INTERAÇÕES

MEDICAMENTOSAS
AMOUNI M. MOURAD
ASSESSORA TÉCNICA- CRF
2012
http://momentosaudeufpel.blogspot.com.br/2011/11/o-que-e-interacao-medicamentosa.html
INTERAÇÃO
MEDICAMENTOSA
“ É modificação que sofre a ação de um
fármaco ou medicamento pela presença
simultânea de outro ou outros medicamentos,
substâncias fisiológicas ou
substâncias exógenas não
medicamentosas no organismo ”.
LINARES BORGES et al. Acta Farm. Bonaerense 21 (2) : p. 139-48, 2002
farmacotecnico.blogspot.com
· VANTAGENS
AUMENTAM OS EFEITOS TERAPÊUTICOS OU
REDUZEM A TOXICIDADE DAS DROGAS
· DESVANTAGENS
CAUSAM REAÇÕES ADVERSAS, DIMINUEM OU
AUMENTAM AÇÕES DOS MEDICAMENTOS OU
PROVOCAM NOVAS DOENÇAS
INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS
http://corpoacorpo.uol.com.br/dieta/nutricao/tomar-mais-de-um-remedio-por-vez-pode-ser-prejudicial-a-saude/confira-algumas-interacoes-medicamentosas-perigosas/1415/2
INTERAÇÕES POR FATORES LIGADOS
AO PACIENTE
FATORES RELACIONADOS COM O PACIENTE
· ESTADOS PATOLÓGICOS
· FUNÇÃO RENAL
· FUNÇÃO HEPÁTICA
· NÍVEL SÉRICO DE PROTEÍNAS
· pH URINÁRIO
· FATORES ALIMENTARES
· IDADE
· ALTERAÇÕES NA MICROBIOTA INTESTINAL
FATORES RELACIONADOS COM A ADMINISTRAÇÃO DAS
DROGAS
• SEQUÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO
• VIA DE ADMINISTRAÇÃO
• DURAÇÃO DA TERAPIA
• DOSAGEM
Profa. Márcia Aparecida Antônio
Tipos de interações Medicamentosas
Considerando o mecanismo de ação podemos
classificar as interações em:
a) Físico-químicas
b) Farmacocinéticas
c) Farmacodinâmicas
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAjBUAE/interacoes-medicamentosas#
FISICO - QUÍMICAS
Os fármacos podem interagir quando misturados em infusão
venosa, frascos ou seringas. Nesse caso, duas ou mais
substâncias podem reagir entre si, por mecanismos
puramente físico-químicos.
Quando a interação resulta em inativação ou diminuição da
atividade de um ou mais fármacos dizemos que se trata de
incompatibilidade farmacêutica .
http://www.iep-al.com.br/extensao-em-administracao-de-medicamentos/
FISICO - QUÍMICAS
Quando a interação resulta em inativação ou
diminuição da atividade de um ou mais fármacos
dizemos que se trata de incompatibilidade
farmacêutica.
http://www.iep-al.com.br/extensao-em-administracao-de-medicamentos/
São interações físico-químicas que ocorrem quando dois ou mais
medicamentos são administrados na mesma solução ou misturados
no mesmo recipiente e o produto obtido é capaz de inviabilizar a
terapêutica clínica.
REAÇÕES DE OXI-REDUÇÃO:
+atropina + permanganato
+vitamina C + sulfato ferroso
REAÇÕES DE PRECIPITAÇÃO:
+tetraciclina + cátions
ADSORÇÃO:
+carvão ativado + alcalóides
Entre as principais interações físico- químicas temos:
a) Reações de precipitação – Ex.: tetraciclina e cálcio
presente no leite ou esse antibiótico e antiácidos
contendo sais de alumínio ou magnésio.
http://farmacovigilanciahospitalar.blogspot.com.br/2011_04_01_archive.html
b) Presença de um solvente inativante
A utilização de determinado solvente pode solubilizar
determinado fármaco e inativar outro como o caso de
catecolaminas que são oxidadas quando introduzidas
em determinadas soluções para o uso intravenoso
http://esclerosemultipla.wordpress.com/category/qualidad
e-de-vida/
c) Alterações de pH – Os efeitos de um fármaco de caráter ácido
pode ser anulado ou inibido por outro fármaco básico, e vice-versa;
além disso, há também medicamentos que, com a mudança de pH,
podem deixar de ser solúveis, como no caso da diminuição da
solubilidade do fosfato de cálcio devido o aumento de pH da
solução, precipitando assim como um sal insolúvel.
http://dagmarvulpi.blogspot.com/2011/10/doenca-do-refluxo-gastroesofagico-drge.html
d) Inativação pelo agente conservante – Pode ocorrer de
um agente conservante utilizado em uma solução
causar inativação de outro medicamento presente,
como no caso do bissulfito de sódio, utilizado em
nutrições parenterais, que inativa a penicilina e a
tiamina.
http://alimentacaopreciosa.blogspot.com.br/2011_05_01_archive.html
e) Reações de foto-oxidação – Alguns antineoplásicos,
como a doxurrubicina devem ser administrados em
equipos escuros
http://www.cirucam.com.br/index.php/descartaveis/equipo/equipo-macrogotas-
fotossensivel-k401-bomb-inf.html
Além desses mecanismos, podem ocorrer interações
físico-químicas pela adsorção de fármacos às superfícies
plásticas ou de vidro dos equipamentos utilizados na
farmácia ou mesmo em embalagens.
No entanto, existem interações físico-químicas que são
utilizadas para fins terapêuticos.
http://www.quimlab.com.br/guiadoselementos/variaveis_quimicas.htm
Carvão ativo que adsorve alcalóides, sendo útil na intoxicação
desses fármacos;
Vitamina C que associada a compostos de ferro aumenta a
absorção desse metal.
EXEMPLOS DE INTERAÇÕES
FISICO - QUIMICAS ÚTEIS
http://www.oaventureiro.com.br/2012/05/carvao-ativado-socorro-
milagroso.html
http://www.lojavidanatural.com.br/index.php?route=product/product&product_id=786
Na intoxicação por heparina, o sulfato de protamina forma um
complexo insolúvel com heparina inativando-a.
http://www.virtual.unal.edu.co/cursos/ciencias/2000024/lecci
ones/cap01/01_01_06.htm
http://www.pacientegrave.com/2012/04/protamina-guia-pratico-para-as-duvidas.html
http://portuguese.alibaba.com/products/edt
a-chelated-magnesium.html
EXEMPLOS DE INTERAÇÕES
FISICO - QUIMICAS ÚTEIS
O EDTA é um composto orgânico que age como ligante polidentado,
formando complexos muito estáveis com diversos íons metálicos.
Devido a isso, é usado como preservante do sangue, pois "inativa"
os íons de cálcio, que promovem a coagulação sanguínea. Esta
habilidade de complexar e assim "inativar" íons metálicos é também
usada como antídoto para envenenamento por chumbo.
http://imagens.tabelaperiodica.org/amostra-de-chumbo/
http://dentala2z.co.uk/19-EDTA-Gel-19-EDTA-Solucao-35g-30-mL
EXEMPLOS DE INTERAÇÕES
FISICO - QUIMICAS ÚTEIS
Interações farmacocinéticas
1. Absorção
2. Distribuição
3. Metabolismo
4. Eliminação
Interações Farmacocinéticas
Efeito de primeira
passagem
Gradiente de pH
Estômago 1-3
Intestino 6-9
http://www7.uc.cl/sw_educ/enfermeria/viaparenteral/html/contenidos/valoracion.html
FARMACOCINÉTICA
A farmacocinética é o estudo quantitativo dos processos de:
• absorção,
• distribuição,
• biotransformação
• excreção de fármacos.
