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Monografia (sobre Empregados Domésticos)

Monografia (sobre Empregados Domésticos)

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  • 1 INTRODUÇÃO
  • 2.1 O vínculo com a escravidão
  • 2.2 A abolição como fomentadora da categoria
  • 3.1 Elementos configuradores da relação de emprego
  • 3.2 Sujeitos da relação de emprego
  • 3.2.1 Empregado doméstico
  • 3.2.1.1 elementos fático-jurídicos gerais
  • 3.2.1.2 elemento fático-jurídico da não eventualidade
  • 3.2.1.3 elementos fático-jurídicos especiais
  • 4.1 Evolução legislativa
  • CONSIDERAÇÕES FINAIS
  • REFERÊNCIAS
  • ANEXOS

UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ FACULDADE DE DIREITO COORDENAÇÃO DE ATIVIDADES COMPLEMENTARES E MONOGRAFIA JURÍDICA

AIRTON EMANUEL VIEIRA SOARES

O LEGADO HISTÓRICO-SOCIAL DO TRABALHO DOMÉSTICO E AS RECENTES ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS PROTETIVAS DA CATEGORIA

FORTALEZA 2013

AIRTON EMANUEL VIEIRA SOARES

O LEGADO HISTÓRICO-SOCIAL DO TRABALHO DOMÉSTICO E AS RECENTES ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS PROTETIVAS DA CATEGORIA

Monografia apresentada ao Curso de Direito da Universidade Federal do Ceará, como requisito parcial par obtenção do título de Bacharel em Direito. Área de concentração: Direito do Trabalho.

Orientador: Prof. Fernando Basto Ferraz

FORTALEZA 2013

___________________________________________________________________

Página reservada para ficha catalográfica que deve ser confeccionada após apresentação e alterações sugeridas pela banca examinadora. Para solicitar a ficha catalográfica de seu trabalho, acesse o site: www.biblioteca.ufc.br, clique no banner Catalogação na Publicação (Solicitação de ficha catalográfica)

___________________________________________________________________

Área de concentração: Direito do Trabalho. Dr. Machidovel Trigueiro Filho Universidade Federal do Ceará (UFC) _________________________________________ Mestrando Alex Feitosa de Oliveira Universidade Federal do Ceará (UFC) . Fernando Basto Ferraz (Orientador) Universidade Federal do Ceará (UFC) _________________________________________ Prof. como requisito parcial par obtenção do título de Bacharel em Direito.AIRTON EMANUEL VIEIRA SOARES O LEGADO HISTÓRICO-SOCIAL DO TRABALHO DOMÉSTICO E AS RECENTES ALTERAÇÕES LEGISLATIVAS PROTETIVAS DA CATEGORIA Monografia apresentada ao Curso de Direito da Universidade Federal do Ceará. Dr. Aprovada em ___/___/___ BANCA EXAMINADORA _________________________________________ Prof.

in memoriam. Rodrigo Soares e. num lugar certamente melhor. Felipe Soares. que há quase cinco anos nos deixou.A minha família: Verônica Vieira. A todos vocês. Fernanda Soares. Evelyne Vieira. em especial. Wallace Vieira. Lucas Soares. Artur Soares. Emanuele Vieira. Antônio Soares. com muito amor. . Juliana Soares. Manoel Soares de Souza. está compartilhando comigo a enorme satisfação e o valor dessa conquista. mas sei que agora. Alisson Vieira. o "Nezim". Ana Célia Mota. ao meu sempiterno pai.

Fernando Ferraz. à Dra. participando. e a todos pela irmandade e companheirismo. pela força. Aos meus pais. Emanuele Vieira. Dr. tão caros. pela compreensão das minhas limitações e dificuldades e pelo desejo de estar sempre ao meu lado. minha esposa. cuidando de mim e dandome seu amor e carinho. Enfim. pelos momentos de alegrias inesquecíveis que me proporcionam quando estão em minha presença. Juliana Soares e Rodrigo Soares. Júlia Alves. principalmente. . Dr. em especial. pelas incessantes bênçãos concedidas em minha vida e por me amparar em todos os momentos. pela excelência no exemplo. Olavo Soares. mas que contribuíram sobremaneira para a manutenção de minhas forças. pela dedicação e amor constante. Aos meus filhos. Claudiana Neves. Aos membros participantes da banca examinadora. pelo tempo dispendido. pelos exemplos de simplicidade. pelo afeto. sobretudo. pelo apoio incondicional às minhas escolhas e. Wallace Vieira. Klency Araújo e Érika Pessoa. anonimamente. pela preciosíssima contribuição para a conclusão deste trabalho. àqueles que sempre acreditaram e ainda acreditam em mim. o Prof. Aos meus irmãos: Alisson Vieira. Ao Prof. humildade e honestidade. pelas valiosas colaborações e sugestões dirigidas ao aperfeiçoamento do trabalho monográfico. a mim. Aos meus amigos e amigas da academia. Em especial. orientação e dedicação. por sua abnegação. pelos enormes sacrifícios realizados para que eu alcançasse esse objetivo. À Evelyne. Machidovel Trigueiro e o Mestrando Alex Feitosa pela honra de aceitar meu convite. Manoel e Verônica. física e espiritual. naqueles em que mais precisei da Sua força e auxílio. Bruno Barbosa.AGRADECIMENTOS A Deus. Àqueles que sempre estiveram perto de mim. de todos os momentos durante o curso de Direito.

sabendo que também tendes um Senhor nos céus. senhores. fazei o que for de justiça e equidade a vossos servos.” (Colossenses 4:1) .“Vós.

visando à proteção dos trabalhadores e resguardando seus direitos constitucionais. em um primeiro momento. bem como os elementos fático-jurídicos caracterizadores do empregado doméstico. evidenciando sua correlação com a escravidão. Por derradeiro. Elementos Fático-jurídicos. o exame da proteção legal da categoria. Estuda-se os aspectos inerentes à relação jurídica de trabalho e emprego. suas peculiaridades sob enfoque histórico. de 02 de abril de 2013. reflete-se acerca das consequências fáticas de tamanha alteração. Emenda Constitucional. Inovações. propriamente dito. . Observa-se as condições de trabalho e as transformações legislativas da classe. Em um segundo momento. Apresenta-se as inovações provenientes da Emenda Constitucional nº 72. Escravidão. toma-se por objeto o aspecto jurídico. Consequências.RESUMO O presente trabalho tem o escopo analisar a figura do trabalhador doméstico. Palavras-Chaves: Trabalhador Doméstico. que promove a equiparação de direitos dos empregados domésticos aos não domésticos. Equiparação de Direitos. enfatizando.

one takes as its object the legal aspect. in order to protect workers and protecting their constitutional rights. Key-Words: Domestic Workers. showing its correlation with slavery. In a second step. For ultimate. Innovations. Slavery. which promotes equal rights of domestic workers to non-domestic. Equalization of Rights. the examination of legal protection category. Observe working conditions and legislative changes class. as well as the factual and legal elements that characterize the domestic servant. emphasizing. We study the aspects of the legal relationship of employment. reflected on the consequences of such factual change. itself.ABSTRACT The present work has the scope to analyze the figure of the domestic worker. 72 of 2 April 2013. Constitutional Amendment. factual and legal elements. Consequences . at first. Presents innovations from the Constitutional Amendment No. its peculiarities under historical approach.

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS Art. – Professor RR – Recurso de Revista SS . – Número Ns. – Artigo Arts. – Artigos D. – Dom CC – Código Civil CF – Constituição Federal CLT – Consolidação das Leis do Trabalho CTPS – Carteira de Trabalho e Previdência Social FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço MP – Medida Provisória Nº. .Números OIT – Organização Internacional do Trabalho Prof.Seguintes TRT – Tribunal Regional do Trabalho TST – Tribunal Superior do Trabalho .

.....................................................................................1 Empregado doméstico .................................................. 26 3..2.............................................................................2........................... 3................................. 52 6 REFERÊNCIAS ANEXOS 55 59 ................................ 3................. 4 PROTEÇÃO LEGAL AO EMPREGADO DOMÉSTICO E AS SUAS RECENTES CONQUISTAS ............................3 O legado da escravidão e a exclusão dos domésticos da tutela geral trabalhista ............ 3 TRABALHO DOMÉSTICO: ESTRUTURA DA RELAÇÃO 20 18 15 EMPREGATÍCIA E SEUS SUJEITOS ...........SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................1 Evolução Legislativa ....... 40 4...............1 elementos fático-jurídicos gerais ......1........................................................1 Elementos configuradores da relação de emprego ........ 40 31 36 4.. 27 3........................1......................2 Empregador ......................... 11 2 A FORMAÇÃO HISTÓRICA DA FIGURA DO EMPREGADO 13 DOMÉSTICO ....................................................................................2 A Emenda Constitucional nº 72 e suas possíveis consequências na relação de trabalho .............................. 23 24 3...... 3......................................................2....................................................1 O vínculo com a escravidão .2 Sujeitos da relação de emprego .... 47 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................... 20 3.....................................................................2 A abolição como fomentadora da categoria ......................2 elemento fático-jurídico da não eventualidade ..........2......2............. 2.....................................................3 elementos fático-jurídicos especiais .............. 13 2..... 2.1.......................................

e dos quais decorre toda uma gama de responsabilidades inerentes ao convívio em sociedade. Contudo.11 1 INTRODUÇÃO O trabalho humano desde muito tem carregado consigo uma carga valorativa negativa. 18) afirma: “Não entendo como se possa dizer que o trabalho não seja criador de valores. por si mesmo. no sentido de extirpar as injustificáveis discriminações existentes no ordenamento jurídico brasileiro. conforme nos explica Alice Monteiro de Barros (2012. em 02 de abril de 2013. A propósito. mesmo fruto de uma concepção histórica depreciativa do trabalho no âmbito residencial. nem sempre foi assim. a Constituição Federal de 1988 sofreu uma paradigmática modificação no que tange a regulamentação das relações de emprego doméstico.. Ele já é. 2002.. 43). um valor. que veio a conferir à categoria 16 (dezesseis) novos direitos.]”. a humanidade tem buscado no trabalho não apenas a sua fonte de sustento e manutenção. Hodiernamente. Nesse sentido.º 72 ganhou grande repercussão econômica e social em nível nacional. experimentado até hoje. mas também o aperfeiçoamento dos íntimos atributos da pessoa humana. mas paulatina. ensejadora das desigualdades de tratamento entre os empregados domésticos e as demais espécies de empregados urbanos. A legislação ensejadora de direito do trabalhador doméstico foi sendo construída ao longo do tempo. Ela representou um significativo avanço legislativo. na dignidade e na formação de uma cultura construtiva do próprio indivíduo. Essa distinção no trato desses obreiros deriva de um traço cultural oriundo do período colonial em que os senhores de engenho detinham escravos de . recentemente. de forma progressiva. da qual o espírito humano não pode prescindir. o trabalho tem significado para as populações como fonte de formação de uma dignidade ímpar. com sentido de penosidade. p. consubstanciados na honra. Reale (apud FERRARI. como uma das formas fundamentais de objetivação do espírito enquanto transformador da realidade física e social [. entretanto. A recém-publicada Emenda Constitucional n.

então. propriamente dito. para.12 sua confiança no interior das Casas Grandes para ocupar-se dos afazeres domésticos (FERRAZ. expressamente. por escopo realizar abordagem acerca da evolução da proteção aos empregados domésticos. portanto. da Consolidação das Leis do Trabalho tal categoria. A ideia de que esses serviços indignos e. . No segundo capítulo promove-se um estudo acerca da relação jurídica objeto do Direito do Trabalho e as características da relação de emprego doméstico e os sujeitos do contrato de trabalho. reflete-se acerca da proteção legal ao empregado doméstico. apresentando o exame. observando-se as recentes alterações promovidas pela Emenda Constitucional nº 72. no último capítulo. como tal. no primeiro capítulo faz-se uma abordagem história acerca da criação da figura do empregado doméstico. 2003). A presente pesquisa bibliográfica tem. Neste passo. observar as recentes ampliações de direitos. com enfoque nas possíveis consequências carreadas no âmbito da formulação dos contratos de trabalho. a ponto de o legislador o ter excluído. analisando-se os aspectos inerentes à relação de trabalho e emprego. Por fim. evidenciando o vínculo da desvalorização desses serviços com a escravidão. deveriam ser destinados aos escravos talvez fosse o único fator justificador de o empregado doméstico não dispor dos mesmos direitos que o obreiro urbano comum. do empregado doméstico.

VILLATORE. homem na mesma condição de inserção. capturados durante o período das guerras imperialistas. . incluindo-se. a familiaira. Promovendo-se uma rápida digressão histórica.1 O vínculo com a escravidão A figura do empregado doméstico é uma das mais antigas na história da humanidade. É durante o período do Feudalismo que surgem as figuras dos servus rusticus e os servus ministerialis ou famuli. Desde as épocas mais longínquas era tido como um trabalho sem prestígio. Na Idade Média o sistema escravocrata passou a ser substituído pelo sistema servil de produção. nas linhas que seguem. Neste novo sistema de produção havia uma nítida divisão de tarefas. e o familiairo. como muito bem observou o Ferraz (2003). além de realizar uma abordagem. por escravas e crianças. seu vínculo com a escravidão e a possível gênese dessa categoria. posto que sempre esteve correlacionado com a organização familiar e social (PAPLONA FILHO. eram destinados à prática do trabalho manual. analisar a escravidão é examinar a própria natureza do serviço doméstico. principalmente. Em Roma os escravos. 2. neste âmbito. ao menos. assim. do tratamento diferenciado de seus direitos em relação aos demais trabalhadores. Assim.13 2 A FORMAÇÃO HISTÓRICA DA FIGURA DO EMPREGADO DOMÉSTICO É notório que o trabalho doméstico sofre com um desprestígio exacerbado. é que se passa a pontuar. 2001). isto é. exercido por escravos ou servos. observa-se que na Idade Antiga. a mulher reputada como se fosse da família. Nasce. panorâmica. onde os rusticus realizavam trabalhos na lavoura e pecuária e aos famuli eram destinadas as tarefas domésticas. esta espécie de serviço era prestado. o trabalho doméstico. Visando compreender os reais motivos que influenciam para a desvaloração de uma das relações jurídicas mais antigas da humanidade.

latifundiária e patriarcal. que detinham um vasto número de escravos. o escravo para fazer serviços domésticos. tem-se seu surgimento creditado à necessidade de exploração das colônias na América. damas de companhia (MARTINS. Isto. existiu “[. 35).. secretários. Segundo Ferrari (2002. 2002. seja pela dificuldade de sua captura. seja pela resistência dos jesuítas que se dedicavam a catequização dos índios. pois. no fundo. ocupavam-se de todos os trabalhos do lar. diversas pessoas realizavam tais serviços. “Sociologicamente foi. cozinheiros. A economia era predominantemente rural. no Brasil. dominada pelos senhores engenho. No Brasil. ainda. a escravização dos negros. obrigando-se. os portugueses tentaram. amas-de-leite. apenas. e implementou-se. Sistema este que permaneceria mesmo após a proclamação da independência. pagavam seu sustento com o “suor de seus rostos” (FERRARI.14 O patrão.. Há de se destacar. até o XI X”. porquanto as mulheres servas conservavam-se na casa. sabendo -se que o trabalho era “coisa” de escravos. contudo. propiciado pelo alto lucro proveniente do tráfico de escravos do sistema mercantilista. escravizar os índios. p. neste momento histórico. 2003). primeiramente. impulsionou-se. criados. 14) Nesta perspectiva. Isto porque. a mantê-los com o indispensável para que não morresse. a partir do século XVI. os quais. que o trabalho doméstico era notadamente marcado pela predominância o gênero feminino.]Exatamente porque esta foi a maneira encontrada pelos colonizadores portugueses para o usufruto econômico das terras descobertas. mantinha. amassecas. 2008). efetivamente assim. despenseiros. lograr êxito. mas sem. No que tange à escravidão dos negros africanos pelos europeus. posto que realizado o extermínio dos nativos. No século XVII. ou ainda pela devastação desta raça quando em contato com os vírus trazidos pelo homem branco. tais como aias. p. amas. . Essa predileção das mulheres na realização dos sérvios refletia uma situação desejada pelos senhores. nutriam os recém-nascidos e faziam companhia às viúvas (FERRAZ.

