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Eclesiastes

O livro começa com a expressão "Palavras de Qohélet, filho de David, rei de Jerusalém", geralmente considerada como título da obra. No contexto da literatura sapiencial do Médio Oriente, encontram-se obras semelhantes a este livro, tanto no Egipto (o "Diálogo do Desesperado com a sua Alma", os "Cantos do Harpista") como na Mesopotâmia (especialmente o diálogo acróstico chamado "Teodiceia Babilónica").

NOME Etimologicamente, "Qohélet", parece ter conexão com o termo "Qahal", isto é, "assembleia". "Qohélet" designa um substantivo comum, aparecendo, por vezes, acompanhado de artigo. É alguém que tem a função de pregador ou de presidente da assembleia cultual. O texto grego traduziu o termo hebraico "Qohélet" por "Eclesiastes", que se transferiu para o latim e, depois, para as outras línguas. Daí o título do livro aparecer como ECLESIASTES, por influência grega e latina, ou como QOHÉLET, que é a tendência das traduções modernas, transliterando o hebraico. Qohélet é identificado em 1,1 com o filho de David, rei de Jerusalém. Um tal filho de David só poderia ser Salomão. Porém, um estudo sério, tanto no plano da linguagem como no plano da doutrina, situa o livro num período posterior ao regresso do Exílio e anterior à época dos Macabeus. O facto de aludir ao rei Salomão, nada significa; atribuí-lo àquele soberano não passa de uma ficção literária por parte de alguém que procura um patrocínio de peso para as suas próprias reflexões.

Um estudo aprofundado sobre Eclesiastes

Introdução

Em nosso estudo do Eclesiastes, pretendemos fazer uma análise que parte de uma observação panorâmica e se aprofunda nos diversos temas do livro. Em alguns momentos faremos uma

leitura que considera o ponto de vista do autor e vai um pouco além, utilizando, para isso, o conhecimento que nos oferece o contexto bíblico geral.

Classificação e características

Os livros do Velho Testamento se classificam como: livros da lei, livros históricos, poéticos e proféticos (maiores e menores). Entre os livros poéticos (Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cantares) encontram-se os sapienciais ou livros de sabedoria (Jó, Eclesiastes e Provérbios), os quais se caracterizam por apresentar reflexões, conselhos práticos e filosofia de vida. Seu objetivo é a transmissão da sabedoria de tal forma que a mesma venha preencher as lacunas porventura deixadas pelos códigos da lei.

Alguns trechos do Eclesiastes têm forma poética. São eles: 3.2-8; 7.1-14; 11.7 e 12.7. As demais passagens se apresentam em prosa.

Os escritos sapienciais não se restringem ao conteúdo de Jó, Provérbios e Eclesiastes. Antigas civilizações já utilizavam escrituras desse tipo, tais como a Suméria (3000 a.C.), Babilônia, Egito, Arábia, Pérsia, Edom e Fenícia. Mesmo se tratando das Sagradas Escrituras, a literatura sapiencial se apresenta também em outros textos fora dos livros poéticos. São parábolas, provérbios e metáforas como os que encontramos em Jz. 9.7-15; 14.12; I Sm.1.12; 18.7; II Sm.12.1-4.

Os livros bíblicos sapienciais se especializam em determinados temas. Jó se aplica à questão do sofrimento. O livro de Provérbios é dedicado à moral, enquanto que Eclesiastes apresenta a questão da felicidade humana.

Título do livro

O que é eclesiastes? pregador, aquele que fala a uma assembléia. Este termo tem origem grega, o que, a princípio pode parecer estranho, uma vez que o Velho Testamento foi escrito em hebraico. Tal ocorrência se justifica por uma herança da versão chamada Septuaginta. Esta foi uma tradução do Velho Testamento do hebraico para o grego. O título original era "Qoheleth", sendo traduzido para o termo grego "Eclesiastes", o qual foi mantido em nossas versões portuguesas. O mesmo ocorreu com outros livros da Bíblia, tais como Gênesis e Deuteronômio.

Autoria

Quem é o eclesiastes? Quem é este pregador? Os versículos encontrados em Ec.1.1; 1.12; 2.111 nos conduzem à pessoa de Salomão. Embora seu nome não seja mencionado em nenhum momento, os textos citados não deixam margem para que se pense em outra pessoa. Consideremos as afirmações de Ec.1.1 e 1.12: "Filho de Davi.... rei de Israel em Jerusalém..." O único homem que se enquadrou nesses termos foi o próprio Salomão pois, após a sua morte, nunca mais houve um rei de Israel em Jerusalém. O reino foi dividido e em Jerusalém se encontrava o rei de Judá. Os reis de Israel ficavam em Samaria.

Entretanto, os críticos apresentam as seguintes questões contra a autoria salomônica.

Questão 1 – Nas passagens de Ec.1.2 e 7.27 o escritor conjuga os verbos na terceira pessoa. Fala do pregador como sendo outro e não ele mesmo. Poder-se-ia admitir a hipótese de uma auto-apresentação em terceira pessoa. Contudo, esse tipo de conjugação aparece em 12.8 em um contexto mais complexo. A fala em terceira pessoa se apresenta como um aposto no meio de uma frase dita em primeira pessoa. Parece então bem claro que, de fato, o pregador e o escritor do livro de Eclesiastes são duas pessoas distintas. Tal evidência não constitui grande dificuldade, já que era bastante comum a existência de escribas que registravam as palavras ditadas pelos autores. O profeta Jeremias tinha a seu serviço Baruque, que escrevia suas profecias. Não é de se estranhar que um rei, como Salomão, tivesse ao seu dispor um ou vários escribas. No novo testamento, como exemplo de situação análoga, podemos citar as cartas de Paulo. Algumas vezes o apóstolo ditava e algum dos seus discípulos escrevia (Rm.16.22).

Questão 2 – O Eclesiastes apresenta passagens aparentemente contraditórias. Isto poderia indicar a obra de dois autores. Partindo dessa premissa, foram formuladas algumas hipóteses:

A) O Eclesiastes seria originalmente uma obra cética, a qual teria recebido adições posteriores. Foi a proposta dos teólogos A. H. McNeile (Inglaterra), G. A. Barton (USA) e E.Podechard (França), todos no século XX.

B) O livro teria sido obra de 9 pessoas: 7 autores e 2 editores. Foi a hipótese de D.C. SiegFried.

Essas especulações sobre possíveis retoques em uma obra cética original não resistem diante de algumas indagações: Se um editor tentou melhorar a obra por não concordar com ela, não seria mais prático eliminá-la? Seria bastante contraditório imaginar um judeu ortodoxo tentando melhorar uma obra cética ao invés de destruí-la. Se essas hipóteses de edições posteriores correspondessem à realidade, seria natural a existência de versões conflitantes do Eclesiastes. No entanto, não existem conflitos significativos entre os manuscritos conhecidos. As diferenças detectadas se encontram em detalhes mínimos tais como o uso de artigos e outras partículas.

O vocabulário e os conceitos unem as partes que muitas vezes são consideradas contraditórias, nos levando a crer que, embora contrastantes, as idéias partem da mesma pessoa.

Além dos indícios internos no livro, temos a favor da autoria de Salomão o testemunho dos seguintes rabis judeus: Meir Zlotowitz , em seu livro Megillas Koeles, e Nosson Schermann.

O mais importante de tudo isso é que a palavra de Deus prevalece independente do autor humano. Em outros livros, como Hebreus e Jó, a identificação do autor é ainda mais difícil, ou mesmo impossível. Contudo, sua mensagem nos é transmitida de forma poderosa e eficaz.

Data e idioma original

Entre os autores que consideram a autoria de Salomão, a data de escrita do Eclesiastes tem sido colocada próxima de 977 a.C.. Como é de se esperar, muitos críticos questionam essa datação. Ao se colocar em dúvida a data questiona-se novamente a autoria. Alguns querem localizar a origem do livro em período próximo ao terceiro século a.C.. Sendo assim, estão eliminando a figura de Salomão do contexto. Não se defende uma época mais recente pois, entre os manuscritos do mar Morto, encontraram-se fragmentos do Eclesiastes, os quais são considerados como oriundos do século II a.C.

As dificuldades nesse ponto surgem quando se analisam as características idiomáticas do livro. No texto em hebraico encontram-se influências lingüísticas de diversos tipos, as quais se apresentam em formas pronominais, artigos, uso de consoantes como vogais, e outras partículas. Assim, tem-se no Eclesiastes um hebraico diferente daquele encontrado nos outros livros do Velho Testamento, até mesmo em Provérbios, o qual se atribui a Salomão. Para responder a essa questão surgiram as seguintes hipóteses:

Ginsberg (1950). Tomemos como exemplo uma de nossas versões. É óbvio que tal anacronismo da tradução não nos leva a pensar que a obra original tenha sido produzida após a Revolução Industrial. Margoliouth (1921).10. Contudo. Provérbios. A essas colocações. Desse modo. Zimmermann sugere que o livro tenha sido escrito originalmente em aramaico e depois traduzido para o hebraico. o que não constitui evidência cabal de que tais escritos tenham sido elaborados originalmente no idioma fenício. O próprio autor poderia ter mencionado a época e o local da produção de sua obra. maiores dificuldades surgem quando se encontram duas palavras do idioma persa no texto. Isaías. Contudo.C. já influenciado por diversos idiomas.X a. a Revista e Corrigida de João Ferreira de Almeida.1 . Ezequiel e Naum. sendo que a mais antiga disponível data do século II a.C. Como podemos conciliar todas essas informações e ainda manter a afirmação de que Salomão tenha escrito o livro de Eclesiastes? Se os críticos tivessem baseado suas teorias no estudo do manuscrito original do Eclesiastes. houve a reação de R. sabemos que ninguém possui os textos originais. portanto. o que poderia então ser chamado de "hebraico tardio". a qual utiliza a palavra "indústria" na passagem de Eclesiastes 9. Sua idéia é apoiada por C. Assim.M. cópias. toda a análise se dá sobre versões posteriores. a ausência de tais informações acabam por reforçar o caráter universal do tema tratado pelo .. Torrey (1948) e H. muito fora. o Eclesiastes foi escrito em um tipo de "hebraico estrangeiro". 2 .F. então a questão ficaria bem mais difícil. 3 . o qual defende a tese da escrita em um "hebraico tardio". é natural que tais versões apresentem influências da época em que foram produzidas.L. Influências fenícias são também encontradas em Jó.S.Para D. O auge do Império Persa se estendeu de 549 até 331 a. Seria normal que o copista quisesse passar os ensinamentos na linguagem usual daqueles dias.Gordis..C.C. do período de vida de Salomão. Aramaísmos são comuns no hebraico a partir do séc.Dahood (1952) afirma que o idioma fenício foi usado no texto original. Salmos. numa época em que a língua já havia incorporado termos e detalhes de outros idiomas. Contudo.

