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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

ESCOLA DE COMUNICAÇÕES E ARTES


DEPARTAMENTO DE JORNALISMO E EDITORAÇÃO

UMA PEDAGOGIA PARA


O JORNAL-LABORATÓRIO

ANTÔNIO VIEIRA JÚNIOR

TESE DE DOUTORADO EM CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO,


ÁREA DE CONCENTRAÇÃO EM JORNALISMO

Orientação do prof. Dr. Dirceu Fernandes Lopes.

São Paulo
Janeiro de 2002
ANTÔNIO VIEIRA JÚNIOR

UMA PEDAGOGIA PARA


O JORNAL-LABORATÓRIO

Tese apresentada ao Departamento de


Jornalismo e Editoração da Escola de Co-
municações e Artes da Universidade de
São Paulo, como requisito parcial à obten-
ção do título de doutor em Ciências da
Comunicação, área de concentração Jor-
nalismo.

Orientação do prof. Dr. Dirceu Fernandes Lopes.

São Paulo
Janeiro de 2002
RESUMO

O objetivo deste trabalho é propor diretrizes pedagógicas para o ensino de jor-


nal-laboratório espelhadas em critérios de abrangência humanística que sejam deter-
minantes na valorização da reportagem e na formação de um jornalista crítico, cons-
ciente da responsabilidade que terá na condução de um jornalismo ético, preciso, ver-
dadeiro. Caracteriza-se como parte de um projeto de ensino de Jornalismo que não se
esgota nele próprio, mas que visa ordenar o processo ensino-aprendizagem para que
sirva de instrumento didático-pedagógico ao professor.
ABSTRACT

The objective of this paper is to propose pedagogic guidelines for the journal-
laboratory teaching based on humanistic approach, determinative to improve the
reporting and to develop a critical and conscious of responsibility journalist toward
an ethical, accurate and true journalism. It is characterized as part of a journalism
teaching project, that never ends, but purposes to order the teaching-apprenticeship
process in order to serve as didatic-pedagogical tool for the teacher.
DEDICATÓRIA

Dedico ao meu filho Antônio Vieira


Neto, de 10 anos, que vive à luz dos so-
nhos de criança e mesmo no Natal e Ano
Novo, no sufoco do fechamento, não me
deixou só; ao meu pai Antônio Vieira que
me ensinou os mandamentos da justiça
social; à minha mãe Elvira Moraes Vieira
que lutou pela vida com dignidade; ao
amigo dos meus pais e padrasto José Ber-
nini pela acolhida de três meninos, edu-
cados com maestria; aos irmãos José
Frederico Pires de Lima e Paulo de Tarso
de Sousa que fizeram da infância um esti-
lo de vida; ao meu orientador prof. Dr.
Dirceu Fernandes Lopes por sua colabo-
ração contínua e inesgotável; ao profes-
sor Sebastião Squirra pelo alerta da im-
portância do estudo científico; aos pri-
mos Squirra e Moraes pela presença
constante na minha vida e aos tios e tias
Moraes e Vieira que sempre estiveram ao
lado dos meus pais.
AGRADECIMENTOS

Em especial aos professores res-


ponsáveis pelos jornais-laboratório que
responderam ao questionário, aos profes-
sores Valderez Helena Gil Junqueira (Fa-
fica/Catanduva), Paulo Nápoli (Ceuv/Vo-
tuporanga) e Arthur Magon Whitacker
(Unirp/Rio Preto) que compreenderam os
meus momentos de tensão e a correria no
fechamento da minha tese; aos amigos,
inúmeros, que vivenciaram o meu sonho
e ouviam com paciência as minhas expla-
nações jornalísticas; aos padrinhos e
avós do meu filho Ilcon e Janete; a Carlos
Costa pelo exemplo de pai-adotivo; os
alunos que contribuíram na pesquisa.
SUMÁRIO

1 Introdução................................................................................................................8
1.1 O papel acadêmico.....................................................................................................9
1.2 Mudanças no ensino de Jornalismo..........................................................................10
1.3 Metodologia...............................................................................................................11
1.1 Fases da pesquisa....................................................................................................13
1.2 Notas e referências bibliográficas..............................................................................15
2 Ensino de Jornalismo(história e reflexão).........................................................17
2.1 Propostas e tentativas...............................................................................................18
2.2 Expansão desenfreada..............................................................................................22
2.3 Regulamentação e currículo......................................................................................23
2.4 Desvinculação e autonomia......................................................................................26
2.5 Exigência de laboratórios..........................................................................................32
2.6 Diretrizes curriculares................................................................................................35
2.7 Perfil do jornalista......................................................................................................37
2.8 Tópicos de estudo.....................................................................................................39
2.9 Estrutura Geral do Curso...........................................................................................41
2.10 Prazo para implantar laboratórios............................................................................43
2.11 Processo ensino-aprendizagem..............................................................................46
2.12 Provão e qualidade.................................................................................................51
2.13 Condições de Oferta................................................................................................53
2.14 Escola Itinerante da Fenaj.......................................................................................55
2.15 Mercado seletivo ....................................................................................................56
2.16 Notas e referências bibliográficas............................................................................61
3 Jornal-laboratório..................................................................................................69
3.1 Profissão regulamentada...........................................................................................71
3.2 Conceitos de jornal-laboratório..................................................................................72
3.3 Perfil do jornal-laboratório.........................................................................................77
3.4 Notas e Referências bibliográficas............................................................................79
6
4 Subsídios para um curso de jornal-laboratório.................................................82
4.1 Jornalismo e atualidade............................................................................................82
4.2 Função social............................................................................................................87
4.3 Ética é fundamental..................................................................................................91
4.4 Ombudsman representa o leitor................................................................................94
4.5 Gêneros jornalísticos................................................................................................96
4.5.1 Gênero informativo........................................................................................................97
4.5.2 Gênero interpretativo....................................................................................................98
4.5.3 Gênero opinativo...........................................................................................................98
4.6 Texto jornalístico.......................................................................................................99
4.7 Ineditismo da notícia...............................................................................................102
4.8 Entrevista é básica na apuração.............................................................................103
4.1 Reportagem aprofunda a notícia.............................................................................109
4.2 Aluno-repórter.........................................................................................................114
4.3 Pauta serve de guia................................................................................................116
4.3.1 Modelo de pauta..........................................................................................................118
4.4 Lead não dispensa criatividade...............................................................................119
4.5 Título leva à leitura..................................................................................................120
4.5.1 Algumas regras e dicas...............................................................................................120
4.5.1 Impacto.......................................................................................................................122
4.6 Edição seleciona e hierarquiza...............................................................................122
4.7 Linha editorial define características.......................................................................124
4.8 Linha editorial define as editorias............................................................................125
4.9 Cronograma de atividades......................................................................................126
4.10 Orientação bibliográfica........................................................................................127
4.11 Notas e referências bibliográficas.........................................................................131
5 Manual de redação para jornal-laboratório......................................................134
5.1 Conceitos de Manual de Redação..........................................................................136
5.2 Objetivos do Manual de Redação...........................................................................136
5.3 Regras....................................................................................................................140
5.4 Definições...............................................................................................................174
5.5 Siglas......................................................................................................................187
5.6 Presidentes da República.......................................................................................202
5.7 Estados, capitais e regiões.....................................................................................209
5.8 Países, capitais e continentes.................................................................................210
5.9 Notas e referências bibliográficas...........................................................................218
6 O olhar do professor..........................................................................................220
7
7 Conclusão ...........................................................................................................249
7.1 Propostas abertas...................................................................................................250
7.1 Notas e Referências Bibliográficas.........................................................................253
1 INTRODUÇÃO

Na era da globalização, o mercado, idéias e informações estão redefinindo seu


papel e o caminho a percorrer, transformando cada vez mais o mundo num espaço
cosmopolita. Por isso, a troca de conhecimento precisa ser renovada ininterrupta-
mente. Nessa busca, o jornalismo passa a ser o principal veículo de transição. Essa
busca requer uma crescente qualidade na análise dos fatos, revelada pela capacidade
de neutralizar a interferência política na cobertura jornalística e aprofundar os assun-
tos de interesse público sem perder a vivacidade jornalística. A proposta de uma pe-
dagogia para o jornal-laboratório é fruto desse processo de redefinição da sociedade e
do ensino de jornalismo. A finalidade é colaborar no enriquecimento e na qualidade
do jornal-laboratório que serve de instrumento prático ao aluno.

O projeto de elaborar uma proposta pedagógica para jornal-laboratório nasceu


da minha experiência na coordenação de projetos laboratoriais em algumas faculda-
des brasileiras. O objetivo é auxiliar o professor de Jornalismo na produção e difusão
de jornal-laboratório, mas a intenção não é criar um modelo padronizado, pronto e
acabado. Na verdade, ele se justifica porque servirá ao professor e também ao aluno,
que o terão como referência na elaboração de uma pauta, na preparação e realização
de uma entrevista, na redação uma notícia ou reportagem e na edição. A proposta pe-
dagógica, que contém teoria e prática, é fundamental para o processo ensino-aprendi-
zagem. O projeto não pretende, contudo, uniformizar a produção e difusão do jornal-
laboratório.

O registro de dar harmonia ao texto jornalístico e ao exercício profissional teve


como um dos principais incentivadores o norte-americano Fraser Bond, quando ela-
borou o livro Introdução ao jornalismo. O trabalho do professor preencheu um vazio
que existia na década de 50, pela escassez de literatura que esclarecesse as diretrizes
9
do jornalismo. Fraser Bond, já naquela época, se preocupava em valorizar e conceitu-
ar o jornalismo. Ou seja, entendia que para se fazer jornal e exercer a profissão não
bastava ser jornalista, era fundamental o respeito aos princípios éticos e que a disci-
plina regesse o bom profissional. Fraser Bond não se preocupou apenas com regras e
normas de conduta, mas em lembrar aos futuros jornalistas e aos profissionais que
informar o público requer honestidade, exatidão e isenção.

Um dos objetivos da minha proposta é orientar o aluno a refletir sobre a impor-


tância do espírito crítico e analítico no relato do fato jornalístico. Mostram que o
exercício profissional requer cuidados e zelo e que o trabalho é coletivo e o tempo é
fundamental na prática jornalística.

A proposta visa também indicar caminhos para o aluno fugir do padrão mecani-
cista que alguns jornais brasileiros usam como instrumento de informação. Não se
resume a direcionar o futuro jornalista no relato do imediato, mas fazê-lo entender a
importância da prática jornalística em defesa do interesse público.

A proposta pedagógica não é uma cartilha institucional com informações mera-


mente administrativas ou uma bula com prescrições e contra-indicações. Ela se ca-
racteriza por sensibilizar o aluno a captar e noticiar de forma diferenciada, mas sem
perder a imparcialidade, a clareza, a exatidão, a originalidade e se preocupar com a
narrativa ao sintetizar o fato jornalístico. Visa também aguçar o futuro jornalista a
pesquisar e se adequar aos hábitos de leitura que devem e precisam fazer parte do
seu cotidiano.

1.1 O papel acadêmico

A universidade desempenha funções importantes na sociedade contemporânea


e enfrenta desafios que vão além do campus. A universidade, para bem cumprir o seu
papel de multiplicadora de idéias, precisa estar atenta ao processo social e, além de
formar profissionais para atender às necessidades do mercado, deve fundamental-
mente aprimorar e ampliar o seu relacionamento com a comunidade na qual está in-
serida. Na verdade, a universidade precisa participar de forma produtiva do processo
10
de desenvolvimento econômico e social, fundamental para que a sociedade brasileira
supere suas desigualdades.

Para prestar bons serviços e competir com sucesso, tem de dinamizar a busca da
melhoria da qualidade de ensino capaz de formar profissionais não só críticos de sua
realidade, mas cidadãos identificados com sua comunidade e que saibam interpretar,
analisar, explicar e contextualizar os fatos jornalísticos. Para isso, a universidade
deve aperfeiçoar o corpo docente que é responsável em produzir conhecimento e ca-
pacitar profissionais.

Professores e técnicos de apoio bem preparados consolidam a diferenciação


mercadológica e estimulam o futuro universitário a se integrar ao seleto grupo de ci-
dadãos qualificados intelectualmente e tecnicamente vinculados à realidade do mer-
cado. A universidade deve produzir idéias que possam contribuir de forma prática no
equilíbrio sócio-econômico.

O jornalismo é peça indispensável deste processo de integrar a universidade à


comunidade, porque, além de informar, assume o papel formativo. Ou seja, ele vai
além das fronteiras do jornalismo preocupado apenas em colocar nas páginas os últi-
mos acontecimentos que foram transformados em notícias. Ele deve reportar em
suas linhas que o sujeito não é somente coadjuvante, mas faz parte da história. Em
verdade, o jornalismo é real e ativo porque, ao mesmo tempo em que reconstitui de
forma minuciosa, criteriosa e verídica o fato jornalístico, possibilita ao leitor a enri-
quecedora e oportuna reflexão.

1.2 Mudanças no ensino de Jornalismo

As mudanças no ensino de Jornalismo foram várias até a chegada da LDB e as


críticas também foram se incorporando a essas experiências de implantação de currí-
culos. A história curricular dos cursos de Comunicação Social demonstra como foram
se desenvolvendo e se articulando as tendências burocráticas e administrativas, frag-
mentando a formação humanística do aluno, a linguagem jornalística e a própria es-
cola.
11
Nesse impasse para definir o currículo que se adequasse ao melhor estilo de en-
sinar Jornalismo no Brasil, jornalistas, intelectuais e professores reivindicavam o di-
reito a uma escola que unisse teoria e prática, mas que não afetasse o processo ensi-
no-aprendizagem e muito menos os veículos laboratoriais.

Antes mesmo do antigo Conselho Federal de Educação baixar as resoluções


631/69, que exigia, e 2/84, que tornava obrigatória a implantação de equipamentos e
o funcionamento pleno de veículos laboratoriais em todas as escolas, o professor José
Marques de Melo, da ECA/USP, já comentava e solicitava as atividades laboratoriais
como extensão da prática jornalística. Em 1967, o professor ao propor diretrizes para
jornal-laboratório fez a seguinte observação: “Constitui o instrumento básico de um
curso de Jornalismo no sentido de integrar os estudantes na problemática da futura
profissão”.1 Já o professor Dirceu Fernandes Lopes, também da ECA/USP e da
Facos/UniSantos, disse: “Precisamos considerar que o jornal-laboratório é uma prá-
tica jornalística, mas não esquecer que é um laboratório de aprendizagem fundamen-
tado em diretrizes pedagógicas e estruturas didáticas.”2 No entanto, o professor Fran-
cisco Torquato do Rego, da ECA/USP, advertia: “A ênfase na morfologia do jornal re-
flete, aliás, um corriqueiro erro de visão dos cursos e professores de jornalismo, cer-
tamente ainda estribados na tradicional maneira de ver o jornalismo sob a ótica ex-
clusiva do grande jornal diário.”3 Ele dizia que o jornalismo especializado concentra-
va experiências mais ricas e diversificadas que o jornal diário, mas questionava: “Por
que se pensar em propostas grandiosas, caras e que, a maioria dos casos, não permi-
tem uma sistematização do conhecimento jornalístico?”4 Nota-se que a preocupação
do professor era com o uso exclusivo da técnica no ensino de Jornalismo, porque no
jornal diário emprega-se mais a técnica e exige-se pouca teoria. Enquanto que no jor-
nalismo laboratorial o cuidado deve-se voltar ao teórico-reflexivo.

1.3 Metodologia

O presente trabalho é um estudo exploratório que nasceu da proposta de estru-


turar um curso de jornal-laboratório, que se torna uma contribuição fundamental no
momento em que a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e as Diretrizes Nacionais Curricu-
lares superaram a camisa-de-força imposta pela Resolução 02/84. Para Antônio Car-
12
los Gil, pesquisa exploratória é “desenvolvida com o objetivo de proporcionar visão
geral, de tipo aproximativo, acerca de determinado fato”.5

De acordo com as exigências do trabalho, foram empregados, para coleta dos


dados, os seguintes instrumentos:

a) Pesquisa bibliográfica. “A pesquisa bibliográfica é meio de formação por


excelência. Como trabalho científico original, constitui a pesquisa pro-
priamente dita”, ensinam A. L. Cervo e P. A. Bervian.6 Houve levanta-
mento de:

a) livros dos diferentes setores relacionados à área de comunica-


ção, em particular ao ensino de Jornalismo e jornal-laborató-
rio;

b) grade curricular, Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Diretrizes


Nacionais Curriculares;

c) artigos científicos publicados em jornais e revistas, relatórios


de pesquisas.

b) legislação voltada ao ensino de Jornalismo no Brasil.

c) Estudo da documentação. Este item é apontado por Ezequiel Ander-


Egg7 como um dos aspectos principais, nos estudos formulativos, ao
lado do contato direto com a problemática a estudar.

d) Questionários. Segundo Roberto Jarry Richardson, o questionário cum-


pre pelo menos duas funções: descrever as características e medir deter-
minadas variáveis de um grupo ou individual.8

e) Entrevistas. “A entrevista – observa Roberto Jarry Richardson – é uma


técnica importante que permite o desenvolvimento de uma estreita re-
lação entre as pessoas.”9 Optei em elaborar um roteiro de 15 perguntas
abertas voltadas exclusivamente ao curso de Jornalismo, em particular,
ao jornal-laboratório. Quem caberia respondê-las era o professor res-
ponsável pelo veículo laboratorial. Cerca de 80% das entrevistas foram
feitas por e-mail, algumas delas agendadas por telefone. Os professores
que receberam as perguntas tinham conhecimento da minha pesquisa.
13
A escolha dos entrevistados foi aleatória, mas com o devido cuidado de
não selecionar professores de uma mesma cidade ou que coordenassem
mais de um jornal-laboratório.

f) Observação participante. Para Antônio Carlos Gil, observação partici-


pante “consiste na participação real do observador na vida da comuni-
dade, do grupo em uma situação determinada. Daí por que se pode defi-
nir observador participante como a técnica pela qual se chega ao conhe-
cimento da vida de um grupo a partir do interior dele mesmo.”10 Gil
também comenta que a observação constitui elemento fundamental
para a pesquisa, na formulação do problema, construção de hipóteses,
na coleta, análise e interpretação de dados. “Observação nada mais é
que o uso dos sentidos com vistas a adquirir os conhecimentos necessá-
rios para o cotidiano.”11 Como jornalista e professor de jornal-laborató-
rio tenho condições de atuar como observador participante do ponto de
vista científico e técnico. A minha observação foi estruturada e planeja-
da. E foi se transformando com o desenvolver da pesquisa e em decor-
rência de fenômenos que surgiam. Ou seja, nos contatos com alunos do
jornal-laboratório, com professores de outras disciplinas, de outros cur-
sos e escolas, na produção de difusão de jornal-laboratório. No dia a dia
da vida acadêmica, a observação me ajudou a conhecer e compreender a
importância do jornal-laboratório na formação do futuro profissional.

g) Análise dos dados, assim definida por Antônio Carlos Gil: “A análise
tem como objetivo organizar e sumariar os dados.”12 Os dados foram
classificados por capítulos, para atender à proposta pedagógica.

1.1 Fases da pesquisa

A pesquisa está dividida em nove capítulos.

O primeiro é a Introdução.

O segundo capítulo, Ensino de Jornalismo (história e reflexão), faz um relato


histórico e reflexivo desde as primeiras idéias (1908) de se criar um curso de Jorna-
14
lismo no Brasil até a implantação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB). A primeira ini-
ciativa foi do jornalista Gustavo Lacerda, presidente da então Associação de Impren-
sa. Quase duas décadas depois, em 1935, o educador baiano Anísio Teixeira tentou
implantar o curso de Jornalismo na Universidade do Distrito Federal, mas fracassou.
Em 13 de maio de 1943, o presidente Getúlio Vargas assina o decreto-lei 5.480 crian-
do o curso de Jornalismo, mas vinculado à Faculdade Nacional de Filosofia, outro
fracasso. Foi pelas mãos de Cásper Líbero que nasce o primeiro curso de Jornalismo,
mas que começou a funcionar em convênio com a Pontifícia Universidade Católica de
São Paulo. São mais de 50 anos de críticas, de várias mudanças curriculares e de uma
expansão desenfreada.

O terceiro capítulo, Jornal-laboratório, faz uma análise do conceito, objetivo,


perfil, isenção e da importância desse veículo na formação do jornalista. Até a homo-
logação da Resolução 2/84, que torna obrigatória a difusão e produção do jornal-la-
boratório, o aluno praticava jornalismo quando conquistava alguma vaga em uma re-
dação. Como o MEC não fazia uma vigilância rigorosa, as escolas não adotavam o jor-
nal-laboratório como exercício de rotina, e algumas o usavam como veículo instituci-
onal, prejudicando o processo ensino-aprendizagem.

O quarto capítulo, Subsídios para um curso de jornal-laboratório, é o alicerce da


tese. Nele se concentra o resumo da história do jornalismo, da sua ligação com a clas-
se burguesa, da sua função social e o direito à informação. Registra a ética jornalísti-
ca, gêneros jornalísticos, a notícia, a entrevista, a reportagem como aprofundamento
da notícia e sua importância no enriquecimento do exercício jornalístico, o papel do
jornalismo como interprete do leitor no relato do imediato, o significado da pauta na
apuração do fato jornalístico. Na verdade, o capítulo enfoca as várias fases do fazer
jornalístico como parte do processo ensino-aprendizagem.

O quinto capítulo aborda a utilização do Manual de redação no jornal-laborató-


rio. Além de dar unidade ao texto produzido pelo aluno, o manual é dirigido aos pro-
jetos laboratoriais do curso. Ou seja, se diferencia dos manuais adotados pelos gran-
des jornais brasileiros. Por ser acadêmico, não se restringirá a normas de estilo e téc-
nicas. Além de determinar a unidade do projeto laboratorial, o manual terá conceitos
15
sobre determinados temas, como, por exemplo, ética, responsabilidade social do pro-
fissional, gêneros jornalísticos.

O sexto capítulo, O olhar do professor, contém depoimentos de professores de


jornal-laboratório de escolas brasileiras. Eles relatam a metodologia de trabalho, as
dificuldades, o conhecimento abrangente de humanidades no enriquecimento do alu-
no, a importância do jornal-laboratório como exercício prático, quem define a linha
editorial do jornal-laboratório, o método que adotam para motivar o aluno, o concei-
to de fazer jornalismo com critério ético. Eles foram unânimes quanto a importância
do jornal-laboratório na formação do jornalista.

O sétimo capítulo, Conclusão, contém propostas abertas para o enriquecimento


do curso de jornal-laboratório. Na verdade, são idéias que podem ser colocadas em
prática pelo professor no sentido de dar harmonia, independência e qualidade na
produção e difusão do jornal-laboratório. Não é uma proposta fechada, porque o fa-
zer jornalístico não se finda no encerramento de cada edição. É um processo contí-
nuo como são os acontecimentos que se transformam em fatos jornalísticos.

1.2 Notas e referências bibliográficas

1.MELO, José Marques de. In: MEDITSCH, Eduardo e BRAGANÇA, Aníbal. A ques-
tão curricular: do impasse à reinvenção. In: Ensino de Comunicação no Brasil: im-
passes e desafios. São Paulo, ECA/USP, 1988.

2.LOPES, Dirceu Fernandes. In: SILVA, Luiz Custódio. Órgãos laboratoriais: da resis-
tência aos novos caminhos experimentais. In: Ensino de Comunicação no Brasil:
impasses e desafios. São Paulo, ECA/USP, 1988.

3.REGO, Francisco Torquato. In: SILVA, Luiz Custódio. Órgãos laboratoriais: da re-
sistência aos novos caminhos experimentais. In: Ensino de Comunicação no Bra-
sil: impasses e desafios. São Paulo, ECA/USP, 1988.

4.REGO, Francisco Torquato. In: SILVA, Luiz Custódio. Órgãos laboratoriais: da re-
sistência aos novos caminhos experimentais. In: Ensino de Comunicação no Bra-
sil: impasses e desafios. São Paulo, ECA/USP, 1988.
16
5.GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, Atlas, 1989.

6.CERVO, A. L. e BERVIAN, P.A. Metodologia científica. São Paulo, McGraw-Hill,


1983.

7.ANDER-EGG, Ezequiel. Introducción a las técnicas de investigación social. Buenos


Aires, Humanitas, 1974.

8.RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo,


Atlas, 1989.

9.RICHARDSON, Roberto Jarry. Pesquisa social: métodos e técnicas. São Paulo,


Atlas, 1989.

10.GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, Atlas, 1989.

11.GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, Atlas, 1989.

12.GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo, Atlas, 1989.
2 ENSINO DE JORNALISMO(HISTÓRIA E REFLEXÃO)

O ensino de Jornalismo no Brasil é criticado desde a sua implantação em 16 de


maio de 1947, quando começou a funcionar o Curso de Jornalismo Cásper Líbero, em
convênio com a PUC São Paulo. São mais de 50 anos de reclamações feitas pelas em-
presas jornalísticas que até montaram cursos para reciclar estudantes e recém-forma-
dos – Editora Abril, O Estado de S. Paulo, Folha de S. Paulo, são exemplos. O diretor
da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, Erasmo de Freitas Nuzzi, diz que
a crítica ao ensino de Jornalismo “é contemporânea de seu próprio nascimento”.1

A polêmica sobre a qualidade do ensino de Jornalismo gerou preocupação mas


também descaso, principalmente após 1964 quando a educação foi abandonada pelo
regime militar. Existem escolas que optaram em formar profissionais para o mercado
de trabalho, mas sem a preocupação de estimular o futuro jornalista a refletir sobre a
atividade que irá desempenhar e a compreender os mecanismos envolvidos no pro-
cesso de produção e difusão da mensagem jornalística e seu impacto sobre a socieda-
de. Algumas contrataram profissionais do mercado, que, embora com uma indiscutí-
vel carreira, não tinham vivência acadêmica; outras recrutaram recém-formados para
ministrar aulas. O resultado foi a formação de uma mão-de-obra desqualificada e um
quadro docente não compatível com o que o curso propunha: integrar teoria e práti-
ca.

A valorização do tecnicismo e do mercado de trabalho em detrimento à forma-


ção teórica-humanística é explicada por Nancy Nuyen Ali Ramadan, doutora em Jor-
nalismo na ECA/USP e que desenvolveu projeto de pesquisa sobre o tema: “São esses
os docentes que normalmente estão preocupados em adestrar os estudantes, tecnica-
mente falando, sem preocupações com o papel do Jornalismo enquanto atividade so-
cial. Em geral, esses docentes estão voltados para os fins das empresas: vender.”2
18
Victor Gentili, doutorando na ECA/USP, diz que a escola de Jornalismo é esqui-
zofrênica porque ensina teoria da comunicação e não Jornalismo. “Muitas vezes mos-
tram os meios como meros instrumentos de manipulação das massas ao mesmo tem-
po em que oferecem uma prática acrítica e meramente reprodutora do jornalismo
como hoje é praticado.” O jornalista afirma ainda que isso significa que a relação com
o mercado de trabalho ou não existe, ou, quando existe, “é marcada pela cópia de
práticas velhas, viciadas, antigas do Jornalismo que os cursos devem superar e não
reproduzir de forma caudatária.”3

Em conseqüência, houve uma atrofia no perfil profissional. O recém-saido da


faculdade não atende, muitas vezes, às exigências do mercado por não ser um poliva-
lente.

2.1 Propostas e tentativas

Em 1908, 100 anos após a instalação da imprensa no Brasil, o jornalista Gusta-


vo Lacerda, ao assumir a presidência da Associação da Imprensa, hoje Associação
Brasileira de Imprensa (ABI), estabeleceu como meta a criação de um curso de Jor-
nalismo. Dez anos mais tarde, em 1918, quando da realização, no Rio de Janeiro, do
1º Congresso Brasileiro de Jornalistas, promovido pela Associação Brasileira de Im-
prensa (ABI), sob a presidência de João Guedes de Melo, foi levantada novamente a
idéia de criar o curso de Jornalismo.4 Já a primeira tentativa foi do educador baiano
Anísio Teixeira, quando criou, no Rio de Janeiro, em 1935, a Universidade do Distrito
Federal e incluiu o curso de Jornalismo. Anísio Teixeira convidou o jornalista Costa
Rego, então redator-chefe do Correio da Manhã, para organizar o curso, que não
saiu do papel.5

Entre 1928 e 1929, Assis Chateaubriand escrevia artigos publicados nos Diários
Associados defendendo a criação da escola de Jornalismo. O pioneiro do jornalismo
em rede de jornais, argumentava que a Itália e Estados Unidos já tinham as suas es-
colas funcionando bem.6 Mas só foi em 1943, quando Getúlio Vargas assinou Decre-
to-Lei, nº5.480, de 13 de maio de 1943, criando o curso de Jornalismo, que deveria
ser ministrado na Faculdade Nacional de Filosofia.7 A Associação Brasileira de Im-
19
prensa (ABI), sindicatos das categorias dos empregadores e empregados cooperariam
no projeto.8

Mas a preparação do jornalista na universidade começou em 1947, com a insta-


lação da Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, em São Paulo, através de convênio
com a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, vinculada à Faculdade de Filo-
sofia. No ano seguinte, foi criado o curso de Jornalismo da Faculdade Nacional de Fi-
losofia, no Rio de Janeiro. “Na verdade, a trajetória apresentada não está dissociada
de um conjunto de lutas e batalhas que vem sendo travadas desde o início da criação
dos cursos de Jornalismo no Brasil, em defesa de melhores condições de ensino, de
aperfeiçoamento e de novas perspectivas pedagógicas para o processo de aprendiza-
gem das atividades profissionais relacionadas com a comunicação social no país”,
disse Luiz Custódio da Silva.9

Na avaliação do professor Luiz Beltrão, ambas as escolas se inspiraram nas cor-


rentes pedagógicas norte-americanas de Pulitzer e Elliot. “Mais humanísticas do que
técnico-profissional, e isso não somente pela falta de equipamento nas escolas como
pela própria inexperiência dos professores, a maioria dos quais sabia fazer jornalismo
mas não sabia ensinar teoricamente a fazê-lo.”10

Filho adotivo do ensino superior brasileiro (o termo foi usado porque a escola
de Jornalismo nasceu acoplada às faculdades de Filosofia e não tinha autonomia), o
ensino de Jornalismo não foi diferente de outros cursos que “exprimiam a concepção
do mundo das classes dominantes”.11

O passado aponta as ações ilimitadas e infrutíferas, na maioria das vezes, por


parte do governo na escolha do currículo ideal para o ensino de Jornalismo, mas
sempre privilegiando a elite brasileira.

O diagnóstico do ensino de Jornalismo registra a complexidade na busca de so-


luções para superar a constante crise. No geral, as reformas curriculares são recursos
paliativos adotados pelo governo. “Mera ilusão, pois os currículos constituem apenas
uma variável secundária da questão principal, que é a própria estrutura do ensino
brasileiro e seus fundamentos sociais e ideológicos”, disse José Marques de Melo.12
20
A idéia de formar jornalistas na academia nasceu dos próprios profissionais da
Imprensa, mais precisamente do então presidente da ABI, Gustavo Lacerda. Mas foi
após o decreto 972, de 17 de outubro de 1969, período de conturbação política com a
promulgação do AI-5, que estabeleceu o exercício profissional somente aos jornalis-
tas diplomados, que o movimento se consolidou. Os contrários ao ensino de Jornalis-
mo alegavam que a profissão se aprende nas redações e não nos bancos universitários
e criticavam a baixa qualidade do ensino. No primeiro semestre de 1982, quando os
principais jornais de São Paulo atacavam em seus editoriais, artigos e notícias a tese
da reserva de mercado de trabalho, o jornalista Carlos Chagas defendia o ensino de
Jornalismo: “as escolas são ruins, não há dúvida, como péssimo está sendo todo o en-
sino superior brasileiro, mas o caminho não é o fechamento das escolas e sim o seu
aperfeiçoamento”.13

Não foi a batalha decisiva porque novos episódios aconteceriam. O mais polê-
mico e combativo foi durante a elaboração da Constituição de 1988 quando a Folha
de S. Paulo encabeçou um lobby, para pôr fim à obrigatoriedade do diploma para o
exercício profissional. Em agosto de 1999, o professor Nilson Lage, da Universidade
Federal de Santa Catarina, em palestra no 2º Encontro Latino-americano de Profes-
sores de Jornalismo, realizado na capital paulista, usou o seguinte argumento para
defender o aprender jornalístico na universidade: “A responsabilidade envolvida no
tráfego de informações, a sofisticação tecnológica e a relevância do direito dos cida-
dãos indicam a necessidade de estudos demorados para a prática do Jornalismo – es-
tudos que, como acontece com as demais profissões de nível superior, deverão esten-
der-se por toda a vida.”14

A decisão da juíza substituta Carla Abrantkoski Rister, da 16ª Vara Cível de Jus-
tiça Federal em São Paulo, no dia 23 de outubro de 2001, de derrubar a exigência de
diploma para a função de jornalista em todo território brasileiro, colocou novamente
em debate a função da escola na formação do futuro profissional. Para justificar a li-
minar suspensiva, Carla Rister alegou que o curso universitário de Jornalismo não é
essencial para a formação do jornalista, “por não apresentar qualificações profissio-
nais específicas, diferentemente de profissões técnicas como engenharia.”15
21
Segundo Carla Rister, o decreto-lei 972/69, que exige o diploma para o exercício
profissional, “contraria parâmetros da Constituição de 1988.”16 Já o presidente do
Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Frederico Barbosa
Ghedini, diz que a juíza citou apenas parte desse mesmo artigo, confundindo liberda-
de de expressão com regulamentação profissional com qualificação. “A regulamenta-
ção, em seu formato atual, é fundamental para garantir o direito à informação quali-
ficada, ética, democrática e cidadã para toda a população”.17

A Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Inter-


com) teve um papel fundamental em defesa da obrigatoriedade do diploma, promo-
vendo debates entre professores, alunos, entidades, sindicatos, cursos e publicações
referenciando a importância do curso de Jornalismo na formação do profissional.

Já nos Estados Unidos o ensino de Jornalismo foi criticado por profissionais


que entendiam que o cotidiano de uma redação era o suficiente para formar um jor-
nalista responsável, ético e compromissado com o leitor.

Carlos Rizzini, em seu livro O Ensino de Jornalismo, publicado pelo Departa-


mento de Imprensa Nacional (DIN), de 1953, faz um relato do surgimento da escola
de Jornalismo nos Estados Unidos e reforça que o jornalismo é uma atividade em que
a vocação pode expandir-se pelo processo ensino-aprendizagem. “Cabe ao ensino
universitário instruir, educar, orientar e ilustrar as vocações, para que maiores sejam
aqueles efeitos e, para que, de modo geral se eleve o nível da imprensa.” Na avalição
de Carlos Rizzini, os contrários ao ensino de Jornalismo terão de reconhecer a supe-
rioridade de um jornalista culto.18
22

2.2 Expansão desenfreada

O Brasil tem mais de 110 cursos de Jornalismo, entre escolas públicas, confessi-
onais, municipais e particulares e mais de 22 mil alunos do primeiro ao quarto ano.
(Os dados são estimativos, baseados no número de estudantes que fizeram o Provão
2000, mais de 5.271 mil. Na estimativa foram incluídos cursos que ainda não forma-
ram jornalistas. O MEC não dispunha do número de escolas que começaram a funci-
onar entre 1998 e 2000.) A explosão dos cursos de Jornalismo aconteceu no final da
década 70, na década de 80 e se consolidou nos anos 90.

Os números são preocupantes: levantamento feito pelo jornal O Estado de S.


Paulo, publicado na edição de 24 de dezembro de 2000, página A10, caderno Geral,
registra que entre as 50 piores universidades do Brasil, 10 têm o curso de Jornalismo.
O professor Sinval Freitas Medina, da ECA/USP, em 1972, já alertava para o perigo
que poderia trazer a criação indiscriminada de cursos. “Foi reconhecida a necessida-
de de se criarem mecanismos que impeçam o surgimento indiscriminado de escolas.
Essa tendência, que se tem acentuado nos últimos anos, provocará pressões insusten-
táveis sobre o mercado de trabalho em futuro próximo.”19 Diante da instabilidade pe-
dagógica de dezenas de escolas, o Governo precisou tomar medidas para conhecer na
essência a realidade dos cursos e o conhecimento jornalístico e humanístico do aluno.
Em função disso nasceram o Exame Nacional de Cursos (Provão) e a Avaliação das
Condições de Oferta dos cursos de Jornalismo como balizadores do ensino de Jorna-
lismo.

Um dos pontos mais discutíveis é a criação da escola sem uma análise criteriosa
para a instalação na sociedade em que será inserida. A superlotação ocupacional de
escolas superior à capacidade de absorção do mercado desvaloriza a mão-de-obra es-
pecializada, torna o curso ineficiente. Esta afluência aos cursos de forma desordena-
da inflacionou o mercado e descaracterizou o profissional. O ganhador do Prêmio
Nobel de Literatura, Gabriel Garcia Marques, também vê deficiência na formação
profissional das escolas de Jornalismo e lembra que não existem critérios na instala-
ção de escolas. O escritor diz que a criação das escolas de Jornalismo foi uma reação
“escolástica contra o fato de o ofício precisar de respaldo acadêmico”. Ele afirma ain-
23
da que a proliferação das escolas “não é alentadora” e que a maioria dos graduados
“chega com deficiências flagrantes”.20

Já o jornalista e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Es-


tado de São Paulo, Antônio Carlos Fon, é mais crítico quanto à instalação de cursos
de Jornalismo sem uma avaliação. “A maioria não passa de arapucas que cobram pe-
dágio dos alunos durante quatro anos.”21

É claro que existem disparidades regionais acentuadas e com problemas ainda


não superados. Por ser a região mais rica da Federação, o Estado de São Paulo con-
centra o maior número de escolas de Jornalismo. São mais de 30. São José do Rio
Preto, com 350 mil habitantes, a 450 quilômetros da capital paulista, tem três escolas
de Jornalismo que formam anualmente mais de 60 jornalistas. Tem dois jornais diá-
rios (Diário da Região e Folha de Rio Preto), dez rádios e três emissoras de televisão
(Globo, Record e TV da Cidade) e duas sucursais (SBT e Band). Já Porto Velho, capi-
tal de Rondônia, isolada dos centros mais desenvolvidos, com mais de 334 mil habi-
tantes, tem quatro jornais diários (Alto Madeira, O Estadão do Norte, Folha de
Rondônia e Diário da Amazônia), três emissoras de televisão, dezenas de assessorias
de Imprensa (municipal, estadual, federal), cinco emissoras de rádio, 217 jornalistas
filiados ao sindicato da categoria (33 são diplomados) e uma universidade federal
que não tem curso de Jornalismo.

2.3 Regulamentação e currículo

Regulamentado pelo Decreto 22.245, de dezembro de 1946, assinado pelo presi-


dente Eurico Gaspar Dutra, o curso de Jornalismo foi oficializado e ganhou sua grade
curricular. Com duração de três anos, a grade estava dividida em três seções: Seção
de Formação, Seção de Aperfeiçoamento e Seção de Extensão Cultural. A Seção de
Formação era estruturada em três séries e tinha as seguintes matérias: Francês ou In-
glês, Geografia Humana, História da Civilização, Técnica de Jornalismo (exigia tam-
bém estágio em uma empresa jornalística), Ética e Legislação de Imprensa, Sociolo-
gia, Português e Literatura, Política, História do Brasil, História da Imprensa, Psico-
logia Social, Economia Política, Noções de Direito e Organização e Administração de
Jornal. Para completar uma das séries, o aluno optava em cursar duas outras discipli-
24
nas, tendo a possibilidade de escolher entre as seguintes: Introdução à Filosofia, His-
tória Contemporânea, História da América, Histórias das Artes, História da Música,
Direito Administrativo, Direito Constitucional, Educação Comparada e Estatística. A
Seção de Aperfeiçoamento consistia em conferências e trabalhos práticos. Oferecida a
qualquer interessado, a Seção de Extensão continha Filosofia, Geografia Humana,
Psicologia e Sociologia, Teoria do Estado e Administração Pública, Direito (Constitu-
cional, Internacional, Civil, Comercial e Criminal), História da Civilização, História
da Cultura (Literatura, Belas-Artes, Teatro, Música, Ciências, Religiões, Esportes, In-
dústria e Comércio), Economia e Política, Finanças, Educação, Organização do Tra-
balho e Estatística.

Sem autonomia, o curso de Jornalismo se pautava em disciplinas teóricas na


formação profissional. “O perfil curricular centrava-se nas disciplinas humanísticas
das ciências sociais, com embasamento teórico-cultural, até porque o próprio curso
estava subordinado à Faculdade de Filosofia”, registra Maria Elisabete Antonioli Lau-
renti.22

Embora tivessem o caráter profissionalizante, os cursos de Jornalismo também


assumiram características de formação humanística, criando uma dicotomia entre te-
oria e prática que persiste até hoje em muitas escolas. Em mais de meio século de
existência, o currículo de Jornalismo passou por várias transformações que vão do
humanístico ao tecnicismo profissionalizante.

Nesse período de mutação e adaptação do currículo à realidade brasileira e aos


interesses dos donos das escolas, milhares de novos jornalistas saíram dos bancos
acadêmicos para enfrentar um mercado cada vez mais competitivo e seleto.

O primeiro currículo de ensino de Jornalismo foi o da Cásper Líbero e tinha du-


ração de três anos, dois básicos e um de especialização. O primeiro ano tinha as se-
guintes disciplinas: Técnica de Jornal; Ética, História e Legislação de Imprensa; Ad-
ministração de Jornal; História da Civilização; Língua Portuguesa e Literatura de
Língua Portuguesa; e Geografia Humana. Segundo ano: Técnica de Jornal; Publicida-
de; Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa; História do Brasil, Histó-
ria Contemporânea; e Geografia do Brasil. Das dez disciplinas, quatro eram técnicas.
25
E o terceiro ano, o da especialização, era dividido em três grupos, o aluno poderia es-
colher um deles. 1) Radiojornalismo; Técnica de Jornal; Sociologia; Economia; Políti-
ca e Administração Pública; 2) Radiojornalismo ou Técnica de Periódico; Técnica de
Jornal; História das Artes; Literatura de Língua Portuguesa e Literatura Contempo-
rânea; 3) Radiojornalismo; Técnica de Jornal; Introdução à Educação; Psicologia So-
cial e Criminologia.

A complexidade da grade curricular levou Carlos Rizzini a fazer a seguinte ob-


servação: “O plausível é que o aluno, terminados os dois anos básicos, escolhesse
uma especialização técnica, de redação, de reportagem, de publicidade, de adminis-
tração, em vez de preferir um grupo de disciplinas de cultura geral”.23

Contrário a esse critério de formação jornalístico, Carlos Rizzini propunha um


currículo em que a teoria fosse transformada em prática. Ou seja, disciplinas que es-
tivessem relacionadas com a atividade jornalística, mas não abandonando algumas
de cultura geral.

Em março de 1948, o presidente Eurico Gaspar Dutra assina decreto, número


24.719, autorizando a primeira alteração na grade curricular do curso de Jornalismo.
Mantendo o perfil humanístico, foi incluída a disciplina Radiofusão, principalmente
porque o rádio, naquela época, era o marco da informação brasileira. Outra modifica-
ção foi a substituição da disciplina Organização e Administração de Jornal pela Pu-
blicidade, Organização e Administração de Jornal. A inclusão da Publicidade foi por-
que o mercado brasileiro se expandiu após a 2ª Guerra Mundial.24

Ainda no governo Dutra, em março de 1949, um novo decreto, número 26.493,


mexe novamente na grade curricular do curso de Jornalismo. Na Seção de Formação,
as disciplinas Francês e Inglês passaram a ser facultativas. A Seção de Aperfeiçoa-
mento foi dividida em dois módulos: Aperfeiçoamento em Técnica e Aperfeiçoamen-
to em Cultura geral. A proposta era intensificar a qualificação técnica do futuro jor-
nalista.25

O decreto nº 28.923, de 1º de dezembro de 1950, faz mais uma alteração na gra-


de curricular do Jornalismo. A estrutura curricular foi dividida em duas partes: uma
de duas séries e outra de uma série. A primeira era oferecida a todos os alunos. A se-
26
gunda tinha três modalidades: A, B, C. A escolha era livre. As disciplinas Radiojorna-
lismo e Técnica de Periódico, por exemplo, eram oferecidas aos alunos das modalida-
des A e B. Eram compreendidas como atividades práticas, de preferência em organi-
zações jornalísticas ou radiofônicas. O artigo 6º determinava a titulação em Bacharel
em Jornalismo no diploma expedido a partir de 1950. Já o parecer 453, de 31 de
agosto de 1953, expedido pelo então Conselho Nacional de Educação, direcionou o
curso ao perfil intelectual e cultural, voltado às ciências humanas e ignorando a parte
profissional.26

2.4 Desvinculação e autonomia

Com a autonomia conquistada em 6 de junho de 1958, por meio do decreto


43.839, desvinculando os cursos das faculdades de Filosofia27, a luta pela qualidade
do ensino superior se desencadeou no início da década de 60. Até então o movimento
estudantil e a própria universidade cumpriam rigorosamente o chamado pacto pau-
lista esboçado pela Revolução de 1930. “O pacto paulista, com a implantação de um
estado de compromisso entre as forças sociais brasileiras, significava, então, o esque-
cimento de interesses de classe ou mesmo interesses sociais mais amplos. Tudo para
o fortalecimento do Estado. Os interesses da sociedade eram limitados aos estreitos
interesses do Estado.”28

Essa efervescência social incentivou a organização do 1º Seminário Latino-Ame-


ricano de Democratização do Ensino Superior, realizado em Salvador, Bahia, em
1960. Dois anos depois, em Curitiba, no 2º Seminário, sai a Carta do Paraná, “que
viria a se transformar na orientação política do movimento estudantil”.29 A carta in-
cluía seis propostas: a) que a universidade seja a expressão do povo; b) que assuma
uma perspectiva crítica, perdendo seu caráter dogmático; c) que seja uma frente efe-
tiva do processo revolucionário brasileiro (democrático-burguês, mais uma vez); d)
que os cursos de conteúdo tecnicizante incluam uma perspectiva social; e) que se es-
truture racionalmente (luta pela introdução dos institutos e departamentos, contra as
faculdades isoladas, pela extinção da cátedra); f) pela autonomia universitária em to-
dos os níveis (didática, administrativa, financeira e política).30
27
No momento histórico da configuração da Aliança Operária-Estudantil-Campo-
nesa e na democratização da universidade, acontece a primeira alteração significativa
no currículo de Jornalismo. Naquela época, João Goulart no poder, a preocupação do
Governo foi montar um currículo mais profissionalizante, embora sem esquecer a
área humanística. Em 16 de novembro de 1962, foi aprovado o Parecer 323, do Con-
selho Federal da Educação (CFE), estabelecendo um currículo com as disciplinas di-
vididas em três categorias: Gerais, Especiais e Técnicas. A categoria Gerais se concen-
trava numa base cultural; a categoria Especiais era voltada para o domínio da lingua-
gem e postura de valores; a categoria Técnicas se destinava ao fazer jornalístico. “Os
relatores também recomendavam um entrosamento entre os programas. Assim, pela
primeira vez nos estudos de programas curriculares para o curso de Jornalismo, cha-
mava-se a atenção para a interdisciplinaridade.”31

Em 19 de abril de 1966 sai o Parecer 984, do CFE, também assinado pelo relator
Celso Kelly, cujo conteúdo se baseava nas diretrizes do Centro Internacional de Estu-
dos Superiores de Periodismo para a América Latina (Ciespal), órgão mantido pela
Unesco, com sede em Quito, Equador. Em 2 de setembro de 1966 foi publicada a Re-
solução s/nº, complementando o Parecer, que recomendava que o conceito de Jorna-
lismo compreendia todas as formas de transmissão de notícia: jornalismo impresso,
radiofônico, televisivo, cinematográfico e ainda publicitário e relações públicas; e a
formação do jornalista polivalente. A Resolução fixou 2.700 horas-aula, ministradas
em quatro anos, e incluía as disciplinas Teoria da Informação, Jornalismo Compara-
do, Redação de Jornalismo.32

Em 1969, o conselheiro Celso Kelly recomenda a criação do curso de Comunica-


ção Social, o currículo mínimo e a duração do curso, por meio do Parecer 631, apro-
vado em 2 de setembro de 1969. Celso Kelly propunha ainda a formação de um pro-
fissional polivalente, ou seja, um especialista em técnicas de Jornalismo, Relações
Públicas e Publicidade e Propaganda. A idéia gerou polêmica na academia e no mer-
cado. As delegacias do Ministério do Trabalho não tinham como enquadrar essa ha-
bilitação no registro profissional da carteira de trabalho: “Isso criou uma celeuma
muito grande no País, porque, na verdade, tratava-se de uma tendência que contrari-
ava o rumo mundial do ensino de Comunicação. Quer dizer, a comunicação vivia um
período de superespecialização e o Brasil adotava uma solução que, eu diria, era uma
28
solução andina, porque vem dos países andinos, de regiões pequenas, querendo criar
a figura do comunicador polivalente”, criticava José Marques de Melo.33

O professor Luiz Beltrão também criticou a iniciativa de Celso Kelly dizendo que
a escola preparava o aluno a exercer pelo menos quatro habilitações e também confe-
ria o esdrúxulo título de comunicador polivalente. Segundo Luiz Beltrão, o título uni-
versitário qualificava o seu portador para ser jornalista, relacionista, redator de servi-
ço público, publicitário, pesquisador em comunicação, “tudo quanto não estivesse en-
quadrado em qualquer profissão regulamentada”.34

Com Celso Kelly recuando, mas mantendo a polivalência, entrou em vigor a Re-
solução 11/69 determinando que as escolas de Jornalismo fossem transformadas em
faculdades de Comunicação Social com as seguintes habilitações: Polivalente, Jorna-
lismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda e Editoração. Oficialmente, pela
primeira vez eram exigidos órgãos laboratoriais para todas as habilitações e, para o
Jornalismo, o curso deveria dispor de um jornal-laboratório e estúdios-laboratório de
rádio, televisão e cinema. Ficou determinado que caso as faculdades não tivessem os
órgãos laboratoriais, poderiam manter convênios com entidades públicas e privadas.
A formação do profissional polivalente ou do comunicador polivalente, era o apro-
fundamento das Técnicas de Jornalismo, Relações Públicas e Publicidade e Propa-
ganda. A proposta foi condenada por instituições acadêmicas que a excluíram dos
currículos subseqüentes.35

Com uma carga horária de 2.200 horas-aula, com duração de três a seis anos,
Celso Kelly dividiu o currículo em três aspectos: a) fenomenológico – pelo conheci-
mento da natureza dos efeitos psico-sociais devidos à sua atuação; b) instrumental –
pelo manejo mais seguro da linguagem e pelo treinamento especial na redação; c)
cultural – por uma formação básica extremamente atualizada, com fundamentos nas
humanidades.36 O currículo-mínimo estabeleceu, no ciclo introdutório, disciplinas
cujo conhecimento considerou comuns e fundamentais a todas as áreas da comunica-
ção. Uma segunda parte da carga horária foi reservada a formar profissionais para as
áreas específicas: Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade e Propaganda. Editora-
ção, Documentação e Divulgação Oficiais e Pesquisa em Comunicação. Para as quatro
primeiras ficou estabelecido o aprofundamento de suas técnicas e mais quatro disci-
29
plinas relacionadas na Resolução 11/69. “Não houve – ao nosso ver – um aprofunda-
mento dos estudos sobre a realidade dessas atividades e do que o mercado de traba-
lho exigia dos relacionistas (era uma das qualidades do jornalista polivalente) e pu-
blicitários. Em conseqüência, apesar daquela preocupação do CFE com os profissio-
nais da informação, estes foram prejudicados em sua formação específica, pela intro-
dução de técnicas inteiramente diversas daquelas que teriam de usar no exercício do
jornalismo”, avaliava Luiz Beltrão.37

O currículo mínimo tinha a seguinte estrutura: 1) Parte Comum a todas as mo-


dalidades de habilitação de comunicadores a ser ministrada em 1.100 horas-aula, a
metade estabelecida de 2.200 horas-aula. A Parte Comum era constituída de matéri-
as básicas mais Sociologia, integrante dos currículos de formação Social. São as se-
guintes: 1) Fundamentos Científicos da Comunicação; 2) Ética e Legislação dos Meios
de Comunicação; 3) Pesquisa de Opinião e Mercadologia; 4) Introdução às Técnicas
de Comunicação, compreendendo prática de: a) Jornalismo Impresso, radiofônico,
televisionado e cinematográfico; b) Telerradiodifusão, Cinema, teatro; c) Relações
Públicas; d) Publicidade e Propaganda; e) Editoração; 5) Jornalismo Comparado; 6)
História da Cultura e, especialmente dos meios de comunicação; 7) Problemas Soci-
ais e Econômicos Contemporâneos; 9) Cultura Brasileira. Duas inseridas no currículo
a escolher numa lista de treze, entre elas Cibernética, Filosofia, Paginação e Revisão e
Psicologia; e as disciplinas de aprofundamento nas cinco áreas de habilitações. O Jor-
nalismo tinha Prática de Jornalismo Impresso, Radiofônico, Televisado e Cinemato-
gráfico, Telerradiodifusão, Cinema e Teatro, e mais quatro disciplinas entre as de li-
vre escolha, não estudadas anteriormente. O aluno ainda escolhia duas disciplinas
entre 13 relacionadas, que são as seguintes: 1) Biblioteconomia e Bibliografia, 2) Ci-
bernética, 3) Direito Usual, 4) Documentação (introdução), 5) Economia, 6) Estatísti-
ca, 7) Idiomas Estrangeiros (não específica), 8) Filosofia (incluindo Lógica), 9) Pagi-
nação e Revisão, 10) Política e Administração, 11) Produção e Emissão, 12) Psicologia
Social, 13) Redação e Edição.

Luiz Beltrão explica que as matérias práticas não podiam ser oferecidas em blo-
co devido à peculiaridade de cada habilitação e também à dificuldade de um mesmo
professor ser especialista em diferentes técnicas. Assim, elas foram desdobradas. A
relação foi a seguinte: 1) Introdução às Técnicas do Jornalismo Impresso, 2) Introdu-
30
ção às Técnicas do Jornalismo Radiofônico, 3) Introdução às Técnicas do Jornalismo
Televisado, 4) Introdução às Técnicas do Jornalismo Cinematográfico, 5) Introdução
às Técnicas da Telerradiodifusão; 6) Introdução às Técnicas do Cinema, 7) Introdu-
ção às Técnicas do Teatro, 8) Introdução às Técnicas das Relações Públicas, 9) Intro-
dução às Técnicas da Propaganda, 10) Introdução às Técnicas da Editoração. O aluno
escolhia ainda mais quatro disciplinas entre as não estudadas anteriormente. Apesar
de criticar o currículo-oficial, Luiz Beltrão entendia que as disciplinas práticas refor-
çavam o processo ensino-aprendizagem e exigia da escola a instalação de duas ofici-
nas laboratoriais. “A formação do jornalista na universidade estaria incompleta se
não incluísse o treinamento e a experimentação da atividade profissional.”38

Em 1978, o Conselho Federal da Educação fixou para o ano seguinte, 1979, o


currículo mínimo para o curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalis-
mo, Publicidade e Propaganda, Rádio e Televisão, Cinematografia e Relações Públi-
cas. A novidade era que o conteúdo das disciplinas tinha que ter a aprovação do Mi-
nistério da Educação e como exigência a instalação de laboratórios de rádio, telecine-
jornalismo e fotográfico, redação, oficina de diagramação. De acordo com o artigo 2º,
da Resolução 3/78, as matérias que integravam o currículo mínimo foram divididas
em três módulos: a) Fundamentação Geral Humanística, b) Fundamentação Especí-
fica, c) Natureza Profissional. O primeiro módulo tinha as disciplinas Problemas Só-
cio-Culturais e Econômicos Contemporâneos, Sociologia, Psicologia Social, Antropo-
logia Cultural, Cultura Brasileira, Língua Brasileira. O segundo módulo tinha as disci-
plinas Teoria da Comunicação, Comunicação Comparada, Sistemas de Comunicação
no Brasil, Estética e Comunicação de Massa. O terceiro, já profissionalizante, tinha
Técnicas de Codificação, Técnicas de Produção e Difusão, Deontologia da Comunica-
ção Social, Técnicas de Administração, Técnicas de Mercadologia.