advém. mas também. seja por aqueles que transferem a realização da atividade a outrem. que representa empecilho à realização de outras atividades. encontra-se arraigada na escravidão. o escravismo foi o atributo essencial do Brasil colônia e imperial. sua influência. da aia ou da mucama das senhoras de engenho. Sente-se. por si só. nesse ínterim. justifica. lavouras . 2. A evidente desvalorização do labor doméstico. seja por partes dos próprios executores do serviço. Durante o período monárquico a riqueza do país sustentou-se na utilização da mão de obra escrava e na exploração das terras de lavouras. 32). que representa um labor escravizante e que tem pouco a oferecer a quem a ele se dedica. o qual demonstra que o labor realizado no interior da residência era eminentemente desenvolvido por escravos e servos. segundo Platão de Barros. o escravagismo deixou profundas marcas na cultura e na sociedade brasileira. E mais. visceralmente ungidas aos poderosos da terra. citado por Ferraz (2003 p. no âmbito pessoal ou familiar. no modo como a sociedade brasileira valora o trabalho manual. 2003 p. perpassando as heranças de desvalorização e discriminação deste período até a atualidade. as quais recebiam como paga do dedicado e cansativo labor. até nos dias atuais.2 A abolição como fomentadora da categoria Conforme se pôde evidenciar.. que a história propicia concluir-se que. Vê-se. o empregado doméstico sempre existiu.. morada em um recanto da ‘casa grande’. tem-se o pensamento de que o trabalho doméstico é indigno. não só na questão racial. o fator histórico. ainda que cada sociedade possuísse sua manifestação própria. o estigma da categoria. Ainda hoje. especialmente o prestado no âmbito residencial. Inegavelmente.] ao que tudo parece. alimentação e escasso vestuário (BARROS apud FERRAZ.15 O empregado doméstico. no Brasil. [. 32).

em 1822.16 estas que se concentravam em mãos dos fazendeiros escravocratas (HOLANDA apud SOARES. condenando explicitamente a escravidão. não ocasionam maiores preocupações. como de lavadeiras. entretanto. mucamas. o cenário mundial começa a experimentar uma mudança de paradigma. [. até mesmo. iniciam-se os movimentos abolicionistas.. engomadeiras. optou-se pela contradição proveniente da adoção dos princípios iluministas e a servidão. 2010). muito embora José Bonifácio de Andrade e Silva tenha apresentado suas ideias à Assembleia Nacional Constituinte de 1823. não abrangendo a questão abolicionista naquele momento. apropriando-se. beneficiando-se do trabalho desempenhado ou. estava interessada em manter as estruturas tradicionais. ignorou a situação dos cativos e manteve escravizados os negros no país. explorando-lhe o esforço físico. No século XVIII. ou seja. que se furtou em considerar os direitos dos escravos. Escolheram cuidadosamente os aspectos da ideologia liberal que se adequassem à sua realidade e atendessem a seus interesses.. amas. os quais pregavam a escravidão como desrespeito à . do valor auferido por esse aluguel. Nesse cenário. 1999 p 358). Em 1823. não houve tempo hábil à apreciação do problema posto que D. por óbvio. pajens. Purgando o liberalismo de seus aspectos radicais adotaram um liberalismo conservado que admitia a escravidão (COSTA. Pedro I promoveu a dissolução dessa assembleia. cozinheiras.] a elite brasileira. Deste modo. De um lado encontravam-se os princípios liberais infirmados pelo império. composta predominantemente por grandes proprietários e por comerciantes envolvidos na economia de exportaçãoimportação. alugando-o a terceiros. apesar de transcrever quase que integralmente a disposição da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789. a Constituição de 1824. Por via de consequência. No Brasil. A questão da igualdade e liberdade. não foi sequer ventilada por ocasião da proclamação da independência. O escravo constituía propriedade do senhor que sobre ele exercia direitos. Ora. todas as funções pertinentes aos serviços no âmbito da residência. lhes eram destinados o trabalho doméstico. o dono.

e sim como domésticos (PAMPLONA FILHO.310 que extinguiu a pena de açoite. em 1871 a Câmara aprovou a Lei do Ventre Livre. Pedro II. na prática. provocando a reação da imprensa e da população. No entanto. pressionado pela Inglaterra. não mais como escravos. a Lei 3. a lei tornou-se letra morta. ser aprovada a Lei Áurea. 2010). em 1888. VILLATORE. Em 1866 D. limpar etc. Em 1839 a Inglaterra voltou a pressionar o Governo brasileiro. que condicionou o reconhecimento da independência e a celebração de tratados comerciais ao fim do tráfico. o qual promoveu longos e intensos debates. a Lei dos Sexagenários.17 liberdade. e castro Alves apresentou ao Conselho de estado cinco projetos. A esta nova categoria de trabalho eram destinados todas as espécies de serviços caseiros. os quais passaram a defender o fim do tratado antitráfico. realizando apreensões de navios. na prática. jamais sendo cumprida (CARVALHO. Todavia. Os recém-alforriados preferiam suportar a exploração de seus ex-senhores em troca de sua subsistência e de um local para dormir. tinha-se a não utilização dessas ideias como fundamento para romper-se com a ordem escravagista. No país fervilhavam os debates em torno da abolição. quando o governo. motivado pelas ações inglesas de invasão dos portos brasileiros e consequente apreensão e afundamentos de navios. Em 1879 inicia-se o movimento abolicionista propriamente dito. e de outro. cozinhar. a abolição da escravatura. Levada ao parlamento. No ano de 1850. para. 2001). . tais com lavar e passar roupas. 2003). que em 1863 produziu a obra “Da legitimidade da Propriedade Constituída sobre os Escravos”. sendo aprovada. em 1886. dentre os quais se destacava o que versava sobre a libertação dos nascituros (SOARES. não representou a efetiva libertação dos ex-escravos. O processo abolicionista no país somente teve seu início em 1831. entretanto. abolindo efetivamente o tráfico e punindo seus agentes. o Governo conservador aprovou a lei Euzébio de Queiroz. em 1885. editou a lei contra o tráfico. inspirado nas ideias de Perdigão Malheiro. então.

disciplinando o trabalho doméstico no Rio de Janeiro. em um só documento. assim.18 Não por acaso. citado por Ferraz (2003). editou-se o Decreto 23 e em 1923. 2. o empregado doméstico representa um resultado do trabalho escravo da antiguidade. lavadeira. motorista particular. jardineiro(a). contudo. A consolidação das Leis do Trabalho (CLT) surgiu. todas as normas trabalhistas esparsas. muitos dos trabalhadores domésticos existentes naquela época haviam nascido escravos ou eram filhos de escravos.3 O legado da escravidão e a exclusão dos domésticos da tutela geral trabalhista Conforme se pôde observar. copeiro(a) etc. por não se dispor de um diploma pertinente às regras trabalhistas. Por conclusão lógica. Assim em 1891. no ano de 1888. vigia. pois. Toram-se. Continuaram. com influências democráticas paternalistas oriundas de uma sociedade marcada com fortes e sérios resquícios escravagistas. a abolição da escravatura tinha ocorrido há apenas 55 (cinquenta e cinco) anos. Ocorre que quando a CLT entrou em vigor em 1943. eram regidas pelas regras da locação de serviços. o Decreto n. sem. consciência de seus direitos ou representatividade frente às autoridades capaz de ensejar a inclusão da categoria à proteção legal que se inovava. Nesse período.916. o corriqueiro era que editassem leis destinadas a regular as diversas situações. Depreende-se. com o propósito de reunir. . acompanhante de idosos. Até o advento da primeira norma. faxineiro(a).107. nos dias de hoje. no estado do Piauí. mordomo. os negros tornaram-se livres. contar com qualquer preparação para enfrentar a sociedade e conseguir ganhar o seu próprio sustento. assim.º 16. posteriormente. regulamentadora da locação dos empregados desses serviços a prestação de tal serviço era regida. à nível nacional. em virtude do ínfimo arcabouço jurídico existente à época. babá. sem esclarecimento. forma essa categoria o(a) cozinheiro(a). embora de forma genérica pelas disposições do Código Civil de 1. vinculados às mesmas atividades desempenhadas outrora. deste modo. governanta. como muito bem observou José Alberto Couto Maciel (1978). Essas atividades. com a Lei Áurea. inicialmente. meros espectadores deste momento histórico. pelas Ordenações do reino e.

mas também – implicitamente . de geração de lucro.de que o trabalho doméstico em si não é um trabalho economicamente comparável aos demais. no âmbito residencial destas”. é que o trabalhado doméstico não possuía qualquer valor frente à sociedade da década de quarenta. outras entidades que não possuem finalidade econômica. ao analisar-se a definição de empregador. o que só se explica pelos resquícios da cultura escravagista. Ora. O dispositivo legal revela o quanto essa espécie de serviços era desvalorizado na sociedade brasileira. o que se vê é que duas figuras. 2º. a este. é o caso das “instituições de beneficência. 7º da CLT. a ponto de ser intencionalmente esquecido pelo legislador. a próprio definição “serviços de natureza não -econômica” foi desenvolvido ao pressuposto de que o empregador (no caso a família) não tem uma finalidade econômica. . De outro lado. que admitirem trabalhadores ” (BRASIL. se percebe que se equipara. torna-se visível quando. considerado no diploma como ente produtivo. as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos. parágrafo segundo). de igual modo. O que resta. por óbvio. apesar de defini-los como àqueles “prestam serviços de natureza não-econômica à pessoa ou à família.19 Por tais motivos o art. de sua tutela. 1943 art. explicitamente. (CASAGRANDE. excluiu-os. 2008) A discriminação do legislador. possuem tratamento diferenciado no mesmo ato normativo. igualmente sem fins lucrativos.

uma questão primordial para verificação das regras aplicáveis ao negócio/contrato firmado. o magistério de Delgado é de grande valia para identificação da relação de emprego dos contratos de trabalho em geral. o qual não se confunde com as demais espécies de relação de trabalho. é o vértice em torno do qual se constroem todos os princípios.1 Elementos configuradores da relação de emprego Identificar uma relação jurídica é. que. Maurício Godinho Delgado (2008) elucida que a relação jurídica. 2008 p. a relação de trabalho “corresponde a qualquer vínculo jurídico por meio do qual uma pessoa natural executa uma obra ou serviço para outrem mediante pagamento”. Corresponde a um tipo legal próprio. é necessário que se faça algumas considerações preliminares acerca das características dessa relação empregatícia. Tecnicamente.20 3 TRABALHO DOMÉSTICO: ESTRUTURA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA E SEUS SUJEITOS Antes de adentrar na discussão relativa aos direitos conferidos ao empregado doméstico. Noutra vertente. do ponto de vista jurídico. este núcleo encontra-se justamente na relação de emprego. a compreensão de cada um dos elementos caracterizadores deste vínculo. a qual engloba seus sujeitos. propriamente dito. ao elucidar que: . 3. onde a primeira é espécie da segunda. no campo do Direito. a relação de emprego é apenas uma das modalidades específicas de relação de trabalho juridicamente configuradas. (SARAIVA. bem como de seus sujeitos. No âmbito do direito do trabalho. institutos e regras que caracterizam o universo jurídico. 38) Nesse ínterim. consubstancia-se em gênero. razão pela qual se torna imprescindível. por óbvio. Quando se aborda a questão da relação de emprego é imperioso ressaltar que esta não se confunde com a relação de trabalho. objeto e o negócio jurídico vinculante das partes.

que. O primeiro elemento.] a relação empregatícia. Doutrina e jurisprudência divergem quanto a sua definição. 2008 p. Art. qual seja a pessoalidade. bem como revela os 04 (quatro) outros requisitos necessários à caracterização da relação de emprego. (BRASIL. (2) prestado “intuitu personae” (pessoalidade). 2º. não é facilmente conceituado. Art.Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador. por sua vez.. Esses requisitos caracterizadores do vínculo empregatício encontram-se legalmente previstos nos arts. sob a dependência deste e mediante salário. o fenômeno sociojurídico da relação de emprego deriva da conjugação de certos elementos inarredáveis (elementos fático-jurídicos). poder-se-ia afirmar que o dispositivo cuida da conceituação da figura do empregador. continuidade. nem entre o trabalho intelectual.Considera-se empregador a empresa. assumindo os riscos da atividade econômica.Considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. Contudo. 1943) (grifos nosso) O art. Em se realizando uma leitura desatenta do art. 290).21 [. 1943) (grifos nosso) O estudo sistemático destas duas normas demonstra que o fenômeno sociojurídico da relação de emprego surge a partir da existência dos seguintes elementos fático-jurídicos: (1) o trabalho não eventual. 2º e 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Desse modo. a análise do dispositivo proporciona a evidenciação um dos elementos da relação empregatícia. 3º. e. enquanto fenômeno sociojurídico. 2º . sem os quais não se configura a mencionada relação (DELGADO. (5) de forma onerosa. resulta da síntese de um diversificado conjunto de fatores (ou elementos) reunidos em um dado contexto social ou interpessoal. (3) por pessoa física. (BRASIL. técnico e manual. apesar de traduzir etimologicamente a ideia de permanência. (4) efetuado com subordinação ao tomador dos serviços. admite. traz a definição de empregado. A doutrina apresenta diversas teorias a fim de determinar o real sentido de trabalho não .. qual seja. individual ou coletiva. 3º . a não-eventualidade. Parágrafo único .

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eventual, dentre as quais sobressaem a teoria da descontinuidade teoria do evento, teoria dos fins do empreendimento e teoria da fixação jurídica. Segundo a teoria da descontinuidade eventual é o trabalho descontínuo e interrupto em relação ao tomador enfocado. Para ela um trabalho que se fracione no tempo perde o caráter de fluidez temporal sistemática, dotando-se, portanto, de eventualidade. Neste aspecto, cumpre destacar que a referida teoria foi,

indubitavelmente, rechaçada pela CLT, que preferiu utilizar-se da expressão negativa “serviços de natureza não-eventual” para se referir ao elemento fáticojurídico caracterizador da relação de emprego. Sob o manto da teoria dos fins do empreendimento, ou da finalidade da empresa, eventual seria aquele trabalhador chamado a realizar uma tarefa não inserida nos fins normais da empresa, tarefas essas que, pelo mesmo motivo, são tidas como esporádicas e de duração exígua. Já a teoria da fixação jurídica ao tomador dos serviços defende ser eventual o trabalhador “que não se fixa a uma fonte de trabalho, enquanto empregado é o trabalhador que se fixa numa fonte de trabalho. Eventual não é fixo. Empregado é fixo. A fixação é jurídica”. (NASCIMENTO apud DELGADO, 2008 p. 296) Dentre tais formulações teóricas nota-se certa prevalência da Teoria dos Fins do Empreendimento, motivo pelo qual é amplamente aceito na doutrina que o trabalho prestado em caráter contínuo, duradouro, permanente, em que o empregado, em regra, se integra aos fins sociais desenvolvidos pela empresa é considerado como não-eventual (SARAIVA, 2008). No que tange ao segundo elemento, a pessoalidade, Souto Maior (2008) esclarece que sua fixação, enquanto elemento essencial de caracterização da relação de emprego, tem o condão de retirar qualquer dúvida acerca de que o empregado, pessoa física, deve ser um sujeito determinado, não podendo, este, ser substituído. Em outras, “a relação de emprego, no que atine ao obreiro, reveste -se de um caráter de infungibilidade, devendo o laborante executar os serviços pessoalmente” (SARAIVA, 2008 p. 42).

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O elemento pertinente à prestação do labor por pessoa física não exige maiores considerações, a não ser destacar que o obreiro não pode ser pessoa jurídica, devendo, necessariamente, ratar-se de pessoa natural. Entende-se por onerosidade, terceiro elemento caracterizado da relação empregatícia, o recebimento de uma contraprestação de valor econômico em razão do serviço prestado. Essa contraprestação forma o complexo salarial, constituído de distintas verbas marcadas pela mesma natureza jurídica. Por fim, a subordinação que, dentre os cinco elementos fático-jurídicos que compõem a relação empregatícia, é o de maior ênfase. Trata-se de elemento principal na diferenciação entre a relação de emprego e as diversas modalidades de trabalho autônomo. Sua origem etimológica traduz a noção de dependência ou obediência em relação a uma hierarquia de posição ou de valores. Demonstra uma ideia básica de submissão ao poder de outrem, às ordens de terceiros, uma posição de dependência. Corresponde, neste diapasão,

[...] ao pólo antitético e combinado do poder de direção existente no contexto da relação de emprego. Consiste, assim, na situação jurídica derivada do contrato de trabalho, pela qual o empregado comprometer-se-ia a acolher o poder de direção empresarial no modo de realização de sua prestação de serviços. (DELGADO, 2008 p.302)

Há de se repisar, no entanto, que não se trata, especificamente, de subordinação econômica, posto que pode o empregado ter uma situação financeira superior ao seu empregador, tampouco de subordinação técnica, visto que o obreiro, por vezes, detém a técnica do trabalho, a qual o empregador não possui. Trata-se, na verdade, de uma subordinação jurídica, a qual se faz em razão da atividade exercida (MAIOR, 2008). É a reunião destes 05 (cinco) requisitos, diga-se, indispensáveis, que constituem uma relação de emprego, considerada de forma geral. 3.2 Sujeitos da relação de emprego Tão importante quanto examinar a os elementos caracterizadores da relação de emprego é analisar os sujeitos que compõe esta relação jurídica. Neste aspecto, encontram-se a figura do empregado e do empregador.