Muitos fatores podem interferir em cada um desses processos,
alterando a eficácia dos medicamentos.
http://www.pesquisamundi.org/2008_06_01_archive.ht
ml
ABSORÇÃO
“Correspondem a interações que ocorrem no momento
da administração dos fármacos e estão relacionadas com
sua passagem para a corrente sangüínea ou linfática”
ABSORÇÃO GASTRINTESTINAL
Etapas da digestão:
http://jerriribeiro.vilabol.uol.com.br/jrgastro.html
A digestão começa de modo mecânico com a mastigação e, ainda na boca, se torna
química com a ptialina (amilase salivar) desdobrando o amido. A deglutição pode
ser voluntária ou involuntária (reflexo medular que relaxa a musculatura para
engolir). Começa o peristaltismo levando o bolo alimentar até o esfincter
esofagiano que relaxa para permitir a passagem.
http://www.proctogastro.com.br/novo/index.php?option=com_cont
ent&view=article&id=98&Itemid=123
ABSORÇÃO GASTRINTESTINAL
No estômago somente as proteínas são digeridas e ocorre a formação do quimo
que é uma massa líquida ácida (pH = 1,5). Há um movimento de segmentação que
são contrações isoladas sem propagação para misturar o alimento com o suco
gástrico e entrar em contato com a mucosa. O quimo invade o intestino delgado
através do esfíncter antro-pilórico.
http://www.presenteparahomem.com.br/o-corpo-humano-anatomia-e-funcoes-do-estomago/
ABSORÇÃO GASTRINTESTINAL
No intestino delgado, através do canal de Odi, chega o suco pancreático
(proteases, amilases e lipases) e os sais biliares (fígado). Há a formação do muco
(bicarbonato de sódio) para neutralizar a acidez do quimo. Aqui ocorre a
absorção dos macronutrientes (lipídios e carboidratos). O bolo passa pelo
esfíncter ilío-cecal e entra na porção ascendente do intestino grosso (cólon),
começa a absorção hídrica mudando a sua consistência. Forma-se o bolo fecal
que se armazena na ampola retal passando pelo esfíncter anal interno, sendo
liberado através do relaxamento voluntário do esfíncter anal externo.
http://tolerandoasintolerancias.blogspot.com.br/
Medicamentos:
ácido valpróico,
alendronato, ampicilina,
clorpromazina
azitromicina, venlafaxina,
omeprazol, paracetamol,
salicilatos,
trazodona.
Diminuição ou retardo da absorção gastrintestinal
Uma dieta composta por
carboidratos, proteína ou
lipídios pode gerar
retardo do esvaziamento
gástrico; complexação
diminuição do contato
coma mucosa.
http://office.microsoft.com/pt-br/images/simbolos-CM079001935.aspx#ai:MP900402780|
Leite e laticínio, hortaliças, frutas,
legumes,
interagem promovendo o
aumento do pH gástrico,
complexação e diminuição da
solubilidade com:
alendronato, ciprofloxacino,
rifampicina, tetraciclina, zinco.
Alimento hiperlipídico
Através da diminuição da solubilidade
interagemcom:
amprenavir, eritromicina (estearato),
moexipril(anti-hipertensivo), voriconazol
(antifúngico).
http://espacogourmetpiracicaba.blogspot.com.br/2010_12_01_archive.html
http://nutricorpo.blogspot.com.br/2009/01/dieta-hiperlipdica-pode-afetar-o-relgio.html
interação com alimentos
hiperglicídicos através da
diminuição da
permeabilidade da mucosa
intestinal por interferência
dos grupos alcoólicos dos
glicídios.
Moexipril= IECA
Paracetamol= tylenol®
teofilina = aminofilina
Interação com alimentos
hiperprotéicos, através do
aumento da competição com os
aminoácidos pelo transporte na
mucosa intestinal
levodopa = antiparkinsoniano
metildopa= antihipertensivo
http://www.nutricaoexercicio.com/2011/01/dieta-da-proteina.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Alde%C3%ADdo_glic%C3%A9rico.JPG
http://terapeutaquantico.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html
Diminuição ou retardo da absorção gastrintestinal
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
Lipídios,
proteínas glicídios
interagem com os
seguintes
medicamentos
carbamazepina,
clorotiazida, diazepam,
eritromicina
espironolactona,
fenitoína, isotretinoína
(anti-acne),
labetalol, propranolol,
sertralina,
http://interacmedicamentosa.blogspot.com.br/2010/08/amicacina-x-vancomicina.html
Alimentos com
alto teor lipídico
interagem com
Pode ocorrer o
aumento da
excreção da bílis;
aumento da
formação de
micélio; aumento
da solubilidade.
albendazol,
Eletriptana (anti-enxaqueca),
griseofulvina,
lopinavir,
mebendazol,
nitrendipino(antihipertensivo)
pivampicilina,
teofilina.
http://www.meunutricionista.com.br/noticias.exibir.php?id=2158
http://www.vivaolinux.com.br/dic
a/Desenhando-uma-seta-
brilhante-no-Inkscape
http://pt.dreamstime.com/imagem-de-stock-
royalty-free-setas-3d-metlicas-douradas-e-
do-cromo-image9819476
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
Alimentos com alto teor de proteínas interagem com: hidralazina,
labetalol, metoprolol.
Pode ocorrer diminuição da eliminação pré-sistêmica.
Eliminação pré-sistêmica: é todo e qualquer processo que diminua a
quantidade de droga antes de atingir a circulação. Ex: inativação por suco
gástrico, inativação enzimática, primeiro passo metabólico.
Primeiro passo metabólico (ou eliminação de primeira passagem), é
atribuída à passagem da droga pelo fígado e sua conseqüente
biotransformação, diminuindo assim, a quantidade de fármaco
administrado que chega até a circulação.
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
Absorção
Envolvem mecanismos decorrentes de:
- alterações no esvaziamento gástrico
-modificações na motilidade gastrointestinal
-formação de quelatos e precipitados, interferência
com transporte ativo
-ruptura de micelas lipídicas
-alteração do fluxo sanguíneo portal
-efeito de primeira passagem hepático e intestinal
Consequências das interações de absorção
a) aumento na absorção do fármaco com elevação de seu
efeito farmacológico e risco de toxicidade.
b) redução na velocidade de absorção do fármaco e
repercussão na sua eficácia terapêutica, decorrentes
de alterações no pico de concentração plasmática,
tempo para atingir o pico de concentração e área sob a
curva.
Antiácidos x Glicocorticóides
Alguns pacientes apresentaram a diminuição de até 40 % e 75% na
biodisponibilidade oral da Prednisona1 e Dexametasona2
respectivamente.
1URIBE, M et al. Gastroenterology, v. 80, 1981. p. 661.
2NAGGAR, VF et al. J. Pharm. Sci., v. 67, 1978. p. 1029.
Antiácidos x Bifosfonatos (Alendronato; Pamidronato; Etidronato;
Residronato; Tiludronato)
Fabricantes de vários derivados Bifosfonatos advertem que
antiácidos e medicamentos contendo cátions bivalentes
interferem em sua absorção.
Fosamax . West Point, P.A.: Merck & Co., Inc., 1995.
Profa. Márcia Aparecida Antônio
Antiácidos x IECA
Foi relatada a diminuição de aproximadamente 33 % da
biodisponibilidade do Captopril (1) e do Fosinopril(2) quando
administrados concomitantemente com MgCO3, Al (OH)3 e
Mg(OH)2.
Interações podem ser minimizadas através da administração do
IECA 2 h antes ou após o agente antiácido (3).
1MANTYLA, R et al. Int. J. Clin. Pharmacol. Ther. Toxicol., v. 22, 1984. p. 629.
2MOORE, L et al. J. Clin. Pharmacol., v. 28, 1988. p. 946.
3BACHMANN, K.A. et al. Interações Medicamentosas. 2ª ed., 2006. p. 358.
