SANTOS PADRES SANTOS PODRES" 35

explorado pelas ideologías tendenciosas. Dir-se-ia que H. Silveira aceita,


sem mais, todos os textos que agridem a Igreja Católica só pelo fato de a
agredirem, quando na verdade muitos dos que ele cita nao merecem
aceitacáo, pois sao relatos forjados ou tendenciosos, como se verá a
seguir:

- á p. 30 cita Tertuliano, Tert. De pudic, op. pág. 761-767. Esta


citacáo nao tem valor científico, pois ninguém cita as obras de Tertuliano
por suas páginas, sem indicar a respectiva edicáo;

- á p 31 algo de semelhante ocorre com um texto de Firmiliano da


Capadócia;

- á p. 191 cita o Pe. Xavier Léon-Dufour, atribuindo-lhe urna sen-


tenca que certamente nao é desse autor, sentenca extraída de "O Ovo
Cósmico" de Fulcaneli p. 138. H. Silveira nao conhece diretamente os
escritos de Léon-Dufour;

- á p. 192s Silveira confunde a obra da psicóloga Monique Hébrad


com a doutrina da Igreja Católica, atribuindo a esta absurdos (Adáo
andrógino, Deus masculino e feminino), totalmente aiheios ao magisterio
da Igreja. "Nova Era" estaría entrando na Igreja, quando na realidade há
oposicáo frontal entre Cristianismo e o panteísmo de Nova Era.

Horacio Silveira constrói seus fantasmas (que nao sao artigos da


fé católica) para atirar-se contra eles com toda a veeméncia. Alias, quem
lé livros e panfletos que os adversarios lancam contra a Igreja Católica,
verifica que muitas vezes estáo mal informados e atacam o que a Igreja
Católica nao professa. A honestidade do cientista e do cristáo exige um
pouco mais de atencáo da parte de quem se dispoe a agredir.

2) Muito importante é o uso das obras do pastor Aníbal Pereira


Reís, ponto de apoio freqüente das alegacóes de Silveira. - O pastor
Aníbal, em sua sanha agressiva, nao hesitou em recorrer á falsificacáo
de um documento. Com efeito; montou urna pseudocarta do Cardeal
Agnelo Rossi, a fim de exaltar a si mesmo (Aníbal). Essa falsa carta
(publicada por H. Silveira a p.112 da sua obra) foi primeramente publicada
pelo JORNAL BATISTA de 19 de Janeiro de 1972. O cardeal Rossi, cien-
te da falsificacáo, enviou a denuncia e o desmentido ao mesmo JORNAL
BATISTA, que publicou tal réplica em sua edicáo de 5/3/1972, p.1; nesse
desmentido o Cardeal Rossi prova que Aníbal Reís falsificou a carta e a
assinatura do Cardeal. Apesar disto, H. Silveira cita tranquilamente Aníbal
Reis (nao sabe que é falsario?). O texto da réplica do Cardeal Rossi
encontra-se em PR 440/1999, pp. 29-31.

Diante de tais fatos, de que a imprensa batista mesma se tornou o

227
36 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

porta-voz, pergunta-se: pode-se dizer que a mentira, a falsidade e a frau


de sao os instrumentos de auténtico ministro do Evangelho? Quem re
corre a tais meios, aínda está procurando difundir realmente o Reino de
Cristo ou está servindo a si mesmo, visando á sua autopromocáo e des-
carregando azedumes pessoais sobre o grande público? O Evangelho
ensina a verdade e a caridade; quem deseja ser arauto do mesmo, há de
se distinguir pelo culto destes dois grandes valores cristáos.

3) Á p. 45 H. Silveira cita a lenda da Papisa Joana como se fosse


fato histórico. Em nossos dias está comprovado que é lenda, pois se
observam

a) as incertezas e vacilacóes das diversas versóes, principalmente


ao assinalarem a data do pretenso episodio;

b) o fato de que até meados do século XIII a extraordinaria e inte-


ressante estória da Papisa Joana (que teria vivido no período dos sécu-
los IX.X.XI) é totalmente ignorada pelos cronistas medievais. Os primei-
ros que a ela se referem, sao o dominicano Joáo de Mailly na sua Chronica
Universalis Mettensis redigida porvolta de 1250, e seu confrade Martinho
Polono (t 1279), autor de Chronicon pontificum et ¡mperatorum. Ave-
riguou-se que os relatos da lenda encontrados em documentos mais an-
tigos do que estes foram inseridos ai depois do século XIII;

c) a serie dos Papas, como hoje é conhecida, nao admite interrup-


coes entre Leao IV e Bento III (sáculo IX), como táo pouco a comporta
entre Pontífices dos sáculos X / XI. - Com efeito, Leáo IV morreu aos 17
de julho de 855 e Bento III foi eleito antes do fim de julho de 855. Por
conseguinte, entre Leáo IV e Bento III é ¡mpossível intercalar o pontifica
do da pretensa Papisa, que teria durado dois anos, sete meses (ou cinco
meses ou um mes, segundo os diversos narradores) e quatro dias. A
mesma impossibilidade se verifica, caso se queira transferir o "pontifica
do" de Joana para outra fase dos séculos VII/XI; nao há brecha na serie
dos Papas para intercalar urna Papisa.

4) Outro referencial freqüente de H. Silveira é a obra de Johan


Joseph Dollinger Der Papst und das Konzil (O Papa e o Concilio) data
da de 1869, que Rui Barbosa publicou em portugués com urna longa
¡ntroducáo. Ai encontram-se numerosas citacoes de terceira mao filtra
das por Dollinger e Rui Barbosa, que estavam voltados contra o Papa.

