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Relatório Trimestral de Inflação - Setembro de 2013

Relatório Trimestral de Inflação - Setembro de 2013

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ISSN 1517-6576 CNPJ 00.038.

166/0001-05

Relatório de Inflação

Brasília

v. 15

nº 3

set.

2013

p. 1‑118

Relatório de Inflação
Publicação trimestral do Comitê de Política Monetária (Copom), em conformidade com o Decreto nº 3.088, de 21 de junho de 1999. Os textos, os quadros estatísti­ cos e os gráficos são de responsabilidade dos componentes nomeados a seguir. – Departamento Econômico (Depec) (E-mail: depec@bcb.gov.br) – Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) (E-mail: conep.depep@bcb.gov.br) – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) (E-mail: gerin@bcb.gov.br)

É permitida a reprodução das matérias, desde que mencionada a fonte: Relatório de Inflação, volume 15, nº 3.

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O hífen (-) entre anos (1970-1975) indica o total de anos, incluindo-se o primeiro e o último. A barra (/) entre anos (1970/1975) indica a média anual dos anos assinalados, incluindo-se o primeiro e o último, ou, se especificado no texto, anosafra ou ano-convênio.

Eventuais divergências entre dados e totais ou variações percentuais são provenientes de arredondamentos.

Não é citada a fonte dos quadros e dos gráficos de autoria exclusiva do Banco Central do Brasil.

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Índice

Apresentação Sumário executivo Nível de atividade

5 7 11

1.1 Comércio______________________________________________________________________ 11 1.2 Produção______________________________________________________________________13 Serviços_______________________________________________________________________14 Índice de atividade do Banco Central________________________________________________ 15 1.3 Mercado de trabalho_____________________________________________________________15 1.4 Produto Interno Bruto____________________________________________________________19 1.5 Investimentos_ _________________________________________________________________22 1.6 Conclusão_ ____________________________________________________________________22

Preços

25

2.1 Índices gerais___________________________________________________________________25 2.2 Índices de preços ao consumidor_ __________________________________________________26 2.3 Preços monitorados______________________________________________________________26 2.4 Núcleos_______________________________________________________________________27 2.5 Expectativas de mercado__________________________________________________________27 2.6 Conclusão_ ____________________________________________________________________28

Políticas creditícia, monetária e fiscal

29

3.1 Crédito________________________________________________________________________29 Taxas de juros e inadimplência_____________________________________________________31 3.2 Agregados monetários____________________________________________________________32 Taxas de juros reais e expectativas de mercado_ _______________________________________ 32 Mercado de capitais_ _____________________________________________________________33 3.3 Política fiscal___________________________________________________________________33 Necessidades de financiamento do setor público_ ______________________________________34 Operações do Banco Central no mercado aberto_ ______________________________________35 Dívida mobiliária federal_ ________________________________________________________36 Dívida líquida do setor público_____________________________________________________37 3.4 Conclusão_ ____________________________________________________________________37

Economia internacional

39

4.1 Atividade econômica_____________________________________________________________39 4.2 Política monetária e inflação_______________________________________________________41 4.3 Mercados financeiros Internacionais_________________________________________________42 4.4 Commodities___________________________________________________________________44 4.5 Conclusão_ ____________________________________________________________________45

Setor externo

47

5.1 Movimento de câmbio_ ___________________________________________________________47 5.2 Comércio de bens_ ______________________________________________________________48 5.3 Serviços e renda_ _______________________________________________________________49 5.4 Conta financeira_ ________________________________________________________________51 5.5 Indicadores de sustentabilidade externa______________________________________________52 5.6 Conclusão_ ____________________________________________________________________53

Perspectivas para a inflação

57

6.1 Determinantes da inflação_________________________________________________________58 6.2 Riscos associados e implementação da política monetária________________________________63 6.3 Pressupostos e previsão de inflação_ ________________________________________________70

Boxes
Indicadores Alternativos do Mercado de Trabalho: uma análise do sub-grupo dos recém-desempregados_ __________________________________________________________16 Revisão da Projeção do PIB para 2013__________________________________________________20 Pesquisa Mensal de Serviços_ ________________________________________________________23 Projeção para o Balanço de Pagamentos de 2013_ _________________________________________54 Repasse de Choques de Preços no Atacado para o Varejo___________________________________74 Taxa de Câmbio e a Balança Comercial Brasileira_________________________________________79

Anexo Apêndice

85 113

Apresentação

O Relatório de Inflação é publicado trimestralmente pelo Banco Central do Brasil e tem o objetivo de avaliar o desempenho do regime de metas para a inflação e delinear cenário prospectivo sobre o comportamento dos preços, explicitando as condições das economias nacional e internacional que orientaram as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) em relação à condução da política monetária. Este Relatório é constituído de seis capítulos: Nível de atividade; Preços; Políticas creditícia, monetária e fiscal; Economia internacional; Setor externo; e Perspectivas para a inflação. Em relação ao nível de atividade, são analisados evolução das vendas no varejo, estoques, produção, mercado de trabalho e investimento. No capítulo seguinte, a análise sobre o comportamento dos preços focaliza os resultados obtidos no trimestre, em função das decisões de política monetária e das condições reais da economia que independeram da ação governamental. No capítulo relativo às políticas creditícia, monetária e fiscal, a análise é centrada no desempenho do crédito e do mercado financeiro, assim como na execução orçamentária. No capítulo sobre economia internacional, apresenta-se análise do desempenho das principais economias, procurando identificar as condições que podem influenciar a economia brasileira, notadamente nas suas relações com o exterior. Em seguida, o capítulo sobre o setor externo enfoca a evolução das transações econômicas com o exterior, com ênfase no resultado comercial e nas condições de financiamento externo. Finalmente, analisam-se as perspectivas para a evolução da inflação.

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Sumário executivo

Desde o último Relatório, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, como os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos e da forte inclinação da curva de juros de importantes economias maduras. No horizonte relevante para a política monetária, o Comitê avalia que a volatilidade dos mercados financeiros tende a reagir à publicação de novos indicadores e/ou de sinalizações feitas por autoridades que apontem para o início (ou sua iminência) do processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos. Em resumo, apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente nesses mercados permanece complexo. Ainda sobre o âmbito externo, em linhas gerais, mantiveram-se inalteradas as perspectivas de atividade global moderada em 2013, desde o último Relatório. De fato, as evidências ainda apontam taxas de crescimento para este ano, em economias maduras, baixas e abaixo do crescimento potencial. Entretanto, no horizonte relevante para a política monetária, as perspectivas apontam intensificação do ritmo da atividade global. Nos mercados internacionais, os preços de commodities têm mostrado certa acomodação e tem se observado maior volatilidade e tendência de apreciação do dólar dos Estados Unidos. O cenário de maior crescimento global, em particular de importantes parceiros comerciais do Brasil, combinado com a depreciação do real, milita no sentido de tornar a dinâmica da demanda externa mais favorável ao crescimento da economia brasileira. No âmbito doméstico, a economia continuou em expansão e o ritmo de atividade do segundo trimestre aumentou em relação ao primeiro trimestre de 2013, com recuperação das exportações e continuidade da expansão dos investimentos. Esse resultado apoia a visão de que estaria em curso mudança na composição da demanda agregada. Nesse sentido, o consumo continuará em crescimento, porém, em ritmo mais moderado; e, em contrapartida, os investimentos e as exportações líquidas ganhariam impulso. Cabe notar, ainda,

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que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano, ou seja, uma trajetória de crescimento, no horizonte relevante para a política monetária, mais alinhada com o crescimento potencial. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar relativamente robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas recentemente. Para o Comitê, esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, as permissões para exploração de petróleo, entre outros, criam boas perspectivas para os investimentos e para a produção industrial. O crescimento das operações de crédito manteve ritmo moderado no trimestre encerrado em julho, com tendência de expansão mais acentuada nas contratações com recursos direcionados e nas realizadas pelos bancos públicos. Essa evolução reflete demanda mais intensa por modalidades de crédito, em geral, com menores custos e prazos mais longos, por exemplo, financiamentos com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), empréstimos imobiliários e crédito consignado. O Comitê destaca que o cenário central contempla expansão moderada do crédito, em particular, no caso do segmento de pessoas físicas, em ritmo mais condizente com o do crescimento da renda disponível das famílias. A trajetória das receitas públicas nos sete primeiros meses de 2013 refletiu a gradual intensificação da atividade econômica desde o final do ano anterior e o impacto das medidas de estímulo fiscal adotadas recentemente. O deficit em transações correntes atingiu US$57,8 bilhões nos oito primeiros meses do ano (US$31,5 bilhões no período correspondente de 2012), destacando-se os impactos da reversão (para o campo negativo) do saldo comercial e da elevação das despesas líquidas com serviços e rendas. Em contrapartida, os ingressos líquidos de recursos externos sob a forma de investimentos diretos, títulos e empréstimos no exterior, ações e títulos no país totalizaram US$64,4 bilhões nos oito primeiros meses do ano, ante US$58,2 bilhões em igual período de 2012. A inflação medida pela variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em doze meses

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alcançou 6,09% em agosto, 0,85 p.p. acima da registrada em agosto de 2012. O aumento da inflação se deveu à aceleração dos preços livres, que variaram 7,64% em doze meses até agosto (1,88 p.p. acima da variação registrada até agosto de 2012), haja vista que os preços administrados por contrato e monitorados variaram 1,27% (2,51 p.p. abaixo da variação registrada em agosto de 2012). Cabe notar que os preços do grupo alimentos e bebidas variaram 10,45% em doze meses até agosto (8,86% até agosto de 2012) e os de serviços, 8,60% (7,89% até agosto de 2012). O Copom considera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação mostre resistência. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação. No que se refere a projeções de inflação, de acordo com os procedimentos tradicionalmente adotados e levando em conta o conjunto de informações disponíveis até 6 de setembro de 2013 (data de corte), o cenário de referência, que pressupõe manutenção da taxa de câmbio constante no horizonte de previsão em R$2,35/US$ e meta para a taxa Selic em 9,00% ao ano (a.a.), projeta inflação de 5,8% em 2013, 5,7% em 2014 e 5,5% no terceiro trimestre de 2015. No cenário de mercado, que incorpora dados da pesquisa realizada pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) com um conjunto significativo de instituições, as projeções apontam inflação de 5,8% em 2013, 5,7% em 2014 e 5,4% no terceiro trimestre de 2015. No que se refere ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), a projeção para 2013, de acordo com o cenário de referência, é de 2,5% (0,2 p.p. menor do que a estimativa considerada no Relatório de Inflação anterior) e de 2,5% em quatro trimestres até o segundo trimestre de 2014. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas

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reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda. Dessa forma, o Comitê destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária.

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Nível de atividade

Tabela 1.1 – Índice de volume de vendas
Variação percentual Discriminação 2013 Abr No mês
1/

Mai

Jun

Jul

Comércio varejista Combustíveis e lubrificantes Hiper, supermercados Tecidos, vestuário e calçados Móveis e eletrodomésticos Artigos farmacêuticos, médicos Livros, jornais, revistas e papelaria Equipamentos e materiais para escritório Outros artigos de uso pessoal Comércio ampliado Materiais de construção Automóveis e motocicletas Trimestre/trimestre anterior Comércio varejista Combustíveis e lubrificantes Hiper, supermercados Tecidos, vestuário e calçados Móveis e eletrodomésticos Artigos farmacêuticos, médicos Livros, jornais, revistas e papelaria Equipamentos e materiais para escritório Outros artigos de uso pessoal Comércio ampliado Material de construção Automóveis e motocicletas No ano Comércio varejista Combustíveis e lubrificantes Hiper, supermercados Tecidos, vestuário e calçados Móveis e eletrodomésticos Artigos farmacêuticos, médicos Livros, jornais, revistas e papelaria Equipamentos e materiais para escritório Outros artigos de uso pessoal Comércio ampliado Materiais de construção Automóveis e motocicletas
Fonte: IBGE 1/ Dados dessazonalizados.
1/

0,6 3,5 -0,3 -1,5 0,8 6,3 2,8 -1,6 2,2 1,9 0,0 0,2

0,0 0,9 1,8 -2,9 0,3 -2,6 -1,2 -2,0 -0,7 -1,2 -1,9 0,2

0,5 0,9 -0,4 -1,4 1,8 1,1 0,7 -1,0 -1,1 1,0 0,6 0,9

2,3 -0,6 2,2 5,2 3,5 1,3 0,5 3,5 3,9 0,4 1,1 -5,0

O PIB cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, considerados dados dessazonalizados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), maior taxa nessa base de comparação desde o primeiro trimestre de 2010. Destacaram-se, na análise da oferta, a continuidade do crescimento dos setores agropecuário e industrial; e, na ótica da demanda, o aumento da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), pelo terceiro trimestre consecutivo, refletindo o crescimento nas produções de bens de capital e de insumos da construção civil. Indicadores antecedentes e coincidentes sugerem desaceleração do crescimento no terceiro trimestre. Nesse sentido, por exemplo, aponta a retração na produção industrial em julho. Citem-se, ainda, os níveis relativamente baixos da confiança de empresários e famílias e a instabilidade dos mercados financeiros. Por outro lado, a atividade doméstica tende a ganhar tração no último trimestre deste ano.

1

-0,2 0,9 -2,0 1,7 -0,3 4,7 -4,4 9,8 -0,4 0,6 2,4 -0,2

0,2 3,9 -2,1 1,8 0,4 4,3 -3,7 1,5 1,5 0,7 0,5 0,3

0,5 5,4 -1,1 -1,3 2,2 4,5 -1,4 -5,5 1,0 1,4 -0,6 1,2

1,5 4,5 1,4 -1,7 3,5 2,1 -0,5 -4,8 1,5 0,9 -1,0 -0,2

1.1 Comércio
As vendas do comércio ampliado aumentaram 0,9% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril, quando haviam crescido 0,6%, no mesmo tipo de comparação, considerados dados dessazonalizados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE. Ocorreram aumentos nas vendas em cinco dos dez segmentos pesquisados, destacando-se as elevações nas atividades combustíveis e lubrificantes, 4,5%; móveis e eletrodomésticos, 3,5% e artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, perfumaria e cosméticos, 2,1%; e as retrações nas vendas de equipamentos e materiais para escritório e comunicação, 4,8%; e de tecidos, vestuário e calçados, 1,7%. As vendas do comércio varejista, conceito que exclui do comércio ampliado os segmentos veículos e motos, partes e peças, e material de construção, variaram 1,5% e -0,2% nas bases de comparação mencionadas, destacando-se os

3,0 5,0 0,0 5,7 3,3 9,2 6,5 4,0 10,7 5,1 7,8 8,5

3,3 5,8 0,5 4,5 3,9 9,0 5,6 3,0 10,2 5,0 7,2 7,5

3,0 6,2 0,3 3,0 3,7 8,6 4,3 3,7 9,6 3,7 6,8 4,2

3,5 6,4 0,6 3,4 4,8 9,1 4,0 4,3 10,0 3,7 7,4 3,2

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2011 = 100 115 110 105 100 95 Jan 2011

Gráfico 1.1 – Índice de volume de vendas no varejo – Conceito ampliado Dados dessazonalizados

aumentos trimestrais no Norte, Centro-Oeste e no Nordeste, 2,4%, 2,4% e 1,6%. As vendas reais do setor supermercadista, segmento com peso de 29% na PMC, cresceram 2,9% no trimestre finalizado em julho, em relação ao encerrado em abril, quando aumentaram 0,9%, nesse tipo de análise, considerados dados dessazonalizados da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). As vendas de automóveis e comerciais leves, divulgadas pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), expandiram 5,5% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao terminado em maio, quando haviam recuado 9%, no mesmo tipo de comparação. O índice Serasa Experian de Atividade do Comércio, de abrangência nacional, retraiu 2% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio, quando havia recuado 1,1%. A relação entre o número de cheques devolvidos por insuficiência de fundos e o total de cheques compensados atingiu 6,3% no trimestre encerrado em julho, mesmo patamar de igual período de 2012. Ocorreram aumentos respectivos de 1,1 p.p. e de 0,2 p.p. no Sudeste e no Nordeste, e recuo de 2,5 p.p. no Centro-Oeste. A inadimplência no estado de São Paulo atingiu 6,3% no trimestre encerrado em agosto (6,9% em igual período de 2012), de acordo com a Associação Comercial de São Paulo (ACSP). O Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor1 recuou 6% no trimestre encerrado em agosto, em relação a igual período de 2012, ressaltandose que, considerados dados dessazonalizados, o indicador apresentou o quarto declínio consecutivo em agosto, 2,7%, após contrações em julho, 3,4%, e junho, 2%. A trajetória recente dos indicadores de confiança do consumidor evidencia, em parte, o impacto das manifestações populares ocorridas em junho. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas (FGV), que havia recuado 4,1% em julho, para o menor patamar desde junho de 2009, aumentou 4,4% em agosto, com elevações respectivas de 7,3% e 3,5% no Índice da Situação Atual (ISA) e no Índice das Expectativas (IE). O ICC decresceu 6,3% em relação a agosto de 2012, resultado de recuos de 12,8% no ISA e 2,3% no IE, nessa base comparativa.

Abr

Jul

Out

Jan 2012

Abr

Jul

Out

Jan 2013

Abr

Jul

Fonte: IBGE

Gráfico 1.2 – Índice de volume de vendas no varejo – Segmentos selecionados Dados dessazonalizados
2011 = 100 Móveis e eletrodomésticos 124 116 108 100 92 Jan 2011 Abr Jul Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul Hipermercados e supermercados 113 109 105 101 97

Móveis e eletrodomésticos

Hipermercados e supermercados

Fonte: IBGE

Gráfico 1.3 – Índice de volume de vendas no varejo – Veículos e motos, partes e peças Dados dessazonalizados
2011 = 100 130

120

110

100

90 Jan Abr 2011 Fonte: IBGE Jul Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul

Gráfico 1.4 – Índice Nacional de Confiança (INC – ACSP) e Índice de Confiança do Consumidor (ICC – FGV)
INC 180 170 160 150 140 130 Fev 2011 Mai Ago Nov Fev 2012 INC Fontes: ACSP e FGV Mai Ago Nov Fev 2013 Mai ICC Set/2005 = 100 130 125 120 115 110 105 Ago

ICC

1/ Inclui os atrasos junto a financeiras, cartões de crédito, empresas não financeiras e bancos, além de títulos protestados e segunda devolução de cheques por insuficiência de fundos.

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Gráfico 1.5 – Índice Nacional de Expectativa do Consumidor
2001 = 100 118 116 114 112 110 108 Fev 2011 Fonte: CNI Mai Ago Nov Fev 2012 Mai Ago Nov Fev 2013 Mai Ago

O Índice Nacional de Expectativa do Consumidor (Inec), divulgado mensalmente a partir de março de 2010, pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), após recuar 3,5% em junho e 0,1% em julho, cresceu 0,3% em agosto. Essa recuperação refletiu, principalmente, melhoras nos componentes relativos às expectativas de inflação e emprego. O Índice Nacional de Confiança (INC), elaborado pela Ipsos Public Affairs para a ACSP, cresceu 1,5% em agosto após retrações de 0,7% e 9,8% em julho e junho, na ordem. Ocorreram elevações do indicador no Nordeste, 9,8%; Norte/ Centro Oeste, 6,1%, e Sul, 0,8%; e retração de 3,5% no Sudeste. O INC recuou 7,3% em relação a agosto de 2012.

Tabela 1.2 – Produção industrial Trimestre/trimestre anterior
Discriminação
1/

% 2013 Abr Indústria geral Por seção Indústria extrativa Indústria de transformação Por categoria de uso Bens de capital Bens intermediários Bens de consumo Duráveis Semi e não duráveis
Fonte: IBGE 1/ Dados dessazonalizados.

Mai 0,8 -3,8 0,8 5,9 0,3 -0,5 1,0 -1,1

Jun 1,0 0,7 0,8 4,2 -0,3 1,4 2,9 0,6

Jul 0,2 2,2 -0,0 2,0 -0,9 1,8 2,4 1,3

0,6 -5,3 0,8 8,7 0,2 -2,0 -2,5 -1,4

1.2 Produção
A produção física da indústria aumentou 0,2% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril, quando havia expandido 0,6%, no mesmo tipo de comparação, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. A evolução decorreu de crescimento de 2,2% na indústria extrativa e estabilidade na de transformação, destacando-se os aumentos nas atividades fumo, 18,8%; veículos automotores, 4,3%; e bebidas, 2,4%; e os recuos nas indústrias de mobiliário, 7,3%; e de máquinas para escritórios e equipamentos de informática, 5,3%. Por categorias de uso, ocorreram aumentos trimestrais nas indústrias de bens de consumo duráveis, 2,4%; bens de capital, 2%; e de bens de consumo semi e não duráveis, 1,3%; e retração de 0,9% na de bens intermediários. O índice de pessoal ocupado assalariado na indústria recuou 0,4% no trimestre finalizado em julho, em relação ao terminado em abril, segundo dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Emprego e Salário (Pimes), do IBGE. No mesmo período, a folha de pagamento real cresceu 0,8%. A utilização da capacidade instalada (UCI) da indústria de transformação atingiu 84,3% no trimestre finalizado em agosto (estável em relação trimestre encerrado em maio), de acordo com dados dessazonalizados da Sondagem da Indústria da FGV. Esse resultado decorreu de aumento de 0,6 p.p. na indústria de bens intermediários e reduções respectivas de 1,1 p.p., 1,0 p.p. e 0,7 p.p. nas indústrias de

2002 = 100 Geral e transformação 133 130 127 124 121 Jul 2011

Gráfico 1.6 – Produção industrial1/ Indústria geral e seções
Extrativa 160 155 150 145 140 Jan 2012 Indústria geral Out Abr Jul Out 135 Jan Abr Jul 2013 Indústria de transformação

Indústria extrativa Fonte: IBGE 1/ Séries com ajuste sazonal.

2002 = 100 Duráveis 195 185 175 165 155 145 Jul 2011

Gráfico 1.7 – Produção industrial1/ Bens de consumo
Semi e não duráveis 121

118

115

112 Out Jan Abr 2012 Duráveis Jul Out Jan Abr Jul 2013 Semi e não duráveis

Fonte: IBGE 1/ Séries com ajuste sazonal.

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2002 = 100 Bens de capital 200 190 180 170 160 150 Jul 2011

Gráfico 1.8 – Produção industrial1/ Bens de capital e intermediários
Bens intermediários 124

bens de capital, bens de consumo não duráveis e bens de consumo duráveis. O Índice de Confiança da Indústria (ICI), medido pela FGV, atingiu 99 pontos em agosto (99,6 pontos em julho), menor patamar desde julho de 20092. O ICI médio do trimestre encerrado em agosto recuou 3,9 pontos em relação ao trimestre encerrado em maio, resultado de reduções nas indústrias de bens de consumo duráveis, 8,4 pontos; bens de capital, 5,1 pontos; bens intermediários, 2,8 pontos; e bens de consumo não duráveis, 2,5 pontos. O índice de estoques da indústria, calculado pela FGV, atingiu 104,2 pontos no trimestre finalizado em agosto3 (102,2 pontos no encerrado em maio), considerados dados dessazonalizados. Destaque, no trimestre, para o aumento de 22 pontos no indicador da indústria de bens de consumo duráveis. O Índice de Gerentes de Compras4 (PMI) da indústria atingiu 49,4 pontos em agosto, considerada a série dessazonalizada pela Markit, sinalizando menor dinamismo da atividade industrial pelo segundo mês seguido.

122

120

118 Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul

Bens de capital Fonte: IBGE 1/ Séries com ajuste sazonal.

Bens intermediários

Gráfico 1.9 – Utilização da capacidade instalada1/ Indústria de transformação
% 86 85 84 83 82 81 Ago Out 2011

Dez

Fev Abr 2012

Jun

Ago CNI

Out

Dez

Fontes: CNI e FGV 1/ Séries com ajuste sazonal.

Fev Abr 2013 FGV

Jun

Ago

Serviços
O IBGE iniciou, em agosto de 2013, a divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços5 (PMS). A PMS abrange as atividades do setor de serviços no segmento empresarial não financeiro, excluindo-se saúde, educação, administração pública e aluguel imputado e investiga o valor nominal da receita bruta de serviços em empresas formais com 20 ou mais funcionários. Por iniciarem em janeiro de 2012, as séries divulgadas não sofrem tratamento sazonal. Segundo a PMS, a receita nominal do setor de serviços cresceu 8,6% em junho, em relação a igual mês de 2012 (7,6% em maio e 11,6% em abril), ressaltandose o desempenho dos segmentos outros serviços, 11%; transportes e serviços auxiliares aos transportes e correios, 9,8%; e serviços prestados a famílias, 9%. A receita nominal aumentou 8,4% no primeiro semestre do ano, em relação a igual período de 2012, com destaque para os segmentos
2/ Valores acima de 100 pontos indicam sentimento de otimismo. 3/ Valores acima de 100 pontos indicam estoques acima do planejado. 4/ O PMI sintetiza a evolução mensal dos indicadores de novos pedidos, produção, emprego, prazo de entrega e estoque de insumos. Valores superiores a 50 representam expansão mensal da atividade. 5/ Ver boxe "Pesquisa Mensal de Serviços".

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ICS 140 135 130 125 120 115 110

Gráfico 1.10 – Indicadores de confiança no setor de serviços ICS e PMI-Serviços – Dados dessazonalizados

PMI-Serviços

60

transportes e serviços auxiliares aos transportes e correios, 10,8%; serviços prestados a famílias, 9,3%; e serviços profissionais administrativos e complementares, 8,3%. De acordo com dados dessazonalizados da FGV, o Índice de Confiança de Serviços (ICS), atingiu 116,5 pontos em agosto6 (111,7 pontos em julho), resultado de elevações de 3,2% no ISA-S e de 5,2% no IE-S. O ICS encontra-se, atualmente, em patamar 8 pontos abaixo da média histórica. O PMI-Serviços, indicador do Markit-HSBC, relacionado ao quesito atividade de negócios atingiu 49,7 pontos em agosto (50,3 pontos em julho), retornando à área de retração após onze meses consecutivos de crescimento em relação ao mês anterior.

55

50

Fev 2011

Mai

Ago

Nov ICS

Fev 2012

Mai

Ago

Fev 2013 PMI-Serviços

Nov

Mai

45 Ago

Fontes: FGV e Markit

Gráfico 1.11 – Índice de Atividade Econômica do Banco Central Dados dessazonalizados
148

143

138

Índice de atividade do Banco Central
O Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil (IBC-Br) cresceu 0,1% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril, quando havia crescido 1,3%, nesse tipo de análise, de acordo com dados dessazonalizados. Consideradas variações interanuais, o indicador variou 3,4% em julho, 2,4% em junho e 2,3% em maio.

133 Jun 2010 Out Fev 2011 Jun Out Fev 2012 Jun Out Fev 2013 Jun

Gráfico 1.12 – Taxa de desemprego aberto
% 8

7

6

5

1.3 Mercado de trabalho
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago 2012 Set Out Nov 2013 Dez

4 2011 Fonte: IBGE

Tabela 1.3 – Evolução do emprego formal
Novos postos de trabalho – Acumulado no período (em mil) Discriminação 2012 2013 1º sem Total Indústria de transformação Comércio Serviços Construção civil Agropecuária Serviços ind. de util. pública Outros
1/

Jul 41,5 7,2 1,5 11,2 4,9 18,1 -1,3 -0,2

No ano

2/

A taxa de desemprego, consideradas as seis regiões metropolitanas abrangidas pela Pesquisa Mensal do Emprego (PME) do IBGE, situou-se em 5,8% no trimestre encerrado em julho (5,7% em igual período de 2012). Considerados dados dessazonalizados, a taxa de desemprego média atingiu 5,6% no trimestre encerrado em julho (5,4% no terminado em abril), com aumentos respectivos de 0,2% e 0,4% na população ocupada e na população economicamente ativa. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), foram criados 237,3 mil postos de trabalho no trimestre encerrado em julho (402,6 mil em igual período de 2012), dos quais 111 mil na agropecuária, 76,4 mil nos serviços e 30,8 mil na indústria de transformação. O rendimento médio real habitualmente recebido do trabalho principal cresceu, de acordo com a PME, 1,2% no trimestre

868,2 33,2 270,4 501,5 70,9 -24,6 8,3 8,4

657,6 166,9 -49,7 298,6 101,9 102,8 6,7 30,4

699,0 174,1 -48,2 309,8 106,8 121,0 5,4 30,2

Fonte: MTE 1/ Inclui extrativa mineral, administração pública e outras. 2/ Acumulado de janeiro a julho.

6/ Níveis acima de 100 pontos indicam situação de otimismo.

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Indicadores Alternativos do Mercado de Trabalho: uma análise do sub-grupo dos recém-desempregados

Gráfico 1 – Taxa de desemprego
Com ajuste sazonal – % 12 11 10 9 8 7 6 5 Jul 2004 Jul 2005 Jul 2006 Jul 2007 Jul 2008 Jul 2009 Jul 2010 Jul 2011 Jul 2012 Jul 2013

O aquecimento do mercado de trabalho no recente ciclo de expansão da economia brasileira caracterizou-se pelo recuo da taxa de desemprego (TD). Essa tendência foi mantida em 2011 e 2012, não obstante a desaceleração da atividade. O aumento da TD na comparação interanual, observado em junho e julho de 2013 (Gráfico 1), e a evolução de outros indicadores, sugere, entretanto, acomodação no mercado de trabalho. Embora a TD seja indicador chave para a avaliação do mercado de trabalho, é importante ampliar o conjunto de informação para tornar a análise desse mercado mais abrangente1. Este boxe avalia a evolução recente do mercado de trabalho a partir da segmentação do conjunto de desempregados. O conjunto de desempregados foi dividido em três subconjuntos: (i) recém-desempregados (RD), definidos como aqueles indivíduos desempregados há menos de um ano; (ii) desempregados há mais de um ano, e (iii) desempregados que nunca trabalharam e buscam o primeiro emprego. O primeiro subconjunto, por construção, é imediatamente afetado por choques negativos na demanda por mão de obra que resultem em aumento do fluxo de demissões. O terceiro subconjunto não é afetado pelo fluxo de demissões, mas pelo fluxo de entradas de novas pessoas na força de trabalho e pelo fluxo de admissões, ressaltando-se que esta última variável afeta a dinâmica de todos os grupos, não necessariamente na mesma intensidade. A análise do grupo de RD permite, portanto, que se identifique mais rapidamente o eventual deslocamento da curva de demanda por trabalho e, em consequência, favorece o diagnóstico tempestivo das condições de mercado.

Fonte: IBGE/PME

1/ DA SILVA FILHO (2012) faz revisão da literatura sobre a utilização da taxa de desemprego como indicador do mercado de trabalho, tema analisado no boxe “Indicadores Não Tradicionais do Mercado de Trabalho” do Relatório de Inflação de Junho de 2012. O assunto foi tratado, ainda, no boxe “Medidas Abrangentes de Desemprego” publicado no Boletim Regional de Julho de 2013.

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Com ajuste sazonal – % 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0 Jul Jul Jul 2005 2006 2007

Gráfico 2 – Taxa de desemprego – decomposição

Jul 2008

Jul 2009

Jul 2010

Jul 2011

Jul 2012

Jul 2013

Nunca trabalharam Desempregados há mais de um ano Recém-desempregados Fonte: IBGE/PME

O Gráfico 2 apresenta a evolução da contribuição de cada subconjunto para a formação da TD. Considerada a média de julho de 2005 a julho de 2013, RD foi responsável por 45,8% da TD no período, enquanto as contribuições dos subconjuntos de desempregados há mais de um ano e daqueles que nunca trabalharam atingiram 35,5% e 18,6%, respectivamente. No período amostral, a TD recuou de 9,5% para 5,6%, e a contribuição de RD para a TD se deslocou de 3,9 p.p. para 2,9 p.p., evolução decorrente de, entre outros fatores, do: (i) menor crescimento demográfico e entrada tardia dos jovens no mercado de trabalho, que reduz o tamanho do subconjunto dos desempregados que buscam o primeiro emprego; (ii) ambiente mais favorável no mercado de trabalho que, ao aumentar a probabilidade de contratação de cada um dos grupos, faz com que menos pessoas fiquem um ano ou mais desempregadas; (iii) aumento da taxa de rotatividade em razão do aquecimento do mercado de trabalho. O Gráfico 3 apresenta a evolução da TD e da contribuição do subconjunto RD padronizadas2 e suporta o argumento de que RD reflete imediatamente choques na demanda por mão de obra. Além disso, sugere elevada sensibilidade a esses choques. De fato, em 2008-2009, logo após a eclosão da crise financeira, TD aumentou moderadamente, mas, no subconjunto RD esse movimento foi marcadamente maior3.

Em desvios-padrão com relação à média, com ajuste sazonal 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 -2,0 Jul Jul Jul 2007 2008 2009 Recém-desempregados Fonte: IBGE/PME Jul 2005 Jul 2006 Jul 2010 Jul 2011 Jul 2012 Jul 2013

Gráfico 3 – Taxas de desemprego

Desemprego – total

Em desvios-padrão com relação à média, com ajuste sazonal 1,5 1,0 0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 -2,0 Jul 2005 Jul 2006 Jul 2007 Jul Jul Jul Jul Jul 2008 2009 2010 2011 2012 Recém-desempregados Desempregados há mais de um ano Nunca trabalharam Jul 2013

Gráfico 4 – Taxas de desemprego

A evolução do desemprego nos três subconjuntos, também padronizada, encontra-se no Gráfico 4, de onde se infere que, durante a crise de 2008-2009, RD mar/02 foi o único a responder significativamente abr/02 ao choque de demanda por mão de obra. mai/02
jun/02 jul/02 Os Gráficos 3 e 4 mostram, na margem, certo ago/02 descolamento do RD em relação às demais variáveis set/02 em análise. É plausível afirmar que esse movimento out/02 indica acomodação no mercado de nov/02 trabalho. jan/03 recente do Em resumo, este boxe analisa a evolução mercado de trabalho. Para tanto, fev/03 considera-se uma mar/03 segmentação do conjunto de desempregados. As dez/02

Fonte: IBGE/PME

2/ Por padronização, artifício que facilita a comparação dos resultados, entende-se que as variáveis estão representadas por seu ­ z-score, isto é, pela razão da diferença entre variável e sua média, pelo seu desvio padrão. Matematicamente: . 3/ Ressalte-se que, no período, a evolução dos indicadores de mercado de trabalho acima mencionados está em linha com a queda abrupta verificada na atividade econômica (PIB acumulado em 4 trimestres recuou de 6,6% no terceiro trimestre de 2008 para -1,4% no terceiro trimestre de 2009) e com os dados que apontam aumento no fluxo de demissões (entre novembro de 2008 e janeiro de 2009, auge do impacto da crise, houve perda líquida de cerca de 800.000 postos de trabalho formais, segundo dados do Caged).

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evidências apresentadas indicam o subconjunto de recém desempregados como mais sensível a choques desfavoráveis na demanda por mão de obra. Além disso, também sugerem, na margem, acomodação no mercado de trabalho.

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Gráfico 1.13 – Rendimento habitual médio real
Março 2002 = 100 140 130 120 110 100 90 Jan 2011 Abr Total Setor privado – Sem carteira Fonte: IBGE Jul Out Jan 2012 Abr Jul Jan Abr Jul 2013 Setor privado – Com carteira Conta própria Out

encerrado em julho de 2013, em relação a igual período do ano anterior, com destaque para os ganhos nas atividades serviços domésticos, 5,3%; construção, 4,3%; e serviços prestados às empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, 1,9%. A massa salarial real, produto do rendimento médio habitual pelo número de ocupados, cresceu 2% no trimestre.

1.4 Produto Interno Bruto
O PIB cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2013, em relação ao trimestre anterior, de acordo com dados dessazonalizados das Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Ocorreram, sob a ótica da produção, variações trimestrais respectivas de 3,9%, 2% e 0,8% na agropecuária, indústria e nos serviços, (9,4%, -0,2% e 0,5% no primeiro trimestre). O crescimento industrial, o maior desde o segundo trimestre de 2010, distribuiu-se por todas as atividades do setor. No âmbito da demanda, a FBCF aumentou 3,6% no trimestre, seguindo-se as expansões no consumo das famílias, 0,3%, e do governo, 0,5%. O setor externo contribuiu de forma positiva para a evolução do PIB no segundo trimestre, com elevações de 6,9% nas exportações e de 0,6% nas importações. O PIB cresceu 2,6% no primeiro semestre, em relação a igual intervalo de 2012, com expansões de 14,7% na agropecuária, 0,8% na indústria e 2,1% nos serviços. O desempenho favorável do setor primário refletiu, principalmente, os crescimentos nas safras de soja, 23,8%; milho, 13,3%; feijão, 4,9%; e arroz, 2,7%. O resultado da indústria refletiu, em especial, variações respectivas de 2% e -5,3% nas indústrias de transformação e extrativa. No setor de serviços, destacaram-se as expansões nas atividades outros serviços, 2,6%; serviços de informação, 2,6%; e comércio, 2,3%. A análise dos componentes da demanda revela que a contribuição da demanda doméstica para o crescimento interanual do PIB no primeiro semestre de 2012 atingiu 3,6 p.p. (0,9 p.p. em igual intervalo de 2012), registrandose elevações respectivas de 6%, 2,2% e 1,3% na FBCF, no consumo das famílias e no consumo do governo. O setor externo contribuiu com -1 p.p. (-0,3 p.p. no primeiro semestre de 2012), resultado de variações de 7,6% nas importações e de 0,5% nas exportações.