Profa. Márcia Aparecida Antônio
Interações de drogas emlocais de absorção
Mecanismo proposto: Formação de complexos, quelação e adsorção
Droga que sofre o efeito Droga que produz o efeito
Diflunisal Antiácidos
Digoxina Antiácidos, carvão
Fenobarbital e Fenitoína Carvão ativado
Clorotiazida Colestiramina
Cefalexina Colestiramina
Tetraciclina Antiácidos
Teofilina Carvão ativado
FORMAÇÃO DE SUBSTÂNCIAS INSOLÚVEIS
TETRACICLINA , ÁCIDO SALICÍLICO
+
ALUMÍNIO, CÁLCIO, MAGNÉSIO, BISMUTO, FERRO E ZINCO
WARFARINA, DIGOXINA + COLESTIRAMINA
• Mecanismo proposto: alteração do pH do estômago
Importância clínica pequena
• Droga que sofre o efeito Droga que produz o efeito
Cimetidina Antiácidos
Cetoconazol Cimetidina
Tetraciclinas Cimetidina
C R F – S P
Interações de drogas em locais de absorção
Mecanismo proposto: Alterações na motilidade gástrica
Aumento da motilidade
• Droga que sofre o efeito Droga que produz o efeito
acetaminofeno Metoclopramida
álcool Metoclopramida
clorotiazida Metoclopramida
digoxina Metoclopramida
C R F – S P
Redução da motilidade
Droga que Droga que
sofre o efeito produz o efeito
Propranolol Antiácidos
Acetaminofeno Propantelina
Álcool Propantelina
Clorotiazida Propantelina (pazolini)
Acetaminofeno Analgésicos narcóticos
Medicamentos:
ácido valpróico, alendronato, ampicilina, antipsicóticos
fenotiazínicos (clorpromazina), azitromicina, venlafaxina,
omeprazol, paracetamol, salicilatos, trazodona.
Uma dieta composta por carboidratos, proteína ou lipídios
pode gerar retardo do esvaziamento gástrico; complexação
diminuição do contato com a mucosa.
Diminuição ou retardo da absorção gastrintestinal
Leite e laticínio, hortaliças, frutas, legumes, interagem
promovendo o aumento do pH gástrico, complexação e
diminuição da solubilidade com: alendronato,
ciprofloxacino, rifampicina, tetraciclina, zinco.
Alimento hiperlipídico, através da diminuição da
solubilidade interagem com amprenavir, eritromicina
(estearato), moexipril (anti-hipertensivo),
voriconazol(antifúngico).
Indinavir, moexipril, paracetamol, teofilina interagem o
alimentos hiperglicídicos através da diminuição da
permeabilidade da mucosa intestinal por interferência dos
grupos alcoólicos dos glicídios.
levodopa, metildopa, interagem com alimentos hiperprotéicos,
através do aumento da competição com os aminoácidos pelo
transporte na mucosa intestinal
Diminuição ou retardo da absorção gastrintestinal
Complexação:
Os alginatos, pectinas e mucinas com os anticolinérgicos, anti-
hipertensivos, estreptomicina, lincomicina.
Diminuição ou retardo da absorção gastrintestinal
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
Os lipídios, proteínas e glicídios interagem com os
seguintes medicamentos: carbamazepina, cefpodoxima,
clorotiazida, diazepam, eritromicina espironolactona,
fenitoína, hidroclorotiazida, isotretinoína (anti-acne),
labetalol, propranolol, sertralina, valganciclovir, ziprasidona
(antipsicótico).
Alimentos com alto teor lipídico interagem com albendazol,
efavirenz(antiviral), eletriptana(anti-enxaqueca), griseofulvina,
lopinavir, mebendazol, nitrendipino(anti-hipertensivo),
pivampicilina, ritonavir, teofilina.
Pode ocorrer o aumento da excreção da bílis; aumento da formação
de micélio; aumento da solubilidade.
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
Alimentos com alto teor de proteínas interagem com:
hidralazina, labetalol, metoprolol.
Pode ocorrer diminuição da eliminação pré-sistêmica.
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
O lítio pode interagir com alimentos glicídicos, protéicos ou
lipídicos.
Podendo ter como efeito: retardo do esvaziamento gástrico; não
provoca diarréia.
Alerta: o lítio em jejum provoca diarréia pelo aumenta do
peristaltismo.
Aumento ou aceleração da absorção gastrintestinal
A cinética dos fármacos, principalmente quanto aos
processos de absorção e biotransformação variam muito de
indivíduo para indivíduo.
http://dc197.4shared.com/doc/EcMIQDDx/preview.html
A concentração plasmática de um fármaco pode ser reduzida
quando ocorre diminuição na absorção ou aumento na
biotransformação.
Essa redução pode determinar a concentração do fármaco
abaixo do nível plasmático efetivo, prejudicando dessa
maneira a eficácia terapêutica.
http://nayfarias.blogspot.com.br/2010/08/importancia-do-sodio-para-esportistas.html
Quando o inverso ocorre, ou seja, uma inibição na
biotransformação pode-se alcançar concentrações tóxicas
no plasma.
Essas variações são fundamentais, principalmente quando
são administrados fármacos com índices terapêuticos
baixos, como no caso da digoxina, onde pequenas variações
na concentração plasmática podem determinar intoxicação
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Diversos estudos mostram uma forte correlação entre a
concentração plasmática do fármaco e seus efeitos
farmacológicos.
Quanto mais rápida a absorção, mais rápido é atingido o nível
plasmático efetivo, portanto mais rápido será atingido o efeito
farmacológico.
Os parâmetros mais importantes na absorção são a
concentração plasmática máxima do fármaco ( Cmax ) e o
tempo decorrido para se atingir essa concentração máxima
( Tmax).
Vários são os fatores que podem alterar esses parâmetros,
principalmente quando a administração do fármaco é oral :
a) pH do trato digestório – Vários fármacos são inativados
pelo pH do estômago como heparina, insulina e penicilina
natural.
O pH do trato digestório é um fator importante na
determinação da absorção.
Fármacos ácidos são mais absorvidos em meio ácido, assim
como fármacos básicos são melhores absorvidos em pH
alcalino.
b) Interações entre fármacos no trato digestório – temos
muitos exemplos de interações droga-droga no sistema
digestório. Ex.: presença de hidróxido de alumínio (antiácido)
reduz a absorção de vários fármacos como clorpromazina,
digoxina, propranolol e tetraciclinas.
Penicilinas e cefalosporinas reagem com grupo amino dos
aminoglicosídeos inativando esses fármacos; colestiramina e
colestipol (antilipêmicos) formam complexos insolúveis com
antidepressivos, neurolépticos, digitálicos e anticoagulantes
orais.
c) Agentes quelantes – Sais de alumínio ou magnésio podem
formar complexos insolúveis com fármacos quelantes como
as tetraciclinas diminuindo a absorção.
d) Velocidade do esvaziamento gástrico - Sabemos, como
estudado anteriormente, que substâncias de natureza ácida
como o ácido acetil salicílico e a fenilbutazona iniciam sua
absorção no estômago ( pH ácido), enquanto as básicas são
absorvidas em maior extensão no intestino.
Embora o pH tenha um efeito importante na absorção de
fármacos o fator mais determinante é a vascularização do
duodeno.
Dessa maneira, tanto fármacos ácidos quanto básicos são
absorvidos em grande extensão nesse local.
Assim, a redução do esvaziamento gástrico retarda a
absorção, enquanto que o aumento do esvaziamento
aumenta a absorção.
Ex.: anticolinérgicos que diminuem o peristaltismo, reduzem o
esvaziamento gástrico e retardam a absorção de muitos
fármacos, como por exemplo, benzodiazepínicos.
Por outro lado, a metaclopramida, que aumenta o
esvaziamento gástrico aumenta a absorção de vários
fármacos.
A utilização desse medicamento em associação com
analgésicos é feita de maneira vantajosa em formulações para
enxaqueca.
e) Alterações no tono da musculatura lisa intestinal,
esfíncteres íleopilórico e ileocecal - Como exemplo podemos
citar os hipnoanalgésicos, como morfina,que aumentam o
tono da célula muscular lisa do intestino diminuindo o
peristaltismo e portanto a absorção de muitos fármacos.
ALTERAÇÕES NA DISTRIBUIÇÃO
a) Ligação com proteínas plasmáticas
O fator mais importante que pode alterar a distribuição é a ligação
do fármaco com proteínas plasmáticas.
Os fármacos ácidos tem maior afinidade com a albumina enquanto
que os básicos se ligam em maior extensão a lipoproteínas,
principalmente a α –glicoproteína.
ALTERAÇÕES NA DISTRIBUIÇÃO
Ex.: o anticoagulante varfarina tem elevada afinidade pela
albumina, quando administrado simultaneamente com
fenilbutazona, cuja afinidade por essa proteína é ainda maior,
ocorre o deslocamento do varfarina da proteína, elevando a
concentração plasmática do fármaco livre .