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Como visto a relação empregatícia e a figura do empregado surgem da combinação dos cinco elementos fático-jurídicos outrora examinados. Em conformidade com o art. 3º da CLT, empregado é “[...] toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob dependência deste e mediante salário” (BRASIL, 1943). Analisando-se o conceito constante no diploma legal pode-se identificar a presença de quatro requisitos caracterizadores da relação de emprego, trabalho prestador por pessoa física, não eventualidade, subordinação e onerosidade. Insta avultar que o quinto elemento encontra-se previsto no art. 2º, destinado à definição de empregador. Neste aspecto, não se deve olvidar a existência de outras relações que, inobstante possuam tais elementos, trazem consigo especificidades capazes de diferenciar as espécies, como é o caso da relação de emprego do trabalhador doméstico. O empregado doméstico surge, pois, como uma modalidade especial da figura jurídica do empregado, a qual seu tipo legal definidor compõe-se dos mesmos elementos fático-jurídicos do empregado comum, acrescidos, contudo, de certos elementos fático-jurídicos especiais, próprios da relação empregatícia doméstica. 3.2.1 Empregado doméstico Nos termos do art. 1º da Lei nº. 5.859, de 11 de dezembro de 1972, empregado doméstico é “aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas” (BRASIL, 1972). Com base neste dispositivo algumas ponderações relevantes. A primeira diz respeito à observação feita por Vilhena, citado por Ferraz (2003), o qual esclarece que a conceituação promovida pelo legislador fundamentase no direito alemão, do qual advém a constrição conceitual entabulada. A segunda, realizada por Barros (2008), elucida que a norma regulamentador do trabalho doméstico corrigiu o equívoco contido no art. 7º, alínea

No entanto. Da acepção jurídica supra extrai-se. 2008 p. e os elementos específicos à relação empregatícia. há de ressalvar. 187). em função do âmbito residencial destas” (DELGADO. . Destarte. da CLT que. (pessoa física. ao conceituar o doméstico. apropriação dos serviços apenas por pessoa física ou por família e a efetuação dos serviços em função do âmbito residencial dos tomadores. como muito bem observou o referido jurista. onerosidade e subordinadamente. desde que se considere englobada na expressão “aquele que presta serviços” a figura da pessoa jurídica. Deste modo. levando-se em consideração os elementos fáticojurídicos básicos à constituição de uma relação empregatícia. Nessa perspectiva. 2008 p. além dos 05 (cinco) elementos fáticojurídicos inerentes à relação empregatícia ordinária.pessoalidade subordinação e onerosidade. elementos fático-jurídicos específicos à relação empregatícia do doméstico: a finalidade não lucrativa dos serviços. onerosidade. seria ilógico exigir que a lei especial repetisse os elementos fático-jurídicos óbvios à caracterizar o empregado. para conceituar o doméstico.25 “a”. embora não tenham propósitos de lucro” BARROS. pois têm em mira a satisfação de uma necessidade. subordinação pessoalidade e não-eventualidade). essa omissão é justificada pelo animus do legislador de destacar em seu texto apenas o elemento genérico objeto de conformação sociojurídica especial. mas de preeminente importância. cinge-se à economia de consumo da comunidade familiar. com pessoalidade. a continuidade. 365). a figura jurídica do empregado doméstico deve ser compreendida como “a pessoa física que presta. Delgado (2008) afirma que essa definição legal de empregado doméstico omite três dos cinco elementos característicos à figura do empregado . no âmbito residencial destas. definiu -o como aquele presta serviços de natureza não econômica à pessoa ou à família. Por fim. sem qualquer especificidade frente ao padrão empregatício genérico contido na CLT. serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família. posto que se tratam de requisitos intrínsecos à categoria. Segundo a autora “tais serviços possuem fins econômicos .

Essa exigência ganha ainda mais intensidade no âmbito da relação empregatícia doméstica. e três próprio da espécie à relação empregatícia em comento. é formada pelos cinco componentes fático-jurídicos já abordados em item supra. 3. pessoalidade.1. não exigindo qualquer colocação específica quanto a sua compreensão. Neste passo. assume uma configuração jurídica distinta na caracterização da sociojurídica empregado doméstico. enquanto espécie do gênero relação de emprego. dos quais cinco são considerados genéricos a qualquer relação de emprego. mas de conformação especial. posto que. impôs uma compreensão diversa da adotada no diploma celetista. e 01 (um). A prestação de trabalho por pessoa física é uma exigência inerente à própria existência do Direito do trabalho. uma vez que os bens jurídicos tutelados por este ramo direito – vida. destinados à pessoa física. porquanto ser a natureza dos serviços prestados estritamente pessoais e realizados no âmbito familiar. . lazer etc. elegendo o legislador a expressão “natureza contínua”. não havendo a prerrogativa de o trabalhador fazer-se substituir por outro na prestação dos serviços. oito elementos fático-jurídicos.26 O vínculo empregatício doméstico consubstancia. 04 (quatro) são os componentes integrantes da definição da figura do empregado doméstico tidos como gerais.2. não se concebendo que uma pessoa jurídica possa usufruí-los. os quais dispensam qualquer especificidade significativa são: a prestação de serviço por pessoa física. assim. por essência. Os elementos. o elemento definidor “não -eventualidade”. bem-estar. A pessoalidade surge como uma obrigação intuitu personae no que diz respeito ao obreiro. integridade moral. na qual se destina maior confiança ao trabalhador. ressaltando-se que dentre estes um possui configuração diferenciada. Entretanto.1 elementos fático-jurídicos gerais A relação empregatícia doméstica. também geral. – são. saúde. tendo em vista que em nada diferem daqueles verificados na relação empregatícia comum. com verdadeiro caráter de infungibilidade. onerosidade e subordinação.

. consubstanciada nas verbas salariais. 265) aponta que essa característica do trabalho doméstico encontra-se “regulado mais pela amizade e pela benevolência em que o empregado participa diretamente da vida familiar. adotada por Octávio Bueno Magano. importando. adotado. p. três vezes por semana. demonstrada através da repetição do trabalho durante todo o contrato (CASSAR. afirma que os serviços podem ser prestados de forma contínua e ininterrupta ou em forma periódica. A primeira corrente doutrinária. ainda que não se verifique o pagamento de parcelas remuneratórias propriamente ditas.1. necessitando fazer-se presente. afirmando ser. que denota a reciprocidade existente nas obrigações entre as partes (empregado e empregador). 24). Essa opção legislativa fez surgir uma dicotomia na doutrina acerca da utilização do termo. da CLT. e finalmente. apenas. 3. a necessidade permanente da mão de obra do doméstico.2. correspondente a uma contraprestação econômico-financeira. a onerosidade. 2012) Neste panorama. da hospitalidade do grupo doméstico. para conceituar o empregado doméstico. no interior do próprio lar. contida no art. defende que essa diferença é irrelevante.859/72 com uma conformação jurídica diversa da adotada na Consolidação das Leis do Trabalho.27 Evaristo de Moraes Filho (2003 p. Acontece que o legislador preferiu não repetir a expressão “serviços de natureza não eventual”. em pleno âmbito residencial”. Quanto a subordinação instar apenas relembrar que deve-se ser vislumbrada como liame distintivo da relação de emprego e das demais relações de trabalho. 3º. o termo “continuidade”. para este fim. os critérios para apreciação do trabalho contínuo. etc.2 elemento fático-jurídico da não eventualidade O quinto elemento fático-jurídico da figura sociojurídica em estudo foi infirmado pela lei 8. Plá Rodriguez (apud FERRAZ 2003. uma vez a cada quinze dias. idênticos aos do trabalho não-eventual da CLT. De igual modo.

de 11 de dezembro de 1972. quanto. o trabalho contínuo possuiria relação com o seu conceito. nesse diapasão. Desse modo. a repetição com o trabalho sucessivo. torne-se possível o reconhecimento do liame empregatício. enquanto elemento tipificado do contrato de emprego. porque o conceito de trabalho não eventual previsto no art. enquanto que o empregador doméstico não explora atividade econômica lucrativa.28 Para os defensores desta tese. 2013b) A segunda corrente entende que a distinção foi proposital. com manifesta carga de incerteza incompatível com o perfil do vínculo de emprego. 2012) Os ensinamentos de José August Rodrigues Pinto. ao passo que a permanência “é a iteratividade ou repetição da prestação do tempo”. Ademais. os quais asseveram que “a continuidade vem a ser a permanência absoluta”. durante seis anos para uma família. a aplicação da pena de confissão à reclamada em audiência. seguido. De tal sorte. 22). ao caráter continuado do acordo de vontades (TÁCITO OU EXPRESSO). em se tratando de prestação laboral descontínua (NÃO DIÁRIA). do que é fortuito. episódico. restando patente a existência de vínculo empregatício entre as partes. em contraponto à ideia de eventualidade. coadunam-se. que lhe confere feição de permanência. ocasional. citado por Pamplona Filho e Villatore (2001 p. Neste sentido o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da Segunda Região possui firme entendimento jurisprudencial: DOMÉSTICA . Delgado (2008) pondera que . sem interrupção (CASSAR. portanto.VÍNCULO EMPREGATÍCIO . seria doméstico tanto o empregado que trabalha de segunda a sexta.Descontinuidade não se confunde com intermitência para os efeitos de incidência da legislação trabalhista. 3º da CLT relaciona-se com a atividade empresarial. (negritei) (BRASIL. vincula-se com o tempo. a continuidade a que alude a legislação que regula o trabalho doméstico não pressupõe ativação diária ou ininterrupta e muito menos afasta a possibilidade que. ou seja.859 . foram confirmados pela prova oral. adotada pelo legislador ao esculpir o artigo 1º da lei 5.DISTINÇÃO . que ademais. diz respeito à projeção da relação no tempo. A referência a serviços de natureza contínua. tornou por verdadeiros os fatos articulados na peça inicial.SERVIÇO DE NATUREZA CONTÍNUA E SERVIÇO DIÁRIO . que traz em si acepção oposta. Recurso da reclamada ao qual se nega provimento. de esporadicidade. ou seja. àquele que trabalha apenas às segundas-feiras durante seis anos para uma família. seus fins e necessidades de funcionamento. com a segunda corrente doutrinária. mas sendo contínua a relação.

de 1972 ).Como esclarece com propriedade Mauricio Godinho Delgado. (DELGADO.).REQUISITO .TRABALHADOR DIARISTA .TRABALHO EM 2 DIAS POR SEMANA .. VÍNCULO DE EMPREGO TRABALHADOR DOMÉSTICO . 4ª edição. Ora.DOMÉSTICO INTERMITÊNCIA E DESCONTINUIDADE .PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE NATUREZA CONTÍNUA .. não há essa efetiva continuidade.Que importava no afastamento da teoria da descontinuidade no tocante à caracterização do trabalhador eventual -. sendo impossível o reconhecimento do liame perseguido. não seria com ele incompatível: apenas daria tratamento diferenciado a um elemento fático-jurídico geral.. 2008 p. caracteriza-se pela intermitência e descontinuidade. O simples fato de se estipular determinados dias da semana. VÍNCULO DE EMPREGO . No instante em que a ordem jurídica quis colocar sob regência de algumas normas jus trabalhistas a categoria doméstica (através da Lei nº 5. à exceção do descanso semanal remunerado.859/72) fez claramente uma opção doutrinária. na medida em que se faz necessário um planejamento de atividades. firmando o conceito de trabalhador eventual doméstico em conformidade com a teoria da descontinuidade. em nada altera tal convicção. veio. para a realização dos serviços de limpeza de uma residência. expressamente. VÍNCULO DE EMPREGO . in Curso de direito do trabalho.). ao não adotar a expressão celetista consagrada (natureza não-eventual) .. a Lei Especial dos Domésticos (5. configura trabalhador eventual doméstico a diarista que labora em distintas residências. Ou seja: o elemento da não-eventualidade na relação de emprego doméstica deve ser compreendido como efetiva continuidade. adicionais legais.. no contexto de uma relação jurídica empregatícia particular (. exatamente a expressão rejeitada pela CLT (natureza contínua).NÃO-CARACTERIZAÇÃO . etc.TRABALHADOR DOMÉSTICO . a Lei Especial dos Domésticos (5. de trabalho em 2 dias por semana.Referindo-se a serviços de natureza contínua. elegendo. ao revés. no contexto de uma relação jurídica empregatícia particular (tratamento diferenciado. 2005 (págs. ainda que em âmbito estritamente familiar. Essa opção doutrinária não se chocaria com o sistema. Essa opção doutrinária não se chocaria com o sistema. então.859. exatamente a expressão rejeitada pela CLT (natureza contínua).NÃO-EVENTUALIDADE E NATUREZA CONTÍNUA DISTINÇÃO DOUTRINÁRIA . 369/370). 1º DA LEI Nº 5. efetuar a distinção omitida no texto celetista anterior .] ao não adotar a expressão celetista consagrada (natureza não-eventual) — que importava no afastamento da teoria da descontinuidade no tocante à caracterização do trabalhador eventual —.ART. ". São Paulo: LTr. vinculando-se a cada uma delas apenas uma ou duas vezes por semana. que exige o trabalho durante toda a semana. elegendo. quinzena ou mês. 369) Para Godinho.859/72) fez claramente uma opção doutrinária. FGTS.Se a atividade desenvolvida pela demandante.29 [. que a ordem jurídica confere ao doméstico em quase tudo: jornada. por força da ordem jurídica especial regente da categoria. por força da ordem jurídica especial regente da categoria. não seria com ele incompatível: apenas daria tratamento diferenciado a um elemento fático-jurídico geral. aliás.859/72 - . em prol da reclamada. configura-se a mera prestação autônoma de serviços.. Ou seja: o elemento da não-eventualidade na relação de emprego doméstica deve ser compreendido como efetiva continuidade. firmando o conceito de trabalhador eventual doméstico em conformidade com a teoria da descontinuidade. ao revés." Ou seja: no caso presente.

por um período não inferior a um mês para ser considerado como empregado. O TRT da Primeira Região editou a súmula de nº 19. 268) afirma que “não será considerado empregado doméstico o prestador de serviços a várias famílias. em julgamento do Recurso de Revista (RR) definiu o que vinha a ser trabalho contínuo.VÍNCULO EMPREGATÍCIO CARACTERIZAÇÃO . regido pela CLT.EMPREGADA DOMÉSTICA . PRESTAÇÃO LABORAL DESCONTÍNUA. Evidenciando-se o labor por somente três vezes por semana. RECURSO DE REVISTA VÍNCULO DE EMPREGO .VÍNCULO DE EMPREGO . 453) Alice Monteiro de Barros (2005). termo que não se confunde com a permanência ou não-eventualidade do empregado comum. com o seguinte teor: TRABALHADOR DOMÉSTICO. fora. 2011). DIARISTA.EMPREGADA DOMÉSTICA . AGRAVO DE INSTRUMENTO .O trabalho contínuo é aquele realizado de forma sistemática. portanto. do pressuposto específico da Lei nº 5859/72. sem vínculo de emprego. 2011a p. 1218) RECURSO DE REVISTA . caso contrário será considerado diarista. I . INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO.PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TRÊS VEZES POR SEMANA . O Tribunal Superior do Trabalho (TST). 1º da Lei 5. Recurso de Revista conhecido e provido. A prestação laboral doméstica realizada até três vezes por semana não enseja a configuração do vínculo empregatício. pressuposto fundamental para o reconhecimento do liame empregatício é a continuidade na prestação de serviços (de 2ª a 6ª ou de 2ª a sábado). por sua vez. p. (BRASIL 2013a. Moraes Filho (2003 p.EXIGÊNCIA DE CONTINUIDADE NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. adotando o modelo contido na legislação argentina. há de ser dado provimento ao Agravo de Instrumento para determinar o processamento do Recurso de Revista. em função do âmbito residencial destas. defende que o trabalho doméstico deve se dar por mais de quatro dias na semana. com pessoalidade. Agravo de Instrumento provido.PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS TRÊS VEZES POR SEMANA .859/72 (BRASIL.NÃO CARACTERIZAÇÃO Empregado doméstico é a pessoa física que presta. não tendo sido por outro motivo que a Constituição Federal . em que as tarefas diárias se complementam ao longo da semana.DOMÉSTICO . por mais de quatro horas por dia. configura-se o caráter descontínuo da prestação de trabalho. por ausente o requisito da continuidade previsto no art. onerosidade e subordinadamente. serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família.30 Tratando-se de empregado doméstico.Demonstrada a divergência jurisprudencial. sob a forma de diaristas ou avulsos”. (BRASIL.

