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Manual de Introducao a Economia

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  • 1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA
  • 1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA
  • 1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA ANÁLISE ECONÓMICA
  • 1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA
  • 1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO
  • 1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO
  • 1.6. O MERCADO
  • 1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO?
  • 1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA
  • 1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO
  • 2. PROCURA E OFERTA
  • 3. ELASTICIDADES
  • 3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed)
  • 3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo)
  • 3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA
  • 4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR E A PROCURA DE MERCADO
  • 4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL
  • 4.3. A UTILIDADE
  • 4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO
  • 5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO E CUSTOS DE PRODUÇÃO
  • 5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO
  • 5.1.1 Introdução
  • 5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável
  • 5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO
  • 5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS
  • 5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO
  • 6. ESTRUTURAS DE MERCADO
  • 6.1. INTRODUÇÃO
  • 6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA
  • 6.4. OLIGOPÓLIO

Carlos Miguel Oliveira

28-01-2008
INTRODUÇÃO À
ECONOMIA
Instituto Superior de Línguas e Administração

CADERNO 1 - MICROECONOMIA

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 1

















FICHA TÉCNICA

Manual de Introdução à Economia

Carlos Miguel Oliveira

Versão 01

ISLA de Vila Nova de Gaia
Direcção Académica

Depósito Legal 000 000/00

ISBN 000-00-0000-0


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 2
Conteúdo
1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA ....................................................................................................... 4
1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA ....................................................................................................... 6
1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA ANÁLISE ECONÓMICA ...................... 7
1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA ............................................................................................... 7
1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE DECISÃO .......................................... 7
1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO ......................................................... 8
1.6. O MERCADO .................................................................................................................................. 11
1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO? ................................................................................. 13
1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA ..................................... 14
1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO ........................................................................................ 15
2. Procura e Oferta ............................................................................................................................... 18
2.1 A procura de mercado ................................................................................................................... 19
2.2.. A oferta de mercado .................................................................................................................... 21
3. ELASTICIDADES ................................................................................................................................ 24
3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (Ed) ........................................................................... 24
3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (Eo) ............................................................................... 28
3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA ................................................................................. 28
4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR e A PROCURA DE MERCADO ......................................................... 30
4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO ORÇAMENTAL .................................. 30
4.2. ORDENAÇÃO DAS PREFERÊNCIAS ......................................................................................... 34
4.3. A UTILIDADE ............................................................................................................................ 38
4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO .............................................................................. 40
5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO e CUSTOS DE PRODUÇÃO ....................................................... 47
5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO ........................................................................................................... 48
5.1.1 Introdução ........................................................................................................................... 48
5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável ................................................................... 51
5.1.3. Análise da Produção com dois factores variáveis ............................................................ 56
5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO .................................................................................... 64
5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS ........................................ 64
5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO ................................................................................................... 65
5.2.3. CUSTOS A LONGO PRAZO ................................................................................................... 68
6. ESTRUTURAS DE MERCADO ............................................................................................................ 72
6.1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................................... 72
6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA.......................................................................... 73
6.3. MONOPÓLIO ............................................................................................................................ 84
6.4. OLIGOPÓLIO ............................................................................................................................. 90

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 3
6.4.1. O MODELO DE COURNOT E BERTRAND ............................................................................ 91
6.4.2. O MODELO DE EDGEWORTH .............................................................................................. 92
6.4.3. O MODELO DE CHAMBERLIN ............................................................................................. 92
6.4.4. TEORIA DE JOGOS ............................................................................................................... 93













INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 4
1. INTRODUÇÃO À ECONOMIA

1.1. O OBJECTO DA ECONOMIA

A economia é uma ciência social abrangente, dedicada à compreensão da forma como a sociedade
faz a afectação dos seus recursos escassos.
Como disciplina académica, a economia tem dois séculos. Adam Smith publicou o seu livro pioneiro
A riqueza das Nações em 1776 (ano da declaração de independência dos E.U.A
1
), dando um
elevado contributo na análise do modo como os mercados organizavam a vida económica e
geravam um rápido crescimento económico. Demonstrou que um sistema de preços e de mercado é
capaz de coordenar os indivíduos e as empresas sem necessidade de qualquer direcção central.
Começava a era do capitalismo, marcada pela proliferação das empresas do sector ferroviário, têxtil
e outros, que estenderam a sua influência a todas as partes do mundo. Com o início da Revolução
Industrial na Grã-Bretanha, desenvolveu-se paralelamente a ideologia do liberalismo clássico e do
capitalismo. Estas ideias liberais eram baseadas nos fundamentos da doutrina do lassaiz-faire,
segundo a qual caberia aos governos assumirem exclusivamente as funções que apoiassem e
estimulassem as actividades lucrativas, e a interferência governamental era proibida nos demais
assuntos económicos. O liberalismo proporcionou as bases filosóficas do sistema capitalista e criou
na Inglaterra uma atmosfera favorável ao desenvolvimento do sistema fabril.
Adam Smith mostrou uma preocupação com a análise das empresas, no contexto da sua situação
perante o mercado, desenvolvendo as ideias do laissez-faire e mão invisível, procurando explicar a
formação dos preços com base em duas teorias de organização do mercado, a saber, a
concorrência perfeita e o monopólio. A primeira foi adoptada na Teoria Económica tradicional por
mais de 150 anos sem contestação. Nesse sistema, a empresa tem os seus preços determinados
pelo mercado, através da inter-relação entre a oferta e a procura. A flutuação dos preços determina
a produção, os custos e o lucro. Para Adam Smith, o sistema de preços era infalível, pois levaria
sempre ao equilíbrio de firma e da economia.
Assim, resumidamente, o mercado de concorrência perfeita ou pura é concebido como organizado
por um grande número de empresas, que individualmente são pequenas em relação ao todo
(mercado) e não podem exercer influência perceptível no preço. O produto é homogéneo, ou seja,
qualquer empresa vende um produto idêntico ao de qualquer outra e, portanto, os compradores são
indiferentes ao comprarem a qualquer vendedor Observa-se a existência da livre mobilidade dos
recursos, no sentido de que cada recurso pode imediatamente entrar e sair do mercado como
respostas a impulsos monetários. O outro sistema de organização de mercado examinado pelos
clássicos é o monopólio, definido como uma situação em que há apenas um produtor num mercado
bem definido, sem a existência de rivais ou concorrentes directos.
Posteriormente, com os neoclássicos, a Teoria dos Preços foi formulada em termos de uma nova
teoria do valor baseada nos conceitos de “utilidade” (já desenvolvidos pelos clássicos) passou a
constituir a essência do pensamento microeconómico, ou seja, da tomada de decisões. A teoria da
empresa, desenvolvida sobre este prisma, passa a descrever o equilíbrio da empresa como sendo

1
Não é uma coincidência o aparecimento destes dois documentos. O movimento pela libertação política da tirania das
monarquias europeias surgiu quase simultaneamente com as tentativas de emancipação dos preços e salários da pesada
regulamentação estatal.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 5
baseada em ajustes marginais, ou seja, em termos das variações em unidades adicionais de
produção (teoria da produção) e de custos (teoria dos custos).
Um século depois, surge Karl Marx (1867, 1885, 1894) que com o seu trabalho “O Capital”, veio
tecer uma enorme crítica ao capitalismo, condenando-o pelos seus ciclos económicos, e pelas
profundas depressões que os caracterizavam. Marx defendia que estas depressões iriam criar
movimentos revolucionários, conduzindo ao socialismo. A sua corrente de pensamento era oposta à
neoclássica, surgindo como resposta aos elevados custos sociais e decréscimo do bem-estar,
decorrentes do capitalismo e revolução industrial
2
.
Nas décadas que se seguiram, os acontecimentos pareciam confirmar as profecias de Marx. O
pânico económico e as profundas depressões dos anos 90 do século passado e dos anos 30 do
actual levaram os intelectuais do século XX a questionar a viabilidade do capitalismo da empresa
privada. Os socialistas começaram por aplicar o seu modelo na União Soviética em 1917 e por volta
de 1980 cerca de um terço do mundo era regido por doutrinas marxistas.
Em 1936, na sequência da grande depressão, John Maynard Keynes publicou “A Teoria Geral sobre
o Emprego, o Juro e o Dinheiro”. Esta obra fundamental descrevia uma nova abordagem da
economia que ajudaria as políticas governamentais, fiscais e monetárias a suavizar os maiores
estragos dos ciclos económicos.
Nos anos oitenta, as perspectivas fundamentais de Adam Smith foram redescobertas, marcadas
pela capacidade do mercado para gerar rápidas mudanças tecnológicas e elevados padrões de vida.
No ocidente os governos reduziram a seu papel regulamentador e liberalizaram os preços. Na
Europa de leste (1989) os países socialistas abandonaram o seu aparelho de planeamento central e
permitiram que as forças de mercado se desenvolvessem novamente.
Definição de economia: é o estudo da forma como as sociedades utilizam os recursos escassos para
produzir bens com valor e como os distribuem entre os seus diferentes membros.
Na nossa cadeira distinguiremos entre macroeconomia, que estuda o funcionamento da economia
como um todo, e microeconomia, que estuda o comportamento dos componentes individuais tais
como a indústria, a empresa e o indivíduo.
No início tínhamos apenas o conceito de economia. Apesar da existência simultânea dos dois
“braços” económicos ao longo dos séculos, a sua divisão só começou a ser mais transparente a
partir da 1ª grande depressão de 1930, em que Ragnar Frish
3
(1985-1973), um economista
norueguês, criou as palavras micro-dinâmica e macro-dinâmica (1933) para denotar aquilo a que
hoje chamamos micro e macroeconomia.
As diferenças entre os dois ramos da economia são:
A microeconomia lida com as escolhas individuais enquanto a macro lida com agregados
económicos (consumos totais, produção total, etc.). A distinção é contudo sujeita algumas
qualificações pois mesmo em microeconomia lidamos com agregados como procura total, procura
de mercado para o trabalho, oferta da indústria. Contudo a diferença reside no facto de que estes
agregados são derivados das escolhas individuais (para além de na micro estudarmos agregados de
produtos homogéneos; não estudamos a procura combinada entre maças e laranjas). Na
macroeconomia falamos por exemplo de PNB (produto nacional bruto), que é o agregado de muitos
tipos diferentes de produtos.

2
A revolução industrial elevou a produtividade do trabalho a níveis inusitados para a época, com a multiplicação das fábricas
e a ampliação da utilização da máquina, que se fez à custa do bem-estar social.
3
Conjuntamente com o economista Alemão Jan Tinbergen ganhou o Prémio Nobel da Economia.

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Na microeconomia, os preços relativos tem um papel fundamental na análise económica. Aqui nós
estudamos a resposta dos consumidores e produtores a alterações relativas dos preços, tratando
sempre a questão de uma forma homogénea. Na macroeconomia os preços têm uma importância
relativa.

1.2. A ESCASSEZ E A ESCOLHA

A microeconomia é o estudo de como as pessoas fazem opções sob condições de escassez. Não
devemos dar uma interpretação restritiva à escassez porque mesmo quando os recursos materiais
são abundantes outros recursos importantes não o serão.
Ex. O dinheiro é um recurso escasso, mas para um magnata que contraia uma doença mortal a
escassez não reside no dinheiro, mas sim no tempo, na energia e na mobilidade física necessária ao
desempenho das suas actividades normais.
O tempo e o dinheiro não são os únicos recursos escassos. Toda a escolha envolve
considerações importantes de escassez. Conviver com a escassez é a essência da condição
humana. Na verdade, se não fosse o problema da escassez, a vida ficava desprovida de muito do
seu sentido e dificilmente qualquer decisão teria importância para alguém com um tempo de vida
infinito e recursos materiais inesgotáveis.
De facto, toda a nossa vida é um complexo problema de múltipla escolha. Simultaneamente, os
indivíduos e as empresas tem inúmeras escolhas e decisões a tomar (quando e como aumentar o
output, produzir o output interna ou externamente; etc.), e nem todas podem revestir a
característica económica (apesar de existir sempre uma possível explicação). Na nossa análise
preocupar-nos-e-mos com as escolhas económicas mais convencionas, envolvendo a alocação de
recursos escassos de forma eficiente.
Os recursos produtivos são usualmente classificados nas seguintes categorias:
- Recursos naturais: terra, água, ar, minerais e florestais;
- Recursos humanos: trabalho especializado e não especializado;
- Recursos de capital: máquinas, equipamentos, edificações;
- Recursos organizacionais: uma categoria especial que deriva da combinação e potenciação dos
recursos da instituição. Consiste na combinação dos três recursos anteriores para produção de um
output. Esta acção envolve riscos, cabendo ao empresário a responsabilidade organizativa.
No futuro falaremos de recursos produtivos com factores de produção e estudaremos a forma como
as empresas combinarão os recursos escassos na produção de bens e serviços. Bens e serviços que
também serão escassos para o consumidor, sendo as suas alocações feita (em sistema capitalista)
através dos mercados. Aqui os consumidores terão que decidir, tendo em atenção que o seu poder
de compra é limitado (escasso) e deve ser alocado pelos diferentes tipos de bens e serviços, que
constituem o seu cabaz de compras.
O nosso objecto de estudo centrar-se-á nas decisões individuais feitas pelos consumidores,
empresas e governo (que de uma forma menos extensa afecta a última alocação dos recursos
escassos da sociedade).


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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1.3. QUESTÕES NORMATIVAS E QUESTÕES POSITIVAS NA
ANÁLISE ECONÓMICA

Num sentido mais lato saber se as áreas de floresta virgem devem ser ou não protegidas, ou se o
governo deveria ou não garantir o rendimento mínimo nacional são afinal questões normativas -
questões que envolvem os nossos valores. Uma questão normativa é urna questão sobre o que tem
de ser ou deveria ser. Por si só a análise económica não consegue responder a estas questões.
A análise económica pisa terrenos mais firmes quando se trata de responder a questões positivas -
questões acerca das consequências políticas e mecanismos institucionais específicos. Se
proibirmos o abate de árvores nas florestas virgens, o que pode acontecer ao preço da madeira?
Que outros materiais poderiam ser desenvolvidos e a que preço? Qual a influência do rendimento
mínimo nacional no desemprego? Estas são questões económicas positivas, e as respostas são
nitidamente importantes para o nosso pensamento sobre as questões normativas subjacentes. Aqui
as afirmações económicas começam com pressupostos a partir dos quais se derivam conclusões
(comprovadas empiricamente). A análise económica positiva não envolve valores ou opiniões, tendo
as suas respostas relevância importante para a formação do nosso pensamento sobre as questões
normativas subjacentes.

1.4. A RACIONALIDADE ECONÓMICA

Ser racional quer dizer tomar decisões de acordo com o critério custo-benefício, isto é, actuar se e
só se os benefícios excederem os custos.
Existem dois critérios de racionalidade:
Baseada no egoísmo - critério segundo a qual o indivíduo racional considera somente os custos e
benefícios que se referem directamente a eles. Este padrão, explicitamente, anula motivações como
tentar fazer os outros felizes, tentar fazer o que esta correcto, etc.
Baseado no objectivo imediato - teoria segundo a qual as pessoas racionais agem eficientemente na
procura de qualquer objectivo que tenham no momento da tomada da decisão. O atractivo deste
critério mais geral é o de que ele envolve motivações (dever, gostar, caridade, etc.).
Por exemplo, se o desejo irresistível de um fumador é o de saborear um charuto esta conduta seria
racional segundo o critério do objectivo imediato, sempre que a pessoa não pagasse mais pelo
charuto do que o necessário. O facto de se arrepender posteriormente a ter fumado um cigarro, ou,
inclusive isso ser causa de morte prematura, não é simplesmente relevante segundo este critério.
Segundo o critério do egoísmo, pelo contrário, esta conduta seria irracional.
Ambos os critérios encontram amplas aplicações na análise económica. Qualquer um dos padrões
que empreguemos implica uma solução de compromisso.

1.5. O CRITERIO DO CUSTO/BENEFÍCIO NO PROCESSO DE
DECISÃO


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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“The true cost of any decision includes the cost of the best forgone opportunity”
“A thorough understanding of costs is fundamental to understanding economic decision making.”

Muitas das opções que os economistas estudam podem ser resumidas na seguinte questão.
Deverei efectuar a actividade x'?
Os economistas dão resposta a estas questões, comparando os custos e benefícios da actividade
em questão. A regra de decisão a usar é simples. Se:
C(x) representa os custos de fazer x
e
B(x) os beneficios
Então;
se B(x)>C(x) implica fazer x . De outro modo, não.
Para se aplicar esta regra, necessitamos de definir e medir os custos e benefícios. Os valores
monetários são um útil denominador para este propósito, mesmo quando a actividade não tem
nada a ver com o dinheiro.

1.5.1. OS ERROS MAIS COMUNS NA TOMADA DE DECISÃO.

Erro 1. Ignorar o custo de oportunidade
Imagine que costuma ir a discoteca todas os sábados, e que para si vale 5.000u.m.. O consumo
mínimo é de 3 000u.m.. contudo este não é o único custo para ir à discoteca. Deve ter também em
consideração o valor da alternativa mais atractiva a que renunciará no caso de ir a discoteca.
Suponha agora que se não for, ficará a trabalhar como assistente para um dos seus professores.
Este trabalho rende-lhe 4.000u.m. por dia, e gosta tanto de o fazer que o faria mesmo sem ser
pago. Assim, a questão que se coloca é “Devo ir à discoteca ou ficar a trabalhar como assistente?"
Neste caso, o custo não é somente o custo explícito de ir á discoteca (3 000u.m.) mas também o
custo de oportunidade de perder o seu salário (4.000u.m.), O total dos custos são de 7.000u.m., o
que ultrapassa o benefício que é e 5.000u.m..
Devo trabalhar primeiro ou tirar antes um curso universitário?
As despesas relativas a frequência num curso universitário não se limitam ao custo das propinas,
alimentação, alojamento, livros e outros materiais escolares. Incluem também o custo de
oportunidade dos salários perdidos enquanto se estuda. Este custo é tanto maior quanto maior for a
experiência profissional, ou seja, é menor quando se começa a trabalhar depois de terminar o
ensino secundário.
Considerando o lado dos benefícios, uma das vantagens de um curso universitário é proporcionar
salários mais elevados, e quanto mais cedo se entrar para a Universidade mais tempo poderá
beneficiar desta vantagem. Um outro factor importante é o facto de que normalmente o tipo de

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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emprego que se arranja é menos desagradável, quanto mais instrução e experiência se tiver.
Iniciando de imediato um curso universitário é possível evitar os trabalhos menos agradáveis. Por
isso para a maioria das pessoas, faz mais sentido tirar primeiro um corso universitário e só depois
começar a trabalhar. É certamente mais sensato frequentar um curso universitário com 20 anos do
que com 50. Este exemplo é uma ilustração perfeita do argumento de Friedman relativamente ao
modo de avaliar uma teoria. Ninguém pensa que os estudantes que terminam o ensino secundário
decidem quando devem iniciar o seu curso universitário com base em cálculos que envolvem custos
de oportunidade Pelo contrário, a maior parte dos estudantes vai para uma universidade assim que
termina o ensino secundário porque é o que fazem todos os seus colegas. Socialmente é o que se
deve fazer. Este hábito não surgiu do nada, e tem subsistido porque é talvez o mais eficiente.