.C. não havendo de dar-lhes nenhuma recompensa ou castigo.14) e também na afirmação de que o espírito volta a Deus (12. Canonicidade O exame de partes isoladas do livro podem conduzir o leitor a ter dificuldades em relação à sua natureza canônica. ceticismo e epicurismo. Soma-se a esses testemunhos a declaração interna do livro. que diz que suas palavras foram dadas pelo único Pastor. um filósofo grego. embora esteja a eles vinculado. se existirem.).Eclesiastes. pessimismo. Orígenes (185-225). avisa sobre o juízo divino em relação às obras humanas. Porém. concluímos que tal doutrina não se encontra nas páginas do Eclesiastes. O Epicurismo foi uma doutrina filosófica que se originou com Epícuro (342 a 270 a. beber e gozar do fruto do seu trabalho.7). Há quem veja na obra contradições. A própria vida após a morte fica subentendida na questão do juízo (12. o seu reconhecimento por parte de Israel tem grande importância para nós. há que se levar em conta o que foi dito pelos já citados "Pais da Igreja".. uma vez que o autor fala de Deus de forma bem objetiva e atuante na vida humana. não estão se importando com os seres criados. mas. Não há vida após a morte.C. dedicando-se exclusivamente aos prazeres do corpo. Jerônimo (347-419) e diversos escritores judeus. Todo o conhecimento possível vem pelos sentidos físicos. Quando analisamos em conjunto os ensinamentos do epicurismo. O bem é sinônimo de prazer físico e mental. Em se tratando de um livro do Antigo Testamento. Deísmo – É possível que Deus ou deuses existam.C. Além disso. O Epicurismo Alguns comentaristas afirmam que o Eclesiastes apresenta máximas do Epicurismo quando diz que o melhor para o homem é comer. o Eclesiastes foi citado como canônico por Melito (Sardes) 170 d.). Suas principais idéias são: 1. Epifânio (Sardes) (315-403 d. o qual não se restringe ao judaísmo e ao povo judeu. menciona a sabedoria que é dada por Deus. Os seguidores de Epícuro acabaram por desprezar o prazer mental.

a paz foi uma característica marcante do seu reino.C. devido à paz dominante. Por exemplo. de acordo com uma das datações mais aceitas.Salomão – Vida e obra Devido à insustentabilidade das hipóteses contrárias..14–17). Contudo. Provérbios. Em seus dias. sábio e famoso que Israel teve (I Reis 4. (I Reis 9. houve grande desenvolvimento da nação em vários setores. Salomão cometeu muitos erros. Da mesma maneira. Israel se tornou um grande império. por exemplo. II Sm. Observação – Nesse ponto. Salomão escreveu Cantares. teve inúmeras mulheres. a análise sintática e morfológica. No estudo da língua portuguesa temos. Dependendo do caso. Salomão foi o rei mais rico. e Eclesiastes.14-29).21. Compare com Dt. consideraremos Salomão como o autor do Eclesiastes. Apesar de toda a sua sabedoria. tais como classificação de palavras e a ocorrência de palavras-chaves. Durante o seu reinado. 10. Salomão era filho do rei Davi com Bate-seba. Análise Análise é um exame minucioso. .12. 17. o autoritarismo e os altos impostos também marcaram esse período.24. Uma das providências que favorecem a análise é a decomposição do que se quer estudar. A análise do texto se fará através da observação e correlação. De fato. (I Rs.1-12. que durou de 1015 a 975 a. a que fora mulher de Urias. fez alianças políticas com homens ímpios e acabou se envolvendo com a idolatria. pode-se perguntar como.20-21. 11. minúcias do texto devem ser observadas. O Senhor mandou que o profeta Natã lhe desse o nome de Jedidias (amado de Jeová). Há quem diga que o livro de Cantares tenha sido escrito no tempo da mocidade do rei. métodos e instrumentos de estudo de que dispomos. Provérbios seria obra dos tempos da maturidade e Eclesiastes seria a reflexão na velhice. cujo alcance ficará restrito aos mecanismos. Seu nome significa "pacífico". ao se analisar a água torna-se necessário o exame e a compreensão de seus elementos básicos: o oxigênio e o hidrogênio.29-34). Os salmos 72 e 127 também são atribuídos à sua autoria. Enriqueceu-se muito às custas do sacrifício do povo. incluindo o comércio e a produção literária. o nosso estudo partirá de uma visão panorâmica e se aprofundará num exame minucioso. nas quais as frases são divididas de tal forma que seus elementos sejam identificados e estudados isoladamente.

e guarda os seus mandamentos. O autor apresenta afirmações muito fortes e convida o leitor a encarar a realidade humana em face da morte. fútil. Pensemos. Existe muito que se pode extrair do texto bíblico através da análise. quando e por quê. É também desejável a disponibilidade de versões bíblicas diferentes. Palavra chave: Vaidade (37x) . Todo livro sapiencial tem o objetivo de ensinar ou transmitir a sabedoria. porque este é o dever de todo homem". a morte e a eternidade.13: "De tudo quanto se tem ouvido o fim é: teme a Deus. acreditamos que toda revelação deve ser coerente com a interpretação.Qualidade do que é vão. É importante também que. Texto chave: 12. inútil e de pouca duração. a qual se apresenta como antídoto contra a tolice do ser humano. se é figurado ou não. é importante o uso de dicionário da língua portuguesa e dicionários bíblicos. O Resultado que se espera da análise é o entendimento. nas colocações que o apóstolo Paulo fez em relação a Sara e Hagar. correlacionado com outros versículos e capítulos do mesmo livro e com outros livros da Bíblia. por exemplo. Nesse momento. Pelos métodos analíticos jamais chegaríamos a conclusões como aquelas. Deve-se também investigar o significado dos vocábulos e tipo de emprego. acreditamos que existem mistérios nas Escrituras os quais só podem ser revelados pelo Espírito Santo. . as quais não se encontram disponíveis no texto original. Observa-se no Eclesiastes o que poderíamos chamar de "tratamento de choque contra a tolice".o quê. se possível. alguns pontos da análise nem sempre são aplicáveis devido à falta de informações que muitas vezes se observa em relação a determinado livro ou determinada época. Contudo. a interpretação. sempre que esta for possível. tratando-se de significado oculto pelo Senhor. o assunto seja confrontado com seu contexto histórico e social. Como se pode ver. sempre que possível. O Objetivo da análise é o conhecimento e a aplicação do mesmo. Correlação – O texto examinado deverá ser. onde. Contudo. Tema central e vocabulário em destaque Tema central: A busca da felicidade no confronto entre a vida.

Tais assuntos ocorrem diversas . Esse tempo se divide em passado. A administração temporal cabe. trabalho. Essa freqüência nos faz notar a importância desses termos na análise existencial proposta pelo autor. comida. a felicidade. A palavra "homem" é mencionada em 47 versos. apresentamos de forma esquematizada alguns dos principais temas e conceitos do livro. pecado. Deus criou o homem (7.11). prazer. parcialmente ao homem. Acrescentamos algumas expressões que não se encontram no Eclesiastes. Nesse tempo se situa a vida do homem. alegria.A seguir. Salomão observou. enfim. Fala então de conhecimento. até o momento em que Deus lhe toma esse controle. riqueza. acima de tudo. A palavra "Deus" aparece em 33 versículos do livro. sofrimento e religião. bebida. Salomão então cita as ocupações humanas. Em todo esse processo ele procurou descobrir o que traria ao homem maior satisfação. dinheiro. "Tempo" aparece em 19 versículos.29) e deu ele o tempo (9. mas se apresentam como instrumentos de análise. relacionamentos. sabedoria. O seu desafio é descobrir o melhor a se fazer de modo a se aproveitar bem esse tempo (2.3). experimentou e descreveu tudo o que o homem faz em seu tempo de vida. O Eclesiastes destaca a supremacia de Deus. presente e futuro. bens. seus interesses e os alvos dos seus esforços no período chamado vida e localizado cosmicamente debaixo do sol ou debaixo do céu.