ALTERAÇÕES NA DISTRIBUIÇÃO
b) Ligação com proteínas teciduais
Alguns fármacos têm afinidade por determinados tecidos
estabelecendo verdadeiros depósitos. Ex.: digoxina liga-se em grande
extensão a proteínas do músculo estriado esquelético. O
deslocamento desse fármaco aumenta a fração livre circulante no
plasma , podendo determinar intoxicação.
ALTERAÇÕES NA DISTRIBUIÇÃO
c) Alterações no fluxo sanguíneo- Determinados
fármacos promovem aumento do fluxo sanguíneo do
trato digestório aumentando a absorção. Ex.:
propranolol.
ALTERAÇÕES NA ELIMINAÇÃO
A eliminação de fármacos no organismo compreende os
processos de biotransformação e excreção.
A velocidade de eliminação para a maioria dos fármacos segue
processo de primeira ordem.
Portanto, o grau de eliminação é proporcional à concentração
no sangue naquele momento e é representado pelo constante
de eliminação (Ke).
ALTERAÇÕES NA ELIMINAÇÃO
Outro parâmetro farmacocinético importante é o tempo de
meia-vida (t1/2 ), que representa o tempo necessário para
reduzir à metade a concentração de um fármaco, a partir de
um dado momento.
A partir do conhecimento do tempo de meia-vida pode-se
determinar um esquema posológico racional para a
administração do fármaco.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
A velocidade de biotransformação de um fármaco pode ser
afetada por dois mecanismos básicos: indução e inibição
enzimática.
O sistema enzimático mais importante para a
biotransformação de fármacos é o sistema de oxidase mista
conhecido por sistema P-450, ligado a fosfolipídios de
membrana do retículo endoplasmático liso.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
O citocromo P-450 é uma hemoproteína, trata-se de um
complexo enzimático onde atualmente são conhecidos cerca
de 50 isoformas de enzimas que compõem esse sistema. Essas
isoformas são agrupadas em grandes famílias e sub-famílias.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Ex: CYP3A2 significa isoenzima 2 pertencentes à família 3 e
subfamília A.
As famílias de genes 1, 2, 3, e 4 reúnem as isoenzimas
hepáticas e extra-hepáticas envolvidas na fase I da
biotransformação.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Atualmente são conhecidas muitas substâncias indutoras
enzimáticas, onde se destacam os anticonvulsivantes e
barbitúricos. Ex.: carbamazepina (anticonvulsivante) pode
reduzir as concentrações plasmáticas de anticoncepcionais
estrogênicos diminuindo os efeitos terapêuticos desses
fármacos .
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Por outro lado, a inibição enzimática determina maior
concentração do fármaco no plasma, podendo atingir níveis
tóxicos. Entre os inibidores se destaca a cimetidina
(antiulceroso) que interage com um grande número de
fármacos.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Ex.: o uso simultâneo de cimetidina e fenitoína pode
determinar um quadro grave de intoxicação pela fenitoína,
uma vez que são atingidos níveis tóxicos desse fármaco devido
à inibição enzimática exercida pela cimetidina.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Sempre é importante lembrar que a indução ou inibição é
feita sempre em isoformas determinadas do citocromo P-450
e não em todas as enzimas que compõe esse sistema
enzimático. Assim, como exemplo podemos citar a fluoxetina
(antidepressivo) que inibe a fração CYP2C19.
ALTERAÇÕES NA BIOTRANSFORMAÇÃO
Desta forma, a administração simultânea desse fármaco com
outros antidepressivos que também utilizam essas isoenzimas
no processo de biotransformação, como o citalopram,
imipramina, clomipramina, elevam as concentrações
plasmáticas desses fármacos. Esse aumento pode levar a
intoxicação grave sendo classificada como perigosa, portanto
devendo ser evitada.
Biotransformação
“Correspondem a interações que ocorrem durante a
metabolização dos fármacos e estão relacionadas com
a alteração de sua eliminação pelo organismo”
Alterações na biotransformação
Medicamento: acenocumarol, anisindiona, dicumarol, fenindiona,
femprocumona, varfarina.
Alface, alga marinha, batata, beterraba, brócolis, carne vermelha,
cenoura, couve, ervilha, espinafre, fígado, germe de trigo, lentilha,
nabo, rabanete, repolho, soja.
Efeito: antagonismo na síntese hepática dos fatores da
coagulação vitamina K-dependentes
diminuição da eficácia anticoagulante.
Metabolismo
* É conseqüente do aumento ou da diminuição da
velocidade de biotransformação de um ou de ambos
os fármacos.
* Estão ligadas aos processos de indução ou inibição
enzimática de sistemas metabolizadores que podem
acarretar alterações na meia-vida plasmática na sua
concentração de equilíbrio no plasma.
Interações provocadas por alteração do metabolismo das
drogas
Mecanismo proposto: indução enzimática
Droga induzida Droga indutora
Cimetidina Fenobarbital
Diazepam Fenitoína
Anticoagulantes orais Carbamazepina, alcool crônico
Pentobarbital Etanol crônico
Teofilina Rifampicina
Acetaminofeno contraceptivos orais
C R F – S P
Mecanismo proposto: inibição enzimática
Droga que provoca inibição Droga inibida
Alopurinol Mercaptopurina
Amiodarona Fenitoína, quinidina, Warfarina
Cloranfenicol Carbamazepina, Fenobarbital,
Fenitoína, anticoagulantes
Clorpromazina Fenitoína e propranolol
Cimetidina Amitriptilina,
Benzodiazepínicos, Fluoxetina
Excreção
“Correspondem a interações que ocorrem durante a
eliminação do fármaco do organismo e estão
relacionadas com a alteração do tempo de sua
permanência no organismo”
Excreção
Envolve as vias de eliminação dos
fármacos como o rim, o fígado, o
intestino e o pulmão.
Excreção
¬Os mecanismos que mais se destacam estão
relacionados ao efeito de um fármaco/alimento
sobre a secreção tubular e subseqüente excreção do
outro
¬Alterações do pH urinário que modificam a
eliminação de um dos fármacos e alimento
¬Aumento de volume urinário eliminando os
fármacos filtráveis em maior quantidade.
Os efeitos farmacológicos de uma droga dependem tanto de sua
absorção quanto de sua excreção eficiente.
Tanto a excreção renal quanto a excreção biliar podem ser afetadas
pelo conteúdo da dieta ou ainda por algumas condições nutricionais.
A deficiência de sódio, por exemplo, leva a uma reabsorção
aumentada deste sal e simultaneamente de carbonato de lítio
elevando o potencial tóxico do lítio, o que pode ser revertido pela
suplementação de sódio ou maior ingestão de líquidos.
Os efeitos dos nutrientes na excreção renal de drogas é mais
proeminente em drogas de espectro terapêutico limitado.
ALTERAÇÕES NA EXCREÇÃO
Considerando a excreção renal, podemos destacar vários
mecanismos envolvidos nas interações de fármacos ;
a) pH da urina – Ex.: a excreção renal de barbitúricos (caráter
ácido) pode ser aumentada mediante a alcalinização da urina
com bicarbonato de sódio. No entanto, outras substâncias
que acidificam a urina dificultam a excreção desse fármaco.
ALTERAÇÕES NA EXCREÇÃO
b) Competição por carregadores renais – Duas substâncias que
podem competir entre si, na secreção tubular, por
apresentarem afinidade às mesmas proteínas transportadoras.
Ex.: probenecide, que compete pelo mesmo carregador que
excreta a penicilina. A associação de probenecide com
penicilina eleva diminui a excreção desse antibiótico.
REABSORÇÃO TUBULAR
ALCALINIZAÇÃO DA URINA
⇒ ⇒⇒ ⇒BICARBONATO ou LACTATO DE SÓDIO
ACIFICAÇÃO DA URINA
⇒ ⇒⇒ ⇒ÁCIDO ASCÓRBICO ou CLORETO DE AMÔNIA
FÁRMACO
ÁCIDOS
• FENOBARBITAL
• SALICILATOS
• FENILBUTAZONA
• ÁCIDO NALIDÍXICO
• ACETAZOLAMIDA ( antiglaucomatoso,
anticonvulsivante, diurético)
BÁSICOS
• ANFETAMINAS
• QUINIDINA
• IMIPRAMINA
• AMITRIPTILINA
• NICOTINA
• MORFINA
EXCREÇÃO
NA URINA ÁCIDA NA URINA BÁSICA
DIMINUI AUMENTA
AUMENTA DIMINUI
Alterações na excreção renal
O alopurinol interage com alimentos com alto teor proteico
Efeito: aumento da reabsorção tubular renal do metabólito
ativo, oxipurinol.