Porque é que os bancos pagam juros?
Suponha que é banqueiro e que alguém lhe deposita 1 000 u.m. no dia 1 de Janeiro sem que você
tenha que lhe pagar juros. Você pode pegar no dinheiro e comprar um bem produtivo, como por
exemplo um pinhal. Suponha que todos os anos as árvores crescem em média 6% e que o preço de
uma árvore é proporcional à quantidade de madeira que contém Nesta óptica poderia ao fim do ano
vender o pinhal por 1060 u.m. e ganhar 60.
Mas esta opção também é valida para a pessoa que depositou o dinheiro no seu banco. Esta pessoa
estará disposta a deixá-lo utilizar o seu dinheiro, mas apenas se você o compensar pelo custo de
oportunidade de não o ter utilizado ele próprio. Se lhe pagar 5% de juros, ele provavelmente aceitará
já que não terá o trabalho de cuidar das árvores, ficando você com os restantes 1% ( 10 u.m.) por
ter tratado desse assunto.
O conceito de Custo de oportunidade tem tanto de simples como de importante no estudo da
microeconomia. A arte de aplicar este conceito correctamente está na forma como se consegue
reconhecer o maior valor alternativo que é sacrificado com o prosseguimento de uma certa
actividade.

Erro 2. Não ignorar os custos irrecuperáveis
Frequentemente um custo de oportunidade não parece ser um custo relevante, quando na
realidade o é. Outro erro comum quando se tomam decisões é considerarmos determinado custo
como relevante quando na realidade não o é. Isto acontece frequentemente com os custos
irrecuperáveis, custos esses que já foram incorridos no momento em que a decisão é tomada. Ao
contrário dos custos de oportunidade, estes custos deverão ser ignorados. O princípio de que se
devem ignorar os custos irrecuperáveis ressalta claramente, do seguinte exemplo.
Você está a planear uma viagem de cerca de 400 km. À excepção do custo, é-lhe completamente
indiferente entre ir no seu próprio carro ou de avião. O bilhete de avião custa 13 000u.m., e você
não sabe qual será o custo de levar o seu carro. Assim, telefona para a Hertz para ter um valor
estimativo. A pessoa com quem fala diz-lhe que para fazer essa estimativa deve começar por
considerar os custos de um carro típico, onde se fazem, por exemplo, 17 000 Km. Assim:
Seguro 130 000u.m.
Juros 260 000u.m.
Combustível e óleo 130 000u.m.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Manutenção 130 000u.m.
Total 650 000u.m.

Dividindo este valor total por 17000 Km, conclui que o preço por Km é 38u.m.20. Se usa este
número para calcular a custo da viagem de carro, conclui que lhe iria custar 15 280u.m.. Dado que
este valor é mais elevado do que os 13 000u.m. do bilhete do avião, decide ir de avião. Se decidir
desta maneira, você comete um erro não considerar os custos irrecuperáveis. O valor do seguro e
dos juros não varia conforme o número de quilómetros que efectua num ano. Ambos são custos
irrecuperáveis e serão sempre os mesmos quer viaje ou não com o cano. Dos custos mencionados,
o óleo, o combustível e a manutenção são os únicos que variam consoante o número de quilómetros
que efectuar. Isto dá-lhe um custo de 260 000u.m. por 17 000km, ou seja, 15u.m.30/Km. Ao preço
de 15u.m.30/km, a viagem só lhe custará 6120u.m.; e dado que este valor é muito mais baixo que
o bilhete de avião, deve ir de automóvel.
No Exemplo anterior, note o papel desempenhado pela suposição de que, exceptuando os custos,
lhe era indiferente o meio de transporte utilizado. Isto permite-nos afirmar que o único factor que se
devia considerar era o custo actual dos dois modos de transporte. Se preferisse um meio ao outro,
tinha também de ter em consideração o peso dessa preferência. Assim, por exemplo, se estivesse
disposto a pagar 7800u.m. para evitar a maçada de guiar, o custo real de guiar passaria a ser de 13
920u.m., e não 6120u.m., e neste caso deveria ir de avião.

Erro 3. Focar apenas alguns custos relevantes
Uma pessoa que ao tomar uma decisão seja vítima da falácia do custo irrecuperável, tem em
atenção um custo que deveria ter ignorado. A falácia do custo de oportunidade é exactamente o
oposto: ignorar custos que deveriam ter sido considerados. Mas o exemplo que se segue tornará
claro que os custos de oportunidade não são os únicos custos que as pessoas tendem a ignorar.
O impulso de muitos consumidores preocupados com a poupança de combustível seria escolher
imediatamente um carro com baixo consumo de Combustível como o Opel Corsa TD. Mas
provavelmente não haverá tantas Corsas TD disponíveis. Suponha que existe um total de 1000
Corsas TD e 1000 Sport 1.4 gasolina. Se alugar um Diesel em vez de um a gasolina, alguém terá de
alugar um a gasolina em vez de um a Diesel. Se o meu objectivo é poupar energia só deveria alugar
o Diesel se a pessoa que vai ficar com o a gasolina fizer menos quilómetros por ano do que eu.
Mas quem é que pode adivinhar se é isso que vai acontecer? Se as taxas de aluguer dos dois
automóveis estiverem estabelecidas no mercado e cada um escolher geralmente o carro que vai
minimizar as suas despesas totais com as deslocações, podemos dizer isto: o facto de eu escolher
um Diesel vai reduzir o consumo de energia da sociedade se, e apenas se, o TD for menos
dispendioso, para mim, do que o 1.4Gasolina. Para perceber porquê, repare primeiro que, se a
gasolina custar 168u.m. o litro, o custo anual do Corsa a gasolina é dado pelo cálculo
em que K é o número de quilómetros que eu faço por ano e 340.000u.m. a aluguer anual do veiculo
em 5 anos. O custo correspondente para o Diesel será:
( )
100
€ 168 10
€ 000 . 340
×
+ =
K
g C

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Estes custos serão absolutamente iguais se eu fizer exactamente 36.363 Kms por ano (para obter
este número iguale as equações e resolva em ordem a K). Se eu andar mais de 36.363
quilómetros, o Diesel ficará mais barato; se eu andar menos, será o gasolina o mais barato. Assim,
por exemplo, se andar 6000 quilómetros por ano, deverei escolher o a gasolina, mesmo que a
poupança de energia seja a minha única preocupação.
Mas como é que vou saber se a pessoa que vai ficar com o Diesel que eu poderia ter alugado ou
comprado não vai fazer ainda menos quilómetros do que eu? Se todos seguirem a regra "conduzir o
carro menos dispendioso" tal não acontecerá com as taxas de aluguer indicadas. (Se a gasolina ficar
mais barata para mim, também será mais barato para alguém que faça menos quilómetros por ano
do que eu). é o que acontece se metade dos condutores, incluindo eu, andarem 6000 quilómetros
por ano enquanto todos os outros fazem 4000? Se fosse esse o Caso, então todos considerariam o
gasolina mais barato com estas taxas de aluguer e ninguém ia querer alugar um a Diesel. As
companhias de aluguer de automóveis iriam descobrir que podiam aumentar substancialmente os
preços dos gasolina e, mesmo assim, alugá-los todos. Pela mesma ordem de ideias, teriam um forte
incentivo para baixar as taxas de aluguer dos Diesel, caso não os quisessem ver ficar a ganhar pó
nos parques de estacionamento. Por fim, as taxas de aluguer dos dois automóveis seriam ajustadas
de modo a que os Diesel ficassem menos dispendiosos para os condutores que fazem muitos
quilómetros, e os a gasolina ficassem menos dispendiosos para os que fazem poucos quilómetros.

Erro 4. O problema dos custos externos de uma actividade
O custo externo de uma actividade é o custo que incide sobre pessoas que não estão directamente
envolvidas nessa actividade. Suponha que tem um jardim em sua casa. Levar as folhas à lixeira
próxima custa-lhe 2.000u.m. e queimá-las fica em apenas 100u.m.. Se você está apenas
interessado nos custos, vai certamente decidir queimar as folhas. O problema é que queimar as
folhas acarreta um importante custo externo, o que significa um custo que recai sobre pessoas que
não estão directamente envolvidas na decisão. Este custo externo é o prejuízo provocado pelo fumo.
Esse custo não vai incidir directamente sobre o agente que toma a decisão (queimar as folhas), mas
sobre as pessoas que moram na direcção do vento. Suponha que as prejuízos provocados pelo
fumo montam a 2500 u.m.. O bem da comunidade exige que as folhas sejam levadas, e não
queimadas. Contudo, do seu ponto de vista, será melhor queimá-las.
A Teoria Económica tem como objectivo resolver o problema da escassez, ou seja, afectar os
recursos escassos à utilizações alternativas da forma mais eficiente.
Há sempre custos associados a qualquer escolha e a escolha existe sempre, quer no consumidor,
produtor ou governo. A escolha resulta de um processo de decisão, que deve ser sempre óptimo e
eficiente.
A Teoria Económica pretende representar a realidade da forma mais aproximada possível, daí que
seja uma ciência social dedutiva, com elevado grau de abstracção.

1.6. O MERCADO

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 12
Mercado é o mecanismo pelo qual os compradores e vendedores de uma mercadoria se confrontam
para determinar o seu preço e quantidade.
Num sistema de mercado tudo tem preço. O preço representa o valor de um bem em termos
monetários, ou seja, representam as condições em que os indivíduos e as empresas trocam os
diferentes bens. Quando concordo em comprar um telemóvel a um vendedor por 50.000u.m., isto
significa que ele vale mais de 50.000u.m. para mim e menos de 50.000u.m. para o vendedor.
Os preços também servem de sinais para os produtores e consumidores. Se por exemplo os
consumidores quiserem mais telemóveis, a sua procura irá aumentar, mas como os vendedores
estão com as suas existências reduzidas aumentam o preço do produto para racionar a oferta
limitada. Por sua vez o preço mais elevado irá estimular a produção (o contrário também é
verdadeiro).
O que é verdade para os mercados de consumo também o é para os mercados de factores de
produção, tais como o trabalho, capital, etc., Os preços coordenam as decisões dos produtores e
dos consumidores num mercado. Os preços mais elevados tendem a reduzir as compras dos
consumidores e estimularem a produção. Os preços mais baixos estimulam o consumo e retraem a
produção.
Os preços são o pêndulo do mecanismo de mercado
O equilíbrio de mercado representa um equilíbrio entre todos os compradores e vendedores. Todos,
consumidores e empresas pretendem comprar ou vender algumas quantidades dependendo do
preço. O mercado estabelece o preço de equilíbrio que equipara os desejos dos vendedores e
consumidores. O preço representa o equilíbrio entre a oferta e a procura. Os preços ajudam a
equiparar o consumo e a produção (a oferta e a procura).

Os três problemas económicos - O quê, como e para quem
O próprio mercado tem capacidade para resolve-los, através do seu equilíbrio.
1. O quê será produzido é determinado pela decisão de compra dos consumidores. O
dinheiro que deixa nas caixas das empresas vai acabar por proporcionar os salários, as rendas e os
dividendos que os consumidores, como empregados, recebem como remuneração.
As empresas, por seu lado, são movidas pelo desejo de maximizar os seus lucros - lucros que
correspondem a diferença entre as receitas líquidas (lucro total), ou a diferença entre as vendas e
os custos totais (as empresas são atraídas pelos lucros elevados da produção de bens com elevada
procura.
Os custos relativos também afectam a produção e o comércio entre países. O Japão produz e
exporta electrónica de consumo e importa alimentos, enquanto os EUA importam electrónica de
consumo e exportam alimentos. Quem toma estas decisões? É o governo ou o congresso japonês?
De facto não é nenhum deles. É o sistema de preços quem toma as decisões. Dado que existe em
abundância nos EUA, a terra é relativamente barata e os custos dos alimentos são relativamente
baixos. Porque a terra é escassa e cara no Japão, enquanto o talento tecnológico é relativamente
abundante, os custos dos alimentos são relativamente elevados enquanto os da electrónica de
consumo são baixos. Analisando os sinais dos preços da terra e do trabalho, as empresas, os
agricultores e os consumidores podem escolher o bem que será mais apropriado produzir, negociar
e consumir.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 13
2. A concorrência entre os diferentes produtores é que determina como as coisas são produzidas. A
melhor forma de os produtores alcançarem um preço de concorrência e maximizarem o lucro é
manterem os custos no mínimo, através da adopção dos métodos de produção mais eficientes.
O mais importante a apreender é o posicionamento tecnológico e a forma mais eficiente de utilizar a
tecnologia ao longo do tempo.
3 - Para quem são as coisas produzidas é determinado pela oferta e procura nos mercados dos
factores de produção - Os mercados determinam os salários, as rendas da terra, as taxas de juro e
os lucros - passaremos a designá-los por preços dos factores de produção. Através do somatório dos
rendimentos dos factores de produção, podemos calcular o rendimento da população. A repartição
do rendimento entre a população é portanto determinada pelo montante possuído de factores
(horas-homem, hectares de terreno, etc.) e pelos preços dos factores (níveis salariais, rendas da
terra, etc.).

1.6.1. AFINAL QUEM DIRIGE O MERCADO?

Os consumidores não podem, por si só, ditar quais os bens que devem ser produzidos. A procura
dos consumidores tem de se encaixar com a oferta de bens e serviços pelas empresas.
Os custos empresariais e as decisões de oferta, juntamente com a procura dos consumidores,
ajudam a determinar o que deve ser produzido.
Os mercados funcionam como um link, que reconcilia os gostos dos consumidores com as
limitações tecnológicas das empresas.
O lucro tem um papel muito importante no dia-a-dia do mecanismo de mercado, constituem o
prémio ou castigo para as empresas, induzindo-as a produzir da forma mais eficiente possível os
bens mais desejados.
Uma imagem dos Preços e dos Mercados
A figura abaixo representada dá-nos uma visão global de como os consumidores e produtores
actuam em conjunto para determinar os preços e as quantidades, tanto de factores de produção
como das produções.
Em cima estão os mercados dos produtos, em baixo os mercados dos factores de produção.
Os consumidores compram bens e vendem factores de produção, as empresas vendem bens e
serviços e adquirem factores de produção. Os consumidores usam o seu rendimento da venda de
trabalho e outros factores para adquirir bens às empresas; estas baseiam os preços dos seus bens
nos custos do trabalho e do património. Os preços nos mercados de bens são estabelecidos de
modo a equiparar a procura dos consumidores com a oferta das empresas; os preços no mercado
de factores são estabelecidos de modo a equilibrar a oferta dos consumidores com a procura das
empresas.
A procura e a oferta formam uma teia de relações interdependentes que se conjugam através do
mecanismo de mercado para resolver os problemas económicos.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 14



















Figura 1. O funcionamento do mercado.
Fonte: Adaptado de Frank, R, 2002, Microeconomia e o Comportamento, McGrawHill.



1.6.2. A MÃO INVISÍVEL NO CONTEXTO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA

Foi Adam Smith quem proclamou o princípio da Mão Invisível. Decorrente do princípio da
racionalidade egoísta, todo o indivíduo é levado por uma “mão invisível” a atingir o melhor bem
possível. Num contexto de concorrência perfeita (mercado em que nenhuma empresa ou
consumidor é suficientemente forte para afectar o preço de mercado) a interferência governamental
seria prejudicial, pois estaria a condicionar a utilização dos recursos da forma mais eficiente. Num
mercado concorrencial a afectação dos recursos é sempre eficiente, encontrando-se a economia na
sua fronteira de possibilidades de produção (conceito estudado na Introdução à Economia). Contudo
quando se verifica uma situação de concorrência imperfeita (por ex. Se a EDP elevar o preço da
energia eléctrica para ganhar lucros extraordinários e assim criar maiores dividendos para os seus
accionistas – não esquecer que foi recentemente parcialmente privatizada – estará a produzir esse
bem abaixo do nível de maior eficiência, logo a afectar a economia. Neste caso os preços não são
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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 15
determinados pelos custos de produção ou mercados, desaparecendo a propriedade da mão
invisível.
Em concorrência perfeita e sem falhas de mercado, os mercados conseguirão extrair tantos bens e
serviços quantos os recursos disponíveis o permitam.

1.7. O PAPEL ECONÓMICO DO ESTADO

Como sabemos, uma economia de mercado perfeitamente concorrencial não existe. As economias
de mercado estão prejudicadas pelo:
• Monopólio;
• Poluição;
• Desemprego e inflação;
• Injustiça na repartição do rendimento.
Em resposta às falhas de mercado (mecanismos de mercado), os países introduziram o conceito da
“Mão Visível do Governo”:
Substituindo o mercado ao possuírem certas actividades;
• Regulamentado;
• Incentivando o Investimento, Investigação e Educação;
• Cobrando impostos – redistribuindo rendimento
As três funções básicas que o Estado deve promover são:
1. Eficiência – As falhas de mercado levam a ineficiências:
Em situações de concorrência imperfeita, o preço não é determinado pelo mecanismo de mercado.
Um ex. típico é o poder monopolístico que conduz a alterações na própria estrutura de mercado. Nas
últimas décadas os governos têm refreado este poder através da proibição de fixação de preços ou
divisões de mercado.
Dentro da economia existem Externalidades
4
, que ocorrem quando as empresas, indivíduo ou
estado impõe custos ou benefícios a outros que se situam fora do mercado. O governo criou
regulamentação própria para externalidade como a poluição do ar, da água, sonora, detritos
industriais, etc.,
Os Bens públicos são actividades económicas que proporcionam grandes ou pequenos benefícios
para a comunidade. Estas actividades não podem ser entregues à iniciativa privada, porque não a
gere da forma mais eficiente possível (ex. construção de auto-estradas, apoio a ciência e saúde).
2. Equidade – Os mercados não produzem necessariamente uma repartição do rendimento que
possa ser encarada como socialmente justa ou equitativa. Uma sociedade de mercado de puro
laissez-faire poderá produzir níveis de desigualdade do rendimento e do consumo que sejam
inaceitáveis. O rendimento pode ser resultado de padrões aleatórios como a herança, o azar, o

4
Existem críticos e defensores da regulamentação dos mercados e externalidades. Tudo se prende à forma como ela é
efectuada.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 16
preço dos factores, acasos tecnológicos
5
. Como forma de repartição do rendimento existem os
impostos e/ou sistemas de transferência de rendimento (Seg. Social, subsídios, etc.)
3. Crescimento económico e estabilidade – os governos através de políticas e instrumentos
macroeconómicos (políticas fiscais e monetaristas) conseguem (às vezes) influenciar os níveis de
despesa, produto, inflação e desemprego.


5
Um acaso tecnológico, como por exemplo a invenção de um robot, poderá reduzir a mão de obra em determinada
actividade, transferindo o rendimento para os proprietários da tecnologia.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 17


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 18
2. PROCURA E OFERTA

A temática da economia encontra-se associada, a maior parte das vezes, a procura e oferta. A
análise da procura e oferta é considerada como uma importante ferramenta exploratória e
preditiva.
Antes de iniciarmos o estudo em mais detalhe, e como este é um curso introdutório,
procuraremos clarificar alguns do termos utilizados:
- A procura é a relação entre o preço de mercado e a quantidade que os consumidores estão
dispostos a adquirir de determinado produto. Quando falamos de procura estamo-nos a referir a
uma quantidade “desejada”. Este pressuposto é muito importante para o entendimento de que a
quantidade que os consumidores procuram de determinado bem e a determinado preço de
mercado nem sempre é a quantidade que as pessoas adquirem.
- A oferta traduz a relação entre o preço de mercado e a quantidade que as empresas
(vendedores) estão dispostos a oferecer no mercado.
A análise baseada na oferta e procura é do tipo “what if” (e se..), representando o relacionamento
entre quantidades oferecidas e procuradas a determinado nível de preço do mercado.
Poderemos considerar uma curva da procura do Ferrari Enzo Dino que procurará responder a
quantas unidades seriam compradas se o seu preço de venda fosse de 10.000€. Com certeza a
resposta seria: muitas! Esta resposta traduziria um desejo e não as quantidades reais de ferraris
que seriam adquiridas no mercado, uma vez que a quantidade oferecida a este preço seria
próxima ou mesmo igual a 0 (zero). O estudo da procura e da oferta permitem-nos retirar algumas
conclusões sobre as alterações do comportamento dos agentes face a alterações de variáveis do
meio envolvente ao mercado, à organização ou ao consumidor. Este estudo deverá ser feito antes
da ocorrência das alterações, tornando-se um importante instrumento na predição das
consequências de fenómenos económicos (e.g. o que acontecerá se o imposto sobre um bem
aumentar 10%?).
Outro conceito importante a reter é o de preço de mercado. Na nossa análise iremos tratá-lo de
forma indistinta relativamente a factores como a localização, espaço de venda, qualidade do
produto… Sabemos que o preço é uma variável importante para o consumidor e que o mesmo é
diferenciado por loja, região e outros factores que potenciam a descriminação. Contudo vamos
encara-lo como uma espécie de preço médio de mercado.
De notar que nossa análise iremos relacionar duas variáveis: preço e quantidade. Do ponto de
vista formal o preço poderá explicar a quantidade procurada ou oferecida, ou a quantidade
procurada e/ou oferecida poderão explicar o preço a fixar no mercado.

