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História 62

O PASTORZINHO

Tema: natal

Extraído da folha Espírita de Dezembro de 1975

Noite serena, silenciosa. No firmamento escuro


resplandeciam as estrelas. Umas brilhantes como sóis, outras
pálidas, como crianças tristes e haviam as que pisca-
piscavam, luzindo, luzindo. Deitado sobre a relva, ao pé da
colina, Pastorzinho tocava suavemente uma flauta. O som era
triste e melódico, porque também o Pastorzinho estava triste.
Naquela noite sentia-se mais sozinho do que nunca. Desde
que perdera os pais, ninguém se lembrava dele, ninguém o
esperava com um sorriso, nem lhe beijava a fronte com
doçura, como sua boa mãezinha.

Para ganhar o sustento diário, empregara-se na granja


de um rico mercador que possuía um grande rebanho de
ovelhas; e, então, com outros pastores, tinha que cuidar delas,
levando-as para os melhores prados, de pastos tenros e águas
cristalinas. Procurava executar sua tarefa da melhor maneira
possível. Sentia verdadeiro carinho pelos mansos animais.
Corria logo atras deles, se algum se afastava do rebanho.

As ovelhas sob seu cuidado eram muitas, e, apesar do seu desvelo, no dia anterior, um
carneirinho travesso desgarrou-se dos companheiros e afogou-se no rio. Como sentiu aquela
perda o pobre Pastorzinho e como se irritou o seu patrão. Você é um descuidado- falou-lhe com
dureza. Não serve nem para cuidar de animais!

Por isso é que estava triste o Pastorzinho. Agora, que as ovelhas descansavam e que os
outros pastores reunidos junto ao fogo, contavam velhas estórias, a tristeza de seu coração se
traduzia em grossas lágrimas que lhe corriam pelo rosto moreno, tostado pelo sol e curtido pelo

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vento.

Súbito, ocorreu algo extraordinário, Pastorzinho viu no


Céu uma estrela de brilho sem igual e logo ele foi rodeado por
esplendorosa claridade.

Que é isto? Perguntou atemorizado, sem compreender o


que acontecia. Em seguida, avistou uma figura angelical, que
lhe disse com doçura: Não temas, pois venho trazer uma boa
nova de grande ventura para todo o povo! Nasceu, hoje na
cidade de David, o Salvador, que é o Cristo, o Messias, nosso
Senhor. Como sinal para que o encontreis, digo-vos que o
menino está envolto em panos pobres e deitado em uma
manjedoura.

Apenas o anjo acabou de pronunciar estas palavras,


suave melodia se fez ouvir por todos os recantos do vale; as
vozes cantavam: "Gloria a Deus nas alturas e paz na Terra
para todos os homens" Quando as celestes criaturas
silenciaram, Pastorzinho exclamou: Vamos a Belém! Vamos
ver o enviado de Deus! E passou a convidar os pastores
Chamou primeiro o seu amigo mais chegado, que era um
menino de sua idade.

Depois convidou um jovem pastor um pouco mais


velho que ele. Este aceitou o convite com alegria e integrou-
se aos outros

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Por fim, também sentiu vontade de seguir viagem, um
senhor pastor que mostrou-se como um pai generoso e
amigo.

Assim como os pastores, os bichinhos,


passaram a proclamar, uns para os outros o grande
evento da vinda de Jesus para o bem do mundo. O
carneiro, falou ao burrinho este ao boi e a vaquinha e
começaram a caminhada para Belém, onde
encontrariam o menino na manjedoura.

Tão rápido como puderam os pastores se dirigiram para


a pequena aldeia. Lá estava a grande estrela. Será aqui?
Perguntavam uns aos outros. Como é possível que o filho de
Deus viesse nascer em um lugar tão humilde?

Entremos! Falou o Pastorzinho resolutamente.


E ao penetrarem viram uma criança que dormia
placidamente em um berço de palha. Ao seu lado
estavam José e Maria sua mãe que velavam pelo seu
sono. Haviam animais que se tinham aproximado para
aquecer a doce e gentil criança.

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Maria tomou-a nos braços e o Pastorzinho que movido
por um irresistível impulso ajoelhou-se, reverenciando a
grandeza espiritual daquela criança. De repente, sentiu em
seu coração uma alegria imensa, um contentamento que não
podia exprimir com palavras. Havia um brilho diferente em
seu olhar, e um sorriso de felicidade em seus lábios. Já não
se sentia só, não estava triste e nem sentia medo.

O pequenino Jesus, transformara a sua vida pois só a


vibração pura daqueles que amam é capaz de operar as
grandes mudanças. Desde aquele dia Pastorzinho, procurou
servir Jesus, aceitando o sofrimento, com paciência e
humildade, procurando fazer aos outros todo o bem ao seu
alcance.

A doce Maria, mãe de Jesus, Rosa mística, mãe


de todos os seres viventes. Amparou ao menino na
sua infância e protegeu-o na sua juventude com
carinhosos ensinamentos religiosos.

Os três reis magos, sábios da antigüidade, também vieram adorar ao menino, trazendo-
lhe presentes tais como ouro, incenso e mirra (resina de coníferas). Representavam eles todos
os povos da Terra. Eram eles Baltazar, Belchior e Gaspar.

Crianças, toda vez que vocês contemplarem as estrelas do Céu, anunciando o Natal de
Jesus, lembrem-se do Pastorzinho e deixem que,os ensinamentos do Cristo tornem vocês
obedientes, alegres e bondosos.

FIM