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AULA 01 Pessoa

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AULA 01 DAS PESSOAS NATURAIS) Toda Relação Jurídica é formada por três elementos: a) Elemento Subjetivo (que são

os sujeitos de direito, as pessoas); b) Elemento Objetivo (que é a prestação, o objeto do direito – estranhamente não está no nosso edital); c) Elemento Imaterial (que é o vínculo que se estabelece entre os sujeitos e os bens). As Pessoas são os Sujeitos de Direito. Trata-se do primeiro elemento de uma relação jurídica. São elas que irão fazer parte de um contrato (Direito das Obrigações); ou de uma família, casando e tendo filhos (Direito de Família); serão proprietários ou possuidores de bens (Direito das Coisas); irão receber e transmitir herança (Direito das Sucessões), etc. A doutrina costuma afirmar que não se pode conceber direitos se não houver pessoas. Daí a importância deste tema. Sempre que o aluno tiver alguma dúvida em qualquer das aulas posteriores, retorne a esta para reavivar a memória. Vamos então iniciar... CONCEITO DE PESSOA Inicialmente uma curiosidade. Segundo nos informa Sílvio Venosa, a palavra pessoa deriva de persona, que significava a máscara de teatro que os atores usavam na antiguidade romana para esconder o rosto, caracterizar a figura que representavam e fazer melhor ressoar suas palavras. 2 Posteriormente passou a significar o papel que cada ator representava na peça. Por fim passou a expressar o próprio indivíduo que representava esses papéis. Assim, atualmente tem o sentido de representar o próprio sujeito de direito nas relações jurídicas, como se todos nós fossemos atores a representar um papel dentro da sociedade. Podemos conceituar pessoa como sendo todo ente físico ou jurídico, suscetível de direitos e obrigações. É sinônimo de sujeito de direitos. Como se vê, no Brasil temos duas espécies de Pessoas: as Naturais e as Jurídicas. Ambas possuem aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. Nesta aula vamos nos ater apenas à Pessoa Natural, que é sinônimo de pessoa física, ser humano ou pessoa singular. O Código Civil preferiu utilizar a expressão Pessoa Natural por ser mais técnica. Na próxima aula iremos abordar as Pessoas Jurídicas. Nosso objetivo hoje é falar sobre a Personalidade (início, individualização e fim), Capacidade e Emancipação da Pessoa Natural. Comecemos pela Personalidade. PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL Os dicionários conceituam personalidade como sendo a

organização constituída por todas as características cognitivas, afetivas, volitivas e físicas de um indivíduo. Ou seja, é o conjunto de caracteres próprios da pessoa, reconhecida pela ordem jurídica a alguém, sendo a aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. É atributo da dignidade do homem. Prevê o art. 1o do Código Civil que: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil”. Assim, o conceito de Pessoa inclui homens, mulheres e crianças; qualquer ser humano sem distinção de idade, saúde mental, sexo, cor, raça, credo, nacionalidade, etc. Por outro lado o conceito exclui os animais (que gozam de proteção legal, mas não são sujeitos de direito), os seres inanimados, etc. Concluindo = Pessoa Natural ou Pessoa Física é o próprio ser humano. E no dizer do idealizador do atual Código Civil, Miguel Reale, a pessoa é o valor-fonte de todos os outros valores, sendo o principal fundamento do ordenamento jurídico. Interessante notar que o Código anterior usava a expressão “todo homem”. E por que houve a alteração? Se formos responder de forma afoita diríamos: para também inserir as mulheres no conceito... Mas tecnicamente não foi por isso. A expressão “homem” sempre foi entendida em seu sentido amplo, englobando homens, mulheres e crianças... A nova redação se deu para deixar claro que tanto as pessoas naturais como as jurídicas poderiam ser capazes de direitos e deveres. Isto é só um exemplo... um detalhe. Mas 3 serve para percebermos que os examinadores de concursos gostam destes detalhes... e é isso que iremos fazer durante o nosso curso: chamar a atenção do aluno para estes pontos

que os examinadores tanto gostam. Os examinadores de concursos públicos (a ESAF também se encaixa nesta afirmação) também gostam muito de pedir expressões sinônimas. Portanto, sempre que possível irei mencionar sinônimos de uma palavra. Principalmente se ela for técnica. Mesmo correndo o risco de ser repetitivo. É melhor ser repetitivo e fazer com que o aluno grave a matéria e fornecer o máximo de conceitos possível, do que omitir determinado ponto. Falo isso porque há pouco tempo vi uma questão cair em uma prova indagando “qual a diferença, para os efeitos de personalidade e gozo de direitos na ordem civil, entre o autóctone e o ádvena”. A indagação até que era simples, mas se o aluno não soubesse o significado de tais palavras, não acertaria a questão. Autóctone (ou aborígine) é o que nasceu no País. E ádvena se refere ao estrangeiro. Assim a questão queria saber qual a diferença entre o brasileiro e o estrangeiro quanto à personalidade e ao gozo de direitos. Resposta: para o Direito Civil nenhuma, pois ambos são considerados sujeitos de direitos e obrigações. Ambos possuem personalidade. É evidente que no plano do Direito Constitucional há muitas diferenças entre o brasileiro nato e o estrangeiro, havendo certa restrição quanto à capacidade de exercício. Neste caso os direitos não podem e de fato não são os mesmos. E isto é assim no mundo inteiro. Porém, no plano do Direito Civil não se pode negar a existência da personalidade de uma pessoa somente pelo fato de ser a mesma estrangeira. O exercício do direito pode ser diferenciado. No entanto não se pode negar a personalidade. Voltaremos a este tema mais adiante. Observem, também, que o Direito (especialmente o Civil) usa muitas expressões em latim. Estas expressões não estão nas leis. É doutrina. Mas costuma cair... Por isso irei fornecendo as expressões em latim, com sua tradução e real significado. Da mesma forma explicarei as posições doutrinárias que são adotadas pelos examinadores, orientações jurisprudenciais, súmulas, etc., sempre visando o quem tem caído nos concursos em geral. INÍCIO DA PERSONALIDADE Há muita polêmica doutrinária envolvendo o início da personalidade civil. São três as principais teorias sobre o tema: a) Teoria Concepcionista – a personalidade tem início com a concepção; ou seja, com a própria gravidez. b) Teoria Natalista – a personalidade se inicia a partir do nascimento da criança com vida. c) Teoria da Viabilidade – que pressupõe a possibilidade de sobrevivência da criança. Países que adotam esta teoria entendem que se uma criança nasceu com uma doença que a levará a morte em poucos dias, não haverá a aquisição da personalidade. No Brasil a doutrina se manifesta de forma divergente, pois, como veremos, se por um lado a lei estabelece que a personalidade civil tem início com o nascimento com vida, o mesmo dispositivo a seguir assegura ao nascituro direitos desde sua concepção. Em uma prova objetiva o aluno deve se limitar ao texto expresso da lei. Porém, em um prova dissertativa, deve citar as três teorias, expondo que no Brasil há ferrenhos defensores da Concepção e da Natalidade, devendo abordar os aspectos mais relevantes de cada uma, conforme veremos. Lembrando que embora a teoria majoritária seja natalista, a tendência é se proteger, cada vez mais, o nascituro e seus direitos desde a concepção. Analisando o texto legal, podemos afirmar que a personalidade da pessoa natural ou física inicia-se com o nascimento com vida, ainda que por poucos momentos. Esta é a primeira parte do art. 2o do CC. Prestem atenção nisto: se a criança nascer com vida, ainda que por um instante, já adquire a personalidade, recebendo e transmitindo direitos. E para se saber se nasceu viva e em seguida morreu, ou se já nasceu morta, é realizado um exame chamado de docimasia hidrostática de Galeno, que consiste em colocar o pulmão da criança morta em uma solução líquida; se flutuar é sinal que a criança chegou a dar pelo menos uma inspirada e, portanto, nasceu com vida; se afundar, é sinal que não chegou a respirar e, portanto, nasceu morta, não recebendo e nem transmitindo direitos. Atualmente a medicina dispõe de técnicas mais modernas e eficazes para tal constatação. Não caiam em “pegadinhas” sobre o início da personalidade. Apesar de polêmica, esta questão tem sido muito comum em concursos. Geralmente o examinador coloca uma alternativa dizendo que a personalidade se inicia somente com a concepção (gravidez) da mulher. Ou afirmando que a criança deva ter viabilidade (que é a perfeição orgânica suficiente para continuar com vida, ou seja, que o recém-nascido tenha perspectiva de sobrevivência). Outra situação que é colocada é a de que a criança somente teria personalidade se nascer com “forma humana” (ou seja, não tenha anomalias ou

. E até mesmo que a personalidade somente teria início com o “corte do cordão umbilical ou quando desprendida a placenta”. é necessário que tenha respirado. Justifica-se esta posição porque somente uma pessoa pode ser titular de direitos. a lei põe a salvo os direitos do nascituro desde a concepção. tendo direitos. E é nesse momento que a personalidade civil terá início em sua plenitude. considerando o nascituro como sendo uma Pessoa Natural. filiação (inclusive com possibilidade de realização de exame de paternidade para se aferir a paternidade. CC. CC e receber herança (causa mortis). agora se transformam em direitos subjetivos. 542. desde que vivas estas ao abrir-se a sucessão” (art. Os direitos assegurados ao nascituro estão em estado potencial. CC). honra. tem direito ao resguardo à herança. nos termos do art. nos termos do art. no tocante aos seus interesses. Mas há um outro problema de ordem filosófica. é considerado como crime (confiram os arts. que lhe tinham sido atribuídas na fase de concepção. afirma que o nascituro tem direitos. retroage ao momento de sua concepção. Por tal motivo. 1. CC. ser recolhido o imposto devido). nestas situações. 1. Aquele que já foi concebido no momento da abertura da sucessão (morte do de cujus) legitima-se a suceder de forma legítima (a conferir – arts. c) pode ser-lhe nomeado curador para a defesa de seus interesses (arts. mesmo que ainda não tenha sido cortado o cordão umbilical. I. CC. pois ainda não é pessoa sob o ponto de vista jurídico. Não se pode concluir o processo de inventário e partilha enquanto a criança não nascer. respira. cada vez mais a teoria concepcionista. Tecnicamente. CC). A situação fica ainda mais definida segundo os seguidores desta teoria com o art. conforme a teoria natalista. Há nascimento e há parto quando a criança. como o direito à vida (Código Penal tipifica o crime de aborto). imagem. O art. 128 do CP exclui a punibilidade do crime de aborto apenas em duas situações: a) se não houver outro meio de salvar a gestante. As expectativas de direito. então nasceu com vida. ele já pode ser considerado como tendo personalidade. remédios. Trata-se da segunda parte do art. sendo aceita pelo seu representante legal”. sob condição suspensiva: só terão eficácia se nascer com vida.799. a sua existência. deixando o útero materno. Portanto. 2o.. Estas hipóteses não foram aceitas pelo nosso Direito Ocorre o nascimento quando a criança é separada do ventre materno (parto natural ou por intervenção cirúrgica). e o art. Na realidade o nascituro tem uma expectativa de direito.. ele não tem personalidade.798. Indaga-se: qual o momento em que podemos usar o termo nascituro de uma forma técnica? Uma corrente afirma que a vida tem início legal no momento da penetração do .deformidades). Trata-se de uma vida dependente. O nascituro. sem medo de errar é que o nascituro é titular de um direito eventual.. b) pode ser contemplado por doação (ato inter vivos).. Resumidamente. nesta hipótese. adequada assistência pré-natal.. NASCITURO O termo nascituro deriva da expressão latina nasciturus que significa “aquele que há de nascer”. Mas o que se pode afirmar. podemos afirmar que o nascituro: a) é titular de direitos personalíssimos.. CPC). legado (devendo. embora tenha vida intra-uterina e natureza humana (humanidade). conforme veremos. com as técnicas de fertilização in vitro. tendo já tantos “direitos”. Isto devido ao avanço da medicina. religiosa e jurídica envolvendo o nascituro. 8o do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8. se o recém nascido respirou. logo. mas ainda não nasceu. b) se a gravidez resulta de estupro e há o consentimento da gestante para o aborto. Exemplo: um homem falece deixando a esposa grávida. O principal direito do nascituro é o de ter direito à sucessão. com todos os efeitos subsequentes. de uma forma geral. 877 e 878. 1.. 2o.798. Mas apesar de não ter personalidade jurídica. consulta médica. Lembrando que a representação do nascituro se dá por intermédio de seus pais. Também se legitimam a suceder por testamento “os filhos ainda não concebidos de pessoas indicadas pelo testador. legítima ou por testamento. CC que estabelece: “A doação feita ao nascituro valerá. 542. Tanto é assim que o aborto. 124 a 127 do Código Penal). d) além disso. etc. o art.784 e 1. Exemplo: o nascituro tem o direito de nascer e de viver. conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal). é que está crescendo. Além disso. Nascendo com vida. É o ente que já foi gerado ou concebido.069/90 – ECA) determina que a gestante tem condições de obter 6 judicialmente os alimentos para garantia do bom desenvolvimento do feto.