Os diuréticos poupadores de potássio [amilorida, canrenona,
espironolactona, triantereno], interagem com passa de ameixa,
banana, figo, germe de trigo, laranja.
Efeito: retenção de potássio; aumento do risco de hipercalemia
gerando a debilibtação da condução cardíaca. (A manifestação mais
precose é o apiculamento das ondas T no eletrocardiograma, com
aumento crescente do potássio pode ocorrer fibrilação ventricular.
Manifestações neuromusculares como parestesias, fraqueza e paralisia
flácida ocorrem com menor freqüência.
.
Diuréticos de alça como a furosemida; diuréticos tiazídicos como:
clorotiazida, clortalidona, hidroclorotiazida, interagem
Alimento salgado: carne, embutidos, peixes, toicinho.
Efeito: perda de potássio; retenção de líquidos; aumento do risco
de hipocalemia (Fraqueza muscular e arritimias cardíacas são os
sinais e sintomas mais comuns. Também se observam, poliúria
polidipsia e obstipação; contudo, pode estar assintomático).
Alterações na excreção renal
A metenamina (sepurin®) interage com alimentos de
caráter alcalino como vegetais, leite e derivados, frutas
Efeito: aumento do pH urinário; bloqueio da conversão
metenamina em formaldeído; diminuição da eficácia
antibacteriana urinária.
Alterações na excreção renal
Medicamento (base fraca): amitriptilina (antidepressivo tricíclico),
anfetamínicos, cloroquina, imipramina, meperidina, nortriptilina,
quinidina, teofilina, tolazolina (vasodilatador).
Alimento ácido: ameixa, amendoim, carne, farináceo, fruto do mar,
lentilha, milho, peixe, toicinho.
Efeito: diminuição do pH urinário;
aumento da ionização;
diminuição da reabsorção tubular renal;
aumento da excreção renal.
(Aulus Conrado Basile)
Alterações na excreção renal
Interação
Farmacodinâmica
Interação
Farmacodinâmica
Sinergismo
de Potenciação
Sinergismo
de Adição
Antagonismo
Farmacológico
Antagonismo
Fisiológico
Interações Farmacodinâmicas
“Correspondem a interações de fármacos
entre si para a produção de um
determinado efeito e estão relacionadas
com o mecanismo de ação dos mesmos,
aumentando sua eficácia”
Sinergismo
As interações medicamentosas classificadas como
farmacodinâmicas podem ocorrer em nível de receptores
farmacológicos ou envolver outros mecanismos. Do ponto de
vista didático podemos classificar essas interações em:
a) Sinergismo – Quando os fármacos associados promovem
efeitos semelhantes. Esse sinergismo pode ser por:
Interações Farmacodinâmicas
SINERGISMO:
• Adição - O efeito final é a soma dos efeitos individuais,
porém os fármacos envolvidos agem por mecanismos de
ação semelhantes. Ex.: ácido acetilsalicílico e dipirona,
ambos são analgésicos antipiréticos por inibição da
cicloxigenase.
Interações Farmacodinâmicas
SINERGISMO:
• Somação – O efeito final também é a soma dos efeitos
individuais, porém os fármacos envolvidos atuam por
mecanismos de ação diferentes. Ex.: ácido acetilsalicílico e
morfina, ambos atuam como analgésicos, porém o primeiro
atua por mecanismo periférico e o segundo por mecanismo
central
Interações Farmacodinâmicas
SINERGISMO:
• Potencialização – Quando o efeito final é maior do que a
soma dos efeitos individuais.
Ex.: benzodiazepínicos e álcool, onde a depressão do SNC é
maior na associação do que aquela causada pelos fármacos
individuais.
Interações Farmacodinâmicas
“Correspondem a interações de
fármacos entre si com conseqüente
redução de um determinado efeito e
estão relacionadas com o mecanismo
de ação dos mesmos, reduzindo a
eficácia do tratamento ou reações
adversas”
Antagonismo
Interações Farmacodinâmicas
Antagonismo
De efeito
Farmacológico
Antidotismo
Fisiológico
b) Antagonismo - A redução do efeito de um fármaco causada
pela presença de outro é denominado de antagonismo.
Conforme o mecanismo envolvido o antagonismo pode ser:
Fisiológico – Quando dois fármacos atuando em receptores
diferentes produzem efeitos farmacológicos opostos. Ex.:
acetilcolina atuando em receptores próprios causam diminuição
da freqüência cardíaca; norepinefrina atuando em receptores
próprios aumentam a freqüência cardíaca.
Interações Farmacodinâmicas
ANTAGONISMO:
Farmacológico – A interação ocorre em nível de receptores .
Esse tipo de antagonismo pode ser:
1) Competitivo reversível – agonista e antagonista competem
de forma reversível pelo mesmo receptor.
2) Competitivo irreversível – um dos fármacos estabelece
ligação irreversível com o receptor impedindo a ligação
com o agonista.
Interações Farmacodinâmicas
ANTAGONISMO:
3) Não competitivo – O antagonismo se estabelece em
nível de mecanismos intracelulares ( transdução do
sinal).
4) Químico - Ocorre diminuição do efeito farmacológico
devido a reações químicas entre os fármacos.
Interações Farmacodinâmicas
WARFARINA + FENILBUTAZONA ou CLOFIBRATO ⇒ ⇒⇒ ⇒HEMORRAGIA
TOLBUTAMIDA + FENILBUTAZONA ou SALICILATOS ⇒ ⇒⇒ ⇒COMA HIPOGLICÊMICO
TIROXINA + CLOFIBRATO ⇒ ⇒⇒ ⇒HIPERTIROIDISMO
DIGOXINA + VERAPAMIL ou QUINIDINA ⇒ ⇒⇒ ⇒INTOXICAÇÃO DIGITÁLICA
FENITOÍNA + FENILBUTAZONA ⇒ ⇒⇒ ⇒AUMENTO DOS NÍVEIS SÉRICOS DA FENITOÍNA
EXEMPLO DE
ANTAGONISMO
ANTAGONISMO
Acenocumarol, anisindiona, dicumarol, fenindiona, femprocumona,
warfarina.
Alface, alga marinha, batata, beteraba, brócolis, carne vermelha,
cenoura, couve, ervilha, espinafre, fígado, germe de trigo, lentilha,
nabo, rabanete, repolho, soja.
Efeito: antagonismo na síntese hepática dos fatores da coagulação
vitamina K-dependentes, promovendo diminuição da eficácia no uso
de anticoagulantes.
Antidepressivos: IMAO (tranilcipromina), procarbazina
(antineoplásico), selegilina (antidiscinético),
iproniazida (antidepressivo), moclobemida
(antidepressivo), nialamida(antidepressivo), linezolida
(antibacteriano), toloxatona (antidepressivo).
Alimento contendo tiramina: abacate, banana, carnes
e peixes defumados, chocolate, chucrute, carne
enlatada e embutida, extrato de carne e galinha,
fígado, iogurte, molho de soja, passa de uva, queijos
fermentados maduros, vinho, cerveja.
IMAO inibem as MAO localizadas nas terminações
nervosas, nos intestinos e no fígado →responsáveis pela
degradação de catecolaminas e indoletilaminas
(serotonina, histamina).