bem como suas conquistas. aos estudos e aos projetos em geral. Este se incumbe de trazer os bens. o conhecimento possibilita o trabalho. Diante dessa realidade.6.14. a riqueza. percebemos que existe uma relação natural entre esses elementos. o que não significa a sua realidade plena na vida de todas as pessoas. deveria proporcionar o prazer e a alegria para o ser humano e muitas vezes proporciona de fato. Esta atitude pode afetá-lo de tal forma que venha a ser negligente em relação ao trabalho. Colocados nessa ordem que escolhemos. Salomão observa que o pecado e o sofrimento também fazem parte da vida humana. quando se torna escravidão. Tudo o que se conseguiu ser será aniquilado. que poderia ser tão maravilhosa.18). se fosse possível. em conjunto. como solução para os problemas observados. A certa altura da sua exposição. vive o presente e ignora o futuro. A sabedoria nos leva a considerar o futuro. Salomão nos indica esse caminho (2. tudo passa a ser visto como coisa vã. Salomão coloca em destaque a morte. Cabe lembrar aqui o que Cristo ensinou condenando a ansiedade pelo dia de amanhã (Mt. Tudo o que for aprendido será esquecido (9. E mesmo em suas formas mais legítimas. portanto. traz o sofrimento como conseqüência. Com todas as possibilidades de sofrimento. todas as ocupações humanas. o autor não a trata como fim em si mesma. já podem ser assumidos relacionamentos.38-32). Daí vem a máxima: "Tudo é vaidade. Havendo suprimento das necessidades básicas. mas valorizando o planejamento (Lc. Em um primeiro momento. aproveitar tudo e possuir o máximo. pensa-se na vida e em seus valores de forma positiva: construir muito. a comida. será que o homem poderá encontrar felicidade entregando-se à sua busca pelo prazer e pela alegria? Talvez fosse então aconselhável que o homem se dedicasse única e exclusivamente aos objetos do seu deleite: a comida. O tolo. como conseqüência do pecado. o prazer tem um fim e em seu lugar se instala novamente o sofrimento. "personagem" muito mencionado em Provérbios e Eclesiastes. seria também prejudicial. os quais são apresentados por Salomão como questão importante na vida humana. Contudo. eventualmente. em algumas situações o sofrimento produz crescimento. sua completa supressão.34). O sofrimento surge de várias fontes.24). Assim. O sofrimento. Esta surge então como uma ameaça contra todas as conquistas humanas e valores da vida. Depois de mencionar tantas coisas positivas da vida humana. Esta parece ser uma conclusão desesperada de alguém que se depara com a morte. a bebida e os relacionamentos. Até na casa de Deus encontra-se o tolo fazendo o seu sacrifício. a religiosidade humana contaminada pelo seu pecado. Olhando pelo lado positivo. Parece então que a busca excessiva pelos prazeres do corpo e pelas posses materiais possam constituir a justificativa suficiente para a vida humana. O pecado contamina a existência humana (9. Nota-se. Logo. Ao falar da religião (5. por sua vez trará o dinheiro. a bebida e. que.1). têm de ser reavaliadas." Tal afirmação indica que nada tem valor nem sentido.vezes e se entrelaçam no decorrer dos capítulos de Eclesiastes. acaba também se tornando um dos motivos que conduzem o homem à prática religiosa. . Diante desse fato previsível e certo. Tudo o que for conquistado será perdido. Tudo isso.5). O próprio prazer.

Diante do peso de tão grande ponderação. Muitas coisas que pareciam valer a pena. O foco exagerado em alguma dessas divisões pode trazer conseqüências prejudiciais. Jesus alertou seus discípulos acerca dos "cuidados desta vida".21. Ao tratar especificamente dessa parte. Assim. Eis então completo o plano de confronto: a vida. A Preciosidade do tempo O tempo se divide entre passado. O mesmo acontece com quem é dominado pela ansiedade ou preocupação com o futuro. Não se pode pensar apenas na vida como se a morte não existisse. onde se destaca a necessidade que o homem tem de se lembrar do Criador e o seu dever de temê-lo e obedecer os seus mandamentos. Salomão toca nesse ponto quando fala do retorno do espírito para Deus (12. Na busca pelo que atende ao corpo. O que acontece na maioria das vezes é que o homem fica preso no âmbito da vida. Quem vive de recordações não aproveita o presente. Muitos problemas surgem pelo erro na administração do tempo. se desvanecem quando confrontadas com a eternidade. o autor já não diz que é vaidade. Outro extremo é a dedicação exclusiva às questões relativas à eternidade. Noé entrou na arca e o povo não percebeu até que o dilúvio . Salomão faz então essas considerações. presente e futuro. Contudo. o que está debaixo do sol. Outras. o livro vai elevando sua análise rumo ao que é eterno. perdem seu valor quando confrontadas com a morte. o autor tece suas conclusões. a tal ponto de se negligenciar o suprimento das necessidades naturais. mas que podem constituir laço caso se tornem tão prioritários que venham a tomar o lugar dos cuidados espirituais. Vemos então que o Eclesiastes tem uma linha de desenvolvimento que vai do natural ao espiritual.Além do fato futuro da morte.34).14).7) e também do futuro juízo divino sobre as obras humanas (12. Qual é o ponto de equilíbrio? É uma questão a ser definida pela sabedoria. ou podemos vê-lo como o tempo da vida. casavamse e davam-se em casamento. temer e guardar os mandamentos. bebiam. Não é vaidade lembrar do criador. que consistem no atendimento às necessidades e desejos humanos. tem-se como conseqüência a aflição do espírito. Há necessidade de equilíbrio do foco no tempo. Para que se tenha então uma perspectiva correta da existência. A maior parte de suas colocações se refere ao que é terreno. Também não é prudente o foco na morte a ponto de se perder a motivação pela vida. a morte e a eternidade. Foi o que aconteceu nos dias de Noé: comiam. deve-se considerar tudo isso. devemos considerar também a eternidade que nos aguarda no futuro. a busca do necessário pode se tornar prejudicial quando obscurece os valores eternos (Lc. Dentro desse limite tudo é vaidade. sejam estes universais ou pessoais. desconsidera a morte e a eternidade e poderá ser apanhado desprevenido pelos últimos tempos. tais como práticas espirituais ou religiosas. em muitos casos pode ser apenas uma ilusão que não irá se concretizar. o tempo da morte e a eternidade. Perde-se então o hoje e antecipa-se o sofrimento de amanhã que.

Tudo está condenado. o autor de Eclesiastes já não parece tão amargurado. excesso de trabalho. etc. isto é dom de Deus e deve ser usufruído. Vamos jogar fora a vida por causa da morte? Vamos perder a vida antecipadamente abrindo mão de tudo que podemos usufruir? De modo nenhum. A realidade da morte deverá ser confrontada com nossos atos. de modo mais comedido. ele retoma a valorização de muitas coisas e fatos terrenos." (Ec. anulando todos os privilégios naturais. apenas a vida em seu momento imediato. tratamentos interpessoais. a bebida. A morte coloca os seres humanos em condição de igualdade. mesmo sendo transitório (Ec.. etc. mas sem os extremos anteriores. os bens. o orgulho. Percebe-se então a amargura do confronto com o fim inevitável da vida terrena. Nesse processo.38-39). já que se tem em mente a morte como obstáculo intransponível e limite decisivo contra as grandes realizações do homem. diferenças culturais.2. afim de se determinar o que vale a pena e o que não vale. constatamos que algumas coisas da vida deixam de valer a pena: Acúmulo de riquezas. "Como morre o sábio. o que vale a pena ser vivido? A primeira resposta é: nada vale a pena. Afinal.14-18). Contudo. Sob esta perspectiva.24. certamente há que se perceber o inegável prazer de todas aquelas aquisições. 5. usufruir dos bens na companhia de quem se ama. valorizar a comida. . moderado. tudo passa a ser visto de modo crítico e destrutivo. se temos algo nesta vida. Mais adiante. apenas os interesses do corpo.3-10. sentimentos. Agora. Considerando a questão da morte. atitude de orgulho. O que importava era apenas o presente. econômicas. sociais. Salomão.16). Então. está o relato das grandes conquistas. excesso de estudo.2. Vamos. sim. Reflexão diante da morte No capítulo 2 de Eclesiastes. fartura e conforto. porém.caiu sobre eles (Mt. o trabalho. atitudes. morre o tolo. num primeiro momento desvaloriza todas as coisas e afirma que tudo é vaidade (2. e o tratamento de desprezo para com o próximo. a soberba.24. Entretanto. Tudo é vaidade. É um momento de choque.19). beber. Ele chega a aborrecer todo o seu trabalho e até a própria vida. experiências e realizações de Salomão. Já que iremos morrer. já não se observa todo aquele ímpeto de busca que se viu no capítulo 2. Algumas coisas valem a pena por causa da vida em si: comer. Sendo assim. ao se confrontar com a realidade da morte. etc.

uma pergunta sem resposta. O que se busca em tudo isso é o equilíbrio. Contudo. E o problema não está resolvido. Desse modo. a sabedoria é superior à lei pois se aplica a toda e qualquer situação. pois a atitude passiva de cruzar os braços é própria do tolo (4. o trabalho deve ser feito conforme as forças (9. o autor diz o que vale a pena em função da eternidade: lembrar do Criador. Muitos limites estão estabelecidos pelas leis. em cada caso específico. Em cada instante. qual é o limite para esse acúmulo? O que é riqueza? Não existe um parâmetro numérico definido para que se determine o que seja o ponto que separa a pobreza da riqueza. Até a sobra que se deixa como herança é vista negativamente por Salomão (2. cuja consciência foi gravada por Deus no coração humano (3. tais palavras não devem ser usadas como justificativa para a preguiça e a negligência. a variação de aspectos é tão grande e freqüente que justificam a presença dos intérpretes para definir a correta aplicação dos dispositivos legais. Perdem totalmente o sentido quando se pensa na morte e seu significado. sendo que ambos estão muitas vezes relacionados. só a sabedoria poderá definir com precisão o limite para as ações humanas. Já que a morte é uma realidade. conquistas e realizações. Sentiu-se então a necessidade de se dividir em classe média baixa e classe média alta. Entretanto. de modo que possa definir em sua própria vida os limites para suas buscas. conquistas e realizações . E mesmo nas situações previstas em lei. Por exemplo. Portanto. o mais sensato é que o homem adquira apenas o que puder usufruir. E onde está o ponto divisório entre ambas? Não se sabe. Preguiça é tolice. está demonstrada a necessidade que cada um tem de possuir a sabedoria.10) e o estudo demasiado poderá se tornar apenas enfado (12.12). Moderação é prudência.11).21). Onde está o limite? Esta é uma pergunta importante para que se saiba até onde ir nas buscas. que será produto exclusivo da sabedoria. A moderação torna-se palavra de ordem. A dificuldade é tão grande que já se "criou" uma classe média entre as duas posições. vimos que o acúmulo de bens não se justifica diante da morte. temê-lo e obedecer aos seus mandamentos. passamos a detectar outras coisas que deixam de valer a pena na vida: os excessos e o pecado.são atitudes que não se justificam. Considerando a eternidade. Da mesma forma. mas estas não conseguem abranger a infinita variedade que envolve a ação humana e os detalhes da vida. Por outro lado. Contudo. Nosso desafio é sempre distinguir entre esses elementos nas mais diversas áreas da nossa vida.5).

