P. 1
CURA EM PLACAS D ECONCRETO.pdf

CURA EM PLACAS D ECONCRETO.pdf

|Views: 9|Likes:
Publicado porMarcos Alexandre

More info:

Published by: Marcos Alexandre on Oct 10, 2013
Direitos Autorais:Attribution Non-commercial

Availability:

Read on Scribd mobile: iPhone, iPad and Android.
download as PDF, TXT or read online from Scribd
See more
See less

04/18/2014

pdf

text

original

Sections

1

UNIVERSIDADE TUIUTI DO PARANÁ

Daniel Pereira Rosana Miki Sato Kachel Willian Zonato

FISSURAÇÃO EM PLACAS DE CONCRETO ARMADO RELACIONADAS COM O PROCESSO DE CURA

CURITIBA 2008

2

Daniel Pereira Rosana Miki Sato Kachel Willian Zonato

FISSURAÇÃO EM PLACAS DE CONCRETO ARMADO RELACIONADAS COM O PROCESSO DE CURA

Monografia apresentada como requisito parcial à obtenção do grau de Especialista, pelo Programa de Pós-Graduação de Patologia nas Obras Civis, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão – PROPPE da Universidade Tuiuti do Paraná. Orientador: Prof. M. Sc. Luis César S. de Luca.

CURITIBA 2008

3

TERMO DE APROVAÇÃO Daniel Pereira Rosana Miki Sato Kachel Willian Zonato

FISSURAÇÃO EM PLACAS DE CONCRETO ARMADO RELACIONADAS COM O PROCESSO DE CURA

Essa monografia foi julgada e aprovada para a obtenção do título de Especialista em Patologia nas Obras Civis, pelo Programa de Pós-Graduação de Patologia nas Obras Civis, da Pró-Reitoria de Pós-Graduação, Pesquisa e Extensão – PROPPE da Universidade Tuiuti do Paraná.

Curitiba, 16 de agosto de 2008. ______________________________________________

Pós-Graduação de Patologia nas Obras Civis Universidade Tuiuti do Paraná

Orientador:

Prof. M. Sc. Luis César S. de Luca, M.Sc

Prof. César Henrique Daher, Esp.

Prof. Thomas Carmona, M.Sc

Prof. Armando Edson Garcia, Dr

4

SUMÁRIO
RESUMO................................................................................................................... ..9 ABSTRACT........................................................................................................... ....10 1. INTRODUÇÃO............................................................................................ .........11 1.1. OBJETIVOS............................................................. ..............................................11 1.1.1. Objetivo Geral............................................................................................... .....11 1.1.2. Objetivo Específico........................................................................................ ....12 1.2. JUSTIFICATIVAS.................................................. ................................................12 1.2.1. Justificativa Tecnológica....................................................................... .............12 1.2.2. Justificativa Econômica........................................................... ..........................13 1.2.3. Justificativa Social....................................................................... ......................13 1.2.4. Justificativa Ambiental.................................................................................... ...14 1.3. APRESENTAÇÃO DO TRABALHO.............................................................. .....14 2. A CURA DO CONCRETO........................................................................... .........15 2.1. DEFINIÇÕES....................................................... ..................................................15 2.2. MÉTODO DE CURA............................................................................ ................16 2.3. RELAÇÃO ENTRE A CURA, A RESISTÊNCIA E A DURABILIDADE DO CONCRETO...................................................................................... ...........................19 2.4. QUALIDADE DA ÁGUA.................................................................. ...................24 2.5. INFLUÊNCIA DOS FATORES CLIMÁTICOS NA CURA DO CONCRETO....25 3. MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS.................................... .............................29 4. PROGRAMA EXPERIMENTAL..................................................................... ....34 4.1. MATERIAIS E MÉTODOS..................................................... ..............................34

5 4.1.1. Protótipos................................................................................................. ..........34 4.1.2. Dimensões.......................................................................................................... 34 4.1.3. Método de Cura................................................................... ..............................41 4.1.4. Condições do Ambiente............................................................... ......................43 4.1.5. Procedimentos de Execução........................................................................... ....45 4.2. AVALIAÇÃO DOS PROTÓTIPOS........................................................ ...............49 4.3. RESULTADOS...................................................... .................................................57 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS......................................................... .......................63 6. RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS...................................66 REFERÊNCIAS .................................................................................................. .....67 APÊNDICES.................................................................................. ...........................72

6

LISTA DE FIGURAS
FIGURA 2.1 - Influência do tipo de cura na variação dimensional do concreto..........18 FIGURA 2.2 - Cura por alagamento de uma laje recém-concretada, em tempo quente.......18 FIGURA 2.3 - Cura química mecanizada......................................... ...........................19 FIGURA 2.4 - Cura úmida recoberta com areia.................................................... .......19 FIGURA 2.5 - Influência das condições de cura sobre a resistência ...........................21 FIGURA 2.6 - Comportamento da solicitação de tração e da resistência mecânica à tração do concreto em função do tempo de cura úmida ..............................................24 FIGURA 2.7 - Duração mínima em dias do tratamento de cura segundo a temperatura e umidade relativa do ar ................................................................................... ...........27 FIGURA 2.8 - Influência da velocidade e temperatura do ar do concreto cobre a evaporação de água do concreto...................................................... ............................28 FIGURA 3.9 - Redução da retração com o tratamento de cura ...................................29 FIGURA 3.10 - Figuras típicas de retração plástica .......................................... ..........31 FIGURA 3.11 - Fissurações típicas de retração hidráulica .................................... ......32 FIGURA 3.12 - Fissuras por retração de secagem de uma laje ...................................33 FIGURA 4.13 - Vista em planta da placa de concreto ................................................35 FIGURA 4.14 - Vista da placa de concreto em corte............................... ....................35 FIGURA 4.15 - Formas de madeira para execução da concretagem das placas de concreto, resultando em 16 placas de concreto....................................... .....................36 FIGURA 4.16 - Vista em planta e em cortes de uma placa com as armaduras.............39 FIGURA 4.17 - Esquema das armaduras nos painéis................................................ ...40 FIGURA 4.18 - Balde da cura química base de água – OTTO BAUMGART.............42

7 FIGURA 4.19 - Amostra da cura química base orgânica - basf...................................42 FIGURA 4.20 - Canteiro de obras............................................... ................................43 FIGURA 4.21 - Foto dos ventiladores e aquecedor utilizados.....................................44 FIGURA 4.22 - Disposição dos equipamentos............................. ...............................45 FIGURA 4.23 - Equipamento de medição: termohigrômetro......................................45 FIGURA 4.24 - Croqui das placas ..................................................... .........................46 FIGURA 4.25 - Corpos de prova.......................................................... .......................47 FIGURA 4.26 - Concretagem das chapas......................................... ...........................47 FIGURA 4.27 - Cura dos protótipos...................................................... ......................48 FIGURA 4.28 - Mapeamento de fissuras. aspecto dos painéis fissurados após resultado final do monitoramento.......................................................................................... ......56 FIGURA 4.29 - Foto da fissura da placa 1a, com cura úmida............................ ..........57 FIGURA 4.30 - Foto da fissura da placa 2a com cura úmida.............................. .........58 FIGURA 4.31 - Foto das fissuras da placa 1c com cura úmida............................. .......59 FIGURA 4.32 - Foto das fissuras da placa 2 c com cura úmida........................... ........59 FIGURA 4.33 - Foto das fissuras da placa 1 f com cura química – base solvente (borracha clorada em solvente).................................................................... ................60 FIGURA 4.34 - Foto das fissuras da placa 2 e com cura química – base solvente (borracha clorada em solvente).................................................................... ................61 FIGURA 4.35 - Foto das fissuras da placa 1h com cura química – base d’água (hidrocarboneto paranífico).......................................................... ...............................62 FIGURA 4.36 - Foto das fissuras da placa 2 g com cura química – base d’água (hidrocarboneto paranífico).......................................................... ...............................62

8

LISTA DE TABELA
TABELA 2.1 - Tempo de cura em água necessário para o seccionamento dos

capilares........................................................................................................................ 18 TABELA 2.2 - Períodos mínimos e cura recomendados para concretos de cimento Portland........................................................................................................................ 27 TABELA 2.3 - Fatores de correção para os períodos mínimos de cura dos concretos....................................................................................................................... 27 TABELA 4.4 - Especificação dos protótipos em função da cura aplicada................... 49 TABELA 5.5 – Relação entre método de cura e fissuração das placas........................ 65