Tabela 1.4 – Produto Interno Bruto Acumulado no ano
Discriminação Agropecuária Indústria Extrativa mineral Transformação Construção civil Produção e distribuição de eletricidade, gás e água Serviços Comércio Transporte, armazenagem e correio Serviços de informação Intermediação financeira, seguros, previdência complementar e serviços relacionados Outros serviços Atividades imobiliárias e aluguel Administração, saúde e educação públicas Valor adic. a preços básicos Impostos sobre produtos PIB a preços de mercado Consumo das famílias Consumo do governo Formação Bruta de Capital Fixo Exportação Importação
Fonte: IBGE

2012 II Tri -3,0 -1,2 0,1 -4,0 2,4 4,0 1,5 0,9 0,3 3,4 III Tri -1,0 -1,1 -0,9 -3,2 2,0 3,4 1,5 1,0 0,0 3,0 IV Tri -2,3 -0,8 -1,1 -2,5 1,4 3,6 1,7 1,0 0,5 2,9

Variação % 2013 I Tri 17,0 -1,4 -6,6 -0,7 -1,3 2,6 1,9 1,2 0,3 2,5 II Tri 14,7 0,8 -5,3 2,0 1,4 2,3 2,1 2,3 1,5 2,6

1,1 0,8 1,3 3,1 0,5 1,2 0,6 2,5 3,2 -2,9 1,7 3,8

0,4 1,1 1,4 2,9 0,6 1,2 0,7 2,8 3,2 -3,9 -0,1 0,2

0,5 1,8 1,3 2,8 0,8 1,6 0,9 3,1 3,2 -4,0 0,5 0,2

1,5 2,6 1,9 2,2 1,8 2,4 1,9 2,1 1,6 3,0 -5,7 7,4

1,5 2,6 2,0 1,9 2,5 3,2 2,6 2,2 1,3 6,0 0,5 7,6

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Revisão da Projeção do PIB para 2013

A projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) – incorporando os resultados do segundo trimestre, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e informações disponíveis sobre o trimestre em curso – indica expansão anual de 2,5% em 2013 (2,7%, no Relatório anterior). A produção agropecuária deverá crescer 10,5% (estimativa anterior de 8,4%), impactada pelo desempenho melhor que o esperado do setor no segundo trimestre do ano. O aumento anual da produção da indústria está estimado em 1,1% (1,2% no último Relatório), resultado de variações respectivas de -2,8%, 1,5% e 1,9% nas indústrias extrativa, de transformação e da construção civil (-3,1%, 2,3% e 1,1% na estimativa anterior). O crescimento do setor de serviços em 2013 está projetado em 2,3% (2,6% no Relatório anterior). No âmbito da demanda agregada, ressalte-se a redução, de 2,6% para 1,9%, na projeção para o consumo das famílias, compatível com a moderação do mercado de trabalho. A projeção para o consumo do governo passou de 2,4% para 1,8% e a relativa à Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), de 6,1% para 6,5%. No âmbito do componente externo da demanda agregada, as variações anuais das exportações e das importações forem revisadas de 2,8% para 1,7%, e de 7,6% para 8,4%, respectivamente. A contribuição da demanda interna para a expansão do PIB em 2013 é estimada em 3,5 p.p. e a do setor externo, em -1,0 p.p.

Projeção para os próximos quatro trimestres
O crescimento para o PIB acumulado no período de quatro trimestres encerrado em junho de 2014 é estimado

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Tabela 1 – Produto Interno Bruto Acumulado em 4 trimestres
Discriminação 2013 II Tri Agropecuária Indústria Extrativa mineral Transformação Construção civil Produção e dist. de eletricidade, gás e água Serviços Comércio Transporte, armazenagem e correio Serviços de informação Interm. financeira e serviços relacionados Outros serviços Atividades imobiliárias e aluguel Administração, saúde e educação públicas Valor adicionado a preços básicos Impostos sobre produtos PIB a preços de mercado Consumo das famílias Consumo do governo Formação Bruta de Capital Fixo Exportação Importação
Fonte: IBGE 1/ Estimativa.

Variação % 2014 IV Tri
1/

em 2,5% (1,9% no mesmo tipo de comparação, no segundo trimestre deste ano). A produção agropecuária deverá aumentar 2,8% (7,4% no período de quatro trimestres finalizado em junho de 2013). O crescimento da indústria está estimado em 1,9% (0,1% em quatro trimestres até junho de 2013), atingindo 1,2% na indústria de transformação, 2,0% na construção civil e 2,5% na indústria extrativa mineral. O setor terciário deverá crescer 2,7% no período de quatro trimestres encerrado em junho de 2014 (1,9%, no mesmo tipo de comparação, no segundo trimestre de 2013). Destacam-se os aumentos projetados para as atividades intermediação financeira, 3,7%; comércio, 3,2%; e transporte, 3,2%. Projeta-se crescimento de 2,1% para o consumo das famílias (2,9% em quatro trimestres até junho de 2013); de 2,7% para o consumo do governo; e de 4,4% para a FBCF, em linha com a perspectiva de recuperação do investimento no início de 2014. Exportações e importações de bens e serviços devem registrar elevações respectivas de 4,2% e 4,9%, no período. As contribuições das demandas interna e externa para o crescimento do PIB no período de quatro trimestres encerrado em junho de 2014 deverão atingir 2,6 p.p. e -0,1 p.p., respectivamente.

II Tri

1/

7,4 0,1 -3,7 0,4 0,9 2,7 1,9 1,7 1,1 2,6 0,7 2,7 1,7 2,2 1,7 2,6 1,9 2,9 2,2 0,2 -0,1 2,1

10,5 1,1 -2,8 1,5 1,9 3,1 2,3 2,5 2,1 2,6 2,7 2,3 1,8 2,1 2,4 2,8 2,5 1,9 1,8 6,5 1,7 8,4

2,8 1,9 2,5 1,2 2,0 3,7 2,7 3,2 3,2 2,8 3,7 2,4 1,4 2,5 2,4 2,6 2,5 2,1 2,7 4,4 4,2 4,9

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Tabela 1.5 – Produto Interno Bruto Trimestre ante trimestre imediatamente anterior
Dados dessazonalizados Variação % Discriminação 2012 II Tri PIB a preços de mercado Agropecuária Indústria Serviços Consumo das famílias Consumo do governo Formação Bruta de Capital Fixo Exportação Importação
Fonte: IBGE

1.5 Investimentos
2013

III Tri 0,4 7,5 0,7 0,3 0,9 -0,2 -1,4 0,5 -6,9

IV Tri 0,8 -8,1 0,2 0,7 0,9 0,6 1,5 6,4 8,7

I Tri 0,6 9,4 -0,2 0,5 0,0 0,0 4,7 -6,9 5,7

II Tri 1,5 3,9 2,0 0,8 0,3 0,5 3,6 6,9 0,6

0,1 8,0 -1,9 0,8 0,8 1,1 -1,9 -4,8 0,2

Os investimentos, excluídas variações de estoques, aumentaram 9% no segundo trimestre e 6% no primeiro semestre de 2013, em relação aos mesmos períodos do ano anterior, de acordo com as Contas Nacionais Trimestrais do IBGE. Na margem, considerados dados dessazonalizados, a FBCF cresceu 3,6% relativamente ao trimestre finalizado em março, terceira elevação consecutiva superior a 1%. O aumento interanual da FBCF no segundo trimestre traduziu crescimentos na produção de insumos da construção civil, 4,6%, e na absorção de bens de capital, 16,0% (18,1%, -14% e 2,6% na produção, exportação e importação de bens de capital, respectivamente). Ressalte-se a expansão disseminada da produção de bens de capital no trimestre. Os desembolsos do sistema BNDES – BNDES, Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame) e BNDES Participações S.A. (BNDESpar) – somaram R$88,3 bilhões nos seis primeiros meses de 2013. A elevação de 65% em relação ao período equivalente do ano anterior refletiu aumentos nos desembolsos para os segmentos agropecuária, 110,9%; indústria de transformação, 96,4%; comércio e serviços, 46,5%; e indústria extrativa, 21,9%.

Tabela 1.6 – Produção industrial
Trimestre ante mesmo trimestre do ano anterior (%) Discriminação 2013 Abr Insumos da construção civil Bens de capital Tipicamente industrializados Agrícolas Peças agrícolas Construção Energia elétrica Equipamentos de transporte Misto
Fonte: IBGE

Mai 2,2 13,0 12,1 17,6 10,9 4,7 2,6 21,1 5,0

Jun 4,6 18,1 17,6 23,2 32,4 12,3 -0,3 28,1 7,7

Jul 2,6 15,1 16,2 26,5 25,1 12,6 -7,1 21,5 4,4

1,1 12,1 8,6 12,3 -6,3 -1,8 7,4 20,2 4,2

1.6 Conclusão
O ritmo da atividade econômica doméstica apresentou-se mais intenso na primeira metade de 2013, na comparação com o segundo semestre de 2012, com o PIB registrando, no segundo trimestre do ano, a maior expansão na margem desde o primeiro trimestre de 2010, impulsionado, entre outros, pela retomada dos investimentos. Embora dados mais recentes – retração na produção industrial, em julho, e alta nos indicadores de estoques, em agosto – indiquem desaceleração no trimestre em curso, o cenário central contempla ritmo da atividade doméstica mais intenso, neste e no próximo ano, do que em 2012.

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Pesquisa Mensal de Serviços

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) passou a divulgar, em agosto de 2013, a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), que tem por objetivo produzir indicadores que permitam o acompanhamento da evolução conjuntural do setor de serviços empresariais não financeiros e de seus principais segmentos1. Este boxe resume as características da pesquisa e analisa seus principais resultados. A PMS investiga a receita bruta de serviços, total e por Unidade da Federação, definida como a receita proveniente das atividades de prestação de serviços, sem dedução de impostos e contribuições incidentes, abatimentos e descontos incondicionais. Não estão incluídas as receitas financeiras e não operacionais. A PMS divulga índices de receita nominal de serviços conforme o esquema a seguir: - Índice geral, sem detalhamento por atividade, para o Brasil e as 27 Unidades da Federação; - Índice por atividade2 – para o Brasil; - Índice por atividade 3 – Para 12 Unidades da Federação selecionadas (Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal).

1/ A pesquisa não abrange as atividades de comércio e de serviços de saúde, educação, administração pública, serviços financeiros, serviços domésticos e de aluguel imputado. Com base na Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2008 e dentro do âmbito e da abrangência previamente definidos, foram selecionadas cerca de 9.500 empresas, distribuídas nas 27 Unidades da Federação. 2/ São 5 grupos, com aberturas em cada um deles, exceto Outros Serviços. Serviços Prestados às Famílias: serviços de alojamento e alimentação, outros serviços prestados às famílias, serviços de informação e comunicação; Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC): serviços audiovisuais, de edição e agências de notícias; Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares: serviços técnico-profissionais, serviços administrativos e complementares; Transportes, Serviços Auxiliares dos Transportes e Correio: transporte terrestre, transporte aquaviário, transporte aéreo, armazenagem, serviços auxiliares dos transportes e correio; Outros Serviços. 3/ Serviços Prestados às Famílias; Serviços de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC); Serviços Profissionais, Administrativos e Complementares;Transportes, Serviços Auxiliares dos Transportes e Correio; e Outros Serviços.

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Gráfico 1 – Receita nominal no setor de serviços
Índice de Base Fixa (2011 = 100) 130 125 120 115 110 105 100 95 90 85 80 Mar 2011 Jun Set Dez Mar 2012 Jun Set Dez Mar 2013 Jun

O Gráfico 1 mostra o Índice de Receita Nominal de Serviços – Brasil agregado desde janeiro de 20114, sem ajustamento sazonal5. Em junho de 2013, o valor da série foi 17,1% superior à média de 2011. Picos no mês de dezembro indicam presença de efeitos sazonais, em linha com os observados na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC). A variação interanual (mês sobre mesmo mês do ano anterior) do Índice de Receita Nominal Serviços – Brasil encontra-se no Gráfico 2, e sugere que o crescimento nominal do setor recuou ao longo do período – a taxa passou de 12,1%, no primeiro trimestre de 2012, para 9,2%, no segundo trimestre de 2013. Ocorreu moderação no crescimento em todos os cinco setores considerados (Gráfico 3), em especial em Serviços profissionais, administrativos e complementares, e Serviços prestados às famílias, nos quais as taxas de crescimento trimestrais interanuais passaram de 16,5% e 15,2% respectivamente, no primeiro trimestre de 2012, para 9,1% e 10,3%, em igual período de 2013. Esses resultados, embora baseados em dados nominais, são consistentes com os divulgados pelas Contas Nacionais Trimestrais (CNT), que evidenciam moderação da atividade no setor de serviços desde 2011: o crescimento real interanual do setor (incluindo atividades não cobertas pela PMS) passou de 4%, no primeiro trimestre de 2011, para 1,9%, no primeiro trimestre de 2013. Em síntese, este boxe abordou aspectos da PMS, pesquisa que envolve atividades relevantes do setor de serviços, que tem tido participação crescente na economia do Brasil.

Fonte: IBGE

Mês sobre igual mês do ano anterior % 13 12 11 10 9 8 7 6 5 Fev Abr 2012 Fonte: IBGE Jun Ago

Gráfico 2 – Crescimento interanual da receita nominal

Out

Dez

Fev 2013

Abr

Jun

Gráfico 3 – Crescimento da receita nominal, por atividade Trimestre sobre igual trimestre do ano anterior
% 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Total Famílias TIC Prof., Transportes adm. e compl. 2º trimestre – 2013 Outros 12,1 9,2 10,3 9,5 7,8 9,1 7,1 15,2 16,5

11,8

11,2

11,1

Fonte: IBGE

1º trimestre – 2012

4/ O IBGE divulga dados a partir de janeiro de 2012. Entretanto, como para 2012 são divulgados tanto índice de base-fixa quanto a taxa de variação interanual (mês sobre mesmo mês do ano anterior), pode-se calcular o índice de base-fixa também para os meses de 2011. 5/ O tamanho da série não permite, ainda, a dessazonalização dos dados.

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Preços

Os índices gerais de preços aceleraram no trimestre finalizado em agosto, destacando-se a reversão parcial da deflação dos preços agropecuários no atacado. Os índices de preços ao consumidor arrefeceram, ressaltando-se a contribuição das variações negativas nos preços dos grupos alimentação, transportes e vestuário. Os núcleos de inflação ao consumidor, repetindo o desempenho do trimestre anterior, desaceleraram no período.

2

2.1 Índices gerais
Tabela 2.1 – Índices gerais de preços
Variação % mensal Discriminação 2013 Abr IGP-DI IPA IPC-Br INCC
Fonte: FGV

Mai 0,32 0,01 0,32 2,25

Jun 0,76 0,85 0,35 1,15

Jul 0,14 0,20 -0,17 0,48

Ago 0,46 0,58 0,20 0,31

-0,06 -0,39 0,52 0,74

O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGPDI), da FGV, variou 1,37% no trimestre encerrado em agosto (0,57% no finalizado em maio). A variação do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) passou de -0,26% para 1,64%, e as do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), na ordem, de 1,56% para 0,38%, e de 3,52% para 1,95%. A evolução do IPA esteve associada, fundamentalmente, à reversão, de -4,11% para 1,54%, na variação dos preços dos produtos agropecuários, em especial soja e aves. A variação trimestral dos preços industriais, a despeito da deflação nos preços de minerais metálicos, deslocou-se de 1,27% para 1,68%, com ênfase nos aumentos nos preços de produtos químicos orgânicos e de óleos e gorduras vegetais. Considerados períodos de doze meses, os preços agrícolas recuaram 2,41% em agosto (elevação de 7,52% em maio) e os preços industriais cresceram 4,93% (5,59% em maio). A desaceleração do IPC decorreu, em grande parte, de menores variações trimestrais nos grupos alimentação (-0,30% ante 2,64%); vestuário (-0,21% ante 2,56%); e transportes (-0,66% ante 0,28%). Por sua vez, a desaceleração do INCC refletiu menores variações dos preços dos itens materiais e serviços (1,57% ante 1,63%); e mão-de-obra (2,30% ante 5,30%).

Gráfico 2.1 – Evolução do IPA (10, M e DI) – Agrícola e industrial
Variação % mensal 8 6 4 2 0 -2 -4 Abr Jun Ago Out Dez Fev Abr Jun Ago Out Dez Fev Abr Jun Ago 2011 2012 2013
Agrícola Industrial

Fonte: FGV

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Considerados intervalos de doze meses, o IGP-DI variou 3,98% em agosto (6,20% em maio e 8,04% em agosto de 2012).

Tabela 2.2 – Preços ao consumidor
Variação % mensal Discriminação 2013 Abr IPCA Livres Comercializáveis Não comercializáveis Serviços Monitorados
Fontes: IBGE e Banco Central

2.2 Índices de preços ao consumidor
O IPCA, divulgado pelo IBGE, variou 0,53% no trimestre encerrado em agosto (1,40% no terminado em maio), com desacelerações nos preços livres (0,63% ante 1,52%), e monitorados (0,20% ante 0,98%). A evolução dos preços livres refletiu menores variações dos preços dos itens não comercializáveis (0,65% ante 2,12%), com ênfase na deflação nos subitens tomate, feijão, cebola e batata-inglesa; e dos comercializáveis (0,61% ante 0,84%), destacando-se a sazonalidade favorável dos preços de vestuário e etanol. Os preços dos serviços aumentaram 1,89% no trimestre encerrado em agosto (1,37% no finalizado em maio), evolução associada, em especial, a aumentos dos preços de itens passagem aérea e excursão. Considerados períodos de doze meses, os preços dos serviços cresceram 8,60% em agosto (8,51% em maio).

Mai 0,37 0,39 0,24 0,52 0,56 0,31

Jun 0,26 0,22 0,11 0,32 0,64 0,38

Jul 0,03 0,12 0,11 0,13 0,64 -0,27

Ago 0,24 0,29 0,39 0,20 0,60 0,09

0,55 0,59 0,24 0,90 0,54 0,41

Gráfico 2.2 – Evolução do IPCA
Variação % mensal 1,5 1,0 0,5 0,0 -0,5 -1,0 -1,5 Mai 2011 Ago Nov IPCA Fonte: IBGE e Banco Central Fev 2012 Mai Ago Nov Fev 2013 Mai Livres Ago Monitorados

Gráfico 2.3 – Índice de difusão do IPCA Proporção do número de subitens com aumentos
Média móvel trimestral % 76 73 70 67 64 61 58 55 52 Mai Ago 2011 Fonte: IBGE Nov Fev 2012 Mai Ago Nov Fev 2013 Mai Ago

A variação do IPCA acumulada em doze meses atingiu 6,09% em agosto (6,50% em maio), resultado de desacelerações nos preços livres, de 8,11% para 7,64%, e nos monitorados, de 1,54% para 1,27%. O índice de difusão do IPCA registrou média de 56,35% no trimestre encerrado em agosto (65,93% no finalizado em maio e 62,74% em igual período de 2012).

2.3 Preços monitorados
Os preços monitorados aumentaram 0,20% no trimestre finalizado em agosto (0,98% no terminado em maio), contribuindo com 0,05 p.p. para a variação do IPCA no período. A redução trimestral refletiu, em especial, a revogação de diversos reajustes em tarifas de ônibus urbano.

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Tabela 2.3 – IPCA – Itens monitorados
Variação % mensal Discriminação Pesos 2013 Abr IPCA Livres Monitorados Principais itens Gás encanado Ônibus urbano Água e esgoto Plano de saúde Gasolina Pedágio Remédios Energia elétrica Gás veicular Gás de bujão Óleo diesel 0,08 2,61 1,55 3,15 3,84 0,12 3,47 2,66 0,12 1,08 0,13 0,01 -0,24 0,81 0,65 -0,41 0,00 2,99 -0,25 -0,35 0,39 0,91 0,00 -0,02 1,19 0,65 0,00 1,61 0,15 0,17 0,12 2,32 2,61 1,03 0,65 0,00 0,00 0,12 1,30 0,26 1,15 -3,32 0,64 0,64 -0,23 0,00 0,10 0,58 0,72 -0,07 0,35 0,00 -0,20 0,01 0,94 -0,15 0,00 -0,40 0,57 -0,80 0,28 0,39 6,81 0,04 4,79 5,61 2,15 0,69 4,48 -17,08 2,72 2,12 9,68 100,00 76,80 23,20 0,55 0,59 0,41 Mai 0,37 0,39 0,31 Jun 0,26 0,22 0,38 Jul 0,03 0,12 -0,27 Ago 0,24 0,29 0,09 No ano 3,43 4,55 -0,16

2.4 Núcleos
O núcleo do IPCA, que exclui dez itens do subgrupo alimentação no domicílio e combustíveis, aumentou 1,07% no trimestre encerrado em agosto (1,37% no finalizado em maio). Considerados períodos de doze meses, a variação do indicador atingiu 5,86% em agosto (5,69% em maio). O núcleo que exclui os itens monitorados e todos os itens do subgrupo alimentação no domicílio variou 1,18% (ante 1,25% no trimestre terminado em maio). A análise em doze meses revela que o indicador aumentou 6,89% em agosto (6,42% em maio). O núcleo calculado por médias aparadas com suavização7 cresceu 1,07% (1,53% no trimestre encerrado em maio). A variação do indicador acumulada em doze meses atingiu 6,09% em agosto (6,33% em maio). O núcleo calculado por médias aparadas sem suavização cresceu 0,86% no trimestre finalizado em agosto (1,35% de março a maio). Considerados intervalos de doze meses, o indicador variou 5,93% em agosto (6,16% em maio). O núcleo de dupla ponderação8 variou 1,19% no trimestre finalizado em agosto (1,50% no encerrado em maio). A análise em doze meses indica variação de 6,41% em agosto (6,26% em maio). O núcleo de inflação do IPC da FGV, calculado pelo método das médias aparadas com suavização, aumentou 0,89% no trimestre finalizado em agosto (1,39% no terminado em maio). Considerados períodos de doze meses, o indicador aumentou 5,21% em agosto (5,24% em maio).

-0,52 -0,93

0,44 -0,14

Fonte: IBGE e Banco Central

Tabela 2.4 – Preços ao consumidor e seus núcleos
Variação % mensal Discriminação 2013 Abr IPCA (cheio) Exclusão Exclusão
1/ 2/

Mai

Jun 0,26 0,38 0,46 0,36 0,31 0,43 0,35 0,39

Jul 0,03 0,35 0,20 0,29 0,21 0,34 -0,17 0,24

Ago 0,24 0,45 0,41 0,42 0,34 0,42 0,20 0,26

0,55 0,37 0,45 0,48 0,52 0,49 0,53 0,52 0,45 0,41 0,53 0,50 0,52 0,32 0,45 0,41

Médias aparadas com suavização Médias aparadas sem suavização Dupla ponderação IPC-Br (cheio) Médias aparadas
Fontes: IBGE, Banco Central e FGV

1/ Itens excluídos: monitorados e alimentação no domicílio. 2/ Itens excluídos: 10 itens da alimentação no domicílio e combustíveis (domésticos e veículos).

Gráfico 2.4 – Núcleos de inflação
Variação % em 12 meses 8 7 6 5 4 Mai 2011 Ago Nov IPCA Médias aparadas com suavização Fontes: IBGE e Banco Central Fev 2012 Mai Ago Nov Fev 2013 Exclusão Mai Ago

2.5 Expectativas de mercado
De acordo com a Pesquisa Focus – Relatório de Mercado de 30 de agosto, as medianas das projeções para as variações anuais do IPCA em 2013 e 2014 atingiram 5,8% (5,9% ao final de junho). A mediana das expectativas para a inflação doze meses à frente – suavizada – situou-se em 6,1% (5,7% em 28 de junho).

Dupla ponderação

7/ O critério utilizado para o cálculo desse indicador exclui os itens cuja variação mensal se situe, na distribuição, acima do percentil 80 ou abaixo do percentil 20, além de suavizar ao longo de doze meses a flutuação de itens cujas variações são concentradas em poucos períodos do ano. 8/ O critério utilizado para o cálculo desse indicador consiste na reponderação dos pesos originais – baseados na importância de cada item para a cesta do IPCA – pelos respectivos graus de volatilidade relativa, um procedimento que reduz a importância dos componentes mais voláteis.

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Gráfico 2.5 – IPCA Medianas (%)
6,0

5,8

A mediana para a variação do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em 2013 recuou de 4,8%, ao final de junho, para 4,5%, em 30 de agosto, e a referente ao IPA-DI do mesmo ano passou de 3,4% para 3,6%. No mesmo período, as medianas das variações do IGP-M e do IPA-DI para 2014 foram ajustadas de 5,3% para 5,6%. No mesmo período, as medianas das expectativas para o aumento dos preços administrados ou monitorados por contratos em 2013 e em 2014 passaram, na ordem, de 2,5% para 1,8%, e de 4,4% para 4,5%. As medianas da taxa de câmbio projetada pelo mercado para os finais de 2013 e de 2014 atingiram R$2,36/US$ e R$2,40/US$, respectivamente, em 30 de agosto (R$2,15/ US$ e R$2,20/US$ ao final de junho). No mesmo período, as medianas das projeções para a taxa de câmbio média de 2013 e de 2014 aumentaram, na ordem, de R$2,11/US$ e R$2,18/US$, para R$2,20/US$ e R$2,38/US$.

5,5 Mar 2013 Abr Mai 2013 Jun 2014 Jul 30.8.2013

Gráfico 2.6 – IGP-M e IPA-DI Medianas (%)
5,5

4,5

3,5

2,5 Mar 2013 Abr Mai IGP-M Jun IPA-DI Jul 30.8.2013

2.6 Conclusão
O recente arrefecimento dos índices de preços ao consumidor refletiu, em grande parte, a deflação nos grupos alimentação, transportes e vestuário. Nos próximos meses, a evolução dos índices de preços ao consumidor deverá refletir, de um lado, o efeito da recente depreciação cambial, e de outro, o efeito base da progressiva eliminação do impacto das elevadas taxas mensais de inflação no segundo semestre de 2012.

Gráfico 2.7 – Câmbio Medianas (R$/US$)
2,40 2,30 2,20 2,10 2,00 1,90 Mar 2013 Abr Mai Fim de período Jun Média Jul 30.8.2013

Tabela 2.5 – Resumo das expectativas de mercado
28.3.2013 2013 2014 Em percentual IPCA IGP-M IPA-DI Preços administrados Selic (fim de período) Selic (média do período) PIB Em R$/US$ Câmbio (fim de período) Câmbio (média do período) 2,00 2,00 2,05 2,04 2,15 2,11 2,20 2,18 2,36 2,20 2,40 2,38 5,7 4,9 4,3 3,0 8,50 7,83 3,0 5,7 5,3 5,0 4,5 8,50 8,50 3,5 5,9 4,8 3,4 2,5 9,25 8,25 2,4 5,9 5,3 5,3 4,4 9,25 9,14 3,0 5,8 4,5 3,6 1,8 9,50 8,31 2,3 5,8 5,6 5,6 4,5 9,75 9,50 2,3 28.6.2013 2013 2014 30.8.2013 2013 2014

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Políticas creditícia, monetária e fiscal

O mercado de crédito bancário apresentou taxas de expansão moderadas no trimestre encerrado em agosto. Ressalte-se que padrões mais restritivos para a concessão de empréstimos pelas instituições financeiras, particularmente nas privadas, têm contribuído para a disparidade entre os ritmos de crescimento do crédito nos segmentos sob controle público e privado. Predominaram, no trimestre, contratações de empréstimos com recursos direcionados, envolvendo linhas de crédito de menor custo e prazos mais longos, como financiamentos imobiliários e créditos consignados, para pessoas físicas, e financiamentos com recursos do BNDES, para pessoas jurídicas. Essa evolução favorece a solidez das instituições financeiras, o recuo da inadimplência e a estabilização do endividamento das famílias.

3

Tabela 3.1 – Evolução do crédito
R$ bilhões Discriminação 2013 Mai Jun Jul Ago Variação % 3 12 meses meses Total Pessoas jurídicas Recursos livres Direcionados Pessoas físicas Recursos livres Direcionados Participação %: Total/PIB Pes. jurídicas/PIB Pessoas físicas/PIB Recursos livres/PIB R. direcionados/PIB 54,8 29,6 25,2 31,5 23,2 55,3 30,0 25,3 31,6 23,7 55,2 29,7 25,4 31,3 23,8 55,5 29,9 25,6 31,3 24,2 2 487,4 2 531,6 2 545,1 2 577,9 1 344,5 1 372,9 1 372,7 1 388,5 716,6 627,9 714,8 428,1 728,1 644,8 716,9 441,8 720,5 652,2 723,7 448,7 724,0 664,5 727,8 461,6 3,6 3,3 1,0 5,8 4,1 1,8 7,8 16,1 16,0 9,9 23,4 16,3 7,7 33,3

1 142,9 1 158,7 1 172,4 1 189,4

3.1 Crédito
O saldo das operações de crédito do sistema financeiro, incluindo recursos livres e direcionados, somou R$2.578 bilhões em agosto (55,5% do PIB, ante 54,8% em maio e 51,5% em agosto de 2012), elevando-se 3,6% no trimestre e 16,1% em doze meses. Os empréstimos a pessoas jurídicas atingiram R$1.389 bilhões, com acréscimos de 3,3% no trimestre e de 16% em doze meses, e os destinados a pessoas físicas totalizaram R$1.189 bilhões, aumentando 4,1% e 16,3%, respectivamente. Os empréstimos concedidos por bancos públicos, impulsionados pelo dinamismo do crédito direcionado, cresceram 6,3% no trimestre e passaram a representar 50,7% do estoque total do sistema financeiro. As operações das instituições privadas nacionais e estrangeiras elevaram-se, na ordem, 0,5% e 2,4%, com participações respectivas de 33,8% e 15,5% no crédito total.

Gráfico 3.1 – Crédito segundo controle do capital das instituições financeiras
% do saldo 50

40

30

20

10 Público Ago 2012 Privado nacional Ago 2013 Estrangeiro

Os empréstimos ao setor privado totalizaram R$2.437 bilhões em agosto, aumento trimestral de 3,2%, com destaque para

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Gráfico 3.2 – Crédito para atividades econômicas
Composição % no saldo 35 30 25 20 15 10 5 0 Setor público Indústria Habitação Ago 2012 Rural Comércio Ago 2013 PF Outros serviços 4,8 5,5 19,8 18,9 12,3 14,2 9,6 9,0 6,7 7,5 15,7 16,1 31,1 29,0

os financiamentos imobiliário e rural. Os créditos ao setor público somaram R$140 bilhões, elevando-se 11,1% no trimestre (33% em doze meses), resultado de aumentos de 10,1% na esfera dos estados e municípios e de 12,1% na esfera do governo federal, destacando-se as operações relacionadas ao setor de energia. Os financiamentos imobiliários a pessoas físicas e jurídicas somaram R$365 bilhões em agosto (7,8% do PIB, ante 6,3% em igual período de 2012), com elevações de 8,6% no trimestre e 33,7% em doze meses. As concessões totalizaram R$43 bilhões no trimestre finalizado em agosto, aumentando 29,2% em relação a igual período de 2012, resultado de expansões de 23,7% dos desembolsos com taxas reguladas, que incluem as operações realizadas no âmbito do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) e com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), e de 62% nas concessões com taxas de juros livremente pactuadas. O saldo de crédito rural, incluindo operações com pessoas físicas e jurídicas, totalizou R$161 bilhões em agosto, com crescimentos de 10,1% no trimestre e 31,2% em doze meses. Esse desempenho refletiu, em parte, a expansão de 60,4% nas concessões no trimestre encerrado em agosto, em relação ao finalizado em maio de 2013. O estoque de crédito com recursos livres somou R$1.452 bilhões em agosto (56,3% do total da carteira do sistema financeiro e 31,3% do PIB), com acréscimos de 1,4% no trimestre e 8,8% em doze meses. As operações contratadas pelas famílias cresceram 1,8%, para R$728 bilhões, no trimestre, com as concessões aumentando 1,3% em relação ao trimestre anterior e 15,2% em doze meses. Destacou-se a modalidade de cartão de crédito à vista, com variações de 3,2% no trimestre e de 23,3%, em doze meses. O saldo dos empréstimos com recursos livres atingiu R$724 bilhões no segmento de pessoas jurídicas, em agosto, elevando-se 1% no trimestre e 9,9% em doze meses. As concessões rcuaram 3,1% no trimestre e aumentaram 3,9% em doze meses, refletindo as variações respectivas de -23,3% e 12% na modalidade capital de giro com prazo superior a 365 dias. As concessões de adiantamentos sobre contratos de câmbio (ACC) declinaram 6,5% no trimestre e 10,3% em doze meses. As operações contratadas com recursos direcionados (24,2% do PIB) atingiram R$1.126 bilhões em agosto,

Tabela 3.2 – Crédito concedido a pessoas jurídicas
R$ bilhões Discriminação 2013 Mai Jun Jul Ago Variação % 3 12 meses meses Recursos livres Capital de giro Conta garantida ACC Financ. a exportações Demais Recursos direcionados BNDES Imobiliário Rural Demais 716,6 728,1 720,5 724,0 372,7 373,6 372,6 372,6 42,9 46,6 44,0 42,9 46,2 45,1 42,5 46,0 46,5 42,7 46,5 47,0 1,0 0,0 -0,4 -0,4 7,0 2,3 5,8 4,8 7,7 17,6 2,6 9,9 9,1 -3,4 -11,2 31,6 16,3 23,4 19,2 25,9 33,0 53,7

210,5 220,4 212,9 215,2 627,9 644,8 652,2 664,5 471,9 477,7 485,1 494,7 46,4 49,4 60,1 47,3 57,9 61,8 48,3 57,4 61,4 50,0 58,1 61,7

Tabela 3.3 – Crédito concedido a pessoas físicas
R$ bilhões Discriminação 2013 Mai Jun Jul Ago Variação % 3 12 meses meses Recursos livres Crédito pessoal Aquisição de veículos Cartão de crédito Cheque especial Demais Recursos direcionados BNDES Imobiliário Rural Demais 714,8 716,9 723,7 727,8 301,3 305,0 307,8 311,5 193,2 193,8 193,9 194,0 126,7 125,6 129,4 130,0 21,1 72,5 32,8 20,5 72,0 33,1 21,0 71,6 33,5 21,1 71,2 34,1 1,8 3,4 4,0 0,4 2,6 -0,2 -1,8 7,8 3,8 8,7 6,4 9,8 7,7 15,1 17,3 1,6 12,2 4,2 -9,3 33,3 24,9 35,1 30,2 40,4

Do qual: consignado 206,4 209,4 212,1 214,7

428,1 441,8 448,7 461,6 289,7 298,4 306,5 314,9 97,0 101,6 8,6 8,7 99,4 103,2 9,2 9,4

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Gráfico 3.3 – Taxas de juros – Crédito a pessoas físicas
Recursos livres (%) 54 50 46 42 38 34 30 Ago 2012

Recursos direcionados (%) 9 8 7 6 5 4 Ago

Out

Dez

Fev 2013

Abr

Jun

Recursos livres

Recursos direcionados

Gráfico 3.4 – Taxas de juros – Crédito a pessoas jurídicas
Recursos livres (%) 25 23 21 19 17 15 Ago 2012

elevando-se 6,6% no trimestre e 27,2% em doze meses. Os créditos a pessoas jurídicas (59% da carteira) cresceram 5,8% no trimestre, para R$664 bilhões, ressaltando-se os financiamentos com recursos do BNDES para investimentos e o crédito rural. As concessões do BNDES ao setor produtivo, que não incluem os desembolsos do BNDESPAR, somaram R$105,2 bilhões nos oito primeiros meses do ano, elevandose 48% em relação a igual período de 2012, destacando-se as liberações para projetos de infraestrutura e para os segmentos petróleo, energia e agropecuária. Os créditos a pessoas físicas somam R$462 bilhões (aumento trimestral de 7,8%), com ênfase no dinamismo das modalidades financiamentos imobiliários e rural.

Recursos direcionados (%) 12

Taxas de juros e inadimplência
10

8

Out

Dez

Fev 2013

Abr

Jun

6 Ago

Recursos livres

Recursos direcionados

A taxa média de juros das operações de crédito atingiu 19,3% a.a. em agosto, variando 1,2 p.p. no trimestre e -0,3 p.p. em doze meses. A taxa média nas operações com recursos livres totalizou 28% a.a., com aumentos respectivos de 2,2 p.p. e 1,3 p.p., enquanto a relativa a operações com recursos direcionados situou-se em 7,2% a.a., variando 0,3 p.p. no trimestre e -0,8 p.p. em doze meses. A taxa de juros média atingiu 25,2% a.a. no segmento de pessoas físicas, variando 1,2 p.p. no trimestre e -0,5 p.p. em doze meses. Ressalte-se a elevação trimestral de 2,3 p.p. nas operações com recursos livres, impactada pelo acréscimo de 11,1 p.p. na modalidade crédito pessoal não consignado. A taxa média nas operações com recursos direcionados aumentou 0,2 p.p. no trimestre. No segmento de pessoas jurídicas, a taxa média de juros atingiu 14,7% a.a. em agosto, com variações de 1,2 p.p. no trimestre e -0,2 p.p. em doze meses. O aumento trimestral decorreu de elevações de 2 p.p. nas operações com recursos livres, com ênfase nos aumentos respectivos de 3,6 p.p. e 3,1 p.p. nas modalidades cheque especial e capital de giro, e de 0,4 p.p. nas operações com recursos direcionados. O spread bancário das operações de crédito do sistema financeiro nacional, com recursos livres e direcionados, atingiu 11,3% p.p. em agosto, recuando 1,4 p.p. em doze meses. Ocorreram reduções em doze meses de 1,9 p.p. no segmento de pessoas físicas e de 1,1 p.p. no de pessoas jurídicas.

Gráfico 3.5 – Spread médio das operações de crédito
p.p. – Média e PJ 16 14 12 10 8 6 Ago 2012
p.p. – PF

25 23 21 19 17 15 Ago PF

Out

Dez Total

Fev 2013 PJ

Abr

Jun

Gráfico 3.6 – Taxa de inadimplência1/
% 6 5 4 3 2 1 Ago 2012

Out

Dez

Fev 2013

Abr

Jun PF

Ago

Total PJ 1/ Percentual da carteira com atraso superior a noventa dias.

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Banco Central do Brasil

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Relatório de Inflação

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Gráfico 3.7 – Base monetária e meios de pagamento – Média dos saldos diários
R$ bilhões 330 300 270 240 210 180 150 120 Ago 2010 Dez Abr 2011 Ago Dez Abr 2012 Ago Dez M1 Abr 2013 Ago

A taxa de inadimplência do sistema financeiro, consideradas operações com atraso superior a noventa dias, atingiu 3,3% em agosto (menor nível da série iniciada em março de 2011), recuando 0,3 p.p. no trimestre e 0,6 p.p. em doze meses. Ocorreram, no trimestre, reduções de 0,3 p.p. no segmento de pessoas jurídicas e de 0,5 p.p. no segmento de pessoas físicas, e recuos respectivos de 0,4 p.p. e 0,2 p.p. nas operações com recursos livres e com recursos direcionados.

