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CONTRATOS EMPRESARIAIS

( o que está com essa letra foi retirado do livro do Arnold Wald)

-Conceito de Contratos empresariais:

São contratos que movimentam a produção, industrialização,


comercialização, distribuição e a intermediação de bens e serviços para
colocação do produto no mercado.

A-CONTRATO DE CONSIGNAÇÃO OU ESTIMATÓRIO


( não tem no livro do Arnold Wald)

1- Conceito: É aquele por meio do qual a pessoa entrega bens móveis à


outra autorizando-a a vende-los pelo preço ajustado ou a restituir os bens
no prazo fixado.
Ex: supermercado – mercadoria consignada. No final ou devolve a
mercadoria ou paga pelo preço ajustado.

2- Fundam. Legal: 534 a 537 C.C.

3- Partes:
Consignante: aquele que entrega o bem
Consignatário: aquele que recebe e guarda o bem

4- Vantagens:

- Para o Consignatário – a vantagem está no sobre-preço sem mexer no seu


capital de giro tendo também a possibilidade de devolver o bem no prazo
estipulado. Ex: consigna por R$2,00 e vende por R$4,00.
- Para o Consignante – a vantagem é a possibilidade de rápida publicidade.

5- Natureza jurídica:

É um contrato mercantil nominado (tem nome próprio), de obrigação


alternativa, natureza real (pq. a coisa existe e se perfaz pela tradição),
oneroso, comutativo e bilateral.

6- Características:

- Só trata da comercialização de bens móveis.


- Venda pelo preço estimado ou devolução do bem.
- Prazo determinado.

7- Riscos:

O consignatario tem direito somente aos frutos desse bem porque esses
bens não são dele, porém, o consignatario assume pela totalidade dos
riscos inclusive caso fortuito ou força maior. Ele não tem excludente de
responsabilidade.
O credor do signatário não tem direito de seqüestro enquanto não for pago
integralmente o preço.
O credor do consignante deverá respeitar o prazo estabelecido com o
consignatario e só terá direito de seqüestro dos frutos durante este prazo.
Após respeitar o prazo o credor do consignante tem direito a seqüestro
desses bens.
B- CONTRATOS DE REPRESENTAÇAO COMERCIAL
( não tem no livro do Arnold Wald)

1- Mandado Mercantil – Art. 653, CC “Opera-se o mandato quando alguém


recebe de outrem poderes para, em seu nome, praticar atos ou administrar
interesses. A procuração é o instrumento do mandato”. (contratos de
representação)

2- Conceito – É contrato realizado entre empresários ou que pelo menos o


mandante é um empresário. Esse contrato habilita o mandatário à pratica
de atos negociais e essa habilitação se dá através da clausula “ad negotia” -
Se, na redação de um instrumento procuratório constar que a mesma é
uma procuração ad negotia, não é servível para tratar de matéria judicial,
ainda que no seu final apareçam poderes designatórios para tratativas junto
à Justiça. A sua rotulação (ad negotia) a exclui do fim forense, pois com
essa denominação (ad negotia) indica-se que a mesma se destina a tratar
de matéria de negócios do interesse do outorgante.

3-Representação- cláusula “ad negotia”


- Ad negotia em geral – quer dizer que o mandatário ira administrar todos
os bens daquela pessoa que está representando.

- Ad negocia em especial – Administrar apenas aquele negocio.

4- Objeto – Mercantilidade – negociação

O traço característico do mandato é a representação. Nessas condições, o


mandatário pratica o ato, mas é o próprio mandante quem se obriga,
respondendo por todos os atos daquele.

5-Remuneração – É feita pró-labore conforme ajustado. Esse preço é devido


independentemente do resultado porque esse contrato é uma obrigação de
meio e não de resultado.

6- Características – Submissão do mandatário às instruções do mandante.


Age mesmo contrario sua opinião a favor do mandante por que ele
(mandante) representa a vontade do mandatário - você não age em seu
nome, é representação pura.

7- Direito de Retenção – Se o mandatário estiver na posse dos bens, ele


poderá reter até que receba o pró-labore.
C- CONTRATO DE COMISSÃO MERCANTIL

1-Fund. Legal: art. 693 a 709 C.C.

– Art. 693,CC “O contrato de comissão tem por objeto a aquisição ou a


venda de bens pelo comissário, em seu próprio nome, à conta do
comitente”.

2- Conceito: Na Comissão mercantil, uma das partes chamada comissário,


se obriga a pratica atos por conta de outra pessoa chamada comitente mas
em nome próprio figurando no contrato como parte.