sua falta de tranqüilidade (5. Ideologia – O autor apresenta idéias sobre a administração da vida. É o caso do sacrifício do tolo. Em meio a todos os problemas do convívio social. é algo enfadonho e monótono.11) até às relações de autoridade. Até nesse momento é observada a tolice (5. Observa ainda a ausência do juízo (3.9).5) e das alegrias que podem ser alcançadas em vida (8.12). passando pelos laços familiares (4. A busca do equilíbrio é incentivada (7. A obediência à autoridade pública é aconselhada (8.4). e o caso do rico que não pode comer da sua fartura (6. Crítica social I – Depois de analisar diversas questões do homem. Salomão valoriza a convivência (4. embora o proveito da terra deva ser para todos (5.11).1). buscando determinar o que possa ser melhor para o homem durante seu tempo de vida.10).14-17). Antropologia – (Antropos = homem) – Nessa parte. comparando coisas (7. . a perda dos bens (5. Crítica social II – É bem comum no Eclesiastes o retorno aos assuntos já tratados. Salomão conclui que pior será a situação daquele que estiver só (4. a seu ver.16) e do consolo para os oprimidos (4. o autor faz uma observação crítica de tudo isso. Contempla a riqueza e a pobreza. lágrimas (4.1). destacando a rotina da natureza. Crítica religiosa – Nessa parte é analisada a relação do homem com Deus.15). Novamente se retoma o tema da morte (8.1) e o erro humano (5.6).1-3). O autor volta então a observar as questões sociais.1). o que. o autor passa a abordar as relações humanas com o próximo (4. Diante de tal quadro.16). inclusive as suas próprias.8-11).14). sua precipitação diante de Deus e os votos não cumpridos.2). Salomão se dedica a descrever as experiências humanas.8. 9. desde o simples companheirismo (4. A questão da aparente injustiça da vida é explorada (8. opressão (4. Vê a opressão e a violência no lugar da justiça.2).Visão cosmológica – Ao invés de ver positivamente o universo e seus fenômenos. chega a ver positivamente a morte como um tipo de livramento (4.27) e apontando qual é a melhor (7.10).8.12) e apresenta aspectos negativos na vida do rico: sua insaciável busca pelo dinheiro (5. O que deveria ser puro e santo também corre o risco de contaminação pelo pecado.9) mas destaca as ocorrências de impiedade (3. e inveja (4.4). Procura mostrar algo de bom na vida do pobre: seu sono tranqüilo (5.2).

Chega ao ponto de mencionar a excelência da sabedoria.14.9.2. Salomão identifica o bem em muitos aspectos da vida.Conclusões éticas – A ética envolve questões morais do comportamento. 9. Maltratado . 8. Nosso desafio é evitar o mal. Cabe a cada um a escolha.12.16. O autor se aplica a comparar várias coisas em busca do que é melhor.7. Má .3.14).1.1-3. Adverte contra os danos causados pelo pecado e valoriza a sabedoria (9. 11. 10. mas lembra a prestação de contas (11. buscar o bem.1.3.15. 10.18). Amaldiçoar .9).13.10). O mal vai sendo detectado em quase tudo. Maldade . Vejamos as ocorrências dos termos relacionados ao assunto: Mal .5. Depois de tantas análises da vida.3. Finaliza com incentivo ao gozo da vida.4.10.10. .7-9) aliados a um trabalho sem excessos (9. 9.7. Verificamos isso ao buscar no texto essas palavras e suas derivadas. alcançar o melhor e o excelente. 6. Novamente enfatiza o valor dos prazeres da vida (9.1-7. 8. a começar do coração humano.9. Mau . Termina essa parte incentivando o jovem a lembrar-se do Criador antes que venham a velhice e a morte e o juízo (12. Mas nem tudo está perdido.3.2.21-22. O bem e o mal O autor de Eclesiastes tem uma grande preocupação em relação ao bem e ao mal. 8. escolhas entre o bem e o mal. 9.5.5-6.1. 12.11-12. 10. o autor expõe suas conclusões.20. Faz então uma série de advertências em forma de provérbios (10).

7.12. 12. pois não sabem que fazem mal.4.12.2.18.6.3. A serpente de bronze que Moisés fez tornou-se um ídolo e precisou ser destruída (II Rs. quando ocupa o lugar da espiritualidade (exemplo: trabalho no lugar do culto).2.10. (amor ao dinheiro 5.10). Não se acomode no nível do que é bom.18.4. 8.15. 5.16.6.13.16-17 (tempo e modo) 8. Jó não percebeu a mão de Satanás nesse processo.1.12.10.13. 7." Ele atribuía tudo a Deus. Isso não está absolutamente errado. Boa . C) O que é bom torna-se mau quando passa a ocupar o lugar de Deus em nossas vidas (idolatria). 7.8. no livro de Jó: Depois que Satanás destruiu tudo o que aquele homem possuía. 9.13.18.31. O modo de se fazer as coisas é.18. 8.5. Deus tomou.2.4).13. 7. 4. 7.14. 6. Bom . 9. 2. 9. 6.24.6.11. A bíblia nos foi dada para que possamos adquirir o conhecimento necessário para se identificar o mal em suas diversas formas afim de que o evitemos.20. Exemplo: arrancar uma planta que não cresceu ou colher um fruto que não amadureceu.5.18..10.3.1.5. sua conclusão foi: "Deus deu.1 – ". 3. Fil. já que Deus tem o controle final de todas as coisas.26. 4. Muitas coisas tornam-se más quando são feitas no tempo errado ou da maneira errada. Sua ação no Velho Testamento não era bem identificada.2.6. 3. 7. Ec. Algumas considerações: A) 5.26.3. o fator diferenciador entre o sucesso e o fracasso.6.9.12. 11. Ec. 9. B) Ao mencionar o mal Salomão não falou sobre Satanás.12. em muitos casos. Excelente . I Cor. Por exemplo.Bem . Muitas pessoas falam ." Um dos fatores que catalisam o crescimento do mal é a ignorância.2.8.8.24.3. 9.22.2. 6.. Rm. Ct.13. Porém.16. Vejamos também alguns texto fora do Eclesiastes que mencionam o termo "excelente": Pv.7.9. Melhor 2. 3.2.

Que coisas eram essas? Comida. mas o seu uso vai determinar essa característica. trabalho. O problema é que a consciência pode ser condicionada e se tornar ineficiente. Em I Coríntios 10.6. A maldade está então na cobiça (Ec. Como foi observado por Salomão. . dinheiro. Assim acontece em várias ações humanas.8. bebida. prazer. São palavras certas ditas da maneira errada.7). Assim. Vejamos uma lista de considerações pertinentes a essa questão em Filipenses 4. Contudo. Ao chegarmos aos 180. desviam seu problema para uma ilusória necessidade de alimentação. da tolice e da loucura. Em suas buscas. mas não todos. Atingindo os 120. a definição do limite entre esses elementos nem sempre é fácil. então isso se torna mau. A lei determina alguns limites. teríamos alcançado a loucura. Porém. vamos pensar na velocidade desenvolvida por um automóvel. muitas coisas boas podem se tornar más devido a vários fatores. D) Tudo é bom enquanto for justo. Isso não é originalmente mau.verdades de modo ofensivo e depois se justificam dizendo que são "francas". bebida e diversão. palavras boas surtem um efeito mau. quando. etc. A infelicidade ou sentimento de insatisfação pode ser erroneamente identificado como falta de alguma coisa material. principalmente para coisas que são boas e aparentemente inofensivas. Por exemplo. na realidade o que está faltando é algo espiritual. criando falsas necessidades. isso seria tolice. Paulo fala que os judeus "cobiçaram as coisas más". o homem precisa de comida. (A própria consciência identifica isso com alguma eficiência. Desse modo. Para ilustrar. O homem desvia sua necessidade psicológica e espiritual para o físico. Se alcançamos algo bom motivados pela cobiça.) Tudo é bom enquanto não causar escândalo. Uma faca não é boa nem má. consideremos que até aos 80 quilômetros por hora estaríamos nos limites da sabedoria. Desejo x cobiça A preocupação ética do Eclesiastes poderia ser resumida em se buscar o bem e evitar o mal. enquanto não for vergonhoso. não existe um velocímetro na vida para determinar em que ponto estamos. Mas como se identifica a linha divisória entre as duas coisas? Podemos ver também nesse movimento uma passagem pelos domínios da sabedoria. Só para termos uma idéia. relacionamentos. o ser humano vai avançando numa direção que passa pelos domínios do bem e pode acabar alcançando o espaço do mal. conquistas e realizações. alegria. muitas pessoas com ansiedade.

A busca excessiva de Salomão.8 .16-17 (justiça.Toda a espécie 2. sabedoria.12 (comida) 6.18 (sabedoria.9 .11 (bens) 5.5 .7 (sonhos) 5. enquanto uma pessoa possui muitos hectares de terra. o exagero de alguém causa necessidade para outro. o autor de Eclesiastes menciona o excesso.mais do que todos 2.16.grande possessão .7 . 2. O homem quer mais do que lhe é dado.8 (trabalho.17 (comida e bebida). outra não tem sequer um lote. Adão e Eva podiam comer de quase todos os frutos disponíveis. Em diversos textos. Seria interessante ler outras palavras de Salomão sobre o excesso em Provérbios: 24.2-3 (palavras) 5. Vejamos os versículos de Eclesiastes que se referem ao excesso ou grande quantidade de qualquer coisa: 1.6 (tempo de vida) 7. riqueza) 5. mas quiseram até mesmo aquele que tinha sido proibido.de toda sorte 2.amontoei .3 (filhos) 6. 10 .engrandeci-me e aumentei mais do que todos. impiedade) (extremos) 10.3. . Onde está o limite entre o suprimento.13-14.tudo. trabalho) 4. Por exemplo. o conforto e o exagero? Algumas vezes. 25.O risco e a inutilidade do excesso – A importância do equilíbrio O excesso é uma das origens do mal em muitas de suas manifestações.