Base monetária

3.2 Agregados monetários
O saldo médio diário dos meios de pagamento restritos (M1) totalizou R$297,7 bilhões em agosto, elevando-se 2,4% no trimestre e 11,9% em doze meses; e o relativo à base monetária, R$213 bilhões, com crescimentos respectivos de 2,4% e 8,1%. A base monetária, considerados saldos em final de período, atingiu R$209,6 bilhões em agosto, elevando-se 4,3% em relação a maio. Ressaltem-se, no trimestre, o impacto expansionista de R$52,4 bilhões das operações com títulos públicos federais; e os contracionistas das operações do Tesouro Nacional, R$20,9 bilhões; dos recolhimentos compulsórios, R$10,9 bilhões; e das vendas líquidas, com compromisso de recompra, de divisas pelo Banco Central, R$11,9 bilhões. Os meios de pagamento, no conceito M2, totalizaram R$1,8 trilhão em agosto, elevando-se 3% no trimestre e 8,8% em doze meses. O M3 atingiu R$3,7 trilhões, com aumentos de 1,2% no trimestre e 9,7% em doze meses; e o M4 somou R$4,3 trilhões, com expansões respectivas de 0,6% e 8,3%.

Gráfico 3.8 – Meios de pagamento ampliados Variação percentual em 12 meses
% 25

20

15

10

5 Fev 2011 Mai Ago Nov M2 Fev 2012 Mai M3 Ago Nov Fev Mai 2013 M4 Ago

Gráfico 3.9 – Taxas de juros
% a.a. 10,5 10,0 9,5 9,0 8,5 8,0 7,5 7,0 6,5 11.3 2013 9.4 8.5 6.6 4.7 2.8 30.8

Selic Swap DI x Pré 360 dias Fontes: BM&FBOVESPA e Banco Central

Swap DI x Pré 30 dias

Gráfico 3.10 – Taxa de juros ex-ante deflacionada pelo IPCA para 12 meses
% a.a. 3,5
3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 Jun 2012 Ago Out Dez Fev 2013 Abr Jun Ago

Taxas de juros reais e expectativas de mercado
As taxas de juros futuros apresentarem tendência de elevação para todos os vértices durante o trimestre iniciado em junho, com maior volatilidade para os prazos mais longos. As taxas dos contratos de swap Depósito Interfinanceiro (DI) x pré de 30 e 360 dias atingiram, na ordem, 8,7% a.a. e 10,2% a.a. ao final de agosto (aumentos trimestrais respectivos de 102 p.b. e 153 p.b.). As expectativas para a taxa Selic e para a inflação medida pelo IPCA para os próximos doze meses aumentaram ao

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Setembro 2013

Gráfico 3.11 – Ibovespa
Pontos 64 000

59 000

longo do trimestre, porém, revertendo essa tendência ao final do período. A taxa Selic real ex ante para os próximos doze meses, deflacionada pelo IPCA, cresceu 0,6 p.p., para 3,2% a.a., no trimestre.

54 000

49 000

Mercado de capitais
17.7 29.8 15.10 30.11 16.1 2013 5.3 18.4 4.6 18.7 30.8

44 000 31.5 2012

Fonte: BM&FBOVESPA

Gráfico 3.12 – Bolsas de valores
Fev/2012 = 100 130 120 110 100 90 80 70 60 50 Fev 2012 Abr Jun Ago Out Dez Fev 2013 Abr Jun Ago

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa), após recuar em junho e registrar ligeira recuperação em julho, atingiu 50.011 pontos no final de agosto (53.506 pontos no final de maio). No trimestre, o valor de mercado das empresas listadas no índice recuou 6%, para R$1.792 bilhões, e a média diária do volume transacionado permaneceu estável. Avaliado em dólares, o Ibovespa depreciou 16% no trimestre, enquanto os índices Dow Jones e Nasdaq apresentaram queda de 2% e alta de 3,9%, respectivamente. O financiamento das empresas no mercado de capitais, mediante emissões de ações, debêntures, notas promissórias e colocação de recebíveis de direitos creditórios, atingiu R$79 bilhões de janeiro a julho de 2013 (R$67,5 bilhões no mesmo período do ano anterior). Destacou-se o volume de emissão de debêntures de R$60,8 bilhões9.

Ibovespa (US$)

Dow Jones

Nasdaq

Fontes: BM&FBOVESPA, Dow Jones, Nasdaq

Gráfico 3.13 – Emissões primárias no mercado de capitais
R$ bilhões – Acumulado até julho 60 50 40 30 20 10 0 Ações 2010
Fonte: CVM

3.3 Política fiscal
Em junho, foi editado Decreto autorizando reajuste parcial nas alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre produtos da linha branca, móveis, painéis e afins. As alíquotas, em vigor a partir de 1º de julho, retornam, em primeiro de outubro de 2013, aos níveis vigentes antes da redução. A Programação Orçamentária e Financeira do Governo Central foi alterada em julho, destacando-se o aumento, de R$63,1 bilhões para R$73,1 bilhões, no superavit primário de 2013, decorrente da redução de R$10 bilhões nas despesas primárias, em relação ao valor considerado anteriormente. Em agosto foi encaminhado ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual referente ao exercício de 2014, que prevê abatimento de R$58 bilhões na meta de superávit do Governo Central. Assim, o superavit primário do setor

Notas promissórias 2011

Direitos creditórios 2012

Debêntures 2013

Tabela 3.4 – Necessidades de financiamento do setor público – Resultado primário
Acumulado em 12 meses Segmento 2011 R$ bilhões Governo Central Governos regionais Empresas estatais Total % PIB 2012 R$ bilhões -86,1 -21,5 2,6 -105,0 % PIB -2,0 -0,5 0,1 -2,4 Jul 2013 R$ bilhões -71,7 -20,6 4,1 -88,2 % PIB -1,6 -0,4 0,1 -1,9

-93,0 -2,2 -33,0 -0,8 -2,7 -0,1 -128,7 -3,1

9/ Foram consideradas as emissões públicas e com esforços restritos de colocação e excluídas as emissões feitas por empresas de arrendamento mercantil (leasing).

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Relatório de Inflação

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Gráfico 3.14 – Receita bruta do Tesouro Nacional Acumulado até julho
R$ bilhões 600 500 400 300 200 100 0 Impostos Contribuições
2012

público consolidado em 2014 foi estimado em R$109,4 bilhões (2,1% do PIB).
503

470

224 236

176

193 70 74

Necessidades de financiamento do setor público
O superavit primário do setor público consolidado somou R$54,4 bilhões (2,01% do PIB), nos sete primeiros meses do ano (2,85% do PIB em igual período de 2012). Houve redução do superavit em todas as esferas do setor público, com destaque para o Governo Central (0,69 p.p. do PIB). Considerado períodos de doze meses, o superavit atingiu R$88,2 bilhões (1,91% do PIB) em julho.
% do PIB 11,5 4,3 7,2 0,9 0,2 0,7 1,4 3,9 0,0

Demais
2013

Total

Fonte: Ministério da Fazenda/STN

Tabela 3.5 – Despesas do Tesouro Nacional Janeiro-julho
Discriminação 2012 R$ milhões Total Pessoal e encargos sociais Custeio e capital FAT Subsídio e subvenções Loas/RMV Investimento Outras Transferências ao Bacen
Fonte: Ministério da Fazenda/STN

2013 % do PIB 11,2 4,3 6,8 0,9 0,3 0,7 1,5 3,4 0,1 R$ milhões 313 591 116 544 195 755 25 073 6 721 19 647 38 784 105 530 1 292

279 286 107 725 170 229 22 003 8 432 17 013 38 758 84 023 1 332

Tabela 3.6 – Resultado primário da Previdência Social Janeiro-julho
R$ bilhões Discriminação Arrecadação bruta Restituição/devolução Transferência a terceiros Arrecadação líquida Benefícios previdenciários Resultado primário Arrecadação líquida/PIB Benefícios/PIB Resultado primário/PIB
Fonte: Ministério da Fazenda/STN

A receita bruta do Governo Federal totalizou R$502,8 bilhões nos sete primeiros meses de 2013, elevando-se 7% em relação a igual intervalo do ano anterior. Destacaramse os aumentos respectivos de 11,9% e 10,6% nas arrecadações da Cofins e do PIS/Pasep, e o crescimento de R$5,2 bilhões nas receitas de concessões, que totalizaram R$6,1 bilhões. Em sentido inverso, ocorreram decréscimos de 24,6% nas receitas de dividendos e de 6,3% no Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) – Rendimentos de Capital, este evidenciando o recuo nos recolhimentos de fundos e aplicações de renda fixa. As despesas do Tesouro Nacional totalizaram R$313,6 bilhões nos sete primeiros meses de 2013, elevandose 12,3% em relação a igual período do ano anterior. Os gastos com pessoal e encargos aumentaram 8,2%, e os relativos a custeio e capital, 15%, com destaque para os aumentos respectivos de 17,4% e 15,5% nas despesas discricionárias e nos gastos com benefícios assistenciais (Lei Orgânica da Assistência Social – Loas /Renda Mensal Vitalícia – RMV). As despesas com os investimentos incluídos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) elevaram-se 6,8% no período, enquanto os investimentos totais aumentaram 0,1%. A arrecadação líquida da Previdência Social, refletindo a evolução da massa salarial, cresceu 11%, para R$164,4 bilhões, nos sete primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2012. As despesas com benefícios aumentaram 13,6%, para R$194,5 bilhões, resultado de elevações de 7,9% no valor médio dos benefícios pagos e de 3,6% na quantidade média mensal. O deficit da Previdência cresceu 30,1% no período, para R$30,1 bilhões.

2012

2013

Var. % 11,2 4,8 12,9 11,0 13,6 30,1

165,9 184,4 -0,5 -17,2 -0,6 -19,4

148,1 164,4 171,3 194,5 -23,1 5,9% 6,9% -30,1 6,1% 7,2%

-0,9% -1,1%

Gráfico 3.15 – Crescimento das receitas e despesas do Governo Central Jan-jul 2013/Jan-jul 2012
% 14 12 10 8 6 4 2 0 Receita total Fonte: MF/STN Receita líquida Despesas

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Setembro 2013

Gráfico 3.16 – Transferências para estados e municípios
R$ bilhões 120 100 80 80 60 40 20 0 Constitucionais
2012

106 84

110

As receitas totais do Governo Central (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) somaram R$658,2 bilhões nos sete primeiros meses de 2013, elevando-se 7,9% em relação a igual período do ano anterior, enquanto as despesas cresceram 12,8%, para R$510,3 bilhões, no período. As transferências para os governos regionais atingiram R$109,8 bilhões nos sete primeiros meses do ano. O aumento de 3,9% em relação ao mesmo período de 2012 refletiu, em especial, as elevações no Salário Educação, 12,1%; nas transferências constitucionais, 5,3%; e nas transferências de royalties, de 3,1%. As arrecadações do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) cresceram, na ordem, 11,3% e 8% no primeiro semestre de 2013, relativamente ao mesmo período de 2012, totalizando R$176 bilhões e R$22 bilhões, respectivamente. O superavit primário dos estados e municípios atingiu R$16,9 bilhões (0,62% do PIB) nos sete primeiros meses do ano (0,71% do PIB em igual intervalo de 2012), com recuo no superavit dos governos estaduais e elevação no dos governos municipais. Os juros nominais, apropriados por competência, totalizaram R$141,5 bilhões (5,21% do PIB) nos sete primeiros meses do ano (5,14% do PIB em igual período de 2012). Considerado períodos de doze meses, os juros nominais somaram 4,91% do PIB em julho. O resultado nominal do setor público, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$87 bilhões (3,21% do PIB) nos sete primeiros meses do ano (2,29% do PIB em igual intervalo de 2012). O financiamento ocorreu por intermédio de expansão da dívida mobiliária, neutralizada, em parte, por reduções na dívida bancária líquida, no financiamento externo líquido e nas demais fontes de financiamento interno, que incluem a base monetária.

26

26

Demais
2013

Total

Fonte: MF/STN

Gráfico 3.17– Governos regionais: superavit primário acumulado em doze meses e dívida líquida
% PIB 0,9 0,8 0,7 12,0 0,6 0,5 0,4 Jan 2011 Abr Jul Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul 11,5 Superavit primário Dívida líquida 13,0

12,5

11,0

Superavit primário

Dívida líquida

Gráfico 3.18 – Juros nominais apropriados
% PIB 6,0 5,8 5,6 5,4 5,2 5,0 4,8 4,6 2010 2011 2012 1/ Acumulado em doze meses até julho.
1/

5,71

5,18

4,86

4,91

2013

Tabela 3.7 – Necessidades de financiamento do setor público
Discriminação 2011 R$ bilhões Usos Primário Juros Fontes Financiamento interno Dívida mobiliária Dívida bancária Outros Financiamento externo
1/ Acumulado em 12 meses.

2012 % PIB R$ bilhões 2,6 -3,1 5,7 2,6 5,2 5,4 -0,5 0,3 -2,6 108,9 -105,0 213,9 108,9 131,5 311,4 -207,7 27,8 -22,6 2,5 -2,4 4,9 2,5 3,0 7,1 -4,7 0,6 -0,5 % PIB

Jul 20131/ R$ bilhões 138,7 -88,2 226,9 138,7 140,9 226,1 -101,9 16,7 -2,2 3,0 -1,9 4,9 3,0 3,1 4,9 -2,2 0,4 0,0 % PIB

108,0 -128,7 236,7 108,0 214,4 223,8 -21,0 11,6 -106,5

Operações do Banco Central no mercado aberto
As operações primárias do Tesouro Nacional com títulos públicos federais resultaram em resgates líquidos, com

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Gráfico 3.19 – Posição líquida de financiamento dos títulos públicos federais – Média diária
R$ bilhões 800 700 600 500 400 300 200 100 0 Jan 2011 Abr Jul Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul

impacto monetário expansionista, de R$65,8 bilhões no trimestre encerrado em julho, decorrente de colocações de R$107,6 bilhões e resgates de R$173,4 bilhões. As operações de trocas totalizaram R$18,7 bilhões, das quais 76,9% com Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B); 10,8% com Letras Financeiras do Tesouro (LFT); 10% com Letras do Tesouro Nacional (LTN); 1,7% com Notas do Tesouro Nacional – Série C (NTN-C); e 0,7% com Notas do Tesouro Nacional – Série A (NTN-A). Os resgates antecipados atingiram R$2,7 bilhões no período, sendo 53,7% realizados com NTN-B; 24,3% com LTN; e 22% com Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F). O saldo médio diário das operações de financiamento e de go around realizadas pelo Banco Central totalizou R$726,7 bilhões em julho, aumentando 5% em relação a abril. Ocorreram elevações nas operações de prazo inferior a duas semanas, de R$137,6 bilhões para R$192 bilhões; e nas de duas semanas a três meses, de R$97,5 bilhões para R$194 bilhões; e redução, de R$456,9 bilhões para R$340,6 bilhões, nas operações de prazo de três a sete meses.

Gráfico 3.20 – Operações compromissadas do Banco Central – Volume por prazo – Média dos saldos diários
R$ bilhões 350 300 250 200 150 100 50 0 Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul 2012 2013
Até 2 semanas De 2 semanas a 3 meses 3 meses ou mais

Dívida mobiliária federal
Gráfico 3.21 – Composição da dívida mobiliária federal1/
% 40 30 20 10 0 Over/Selic Prefixado Índices de preços
Dez 2012

Câmbio

TR

Mercado aberto

A dívida mobiliária federal, avaliada pela posição de carteira, totalizou R$1.864,3 bilhões em julho (40,4% do PIB), recuando 0,6 p.p. do PIB em relação a abril e 1,3 p.p. do PIB em doze meses. A evolução trimestral decorreu de resgates líquidos realizados no mercado primário (R$40,6 bilhões), incorporação de juros nominais (R$51,6 bilhões) e do impacto de R$1,5 bilhão da depreciação cambial de 14,4%, no período. As participações, na dívida mobiliária federal, dos títulos indexados a índices de preços e prefixados recuaram, na ordem, 1,6 p.p. e 0,4 p.p. no trimestre encerrado em julho, enquanto as dos financiamentos do Banco Central por meio das operações do mercado aberto e dos títulos indexados a taxas over/Selic e ao câmbio elevaram-se 1,2 p.p., 0,9 p.p. e 0,1 p.p., respectivamente. O cronograma de amortização da dívida mobiliária em mercado, exceto operações de financiamento, registrou a seguinte estrutura de vencimentos em julho: 4,9% do total em 2013; 20,5% em 2014; e 74,6% a partir de janeiro de 2015. Os títulos vincendos em 12 meses representaram 19,9% da dívida mobiliária em mercado, cujo prazo médio de vencimento totalizou 51,2 meses, no mês.

Dez 2011

Jul 2013

1/ Não inclui swap.

Gráfico 3.22 – Perfil de vencimentos da Dívida Mobiliária %
70 60 50 40 30 20 10 0 Jan 2011 Abr Jul Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul

Até 1 ano

Entre 1 e 2 anos

Acima de 2 anos

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Tabela 3.8 – Evolução da dívida líquida Fatores condicionantes
Discriminação 2011 R$ milhões Dívida líquida total – Saldo 1 508 547 36,4 1 550 083 35,2 1 573 789 34,1 % PIB 2012 R$ milhões % PIB Jul 2013 R$ milhões % PIB

O estoque líquido das operações de swap cambial atingiu R$61 bilhões em julho. O resultado obtido no trimestre (diferença entre a rentabilidade do Depósito Interfinanceiro – DI e a variação cambial mais cupom) foi desfavorável ao Banco Central em R$1,8 bilhão, no conceito caixa.

Fluxos acumulados no ano Variação DLSP Fatores NFSP Primário Juros Ajuste cambial Dívida interna Outros
2/ 1/

32 727 -2,7 32 727 107 963 236 673 0,8 2,6 5,7

41 536 -1,2 41 536 108 912 213 863 0,9 2,5 4,9

23 706 -1,1 23 706 87 042 141 487 0,5 1,9 3,1

Dívida líquida do setor público
A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) atingiu R$1.573,8 bilhões (34,1% do PIB) em julho. A redução de 1,1 p.p. do PIB em relação a dezembro de 2012 refletiu os impactos da depreciação cambial de 12,1% no período, -1,7 p.p; do crescimento do PIB corrente, -1,6 p.p.; do superavit primário, -1,2 p.p., da apropriação de juros nominais, 3,1 p.p.; e do ajuste de paridade da cesta de moedas que compõem a dívida externa líquida, 0,3 p.p. Em relação à composição da DLSP, destacaram-se, no ano, os crescimentos respectivos de 13,2 p.p. e 4,1 p.p. nas parcelas vinculadas à taxa Selic e credora vinculada ao câmbio (77,2% e 47,7% do total, respectivamente), e os recuos respectivos de 6,1 p.p. e 2,8 p.p. nas parcelas pré-fixadas e sem remuneração (43,9% e 11,4% do total, respectivamente). A Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, governos estaduais e governos municipais) atingiu R$2.744 bilhões (59,4% do PIB), em julho, aumentando 0,7 p.p. em relação a dezembro de 2012.

-128 710 -3,1

-104 951 -2,4

-54 445 -1,2

-66 626 -1,6 -3 405 -0,1 -63 221 -1,5 -9 097 -0,2 487 0 0,0 0,0

-56 560 -1,3 -3 171 -0,1 -53 389 -1,2 -5 011 -0,1 -5 805 -0,1 0 0,0

-79 222 -1,7 -4 177 -0,1 -75 045 -1,6 15 992 - 106 0 0,3 0,0 0,0

Dívida externa Reconhecimento de dívidas Privatizações Efeito crescimento PIB

-3,5

-2,1

-1,6

1/ Dívida mobiliária interna indexada ao dólar. 2/ Paridade da cesta de moedas que compõem a dívida externa líquida.

Gráfico 3.23 – DLSP – Participação percentual por indexadores
Percentual 75 60 45 30 15 0 -15 -30 -45 Selic 2009 Prefixada 2010 2011 IPCA 2012 Câmbio Jul 2013 Outros

3.4 Conclusão
O crescimento das operações de crédito manteve ritmo moderado no trimestre encerrado em julho, com tendência de expansão mais acentuada nas contratações com recursos direcionados e nas realizadas pelos bancos públicos. Essa evolução reflete a demanda mais intensa por modalidades de crédito mais baratas e de prazo mais longo, como financiamentos com recursos do BNDES e imobiliários, com recursos direcionados; e créditos consignados, com recursos livres. A trajetória das receitas públicas nos sete primeiros meses de 2013 refletiu a gradual intensificação da atividade

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econômica desde o final do ano anterior e o impacto das medidas de estímulo fiscal adotadas recentemente. O cenário prospectivo para os resultados fiscais indica que se criam condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade.

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Economia internacional

Tabela 4.1 – Maiores economias Componentes do PIB
Discriminação PIB Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão China
1/ 1/

2011 III 1,4 0,3 2,4 10,7 9,1 2,1 1,0 -0,6 6,0 16,8 -0,8 -4,2

IV 4,9 -0,8 -0,4 1,4 7,4 2,4 -2,6 2,2 2,6 9,5 -2,2 -4,7

2012 I 3,7 -0,4 0,0 5,0 6,1 2,9 -1,5 0,4 3,7 5,8 -4,3 17,5 -9,1 22,9 -2,1 -5,9 4,2 3,2 -6,8 11,2 0,7 -0,1 1,6 8,3 -1,4 -1,3 11,3 11,3

Taxa % trimestral anualizada 2013 II III IV I II 1,2 -1,1 -2,0 -1,2 8,7 1,9 -2,3 2,2 0,3 4,5 -7,4 -8,2 2,8 -0,4 3,0 -3,5 8,2 1,7 -0,3 0,8 -1,5 0,3 -1,6 0,1 -1,9 -0,9 1,1 7,8 1,7 -1,8 1,5 2,0 9,8 -4,8 -4,8 1,1 -0,6 1,1 4,1 6,6 2,3 -0,8 2,1 3,4 -4,6 -8,5 0,6 -0,1 2,5 1,2 2,9 3,8 7,0 1,8 0,7 1,1 3,0 4,4 1,0 6,8 5,1

Consumo das famílias Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão
2/ 2/

Formação Bruta de Capital Fixo das empresas

-6,4 -18,4

A perspectiva de crescimento moderado para a atividade global em 2013 se manteve nos meses recentes, não obstante a ocorrência de avanços localizados nas economias desenvolvidas, notadamente os Estados Unidos da América (EUA). Nesse contexto, o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco da Inglaterra (BoE) optaram pela introdução de mecanismos de forward guidance (orientação prospectiva de política), o que, na prática, mantém ampliado o horizonte de postura acomodatícia de suas políticas monetárias. O Federal Reserve dos EUA (Fed) modificou sua comunicação de política monetária, fortalecendo as perspectivas de início do processo de normalização das condições monetárias nos EUA. Nas economias emergentes, de modo geral, ainda tem prevalecido postura expansionista de política monetária. Nos mercados internacionais, o processo de acomodação dos preços das commodities agropecuárias prosseguiu no trimestre encerrado em agosto, enquanto o aumento nas cotações das commodities energéticas refletiu, em especial, as tensões geopolíticas no Oriente Médio e Norte da África.

4

6,8 37,6 6,1 12,3 -3,5 31,4 21,2 7,0 4,8 -1,8 0,4 -3,4 2,7 1,2

-2,8 -12,2

Investimento residencial Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão Gastos do Governo Estados Unidos Área do Euro Reino Unido Japão
4/ 4/ 3/

5,7 14,2 19,8 -6,4 8,8 3,8 4,3 -2,3 -0,9 -5,7

12,5 12,9 -6,2 7,7 -1,3 -4,0 2,9 -1,0 8,6 6,8 1,7 64,7

-10,5 -12,8 -15,6 -34,3 6,7 15,1 0,4 2,6 7,8 1,1 -2,2 -7,6

4.1 Atividade econômica
Nos EUA, a variação anualizada do PIB atingiu 2,5% no segundo trimestre de 2013 (1,1% no primeiro), ressaltandose as contribuições respectivas de 1,2 p.p., 0,6 p.p. e 0,5 p.p. do consumo das famílias, dos estoques e do investimento não residencial. O impacto do setor externo foi nulo, reflexo de elevações de 8,6% nas exportações e de 7% nas importações. A produção industrial registrou estabilidade mensal em julho (crescimento de 0,1% em junho). O nível de utilização da capacidade instalada atingiu 77,6%, menor patamar desde outubro de 2012, e o PMI manufatureiro totalizou 55,4 pontos (50,9 pontos em junho). O indicador de sentimento do consumidor, divulgado pela Universidade de Michigan, aumentou do inicio do ano

Exportações de bens e serviços

4,3 20,3 41,9 -10,6 4,9 2,2 4,0 14,4 -2,5 -1,2 -1,7 0,5 5,9 -4,6 4,6 7,7 -1,5 0,7 1,7 -0,8

-0,5 15,2 16,8 12,4 0,6 -4,2 4,1 -4,2 -0,0 0,4 1,3 7,0 5,5 6,2 -0,9 1,7 3,7 5,0

-0,7 -16,8 -10,2 2,5 -0,7 6,4 5,4 0,3 -1,2 -3,6 3,5 0,5 0,7 2,5 -0,0 3,5 -0,8 3,5 4,1 -3,1 -3,5 -4,1 -7,8 -6,5 0,4 3,2 4,3

Importações de bens e serviços

-7,7 10,5

Fontes: BEA, Thomson, Cabinet Office e Eurostat 1/ Informações referentes à China disponíveis apenas para o PIB e somente a partir do último trimestre de 2010. 2/ Formação Bruta de Capital Fixo total (inclui governo). 3/ Formação Bruta de Capital Fixo. 4/ Somente consumo do governo.

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Gráfico 4.1 – PMI manufatura Maiores economias
65 60 55 50 45 40 Ago 2011 Nov Fev 2012 EUA Japão China Mai Ago Nov Fev 2013 Mai Ago

até julho, quando atingiu 85,1 pontos – maior patamar desde julho de 2007 – e recuou 3 pontos em agosto. Esse movimento Aug refletiu, em parte, a elevação das taxas de 2011 juros, no período. Ressalte-se o desempenho positivo dos Sep mercados imobiliário e acionário; bem como a geração de 526 Oct mil postos no trimestre terminado em julho (673 Nov mil no Dec finalizado em abril), contribuindo para que a taxa de desemprego recuasse para 7,4%, menor nível desde Jan Feb dezembro 2012de 2008.
Mar Apr anualizada dos gastos pessoais com consumo A variação May desacelerou para 1,8% no segundo trimestre do ano, apesar do crescimento de 3,4% da renda pessoal disponível, e contribuiu para que a taxa de poupança média aumentasse para 4,5% no período.

Área do Euro Reino Unido

Fonte: Thomson

Gráfico 4.2 – Evolução das taxas de desemprego Maiores economias desenvolvidas
% 14 12 10 8 6 4 2 Jan 2011 Abr Jul Out Jan 2012 Abr Jul Out Jan 2013 Abr Jul

EUA Área do Euro Fonte: Bloomberg

Japão Reino Unido

Na área do Euro, a atividade econômica cresceu 1,2% no segundo trimestre de 2013, em termos anualizados (2,9% na Alemanha, 1,9% na França e -1% na Itália). Trata-se do primeiro resultado positivo em sete trimestres, nessa base de comparação, configurando o fim do ciclo recessivo mais longo do bloco econômico. Nesse contexto, o PMI composto atingiu 50,5 pontos de julho, indicando expansão; a taxa de desemprego se manteve em 12,1% no segundo trimestre; o índice de confiança dos consumidores vem se recuperando, a despeito de ainda estar em nível reduzido; e as vendas no varejo seguem em patamar semelhante as do ano anterior. A variação anualizada do PIB do Reino Unido atingiu 2,9% no segundo trimestre (1,1% no primeiro), destacando-se, no âmbito da oferta, as expansões de 2,3% no setor de serviços e de 5,8% na construção; e na demanda, as contribuições das exportações líquidas, 1,3 p.p.; da formação bruta de capital fixo, 0,9 p.p.; do consumo privado, 0,7 p.p.; e da variação de estoques, -0,9 p.p. A taxa de desemprego permaneceu estável no segundo trimestre, em 7,8%. A economia do Japão cresceu 3,8%, em termos anualizados, no segundo trimestre de 2013 (4,1% no primeiro trimestre), destacando-se as contribuições do consumo privado, 1,9 p.p., e das exportações líquidas, 1,3 p.p. A produção industrial e as vendas no varejo aumentaram 1,5% e 1,1%, respectivamente, no segundo trimestre, em relação ao trimestre anterior. O PMI composto, em desaceleração desde maio, se posicionou em 50,7 pontos em julho. Na China, a variação anualizada do PIB atingiu 7% no segundo trimestre (6,6% no anterior). Em relação a igual período do ano anterior, a taxa de expansão passou de 7,7% para 7,5%. Em julho, as taxas de crescimento mensais dos

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investimentos em ativos fixos, das vendas no varejo e da produção industrial atingiram, na ordem, 1,6%, 1,2% e 0,9%, salientando-se que a taxa de crescimento interanual dos investimentos em ativos fixos no setor manufatureiro, em que pese a desaceleração, atingiu 17,1% em julho. As exportações e as importações aumentaram, na ordem, 5,1% e 10,9% em julho, em relação a igual período de 2012. O PMI composto, depois de nove meses consecutivos acima dos 50 pontos, recuou para 49,8 pontos em junho e 49,5 pontos em julho.

Gráfico 4.3 – Inflação ao consumidor Variação anual
% 7 5 3 1 -1 -3 Jul 2009 Jan 2010
EUA Reino Unido

4.2 Política monetária e inflação
A inflação anual ao consumidor nos EUA atingiu 2% em julho (1,8% em junho), evolução decorrente, em especial, do aumento de 4,7% nos preços da energia. Com efeito, o núcleo do IPC, que exclui alimentos e energia, se posicionou próximo a 1,7% nos últimos quatro meses. A variação anual do deflator das despesas pessoais de consumo (DPC) aumentou para 1,4% em julho. Nesse cenário, o Comitê de Mercado Aberto (Fomc) do Federal Reserve manteve a meta para a taxa dos Fed funds entre 0% e 0,25%, fixada nesse intervalo desde dezembro de 2008, ressaltando que a postura altamente acomodatícia da política monetária deve manter-se por tempo considerável. Mais especificamente, desde dezembro de 2012, o Comitê instituiu mecanismo de forward guidance que sinaliza que níveis excepcionalmente baixos para a taxa dos Fed funds devem predominar pelo menos enquanto a taxa de desemprego se situar acima de 6,5%; a projeção da inflação medida pelo deflator das DPC no horizonte entre um e dois anos não ultrapassar 2,5%; e as expectativas de inflação de longo prazo continuarem bem ancoradas. Na Área do Euro, a variação anual do Índice de Preços ao Consumidor Harmonizado (IPCH) atingiu 1,6% em julho, enquanto a inflação de alimentos (inclusive bebidas alcoólicas Período e fumo) e o núcleo do IPCH, que exclui as variações de jan 1999 preços dos alimentos e da energia, variaram 3,5% e 1,1%, Fev respectivamente. Nesse cenário, o BCE manteve a taxa das Mar principais operações de refinanciamento (main refinancing Abr Mai operations ) em 0,5% e a taxa de empréstimo marginal Jun (marginal lending facility) em 1%. Na reunião de 1º de Jul agosto, o BCE introduziu mecanismo de forward guidance Ago em sua comunicação oficial, indicando as taxas de juro de Set referência tendem a permanecer nos níveis atuais ou abaixo Out deles por um período de tempo prolongado. Nov
Dez

Jul

Jan 2011

Jul

Jan 2012

Jul

Jan 2013
Japão

Jul

Área do Euro China

Fontes: BLS, Eurostat, Bloomberg e ONS

Gráfico 4.4 – Inflação de energia Variação anual
% 30 20 10 0 -10 -20 -30 Jul 2009 Jan 2010
EUA

Jul

Jan 2011

Jul

Jan 2012
Japão

Jul

Jan 2013

Jul

Área do Euro

Reino Unido

Fonte: Thomson

Gráfico 4.5 – Taxas de juros oficiais Taxas anuais
% 7 6 5 4 3 2 1 0 -1 Ago 2010 Dez
EUA Japão

Abr 2011

Ago

Dez

Abr 2012
China

Ago

Dez

Abr 2013

Ago

Área do Euro

Reino Unido

Fontes: Fed, BCE, BoJ, Banco da Inglaterra e Banco do Povo da China

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Gráfico 4.6 – Núcleo da inflação ao consumidor Variação anual
% 4 3 2 1 0 -1 -2 -3 Jul 2009 Jan 2010
EUA

Jul

Jan 2011

Jul

Jan 2012

Jul

Jan 2013

Jul

Área do Euro

Japão

Reino Unido

Fontes: BLS, Eurostat, Bloomberg e ONS

No Reino Unido, a variação anual do IPC atingiu 2,8% em julho, a inflação de alimentos, 4,4%, e a do grupo eletricidade, gás e outros combustíveis, 8,2%. O Comitê de Política Monetária do BoE manteve a taxa de juro que remunera as reservas dos bancos comerciais (Bank rate) em 0,5%, patamar vigente desde março de 2009, e o programa de compra de ativos financiado pela emissão de reservas bancárias em £375 bilhões. Na reunião de 1º de agosto, o BoE também introduziu mecanismo de forward guidance para a condução da política monetária, sinalizando que não pretende elevar a Bank rate ou reduzir o tamanho do programa de compra de ativos durante o tempo em que a taxa de desemprego se encontrar acima de 7%, desde que: a projeção para a inflação ao consumidor no horizonte de 1,5 a 2 anos não ultrapasse 2,5%; as expectativas inflacionárias de médio prazo permaneçam suficientemente bem ancoradas; e o atual expansionismo monetário não ofereça riscos significativos à estabilidade financeira. As variações anuais do IPC e do respectivo núcleo atingiram 0,7% em julho, no Japão, maior patamar para os dois indicadores em quase cinco anos, destacando-se a influência dos preços de combustíveis, água e luz, cujo índice conjunto variou 6,4%, no período. No âmbito do programa de relaxamento monetário quantitativo e qualitativo (quantitative and qualitative monetary easing), o BoJ ratificou que as operações do mercado monetário serão conduzidas de maneira a ampliar a base monetária entre ¥60 e 70 trilhões ao ano, e manteve as diretrizes da política de compra de ativos. Na China, a inflação anual ao consumidor atingiu 2,7% em julho, mesmo patamar de junho. Os preços dos alimentos variaram 5,0% e os dos produtos não alimentícios, 1,6%, patamar observado desde abril. Nesse contexto, o Banco do Povo da China (BPC) manteve a taxa de política monetária em 6% e as taxas de recolhimento compulsório para pequenos e grandes bancos em 18% e 20%, respectivamente. Dando sequência ao processo gradual de liberalização das taxas de juro, o BPC eliminou, em 20 de julho, todas as restrições sobre as taxas de empréstimo dos bancos (excetuando-se as das hipotecas residenciais), que anteriormente respeitavam o piso de 70% da taxa de referência do BPC.

Gráfico 4.7 – Inflação de alimentos1/ Variação anual
% 16 14 12 10 8 6 4 2 0 -2 -4

Jul 2009

Jan 2010
EUA

Jul

Jan 2011

Jul

Jan 2012

Jul

Jan 2013
Japão

Jul

Área do Euro China

Reino Unido

Fonte: Thomson 1/ Para Área do Euro, inclui bebidas alcoólicas e tabaco.

Gráfico 4.8 – Retorno sobre títulos governamentais – 10 anos
% a.a. 8 7 6 5 4 3 2 1 0 2.9 2011 2.12
EUA Reino Unido

2.3 2012

1.6

31.8
Japão Itália

30.11

1.3 2013

31.5

30.8

Alemanha Espanha

Fonte: Bloomberg

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Gráfico 4.9 – CDS Soberanos (5 anos) p.b.
700 600 500 400 300 200 100 0 2.9 2011 2.12 EUA França Fonte: Bloomberg 2.3 2012 1.6 31.8 Espanha 30.11 Reino Unido 1.3 2013 31.5 Alemanha Itália 30.8

4.3 Mercados financeiros Internacionais
Evidências recentes de maior vigor da atividade nas economias maduras e indicação de acomodação das condições financeiras por prazo relevante na Área do Euro e Reino Unido amenizaram a percepção de risco em relação à economia europeia e favoreceram as condições de financiamento das economias periféricas. No mesmo sentido, contribuiu a continuidade da política expansionista no Japão. Em sentido inverso, observou-se aumento significativo da volatilidade nos mercados financeiros de economias emergentes e de economias maduras exportadoras de commodities, dadas as perspectivas de início do processo de normalização das condições monetárias nos EUA. Também contribuíram para esse aumento de volatilidade, incertezas quanto ao ritmo da atividade econômica na China e tensões geopolíticas. Nesse contexto, houve venda generalizada de títulos soberanos de várias economias maduras e a consequente elevação dos respectivos rendimentos anuais, que atingiram 4,53% na Espanha; 3,78% na Itália; 2,77% no Reino Unido; 2,76% nos EUA; e 1,86% na Alemanha. No Japão, os retornos de papéis similares declinaram para 0,71%. Os indicadores de risco soberano, Credit Default Swaps (CDS), dos EUA, Reino Unido, Espanha e da Itália recuaram, na ordem, 4,2 p.b., 7,6 p.b, 1,2 p.b. e 14,3 p.b. no trimestre encerrado em agosto, atingindo 22 p.b, 36 p.p, 233 p.b. e 240 p.b., respectivamente. Na mesma base de comparação, os CDS da Alemanha e da França aumentaram 0,2 p.b. e 2,6 p.b., situando-se em 28 p.b. e 70 p.b., respectivamente. O indicador de risco soberano Emerging Markets Bonds Index Plus (Embi+) elevou-se 76 p.b., encerrando o trimestre em 372 p.b. Destacaram-se os aumentos nos indicadores da Índia, 164 p.b.; Turquia 153 p.b.; Indonésia, 143 p.b.; África do Sul, 67 p.b.; Brasil, 45 p.b.; Rússia, 33 p.b.; e México, 25 p.b. A despeito da melhora de indicadores econômicos e da manutenção das políticas acomodatícias por prazo prolongado na maior parte das economias maduras, perspectivas de início do processo de normalização das condições monetárias nos EUA impactaram os mercados acionários na maior parte do trimestre encerrado em agosto. Nesse contexto, destacaram-

Gráfico 4.10 – Emerging Markets Bond Index Plus (Embi+)
p.b. 465 390 315 240 165 90 8.9 2011 6.1 7.5 2012 EMBI+ África do Sul Rússia 4.9 Índia Turquia México 2.1 2013 2.5 30.8 Indonésia Brasil

Fonte: Bloomberg.