Comissão é o contrato pelo qual uma pessoa comerciante (Comissário)


adquire ou vende bens, em seu próprio nome e responsabilidade, mas por
ordem e conta de outrem (Comitente), em troca de certa remuneração,
obrigando-se para com terceiros com quem contrata. Diniz, 1999).
( Costuma-se dizer que a comissão é mandato sem representação, porque o
mandatário age em nome do mandante, ao passo que o comissário age em
seu próprio nome, mas por conta do comitente. Usa-se também comissão
para indicar a remuneração do comissário)

3- Características:

O contrato de comissão tem características próprias, que firmam sua


autonomia tais como:

- natureza contratual:
a) bilateral, por criar deveres tanto para o comissário como para o
comitente;
b) onerosa, pois reclama do comitente uma contraprestação monetária
pelos serviços prestados pelo comissário;
c) intuitu personae, por ter caráter pessoal, pois o comissário terá poderes
para atender os interesses do comitente, devido à confiança que este lhe
tem; daí ser intransferível;
d) consensual, pois se forma pelo simples consenso do comissário e do
concomitente, não requerendo a lei nenhum modo especial para a sua
formação.

- intermediação, aliada à prestação de serviços;

- comissário age em nome próprio, obrigando-se pessoalmente, apesar de


seguir instruções do comitente; ( quem se obriga perante terceiros é o
comissário, sem que suja nenhum vínculo entre o comitente e o terceiro
contratante, salvo se o comissário ceder seus direitos a qualquer deles( art.
694 C.C.))

- comissário deverá ser comerciante, ainda que o comitente não o seja;

- aplicação das disposições atinentes ao mandato, no que couber.

4- Quanto ao preço – O pagamento do comissário será a comissão


(percentual) das mercadorias vendidas.
5- Diferenças e semelhanças com o Mandato

Mandato Comissão

Mandatário age em nome do Comissário age em nome próprio


Mandante - Há representação Não há representação

Fornecedor é responsável pela Fornecedor é responsável pela


entrega do bem, pela evicção
entrega do bem, pela evicção e e
pelos vícios. pelos vícios.

Pela inadimplência do comprador Pela inadimplência do comprador


quem sofre o prejuízo é o
mandante quem sofre o prejuízo é o Comitente
Por isso é obrigação de meio. Por isso é obrigação de meio.
Clausula del credere - Se existir essa
clausula no contrato de comissão,
o risco transfere-se do comitente
para o comissário.

6- Clausula del credere. Trata-se de um pacto que deve ser estipulada


expressamente, onde o comissário assume a responsabilidade de pagar o
preço da mercadoria que vendeu, garantindo desse modo de execução do
contrato. Tal obrigação pode ser assumida em relação à dívida toda ou em
parte. Tem como principal objetivo, servir de estímulo à criteriosa seleção
dos negócios evitando que o comissário, atraído pela comissão, possa
concluir para o comitente, negócios prejudiciais.
O Contrato de comissão tem por objeto comercio cafeeiro, armazéns gerais,
na venda de maquinas e atividades agrícolas.
(Se houver a cláusula: o comissário passa a responder solidariamente com
as pessoas com quem houver tratado por conta do comitente pelo preço da
mercadoria vendida. Nesse caso, salvo disposição em contrário, a comissão
devida será a mais elevada, em virtude do maior risco assumido pelo
comissionário(art. 698 C.C.)

- Modalidades: quando as mercadorias são enviadas antes da venda ao


comissário, este se torna depositário delas, sendo o contrato conhecido
como venda por consignação. A outra modalidade é a comissão del credere.

7- Objeto - É um negocio tipicamente mercantil. -Objeto: é a aquisição ou


venda de bens por conta de outrem.

8- Quanto sua natureza jurídica – É um contrato autônomo, bilateral, típico,


oneroso, comutativo, consensual e intuito personai.

9- Partes – Comitente e Comissário podem ser pessoas físicas ou jurídicas.

Ao comissário incumbe:
I- Executar o negócio, seguindo a condições e instruções do
comitente. Se não existirem tais instruções, o comissário deverá
agir de acordo com os usos e costumes locais( arts. 699 e 700);
II- Responder pessoalmente perante aqueles com quem trata;
III- Agir com cuidado e diligência com fim de evitar prejuízos ao
comitente
IV- Responder pelos danos causados pelo comitente, em virtude de
ação ou omissão sua, salvo motivo de força maior.