Salomão apresenta os riscos do excesso e sua inutilidade. ou seja. Isso é bem do estilo no tempo da graça. multiplicam-se também os que deles comem" (5. Se possuirmos muito mais do que precisamos. podem não ser convenientes. Se atingimos o que se considera acúmulo de riqueza. Depois de buscar tudo ao máximo. O excesso não será negativo nesse ponto. mas convém? Até que ponto? I Cor. Isso seria confortável. É bom que o tenhamos em quantidade superior à necessária. por exemplo. Muitos chegaram a esse nível e vivem se escondendo com medo de roubos e seqüestros. Não é proibido comer carne de porco. este virá acompanhado de muitas perturbações que só o rico conhece. Ele não proíbe o excesso. Vejamos uma linha de conquista progressiva. mas uma posição de conforto. Ao pensarmos em dinheiro. Algumas vezes pode ser perigoso. então podemos perder a tranqüilidade e a liberdade. inútil. pode até não trazer excesso de dinheiro. enfoques teológicos e vínculos bíblicos A aparente separação do Eclesiastes em relação ao contexto bíblico se desfaz pelos seguintes elementos: . Podemos ver nisso. Proibir é próprio da lei e não da sabedoria.23. existe algum excesso. A posse material.12). Salomão encontrou novamente a vaidade e a aflição de espírito. O excesso daquilo que você quer trará também o excesso daquilo que você não quer (1. então não seremos capazes de usufruir de tudo. não um exagero. em níveis ainda maiores pode se tornar inútil ou até mesmo arriscada. por sua vez. Muito conhecimento poderá trazer muito trabalho. não são proibidos.18). A sabedoria orienta ao cuidado. Cabe a cada um julgar com sabedoria cada situação. Este.A felicidade não está no excesso. onde a primeira posição corresponde ao mínimo necessário para o suprimento da necessidade. Em um segundo momento. outras. Muitos excessos são lícitos.11). Se trouxer. verificamos sua necessidade e utilidade (7. Contudo. Evidências do judaísmo em Eclesiastes.10. "Onde se multiplicam os bens.

.Referência a Davi (1. .13). o justo e o ímpio passam pelas mesmas coisas.1) .4). Salomão viu isso e se sentiu incomodado (2. pecado (2. Deus (5.12 2.26). Juiz (11.1).1.12.1) .18. Deus ama a todos e a todos oferece a oportunidade. Aparentemente se observa injustiça.9 12.7 3.1.doador (2.templo (5.14-16.9.). Casa de Deus . 9.Pecado .14). Jerusalém (1. abordando os vários aspectos das relações divinas com o homem: Deus criador (12.único Pastor (12.1014. juízo (12. Contudo. Por isso. sacrifícios (5.26 5.lei (12.9 DEUS .Ligações com Gênesis . mandamentos .5).14) .19) .9 12. 3.A eterna morada do homem (12.Ec.1).O juízo – No tempo presente. o juízo não se executa logo.19-21 .13).10.12). anjo (5.9).3.18 .24. .7).25-26 8.1) (Elohim 33 vers.14 3.1-3 6. .7.17).6).1-3).Semelhança com Jó 3 .O pecado como causa da desgraça humana .11). 12.4.orientador (soberania) (9. 8. votos (5.Semelhança com Provérbios .14.13 9.17).19-21 12.O teocentrismo de eclesiastes.Ligação com Apocalipse . Salomão afirma que o julgamento vem e Deus o executará (11.Ec.12. Israel (1. na vida terrena.Juízo (11. 12.2-6 .26 Trabalho .13 Morte .1). legislador .2. Imortalidade da alma/espírito (3.

11. Ec. notamos que os verbos associados à pessoa de Deus chamam a atenção por seu sentido e pela freqüência com que se repetem. Deus faz uma obra oculta.17.3.As referências a Deus no livro fazem com que o mesmo possa ser considerado teocêntrico. Em nossa leitura. DEUS CRIADOR Ec. Deus pedirá contas ao homem no juízo (3.9). o homem corrompe a criação e também a si mesmo.11 – Deus fez tudo formoso em seu tempo.8.7.3.14 – O que Deus fez durará eternamente. De tudo isso.5 – Obra de Deus. doador. DEUS DOADOR . Ec. Ec. Não podemos ter uma visão parcial. "dar" e "julgar". Tudo foi feito perfeito (Ec. ao contrário do que sugerem alguns críticos negativos. orientador. Entre eles destacam-se os verbos "fazer".29) e formoso (Ec. Contudo. como se as adversidades estivessem fora dos planos de Deus. legislador e juiz. Tudo isso está totalmente coerente com o contexto bíblico geral.15.17 – Obra de Deus. Ec. Ec. Deus criou todas as coisas e deu muitas delas ao homem.11).14 – Deus fez o dia da prosperidade e o dia mau.11.12. os quais reforçam a tese de que o autor apresenta Deus como criador.7. Eclesiastes apresenta Deus como criador.3.1 – Lembra-te do teu Criador. doador e juiz.

Ec.10 – Deus dá o trabalho ao homem. DEUS JUIZ Ec.17 – Deus julgará o justo e o ímpio suprindo a falta da justiça humana (v.8.13 – Deus dá o trabalho ao homem.3. Ec.5. Ec. alguns não receberam a condição de uso das mesmas. Ec.1.15 – Deus pede contas do que passou.18 – Deus dá ao homem o tempo de vida.6. Deus deu riquezas. Ec. Ec.24 – Deus dá oportunidade para que o homem usufrua do fruto do seu trabalho.3. Ec. Ec.11.2 – A alguns.26 – Deus dá ao homem sabedoria.3.16). Ec. 12.3.2.12-13 – Deus dá oportunidade para que o homem usufrua do fruto do seu trabalho.15 – Deus nos dá a vida.14 . conhecimento.2. alegria e trabalho. Dentre esses.9. Ec.

2-3). Isso ocorre. principalmente. Faz votos e muitas vezes deixa de cumpri-los (Ec. Este é o caso de se fazer muita coisa para Deus e deixar de fazer exatamente o que ele mandou que fizéssemos. sempre atentos ao que agrada ao Senhor (Ec. mas agora tem-se uma ação divinamente orientada." Não basta "escutar" a palavra de Deus. Em seu esforço religioso. O versículo 2 do capítulo 5 nos traz uma expressão ainda mais íntima. Dizei-lhe: Perdoa toda a iniqüidade.13). E quando se lembra." A casa de Deus é um lugar onde o homem deveria parar sua atividade e ouvir a voz de Deus.12. "obedecer"." (Os.7). inclusive fazendo votos que não poderemos cumprir (Ec.2). Agora o homem está "diante de Deus". Nesse momento. o que o homem faz? Se esquece de Deus. Este é o nosso dever.. Está em pauta a questão da oração. precisamos de objetividade.9. a qual deve ser ouvida pelo homem. O autor nos alerta contra a religiosidade fútil diante do verdadeiro Deus.5. na qual o homem deve "guardar o seu pé.5. Quando oramos de forma impensada. Precisamos ter em claro em nossa mente o objetivo da nossa oração. Precisamos ter cuidado para que o excesso de atividade humana não venha ocupar o lugar da palavra de Deus em nossas igrejas e em nossas vidas..4. Pelo quê vamos orar? Não devemos começar a falar ou cantar de modo irrefletido e . "Inclina-te mais a ouvir.1) O livro enfatiza bastante a atividade humana.12. Quando orarmos.14. 9. A CASA DE DEUS (Ec. O autor condena essa precipitação e abundância de palavras (Ec.12. faz-se referência à casa de Deus.26).. 7.5. Assim. Então começamos a encher o tempo com palavras vazias e repetitivas (Mt.7. o autor de Eclesiastes diz: "Lembra-te do teu criador. Seria melhor então que dedicássemos esse tempo para ouvir o Senhor através da sua palavra.) e obedecer aos seus mandamentos (Ec. o servo de Deus estaria fazendo tolices como fazem aqueles que não conhecem o Senhor.. o assunto já terminou mas ainda há tempo para orar.7. (Ec.6. Por isso.4-6).18. Em meio a tudo isso. Muitas vezes. A obediência inclui atividade.1).5.5." Nota-se nessa ordem a importância da palavra de Deus. 8.5. corremos o risco de falar tolices. O verbo "ouvir" pressupõe "atender"." (Ec.1).. Como disse Oséias: "Tomai convosco palavras e voltai para o Senhor. 7. O autor reforça o dever humano para com Deus: temer ao Senhor (Ec. oferece o "sacrifício de tolos" (Ec. "Inclina-te mais a ouvir.1). o homem tem a tendência de falar muito e falar errado.4-6). quando se tem um tempo de oração a observar.13.Depois de receber tantos dons. o homem continua sua trajetória de erros. Isto será melhor que a excessiva quantidade de palavras. pois estamos todos em suas mãos.5.

acho mais coerente ver nesse texto não uma idéia de distância geográfica. poderemos nos lembrar deles e esperar conscientemente a resposta de Deus. Muitas vezes. Vamos então nos inclinar para ouvir e aprender com ele. No versículo 4. Se assim for. Evidentemente. avalia a vida humana.10). foi escrito para o homem. Nós vemos as obras de Deus. mas queremos julgá-las. Queremos interpretá-lo sob a ótica terrena. . o autor completa dizendo que o homem está na terra e que Deus está nos céus. Sua vontade é suprema. para contemplar a formosura do Senhor e aprender no seu templo. Então nos precipitamos com nossa boca e falamos de modo errado diante de Deus. Se o objetivo da nossa pregação e do evangelho que anunciamos for para agradar aos homens. as relações humanas e a relação entre o homem e Deus. Ao dizer que "Deus está nos céus e tu estás sobre a terra".4). então não somos servos de Cristo (Gálatas 1. Afinal. Contudo. A realidade divina é representada pela palavra céu. não está em posição de determinar o que Deus deva fazer.irresponsável. não as compreendemos. A realidade humana é terra. para quem é o culto? Para Deus ou para os que cultuam? Se o culto estiver voltado para o homem. O adorador que chega para cultuar a Deus. é como se o autor estivesse exortando o leitor a "se colocar no seu lugar". nossa murmuração. nossas orações são erradas porque não compreendemos a ação divina. nem tampouco a revolta ou rejeição contra os desígnios do Senhor. encontramos a afirmação de que "Deus não se agrada de tolos. No mesmo versículo em que diz que o homem está "diante de Deus". que também é um tipo de oração negativa." O culto tem o objetivo de agradar a Deus. O seu propósito é superior. Isso pode ser nossa reclamação. então este se tornou o seu próprio deus. nem a ele cabe o questionamento das obras divinas. O HOMEM Todo o livro de Eclesiastes se relaciona ao ser humano." (Salmo 27. Veja a objetividade do salmista que diz: "Uma coisa pedi ao Senhor e a buscarei: que eu possa habitar na casa do Senhor todos os dias da minha vida. Pode parecer uma contradição. não é adoração que veio prestar. Tendo objetivos claros. mas de duas realidades diferentes. dois níveis distintos. Deus está no céu.