ou estejam congelados há três anos ou mais. §1o. 2) Se Z (descendente) nascer vivo. etc. ou seja. transmite tudo o que recebeu a seus herdeiros. que são os pais (ascendentes) de X (observe o quadro da ordem de vocação hereditária). herdará o imóvel. no instante em que nasceu vivo. Se for natimorta. sobrinho. foi editada inicialmente a Lei n° 8. para fins de pesquisa e terapia. Observem que neste caso os pais de X nada herdarão. imagem e sepultura 9 Por outro lado. No entanto foi aprovada a Lei n° 11. Cônjuge sobrevivente. parte da doutrina entende que o “natimorto tem humanidade”. em concorrência com sua a mãe Y.105/05. No entanto. que todo nascimento deve ser registrado. 2. etc. serão feitos dois registros: o do nascimento (constando o nome da criança. pais vivos e apenas aquele apartamento para ser partilhado. Situações: 1) Se Z (filho de X . nenhum direito terá adquirido e/ou transmitido. Isto porque se a criança nasceu morta. ele foi um „sujeito de direito‟. Vejamos as situações que podem ocorrer a partir daí. etc. Portanto somente será considerado como nascituro. a intervenção em material genético humano e a produção. ela não teve personalidade. 3. mesmo que fora do corpo da mulher. Descendente (em concorrência com o cônjuge sobrevivente) – filho. além da proteção à imagem e a memória. o óvulo fecundado que for implantado no útero materno. No entanto. tais como o nome. Para outra corrente a vida somente teria início com a concepção no ventre materno (embora ainda não se possa considerar como sendo uma pessoa). bisavô. neto. Isto porque é com a nidação (fixação do óvulo fecundado no útero) que se garante eventual gestação e o nascimento. com uma carga genética própria. dividindo opiniões: trouxe esperança para alguns e indignação para outros. inciso II da CF/88.974/95. E em respeito ao princípio da dignidade humana teria direito a um nome. 3) Se Z nascer vivo e logo depois morrer. Neste caso Y (que é o cônjuge sobrevivente) também terá direitos sucessórios. Esta tese inclusive foi aprovada na Jornada de Direito Civil promovida pelo Superior Tribunal de Justiça (“A proteção que o Código confere ao nascituro alcança o natimorto. Neste caso A e B nada herdarão. Não se pode fazer a partilha antes de seu nascimento. Para saber quem será o proprietário do imóvel devemos aguardar o nascimento de Z. É necessário dizer ainda. o assento será feito no “Livro C Auxiliar”. Demonstração Ordem de vocação hereditária 1. mesmo que a criança tenha nascido morta ou morrido durante o parto. o embrião humano congelado poderia ser tido como nascituro. Observações: . seu único herdeiro será o ascendente remanescente. caso nasça morto. o apartamento irá para A e B. pois naqueles poucos segundos a criança teve personalidade) e logo depois o de óbito. proibindo e considerando como crime a manipulação genética de células humanas.”. primo. Colaterais até o 4° grau – irmão. Assim. tio. a utilização de células-tronco embrionárias. adquire personalidade. b) haja consentimento dos seus genitores. Neste livro irá constar apenas: “o natimorto de Dona Fulana. Morrendo a seguir. Se nascer vivo. Importância de se nascer com vida Como vimos. Com o objetivo de regulamentar o art. obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro. nem que seja por um segundo. deixando viúva grávida. Ou seja. é inquestionável que se a criança nasceu viva e logo depois morreu (chegou a respirar). pois atualmente é considerado herdeiro necessário e concorre com os ascendentes do falecido. sua mãe. bisneto. Faleceu um ano depois. Como não tinha descendentes e nem cônjuge (até porque era recém-nascido) e seu pai já havia falecido. Isto porque inicialmente Z herdará parte dos bens de seu pai. desde que: a) sejam inviáveis. 4. guarda e manipulação de embriões humanos destinados a servir como material biológico disponível. avô.espermatozóide no óvulo. o nascituro tem apenas expectativa de vida e é importante que nasça vivo. os bens irão todos para sua mãe.. Ascendente (em concorrência com o cônjuge sobrevivente) – pai. pois como vimos atualmente o cônjuge é considerado herdeiro necessário e também concorre na herança com os descendentes do falecido. embora tenha proteção jurídica como pessoa virtual. suponhamos que X comprou um apartamento e a seguir se casou com Y pelo regime de separação parcial de bens. Será um sujeito de direitos e obrigações. Pela nova lei é permitida.descendente) nascer morto.. 225. pela nossa lei não se dá nome ao natimorto. E o nome é um atributo da personalidade. no que concerne aos direito da personalidade.

não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.). Observem que a relação dos 10 direitos de personalidade não é taxativa. Obs: É muito comum cair este tópico em concursos públicos (confiram depois os testes que já caíram em diversos concursos). a segunda parte do conceito. fama. Portanto.). a cidadania e a família. também não pode recair penhora sobre os mesmos. Lembrem-se: a dignidade é um direito fundamental. etc. sexual. da Sociedade e do Estado em relação à criança e ao adolescente. a doutrina lhes dá maior extensão. que é composto pelas palavras latinas natus (nascido) e mortus (morto). podem ser reclamados judicialmente a qualquer tempo. CC prevê a possibilidade de exigir que cesse lesão a direito da personalidade. pois este seria o nascituro somente depois que adquiriu a forma humana. a vida privada. identidade. afirmando que eles são: • inatos – os direitos de personalidade já nascem com o seu titular. Os direitos de personalidade são subjetivos e seu titular pode exigir de todos que tais direitos lhe sejam respeitados. DIREITOS DE PERSONALIDADE (arts. 227 da Constituição Federal dispõe sobre os deveres da Família. não correndo os prazos prescricionais. assegurando o direito de indenização pelo dano material ou moral decorrente dessa violação (confiram também o art. Exemplo: a autoria de uma obra literária é intransmissível. a honra e a imagem das pessoas. • inexpropriáveis – ninguém pode removê-los de uma pessoa. como sua integridade física ou corporal (como vida. qualquer uma dessas situações está correta para conceituar natimorto.01) Segundo a doutrina. Estabelece o art. Apesar do Código fazer referência a apenas três características. O mesmo ocorre com a transmissão do direito de ação por danos morais reconhecidos a uma pessoa que faleceu. Alguns autores preferem o termo “Direito de Humanidade”. • intransmissíveis – pertencem de forma indissolúvel ao próprio titular. voz. artística e intelectual. 11. imagem. 12. por meio de ação própria. liberdade. logo morreu". • impenhoráveis – se eles não podem ser objeto de cessão ou venda. segredo pessoal ou profissional. o ser humano adquire o direito de defender o que lhe é próprio. O vocábulo. perdia o caput advindo a situação chamada de capitis deminutio (expressão até hoje usada para indicar uma perda de poder). Mas há. seus órgãos. Quando se fala em natimorto. CC que com exceção dos casos previstos em lei. inciso X. disposições completadas com a Lei n° 8. mas. mas apenas exemplificativa. que também prevê que são invioláveis a intimidade. os efeitos patrimoniais dos direitos de personalidade podem ser transmitidos. corpo. opção religiosa. 02) É importante salientar que a expressão “natimorto” não é considerada juridicamente técnica. também. menos conhecida (e exatamente por isso costuma cair nos exames). • irrenunciáveis – nem mesmo o seu titular pode abrir mão destes direitos. autoria científica. Adquirindo a personalidade (aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações). porém podem ser negociados os direitos autorais sobre esta obra. os direitos da personalidade são intransmissíveis e irrenunciáveis. Não só o Dicionário Aurélio. 5°. mas também diversos Dicionários Jurídicos (Vocabulário Jurídico – De Plácido e Silva) conceituam o natimorto como sendo "aquele que nasceu sem vida OU aquele que veio à luz. lembramos apenas "daquele que nasceu morto". cabe uma observação: embora os estes direitos sejam intransmissíveis em sua essência. • absolutos – não podem ser relativizados e são opostos contra todos (erga omnes). possui um duplo sentido. Neste tópico. intelectual (como a liberdade de pensamento.069/90 – ECA. Por isso dizemos que eles são erga omnes (extensíveis a todos). 11 a 21.). sem prejuízo da reparação de eventuais danos materiais e morais . Se um homem perdesse um desses elementos. nascituro é uma expressão mais ampla do que feto. a título oneroso ou gratuito a terceiros. previsto em nossa Constituição. Vamos acompanhar os próximos dispositivos a respeito: 11 O art. etc. CC) O Direito Romano antigo tinha como elementos do caput: a liberdade. O art. • indisponíveis – não podem ser cedidos. • imprescritíveis – valem durante toda vida. etc. CF/88). moral (como a honra. com sinais de vida. não tem previsão no Código Civil e. além disso. alimentos. privacidade.

para fins de transplante. Permite-se a doação voluntária nas seguintes hipóteses: a) órgãos duplos (rins) e b) partes recuperáveis de órgão (fígado) ou de tecido (pele. Já o art. sobrinhos ou primos). embora enferma. a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica. no todo ou em parte. Trata-se do Princípio da Autonomia do Paciente. mas a qualquer tempo pode revogar esta sua intenção de doar seus órgãos ou tecidos para depois da morte. e por isso deve prevalecer em relação a eles. Por outro há o direito a vida. na forma estabelecida em lei especial” (conferir com o art. segundo o qual o titular do direito deve manifestar sua vontade de ser doador. b) é válida com o objetivo científico ou altruístico. Após muitas discussões. Hipótese delicada é a referente aos adeptos e seguidores de determinadas denominações religiosas (ex: Testemunhas de Jeová) que. A lei prevê também a possibilidade de defesa do direito do morto. parentes em linha reta (descendentes ou ascendentes) e os colaterais até quarto grau (irmãos. é inalienável. por sua crença (e esta é assegurada constitucionalmente) não admitem o recebimento de transfusões de sangue. salvo por exigência médica. Considerou-se o direito à vida superior a todos os demais. quando a pessoa não consegue expressar a sua . ou à família. como projeção física da individualidade humana. em vida. O corpo. estabelecendo as regras para transplantes. analisando-se cada situação em particular. Diante do risco da morte do paciente. em face ao interesse individual. que se invocava em nome da coletividade. ou contrariar os bons costumes. Era uma intervenção em que o paciente estava entre a vida e a morte. clamando-se pela aplicação do princípio da ponderação de valores. O ato previsto neste artigo será admitido para fins de transplante. Não era uma simples cirurgia. O direito não pertence ao médico. podendo essa disposição ser revogada a qualquer momento (art. mesmo este assinando uma declaração proibindo a transfusão (trata-se do “não-consentimento informado”) e que “preferia morrer a receber o sangue de terceiros”. à ciência. mas. Mesmo que saiba ou tenha consciência de que isso abreviará a sua expectativa da vida. É possível. decidirá se se submete ou não ao tratamento ou à intervenção cirúrgica. também estabelece que ninguém será privado de direitos por motivos de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. 199. Certa ocasião tive a oportunidade de acompanhar um caso real em que um médico foi processado por uma família à indenização por danos morais porque ele determinou a realização de uma transfusão de sangue de um paciente. é defeso (proibido) o ato de disposição do próprio corpo. separadas do próprio corpo em vida para fins de transplante. com risco de vida. quando importar diminuição permanente da integridade física. ao prescrever que. ao paciente que após ser informado do seu estado de saúde e das alternativas terapêuticas. OBS: A Lei n° 9. 14. Resumindo. para depois da morte. sem uma solução definitiva.434/97 (regulamentada pelo Decreto n° 2. ou. CC). partes ou tecido do corpo humano. CC obsta que uma pessoa seja constrangida a submeter-se. grandes doutrinadores defendem que “não há nada de contrário à ordem constitucional em que alguém prefira a morte ao tratamento por transfusão de sangue”. Portanto. com objetivo científico ou altruístico. tios. A disposição sobre o próprio corpo: a) é proibida quando importar diminuição permanente da integridade física. o Superior Tribunal de Justiça acabou por absolver o médico entendendo que no caso concreto estava configurado o estado de necessidade. §4° da CF/88). 13 e seu parágrafo único do CC prevê o direito de disposição de partes. Observa-se que o Código Civil fez a opção pelo princípio do consenso afirmativo (trata-se de um termo usado pela doutrina e que já vi cair em alguns concursos da área jurídica). o médico acabou realizando a transfusão e alegou que assim procedeu porque era a única forma de salvar a vida do paciente e que seu juramento como médico o impedia de deixar o paciente morrer. também. a disposição gratuita do próprio corpo. Uma pessoa. Por um lado se reconhece a possibilidade da recusa à terapia hematológica. por meio de ação promovida por seus sucessores. tem o direito oponível contra todos de sentir-se constrangida a enfrentar tratamento médico ou a intervenção cirúrgica com risco de vida. Em hipótese alguma será admitida a disposição onerosa de órgãos. O art. exclusivamente. Há um verdadeiro conflito de valores. Somente em situações extremas. para depois da morte. sem que sobrevenham mutilações ou deformações. não há a chamada supremacia do interesse médico-científico. 15.211/01) trata do assunto. pelo cônjuge sobrevivente. ou contrariar os bons costumes. “salvo por exigência médica.268/97 e posteriormente alterada pela Lei n° 10. ou seja.suportados pela pessoa. medula óssea). E fundamentou a decisão no sentido de que o mesmo dispositivo que estabelece como inviolável a liberdade de consciência e de crença. também constitucionalmente protegido.

20. CPF. 14 Devemos reforçar que o Código Civil não exauriu a matéria referente aos direitos de personalidade. A imagem-retrato é a representação física da pessoa. Isto não interessa somente à pessoa. O Código Civil também tutela. de forma autônoma. 5o.. o direito se desloca para a família do enfermo.. E se ele já for falecido o direito será exercido pelo cônjuge.. como a habilidade. O titular de um direito de personalidade. shows. com dispensa da anuência para sua divulgação.). RG.). causando dano à sua reputação. A imagem-atributo refere-se ao conjunto de caracteres e qualidades cultivadas pela pessoa.). mas mesmo assim. vem. 21 o direito à intimidade (confiram o art. prescrevendo que a vida privada da pessoa natural é inviolável (ex: inviolabilidade de domicílio. à presença de V. cinematográfica. solteiro. Como normalmente ocorre. conversas telefônicas. É importante que todos os titulares de direitos e deveres na ordem civil estejam individualizados. Como no caso havia o intuito de lucro da empresa e não houve o consentimento dos atletas. de correspondência. Falemos agora sobre a individualização da pessoa natural. 13 O art. concluiu-se que foi uma prática ilícita. interpretação dramática. mas também ao Estado e a terceiros. c) quando se obtém uma imagem. o direito à imagem e os direitos a ele conexos (vejam também artigo 5o. enchentes. etc. . reportagens sobre tumultos. sujeita à indenização. sites. INDIVIDUALIZAÇÃO DA PESSOA NATURAL Penso que até aqui ficou claro que a personalidade tem início com o nascimento com vida. desenho. A individualização de uma pessoa se dá pelo: a) Nome – é o reconhecimento da pessoa na sociedade. ao ridículo. políticos. etc. “renuncia a sua privacidade”. em um item especial) e contra o atentado de terceiros. tanto do autor do escrito.. inciso XXVIII. CC). A Súmula 221 do Superior Tribunal de Justiça estabelece que é cabível a reparação do dano decorrente de publicação da imprensa.. competência. etc. quando me referi às formas de integração da norma jurídica? Pois aqui está mais um exemplo de aplicação daqueles recursos. Há diversas decisões de que não cabe direito de imagem em fotografia de acontecimento carnavalesco. pois a pessoa que dele participa. O direito à imagem se refere ao direito de ninguém ver seu rosto estampado em público ou comercializado sem seu consenso e o de não ter sua personalidade alterada. Vocês se recordam da aula sobre Noções de Direito e LICC. escultura. pois elas têm sua imagem divulgada em razão de sua atividade. quando este for violado. material ou intelectualmente. expor e requerer o que se segue:. Sa. não pode haver abusos.vontade. acarretando dano moral ou patrimonial. uma exposição de objetos de arte. um hotel ou um restaurante.. residente e domiciliado na Rua. implicando o reconhecimento de seu titula por meio de fotografia. 20. pintura. expondo-o ao desprezo público. em seu art. etc. etc. deixando ao Juiz margem para que estenda a proteção a situações não previstas expressamente. bancário. pois o que se pretende divulgar é o acontecimento em si (ex: um congresso.. há certas limitações ao direito de imagem. quanto do proprietário do veículo de divulgação.. Possui um aspecto individual (direito que as pessoas têm ao nome) e público (interesse do Estado de distinguir as pessoas umas das outras).. a inauguração de uma obra pública. CF/88). Quem já não fez algum tipo de requerimento na vida?? Um requerimento qualquer. A enumeração exposta é meramente exemplificativa. ele deve ser elaborado mais ou menos assim: “Fulano de tal. tutelam o direito ao nome (falaremos sobre ele logo adiante. letra “a” da Constituição Federal).” Pois cada um destes itens é uma forma de individualização da pessoa. mas que a lei põe a salvo os direitos do nascituro desde a concepção. ascendente ou descendente (trata-se do art. mas a pessoa é tão-somente parte do cenário.. brasileiro. Vejamos algumas situações: a) pessoas famosas (ex: artistas. lealdade. poderá pleitear reparação de danos morais e patrimoniais. CC tutela. inciso X. Dá se o nome de atributos da personalidade aos elementos que permitem a identificação precisa de uma pessoa na sociedade. para maior segurança dos negócios e convivência social e familiar. de uma certa forma.. b) necessidade de divulgação da imagem por questões de segurança pública (ex: publicação da fotografia de um perigoso marginal procurado pela polícia).. pois a sua vida íntima deve ser preservada. Notem agora que os artigos de 16 a 19 do Código Civil. televisiva. parágrafo único. Ficou famoso um caso em que uma empresa elaborou um “álbum de figurinhas” estampando a fotografia de jogadores de futebol.