LISTA DE QUADROS

QUADRO 4.1 - Dados técnicos do produto Masterkure................................... ..........44

9 RESUMO A cura é um processo vital na concretagem de qualquer elemento estrutural, pois auxilia na hidratação do cimento impedindo a evaporação da água utilizada no amassamento do concreto. Além de garantir a reação da água com o cimento, a cura adequada influencia na formação da microestrutura e no desenvolvimento das propriedades físicas e mecânicas, garantindo a resistência e a durabilidade do concreto. Buscando relacionar o comportamento superficial do concreto armado com distintos processos de cura, foi realizado um programa experimental, no qual foram criados dezesseis protótipos de placas de concreto, subdivididos em dois painéis, onde utilizou-se três métodos de cura distintos (cura úmida, cura com borracha clorada em solvente e cura com hidrocarbonetos parafínicos), além da ausência total da cura. Em um ambiente fechado, buscou-se recriar e controlar as condições atmosféricas reais do meio externo, no qual normalmente o concreto está exposto e com o auxílio de ventiladores, aquecedor e um higronômetro, foram realizados o controle diário das fissuras surgidas nas placas de concreto. Após vinte e dois dias de monitoramento, além de observar qual método de cura mostrou-se mais eficiente neste programa experimental, foi possível concluir que fatores externos como tempo, temperatura, umidade e o correto procedimento de aplicação, influenciam diretamente para o sucesso do método de cura escolhido. Palavras-chave: concreto; cura; fissuras; hidratação; durabilidade

10 ABSTRACT The cure is an important process of the concrete pour, because it assist in the hydration of the cement impeding the evaporation of the water used in the concrete mix. Besides guaranteeing the reaction of the water with the cement, the appropriate cure influences in the formation of the microstructure and of the development of the physical and mechanical properties guaranteeing resistance and durability of the concrete. Searching to relate the superficial behavior of the reinforced concrete with different cure process, was done an experimental program where was made sixteen prototypes in plates of reinforced concrete, subdivided in two panels where it was used tree different methods of the cure (humid cure and chemical cure, organic base and water base), add to that, no cure. In a closed ambience, it was search to recreate and control the real atmospherics’ conditions of the external ambience, which normally the concrete exposed and with ventilator, air heater and moisture meter support, it was made a diary control observing the fissures appears in the concrete’s plates. After twenty two days, yonder observes which cure’s method was the most efficient in this experimental program, it was possible to conclude which external’s factors, like weather, temperature, moisture and the correct application procedure have a important influence in the cure process. Keywords: concrete; cure; fissure; hydration; durability.

11 1. INTRODUÇÃO

Este trabalho visa estudar as fissuras em placas de concreto armado relacionadas com o processo de cura, definindo conceitos importantes relacionados a essa etapa do processo. O concreto possui duas funções básicas nas estruturas de concreto armado: resistência aos esforços de compressão aos quais a estrutura está sendo submetida e proteção ao aço. Para que a estrutura de concreto atenda às especificações de projeto, é preciso considerar uma série de fatores do próprio concreto: propriedades dos materiais constituintes, dosagem da mistura e execução da concretagem. Se alguma dessas etapas não for executada corretamente, poderá desencadear o surgimento de manifestações patológicas na estrutura. Dentro desse processo criterioso, na etapa de execução da concretagem, a realização da cura do concreto é fundamental para a garantia das características de resistência e durabilidade do mesmo.

1.1.

OBJETIVOS

1.1.1. Objetivo Geral

Analisar o surgimento de fissuras em placas de concreto armado relacionadas com o processo de cura.

12 1.1.2. Objetivo Específico

• Descrever os parâmetros que caracterizam um processo de cura eficiente e suas conseqüências. • Executar protótipos com placas de concreto armado utilizando diferentes métodos de cura para avaliar a fissuração. • Comparar os resultados de cada método de cura aplicados no experimento.

1.2.

JUSTIFICATIVAS

1.2.1. Justificativa Tecnológica

De uma forma geral, as estruturas de concreto armado são muito comuns como método construtivo para obras de pequeno e grande porte em todo país. A cura eficaz das lajes de concreto armado é um dos fatores responsáveis por garantir a resistência e a durabilidade da estrutura, por esses motivos, além de divulgar os métodos de cura disponíveis e sua real eficiência, é importante ressaltar as manifestações patológicas originárias de um processo de cura ineficiente (BRANDÃO, 1998).

13 1.2.2. Justificativa Econômica

Segundo Bauer (2001), a cura ineficiente pode gerar uma manifestação patológica indesejável na superfície do concreto, a retração. Além do desconforto estético, a fissuração ocasionada pela retração é um ponto crítico no desenvolvimento da corrosão das armaduras das lajes e na penetração de agentes agressivos no concreto. Essas manifestações patológicas podem ser evitadas

através de um processo de cura eficiente, pois a correção dessas manifestações nas lajes de concreto armado é dispendiosa. A lei de Sitter (1984), que ilustra a relação da evolução dos custos de intervenção nas estruturas desde a etapa de projeto até a manutenção corretiva, dá uma noção da disparidade de custo ao se adotar uma medida corretiva.

1.2.3. Justificativa Social

Segundo Isaia (2007), as fissuras são indesejáveis e antiestéticas. Além de causar um efeito psicológico negativo, essas manifestações patológicas geram gastos para efetuar os reparos necessários, os quais poderiam ser revertidos para ações sociais.

14 1.2.4. Justificativa Ambiental

Além do custo desnecessário originado pela correção das manifestações patológicas que surgem devido ao processo de cura ineficiente, tais reparos geram a utilização de recursos naturais que poderiam ser desnecessários, como os agregados para confecção de concreto e madeira para execução das formas.

1.3.

APRESENTAÇÃO DO TRABALHO

O presente trabalho é desenvolvido da seguinte forma: no capítulo 2, são definidos os processos de cura, tipos e metodologias aplicadas, fatores influenciáveis no processo e relação com a qualidade e durabilidade do concreto. O Capítulo 3 aborda as manifestações patológicas sucedidas de uma cura ineficiente, apontando as conseqüências diretas. No Capítulo 4, é apresentado um experimento realizado, detalhando os procedimentos metodológicos e resultados obtidos. E finalizando, no Capítulo 5, uma análise dos resultados obtidos com o experimento, sendo sugeridas algumas alterações para pesquisas futuras.

15 2. A CURA DO CONCRETO

Este capítulo estabelece a função da cura do concreto, apontando a visão de alguns autores em relação à influência da cura dentro do processo da concretagem, os procedimentos de execução disponíveis e os fatores determinantes no seu processo.

2.1.

DEFINIÇÕES

Uma das definições básicas da cura do concreto dada por Canovas (1988) define a cura do concreto como sendo um conjunto de medidas que têm por objetivo evitar a evaporação da água utilizada na mistura do concreto e que deverá reagir com o cimento, hidratando-o. Cita ainda que a cura abrange também medidas de proteção contra o congelamento dessa água. Da mesma forma, para Metha (1994), a cura do concreto é um procedimento que deve ser realizado imediatamente após a colocação do concreto nas formas, destinado a promover a hidratação do cimento, consistindo no controle do tempo, temperatura e condições de umidade do concreto durante um período suficiente, para que este alcance um nível de resistência desejado. As propriedades do concreto variam em função de vários fatores como o tipo de adições na mistura do concreto, mistura dos materiais e as condições de umidade e temperatura em que é mantida a pasta de concreto desde seu lançamento nas formas até o momento do seu total endurecimento. Todo esse

16 processo de controle das condições de temperatura e umidade após o lançamento do concreto caracteriza a cura do concreto. (NILSON; DARWIN; DOLAN, 2004)

2.2.

