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  • 3.1 A família no Código Civil e na Constituição Federal
  • 4.1 Estatuto da Criança e do adolescente (ECA) Lei 8.069/90
  • 4.2 Lei da Alienação Parental (Lei 12.318/10)
  • 5.1 Guarda unilateral
  • 5.2 Guarda compartilhada
  • 5.3 Guarda Alternada
  • 6.2 Prevalência
  • 6.3 Sequelas
  • 6.4 Efeitos comuns
  • 6.6 A falsa denúncia de Abuso Sexual

STEPHANIE DE OLIVEIRA DANTAS

SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL

SÃO PAULO 2011

STEPHANIE DE OLIVEIRA DANTAS

SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL

Projeto

apresentado

como

exigência parcial para obtenção de grau de bacharel em Direito, sob orientação do Professor Doutor Fabrício Furlan.

SÃO PAULO 2011

Dantas, Stephanie de Oliveira Síndrome de alimentação. / Stephanie de Oliveira Dantas. São Paulo, 2011. 500000f. Trabalho de conclusão de curso (graduação) – Apresentada ao Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Paulista, São Paulo, 2011. Área de Concentração: Direito “Orientação: Profº Fabrício Moreno Furlan.”

1. Síndrome. 2. Alienação parental. 3. Direito. I. Título.

SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL

O projeto intitulado como SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL a luz da Lei 12.318/10, elaborado por Stephanie de Oliveira Dantas, foi avaliado como requisito parcial para obtenção do grau de bacharel em Direito, tendo

sido____________________em_______________________.

BANCA EXAMINADORA: Professor: Doutor Fabrício Furlan. Professor Argüidor: ________________________________________

EPÍGRAFE

“ A decisão de ter um filho é uma coisa muito séria. É decidir ter, para sempre, o coração fora do corpo”

E. Stone

alienados e desalienados. que se encontram diante desta realidade atual e fatídica.DEDICATÓRIA A todas as crianças e pais. Stephanie de Oliveira Dantas . que reajam diante da impotência do sistema e das pessoas. que poderiam ser filhos de todos nós. os menores. a todos os profissionais e pessoas envolvidas na questão da alienação parental. filhos. protegendo sobretudo o maior e talvez “ único” prejudicado diante deste contexto.

e que ganha mais um capítulo a Lei 12. traz consigo com clareza o real significado desta síndrome. Este fenômeno que vem sendo estudado por muitos estudiosos. da evolução jurídica perante ela e seus novos “desafios” perante a mutabilidade que sofre a sociedade. diante de tantas alterações sofridas em nossa legislação. a dignidade e proteção do menor. trago o tema que para o Direito é supostamente “novo” a Síndrome da Alienação Parental.RESUMO Este trabalho fala do histórico da família no Judiciário.chave: Síndrome da Alienação Parental . visando á proteção de um bem maior. o cuidado do legislador com os detalhes.318 de 2010 que a regulamenta. Palavra.

With so many changes experienced in our legislation.ABSTRACT This work speaks of family historical in the judiciary. I bring the subject to the Law that is supposedly "new" the Parental Alienation Syndrome. aiming at the protection of a greater good. the legal developments before it and its new "challenges" before the changing that society suffers.318 of 2010 that regulates it brings clarity to the real meaning of this syndrome. This phenomenon has been studied by many scholars. care of the legislator with the details. Key Word: Parental Alienation Syndrome . the dignity and protection of the child. and winning one more chapter to Law 12.

Guarda Alternada 6. INTRODUÇÃO A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA A FAMÍLIA NO DIREITO POSITIVO 1 2 5 5 11 11 13 16 17 18 21 22 24 26 27 28 28 32 3.1. Guarda Unilateral 5.SUMÁRIO 1.3.5. A FAMÍLIA NA LEGISLAÇÃO ESPECIAL 4. Sequelas 6. Guarda Compartilhada 5.1.2. Características e Condutas do Alienador 6. A família no Código Civil e na Constituição Federal de 1988 4.2. 2.6. Estatuto da Criança e do adolescente ( Lei 8. Prevalência 6.069/90) 4. GUARDA 5. 3.3.4. Efeitos comuns 6.318/10) 5.1. A SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL 6. Lei da Alienação Parental (Lei 12. Definição 6. A falsa denúncia de Abuso Sexual .1.2.

A implantação de falsas memórias 6.2.6. Relatos de casos 7. 9.7.8.1. A SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL NO PODER JUDICIÁRIO 33 36 37 38 40 48 49 7. A mediação Familiar 7. Jurisprudência 8. CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA .

deslindar os seus momentos de origem. cultura e costumes. Nova York. dentro dos meus limites. ainda bem que é assim. para saber exatamente contra aquilo que lutamos!!! É sabido que ao Estado. pessoas diretamente ligadas aos problemas. A bem da verdade tem sido imposta em razão das problemáticas apresentadas ou não em nossos Tribunais. Gardner. mas ouso tentar levar a todos nós. Estados Unidos da América.CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO A tese da Síndrome de Alienação Parental surgiu na América do Norte e se irradiou para outros continentes é uma construção do psiquiatra norte-americano Richard A. reajam pelo bem do direito e da humanidade. pais. que tenham a adição de uma elucidação – ao menos – básica . e. às vezes até não compreendidas. obrigatoriamente. Pretendo com este trabalho não esgotar todas as fontes de esclarecimento da síndrome da alienação parental. cabe. tem se apresentado da mesma forma. É a dinâmica do direito. não cabe regular relações de pessoas. constitucionalmente. embora noutra cultura e contexto. bem como sua regulamentação na esfera jurídica. entendimento e seqüelas (seqüelas que se somam às muitas já existentes e não necessárias aos nossos jovens que já são massacrados pela nossa sociedade e realidade do Brasil). chefe do departamento de Psiquiatria Infantil da faculdade de medicina e cirurgia da Universidade de Columbia. que caminha com as novas realidades da nossa vida. apresentação. e. que ainda haverá de muito se alterar.da grande problemática. se alertam em nossos Tribunais. por questão de direito a liberdade. Assim. sim. No Brasil. a síndrome da alienação parental. com consciência e força. mas. embora matéria efetivamente reconhecida – agora – tentarei. as grandes dificuldades de matérias não regulamentadas. as quais por sua vez. que as encara de forma real e séria. saber 1 . Como tudo no direito é dinâmico. profissionais. por nova época.

Não tem apenas dever de abster-se de praticar atos atentatórios à dignidade humana. 13 ed. e aos pais. E. elegeu. erroneamente. a pessoa humana como ponto central de seu texto. e. Muitas das transformações levadas a efeito são frutos da identificação dos direitos humanos como valor fundante da pessoa humana. para que.br/modules.com. o constituinte mais com o “Ser” do que com o “Ter". especialmente filhos violentados pela síndrome da alienação parental. apud CAPEZ. Editora Revista dos Tribunais. Fernando.com o que lidamos quando tratamos de filhos.direitopositivo. Maria Manual de Direito das Famílias. não possibilitemos a esses filhos. III). 2009. garantindo a essência humana do próprio direito brasileiro. filhos e futuro do Brasil. a ensejar o conseqüente alargamento da esfera de direitos merecedores de tutela. o positivismo tornou-se insuficiente. As regras jurídicas mostram-se limitadas. 7ª ed. CAPÍTULO 2 A DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA O princípio da dignidade humana é o mais abrangente de todos os princípios constitucionais posto que dele emergem todos os direitos. agora. Os princípios constitucionais foram convertidos em alicerce normativo sobre o qual assenta todo o edifício jurídico do sistema constitucional. obviamente. A partir do momento em que ocorreu a constitucionalização do direito civil e a dignidade da pessoa humana foi consagrada como fundamento do Estado Democrático de Direito (Constituição Federal artigo 1º. acanhadas para atender ao comando constitucional. III a Dignidade Humana como fundamento constitucional. todos nós. São Paulo: Editora Saraiva.php?name=Artigos&file=display&jid=59 consultado em 20/05/2011 2 Berenice Dias. 2 . mas antes tem dever de promovê-la. mas sim de um objetivo a ser atingido.1 Este princípio não trata apenas de um limite à atuação do Estado Juiz. Curso de Direito Penal: Parte geral. muitas vezes. o que provocou sensível mudança na maneira de interpretar a lei. preocupando-se. 2 Assim o brilhante Fernando Capez reza: 1 http://www. a perda do direito e proteção à vida (digna e feliz). o direito ao poder familiar que dever ser certamente e regularmente exercido. se a Constituição da República Federativa do Brasil estampou em seu Artigo 1º. portanto.

deve estar a serviço do bem comum. mediante o reconhecimento de novos direitos fundamentais.comunidademaconica. onde as leis devem ter conteúdo e adequação social e o Estado. pelo sociais combate e ao promoção preconceito de aça. ademais. Por isso. E sua lista vai crescendo. Tomás de Aquino. pela redução do das bem desigualdades comum. pelo pluralismo político e liberdade de expressão das idéias. não só vida como mero substantivo. como a vida. vida feliz” Surge assim o sentimento social de justiça.aspx.br/Artigos/5778. Só é sujeito de direitos a pessoa humana. Tratado de Direito Privado. mas pela imposição de me tas e deveres quanto à construção de uma sociedade livre. 4 A idéia de dignidade da pessoa humana está na base do reconhecimento dos direitos humanos fundamentais. mas apenas por adição. pelo resgate da cidadania. Editora Revista dos Tribunais. explicita: “Ainda que tenha o Estado o dever de regular as relações das pessoas. pela afirmação do povo como fonte única do poder e pelo respeito inarredável da dignidade humana. pela garantia do desenvolvimento nacional. idade e quaisquer outras formas de discriminação (CF. não pode deixar de respeitar o direito a liberdade e garantir o direito à vida. por sua vez. mas vida de forma adjetivada: vida digna. t. reconhecia ser ele mutável. I 4 http://www. 7ª ed.com. uma hierarquia natural entre os direitos humanos.“Verifica-se o Estado Democrático de Direito não apenas pela proclamação formal da igualdade entre todos os homens. a 3 Berenice Dias. Há. art.” 3 Neste sentido Pontes de Miranda. Os direitos humanos fundamentais são o "mínimo existencial" para que possa se desenvolver e se realizar. assegurando assim a dignidade da pessoa humana. Nesse diapasão seguiram as sucessivas declarações dos direitos humanos fundamentais (a francesa de 1789 e a da ONU de 1948).consultado em 18/05/2011 3 . pela erradicação da pobreza e da marginalização. sexo. ao tratar da questão da imutabilidade do direito natural. cor. I a IV). justa e solidária. desenvolvendo-se a idéia de diferentes "gerações" de direitos fundamentais: os de 1ª geração. à medida que a humanidade vai tomando consciência das implicações do conceito de dignidade da vida humana. pela regionais. de modo que uns são mais existenciais do que outros. a liberdade. origem. 3º. apud Pontes de Miranda. Maria Manual de Direito das Famílias.

onde as pessoas. Quando uma coisa tem um preço. 1986. pode-se pôr em vez dela qualquer outra como equivalente. sob pena de ser considerada inconstitucional. os de 2ª geração. Fundamentação da Metafísica dos Costumes. “No reino dos fins tudo tem um preço ou uma dignidade. e. detentoras desse direito. que deve prevalecer sob qualquer outro princípio. ao trabalho. Entretanto. o ordenamento jurídico deve respeitar sobre tudo a humanidade e a sua dignidade. pode-se perceber a importância real da dignidade humana.igualdade e a propriedade. à moradia. os direitos à educação. só se torna direito humano fundamental à garantia de um meio ambiente saudável. então ela tem dignidade”. à previdência. Trad. Contudo. não pode ser relativizado. 77. os direitos humanos de 3ª geração dependem necessária e inexoravelmente dos direitos de 1ª geração. quando se toma consciência de que o descuido da natureza pode comprometer a existência do homem sobre o planeta. mas quando uma coisa está acima de todo o preço. a segurança e o resguardo do meio ambiente. como a paz. 77). sendo o direito à vida o mais básico e fundamental dos direitos humanos. Immanuel. são essenciais para se ter uma vida digna. dentre eles os positivados como Direitos Sociais são decorrentes da dignidade humana. 5 Reza Immanuel Kant (1986. efetivação desse princípio. em prol de outros valores e direitos. deve existir de maneira mais constante. portanto. a educação e o trabalho. Ora. Sem vida não há qualquer outro direito a ser resguardado. à assistência social. Assim. como a saúde. à saúde. 4 . como princípio e fundamento da República Brasileira. e os de 3ª geração. Constitucionalmente. Daí que. junto ao Poder Público em suas três esferas (Executivo. Assim temos a pessoa humana como valor e a dignidade humana como princípio absoluto. os direitos e garantias fundamentais. Legislativo e Judiciário) devem criar formas de sua garantia. Paulo Quintela. 5 KANT. Ora. dentre outros. portanto não permite equivalente. p. p. uma luta para total aplicação e. conseqüentemente.