que também é conferido às pessoas jurídicas. Aparecida. um a um. 16 Questão interessando é a do heterônimo.. etc. 5o.). cada uma espécie de abordagem e maneira de escrever. Filho. O nome é um direito da personalidade. José Pacheco. mesmo que a intenção na publicação ou representação não revele intuito difamatório (art. Lembrando. É pelo nome que ela fica conhecida no seio da família e da comunidade em que vive. Antônio Mora. ou apelido de família. Cavalcante.). pois o heterônimo indica diversas personalidades de uma mesma pessoa. c) Domicílio – é o lugar da atividade social desta pessoa. geralmente tirado de uma particularidade física. conforme veremos mais adiante) e personalíssimo. incisos V e X. ator. etc. Conceitualmente é diferente de pseudônimo. Esta é uma palavra de origem grega que indica “outros nomes”. gozando da mesma proteção que se dá ao nome. Ana Maria.). Trata-se de direito inalienável (não pode ser vendido). Professor. CF/88). entre outros. José. Prevê o art. moral ou jurídica. próprio da pessoa (é o que anteriormente se chamava de “nome de batismo”). essencial para o exercício de direitos e 15 cumprimento das obrigações. como: . Álvaro de Campos. que no exercício livre da manifestação do pensamento. autor de um livro. Agora consta. lendas e costumes árabes.).. 19. Rodrigo. para o exercício desta atividade específica (ex: cantor. Vamos comentar estes temas. Há uma proteção especial da lei em relação ao nome. Mas ele foi “brasileiríssimo”. Neto.) ou composto (ex: José Carlos.. A lei de direitos autorais já consagrava o pseudônimo como um direito moral do autor. ou que representam os títulos de nobreza ou eclesiásticos: Duque. que usava este pseudônimo. Visconde. Em relação ao nome há outros elementos facultativos como: a) nome vocatório – que é a designação pela qual a pessoa é conhecida (ex: Aghata Cristie no lugar de Dame Agatha Mary Clarissa Miller Cristie Mallowan. que se acrescenta ao nome completo (ex: Júnior. Sobrinho). Bispo. • Agnome ⎯ é o sinal distintivo entre pessoas da mesma família com nomes iguais. Monsenhor. 5o. Ele chegou a criar também semi-heterônimos. identificando o “nome completo”. veda-se o anonimato (art. como um direito inerente à personalidade do autor (art. 17. b) axiônimo – é a designação que se dá à forma cortês de tratamento ou à expressão de reverência (ex: Excelentíssimo.. como Alberto Caeiro. Quem não leu “O Homem que Calculava”? E os “Contos e Lendas Orientais”? E as “Lendas do Deserto”? E tantos outros. inciso IV da CF/88). proibindo que o seu nome seja usado ou empregado em situações agressivas à intimidade de quem se vê exposto à veiculação pública que provoque depreciação ética. A) NOME É o sinal exterior pelo qual se designa e se reconhece uma pessoa. que usou diversos heterônimos. com tendências e características distintas e peculiares.b) Estado – é a posição desta pessoa na família e na sociedade. Laura. Pontes de Miranda no lugar de Francisco Cavalcanti Pontes de Miranda. etc. Costuma-se dizer que “O tempo marca a idade. Lins e Silva. indicando sua filiação ou estirpe. moral ou de uma atividade. Todos pensavam que ele era árabe de tanto que conhecia e escrevia sobre o tema. CC – ver também o art. A sua sede jurídica. etc. São elementos constitutivos do nome: • Prenome ⎯ é o nome individual. O pseudônimo (que significa em latim “nome falso”) ou codinome consiste no nome atrás do qual se abriga um autor de obra cultural ou artística. Pero Botelho. quando usado para finalidades lícitas. mediante as ações judiciais. Doutor. Barão de Teive. c) alcunha (ou epíteto – é um apelido. CC que toda pessoa tem o direito ao nome. que pode ser simples (ex: João. Ricardo Reis. Alexander Search (que só escrevia em inglês) entre outros. como Bernardo Soares. etc. O exemplo clássico é de Fernando Pessoa (Fernando Antônio Nogueira Pessoa). etc. um professor de matemática chamado Júlio César de Mello e Souza. • Patronímico ⎯ ou nome de família. Vicente Guedes. ou simplesmente sobrenome ⎯ identifica a procedência da pessoa. etc. de forma expressa. Lobo. pois estas também têm direito ao nome.). o tronco familiar do qual provém. É empregado em sentido amplo. O exemplo clássico que costumo dar em aula (entre outros inúmeros exemplos) é o de Malba Tahan. Antônio Pedro. Souza. 16. A lei protege a honra da pessoa.) ou composto (ex: Alcântara Machado. podendo também ser simples (ex: Silva. famoso escritor de contos. imprescritível (não correm prazos prescricionais. e o nome marca a existência da pessoa”. conforme veremos na próxima aula. CC). nele compreendido o prenome e o sobrenome.

separação judicial. sem que haja necessariamente laço de parentesco entre elas → na prática costuma-se resolver o problema com a adição de mais um prenome ou do patronímico materno. etc. têm-se entendido que no assento deve constar o termo “transexual”. Maria da Graça Xuxa Meneghel. Glorinha. 55. Atualmente o art. mas isto depende muito de caso para caso e de um acompanhamento médico e psicológico multidisciplinar. vejam a alteração que a Lei n° 9. devido a abrangência da regra maior de proteção à identificação da pessoa. 1. Luiz Inácio Lula da Silva. etc. no primeiro ano após completar a maioridade civil. ouvido o Ministério Público”. mas isso sem prejuízo dos sobrenomes da família legítima. etc. ela poderá alterar o seu nome. informado pelo gênero biológico).). todavia. serviço de proteção de vítimas e testemunhas. 56 da própria LRP que permite que o interessado. Vamos agora examinar outros exemplos que vêm caindo em concursos: • quando expuser seu portador ao ridículo ou situações vexatórias – o art. Não só no que diz respeito ao nome (prenome). desde que não prejudique os apelidos de família. 58: “O prenome será definitivo. Atualmente há inúmeras decisões judiciais garantindo o direito dos transexuais de realizar a cirurgia de transgenitalização pelo Sistema Único de Saúde (SUS). §1º.Tiradentes. Esta é a regra em nosso Direito. • quando causar embaraços comerciais e/ou morais ⎯ trata-se da homonímia (ou homônimo) – é a identidade de nome entre pessoas. parágrafo único da Lei de Registros Públicos determina que. Uma pessoa pode ter a forma de um sexo (ex: masculino). inclusive o oficial do Registro Público pode se recusar a registrá-los. Isto para não induzir terceiro de boa-fé em erro quando da . a possibilidade de alteração do nome continua sendo aceita normalmente. pois este se sente atraído pela pessoa do mesmo sexo. Atualmente. CC permite que qualquer dos nubentes acrescente ao seu. Em princípio o nome é imutável. 57 determina que qualquer alteração posterior de nome. reconhecimento de filho.). Um outro exemplo é o previsto no art. Atualmente há a possibilidade de cirurgia para a mudança de sexo em nosso País. etc. O Conselho Federal de Medicina editou a resolução 1652 autorizando as cirurgias de mudança de sexo. Recentemente uma decisão do Superior Tribunal de Justiça permitiu que uma jovem acrescentasse a seu nome o sobrenome de seus “pais de criação” (notem que ela não havia sido formalmente adotada). desde que haja concordância recíproca. Outros exemplos: adoção. averbando-se a alteração que será publicada pela imprensa. • quando houver evidente erro gráfico (ex: Nerson.) – anteriormente havia previsão expressa desta hipótese na Lei de Registros Públicos. divórcio. tradução de nomes estrangeiros. d) hipocorístico (que são os diminutivos como: Zezinho. • com uso prolongado e constante de um nome diverso do que figura no registro ⎯ admite-se a alteração do nome adicionando-se o apelido ou alcunha (ex: Edson Pelé Arantes do Nascimento. altere seu nome. A propósito. A jurisprudência vem acompanhando as modificações havidas nesta área. • com o casamento – cuidado com esse item. por determinação. mas também no que concerne ao sexo (pois se trata de um estado individual. No entanto o art. em princípio. os nomes exóticos ou ridículos não podem ser registrados.015/73). após audiência Ministério Público.708/98 fez na Lei de Registros Públicos (LRP – Lei n° 6. No entanto na prática há um maior rigor quanto à modificação do prenome e um menor rigor em relação ao sobrenome. embora não haja mais uma previsão legal expressa. Um fato muito interessante e atual tem sido o caso do transexual. em sentença. o sobrenome do outro. etc. admitindose. No entanto. mas a mentalidade de outro (feminino). e isto a incomodar. a sua substituição por apelidos públicos notórios”. mas não tem intenção de mudar de sexo. Cidinha. Notem que esta é uma situação diferente da do homossexual.565. • com a união estável ⎯ a lei permite que os conviventes adotem o patronímico de seus parceiros. No entanto o princípio da inalterabilidade do nome sofre diversas exceções em casos justificados.). somente será feita por exceção e motivadamente. em especial no art. A lei e a jurisprudência admitem a retificação ou a alteração de qualquer dos seus elementos. e por sentença do Juiz a que estiver sujeito o registro. arquivando-se o mandado e publicando-se a alteração na imprensa. Zé do Caixão. O parágrafo único deste mesmo dispositivo estabelece uma outra possibilidade: “A substituição do prenome será ainda admitida em razão de fundada coação ou ameaça decorrente da colaboração com a apuração de crime. Chama-se de transgenitalização a cirurgia para adaptar o corpo (sexo biológico) à mente (sexo psíquico) da pessoa. Osvardo. A cirurgia traz reflexos na possibilidade de retificação do assento de nascimento. Mas se porventura uma pessoa for registrada com um nome estranho. de Juiz competente. Não tenho visto estas expressões caírem em concursos.

etc. em latim significa casa) surge da necessidade legal que se tem de fixar as pessoas em determinado ponto do território nacional. tio. etc. mãe. etc. trata-se de um conceito jurídico. E assim por diante. Tenho para mim que esta expressão deve derivar do inglês “wanna” (to want = querer) e “be” (to be = ser). Obs: A propósito. Trata-se de um direito indisponível e imprescritível (ou seja. obter ou negar determinado estado. É uno e indivisível. ⎯ quanto ao parentesco consanguíneo: pai. separado ou divorciado. o simples decurso de tempo não faz com que uma pessoa perca o estado). não podendo ser objeto de comércio.. irmão. possuindo como características: é irrenunciável. Dos três elementos da individualização da personalidade. pois ninguém pode ser simultaneamente casado e solteiro. é inalienável. Exemplo: Devo ingressar com uma ação judicial! Onde essa ação deve ser proposta?? Resposta: No domicílio do réu (como regra). etc. também chamadas de ações de estado (ex: investigação de paternidade. O conceito de domicílio (domus. 7o. Já vi em um concurso (área jurídica) cair a palavra heimatlos. tanto física como jurídica. mesmo que dele se ausente temporariamente. onde se presume a sua presença para efeitos de direito e onde exerce ou pratica. LICC: A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da personalidade. B) ESTADO O estado é definido como sendo o modo particular de existir. divórcio. mesmo que não percebamos. Como regra e no seu domicílio que o réu é procurado para ser citado para uma ação judicial.. ⎯ quanto à afinidade: sogro. Apresenta. fazer a seguinte distinção: • Moradia ou habitação – é o local onde a pessoa se estabelece provisoriamente. etc. é uma relação bem frágil entre uma pessoa e o local onde ela está (ex: alugar uma casa de praia por um mês. em regra. habitualmente. onde deve ser proposta a ação de inventário? Resposta: No último domicílio do “de cujus” (falecido). Vejamos alguns: a) art. estrangeiro. pois não se pode renunciar aquilo que é uma característica pessoal. Cumpre. maior e menor. a soma de qualificações de uma pessoa na sociedade... trata-se de uma situação de fato. convertendo-o. Confesso que nunca tinha ouvido antes este termo e aprendi resolvendo a prova. • Familiar ⎯ indica a situação que a pessoa ocupa na família (possui relevância no Direito de Família e das Sucessões): ⎯ quanto ao matrimônio: solteiro.). Se uma pessoa morre. genro. nora. aluno que ganha uma bolsa de estudos por três meses na França. O conceito de domicílio está sempre presente em nosso dia-a-dia. saúde mental e física. As ações tendentes a afirmar. sexo. casado. o nome. denominam-se wannabes”. basicamente sob 03 (três) aspectos: • Individual (ou físico) ⎯ são as características pessoais: idade. C) DOMICÍLIO Este é o item que requer maior cuidado do aluno. querer ser algo que não é. sobre o tema. primo. Por isso está previsto em diversos dispositivos esparsos em nossa legislação. a . • Domicílio ⎯ é a sede da pessoa. apátrida. onde possam ser encontradas para responder por suas obrigações. Trata-se de uma expressão alemã que significa apátrida. Como disse acima. Principalmente em relação ao domicílio necessário como veremos logo a seguir. com a intenção de permanecer. os examinadores gostam de sinônimos. inicialmente. etc • Residência ⎯ é o lugar em que o indivíduo se estabelece habitualmente. em centro principal de seus negócios jurídicos ou de sua atividade pessoal. Estas ações possuem um caráter personalíssimo. filho. sendo a mesma considerada como verdadeira: “aquelas pessoas portadoras de uma incontrolável compulsão pela amputação de um membro específico de seu corpo. sogra. avô. O estado é regulado por normas de ordem pública. viúvo. em razão do desconforto de estarem presos em um corpo que não corresponde à verdadeira identidade física que gostaria de ter. Vivendo e aprendendo. sem ânimo de permanecer. cunhado. Ou seja. seus atos e negócios jurídicos.habilitação de eventual e futuro casamento. peso. altura. • Político ⎯ identifica a pessoa a partir do local em que nasceu ou de sua condição política dentro de um País: nacional (nato ou naturalizado). É o lugar onde a pessoa estabelece sua residência com ânimo definitivo de permanecer. recentemente vi cair em um exame da OAB do Distrito Federal a seguinte assertiva. ou seja. Por ser um reflexo da personalidade. o domicílio é o mais importante e o que tem maior incidência nas provas.