Realizado o negócio, o comissário tem direito a receber a remuneração(


comissão, muitas vezes calculada percentualmente. Se as partes não
estipularem o valor da comissão ou a forma de cálculo, ela será atribuída
conforme os usos locais( art. 701 C.C.). O comissário tem direito de
retenção sobre os bens e valores em seu poder como garantia de
reembolso das despesas e do pagamento da comissão(art. 708 C.C.). Além
disso, segundo o art. 707, o comissário é credor privilegiado na hipótese de
falência ou insolvência
Se o comissário falece ou não conclui o negócio por motivos de força maior,
a lei prevê o pagamento proporcional da remuneração do trabalho
realizado.
Se ocorrer a dispensa do comissário, com ou sem justa causa, ele terá
direito ao pagamento de sua comissão pelos serviços prestados. Se houver
motivo para a dispensa, ocomitente poderá exigir indenização pelos
prejuízos sofridos( art. 703 e 705 C.C.)
D- CONTRATOS DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL (continuação)

Mandato = Representação pura

Comissão = Mediação sem representação

Agencia = Mediação pura, sem negociação → Art. 710, caput

Distribuição = Mediação e posse do bem

Representação comercial autônoma = Lei 4886/65 complementa Art.


710,CC.

D1) AGENCIA E DISTRIBUIÇÃO – ARTIGO 710 A 721,CC

1-Agencia – O Agente não tem interesse, somente faz intermediação, ele


não negocia, simplesmente junta as pessoas para que elas possam negociar
entre si. (ele não dispões de mercadoria).
Quando uma pessoa assume com autonomia obrigação de promover
habitualmente e por conta de outra e com remuneração a intermediações
de determinados negócios. Ocorre a aproximação útil das partes. Tem que
ter:

. Habitualidade do serviço e autonomia de ação;


. Delimitação de zona;
. Retribuição pelo serviço;
. Não necessita ser empresário;
. Esse contrato não precisa de forma escrita e pode ser provada por outros
meios (publicidade, e-mail,etc.).

- Agencia passa a ser Distribuição quando a coisa a ser negociada estiver na


posse do agente.
Conceito: é aquele pelo qual uma pessoa jurídica ou física, sem relação de
dependência e em caráter não eventual, se obriga a realizar negócios por
conta de outra, em zona determinada e mediante retribuição.
- é um contrato de mediação e costuma a ser celebrado com exclusividade(
art. 711 C.C.)- normalmente tem zona limitada de trabalho.

2- Distribuição – Distribuição de mercadorias que não são dele, só que ele


tem a posse então é um depositário. Não se trata de revenda visto que o
agente não compra a mercadoria, mas nesse caso, o agente age como
depositário.
O novo C.C. utiliza a denominação “agência”, mas no caso do agente ter a
sua disposição o bem a ser negociado, então, configura-se distribuição( art.
710).De resto é igual à agência,

- O preço não é estimado nem existe prazo


- Extinção do contrato – tem ampla liberdade. Se extingue pelo termo final
(prazo), pela resilição unilateral por uma das partes e pela não renovação
do contrato. Não esquecer da regra do Art. 720,CC e de sua aplicação.
Prescreve prazo razoável se incidir investimento considerável.

Vale para Agencia e Distribuição.

3- Representação – Lei 4886/65 (com alterações introduzidas pela Lei


8420/92).

Quando o preponente confere poderes ao agente para que este o


represente na conclusão dos contratos. Será Contrato de representação
Autônoma previsto no Parágrafo Único do Art. 710,CC. (usar
subsidiariamente) Lei 4886/65 com alterações introduzidas pela Lei
8420/92).
“é aquele em que uma parte se obriga, mediante remuneração, a realizar
negócios mercantis, em caráter não eventual, em favor da outra. A parte
que se obriga a agenciar propostas ou pedidos em favor da outra tem o
nome de representante comercial; já aquela em favor de quem é o negócio
é o representado”

- As partes devem ser obrigatoriamente empresários( representante(


preposto) e representado( preponente). O C.C., por lapso, denomina o domo
do negócio de “proponente”, mas na verdade é “preponente”);

- Tem direito de receber remuneração pelos negócios concluídos na sua


zona mesmo sem sua participação evitando assim o enriquecimento sem
causa;

- O agente não poderá tratar o mesmo negocio para pessoas diferentes(


agente é quem agencia clientes em favor do preponente).

No caso de resiliçao unilateral, as obrigações deverão ser cumpridas como:

- Comissão dos negócios promovidos e terminados


- Comissão pelo negócios pendentes e a indenização devida Lei 4886/65.

-Deveres do representante: cumprir as instruções recebidas; fornecer ao


representado ou preponente as condições de mercado, a situação dos
clientes, informações sobre a concorrência e o andamento dos negócios; e
deve diligenciar para realizar as vendas das mercadorias.
-Direitos dos representantes: remuneração contratada; e, se acordado, terá
direito à exclusividade recíproca ou unilateral( art. 714).
- As despesas com o negócio, salvo convenção em contrário, correm por
conta do agente ou distribuidor.
D2) CONTRATO DE CORRETAGEM ( art. 722 a 729 C.C.)