MÉTODO DE CURA

Bauer (2001) cita os seguintes métodos de cura: a) Irrigação ou aspersão de água: utilização contínua de irrigação da superfície exposta ou a aspersão de água em intervalos freqüentes. b) Submersão: pode ser empregada com sucesso em lajes, pisos e pavimentos em que haja grande superfície exposta e quando não há necessidade da utilização da superfície nos primeiros dias. c) Recobrimento: é utilizado para manter a umidade, usando materiais umedecidos, como areia (ilustrado na figura 2.4), terra, sacos de aniagem rompidos, etc. d) Recobrimento com plásticos e semelhantes: utilização de plásticos e papéis impermeáveis sobre a superfície. e) Conservação das formas. f) Impermeabilização por pinturas: utilização de tintas, emulsões, epóxi, etc. (ilustrado na Figura 2.3) g) Membranas de cura: aplicação de filme impermeável. O método mais convencional é o de cura úmida, que deve ser iniciada logo após o início da hidratação do cimento, ou seja, nos casos normais, duas a

17 três horas após o lançamento. Não há um tempo predeterminado para a realização da cura, sabendo-se que quanto maior for esses prazos melhores são as condições de formação dos cristais, mais refinada será a estrutura interna, com maior resistência e maior durabilidade. Existe certo consenso quanto ao prazo mínimo de 7 dias de cura, embora este deva variar em função do coeficiente de forma da peça (relação volume/área exposta), do tipo de cimento, da relação água/cimento, das condições climáticas. Em função do tipo de cimento e da relação a/c, recomenda-se obedecer aos períodos mínimos de cura, conforme indicado na Tabela 2.1.
TABELA 2.1 - TEMPO DE CURA EM ÁGUA NECESSÁRIO PARA O SECCIONAMENTO DOS CAPILARES

FONTE: (BAUER, 2001)

O concreto é um material deformável e as suas variações dimensionais ocorrem em resposta a vários fatores como: relação a/c, condições ambientais (temperatura, umidade relativa do ar), dimensões das peças, cura, etc. Segundo Passuelo et al. (2007), o método de cura utilizado pode influenciar a intensidade dessa variação volumétrica do concreto, dependendo da sua composição química e da presença de agentes expansores na sua pasta. A Figura 2.1 representa essa variação volumétrica em função do tipo de cura utilizado.

18
FIGURA 2.1 - INFLUÊNCIA DO TIPO DE CURA NA VARIAÇÃO DIMENSIONAL DO CONCRETO

FONTE: (PASSUELO, 2007 apud COLLEPARDI et al., 2003)

Canovas (1988) adverte que os métodos de cura por meio de molhagem, freqüentes no verão, são insuficientes em lugares ensolarados, recomendando que se cubram os elementos estruturais com sacos que fiquem constantemente úmidos. A cura com água deve ser contínua e durar pelo menos sete dias, embora seja preferível chegar aos vinte e oito dias. No caso de execução de cobertura, é aconselhável a colocação de um lençol de água sobre a laje logo após o início da pega, conforme ilustrado na Figura 2.2. Esse lençol de água deve ser mantido permanentemente, a fim de que a formação do gel se processe de maneira tal que os capilares sejam segmentados. Bauer (2001).
FIGURA 2.2 - CURA POR ALAGAMENTO DE UMA LAJE RECÉM-CONCRETADA, EM TEMPO QUENTE

19
FIGURA 2.3 - CURA QUÍMICA MECANIZADA

FIGURA 2.4 - CURA ÚMIDA RECOBERTA COM AREIA

2.3.

RELAÇÃO

ENTRE

A

CURA,

A

RESISTÊNCIA

E

A

DURABILIDADE DO CONCRETO Segundo Bauer (2001), as várias qualidades desejáveis num bom concreto — resistência mecânica à ruptura e ao desgaste, impermeabilidade e resistência ao ataque de agentes agressivos — são extremamente favorecidas e até mesmo somente conseguidas através de uma boa cura. Ele ainda cita que para a obtenção de um concreto impermeável, além da adoção de um baixo fator água/cimento, é indispensável a cura adequada.

20 Isaia (1995) diz que o modo de cura influi diretamente na porosidade do material, podendo esta ser até mesmo duplicada se a superfície do concreto secar de forma prematura, criando gradiente de dessecação interna, enquanto as reações de hidratação que governam o grau de maturidade da pasta cimentícia ainda não estiverem em processo suficientemente adiantado. O autor ainda conclui que a permeabilidade do concreto está intimamente ligada à quantidade, ao tipo de aglomerante e de adições minerais, à relação a/c e às condições de cura. O método de cura influi também na resistência à compressão do concreto. Estudos de Ewertson (1993) concluíram que se o conteúdo de umidade, após uma história de exposição definida, é dependente da estrutura do material e indiretamente dependente das condições de cura, então a cura em água e a proteção com filme plástico parecem ser aproximadamente equivalentes, enquanto a inexistência de cura produz uma estrutura do material diferente. A Norma Técnica Brasileira referente à execução de estruturas de concreto armado (NBR 14931- 2004) faz referência à cura no seu item de numero 10.1, mostrando que, enquanto não atingir o endurecimento satisfatório, o concreto deve ser curado e protegido contra agentes prejudiciais para evitar a perda de água pela superfície exposta, assegurar uma superfície com resistência adequada e a formação de uma capa superficial durável. Ela ainda estabelece que elementos estruturais de superfície devem ser curados até que atinjam resistência característica à compressão (fck), de acordo com a ABNT NBR 12655, igual ou maior que 15 MPa.

21 Uma cura insuficiente, por sua vez, produz baixo grau de hidratação do cimento, especialmente nas regiões superficiais, resultando em alta

permeabilidade do concreto de superfície e, conseqüentemente, baixa durabilidade das peças. Realmente, isso se explica pelo fato de que a permeabilidade depende da interligação dos poros, e essa ligação será tanto maior quanto menor for o grau de hidratação do cimento (BRANDÃO, 1999). Metha (1994) cita o fato de que a influência da umidade de cura sobre a resistência do concreto é evidente. Os dados da Figura 2.5 mostram que depois de 180 dias, para um dado fator água/cimento, a resistência do concreto curado sob condições continuamente úmidas foi três vezes maior que a resistência do concreto curado continuamente ao ar.

FIGURA 2.5 - INFLUÊNCIA DAS CONDIÇÕES DE CURA SOBRE A RESISTÊNCIA

FONTE:(METHA, 1994)

22 A resistência final do concreto depende fortemente das condições de umidade e da mistura nas primeiras idades do concreto e a secagem rápida do concreto, sem uma cura adequada, pode reduzir em cerca de trinta por cento o valor da resistência do concreto (NILSON et al., 2004). De acordo com Guerrin (2003), a cura é um dos parâmetros mais importantes na execução do concreto, afirmando que ela assegura um endurecimento lento suscetível diminuir ao máximo as tensões parasitas de retração que colocam prematuramente o concreto em tração. Segundo Leonhardt (1977), o concreto deve ser curado mantendo a umidade e também garantindo meios de proteção contra temperaturas elevadas, vento, frio intenso e chuva forte. Ele afirma também que a cura atua favoravelmente na resistência à compressão e à tração, impermeabilidade e valor da retração. Mesmo sem aplicação de forças externas, o concreto sofre uma redução de volume ao longo do tempo devido à perda de água da pasta de cimento e alterações físico-químicas internas, o que é chamado de retração. No concreto fresco, a perda de água ocorre por exsudação, evaporação, percolação por juntas dos moldes, absorção de água pelos agregados, absorção de água pelas formas ou por alguma superfície em contato com a peça concretada. Essa perda de água dá origem à chamada retração plástica, que pode ser controlada em parte por um correto estudo e dosagem experimental e em parte por procedimentos adequados de concretagem, adensamento e cura. No concreto endurecido, a perda de água ocorre em exposição do concreto em ambientes com umidade relativa inferior a

23 100%, ocorrendo acontecendo a chamada retração por secagem ou retração hidráulica. (ISAIA, 2007) Conforme Passuelo et al. (2007), no seu artigo técnico, retração plástica é a redução de volume do concreto devido à evaporação da água presente na superfície do concreto, quando este ainda se encontra em estado plástico. A contração sofrida após o endurecimento do concreto é chamada retração hidráulica, e se deve ao movimento da água dentro da matriz cimentícia. Existe um aumento de tensão superficial da água em movimento nos microporos, quando o concreto seca, criando um esforço nas paredes das partículas de C-S-H, aproximando-as e contraindo o concreto. A retração hidráulica é a forma mais comum de retração e também aquela de maior importância para a formação de fissuras no concreto. Ainda no artigo de Passuelo et al. (2007), existem três situações para o desenvolvimento das solicitações de tração e da resistência mecânica à tração do concreto relacionada aos tempos de realização da cura úmida. Tendo uma relação da retração (ε), solicitação de tração (σt) e a resistência à tração (ft).