76. sem indicar seu domicílio no país. Vejamos: 1) Domicílio Voluntário ⎯ é o escolhido livremente pela própria vontade do indivíduo e por ele pode ser modificado (geral) ou estabelecido conforme interesses das partes em um contrato (especial). • Preso ⎯ é o lugar onde a pessoa cumpre a sentença (não se aplica ao preso provisório. quanto às relações concernentes à profissão. sem que se possa considerar uma delas como sendo o seu centro principal. Deixa de existir a liberdade de escolha do domicílio. O domicílio desta pessoa então será o lugar onde ela for encontrada (art. 71. CC). Agora se faz necessário saber quais são as espécies de domicílio. de uma forma geral. Outras regras: A) Uma pessoa pode residir em mais de um local. é necessário que haja uma decisão condenatória). É também domicílio da pessoa natural. Lembrando que navio nacional é o registrado na capitania do porto do domicílio de seu proprietário. citado no estrangeiro. Obs. Trata-se do chamado foro aparente ou ocasional. Regra Básica: O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a residência com ânimo definitivo (art. CC: o pagamento. em razão da condição ou situação de certas pessoas. o da Marinha ou da Aeronáutica é a sede do comando a que se encontra imediatamente subordinado. CC e 94. o lugar onde esta é exercida (art. 327. O domicílio legal é no lugar onde estiver matriculado o navio. no item 3. Mas se a pessoa tiver várias residências. não caracteriza mudança de domicílio. tutores ou curadores). o chamado “foro de eleição”. O art. • Servidor Público ⎯ seu domicílio é o lugar onde exerce permanentemente suas funções. Quanto a este tema. alegar extraterritorialidade. ela não tem um ponto central de negócios determinado ou exato. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no seu último domicílio. 1. Qual será o seu domicílio? Pelo art. também aos Policiais Militares (e Bombeiros) estaduais. 94. Código de Processo Civil: a ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas. O domicílio possui dois elementos: a) Objetivo – é o estabelecimento físico da pessoa.785. • Agente Diplomático do Brasil que. Reparem no art. CC. Não confundir marinha mercante (conjunto de navios. sendo que em ambas as localidades pratica inúmeros negócios jurídicos. CC qualquer destas residências pode ser considerado como sendo seu domicílio. estabelecimentos e tripulações que permitem o transporte marítimo de mercadorias e passageiros) com a chamada marinha de guerra (conjunto de recursos navais. por si só. 2) Domicílio Legal ou Necessário ⎯ é a lei que determina o domicílio. portos. B) Pode ocorrer que uma pessoa não tenha uma residência habitual ou que esta seja de difícil identificação. vejam. o domicílio pode ser qualquer delas → o Brasil adotou o sistema da pluralidade domiciliar. • Marítimos (são os oficiais e tripulantes da marinha mercante) ⎯ Marinha Mercante é a que se ocupa do transporte de passageiros e mercadorias. este local então será o seu domicílio. por analogia. 72. O exemplo clássico é o dos circenses que a cada momento estão em uma localidade diferente. O militar reformado (aposentado) não tem mais este domicílio. . onde alternadamente viva. C) A doutrina tem afirmado que a mera troca de endereço. 70. 94. deve ser feito no domicílio do devedor (se o contrário não estiver previsto no contrato). CC: a sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido. o ânimo de ali permanecer em definitivo (a doutrina chama isso de animus manendi). b) art. tomando apenas um como sendo o centro principal de seus negócios. Assim: • Incapazes (qualquer tipo de incapacidade ⎯ sobre o tema incapacidade veja mais adiante. mais abaixo. §2o CPC). É comum cair algo dessa classificação em qualquer espécie de concurso. • Militar em serviço ativo ⎯ o domicílio do militar do Exército é o lugar onde está servindo. CC). em regra.capacidade e os direitos de família. materiais e humanos que têm por fim a defesa de um país e a manutenção da segurança do comércio marítimo). d) art. §1° do Código de Processo Civil prevê que “tendo mais de um domicílio. no foro do domicílio do réu. Exemplo: uma pessoa pode residir 06 (seis) meses em Florianópolis e outros 06 (seis) meses em Goiânia. 73. Aplica-se este dispositivo. b) Subjetivo – é a intenção. c) art. nesta mesma aula) ⎯ os incapazes têm por domicílio o de seus representantes legais (pais. o réu será demandado no foro de qualquer deles”.

861/866 do CPC. Nele não é possível ficar discutindo as cláusulas contratuais. pode ser que não tenhamos os corpos de todos os passageiros. relação de parentesco. A regra geral é que inicialmente se exige um atestado de óbito (para isso é necessário o corpo). a morte tudo resolve). FIM DA PERSONALIDADE DA PESSOA NATURAL Já falamos sobre o início e individualização da personalidade. 111 do Código de Processo Civil) – escolhido pelas partes para a propositura de ações relativas às obrigações. como regra. Vamos agora nos ater ao fim da personalidade. apesar de existir esta cláusula. Vamos falar agora sobre as “espécies de morte”. se o consumidor se sentir lesado na compra do aparelho (ou se este apresentar um defeito) deveria propor a ação em Manaus (apesar de morar em Porto Alegre). Ora.). quando estiver provada a sua presença no local do desastre e não for possível encontrar o cadáver para exame".015/73 (Lei de Registros Públicos): "Poderão os juízes togados admitir justificação para o assento de óbito de pessoas desaparecidas em naufrágios. No contrato de adesão pactua-se o “foro de eleição” em Manaus/AM. Mesmo . os “desaparecidos políticos”. elaborado de forma unilateral. Isto está disciplinado no art. os direitos e as obrigações de natureza personalíssima (ex: dissolução do vínculo matrimonial. etc. O procedimento é previsto nos arts. deixando o indivíduo de ser sujeito de direitos e obrigações (mors omnia solvit – ou seja. que entende ser cláusula abusiva. Há uma forte corrente jurisprudencial negando o foro de eleição nos contratos de adesão. O serviço foi realizado. para todos os efeitos legais. CC) – local especificado no contrato para o cumprimento das obrigações dele resultantes. Ou você assina o contrato da forma que ele foi redigido (aderindo a suas cláusulas) ou o contrato não sai.140/95 que reconheceu como mortos. pois dificulta a proteção dos direitos do consumidor. Lembrando que contrato de adesão (ou por adesão) é aquele que já está pronto. Com este documento é lavrada a certidão de óbito. dificultando-lhe o comparecimento em juízo”. Verificada a morte de uma pessoa. desaparecem. uma vez que o obriga a responder ação judicial em local diverso de seu domicílio (“é nula a cláusula que não fixar o domicílio do consumidor”). Na falta do corpo. “quando constitui um obstáculo à parte aderente. recorre-se aos meios indiretos de comprovação morte real (também chamada de justificação judicial de morte real). pois ela prejudica o consumidor. os sucessores de “A” devem. foi imposto por uma das partes). saldar a dívida. Portanto. Desta forma. com ou sem o corpo. Por tal motivo a tendência é não ser possível colocar o foro ou domicílio de eleição no contrato (até porque ele não foi eleito. 6o. Trata-se de uma orientação do Superior Tribunal de Justiça. pois a empresa tem sua matriz nesta cidade. Se um avião explode matando todos os passageiros. ou seja. b) domicílio (ou foro) de eleição ou cláusula de eleição de foro (previsto no art. Exemplo: “A” contraiu uma obrigação de pagar alguém por um serviço. Já os direitos não personalíssimos (em especial os de natureza patrimonial) são transmitidos aos seus sucessores. No momento do falecimento a pessoa deixa de ser um sujeito de direitos e obrigações. Num sentido genérico podemos dizer que há três espécies de morte: a) real. entretanto. incêndio. Segundo a doutrina ele pode ser subdividido: a) domicílio contratual (art. A morte real se dá com o óbito comprovado da pessoa natural. que irá comprovar a certeza do evento morte. a ação poderá ser proposta em Porto Alegre. sendo esta a condição para o sepultamento. há o óbito comprovado de todos. porém antes do pagamento da quantia ajustada. terremoto ou outra qualquer catástrofe. 88 da Lei n° 6. “A” faleceu: neste caso a obrigação de pagar se transmite com a morte. A existência da pessoa natural termina com a morte (art. CC). devendo o mesmo ser lavrado por profissional registrado no Conselho Regional de Medicina. Não prevalece o foro de eleição quando se tratar de ação que verse sobre imóveis. neste caso a competência é o da situação da coisa.3) Especial ⎯ O domicílio voluntário especial merece um destaque à parte. Exemplo: Uma empresa vende um aparelho doméstico a um consumidor em Porto Alegre/RS. esta cláusula é considerada como sendo abusiva. b) civil. c) presumida. por ato do oficial do registro civil de pessoa natural. A doutrina acrescenta também a hipótese da Lei n° 9. como regra. Morte Real ⎯ A personalidade civil termina com a morte física. 78.

Notem que os sucessores (descendentes. Se o ausente não comparecer no prazo (um ou três anos. CC). o prazo para se iniciar a próxima etapa do processo aumenta de um para três anos. Ou seja. era um absurdo!! Estou falando sobre este tema apenas porque certa vez vi cair em um concurso. exceto o seu. Não podia casar. com base no art. 1. Vamos agora analisar cada uma dessas fases com calma.816. para que se inicie a sucessão provisória. mas há certeza da morte de todos. existe também em nosso Direito também a morte presumida. a pessoa estava viva fisicamente. em nosso direito há resquícios de morte civil.. e. 26.assim podemos dizer que houve a morte real. Morte Civil ⎯ A morte civil era a perda da personalidade em vida. Atualmente está previsto na Parte Geral do Código Civil (arts. Morte Presumida ⎯ Além da morte real. Mas neste caso a pessoa é considerada morta apenas para fins de sucessão. Os efeitos da morte presumida são patrimoniais (protege-se o patrimônio de quem se ausentou de seu domicílio) e alguns pessoais. a indignidade não atinge os sucessores do indigno. No processo de ausência a sentença do Juiz é proferida logo no início do processo. PRIMEIRA FASE – Declaração de Ausência. Foram resgatados todos os corpos. o que desejamos no final é uma sentença favorável.169. A ausência só pode ser reconhecida por meio de um processo judicial composto de três fases: a) curadoria de ausentes (ou de administração provisória).) do “indigno” herdam normalmente. Ele sofreu um acidente de helicóptero com outras pessoas. herdar. Durante um ano (no caso do ausente não deixar representante ou procurador) deve-se expedir editais convocando o ausente para retomar a posse de seus haveres. Um exemplo clássico disso é o do Deputado Ulisses Guimarães. ele foi declarado morto em processo que tramitou na Comarca de Ubatuba – morte real. o mesmo ocorrendo se houver notícia de seu óbito comprovado. completando o Código Civil. 88 da Lei n° 6. pela justificação judicial: não foram encontrados todos os corpos. Mesmo assim. sendo que o Código de Processo Civil também prevê este tema em seus artigos 1. A morte presumida ocorre quando a pessoa for declarada ausente. Ou seja.. 22 a 39). Ausência é o desaparecimento de uma pessoa do seu domicílio. Geralmente era uma pena aplicada a pessoas condenadas criminalmente. Devemos ainda fazer a seguinte distinção: se o ausente deixou um representante para cuidar de seus interesses.159/1. até seu eventual retorno. A curadoria de ausente é restrita aos bens. sendo que o aparelho caiu no mar. ascendentes. enfim. podese dizer não existe mais este instituto. fazer contratos. em situações especiais. Atualmente. não havendo ainda efeitos pessoais. “como se ele morto fosse” (vejam esta expressão no art. b) sucessão provisória. etc. Com a sua volta opera-se a cessação da curatela. E não para todos os efeitos como era a morte civil anteriormente. mesmo assim. mas a lei a considerava morta para todos efeitos jurídicos. Vejam que interessante: geralmente quando ingressamos com um processo judicial qualquer. Ausente uma pessoa. SEGUNDA FASE – Sucessão Provisória. apenas para aquela sucessão específica. Este tema era tratado pelo Código anterior no capítulo referente ao Direito de Família. aquele prazo que falamos de um ano eleva-se para três anos. Trata-se da curadoria de ausentes. 22. Mas esta sentença determinando a abertura da . dependendo da hipótese). poderá ser requerida e aberta a sucessão provisória e o início do processo de inventário e partilha dos bens. Um exemplo disso ocorre nos casos de exclusão de herança por indignidade do filho. como veremos adiante (ex: o estado de viuvez do cônjuge do ausente). É a pessoa que deixa de dar notícias de seu paradeiro por um longo período de tempo e sem deixar um representante (procurador) para administrar seus bens (art. É o que diz o art. ou seja. No entanto.015/73. trabalhar. É ele quem irá gerir seus negócios. Os bens são arrecadados e entregues ao curador apenas para que os mesmos sejam administrados. c) sucessão definitiva. qualquer interessado na sua sucessão (e até mesmo o Ministério Público) poderá requerer ao Juiz a declaração de ausência e a nomeação de um curador. CC). CC.