mutáveis no tempo e sem força política para se impor contra a vontade de quem cria as normas jurídicas. com isso. seria o direito moderno (positivo) algo imposto por seres humanos para fins humanos e gente de pessoas (aspecto teleológico). perdia o pátrio poder com relação aos filhos. Na falta ou impedimento do pai é que a chefia da sociedade conjugal passava à mulher e. Tão perversa era a discriminação que. mas além desta necessitamos de sua correta http://pt.CAPÍTULO 3 A FAMÍLIA NO DIREITO POSITIVO O Positivismo jurídico é uma doutrina do direito. e cujos esforços sejam voltados à reflexão sobre a sua interpretação. O Código de 1916 assegurava o “pátrio poder” exclusivamente ao marido.wikipedia. da natureza ou da razão como afirma o Jusnaturalismo. independente da idade deles. que considera que somente é Direito aquilo que é posto pelo Estado. Na atualidade. sendo então esse o objeto que deve ser definido. vindo à viúva a casar novamente. Segundo o positivismo jurídico. 6 humano. 3. e não da imposição de Deus. a moral e a justiça. assumia ela o exercício do poder familiar com relação aos filhos. A sua tese básica afirma que o direito constitui produto da ação e vontade humana (direito posto. Só quando enviuvava novamente é que recuperava o pátrio poder (Código Civil 1916 393). A maioria dos partidários do positivismo jurídico defende também que não existe necessariamente uma relação entre o direito. há um vasto debate sobre o positivismo jurídico. como cabeça do casal.1 A família no Código Civil e na Constituição Federal É inquestionável que a vida em sociedade necessita de uma normatização do comportamento aplicabilidade. havendo muitas correntes positivistas assim como muitos críticos dessa teoria (jusnaturalistas.org/wiki/Positivismo_jur%C3%ADdico consultado em 20/05/2011 5 . visto que as noções de justiça e moral são relativas. direito positivo). chefe da sociedade conjugal. moralistas)6.

org. Editora Revista dos Tribunais Berenice Dias. mas era exercido pelo marido com a colaboração da mulher. Tramitou pelo Congresso Nacional antes de ser promulgada a Constituição Federal de 1988. Maria Manual de Direito das Famílias.asp?id_dh=4364 consultado em 31 05 2011 10 Euclides de Oliveira e Giselda Hironaka.8 A Constituição Federal de 1988 manteve o preconizado pela Lei º.9 Mas o Código Civil em completo descompasso com o sistema jurídico necessitou sofrer modificações profundas para adequar-se às diretrizes ditadas pela Constituição. que introduziu diversa ordem de valores. 7ª ed. à moldura da norma civil. Procurou ainda atualizar os aspectos essenciais do direito de família. 8068 de 1990.jurisway. Maria Manual de Direito das Famílias. nem mesmo em direção aos temas constitucionalmente consagrados. Mas não deu o passo mais ousado. inclusive à lei do divórcio. ao alterar o Código Civil.10 Na esteira de tais alterações sociais. Apesar de ter preservado a estrutura do Código anterior.121 de 1962. alçando à cogência constitucionais várias alterações 7 8 Berenice Dias. o que. onde não mais prevalecia à vontade paterna. não deixou o texto com a atualidade e a clareza necessária para reger a sociedade dos dias de hoje. havendo somente uma modificação no que diz respeito à divergência entre os cônjuges. operar a subjunção.121/62). assegurou o pátrio poder a ambos os pais. devendo aquele que estiver inconformado recorrer à Justiça. 4. de construções familiares existentes desde sempre. nos termos do artigo 21 da Lei nº. sendo anterior. ainda assim. Inúmeros remendos foram feitos.7 O código civil que ainda se costuma chamar de novo entrou em vigor em 11 de janeiro de 2003. O projeto original datado de 1975. de forma igualitária. Do direito de família.O Estatuto da Mulher Casada (Lei 4. o direito cuidou de se adaptar aos novos modelos estabelecidos. Editora Revista do Tribunais 9 http://www. podendo a mãe socorrer-se da justiça. ou seja. que é de 1977. pois o exercício do pátrio poder passou a ser de ambos os cônjuges. prevalecia a vontade do pai. embora completamente ignoradas pelo legislador infraconstitucional. 5 6 . No caso de divergência entre os genitores. 7ª ed. privilegiando a dignidade da pessoa humana. incorporou boa parte das mudanças legislativas que haviam ocorrido por meio de legislação esparsa.br/v2/dhall. do Estatuto da Criança e do Adolescente.

e não da família. O poder familiar consiste no conjunto de atribuições que os pais detêm relativamente dos filhos. mas do exercício de uma gama de deveres. tendo em vista que a idéia contida na nova nomenclatura é. Evandro Luiz. como se ainda houvesse na comunidade familiar atual. em síntese. Maria. Manual de Direito de das Famílias. apegada ao contexto familiar da sociedade do século passado. Sociais e Jurídicos. representa obrigação de pais. que habilitam os pais a criar a prole com responsabilidade. entre as quais a isonomia conjugal. traz ínsito o ranço da subjugação. que. Editora Equilíbrio.... como o nome sugere. um instituto protetivo. por outro. Editora Revista dos Tribunais apud Claudete Carvalho Canezin. Direito Civil: direito de família. o que apenas pode ser alcançado em Silva.11 Mas ainda que o Código Civil tenha eleito a expressão poder familiar para atender à igualdade entre homem e a mulher.ainda suscita severas críticas da doutrina especializada. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. 12 Silvio Rodrigues. É. Em verdade. mas sim de autoridade. 14 O que existe entre pais e filhos hoje não é relação de poder. 7ª ed. 355. não agradou. lugar para comandantes e comandados o que é uma impropriedade.12A modificação não passou de efeito de linguagem.significativas. Se por um lado a mudança condiz com a igualdade de gêneros preconizada pela ordem constitucional vigente.476 14 Ibidem 11 7 . a fim de garantir-lhes uma formação pessoal saudável.. antes de um poder. não se trata tecnicamente de um poder. que culminou por influenciar no surgimento de um instituto paritário de proteção dos filhos incapazes: o poder familiar. Critica Silvio Rodrigues: pecou gravemente ao se preocupar mais em retirar da expressão a palavra “pátrio” do que incluir o seu real conteúdo. ainda.13 Assim é que a nova terminologia adotada pelo Código Reale. A noção de poder familiar e a desconsideração. et al. 13 Berenice Dias. Autoridade exercida em prol da construção salutar da personalidade dos filhos e da preservação da dignidade deles. “poder familiar” no lugar de “pátrio poder”.

Com efeito. 7ª ed.16 A autoridade parental está impregnada de deveres não apenas no campo material. 24. o poder familiar. A disciplina jurídica da autoridade parental. devendo os pais satisfazer outras necessidades dos filhos. o poder familiar é compartido entre genitores. Maria. 19 Berenice Dias. seja física. et al. propiciando uma proteção mais eficaz ao filho comum.15 Em conformidade com o que dispõe nosso Código Civil. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. As obrigações que dele fluem são personalíssimas. Sociais e Jurídicos. Afinal. quatro olhos vêm melhor do que dois. Nula é a renúncia ao poder familiar. se nossa ordem jurídica prima pela proteção integral das crianças e adolescentes. no campo existencial.um ambiente de igualdade.17 Para Waldir Grisard. Logo. moral. 16 Ibidem 17 Guilherme Calmon Nogueira da Gama. Evandro Luiz. circunstância que não se altera com eventual separação do casal. mental. tentar definir poder familiar nada mais é do que tentar enfeixar o que compreende o conjunto de faculdades encomendadas aos pais. de modo a conduzi-los à autonomia responsável. Direito de família Brasileiro. notadamente de índole afetiva. 147 18 Waldyr Grisard Filho. o poder familiar é exercido em igualdade de condições pelo pai e pela mãe. com o fim de lograr o pleno desenvolvimento e a formação integral dos filhos. estejam os pais juntos ou separados. espiritual ou socialmente. sendo possível Silva. Manual de Direito de das Famílias. Editora Revista dos Tribunais apud Ana Carolina Brochado Teixeira. Como os pais não podem renunciar aos filhos. 18 A autoridade parental é o vinculo instrumentalizador de direitos fundamentais dos filhos. os encargos que derivam da paternidade também não podem ser transferidos ou alienados. mais que coerente que os pais exerçam ambos. mas. intransferível. como instituição protetora da menoridade.19 O poder familiar é irrenunciável. Guarda Compartilhada. principalmente. inalienável.. 15 8 . Editora Equilíbrio. imprescritível e decorre tanto da paternidade natural como da filiação legal e da sócio-afetiva. 121. onde todos os participantes da equação familiar sejam valorados de forma equivalente.

enquanto os homens foram trazidos para o espaço privado. 20 9 . Não é justo nem moralmente aceitável que um pai dedicado e cioso de seus deveres seja simplesmente defenestado do cotidiano do seu filho. as mulheres têm atividade profissional intensa e os homens participam mais do cotidiano doméstico. mesmo em caso de ruptura da sociedade conjugal. Maria. misturando papéis. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. pois. 211 21 Silva. enfim. E assim devem seguir agindo. em razão do disposto na lei artigo 1632 do Código Civil. se na atualidade.20 Os pais de hoje estão mais perto dos filhos.. plenas condições de exercer ativamente o poder familiar.Evandro Luiz. se hoje a comunidade familiar nasce e se desenvolve em um ambiente que privilegia o afeto e o respeito á dignidade de seus membros.somente delegar a terceiros o seu exercício. pode-se dizer que as mulheres foram lançadas no espaço público.. Se a família atual surge em um contexto social diverso daquele que há pouco vigorava.determinado e compartimentado para cada qual na instituição familiar. Editora Revista dos Tribunais apud Paulo Luiz Netto Lôbo. Assim. que aos primeiros cabe. complementando as lacunas mútuas. Ambos os genitores têm. preferencialmente a um membro da família. et al. 7ª ed..21 É certo que nem sempre foi assim. que reza. Sociais e Jurídicos. Editora Equilíbrio. Código Civil comentado. apenas porque a relação matrimonial do casal foi desfeita. porque já não existe um espaço pré. alternando responsabilidade. Primeiro. Manual de Direito de das Famílias. Os pais e as mães contribuem para a manutenção do núcleo familiar de forma igualitária. mas na rejuvenescida família da era contemporânea. Berenice Dias.” E depois. “A separação judicial. de terem em sua companhia os segundos. porque a presença de ambos os pais na formação dos filhos é indispensável. o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais e filhos senão quanto ao direito..

da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente. Exercê-lo de forma ampla e efetiva implica co-responsabilidade na educação integral do filho. a saúde. a profissionalização. que é exercido pelos pais. exerce a guarda de um filho que não pode ser partido em dois. faz presumir que aquele com quem o filho habita é mais importante. O genitor guardião não é melhor do que o não-guardião. Infelizmente. Morar com um dos pais constitui somente um ajuste necessário às circunstancias de fato criadas pelos próprios genitores. 10 . a cultura. exploração. além de colocá-los a salvo de toda forma de negligencia. Tal costume vicioso afronta a lei e prejudica os filhos. a alimentação. penalizando-se o outro genitor com um distanciamento muitas vezes irrecuperável. é esperado que ela também se desconstrua diferentemente. discriminação. que são aviltados em seu direito. Isso. Falecidos ou desconhecidos ambos os genitores. de fato. com absoluta prioridade. sendo irrelevante qual dos genitores detenha a guarda da criança. de ampla convivência família. ao respeito. ficarão eles sob tutela (Código Civil 1728 I). O filho maior. podendo o pai ou a mãe ser nomeado curador (Código Civil 1775). o direito a vida. principalmente contra as crianças envolvidas no conflito. e de forma não definitiva. de forma alguma. a educação. quando essa situação só deveria se verificar em casos patológicos de suspensão ou destituição da autoridade parental. como na parábola de Salomão. constitucionalmente assegurado.a família se constrói de forma especial. a liberdade e a convivência familiar e comunitária. Apenas. de zero a dezoito anos. está sujeito à curatela. o que se vê na prática é que o cônjuge guardião é sempre quem. Agir assim é uma violência. a dignidade. ao lazer. estão sujeitos ao poder familiar. violência.” Todos os filhos. “É dever da família. mas incapaz.22 É preciso que genitores e operadores do direito estejam atentos ao momento social em que as separações e os divórcios atuais estão eclodindo e passem a dar atenção redobrada ao instituto do poder familiar. exerce sozinho o poder familiar. artigo 227 da Constituição Federal. crueldade e opressão. 22 Idem.