ou simplesmente o homem genérico em situações específicas. seus olhos e suas mãos. e 44 verbos referentes ao próprio autor.. Logo. Capítulo 2 . . esse livro apresenta uma característica avançada para o seu contexto. Em resumo. incluindo conjugações em primeira pessoa e os gerúndios. Existem ainda alguns verbos em terceira pessoa mas usados pelo autor para se referir ao seu próprio coração.13) "O homem que.Muitas vezes o autor menciona "o homem". "minha" 5 vezes. Tal referência é um tratamento genérico. "meu" 11 vezes. Nesses mesmos versículos existem poucas referências genéricas ao homem e algumas mais específicas. a expressão "o homem" ganha um complemento. fala consigo mesmo. Por exemplo: "O homem que é bom" (2. que se referem aos servos e servas do autor.caráter universal de Eclesiastes (1. Nesse capítulo.2.3. "comigo" 1 vez.26 etc PROGRESSÃO DA ANÁLISE DO AUTOR SOBRE O HOMEM Capítulo 1 . não se restringindo pelo nacionalismo ou exclusivismo judaico. independente de qualquer distinção. ou seja.. Temos nesse detalhe uma evidência do caráter universal de Eclesiastes. particípios e infinitivos relacionados. "mim" 5 vezes.3.Salomão vê a si mesmo.8. 2.Salomão vê o universo.26). 7. seja homem ou mulher.2. refere-se a qualquer ser humano. Em outros momentos. O termo "que" determina um tipo específico de homem. 8. Salomão está analisando sua própria vida para tirar conclusões aplicáveis a todos os homens. os pronomes e verbos se referem quase que exclusivamente à primeira pessoa do singular: Vejamos os números de acordo com a versão bíblica de Thompson: Nos primeiros 20 versículos do capítulo 2 o pronome "eu" aparece 5 vezes. " . Sua mensagem se dirige a todos os homens (12.10.13). 6.específico . 12. construções e decepções. "O homem" .12.genérico . conquistas. "me" 7 vezes. e não apenas aos judeus. como seria natural em se tratando de um escrito do Velho Testamento. fala de si mesmo e de seus interesses.

o autor vê os outros homens. 9. ou não deveria suprimir. AS RELAÇÕES HUMANAS Observando as relações humanas. parente .O companheiro – o amigo (4. A próxima fase é a relação conjugal e familiar.Relação social – (4.A partir do versículo 21 do capítulo 2. 8. sem parentesco – (4.1. Salomão contempla o quadro social de sua época com as diferenças de classes e relações sociais diversas. sem compromisso. suas atividades e relações mútuas. Como disse Deus. 5. Em meio a tudo isso.26. que não deve suprimir o companheirismo da fase anterior. ele se aproxima do outro tornando-se "próximo". "não é bom que o homem esteja só". Havendo uma relação amistosa e cooperativa. . o autor avalia também as relações do homem com Deus. RELAÇÕES E POSIÇÕES SOCIAIS .9.Mulher. Surgem então as seguintes referências: . Assim. irmão.5) .relação conjugal e familiar – (4.5 e 12). 7.O próximo (ou estranho) – mostra contato casual.4.7-12. sem amizade.8.10). 6. Da família surge a sociedade.2).2).3. como são e como deveriam ser (cap. filho. 6. tornam-se "companheiros". 11. . o autor vai especificando o papel ou posição do homem dentro da relação ou fora dela.

se o homem quer entrar em um grupo. Somos convidados a avaliar a pior e a melhor combinação. Tais tratamentos evidenciam as igualdades e as diferenças humanas. Salomão fez esse tipo de exame e concluiu: "Melhor é o jovem pobre e sábio.adquire (disputa) posições. Ele fica admirado ao constatar que não é dos sábios o pão.9).7). Por exemplo. 4. O fato é que estamos sempre sendo julgados. Jovens e velhos podem ser encontrados em qualquer das posições acima descritas.13. menciona-se um "jovem pobre sábio" e um "rico velho tolo". Em outro instante. justo. Depois que sua admissão está consumada.8. Salomão observou que o homem genérico assumiu ou recebeu posições diferenciadas. O homem comum (genérico) herda posições e títulos (10. de acordo com as normas do grupo. muitas vezes o autor de Eclesiastes se refere ao homem de forma genérica e.5-7) não parece ser algo natural. pobre.100) ou um "sábio oprimido" (7. Com isso.16. ímpio. No arranjo social humano. Em última análise. superior ao seu próximo (Ec. Precisamos examinar essas combinações. de preferência. sempre deseja posições. Em alguns momentos o homem quer ser igual ao outro homem. Quer ser específico. assumindo valores e padrões de identificação do grupo. Quer ser normal. 5. Algumas expectativas acabam não se cumprindo. Selecionando alguns adjetivos: rico. especial. às vezes.16. ou entre justiça e riqueza." Destaca-se nessa frase o valor da sabedoria. tolo. adjetivos e títulos que o façam diferente e. Ter um "jovem sábio" (Sal. a bíblia vem nos mostrar essas realidades. afim de ser aceito. 2. Estão em confronto posicões sociais e condições morais. diferente. Contudo. apresentando as combinações que julgamos possíveis (3. Em 4. quer ser diferente. o autor mostra que não existe uma relação lógica e natural entre sabedoria e riqueza. de forma específica. nem dos prudentes a riqueza (9.1.1.Como vimos. sábio. . opressor e oprimido. títulos e adjetivos. Nosso objetivo é perceber a análise social que Salomão fez.7. Acaba ganhando outros adjetivos. 5. fizemos o esquema acima.12. Ele observa tais características do ser humano e algumas combinações entre elas. Algumas delas podem ser vistas no Eclesiastes. Algumas combinações são desconcertantes.7) .17. Por isso. então procura ser igual aos demais. Busca então a individualidade.119. O próprio autor de Eclesiastes parece um pouco surpreso com tais observações. sentenciados e rotulados pelos que nos observam. o homem não quer ser genérico.7.11-18 temos um "sábio pobre oprimido". ou entre idade avançada e sabedoria. de modo que venhamos a perceber o valor de cada característica. 7. 2. Em 9. alguns até indesejáveis e talvez merecidos.11). comum. Como poderíamos então falar da riqueza como algo ligado necessariamente à vida do servo de Deus? Parece que esse tipo de associação não tem respaldo bíblico. o homem procura ser diferente para obter destaque. 10.

sua desigualdade social em vida e sua desigualdade espiritual pós-túmulo. O homem se ilude com sua posição e passa a desprezar ou até a oprimir aquele que lhe parece inferior. a desigualdade volta à pauta. Contudo. o "servo nascido em casa" (4. Não uma desigualdade social. O homem se ilude com sua posição social.11-22). TIPOS DE RELAÇÕES SOCIAIS OBSERVADAS PELO ECLESIASTES .14). Saiu do cárcere para reinar (4. Muito mais significativo é o peso da justiça. Em todo esse quadro de situações e posições.7) e também sobre um rei que é criança. o que importa de fato é a questão moral ou espiritual do homem. já que enquanto há vida há esperança de melhora em todos os aspectos (9. Para o pobre tornar-se rico é bem mais difícil. Tal referência nos faz lembrar a história de José do Egito.16).12. O autor mostra a mudança de posição social. nasceu rico (10. ou seja. Por isso. A morte vem mostrar a igualdade humana.1820. Muitas vezes nos deixamos levar pela questão de riqueza e pobreza como se isso fosse o mais importante.) Diante de tantos adjetivos. Então. mas uma desigualdade espiritual e eterna em consequência da desigualdade moral em vida (Dn. 2. Temos sobre nós o peso da herança. Salomão examina tudo isso e chega a mostrar os riscos da riqueza e e os prazeres do pobre (5. que saiu do cárcere para governar. da impiedade.14. a despeito da aparente diferença (3. Já nascemos em uma posição social definida. aquele "que nasceu pobre" tornou-se rei. Lembre-se da história do rico e do Lázaro.1-5). A desigualdade da vida se desfaz no pó da morte (Jó 3. torna-se realidade. 5.2). Vemos aí a possibilidade que. Deus nos dá tempo e oportunidade para descer ou subir.12-20). O livro fala sobre "o que nasceu pobre". mas precisa se conscientizar de sua real condição para viver bem com Deus e com o próximo. o autor compara o homem com os animais. O rico pode perder sua riqueza por qualquer má aventura (5. destacam-se: "vivos" e "mortos" como o melhor e o pior adjetivo. da sabedoria e da tolice. mostrar a igualdade humana. Descer é sermpe mais fácil.14). o Eclesiastes fala do juízo. Do pó para o pó. Contudo. Tenta. assim. estando nos propósitos divinos.15.É possível que uma pessoa se desloque entre os níveis morais e sociais apresentados.

812.8.2) Pranto pelo morto .2.1).8. Contudo.22.4.1 = (Governo + opressão = Ditadura) Família (2.1-3.5 Esquecimento .20.8.14). 10.7.. Se tudo isso pode trazer problemas.9). 7. nesses casos.21.21.. 5.1.12.4. "Ai do que estiver só.7-8 Governo .9 Opressão .18. 4.26. Contudo.5) Exploração (6.10).26) Contato físico (3.2-4 Domínio . 7.2. (11.16 O autor fala sobre um aspecto ideal para as relações humanas: a ajuda e o consolo ao próximo. 9. Observam-se no texto referências aos erros e conflitos que ocorrem nas relações humanas em todos os níveis (4.4-5. os relacionamentos humanos corretos são apresentados como necessários e fundamentais (4. CARACTERIZAÇÃO HUMANA NO ECLESIASTES .Serviço (Serviço + propriedade = escravidão) . ele aconselha mas não viu nenhum exemplo para mencionar." (4. 9. a ausência das relações pode ser ainda um problema pior.

advérbios. predicativos ou trocado por outro substantivo ao qual acrescentam-se novos adjetivos. predicados. caracterizamos as pessoas.O substantivo comum "homem" é alterado por adjetivos. Exemplos: Homem Homem que trabalha Homem trabalhador Profissional Bom profissional Péssimo profissional Homem Homem que não trabalha Homem preguiçoso . Desse modo.