5) Á p. 93 os jesuítas sao por H. Silveira tidos como ligados aos


cavaleiros templarios da Idade Media e ao ocultismo - o que é dito sem a
mínima prova e em contrario da verdade. Horacio Silveira carece de sen-
so crítico; a descricáo do Catolicismo por ele feita é urna caricatura que o
simples bom senso bastaría para rejeitar.

228
"SANTOS PADRES SANTOS PODRES" 37

6) A obra apresenta varios erros de datas, que revelam pouco co-


nhecimento da historia do Cristianismo:

- á p. 32 sao citados "o terceiro Concilio de Éfeso em 438 e o


segundo de Calcedonia em 451" - o que nao coincide com a realidade
dos fatos;

- ainda á p. 32 está dito que a ruptura definitiva entre cristáos ori


entáis e ocidentais se deu em 869, quando na verdade ocorreu em 1054;

- á p. 146 o culto dos santos terá sido estabelecido em 754 pelo


Concilio de Constantinopla, quando se sabe que já no fim do século III os
cristáos rezavam á Santa Mae de Deus (Theótokos).

- De resto, em.754 um Concilio de Constantinopla (sem o Papa e


os Patriarcas orientáis) foi ¡legítimo e iconoclasta. O Concilio que confir-
mou a veneracáo dos Santos, foi o de Nicéia II em 787.

Passemos agora aos principáis pontos doutrinários controvertidos.

2. Pontos doutrinários

2.1. O Papado

O autor consagra as pp. 11-71 de seu livro á tentativa de negar a


autenticidade do primado do Apostólo Pedro e a jurisdicáo do Papa, seu
sucessor. Nao nos deteremos na demonstracáo dos fundamentos bíbli
cos do Papado, pois isto já foi feito repetidas vezes; ver PR 436/1998, pp.
424-428. Passamos á historia do Papado.

O pastor H. Silveira cita episodios que parecem depor contra a


autenticidade do Papado:

1) Á p. 29 Silveira diz que o primeiro Papa foi nomeado em 400.


Mas á p. 41 diz que o primeiro Papa foi Bonifacio III, nomeado pelo Impe
rador Focas de Bizáncio em 606. - A contradicáo é indicio de que há algo
de falho nessas alegacoes. Na verdade, em 400 terá sido atribuido o
título de Papa ao Bispo de Roma, que desde os primeiros tempos deti-
nha as funcóes do primado na Igreja, como se depreende dos textos
bíblicos. Em 606 o Imperador Focas, de Bizáncio, reconheceu o primado
do Papa contestado pelo Patriarca de Bizáncio ou Constantinopla; reco
nheceu... nao fundou nem deu origem.

2) Ás pp. 42-70 o autor enuncia fatos pouco elogiosos atribuidos a


Papas do passado. A propósito deve-se notar o seguinte:

- É inegável que na historia dos Papas houve casos dolorosos.


Isto nao surpreende nem desconcerta, pois o Senhor Jesús mesmo pre-
disse que, no campo onde Ele semeia trigo, cresce o joio. Até pode-se

229
38 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

afirmar que um campo onde nao existe joio nao é o campo do Senhor; cf.
Mt 13, 24-30.36-43.

- Nao poucas das historias narradas a respeito do Papado tém


caráter lendário ou semilendário: assim o envenenamento de Clemente
XIV (p. 93), o de Joáo Paulo I (p. 98)... Quanto aos Papas do século X,
nao há como negar os problemas moráis; todavía é de notar que o histo
riador Liutprando de Cremona, que os refere, é reconhecidamente ten
dencioso; escreveu a Antapódosis (Retribuicáo) narrando os eventos
ocorridos na Europa entre 887 e 950 em tom polémico e exagerado. A
crítica sadia nao o tem como testemunha indiscutível.

De resto, a fragilidade humana dos Papas, a comecar por Sao Pe


dro, é o sinal evidente de que nao sao os homens que governam a Igreja,
mas é o próprio Cristo que Ihe assiste com o Espirito Santo, fazendo que
perdure por dois mil anos (ao passo que muitos dos seus adversarios já
pereceram). O Papa atual foi considerado "o homem do século XX" ou
"do fim do século XX" pela sua acáo humanitaria e conciliadora em favor
dos oprimidos e das populacoes pobres.

2.2. A Inquisicáo

A respeito da Inquisicáo contam-se estórias fantasiosas, que nao


correspondem a verdade e, sim, a interesses, de historiadores dos sécu-
los XVI e seguintes, de deturpar a Igreja. Para a julgar cornetamente, é
preciso distinguir Inquisicáo Medieval (séculos XII-XV) e Inquisicáo
Espanhola ou Ibérica. Esta última foi instrumento dos reis de Espanha
e Portugal para unificar a populacao dos respectivos países, onde havia
cristaos, judeus e muculmanos; cometeram desatinos, que os puseram,
mais de urna vez, em confuto com a Santa Sé.

A Inquisicao Medieval há de ser entendida á luz dos seguintes prin


cipios:

1) os medievais tinham profunda consciéncia do valor da alma e


dos bens espirituais. Táo grande era o amor á fé (esteio da vida espiri
tual) que se considerava a deturpacáo da fé pela heresia como um dos
maiores crimes que o homem pudesse cometer; essa fé era táo viva e
espontánea que difícilmente se admitiría viesse alguém a negar com boas
intencóes um só dos artigos do Credo.

2) As categorías de justica na Idade Media eram um tanto dife


rentes das nossas: havia muito mais espontaneidade (que as vezes equi
valía a rudez) na defesa dos direitos. Pode-se dizer que os medievais, no
caso, seguiram mais o rigor da lógica do que a ternura do sentimento; o
raciocinio abstrato e rígido neles prevalecía por vezes sobre o senso psi
cológico (nos tempos atuais verifica-se quase o contrario: muito se

230
"SANTOS PADRES SANTOS PODRES" 39

apela para a psicología e o sentimento, pouco se segué a lógica; os ho-


mens modernos nao acreditam muito em principios perenes; tendem a
tudo julgar segundo criterios relativos e relativistas, criterios de moda e
de preferencia subjetiva).