O parágrafo 1º estabelecia que as matérias mencionadas nos dois primeiros mó-


dulos eram comuns a todas as habilitações e as constantes no terceiro módulo deveri-
am ser aplicadas no respectivo campo profissional. Ou seja, não havia liberdade para
a escola montar o seu currículo de acordo com a sua característica e necessidade. Na
época, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre, em editorial no Ca-
dernos de Jornalismo, número 3, de setembro de 1978, recriminou a medida do Go-
verno Federal, usando o seguinte argumento: “O novo currículo não está em discus-
31
são. É mais um pacote, decretado de cima para baixo, mais um ente biônico encrava-
do em nossa sociedade.” Os adjetivos pacote e biônico são uma referência irônica ao
pacote de março de 77, decretado pelo General Geisel, que colocou o Congresso em
recesso e estabeleceu, entre outras medidas, o senador biônico.

Uma outra crítica feita pela direção do Sindicato de Porto Alegre dizia que a
maioria das aulas era expositiva e o professor não era jornalista. Já os alunos da Uni-
versidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) apontaram como uma das princi-
pais deficiências do currículo a falta de abordagem maior dos problemas humanísti-
cos no programa. Eles justificaram que “sem isso se torna quase impossível ter uma
visão crítica da realidade, dado essencial à função do jornalista”.39

O professor José Marques de Melo, que participou da elaboração do currículo


de 1979, cujo estudo começou em 1977, considerava inviável o currículo mínimo. “É
uma espécie de interferência centralizante na orientação do ensino de Comunicação,
num país que tem realidades inteiramente diferentes em seu território e cujos proble-
mas de treinamento do profissional de comunicação na minha opinião, não podem
ser resolvidos de modo centralizado.”40

Além disso, o último semestre era reservado à atividades profissionais supervi-


sionadas, sob a forma de projetos experimentais na própria escola e de treinamento
nas empresas ou órgãos públicos, este sob forma de estágios supervisionados. A carga
horária não deveria exceder a 10% da carga mínima de 2.200 horas-aula. Embora de-
fendesse os objetivos do novo currículo, o professor Jaci C. Maraschin, da ECA/USP,
questionou a viabilidade do estágio supervisionado: “A legislação de um órgão como
o Conselho Federal de Educação não pode se imiscuir na área da empresa pública ou
particular, ficando, portanto, na dependência da boa vontade e da capacidade de
compreensão dos homens de empresas.”41 Ele entendia que não competia ao Conse-
lho Federal de Educação estabelecer normas de conduta onde o aluno deveria prati-
car o jornalismo, mas a iniciativa deveria ser das escolas e do próprio aluno.

O professor José Marques de Melo criticava a possibilidade da escola manipular


o elenco de disciplinas e apontava como problema a obrigatoriedade da implantação
de laboratórios: “A formação universitária do jornalista deve ser a que lhe dê baga-
32
gem humanística, conhecimentos técnicos e uma visão crítica para saber colocar nas
técnicas o conteúdo básico que é o que interessa ao público leitor. Então, quando a
gente fala da ênfase da luta pelos equipamentos é porque sabe-se que historicamente
a cultura de um jornalista desenvolve-se na maior parte na sala de aula profissional,
porque tem giz e quadro negro”.42

Já o professor Wilson da Costa Bueno, ECA/USP, apontava como positivo o


novo currículo (79) a extinção da polivalência, a redução do número de disciplinas,
mas lembrou que não previa a iniciação às técnicas de pesquisa em Jornalismo. 43 No
anterior, conhecido como currículo de Celso Kelly, de 1969, o aluno se habilitava em
cinema, rádio, televisão, jornal.

2.5 Exigência de laboratórios

Em 1984 saia a Resolução 2/84, que dava outras diretrizes e características ao


currículo do curso de Jornalismo. Uma das medidas foi reforçar a exigência dos labo-
ratórios, mas preservando as disciplinas do tronco comum, o chamado básico: Filoso-
fia, Sociologia, Teoria da Comunicação (obrigatórias), entre outras, e as disciplinas
eletivas. Fixou também que as disciplinas práticas deveriam corresponder a 50% da
carga horária do curso, sem contar os projetos experimentais (jornais-laboratórios,
por exemplo). “O resultado é que a Resolução serviu para que muitas escolas obtives-
sem um amparo legal para não oferecer nada além do que a legislação exige.”44

O curso deveria ter uma carga mínima de 2.700 horas-aula, incluídas as 270 de
atividades de projetos experimentais. Além das disciplinas obrigatórias e as que
acrescentariam ao currículo de uma lista oferecida pelo MEC, o aluno, para se habili-
tar em Jornalismo, precisaria fazer as seguintes disciplinas específicas da profissão:
Língua Portuguesa: Redação e Expressão Oral; Fotojornalismo, Planejamento Gráfi-
co em Jornalismo; Radiojornalismo; Telejornalismo; Técnica de Reportagem, Entre-
vista e Pesquisa Jornalística; Preparação e Revisão de Originais, Provas e Videotexto;
Edição; Legislação e Ética em Jornalismo.

O professor José Marques de Melo criticou, na época, a nova Resolução porque


tinha alterações aceitáveis e outras injustificáveis e que pouco inovava. “A esperança
33
que muitos depositaram ingenuamente nesse novo currículo, como solução para a
crise atualmente vivida pelos cursos de Comunicação, certamente logo se dissipará,
pois o texto aprovado pelo CFE só contribuirá para manter as ambigüidades e os im-
passes vigentes.”45 O professor comentou que 18 disciplinas obrigatórias significam
currículo máximo e não mínimo46 e que “agora é trabalhar para que tais exigência
não se tornem letra morta, como tantas vezes tem ocorrido em nosso país”. 47 Ele afir-
mou que os professores e alunos do curso de Jornalismo estavam conscientes de que
sem ter um laboratório, “as atividades didáticas permanecerão no terreno da impro-
visação e do amadorismo.”48

Com a proposta de fiscalizar a aplicação dos dispositivos do novo currículo mí-


nimo, principalmente quanto à implantação dos laboratórios e ao cumprimento das
exigências relacionadas com a habilitação profissional dos docentes, foi eleita, no 2º
Encontro Nacional de Órgãos Laboratoriais dos Cursos de Jornalismo, realizado de
1º a 4 de abril de 1985 em Uberaba (MG), a Comissão Nacional de Luta pela Melhoria
da Qualidade do Ensino de Jornalismo (Conej), composta por professores, jornalistas
e alunos. Neste mesmo encontro, a comissão decidiu, entre outras tarefas, fazer um
levantamento da situação dos cursos de Jornalismo, criar mecanismos para assesso-
rar as instituições, avançar no debate das questões conceituais e pedagógicas sobre
laboratórios.49 Após uma década, o resultado não foi o esperado se comparado ao da
Avaliação das Condições de Oferta dos cursos de Jornalismo, monitorado pela Secre-
taria de Educação Superior (Sesu/MEC). O diagnóstico registra que a resolução 2/84
e a comissão não conseguiram vencer a crise no processo de formação de jornalista
no país.

Os tempos difíceis do regime totalitário, principalmente pós-68, prejudicaram,


não só a liberdade política, também a consolidação da universidade brasileira como
uma instituição do saber e o curso de Jornalismo foi colocado à margem como ativi-
dade profissional. A formação do jornalista se resumia a um embasamento teórico e
desprovida de qualquer técnica. “Fracassaram, portanto, as iniciativas destinadas a
superar o ensino livresco e discursivo e a trazer para a escola situações similares
àquelas que ocorrem nas instituições jornalísticas. A formação dos jornalistas pauta-
va-se pelo ouvi-dizer e não pelo saber-fazer”, lembra José Marques de Melo50
34
Apesar de ser criticada por entidades sindicais, professores e alunos, a nova Lei
de Diretrizes e Bases (LDB), de 20 de dezembro de 1996, em seu Capítulo IV, nos ar-
tigos 43 e 57, garante plena autonomia às instituições de ensino superior e extingue a
obrigatoriedade do currículo mínimo. Esta autonomia possibilita que a escola tenha a
liberdade de formular propostas curriculares que atendam às expectativas do aluno e
na formação de um profissional crítico e cidadão, mas de olho nas transformações do
mercado.

A reforma no ensino tem como meta a democratização, favorecer a competição


em pé de igualdade e não contribuir para manter a desigualdade das chances. O desi-
quilíbrio sócio-econômico contempla a escola particular que nasce para cobrir o defi-
cit da escola pública, onerando a classe mais pobre da sociedade brasileira. “A melhor
das reformas permanece no papel, se ela não se ajustar às condições de vida e aspira-
ções dos indivíduos para os quais é feita. A análise sociológica justamente procura re-
velar o abismo entre intenção e realidade”, disse Bárbara Freitag.51

Aproveitando a autonomia estabelecida pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB),


sob a orientação das professoras Graça Caldas e Mônica Caprino, professores e alu-
nos do curso de Jornalismo da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), depois
de vários debates, reelaboraram o currículo de Jornalismo direcionando-o a formar
um jornalista como sujeito e agente da transformação social. “Conhecimento teórico
geral e específico de sua área de atuação e cultura humanística para fazer a necessária
contextualização e articulação histórico-crítica dos fatos de interesse público, relacio-
nando-os com o passado para possibilitar uma análise prospectiva do futuro é o que
se deseja dos egressos do Curso.”52

O novo currículo visa acabar com a dicotomia entre teoria e prática. Matérias,
como, por exemplo, Preparação e Revisão de Provas e Originais em Videotexto obso-
leta e que nada acrescentava ao currículo, foram retiradas da grade curricular. Foram
incluídas disciplinas que façam o aluno do 1º semestre praticar o fazer jornalístico.
Novos veículos laboratoriais foram criados com a participação de outros cursos da
Universidade Metodista. “As Oficinas de Jornalismo foram criadas para levar ao alu-
no à prática jornalística desde o primeiro semestre. Foram organizadas em uma pers-
pectiva de que fosse introduzido na prática de maneira gradativa em relação ao grau
35
de dificuldade, começando a produzir pequenas notícias até chegar às grandes repor-
tagens”, revelam Graça Caldas e Mônica Ciprino.53

Com objetivo de tornar o curso mais dinâmico e voltado para a prática jornalís-
tica em tempo integral, formar um profissional consciente do seu papel social e aliar
teoria e prática à iniciação científica, o 8º semestre do curso, o último, foi reservado
aos projetos experimentais: vídeo-reportagem, jornalismo digital, revista, jornal im-
presso, radiojornalismo, telejornalismo, assessoria de comunicação, livro-reporta-
gem. Para orientar o aluno a definir a bibliografia ideal a ser consultada, as fontes de
informação que vão complementar o seu projeto, a escolher o professor-orientador e
também a assessoria metodológica, foi incluída no 7º semestre a disciplina Introdu-
ção ao Projeto Experimental.

A nova grade curricular do curso de Jornalismo da Metodista começou a vigorar


em 2000. O ano anterior, 1999, serviu para experimentos. Na verdade, a reforma do
currículo da Metodista atende à posição do professor José Marques de Melo. Ele de-
fende que cada escola produza o seu currículo que atenda aos interesses local/regio-
nal mas sem se esquecer da macro-economia, do jornalismo universal e das mudan-
ças sócio-política.

2.6 Diretrizes curriculares

Contribuir para a inovação e a qualidade do projeto pedagógico, assegurar am-


pla liberdade na composição da carga horária, indicar tópicos e campos de estudo e
demais experiências de ensino-aprendizagem e estimular a prática de estudo inde-
pendente. Estes são alguns dos princípios que as Comissões de Especialistas de Ensi-
no da Secretaria de Ensino Superior (Sesu/MEC) de cada área adotaram como parâ-
metro no sentido de elaborar propostas de Diretrizes Curriculares. O processo de dis-
cussão, que envolveu centenas de instituições de ensino, organizações profissionais,
docentes e discentes que enviaram 1.200 propostas, começou em 1997, quando da
publicação do edital 4/97. Para consolidação das propostas, a partir de dezembro de
1998, foram realizados seminários, fórum e encontros. Depois de inúmeros debates
promovidos em cada área, as comissões redigiram propostas para avaliação do Con-
selho Nacional de Educação (CNE).54
36
A Comissão de Especialistas de Comunicação do Ministério da Educação e Cul-
tura (MEC), embasada na LDB, enriquecida com sugestões apresentadas por institui-
ções universitárias, entidades sindicais e estudantis, Intercom, depois de vários deba-
tes, reuniões e seminários enfocando as habilitações em Jornalismo, Relações Públi-
cas, Editoração, Rádio e Televisão, Cinema, Publicidade e Propaganda, e tendo como
referência documento específico ao ensino de Jornalismo, apresentado pela Federa-
ção Nacional dos Jornalistas (Fenaj), pelo Fórum de Professores de Jornalismo, pelo
Observatório da Imprensa e pelo GT de Jornalismo da Intercom, elaborou texto con-
tendo propostas de Diretrizes Curriculares da Área de Comunicação e suas Habilita-
ções.

O texto foi redigido procurando atender a três objetivos: a) flexibilizar, b) reco-


mendar, c) estabelecer. O primeiro objetivo buscou a diversificação de experiências
de formação para atender a variedades de circunstâncias geográficas, político-sociais
e acadêmicas, viabilizando o surgimento de propostas pedagógicas inovadoras e efici-
entes. Ou seja, a escola, livre da exigência de um currículo mínimo obrigatório, estru-
turará a grade curricular de acordo com as características da comunidade onde será
inserida. O segundo objetivo busca a qualidade do ensino e a sintonia com posições
majoritariamente defendidas pelas instituições e entidades nas reuniões, debates, se-
minários realizados no primeiro semestre de 1999. Na verdade, visa funcionar como
um padrão de referência. O terceiro determina critérios mínimos de exigência quanto
à formulação e à qualidade da formação do currículo e profissional. Funciona como
parâmetro de adequação e pertinência para os cursos de cada área.55

Algumas premissas foram recomendadas, entre elas estão os três objetivos, no


sentido de nortear as Diretrizes Curriculares. Elas orientam sobre a importância de
manutenção de todas as formações da área em um mesmo texto para o enriqueci-
mento pedagógico; o cuidado na elaboração do Projeto Acadêmico para não se tornar
uma mera listagem de disciplinas e solidificar a troca e realimentação entre as escolas
no campo da experimentação pedagógica e organizacional, de pesquisa, de desenvol-
vimento profissional; elaborar um currículo que possibilite ao aluno realizar ativida-
des optativas, estimulando-o a construir o seu currículo pleno e de sua formação aca-
dêmica.56 O que se busca com estas premissas é estimular o aperfeiçoamento cons-
tante da formação, da qualidade do ensino, mas o alcance do sucesso depende de um
37
trabalho coletivo, também ininterrupto, entre as escolas, comunidades, mercado e
entidades.

Para sistematizar as diretrizes curriculares, a comissão adotou alguns critérios


classificatórios. Eles são os seguintes: Perfil Comum e Perfil Específico, Competênci-
as e Habilitações Gerais e Específicas, Tópicos de Estudo e Estrutura Geral do Curso.
O objetivo foi contribuir na caracterização do curso, das habilitações profissionais,
descrever o egresso do curso de Comunicação e de cada habilitação, como a institui-
ção desenvolverá os conteúdos básico e específico, e para ajudar na elaboração do
Projeto do Curso, do Projeto Acadêmico e o Projeto Pedagógico foi desenvolvido um
um roteiro didático.

O perfil do egresso está dividido em Perfil Comum e Perfis Específicos. O pri-


meiro corresponde à formação genérica e universalista, específica e particularizada57
do candidato a uma vaga em uma das habilitações do curso de Comunicação. O se-
gundo está relacionado a habilitação que o candidato almeja e o seu grau de conheci-
mento sobre diferentes meios, linguagens e práticas profissionais e de pesquisa. São
os Perfis Específicos por Habilitação.

2.7 Perfil do jornalista

Além dos conhecimentos genérico e universalista, o perfil do egresso de Jorna-


lismo ficou assim caracterizado: 1) pela produção de conhecimento e cultura voltada
para seleções factuais sobre a atualidade e para a estruturação e disponibilização de
informações que atendam a necessidades e interesses sociais no que se refere ao co-
nhecimento dos fatos, das circunstâncias e dos contextos do momento presente; 2)
pelo exercício da objetividade na apuração, interpretação, registro e divulgação dos
fatos sociais; 3) pelo exercício da tradução e disseminação de conhecimento sobre a
atualidade em termos de percepção geral e de modo a qualificar o senso comum; 4)
pelo trabalho em veículos de comunicação e instituições que incluam atividades ca-
racterizadas como de imprensa e de informação jornalística de interesse geral ou se-
torizado e de divulgação de informações de atualidade; 5) pelo exercício de relações
entre as funções típicas de jornalismo e as demais funções profissionais ou empresa-
riais existentes na área de Comunicação, e ainda com outras áreas sociais, culturais e
38
econômicas com as quais o jornalismo faz interface; 6) pelo exercício de todas as de-
mais atividades que, no estado vigente da profissão, sejam reconhecidas pelo bom
senso, pelas entidades representativas ou pela legislação pertinente, como caracterís-
ticas do jornalista.58

As competências e habilidades também estão dispostas em dois níveis: um geral


para todas as profissões e formações do campo da Comunicação e outro especializado
por habilitação.

O primeiro nível, válido para todas as habilitações, além de cobrar do egresso


um grau de conhecimento generalista e iniciativa que ultrapasse as competências do
campo da Comunicação, tem ainda os seguintes requisitos: 1) assimilar criticamente
conceitos que permitam a apreensão de teorias; 2) usar tais conceitos e teorias em
análises críticas da realidade; 3) posicionar-se segundo ponto de vista ético-político;
4) deter um conjunto significativo de conhecimentos e informações sobre a atualida-
de; 5) dominar as linguagens habitualmente usadas nos processos de comunicação,
nas dimensões de criação, de produção, de interpretação e da técnica; 6) experimen-
tar e inovar no uso destas linguagens; 7) refletir criticamente sobre as práticas profis-
sionais no campo da Comunicação; 8) tratar problemas teóricos da Comunicação e
problemas profissionais de sua área de atuação, estabelecendo relações factuais e
conceituais de questões concretas e pertinentes à área; 9) desenvolver competências
para formação e estímulo à aprendizagem na área da Comunicação em geral, e das
especialidades incluídas em sua experiência; 10) ter competência no uso da língua
nacional para escrita e interpretação de textos gerais e especializados na área.59

O segundo nível, o campo profissional, requer do egresso uma identificação com


a habilitação que escolheu. No campo do jornalismo as recomendações são as seguin-
tes: registrar fatos jornalísticos, apurando, interpretando, editando e transformando-
os em notícias e reportagens; interpretar, explicar e contextualizar informações; in-
vestigar informações, produzir textos e mensagens jornalísticas com clareza e corre-
ção e editá-los em espaço e período de tempo limitados; formular pautas e planejar
coberturas jornalísticas, formular questões e conduzir entrevistas; relacionar-se com
fontes de informação de qualquer natureza; trabalhar em equipe com profissionais
da área; lidar com situações novas, desconhecidas e inesperadas; compreender e sa-
39
ber sistematizar e organizar os processos de produção jornalística; desempenhar fun-
ções de gestão e administração jornalística; desenvolver, planejar, propor, executar e
avaliar projetos na área de comunicação jornalística; avaliar criticamente produtos,
práticas e empreendimentos jornalísticos; compreender os processos envolvidos na
recepção de mensagens jornalísticas e seus impactos sobre os diversos setores da so-
ciedade; identificar e equacionar questões éticas de jornalismo; buscar a verdade jor-
nalística, com postura ética e compromisso com a cidadania; manter-se crítico e in-
dependente, no que diz respeito às relações de poder e às mudanças que ocorrem na
sociedade; dominar a língua nacional e as estruturas narrativas e expositivas aplicá-
veis às mensagens jornalísticas, abrangendo-se leitura, compreensão, interpretação e
redação; dominar a linguagem jornalística apropriada aos diferentes meios e modali-
dades tecnológicas de comunicação; assimilar criticamente conceitos que permitam a
compreensão das práticas e teorias jornalísticas, repercutindo-os sobre sua prática
profissional; ter as demais competências e habilidades que caracterizam o trabalho
nas circunstâncias em que o jornalismo é normalmente inserido.60

2.8 Tópicos de estudo

Os Tópicos de Estudo estão divididos em Conteúdos Básicos e Conteúdos Espe-


cíficos. O primeiro envolve o conhecimento teórico e prático, as reflexões e as aplica-
ções relacionadas ao campo da Comunicação e à área configurada pela habilitação es-
pecífica. Ou seja, a formação do graduando também passa pelo campo geral da Co-
municação, além da habilitação específica. O que se busca é a formação crítica do
graduando em todas as áreas do conhecimento relacionados ao campo da Comunica-
ção.

Isso significa permitir ao aluno aprender e lidar com teorias gerais e específicas;
propiciar ao graduando um estoque de informações sobre variados aspectos da atua-
lidade; assegurar ao aluno o domínio e reflexão das linguagens das técnicas e tecnolo-
gias nos processos e nas habilitações de comunicação; fortalecer a cidadania, os direi-
tos humanos, a liberdade de expressão, a pluralidade de idéias, a justiça social, a de-
mocracia e o saber posicionar sobre o exercício do poder da comunicação. Estes co-
nhecimentos são assim categorizados: conteúdos teórico-conceituais; conteúdos ana-
40
líticos e informativos sobre a atualidade; conteúdos de linguagens, técnicas e tecnolo-
gias midiáticas; conteúdos ético-políticos.61

Os Conteúdos Específicos são aqueles que a instituição elege, livremente, para


organizar o seu currículo pleno. É recomendado que a instituição defina como meta
as reflexões e práticas da habilitação específica, mas tendo como referencial básico o
perfil comum do egresso, as competências e habilidades gerais e por habilitação e os
conteúdos estabelecidos nas diretrizes curriculares. A meta é sempre atingir os obje-
tivos estabelecidos no projeto pedagógico.62

A duração mínima estabelecida é de 2.700 horas-aula. A oferta não deve ser in-
ferior a quatro anos ou oito semestres letivos. Já o estudante terá a possibilidade, na
medida de sua competência, de fazer o curso em tempo inferior a quatro anos, se a
estrutura de oferta for por créditos. A duração máxima fica a critério da instituição.

Fica livre à instituição incluir no currículo o estágio supervisionado – observa-


das as disposições e restrições legais de cada habilitação. O jornalismo é uma delas –
e atividades complementares. O texto estabelece que o estágio supervisionado é o es-
tudo e prática de atividades externas à escola. Já as atividades complementares são
instrumentos que a escola pode usar no sentido de incentivar o estudante a se relaci-
onar com a realidade social, econômica e cultural, de orientá-lo à iniciação científica
e ao ensino e ampliando a autonomia do estudante para organizar seu horário, objeti-
vos e direcionamento. Na verdade, é a flexibilidade de carga horária para fugir do pa-
drão turma/docente/horas-aula semanais. As atividades devem ser orientadas e su-
pervisionadas por professores para melhor atendimento dos objetivos pedagógicos.

O número máximo de horas dedicadas à atividades complementares não pode


ultrapassar 20% do total da carga horária do curso, não incluídas nesta porcentagem
as horas dedicadas ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ou Projetos Experimen-
tais. “Para que isto não seja mera antecipação do futuro ingresso no mercado de tra-
balho, é fundamental que o estágio seja orientado por objetivos de formação do futu-
ro profissional; e que seja supervisionado criticamente, o docente supervisor intera-
gindo efetivamente com os aportes recebidos pelos estudantes nas circunstâncias
concretas do Estágio.”63
41

2.9 Estrutura Geral do Curso

A estrutura geral define as características pedagógicas, a qualidade do curso:


docente, administrativo e técnico, as condições do prédio, equipamentos, o tipo de
serviço a ser prestado, a integração com o mercado e sociedade e procedimentos de
auto-avaliação. Viabiliza as atividades de ensino, pesquisa e extensão. Sem ela, o es-
paço de reflexão e disseminação do conhecimento torna-se inviável. Para concretiza-
ção da realidade projetada, a estrutura do curso deve ser expressa em um Projeto
Acadêmico.

O Projeto Acadêmico deve evidenciar a necessária articulação entre as concep-


ções gerais, os conteúdos curriculares e os diversos formatos pedagógicos (aulas pre-
letivas, laboratórios, oficinas, estudo orientado, trabalhos de conclusão de curso e ou-
tras atividades). Deve ainda prever e expor todas as características de estrutura e de
funcionamento do curso, os padrões e métodos para garantir a qualidade do curso.

No Projeto Acadêmico é preciso constar a estrutura de oferta que pode ser seria-
da anual, seriada semestral, por créditos ou módulos. Por exemplo, se a estrutura de
oferta for por créditos, o projeto deve prever a integração das várias disciplinas e ati-
vidades para evitar uma mera acumulação dispersa de créditos. Ou seja, ao final do
curso, o aluno somou disciplinas e não adquiriu conhecimentos necessários à sua for-
mação profissional e humanística. O mesmo cuidado e zelo deve ser dado à estrutura
de oferta seriada ou módulos.

O Projeto Acadêmico deve expressar o perfil do corpo docente que deseja, esta-
belecer a titulação mínima; definir o regime de trabalho (horista, integral); orientar e
estimular a capacitação didático-pedagógica, pós-graduação em níveis de especializa-
ção, mestrado e doutorado do professor; e organizar um plano de carreira profissio-
nal para os professores.

O Projeto Acadêmico deve prever e divulgar a dimensão, a diversidade de espe-


cialidades e a qualificação do corpo técnico-administrativo responsável pelas ativida-
des de apoio; o número, tamanho, sempre compatíveis com a quantidade de alunos e
docentes, das salas de aula e sala de professores; espaços físicos destinados às ativi-
dades de pesquisa e extensão; laboratórios voltados para as habilitações específicas,
42
levando em consideração os diferentes suportes tecnológicos necessários à prática;
produtos de uso laboratorial para formação prático-profissionalizante; um sistema de
dados englobando: biblioteca e hemeroteca, acervo com arquivo de som, imagens e
fotografias; as condições físicas de cada compartimento do prédio, assegurando os
níveis de claridade, ventilação, conforto e adequação à saúde coletiva.

O Projeto Acadêmico deve assegurar uma efetiva interação com a sociedade,


cumprindo sua responsabilidade de fornecer recursos humanos qualificados ao mer-
cado de trabalho e de aperfeiçoar o próprio funcionamento social através de suas
perspectivas inovadoras e críticas. Para isso se consolidar, é importante manter ativi-
dades regulares de extensão; a integração das atividades de formação com os veículos
e estruturas de serviço e produção de comunicação da própria instituição (jornal im-
presso, emissora de rádio e televisão, agências de notícias etc); promover e adequar o
curso às condições sócio-econômicas e culturais da região em que estiver localizado,
valorizando as habilitações frente às demandas sociais da região.

O Projeto Acadêmico deve prever ainda as linhas pertinentes aos procedimentos


de acompanhamento e avaliação. Para viabilizar o processo de qualidade da forma-
ção, é preciso descrever os instrumentos e processos que a própria instituição utiliza-
rá para corrigir problemas ou redirecionamento do curso, em busca do aperfeiçoa-
mento qualitativo; manter estreito contato com o mercado de trabalho com o objetivo
de observar seu funcionamento e encaminhar avaliações e propostas de melhoria da
qualidade de ensino; divulgar o seu projeto pedagógico no sentido de receber suges-
tões e críticas externas à escola que possam oferecer novos rumos ao curso; formar,
pelo voto direto, uma comissão representativa com participação de todos os setores
da escola; definir os parâmetros de auto-avaliação como estímulo didático-pedagógi-
co e político para o exercício da cidadania.

No Projeto Acadêmico deve constar também: Proposta Pedagógica, Corpo Do-


cente, Estruturas de Serviço e Infra-estrutura Material, Modos de Integração com a
sociedade e mercado de trabalho e procedimentos de acompanhamento e avaliação.

A Proposta Pedagógica envolve os conceitos e objetivos que dão organicidade ao


curso e demais indicadores que explicitem o projeto de formação. Para expor com
43
clareza a Proposta Pedagógica, alguns requisitos devem ser especificados. Entre eles
estão as disciplinas e atividades da Parte Geral para qualquer habilitação; as discipli-
nas de caráter obrigatório e optativo; a adequada integração teoria e prática para evi-
tar o exagero teórico ou prático; a abertura do currículo para incorporação de novas
disciplinas; o efetivo envolvimento de discentes em atividades curriculares de pesqui-
sa; projetos de pesquisa previstos como atividades curriculares; formas de distinção,
valorização e divulgação do Trabalho de Conclusão de Curso (com esta denominação
ou como Projetos Experimentais), caracterizando-o como conclusão da formação
profissional.64

2.10 Prazo para implantar laboratórios

A Resolução 2/84 do Conselho Federal da Educação (CFE) fixou o prazo de três


anos para implantar os laboratórios para a prática profissional durante o período de
aprendizagem jornalística. A medida governamental não foi colocada em prática pela
maioria das escolas de Jornalismo porque não oferecem ao aluno laboratórios em
condições de uso que satisfaçam a necessidade técnico-pedagógico. A confirmação
desta realidade é o resultado do processo de avaliação dos cursos de Jornalismo pro-
movido pelo MEC/Sesu em 1999. Boa parcela das escolas não dispunha de laborató-
rios para a prática jornalística, principalmente as federais. “Ninguém aprende a fazer
reportagem ou entrevista fora do caso concreto, por devaneio ou imaginação. E fa-
zendo-as, a rigor, ao vivo, delas não tirará fruto apreciável se as não vir publicadas”,
ensina Carlos Rizzini.65

A Resolução 2/84 determinou às escolas publicar no mínimo oito edições do


jornal-laboratório ao longo do ano letivo, com no mínimo oito páginas, em formato
tablóide ou standard e que corresponda às características do veículo jornalístico regi-
onal. Mesmo assim, a determinação do governo não é levada em consideração. Não
muitas as escolas que mantém um jornal-laboratório em atividade permanente e com
periodicidade regular. Entre elas, por exemplo, estão o Entrevista (UniSantos), Jor-
nal do Campus (ECA/USP) e Rudge Ramos Jornal (Umesp).

Estipulou também que a redação laboratorial deveria ter uma máquina de es-
crever para cada aluno, no máximo 45 alunos por redação, um ramal telefônico por
44
redação e um teletipo de agência de notícias. Requisitos que ainda prevalecem mas os
esquipamentos foram substituídos pelo computador e pela Internet.

Considerada uma das melhores faculdades de Jornalismo do Brasil, a Escola de


Comunicações e Artes (ECA/USP), fundada em 1967, serviu de exemplo para regis-
trar a precariedade da infra-estrutura laboratorial brasileira. Depois de 16 anos de
funcionamento, em 1983, o projeto laboratorial impresso foi colocado em prática, de-
nominado Jornal do Campus. “Nesse intervalo, o aprendizado prático das noções
teóricas de Jornalismo, disseminadas pelos professores, em sala de aula, se fez atra-
vés de um outro projeto laboratorial estruturado de forma alternativa: a Agência
Universitária de Notícias.”66

O aluno da ECA tem como atividade prática no 1º semestre do curso a produção


e difusão do Mural do Campus. Nos dois semestres seguintes, ele se integra à equipe
responsável pelo funcionamento da Agência Universitária de Notícias. Com noções
básicas do fazer jornalístico, o aluno tem no 4º e 5º semestres o Jornal do Campus.67

A escola de Jornalismo não pode permanecer a reboque do mercado. Na verda-


de, ela deve ser o espaço de criação, da inovação e o banco de idéias. Hoje ainda se
observa que há um descompasso entre a escola e a mídia. Enquanto a primeira não
consegue estimilar no aluno o processo jornalístico, a segunda continua atraindo
cada vez mais cedo o futuro jornalista. Esta falta de sintonia acaba prejudicando a
formação cultural e acadêmica do estudante que ao enfrentar o cotidiano de uma re-
dação, quase que exclusivamente participando da produção em massa, não tem tem-
po para reflexão. Por isso, foi implantado nos cursos de Comunicação Social o Projeto
Experimental (PE), de acordo com a Resolução do Conselho Federal de Educação
(CFE), número 3, de 12 de abril de 1978.

Mas num estudo feito entre abril e junho de 1997, Samantha Viana Castelo
Branco Rocha, mestranda em Jornalismo ECA/USP, trabalho apresentado na Inter-
com em Recife/98, conclui que a maioria das escolas desvaloriza a produção e pes-
quisa científica.68 O estudo teve como parâmetro três instituições: uma pública, uma
particular e outra confessional. As selecionadas foram a Faculdade de Comunicação
Social Cásper Líbero, Escola de Comunicações e Artes (ECA/USP) e Pontifícia Uni-
45
versidade Católica de Campinas (PUCCAMP). Duas estão localizadas na capital pau-
lista e outra no interior de São Paulo.

Uma das conclusões da autora é que as três escolas pesquisadas não cumpriram
as normas estabelecidas pela Resolução do CFE número 2/84, no tocante aos Proje-
tos Experimentais. “É necessário colocar que essa desobediência às normas do CFE é
decorrente da ausência de fiscalização criteriosa e contínua dos cursos de Jornalismo
pelo MEC, bem como da necessidade de atualização permanente dos currículos.”69
Ela também observou que a desinformação dos alunos do último ano é preocupante
quando comprova-se que não há, nas escolas, um compromisso de divulgação siste-
mática e esclarecimento das normas do CFE e das próprias instituições. Outra difi-
culdade, mas levantada pela professora Sonia Aguiar, cinco anos antes do trabalho de
Samantha, é a “falta de instrumental teórico para fundamentar as análises que os alu-
nos se propõem a fazer.”70

É preocupante porque a cidade de São Paulo concentra 6 cursos de Jornalismo,


já avaliados pelo Provão, formando anualmente mais 800 jornalistas, e é a região
mais rica e desenvolvida do Brasil. Só as Faculdades Integradas Alcântara Machado
(Fiam) formam anualmente entre 300 e 320 jornalistas.

O trabalho de Samantha sobre Projetos Experimentais aponta os problemas e


apresenta algumas sugestões e recomendações com o objetivo de melhorar a qualida-
de das pesquisas nas escolas de Jornalismo. Uma delas é a fiscalização criteriosa e
contínua das condições laboratoriais e recursos técnicos dos cursos de Jornalismo
pelo MEC. Uma outra é a reciclagem permanente do corpo docente.

As direções das escolas, principalmente as particulares, ainda estão atreladas


aos antigos conceitos de formação profissional e de baixo custo operacional. A im-
plantação dos Projetos Experimentais, com certeza, exige investimentos e requer pro-
fessores titulados. O resultado do Programa de Avaliação das Condições de Oferta
dos Cursos de Jornalismo, versão 1999, organizado pelo MEC, do qual participei,
confirma as deficiências das faculdades.
46

2.11 Processo ensino-aprendizagem

Eduardo Medistch, professor da Universidade Federal de Santa Catarina, obser-


va que “o homem não deve apenas ser colocado como o sujeito de seu ato de conheci-
mento, mas deste como momento da transformação do mundo”.71 Na verdade, o que
também ocorre é que o ato de conhecimento é o momento de transformação do
aprendiz. Ou seja, é a atividade prática exercida pelo futuro jornalista na academia.
Ou melhor, neste caso específico, o ensino e aprendizado se integram e formam as
atividades educativa e produtiva. É o pensar e o fazer.

O sentido do processo ensino-aprendizagem é a construção, modificação, orga-


nização, utilizados pelo aluno para analisar e interpretar o conhecimento acadêmico.
“A vida universitária caracteriza-se pela descoberta, recepção, manuseio, introjeção e
assimilação de informações novas, que possibilitam o desenvolvimento intelectual do
indivíduo e oferecem recursos para o domínio – mesmo que parcial – de uma ou
mais áreas do conhecimento.”72 Neste processo, destacam-se e se interagem, o aluno
e o professor, cada um cumprindo o seu papel. E a disciplina? Ela é “um componente
da estrutura curricular. Sua função é tratar com especificidade um determinado
tema, corroborando o processo ensino-aprendizagem e pautando a ação do
docente.”73 Na verdade, é na aula ou numa redação laboratorial que o professor expõe
ao futuro jornalista uma visão mais completa possível de uma área do conhecimento.
“O espaço compreende a relação pedagógica no processo educacional, portanto é físi-
co, é intelectual, é cultural, é ideológico, é emocional, é conteudista, é sistêmico, é co-
municativo.”74 Enfim, é o processo ensino-aprendizagem, cuja ação teórica e prática
deve apontar uma formação acadêmico-profissional consciente e consistente.

A aprendizagem significativa e participativa depende de uma motivação. Isto é,


o futuro jornalista precisa tomar para si a vontade de aprender e colocar em prática o
conhecimento recebido ao longo do curso. Para oferecer condições favoráveis ao pro-
cesso ensino-aprendizagem e que ele se manifeste e prevaleça “é necessário que o
professor proponha situações didáticas com objetivos e determinações claros, para
que o aluno possa tomar decisões pensadas sobre o encaminhamento das suas ativi-
dades acadêmicas”.75
47
Não se deve acreditar que a ausência de erros na produção jornalística na escola
é a manifestação do aprendizado e que a experiência foi um sucesso porque o aluno
se mostrou eficiente ao repassar o conhecimento, mas sem interpretá-lo. Assim não
ocorre o momento da transformação. “A superação do erro é resultado do processo
de incorporação de novas idéias e de transformação das anteriores, de maneira a dar
conta das contradições que se apresentam ao sujeito para que ele possa alcançar ní-
veis superiores de conhecimento.”76

Agora, para que se estabeleça caminhos de mão-dupla entre a ação e reflexão


que também compõem o processo ensino-aprendizagem, principalmente porque
aprender é uma dura tarefa, na qual se convive o tempo inteiro com o que não é co-
nhecido, é importante que exista uma relação de confiança e respeito mútuo entre
professor e aluno. “Se, ao contrário, for uma experiência de fracasso, o ato de apren-
der tenderá a se transformar em ameaça, e a ousadia necessária se transformará em
medo e ocorrerá a manifestação de desinteresse.”77

A viabilidade do processo ensino-aprendizagem não se resume ao esforço con-


centrado do aluno, da oralidade e organização do professor, dos recursos didático-pe-
dagógicos, de bons laboratórios, se não houver um projeto educacional que valorize e
contemple a interdisciplinariedade. Já os projetos práticos, além de um incentivo ao
aluno, são uma peça importante no processo ensino-aprendizagem. Às vezes, podem
transmitir muito mais do que uma aula puramente expositiva. O prático torna o
aprendizado mais efetivo e o contato com o aluno é individualizado.

Mesmo com a implantação da LDB, a maioria dos professores de escolas parti-


culares ainda é horista. Um exemplo são as Faculdades Integradas Alcântara Macha-
do (Fiam) da qual fui coordenador do curso de Jornalismo de 1998 a 1999. Em qua-
tro anos, de 1996 a 1999, período em que fui professor responsável pelo jornal-labo-
ratório, a escola formou aproximadamente 1200 jornalistas. Todos os professores do
Departamento de Jornalismo eram e continuam sendo horistas e alguns com outras
atividades como primeira instância, sem ser a academia.

Se o MEC, ou qualquer outra entidade acadêmica não fizer um acompanhamen-


to corpo-a-corpo, dificilmente o inciso 3 do artigo 52, que determina que 1/3 do cor-
48
po docente deveria estar em regime de tempo integral, e muito menos o inciso 2 que
recomenda 1/3 do corpo docente, pelo menos, com titulação acadêmica de mestrado
ou doutorado serão cumpridos. Independente da LDB, os donos de escolas não deve-
riam pagar o professor por hora-aula. É um mecanismo que não exige do professor
uma responsabilidade fora da sala de aula. O professor se sente desvalorizado e não
se entusiasma em estudar e desenvolver projeto de pesquisa individual ou que envol-
va alunos. A iniciação científica nunca acontece, principalmente quando o professor
horista tem uma outra fonte de renda, sem ser a escola. “A primeira constatação é de
que os professores de Jornalismo não encaram o ensino como atividade econômica-
prioritária. Devido à baixa remuneração que propiciam e as escassas recompensas
que oferecem, os cursos de Jornalismo têm sofrido o assédio de biscateiros, isto é, de
pessoas que, em troca de salários aviltantes, se dispõem a preencher as lacunas nos
horários, ministrando quaisquer disciplinas.”78

Na avaliação do professor Wilson da Costa Bueno, ECA/USP, em um texto de


1978, o docente em regime de hora-aula nada faz a não ser ministrar aulas. Diante
deste quadro que continua atual em muitas escolas particulares, o resultado é o indi-
vidualismo. Ou seja, cada um faz o seu papel, reduz a interdisciplinariedade a zero e
esvazia a integração com outros colegas. Outra deficiência apontada por Wilson da
Costa Bueno é o despreparo do professor que, segundo ele, não tem condições de
auto-financiar o seu aperfeiçoamento e a escola não dispõe de verba para pagar mais
do que o tempo em que o professor permanece na sala de aula.79

Independente da dedicação do professor ou do tempo disponível ao processo


ensino-aprendizagem, o seu esforço não pode ser medido pelo número de horas-aula.
“Ele precisa estudar e preparar conteúdos, elaborar materiais, corrigir trabalhos.
Além disso, o magistério exige do professor um constante aperfeiçoamento, a compra
de livros e periódicos diversos, participação em encontros e promoções culturais que
representam custos financeiros e disponibilidade de tempo”, observa Iára de Almeida
Bendati.80 Diante deste quadro, o professor é obrigado a se desdobrar para manter a
qualidade das aulas.

Outro empecilho é que a maioria das disciplinas profissionalizantes ainda são


ministradas por jornalistas que atuavam em redações. Esse fenômeno trouxe alguns
49
problemas à formação de jornalista. Como ganhava muito mais como jornalista, o es-
forço profissional se concentrava na produção jornalística em detrimento da vida
acadêmica. Por outro lado, sem uma estrutura bibliográfica e desvinculado da pes-
quisa científica, o professor da disciplina técnica, recrutado no meio profissional, não
conseguia ir além da transmissão de sua própria experiência. Sonia Aguiar aponta
que este profissional se comporta como chefe de reportagem irado ou como editor
autoritário e cheio de técnica jornalística. Segundo Sonia, este jornalista-professor
propõe uma pauta “para a próxima aula e depois devolve o texto todo rabiscado, di-
zendo iradamente que está uma porcaria, sem explicar por quê”.81

Ele é um profissional do jornalismo e não do magistério, consequentemente não


tem compromisso com os ideais da categoria e muito menos com o aperfeiçoamento
didático-pedagógico. “O professor de Jornalismo precisa ser um pesquisador do pro-
cesso ensino-aprendizagem, pois o campo de conhecimento que pretende transmitir
envolve problemas de pedagogia que só ele próprio, através da experiência, do estudo
e da reflexão poderá resolver. Jornalismo é criatividade, ou seja, solução de situações
não programadas, que exigem, de cada vez, respostas particulares.”82

É público que a graduação representa o início da acumulação de conhecimentos


especializados e de reflexão teórica. Eles só serão consolidados pelo exercício profis-
sional ou pelo aprofundamento dos estudos. Formalmente serão legitimados com a
conclusão de uma tese de doutorado.83

Anualmente mais de cinco mil novos jornalistas saem dos cursos. São 97 escolas
no território brasileiro que têm alunos no último ano de Jornalismo, dados do Provão
2000. E ainda são mais de 10 cursos que não têm alunos no último ano. A maioria
dos alunos que chega ao ensino de Jornalismo tem dificuldades variadas, entre elas, a
falta do hábito de leitura. “Ele foi habituado a reagir a estímulos que conduzem sua
ação a assinalar com cruzadinhas uma resposta convincente, sem percorrer os cami-
nhos necessários à aprendizagem.”84 O ideal seria o aluno com conhecimentos e habi-
lidades que permitissem o seu preparo específico para o jornalismo.

Segundo Iára de Almeida Bendati, o aluno é dominado pela crença de que a es-
cola tudo deve e ele nada precisa dar em troca. “Ele está disposto a receber idéias
50
prontas, com ampla margem de visibilidade de uso imediato. Ele desgasta seu entusi-
asmo inicial pela coisa nova.”85 Ela cita também que o aluno se sente desmotivado
pela disciplina teórica que não esteja diretamente vinculada à sua formação profissio-
nal. Revoltado com a realidade acadêmica e rebelde com a metodologia de ensino, o
futuro jornalista se convence de que a prática não está fundamentada na teoria. “Ide-
alista, romântico, ele prefere minguar na vivência cotidiana, apático ou rebelde, se-
mestre a semestre, até conseguir – e sempre consegue – o seu diploma.”86 O aluno
não admite a importância do seu papel no sucesso do processo ensino-aprendizagem
e transfere para a escola, professor, currículo e até mesmo à sociedade, os motivos de
suas ineficiências.

O aluno tem de ser atuante, dinâmico, resistente às barreiras da profissão. Mas


não é isso que acontece na realidade. Há uma outra face que preocupa os professores
empenhados na capacidade reflexiva e técnica do jornalista: a visão dos profissionais
do mercado. “O que é grave é a falta de memória e de informação geral. Por aqui pas-
saram pessoas que não sabiam o que foi o AI-5”, espanta-se Fernando Molina, da Fo-
lha de S. Paulo, no Rio.87 Evaldo Costa, do Jornal do Commercio, de Recife, aponta
“a falta de clareza nos textos e os erros ortográficos.”88

O professor Bernardo Kucinsky, ECA/USP, diz que a escola não pode preparar o
aluno somente para o mercado e nem criticá-lo. “Nós devemos criar um aluno que es-
tabeleça o que eu chamo de um conflito produtivo com o mercado, isto é, se ele não
aceita o mercado como é, deve ter condições para mudá-lo.” 89 Para o professor José
Marques de Melo, o aluno que desejar ter uma formação mais abrangente deveria fa-
zer mais cursos fora da escola de Jornalismo. “Se ele quer ser repórter político, por
que não fazer um curso de política na Faculdade de Ciências Sociais?”90

Diante da impasse e a crise constante das escolas de Jornalismo e com a preten-


são de “moldar” o futuro jornalista ou o recém-formado à realidade empresarial, os
principais jornais brasileiros criaram cursos complementares. Entre eles estão o jor-
nal O Estado de S. Paulo que criou o Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado e seu
coordenador Francisco Ornellas reconhece que é preciso propor alternativas e não
apenas combater a qualidade da escola.91 Nesta mesma linha e aberto aos jornalistas
da casa, o jornal gaúcho Zero Hora tem o seu curso de jornalismo aplicado.92 A Edi-
51
tora Abril mantém o Curso Abril de Extensão em Jornalismo e a Folha de S. Paulo
tem o projeto Trainee.

2.12 Provão e qualidade

O Ministério da Educação e Desporto (MEC) com o objetivo de certificar o que o


aluno aprendeu e verificar a qualidade da biblioteca, dos professores, laboratórios e
equipamentos e projeto pedagógico criou o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino
Superior e, implantou, em 1996, o Exame Nacional de Cursos, o Provão. “O Provão
oferece um indicador importante sobre a formação do aluno. Mas, para avaliar com
precisão a universidade, usamos outros instrumentos compatíveis com o grande nú-
mero de atividades desenvolvidas por ela”, comenta o secretário de Ensino Superior
do MEC, Abílio Baeta Neves.93

Em 1998, as escolas de Jornalismo também participaram do Provão. O objetivo


era oferecer subsídios para a melhoria de qualidade dos cursos de graduação em Jor-
nalismo no Brasil, mas a iniciativa do MEC gerou polêmica e protestos de alunos con-
trários ao critério de avaliação. Acreditando na validade do Provão no sentido de ele-
var a qualidade do ensino superior brasileiro, o ministro da Educação, Paulo Renato,
faz a seguinte análise: “Independente da profissão, todo cidadão precisa ter um nível
geral de conhecimento e condições para ampliar seus horizontes, seu campo de ação
na nova concepção mundial do exercício profissional.”94

O Provão tem como características forçar as escolas e reavaliar o currículo. Nes-


te aspecto, o professor de Jornalismo da Universidade Federal do Espírito Santo, Vic-
tor Gentilli, afirma que a “esquizofrenia dos cursos terá que ser quebrada na
marra”.95 Ele argumenta que as escolas ensinam teoria da comunicação e não de jor-
nalismo. Sendo avaliada regularmente, segundo Victor Gentilli, “a universidade não
perde sua função essencial: a crítica”.96

O coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Uni-


camp (Labjor), Carlos Vogt, entende que o Provão propicia ao futuro jornalista cená-
rios favoráveis para reflexão crítica e a uma revisão e qualificação dos cursos de Jor-
nalismo, mas faz um alerta: “Isso é bom, porque cria o hábito da avaliação contínua e
52
sistemática do nosso ensino superior; pode ser ruim se, desaparecendo a novidade,
restar apenas a rotina de mais uma prova que, embora em ão, fique confinada so-
mente ao exercício anual de um teste de capacidade profissional sem agregar outras
modalidades mais amplas de avaliação institucional.”97

O jornalista e coordenador do Curso Intensivo de Jornalismo Aplicado de O Es-


tado de S. Paulo, Francisco Ornellas, alega que o ministro Paulo Renato tem outros
métodos de avaliação. Ele cita exemplos inglês, francês, alemão, onde não há exigên-
cia para o exercício da profissão e os sindicatos da categoria mantém programas de
treinamento. Segundo Ornellas, nada impediu que o número de detentores de diplo-
ma de Jornalismo crescesse nos últimos 30 anos.98

Na mesma linha de raciocínio de Ornellas está Luiz Paulo Horta, coordenador


de treinamento do jornal O Globo. Ele lembra que a Oxford, universidade inglesa, e
Harvard, universidade americana, não construíram os seus prestígios por acaso e,
por isso, fazem o próprio controle de qualidade. “O problema, aqui, é um pouco mais
complicado, a partir da definição (se é que existe) do que seja um bom ensino de jor-
nalismo…Não se consegue ver muito bem, examinando os currículos, em que é que
um desses cursos se diferencia do outro; em que é que eles se habilitam, realmente, a
oferecer profissionais bem formados.”99 Luiz Paulo Horta diz que é preciso estabele-
cer padrões mínimos de qualidade.

Para o professor da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Elson Faxina, o


Provão trouxe a preocupação com a qualidade de ensino nas universidades. “Antes,
elas eram uma grande caixa fechada, um verdadeiro feudo, que agora passa a ser ex-
posto ao público.”100 Nilson Lage, professor da Universidade Federal de Santa Catari-
na e membro da comissão de Jornalismo que estabeleceu parâmetros e diretrizes
para a prova de Jornalismo, é céptico quanto ao Provão como salvador do ensino de
Jornalismo. “Definiria o Provão como um sistema de avaliação que só terá sentido se
complementado com outros critérios, como a titulação de professores, contratação
com tempo corrido, instalação de laboratórios e autonomia acadêmica.”101

Já o também professor da Universidade Federal de Santa Catarina, Eduardo


Meditsch, opõe-se ao Provão como instrumento de avaliação dos cursos de Jornalis-
53
mo. No seu entender, a categoria dos jornalistas, os empregadores e a sociedade civil
deveriam ser os avaliadores porque têm independência e real interesse na qualidade
da formação profissional. “A avaliação pode ser um instrumento extraordinário para
a melhoria deste ensino, mas também pode ser apenas um argumento falacioso para
o partido eventualmente no poder impor o seu programa de governo à sociedade. Vai
depender da grandeza e da competência de quem a conduzir.”102

O coordenador geral da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação So-


cial (Enecos), Vitor Fraga, diz que é preciso fazer uma discussão ampla do papel do
ensino de comunicação, dos projetos pedagógicos dos cursos, que, segundo ele, mui-
tos deles são apenas um amontoado de disciplinas desconexas. “Não adianta fazer
um ranking das escolas e continuar permitindo a abertura indiscriminada de cursos
que desde o início não têm a menor condição de estar funcionando.”103 Vitor Fraga
afirma ainda que a entidade quer é uma avaliação permanente e que respeite as dife-
renças regionais.

2.13 Condições de Oferta

Visando diagnosticar a qualificação do corpo docente, organização didático-pe-


dagógico e instalações dos cursos de Jornalismo, a Secretaria de Educação Superior
(Sesu/MEC) implantou o programa de Avaliação das Condições de Oferta. A primeira
avaliação ocorreu entre outubro e novembro de 1999 e fevereiro de 2000. A segunda
estava prevista para o segundo semestre de 2001. Professores de Jornalismo de vári-
as escolas foram os avaliadores. Convidados da Sesu, eles foram treinados para o
exercício de avaliador. A comissão era formada por dois docentes que não pertenciam
à escola que seria avaliada e, na maioria das vezes, não eram da mesma cidade ou Es-
tado.

Em 1999 foram avaliadas 86 escolas de Jornalismo e em 2000 três, mas não fo-
ram computadas no relatório final da Sesu de 25 de janeiro de 2001. O conjunto de
resultados, fruto de uma investigação feita por comissões de professores, não é plau-
sível com as propostas de Diretrizes Curriculares e a maioria das escolas não atendeu
às determinações da Resolução 2/84 que pede, por exemplo, laboratórios equipados
para a produção e difusão de veículos laboratoriais. O três quadros apresentados nes-
54
te tópico (Organização Didático-Pedagógica, Corpo Docente e Instalações) compro-
vam que o ensino de Jornalismo no Brasil nunca recebeu a merecida atenção por par-
te do governo e muito menos pelos donos das escolas.

O que chama mais atenção dos três quadros são os números do quadro estatísti-
co Instalações. 70.9% das escolas tiraram Condições Insuficientes (CI); e 63.4% das
escolas particulares (52) não tinham instalações ou não eram adequadas ao curso de
Jornalismo. É preocupante porque não há teoria sem prática. Em verdade, o aluno
ganha conhecimento mas não o transforma em prática num veículo laboratorial. Ne-
nhuma escola tirou nota Condições Muito Boas (CMB) nesse item. O que deveria ser
uma obrigação passou a ser uma virtude. Os requisitos que compõem as Instalações
são pertinentes ao projeto acadêmico e ao exercício de Jornalismo: número e adequa-
ção de salas de aula, ventilação, iluminação, equipamentos didáticos, acesso e acústi-
ca, salas para professores, um computador por aluno em sala para disciplinas técni-
cas, estúdio de rádio e televisão, biblioteca, acesso à Internet e outros.

Os números da Organização Didático-Pedagógica também não são animadores.


42 escolas tiram nota CI, representando 48.8% do total. Índice alto se considerarmos
os itens observados: grade curricular, interdisciplinaridade, integração entre teoria e
prática, disciplinas teóricas vinculadas ao Jornalismo, correspondência do currículo
às habilidades e ao perfil profissional, núcleo de apoio, fomento e acompanhamento
da pesquisa, mínimo de 10% dos professores envolvidos em projetos de pesquisa,
produção científica e técnica, produtos jornalísticos gráficos de circulação periódica.
A única escola particular com CMB foi uma confessional: Pontifícia Universidade Ca-
tólica de Campinas.

Já o Corpo Docente está mais homogêneo. Há um equilíbrio entre as escolas,


prevalecendo as Condições Boas (CB), representando 44.1% do total. O professor foi
avaliado obedecendo às seguintes qualificações: dedicação ao curso, titulação acadê-
mica de disciplinas não técnicas e disciplinas técnicas (stricto sensu), formação espe-
cífica, disciplinas ministradas em pós-graduação, produção científica, especialização
completa, critérios para progressão do docente, qualificação e regime de trabalho do
coordenador do curso de Jornalismo, atividade acadêmica extra-classe, programa de
55
capacitação do docente, experiência profissional como jornalista, produção jornalísti-
ca, experiência de magistério superior e relação média aluno/docente.

Os dados e números deste tópico foram retirados do site www.inep.gov.br.