Gráfico 4.11 – Bolsas de valores: EUA, Europa e Japão
2.9.2011 = 100 180 150 120 90 60 2.9 2011 2.12 2.3 2012 EUA Alemanha Fonte: Bloomberg 1.6 31.8 30.11 1.3 2013 31.5 30.8

Reino Unido Japão

Gráfico 4.12 – VIX – Índice de volatilidade
60

45

30

15

0 2.9 2.12 2011 Fonte:Blomberg 2.3 2012 1.6 31.8 30.11 1.3 2013 31.5 30.8

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Gráfico 4.13 – Bolsas de valores: mercados emergentes
02.09.2011 = 100 165 145 125 105 85 65

se os recuos nos índices Dow Jones, dos EUA (2%); DAX, da Alemanha (2,9%); FTSE 100, do Reino Unido (2,6%); e Nikkey 225, do Japão (2,8%). Ressalte-se que, nas duas últimas semanas de agosto, o acirramento das tensões geopolíticas decorrentes dos conflitos na Síria acentuou as perdas nos principais mercados acionários. O Chicago Board Options Exchange Volatility Index (VIX), que mede a volatilidade implícita de curto prazo do índice Standard and Poor's 500 (S&P 500) dos EUA, após atingir 20,5 pontos em 20 de junho, se posicionou em 11,8 pontos em 5 de agosto, em parte, reflexo de indicadores mais favoráveis para a atividade econômica na Área do Euro, Japão e China. Com o acirramento das tensões no Oriente Médio, o VIX retomou a trajetória de elevação e encerrou agosto em 17 pontos. Os mercados acionários de importantes economias emergentes registraram trajetórias declinantes no trimestre finalizado em agosto. Os índices Sensex, da Índia; Ibovespa, do Brasil; Shangai Composite, da China; e Istanbul National 100 Index, da Turquia, recuaram, na ordem, 5,8%, 6,5%, 8,8% e 22,8%, no período. No trimestre encerrado em agosto, o dólar dos EUA depreciou em relação ao euro, 1,7%; à libra, 1,9%; e ao iene, 2,3%. No âmbito das economias emergentes, o dólar apreciou ante o real, 11%; o dólar australiano, 8%; o rublo russo, 4%; e o peso mexicano, 4%.

2.9 2011

2.12 Brasil

2.3 2012

1.6 China

31.8

30.11

1.3 2013

31.5

30.8 Turquia

Índia

Fonte: Bloomberg

Gráfico 4.14 – Moedas de países desenvolvidos versus Dólar dos EUA (USD)
02.9.2011 = 100 140 130 120 110 100 90 2.9 2011 2.12 2.3 2012
USD/EUR

1.6

31.8

30.11

1.3 2013

31.5

30.8

USD/JPY

USD/GBP

Fonte: Bloomberg

Gráfico 4.15 – Moedas de países emergentes versus Dólar dos EUA (USD)
02.9.2011 = 100 150 138 126 114 102 90 2.9 2011 2.12 2.3 2012 1.6 31.8 30.11 1.3 2013 31.5 30.8

4.4 Commodities
Real/USD Rublo/USD Peso Mex./USD Dólar Australiano/USD

Fonte: Bloomberg

Gráfico 4.16 – Índice de Commodities – Brasil (IC-Br)
Dez/2005 = 100 (média mensal – R$) 150 140 130 120 110 100 90 Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago 2009 2010 2011 2012 2013 Fonte: BCB

O índice Standard & Poor’s (S&P) and Goldman Sachs Spot cresceu 6,8% no trimestre encerrado em agosto, resultado de aumento de 12,7% no segmento de commodities energéticas e recuos respectivos de 3,7% e 12,6% nos segmentos de commodities metálicas e agropecuárias. O Índice de Commodities – Brasil (IC-BR), calculado pelo Banco Central e mensurado em reais, variou 11,8% no período, resultado de crescimentos nos segmentos de commodities metálicas, 17,6%; energéticas, 13,6%; e agropecuárias, 10%. Consideradas médias trimestrais, o IC-Br aumentou 8% em relação ao trimestre encerrado em maio, em grande parte reflexo da depreciação do real no período. No segmento de commodities agropecuárias, destacaram-se, no trimestre encerrado em agosto, os recuos nas cotações dos itens soja – a despeito da intensificação das importações

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Dez/2005 = 100 (média mensal – R$) 160 150 140 130 120 110 100 90 80 70

Gráfico 4.17 – IC-Br segmentos

chinesas no período – café e açúcar, estes refletindo o nível confortável dos estoques nos mercados mundiais e a expectativa de intensificação das exportações de países produtores em resposta à apreciação do dólar norteamericano. O aumento na cotação do algodão evidenciou a redução da área plantada nos EUA, devido à diminuição da rentabilidade relativa da cultura. Nesse cenário, de acordo com o índice S&P e Goldman Sachs, os preços médios mensais do milho, soja, café, trigo, açúcar e algodão variaram, na ordem, -27,4%, -12,0%, -12,0%, -7,5%, -2,2% e 3,1%, no trimestre. Em relação às commodities metálicas, o índice S&P e Goldman Sachs registrou variações respectivas de 6,9%, 3,7%, -0,4%, -0,8% e -4,3% nas cotações médias mensais do chumbo, zinco, alumínio, cobre e níquel, no trimestre encerrado em agosto. De acordo com o Metal Bulletin, em ambiente de maior otimismo em relação à economia chinesa, em especial a partir de agosto, e de reduzidos estoques do produto, a média mensal da cotação do minério de ferro de teor 63,5% no mercado à vista chinês aumentou 8,56%, para US$137,40, no trimestre. A perspectiva de aceleração da atividade EUA, a divulgação de melhores indicadores econômicos na Europa e a intensificação das incertezas geopolíticas no Oriente Médio e no norte da África contribuíram para que o preço do petróleo tipo Brent aumentasse 16,1% no trimestre encerrado em agosto. Consideradas médias trimestrais, a cotação da commodity cresceu 2,11% em relação ao trimestre encerrado em maio.

60 Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago 2009 2010 2011 2012 2013 IC-Br Agropecuária IC-Br Metal IC-Br Energia Fonte: BCB

Gráfico 4.18 – Commodities: trigo, milho e soja
Dez/2005 = 100 (média mensal – US$) 420 380 340 300 260 220 180 140 100 Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago 2010 2010 2011 2012 2013 Trigo Fonte: S&P GSCI Milho Soja

Gráfico 4.19 – Commodities: açúcar, café e algodão
Dez/2005 = 100 (média mensal – US$) 400 350 300 250 200 150 100 50 Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago Dez Abr Ago 2009 2010 2011 2012 2013 Açúcar Café Algodão Fonte: S&P GSCI

4.5 Conclusão
Gráfico 4.20 – Petróleo – Mercado à vista
US$ por barril 130 120 110 100 90 80 70 24.7 2012

12.9

1.11

21.12 Brent

11.2 2013

2.4 WTI

22.5

11.7

30.8

Fonte: Bloomberg

A evolução do PIB das principais economias no segundo trimestre do ano confirmou as perspectivas de crescimento moderado para a atividade global em 2013. Não obstante, as perspectivas de início do processo de normalização da política monetária nos EUA impactaram de forma significativa os mercados financeiros internacionais, com aumento da volatilidade que se refletiu em maiores taxas de juros e prêmios de risco. Permanece, portanto, ambiente externo complexo, com riscos elevados à estabilidade financeira global.

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Setor externo

As perspectivas de início do processo de normalização das condições monetárias nos EUA têm reduzido os níveis globais de liquidez (que ainda permanecem, no entanto, elevados), aumentado as taxas de juros e a volatilidade nos mercados financeiros internacionais, e provocado apreciação do dólar. Consistente com esses desenvolvimentos, ocorreu moderação do fluxo de capitais – principalmente para economias emergentes – e encarecimento dos financiamentos externos. Nesse ambiente, o mercado de câmbio do país tem apresentado níveis elevados de volatilidade. No sentido de garantir o funcionamento adequado dos mercados, o Banco Central atuou ofertando proteção por meio de swap cambial e operações de venda de divisas, com compromisso de recompra. Especificamente, em agosto, a Autoridade Monetária anunciou programa de leilões diários, com frequência e volume mínimos definidos, para oferta de swap cambial e venda de dólares com compromisso de recompra. Importa destacar que esses instrumentos não afetam o estoque de reservas internacionais, no conceito liquidez, que permanece em patamar superior a US$370 bilhões. O deficit em transações correntes atingiu US$58 bilhões nos oito primeiros meses do ano (US$31,5 bilhões no período correspondente de 2012), destacando-se os impactos da reversão (para o campo negativo) do saldo comercial e da elevação das despesas líquidas com serviços e rendas. Em contrapartida, vale ressaltar o aumento nos ingressos líquidos de capital estrangeiro na conta financeira do balanço de pagamentos, no período.

5

Tabela 5.1 – Movimento de câmbio
US$ bilhões

Discriminação

2012 Ago Janago Ano

2013 Ago Janago 8,4 224,6 216,2 8,4 391,6 383,2 16,8 -1,9 17,8 19,7 -4,0 36,6 40,6 -5,9 14,9 159,5 144,6 -12,7 289,3 302,0 2,2

Comercial Exportação Importação Financeiro Compras Vendas Saldo
1/

-0,7 17,7 18,4 -0,2 26,6 26,8 -0,9

19,1 159,9 140,8 3,9 250,2 246,3 23,0

5.1 Movimento de câmbio
O mercado de câmbio contratado foi superavitário em US$2,2 bilhões nos oito primeiros meses de 2013 (US$23 bilhões em igual período de 2012). Houve superavit de US$14,9 bilhões no segmento comercial, reflexo de variações respectivas de -0,2% e 2,7% nas contratações de exportações e importações,

1/ Exclui operações interbancárias e operações externas do Banco Central.

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e saídas líquidas de US$12,7 bilhões no segmento financeiro, resultado de variações de 15,6% nas compras e de 22,6% nas vendas de moeda estrangeira.
Tabela 5.2 – Balança comercial – FOB
US$ milhões Período Exportação Importação Saldo Corrente de comércio Jan-ago Jan-ago Var. %
Fonte: MDIC/Secex

2013 2012

156 655 160 598 -2,5

160 419 147 448 8,8

-3 764 13 150 ...

317 074 308 046 2,9

Tabela 5.3 – Exportação por fator agregado – FOB Média diária – Janeiro-agosto
US$ milhões Discriminação Total Básicos Industrializados Semimanufaturados Manufaturados Operações especiais
Fonte: MDIC/Secex

2012 944,7 450,7 472,3 125,2 347,1 21,6

2013 932,5 446,3 464,5 117,8 346,7 21,7

Var. % -1,3 -1,0 -1,7 -5,9 -0,1 0,3

As intervenções do Banco Central, via operações com compromisso de recompra, incluindo as realizadas ao final de 2012 e liquidadas neste ano, resultaram em vendas líquidas de US$351 milhões nos oito primeiros meses de 2013. O estoque de reservas internacionais atingiu US$367 bilhões no conceito caixa e US$372,8 bilhões no de liquidez internacional (o primeiro exclui, e o segundo não, as operações mencionadas). A posição dos bancos, que reflete as operações no mercado primário de câmbio e as operações com o Banco Central, passou de vendida em US$6,1 bilhões, ao final de 2012, para vendida em US$4,2 bilhões, em agosto de 2013.

5.2 Comércio de bens
O deficit da balança comercial somou US$3,8 bilhões nos oito primeiros meses de 2013 (superavit de US$13,2 bilhões em igual período de 2012). As exportações recuaram 2,5%, para US$156,7 bilhões; e as importações aumentaram 8,8%, para US$160,4 bilhões. A corrente de comércio somou US$317,1 bilhões (aumento de 2,9% no período). As exportações médias diárias recuaram 1,3% no período: 5,9% nas vendas de produtos semimanufaturados; 1% nas de básicos; e 0,1% nas de manufaturados, que representaram, na ordem, 12,6%, 47,9% e 37,2% do total, no período. As exportações de petróleo e derivados decresceram 38,2% na mesma base de comparação. A média diária das importações cresceu 10,1% nos oito primeiros meses do ano, em relação a igual intervalo de 2012: 21,7% nas aquisições de combustíveis e lubrificantes; 15,7% nas de bens de consumo não duráveis, com destaque para as de alimentos e medicamentos; e 8,2% nas de bens de capital, com destaque para a expansão de equipamentos móveis de transporte; e 8,7% nas de matérias-primas, reflexo da elevação de compras externas de equipamentos de transporte, insumos agrícolas, produtos químicos e farmacêuticos. As importações de bens de consumo duráveis recuaram 2,1%, com destaque para a redução de 8,5% nas compras de automóveis de passageiros. As participações das importações de combustíveis e lubrificantes e de bens de consumo não duráveis aumentaram para 17,6% (15,9% em igual período de 2012) e 7,9% (7,5% em igual período de

Gráfico 5.1 – Exportações por principais produtos Janeiro-agosto – 2013/20121/ – %
Minérios Soja Material de transporte Petróleo e derivados Carnes -40 -30 -20 -10 0 10 20

Fonte: MDIC/Secex 1/ Variação do valor sobre igual período do ano anterior.

Tabela 5.4 – Importação por categoria de uso final – FOB Média diária – Janeiro-agosto
US$ milhões Discriminação Total Bens de capital Matérias-primas Bens de consumo Duráveis Automóveis de passageiros Não duráveis Combustíveis e lubrificantes Petróleo Demais
Fonte: MDIC/Secex

2012 867,3 189,1 387,9 152,4 87,6 38,4 64,8 137,9 54,0 83,9

2013 954,9 204,7 421,6 160,8 85,8 35,2 75,0 167,8 66,8 101,1

Var. % 10,1 8,2 8,7 5,5 -2,1 -8,5 15,7 21,7 23,7 20,4

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Gráfico 5.2 – Importação de matérias-primas x produção industrial – Média móvel de 3 meses Índices dessazonalizados
2006 = 100 Importação 180 162 144 126 108 90 Jul Jan 2008 2009 Jul Jan 2010 Jul Jan 2011 Jul Jan 2012 Jul Jan 2013 Jul Produção 115 110 105 100 95 90

2012), respectivamente, no período, enquanto as relativas a bens de capital, matérias-primas e bens duráveis de consumo decresceram, na ordem, para 21,4%, 44,2% e 9% (21,8%, 44,7% e 10,1% em igual período de 2012). As exportações destinadas à Ásia representaram 33,3% do total nos oito primeiros meses do ano (30,9% em igual período de 2012), destacando-se o aumento de 10,4% nos embarques para a China. As vendas à Argentina cresceram 9,7%, contrastando com os recuos nas destinadas aos EUA, afetadas pela retração nas vendas de petróleo, União Europeia, África e Oriente Médio. A Ásia e a União Europeia foram as principais regiões de origem das importações brasileiras, com participações respectivas de 30,3% e 21,3% no total adquirido pelo país de janeiro a agosto de 2013 (31,4% e 21,4% em igual período de 2012). Ressalte-se que a participação conjunta das importações provenientes da África, EUA e América Latina, evidenciando a expansão nas compras de petróleo, gás e derivados combustíveis, aumentou 1,2 p.p. no período. De acordo com a Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), o recuo nas exportações nos oito primeiros meses do ano, em relação a igual período de 2012, resultou de variações de -3,1% nos preços e 1,2% no quantum. Os preços dos produtos básicos, semimanufaturados e manufaturados variaram, na ordem, -0,7%, -10% e -3,5%, enquanto as respectivas quantidades oscilaram -0,6%, 3,8% e 2,2%. Na mesma base de comparação, o crescimento no valor das importações decorreu de variações de 10,6% no volume e -1,5% nos preços. Aumentaram as quantidades importadas de combustíveis e lubrificantes, 25,3%; bens de consumo não duráveis, 15,5%; matérias primas e produtos intermediários, 9,4%; e bens de capital, 4,3%. As compras de bens de consumo duráveis recuaram 6,9%, com destaque para as de automóveis. No âmbito dos preços, destacaram-se as variações nas categorias de combustíveis e lubrificantes, -3%; bens de consumo não duráveis, -1,8%; e de bens de capital, 1,1%.

Importação de matérias-primas Fontes: Funcex e IBGE

Produção industrial

Gráfico 5.3 – Importação de bens de capital x produção industrial – Média móvel de 3 meses Índices dessazonalizados
2006 = 100 Importação 305 269 233 197 161 125 Jul Jan 2008 2009 Jul Jan 2010 Jul Jan 2011 Jul Jan 2012 Jul Jan 2013 Jul Produção 115 110 105 100 95 90

Importação de bens de capital Fontes: Funcex e IBGE

Produção industrial

Gráfico 5.4 – Importações por principais produtos Janeiro-agosto – 2013/20121/ – %
Combustíveis e óleos minerais Equipamentos mecânicos Eletroeletrônicos Veículos e partes Químicos orgân./inorgânicos Plásticos e obras 0 6 12 Fonte: MDIC/Secex 1/ Variação do valor sobre igual período do ano anterior. 18 24

Gráfico 5.5 – Exportações – Índices de preços e de quantum Janeiro-agosto – 2013/2012
% 8 4 0 -4 -8 -12 Total Fonte: Funcex Básicos Preços Semimanufaturados Manufaturados Quantum

5.3 Serviços e renda
O deficit em transações correntes somou US$58 bilhões nos oito primeiros meses do ano (US$31,5 bilhões em igual intervalo de 2012). Considerados períodos de doze meses, o deficit totalizou US$80,6 bilhões (3,60% do PIB) em

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Tabela 5.5 – Exportação e importação por área geográfica – FOB Média diária – Janeiro-agosto
US$ milhões Discriminação Exportação 2012 2013 Var. % Total 945 932 197 113 77 36 84 179 17 40 310 189 121 43 50 -1,3 0,3 4,9 9,7 -4,1 -5,2 -7,0 0,9 -2,5 6,3 10,4 0,3 -5,0 -2,2 867 146 74 60 14 72 126 186 13 29 273 130 142 58 37 955 164 84 69 15 80 143 203 14 31 289 145 144 68 42 Importação 2012 2013 Var. % 10,1 12,2 13,4 13,8 11,7 10,9 12,8 9,2 7,2 9,7 6,1 11,2 1,6 18,9 14,0 77 51 34 10 24 17 -17 6 3,0 13 19 41 -22 -13 14 -22 33 29 8,6 21 4 -46 -24 2 9 21 44 -24 -26 8 Saldo 2012 2013

agosto, ante US$49,6 bilhões (2,13% do PIB), em agosto de 2012. Essa evolução refletiu, em especial, a reversão (para o campo negativo) no resultado da balança comercial, impactado pelo saldo negativo do comércio externo de petróleo e lubrificantes. As despesas líquidas de serviços totalizaram US$30,4 bilhões, elevando-se 17,1% em relação aos oito primeiros meses de 2012. Destaque para a expansão de 21,4%, para US$12,2 bilhões, nas despesas líquidas com viagens internacionais, decorrente de aumento de 14,6% nos gastos de brasileiros no exterior e recuo de 0,5% nos gastos de turistas estrangeiros no Brasil. As despesas líquidas de aluguel de equipamentos e de transportes variaram, na ordem, -4,1% e 17,9% no período. As despesas líquidas com juros totalizaram US$8,8 bilhões nos oito primeiros meses do ano, elevando-se 29,7% no período. As despesas brutas somaram US$12,2 bilhões e as receitas, US$3,3 bilhões, variando, respectivamente, 13,1% e -15,8%. Ressalte-se que as receitas de juros provenientes da remuneração das reservas internacionais, evidenciando a evolução das taxas de juros internacionais, recuaram 21,9% em relação a igual intervalo de 2012. As remessas líquidas de lucros e dividendos somaram US$17,3 bilhões, elevando-se 21,6% no período. Empresas dos setores industrial e de serviços foram responsáveis, na ordem, pelo envio de 56,8% e 39,8% das remessas brutas de lucros e dividendos de Investimentos Estrangeiros Diretos (IED) no período. Destacaram-se os segmentos de veículos automotores, bebidas e serviços financeiros, que, em conjunto, responderam por 40,8% dessas remessas. Considerados períodos de doze meses, as remessas líquidas de lucros e dividendos somaram US$27,2 bilhões em agosto, dos quais US$20,8 bilhões referentes à remuneração do estoque de IED. As transferências unilaterais líquidas totalizaram US$2,1 bilhões, elevação de 3,2% em relação aos oito primeiros meses de 2012. Os ingressos líquidos para manutenção de residentes, refletindo o menor dinamismo econômico nos principais destinos de emigrantes brasileiros, recuaram 13,2% no período, para US$703 milhões.

A.Latina e Caribe 197 Mercosul-51/ Argentina Demais Demais EUA2 UE
/

108 71 37 89 110 192 16 41 292 171 120 45 51

96 -12,3

Europa Oriental Oriente Médio Ásia China Outros África Demais
Fonte: MDIC/Secex 1/ Inclui Venezuela. 2/ Inclui Porto Rico.

Gráfico 5.6 – Importações – Índices de preços e de quantum Janeiro-agosto – 2013/2012
28 24 20 16 12 8 4 0 -4 -8 Total Bens de Bens Duráveis Não Combustíveis capital intermediários duráveis e lubrificantes Preços Quantum

Fonte: Funcex

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Tabela 5.6 – Transações correntes
US$ bilhões Discriminação 2012 Ago Janago Transações correntes Balança comercial Exportações Importações Serviços Transportes Viagens internacionais Computação e informática Aluguel equipamentos Demais Rendas Juros Lucros e dividendos Salários e ordenados Transferências correntes
1/ Projeção.

5.4 Conta financeira
Os ingressos líquidos somaram US$61,6 bilhões nos oito primeiros meses do ano (US$56 bilhões em igual intervalo de 2012). Os investimentos brasileiros diretos no exterior acumularam retornos líquidos de US$4,8 bilhões (US$2,7 bilhões nos oito primeiros meses de 2012) e os ingressos líquidos de IED somaram US$39 bilhões, dos quais US$25,2 bilhões relativos a aumento de participação em capital de empresas e US$13,8 bilhões a empréstimos intercompanhias. O IED acumulado em doze meses atingiu US$61,1 bilhões (2,72% do PIB) em agosto. Os investimentos brasileiros em carteira no exterior registraram aplicações líquidas de US$5,9 bilhões (estável na comparação com os oito primeiros meses de 2012). Os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira totalizaram US$28 bilhões, com os investimentos estrangeiros líquidos em ações de companhias brasileiras somando US$7,4 bilhões (US$4,1 bilhões em igual período de 2012). Os investimentos estrangeiros em títulos de renda fixa negociados no país registraram aplicações líquidas de US$20,6 bilhões (US$3,4 bilhões nos primeiros oito meses de 2012). Os influxos apresentaram forte aceleração desde junho de 2013, quando o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) de 6% sobre esse tipo de operação foi reduzido a zero – a média mensal de janeiro a maio atingiu US$768 milhões e a do trimestre encerrado em agosto, US$5,6 bilhões. Em agosto, a participação de investidores estrangeiros na dívida mobiliária pública federal interna atingiu o nível recorde de 16,2%. Não ocorreram operações de investimento estrangeiro em títulos de renda fixa de curto prazo, negociados no exterior, nos primeiros oito meses de 2013. Quanto a papéis de médio e longo prazos, as colocações líquidas de notes e commercial papers somaram US$461 milhões, com desembolsos de US$4,7 bilhões e amortizações de US$4,2 bilhões. A taxa de rolagem dos títulos de médio e longo prazo negociados no exterior atingiu 95% (206% nos oito primeiros meses de 2012). As amortizações líquidas de bônus da República somaram US$477 milhões, de janeiro a agosto de 2013, destacandose a reabertura, em maio, do Global 23, com captação de US$800 milhões e spread de 98 p.b., o menor em todas as captações soberanas. O Tesouro Nacional, dando sequência à política de melhoria do perfil do endividamento externo do setor público, resgatou antecipadamente US$474 milhões de bônus, sendo US$395 milhões referentes a valor de face

2013 Ano Ago Janago -5,5 -58,0 -75,0 1,2 -3,8 2,0 21,4 156,7 241,0 20,2 160,4 239,0 -4,2 -30,4 -43,1 -0,9 -0,4 0,2 -0,8 0,0 0,2 -6,7 -3,0 3,2 -9,7 -4,3 5,7 -1,7 -12,2 -17,2 -1,5 -11,7 -17,6 -2,7 -25,8 -37,0 -8,8 -13,6 0,3 2,1 0,6 3,1 -2,0 -17,3 -24,0 Ano
1/

-2,6 -31,5 -54,2 3,2 13,2 19,4 22,4 160,6 242,6 19,2 147,4 223,2 -3,0 -26,0 -41,0 -0,8 -0,4 0,9 -0,6 0,0 0,3 -5,7 -2,6 4,5 -8,8 -3,9 5,9 -1,4 -10,1 -15,6 -1,3 -12,2 -18,7 -3,1 -20,7 -35,4 -6,8 -11,8 0,4 2,0 0,5 2,8 -2,5 -14,2 -24,1

Tabela 5.7 – Conta financeira
US$ bilhões Discriminação 2012 Ago Janago Conta financeira Investimentos diretos Brasileiros no exterior Estrangeiros no país Participação Intercompanhias Investimentos em carteira Ativos Passivos Derivativos Outros investimentos Ativos Passivos
1/ Projeção.

2013 Ano Ago Jan- Ano1/ ago 2,0 61,6 76,5 2,5 43,8 60,0 -1,2 4,8 3,8 39,0 60,0 2,7 25,2 45,0 1,0 13,8 15,0 5,8 22,1 33,5 -0,1 0,0 -6,4 -5,9 0,1 -6,0 6,0 28,0 39,5 -4,4 -17,0

2,4 56,0 72,0 3,7 45,9 68,1 -1,4 2,7 2,8 5,0 43,2 65,3 3,0 34,9 52,8 2,1 1,7 -0,4 0,0 -3,0 8,3 12,4 5,4 -5,9 0,1 4,6 8,8 -7,8 0,2 -5,0

2,1 11,3 16,5

-4,0 -10,9 -24,5 1,0 15,5 19,5

-2,1 -16,6 -40,6 -4,3 12,2 23,6

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Tabela 5.8 – Fontes de financiamento do BP Ingressos brutos – itens selecionados
US$ bilhões Discriminação 2012 Ago Janago Capitais de médio e longo prazos Bônus públicos Títulos privados Empréstimos diretos Empréstimos CP Títulos CP (líq.) Portfolio no país (líq.) Taxas de rolagem Total: Títulos
3/ 2/

dos títulos e US$79 milhões a ágio. As amortizações totais, incluindo vencimentos no prazo, somaram US$1,4 bilhão.
Janago
1/

2013 Ano Ago Ano

1,6 0,6 1,0 -0,5 1,9

22,3 2,5 7,7 12,1 -1,0 -0,1 7,7

44,3 3,9 13,5 26,9 -4,0 -0,1 11,0

2,6 0,1 2,5 6,2

23,3 0,8 4,7 17,9 1,5 28,1

36,6 0,8 6,5 29,3 40,0

As aplicações líquidas de outros investimentos brasileiros no exterior atingiram US$16,6 bilhões nos oito primeiros meses de 2013, com redução de US$4,5 bilhões nos depósitos no exterior de bancos brasileiros e aumento de US$5,3 bilhões dos demais setores. As concessões líquidas de empréstimos ao exterior, incluídos créditos comerciais, totalizaram US$16,4 bilhões. Os desembolsos líquidos relativos a outros investimentos estrangeiros – empréstimos junto a bancos e organismos internacionais, créditos comerciais e depósitos – somaram US$12,2 bilhões nos oito primeiros meses de 2013 (US$15,5 bilhões em igual intervalo do ano anterior). Os ingressos líquidos de créditos comerciais de curto prazo junto a fornecedores atingiram US$17,5 bilhões e as amortizações líquidas de empréstimos de longo prazo, US$4,6 bilhões. Os empréstimos de curto prazo totalizaram ingressos líquidos de US$1,5 bilhão nos oito primeiros meses do ano, ante amortizações líquidas de US$1 bilhão em igual período de 2012. As reservas internacionais, no conceitos caixa e liquidez, totalizaram US$367 bilhões e US$372,8 bilhões, na ordem, em agosto (reduções respectivas de US$6,1 bilhões e US$5,8 bilhões em relação a dezembro de 2012). No período, houve vendas líquidas de operações de linhas com compromisso de recompra no valor de US$351 milhões. A receita de juros que remunera os ativos de reservas somou US$2,4 bilhões e as variações por preços e por paridades reduziram o estoque em US$4,7 bilhões e US$5 bilhões, respectivamente. Considerando o impacto de eventos antecipáveis, as reservas internacionais totalizariam, ao final de 2013, US$374 bilhões no conceito liquidez e US$367,3 bilhões no conceito caixa. Estão previstas, para o ano, receitas de remuneração de reservas de US$3,5 bilhões; despesas de juros de US$3 bilhões; amortizações de US$1,2 bilhão; e vendas líquidas de operações de linhas de US$1,2 bilhão.

201% 206% 188% 303% 206% 177%

33% 32%

95% 100% 91% 100%

34% 111% 100%

Empréstimos diretos 169% 205% 194%
1/ Projeção. 2/ Inclui empréstimos diretos e linhas tomadas por bancos.

3/ Equivale à razão entre desembolsos e amortizações de médio e longo prazos.

Tabela 5.9 – Demonstrativo de reservas
US$ bilhões Discriminação 2012 Jan-ago Posição das reservas no período anterior Compras líquidas do Bacen A termo Spot Linhas com recompra Empréstimos em moeda estr. Serviço da dívida (líquido) Desembolsos Amortizações Juros Remuneração das reservas Outras variações Variações por preço Variações por paridades Demais
2/

2013 Ano Jan-ago Ano
1/

352,0 352,0 18,2 7,0 11,2 -4,9 -2,2 -2,7 3,0 4,0 2,0 0,5 1,6 4,9 25,2 12,7 7,0 11,2 -5,5 -6,6 -3,4 -3,2 4,4 4,1 1,4 0,8 1,8 6,6 21,1 5,5 -

373,1 -0,4 -0,4 -3,3 0,5 -1,2 -2,6 2,4 -8,7 -4,7 -5,0 1,0 3,8 -6,1 367,0 5,8 372,8

373,1 -1,2 -1,2 -3,6 0,5 -1,2 -3,0 3,5 -8,7 -4,7 -5,0 1,0 4,2 -5,9 367,3 6,7 374,0

Compras do Tesouro Nacional Variação total Posição das reservas – Caixa Saldo de linhas com recompra Saldo de empréstimo em m.e. Posição das reservas – Liquidez
1/ Projeção.

377,2 373,1

377,2 378,6

2/ Compreende pagamentos/recebimentos do Convênio de Pagamentos e Créditos Recíprocos (CCR), ágio/deságio, pagamento de comissões, reclassificações, alocações de DES e variação de derivativos financeiros (forwards ).

5.5 Indicadores de sustentabilidade externa
Considerando o acumulado em doze meses, a posição estimada para agosto de 2013 para o serviço da dívida externa aumentou 32% em relação a dezembro de 2012. As

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Tabela 5.10 – Indicadores de sustentabilidade externa
Discriminação 2011 Dez Exportações de bens Exportações de bens e serviços Serviço da dívida Dívida externa bruta Dívida externa líquida Reservas internacionais (liquidez) Reservas internacionais (caixa) PIB Indicadores Dívida bruta/PIB (%) Dívida líquida/PIB (%) Dívida bruta/exportações Dívida bruta/exportação de bens e serviços Dívida líquida/exportação Dívida líquida/exportação de bens e serviços Serviço dívida/exportação (%) Serviço dívida/exportação de bens e serviços (%) Reservas (liquidez) / dívida externa bruta (%) Reservas (caixa) /dívida externa bruta (%) 118,0 119,3 118,0 121,0 17,9 19,2 19,4 21,9 -0,2 20,5 -0,3 22,3 -0,3 22,7 -0,3 25,5 1,0 -0,3 1,1 -0,4 1,2 -0,3 1,1 -0,3 12,0 -2,9 1,2 13,9 -4,0 1,3 14,5 -3,2 1,4 14,2 -3,3 1,3 294,2 52,6 298,2 -72,9 352,0 352,0 2 475 282,4 54,1 312,9 -89,7 378,6 373,1 2 253 256,0 2012 Dez 242,6 2013 Mar Jun

1/

US$ bilhões
2/

Ago

238,3 239,8 238,6 278,1 279,5 277,6 54,1 61,1 71,4 324,8 318,0 311,5 -72,4 -73,7 -81,8 376,9 371,1 372,8 376,9 369,4 367,0 2 246 2 245 2 242

exportações de bens recuaram 1,6% no período, e a razão entre esses indicadores aumentou para 29,9%. A dívida bruta e o PIB em dólares recuaram 0,5% , propiciando estabilidade da relação dívida bruta/PIB, em 13,9%. A dívida líquida reduziu sua posição credora no período, tendo a relação dívida líquida/PIB aumentado, de -4% para -3,7%. A relação entre a dívida bruta e as exportações manteve-se em 1,3, e a razão entre a dívida líquida (superavitária) e as exportações elevou-se para -0,3. Adicionalmente, a razão entre as reservas internacionais no conceito liquidez e a dívida bruta passou de 121% para 119,9%.

13,9 -3,7 1,3 1,1 -0,3 -0,3 29,9 25,7

5.6 Conclusão
O deficit em transações correntes do Brasil atingiu 3,60% do PIB no período de doze meses encerrado em agosto, mas tende a se deslocar para 3,35% do PIB ao término de 2013. Nesse sentido, antecipam-se desaceleração das importações, das despesas de serviços e dos lucros e dividendos remetidos ao exterior. As condições de financiamento do deficit em conta corrente permanecem confortáveis, não obstante o aumento da volatilidade nos mercados financeiros internacionais a partir de maio. O deficit será financiado integralmente com investimentos estrangeiros no país (em oposição a fluxos de endividamento externo), principalmente IED, ressaltandose que o país permanece entre os quatro maiores receptores mundiais desta modalidade de capital.

116,1 116,7 119,7 116,1 116,1 117,8

1/ Exclui estoque de principal, amortizações e juros relativos a intercompanhias. 2/ Dados estimados.

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Projeção para o Balanço de Pagamentos de 2013

A revisão das projeções para o balanço de pagamentos de 2013, divulgada nesse boxe, incorpora dados publicados desde a divulgação do último Relatório de Inflação, atualizações nos cenários econômicos brasileiro e internacional e estatísticas mais recentes do estoque do endividamento externo do país e do serviço da dívida.
Tabela 1 – Projeções do balanço de pagamentos
US$ bilhões Discriminação 2012 Ago Janago Transações correntes Balança comercial Exportações Importações Serviços e rendas Viagens Juros Lucros e dividendos Demais Transferências Conta capital e financ. Conta capital Investim. brasileiros IED Ações totais3/ Títulos no país Emprést. e tít. LP Títulos públicos Títulos privados Empréstimos dir. Demais4/ Emprést. e tít. CP Demais5/ Erros e omissões Ativos de reserva Memo: Transações corr./PIB (%) IED / PIB (%)
1/ Projeção. 2/ Inclui investimentos diretos, investimentos em carteira e outros investimentos. 3/ Inclui ações negociadas em bolsas brasileiras e no exterior. 4/ Inclui créditos de organismos, agências e compradores. 5/ Inclui derivativos, crédito comercial passivo e outros passivos.
2/

2013 Ano Ago Janago -54,2 19,4 -5,5 1,2 -58,0 -3,8 -75,0 2,0 241,0 -80,1 -17,2 -13,6 -24,0 -25,3 3,1 77,8 1,3 -46,6 98,1 60,0 10,0 30,0 -1,9 -0,5 -1,4 25,0 -3,3 Ano
1/

-2,6 -31,5 3,2 13,2

22,4 160,6 242,6 -19,2 -147,4 -223,2 -6,1 -46,7 -1,4 -10,1 -0,6 -6,8 -2,5 -14,2 -1,6 -15,6 0,3 2,6 0,1 6,5 5,0 1,2 0,6 0,2 0,4 0,4 -0,6 -0,5 1,7 0,5 2,0 53,6 -2,4 58,1 43,2 4,1 3,4 8,5 4,0 6,2 -1,7 -1,2 12,0 0,8 -76,5 -15,6 -11,8 -24,1 -24,9 2,8 70,2 -1,9 -29,5 90,4 65,3 5,6 5,1 18,6 0,1 6,0 13,0 -0,5 -4,1 11,1 3,0 -18,9

21,4 156,7 -7,0 -1,7 -0,8 -2,0 -2,5 0,2 2,1 0,1 -3,4 5,0 3,8 0,9 5,3 -5,0 -0,2 -5,2 0,4 0,5 0,2 3,2 -56,2 -12,2 -8,8 -17,3 -17,9 2,1 62,5 0,9 -17,7 63,9 39,0 7,4 20,6 -4,6 -0,5 0,5 -1,8 -2,8 1,5 15,4 -1,0 -3,5

-20,2 -160,4 -239,0

O deficit em conta corrente para 2013 foi mantido em US$75 bilhões (3,3% do Produto Interno Bruto – PIB). Destaque-se a redução de US$7 bilhões, para US$2 bilhões, na estimativa do superavit da balança comercial, com recuo de 0,7% nas exportações e expansão de 7,1% nas importações, que deverão totalizar, na ordem, US$241 bilhões e US$239 bilhões (projeções anteriores de US$248 bilhões e de US$241 bilhões). A corrente de comércio deverá expandir 3,1% no ano, ante 5% previstos no Relatório de junho. A projeção para o deficit da conta de serviços, em 2013, recuou US$0,4 bilhão, para US$43,1 bilhões (aumento anual de 5,0%). As estimativas para despesas líquidas de aluguel de equipamentos diminuíram US$1,4 bilhão, para US$17,6 bilhões, essencialmente devido à incorporação de valores observados nos oito primeiros meses de 2013. Gastos líquidos em viagens internacionais foram estimados em US$17,2 bilhões (elevação de US$0,5 bilhão em relação à projeção anterior). A estimativa para despesas líquidas com transportes aumentou US$0,6 bilhão, para US$9,7 bilhões. A estimativa para remessas líquidas de lucros e dividendos, em 2013, diminuiu US$6 bilhões, para US$24 bilhões, tendo em vista o desempenho recente e esperado desses fluxos líquidos. A nova posição de dívida externa, referente a junho de 2013, e o impacto das mudanças nos níveis das taxas de juros internacionais sobre a remuneração das reservas internacionais provocaram aumento de US$0,6 bilhão, para US$13,6 bilhões, na projeção de pagamentos líquidos da conta de juros. Os ingressos líquidos de transferências unilaterais foram mantidos em US$3,1 bilhões.