IMAO + drogas simpatomiméticas ou alimentos ricos em
tiramina →liberação excessiva de NA →síndrome de
superatividade simpática →hipertensão severa, cefaléia,
excitação, delírio, hiperpirexia, e arritmias cardíacas,
hemorragia subaracnóide e morte
e Como os IMAO inibem a MAO de forma irreversível esta interação
pode ocorrer mesmo após 20 dias de interrupção do fármaco
e Pacientes que recebem combinação de drogas serotoninérgicas (L-
triptofano, anfetamina, inibidores seletivos da recaptação de
serotonina, IMAOs, buspirona, lítio, ATC, petidina,
dextrometorfano, etc.) podem desenvolver a síndrome
serotoninérgica
e Esta síndrome é caracterizada por confusão, ataxia, febre, sudorese
abundante, calafrio, hiperreflexia, mioclonia ou diarréia poucos
minutos após administração das drogas
Interações medicamentosas que envolvem
neutralização química
Aminoglicosídeos X penicilinas
Protamina X Insulina
Antiácidos X Clorpromazina
PENICILINAS, CEFALOSPORINAS, FLOXACINAS + ANTI-
ÁCIDOS = ↓
PENICILINAS + DIURÉTICOS POUPADORES DE K+ =
HIPERCALEMIA
METRONIDAZOL, CEFALOSPORINAS + ÁLCOOL
= síndrome aldeídica
+ BENZODIAZEPÍNICO = ↑ ↑↑ ↑ efeito sedativo
+ ANTIÁCIDOS = ↓ ↓↓ ↓ absorção do antipsicótico
+ ANTICONVULSIVANTES = ↓ ↓↓ ↓ níveis séricos do AP
+ ANTIARRÍTMICOS = ↑ ↑↑ ↑ efeito depressor do miocárdio
+ ANTICOLINÉRGICOS = ↑ ↑↑ ↑ efeito anticolinérgico
+ ANTIDEPRESSIVOS = ↑ ↑↑ ↑ níveis séricos do AP
+ ANTIHIPERTENSIVOS = ↑ ↑↑ ↑ efeito hipotensor
+ CIMETIDINA = ↑ ↑↑ ↑ níveis séricos do AP
+ ANFETAMÍNICOS,LEVODOPA, BROMOCRIPTINA = antagonismo
+ LÍTIO = neurotoxicidade
+ TABACO = ↓ ↓↓ ↓ níveis séricos do AP
ANTIPSICÓTICOS
BENZODIAZEPÍNICOS
INTERAÇÕES NÃO RELEVANTES:
+ ANTICONCEPCIONAIS
+ BLOQUEADOR NEURO MUSCULAR
+ ANESTÉSICO LOCAL
+ ANTICOLINÉRGICOS
+ IMAO
+ ANTIINFLAMATÓRIOS
+ HORMÔNIOS ESTEROIDAIS
INTERAÇÕES RELEVANTES:
+ ANOREXÍGENOS = antagonismo
+ BLOQUEADORES BETA = ↓ ↓↓ ↓ depuração do BZD
+ XANTINAS = ↓ ↓↓ ↓ efeito sedativo e ansiolítico
ANALGÉSICOS
AAS:
+ ANTICOAGULANTES ORAIS = hemorragia
+ ANTIDIABÉTICOS ORAIS = hipoglicemia
+ CORTICÓIDES = efeitos ulcerogênicos
+ VALPROATO = toxicidade pelo valproato
PARACETAMOL:
+ ÁLCOOL = hepatotoxicidade
+ ANTICONVULSIVANTES = hepatotoxidade
DIPIRONA:
+ CUMARÍNICO = ↓ ↓↓ ↓ ação dos anticoagulantes
+ BARBITÚRICOS = ↓ ↓↓ ↓ efeito analgésico
+ ANTIÁCIDOS = ↓ ABSORÇÃO
APARELHO
CARDIOVÁSCULORENAL
DIURÉTICOS: FUROSEMIDA
+ AMINOGLICOSÍDEOS = ototoxicidade
+ COLESTIRAMINA = ↓ ↓↓ ↓ absorção dos diurético
+ DIGITÁLICO = ↑ ↑↑ ↑ perda de potássio
+ LÍTIO = ↑ ↑↑ ↑ de 25 a 40% da concentração do lítio
HIPOTENSORES DE AÇÃO CENTRAL:
ALFA-METILDOPA E CLONIDINA = deprimem o SNC
OBSERVAÇÕES RELEVANTES SOBRE OS
ALIMENTOS
INTERAÇÕES COM
ALIMENTOS
• Formação de quelantes
Tetraciclina
Quinolonas (cipro e norfloxacino)
- Adsorção -Colestiramina
- Formação de complexos
café ou chá
• Consequência
-cálcio, ferro,
-magnésio e zinco
-Cálcio,folacina
-vitamina B
12
-Vitamina D e K
Flufenazina Haloperidol
• Taxa de difusão
Alimentos ricos em fibras
- Liberação
Refrigerantes
Sucos ácidos
• Consequência
^Viscosidade e
-Taxa difusão
ex:furosemide e clorotiazida
Decomposição prematura das
Drágeas
( ex: eritromicina droga sensível em
presença de pH ácido)
C R F – S P
• Efeito do pH
^pH -dissolução
de drogas básicas
-pH ^hidrólise
• Consequência
-Taxa de absorção do
indinavir
-Taxa de aborção da
isoniazida
-Absorção do diclofenaco de
sódio,penicilina G
amoxicilina eritromicina
ampicilina
VANTAGENS E
DEVANTAGENS DAS
INTERAÇÕES
MEDICAMENTOSAS
Vantagens das Interações Medicamentosas
√ Aumento da eficácia terapêutica
√ Redução dos efeitos tóxicos
√ Aumento da duração do efeito
√ Combinação de latência curta com duração de efeito longa
√ Impedimento ou retardo do aparecimento de resistência
√ Aumento de adesão ao tratamento
Desvantagens das Interações
Medicamentosas
√ Somação de efeitos indesejáveis
√ Dificuldades no ajuste de doses individuais
√ Detecção do agente responsável por eventual
reação adversa
√ Elevação do custo do tratamento
Erros com Medicamentos:
como minimizá-los?
Potencial de risco aos pacientes, e ocorrem devido
a múltiplos fatores:
1.Características dos pacientes
2.Despreparo dos profissionais de saúde
3.Falhas nos sistemas de atendimento à saúde
4. Insuficiente formação graduada e educação
continuada dos diferentes profissionais
5.Polifarmácia
6.Uso de preparações injetáveis
7.Automedicação
Erros com Medicamentos: Perigo Escondido
Prevenção ou redução: posturas e estratégias,
mais coletivas que individuais.
Farmacêutico
Paciente
Médico
“A intervenção do farmacêutico deve visar a
melhoraria a qualidade de vida de seus clientes”.
“Cabe ao farmacêutico, profissional centrado no
medicamento, fornecer meios que contribuam
para a garantia da promoção, proteção e
recuperação da saúde, através de sua
competência científica-profissional, além de
valores éticos, morais e de cidadania.”
MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO
Definição
Medicamentos isentos de prescrição (MIP): são aqueles que
não necessitam de receita médica para serem adquiridos, são
internacionalmente reconhecidos pela sigla OTC - Over the
Counter (sobre o balcão). Exemplos:
- analgésicos,
- vitaminas,
- antiácidos,
- laxantes,
- descongestionantes nasais
Analgésicos:
Ácido acetilsalicílico
Dipirona
Paracetamol
Ibuprofeno
Interações:
Os salicilatos deslocam de sua ligação protéica a sulfolinuréia,
penicilina, tiroxina, triiodotironina, fenitoína e naproxeno,
potencializando seus efeitos. Os salicilatos potenciam o efeito dos
anticoagulantes orais e de probenecide.
Não é recomendado o uso prolongado e simultâneo de
paracetamol, pois aumenta o risco de nefropatia
Os acidificantes urinários (ácido ascórbico, fosfato sódico ou
potássico, cloreto de amônio) dão lugar a maiores concentrações
plasmáticas de salicilato, por diminuir sua excreção.
Os glicocorticoides aumentam a excreção de salicilato e, portanto, a
dose deverá ser adequada.
O uso simultâneo com outros analgésicos anti-inflamatórios não
esteróides pode aumentar o risco de hemorragias devido a inibição
adicional da agregação plaquetária (ANVISA(b)).
• Os efeitos de inibidores da ECA podem ser cortados pela
administração de ácido acetilsalicílico.
• O AAS pode reduzir os efeitos betabloqueadores, diuréticos de
alça (furosemida), diuréticos tiazídicos e probenicida (agente
uricosúrico).
• O AAS pode causar redução da [ ] sérica de AINES e dos efeitos
da probenecida.
•AAS x ácido fólico: hiperexcreção de folato, pode acarretar
deficiência de ácido fólico, o que pode levar à anemia macrocítica.