à profissionalização. e ainda seu desenvolvimento sadio e harmonioso (ECA 7º) com o prejuízo de que caso esses direitos sejam atingidos de alguma forma prejudique o desenvolvimento físico. ao esporte. tais como o direito á vida. Silvio Rodrigues. 25 Berenice Dias. moral.O poder familiar no Brasil é compartilhado e precisa ser melhor compreendido. Manual de Direito das Famílias. deixando de ocupar o lugar frio que lhe reserva um artigo de lei para passar a ser uma questão de atitude daqueles que realmente se esmeram pelas felicidades dos filhos. mesmo que para isso tenham que aturar um indigesto e indesejado ex-conjuge. ao respeito. Editora Revista dos Tribunais 11 . 359. ao Respeito e à Dignidade e seu direito de convivência familiar. à saúde. por sua flagrante inconstitucionalidade. Com o único propósito de preservar a unidade familiar daquele que reconheceu um filho extra matrimonial. O ECA em seu artigo 4º diz que é dever da família. zelando por seus direitos fundamentais. à dignidade.24. a qual consagra o princípio da prevalência do interesse de crianças e adolescentes. mental. à cultura. espiritual e social desta criança. No entanto. 7ª ed. alias não somente desta da sociedade e do poder público assegurar com absoluta prioridade. à Liberdade. a efetivação dos direitos referentes à vida.069/90 O Estatuto vem para garantir proteção integral à criança e ao adolescente. Maria. à educação. à alimentação. condiciona a guarda do filho à concordância do cônjuge do genitor (Código Civil 1611). 23 24 Ibidem.23 O poder familiar é sempre compartilhado entre os genitores. ao lazer. à liberdade e à convivência familiar.1 Estatuto da Criança e do adolescente (ECA) Lei 8. De forma absurda. descuidou-se o legislador desses deveres em face dos filhos havidos fora do casamento e da união estável. à saúde. Assim a regra é de se ter simplesmente por não escrita.25 CAPÍTULO 4 A FAMÍLIA NA LEGISLAÇÃO ESPECIAL 4. Direito civil: Direito de família. olvidou-se a lei de que deve obediência à Constituição.

Assim. produz danos emocionais merecedores de reparação. não só na justiça. Modo expresso. crianças e adolescentes foram colocados a salvo de toda forma de negligência. 7ª ed. Consequentemente a convivência dos filhos com os pais não é direito. articulando o desamor desta criança com seu genitor (a). mas nas próprias relações entre pais e filhos a nova tendência da jurisprudência. centrada no afeto como elemento agregador.26 O ECA garante a estas crianças e adolescentes o direito de serem criados e educados no seio de sua família (ECA 19). a família. A Constituição (artigo 227) e a ECA acolheram a doutrina da proteção integral. exige dos pais o dever de criar e educar os filhos sem lhes omitir o carinho necessário para a formação plena de sua personalidade.A Síndrome da Alienação Parental que atinge diretamente todos esses “Direitos Fundamentais” esta cada vez mais presente no cotidiano dessas crianças. Editora Revista dos Tribunais 12 . deixando de atender ao dever de ter o filho em sua companhia. então quando ocorre uma separação entre os pais. que passou a impor ao pai o dever de pagar indenização. Não há direito de visitá-lo. a titulo de 26 Berenice Dias. e um deles decide pelo afastamento do outro. Assim passou-se a se falar em paternidade responsável. vai contra diretamente a todos os direitos fundamentais a esta criança. é dever. A omissão do genitor em cumprir os encargos decorrentes do poder familiar. O conceito atual da família. há obrigação de conviver com ele. Profunda foi à reviravolta que produziu. Transformaram-se em sujeitos de direitos e foram contemplados com enorme número de garantias e prerrogativas. Mas direitos de uns significam obrigações a outros. A grande evolução das ciências que estudam o psiquismo humano veio encarar a decisiva influência do contexto familiar para o desenvolvimento sadio de pessoas em formação. a sociedade e o Estado. Maria Manual de Direito das Famílias. Por isso a Constituição enumera quem são os responsáveis a dar efetividade a esse leque de garantias. restando ao Judiciário protegê-las.

Danos morais.28 4. não apenas para que os deveres parentais deliberadamente omitidos não fiquem impunes.04. mas a qualquer pessoa que tenha a criança ou adolescente sob sua autoridade.550-5. deve ser indenizável. Editora Revista do Tribunais apud Rolf Madaleno. A lei traz um rol exemplificativo do que seria a alienação parental. para que.. em virtude do abandono paterno. com fulcro no princípio da dignidade da pessoa humana( TAMG. a separação. e a preservação moral desta criança diante de um fato que por si só os atinge. que podem ser praticados diretamente ou com auxilio de terceiros. Indenização. A lei considera-se por alienação parental. Maria Manual de Direito das Famílias. no futuro. Relação paterno-filial. 7ª ed. preservando dentre vários direitos o seu convívio com a família. Vale salientar que a lei teve a cautela de não restringir a autoria apenas aos genitores.318/10) A Alienação Parental esta estipulada na lei 12. que o privou do direito à convivência. A opção pela nomenclatura genitor expõe claramente que ato da alienação parental pode ter por alvo indistintamente pai ou mãe. moral e psíquico. ao amparo efetivo. 01. Principio da dignidade da pessoa humana.2 Lei da Alienação Parental (Lei 12. Cív. ao filho que pela falta de convívio. principalmente. a interferência abusiva na formação psíquica da criança ou adolescente para que repudie genitor ou cause prejuízo ao estabelecimento ou manutenção de vínculo com este (artigo 2º da Lei de Alienação Parental). Princípio da efetividade. ela vem para assim como a Constituição Federal o ECA e o Código Civil. o dano à dignidade humana do filho em estágio de formação deve ser passível de reparação material. Dr. falo mais detalhadamente desses atos praticados pelo alienador mais a frente. rel. A dor sofrida pelo filho. AC 408. 169 27 13 . ao mostrar que o afeto tem um preço muito alto na nova configuração familiar. mas.27 Desta forma. proteger a criança e seus Direitos fundamentais. 7ª Cam. qualquer inclinação ao irresponsável abandono possa ser dissuadida pela firme posição do Judiciário.318 de 2010. guarda ou vigilância.j. mesmo que venha atendendo ao pagamento da pensão alimentícia. Unias Silva) 28 Berenice Dias.danos morais. O preço do afeto.2004.

determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial.ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado.determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão. A lei estabeleceu requisitos mínimos para assegurar razoável consistência do laudo. caso o alienador tente de alguma forma manipular e interferir em tal bom convívio a lei diz em seu artigo 6º. seja para exames de eventuais atos de alienação parental ou de questões relacionadas à dinâmica familiar. segundo gravidade do caso: I .Havendo indicio da prática da alienação.determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente. se necessário determinará perícia psicológica ou biopsicossocial.declarar a suspensão da autoridade parental” E ainda diz em seu Parágrafo único. VI.” 14 . IV. exame de documentos dos autos. histórico do relacionamento do casal e da separação. V. inviabilização ou obstrução à convivência familiar. o juiz também poderá inverter a obrigação de levar para ou retirar a criança ou adolescente da residência do genitor. II. avaliação de personalidade dos envolvidos e exame da forma como a criança ou adolescente se manifesta acerca de eventual acusação contra genitor. por ocasião das alternâncias dos períodos de convivência familiar. “Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor. VII. “Caracterizado mudança abusiva de endereço. III. o juiz. em ação autônoma ou incidental. notadamente entrevista pessoal com as partes. cumulativamente ou não. quando necessária. cronologia de incidentes.estipular multa ao alienador. sem prejuízo da decorrente responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos.declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador. o juiz poderá. como também para fornecer indicações das melhores alternativas de intervenção. A lei é clara quanto á proteção do convívio do genitor e o filho.

do Código Civil. parágrafo 2. pena de detenção de seis meses a dois anos. bem como recomendações de intervenção.Em audiência pública29. Prevaleceu à tese30 que atribui ênfase ao caráter educativo. em 01. IBDFAM. os deveres inerentes ao pátrio poder ou decorrente de tutela ou guarda.2009. havia a dificuldade de tipificação direta dos atos de alienação parental. Além disso. pressupunha exame subjetivo de conduta. Incesto e Alienação Parental 2ª edição. 30 Parecer da Deputada Maria do Rosário. incompatível com a objetividade necessária para configuração do eventual ilícito penal e constatação de sua autoria. objetivamente. mas não vai de acordo com várias tipificações legais tais como: o Lei de Alienação Parental em seu artigo 2º conforme elencado acima. sobre a conveniência de tipificação penal da alienação parental. Karla Mendes e Elizio Luiz Perez. que também indicava. 32 Berenice Dias.. Maria..afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar (. em muitos casos.)”. considerando que.698/2008( Lei da Guarda Compartilhada): “ A guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e. houve debate. suas motivações e relações com a dinâmica familiar.10. entre outras questões. Editora Revista dos Tribunais 2010 33 Art. para efeito penal. na Câmara dos Deputados. mais aptidão para propiciar os filhos os seguintes fatores I. Esse tipo penal também não ofereceria maleabilidade para examinar os diferentes graus de alienação parental. dolosa ou culposamente. 34 Art. o Infração administrativa34 (descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda). segundo indicação pericial. Sandra Baccara. caso a caso. segundo a redação da Lei 11. preventivo e de proteção da norma. com a participação dos convidados Maria Berenice Dias. 249 do Estatuto da Criança e do Adolescente: “Descumprir. segundo o texto aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados. com a restrição da parte penal31.32 O alienador pode não ser punido Penalmente. 1583. 31 Excluído o tipo penal de “impedir ou obstruir ilegalmente contato ou convivência de criança ou adolescente com genitor”. o A violação a direito previsto no artigo 227 da Constituição Federal (convivência familiar saudável). Audiência Publica realizada perante a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados. bem assim determinação da 29 15 . Cynthia Ciarallo. o Ao critério para atribuição de guarda unilateral quando inviável a guarda compartilhada33 (prejuízo à realização de afeto nas relações com genitor e com grupo familiar).

(Código Civil 1612).” Enfim.318/10. “A pratica de ato de alienação parental fere direito fundamental da criança ou do adolescente de convivência familiar saudável. apenas se individualizando quando ocorre a separação de fato ou de direito dos pais. á sociedade. 120 16 .. alei vem reforçar a importância da família. 7ª ed.35 Não fica exclusivamente na esfera familiar a definição de quem permanecerá com os filhos em sua companhia... conjunta. define o legislador a diferença entre guarda compartilhada e guarda unilateral. prejudica a realização de afeto nas relações com genitor e com grupo familiar. do bom convívio entre pais e filhos e traz uma realidade atual. autoridade judiciária ou Conselho Tutelar: Pena – multa de três a vinte salários de referência. Código Civil comentado. Editora Revista dos Tribunais apud Paulo Lôbo. se não observada e acompanhada acarreta sérios problemas a criança. Manual de Direito das Famílias. a Síndrome da Alienação Parental que. respeitando sobre tudo o melhor interesse do menor.o Por fim reza nosso artigo 3º da Lei 12. CAPÍTULO 5 GUARDA Ao tratar da proteção da pessoa dos filhos em nosso Código Civil (Código Civil 1583 a 1590). constitui abuso moral contra a criança ou o adolescente e descumprimento dos deveres inerentes à autoridade parental ou decorrentes de tutela ou guarda. 35 Berenice Dias. Maria. havendo preferência por membro da família que tenha afinidade e afetividade com os menores (Código Civil 1584 parágrafo 5). implicitamente. A guarda dos filhos é. pais e demais profissionais envolvidos a se policiar para que possamos tratar essas novas “doenças” do mundo jurídico atual. assim cabe a nós operadores do direito. cedendo primeiramente aos pais o critério para definição da guarda. aplicando-se o dobro em caso de reincidência”. á seus pais. Pode a guarda ser deferida a outra pessoa.