-5,8 -14,1

Investim. estrangeiros

-0,5 -22,9

-2,1 2,9

-2,4 2,9

-4,0 2,7

-3,3 2,7

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A projeção para as aplicações dos investimentos brasileiros diretos – participação no capital foi mantida em US$17 bilhões, mesmo valor para os retornos dos empréstimos intercompanhias. A projeção para investimentos estrangeiros diretos, refletindo fluxos líquidos até meados de setembro, passou de US$65 bilhões para US$60 bilhões (2,7% do PIB). A estimativa para investimentos estrangeiros líquidos em ações manteve-se em US$10 bilhões. Já para investimentos estrangeiros líquidos em renda fixa no país, a estimativa aumentou US$18 bilhões, para US$30 bilhões, em linha com o ingresso líquido de US$20,6 bilhões nos oito primeiros meses de 2013 (em parte, devido à remoção da cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), implementada no início de junho, para aquisição por estrangeiros de títulos de renda fixa no mercado doméstico).
Tabela 2 – Balanço de pagamentos – Mercado
US$ bilhões Discriminação 2012 Ago Janago Transações correntes Capitais (líquido) Inv. Estrangeiro Direto Inv. Estrangeiro carteira Empréstimos MLP Crédito comerciais Bancos Demais Inv. brasileiro no exterior Demais Hiato financeiro Compras líquídas BCB Depósitos de bancos
1/ Projeção.

2013 Ano Ago Janago -5,8 -60,3 -78,5 -1,3 3,8 5,8 -5,5 0,5 0,0 0,5 0,5 -7,1 4,1 3,0 57,0 39,0 26,0 -2,6 17,5 -0,9 18,3 -2,5 -3,3 0,4 87,9 60,0 39,0 -0,8 28,0 -1,5 29,5 -2,2 9,4 1,2 Ano
1/

-2,9 -34,6 -58,6 3,5 5,0 1,8 1,1 0,2 -1,4 1,6 0,6 0,6 -0,6 55,3 43,2 7,2 11,0 9,7 14,1 -4,4 20,7 -2,6 75,3 65,3 10,4 23,7 4,3 14,3 -3,0 16,7 -4,0

A taxa de rolagem de empréstimos diretos e de títulos de renda fixa negociados no exterior atingiu 95% nos oito primeiros meses de 2013. Nesse contexto, a estimativa da taxa de rolagem para o ano passou de 138% para 100%, prevendo-se estabilidade no estoque de endividamento externo. O Banco Central não contratou, nos oito primeiro meses de 2013, operações para liquidação no mercado de câmbio a vista. Considerando as operações de linha com recompra contratadas até 24 de setembro, o Banco Central deverá entregar liquidamente US$1,2 bilhão (retorno de US$7,2 bilhões e US$8,4 bilhões em novas concessões). Somando-se esse valor ao superavit estimado de US$9,4 bilhões no hiato financeiro do balanço de pagamentos de mercado, infere-se que os depósitos mantidos por bancos brasileiros no exterior aumentarão US$10,6 bilhões.

-4,4 -10,0

-5,2 -11,4 -25,4

-6,4 -20,4 -36,0

0,0 -18,2 -12,7

3,0 -10,6

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Perspectivas para a inflação

Este capítulo do Relatório de Inflação apresenta a avaliação feita pelo Copom sobre o comportamento da economia brasileira e do cenário internacional desde a divulgação do último Relatório, em junho de 2013. O capítulo também apresenta análise das perspectivas para a inflação até o terceiro trimestre de 2015 e para o crescimento do PIB até o segundo trimestre de 2014. As projeções para a inflação são apresentadas em dois cenários principais. O primeiro, denominado cenário de referência, supõe que a taxa Selic será mantida inalterada durante o horizonte de previsão, em 9,00% a.a., valor decidido pelo Copom em sua última reunião, em 27 e 28 de agosto, e que a taxa de câmbio permanecerá em R$2,35/US$. O segundo cenário, denominado cenário de mercado, utiliza as trajetórias para a taxa Selic e para a taxa de câmbio que constam da pesquisa realizada pelo Gerin do Banco Central com analistas independentes. É importante ressaltar que esses cenários servem apenas para balizar as decisões de política monetária, e suas hipóteses não constituem e nem devem ser vistas como previsões do Copom sobre o comportamento futuro das taxas de juros e de câmbio. Deve-se observar que as previsões aqui divulgadas utilizam todo o conjunto de informações disponíveis até a data de corte em 6 de setembro de 2013. As projeções de inflação e de crescimento do PIB divulgadas neste Relatório não são pontuais. Elas explicitam intervalos de probabilidade que ressaltam o grau de incerteza presente até a supracitada data de corte. As previsões de inflação dependem não apenas das hipóteses sobre taxas de juros e de câmbio, mas também de um conjunto de pressupostos sobre o comportamento de variáveis exógenas. O conjunto de hipóteses considerado mais provável pelo Copom é utilizado para construir os cenários a que o Comitê atribui maior peso na tomada de decisão sobre a taxa de juros. Ao expô-las, o Copom procura dar maior transparência às decisões de política monetária, contribuindo para sua eficácia no controle da inflação, que é seu objetivo precípuo.

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6.1 Determinantes da inflação
A inflação medida pela variação do IPCA em doze meses alcançou 6,09% em agosto, 0,85 ponto percentual (p.p.) acima da registrada em agosto de 2012. O aumento da inflação deveu-se à aceleração dos preços livres, que variaram 7,64% em doze meses até agosto (1,88 p.p. acima da registrada até agosto de 2012), a despeito de alguma moderação na margem. No mesmo período, os preços administrados por contrato e monitorados apresentaram a menor taxa de variação (1,27%) da série histórica iniciada em 1994, 2,51 p.p. abaixo da registrada em agosto de 2012. No conjunto dos preços livres, a variação dos itens não comercializáveis foi de 8,42% em doze meses, e a dos comercializáveis, de 6,75%. O grupo de alimentos e bebidas, no qual os sinais de arrefecimento das pressões se mostram mais evidentes, variou 10,45% em doze meses (8,86% até agosto de 2012). Por sua vez, a inflação do setor de serviços atingiu 8,60% em doze meses até agosto (7,89% até agosto de 2012), permanecendo em patamar superior ao da variação dos preços livres. Em síntese, a inflação de serviços segue em níveis elevados, e observam-se pressões, ainda que decrescentes, no segmento de alimentos e bebidas. As medidas de inflação subjacente calculadas pelo Banco Central têm apresentado evolução similar à da inflação plena. A média das variações mensais avançou de 0,28% em julho para 0,41% em agosto, atingindo 6,24% em doze meses até agosto (5,26% até agosto de 2012). O núcleo do IPCA por médias aparadas sem suavização passou de 0,21% em julho para 0,34% em agosto; o núcleo por médias aparadas com suavização, de 0,29% para 0,42%; o núcleo por dupla ponderação, de 0,34% para 0,42%; o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio e combustíveis, de 0,20% para 0,41%; e o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,35% para 0,45%. O índice de difusão do IPCA ficou em 58,63% em agosto, valor inferior ao observado em agosto de 2012 (65,48%), e ligeiramente abaixo da mediana da amostra com início em setembro de 1994 (60,94%). A média trimestral do índice recuou para 56,35% em agosto – menor valor desde setembro de 2010. A inflação mais ampla, medida pela variação do IGP-DI, que se caracteriza pela maior volatilidade quando comparada à inflação ao consumidor, foi de 0,46% em agosto, 0,32 p.p. acima da registrada em julho. Dessa forma, o índice acumula variação de 3,98% em doze meses (8,04% até agosto de

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2012). O principal componente do IGP-DI, o IPA, variou 2,81% em doze meses até agosto, resultado da variação de -2,41% no segmento agropecuário e de 4,93% no segmento de produtos industriais. O IPC, segundo componente mais importante do IGP-DI, variou 5,54% em doze meses até agosto (5,69% até agosto de 2012). Já o INCC, componente de menor peso no IGP-DI, aumentou 7,86% em doze meses (7,41% até agosto de 2012), resultado da variação de 9,89% no custo de mão de obra e de 5,71% no custo de materiais, equipamentos e serviços. O indicador coincidente de atividade econômica, IBC-Br, que fornece estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, avançou 2,4% em junho, em relação ao mesmo mês do ano anterior, após expandir 2,3% em maio nessa mesma base de comparação. Dessa forma, o nível de atividade no primeiro semestre superou o registrado no primeiro semestre de 2012 em 2,9%. Já a taxa de crescimento acumulada ao longo dos últimos doze meses atingiu 1,9%. O ICC, da FGV, aumentou em agosto, revertendo recuos observados nos meses de junho e julho, em meio a manifestações populares. Houve melhora tanto na percepção da situação atual quanto na percepção em relação ao futuro. Da mesma forma, o Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, avançou no trimestre findo em agosto, após retrações nos meses anteriores. O ICS recuperou, em agosto, parte das perdas observadas no mês anterior. Já a confiança do empresário industrial recuou em agosto, na comparação mensal, e se situa em patamar inferior à média histórica recente. Assim como outros indicadores mensais de atividade, o relativo à indústria tem apresentado comportamento volátil em meses recentes, o que em parte reflete ajustes no número de dias úteis decorrentes de feriados móveis. Assim, a produção industrial recuou 2,0% em julho (após avanço de 2,1% em junho), de acordo com a série da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, houve expansão de 3,2% em junho e de 2,0% em julho. Ainda nessa última base de comparação, houve expansão em três das quatro categorias de uso. Em particular, a recuperação da produção de bens de capital se consolidou, com expansão de 15,2% em relação a julho de 2012. No setor de bens intermediários houve expansão de 0,2%, e no setor de não duráveis e semiduráveis, de 2,9%. Por outro lado, a produção de bens de consumo duráveis mostrou retração de 1,6% em relação a julho de 2012. No que se refere ao faturamento da indústria de transformação, de acordo com dados da CNI, houve crescimento de 5,3% no primeiro

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semestre, em termos reais, em relação ao primeiro semestre de 2012, e o número de horas trabalhadas aumentou 0,1%. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado e dessazonalizado pela FGV, passou de 84,4% em julho para 84,2% em agosto. Ainda de acordo com a série livre de influências sazonais, o Nuci se posicionou em 90,8% no setor de materiais de construção; em 86,1% no de bens intermediários; em 82,5% no de bens de consumo, e em 81,9% no de bens de capital. Segundo dados da CNI, dessazonalizados pelo Banco Central, o Nuci passou de 82,3% em maio para 82,4% em junho. Por sua vez, o nível de estoques na indústria de transformação, calculado e dessazonalizado pela FGV, apresentou elevação desde a divulgação do último Relatório. Em agosto, 9,4% dos estabelecimentos pesquisados apontavam nível de estoques excessivo, e 2,5% de estoques insuficientes, de acordo com a série livre de influências sazonais. O acúmulo de estoques se mostra mais evidente nos setores de bens de capital, de bens de consumo duráveis e de materiais de construção. As vendas do comércio varejista continuam em expansão, a despeito de alguma moderação na margem. Para o comércio varejista restrito, a taxa de crescimento do volume de vendas em junho foi de 0,5%, em relação a maio, enquanto o comércio ampliado expandiu 1,0%. Nos últimos doze meses, o comércio ampliado cresceu 6,4% – com expansão em todos os dez segmentos pesquisados pelo IBGE. Por sua vez, as vendas reais do comércio varejista restrito cresceram 5,5% nessa mesma base de comparação. Nos próximos meses, a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo crescimento da massa salarial e pela expansão moderada do crédito. A economia brasileira cresceu 1,5% no segundo trimestre de 2013, após crescer 0,6% no trimestre anterior, de acordo com dados dessazonalizados e divulgados pelo IBGE. Na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior, a expansão alcançou 3,3% (ante 1,9% no primeiro trimestre). Dessa forma, a taxa de crescimento acumulada ao longo dos quatro últimos trimestres alcançou 1,9%. O PIB no primeiro semestre superou em 2,6% o registrado no primeiro semestre de 2012. O destaque ficou por conta do setor agropecuário, que apresentou expansão de 14,7% nessa base de comparação, enquanto a indústria cresceu 0,8% e o setor de serviços 2,1%. Sob a ótica da demanda, o consumo das famílias – maior componente da demanda agregada – cresceu 0,3% na margem, de acordo com dados dessazonalizados, e 2,3% em

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relação ao mesmo trimestre de 2012. Essa foi a trigésima nona expansão consecutiva na comparação interanual. Por sua vez, o consumo do governo cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior e 1,0% em relação ao mesmo trimestre de 2012. Adicionalmente, o ritmo de crescimento da FBCF apontou expansão de 3,6% na margem, e de 9,0% em relação ao segundo trimestre de 2012, indicando aumento na taxa de investimento da economia. No que se refere às transações com o resto do mundo, as exportações expandiram 6,9% no segundo trimestre em relação ao anterior, enquanto as importações cresceram 0,6%. O IBGE divulgou estimativa para a taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas abrangidas pela PME. De acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa de desocupação alcançou 5,5% em julho – valor próximo ao mínimo (5,3%) da série histórica iniciada em 2002. Cabe notar que a redução da taxa de crescimento da População em Idade Ativa (PIA) ao longo dos últimos anos tem contribuído para o processo de redução nas taxas de desocupação. Por sua vez, o rendimento médio real habitual cresceu 1,5% em julho, em relação ao mesmo mês de 2012, enquanto a massa salarial real cresceu 2,7%. A evolução da renda real tem apresentado dispersão regional considerável, com altas anuais significativas no rendimento médio real habitual em Porto Alegre (5,2%) e no Rio de Janeiro (4,0%), ao mesmo tempo que se registram quedas em Belo Horizonte (-1,0%) e Salvador (-1,5%). O emprego formal celetista mostra tendências de arrefecimento na margem, embora continue em expansão. Segundo dados divulgados pelo MTE, foram gerados 566 mil postos de trabalho entre agosto de 2012 e julho de 2013 (1,16 milhão nos doze meses até julho de 2012). Além do aumento da massa salarial, a disponibilidade de crédito – em grande parte determinada pela estabilidade macroeconômica e por avanços institucionais ocorridos nos últimos anos – constituiu elemento importante para a sustentação do crescimento do consumo das famílias. O saldo total de crédito às pessoas físicas alcançou R$1.172,5 bilhões em julho, com crescimento de 16,8% em relação a julho de 2012. Em particular, o crédito habitacional para pessoas físicas, cujas operações são financiadas principalmente com recursos direcionados, cresceu 35,5% no mesmo período e atingiu R$306,5 bilhões. Os indicadores de inadimplência têm mostrado certa acomodação na margem, em patamares compatíveis com a fase do ciclo, haja vista as perspectivas de continuidade da expansão da atividade econômica. O saldo de crédito às pessoas jurídicas totalizou R$1.373,0 bilhões em julho (15,5% superior ao observado em julho

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de 2012). Note-se que o prazo médio de concessão nesse segmento foi de 63 meses em julho, o que representa aumento de 9,3 meses em relação ao prazo médio observado há doze meses. Por sua vez, o volume de empréstimos e financiamentos a pessoas jurídicas concedido pelo BNDES alcançou R$485,1 bilhões – crescimento de 17,2% em doze meses até julho. Em relação ao mercado de capitais, o volume de emissões primárias de ações registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) atingiu R$9,6 bilhões nos doze meses até julho de 2013. Por sua vez, os lançamentos de debêntures alcançaram R$103,1 bilhões no mesmo período, excluídos R$10,0 bilhões de emissões de empresas de arrendamento mercantil (leasing). No que se refere à balança comercial, o saldo acumulado em doze meses recuou para US$2,5 bilhões em agosto (US$23,0 bilhões em agosto de 2012). Esse resultado adveio de US$238,6 bilhões em exportações e US$236,1 bilhões em importações, com variações de -4,5% e 4,0%, respectivamente, em relação ao período de doze meses encerrado em agosto de 2012. Em doze meses até julho, o quantum exportado diminuiu 0,1% e o preço médio das exportações, 5,2%, enquanto o quantum importado aumentou 4,0% e o preço médio das importações recuou 1,8%. O deficit acumulado em doze meses nas transações correntes atingiu US$77,7 bilhões em julho, equivalente a 3,4% do PIB. Um componente importante desse deficit foram remessas de lucros e dividendos, que somaram US$27,7 bilhões em termos líquidos. Outra parte relevante se deve às despesas sob a rubrica “aluguel de máquinas e equipamentos”, que, em grande parte, destinam-se à exploração de petróleo e de minerais. Note-se que os investimentos estrangeiros diretos – que têm sido a principal fonte de financiamento do balanço de pagamentos – totalizaram US$62,3 bilhões em doze meses até julho, equivalente a 2,7% do PIB. Nos mercados financeiros internacionais, desde a divulgação do último Relatório, houve aumento da volatilidade, em parte, devido a incertezas associadas a tensões geopolíticas e à trajetória futura da política monetária na economia americana. As ações não convencionais de política implementadas em importantes economias maduras, em certa medida, tendem a aumentar a liquidez nos respectivos mercados, sendo que sua eventual reversão tende a gerar volatilidade. Desde o último Relatório, indicadores antecedentes apontam crescimento da atividade se consolidando em economias maduras. Nas principais economias emergentes, esses indicadores sugerem crescimento em torno da tendência. A economia global ainda enfrenta período de incerteza acima da usual,

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com desequilíbrios fiscais persistentes, notadamente na Área do Euro. O preço do barril de petróleo do tipo Brent atingiu patamares superiores a US$115 com tensões próximas a áreas produtoras. A complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Em relação às demais commodities, houve alta de 2,9% nos preços das metálicas e recuo de 1,0% nos preços das agrícolas. Na data de corte de 6 de setembro, o índice de preços baseado em vinte e duas commodities, divulgado pelo Commodity Research Bureau (CRB), apresentava valores bastante próximos aos registrados na data de corte do último Relatório. A mediana das expectativas dos analistas de mercado para a taxa de crescimento do PIB em 2013 recuou de 2,53% na data de corte do último Relatório para 2,35% em 6 de setembro. Para 2014, a taxa de crescimento recuou de 3,20% para 2,28%. Nesse mesmo período, a mediana das expectativas para a inflação, medida pela variação do IPCA, deslocou-se de 5,80% para 5,82% para 2013; de 5,80% para 5,85%, para 2014; permanecendo em 5,50%, para 2015. Já a inflação projetada para os próximos doze meses passou de 5,66% para 6,13%, como ilustra o Gráfico 6.1. Desde a divulgação do último Relatório, houve diminuição da dispersão em torno das medidas de tendência central das expectativas de inflação para 2013, como mostra o Gráfico 6.2. O desvio padrão dessas projeções recuou de 0,23% para 0,21%.

Gráfico 6.1 – Evolução das expectativas de mercado e das metas referentes à inflação doze meses à frente
6,50 5,50 4,50 3,50 2,50
Set Out 2012 Nov Dez Jan Fev 2013
Meta
%

Mar

Abr

Mai
Gerin

Jun

Jul

Ago

Set

Gráfico 6.2 – Dispersão das expectativas de inflação para 2013 Frequência relativa
50 40 30 20 10 0 4,6 5 5,4
6/set/13

%

5,8

6,2

6,6
7/jun/13

7

6.2 Riscos associados e implementação da política monetária
<3,40 <4,00 <4,60 <5,20

O Copom trabalha com um conjunto de hipóteses sobre o comportamento das principais variáveis macroeconômicas. Esse conjunto de pressupostos, bem como os riscos a eles associados, compõem o cenário central com base no qual o Comitê toma decisões. Do lado externo, em linhas gerais, desde o último Relatório, mantiveram-se inalteradas as perspectivas de atividade global moderada em 2013. De fato, as evidências ainda apontam taxas de crescimento para este ano, em economias maduras, baixas e abaixo do crescimento potencial. No horizonte relevante para a política monetária, entretanto,

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as perspectivas apontam intensificação do ritmo da atividade global. Nos mercados internacionais, os preços de commodities têm mostrado certa acomodação e tem se observado maior volatilidade e tendência de apreciação do dólar dos Estados Unidos. Do lado interno, o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano, ou seja, uma trajetória de crescimento, no horizonte relevante para a política monetária, mais alinhada com o crescimento potencial. Cabe notar que a velocidade de materialização desses ganhos esperados depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias. Também se apresenta como aspecto importante do contexto doméstico a dinâmica do mercado de trabalho, bem como a natural e esperada correção de preços relativos, resultante da depreciação e da volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres, que constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No âmbito internacional, não obstante permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal, as perspectivas de baixo crescimento de economias maduras paulatinamente dão lugar a avaliações construtivas, as quais, em parte, estão amparadas em dados positivos sobre o nível de atividade, inclusive para países da Área do Euro. Nos Estados Unidos, reafirmam-se os sinais positivos advindos do mercado imobiliário e de trabalho, em ambiente que combina níveis moderados de inflação e recuperação no ritmo de atividade, a despeito do cenário de contenção fiscal. Em relação a riscos para a atividade global, cabe mencionar os decorrentes da estratégia de remoção, pelo Federal Reserve, de incentivos monetários introduzidos via ações convencionais e não convencionais de política no pós-crise de 2008. Na Área do Euro, altas taxas de desemprego, aliadas aos esforços de consolidação fiscal e a incertezas políticas, ainda se traduzem em recuo de investimentos e em baixo crescimento. No horizonte relevante, em que pese haver saído da recessão no segundo trimestre, após seis trimestres consecutivos com variação negativa do PIB, um risco para a atividade decorre do ceticismo quanto à solidez do sistema bancário de algumas economias da região. O Copom avalia que os desenvolvimentos nas economias maduras se transmitem para a demanda agregada nas economias emergentes, em intensidade proporcional, entre outros, à corrente de comércio e ao fluxo de investimentos. Nesse sentido, eventos recentes – a melhora no ritmo de atividade e o aumento da volatilidade nos mercados financeiros – constituem forças que se contrapõem. O Comitê também destaca a relevância da transmissão via

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canal de expectativas, que afeta investimentos, no caso dos empresários; e consumo, no caso das famílias. Nesse contexto, nas principais economias emergentes, a despeito da resiliência da demanda doméstica, de modo geral tem-se observado crescimento abaixo das expectativas. Entretanto, indicadores recentes sugerem esgotamento do processo de acomodação da atividade nessas economias e que, no horizonte relevante para a política monetária, as taxas de crescimento tendem a permanecer relativamente elevadas, mas em patamares inferiores aos observados em anos recentes. O Copom avalia que, no horizonte relevante, o cenário de maior crescimento global, em particular de importantes parceiros comerciais do Brasil, combinado com a depreciação do Real, milita no sentido de tornar a dinâmica da demanda externa mais favorável ao crescimento da economia brasileira. O Copom considera que, desde o último Relatório, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, como os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos e da forte inclinação da curva de juros em importantes economias maduras. Nesse período, não obstante ligeiro recuo, os preços de seguro contra default (CDS) de bancos e de soberanos de economias maduras permaneceram em patamares historicamente elevados, especialmente no caso da Área do Euro. No que se refere às economias emergentes, de modo geral, houve crescimento substancial nos prêmios de risco implícitos nos ativos financeiros. No horizonte relevante para a política monetária, o Comitê avalia que a volatilidade dos mercados financeiros tende a reagir à publicação de novos indicadores e/ou a sinalizações feitas por autoridades que apontem para o início (ou sua iminência) do processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos. Em resumo, apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente nos mercados financeiros internacionais permanece complexo. Nos mercados internacionais, os índices de preços de commodities têm mostrado certa acomodação, em que pese discrepâncias entre as dinâmicas dos preços dos três grandes segmentos (energia, metálico e agrícola). Nesse sentido, cabe notar que, desde o último Relatório, tanto o IC-Br, medido em dólares dos Estados Unidos, quanto o CRB mostraram certa estabilidade. Sobre o preço do petróleo, em particular, é importante ressaltar que sua influência sobre a inflação doméstica não se materializa exclusivamente por intermédio do preço local da gasolina, mas também via cadeia produtiva

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do setor petroquímico e pelo canal de expectativas de consumidores e de empresários. O Copom pondera que as compras de produtos externos tendem a contribuir para o arrefecimento das pressões inflacionárias domésticas por meio de dois canais. Em primeiro lugar, porque esses produtos competem com os produzidos domesticamente e, assim, impõem maior disciplina aos formadores de preços. Em segundo, porque as importações de bens reduzem a demanda nos mercados de insumos domésticos, contribuem para o arrefecimento de pressões de custos e, por conseguinte, de seus eventuais repasses para os preços ao consumidor. A esse respeito, é importante adicionar que pressões de custos de fatores não amparadas por ganhos de eficiência contribuem para reduzir a competitividade das empresas domésticas no mercado internacional de bens, em ambiente global no qual prevalece excesso historicamente elevado de capacidade ociosa. No âmbito doméstico, a economia continuou em expansão e o ritmo de atividade do segundo trimestre aumentou em relação ao primeiro trimestre de 2013, com recuperação das exportações e manutenção da expressiva expansão dos investimentos. Esse resultado apoia a visão de que estaria em curso mudança na composição da demanda agregada. Nesse sentido, o consumo continuará em crescimento, porém, em ritmo mais moderado; e, em contrapartida, os investimentos e as exportações líquidas ganhariam impulso. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar relativamente robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas recentemente. Esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, as permissões para exploração de petróleo, entre outros, criam boas perspectivas para os investimentos e para a produção industrial. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas. No mercado de fatores, o Copom pondera que um risco importante para a inflação advém do mercado de trabalho, que mostra margem estreita de ociosidade. O Comitê reafirma que um aspecto crucial nessas circunstâncias é a

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possibilidade de o aquecimento no mercado de trabalho levar à concessão de aumentos reais de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade, com repercussões negativas sobre a dinâmica da inflação. Neste ponto, cumpre registrar que a teoria – no que é respaldada pela experiência internacional – ensina que moderação salarial constitui elemento-chave para a obtenção de um ambiente macroeconômico com estabilidade de preços. Ainda sobre o mercado de trabalho, o Copom entende que existem riscos decorrentes da presença, na economia brasileira, de mecanismos que favorecem a persistência da inflação, derivados da possibilidade de as negociações salariais atribuírem peso excessivo à inflação passada, em detrimento da inflação futura. Nesse contexto, embora, para a economia como um todo, no primeiro semestre as variações salariais tenham se aproximado de níveis mais condizentes com os ganhos de produtividade, o Comitê avalia que a dinâmica salarial ainda permanece originando pressões inflacionárias de custos. Entretanto, no horizonte relevante para a política monetária, antecipam-se desenvolvimentos que tendem a contribuir para o arrefecimento de riscos originados no mercado de trabalho, como o reajuste do salário mínimo projetado para os próximos anos, que será marcadamente menor do que o concedido em 2012. Essa mudança tende a suavizar a dinâmica dos salários de um modo geral, com repercussões sobre os custos de produção, sobretudo em segmentos intensivos em mão de obra. Sobre o fator capital, a utilização da capacidade tem crescido ligeiramente e os investimentos mantiveram tendência positiva no segundo trimestre de 2013 (terceiro consecutivo com expansão maior do que a do PIB). Com isso, a taxa de investimento acumulada em doze meses apresentou o primeiro crescimento desde o primeiro trimestre de 2011 e se posicionou em 18,3% do PIB. Para o Comitê, os efeitos das ações de política recentemente implementadas, os programas de concessão de serviços públicos – em especial, no segmento de infraestrutura e logística – e as permissões para exploração do petróleo da camada do Pré-Sal sugerem intensificação dos investimentos neste e nos próximos semestres. No que se refere à política fiscal, o Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Para o Comitê, a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, de um lado, contribuiria para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda

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e da oferta; de outro, contribuiria para criar uma percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo. Dessa forma, o custo de financiamento da dívida pública tenderia a recuar, com repercussões favoráveis sobre o custo de capital de modo geral, o que estimularia o investimento privado no médio e no longo prazo. O Copom pondera que, diferentemente do ocorrido quando a solvência do setor público era motivo de preocupação, hoje não se faz necessária a geração de superavit primários de ampla magnitude. Para o Comitê, entretanto, superavit primários em patamares próximos aos que têm sido gerados recentemente são necessários para manter a dívida pública em trajetória sustentável. Atendida essa condição, o Copom entende que o indicador fiscal utilizado nas projeções apresentadas na próxima seção (o superavit primário estrutural) tende a manter certa estabilidade, com impulsos fiscais (a variação do superavit primário estrutural entre dois períodos) de magnitude desprezível. Então, em termos de impactos sobre a demanda agregada (conforme representada pela curva IS dos modelos de projeção apresentados no último Relatório), criam-se condições para que o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade no horizonte relevante para a política monetária. O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos, que, de resto, já se manifesta em indicadores de preços do mercado atacadista. No entanto, os efeitos secundários da depreciação cambial, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária. O Copom entende que uma fonte relevante de risco para a inflação reside no comportamento das expectativas de inflação, impactadas negativamente nos últimos meses pelo nível da inflação corrente, pela dispersão de aumentos de preços e por incertezas que cercam a trajetória de preços com grande visibilidade, como o da gasolina e o de transportes urbanos. O Comitê destaca que o cenário central contempla expansão moderada do crédito, em particular, no caso do segmento

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de pessoas físicas, em ritmo mais condizente com o do crescimento da renda disponível das famílias. Para o Copom, a dinâmica do mercado de crédito merece atenção, tanto pelos potenciais impactos sobre a demanda agregada quanto por riscos macroprudenciais que dela podem se originar. Além disso, importa destacar que o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito. O Copom considera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação mostre resistência. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, fazse necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. Diante disso, dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 8,50% a.a., sem viés, na reunião de julho; e para 9,00% a.a., sem viés, na reunião de agosto. Votaram pela elevação da taxa Selic para 8,50% a.a. e para 9,00% a.a. os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda. Dessa forma, o Comitê destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente

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vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária.

6.3 Pressupostos e previsão de inflação
De acordo com os procedimentos tradicionalmente adotados, e levando-se em conta o conjunto de informações disponíveis até 6 de setembro de 2013 (data de corte), o cenário de referência pressupõe manutenção da taxa de câmbio constante no horizonte de previsão em R$2,35/US$, e a meta para a taxa Selic em 9,00% a.a. – valor fixado na reunião do Copom de agosto de 2013 – ante R$2,10/US$ e 8,00% a.a. considerados no Relatório de Inflação de junho de 2013. O cenário de mercado, por sua vez, incorpora dados da pesquisa realizada pelo Gerin com um conjunto significativo de instituições até a data de corte. Nesse cenário, as expectativas para a evolução da taxa de câmbio média elevaram-se para 2013 e 2014, em comparação aos valores divulgados no Relatório de junho de 2013. Para o último trimestre de 2013, a taxa média passou de R$2,10/US$ para R$2,37/US$. Para o quarto trimestre de 2014, os participantes do mercado projetam taxa de câmbio média de R$2,40/US$, ante R$2,15/US$ considerado no último Relatório. Para o terceiro trimestre de 2015, os participantes do mercado projetam taxa de câmbio média de R$2,42/US$. No que se refere à evolução da taxa Selic média, as expectativas para 2013 e 2014 elevaram-se quando comparadas aos valores constantes do último Relatório. Para o último trimestre de 2013, a expectativa para a taxa Selic média deslocou-se de 8,75% a.a. para 9,54% a.a. e, para o quarto trimestre de 2014, de 8,92% a.a. para 9,75% a.a. Para o terceiro trimestre de 2015, as expectativas indicam taxa Selic média de 9,89% a.a. Essa trajetória para a taxa Selic é consistente com spreads para o swap pré-DI de 360 dias de 138 p.b. e de 76 p.b., em relação à atual meta para a taxa Selic (9,00% a.a.), no quarto trimestre de 2013 e de 2014, respectivamente. Projeta-se variação de 1,8% para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, em ambos os cenários, em 2013, mesmo valor considerado no Relatório anterior. Essa projeção baseia-se, para o acumulado de 2013, nas hipóteses de reajuste de 5,0% dos preços da gasolina; aumento de 2,5% nos preços do gás de bujão; variação de -1,0% nas tarifas de telefonia fixa; e recuo

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Gráfico 6.3 – Projeção da inflação medida pelo IPCA, com juros constantes de 9,0% a.a. (cenário de referência) Leque de inflação
% 10 8 6 4 2 0 -2 III 2012 IV I 2013 II III IV I 2014 II III IV I 2015 II III

de aproximadamente 16% nos preços da eletricidade, que leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais anunciadas, bem como reajustes e revisões tarifárias ordinárias programadas para este ano. Os itens para os quais se dispõe de mais informações foram projetados individualmente. Para os demais, as projeções se baseiam em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). De acordo com esses modelos, em ambos os cenários, a projeção de reajustes dos itens administrados por contrato e monitorados é de 4,5% para 2014 e 2015, mesmos valores considerados no último Relatório. Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário para 2013, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2013; e, para 2014, conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO)/2014. Conforme explicitado no último Relatório, para determinado período, o impulso fiscal equivale à variação do superavit estrutural em relação ao observado no período anterior. Considerando ainda trajetórias estimadas para o produto efetivo e para o produto potencial, infere-se que a política fiscal pode se deslocar para a neutralidade no horizonte relevante para a política monetária. Com base nos pressupostos acima e utilizando o conjunto de informações disponíveis até a data de corte, foram construídas projeções para a variação acumulada do IPCA em quatro trimestres, compatíveis com as trajetórias de juros e de câmbio que caracterizam os cenários de referência e de mercado. A previsão central associada ao cenário de referência indica inflação de 5,8% em 2013, 0,2 p.p. menor do que a projetada no Relatório de junho de 2013, acima do valor de 4,5% para a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com o Gráfico 6.3 e a Tabela 6.1, a projeção parte de 5,9% no terceiro trimestre de 2013 e se desloca para 5,8% no final do ano; mantém-se em 5,8% no primeiro trimestre de 2014; recua para 5,6% no segundo e encerra o ano em 5,7%. Para o primeiro trimestre de 2015, a projeção se encontra em 5,6%; e em 5,5% para o final do horizonte de projeção. Ainda no cenário de referência, a probabilidade estimada de a inflação ultrapassar o limite superior do intervalo de

Obs.: inflação acumulada em 12 meses (% a.a.).

Tabela 6.1 – Inflação do IPCA, com juros constantes de 9,0% a.a. (Cenário de referência)
Intervalo de probabilidade 50% Período 30% 10% 2013 3 2013 4 2014 1 2014 2 2014 3 2014 4 2015 1 2015 2 2015 3 5,7 5,4 5,2 4,8 4,9 4,7 4,5 4,4 4,3 5,8 5,6 5,4 5,2 5,3 5,1 5,0 4,9 4,8 5,9 5,8 5,7 5,4 5,6 5,5 5,4 5,3 5,3 5,9 5,9 5,9 5,7 6,0 5,9 5,8 5,8 5,7 6,0 6,1 6,2 6,0 6,3 6,2 6,2 6,2 6,2 6,1 6,3 6,4 6,3 6,7 6,7 6,7 6,7 6,7 Projeção central 5,9 5,8 5,8 5,6 5,8 5,7 5,6 5,6 5,5

Obs.: inflação acumulada em 12 meses (% a.a.).

Gráfico 6.4 – Projeção da inflação medida pelo IPCA, com expectativas de mercado para taxas de câmbio e de juros Leque de inflação
% 10 8 6 4 2 0 -2 III 2012 IV I 2013 II III IV I 2014 II III IV I 2015 II III

Obs.: inflação acumulada em 12 meses (% a.a.).