• AAS X Ferro: o uso crônico de ácido acetilsalicílico em doses de 3-
4 vezes/dia pode acarretar anemia ferropriva.
•AAS x sódio: a hipernatrimia é resultado do uso de soluções
tamponadas de acido acetilsalicílico ou de salicilatos de sódio
contendo grandes quantidades de sódio. Evitar ou utilizar com
cuidado na ICC ou em qualquer condição em que a hipernatremia
possa ser prejudicial.
• frutas secas contendo vitamina C: deslocam o medicamento dos
sítios de ligação, acarretando aumento da excreção urinária de
ácido acetilsalicílico.
•AAS x fitoterápicos/ suplementos nutricionais: evitar alho,
angélica chinesa, artemisia, castanha- da- índia, chá verde,
gengibre, ginseng, gingko, prímula, trevo-vermelho, unha de gato (
todos possuem atividade antiplaquetária). Limitar o uso de pó de
curry, páprica e alcaçuz; pode causar acumulação de salicilato.
Dipirona
Interações medicamentosas:
No caso de tratamento concomitante com ciclosporina, pode
ocorrer uma diminuição no nível de ciclosporina.
A administração simultânea com clorpromazina pode provocar
hipotermia grave.
Não se deve ingerir bebidas alcoólicas durante o tratamento com
dipirona sódica porque o efeito do álcool pode ser potencializado
(FACULDADE ESTÁCIO DE SÁ).
Paracetamol
Interações medicamentosas:
Aumento do efeito de paracetamol: etanol, anticoagulantes orais,
carbamazepina, diflunisal, isoniazida, zidovudina, sulfimpirazona.
Diminuição de efeito de paracetamol: fenitoína. Paracetamol pode
reduzir a depuração do bussulfano (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2008).
Ibuprofeno
Interações Medicamentosas
Aumento do efeito de ibuprofeno: cetorolaco, clopidogrel,
antidepressivos; inibidores da recaptação
de serotonina, corticosteróides; Redução de efeito de ibuprofeno:
ácido acetilsalicílico;
Ibuprofeno pode reduzir o efeito antiplaquetário do ácido
acetilsalicílico; Ibuprofeno aumenta concentrações plasmáticas dos
aminoglicosídeos; Ibuprofeno aumenta a atividade e risco de
sangramento de anticoagulantes; Ibuprofeno aumenta o risco de
toxicidade de ciclosporina.
Ibuprofeno
Interações Medicamentosas
Ibuprofeno aumenta o risco de toxicidade dos antidepressivos
tricíclicos; Ibuprofeno reduz efeito diurético e eficácia anti-
hipertensiva de diuréticos; Tiazídicos; Ibuprofeno reduz a excreção
de lítio e metotrexato, com aumento do risco de toxicidade.
Ibuprofeno aumenta o risco de hipoglicemia de sulfoniluréias.
Ibuprofeno
Interações Medicamentosas
Ibuprofeno com fitoterápicos e suplementos nutricionais: evitar
aipo, alcaçuz, alfafa, alho, angélica chinesa, artemísia, bromelaína,
castanha da índia, chá verde, cogumelo reishi, cóleo, cordyceps,
erva doce, feno –grego, gengibre, ginkgo biloba, ginseng, semente
de uva, primula ( todos aumentam atividade antiplaquetária).
Medicamentos x leite ou antiácidos pode alterar efeito
da medicação
O Leite é um alimento e, por isso, estimula a produção de
sucos digestivos. Vários medicamentos podem perder
seus efeitos ao serem degradados pelo suco gástrico
liberado pelo organismo.
Além disso, leite contém cálcio e outros nutrientes que
podem promover a perda do efeito terapêutico pela
inativação química (quelação), reação comum entre essa
bebida e a tetraciclina.
Medicamentos x leite ou antiácidos pode alterar efeito da
medicação
Muitas pessoas também têm o costume de ingerir
antiácidos antes de tomar medicamentos que irritam o
estômago.
Esse hábito pode cortar totalmente o efeito do
medicamento, pela diminuição da absorção do princípio
ativo ou pela absorção junto deste de componentes dos
antiácidos.
Efeitos do leite e antiácidos em alguns medicamentos
Antibióticos: Ampicilina e tetraciclina (redução do efeito
antibacteriano pela redução de sua absorção);
Contraceptivo oral: redução do efeito pela diminuição da
absorção com uso de antiácidos especialmente;
Digoxina: redução da absorção com diminuição do efeito
cardiotônico;
Diazepam: redução da absorção com diminuição do efeito
sedativo.
Estes exemplos reforçam a necessidade de se tomar todo
medicamento no horário certo e sempre com um copo cheio de
água. Deve-se evitar qualquer outra bebida.
PARA RELEMBRAR: exemplos que deverão ser observados:
1. Retardo no esvaziamento gástrico: com o estômago muito cheio,
ocorre diminuição da absorção de um medicamento que seja mais
absorvido nesta região (a nitrofurantoína [antiinfeccioso] beneficia-
se desse efeito, aumentando sua biodisponibilidade);
2. Alteração da biotransformação: os alimentos alteram a
biotransformação de várias drogas (ex.: propanolol);
3. Dissolução: os alimentos podem interferir na dissolução das
drogas, favorecendo ou prejudicando sua absorção (ex.: alimentos
gordurosos favorecem a dissolução da griseofulvina [antifúngico],
aumentando sua absorção);
Exemplos que deverão ser observados:
4. Quelação: ocorre a formação de um sal insolúvel, que precipita
e não pode ser absorvido (ex.: interação entre a tetraciclina e o
leite);
5. Inibição digestiva: ocorre competição por sítios de ação entre
as substâncias alimentares com o medicamentos, prejudicando
sua absorção (ex.: aminoácidos competindo com a Levodopa).
Exemplos que deverão ser observados:
Quanto a ação:
1. Antagonismo dos medicamentos: substâncias presentes nos
alimentos podem interferir na resposta dos medicamentos (ex.:
vitamina K inibe a resposta dos anticoagulantes orais);
2. Alteração da excreção urinária: o alimento ingerido pode
interferir na função renal (ex.: dietas hipossódicas podem causar
reabsorção de lítio e atingir níveis tóxicos).
Interações medicamento com
álcool
O álcool etílico (etanol) é um agente sedativo e
hipnótico consumido como droga social, sendo de uso
legal (assim como o tabaco).
O alcoolismo é um distúrbio complexo, sendo um
problema importante do ponto de vista clínico e de
saúde pública.
As interações entre o etanol e outras drogas podem
apresentar efeitos clínicos importantes que resultam de
alterações na farmacocinética ou na farmacodinâmica
da segunda droga.
O Etanol sob a forma de bebida alcoólica é a substância
psicoativa mais consumida no mundo. Além do
comprometimento de órgãos como o fígado, coração e
pâncreas, o consumo excessivo e crônico de etanol
ocasiona dano cerebral, levando a incapacidade física e
intelectual. Ademais, as deficiências nutricionais,
particularmente as vitamínicas, comuns em alcoólatras,
são responsáveis por síndromes neuropsiquiátricas como
a psicose de Korsakoff, a polineuropatia e a encefalopatia
de Wernicke.
Sob o ponto de vista farmacológico, o etanol é um depressor do
sistema nervoso central e sua ação se exerce de modo não seletivo.
Em doses moderadas, o etanol tem efeito euforizante. Esta
desinibição é resultante da depressão dos sistemas inibitórios. Com
o aumento da dose, evolui para fala incompreensível, diminuição da
acuidade visual e mental, incoordenação motora, perda de
consciência, coma e morte.
Doses moderadas de etanol provocam vasodilatação periférica com
ruborização e perda de calor, acarretando a instalação de
hipotermia, que pode levar à morte, dependendo das condições
climáticas.
Doses moderadas de etanol estimulam as secreções gástrica e
salivar.
Concentrações elevadas provocam inflamação da mucosa
gastrintestinal, o que pode contribuir para a desnutrição.
O etanol tem efeito diurético, pois inibi a liberação do hormônio
antidiurético pela hipófise posterior.
Muitos efeitos do álcool se devem a seu metabolismo.