1– Conceito: É um contrato que não está vinculado ao Mandato, à Prestação


de Serviços ou a qualquer outra relação de dependência.
“é o contrato pelo qual uma parte se obriga para com a outra a aproximar
os interessados e obter a conclusão de negócios, sem subordinação,
mediante remuneração”.

2- Objeto – O corretor se compromete a intermediar negócios, aproximar as


partes e fornecer informações mediante retribuição. É uma obrigação de
resultado.
A obrigação será devida mesmo que haja o arrependimento.

3- Natureza Jurídica – É contrato típico, nominado e a legislação especial


têm aplicação subsidiaria ou complementar. É uma matéria legalmente
disciplinada pelo Código Civil, Lei e o CRECI.
Ë um contrato bilateral, acessório, aleatório, oneroso e consensual.
- Opção ou autorização de venda: é o instrumento em que se estipulam as
condições do contrato de corretagem.

4- Parte – Comitente( cliente) e corretor( mediador).

5- Modalidades –

a) Corretores livres: São aqueles que não tem nomeação oficial mais que
desempenham uma atividade de caráter continuado. Se faz habitualmente
mais não é registrado. Porém, não se pode recusar a retribuir (pagar),
quando muito, denunciá-lo.
*Corretores de imóveis nem sempre são registrados (alguns são eventuais).

b) Corretores Oficiais ou públicos: São corretores de valores públicos,


mercadorias, navios, seguros e cambio. Nesse caso eles têm investidura de
cargo público e gozam de fé pública. Ex: vc não faz importação sem fechar
cambio por intermédio dessas pessoas.
Exige-se deles requisitos especiais:

. Idoneidade - idade – cidadania.


. Devem estar matriculados na Junta Comercial
. Possuem “cadernos manuais” que são típicos e servem para registrar as
operações em que atuarem.
. Obrigatoriedade de prestar fiança como garantia do seu bom desempenho.
Aqui falamos de corretores de mercadoria, cambio e seguro, por isso existe
a figura da fiança.
- deveres do corretor: desempenhar a sua função de intermediação com
diligência e prudência; prestar informações ao cliente sobre o andamento,
as condições, os riscos e as especificidades do negócio( art. 723).
- direitos do corretor: receber a remuneração ajustada quando houver a
conclusão do negócio( art. 724 a 728 C.C.). A corretagem é devida
independentemente do cumprimento da obrigações entre comprador e
vendedor.

Observações:

- Legislação: Lei 6530/78 regulada pelo decreto nº. 81871/79

- Inscrição no CRECI

- Resolução COFECI nº. 695/2001 (corretor de imóveis).

E- CONTRATO DE DEPOSITO

1- Fundamentação legal: Art. 627 e seguintes, CC

2- Conceito: É um contrato em que uma das partes (depositário) recebendo


de outra (depositante) uma coisa móvel, se obriga a guardá-la,
temporariamente, para restituí-la no momento aprazado, ou quando for
reclamada pelo depositante.
“o contrato de depósito importa na guarda temporária de um bem móvel
pelo depositário até o momento que o depositante o reclame( art. 627 C.C.).
ë um contrato “intuitu persone”, destinado a guarda temporária do bem
móvel.

3- Características:

a) a entrega da coisa pelo depositante ao depositário;


b) a natureza móvel do bem depositado;
c) a entrega da coisa para o fim de ser guardada;
d) a restituição da coisa quando reclamada pelo depositante;
e) a temporariedade e gratuidade (hoje não é mais) do depósito.

O deposito é um serviço e a tradição é essencial. Essa tradição pode ser real


ou fictícia (traditio brevi manu).
A exigência da entrega da coisa ao depositário pelo depositante confere ao
depósito a natureza de contrato real. A tradição da coisa depositada é
indispensável ao aperfeiçoamento do contrato salvo, evidentemente,
quando a coisa já estiver em poder do depositário, isto é, se a tradição, por
uma razão ou outra houver ocorrido anteriormente à celebração do
contrato. A natureza móvel da coisa depositada é da essência do contrato

4- Objeto: Custodia de bens moveis – Guardar, conservar e defender.


(depositário fiel).
A razão desse contrato é a guarda e devolução do bem no estado que foi
recebida e a devolução deverá ocorrer no prazo ajustado.
- é contrato real, gratuito( unilateral) ou oneroso( bilateral). Ë contrato
“intuitu persone”.