3) A ¡ntervencáo do poder secular exerceu profunda influencia


no desenvolvimento da Inquisicáo. Ás autoridades civis anteciparam-se
na aplicacáo da forca física e da pena de morte aos hereges; instigaram
a autoridade eclesiástica para qué agisse enérgicamente, visto que os
cataros ou albigenses (os hereges dos séculos XI-XIII) perturbavam a
vida civil. Os nobres e reis provocaram abusos motivados pela cobica de
vantagens políticas ou materiais. De resto, o poder espiritual e o poder
temporal na Idade Media estavam, ao menos em tese, táo unidos entre si
que Ihes parecia normal recorrerem um ao outro em tudo que dissesse
respeito ao bem comum. A partir dos inicios do século XIV a Inquisicáo
foi sendo mais e mais explorada pelos monarcas, que déla se serviam
para promover seus interesses particulares, subtraindo-a as diretrizes
do poder eclesiástico, até mesmo encaminhando-a contra este; é o que
aparece claramente no processo inquisitorio dos Templarios, movido por
Filipe IV o Belo da Franca (1258-1314) á revelia do Papa Clemente V;
aparece também no processo de Joana d'Arc, que incomodava os ingle
ses e foi conseqüentemente condenada.

Quanto á execucáo capital (pena de morte), nao foram táo nume


rosos os casos quanto se tem dito. Infelizmente faltam-nos estatísticas
Completas sobre o assunto. Consta, porém, que o tribunal de Pamiers
(Franca), de 1303 a 1324, pronunciou 75 senten?as condenatorias, das
quáis apenas cinco mandavam entregar o réu ao poder civil (o que equi
valía á morte); o Inquisidor Bernardo de Gui em Tolosa, de 1308 a 1323,
proferiu 930 sentencas, das quais 42 eram capitais. No primeiro caso, a
proporcáo é de 1/15; no segundo caso, é de 1/22.

De resto, nao se pode esquecer que o protestantismo também teve


sua Inquisicáo. Joáo Calvino ¡nstaurou um clima de terror em Genebra;
exercia severo controle sobre a vida dos cidadáos. O órgáo administrati
vo principal foi o Consistorio, especie de tribunal constituido por seis mi
nistros e doze anciáos, que se reuniam semanalmente e vigiavam sobre
o cumprimento dos deveres religiosos e moráis dos fiéis, aplicando puni-
coes aos transgressores; a denuncia de uns pelos outros era estimulada.
Famoso foi o caso de Jerónimo Bolsee, médico, que atacou publicamen
te em 1557 a doutrina de Calvino sobre a predestinacáo; foi expulso de
Genebra. Mais grave ainda foi o ocorrido com Miguel Servet, que em
1530 escreveu sobre a SSma. Trindade em termos heréticos; da Franca,
onde residía, entrou em contato epistolar com Calvino; este entáo decla-
rou que, se Servet fosse a Genebra, de lá nao sairia vivo. Ora foi o que se

231
40 TERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

deu em 1553; Servet quis conhecer pessoalmente Calvino e foi a Gene-


bra; reconhecido como tal, foi preso e queimado vivo aos 21 de outubro
de 1553. Em 1555 Calvino conquistou plena vitória sobre todos os seus
inimigos, na qualidade de auténtico ditador religioso.

2.3. A Eucaristía

Conforme H. Silveira, "a doutrina da presenca real e substancial do


corpo de Cristo na hostia consagrada é criacáo do Concilio do Latráo em
1215. Foi reafirmada pelo concilio de Trento em 1546" (p. 157).

1) Para poder dizer ¡sto, o autor omite os textos bíblicos correspon


dentes, já freqüentemente analisados em PR; ver 427/1997, pp. 571-573.

2) Quanto a Missa, o autor julga que é a repetigáo do sacrificio de


Cristo e, por ¡sto, a rejeita (p. 135). - Ora Silveira atira mais urna vez num
fantoche: a Igreja nao diz que é repetigáo (o que seria falso), mas que há
um único sacrificio de Cristo oferecido na Cruz e perpetuado ou re-apre-
sentado sobre os altares.

Outro fantoche é a nocáo de sacramenten Silveira afirma que,


segundo a Igreja, sacramento é um mero sinal (p. 137); ora, se a Eucaris
tía é sacramento, deve ser mero sinal, e nao realidade do Corpo e do
Sangue de Cristo. Pois bem; a suposicáo é falsa: sacramento, para a
Igreja Católica, é sinal que assinala e efetua o que assinala; por conse-
guinte, a Eucaristía efetua a real presenca de Cristo sob as aparéncias
do pao e do vinho.

2.4. As Imagens

Á p. 149 escreve H. Silveira:


"Até o tempo de Jerónimo, 400 anos depois de Cristo, nao se fala-
va em imagem e nao se conheciam imagens ñas igrejas". - Isto é dito
sem a mínima prova ou documentacáo. Na verdade, a proibicáo de Ex
20, 4 versa sobre ídolos (eidola, como diz o texto grego) ou ¡magens
para adorar. O próprio Deus mandou confeccionar imagens, segundo Ex
25, 17-22; 1 Rs 6, 23-29; Nm 21, 4-9.

Os judeus mesmos compreenderam que a proibicáo de fazer ima


gens era condicionada por circunstancias transitorias, de modo que aos
poucos foram introduzindo o uso de jmagens ñas suas sinagogas: pen
semos na famosa sinagoga de Dura-Éuropos na Babilonia, na qual esta-
vam representados Moisés díante da sarca ardente, o sacrificio de Abra-
áo, a saída do Egito, a visáo de Ezequiel.