04. também em sede de Recurso. onerosa e pessoal e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas por mais de dois dias por semana. conclui-se que a repetição dos trabalhos domésticos deve ser analisada por semana. ante a ausência do requisito indispensável da continuidade. Esses componentes privativos do empregado doméstico dizem respeito à finalidade não lucrativa do labor. constatada a prestação de serviços em apenas dois dias por semana. a) finalidade não lucrativa dos serviços .07.179/01. processo nº 17. há de se examinar os elementos específicos da relação empregatícia doméstica.1. de forma que o trabalhador doméstico preste seus serviços três ou mais vezes por semana. com a tramitação em voga do Projeto de Lei do Senado nº 224/2013.006. desprezando-se o tempo de duração do contrato. negou o reconhecimento do vínculo empregatício à diarista que alegava a prestação de serviço três vezes em casa de família. subordinada. nesses termos Art. tal incerteza deixaria de existir visto que.09. em um período não inferior a 30 (trinta) dias (CASSAR. 2012).2. recebia pagamento por semana e prestava serviços para outras famílias do mesmo condomínio. 3. 1º. à prestação desses serviços à pessoa ou à família e o âmbito residencial de prestação do trabalho. Precedentes desta Corte. pelo que. além de comprovado o trabalho em apenas dois dias semanais. aplica-se o disposto nesta Lei. 2009) De igual sorte. sob o argumento de que. assim considerado aquele que presta serviços de forma contínua. Sob este prisma. a própria definição de empregado doméstico já evidencia o período mínimo de labor para que se configure a relação empregatícia doméstica. Ao empregado doméstico.Recurso provido. entretanto. conforme o texto do art. Repare-se. que. 1º. impõe-se o afastamento do vínculo empregatício doméstico. (BRASIL. por mais de quatro horas por dia.31 estendeu aos domésticos o Repouso Semanal Remunerado. relatado pelo Senador Romero Jucá. II .3 elementos fático-jurídicos especiais Revistos os elementos fático-jurídicos gerais e esclarecida a questão da continuidade e sua convalidação especial.

2008). é encarregado de colocação de venda de bens a terceiros. restringindo-se ao interesse do tomador e/ou sua família. Assim. para o empregado.. por excelência. Tem-se considerado não doméstica a cozinheira de uma “república” ou de “pensão”. que beneficiem o empregador. além de exercer suas funções. Nesse sentido Orlando Gomes e Elson Gottshalk. ensinam que [. sendo uma atividade não lucrativa.. em deixa de figura como doméstico para caracterizar-se como empregado urbano comum. jamais valor de troca (DELGADO. exclusivamente. 2001 P. Logo. . citados por Pamplona Filho e Villatore. não se deve mesclar com operação de fins lucrativos. tampouco pode gerar lucro para o empregador doméstico. não produtiva. por exemplo. o caseiro de sítio de lazer do empregador.] o trabalho doméstico. Trata-se de uma atividade de mero consumo. passando a ser o obreiro empregado comum. o que encontra-se umbilicalmente correlato ao critério fático-jurídico da onerosidade. todo trabalho tem evidente conteúdo econômico. (PAPLONA FILHO. se o empregador doméstico passa a se valer de seu empregado para auferir uma vantagem econômica. que. A mescla com tais atividades o desnatura. não podendo o labor do trabalhador ter como finalidade o lucro do patrão (CASSAR.32 O primeiro elemento específico da relação empregatícia doméstica é uma imposição legal de que os serviços desempenhados pelo doméstico não podem gerar benefícios para terceiros. que atenda apenas aos empregados de um estabelecimento comercial. 2012). Importa esclarecer que o critério em comento é analisado sob a ótica do empregador porque. VILATORE. descaracterizado estará o vínculo doméstico. sob a ótica do tomador dos serviços. valor de uso. posto que o doméstico produz. 24) Desta forma. o empregador não pode realizar negócios com o resultado do trabalho do empregado. o trabalho exercido pelo obreiro não pode ter objetivo de auferir ganho ou vantagem. Dessa maneira.

b) prestação laboral à pessoa ou família O enquadramento legal do doméstico evidencia a impossibilidade de pessoa jurídica ser tomadora do serviço. não se presta à definir a qualidade de doméstico. aí sim estará caracterizada a mencionada relação de emprego. no âmbito da natureza dos serviços prestados. Este elemento fático-jurídico da relação de emprego doméstico evidencia a necessidade de se analisar para quem se exerce a atividade.IRRELEVÂNCIA DA FUNÇÃO DESEMPENHADA . Tendo a autora sido contratada para prestar serviços laborais como enfermeira na residência da reclamada. este fato não suficiente para enquadrá-la como doméstica. que a espécie de serviço prestado não é elemento fático-jurídico da relação empregatícia doméstica. Assim. no âmbito residencial destas'. por exemplo. que não explore atividade lucrativa. se o empregador for um restaurante hotel ou loja comercial (pessoas jurídicas). ou família. beneficentes. por exemplo.CARACTERIZAÇÃO . além da pessoa natural. mas a circunstância de prestar 'serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família. TRABALHO DOMÉSTICO . Na elucidação do tema os repositórios jurisprudenciais são de grande valia. por exemplo.Nos termos do art. um grupo de estudantes que dividem . em outras palavras. Nessa perspectiva. comerciais ou industriais. se uma empregada exerce a função de cozinheira. Se seu empregador for uma pessoa física. neste aspecto. 1º da Lei nº 5. defende que. um grupo unitário de pessoas físicas. 2002 p. 41) (Destaques acrescidos) Delgado (2008).859/72. pessoa idosa e que necessitava de cuidados especiais.33 Impõe dizer. o que define o empregado doméstico não é a sua qualificação profissional. um cozinheiro pode servir tanto a uma residência como a um casa restaurante. ficou caracterizada a sua condição de empregada doméstica. não são considerados domésticos os empregados em atividades assistenciais. será empregada urbana. Por outro lado. Assim. Apenas a pessoa física ou a família pode sê-lo. É preciso que se pesquise quem é o empregador. (BRASIL.

Na relação doméstica. às vezes. poder-se-ia afirmar que há certa pessoalidade à figura do empregador doméstico. e não para terceiros. “nem sempre a propriedade utilizada pela família no interior guarda sua . Como consequência lógica alterações fático-pessoais do empregador interferem diretamente no contrato de trabalho.34 um imóvel. a qual extingue. pode também tomar trabalho doméstico. Ainda neste aspecto. É o que ocorre com quando observada morte do tomador dos serviços. atuando em função de interesses individuais de consumo pessoal. possibilita a alteração do sujeito passivo da relação trabalhista – o empregador -. expressivamente atenuada. 1º. para o consumo da pessoa física. para o âmbito residencial. Tal princípio. estaria descaracterizado a condição de doméstico do motorista. Ou. se prevalece o entendimento contrário. Fernando Basto Ferraz. designando que o trabalho deve ser prestado para a família. essa despersonalização é afastada ou. à despersonalização do empregador.859/72 apresenta um equívoco quando se refere que ao trabalho executado “no” âmbito residencial. Vólia Bomfim Cassar (2012) pontua que a redação do art. quando deveria conter a preposição “para”. Tal especialidade acarreta uma atenuação. pois como adverte Orlando Teixeira da Costa. 2008). ao menos. apresenta alguns obstáculos na zona rural. c) âmbito residencial de prestação dos serviços A expressão utilizada pela lei regulamentadora do trabalho doméstico designa que os serviços devem ser prestados no âmbito residencial do empregador. O autor esclarece que A caracterização do “âmbito residencial”. realiza uma importante observação. sem que para tanto o contrato de trabalho sofra qualquer alteração. nunca é demais relembrar. por exemplo. que se contrapõe à regra da impessoalidade vigorante quanto aos demais empregadores (DELGADO. Nesse diapasão. ou até uma exceção. valendo-se dos ensinamentos de Teixeira. imediatamente a relação empregatícia. por expressa impossibilidade de as pessoas jurídicas figurarem como tomadora desta espécie de serviços. da Lei 5.

lucro ao empregador. de tal forma. aqui. O empregado que presta serviços em uma casa de veraneio. elucida que. arrematando seu raciocínio. de modo que não haja risco de considerarmos como doméstico o trabalhador rural. pois. necessariamente. Tal conceito abrange todo o ambiente que esteja diretamente ligado à vida de família. 28-29) O autor. 1999) SERVIÇOS DOMÉSTICOS. 1. não possui o condão de descaracterizar a relação empregatícia. por prudência. No mesmo sentido Delgado (2008 p. cada caso que se lhe nos for permitido apreciar no que diz respeito ao empregado doméstico rural. não tem. o sentido restrito que lhe empresta o Direito Civil. mas simplesmente à conservação do jardim.ENQUADRAMENTO COMO DOMÉSTICO . 373) complementa articulando que “a noção de âmbito residencial abrange não somente a específica moradia do empregador. BRASIL. também.ENQUADRAMENTO N A CATEGORIA DOS EMPREGADOS DOMÉSTICOS . 2003). JARDINEIRO QUE PRESTA SERVIÇOS NA RESIDÊNCIA DO EMPREGADOR . conclui-se que esse deslocamento para fora da residência principal. convém estudar. Não é necessário. por outro lado. Vol.859/72. na residência do empregador. O que importa é que a atividade desempenhada esteja voltada para o âmbito familiar.âmbito residencial não é de ser entendido. cuja atividade não se destina a proporcionar-lhe lucros. 5. por isso. p. no exercício das funções domésticas. doméstico. onde a família do empregador passa alguns dias durante o ano. Destarte. 2003 p.35 feição de moradia”. há muito já se posiciona a jurisprudência pátria. que não se enquadra nos termos da Lei n. 179): ".Considera-se empregado doméstico . 2005) MOTORISTA PARTICULAR . Nesse sentido..859/72. Na precisa lição de DÉLIO MARANHÃO ("in" Instituições de Direito do Trabalho. unidades estritamente familiares que estejam distantes da residência principal da pessoa ou família que toma o serviço doméstico”. posto que representam uma extensão da residência (FERRAZ. que se trate de residência 'definitiva'. o interior da casa em que reside o empregador. distinguindo-a da morada e da habitação. de ser. CARACTERIZAÇÃO – Para ser caracterizado como “doméstico” o serviço não precisa ser prestado." (BRASIL. para a caracterização do trabalho doméstico. tipicamente.. casas ou chácaras de recreio e veraneio. Em vista disto já podemos afirmar que. enquadra-se como doméstico o empregado que presta serviços como jardineiro no âmbito residencial do empregador.. apenas. não deixa. como. não gerando. isoladamente.Consoante a dicção do artigo 1º da Lei nº 5. (FERRAZ. estão compreendidos também no âmbito residencial os empregados de sítios. Residência. 14ª ed. O jardineiro e o chofer particular são domésticos.

seria a pessoa física. 2º da Consolidação das Leis do Trabalho. bem como o caráter das atribuições exercidas. do propósito de lucro econômico (MORAES FILHO apud FERRAZ. No caso. que . no ordenamento jurídico brasileiro. 2º . Os dispositivos dispõem: Art. característico da condição de domesticidade é. § 1º . jurídica ou ente despersonificado. não é sujeito de direitos. (BRASIL. e complementada pelo seu § 1. Assim. 1º da Lei nº 5. as instituições de beneficência. 2003). (BRASIL. portanto. os profissionais liberais. individual ou coletiva. desde que a prestação não tenha o intuito proporcionar lucro. onerosidade. 2º e 3º da CLT). 2011) Nessa perspectiva. realizava atividades externas em prol da pessoa ou família. que admitirem trabalhadores como empregados.Equiparam-se ao empregador. ainda que externas.considera-se empregador a empresa. titular da empresa ou estabelecimento. evidenciado que o trabalhador. para caracterização de vínculo dessa natureza além dos requisitos da pessoalidade. 3. 1943) Segundo Maurício Godinho Delgado (2008). subordinação.2 Empregador doméstico A conceituação de empregador da relação empregatícia lato sensu é definida no art. também devem estar presentes os requisitos de finalidade não lucrativa dos serviços. Empregador.2. Recurso improvido. não-eventualidade (arts. o enunciado celetista é. assumindo os riscos da atividade econômica. sendo irrelevante a qualificação profissional ou natureza intelectual do empregado. Havendo a realização de qualquer tarefa cujo aproveitamento gere resultados pecuniários ao empregador promover-se-á a descaracterização do contrato de emprego doméstico. tem por certo que o empregado doméstico prestará seu trabalho aonde se desenvolva o círculo de vida familiar. em suas palavras.36 aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial (art. as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos. enquadra-se na categoria dos empregados domésticos. na condição de motorista particular. admite.859/72). a ausência. conduzindo a então patroa para as missas e para outros locais. O elemento principal. assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. tendo em vista que a “empresa”. falho. para os efeitos exclusivos da relação de emprego. tecnicamente. por parte do empregador. falho. ficando à disposição da residência nos demais períodos. prestados a pessoa física ou família no âmbito residencial. que.

. Logo. de 1973). porém como pessoa física ou jurídica (caput do art. 2009).. 378) Já Vólia Bomfim Cassar. A propósito. 2008 p.] a eleição do termo empresa. Segundo o jurista [. o legislador protegeu o empregado das variações das pessoas que exploram o empreendimento e das manobras fraudulentas que visam impedir a aplicação da lei trabalhista [.889. Para a doutrinadora não há “qualquer absurdo no fato de legislador celetista ter considerado como empregador a empresa e não como pessoa jurídica ou física que trata assalaria e toma os serviços do trabalhador”. o contrato de trabalho leva mais em consideração a empresa (atividade econômica organizada. (DELGADO. de 1973). .37 contrata a uma pessoa física a prestação de seus serviços. pela CLT. resta inaplicável ao empregador doméstico o artigo 2º da CLT. onerosidade. não define empregador rural como empresa. 5. de forma a proteger os empregados. o empreendimento) que a pessoa que a explora (empresário). 2012 p. 2012 p. para designar a figura do empregador apenas denuncia. a forte influência institucionalista e da teoria da relação de trabalho que se fez presente no contexto histórico de elaboração desse diploma jus trabalhista. (CASSAR. ela assume uma “cor subjetiva”. 410) Fato é que a noção de empregador denota a ideia de entidade que se utiliza de trabalhadores subordinados. com a finalidade. construída em período histórico em que já não vigorava significativa influência dessas velhas correntes teóricas trabalhistas. ao contrário.. Vinculando o empregado à atividade econômica (empresa) e não à pessoa física ou jurídica que a explora. avaliou que a intenção do legislador era de firmar um conceito capaz de refletir a despersonalização do empregador. 5.] (CASSAR. na maior parte das vezes. mais uma vez. 3º da Lei n. Por tais razões. a Lei do Trabalho Rural (n.889. de desenvolvimento de uma atividade com finalidade lucrativa (MAGANO apud CARRION. não-eventualidade e sob sua subordinação. efetuados com pessoalidade. defende a acepção utilizada pelo diploma celetista. Deste modo.. a magistrada disciplinou que: Sendo a empresa um modo de operar de um sujeito de direito. 409) Utilizando-se dos ensinamentos do renomado Arnaldo Süssekind.

O jurista pontua que [.. 1973) O artigo 15.38 Ora. PAMPLONA FILHO. Deste modo. mas também se opor ao tratamento a ela dispensado pelo Direito de Família. Neste sentido as exegeses jurisprudenciais não vacilam ao reconhecer a legitimidade da família. sem finalidade lucrativa. cuidando de não ignorar a realidade familiar. . analisando a incompatibilidade da pessoa jurídica e do empregador doméstico. empregado doméstico”. na visão destes. estando a noção jurídica de empresa relacionada a produção de lucro e à concepção de empregador doméstico ser vedada a finalidade lucrativa. (BRASIL. 2003) considera que o legislador foi infeliz ao afirmar que a família pode ser sujeito passivo da relação. Orlando Teixeira (apud FERRAZ. a figura sociojurídica do empregador doméstico. (TEIXEIRA APUD FERRAZ. que dispõe sobre organização da Seguridade Social. de 24 de julho de 1991. consideram razoável a definição legal. No que tange à essa acepção trazida pelo decreto regulamentador. por sua vez assevera que empregador doméstico é “a pessoa ou família que admite a seu serviço. não necessitando. a expressão “família” deve ser entendida como núcleo familiar que reside no mesmo local da prestação de serviços (VILLATORE. noutra vertente. 2001). não há possibilidade de pessoa jurídica ser tomadora de serviço doméstico. de 09 de março de 1973. inciso II. cuja definição encontra-se explicitada no Decreto nº 71.. 2003 p.885. reservada a pessoa física. qualquer reparo. exclusivamente. individualmente ou em grupo unitário.] a lei teria sido mais sensata se. posto que não representa uma coisa nem outra. da Lei nº 8. considerasse como empregador doméstico a pessoa que admitisse a seu serviço ou de sua família empregado doméstico.212. 87) Villatore e Pamplona Filho (2001). que regulamentou a Lei do Doméstico. o considera como toda “pessoa ou família que admita a seu serviço empregado doméstico”. Tal condição está. institui Plano de Custeio e dá outras providências. Ainda segundo os autores.