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tolerância da meta em 2013 se situa em torno de 17% e, em 2014, de 29%.
Tabela 6.2 – Projeção da inflação medida pelo IPCA, com expectativas de mercado para as 1/ taxas de câmbio e de juros
Intervalo de probabilidade 50% Período 30% 10% 2013 3 2013 4 2014 1 2014 2 2014 3 2014 4 2015 1 2015 2 2015 3 5,8 5,4 5,3 4,9 4,8 4,6 4,3 4,1 3,8 5,8 5,6 5,5 5,2 5,3 5,1 4,9 4,7 4,5 5,9 5,8 5,7 5,5 5,7 5,5 5,3 5,3 5,1 5,9 5,9 5,9 5,7 6,0 5,9 5,8 5,8 5,7 6,0 6,1 6,1 6,0 6,4 6,3 6,3 6,3 6,3 6,0 6,2 6,4 6,3 6,8 6,8 6,8 6,9 7,0 Projeção central 5,9 5,8 5,8 5,6 5,8 5,7 5,6 5,5 5,4

No cenário de mercado, a previsão para a inflação acumulada em 2013 se encontra em 5,8%, mesmo valor projetado no último Relatório e no cenário de referência. Conforme o Gráfico 6.4 e a Tabela 6.2, a projeção para a inflação acumulada em doze meses, assim como no cenário de referência, encerra o ano de 2013 acima da meta, mas recua a partir do primeiro trimestre de 2014. Especificamente, a projeção parte de 5,9% no terceiro trimestre de 2013 e encerra o ano em 5,8%. Em 2014, a projeção parte de 5,8% no primeiro trimestre, recua para 5,6% no segundo, retorna ao patamar de 5,8% no terceiro, e encerra o ano em 5,7%. A projeção recua nos trimestres seguintes e, para o terceiro trimestre de 2015, encontra-se em 5,4%. No cenário de mercado, a probabilidade estimada de a inflação ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância da meta em 2013 situa-se em torno de 14%, e em 2014, de 31%. A comparação das trajetórias apresentadas neste Relatório com as divulgadas no anterior – as últimas constantes da Tabela 6.3 –, no cenário de referência, mostra redução na projeção de inflação para 2013, em parte, reflexo de taxas de inflação em meses recentes menores do que as contempladas nas projeções constantes no último Relatório. Já a elevação na projeção para 2014, em parte, deve-se ao aumento das expectativas de inflação e aos efeitos remanescentes da elevação da taxa de câmbio considerada nesse cenário. No cenário de mercado, as projeções encontram-se acima dos valores registrados no Relatório anterior em todo o horizonte de projeção, à exceção do terceiro e do quarto trimestres de 2013, em parte, reflexo da mudança na trajetória considerada para a taxa de câmbio. O Gráfico 6.5 mostra a evolução da inflação acumulada em doze meses, de acordo com os cenários de referência e de mercado até o terceiro trimestre de 2015, e a trajetória de metas. Até agosto de 2013, os valores referem-se à inflação ocorrida e, a partir de então, as trajetórias consideram projeções associadas aos respectivos cenários para a construção dos valores acumulados. Nos dois cenários, as projeções indicam inflação acumulada em doze meses partindo de patamar acima do valor central da meta, com leve tendência declinante e posicionada acima da meta ao final do horizonte de projeção, em ambos os cenários.
Jan 2004 Jun Nov 2004

Obs.: inflação acumulada em 12 meses (% a.a.). 1/ De acordo com o Gerin.

Tabela 6.3 – Projeções do Relatório de Inflação de junho de 2013
Período Cenário de referência 6,8 6,2 6,0 5,8 5,4 5,4 5,4 5,4 5,5 Cenário de mercado 6,8 6,2 5,8 5,6 5,2 5,2 5,2 5,2 5,3

2013 II 2013 III 2013 IV 2014 I 2014 II 2014 III 2014 IV 2015 I 2015 II

Gráfico 6.5 – Trajetória das metas e projeções referentes à inflação acumulada em doze meses
8 7 6 5 4 3 Set Dez Mar Jun 2012 2013
Meta

%

Set Dez Mar Jun 2014
Cenário de mercado

Set Dez Mar Jun 2015

Set

Cenário de referência

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Gráfico 6.6 – Previsão de inflação: modelos VAR
8 7 6 5 4 3
%

Set Dez Mar Jun 2012 2013

Set

Dez Mar Jun 2014

Set

Dez Mar Jun 2015

Set

A média das estimativas geradas pelos modelos de Vetores Autorregressivos (VAR), para a inflação acumulada em doze meses, consta do Gráfico 6.6. Até agosto de 2013, os valores se referem à inflação ocorrida e, a partir de então, a previsões. Segundo esses modelos, a previsão de inflação apresenta trajetória com tendência declinante a partir de setembro de 2013, parcialmente revertida em meados de 2014, convergindo para a média incondicional ao final do horizonte de projeção. O Gráfico 6.7 mostra o leque de crescimento do produto construído com base nas hipóteses do cenário de referência. Tendo em vista que o exercício de projeção do PIB utiliza duas variáveis não diretamente observáveis – produto potencial e hiato do produto –, os erros de previsão associados a essas projeções são consideravelmente maiores do que os erros contidos nas projeções de inflação. De acordo com esse cenário, o crescimento projetado do PIB acumulado em quatro trimestres é de 2,5% para 2013 (0,2 p.p. menor do que a estimativa considerada no Relatório de Inflação anterior), e de 2,5% para o acumulado em quatro trimestres até o segundo trimestre de 2014.

Obs.: inflação acumulada em 12 meses (% a.a.). Média das projeções dos modelos.

Gráfico 6.7 – Variação do PIB com juros fixos em 9,0% a.a. (cenário de referência) Leque do produto
% 8 6 4 2 0 -2 II 2012 III III I 2013 II III IV I 2014 II

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Repasse de Choques de Preços no Atacado para o Varejo

Um dos desafios enfrentados pelos formuladores de política é a necessidade de antecipar fatos, tendo como exemplo a avaliação prospectiva da trajetória da inflação ao consumidor com o objetivo de tomar decisões de política econômica. Dessa forma, bancos centrais têm envidado esforços no sentido de identificar variáveis com potencial para proporcionar informações a respeito do comportamento futuro da inflação ao consumidor. Por sua própria natureza, e baseando-se em evidências empíricas, os preços no mercado atacadista destacam-se como indicadores antecedentes do comportamento dos preços no varejo. Este boxe discorre sobre o potencial repasse de choques incidentes sobre os preços no mercado atacadista, representados pelo Índice de Preços no Atacado, Disponibilidade Interna (IPA-DI), para os preços ao consumidor, representados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Nesse sentido, utiliza-se metodologia similar à empregada nos boxes publicados no Relatório de Inflação de setembro de 2008 e de março de 2010. Apesar de atualizar os resultados obtidos nos boxes anteriores, os resultados não são diretamente comparáveis, dado que amostras e frequências são diferentes. Em uma perspectiva teórica, a princípio, o repasse seria integral, de modo que apenas restaria a questão do prazo em que se materializaria. Em uma perspectiva econométrica, as séries dos índices de preços no atacado e no varejo teriam uma tendência estocástica comum de longo prazo, isto é, cointegrariam. Entretanto, considerando-se a significante divergência que existe entre as cestas de bens que compõem o IPA-DI e o IPCA, bem como entre as respectivas coberturas geográficas, é plausível admitir que as questões da intensidade do repasse e do prazo em que ele se materializaria permanecem em aberto. A metodologia considerada consiste inicialmente na estimação de Vetores Auto-Regressivos (VAR), levando

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em consideração restrições de curto prazo (Vetores de Ciclos Comuns), conforme definido em Vahid e Engle (1993 e 1997) e Issler e Vahid (2001), e de longo prazo (Vetores de Cointegração), conforme definido em Engle e Granger (1987) e estimado seguindo Johansen (1988). O período amostral inclui o período de janeiro de 2003 a julho de 20131. Posteriormente, calcula-se a função impulso-resposta generalizada para cada VAR, como sugerido em Pesaram e Shin (1998), aplicando um choque de um desvio padrão da inovação (do termo erro da equação da inflação no atacado) na equação da inflação no atacado. Na construção da Tabela 1, para cada um dos conjuntos de preços ao consumidor, o repasse de um choque no IPA-DI após 24 meses foi igualado à unidade, de modo que os demais valores devem ser lidos como fração desse repasse. Podemos destacar que: (1) independente da combinação considerada, a maior parte do repasse de um choque no atacado para o varejo se materializa em até seis meses; e (2) um choque no IPA-Industrial se propaga mais intensa e rapidamente do que um choque no IPA-Agrícola. Ambos os resultados haviam sido observados em boxes anteriores.

Tabela 1 – Repasse do choque
Meses IPCA Livres Comercializáveis Não comercializáveis

Repasse do choque no IPA-DI 3 6 12 24 0,6 0,9 1,0 1,0 0,6 0,9 1,0 1,0 0,6 0,9 1,0 1,0 0,7 0,9 1,0 1,0

Repasse do choque no IPA-Agrícola 3 6 12 24 0,2 0,3 0,3 0,3 0,2 0,3 0,3 0,3 0,2 0,3 0,3 0,3 0,2 0,3 0,3 0,3

Repasse do choque no IPA-Industrial 3 6 12 24 0,5 0,8 0,9 0,9 0,5 0,7 0,7 0,8 0,5 0,8 0,9 0,9 0,6 0,7 0,7 0,8

1/ Com isso, exclui-se o período de 2002, contaminado pelo choque de confiança que se abateu sobre a economia doméstica.

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A Tabela 2 foi construída igualando-se o repasse de um choque no IPA-DI para o IPCA à unidade, para cada um dos prazos analisados, de modo que os demais valores devem ser lidos como fração desse repasse. Note-se que, mesmo analisando a questão em uma perspectiva diferente, as duas observações citadas no parágrafo acima permanecem válidas. Além disso, pode-se inferir que repasses para bens comercializáveis ocorrem mais intensa e rapidamente do que para bens não comercializáveis.

Tabela 2 – Repasse do choque
Meses IPCA Livres Comercializáveis Não comercializáveis

Repasse do choque no IPA-DI 3 6 12 24 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,0 1,1 1,1 1,1 1,1 0,9 0,8 0,8 0,8

Repasse do choque no IPA-Agrícola 3 6 12 24 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,4 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3 0,3

Repasse do choque no IPA-Industrial 3 6 12 24 0,9 0,9 0,9 0,9 0,8 0,7 0,7 0,7 0,9 0,9 0,9 0,9 0,8 0,6 0,6 0,6

Gráfico 1 – Evolução do repasse do IPA para o IPCA
1,3 1,2 1,1 1,0 0,9 0,8 0,7 0,6
2008 2009 2010 2011 2012 2013

1 Mês

3 Meses

6 Meses

12 Meses

A fim de ilustrar a evolução do repasse, ao longo do tempo, para cada um dos trimestres considerados e a robustez dos parâmetros estimados, construiu-se o Gráfico 1, que exibe os valores do repasse de um choque no IPA-DI para o IPCA, decorridos um, três, seis e doze meses, com a estimação inicial considerando a amostra de janeiro de 2003 a dezembro de 2007, janela inicial de cinco anos (60 observações); a partir de então, repete-se o exercício acrescentando a cada momento um novo elemento ao conjunto amostral até julho de 2013. As respostas ao impulso são normalizadas de maneira que a primeira observação, janeiro de 2008, seja igual à unidade. Verifica-se ligeiro aumento no repasse do IPA-DI para o IPCA, no horizonte de um mês, e tendência de declínio na intensidade, nos horizontes de três, seis e doze meses.

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Gráfico 2 – Evolução do repasse do IPA para o IPCA (Janela móvel de 84 meses)
1,6 1,4 1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2
2008 2009 2010 2011 2012 2013

Já na construção do Gráfico 2, usa-se janela móvel de cinco anos (sessenta meses), cuja primeira estimação leva em conta o período janeiro de 2003 até dezembro de 2007, e a partir dessa amostra acrescentamos uma nova informação no final da amostra e retiramos uma do início da amostra. As respostas ao impulso são normalizadas de maneira que a primeira observação, janeiro de 2008, seja igual à unidade. Nota-se estabilidade no grau de repasse para o horizonte de um mês e declínio nos de três, seis e doze meses. Em resumo, este boxe analisou a dinâmica dos preços ao consumidor quando choques impactam os preços no atacado. Os exercícios econométricos sugerem, em geral, que: (1) o repasse de choques sobre os preços no atacado para os preços ao consumidor ocorre em intervalos de tempo relativamente curtos; (2) os bens comercializáveis são mais sensíveis a choques no atacado do que os bens não comercializáveis; e (3) choques sobre preços industriais têm impacto maior sobre os preços ao consumidor do que choques sobre preços agrícolas. Essas inferências estão em linha com as obtidas com base em dados mensais e apresentadas no Relatório de Inflação de setembro de 2008.

1 Mês

3 Meses

6 Meses

12 Meses

Referências
ENGLE, R.F. e GRANGER, C.W.J., 1987, “Cointegration and Error Correction: Representation, Estimation, and Testing,” Econometrica, 55(2), 251276. ISSLER, J.V. e VAHID, F., 2001, “Common Cycles and the Importance of Transitory Shocks to Macroeconomic Aggregates,” Journal of Monetary Economics, 47(3), 449-475. JOHANSEN, S., 1988, “Statistical Analysis of Cointegration Vectors,” Journal of Economic Dynamics and Control, 12, 231-254. PESARAM, H.H. e SHIN Y., 1998, “Generalized impulse response analysis in linear multivariate models,” Economic Letters, 58, 17-29. VAHID, F. e ENGLE, R.F., 1993, “Common Trends and Common Cycles,” Journal of Applied Econometrics, 8, 341-360.

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VAHID, F. e ENGLE, R.F., 1997, “Codependent Cycles,” Journal of Econometrics, 80, 199-121.

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Taxa de Câmbio e a Balança Comercial Brasileira

Recentemente, a cotação da moeda brasileira passou por ajustes em relação às moedas dos principais parceiros comerciais. Esse realinhamento, natural em um regime de câmbio flutuante, na medida em que reflete condições subjacentes da economia, implicou em depreciação efetiva do real de aproximadamente 30% em relação aos picos atingidos em meados de 20111. Tendo em vista que alterações de preços relativos têm importantes implicações sobre os fluxos de comércio exterior, este boxe analisa a relação entre a taxa de câmbio e a balança comercial. Uma das formas mais frequentemente utilizadas para quantificar as elasticidades dos fluxos comerciais às variações da taxa de câmbio consiste em estimar relações de longo-prazo entre: (i) exportações, taxa de câmbio real efetiva e demanda global; e (ii) importações, taxa de câmbio real efetiva e demanda doméstica2. No caso brasileiro, testes de cointegração comumente utilizados não indicam existência dessa relação de longo-prazo entre as variáveis listadas em (i) no período pós-real3. Nesse sentido, a evidência indica que as exportações brasileiras não seriam muito afetadas pela taxa de câmbio real. Essa avaliação se apoia na estimativa de baixa elasticidade preço da demanda pelos produtos de maior peso na pauta de exportações brasileira, notadamente das commodities.

1/ De acordo com a taxa de câmbio real efetiva, que é baseada em índices de preços ao consumidor e valor da cesta de moedas dos principais parceiros comerciais. 2/ Aplicações nessa direção e maiores discussões metodológicas podem ser encontrados, por exemplo, nos estudos de Bahmani-Oskooee e Niroomand (1998), Caporale e Chui (1999) e Bahmani-Oskooee e Kara (2005). 3/ Quando se utiliza a taxa de câmbio real efetiva baseada em preços ao produtor, os testes rejeitam a hipótese de cointegração entre as variáveis, tanto para as exportações (i) como para as importações (ii).

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Gráfico 1 – Crescimento das exportações em 12 meses e a taxa de câmbio real
40 30 20 10 0 -10 -20 -30 -40
Taxa de crescimento das exportações Câmbio real eixo à direita

180 160 140 120 100 80 60

1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

O Gráfico 1 mostra a evolução da taxa de crescimento das receitas de exportação e a taxa de câmbio real (baseada no IPCA) desde o princípio do regime de câmbio flutuante, no início de 1999. A análise gráfica aponta exportações com taxas de crescimento elevadas entre 2003 e 2008, quando a expansão média das receitas em dólares ficou acima de 20% ao ano (a.a.). Essa expansão, note-se, ocorreu em período de valorização gradual da taxa de câmbio efetiva real4. De modo geral, as evidências indicam exportações responsivas às condições de demanda global (incluindo o efeito dessa sobre o preço internacional de commodities5). Na margem, entretanto, há sinais de sensibilidade das exportações à taxa de câmbio. Como exemplo, o Gráfico 2 mostra que, em meses recentes, crescem as receitas de exportações para o grupo de manufaturados. No que se refere às importações, a análise econométrica aponta existência de relação de longo-prazo entre as variáveis listadas em (ii). As elasticidades reportadas na Tabela 1 sugerem importações significativamente dependentes tanto do nível da demanda doméstica, quanto da taxa de câmbio real6.

Gráfico 2 – Crescimento das exportações em 12 meses, por grupos
60 50 40 30 20 10 0 -10 -20 -30 -40
Básicos Semi-manufaturados Manufaturados

2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013

Tabela 1 – Relações estimadas
Exportações Testes de cointegração Traço: 29,3 Máx. autovalor: Equação de cointegração – Importações Testes de cointegração Traço: 34,5* Máx. autovalor: Equação de cointegração ln(importações reais em dólar) 2,421.ln(índice do PIB) + (0,077) 0,755.ln(taxa de câmbio real efetiva) (0,052) Nota: * e ** indicam rejeição da hipótese de não cointegração a 5% e a 1%. 29,3** 15,5

4/ De fato, as evidências indicam que o crescimento das exportações nesse período contribuiu para o processo de valorização da moeda brasileira, como mostra Kohlscheen (2013). 5/ Ver Carvalho e Negri (2002) e Mortatti, Miranda e Bacchi (2011), entre outros. 6/ A equação de cointegração foi estimada com base em dados trimestrais dessazonalizados.

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Em resumo, os exercícios econométricos apresentados neste boxe indicam que: (1) a taxa de câmbio afeta a exportação de produtos manufaturados; (2) efeitos de variações de preços relativos da moeda brasileira sobre a balança comercial (e o produto) derivam, em um primeiro momento, de mudanças nas importações (na demanda por produtos importados); e (3) exportações são sensibilizadas pela demanda global.

Referências
BAHMANI-OSKOOEE, M., e NIROOMAND, N. (1998) Long-run price elasticities and the Marshall-Lerner condition revisited. Economics Letters 61:101–109. BAHMANI-OSKOOEE, M., e O. KARA (2005) Income and price elasticities of trade: some new estimates. The International Trade Journal 19, 2, 165-178. CAPORALE, G. M., e CHUI, M. K. F. (1999) Estimating income and price elasticities of trade in a cointegrating framework. Review of International Economics 7(2):254–264. CARVALHO, A., e NEGRI, J. A. D. (2002) Estimação de equações de importação e exportação de produtos agropecuários para o Brasil (1977/1998). Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada. Texto para Discussão 698. KOHLSCHEEN, E. (2013) Long-run determinants of the Brazilian Real: a closer look at commodities. Banco Central do Brasil. Working Paper no. 314. MORTATTI, C.M., MIRANDA, S.H.G., e BACCHI, M.R.P. (2011) Determinantes do comércio Brasil-China de commodities e produtos industriais: uma aplicação VECM. Economia Aplicada, vol. 15, 2.

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Anexo

Notas da 176ª Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil
Data: 9 e 10/7/2013 Local: Sala de reuniões do 8º andar (9/7) e do 20º andar (10/7) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF Horário de início: 16h12 (9/7) e 17h13 (10/7) Horário de término: 19h39 (9/7) e 19h59 (10/7) Presentes: Membros do Copom Alexandre Antonio Tombini – Presidente Aldo Luiz Mendes Altamir Lopes Anthero de Moraes Meirelles Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo Luiz Awazu Pereira da Silva Luiz Edson Feltrim Sidnei Corrêa Marques Chefes de Departamento (presentes em 9/7) Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos Eduardo José Araújo Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 10/7) João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico Demais participantes (presentes em 9/7) Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa Otávio Ribeiro Damaso – Chefe de Gabinete da Presidência Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.

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Evolução recente da economia
1. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,26% em junho, 0,18 ponto percentual (p.p.) a mais do que em junho de 2012. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses atingiu 6,70% em junho (4,92% até junho de 2012), com os preços livres aumentando 8,28% (5,34% até junho de 2012) e os preços administrados, 1,77% (3,77% até junho de 2012). Especificamente sobre preços livres, os dos bens comercializáveis aumentaram 6,75%, e os dos bens não comercializáveis, 9,63%. Os preços do grupo alimentos e bebidas arrefeceram na margem, variando 0,04% em junho e 12,80% em doze meses (7,34% até junho de 2012). Por sua vez, os preços dos serviços aumentaram 8,64% em doze meses (7,50% até junho de 2012). Em síntese, a inflação de monitorados recua ao mesmo tempo em que a de não comercializáveis segue em níveis elevados e a de comercializáveis, em elevação. 2. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, passou de 0,48% em maio para 0,39% em junho. Assim, a variação acumulada em doze meses atingiu 6,43% (1,27 p.p. acima da registrada até junho de 2012). Especificamente, o núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização passou de 0,52% em maio para 0,36% em junho; o núcleo por dupla ponderação, de 0,50% para 0,43%; o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,48% para 0,38%; o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,41% para 0,31%; e o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio bem como combustíveis, de 0,49% para 0,47%. O índice de difusão, que havia atingido 75,1% em janeiro, recuou para 55,3% em junho. 3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,76% em junho (0,32% em maio) e acumula variação de 6,28% em doze meses (5,66% até junho de 2012). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 6,02% (ante 5,54% até junho de 2012). Na desagregação segundo o estágio da produção, observou-se, em doze meses, aumento de 4,82% nos preços de matérias-primas brutas, de 5,57% nos de bens intermediários e de 7,52% nos de bens finais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, variou 6,22% em doze meses até junho (5,37% até junho de 2012); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, 8,00% (7,04% até junho de 2012), em parte reflexo de preços de mão de obra, que variaram 10,32% no período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/ Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 0,28% em maio e acumula 4,07% em doze meses. O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação. 4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando-se os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br avançou 0,8% em abril, após expansão de 1,1% em março. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br aumentou 1,2% em março e 7,3% em abril. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), recuou em junho. O Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS) ficou estável em junho, após recuar em abril e em maio. Já a confiança do empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), aumentou em maio e diminuiu em junho. No que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta crescimento de 14,7% na produção de grãos em 2013, em relação a 2012. 5. Os Indicadores de Condições de Crédito – elaborados pelo Banco Central com base em consultas

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trimestrais com instituições representativas de cada segmento do mercado de crédito – evidenciam para o terceiro trimestre de 2013, em comparação ao segundo, perspectiva de moderação no ritmo de concessões de novas operações de crédito para o segmento de grandes empresas, e de manutenção no caso de micro, pequenas e médias empresas. Em relação ao crédito às pessoas físicas, o indicador sugere estabilidade no ritmo de concessões de linhas de crédito voltadas ao consumo e moderação nas concessões no segmento habitacional. 6. Assim como outros indicadores mensais de atividade, o relativo à indústria tem estado volátil em meses recentes, o que em parte reflete ajustes no número de dias úteis decorrentes de feriados móveis. Nesse contexto, a produção industrial recuou 2,0% em maio, revertendo a alta de 1,9% observada em abril, de acordo com a série da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE. Em maio, a produção industrial diminuiu em 20 dos 27 ramos de atividade pesquisados, na comparação mensal. Ainda assim, a produção no mês foi 1,4% superior à registrada em maio de 2012, mas recuou 0,5% no acumulado em doze meses. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação cresceu 6,2% nos cinco primeiros meses de 2013, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, e o número de horas trabalhadas permaneceu estável. 7. Entre as categorias de uso da indústria, segundo dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital recuou 3,5% em maio em relação ao mês anterior; a de bens intermediários, 1,1%; a de bens de consumo duráveis, 1,2%; e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 1,0%. Relativamente ao mesmo mês do ano anterior, a produção de bens de capital aumentou 12,5%; a de bens de consumo duráveis, 4,1%; e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 0,8%. Já a produção de bens intermediários recuou 0,6% nessa base de comparação. No que se refere ao crescimento acumulado em doze meses até maio, houve avanço de 2,7% na produção de bens de consumo duráveis e recuo nas demais categorias de uso: bens de capital (-2,3%); bens intermediários (-0,7%); e bens de consumo semiduráveis e não duráveis (-0,4%). 8. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, foi estimada em 5,8% em maio (mesmo valor em abril de 2013 e em maio de 2012). De acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa de desocupação em maio permaneceu em 5,4%, próxima ao mínimo da série histórica (5,3%), iniciada em março de 2002. A redução da taxa de crescimento da População em Idade Ativa (PIA) ao longo dos últimos anos tem contribuído para a manutenção da taxa de desocupação em patamares historicamente baixos. Por sua vez, o nível de ocupação permaneceu estável, em 53,8% da PIA, em maio. Ainda de acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 1,4% em maio, comparado a igual mês do ano anterior, e a massa salarial real aumentou 1,5% em relação a maio de 2012. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram criação de 72 mil postos de trabalho formais em maio, menor leitura para o mês desde 1992. Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora existam sinais de moderação na margem. 9. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio cresceu 1,6% em abril, em relação a abril de 2012. O comércio ampliado expandiu 9,1%, na mesma base de comparação. Ajustada sazonalmente, a variação mês a mês foi de 0,5% nas vendas do comércio varejista restrito e de 1,9% nas do comércio ampliado. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio ampliado alcançou 7,7%, com expansão em todos os dez segmentos pesquisados. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, recuou ligeiramente em junho. O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito.

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10. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 84,2% em junho (83,6% em junho de 2012) e, na série dessazonalizada pela FGV, 84,4%. A utilização da capacidade no setor de bens de capital, de acordo com a série livre de influências sazonais, recuou para 82,0%. No setor de bens de consumo, de bens intermediários e de materiais de construção, a utilização da capacidade se posicionou em 83,3%, 86,2% e 90,4%, respectivamente. 11. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses recuou para US$9,3 bilhões em junho. Esse resultado adveio de exportações de US$239,9 bilhões e de importações de US$230,5 bilhões, que recuaram 5,9% e 0,2%, respectivamente, em relação aos doze meses anteriores. Por sua vez, o deficit em transações correntes, acumulado em doze meses, atingiu US$73,0 bilhões em maio, equivalente a 3,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$64,2 bilhões em doze meses até maio, equivalentes a 2,8% do PIB. 12. Na economia global, prevalece cenário de baixo crescimento este ano em importantes economias maduras, notadamente na Zona do Euro, e indicadores de volatilidade respondem às perspectivas de mudanças na política monetária nos Estados Unidos (EUA). Altas taxas de desemprego na Europa, aliadas aos esforços de consolidação fiscal e a incertezas políticas, traduzem-se em recuo dos investimentos e em baixo crescimento. O indicador antecedente composto, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a maio, aponta perspectivas de crescimento acima da tendência em diversas economias avançadas, a exemplo da Alemanha e do Japão. Os Purchasing Managers’ Indexes (PMIs), referentes a junho, indicam continuidade do crescimento global, particularmente no setor de manufaturas. Em relação à política monetária, nas economias maduras prevalecem posturas acomodatícias. Nas economias emergentes, de modo geral, a política monetária se apresenta expansionista. A inflação continua em níveis moderados nos EUA e na Zona do Euro, e no Japão ainda se registra deflação. 13. O preço do barril de petróleo do tipo Brent apresentou leve aumento desde a reunião anterior do Copom, atingindo cotações em torno de US$108. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas variaram -0,5% e os das metálicas decresceram 2,4%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), variou 5,4% em doze meses até junho de 2013.

Avaliação prospectiva das tendências da inflação
14. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses: a) a projeção de reajuste no preço da gasolina, para o acumulado de 2013, foi mantida em 5%, valor considerado na reunião do Copom de maio; b) a projeção aponta recuo de aproximadamente 15% na tarifa residencial de eletricidade, mesmo valor considerado na reunião do Copom de maio. Essa estimativa leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais anunciadas, bem como reajustes e revisões tarifárias ordinários programados para este ano;

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c) projeta-se estabilidade do preço do gás de bujão e redução de 2,0% na tarifa de telefonia fixa para o acumulado de 2013, mesmos valores considerados na reunião do Copom de maio; d) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2013, reduziu-se para 1,8% – que incorpora a recente revogação de reajustes nas tarifas de transporte urbano –, ante 2,5% considerados na reunião do Copom de maio; e e) a projeção de reajuste para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2014, foi mantida em 4,5%, valor considerado na reunião do Copom de maio. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). 15. A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 69 pontos base (p.b.) e 12 p.b. para o quarto trimestre de 2013 e de 2014, respectivamente. 16. Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário para 2013, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2013; e, para 2014, conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO)/2014. 17. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2013 manteve-se inalterada em 5,81%. Para 2014, a mediana das projeções de inflação elevou-se de 5,80% para 5,90%. 18. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,25/US$ e da taxa Selic em 8,00% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 não se alterou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de maio, portanto, permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 manteve-se estável em relação ao valor considerado na reunião de maio. Por conseguinte, encontra-se acima da meta para a inflação. Para 2014, no cenário de referência a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de maio e ficou estável no cenário de mercado, nos dois casos, acima da meta de 4,5%.

Implementação da política monetária
19. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de

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preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos. 20. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, em particular, os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos. Nesse contexto, apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. O Comitê avalia que, de modo geral, mantiveram-se perspectivas de atividade global moderada este ano, com tendência de intensificação ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Nesse contexto, há avanços localizados nas economias maduras, não obstante permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em que pese a resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca, ainda, evidências de acomodação dos preços de commodities nos mercados internacionais, bem como de maior volatilidade e de tendência de apreciação do dólar dos Estados Unidos. 21. O Copom pondera que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano. Informações recentes indicam retomada dos investimentos e continuidade do crescimento do consumo das famílias, esse último favorecido pelas transferências públicas e pelo vigor do mercado de trabalho – que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários. De modo geral, a absorção interna vem se expandindo a taxas maiores do que as de crescimento do PIB e tende a ser beneficiada pelos efeitos de ações de política fiscal, pela expansão da oferta de crédito para pessoas físicas e empresas, e pelo programa de concessão de serviços públicos, entre outros fatores. No entanto, o Comitê nota que a velocidade de materialização desses ganhos esperados pode ser contida caso não ocorra reversão tempestiva do declínio que ora se registra na confiança de firmas e famílias. 22. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais, não obstante iniciativas recentes apontarem o balanço do setor público em posição expansionista. O Comitê nota que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidifica a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo. 23. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito. 24. No mercado de fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante sinais de moderação, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos.

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25. O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária. 26. O Copom pondera que o nível elevado de inflação e a dispersão de aumentos de preços – a exemplo dos recentemente observados – contribuem para que a inflação mostre resistência. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido. 27. Nesse contexto, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso. 28. Diante disso, dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 8,50% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano. 29. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. 30. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar relativamente robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas em 2012. Para o Comitê, esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, as permissões para exploração de petróleo e os estoques em níveis ajustados, entre outros, criam boas perspectivas para os investimentos e para a produção industrial. O Comitê pondera que iniciativas recentes apontam o balanço do setor público em posição expansionista. Por outro lado, o Comitê nota que ainda se apresenta como fator de contenção da demanda agregada o frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas. 31. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda.

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32. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária. 33. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 27 de agosto de 2013, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 22.665, de 27 de junho de 2012.

Sumário dos dados analisados pelo Copom
Inflação 34. O IPCA variou 0,26% em junho, ante 0,37% em maio, de acordo com o IBGE. A desaceleração mensal refletiu o recuo de 0,17 p.p., para 0,22%, na variação dos preços livres e a aceleração, de 0,31% para 0,38%, nos preços monitorados. A evolução dos preços livres refletiu desacelerações dos preços dos bens comercializáveis, de 0,24% para 0,11%, e dos não comercializáveis, de 0,52% para 0,32%, apesar da aceleração nos preços de serviços, de 0,56% para 0,64%. A desaceleração mensal do IPCA foi favorecida, principalmente, pelo arrefecimento, de 0,31% para 0,04%, nos preços do grupo alimentação e bebidas, com contribuição de 0,01 p.p. para o índice, ante 0,08 p.p. em maio. O índice de difusão atingiu 55,34% em junho, ante 63,01% em maio. 35. Considerados períodos de doze meses, o IPCA aumentou 6,70% em junho, ante 6,50% em maio. Os preços livres aceleraram de 8,11% para 8,28%, reflexo da aceleração, de 6,31% para 6,75%, na variação dos preços dos produtos comercializáveis e da desaceleração, de 9,71% para 9,63%, na relativa aos bens não comercializáveis. A variação dos preços monitorados atingiu 1,77%, ante 1,54% no período de doze meses encerrado em maio. Os preços dos serviços aumentaram 8,64%, ante variações de 8,51% e de 8,13% nos períodos de doze meses finalizados em maio e abril, respectivamente. 36. O IGP-DI variou 0,76% em junho, após alta de 0,32% em maio, de acordo com a FGV, resultado de aceleração do IPA e do IPC, e de desaceleração do INCC. O indicador acumula aumentos de 1,85% no ano, ante elevação de 3,59% no mesmo período de 2012, e de 6,28% em doze meses, comparativamente a 6,20% até maio. 37. O IPA-DI avançou 0,85% em junho, ante 0,01% em maio, acumulando altas de 0,67% no ano e de 6,02% em doze meses. Os preços dos produtos industriais aumentaram 0,62% no mês, ante 0,30% em maio, acumulando altas de 2,90% no ano e de 5,35% em doze meses. Os preços dos produtos agropecuários avançaram 1,46% em junho, ante -0,75% no mês anterior, acumulando queda de 4,76% no ano e alta de 8,01% em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos industriais evidenciou, em especial, o aumento nos preços dos itens óleos e gorduras vegetais, 11,24%, e laticínios, 4,04%, que exerceram contribuições de 0,29 p.p. e 0,06 p.p., respectivamente. Com relação aos produtos agropecuários, ressaltem-se as variações dos itens soja, 11,13%; leite in natura, 2,48%; e bovinos, 1,33%; com contribuições de 0,53 p.p., 0,06 p.p. e 0,05 p.p., respectivamente. 38. O IPC-DI variou 0,35% em junho, ante 0,32% em maio, acumulando alta de 3,29% no ano, ante 2,83% no mesmo período do ano anterior, e de 6,22% em doze meses. A aceleração do IPC-DI em junho repercutiu as elevações nos grupos transportes, 0,30%, ante -0,19% em maio; e habitação, 0,67%, ante 0,39%, com contribuições respectivas de 0,05 p.p. e de 0,16 p.p. O INCC-DI variou 1,15% em junho, ante 2,25% em maio, com desaceleração tanto nos preços de materiais, equipamentos e serviços, de 0,64%

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para 0,50%, quanto nos custos de mão de obra, de 3,77% para 1,74%. O INCC acumulou variações de 6,02% no ano e de 8,00% em doze meses. 39. O IPP/IT aumentou 0,28% em maio, ante 0,40% em abril, acumulando 0,27% no ano, ante 3,36% no mesmo período de 2012. O resultado mensal do IPP/IT refletiu, principalmente, a elevação nos preços do segmento de alimentos, 1,42%, com contribuição de 0,27 p.p. para o índice, contrabalançada parcialmente pelas retrações em outros produtos químicos, 1,18%, e coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, 0,93%, com contribuições respectivas de -0,13 p.p. e -0,10 p.p. Em doze meses, o IPP/IT variou 4,07% em maio, ante 5,54% em abril, destacando-se as contribuições dos itens alimentos, 0,77 p.p.; coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, 0,67 p.p.; e outros produtos químicos, 0,53 p.p. 40. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) avançou 5,34% em junho, após avanço de 0,55% em maio, ocorrendo valorizações de 5,73%, 4,40% e 4,30% nos segmentos de commodities agropecuárias, energéticas e metálicas, respectivamente. O IC-Br acumulou redução de 2,43% no ano, até junho, resultado de desvalorizações de 7,40% e de 2,02%, em commodities metálicas e agropecuárias, e valorização de 0,82% no segmento de energéticas. Atividade econômica 41. O IBC-Br cresceu 0,84% em abril, em relação ao mês anterior, considerados dados dessazonalizados. O indicador variou 1,38% no trimestre encerrado em abril, em relação ao finalizado em janeiro, quando havia aumentado 0,84% no mesmo tipo de comparação. Considerados dados observados, o IBC-Br variou 7,30% em relação a abril de 2012, ante 1,16% em março, na mesma base de comparação, e acumulou elevações de 3,20% no ano e de 1,57% no período de doze meses finalizado em abril. 42. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceram 1,9% em abril, em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PMC, do IBGE, após variações de 0,2% em março e de -0,7% em fevereiro. As vendas aumentaram 0,6% no trimestre encerrado em abril, em relação ao finalizado em janeiro, quando haviam crescido 0,2%. Ocorreram elevações mensais nas vendas de sete dos dez segmentos pesquisados, com destaque para artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 6,4%; livros, jornais, revistas e papelaria, 4,5%; e combustíveis e lubrificantes, 3,3%. Em oposição, ressalte-se a retração nas vendas de equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, 1,1%. As vendas do comércio varejista cresceram 0,5% em abril, comparativamente ao mês anterior, após estabilidade em março e queda de 0,4% em fevereiro, acumulando retração média de 0,1% no trimestre encerrado em abril, em relação ao finalizado em janeiro. O comércio varejista cresceu 6,4% no período de doze meses encerrado em abril. 43. Considerados dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram aumento interanual de 9,1% em abril, com ênfase nos desempenhos de veículos e motos, partes e peças, 22,4%; e material de construção, 16,2%. O comércio ampliado cresceu 7,7% no período de doze meses encerrado em abril, destacando-se o aumento das vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico, 10,2%; veículos e motos, partes e peças, 10,1%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 9,9%; e móveis e eletrodomésticos, 8,4%. 44. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, atingiram 318,6 mil unidades em junho, aumentando 4,2% em relação maio, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. Essas vendas cresceram 0,5% no trimestre encerrado em junho, em relação ao