Pelo misterio da Encamagáo sabemos que Deus quis dirigir-se aos


homens mediante a figura humana do Messias. Jesús quis ilustrar as
realidades invisíveis mediante imagens inspiradas pelas coisas visíveis;

232
"SANTOS PADRES SANTOS PODRES" 41_

assim utilizou parábolas e alegorías, que se referiam aos lirios do campo,


á figueira, aos pássaros do céu, ao bom pastor, á videira...
Mais: a cultura dos povos evoluiu, tornando menos sedutora a prá-
tica da idolatría. Isto tudo fez que os cristáos compreendessem que a
proibicáo de fazer imagens já cumprira seu papel junto ao povo de Isra
el; doravante prevalecería a pedagogía divina exercida na Encarnacáo,
que levava os homens a passar das coisas vísíveis ás ¡nvisíveís.
Em conseqüéncia, os antigos cemitérios cristáos (catacumbas)
apresentam diversas imagens: Noé salvo das aguas, Daniel na cova dos
ledes, os páes e os peixes restantes da multiplicacáo, o Peíxe {que sim-
bolizava o Cristo)...

Ñas igrejas as imagens tornaram-se a Biblia dos iletrados, dos sim


ples e das enancas. Por exemplo, escrevia Sao Gregorio Magno (t 604)
a Sereno, bispo de Marselha:

"Urna coisa é adorar urna imagem, outra coisa é aprender, median


te essa imagem, a quem se dirígem as tuas preces. O que a Escritura é
para aqueles que sabem ler, a imagem o é para os ignorantes; mediante
essas imagens aprendem o caminho a seguir. A imagem é o livro daque-
les que nao sabem ler (Epíst. X113 PL 77,1128c).
Sao Gregorio de Nissa (t 394) observava: "O desenho mudo sabe
falar sobre as paredes das igrejas e ajuda grandemente" (Panegírico de
S. Teodoro, PG 46, 737 d).
Sao Joáo Damasceno (t 749) proclamava: "O que a Biblia é para
os que sabem ler, a imagem o é para os iletrados" (De imaginibus I 17
PG 94, 1248c)

Nos séculos VIII e IX deu-se a disputa em torno do uso das ima


gens ou a luta iconoclasta. O Concilio de Nicéia II em 787 reafirmou final
mente a validade do culto de venera?áo (nao adoracáo, que é devida a
Deus só) das imagens; estas como tais nao tém valor, mas sao venerá-
veis na medida em que representam os Santos ou o próprio Senhor. O
culto das imagens, portanto, é relativo; só se explica na medida em que é
oferecido indiretamente aqueles que as imagens representam. Assim se
pronunciaram os bispos no Concilio de Nicéia II.
Na base destas consideragóes firmou-se definitivamente entre os
católicos e os ortodoxos orientáis a veneracáo das imagens, que nada
tem a ver com adoracáo de alguma criatura ou idolatría.

2.5. O Culto dos Santos

A Tradicáo crista, desde os primeiros séculos, presta aos Santos

233
42 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

um culto de venerado (dulía, em grego), nao de adoracáo (latría), pois


esta é devida a Deus só. Toda familia venera respeitosamente os seus
antepassados, sem os adorar.1 Além disto, a Tradicáo crista sempre re-
correu á intercessáo dos Santos, que sao amigos de Deus confirmados
na graca. Quais seriam os fundamentos de tais práticas?

1) A S. Escritura nos diz que Cristo é Cabeca de um corpo, do qual


nos somos membros (cf. 1Cor 12, 12-27; Cl 1,24). Disto se segué que
existe urna Comunháo de vida e de interesses entre Cristo e os cristaos,
como também entre os próprios cristaos.

2) Comunháo é solidariedade. E solidariedade se exprime pela ora-


cáo: a) oracao de Cristo por nos na medida em que é nosso Sacerdote
(cf. Hb 7,25); b) oracáo dos cristaos uns pelos outros (cf. 1Ts 5 25- Tg
5,16-18; Rm 15,30; 2Tm 1,3; Ef 6,18-20).

3) A morte de um cristáo na térra nao extingue essa comunháo; por


isto ela subsiste entre os fiéis peregrinos neste mundo e aqueles que já
passaram para a gloria do Pai. "Os que deixam a mansáo deste corpo,
váo morar junto do Senhor" (2Cor 5,8). Deus nao é o Deus dos morios!
mas "o Deus dos vivos" (Me 12,27). Pode-se citar aínda o texto de 2Mc
15,11-16; embora nao seja reconhecido como canónico pelos protestan
tes, é o testemunho da crenca dos judeus nos sáculos ll/l a.C: Judas
Macabeu teve a visáo de Onias, sumo sacerdote, e Jeremías profeta,
ambos já falecidos, a interceder pelo povo judeu em luta:

Tal foi o espetáculo que tocou a Judas apreciar. Onias, que tinha
sido sumo sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato, de caté
ter manso, expressando-se convenientemente no falar, e desde a infan
cia exercitado em todas as práticas da virtude, estava com as maos es
tendidas, intercedendo por toda a comunidade dos judeus. Apareceu a
seguir, da mesma forma, um homem notável pelos cábelos brancos e
pela dignidade, sendo maravilhosa e majestosíssima a superioridade que
0 circundava. Tomando entáo a palavra, disse Onias: 'Este é o amigo dos
seus irmáos, aquele que muito ora pelo povo e por toda a cidade santa,
Jeremías, o profeta de Deus'".

Esse texto atesta que, já antes de Cristo, os judeus admítiam a


comunháo entre os vivos e os morios e a intercessao destes em favor
daqueles. Em vista da solidariedade existente entre vivos e defuntos.
Deus comunica a estes as preces e os grandes interesses de seus ¡r-
máos ainda peregrinos na térra.