com base na separação de fato por mais de 02 (dois) anos. será declarada a morte presumida. era proprietário de duas casas e uma fazenda. dependendo da hipótese (art.) terão direito somente à metade destes frutos ou rendimentos. Trata-se. §2° do CC. A sucessão provisória é encerrada se o ausente retornar ou se comprovar a sua morte real. sem que se tenha passado pelas fases da ausência propriamente dita e da sucessão provisória (isto porque há uma presunção da morte da pessoa ausente pela sua idade avançada). aguardando-se 10 anos. Os imóveis somente podem ser vendidos com autorização judicial. em que o prazo é menor. Após 10 (dez) anos do trânsito em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória. §1° do CC. De qualquer forma. Se seu pai retornar posteriormente. 26. não terá direito a mais nada. Nesta fase cessa a curatela dos bens do ausente. Neste caso o cônjuge será considerado viúvo (torna-se irreversível a dissolução da sociedade conjugal). dando garantias de que os bens serão restituídos no caso do ausente aparecer). sem que o ausente apareça. Se regressar após esse prazo (portanto após 21 anos de processo). 28. Seu filho entrou na posse dos bens: mora em uma das casas. Apenas se antecipa a sucessão.580. prestando caução (ou seja. Ele pode ingressar com um pedido de “divórcio direto”. Ou seja. o entendimento é de que neste caso abre-se a sucessão definitiva. É feita a partilha dos bens deixados e agora são os herdeiros. alugou a outra e tornou a fazenda extremamente produtiva. a sentença somente irá produzir efeitos após 180 dias de sua publicação na imprensa. CC).sucessão ainda não produz efeitos de imediato. Divorciado. No entanto este cônjuge não precisa esperar tanto tempo para se casar novamente. Convém acrescentar que o descendente. Porém esta propriedade é considerada resolúvel. É interessante acrescentar que o art. b) Sucessão Provisória – é feita a partilha de forma provisória. 1. digamos. concede um prazo de mais 180 dias para que o ausente reapareça e tome conhecimento da sentença que determinou a abertura da sucessão provisória de seus bens. Isto é. arrecadando-se os bens que serão administrados por um curador. CC prevê uma cautela a mais. requerendo a citação do ausente por edital. sobrinhos. 1. Resumindo: a) Ausência (ou curadoria do ausente) – 01 ou 03 anos. de forma provisória e condicional (e não mais o curador) que irão administrar os bens. O art. tios. mas no estado em que se encontrarem. até 10 anos após o trânsito em julgado da sentença de abertura da sucessão provisória) que também se dissolve a sociedade conjugal. exercem apenas a posse dos bens do ausente. levando-se em conta a expectativa de vida do brasileiro.571. Os sucessores deixam de ser provisórios. Ou então terá direito ao preço que os herdeiros houverem recebido com sua venda (sub-rogação). . É o que prevê o art. Por isso os sucessores ainda não podem vender os bens. Nesta ocasião converte-se a sucessão provisória em definitiva. O dispositivo não é muito claro sobre como é feita essa contagem: já se pode entrar com a ação no momento em que a pessoa completaria 80 anos (a ausência se deu aos 75 e soma-se mais cinco de suas últimas notícias)? Ou a ausência se deu aos 80 e aguarda-se mais 5 anos (neste caso somente se poderia entrar com a ação quando a pessoa teria completado 85 anos)? Não há resposta para isso!! Pessoalmente. de uma “última chance” que se dá ao ausente. Aguarda-se mais dez anos. CC possibilita se requerer a sucessão definitiva provando-se que o ausente conta com 80 anos de idade e que de cinco anos datam as últimas notícias dele. Após este prazo. Assim. a ausência passa a ser presumida. Exemplo: Uma pessoa foi considerada “ausente”. considerando-se rompido o vínculo matrimonial. podendo se casar novamente. Nesta fase os herdeiros ainda não têm a propriedade. 38. adquirindo a propriedade plena (ou o domínio) e a disposição dos bens recebidos. É nesta fase (na sucessão definitiva – ou seja. o filho não será obrigado a restituir os aluguéis que recebeu com a casa e nem o que lucrou explorando a fazenda. nos termos do art. Já os demais sucessores (ex: irmãos. c) Sucessão Definitiva – na abertura já se concede a propriedade plena e se declara a morte (presumida) do ausente. fico com a primeira hipótese. Seu cônjuge é reputado viúvo. sem delinear definitivamente o destino dos bens desaparecido. o ascendente e o cônjuge (herdeiros necessários) que sucessores provisórios do ausente e estiverem na posse dos bens terão direito a todos os frutos e rendimentos desses bens. está livre para convolar novas núpcias. etc. se o ausente retornar em até 10 (dez) anos seguintes à abertura da sucessão definitiva terá direito aos bens. TERCEIRA FASE – Sucessão Definitiva.

E a coisa ainda pode complicar mais com eventuais filhos da mulher com o 28 segundo marido. pode haver a morte presumida sem declaração de ausência.. Desaparecimento Início do Processo Morte Presumida Fim 1 ano 10 anos 10 anos Ausência Sucessão Sucessão Provisória Definitiva Questão interessante: Um homem casado desapareceu de casa sem deixar representante.. que admite prova em contrário. Neste caso não se fala mais em comoriência. O patrimônio do “morto presumido” se transforma em herança. 7o do CC. morreu no local do acidente. É importante acrescentar que atualmente. Exemplo: Um casal viajava de carro. a demonstração das fases do processo. Durante esta terceira fase o ausente retornou. ainda estava viva. Por outro lado o ausente que retornou também está livre para contrair novo casamento. A doutrina (não há previsão legal expressa para esta situação) reputa o segundo casamento da esposa como válido. Abre-se a curadoria de ausentes e aguarda-se um ano. em determinadas hipóteses. Resumindo. Abre-se a terceira fase (sucessão definitiva). Com o início desta fase os bens já passam de forma plena aos herdeiros e a sua esposa é considerada viúva. Com a declaração de ausência nas hipóteses previstas. principalmente para o Direito das Sucessões. não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros. pois há prova de que ela sobreviveu ao marido. embora muito lesionada. Não haveria sentido em se anular o casamento da mulher que se casou novamente após um longo período de ausência de seu ex-marido.. COMORIÊNCIA Esta é uma expressão que vem caindo muito em concursos (de qualquer natureza).. pois estas elucubrações não interessam para concursos. Comoriência também é chamada de morte simultânea. devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. abre-se a sucessão definitiva. mas vamos parar por aqui. O ausente não retornou para casa. o Código Civil Francês utiliza o critério da idade para se estabelecer a ordem do momento da morte dos comorientes. E agora? Em relação aos bens não há problema! Ele tem direito aos bens “no estado em que se encontram”! O ausente também pode “levantar” e regularizar a sua situação de “morto” no Cartório de Pessoas Naturais (deixa de ser morto por decisão judicial). pois foi contraído de boa-fé. resolver problemas jurídicos e regular a sucessão causa mortis. tendo constituído nova família e se tentar restabelecer uma relação já deteriorada pelo tempo. havendo um grave acidente automobilístico. quem morreu em primeiro lugar. 8º do Código Civil: “Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião. Passados alguns anos a “viúva” se casa com outra pessoa. mas em outros sistemas são estabelecidas presunções diferentes para o fenômeno da comoriência. É o que prevê o art.d) Fim. ou seja. A declaração de ausência nestes casos somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações. b) Pessoa desapareceu em campanha ou feito prisioneiro e não foi encontrado até dois anos após o término da guerra. ou seja. presumir-se-ão simultaneamente mortos”... Exemplo: um avião caiu e todos os passageiros faleceram no acidente. sendo que os herdeiros já podem ter a posse dos bens. Vejamos as duas situações excepcionais: a) For extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. o direito também é a aplicação do bom senso a que nos referimos na aula em que analisamos a Lei de Introdução ao Código Civil. Abre-se a sucessão provisória e se passam 10 anos. Mas e a situação do matrimônio? Ora. Vejam o que prescreve o art. A solução adotada pela legislação brasileira é a presunção de morte simultânea. pois ela não faz parte de nosso dia-a-dia. sempre que não se puder averiguar qual delas pré-morreu. o marido teve morte imediata. É interessante deixar claro que a presunção de que estamos falando é a presunção relativa (chamada também de presunção juris tantum). nesse caso vamos presumir que todos eles morreram no mesmo momento (infelizmente temos vários casos verídicos desta tragédia). Já a esposa.. Para alguns autores (minoria) a aplicação da presunção de morte simultânea nada mais é do que uma relação de causa-efeito. O ausente ainda não retornou. A . Vejamos no gráfico abaixo. Comoriência é o instituto pelo qual se considera que duas ou mais pessoas morreram simultaneamente. Como exemplo. foi levada para o hospital e morreu no dia seguinte. O momento exato da morte de uma pessoa pode se tornar muito importante. Isto para melhor viabilizar o registro do óbito. comoriência é presunção de morte de duas ou mais pessoas..

faz-se novo inventário. extinção dos contratos personalíssimos. pág. Morrendo esta. mas os herdeiros do beneficiário (netos do segurado) não receberam o valor. o apartamento irá todo para D. Assim. Questão Polêmica E se duas pessoas falecerem em locais diferentes. houver uma presunção de que morreram ao mesmo C A B D tempo. 223). o bem é partilhado entre C (irmão de A) e D (irmão de B). No entanto. basta que haja inviabilidade na apuração exata da ordem cronológica dos óbitos” (Curso de Direito Civil Brasileiro – Ed. Este assunto é tratado com maior profundidade na aula referente ao Direito das . como se pode ver da redação do art. mas em idênticas (ou muito semelhantes) circunstâncias de tempo? Aplicam-se os efeitos da comoriência? Os tratadistas não costumam abordar o assunto. se for possível determinar-se a sequência de falecimentos (mesmo que por uma pequena diferença de tempo). desde que a morte tenha ocorrido nas mesmas circunstâncias de tempo. Suponha-se o caso de mortes simultâneas de cônjuges. sua esposa recebe a totalidade dos bens. o filho não herdou os bens do pai (pois entre os comorientes não há transferência de direitos). se o regime de bens do casamento for o da comunhão universal. lugar e tempo. não fazendo parte da definição do fenômeno. e sua esposa logo depois. ele se coloca. sendo declarada a comoriência entre ambos. irmão de B. logo. nos casos de pessoas falecidas em lugares e acontecimentos distintos. Outro efeito de suma importância é a extinção da obrigação de prestar alimentos com o falecimento do credor. não podendo também transmiti-los a seus herdeiros. Pelo instituto da comoriência. 8o do Código Civil. etc. um não sucederá o outro. pais ou marido. a herança de ambos é dividida à razão de 50% para os herdeiros de cada cônjuge. Aplica-se o instituto da morte simultânea sempre que houver uma relação de sucessão hereditária entre os mortos. embora pouco tempo depois. O eventual beneficiário também era casado e tinha filhos. Trata-se de uma inovação do atual Código. não seria possível afirmar que a comoriência é a presunção de morte simultânea. pois seria necessário que o beneficiário existisse ao tempo do sinistro para receber e transmitir o valor do seguro. A expressão “na mesma ocasião” não requer que o evento morte se tenha dado na mesma localidade. A consequência prática é que se os comorientes forem herdeiros uns dos outros. Se em um desastre A morrer primeiro. Por que? Porque A não possui descendentes nem ascendentes. a morte simultânea é o efeito. Observem que o credor é a pessoa que estava recebendo a pensão alimentícia. Os herdeiros do beneficiário (do filho) não receberam o dinheiro do seguro. sendo que cada um receberá 50% da herança. como ela também não possui filhos. não haverá transferência de direitos entre eles. mas em datas e horas simultâneas ou muito próximas. Vejamos um caso real interessante: Uma pessoa fez um seguro de vida. sendo este repartido entre os outros beneficiários (a viúva e o outro filho do segurado). Há autores que defendem a posição de que somente haverá comoriência se as mortes se derem no mesmo acontecimento. extinção do poder familiar. EFEITOS DO FIM DA PERSONALIDADE São efeitos do fim da personalidade: dissolução do vínculo conjugal e do regime matrimonial. deixando para seu filho o benefício. sem descendentes e sem ascendentes. sendo casado com B pelo regime da comunhão universal de bens. Por isso. esta presunção é apenas o efeito conferido à comoriência pelo Direito Civil pátrio. Houve muita discussão em juízo. Saraiva – 24a Edição – 2007. morrendo não faz mais jus ao benefício e este não se transmite a seus herdeiros. quem receberá o bem é seu irmão (que é seu colateral). os herdeiros deste assumirão a obrigação até as forças da herança. Observem o exemplo abaixo: Digamos que A seja proprietário de um apartamento. se A e B forem considerados comorientes. mas com irmãos. resultará que quem faleceu por último herdará de quem morreu primeiro. Em um acidente de avião. Reforço: isto é apenas doutrina (importante apenas para quem deseja prestar concursos na área jurídica. pai (segurado) e filho (beneficiário) morreram. Maria Helena Diniz escreveu: "Embora o problema da comoriência tenha começado a ser regulado a propósito de caso de morte conjunta no mesmo acontecimento. Se não houver esta relação também não haverá qualquer interesse jurídico na questão. Mas observem o que a profa. ou seja. no caso de morte do devedor (que é a pessoa que paga a pensão alimentícia). Portanto a conclusão é a de que mesmo em locais e situações diferentes podem ser aplicados os efeitos da comoriência. No entanto. o que não é o nosso caso). Havendo a comoriência.comoriência é a causa. com igual relevância em matéria de efeitos dependentes de sobrevivência.

nem sempre se terá capacidade. Além disso. Quem tem personalidade (está vivo) tem capacidade de direito. ou seja. Quem possui as duas espécies de capacidade (de direito e de fato) tem a chamada capacidade plena. Costuma-se dizer que a personalidade é a potencialidade resultante de um fato natural (nascer com vida). o falecido). de atuar sozinha perante o complexo das relações jurídicas. Quem só possui a de direito tem a chamada capacidade limitada. Um outro exemplo é o fato de que um brasileiro nato não pode ser extraditado pelo Brasil. tem capacidade de direito. permanece o direito à imagem. Lembrem-se de que "Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil" (art. Mas nossa lei restringe a ele determinados direitos. . quando este ponto for exigido pelo edital. Por outro lado. CF/88) e é proibida a participação direta ou indireta de empresas ou capitais estrangeiros na assistência à saúde do País. 1o do CC. No Brasil não existe a incapacidade de direito. CF/88). em alguns casos de brasileiros natos. Ele se encaixa no conceito do art. a pedido de um Governo estrangeiro. A capacidade de direito é inerente à personalidade. qualquer que seja a circunstância e a natureza do delito (no entanto não há uma impunidade. prevê cargos cujo exercício é privativo de brasileiros natos. 14. possui personalidade). do Senado Federal. à honra. à liberdade. à igualdade. 12. tem capacidade de direito (pode receber uma doação. à segurança e à propriedade”. Ministro do Supremo Tribunal Federal. aos direitos autorais. podendo receber uma doação. E o §3o do mesmo artigo. Mas essa pessoa pode não ter a capacidade de fato. §2o da CF/88 também prevê que “a lei não poderá estabelecer distinção entre brasileiros natos e naturalizados. A falta de capacidade pode ser suprida pelos institutos da: • Representação → para os absolutamente incapazes. A capacidade de direito não pode ser negada ao indivíduo. Observem que a própria Constituição Federal. §3o. CAPACIDADE Quanto ao item Personalidade entendemos que a matéria ficou exaurida. Além disso. pois pode lhe faltar a plenitude da consciência e da vontade. por ser pessoa natural.Sucessões. salvo nos casos previstos nesta Constituição”. etc. porém não tem capacidade de fato. os estrangeiros não podem se alistar como eleitores (art. mas pode sofrer restrições quanto ao seu exercício. Exemplo: Presidente e Vice-Presidente da República. Incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil (em outras palavras: é uma restrição ao poder de agir). Passemos agora ao estudo da Capacidade que é aptidão da pessoa para exercer direitos e assumir obrigações. Exemplo: o “louco”. sem a interferência de terceiros – representantes legais) os atos da vida civil. salvo nos casos previstos em lei (art. ela tem personalidade (está viva). em seu art. não podendo vender o bem que ganhou. pois ele pode responder pelo delito no Brasil). O art. Sua vontade pode sobreviver por meio de um testamento. os militares e os servidores públicos de uma forma geral podem ser promovidos post mortem. ao cadáver é devido respeito. mas ainda não tem capacidade de fato ou de exercício (não pode alienar o que recebeu) . sem distinção de qualquer natureza. É a capacidade para adquirir direitos e contrair obrigações. • Capacidade de fato ou de exercício da capacidade de direito ⎯ é a habilidade para praticar de forma autônoma (ou seja. Portanto a capacidade de fato supõe a capacidade de direito. O estrangeiro. Da mesma forma uma criança com cinco anos de idade. uma herança). §2o. também possui capacidade de direito. etc. limitando o exercício (e não o gozo) dos direitos. Embora baste nascer com vida para se adquirir a personalidade. por ser pessoa (ele está vivo. 5o determina que “todos são iguais perante a lei. E. Visa proteger os que são portadores de alguma deficiência jurídica apreciável. já na capacidade temos os limites desta potencialidade. ou seja. inerente à personalidade e que só se perde com a morte. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País à inviolabilidade do direito à vida. Observem que a morte não aniquila com toda a vontade do de cujus (que é a pessoa que morreu. Toda pessoa natural tem capacidade de direito. A capacidade pode assim ser classificada: • Capacidade de direito ou de aquisição de direito ou de gozo ⎯ é própria de todo ser humano. para pessoas completamente privadas de agir na vida civil. que são privativos de brasileiros. 199. 1º do Código Civil). graduando a forma de proteção: pode ser absoluta ou relativa.