24
FIGURA 2.6 - COMPORTAMENTO DA SOLICITAÇÃO DE TRAÇÃO E DA RESISTÊNCIA MECÂNICA À TRAÇÃO DO CONCRETO EM FUNÇÃO DO TEMPO DE CURA ÚMIDA

FONTE: (PASSUELO et alii, 2007)

2.4.

QUALIDADE DA ÁGUA

Segundo Canovas (1988), “Se o emprego de águas não adequadas no massamento de concretos é prejudicial, o problema se torna mais grave na cura dos concretos, em virtude de sua mais ou menos constante renovação”. No caso de utilização de água, esta deve ser potável ou isenta de contaminações por substâncias de efeito deletério sobre o concreto e satisfazer às exigências da ABNT NBR 12654.

25 2.5. INFLUÊNCIA DOS FATORES CLIMÁTICOS NA CURA DO CONCRETO

Existem três condições climáticas fundamentais que podem criar problemas no concreto durante o período de cura: o frio, o calor e a baixa umidade; todas aumentadas pela ação do vento. Dentro de certos limites e tomadas as devidas precauções, a ação do calor sobre um concreto em processo de pega ou princípio de endurecimento pode ser vantajosa, pois ajuda a sua cura, contanto que essa temperatura seja limitada e o ambiente possua uma grande umidade relativa. O controle da cura no concreto é essencial, pois é principalmente a partir dela que irão surgir os efeitos patológicos conseqüentes do calor, vento, umidade, etc., caso não tenham sido tomadas as devidas precauções para isolar o concreto desses efeitos. Canovas (1988) A velocidade de perda de água do concreto, logo após o seu lançamento, não depende unicamente do fator superfície/volume do elemento de concreto, mas também da temperatura, umidade relativa e velocidade do ar circundante. Em climas frios, a cura insuficiente do concreto pode impedir e retardar seriamente a taxa de desenvolvimento da resistência. (METHA, 1994) A NBR 1493 (2004) cita a influência dos fatores climáticos nas primeiras idades do concreto, e destes considera como os mais deletérios as mudanças bruscas de temperatura, secagem, chuva forte, água torrencial e congelamento. Bauer (2001) cita como período mínimo de cura, em média, de 7 a 10 dias, para concretos de cimento Portland, variável em função do tipo, conforme Tabela 2.2 , e também demonstra a sensibilidade do concreto recém-lançado sob

26 efeito das condições climáticas, e considera, ainda, temperaturas favoráveis à cura dentro de um intervalo de 15ºC a 35ºC.
TABELA 2.2 - PERÍODOS MÍNIMOS E CURA RECOMENDADOS PARA CONCRETOS DE CIMENTO PORTLAND
TIPO DE CIMENTO CP CP CP CP CP I E CP II - 32 IV 32 (POZ) III 32 (AF) I E CP II - 40 V (ARI) PERÍODO MÍNIMO DE CURA (DIAS) PARA RELAÇÕES ÁGUA/CIMENTO PORTLAND 0,35 0,55 0,65 0,7 2 3 7 10 2 3 7 10 2 3 7 10 2 3 5 5 2 3 5 5

FONTE: (BAUER, 2006)

Considerando as condições do ambiente do local da obra (temperatura, vento e umidade relativa do ar), a relação área exposta/volume da peça concretada e ainda as condições de agressividade do ambiente, recomenda-se que os períodos acima indicados sejam multiplicados por um coeficiente de correção Kn (Kn= n1 . n2 . n3), conforme a tabela abaixo (Tabela 2.3)

TABELA 2.3 - FATORES DE CORREÇÃO PARA OS PERÍODOS MÍNIMOS DE CURA DOS CONCRETOS Condições Atmosféricas Temperatura Umidade relativa do ar θ <15°C UR < 70% UR> 70% 1,05 16° C<θ <39°C UR<70% 1,05 UR>70% 1

Coef. de correção do tempo de cura (n1) 1,10 Relação área exposta / volume da peça R<0.20

0,20<R<0,40 0,20<R<0,40 R>0,70 1,05 Média 1,10 1,10 Forte 1,20 1,20 Muito forte 1,30

Coef. de correção do tempo de cura (n2) 1 Agressividade do meio ambiente Fraca

Coef. de correção do tempo de cura (n3) 1,00 FONTE: (BAUER , 2006)

27

Ainda, segundo Canovas (1988), o vento seco e o aumento de temperatura ocasionam o rápido ressecamento da pasta de concreto, criando uma série de efeitos patológicos. Sendo a evaporação da água mais rápida que o aumento da resistência inicial, a retração ocasionará fissuração do concreto. Se o ressecamento for grande, é possível que não exista água suficiente para a hidratação do cimento, ocorrendo desagregação mais ou menos superficial, por não estar hidratada e o concreto ficará carente de resistência. A figura 2.7 indica o período mínimo da cura do concreto em função da influência da temperatura e umidade relativa do ar, para garantir a hidratação do cimento. O aparecimento de fissuras superficiais se inicia numa velocidade de evaporação de 1 litro por metro quadrado/hora, devendo ser realizada uma cura adequada do concreto, que impeça esse processo de fissuração. A Figura 2.8 indica sgundo METHA (1994) a influência da velocidade e temperatura do ar na evaporaão da água do concreto.

FIGURA 2.7 - DURAÇÃO MÍNIMA EM DIAS DO TRATAMENTO DE CURA SEGUNDO A TEMPERATURA E UMIDADE RELATIVA DO AR
ºC 40 35 Temperatura 30 25 20 15 10 5 0 6 7 6 5 4 3 3 3 3 100 Cura dispensada 5 6 5 4 3 4 5 4 3 4 3

25 50 75 Umidade Relativa do Ar (%)

FONTE: Adaptado de Canovas (1988)

28
FIGURA 2.8 - INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE E TEMPERATURA DO AR DO CONCRETO COBRE A EVAPORAÇÃO DE ÁGUA DO CONCRETO

FONTE: (METHA, 1994)

29 3. MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS

Neste capítulo serão abordadas as manifestações patológicas mais comuns originadas pela ineficiência e/ou deficiência da cura do concreto, apontando as reações típicas desses efeitos. Helene e Figueiredo (2005, p. 24) citam que as manifestações patológicas aparecem durante a construção ou após o início da execução propriamente dita, e com maior incidência na etapa de uso da edificação. Se a cura com água (cura úmida) é feita adequadamente, podem ser evitados problemas que afetarão a estabilidade volumétrica e as resistências mecânicas do concreto. Uma boa cura reduz os efeitos de retração no concreto, evitando as fissuras provocadas por esse efeito, Figura 3.9. (CANOVAS, 1988)
FIGURA 3.9 - REDUÇÃO DA RETRAÇÃO COM O TRATAMENTO DE CURA

FONTE: (CANOVAS, 1998)

30 A fim de se evitar efeitos patológicos devido a retrações do tipo hidráulico ou térmico é necessário realizar-se uma boa cura do concreto. Segundo o CEB, as superfícies devem permanecer úmidas (cura) durante o tempo suficiente para que o concreto adquira resistência mínima de setenta por cento da resistência prevista no projeto. (CANOVAS, 1988) Bauer (2001) diz que a cura em água reduz a retração da peça na fase em que o concreto tem pouca resistência, fato esse de fundamental importância, por evitar formação de fissuras de retração, que podem comprometer a impermeabilidade de todo o conjunto. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (1994), as fissuras de retração plástica são aquelas que aparecem logo após o adensamento e acabamento da superfície horizontal do concreto. Elas são provocadas pela rápida perda de água de amassamento, ocasionada principalmente pela evaporação e em parte pela absorção excessiva das formas. A concretagem em dias de calor intenso faz com que a velocidade da evaporação supere a velocidade que exuda e atinge a superfície, provocando fissuração. Esse fenômeno de fissuração ocorre principalmente em peças estruturais que apresentam grande área de exposição, tais como lajes e pavimentos. Outro tipo de fissuração é a de retração hidráulica, que resulta da restrição da redução de volume da peça pela perda de amassamento do concreto. Essas fissuras caracterizam-se principalmente por seccionarem inteiramente a seção transversal da peça, e estão principalmente ligadas à realização inadequada da cura do concreto.

31 Segundo Leonhardt e Monning (1977), a retração começa sempre nas superfícies externas das peças estruturais, sendo impedida pelas zonas internas, gerando tensões internas que podem produzir fissuras. Essas fissuras se devem ao encurtamento e aparecem no lado externo do concreto novo que possui ainda pequena resistência à tração, ilustrado na Figura 3.10. Em certos casos, esse efeito da retração ainda pode gerar aumento de flechas em vigas e lajes.