A Tradicáo crista assumiu estas concepcóes do Antigo Testamen-


to, consolidando-as com os textos dos Evangelhos e de Sao Paulo.
1 O Brasil para no día 21 de abril para venerar, reverenciar Tiradentes, sem o adorar.

234
"SANTOS PADRES SANTOS PODRES" 43

2.6. O Celibato

As pp 166-169 H. Silveira combate a prática do celibato. - É inte-


ressante notar que os protestantes, que dizem seguir estritamente a Bi
blia nunca citam, a propósito, o texto de 1Cor 7, 25-35, onde Sao Paulo
chega a dizer que, objetivamente talando, a vida una ou indivisa é mais
perfeita do que a vida conjugal. Subjetivamente falando, está claro que a
melhor vocacáo é aquela que Deus dá a cada um.
Conclusáo

Muitas outras observacóes poderiam ainda ser feitas ao livro de H.


Silveira evidenciando a inconsistencia de seus arrazoados. O pastor
Silveira coloca urna questáo básica as pp. 153-156: a do canon bíblico.
Ei-la precisamente: os católicos dizem que sao 73 os livros sagrados ou
inspirados por Deus; os protestantes afirmam que sao 66. Já que deve-
mos seguir apenas a Biblia segundo os nossos irmáos, queira o pastor
H Silveira dirimir a dúvida pela S. Escritura, apontando os textos bíblicos
que definem o número dos livros sagrados e atestam que tais livros sao
inspirados por Deus. Se o irmáo nao conseguir apontar esses textos,
deverá reconhecer que nao segué somente a Biblia; engana-se e, por
isto nao pode impugnar a Igreja Católica, que ouve também a Palavra de
Deiis oral, berco da Escritura. A Igreja é mais antiga do que o Novo Tes
tamento escrito. Ela é nossa Máe <GI 5,26).

Fala o Papa:

A IGREJA NA AMÉRICA - AS SEITAS

«73 A atividade de proselitismo que as seitas e novos grupos


religiosos desenvolvem em varias regióes da América constitui um
grave obstáculo ao esforco evangelizados A palavra proselitismo
tem sentido negativo quando reflete um modo de conquistar adep
tos náo-respeitador da liberdade daqueles que sao atingidos por
determinada propaganda religiosa. A Igreja Católica na América cri
tica o proselitismo das seitas e, por essa mesma razáo, em sua acao
evangelizados excluí o recurso a tais métodos. Ao propor o Eyan-
gelho de Cristo em toda a sua integridade, a atividade evangelizados
deve respeitar o santuario da consciéncla de cada individuo, onde
se desenrola o diálogo decisivo, absolutamente pessoal, entre a gra-
9a e a liberdade do homem».

235
Falam os médicos:

O MÉDICO E A VIDA HUMANA

Em síntese: Os médicos reunidos no Vil Conclave Brasileiro de


Academias de Medicina, no Rio de Janeiro, de 7 a 9 de maio de 1998
publicaram a CARTA MÉDICA DO RIO DE JANEIRO, em que afirmam
seu dever e propósito de defenderá vida humana desde a fusáo do óvulo
com o espermatozoide. Posicionam-se francamente em favor da vida frente
a todas as tentativas de submeté-la a interesses económicos ou ao culti
vo da ciencia pela ciencia (com desrespeito ao ser humano).
* * *

0 Vil Conclave Brasileiro de Academias de Medicina realizou-se no


Rio de Janeiro de 7 a 9 de maio del 998, com a participacáo das Academias
de Medicina de diversos Estados do Brasil. Ao fim do certame os concla
vistas assinaram a CARTA MÉDICA DO RIO DE JANEIRO, datada de 9
de maio de 1998, da qual extraímos o título II, que vai abaixo transcrito:
«II - O MÉDICO E A VIDA HUMANA DIANTE DA
TECNOLOGÍA E DA BIOÉTICA
1 -O ser humano é a referencia inalienável de todos os demais
valores em qualquer civilizagáo digna desse nome. A transmissáo da vida
e confiada pela natureza humana a um ato interpessoal, consciente, livre
e responsável, portanto o único compatível com a dignidade da Pessoa
Humana e da sua procriagao.
2 - O Inicio da vida humana - Com os atuais conhecimentos da
Biología molecular, da Genética e da Embriología, é fato científicamente
comprovado que a Vida Humana tem inicio na fusáo do óvulo com o
espermatozoide, quando se forma o zigoto, que comega a existir como
urna unidade desde o momento da fecundagáo. Possui um genoma es
pecíficamente humano, que ¡he confere urna identidade biológica única e
irreparável, portanto urna individualidade dentro de sua especie. Éoexe-
cutor do seu próprio desenvolvimento de maneira coordenada, gradual e
sem solugáo de continuidade.