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30.
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cura e oferta
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
fixado acim
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s empresas.
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igual a 12. N
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ta igual a 50
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18 unidade
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.0 ………………
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TE I MICROEC
……………………
om recurso a
CONOMIA
…::…………………
o caderno de
…………….
e exercícios.
23

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 24
3. ELASTICIDADES
No estudo da procura e oferta de mercado é muito importante a medição da resposta dos
consumidores às alterações dos preços dos produtos e do seu rendimento. Sabemos já que a
procura é inversamente relacionado ao preço, ou seja, quanto maior o preço menor será a
quantidade procurada. Sabemos ainda que, regra geral, quanto maior o rendimento maior será a
quantidade procurada de determinado bem.
O conceito de elasticidade permite-nos conhecer a sensibilidade da quantidade procurada face à
alteração de variáveis como o preço de determinado produto, o rendimento ou o preço de produtos
que de alguma forma estejam relacionados. É assim usado para medir a reacção dos consumidores
face a mudanças em variáveis económicas.
Por outro lado o estudo das diferentes elasticidades permitem-nos caracterizar algumas tipologias
de bens como os bens normais, inferior, complementares ou substitutos.

3.1. A ELASTICIDADE-PREÇO DA PROCURA (E
d
)

A elasticidade preço da procura (Ed) mede a reacção dos consumidores às mudanças no preço.
Essa reacção é calculada pela razão entre duas variações percentuais. A variação percentual na
quantidade procurada dividida pela variação percentual no preço. Ou seja,

Eu=_
:orioção pcrccntuol Jo quontiJoJc procuroJo (∆%µJ)
:orioção pcrccntuol no prcço Jo proJuto (∆%P)
_

Exemplo: o preço do leite muda de 2,00 u.m. para 2,20 u.m.. Qual será a elasticidade preço da
procura do leite se a quantidade procurada de leite é de 85 mil de litros por ano quando o preço é
2,20 e é de 100 mil de litros por ano quando o preço é 2,00 u.m.. A resposta é simples:
A variação absoluta na quantidade foi de 15 mil de litros (100 – 85) e traduz uma diminuição. Em
termos percentuais isso equivale a 15% pois, a quantidade era de 100 mil litros a 2,00 u.m. que era
o preço inicial. Quando o preço aumentou para 2,20 u.m. houve uma queda na quantidade
procurada de 15% [100(85 – 100)%/100].
A variação absoluta no preço foi de 0,20 u.m. (2,20 – 2,00) traduzindo um incremento no preço. Em
termos percentuais isso equivale a 10% pois, o preço inicial era 2,00 e aumentou para 2,20 houve
um aumento de 10% [
2,20-2
2
× 1uu = 1u%¸.
A elasticidade desta mudança será: Eu=¡
∆%çÐ
∆%P
¡ =EJ = ¡
-15%
10%
¡ =EJ = 1,S

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 25
Nota: dada a relação inversa entre a procura e a oferta é necessária a utilização de um módulo para
obtermos um resultado positivo. Não esquecer que se a variação do preço foi negativa a variação da
quantidade procurada será positivo e vice-versa.
Fórmula da Elasticidade no arco: Fd =
Q2-Q1
Q2+Q1
2
P2-P1
P2+P1
2


CLASSIFICANDO BENS DE ACORDO COM A SUA ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA
1. ELÁSTICOS
Se a elasticidade preço do bem for maior que 1,00 diz-se que a procura desse bem é elástica. A
variação percentual na quantidade excede a variação percentual do preço. Ou seja, os
consumidores são bastante sensíveis a variações no preço.
2. INELÁSTICOS
Se a elasticidade preço do bem for menor que 1,00 diz-se que a procura por esse bem é inelástica.
A variação percentual na quantidade é menor que a variação percentual no preço. Ou seja, os
consumidores são relativamente pouco sensíveis a variações no preço.
3. ELASTICIDADE UNITÁRIA
Se a elasticidade preço do bem for igual a 1,00 diz-se que a procura por esse bem é de elasticidade
neutra. A variação percentual na quantidade é igual à variação percentual no preço.

ELASTICIDADE E BENS SUBSTITUTOS
A elasticidade preço da procura para um bem em particular é influenciada pela disponibilidade ou
não de bens substitutos. Quanto mais bens substitutos estiverem disponíveis mais elástica é a
procura, se não há bens substitutos a procura é inelástica.

OUTROS DETERMINANTES DA ELASTICIDADE
1. Tempo: elasticidade de Curto Prazo e elasticidade de Longo Prazo. Quanto mais tempo os
consumidores tiverem para procurar substitutos maior será a intensidade de sua reacção.
2. Espaço: a elasticidade de um mercado é diferente da elasticidade de uma única empresa. A
elasticidade do mercado diz quanto a quantidade global mudará se o preço geral foi alterado,
contudo se uma única empresa muda seu preço a elasticidade poderá ser outra.
3. Peso da aquisição no orçamento do consumidor: se um bem representa pouco do orçamento
total do consumidor a reacção será menor a variações de preço. Exemplo: aumento de 10% no
preço do lápis. Aumentou de 1,00 u.m. para 1,10 u.m.. Poucas pessoas deixaram de comprar
lápis por isso. Entretanto, se o bem ocupa um peso razoável no orçamento do consumidor,

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 26
então as reacções serão maiores. Exemplo: O preço do automóvel subiu 10%. Aumentou de
15.000,00 u.m. para 16,500,00 u.m.. A intensidade da reacção será maior para esta
mudança. A procura será mais elástica.
4. Bens necessários versos bens supérfluos: para bens essenciais como pão, arroz, feijão, etc. a
procura é mais inelástica. Para bens de luxo a procura é mais elástica.
Exemplos de Elasticidades
Produto Ed
Sal 0,1
Água 0,2
Café 0,3
Cigarros 0,3
Calçados 0,7
Habitação 1,0
Automóveis 1,2
Refeições em restaurantes 2,3
Viagens de Avião 2,4
Cinema 3,7


A ELASTICIDADE DE UMA PROCURA LINEAR
A elasticidade muda a cada ponto. Ela aumenta a medida que os pontos vão se movendo para a
esquerda. Uma função procura pode ter várias elasticidades. De notar que a elasticidade preço da
procura tem uma influência directa sobre a receita total da organização (RI = P × µ)

0
20
40
60
80
100
120
0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 55
P
r
e
ç
o
Quantidade Procurada
12 27
42
76
50
46
16
r
s
t
u
v
w

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 27
Em cada ponto as mudanças absolutas no preço é igual a 4 unidades (80-76=4; 50-46=4; 20-16
=4) os percentuais de mudança nos preços são de: do ponto r para o s queda de 4 unidades ou 5%
(4*100/80); do ponto t para o u queda de 4 unidades ou 8% (4*100/50); do ponto v para o w
queda de 4 unidades ou 20% (4*100/20). Essas são as mudanças nos preços.
As quantidades variam da seguinte maneira: do ponto r para o s aumento de 2 unidades ou 20%
(2*100/10); do ponto t para o u aumento de 2 unidades ou 8% (2*100/25); do ponto v para o w
aumento de 2 unidades ou 5% (2*100/40).
As elasticidades em cada mudança são de: Ed = 4,0 (de r para s); Ed = 1,0 (de t para u); Ed = 0,25
(de v para w). Teoricamente a elasticidade de uma recta vai de zero ao infinito.

USANDO A ELASTICIDADE PREÇO DA PROCURA
A elasticidade preço da procura para um bem revela-se um instrumento fundamental para se poder
quantificar e predizer o quanto mais de um bem será vendido a um preço menor e vice-versa.
ex.: Vamos supor que a elasticidade preço da procura de filmes num cinema é igual a 2.
Imaginemos que o director do cinema decide aumentar o preço do ingresso em 10%. Se o preço
inicial era igual a 5,00 u.m. e a quantidade vendida igual a 100 bilhetes por sessão ele agora deverá
ter em atenção que a quantidade procurada sofrerá uma diminuição igual a 20 bilhetes por sessão,
já que o preço será fixado em 5,50 u.m. Vamos verificar a implicar desta decisão nas receitas do
cinema por sessão
Situação Preço fixado (1) Quantidade Procurada
(2)
Receita obtida (1x2)
Inicial 5,00 100 500
Alteração do preço 5,50 80 440
Em geral o aumento de preço do bilhete de cinema tem dois efeitos, do ponto de vista do
empresário:
1. Efeito Positivo de vender a um preço mais alto.
2. Efeito Negativo de vender menor quantidade.
Neste caso a decisão de aumentar o preço ou não dependerá de qual dos efeitos supera o outro.
Verifica-se uma diminuição da receita total, contudo ainda não poderemos concluir nada sem
conhecer as implicações na estrutura de custos da empresa e no resultado económico final da
empresa.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 28
3.2. A ELASTICIDADE-PREÇO DA OFERTA (E
o
)

A elasticidade preço da oferta (Eo) mede a reacção dos vendedores às mudanças no preço.
Essa reacção também é calculada pela razão entre dois percentuais. A variação percentual na
quantidade ofertada dividida pela mudança percentual no preço. Ou seja,
Eo =
:orioção pcrccntuol no quontiJoJc o¡crcciJo
:orioção pcrccntuol Jo prcço
=
∆%µs
∆%P

Dos determinantes o tempo tem grande importância, pois a elasticidade de curto prazo será em
geral diferente da de longo prazo. Assim, ao longo do tempo, quando as firmas têm possibilidade de
reagir mais intensamente às variações de preço, a curva de oferta irá se tornando cada vez mais
elástica.

PREVENDO MUDANÇAS NO PREÇO USANDO O CONCEITO DE ELASTICIDADE
Quando oferta ou procura mudam pode-se traçar um diagrama para saber a direcção da mudança
do preço de equilíbrio. Esse diagrama dirá tudo sobre direcções mais quando se deseja saber o
quanto o preço mudará faz-se uso das elasticidades.
Sabendo-se as elasticidades de procura e oferta, a variação nos preços, resultante de um aumento
na quantidade procurada será é dada pela divisão do percentual de mudança na procura pela soma
das elasticidades de oferta e procura:
∆P (:orioção no prcço) =
∆%çd
Ld+Lo
; isto para o preço de equilíbrio.

Equivalentemente pode-se calcular variações devido a mudanças na oferta:
∆P (:orioção no prcço) =
∆%µs
EJ +Eo



3.3. OUTRAS ELASTICIDADES DE PROCURA


Elasticidade rendimento da procura
É utilizada para medir a reacção dos consumidores face a alterações no rendimento.
Er =
∆%µJ :orioção pcrccntuol no quontiJoJc procuroJo
∆%R :orioção pcrccntuol no rcnJimcnto


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 29
Para bens normais há uma relação positiva entre rendimento e quantidade procurada, logo a
elasticidade rendimento é positiva.
Para bens inferiores há uma relação negativa entre rendimento e quantidade procurada, logo a
elasticidade rendimento é negativa.
Diz-se que a elasticidade rendimento da procura é elástica se a elasticidade rendimento é maior que
um e inelástica se menor que um.

Elasticidade preço cruzada
É utilizada para medir a reacção dos consumidores às mudanças de preços de bens afins.
É definida como a variação percentual na quantidade procurada de um produto em particular (X)
dividida pela variação percentual no preço de um bem afim (Y):
Ex, y =
∆%çdx (vu¡ìução pc¡ccntuuI nu quuntìdudc p¡ocu¡udu do bcm )
∆%P¡(¡u¡ìução no p¡cço do bcm ¡

Para bens substitutos há uma relação positiva entre quantidade procurada do bem e variação de
preço do substituto, logo a elasticidade cruzada de bens substitutos é positiva.
Para bens complementares há uma relação negativa entre quantidade procurada do bem e preço
do bem complementar, logo a elasticidade cruzada é negativa.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 30

4. A ESCOLHA DO CONSUMIDOR E A
PROCURA DE MERCADO
Neste capítulo vamos tentar analisar a forma como a economia procura explicar o processo de
decisão referente às escolhas do consumidor. Será a base teórica para a derivação das curvas de
procura de mercado.
Quando pensamos nas nossas escolhas diárias e decisões de compra, somos capazes de enumerar
um conjunto extenso de factores que podem afectar a nossa decisão: preço, gosto pessoal,
qualidade dos produtos, (in)existência de produtos substitutos ….. . Efectivamente são vários os
factores que pesam na nossa decisão.
A análise explanada nas próximas páginas é muito abstracta e deverá ser entendida no contexto da
sua modelização.

4.1. O CONJUNTO DE OPORTUNIDADES OU A RESTRIÇÃO
ORÇAMENTAL

Estes apontamentos são baseados no de Frank no seu livro Microeconomia e Comportamento.
Para simplificar, comecemos por considerar um mundo somente com dois bens, alimentação e
habitação. Um cabaz de bens é o termo usado para descrever uma combinação particular de
alimentação, medida em quilos por semana, e habitação, medida em metros quadrados por
semana. Assim, na Figura 2, um cabaz (cabaz A) pode consistir em 5 m
2
/semana de habitação e 7
kg/semana de alimentação. Para abreviar, podemos usar a notação (5; 7) que representa o cabaz A
e a notação (3, 8) que caracteriza o cabaz B. De forma geral, (H0,, A0) representa o cabaz de H0
metros quadrados/semana de habitação e A0 kg/semana de alimentação. Convencionou-se que o
primeiro número do par de qualquer cabaz se refere ao bem representado ao longo do eixo
horizontal.
Figura 4.1. Representação de cabazes de bens

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 31
Suponha que o rendimento de um consumidor é R = 13 000u.m./semana, e que gasta tudo numa
combinação de alimentação e habitação. (Note que o rendimento também varia). Suponha, ainda,
que o preço da habitação e da alimentação é respectivamente:
PH = 650 u.m./m
2
e
PA= 1.300 u.m./kg.
Se o consumidor gastar todo o seu rendimento em habitação, pode comprar:
R/PH = (1300u.m./semana) ÷ (650 u.m./m
2
) = 20 m
2
/ semana.
0 mesmo é dizer que podem comprar o cabaz de 20 m
2
/semana de habitação e 0 kg/semana de
alimentação, denotado (20, 0).
Suponha, em alternativa, que o consumidor gasta todo o seu rendimento em alimentação. Obteria,
assim, o cabaz será traduzido por:
R/PA = (13000u.m./semana) ÷ (1.300 u.m./Kg), o que quer dizer 10Kg de Alimentação e 0 m2
/semana de habitação, denotando (0,10).
Figura 4.2 Representação da restrição orçamental do consumidor
Na Figura 4.2. estes
extremos estão
identificados por K e L,
respectivamente. 0
Consumidor será também
capaz de comprar qualquer
outro cabaz que se
encontre ao longo da linha
recta que liga Os pontos K e
L. Esta linha é designada
por restrição orçamental, ou
conjunto de oportunidades,
e está representada pela sigla B no diagrama.
Recorde-se da regra de álgebra que aprendeu no liceu, segundo a qual o declive de uma linha recta
é a sua "altura" sobre a sua "base" (a variação da sua posição vertical dividida pela variação,
correspondente, da sua posição horizontal). Note que, aqui, o declive da restrição orçamental é a
sua ordenada na origem (a altura) dividida pela sua abcissa na origem (a base correspondente): -
(10 kg/semana)/(20m
2
/semana) = - (1/2 ou 0,5) kg/m
2
. O sinal negativo significa que a restrição
orçamental é decrescente, ou seja, tem um declive negativo. Em termos gerais, se R representa o
rendimento semanal do consumidor, e PH e PA representam os preços de habitação e alimentação,
respectivamente, a ordenada e a abcissa na origem serão dadas por (R/PH) e (R/PA), respectivamen-
te. Assim, a fórmula geral para o declive da restrição orçamental e dada por - (R/PÁ)/ /(R/PH), que é,
simplesmente, a negativa do quociente dos preços dos dois bens.
Em adição à possibilidade de comprar qualquer outro cabaz que se encontre ao longo da sua
restrição orçamental, o consumidor pode também adquirir qualquer cabaz que esteja incluído no
triângulo orçamental formado por ele e pelos dois eixos (área colorida do triangulo). Na Figura 4.2.,
D é um desses cabazes. 0 cabaz D custa 8.450 u.m./semana:

Carlos
Custo
u.m./
referi
triâng
u.m./
Se H
orçam
R = P
Tradu
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A
Q =
A equ
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µ
A=10

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Caso
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Fonte:
A Figu
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/semana. Os
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A
P
P
P
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UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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TE I MICROEC
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2
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32
3. 000
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rados),

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 33
não altera a ordenada na origem da restrição orçamental do consumidor, a subida do preço de
habitação apenas desloca a restrição orçamental para dentro em torno da ordenada na origem,
como se mostra no diagrama.
Note que, na Figura 4.3. embora o preço dos alimentos não se tenha alterado, a nova restrição
orçamental B2 reduz, não somente a quantidade de habitação que o consumidor pode comprar, mas
também a quantidade de alimentação (este problema prende-se com uma diminuição real do poder
de compra do consumidor; o seu rendimento real baixou).
Exercício prático: Verifique o efeito de uma redução do preço da habitação, de 650u.m./m
2
para
520u.m./m
2
, sobre a restrição do orçamental 1 B1 na Figura 3.
Poderá constatar se representar a nova restrição orçamental que uma redução no preço da
habitação deixa, mais uma vez, inalterada a ordenada na origem da restrição orçamental. Desta vez,
a restrição orçamental efectua uma rotação para fora. Repare, também, como no caso 1, que
embora o preço da alimentação não se altere, a nova restrição orçamental permite ao consumidor
comprar um cabaz que englobe não só mais habitação, mas também mais alimentação.
Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u.m./kg
para 2600u.m./kg sobre a restrição orçamental B1.
O exercício anterior demonstra que, quando o preço da alimentação é alterado, a restrição
orçamental efectua uma rotação em torno da sua abcissa na origem. Repare ainda, que, embora o
rendimento e o preço da habitação se mantenham inalterados, a nova restrição orçamental reduz
não só a quantidade de alimentos que o consumidor pode comprar como também a quantidade de
habitação.
Quando alteramos o preço de apenas um dos bens, alteramos, necessariamente, o declive da
restrição orçamental, o mesmo acontece se alterarmos ambos os preços em proporções diferentes.
Mas, como poderá constatar no caso seguinte, alterar os dois preços exactamente na mesma
proporção dá origem a uma nova restrição orçamental com mesmo declive da recta original.
Exercício prático: Demonstre o efeito de um aumento do preço da alimentação de 1300u.m./kg
para 2600u.m./kg e de um aumento do preço da habitação de 650u.m./m
2
para 1300u.m./rn sobre
a restrição orçamental B1 na figura3.
Repare que aqui, o efeito da duplicação dos preços da alimentação e da habitação é deslocar a
restrição orçamental para dentro e paralelamente à restrição original. A lição importante a tirar
deste exercício é que o declive da restrição orçamental retracta apenas preços relativos, não
podendo ser referência para os níveis de preços em termos absolutos. Quando os preços da
alimentação e da habitação se alteram na mesma proporção, o custo de oportunidade da habitação
em termos de alimentação mantém-se como anteriormente.