FIGURA 3.10 - FIGURAS TÍPICAS DE RETRAÇÃO PLÁSTICA

FONTE: (AS FIBRAS, 2002)

Helene (1992) apresenta como se manifestam fissuras de retração hidráulica em lajes de concreto armado e indica como primeira causa no

32 diagnóstico dessa patologia a cura ineficiente do concreto. A Figura 3.11 ilustra as fissurações de retração hidráulica.

FIGURA 3.11 - FISSURAÇÕES TÍPICAS DE RETRAÇÃO HIDRÁULICA

FONTE: (HELENE, 1992)

De acordo com Husni (2005, p. 59-60), quando o concreto seca muito rapidamente, principalmente pela baixa umidade e vento, é muito comum ocorrer o aspecto de “mapeamento” ou “quartelamento” caracterizado por pequenas fissuras sobre as superfícies das áreas concretadas em toda sua superfície, conforme ilustrado na Figura 3.12.

33
FIGURA 3.12 - FISSURAS POR RETRAÇÃO DE SECAGEM DE UMA LAJE

FONTE: (HUSNI, 2005, p. 61)

As principais características de fissuras desse tipo de retração são: o surgimento de fissuras nas primeiras horas de concretagem e a formação em grupos com uma distribuição muito irregular e profundidade variando entre 1 a 10 cm.

34 4. PROGRAMA EXPERIMENTAL

Neste capítulo, será apresentado um experimento realizado com o intuito de analisar o comportamento superficial de placas de concreto expostas em um mesmo ambiente agressivo e submetidas a diferentes métodos de cura. As amostras foram executadas em concreto usinado de fck 30MPA com armadura mínima e tipos distintos de cura. 4.1. MATERIAIS E MÉTODOS

4.1.1. Protótipos

O protótipo das placas de concreto armado utilizado na experiência foi definido seguindo os seguintes parâmetros.

4.1.2. Dimensões

Dimensões em planta (axb): As placas ensaiadas possuem a geometria simétrica, com dimensões longitudinais e transversais de mesmo valor (a=b), definindo um quadrado 52 x 52 cm.

35
FIGURA 4.13 - VISTA EM PLANTA DA PLACA DE CONCRETO

Espessura da placa: Para o experimento, foi adotado no protótipo como espessura da placa o valor de 5 cm. A espessura da placa foi definida em função dos parâmetros da NBR 6118:2003 referente às lajes maciças de concreto armado, que no item 13.2.4.1 é citado, como espessura mínima para lajes de cobertura (não em balanço), o valor de 5 cm de espessura
FIGURA 4.14 - VISTA DA PLACA DE CONCRETO EM CORTE

1. Formas Para executar a concretagem das placas de concreto, foram utilizadas formas de madeira. Para forma inferior, foram utilizadas duas chapas de madeira compensada com dimensões de 220x110cm e espessura de 12 mm. Como forma lateral, foram utilizadas ripas de madeira com dimensões de 2,5 x 5 cm.

36
FIGURA 4.15 - FORMAS DE MADEIRA PARA EXECUÇÃO DA CONCRETAGEM DAS PLACAS DE CONCRETO, RESULTANDO EM 16 PLACAS DE CONCRETO

Esse processo de concretagem gera placas de concreto independentes umas das outras, evitando-se a criação de um painel monolítico de 220x110 cm. As ripas de 2,5x5 cm utilizadas como formas laterais, além de dividir os painéis de concreto, também delimitam e garantem a espessura final da placa em 5 cm (conforme adotado). 2. Concreto

O concreto utilizado nas placas é usinado e de resistência característica de compressão (fck) igual a 30 MPA. Possui a seguinte composição:
 

relação a/c = 0,60; brita 0;

37
 

areia natural fina; cimento CP IV 32 com consumo de 400Kg/m3.

3. Armadura

Como as placas em questão não recebem carregamento e como o objetivo do trabalho está focado às manifestações patológicas relacionadas diretamente à cura do concreto, para a armadura das placas foi adotada a armadura mínima de norma de concreto armado (NBR 6118) para lajes maciças. Devido à geometria das placas, cada placa foi considerada como laje armada em duas direções. Os valores das armaduras mínimas para lajes de concreto armado estão estabelecidos no item 19.3.3.3 da ABNT NBR 6118:2003. Como as placas do protótipo são de pequena espessura, não se recomenda utilizar armadura dupla, portanto, foi adotada para o experimento apenas a armadura inferior. Para laje armada em duas direções, a armadura mínima é estabelecida pela equação da norma supracitada, devendo ser calculada por metro de laje e sendo equivalente

a: , sendo: As,min = Área mínima de armadura por metro de laje; Ac = Área de concreto por metro de laje = bw x h; fcd = resistência à compressão do concreto de cálculo; fyd = resistência ao escoamento do aço de cálculo.

38

, sendo: cnom = cobrimento nominal; Φl = bitola do ferro. Cálculo da Armadura mínima para as placas: Concreto C30: γc = 1,4 Aço CA 60: γs = 1,15 fck =30 MPA = 3,0 KN/cm2 fcd = fck/γc fcd= 2,14 KN/cm2 fyk = 600 MPA = 60 KN/cm2; fyd = fyk/γs fyd = 52,2 KN/cm2 bw = 100 cm; h = 5 cm; Ac = bw x h = 100 x 5 = 500 cm2 As,min = 0,023 x (2,14/52,2) x 500 As,min = 0,471 cm2/m Portanto, o cálculo da equação, conforme os parâmetros da ABNT NBR 6118, resulta em uma quantidade de 0,471 cm2 de armadura por metro de laje. A norma ainda cita que a armadura mínima deve estar distribuída com no mínimo 3 barras por metro, ou seja, espaçamento máximo de 33 cm entre as barras. O item 20.1, da referida norma, cita que qualquer barra de armadura de flexão de lajes deve ter seu diâmetro limitado a 1/8 da espessura da laje, ou seja,

39

φl < h/8 < 5 /8 = 0,623cm = 6,23 mm. Portanto, foi adotado φl = 5 mm (de
acordo com a norma). Adotando-se ferro CA 60 de bitola de 5mm resultaria em 2,405 barras por metro, arredondando para 3 barras por metro, resultando em uma área de armadura de 0,588cm2, porém, esse valor calculado não pode ser utilizado para a execução, a ABNT NBR 6118:2003 no Item 20.1 ainda define que o espaçamento máximo entre as barras da armadura principal deve estar entre 20 cm ou 2 h. Para h = 5 cm, chega-se então a 10cm de espaçamento máximo permitido entre as barras, então: As,min = 5 φ a cada 10cm = 1,96 cm2/m

FIGURA 4.16 - VISTA EM PLANTA E EM CORTES DE UMA PLACA COM AS ARMADURAS

40

Devido à pequena espessura das placas, o cobrimento de concreto nas armaduras ficou estabelecido em 1,5cm. Para garantir a posição correta das armaduras dentro das placas, foram utilizados espaçadores feitos com argamassa de cimento e areia, com traço 1:3.
FIGURA 4.17 - ESQUEMA DAS ARMADURAS NOS PAINÉIS

Como cada placa deve ser independente, a armadura entre elas não é contínua, não existindo ligação entre a armadura de uma placa e a armadura de outra. O processo de concretagem dos painéis do protótipo gerou 16 placas de concreto armado para o desenvolvimento do trabalho. Após o processo de

41 concretagem, foram definidas algumas placas que ficaram sem aplicação de nenhum tipo de cura, outras placas com aplicação de cura úmida e outras com aplicação de produtos de cura química (membrana de cura).