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finalizado em março, quando se elevaram 2,9% no mesmo tipo de comparação. Considerados períodos de doze meses, as vendas de autoveículos cresceram 6,3% em junho, resultado da expansão de 7,9% em automóveis e de 4,6% em comerciais leves. Em oposição, as vendas de caminhões e de ônibus recuaram 10,3% e 5,2%, respectivamente, nessa base de comparação. 45. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou retração mensal de 8,6% em maio. A análise dos dados observados indicou variações de -11,6% em relação a maio de 2012, de 2,9% no ano, e de -0,5% no intervalo de doze meses terminado em maio. 46. A produção de bens de capital declinou 3,5% em maio, acumulando expansão de 5,7% no trimestre encerrado em maio, relativamente ao finalizado em fevereiro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. O resultado mensal repercutiu, principalmente, os recuos nas indústrias de equipamentos para o setor de energia elétrica, 12,5%; de equipamentos para a construção, 9,9%; e de equipamentos para fins industriais não seriados, 5,9%. Em oposição, destacaram-se os aumentos nos segmentos de equipamentos agrícolas, 3,8%; e de bens para fins industriais seriados, 2,1%. Considerando dados observados, a expansão de 12,5% em relação a maio de 2012 refletiu o crescimento da produção de bens para fins industriais seriados, 26,6%; de peças agrícolas, 23,2%; de equipamentos agrícolas, 21%; e de equipamentos de transporte, 20,2%. 47. A produção de insumos típicos da construção civil recuou 1% em maio, acumulando expansão de 1,9% no trimestre, em relação ao finalizado em fevereiro, considerando dados dessazonalizados. No acumulado em doze meses encerrados em maio, a produção do segmento aumentou 0,4%. 48. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$176,3 bilhões no intervalo de doze meses encerrado em abril, elevação de 26,5% em relação a igual período de 2012. Destacaram-se os aumentos nos recursos destinados aos segmentos comércio e serviços, 59%; agropecuária, 49%; e indústria, 36%; em oposição à retração de 3% no setor de infraestrutura. No período, o segmento industrial absorveu 33% do total dos recursos liberados, seguido por infraestrutura, 31%; comércio e serviços, 28%; e agropecuária, 8%. 49. A produção física da indústria geral recuou 2% em maio, em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após elevação de 1,9% em abril, resultado das retrações de 2,3% e 0,5% nas indústrias de transformação e extrativa, respectivamente. A produção de bens de capital declinou 3,5%, seguida pelos decréscimos de 1,2% em bens de consumo duráveis, de 1,1% em bens intermediários e de 1% em bens de consumo semi e não duráveis. Dezenove das 26 atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa recuaram, com destaque para a indústria de mobiliário, 11,4%; de máquinas para escritório e equipamentos de informática, 9%; de perfumaria e produtos de limpeza, 8,2%; de calçados e couro, 7,3%; e de máquinas e equipamentos, 5%; contrapondo-se às elevações de 4,8%, 1,6% e 1,1% nas indústrias de bebidas, de refino de petróleo e álcool, e de metalurgia básica, respectivamente. A produção da indústria cresceu 0,7% no trimestre encerrado em maio, ante o trimestre finalizado em fevereiro, quando aumentara 0,2%, resultado de variações de 0,6% na indústria de transformação e de -4,4% na indústria extrativa. Destacaram-se os aumentos nas indústrias de fumo, 24,5%; de máquinas para escritório e equipamentos de informática, 14,6%; de máquinas e equipamentos, 8,8%; equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros, 8,2%; e veículos automotores, 6,3%, e as retrações na indústria farmacêutica, 8,1%; e de produtos de metal, 4,5%. Considerados dados observados, a produção física da indústria geral expandiu 1,4%, em relação a maio de 2012, refletindo crescimento de 2% na indústria de transformação, com destaque para a expansão de 12,5% na produção de bens de

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capital, e queda de 9,1% na indústria extrativa. A elevação de 1,9% registrada no trimestre encerrado em maio, em relação a igual período do ano anterior, decorreu, principalmente, do aumento de 13,2% na indústria de bens de capital, enquanto a redução de 0,5% no período de doze meses encerrado em maio foi motivada, sobretudo, pelos recuos respectivos de 2,3% e 0,7% nas indústrias de bens de capital e de bens intermediários. 50. O Nuci da indústria de transformação atingiu 84,4% em junho, resultado 0,2 p.p. inferior ao observado em maio, segundo dados dessazonalizados pela FGV. Ocorreram retrações de 1,0 p.p. na indústria de bens de consumo duráveis, 0,5 p.p. na de bens de capital, 0,3 p.p. na de bens intermediários, de 0,2 p.p. na de bens de consumo não duráveis, e elevação de 1,3 p.p. na indústria de material de construção. Considerada a série observada, o Nuci aumentou 0,6 p.p. em relação a junho de 2012, atingindo 84,2%, resultado das elevações de 3,1 p.p. em material de construção, 1,2 p.p. em bens de consumo duráveis e 0,7 p.p. em bens intermediários; e das reduções respectivas de 1,4 p.p. e 0,5 p.p. nas produções de bens de consumo não duráveis e bens de capital. 51. A produção de autoveículos atingiu 320,8 mil unidades em junho, retraindo-se 2,7% em relação a maio, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco Central. No segundo trimestre, a produção de autoveículos cresceu 12,6%, em relação ao trimestre anterior, quando recuara 3,6%. Considerando dados observados, a produção elevou-se 15,5% em relação a junho de 2012, 18,1% no acumulado do ano e 12,1% no período de doze meses encerrado em junho. 52. Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais aumentou 4,7% em relação a maio e 1,4% no trimestre encerrado em junho, de acordo com dados dessazonalizados pelo Banco Central. Considerados dados observados, houve variação de -8,6% em relação a junho de 2012, de 8,5% no acumulado do ano e de 13,4% em doze meses. As exportações de autoveículos montados somaram 51,2 mil unidades em junho, variando 42,7%, em relação a igual mês do ano anterior, 18,1%, no acumulado do ano, e -7,4%, em doze meses. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações cresceram 8% em relação a maio, acumulando expansão de 16,5% no trimestre encerrado em junho, em relação ao finalizado em março. 53. De acordo com o LSPA, do IBGE, referente a junho, a safra de grãos do país deverá totalizar 185,7 milhões de toneladas em 2013, variando 14,7% em relação a 2012 e -0,1% em relação ao prognóstico de maio. A projeção para o ano reflete, principalmente, o aumento de 23,8% estimado para a produção de soja, seguindo-se as estimativas de crescimento de 26,9%, 9,7%, 4,8% e 3,1% para as culturas de trigo, milho, feijão e arroz, respectivamente. Projeta-se, adicionalmente, elevação de 10,3% na safra de cana-de-açúcar, na mesma base de comparação. Expectativas e sondagens 54. O ICC, considerados dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, atingiu 112,9 pontos em junho. A retração de 0,4% em relação a maio refletiu variações de 0,1% no Índice de Expectativas (IE) e de -1,5% no Índice da Situação Atual (ISA). O ICC recuou 8,5% em relação a junho de 2012, resultado das quedas de 13,3% no ISA e de 5,4% no IE. 55. O ICS, da FGV, considerados dados dessazonalizados, permaneceu estável em 119,4 pontos em junho, em relação a maio, refletindo variação de -0,7% no ISA e de 0,4% no IE. O ICS recuou 3,3% em relação a junho de 2012, resultado das retrações de 5,7% no ISA e de 1,5% no IE.

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56. O ICOM, calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio, da FGV, atingiu 121,5 pontos em junho. A retração mensal de 3,7%, em relação ao mesmo mês de 2012, decorreu de iguais recuos, 3,7%, no Índice de Situação Atual (ISA-COM) e no Índice de Expectativas (IE-COM). O ICOM decresceu 3% no trimestre encerrado em junho, em relação ao mesmo período de 2012, resultado das quedas de 3,9% no ISA-COM e de 2,5% no IE-COM. 57. O ICI, considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, atingiu 103,8 pontos em junho. A retração mensal de 1,1% foi resultado dos recuos de 0,9% no ISA e de 1,3% no IE. O indicador cresceu 0,8% em relação a junho de 2012, refletindo elevação de 1% no ISA e de 0,6% no IE. 58. O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da FGV, atingiu 118,1 pontos em junho. A retração de 4,8% em relação a igual mês de 2012 refletiu reduções de 9,5% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST) e de 0,9% no Índice de Expectativas (IEICST). O ICST retraiu 3,6% no trimestre finalizado em junho comparativamente ao mesmo período de 2012, em decorrência das contrações de 7,2% no ISA-ICST e de 0,6% no IE-ICST. Mercado de trabalho 59. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, foram gerados 72 mil empregos formais em maio, ante 139,7 mil em igual mês de 2012, dos quais 33,8 mil no setor agropecuário, 21,2 mil em serviços e 15,8 mil na indústria de transformação. No acumulado do ano foram abertos 533,7 mil postos e no período de doze meses encerrado em maio, 664,1 mil, ante 737,9 mil e 1,3 milhão, respectivamente, em iguais períodos de 2012. O nível de emprego formal registrou aumento mensal de 0,1% em relação a abril, considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central. 60. A taxa de desemprego permaneceu estável em 5,8% em maio, nas comparações com abril e com igual mês de 2012, de acordo com a PME, do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. O resultado mensal refletiu elevações iguais, de 0,4%, na população ocupada e na População Economicamente Ativa (PEA). Em relação a maio de 2012, a ocupação cresceu 0,1%, ante 0,9% em abril, na mesma base de comparação. A taxa de desemprego, ajustada sazonalmente, permaneceu estável em 5,4%. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores recuou 0,3% no mês e aumentou 1,4% na comparação interanual, enquanto a massa salarial real elevouse 0,1% e 1,5%, nas mesmas bases de comparação. Crédito e inadimplência 61. O saldo total de crédito do sistema financeiro, incluindo-se as operações com recursos livres e direcionados, totalizou R$2.487 bilhões em maio, elevando-se 1,5% no mês e 16,1% em doze meses. A relação crédito/PIB atingiu 54,7%, ante 54,3% em abril e 50,3% em maio de 2012. O saldo de operações com recursos livres, equivalente a 57,6% do estoque total do sistema financeiro, cresceu 1,2% no mês e 10,4% em doze meses, refletindo variações de 1% e 8,6%, respectivamente, no saldo das operações com pessoas físicas e de 1,3% e 12,4% no relativo a pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados apresentaram acréscimos respectivos de 2% e 24,7% nas mesmas bases de comparação, com destaque para os aumentos de 2,9% e 35,1%, respectivamente, nos financiamentos imobiliários destinados a pessoas físicas, e de 1,8% e 16,4%, na ordem, nos financiamentos do BNDES, entre as operações destinadas a pessoas jurídicas.

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62. A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro atingiu 18,1% a.a. em maio, representando quedas de 0,4 p.p. em relação a abril e de 3,0 p.p. ante maio de 2012. A taxa média atingiu 24% nas operações com pessoas físicas, com reduções de 0,3 p.p. no mês e de 3,6 p.p. em doze meses, e 13,5% no segmento de pessoas jurídicas, com declínios de 0,5 p.p. e de 2,7 p.p. nas mesmas bases de comparação. 63. O prazo médio geral das concessões de operações de crédito atingiu 98,6 meses em maio, aumentando 8,1 meses em relação a abril e 18,9 meses na comparação com maio de 2012. No segmento de pessoas físicas, o prazo médio situou-se em 130,2 meses, elevando-se 1,3 e 18,9 meses, respectivamente. No segmento de pessoas jurídicas, o prazo médio somou 74,1 meses, aumentando 13,1 meses em relação a abril e 18,4 meses relativamente a igual mês de 2012. 64. A taxa de inadimplência do sistema financeiro, correspondente às operações com atraso superior a noventa dias, situou-se em 3,6% em maio, permanecendo estável pelo quarto mês consecutivo e recuando 0,3 p.p. comparativamente a maio de 2012. Os indicadores referentes às operações com pessoas físicas e jurídicas mantiveram-se estáveis em relação a abril, 5,3% e 2,3%, respectivamente, com queda de 0,7 p.p. e aumento de 0,1 p.p., na ordem, em doze meses. Ambiente externo 65. A recuperação da economia mundial se mantém em ritmo moderado. O PMI global recuou para 51,4 pontos em junho, de 52,9 em maio, em função da desaceleração do crescimento nas economias emergentes e da continuidade da contração da atividade na Zona do Euro. Nos EUA, os indicadores econômicos mais recentes indicam que a atividade econômica segue se beneficiando da recuperação nos mercados imobiliário e de trabalho, que apontam, respectivamente, elevações do índice de confiança das construtoras e ritmo mais elevado de criação de novos postos de trabalho, registrando 195 mil novos postos de trabalho em junho. Na Zona do Euro, a taxa de desemprego atingiu novo recorde em maio, 12,2%, e o PMI composto de junho, conquanto um ponto acima do registrado em maio, manteve-se pelo 17º mês consecutivo em território indicativo de contração econômica. No Japão, o PIB anualizado do primeiro trimestre foi revisado de 3,5% para 4,1%, enquanto a produção industrial, as vendas no varejo e a confiança do consumidor apontaram crescimento mensal em maio, respectivamente, de 2%, 1,5%, e 1,2 ponto, atingindo 45,7 pontos, o maior valor desde maio de 2007. Na China, os sinais de desaceleração da atividade seguem sendo capturados pelos indicadores de investimentos em ativos fixos e de produção industrial, cujas variações interanuais recuaram, de abril a maio, 0,2 p.p. e 0,1 p.p., respectivamente, e pelo PMI do setor manufatureiro, que, em junho, recuou para 48,2 pontos, o pior resultado desde setembro de 2012. 66. Desde o último Copom, os mercados financeiros apresentaram elevação da volatilidade e da aversão ao risco, comportamento favorecido seja pela percepção de que o Federal Reserve (Fed) poderá reduzir os estímulos monetários antes do originalmente previsto, seja pelos renovados sinais de desaceleração da atividade na China. No período entre as reuniões, o índice CBOE VIX, que havia atingido 14,8 pontos, alcançou 20,5 pontos em 20 de junho, maior valor desde 28 de dezembro de 2012. Da mesma forma, diversos mercados acionários se desvalorizaram, com destaque para os índices Ibovespa do Brasil, Shanghai Composite da China, Istanbul Stock Exchange National 100 Index da Turquia e FTSE MIB da Itália. Nesse contexto, o dólar valorizou-se ante as principais moedas de economias emergentes. 67. No mercado internacional de commodities, a ampla oferta de grãos e as perspectivas de boas safras em 2013/2014 têm mantido os preços das agrícolas em queda, em particular milho e trigo. No mercado

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de commodities metálicas, os recuos de preços seguem sendo explicados pelas incertezas em relação à demanda chinesa e pela valorização do dólar, mais recentemente amplificada pela perspectiva de diminuição dos estímulos monetários nos EUA. De forma diversa, o aumento das tensões geopolíticas na Síria e no Egito traduziu-se em pressão altista para os preços do petróleo. 68. De acordo com o International Financial Statistics do Fundo Monetário Internacional (FMI), a variação anual do IPC global manteve-se em 3,1% em maio, fruto de alta moderada de preços nas economias avançadas, de 0,9% para 1,2%, compensada por nova desaceleração nas emergentes, de 6,5% para 5,9%. O cenário de crescimento moderado e arrefecimento dos preços de commodities favoreceu a manutenção das taxas de juros oficiais em mínimas históricas pelos bancos centrais do G4, ao tempo em que as autoridades monetárias de Polônia e Hungria voltaram a ampliar a postura expansionista de suas políticas, reduzindo as respectivas taxas básicas. Comércio exterior e reservas internacionais 69. A balança comercial brasileira registrou superavit de US$2,4 bilhões em junho, resultado de exportações de US$21,2 bilhões e importações de US$18,8 bilhões. O deficit acumulado no primeiro semestre do ano totalizou US$3 bilhões, ante superavit de US$7,1 bilhões em igual período de 2012, refletindo retração de 0,7% nas exportações e elevação de 8,4% nas importações, pelo critério de média diária. A corrente de comércio somou US$232 bilhões no semestre, expansão de 3,7%, consideradas as médias diárias, na comparação com o mesmo período de 2012. 70. As reservas internacionais no conceito de liquidez, que inclui linhas com recompra, totalizaram US$371,1 bilhões em junho, reduções de US$3,3 bilhões no mês e de US$7,5 bilhões no ano. No conceito caixa, o estoque totalizou US$369,4 bilhões, recuos de US$5 bilhões em relação a maio e de US$3,7 bilhões comparativamente a dezembro de 2012. No mês, o Banco Central liquidou vendas de US$1,7 bilhão em operações de linhas com recompra no mercado doméstico de câmbio. Não houve intervenção à vista durante o primeiro semestre de 2013. Mercado monetário e operações de mercado aberto 71. Após a reunião do Copom de maio, a curva de juros doméstica apresentou elevação em toda a sua extensão, com destaque para o trecho longo. O período foi marcado por aumento da volatilidade e da aversão ao risco em âmbito global. No cenário externo, a expectativa de redução dos estímulos monetários pelo Fed implicou valorização do dólar frente às principais moedas emergentes e em alta das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano. No âmbito local, de acordo com analistas de mercado, contribuíram para esse movimento a revisão para cima das expectativas quanto à intensidade e duração do ciclo de aperto monetário, as incertezas quanto ao efetivo cumprimento das metas fiscais do governo federal, a desvalorização do real frente ao dólar e o rebaixamento da perspectiva de rating soberano por uma agência de classificação de risco. Entre 27 de maio e 8 de julho de 2013, as taxas de juros de um, de três e de seis meses aumentaram 0,63 p.p., 0,66 p.p. e 0,70 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, de dois e de três anos aumentaram 0,86 p.p., 1,24 p.p. e 1,55 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 2,53% em 27 de maio para 3,35% em 8 de julho, devido principalmente ao aumento das taxas de juros nominais. 72. No período de 28 de maio a 8 de julho, o Banco Central realizou leilões de contratos de swap cambial tradicional com vencimentos de julho a dezembro de 2012 e em janeiro e julho de 2014. Essas operações

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totalizaram o equivalente a US$28,5 bilhões, dos quais US$3,3 bilhões referentes à rolagem de contratos vincendos em 1º de julho. Em 8 de julho, o saldo líquido passivo em câmbio do Banco Central nesse instrumento alcançou o equivalente a US$25,2 bilhões em valor nocional. 73. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 28 de maio a 8 de julho, diariamente, operações compromissadas de prazo de três meses, tomando recursos no valor total de R$93,8 bilhões e, semanalmente, operações compromissadas de prazo de seis meses, tomando recursos no valor de R$15,3 bilhões no total. O saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo recuou de R$486,0 bilhões, entre 16 de abril e 27 de maio, para R$446,8 bilhões, entre 28 de maio e 8 de julho. O Banco Central atuou, ainda, por meio de operações compromissadas tomadoras de recursos de curtíssimo prazo, em 29 ocasiões. Realizou, também, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. O saldo diário médio tomador dessas operações de curtíssimo prazo foi de R$253,2 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central aumentou de R$687,1 bilhões, entre 16 de abril e 27 de maio, para R$700,0 bilhões, entre 28 de maio e 8 de julho. Considerando-se o período entre 27 de maio e 8 de julho, o estoque dos compromissos de recompra subiu de R$679,7 bilhões para R$741,1 bilhões. Os principais fatores que contribuíram para a expansão da liquidez no período foram o resgate líquido de títulos pelo Tesouro Nacional e as despesas líquidas da União.

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Notas da 177ª Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central do Brasil
Data: 27 e 28/8/2013 Local: Sala de reuniões do 8º andar (27/8) e do 20º andar (28/8) do Edifício-Sede do Banco Central do Brasil – Brasília – DF Horário de início: 16h20 (27/8) e 16h54 (28/8) Horário de término: 19h50 (27/8) e 19h31 (28/8) Presentes: Membros do Copom Alexandre Antonio Tombini – Presidente Aldo Luiz Mendes Altamir Lopes Anthero de Moraes Meirelles Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo Luiz Awazu Pereira da Silva Luiz Edson Feltrim Sidnei Corrêa Marques Chefes de Departamento (presentes em 27/8) Bruno Walter Coelho Saraiva – Departamento de Assuntos Internacionais Daso Maranhão Coimbra – Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos Eduardo José Araújo Lima – Departamento de Estudos e Pesquisas (também presente em 28/8) João Henrique de Paula Freitas Simão – Departamento de Operações do Mercado Aberto Márcio Barreira de Ayrosa Moreira – Departamento das Reservas Internacionais Renato Jansson Rosek – Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais Tulio José Lenti Maciel – Departamento Econômico Demais participantes (presentes em 27/8) Edilson Rodrigues de Sousa – Coordenador do Departamento Econômico Gustavo Paul Kurrle – Assessor de Imprensa Otávio Ribeiro Damaso – Chefe de Gabinete da Presidência Os membros do Copom analisaram a evolução recente e as perspectivas para a economia brasileira e para a economia internacional, no contexto do regime de política monetária, cujo objetivo é atingir as metas fixadas pelo governo para a inflação.

Evolução recente da economia
1. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) variou 0,03% em julho, após alta de 0,26% em junho. Dessa forma, a inflação acumulada em doze meses atingiu 6,27% em julho (5,20% até julho de 2012), com os preços livres aumentando 7,86% (5,77% até julho de 2012) e os preços administrados registrando a menor variação (1,31%) da série histórica iniciada em 1994, ante 3,67% até julho de 2012. Especificamente sobre preços livres, os dos bens comercializáveis aumentaram 6,81% (3,08% até julho de 2012), e os dos bens não comercializáveis, 8,80% (8,24% até julho de 2012). Os preços do grupo alimentos e bebidas registraram deflação de 0,33% em julho, mas acumulam alta de 11,41% em doze meses (8,68% até julho de 2012). Por sua vez, os preços dos serviços aumentaram 8,48% em doze meses

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(7,90% até junho de 2012). Em síntese, a inflação de monitorados recua, ao mesmo tempo em que a de não comercializáveis segue em níveis elevados, e a de comercializáveis, em elevação. 2. A média das variações mensais das medidas de inflação subjacente, calculadas pelo Banco Central, passou de 0,39% em junho para 0,28% em julho. Assim, a variação acumulada em doze meses atingiu 6,26% (1,02 ponto percentual (p.p.) acima da registrada até julho de 2012). Especificamente, o núcleo do IPCA por médias aparadas com suavização passou de 0,36% em junho para 0,29% em julho; o núcleo por dupla ponderação, de 0,43% para 0,34%; o núcleo por exclusão de monitorados e de alimentação no domicílio, de 0,38% para 0,35%; o núcleo por médias aparadas sem suavização, de 0,31% para 0,21%; e o núcleo por exclusão, que descarta dez itens de alimentação no domicílio bem como combustíveis, de 0,46% para 0,20%. O índice de difusão recua desde janeiro (75,1%) e alcançou 55,1% em julho. 3. O Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna (IGP-DI) avançou 0,14% em julho (0,76% em junho) e acumula 4,84% em doze meses (7,31% até julho de 2012). O principal componente do IGP-DI, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), variou 4,02% (ante 7,93% até julho de 2012). Na desagregação segundo o estágio da produção, observou-se, em doze meses, aumento de 0,19% nos preços de matériasprimas brutas, de 5,38% nos de bens intermediários e de 5,99% nos de bens finais. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), segundo componente mais importante do IGP-DI, variou 5,80% em doze meses até julho (5,65% até julho de 2012); e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), componente de menor peso no IGP-DI, 7,80% (7,27% até julho de 2012), em parte reflexo de preços de mão de obra, que variaram 10,04% no período. Por sua vez, o Índice de Preços ao Produtor/Indústria de Transformação (IPP/IT), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 1,33% em junho e acumula alta de 4,25% em doze meses. O Copom avalia que os efeitos do comportamento dos preços no atacado sobre a inflação para os consumidores dependerão das condições atuais e prospectivas da demanda e das expectativas dos formadores de preços em relação à trajetória futura da inflação. 4. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) incorpora estimativa para a produção mensal dos três setores da economia, bem como para impostos sobre produtos, e constitui importante indicador coincidente da atividade econômica. Considerando-se os dados ajustados sazonalmente, o IBC-Br avançou 1,1% em junho, após contração de 1,5% em maio. Em relação ao mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br aumentou 2,3% em maio e 2,4% em junho. No primeiro semestre, o indicador apontou crescimento de 2,9% em relação ao primeiro semestre de 2012. O Índice de Confiança do Consumidor (ICC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), avançou em agosto, revertendo perdas anteriores, em função de melhoras tanto na percepção em relação à situação atual como nas expectativas. O Índice de Confiança do Setor de Serviços (ICS) aumentou em agosto, após recuo no mês anterior. Já a confiança do empresário industrial, medida pelo Índice de Confiança da Indústria (ICI), diminuiu em agosto, com estabilidade nas expectativas. No que se refere à agricultura, o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), do IBGE, projeta crescimento de 16,1% na produção de grãos em 2013, em relação a 2012. 5. Assim como outros indicadores mensais de atividade, o relativo à indústria tem se mostrado volátil em meses recentes, o que, em parte, reflete ajustes no número de dias úteis decorrentes de feriados móveis. Nesse contexto, a produção industrial avançou 1,9% em junho, após recuar 1,8% em maio, de acordo com a série da produção industrial geral dessazonalizada pelo IBGE. Em junho, a produção industrial aumentou em 22 dos 27 ramos de atividade pesquisados, na comparação mensal. A produção no mês foi 3,1% superior à registrada em junho de 2012, resultando em avanço de 0,2% no acumulado em doze meses. De acordo com dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento real da indústria de transformação cresceu 5,3% no primeiro semestre, comparativamente ao mesmo período do ano anterior, e o número de horas trabalhadas cresceu 0,1%.

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6. Entre as categorias de uso da indústria, a produção de bens de capital cresceu 18,0% em junho, em relação ao mesmo mês do ano anterior; a de bens intermediários, 0,4%; a de bens de consumo duráveis, 4,5%; e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 2,3%. Relativamente a maio, de acordo com dados dessazonalizados pelo IBGE, a produção de bens de capital em junho aumentou 6,3%; a de bens de consumo duráveis, 3,6%; e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis, 2,9%. Já a produção de bens intermediários permaneceu estável nessa base de comparação. No que se refere ao crescimento acumulado em doze meses até junho, houve avanço de 3,7% na produção de bens de consumo duráveis e de 0,3% na de bens de capital. Por sua vez, a produção de bens intermediários e a de bens de consumo semiduráveis e não duráveis recuou 0,2% e 0,1%, respectivamente, nessa base de comparação. 7. A taxa de desemprego nas seis regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa Mensal de Emprego (PME), sem ajuste sazonal, foi estimada em 5,6% em julho (5,4% em julho de 2012). De acordo com a série dessazonalizada pelo Banco Central, a taxa de desocupação em julho ficou em 5,5%, próxima ao mínimo da série histórica (5,3%), iniciada em março de 2002. O nível de ocupação atingiu 54,0% da População em Idade Ativa (PIA), em julho. A redução da taxa de crescimento da PIA ao longo dos últimos anos tem contribuído para a manutenção da taxa de desocupação em patamares historicamente baixos. Ainda de acordo com a PME, o rendimento médio real habitual cresceu 1,5% em julho, comparado a igual mês do ano anterior, e a massa salarial real aumentou 2,7% em relação a julho de 2012. Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) mostram criação de 41,5 mil postos de trabalho formais em julho (142,5 mil em julho de 2012). Em suma, dados disponíveis indicam estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho, embora existam sinais mais evidentes de moderação na margem. 8. De acordo com dados da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo IBGE, o volume de vendas do comércio cresceu 1,7% em junho, em relação ao mesmo mês do ano anterior. O comércio ampliado retraiu 2,0%, na mesma base de comparação, influenciado pelo menor volume de vendas de veículos, motos, partes e peças. Ajustada sazonalmente, a variação mês a mês foi de 0,5% nas vendas do comércio varejista restrito e de 1,0% nas do comércio ampliado. Em doze meses, a taxa de crescimento do comércio ampliado alcançou 6,4%, com expansão em todos os dez segmentos pesquisados. O Índice de Confiança do Comércio (ICOM), medido pela FGV, aumentou em agosto. O Copom avalia que a trajetória do comércio continuará a ser influenciada pelas transferências governamentais, pelo ritmo de crescimento da massa salarial real e pela expansão moderada do crédito. 9. O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) na indústria de transformação, calculado pela FGV, sem ajuste sazonal, alcançou 84,6% em agosto (84,4% em agosto de 2012) e, na série dessazonalizada pela FGV, 84,2%. A utilização da capacidade no setor de bens de capital, de acordo com a série livre de influências sazonais, ficou em 81,9%. No setor de bens de consumo, de bens intermediários e de materiais de construção, a utilização da capacidade se posicionou em 82,5%, 86,1% e 90,8%, respectivamente. 10. O saldo da balança comercial acumulado em doze meses recuou para US$4,5 bilhões em julho. Esse resultado adveio de exportações de US$239,6 bilhões e de importações de US$235,1 bilhões, com recuo de 5,6% e avanço de 2,2%, respectivamente, em relação aos doze meses anteriores. Por sua vez, o deficit em transações correntes, acumulado em doze meses, atingiu US$77,7 bilhões em julho, equivalente a 3,4% do Produto Interno Bruto (PIB). Já os investimentos estrangeiros diretos totalizaram US$62,3 bilhões em doze meses até julho, equivalentes a 2,7% do PIB. 11. Na economia global, prevalece cenário de baixo crescimento este ano em importantes economias maduras, notadamente na Zona do Euro, e indicadores de volatilidade respondem às perspectivas de mudanças na política monetária dos Estados Unidos. Altas taxas de desemprego na Europa, aliadas aos

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esforços de consolidação fiscal e a incertezas políticas, traduzem-se em recuo dos investimentos e em baixo crescimento. O indicador antecedente composto, divulgado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), referente a junho, no entanto, aponta melhoras na margem em diversas economias avançadas, com perspectivas de crescimento acima da tendência, ao contrário do que ocorre em economias emergentes. Em relação à política monetária, nas economias maduras prevalecem posturas acomodatícias. Nas economias emergentes, de modo geral, a política monetária se apresenta expansionista. A inflação continua em níveis moderados nos EUA e na Zona do Euro, e, no Japão, está ligeiramente acima de zero. 12. O preço do barril de petróleo do tipo Brent apresentou aumento desde a última reunião, atingindo US$116, por conta de maiores riscos geopolíticos. Cabe ressaltar que a complexidade geopolítica que envolve o setor do petróleo tende a acentuar o comportamento volátil dos preços, que é reflexo, também, da baixa previsibilidade de alguns componentes da demanda global e do fato de o crescimento da oferta depender de projetos de investimentos de longa maturação e de elevado risco. Desde a última reunião do Copom, os preços internacionais das commodities agrícolas decresceram 0,7% e os das metálicas aumentaram 6,6%. Por sua vez, o Índice de Preços de Alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), variou -3,3% em doze meses até julho de 2013.

Avaliação prospectiva das tendências da inflação
13. Os choques identificados, e seus impactos, foram reavaliados de acordo com o novo conjunto de informações disponível. O cenário considerado nas simulações contempla as seguintes hipóteses: a) a projeção de reajuste no preço da gasolina, para o acumulado de 2013, foi mantida em 5%, valor considerado na reunião do Copom de julho; b) a projeção aponta recuo de aproximadamente 16% na tarifa residencial de eletricidade, ante redução de 15% considerada na reunião do Copom de julho. Essa estimativa leva em conta os impactos diretos das reduções de encargos setoriais anunciadas, bem como reajustes e revisões tarifárias ordinários programados para este ano; c) projeta-se aumento de 2,5% no preço do gás de bujão e redução de 1,0% na tarifa de telefonia fixa para o acumulado de 2013, ante estabilidade e recuo de 2% considerados na reunião do Copom de julho, respectivamente; d) a projeção de reajuste, construída item a item, para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2013, manteve-se em 1,8%, mesmo valor considerado na reunião do Copom de julho; e e) a projeção de reajuste para o conjunto dos preços administrados por contrato e monitorados, para o acumulado de 2014, foi mantida em 4,5%, valor considerado na reunião do Copom de julho. Essa projeção baseia-se em modelos de determinação endógena de preços administrados, que consideram, entre outras variáveis, componentes sazonais, inflação de preços livres e inflação medida pelo Índice Geral de Preços (IGP). 14. A trajetória estimada para a taxa do swap pré-DI de 360 dias indica spread sobre a taxa Selic, no cenário de referência, de 77 pontos base (p.b.) e 18 p.b. para o quarto trimestre de 2013 e de 2014, respectivamente.

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15. Considera-se como indicador fiscal o superavit primário estrutural que deriva das trajetórias de superavit primário para 2013, conforme parâmetros estabelecidos na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)/2013; e, para 2014, conforme parâmetros constantes do Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO)/2014. 16. Desde a última reunião do Copom, a mediana das projeções coletadas pelo Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) para a variação do IPCA em 2013 reduziuse ligeiramente, de 5,81% para 5,80%. Para 2014, a mediana das projeções de inflação reduziu-se de 5,90% para 5,84%. 17. O cenário de referência leva em conta as hipóteses de manutenção da taxa de câmbio em R$2,40/US$ e da taxa Selic em 8,50% ao ano (a.a.) em todo o horizonte relevante. Nesse cenário, a projeção para a inflação de 2013 manteve-se estável em relação ao valor considerado na reunião do Copom de julho, portanto, permanece acima da meta de 4,5% fixada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). No cenário de mercado, que leva em conta as trajetórias de câmbio e de juros coletadas pelo Gerin com analistas de mercado, no período imediatamente anterior à reunião do Copom, a projeção de inflação para 2013 elevou-se em relação ao valor considerado na reunião de julho. Por conseguinte, permanece acima da meta para a inflação. Para 2014, no cenário de referência, a projeção de inflação mantevese estável em relação ao valor considerado na reunião do Copom de julho e aumentou no cenário de mercado, posicionando-se, nos dois casos, acima da meta de 4,5%. No segundo trimestre de 2015, a inflação se posiciona acima da meta nos dois cenários.

Implementação da política monetária
18. O Copom avalia que a política monetária deve contribuir para a consolidação de um ambiente macroeconômico favorável em horizontes mais longos. Nesse sentido, reitera que, no regime de metas para a inflação, orienta suas decisões de acordo com os valores projetados para a inflação pelo Banco Central e com base na análise de cenários alternativos para a evolução das principais variáveis que determinam a dinâmica dos preços. O Comitê entende, também, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a reduzir incertezas em relação ao comportamento futuro da inflação plena, facilitam a avaliação de cenários por parte da autoridade monetária, assim como auxiliam no processo de coordenação de expectativas dos agentes econômicos, em particular, dos formadores de preços. Note-se, adicionalmente, que riscos baixos para a inflação subjacente no curto prazo tendem a potencializar os efeitos das ações de política monetária, fazendo com que elas possam afetar de forma mais duradoura a dinâmica da inflação plena no futuro. Embora reconheça que outras ações de política macroeconômica podem influenciar a trajetória dos preços, o Copom reafirma sua visão de que cabe especificamente à política monetária manter-se especialmente vigilante, para garantir que pressões detectadas em horizontes mais curtos não se propaguem para horizontes mais longos. 19. O Copom considera que, desde sua última reunião, os riscos para a estabilidade financeira global permaneceram elevados, em particular, os derivados do processo de desalavancagem em curso nos principais blocos econômicos. Apesar de identificar baixa probabilidade de ocorrência de eventos extremos nos mercados financeiros internacionais, o Comitê pondera que o ambiente externo permanece complexo. O Comitê avalia que, de modo geral, mantiveram-se perspectivas de atividade global moderada este ano, com tendência de intensificação ao longo do horizonte relevante para a política monetária. Há avanços localizados nas economias maduras, não obstante permanecer limitado o espaço para utilização de política monetária e prevalecer cenário de restrição fiscal neste e nos próximos anos. Já em importantes economias emergentes, o ritmo de atividade não tem correspondido às expectativas, em

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que pese a resiliência da demanda doméstica. O Comitê destaca, ainda, evidências de acomodação dos preços de commodities nos mercados internacionais, bem como de maior volatilidade e de tendência de apreciação do dólar dos Estados Unidos. 20. O Copom pondera que o cenário central contempla ritmo de atividade doméstica mais intenso neste e no próximo ano. Informações recentes indicam retomada dos investimentos e continuidade do crescimento do consumo das famílias, esse último favorecido pelas transferências públicas e pelo vigor do mercado de trabalho – que se reflete em taxas de desemprego historicamente baixas e em crescimento dos salários. De modo geral, a absorção interna vem se expandindo a taxas maiores do que as de crescimento do PIB e tende a ser beneficiada pelos efeitos de ações de política fiscal, pela expansão da oferta de crédito para pessoas físicas e empresas, e pelo programa de concessão de serviços públicos, entre outros fatores. No entanto, o Comitê nota que a velocidade de materialização desses ganhos esperados depende do fortalecimento da confiança de firmas e famílias. 21. O Copom observa que o cenário central para a inflação leva em conta a materialização das trajetórias com as quais trabalha para as variáveis fiscais. Para o Comitê, criam-se condições para que, no horizonte relevante para a política monetária, o balanço do setor público se desloque para a zona de neutralidade. O Comitê nota ainda que a geração de superavit primários compatíveis com as hipóteses de trabalho contempladas nas projeções de inflação, além de contribuir para arrefecer o descompasso entre as taxas de crescimento da demanda e da oferta, solidifica a tendência de redução da razão dívida pública sobre produto e a percepção positiva sobre o ambiente macroeconômico no médio e no longo prazo. 22. O Copom destaca que o cenário central também contempla expansão moderada do crédito. Ainda sobre esse mercado, o Comitê considera oportunas iniciativas no sentido de moderar concessões de subsídios por intermédio de operações de crédito. 23. No mercado de fatores, o Copom destaca a estreita margem de ociosidade no mercado de trabalho e pondera que, em tais circunstâncias, um risco significativo reside na possibilidade de concessão de aumentos de salários incompatíveis com o crescimento da produtividade e suas repercussões negativas sobre a inflação. Não obstante sinais de moderação, o Comitê avalia que a dinâmica salarial permanece originando pressões inflacionárias de custos. 24. O Copom avalia que a depreciação e a volatilidade da taxa de câmbio verificadas nos últimos trimestres ensejam uma natural e esperada correção de preços relativos. Para o Comitê, esses movimentos nos mercados domésticos de divisas, em certa medida, refletem perspectivas de transição dos mercados financeiros internacionais na direção da normalidade, entre outras dimensões, em termos de liquidez e de taxas de juros. Importa destacar ainda que, para o Comitê, a citada depreciação cambial constitui fonte de pressão inflacionária em prazos mais curtos. No entanto, os efeitos secundários dela decorrentes, e que tenderiam a se materializar em prazos mais longos, podem e devem ser limitados pela adequada condução da política monetária. 25. O Copom pondera que a elevada variação dos índices de preços ao consumidor nos últimos doze meses contribui para que a inflação mostre resistência. Nesse contexto, inserem-se também os mecanismos formais e informais de indexação e a piora na percepção dos agentes econômicos sobre a própria dinâmica da inflação. Tendo em vista os danos que a persistência desse processo causaria à tomada de decisões sobre consumo e investimentos, na visão do Comitê, faz-se necessário que, com a devida tempestividade, o mesmo seja revertido.