Alterações do rendimento.

O efeito de uma alteração do rendimento é muito semelhante ao efeito de uma alteração de todos
os preços em proporções iguais. Suponha, por exemplo, que o rendimento do nosso hipotético
consumidor é reduzido a metade, de 13 000u.m./semana para 6500S/semana. A abcissa na
origem da restrição orçamental do consumidor vai diminuir de 20 m
2
/semana para 10 m
2
/semana,
e a ordenada na origem de 10 kg/semana para 5 kg/semana, como se mostra na Figura 4. Assim, o
novo orçamento, B2, é paralelo ao antigo, B1, ambos com um declive de ½. Em termos de efeito

Carlos
sobre
difere
as alt
Exerc
15.60
O exe
fora e
orçam
Figura
Os ex
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podem
pode
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cham
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apres


4.2.

Vamo
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Para
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s Miguel Olive
e aquilo que
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terações.
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a 4.4.
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UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 35
preferir A tem mais habitação, mas menos alimentação, do que B. Quem passar muito tempo em
casa vai provavelmente escolher o A, enquanto uma pessoa com um metabolismo muito rápido es-
colherá provavelmente o B.
De uma forma geral, podemos dizer que, para dois cabazes como estes, o consumidor pode fazer
três escolhas: 1)A é preferido a B; 2) B é preferido a A; 3)A e B são igualmente preferidos. A
ordenação da preferência permite ao consumidor ordenar os diferentes conjuntos, mas não lhe
permite fazer afirmações quantitativas mais precisas sobre a sua preferência relativa. Assim, por
exemplo, o consumidor poderá dizer que prefere A a B, mas não pode afirmar que A lhe dá o dobro
da satisfação de B.
As ordenações de preferências diferem, frequentemente, entre os consumidores. Uns gostam de
Verdi, outros gostam dos Rolling Stones. No entanto, apesar destas diferenças, a maior parte das
ordenações de preferências partilham algumas características importantes. Mais especificamente,
os economistas assumem geralmente quatro propriedades simples. Começaremos por considerar
as primeiras três dessas propriedades, o que nos fará avançar no sentido de sermos capazes de
construir uma representação analítica concisa das preferências que nos são necessárias para o
problema da distribuição orçamental.
1. Exaustividade. Uma ordenação de preferências está completa se permitir ao consumidor ordenar
todas as combinações possíveis de bens e serviços. Tomada à letra, a exaustividade é sempre falsa,
pois existem muitos bens que não são possíveis de avaliar de uma forma precisa por os
desconhecermos quase completamente. E, contudo, uma suposição simples e útil para a análise
das escolhas dentro dos vários cabazes de bens que são familiares aos consumidores.
2. Transitividade. Se gosta mais de bife que de hambúrguer, e mais de hambúrguer que de
cachorros quentes, então provavelmente você gosta mais de bife que de cachorros quentes. Uma
ordem de preferência de um consumidor é transitiva, quando para cada três cabazes A, B, e C, se
ele preferir A a B, e preferir B a C, então ele vai sempre preferir A a C. A relação entre as
preferências é como a relação usada para comparar alturas de pessoas.
Nem todas as relações comparativas são transitivas. Uma relação não transitiva é demonstrada na
relação de "derrotas do futebol". Nalgumas épocas o Porto derrota o Sporting, e o Sporting vence o
Benfica, o que não quer, necessariamente, dizer que o Porto vá vencer o Benfica, “embora seja o
mais provável!”.
A transitividade é uma simples propriedade de coerência e aplica-se à relação "igualmente preferido
a", e a qualquer combinação desta com a relação "preferido a". Por muito razoável que a
transitividade nos pareça, veremos em situações posteriores exemplos de comportamentos que nos
parecerão incompatíveis com ela. Mas, apesar disso, trata-se de uma descrição precisa das
preferências na maior parte dos casos, e a não ser que seja especificado de outra forma, iremos
adoptá-la ao longo das aulas.
3. Quanto mais, melhor. A propriedade de quanto mais, melhor, quer dizer que, sendo tudo o resto
constante, maior quantidade de um bem é preferível a menos quantidade desse mesmo bem.
Naturalmente, podemos pensar em exemplos onde mais de "qualquer coisa" faz-nos sentir pior que
melhor (como por exemplo alguém que comeu de mais). Mas, nestes casos, há normalmente algum
tipo de dificuldades práticas, como um problema de autocontrolo ou uma incapacidade de
armazenar um bem para utilização futura. Desde que as pessoas possam dispor livremente dos
bens que não querem, ter mais de algo não lhes pode fazer mal.
Como exemplo da aplicação da suposição de quanto mais, melhor, considere dois conjuntos, A, que
têm 12 m
2
/ semana de habitação e 10 kg/semana de comida, e B, que tem 12m
2
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de 2008 | R
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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 37
As curvas de indiferença também nos permitem comparar a satisfação que está implícita nos
cabazes dispostos ao longo delas com os que estão acima ou abaixo. Permite-nos, por exemplo,
comparar o cabaz C (20, 7) ao cabaz K (23, 4) que tem menos alimentação e mais habitação que o
C. Sabemos que C é igualmente preferido a A (25, 6) porque ambos os cabazes estão dispostos ao
longo da mesma curva de indiferença. D, por sua vez, é preferido a K por causa da suposição do
quanto mais, melhor: tem a mais 2 m
2
habitação/semana e 2kg alimentação/semana que K.
A Transitividade, diz-nos finalmente que, uma vez que C é igualmente preferido a D e D é preferido
a K, C deve ser preferido a K..
Por um raciocínio análogo, podemos dizer que o cabaz L é preferido a A. Em geral os cabazes que se
situam acima de uma curva de indiferença, são todos preferidos aos cabazes que se situam sobre
ela. Da mesma maneira que todos os que se situam sobre uma curva de indiferença são preferidos
àqueles que estão dispostos abaixo
A propriedade da exaustividade implica que exista uma curva de indiferença que passa através de
todos os cabazes possíveis. Assim sendo, podemos representar as preferências dos consumidores
com um mapa de curvas de indiferença.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 38

4.3. A UTILIDADE

A satisfação que deriva do consumo de um consumidor é chamada na economia por utilidade.
Suponha que um consumidor consume 5 Kg de alimentação. A satisfação total que ele obtém é
chamada de Utilidade Total. Suponha agora que ele consome um Kg extra de alimentação, a
satisfação extra que ele irá obter é chamada Utilidade Marginal do sexto Kg de alimentação.
Como temos visto neste capítulo o consumidor compara diferentes bens ou serviços, como é o caso
da habitação e alimentação, e escolha sempre a combinação que maior utilidade lhe poderá trazer.
Contudo o conceito de utilidade leva a muitas dúvidas e perguntas
Poderemos medir a utilidade?
Qual será a relação entre a utilidade de um bem e o seu Preço?
Existem duas teorias que se debruçam sobre o aspecto da mensuração da utilidade:
Teoria da utilidade ordinal: a utilidade não é medida como os preços e quantidades, contudo é-nos
possível ordenar a utilidade dos diferentes bens, ou seja, eu posso dizer que a utilidade de um Kg
de alimentação é maior, igual ou menor que de um m
2
de habitação.
Teoria da utilidade cardinal: que afirma que a utilidade total e marginal são mensuráveis
Kg de Alimentação Utilidade Total Utilidade Marginal
0 0
1 20 20
2 35 15
3 45 10
4 50 5
5 53 3
6 55 2
7 56 1
8 56 0
9 55 -1
10 53 -2

Como podemos Identificar pelo quadro acima representado a Utilidade Total é máxima quando a
Utilidade Marginal é nula. Podemos também verificar que a utilidade marginal é decrescente, ou
seja, a utilidade marginal decresce à medida que vamos consumindo mais Kg de alimentação –
Está é a chamada Lei da Utilidade Marginal Decrescente.
Em termos matemáticos representaremos a função Utilidade como:
U=U(x1, x2)
Onde U é a utilidade, e x1 e x2 são quantidades consumidas dos dois produtos.
A representação gráfica da função utilidade para determinado nível de utilidade não é mais do que a
curva de indiferença. Uma função utilidade representa um mapa de curvas de indiferenças –
diferentes curvas para diferentes níveis de utilidade.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 39
Não se esqueça:
Quanto mais à direita (da origem) uma curva de indiferença estiver maior é o seu nível de utilidade.
Ao longo de uma curva de indiferença a utilidade é constante.
Duas curvas de indiferença não se podem interceptar.
A moderna teoria do comportamento do consumidor baseia-se na Utilidade Ordinal, usando a
técnica das Curvas de indiferença. Como já referenciado, as curvas de indiferença mostram as
combinações de produtos que nos dão a mesma utilidade total.
Como é efectuada a maximização da utilidade através do recurso à teoria do comportamento do
consumidor?











A teoria do comportamento do consumidor conjuga a restrição orçamental e as curvas de
indiferença para determinar a escolha óptima do consumidor. Desta forma consiguimos determinar
as quantidades que maximizam a decisão de compra do consumidor utilizando as seguintes
variáveis:
- Rendimento do consumidor;
- Preço da cada bem;
- Relação de escolha subjectiva patente nas preferências do consumidor.



Ponto de maximização da utilidade. Ponto
onde a restrição orçamental intercepta a
curva de indiferença como um nível de
utilidade superior.
Note que a restrição orçamental também
intercepta uma curva de indiferença no
ponto A e B, mas o nível de utilidade nesta
curva é inferior ao da curva U
1

Bem X
Bem Y
A
B
C
U
1

U
3

U
4

U
2

Utilidade crescente. Curvas de
indiferença à direita traduzem
um nível de utilidade superior.
X’
Y’

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 40
4.4. A PROCURA INDIVIDUAL E DO MERCADO

Já vimos até agora como as alterações nos preços e no orçamento podem alterar as nossas
decisões de compra. Toda a análise e derivação das curvas de procura individual partem da
maximização da utilidade do consumidor face a variações do preço de determinado produto. Nos
pontos anteriores foi referenciado que existiam 3 dimensões na escolha do consumidor (análise
entre dois bens, ou um bem e um cabaz):
- Rendimento disponível
- Preços dos produtos

- Relação de preferência entre os dois produtos.


Analisemos o gráfico ( Fig 4.6.) abaixo apresentado:







Suponha que o rendimento do consumidor é de 15 600$/semana e que o preço do bem composto
é, 130$. A ordenada na origem será então de 15 600.A abcissa na origem será de 15.600/PH sendo
PH o preço de habitação.
A Figura 1 mostra quatro restrições orçamentais que correspondem a quatro preços diferentes de
habitação, nomeadamente 3120$/m
2
, 1560$/m
2
, 780$/m
2
e 520$ m
2
. Os melhores cabazes
possíveis têm respectivamente 2,5 – 7 – 15 - e 20 m
2
/semana de habitação. Se repetíssemos
indefinidamente este procedimento com muitos preços, os pontos de tangencia resultantes
formariam a linha identificada por CPC na Figura 1. Esta linha é designada por curva preço-consumo
ou CPC.
Para o consumidor individual, cujo mapa de curvas de indiferença é mostrado na Figura 1, note que,
cada vez que o preço da habitação desce, a restrição orçamental roda para fora, permitindo ao
consumidor, não só conseguir comprar mais habitação, como também mais bens compostos. Cada
Variáveis expressas na restrição
orçamental:
R = Px X + Py Y
Relacionamento traduzido pela curva de
indiferença, que traduz um determinado nível
de utilidade. U=f(x,y)
Restrição orçamental
Curva de indiferença

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 41
vez que o preço da habitação desce, este consumidor escolhe um cabaz que contém mais habitação
que o cabaz escolhido anteriormente. Note, no entanto, que a quantidade de dinheiro gasto nos
bens compostos pode subir ou descer enquanto o preço da habitação desce. Assim, por exemplo, a
quantia gasta em outro bem desce quando o preço da habitação desce de 3120$/m
2
para
1560$/m
2
, mas sobe quando o preço de habitação desce de 780$/m
2
para 520$/m . Mais à frente
iremos ver por que é que este padrão de compra é relativamente comum.
Uma curva de procura individual é, como a curva de procura do mercado, uma relação que nos
indica as quantidades que o consumidor comprará a vários preços. Toda a informação que
necessitamos para construir a curva de procura individual está contida na curva preço-consumo. O
primeiro passo para passar da CPC para a curva de procura individual é o de anotar as combinações
relevantes de preço-quantidade da CPC da Figura 1.
Preço da Habitação ($m
2
) Quantidade de habitação procurada (m
2
)
3120 2.5
1560 7
780 15
520 20
O passo seguinte consiste em representar os pares preço-quantidade do Quadro 1. colocando o
preço de habitação sobre o eixo das ordenadas e a quantidade de habitação sobre o eixo das
abcissas. Com um número suficiente de pares de preço-quantidade, criamos a curva de procura
individual, mostrada na linha DD da Figura 2.
Repare que, ao mudar da CPC para a curva de procura individual, está mudar de um gráfico
cujos dois eixos medem quantidades para outro, em que um eixo mede o preço e o outro a
quantidade.

Neste capítulo outro conceito importante a reter é o de excedente do consumidor, que retracta o
benefício (quantificado) ao comprar determinado produto a determinado preço.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 42
Excedente do consumidor

Quando uma troca se faz voluntariamente, os economistas geralmente assumem que ela beneficia
os intervenientes. De outro modo, não estariam dispostos a faze-la. Esse tipo de medida é
designado por excedente do consumidor.
O excedente do consumidor é extremamente útil para medir os benefícios e/ou custos do
consumidor. É uma quantificação da extensão do benefício que os consumidores terão ao
participarem numa transacção.
Este benefício pode ser traduzido pelas variações do preço de um bem ou serviço, que por sua vez
são afectados por uma série de factores que já estudamos.
Usualmente utilizam-se duas formas para medir o excedente do consumidor:
• Baseada na curva da procura do consumidor para o produto;

Se o preço do mercado para a habitação for de 390$/m
2
a quantidade procurada de habitação será
de 12 m
2
.
Na compra do 1º m
2
o preço a pagar será de 1820$, logo o excedente do consumidor pela compra
do 1º metro quadrado será de 1820$ - 390$ = 1490$.
Na compra do 2º m
2
o preço a pagar será de 1690$, logo o excedente do consumidor pela compra
do 2º m
2
de habitação será 1690$ - 390$ = 1300.
Note-se que a altura da curva de procura correspondente a qualquer quantidade mede o máximo
que o consumidor está disposta a pagar por uma unidade adicional de habitação. Essa quantia
menos o preço de mercado é o excedente que obtém ao consumir a última unidade.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 43
O excedente total do consumidor ao consumir 12m
2
de habitação ao preço de 390$ é a área
sombreada entre a curva da procura e o preço de mercado.
Como medida do benefício podemos afirmar que sempre que existe uma perda de excedente do
consumidor o preço de equilíbrio de mercado tornou-se mais elevado.

Agregação das Curvas de Procura Individuais
A procura de mercado é igual ao somatório das procuras individuais.
Variando o i de 1 a n consumidores.
Assim a cada preço a procura de mercado será igual ao somatório das procuras individuais dos
consumidores.
Preço
Q
d
de
m
2
/habitação
pelo consumidor
A
Q
d
de
m
2
/habitação
pelo consumidor
B
Q
d
de
m
2
/habitação
pelo consumidor
C
Procura de
mercado de
habitação / m
2

1560$ 14 10 22 46
1200$ 24 15 32 71
980$ 34 20 42 96
750$ 44 25 52 121

Podemos assim representar a curva de procura de mercado, já que temos a relação do mercado
entre as quantidades procuradas a diferentes preços.

A Procura de Mercado
Como vimos a procura de mercado resulta da procura individual dos seus consumidores, assim

=
=
n
i
i mercado
d D
1
Preço / m2
2100
1800
1500
1200
900
600
300
20 40 60 80 100 120 Quantidade Procurada
Curva de Procura de Mercado para a Habitação

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 44
podemos definir a procura como a quantidade de determinado bem ou serviço que os consumidores
desejam adquirir num dado período de tempo. A procura como “fruto do desejo individual”
representa o máximo que os consumidores podem adquirir, dado o seu rendimento e os preços no
mercado.
Existem inúmeras variáveis que podem afectar directamente a procura (analisadas no capítulo
II). Tradicionalmente a função procura é traduzida pela seguinte forma:

Função geral da procura
Onde:
qi
d
= quantidade procurada da bem i num dado período de tempo t.
pi = preço do bem i/t
ps = preço dos bens substitutos ou concorrentes /t
pc = Preço dos bens complementares /t
R = Rendimento do consumidor/t
G = Gostos ou hábitos dos consumidores

Relações que se estabelecem com a procura

1- Relação entre a quantidade procurada e o preço do próprio bem
Traduz-se na função convencional da procura:
qi
d
=f(pi) com ps, pc, R e G constantes
sendo que :

,traduzindo a lei geral da procura, que nos diz que a quantidade procurada de um bem ou serviço
varia na relação inversa do seu preço
6
.
Como já vimos a curva da procura é usualmente negativamente inclinada, podendo assumir várias
formas:

6
Não esquecer o efeito da substituição e rendimento.
Existe uma excepção a esta regra – paradoxo de Giffen – em que por exemplo a diminuição do preço de um bem
provoca também uma quebra na sua procura.
) , , , , ( G R p p p f q
c s i
d
i
=
0 <
Δ
Δ
i
d
i
p
q

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 45

2 – Relação entre a procura de um bem e o preço de outros bens
No caso de um bem substituto, em que o consumo de um bem substitui o consumo do outro
qi
d
=f(ps) com pi, pc, R e G constantes
Ou seja, há uma relação directa entre, por exemplo, o consumo da Coca-cola e uma variação no
preço da água mineral.
Neste caso estamos normalmente perante deslocações da curva da procura. Se por exemplo o
preço da água mineral aumenta-se haveria uma deslocação da curva da procura da coca-cola para a
direita.
No caso de um bem complementar, em os bens ou serviços são consumidos conjuntamente.
qi
d
=f(pc) com pi, ps, R e G constantes
Por exemplo, um aumento no preço dos automóveis deverá diminuir a procura de gasolina.
O relacionamento entre a variação da quantidade procurada de determinado bem e a o preço de um
produto substituto ou complementar pode ser medido através da elasticidade preço cruzada da
0 >
Δ
Δ
s
d
i
p
q
0 <
Δ
Δ
c
d
i
p
q

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 46
procura (atenção às aulas e ao capitulo 3.)

3 – Relação entre a procura de um bem e o rendimento do consumidor
qi
d
=f(R) com pi, ps, pc G constantes
se
∆µ
Ð
∆R
> u, o bcm é consiJcroJo normol
se
∆µ
Ð
∆R
< u, o bcm é consiJcroJo in¡crior
Para bens de primeira necessidade (bens básicos como alguns bens de alimentação, água,
electricidade) a alteração do rendimento não irá afectar a sua procura.