4.1.3. Método de Cura

Os métodos de cura aplicados foram selecionados em função dos seguintes aspectos: Pela freqüência de uso, ou seja, método mais comumente usado: cura úmida. Pela viabilidade econômica dentre os tipos existentes no mercado local: cura química de base parafínica. Pela metodologia de aplicação e composição química, sendo

obrigatoriamente diferente da outra selecionada: cura química de base orgânica. Os dois produtos de cura química são compostos de propriedades físicoquímicas distintas. Um dos compostos trata-se de emulsão de hidrocarbonetos parafínicos (base de água), possui aparência líquida branca e viscosa, com densidade de 1g/cm3. O produto é da Indústria Otto Baumgart e tem o nome comercial de Curing. Figura 4.18. Segundo o fabricante, o consumo do produto, para um bom resultado de cura, é de 160 a 200g/m2.(ver Apêndice A)

42
FIGURA 4.18 - BALDE DA CURA QUÍMICA BASE DE ÁGUA – OTTO BAUMGART

O outro composto é de base orgânica (borracha clorada em solvente), possui um aspecto líquido e escuro, com densidade de 0,93 a 0,97g/cm3 e é especialmente formulado para aplicação por pulverização. O produto deve ser aplicado sobre o concreto fresco após a finalização do processo de concretagem e imediatamente após o desaparecimento da água de exudação, ele é da Indústria Química BASF e tem o nome comercial de Masterkure 204, ver Figura 4.19 e dados técnicos conforme Tabela 4.1. Segundo o fabricante, a quantidade ideal do produto para a cura efetiva e estética está entre 200 a 350g/m2. (Ver Apêndice B)
FIGURA 4.19 - AMOSTRA DA CURA QUÍMICA BASE ORGÂNICA - BASF

43
QUADRO 4.1 - DADOS TÉCNICOS DO PRODUTO MASTERKURE

FONTE: (BASF, 2007)

4.1.4. Condições do Ambiente

Devido à impossibilidade de realização do experimento objeto deste trabalho em um laboratório, o local escolhido foi um canteiro de obras de fácil acesso aos membros da equipe, o que possibilitou um controle intensivo do experimento. Além disso, a escolha pelo canteiro de obras facilitou a construção do ambiente e a confecção dos protótipos, pois pôde-se utilizar os materiais disponíveis na obra, como madeira, aço e concreto, bem como o auxílio dos funcionários disponíveis no canteiro. (Figura 4.8)

FIGURA 4.20 - CANTEIRO DE OBRAS

44 Optou-se por colocar os protótipos em um pequeno ambiente construído dentro da área de vivência do canteiro de obras. As paredes divisórias, bem como o assoalho do ambiente, foram totalmente revestidos com chapas de compensado de espessura de 14 milímetros e utilizou-se telhas de fibrocimento com espessura de 4 milímetros para cobertura. Uma pequena porta de 50 centímetros de largura, também confeccionada em chapa de compensado de 14 milímetros, dá acesso ao interior do ambiente que possui dimensões de 2,80 m de largura por 2,55 de comprimento por 2,30 de altura. Para deixar o ambiente com as características mais próximas às de uma situação real, com incidência constante de calor e vento, foram utilizados dois ventiladores de igual especificação e um aquecedor elétrico, conforme Figura 4.9. Os ventiladores foram colocados sobre o assoalho e direcionados para os protótipos, sendo um ventilador para cada protótipo, ilustrado na Figura 4.10. Ambos ventiladores foram ligados na opção de oscilação horizontal e na velocidade mais fraca. Infelizmente, não foi possível obter a velocidade de incidência sobre as placas e o aquecedor elétrico, foi fixado sob a cobertura, no centro dos protótipos.
FIGURA 4.21 - FOTO DOS VENTILADORES E AQUECEDOR UTILIZADOS

45
FIGURA 4.22 - DISPOSIÇÃO DOS EQUIPAMENTOS

A escolha de um local totalmente fechado visou facilitar o controle de algumas variáveis importantes ao experimento, como temperatura, umidade relativa do ar e velocidade do vento. Para controle da temperatura e da umidade relativa do ar, utilizou-se um termohigrômetro, conforme demonstrado na Figura 4.11.
FIGURA 4.23 - EQUIPAMENTO DE MEDIÇÃO: TERMOHIGRÔMETRO

4.1.5. Procedimentos de Execução

Conforme já descrito, cada chapa foi dividida em oito espaços, gerando oito protótipos de lajes, onde foram aplicados quatro métodos de cura distintos, um para cada par de protótipo.

46 Com o intuito de captar qualquer variação das condições do ambiente que pudesse interferir no experimento, os painéis foram colocados em direções opostas, conforme demonstra o croqui abaixo.

FIGURA 4.24 - CROQUI DAS PLACAS

A denominação das placas foi indicada de acordo com o tipo de cura aplicada, sendo descritas detalhadamente na Tabela 4.1 Antes do início da concretagem, foram confeccionados dois corpos de prova do concreto utilizado nos protótipos (Figura 4.13), com o intuito de se obter a resistência à compressão do concreto aos sete e aos vinte e oito dias.

47
FIGURA 4.25 - CORPOS DE PROVA

Com as chapas já contendo armadura e dispostas sobre o piso (Figura 4.14) iniciou-se a concretagem às 13 horas e 28 minutos do dia 07 de julho de 2008, a uma temperatura de 23,6ºC graus e umidade relativa do ar de 47 por cento.
FIGURA 4.26 - CONCRETAGEM DAS CHAPAS

Quarenta e cinco minutos após o início e duas horas após a mistura do concreto realizado na usina (horário de saída apontado na nota fiscal), finalizouse a concretagem dos protótipos. Ou seja, a cura dos protótipos foi iniciada uma hora após o início da concretagem (Figura 4.15). A temperatura e a umidade relativa do ar no ambiente eram as mesmas.

48
FIGURA 4.27 - CURA DOS PROTÓTIPOS

O quadro abaixo correlaciona os protótipos com o método de cura aplicado e a forma de aplicação em cada um dos protótipos das duas chapas.

TABELA 4.4 - ESPECIFICAÇÃO DOS PROTÓTIPOS EM FUNÇÃO DA CURA APLICADA Protótipos A/ B C/D Método de cura Sem cura Cura úmida Forma de Aplicação Aplicação de água duas vezes ao dia, com auxílio de aspersor de baixa pressão, durante todo o período do experimento. Aplicação do agente de cura com aspersor de baixa pressão, uma única vez, logo após a concretagem das placas. Aplicação do agente de cura com brocha, uma única vez, logo após a concretagem das placas.

E/F

Borracha Clorada em Solvente Hidrocarbonetos Parafínicos

G/H

49 4.2. AVALIAÇÃO DOS PROTÓTIPOS

Após o término da concretagem e cura dos protótipos, iniciou-se o processo de monitoração e acompanhamento das fissuras originadas pela retração do concreto. Para auxiliar essa monitoração, foi elaborada uma ficha de

acompanhamento para cada chapa, composta dos seguintes itens: - número da ficha; - avaliador; - data; - hora; - temperatura; - umidade relativa do ar; - descrição dos protótipos; - surgimento de fissuras; - dimensão e caracterização das fissuras. A monitoração dos protótipos iniciou-se no dia 07/07/08, logo depois da concretagem dos mesmos, e foi concluída após vinte e dois dias, no dia 29/07/08. Nos primeiros nove dias, a monitoração foi diária. Após a primeira etapa, foram realizadas outras duas monitorações, nos dias 22/07/08 e 29/07/08. As fichas de avaliação apresentadas a seguir, contêm as informações coletadas durante todo o processo de monitoração e auxiliam na avaliação dos resultados finais deste experimento.

50
Data: 07/07/08 Hora: 14:12 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H Temp. Umidade 23,6ºC 47% FOTO -

CARACTERIZAÇÃO
Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras

Data: 08/07/08 Hora: 08:45 PROTÓTIPO 1A 1B 1C

CARACTERIZAÇÃO
Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras Surgimento de fissura com 0,2 mm de espessura e 30 cm de extensão em sentido paralelo ao de maior dimensão da chapa Surgimento de fissuras com 0,2 a 0,4 mm de espessura e 40 cm de extensão em sentido paralelo ao de menor dimensão da chapa Não houve surgimento de fissuras Surgimento de fissura com 0,4 mm de espessura e 35 cm de extensão em sentido paralelo ao de maior dimensão da chapa Não houve surgimento de fissuras, porém houve o craquelamento do agente de cura. Não houve surgimento de fissuras, porém houve o

Temp. Umidade 17,5ºC 58% FOTO APENDICE C FOTO C.4 APENDICE C FOTO C.5 APENDICE C FOTO C.8 APENDICE C FOTO C.3 APENDICE C FOTO C.6 APENDICE C FOTO C.9 -

1D 1E 1F 1G 1H

craquelamento do agente de cura. Surgimento de fissura com 0,1 a 0,6 mm de espessura e 40 cm de extensão em sentido paralelo ao de menor dimensão da chapa Não houve surgimento de fissuras Surgimento de fissuras com 0,1 a 0,4 mm de espessura e 20 a 30 extensão em ambos os sentidos Não houve surgimento de fissuras Surgimento de fissuras com 0,3 mm e espessura e 20 cm de extensão em sentido paralelo ao de maior dimensão da chapa Não houve surgimento de fissuras Não houve surgimento de fissuras, porém houve o craquelamento do agente de cura. Não houve surgimento de fissuras, porém houve o

2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G

2H

craquelamento do agente de cura.