5- Modalidade de Deposito:
a) Depósito Voluntário: Resulta da convenção das partes (principio da
autonomia da vontade) caracterizando-se como um contrato formal, por
depender de prova por escrito. Trata-se de negócio fundado na confiança.
Extingue-se no prazo máximo de 25 anos por disposição da Lei 2313/54.
Ocorrendo o decurso do prazo, os bens serão recolhidos no Tesouro
Nacional e deverão ser reclamados no prazo de 5 anos sob pena de se
incorporarem ao Tesouro Nacional.
“é o decorrente da vontade das partes”

Contraposição –
*O deposito civil é normalmente, mas, não exclusivamente gratuito.
*O deposito Mercantil é sempre remunerado e excepcionalmente será
gratuito.
Então, a inobservância da obrigação de restituir acarreta sanções civis e
penais.

O contrato de deposito se transforma em Mandato no caso de deposito


bancário. Nesse caso o Banco atua como depositário e mandatário.

b) Deposito Necessário: Independe da vontade das partes. Logo, não se


trata de negócio fundado na confiança podendo a sua existência ser provada
por qualquer meio. Diz-se legal quando o depósito decorre de imposição
legal e miserável quando decorre de algumas calamidades.
“se destingue do voluntário por não necessitar, para a sua prova, de
documento escrito, provando-se por todos os meios admitidos em direito,
inclusive testemunhal. Ë presumidamente oneroso.
O necessário pode ser:
- legal ( no caso de bens furtados e bens do depositário que se tornou
incapaz)
- Miserável : são aqueles destinados ao deposito de bens de pessoas
faveladas, vitimas de enchentes etc( retirado do livro do Fabio Ulhoa).

c) Viajantes( ou depósito de bagagens): É obrigação do dono do meio de


transporte guardar ex. mala no avião. Essa responsabilidade se estende aos
hospedeiros = hotel. Tem responsabilidade como depositários.

d) Deposito Judicial( ou legal): É aquele disciplinado pelo CPC por mandado


do juiz, nesse caso, entrega-se um bem móvel ou imóvel objeto do
processo com finalidade de preservá-lo para garantia de um direito(
seqüestro).

e) Depósito Empresarial: é sinônimo de depósito em armazém geral.


- extinção do contrato: se extingue pelo decurso do prazo,pelo distrato, pelo
depósito judicial feito pelo depositário, pelo perecimento da coisa.
F- CONTRATO DE DEPOSITO EM ARMAZENS GERAIS
( não tem no livro do Arnold Wald)

1- Conceito: Armazéns gerais são empresas mercantis com a faculdade de


emitir títulos de credito que representam a mercadoria.
“É conveniente uma referência particular ao depósito de mercadorias nos
armazéns-gerais, em que a empresa depositária as recebe, obrigando-se a
restituir no mesmo gênero, qualidade e quantidade, emitindo o certificado
de depósito sob a forma de títulos de crédito causais, que são o
conhecimento de depósito e o warrant, que nascem juntos, mas podem
ser destacados. São títulos à ordem, transmissíveis por simples endosso,
como representativos do depósito; a empresa por este responde perante
quem se lhe apresente como portador dos instrumentos”- Retirado do livro
do Caio Mário

2- Fundamento legal: Lei M.9973/00

3- Títulos de credito
São dois títulos emitidos juntamente, o conhecimento de deposito e o
warrant. Esses títulos são emitidos ao mesmo tempo, e também para a
retirada da mercadoria, estes deverão ser apresentado ao mesmo tempo.
Portanto o armazém que se comporta como depositário, só liberará a
mercadoria com a apresentação desses dois títulos ao mesmo tempo.

a)Conhecimento do deposito ou recibo


b)Warrant

4- Regulamentação especial: pelo sistema de certificação. Regulação criada


pelo Ministro da Agricultura e Abastecimento.

5- Características:
É um contrato oneroso, mediante o pagamento da taxa de armazenagem, é
um contrato fixado de 6 meses que são renováveis, e se nesse prazo a
mercadoria não for retirada serão dada como abandonadas e estarão
dispostas ao público. Oito dias antes do Leilão haverá uma notificação ao
depositante. Passado esses oito dias e nenhuma providencia for tomada,
através de um corretor leiloeiro se procede a venda. O depositário dos
armazéns gerais tem direito de retenção até contra a massa falida, no caso
de falência do depositante.

6- Obrigação do depositário:
O depositário tem a obrigação de contratar seguro. Outra obrigação que
tem o depositário, ele deverá prestar informações sobre a emissão de
títulos e encaminhá-los ao Ministério da Agricultura e Abastecimento,
conforme o regulamento desse ministério.
O depositário responde, não só pela guarda e conservação da mercadoria,
mas também pelo manuseio de produtos perigosos. Própria lei especial vai
reger esse manuseio.