3 - Engenharía Genética - A Ciencia e a Tecnología devem ser co


locadas a servigo da vida humana, respeitando a dignidade e os direitos
fundamentáis da pessoa humana.
a) O Médico utilizará os procedimentos diagnósticos e terapéuticos
sempre em beneficio do ser humano.

b) Deve sempre considerar o valor fundamental da vida humana


em qualquer intervengáo genética e procedimentos em embrides: o gene
236
O MÉDICO E A VIDA HUMANA 45

humano nao só tem um significado biológico, mas é portador de urna


dignidade própría.
c) O diagnóstico pré-natal deve ser realizado enquanto possa ser
vir ao bem da pessoa, e seradequado a prevengáo, ao diagnóstico e ao
tratamento de enfermidades e nao para discriminar os que sao portado
res de genes patogénicos.
d) A clonagem, extrema violagáo a ética da reprodugáo humana, é
urna intervengáo manipuladora da constituigáo individual do genoma hu
mano; é um grave atentado a dignidade do ser humano e ao seu direito
natural de ter um genoma irrepetível e nao predeterminado, recomendán
dose a nao realizagáo, no ser humano, de trabalhos neste sentido.
4 - No tratamento da esterilidade conjugal com as novas tecnologías
reprodutivas, sempre deve ser observado o preceito ético de 'guardar abso
luto respeito á vida humana'. A chamada redugáo embrionaria ñas gesta-
góes multifetais; a manipulagáo de embrides humanos, com a selegáo dos
que se consideram aptos e a eliminagáo dos que sao considerados sobras
ou menos aptos; o aproveitamento de embrides excedentes como material
biológico disponível para experiencias; os bancos de embrides humanos,
criopreservagáo de seres humanos com suspensáo de sua vida, porconge-
lagáo profunda e por períodos muitas vezes indefinidos, antes de sua utiliza-
gao, e a comercializagáo de embrides, sao todos procedimentos anti-eticos.
5 - O médico ¡amáis utilizará seus conhecimentos para o extermi
nio do ser humano ou para permitir e acobertar tentativa contra sua digni
dade e integridade, razáo porque nao pode o médico, em hipótese algu-
ma sob nenhuma forma, colaborar em atos de tortura, tratamentos cru-
éis desumanos ou degradantes praticados em quaisquer pessoas,
noiadamente ñas que estáo privadas de liberdade, e também nao pode
ter participagáo nos chamados suicidios assistidos, eutanasia e execu-
gáo de pena de morte.
6 - Relativamente aos transplantes, tanto o receptor como o doa-
dor, ou as pessoas que os representam legalmente, devem ser, necessa-
riamente esclarecidos quanto a todos os aspectos do procedimento. O
médico colocará sempre o interesse do seu paciente ácima do mteresse
científico e nada deve fazer sem o seu devido consentimento. Nao se
admite, sob qualquer pretexto ou argumento, a compra e venda de orgaos».
Como se vé, os itens desta Declaracáo abordam os diversos te
mas que sao hoje em dia candentemente discutidos. Propóe a respeito
principios de Ética médica que gozam da autoridade de numerosos e
ilustres representantes da medicina no Brasil, inspirados tao somente
pelo bom senso e pela fidelidade á sua proíissáo de tutores da vida hu
mana. Possam encontrar ressonáncia entre os representantes do povo
no Congresso Nacional!
237
46 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

LIVROS EM ESTANTE

Preserva da Igreja no Brasil 1900-2000, por Dom Amaury Casta-


nho, Avenida Dom Pedro I 575 CEP 13208-230 Jundiaí (SP) 1998 150
x 210 mm, 511 pp.

O autor é Bispo de Jundiaí (SP), que, além, de pastor da Igreja, é


jornalista e historiador. Aprésenla os fatos e documentos que mais carac-
terizam a historia da Igreja desde a proclamagáo da República no Brasil
(1889) até o fim do sáculo XX. O livro divide-se em duas Partes: a primei-
ra compreende onze capítulos, que tratam, entre outras coisas, da pre-
senga da Igreja na educagáo e na mídia, aborda a atividade da Conferen
cia Nacional dos Bispos, a Teología da Libertagáo, as Comunidades
Eclesiais de Base, os Papas deste sáculo e as relagoes entre a Igreja e o
Estado no fim do sáculo XX. A Segunda Parte contém documentagáo,
em parte, conhecida, em parte inédita (colhida nos arquivos do autor) :
cartas, entrevistas, casos, artigos polémicos... A obra é interessante e
valiosa, pois oferece um retrospecto bem fundamentado e um repertorio
de textos importantes para a reconstituigáo do passado. Dom Amaury faz
questáo de salientar que escreve com objetividade, distanciándose de
qualquer ponto de vista preconcebido.

Digno de nota também é o conspecto bibliográfico que o autor apre-


senta a respeito de cada tema abordado; o estudioso interessado em
aprofundar o assunto encontra ai varias pistas a percorrer.
Parabéns ao autor, que oferece assim ao público o resultado de
seu trabalho de anos de observagáo e experiencia de pastor e jornalista!

Tire suas Dúvidas sobre a Biblia, por José Bortolini. Ed. Paulus
Sao Paulo (SP) 1997, 150 x 220 mm. 264 pp.

O autor responde a 159perguntas concernentes á Biblia, publican


do, sob forma de livro, quantojá dissera no folheto BÍBLIA-GENTE e em
programas de radio. O estilo é simples, fazendo eco á linguagem popular.
Nao há dúvida, a intengáo do autor é válida, pois tenta levar ao povo a
Palavra de Deus. Todavía a obra suscita reservas: J. Bortolini opóe entre
si a exegese dos estudiosos (que recorrem á filología, á crítica do texto
aos géneros literarios, a historia das formas...) e a interpretagáo popular
da Biblia (pp. 23s); o povo 7é a Biblia na vida e a vida na Biblia" (p 23).
Ora tal modo de ler a Escritura pode redundar em mero subjetivismo; o
entendimento do texto é entáo baseado em sentimentos e intuigóes pes-
238
LIVROS EM ESTANTE 47