O relacionamento entre o rendimento e a quantidade procurada de determinado artigo é estudado
através da elasticidade rendimento da procura (atenção às aulas..).
4 – Relação entre a procura de um bem ou serviço e hábitos do consumidor
qi
d
=f(G) com pi, ps, pc R constantes
Bem de primeira necessidade
Bem Normal Bem Inferior

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 47
Os hábitos ou gostos dos consumidores podem ser manipulados pela publicidade e campanhas
promocionais. Podemos ter campanhas para aumentar ou diminuir o consumo de bens, como nos
exemplos a seguir:


OBSERVAÇÕES COMPLEMENTARES
Quando falamos de variações na procura referimo-nos ao deslocamento da curva da procura, devido
a alterações em ps, pc, R ou G.
Variações na quantidade procura são movimentos ao longo da própria curva, devido a variações no
preço do próprio bem ou serviço (pi).
Os sinais dos coeficientes da função procura indicam a relação entre a quantidade procurada e a
variável em questão (directa ou inversamente proporcional). Por essa razão se o coeficiente de pi é
negativo, o coeficiente de ps é positivo, o coeficiente de pc é negativo e o rendimento positivo.





5. TEORIA DA EMPRESA: PRODUÇÃO
E CUSTOS DE PRODUÇÃO

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 48
Vamos iniciar a temática do estudo da empresa. A partir deste ponto vamos nos debruçar sobre o
estudo da forma como as empresas tomam as suas decisões, nomeadamente ao nível da decisão
quanto ao que produzir (quantidade) e ao preço de troca no mercado.

5.1. TEORIA DA PRODUÇÃO

Tópicos para discussão e estudo
• Tecnologia da Produção
• Isoquantas
• Produção com um factor Variável (Trabalho)
• Produção com Dois factores Variáveis
• Rendimentos de Escala

5.1.1 Introdução

Esta temática é voltada para a oferta de mercado. A teoria da produção procura resolver as
seguintes questões:
• O modo como uma firma toma decisões de produção (de forma a minimizarem o seu custo);
• A forma de variação dos custos de produção são indexadas ao nível de produção;
• As características da oferta de mercado;
• Problemas das actividades produtivas em geral.

A análise da função produção de uma organização é muito similar à análise do comportamento do
consumidor e da forma como estes escolhem entre determinados bens de forma a maximizar a sua
utilidade. A problemática aqui é centrada na combinação dos inputs produtivos (factores de
produção) tendo em atenção o custo dos referidos inputs.


Tecnologia da Produção
• O Processo Produtivo
Como processo produtivo vamos considerar a combinação e transformação de factores de produção
ou inputs produtivos em bens e serviços

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 49

• Tipos de factores (factores de produção)
– Trabalho
– Terra
– Matérias-primas
– Capital
– Organizacional

• Função de Produção:
– Indica o maior nível de produção que uma firma pode atingir para cada combinação
possível de factores, dado o estado da tecnologia (eficiência técnica ou tecnológica);
– Mostra o que é tecnicamente viável quando a firma opera de forma eficiente (eficiência
económica).

No caso de dois factores a função de produção é caracterizada por:
– Q = F(K,L)
– Q = Produto (em unidades), K = Capital, L = Trabalho
Como já visto, essa função depende do estado da tecnologia

Isoquantas
A representação gráfica da função produção de uma empresa é traduzida sob a forma de uma
isoquanta. A isoquanta traduz a combinação de recursos de forma a produzir determinado nível de
produção.
• Premissas para a nossa análise:
– Um produtor utiliza dois factores para a produção de determinado bem, por exemplo:
alimentação: Trabalho (L) & Capital (K)
– Observações:
1) Para qualquer nível de K, o produto aumenta quando L aumenta.
2) Para qualquer nível de L, o produto aumenta quando K aumenta.
3) Várias combinações de factores podem produzir a mesma quantidade de produto.
– Podemos desta forma afirma que são curvas que representam todas as possíveis
combinações de factores que geram a mesma quantidade de produto

Carlos

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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 51








• Flexibilidade no uso de factores
– As isoquantas mostram de que forma diferentes combinações de factores podem ser
usadas para produzir a mesma quantidade de produto.
– Essa informação permite ao produtor reagir eficientemente às mudanças nos mercados
de factores.

• Curto Prazo versus Longo Prazo
– Curto prazo:
– Período de tempo no qual as quantidades de um ou mais factores não podem ser
modificadas.
– Tais factores são denominados factores fixos.
– Longo prazo
– Período de tempo necessário para tornar variáveis todos os factores.

Note-se que no momento em que se fixa a quantidade a produzir e se procede à escolha da
combinação optima de recursos estamos a fixar um dos inputs produtivos. Na nossa análise
consideramos que fixamos o valor do Capital (provavelmente estamos a criar um custo fixo para a
organização).


5.1.2. Análise da Produção com um factor Variável

Podemos verificar que o Capital foi fixado em 10 unidades.

Carlos













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s Miguel Olive
Observações
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Carlos





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eira | Março
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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53


Carlos














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UÇÃO À ECON
de 2008 | R
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Carlos












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Carlos




5.1.3















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Carlos


















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INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 58
• A variação na produção resultante de uma variação na quantidade de trabalho é dada por:













Substitutos Perfeitos
• Observações válidas no caso de factores perfeitamente substituíveis:
1) A TMST é constante ao longo de toda a isoquanta.
2) O mesmo nível de produção pode ser obtido através de qualquer combinação de factores
(A, B, ou C)











L) )( (PMgL Δ
Isoquantas quando os factores são
perfeitamente substituíveis
Trabalho
por mês
Capital
por mês
Q
1
Q
2
Q
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A
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C
Q
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Q
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Capital
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Q
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A
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K
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Q
1
Q
2
Q
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A
B
C

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 59
Função de Produção de Proporções Fixas
• Observações válidas no caso de factores que devem ser combinados em proporções fixas:
1) Não é possível a substituição entre os factores. Cada nível de produção requer uma
quantidade específica de cada factor (p.ex. trabalho e martelos pneumáticos).
2) O aumento da produção requer necessariamente mais capital e trabalho (isto é,
devemos nos mover de A para B e, então, para C).

Uma Função de Produção para o Trigo
• Os agricultores devem escolher entre técnicas de produção intensivas em capital ou
intensivas em trabalho.













• Observações:
1) Operando no ponto A:
• L = 500 horas e K = 100 horas de máquina.
2) Operando no ponto B
• L aumenta para 760 e K diminui para 90; TMST < 1:


Isoquanta que Descreve a Produção
de Trigo
Trabalho
(horas por ano)
Capital
(horas
por ano)
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40
80
120
100
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por ano
A
B
10 - K = Δ
260 L = Δ
O ponto A é mais intensivo em
capital, e o B é mais intensivo
em trabalho.
100
90
Produção = 13.800 ton
por ano
A
B
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260 L = Δ
O ponto A é mais intensivo em
capital, e o B é mais intensivo
em trabalho.
04 , 0 ) 260 / 10 ( = − =
Δ
Δ
=
L
K -
TMST

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 60

3) TMST < 1, portanto, o custo do trabalho deve ser menor do que o custo do capital para
que o agricultor substitua capital por trabalho.
4) Se o trabalho for um recurso caro, o agricultor usará mais capital (ex. USA).
5) Se o trabalho não for caro, o agricultor usará mais trabalho (ex. Índia).


Rendimentos de Escala
• Medição da relação entre a escala (tamanho) de uma empresa e sua produção.
1) Rendimentos Crescentes de Escala: A produção cresce mais do que o dobro quando há
duplicação dos factores:
• Produção maior associada a custo mais baixo (automóveis)
• Uma empresa é mais eficiente do que muitas empresas (utilidade)
• As isoquantas situam-se cada vez mais próximas













2) Rendimentos Constantes de Escala: A produção dobra quando há duplicação dos
factores
• O tamanho não afeta a produtividade
Rendimentos de Escala
Trabalho (horas)
Capital
(horas de
máquina)
10
20
30
10
20
30
Rendimentos crescentes:
As isoquantas situam-se cada vez mais próximas
5 10
2
4
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A
Rendimentos crescentes:
As isoquantas situam-se cada vez mais próximas
5 10
2
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0
A
5 10
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0
A

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 61
• Afecta um grande número de produtores
• As isoquantas são espaçadas igualmente












3) Rendimentos Decrescentes de Escala: A produção aumenta menos que o dobro quando
há duplicação dos factores
• Eficiência decrescente à medida que aumenta o tamanho da empresa
• Redução da capacidade administrativa
• As isoquantas situam-se cada vez mais afastadas










Rendimentos de Escala
Trabalho (horas)
Capital
(horas de
máquina)
Rendimentos constantes:
as isoquantas são
espaçadas igualmente
10
20
30
10
20
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A
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15 5 10
2
4
0
A
6
Rendimentos de Escala
Trabalho (horas)
Capital
(horas de
máquina)
Rendimentos decrescentes:
as isoquantas situam-se
cada vez mais afastadas
10
20
30
10
20
30
5 10
2
4
0
A
5 10
2
4
0
A

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 62
Exemplo de um estudo de Rendimentos de Escala efectuado na Indústria Textil de um país em vias
de desenvolvimento
• A indústria de Textil observou crescimento significativo, com a deslocalização das empresas
que operavam nos países mais desenvolvidos (a partir de 1996), bem como o surgimento
de algumas empresas muito grandes.
• Pergunta
• Esse crescimento pode ser explicado pela presença de economias de escala?
• Há economias de escala?
– Custos (percentagem de custo para grandes empresas)
• Capital - 77%
• Trabalho - 23%
– Custos (percentagem de custo para pequenas empresas)
• Capital - 65%
• Trabalho - 35%
• Os Grandes Fabricantes
– Aumentaram o maquinário e o trabalho
– A duplicação dos factores mais do que dobrou a produção
– Verificam-se economias de escala para os grandes produtores
• Os Pequenos Fabricantes
– Pequenos aumentos na escala têm pouco ou nenhum impacto na produção
– Aumentos proporcionais nos factores aumentam a produção proporcionalmente
– Verificam-se rendimentos constantes de escala para os pequenos produtores

Podemos então concluir que os rendimentos de escala estão associados a:
- Sector de actividades onde as empresas estão inseridas;
- Dimensão da empresa;
- Composição de capital e trabalho utilizado na sua função produção.




INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 63
IMPORTANTE A RETER SOBRE ESTA TEMÁTICA:
• Uma função de produção descreve a produção máxima que uma empresa pode obter para
cada combinação específica de factores.
• Uma isoquanta é uma curva que mostra todas as combinações de factores que resultam
em um determinado nível de produção.
• O produto médio do trabalho mede a produtividade do trabalhador médio, enquanto o
produto marginal do trabalho mede a produtividade do último trabalhador incluído no
processo produtivo.
• A lei dos rendimentos decrescentes explica que o produto marginal de um factor diminui
quando a quantidade desse factor é aumentada.
• As isoquantas inclinam-se sempre para baixo porque o produto marginal de todos os
factores é positivo.
• O padrão de vida que um país pode oferecer a seus cidadãos está intimamente relacionado
a seu nível de produtividade.
• Na análise de longo prazo, tendemos a enfocar a escolha da empresa em termos de escala
ou dimensão de operação.


















INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 64
5.2. TEORIA DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO

INTRODUÇÃO
A teoria da produção, vista anteriormente, prende-se exclusivamente com questões tecnológicas,
físicas, entre inputs e produtos. Vejamos agora o lado dos custos de produção, que determinarão a
oferta da empresa.
Observaremos como a visão do economista difere da do contabilista, em particular no que se refere
aos custos implícitos e custos sociais, incorporados pelos economistas em suas curvas de custos.

5.2.1. CUSTOS DE OPORTUNIDADE VRS CUSTOS CONTABILISTICOS
Custos contabilísticos: envolvem dispêndio monetário. É o custo explícito, considerado na
contabilidade financeira.
Custos de oportunidade: são custos implícitos, que não envolvem desembolso monetário. Os custos
de oportunidade privados são os valores dos inputs que pertencem à empresa e são usados no
processo produtivo. Esses valores são estimados a partir do que poderia ser ganho, no melhor uso
alternativo (por isso também são chamados de custos alternativos).
Exemplos:
a) O capital em caixa na empresa: o custo de oportunidade é o que a empresa poderia estar a
ganhar, aplicando, por exemplo, no overnight;
b) O custo de oportunidade de se investir na ampliação da empresa é o que se ganharia se o
dinheiro fosse empregado no mercado financeiro;
c) Quando a empresa tem prédio próprio, ela deve imputar um custo de oportunidade,
correspondente ao que ela pagaria se tivesse que alugar instalações.
Para o economista, as curvas de custos das empresas deveriam considerar, além dos custos
contabilísticos, os custos de oportunidade, pois assim reflectiria a verdadeira escassez relativa do
recurso utilizado.
As empresas públicas, mais que as privadas, costumam utilizar a visão do economista para o
cálculo das tarifas e preços públicos.

AVALIAÇÃO PRIVADA E AVALIAÇÃO SOCIAL EXTERNALIDADES
Avaliação privada: avaliação financeira, específica da empresa.
Avaliação social: custos (e benefícios) para a sociedade como um todo, derivado da produção das
empresas.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 65
Por exemplo, quando aumenta a produção automobilística, além dos custos dessa indústria,
devemos considerar também o aumento dos custos sociais, derivados do aumento da poluição
sonora e ambiental (emissão de gases, ruído, etc.), além do desgaste das ruas e estradas. Quando
aumenta a produção da indústria extractiva de madeira, há perdas ecológicas derivadas do
desbravamento.
Essa óptica é muito utilizada em avaliação de projectos de investimento, principalmente no sector
público. Tomemos como exemplo um projecto de construção de uma hidroeléctrica da EDP. Pela
óptica privada (da EDP), o custo a ser considerado é o seu desembolso financeiro no projecto. Isso
inclui os gastos com impostos, pessoal, capital, terra, etc.. Sob a óptica social, impostos e encargos
sociais com trabalhadores não são custo social, e sim transferências. Nesse caso, o custo privado é
maior que o custo social. Comparando-se o custo social com o benefício ou retorno social do
projecto, decide-se se o mesmo deve ou não ser implementado.
A diferença entre a óptica privada e a social também pode ser chamada de externalidades (ou
economias externas), que podem ser definidas como as alterações de custos e benefícios para a
sociedade. Derivadas da produção das empresas, ou então como as alterações de custos e receitas
da empresa, devidas a factores externos à empresa. Nessa linha, por exemplo, os comerciantes de
lustres têm externalidades positivas por se localizarem próximos um do outro; uma indústria
química poluidora dos rios impõe externalidades negativas à indústria pesqueira etc.


5.2.2. CUSTOS A CURTO PRAZO

Como vimos anteriormente, a curto prazo, alguns factores são fixos, qualquer que seja o nível de
produção. Normalmente, consideramos como factor fixo a planta da empresa, ou equipamentos de
capital.
Conceitos de custo total, custo variável total e custo fixo total
Custo Variável Total (CVT): parcela do custo que varia, quando a produção varia (por exemplo,
salários e matérias-primas). E a parcela dos custos da empresa que depende da quantidade
produzida.
CVT = f (q)
Ou seja, são os gastos com factores variáveis de produção.
Custo Fixo Total (CFT): parcela do custo que se mantém fixa, quando a produção varia (por exemplo,
rendas das instalações). Ou seja, são os gastos com factores fixos de produção.
Custo Total (CT) = CVT + CFT

Carlos
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de 2008 | R
o custo variá
as curvas CT
gnifica que, d
inantes. Mas
osto fixo a c
ei dos rendi
lei dos custos
, custo variáv
= Custos Tota
CVT/q
T/q
NOMIA – PART
.0 ………………
ável total CVT,
T e CVT cresc
dada certa ca
s um aument
curto prazo),
mentos decr
s crescentes)
vel médio e c
is / quantidad
TE I MICROEC
……………………
, que depend
em, mas a ta
apacidade ins
to maior de
e os custos
rescentes do
).
usto fixo méd
de produzida
CONOMIA
…::…………………
de da quantid
axas decresc
stalada, no in
produção co
s começam
o lado dos
dio
a = CT/q (Cust
…………….
ade produzid
centes, para d
nício, o aume
meça a "satu
a crescer a
custos (aqui
to unitário)
66
da.
depois
nto de
urar' o
taxas
mais


Carlos

O form
ou le
mão-d
traba
satura
propo

Conce
Custo
produ

Como
são in

Na fig
total m
s Miguel Olive
mato em U d
i dos custos
de-obra para
lhadores e a
a a utilizaç
orcionais de p
eito de custo
o marginal (C
uzir uma unid
o dCFT = O, s
nfluenciados

Relações grá
gura abaixo a
médio e custo
INTRODU
eira | Março
as curvas de
crescentes.
um grande
aumentar a p
ão de capit
produção (ou
marginal
Cmg) = variaç
ade a mais d
segue que CM
pelos custos
ficas entre o
apresentada,
o variável mé
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
e CTMe e CVM
Inicialmente
equipamento
produção, po
tal, e a ad
seja, os cust
ção do CT/va
do produto
Mg = (dCVT +
fixos.
custo margin
observamos
édio no ponto
NOMIA – PART
.0 ………………
Me também s
, os custos m
o de capital.
ois o custo m
missão de
tos médios co
ariação em q
+ dCFT)/dq =
nal e os custo
que a curva
o de mínimo d
TE I MICROEC
……………………
se deve à lei
médios são d
Até certo po
médio cai. Ma
mais trabal
omeçam a au
q = ΔCT/ Δ
dCVT/dq , ou
os médios tot
de custo ma
destas.
CONOMIA
…::…………………
dos rendime
declinantes,
nto, é vantaj
as chega-se
hadores não
mentar).
Δq = dCT/dq
u seja, os cus
al e variável
arginal corta
…………….
ntos decresc
pois tem-se
joso absorve
a certo pont
o trará aum
. É o custo
stos margina
as curvas de
67
centes,
pouca
r mais
to que
mentos
de se
is não
e custo

Carlos

Intuit
custo
signif
médio
(total

5.2.3

Como
existe
Deve
sequê
difere
um in
qualq
equip
Um ag

CURV
Supo
curva
s Miguel Olive
ivamente, se
o médio cresc
fica que o cu
o, o médio só
ou variável),
3. CUSTOS
o foi visto, o
em custos fixo
ser observa
ência de cur
entes escalas
nvestimento,
quer uma das
pamentos (ca
gente económ
VA DE CUSTO
nhamos três
as de custo m
INTRODU
eira | Março
e o custo ma
cera: assim,
usto médio e
ó pode cair. C
o marginal e
S A LONGO
longo prazo
os: todos os c
ado que o lo
rtos prazos:
s de produção
a empresa e
s alternativas
pital fixo) e o
mico opera a
MÉDIO DE LO
tamanhos o
médio de curto
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
rginal (ou sej
quando o cu
estará cresce
Consequentem
estará cortand
PRAZO
é um períod
custos são va
ongo prazo é
os empresár
o (tamanhos)
está numa s
s. Depois do
pera em cond
curto prazo e
ONGO PRAZO
ou escalas d
o prazo (CMeC
NOMIA – PART
.0 ………………
ja, o custo a
usto margina
ndo. Analoga
mente, quand
do o médio no
o de tempo
ariáveis.
é um horizo
rios têm um
), que eles po
situação de lo
investimento
dições de cur
e planeia a lo
O (CmeL)
e produção:
C):
TE I MICROEC
……………………
adicional) sup
al supera o c
amente, se o
do o custo m
o ponto de m
no qual todo
onte de plan
elenco de s
odem escolh
ongo prazo:
o realizado, o
rto prazo
ongo prazo.
pequena, m
CONOMIA
…::…………………
pera o médio
custo médio
o custo marg
arginal for igu
mínimo do cus
os os inputs
eamento. Na
situações de
er. Por exem
o empresário
os recursos s
média e grand
…………….
o, é evidente
(total ou var
ginal for infer
ual ao custo
sto médio.
são variáveis
a verdade, é
e curto prazo
plo, antes de
o pode selec
são convertid
de, e as seg
68
que o
riável),
rior ao
médio
s. Não
é uma
o, com
e fazer
ccionar
os em
guintes

Carlos

d

p

in
fu
C
A curv
(CM e
longo
Supo
assim
s Miguel Olive
Se a emp
dada pelos cu
Se planei
pode, se quise
Se planeja
ntersecção d
uturos da pro
CMeC2; em q4
va "cheia" é
e) para prod
o prazo.
ndo um núm
m ilustrada:
INTRODU
eira | Março
resa planeia
ustos CmeC1;
a produzir q3
er, produzir co
produzir q2 o
das plantas.
ocura, o emp
4, CmeC3).
a curva de c
uzir cada nív
ero ilimitado
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
produzir ao n

3, a melhor i
om CmeC1, m
ou q4, existem
Mas, em um
resário deve
custo médio d
vel de produç
de possibilid
NOMIA – PART
.0 ………………

nível de produ
instalação é
mas os custos
m duas alter
m planeamen
escolher a p
de longo praz
ção. Também
dades, uma c
TE I MICROEC
……………………
ução q1, não
dada por CM
s seriam maio
rnativas. Esse
nto de longo
lanta de insta
zo (CMeL), e
m é chamada
urva de custo
CONOMIA
…::…………………
há dúvidas: e
MeC2, pois ga
ores;
es pontos fic
prazo, prev
alação maior
mostra o me
a de curva d
o médio a lon
…………….
escolhe a est
astaria meno
cam justamen
endo-se aum
r (em q2, esco
enor custo u
e planeamen
ngo prazo po

69
trutura
os. Ele
nte na
mentos
olheria
nitário
nto de
de ser

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 70
O PONTO A) traduzirá a Escala óptima

FORMATO DA CURVA DE CUSTO MÉDIO DE LONGO PRAZO
Como vimos, as curvas de CMe de curto prazo têm a forma de U devido à lei dos rendimentos
decrescentes, resultante da existência de inputs fixos a curto prazo. A longo prazo, não existem
inputs fixos e a forma da curva de CMe de longo prazo (CMeL) é determinada pelas economias ou
deseconomias de escala. No início, à medida que a produção se expande, a partir de níveis muito
baixos, os rendimentos crescentes (economias) de escala causam o declínio da curva CMeL.
Mas, à medida que a produção se torna maior, as deseconomias de escala passam a prevalecer,
provocando o crescimento da curva.