7- Responsabilidade do presidente, diretor, sócio gerente, titular de firma


individual:
Excepcionalmente se trata de responsabilidade subjetiva. Provando o
prejuízo, será responsabilizado o presidente da empresa, o diretor, os sócios
gerente ou cargos semelhantes, e o titular da firma individual. Todos eles
respondem integral e solidariamente com o fiel do armazém.

8- Observações
- A emissão dos títulos permite maior mobilidade da mercadoria. Sendo que
a posse dos títulos, representa a posse das mercadorias. Esses títulos
podem ser transferidos, unidos ou separados, e a transferência se dá por
endosso.
- O deposito de produtos agropecuários, como soja, café e gado, esses
produtos devem ser guardados nos armazéns que tenham certificado para
isso, onde a própria lei 9973/00 em seu art. 2° fala especificamente da
certificação desses produtos. Aqui a emissão dos títulos se dá da mesma
forma, mas o conhecimento de deposito passa a ter a sigla CDA. E o
Warrant (WA)

G- CONTRATOS BANCÁRIOS

1- Conceito:

a. Figuras contratuais típicas

b. Legislação especifica

Por contratos bancários se entende uma serie de contratos, concluídos entre


uma instituição financeira (o banco) e os usuários.
“contratos bancários é a denominação que se dá a um grupo de contratos
em que uma das partes é um banco ou uma instituição financeira”

2- Fundamentação Legal: Súmula 297 STJ

Julgamento da ADIN n° 2.591 de maio de 2006

Existem algumas modalidades que são típicas das instituições bancárias,


estão disciplinadas por lei. No estudo dos contratos bancários, não se pode
esquecer da sumula 297 do STJ que dispõe que o CDC é aplicado as
instituições financeiras. Esse também é o entendimento do STF,
manifestado no julgamento da ADIN 2.591 em 04 de maio de 2006.
Então temos leis especificas destinadas a proteger o mais fraco, ou seja o
usuário.
Dentro das atividades bancarias, nós temos operações de credito, operações
financeiras e deposito.

3- Natureza Jurídica: é uma natureza “suis generis” ( original, diferente,


única) porque é um contrato real, oneroso, e com dupla disponibilidade das
partes. Quanto ao objeto desse contrato é o dinheiro com curso real, ou
seja, só pode-se fazer deposito de moedas em circulação, não se pode fazer
também o deposito em moeda estrangeira.

4- Forma do Contrato: não tem forma especial. Valendo qualquer


modalidade de prova. O extrato de deposito é um meio de prova, tem
validade de um documento escrito, assim como a emissão dos cheques, e
ainda as próprias consultas via internet podem ser considerados meios de
prova.

5- Privacidade: o banco é obrigado a preservar os dados dos clientes, salvo


quando demandado por autoridade judicial, ou fiscal.

6-Principais atividades bancárias:operações de credito, operações


financeiras e contratos de deposito.

a) Operações de credito

b) Operações financeiras

c) Contratos de depósitos

7- Aplicação do Código do Consumidor – súmula 297 do STJ

Apos a sumula 297 do STJ, aplica-se o CDC as relações bancarias, esse


também é o entendimento do STF, que foi manifestado no julgamento da
ADIN 2.591/06.

8- O que é deposito bancário ou deposito pecuniário?

Esse deposito bancário é a relação jurídica que se aperfeiçoa por meio de


contrato, onde o banco recebe quantia em dinheiro e se obriga a restituir
uma quantia na mesma espécie e na mesma quantidade na data
estabelecida ou quando solicitado. O deposito bancário é chamado de
irregular, pois a pessoa deposita uma certa quantia em dinheiro, mas
quando ele resgata essa mesma quantia, apesar de ser o mesmo valor, não
se resgata as mesmas cédulas.
No deposito bancário não se identifica o mutuo, havendo apenas
semelhança entre os dois institutos.
Quanto ao deposito bancário ele é um contrato autônomo, regulado por
regime especial, e tem seu fundamento no art. 645 do Código Civil, e em
leis especiais, principalmente leis que regulam mercados capitais.
“Depósito bancário é o contrato pelo qual um banco recebe uma quantia
em dinheiro, a qual se obriga a restituir, na mesma espécie, quando
solicitado ou em data prefixada. Não há equiparação de depósito irregular
ao mútuo, mas tão somente aplicação por analogia, as normas do mútuo ao
depósito irregular( art. 645 C.C.), que pressupõe a incidência destas,
apenas no que couber, sem que haja identificação dos dois institutos, mas
simples similaridade”.

9- Espécies de depósitos bancários:

a) Deposito em conta corrente

As partes desse contrato são o banco e o correntista.