51
Data: 09/07/08 Hora: 10:45 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO Temp. Umidade 24,3ºC 48% FOTO APENDICE C FOTO C.1 -

Surgimento de fissuras com 0,2 mm de espessura e 20 cm de extensão em sentido paralelo ao de maior dimensão da chapa Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

Data: 10/07/08 Hora: 10:30 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO

Temp. Umidade 20,8ºC 53% FOTO APENDICE C FOTO C.2 APENDICE C FOTO C.7 APENDICE C FOTO C.10 -

Mesmas características ao dia anterior Surgimento de fissura com 0,1 mm de espessura e 5 cm de extensão em sentido paralelo ao de menor dimensão da chapa Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Surgimento de fissura com 0,1 mm de espessura e 10 cm de extensão em sentido paralelo ao de menor dimensão da chapa Mesmas características ao dia anterior Surgimento de fissuras com 0,2 mm de espessura e 10 cm de extensão em sentido paralelo ao de maior dimensão da chapa Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

52
Data: 11/07/08 Hora: 16:38 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO Temp. Umidade 21,1ºC 47% FOTO -

Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

Data: 12/07/08 Hora: 13:05 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

Temp. Umidade 21,4ºC 51% FOTO -

53
Data: 13/07/08 Hora: 9:21 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO Temp. 18,7ºC Umidade 50% FOTO -

Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

Data: 14/07/08 Hora: 8:50 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior CARACTERIZAÇÃO

Temp. 16,8ºC

Umidade 59%

FOTO -

54
Data: 15/07/08 Hora: 9:41 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO Temp. Umidade 19,7ºC 55% FOTO -

Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

Data: 22/07/08 Hora: 9:55 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO

Temp. Umidade 24,5ºC 37% FOTO -

Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

55
Data: 29/07/08 Hora: 10:34 PROTÓTIPO 1A 1B 1C 1D 1E 1F 1G 1H 2A 2B 2C 2D 2E 2F 2G 2H CARACTERIZAÇÃO Temp. Umidade 24,4°C 49% FOTO -

Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Não houve surgimento de fissuras Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior Mesmas características ao dia anterior

Após os 22 dias de monitoramento, os painéis apresentaram um aspecto fissurado, conforme a figura abaixo. As fissuras estão representadas nas legendas e no desenho, onde e indica a espessura da fissura e L o comprimento.

56
FIGURA 4.28 - MAPEAMENTO DE FISSURAS. ASPECTO DOS PAINÉIS FISSURADOS APÓS RESULTADO FINAL DO MONITORAMENTO

57 4.3. RESULTADOS

A análise das placas foi feita com base nos dados levantados através das fichas de verificação, disposição dos equipamentos, dados de temperatura e umidade relativa do ar, e do mapeamento das fissuras realizado conforme demonstrado na Figura 4.16, implicando nos seguintes resultados: Placas sem cura: Foi constatado que em 75% das placas apareceram fissuras durante os primeiros 4 dias de monitoração. Essas fissuras apresentaram grandes variações de abertura e extensão, como pode ser observado nas Figuras 4.29 e 4.30, em umas das placas não houve a constatação do surgimento de qualquer tipo de manifestação durante todo o período de monitoração. Isso pode ter ocorrido devido à posição da placa em relação ao ventilador ou pela heterogeneidade do concreto aplicado.
FIGURA 4.29 - FOTO DA FISSURA DA PLACA 1A, COM CURA ÚMIDA

58
FIGURA 4.30 - FOTO DA FISSURA DA PLACA 2A COM CURA ÚMIDA

Placas com cura úmida: Cem por cento das placas submetidas à cura úmida apresentaram fissuras, 75% delas foram verificadas no segundo dia da monitoração e o restante ao quarto dia. Observou-se que as placas que estavam mais distantes do

ventilador apresentaram fissuras com menor abertura e extensão do que as placas mais próximas, conforme Figuras 4.31 e 4.32 abaixo. O surgimento das fissuras também pode estar relacionado à periodicidade da cura, principalmente nos primeiros dias após a concretagem. Ou pelo fato de não terem sido devidamente molhadas ou ainda em quantidades insuficientes.

59
FIGURA 4.31 - FOTO DAS FISSURAS DA PLACA 1C COM CURA ÚMIDA

FIGURA 4.32 - FOTO DAS FISSURAS DA PLACA 2 C COM CURA ÚMIDA

60 Placas com Borracha Clorada em Solvente: Cinqüenta por cento das fissuras foram constatadas no segundo dia de monitoração e 25% no quarto dia, em uma das placas, ou seja, os outros 25%, não apresentou fissuração. Pôde-se observar que todas as fissuras dessas placas tinham sentido ortogonal ao vento, o que pode ser justificado pelo fato das placas estarem posicionadas no eixo dos ventiladores, demonstrados nas figuras 4.33 e 4.34. Assim, como nas amostras anteriores, as placas mais distantes da ação do vento possuíam a menor abertura e extensão.

FIGURA 4.33 - FOTO DAS FISSURAS DA PLACA 1 F COM CURA QUÍMICA – BASE SOLVENTE (BORRACHA CLORADA EM SOLVENTE)

61
FIGURA 4.34 - FOTO DAS FISSURAS DA PLACA 2 E COM CURA QUÍMICA – BASE SOLVENTE (BORRACHA CLORADA EM SOLVENTE)

Placas com Hidrocarbonetos Parafínicos: Observou-se que no segundo dia de monitoração todas as placas possuíam a superfície craquelada, o que pode ter ocorrido devido ao excesso de aplicação do produto de cura, porém, após os 22 dias de monitoração, efetuou-se a raspagem do agente de cura sobre a superfície das placas e verificou-se que 100% delas não apresentaram fissuras. O aspecto final das placas pode ser verificado nas figuras 4.35 e 4.36 abaixo.

62
FIGURA 4.35 - FOTO DAS FISSURAS DA PLACA 1H COM CURA QUÍMICA – BASE D’ÁGUA (HIDROCARBONETO PARANÍFICO)

FIGURA 4.36 - FOTO DAS FISSURAS DA PLACA 2 G COM CURA QUÍMICA – BASE D’ÁGUA (HIDROCARBONETO PARANÍFICO)

63 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O foco principal deste trabalho técnico foi relacionar a fissuração das placas de concreto com o processo de cura, por isso, é importante salientar que as placas do experimento não receberam nenhuma sobrecarga e/ou carregamentos que pudessem gerar outras fissuras. É evidente que o controle da cura no concreto tem fundamental importância no aspecto do controle da fissuração. Esse controle mostrou-se de maior relevância, principalmente nas primeiras idades do concreto, onde as fissuras se tornaram evidentes e dentro do que preconiza a norma e a literatura técnica sobre o assunto. Os resultados obtidos com o experimento permitiram observar que a eficiência dos métodos de cura também depende do modo e do tempo de aplicação, por isso, convém avaliar individualmente cada método de cura utilizado. A cura úmida, que nesse caso dependia de reaplicações periódicas, foi ineficiente, pois 100% das placas fissuraram. As hipóteses da causa dessas fissuras são: falha nas aplicações ou reaplicações sobre as placas, quantidade insuficiente de água aplicada, atraso no início da cura ou baixa periodicidade. Segundo a pesquisa bibliográfica, a cura deve ser iniciada logo após o início de hidratação do cimento e, além de ser contínua, deve durar pelo menos 7 dias. A cura química com borracha clorada em solvente também se mostrou ineficiente, pois 75% das placas com esse método de cura apresentaram fissuras. As manifestações patológicas ocasionadas nessas placas podem estar