soais, sem apoio no texto mesmo; daí deduzem-se da Biblia profecías


apavorantes a respeito do fim do mundo, segunda vinda de Cristo, reino
milenar, terceira guerra mundial, discos voadores, extra-terrestres ou aín
da, como querem alguns, o preceito de nao celebrar aniversario, porque
os dois aniversariantes de que fala a Biblia (o Faraó em Gn 40,20-22 e o
reí Herodes em Me 6,21-29) mandaram matar alguém no dia em que fes-
tejavam seu aniversario... Para evitar tal subjetivismo (que pode levar a
desatinos), requer-se o conhecimento exato daquilo que o texto quer di-
zer... texto que foi escrito em épocas muito remotas, em linguagem muito
diferente da nossa, a partir da mentalidade de orientáis e gregos. Verda-
de é que o povo nao precisa de conhecer lingüistica antiga para ler a
Biblia, mas deve procurar conhecer os resultados da sadia exegese bíbli
ca contemporánea. Também é verdade que os eruditos falam urna lin
guagem difícil, que o povo nao entende; compete-lhes, por isto, trocar em
miúdos o seu saber quando se dirigem ao grande público. A tarefa dos
agentes de pastoral é fazer o povo crescer na fé, comunicando-lhe na
medida do possivel, as riquezas e a profundidade das verdades profes-
sadas; é, preciso, portanto, evitar respostas superficiais. Ora o livro em
pauta é superficial em mais de um ponto, de modo a nao apresentar de-
vidamente a doutrina da fé: assim, por exemplo, afirma que os livros de
Tobías, Judite, Ester e Joñas sao nóvelas (p. 89) - o que nao corresponde
ao conceito de midraxim (núcleo histórico enriquecido com dados teoló
gicos); no tocante as relagóes pré-matrimoniais e ao homossexualismo,
o autor nao é claro, a tal ponto que pode induzir o leítor a mal-entendidos
(cf. pp. 75-77 e 67-69); a árvore do conhecimento do bem e do mal nao é
explicada como seria desejável (cf. pp. 82s); é ambigua a expiicagáo do
caso de Samuel que aparece a Saúl em Endor (cf. 1Sm 28,3-25; pp. 56s);
quase sugere que os morios aparecem e respondem aos médiuns.

Em suma, o autor revela a preocupagáo constante de fazer da Bi


blia um instrumento de justiga social - o que nao é erróneo, mas é urna
opgáo que, feita unilateralmente, pode deturpar a verdade.

A Biblia. Louvores I (Salmos), porAndré Chouraqui. Tradugáo de


Paulo Neves. Colegáo Bereshit. -Ed. Imago (Rúa Santos Rodrigues 201-
A, 20250-430), Rio de Janeiro (RJ), 165 x 230 mm, 382 pp.

André Chouraqui é umjudeu nascido na Argelia, mas domiciliado


na Franga e em Israel. Dedicou-se a tradugáo da Biblia (Antigo e Novo
Testamento) para o francés a partir do texto original (hebraico para o
Antigo Testamento, e grego para o Novo Testamento), procurando ser
fiel, o mais possivel, ao sentido nativo das palavras. Disto resulta um
texto vernáculo rude, mas muito vivo, porque muito próximo dos origináis.
A Editora Imago tem publicado varios volumes da Biblia de Chouraqui

239
48 "PERGUNTE E RESPONDEREMOS" 444/1999

em versao portuguesa. Entre outros, destacase o de Louvores I, que


compreende os salmos 1-72 (numeragáo hebraica). Digna de nota é a
Introdugáo ao texto sagrado redigida por Chouraqui; desenvolve a ima-
gem dos dois caminhos -o do bem e o do mal:

"Desde o inicio somos colocados diante de um mundo que excluí a


indiferenga. Há dois caminhos. Nao tres ou quatro ou quantos se quise-
rem. Somos advertidos: o mundo está partido em dois. A escolha se faz
necessária; ela é a exigencia e o risco dessa ruptura. A poesía nao é
senáo o ornamento do ensino: o caminho das trevas e o caminho da luz
dividem entre si a universalidade do real. Estamos no limiar de urna cien
cia que se sabe a mais verdadeira e se quera mais exaustiva...
Eis a mais poderosa intuigáo dos Salmos, a articulagao de toda a
reveiagáo bíblica; os dois caminhos nao se equivalem. Nao é indiferente
encerrarse ñas trevas ou abrirse a luz, pois Elohims, o onipresente, é
por esséncia o juiz" (9, 15-19).

Tal Introdugáo é o preámbulo para o texto dos salmos traduzido e


comentado. O comentario é preponderantemente lingüístico; faz referen
cias a doutrina da fé, mas sem mencionar Jesús Cristo.

Em suma, a obra é de valor também para os cristáos, que encon-


tram neta o sabor original e muito expressivo dos salmos, 150 cánticos
que foram traduzidos para 1435 línguas e dialetos, e sao lidos durante
cerca de tres milenios por mais de um bilháo de leitores de todos os
continentes.

O Credo do Povo de Deus, redigido pelo Papa Paulo Vi. Ed.


Cléofas, Caixa postal 100, 12600-970 Lorena (SP), 120 x 170 mm, 88 pp.
OProf. Felipe Aquino, dt'retorda Editora Cléofas, temse empenha-
dopela difusáo da doutrina de fé católica através de sua benemérita Edi
tora. Recentemente publicou precioso livro que apresenta símbolos ou
compendios de fé: o Símbolo Apostólico, o Niceno-constantinopolitano e
o Credo do Povo de Deus redigido pelo Papa Paulo VI no encerramento
do Ano da Fé em 29/06/68. Além disto, oferece urna lista completa dos
Papas da Igreja e dos Concilios Ecuménicos ou Gerais. Assim constitui-
se um repertorio informativo de nogóes básicas e valiosas. Especialmen
te importante é o Credo do Povo de Deus, que, elaborado pouco depois
do Concilio do Vaticano II, tenciona responder aos questionamentos do
nosso tempo. As dúvidas de fé podem ser dissipadas de ¡mediato pela
leitura de tal texto; mais ampias explanagóes encontrará o leitorno Cate
cismo da Igreja Católica. - Benvinda seja tal obra, destinada á orientacáo
dos nossos fiéis!
Estéváo Bettencourt O.S.B.