859/72 conceitua o empregado doméstico "assim considerado aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas". descrita no artigo 3º. 15. Assim o empregador na relação de trabalho doméstico é a família. define como empregador doméstico . A Lei 5. da Lei nº 8.39 TRABALHO DOMÉSTICO – LEGITIMIDADE PASSIVA – CONFIGURADA – Como se vislumbra da Lei nº 5859/72. subordinação. continuidade e onerosidade) sendo acrescidos de requisitos específicos concernentes à finalidade não lucrativa dos serviços. prestação laboral à pessoa ou família e o fato dessa prestação se desenvolver no âmbito residencial do tomador dos serviços. 2010 p. (BRASIL."a pessoa ou família que admite a seu serviço. 111) . sem finalidade lucrativa. inciso II. Recurso ordinário improvido. o trabalho doméstico possui os mesmos elementos da relação de emprego genérica. empregado doméstico". o art. podendo ser representada por quaisquer dos cônjuges ou seus descendentes. Por sua vez. pessoalidade. Consolidado (pessoa física.212/91.

inclusive. tais como aviso prévio. houve a determinação de regras destinadas às atividades dos criados e das amas de leite. 2008). historicamente. No estado do Piauí. Verificou-se. Em contrapartida. as quais passavam a constituir a base do direito vigente (BARROS. no Código de Postura do Município de São Paulo. os empregados domésticos desfrutaram de proteção legal. como ficou conhecido o mencionado regramento. dentre outras situações. multa. a ponto de só no ano de 2013 terem seus direitos equiparados ao trabalhador urbano comum. 4. de 05 (cinco) dias para o empregador. influenciado por seu secretário o Dr.40 4 PROTEÇÃO LEGAL AO EMPREGADO DOMÉSTICO E AS SUAS RECENTES CONQUISTAS Eis o momento da abordagem sobre a evolução protetiva dos diplomas normativos atinentes ao empregado doméstico. 2008). de certa forma esquecido pelo legislador brasileiro. por o inadimplemento contratual. podendo. À época. O primeiro corpo de leis regulamentadoras do trabalho doméstico no Brasil foi as ordenações do reino. a possibilidade de se dispensar por justa causa o empregado acometido por doença que o impedisse de trabalhar ou se este saísse de casa a passeio ou a negócio sem licença do patrão. desvalorizados. em art. o Governador Major Thaumaturgo de Azevedo. determinou-se alguns direitos. 1º. litigar em face do seu empregador. tratou do tema ao resolver. quando não houvesse o respectivo pagamento e obrigatoriedade de registro do empregado na Secretaria de Polícia (MARTINS. por meio do Decreto 23. e de 08 (oito) dias para o empregado. compilações de todas as leis vigentes em Portugal. Em 1886. em 11 de abril de 1891. a qual era convertida em prisão simples. para qualquer das partes. imposta às partes. culminando-se com o estudo da recente alteração constitucional.1 Evolução legislativa Resta inegável que os empregados domésticos foram. no município de São Paulo. Clóvis Beviláqua. ainda que incipiente. ordenar aos Conselhos de Intendências Municipais e demais autoridades policiais e judiciárias do . sempre foram alvo de preconceito social e.

damas de companhia. material ou imaterial. de 1º de maio em diante. Instituía o direito de aviso prévio de 01 (um).41 Estado a observar. correr perigo ou mal considerável. 1. e por mês. Estabelecia. engomadeiras. 2003). conforme o ajuste do salário em 07 (sete) dias. hortelões. lícito.º 16. assim. . imperícia. enceradores. porteiros ou serventes. as justas causas para a dispensa do empregado. como as justas causas para o empregado dar por findo o contrato. do CC. pensões ou bares.216. ou qualquer outra causa que o tornasse incapaz dos serviços contratados. jardineiros. de igual forma. Era clara quanto a obrigatoriedade do empregado apresentar carteira de trabalho expedida pelo Gabinete de Identificação e Estatística. mau procedimento. de prevalecer as Ordenações do Reino. o Decreto n. arrumadores. amas-secas ou de leite. salário. e defeso por lei. tempo de pagamento. bem como todos quanto se empregam restaurantes. costureiras. natureza do contrato e causa de cessação. assim. respectivamente. dentre elas. ofensa à honra do empregador ou de sua família.107 modificou o Código Civil no que se refere ao doméstico no âmbito do antigo Distrito Federal ao especificar quem seriam os locadores dos serviços domésticos: cozinheiros e ajudantes. 04 (quatro) ou 08 (oito) dias. lavadeiras. 1. O Código Civil de 1916 incluiu os contratos entre patrões e empregados domésticos como locação de serviços. as disposições do regulamento pertinente aos contratos de locação de serviços domésticos nas cidades e vilas do estado (FERRAZ. contrário aos bons costumes ou alheio ao contrato. 1916) Em 1923. dispunha sua aplicabilidade a toda espécie de serviços ou trabalho. regulados pelos arts. copeiros. posto que o art. dentre elas observava-se a enfermidade. Deixava-se. não cumprir o empregador as obrigações do contrato ou morrer o locatário. achar-se inabilitado por força maior para cumprir o contrato. (BRASIL. ser exigido serviço superior às forças. não observância do contrato. mais precisamente em 30 de julho daquele ano. por semana ou quinzena.216 ss. A norma era minuciosa no que se referia aos assentamentos de admissão.

452. prestem serviços em residências particulares ou a benefício destas”. 2003) Inobstante às diversas regulamentações. 1941) Sua vigência foi amplamente discutida pelos doutrinadores do país. mediante remuneração. À exemplo de J. Entretanto. com a edição do Decreto-Lei n. Antero de Carvalho. a verdadeira evolução legislativa experimentada naquele período no que pertine ao trabalho doméstico se deu em 1941. desde que provada a identidade. se contado seis meses de vigência. a qual disciplinou as relações individuais e coletivas de trabalho. o qual disciplinou. a locação dos empregados em serviços domésticos. 3. Este procedimento deveria ser anotado na carteira do empregado. àquela época. A Consolidação das Leis do Trabalho. fornecido pela autoridade federal. estadual e municipal. disciplinou o que se entendia por empregados domésticos. havia quem defendesse a ausência de vigência por falta de regulamentação. Em linha radicalmente oposta. observa-se que esta era efetivada pela simples manifestação de vontade de qualquer dos contratantes.42 Neste cenário. (FERRAZ. devendo o notificado apor o “ciente”. de qualquer profissão ou mister. Quanto à rescisão dos contratos de locação de serviços domésticos. ainda. Mozart Victor Russomano. (BRASIL. O art. que a autoridade competente para apurar as reclamações das partes e conferir a penalidade adequada à infração era o delegado. aprovada pelo Decreto-lei 5. em não as havendo. explicitando que eram “considerados empregados domésticos todos aquele que. mediante firma reconhecida. deslocando-os da esfera de insurgência do Direito Civil para o de aplicação . sua revogação com o advento da Consolidação das Leis do Trabalho. sua resolução só possibilitar-se-ia mediante aviso de 08 (oito) dias pela parte que desejasse rescindi-lo. por qualquer médico. Era obrigatório o uso da carteira profissional em todo o país para o emprego em serviço doméstico. devendo a mesma ser expedida por Autoridade Policial. e. 1º. apresentado atestado de boa conduta emitido pela Autoridade Policial e atestado de vacina e saúde. sob pena de pagamento de indenização correspondente ao salário do período do aviso. à nível nacional.078. de 1º de maio de 1943. insta destacar. existia quem sustentasse a autoexecutoriedade no que fosse possível e.

se classifiquem como industriais ou comerciais. muito embora constituam sujeitos de verdadeira relação de emprego. assim considerados. conforme explicitado anteriormente. ainda na política garantidora dos direitos trabalhistas. definidos como aqueles que prestam serviços de natureza não-econômica à pessoa ou à família. que os domésticos. 11. não encontraram abrigo na Consolidação.43 do Direito do Trabalho.10. desde que estivessem a serviço da administração do edifício e não de cada condômino. d) aos servidores de autarquias paraestatais.452. os que prestam serviços de natureza não-econômica à pessoa ou à família. expressamente não aplicável ao empregado doméstico. . faxineiros e serventes de prédios de apartamentos residenciais. O art. no âmbito residencial destas. houve a publicação da Lei n. exercendo funções diretamente ligadas à agricultura e à pecuária. Em ato contínuo. pelos métodos de execução dos respectivos trabalhos ou pela finalidade de suas operações. não sejam empregados em atividades que. 1943) (destaques acrescidos) Verifica-se. posto que prestam serviços sob dependência trabalhista. b) aos trabalhadores rurais.º 605. não alcançou os domésticos. do Decreto-Lei nº 5. 7º Os preceitos constantes da presente Consolidação salvo quando fôr em cada caso. assegurando o repouso semanal remunerado. expressamente determinado em contrário. de 05 de janeiro de 1949.079. de 1º de maio de 1943. c) aos funcionários públicos da União. (BRASIL.757 inovou ao retirar da categoria de empregado doméstico os porteiros. assim considerados aqueles que. zeladores. 7º. dos Estados e dos Municípios e aos respectivos extranumerários em serviço nas próprias repartições. assim dispõe: Art. alínea “a”. no âmbito residencial destas. de um modo geral. desde que sujeitos a regime próprio de proteção ao trabalho que lhes assegure situação análoga à dos funcionários públicos. Em 1956.1945) a) aos empregados domésticos. a Lei 2. pois. não se aplicam: (Redação dada pelo Decreto-lei nº 8.

de 1987 . o qual veio a ser publicado em 09 de março de 1973.859. de 17 de novembro 1987. A referida lei.44 Em 1960. Somente em 1972.247. Foi assegurado à categoria o direito a férias anuais remuneradas de 20 (vinte) dias úteis após cada período de 12 (doze) meses de trabalho. na visão de Ferraz (2003). Como observa Alice Monteiro de Barros (2008). o prazo de mais 30 (trinta) dias. 7º condicionou sua vigência à edição de regulamento no prazo de 90 (noventa) dias. trouxe significativa conquista aos empregados domésticos que até então não possuíam proteção legal significativa similar aos direitos trabalhistas já concedidos pela CLT aos urbanos em geral. Com a Constituição Federal de 1988 abriu-se um leque mais extensos aplicáveis à categoria dos domésticos. de 1987. No art. de 1985.418.247.619. e 7. a contar de sua publicação. é que efetivamente foi estendido o Vale-Transporte à categoria doméstica. Essa conceituação corrigiu. constituída de oito artigos. a imperfeição técnica que incorreu a CLT. o qual regulamentou os diplomas mencionados.que também contemplou o empregado doméstico com a parcela que instituiu. 1º há a definição de empregado doméstico. o que de fato não possuem é propósito de lucro. com a edição da Lei nº 5. compreendendo-o como “aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas” (BRASIL. ao mencionar “serviço de natureza não econômica”. todavia seu art. . 7. pois objetivam a satisfação de uma necessidade. Na segunda metade da década de 80 (oitenta) adveio a legislação do Vale-Transporte . prestado à mesma pessoa ou família e os benefícios e serviços da Lei Orgânica da Previdência Social na qualidade de segurados obrigatórios. acrescendo-se. a partir da publicação do decreto regulamentador. ainda. a CLT falhou ao utilizar esta expressão posto que os serviços possuem sim fins econômicos. foi disciplinado o trabalho no âmbito residencial. Cabe notar-se que apenas com o Decreto nº 95. a Lei Orgânica da Previdência Social. possibilitou ao doméstico se filiar à Previdência como segurado facultativo.Leis ns. 1972). e o Decreto nº 95.

CF/88). Neste ponto. à empregada doméstica. um terço a mais do que o salário normal. Duas principais correntes controvertem. XXIV. A primeira pondera que Constituição pretendeu excluir a doméstica dessa garantia. sem prejuízo do emprego e do salário. além de afirmar sua integração à previdência social. § 1º. respectivamente. primeiro porque lhes . sobre o efeito imediato dos dispositivos instituidores de tais parcelas.859/72. da garantia de emprego de até cinco meses após o parto . II. instituída pelo art. a corrente majoritária entendia que o lapso de 20 (vinte) dias úteis. 5. necessário se faz realizar um parêntese para explicitar que. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. consideráveis divergências doutrinárias e jurisprudenciais acerca da dimensão e extensão de certos direitos conferidos constitucionalmente aos domésticos. Os mencionados dispositivos tratam. “b”. Neste aspecto. sendo no mínimo de trinta dias e aposentadoria. VIII. repouso semanal remunerado. 5º.. criado pela Lei n. no cenário nacional. (DELGADO. licença à gestante. surgiu polêmica. 7º. que excetuava somente as hipóteses normativas em que a própria norma instituidora condicionasse sua incidência e eficácia à publicação de diploma infraconstitucional regulamentador. aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. se instalou. décimo terceiro salário com base na remuneração integral ou no valor da aposentadoria. diante de tamanha inovação legislativa. 7º era determinação da mesma Constituição (art. O primeiro debate significativo surgiu em torno da figura das férias e prazo de sua concessão. licença-paternidade. XIX.45 A Carta Magna de 1988 assegurou a esta espécie de empregado os direitos previstos nos incisos IV. dos direitos ao salário mínimo nacionalmente unificado. manteve-se mesmo após a promulgação da Constituição. VI. CF/88 (120 dias). irredutibilidade do salário. XV. de seu art. XVII. XVIII. XVIII. 7º. A este respeito parece ser inquestionável que a vigência imediata dos preceitos do art. com a duração de cento e vinte dias. XXI. gozo de férias anuais remuneradas com. 2008) Outra discussão jurisprudencial exasperada diz respeito à extensão. 10. pelo menos. No que concerne à licença-paternidade de 05 (cinco) dias e diferença de prazo de licença-gestante em face da elevação concedida pelo art.

Deveria ser requerido no período entre 07 (sete) e 90 (noventa) dias da data da dispensa. seguindo as diretrizes da Carta Política.859/72.208. Feitos tais esclarecimentos. Em 1991. posto que mesmo o empregado doméstico sendo empregado como qualquer outro existente no mercado de trabalho. que a inclusão do empregado doméstico ao FGTS dependia de requerimento do empregador. por sua vez. A Medida Provisória (MP) nº 1. a Lei n. de 13 de dezembro de 1999. por ato voluntário. CF. qualquer que seja seu segmento sócio profissional.986.212. em um certo segmento social. embora construído sobre inequívoca evidência fática. Nesta toada. na condição de segurado obrigatório. pode-se retornar a análise da evolução legislativa protetiva do empregado doméstico. Neste sentido Maurício Godinho Delgado dispôs que “a partir de março de 2000. inciso II. O valor correspondia a um salário-mínimo pago no período máximo de 03 (três) meses. deixando de fazê-lo em. a lei negava-lhe inúmeros direitos jus trabalhistas. acrescentou 12 (doze) dispositivos à Lei 5. e suas subsequentes reedições. de 23 de março de 2001. permitiu-se ao empregador. todavia. artigo 12.º 8. segundo. asseverou que aos domésticos os direitos previdenciários constantes em seu art. sustenta que o argumento de identidade do fato da gravidez não tem substância jurídica. só podendo ser requerido a cada período de dezesseis meses decorridos da dispensa que originou o benefício anterior. dentre os quais se destaca aquele que facultou o acesso do empregado doméstico ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e ao Seguro-Desemprego. Quanto ao seguro-desemprego. a legislação doméstica seria um exemplo realidade. com conversão na Lei 10. ao tratar da organização da Seguridade Social. porquanto consiste o fato da gravidez em um evento biológico. pessoal e social idêntico na obreira. XVIII. A segunda corrente. o empregado doméstico teria que ter trabalho nesta condição por um período mínimo de 15 (quinze) meses nos últimos 24 (vinte e quatro) meses contados da dispensa sem justa causa. 7º. estender o Fundo de Garantia . Insta destacar. Ocorre que pode o Direito conferir efeitos a um determinado evento.46 estendeu uma licença-maternidade mais ampla do art. e.

rara no Direito do Trabalho”. 2008 p. 4. Em sede constitucional. 7º da Constituição Federal para estabelecer a igualdade de direitos trabalhistas entre os trabalhadores domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais. parágrafo único. Trata-se.º 11.47 do Tempo de Serviço a seu empregado doméstico. que durou mais de 120 (cento e vinte) anos – se contabilizados desde a proclamação da república. 363) Em consonância com todo o aqui exposto. higiene ou moradia” (BRASIL. 2006). foi publicada. que alterou a redação do parágrafo único do art.º 72. O novo diploma ratificou ainda a antiga interpretação de “ser vedado ao empregador doméstico efetuar descontos no salário do empregado por fornecimento de alimentação. historicamente. porém. autorizando-lhe deduzir do imposto de renda. no Brasil. de norma dispositiva. foi objeto da norma a criação de incentivo fiscal para o empregador doméstico. estipulando o período de 30 (trinta) dias corridos de férias. tem-se sinais de superação desta realidade. as contribuições previdenciárias patronais mensais. Prova disto foi a aprovação da Emenda Constitucional n. De igual sorte. à época da promulgação da Carta Magna. Resta evidente que.2 A Emenda Constitucional nº 72 e suas consequências na relação de trabalho Em um processo lento e paulatino. a Lei n. igualados aos demais empregados urbanos e rurais. um avanço. de 02 de abril de 2013. finalmente.324. 7º. se visto . apesar de ter representado. respeitados o teto de um salário-mínimo como salário de contribuição e o lançamento de apenas um empregado. como verificado. desde exercício 2007 até o exercício 2012. a legislação do trabalho doméstico sempre esteve posta em segundo plano. para períodos aquisitivos iniciados após a data de sua publicação e garantia de emprego à gestante desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. em 20 de julho de 2006. incluindo o direito ao descanso remunerado em feriados. os empregados domésticos foram. a qual realizou nova extensão de direitos trabalhistas. vestuário. (DELGADO. Entretanto. o art.

o trabalhador doméstico fazia. 7º Parágrafo único. XXI. 7º . Em outras palavras. ampliou este rol. por unanimidade. São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV. o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. que a ampliação dos direitos sociais trabalhistas provém da Emenda Constitucional nº 72. apenas e tão somente. mesmo que timidamente. XXV e XXVIII. XVIII. pelo plenário do Senado Federal. contudo. 2013) Assim. XXIV. os quais. dos 34 (trinta e quatro) direitos sociais trabalhistas previstos no art. o repouso semanal remunerado. atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias. aprovada em segundo turno. XVI. II. bem como a integração à Previdência Social. por força da disposição contida na alínea “a” de seu art. 7º da CF/88. o décimo terceiro salário. a 09 (nove). o condão de ensejar a aplicabilidade da CLT aos trabalhadores domésticos. excluía vários dos 34 (trinta e quatro) direitos sociais trabalhistas previstos no artigo à categoria do trabalhador doméstico. os direitos a eles assegurados. a licença à gestante. Entretanto. dando nova redação do parágrafo único. principais e acessórias. XXX. 7º da Carta Política de 1988 e não da CLT. que alterou o parágrafo único do art. decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades. A Emenda Constitucional nº 72.48 por outro lado. promulgada no dia 02 de abril de 2013. Não se discute. VI. XIX. XV. embora a legislação infraconstitucional houvesse ampliado. 7º. III. XII. permanecem excluídos do diploma legal. X. XXXI e XXXIII e. não há qualquer . deste modo. IX. VII. O dispositivo original assegurava aos trabalhadores domésticos o salário mínimo a irredutibilidade salarial. alterou o art. XXII. houve a equiparação dos direitos trabalhistas dos trabalhadores domésticos aos dos trabalhadores urbanos e rurais. os previstos nos incisos I. do art. preferencialmente aos domingos. XXVI. VIII. 7º da Carta de Outubro de 1988. Esta paradigmática modificação constitucional não teve. as férias anuais com adicional de um terço. XVII. bem como a sua integração à previdência social. (BRASIL. Atualmente o dispositivo assevera: Art. no mínimo de 30 dias e a aposentadoria. XIII. a licença-paternidade.