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26. Nesse contexto, o Copom entende ser apropriada a continuidade do ritmo de ajuste das condições monetárias ora em curso. 27. Diante disso, dando prosseguimento ao ajuste da taxa básica de juros, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 9,00% ao ano, sem viés. O Comitê avalia que essa decisão contribuirá para colocar a inflação em declínio e assegurar que essa tendência persista no próximo ano. 28. Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Alexandre Antonio Tombini (Presidente), Aldo Luiz Mendes, Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Awazu Pereira da Silva, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. 29. O Copom avalia que a demanda doméstica tende a se apresentar relativamente robusta, especialmente o consumo das famílias, em grande parte devido aos efeitos de fatores de estímulo, como o crescimento da renda e a expansão moderada do crédito. Esse ambiente tende a prevalecer neste e nos próximos semestres, quando a demanda doméstica será impactada pelos efeitos remanescentes das ações de política implementadas recentemente. Esses efeitos, os programas de concessão de serviços públicos, as permissões para exploração de petróleo, entre outros, criam boas perspectivas para os investimentos e para a produção industrial. Por outro lado, o Comitê nota que ainda se apresenta como fator de contenção da demanda agregada o frágil cenário internacional. Esses elementos e os desenvolvimentos no âmbito parafiscal e no mercado de ativos são partes importantes do contexto no qual decisões futuras de política monetária serão tomadas, com vistas a assegurar a convergência tempestiva da inflação para a trajetória de metas. 30. O Copom ressalta que a evidência internacional, no que é ratificada pela experiência brasileira, indica que taxas de inflação elevadas geram distorções que levam a aumentos dos riscos e deprimem os investimentos. Essas distorções se manifestam, por exemplo, no encurtamento dos horizontes de planejamento das famílias, empresas e governos, bem como na deterioração da confiança de empresários. O Comitê enfatiza, também, que taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda. 31. O Copom destaca que, em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação como o observado nos últimos doze meses persistam no horizonte relevante para a política monetária. 32. Ao final da reunião, foi registrado que o Comitê voltará a se reunir em 8 de outubro de 2013, para as apresentações técnicas, e no dia seguinte, para deliberar sobre a política monetária, conforme estabelecido pelo Comunicado nº 22.665, de 27 de junho de 2012.

Sumário dos dados analisados pelo Copom
Inflação 33. O IPCA-15 variou 0,16% em agosto, ante 0,07% em julho, de acordo com o IBGE. A aceleração mensal refletiu o avanço de 0,11 p.p., para 0,22%, na variação dos preços livres e a menor queda, de -0,07% para -0,04%, nos preços monitorados. A evolução dos preços livres refletiu aceleração dos preços dos bens comercializáveis, de -0,02% para 0,29%, e desaceleração dos não comercializáveis, de 0,23% para

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0,16%, com desaceleração nos preços de serviços, de 0,69% para 0,61%. A aceleração mensal do IPCA foi favorecida, principalmente, pela menor deflação do grupo transportes, de -0,55% para -0,30%, com contribuição de -0,06% para o índice, ante -0,10% em julho, e pela aceleração, de 0,20% para 0,45%, dos preços do grupo saúde e cuidados pessoais com contribuições de 0,05 p.p. e 0,02 p.p., respectivamente. O índice de difusão atingiu 60,55% em agosto, ante 55,89% em julho. 34. Considerados períodos de doze meses, o IPCA-15 aumentou 6,15% em agosto, ante 6,40% em julho. Os preços livres desaceleraram de 7,97% para 7,72%, reflexo da aceleração, de 6,63% para 6,70%, na variação dos preços dos produtos comercializáveis e da desaceleração, de 9,19% para 8,64%, na relativa aos bens não comercializáveis. A variação dos preços monitorados atingiu 1,26%, ante 1,50% no período de doze meses encerrado em julho. Os preços dos serviços aumentaram 8,57%, mesma variação observada até julho, ante 8,65% nos doze meses encerrados em junho. 35. O IGP-10 variou 0,15% em agosto, após alta de 0,43% em julho, de acordo com a FGV, resultado de desaceleração do IPA-10 e do INCC-10 e de queda do IPC-10. O indicador acumula aumento de 2,25% no ano, ante elevação de 5,49% no mesmo período de 2012, e de 4,12% em doze meses, comparativamente a 5,62% até julho. 36. O IPA-10 avançou 0,19% em agosto, ante 0,49% em julho, acumulando alta de 1,17% no ano e de 3,09% em doze meses. Os preços dos produtos industriais aumentaram 0,43% no mês, ante 0,38% em julho, acumulando alta de 3,63% no ano e de 4,55% em doze meses. Os preços dos produtos agropecuários variaram -0,45% em agosto, ante 0,80% no mês anterior, acumulando quedas de 4,84% no ano e de 0,57% em doze meses. O desempenho mensal dos preços dos produtos industriais evidenciou, em especial, o aumento nos preços dos itens produtos químicos, 1,42%; carnes, produtos de carne e pescados, 2,29%; e laticínios, 4,61%; que exerceram contribuições de 0,11 p.p., 0,08 p.p. e 0,07 p.p., respectivamente. Em relação aos produtos agropecuários, ressalte-se a variação dos itens milho, -7,50%, e soja, -2,30%, com contribuições de -0,14 p.p. e -0,12 p.p., respectivamente. 37. O IPC-10 variou -0,07% em agosto, ante 0,13% em julho, acumulando alta de 3,56% no ano, ante 3,64% no mesmo período do ano anterior, e de 5,65% em doze meses. A desaceleração do IPC-10 em agosto repercutiu as quedas nos grupos transportes, -0,49%, ante -0,06% em julho; alimentação, -0,30%, ante -0,37%; e vestuário, -0,93%, ante 0,03%; com contribuições respectivas de -0,08 p.p., -0,07 p.p. e -0,05 p.p. O INCC-DI variou 0,35% em agosto, ante 0,71% em julho, com desaceleração tanto nos custos de mão de obra, de 0,94% para 0,32%, quanto nos preços de materiais, equipamentos e serviços, de 0,47% para 0,39%. O INCC acumulou altas de 6,51% no ano e de 7,56% em doze meses. 38. O IPP/IT aumentou 1,33% em junho, ante 0,24% em maio, acumulando 1,56% no ano, ante 4,51% no mesmo período de 2012. O resultado mensal do IPP/IT refletiu, principalmente, as elevações respectivas de 2,35% e 1,98% nos preços dos segmentos alimentos e outros produtos químicos, com contribuições para o índice de 0,45 p.p. e 0,22 p.p., nessa ordem. Em doze meses, o IPP/IT variou 4,25% em junho, ante 4,03% em maio, destacando-se as contribuições dos itens alimentos, 0,81 p.p.; coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, 0,58 p.p.; e outros produtos químicos, 0,55 p.p. 39. O Índice Commodities – Brasil (IC-Br) avançou 2,27% em julho, após avanço de 5,34% em junho, ocorrendo altas respectivas de 1,70%, 2,79% e 4,38% nos segmentos de commodities agropecuárias, metálicas e energéticas. O IC-Br acumulou redução de 0,22% no ano, até julho, resultado de desvalorizações de 4,81% e de 0,36% em commodities metálicas e agropecuárias, nessa ordem, e valorização de 5,24% no segmento de energéticas.

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Atividade econômica 40. O IBC-Br cresceu 1,13% em junho, em relação ao mês anterior, considerados dados dessazonalizados. O indicador variou 0,89% no segundo trimestre, em relação ao primeiro, quando havia aumentado 1,10% no mesmo tipo de comparação. Considerados dados observados, o IBC-Br variou 2,35%, em relação a junho de 2012, ante 2,28% em maio, na mesma base de comparação, e acumulou elevações de 2,90% no ano e de 1,94% no período de doze meses finalizado em junho. 41. As vendas do comércio ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, cresceram 1% em junho em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados da PMC, do IBGE, após variações de -1,2% em maio e de 1,9% em abril. As vendas aumentaram 1,4% no segundo trimestre, em relação ao primeiro, quando haviam registrado estabilidade, no mesmo tipo de comparação. Ocorreram elevações mensais nas vendas de seis dos dez segmentos pesquisados, com destaque para móveis e eletroeletrônicos, 1,8%. Em oposição, ressalte-se a retração nas vendas de tecidos, vestuário e calçados, 1,4%. As vendas do comércio varejista cresceram 0,5% em junho, comparativamente ao mês anterior, após estabilidade em maio e alta de 0,6% em abril, acumulando expansão média de 0,5% no trimestre encerrado em junho, em relação ao finalizado em março. O comércio varejista cresceu 5,5% no período de doze meses encerrado em junho. 42. Considerados dados observados, as vendas do comércio ampliado apresentaram decréscimo interanual de 2% em junho, com ênfase no recuo de 9,3% nas vendas de veículos e motos, partes e peças. O comércio ampliado cresceu 6,4% no período de doze meses encerrado em junho, destacando-se o aumento das vendas de outros artigos de uso pessoal e doméstico, 10,3%; artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos, 9,1%; veículos e motos, partes e peças, 7,8%; e combustíveis e lubrificantes, 7,5%. 43. As vendas de autoveículos pelas concessionárias, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões, e ônibus, atingiram 342,3 mil unidades em julho, queda de 8,2% em relação a junho, de acordo com dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), dessazonalizados pelo Banco Central. Essas vendas cresceram 0,6% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril, quando declinaram 7% no mesmo tipo de comparação. Considerados períodos de doze meses, as vendas de autoveículos cresceram 4,1% em julho, resultado da expansão de 4,6% em automóveis e de 4,1% em comerciais leves. Em oposição, as vendas de caminhões recuaram 4,6% e as de ônibus apresentaram estabilidade, nessa base de comparação. 44. O índice de quantum das importações de bens de capital, divulgado pela Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) e ajustado sazonalmente pelo Banco Central, registrou retração mensal de 6,9% em julho. A análise dos dados observados indicou crescimento de 13,3% em relação a julho de 2012, de 5,9% no ano e de 2,3% no intervalo de doze meses terminado em julho. 45. A produção de bens de capital cresceu 6,3% em junho, acumulando expansão de 3,9% no segundo trimestre do ano, relativamente ao primeiro, de acordo com dados dessazonalizados da Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), do IBGE. O resultado mensal repercutiu, principalmente, o aumento da produção das indústrias de equipamentos para fins industriais não seriados, 6,8%; de bens agrícolas, 3%; e de equipamentos de transportes, 2,9%. Em oposição, destacou-se a retração de 5,1% no segmento de equipamentos para o setor de energia elétrica. Considerando dados observados, a expansão de 18%, em relação a junho de 2012, refletiu o crescimento da produção de peças agrícolas, 42,6%; de equipamentos de transporte, 28%; de bens para fins industriais seriados, 26,2%; e de equipamentos agrícolas, 21,9%.

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46. A produção de insumos típicos da construção civil aumentou 0,6% em junho, acumulando expansão de 1,7% no trimestre, em relação ao finalizado em março, considerando dados dessazonalizados. No acumulado em doze meses encerrados em junho, a produção do segmento cresceu 1%. 47. Os desembolsos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) somaram R$190,8 bilhões no intervalo de doze meses encerrado em junho, elevação de 39,5% em relação a igual período de 2012. Destacaram-se os aumentos nos recursos destinados aos segmentos agropecuária, 75%; comércio e serviços, 61%; e indústria, 53%. No período, o setor industrial absorveu 32% do total dos recursos liberados, seguido pela infraestrutura, 31%; comércio e serviços, 28%; e agropecuária, 9%. 48. A produção física da indústria geral cresceu 1,9% em junho, em relação ao mês anterior, de acordo com dados dessazonalizados do IBGE, após retração de 1,8% em maio, resultado das expansões de 2,4% e 2,1% nas indústrias extrativa e de transformação, respectivamente. A produção de bens de capital aumentou 6,3%, seguida pelas expansões de 3,6% em bens de consumo duráveis e de 2,9% em bens de consumo semi e não duráveis, e de estabilidade em bens intermediários. Das 26 atividades da indústria de transformação consideradas na pesquisa, 21 aumentaram, com destaque para a indústria de máquinas para escritório e equipamentos de informática, 11,4%; farmacêutica, 8,8%; de outros equipamentos de transporte, 8,3%; e de calçados e couro, 6,7%; contrapondo-se às retrações de 4,1% e 2% nas indústrias de refino de petróleo e álcool, e de equipamentos de instrumentação médico-hospitalar, ópticos e outros, respectivamente. A produção da indústria cresceu 1,1% no segundo trimestre, ante o primeiro, quando aumentara 0,9%, resultado de igual variação, de 0,8%, nas indústrias de transformação e extrativa. Destacaram-se os aumentos das indústrias de fumo, 41%; de veículos automotores, 8,9%; e de máquinas e equipamentos, 7,3%; e as retrações da indústria de material eletrônico e equipamentos de comunicação, 4,6%; de mobiliário, 3,9%; e de bebidas, 3,1%. Considerados dados observados, a produção física da indústria geral expandiu 3,1%, em relação a junho de 2012, refletindo crescimento de 3,5% da indústria de transformação, com destaque para a expansão de 18% da produção de bens de capital, e queda de 2,7% da indústria extrativa. A elevação de 4,3% registrada no segundo trimestre, em relação a igual período do ano anterior, decorreu, sobretudo, do aumento de 17,9% da indústria de bens de capital, e a alta de 0,2% no período de doze meses encerrado em junho foi motivada, principalmente, por expansões de 3,7% e 0,3% das indústrias de bens de consumo duráveis e de capital, respectivamente. 49. O Nuci da indústria de transformação atingiu 84,2% em agosto, resultado 0,2 p.p. inferior ao observado em julho, segundo dados dessazonalizados pela FGV. Ocorreram retrações de 0,9 p.p. na indústria de bens de consumo duráveis, de 0,7 p.p. na de bens de capital e de 0,3 p.p. na de bens intermediários, e elevações de 0,8 p.p. na indústria de bens de consumo não duráveis e de 0,9 p.p. na de material de construção. Considerada a série observada, o Nuci aumentou 0,2 p.p. em relação a agosto de 2012, atingindo 84,6%, resultado das elevações de 3,9 p.p. em material de construção e de 0,9 p.p. em bens intermediários, além das reduções de 3,9 p.p., 2,6 p.p. e 0,1 p.p. na produção de bens de consumo duráveis, não duráveis e de bens de capital, respectivamente. 50. A produção de autoveículos atingiu 312,3 mil unidades em julho, retraindo-se 8,3% em relação a junho, de acordo com dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), dessazonalizados pelo Banco Central. No trimestre finalizado em julho, a produção de autoveículos cresceu 4% em relação ao trimestre encerrado em abril, quando aumentara 1,7%. Considerando dados observados, a produção elevou-se 3,7% em relação a julho de 2012, 15,8% no acumulado do ano e 12,7% no período de doze meses encerrado em julho. 51. Ainda segundo a Anfavea, o licenciamento de autoveículos nacionais contraiu 9,7% em relação a junho

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e aumentou 2,1% no trimestre encerrado em julho, de acordo com dados dessazonalizados pelo Banco Central. Considerados dados observados, houve variações de -7,7% em relação a julho de 2012, de 5,5% no acumulado do ano e de 10,3% em doze meses. As exportações de autoveículos montados somaram 52,5 mil unidades em julho, aumentando 75,9% em relação a igual mês do ano anterior, 24,9% no acumulado do ano e 0,2% em doze meses. Considerada a série dessazonalizada pelo Banco Central, as exportações cresceram 5,2% em relação a junho, acumulando expansão de 19,2% no trimestre encerrado em julho, em relação ao finalizado em abril. 52. De acordo com o LSPA, do IBGE, referente a julho, a safra de grãos do país deverá totalizar 187,9 milhões de toneladas em 2013, com elevações de 16,1% em relação a 2012 e de 1,2% em relação ao levantamento de junho. O aumento da projeção para o ano, em relação à do mês anterior, refletiu, principalmente, o prognóstico de maior crescimento das colheitas de trigo, feijão (2ª safra) e milho (2ª safra), 33,4%, 20% e 19,6%, respectivamente, ante 26,9%, 13,7% e 14,8%, na ordem, em junho. Em relação a 2012, a expansão estimada deve-se, sobretudo, à expectativa de crescimentos de 23,7% e 12,2% das produções de soja e milho, respectivamente. Projeta-se, adicionalmente, elevação de 10,3% na safra de cana-de-açúcar, na mesma base de comparação. 53. O IBGE passou a divulgar esse mês a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), indicador conjuntural mensal do setor. Segundo a PMS, a receita nominal do setor de serviços cresceu 8,6% em junho, ante igual mês do ano anterior, comparativamente a 7,6% em maio e 11,6% em abril. O crescimento interanual de junho refletiu, principalmente, o desempenho dos segmentos outros serviços, 11%, transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, 9,8%, e serviços prestados às famílias, 9%. No acumulado do ano até junho, a receita nominal do setor de serviços expandiu-se 8,4%, com destaque para os segmentos de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio, 10,8%, serviços prestados às famílias, 9,3%, e serviços profissionais administrativos e complementares, 8,3%. Expectativas e sondagens 54. O ICC, considerados os dados dessazonalizados da Sondagem de Expectativas do Consumidor, da FGV, de abrangência nacional, atingiu 113,1 pontos em agosto. A elevação de 4,4% em relação a julho refletiu variações de 7,3% no Índice da Situação Atual (ISA) e de 3,5% no Índice de Expectativas (IE). O ICC recuou 6,3% em relação a agosto de 2012, resultado das quedas de 12,8% no ISA e de 2,3% no IE. 55. O ICS, da FGV, considerados dados dessazonalizados, atingiu 116,5 pontos em agosto. A elevação de 4,3% em relação a julho refletiu aumentos de 3,2% no ISA e de 5,2% no IE. O ICS recuou 2,4% em relação a agosto de 2012, resultado das reduções de 5% no ISA e de 0,5% no IE. 56. O ICOM, calculado pela Sondagem Conjuntural do Comércio, da FGV, atingiu 126,1 pontos em agosto. A retração mensal de 1%, em relação ao mesmo mês de 2012, refletiu a redução de 2,2% no Índice de Expectativas (IE-COM), parcialmente compensada pela alta de 0,8% no Índice de Situação Atual (ISACOM). O ICOM registrou contração de 2,8% no trimestre encerrado em agosto, em relação ao mesmo período de 2012, resultado das quedas de 3,5% no ISA-COM e de 2,5% no IE-COM. 57. O ICI, considerados dados dessazonalizados da Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV, atingiu 99,0 pontos em agosto. A retração mensal de 0,6%, considerando dados dessazonalizados, foi resultado de recuos de 1,1% no ISA e de 0,1% no IE. O indicador recuou 4,9% em relação a agosto de 2012, refletindo quedas de 5,3% no ISA e de 4,5% no IE.

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58. O Índice de Confiança da Construção (ICST), calculado pela Sondagem Conjuntural da Construção, da FGV, atingiu 114,0 pontos em agosto. A retração de 5,3%, em relação a igual mês de 2012, refletiu redução de 8,6% no Índice de Situação Atual (ISA-ICST) e de 2,5% no Índice de Expectativas (IE-ICST). O ICST registrou retração de 4,7% no trimestre finalizado em agosto, comparativamente ao mesmo período de 2012, em decorrência da contração de 8,5% no ISA-ICST e de 1,4% no IE-ICST. Mercado de trabalho 59. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do MTE, foram gerados 41,5 mil empregos formais em julho, ante 142,5 mil em igual mês de 2012, dos quais 18,1 mil no setor agropecuário, 11,2 mil em serviços e 7,2 mil na indústria de transformação. No acumulado do ano foram abertos 699 mil postos e no período de doze meses encerrado em julho, 566,4 mil, ante 1,0 milhão e 1,2 milhão, respectivamente, em iguais períodos de 2012. O nível de emprego formal registrou aumento mensal de 0,1% em relação a junho, considerados dados dessazonalizados pelo Banco Central. 60. A taxa de desemprego atingiu 5,6% em julho, redução de 0,4 p.p. em relação a junho e aumento de 0,2 p.p. comparativamente a julho de 2012, de acordo com a PME, do IBGE, realizada nas seis principais regiões metropolitanas do país. O resultado mensal refletiu aumento de 0,7% na população ocupada e de 0,3% na População Economicamente Ativa (PEA). Em relação a julho de 2012, a ocupação cresceu 1,5%, ante 0,6% em junho, na mesma base de comparação. A taxa de desemprego, ajustada sazonalmente, diminuiu de 5,7% em junho para 5,5% em julho. Segundo a mesma pesquisa, o rendimento médio real habitualmente recebido pelos trabalhadores recuou 0,9% no mês e aumentou 1,5% na comparação interanual, enquanto a massa salarial real – definida como o produto do número de pessoas ocupadas pelo rendimento médio real habitual do trabalho principal – variou -0,2% e 3%, nas mesmas bases de comparação. Crédito e inadimplência 61. O saldo total de crédito do sistema financeiro, incluindo-se as operações com recursos livres e direcionados, totalizou R$2.546 bilhões em julho, elevando-se 0,6% no mês e 16,1% em doze meses. A relação crédito/PIB atingiu 55,1%, ante 55,2% em junho e 51,1% em julho de 2012. O saldo de operações com recursos livres, equivalente a 56,7% do estoque total do sistema financeiro, manteve-se estável no mês e cresceu 9,2% em doze meses, refletindo variações de 1% e 8,2%, respectivamente, no saldo das operações com pessoas físicas e de -1,1% e 10,1% no saldo relativo a pessoas jurídicas. Os financiamentos com recursos direcionados apresentaram acréscimos respectivos de 1,3% e 26,6% nas mesmas bases comparativas, com destaque para os aumentos de 2,7% e 35,5%, respectivamente, nos financiamentos imobiliários destinados a pessoas físicas, e de 1,6% e 17,2%, na ordem, nos financiamentos do BNDES, entre as operações destinadas a pessoas jurídicas. 62. A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro atingiu 19,1% a.a. em julho, elevação de 0,6 p.p. em relação a junho e queda de 0,8 p.p. ante julho de 2012. A taxa média atingiu 25,1% nas operações com pessoas físicas, variações de 0,9 p.p. no mês e de -1,1 p.p. em doze meses, e 14,4% no segmento de pessoas jurídicas, com variações de 0,3 p.p. e de -0,7 p.p., nas mesmas bases de comparação. 63. O prazo médio geral das concessões de operações de crédito atingiu 94 meses em julho, aumentando 0,4 mês em relação a junho e 13,8 meses na comparação com julho de 2012. No segmento de pessoas físicas, o prazo médio situou-se em 133,9 meses, elevando-se 1,2 mês e 19 meses, respectivamente. No

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segmento de pessoas jurídicas, o prazo médio somou 63 meses, com diminuição de 0,6 mês em relação a junho e aumento de 9,3 meses relativamente a igual mês de 2012. 64. A taxa de inadimplência do sistema financeiro, correspondente às operações com atraso superior a noventa dias, situou-se em 3,3% em julho, com quedas de 0,1 p.p. em relação a junho e de 0,5 p.p. na comparação com julho de 2012. Os indicadores referentes às operações com pessoas físicas e jurídicas atingiram 5% e 2%, respectivamente, em julho, com estabilidade e recuo de 0,1 p.p., na ordem, em relação a junho, e reduções de 0,9 p.p. e 0,2 p.p., em doze meses. Ambiente externo 65. A recuperação da economia mundial se mantém em ritmo moderado, ressaltando-se a aceleração nas economias avançadas. No segundo trimestre, o crescimento trimestral anualizado do PIB atingiu 1,7% nos EUA, 1,1% na Área do Euro, 2,9% no Reino Unido e 2,6% no Japão, ante variações de 1,1%, -1,1%, 1,1% e 3,8%, respectivamente, no trimestre anterior. Nos EUA, os indicadores econômicos recentes permanecem positivos, com o PMI de serviços avançando para 56 em julho, maior valor desde fevereiro de 2012, e a taxa de desemprego recuando para 7,4% em julho, embora ainda em nível elevado. Na Área do Euro, o PIB do segundo trimestre registrou o primeiro avanço após seis trimestres consecutivos de contração, com destaque para o crescimento na Alemanha, 2,9%, e na França, 1,9%, ante estabilidade e -0,6%, respectivamente, no trimestre anterior. Indicadores econômicos mais recentes para a região, tais como o índice de sentimento econômico, a produção industrial e o PMI composto, que avançou em agosto para o maior valor em 26 meses, apontam para a manutenção do crescimento no terceiro trimestre. No Reino Unido, o PMI composto de julho, calculado pela Markit, atingiu 59,8, maior valor da série iniciada em 1998. No Japão, o consumo privado foi o principal motor do crescimento nos dois primeiros trimestres do ano, seguido de exportações líquidas e gastos governamentais. A despeito da desaceleração do PIB no segundo trimestre, de acordo com dados preliminares, as perspectivas de mercado para o crescimento em 2013 mantêm-se em 1,9% desde junho, acima das previsões de 0,7% em janeiro e de 1,4% em maio. Na China, a variação trimestral anualizada do PIB atingiu 7%, ante 6,6% no trimestre anterior. O PMI da indústria manufatureira da China avançou para 50,1 em agosto, de 47,7 em julho, após três meses consecutivos em declínio. 66. Os mercados financeiros operaram sob intensa volatilidade, em meio às incertezas associadas à antecipação da redução dos estímulos monetários por parte do Federal Reserve (Fed). Nesse sentido, registrou-se elevação adicional nos rendimentos anuais dos títulos de dez anos do Tesouro dos EUA. Nesse ambiente, o dólar valorizou-se em relação às moedas de economias emergentes, notadamente as de África do Sul, Brasil, Índia, Indonésia e Turquia; enquanto recuou na comparação com o euro, a libra esterlina e o iene. Os índices representativos do mercado acionário elevaram-se na Alemanha, na África do Sul, no Brasil, na China e na França, em contraposição aos recuos nas bolsas de Japão, Índia, Turquia e Malásia. 67. No mercado internacional de commodities, as perspectivas de boas safras para 2013/2014 contribuíram para a redução nos preços das agrícolas, ressalvando-se a soja, com elevação expressiva no período mais recente, em razão de perspectivas climáticas desfavoráveis nos EUA. Os preços das commodities metálicas avançaram significativamente, com destaque para as altas de estanho e minério de ferro; este último, impulsionado pelo crescimento das importações do metal pela China. No segmento de energéticas, ressalte-se a elevação do preço do barril de petróleo tipo Brent, devido a tensões geopolíticas no Oriente Médio.

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68. De acordo com o International Financial Statistics, do Fundo Monetário Internacional (FMI), a variação anual do IPC global subiu para 3,4% em junho, de 3,2% em maio, resultado da segunda alta consecutiva dos preços nas economias avançadas, de 1,2% para 1,5%, parcialmente compensado pelo quarto declínio mensal consecutivo dos preços nas economias emergentes. Os bancos centrais dos EUA, da Área do Euro, do Japão e do Reino Unido mantiveram as respectivas taxas de juro oficiais nas mínimas históricas, ao tempo em que as autoridades monetárias de Austrália, Hungria e Romênia voltaram a ampliar a postura expansionista de suas políticas, reduzindo as respectivas taxas básicas. Em sentido oposto, o banco central da Indonésia promoveu alta em sua taxa de juro básica. O BoE introduziu orientação prospectiva de política (forward guidance) em sua comunicação institucional, comunicando que não pretende elevar sua taxa de desconto (bank rate) do atual nível de 0,5% nem reduzir o tamanho do programa de compra de ativos enquanto a taxa de desemprego se encontrar acima de 7%, desde que a projeção para a inflação ao consumidor no horizonte de 1,5 ano a 2 anos não ultrapasse 2,5%, as expectativas inflacionárias de médio prazo permaneçam suficientemente bem ancoradas e não haja riscos significativos à estabilidade financeira. O BCE acrescentou à sua comunicação que a atual postura da política monetária permanecerá acomodatícia pelo tempo julgado necessário, confirmando que as taxas permanecerão nos níveis atuais, ou abaixo deles, por período prolongado. Comércio exterior e reservas internacionais 69. A balança comercial brasileira apresentou deficit de US$1,9 bilhão em julho, resultado de exportações de US$20,8 bilhões e importações de US$22,7 bilhões. O deficit acumulado no ano somou US$5 bilhões, ante superavit de US$9,9 bilhões em igual período de 2012, refletindo retração de 1,5% das exportações e aumento de 10% das importações, consideradas as médias diárias. A corrente de comércio totalizou US$275,5 bilhões nos sete primeiros meses do ano, com expansão de 4,1% na comparação com o mesmo período de 2012, pelo critério de média diária. 70. As reservas internacionais no conceito de liquidez, que inclui linhas com recompra, totalizaram US$373,7 bilhões em julho, aumento de US$2,6 bilhões no mês e redução de US$4,9 bilhões no ano. No conceito caixa, o estoque totalizou US$372 bilhões, elevação de US$2,6 bilhões em relação a junho e recuo de US$1,2 bilhão comparativamente a dezembro de 2012. Não houve intervenção à vista no ano. Mercado monetário e operações de mercado aberto 71. Após a reunião do Copom de julho, a curva de juros doméstica apresentou elevação em toda a sua extensão. Do lado externo, continuou influenciando a dinâmica dos mercados a expectativa de redução, no curto prazo, dos estímulos monetários pelo Fed, o que manteve a trajetória de valorização do dólar em âmbito global e de alta das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano. No cenário doméstico, o possível impacto da depreciação do real sobre os índices de preços, as incertezas relacionadas à condução da política fiscal do governo federal e a redução de posições no mercado de juros futuros (stop loss), contribuíram para a elevação das taxas. A alta da curva de juros foi parcialmente revertida ao final do período, após a realização de leilões de recompra de títulos prefixados pelo Tesouro Nacional e o anúncio de um programa diário de intervenções no mercado cambial pelo Banco Central. Entre 8 de julho e 26 de agosto, as taxas de juros de um, de três e de seis meses aumentaram 0,49 p.p., 0,57 p.p. e 0,69 p.p., respectivamente. As taxas para os prazos de um, de dois e de três anos aumentaram 0,84 p.p., 0,88 p.p. e 0,73 p.p., respectivamente. A taxa real de juros, medida pelo quociente entre a taxa nominal de um ano e a expectativa de inflação (suavizada) para os próximos doze meses, elevou-se de 3,35% em 8 de julho para 3,72% em 26 de agosto, devido principalmente ao aumento das taxas de juros nominais.

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72. No período de 9 de julho a 26 de agosto, o Banco Central realizou leilões de contratos de swap cambial tradicional com vencimentos em novembro e dezembro de 2013 e em janeiro, fevereiro e abril de 2014. Essas operações totalizaram o equivalente a US$27,0 bilhões, dos quais US$10,0 bilhões referentes à rolagem de contratos de vencimento em 1º de agosto e 2 de setembro. Em 26 de agosto, o saldo líquido passivo em câmbio do Banco Central nesse instrumento alcançou o equivalente a US$41,0 bilhões em valor nocional. 73. Na administração da liquidez do mercado de reservas bancárias, o Banco Central realizou, de 9 de julho a 26 de agosto, diariamente, operações compromissadas de prazo de três meses, tomando recursos no valor total de R$73,8 bilhões e, semanalmente, operações compromissadas de prazo de seis meses, tomando recursos no valor de R$23,7 bilhões no total. O saldo diário médio do estoque das operações de longo prazo recuou de R$446,8 bilhões, entre 28 de maio e 8 de julho, para R$294,8 bilhões, entre 9 de julho e 26 de agosto. No mesmo período, realizou operação compromissada com prazo de 35 dias úteis, levando o saldo diário médio das operações tomadoras de curto prazo para R$281,4 bilhões. O Banco Central atuou, ainda, por meio de operações compromissadas tomadoras de recursos de curtíssimo prazo, em 35 ocasiões. Realizou, também, operações de nivelamento, ao final do dia, com prazo de dois dias úteis. O saldo diário médio tomador dessas operações de curtíssimo prazo foi de R$130,5 bilhões no período. O saldo diário médio do estoque total dos compromissos de recompra do Banco Central aumentou de R$700,0 bilhões, entre 28 de maio e 8 de julho, para R$706,7 bilhões, entre 9 de julho e 26 de agosto. Considerando-se o período entre 8 de julho e 26 de agosto, o estoque dos compromissos de recompra recuou de R$741,1 bilhões para R$659,2 bilhões. Os principais fatores que contribuíram para a contração da liquidez no período foram as receitas líquidas da União e a emissão líquida de títulos pelo Tesouro Nacional.

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Apêndice

Administração do Banco Central do Brasil Membros do Comitê de Política Monetária

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Administração do Banco Central do Brasil

Diretoria Colegiada
Alexandre Antonio Tombini Presidente Aldo Luiz Mendes Diretor Altamir Lopes Diretor Anthero de Moraes Meirelles Diretor Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo Diretor Luiz Awazu Pereira da Silva Diretor Luiz Edson Feltrim Diretor Sidnei Correa Marques Diretor

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Membros do Comitê de Política Monetária

Membros
Alexandre Antonio Tombini Presidente Aldo Luiz Mendes Diretor Altamir Lopes Diretor Anthero de Moraes Meirelles Diretor Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo Diretor Luiz Awazu Pereira da Silva Diretor Luiz Edson Feltrim Diretor Sidnei Correa Marques Diretor

Chefes de Departamento
Bruno Walter Coelho Saraiva Chefe do Departamento de Assuntos Internacionais (Derin) Daso Maranhão Coimbra Chefe do Departamento de Operações Bancárias e de Sistema de Pagamentos (Deban) Eduardo Jose Araujo Lima Chefe do Departamento de Estudos e Pesquisas (Depep) João Henrique de Paula Freitas Simão Chefe do Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) Márcio Barreira de Ayrosa Moreira Chefe do Departamento das Reservas Internacionais (Depin) Renato Jansson Rosek Chefe do Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) Tulio José Lenti Maciel Chefe do Departamento Econômico (Depec)

Demais participantes
Gustavo Paul Kurrle Assessor de Imprensa Otávio Ribeiro Damaso Chefe de Gabinete do Presidente (Gapre)

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Siglas

a.a. Abras ACC ACSP BCE BNDES BNDESpar BoE BPC Caged CDS CMN CNI CNT Copom CRB CVM DAX DI DLSP DPC Embi+ ETF EUA FBCF Fed Fenabrave FGTS FGV Finame FOMC FTSE 100 Funcex Gerin IBC-Br IBGE Ibovespa IC-Br ICC ICI ICMS ICOM

Ao ano Associação Brasileira de Supermercados Adiantamento de Contratos de Câmbio Associação Comercial de São Paulo Banco Central Europeu Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNDES Participações S. A. Banco da Inglaterra Banco do Povo da China Cadastro Geral de Empregados e Desempregados Credit Default Swap Conselho Monetário Nacional Confederação Nacional da Indústria Contas Nacionais Trimestrais Comitê de Política Monetária Commodity Research Bureau Comissão de Valores Mobiliários Deutscher Aktienindex Depósito Interfinanceiro Dívida Líquida do Setor Público Despesas Pessoais de Consumo Emerging Markets Bond Index Plus Exchange-traded funds Estados Unidos da América Formação Bruta de Capital Fixo Federal Reserve Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores Fundo de Garantia do Tempo de Serviço Fundação Getulio Vargas Agência Especial de Financiamento Industrial Comitê Federal de Mercado Aberto Financial Times Securities Exchange Index Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais Índice de Atividade Econômica do Banco Central – Brasil Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística Índice Bovespa Índice de Commodities – Brasil Índice de Confiança do Consumidor Índice de Confiança da Indústria Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços Índice de Confiança do Comércio

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ICS IE IED IGP IGP-DI IGP-M INC INCC Inec INSS IOF IPA IPC IPCA IPCH IPI IPVA IRRF IS ISA LDO LFT Loas LTN MTE NTN-A NTN-B NTN-C NTN-F Nuci p.b. p.p. PAC PAS PIA PIB Pimes PIM-PF PLDO PMC PME PMI PMS RMV S&P S&P 500 SFH TIC UCI VAR VIX

Índice de Confiança de Serviços Índice de Expectativas Investimentos Estrangeiros Diretos Índice Geral de Preços Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna Índice Geral de Preços – Mercado Índice Nacional de Confiança Índice Nacional de Custo da Construção Índice Nacional de Expectativa do Consumidor Instituto Nacional do Seguro Social Imposto sobre Operações Financeiras Índice de Preços ao Produtor Amplo Índice de Preços ao Consumidor Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Índice de Preços ao Consumidor Harmonizado Imposto sobre Produtos Industrializados Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores Imposto de Renda Retido na Fonte Investment-savings Índice da Situação Atual Lei de Diretrizes Orçamentárias Letras Financeiras do Tesouro Nacional Lei Orgânica da Assistência Social Letras do Tesouro Nacional Ministério do Trabalho e Emprego Nota do Tesouro Nacional – Série A Nota do Tesouro Nacional – Série B Nota do Tesouro Nacional – Série C Nota do Tesouro Nacional – Série F Nível de Utilização da Capacidade Instalada Pontos base Pontos percentuais Programa de Aceleração do Crescimento Pesquisa Anual de Serviços População em Idade Ativa Produto Interno Bruto Pesquisa Industrial Mensal – Emprego e Salário Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias Pesquisa Mensal do Comércio Pesquisa Mensal de Emprego Índice Gerente de Compras Pesquisa Mensal de Serviços Renda Mensal Vitalícia Standard & Poor's Standard and Poor's 500 Sistema Financeiro da Habitação Tecnologia da informação e comunicação Utilização da Capacidade Instalada Vetor Autorregressivo Chicago Board Options Exchange Volatility Index

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