COMO ESCOLHER A COMBINAÇÃO ÓPTIMA DOS FACTORES DE PRODUÇÃO
No curto prazo normalmente apenas um dos factores é variável, logo a variação do custo total
estará intimamente ligada a variação deste factor. Contudo no longo prazo todos os factores de
produção, por definição, variam livremente, temos a oportunidade de escolher qualquer combinação
de inputs que a minha função produção permita.
A escolha dos inputs depende dos preços relativos dos factores produtivos (normalmente e na
nossa análise - capital e trabalho).
Analogamente à teoria do comportamento do consumidor (conceito de restrição orçamental), temos
também aqui uma restrição a nível de custos. A esta restrição vamos dar o nome de ISOCUSTO,
assumindo as mesmas propriedades da restrição orçamental. Contudo agora não temos um
rendimento fixo para gastar entre os dois inputs. A recta de isocusto vai variar de acordo com o nível
de output, sendo a escolha óptima dos inputs produtivos ligada à minimização dos custos de
produção.
Vamos retratar este matéria com um exercício.


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 71


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 72
6. ESTRUTURAS DE MERCADO
6.1. INTRODUÇÃO

As empresas inserem-se em mercados que podem assumir diversas formas de funcionamento. O
objectivo deste capítulo é o de estudar o comportamento das empresas e a forma como as mesmas
fixam os seus preços.
Tipo de
estrutura de
mercado
N.º de empresas que integram a
oferta total
Grau de substituibilidade ou diferenciação
ente produtos
CONCORRÊNCIA
PERFEITA
Muitas empresas.
A oferta de cada uma delas é
uma parcela ínfima da oferta
global.
Não existe confronto directo ou
rivalidade entre os produtores
Cada uma delas não se preocupa
com os efeitos do
comportamento individual das
demais. As decisões de cada
empresa não alteram nem o
volume das vendas globais nem
o preço praticado no mercado
Produtos perfeitamente homogéneos.
Os bens oferecidos por todas as empresas
são sucedâneos perfeitos.
È indiferente para o consumidor dar
preferência a qualquer dos vendedores.
Os bens tem características tipificadas ou
standartizadas.
Concorrência
monopolista
Muitas empresas Produtos sucedâneos próximos
Oligopólio Poucas empresas
A oferta de cada empresa é
significativa em relação à oferta
global do mercado.
As decisões de cada empresa
condicionam a situação dos
demais, existe rivalidade e
confronto no mercado
Produtos homogéneos ou diferenciados.
No caso de produtos
heterogéneos/diferenciado os bens
oferecidos apresentam entre si alguma
diferença identificável pelos compradores.
Apresentam a capacidade de se substituírem
na satisfação das necessidades similares
Monopólio Única empresa.
A oferta da empresa é a oferta do
mercado.
Produto sem sucedâneo próximo ou remoto

O OBJECTIVO DA EMPRESA
À luz da teoria neoclássica ou marginalista o objectivo da empresa é sempre maximizar o
lucro total.
A maximização do lucro total corresponde à produção em que:
Receita Marginal (RMg) = Custo Marginal (CMg)

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 73
O que significa que se a empresa aumenta a produção, e a receita adicional (RMg) for maior
que o custo adicional (CMg), o lucro estará aumentando, no caso contrário o lucro estará
diminuindo. O equilíbrio dar-se-á quando a RMg igualar o CMg.
A teoria neoclássica ainda preserva a vantagem de ser a teoria mais geral, com razoável
poder preditivo e formalmente consistente, sendo bastante adequado para estruturas de mercado
concorrenciais. Nota-se, contudo, um grande avanço nas teorias alternativas, que são bem mais
recentes, não estando ainda perfeitamente consolidadas.

6.2. O MERCADO DA CONCORRÊNCIA PERFEITA

Hipóteses do modelo:
- Atomicidade (mercado atomizado). Infinitos compradores e vendedores (átomos). Nenhum
agente isolado tem capacidade para afectar o preço de mercado. Assim o preço de mercado é um
dado fixo para empresas e consumidores (são price-takers, isto é, tomadores de preços no
mercado).
- Homogeneidade (produto homogéneo). Todas as firmas oferecem um produto homogéneo
(semelhante, não há diferenças como qualidade, embalagem, etc.)
- Mobilidade de bens. Não existem custos de transporte.
- Mobilidade das empresas. O mercado não tem quaisquer tipos de barreiras de entrada ou
saída, tanto para compradores, como para vendedores.
- Racionalidade. Todos os agentes económicos agem racionalmente, isto é, as empresas
maximizam os seus lucros, os consumidores a sua utilidade.
- A informação é completa. Todos os agentes conhecem tudo do mercado: preços, qualidade,
custos, receitas e lucros dos concorrentes.
- Não existem externalidades.
- O mercado dos factores de produção também é em concorrência perfeita. Equivale a dizer
que os preços dos factores de produção são fixos, dados. Ou seja, todas as firmas se deparam com
idênticas curvas de custos.
Todas as hipóteses anteriores, também são válidas para o mercado de factores de produção.
Como podemos observar, são hipóteses "ideais", reflectindo um mercado sem barreiras, sem
interferências; enfim, pouco realistas. Mas essas hipóteses representam uma base, um referencial,
para a construção de modelos mais próximos da realidade. Como observa a economista inglesa
Joan Robinson, é mais útil construir inicialmente modelos simples e depois preencher os detalhes,
do que construir directamente modelos com todos os detalhes da realidade.

Carlos
Dada
sua s
não a
Como
seja,

ho

po
Assim
de cu
Dessa
empr
(corre
variaç
a pró
s Miguel Olive
FUNCIONAM
Curvas de p
a hipótese d
saída, por exe
afectando o p
o P0 é preço d
é horizontal.
se quiser
omogéneos, o
não venderá
or que vender
m, ao preço p0
ustos.
a forma, a c
esas) é nega
esponde a di
ção de preço
Curvas de r
Receita tota
RT = preço
RT= p.q
Receita Mé
Rme = RT/q
Rme = p.q /
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pria procura
INTRODU
eira | Março
MENTO DO M
procura de me
da atomicidad
emplo, traria
reço Po).
de venda pa
A empresa só
vender a um
os consumido
á a um preço
r mais barato
0, a empresa
curva de proc
ativamente in
zer que a cu
de mercado,
receita da em
al (RT) : total
o unitário de v
dia (RMe): re
q
/ q = p R
RMe é semp
da empresa
P
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
ERCADO DE C
ercado e da f
de, uma emp
uma alteraçã
ra a empresa
ó pode vende
m preço ma
ores comprarã
o mais baixo.
o?
vende quant
cura de mer
nclinada, mas
urva de procu
a procura pa
mpresa
de receita da
venda x quan
eceita por unid
Me = p
pre igual ao p
individual, a
Procura
NOMIA – PART
.0 ………………
CONCORRÊN
firma individu
resa isolada
ão apenas inf
a, então a cu
er a esse preç
ais alto, não
ão mais bara
Seria irracion
o puder, depe
rcado de me
s a curva de
ura para a e
ara a firma é
a empresa.
ntidade vendi
dade de prod
reço unitário
RMe é a pró
TE I MICROEC
……………………
CIA PERFEITA
ual
não consegu
finitesimal na
urva de procu
ço, pois:
o venderá n
ato das outras
nal, pois, se a
endendo do s
rcado (com
procura para
mpresa é inf
indeterminad
da
duto vendida
de venda. Po
pria curva de
CONOMIA
…::…………………
A
e alterar o pr
a curva de of
ura é dada p
nada (como
s empresas);
ao preço p0 v
seu tamanho
a qual se de
a a firma indi
finitamente e
da).
or outro lado,
e procura da
…………….
reço de merc
erta de merc
para a empre
os produto

vende quanto
e da sua est
efrontam tod
ividual é hori
elástica: se o
como o preç
empresa indi
74
ado (a
cado Si
sa; ou
s são
o quer,
trutura
das as
izontal
ocorrer
ço P0 é
ividual

Carlos
(afina
Em c
Então

Curva
As cu
Equilí
conco
Supõe
então
empr
Mostr
RMg =
s Miguel Olive
al, a RMe mos
Em concorr


Receita Ma
Portanto:


oncorrência
o, a RMg é igu
as de custos
rvas de custo
íbrio da firm
orrência perfe
e-se que o em
o, qual a qua
esa.
raremos que
= CMg, sendo
R
RMg
Δ
Δ
=
INTRODU
eira | Março
stra o que o c
rência perfeita
rginal (RMg):
perfeita, a re
ual ao preço,
os são as mes
ma em conco
eita)
mpresário ra
antidade ópt
a regra para
o CMg cresce
dq
q dp
q
RT
= =
Δ
.
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
consumidor c
a, a RMe é fix
é a variação
eceita margin
e é fixa (pois
smas já vista
orrência per
cional tenha
tima para a
a firma maxi
ente
p =
NOMIA – PART
.0 ………………
compra, a dad
xa, pois P0 é c
da receita to
nal é o preço
s o que se gan
as anteriorme
rfeita (a curt
sempre por
firma, ou sej
mizar lucros
TE I MICROEC
……………………
dos preços, o
constante.
otal, quando v
o recebido p
nha de receita
ente, na teoria
to prazo) (o
objectivo últi
ja, a quantid
é dada por;
CONOMIA
…::…………………
u seja, a próp
varia a quant
pela unidade
a adicional é
a dos custos
u maximizaç
imo maximiza
dade que ma
…………….
pria procura).
idade vendid
adicional ve
dado).
de produção.
ção de lucro
ar lucros. Vej
aximiza o luc
75
.
a:
ndida.
.
os em
jamos,
cro da

Carlos
Corre
Sabem
lucro.
• re
aume
• re
Porta
RMg =
Entre

Falta
grafic


s Miguel Olive
esponde ao po
mos que o e
. Então, se:
eceita adicio
entada, pois o
eceita adicion
nto, no equilí
= CMg temos
tanto, existem
provar que a
camente.
INTRODU
eira | Março
onto X do grá
empresário ra
onal > custo
o lucro aumen
nal < custo ad
íbrio:
s a quantidad
m dois pontos
maximização
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
fico a seguir,
acional semp
o adicional,
ntará;
dicional, a qu
de óptima
s onde RMg =
o de lucros d
NOMIA – PART
.0 ………………
ou seja, ao n
pre aumenta
o lucro mar
uantidade q n
= CMg (X e Y,
á-se no ponto
TE I MICROEC
……………………
nível de produ
rá a produçã
rginal aumen
não será aum
no gráfico):
o X, com CMg
CONOMIA
…::…………………
ução q0
ão, quando is
nta e a qua
entada, pois
g crescente. V
…………….
sso significa
antidade dev
o lucro cairá
Vamos mostra
76
maior
ve ser
.
ar isso

Carlos

Em q1


Em q2


Em q3



Em q4


Em q5


Em q6


Porta
esse
s Miguel Olive
1 RMg = 60
CMg = 80

2 RMg = 60
CMg = 60

3 RMg = 60
RMg = 30
4 RMg = 60
CMg = 40
5 RMg = 60
CMg = 60

6 RMg = 60
CMg = 10
nto, a produç
No ponto q2
é um ponto d
INTRODU
eira | Março
0
0

0
0

0

0

0

00
.
ção óptima pa
2, também RM
de prejuízo m
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
Nestes trê
vantajoso
constante
lucros ma
Por isso, o
é o máxim
RMg> CMg
pouco ma
q5 Máximo
o CMg é c
A partir de
.
ara a firma oc
Mg = CMg, m
áximo.
NOMIA – PART
.0 ………………
ês pontos, com
para ele aum
, mas os cust
rginais são cr
o ponto q2, em
mo lucro.
g. O CMg é cr
is a produção
o lucro. Não d
rescente (e R
e q5
corre no pont
mas o CMg é d
TE I MICROEC
……………………
m o custo ma
mentar a prod
tos são decre
rescentes).
mbora a RMg
rescente, mas
o até CMg=RM
deve aumenta
RMg fixa), o qu
to q5, onde RM
decrescente.
CONOMIA
…::…………………
arginal decres
dução, pois a
escentes (ent
= CMg, ainda
s ainda dá pa
Mq
ar mais a pro
ue significa lu
Mg = CMg, co
Mostraremos
…………….
scente é
RMg é
tão os
a não

ara aumentar
odução, pois
ucros menore
om CMg cresc
s mais adiant
77
r um
es,
cente.
te que

Carlos
Essas
s Miguel Olive

Áreas de luc
O gráfico a
s áreas també

Curva de of
INTRODU
eira | Março
cro total (LT),
cima mostra
ém podem se
ferta da firma
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
, receita total
as áreas de
er visualizada
a em concorrê
NOMIA – PART
.0 ………………
(RT) e custo
e LT, RT e CT
as em termos
ência perfeita
TE I MICROEC
……………………
total (CT)
T em termos
s de curvas to
a
CONOMIA
…::…………………
de curvas m
otais, como a
…………….
médias e marg
seguir se mo
78
ginais.
ostra.

Carlos
curva
médio
onde
mostr
quand
oferta
s Miguel Olive
Provaremos
a de custo ma
o mínimo

. Ou
CVMe é míni

Mostraremo
raremos por q
Por que é
do o preço d
a: variação de

- quando o
- quando o
- quando o
INTRODU
eira | Março
s que "a curv
arginal, a part
u seja, a curv
mo.
os primeiro p
que ela é def
a curva de C
de mercado a
e q, quando p
preço é p0, a
preço é p1, a
preço é p2 a
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
va de oferta d
tir do ponto e
va de oferta
por que a curv
finida apenas
CMg? A resp
aumenta, ou
p aumenta).
a firma oferec
a firma oferec
firma oferece
NOMIA – PART
.0 ………………
da firma em c
em que o cus
da firma é o
va de oferta
s após o CVMe
posta é que
seja, reflect
ce q0 (que ma
ce q1 (que ma
e q2 (que max
TE I MICROEC
……………………
concorrência
sto marginal
CMg, a parti
é o próprio ra
e mínimo.
essa curva r
te o aumento
aximiza seu lu
aximiza seu lu
ximiza seu luc
CONOMIA
…::…………………
perfeita é o
é maior do q
r do ponto A,
amo crescent
reflecte a res
o de q, quan
ucro, a p0);
ucro, a p1);
cro, a p2).
…………….
ramo crescen
ue o custo va
, no gráfico a
te do CMg. D
sposta das f
ndo p varia (
79
nte da
ariável
abaixo,
Depois,
firmas,
isso é

Carlos
firma
em re
algum
situaç

s Miguel Olive
Como a firm
em concorrê
elação a varia
Por que ap
ma coisa ocor
p = CVMe m
Em termos
p.q=CVMe .
RT = CVT
Abaixo des
ções distintas
a) p

É a situação
b) p < CTMe
INTRODU
eira | Março
ma maximiza
ência perfeita
ações de preç
penas após o
rre quando:
mínimo
totais (multip
.q
sse ponto, a
s, com três pr
>CTMe (RT>
o normal, com
e, mas p > CV
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
lucros apena
é o ramo cre
ços, dão-se ne
o CVMe mínim
plicando amb
firma deve
reços de mer
>CT)
m lucros extra
VMe (RT< CT,
NOMIA – PART
.0 ………………
as no ramo cr
escente da cu
esse trecho d
mo? Porque
os os membr
fechar as p
rcado diferent
aordinários.
mas RT> CVT
TE I MICROEC
……………………
rescente do C
urva de CMg,
da curva.
o preço mín
ros por q), oco
portas. Para
tes.
T)
CONOMIA
…::…………………
CMg, então a
dado que as
nimo para qu
orre quando:
provar isso,
…………….
curva de ofe
reacções da
ue a firma pr

suponhamo
80
erta da
firma,
roduza
os três

Carlos
Nesta
que p
Assim
maté
esper
já inv
s Miguel Olive
a situação, a
pagar todos
m, se fecha, p
rias-primas) e
rar por dias m
c) p = CVMe
Neste caso
estiu na activ



INTRODU
eira | Março
firma aprese
os custos fix
paga todo CF
e uma parte
melhores, com
e mínimo (RT
, o prejuízo é
vidade, tem c
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
enta um preju
xos (renda i
FT. Se contin
dos custos f
m preços mais
= CT)
é o mesmo, fe
clientes etc., d
NOMIA – PART
.0 ………………
uízo, mas ela
nstalações, p
uar, ela pode
ixos. Como é
s vantajosos.
echando a em
deve continua
TE I MICROEC
……………………
não deve fec
parcelas de
e pagar todo
é uma situaçã

mpresa ou co
ar, esperando
CONOMIA
…::…………………
char as porta
compra do e
os os custos
ão de curto p
ontinuando a
o melhorar o
…………….
as, pois assim
equipamento
variáveis (sa
prazo, a firma
operar. Mas
mercado.
81
m teria
o etc.).
alários,
a deve
como

Carlos
meno
conco
variáv
remu
empr
custo
extrao
oport
as cu
vimos
empr
merca
prazo
Grafic
s Miguel Olive
d) p < CVMe
Nessa situa
Assim, uma
os os custos
orrência perfe

Equilíbrio de
Como sabe
veis (salários
CT= CVT ou
Posto isto, c
Nas curvas
neração pode
egue seus re
o de oportuni
ordinário: o e
unidade.
Como os ec
urvas de cust
s nos tópicos
Em concorr
esas para es
ado apresent
o a tendência
camente:
INTRODU
eira | Março
e mínimo (RT
ação, a firma
a firma em co
s variáveis (
eita é o ramo
e longo prazo
emos, a long
, rendas, etc.
CTMe = CVM
cabe uma dif
de custos v
e ser medida
ecursos em ou
dade da act
empresário r
conomistas c
tos vistas até
anteriores é
rência perfeit
sse mercado
ta lucros extr
a é de que
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
T < CVT)
não consegu
oncorrência p
(principalmen
crescente da
o de uma firm
go prazo, nã
). Portanto:
Me.
ferenciação e
istas até ago
a pelo custo d
utra actividad
ividade empr
recebe mais
consideram ta
é agora já têm
o lucro extrao
a, supõe-se q
(pelas hipóte
raordinários -
os lucros ex
NOMIA – PART
.0 ………………
e nem pagar
erfeita só ope
nte salários).
a curva de CM
ma em concor
ão existem c
entre lucros "e
ora está engl
de oportunid
de. Isso é cha
resarial. O qu
do que deve
ambém os cu
m englobado
ordinário (LT=
que os lucros
eses de trans
e livre entra
xtras tendem
TE I MICROEC
……………………
os custos va
era quando o
. Então, a c
Mg, após o CV
rrência perfeit
ustos fixos,
extraordinário
obada a rem
ade, ou seja,
amado de luc
ue exceder e
eria receber,
ustos de opo
o lucro norm
= RT-CT).
s extraordinár
sparência de
da e saída de
m a zero, exi
CONOMIA
…::…………………
ariáveis. Deve
o preço de me
curva de ofe
VMe mínimo.
ta
ou seja, tod
os" e lucros "n
muneração do
, o que ele re
cro normal, o
esse custo é
, de acordo
rtunidades (c
mal. Nesse se
rios a curto p
e mercado - t
e firmas). De
stindo apena
…………….
e fechar as po
ercado super
erta da firm

dos os custo
normais".
o empresário
eceberia se t
que reflecte
chamado de
com seu cus
custos "implíc
entido, o lucr
prazo atraem
odos sabem
essa forma, a
as lucros no
82
ortas.
ra pelo
ma em
os são
. Essa
ivesse
o real
e lucro
sto de
citos"),
ro que
novas
que o
longo
rmais.