Organização Didático-Pedagógica

CMB CB CR CI SC Total
Federal 2 5 4 13 0 24
Estadual 0 1 2 3 1 7
Municipal 0 1 2 0 0 3
Privada 1* 13 12 26 0 52
Total 3 20 20 42 1 86

Corpo Docente

CMB CB CR CI SC Total
Federal 4 15 2 3 0 24
Estadual 1 3 1 1 1 7
Municipal 0 2 1 0 0 3
Privada 2 18 22 10 0 52
Total 7 38 26 14 1 86

Instalações

CMB CB CR CI SC Total
Federal 0 1 1 22 0 24
Estadual 0 1 1 4 1 7
Municipal 0 1 0 2 0 3
Privada 0 10 9 33 0 52
Total 0 13 11 61 1 86

Legenda: Condições Muito Boas (CMB), Condições Boas (CB), Condições Regulares (CR),
Condições Insuficientes (CI) e Sem Conceito (SC)

* Escola confessional

2.14 Escola Itinerante da Fenaj

Com a proposta de colaborar também com a melhoria da qualidade do ensino


de Jornalismo e propiciar ao jornalista profissional um aprofundamento teórico de
sua prática e a sua reciclagem, a Secretaria de Formação da Federação Nacional dos
Jornalistas (Fenaj) criou a Escola Itinerante de Jornalismo. O curso é aplicado em es-
56
tados ou cidades onde não têm escola de Jornalismo. “Teoricamente a proposta da
Escola é a de desenvolver uma metodologia de trabalho que possibilite ao jornalista
assumir-se como sujeito de sua formação, estabelecendo uma relação direta entre a
teoria e prática, bem como uma reflexão do seu papel enquanto profissional e cida-
dão.”104

De novembro a dezembro de 1997, foram ministrados quatro cursos nos Esta-


dos do Acre, Rondônia, Amapá e Tocantins, todos na região Norte do País. Eles fo-
ram escolhidos porque não tinham escola de Jornalismo. Cada curso teve três módu-
los e cada um durou uma semana. No primeiro foram apresentadas e discutidas a
principais correntes da Teoria da Comunicação, as novas tendências do jornalismo e
oficinas de texto. No segundo os participantes discutiram os conceitos sobre os meios
de comunicação de massa e as peculiaridades; desafios e limitações do jornalismo
impresso foram transformados em pauta do dia. O último módulo foi sobre as novas
tecnologias, novas mídias, novas rede de informação e suas influências no exercício
profissional do jornalista. “Dessa forma, além da qualificação profissional propria-
mente dita e apontada como uma demanda da categoria, a Escola tem como objetivo
provocar as universidades locais para a reflexão sobre a formação profissional do jor-
nalista, a partir da perspectiva de um compromisso essencial com a sociedade”, disse
a professora Rosa Maria Cardoso Dalla Costa que ministrou aulas em Rio Branco
(AC) e Porto Velho (RO).105

Para realização do curso são feitos convênios com sindicatos da categoria de jor-
nalistas, universidades, empresas de comunicação.

2.15 Mercado seletivo

O avanço tecnológico, o crescimento da mão-de-obra qualificada, o índice de


oferta inferior ao número de profissionais que deixam anualmente as escolas, são in-
dicadores que tornam o mercado aberto a uma renovação constante mas também
mais seletivo e exigente. O que caracteriza que a disputa por uma vaga em uma reda-
ção é bem mais acirrada do que há 20 anos, quando o Brasil se sustentava numa polí-
tica informativa controlada pelo o Estado. Um outro fator que contribui para a escas-
sez de vagas foi a informatização das redações, embora a quantidade de jornais seja
57
superior aos anos 80. O computador ajudou na agilidade da produção e difusão do
jornal mas extinguiu funções e cargos, como também diminuiu o número de repórte-
res na redação porque a Internet facilitou o levantamento de dados e tornou a comu-
nicação mais ágil e eficiente.

Então, beneficiado pela abundância de jornalistas, o mercado ficou restrito à


mão-de-obra especializada e qualificada, principalmente nos grandes centros urba-
nos. É o mercado que vai testar o conhecimento e capacidade adquirida pelo recém-
formado na academia. “E esse mercado não é o mar de rosas esperado e a competição
torna-se acirrada, ainda mais para o jovem que, além da falta de experiência, tem
contra toda uma série de características como o despreparo psicológico e a urgência
em se sentir atuante, a qualquer preço.”106

Outro complicador na vida do recém-formado é que o mercado, em alguns ca-


sos, privilegia a quantidade e não a qualidade porque o custo é menor. Receita que é
muito bem aplicada em jornais de bairros das metrópoles, em jornais do interior dos
principais estados e em jornais controlados por políticos e empresários de estados do
Norte e Nordeste brasileiro. Este termômetro salarial desqualificado serve para des-
prestigiar a função que a escola de Jornalismo exerce na formação do profissional.

A Associação Nacional de Jornais (ANJ) listou em 1997, 400 jornais diários e


892 com periodicidade variada. Já a Associação Nacional de Editores de Revistas
(Aner) catalogou mais de 300 títulos, distribuídos em 39 editoras (a Abril com 57, e a
Globo com 41, dominam o mercado). Há cerca de 150 gêneros. Só as dirigidas ao pú-
blico feminino são 57 títulos. É o segmento que apresenta maior crescimento nos últi-
mos cinco anos.107

Dados de 1997, os mais atualizados, da Secretaria de Políticas de Emprego e Sa-


lário (SPES), do Ministério do Trabalho, registram que existem 19.473 jornalistas na
ativa. Deste total 7.753 estão nas redações de jornais, 6.115 nos setores extra-redação
(para o Ministério do Trabalho são profissionais que trabalham em assessorias de
Imprensa), 1.030 em revistas, 523 em agências de notícias, 1.335 em emissoras de rá-
dio e 2.717 em televisão. Um terço dos jornalistas trabalha nas assessorias de Impren-
58
sa. E 30,06% dos jornalistas com carteira assinada trabalham no Estado de São Pau-
lo, representando 5.853 profissionais.

Já em Brasília, 70% dos jornalistas trabalham em assessorias. O que é normal


pela peculiaridade da capital brasileira. No Rio, por exemplo, de acordo com dados
de 1997 do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio de Janeiro, dos cinco mil
associados 3 mil são assessores de Imprensa.108

Observa-se que a criação de escolas de Jornalismo indiscriminadamente e as


constantes mudanças na grade curricular contribuíram para a descaracterização da
formação do aluno. Por outro lado, trouxeram vantagem financeira para os donos das
escolas particulares. “A possibilidade de reunir-se um número elevado de alunos, de
diferentes habilitações numa mesma classe e ter à frente um único professor, acabou
por se tornar uma prática cultuada em grande parte das escolas de Comunicação So-
cial, até os nossos dias”, disse Maria Elisabete Laurenti. 109 Os prejudicados são o pro-
fessorado e o alunado. O primeiro porque acaba não atendendo o futuro jornalista
com a devida e merecida atenção e não faz um trabalho coletivo como é o Jornalismo.
O segundo, que mantém a escola pagando a mensalidade, deixa de aplicar o domínio
de linguagens específicas da profissão. Ou seja, a teoria e a prática não interagem no
exercício acadêmico.

Desde o funcionamento do primeiro curso de Jornalismo, as mudanças sugeri-


das, os estudos realizados, todo o esforço despendido para a formulação de uma pro-
posta aceitável e viável às características tupiniquins, vem sendo mais infrutíferos do
que frutíferos. Cada vez mais o governo adota medidas paliativas na condução do
problema crônico que é formular um currículo transparente e possível de realização.
“E enquanto não vencemos as dificuldades encontradas, representantes de outras
áreas chegam a lançar idéias sobre a eliminação das faculdades de Comunicação, que
passariam a se constituir em extensões ou cursos de especialização, onde os gradua-
dos seriam transformados em comunicadores”, preocupa-se Iára de Almeida Benda-
ti.110

Este impasse acaba gerando uma instabilidade acadêmica e desconfiança no


mercado, principalmente porque o currículo não é estável e muito menos a escola é
59
capaz ou está em condições de receber e atender o aluno despreparado para a vida
acadêmica.

Mas é difícil prever qual é o curso de Jornalismo ideal ou o mais equilibrado se


continuar a massificação no preparo profissional com escolas que aumentam o nú-
mero de vagas sem ser dotadas de equipamentos, laboratórios, professores titulados.
Neste turbilhão de indefinições, existe uma corrente que defende capacitar o aluno ao
domínio das técnicas das mensagens jornalísticas, outra é favorável a formar profissi-
onal vinculado ao aspecto científico e com conhecimento humanístico. “E, para isso,
o estudante deverá aprender a conviver com o pensamento teórico, estabelecendo as
relações interdisciplinares, que estão na raiz de todo o fato social. Que seja capaz de
perceber e de especular sobre acontecimentos aparentemente banais, mas que não
são resultado do acaso e que, portanto, merecem um tratamento menos displicente
do que em geral recebem”, comenta Iára de Almeida Bendati.111

Os pioneiros cursos de Jornalismo, ao contrário dos Estados Unidos e Europa,


funcionavam como instâncias de faculdades o que gerou a ausência de tradição inter-
disciplinar. “Isso inviabilizou a circulação dos estudantes pelas áreas conexas, estrei-
tando a grade curricular em função das disponibilidades existentes”, lembra José
Marques de Melo.112

Sendo um apêndice das faculdades de Filosofia, os cursos de Jornalismo fica-


ram relegados a segundo plano até 1962 quando o Conselho Federal de Educação
aprovou o Parecer 323, criando o currículo mínimo, ou seja, ganharam autonomia.113
Este período de dependência administrativa provocou a dicotomia teoria versus prá-
tica. Para dificultar mais o ensino de Jornalismo, as disciplinas eram ministradas por
professores de Direito, Filosofia, Sociologia e por alguns profissionais do mercado.
Eram poucos os professores de Jornalismo. Talvez esta seja uma das razões da atual
situação do ensino de Jornalismo: qual é o seu papel? qual é o seu caminho? “A fun-
ção da universidade (escola de Jornalismo) não é servir aos empresários de comuni-
cação e sim formar cidadãos capazes de ter uma ampla e crítica visão do mundo”, res-
ponde o professor Sérgio Capareli.114
60
Na mesma linha de raciocínio está a professora Sonia Aguiar quando diz que
cabe à escola “fornecer aos futuros jornalistas a base de conhecimentos necessária à
compreensão da realidade brasileira, à avaliação das informações que irão transmitir
e ao conhecimento das diferentes formas de tratamento dos fatos”.115

É inegável que existe há anos a divergência entre mercado e escola. O MEC,


controlador e administrador dos cursos de Jornalismo, na tentativa de evitar um caos
maior na formação de jornalistas, adotou medidas que iam na contra-mão de um cur-
so voltado ao campo do saber e do conhecimento. Em contrapartida, os donos das es-
colas particulares, o principal alvo das críticas, ficaram à espera de uma decisão go-
vernamental, às vezes, por omissão ou para não se comprometeram. Já o mercado,
cada vez mais exigente, se articulou e criou programas de treinamento e aperfeiçoa-
mento para peneirar os melhores graduandos ou recém-formados. “Reconhecemos
que temos problemas e que eles devem ser superados através do diálogo universida-
de-escola”, propõe José Marques Melo.116

Quanto ao currículo, o professor José Marques de Melo entende que ele deva
atender às necessidades local e regional em que os cursos estão situados. Ele justifica
dizendo que é na cidade onde fica o curso que os futuros jornalistas vão buscar o pri-
meiro emprego. José Marques de Melo, porém, faz um alerta aos professores que
precisam manter-se sintonizados com “as tendências nacionais/globais, desprovinci-
anizando a formação profissional, inclusive porque é legítima a aspiração dos jovens
profissionais em galgar postos de trabalho nas empresas que encabeçam as redes mi-
diáticas às quais estão vinculados os meios locais/regionais”.117 O professor propõe
que a escola faça um currículo cujo universo é a comunidade em que está localizada
mas sem se afastar do Jornalismo universal e das inovações tecnológicas, das trans-
formações sociais e mudanças econômicas. Ele adverte ainda que os cursos não preci-
sam ter longa duração. “Da mesma forma, convém pensar em estratégias de interco-
nexão entre graduação e pós-graduação, entre graduação e extensão, eliminando obs-
táculos pedagogicamente inconsistentes.”118
61

2.16 Notas e referências bibliográficas

1.NUZZI, Erasmo de Freitas. In: Revista acadêmica do programa de pós-graduação


da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. São Paulo, Cásper Líbero,
ano 1, página 8, 1998.

2.RAMADAN, Nancy Nuyen Ali. In: Revista acadêmica do programa de pós-gradu-


ação da Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero. São Paulo, Cásper Lí-
bero, ano 1, página 4, 1998.

3.GENTILI, Victor. Observatório da imprensa – jornal dos debates. São Paulo, 20 de


fevereiro de 1998, página 4.

4.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cria-


ção da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

5.MELO, José Marques de. O ensino de jornalismo no Brasil. In: O ensino de Jorna-
lismo: documentos da 4ª Semana de Estudos de Jornalismo. São Paulo,
ECA/USP, 1972

6.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cria-


ção da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

7.Cadernos de Jornalismo nº 3. A queixa dos nossos professores: alunos, salários e


maus colegas. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Ale-
gre, setembro/78.

8.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cria-


ção da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

9.SILVA, Luís Custódio da. Órgãos laboratoriais: da resistência aos novos caminhos
experimentais. In: Ensino de comunicação no Brasil: impasses e desafios. (org.)
José Marques de Melo. São Paulo, ECA/USP, 1987.

10.BELTRÃO, Luiz. Estrutura curricular dos cursos de jornalismo no Brasil. In: O


Ensino de Jornalismo: documentos da 4ª Semana de estudos de Jornalismo. São
Paulo, ECA/USP, 1972.

11.LINS DA SILVA, Carlos Eduardo. A Política educacional brasileira e os currículos


de comunicação. In: Ideologia e poder no ensino de comunicação. São Paulo, Cor-
tez e Moraes, 1979.

12.MELO, José Marques de. Poder, universidade e escolas de comunicação. In: Ideo-
logia e poder no ensino de comunicação. São Paulo, Cortez e Moraes, 1979.

13.Boletim da Intercom nº37. A grande polêmica do ensino de comunicação. São


Paulo, Intercom, maio/junho de 1982.
62
14.LAGE, Nilson. Pela formação universitária específica dos jornalistas. Palestra mi-
nistrada no 2º Encontro Latino-americano de Professores de Jornalismo, realiza-
do em São Paulo na Cásper Líbero, em agosto de 1999.

15.Agência Facos. Juíza decreta fim da exigência do diploma de jornalismo. Santos,


Unisantos, edição 27, de 2 de novembro de 2001.

16.Agência Facos. Juíza decreta fim da exigência do diploma de jornalismo. Santos,


Unisantos, edição 27, de 2 de novembro de 2001.

17.Agência Facos. Sindicato repudia decisão e promete ir à Justiça. Santos, Unisan-


tos, edição 27, de 2 de novembro de 2001.

18.RIZZINI, Carlos. O ensino do jornalismo. Rio de Janeiro, Departamento de Im-


prensa Nacional, 1953.

19.MEDINA, Sinval Freitas. O Ensino de Jornalismo: revisão crítica. In: Cadernos de


Jornalismo e Editoração, nº8. São Paulo, ECA/USP, junho de 1972.

20.http://www.estado.com.br/jornal/96/10/07/SIPAO7.HTM. 06/04/98.

21.Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

22.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

23.RIZZINI, Carlos. O ensino do jornalismo. Rio de Janeiro, Departamento de Im-


prensa Nacional, 1953.

24.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

25.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

26.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

27.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

28.Cadernos de Jornalismo nº 3. Aqui se ensina quem vai ser submisso e quem vai
explorar. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre, se-
tembro de 1978.
63
29.Cadernos de Jornalismo nº 3. Aqui se ensina quem vai ser submisso e quem vai
explorar. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre, se-
tembro de 1978.

30.Cadernos de Jornalismo nº 3. Aqui se ensina quem vai ser submisso e quem vai
explorar. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Alegre, se-
tembro de 1978.

31.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

32.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

33.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

34.BELTRÃO, Luiz. Estrutura curricular dos cursos de jornalismo no Brasil. In: O


Ensino de Jornalismo: documentos da 4ª Semana de Estudos de Jornalismo. São
Paulo, ECA/USP, 1972.

35.LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da cri-


ação da rede de escolas paulistas na década de 70. Dissertação de Mestrado. São
Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998.

36.SÁ, Adísia. Corpo docente para os cursos de Jornalismo. In: O Ensino de Jornalis-
mo: documentos da 4ª Semana de Estudos de Jornalismo. São Paulo, ECA/USP,
1972.

37.BELTRÃO, Luiz. Estrutura curricular dos cursos de jornalismo no Brasil. In: O


Ensino de Jornalismo: documentos da 4ª Semana de estudos de Jornalismo. São
Paulo, ECA/USP, 1972.

38.BELTRÃO, Luiz. Estrutura curricular dos cursos de jornalismo no Brasil. In: O


Ensino de Jornalismo: documentos da 4ª Semana de estudos de Jornalismo. São
Paulo, ECA/USP, 1972

39.Cadernos de Jornalismo nº 3. De cima para baixo, mais um pacote: aqui está o


novo currículo. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Porto Ale-
gre, setembro de 1978.

40.Cadernos de Jornalismo nº 3. Currículos não mudam estrutura bancária da uni-


versidade brasileira. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Por-
to Alegre, setembro de 1978.

41.MARASCHIN, Jaci Correia. O novo currículo mínimo de comunicação. In: Cader-


nos de Comunicação Proal, nº2. São Paulo, Editora Proal, 1977.
64
42.Cadernos de Jornalismo nº 3. Currículos não mudam estrutura bancária da uni-
versidade brasileira. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Por-
to Alegre, setembro de 1978.

43.BUENO, Wilson da Costa. Seis propostas para ativar a reação contra censura e
alienação. In: Cadernos de Jornalismo nº 3. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalis-
tas Profissionais de Porto Alegre, setembro de 1978.

44.Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

45.MELO, José Marques de. Currículo mínimo de comunicação: o soneto e as emen-


das. In: Boletim da Intercom, nº46. São Paulo, Intercom, janeiro/fevereiro de
1984.

46.MELO, José Marques de. Currículo mínimo de comunicação: o soneto e as emen-


das. In: Boletim da Intercom, nº46. São Paulo, Intercom, janeiro/fevereiro de
1984.

47.MELO, José Marques de. O ensino do Jornalismo na batalha decisiva pela quali-
dade. São Paulo, Intercom 52: Revista Brasileira da Comunicação, janeiro a ju-
nho/85.

48.MELO, José Marques de. O ensino do Jornalismo na batalha decisiva pela quali-
dade. São Paulo, Intercom 52: Revista Brasileira da Comunicação, janeiro a ju-
nho/85.

49.MELO, José Marques de. O ensino do Jornalismo na batalha decisiva pela quali-
dade. São Paulo, Intercom 52: Revista Brasileira da Comunicação, janeiro a ju-
nho/85.

50.MELO, José Marques de. O ensino do Jornalismo na batalha decisiva pela quali-
dade. São Paulo, Intercom 52, Revista Brasileira da Comunicação, janeiro a ju-
nho/85.

51.FREITAG, Bárbara. Educação. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre, Revista


Abepec, nº3, junho de 1977.

52.CALDAS, Graça e CAPRINO, Mônica. Formação do jornalista e reforma curricu-


lar: a experiência da Metodista. In: Revista Brasileira de Ciências da Comunica-
ção, nº2. São Paulo, Intercom, julho/dezembro de 2000.

53.CALDAS, Graça e CAPRINO, Mônica. Formação do jornalista e reforma curricu-


lar: a experiência da Metodista. In: Revista Brasileira de Ciências da Comunica-
ção, nº2. São Paulo, Intercom, julho/dezembro de 2000.

54.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

55.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.
65
56.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-
gov.br.

57.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

58.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

59.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

60.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

61.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

62.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

63.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

64.Diretrizes Curriculares da área de Comunicação e suas habilitações. www.inep.-


gov.br.

65.RIZZINI, Carlos. O ensino do jornalismo. Rio de Janeiro, Departamento de Im-


prensa Nacional, 1953.

66.MELO, José Marques de. Laboratórios de jornalismo impresso. In: Revista de Co-
municação, nº 19. São Paulo, Agora Comunicação Integrada, 1969.

67.MELO, José Marques de. Laboratórios de jornalismo impresso. In: Revista de Co-
municação, nº 19. São Paulo, Agora Comunicação Integrada, 1969.

68.BRANCO ROCHA, Samantha Viana Castelo. Os desafios dos projetos experimen-


tais em Jornalismo. Intercom, Recife/98.

69.BRANCO ROCHA, Samantha Viana Castelo. Os desafios dos projetos experimen-


tais em Jornalismo. Intercom, Recife/98.

70 – AGUIAR, Sonia. A peleja dos sofistas. In: Revista Imprensa, nº57. São Paulo,
Feeling, maio de 1992.

71 – MEDITSCH, Eduardo. O conhecimento do jornalismo. Florianópolis. Editora da


UFSC, 1992.

72 – CARDOSO, Onésimo de Oliveira. (org.) Comunicação: Análise da disciplina Co-


municação Comparada. Série Comunicação Educativa, 12. São Bernardo do
Campo, Metodista, 1996.
66
73 – CARDOSO, Onésimo de Oliveira. (org.) Comunicação: Análise da disciplina Co-
municação Comparada. Série Comunicação Educativa, 12. São Bernardo do
Campo, Metodista, 1996.

74 – CARDOSO, Onésimo de Oliveira. (org.) Comunicação: Análise da disciplina Co-


municação Comparada. Série Comunicação Educativa, 12. São Bernardo do
Campo, Metodista, 1996.

75 – Síntese dos parâmetros curriculares nacionais. São Paulo, Editora Didática Pau-
lista, 2000.

76 – Síntese dos parâmetros curriculares nacionais. São Paulo, Editora Didática Pau-
lista, 2000.

77 – Síntese dos parâmetros curriculares nacionais. São Paulo, Editora Didática Pau-
lista, 2000.

78 – BUENO, Wilson da Costa. Seis propostas para ativar reação contra censura e
alienação. In: Cadernos de Jornalismo nº 3. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalis-
tas Profissionais de Porto Alegre, setembro de 1978.

79 – BUENO, Wilson da Costa. Seis propostas para ativar reação contra censura e
alienação. In: Cadernos de Jornalismo nº 3. Porto Alegre, Sindicato dos Jornalis-
tas Profissionais de Porto Alegre, setembro de 1978.

80 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,


Revista Abepec, junho de 1977.

81 – AGUIAR, Sonia. A peleja dos sofistas. In: Revista Imprensa, nº57. São Paulo,
Feeling, maio de 1992.

82 – MEDINA, Sinval Freitas. O Ensino de Jornalismo: revisão crítica. In: Cadernos


de Jornalismo e Editoração, nº8. São Paulo, ECA/USP, junho de 1972.

83 – AGUIAR, Sonia. A peleja dos sofistas. In: Revista Imprensa, nº57. São Paulo,
Feeling, maio de 1992.

84 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,


Revista Abepec, junho de 1977.

85 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,


Revista Abepec, junho de 1977.

86 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,


Revista Abepec, junho de 1977.

87 – Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

88 – Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

89 – Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.


67
90 – Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

91 – Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

92 – Revista Imprensa, nº37. O círculo de giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

93 – Revista do Provão, Brasília, ano 3, número 2, 1998.

94 – Revista do Provão, Brasília, ano 3, número 2, 1998.

95 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

96 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

97 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

98 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

99 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

100 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

101 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

102 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

103 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

104 – DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso. Escola itinerante de jornalismo da Fe-
naj. Artigo apresentado pela professora na Intercom de 1998, realizada em Reci-
fe.

105 – DALLA COSTA, Rosa Maria Cardoso. Escola itinerante de jornalismo da Fe-
naj. Artigo apresentado pela professora na Intercom de 1998, realizada em Reci-
fe.

106 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,
Revista Abepec, junho de 1977.

107 – Revista do Provão. Brasília, ano 3, número 2, 1998.

108 – Observatório da Imprensa. Jornal de Debates, 26/2/98.

109 – LAURENTI, Maria Elisabete. Do jornalismo à comunicação social: estudo da


criação da rede de escolas paulistas na década de sessenta. Dissertação de Mes-
trado. São Paulo, Universidade Anhembi Morumbi, 1998

110 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,
Revista Abepec, junho de 1977.
68
111 – BENDATI, Iára de Almeida. Teoria. In: Ensino da Comunicação. Porto Alegre,
Revista Abepec, junho de 1977.

112 – MELO, José Marques de. Ensino de graduação em Comunicação Social: para-
digmas curriculares. In: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. São
Paulo, Intercom. janeiro/junho de 1998.

113 – D’AZEVEDO, Marcello Casado. Estrutura curricular: formação fenomenológi-


ca. In: O ensino de Jornalismo: documentos da 4ª Semana de Estudos de Jorna-
lismo. (org.) José Marques de Melo. São Paulo, ECA/USP, 1972.

114 – Revista Imprensa, nº37. O círculo do giz. São Paulo, Feeling, setembro/90.

115 – AGUIAR, Sonia. A peleja dos sofistas. In: Revista Imprensa, nº57. São Paulo,
Feeling, maio de 1992.

116 – MELO, José Marques de. In: O Círculo do giz. São Paulo, Revista Imprensa,
nº37, Feeling, setembro de 1990.

117 – MELO, José Marques de. Ensino de graduação em Comunicação Social: para-
digmas curriculares. In: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. São
Paulo, Intercom, janeiro/junho de 1998.

118 – MELO, José Marques de. Ensino de graduação em Comunicação Social: para-
digmas curriculares. In: Revista Brasileira de Ciências da Comunicação. São
Paulo, Intercom. janeiro/junho de 1998.
3 JORNAL-LABORATÓRIO

O papel que o jornal-laboratório desempenha na formação do futuro jornalista é


de suma importância numa sociedade democrática. Se o estudante assimilar que o
conteúdo do jornal-laboratório não pode confundir o leitor ao ponto de levá-lo a con-
clusões distorcidas, omitir dados relevantes e muito menos enganar a si mesmo, terá
dado um grande passo na sua formação. É oportuno enfatizar que a preocupação na
formação de um profissional responsável, crítico e ético deve ser o fio que conduz os
critérios de produção e difusão do jornal-laboratório. A linguagem não é a mesma do
jornal-empresa que se direciona mais ao real imediato, ou seja, ao fato acontecido
em menos de 24 horas, a não ser que tenha ritmo de jornal diário.

No Brasil, o factual ainda está longe de ser aplicado no Jornalismo produzido


pelo estudante. É preciso formar uma estrutura organizacional, por exemplo, criar
uma Empresa Junior que possibilite ter um jornal-laboratório diário. A linguagem do
jornal-laboratório não pode ser meramente informativa já que sua periodicidade vai
de semanal a mensal, na quase totalidade dos casos.

Por outro lado, o estudante deve entender que o discurso jornalístico precisa se
balizar na checagem do fato para comprovar a sua veracidade. O Jornalismo labora-
torial jamais pode cometer inverdades. É atributo do Jornalismo divulgar o que é de
interesse público e não de interesse da empresa. É um complicador a mais para o es-
tudante que sonha trabalhar em um grande jornal, independente da sua linha editori-
al. Mas a escola não pode só se preocupar com o que o mercado oferece ou tem a ofe-
recer ao futuro jornalista e muito menos negligenciar o conhecimento científico. A es-
cola deve também se ater aos princípios básicos que regem o Jornalismo, aquele fiel
ao leitor e preciso no seu discurso. Deve formar um profissional sabedor e conhece-
dor de que fazer Jornalismo é assumir um compromisso com a comunidade, com os
70
direitos éticos e na busca incessante da democracia. O estudante deve desvincular
(sempre) o Jornalismo do negócio. No Brasil, não é uma tarefa fácil a ser cumprida
pelas escolas, porque, segundo o professor Manuel Carlos Chaparro, “o que temos
por aqui, em larga escala, mandando e desmandando, são editores testas-de-ferro,
apaixonados pelo poder que têm de controlar repórteres, em relação aos quais agem,
frequentemente, como censores e adulteradores de textos”.1

É na escola que o estudante tem a oportunidade de analisar e elaborar críticas à


mídia distante da pressão empresarial e profissional e propor alternativas. A acade-
mia é o local de troca de idéias, de conhecimento e de manter-se crítico e indepen-
dente, no que diz respeito às relações de poder e às mudanças que ocorrem na socie-
dade

É bom lembrar que o jornal-laboratório não é um balcão de anúncios que basta


pagar que será publicado. E nada mais sensato do que usar as páginas do jornal-labo-
ratório para colocar em prática a teoria adquirida ao longo do curso. Divulgar seu re-
sultado, ou seja, o que aprendeu, é necessário e primordial para a construção de um
sistema educacional forte e de qualidade. Não podemos jamais esquecer que uma so-
ciedade bem informada e esclarecida fortalece o processo democrático.

O horizonte do estudante precisa atravessar fronteiras, principalmente e do co-


nhecimento. O discurso do jornal-laboratório não pode satisfazer o ego do estudante,
dos pais e muito menos do professor/coordenador do projeto. Aí sim teremos um jor-
nal-laboratório pluralista, independente e racional nas suas reportagens e análises. O
estudante de Jornalismo precisa saber que o aprender não se limita a escrever por es-
crever. O aprender jornalismo é um exercício contínuo e ininterrupto. A função do
jornal-laboratório é contribuir para que o futuro profissional ganhe uma visão uni-
versal – cosmopolita – dos acontecimentos e compreenda a importância do jornalis-
mo na articulação de uma sociedade igualitária.

Esses indicadores permitirão que o estudante de Jornalismo, professor e escola


possam expor de forma rigorosa, transparente e responsável, sem ferir os princípios
da moral, da ética e do respeito pelo cidadão, independente do seu credo, raça, cor,
classe social ou econômica.
71

3.1 Profissão regulamentada

A regulamentação da profissão, em 1969, exigindo o diploma para o exercício da


profissão e a pressão dos sindicatos de jornalistas para o fim do estágio, levaram al-
guns cursos de Jornalismo a implantarem o jornal-laboratório impresso como ativi-
dade jornalística no sentido de incentivar e preparar o estudante para o mercado de
trabalho, permitindo um aprendizado prático adequado com o embasamento teórico
em sala de aula.

Antes as escolas não propiciavam ao estudante treinamento para o exercício


profissional. Na verdade, as disciplinas eram mais discursivas porque o estudante ti-
nha a oportunidade de se aperfeiçoar fora da universidade, estagiando nos jornais.
Esse mecanismo não forçava os cursos a colocar o jornal-laboratório como meta es-
sencial na formação profissional. Segundo o professor José Marques de Melo, falta-
vam os laboratórios didáticos às pioneiras escolas de Jornalismo.2

A valorização do jornal-laboratório estava fundamentada na proposta de repro-


duzir na universidade mecanismos de produção e difusão do fato jornalístico sem que
o futuro profissional ficasse à margem do processo editorial da mídia. A teoria em
sintonia com a prática oferece ao estudante a oportunidade de exercitar os princípios
básicos do jornalismo compromissado com a sociedade. “Sem dúvida alguma, essa al-
teração pedagógica ocorre a partir da implantação do jornal-laboratório como traba-
lho sistemático, continuado e veraz dentro dos cursos de Jornalismo”, avalia o pro-
fessor José Marques de Melo.3

Apesar da obrigatoriedade, com base na Resolução 2/84, do Ministério da Edu-


cação e Cultura (MEC), há escolas de Jornalismo que ainda não mantém periodica-
mente e com a participação efetiva do aluno, o jornal-laboratório como atividade aca-
dêmica. O MEC exige, no mínimo, oito edições publicadas por ano letivo. O professor
Dirceu Fernandes Lopes diz que “sob o ponto de vista pedagógico parece não haver
dúvidas da imprescindibilidade do jornal-laboratório para o aprendizado de Jornalis-
mo, principalmente em países como o Brasil, onde a legislação trabalhista veta o es-
tágio em empresas jornalísticas.”4 O estudante não deve tomar conhecimento do pro-
cesso de produção e difusão do jornal impresso só depois de formado. É na escola
72
que ele deve receber o treinamento inerente ao exercício profissional. É no laborató-
rio didático que o estudante procura simular situações profissionalizantes, mas sem
deixar de lado a teoria.

3.2 Conceitos de jornal-laboratório

Na visão do professor José Marques de Melo o “jornal-laboratório constitui es-


paço essencial de ensino-aprendizagem para a formação de jornalistas na universida-
de. Sua função é a de criar ambiente propício para a reprodução dos processos jorna-
lísticos, em situações práticas, vivenciadas pelos alunos, das quais os professores ex-
traem evidências para explicar as teorias que embasam a profissão.”5

Já Luiz Beltrão diz que o jornal-laboratório é o instrumento didático e, sempre


que usado apropriadamente, com um planejamento racional, se transforma no subs-
tituto da prática do treinamento nas redações6. Para Bruno Fuser, o jornal-laborató-
rio induz o aluno a buscar novas formas de expressão jornalística, pela prática da ex-
perimentação. “Promove a partir da integração entre professores, disciplinas e estu-
dantes, o espírito de equipe e a troca de experiências necessários para a prática e pes-
quisa do Jornalismo.”7

O conceito de jornal-laboratório não se limita ao espaço (sala de redação) que a


universidade oferece ao aluno e aos professores que coordenam o projeto. O labora-
tório é importante para o aluno porque o ajuda a conhecer o jornal em vários senti-
dos, desde a pauta, checagem das fontes envolvidas no assunto, entrevistas, pesquisa
no banco de dados, leitura complementar e a produção do texto. O aluno transporta
para as páginas do jornal-laboratório a vivência teórica da sala de aula, que fica dis-
tante do praticar jornalismo. Incentivado pelo exercício, o aluno vai canalizar seu co-
nhecimento e buscar formas de aplicar e desenvolver sua criatividade na construção
de um texto jornalístico apurado e refinado.

Ao se exercitar no laboratório, o aluno assimila o poder de síntese, tão funda-


mental para o jornalismo que, devido ao processo de seleção dos assuntos cotidianos,
publica apenas aqueles de maior interesse público. “A síntese pressupõe a capacidade
aprendida pelo aluno de se comunicar com clareza e em poucas palavras”, avalia o
73
professor da ECA/USP, José Coelho Sobrinho.8 É praticando na academia que o alu-
no é orientado a analisar e diferenciar o fato jornalístico daquele de interesse pessoal
ou de grupos. Ainda citando o professor José Coelho Sobrinho, a ánalise colabora
para que o aluno tenha capacidade julgadora de questionar, apurar e depurar. 9 Num
jornal-laboratório o estudante tem o feedback da sua produção. É avaliado pelo pro-
fessor. É criticado pelo colega de redação e também pelo leitor. Esse retorno, quase
imediato, oferece a ele subsídios para perceber que um texto jornalístico não deve ser
redigido apenas para cumprir tarefas escolares. Ao contrário, deve conter elementos
que satisfaçam o interesse do leitor atento e crítico. O estudante é cobrado de público
em alguns casos. O que o torna responsável e crítico na apuração do fato jornalístico.

A visão de que o jornal-laboratório serve apenas satisfazer as exigências do


MEC, o ego do professor/orientador ou do aluno, em alguns casos, não traduz a ver-
dade da sua representatividade na formação profissional. É experimentando que o
aluno sente na pele as dificuldades de coletar dados, encontrar as fontes necessárias
para sustentar a sua proposta de pauta e provar que o assunto é de interesse da co-
munidade. Ao manter contato com a comunidade, o aluno passa a trabalhar de modo
mais consciente, mais sério e profissional. Na verdade, deixa de ser passivo e se
transforma em um questionador e defensor do jornal para o qual trabalha. Ele apren-
de que o jornalista não é só aquele que tem um bom texto ou que conhece todas as
técnicas ou regras para redigir uma matéria jornalística, mas aquele que tem compro-
misso com seu público. Essa assimilação leva o aluno a refletir que a prática jornalís-
tica não é escrever para o colega de sala ou ao professor que o avalia. É o laboratório
que se aproxima da realidade de uma redação.

O rigor adotado na orientação do projeto, na sua produção e difusão, principal-


mente em não reproduzir o padrão da grande mídia, provoca uma mudança profunda
de postura do aluno. Ele cresce, e exige de si mesmo. Estimulado pelo corpo docente
e inteirado do projeto didático-pedagógico, tenderá a colocar como meta produzir
matérias cada vez mais completas, balizadas no interesse público, na ética jornalísti-
ca, desvinculadas de fontes viciadas (sempre as mesmas, como acontece em alguns
casos na política) e assuntos esgotados. O professor da ECA/USP, Bernardo Ku-
cinsky, faz a seguinte análise do papel da academia na formação do futuro jornalista:
“…A contradição com o mercado não é antagônica. É claro que poderá haver um cho-
74
que entre o rigor desses padrões e a chamada realidade de mercado. Mas aí está exa-
tamente a importância do curso não só como formador de um intelectual orgânico,
de um trabalhador intelectual consciente, mas também como um foco de irradiação
de um padrão jornalístico.”10

O jornal-laboratório é imprescindível para o processo ensino-aprendizagem e


deve seguir etapas que atendam às necessidades do aprendiz. Ou seja, é essencial à
preparação jornalística. A professora Cremilda Medina entende que jornal-laborató-
rio é a teoria e a prática em movimento. 11 José Marques de Melo complementa ao
afirmar que, na medida em que está a serviço da teoria, o jornal-laboratório permite
aplicação prática de conhecimento sedimentado e “muitas vezes para negar a própria
teoria, para produzir um conhecimento novo.”12 Na verdade, é na produção e difusão
do jornal-laboratório que o estudante terá condições instrumental e de conhecimen-
tos teóricos para exercitar a prática jornalística nas mais variadas funções.

O objetivo do jornal-laboratório é justamente romper a barreira de um organis-


mo meramente acadêmico, repetidor dos modelos existentes nas empresas de comu-
nicação, de divulgação e promoção de alunos, professores e da própria entidade.

O jornal-laboratório impresso é importante para o aluno viver e conviver, numa


redação laboratorial, com as tarefas cotidianas do fazer jornalístico. Embora as críti-
cas de alguns jornalistas formados nas redações sejam contrárias à formação acadê-
mica, o laboratório didático tem a possibilidade de conscientizar o aluno da impor-
tância do jornalismo.

O professor José Marques de Melo mais uma vez reforça a validade do jornal-la-
boratório na formação da consciência profissional. “Formar jornalistas, sem que lhes
desperte o interesse pela análise crítica dos padrões vigentes na sociedade e sem que
lhes ofereça oportunidade de testar tais modelos em laboratórios e de criar alternati-
vas inovadoras, é motivo de frustração generalizada na área desde a década de 50.”13

O jornal-laboratório é o espaço onde o futuro jornalista pode colocar em prática


a sua criatividade no relato do cotidiano. O importante é que o jornal-laboratório
funcione como um núcleo de produção onde tudo é apurado, analisado e questionado
antes de se transformar em texto jornalístico. Para não prejudicar a utilização peda-
75
gógica do processo, é primordial que a estrutura desse veículo não seja burocrática e
tenha raízes na liberdade de expressão, respeitando os princípios éticos na defesa da
cidadania, principalmente quando está em jogo o interesse público. A função do labo-
ratório didático é oferecer ao mercado um jornalista criativo, com capacidade de se
comportar criticamente na atividade profissional e não apenas reproduzir mecanica-
mente o modelo. O professor Dirceu Fernandes Lopes diz que “nos próprios exercíci-
os didáticos que se realizam nos laboratórios é possível contrabalançar a reprodução
dos padrões jornalísticos dominantes com a criação de novos modelos que possam
constituir alternativas viáveis”.14

Em algumas escolas particulares, os proprietários se acham no direito de deter-


minar a linha editorial. Já na pública, fica evidenciado que o jornal-laboratório se
restringe em alguns casos ao campus e a periodicidade depende da gráfica, do diretor
do curso ou até da reitoria.

A escola tem a obrigação de manter um jornal-laboratório para orientação do


aluno, com periodicidade definida. Contudo, nem sempre existe verba para a impres-
são de uma edição. E como não há fiscalização intensiva por parte do MEC, a escola
controla o número de edições publicáveis e, em alguns casos, até o conteúdo das ma-
térias.

O conteúdo do jornal-laboratório deve se voltar para assuntos de interesse da


comunidade que ele está inserido ou mesmo para grandes reportagens. A valorização
de temas regionais mostra que o jornal-laboratório não é apenas um treinamento
meramente laboratorial, mas que pode levar o aluno a se posicionar de forma crítica
e refletir sobre a sociedade que o cerca.

Para o êxito dessa interação escola-comunidade é fundamental que o projeto


pedagógico não fique dependente da direção da universidade e muito menos se limite
aos problemas acadêmicos que proporcionam uma prática restrita do exercício pro-
fissional. Deve-se respeitar as peculiaridades da região onde está inserido o laborató-
rio didático. Na verdade, não se pode pensar em produção jornalística distante da co-
munidade. É dessa interação entre o periódico laboratorial e comunidade que decor-
rerá a linha editorial, o conteúdo e a linguagem adequada ao universo do público lei-
76
tor. “É fundamental que os veículos ouçam as comunidades às quais se dirigem para
fixar diretrizes editoriais, ou seja, levar em consideração a participação dos recepto-
res”, avalia o professor Dirceu Fernandes Lopes.15

Ele também alerta: “Os laboratórios de generalidades, assuntos absolutamente


desenraizados de uma área geo-social, correm o risco de vir a ser muito mais exercíci-
os de crônicas do que reportagens. O aluno só trabalha num contexto real se tiver um
público definido.”16

O jornal-laboratório deve estar inserido no espírito da comunidade e se preocu-


par com os anseios e comportamento do leitor. O leitor deve sentir que o jornal está
atento a tudo o que ocorre em sua volta. A expectativa do leitor deve servir de orien-
tação no processo ensino-aprendizagem do laboratório. Para o professor Dirceu Fer-
nandes Lopes, essa participação da comunidade na criação do projeto, ampliada pela
sua presença nas futuras reuniões de pauta, estabelecerá o vínculo tão perseguido pe-
los jornais que pretendem ser comunitários.17

Na dinâmica das atividades, o aluno precisa se habituar a colocar a teoria em


prática da forma mais natural e sem os resquícios da mídia empresarial. “Faço jorna-
lismo, não para ajudar este ou aquele político, este ou aquele partido, ou mesmo no
limite, esta ou aquela idéia, senão a idéia da verdade. Se faço jornalismo, não é para
exprimir opiniões. É para explicar o fatos.”18 O que o jornalista francês, ex-diretor do
Le Figaro, Franz-Olivier Giesbert, quis dizer é que um noticiário isento jamais pode
comprometer a linha do jornal e a mesma regra se aplica na produção e difusão do
jornal-laboratório.

Para evitar que exemplares fiquem estocados ou empilhados no depósito da es-


cola e que a circulação do jornal-laboratório se restrinja ao universo acadêmico, é
fundamental que os alunos, orientados pelo professor responsável pelo projeto, tam-
bém façam a sua distribuição. É na distribuição que ele tem um contato direto com o
leitor. Esse corpo-a-corpo o ajuda no direcionamento de uma pauta, a observar os er-
ros cometidos na produção de uma matéria, como também cria novas fontes de infor-
mação. Ao distribuir o exemplar do jornal-laboratório o aluno passa a ter uma visão
mais abrangente do que pensa o público leitor. O professor responsável pelo projeto
77
laboratorial pode usar a distribuição como uma tarefa na produção e difusão do jor-
nal-laboratório.

3.3 Perfil do jornal-laboratório

Os professores José Marques de Melo, Dirceu Fernandes Lopes e Walter Teixei-


ra Lima Junior fizeram, com o apoio da Intercom, entre 1997 a 1998, pesquisa para
definir o perfil dos jornais-laboratórios nos cursos de Jornalismo no Brasil. 19 A pes-
quisa apontou que a periodicidade mais comum é a mensal, o formato é tablóide. A
destruição é feita pelos alunos e funcionários. O conteúdo é informativo generalista.
Poucos têm ombudsman, manual de redação, suplementos, encartes e anúncios. Já a
linha editorial de 46 veículos é definida por professores e alunos. Os demais por pro-
fessores, alunos direção do curso de Jornalismo, leitores e moradores do bairro onde
se localiza a escola.20

Dos 109 veículos laboratoriais pesquisados, apenas 26 usam manual de redação,


mas a maioria adota como regra os manuais dos grandes jornais brasileiros. São pou-
cos que têm um manual próprio.

Outro registro é que apenas 43 avaliam o jornal-laboratório, cinco disseram que


não há avaliação e 61 não responderam. Já a maioria (86) tem público definido e em
58 escolas a pauta é feita por professores e alunos. Todos os projetos laboratoriais es-
tão ligados a conjunto de disciplinas. Ou seja: Fotojornalismo, Planejamento Gráfico,
Redação, Introdução ao Jornalismo, Edição, Reportagem, Entrevista, Produção Grá-
fica, Diagramação e Editoração Eletrônica etc.

Apesar das cores prevalecerem no jornalismo impresso brasileiro, principal-


mente na grande imprensa, 86 veículos laboratoriais ainda mantêm o preto e branco
contra 15 impressos em cores. Já a tiragem vai de mil exemplares a 10 mil. O papel
jornal ainda é o mais usado. Ou seja, 61 jornais-laboratório são impressos no papel
mais tradicional, o jornal.

Um dado interessante é que 89 dos entrevistados responderam que não há con-


flitos entre os que editam o jornal e as instâncias superiores das escolas. Das 109 pes-
78
quisados, 84 das publicações são feitas por professores e alunos, 13 por alunos, 11 por
professores e um não respondeu.

Segundo o professor Dirceu Fernandes Lopes, a representatividade da pesquisa


pode ser medida pelas regiões onde ficam os cursos que responderam o questionário:

Sudeste — São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro; Sul —
Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul; Centro-Oeste — Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Brasília; Norte — Amazonas; Nordeste — Paraíba, Pernambuco,
Sergipe, Ceará, Piauí, Bahia e Maranhão.

Por Estado: São Paulo — Santos, São Bernardo do Campo, Taubaté, São Paulo
(capital), Mogi das Cruzes, Sorocaba, Itapetininga, São José do Rio Preto, Bauru, Ma-
rília, Piracicaba, Ribeirão Preto, Campinas e Presidente Prudente. Rio de Janeiro
— Niterói, Rio de Janeiro e São Gonçalo. Rio Grande do Sul — Santa Maria, Pelo-
tas, Canoas, Porto Alegre, São Leopoldo, Passo Fundo, Caxias do Sul, Ijui e Santa
Cruz. Paraná — Curitiba, Ponta Grossa e Londrina. Santa Catarina — Florianópo-
lis, Itajai e Tubarão. Minas Gerais — Uberlândia, Belo Horizonte, Pouso Alegre e
Juiz de Fora. Mato Grosso — Cuiabá, Várzea Grande. Mato Grosso do Sul —
Campo Grande. Espírito Santo — Vitória. Paraíba — João Pessoa e Campina
Grande. Sergipe — Aracaju. Maranhão — São Luis. Piauí — Terezina. Bahia —
Salvador. Pernambuco — Recife. Ceará — Fortaleza. Amazonas — Manaus. Dis-
trito Federal — Brasília.

A existência de um jornal-laboratório nos cursos de jornalismo é imprescindí-


vel. Porém isso não significa que qualquer projeto é condição suficiente. Tem que ter
público definido, periodicidade respeitada, para que o aluno acredite que realmente
ele existe e que o leitor o tenha como fonte de informação segura e confiável.

Mas a falta de laboratórios equipados (computadores, gráfica própria, máquinas


fotográficas suficientes para atender à demanda etc), o desinteresse do professor pelo
projeto, e outros problemas: — citados pelo professor Dirceu Fernandes Lopes em
sua tese de doutorado (ECA/USP), 1986 — a mudança de turma que muitas vezes al-
tera a forma e o conteúdo do jornal-laboratório, a saída do professor responsável e a
não circulação nas férias (julho e janeiro) também prejudicam o ritmo das atividades
79
laboratoriais. Essas deficiências atrapalham a periodicidade e acabam descaracteri-
zando o perfil do jornal-laboratório. O jornal para ser lido regularmente precisa man-
ter o seu padrão editorial e a sua periodicidade nunca deve ser interrompida, mesmo
sendo um órgão laboratorial. As dificuldades econômicas e burocráticas são as justifi-
cativas para que projetos laboratoriais não sejam colocados em prática nas férias,
mas não impediram que o Rudge Ramos Jornal, da Universidade Metodista de São
Bernardo do Campo (SP), mantivesse a sua periodicidade, mesmo nos períodos de ju-
lho e janeiro. O laboratório não deve ser interrompido porque o treinamento profissi-
onal é um processo continuado como ocorre na grande mídia. Outro fator negativo é
que o aluno fica afastado da motivação do fazer jornalístico. Ele pode perder o pique
de produção e, ao retornar às atividades, quando o curso é anual, precisa se recompor
para dar continuidade ao projeto laboratorial que deveria ser mantido para o enri-
quecimento do processo ensino-aprendizagem.

Além disso, o grande número de alunos, a irregularidade na periodicidade das


edições e a participação parcial do corpo discente na feitura do jornal-laboratório são
outros vícios nos cursos de Jornalismo. A periodicidade irregular das edições se deve,
na maioria dos casos, à falta de verba, ao desinteresse do aluno e do professor e a fal-
ta de um projeto pedagógico.

A soma desses pontos negativos agrava a credibilidade do jornal-laboratório


como ferramenta de aprendizagem do futuro jornalista. Das centenas de publicações
laboratoriais, são raras aquelas que atingem os requisitos básicos e primordiais para
o preparo de um profissional preocupado em exercer o ofício de forma crítica e res-
ponsável.

3.4 Notas e Referências bibliográficas

1 – CHAPARRO, Manuel Carlos. Veracidade, dever maior.In. Edição em jornalismo


impresso. São Paulo, ECA/USP, Edicom, 1998.

2 – MELO, José Marques de. In: Jornal-laboratório: do exercício escolar ao com-


promisso com o público leitor. Dirceu Fernandes Lopes. São Paulo, Summus, 1989.

3 – MELO, José Marques de. In: Jornal-laboratório: do exercício escolar ao com-


promisso com o público leitor. Dirceu Fernandes Lopes. São Paulo, Summus, 1989.
80
4 – LOPES, Dirceu Fernandes. Jornal-laboratório: do exercício escolar ao compro-
misso com o público leitor. São Paulo, Summus, 1989.

5 – MELO, José Marques de. Uma estratégia para salvar o jornal-laboratório. In:
revista Imprensa. São Paulo, número 97, outubro de 1995.

6 – BELTRÃO, Luiz. In: Perfil do jornal-laboratório no Brasil. Dirceu Fernandes Lo-


pes. In: Sociedade Mediática: significação, mediações e exclusão. Santos, Leopoldia-
num-UniSantos, 2000.

7 – FUSER, Bruno. In: Perfil do jornal-laboratório no Brasil. Dirceu Fernandes Lo-


pes. In: Sociedade Mediática: significação, mediações e exclusão. Santos, Leopoldia-
num-UniSantos, 2000.

8 – SOBRINHO, José Coelho. O cognitivo e o afetivo nos cursos de comunicação. In:


Revista Comunicações e Artes. São Paulo, ECA/USP, número 30, 1997.

9 – SOBRINHO, José Coelho. O cognitivo e o afetivo nos cursos de comunicação. In:


Revista Comunicações e Artes. São Paulo, ECA/USP, número 30, 1997.

10 – KUCINSKY, Bernardo. O ano em que fomos felizes. In: Cadernos de Jornalismo


e Editoração. São Paulo, ComArte, número 21, junho de 1988.

11 – MEDINA, Cremilda. In: Jornal-laboratório. Clélia Maria Garcia. Trabalho de


Conclusão de Curso (TCC). Santos, UniSantos, 1983.

12 – MELO, José Marques de. In: Jornal-laboratório. Clélia Maria Garcia. Trabalho
de Conclusão de Curso (TCC). Santos, UniSantos, 1983.

13 – MELO, José Maques de. In: Jornal-laboratório. Clélia Maria Garcia. Trabalho
de Conclusão de Curso (TCC). Santos, UniSantos, 1983.

14 – LOPES, Dirceu Fernandes. Jornal-laboratório: do exercício escolar ao compro-


misso com o público leitor. São Paulo, Summus, 1989.

15 – LOPES, Dirceu Fernandes. Jornal-laboratório: do exercício escolar ao compro-


misso com o público leitor. São Paulo, Summus, 1989.

16 – LOPES, Dirceu Fernandes. Jornal-laboratório: do exercício escolar ao compro-


misso com o público leitor. São Paulo, Summus, 1989.

17 – LOPES, Dirceu Fernandes. Jornal-laboratório: do exercício escolar ao compro-


misso com o público leitor. São Paulo, Summus, 1989.

18 – ESTADO DE S. PAULO, O. Caderno de Política. São Paulo, página 2, 30 de


novembro de 1991.

19 – LOPES, Dirceu Fernandes. Perfil do jornal-laboratório no Brasil. In: Sociedade


Mediática: significação, mediações e exclusão. Santos, Leopoldianum-UniSantos,
2000.
81
20 – LOPES, Dirceu Fernandes. Perfil do jornal-laboratório no Brasil. In: Sociedade
Mediática: significação, mediações e exclusão. Santos, Leopoldianum-UniSantos,
2000.
4 SUBSÍDIOS PARA UM CURSO
DE JORNAL-LABORATÓRIO

Já fui professor-responsável por três jornais-laboratórios e em nenhum deles


havia um planejamento gráfico ou editorial, plano de ensino adequado ao fazer jorna-
lístico, um modelo de cronograma de atividades que pudesse agilizar a produção e di-
fusão do veículo. Fui também professor-responsável pela implantação de dois proje-
tos laboratoriais. Pela pressa em colocar na rua o jornal-laboratório, porque a Comis-
são de Especialistas do MEC estava chegando, tornou-se enviável, naquele momento,
uma metodologia de trabalho que se voltasse à fundamentação teórica como princípio
básico do processo ensino-aprendizagem. A minha experiência em reformular a grade
curricular e o projeto pedagógico do Curso de Comunicação Social (habilitação em
Jornalismo e Publicidade e Propaganda) do Centro Universitário de Rio Preto
(Unirp) e as respostas aos questionários enviados aos professores me conduziram à
reflexão da necessidade de fazer uma síntese dos principais ingredientes que dão qua-
lidade ao jornalismo. Minha vivência em coordenar jornais-laboratório na escola par-
ticular e a coordenação de um projeto pedagógico em jornalismo me deram subsídios
sólidos e concretos para fundamentar minha proposta Outros fatores preponderantes
no qual também me embasei foram as leituras e a análise do ensino de Jornalismo e
suas grades curriculares. A LDB deu liberdade e orientação na busca pela melhoria do
ensino.

4.1 Jornalismo e atualidade

O jornalismo, que nasceu da arte artesanal dos prelos (antiga prensa de impri-
mir), é uma necessidade social e representa um meio de satisfazer o desejo do homem
contemporâneo de conhecer todas as coisas novas e interessantes que acontecem dia-
83
riamente no Universo. Sua característica principal é a atualidade. Inserido na comu-
nidade, ele é fundamental para sociedade e está constantemente ligado aos compor-
tamentos do governo. O jornalismo deve ser ético, pluralista e apartidário para sobre-
viver e caminhar com credibilidade no mercado competitivo de hoje.

O jornalista e político Carlos Lacerda – fundador do jornal carioca Tribuna da


Imprensa, crítico do governo Vargas e defensor do Golpe Militar de 64 – ensina que o
segredo do jornalismo consiste em levar muito a sério os fatos cotidianos, sem ao
mesmo tempo perder a perspectiva da relativa desimportância de tais fatos em face
do tempo. Para ele, essa combinação de atualidade e permanência é que dá conteúdo
ao jornalismo, na medida em que esses dois fatores se combinam para formar a subs-
tância do jornal.1 O ex-governador do extinto Estado da Guanabara vê ainda o jorna-
lismo como a arte de simplificar a complexidade dos fatos, tornando-os acessíveis à
compreensão do cidadão.

Rui Barbosa – advogado, jornalista e candidato duas vezes à Presidência da Re-


pública – dizia que o jornalismo se constituía numa espécie de energia, que leva a so-
ciedade a se conscientizar da importância de seus valores. Para Rui Barbosa, “o Jor-
nalismo tem a função de despertar no País as forças morais, apelar para o poder da
consciência entorpecida, mas talvez ainda não morta, falar a essa intuição de justiça,
a essa avidez de sinceridade, a essa simpatia pelo desinteresse, que não se extinguem
na índole das nações cristãs.”2

Não há dúvida então de que o jornalismo é um divulgador de notícias, ou me-


lhor, é a raiz informativa da sociedade, proporcionando ao cidadão elementos de juí-
zo para esclarecimento do dia-a-dia.