Deposito em conta corrente é a operação em que o banco administra a
quantia depositada pelo correntista, efetuando o registro do débito, crédito,
remessas e saques, podendo o saldo ser verificado a qualquer tempo.
“é aquele em que ambas as partes, ou uma só, registram, em partidas de
débito e crédito, as remessas e os saques, só podendo reclamar o saldo no
vencimento da conta.
Partes: banco e correntista;
Os depósitos chamam-se remessas.”

b) Deposito em caderneta de poupança

“apresentam a peculiaridade de terem seus critérios de remuneração


fixados pelas autoridades monetárias, sem que estejam sujeitos ao arbítrio
dos contratantes”.

10- Tempo de contrato: pode ser indeterminado e por prazo fixo.

11- Modalidades de Conta Corrente

a) A vista ou em conta de movimento: pode ser avista ou em conta em


movimento, onde existem a possibilidades de saques de acordo com a
conveniência do usuário.

b) Com aviso prévio: Conta corrente com aviso prévio, só se admitem


saques com aviso prévio ao banco.

c) A prazo fixo: Contas correntes com prazo fixo, estão sujeitas a correção
monetária, a retirada só se da no prazo fixado, e CUIDADO, se por acaso o
usuário queira fazer o saque antes do prazo o banco pode se recusar a
efetuar o saque, essa recusa de fazer o saque é por determinação do art.
28 da lei 4.728/65 – lei dos mercados capitais.

d) Com permissão de saque a descoberto: Com permissão de saque a


descobertas, é o famoso cheque especial.

Com relação ao encerramento se dá mediante a verificação do saldo e o


balanço dos débitos e dos créditos. O encerramento é definitivo e encerra o
contrato.

12- Encerramento: se dá mediante a verificação do saldo e o balanço dos


débitos e dos créditos. O encerramento é definitivo e encerra o contrato.
13- Caderneta de Poupança

a) Aplicação e benefícios da caderneta de poupança: Tem algumas


vantagens e desvantagens. Oferece menor rentabilidade, mas oferece maior
garantia. O critério de remuneração é determinada pela autoridade
monetária, e tanto a remuneração quanto a correção são depositadas na
data estabelecida.
Podem ser individuais ou de forma conjunta.

b) Contas

- Contas individuais: Individual quando haver apenas um titular, e conjunta


quando tiver dois ou mais titulares.

- Conjuntas

- Simples: só poderá ser movimentada com a assinatura de todos os


integrantes

- Solidária, art. 272 CC: poderá ser movimentada com a assinatura


de qualquer um dos titulares, é a conhecida conta: João e (ou) Maria.

c) Juros e correção monetária: A restituição do dinheiro deve ser realizada


na mesma espécie e na mesma quantidade, e os valores deverão estar
corrigidos para manter o equilíbrio econômico. Correção monetária não é
sinônimo de lucro, é a manutenção equilíbrio econômico.
A correção monetária paga pelos bancos deve ser a mesma que a recebida
por suas aplicações, não havendo direito dos depositantes à inflação ou a
determinado índice, mas tão somente ao equilíbrio econômico-financeiro do
contrato.

d) Custodia de Valores: A relação entre o banco e o usuário não deixa de


ser um contrato de prestação de serviços, outro serviço que é prestado pelo
banco, alem do deposito, é o de custodia de valores, onde se realiza um
contrato entre o usuário e o banco de deposito simples, que pode ser
deposito de valores, documentos, bens infungíveis, que podem ser retirados
a qualquer tempo mediante o pagamento da remuneração estabelecida.
O objeto desse contrato é a guarda de títulos ou de valores, sempre feito
mediante pagamento, e o banco assume a posição de depositário. Quando o
banco age como depositário ele exige uma relação dos bens que estão
sendo depositados e que estão em sua custodia, e em contra posição emite
um recibo.
“é o contrato pelo qual o banco celebra com o cliente um contrato de
depósito simples, para guarda de títulos, documentos ou objetos de valor,
que podem ser retirados à vontadedo cliente, mediante remuneração. Ë
comumente chamado de “valores em custódia”.

e) Aluguel do Cofre

Quanto ao aluguel de cofre, é outro serviço oferecido ao cliente , onde o


banco faculta ao cliente a utilização mediante remuneração na sua casa
cofre. Esses cofres são individualizados, servem para guarda de
documentos, valores, ou objeto preciosos cujo o conteúdo somente o cliente
conhece. É impropriamente denominado de locação pois é um contrato
atípico, misto de locação, prestação de serviço e também de deposito. Esse
cofre tem duas chaves, por isso é extremamente confiável, uma delas fica
na posse do cliente, e a outra é do banco, e a abertura só se dará com a
junção das duas chaves. O acesso do usuário esta limitado ao período de
expediente bancário. O banco assume a responsabilidade de vigilância,
portanto é uma obrigação de resultado e não de meio, a sua
responsabilidade só se exclui por caso fortuito ou força maior.
“é o contrato pelo qual o banco faculta ao cliente, mediante remuneração, a
utilização de pequenos cofres em sua casa- forte, devidamente
individualizados, para a guarda de documentos, valores ou objetos
preciosos, cujo o conteúdo só o cliente conhece”.