37 Ainda que se deva respeitar a deliberação dos genitores. 5. o que só ocorre após ouvidoria do Ministério Público. prevalece primeiramente o que foi acordado entre ambos os pais ou fixado pelo juiz. compreendendo encontros periódicos regularmente estabelecidos. repartição das férias escolares e dias festivos. e ainda fiscalizar sua manutenção e educação.589). mas dá preferência claramente á guarda compartilhada (Código Civil 1584 parágrafo 2º).581 parágrafo 1). que se instala com a separação. (Código Civil 1. muitas vezes. na petição de separação consensual. Maria.1 Guarda unilateral A lei prevê a possibilidade da guarda unilateral. que são usados como instrumento de vingança pelas mágoas acumuladas durante o período da vida em comum.Quanto à visitação dos filhos pelo genitor que não detém a guarda. Nada mais. Por isso. Editora Revista dos Tribunais 17 . além do acordo relativo á guarda dos filhos menores. Manual de Direito das Famílias.38 Mas devemos frisar que tanto na definição da guarda quanto a visitação que são primeiramente abertos para acordos entre ambos os pais dependem para sua validação da chancela judicial. Daí a recomendação do juiz para que mostre as vantagens da guarda compartilhada (Código Civil 1. Editora Revista dos Tribunais 38 Berenice Dias. 7ª ed. não se pode deixar de atentar para o momento de absoluta fragilidade emocional em que eles se encontram quando da separação. Visando sanar essa omissão. com a previsão de um calendário minucioso. Manual de Direito das Famílias. 36 37 Lei 11. datas e acontecimentos. 7ª ed. acaba. deve constar o regime de visitas (Código de Processo Civil 1. horários. O estado de beligerância.112/05 Berenice Dias. é indispensável evitar a verdadeira disputa pelos filhos e a excessiva regulamentação de visitas. o Código de Processo Civil36 determina que. refletindo-se nos próprios filhos.121 parágrafo 2): a forma pela qual os cônjuges ajustarão a permanência dos filhos em companhia daquele que não ficar com sua guarda. Maria. exauriente e inflexível de dias.

39 Esta modalidade de guarda obriga o genitor não guardião a supervisionar os interesses do filho (Código Civil 1583 parágrafo 3). que vem crescendo nos últimos tempos. de 13 de junho de 2008. com o fim de protegê-lo.br/revista/texto/11494/guarda-de-filhos-unilateral-e-compartilhada consultado em 26/05/2011 18 .com.013/09. Busca-se diversificar as influências que atuam amiúde na criança.40 5. mais aptidão para propiciar aos filhos os seguintes fatores: I – afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar. A guarda compartilhada está prevista na lei n. ou maiores incapacitados enquanto durar a incapacidade. dissolução de união estável). se estabelece que a guarda unilateral será atribuída ao genitor que revele melhores condições para exercê-la e. divórcio.uol. que obriga as instituições de ensino ao envio de informações escolares aos pais conviventes ou não com seus filhos. Oportuna a inserção no bojo da norma de alguns parâmetros que se voltam não só a orientar a escolha do genitor a quem se confiará a guarda unilateral. a completa e a eficiente formação 39 O que se entende por guarda unilateral? http://www.698. ampliando o seu aspecto de desenvolvimento físico e moral.2 Guarda compartilhada A guarda compartilhada é uma modalidade de guarda de filhos menores de 18 anos completos não emancipados.A guarda mais tradicional no Brasil é a unilateral é uma guarda exclusiva do pai ou da mãe cabendo ao outro direito de visitas.lfg.br/public_html/article. Com tal finalidade.com. 11. Busca-se. e permitir o seu desenvolvimento e a sua estabilidade emocional. III – educação (§ 2º). objetivamente. com efeito. mas é direito deste o de fiscalizar sua manutenção e educação (Código Civil 1589). como também o destaque que é dado ao dever de supervisionar os interesses do menor. tornando-o apto à formação equilibrada de sua personalidade. Esta modalidade de guarda almeja assegurar o interesse do menor. II – saúde e segurança.php?story=20080819131340588 consultado em 18/05/2011 40 http://jus. como a maneira mais evoluída e equilibrada de manter os vínculos parentais com o filho após o rompimento conjugal (separação. a qualidade de suas relações afetivas e a sua inserção no grupo social. prova de tal fato é a lei 12.

De qualquer forma. estão fazendo muito mal á saúde psicológica de seus filhos. É claro que. nem acerca de festinhas e viagens. e por fim. tais como emocional. Em outras palavras é o meio pelo qual os pais separados. quando os dois vão gerir a vida de filho. portanto afirmar em que medida a separação pode afetar a saúde psicológica dos filhos. o que é completamente normal deve ficar em segundo plano quando o assunto se refere ao interesse do filho. ambiental. mas é incontroverso o mal que os conflitos lhes causam. psicológica. mesmo após a dissolução do casamento ou união estável. de forma que nenhum deles ficará relegado a um papel secundário. entre outras. que um dos pais não possa exercer esse dever para com a vida do filho. Requer uma corresponsabilização de ambos os genitores acerca de todos os eventos e decisões referentes aos filhos: os pais conhecem. divorciados ou com dissolução de união estável realizada permanecem com as obrigações e os deveres na educação dos filhos e nos cuidados necessários ao desenvolvimento deles em todas as áreas. Mesmo que haja divergência entre os pais. discutem decidem e participam em igualdades de condições exatamente da mesma maneira como faziam quando estavam unidos conjugalmente. garante que permaneça a convivência dos pais com o filho. por ser a modalidade mais evoluída de guarda. como mero provedor de pensão ou limitado a visitas de final de semana. As doutrinas de saúde mental e de direito de família são unânimes em 19 . não há espaço para egoísmo ou narcisismos. A guarda compartilhada não permite. É um regime que conduz a relação dos pais separados com os filhos após o processo de separação. por exemplo. espiritual e educacional do menor cuja guarda se compartilha. Não há. Por isso devem ser observadas outras variáveis que podem influir nessas situações. portanto. muito menos. afetiva. Ninguém dúvida que mesmos os pais que vivem juntos. mas em constante conflito. não é simples.sócio-psicológica. que só prejudicam o entendimento e alimentam a discórdia. é necessário de ambos os pais para deixarem seus ressentimentos pessoais de lado e buscarem o genuíno interesse dos filhos. omissão de informações escolares ou médicas. que nenhum dos pais se exima de suas responsabilidades e.

Assim.br/revista/texto/11494/guarda-de-filhos-unilateral-e-compartilhada consultado em 18/05/2011. independentemente de estes permanecerem da companhia de um deles apenas nos http://jus. mas participa ativamente de sua construção. possibilitando-lhes a manutenção de uma vida normal e regular com o cultivo de atividades cotidianas. formação.uol. na guarda compartilhada o que se “compartilha” não é a posse. dentre outros aspectos relevante à manutenção de uma rotina que se mostre a eles favorável e que venha a contribuir para o desenvolvimento de sua personalidade.41 Em verdade. portanto. portanto. bem como com a formação de um círculo de amigos e vizinhos. Resulta claro. enquanto partilha equitativamente sua guarda jurídica. em conjunto com o outro. sobre todos os aspectos caros ao menor.apontar os malefícios causados pelos desentendimentos parentais na psique de seus filhos: os conflitos. Diferencia-se da guarda alternada. Enfim. que nessa modalidade busca-se preservar em favor dos filhos a indicação de uma residência que lhes deve servir de referência principal. que vê desabar diante de seus olhos os referenciais em que até então se ancorava. o que ocorre na guarda compartilhada é a plena participação de ambos os genitores em todos os aspectos da formação dos filhos. De fato. 41 20 . lazer. a exemplo da educação. religião. saúde. Verifica-se que a guarda compartilhada não inclui a idéia de alternância de dias.com. mas sim a responsabilidade pela sua educação. porque não há necessidade da alternância de domicílios (pode acorrer. e as incertezas que planta na mente do filho. nesta modalidade. um dos pais pode manter a guarda física do filho. o estado de tensão que o conflito gera a discórdia familiar. bem-estar etc. a instabilidade que se lhe atrela a insegurança que causa. toda a vida do filho. o genitor que não mantém consigo a guarda material não se limita a fiscalizar a criação dos filhos. semanas ou meses de exclusividade na companhia dos filhos. bens patrimoniais. Decide ele. mas não é uma condição essencial). enfim.

Campinas. da forma como ocorreu separação parental e da existência de Perissini da Silva. sendo que. Caracteriza-se pelo exercício da guarda. SP: Armazém do Ipê. Objeta-se. SP: Armazém do Ipê. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. que pode ser anual. Denise Maria. valores. as responsabilidades. O que é isso?. decisões e atitudes caberão exclusivamente a este. Perissini da Silva. segundo um período de tempo predeterminado. uma vez que contradiz o principio da continuidade do lar. padrões e formação da sua personalidade.2009.Campinas. Denise Maria. traz consigo inúmeras dificuldades quanto à sua compreensão. 5. de ofício ou a requerimento do Ministério Público. 11. mensal. em razão da sua instabilidades emocional e psíquica criada pela constante mudança de referenciais dependendo. no período em que a criança estiver com aquele genitor. ainda sem grande penetração no Brasil. os papéis invertem-se. que deve compor o bem-estar da criança muito pequena. É bastante criticado em nosso meio.3 Guarda Alternada A guarda alternada é a modalidade que possibilita aos pais passarem a maior parte do tempo possível com seus filhos. Ao termo do período. o juiz. também que sejam prejudicial à consolidação dos hábitos. semestral.finais de semana e feriados. seus benefícios e sua aplicabilidade. O que é isso?. obviamente. ou mesmo uma repartição organizada dia a dia. alternadamente.584 parágrafo 3º) e de acordo com a redação dada pela lei n. 43 42 21 .2009.42 E como é feita a avaliação psicológica e social para verificar se a guarda compartilhada pode ser aplicada aquele caso ou não? Conforme o Código Civil (1.698/08. 43 Por ser um instituto novo. poderá basear-se em orientação técnico-profissional ou de equipe interdisciplinar. e essa foi a idéia do legislador ao instituir tal modalidade de guarda. para estabelecer as atribuições do pai e da mãe e os períodos de convivência sob guarda compartilhada. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental.

Há a perda de um referencial em função de se admitir na guarda alternada a alternância de residência. IBDFAM . sendo que ao término desse período a criança era de se sujeitar a adaptar a educação do outro genitor.resquícios de ressentimentos entre os ex-cônjuges. o risco da quebra de hierarquia. ou alternância do exercício unilateral da responsabilidade parental. consciente ou inconscientemente. então. Editora Revista dos Tribunais 2010 apud R. que se caracteriza por um elevado número de separações e 44 http://jus. aos filhos. Essa situação forca a criança a ficar sob o comando e educação de apenas um dos genitores durante determinado período. ao fim do qual se transfere esse encargo ao ouro genitor. Vilela (2007. em realidade. ela deixa de preservar ou fixar a imagem dos pais. para muitos estudiosos. pp 28-29) afirma que a guarda alternada é prejudicial porque se repudia a mudança sistemática do ambiente cotidiano da criança.com. A ausência de previsão legal de tal modalidade de guarda decorre. que terá sua educação exercida exclusivamente por um dos genitores em um determinado momento.uol. gerando para eles. uma alternância de guardas. Incesto e Alienação Parental 2 edição. com a induvidosa mudança de ambientes que em nada contribuem para uma formação uniforme.44 CAPÍTULO 6 A SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL 45 A síndrome de alienação parental é um acontecimento freqüente na sociedade atual. Alternar a guarda de filhos não se mostra. Isso porque quando a criança alterna da casa do pai para a casa da mãe. faltando-lhe a segurança de um lar. A síndrome de alienação parental: um estudo exploratório 22 . como algo que represente vantagem para os pais ou para a formação dos menores. Képes. certamente. das sérias desvantagens aos filhos dela advindas. pode gerar dúvidas e influenciar no surgimento de homens e mulheres com dupla personalidade. Maria.br/revista/texto/11494/guarda-de-filhos-unilateral-e-compartilhada consultado em 18/05/2011 45 Berenice Dias. o que. com evidente prejuízo para os mesmos.ocorre. que são transmitidos. em princípio.

Ela costuma ser desencadeada nos movimentos de separação ou divorcio do casal. 46 Para isso cria uma série de situações visando a dificultar ao máximo ou a impedir a visitação. mas sua descrição ainda constitui novidade. foi difundida na Europa. Podevyn (2001). entretanto. no caso. a Psicologia Jurídica. a partir das contribuições de F. incluindo os filhos. aqueles que se encontram num processo de separação ou divorcio. Essa predisposição. Sociais e Jurídicos. sendo pouco conhecida por grande parte dos operadores do direito. Um pouco depois. consagrando a multidisciplinaridade. ou seja. A esse processo o psiquiatra americano Richard Gardner nominou de “Síndrome da Alienação Parental”: programar uma criança para que odeie o genitor sem qualquer justificativa. Trata-se de verdadeira campanha para desmoralizar o genitor. mas traços de comportamento alienante podem ser identificados no cônjuge alienador durante os anos tranquilos de vida conjugal. Editora Equilíbrio. e despertou muito interesse nas áreas da psicologia e do direito. O filho é utilizado como instrumento da agressividade direcionada ao parceiro. Silva. Não resta dúvida que a Síndrome de Alienação Parental é uma forma de maltrato ou abuso. por se tratar de uma entidade ou condição que se constrói na intersecção desses dois ramos do saber. A síndrome da alienação Parental foi definida pela primeira vez nos Estados Unidos e está teoricamente associada ao nome de Richard Gardner (1987). a odiá-lo. é posta em marcha a partir do fator separação (gatilho ou fato desencadeante). revela a necessidade do direito e da psicologia se unirem para a melhor compreensão dos fenômenos emocionais que envolvem os atores processuais.. 46 23 . Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. Evandro Luiz.divórcios. Leva o filho a rejeitar o pai ou a mãe. para a qual os operadores o direito devem estar atentos. et al. A situação que desencadeia a Síndrome de Alienação Parental está relacionada com a separação e o divórcio. um novo território epistemológico que. A mãe ou pai monitora o tempo do filho com o outro genitor e também os seus sentimentos para com ele.