Para o jornalista e professor Danton Jobim, o jornalismo converte-se numa ver-


dadeira manifestação de espírito, no veículo do mais alto exercício da inteligência. 3
Segundo o jornalista francês Marc Paillet, foi o jornalismo que reuniu tudo que se en-
contrava disperso, como temas referenciais, técnicas e habilidades. 4 Na análise do au-
tor, foi o jornalismo que ampliou, universalizou e dinamizou a informação como notí-
cia e a classificou.
84
Na avaliação do jornalista e pesquisador Alberto Dines, o jornalismo é a técnica
de investigar, arrumar e distinguir circunstâncias. Ele entende que não há jornalismo
sem investigação.5 Para Clóvis Rossi, articulista e repórter especial da Folha de S.
Paulo, jornalismo é sinônimo de dedicação e disciplina. Além disso, “agrega-se a difi-
culdade específica de uma profissão que não permite acomodação ou a mais remota
certeza de ‘saber tudo’ sobre um país, uma situação, um ramo do conhecimento hu-
mano”.6

Ciro Marcondes Filho – jornalista e professor da ECA/USP – identifica o jorna-


lismo como uma atividade decorrente da produção empresarial de notícias, que se
caracteriza pelo uso do veículo impresso para fins – além de econômicos – políticos e
ideológicos. De acordo com ele, somente no momento em que a imprensa passa a
funcionar como instrumento de classe é que ela assume o seu caráter rigorosamente
jornalístico.7

Após essas avaliações, entendemos jornalismo – impresso, falado ou visual –


não só como um conjunto de matérias que descreve a realidade social mas também
como um instrumento indispensável de apoio à sociedade. Para Vladimir Hudec, jor-
nalista da ex-Tcheco-eslováquia, o jornalismo orienta socialmente esse público, for-
mula e exprime as suas diferentes opiniões, atitudes e ações, as suas concepções do
mundo, dá uma idéia dos múltiplos fenômenos, processos e tendências contemporâ-
neas em toda a sua complexidade, das leis que determinam a função e o desenvolvi-
mento da vida econômica, sócio-política, intelectual e ideológica da sociedade, a par-
tir de posições partidárias e de classe.8

O aparecimento do jornalismo está subordinado ao desenvolvimento da econo-


mia de mercado e às imposições dos detentores do poder. O jornalismo nasceu tute-
lado pelas classes dominantes que tinham influência ideológica, política, econômica e
social. O jornal surge como o instrumento de que o capitalismo financeiro e comerci-
al precisava para fazer com que as mercadorias fluíssem mais rapidamente e as infor-
mações sobre as exportações, importações e movimento do capital chegassem mais
depressa e diretamente aos componentes do circuito comercial.9
85
O jornalismo era subjugado e seu controle foi cada vez mais rígido a partir do
momento em que as classes dominantes, nelas podemos incluir a Igreja Católica, per-
ceberam que podiam utilizar as folhas periódicas para manipular o povo. As formas
de imposição de suas idéias através da imprensa eram feitas de acordo com as neces-
sidades e viabilidades de cada detentor do poder. Existiam aqueles que detinham a
hegemonia das folhas periódicas. Ou aqueles que para atuar junto ao povo controla-
vam o jornalismo através da força, censurando, manipulando a informação, fechando
e prendendo os gazeteiros.

Logo que nasceu, em 1450, a Comunicação Moderna – após Gutemberg inven-


tar a tipografia que permitiu a reprodução de um mesmo texto e sua difusão –, a im-
prensa, foi dominada pelo Poder Autoritário cuja preocupação era narrar os seus fei-
tos e descrever as suas conquistas. Constituído por segmentos de comunidades orga-
nizadas como a política e a economia, o Poder Autoritário tinha como princípio di-
fundir o pensamento monolítico, elitista e totalitário. Ele tentava conter o desenvolvi-
mento da imprensa, porque esta dificultava o exercício do poder. O autoritarismo
ainda usava regulamentos, dispositivos e criava leis com o único intuito de limitar a
liberdade da imprensa e entravar a difusão dos jornais.

Em todos os regimes totalitários, a imprensa foi perseguida por medidas arbi-


trárias e, na maioria das vezes, teve reprimidas suas idéias. Napoleão tinha uma
consciência muito objetiva do papel da imprensa. O Pequeno Corso calou os oposito-
res e utilizou os jornais a serviço de sua propaganda na França e no exterior, fazendo
com que qualquer notícia desagradável a seu governo não pudesse ser publicada.

É sempre assim que agem os governantes autoritários. Através da coação, sub-


metem a imprensa e a tornam oficialesca, ou seja, uma publicação direcionada em
defesa do repressor. Desde os primeiros tempos, a imprensa obedecia aos poderes
político e econômico. Eram apenas periódicos com anúncios políticos e econômicos.
Eles advogavam as idéias e interesses da classe dominante. Os opositores tinham
vida efêmera e dificilmente trabalhavam sem pressões.

A classe burguesa, dominante economicamente, e o grupo político, ambos fon-


tes de sustentação do Poder Autoritário, compreenderam a importância dos jornais
86
como instrumentos políticos poderosos e a eles se aliaram. Constituídos também
como poderes, os setores político e econômico começaram a monopolizar a informa-
ção diminuindo assim o raio de ação dos jornais, principalmente os opositores. Com
isso, a autonomia do jornalismo ficava ainda submetida às leis totalitárias e passava a
ser instrumento da política do governo. Então o jornalismo era afetado em seus prin-
cípios e métodos de trabalho.

As instituições ou grupos políticos sempre se esforçaram para ter ao lado os


meios de informação, porque acreditam que quanto maior espaço ocupado, maior é o
poder. Os poderes político e econômico têm como base a sua capacidade de manipu-
lar informações, pressionar e influenciar setores da sociedade. As pressões políticas e
econômicas obrigaram muitos jornais a mudarem suas idéias para sobreviver ou fo-
ram excluídos sumariamente do universo informativo.

A influência dos poderes político e econômico tem as suas implicações e algu-


mas são a submissão, a omissão e o comprometimento com os controladores da in-
formação. Assim é assegurado aos poderes o direito “adquirido” de alinhavar o dire-
cionamento jornalístico de um pequeno periódico e até de uma rede de comunicação.
Tanto o político como o econômico usam o poder para ter ao seu alcance os meios in-
formativos. Conseqüentemente têm a seu dispor um canal aberto com as classes mar-
ginalizadas.

No entanto, o jornalismo é de utilidade pública, um prestador de serviços, o fis-


cal da sociedade e tem tarefa de informar sem restrições. Deve ser o guardião da soci-
edade frente aos abusos governamentais e aos atentados à liberdade individual.

Assim, o jornalismo deve zelar pela transmissão de informação, de um ponto a


outro, com exatidão. Ele deve estar a serviço da verdade com o objetivo de difundir
conhecimentos e orientar a opinião pública. Se nas sociedades modernas tudo deve
ser aberto e público, o jornalismo tem a responsabilidade de acompanhar, sempre na
vanguarda, as manifestações populares. “Quando a multidão governa no sentido do
interesse geral, dá-se a esse governo o nome de república, que é comum a todos os
governos.”10 Esse pensamento de Aristóteles nos dá a segurança de que o jornalismo é
parte integrante da multidão que, segundo o filósofo, é soberana. Soberano também
87
deve ser o jornalismo para se converter num autêntico sustentáculo do direito à in-
formação e direito de informar.

4.2 Função social

A contribuição que o jornalismo dá diariamente à comunidade possibilita um


intercâmbio de informações. Essa comunicação de mão dupla é uma das funções so-
ciais do jornalismo moderno e participativo. Entendemos que a função social do jor-
nalismo está no seu caminho em direção à imparcialidade, sempre à procura de uma
sociedade mais justa, e na luta dos povos pela sua libertação frente à agressividade
dos governantes. Se o jornalismo é um fenômeno social ou um “fórum de debates”,
na análise de Philip Meyer11, então, nessas condições, ele é um veículo de informação,
formação, orientação e de interesse público.

Alberto Dines acrescenta que a imprensa integra a sociedade, é reflexo dela,


mas não pode se escorar em santuários que ela própria nega aos poderes político e
econômico.12 O professor José Marques de Melo diz que uma das funções do jornalis-
mo é a transformação social. Ele explica: “Nos países subdesenvolvidos, a tarefa prin-
cipal do jornalismo é educar as grandes massas para que possam assumir o seu papel
de sujeito da História. Isso significa acesso ao conhecimento, participação política e
mobilização social.”13 De acordo com a análise de José Marques de Melo, esse cami-
nho do jornalismo em direção ao social é um exemplo do exercício de liberdade. É a
oportunidade de o indivíduo adquirir conhecimentos e ainda exercer, não só seu pa-
pel de cidadão, mas também sua atividade intelectual com maior regularidade.

Se o jornalismo é visto como um elemento que incomoda os monopolistas, de


outro ângulo, ele é o instrumento de toda a sociedade. Para Carlos Lacerda, “o jornal
é um hóspede em seu próprio quarto, um contador de novidades que se apossa do seu
tempo e influi sobre os seus pensamentos, e lhe diz o governo que deve escolher…”
Carlos Lacerda completa fazendo um alerta para que o jornalismo não descumpra a
sua função social. “…Agora, se esse amigo que ele trouxe para casa e a quem confiou
seus próprios silêncios, esse amigo que ensina a amar e desamar os acertos e erros
deste mundo de repente silencia, é como se de repente lhe mentisse. Calar, é uma
traição.”14
88
No mundo moderno a vida econômica, política e social baseia-se na informação
e nesse contexto o jornalismo é a instância superior de uma Nação, e sua função é
oferecer ao cidadão um repertório de idéias que modelem sua mentalidade e formem
opinião quando a comunidade se encontra desnorteada. Segundo o jornalista e pro-
fessor espanhol Sabino Alonso-Fueyo, para o jornalismo cumprir realmente a sua
função social, não pode ser um mero veículo de difusão. “O jornalismo não é só veícu-
lo de cultura; é, além disso, cultura propriamente dita. O jornalismo se converte
numa verdadeira cátedra da cultura.”15

Nos Estados Unidos, em 1971, a função social do jornalismo foi cumprida, quan-
do o juiz da Suprema Corte, Hugo Black, decidiu que não se podia censurar a impren-
sa nem em defesa da segurança nacional. Este é um trecho do seu voto em defesa da
função social do jornalismo: “Uma das obrigações primárias da imprensa é impedir
que o governo engane o povo.”16. Dentro desses princípios já mencionados, concluí-
mos que a função básica do jornalismo é servir de instrumento para incentivar o ho-
mem no caminho de sua plena realização.

A população não pode ficar à margem do jornalismo, mesmo aquela que não
sabe ler nem escrever ou aquela sem condições econômicas para poder consumir a
informação jornalística, cultural ou educacional. Todo cidadão, não importa a raça,
cor ou segmento social, político ou econômico tem direito à informação. Nos países
democráticos, este direito está assegurado na Constituição. No Brasil, a Constituição,
promulgada em outubro de 1988, diz em seu Capítulo I, parágrafo 24, que “é assegu-
rado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessá-
rio ao exercício profissional.”17. Neste particular, o jornalismo não pode privilegiar se-
tores da sociedade. A mobilização da informação jornalística tem de ser ampla e ir-
restrita.

Numa sociedade de vanguarda, o indivíduo se informa corretamente quando


confronta informações e opiniões. As lutas sociais pelo Estado livre carregam no seu
bojo o direito à informação, de saber o que está acontecendo à sua volta. Segundo os
professores norte-americanos William Rivers e Wilbur Schramm, a curiosidade hu-
mana não tem limites e, se o direito à informação tampouco tem uma limitação preci-
sa, ele superará todos os outros direitos.18 Na verdade, o direito à informação prepara
89
o indivíduo para desempenhar tarefas produtivas na sociedade e para pleno exercício
da cidadania.

O direito de acesso à informação é perene, inalienável e essencial numa socieda-


de democrática e pluralista. O exercício do direito à informação fortalece as bases li-
berais e progressistas do jornalismo voltado à comunidade. De modo geral, podemos
dizer que o direito à informação está intimamente ligado à luta política, às discussões
em torno da coisa pública ou ainda a questões sociais e educacionais. Todo cidadão
tem direito à informação, seja ela política, cultural ou educacional. Desta maneira, o
jornalismo é a tribuna do povo.

Sem ousadia e persistência não se faz jornalismo. A busca da informação não


significa apenas classificar e colocar os dados coletados na estrutura da pirâmide in-
vertida. O ritmo do escrever rápido, simples e objetivamente não impede o jornalista
de organizar o fato jornalístico para transformá-lo em notícia sem violar a imparciali-
dade e o princípio ético. Na verdade, ele deve ser moralmente defensável para não se
nutrir da vaidade, da ignorância e solidão das pessoas. Ele é uma espécie de confi-
dente, fiel e inseparável, que oferece condições para a compreensão do presente e
alarga o horizonte informativo do leitor.

O jornalista precisa ser criativo, ter iniciativa, investigar com racionalidade para
fugir das mesmices do dia-a-dia das redações mais preocupadas com as notas ofici-
ais. O jornalista não se pode dar ao luxo de agir subjetivamente em relação a pontos
mais delicados de um fato jornalístico porque assim o valor da notícia relatada por
ele não vai refletir o contexto do fato. Ou seja, o que ele transformou em notícia não é
verídico. É parcial ou mal-intencionado.

Outro fator que atrapalha o desenvolvimento imparcial da notícia é que o jorna-


lista precisa assimilar e compreender que ele não é infalível e que seu poder de usar a
palavra falada e escrita não o legitima a atirar para todos os lados. O jornalista deve
procurar preservar e contribuir na mudança social ou ampliar o discernimento do
possível. Seu compromisso é com o prático, com o palpável, com a neutralidade. Por-
que é o caminho que se tem para escapar aos sistemas fechados de pensamentos. In-
formar não é intelectualizar a informação. Informar é deixar transparente ao leitor o
90
que se passa, passou ou vai passar na sociedade. O conceito de fazer jornal é univer-
sal e impessoal.

A referência do jornalista é o interesse público e a conduta investigativa adequa-


da. O propósito único é reportar o resultado da investigação sem manipulá-lo. O jor-
nalista precisa deixar de lado a escravidão à pressão, e dedicar um pouco mais do seu
tempo à investigação cuidadosa. “A obsessão pela atualidade faz também com que os
jornalistas sejam manipuláveis por meio de pseudo-eventos, forjados com o propósi-
to único de atrair a cobertura dos meios de comunicação”, observa o professor ale-
mão Michel Kunczik.19

O jornalista deve respeitar a verdade, informar cuidadosamente o público, veri-


ficando a fonte das notícias e corrigindo as informações errôneas. Ele sabe que o jor-
nalismo é um parceiro inseparável do público na busca da verdade e não deve ser um
instrumento do governo ou instituições. Diante deste quadro, o profissional da infor-
mação não precisa se aliar ao sistema econômico em defender interesses de especula-
dores do mercado.

No entanto, como qualquer ser humano, o jornalista também toma decisões


equivocadas que podem ser irreparáveis socialmente. Para não ouvir um só lado da
informação, é importante que o jornalista cumpra algumas diretrizes que o afastarão
do jornalismo marrom. Ele nunca deve favorecer uma única fonte da notícia. Essa
preocupação gera credibilidade na informação. O jornalista não escreve para outro
jornalista, mas para o leitor que precisa da informação para entender o presente. Não
é nos artigos, editoriais e outros gêneros opinativos que o jornalista deixa o leitor a
par dos acontecimentos. É nas reportagens que ele oferece ao leitor o rico arsenal in-
formativo, narrativo e interpretativo. Esse material pode impulsionar uma sociedade
em direção ao desenvolvimento.

No Brasil, as grandes reportagens estão distantes da mídia. É raro um jornal


oferecer ao leitor uma página de conteúdo investigativo. É muito mais prático e
econômico manter um banco de articulistas do que colocar repórteres na rua. O com-
prometimento é menor e quase nulo. É fundamental, e o jornalista precisa entender,
que a reportagem seja colocada em prática para resgatar a cidadania do brasileiro. O
91
papel do jornalista é reportar sempre e não apenas noticiar um fato que aconteceu ou
vai acontecer.

4.3 Ética é fundamental

O jornalista tem que discutir ética todos os dias. Não importa o local, a hora ou
quem está ao lado. O fundamental é que em cada frase pronunciada, tenha critério e
consciência coletiva. Porque, do contrário, a notícia mal apurada é socialmente ina-
pagável. Para melhorar a relação entre jornalismo e sociedade, a ética precisa ser co-
locada em prática.

A ética implica a universalidade na questão dos direitos humanos e na luta con-


tra tutelas de toda ordem, usando para isso as armas da crítica e da razão. A ética ex-
clui o subjetivo, o emocional e as paixões. Na verdade, a ética é um conjunto “técnico”
que define o valor simbólico na condução social, moral e política do cidadão que per-
tence a uma sociedade organizada. A ética supõe a co-responsabilidade de todos os
cidadãos e por isso a lei não admite exceção, nem impunidades. Para a professora da
USP, Marilena Chauí, ética é a educação da vontade pela razão, para a vida justa, bela
e feliz.20 A ética exige uma racionalidade para não transformar o significado do acon-
tecido ou destruir o seu contexto.

Se o factual é matéria-prima do jornalismo, a ética ganha importância quando o


fato jornalístico é transformado em notícia. Essa narrativa do real imediato deve re-
presentar o contexto original, embora o jornalismo seja uma espécie de representa-
ção contínua, diária, do que está se passando no mundo. Mesmo subordinado a um
regime de rapidez que faz parte de sua rotina, não se justifica a não-aplicabilidade da
razão ao relato do cotidiano. É preciso que na construção do fato jornalístico, fruto do
cotidiano, a razão dê sustentáculo à narrativa. A ética é uma meta a ser cumprida no
exercício da profissão.

No Brasil a questão ética não é tratada com serenidade. O que prevalece é a Lei
de Gerson: levar vantagem em tudo. Infelizmente, a impunidade adquiriu corpo e se
tornou regra. Regra que levou o país ao obscurantismo que é alimentado pela turbu-
lência política.
92
O jornalismo tem que ser ético para não comprometer a estrutura social, políti-
ca e econômica de um país. Ele deve ser imparcial, equilibrado e objetivo ao reunir e
relatar os fatos. Ao gerar opiniões ou informações sobre os fatos, o jornalismo está
formando opinião pública. E é nesse processo que entra a conduta ética.

O jornalista e professor norte-americano Philip Meyer, analisando a Ética Jor-


nalística nos Estados Unidos, descobriu que, na década de 20, os grandes jornais não
vendiam enormes quantidades de nenhuma edição isolada a um único comprador
sem uma investigação e aprovação da direção. Quando um jornal continha um edito-
rial defendendo as ferrovias, por exemplo, seria embaraçoso se uma companhia fer-
roviária comprasse milhares de cópias, marcasse o editorial e as enviasse a líderes de
opinião.21 Não vendendo no atacado a um único comprador, o jornal está preocupado
com a Ética Jornalística e com o interesse público.

O jornalismo deve voltar-se para o leitor e não exclusivamente para o anuncian-


te. Embora o jornal seja uma instituição com fins lucrativos, isso não o legitima a ser
um balcão de idéias vendidas a varejo. O leitor exige seriedade e racionalidade no re-
lato do fato. “Um jornal que se preocupa apenas em preencher o espaço noticioso da
maneira mais barata possível irá usar minúcias em seu próprio proveito como mate-
rial para preencher espaço”, afirma Philip Meyer.22 Se a principal finalidade do jorna-
lismo é a informação, ela deve ser exata, precisa, íntegra e cumprir os princípios éti-
cos sem desrespeitar a cidadania. O Código de Ética da Federação Nacional dos Jor-
nalistas Profissionais (Fenaj) diz no Artigo Segundo que “a divulgação da informação
pelos meios de comunicação se pautará pela real ocorrência dos fatos e terá por fina-
lidade o interesse social e coletivo.”23

Mas nem sempre a mídia age com racionalidade para retratar o cotidiano. Um
exemplo da falta de critério no tratamento de um acontecimento diário foi o da Esco-
la Base, em São Paulo. A mídia, sem cruzar as informações divulgadas pela polícia e
pais de alunos e sem ouvir os dois lados do acontecimento, montou um contexto e
publicou em grande estilo sensacionalista que professores da Escola Base abusavam e
tiravam fotos eróticas de crianças. O resultado foi devastador, não para as crianças,
pais e moradores do bairro que destruíram a escola, mas para os donos que ficaram
abalados psicologicamente, perderam amigos, credibilidade, além de ser marginali-
93
zados. Foram condenados pela mídia e conseqüentemente pelos leitores que acredi-
taram na veracidade da informação. Além de negligência na apuração dos fatos, a mí-
dia, mesmo depois de comprovada ser falsa a acusação dos pais, não deu o mesmo
destaque dado quando “condenou” os donos da escola.

No mundo contemporâneo é fundamental que a mídia faça valer os princípios


éticos para expressar o interesse público e afastar do processo democrático a vontade
pessoal, individual, arbitrária. O jornalismo não pode expor as pessoas ao ridículo ou
se transformar em um tribunal de inquisição. São os fatos apurados com responsabi-
lidade ética que dão credibilidade ao jornal e parâmetros éticos individuais e coleti-
vos. Para o diretor de redação da revista Imprensa, Ari Schneider, são os desvios de
natureza ética que também revelam um problema técnico. “Ou seja, a matéria não foi
devidamente apurada, o repórter não ouviu todas as fontes ou não se aprofundou su-
ficientemente, seja por falta de tempo ou de esforço. A partir disso surge uma versão
incorreta do fato, o que pode ser desastroso para as pessoas envolvidas na matéria.”24
Foi o que ocorreu no caso da Escola Base. Não houve uma coleta de informações pre-
cisa, coerente e dinâmica. Na ansiedade de cobrir o fato com maior rapidez e por en-
tender que o fato jornalístico envolvia crianças, a mídia, não teve dúvidas, saiu em
defesa dos acusadores.

Não aceitar presentes das fontes de informação, não ceder às pressões dos
anunciantes ou da influência de grupos políticos, ser lícito, legítimo, rico em fatos
concretos e não ser omisso com a comunidade são princípios éticos que regulam os
valores morais no exercício do jornalismo. Para Augusto Nunes, ex-diretor de reda-
ção dos jornais O Estado de S. Paulo e Zero Hora, de Porto Alegre (RS), a adoção de
um código de ética, por si só, não imuniza nenhum jornal contra o risco de protagoni-
zar deslizes, escorregões ou mesmo delitos graves. “Mas sempre reduz a incidência de
casos de má-fé e reafirma o compromisso de agir corretamente. Sobretudo comprova
a disposição de revogar a crônica impunidade assegurada há tantas décadas pela
omissão dos chefes e pelo corporativismo dos jornalistas.”25
94

4.4 Ombudsman representa o leitor

A Suécia foi a inventora do ombudsman, palavra que significa representante do


cidadão. Designa, nos países escandinavos, o ouvidor-geral. Função pública criada
para canalizar problemas e reclamações da população. Os jornalistas suecos foram os
primeiros a criar um conselho de auto-regulamentação ética. Criado em 1916, o comi-
tê analisa, sem interferência, as queixas do leitor contra os jornais. Em verdade, no
jornalismo, a função do ombudsman é representar o leitor no jornal. Ele é pago pelo
jornal para defender os interesses do leitor, apontar erros de informação ou de checa-
gem de dados. No Brasil, o primeiro jornal a instituir o ombudsman foi a Folha de S.
Paulo, 24 de setembro de 1989, função exercida por Caio Túlio Costa.

De 96 jornais-laboratório pesquisados, de 1997 a 1998, pelos professores José


Marques de Melo, Dirceu Fernandes Lopes e Walter Teixeira Lima Jr. apenas sete ti-
nham ombudsman para analisar, avaliar e criticar cada edição do jornal e apontar ca-
minhos que possam estimular a participação coletiva no processo de produção e difu-
são do jornal.

O crítico interno tem a função de averiguar se a matéria é exata, justa, equilibra-


da ou se tem defeitos que podem dar ao leitor uma falsa impressão da notícia. A sua
presença na redação não tem papel inibidor ou castrador. Ele é um árbitro neutro e
membro da equipe regular responsável pela produção e difusão do jornal-laboratório.
Na verdade, é o porta-voz do leitor e o crítico do jornal.

A crítica interna, depois, torna-se externa, deixa o estudante mais sensível etica-
mente a problemas que envolvam questões como exatidão, lógica e equilíbrio no rela-
to do fato jornalístico. O leitor torna-se mais consciente do papel acadêmico do jor-
nal-laboratório e da preocupação do próprio jornalismo com uma conduta ética e res-
ponsável.

A presença do ombudsman reflete a realidade do mercado. Ou seja, a ética é


profundamente questionada quando a mídia é obrigada a competir por notícias na
velocidade cibernética estabelecida pelo noticiário on-line da Internet. É aí que o jor-
nalismo peca por leviandade e generalizações. E nada mais sensato que um ombuds-
man na redação do jornal-laboratório para ajudar no contínuo processo de aperfeiço-
95
amento da vida acadêmica e profissional. Quando levado a sério, o trabalho do crítico
interno da informação conduz a uma reavaliação das práticas jornalísticas não só em
defesa do interesse público, mas também em detrimento dos abusos praticados con-
tra uma maioria excluída em uma sociedade capitalista.

O ombudsman na redação mantém acesos os princípios fundamentais da res-


ponsabilidade da mídia, a mente do jornalista fica mais observadora e crítica da reali-
dade que o cerca e contribui para a consolidação do estado democrático, sem o qual
não há jornalismo que sobreviva.

É interessante observar que a presença do ombudsman desperta na redação o


espírito da leitura coletiva. Todos lêem detalhadamente cada linha publicada no jor-
nal-laboratório para não ficar de fora do processo crítico. Cresce o número de adep-
tos do jornalismo ético e responsável. Há o debate de soluções para os problemas grá-
ficos, ortográficos, gramaticais, de diagramação, ou de precisão da informação. O au-
tor do texto analisado pelo ombudsman ou criticado pelos seus companheiros fica
mais atento, mais crítico. Isso levanta o moral da equipe, principalmente quando a
crítica não nasce do acaso. Eleva o número de indagações sobre questões da conduta
do ombudsman, do editor, do repórter e do perfil do jornal-laboratório. É saudável o
debate público porque liberta o estudante das teias do provincianismo e o obriga a
entregar-se às articulações de suas idéias com afinco e prazer.

Na ética é importante o respeito pela crítica fundamentada e lógica. É na uni-


versidade que o estudante tem a oportunidade de buscar o seu caminho longe das co-
branças do mercado. E o jornal-laboratório é o meio apropriado para isso. Espaço
universal que serve para colocar em prática as discussões teóricas sobre o espírito
jornalístico. Responsabilidade no relato do fato jornalístico e ética são elementos es-
senciais para a prática de um jornalismo pluralista, apartidário, moderno e indepen-
dente.

No jornalismo, a crítica interna pode reduzir a arrogância e estimular uma mai-


or responsabilidade em respeito ao interesse público e na aplicabilidade da ética na
condução de um jornalismo neutro, exato, independente e íntegro.
96

4.5 Gêneros jornalísticos

Após a Revolução Industrial, no final do século 19, o jornal deixou de ser um ar-
tigo só de consumo da classe burguesa, ganhou padrão gráfico e se transfomou num
instrumento básico da comunicação de massa. Na verdade, se tornou um fenômeno
universal. Na medida em que a informação não mais atendia a uma classe social, co-
meçava a mobilizar o grande público e assumia o papel de observador da realidade.

O jornal ao ganhar autonomia, ou seja, com a produção em escala industrial, re-


dimensionou o universo de relação com o leitor e o maior desafio passou a ser a clas-
sificação do seu discurso jornalístico, que pudesse acompanhar o desenvolvimento
sócio-econômico daquele momento histórico.

Para facilitar o processo ensino-aprendizagem, o discurso jornalístico foi classi-


ficado em gêneros:

a)Informativo

b)Interpretativo

c)Opinativo.

Os três gêneros ganharam subdivisões:

a)Informativo

a)Enquete

b)Entrevista

c)Nota

d)Notícia

e)Serviço (agenda)

b)Interpretativo

a)Reportagem
97
c)Opinativo

a)Artigo

b)Caricatura

c)Carta

d)Coluna

e)Comentário

f)Crônica

g)Editorial

h)Resenha

Vários elementos convergem na formação dos gêneros jornalísticos. É preciso


identificar cada um deles. Vamos apresentar um por um, começando pelo gênero in-
formativo que é o mais usado no jornalismo brasileiro.

4.5.1 Gênero informativo

Enquete – corresponde ao relato de pesquisa de opinião pública, onde uma


amostragem representativa da população emite sua opinião sobre determinado as-
sunto ou acontecimento.

Entrevista – é o depoimento de um ou mais personagens sobre um assunto,


acontecimento ou a opinião sobre economia, vida pública, cultura, saúde, ciência,
tecnologia etc.

Nota – corresponde ao relato sintético de um fato jornalístico. A Folha de S.


Paulo, quando da sua reformulação gráfica e editorial, passou a usar este recurso ao
criar os Dropes. O Estado de S. Paulo, por exemplo, no caderno de Esportes tem Bre-
ves. São notas sobre futebol, basquete etc.
98
Notícia – é o relato diário dos acontecimentos. É na notícia que o leitor espera
encontrar informações que completam a sua curiosidade. A notícia não questiona,
apenas informa. Na notícia predomina a apresentação dos fatos. Não investiga a cau-
sa ou conseqüência. Embora possa ser resultado de investigação.

Serviço – caracterizado como toda informação de utilidade pública. Por exem-


plo: O Estado de S. Paulo criou a Agenda para prestar um serviço ao leitor.

4.5.2 Gênero interpretativo

Reportagem – é o complemento de uma notícia. É o ato de investigar. É o re-


lato ampliado de um acontecimento. Ela difere da notícia porque deixa de ser apenas
uma informação do cotidiano. É a valorização do humano, da construção detalhada
do acontecimento.

4.5.3 Gênero opinativo

São opiniões de jornalistas, políticos, cientistas e pensadores conhecidos ou de


personagens ilustres.

Artigo – trata-se de um texto jornalístico no qual (jornalista ou não) desenvol-


ve uma idéia e apresenta sua opinião.

Caricatura – caracteriza-se pela finalidade satírica ou humorística que pres-


supõe a emissão de juízo de valor.

Carta – espaço aberto à participação do leitor, para expressar opinião.

Coluna – seção especializada de jornal ou revista, publicada com regularidade,


assinada, e redigida em etilo livre e pessoal.

Comentário – geralmente é feito por um jornalista experiente, que acompa-


nha os fatos e tem sempre dados disponíveis que o ajudam a fazer um comentário
preciso sobre o fato jornalístico.
99
Crônica – gênero de caráter mais literário. O autor narra um fato do cotidiano
sem a preocupação técnica jornalística.

Editorial – que expressa a opinião da empresa jornalística diante dos fatos de


maior repercussão.

Resenha – caracteriza-se por ser uma apreciação dos produtos culturais com a
finalidade de orientar o leitor.

4.6 Texto jornalístico

O jornalismo cresce quando há controvérsia. Neste caso, o jornalismo de quali-


dade, desengajado e independente, assume o papel de memória da sociedade. E para
que este entendimento entre jornal e leitor não se esvazie, o combustível indispensá-
vel é que o texto jornalístico seja claro e com informações corretas e precisas. Por ex-
emplo, a simples eliminação de vícios pode contribuir para a clareza do texto. Quanto
mais exato, melhor será o resultado. É fundamental que a imparcialidade e neutrali-
dade sejam componentes do texto jornalístico, porque, ao escrever, o estudante não
tem como dimensionar a intenção do leitor.

O texto jornalístico não é um simples relatório. Há uma diferença fundamental


entre um e outro. E ela se evidencia quando a introdução de elementos contraditóri-
os, declarações curtas, a descrição dos ambientes e a objetividade da narrativa dão vi-
vacidade ao texto. Se a função do texto jornalístico é informar, sua característica é fa-
zer o leitor entender a complexidade de qualquer assunto em pauta.

Para simplificar o texto jornalístico, o estudante deve construir frases curtas, ló-
gicas, afirmativas, precisas, estilo direto e de fácil compreensão. Evitar também pe-
ríodos longos e parágrafos a perder de vista. Na dúvida, o melhor arma contra frases
longas e parágrafos intermináveis é a pontuação.

Já as formas condicionais, passivas e negativas, ou a repetição de palavras ou ci-


tações, redundância, prejudicam, desvalorizam a mensagem jornalística e reduzem a
fluência da leitura.
100
Para tirar as dúvidas do leitor e deixar o texto homogêneo, é necessário decodi-
ficar qualquer terminologia especializada, valores de moeda estrangeira, localização
de países citados, medidas em sistemas diferentes do métrico.

Se o jornalismo é transformar o ontem no hoje, ou seja, o passado imediato, tem


de fornecer os elementos necessários ao leitor para que tenha a informação mais atu-
alizada sobre os fatos que marcaram as últimas 24 horas. Na verdade, o texto deve ter
uma narrativa agressiva e informativa que estimule o leitor a se inteirar do assunto.

Humberto Werneck, editor sênior da Playboy, diz que a beleza é uma arma para
capturar o leitor na primeira linha e levá-lo até a última. Se o caminho é este, nada
melhor que cada palavra ou expressão contenha o máximo de carga de significado.
Substantivos fortes e verbos na voz ativa reforçam a beleza do texto jornalístico, jus-
tamente com uma informação rigorosa e bem apurada.

Ao preferir a frase afirmativa, o estilo direto, e recusar a imprecisão e a am-


bigüidade, o uso de frases feitas, os lugares-comuns, os chavões e palavras de ordem,
o estudante coloca em prática o jornalismo eficaz e de leitura fluente.

Quando compra um jornal, o leitor está pagando por notícias corretas e preci-
sas. É sensível, inteligente e crítico, portanto é preciso dar a ele um pouco mais do
que supostamente está pedindo. Mesmo com a correria da vida moderna e a tendên-
cia da informação em tempo real, é preciso reservar espaço de reflexão para o leitor
se aprofundar mais.

Para um texto jornalístico que atenda às exigências do leitor, é fundamental que


o aluno dê um tratamento especial às citações, diálogos, transcrições de declarações
importantes ou aspas. Deve reproduzir apenas as frases mais importantes ou expres-
sivas. Não deve transcrever entre aspas as idéias manifestadas pelo entrevistado que
possam ser melhor expostas através do texto indireto. Exemplo: "O governo brasilei-
ro precisa levar mais a sério a dívida externa e pagá-la o mais rápido possível", diz
o economista Chico Breve. O correto: Na avaliação do economista Chico Breve, o go-
verno brasileiro precisa levar mais a sério a dívida externa…
101
O aluno deve evitar, como mandam as regras do jornalismo objetivo, claro e
exato, o uso de adjetivos que expressam juízo de valor e possibilitam uma leitura sub-
jetiva e, às vezes, desproporcional ao acontecimento. Exemplo: uma grande bomba
explodiu no centro de São Paulo e fez um enorme buraco no viaduto do Chá. O adje-
tivo não qualifica a informação e torna o texto opinativo. O mais correto: uma bomba
do tamanho de uma bola de futebol explodiu no centro de São Paulo e fez um buraco
do tamanho de um campo de futebol. A informação chega mais completa ao leitor.
Então, é recomendável levar em conta que a argumentação sustentada por fatos é
mais forte do que a adjetivada. Convém empregá-la apenas quando faz parte de uma
citação do entrevistado.

O texto jornalístico se torna mais rico em detalhes e informações quando se evi-


ta o emprego de expressões desgastadas pelo uso exagerado, muitas delas desneces-
sárias e destituídas de qualquer valor semântico. Exemplo: por outro lado, ao mes-
mo tempo, preencher a lacuna, haja vista, perda irreparável, ataque fulminante.

Escrever curto e grosso, economizar palavras ou procurar a mais adequada para


cada pensamento a ser comunicado evita a superficialidade da informação. O sujeito
indeterminado é outro recurso que o estudante deve deixar de fora do texto jornalís-
tico porque não esclarece e deixa o leitor com dúvidas. Exemplo: alguém chegou e jo-
gou uma coisa…, dizem que foi um pedaço de madeira…, parece que atingiu alguém
que estava…, talvez o culpado…

A rigor, a impessoalidade é uma abstração, porque qualquer texto jornalístico


tem a visão do autor. Mesmo contra a vontade dele, acaba sendo pessoal. Para se
aproximar mais da imparcialidade e neutralidade, é recomendável que o estudante fi-
que distante do fato jornalístico, ou seja, faça apenas o seu trabalho de investigação.
Não se envolva com a fonte, partidos políticos, religião, quando está no exercício pro-
fissional.

A isenção deve ser atingida quando ao ouvir uma acusação, o estudante deve se
empenhar em saber a versão do outro lado. E, na elaboração do texto, dê a cada parte
o destaque merecido, nem menos, nem mais.
102
A impessoalidade significa, além disso, fugir ao intimismo, ao excesso de liber-
dade com o leitor. Deve-se evitar expressões: Perguntei ao jogador… Disse-me (nos)
Pelé… Chegou ao nosso Brasil… Eu ouvi o Ricardo Teixeira sobre a seleção…. Corre-
to: Perguntado sobre… Pelé diz que… Chegou ao Brasil… Para Ricardo Teixeira, a…

O você, dirigido ao leitor, não deve ser usado. Em lugar de Se você quiser assis-
tir ao show, compre logo o ingresso. Se interessar em assistir ao show, compre logo
o ingresso.

A preocupação com o leitor deve ser constante. O estudante deve facilitar ao


máximo a leitura dele, mas sem perder a riqueza e a clareza do texto. O texto puro,
aquele sem adjetivos, sem superlativos, preciso, frases bem construídas, sem lugares-
comuns, e com declarações específicas, deixa o leitor mais informado, com menos
dúvidas quanto a intenção da notícia.

Princípio fundamental: o estudante deve escrever como se o leitor comprasse o


jornal pela primeira vez. Então, o texto jornalístico deve conter o máximo possível de
dados, testemunhos, emoção, distanciamento do fato ou acontecimento, humaniza-
ção e pormenores, que auxilem o leitor a criar uma idéia rigorosa do assunto.

4.7 Ineditismo da notícia

Notícia é um texto informativo, o uso da técnica da pirâmide invertida (do mai-


or ao menor interesse). É a unidade básica de informação do jornalismo. É a matéria-
prima do jornalismo. É o relato diário dos acontecimentos ou daqueles com possibili-
dade de ocorrer. É na notícia que o leitor espera encontrar informações que comple-
tam a sua curiosidade ou conhecimento. A notícia não deve ser extensa, nem cheia de
adjetivos.

O estudante precisa ficar atento ao coletar dados porque, quanto mais elemen-
tos recolher, maior será o interesse do leitor pela notícia. É essencial que a notícia
seja rigorosa, completa e fundamentada sobre fatos e não sobre rumores. Ela deve ser
atual, abrangente, inédita, inusitada, incomum e de interesse público. O leitor quer
saber a relação de causa e efeito, o que está por trás da aparente realidade. Na verda-
103
de, a notícia é a ocorrência de um fato. Não questiona nem opina, afirma e informa.
Ela não investiga causa ou conseqüência, embora possa ser resultado de investigação.

Notícia informativa – relato puro e simples do fato, sem opinião, a partir do


mais importante. É a seleção de tudo que acontece no dia-a-dia. A informativa é a
mais usada no jornalismo diário. Ela não descreve o ambiente. É montada através de
tópicos e documentações. Ela tem que oferecer ao leitor todos os ingredientes neces-
sários para que ele não precise recordar os antecedentes para compreender o que a
informação lhe oferece.

Notícia narrativa – É aquela que se organiza a partir de uma seqüência de


acontecimentos. É a narração da realidade. Você passa ao leitor uma visão do ambi-
ente, como se fosse escrever para o rádio.

A notícia deve basear-se nos apontamentos acumulados pelo jornalista. É o fato


jornalístico que foge da rotina.

É importante destacar que no jornalismo laboratorial raramente uma notícia


publicada porque a periodicidade o veículo raramente é diária. Por este motivo tem-
po que é preciso valorizar ainda mais a reportagem e incentivar o aluno a produzi-la
com critérios e criatividade. É na reportagem que o futuro jornalista irá colocar em
prática o conhecimento de humanidades.

4.8 Entrevista é básica na apuração

A entrevista não é um simples quadro de perguntas e respostas, ou uma discus-


são e nem um debate de idéias, mas uma situação de interação em que dois indivídu-
os ou mais exercem influência mútua. A função do estudante é perguntar, confrontar
o entrevistado com as contradições dele ou com fatos e opiniões que contradizem o
discurso dele. O aluno nunca deve impor a sua opinião, hostilizar o entrevistado, mas
também não deve comportar-se de forma passiva ou subserviente perante as declara-
ções e mentiras do entrevistado.
104
A entrevista não é apenas uma reação à pergunta formal dirigida ao entrevista-
do. Interrupções devem ser feitas a propósito e de forma concisa para esclarecer uma
resposta ou uma idéia ou introduzir um novo tema.

Ela é uma das principais fontes de informação para o jornal, e está presente, di-
reta ou veladamente, na maioria das notícias ou das reportagens.

A entrevista é um gênero jornalístico provocado, motivado pela atualidade e


pelo interesse humano que a pessoa focalizada desperta.

Na verdade, é um relato informativo ou opinativo que o entrevistado tem sobre


determinado fato jornalístico.

Princípios para se fazer uma entrevista

● Procure saber quanto tempo terá para fazer a entrevista. Se for pouco tem-
po, vá direto ao assunto;

● Planeje: Informe-se ao máximo sobre o entrevistado ou sobre o assunto,


para que as perguntas sejam pertinentes e objetivas, mesmo que haja um roteiro
pré-estabelecido. Ao sair da redação para entrevistar alguma personalidade in-
forme-se sobre a carreira, interesses, passatempos, educação, trabalho, seus pon-
tos de vista políticos, religiosos, esportivos etc.

● O que perguntar: É muito importante que o aluno de jornalismo conheça o


assunto sobre o qual irá perguntar. Faça perguntas diretas, objetivas, específicas
sobre o assunto. Nunca se deve perguntar O sr. tem algo de interessante a dizer
sobre o assunto? Porque ele responderá nada, e encerra a entrevista, ou poderá
ainda contar o que não é de interesse para a matéria.

● Não confie na memória, faça anotações, mas discretamente. Anote o que for
necessário e preste atenção no sentido da resposta. Muitas pessoas se inibem na
frente do jornalista que anota tudo, ou que está gravando.

● Cuidado com as anotações, pois notas truncadas dão aborrecimentos e pos-


teriores retificações. Se tiver alguma dúvida, depois de voltar à redação, telefone
105
para esclarecer, é melhor do que escrever errado e perder a fonte ou a credibili-
dade conquistada.

● Não deixe que o entrevistado escreva suas respostas ou as dite para você.
Caso contrário, perderá o rumo da entrevista e a iniciativa. Você deve dirigir a
entrevista.

● Observe e anote também as ações do entrevistado, seus movimentos e caco-


etes. Tornará a matéria ilustrativa, no caso de um perfil, por exemplo.

● Deixe o entrevistado falar, o leitor quer conhecer o pensamento dele e não a


do estudante. Aprenda a perguntar, a ouvir e a observar. Ouvir com atenção ins-
pira confiança no entrevistado e o encoraja a prosseguir nas respostas. Você não
sabe mais do que o entrevistado sobre o assunto em pauta, portanto é melhor
ouvi-lo.

● Seja neutro, não interprete a resposta do entrevistado segundo as suas con-


cepções. Apresente-se como pessoa compreensiva, sem querer mudar as idéias
do entrevistado, mesmo que você seja contra elas.

● Empreendendo clima de seriedade e domínio do assunto, o aluno pode fa-


zer perguntas diretas e incisivas sem que o clima de cordialidade seja quebrado.

● Evite atritos com o entrevistado, seja natural, polido, cortês, sem afetação
ou subserviência.

● Se a resposta foi vazia e o entrevistado usou de evasivas, o repórter deve in-


sistir no assunto até que obtenha uma resposta direta.

● Nas entrevistas coletivas, não espere ser conduzido, disponha-se a fazer as


perguntas e corrigir o rumo da entrevista, caso alguém faça perguntas desneces-
sárias.

● Espere o entrevistado concluir uma resposta para fazer outra pergunta,


nada é mais irritante do que uma resposta pela metade.
106
● A pauta é apenas uma indicação e pode ser esquecida se a entrevista seguir
rumo mais interessante.

● Pergunte o mais que puder, mas evite as questões óbvias.

● Por mais desordenadas que sejam as perguntas, o aluno deve ter consciên-
cia da seqüência do assunto.

● As perguntas devem ser curtas e objetivas.

● Entrevista é um diálogo que acontece entre o estudante e o entrevistado. As


respostas são dirigidas ao leitor. Por essa razão, a entrevista é uma técnica do jor-
nalismo informativo, nunca do opinativo. Quando há opinião do entrevistado na
entrevista, ela é encarada como uma informação, como complemento da entre-
vista, o aluno passa ao leitor a informação sobre a opinião do entrevistado e não a
sua ou a do jornal.

As entrevistas podem ser:

● Individual — Entrevista concedida apenas a um aluno, exclusiva ou não. É


exclusiva quando o entrevistado se compromete a dar as informações só para o
aluno que o procurou e que será o único a publicá-las.

● Coletiva — Entrevista dada a um grupo de alunos, por convocação do en-


trevistado ou por iniciativa do aluno. O parâmetro deve ser sempre o do interesse
público.

● Enquete — Série de pequenas entrevistas sobre um assunto, para saber a


opinião de determinados entrevistados.

Como obter uma entrevista

● Em caso de pessoas que tenham função ou cargo de relevância, a entrevista


tem que ser marcada anteriormente, caso contrário, o estudante corre o ris-
co de não encontrar o entrevistado ou não conseguir horário para ser aten-
dido. No entanto, se o assunto requer abordar a pessoa inesperadamente,
107
então o estudante tem que estar consciente de que poderá ser atendido ra-
pidamente, ou terá que esperar muito.

● Outras pessoas devem ser abordadas sempre com educação, calmamente,


sempre sendo tratadas por sr. ou sra., tratamentos que não entrarão no tex-
to da matéria.

● Numa entrevista comum, o entrevistado não precisa ter conhecimento das


perguntas anteriormente. No caso de uma entrevista mais especializada, é
comum o entrevistado pedir a relação de perguntas para estudá-las antes.
Pode ser fornecida ou não, dependendo do assunto.

Como preparar uma entrevista

● Para se obter resultado perfeito numa entrevista, ela tem que ser preparada
com antecedência.

● As informações sobre o entrevistado podem ser obtidas das mais variadas


formas, mas a mais correta é uma visita ao banco de dados do jornal ou fa-
culdade. Lá, além de entrar em contato com as entrevistas já feitas, o aluno
fica conhecendo as expressões do entrevistado, o que pensa e quem é a pes-
soa.

● Outra vantagem de consultar um banco de dados é a possibilidade de co-


nhecer mais sobre o assunto da entrevista. O entrevistado precisa sentir
que o aluno está seguro do que pergunta e este deve conhecer profunda-
mente o assunto para poder cortar a resposta no tempo certo, acrescentar
algo importante e não correr o risco de o entrevistado desviar o assunto.

● Se a entrevista for com um empresário, é indispensável conhecer um pouco


sobre a empresa dele e o ramo. Se for com um artista, então o repórter tem
que conhecer pelo menos alguns shows, programas ou filmes em que o en-
trevistado apareceu.

● Deve-se prestar atenção ao ambiente onde ocorre a entrevista e onde o en-


trevistado normalmente fica. Mais atenção ainda ao jeito como o entrevis-
tado responde, suas expressões faciais, mãos, etc.

Deve-se gravar entrevistas?


108
● O gravador deve ser usado em entrevistas longas, especializadas ou depoi-
mentos. Mas o aluno não deve deixar de fazer anotações também, regis-
trando expressões e interferências.

● O aluno também deve anotar palavras-chaves, para reconhecer o assunto


gravado.

● Em entrevistas curtas, o gravador não deve ser usado. Leva-se tempo para
tirar da fita e matérias curtas são requisitadas com pressa. Informações
anotadas são mais fáceis de serem trabalhadas.

● Outro fator importante é que o gravador pode tirar a espontaneidade do en-


trevistado e a concentração do aluno porque acredita que tudo o que está
sendo gravado é o mais importante e não presta atenção na resposta do en-
trevistado. Há também quem não dê entrevistas gravadas e há os que come-
çam a escolher as palavras para falar, querem falar bonito em detrimento
da informação correta.

Como conduzir a entrevista

● O aluno deve fazer com que o entrevistado se sinta à vontade na entrevista.


Para isso, o estudante deve conhecer o entrevistado, anteriormente ou rapi-
damente antes da entrevista. Mas isso não quer dizer mostrar-se amigável e
nem perder tempo com brincadeiras no início. Muitas vezes o entrevistado
é uma pessoa muito ocupada e demorar para começar a entrevista pode
causar alguma antipatia logo no começo.

● O aluno deve fazer as perguntas objetivamente, rapidamente, sem muitas


considerações e ouvir mais o entrevistado.

● O aluno tem que ter a capacidade de saber se o entrevistado está ou não


mentindo, através de expressões ou de acordo com as respostas dadas. Para
isso, precisa estar informado sobre o assunto. Mas nunca deve insinuar, no
momento, que a pessoa está mentindo. A melhor maneira é investigar o que
se desconfia que é mentira e até checar com outras fontes.

Tipos especiais de entrevistas


109
Os três tipos de entrevistas são: por telefone, em grupo ou o off (informações ou
declarações confidenciais em que a fonte não pode aparecer).

● Por telefone – A melhor maneira é dispensar o telefone. A entrevista por te-


lefone tem resultado inferior à que é feita pessoalmente, é superficial. Use o
telefone apenas para confirmar dados.

● O encontro pessoal para a entrevista é melhor para o aluno e para o entre-


vistado.

● A informação em off com se costuma chamar, precisa ser checada. O aluno


deve aceitar, quando a fonte é conhecida e pode publicá-la se tiver plena
confiança em quem a transmitiu. Mas deve ver com reservas as informações
em off que possam ter outras intenções por trás.

4.1 Reportagem aprofunda a notícia

O sonho de trabalhar na grande mídia deixa o aluno anestesiado ao ato reflexivo


e vislumbrado com o imediatismo do fato jornalístico. Na escola, o desejo dele é es-
crever como se fosse para um jornal diário, justifica tal postura porque, segundo ele,
é assim que funciona o mercado. Ele está correto na forma de pensar, mas equivoca-
do quando escreve para um jornal-laboratório porque a periodicidade é outra, o
modo de fazer jornal não é o mesmo da grande mídia e a narrativa jornalística, na
verdade, é uma extensão da notícia. “A reportagem traz a marca de um meio de co-
municação que tem os seus leitores específicos, a sua história, a sua cultura, mas
também a marca de um jornalista-repórter cuja escrita afirma a sua personalidade”,
observa Jean-Dominique Boucher que considera a reportagem essencial porque visu-
aliza a informação, dando-lhe autenticidade e credibilidade. 26 Aprender nas
“viagens”, somado à leitura e aos contatos pessoais, tudo isso é possível conquistar
produzindo reportagens. E é essa visão humanística e de um novo horizonte a cada
dia que o futuro jornalista deve ter em mente, caso contrário ficará restrito apenas ao
conhecimento tecnicista. “O jornalista médio, aquele que se acomoda ao estado de
coisas da carreira profissional tal qual ela se apresenta no Brasil, muito cedo adere ao
cepticismo, à amargura, à non chalance ou espírito blasé”. 27 Essa é a previsão de Cre-
110
milda Medina ao jornalista tarefeiro, aquele que não vê na reportagem a amplitude
do seu universo jornalístico como instrumento de transformação social.

O estudante, quando da elaboração do seu texto, tem de ter saber quem é o seu
leitor, para quem vai escrever e que tipo de texto vai apresentar: informativo, inter-
pretativo ou opinativo. Na imprensa diária brasileira encontram-se estas três catego-
rias, mas em maior quantidade o texto informativo, seguido do opinativo e alguns in-
terpretativos (reportagens). Numa revista semanal, como Veja, Época, IstoÉ, os tex-
tos são mais de interpretação dos fatos registrados na semana. Trabalha mais com re-
portagens, não necessariamente de investigação, mas aquela que aborda em profun-
didade os assuntos pautados pelos jornais impressos.

Todo fato jornalístico tem e deve se caracterizar pela narração de um aconteci-


mento de interesse social. A reportagem está mais voltada a descrever uma situação
real de domínio público, com recursos mais ligados à literatura com a finalidade de
chamar à atenção do leitor. O ideal quando se tratar de jornal-laboratório, dada à pe-
riodicidade e à finalidade do veículo laboratorial, seria fazer um tipo de jornal/revista
com texto bem construído.

No Brasil do final do século 19 e início do 20 era natural encontrar nas páginas


dos periódicos textos literários, opinativos e pouca notícia. A maioria dos jornais ti-
nha como função a defesa de interesses políticos. Nasciam e morriam rapidamente
como as notícias de hoje. Na verdade, eram mais efêmeros que a própria notícia. Não
as crônicas, as poesias, ou ao texto opinativo que João Paulo Alberto Coelho Barreto,
o João do Rio, deixou a comodidade da redação e foi para rua narrar o cotidiano flu-
minense. “Há quem garanta que ele foi o primeiro repórter-repórter (sic) do jornalis-
mo brasileiro; aquele que saía da redação e ia ouvir o povo, o trabalhador, o malan-
dro, as mulheres da vida”, observa José Sebastião Witter.28 João do Rio colocou em
prática o jornalismo de interesse social, a vida do trabalhador comum e a realidade
brasileira nas páginas dos jornais carrancudos e conservadores. Rompia ai uma bar-
reira que isolava o acontecimento diário porque não interessava à classe política, à
burguesia e aos intelectuais noticiar o cotidiano.
111
Com o avanço tecnológico, a diminuição das fronteiras geográficas e a notícia
em tempo real nas páginas do jornalismo on line, o texto de um jornal impresso tem
de ser mais bem cuidado, mais reflexivo, mais aprofundado. Agora não basta apenas
noticiar, porque a televisão, o rádio o webjornalismo são mais ágeis e versáteis em in-
formar primeiro, independente do conteúdo da notícia. Tão Gomes Pinto também
partilha dessa opinião porque, para ele, num jornal impresso a cobertura deve ser
ampla. Ele explica: “Acho que um texto deve ser bem escrito, mas narrativo, no senti-
do de que todas as matérias tenham começo, meio e fim, do que um amontoado de
frases, simples coisas brutas que você ou ouve no rádio, lê na internet ou vê pela tevê.
Esse tipo de tratamento da notícia acho que não cabe mais ao jornal. Cada vez mais é
um tratamento mais profundo, mais analítico.”29 Tão Gomes Pinto lembra que jor-
nais como New York Times, Herald ou a Guardian têm essas características. Augusto
Nunes, diretor de Redação do Jornal do Brasil, também concorda e prevê que o con-
teúdo do jornalismo impresso, apenas noticioso, vai ser substituído pelo informativo
digital. Na opinião dele, o jornalismo impresso terá de ser analítico para o leitor en-
tender melhor o assunto. Ele faz a seguinte observação para justificar o seu ponto de
vista: “A notícia na íntegra, ele (leitor) assistiu, ouviu e leu nas páginas da webjorna-
lismo.”30 Mas é preciso ficar claro que esse tratamento analítico não significa a edito-
rialização ou opinar no texto de uma reportagem. O que o leitor deseja é ser ajudado
na visualização do fato jornalístico.

É esse que deve ser o perfil do jornal-laboratório porque não há como, princi-
palmente no Brasil, acompanhar a velocidade da informação, mesmo porque a fun-
ção do exercício laboratorial é formar o profissional que tenha o domínio pleno da
linguagem jornalística e não apenas da técnica da pirâmide invertida.

Não tenho a pretensão de escrever sobre a fronteira entre jornalismo e literatu-


ra porque este trabalho não focaliza essa temática, mas o texto do jornal-laboratório
impresso deve se aproximar da grande reportagem, não tão em moda no jornalismo
brasileiro. Há exemplos de jornalistas brasileiros e estrangeiros que transformaram a
reportagem em livro-reportagem e nem por isso o brilho da linguagem jornalística foi
abandonado. Entre eles se destacaram Truman Capote no livro A sangue frio que re-
lata um brutal assassinato de uma família do estado do Kansas. Já John Reed foi o
repórter da revolução russa em os Dez dias que abalaram o mundo. Euclides da Cu-
112
nha em sua reportagem Os Sertões contou a saga de sertanejos do arraial de Canudos
na luta contra o Exército brasileiro. Todos os autores narraram os fatos jornalísticos
como observadores participantes, ou seja, estiveram no local do acontecimento. É
importante citar esses exemplos de jornalismo presencial porque hoje publica-se
muitas notícias levantadas pelo telefone ou internet.