Contudo. Note-se a evolução da caracterização humana. falando de uma ação eventual. Poderíamos chamá-lo de "discípulo"? Só se soubéssemos que existe entre ambos um compromisso. entretanto. "escriba" ou "escrivão". Outra coisa é chamá-lo de "escritor". Outra coisa é chamá-lo de "bom". Uma coisa é se referir a alguém como "um homem que escreve". do qual dificilmente se desvencilhará no futuro . Somente uma prática constante pode dar ao homem o adjetivo correspondente à sua ação. "o homem que" roubar uma única vez já ganhará o nome de "ladrão".12). embora seja semelhante. Seria correto dizer que o "homem que segue o rei" é um seguidor? Só diríamos isso se soubéssemos que existe a prática constante de seguir o rei.15) Pecador (2. Por exemplo. Os adjetivos negativos.14) Tais terminologias podem parecer muito semelhantes em sua função caracterizadora do ser humano. Homem pobre (9. normalmente.26) Grande rei (9. Uma coisa é falar de um "homem que faz o bem". Homem (genérico) (6. Estamos sempre conquistando ou ganhando adjetivos e substantivos. para cada tipo de ação ou situação usamos um tipo de caracterização que.3) Homem que seguir o rei (2. Exemplos em Eclesiastes.Malandro Malandro perigoso Malandro muito perigoso. Então. contém sentido bem diverso. quando usamos a preposição "que" estamos. são adquiridos com mais facilidade.

mas pelo título recebido. Veja como o adjetivo muda completamente a imagem da pessoa. a valorização humana pelos títulos. mas ser chamado de "homem forte" já é algo totalmente diferente.SITUAÇÕES. Então o governador ganha título de "rei". João não disse quem ele era mas sim o que ele estava fazendo: "Eu sou a voz que clama. Contudo. o "governador" se torna substantivo. Substantivo é nome. Contudo. Ser chamado de "homem" não chega a ser. FAZER. Aqueles judeus queriam saber qual era a posição social e religiosa de João. É uma designação fraca. Daí. etc. o contrário. normalmente. capítulo 1 (19 a 28). Ele poderia ter se apresentado como levita. A posição era importantíssima para eles. Poderia dizer que era profeta e não estaria mentindo. um elogio ou um insulto. como. O homem quer possuir títulos honrosos. O mais importante não é o título que temos mas o trabalho que estamos executando. AÇÕES. O texto fala de sacerdotes e levitas (note os títulos) que foram entrevistar João Batista e lhe perguntaram: "Quem és tu? És Elias? És profeta? Quem és? Que dizes de ti mesmo?" Após dizer várias vezes "não sou". já que era da tribo de Levi. os adjetivos não chegam a ser satisfatórios para o ser humano. Então podemos acrescentar-lhe um adjetivo: "homem governador". Saindo um pouco do nosso livro-tema. É como uma garrafa com um rótulo bonito e conteúdo ruim. como acontece com muitos adjetivos. Sempre gostamos de ganhar adjetivos. Então.. Entretanto. POSIÇÕES. E TÍTULOS Somos caracterizados em função de situações em que nos encontramos. em muitos casos. Poderíamos falar de alguém como "um homem que governa".. Acontece.". muitas vezes é para nós. vejamos no evangelho de João. mesmo que isso seja uma ilusão. já não chamamos habitualmente tal homem pelo seu nome próprio. Contudo. o homem quer títulos mais pomposos. ou por causa das posições que ocupamos. João se identificou como "a voz que clama no deserto". ou pelo menos como filho do sacerdote Zacarias. Muitas pessoas têm títulos mas não fazem aquilo que o título indica. ou devido às nossas ações. SER E ESTAR . João não aceitou títulos. Isso é pouco. "presidente".

8.4-5. O verbo ser é bem apropriado para a pessoa de Deus.1.7 Governador / governado . Quando os recebemos. Em alguns casos. ações. os quais demonstram a atenção do autor em relação à caracterização humana em função de suas situações. pensa e vive como se houvesse alcançado o "ser" rico.Sempre fazemos muitas coisas. Normalmente pode-se constatar que para cada posição de destaque ou vantagem existe outra simetricamente oposta. 12.7. SEMPRE FOI E SEMPRE SERÁ.1. não haveria nenhum destaque.20. Por isso. posições e conseqüentes títulos. Mas queremos ser alguma coisa.4.14.9. 2.9 Sucessor . 9. Por exemplo: o homem "rico" age. não haveria valor para as posições de destaque. a não ser naquela declaração divina: "Tú ÉS pó.9 (pastor dominador?) 9. 7. Somente ele É. 9. pelo orgulho e pelo desprezo para com o próximo. Esta é a visão real da vida humana. Servo / senhor . e essa é a ilusão resultante dos adjetivos e títulos. 10. Queremos adjetivos relativos aos nossos bons atos ou boa situação.18-19 .2 Dominador / dominado . Na realidade o correto seria que tal pessoa se visse como alguém que "está" rico.1. ao ser perguntado por Moisés sobre o seu nome.15. Precisamos nos lembrar disso. onde outra(s) pessoa(s) ocupa(m) lugar de desprezo.19 Rei / súdito .17 Pregador / ouvinte (povo) . Sem isso. 5.16. 8.1.21." Aí está o que o homem é. Nas outras questões.2. Vejamos os adjetivos e títulos encontrados no livro de Eclesiastes. o verbo "estar" é o mais coerente com a transitoriedade humana. Ele não muda. pensamos que somos aquilo. 10. Afinal.10. o Senhor respondeu: "EU SOU". afim de que não venhamos a ser dominados pela soberba. O verbo ser não é muito apropriado para o ser humano. o adjetivo apresentado não se encontra no texto mas está subentendido.

9.17. 10.) .15-17.10. 9. 8.1.2.8 Rico / pobre (trabalhador) .6.4-7.5.19 Paciente . 9. 9.7.1. 7.8.12.6. 2.8.17.7.6.2-3.14-16. Jovem / velho .2 Louco .5. 8.8 .1.6.17 Cantor e cantora .19.14.6.20. 9.7.13. Sábio / tolo (insensato) . 10. 5.13.10. Nobres (adj.13 Justo / ímpio .7. 10. 7.10.8 5. 6.11.2.4.Altos .1-2 O estranho .19.14-15. 7.14 Forte (homem?) . e subst.17.14.12-15 Príncipes . 9.5.10.16. 8.

7.9.9.11 .12.13 Bom / mau .9. 8.9.12 (Homem) que faça o bem .18 (Homem) que não teme .2 (Homem) que jura .Orgulhoso .2 (Homem) que sacrifica .2 Ligeiros.8.20 (Homem) que nunca peque .7. valentes.8.18.9.2 Puro / impuro .7.2 (Homem) que não sacrifica . entendidos .9.8 O homem que teme . prudentes.20 (Homens) que entravam no lugar santo .8.9.7.2 (Homem) que não jura . 9.10 Pecador .

10. o autor insiste que todos serão "esquecidos".1 Obs.7).14-16).9.3.18 Consolador (não há) . o "rico" e o "forte" (9. 8. 3. Entretanto.2.: No capítulo 12 temos a caracterização exclusiva da pessoa de Deus: Único pastor/ criador (12). Enquanto se tem o adjetivo "vivo" muitos outros são cobiçados e conquistados. O jovem sábio supera o rei velho e insensato (4. Todos serão anulados pela morte (2. o livro deixa uma janela aberta para a eternidade.5. Enfatiza a igualdade biológica humana. o autor acaba por comparar o homem com os animais irracionais. "Sábio" é um adjetivo (e também substantivo) entre os mais valorizados pelo Eclesiastes. 12.10.1 Encantador – 10.1-4.3-6).10. Salomão fala então da morte de modo claro e direto (2.14 Perfumista .16. adjetivos e títulos assumidos pelo homem. 4. 9.11 Preguiçoso – 10. Contudo.14-18).13. Em sua ênfase biológica.17. o qual é o mais duradouro que o ser humano pode possuir antes do juízo. Depois. 7. O sábio. 5.15. No espaço da vida é que se encontram todas as posições. a sabedoria e a justiça terão valor eterno diante do juízo divino (12. A mortalidade humana e a ineficácia de todos os recursos diante de tal realidade são fatos apresentados de modo . mesmo que seja "pobre". 6. poderá superar o "grande".14).2. que muitas vezes é esquecida diante da desigualdade social. Apesar da transitoriedade de seus efeitos terrenos. Outro adjetivo em destaque é o "justo".4.13).18-21.Grande . recebe-se um único adjetivo: "morto" (9.

19). tudo é vaidade. . uma vez que estas serão consideradas no juízo divino (12.29 . tal escrito estaria confinado em uma visão biológica. .O homem vive desafiando. Por isso é usada a expressão "debaixo do sol". Sem isso. .3. A referência que o livro faz à eternidade é bem resumida mas fundamental.O animal se restringe aos limites da natureza. A menção à eternidade é uma "janela" que o autor deixou como um escape para a vaidade terrena e o motivo principal para se cultivar a justiça e a sabedoria nesta vida. terrena e limitada pela morte. O homem se ilude com suas posições.Sob o ponto de vista biológico: nenhuma. seus títulos e usa de sua condição para oprimir o seu próximo.contundente como que numa tentativa de mostrar ao homem a fragilidade de suas posições sociais e a importância das questões morais. Dentro desse limite.14). superando e contrariando a natureza. Observe semelhança do Salmo 49 com a visão de Eclesiastes. 7.Qual é a vantagem de um sobre o outro? (Ec.Depende de seu uso para o bem ou para o mal. . Esse é o tipo de visão que o autor tem ao comparar homens e animais. O HOMEM E O ANIMAL .Isto é bom ou ruim? . A maior parte das declarações do autor estão restritas aos aspectos terrenos da vida humana.