Este amplo quadro de desconstrução da imagem do outro pode incluir. o que fez surgir em consequência. sem que existam motivos reais que justifiquem essa condição. Editora Revista dos Tribunais 2010 apud J. mediante diferentes formas e estratégias de atuação. consiste num processo de programar uma criança para que odeie um de seus genitores sem justificativas. Este tema começa a despertar a atenção. Sua origem está ligada á intensificação das estruturas de convivência familiar. de modo que a própria criança ingressa na trajetória de desmoralização desse mesmo genitor. Em outras palavras. de modo próprio. transforma a consciência de seus filhos. notadamente. negativas. obstaculização do direito de visitas do alienado. Trindade. até conseguir que eles. por exemplo. pois é prática que vem sendo denunciada de forma recorrente. denominado cônjuge alienado. denominado cônjuge alienador. seu pai ou sua mãe. com o objetivo de impedir. invocados para impedir o contato dos filhos com o genitor odiado. Maria. As estratégias de alienação parental são múltiplas e tão variadas quanto à mente humana pode conceber. maior aproximação dos pais com os filhos. programando o filho de forma contundente até que ele mesmo passe a acreditar que o fato narrado realmente aconteceu. Incesto e Alienacao Parental 2 edicao.47 Desta forma podemos dizer que o alienador “educa” os filhos no ódio contra o outro genitor.6. falsas denúncias de abuso sexual ou de maus tratos. obstaculizar ou destruir seus vínculos com o outro genitor. levem a cabo esse rechaço. desqualificadoras e injuriosas em relação ao outro genitor. interferências na relação com os filhos e. mas a síndrome possui um denominador comum que se organiza em torno de avaliações prejudiciais. algo impensável até Berenice Dias. 47 24 . IBDFAM. Manual de psicologia jurídica para operadores do direito. Assim quando a separação dos genitores passou a haver entre eles uma disputa pela guarda dos filhos.1 Definição A Síndrome de Alienação Parental é um transtorno psicológico que se caracteriza por um conjunto de sintomas pelos quais um genitor.

de descrédito do exconjuge. surgindo uma tendência vingativa muito grande. um suplício para os filhos. quer vingar-se. convocou o homem a participar das tarefas domésticas e a assumir o cuidado com a prole. a flexibilização de horários e a intensificação das visitas. que levou a mulher para fora do lar. Ao pai restava somente o direito de visitas em dia predeterminados. tornando as visitas rarefeitas. 25 . acaba identificando-se com o genitor patológico. porém. os encontros. passando a aceitar como verdadeiro tudo que lhe é informado. Agora. Mudou o conceito de família. Assim. Ao ver o interesse do pai/mãe em preservar a convivência com o filho. No entanto. ocorre o distanciamento. o estabelecimento da guarda conjunta. se esta vivendo uma outra era. o pai passou a reivindicar a guarda da prole. que também a ama. Isso gera contradição de sentimentos e destruição do vinculo entre ambos. muitas vezes a ruptura da vida conjugal gera no outro sentimento de abandono. a tendência é o arrefecimento da cumplicidade que só a convivência traz. A criança. Afrouxando-se os elos de afetividade. passou-se a emprestar maior atenção às questões de ordem psíquica. afastando este do genitor. Com isso.algum tempo atrás. que ama o seu genitor. de traição. quando da separação. a naturalização da função materna levava que os filhos ficassem sob a guarda da mãe. acabam protocolares: uma obrigação para o pai e muitas vezes. Graças ao tratamento interdisciplinar que vem recebendo o Direito de Família. normalmente em fins de semana alternados. de rejeição. Antes. Como encontros impostos de modo tarifado não alimentam o estreitamento dos vínculos afetivos. permitindo o reconhecimento da presença de dano afetivo pela ausência de convívio paterno-filial. é levada a afastar-se dele. O primado da afetividade na identificação das estruturas familiares levou a valoração do que se chama filiação afetiva. Quando não consegue elaborar adequadamente o luto da separação. Restando órfão do genitor alienado. desencadeia um processo de destruição. A evolução dos costumes. de desmoralização.

devido á tradição de que a mulher é mais indicada para exercer a guarda dos filhos. para influenciá-las a pedir para irem morar com ele dando. promiscuidade). inseparáveis. E acredito que esta pesquisa não tenha variado muito aos dias de hoje. 26 . todas as armas são utilizadas. O pai passa a ser considerado um invasor. 48 Jorge Trindade. Síndrome de alienação parenta. Mas a SAP pode ser instaurada também pelo genitor não guardião. ela pode incidir em qualquer um dos genitores e. Nem sempre a criança consegue discernir que está sendo manipulada e acaba acreditando naquilo que lhes foi dito de forma insistente e repetida. que manipula afetivamente a criança nos momentos da visitas. O filho é convencido da existência de um fato e levado a repetir o que lhe é informado como tendo realmente acontecido. 91% dos casos de alienação parental são praticados por mulheres. pode ser identificada até mesmo em outros cuidadores. num sentido mais amplo. Tornando-se unos.48 Segundo pesquisa do IBGE.2 Prevalência A Síndrome de alienação parental é um fenômeno que se manifesta principalmente no ambiente da mãe. Então. e então o pai ingressa com ação judicial de modificação de guarda. um intruso a ser afastado a qualquer preço. Este conjunto de manobras confere prazer ao alienador em sua trajetória de promover a destruição do antigo parceiro. portanto. o subsídio para que o alienador requeira a reversão judicial da guarda. assume o controle total. 6. Neste jogo de manipulações. 103. ao destruir a relação do filho com o outro. alegando “conduta moral reprovável” (ex: uso de entorpecentes. negligencia ou maus tratos nos cuidados com a criança. Entretanto. feita em 2002.O detentor da guarda. crianças que moravam coma mãe podem “repentinamente” pedir para irem morar com o pai. inclusive a assertiva de ter sido o filho vítima de abuso sexual como já dito anteriormente. notadamente quando ainda pequenos. ou mesmo acusações infundadas e inverídicas de agressão física e/ou atentado ao pudor.

3 Sequelas A Síndrome de Alienação Parental é uma condição capaz de produzir diversas conseqüências nefastas. um (a) amigo (a) da família que dá conselhos insensatos. promove vivências contraditórias da relação entre pai e mãe e cria imagens distorcidas das figuras paternas e maternas. Neste contexto. SP: Armazém do Ipê. existe alguma psicopatologia estrutural da pessoa. existe sempre a fantasia de que essas pessoas ou órgãos. 27 . 49 Perissini da Silva. pois implica comportamentos abusivos contra a criança.2009. profissionais e as instituições judiciais. Denise Maria. que se espalham como metástases de uma patologia relacional e vincular. Manual de psicologia jurídica para operadores do direito. gerando um olhar destruidor e maligno sobre as relações amorosas em geral. vizinhos.Trindade. usando a criança para isso. O que é isso?. Quando uma família possui uma dinâmica muito perturbada. tanto em relação ao cônjuge alienado como para o próprio alienador. médico. como a SAP acaba mobilizando familiares. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. amigos. irão restabelecer a homeostase familiar que já não existe mais.49 A Síndrome de Alienação Parental é mais provável de acontecer em famílias multidisfuncionais. ou dos vínculos familiares. vinganças recônditas relacionadas a conflitos subterrâneos inconscientes ou mesmo conscientes. instaura vínculos patológicos. Ademais. para que haja indução do genitor a implantar a SAP contra outro genitor. por algum motivo. delegado.Campinas. mais ainda. interessado. mas seus efeitos mais dramáticos recaem sobre os filhos.E. de alguma forma.). uma tia. a Síndrome de Alienação Parental é palco da pactualizações diabólicas. assistente social.50 6. No caso de o verdadeiro alienador ser um parente. a SAP pode ser instaurada por um terceiro. advogado. conselheiro tutelar etc. um profissional antiético (psicólogo. a Síndrome de Alienação Parental pode se manifestar como uma tentativa desesperada de busca de equilíbrio. ela pode produzir seqüelas que são capazes de perdurar para o resto da vida. na destruição familiar: a avó. 50 J. Sem tratamento adequado.

mas não os problemas da existência. O que é isso?. dificuldades escolares. comportamento hostil. sentimento de desespero. irritabilidade.2009 52 Perissini da Silva. podem manifestar. Denise Maria. Denise Maria. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. Esses conflitos podem aparecer na criança sob forma de ansiedade. e. transtorno de identidade ou de imagem.5 Características e Condutas do Alienador e da Criança A alienação parental opera-se ou pela mãe. isolamento. Porém. para tentar retomar o vínculo que havia sido destruído. inclinação ao álcool e as drogas. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. com as características de sua personalidade. 6. SP: Armazém do Ipê. Muitos filhos ao perceberem que tudo o que vivenciaram foi por interesse do alienador. falta de organização. SP: Armazém do Ipê. enurese.2009. tristeza e depressão. com o tipo de vínculo anteriormente estabelecido.Campinas. ou no pior dos casos pelos dois pais e terceiros.51 Ocorre que pode ser tarde demais e ambos são prejudicados. ao não tão fácil de ser recuperado. outros mais recônditos. do outro lado. medo e insegurança. até mesmo judicialmente. e sobre a natureza da interação antes da separação do casal. baixa tolerância á frustração. idéias ou comportamentos suicidas. e com sua capacidade de resiliência (da criança e do cônjuge alienado). além de inúmeros outros fatores.6. numa sociedade que aceita as patologias do corpo. declarando que querem ir morar com o pai/mãe (alienado excluído). Essas manobras não se baseiam sobre o sexo masculino ou feminino. 51 28 . ou pelo pai. pois perderem o elo de afetividade. alguns mais explícitos. 52 Perissini da Silva. culpa. mas sobre a estrutura da personalidade de um lado. á única via possível de expressar os conflitos emocionais se dá em termos de enfermidade somática e comportamental. O que é isso?.Campinas.4 Efeitos comuns Os efeitos prejudiciais que a Síndrome de Alienação Parental pode provocar nos filhos variam de acordo com a idade da criança. dupla personalidade. em casos mais extremos.

alguns tipos de comportamento e traços de personalidade são denotativos de alienação: • o Exclui o outro genitor da vida dos filhos Não comunica ao outro genitor fatos importantes relacionados à vida dos filhos (escola. o Toma decisões importantes sobre a vida dos filhos.Embora seja difícil estabelecer com segurança um rol de características que identifique o perfil de um genitor alienador. a criança em espiã da vida do ex-cônjuge. comemorações.). etc. o Obriga a criança a optar entre a mãe ou o pai. médico. etc. o Não permite que a criança esteja com o genitor alienado em ocasiões outras que não aquelas prévia e expressamente estipuladas. • Denigre a imagem do outro genitor 29 . sem prévia consulta ao outro cônjuge (por exemplo: escolha ou mudança de escola. de pediatra. o Sugere à criança que o outro genitor é pessoa perigosa. • Interfere nas visitas excessivamente os horários de visita. de o Controla o Organiza modo a torná-las desinteressantes ou mesmo inibi-la. • Ataca a relação entre filho e o outro genitor à criança. esconde ou cuida mal dos presentes que o genitor alienado dá ao filho. o Transforma o Quebra. o Transmite seu desagrado diante da manifestação de contentamento externada pela criança em estar com o outro genitor. com insistência. fazendo- a tomar partido no conflito. motivos ou fatos o Recorda ocorridos que levem ao estranhamento com o outro genitor.). diversas atividades para o dia de visitas.