inciso XXXIII. Ela supre a incapacidade da pessoa e os negócios podem ser realizados normalmente. acarretando. Os absolutamente incapazes possuem direitos. 3º. Lembrando também que atualmente. CC): 1) Os menores de 16 (dezesseis) anos (critério etário) ⎯ devem ser representados por seus pais ou. normal. e assisti-los. São chamados também de menores impúberes. No entanto o Código Civil estabelece que um pai não pode vender um imóvel ao filho. 1. no exemplo dado do doente mental. Para a hipótese de venda de imóveis.069/90 – ECA) considera-se: a) criança a pessoa até 12 (doze) anos de idade incompletos. para pessoas que já podem atuar na vida civil. representá-los até os 16 (dezesseis) anos. podendo ser influenciado por outrem. I. não se trata de incapacidade. pois como já vimos. este bem pode ser vendido. salvo na condição de aprendizes. imperativa) que irá apontar quais as hipóteses em que a pessoa pode ser privada da capacidade. adianto que o art. Trata-se. porém não podem exercê-los pessoalmente. a pessoa ainda não atingiu o discernimento pleno para distinguir o que pode ou não fazer. que consiste em saber se uma pessoa tem ou não competência para estabelecer determinada relação jurídica. Mas sim de um impedimento circunstancial. Resumindo: Uma pessoa considerada doente mental pode receber uma doação (ou uma herança)? Resposta: Sim. de uma proibição legal de efetivar determinado negócio com certas pessoas ou em atenção a bens a elas pertencentes. 1. Na prática dos negócios jurídicos uma pessoa deve ter consciência do ato que pratica e os efeitos que este seu ato pode produzir. Mas como seus bens podem ser vendidos? Resposta: Geralmente o Juiz nomeia um representante legal ao incapaz e este poderá realizar os negócios da vida civil em nome dele. São absolutamente incapazes (art. pois a pessoa conserva o pleno exercício de seus direitos civis. 1781. É importante lembrar que há casos em que a pessoa tem capacidade plena. porém ela está impedida de praticar determinado ato jurídico em razão de sua posição especial em relação a certos bens. O legislador entende que. . inciso V do CC determina que compete aos pais. CAPACIDADE DE FATO Na realidade a capacidade é a regra e a incapacidade a exceção. será necessária também uma autorização judicial. na falta deles. etc. ela tem capacidade de direito! Ela pode vender o bem que recebeu? Resposta: Não. Veremos isso mais adiante. CC). em caso de violação. I.634. CC). após essa idade. 2° do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n° 8. CC) e ao curador (art. CC).747. 1. Trata-se da legitimação. Voltarei a este assunto logo mais adiante. Trata-se de divisores quantitativos de compreensão dos indivíduos. Lembrando que para o art. não tem legitimação para o ato.647/1. CF/88). necessitando da anuência dos demais filhos. Vejamos cada um destes itens: A) ABSOLUTAMENTE INCAPAZES Ocorre quando houver proibição total do exercício do direito do incapaz. mas reforçando o tema. Portanto. O mesmo se aplica ao tutor (art. quanto à pessoa dos filhos menores. nos atos em que forem partes. a nulidade absoluta do ato jurídico (art.• Assistência → para os relativamente incapazes. relativamente incapazes ou capazes. Há uma restrição legal ao poder de agir por si. porque ela não tem capacidade de fato! Mas o bem que esta pessoa recebeu pode ser vendido? Resposta: Em algumas situações. devido a essa tenra idade.650. a partir dos 14 (catorze) anos (art. ou seja. 166. E ao menor faltaria maturidade para julgar em seu próprio interesse. Por isso devem ser representados. 7°. nos atos da vida civil. Outros exemplos: o tutor não pode adquirir bens do tutelado. Portanto embora o pai tenha capacidade plena. pessoas e interesses. Mas é a lei (norma de ordem pública. Exemplo: Toda pessoa capaz pode comprar e vender. A capacidade de fato possui estágios. sempre no interesse do incapaz. da representação. suprindolhes o consentimento. estão proibidos de estabelecer relação de emprego os menores de 16 (dezesseis) anos. b) adolescente aquela entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos de idade. desde que autorizadas. por tutores. uma pessoa casada (exceto no regime da separação total de bens) para vender um imóvel necessita da autorização de seu cônjuge (vejam os arts. sem que os outros filhos expressamente consintam. as pessoas podem ser classificadas em absolutamente incapazes.

1. psicopatas. 4) Juízo de equidade (art. uma vez que o Código Civil foi genérico. conhecimento do fato pela outra parte. assistido por especialistas (o Juiz costuma elaborar algumas perguntas básicas para a pessoa). não se aceitando a demonstração de que naquele momento. se o ato praticado pelo enfermo mental foi antes de sua interdição. só depois de decretada a interdição é que se recusa a capacidade de exercício. 4) Juízo de legalidade estrita (art. É importante deixar claro que a senilidade ou senectude (idade avançada. também denominada de “administração pública de interesses privados” (muitos autores não gostam da expressão jurisdição voluntária). tudo vai depender de uma situação concreta. a pessoa estava lúcida. Trata-se de um procedimento especial de jurisdição voluntária (ou graciosa). 1. 3) Opera-se a coisa julgada (art. etc.111. A jurisdição voluntária se contrapõe à jurisdição contenciosa.109. O decreto judicial de interdição deve ser publicado no Diário Oficial e inscrito no Registro de Pessoas Naturais. exercendo-se a jurisdição no sentido de simples administração (além da interdição. não tiverem o necessário discernimento para a prática dos atos da vida civil ⎯ são as pessoas que. congênita ou adquirida. em que o Poder Judiciário declara se determinada pessoa tem ou não a plena capacidade para gerir seus próprios negócios. No entanto é necessário que a postulação em juízo seja feita por um Advogado. se a pessoa praticou o ato após a sua interdição. tendo. O rito é determinado pelo Código de Processo Civil (arts. Essas . Eu tenho certeza de que vocês devem conhecer pessoas que têm mais de 80 ou 90 anos e estão com a “saúde mental” perfeita. Por outro lado. pode-se considerar o negócio como válido. se era grave. nosso direito não admite os chamados “intervalos lúcidos”. Em regra. não estão em condições de reger sua própria pessoa ou administrar seus bens. No entanto. 467. etc. especialmente se ela for dissertativa (mas este não é o nosso caso). mesmo que ainda não haja a interdição. 1. Falta-lhes tirocínio para decidir o que lhes convém. Tem-se resumido o problema da seguinte forma: em princípio. A interdição é uma medida de proteção. 1. há um conflito de interesses qualificado pela resistência (que é o que chamamos de lide).105. este ato é considerado nulo. 14. valor do negócio. etc). relativamente ou extensível a todos). sendo nulo qualquer ato praticado pela pessoa interditada. abertura e cumprimento de testamento. paranóia. porém a intervenção do Juiz é necessária.104. efeito erga omnes (ou seja. CPC). Ou seja. CPC) 1) Há um conflito de interesses (litígio. Até mesmo o Ministério Público pode propor a ação em determinadas situações. é interessante observar o “quadrinho comparativo básico” a seguir: Jurisdição Contenciosa Jurisdição Voluntária (art. Vamos resumir: Após o requerimento o interditando será citado e convocado para uma inspeção pessoal pelo Juiz. por si só. Isto porque há uma presunção da publicidade da sentença de interdição e conhecimento geral. CPC). 5) Como regra o Ministério Público não atua nestes processos.186).103. pelo cônjuge. Pode ser total ou parcial. 5) Há obrigatoriamente a manifestação do Ministério Público (art. o ato pode ser considerado nulo. Para que seja declarada a incapacidade absoluta neste caso. 1. 2) Há interessados (art. pois esta é caracterizada pela disputa entre duas ou mais partes. O Processo de Interdição se inicia com um requerimento dirigido ao Juiz feito pelos pais. 3) Não há coisa julgada (art. que pleiteiam providências opostas ao Juiz. 1) Não há conflito de interesses. embora interditada. CPC). CPC). No entanto se a terceira pessoa envolvida alegar boa-fé (o negócio foi realizado em condições normais e proporcionais. não é causa de restrição da capacidade de fato. é necessário um processo de interdição. Este termo é usado para indicar quando não há um conflito ou uma disputa entre as partes. pelos tutores (na ausência dos pais). Será realizada uma perícia médico-legal e posteriormente o Juiz pronuncia o decreto judicial que poderá interditar a pessoa. Levase em consideração se a doença era notória. A jurisprudência e a doutrina admitem a produção retroativa dos efeitos da interdição. dependendo da hipótese concreta. Abrange pessoas que têm desequilíbrio mental (ex: demência. se o negócio foi praticado em data relativamente próxima a da data de interdição. citamos outros exemplos: separação consensual. tendo-se em vista uma garantida da própria sociedade. CPC). Portanto. por enfermidade ou deficiência mental. 127. 2) Há partes (art.). há uma certa dúvida. 1. e a deficiência não era notória). Embora este tópico seja relativo ao Processo Civil. O pedido poderá ser impugnado pelo interditando. Garantia da Sociedade.2) Os que. lide). CPC). a partir daí. ainda que a outra pessoa não saiba da interdição.177 a 1. É assim que devemos responder a questão em concursos. velhice). por motivo de ordem patológica ou acidental. Isto porque a incapacidade mental é considerada um estado permanente e contínuo. ou por qualquer parente da pessoa. CPC).

parágrafo único do CC). embora estejam impedidos de praticar atos que dependam de audição (ex: testemunha em testamento).860. Mas nesta hipótese a incapacidade resulta de um estado psíquico e não da velhice propriamente dita. dependendo do grau de sua expressão. embora de forma transitória. CC): 1) Maiores de 16 anos e menores de 18 anos ⎯ afirma a doutrina que a sua pouca experiência e insuficiente desenvolvimento intelectual não lhes possibilitam a plena participação na vida civil.. A grande diferença entre os absolutamente incapazes e os relativamente incapazes é que no primeiro caso a pessoa não pode praticar o ato. as pessoas que perderam a memória. 4º. fazer testamento (art. Mas. 228. por si só. Pode incluir o surdo-mudo. inclusive. No entanto. Há outras hipóteses em que o ato pode ser ratificado ou convalidado pelo representante legal. 3) Os que. contratos para assinar. quem irá fazer tudo isso? Hoje em dia. Observem o seguinte exemplo: Uma pessoa foi atropelada e levada para o hospital. Por causa do acidente teve traumatismo craniano e teve que ser operada. enquanto não puder realizar os atos. Durante todo esse tempo tinha aluguéis para receber. São relativamente incapazes (art. retirando o discernimento para a prática dos negócios em geral. É muito . não puderem exprimir sua vontade ⎯ trata-se de uma expressão genérica e muito abrangente. Exemplos: casar (necessitando neste caso apenas de uma autorização de seus pais).. etc. por maior que seja a longevidade” (TJPR – Apelação – Acórdão 17586 – Relator Munir Karam). servir como testemunha (art. além disso. A incapacidade relativa diz respeito àqueles que podem praticar por si os atos da vida civil. b) ao analfabeto. Se puder exprimir sua vontade. pelo novo Código é fácil. Devemos lembrar que a capacidade para ser eleitor se inicia aos 16 anos (de forma facultativa. o Juiz lhe nomeará um curador especial. sua vontade é levada em conta. Os menores. 1. o Juiz nomeia um curador para representá-la. contas para pagar. mas somente aos 35 anos ela se torna plena (para poder de candidatar a Presidente ou Vice-Presidente da República e Senador). ser parte legítima para propor ação popular). poderá haver interdição se a velhice originar de um estado patológico. Certos atos a pessoa já pode praticar sem assistência e são considerados válidos. já na segunda hipótese a pessoa pratica pessoalmente o ato. mas não pode praticar este ato sozinha. somente poderão praticar os atos da vida civil mediante assistência de seus representantes. Reforçando: o Código Civil não estende a incapacidade: a) ao cego. CC). O dispositivo inclui. sob pena de anulação. pode ser considerado relativamente capaz ou até plenamente capaz. e c) à pessoa com idade avançada (como já vimos acima). testemunha em testamentos. I. São também chamados de menores púberes. posteriormente. 171. até que ela esteja plenamente restabelecida. sendo necessária a assistência. podendo. Vejam esta jurisprudência a respeito: “A senilidade. e outros casos análogos como o “estado de coma”. como a arteriosclerose. I. desde que ele não possa manifestar sua vontade de forma alguma. Requer-se ao Juiz a incapacidade absoluta temporária. entre 16 e 18 anos. que alarga as hipóteses de incapacidade absoluta. mesmo por causa transitória. Com isso ela ficou vários meses no hospital. requerer registro de seu nascimento. o cego somente poderá fazer testamento da forma pública. B) RELATIVAMENTE INCAPAZES Trata-se de uma situação intermediária entre a incapacidade total e a capacidade plena. CC) inclusive em atos jurídicos e em testamento. Se houver um conflito de interesses entre o incapaz e o assistente. etc. até que esta pessoa se restabeleça e tenha capacidade para exercer os atos da vida civil em seu próprio nome. por issoela será representada. que somente terá restrição aos atos que dependem da visão. desde que assistidos por seus representantes legais. dependendo da iniciativa do lesado. impossibilitada de praticar os atos da vida civil. como testemunha ocular de um fato. não é causa de restrição da capacidade de fato porque não se deve considerar equivalente a um estado psicótico. também. No entanto há atos que o relativamente incapaz pode praticar mesmo sem assistência. O efeito da violação desta norma é gerar a anulabilidade (ou nulidade relativa) do ato jurídico (art.pessoas (em tese) poderão praticar todos os atos da vida civil.