Carlos
curva




s Miguel Olive

(mais firma
Quando pre
LT = RT - CT
no ponto (P
a de custo mé
Resumindo
INTRODU
eira | Março
s entrando, a
eço chega a P
T
P2, q2), RT =
édio de longo
: a longo praz
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
a curva de ofe
P2 cessam os
CT (RMe = C
prazo (escala
zo, em conco

NOMIA – PART
.0 ………………
erta de merca
lucros extrao
CTMe) e LT =
a ou tamanho
rrência perfe
TE I MICROEC
……………………
ado aumenta
ordinários, po
= 0. Esse po
o óptimo da e
eita, só existe
CONOMIA
…::…………………
, deslocando
ois:
nto correspo
empresa).
m lucros "nor
…………….
-se para a dir
onde ao mínim
rmais”.
83
reita).
mo da

Carlos
6

Hipót
a
b
Essas



te

g
u

FUNC

Curva
Como
procu
Porta

s Miguel Olive
6.3. MON
teses do mo
a) Uma única
b) Existência
s barreiras po
Protecção
Controlo s
Tradição,
empo para ve
Monopólio
grandes dime
um preço equ
Monopólio

CIONAMENT
a de procura
o se trata de
ura para a em
nto:
INTRODU
eira | Março
NOPÓLIO
odelo
a empresa pr
a de barreiras
odem ocorrer
o de patentes
sobre o fornec
exemplo: me
encer a tradiç
o natural, no
nsões, opera
ivalente à em
o estatal, prot
TO DO MODE
a do monop
uma única
mpresa.
UÇÃO À ECON
de 2008 | R

roduz um pro
s à entrada de
de várias for
s (direito único
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ercado de re
ção dos relóg
ormalmente d
a com baixos
mpresa mono
tegido por leg
ELO DE MON
olista
empresa, ter
NOMIA – PART
.0 ………………
duto sem sub
e firmas conc
rmas:
o de produzir
matérias-prim
lógios. Os jap
ios suíços.
devido à efici
custos. Seria
polista
gislação.
NOPÓLIO
remos que co
TE I MICROEC
……………………
bstitutos próx
correntes.
r)
as chave;
poneses tiver
iência da em
a difícil algué
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CONOMIA
…::…………………
ximos.
rem que inve
mpresa. A em
ém oferecer o
e a procura
…………….
estir durante
presa já exis
o mesmo prod
para a indús
84
muito
ste em
duto a
stria =

Carlos
Assim
preço
aume
contro
ele re
discri
se fixa
se b
unida



Curva
A rece
cada
Rme
Rme
Em co
Em m
mais
Rmg
NOTA
estive
No
diagra
ou se
quant
receit
Supo
Rme
RT =
RMg =

s Miguel Olive
m, se o mon
o diminuirá,
entará. Ness
olo do preço
esolve produz
minar preços
ar um preço d
aixar o pre
ades.
as da Receit
eita média d
unidade do p
=
RT
Q
=
P × µ
µ
= P
oncorrência p
monopólio, a R
baixo que as
=
∆RT
∆Q
=
oRI

A: Prova-se q
ermos perant
modelo de
ama a segui
eja, a receita
tidade (abcis
ta média (Rm
ndo uma curv
= p = a - bq
p.q = (a – bq
= dRT/dq = a
INTRODU
eira | Março
nopolista res
se produ
se sentido,
de mercado,
zir (traduzindo
s). No gráfico
de 1,45 u.m.
eço para 1,2
ta Média e M
o monopolist
produto. É a p
µ
= P
perfeita, vimo
RMg é diferen
quantidades
I
µ

ue a RMg co
te uma curva
monopólio,
r, prova-se q
a marginal c
ssa) na meta
me).
va de procura
).q = aq – bq
a – 2bq
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
solver oferec
uzir menos,
o monopolis
que depende
o a sua capac
podemos co
irá vender 10
275 u.m. v
Marginal
ta é o preço
própria procu
os que RMg =
nte da Rme. I
s anteriores.
orta o eixo d
de procura li
, conforme
que 0A = 0B/
corta o eixo
ade do corte
a linear, temo
2

NOMIA – PART
.0 ………………
cer mais, o
o preço
sta tem o
e de quanto
cidade para
onstatar que
0 unidades,
venderá 11
do produto n
ra de mercad
Rme = p.
sso porque a
das abcissas
near
o
/2,
da
da
os:
TE I MICROEC
……………………
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do.
a quantidade
na metade
CONOMIA
…::…………………
é o que o co
adicional é v
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…………….
nsumidor pa
vendida a um
Rme, sempr
85
ga em
preço
re que

Carlos
Saben

0 = a
a = bq
q1 = a
Interc
0 = a
a = 2
q2 = a
Assim

A rela

Tínha
relaçã
Procu

Procu



Custo
mono
Podem
estrut
mono
essên
mode



s Miguel Olive
ndo que, no d
Intercepçã
– bq1
q1
a/b
cepção da RM
– 2bq2
bq2
a/2b
m: q1 = q2/2
ação entre a
amos visto an
ão ente a rec
ura elástica:

ura inelástica

os de produ
opolista
mos consi
tura de
opolista nã
ncia daquela
elo de concor
INTRODU
eira | Março
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ão da Rme no
Mg no eixo da
ou 0A = 0B/2
as curvas Rm
nteriormente
eita total (RT


:

ção do
derar que
custos
ão difere
a observada
rência perfeit
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
terior, no eixo
o eixo das ab
s abcissas
2
me, RMg, e
, quando dis
) e a elasticid
se p↑ q↓
se p↓ q↑
se p↑ q↓
se p↓ q↑
a
do
em
a no
ta.
NOMIA – PART
.0 ………………
o das abcissas
bcissas
RT em mon
scutimos a e
dade-preço da
↓ RT↓
↑ RT↑
↓ RT↑
↑ RT↓
TE I MICROEC
……………………
s, o preço é ig
nopólio
elasticidade-p
a procura (Ep
CONOMIA
…::…………………
gual a zero, t
preço da pro
pp):
…………….
emos que:
cura, que há
86
á uma

Carlos

O Equ
em co

Como
que m
Cme
totais
Como
inelás
é sem
elásti
s Miguel Olive
uilíbrio no cur
oncorrência p
o chegar ao e
maximiza o lu
e qual a rece
s, o diagrama
o podemos o
stica da procu
mpre positivo
ca da procura
INTRODU
eira | Março
rto prazo de
perfeita.
equilíbrio? Pr
ucro (q0). De
eita quando s
fica:
observar, nun
ura. Isso porq
, a RMg que
a.
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
uma empresa
imeiro determ
pois, vemos
se vende q0, n
nca a posição
que o ponto d
iguala o CMg
NOMIA – PART
.0 ………………
a monopolist
minamos o p
qual o custo
na curva Rme
o de máximo
de máximo lu
g também é p
TE I MICROEC
……………………
ta também oc
onto onde a
o de produção
e (procura de
o lucro do m
cro ocorre qu
positiva. E a
CONOMIA
…::…………………
corre onde a
RMg = CMg,
o para produ
e mercado)em
onopolista p
uando a RMg
RMg é positiv
…………….
RMg = CMg,
, que é a pro
uzir q0 na cur
m termos de c
ode estar na
= CMg. Com
va apenas na

87
como
odução
rva de
curvas
a faixa
o CMg
a faixa

Carlos
Curva
No gr
biunív
podem
temos
procu
Então
relaçã
a curv
O CM
situaç
defini
O equ
Como
s Miguel Olive
a de oferta d
ráfico anterio
voca entre q
mos ter difer
s apenas um
ura fosse mai
o, a empresa
ão estável en
va da procura
Mg intercepta
ções, mas d
ida entre preç

uilíbrio de lon
o existem ba
INTRODU
eira | Março
de uma emp
or (em termo
quantidade p
rentes preços
m ponto em c
or o preço se
a monopolist
ntre os preços
a.
a a RMg no
ois preços (
ços e quantid
go prazo de u
arreiras à ent
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
presa monop
s de curvas
roduzida e p
s, dependend
ima da curva
eria maior par
ta não tem c
s de venda e
mesmo pont
p0 e p1). En
dade oferecid
uma empresa
trada de nov
NOMIA – PART
.0 ………………
polista
médias e ma
preço de ven
do da curva
a da procura
ra o mesmo q
curva de ofe
a quantidade
to A. Assim,
tão, não é p
das pelo mono
a monopolista
vas empresa
TE I MICROEC
……………………
arginais) nota
nda do produ
da procura.
corresponde
q0.
erta. Não tem
e produzida. A
temos uma
possível esta
opolista
a.
s, o monopó
CONOMIA
…::…………………
amos que nã
uto. Para um
Ou seja, par
nte ao preço
m uma curva
A oferta é um
quantidade
abelecermos
ólio não será
…………….
ão há uma re
ma dada prod
ra determina
de venda p0
a que mostre
m ponto único
q0 igual nas
uma relação
á quebrado,
88
elação
dução,
do q0,
0. Se a
e uma
sobre
s duas
o bem
o que

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 89
permitirá a persistência de lucros extraordinários também a alongo prazo.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 90
6.4. OLIGOPÓLIO

Oligopólio é a organização de mercado em que há poucos vendedores de uma mercadoria. Assim,
as acções de cada vendedor afectarão os outros vendedores. Como resultado, a menos que
façamos alguns pressupostos específicos sobre as reacções das outras empresas as acções da
empresa em estudo, não podemos construir a curva de procura desse oligopolista, com uma
solução indeterminada. Para cada pressuposto de comportamento específico que fazemos, temos
uma solução diferente. Assim, não temos uma teoria geral do oligopólio. Tudo o que temos são
muitos modelos diferentes, a maior parte dos quais algo insatisfatórios.
Definição de Oligopólio : Oligopólio é a forma de organização de mercado em que há poucos
vendedores de uma mercadoria. Se houver apenas dois vendedores, teremos um duopólio. Se o
produto for homogéneo, como, por exemplo, aço, cimento e cobre, teremos um oligopólio puro. Se o
produto for diferenciado, como, por exemplo, carros e cigarros, teremos um oligopólio diferenciado.
Para simplificar, no texto e no que se segue, tratamos principalmente de um duopólio puro. O
oligopólio é a forma predominante de organização de mercado no sector industrial das economias
modernas e surge por razões gerais idênticas às do monopólio, isto é, economias de escala,
controle sobre as fontes de matérias-primas, patentes e licença governamental.
A interdependência entre as empresas da indústria é a característica mais importante que separa o
oligopólio das outras estruturas de mercado. Esta interdependência é o resultado natural do
pequeno número, isto é, como há poucas empresas em uma indústria oligopolística, quando uma
delas baixa seu preço, faz uma campanha de publicidade bem-sucedida ou introduz um modelo
melhor, a curva de procura que os outros oligopolistas enfrentam vai se deslocar para baixo.
Consequentemente, os outros oligopolistas reagem.
• Há muitos padrões de reacção dos outros oligopolistas em relação as acções do
primeiro e só podemos definir a curva de procura de nosso oligopolista enfrenta se e quando
presumirmos um padrão específico de reacção. Desse modo, temos uma solução
indeterminada. Mas mesmo se presumirmos um padrão de reacção determinada, de maneira
que possamos ter uma solução determinada, esta é apenas urna das muitas soluções
possíveis.

• Devido à situação esboçada no ponto anterior, actualmente não existe uma teoria
geral do oligopólio. Tudo o que temos são casos ou modelos específicos, alguns dos quais são
aqui discutidos. Estes poucos modelos, porém, conseguem três coisas:
• eles mostram claramente a natureza da interdependência oligopolística;
• indicam as falhas que uma teoria satisfatória do oligopólio precisa preencher;
• dão alguma indicação da grande dificuldade deste ramo da microeconomia, do
tempo que talvez tenhamos de esperar para obter uma teoria geral do oligopólio. Em
resumo. a teoria do oligopólio é um dos segmentos menos satisfatórios da microeconomia.

Carlos
6.4.1

No m
miner
venda
negat
0 pre
maxim
const
parte
água
EXEM
empr
totais
Em se
600
merca
maxim
3$. A
encon
merca
agora
Este
para
s Miguel Olive
1. O MODE
modelo de Co
ral em condiç
as de cada e
tiva, em que e
essuposto bá
mizar seus lu
tante. Diante
das duas em
que seria ven

MPLOS. Na Fig
esa A for a ún
s no ponto A,
eguida, vamo
unidades. En
ado total D m
miza sua RT e
A empresa A
ntra sua nov
ado total, D. A
a reage novam
processo de
o ponto E. Fi
INTRODU
eira | Março
ELO DE CO
ournot come
ções de cust
empresa oco
e = 1 e RT é m
sico de com
ucros totais,
desse press
mpresas, até
ndido, se o m
g. acima repr
nica vendedo
em que ela v
os supor que
ntão, a curva
menos 600 u
e lucros totai
agora reage
va curva de
A empresa A
mente e vend
movimentaçõ
inalmente, a
UÇÃO À ECON
de 2008 | R
URNOT E B
eçamos por
to de produçã
orre no ponto
máxima.
portamento f
ou RT, pres
uposto, have
que cada um
mercado fosse
resentada, D
ora do mercad
vende 600 un
a empresa E
a de demand
unidades e é
s no ponto B
e, presumin
demanda, d'
agora maxim
de em B' sobr
ões e contra-
empresa A o
NOMIA – PART
.0 ………………
BERTRAND
presumir que
ão zero. Port
o médio da s
feito por Cou
sume que a
erá diversas m
ma delas ven
e perfeitamen
é a curva de
do, então D =
nidades ao pr
E entre no me
da da empre
representad
B (sobre dB) e
ndo que a em
'A, subtraindo
miza seus lucr
re sua nova c
-movimentaç
ou a empresa
TE I MICROEC
……………………
D
e existem du
tanto o nível
sua curva de
urnot é que c
outra empr
movimentaçõ
nda exactam
nte competitiv
e procura do
= dA e a empr
reço de 6$. Es
ercado e que
esa 11 é dad
a por dB na F
m que ela ve
mpresa B con
o 300 unida
ros totais no p
curva de dem
ões por parte
a B estará dia
CONOMIA
…::…………………
uas empresa
de maximiza
e procura line
cada empres
resa conserve
es e contra-m
ente 1/3 do
vo.
mercado de á
resa A maxim
sta é a soluçã
a empresa A
da pela curv
Fig.. Desse m
ende 300 uni
ntinue a vend
des da curv
ponto A´

sob
anda, d'B.
e das duas e
ante da curv
…………….
as vendendo
ação de lucro
ear com incli
sa, na tentat
e a sua pro
movimentaçõ
montante to
água minera
miza sua RT e
ão de monop
A continue a v
va de deman
modo, a empr
idades ao pre
der 300 unid
a de deman
re dA'. A emp
empresas con
a de procura
91
o água
os das
nação
iva de
dução
es por
otal de
l. Se a
lucros
ólio.
vender
nda do
resa B
eço de
dades,
da do
resa B
nverge
a dE e,

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 92
assim, maximiza seus lucros totais vendendo 400 unidades ao preço de 4$ ( ponto E´). A outra
empresa, então, também estará diante de dE, sua curva de procura (obtida, subtraindo 400
unidades da curva de procura do mercado total) e também estará no ponto E. Desse modo, cada
empresa continuará a vender 400 unidades ao preço de 4$ e terá RT e lucros totais de l 600$. A
produção de 400 unidades por parte de cada empresa representa 1/3 da produção perfeitamente
competitiva de 1 200 (dada pela condição P = CMg = 0).
Se, na determinação de seu nível óptimo de produção, cada empresa presumir que a outra mantém
seu preço (e não sua produção) constante, teremos o modelo de Bertrand (ver exemplo à frente).

6.4.2. O MODELO DE EDGEWORTH
No modelo de Edgevorth, assim como no modelo de Cournot, presumimos que EXISTEM duas
empresas, A e B, vendendo uma mercadoria homogénea produzida ao custo zero. Além disso, no
modelo de Edgeworth, são feitas outras suposições relacionadas a seguir:
(1) cada empresa enfrenta uma curva de procura linear, idêntica para seu produto;
(2) cada empresa tem capacidade de produção limitada e não pode abastecer todo o
mercado sozinha;
(3) cada empresa, na tentativa de maximizar sua RT ou lucro total, presume que a outra
empresa mantenha seu preço constante.
O resultado desses pressupostos é que haverá uma oscilação contínua do preço do produto entre o
preço de monopólio e o preço de produção máxima de cada empresa Às vezes, observam-se
oscilações de preço nos mercados oligopolístícos.