O jornalismo tem regras próprias, mas nada impede o jornalista de pesquisar,


checar, colher pistas e impressões na busca de elementos ou personagens que possam
enriquecer o texto. Para José Sebastião Witter, uma reportagem não é um mero siste-
ma de registro do fato jornalístico: “O autor trabalha com personagens reais, como
exige a boa imprensa, porém utiliza recursos rigorosamente literários na reprodução
dos cenários de sua reportagem, humaníssima e recheada de estilo, vigoroso, ilumi-
nado estilo.”31 Na verdade, o serviço de reportar é pura rotina, porque uma das fun-
ções do repórter é examinar com cuidado o fato jornalístico. Um exemplo desse tra-
balho minucioso e atencioso de garimpagem jornalística, onde o autor transforma
uma execução de rotina, para a época, em um bem articulado texto não perecível,
data de 1846, em Roma. “Havia ali um extenso local lamacento quase vazio, como
uma careca na cabeça de um homem. Um vendedor de charutos, com um pote de
barro contendo cinzas de carvão em uma das mãos, andava para cima e para baixo,
anunciando a sua mercadoria. Um vendedor de doces dividia sua atenção entre o ca-
dafalso e seus fregueses. Alguns meninos tentavam subir em paredes e em seguida
caiam. Padres e monges tentavam abrir caminho acotovelando-se entre as pessoas e
ficavam na ponta dos pés para ver a lâmina: depois iam embora.”32 Era Charles Dic-
kens, escritor e jornalista inglês, em sua reportagem Uma Execução, descrevendo a
decapitação de um prisioneiro romano. A reportagem é um acontecimento público do
século 19, mas não perdeu a contemporaneidade porque o autor usou uma linguagem
que não se prendeu apenas ao factual, embora cite o dia da semana, o ano, a hora,
mas à narrativa concreta, objetiva e ao enredo em que os personagens se movem. O
texto também retrata o comportamento do ser humano, sua curiosidade, sua ambição
comercial e seu descaso para um homem que iria morrer de forma trágica. Charles
Dickens narra assim a ganância humana: “…como a dos apostadores de loteria que,
depois de um decapitação pela guilhotina, contam as gotas de sangue espalhadas no
chão para tentar adivinhar o número que será sorteado”. 33 O autor explorou com pro-
113
priedade a execução, usando um linguagem simples, precisa, clara, frases curtas. Ao
buscar no próprio local personagens do cotidiano, enriqueceu a narrativa jornalística.
Ou seja, o trama não se resumiu apenas ao destino do prisioneiro, mas o que se pas-
sava ao redor do cadafalso. É o jornalismo presencial registrando a história humana.

O texto para jornal-laboratório deve e precisa caminhar nessa direção tão bem
construída por Charles Dickens. A riqueza estilística não é simplesmente noticiar o
fato, está na contextualização, nos detalhes, nas contradições, na análise, nas reações
humanas, no inusitado, na observação participante – foi o que fez Dickens –, na in-
terpretação sob diferentes perspectivas. O aluno deve mergulhar nessa narrativa para
descrever com singularidade o fato de interesse universal.

Enquanto o mundo e o Brasil concentram suas atenções à queda das torres gê-
meas e a guerra entre Afeganistão e Estados Unidos, uma parte do extremo Norte do
território nacional vive em constante conflito social, econômico, político e armado.
Grandes reportagens foram publicadas em revistas e jornais brasileiros relatando
mais uma aventura norte-americana além fronteiras, mas raro foi aquele que contou
um pouco sobre o Brasil. Nesse mar de informações e contra-informações sobre o
episódio Osana Bin Laden, a revista Época fugiu da mesmice e publicou uma reporta-
gem de Eliane Brum, que, infelizmente, mereceu uma pequena chamada na parte su-
perior da capa do periódico, A Guerra do começo do mundo: a última fronteira. O
texto narra o cotidiano de um território desconhecido pela maioria do povo brasilei-
ro: Roraima. A autora usou do seu conhecimento de geografia, política, de história
contemporânea, ou seja, de humanidades, para descrever a saga do povo de Roraima.
Os dados comparativos ilustram bem o texto da reportagem e deixam o leitor familia-
rizado com o drama daquele Estado nortista. Esse trecho extraído da reportagem re-
vela uma faceta do Brasil: “Roraima é uma terra isolada, ligada ao resto do país ape-
nas por uma transfusão de recursos – intensa e de mão única – de Brasília para o Es-
tado. Mais perto de Miami que do Rio de Janeiro, a capital (Boa Vista, grifo nosso)
vive em crise de identidade. Quando um roraimense viaja, anuncia aos amigos: Vou
para o Brasil.” O relato continua: “Assim, isolado, maltratado até, e um tanto órfão,
Roraima vive a guerra do começo do mundo. E ninguém se importa. O Brasil não dá
importância a Roraima, mas Roraima importa-se muito”.34 A autora reportou a situa-
ção local incluindo personagens que fizeram e fazem a história de Roraima: o mi-
114
grante regional, nacional e extrangeiro; a saga dos aventureiros como a da mara-
nhense Cleonice Conceição, de Maurício Habert que sonha em dismistificar a fama
do pai Maurice Habert de ladrão e desertor da Primeira Guerra Mundial; do suíço
Walter Vogel, que se diverte plainando de ultraleve, é dono de 12 mil cabeças de
gado, 100 mil terrenos; e a guerra entre o Exército, os índios e a Igreja Católica. A ri-
queza estilística faz o leitor viajar no tempo e no espaço, dificilmente documentários
de televisão reportariam com sutileza e maestria o dilema de personagens comuns e
de um Estado em estado de alerta. A reportagem termina deixando transparente que
conflitos sempre vão existir na terra que tem 57% sob o domínio indígena: “…No nor-
te, os macuxis seqüestraram um par de botinas e uma boina dos militares para mos-
trar quem manda naquela quina do Brasil. Diante do ataque estrangeiro, o valente
general (Claudimar Magalhães Nunes) ameaça tomar os troféus de guerra na marra.
Não há dias comuns em Roraima.”35 Se uma das funções do jornalismo é colocar à
tona as contradições, o texto de Eliane expõe este contraste brasileiro.

A compreensão real do fazer jornalístico exige uma sensibilidade incomum e


um profundo conhecimento de história, economia, política, antropologia, filosofia e
sociologia. Se a escola deve preparar o futuro jornalista para o exercício profissional,
independente da mídia, então é fundamental que a formação acadêmica leve-o à cri-
ticidade, ao pensar e refletir lógico, a ouvir sempre as várias versões do fato jornalís-
tico, a mostrar as contradições e não as suposições. Para o aluno entender e assimilar
essas práticas obrigatórias do fazer jornalístico, o exercício de reportar é de grande
valia.

4.2 Aluno-repórter

É nos grandes conflitos mundiais que o papel do jornalista-repórter torna-se


público, se aproxima do cidadão comum e se fragiliza por ser o único a chegar perto
da notícia no campo de batalha. O exemplo mais recente dessa ação jornalística foi o
confronto norte-americano contra os seguidores de Osana Bin Laden. Preocupados
em verificar as manobras militares in loco os jornalistas norte-americanos brigaram
para entrar na guerra. O desejo era evitar que o Pentágono controlasse as informa-
ções sobre o confronto no Afeganistão. “É muito fácil perceber que não teremos re-
115
portagens em tempo real nem a verificação do que realmente aconteceu nos ataques”,
reclama Doyle Macnus, do diário Los Angeles Times.36

É com esse espírito de ter maior acesso ao fato jornalístico que o aluno-repórter
deve encarar a atividade profissional ainda na escola. É por meio da observação, no
local que pretende reportar, que colocará à tona as contradições sociais ou políticas.
“Daí por que pode ser chamado de observação-reportagem, já que apresenta certa si-
milaridade com as técnicas empregadas pelos jornalistas.” 37 Antônio Carlos Gil quis
dizer que a observação é um técnica de coleta de dados e independe para que fim será
usada.

Se, segundo Franz Victor Rudio, observar é aplicar os sentidos a fim de obter
uma determinada informação sobre algum aspecto da realidade, 38 o futuro jornalista
não pode abrir mão dessa técnica, secularmente utilizada pelo ser humano, com o ob-
jetivo de valorizar e enriquecer o texto jornalístico e ainda ganhar credibilidade junto
ao leitor. Mas observar abrange todos os sentidos do homem, não se resume a ver,
mas de examinar e interpretar, de ler documentos, de colher depoimentos. Estes co-
nhecimentos ajudam o estudante a compreender com maior abrangência o fenômeno
jornalístico. “A percepção, observação cotidiana se enriquecem, amplia-se a cosmovi-
são, assim como ampliam as narrativas”, ensina Cremilda Medina que tudo isso é
possível aprender por meio da reportagem.39 Luiz Maklouf de Carvalho, autor de Co-
bras Criadas, usou com propriedade a observação para contar a vida de menores de
rua que perambulam pelo centro da capital paulista. Para mostrar com precisão e ve-
racidade o fato, Maklouf passou 12 horas acompanhando de perto as aventuras, as
peraltices de sete crianças abandonadas pelos pais e pelo Estado. “Lá vão eles de
novo, a menina um pouco atrás. Entram no metrô Anhangabaú, atravessam as duas
pistas da 23 de Maio. Dois deles têm cola.”40 A cada linha lida o leitor mergulha no
mundo conturbado e violento de São Paulo como se fosse ele o observador-partici-
pante.

O jornalista tem sempre presente uma preocupação: ser preciso e verídico no


relato do imediato, mas sem perder a criatividade. Disso decorre parte da narrativa
por ele elaborada. A construção lógica de cada parágrafo e a coordenação coerente
116
das informações coletadas, mais a intuição jornalística do autor, são fundamentais
para tornarem o texto inteligível e de fácil leitura.

Prender a atenção da primeira até a última linha, ter originalidade, clareza e cri-
atividade, simplificar o cotidiano, mostrar os contrastes sociais sem perder o brilho
da narrativa são desafios constantes que o jornalista enfrenta para contar um fato
real rico em detalhes. A reportagem acentua a qualidade do autor e amplifica o uni-
verso do leitor. No entanto, para seduzir o leitor é preciso algumas técnicas narrati-
vas, nenhuma pode ser monótona, cheia de adjetivos ou cansativa. Muniz Sodré e
Maria Helena Ferrari classificaram a reportagem assim: a) reportagem de fatos (fact-
story), reportagem de ação (action-story) e reportagem documental (quote-story).41
Os três tipos ou modelos devem ser usados pelo estudante porque não privilegiam o
factual mas o desdobramento da notícia. Sendo, portanto, uma extensão do real ime-
diato, a reportagem constitui um gênero jornalístico que contribui na formação esti-
lística e conteudista do futuro jornalista. “Por isso, é a reportagem – onde se contam,
se narram as peripécias da atualidade – um gênero jornalístico privilegiado. Seja no
jornal nosso de cada dia, na imprensa não cotidiana ou na televisão, ela se afirma
como o lugar por excelência da narração jornalística. E é mesmo, a justo título, uma
narrativa – com personagens, ação dramática e descrições de ambiente – separada
entretanto da literatura por seu compromisso com a objetividade informativa.”42

4.3 Pauta serve de guia

Chama-se pauta tanto o conjunto de assuntos que uma editoria está cobrindo
como a série de indicações transmitidas ao estudante, não apenas para situá-lo sobre
um determinado tema, mas, principalmente, para orientá-lo sobre os ângulos a ex-
plorar no fato jornalístico, entrevista ou na reportagem. Toda pauta parte de uma hi-
pótese. É o roteiro mínimo fornecido ao estudante de Jornalismo. A pauta serve de
guia ao estudante. Para Clóvis Rossi, da Folha de S. Paulo, a pauta é o plano de vôo
para o desenvolvimento da reportagem.

O estudante precisa primeiro pesquisar o assunto antes de ir a campo. Ele deve


se preocupar em levantar enfoques diferenciados sobre o assunto, buscar ângulos no-
vos de abordagem, não ser genérico e responder a uma questão específica. O aluno
117
deve ler de tudo, checar minúcias, ter uma boa rede de informações, conversar sem-
pre com quem puder, interessar-se por tudo e por todos, ficar atento ao trânsito,
obras públicas ou não, sempre que possível reler jornais e revistas na coleção situada
no arquivo ou no departamento de documentação. Ser bem informado é uma quali-
dade indispensável a quem prepara uma pauta. O estudante não pode começar um
texto sem muita pesquisa. Se confiar na intuição ou na velha praxe “na hora eu me
viro”, já é meio caminho andado para o erro. É preciso preparar, ler, anotar. Fazer
uma pauta é apurar antes da apuração. Ao apurar, com uma leitura rigorosa sobre o
assunto, o estudante pode encontrar contradições ou informações que não batiam ou
batem com o assunto.

Não adianta nada ser um bom criador de idéias e não saber se podem ser execu-
tadas. Formular perguntas é uma coisa, talvez até um ato mecânico, mas ter conheci-
mento sobre o assunto a ser pautado é outra história. A boa pauta é aquela que tem
um bom histórico que possa facilitar a compreensão do objetivo. O texto deve ser
leve, esclarecedor e até provocativo. Ou seja, aguçar a sua própria sensibilidade. A
pauta jamais pode ser um catálogo, um índice ou uma folha repleta de anotações ge-
néricas e dispersas. Na verdade, precisa ter uma metodologia que possa nortear e or-
denar o que se propõe a confirmar ou não.

Quando se tem uma boa pauta, a coleta de dados e a matéria se desenrolam na-
turalmente. A pauta é um roteiro que inclui o assunto, histórico, objetivo, justificati-
va, telefones de pessoas a entrevistar, endereços de locais que deverão ser procurados
e previsão para fotos, tabelas, gráficos, ilustrações, mapas ou box. Deve-se evitar a
formulação de perguntas. Ela inibe o estudante a refletir e analisar o argumento do
entrevistado. Na verdade, o estudante fica mais preocupado em fazer a próxima per-
gunta que já está programada e não presta a devida atenção na resposta do entrevis-
tado. Então, o fundamental é que faça o estudo aprofundado sobre o tema ou entre-
vistado e redija um histórico que o possa ajudar no encadeamento da reportagem ou
entrevista.

A pauta é detalhista, principalmente porque o jornal-laboratório é diferente do


jornal diário. Este se pauta com acontecimentos programados e não-programados,
enquanto o jornal-laboratório trabalha quase sempre com matérias frias. No jornal
118
diário, por exemplo, é preciso agilidade para montar uma pauta de cobertura no caso
de um grande incêndio. No jornal-laboratório os estudantes têm um tempo maior de
operação, além do tratamento e acabamento editorial diferentes. Quanto mais o estu-
dante estiver informado, mais sua sensibilidade estará aguçada para direcionar sua
matéria. Por isso, é preferível que o aluno faça um levantamento detalhado sobre o
assunto ou entrevista que vai reportar e deixar de lado o roteiro de perguntas. Então,
um bom histórico, na maioria das vezes, dá muito mais subsídio ao estudante para
questionar o entrevistado.

A pauta de um jornal-laboratório deve e precisa ser mais rica do que a dos ór-
gãos de imprensa diários. Nestes, quem define a pauta são os editores. O repórter, na
maioria dos casos, é um elemento passivo na discussão de pauta. Já em um jornal-la-
boratório esse processo deve e tem que ser diferente porque é um trabalho acadêmico
e precisa ser mais fundamentado. A pauta escrita e completa obriga o estudante a fa-
zer uma pesquisa antes: saber onde está a fonte, qual o seu telefone, a melhor angula-
ção na matéria, o que já existe publicado sobre o assunto etc.

A cada edição do jornal-laboratório é realizada uma reunião de pauta para dis-


cutir e analisar as propostas de pautas do estudante. A reunião de pauta é para evitar
decisões arbitrárias, democratiza uma Redação e hierarquiza os fatos jornalísticos –
de interesse público – que devem ser “cobertos” pelo jornal-laboratório. O aluno-re-
pórter tem de discutir a pauta também, porque durante a discussão ele já começa a
fazer a matéria. Além disso, quando o aluno discute a pauta, aprende a interpretar os
fatos.

4.3.1 Modelo de pauta

Tema — saúde

Assunto — paralisia infantil

Histórico — é uma pesquisa sobre o assunto, seleção dos dados mais impor-
tantes que possam auxiliar o estudante no direcionamento da matéria ou reporta-
gem.
119
Objetivo — especificar o direcionamento do assunto. É a angulação da matéria
ou reportagem.

Fontes — Ministério da Saúde, secretarias da Saúde, hospitais públicos e priva-


dos, escolas, creches, depoimentos de especialistas, pais etc.

Estes dados ajudarão o estudante a montar e produzir um texto que atenderá às


exigências do leitor. O estudante tem liberdade e deve ter sensibilidade para mudar a
angulação da pauta quando um assunto levantado no meio de uma entrevista ou co-
bertura se sobrepuser aos demais pedidos pela pauta. Ou seja, quando surgir um gan-
cho mais interessante.

4.4 Lead não dispensa criatividade

No início dos anos 50, uma grande reforma no jornal Diário Carioca substituiu
o tradicionalíssimo nariz-de-cera pelo lead, recurso de estilo norte-americano no
qual as informações mais importantes e atraentes da notícia são colocadas no pará-
grafo inicial do texto, de modo a conquistar a atenção do leitor. O responsável pela
modernidade do jornalismo brasileiro foi o jornalista Roberto Pompeu de Sousa Bra-
sil.

Na verdade, lead, ou já aportuguesado lide, é a introdução, o primeiro parágrafo


de um texto, que dá resposta a seis perguntas básicas do objeto da matéria: quem? o
que? quando? onde? como? por quê? É uma técnica com o objetivo de compactar a
informação ao leitor. O lead deve ter no máximo 10 linhas/lauda de um parágrafo e
ser dividido em dois ou três períodos (orações) tratando do mesmo assunto. Evite pa-
rágrafos longos. Quando o lead for noticioso, o estudante de Jornalismo deve obede-
cer à seguinte regra: o que, quem, quando, como, onde e por quê. A seqüência das
seis perguntas-chave para formação de um bom lead é flexível.

Agora, se a notícia não for factual, por exemplo, uma reportagem sobre o des-
matamento clandestino na Amazônia, o estudante deve e pode lançar mão de outros
recursos de redação. A receita não é correta para todos os textos, mas é preciso domi-
nar a fórmula para saber quando não usá-la, substituindo-a pela originalidade, criati-
vidade e talento. Porém, o estudante não pode se esquecer que a exigência funda-
120
mental continua a de prender a atenção do leitor, e para isso é preciso escrever bem,
o que só se consegue lendo bem, e muito.

O estudante ao construir um texto jamais pode dispensar a criatividade, mas


precisa respeitar as regras de estruturação, sem adotar uma visão burocrática do fato
jornalístico. O lead, conforme define o Livro de Estilo do jornal português Publico, é
aquele que introduz uma novidade absoluta, uma notícia em primeira mão. O estu-
dante deve sempre mostrar algo novo, mesmo que o assunto seja óbvio.

O lead deve ser claro, preciso e fiel ao público, não deve ser negativo, dúbio ou
de difícil interpretação, interrogar o leitor, ou no condicional e no gerúndio. O estu-
dante também deve evitar citações literárias, expressões. O lead deve ser afirmativo,
informativo e, quando possível, acentuar a ação.

4.5 Título leva à leitura

A função do título ou manchete é anunciar a notícia ou reportagem, resumir o


mais importante do texto jornalístico. Tem de refletir a realidade do fato jornalístico,
o clima do assunto, tornar a notícia atraente. É a frase mais enxuta e curta, composta
em letras (caracteres) maiores que ficam acima do texto. A finalidade é orientar e
despertar o interesse pela leitura.

4.5.1 Algumas regras e dicas

O título:

● precisa sair do lead e é importante que provoque impacto, curiosidade, ser


apelativo.

● precisa ser claro, objetivo, conciso.

● ter verbo de ação (no presente). Isso atualiza, não deixa a notícia envelhe-
cer. Quando o texto se referir a fatos distantes no futuro ou passado, usam-
se o pretérito ou o futuro.

● ter palavras curtas.


121
● conter palavras-chave que sintetizem o mais importante (lead) da matéria;

● só deve usar siglas conhecidas.

● não deve abreviar palavras.

● estar na ordem direta: sujeito, verbo e complemento.

Evitar:

● uso de termos indefinidos: vários, diversos, muitos, poucos, alguns etc. Es-
sas palavras dão margem a imprecisão.

● uso de artigo antes do sujeito.

● uso de dois pontos. Não é criativo e interrompe a continuidade do título.

● reproduzir as palavras iniciais do texto;

● uso de verbos como ter, dever e poder, em razão da carga de ambigüidade


que contêm.

● uso de interrogação. O título precisa informar o leitor, não deixá-lo em dú-


vida ou questioná-lo.

● uso de rimas, principalmente o ão.

● título óbvio. Exemplo: Recessão causa aumento de desemprego;

● uso de palavras desconhecidas do leitor.

● aspas no título, a não ser para identificar citações fortes.

● verbos em tempo composto. Exemplo: FHC vai viajar amanhã. (Errado);


FHC viaja amanhã. (Correto)

● dividir palavras.

● uso do ponto final.

● adjetivos que só preenchem espaços e não enriquecem a informação;

● uso de advérbios de lugar.

● uso de números no começo de título.


122
● uso de palavras ou expressões negativas. Exemplo: Jogo não se realizará.
Correto: Jogo é cancelado.

● uso de números romanos.

● só use abreviaturas ou nomes próprios quando forem do conhecimento ge-


ral.

4.5.1 Impacto

Exemplo de título que causa impacto:

Choque de ônibus mata 100 pessoas;

Sem impacto e desinteressantes

Exemplo: Violento choque de caminhões;

Exemplo: Nenhuma pista sobre o crime da rua Cuba;

4.6 Edição seleciona e hierarquiza

Até a metade do século 15 tudo era manuscrito, a invenção da imprensa facilitou


a produção e difusão do jornal, pois permitiu que fossem feitas várias cópias de um
mesmo impresso. Com a tipografia criou-se um tipo de comunicação comum, ou seja,
o jornalismo passou a ser um fenômeno universal. Com a colaboração de Gutemberg,
a maneira de fazer jornal foi evoluindo de acordo com a necessidade de comunicação
do homem e também com a sofisticação dos governantes na arte de dominar. A linha
editorial do jornal foi se moldando e ganhou padronização e organização com a Revo-
lução Industrial.

O crescimento da industrialização provocou transformação do sistema de estra-


tificação social com a expansão da classe operária e das camadas médias, o advento
da burocracia e das formas de controle gerencial, o aumento populacional e o desen-
volvimento do setor terciário em detrimento do setor agrário. A partir desses fenô-
menos, filhos da Revolução Industrial no final do século passado, os jornais, antes
privilégios de poucos, começaram a chegar à casa do proletário. Nascia, ou melhor, se
123
consolidava nesse movimento o primeiro veículo de comunicação de massa. O jornal
viabilizou não só o debate político e a reflexão, mas também sua utilização como um
mecanismo de manipulação das classes menos abastadas da sociedade.

Até a Segunda Grande Guerra, não havia uma padronização do lay-out da pági-
na. As matérias geralmente não eram tituladas. Os jornais não se preocupavam em
manchetar as principais notícias na primeira página para atrair o leitor mais desaten-
to. No decorrer dos acontecimentos da guerra, o modo de fazer jornal foi se modifi-
cando, principalmente nos Estados Unidos – onde nasce o jornalismo interpretativo,
o desenvolvimento da reportagem, com o reforço analítico e documental que procu-
rou situar mais precisamente o cidadão diante dos acontecimentos – e os critérios
passaram a ser outros. Aos poucos o jornal foi introduzindo títulos e manchetes, em-
bora longos, pois ainda não se havia determinado o espaço a ser ocupado por eles.

Com o final da Segunda Grande Guerra, o mundo se moderniza em diferentes


setores. Dentro desse contexto é redefinido o antigo meio de comunicação, a impren-
sa. Nos Estados Unidos, a funcionalidade – praticidade e a agilidade no fazer jornal –
se incorpora ao processo de produção e difusão desse veículo. Na verdade, nos Esta-
dos Unidos, a técnica de fazer jornal ganhou aliados como título, manchete, local
para quadro estatísticos, fotos e lead. Esses critérios foram criados, não só para aten-
der às exigências do leitor que cada vez mais se envolvia com a vida agitada das mu-
danças tecnológicas e econômicas, mas também para facilitar a produção em massa e
alcançar um horizonte ainda maior, ou seja, chegar a vários locais no menor espaço
de tempo.

O processo de edição – que envolve a escolha do assunto, a definição da pauta, o


entrevistado, o fato jornalístico, as matérias que abrem página e aquelas que vão para
a primeira página – foi o carro-chefe da evolução do jornalismo impresso. Esse pro-
cesso de editar, colocar cada um no seu lugar, hierarquizar, selecionar, definir espaço
e dar prioridade a temas e fatos, contribuiu para que mais pessoas, ou leitores, tives-
sem acesso às informações e que as notícias não ficassem restritas ao círculo de uma
sociedade.
124

4.7 Linha editorial define características

Toda publicação jornalística tem a sua linha editorial, apresentação gráfica/vi-


sual e padrões redacionais específicos. Com isso visa apresentar ao público leitor um
produto de boa qualidade. Como complemento a essa idéia, a linha editorial se firma
através do uso de padronizações redacionais e gráficas/visuais homogênicas, que dão
ao veículo uma personalidade, uma identificação. O jornalista – mesmo que ainda
aprendiz – deve saber adaptar-se à linha editorial do veículo em que trabalha.

Daí a importância da definição da linha editorial para a produção e difusão do


jornal-laboratório porque vai oferecer ao estudante de Jornalismo elementos que vão
nortear a sua matéria ou reportagem sem perder a essência do fato jornalístico.

A linha editorial é importante para evitar a interferência tanto no processo ensi-


no-aprendizagem quanto na produção e difusão de um jornal-laboratório. Ela define
as diretrizes e características do jornal-laboratório, sem as quais dificilmente um veí-
culo de comunicação sobrevive às transformações sociais. Essencialmente, a linha
editorial é a identidade do veículo laboratorial.

Não existe um modelo pronto e acabado para elaborar uma linha editorial labo-
ratorial, mas alguns tópicos devem ser incluídos porque há casos que o jornal-labora-
tório se transforma num boletim informativo institucional. Um dos tópicos recomen-
dados ao professor-responsável pelo jornal-laboratório é deixar bem claro que o veí-
culo laboratorial é de uso exclusivo do Curso de Jornalismo, em particular do aluno
que tem aonde se exercitar. O jornal jamais deve ser usado em benefício próprio (alu-
no) e da instituição. É bom registrar também que o aluno não pode usá-lo em defesa
de interesses políticos, econômicos, estudantis etc.

Outro tópico que pode ser incluído na linha editorial é quanto à distribuição.
Não é raro centenas de exemplares de jornal-laboratório ficarem encalhados na reda-
ção porque não houve a distribuição. Distribuir também é uma atividade acadêmica e
não tira o brilho jornalístico do estudante que entrega diretamente ao leitor um
exemplar do jornal-laboratório. Na verdade, a circulação do jornal não deve se res-
tringir à faculdade, porque só assim o aluno-repórter tem a oportunidade de divulgar
125
seu trabalho num universo maior, colocando em prática a teoria adquirida na sala de
aula.

É recomendável ao elaborar a linha editorial que seja esclarecida a função e o


objetivo do jornal-laboratório na formação do aluno, o zelo que o estudante deve to-
mar na apuração do fato jornalístico, a identidade do jornal-laboratório com a comu-
nidade que estiver inserido para evitar a publicação de matérias que fujam completa-
mente do contexto local.

É fundamental a constituição de um conselho editorial independente. É um co-


legiado composto por professores da instituição e por alunos. O mandato é de um
ano, podendo ser renovado por mais um. O colegiado é eleito pelo voto popular entre
professores da instituição e alunos de Jornalismo. Sua função é avaliar o desempenho
do jornal, discutir a linha editorial, examinar o comportamento do futuro jornalista.
Em casos excepcionais, pode ser convocado.

4.8 Linha editorial define as editorias

Mas não existe uma regra que determine as editorias de um jorna-laboratório


porque os critérios de escolha dependem da abrangência do veículo laboratorial e da
sua função na comunidade. Mas para experimento e treinamento do futuro jornalista
é viável, dentro da realidade local, que editoriais tradicionais: política, economia,
saúde, esporte sejam incluídas na linha editorial do jornal-laboratório. Na verdade, a
finalidade é familiarizar o estudante com a realidade do mercado, mas é preferível
que os temas escolhidos sejam voltados aos interesse da comunidade em que o jor-
nal-laboratório esteja inserido. Ou seja, não é um melhor resultado prático um aluno
produzir um texto sobre a super-desvalorização do dólar num parâmetro nacional.
Com certeza, o resultado será melhor e didático se o mesmo tema for explorado enfo-
cando, por exemplo, a influência da queda do dólar na economia local. A finalidade é
aguçar o estudante a entender, no caso específico da economia, como funciona o se-
tor econômico da região de circulação do jornal-laboratório. Na verdade, o jornal-la-
boratório deve colocar em pauta assuntos que valorizem a comunidade e não temas
que relatam fatos nacionais. Então, as editorias precisam ter enfoques locais.
126

4.9 Cronograma de atividades

É a pauta do professor. Nela devem constar as atividades teóricas e práticas que


vão acontecer ao longo do ano letivo. Sem uma programação definida o professor terá
dificuldades em aplicar a sua metodologia de trabalho. Já o aluno fica perdido sem
saber o que fazer a cada encontro na Redação. Ao elaborar o cronograma de ativida-
des, o professor precisa relacionar e especificar cada etapa de produção e difusão do
jornal-laboratório e afixá-la na Redação. Assim o aluno e professor terão como se ori-
entar cotidianamente. É lógico que os imprevistos ocorrerão, mas nada impede ou in-
viabiliza a função do cronograma de atividades.

Exemplo:

1º encontro – exposição do programa de trabalho

2º encontro – aula teórica sobre a função social do jornalismo e ética

3º encontro – o que é jornal-laboratório e texto para jornal-laboratório

4º encontro – a reportagem e a comunidade

5º encontro – o que é pauta e a sua aplicabilidade no jornal-laboratório

6º encontro – distribuição de atividades para produção e difusão da primeira edição


do ano letivo do jornal-laboratório

7º encontro – escolha de editorias e reunião de pauta

8º encontro – leituras da pautas

9º encontro – entrega dos textos (matérias) e leitura

10º encontro – diagramação do jornal-laboratório e revisão

11º encontro – fechamento do jornal-laboratório e edição

12º encontro – reunião de avaliação

13º encontro – distribuição do jornal-laboratório e reunião de pauta


127
No mínimo serão 36 encontros ao longo do ano letivo ou 144 horas/aulas, de-
pende da grade curricular de cada escola. O tempo passa rápido e a exigência é tirar,
no mínimo, oito edições do jornal-laboratório. Então, neste contexto, o cronograma
de atividades vai agilizar fechamento e conduzir o aluno a respeitar regras, prazos, se
disciplinar, não esquecer o dia de fechamento, de uma reunião de pauta.

Embora o aluno não deva ser treinado à base da nota para o funcionamento da
produção e difusão do jornal-laboratório, é importante que o professor estabeleça cri-
térios de avaliação. Sem eles as etapas de produção e difusão raramente são respeita-
das pelos alunos, principalmente aqueles meramente tarefeiros, ou seja, que não se
preocupam com o processo ensino-aprendizagem, querem mais tirar nota do que
exercitar o jornalismo. Na verdade, o aluno precisa entender que a avaliação não é
um instrumento de poder do professor-responsável pela produção e difusão do jor-
nal-laboratório, nem ele pode usá-la como modelo de coação, inibição da criatividade
ou chantagem. O aluno tem de ser cobrado mas de público, ou seja, na frente de cole-
gas. O recomendável que o professor converse pessoalmente com cada autor, para
que ninguém fique constrangido.

É comum o aluno perguntar ao professor quanto que nota vai ganhar para cum-
prir as etapas de trabalho. Ele esquece que ganha sempre que produzir, e bem. Para
evitar reclamações e justificativas de última hora, o professor pode adotar os seguin-
tes critérios de avaliação: interesse pela futura profissão, disciplina, pontualidade,
originalidade na gestão da pauta e produção do texto, participação e sugestões, reu-
nião de pauta, qualidade do texto, ajuda no fechamento, distribuição.

4.10 Orientação bibliográfica

No dia-a-dia nas redações ou na cobertura de grandes acontecimentos a leitura


é indispensável para a valorização profissional. É muito importante que o estudante,
mesmo com a visão de que fazer jornalismo é apenas um exercício de rotina, leia so-
bre tudo. Com a proposta de colaborar com o futuro jornalista, neste tópico relaciono
uma série de livros dos mais variados gêneros que serão fundamentais para sua for-
mação:
128
ABRAMO, Cláudio. A regra do jogo. São Paulo, Companhia das Letras, 1989.

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4.11 Notas e referências bibliográficas

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18 – RIVERS, William L. e SCHRAMM, Wilbur. Responsabilidade na comunicação


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132
19 – KUNCZIK, Michael. Manual de comunicação: conceitos de jornalismo. São Pau-
lo, ComArte/Edusp, 1997.

20 – CHAUÍ, Marilena. Ética. São Paulo, Vídeo Cultura, 1992.

21 – MEYER, Philip. A ética no jornalismo. Rio de Janeiro, Forense Universitária,


1989.

22 – MEYER, Philip. A ética no jornalismo. Rio de Janeiro, Forense Universitária,


1989

23 – FENAJ. Código de ética dos jornalistas. Brasília, Fenaj, 1985.

24 – SCHNEIDER, Ari. Entrevista. São Paulo, Jornal-laboratório Momento/Fiam,


edição 78, 1997.

25 – NUNES, Augusto. Zero Hora: manual de ética, redação e estilo. Porto Alegre,
RBS e C&PM, 1994.

26 – BOUCHER, Jean-Dominique. A reportagem escrita. Portugal, Editorial Inquéri-


to, s/d.

27 – MEDINA, Cremilda. Jornalismo e literatura: fronteiras e intersecções. In: Ca-


dernos de Jornalismo e Editoração, nº 25. São Paulo, ComArte, junho de 1990.

28 – WITTER, José Sebastião. João do Rio levou a literatura ao jornalismo. In: Jor-
nal dos Jornais, nº19. São Paulo, Editora Jornal dos Jornais, outubro de 1999.

29 – PINTO, Tão Gomes. Antipático, mas competente. In: Revista Imprensa, nº163.
São Paulo, Imprensa Editorial, agosto 2001.

30 – NUNES, Augusto. Depoimento dado no programa televisivo A verdade de…, exi-


bido no dia 18 de dezembro de 2001, entre 21h30 e 22h30, pela Rede Brasil, apresen-
tado por Sargenteli.

31 – WITTER, José Sebastião. João do Rio levou a literatura ao jornalismo. In: Jor-
nal dos Jornais, nº19. São Paulo, Editora Jornal dos Jornais, outubro de 1999.

32 – FUSER, Igor. (org.) A Arte da Reportagem. volume 1. São Paulo, Editora Scritta,
1996.

33 – FUSER, Igor. (org.) A Arte da Reportagem. volume 1. São Paulo, Editora Scritta,
1996.

34 – BRUM, Eliane. A guerra do começo do mundo: a última fronteira. São Paulo, re-
vista Época, ano 4, nº180, 29 de outubro de 2001.

35 – BRUM, Eliane. A guerra do começo do mundo: a última fronteira. São Paulo, re-
vista Época, ano 4, nº180, 29 de outubro de 2001.
133
36 – FOLHA DE S. PAULO. In: Jornalistas querem ‘entrar’ na guerra. São Paulo, Ca-
derno Mundo, página A14, 23 de outubro de 2001.

37 – GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São paulo, Atlas,
1989.

38 – RUDIO, Franz Victor. Introdução ao projeto de pesquisa científica. Petrópolis,


Vozes, 1999.

39 – MEDINA, Cremilda. Jornalismo e literatura: fronteiras e interseções. In: Cader-


nos de jornalismo e editoração, nº25. São Paulo, ComArte, junho de 1990.

40 – MAKLOUF DE CARVALHO, Luiz. Doze horas acompanhando Pamela e amigos,


garotos de rua. O Estado de S. Paulo, Caderno Cidades, página C4, 23 de dezembro
de 2001.

41 – SODRÉ, Muniz e FERRARI, Maria Helena. Técnica de reportagem: notas sobre


a narrativa jornalística. São Paulo, Summus, 1986.

42 – SODRÉ, Muniz e FERRARI, Maria Helena. Técnica de reportagem: notas sobre


a narrativa jornalística. São Paulo, Summus, 1986.
5 MANUAL DE REDAÇÃO PARA JORNAL-LABORATÓRIO

Com a proposta de chegar mais rápido ao leitor, agilizar o fechamento e homo-


genizar o texto, os jornais adotaram regras e normas na produção e difusão da notí-
cia. Na busca de um produto mais atraente e preciso um dos recursos usados foi a va-
lorização gráfica da primeira página. Os títulos, antes compostos em corpo que não
chamavam a atenção do leitor, ganharam novo formato e espaço. Os longos textos fo-
ram substituídos por chamadas com o objetivo de levar o leitor às páginas internas
dos jornais. Já as matérias foram modificadas com a criação da pirâmide invertida:
do mais importante ao menos importante na estrutura da notícia jornalística, mas
sempre buscando responder às perguntas quem, quando, o quê, onde, como e por
quê? Embora com regras e normas internas e utilizando algumas técnicas, esse esfor-
ço era uma tentativa de dar unidade à notícia, agilidade no fechamento e um esforço
para colocar o jornal nas bancas o mais rápido possível. As empresas, dessa nova in-
dústria, se caracterizavam como organizações que não podiam mais depender da im-
provisação na produção e difusão da notícia. Na verdade, o texto jornalístico começa
a ganhar forma e estilo com a introdução do manual nas redações.

Embora não seja considerado um manual de estilo, o livro do professor america-


no, Fraser Bond, Introdução ao jornalismo, representa um marco do jornalismo mo-
derno porque contribuiu no processo de produção e difusão do fato jornalístico. O
professor estimula o aluno a fazer um jornalismo preciso, exato e coerente no relato
da notícia e fiel ao leitor. Ainda nos Estados Unidos os jornais The New York Times,
The Washington Post, The Philadelphia Inquirer e a agência de noticias The Associa-
ted Press adotaram o livro de estilo. Na Europa El País (Espanha), Le Monde (Fran-
ça), The Independent (Inglaterra), Público (Portugal) também aderiram ao jornalis-
135
mo moderno e implantaram o manual de estilo como ferramenta para os jornalistas
da casa.

José Marques de Melo e Carlos Eduardo Lins da Silva confirmam que a primei-
ra tentativa de usar manual de redação no jornal brasileiro foi em Pernambuco, no fi-
nal da década de 20, quando o jovem jornalista Gilberto Freyre, recém-chegado dos
Estados Unidos, implanta em Recife uma stylesheet. Como diretor de A Província in-
centiva seus redatores a escreverem com naturalidade e simplicidade. Estabeleceu
um código de redação: seriam multados aqueles que chamassem pai de genitor; re-
cém-nascido de interessante petiz; bispo de respeitável prelado e assim por diante. 1 A
experiência de Gilberto Freyre durou pouco porque o jornalismo da época era artesa-
nal e amador. As empresas não pagavam e era impossível exigir textos padronizados
de redatores voluntários.

Em 1959, sob a coordenação de José Nabantino Ramos, foi implantado nas Fo-
lhas da Manhã, da Tarde e da Noite as Normas de Trabalho da Divisão de Redação.
“A experiência gerara o livro e o livro voltaria então a ser testado pela experiência.
Tudo deu certo. A elaboração das Folhas, e mais tarde a Folha de S. Paulo, ganhou
em eficiência e segurança, à proporção que era disciplinada por Normas de Trabalho
escritas. Demo-nos até o capricho de elaborar a nossa Carta de Princípios, isto é, o
caminho que escolhíamos, como jornalistas, para estimular o progresso político,
econômico, social e moral do povo brasileiro.”2 Aproveitando a experiência acumula-
da na elaboração das Normas de Trabalho e somados os 18 anos vividos na redação
das Folhas, José Nabantino Ramos se aprofundou no assunto e produziu um livro
com 305 verbetes, distribuídos em 13 grupos: imprensa e jornalismo, a empresa e
sua economia, organização da redação, organização do jornal, conteúdo do jornal,
ética profissional, publicidade, oficinas, comportamento do público, direitos e obri-
gações do jornalista, delitos de imprensa, entidades jornalísticas e disciplina legal
da profissão. Classificado como Jornalismo: dicionário enciclopédico, José Nabanti-
no Ramos assim justificou a sua obra: “Procedendo eu da advocacia, que se desenvol-
ve sob a disciplina de normas, sentia, como diretor de jornal, a falta de regras, tanto
para o trabalho diário, como para reger as relações do periódico com o meio em que
atuava. Estranhei profundamente que tudo isso se fizesse ao sabor da improvisação e
do critério de cada um.”3
136
O Diário Carioca foi o primeiro jornal brasileiro, na década de 50, a organizar,
em caráter permanente, normas de redação destinadas a padronizar o texto jornalís-
tico. O modelo stylebook foi importado dos Estados Unidos. O manual orientava o re-
pórter a ordenar a matéria, grifar números, usar corretamente o pronome de trata-
mento, maiúsculas, abreviações e pontuação.4 Era simples e compacto para a época.

5.1 Conceitos de Manual de Redação

O Novo Aurélio conceitua manual como o “livro que contém noções essenciais
acerca de uma matéria, assunto.”5 Uma das características do manual é reunir de for-
ma ordenada e de fácil manuseio, idéias, pensamentos, regras, normas, instruções e
recomendações sobre determinado assunto ou tema. “Além do conhecimento, de-
vem-se combinar capacidade de síntese e clareza para gerar leitura produtiva e indi-
cação de caminhos. Um bom manual tem também de se valer de conceituação utilitá-
ria e possibilitar o trabalho organizado.”6 Os manuais mais tradicionais e conhecidos
do grande público são aqueles de eletrodomésticos e após 1988, com a promulgação
da Constituição, nasceu o manual do consumidor: Exercício da cidadania. Ele é tam-
bém um roteiro de trabalho que permite resolver dúvidas e agilizar a produção.

O manual pode ser considerado também um guia com ilustrações, tabelas, gráfi-
cos. Serve para simplificar e esclarecer informações complicadas e de difícil entendi-
mento. Embora não seja a tábua de salvação, ele indica como fazer e o que fazer nos
momentos de dúvidas. Joaquín Estefanía, do jornal espanhol El Pais, define assim
manual de redação: “Por ello entendemos que han de existir unas directrices que
comprometan al periódico con sus lectores, una especie de control de calidad que de-
fina quiénes somos y cómo trabajamos.”7

5.2 Objetivos do Manual de Redação

No jornalismo contemporâneo o manual se transformou em um indispensável


instrumento de trabalho do repórter. Ele orienta e regulamenta o estilo, a redação do
texto. O que se busca é padronizar a linguagem, dar unidade ao texto sem inibir a cri-
atividade do jornalista e clarear as condições de trabalho jornalístico, expor as nor-
137
mas e exigências para o exercício profissional. A proposta é sempre orientar o redator
a produzir um texto completo, imparcial e fundamentado sobre fatos e não sobre ru-
mores. E o Libro de Estilo do jornal El Pais não foge à regra. “Un libro de estilo no es
una gramática ni un diccionario al uso. Es simplesmente el código interno de una Re-
dacción de cualquier medio informativo, que trata de unificar sistemas y formas ex-
presivas con el fin de dar personalidad al próprio medio y facilitar la tarea del lector
en el casos de los periódicos.”8

O manual é destinado exclusivamente a facilitar a tarefa do jornalista e agilizar


o fechamento de cada edição. O periódico santista A Tribuna também implantou ma-
nual com a finalidade de melhorar o texto e qualificar a notícia. “Este Manual da Re-
dação pretende representar a alavanca de um esforço em favor do aprimoramento
dos textos jornalísticos de A Tribuna.”9

O então diretor de Redação do Zero Hora, de Porto Alegre (RS), Augusto Nu-
nes, na apresentação do Manual de Ética, Redação e Estilo, argumenta que “a adoção
de um código de ética, por si só, não imuniza nenhum jornal contra o risco de prota-
gonizar deslizes, escorregões ou mesmo delitos graves. Mas sempre reduz a incidên-
cia de casos de má-fé e reafirma o compromisso de agir corretamente”.10

Com o objetivo de informar bem e corretamente, a Editora Abril também im-


plantou o manual para auxiliar o jornalista da casa a não cometer escorregões ao re-
digir um texto informativo. O autor do Manual de Estilo, Carlos Maranhão, reforça a
tese de que a finalidade é ajudar a descomplicar a tarefa cotidiana do jornalista e ain-
da facilite o entendimento do leitor.11 Evandro Carlos de Andrade, diretor de Redação
de O Globo, quando da implantação do Manual de Redação e Estilo, organizado por
Luiz Garcia, fez a seguinte reflexão e observação: “Este manual tem a aspiração de
contribuir para a modificação de uma realidade da qual nasceu como flor do lodo: a
da massa de erros que há anos se observa nos veículos de comunicação social, com
impressionante índice de repetição”.12

Tratar apenas dos problemas mais corriqueiros de redação, com o objetivo de


atualizar a indispensável padronização exigida pelo processo de produção do jornal e
138
facilitar a vida de repórteres, redatores, diagramadores, revisores e editores. Foi com
estas propostas que nasceram as normas internas do Jornal do Brasil.13

E o Livro de Estilo do jornal português Público também surgiu da necessidade


de sacramentar as raízes da unidade na produção e difusão da informação. “Este livro
reúne apenas princípios que, partindo de uma ideia partilhada de início por um gru-
po de pessoas, encontraram depois forma e legitimidade na validação prática dos
seus pressupostos.”14 Em verdade, o objetivo do livro é sensibilizar o repórter que no-
ticiar é anunciar algo de novo, mas que para isso acontecer harmonicamente é preci-
so que tenha atitudes éticas na coleta do material e na divulgação da informação de
interesse público.

A terceira edição do manual da Folha de S. Paulo também incorpora aos princí-


pios dos demais manuais. Ele traduz o projeto editorial, no qual o objetivo é errar o
menos possível no processo informativo para jamais lesar o leitor. “As normas do
novo manual são flexíveis e admitem nuances antes repelidas. Apostam na iniciativa
e no discernimento individuais, na inventividade das soluções em cada caso e na dis-
posição para manter o jornalismo em aperfeiçoamento constante.”15

O centenário jornal paulista, O Estado de S. Paulo, também tornou público o


seu código interno de redação. Organizado por Eduardo Martins, o Manual de Reda-
ção e Estilo é similar aos demais no sentido de traçar objetivos na apuração dos fatos
e na qualidade (conteúdo e gramática) do texto jornalístico. Aliás, o que todos manu-
ais trazem em suas páginas são instruções específicas ao jornalista, embora alguns
são recomendados aos não jornalistas. O primeiro parágrafo do prefácio redigido por
Eduardo Martins define bem a finalidade do manual do Estadão. “Este manual ex-
põe, de modo ordenado e sistemático, as normas editoriais e de estilo adotadas pelo
Estado. Não pretende, com isso, tolher a criatividade de editores, repórteres e reda-
tores, nem impor camisas-de-força aos jornalistas da empresa. Seu objetivo é claro:
definir princípios que tornem uniforme a edição do jornal.”16

Todos têm cunho jornalístico e foram feitos para zelar pela qualidade do texto
informativo. Também foram feitos com a proposta de alertar o jornalista do cuidado
que deve ter ao apurar a informação para não comprometer o interesse público. Eles
139
nasceram da necessidade de rever os princípios éticos e colocam em prática o exercí-
cio de cidadania. Ao instruir o jornalista sobre qual é o caminho mais preciso, exato e
correto na produção de uma informação, o manual torna claro a responsabilidade
que o jornalista tem na consolidação de uma sociedade livre e pluralista.

O número de escolas de Jornalismo no Brasil ultrapassa a 115, mas nem todas


têm jornal-laboratório com a periodicidade estabelecida pelo MEC, 8 a cada ano leti-
vo. Entre outras o veículo laboratorial é considerado artigo de luxo porque a prática
não se pratica, quando acontece é para receber a comissão de especialistas do MEC.
Enfim, são os alunos os prejudicados nesse episódio didático-pedagógico. Para co-
nhecer os jornais-laboratório que adotam ou não manual de redação, enviei mais de
100 questionários num período de 12 meses e recebi 19. O resultado é o seguinte: 5
usam o Manual de Redação de O Estado de S. Paulo, 8 não usam manual, 4 têm ma-
nual próprio, um adota o manual da Folha de S. Paulo e outro desenvolve o conteúdo
do manual em disciplinas curriculares. O fato interessante é que uma escola usa os
manuais do Estado e da Folha. Aquelas que não adotam justificam que o manual im-
põe um modo único de escrever, castra a criatividade do aluno e é uma espécie de ca-
misa-de-força. As que adotam afirmam que ele conscientiza o aluno no fazer jornalís-
tico, facilita e agiliza a produção e difusão do jornal-laboratório e ganha em padrão
de qualidade. Se a função da escola é formar o profissional para atuar no mercado, é
preocupante quando escolas de Jornalismo adotam como norma o uso de manuais da
grande mídia porque, assim, elas estão preparando alunos para trabalharem em de-
terminado veículo e não para o exercício da profissão.

O Manual de Redação para Jornal-Laboratório não tem a função de ensinar o


estudante de Jornalismo a escrever com qualidade literária ou encontrar o seu talen-
to perdido em algum lugar do passado. Porque, escrever bem, com clareza, não im-
porta o local, a hora e a forma, é resultado da busca de aperfeiçoamento técnico-pro-
fissional e de ter vocação para o jornalismo. O jornalista escreve rápido, contra o
tempo e com a exigência de ser preciso e exato no relato do real imediato, ou seja, do
acontecimento, do fato. Esta velocidade ao redigir o texto jornalístico nunca deve ser
inimiga da perfeição. Pelo contrário. A pressa no jornalismo deve ser sinônimo de
qualidade, de fidelidade, de veracidade e conhecimento.
140
O objetivo não é inibir ou coibir a criatividade do estudante de Jornalismo. A
preocupação pedagógico-jornalística do manual é definir princípios que darão unida-
de à edição do jornal-laboratório. Princípios que vão facilitar e agilizar a produção e
difusão do veículo e sua leitura. Zelar pela integridade ao transformar um aconteci-
mento em notícia é uma virtude que o estudante assimila ao utilizar o laboratório na
escola de jornalismo. O ensino de Jornalismo tem como sustentáculo o jornal-labora-
tório que permite ao estudante colocar em prática os conhecimentos adquiridos ao
longo do curso.

A finalidade do manual não é estabelecer regras ou pasteurizar a produção labo-


ratorial, porque o limite surge das limitações do ser humano e não das regras, exigên-
cias e definições pré-estabelecidas. A intenção é provocar uma reflexão crítica e agu-
çar o senso de responsabilidade jornalística no estudante, e ainda subsidiar o profes-
sor-coordenador no planejamento do jornal-laboratório. O Manual de Redação para
Jornal-Laboratório não é um simples receituário contendo apenas noções sobre mo-
delos de como fazer um jornal acadêmico.

Embora o mercado jornalístico tenha manuais de redação e estilo específicos


para cada veículo de comunicação, o Manual de Redação para Jornal-Laboratório
atende unicamente ao estudante de Jornalismo e procura orientá-lo na redação de
matérias.

5.3 Regras

As regras estabelecidas nesse tópico, dentro da minha proposta. foram definidas


com objetivo de dar unidade a forma e ao conteúdo dos jornais-laboratório. Na ver-
dade, as regras facilitam a leitura e a análise do leitor, agilizam a redação do aluno-
repórter, o disciplinam a cumprir etapas de trabalho e ajudam o professor a avaliar e
acompanhar a produção individual. A seleção das regras para esta proposta de Ma-
nual de Redação para Jornal-Laboratório teve como princípio o fazer jornalístico,
não deixando de lado a especificidade do veículo que se assemelhe na forma ao pro-
duzido pela grande mídia, mas que se diferencie no conteúdo. Enquanto um aborda
mais a notícia o outro enfoca, na maioria das vezes, a reportagem.
141

A
Abertura – não a comece com aspas, gerúndio, para, se, interrogação, exclama-
ção, algarismos. O uso de declarações entre aspas na abertura do texto só é per-
mitido quando a frase é importante, surpreendente ou original. Exemplo: “Dei-
xo a Presidência com o dever cumprido”, foram as últimas palavras do presi-
dente Ernando Henrico de Viagem…

A abertura de uma reportagem não é um lead noticioso. Uma reportagem pode ter
como abertura uma observação do estudante. O clima do assunto,uma história
de interesse humano etc, independentemente da sua carga noticiosa imediata.

Exceto quando o texto o exija no detalhamento da notícia, reportagem, entrevista,


evitar:

Entrada de contabilista: números, números e números na abertura das matérias. O


leitor, coitado, se perde num amontoado de números na primeira frase. Exem-
plo: O governador de São Paulo, Mário Covas, liberou, por intermédio da Me-
dida Provisória número 1010/97, R$100 milhões a 42 municípios que serão re-
passados a 42 cooperativas agrícolas para atender 2 mil pequenos agriculto-
res que irão plantar 500 mil pés de café até o final de 99.

Entrada de lista telefônica: não transforme a abertura de sua matéria em uma relação
de nomes, entidades e endereços. Evite escrever assim: Os jogadores Edmundo,
Romário, Djalminha, Ronaldinho, Taffarel, Roberto Carlos e Dunga foram
dispensados da seleção porque Zagallo preferiu ficar com Onça, Gato, Kalé,
Guta, Lata, Zé Lalá, Luzão e Truz.

Entrada de burocrata: a burocracia é um dos elementos que atrapalham o desenvolvi-


mento brasileiro desde 1500. Portanto, evite usá-la. Informações apenas para
quem trabalha em repartições públicas ou em escritório de advocacia, não inte-
ressam ao leitor. Exemplo: O juiz substituto da 3ª Vara Cível de São José do
Rio Preto, interior de São Paulo, Luis Augusto Rodrigues da Silva, deferiu a li-
minar ao mandado de segurança impetrado por Marco Aurélio Simões Alti-
mari, advogado do vereador Sebastião Moraes Junior (SSC).
142
Entrada de poeta: o uso de trechos de letra de música ou livros, citações ou ditados
populares deixam a abertura do texto uma verdadeira literatice.

Abreviatura – não se abrevia a primeira palavra de nomes compostos, sobrenomes,


cargos, profissões. Exemplos: S. Antonio, João S., R. de Janeiro, São P., prof.,
tv., deput., gover. do Estado, Edson A. Nascimento. Evite ao máximo usar abre-
viaturas: Vendeu dois metros de corda (e não dois m) Correu 42 quilômetros
para (e não 42 km).

Acusação criminal – o jornal-laboratório não deve endossar uma acusação crimi-


nal enquanto não for confirmada por sentença judicial. Exemplo correto: Vicen-
te Borges, acusado de matar Ricardo Bento, será julgado… Exemplo errado:
Vicente Borges, assassino da família Alves, será julgado…

Adjetivo – troque-o por substantivo ou elimine-o. Dê a devida e equilibrada atenção


a seu assunto ou notícia. Nenhum texto adjetivado supera o que resulta da boa
informação, da boa apuração e redação. A adjetivação enfraquece a qualidade e
o impacto do texto jornalístico. Exemplo adjetivado: O governador Mário Co-
vas é uma pessoa caridosa porque atendeu ao apelo da população marcada
por cicatrizes deixadas por um pavoroso incêndio…

Advérbios – seu uso pode dificultar a interpretação do leitor. Eles são dispensáveis,
por exemplo: propriamente, obviamente, somente, calmamente, firmemente.

Afirmativa – a frase deve ser sempre afirmativa e o estilo direto. A recusa, a impre-
cisão e a ambiguidade devem ser sempre uma das preocupações do estudante
na redação do texto jornalístico. A seqüência lógica (sujeito-predicado-comple-
mento) facilitará sempre a fluência e compreensão da mensagem jornalística.

Alinhamento da matéria – é justificado (computador), ou seja, o alinhamento


das margens direita e esquerda é regular. Não se admite no jornal-laboratório
que as linhas sejam completadas com asteriscos, apóstrofos ou barras.

Ambiente – para dar realidade e riqueza ao texto, é importante o estudante de Jor-


nalismo relatar o local e as circunstâncias em que determinado fato aconteceu.
143
Amigo da fonte (entrevistado) – é comum – e compreensível – que o estudante
de jornalismo acabe amigo do entrevistado. Quando isso acontece, a primeira
vítima costuma ser o leitor. O estudante precisa saber que o amigo-fonte se
presta mais a não deixar sair notícias. Na verdade, o estudante é bem informa-
do, mas o leitor é o último a saber. O único compromisso do estudante é com o
leitor. E é bom lembrar que, no jornalismo, é muito mais fácil e mais comum
perder amigos do que fazê-los. Lógico, desde que o compromisso do futuro jor-
nalista seja só com o leitor.