2) 2) Ébrios habituais. para se eximir de uma obrigação. a qualidade de vida destas pessoas dependem de uma série de cuidados proporcionados pela família. Pelo Código Civil o menor não poderá fugir desta obrigação. em consequência disso. serão considerados absolutamente incapazes. no ato de obrigar-se. Hoje em dia. Lembrem-se de que se não receberam educação alguma. Neste caso também é necessário um processo regular de interdição. CC). CC. permite-se ao Juiz uma melhor classificação da incapacidade. alienar (ou seja. podendo inclusive ingressar no mercado de trabalho. alegar sua própria torpeza. com o Código atual. etc. Esta anomalia pode variar muito de pessoa para pessoa. pois o ato nupcial pode envolver disposição de bens. Como ele fica privado somente dos atos que possam comprometer seu patrimônio. Consultem o art. mas se puderem exprimir plenamente a sua vontade. tenham o discernimento reduzido ⎯ alargaram-se os casos de incapacidade relativa decorrente de causa permanente ou transitória. II. O exemplo clássico é o da pessoa viciada em jogos de azar. ou se. ele pode: exercer atos de mera administração. o art. em seguida. O exemplo clássico da doutrina são os portadores da “Síndrome de Down”. exercer profissão. Lembrem-se do brocardo: ninguém poderá. Trata-se da assistência. No entanto se houver necessidade de pacto antenupcial haverá assistência de um curador.). transigir. CC. se ficar constatado que a pessoa. vivendo de forma isolada. a dependência por álcool ou drogas faz com que a pessoa seja considerada relativamente incapaz. também. e os que. absolutamente incapazes. Ou seja.782. as pessoas portadoras de deficiência mental eram todas consideradas como “loucas de todo gênero” e. 4) Pródigos ⎯ são os que dilapidam os seus bens ou seu patrimônio. se ele se casar pelo regime da comunhão universal de . Trata-se de um desvio de personalidade e não de uma alienação mental propriamente dita. substâncias entorpecentes. que de forma compulsiva. fazendo gastos excessivos e anormais. protegese. etc. hipotecar. Merecem elas todo o respeito. em decorrência de seu problema (álcool. invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte. dependendo do nível de educação recebida. e. No entanto se o grau de dependência atingir níveis excepcionais por álcool (embriaguez patológica ou dipsomania) ou drogas (toxicomania grave – dependência química total). onde o Juiz irá estabelecer os limites da curatela (maior ou menor dependendo do grau de comprometimento mental do interditado). para não cumprir esta obrigação. Exemplo: um pródigo tem dez imóveis. Neste caso a pessoa deve ser interditada para a sua própria proteção. os viciados em tóxicos. No entanto. etc. 180. a respeito. Outra coisa: pelo Código anterior. Depois. dar quitação. poderá ser declarada a sua incapacidade absoluta. dissipa seu patrimônio. espontaneamente se declarou maior.comum cair nos concursos a seguinte afirmação: o menor. Da mesma forma os surdos-mudos também podem ser aqui classificados. Por isso que é feita a perícia: para se constatar o nível de comprometimento mental. embora essa possa ser reduzida. doar. abrangendo as pessoas portadoras de alguma anomalia psíquica que apresentam sinais de desenvolvimento mental incompleto. 3o. entre 16 e 18 anos. pois conscientemente declarou-se maior. Confiram. Além disso. sem que haja o seu aniquilamento. podendo chegar à miséria.) chegou a ponto de não poder mais exprimir a sua vontade (equiparando-se a uma doença mental). O pródigo poderá até se casar. agir em juízo. Nestes casos a capacidade é reduzida. No entanto. quando muito uma medida de segurança. Por ele o pródigo interditado não pode (sem assistência): emprestar. 1. etc. por deficiência mental. a escola e a sociedade em geral. 26 e seu parágrafo único do Código Penal. são considerados como capazes. Excepcionais. sem desenvolvimento mental completo ⎯ tratase de uma expressão de caráter genérico. Notem que no Direito Penal também temos a gradação da imputabilidade quanto à doença mental: a) total – são os chamados inimputáveis → não se aplica pena. nomeia-se um curador para cuidar de seus interesses. não pode. essa pessoa poderá ser considerada absolutamente incapaz (art. devemos ter muito cuidado com este exemplo na vida prática. Deve haver também um processo de interdição. alegou ser menor e revelou sua idade verdadeira. Isto é previsto no art. um rapaz com 17 anos se passou por maior de 18 anos e assumiu determinada obrigação. Neste processo. Explicando: Em um contrato. b) parcial – são os semi-imputáveis ou de responsabilidade diminuída → o Juiz aplica pena. para eximir-se de uma obrigação. a boa-fé do terceiro que com ele negociou. havendo diversos graus. vender.

Apenas afirmou que a capacidade dos índios será regulada por meio de lei especial (vejam o parágrafo único do art. XIV e arts. TUTELA E CURATELA Embora esse tema se refira ao Direito de Família. pois a finalidade da lei sempre foi proteger os índios. 22. razoável conhecimento dos usos e costumes da comunhão nacional e liberação por decisão judicial.001/73 (Estatuto do Índio) coloca o índio e sua comunidade. apenas opina acerca do regime de bens. Já vi uma questão que caiu em um concurso e que não considerou o silvícola como sendo sinônimo de índio. Esclareço. metade de seu patrimônio pertencerá a seu cônjuge. §1o do CPC estabelece que: . ou em decorrência da lei. Utiliza a expressão „índio‟. Além disso. neste caso. apesar da maioridade civil do atual Código de 18 anos). sob o regime tutelar (trata-se de uma tutela estatal. Protege o menor (impúbere ou púbere) não emancipado e seus bens. deve. silvícola seria o que mora nas selvas e que não está adaptado aos hábitos de nossa sociedade – nem sempre sadios. O art. Somente se não houver o poder familiar é que será nomeado um tutor. no dia da celebração do casamento. Pergunto: o silvícola é o índio? Resposta: A expressão era destinada para regular os indígenas. bem como os seus bens. Pode ser oriunda de provimento voluntário. é muito comum perguntas de alunos sobre esse assunto. Vamos explicar melhor essa frase para que todos a entendam. A lei estabelece que os negócios praticados entre um índio e uma pessoa estranha à comunidade. Já a curatela é um encargo público (também chamado de munus) previsto em lei e que é dado para pessoas maiores. principalmente sobre a diferença entre os institutos. A Justiça Federal é a competente para tratar de assuntos relativos aos índios. CC). O curador além de administrar os bens do incapaz. reger e defender a pessoa. A tutela é um instituto de caráter assistencial que tem por finalidade substituir o poder familiar. mas que não estão em condições de realizar os atos da vida civil pessoalmente. também. Na verdade isso era uma bobagem.bens. conhecimento da língua portuguesa. compatibilizando com o texto da Constituição Federal (confiram: art. ao sentenciar.. Mas etimologicamente silvícola não é obrigatoriamente o índio (silva = selva. deficiência mental ou prodigalidade. Por isso. expressando a ideia de que o Juiz. No entanto prevê que o negócio pode ser considerado válido se o índio revelar consciência do ato praticado e o mesmo não for prejudicial. originada no âmbito administrativo e não a estabelecida pelo Código Civil). O tutor pode realizar quase todos os atos em nome do menor. Até pessoas que são formadas em Direito têm certa dificuldade de entendimento disso. Nem todos os editais exigem o Direito de Família. 231/232). de forma testamentária. 162. A Lei n° 6.). Neste caso depende de sentença judicial. Para a emancipação do índio exige-se: idade mínima de 21 anos (continua valendo essa idade. íncola = habitante. Observem que poder familiar e tutela são institutos que se excluem. O atual Código Civil é mais preciso. sem a assistência da FUNAI é nulo (e não anulável). Mas não poderá emancipá-lo. 4º. Mas sempre é interessante falar sobre ela. O índio seria uma espécie do gênero silvícola. é necessária a assistência do curador apenas para autorizar o regime de bens do casamento. O curador não interfere na escolha afetiva. Costuma-se dizer que a natureza da decisão é constitutiva com eficácia declaratória. O termo sentença deriva do latim. Mas tutela e curatela são pontos que podem cair tanto na Parte Geral do Direito Civil. dando-lhes representação ou assistência no plano jurídico. portanto.. como no Direito de Família. Assim. não importando a nomenclatura que se quisesse dar. geralmente em razão de alguma enfermidade. gosto de falar um pouco sobre ele aqui também. habilitação para o exercício de atividade útil. inicialmente que esta explicação se refere mais ao Direito Processual Civil. O órgão que deve assisti-los é a FUNAI. Decorre de nomeação pelo Juiz em decisão prolatada em processo de interdição. Mas não os considerou como incapazes. se seus pais falecerem ou forem suspensos ou destituídos do poder familiar. conforme veremos logo adiante. Observem que o tutor pode representar o incapaz (se este for menor de 16 anos) ou assisti-lo (se ele for maior de 16. Cuidado com questões referentes aos silvícolas ⎯ O Código anterior utilizava a expressão silvícola. porém menor de 18 anos). Costumo mencionar este tópico nas aulas presenciais. enquanto não integrado à comunhão nacional. declara o que sente. Aliás. é melhor falar sobre o tema duas vezes (se o edital pedir também o Direito de Família) do que acabar não falando nada sobre o tema. sententia (do verbo sentire).

Alguns atos podem praticar sozinhos. com 17 anos. Concluindo: ela declara a incapacidade e institui o regime da curatela. O imóvel. Atenção Pessoal ⎯ Por meio da representação e da assistência. Estas pessoas já podem atuar na vida civil. Necessita de assistência de seus pais. Ele está previsto no art. No caso que mencionei acima a sentença é constitutiva em relação ao regime curatelar. porém este ato é presenciado pelo assistente que também deve assinar a documentação. Quanto à nulidade e anulabilidade do negócio jurídico analisaremos estes temas em outra aula mais adiante durante este curso. como vimos. O curador também pode representar ou assistir o incapaz. modifica ou extingue uma relação jurídica. essa forma de proteção é graduada: Representação ⎯ destina-se à proteção dos absolutamente incapazes. Pelo art.). este negócio será considerado anulável. Exemplo: uma senhora morreu e deixou de herança um apartamento para seu filho com 16 anos e para seu marido. O rapaz deseja vender sua parte. Este curador tem função específica para o processo (e não para os demais atos da vida civil). Pelo art. Assistência ⎯ destina-se à proteção dos relativamente incapazes. Ela apenas declara uma situação: a de incapacidade da qual o interditando é portador. em condomínio. Estas pessoas estão privadas de agir juridicamente e serão representadas. Por outro lado. Porém seu pai não deseja a venda.). criando também uma nova relação jurídica entre o tutor e o tutelado. c) condenatória – é a que declarando a certeza da jurídica. 267 e 269. de forma bem minuciosa todas as hipóteses de uma e de outra situação. Voltando. cria o regime da curatela. A pessoa já pode realizar o negócio em seu próprio nome (ao contrário da representação em que é a outra pessoa realiza o negócio em nome do incapaz). b) constitutiva – é a que cria. E neste caso o Juiz irá nomear o curador especial para verificar qual a melhor maneira de se proteger os interesses deste menor. com 15 anos. E. outros necessitam de autorização. praticando alguns atos sozinhos. especificando a sanção para o caso de não se cumprir a obrigação. daí dizer que é constitutiva com eficácia declaratória. Mas não poderá fazê-lo sozinho. No ato de compra e venda ele comparece e assina os documentos. Se o relativamente incapaz realizar um negócio sem ser assistido. Representação e Assistência Vamos reforçar estes temas. suprese eventual incapacidade. juntamente com seus pais.. O instituto da incapacidade tem como objetivo proteger os que são portadores de uma deficiência jurídica apreciável. A partir da sentença a pessoa ficará impossibilitada de reger sua pessoa e administrar seus bens. . pertence a pai e filho. não pode vender um apartamento de sua propriedade. 9o do Código de Processo Civil. o autor abandona ou desiste da ação. a sentença é também declaratória. portanto. Se o absolutamente incapaz realizar um negócio sem ser representado. É possível (jurisprudência) invalidar ato negocial antes da interdição desde que se comprove a existência da insanidade por ocasião da efetivação daquele ato. e os negócios jurídicos podem ser realizados regularmente. 267 do CPC um processo é extinto sem que o Juiz resolva o mérito (ex: não estão presentes as condições da ação. etc.Sentença é o ato do Juiz que implica alguma das situações previstas nos arts. Os atos praticados depois da sentença podem ser considerados nulos ou anuláveis conforme o interdito seja absoluta ou relativamente incapaz. 269 do CPC há resolução de mérito (ex: Juiz acolhe ou rejeita o pedido do autor. Há um conflite de interesses que somente será resolvido com uma ação judicial. Exemplo: um rapaz. Mas para outros atos necessitam de assistência. Estas pessoas já podem atuar na vida civil. estabelece ao devedor uma obrigação. já pode vender seu apartamento. ou seja. Exemplo: um rapaz. Na assistência é ela quem realiza o ato. Curador Especial ⎯ se houver um conflito de interesses entre o incapaz e seu representante legal o Juiz deve nomear um curador especial para proteger o incapaz. pois ela não cria a incapacidade decorrente de um fato apurado no processo. Costuma-se classificar uma sentença em: a) declaratória – simples declaração da existência ou inexistência de relação jurídica. No ato da compra e venda este nem precisa comparecer. Mas este imóvel pode ser vendido através de seus pais que irão representar o menor. há coisa julgada.. posto que a causa da incapacidade é a anomalia psíquica e não a sentença de interdição. etc. pronuncia a prescrição ou a decadência. dependendo da espécie de incapacidade. este negócio será considerado nulo.