ódio. conhecer um a um de seus sentimentos é tarefa praticamente impossível. sendo difícil oferecer uma lista fechada dessas condutas. o Emite falsas acusações de abuso sexual. podemos dizer como Galimberti: “Te ódio porque te amo. Editora Equilíbrio.br/o-que-e#TOC-O-Genitor-Alienante. o Critica a competência profissional e a situação financeira do ex-cônjuge. raiva. incapacidade de gratidão. et al. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos.53 O comportamento de um alienador pode ser muito criativo. 123 54 53 30 . se organiza pela prevalência dos sentimentos de ódio sobre os sentimentos de amor e gratidão. 55 Humberto Galimberti. uso de drogas e álcool. destruição. Te denigro para poder continuar viviendo contigo”55 Como o genitor alienador aparenta com indícios a criança também pode sinalizar com alguns comportamentos..alienacaoparental. http://www. O alienador não respeita as regras e costuma não obedecer às sentenças judiciais. Metaforicamente.com. Entretanto. desejos. inveja. que.o Faz comentários desairosos sobre presentes ou roupas compradas pelo outro genitor ou mesmo sobre o gênero do lazer que ele oferece ao filho. Sociais e Jurídicos. num entendimento psicodinâmico. Las cosas Del amor. superproteção dos filhos. ciúmes. Existem outras tais como. os sentimentos do alienador possuem um denominador comum.consultado em 19/05/2011 Silva. Evandro Luiz. Presume que tudo lhe é devido e que as regras são só para os outros.54 Da mesma forma que é difícil descrever todos os comportamentos que caracterizam a conduta de um alienador parental. etc.

participar na depreciação do pai que é alienado. Isso é feito seguindo-se os cinco passos: o A criança denigre o pai alienado com linguajar impróprio e severo comportamento opositor. que não esteve na data em que é relatado um acontecimento de suposta agressão física/sexual ou descreve situações vividamente que nunca poderia ter experimentado. alia-se a ele e rejeita o outro genitor. afirma que seus sentimentos e verbalizações são autênticos. e tem de sustentar os filhos dela (e). Inclusive. absurdos ou frívolos para sua raiva. estabelece um pacto de lealdade com o genitor alienador em função da dependência emocional e material.Implantação de “falsas memórias”. por vezes despreparados e desconhecedores da ocorrência de memórias falsas. diz que o pai não é “confiável”. a namorada do pai alienado torna-se “ intrusa”. o comportamento da criança muda também em relação aos demais familiares ou pessoas que tenham contato com o pai/mão alienado (a): pode esquivar-se de vista-los. nega que alguém a tenha induzido a falar daquele modo. dá motivos fracos. companheira). evitar entrar em contato com eles nas 31 . primos. Conforme se verá adiante. Por exemplo. construídos ao longo das diversas ocasiões em que a criança depõe para profissionais. efetivamente. demonstrando medo em desagradar ou opor-se a ele. e por isso se compadece de seu “sofrimento” (ou acredita em sua dramatização). a quem considera a “causa” de todo esse “sofrimento”.Gadner diz que a SAP (Síndrome da Alienação Parental) é mais uma lavagem cerebral ou uma programação. muitas vezes utilizando-se de argumentos do genitor alienador e não dela própria. a SAP fecha seu circuito. o O filho apóia e sente a necessidade de proteger o pai alienador. nem se dá conta das contradições e lacunas dos relatos de acusação de molestação sexual. “O filho tem medo de ser abandonado e rejeitado pelo alienador. porque a criança tem de. A “vovó querida” torna-se” aquela velha chata”. Quando a própria criança contribui com seu relato. o Declara que ela mesma teve a idéia de denegrir o pai alienado. para isso. agora o papai não tem mais tempo ou dinheiro para você porque agora ele tem uma nova namorada. Com isso. o A animosidade é espalhada para também incluir amigos e /ou outros membros da família do pai alienado (voltar-se contra avôs paternos. tios. o Menciona locais onde nunca esteve. O fenômeno do “pensador independente” acontece quando a criança garante que ninguém disse aquilo a ela.

Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. independe do nível cultural dos envolvidos. evidenciando que as crianças e adolescentes podem ser vitimas de violência sexual intrafamiliar em qualquer fase da vida.datas comemorativas (não telefonar para o avô no Natal ou no aniversário dele) podendo chegar ao desrespeito e desacato. Editora Revista dos Tribunais 2010 apud Danya Gauderer. Violência sexual intrafamiliar: é possível proteger a criança?. apontou. gera. IBDFAM. A vítima é forcada. Maria. resulta em um diagnóstico difícil. porque o elemento etário desempenha papel importante 59 na capacidade de compreensão e de discernimento dos atos humanos” Os estudos mostram que o abuso acontece em todas as classes sociais e etnias. quando denunciado. O que é isso?. Maria. 59 Berenice Dias. fisicamente. IBDFAM. 56 32 . Stephen Frosh. Denise Maria. E exatamente porque o abuso sexual infantil existe nas famílias. a necessidade de Perissini da Silva. como muitas vezes não deixa marcas físicas. Cumpre transcrever alguns conceitos de abuso sexual: “O que caracteriza o abuso sexual é a falta de consentimento do menor na relação com o adulto. a idade entre dois e dezesseis anos. ou coagida verbalmente.56 6. quanto à pessoa da vitima.” 58 “A criança não tem capacidade de consentir na relação abusiva. Editora Revista dos Tribunais 2010 apud Jorge Trindade. também. SP: Armazém do Ipê. a análise de uma amostra de cinqüenta vitimas de violência. a participar da relação. sem ter necessariamente capacidade emocional ou cognitiva para consentir ou julgar o que esta acontecendo. 85 58 Berenice Dias. 43. 159. Abuso sexual de ninos. Delinquencia juvenil: uma abordagem transdisciplinar. Incesto e Alienacao Parental 2 edicao.6 A falsa denúncia de Abuso Sexual A primeira importante constatação é que o abuso sexual infantil intrafamiliar existe: “No período compreendido entre dezembro de 1996 e novembro de 1998.Campinas. Incesto e Alienacao Parental 2 edicao. a imediata obrigação de proteger a prole e.57 O abuso é uma das formas de violência doméstica contra os menores e.2009 57 Maria Regina Fay Azambuja. com idade inferior a dezoito anos.

e pior ainda. Trata-se de um abuso psicológico grave e extremamente perverso.investigar ao máximo o caso. que começa a fazer com o filho uma verdadeira “lavagem cerebral”. O alienador passa então a narrar 60 Idem. mas criando uma confusão psíquica irreversível. A falsa denúncia é. psiquiátrica e judicial) com o fito de esclarecimento da verdade. quando acontece a falsa denúncia. “Conhecer o fenômeno da violência sexual da criança é o primeiro passo para compreender a complexibilidade que circunda uma situação em que a criança é abusada sexualmente. 119 33 . no âmbito intrafamiliar. Nesses casos. alienado.7 A implantação de falsas memórias O que se denomina de Implantação de Falsas Memórias advém. pois as crianças são. submetidas a uma mentira. Essa falsa denúncia passa a fazer parte de suas vidas.”60 A outra constatação é que dita denúncia pode ser decorrente da Síndrome de Alienação Parental e ter gerado uma falsa acusação de abuso. também. uma forma de abuso. justamente. com a finalidade de denegrir a imagem do outro . 6. possibilitando aos profissionais que integram o sistema da Justiça intervir de forma adequada. compulsoriamente. que sem dúvida danificará o desenvolvimento da criança. tem-se presente essa outra forma de abuso. e por causa disso. da conduta doentia do genitor alienador. terão de enfrentar vários procedimentos(análise social. e ele aos poucos vai se “convencendo”da versão que lhe foi “implantada”. sendo emocional e psicologicamente manipuladas e abusadas. usa a narrativa do infante acrescentando maliciosamente fatos não exatamente como estes se sucederam. não só mutilando a relação desta com o outro genitor. teremos também várias seqüelas e danos tanto para criança como para o acusado. Quando se percebe que há a possibilidade de o genitor estar realizando a implantação de falsas memórias na criança e construindo para ela uma “realidade inexistente.

todas as armas são utilizadas. Com o tempo. poderá se transformar em uma implantação de falsa memória. ainda. inclusive a assertiva de ter havido abuso sexual conforme dito á pouco.63 Como dito. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. e. com futura denúncia de abuso sexual. Maria. nem o alienador distingue mais a diferença entre verdade e mentira. por exemplo. Evandro Luiz.62 Nesse jogo de manipulações. as falsas memórias.61 A Síndrome da Alienação Parental pode iniciar com uma campanha de difamação do outro genitor para terceiros e para a criança sendo um fenômeno que combina uma sistemática doutrina (lavagem cerebral) do menor. ou enfim qualquer coisa que explicasse a conduta paterna. et al. nada mais natural e até necessário quando a criança ainda é pequena. pois não é um “bom pai”. Incesto e Alienação Parental 2 edição. não deixou o filho tomar sorvete depois do parque. Editora Equilíbrio. ou . Por exemplo: a criança narra ao guardião que o pai. a Síndrome de Alienação Parental pode não se limitar ao afastamento do não guardião. o simples auxilio de um pai no banho de um filho. ela aproveita o ensejo e reforça para a criança que “o papai é mau”e que o menor tem de ter “cuidado”com ele. Sociais e Jurídicos. A sua verdade passa a ser verdade para o filho. IBDFAM. que vive com falsas personagens de uma falsa existência. Em vez de a guardiã tentar explicar ao filho que já devia estar tarde e era quase hora do jantar. Editora Revista dos Tribunais 2010 62 61 34 . Ibidem Silva. assim. 63 Berenice Dias.. durante uma visita. O filho é convencido da existência de determinados fatos e levado a repetir o que lhe é afirmado como tendo realmente acontecido.a criança atitudes do outro genitor que jamais aconteceram ou que aconteceram em modo diverso narrado. Tudo que vem sobre o outro genitor passará a ter uma conotação direcionada a denegrir a sua imagem. implantando-se assim. Nem sempre consegue discernir que está sendo manipulado e acaba acreditando naquilo que lhe foi dito de forma insistente e repetida. que era um dia frio.

65 O mais doloroso é que o resultado da série de avaliações. Esta notícia. Como esses procedimentos são demorados .. levada ao Poder Judiciário..os advogados ou. e a criança dirá : “Quando papai me dá banho. e o guardião que tem essa noção pode usar o filho. consulta em 20/05/2011 64 35 . malicioso. Silva. seja o juiz. pois ficará privada do convívio com o genitor que eventualmente não lhe causou qualquer mal e com quem mantém excelente convívio. E. Evandro Luiz. por mais preparados que estejam os operadores do direito. Editora Equilíbrio. se a denúncia não for verdadeira. ( Podemos notar isto nas Jurisprudências colocadas no capitulo )Mais uma vez depara-se o juiz diante de um dilema: manter ou não as visitas.Aquela “verdade” que não retrata a verdadeira verdade acaba “entrando” e se enraizando na criança de tal forma que. gera situação das mais delicadas. Sociais e Jurídicos. testes e entrevistas que se sucedem às vezes durante anos acaba não sendo conclusivo. o receio de que. enfim. 65 http://www.ar/Persona54/54PPEDias. durante todo este período cessa a convivência do pai com o filho.com.. et al. ele lava a minha perereca e fica esfregando bastante para limpar bem (. Mas como o juiz tem a obrigação de assegurar proteção integral. quando ela for questionada a respeito. de outro.htm Texto de Maria Berenice Dias. manter o vínculo de filiação ou condenar o filho à condição de órfão de pai vivo. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. traumática será a situação em que a criança estará envolvida. autorizar somente visitas acompanhadas ou extinguir o poder familiar. inclusive os profissionais técnicos(assistentes sociais.revistapersona.)”64 Crianças são absolutamente sugestionáveis. a resposta virá nesse sentido. implantar essas falsas memórias e criar um situação da qual nunca mais se conseguirá absoluta convicção em sentido contrário. o promotor. reverte a guarda ou suspende as visitas e determina a realização de estudos sociais e psicológicos. De um lado. há o dever de tomar imediatamente uma atitude e.

dramática. simplesmente. cada um dos cônjuges em conflito está pensando apenas em si mesmo. SP: Armazém do Ipê. Denise Maria.8 Mediação Familiar A mediação familiar é um procedimento estruturado de gestão de conflitos pelo qual a intervenção confidencial e imparcial de um profissional qualificado. psiquiatras). Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental.htm Texto de Maria Berenice Dias. O que é isso?.br/modules.66 É preciso se ter presente que esta também é uma forma de abuso que põe em risco a saúde emocional e compromete o sadio desenvolvimento de uma criança. a absoluta inocência do genitor alienado. como se livrar daquela relação. Na prática. na insegurança que a nova situação lhes poderia estar causando. da qual participam pessoas traumatizadas e autocentradas.ar/Persona54/54PPEDias.Campinas. na possibilidade de lhes causar dano. quando convocado a participar de um processo de separação. Ela acaba passando por uma crise de lealdade. tem o intuito de formular acordos que sejam duráveis. o que gera um sentimento de culpa quando.2009 69 http://www. ante o depoimento afirmativo de uma criança. visa restabelecer a comunicação e o diálogo entre as partes. constatar que foi cúmplice de uma grande injustiça. consulta em 20/05/2011 68 Perissini da Silva. em como viver na nova situação. o mediador. isto é.68 Seu papel é o de conduzir ambas partes a firmarem acordos duráveis que zelem por suas necessidades com foco na necessidade da criança.php?name=Artigos&file=display&jid=59 consultado em 20/05/2011 67 66 36 . na sua reação diante da separação. na maior parte dos casos observado. na fase adulta. pensava nos filhos.direitopositivo. 67 6. Nenhum dos cônjuges. é uma situação conflituosa.com.revistapersona. o que o Mediador encontra.69 Ibidem http://www.psicólogos. como enfrentar a vida na nova condição de descasado ou.com. Assim a mediação não deve ser vista como uma forma de desafogamento do Judiciário. todos terão muita dificuldade em declarar.