H- FACTORING

Factoring é considerado pela doutrina um contrato bancário impróprio. É a


venda do faturamento de um empresa, esse contrato se resume a isso. É
necessariamente uma relação entre empresários, entre o factor e o outro
empresário.
“o contrato de factoring ou faturização, consiste na aquisição, por uma
empresa especializada, de créditos faturados por um comerciante ou
indústria, sem direito de regresso contra o mesmo”.

1-Partes:
O contrato de factoring tem 3 personagens: a empresa de factoring, o
vendedor e o comprador da mercadoria ou adquirente do serviço

a) Factor e Faturizador – compra os créditos de uma empresa, é constituído


por uma empresa de facturing que é necessariamente uma pessoa física ou
jurídica comerciante, não é uma privativa de instituição financeira. Não há
uma lei especial, mas essa operação é permitida pela lei 9294/95 e
resolução 2144 do CMN.

b) Faturizado – é aquele que vende os créditos, também é comerciante ou


industrial, pessoa física ou jurídica titular dos créditos.

c) Devedor – é o comprador da mercadoria, e aquele que gerou os créditos.


Numa operação de factoring o devedor deve estar notificado, não é
necessário a sua aprovação, mas sim o seu conhecimento da operação.

2- Conceito: é uma operação que consiste na aquisição por empresa


especializada de créditos faturados por um comerciante ou industrial, e
cuidado, sem direito de regresso contra o mesmo. Nesse contrato o “factor”
tem a obrigação de administrar os créditos, garantir o pagamento e efetuar
a antecipação do credito, numa operação de financiamento. Não é um
simples desconto de credito, e sim a administração de credito.

3- Natureza Jurídica: é um contrato bilateral, oneroso, consensual, de trato


sucessivo (contratos constantes) atípico, não regulado por lei especial.

4- Características: é um contrato que surgiu em 1960 nos EUA, e depois se


propagou pelo continente Europeu.

- O objeto desse contrato são os ativos realizáveis, em outras palavras, são


créditos que podem ser descontados. É destinado as pequenas empresas
para obter capitalização (capital de giro). O factoring é composto pelos
seguintes elementos: financiamento, seguro e gestão de créditos. O factor
se compromete a comprar e cobrar os créditos (essa cobrança pode ser até
judicial), a garantir esses créditos por meio de seguro e faz uma ultima
operação, de financiamento quando adianta os recursos. Esse factor se sub-
roga nos direitos do faturizado, por conta do endosso, como se fosse ele o
credor original. Nessa ação não incide o direito de regresso.

5-Fundamento Legal

a)Lei 9294/95

b)Resolução 2144 do CMN

6-Diferença entre Factoring e Desconto bancário

- O factoring é um contrato bancário?


O próprio Banco Central determina que a faturização não é atividade
bancaria, e portanto não pode cobrar a mais do que a taxa SELIC, se ela
cobrar mais do que a taxa SELIC, se torna agiotagem. Deve ser obedecida a
taxa SELIC.

- Desde 1989 o Banco Central liberou essa atividade a qualquer sociedade


empresaria, independente de autorização.

7-Espécies de Factoring:

a) Conventional Factoring – aqui ocorre o pagamento das faturas com a


antecipação do valor. Ele também faz uma gestão que é uma administração,
ele não opera só o financiamento, mas faz a gestão, e o seguro que fica por
sua conta.´cessão, à vista, de créditos, realizada conjuntamente com uma
série de serviços, garantias, financiamentos e contratos tais como: gestão
dos créditos, notificação da cessão, aquisição dos créditos”.

b) Maturity Factoring – o pagamento das faturas só se dá no vencimento


das faturas. Mas também executa a operação de administração e seguro no
caso de inadimplemento do devedor.”não inclui a atividade de
financiamento, mas apenas a de gestão e cobrança de faturas e garantia
dos pagamentos na data prefixada pelas partes. Não há pagamento à vista
e, portanto, não há financiamento”.

8- Extinção: sé dá no vencimento do prazo, pelo distrato ou resilição


unilateral, pelo inadimplemento das obrigações ou pela morte de uma das
partes no caso de empresário individual.

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