49 empecilho à aplicação de determinados direitos sociais previstos apenas no texto consolidado a esta categoria de trabalhadores. No que tange ao rol de direitos. sem prejuízo da indenização patronal quando o patrão incorrer em culpa ou dolo. 07 (sete) dos novos 16 (dezesseis) direitos atribuídos aos empregados domésticos ficam dependendo de regulamentação específica. 2013). insta ressaltar que a Emenda Constitucional nº 72 exigiu a observância de normas próprias que definam a simplificação para o cumprimento das obrigações tributárias. salário-família aos dependentes. observa-se que àqueles inicialmente resguardados por ocasião da promulgação da Constituição no ano de 1988. outros dependentes de regulamentação específica. principais e assessórias e às peculiaridades da relação do trabalho para a incidência doutros aspectos. No campo dos direitos trabalhistas de aplicação imediata tem-se a proteção ao salário. redução dos riscos inerentes ao trabalho. jornada máxima diária de 08 (oito) horas e de 44 (quarenta e quatro) horas semanais. . reconhecimento das convenções e acordos coletivos de trabalho. mediante acordo ou convenção coletiva de trabalho. e proibição de trabalho noturno. foram acrescidos de outros. Nesse ínterim. em caso de trabalhador de baixa renda. adicional mínimo de 50% para as horas extraordinárias de trabalho. dependem de regulamentação específica o segurodesemprego em caso de desemprego involuntário. permanecem mantidos. Noutra vertente. remuneração de trabalho noturno superior ao trabalho diurno. salvo. impossibilitando. assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o nascimento até 05 (cinco) anos de idade em creches e pré-escolas e seguro contra acidente de trabalho. facultada compensação de horários e a redução de jornada. que as normas vigentes para os trabalhadores em geral lhes fossem aplicadas. uns com vigência imediata. FGTS. perigoso ou insalubre a menores de 18 anos e de qualquer trabalho a menores de 16 anos. no entanto. a partir de 14 anos. como aprendizes (OLIVEIRA. deste modo. Ademais. proibição de diferença de salários. constituindo crime a retenção dolosa. a cargo do empregador. para permitir o benefício previdenciário correspondente. de exercício de funções e de critérios de admissão por motivos discriminatórios.

(OLIVEIRA. em sua grande maioria. pessoa de classe média.50 Outrossim. há que se apreender que os contratos de trabalho doméstico passam a encontrar limite apenas na jornada diária ou semanal. sofrerá grande impacto em seu orçamento proveniente dos novos encargos incidentes sobre o contrato de trabalho. por tal condição. o que. isto é. no âmbito da jornada de trabalho. quando percebidas como extraordinárias daqui por diante.324/2006. nesse contexto.859/1972 ao inserir medidas paulatinas para o implemento de certos direitos aos empregados domésticos. ou caso contrário considerar-se-ia que os trabalhadores domésticos exerciam seu labor por determinadas horas sem qualquer remuneração. desestimular a formalização dos contratos de trabalho. antes elencado no texto original da Constituição. quando aprovadas as Leis 10. Logo. até mesmo. que o constituinte derivado. e. de forma mais abrupta. entretanto. Ocorrem. como método facilitador dos cálculos para os empregadores. Ora. devem ter o acréscimo devido do adicional de 50% (cinquenta por cento) para sua remuneração regular.208/2001 e 11. o empregador doméstico no Brasil é. 2013) Sem sombra de dúvidas a inovação Constitucional carreada pela Emenda nº 72 representou uma quebra de paradigma à rota empreendida nos governos anteriores. que alteraram a Lei nº 5. quando o que se pretende é considerar que as horas antes pagas de modo simples. pode provocar efeito contrário. ao acrescer direitos trabalhistas ao rol. bem como estuda-se reduzir o percentual da multa sobre o FGTS em caso de dispensa injustificada. Dentre as medidas discutidas destaca-se a criação de um regime unificado de cobrança da contribuição previdenciária e da pertinente ao FGTS. ou. diga- . a tendência natural seria a dispensa seus empregados domésticos de anos para a busca de trabalhadores eventuais. sem desqualificar os efeitos dos contratos então vigentes quanto ao ajuste do salário em relação à jornada média estabelecida entre patrões e empregados domésticos. manter o obreiro de forma irregular. A fim de evitar que se instale um verdadeiro retrocesso na realidade fática experimentada pela categoria algumas propostas vêm sendo discutidas para minorar os efeitos econômicos das novas regras.

sob a justificativa que tal medida imporia fator discriminativo à categoria. . deve-se realizar um esforço conjunto entre as esferas executivas e legislativa de poder para minimizar os impactos financeiros sobre o empregador para assim procurar-se manter ao máximo os contratos em vigência e estimular a formalização de novos.51 se. Independentemente de qual maneira o impasse será resolvido. vem sendo rechaçado pelos governos.

º 10. Insta lembrar que a tardia legislação trabalhista no Brasil. evidenciada em âmbito nacional com maior vigor na década de 1930. regulamentou a mencionada lei.208 inseriu o art. determinando-se que fosse aplicado aos domésticos o capítulo celetista que trata das férias. de 1943. mesmo que de maneira acanhada. como também não forma incluídos no regime de Previdência Social.885.859/72. conferindo. 3º-A na Lei nº 5.859. que regulamentou. No ano seguinte o Decreto nº 71. alínea “a”. Inobstante às profícuas leis surgidas após a aprovação da CLT. explicada historicamente.52 CONSIDERAÇÕES FINAIS A evolução da proteção social do trabalhador doméstico perpassa por uma compreensão restritiva de direitos. fez questão de excluir esta categoria de empregados do âmbito de sua aplicação. 7º. por consequência. nem a Carta da República foi capaz de assumir. expressamente. o acesso ao seguro-desemprego. benefício este com requisitos maiores daqueles exigidos dos empregados em geral e com valor menor e de menor duração. a profissão dos empregados domésticos. consubstanciaram-se em um significativo empecilho para o advento da legislação trabalhista. o doméstico passou a ter direito a vale-transporte. No final da década de 80. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 houve uma extensão significativa dos direitos assegurados à categoria. em seu art. Entretanto. conferindo ao empregador doméstico a faculdade de incluir o empregado doméstico no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço. ao empregado contemplado. especialmente a regulamentadora da atividade doméstica. A própria Consolidação das Leis do Trabalho. nada trouxe a respeito do trabalho em âmbito doméstico. Em 2001 a Lei n. a igualdade de direitos entre domésticos e os empregados em geral. Os dados que denotam o convívio com o trabalho escravo até os idos de 1888 e de que razões predominantemente econômico-políticas foram preponderantes para o término deste regime de trabalho. somente em 11 de dezembro de 1972 foi promulgada a Lei 5. .

A questão cultural que envolve o trabalho doméstico é tão arraigada que a obrigação de considerar o trabalhador um empregado. em geral. Sequer cogitaram as inúmeras hipóteses e particularidades dos domésticos.53 Interessante é. o repouso semanal remunerado. que o trâmite legislativo conferido à norma. pessoa de classe média. a Emenda Constitucional nº 72 de 2013 veio alterar o parágrafo único do art. Mas porque. anotando-lhe a Carteira de Trabalho e Previdência Social (CTPS) precisou ser estimulada por meio da autorização de deduções dos valores pagos. as férias anuais com adicional de um terço. é. mas sim ao empregador. no Brasil. portanto. Não se discutiu acerca de seus efeitos. a título de contribuição previdenciária dos empregados domésticos. Depreende-se. 7º. a esses trabalhadores modestos direitos sociais. bem como a integração à Previdência Social. preferencialmente aos domingos. que. a irredutibilidade salarial. insuficientes a garantir sua dignidade. da Carta Magna para assegurar-lhes o salário mínimo. neste aspecto. no mínimo de 30 dias e a aposentadoria. imediato e mediato. se o intuito era colocar em patamar de igualdade o empregado doméstico e os empregados urbanos e rurais comuns. por uma questão sociocultural que remonta ao período escravagista. Buscando quebrar com o paradigma de avanços tímidos na legislação protetiva dos empregados domésticos e procurando conferir melhores condições de trabalho a estes obreiros. que esta fixação de limites dos direito dos domésticos foi construída como um reflexo que nega aos trabalhadores domésticos uma importância social. o Brasil assegurou. Contudo. portanto. que a referida emenda pôs fim a uma discriminação existente sem qualquer justificativa. o décimo terceiro salário. diz respeito não ao obreiro em si. tão somente. desde a aprovação da proposta em primeiro turno na Câmara dos Deputados até sua aprovação em segundo turno no Senado Federal e consequente promulgação pelas Mesas das Casas do Congresso Nacional. sem . o aviso prévio proporcional ao tempo de serviço. a licença à gestante. simplesmente não retirou da CLT a norma restritiva ali contida? É fato que. foi demasiadamente precipitado. e mais preocupante. impende evidenciar. do imposto de renda (Lei 11. Uma delas.324/06). a licença-paternidade. perceber.

a tendência é de muitas famílias brasileiras. cabe agora ao poder executivo. número razoável de contratos em vigência. o avanço dos direitos trabalhistas recentemente conquistados pelos empregados domésticos inequivocamente os equiparam aos demais empregados. passem progressivamente a substituí-las pelo trabalho das diaristas. Nessa perspectiva. Contudo. Doravante. Teme-se que essa possa ser o princípio do fim da categoria em questão. em vigor.54 recursos suficientes para absorver o impacto econômico que as alterações promovidas pelo constituinte derivado acarretam. com o desemprego. procurar meios de minimizar o impacto financeiro sobre o empregador para assim permitir manter. tanto quanto possível. sem maior formação. em contrapartida. não terão alternativa senão aceitar o labor doméstico com condições salariais mais desfavoráveis para. prevalecendo assim a aplicação dos princípios constitucionais da dignidade da pessoa humana e da isonomia. juntamente com o legislativo. por não terem condições econômicas de continuar arcando com o ônus proveniente da relação de emprego com o empregado doméstico. a maior parte dos trabalhadores domésticos que. Tal realidade pode vir a ameaçar. . o empregador possa arcar com a oneração decorrente da nova formatação do contrato de trabalho ou trabalharem como autônomos.

de 19 de julho de 2006. Relatora Minª Maria de Assis Calsing. PE. 3. Relator Des. DF.com/pages/core/coreDocuments. São Paulo: LTr. São Paulo. Alice Monteiro de.asp?t=129645&tp=1> _______. Brasília.22. de 02 de abril de 2013. DF. 15 de abril de 2011. Diário Oficial da União.com/pages/core/coreDocuments. ______. Emenda Constitucional nº 72. de 26 de dezembro de 1995.br/sumula-19>.º 11. Relator Des. Altera a redação do parágrafo único do art. 8.senado.0004. Recurso de Revista 2939 2939/2003-03702-00. Valdir Carvalho. ______.planalto.jsf?guid=IBE2235628F78182 CE040007F01006A3B&nota=1&tipodoc=06&esfera=&ls=2&index=2>. São Paulo: LTr. BRASIL.jusbrasil.324. Tribunal Regional do Trabalho da 6ª Região. Súmula nº 19. 24 de maio de 2013 a.jus.sintese. PI. Recife.com/jurisprudencia/5671092/recurso-de-revista-rr-2939-29392003-037-02-005>.250. Recurso de Revista nos Autos do Processo nº 137800-73. Recurso Ordinário 007820083.0011. Recurso Ordinário nos Autos do Processo nº 00014975320115020464. ________. Lei n.A. 23 de outubro de 2009. Curso de direito do trabalho. Disponível em: http://online.com. 03 abr.2007.jsf?guid=IA1D5FA8F1431960F E040007F010044EC&nota=1&tipodoc=06&esfera=&ls=2&index=12>. de 2013 (Complementar). Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região.gov. DF. Disponível em: <http://www. Brasília.htm>. 23 de junho de 2011. Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Disponível em: <http://online. 03 de maio de 2013b. 2013. ed. Disponível em: <http://novoportal.trt1. ______.212. Brasília. Disponível em: <http://www.5. e dá outras providências. Disponível em: < http://www. SP. aspectos controvertidos e tendências.br/atividade/materia/getPDF. de 24 de julho de 1991. Contratos e regulamentações especiais de trabalhos: peculiaridades.05.5. Tribunal Superior do Trabalho.sintese. Terezinha.5. Dispõe sobre o contrato de trabalho doméstico.5. __________________________. 8. Relator Ricardo Artur Costa e Trigueiros.jusbrasil.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc72. Altera dispositivos das Leis nos 9. 7º da Constituição Federal para estabelecer a igualdade de direitos trabalhistas entre os trabalhadores domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais. Tribunal Superior do Trabalho. 2008. Recurso Ordinário 000115628.2009.213.2010. Projeto de Lei do Senado nº 224.55 REFERÊNCIAS BARROS. ______ .0030. ________.gov. Disponível em: <http://tst. Relator Ministro Antônio José de Barros Levenhagen. Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região. _______.br/jurisprudencia/14385558/recursoordinario-ro-78200832009506-pe-0078200-8320095060011-trt-6>. 2005. 12 de maio de 2010. Arnaldo Boson Paes. de 24 de .06.

1998.com/pages/core/coreDocuments. Brasília. Diário Oficial da União. de 24 de julho de 1991.planalto.br/ccivil_03/_ato20042006/2006/lei/l11324. 24 mar. Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. de 11 de dezembro de 1972. SP.planalto.trtsp.php/segundaInstancia>. _______. PR. Diário Oficial da União. de 5 de janeiro de 1949.328/99.gov.jsf?guid=I8CDBB739272E67DF E040007F010075BA&nota=1&tipodoc=06&esfera=&ls=2&index=1>.418. Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região. Dispõe sobre a organização da Seguridade Social. de 16 de dezembro de 1985. Disponível em: <http://www. 8ª Turma. _______.º 10. Diário Oficial da . Lei n. Acresce dispositivos à Lei n o 5.jus.º 7.º 95. Diário Oficial da União. Disponível em: <http://www.br/ccivil_03/decreto/d95247. DF. 03 de setembro de 2002. de 11 de dezembro de 1972. 5ª Turma. DF. de 30 de Setembro de 1987.htm>. 05 out. _______. _______. Relator Juiz Mauro Daisson Otero Goulart. 20 jul. Recurso Ordinário 02774. 14 dez. 3ª Turma.htm> _______. e revoga dispositivo da Lei n o 605.br/legislacao/105321/medida-provisoria-1986-99>. Brasília. e 5. 05 out.4.859.º 1986. Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região. _______. 2001.htm>.859. Brasília. São Paulo. que dispõe sobre a profissão de empregado doméstico. Brasília.planalto. de 30 de setembro de 1987. DF. 1999.gov. Decreto n.418. de 13 de Dezembro de 1999. São Paulo. Disponível em: <http://www. de 16 de dezembro de 1985.208. Medida Provisória n.planalto. 1991. Brasília.212. _______.gov. Curitiba. Disponível em: < http://www.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao. Relatora Mércia Tomazinho. Disponível em: <http://www. Brasília. de 11 de dezembro de 1972. para facultar o acesso ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS e ao seguro-desemprego. Recurso Ordinário 20010464985.jsf?guid=I81D8D82D62030DC 9E040007F01007052&nota=1&tipodoc=06&esfera=&ls=2&index=8>.htm> _______.gov. Diário Oficial da União. DF. Lei 8.br/dwp/consultasphp/public/index. 17 de setembro de 1999. Diário Oficial da União. 2006. Diário Oficial da União.247. DF.619. com a alteração da Lei n° 7. Disponível em: <http://online.planalto. Lei n.sintese. Disponível em: < http://online.56 julho de 1991.com. Recurso Ordinário 2. Relatora Juíza Maria Luíza Freitas. Disponível em: 25 jul.gov. 1987.02.jusbrasil. de 23 de Março de 2001. 1988.htm>. 23 de agosto de 2005. que institui o Vale-Transporte. institui Plano de Custeio.br/ccivil_03/leis/l8212cons. 18 nov.009. 1988.619.com/pages/core/coreDocuments. Altera dispositivos da Lei nº 7. Regulamenta a Lei n° 7.br/ccivil_03/leis/LEIS_2001/L10208.859. Disponível em: <http://trtcons. DF. SP. Acresce dispositivos à Lei no 5. de 17 de Novembro de 1987.00.sintese. que instituiu o vale-transporte. e dá outras providências. _______. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: <http://www.