Ano – é mencionado de forma completa, sempre com algarismos. Não se usa o ponto
para separar as classes: 1998, 2000. O ano só é abreviado quando se refere a dé-
cadas: a década de 50, ou anos 80.

Anonimato, off the record ou off – só existem para proteger a integridade e li-
berdade das fontes.

Antes de escrever – o estudante deve fazer um roteiro. O ato de escrever rápido,


preciso e lógico torna-se mais fácil. O recomendado é ordenar as idéias por tópi-
cos. Ou seja, faça um pequeno roteiro com começo, meio e fim.

Apartidarismo – pelas suas características acadêmicas e de aperfeiçoamento pro-


fissional, o jornal-laboratório tem que ser um jornal apartidário. Ou seja, não
deve levantar bandeiras para questões de interesses pessoais ou de grupos polí-
ticos e econômicos. O jornal-laboratório deve assumir o papel das questões de
interesse da sociedade.

Aportuguesar – nomes estrangeiros quando passam a ter uso corrente na mídia ou


personagens históricos, ou seja, papas e membros de famílias reais. Vôlei, bas-
quete, João Paulo II, Rainha Vitória. Não aportuguesar nomes de personagens,
cidades, aviões, naves espaciais, edifícios, empresas, marcas comerciais ou mo-
delos industriais. Exemplo: Johann Sebastian Bach nunca por João Sebastião
Bá. New York por Nova York.

Apresentação – na hora de uma entrevista, cobertura de um evento ou na produ-


ção de uma reportagem, o estudante deve evitar roupas inadequadas, acessórios
144
extravagantes, usar chinelo, óculos escuros, fumar, mascar chicletes, discutir
sobre futebol, religião, política, fazer críticas pessoais, falar alto, chegar atrasa-
do. O ideal é o estudante chegar sempre 15 minutos antes do horário marcado,
ser objetivo nas perguntas, cordial com o entrevistado, não duvidar das respos-
tas, procurar se inteirar do assunto pesquisando no banco de dados, revistas,
jornais etc. A formalidade no relacionamento entre o estudante e entrevistado é
sinônimo de profissionalismo.

Aquele/aquilo – em termos de texto escrito, os demonstrativos este, aquele, isto e


aquilo podem reduzir a clareza e favorecer a imprecisão. Evite-os.

Arte da observação – o estudante deve sempre observar com rigor tudo que ocor-
ra na cobertura jornalística. Ficar atento sobre o comportamento do persona-
gem ou protagonistas do acontecimento.

Aspas – no jornal-laboratório é recomendado usar aspas na citação de um persona-


gem, frases reproduzidas textualmente ou quando a palavra tem dupla interpre-
tação. Exemplo: “O Brasil tem todas as condições de superar a dívida interna”,
diz o presidente…

Aspas – (“”) servem para identificar a citação ou declaração do entrevistado. Sem-


pre que as aspas são abertas, devem ser fechadas. O ponto final da citação fica
antes de fechar as aspas, se a citação começar com Caixa Alta: “O Brasil não
pode perder a hegemonia no futebol.” Se a citação começar com Caixa baixa, o
ponto fica depois das aspas: O deputado garantiu que "todos os parlamentares
estão atentos às manobras do governo".

Assessoria – Use Assessoria de Imprensa, desde que o órgão tenha esse nome for-
mal. O jornalista é assessor de Imprensa.

Autocensura – foi uma perversa seqüela do autoritarismo. Com o fim do implacá-


vel controle da expressão, os jornais ainda sentiam o temor dos censores nas re-
dações e se autopoliciavam. Os jornalistas praticavam o “texto de entrelinhas”.
Ou seja, passavam o recado mas não explicitamente. O texto era indireto e cifra-
do. Hoje alguns jornais adotam a autocensura não por receio do “censor”, mas
145
para atender interesses políticos, ou comerciais. Os anos do regime militar se
foram, mas existe ainda controle sobre redações, principalmente naquelas de
regiões onde prevalece o coronelismo e o caciquismo.

B
Barra – (/) use a barra como elemento separador entre número e letra, letra e nú-
mero, letra e letra ou número e número. Exemplo: Lei número 10/98, S/A (so-
ciedade anônima), casa/10, lote/11.

Bem informado – para se diferenciar, o estudante precisa estar bem informado.


Iniciativa, curiosidade, dúvidas, estar atento a tudo. São características de um
estudante que está atento para saber sempre mais para melhor transformar o
fato jornalístico em notícia.

Boato – não é fato jornalístico. O rigor de uma informação encontra-se nos fatos,
que devem ser checadas.

C
Cacoetes de linguagem – o estudante de Jornalismo deve evitar o emprego de ex-
pressões desgastadas pelo uso exagerado. Exemplo: via de regra, pavoroso in-
cêndio, precioso líquido, verdadeiro herói, ele era forte como um touro. Com
certeza, sem elas, o texto ficará mais objetivo, criativo e de fácil leitura.

Caderneta de anotações – o estudante deve usá-la sempre nas coberturas jorna-


lísticas.

Caixa Alta (CA) – o estudante não deve redigir o texto em Caixa Alta (CA). Exem-
plo: IEDA MARIA CERQUEIRA SILVA FOI AO BANCO DESCONTAR UM
CHEQUE DE R$2MIL…

Caixa Alta e Caixa baixa – V. maiúscula e minúscula — capítulo Regras.

Carta – o jornal-laboratório deve responder ou publicar toda carta recebida, mesmo


que contenha críticas ao jornal.
146
Chato – o estudante não pode ter medo de ser chato, porque ser chato faz parte da
profissão que vai seguir.

Chutômetro – para o cálculo de multidão, quando não tiver fundamentação cientí-


fica ou números oficiais, evite o chutômetro. Para melhor situar o leitor, procu-
re quantificar o espaço ocupado pelas pessoas, pegando o tamanho da área (me-
tros quadrados) pelo número de pessoas que cabe num metro quadrado. Exem-
plo: Vamos admitir que dez pessoas cabem num metro quadrado e a área ocu-
pada tem 4 mil metros quadrados. Então, multiplique 10 pessoas por 4 mil me-
tros quadrados. Conclusão: 40 mil pessoas assistiram ao show do Caetano Ve-
loso na praça… Agora, quando não existe área delimitada, por exemplo, uma
caminhada pela paz, o estudante pode usar dezenas, centenas, milhares, deze-
nas de milhares, centenas de milhares, milhões.

Citação (1) – quando o estudante de Jornalismo colocar na matéria, entre aspas,


uma ou mais citações do entrevistado, o verbo usado para encerrar uma decla-
ração fica no presente. Exemplo: “O Brasil é um país rico e alfabetizado”, diz o
presidente da República Ernando Henrico de Viagem. Quando o verbo usado é
acompanhado por um advérbio de tempo, ele fica no passado. Exemplo: “O
Brasil é um país rico e alfabetizado”, disse ontem o presidente da República
Ernando Henrico de Viagem.

Citação (2) – citações de obras literárias de trechos de livros, trabalhos acadêmicos,


de revistas, jornais, ouvidas na televisão ou rádio devem ser reproduzidas sem-
pre em itálico, mas sem aspas. O estudante deve obrigatoriamente informar ao
leitor de onde recolheu a citação.

Coluna – o jornal-laboratório (tablóide) pode ter quatro ou cinco colunas, com um


espaço entre uma e outra de 5 milímetros. Se o jornal-laboratório for standard,
o número de colunas é seis, com o mesmo espaçamento.

Compacto Disco – forma abreviada da palavra inglesa compact-disc. No jornal-la-


boratório usa-se Compacto Disco ou simplesmente CD.
147
Consulte na dúvida – é recomendado ao estudante de Jornalismo o uso de uma
gramática para esclarecer dúvidas quanto à acentuação, ortografia, uso do hí-
fen, crase, pontuação etc.

Cozinhar matérias – não usar matérias de outras publicações ou copiar citações


de personagens publicadas em outros veículos de comunicação. Se for impor-
tante usá-las, o estudante deve citar o nome do veículo de onde foram retiradas.

Credibilidade – é o principal patrimônio do estudante.

Crédito de foto – citar o nome do autor da foto. O crédito no jornal-laboratório


aparece em cima da foto.

Crédito de texto – cita o nome do autor do texto.

Critérios – o jornalismo tem por finalidade informar a todos sobre os fatos de atua-
lidade. Ou seja, o que é verdadeiro e de interesse público é o objeto do jornalis-
mo. Para o estudante checar a realidade da notícia é importante atentar para os
seguintes critérios: 1) o grau de oficialismo; 2) o grau de pluralidade das fontes;
3) contrastar a notícia tal como é apresentada pelas fontes oficiais com a reali-
dade e o pensamento dos outros setores.

Cronometragem esportiva – usa-se o sinal (’) para minuto e (”) para segundo.
Exemplo: Zé sem Freio obteve o tempo de 5’22”.

Cruzar informações – é dever do estudante de Jornalismo cruzar informações


com duas ou mais fontes antes de redigir o texto. Na dúvida, o estudante deve
checar e cruzar os dados levantados. Sem o cruzamento, a matéria não deve ser
publicada até que as dúvidas sejam esclarecidas.

Cuidado – na titulação de matérias ou manchetes, o estudante deve usar com reser-


vas os termos querer, sofrer, pretender, falar, dizer, porque nem sempre são as
mais adequadas para chamar a atenção do leitor. Exemplo: Nova lei pretende
diminuir repetência (a lei não tem vontade ou desejos. Ela é passiva. Os que a
elaboraram têm vontade e desejos nem sempre condizentes com a realidade do
ensino brasileiro.) Salário dos jornalistas sofre reajuste (o salário não é um
148
agente sofredor ou passivo de dor. Quem sofre é o jornalista que ganha pouco e
trabalha muito). “Governo não tem nosso apoio”, diz PDT (o partido não pensa,
fala ou escuta, como muitos correligionários que são surdos quando o povo re-
clama) O correto é: PDT não apóia FHC.

Currículo – Forma aportuguesa do latim curriculum vitae. É a história profissional


de uma pessoa. No jornal-laboratório usa-se currículo.

Curto e grosso – escrever curto e grosso é não cortar nenhuma informação. É es-
crever o necessário sem perder a essência do fato e a qualidade da informação.
É abrir e fechar uma matéria sem adjetivar o tema.

D
Data – 24 de fevereiro de 1997. Escreva o ano sem usar ponto para distinguir o mi-
lhar.

Deadline – V. fechamento – Tópico Definições.

Declaração — na transcrição de declarações é imprescindível que o estudante res-


peite o contexto e a intenção de quem falou.

Deixa que eu me viro – o estudante precisa tomar cuidado ao usar sua intuição na
hora do sufoco. É preciso preparar, ler, anotar, fazer um roteiro, apurar antes da
entrevista, reportagem e ouvir bastante. Na verdade, ele deve ler o suficiente so-
bre o assunto. A pesquisa é um passo fundamental para o estudante redigir um
bom texto.

Denúncia do erro – Ver Tópico Definições.

Dias da semana – não abreviar. O correto é escrever por extenso e em caixa baixa:
segunda-feira.

Dicionário – para a prática do bom texto, o estudante não deve abandonar o dicio-
nário. O dicionário é o melhor amigo do estudante. Na dúvida, o dicionário é
para lá de fiel. É verdadeiro.
149
Direito de resposta – aquele que se considerar atingido por referências ao seu
nome tem direito de resposta. Solicitações de retificação são atendidas sempre
que o jornal-laboratório entender que houve erro na notícia, entrevista ou re-
portagem.

Dólar – é a moeda oficial dos Estados Unidos. O correto é escrever em Caixa Alta
(Maiúscula) a primeira letra Dólar. O símbolo é US$. Exemplos: US$11.
US$23,6 milhões. Só use o centavo quando a notícia exija detalhamento.

Doutor – Use só quando o personagem tem o título acadêmico, ou seja, defendeu e


teve aprovada a tese de doutoramento. O professor de história Luís Carlos de
Oliveira, doutor pela Universidade de São Paulo, diz que o Brasil não tem his-
tória. (Médico é médico, advogado é advogado). A não ser em declarações tex-
tuais.

E
Editor – para agilizar o processo de produção e edição do jornal-laboratório e intro-
duzir o estudante nas atividades internas de uma Redação, cada turma terá seu
editor. Ele é nomeado pelo professor/coordenador do jornal-laboratório. Cabe
ao editor coordenar a reunião de pauta, selecionar matérias, titular e fechar
cada edição, mas sob a supervisão do professor. O editor deve sempre pensar na
data em que o jornal será publicado, na qualidade do texto (informações preci-
sas, texto objetivo, exato e imparcial). O editor de cada turma deve entregar as
matérias selecionadas com títulos, olhos, fotos, legendas e chamadas de primei-
ra página para o diagramador.

Editor assistente – cada turma (editoria) terá editor-assistente. Nomeado pelo


professor/coordenador do jornal-laboratório, ele vai auxiliar o editor.

Editoria – Ver editoria agricultura, economia & negócios etc – Tópico Definições.

Endereço – sempre completo, nada de abreviar. Números que façam parte de no-
mes de avenidas, ruas, praças: escritos por extenso se compostos por um único
algarismo (Sete de Abril, 1200); quando o número for composto por dois ou
mais algarismos: com algarismos (23 de Maio, 500). Não use a palavra número
150
para designar numeração. Exemplo: Avenida Brasil, número 300, conj. e,
apart. 33. (errado). Avenida Brasil, 500, conjunto E, apartamento 33. (certo).

Entrega de matéria – o estudante deve respeitar a data estipulada.

Entrega de pauta – o estudante deve respeitar a data estipulada.

Entrevistado – se o estudante vai entrevistar uma personalidade, de época ou não,


não pode se esquecer de pesquisar a história do entrevistado. O resultado é bem
mais enriquecedor. Afinal, o leitor não é conhecedor de tudo o que acontece no
dia-a-dia, nem do passado.

Envolvimento – uma das normas do jornal-laboratório é o não envolvimento pú-


blico em tomadas de posição política, comercial, religiosa, militar ou clubística.

Erros – o jornal-laboratório não esconde os erros cometidos em suas edições e se


dispõe a corrigi-los a cada publicação. A correção deve ser publicada na edição
seguinte à constatação do equívoco. O texto da correção deve começar pela in-
formação correta. Deve constar também a data da publicação, a página, o título,
o parágrafo e linha em que foi impresso o erro e o nome do estudante, o autor
do texto. Se o erro foi cometido pela fonte da notícia, deve constar da correção o
nome da pessoa ou entidade que originou o equívoco. Antes de publicado, o tex-
to deve ser submetido à leitura do professor/coordenador.

Espaço entre linhas – o texto deve ser digitado ou datilografado com espaço duplo
entre as linhas. Facilita a leitura e deixa espaço suficiente para que o professor
possa revisar o texto para avaliação e publicação. O ideal é o aluno também dei-
xar margens bem largas em cada lado da página.

Etapas de vida – nas primeiras 24 horas de vida, o bebê é um recém-nascido. Até


dois anos de idade, a criança é bebê. Até os 13 anos de idade, são chamados de
meninos e meninas. Jovens, adolescentes, menores, até 18 anos de idade. Acima
de 70 anos, a pessoa, dependendo do contexto, é chamada de ancião. Quando a
palavra velho tiver sentido ofensivo, deve-se evitá-la. Pode usar terceira idade
ou idoso.
151
Ética – o estudante de Jornalismo deve procurar conhecer todas as versões de um
fato e registrá-las com ética e responsabilidade.

Estudante – jamais deve acreditar na primeira informação que coleta. Em jornalis-


mo, todo fato pode ser negado, toda ação, contestada e toda notícia, desmenti-
da.

Eu ou nós – a raiz do jornal-laboratório é o fato jornalístico e quem o protagoniza,


nunca quem o conta. Por isso, o uso da primeira pessoa do singular ou a primei-
ra pessoa do plural está excluído no relato do fato jornalístico. Salvo em situa-
ções especiais, após a avaliação do professor/coordenador.

Exatidão – é a meta do jornal-laboratório a alcançar a cada edição, visando a objeti-


vidade jornalística.

Exclamação – (!) não é permitido o seu uso em manchete, título, olho, submanche-
te, subtítulo e lead. Exemplo: Brasil é sério!

Explicação/definição – o jornal escreve para um número de leitores que forma


um conjunto disperso e não na maioria dos casos. Por isso, o estudante de Jor-
nalismo deve evitar o uso de palavras ou expressões que nada acrescentem ao
texto nem esclareçam o leitor. Na busca de informações concretas, precisas,
exatas, justifica-se muito o trabalho de apuração de notícias. O número da placa
do carro, nome completo de pessoas vão ter, no texto, efeito de realidade, isto é,
contribuem para a verossimilhança da história. Quando não, use comparações
para informar o leitor com clareza. Para dar idéia da potência de uma usina hi-
drelétrica, recorra ao consumo de energia de uma cidade. É bom lembrar que
números têm confiabilidade quando bem empregados.

Expressões – diz-se que, consta que, parece que, acho que referem-se a boatos e
não são notícias e os boatos não se publicam. Evite-as.

Expressões inadequadas – o uso continuado de determinadas expressões, senão


impróprias, pelo menos pouco adequadas ao ritmo e à clareza do idioma, tem
criado vícios que prejudicam a exatidão do texto. Portanto, evite usar: … a mu-
dança da data da Feira Agro-Pecuária de Jales está sendo estudada a nível de
152
Prefeitura. A cadeia pública de Jales foi invadida por dez homens, sendo que
cinco deles estavam armados. … em termos de Brasil, segundo o ministro. A
pedido do presidente da República, o ministro da Saúde, José Serra, está ela-
borando estudo. Não use também expressões vulgares, obscenas etc.

F
Falar errado – quando alguém fala errado, o estudante de Jornalismo deve corrigir
o erro, a não ser quando há motivo para mantê-lo — e então é sempre preciso
apontar o erro ao leitor.

Fechamento – Ver fechamento – Tópico Definições.

Fonte/entrevistado – o estudante de Jornalismo deve sempre ouvir no mínimo


dois personagens envolvidos no fato ou acontecimento jornalístico. Deve ser im-
parcial. O acusado deve ser ouvido. O estudante precisa preservar suas fontes.
Seja ético, não se submeta a elas.

Fonte/primária – para o jornal-laboratório é aquela pessoa responsável pelas in-


formações prestadas. Exemplo: governador, presidente da República. Só em
casos extremos ou se os representantes oficiais designarem um funcionário para
representá-los. Exemplo: porta-voz, chefe de gabinete, gerente, assessor de im-
prensa. Nestes casos, o estudante de Jornalismo deve informar ao leitor que fu-
lano de tal fala em nome do governador.

Fontes-fantasmas – o recurso às fontes-fantasmas não é aplicável ao jornalismo


isento, exato, sério e de interesse público. Na verdade, no jornal-laboratório
adota-se o recurso de total lealdade ao leitor, evitando o uso ridículo de fontes-
fantasmas.

Fotografia – é um recurso técnico para enriquecer o texto mas que não pode ser
manipulada. Ou seja, fotomontagem, principalmente em detrimento do interes-
se público. Exemplo: jornais sensacionalistas britânicos usavam de fotos mon-
tadas para realçar o dia-a-dia da ex-princesa Diana. O objetivo é vender ape-
nas mais jornal. No jornal-laboratório não é recomendável o uso desse artifício.
O estudante deve ter cuidado ao selecionar uma foto para ser publicada. A pu-
153
blicação de uma foto de outro jornal ou origem deve ter a aprovação do profes-
sor/coordenador. A reprodução de ilustração de enciclopédias, revistas, livros
deve ter o consentimento do professor/coordenador. Não selecionar fotos de
pessoas que não podem ser identificadas na legenda. Fotografia com imagem
ruim (fora de foco, por exemplo) só será publicada se, realmente, enriquecer o
texto. Exemplo: a foto do presidente caindo do palanque quando discursava.

Fotógrafo – é o estudante que registra o fato, acontecimento ou o entrevistado por


intermédio da fotografia. Além de redigir o texto, o estudante também produz a
fotografia.

Fração – sempre com algarismos: 1/3, 2/12.

Frases – curtas e objetivas. Usar sempre o sinônimo mais simples, mais conhecido.
Lembre-se de que quanto mais curta a frase, mais fácil para o leitor. Recomen-
da-se que o estudante coloque intertítulos. O uso do intertítulo divide a matéria
em capítulos e dá maior destaque ao que vem logo abaixo.

Furo – no mundo globalizado é difícil um veículo de comunicação dar furos. O im-


portante é informar bem. O estudante de Jornalismo deve considerar que infor-
mar bem é apurar uma matéria com precisão e não publicá-la de formar incor-
reta só para sair na frente do concorrente. Uma informação correta é aquela que
sai completa e não antes. Segundo Alberto Dines, jornalista e pesquisador do
Labjor (Campinas/SP), a escola de Jornalismo deve preparar o futuro jornalista
para apurar bem e não de qualquer maneira.

Futuro imediato – é o jornalismo preventivo, tão em desuso no Brasil. O estudan-


te, sempre que possível, deve trabalhar por antecipação e preparar o leitor para
aquilo que vai acontecer.

G
Gíria – no jornal-laboratório a gíria só é usada quando reproduz declarações textu-
ais. Exemplo: malandro, falô, meu irmão, camarada, mano.

Generalização – vários, muitos, inúmeros, diversos, grande, enorme, pouco são


palavras que não enriquecem o texto. O que pode ser muito para você é pouco
154
para o leitor. O texto jornalístico tem que ser preciso, exato, de fácil leitura e
compreensão. O resto é supérfluo. Agora, se o estudante comparar, ele pode
usar. Exemplo: Cem pessoas assistiram ao jogo entre Fluminense e Arapiraca.
Pouco pela importância do jogo e pela capacidade do Maracanã 120 mil lugares.
Errado: Inúmeras pessoas foram ao jogo entre Fluminense e Arapiraca…

H
Hífen (1) – as regras do emprego do hífen são numerosas e das mais complexas da
língua portuguesa. Selecionamos as menos complexas: Ante, Anti, arqui, auto,
extra, hidro, hiper, infra, inter, mal, multi, neo. pró, proto, pseudo, semi, so-
bre, sub, super. Na dúvida, recomendamos ao estudante consultar um livro de
gramática ou um dicionário da língua portuguesa.

Hífen (2) – Ver hífen – Tópico Definições.

Hipérbole – figura retórica do exagero, desaconselhável em texto jornalístico. Ex-


emplo: gigantesca manifestação, barulho ensurdecedor.

Hora-duração – grafar assim: o número é escrito em algarismo e, por extenso, a


unidade de tempo. Exemplo: A final entre Guga e Sampras durou 2 horas e 25
minutos.

Hora-tempo – não se usa m para abreviar os minutos e a hora-tempo é escrita as-


sim: 20h30, 20h, 12h35, 12h, 0h30, sem espaço entre o número e a hora. Exce-
ção para designar o início de um novo dia: zero hora, por extenso.

Humanizar – sempre que possível, o texto do jornal-laboratório deve ser humani-


zado. Ou seja, ter nomes e conter pormenores ambientais e humanos e com in-
teresse para o leitor. Todo assunto deve ter uma dimensão humana (história e
fatos pessoais). Humanizar o texto não significa ceder à vulgaridade.

I
Idade – não use idade: João Aparecido Batista, 25 anos. Cite a idade do personagem
só quando a notícia exija. Exemplos: Aos 25 anos de idade, Newton José Costa
155
se transformou no maior jogador de basquete do mundo. Aos 95 anos Araídes
Domingues Leal é o principal nadador do Clube Atlético Tiête.

Identificação – o estudante de Jornalismo deve colher sempre o nome completo e


correto do entrevistado, idade, profissão, cargo que ocupa e mais informações
que possam enriquecer a matéria e ainda ajudar o leitor.

Imaginação – implica em um jornalismo eficaz, atrativo e criativo, mas sem perder


a lucidez no relato do fato jornalístico. Jamais o estudante pode perder a comu-
nicação com o leitor ao usar da habilidade técnica da informação para construir
o texto.

Imoral – é antiético apropriar-se de informações de outros veículos de comunicação


ou retocá-las. Quando o fizer, indique a fonte ou o veículo de comunicação.

Impessoal – o texto jornalístico é impessoal. Ou seja, o estudante não deve envol-


ver-se no relato jornalístico. Ele deve passar ao leitor um retrato fiel do aconte-
cimento de forma imparcial e exata. O estudante apenas recolhe e narra os fa-
tos. Para Luiz Beltrão, a participação de quem transmite a informação (notícia)
ao público é puramente mecânica, não torna pública suas reações pessoais ou
opiniões. Um exemplo de textos de envolvimento pessoal: Conversando com o
Pastor Pedro Freire Filho da Igreja Universal do Reino de Deus percebe-se que
muitas pessoas são conquistadas por serem ingênuas e acabam envolvidas pe-
los pastores que lhes prometem o que podem e não podem e muitas vezes aca-
bam dando o que têm e o que não têm para ter um cantinho no céu. As infor-
mações que nos passou foram muito vagas pois não queria se comprometer.
Consegui perceber que o crescimento das Igrejas, não só da Universal como de
outros templos que não aceitam dar entrevistas, é conseqüência das doações
generosas que os fiéis fazem… (Ou) Quando o assunto é segurança a preocu-
pação e o medo principalmente do paulistano é em dobro. Por outro lado, dia-
riamente somos expostos a uma série de situações sem darmos conta dos peri-
gos que nos cercam… Sendo assim, quando entramos em alguma repartição
pública ou privada e encontramos estes profissionais, não sabemos se estamos
156
realmente seguros ou na verdade estamos em perigo pois em qualquer sinal de
alerta podemos ser vítimas da imperícia e despreparo destes seguranças.

Incidentes, brigas, discussões com fontes de informação – deverão ser sempre co-
municados ao professor/coordenador do jornal-laboratório.

Independência – em relação aos vários poderes e às fontes de informação definem


a conduta do estudante de jornalismo.

Informação – é essencial para o leitor do jornal-laboratório que a informação seja


rigorosa, completa, cruzada e fundamentada.

Informação em off ou on – deverá ser sempre cruzada com, pelo menos, duas
fontes diferentes e independentes entre si.

Interrogação – (?) não é permitido o seu uso em manchete, título, olho, subman-
chete, subtítulo e lead. Exemplo: Brasil é sério? Uma casa em Paris ou um
apartamento em Londres?

Intertítulo – no jornal-laboratório recomenda-se que o uso seja de dois em dois pa-


rágrafos de 10 linhas cada. Deve conter duas palavras, no máximo de sete letras
cada. O primeiro deve ficar depois do segundo parágrafo, o último antes do pe-
núltimo parágrafo. O intertítulo não pode separar o lead do sublead. Ele deve
ser negritado e centralizado na coluna, corpo 10, fonte Times New Roman.

Itálico – Ver itálico – Tópico Definições.

J
Jornalismo de precisão – Ver jornalismo de precisão – Tópico Definições.

Jornalista – o estudante para ser jornalista não pode se esquecer nunca de que sua
missão é transformar o fato jornalístico em notícia de fácil entendimento para o
leitor. É uma função nobre, por isso não há espaço para arrogância ou linguajar
autoritário. O estudante precisa entender que o jornalista tem que ser didático,
pois ele é o intermediário entre o fato jornalístico e o leitor. O jornalista tem que
157
tornar acessível uma informação. Para isso, deve escrever de forma simples, ser
objetivo e descomplicado.

Jornalista burocrata – é aquele que fica na redação à espera do furo jornalístico.


O espírito burocrático deixa o estudante ultrapassado pelos fatos e acomodado.

L
Lead (lide) – Ver lead – Tópico Lead.

Leitor – o jornal é dependente do leitor. Portanto, ele deve ser tratado com atenção.
Sem o leitor não há jornal que sobreviva. O jornal deve e é feito para o leitor e
não para grupos. A neutralidade é um requisito essencial para informar o leitor
sem deformações.

Leitor não é burro – o estudante precisa entender que o leitor, mesmo o leigo, não
é burro. Imaginar que o leitor não é inteligente é uma atitude perigosa e traiço-
eira. O leitor, mesmo o mais desatento, tem a sensibilidade suficientemente
aguçada para encontrar desvios, impurezas, informações inexatas no texto do
estudante.

Legenda – no jornal-laboratório é importante fazer legendas para as fotos porque o


leitor precisa ter o máximo de informações sobre o assunto.

Ler em voz alta – o estudante deve ler seu texto em voz alta. Nesta leitura ele per-
ceberá as repetições de palavras, rimas estranhas, frases longas que tiram o fô-
lego, adjetivos em demasia, erros de pontuação e concordância. Ler em voz alta
reduz a incerteza no relato do fato jornalístico. É sempre bom ouvir o que se es-
creve. E quando isto acontece, o estudante notará que o texto tem forma, tem
imagem, tem cor e tem cheiro. Ou seja, o seu texto tem vida própria.

Levantamentos de dados – o estudante de Jornalismo deve sempre ouvir todas as


pessoas envolvidas, pesquisar, checar documentos, principalmente quando a
matéria é de denúncia. Além de prestar um serviço à comunidade, ele protege a
si mesmo.
158
Linguagem jornalística – o estudante deve sempre usar uma linguagem ao alcan-
ce do entendimento do leitor. Ele não deve utilizar uma linguagem de difícil en-
tendimento só para mostrar seu conhecimento, sabedoria ou cultura. Esses são
recursos de linguagem que apenas estabelecem uma distância entre quem es-
creve e o leitor.

Linguagem do leitor – o estudante deve sempre usar a linguagem do leitor e não a


do médico, do cientista, do político. Fazer perguntas que o leitor faria. Se tiver
dúvidas, não deve ter a vergonha de solicitar ao entrevistado (fonte) que expli-
que melhor o assunto. Para escrever na linguagem do leitor, o estudante deve
ser chato, sem malícia, na captação de dados. Com certeza, vai fazer a melhor
matéria porque compreendeu bem a história. A história bem contada, harmoni-
osa vai cativar o leitor já na primeira linha e levá-lo até a última.

Local – no jornal-laboratório não é permitido ao estudante de Jornalismo assinar


(crédito) uma matéria se ele não esteve no local do acontecimento ou participou
de uma entrevista. Neste caso, se publicada, a matéria deve se identificada pela
sua origem: se for uma agência de notícia, o crédito é para ela. O mesmo critério
deve ser usado para fotografias e ilustrações.

Lobbies de informação – Ver Tópico Definições.

M
Maiúscula – nomes, sobrenomes de pessoas, apelidos, profissões, lugares, regiões,
endereços, acidentes geográficos, prédios e monumentos históricos, empresas,
instituições culturais e profissionais, entidades, nomes de ciência e disciplinas,
pontos cardeais, organizações políticas, instituições ligadas ao Município, Esta-
do e União e suas subdivisões, departamentos e repartições. Também em
maiúscula nomes de impostos, taxas, períodos, episódios, momentos históricos
(Revolução Francesa), festas e datas religiosas, comemorações cívicas (7 de Se-
tembro), Igreja (a instituição religiosa), seleções, competições e federações es-
portivas, símbolos nacionais e nomes de ciências, acidentes geográficos, nomes
de rios, picos, montanhas, mar, oceano, ilha, lagos, estradas de ferro, rodovias,
estádio, bar, hotel etc. Exemplos: Wilson Aparecido Toneli, Pelé, Ministério da
159
Fazenda, Governo do Estado, Bandeira Nacional, Mar Morto, Bar das Onze,
Estádio da Vila Belmiro, Copa do Mundo, Presidência da República, Oeste,
Leste, Sul e Norte, Matemática, Ciência da Informação. Nota 1: no caso de no-
mes próprios acompanhados por um substantivo, escreve-se o substantivo com
letra minúscula (Caixa baixa). Exemplo: assessor de Imprensa, ministro Pelé.
Nota 2: quando o substantivo é incorporado ao nome próprio, escrevem-se os
dois com letras maiúsculas (Caixa Alta e baixa). Exemplo: Ministério da Fazen-
da, Bar das Onze, Avenida Paulista, Vale do Guaporé (RO), Rio Madeira, Go-
verno do Estado de São Paulo. Nota 3: Interior, quando substituir o interior de
São Paulo. Exemplo: O Interior tem o principal pólo agropastoril. Se não subs-
tituir, fica assim: O interior do Estado tem o principal… Nota 4: Estado é
maiúscula no sentido de unidade da federação e de nação.

Mancha da página – nunca um texto ou fotografia ou ilustração devem sair da


mancha da página.

Manchete – na composição da manchete, o estudante deve evitar o ponto final, dois


pontos, ponto de interrogação, ponto de exclamação, dividir sílabas, reproduzir
as palavras iniciais do texto, adjetivos que só preenchem espaços e não enrique-
cem a qualidade da informação. Na manchete use, de preferência, o verbo no
presente. A não ser que o texto refira a fatos distantes no futuro ou passado.
Exemplos: Morre o filho de Antônio Carlos Magalhães. Brasil foi o último colo-
cado na Copa de 30. Elimine também os artigos no início do título. Exemplo: O
Brasil vai exportar pepino. Só use abreviaturas ou nomes próprios quando fo-
rem do conhecimento geral. Exemplo: Montoro é candidato à Presidência do
PSDB. O título não pode ser subjetivo, sonhador, paternalista ou estar no condi-
cional. Exemplo de um título com estas características publicado na Folha de S.
Paulo, caderno Brasil, página 1/13, de 10 de agosto de 1997, sobre a morte do
sociólogo Betinho: Se houver céu, Betinho ficará na porta... A submanchete
compõe a manchete.

Manuscrito – nada para o jornal-laboratório deve ser manuscrito.


160
Menor – de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, nomes de menores
envolvidos em crimes só podem ser divulgados pelas iniciais e as fotos de rostos
devem exibir uma tarja.

Mês – é redigido em Caixa baixa: setembro.

Minúscula – cargos e títulos, funções, profissionais, forma de tratamento, títulos


honoríficos (cidadão paulistano), grupos étnicos, raça de animais, nomes que
acompanham nomes de rodovias, ruas, alamedas, praças, avenidas, logradouros
públicos, geográficos, meses do ano, documentos públicos, igreja (o prédio),
carnaval (no sentido de barulho), comidas. bebidas. Exemplos: prefeito, gover-
nador, professor, lateral direito, jornalista, pastor alemão, cidade, continente,
capital, cabo da Boa Esperança, bar da Esquina, rua Sete de Abril, decreto-lei,
lei, portaria, maio, praça Rui Barbosa, pato no tucupi, jurupeba. Nota: Refe-
rências a entidades, festivais, feiras e encontros depois de terem sido citados na
matéria escrevem-se em caixa baixa (minúscula). Exemplo: A Confederação
Brasileira de Basquete vai homenagear o cestinha Oscar. A cerimônia será na
sede da entidade.

Mudança de página – no jornal-laboratório deve-se evitar que uma matéria conti-


nue em outra página, a não ser que o fato jornalístico seja de extrema importân-
cia. Exemplo: morte do presidente da República. Esse expediente é permitido
também na elaboração e produção de cadernos especiais. Exemplo: dia da In-
dependência da República, conquista da Copa do Mundo. Ou seja, a maioria
das matérias deve ser concluída na página em que começou.

N
Não escreva – né, num, pra, pro, exceto em citações. Palavras longas como incons-
titucionalidade. Ou frases longas, parágrafos longos, gírias, eufemismos ou pa-
lavras da moda. Quando citadas pelo entrevistado, o estudante de Jornalismo
poderá usá-las.

Nome do jornal-laboratório – quando citado em suas páginas, é grafado de acor-


do com a sua estrutura e formação. Exemplo:
161
PRIMEIRA EDIÇÃO. Jornal-laboratório do Curso de Jornalismo da Faculdade de
Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva/SP (Fafica)

Nome próprio – o estudante de Jornalismo deve respeitar a grafia do nome do en-


trevistado tal como está no Registro Civil. Na primeira vez que são citadas, as
pessoas devem ser identificadas pelo nome completo; daí em diante, aquele pelo
qual são mais conhecidas. Exemplo: Pedro Álvares Cabral. Cabral. Quando o
personagem não é mencionado regularmente pela mídia, o estudante de Jorna-
lismo deve checar qual a parte do nome com que se identifica o entrevistado.
Caso contrário, a pessoa deve ser identificada pelo primeiro sobrenome, quando
homem, e a mulher pelo nome e primeiro sobrenome. Exemplos: José Bernini.
Bernini / Matilde Leite Nogueira. Matilde Leite.

Nome próprio estrangeiro – o estudante de Jornalismo deve obedecer à grafia


original. Exemplo: John Kennedy.

Nós – o jornal-laboratório não utiliza essa forma, exceto quando reproduz declara-
ções textuais. Exemplo errado: Nós entrevistamos… Nós ouvimos…

Nosso – o jornal-laboratório não utiliza o pronome possessivo nosso. Exemplo: Fer-


nando Henrique Cardoso é o nosso presidente da República. Correto: O presi-
dente do Brasil é Fernando Henrique Cardoso. Os locutores e comentaristas es-
portivos gostam muito de usar o pronome quando transmitem jogos da seleção:
nossa seleção foi melhor porque dominou o jogo, embora não tenha vencido os
coreanos…

Número – a regra é escrever por extenso de zero a dez (duas horas depois da saída,
dez pessoas morreram); de 11 ao infinito, algarismos (1.101). Para números re-
dondos usam-se algarismos e palavras (12 mil, 22 milhões e 34 bilhões). Para
números quebrados até dezenas de milhares, algarismos: 15.559. Acima disso,
usa-se a fração: 31,6 milhões, 32,864 bilhões. Quando não for possível arredon-
dar, usam-se apenas algarismos: 22.887.665. As classes são separadas por pon-
to ou vírgula. Nota 1: os números, mesmo inferiores a dez, quando designam va-
lores econômicos, tempo esportivo, idade, hora, ângulo, peso, medida escre-
vem-se com algarismos. Exemplo: R$2, 9h, 2m... Nota 2: Mesmo que o número
162
seja superior a dez, quando iniciar frase ou oração e não for ordinal, escreve-se
por extenso. Exemplo: Onze é o número da camisa do Romário. Nota 3: o nú-
mero (ordinal) seguido de letra escreve-se em algarismo sem ponto. Exemplo:
O terremoto foi de10º graus na escala Richter. Silas Gabriel Zacarias venceu
no 10º assalto. O exemplo serve para denominar festivais, cursos, encontros,
conferências etc. Nota 4: Escreva com algarismos grupos de campeonatos, nú-
meros de camisas de jogadores. Exemplo: O Brasil ficou no Grupo 3 da Copa
do Mundo. A camisa 10 imortalizou Pelé.

Número de caracteres/toques – a matéria selecionada para publicação deve


obedecer ao número de caracteres/toques que lhe foi reservado. Esta função
cabe ao autor do texto (estudante). Caso os números não sejam respeitados, o
editor é livre para cortar linhas ou mesmo remodelar a matéria. Para conhecer o
número de caracteres que lhe é reservado para cada matéria, o editor deve con-
ferir os números com o diagramador.

Números romanos – apenas para indicar números dinásticos, nomes oficiais de


clubes e Comandos Aéreos Regionais (Comar): Dom Pedro I, João Paulo I, XV
de Novembro de Piracicaba, XV de Jaú, V Exército. Para indicar século, escre-
ve-se com cardinais: século 15.

O
Off – o estudante de Jornalismo deve evitar o off. Quando, realmente, a fonte não
pode ser citada, o estudante não deve recorrer a expressões genéricas como fon-
te fidedigna, fontes oficiosas, dignas de crédito. Elas não justificam o off e colo-
cam em dúvida a origem das informações coletadas. O correto, ou menos ruim,
é identificar a fonte que se recusa a ter seu nome publicado com palavras que
revelam sua profissão. Por exemplo: deputado estadual, líder sindical, religio-
so. Mesmo sem revelar o nome da fonte, o estudante não deixa o leitor desinfor-
mado.

Ontem – não use o advérbio de tempo nos títulos, porque uma das funções do jor-
nalismo é transformar o ontem no hoje. Correto: Brasil vence o Chile. Errado:
Brasil venceu ontem o Chile.
163
Opinião do estudante – não opine em matéria informativa, entrevista ou reporta-
gem. O estudante de Jornalismo deve opinar nos artigos. No jornal-laboratório
a opinião do estudante pode ser expressa no caderno de Opinião. Na matéria, o
estudante deve apenas informar, orientar o leitor.

Ordinal – sempre com algarismos: 13º salário, 15º dia.

Ortografia – sempre que tiver dúvida sobre a forma de escrever uma palavra, con-
sulte o dicionário.

P
Palavras impróprias – o estudante precisa ter o cuidado ao usar palavras para
“enriquecer” o texto que elabora. Na maioria das vezes algumas palavras, ter-
mos ou expressões são inadequados para definir o que o estudante imagina. Al-
guns exemplos: O estádio de futebol da USP está pedindo socorro. Na verdade,
o estádio não tem sentimento, não sente dor ou tem querer. Então, ele não pede
socorro. Ele precisa de manutenção, reparos, reformas etc. Outro exemplo de
uso de palavras que nada acrescentam ao texto. O gramado está desmilhingui-
do, atachado, destruído, juntamente com as arquibancadas que podem ser um
perigo iminente por causa da depredação. Virou uma miscelânea de palavras
sem valor ou correção gramatical e com ortografia errada.

Palavras ofensivas – não use palavras ou frases que ofendem uma comunidade.
Exemplo: deu uma de português.

Parágrafo – não deve ter mais que 100 palavras.

Parênteses – no jornal-laboratório são empregados para observar, complementar,


incluir um dado importante ou complementar no texto. Exemplo: A condena-
ção dos proprietários da Escola Base (depredada pelos moradores da região)
pela Imprensa, antes mesmo da justiça, é uma prova de que as instituições
brasileiras precisam encarar com seriedade e determinação a ética na profis-
são e apurar os fatos com mais rigor…

Partido – com a primeira letra maiúscula quando for parte de um nome próprio.
Exemplo: Partido dos Trabalhadores (PT).
164
Passado imediato – é o que aconteceu nas últimas 24 horas.

Pé de matéria – Ver Tópico Definições.

Periodicidade – no Brasil a periodicidade dos jornais-laboratórios não é regular e


nem sempre é a mesma dos principais jornais, por isso o estudante deve evitar o
uso de datas, ou quando se referir a algum espaço de tempo, como hoje, ontem,
amanhã, domingo. Portanto, cuidado com o espaço de tempo. O ideal é evitá-lo
no texto. Assim, o estudante estará mais seguro que não cometerá erros como:
O Brasil joga amanhã contra o Peru… Nada de irregular na estrutura do texto,
mas o jornal-laboratório só sai daqui a duas semanas. A informação torna-se ve-
lha e o leitor não vai gostar de ler um jornal com informações desatualizadas.

Periódico – nomes de jornais citados nos textos do jornal-laboratório são grafados


em itálico: Folha de S. Paulo, Jornal do Brasil. A mesma regra é aplicada para
nomes de rádios, televisões, revistas.

Personagem – quando o personagem ocupa um cargo, público ou não, deve ser


identificado na primeira vez, por cargo e nome completo. O presidente do Tri-
bunal de Contas, Expedito Bauer da Silva, disse ontem que... Depois, o estu-
dante de Jornalismo escolhe só o cargo ou só o nome. Quando o personagem ti-
ver mais de um cargo ou a referência é a um cargo anterior, primeiro aparece o
nome e depois os cargos. Ricardo Sidnei Xavier, ex-secretário municipal da
Saúde e presidente do Instituto do Coração, diz que o Brasil é um país cardía-
co.

Personagens – são os entrevistados. O estudante é apenas um atento observador


dos acontecimentos e não o personagem. Então, a primeira pessoa do singular
ou do plural está excluída no relato do fato.

Peso e medida – são abreviados quando as quantidades estão em algarismos: 454t,


11kg, 12m ou 33km; quando estão em algarismos e por extenso, a regra é: 23
mil toneladas, 12 mil quilômetros, 16 mil metros ou 18 mil quilos. Acre, hectare,
alqueire etc. são grafados por extenso e em Caixa baixa. Para medidas de área e
165
volume, é recomendável escrever por extenso: 12 quilômetros quadrados, 13

metros cúbicos. Para tabelas e quadros, admite-se a abreviatura: km2, m3.

Piada – nunca.

Pingue-pongue – o estudante deve evitar a entrevista de pergunta e resposta. An-


tes de fazê-la deve consultar o professor/coordenador do jornal-laboratório.

Pseudo-entrevistas – não será admitido a construção de uma entrevista a partir


de um documento ou um texto escrito pelo entrevistado.

Play-boy – quando se referir a nome próprio se escreve em Caixa Alta (Maiúscula) a


primeira letra da palavra e em itálico de origem inglesa. Exemplo: A revista
Playboy vai mostrar nas páginas principais a sensualidade da Maria Rita, copei-
ra oficial do Planalto. Agora quando se referir a um conquistador, um don juán,
um bon vivant ou ainda aquele que leva a vida na flauta escreve-se em caixa
baixa (minúscula) e em itálico por ser uma palavra inglesa. Exemplo: O play-
boy José Maria da Costa voltou ao Brasil depois de passar uma semana no Para-
guai.

Pleonasmo – é redundância de termos. Exemplo: dentro do elevador, sair para


fora, ficar dentro de quarto. Evite-os.

Polícia – se escreve com minúscula inicial salvo que forme parte de um nome com-
pleto. Exemplo: A Polícia Militar de Rondônia procura o suposto assassino do
líder seringalista Chico Mendes.

Política editorial – o jornal-laboratório se define como um periódico independen-


te, de informação geral e com o intuito de orientar o estudante de Jornalismo na
carreira profissional. Ele segue os princípios liberais em defesa de uma demo-
cracia pluralista. O jornal-laboratório tem a função de passar à sociedade acadê-
mica e aos leitores uma posição correta, verdadeira e de qualidade dos fatos que
ocorrem. O jornal-laboratório não acatará pressão de grupos políticos, econô-
micos, religiosos em detrimento do interesse público. O trabalho com a notícia
– matéria-prima do jornalismo – ou com a reportagem será feito, de forma cla-
166
ra e transparente. A informação e opinião resultam em textos diferentes. No
primeiro, o estudante de Jornalismo deve respeitar os parâmetros indicados
pelo jornal. Ou seja, o objetivo é informar e orientar o leitor sobre o fato jorna-
lístico. O segundo, de análise pessoal, também deve seguir os princípios éticos
da arte de fazer jornalismo: respeitar o cidadão e sempre fundamentar o que
propõe no texto. A função editorial do jornal-laboratório é passar à sociedade
um retrato fiel da realidade.

Pontos cardeais – Escrevem-se com Maiúscula a primeira letra da palavra quando


definir a localização: Exemplo: ao Sul de Porto Velho (RO), o Norte do Brasil é
rico em minerais. Não é Maiúsculo no seguinte caso: viajar para o nordeste

Ponto de exclamação – só em casos especiais.

Porcentagem – com algarismos e o símbolo, sem espaço entre um e outro: 87%.

Possuir – só o ser humano é que possui, no sentido de ser proprietário de alguma


coisa. Exemplo: O Moacir Antônio Lungato possui dois carros importados.
(correto) / A Igreja Católica possui 100 milhões de fiéis no Brasil. (errado) A
Igreja Católica tem 100 milhões de fiéis no Brasil. (correto)

Povo – é um conjunto de pessoas que fala a mesma língua, tem costumes e hábitos
idênticos e afinidade de interesses. No Brasil o povo só aparece na grande mídia
nas páginas policiais ou como protagonista de invasão de terra, de conjuntos
habitacionais ou instituições governamentais. Por isso, uma das proposta do
jornal-laboratório é que o estudante mostre a vida das pessoas. Que mostre o
povo personalizado. Além de fugir do padrão jornalístico empresarial, o estu-
dante estará exercitando a cidadania.

Precisão – o estudante de Jornalismo tem o dever de reproduzir com fidelidade de-


clarações ou situações que testemunhou. Informações desencontradas podem
confundir o leitor. É bom lembrar que nunca se pode dizer tudo e pouco adian-
tam generalizações vagas. A precisão deve estar presente logo na escolha do ân-
gulo de abordagem da reportagem.
167
Preconceito – nos textos do jornal-laboratório ninguém é qualificado por sua ori-
gem étnica, preferências sexuais, deficiências físicas ou mentais. Essa é uma ati-
tude preconceituosa ou discriminatória.

Press-release – deve-se evitá-lo. Serve apenas como uma pista para um trabalho
jornalístico independente e imparcial. Ou pode virar uma pauta.

Pressão arterial – para definir o grau de compressão sanguínea nas artérias de


uma fonte entrevistada, quando necessário, o estudante deve usar o algarismo.
Exemplo: A pressão arterial do presidente da República, Ernando Enrico de
Viagem, antes de embarcar para mais uma viagem internacional, é de 8 por
12.

Preto – use para designar cor e não raça humana. Exemplo correto: A raça negra
predomina no basquete norte-americano.

Primeira página – é o cartão postal do jornal-laboratório. Ela deve conter chama-


da dos principais assuntos do jornal. A seleção das matérias que vão compor a
primeira página tem que ser criteriosa, de interesse público e nítida, que faça o
leitor sentir o prazer de ler o jornal.

Privacidade – o jornal-laboratório respeita a privacidade do cidadão. Não admite


preconceito. Ninguém deve ser identificado por grau de parentesco com pessoa
pública ou não. Se a notícia for de teor negativo, ninguém pode ser identificado
por sexo, raça, origem étnica, deficiência física ou mental.

Privilégio – cuidado ao usá-lo. Privilegiar é conceder vantagem, imunidade, trata-


mento especial em detrimento de outrem. O estudante não deve privilegiar nin-
guém.

Promessas – o jornal-laboratório não promete nada. Exemplo: Numa próxima edi-


ção voltamos com este assunto.

Pronome de tratamento – não use no texto pronomes de tratamento como se-


nhor, V.S., Ilmo e outros. O recomendado é identificar o personagem pelo
nome, cargo que ocupa, profissão. Exemplo: O senhor Fernando Henrique Car-
168
doso diz… (errado) O presidente Fernando Henrique Cardoso… (correto) A não
ser em declarações textuais.

Puxa-saco – não use e não seja.

Q
Queísmo – não abuse do uso da partícula que . Exemplo: O que você sabe é que o
Zezinho não tem mais aquele jeito de fazer gols e que os torcedores agora não
confiam mais no seu futebol que está cada vez pior. Muitas vezes ela pode ser
substituída por um ponto, vírgula ou dois pontos. Exemplo: O Zezinho perdeu o
jeito de fazer gols. Os torcedores deixaram de confiar no seu futebol.

R
Real – moeda oficial do Brasil. Escreve em Caixa Alta (Maiúscula) a primeira letra:
Real. O símbolo é R$.

Recomendação – na avaliação de um fato para publicação, o estudante de Jorna-


lismo deve sempre ter presente a política editorial do jornal-laboratório, ou
seja, identificar o público para o qual se dirige, utilizar as regras e os princípios
básicos do fazer jornalístico.

Recomendação ao redigir – recomenda-se ao estudante que procure sempre ser


direto e dar importância ao que realmente merece. Evite brincadeiras. Antes de
escrever, pense na frase completa, inteira, até o ponto final. Construa o texto
por partes: pense na idéia, enfoque e o divida por itens de importância. Cada
item é um parágrafo que tem uma idéia completa. Ao adotar esse hábito, o estu-
dante tem como garantia a precisão no relato do acontecimento.

Redigir – é um exercício que o estudante deve praticar diuturnamente para se fami-


liarizar com o conjunto de normas e regras que orientam o texto jornalístico. Só
aprende a escrever correto e claro quem faz disso um exercício freqüente. A es-
crita diária aprimora o estilo, aciona o pensamento reflexivo e a ordenação das
idéias. É salutar lembrar que ninguém lê por ninguém. A leitura refletida de
bons autores é um vírus com qual o estudante deve a cada dia se contaminar
169
ainda mais. Ela é indispensável para o enriquecimento do vocabulário. O lema é
escrever e ler, sempre.

Redundância – exemplo: O presidente inaugura nova pista do aeroporto interna-


cional de Brasília. Se inaugura, inaugura alguma coisa nova. Inaugurar o velho
é complicado. O correto é: O presidente inaugura pista do aeroporto internaci-
onal de Brasília. Outro exemplo: Foi encontrado morto dentro do elevador so-
cial. O significado da palavra elevador já se refere a lado interior, no interior de.
O correto é: Foi encontrado morto no elevador social. Evite: Deu marcha à ré
para trás e bateu no poste.

Release – não deve ser publicado na íntegra.

Remissão de matéria – para facilitar sempre a vida do leitor, é melhor concentrar


um mesmo assunto numa página ou editoria.

Repetição de palavras – o estudante de Jornalismo deve evitar o uso repetitivo de


palavras. Uma boa leitura diária vai ajudá-lo a encontrar palavras substitutas,
sem desqualificar o texto. Ou então use o dicionário.

Reportagem – numa reportagem, o estudante precisa ambientar o leitor. Se é uma


festa de peão de boiadeiro, o ideal é relatar o ambiente, a música que toca após
a queda do peão, as anedotas, os fatos históricos, o comportamento do público.
Enfim, tudo isso quebra o gelo entre o leitor e o jornal. A reportagem ganha cli-
ma, movimento, ação e o leitor tem uma visão mais ampla da festa de peão.

Repórter – é a função que o estudante de Jornalismo deve cumprir na produção e


difusão do jornal-laboratório. Ele redige, apura, checa e confronta as informa-
ções levantadas. Seu texto deve ser claro, objetivo e exato no relato do cotidiano,
em uma entrevista ou reportagem. A ética e a responsabilidade social são regras
que o repórter nunca deve esquecer na cobertura de um acontecimento ou em
uma entrevista.

Reprodução literária – use itálico quando citar parte de uma obra literária. Ex-
emplo: ... o jornalista autêntico tem o dever de não fornecer ao público o ópio
que ele pede, e sim a verdade de que ele sempre precisa... Alceu Amoroso Lima.
170
Responsabilidade – a omissão dificulta e atrapalha o desenvolvimento das ativi-
dades programadas. Fica, portanto, determinado que é de responsabilidade dos
editores e assistentes a seleção das matérias que serão publicadas e também co-
ordenar cada reunião de pauta. Ainda sob a orientação do professor/coordena-
dor, os editores e assistentes têm a função de solicitar e sugerir ao repórter o
complemento ou redução da matéria e também fotos. Os editores e assistentes
podem, sob a orientação do professor/coordenador do jornal-laboratório, titu-
lar, redigir chamada de primeira página e olho. Em caso de dúvida sobre o não-
cumprimento de qualquer atividade, o editor, assistente e repórter (estudante)
devem consultar o professor/coordenador.

Revisão de texto pelo entrevistado – só será aceita em condições excepcionais


com a aprovação do professor/coordenador.

Riqueza dos detalhes – os detalhes dão verossimilhança à história que o estudan-


te descreve. Os detalhes mostram que o estudante esteve lá, ouviu as pessoas,
observou o ambiente, coletou informações no local. Ele foi conferir. O leitor
sente que a informação é sólida, mais confiável: “… o presidente República
olhou desanimado para a imagem de Nossa Senhora da Aparecida (padroeira
do Brasil) quando ouviu do presidente do Senado que o PFL não o apoiará na
campanha presidencial.”

Rosto – e não cara quando se tratar de pessoas.

S
SA – não é necessário usar a abreviatura de Sociedade Anônima cada vez que se cite
uma empresa. Exemplo: A Sputinik SA é a maior exportadora de café do país.
Correto. A Sputinik é a maior exportadora…

Século – com algarismo: século 18, século 21.

Segundo informações – o estudante deve citar a fonte. Exemplo: Segundo Zagal-


lo, o Brasil precisa de dois pontas, mas no banco.

Seleção de matérias – para fechamento de cada edição sempre haverá um número


de matérias a mais do que comporta o jornal-laboratório. Para ajustar o espaço
171
destinado às matérias, será adotado um critério de seleção. O responsável é o
editor, mas sob a coordenação do professor. O editor deve sempre pensar na
data em que o jornal será publicado, na qualidade do texto (informações preci-
sas, texto objetivo, exato e imparcial).

Sensacionalismo – o papel do jornalista é informar com clareza, fidelidade e exati-


dão, e não transformar o acontecimento em um ato sensacionalista e pessoal.
Exemplo: o caso da Escola Base. A mídia paulista, sem analisar os fatos, “con-
denou” os proprietários da escola. Resultado (1): não foi provada a agressão às
crianças. Resultado (2): a escola foi destruída por populares revoltados com os
fatos publicados e divulgados pela mídia. Resultado (3): moral e psicologica-
mente os proprietários foram atingidos, e sem chance de resposta. Resultado
(4): a mídia, embora “tenha condenado” os proprietários, ficou isenta de qual-
quer julgamento da justiça. O jornal-laboratório faz um jornalismo exigente e
de qualidade, e não pratica o sensacionalismo e a exploração mercantil.