6.4.3. O MODELO DE CHAMBERLIN

Tanto o modelo de Cournot como o de Edgeworth se baseiam no pressuposto extremamente
ingénuo de que os dois oligopolistas (duopolistas) nunca reconhecem sua interdependência. Não
obstante, estudamos estes modelos porque eles nos dão alguma indicação da natureza da
interdependência oligopolística e também porque eles são precursores de modelos mais realistas.
Um desses modelos mais realistas é o de Charnberlin. Chamberlin parte dos mesmos pressupostos
básicos de Cournot. Contudo, Chamberlin ainda presume que os duopolistas reconhecem sua
interdependência. O resultado é que, sem qualquer forma de acordo ou conluio, os duopolistas
estabelecem preços idênticos, vendem quantidades idênticas e maximizam seus lucros conjuntos.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 93
Exemplo: na figura acima, D é a curva de procura do mercado total para a produção
combinada dos duopolistas A e B. Se a empresa A for a primeira a entrar no mercado, ela escolherá
o ponto A sobre D (= dA), tendo assim o lucro de monopólio de 3 600$. A empresa B, tomando a
produção da empresa A conforme dada, está diante da curva de demanda dB e, assim, decide
vender 300 unidades no ponto B. (Até aqui o modelo de Chamberlin é idêntico ao de Cournot.)
Todavia, os duopolistas A e B compreendem agora que o melhor que podem fazer é partilhar
igualmente os lucros do monopólio de $3 600. Desse modo, cada duopolista vende 300 unidades
ou metade da produção do monopólio ao preço de 6$ e obtém um lucro de 1 800$.Deve-se notar
que esta solução é estável, é alcançada sem conluio e resulta em 200$ de lucros para cada
empresa a mais do que na solução de Cournot

6.4.4. TEORIA DE JOGOS

A teoria de jogos é uma ferramenta essencial para analisar os comportamentos estratégicos dos
jogos oligopolisticos.
Tal como nas outras estruturas de mercado o pressuposto das empresas continua a ser a
maximização dos seus benefícios.
Termos básicos utilizados na teoria de jogos:
• Jogador: empresa, a qual se pretende analisar o comportamento estratégico.
• Payoff: beneficio da empresa a escolher uma estratégia, dada a estratégia escolhida pelo(s)
outros(s) intervenientes no jogo.
• Estratégia: acção que a empresa ou jogador pode optar como uma das possíveis no jogo.
• Matriz de payoff: forma de representar a informação dos diferentes payoffs.


INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 94
MATRIZ DE PAYOFF para um jogo de duas estratégias com dois jogadores.
J
o
g
a
d
o
r

1

Jogador 2
S1 S2

S1

10,20



S2





O jogador 1 pode optar pelas estratégias S1 ou S2, o Jogador 2 também tem as mesmas opções.
Neste caso as estratégias de ambos jogadores são idênticas, contudo os jogadores podem optar por
estratégias diferentes.
Se ambos os jogadores optarem pela estratégia S1, recebem um payoff de 10 (jogador 1) e 20
(jogador2).

REGRAS DO JOGO

• É um jogo de informação completa, os jogadores conhecem as estratégias possíveis e
respectivos payoffs.
• Os jogadores escolhem as estratégias simultaneamente. Caso as escolhas sejam efectuadas
em momentos diferentes, temos que representar o jogo através de uma árvore de decisões.
• Normalmente as jogadas são simultâneas e únicas. Caso os jogadores possam fazer mais do
que uma jogada temos um jogo de repetição.
• No nosso estudo, utilizaremos a teoria de jogos para analisar o comportamento de empresas
oligopolistas. O seu objectivo último é a maximização do seu benefício.
• Os nosso modelos são de duopolio, jogos com apenas duas empresas. A introdução desta
condicionante permite uma análise mais simplista e real dos comportamentos num mercado
oligopolista.

O JOGO DA ÁRVORE

Aplica-se no caso da decisão estratégica não ser tomada em simultâneo. Num jogo entre duas
empresas, a empresa 1 pode tomar a sua decisão em 1º lugar, e só então a empresa 2 reage a
jogada do seu adversário.



INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 95
È representado da seguinte forma:









Neste jogo a empresa 1 pode optar por fazer publicidade ou não fazer publicidade (o nódulo mais
escuro é referente ao posicionamento estratégica da empresa 1). Após e só após da decisão da
empresa 1 a empresa 2 escolhe a sua estratégia. Se por exemplo a empresa 1 optar por fazer
publicidade, a empresa 2 optará por faze-la também visto, obter um payoff melhor nesta situação
(4).
Não nos vamos debruçar sobre este tipo de jogo.

CONCEITO DE ESTRATÉGIA DOMINANTE: é a melhor estratégia possível para um jogador
independentemente da escolha do outro.
JOGO 1.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço
Baixar o
Preço

Aum. Preço

10,10


6,12

Baixar Preço

12,6


7,7

Sabemos que o motiva cada um dos jogadores é a obtenção do melhor payoff possível. O resultado
obtido depende da opção de cada um. Vejamos:
• Se a E2 (empresa 2) optar por aumentar o seu preço, a melhor escolha possível para E1 será
baixar o seu preço, pois obtém um payoff de 12 > 10.
• Se E2 optar por baixar o seu preço, a E1 optará também por baixar o seu preço, uma vez que
7>6.
Não obstante a escolha da empresa 2, a empresa 1 escolherá sempre baixar o seu preço, pois o
beneficio obtido com esta escolha estratégica é sempre superior. BAIXAR O PREÇO É A ESTRATÉGIA
DOMINANTE DA EMPRESA 1.
Fazer
publicidade
Fazer
publicidade
Fazer
publicidade
Não fazer
publicidade
Não fazer
publicidade
Não fazer
publicidade
6,4
8,2
3,9
7,7
E1
E2
E2
Matriz de payoff, com 2
jogadores e com duas
estratégias possíveis e
idênticas para ambos os
jogadores:
• Aumentar o preço
• Baixar o preço

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Vejamos agora como se comporta a empresa 2:
• Se E1 opta por aumentar o seu preço, E2 optará por baixar o seu preço uma vez que assim
conseguirá um payoff de 12, superior ao que conseguiria se opta-se por aumentar o seu preço –
10.
• Se E1 opta por baixar o seu preço (estratégia dominante da empresa 1) a empresa 2 optará
também por baixar o seu preço, pois assim fixará o seu payoff com 7, superior a 6. A EMPRESA
2 POSSUÍ TAMBÉM UMA ESTRATÉGIA DOMINANTE. NESTE CASO IDENTICA À DA EMPRESA 1 –
BAIXAR O PREÇO.
Uma vez que ambas as empresas tem uma estratégia dominante, o comportamento de ambas seria
provavelmente o de optarem por baixar o preço, obtendo um payoff de 7 para cada uma.

Podemos constar que existem uma alternativa melhor para ambas as empresas: ambas
aumentaram o seu preço (10,10). Contudo sabemos que este é um jogo de decisão única, não
existindo nenhum incentivo para cada empresa optar pela referida estratégia, como veremos mais
adiante.

JOGO 2.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

9,15


4,9

Baixar Preço

14,9


8,11

A matriz acima, representa um novo jogo, similar ao visto anteriormente, mas com payoff diferentes.

Vejamos se alguma empresa possuiu uma estratégia dominante:
Opção da emp.2 Opção da Emp.1
Aum.preço Baixar o preço
Baixar preço Baixar o preço
A empresa 1 possuiu uma estratégia dominante: BAIXAR O PREÇO

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Opção da emp.1 Opção da Emp.2
Aum.preço Aum. o preço
Baixar preço Baixar o preço
A empresa 2 NÃO TEM ESTRATÉGIA DOMINANTE.

Num jogo de decisão simultânea e única a empresa 1 iria optar pela sua estratégia dominante:
Baixar o preço. A empresa 2, que conhece esta decisão (a informação é completa) iria fazer a sua
opção baseada na estratégia dominante da empresa 1, ou seja, sabendo que E1 iria baixar o seu
preço, escolheria aumentar o seu, fixando o seu payoff em 11.

DILEMAS.
Dilemas são jogos em que ambos os jogadores ficariam em melhor situação se abandonassem a
sua estratégia dominante e optassem por uma estratégia mais cooperativa.
Dilema do prisioneiro:
JOGO 3.
M
a
n
u
e
l

Maria
Confessar
Não
Confessar

Confessar

9;15

4;9

Não
Confessar

14;9

8;11

Esta matriz é resultado de um problema clássico: O dilema do prisioneiro. Imaginemos que a Dra.
Maria e o Dr. Manuel, altos responsáveis da EXPO 98 foram detidos por suspeita de falsificação de
notas de 10.000 esc. O Chefe Arnaldo, responsável da Judiciária, sabia que tinham sido estes os
responsáveis pela falsificação, contudo apenas tinha provas para uma sentença de 6 meses. Tendo
consciência do estado da investigação decide chamar os dois suspeitos, coloca-os em salas
separadas e a ambos faz-lhes a seguinte proposta:
Detective: Senhor(a) faço-lhe a seguinte proposta: Dado que se aproxima o vigésimo quinto
aniversário do 25 de Abril se confessar o crime e o seu colega não, terá a pena suspensa e o seu
colega apanhará 25 anos de prisão. Se confessar o crime e o seu colega também apanharão
apenas 1 ano de pena. Se nenhum de vocês confessarem, e em virtude do reduzido n.º de provas
que tenho contra vocês apanharão uma pena de 6 meses de cadeia.
Vamos tentar analisar a decisão a tomar pela Dra. Maria e pelo Dr. Manuel:

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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Confessar é estratégia dominante para ambos os suspeitos, logo o resultado provável seria ambos
confessarem o crime e obterem uma pena de um ano de prisão. Contudo eles sabem que se não
confessarem podem apanhar apenas 6 meses de cadeia, sendo este o melhor alternativa possível
para ambos os jogadores. Sabemos que a informação é completa, e que ambos os jogadores tem
perfeito conhecimento do resultado das suas decisões. Supondo mesmo que lhes é dada
autorização para discutirem o caso conjuntamente é de esperar que a sua decisão se mantenha e
ambos confessem. Eles sabem que a sua decisão tem que ser simultânea e única, facto pelo qual
não deverão chegar ao acordo para ambos não confessarem. Existe uma tendência para se
desviarem ao acordo, por exemplo o Dr.Manuel pode perfeitamente chegar ao momento da sua
decisão e confessar, ficando assim em liberdade e impondo uma pena de 25 anos à sua colega Dra.
Maria. Está por sua vez tem perfeito conhecimento que isto pode acontecer, assumindo portanto a
decisão menos penalizadora para ela dada as circunstancias. AMBOS CONFESSARIAM.

Este exemplo é utilizado porque retracta na perfeição a noção do dilema, bem como as alternativas
e comportamentos possíveis.

O JOGO 1, retracta também uma situação de dilema, situação que passaremos a denominar de
“Dilema Oligopolistico”. A empresa 1 e 2 sabem que se ambas optarem por um comportamento
cooperativo e escolherem o aumento dos seus preços como estratégia dominante estarão a obter
payoff superiores (10,10), e como tal a melhorarem consideravelmente a sua situação. Num jogo
único como o que estamos a retractar é quase impossível que ambas optem por coludirem a sua
decisão, uma vez que uma fuga ao acordado poderia provocar uma considerável perda de payoff.
JOGO 1.
E
m
p
r
e
s
a

1


Empresa 2
Aum.Preço
Baixar o
Preço

Aum. Preço

10,10


6,12

Baixar Preço

12,6


7,7




ESTRATÉGIAS DOMINADAS
Nem sempre existe uma estratégia dominante para um ou ambos os jogadores. Se tal acontecer,
pelo menos podemos verificar se os jogadores tem estratégias dominadas. A estratégia dominada é
Em caso de acordo de ambas
optarem por aumentar os seus
preços, as setas indicam as
possíveis fugas ao acordado:
• A empresa 2 poderia baixar
o seu preço e ganhar um
payoff de 12, deixando a
empresa 2 com 6.
• A empresa 2 teria a
“tentação” de aumentar o
seu payoff optando assim
Num jogo de jogada única é quase impossível a
existência de comportamentos cooperativos. O
dilema manter-se-á

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 99
precisamente o oposto da dominante, ou seja, existe sempre uma estratégia melhor como opção.
Normalmente este conceito é utilizado quando os jogadores podem optar entre três ou mais
estratégias, não existindo uma estratégia dominante que evidencie um comportamento claro a
tomar.
Analisemos o jogo abaixo representado:
JOGO 4.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço
Manter
Preço
Baixar
Preço

Aum. Preço 3,4

6,3

5,5
Manter
Preço

4,7

12,6 4,5

Baixar Preço 9,8

8,4

7,5

Podemos verificar que nenhuma das empresas possuí uma estratégia dominante:
Se a Emp.2 opta Emp.1 opta
Aum.Preço Baixar o preço
Manter o preço Manter o preço
Baixar o preço Baixar o preço
A empresa 1 não tem estratégia dominante, mas como podemos verificar existe uma estratégia que
nunca é considerada como alternativa para a sua decisão; está estratégia é a de aumentar o preço,
sendo portanto uma estratégia DOMINADA para a empresa 1.
Se a Emp.1 opta Emp.2 opta
Aum.Preço Baixar o preço
Manter o preço Aum.preço
Baixar o preço Aum. Preço

A empresa 2 não também não possuí uma estratégia dominante, mas possuí uma estratégia
DOMINADA – Manter o preço.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 100
Se eliminarmos estas estratégias da nossa matriz de payoffs
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Manter
Preço
Baixar Preço

Aum. Preço
3,4
6,3

5,5
Manter
Preço

4,7


12,6

4,5

Baixar Preço

9,8

8,4


7,5

Passaremos a ter uma nova matriz de payoff, em que cada empresa apenas terá duas opções
estratégicas, já que eliminamos aquela que nunca seria utilizada.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço
Manter
Preço

4,7


4,5

Baixar Preço

9,8


7,5

Podemos agora verificar que dadas as “novas alternativas” estratégicas de ambas empresas,
existem estratégias dominantes:
A estratégia dominante da empresa 1 é BAIXAR O PREÇO;
A estratégia dominante da empresa 2 é MANTER O PREÇO.
Num jogo simultâneo e de jogada única o resultado seria a escolha das empresas pela sua
estratégia dominante, resultando num payoff de 9 para E1 e 8 para E2.


EQUILIBRIO DE NASH.
Em variadas situações podemos nos deparar com a inexistência de estratégias dominantes ou
dominadas. A solução deste problema é-nos dada pelo equilíbrio de Nash. O equilíbrio
7
de Nash
existe sempre que um jogador toma a melhor decisão que pode, dada a acção empreendida pelo

7
Notem que equilíbrio significa que ninguém quer alterar o seu comportamento, desde que nada se altere. Por exemplo, no
equilíbrio entre a oferta e a procura, os consumidores e vendedores estão a adquirir e a vender quantidades desejadas a um
certo nível de preços. Ninguém deseja ver esta situação alterada, desde que os restantes factores que a afectam
permaneçam constantes. É claro que se o a procura de mercado for afectada por exemplo por um aumento do rendimento,
este equilíbrio terá que se deslocar e ajustar.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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outro jogador. O resultado do equilíbrio será uma situação de payoff em que nenhum dos jogadores
desejará alterar a sua posição, correndo o risco de perder benefício.

JOGO 5.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

4,4


6,8

Baixar Preço

7,6


3,2

Estamos perante a ausência de estratégias dominantes e dominadas. Vamos tentar identificar o
equilíbrio de Nash:
Se a empresa 1 escolhe Aum.Preço, a empresa 2 escolherá baixa-lo. Desta escolha estratégica
resulta um payoff de 6 e 8 respectivamente. Fixando está escolha vamos determinar se alguma
empresa tem algum incentivo em optar por outra estratégia. Se a empresa 1 optar por baixar o seu
preço ela vai ter uma redução de 3 no seu payoff, já que passa de 6 para 3, logo não terá qualquer
incentivo em fugir da decisão tomada. O mesmo acontece com a empresa 2, já que se aumenta o
preço, irá ver o seu payoff reduzido de 8 para 4. ESTA ESCOLHA ESTRATÉGICA É UM EQUILIBRIO DE
NASH.
Contudo temos também outra solução que aponta para um equilíbrio de NASH – a empresa 1 baixar
o seu preço a empresa 2 aumentar o seu. Está escolha resulta num payoff de 7,6. È bastante
frequente a existência de mais do que um equilíbrio de nash no mesmo jogo. Uma vez que não
aprofundaremos mais está área de estudo, iremos pressupor que o melhor equilíbrio é aquele cujo
somatório dos payoffs seja mais elevado.

Exercício: Identifique o equilíbrio de Nash do jogo abaixo representado:

JOGO 6.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

11,9


1,2

Baixar Preço

4,2


3,4
As setas de deslocação
podem ser uma ajuda na
identificação do(s)
equilíbrio(s) de Nash

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
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JOGOS COM REPETIÇÃO
Temos vistos que em decisões únicas será racionalmente impossível que em situação de dilema
oligopolistico os intervenientes optem por uma decisão cooperativa, que lhes permite obter um
resultado melhor, do que aquele que advém da escolha das suas estratégias dominantes. Num jogo
de repetição, em que existe mais do que uma jogada, já será possível que as empresas optem por
uma decisão cooperativa contrária a(s) sua(s) estratégia(s) dominante(s).
O comportamento cooperativo implica a colusão, ou seja, um acordo explicito entre duas ou mais
partes, com vista a fixarem as estratégias a serem seguidas por cada empresa. Este tipo de acordo
é ilegal, contudo ocorrem com mais frequência do que a imaginada.

JOGO 7.
E
m
p
r
e
s
a

1

Empresa 2
Aum.Preço Baixar o
Preço

Aum. Preço

14,16


4,30

Baixar Preço

19,5


7,9

Neste jogo podemos verificar que se ambas as empresas optam-se pela sua estratégia dominante, a
E1 receberia um payoff de 7 e a E2 de 9. Optando por uma estratégia de colusão, o resultado
possível jogo seria ambas aumentarem o preço, elevando os seus payoff para 14 e 16,
respectivamente. Mais uma vez é de frisar que ambas correm o risco de uma das partes fugir ao
acordo e obter ganhos consideravelmente mais elevados. Contudo num sistema de jogadas
repetidas o incentivo a fazer batota é diminuto uma vez que o jogador “rival” automaticamente
responderia à nova decisão do jogador batoteiro. Por exemplo:
1. As empresas têm conhecimento que se optarem pela sua estratégia dominante (baixar o preço
para ambas) os seus payoffs seria de 7 para E1 e 9 para E2. Decidem assim optar pela colusão
e assumem a decisão conjunta de subida dos preços, passando para um nível de payoff
superior. A E1 ganharia 14 (mais 5) e a E2 16 (mais 7).
2. A empresa 2, tentada pelo payoff que irá obter se baixar o preço decide quebrar o acordo e
assim conseguir um lucro de 30, deixando a E1 com uma redução de 10 no seu payoff.
3. A empresa 1, constatando a quebra do compromisso, abaixa também o seu preço, levando o
equilíbrio para o nível decorrente das suas estratégias dominante.

INTRODUÇÃO À ECONOMIA – PARTE I MICROECONOMIA
Carlos Miguel Oliveira | Março de 2008 | R.0 …………………………………::……………………………. 103

Notem: Outra possibilidade de colusão seria a empresa 2 propor a empresa 1 que esta opta-se por
aumentar o seu preço, enquanto ela (E2) aumentava o seu. O somatório dos payoffs para esta
decisão seria igual a 34, valor que seria repartido pelas duas empresas 17.

Factores que possibilitam a colusão e a sua manutenção:

1. Poucas empresas: quanto mais baixo for o número de partes envolvidas mais fácil é chegar a
um consenso, e mais fácil é mante-lo.
2. Aspectos legais e leis Anti-trust: desvios a acordos “ilegais” implicam maior atenção por parte
das entidades fiscalizados e reguladoras.
3. Custos de produção similares: sempre que existam não haverá tendência a desvios. É claro que
se os custos de produção de uma das empresas forem muito baixos ela facilmente pode baixar
o preço e assim ganhar quota de mercado.
4. Quotas de mercado similares: reduz o factor concorrência. Ninguém precisa de apanhar
ninguém.
5. Estabilidade económica: recessões atingem directamente os lucros das empresas via RT. Existe
uma tendência para a redução dos preços. Espera conseguir um aumento das receitas via
aumento do volume de vendas.
6. Facilidade de observar as “batotas”: é claro que este factor depende do tipo de industria e do
caminho que os produtos/serviços levam até chegar ao consumidor final.
7. Aspecto histórico da similaridade dos preços.




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