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59 ANEXOS .

mediante autorização especial e sob a fiscalização de competente autoridade policial. prestem serviços em residências particulares ou a benefício destas. Art. a restrição só se dará mediante o aviso prévio de oito dias por parte daquele que a pretender. § 3º O empregado dará quitação de seus salários na própria carteira. a instituições. 180 da Constituição. onde não as houver. 2º É obrigatório. .078. na falta de qualquer pagamento pelo empregador. § 1º Após seis meses de serviço permanente e exclusivo. estaduais ou municipais e. DO CONTRATO DE LOCAÇÃO Art. 3. § 1º São requisitos para a expedição da carteira: a) prova de identidade. cuja firma deverá ser reconhecida. § 4º A exigência da renovação a que se refere o parágrafo anterior desaparecerá.DECRETO-LEI N. médicas particulares idôneas. § 3º Os atestados a que se referem as alíneas b e c do § 1º serão renovados de dois em dois anos. Indústria e Comércio. c) atestado de vacina e de saúde. sob pena de caducidade da respectiva carteira. decreta: Art. b) atestado de boa conduta. 1º São considerados empregados domésticos todos aquele que. o uso de carteira profissional para o empregado em serviço doméstico. § 2º A falta de aviso prévio obriga à parte que rescindir a locação a uma indenização correspondente a oito dias de salário. por qualquer médico. mediante remuneração. se o empregado continuar com o mesmo empregador. § 4º O aviso prévio será inscrito na carteira do empregado. devendo apor-lhe o “ciente” a parte que for avisada. DE 27 DE FEVEREIRO DE 1941 Dispõe sobre a locação dos empregados em serviço doméstico O Presidente da República usando da atribuição que lhe confere o art. poderão as inspeções de saúde ser confiadas. 3º O contrato de locação de serviço doméstico rescinde-se pela simples manifestação da vontade de qualquer dos contratantes. fornecidos por autoridades sanitárias federais. sem ônus para os cofres públicos. § 2º Nas localidades onde o número de empregados domésticos for avultado. podendo a respectiva importância ser pelo patrão descontada dos salários vencidos. de qualquer profissão ou mister. será instrumento hábil para a reclamação ao Ministério do Trabalho. que. passado por autoridade policial.60 ANEXO A . em todo o país.

DAS MULTAS Art. a respectiva anotação na carteira. a natureza deste e o salário ajustado. o empregado poderá rescindir imediatamente o contrato. de acordo com o regulamento a ser expedido. o empregador poderá despedir desde logo o empregado independente de aviso prévio. 9º Fica instituída a multa de 20$0 (vinte mil réis) a 200$0 (duzentos mil réis). 10. os atos da escrita que lhe competirem serão praticados por terceiros a seu rogo. Art. 7º. 7º São deveres do empregado: a) prestar obediência e respeito ao empregador. DISPOSIÇÕES GERAIS . será aplicada no dobro. c) assegurar ao empregado as condições higiênicas de alimentação e habitação quando tais utilidades lhe sejam devidas. nos casos de reincidência. Serão punidos na forma do artigo anterior. 4º O empregador é obrigado a anotar na carteira do empregado o dia do início do serviço. b) pagar pontualmente os salários convencionados. c) desobrigar-se dos seus serviços com diligência e honestidade. 8º No caso de infração do art. substituição ou inutilização voluntária da fotografia ou da impressão datiloscópica. para o necessário procedimento. Terminado o contrato. 5º Quando o interessado for analfabeto. Art. a inutilização e subtração de suas folhas. para as infrações que não tenham punição especificada na presente lei. sem prejuízo da ação criminal que no caso couber. incúria ou culpa exclusiva. o empregador fará. b) tratar com polidez os que se utilizarem eventualmente dos seus serviços. 6º Constituem deveres do empregador: a) tratar com urbanidade o empregado. tais como subtração. e no caso de infração do art. Art. Art. DOS DEVERES DO EMPREGADOR E DO EMPREGADO Art. e) zelar pelos interesses do empregador. que. Parágrafo único. às pessoas de sua família e às que vivem ou estejam transitoriamente no mesmo lar. seguindo-se a data e as assinaturas das partes contratantes. Art. O extravio não justificado da carteira. respeitando-lhe à honra e a integridade física. ficando o empregador obrigado a pagar-lhe uma indenização correspondente a oito dias de salário. d) responder pecuniariamente pelos danos causados por sua. e bem assim qualquer ato nela praticado com o intuito de burlar ou alterar as características da identidade do empregado. 6º.61 § 5º A recusa do empregador ou do empregado em se declarar ciente deverá ser comunicada ao Ministério do Trabalho. Indústria e Comércio.

nos Estados e no Território do Acre ficarão a cargo das respectiva Polícias. 120º da Independência e 53º da República. Rio de Janeiro. o regulamento para a execução deste decreto-lei. Os serviços de identificação e de expedição de carteiras profissionais para o empregado em serviço doméstico. O Ministro do Trabalho. Só será exigida a carteira profissional aos empregados domésticos que. às autoridades policiais. tiverem de mudar empregador. expedirá. baixar as instruções que se fizerem necessárias ao enquadramento desses serviçais em qualquer dos Institutos de Aposentadoria e Pensões já existentes. 15. serão impressos os dispositivos referentes nos deveres do empregador e do empregado. Art. e. 12. O Ministério do Trabalho. 11. 27 de fevereiro de 1941. A fiscalização da execução deste decreto-lei caberá às autoridades fiscais do Ministério do Trabalho. Art. com colaboração do da Justiça e Negócios Interiores. Indústria e Comércio. na sua falta. Art. remeterão às Juntas de Conciliação e julgamento os processos originados dos casos que não possam ser solucionados amigavelmente ou por via administrativa. . Revogam-se as disposições em contrário. 17. instituídas de acordo com o art. para esse feito. Art. no Distrito Federal. dentro de 90 dias. Art. Indústria e Comércio. ou elaborar projeto de lei instituindo em seu benefício nova modalidade de seguro. F. Waldemar Falcão. Art. as quais. Indústria e Comércio promoverá os estudos necessários ao estabelecimento de um regime de previdência social para os empregados domésticos podendo.62 Art. 13. 14. Getúlio Vargas. Negrão de Lima. 2º deste decreto-lei. na vigência desta lei. 16. Nas carteiras.

A falta do recolhimento. de 14 de março de 1967. 6º Não serão devidas quaisquer das contribuições discriminadas nos itens II a VII da Tabela constante do artigo 3º do Decreto nº 60. 8º Revogam-se as disposições em contrário. Art. Art. II . O PRESIDENTE DA REPÚBLICA.859. II . a critério do empregador. prestado à mesma pessoa ou família.LEI Nº 5. 11 de dezembro de 1972. EMÍLIO G.466.8% (oito por cento) do empregado doméstico. DE 11 DE DEZEMBRO DE 1972 Dispõe sobre a profissão de empregado doméstico e dá outras providências.Carteira de Trabalho e Previdência Social. 4º Aos empregados domésticos são assegurados os benefícios e serviços da Lei Orgânica da Previdência Social na qualidade de segurados obrigatórios. 3º O empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 20 (vinte) dias úteis após cada período de 12 (doze) meses de trabalho. 2º Para admissão ao emprego deverá o empregado doméstico apresentar: I . Art. 151º da Independência e 84º da República.Atestado de boa conduta. a serem recolhidas pelo empregador até o último dia do mês seguinte àquele a que se referirem e incidentes sobre o valor do salário-mínimo da região: I .Atestado de saúde.63 ANEXO B . Parágrafo único. 7º Esta Lei será regulamentada no prazo de 90 (noventa) dias vigorando 30 (trinta) dias após a publicação do seu regulamento. Art. assim considerado aquele que presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa ou à família no âmbito residencial destas. 5º Os recursos para o custeio do plano de prestações provirão das contribuições abaixo. Art. aplica-se o disposto nesta lei. faço saber que o CONGRESSO NACIONAL decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. MÉDICI Júlio Barata . Art. além da multa variável de 10% (dez por cento) a 50% (cinquenta por cento) do valor do débito. 1º Ao empregado doméstico. Art. III . Brasília. na época própria das contribuições previstas neste artigo sujeitará o responsável ao pagamento do juro moratório de 1% (um por cento) ao mês.8% (oito por cento) do empregador.

619. Art. Parágrafo único. adotar-se-á a denominação beneficiário para identificar qualquer uma das categorias mencionadas nos diversos incisos deste artigo.418. em relação a este e ao empreiteiro principal. de 3 de janeiro de 1974. de 16 de dezembro de 1985. II .os empregados. e tendo em vista o disposto na Lei n° 7. .os empregados domésticos. 3° da Consolidação das Leis do Trabalho.os trabalhadores de empresas de trabalho temporário. 4° Está exonerado da obrigatoriedade do Vale-Transporte o empregador que proporcionar.os empregados a domicílio. III .418. por meios próprios ou contratados. entre sua residência e o local de trabalho. de 16 de dezembro de 1985. residência-trabalho e vice-versa. o deslocamento. de seus trabalhadores. IV .64 ANEXO C . Art.DECRETO Nº 95. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. Parágrafo único. ainda. operado diretamente pelo poder público ou mediante delegação. de 30 de setembro de 1987. Excluem-se do disposto neste artigo os serviços seletivos e os especiais. com a alteração da Lei n° 7. de que trata a Lei n° 6. tais como: (Redação dada pelo Decreto nº 2. Para efeito deste decreto. Art. percepção de salários e os necessários ao desenvolvimento das relações com o empregador.os empregados do subempreiteiro. de 30 de setembro de 1987. 2° O Vale-Transporte constitui benefício que o empregador antecipará ao trabalhador para utilização efetiva em despesas de deslocamento residência-trabalho e vice-versa.247. de 1998) I . DE 17 DE NOVEMBRO DE 1987 Regulamenta a Lei n° 7.354. os trabalhadores em geral. 3° O Vale-Transporte é utilizável em todas as formas de transporte coletivo público urbano ou. VI . DECRETA: CAPÍTULO I Dos Beneficiários e do Benefício do Vale-Transporte Art.os atletas profissionais de que trata a Lei n° 6. V . nos termos da Lei nº 7. Parágrafo único. de 11 de dezembro de 1972. assim definidos no art. item III. em linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente. para os deslocamentos indispensáveis à prestação do trabalho. Entende-se como deslocamento a soma dos segmentos componentes da viagem do beneficiário por um ou mais meios de transporte. de 2 de setembro de 1976. 1º São beneficiários do Vale-Transporte. 455 da Consolidação das Leis do Trabalho. alterada pela Lei n° 7. assim definidos na Lei n° 5.619. em veículos adequados ao transporte coletivo. 81.859.880.418. de 16 de dezembro de 1985.019. que institui o Vale-Transporte. intermunicipal e interestadual com características semelhantes ao urbano. da Constituição. no uso da atribuição que lhe confere o art. nos termos do art.

5° É vedado ao empregador substituir o Vale-Transporte por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento. 8° É vedada a acumulação do benefício com outras vantagens relativas ao transporte do beneficiário. Art. o beneficiário será ressarcido pelo empregador.090. o Vale-Transporte deverá ser aplicado para os segmentos da viagem não abrangidos pelo referido transporte. III . § 1° A informação de que trata este artigo será atualizada anualmente ou sempre que ocorrer alteração das circunstâncias mencionadas nos itens I e II. II . CAPÍTULO II Do Exercício do Direito do Vale-Transporte Art. de 22 de dezembro de 1986). ressalvado o disposto no parágrafo único do art.310. a despesa para seu deslocamento. § 3° A declaração falsa ou o uso indevido do Vale-Transporte constituem falta grave. por escrito: I . no que exceder à parcela referida no item anterior. na folha de pagamento imediata. nem se incorpora à remuneração do beneficiário para quaisquer efeitos. Caso o empregador forneça ao beneficiário transporte próprio ou fretado que não cubra integralmente os deslocamentos deste. 9° O Vale-Transporte será custeado: I .pelo beneficiário. de 13 de julho de 1962. quando tiver efetuado.65 Parágrafo único.pelo empregador. necessário ao atendimento da demanda e ao funcionamento do sistema. II .os serviços e meios de transporte mais adequados ao seu deslocamento residência-trabalho e vice-versa. IV . 7° Para o exercício do direito de receber o Vale-Transporte o empregado informará ao empregador. na parcela equivalente a 6% (seis por cento) de seu salário básico ou vencimento. § 2° O benefício firmará compromisso de utilizar o Vale-Transporte exclusivamente para seu efetivo deslocamento residência-trabalho e vice-versa. Art. por conta própria. . no que se refere à contribuição do empregador: I . II . da parcela correspondente. Art. excluídos quaisquer adicionais ou vantagens.não configura rendimento tributável do beneficiário. e art. ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo. sob pena de suspensão do benefício até o cumprimento dessa exigência. Art.não é considerado para efeito de pagamento da Gratificação de Natal (Lei n° 4. 4° deste decreto. No caso de falta ou insuficiência de estoque de Vale-Transporte. Parágrafo único.não constitui base de incidência de contribuição previdenciária ou do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. 7° do Decreto-lei n° 2. 6° O Vale-Transporte.seu endereço residencial.não tem natureza salarial.

Art. 10. Art. salvo estipulação em contrário. sem repassá-los para a tarifa dos serviços. A base de cálculo para determinação da parcela a cargo do beneficiário será: I . cujo valor será integralmente descontado por ocasião do pagamento do respectivo salário ou vencimento. O valor da parcela a ser suportada pelo beneficiário será descontada proporcionalmente à quantidade de Vale-Transporte concedida para o período a que se refere o salário ou vencimento e por ocasião de seu pagamento. o valor da parcela de que trata o item I deste artigo.o salário básico ou vencimento mencionado no item I do art. O responsável pela emissão e comercialização do Vale-Transporte deverá manter estoques compatíveis com os níveis de demanda. respeitada a lei federal. e II . é vedada a emissão e comercialização de ValeTransporte simultaneamente pelo poder concedente e pelo órgão de gerência. ou constituição de consórcio. gorjetas ou equivalentes. colocando-o à disposição dos empregadores em geral e assumindo os custos dessa obrigação. Havendo delegação da emissão e comercialização de Vale-Transporte. quando este tiver a competência legal para emissão de passes. Art. 12. . do beneficiário que exercer o respectivo direito. o empregado poderá optar pelo recebimento antecipado do Vale-Transporte. 11. Art. § 2° Na hipótese do parágrafo precedente. 13. Art. as empresas operadoras submeterão os respectivos instrumentos ao poder concedente ou órgão de gerência para homologação dos procedimentos instituídos. A concessão do Vale-Transporte autorizará o empregador a descontar.66 Parágrafo único. que favoreça o beneficiário. para os trabalhadores remunerados por tarefa ou serviço feito ou quando se tratar de remuneração constituída exclusivamente de comissões. A empresa operadora do sistema de transporte coletivo público fica obrigada a emitir e comercializar o Vale-Transporte ao preço da tarifa vigente. CAPÍTULO III Da Operacionalização do Vale-Transporte Art. Nas hipóteses do artigo anterior. percentagens. em razão de eventuais faltas ou falhas no serviço. Art. gratificações. Art. em convenção ou acordo coletivo de trabalho. 14.o montante percebido no período. 17. O poder concedente ou órgão de gerência com jurisdição sobre os serviços de transporte coletivo urbano. 15. 9° deste decreto. § 1° A emissão e a comercialização do Vale-Transporte poderão também ser efetuadas pelo órgão de gerência ou pelo poder concedente. § 3° A delegação ou transferência da atribuição de emitir e comercializar o Vale-Transporte não elide a proibição de repassar os custos respectivos para a tarifa dos serviços. 16. No caso em que a despesa com o deslocamento do beneficiário for inferior a 6% (seis por cento) do salário básico ou vencimento. as empresas operadoras permanecerão solidariamente responsáveis com a pessoa jurídica delegada ou pelos atos do consórcio. acompanhada seu funcionamento e efetuando o respectivo controle. mensalmente. expedirá normas complementares para operacionalização do sistema do Vale-Transporte.