Biotransformação do Etanol: Metabolismo do álcool
Uma quantidade insignificante de etanol é conjugada aos ácidos
glicurônico e sulfúrico e excretada pela urina. De longe, a reação
de biotransformação mais importante é entretanto a oxidação,
em acetaldeído e daí para acetato, que ocorre primariamente no
fígado.
Os três principais mecanismos enzimáticos responsáveis por
sua oxidação em acetaldeído são:
• álcool desidrogenase, catalase e sistema microssomal de
oxidação do etanol (SMOE) que essencialmente parte do
citocromo P450.
• A álcool desidrogenase é a enzima mais importante para a
oxidação do etanol.
• Entretanto a ingestão crônica de álcool leva a uma indução e
aumento da taxa de oxidação pelo Citocromo P450.
Efeitos metabólicos do álcool
- Elevação de lactato e de acidose metabólica. Como o lactato inibe
a secreção renal de ácido úrico, pode precipitar ataques de gota.
- O aumento do nível de NADH, estimula a síntese de ácidos graxos
no fígado, enquanto a oxidação via ciclo de Krebs está bloqueada.
- Acúmulo de Triglicerídios neutros no fígado e lipidemia.
- O aumento de NADH e a diminuição de piruvato provocam
redução de gliconeogênese.
Efeitos metabólicos do álcool
Consequentemente, se o suprimento de glicogênio hepático estiver
depletado pela falta de uma ingesta alimentar adequada, o etanol
causará hipoglicemia.
- A ingestão crônica e acentuada de álcool aumenta não somente a
oxidação mas também o consumo de O2. Consequentemente, o
risco de hipóxia no fígado está aumentado causando necrose das
células hepáticas nos alcoólatras.
Outros numerosos efeitos do etanol são produzidos em outros
tecidos.
Interações medicamentos e etanol
As interações do álcool com os medicamentos podem se dar
nos seguintes sentidos:
Ingestão aguda de álcool concomitante com medicamentos.
- O etanol estimula a secreção ácida, desnatura certos fármacos,
retarda o esvaziamento gástrico e facilita a dissolução de
substâncias lipossolúveis, causando, ocasionalmente, a absorção de
substâncias que, em outras circunstâncias, não seriam absorvidas.
-Na presença de etanol no organismo o metabolismo de muitas
drogas como benzodiazepínicos, barbitúricos, tetraciclinas,
antidepressivos, hipoglicemiantes orais, etc. estão com o seu
metabolismo diminuído, podendo exacerbar seus efeitos.
- Uma interação muito relevante é potencialização do efeito
depressor do SNC do álcool por ansiolíticos, hipnóticos e sedativos.
A depressão resultante desta interação é bem maior que a simples
soma dos efeitos. Consistindo, com freqüência, grave ameaça à
vida.
Nessas circunstâncias, a morte pode advir por falência
cardiovascular, depressão respiratória ou grave hipotermia.
Exemplo de interação farmacodinâmica entre o etanol e barbitúricos
que causam um aumento potencializado do efeito depressor do
Sistema Nervoso Central.
Concentrações sangüíneas de barbitúricos e etanol associados à
ocorrência de morte em vários grupos de pacientes com
superdosagem.
- O álcool pode interferir no tratamento da gota, uma vez que diminui
a excreção do ácido úrico devido ao aumento de lactato (que
compete pela secreção do ácido úrico)
- A vasodilatação produzida pela nitroglicerina é aumentada pelo
etanol, podendo levar a hipotensão.
- O álcool diminui acentuadamente a capacidade motora e alerta
em pacientes usando anti-histamínicos, anticonvulsivantes,
anfetaminas e antidepressivos.
- Devido ao efeito hipoglicemiante do álcool, ele pode aumentar o
risco de hipoglicemia grave em pacientes diabéticos, que fazem
uso de hipoglicemiantes.
Ingestão crônica de álcool que causam mudanças bioquímicas e
fisiológicas e alteram a ação dos medicamentos
• indução enzimática hepática (CYP) = tolerância metabólica.
• adaptação do sistema nervoso central (SNC) = tolerância
farmacodinâmica.
- Consumo excessivo de etanol interfere com a absorção de
nutrientes essenciais, levando a deficiências minerais e vitamínicas.
- Ácido acetilsalicílico pode causar hemorragia gastrintestinal devido
a seu efeito aditivo de irritação gástrica.
- Aceleração de biotransformação de fármacos, em decorrência da
indução de enzimas hepáticas.
- Os consumidores crônicos de bebidas alcoólicas desenvolvem
tolerância ao etanol e a outros fármacos (tolerância cruzada). Essa
tolerância é devida, em parte, à adaptação do sistema nervoso
central (tolerância farmacodinâmica) e à indução enzimática
(tolerância metabólica).
-Assim os alcoólatras, quando sóbrios, necessitam de doses
maiores que os abstêmios para evidenciar efeitos
farmacológicos de anticoagulantes, anticonvulsivantes,
antidiabéticos, antimicrobianos e outros fármacos
biotransformados pelo sistema oxidase de função mista.
Tendo em vista que a tolerância persiste por vários dias ou
mesmo semanas, após a interrupção do consumo abusivo
do álcool, esses fármacos devem ser prescritos e, doses
maiores para pacientes em fase de recuperação do
alcoolismo.
-Medicamentos e produtos que têm efeitos hepatotóxicos como
Clorofórmio, Paracetamol, Isoniazida tem sua hepatotoxicidade
aumentada pelo efeito aditivo do álcool.
etanol.
Interações em nível de biotransformação do etanol. Alguns
fármacos como ácido etacrínico, fenilbutazona, clorpromazina,
hidrato de cloral, inibem a álcool desidrogenase, promovendo o
acúmulo de etanol no organismo elevando a exacerbação de seus
efeitos.
Algumas substâncias ,dissulfiram, Metronidazol, Griseofulvina,
Tolbutamida, Fentolamina, Cloranfenicol, Quinacrina,
Cefalosporinas, inibem a aldeído desidrogenase, elevando a
concentração sangüínea em 5-10 vezes de acetaldeído e
desencadeando a síndrome do acetaldeído ou Antabuse.
Essa síndrome caracteriza-se por intensa vasodilatação, cefaléia,
dificuldade respiratória, náusea, vômito e taquicardia.
Cafeína em doses altas promove diminuição parcial dos efeitos
depressores centrais do álcool, porém não promove a sobriedade
como popularmente é empregado; antagonismo fisiológico.
Mais especificamente o Dissulfiram é usado para tratamento do
alcoolismo devido a estes efeitos.
Interações medicamentosas potencialmente perigosas podem
ocorrer durante o tratamento com o dissulfiram, pois este interfere
com o sistema oxidase de função mista e inibe a biotransformação
de antidiabéticos, anticonvulsivantes, benzodiazepínicos,
antimicrobianos e outros fármacos.
INTERAÇÕES FARMACOCINÉTICAS:
As mais freqüentes interações farmacocinéticas entre droga e
álcool ocorrem como resultado da proliferação induzida pelo
álcool no retículo endoplasmático liso das células hepáticas.
Assim, a ingestão prolongada de álcool, sem lesão para o fígado,
pode aumentar a biotransformação metabólica de outras drogas.
Já o uso agudo de álcool é capaz de inibir o metabolismo de
outras drogas, devido à alteração do metabolismo ou à alteração
do fluxo sangüíneo hepático.
Este efeito agudo do álcool pode contribuir para o perigo comum de
misturá-lo com outras drogas.
As fenotiazinas, os antidepressivos tricíclicos e as drogas sedativas
são as mais importantes capazes de interagirem com o álcool através
deste mecanismo.
As interações farmacodinâmicas do álcool também têm grande
importância clínica. A interação aditiva com outros agentes sedativos
e hipnóticos é mais significativa. O álcool também potencializa os
efeitos farmacológicos de muitas drogas não sedativas, incluindo os
vasodilatadores e os fármacos hipoglicêmicos orais.
O álcool também aumenta a ação antiplaquetária da aspirina.
Indicações - Profa. Márcia Aparecida Antônio
Indicação Profa. Márcia Aparecida Antônio
Indicação Profa. Márcia Aparecida Antônio
Indicação Profa. Márcia Aparecida Antônio
AMOUNI M. MOURAD
CRF-SP

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