64 relacionadas com a aplicação inadequada do produto. Essa hipótese está sendo levantada, pois o fabricante em seu manual técnico indica a aplicação com aspersor de baixa pressão, porém, durante a aplicação do produto o equipamento apresentou uma falha sendo necessária alteração da forma de aplicação, passando-se a utilizar uma trincha para concluir o processo. De forma distinta aos dois métodos anteriores, a cura química com hidrocarbonetos parafínicos se mostrou totalmente eficiente, pois 100% das placas não apresentaram fissuras. Essa eficiência pode estar relacionada ao correto processo de aplicação, visto que foi executada conforme a indicação do fabricante. Contrariando as expectativas iniciais, onde esperava-se o surgimento de fissuras na totalidade das placas que não receberam qualquer método de cura, constatou-se que 25% destas permaneceram integras após os vinte e dois dias do monitoramento do programa experimental. Em relação às demais, a placa que não apresentou fissuração, estava a uma distância maior dos ventiladores, o que pode estar relacionado com sua integridade final.
TABELA 5.5 – RELAÇÃO ENTRE MÉTODO DE CURA E FISSURAÇÃO DAS PLACAS Método de cura Sem cura Cura úmida Borracha Clorada em Solvente Hidrocarbonetos Parafínicos Porcentagem de placas fissuradas 75 % 100 % 75% 0%

65 Analisando a tabela acima, conclui-se claramente que neste programa experimental, a cura química com hidrocarbonetos parafínicos, foi o método que apresentou os resultados mais satisfatórios. Além do processo de aplicação, vale salientar que o ambiente no qual as placas foram submetidas pode ser considerado severo, pois as simulações do vento e do aquecimento através dos equipamentos geram condições desfavoráveis ao processo de cura, maximizando a probabilidade do surgimento das fissuras. Conforme a pesquisa bibliográfica realizada, pode-se concluir que o fator mais importante na cura do concreto é promover uma ação que impeça a saída da água do concreto, para tanto é necessário optar por um método onde a intervenção durante o procedimento seja menor possível, ou seja, após a aplicação inicial o processo seja suficiente e não necessite de interferências para manter a ação do produto ou finalização do processo de cura. Observou-se na análise das amostras que o layout dos equipamentos e das placas não favoreceu a padronização de exposição, ou seja, os fatores de temperatura e vento não foram uniformes a todas as placas.

66 6. RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS Para futuros trabalhos, sugerem-se alguns pontos relevantes para aperfeiçoar o experimento: • Verificações mais periódicas nos primeiros dias, por exemplo, no mínimo duas vezes ao dia e sempre nos mesmos horários. • Correlação da temperatura e da umidade relativa do ar com o surgimento das fissuras, que poderia ser possível se fossem monitoradas com maior freqüência. • Considerar os dados de velocidade do vento e temperatura do concreto nas medições, para correlacionar com a taxa de evaporação da água durante a cura. • Realizar ensaios de resistência e permeabilidade.

67 REFERÊNCIAS

AMERICAN CONCRETE INSTITUTE COMMITTEE 302. Guide for concrete floor and slab construction – ACI 302.1R-04. Disponível em:

www.concrete.org/General/f302.1(04)Chap3.pdf. Acesso em: 28 jul. 2008.

AMERICAN

CONCRETE

INSTITUTE

COMMITEE

305.

Hot

water

concreting. Journal of American Concrete Institute, v. 74, p. 321, ago. 1977.

AS FIBRAS de polipropileno e a retração plástica do concreto. Boletim Técnico Fitesa, Gravataí, n. 2, p. 1, 2002.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS EMPRESAS DE SERVIÇOS DE CONCRETAGEM DO BRASIL. Manual do concreto dosado em central. Disponível em: www.abesc.org.br. Acesso em: 30 nov. 2007.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CIMENTO PORTLAND. Manual de estruturas. Disponível em:

www.comunidadedaconstrucao.com.br/comunidade/filesmng.nsf/Ativos/introduc ao.pdf/$File/introducao.pdf. Acesso em: 30 nov. 2007.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12654: controle tecnológico de materiais componentes do concreto. Rio de Janeiro, 1992.

68 ____. NBR 12655: preparo, controle e recebimento do concreto – procedimento. Rio de Janeiro, 2006.

____. NBR 14931: execução de estruturas de concreto – procedimento. Rio de Janeiro, 2004.

____. NBR 6118: projeto de estruturas de concreto – procedimento. Rio de Janeiro, 2003.

BAUER, L. A. F. Materiais de construção. 5. ed. rev. Rio de Janeiro: LTC, 2001.

BAUER, R. J. F et al. Estudo de característica física e mecânica do concreto pelo efeito de vários tipos de cura. São Paulo: L. A. Falcão Bauer – Centro Tecnológico de Controle da Qualidade Ltda. 8 p., 2006.

BOTELHO, M. H. C. Concreto armado: eu te amo. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2007.

BRANDÃO, A. M. da S.; PINHEIRO, L. M. Qualidade e durabilidade das estruturas de concreto armado: aspectos relativos ao projeto. Cadernos de Engenharia de Estruturas, São Carlos, n. 8, 1999.

69 CANOVAS, M. F. Patologia e terapia do concreto armado. São Paulo: PINI, 1988.

CERVO, T. C. et al. Influência de diferentes métodos de cura na resistência à tração na flexão e na absorção de água de concretos para pavimentação. In: 49º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO, Bento Gonçalves. Anais... São Paulo: Ibracon, 2007.

DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS DE RODAGEM. Manual de inspeção de obras de arte especiais. Rio de Janeiro, 1994. p. 46.

EWERTSON, C.; PETERSSON, P. E. The influence of curing conditions on the permeability and durability of concrete. Results from a field exposure test. Cement and Concrete Research, v. 23, p. 683-692, 1993.

GAMBHIR, M. L. Concrete technology. 3. ed. Nova Delhi: Tata Mcgraw-Hill, 2004.

GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas, 1996. GUERRIN, A.; LAVAUR, R. C. Tratado de concreto armado. São Paulo: Hemus, 2003.

70 HELENE, P. Manual prático para reparo e reforço de estruturas de concreto. 2. ed. São Paulo: Pini, 1992.

HELENE, P. R.; FIGUEIREDO, E. P. Manual de reabilitação de estruturas de concreto: reparo, reforço e proteção. São Paulo: Red Habilitar, 2005. p. 19-34.

HUSNI, R. et al. Ações sobre as estruturas de concreto. RED HABILITAR. Manual de Reabilitação de Estruturas de Concreto. Reparo, Reforço e Proteção. São Paulo: Red Habilitar, editores, 2005. p. 37-104.

ISAIA, G. C. Efeitos de misturas binárias e ternárias de pozolanas em concreto de elevado desempenho: um estudo de durabilidade com vistas à corrosão da armadura. 1995. Tese (Doutorado) – Escola Politécnica, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1995.

ISAIA, G. C. Materiais de construção civil e princípios da ciência e engenharia de materiais. São Paulo: Ibracon, 2007. 2 v.

LEONHARDT, F.; MONNIG, E. Construções de concreto. 1. ed. Rio de Janeiro: Interciência , 1977. v. 1. MEHTA, P. K.; MONTEIRO, P. J. M. Concreto: estrutura, propriedades e materiais. São Paulo: Pini, 1994.

71 NILSON, A. H.; DARWIN, D.; DOLAN, C. W. Design of concrete structures. 13. ed. Nova Iorque: McGraw-Hill Professional, 2002. PASSUELO, A. et al. Concretos livres de retração: estado da arte. In: 49º CONGRESSO BRASILEIRO DO CONCRETO, Bento Gonçalves. Anais... São Paulo: IBRACON, 2007. 1 CD-ROM.

72 APÊNDICES A . FICHA TÉCNICA DO AGENTE DE CURA – CURING (OTTO BAUMGART)

73 B . FICHA TÉCNICA DO AGENTE DE CURA – MASTERKURE 204 (BASF)

74 C . FOTOS DAS PLACAS
FIGURA C.1 – PROTÓTIPO 1A

FIGURA C.2 – PROTÓTIPO 1B

75

FIGURA C.3 – PROTÓTIPO 2A

FIGURA C.4 – PROTÓTIPO 1C

76

FIGURA C.5 – PROTÓTIPO 1D

FIGURA C.6 – PROTÓTIPO 2C

77

FIGURA C.7 – PROTÓTIPO 2D

FIGURA C.8 – PROTÓTIPO 1F

78

FIGURA C.9 – PROTÓTIPO 2E

FIGURA C.10 – PROTÓTIPO 2F

You're Reading a Free Preview

Descarregar
scribd
/*********** DO NOT ALTER ANYTHING BELOW THIS LINE ! ************/ var s_code=s.t();if(s_code)document.write(s_code)//-->