67 Art. II . A comercialização do Vale-Transporte dar-se-á em centrais ou postos de venda estrategicamente distribuídos na cidade onde serão utilizados. não são consideradas desconto as reduções tarifárias decorrentes de integração de serviços. fichas ou quaisquer processos similares. mesmo que a legislação local preveja descontos. O Vale-Transporte poderá ser emitido conforme as peculiaridades e as conveniências locais. A concessão do benefício obriga o empregador a adquirir Vale-Transporte em quantidade e tipo de serviço que melhor se adequar ao deslocamento do beneficiário. Parágrafo único. proibidos quaisquer descontos e limitada à quantidade estritamente necessária ao atendimento dos beneficiários.o período a que se referem. relativa ao deslocamento do beneficiário. cartelas.CGCMF. nos termos do acordo a ser previamente firmado. Art. A aquisição será feita antecipadamente e à vista. 22. Para fins do disposto neste artigo. 24. 19. 20. Art. IV . para utilização por: I . III .o nome. Art. 21.sistema.a quantidade de Vale-Transporte vendida e de beneficiários a quem se destina. II . O Vale-Transporte poderá ser emitido na forma de bilhetes simples ou múltiplos.outros níveis recomendados pela experiência local. Parágrafo único. contendo: I . talões.linha. Parágrafo único. Parágrafo único. Art. 23. Art. uma das quais ficará com a compradora. O responsável pela emissão e comercialização do Vale-Transporte poderá adotar a forma que melhor lhe convier à segurança e facilidade de distribuição. facultado às partes pactuar prazo maior. A venda do Vale-Transporte será comprovada mediante recibo sequencialmente numerado. com ou sem integração. III . . Nos casos em que o sistema local de transporte público for operado por diversas empresas ou por meios diferentes. será de aceitação compulsória. § 1° O responsável pela emissão e comercialização do Vale-Transporte pagará às empresas operadoras os respectivos créditos no prazo de 24 horas. endereço e número de inscrição da compradora no Cadastro Geral de Contribuintes no Ministério da Fazenda . emitido pela vendedora em duas vias. os postos de vendas referidos neste artigo deverão comercializar todos os tipos de Vale-Transporte. Quando o Vale-Transporte for emitido para utilização num sistema determinado de transporte ou para valer entre duas ou mais operadoras. será adotada a tarifa integral. Para cálculo do valor do Vale-Transporte. 18. por um ou mais meios de transporte.empresa. Art.

em conjunto com as de que tratam as Leis n° 6. pessoa jurídica. mensalmente. Art. a fim de permitir a avaliação local do sistema. 1° do . Parágrafo único. em quantidade insuficiente ao atendimento da demanda. na determinação do lucro real. Art. mensalmente. demonstrativos financeiros dessa atividade. e II . No caso de alteração na tarifa de serviços. As empresas operadoras são obrigadas a manter permanentemente um sistema de registro e controle do número de Vale-Transporte emitido. permissão ou autorização serão previstas sanções às empresas operadoras que emitirem ou comercializarem o Vale-Transporte diretamente. A dedução a que se refere este artigo. dentro do prazo a ser fixado pelo poder concedente. 32. por meio de delegação ou consórcio. nos termos exigidos pelas normas locais. O poder concedente ou órgão de gerência.ser trocado.ser utilizado pelo beneficiário. na área de sua jurisdição. no período-base. O valor efetivamente pago e comprovado pelo empregador. 30. 26. mensalmente. As sanções serão estabelecidas em valor proporcional às quantidades solicitadas e não fornecidas. As operadoras informarão. ainda que a atividade seja exercida por delegação ou por intermédio de consórcio. comercializado e utilizado. e n° 6. observado o que dispõe o § 3° do art. agravando-se em caso de reincidência. Sem prejuízo da dedução prevista no artigo anterior. 25. na aquisição de Vale-Transporte. II . 27. CAPÍTULO V Dos Incentivos Fiscais Art. Nos atos de concessão. não poderá reduzir o imposto devido em mais de 10% (dez por cento). de 15 de dezembro de 1975. ao órgão federal competente informações estatísticas que permitam avaliação nacional. em caráter permanente. a pessoa jurídica empregadora poderá deduzir do Imposto de Renda devido. no período-base de competência da despesa. ao órgão de gerência que observará o disposto no artigo 28.297. o Vale-Transporte poderá: I . CAPÍTULO IV Dos Poderes Concedentes e Órgãos de Gerência Art. no prazo de trinta dias. sem ônus. de 14 de abril de 1976. o volume de Vale-Transporte emitido. Art. 29. definirá: I . poderá ser deduzido como despesa operacional. O poder concedente ou órgão de gerência fornecerá. Art.68 § 2° O responsável pela emissão e comercialização do Vale-Transporte deverá apresentar. Art. além de outros dados que venham a ser julgados convenientes a esse objetivo. da utilização do Vale-Transporte. Art. contados da data em que a tarifa sofrer alteração.os serviços seletivos e os especiais. na concessão do Vale-Transporte. comercializado e utilizado.321. valor equivalente à aplicação da alíquota cabível do Imposto de Renda sobre o montante das despesas comprovadamente realizadas. pelo empregador.o transporte intermunicipal ou interestadual como características semelhantes ao urbano. 31. 28. Parágrafo único.

na hipótese do artigo anterior. 33. A parcela de custo. A pessoa jurídica empregadora deverá registrar em contas específicas que possibilitem determinar. de 23 de outubro de 1979.704. JOSÉ SARNEY Prisco Viana . com clareza e exatidão em sua contabilidade. proporcionar aos seus trabalhadores o deslocamento residência-trabalho e vice-versa. em veículos adequados ao transporte coletivo. Parágrafo único. Art. permissão e autorização vigentes serão revistos para cumprimento do disposto no art. equivalente a 6% (seis por cento) do salário básico do empregado. podendo o eventual excesso ser aproveitado nos dois exercícios subsequentes. por meios próprios ou contratados com terceiros. 36. Art. Art. Este decreto entra em vigor na data de sua publicação.69 Decreto-lei n° 1. os dispêndios e encargos com o transporte do beneficiário. Revogam-se as disposições em contrário e em especial o Decreto n° 92. mediante lançamento a crédito das contas que registrem o montante dos custos relativos ao benefício concedido. de 19 de dezembro de 1985. 34. Ficam assegurados os benefícios de que trata este decreto ao empregador que. 37. 166° da Independência e 99° da República. manutenção. inclusive em caso de complementação do Vale-Transporte. 30 deste regulamento. servidores. reparos e depreciação dos veículos próprios. Parágrafo único. bem assim os gastos com as empresas contratadas para esse fim. deverá ser deduzida do montante das despesas efetuadas no período-base. destinados exclusivamente ao transporte dos empregados. Os atos de concessão. Art. diretores. as despesas efetivamente realizadas na aquisição do Vale-Transporte ou.180. Brasília. administradores e pessoas ligadas ao empregador. CAPÍTULO VI Disposições Finais Art. O disposto neste artigo não se aplica nas contratações de transporte diretamente com empregados. tais como aquisição de combustível. 17 de novembro de 1987. 35. que venha a ser recuperada pelo empregador.

Novo seguro-desemprego só poderá ser requerido a cada período de dezesseis meses decorridos da dispensa que originou o benefício anterior. durante pelo menos quinze meses nos últimos vinte e quatro meses.LEI No 10. de 2001 Acresce dispositivos à Lei n 5." (NR) "Art. Presidente.termo de rescisão do contrato de trabalho atestando a dispensa sem justa causa. 6 -B. O empregado doméstico que for dispensado sem justa causa fará jus ao benefício do o seguro-desemprego. de forma contínua ou alternada. § 2 Considera-se justa causa para os efeitos desta Lei as hipóteses previstas no art. DE 23 DE MARÇO DE 2001 Conversão da MP nº 2." (NR) "Art." (NR) "Art. II . § 1 O benefício será concedido ao empregado inscrito no FGTS que tiver trabalhado como doméstico por um período mínimo de quinze meses nos últimos vinte e quatro meses contados da dispensa sem justa causa. de que trata a Lei n 8. III . Para se habilitar ao benefício. de modo a comprovar o vínculo empregatício. por um período máximo de três meses. que o Congresso Nacional aprovou. de 11 de dezembro de 1972.declaração de que não está em gozo de nenhum benefício de prestação continuada da Previdência Social. exceto auxílio-acidente e pensão por morte. É facultada a inclusão do empregado doméstico no Fundo de Garantia do Tempo de o Serviço .036." (NR) “Art. da Consolidação das Leis do Trabalho. e eu.70 ANEXO D .declaração de que não possui renda própria de qualquer natureza suficiente à sua manutenção e de sua família. com exceção das alíneas "c" e "g" e do seu parágrafo único.104-16.859. de 2001. mediante requerimento do empregador.FGTS e seguro-desemprego. 6 -C. de 11 de maio de 1990. na forma do regulamento.comprovantes do recolhimento da contribuição previdenciária e do FGTS. 6o-A.859. durante o período referido no inciso I.104-16. Jader Barbalho. de 11 de janeiro de 1990. como empregado doméstico. 1 A Lei n 5. na qual deverão constar a anotação do contrato de trabalho doméstico e a data da dispensa. e V .208. 6 -D. IV . O seguro-desemprego deverá ser requerido de sete a noventa dias contados da data da dispensa. promulgo a seguinte Lei: Art. fica acrescida dos seguintes artigos: "Art. 3 -A. o trabalhador deverá apresentar ao órgão competente do Ministério do Trabalho e Emprego: I .Carteira de Trabalho e Previdência Social. de 11 dezembro de 1972. na condição de empregado doméstico." (NR) o o o o o o o o . que dispõe sobre a profissão empregado doméstico.FGTS. 62 da Constituição Federal. o de de ao ao Faço saber que o PRESIDENTE DA REPÚBLICA adotou a Medida Provisória nº 2. no valor de um salário mínimo. de que trata a Lei n 7.998. para facultar o acesso Fundo de Garantia do Tempo de Serviço . 482. para os efeitos do disposto no parágrafo único do art.

Art. em 23 de março de 2001. 180 da Independência e 113 da República. de 26 de janeiro de 2001. 3 O Poder Executivo regulamentará o disposto nesta Lei Provisória até 14 de fevereiro de 2000.71 Art. Congresso Nacional. 4 Ficam convalidados os atos praticados com base na Medida Provisória n 2. 2 As despesas decorrentes do pagamento do seguro-desemprego previsto nesta Lei serão atendidas à conta dos recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador . 5 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. Senador JADER BARBALHO Presidente do Congresso Nacional o o o o o o o . Art.FAT. Art.104-15.

" (NR) o Art.......... e revoga dispositivo da Lei n 605... passa a vigorar com a seguinte redação: "Art...... DE 19 DE JULHO DE 2006 Mensagem de veto Conversão da MP nº 284...... ano-calendário de 2011..... inclusive no caso da declaração em conjunto........ passa a vigorar acrescido do seguinte § o o o o 6: "Art.. 12.... o § 6 O empregador doméstico poderá recolher a contribuição do segurado empregado a seu serviço e a parcela a seu cargo relativas à competência novembro até o dia 20 de dezembro. 8. de 11 de o dezembro de 1972...LEI Nº 11...... VII .... higiene ou moradia...... o § 3 A dedução de que trata o inciso VII do caput deste artigo: I .......250....213...fica condicionada à comprovação da regularidade do empregador doméstico perante o regime geral de previdência social quando se tratar de contribuinte individual....... 30..... de 26 de dezembro de 1995... de 2006 Altera dispositivos das Leis n 9. os O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art.... ... ..... passa a vigorar com a seguinte redação: "Art........ III ...859. 2 -A.............. É vedado ao empregador doméstico efetuar descontos no salário do empregado por fornecimento de alimentação.... de 11 de dezembro de 1972...... juntamente com a o contribuição referente ao 13 (décimo terceiro) salário..não poderá exceder: o a) ao valor da contribuição patronal calculada sobre 1 (um) salário mínimo mensal.......212..aplica-se somente ao modelo completo de Declaração de Ajuste Anual....... ....... de 24 de julho de 1991.. de 5 de janeiro de 1949.. ... de 24 de julho de 1991.. b) ao valor recolhido no ano-calendário a que se referir a declaração.....72 ANEXO E .... 3 (VETADO) Art.............. vestuário... 4 A Lei n 5.. 1 O art. 2 O art....... e desde que essa possibilidade tenha sido expressamente acordada entre as partes........." (NR) Art.... b) ao valor do imposto apurado na forma do art.... II .... de 26 de dezembro de 1995... que dispõe sobre a profissão de empregado doméstico............... IV . a contribuição patronal paga à Previdência Social pelo empregador doméstico incidente sobre o valor da remuneração do empregado...está limitada: a) a 1 (um) empregado doméstico por declaração... sobre o 13 (décimo terceiro) salário e sobre a remuneração adicional de férias.até o exercício de 2012.....324.... de 24 de julho de 1991... deduzidos os valores de que tratam os incisos I a III do caput deste artigo... 8. 30 da Lei n 8...... § 1 Poderão ser descontadas as despesas com moradia de que trata o caput deste artigo quando essa se referir a local diverso da residência em que ocorrer a prestação de serviço.212... 12 da Lei n 9... e 5.. § 2 As despesas referidas no caput deste artigo não têm natureza salarial nem se incorporam à remuneração para quaisquer efeitos... utilizando-se de um único documento de arrecadação......859... ..... 11 desta Lei.........250.. referidos também a 1 (um) salário mínimo.." o o o o o o ...

produzindo efeitos em relação às contribuições patronais pagas a partir do mês de janeiro de 2006. 4 -A. de 11 de dezembro de 1972." (NR) “Art. Art.859. Art. após cada período de 12 (doze) meses de trabalho. de 5 de janeiro de 1949. 3 O empregado doméstico terá direito a férias anuais remuneradas de 30 (trinta) dias com. aplica-se aos períodos aquisitivos iniciados após a data de publicação desta Lei. (VETADO)” “Art. 7 (VETADO) Art. 6 (VETADO)) Art. o o o o o o o o o o o o o o LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA Guido Mantega Luiz Marinho Nelson Machado . Brasília. 3 -A. prestado à mesma pessoa ou família. pelo menos. 6 -B. 6 -A. É vedada a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada doméstica gestante desde a confirmação da gravidez até 5 (cinco) meses após o parto. 185 da Independência e 118 da República. 19 de julho de 2006. 5 da Lei n 605. 5 O disposto no art. (VETADO)” "Art.73 "Art. com a redação dada por esta Lei." “Art. (VETADO)” Art. 9 Fica revogada a alínea a do art. 3º da Lei nº 5. 8 Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. 1/3 (um terço) a mais que o salário normal.

...... Mesa da Câmara dos Deputados Deputado HENRIQUE EDUARDO ALVES Presidente Deputado ANDRÉ VARGAS 1º Vice-Presidente Deputado FÁBIO FARIA 2º Vice-Presidente Deputado SIMÃO SESSIM 2º Secretário Deputado MAURÍCIO QUINTELLA LESSA 3º Secretário Deputado ANTONIO CARLOS BIFFI 4º Secretário Mesa do Senado Federal Senador RENAN CALHEIROS Presidente Senador JORGE VIANA 1º Vice-Presidente Senador ROMERO JUCÁ 2º Vice-Presidente Senador FLEXA RIBEIRO 1º Secretário Senadora ANGELA PORTELA 2ª Secretária Senador CIRO NOGUEIRA 3º Secretário Senador JOÃO VICENTE CLAUDINO 4º Secretário .. XVII.. em 2 de abril de 2013... XXV e XXVIII.. 7º da Constituição Federal para estabelecer a igualdade de direitos trabalhistas entre os trabalhadores domésticos e os demais trabalhadores urbanos e rurais... XXI.... II. atendidas as condições estabelecidas em lei e observada a simplificação do cumprimento das obrigações tributárias.. XV....... XIX........ III. os previstos nos incisos I.... São assegurados à categoria dos trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos IV..... 7º .. XXII. decorrentes da relação de trabalho e suas peculiaridades........ 60 da Constituição Federal.... ....... XVIII................... X. Parágrafo único..... XXXI e XXXIII e.......... IX.. nos termos do § 3º do art.....................74 ANEXO F ........... VIII...... XIII... XXVI.. promulgam a seguinte Emenda ao texto constitucional: Artigo único...... As Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.. XVI...... bem como a sua integração à previdência social..........." (NR) Brasília... 7º da Constituição Federal passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.... principais e acessórias.EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 72.... XXIV............ VI....... XXX..... DE 2 DE ABRIL DE 2013 Altera a redação do parágrafo único do art........ O parágrafo único do art.. XII....... VII..

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