Serviço – caracterizado como informação de utilidade pública. Ele dever ser diagra-
mado no pé (final) da matéria e em itálico.

Sic – indica que um termo ou texto foi reproduzido fielmente, por mais estranho ou
errado que possa parecer. A palavra dever ser usada entre parênteses. Exemplo:
“O Sócrates é invendável e imprestável (sic)”, disse o presidente corintiano, Vi-
cente Matheus, aos dirigentes de clubes italianos interessados na compra do
jogador.

Sigla – é a redução de longos títulos e expressões, utilizando a letra ou a sílaba inici-


al de cada um dos elementos. A sigla se escreve sem pontos e sem espaço entre
uma letra e outra. Exemplo: Universidade de São Paulo (USP), Partido da
Frente Liberal (PFL) ou Telecomunicações de São Paulo (Telesp). No jornal-la-
boratório o uso da sigla facilita a leitura e também economiza espaço. A sigla
que formar uma palavra com mais de três letras escreve-se em Caixa Alta e bai-
xa. (Telesp). Se formar uma palavra com três letras, a sigla é redigida em Caixa
Alta. (USP). Se a sigla tiver duas ou mais letras que não formem uma palavra, é
redigida em Caixa Alta. (PFL, PMDB). No jornal-laboratório o estudante de Jor-
172
nalismo primeiro identifica o significado da sigla e depois usa a sigla entre pa-
rênteses. Exemplo: A Universidade de São Paulo (USP) abriu as inscrições
para… Após a identificação, o estudante de Jornalismo deixa de usar os longos
títulos e expressões e passa utilizar a sigla até o final do texto, quando necessá-
rio. O estudante deve respeitar a ordem: primeiro o significado, depois a sigla.

Sigla e abreviatura – na identificação de deputado federal e senador, usa-se a sigla


partidária ligada por hífen à sigla do estado: PMDB-RO, PT-AC.

Significado de palavras – o estudante de Jornalismo deve recorrer ao dicionário


para saber o significado da palavra que pretende usar no texto. Não é demérito
o estudante adotar o dicionário como instrumento de trabalho. O dicionário foi
criado para auxiliar o cidadão nas dúvidas.

Simplicidade – clareza, exatidão e diversidade são elementos que caracterizam o


estilo do jornal-laboratório

Sobriedade – é que o estudante deve ter ao tratar o fato jornalístico. Moderação e


segurança são indispensáveis na aplicação do jornalismo isento e verossímil.

Suicídio – o estudante de Jornalismo deve ser prudente com informações sobre sui-
cídios, principalmente quando o personagem é menor de idade (18 anos). O cui-
dado é porque nem sempre o fato coincide com a versão.

T
Tablóide – formato de jornal. Ele tem a metade do tamanho do standard. O formato
tablóide é mais usado em Porto Alegre (RS). Exemplo: Zero Hora.

Telefone – número de telefone deve ser sempre antecedido pelo código de área en-
tre parênteses use hífen no prefixo: (17) 632-6681. A não ser quando o telefone
não exija DDD. Se se tratar de número do exterior, mencionar o código do país e
cidade: 39 (11) 562-9357.

Televisão – escreve-se televisão quando se referir ao canal ou estação.

Televisor – quando se referir ao aparelho receptor.


173
TV – só quando citar nomes de canais ou estações de televisão são escritos em Caixa
Alta (Maiúscula) a primeira letra de cada palavra, em itálico e sem aspas. Exem-
plo: TV Globo, SBT.

Terra – sempre com inicial maiúscula quando se referir ao planeta. Exemplo: A


Terra vai explodir em 2002.

Texto – deve ser redigido de forma clara. O texto tem de conter todas as informa-
ções corretas. O estudante de Jornalismo não deve esquecer números que pos-
sam ilustrar a matéria ou fatos que favoreçam a leitura. O texto para o jornal-la-
boratório é redigido em Caixa Alta e baixa (CAb). Exemplo: O ministro da Fa-
zenda, Edson Tadeu Cintra, garante que o Brasil tem condições de pagar a dí-
vida externa até o final do século 21.

Texto assinado – no jornal-laboratório todo texto deve ser assinado pelo estudan-
te. Se há mais de uma participação, a ordem de assinatura deve refletir a contri-
buição de cada um. Já o texto escrito em parceira, a ordem das assinaturas deve
ser alfabética.

Texto factual – é aquele que trabalha com o fato jornalístico a cada 24 horas. Nem
sempre é publicado nas páginas de um jornal-laboratório que dificilmente tem
periodicidade diária e portanto deixa a matéria velha.

Tratamento do leitor – o jornal-laboratório é lido individualmente, por um leitor,


ou por centenas de leitores, que interpretam os fatos individualmente. Por isso,
quando for preciso referir-se ao leitor, deve-se tratá-lo no singular, ou como
você. Exemplo: O leitor interessado em comprar o livro de Marizete Leite…

Tratamento da notícia – o jornal-laboratório passa ao leitor notícias de interesse


público e, se necessário, com opiniões de personagens. Estes critérios servem
para enriquecer a matéria e informar o leitor com clareza e neutralidade.

Trocadilho – nunca.
174

U
USA – usa-se a sigla quando os Estados Unidos já foram citados no texto, sem espa-
ço e ponto entre as três letras.

V
Velocidade/hora – no jornal-laboratório deve ser grifada assim: 320km/h

Verbos – o estudante deve sempre usá-lo no modo indicativo, na voz ativa e nas for-
mas simples e afirmativas. As formas condicionais, os tempos compostos, as
passivas e as conjunções negativas prejudicam e desvalorizam o texto jornalísti-
co.

Viúva – ao diagramar o jornal-laboratório deve-se evitar a viúva.

Vivacidade – é fundamental que o estudante tenha está qualidade. Ou seja, saiba


explorar a introdução de elementos contraditórios, de transformar um fato roti-
neiro numa narrativa que surpreenda e seduza o leitor. Ele deve esquecer que
citações em excesso banalizam o discurso jornalístico e não prende a atenção
leitor. É importante que o estudante faça cortes rápidos (frases curtas) na nar-
rativa e descreva, com cadência e elegância, o ambiente, cada gesto do persona-
gem etc.

X
X – para indicar oposição, quase sempre em competições esportivas, usa-se o x mi-
núsculo: Santos x Ponte Preta.

5.4 Definições

Por se tratar de um manual de redação voltado para a produção e difusão do


jornal-laboratório, é importante definir alguns termos técnicos e regras jornalísticas.

A
Abertura – início de um texto jornalístico, no qual o autor expõe as principais infor-
mações da notícia. O objetivo é atrair e prender a atenção do leitor para o resto
do assunto e deve provocar impacto, curiosidade, ser um apelo à leitura. No jor-
nalismo impresso, a chamada grande reportagem exige detalhamentos criativos
175
para sustentar o interesse e o desdobramento da exposição. Um bom exemplo
de uma abertura criativa é a de um jornalista da Paris-Match que, ao montar o
texto do enterro de Joseph Stalin – dias após o funeral –, teve a idéia de telefo-
nar para a central telefônica de Moscou, para se informar sobre as condições de
tempo e iniciar sua reportagem descrevendo o amanhecer daquela data históri-
ca.

Agência de notícias – na verdade, são os jornais dos jornais. É ela quem fornece
informações de todos os tipos, por atacado, aos jornais. Dispõe de um amplo
sistema de comunicação, de sucursais e correspondentes que recolhem, elabo-
ram e difundem o fato jornalístico. É uma empresa de notícias que tem a finali-
dade de distribuir e vender notícias. Existem agências nacionais, internacionais
e especializadas. A pioneira no comércio internacional foi a Havas (França), em
1845. As que se destacam hoje no mercado são: Associated Press e United Press
(EUA), Reuters (Grã-Bretanha), France-Presse (França) e Tass (Rússia). A
Agência JB, do Jornal do Brasil, foi uma das principais do país.

Assessor de Imprensa – profissional que divulga o press-release, marca entrevis-


ta coletiva, atende jornalistas. O estudante de Jornalismo deve entender que o
assessor de Imprensa não é a fonte primária, portanto, as informações passa-
das por ele só serão publicadas se forem acompanhadas por um press-release
contendo citações oficiais. Exemplo: o governador de São Paulo vai exonerar
cinco secretários porque foram infiéis. O assessor de Imprensa não pode dizer
que os secretários foram infiéis e por isso serão exonerados. Ele não tem autori-
dade para se pronunciar em nome do governador. A não ser que, além assessor
de Imprensa, seja o porta-voz do governador. O estudante precisa tomar cuida-
do, sem desmerecer o cargo, com declarações do assessor de imprensa. Ele é o
intermediário entre a fonte e o jornal. Para a matéria ganhar credibilidade, é
importante que a palavra do envolvido seja citada no texto. Vale lembrar que o
relacionamento entre o assessor de Imprensa e o jornalista é formal.

B
Barriga – veiculação de uma notícia falsa. Para evitá-la, o estudante de Jornalismo
deve apurá-la com rigor.
176
Boneco – modelo de projeto gráfico de uma publicação.

Boxe – texto secundário que aborda aspecto específico do texto principal. Pode ser
interpretativo, opinativo, histórico. Pode ser cercado, em negrito ou utilizar de-
mais recursos gráficos. O importante é que complementa a matéria principal.
Ele tem a finalidade de dar leveza e agilidade à leitura, tornando-a mais atraen-
te.

C
Cabeçalho – nome do jornal, contendo também a data de publicação, local, editoria
número de página etc.

Caderno – conjunto de folhas que formam uma unidade do jornal. Exemplo: Ca-
derno 2 do Estadão.

Caixa Alta e baixa (CAb) – expressão que indica o emprego de letras maiúsculas e
minúsculas. Exemplo: Bandeira.

Calhau – material utilizado para preencher um espaço decorrente do cancelamento


de anúncio ou qualquer outro espaço em branco. Um anúncio da própria em-
presa jornalística é o mais usado. Dependendo do espaço destinado ao anúncio,
usam-se matérias reservadas para tais ocasiões e sem interesse jornalístico.

Chamada – é originada do texto mais importante do jornal-laboratório. A chamada


atrai a atenção do leitor para as páginas internas. A chamada de primeira pági-
na não pode prometer o que a matéria não tem a oferecer ao leitor. Leitor de-
cepcionado não compra jornal. A redação de uma chamada segue os princípios
do lead ou da abertura de uma reportagem. Ela deve ter frases curtas, objetivas
e claras. A proposta é remeter o leitor à página onde está o texto que ela apenas
resume.

Chapéu – palavra colocada acima do título ou manchete, associada ao assunto. O


corpo é menor, a fonte é a mesma do título. O objetivo é reforçar o tema e esti-
mular a leitura. Ele pode ser usado em todas as páginas para dar unidade à edi-
ção.
177
Exemplo: Política

FHC assina outra medida provisória

Corpo – o tamanho de uma letra ou palavra. No jornalismo a escala é de 10 a 72.

Cozinha – aproveitar, reescrevendo, uma matéria ou reportagem publicada em ou-


tro jornal, revista ou captada pelo rádio ou televisão. Enxugar o texto, deixando
apenas o que é importante.

Crédito – o jornal-laboratório sempre informa ao leitor o autor de seus textos e fo-


tos.

D
Deadline – Ver fechamento – Tópico Definições.

Denúncia do erro – uma das vocações do Jornalismo é a denúncia do erro. Ou


seja, informar, prevenir, oferecer condições para a compreensão do fato e am-
pliar o discernimento do possível. Conhecer a realidade dos problemas, juntar
forças para enfrentá-los e debater soluções. Na verdade, o erro encontra-se no
cotidiano, no fato jornalístico ou na sociedade. Exemplo: A corrupção na arbi-
tragem do futebol brasileiro. O erro encontra-se na armação de resultados. A
função do jornalismo é divulgar o desvio da ética na arbitragem nacional. Divul-
gando-o, o jornalismo cumpre o seu papel de informar a opinião pública sobre
os acontecimentos que envolvem a questão. É o discernimento do possível.

Diagramador – ainda é em muitos jornais o profissional responsável pela distri-


buição das matérias nas páginas. É ele que calcula o espaço para cada matéria,
títulos, chamada de primeira página. Na verdade, ele é que determina o dese-
nho de cada página e o número de toques (caracteres) de cada matéria. Com a
informática nas redações, o diagramador foi substituído pelo paginador. Ele
tem a mesma função de comandar a distribuição das matérias, mas com uma
diferença básica: o paginador não precisa conhecer as medidas tipográficas, pai-
cas ou cíceros. O computador – com programas específicos para fazer jornal –
resolve 90% dos problemas do paginador. Por exemplo: estouro de um título.
178
Basta acionar um ou dois comandos para colocá-lo no espaço que lhe foi reser-
vado. Não precisa mandar o editor refazê-lo.

E
Edição (1) – é a tiragem do dia, semana ou mês de um jornal.

Edição (2) – refere-se à seleção, hierarquização e preparação de matérias a serem


publicadas, utilizando-se todos os recursos visuais, gráficos, informativos e de
texto para torná-las atraentes. O ato de editar deve sempre primar pela imparci-
alidade. Ou seja, quando houver discordâncias, pontos de vista diferentes ou
versões, o estudante de Jornalismo não pode privar o leitor destas informações
de interesse público. Editar, além de distribuir as matérias harmonicamente nas
páginas, é publicar o fato de interesse público e não pessoal, de grupos econô-
micos e políticos. Até o final dos anos 80, o texto prevalecia na impressa brasi-
leira. A informatização da produção, a crise do papel, o corre-corre diário do ho-
mem moderno e a preguiça para leitura fizeram com que o visual, nos anos 90,
supere o texto.

Editoria – é uma seção de trabalho ou equipes que formam a Redação. Cada edito-
ria é responsável pela cobertura de determinado campo temático. A instalação
das editorias varia conforme as necessidades de publicação.

Editorial – gênero jornalístico que expressa a opinião oficial do jornal-laboratório


diante dos fatos de maior repercussão. Ele deve seguir os princípios básicos des-
te manual. No jornal-laboratório é publicado na página 2. São poucos os jor-
nais-laboratórios que reservam espaço para o editorial. Não é assinado.

Enviado especial – é o jornalista encarregado de cobrir acontecimentos fora da ci-


dade, estado ou país.

Expediente – espaço para anunciar o nome do jornal, os nomes dos diretores, jor-
nalista responsável, conselho editorial, endereço para correspondência, gráfica
onde foi impresso o jornal.
179

F
Fato jornalístico – é a base do jornalismo. Ele segue os princípios éticos e interes-
se público.

Fechamento – é a conclusão do trabalho de edição. O ato de fechar uma edição é


tão importante quanto o processo de elaboração de uma pauta ou de um texto.
Todos os envolvidos nesse trabalho devem se preocupar com a qualidade e pon-
tualidade. O atraso no fechamento, além de prejudicar a impressão e a difusão
do jornal-laboratório, é um desrespeito ao companheiro que correu atrás da no-
tícia, do entrevistado ou de uma reportagem. Fazer jornal é familiarizar-se com
o trabalho contínuo, em que todos os envolvidos na produção e difusão do jor-
nal-laboratório têm um objetivo comum: atender o exigente leitor com pontua-
lidade e fidelidade.

Foca – é o jornalista em início de carreira. Aquele que escorrega de vez em quando,


que se deslumbra com as primeiras pautas, que deixa de cruzar informações, in-
gênuo ainda para as manhas e macetes da profissão.

Fonte – pessoa que fornece informações, espontaneamente ou quando solicitada, ao


jornalista. Descobrir fonte exige habilidade. Cultivá-la requer responsabilidade,
ética, imparcialidade e não misturar profissionalismo com interesses pessoais.

Fotojornalismo – é o trabalho de registrar um instante mágico da natureza, do es-


paço urbano, de transformar o obscuro em uma imagem que realça o contexto
histórico, político ou social. Fotojornalismo é a composição do real imediato: a
ação, o calor da hora, as emoções brutas, o tiro, a miséria, o instante em que
tudo se resolve, a violência, a guerra urbana. Fotojornalismo mostra as diferen-
ças, ou melhor, as variações das formas de expressão, a pluralidade de imagens.
Na fotografia a transparência prima pela qualidade da imagem. Ou seja, o foto-
jornalismo é o olhar múltiplo sobre o universo. Exemplo de profissionais que
transformam o real em uma imagem carregada de gesto, expressão, feição, mo-
vimentos e que tudo se torna visível ao olhar desatento: Sebastião Salgado e
Cartier Bresson.
180
Fotolegenda – foto acompanhada de texto curto em itálico e título em até três pala-
vras.

Free-lancer – jornalista que trabalha por conta própria. Normalmente recebe por
matéria.

Furo – matéria de grande interesse, divulgada com exclusividade por um jornal. Nos
anos 90, a palavra furo foi substituída pela exclusiva.

G
Gancho – é o fato gerador da notícia, ou uma informação pinçada de um texto, que
pode gerar uma reportagem. O jornalista atento aos fatos e sensível a uma boa
leitura é capaz de pincelar boas informações para produzir uma reportagem. O
gancho pode ser extraído de uma nota em coluna social, classificados, concor-
rência pública, observação no cotidiano, nas ruas etc.

Gilete-press – é a prática de recortar jornais e revistas para fazer pauta ou cozinhar


texto. No interior do Brasil, a prática do gilete-press incorporou-se ao cotidiano
das redações. Em alguns casos os textos recortados são publicados na íntegra e
a origem do texto não é citada. Os empresários se utilizam desse recurso antiéti-
co e antiprofissional para não contratar jornalista. O gilete-press custa para o
empresário apenas o valor do exemplar a ser recortado. É muito usado em jor-
nalismo de rádio.

I
Informação-relatório – é aquela que não oferece ou apresenta novidade ao leitor.
Não noticia o novo, o contexto do fato, situações, personagens, objetos descri-
tos, que não organiza a narrativa que evidencia a mensagem jornalística.

Imprensa marrom – jornalismo sensacionalista.

Intertítulo – destaque em negrito utilizado em meio ao texto para ressaltar assunto


que será tratado a seguir. Sua função é facilitar a leitura, deixar a matéria mais
arejada, separando assuntos, repousando psicologicamente o leitor com peque-
nas pausas. Ele completa a matéria.
181

J
Jabaculê ou jabá – são presentes oferecidos aos jornalistas, como instrumento de
relações públicas. No interior do Brasil as redações, principalmente em período
eleitoral e final de ano, são inundadas por garrafas de bebidas, agendas e convi-
tes para almoço, jantar e viagens turísticas. Evite receber esses presentes para
não se comprometer.

Janela – frase retirada da matéria para ressaltar, em meio ao texto, uma informação
na matéria. O texto, em negrito, é editado entre fios.

Jornalismo de precisão – termo usado por estudiosos alemães para definir o jor-
nalismo exato, neutro, objetivo, sem desvios e distorções que possam alterar a
realidade social ou o caráter do fato jornalístico. Para não descaracterizar a in-
vestigação jornalística, quando necessário para enriquecimento da reportagem,
o estudante deve usar métodos e técnicas científicas de pesquisa social para
proporcionar ao público-leitor maior entendimento do assunto publicado. O
chamado jornalismo de precisão utiliza-se da pesquisa, da análise de conteúdo,
da observação do jornalista e das experiências de campo na coleta e levanta-
mentos de informações sobre o fato jornalístico. Esses são os processos de ob-
servação e investigação, hoje distantes das redações. “O jornalismo de precisão
requer treinamento intensivo nas técnicas da ciência social empírica, que inclui
o levantamento de informações, sua análise e interpretação. A idéia dos adeptos
desse conceito de jornalismo é que, com isso, a reportagem objetiva já não con-
sistiria em fatos isolados, mas na inserção das informações num contexto teóri-
co que revelaria os antecedentes e as possíveis causas dos acontecimentos.”
(Michael Kunczik. Manual de comunicação: Conceitos de jornalismo: norte e
sul. São Paulo, ComArte, Edusp, 1997).

L
Lauda – folha de papel padronizada na qual o estudante de Jornalismo redige textos
que podem ser publicados pelo jornal-laboratório. Tem 20 linhas de 70 toques
cada. Total: 1400 toques. Nem todos os jornais têm o mesmo padrão de lauda.
O número de toques é variado.
182
Legenda – texto que ilustra a fotografia ou identifica lugares, monumentos históri-
cos, pessoas etc. Toda foto deve ter legenda.

Lei de Imprensa – mesmo com a Constituição de 1988 que diz em seu Artigo 5º,
Inciso 9, que é “livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e
de comunicação, independentemente de censura ou licença”, ainda está em vi-
gor a Lei de Imprensa, número 5250 de 9 de fevereiro de 1967, criada durante o
regime militar. Essa lei trata da forma de registro dos órgãos de comunicação,
dos crimes praticados por intermédio da Imprensa, do direito de resposta e da
responsabilidade civil e criminal pelos abusos cometidos.

Linha fina – refere-se a um texto curto sem ponto final que, abaixo do título, adian-
te um ou mais tópicos da matéria para estimular a leitura. Deve evitar repetir
palavras usadas no título. Ele deve estar amarrado ao título para proporcionar
uma leitura harmoniosa. Complementar o título.

Logotipo – palavras ou sigla que representam a marca comercial do jornal. Cada


jornal tem a sua grafia.

M
Mancha da página – é a área útil do jornal-laboratório. Ou seja, é o espaço defini-
do para imprimir as matérias, fio-data, logotipo do jornal-laboratório.

Manchete – é o assunto mais importante da edição. Deve ser o resumo do lead. Ela,
mais do que nunca, é a fonte de leitura do jornal. Sem uma boa manchete, difi-
cilmente o jornal atrai o interesse do leitor. É o principal elemento de informa-
ção do jornalismo. A manchete serve para centrar a atenção do leitor para o
conteúdo do texto.

Matéria – é o trabalho jornalístico de fazer uma reportagem ou entrevista que vai


além da simples nota. É o desdobramento do assunto ou fato jornalístico. É a
palavra mais ouvida numa Redação.

Matéria fria – quando o tema abordado não é factual. Exemplo: uma entrevista
com Pelé sobre sua vida, uma reportagem investigativa que retrata o trabalho
forçado em fazendas na região Amazônica. Não tem data para publicação.
183
Matéria quente – é factual, notícia do cotidiano. Exemplos: ACM é contra a indica-
ção de Serra para o Ministério da Saúde. Zagallo convoca Raí.

N
Nariz-de-cera – no jornalismo de antigamente era a abertura de uma matéria que
se caracterizava pela falta de objetividade. Ela não chama a atenção do leitor
para a leitura da matéria. Alguns jornais ainda o utilizam. É uma série de infor-
mações sem importância antes de chegar ao mais importante (lead) do texto.

New journalism – Trata-se de um enfoque mais imaginativo da reportagem, que


permite ao jornalista imiscuir-se na narrativa sem no entanto mudar os fatos
observados. A definição é do jornalista norte-americano Gay Talese.

Nota da redação – um esclarecimento, feito pela redação, referente a um determi-


nado texto e colocado logo após o seu término. Ou a resposta a uma carta envia-
da à redação criticando determinada matéria. Ela também é empregada para
contestar alguma informação ou afirmação de um entrevistado.

O
Off – quando a fonte (entrevistado) passa ao estudante de Jornalismo uma informa-
ção de interesse público e não pode (ou não quer) ser identificada.

Olho – refere-se a um texto curto, geralmente com linhas irregulares (alinhamento


central), que adianta um ou mais tópicos da matéria para estimular a leitura.
Ele deve estar amarrado ao título para dar ao leitor uma leitura harmoniosa.

P
Pasquim – palavra pejorativa para designar jornal de má qualidade, panfletário ou
de curta duração.

Pé – fim da matéria. Cortar pelo pé: indica que a matéria estourou.

Perfil – é um texto sobre uma personalidade, no qual o estudante procura fazer o re-
trato do entrevistado. Para traçar o perfil fiel do entrevistado, o estudante preci-
sa conhecer a vida da personalidade, observar seus gestos, modo de se vestir,
cacoetes, hábitos, ouvir pessoas amigas ou não, participar do convívio familiar e
cotidiano, visitá-los várias vezes, recolher fotografias antigas e recentes. Enfim,
184
manter um estreito relacionamento com o entrevistado mas sem se envolver
emocionalmente. O objetivo dessa convivência mais estreita é, simplesmente,
traçar o perfil de corpo inteiro do entrevistado sem prejuízo da isenção do texto.

Pesquisa – trabalho de apoio ao texto.

Pingue-pongue – é a clássica entrevista de pergunta e resposta. Uma entrevista


pingue-pongue exige muita preparação, leitura, pesquisa, elaboração de per-
guntas. É importante que a entrevista se centre num tema específico, com suas
variantes, senão fica dispersiva e superficial. O estudante precisa ficar atento às
respostas porque novas perguntas podem surgir. Outro ponto positivo para o
bom andamento da entrevista é o estudante sempre confirmar números e datas
com o entrevistado, chegar antes do horário marcado, não o pressionar o entre-
vistado com perguntas sem objetividade. Agindo assim, a probabilidade de o
entrevistado ser mais receptivo às perguntas é muito maior. É fundamental que
seja gravado para que as perguntas e respostas sejam publicadas completas.

Pirâmide invertida – técnica de redação segundo a qual o texto é encabeçado pe-


las principais informações. Ou seja, do maior ao menor interesse. Sempre deve
começar pelo mais importante, que será resumido no título. Vale lembrar que o
primeiro parágrafo precisa conter as respostas para as seis perguntas chaves do
jornalismo: Quando? Quê? Quem? Onde? Como? Por quê? Sempre respeitando
a regra: do maior ao menor interesse.

Porta-voz – é a pessoa encarregada de transmitir oficialmente informações de uma


empresa, entidade ou órgão governamental.

Prêmio Esso – é o principal prêmio do jornalismo brasileiro. Sua menção num cur-
rículo soma pontos na vida profissional.

Press-release – Ver release – Tópico Definições.

R
Redação – lugar onde o estudante de Jornalismo trabalha na produção e difusão do
jornal-laboratório. Ato ou maneira de redigir.
185
Regras – método de trabalho numa redação. Ou seja, critérios para uso de minúscu-
las, grafia, números, pesos, quantias etc.

Release – é o texto feito pela Assessoria de Imprensa para promover um evento, um


político ou lançar produtos. Seu objetivo é dar uma versão favorável ao assunto.
Na maioria dos jornais brasileiros, o release, ou por falta de matérias, ou para
evitar contratar profissionais para produzir matérias, ou para atender interesses
pessoais, sempre é bem-vindo. O release pode ser útil na produção de uma pau-
ta.

Reportagem – é o aprofundamento de uma notícia. É o ato de investigar, vai até o


fim do assunto. É o relato ampliado de um acontecimento. Ela difere da notícia
porque deixa de ser apenas uma informação do dia-a-dia. Enquanto na notícia
predomina o quem e o quê, a reportagem procura saber mais sobre o como e o
porquê. E é na reportagem que a interpretação do fato encontra a sua expressão
mais desenvolvida. Mas a interpretação tem o olhar do estudante que o leva a
escolher um ângulo de abordagem do acontecimento e situações que observa e
descreve. Então, na verdade, deixa de ser impessoal e passa a ser subjetivo o seu
relato. E é nessa fronteira entre a opinião e a interpretação que intervém a ne-
cessidade da distanciação e a preocupação da imparcialidade. Interpretar é ex-
plicar o porquê e como das situações. É um exercício constante que o estudante
deve praticar para não julgar e opinar o que observou. A abertura da reporta-
gem deve ser atrativa para chamar a atenção do leitor. Ela se concentra em situ-
ações vivas. Ao interpretar existem dois tipos de reportagem: a investigativa e
narrativa.

Repórter – é a função que o estudante de Jornalismo deve cumprir na produção e


difusão do jornal-laboratório. Ele redige, apura, checa e confronta as informa-
ções levantadas. Seu texto deve ser claro, objetivo e exato no relato do cotidiano,
de uma entrevista ou reportagem. A ética e a responsabilidade social são pontos
que o repórter nunca deve esquecer na cobertura de um acontecimento ou en-
trevista.
186
Retranca – matéria que, embora faça parte de uma mesma reportagem ou notícia,
tem espaço e título próprios.

Retrato – não passa de uma fabricação de álbum de família. Tudo que contém é es-
tático. Não há expressão. Não há liberdade nos movimentos ou no olhar. O re-
trato retrata um real montado e um personagem social, não universal. O retrato
é um clic que congela a construção de uma imagem fugaz ou um instante de
fama. Retrato é sinônimo de clichês. De transformar rostos em cores.

Revisão – arte de revisar provas de composição, indicando as correções que devem


ser feitas.

S
Segundo clichê – parte da tiragem do jornal cujo conteúdo é alterado, ou corrigido,
após o fechamento e circulação de uma edição. Exemplo: uma edição de segun-
da-feira foi fechada e distribuída depois das 23h30. Às 23h50, chega à Redação
a notícia da morte do presidente dos Estados Unidos. O caderno Internacional
pode ser alterado e a primeira página ganhar nova manchete.

Selo – recurso gráfico (pode ser uma foto ou desenho, gráfico) para marcar uma re-
portagem.

Setorista – jornalista encarregado de cobrir o dia-a-dia de uma fonte permanente


de notícia. Por exemplo: Palácio do Governo de São Paulo. É importante não se
envolver pessoalmente com o setor em detrimento da ética e imparcialidade no
relato dos fatos.

Standard – é o jornal de tamanho-padrão, ou seja, de 54cm x 33,5cm.

Sublead – segundo parágrafo da notícia.

Submanchete – frase ou período sem ponto que aparece na página com menos des-
taque do que a manchete. Serve para dar outras informações. O corpo gráfico é
menor que o da manchete mas deve ocupar o mesmo espaço.

Exemplo:
187
Ronaldinho é contratado pela Inter

Barcelona recebe US$35 milhões pela venda

Subtítulo – frase ou período sem ponto que aparece no texto para mudança de as-
sunto ou destacar um novo assunto. Serve para dar outras informações.

Suíte – é a continuação de uma notícia publicada pelo jornal. A suíte precisa sempre
apresentar informações e angulações novas.

T
Texto-legenda – é a legenda* mais ampla mas sem parágrafo. Como a legenda,
pode ser uma chamada para o texto correspondente na página interna. De qual-
quer maneira, precisa conter as principais informações sobre o assunto.

Titular – é a arte de dar títulos às matérias. É preciso ler atentamente o texto para
encontrar palavras-chave que resumam o assunto para atrair o leitor.

V
Versão jornalística – a notícia (versão jornalística do fato ou acontecimento jor-
nalístico) se expõe à verificação pública. É algo verificável pelo leitor. Portanto,
o estudante não pode admitir que a versão única, aquele comentário de uma
fonte envolvida no fato, seja o ponto final do texto. A versão jornalística é supe-
rior ao boato ou a de apenas uma fonte de informação. O leitor não gosta de ler
apenas uma versão. Quanto maior o entrechoque de versões contraditórias,
maior reside o verificável. Ou seja, quanto mais versões, tanto mais verdades
terá o texto. A leitura do leitor reside em observar se o estudante colocou cada
versão lado a lado.

5.5 Siglas

A seleção das siglas foi baseada na amplitude que cada sigla representa ou re-
presentava. Ou seja, nem toda sigla é de interesse nacional. Uma sigla de um departa-
mento do Estado de Rondônia não tem representatividade no Estado do Rio Grande
do Norte. Então a escolha das siglas partiu do interesse comum. A inclusão de siglas
de empresas ou países que já não existem mais foi com a intenção de apenas regis-
188
trar, embora algumas delas ainda são usadas pela mídia, principalmente quando o
assunto é geopolítico.

A
ABA – Associação Brasileira de Aeromodelismo.

ABC – American Broadcasting Company. Rede norte-americana de rádio e televisão.

Abav – Associação Brasileira das Agências de Viagens.

Abecafé – Associação Brasileira de Exportadores de Café.

ABDC – Associação Brasileira de Desportos para Cegos.

Abecom – Associação Brasileira de Escolas de Comunicação.

ABI – Associação Brasileira de Imprensa.

Abia – Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação.

Abicomp – Associação Brasileira da Indústria de Computadores e Periféricos.

Abifarma – Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica.

Abipeças – Associação Brasileira da Indústria de Autopeças.

ABB – Associação Brasileira de Balonismo.

ABDIB – Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústria de Base.

ABL – Academia Brasileira de Letras.

ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Abradecar – Associação Brasileira de Desporto em Cadeira de Rodas.

Abrasa – Associação Brasileira de Surf Amador.

Abrave – Associação Brasileira de Distribuidores de Veículos.

ACSP – Associação Comercial de São Paulo.


189
AFP – Agence France Presse. Agência de notícias da França.

Aids – sigla inglesa para síndrome de imunodeficiência adquirida. Em inglês é Ac-


quired Imune Deficiency Syndrome.

Alaic – Associón Latino-americana de Investigaciones de la Comunicación.

Alca – Área de Livre Comércio entre as Américas.

AMB – Associação Médica Brasileira.

Aneel – Agência Nacional de Energia Elétrica.

Ande – Associação Nacional de Educação.

Andes – Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior.

Anfavea – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores.

ANJ – Associação Nacional de Jornais.

ANP – Algemeen Nederlands Persbureau. Agência de notícias da Holanda.

Ansa – Agenzia Nacionale Stampa Associata. Agência de notícias da Itália.

AP – Associated Press. Agência de notícias dos Estados Unidos.

APAB – Associação dos Pescadores Amadores do Brasil.

Apae – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais.

Apeoesp – Associação dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo.

APN – Aguéntstvo Pecháti Nóvosti. Agência de notícias da Rússia.

ASCCI – Ação Solidária Contra o Câncer Infantil

Assovesp – Associação dos Revendedores de Veículos de São Paulo.

AT&T – American Telephone and Telegraph. Companhia norte-americana de telefo-


nes e telégrafos.
190

B
Badesp – Banco de Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

Banespa – Banco do Estado de São Paulo.

Banorte – Banco Nacional do Norte.

BB – Banco do Brasil.

BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento. Por seu uso generalizado, pode-se


aportuguesar.

Bird – Banco Mundial, organismo das Nações Unidas, com sede em Washington.
Também conhecido por Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvi-
mento. Por seu uso generalizado, pode-se aportuguesar.

BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros.

BMSP – Banco Mercantil de São Paulo.

BMW – Bayerische Motorenwerke. Fábrica alemã de automóveis.

BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social.

Bovespa – Bolsa de Valores do Estado de São Paulo.

Bradesco – Banco Brasileiro de Descontos.

Brasindoor – Sociedade Brasileira de Meio Ambiente e Controle da Qualidade de


Ar de Interiores.

C
Cacex – Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil.

CAN – Correio Aéreo Nacional.

Cadin – Cadastro de Inadimplentes.

Capes – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.


191
CBA – Confederação Brasileira de Automobilismo.

CBAT – Confederação Brasileira de Atletismo.

CBB – Confederação Brasileira de Basquete.

CBCa – Confederação Brasileira de Canoagem.

CBDA – Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos.

CBF – Confederação Brasileira de Futebol.

CBJ – Confederação Brasileira de Judô.

CBM – Confederação Brasileira de Motociclismo.

CBPDS – Confederação Brasileira de Pesca e Desportos Subaquáticos.

CBS – Columbia Broadcasting System. Rede norte-americana de rádio e televisão.

CBT – Confederação Brasileira de Tênis.

CBV – Confederação Brasileira de Vôlei.

CDHU – Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São


Paulo.

Ceagesp – Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo.

CEF – Caixa Econômica Federal.

CEP – Código de Endereçamento Postal.

Cepam – Centro de Estudos e Pesquisas da Administração Municipal.

Cepeusp – Centro de Prática Esportiva da Usp.

Cesp – Companhia Energética de São Paulo.

CET – Companhia de Engenharia de Tráfego.


192
Cetesb – Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental.

CGC – Cadastro Geral do Contribuinte.

CGT – Central Geral dos Trabalhadores.

CGT – Confederação Geral dos Trabalhadores.

CIA – Central Intelligence Agency. Organismo norte-americano de espionagem e


contra-espionagem.

Ciee – Centro de Integração Empresa-Escola.

Ciesp – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo.

Ciespal – Centro Internacional de Estudos Superiores de Periodismo para a Améri-


ca Latina.

Cimi – Conselho Indigenista Missionário.

CMB – Conselho Mundial de Box.

CMN – Conselho Monetário Nacional.

CNA – Confederação Monetário Nacional.

CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear.

CNPJ – Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.

CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

CNT – Central Nacional de Televisão.

COB – Comitê Olímpico Brasileiro.

Cobrecos – Congresso Brasileiro de Estudantes de Comunicação.


193
Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social.

COI – Comite Olímpico Internacional. Em inglês a sigla é IOC: International Olym-


pic Committee. Por seu uso generalizado, pode-se aportuguesar.

Comgás – Companhia de Gás de São Paulo.

Condephaat – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico


e Turístico do Estado de São Paulo.

Confaz – Conselho de Política Fazendária.

Confen – Conselho Federal de Entorpecentes.

Conseg – Conselho Comunitário de Segurança.

Contag – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura.

Contran – Conselho Nacional de Trânsito.

Copant – Comissão Pan-Americana de Normas Técnicas.

CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira.

Cosipa – Companhia Siderúrgica Paulista.

CPFL – Companhia Paulista de Força e Luz.

CSLL – Contribuição sobre o Lucro Líquido das Empresas.

CUT – Central Única dos Trabalhadores.

D
DAC – Departamento de Aviação Civil.

Decon – Departamento Estadual de Polícia do Consumidor.

Deic – Departamento Estadual de Investigações Criminais.

Dentel – Departamento Nacional de Telecomunicações.


194
DER – Departamento de Estradas de Rodagem.

Dersa – Desenvolvimento Rodoviário S/A.

Detran – Departamento Estadual de Trânsito.

Dieese – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

DNC – Departamento Nacional dos Combustíveis.

DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem.

DPA – Deutsche Presse Agentur. Agência de notícias originária da antiga Alemanha


Ocidental.

DPDC – Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor.

DSV – Departamento de Operações do Sistema Viário.

E
EFE – Agência espanhola de notícias.

Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.

Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicações.

Embratur – Empresa Brasileira de Turismo.

ESG – Escola Superior de Guerra.

F
FAO – Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação. Food and
Agriculture Organization.

FBI – Federal Bureau of Investigation. Agência norte-americana de investigação.

Febem – Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor.

Felafacs – Federação Latino-Americana de Faculdades de Comunicação Social.

Fenaban – Federação Nacional dos Bancos.


195
Fenabrave – Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores.

Fenacol – Federação Nacional dos Corretores de Seguro.

Fenatec – Feira Nacional de Tecelagem.

FGTS – Fundo de Garantia do Tempo de Serviço.

FGV – Fundação Getúlio Vargas.

Fiat – Fabbrica Italiana Automobili Torino. Empresa italiana de automóveis.

Fiba – Federação Internacional de Basquete Amador. Por seu uso generalizado,


pode-se aportuguesar.

Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo.

Fifa – Federação Internacional de Futebol Associado. Por seu uso generalizado,


pode-se aportuguesar.

Fipe – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.

Fisa – Federação Internacional de Automobilismo Esportivo. Fédération Internacio-


nale du Sport Automobile.

FMI – Fundo Monetário Internacional. Em inglês =a sigla é IMF: International Mo-


netary Fund. Por seu uso generalizado, pode-se aportuguesar.

FPB – Federação Paulista de Basquete.

FPF – Federação Paulista de Futebol.

FPV – Federação Paulista de Vôlei.

G
GLS – Associação brasileira dos Gays, Lésbicas e Simpatizantes.

GM – General Motors Corporation. Companhia norte-americana de automóveis.

Grendacc – Grupo em Defesa da Criança com Câncer.


196

H
HQ – História em Quadrinhos.

I
Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis.

IBF – Internacional Badminton Federation.

IBGE – Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

IBM – International Business Machines Corporation. Multinacional norte-america-


na.

ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

Ibope – Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística.

IE – Imposto sobre Exportações.

IGPM – Índice Geral de Preços do Mercado.

II – Imposto sobre Importações

IML – Instituto Médico Legal.

Inpa – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Inpe – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.

INSS – Instituto Nacional do Seguro Social.

INST – Instituto Nacional de Segurança de Trânsito.

Inca – Instituto Nacional do Câncer.

Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação.

IOF – Imposto sobre Operações Financeiras.

IPC – Índice de Preços ao Consumidor.


197
IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados.

IR – Imposto de Renda.

IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.

IRA – Irish Republican Army. Exército Republicano Irlandês.

ISS – Imposto sobre Serviços.

ITA – Instituto Tecnológico da Aeronáutica.

ITV – Independent Television. Rede britânica de televisão.

IVA – Imposto sobre Valor Agregado.

IVV – Imposto sobre Venda a Varejo.

J
JAL – Japan Air Lines. Viação aérea japonesa.

Juca – Jogos Universitários de Comunicação e Arte.

L
Lamara – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual.

Labjor – Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Univer-


sidade de Campinas.

M
MAC – Museu de Arte Contemporânea.

MAM – Museu de Arte Moderna.

Masp – Museu de Arte de São Paulo.

MG – Morris Garages. Fábrica britânica de automóveis.

Mercosul – Mercado do Cone Sul.

MIS – Museu da Imagem e do Som.


198

N
Nasa – National Aeronautics and Space Administration. Organismo norte-america-
no que pesquisa o espaço.

NATC – North Atlantic Treaty Council. Conselho do Tratado do Atlântico Norte.

NBA – National Basketball Association. Entidade norte-americana que administra e


organiza o basquete.

NBC – National Broadcasting Company. Rede norte-americana de rádio e televisão.

NYT – The New York Times. Jornal norte-americano.

O
OAB – Ordem dos Advogados do Brasil.

OEA – Organização dos Estados Americanos.

OIT – Organização Internacional do Trabalho. Organismo das Nações Unidas.

OLP – Organização para a Libertação da Palestina.

OMS – Organização Mundial do Comércio.

OMS – Organização Mundial da Saúde. Organismo especializado das Nações Uni-


das.

ONG – Organização não-governamental.

ONU – Organização das Nações Unidas.

Opep – Organização de Países Exportadores de Petróleo.

P
PC do B – Partido Comunista do Brasil.

PCB – Partido Comunista Brasileiro.

PDC – Partido Democrata Cristão.


199
PDT – Partido Democrático Trabalhista.

PF – Polícia Federal.

PFL – Partido da Frente Liberal.

PIB – Produto Interno Bruto.

PL – Partido Liberal.

PM – Polícia Militar.

PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro.

PMN – Partido da Mobilização Nacional.

PNB – Produto Nacional Bruto.

PPB – Partido Progressista Brasileiro.

PRN – Partido da Reconstrução Nacional.

Procon – Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor.

Prona – Partido de Reedificação da Ordem Nacional.

PRS – Partido das Reformas Sociais.

PSC – Partido Social Cristão.

PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira.

PST – Partido Social Trabalhista.

PT – Partido dos Trabalhadores.

PTB – Partido Trabalhista Brasileiro.

PTR – Partido Trabalhista Renovador.

PUC – Pontifícia Universidade Católica.


200

R
Radiobrás – Empresa Brasileira de Comunicação.

RAI – Radio Audizioni Italia. Rede de rádio e televisão da Itália.

Reuters – Agência inglesa de notícias.

S
S/A – Sociedade Anônima.

SBPC – Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência.

Sabesp – Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo.

SBSH – Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

SBAT – Sociedade Brasileira de Autores Teatrais.

SBT – Sistema Brasileiro de Televisão.

Sebrae – Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas.

Senac – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial.

Senai – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.

Sida – Síndrome de Imunodeficiência Adquirida. Sigla utilizada em países latinos.

Simca – Société Industrielle de Mécanique et de Carrosserie Automobile. Fábrica


francesa de automóveis.

SIP – Sociedade Interamericana de Prensa

SPC – Serviço de Proteção ao Crédito.

STF – Supremo Tribunal Federal.

STJ – Supremo Tribunal de Justiça.

Sucen – Superintendência de Controle de Endemias.


201

T
TAP – Transportes Aéreos Portugueses.

TCE – Tribunal de Contas do Estado.

TCU – Tribunal de Contas da União.

Telebrás – Telecomunicações Brasileiras.

Telesp – Telecomunicações de São Paulo.

TFR – Tribunal Federal de Recursos.

TRF – Tribunal Regional Federal.

TRT – Tribunal Regional do Trabalho.

TST – Tribunal Superior do Trabalho.

TVE – Televisión Española.

TWA – Trans World Airlines. Companhia norte-americana de viação aérea.

U
Ubes – União Brasileira de Estudantes Secundaristas.

UDR – União Democrática Ruralista.

UEB – União dos Escoteiros do Brasil.

UEE – União Estadual dos Estudantes/SP.

UEFA – Union of European Football Associations. Entidade que cuida do futebol eu-
ropeu.

UNE – União Nacional dos Estudantes.

Unesco – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization. Orga-


nismo das Nações Unidas.
202
Unicef – United Nations International Children’s Emergency Fund. Fundo Interna-
cional das Nações Unidas para Ajuda à Infância.

Unamaz – Associação das Universidades Amazônicas.

Upes – União Paulista de Estudantes Secundaristas.

UPI – United Press International. Agência de notícias norte-americana.

URSS – União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. Sigla da antiga União Soviética.

USP – Universidade de São Paulo.

V
Varig – Viação Aérea Rio Grandense.

Vasp – Viação Aérea São Paulo.

Z
ZAP – Zachodnia Agencja Prasowa. Agência de notícias da Polônia.

5.6 Presidentes da República

O Brasil teve vários regimes de governo e presidentes das mais variadas tendên-
cias políticas. Desde a implantação da República em 15 de novembro de 1889, o Bra-
sil passou por várias crises políticas que derrubaram presidentes, tiveram governos
“relâmpagos” e outros se suicidaram ou morreram no poder. Mas o curioso é que De-
odoro da Fonseca, militar fiel ao Imperador D. Pedro II, foi chamado para liderar o
movimento armado cujo objetivo era por fim na Monarquia. E o povo, como acontece
até hoje, acreditou, mais uma vez, numa derrubada de Governo. A República consoli-
dou-se aos tropeços e em meio a golpes e eleições fraudulentas. Só governos provisó-
rios foram dois. O mais longo da história da República foi o de Getúlio Vargas, 44
meses. Vargas, presidente provisório, presidente constitucionalista, presidente do Es-
tado Novo e presidente eleito pelo voto direto, ficou indo e vindo ao palácio presiden-
cial durante 18 anos. No Estado Novo, ele governou por 105 meses. O Brasil teve ain-
da duas juntas, uma militar e outra governativa que ficou dez anos no poder. A Repú-
blica teve 36 presidentes, três governaram mais de uma vez ou em regimes diferentes
203
(Deodoro da Fonseca, Vargas e Jango). Mas nem todos foram eleitos pelo voto popu-
lar. A mais curta Presidência foi de Carlos Luz que governou de 09/11/1955 a
11/11/1955. A República teve também presidentes eleitos indiretamente, pelo Colégio
Eleitoral, – criado pelo Governo Militar. O último, Tancredo Neves morreu antes de
subir a rampa palaciana. Vale registrar que João Belquior Marques Goulart foi vice
de dois presidentes eleitos por partidos diferentes. São fatos que ilustram a história
republicana e deixam o brasileiro à margem do processo político.

Deodoro da Fonseca (Governo Provisório) – de 15/11/1889 a 26/02/1891. Manuel


Deodoro da Fonseca (Alagoas, 05/08/1827 – Rio Janeiro/RJ, 23/08/1892).
Militar de carreira, assumiu a liderança da tropa que proclamou a República
e assumindo a chefia do Governo Provisório. Vice-presidente, Floriano Peixo-
to.

Deodoro da Fonseca (Governo Republicano) – de 26/02/1891 a 23/11/1891.

Floriano Peixoto – de 23/11/1891 a 15/11/1894. Floriano Vieira Peixoto (Vila de Ipi-


oca/AL, 30/04/1839 – Barra Mansa/RJ, 29/06/1895). Militar, liderou oposi-
ção a Deodoro da Fonseca na dissolução do Congresso, ocupando a Presidên-
cia após a renúncia de seu titular.

Prudente de Morais – de 15/11/1894 a 15/11/1898. Prudente José de Morais e Bar-


ros (Itu/SP, 04/10/1841 – Piracicaba/SP, 03/12/1902). Advogado, tornou-se o
primeiro presidente eleito pelo voto popular. Vice-presidente, Manuel Vitorino
Pereira (Salvador/BA, 30/01/1853 – Rio de Janeiro/RJ, 09/11/1902).

Campos Sales – de 15/11/1898 a 15/02/1902. Manuel Ferraz de Campos Sales


(Campinas/SP,13/02/1841 – Santos/SP, 28/06/1913). Bacharel em Direito, foi
ministro da Justiça do Governo Provisório. Vice-presidente, Francisco de Assis
Rosa e Silva (Recife/PE, 04/10/1856 – Rio de Janeiro/RJ, 01ª/07/1929.

Rodrigues Alves – de 15/11/1902 a 15/11/1906. Francisco de Paula Rodrigues Alves


(Guaratinguetá/SP, 07/07/1848 – Rio de Janeiro/RJ, 16/01/1919. Advogado,
eleito, em 15/11/1918, para um novo mandato presidencial, morreu antes de
tomar posse. Vice-presidente, Francisco Silviano de Almeida Brandão (Pouso
204
Alegre/MG, 08/09/1848 – Belo Horizonte/MG, 25/09/1902). Morreu antes de
ser empossado. Para seu lugar foi eleito Afonso Pena.

Afonso Pena – de 15/11/1906 a 14/06/1909. Afonso Augusto Moreira Pena (Santa Bárbara/MG,
30/11/1847 – Rio de Janeiro/RJ, 14/06/1909). Bacharel em Direito, morreu antes do tér-
mino de seu mandato. Vice-presidente, Nilo Peçanha.

Nilo Peçanha – de 14/06/1909 a 15/11/1910. Nilo Procópio Peçanha (Campos/RJ,


02/10/1867 – Rio de Janeiro/RJ, 31/03/1924). Advogado, foi candidato der-
rotado à Presidência da República em 1921.

Hermes da Fonseca – de 15/11/1910 a 15/11/1914. Hermes Rodrigues da Fonseca


(São Gabriel/RS, 12/05/1855 – Petrópolis/RJ, 09/09/1923. Sobrinho do ma-
rechal Deodoro da Fonseca, foi também militar. Vice-presidente, Venceslau
Brás.

Venceslau Brás – de 15/11/1914 a 15/11/1918. Venceslau Brás Pereira Gomes (Brasó-


polis/MG, 26/02/1868 – Itajubá/MG, 15/05/1966). Foi promotor público.
Vice-presidente, Urbano Santos da Costa Araújo (Guimarães/MA,
03/02/1859 – Rio de Janeiro/RJ, 07/05/1922).

Delfim Moreira – de 15/11/1918 a 28/07/1919. Delfim Moreira da Costa Ribeiro


(Cristina/MG, 07/11/1868 — Santa Rita do Sapucaí/MG, 01º/07/1920). Ba-
charel em Direito, elegeu-se vice-presidente na chapa de Rodrigues Alves. Com
a morte do presidente eleito, assumiu até a eleição de Epitácio Pessoa.

Epitácio Pessoa – de 28/07/1919 a 15/11/1922. Epitácio da Silva Pessoa (Umbuzei-


ro/PB, 23/05/1865 – Petrópolis/RJ, 02/02/1942). Formado em Direito, ele-
geu-se presidente quando representava o Brasil na Conferência de Paz de Ver-
salhes, em 1919. Vice-presidente, Francisco Álvaro Bueno de Paiva
(Caldas/MG, 17/09/1861 – Rio de Janeiro/RJ, 04/08/1928).

Artur Bernardes – de 15/11/1922 a 15/11/1926. Artur da Silva Bernardes


(Viçosa/RJ, 98/08/1875 – Rio de Janeiro/RJ, 23/03/1955). Advogado, parti-
cipou da campanha pela criação da Petrobrás. Vice-presidente, Epitácio de Al-
buquerque Coimbra (Barreira/PE, 1872 – Recife/PE, 09/11/1937.
205
Washington Luís – de 15/11/1926 a 24/10/1930. Washington Luís Pereira de Souza.
(Macaé/RJ, 26/10/1869 – São Paulo/SP, 04/08/1957). Bacharel em Direito.
Com a Revolução de 1930, renunciou e foi morar na Europa, só retornando
em 1947. Vice-presidente, Fernando de Melo Viana (Sabará/MG, 15/03/1878
– Rio de Janeiro/RJ, 10/02/1954).

Junta Governativa (generais Mena Barreto e Tasso Fragoso) – de 24/10/1930 a


03/11/1930. Augusto Tasso Fragoso (São Luís/MA, 28/08/1859 – Rio de Ja-
neiro/RJ, 20/09/1945). João de Deus Mena Barreto (Porto Alegre/RS, 1874 –
Rio de Janeiro/RJ, 25/03/1993).

Getúlio Vargas (Governo Provisório) – de 03/11/1930 a 20/07/1934. Getúlio Dornel-


les Vargas (São Borja/RS, 19/04/1882 — Rio de Janeiro/RJ, 24/08/1954).
Abandonou a carreira militar para concluir o curso de Direito. Assumiu a Pre-
sidência no lugar de Washington Luís. Não teve vice-presidente.

Getúlio Vargas (Período Constitucional) – de 20/07/1934 a 10/11/1937.

Getúlio Vargas (Estado Novo) – de 10/11/1937 a 29/10/1945. Na sua terceira fase de


governo, Getúlio Vargas foi deposto.

José Linhares – de 29/10/1945 a 31/01/1946. José Linhares (Baturite/CE,


28/01/1886 – Caxambu/MG, 26/10/1957). Advogado, ficou na Presidência da
República até a eleição de Gaspar Dutra.

Eurico Gaspar Dutra – de 31/01/1946 a 31/01/1951. Eurico Gaspar Dutra (Cuiabá/


MT, 18/05/1889 – Rio de Janeiro/RJ, 10/06/1974). Militar, foi eleito pelo Par-
tido Social Democrático (PSD). Vice-presidente, Nereu Ramos (Lages/SC,
03/09/1888 — Curitiba/PR, 16/06/1958).

Getúlio Vargas – de 31/01/1951 a 24/08/1954. Eleito pelo voto popular, suicidou-se


em 24/08/1954. Foi o fim da era Vargas que começou no final da década de
20.
206
João Café Filho – de 24/08/1954 a 09/11/1955. João Café Filho (Nata/RN,
03/02/1899 – Rio de Janeiro/RJ, 20/02/1970). Advogado e jornalista, foi vice
de Vargas, mas não terminou seu mandato.

Carlos Luz – de 09/11/1955 a 11/11/1955. Carlos Coimbra da Luz (Três


Corações/MG, 04/08/1894 – Rio de Janeiro/RJ, 09/02/1961. Promotor Públi-
co, assumiu interinamente a Presidência por ocasião da doenca de Café Filho.

Nereu Ramos – de 11/11/1955 a 31/01/1956. (Lages/SC, 03/09/1888 – Curitiba/PR,


16/06/1958). Advogado, assumiu a Presidência com a deposição de Carlos
Luz.

Juscelino Kubitscheck – de 31/01/1956 a 31/01/1961. Juscelino Kubitschek (Dia-


mantina/MG, 12/09/1902 – Resende/RJ, 22/08/1976). Foi médico da Polícia
Militar de Minas Gerais. Durante seu governo construiu cinco usinas hidrelé-
tricas e a abertura de três mil quilômetros de rodovias. Foi cassado em 1964.
Morreu em um acidente de carro. Vice-presidente, João Goulart.

Jânio Quadros – 31/01/1961 a 25/08/1961. Jânio da Silva Quadros (Campo Gran-


de/MS, 25/01/1917 – São Paulo/SP, 1992). Advogado e professor, renunciou
sete meses depois de assumir a Presidência. Em 1964, teve seus direitos políti-
cos suspensos por dez anos.

Ranieri Mazzilli – de 25/08/1961 a 08/09/1961. Pascoal Ranieri Mazzilli (Caconde/


SP, 27/04/1910 – São Paulo/SP, 21/04/1975). Advogado. Ocupou a Presidên-
cia várias vezes: Juscelino (viagem), Jânio Quadros (renúncia) e João Goulart
(viagens aos EUA e Vaticano, e deposição).

João Goulart (Jango) (parlamentarismo) – de 08/09/1961 a 24/01/1963 (Tancredo


Neves foi o primeiro-ministro). João Belchior Marques Goulart (São
Borja/RS, 01º/03/1918 – Mercedes/Argentina, 06/12/1976). Advogado. Foi
duas vezes vice-presidente. Foi deposto pelo Golpe Militar de 1964.