Este é real papel do Mediador já que.direitopositivo. que devem ser prestadas conforme for determinado. na dinâmica das separações.php?name=Artigos&file=display&jid=59 consultado em 20/05/2011 71 70 37 . muitas vezes. Denise Maria.2009 72 http://www. como “ terceiro desinteressado “. atribuir a guarda dos filhos a um dos genitores. evitando conflitos desgastantes. há que se compreender que o que chega ao Judiciário são os restos de um amor falido. são os filhos. envolvendo as acusações de molestação sexual. E. ressentimentos e. especialmente nos caso de SAP grave. Ibidem Perissini da Silva. avaliar todas as conseqüências e efetivamente “ equilibrar os pratos “ para que o desfecho seja. com enorme freqüência. Nesses casos. para todos os envolvidos. cabe ao Judiciário. carregado de mágoas. onerosos. o menos doloroso possível. o mediador deverá indicar acompanhamento para criança. SP: Armazém do Ipê. pode ver todos os participantes. Entretanto. e auxilio ao alienador. desejo de vingança já que “ao outro cabe a culpa pela destruição do casamento”.br/modules.70 Claro que existem aspectos éticos e técnicos importantíssimos ao profissional que se disponha a exercer a mediação.71 CAPÍTULO 7 A SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL NO PODER JUDICIÁRIO Nas separações litigiosas. transformando em diálogos e compartilhamento de decisões. cabendo-lhe a tarefa de identificar qual dos dois possui melhores condições para tanto.72 Cabe assim ao Judiciário intermediar para que este menor seja menos atingido. diante de suas possibilidades. além das questões de cunho patrimonial. ao outro genitor são destinadas visitas periódicas.com. as armas dessa guerra. O que é isso?. e suporte ao pai/mãe prejudicado. Normalmente.Campinas. de uma forma geral.Ela pode ajudar nos conflitos de SAP. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental.

Nessa mesma época meu cliente ficou envolvido com a doença de seu pai que veio a falecer e por esta razão não tinha muita disponibilidade de ver sua filha diariamente. se apossando assim de sua filha e privando o pai de poder acompanhar e principalmente criar os vínculos afetivos de pai e filho. Com isso a mãe afastava cada vez mais essa aproximação paterna. percebo que a mãe é socorro. vinda por sequelas que a mãe obtinha da figura de um pai. Investiguei durante esse ano como era a sua relação com o pai. Em meados de 2002. Foi aí que tudo piorou. quanto mais afastado. que eu mesma não conhecia. É identificada assim a Síndrome da Alienação Parental. mesmo no mesmo ambiente que mãe e filha. pois se morando já era difícil ficar com a filha. Foi então que começou a relatar que logo após o nascimento de sua filha sua esposa não deixava que ele tivesse um acesso direto a filha.Maria Helena Alcântara Lisboa. que vinha indicado por um advogado. mas também o seu próprio pai e tendo como referência à mãe ou a figura maternal como única. chegou ao meu consultório um senhor com uns 45 anos. Fazendo com que se caracterize alienação parental. Então nos apresentamos e perguntei a ele qual o motivo de sua consulta. Interpretação do caso Neste caso. como em alguns semelhantes que já tive a oportunidade de trabalhar. Explique melhor não pode ser pai ? Pois para mim se você tem uma filha é porque já o é. Foi quando o mesmo me respondeu que precisava de orientação para lidar com a difícil situação que vinha atravessando por não poder ser pai de sua única filha. abrigo e 38 . Ficou claro para mim que essa mãe não tinha nenhuma referência boa da figura paterna e com isso faltava nela a identificação de quanto um pai é necessário para o desenvolvimento e crescimento de um filho.1 Relatos de casos Aqui será tratado sobre relatos de casos verídicos ocorridos. só a mãe é que sabia e podia cuidar dela. relata um caso de um pai que é afastado de sua filha mesmo ainda casado. Ele me relatou que a sua ex-sogra e suas duas filhas foram abandonadas por esse pai que nunca mais conviveu com as mesmas. Penso que por esta razão sua ex-esposa vinha punindo não só o pai de sua filha. Psicóloga Clínica Especialista . e esta situação só piora com a separação. Bem a situação foi se agravando e a separação foi inevitável. 1 .7.

e assumiu sua homossexualidade. Vive para o filho ! Do que estou falando ? Certamente essa mãe de carne e osso não era esse ideal perfeito.br/site. Sem dúvida ama outras pessoas e nem sempre nos ama. e entra com a ação de Destituição de Poder Familiar contra o mesmo. o filho de F. Infelizmente a criança hoje reside em outro país e o pai esta a sua procura para tomar as medidas cabíveis. Contudo. os desejos.segurança. Interessante que neste caso ocorre implantação de falsas memórias. não conseguiu fazer a transferência do amor de sua filha para o seu pai. se estabelece à alienação parental. formando assim figuras parentais. sonhos e fantasias se confirmam e ela dá o sabor do amor incondicional a esse filho.T separou-se da esposa. citando Winnicott. 73 http://www. se ressente. e deve haver momentos em que a criança se aborrece. sem interesse próprio nem expectativas. se incomoda e tem raiva. essa bondade é sentida como perfeição.html consultado em 20/05/2011 39 .G. o poder de reunião do que está separado. não sendo apenas suficientemente boa. F. Porquê o amor infantil segue o princípio de que “amo porque sou amado”. não reconhece a figura paterna. Agora se ela for apenas suficientemente boa. 73 2. apresenta um relato à coordenadora pedagógica da escola. Conclusões finais Neste caso em particular eu citei a relação anterior da mãe com seu pai. se queixa. A mãe ama sem limites. no quarto de hotel onde o pai estava hospedado para visitar o filho. Pois amor é o sangue da vida.Neste caso. O que estou querendo dizer é que apesar de ter ocorrido à separação do casal.com. sem condições. sendo assim. Ela se cansa. o pai assume a homossexualidade após a separação e a mãe o proibi a criança de vê-lo. Logo essa mãe que não recebeu esse amor do pai. Permitindo que o filho perceba principalmente a figura do pai. sobre um atentado ao pudor de conteúdo homossexual. assim como outras pessoas são tão necessárias para seu desenvolvimento normal e saudável. convivendo com seu companheiro. Em uma das visitas regulamentadas pelo juiz. envolvendo o pai e outros amigos. se a mãe for suficientemente boa. o amor e a união dos filhos com os pais não deve acabar.mhrpsicologos.S.

dizendo que vai nomear outra perita. Portanto. Mesmo assim. agora com 15 anos. o que. alegando que os avós não tem paciência com a criança. ainda era proibido. que poderiam ser transmitidos à criança se ela continuasse isolando o menino do contato com os familiares. a mãe do menino impediu o pai de ter qualquer contato com a criança durante a ação de Destituição de Poder Familiar. houve estudo psicológico. e portanto não deveria participar da autorização. jamais poderiam ter participado do tal “ evento”.As demais pessoas mencionadas comprovaram que não estavam presentes ao local. e o juiz aceitou. para invocar legalmente a Convenção de Haia para Sequestro Internacional de Crianças. e poderiam permitir que o filho (pai do menino) visitasse o garoto. Denise Maria. 74 7.2009 74 40 . O que é isso?. está residindo no Japão com a mãe e o padrasto.. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. e a perita concluiu que a mãe tem problemas psicológicos sérios. Enquanto isso. pediu afastamento. a perita não se sentiu à vontade para exercer a perícia no processo de F. Ou a mãe falsificou a assinatura do pai para obter a Autorização de Viagem de Menor. Mesmo assim. A mãe do menino entrou com uma denúncia ética no CRP (Conselho Regional de Psicologia) contra a psicóloga perita. Os avós paternos entraram com ação de Regulamentação de Visitas. na visita que a criança relata.2 Jurisprudências Aqui será tratado sobre jurisprudências encontradas em nosso Tribunal de Justiça. SP: Armazém do Ipê. A denúncia. contudo. sem o consentimento ou autorização do pai. em nova audiência dos avós paternos. Perissini da Silva. O pai esta buscando informações acerca da partida e da localização do filho. e proibiu também os avós paternos de visitar o neto. foi arquivada. alegando que não foi imparcial. uma testemunha afirmou que o garoto.e concluiu pela importância das visitas dos avós paternos ao neto. ou alegou no Consulado que o pai não tem mais autoridade parental. Judicialmente. e outras medidas judiciais e legais cabíveis.Campinas.

Requer o desprovimento do agravo (fls. Ademais. solicitando a destituição do poder familiar frente ao pai. 48. Afirma que não concorda com a manifestação do magistrado que tornou sem efeitos a decisão proferida anteriormente. ressalta que juntou aos autos documentos de avaliação da criança e do grupo familiar.A. a mesma conseguiu liminarmente. que se trata da Síndrome da Alienação Parental com falsa acusação de abuso sexual. ter obtido o direito de rever sua filha. notar que houve dificuldades em provar mesmo com exames efetuados o abuso frente a menor.S. na apreciação do pedido liminar. DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. 2-7). que. reconheceu a impossibilidade de diagnosticar a ocorrência do suposto abuso sexual de que é acusado.. Salienta que tal ação está sendo utilizada pela agravante como represália pelo fato de o agravante já ter provado na ação de regulamentação de visitas a inexistência de tal atrocidade. que. tornou sem efeito a decisão da fl.. não há justificativa para que se proceda a destituição do poder familiar. SÍNDROME DA ALIENAÇÃO PARENTAL. posteriormente foi negado provimento ao recurso. “Trata-se de agravo de instrumento interposto por Miriam S. o qual é essencial para o entendimento do caso. em face da decisão da fl. 41. Requer seja provido o presente recurso e reformada a decisão impugnada. suspendeu o poder familiar do agravado. alega que a agravante não trouxe aos autos o laudo psicológico das partes. Estando as visitas do genitor à filha sendo realizadas junto a serviço especializado. ABUSO SEXUAL. Negado provimento. Alega que a destituição do poder familiar havia sido determinada em razão da forte suspeita de abuso sexual do agravado com a filha do casal. Afirma que o laudo pericial produzido em juízo. . 58. nos autos da ação de destituição de poder familiar que move em face de Sidnei D. para que seja 41 . bem como. A Procuradora de Justiça opinou pelo conhecimento e parcial provimento.64). não está evidenciada.Neste primeiro caso.1. visto que não utilizou nenhum expediente destinado a induzir a erro a magistrada prolatora do primeiro despacho.. Abaixo relatório elaborado por Maria Berenice dias. em contra-razões. foi interposto agravo de instrumento pela alienadora. com a conseqüente suspensão do poder familiar (fls. havendo a possibilidade de se estar frente à hipótese da chamada síndrome da alienação parental.. O agravado. A denúncia de abuso sexual levada a efeito pela genitora.

foi interposto agravo porém o mesmo foi desprovido pois não houve prova do abuso . fls. Há suspeita de violência e abuso sexual (v. deliberada a continuação das visitas junto ao NAF. Requerido o adiamento do julgamento do recurso. ao companheiro da agravante é imputado abuso sexual (v. nos termos do art. sua esposa. ” 75 2. Nesta. os genitores trocam acusações de "espancamento" ao menor Luan. 129.. do ECA. Verifica-se do relato da agravante que apesar do genitor ter se apresentado agressivo. ambos pais se acusam de espancamento. requereu a agravante o desacolhimento do recurso (fls. Recurso processado sem suspensividade e contraminutado. a fim de permitir ao Juízo o exame da matéria (fls. mediante parecer médicopsiquiátrico. Valeska teria intercedido para proteger Luan (v. fls. determinando-se. para futura reapreciação da medida proposta. O Ministério Público opinou pelo desprovimento do agravo. Comarca de Porto Alegre Agravo de Instrumento Número 70015224140.. no prazo acima mencionado. É o relatório. o poder familiar do agravado por seis meses. 42 . 61/62). É o relatório. de imediato.Neste segundo. Por outro lado. liminarmente. fls.suspenso. restabelecendo as visitas. Regulamentação de visita acusações recíprocas de violência – suspeita de abuso sexual pelo companheiro da genitora – medida que pode ser revista a qualquer tempo – visita materna assistida – agravo desprovido “Insurge-se a agravante atribuindo ao genitor "Síndrome de Alienação Parental" através da qual as crianças seriam influenciadas ao desafeto em relação à mãe. 119-127). 130-142). a ser fornecido pelos profissionais responsáveis pelo tratamento do agravado e da infante. o seu encaminhamento à tratamento psiquiátrico. máxime diante da possibilidade de grave perigo. incisos III. caso assim se mostre recomendável. Infelizmente. circunstância que deverá ser minuciosamente verificada através de estudo psicossocial de vez que a imputação é recíproca e grave. em face da audiência. 34/35) e o interesse dos menores prevalece sobre o dos genitores.) A 75 Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Sétima Câmara Cível. 34/35)(. atribui-se ao pai Síndrome de Alienação Parental e há a suspeita de abuso sexual perante o companheiro da mãe.