240
;5es "Lumen Christi"
NOVIDADE!
Acaba de sair um novo livro de:
DOM BENTO SILVA SANTOS, O.S.B.

. A!mortalidadedaalmano"Fédon"dePlatáo+ < ■
Coeréncia e legitimidade do argumento fina! (102a-107b). .
¿Porto Alegre, EDIPUCRS, 1999,126 p. (Colecáo "Filosotia", n°89), R$ 12,00.

Sumario geral do livro:


CAPÍTULO I - ORIGENS DA CONCEPQÁO DE ALMA E DE SUAS QUALIFICACOES
ANTES DE PLATÁO ,
CAPÍTULO II - A ALMA E SUA IMORTALIDADE NO FEDON DE PLATAO

HUMANA E O SENTIDO DA VIDA E DA MORTE

Outros livros de Dom Bento Silva Santos, O.S.B.:

. - Teología do Evangelho de Sao Joáo. Aparecida (SP), Ed. Santuario, 1994,421


págs '• • —-

«nevo oarabenizá-lo pelo éxito neste emprendimento. Estou ceño de que sua teología
joanZseZumZtrumento muito útil para o estudo de Sao Joáo tanto nos seminóse
cursos superiores de teología quanto em cursos de teóloga para le.gos (Padre Jaldem.r
Vitório, S. J., Carta, 3.07.1995).

- Fé e Sacramentos no Evangelho de Sao Joáo. Aparecida (SP), Ed.


1995,134 págs. " : :;;—"v

256 [1995] 382).

- A experiencia de Deus no Antigo Testamento. Aparecida (SP). Ed. Santuario,


1996,144 págs...

livro dá continuidade a duas obras precedentes do autor, que versam sobre os

Estéváo Bettencourt, O.S.B., Apresentacáo da obra).


Pedidos pelo Reembolso Postal ou pagamento conforme 2a capa.
PUBLICAQÓES MONÁSTICAS
" S?tP«!«Tr,?m'ENfE-V- ?ocumen!os Primitivos, foi publicado originalmente na Franca
(Citeaux Commen arn C.stercienses), tendo urna introducáo e bibliografía do irmáo Francois
$£££'? fdHdedMN°tre2ame
Mosteiro Trapista de daSept-F°ns-
Nossa Senhora AssuncáoSuadeedi?a0 no B"asil foi- Itatinga,
Hardenhausen uma iniciativa
em Saodo
Paulo, tendo o aporo dos beneditinos do Rio de Janeiro. A traducáo é do jornalista Irineu
Guimaraes, por muitos anos correspondente no Brasil do jornal francés "Le Monde" Padre
Luis Alberto Rúas Santos, O. Císt., foi o responsável pela revisáo da obra ' .
O hvro sai pela Musa Editora, de Sao Paulo, em coedicáo com a "Lumen Christi" do Rio
de Janeiro (254 paginas) : R$ 2500

É T ALEGRIA' os 15° Salmos Pe|as Monjas beneditinas de Santa


1994 Formato 2Í5 "^ Crian?aS e adultos com alma de cr¡anfa- 23 edicáo.
' R$ 15,00.

ro eremita. Vida deA S. Maleo, escravo e monge. Vida de S. Hilario. Carta XXIII a Eustáquia
«aÍSvíHT!f? JERÓNIM0: Vida d0 Bem-aventurado Paulo, primei-
Traducao: D. Abade Timoteo Amoroso Anastácio, OSB. Revisáo Mosteiro Maria Máe de
Cristo. Impressao: Mosteiro da Santa Cruz. 1996. 148 págs r$ 11,00.
Sc|^!-E DEUS> comentario sobre a Regra de Sao Bento, por Dom Basilio Penido
OSB. 2aedicao revista - 1997. 215 págs R$ 16 50
A PROCURA DE DEUS, segundo a Regra de Sao Bento. Esther de Waal
Traduzído do original inglés pelas monjas do Mosteiro do Encontró, Curitiba/PR CIMBRA
- 1994. 115pags R$ 1g 1Q
Apresentado pelo Dr. Roberto Runcie, arcebispo anglicano dé Cantüáría" pelo Cardeai
Basil Hume, OSB, arcebispo de Westminster e de D. Paulo Rocha, OSB, abade de Sao
bento da Bahía.

PERSPECTIVAS DA REGRA DE SAO BENTO, Irma Aquinata Bóckmann OSB


Comentario sobre o Prólogo e os capítulos 53, 58, 72, 73 da Regra Beneditina -
I raducao do alemáo por D. Mateus Rocha OSB.
A autora é professora no Pontificio Ateneu de Santo Anselmo em Roma (Monte
Aventino). Tem divulgado suas pesquisas nao só na Alemanha, Italia, Franca Portuqal
Espanha como também nos Estados Unidos, Brasil, Tanzania. Coréia e Filipinas oor
ocasiao de Cursos e Retiros. 364 págs r¿ ft 10
SAO BENTO E A PROFISSÁO DE MONGE, por Dom Joao Evangelista Enout O.S.B.
iau pags P^ ^ 70
P^ ^ 70

V? santidade de um mon9e da Igrejaiati:na"do"sécülo'ví'(480-54C)) -


O - transformou-o em exemplo vivo, em mestre e em legislador de um estado
de vida crista, empanhado na procura crescente da face e da verdade de Deus esoelhada
na trajetona de um viver humano renascido do sangue redentor de Cristo - Assim o
de mon e"8 ° ^^ ° °hamad° para ía2er'se mon9e> Para assumir a "profissáo"
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RENOVACÁO OU NOVA ASSINATURA (ANO DE 1999)- pe on nr>
NUMERO AVULSO ' Si , 22'
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