Salomão observou e aprendeu.6. . dormir. as aves do céu.NÃO SABEMOS QUANTO .Homem natural x homem espiritual . gozar a vida (Ec.8. 5.Desvantagem humana: o homem tem o pecado (8.18.7).5.26). .12).30. mas trabalham no tempo certo.11) que o animal não tem.9.O animal tem o seu prazer nas coisas simples. O autor nos chama a atenção para os prazeres simples da vida: comer. o gafanhoto.6. Pv. . Mt. 11. . . .12.5-8.O homem tem o que aprender com o animal. (Pv.7.O homem precisa reconhecer sua semelhança biológica com o animal (3. 5. 9.18-19 .A formiga. 5. 2.4 – ansiedade: Ec. Onde é esse ponto? Só a sabedoria pode responder em cada situação.10.4. (Cobiça: Ec.O homem vai além do animal quando é espiritual.morte) para refletir sobre sua cobiça e sua soberba.I Cor. 6. beber.24. ver o sol.4.14 TEMPO DEUS NOS DEU O TEMPO . Não têm títulos nem posições sociais.21-33.9 – inveja: Ec..Qual o limite? Quando o progresso ameaça o equilíbrio.NÚMERO DEFINIDO DE DIAS - TEMPO = OPORTUNIDADE .2. .

2. Jr.DETERMINADO . Ec. Como nasce o sol.para oprimir 8.7.5.definido – porém. O que fazemos da oportunidade que Deus nos dá? Apc.: tempo de falar e tempo de estar calado.NÃO PREDESTINADO . O autor diz que há tempo para tal coisa mas não diz quando é esse tempo. Lc.a cada manhã Lm.Equilíbrio em tudo . Porém.tempo para isso e para aquilo.3 .34). Ex.3. Ec. Quem perde esse equilíbrio torna-se desagradável.É USADO OU PERDIDO Ec. TEMPO PARA TUDO .Número dos dias .17 (Ex.1-14.3.Entre as coisas que Deus deu ao homem está o tempo.22.1.21.9 .8. também "nascemos" a cada dia. (oportunidade . 11 .3 .17 No Novo Testamento temos a parábola da grande ceia.: suicídio). Ec. 2.Tempo determinado não é predestinação. É preciso sabedoria para se discernir o tempo certo.23 nas trevas 5. (Mt. É um tempo definido para uma realização. tornaram-se malignas porque se constituíram em empecilho ao propósito de Deus para aquelas pessoas. Cada convidado se ausentou porque preferiu preencher seu tempo com outras coisas.7 .20-21 (arrependimento do pecado ou tolerância?).22-23).16 . as quais não eram más em si mesmas. pode-se morrer antes . Passa o tempo de plantar mas o homem não planta.8. A ação humana não está determinada. Na palavra oportunidade estão todos os valores relacionados à vida humana. Tempo ocupado pelo trabalho .1.por dores 2.

Porém. não produzida pelo erro anterior. ..13 Ec. talvez possamos fazê-las de modo cada vez mais correto e no tempo apropriado.Não há tempo determinado para o pecado . A sabedoria humana..SABER O TEMPO E O MODO Um dos sinais da sabedoria é a identificação do tempo e do modo.1-16. É preciso sabedoria para se decidir por uma ou outra atitude. mas a sabedoria espiritual é aquela que conduz o homem à justiça e à salvação.8 A SABEDORIA E O TEMPO . precisamos de sabedoria prévia. Os erros e acertos (nossos ou dos outros) vão nos ensinando. algumas ações são únicas na vida. O homem não conhece o seu tempo: 9.5-6. Ester 1. 2. 12.9.19-30. Por isso.9) e pelo dom do Espírito Santo (Tg.11-12 ESPERA OU INICIATIVA? A espera . ouve as minhas palavras.5. pode ser muito útil para o êxito material.8. Experiência gera sabedoria. Não podemos errar.8.8). terrena. já que não teremos chance de tentar novamente. "Filho meu." Ouvir a experiência dos pais pode poupar os filhos de muitos sofrimentos desnecessários.1. É uma maneira mais suave de se adquirir alguma sabedoria.1. I Cor.necessária ou precipitada? Decidido ou apressado? Tensão entre a espera e a iniciativa. Se tivermos oportunidade de repetir certas ações.necessária ou demasiada? Cautela ou covardia? Preguiça? (10. mas pela palavra de Deus (Jr.18) A iniciativa .

1.No tempo certo .6.17. EM QUE SITUAÇÃO SE DEVE ESPERAR? Quando se trata de um fruto que precisa amadurecer.16 Pressa . É preciso muita sabedoria para se julgar esse tipo de situação.19) EVITE-O AO MÁXIMO – Em algumas situações.17 Antes da hora . Pv.11) (Tg.7) Quando se trata de um investimento cujo resultado requer tempo.Tg.19 Não tardes .10. (PV.3.8-9.14. uma ação negativa poderá ser necessária para que se evite um mal maior.12.1618) NÃO DEMORE A FAZER O BEM (Rm.1.8 Tardio .1) SEJA TARDIO PARA O MAL OU PARA O QUE FOR ARRISCADO (Tg.12.11.4.10. (EC. A DIVISÃO DO TEMPO Tempo – Vida – Anos – Dias – Manhãs e Tardes .32.11. 16.1-2.5.5. 25. (3. 7.13).5. 8.

Ec. Administre os dias.15.1.8 .12.23.o pão nosso de cada dia. Dias bons e dias maus .1.14 . Inconsistente.Não se pode reter a sombra. velhice – Ec.3.11. Lembra-te do teu criador nos DIAS da tua mocidade. .1-7) / Anos – Ec.1. Salmo 90.11.18.1.6.8.11 / Vida – Ec.Tempo (princípio e fim) Ec. Preocupação com o dia . Salomão menciona o dia em Ec.8 / Dias .19.3 (adolescência.unidade de tempo a ser administrada.8 (7.9.30-34 . Ec.9-10.6 .Mt.11. Ensina-nos a contar os nossos dias.1 Dia da morte .31) Ec.12. mocidade.gasto como sombra .Não pense apenas nos anos. Gozar o bem todos os dias .12. É o que temos.Ec. Dia .7. 12.9.1).Gn.5.12-15. 9. 89.6.5. O valor do dia . primavera da vida.47.9 11.8.12 .13.11.não perca a chance diária .8 (manhã e tarde – Ec.11. A expressão "debaixo do sol" indica o dia. uma ausência de luz.11.20/ 8.5.

Heb.5 (salvar.." vs..plantar primeiro.1-8. OBSERVAÇÕES: . Lembra-te do Criador antes que tudo isso aconteça. inclusive o verso 7. aproveitar.Não espere . O TEMPO DO JULGAMENTO 3.2.7 .II Cor. PARA USAR BEM O TEMPO.16).Ef. evitar a perda). O PRESENTE E O FUTURO. 1.2.12) 11. Antes. Prioridade .12.6 com 10.O tempo de Deus julgar o que o homem fez no seu tempo.4. porque "depois" será muito tarde. (Compare 11.6 . NÃO PERCA O FOCO ENTRE O PASSADO..6.11. Foco no passado . 4.7. comer depois.1 ..O dia mais importante: hoje .17 .10 REMINDO O TEMPO Remindo o tempo ."Antes que. 6." (Cap. ESTABELEÇA ORDEM DE PRIORIDADE "Antes que.16 Col.5.

3.9.3. Na medida em que envelhecemos.11.17 7.11.1-3.16 .14.22.11.O "depois" não nos pertence.Ec.10 .8. Para uma criança.muito tempo e pouca realização .15. PESSIMISMO E OTIMISMO PESSIMISMO 1.2.Temos noção errada sobre o tempo devido à brevidade da nossa vida.8.16 5.18 2.1. 1 ano é muito tempo.10.7.2. Ec.18.23 3. nossa noção de tempo vai mudando.1.4.6. 100 anos .1.13.3.17.14.20 8.6 Nada novo .novo é o homem .12.19 4.15.21.

18 7.1 12.5.10.8-9 OTIMISMO 2.1.12.15 9.17 5. Interpretação negativa ou positiva de um mesmo fato.1 Conceitos Expectativa de que o bem ou o mal aconteçam.9 11.14 8. .26 3.

Não se enfatiza a recompensa pelo bem. Conscientiza das duas possibilidades e deixa o leitor escolher seu próprio rumo.18 x 6. Fica destacado o grande risco do mal.Não é pessimista nem otimista.Selecione suas lembranças.Trazer à memória o que dá esperança. Nossas experiências anteriores determinam a nossa expectativa.a julgar pela quantidade de evidências. Toques de otimismo. Eclesiastes Autor pessimista . A mensagem do livro . (Bloqueio em relação ao futuro. 5.um só pecador (Adão. É algo aderente à nossa personalidade.Pense no que é bom . .1).8). 11. 11.fatos negativos .a mosca (10.Somos pessimistas em relação a algumas coisas e otimistas em relação a outras. desprezando as ruins.9 12. o primeiro) .4.6. . . Peso da realidade .8.o pecado a tudo corrompe . Assim como nos alegramos e nos entristecemos em momentos distintos. Bom é ter esperança .Lm.Fil.13-14. O que mais se evidencia em nossas atitudes pode nos caracterizar.2 8.3 . Algumas reflexões do autor equilibram suas próprias afirmações anteriores.

Então dão desculpas pessimistas para sua atitude. favor mencionar o nome do autor: Anísio Renato de Andrade – Bacharel em Teologia. Para esclarecimento de dúvidas em relação ao conteúdo. encaminhe mensagem para anisiora@mg.Com pessimismo ou com otimismo.) Em caso de utilização impressa do presente material.gov. Algumas pessoas deixam de trabalhar. (Pv. não por pessimismo mas por preguiça. trabalhe: 11.1.br .6.trt.

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