mas. É o relatório. Procuradoria Geral de Justiça (fls.09. intolerante com o novo relacionamento da mulher.278494-2 76 43 . (. Majoração para atender aos cuidados básicos da criação das filhas menores. pelo provimento. Alimentos. Recurso provido.qualquer tempo a medida poderá ser revista para melhor atender o bem estar do menor. julgou procedente o pedido para decretar a separação do casal. para quem o réu deverá pagar pensão alimentícia no importe de meio salário mínimo e partilhar os bens em 50% para cada parte. representando o seu silêncio a confissão do pedido. Diante do exposto. “Trata-se de ação de separação judicial litigiosa movida por S. cujo relatório se adota. a atenção de contestar. por ora.R. ainda que mitigado em razão de se tratar de questão de Família. e P. Abaixo relatório do revisor Caetano Lagrasta. por parte do pai. voto pelo desprovimento do agravo”. isento de preparo e não respondido..R. O recurso foi provido. (. A questão dirigida à separação judicial. Manifestação da d. à genitora..) quando demonstrada a conduta nada exemplar do varão. atribuir a guarda da filha menor F. Inclusive com a separação dos irmãos. entendeu que não devia aplicar a Guarda Compartilhada. que tem raízes nos sentimentos de Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. pois ambos pais sofriam da Alienação Parental. A r. que acabaram por separadas e privadas da convivência.M. apela a autora.. 49/51. Da prova produzida nos autos é possível se extrair a progressiva instalação do comportamento alienador da chamada SAP (Síndrome da Alienação Parehtal). mereceria. 76 3. Agravo de Instrumento n 994. pela majoração da verba alimentar para o equivalente a 1 salário mínimo.Neste caso o relator Caetano Lagrasta. atribuiu a guarda de uma criança ao pai e as outras duas para a mãe. 68/70). envolvendo além dos ex-cônjuges o futuro de três crianças.. 7ª Câmara de Direito Privado. Recurso tempestivo. ao genitor e das outras menores E. Irresignada. Advertências quanto à progressiva instalação da Síndrome da Alienação Parental. sentença de fls. a decisão agravada deve ser mantida. Sentença reformada.)seu julgamento imediato resulta do caráter preferencial.M. em face de I. ante a natureza da ação.

com a rejeição inicial ao companheiro). Essa desestruturação transforma-se em ingrediente da batalha judiciária.genitor. Por outro lado. ao cabo. igualmente próxima à doença mental. ao adolescente ou a qualquer dos outros protagonistas. há que se cogitar de moléstia mental ou comportamental do alienador. com interferência no equilíbrio emocional de todos os envolvidos. como aliados do alienador contra o alienado. desestruturando o núcleo familiar. por meio de crescente animosidade. parentes ou não . salvo se produto de atitude falsa ou desequilibrada do genitor ou responsável pela guarda no decorrer de sua aplicação.. uma vez que compartilhar não quer dizer apenas dividir direitos e deveres. Inexistindo consenso entre os genitores. acaba por praticamente obrigar a criança a participar da patologia do alienador. conscientemente. confira-se: a Síndrome de Alienação Parental ê o conjunto de sintomas diagnosticados.Assim.orgulho ferido. até que qualquer dos seres alienados prescinda de uma decisão judicial. todos igualmente alienados pela conduta do alienador. nos estágios médio ou grave. a interferência do magistrado deverá impedir a instalação ou o agravamento de uma alienação parental ou da respectiva síndrome. por este e por todos os responsáveis ou parentes alienados. convencida da maldade ou da incapacidade do alienado. De qualquer modo. Sobre o tema. A doença do agente alienador volta-se contra qualquer das pessoas que possam contestar sua "autoridade". que os impeçam de amar ou mesmo de demonstrar esse sentimento. impondolhes deformação permanente de conduta psíquica. que entendam como síndrome a alienação 44 . mental ou física. estruturando a síndrome. caso o faça. em qualquer caso. acabando impedida de expressar quaisquer sentimentos. tornando-se vítima de total abandono. Não se crê possa surgir quando aplicado o sistema da guarda compartilhada. mantendo os num estado de horror e submissão.) afirmação de elementos de diagnóstico. desejo de vingança. quando busca exercer controle absoluto sobre a vida e desenvolvimento da criança e do adolescente. avós. GARDNER (. Estes também submetidos à tortura. o alienador acaba por criar um ou mais correspondentes alienados ( genitor e progenitor podem se ver alienados ao estabelecer novo relacionamento. guardadores. seja ante o estágio crônico da doença. a sintomatologia que se admite ao diagnóstico da síndrome pode se referir à criança. seja por ter atingido a idade madura. Esse afastamento. pois. é possível implantar-se o sistema por determinação da autoridade judicial. e que pode ser estendido a qualquer pessoa alienada ao convívio da criança ou do adolescente. tutores.. portanto. que poderá perdurar por anos. poderá descontentar o alienador. mas. além do sentimento de onipotência do alienador. participar da vida da criança. com inúmeros reflexos de ordem espiritual e material.

(. contra esta foi interposto agravo de instrumento. M. ainda no resguardo ao interesse superior do menor. Necessidade de regulamentação das visitas em lugar “Trata-se de agravo de instrumento interposto por C. nos termos ora alviírados\ Caetano Lagrasta ” 77 4. K.depois de instalada. Manifestou-se a d. R. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo..Neste caso temos a suspensão em ação da guarda e da visitação. 77 45 . 96/97) às partes e a seus patronos do risco de instauração da síndrome da alienação parental e que as atitudes de ambos em utilizar o menor como instrumento de intriga em prejuízo dos seus superiores interesses devem ser consideradas no momento da definição da guarda. poderá contar com a colaboração desta na desmoralização do genitor (ou de qualquer outro parente ou interessado em seu desenvolvimento) alienado.). por sua vez. PODEVYN. J. por ora. Reitera-se a advertência (fls. tem-se que o estágio atual do conflito e a forma como estão agindo as partes impede a manutenção da guarda compartilhada. 185/186). que os documentos trazidos pelo autor para a ação são antigos e não traduz a realidade atual da saúde da agravante. Estado do litígio incompatível com o instituto. palestra proferida pelo Relator em 16/06/09 na Escola Superior de Advocacia da Ordem do Advogados do Brasil .São Paulo). ("Alienação parental e Reflexos na Guarda Compartilhada". Sustenta. em síntese. Suspensão da guarda compartilhada. contra a r.). Apelação número 6445434900. Por outro lado. em ação de guarda. S.. devendo-se. Ante o^exposto. buscando melhorar o atendimento estatal ou dos planos de saúde. M.parental. Guarda. que o autor está fantasiando os fatos para prejudicar a agravante. ambos não teriam estrutura para manter a guarda ..346195-5. suspendeu a guarda compartilhada e o direito de visitas da agravante. No mérito. define alienação de forma objetiva: programar uma criança para que odeie um de seus genitores. por outro lado regulamentou visitas supervisionadas por psicólogos. 994. Recurso processado sem a liminar (. decisão que..09. o relator manteve a suspensão da guarda compartilhada pois julgou que por existir a Síndrome da Alienação Parental. Procuradoria de Justiça pelo provimento parcial (fls. 8ª Câmara de Direito Privado. É o relatório. manter a decisão impugnada em benefício da estabilidade psíquica do menor. em face de R. para que seja esta incluída no manual DMS. DA-SE PROVIMENTO ao recurso. ainda. bem como formas de tratamento e internação. enfatizando que.. Alega.

de rigor a regulamentação das visitas da agravante. Ante o exposto.016-4/1 78 46 . Agravo de Instrumento n. com observação. que. em lugar neutro. As visitas. se possível. DÁ-SE PARCIAL PROVIMENTO ao recurso. apresentará relatório circunstanciado àquele juízo. 8ª Câmara de Direito Privado. devendo o agravado se responsabilizar pelo ambiente harmônico desses encontros. ” 78 Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. 564. a ser arbitrado pela i. a cada mês. juíza. sempre buscando-se a preservação da estabilidade emocional do menor e do convívio saudável com ambos os genitores. serão monitoradas por psicólogo.

poder familiar. caso contrário ela não trará resultados positivos. precisamos junto com ela de uma mistura de bom senso da humanidade. Perissini da Silva. mas certamente para alguns casos. Isto mostra o quanto a nossa sociedade é mutável de valores e o mais importante que nós. SP: Armazém do Ipê. O que é isso?. Falei sobre o surgimento e amadurecimento da família. Posso dizer que ela é um ideal a ser atingido. precisamos nos reeducar para vivermos em sociedade e tratarmos nossas diferenças com “civilidade” dentro de um conceito contemporâneo. acompanhamos tais mudanças.CAPÍTULO 8 CONCLUSÃO Durante o decorrer do trabalho procurei mostrar o quanto a Síndrome da Alienação Parental influência e afronta o que chamamos de família. no Código Cível. O que esta em risco não é só o futuro dos filhos. mas inquestionavelmente. filhos desse conflito já vão. durante todo o histórico da Constituição. mas estamos apenas começando. até os dias atuais que felizmente podemos falar da lei da Síndrome da Alienação Parental. o afeto entre pais e filhos. a meu ver. e no ECA. por exemplo a chamada Guarda Compartilhada. para a vida com um certo grau de desordem ética quanto ao convívio social. ainda que em um processo mais lento. surta um efeito notável . que foi o foco deste trabalho. simplesmente o futuro da humanidade. que entendo ser um modo de prevenção e/ou solução a Síndrome da Alienação Parental. a dignidade dele e de todos envolvidos. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. não para sua totalidade falando da realidade atual.79 Esta conscientização se faz necessária para que. Ou. precisamos mesmo é trabalhar a educação do homem. Denise Maria. Complemento ainda que a guarda compartilhada não deva ser imposta pelo nosso Judiciário a todos casos. Podemos e devemos trabalhar com leis e justiça para cuidar desse drama da chamada Síndrome da Alienação Parental.Campinas. este deve sim perceber se ao caso concreto existe a possibilidade desta modalidade de guarda surtir efeito. o que está em jogo é o futuro sadio da humanidade.2009 79 47 . o menor.

atuante. repiso.Infelizmente a maioria dos casos chegam ao limite como vimos no último capítulo. que a realidade não é fácil frente a este problema. chegando as chamadas implantações de falsas memória ou até a denúncia falsa de abuso sexual na maioria dos casos. dentro dos limites da nossa cultura. 48 . mas. nos relatos de casos e nas jurisprudência mostradas. Vejo aí o quanto esta “nova” lei deve ser importante.

Coord. et al. Direito Civil: direito de família. BERENICE Dias. In Direito de família e o novo Código Civil. Silvio. Síndrome da Alienação Parental e a Tirania do Guardião : Aspectos Psicológicos. Direito Civil Direito de Família. 3. Sociais e Jurídicos. Maria Manual de Direito das Famílias. Editora Revista dos Tribunais 2010. editora saraiva. Giselda M Fernandes Novaes. Editora Revista dos Tribunais 2010. Incesto e Alienação Parental.ed. Evandro Luiz. 1999. Sílvio de Salvo. Do casamento. Direito de família Brasileiro. Denise Maria. Guarda Compartilhada e Síndrome de Alienação Parental. Maria Berenice Dias e Rodrigo da Cunha Pereira.2009. Maria Regina. editora Juarez de Oliveira. 2001RODRIGUES. Euclides de. São Paulo: Atlas 2003. VENOSA. Violência sexual intrafamiliar: é possível proteger a criança? Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2001. O que é isso?. 7ª ed.Campinas. Belo Horizonte: Del Rey. BERENICE Dias. 2004 PERISSINI da Silva. 2007. GAMA. 49 . Editora Equilíbrio. AZAMBUJA. HIRONAKA. OLIVEIRA. Guilherme Calmon Nogueira. SP: Armazém do Ipê..CAPÍTULO 9 BIBLIOGRAFIAS SILVA. Maria.

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