João Goulart (presidencialismo) – de 24/01/1963 a 01º/04/1964.


207
Ranieri Mazzilli – de 02/04/1964 a 15/04/1964. Assume mais uma vez a Presidên-
cia e marca eleição indireta para 11/04/1964.

Castelo Branco (general) – de 15/04/1964 a 15/03/1967. Humberto de Alencar Cas-


telo Branco (Maceja/CE, 29/01/1900 – Mondubim/CE, 18/07/1967). General,
assume a Presidência via indireta. Dá início ao regime militar. Vice: José Ma-
ria Alkmim.

Costa e Silva (general) – 15/04/1967 a 31/08/1969. Arthur da Costa e Silva (Taqua-


ri/RS, 03/10/1902 – Rio de Janeiro/RJ, 17/12/1969). Afasta-se da Presidência
por ter sofrido uma trambose, sendo substituído por uma junta militar. Morre
no mesmo dia que vai ao ar a primeira edição do Jornal Nacional da TV Glo-
bo. Vice-presidente, Pedro Aleixo.

Junta Militar (almirante Augusto Rademaker, general Lyra Tavares e brigadeiro Márcio de Souza e
Mello) – de 31/08/1969 a 30/10/1969. Augusto Hamann Rademaker Grüewald (Rio de
Janeiro/RJ, 11/05/1905 – Rio de Janeiro/RJ, 13/09/1985); Aurélio Lyra Tavares (João
Pessoa/PB, 07/11/1905) e Márcio de Souza e Melo (Florinópolis/SC, 26/05/1906).

Emílio Garrastazu Médici (general) – de 30/10/1969 a 15/03/1974. Emílio Garras-


tazu Médici (Bagé/RS, 04/12/1905 – Rio de Janeiro/RJ, 09/10/1985). Foi o
terceiro presidente indicado e aprovado pelo Congresso. Vice-presidente, Au-
gusto Hamann Rademaker Grünewald.

Ernesto Geisel (general) – de 15/03/1974 a 15/03/1979. Ernesto Geisel (Bento Gon-


çalves/RS, 03/08/1908 – Rio de Janeiro/1996). Revogou o Ato Inconstitucio-
nal nº5, mas antes, em março de 1977, fechou provisoriamente o Congresso.
Vice-presidente, João Pereira dos Santos (Taquara/RS, 11/04/1905 — Rio de
Janeiro/RJ, 02/04/1984).

João Figueiredo (general) – de 15/03/1979 a 15/03/1985. João Baptista Figueiredo


(Rio de Janeiro/RJ, 15/01/1918). Foi no seu governo que a oposição mobilizou
a população em torno de grandes objetivos democráticos, entre eles, a campa-
nha pelas direta-já. Vice: Antônio Aureliano Chaves de Mendonça.
208
Tancredo Neves – 15/03/1985 (na véspera da posse ficou doente e morreu em
21/04/1985). Tancredo de Almeida Neves (São João Del Rey/MG, 04/03/1910
– São Paulo/SP, 21/04/1985). Foi o primeiro presidente civil eleito pelo Colé-
gio Eleitoral, mas morreu antes de ser empossado.

José Sarney (vice de Tancredo Neves) – de 15/03/1985 a15/03/1990. Até a morte de


Tancredo, estava provisoriamente na Presidência da República. José Ribamar
Ferreira de Araújo Costa (Pinheiro/MA, 24/04/1930). É advogado, jornalista,
escritor e membro da Academia Brasileira de Letras. Em seu governo foi ela-
borada a 7ª constituição, sob o comando do deputado Ulysses Guimarães.

Fernando Collor – de 15/03/1990 a 29/12/1992. Fernando Affonso Collor de Mello


(Rio de Janeiro/RJ, 12/08/1949). Foi o primeiro presidente civil eleito pelo
voto popular após o regime militar. Antes de ter seus direitos políticos suspen-
sos por oito anos, já vencidos, Collor foi afastado temporariamente da Presi-
dência da República, em setembro de 1992.

Itamar Franco (vice de Collor) – de 29/12/1992 a 01º/01/1995. Itamar Augusto


Franco Cantiero Franco (Salvador/BA, 28/07/1931). Vice de Collor assume a
Presidência. O principal destaque de seu governo foi a implantação do Plano
Real. Elegeu seu sucessor.

Fernando Henrique Cardoso – de 01º/01/1995 a 01º/01/1999. (Rio de Janeiro,


1931) O destaque de seu governo foi a estabilização da economia e a campa-
nha para reeleição. Cinco meses antes da eleição presidencial perde o amigo
Sérgio Motta (19/04/1998) e um forte aliado Luís Eduardo Magalhães
(21/04/1998), filho do senador pefelista Antonio Carlos Magalhães.

Fernando Henrique Cardoso – de 01º/01/1999 a 01º/01/01º/2003. Logo após a vi-


tória que garantiu o segundo e último mandato de presidente da República,
fato inédito na política brasileira, o carioca FHC enfrenta a primeira e grande
crise de seu governo: a desvalorização do Real, moeda criada por ele quando
era ministro da Fazenda do então presidente Itamar Franco. Faz acordo com
FMI e banqueiros internacionais para não desestabilizar seu governo.
209

5.7 Estados, capitais e regiões

O Brasil é uma república federativa, composta por 26 estados e o Distrito Fede-


ral. Quinto maior país do mundo com uma área de 8.547.403,5 km 2. Faz divisa com
Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana, Guiana Francesa, Paraguai, Peru, Suriname,
Uruguai e Venezuela. O maior estado é o Amazonas com 1.577.820,2 km2. O menor é
o Sergipe com 22.050.4 km2.

Estado Capital Região

Acre (AC) Rio Branco Norte

Alagoas (AL) Maceió Nordeste

Amapá (AP) Macapá Norte

Amazonas (AM) Manaus Norte

Bahia (BA) Salvador Nordeste

Ceará (CE) Fortaleza Nordeste

Distrito Federal (DF) Brasília Centro-Oeste

Espírito Santo (ES) Vitória Sudeste

Goiás (GO) Goiânia Centro-Oeste

Maranhão (MA) São Luís Nordeste

Mato Grosso (MT) Cuiabá Centro-Oeste

Mato Grosso do Sul(MS) Campo Grande Centro-Oeste

Minas Gerais (MG) Belo Horizonte Sudeste

Pará (PA) Belém Norte

Paraíba (PB) João Pessoa Nordeste

Paraná (PR) Curitiba Sul

Pernambuco (PE) Recife Nordeste

Rio de Janeiro (RJ) Rio de Janeiro Sudeste

Rio Grande do Norte(RN) Natal Nordeste

Rio Grande do Sul (RS) Porto Alegre Sul

Rondônia (RO) Porto Velho Norte

Roraima (RR) Boa Vista Norte

Santa Catarina (SC) Florianópolis Sul

São Paulo (SP) São Paulo Sudeste


210

Sergipe (SE) Aracaju Nordeste

Tocantins (TO) Palmas Norte

5.8 Países, capitais e continentes

São nos momentos de conflitos políticos, de guerras religiosas ou combate ao


terrorismo que países, raças, regiões, povos aparecem na mídia em grande estilo. A
derrubada do Muro de Berlim, o fim das Repúblicas Socialistas, a divisão de países
por etnias ou a independência de pequenas repúblicas reviraram o quadro geopolíti-
co que estava estável até 1989. E foi com a intenção de auxiliar o aluno que esse tópi-
co foi incluído no Manual.

País Capital

África

Açores Ponta Delgada

África do Sul Pretória, capital administrativa; Cidade do Cabo,


legislativa;Bloemfontein, judiciária.

Angola Luanda

Argélia Argel

Benin Porto Novo

Botsuana Gaborone

Burkina Uagadugu

Burandi Bujumbura

Cabo Verde Praia

Camarões Iaundê

Chade Ndjamena

Comores Moroni

Congo Brassaville

Costa do Marfim Abidjã

Djibouti Djibuti

Egito Cairo

Etiópia Adis Abeba

Gabão Libreville

Gâmbia Banjul
211

País Capital

Gana Acra

Guiné Conacri

Guinee-Bissau Bissau

Guiné Equatorial Malabo

Ilhas Canárias Las Palmas

Lesoto Maseru

Libéria Monróvia

Líbia Trípoli

Madagascar Antananarivo

Madeira Funchal

Malavi Lilongwe

Mali Bamako

Marrocos Rabat

Maurício Port Louis

Mauritânia Muakchott

Mayotte Dzaydzi

Moçambique Maputo

Namíbia Windhoek

Níger Niamey

Nigéria Lagos

Quênia Nairóbi

República Centro-Africana Bangüi

Reunião Saint-Denis

Ruanda Kigali

Santa Helena Jamestown

São Tomé e Príncipe São Tomé

Senegal Dacar

Serra Leoa Freetown

Seychelles Vitória

Socotra Tamridah

Somália Mogadíscio
212

País Capital

Suazilândia Mbabane

Sudão Cartum

Tanzânia Dodona

Togo Lomé

Tunísia Túnis

Uganda Campala

Zaire Kinshasa

Zâmbia Lusaka

Zimbábue Harare

América Central

Anguilla The Valley

Antígua e Barbuda St. John's

Bahamas Nassau

Barbados Bridgetown

Belize Belmopán

Bermuda Hamilton

Costa Rica San José

Cuba Havana

Dominica Roseau

El Salvador San Salvador

Granada Saint George's

Guadalupe Basse-Terre

Guatemala Guatemala

Haiti Port-au-Prince

Honduras Tegucigalpa

Ilhas Cayman George Town

Ilhas Turcks e Caicos Cockburn Town

Ilhas Virgens Americanas Chalortte Amalie

Ilhas Virgens Britânicas Road Town

Jamaica Kingston

Martinica Fort-de-France
213

País Capital

México Cidade do México

Montserrat Plymouth

Nicarágua Manágua

Panamá Panamá

Porto Rico San Juan

República Dominicana São Domingos

Santa Lúcia Castries

São Cristóvão e Névis Basseterre

São Vicente e Granadinas Kingstown

América do Norte

Canadá Ottawa

Estados Unidos da América Washington

Groenlândia Godthab

América do Sul

Antilhas Holandesas Willemstad

Argentina Buenos Aires

Aruba Oranjestad

Bolívia La Paz é a capital administrativa e sede do governo.Sucre é a


capital legal e sede do Judiciário.

Bonaire Kralendijk

Brasil Brasília

Chile Santiago

Colômbia Bogotá

Equador Quito

Guiana Georgetown

Guiana Francesa Caiena

Ilhas Falkland (Malvinas) Port Stanley

Ilhas Galápagos Puerto Baquerizo

Paraguai Assunção

Peru Lima

Suriname Paramaribo

Trinidad e Tobago Port of Spain


214

País Capital

Uruguai Montevidéu

Venezuela Caracas

Ásia

Bangladesh Dacca

Belarus Minsk

Brunei Bandar Seri Begawan

Butão Timfu

Camboja Phnom Penh

China Pequim

Cingapura Cingapura

Coréia do Norte Piongiang

Coréia do Sul Seul

Filipinas Manila

Hong Kong Vitória

Índia Nova Délhi

Indonésia Jacarta

Japão Tóquio

Laos Vientiane

Macau Macau

Malásia Kuala Lumpur

Moldova Kichinev

Mongólia Ulan Bator

Myanma Yongon

Nepal Kathmandu

Siri Lanka Colombo

Tailândia Bancoc

Taiwan Taipé

Timor Dili

Vietnã Hanói

Europa

Albânia Tirana
215

País Capital

Alemanha Berlim

Andorra Andorra

Áustria Viena

Bélgica Bruxelas

Bósnia-Erzegóvina Sarajeico

Bulgária Sófia

Córsega Ajaccio

Creta Iraklion

Croácia Zagreb

Dinamarca Copenhague

Eslováquia Bratislava

Eslovênia Liubliana

Espanha Madri

Faeroés Torshavn

Finlândia Helsinki

França Paris

Grécia Atenas

Guernsey St. Peter Port

Holanda Amsterdã

Hungria Budapeste

Ilha de Man Douglas

Ilhas Baleares Palma de Mallorca

Ilhas Faroë Thorshavn

Irlanda (Eire) Dublin

Islândia Reikjavik

Itália Roma

Iugoslávia Belgrado

Jersey (Ilha do Canal) St. Helier

Liechtenstein Vaduz

Luxemburgo Luxemburgo

Malta Valleta
216

País Capital

Mônoco Mônoco-Ville

Noruega Oslo

Polônia Varsóvia

Portugal Lisboa

Reino Unido da Grã-Bretanhae da Irlanda do Norte Londres(Escócia, País de Gales e Inglaterra formam a Grã-
Bretanha)

República Tcheca Praga

Romênia Bucareste

San Marino San Marino

Sardenha Cagliari

Suécia Estocolmo

Suíça Berna

Vaticano Vaticano

Eurasia

Armênia Ierevan

Azerbaijão Baku

Cazaquistão Alma-Ata

Estônia Tallin

Geórgia Tbilissi

Letônia Riga

Lituânia Vilna

Quirguistão Bichkek

Rússia Moscou

Tadjiquistão Duchambe

Turcomenistão Achkhabad

Ucrânia Kiev

Uzbequistão Tachkent

Oceania

Austrália Camberra

Fuji Suva

Guam Agana

Ilha Norfolk Kingston


217

País Capital

Ilha Pitacairn Admstown

Ilhas Christmas Fluing Fish Cove

Ilhas Cocos Rarotonga

Ilhas Marianas do Norte Garapan

Ilhas Marshall Majuro

Ilhas Salomão Honiara

Ilhas Wallis e Futuma Mata Utu

Kiribati Bairiki

Nauru Yaren

Niue Alofi

Nova Caledônia Noumea

Nova Zelândia Wellington

Papua-Nova Guiné Port Moresby

Polinésia Francesa Papeete

República de Belau Koror

Samoa Americana Pago Pago

Somoa Ocidental Ápia

Tonga Nukualofa

Tuvalu Funafuti

Vanuatu Port Vila

Oriente Médio

Afeganistão Cabul

Arábia Saudita Riad, real; Jidá, administrativa

Chipre Nicósia

Emirados Árabes Unidos Abu Dhabi

Iêmen Sanaa

Irã Teerã

Iraque Bagdá

Israel Jerusalém

Jordânia Amã

Kuait Al Kuait
218

País Capital

Líbano Beirute

Omã Mascate

Paquistão Islamabad

Qatar Doha

Síria Damasco

Turquia Ancara

5.9 Notas e referências bibliográficas

1 – MELO, José Marques de e SILVA, Carlos Eduardo Lins da. In: Sinal de mais: a
revisão e os manuais como supervisores do texto jornalístico. Trabalho de Conclusão
de Curso (TCC) de Mônica Manir Miguel. ECA/USP, 1990.

2 – RAMOS, José Nabantino. Jornalismo – dicionário enciclopédico. São Paulo,


Ibrasa, 1970.

3 – RAMOS, José Nabantino. Jornalismo – dicionário enciclopédico. São Paulo,


Ibrasa, 1970.

4 – MELO, José Marques de. (org.) Normas de redação de cinco jornais brasileiros.
São Paulo, Com-Arte/ECA/USP, 1974.

5 – FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo Dicionário da Língua Portugue-


sa. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985.

6 – MEIHY, José Carlos Sebe Bom. Manual de História Oral. São Paulo, Loyola,
2000.

7 – EL PAIS. Libro de Estilo. Madrid, Ediciones Siruela, 1996.

8 – EL PAIS. Libro de Estilo. Madrid, Ediciones Siruela, 1996.

9 – A TRIBUNA. Manual da Redação. Santos, Jornal e Editora, 1990.

10 – ZERO HORA. Manual de Ética, Redação e Estilo. Porto Alegre, L&PM, 1994.

11 – MARANHÃO, Carlos. Manual de Estilo da Editora Abril: como escrever bem


para nossas revistas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1990.

12 – GARCIA, Luiz. O Globo: Manual de Redação e Estilo. São Paulo, Editora Globo,
1992.

13 – JORNAL DO BRASIL. Normas de redação. Rio de Janeiro, 1988.

14 – PÚBLICO. Livro de Estilo. Lisboa, Printer Portuguesa, 1998.


219
15 – FOLHA DE S. PAULO. Novo Manual da Redação. São Paulo, Folha da Manhã,
1992.

16 – MARTINS, Eduardo.Manual de Redação e Estilo de O Estado de S. Paulo. São


Paulo, 1997.
6 O OLHAR DO PROFESSOR

No momento em que escolas e alunos discutem a reforma curricular, tendo


como parâmetro as Diretrizes Curriculares Nacionais e a Lei de Diretrizes e Bases, o
questionamento da qualidade do ensino também veio à público. Se de um lado há
queixas contra projetos pedagógicos dos cursos de Jornalismo, há também a cobran-
ça por uma mão-de-obra qualificada e mais preparada para o exercício profissional.
Para avaliar este quadro e projetar o curso de jornal-laboratório que mais se adeque
ao conceito do fazer jornalístico, professores de dez escolas, baseados em sua experi-
ência acadêmica, responderam questões fundamentais que contribuiram para a mi-
nha proposta.

O roteiro com 15 perguntas, enviado aos professores, levantava os seguintes as-


pectos: cronograma de atividades, carga horária, linha editorial do jornal-laboratório,
distribuição, métodos adotados para motivar o aluno, importância do jornal-labora-
tório na formação do aluno, como são escolhidas as editorias, a teoria contribui no fa-
zer jornalístico, o aluno deve contextualizar ou apenas relatar o fato etc.

Nove professores de jornal-laboratório participaram da pesquisa, quatro de es-


colas particulares, duas de escolas públicas (federal) e três de escolas confessionais.
Onze professores não responderam.

Nome do professor: Deodoro José Moreira

Universidade ou faculdade: Unilago/Rio Preto

Nome do jornal-laboratório: Expressão Livre

Tamanho do jornal: tablóide


221
Tiragem: 2 mil exemplares

Periodicidade: mensal

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: Sim, pois com esse instrumento o aluno tem a possibilidade de sen-
tir como funciona a redação de um jornal verdadeiro, o que o deixará preparado para
enfrentar o mercado de trabalho.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?

Resposta: Sim.

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: Como trabalhava em jornal diário, utilizei meus conhecimentos ad-


quiridos ao longo da carreira de jornalista e os incorporei.

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar o aluno? É pouco


ou ideal?

Resposta: Duas horas. É muito pouco, o ideal seriam seis horas.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: Sim, inteiramente.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra? Ou seja, o ritmo de traba-
lho, as cobranças (comercial, patrão), o estilo, o imediatismo no redigir são diferentes
do jornal-laboratório.
222
Resposta: Como expliquei anteriormente, a maioria não. No entanto, estou
constantemente procurando aperfeiçoar o sistema para que uma motivação comple-
ta.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: Sim.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: A principal delas é a motivação, fato que provoca atrasos constantes


nas edições.

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: Sim.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Sim. Todo o cronograma é definido antes do início das aulas. Isso é
de suma importância para o andamento da produção e para que o aluno se programe
em função das outras disciplinas.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Quem define são os alunos. Isso acontece no segundo ano, pois o
jornal-laboratório é produzido pelo terceiro ano.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: Os alunos, supervisionados pelo professor.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Sim. Permite que o aluno saiba o porquê de sua linha de trabalho.
223
Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou
simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Deve contextualizar, pois relatar fatos ele fará no dia-a-dia de uma
redação. Já o jornal-laboratório é um espaço para experimentos, necessário para uma
completa formação.

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Não, pois outras pessoas ou instituições devem conhecer o trabalho


dos alunos.

Nome do professor: Elias Machado Gonçalves

Universidade ou escola: Faculdade de Comunicação/Universidade Federal da


Bahia

Nome do jornal-laboratório: Jornal-Laboratório

Tamanho: Standard

Tiragem: 5 mil exemplares

Periodicidade: Mensal

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: Indispensável. Como se pode formar um jornalista sem que tenha


contato com uma das modalidades da prática profissional. Como profissional com
larga experiência no mercado tenho plena certeza de que sem um bom jornal-labora-
tório um curso não tem condições de funcionar ou oferecer uma formação adequada
aos alunos. O ambiente da redação do jornal permite a oportunidade de reflexão so-
bre as especifidades da prática, além de acabar com o mito de que se necessita de es-
tágio para aprender jornalismo. Um bom jornal-laboratório pode imprimir um ritmo
224
de trabalho e a utilização de critérios muito mais rígidos que a maioria das redações
no mercado.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?

Resposta: Sem dúvida. Se tem a pretensão de formar profissionais, a reflexão


sobre a natureza da profissão, as particularidades da prática e os pré-requisitos para
o seu exercício são elementos básicos. A diferença entre alguém que atua no mercado
sem uma formação prévia em Jornalismo e um aluno de um curso de Jornalismo
consiste em que o primeiro opera com técnicas especializadas de forma automática,
sem qualquer reflexão sobre as suas funções enquanto que o segundo pode inclusive
aperfeiçoar de forma constante a sua prática porque reúne condições para analisar de
forma crítica os resultados de seu trabalho.

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar os alunos? É pou-


co ou suficiente?

Resposta: Na grade curricular tenho 8 horas semanais para a oficina de im-


presso mas o curso funciona em tempo integral. Como professor em dedicação exclu-
siva permaneço durante toda a semana – manhã e tarde – com os alunos. A redação
do jornal funciona como uma redação de jornal todos os dias da semana, cabendo ao
aluno adaptar a sua grade de horários. O tempo me parece mais do que suficiente
para a edição de um jornal mensal em formato standard de 8 páginas.

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: O método utilizado consiste na elaboração de todas as etapas do jor-


nal – pauta, reportagem, edição, editoração eletrônica e circulação - pelos alunos,
com a supervisão do professor. Parto do pressuposto que em um curso de Jornalismo
se aprende fazendo, entrando em contato com as dificuldades da prática em suas di-
versas etapas. Em cada um dos momentos do percurso aproveito para discutir os
conceitos elementares com os alunos, da pauta à edição, das particularidades dos gê-
neros à definição de conceitos como objetividade ou editorial.
225
Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-
tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: Com certeza. O curso trabalha o referencial conceitual como instân-


cia que perpassa todas as etapas do processo de produção. O título oficina pretende
justo sintetizar o espaço do jornal-laboratório como um espaço aberto para a criação,
para a reflexão crítica. Para superar a disciplina o aluno tem que produzir no final do
semestre um ensaio em que elabora (de livre escolha) uma reflexão sobre qualquer
uma das etapas do processo de produção no jornalismo.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra?

Resposta: Na experiência que tenho como professor universitário ao longo de


11 anos tenho convicção que o aluno sempre que percebe que tem algo a aprender
participa de todas as atividades propostas. No jornal-laboratório, por exemplo, em al-
gumas oportunidades ficamos na redação até a meia noite para fechar uma edição.
Quando entramos na etapa final ninguém vai para casa antes de fechar o jornal. Dis-
cordo que as cobranças são menores do que no mercado. Como jornalista profissional
procuro inclusive cobrar de meus alunos muito mais do que a média das redações. Os
resultados são compensadores. O índice de desistência fica abaixo de 10% e o de re-
provação abaixo de 5%. O aproveitamento dos ex-alunos em redações de jornais e re-
vistas na Bahia e em outros estados atesta a qualidade nossos profissionais. Nosso
curso de Jornalismo recebeu quatro estrelas no Guia Abril e conceito Muito Bom em
projeto pedagógico e corpo docente nas condições de oferta e avaliação do Mec.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: Sem dúvida. Na primeira aula apresento o programa da disciplina,


processo de avaliação. Faço um histórico do jornal, suas funções no processo de for-
mação, diferenças em relação ao jornalismo praticado no mercado.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?
226
Resposta: As principais dificuldades são de ordem material. Falta ainda uma
institucionalização do jornal na escola. A faculdade estava em obras. Desde que assu-
mi funcionávamos em uma redação improvisada e sem uma devida articulação entre
as disciplinas afins como fotografia, planejamento gráfico ou teorias do jornalismo.
Temos a perspectiva de uma regularização do quadro. Temos a forte dependência de
recursos da reitoria o que, muitas vezes, atrasa o processo de impressão e circulação
jornal. A escola pretende profissionalizar o jornal, inclusive com a inserção perma-
nente de publicidade.

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: Sim. Nenhuma dúvida.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Cronograma anual impossível porque trabalho com planejamento


semestral. Para cada semestre tenho um planejamento do período para cada uma das
edições do jornal. Trabalho com o planejamento prévio de 4 edições por semestre,
com um período de 30 dias para cada uma, dividindo as etapas neste intervalo de
tempo. O planejamento permite um domínio do tempo de produção e uma iniciação
dos alunos no clima de fechamento de um jornal real. Os prazos são rígidos e, caso
descumpridos, aquele número sai de produção e se começa o próximo. E um condici-
onante fundamental para adequar o aluno ao ritmo real de trabalho.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: O jornal tem como público alvo a comunidade da Universidade Fe-


deral da Bahia – 20 mil pessoas – e as escolas de comunicação de Salvador e do país.
A publicação trata da Ufba como objeto. As editorias são fixas. Editorial, Extensão,
Campus, Reportagem e Entrevista. As editorias são escolhidas pelo Conselho Editori-
al do jornal.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?


227
Resposta: O Conselho editorial traça as linhas gerais. A aplicação cabe aos alu-
nos em conjunto com o professor da disciplina. O jornal pretende fazer jornalismo.
Desde que tenha em conta os critérios técnicos toda matéria entra. Temos a comuni-
dade da Ufba como objeto porque permite inclusive tensionar os diversos setores da
universidade e a própria Reitoria, demonstrando para o estudante as relações de po-
der dentro da instituição. O jornal tem total liberdade editorial. A maioria das man-
chetes são críticas aos diversos setores da universidade. Fazemos jornalismo. Nada a
ver com assessoria de imprensa.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Sem teoria não existe prática criativa porque falta uma reflexão so-
bre o estado atual da arte. A melhor maneira da teoria servir para o processo de
aprendizagem consiste em acabar com o mito da formação pelo mercado. A maioria
dos meus alunos verifica ao final do curso que muitas das matérias publicadas pela
grande imprensa teria dificuldades de entrar no jornal-laboratório porque estão mal
feitas. O aluno aprende que somente terá lugar no mercado quando tem condições de
contribuir para melhorar o jornalismo atual. Quem não tem poder de inovação fica
de fora.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Como simplesmente relatar o fato? Todo texto jornalístico pressu-


põe a colocação de um contexto. E um equívoco pensar que a noticia dispensa a con-
textualização dos fatos. Dependendo do gênero o que muda são as formas em que se
coloca o fato em contexto: a notícia trata do fato, a reportagem do tema, o editorial
comenta... Na disciplina o aluno aprende a evitar o uso ingênuo de diferenciações de
larga tradição no pragmatismo das redações como as propostas acima, pré-requisito
básico para o exercício do jornalismo.

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.
228
Resposta: Depende do tipo de publicação. No nosso caso sim. Devido a nature-
za do jornal. Tem interesse para o público das universidades.

Nome do professor: Rosângela Marçolla

Universidade ou escola: Faculdades Integradas Alcântara Machado

Nome do jornal-laboratório: Jornal da FIAM - Digital

Tamanho: Digital e A4 (versão impressa)

Tiragem: 2.500

Periodicidade: Semanal e quinzenal, respectivamente

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: Sim, pois é na faculdade que os futuros jornalistas têm o primeiro


contato com as reuniões de pauta, apurar as fontes e trabalhar a edição dos textos.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?

Resposta: Deveria.

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar os alunos? É pou-


co ou suficiente?

Resposta: Faço durante as aulas e não é suficiente, já que a pauta fica prejudi-
cada.

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: Fazê-los se sentir que são parte da história.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?
229
Resposta: Como disse anteriormente, quando o jornal fala do dia-a-dia do alu-
no, eles apresentam dificuldades em escrever textos informativos e sempre lançam
opiniões tendenciosas.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra?

Resposta: Infelizmente os que ainda não atuam no mercado tendem a recla-


mar muito dizendo que é muito texto (!!!) como se no mercado não tivessem que es-
crever mais de uma matéria por dia.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: Acredito que sim.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: Respeito às datas, "inventam" fontes, colam da Internet...

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: Sim.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Elaboro no início do semestre levando em consideração feriados,


atividades em sala etc.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Não existe espaço determinado.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: O professor.
230
Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: A teoria é muito importante porque vem da prática.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Depende da linha editorial, do espaço mas se relatarem de forma


precisa já é um grande passo.

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Acredito que não porque outros formadores de opinião podem ter
acesso à produção acadêmica, o que colabora na melhoria da imagem da instituição.

Nome do professor: Cláudia Regina Lahni

Universidade ou escola: Faculdade de Comunicação/Universidade Federal de


Juiz de Fora

Nome do jornal-laboratório: Jornal de Estudo

Tamanho:12 páginas – tablóide

Tiragem: 1000 exemplares

Periodicidade: no último semestre, publicamos duas edições; no atual, estavam


programadas três, estamos em greve (esses são os números desde que eu estou res-
ponsável pelo jornal)

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: Sim, em função da experiência prática, responsabilidade e debate


sobre isso.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?
231
Resposta: Sim, em conjunto com as outras disciplinas.

Pergunta: Quantas horas/aulas semanais tem para orientar os alunos? É pou-


co ou suficiente?

Resposta: Quatro – o que é insuficiente

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: Discussão sobre o nosso jornal e o de outras faculdades.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: Acredito que sim (a questão é dirigida ao aluno).

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra?

Resposta: Pelas reações, acredito que a maior parte dos alunos se sente moti-
vada.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: Acredito que sim. Mas, seja como for, começo o período explanando
sobre a disciplina, o jornal-laboratório e a sua função no curso.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: Na UFJF falta dinheiro (e apoio) para o jornal.

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: Sim.
232
Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de
reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Sim, porque definição de cronograma, na organização é fundamen-


tal. Elaboro de acordo com o número de edições que faremos, definindo dias de dis-
cussão, definição de tema, pauta, reportagem/redação, edição, revisão, diagramação/
editoração, revisão, gráfica; aí apresento a proposta aos alunos e a debatemos, fican-
do aberta a modificações da parte deles.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Não trabalhamos com editorias.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: Professora e outros envolvidos no processo - o jornal tem um conse-


lho editorial. Recentemente, desde que assumi estamos fazendo-o temático.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Sim – o aluno já viu na teoria, debateu e agora vai à prática.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Deve contextualizar, porque os acontecimentos não são isolados – e,


diga-se, a descontextualização no jornalismo é um mal hoje no mercado; precisamos
discutir isso na academia e ir mudando, a partir do trabalho de nossos alunos e alu-
nas.

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Não. O jornal-laboratório deve ir também a centros culturais, deve


chegar aos entrevistados (nem sempre da academia), enfim, na medida do possível
deve ser amplamente distribuído.

Nome do professor: Marta Regina Maia


233
Universidade ou escola: Faculdade de Comunicação da Universidade Metodista
de Piracicaba – Unimep

Nome do jornal-laboratório: Impressão

Tamanho: Tablóide

Tiragem: 5 mil exemplares

Periodicidade: bimestral

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem?

Resposta: Sem dúvida alguma.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?

Resposta: A formação dos alunos é uma junção de vários fatores. Eu diria en-
tão que o jornal contribui para esta "conscientização".

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar os alunos? É pou-


co ou suficiente?

Resposta: Tenho 12 horas por semana. Seria suficiente se eu não tivesse come-
tido a ousadia de instituir o Impressão on line - semanal. De qualquer forma tenho 2
monitores que me ajudam no Impressão (impresso) e dois no Impressão on line.

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: A preocupação central sempre foi tentar produzir um jornal na li-


nha mais interpretativa do que convencional, preocupando-se sempre com a fidedig-
nidade das fontes e com a ética jornalística. Outra questão é que, na medida do possí-
vel, também sempre recorremos à fontes externas, para garantir a aproximação do
aluno com entrevistados que vivem um universo diferente de uma cidade do interior.
Inclusive não uso o termo lead e sim "abre", com o intuito de incentivar o aluno a
produzir matérias menos padronizadas.
234
Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-
ticapelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: Sem sombra de dúvidas. Acho que é na produção, mais até do que
nas discussões teóricas que podemos de fato mostrar para o aluno como exercer a éti-
ca. Por exemplo: Só aceito que saiam matérias com entrevistas específicas para o jor-
nal e não com matérias "copiadas" da Internet.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra?

Resposta: Esta é uma resposta difícil, pois quem teria melhores condições de
respondê-la seria o próprio aluno. O que posso dizer é que como existe uma avalia-
ção, então alguns alunos produzem porque do contrário seriam reprovados e outros o
fazem porque têm consciência de que assim vão poder exercitar o seu texto jornalísti-
co. De qualquer forma, posso dizer que quando o jornal fica mais bem produzido aca-
ba existindo um certo clima de euforia na turma.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: Penso que sim.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?.

Resposta: O número de alunos ainda continua sendo um problema e a falta de


interdisciplinaridade, que proporcionaria ao aluno uma participação mais intensa em
todo o processo de produção.

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: É fundamental, pois é ele que propicia o exercício mais próximo da


realidade profissional.
235
Pergunta: Elabora semestral ou anualmente o cronograma de atividades? Ex-
emplo, dia de reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: O planejamento é semestral, até porque as disciplinas são semes-


trais.
Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Existem algumas fixas, como Educação, Política, Cotidiano, Cultura,


Saúde e Esportes, outras, entretanto, surgem de acordo com a algum assunto em evi-
dência, como, por exemplo, meio-ambiente.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: Ela é fruto de discussões em reuniões da Faculdade de Comunicação


e do meu projeto de Tempo Parcial, aprovado em concurso.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Ela é essencial, senão o aluno/jornalista acaba sendo refém das idéi-
as (teorias) dos entrevistados e ainda poderá ter dificuldades para interpretar certos
acontecimentos.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: O ideal é que sempre seja contextualizado, entretanto isso não é tão
fácil de ocorrer, pois os alunos não ingressam na Universidade com uma boa forma-
ção. Mas o professor não deve desistir e sempre incentivar essa prática.

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Depende de quem é o seu público-alvo. No nosso caso, é a própria


comunidade acadêmica quem é o destinatário, mas acho importante tomar cuidado
para que não se produza um jornal oficial da academia. Achamos fundamental a nos-
sa independência. Agora, quando há condições de infra-estrutura acho que se pode
sair do campus. Já tivemos outras experiências, na linha do jornalismo popular, mas
236
que não foram muito eficazes, já que nem todo aluno tem a obrigação de trabalhar
com comunidades carentes. Fazemos isso com projetos de extensão, por exemplo.

Nome do professor: Carlos Alberto Zanotti

Universidade ou escola: Curso de Jornalismo/Universidade de Pouso


Alegre/MG

Nome do jornal-laboratório: PRIMEIRA PÁGINA

Tamanho: tablóide (personalizado, pois adapta-se à capacidade da gráfica da


instituição.

Tiragem: 1000 exemplares

Periodicidade: Mensal

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: Sim, pois ele materializa/sintetiza todo um conjunto de aprendiza-


do que é oferecido/proporcionado ao aluno. Nele, trabalha-se desde a fotografia, o
recorte fotográfico, a diagramação, o texto, a pauta, a ética, a legislação, o público e
as estratégias de comunicação.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?

Resposta: Sim, pois oferece mecanismos análogos aos do mercado na produ-


ção jornalística, antecipando muitos problemas/soluções que o aluno encontrará
quando formado.

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar os alunos? É pou-


co ou suficiente?

Resposta: Total de 4 horas/aulas semanais, o que é muito abaixo das necessi-


dades. Na reforma curricular em curso o problema deverá ser sanado, triplicando-se
a carga horária em dois determinados semestres.
237
Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: Montei. Há mecanismos de orientação integral, acompanhamento


próximo e cobrança proporcional às necessidades. Busco desenvolver a responsabili-
dade individual na produção coletiva de meus alunos.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: Sim, pois não se pode entender o jornalismo distanciado da ética.


Discutimos um jornal voltado para o mercado, mas solidamente calcado na ética,
pois que se trata de uma atividade de interesse público.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra?

Resposta: Sinto o aluno extremamente motivado a produzir o jornal laborató-


rio, com exceções, que devem existir em todas as escolas e cursos. É no jornal-labora-
tório que ele terá tempo para produzir com amparo e orientação docente. E disso o
aluno sabe muito bem: aqui ele pode errar. Aqui, o erro se transforma em processo de
aprendizagem.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: Creio que sim. E se esforça no sentido de produzir um bom traba-


lho, mesmo porque o jornal irá para seu portfólio.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: Equipamentos mais adequados, maior envolvimento da instituição


e maior disponibilidade de carga horária.

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?
238
Resposta: Acho vital para o aluno de jornalismo. No JL é que se desenvolve, de
fato, o espírito da reportagem, do furo, da suíte... Esta atividade só poderia ser substi-
tuída por uma experiência, em regime de estágio, na formação do aluno. E mesmo as-
sim, com um certo prejuízo, pois no estágio o jornal já está voltado para a venda em
banca. No JL, ainda é possível não ter tão próximo esse tipo de compromisso.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Fecha-se um jornal por mês, religiosamente, porém sem um crono-


grama ou paginação muito definidos. Prioriza-se o aluno à publicação.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Nós temos um jornal de reportagens. Cada aluno produz uma pági-
na, da pauta à foto, o texto à diagramação e à editoração. Nossa intenção é imple-
mentar a produção de reportagens, e não necessariamente oferecer um jornal de con-
teúdo diversificado (em termos de público) ao leitor. A prioridade é o treinamento do
aluno e não a conquista do leitor, embora, em determinados casos, as duas coisas ca-
minhem paralelamente.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: O professor a definiu ao longo dos anos e ela está expressa em tex-
tos que acompanham a apostila oferecida ao aluno.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Sim, pois o fazer em JL laboratório é essencialmente criativo. E essa


criatividade encontra seus limites nas ações de caráter teórico.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Como já foi explicado, a cada aluno é oferecida uma página. Não te-
mos um jornal de notas. Temos um jornal de reportagens, onde a necessidade do
contexto está implícita, tanto na pauta como no espaço oferecido a cada texto.
239
Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo
acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Depende do projeto editorial que se crie para a publicações. Acho


que não há uma necessidade de se colocar uma camisa-de-força nos jornais-laborató-
rio. Eles se inserem em realidades completamente distintas.

Nome do professor: Rodolfo Carlos Martino

Universidade ou escola: Universidade Metodista de São Paulo

Nome do jornal-laboratório: Rudge Ramos Jornal

Tamanho: standard

Tiragem: 30 mil

Periodicidade: semanal

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: Sim. jornalista é um profissional com especifidades que escapam


àqueles que nunca freqüentaram uma redação. Na maioria das vezes, os alunos des-
lumbram-se com o prestígio que o profissional bem-sucedido demonstra ter. Apare-
cer na Globo e cousa e lousa nem passa por essas cabecinhas privilegiadas o tanto de
trabalho que é necessário para que o jornal chegue às bancas. E o quanto duas ou três
linhas podem acrescentar ou destruir a vida de uma pessoa. Conto sempre em sala de
aula, a história do Wladimir Herzog (meu professor na USP) que foi denunciado por
um crápula chamado Claudio Marques, que em sua coluna no DCI achou de fazer
uma piadinha dizendo que a TV Cultura que era um órgão do governo estava repleta
de comunistas, especialmente o Departamento de Jornalismo. A partir dessa idiotice,
veio a prisão e o resto é história.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?
240
Resposta: Essa é a proposta, entre outras mas, quando os alunos não querem
aprender, não há quem mude essa realidade.

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar os alunos? É pou-


co ou suficiente?

Resposta: Eu e a maioria dos professores temos 40 horas/aula. 4 aulas às se-


gundas, 4 às quartas, 4 às sextas e hora extensão para o fechamento com os estagiári-
os na quinta-feira.

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: fundamentalmente, disse que todos seriam tratados como repórte-


res – até porque estavam no último ano do curso – e que tinhamos um compromisso
de editar semanalmente um jornal de 30 mil exemplares para a comunidade do bair-
ro de Rudge Ramos, em primeira instância; e posteriormente para toda a cidade de
São Bernardo.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Pergunta: Sem dúvida. se você erra um nome, no dia seguinte vem a cobrança.
Se você escrever algo que não tenha procedência, a comunidade vai te cobrar... o
RRJ, até pelo brilhante trabalho feito pela Katu Nassar, editora que me precedeu,
tem uma baita credibilidade junto ao seu público.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra? Ou seja, o ritmo de traba-
lho, as cobranças (comercial, patrão), o estilo, o imediatismo no redigir são diferentes
do jornal-laboratório.

Resposta: A gente tenta reproduzir essa "pegada" no Rudge, até porque é um


jornal semanal que se propõe a fazer um jornalismo interpretativo e até – ousadia – a
pautar os grandes jornais. como aconteceu algumas vezes...
241
Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na
vida acadêmica?

Resposta: Os professores tentam por essa questão em evidência em todas as


aulas. No RRJ os alunos podem ousar; no mercado, nem sempre...a função da uni-
versidade é prepará-los para o mercado; mas, não unicamente para ser um técnico e,
sim, um historiador do cotidiano, um autor...

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: É a questão dos equipamentos. A gente já podia estar fazendo o jor-


nal colorido...mas, sei que o gasto será bem mais significativo. E nossos equipamen-
tos ainda não são suficientes...

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?
Resposta: É vital.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: As coisas funcionam exatamente como uma redação. Conforme vão


acontecendo, vamos nos reunindo. Obviamente, no início e no final do semestre há
uma avaliação e uma projeção do que vai ser feito e a localização de onde acontece-
ram os problemas.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Política/administração, economia, cidade (2 páginas), comporta-


mento / variedade, esportes e cultura. Quando assumi, apresentei o projeto que foi
discutido e emendado pelos professores.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: O editor-chefe (claro que depois de uma reunião com os professo-


res/editores)
242
Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Um jornalista desinformado não sobrevive. agora, esses conceitos


de teoria da comunicação, aquela discussão difusa...tenho lá minhas dúvidas...

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Contextualizar, pensar sobre, fazer uma avaliação do que disse o


entrevistado, evitar preconceitos etc..

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Depende da característica do jornal. O RRJ é distribuido em todas


as casa do Rudge e bairros próximos todas às sextas.

Nome do professor: Maria do Socorro Veloso

Universidade ou escola: Faculdades Associadas de Ensino (FAE) – São João da


Boa Vista/SP

Nome do jornal-laboratório: Falafae

Tamanho: tablóide

Tiragem: mil exemplares

Periodicidade: mensal

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino aprendiza-


gem? Explique.

Resposta: É claro que sim. Qualquer ferramenta que ajude o aluno a caminhar
da teoria à prática é fundamental para que esse processo funcione a contento.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?
243
Resposta: Espero que sim. Trabalho para isso, pelo menos. No segundo núme-
ro, tivemos uma indisposição com a direção da escola por conta de uma matéria de
tom crítico ao laboratório de tevê e fotografia do curso. A matéria estava ‘redonda’,
como dizemos no jornalismo: o aluno-repórter ouviu todos os lados, checou dados,
não ofendeu ninguém. Mesmo assim, o texto desagradou. Fui repreendida pela dire-
ção e tive de me defender sozinha. Tranquila e consciente de que estava apenas cum-
prindo meu dever, procurei mostrar aos alunos que é assim mesmo, que a tarefa do
jornalista não é agradar, mas buscar, com responsabilidade e senso de justiça, uma
visão ampliada dos acontecimentos. Quando a atividade jornalística não incomoda
ninguém, alguma coisa está errada. Ou certa demais...

Pergunta: Quantos horas/aulas semanais tem para orientar o aluno? É pouco


ou ideal?

Resposta: Tenho quatro horas semanais na disciplina, e mais quatro extras,


para editar o jornal. É uma carga horária razoável, já que fizemos oito edições ao lon-
go do ano. É claro que trabalhamos muito mais que isso. Mas faz parte...

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: Com exemplos pessoais e de terceiros, procuro mostrar como a re-


portagem e o jornalismo impresso podem ser sedutores.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: O tempo todo. Sou professora da disciplina Ética, também. E procu-


ro fazer desse conceito às vezes um tanto teórico, uma prática constante.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra? Ou seja, o ritmo de traba-
lho, as cobranças (comercial, patrão), o estilo, o imediatismo no redigir são diferentes
do jornal-laboratório.

Resposta: Existe um grupo de alunos sempre disposto a pôr a mão na massa.


Esses alunos não medem esforços para produzir o jornal. São, coincidentemente, os
244
estudantes mais dedicados e com as melhores notas. A maioria já está no mercado.
Um outro grupo até participa, mas só quando solicitado. O terceiro e último grupo é
apático sempre. Só faz se vale nota. E às vezes nem assim.

Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na


vida acadêmica?

Resposta: A função foi colocada nos primeiros dias de aula e, sempre que ne-
cessário, ao longo do curso. A maioria compreende isso, creio.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: A falta de um laboratório de redação (na escola, usamos as máqui-


nas do laboratório de informática), a visão conservadora de alguns setores dirigentes
da escola e a ausência de um sistema de distribuição dos exemplares para outras fa-
culdades.

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: Fundamental, eu diria.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Não fomos um primor de organização em 2001. No primeiro semes-


tre, fechamos as edições em sistema de adesão (logicamente, com reunião da pauta e
prazos de fechamento, como manda o figurino). No segundo semestre, formamos
quatro equipes de sete alunos para fechar as edições seguintes (temos apenas 28 alu-
nos no 3º ano do curso). Aí, já foi valendo nota. Claro que os alunos que mais se des-
tacaram nas contribuições ao jornal, ao longo do ano, mereceram as melhores avalia-
ções.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?


245
Resposta: Fazemos um jornal tablóide, de oito páginas, sem atribuição de edi-
torias. Digamos que funcionou como "clínica geral" em algumas edições, quando fala-
mos de assuntos variados. As quatro últimas edições, porém, foram tematizadas: ma-
lhação para o verão, prazeres e perigos do sexo, projetos sociais que dão certo e a for-
ça do rádio na região.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: A professora da disciplina, em conjunto com os alunos.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Mostrando os caminhos possíveis de seguir. Mesmo que na prática a


teoria seja outra... Há muito tempo que já não funciona a figura do jornalista "curio-
so", autodidata. A teoria, no jornalismo e nas outras áreas, evolui da prática e como
tal deve ser compreendida e estimulada.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos jornalísticos laboratoriais ou


simplesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Sim porque o aluno precisa exercitar a arte de escrever em profun-


didade.

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.

Resposta: Não vejo razão para restrições. Se houver possibilidade de o veículo


extrapolar os muros da faculdade, todos tendem a ganhar com isso – a escola, os alu-
nos envolvidos e os eventuais leitores extra-muros. Formar audiência fora da faculda-
de pode contribuir para a consolidação do jornal laboratorial junto à comunidade
onde o curso está inserido.

Nome do professor: Ouhydes Fonseca

Universidade ou escola: Faculdade de Comunicação/Universidade Católica de


Santos
246
Nome do jornal-laboratório: Entrevista

Tamanho: standard

Tiragem: 10 mil exemplares

Periodicidade: mensal

Pergunta: O jornal-laboratório é fundamental no processo ensino-aprendiza-


gem?

Resposta: Sim.

Pergunta: O jornal-laboratório conscientiza o aluno para o exercício profissio-


nal?

Resposta: O nosso, sim.

Pergunta: Quantas horas/aulas semanais tem para orientar o aluno? É pouco


ou ideal?

Resposta: Oito. São suficientes.

Pergunta: Adotou algum método e técnica própria para motivar o aluno?

Resposta: O importante é que ele reconheça competência no professor e sinta


que o produto final do seu trabalho tem potencial profissional.

Pergunta: O conceito de fazer jornalismo com critério ético é colocado em prá-


tica pelo aluno que produz o jornal-laboratório?

Resposta: Quase sempre.

Pergunta: O aluno se sente motivado na produção e difusão do jornal-labora-


tório mesmo sabendo que a realidade do mercado é outra?

Resposta: Sim.
247
Pergunta: O aluno tem conhecimento sobre a função do jornal-laboratório na
vida acadêmica?

Resposta: Sim.

Pergunta: Quais são as principais barreiras que você encontra na produção e


difusão do jornal-laboratório?

Resposta: (Não respondeu)

Pergunta: Você considera o jornal-laboratório importante na formação do alu-


no?

Resposta: Sim.

Pergunta: Elabora anualmente o cronograma de atividades? Exemplo, dia de


reunião de pauta, fechamento etc? Por que e como?

Resposta: Semestralmente.

Pergunta: Como são escolhidas as editorias?

Resposta: Das tradicionais dos jornais comerciais.

Pergunta: Quem define a linha editorial do jornal-laboratório?

Resposta: Os professores.

Pergunta: A teoria contribui no fazer jornalístico? De que forma?

Resposta: Não existe teoria sem prática e vice-versa.

Pergunta: O aluno deve contextualizar os textos do jornal-laboratório ou sim-


plesmente relatar o fato? Por que?

Resposta: Depende do veículo (Boletim/Mural/Jornal/Revista)

Pergunta: A distribuição do jornal-laboratório deve se restringir ao universo


acadêmico ou não? Explique.
248
Resposta: Depende da definição do público-alvo.
7 CONCLUSÃO

São dez anos na universidade fazendo jornal-laboratório, e outros tantos nas re-
dações, longe do eixo São Paulo-Rio. Quando comecei a relacionar jornalismo e ensi-
no, o meu primeiro objetivo foi transmitir o essencial da profissão sem a preocupação
didático-pedagógica, ou seja, levei o que havia assimilado na rua para a sala de aula.
Mais tarde, observei que era preciso distanciar o professor do profissional para não
repetir o discurso de jornalista-professor e para refletir melhor sobre o significado do
ensino de jornalismo na formação do futuro jornalista. O distanciamento provocou
em mim uma postura mais acadêmica, voltada ao fazer jornalístico. Embora o jorna-
lismo nunca perca o ato de informar, jamais deixará de ser um autêntico transforma-
dor social. Essa concepção de fazer do ontem o hoje de forma precisa, clara, transpa-
rente, verdadeira e real merece um tratamento diferenciado, exaustivo e aprofundado
quando o veículo for o jornal-laboratório. “O jornalismo tem que ser rigoroso na sua
prática mas não é uma ciência exata. Por isso muitos conceitos têm os contornos das
épocas que atravessam, são dinâmicos porque refletem a realidade em movimento”,
ensina Mar de Fonteuberta.1 E é esse movimento que deve existir ao fazer o jornal-la-
boratório. Não há dúvida de que a matéria-prima do jornalismo é a notícia, mas em
se tratando do processo ensino-aprendizagem, o cotidiano do ponto de vista profissi-
onal deve ser praticado de forma que permita ao aluno assimilar com singularidade o
conceito de jornalismo em suas várias etapas de produção e difusão.

Com o monopólio da informação digital, o jornalismo impresso readquire o pa-


pel de interpretar o fato jornalístico. Essa nova postura analítica obriga a escola a re-
dimensionar a função laboratorial do jornal impresso. O aluno não pode mais apren-
der simplesmente como montar uma pirâmide invertida, precisa refletir sobre o que
pensa e ter consciência da sua responsabilidade social. O fundamental é que a escola
250
prepare o aluno para o exercício profissional independente do veículo que vai atuar.
O ato de escrever deixa de ser mecânico quando o autor é participante do processo
histórico e passa a reportar o fato de interesse público.

É na capacidade de redigir uma reportagem que o aluno pode mostrar, de ma-


neira mais clara, sua aptidão em articular os próprios pensamentos, desenvolver idéi-
as, absorver conhecimentos adquiridos ao longo do curso de Jornalismo. Não será
apenas com a técnica da pirâmide invertida que o aluno se transformará num histori-
ador do cotidiano. Se a escola deseja preparar o aluno para o exercício profissional e
com qualidade para competir no mercado, é fundamental que conduza o futuro jor-
nalista ao ato reflexivo, à consciência coletiva, ao discernimento do que é o fato de in-
teresse público e de interesse do público. Captar o real, construir a ação cena a cena,
fazer o registro completo do diálogo são caminhos que o futuro jornalista deve per-
correr para a dinâmica da reportagem como expressão do cotidiano. “A reportagem é
uma forma de extensão do conhecimento da atualidade. Representa para o jornalista
a possibilidade de exploração da realidade para além dos limites imediatos da notí-
cia, levando-o, à sua fonte e a seu leitor, juntos, para uma dimensão mais ampla”, ex-
plica Ana Veirano Astiz2

7.1 Propostas abertas

A partir dos depoimentos colhidos de professores responsáveis por jornais-la-


boratório, de leituras de jornais-laboratório, da minha experiência na coordenação de
projetos laboratoriais no interior e Capital de São Paulo, de uma vasta pesquisa bibli-
ográfica, fundamentado numa avaliação geral do ensino apresento as seguintes pro-
postas de uma pedagogia para o jornal-laboratório:

● Pauta mais consistente, mais histórica, mais abrangente com inúmeras fon-
tes com visão ou olhar diferente sobre o mesmo fato jornalístico para real-
çar as contradições de idéias, ideologias políticas;

● Evitar a cobertura rotineira;

● Fazer o aluno ouvir a opinião pública, o popular, o cidadão comum;


251
● Habituar o aluno a percorrer todos os campos do conhecimento e do poder,
porque é seu dever mostrar o que se passa nas esferas às quais o cidadão
comum não tem acesso;

● Orientar o aluno a pensar de forma lógica-reflexiva sobre o exercício jorna-


lístico como instrumento de transformação social;

● Estimular o aluno a conhecer e refletir sobre a produção jornalística em


suas várias etapas sem a preocupação mercadológica;

● Possibilitar a formação de uma visão histórica, política, ideológica e crítica


do jornalismo impresso;

● Desenvolver a capacidade e criatividade na elaboração do texto jornalístico;

● Preparar o aluno para o ato investigativo como atividade cotidiana e não


apenas esporádica;

● Aguçar no aluno o domínino da linguagem jornalística e o senso crítico na


apuração dos dados;

● Utilizar o jornal-laboratório como um veículo ligado à comunidade em que


está inserido e não apenas ficar no universo acadêmico;

● Priorizar o local como fato de interesse público;

● Utilizar a internet como fonte de pesquisa, mas não como fonte primária;

● Conhecimento abrangente de humanidades como ferramenta de contextua-


lização do fato jornalismo;

● Criar conselhos editoriais efetivos e participativos na produção e difusão do


jornal-laboratório e que sejam incluído no projeto pedagógico;

● Preocupar-se primeiro em formar o cidadão, o profissional e não apenas o


que o mercado deseja;

● Linha editorial com raízes acadêmicas, ou seja, não mercadológicas;

● Não fazer jornal-laboratório para atender o aluno ou o professor;

● Direcionar o aluno a ser um observador-participante do fato jornalístico;

● Outros pontos que considero essenciais paa a formação do jornalista:


252
● Motivar o aluno a elaborar o jornal como uma contribuição à melhoria da
sociedade, não apenas como um mero exercício escolar;

● O estudante precisa estar ligado na realidade, paralelamente à vontade de


melhorar o mundo que o cerca;

● O aluno precisa estar comprometido com o seu tempo e com a sua gente;

● Lembrar que a função do jornal-laboratório não é apenas informar, denun-


ciar, formar. É também um exercício diário de inteligência e prática cotidia-
na do caráter;

● O aluno precisa ter a capacidade de se indignar contra as injustiças;

● Lembrar ao aluno que sempre é bom ajudar alguém com aquilo que escre-
ve;

● Reforçar, como diz Ricardo Kotscho, que o jornalismo não é apenas uma
profissão, um meio para sobreviver, mas uma “opção de vida”;

● O aluno não deve se entregar à acomodação da pauta;

● O aluno deve manter antenas ligadas noite e dia, onde estiver;

● Deve estar sempre comprometido consigo mesmo, com o leitor, com a ver-
dade;

● Deve sempre usar o jornal-laboratório para contribuir na formação de uma


sociedade mais sadia;

● Não deve esquecer que a denúncia pela denúncia, não leva a nada;

● Reforçar que a checagem da informação com pelo menos duas fontes é in-
dispensável;

● Lembrar que a credibilidade é o maior patrimônio do jornalista e que a res-


ponsabilidade é essencial;

Essas propostas estão inseridas no contexto mais amplo da luta pela melhoria
da qualidade do ensino no Brasil que, no caso específico do jornalismo, envolve a
busca de uma formação crítica/analítica aliada à cidadania e ao exercício profissional
com responsabilidade social, ética e busca da verdade. A aplicabilidade dessas pro-
253
postas depende da desburocratização da política laboratorial e da valorização do cor-
po docente.

7.1 Notas e Referências Bibliográficas

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