CC). Dessa forma. 3 – Pelo casamento ⎯ a idade nupcial (ou idade núbil) do homem e da mulher é de 16 anos. da toxicomania. Admite-se a emancipação unilateral (ou seja. 16 anos completos. neste caso nota-se que há um conflito de vontades entre os pais quanto à emancipação do filho. É interessante ressaltar os dispositivos do Código de Processo Civil que disciplinam a capacidade processual: Art. etc. O Juiz sentencia e comunica a concessão ao oficial do Registro Civil. Além disso. cessando a enfermidade que a determinou. com essa idade as pessoas já podem se casar. realizada por apenas um dos pais) na hipótese de um deles ter falecido. ou ter sido destituído do poder familiar ou um outro motivo relevante justificado. CC exige a autorização de ambos os pais. tutores ou curadores. mas o juiz irá nomear um curador especial. CC Falamos sobre a Personalidade e a Capacidade. O tutor não pode emancipar o menor. com 25 anos de idade. assim. Emancipação (cessação da incapacidade ou antecipação dos efeitos da maioridade) é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos. que se dá aos 17 anos. Cuidado!! Não podemos confundir a capacidade civil. com a capacidade eleitoral que se inicia. Falta agora. 8o Os incapazes serão representados ou assistidos por seus pais. aos 16 anos. Há aqui uma presunção legal de que uma pessoa com 18 anos já tem experiência e discernimento suficiente para a prática de todos os atos da vida civil. Já em relação à menoridade. parágrafo único. EMANCIPAÇÃO – Art. Ou seja. No caso a pessoa possui pai (que é seu representante legal). 1. ele conseguiu se livrar do vício. parágrafo único. por instrumento público (escritura) e posteriormente registrada no Cartório de Registro Civil das Pessoas Naturais.Notem como a situação é especial. Adquire-se a emancipação (art.517. a . ouvido o tutor. via de regra. C) CAPACIDADE PLENA A incapacidade termina. Código Civil): 1 – Pela concessão dos pais ou de apenas um deles na falta do outro (também é chamada de emancipação parental ou voluntária) ⎯ nesta hipótese os pais reconhecem que seu filho já tem maturidade suficiente para reger sua pessoa e seus bens. habilitando o indivíduo para todos os atos da vida civil. Exemplo: um rapaz. que também se dá aos 18 anos completos. Deve ser concedida por ambos os pais. cessa também a incapacidade. nos casos de loucura. O que nos interessa aqui é a apenas a capacidade civil. 5°. Caso os pais não consintam com o casamento. 7o Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo. no mínimo. ao desaparecerem as causas que a determinaram. após um rigoroso tratamento. a emancipação destinada apenas para livrar o tutor do encargo. enquanto não atingida a maioridade.. com a participação do Ministério Público. com a imputabilidade (ou responsabilidade) penal. como veremos em aula mais adiante. Porém pode haver a invalidade do ato (ex: nulidade ou anulabilidade decorrente de coação). contrariando a intenção do outro. se o menor tiver 16 anos. A emancipação é irrevogável e definitiva. para terminar esta aula. torna-se apto a exercer pessoalmente todos os atos da vida civil sem necessidade de ser assistido por seus pais. facultativamente. ou em havendo divergência entre eles (em ambas as situações quando a razão para a negativa do casamento for injusta). Assim. Art. O menor deve ter. A jurisprudência entende que os pais que emancipam seus filhos não se eximem da responsabilidade por eles. b) quando o menor estiver sob tutela. era viciado em tóxicos. é menor (na falta dos pais é nomeado um tutor). será considerado plenamente capaz para efeitos civis (embora continue a ser menor de idade). depois de verificada a conveniência para o bem do menor. Evita-se. caput. a incapacidade cessa quando o menor completar 18 anos (art. Por tal motivo foi interditado e considerado relativamente incapaz. na forma da lei civil. Comprovado este fato. se for emancipado. sendo obrigado à indenizá-los. Desta forma a emancipação deve ser feita pelo Juiz. não sendo necessária a homologação do Juiz. O menor de 18 anos. falar sobre a Emancipação. Tempos depois. a incapacidade pode ser “levantada”. 2 – Por Sentença do Juiz ⎯ basicamente temos duas hipóteses para a aplicação deste dispositivo: a) quando um dos pais não concordar com a emancipação. 5o. o mesmo já é civilmente responsável pelos danos causados a terceiro. No entanto o art. e nem com a idade limite para o serviço militar. 5o.

acabam se casando. a viuvez e mesmo a anulação do casamento não implicam no retorno à incapacidade. 02) A doutrina costuma assim classificar a emancipação: a) voluntária (concedida pelos pais). Declarada a nulidade do casamento. ou pela existência de relação de emprego. Mas há uma exceção: se o casamento for contraído de boa-fé. Eles querem se casar. são considerados emancipados.autorização poderá ser suprida pelo Juiz. de acordo com o nível de vida que está inserida. isso já ocorreu em casos de irmãos que foram separados quando crianças. Ou seja. Mas a jovem ainda não tem a idade núbil (16 anos). No entanto o casamento nulo pode fazer com que se retorne à situação de incapaz. contratados e os nomeados para cargos em comissão. pois já revelaria suficiente amadurecimento. Um ano depois. ambos do CC). a mulher retornaria à situação de incapaz. Isso pode ocorrer. continua penalmente inimputável. Digamos que uma jovem de 15 anos engravidou de seu namorado que tem 23 anos e uma situação financeira confortável. inciso IV e 1. seja desenvolvendo “games” ou criando formas de proteção contra “hackers”. Ela vai responder . pois o art. pois como regra. Na prática há uma certa dificuldade para se provar o que seja "economia própria". prestando serviços a empresas. no mínimo. O divórcio. os editais de concursos públicos exigem que o candidato já tenha. Porém. Após a celebração do casamento. posto que como regra o ato nulo não produz efeitos e é retroativo. Exemplo: gravidez. Aliás. O art. etc. o segundo casamento será considerado nulo. 18 anos completos. autorizando o casamento. excluem-se.521. inciso II. misturando conceitos de Direito Penal e Civil. O casamento é considerado nulo (art. “gênio da informática”. os diaristas. 4 – Pelo exercício de emprego público ⎯ deve ser efetivo. Observações 01) Serviço Militar ⎯ trata-se de uma hipótese prevista em lei especial – faz com que cesse para o menor de dezessete anos a incapacidade civil. Somente em casos excepcionais admite-se o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (que. Lembrem-se que apesar da emancipação civil. se o ato foi declarado nulo. em uma discussão por ciúmes. mantém-se os efeitos da emancipação. na verdade ela nunca foi emancipada. 6 – Pelo estabelecimento civil ou comercial. consegue se casar com outra mulher. embora menor de 18 anos. A capacidade de ambos deve ser preservada.548. b) Dois irmãos. 5o. Há entendimento que deve ser funcionário da administração direta (excluindo-se. Neste caso exige-se uma sentença judicial de suprimento de idade. nem carteira de habilitação para dirigir veículos. para os demais efeitos esta pessoa continua sendo considerada menor. e é muito mais densa e rica que a mente de um roterista de novelas. 1. Tem-se entendido como sendo a renda suficiente para a sobrevivência da pessoa. Não seria plausível que uma pessoa casada. Vamos exemplificar as situações: a) Um homem já casado. portanto. 5 – Pela colação de grau em curso de ensino superior ⎯ também há pouca aplicação prática devido às particularidades de nosso sistema de ensino. Caso isso ocorra. integra a vida real. etc. como já vimos. 1. 1. o menor tenha economia própria ⎯ é necessário que este menor tenha no mínimo 16 anos completos. em face da boa-fé de ambos. Uma pessoa se casa com 16 anos. sem saberem deste fato.521. os funcionários de autarquias). CC assim determina. A coincidência existe. não é que a pessoa perde a condição de capaz. Nesta hipótese o ato produzirá efeitos de um casamento válido e a pessoa será considerada emancipada. apenas para efeito do alistamento e sorteio militar (não repercute no âmbito do Direito Civil). é de 16 anos). acho interessante aprofundar um pouco. principalmente se originar filhos desta relação. ainda não pode obter título de eleitor. Vejamos agora uma questão interessante que já caiu em diversos concursos. CC). jogador de futebol profissional. que tem 16 anos (digamos que ela já sabia deste fato e que houve a autorização dos pais dela para o casamento). mesmo que menores. Posteriormente foi descoberta a relação de parentesco entre ambos. Na realidade.548. os cônjuges. c) legal (demais hipóteses previstas no parágrafo único do art. CC proíbe o casamento de pessoas casadas (bigamia). Há pouca aplicação prática deste dispositivo. assim. inciso II. b) judicial (realizada por sentença do Juiz). Embora este tema seja referente mais ao Direito de Família. Exemplos: pessoa com 16 anos que já é um artista expondo obras em galerias mediante remuneração. desde que em função deles. acaba matando seu cônjuge. continuasse incapaz e tendo que pedir autorização para seus pais para a prática de todos os atos da vida civil. inciso VI.

É feita uma nova averbação no registro. para que estes saibam com quem estão se relacionando. 11 a 21 do CC. QUADRO SINÓTICO DAS PESSOAS NATURAIS (FÍSICAS) PESSOA NATURAL . Cuidado com a expressão natimorto. a Certidão de Casamento. Após apresentar a matéria em aula. Esta é mais uma forma de fixação da aula. Tem a função de ajudar o aluno a melhor assimilar os conceitos dados em aula. O mesmo ocorre com o Código Nacional de Trânsito: um menor. Lembrando que estes dispositivos não exaurem a matéria. Vamos dar um exemplo para deixar bem clara a distinção entre o Registro e a Averbação. segundo o art. • interdição por incapacidade absoluta ou relativa. Logo a seguir se divorcia. apenas esclarece alguma eventual modificação ou complemento no estado de uma pessoa. sempre faço um quadro sinótico que é o resumo da matéria dada. pois se aluno conseguir memorizar este quadro. sem qualquer distinção. também não pode dirigir veículos. cujo tema foi Pessoa Natural (ou Pessoa Física). capaz. Compõe: a Personalidade. incapaz e interditada ou plenamente capaz. A) Início da Personalidade ⎯ nascimento com vida. Outra questão: uma pessoa menor se casou. nestes casos. Meus Amigos e Alunos. bem como a adoção. • emancipação por outorga dos pais ou por sentença do Juiz. não! Isto é. logo morreu. ou seja. A experiência nos mostra que este quadro é de suma importância. Portanto após ler todo o ponto. saberá situar a matéria e completá-la de uma forma lógica e sequencial. Vejamos as hipóteses: • sentenças que decretam a nulidade ou anulação do casamento. Além disso. CC Esta situação deve ser averbada no próprio registro de casamento. CC. E assim por diante. os direitos do nascituro (o que está por nascer) – art. 10. como vimos acima (ex: casamento nulo). 2o do CC. • atos judiciais ou extrajudiciais que declaram ou reconhecem a filiação. a não ser em casos especialíssimos. para o Direito Penal essa pessoa continua menor (sendo considerada inimputável) e ficando sujeita não ao Código Penal. é ótimo para uma rápida revisão da matéria às vésperas de uma prova. 9o. Os Direitos de Personalidade estão previstos nos arts. o quadrinho de resumo deve ser também lido e relido. Com exceção dos casos previstos expressamente na lei eles são: intransmissíveis e irrenunciáveis. Este é um “esqueleto da matéria”. são meramente exemplificativos. uma vez que a idade mínima para adquirir permissão ou habilitação é com 18 anos. pois houve a cessação da incapacidade. esta não pode ser mais cancelada. bem como separação judicial. A lei também prevê a averbação de outros fatos importantes no Registro Público. mesmo emancipado. Assim. Lembrando que averbação. Ele é realizado para preservar eventual direito de terceiros. uma vez alcançada a emancipação. I – PERSONALIDADE ⎯ conjunto de caracteres próprios da pessoa. não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. reconhecida pela ordem jurídica a alguém. Pelo art. O último tópico desta aula diz respeito ao registro. 9o. Se a pessoa é solteira ou casada. Trata-se do art. Duas pessoas se casam.criminalmente? Resposta = A emancipação só diz respeito aos efeitos civis. Tornou-se. casamentos e óbitos. portanto. O divórcio faz com que a pessoa retorne ao estado de incapaz? Resposta = pela nossa lei. CC deve ser lavrado o registro. 1o do CC). com sinais de vida. Ela não é considerada técnica. Posteriormente estas pessoas se separam judicialmente. 10. mas. mas sim ao Estatuto da Criança e Adolescente. Posteriormente aquelas pessoas se divorciam. restabelecimento da sociedade conjugal e divórcio. mesmo que o aluno tenha entendido a matéria dada. mas a lei põe a salvo. Portanto. etc. Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil (art. a Capacidade e a Emancipação. CC devem ser registrados no Registro Público: • nascimentos.CONCEITO ⎯ é todo ser humano considerado como sujeito de obrigações e direitos. sendo a aptidão para adquirir direitos e contrair obrigações. Pelo art. O vocábulo possui um duplo sentido: aquele que nasceu sem vida OU aquele que veio à luz. desde a concepção. Vamos então apresentar o resumo do que foi falado na aula de hoje. • sentença declaratória de ausência e de morte presumida. B) Individualização (atributos da personalidade) .

CC). Por outro lado a vontade do cujus (falecido) pode sobreviver por meio de um testamento. altura. imprescritível e personalíssimo. Nome – é o sinal exterior pelo qual se designa e se reconhece uma pessoa perante a sociedade (arts. avô irmão. etc. Ex: indignidade (art. etc. Elementos: prenome. considera-se como sendo uma cláusula abusiva e. servidor público. 22 a 39. ao cadáver é devido respeito. C) Fim da Personalidade 1. Neto. Aguarda-se mais dez anos. CC) que é o local especificado no contrato para o cumprimento das obrigações dele resultantes. A consequência prática é que se os comorientes forem herdeiros uns dos outros. etc. b) Sucessão Provisória – é feita a partilha de forma provisória. erro gráfico. dependendo da hipótese (art. 1. um não sucederá o outro. c) Sucessão Definitiva – na abertura já se concede a propriedade plena dos bens e se declara a morte (presumida) do ausente. CC). Domicílio Legal ou Necessário: incapaz (absoluta ou relativamente). Outras regras: a) pluralidade domiciliar: pessoa com diversas residências onde alternadamente viva → domicílio será qualquer delas (art. estrangeiro. quanto ao parentesco (pai. Morte Civil – não existe mais. b) pessoa sem residência habitual → domicílio será o local onde for encontrada (art. 73. Efeitos da Morte: dissolução do vínculo conjugal e do regime matrimonial. 3. Jurisprudência → não se admite o foro de eleição nos contratos por adesão quando dificultar os direitos do aderente em comparecer em juízo. 111 do Código de Processo Civil). 88 da Lei de Registros Públicos – 6. CC). Depende de um demorado processo judicial.). Morte Presumida: efeitos patrimoniais e alguns pessoais. 78. CC): a) Ausência (ou curadoria do ausente) – 01 ou 03 anos. Morte Real com corpo (certidão de óbito) ou sem corpo (justificação judicial – art. Domicílio voluntário especial: a) domicílio contratual (art. casado. b) subjetivo (intenção de ali permanecer). Estado familiar: quanto ao matrimônio (solteiro. Elementos: a) objetivo (estabelecimento físico). peso. Domicílio (arts. preso e marítimo (art. mãe. etc. quanto às relações concernentes à profissão.). não terá direito a nada. 16 a 19 do CC). 26. 2. 72. Além disso. Características: inalienável. Seu cônjuge é reputado viúvo. CC). Deixou resquícios no Direito das Sucessões. sempre que não se puder averiguar quem faleceu em primeiro lugar – art. Estado – soma das qualificações de uma pessoa na sociedade. D) Comoriência – presunção relativa (juris tantum – admite prova em contrário) de morte simultânea de duas ou mais pessoas.).1. etc. extinção dos contratos personalíssimos.). Aplica-se o instituto sempre que houver uma relação de sucessão hereditária. 70. Em princípio o nome é imutável. 71. sexo. onde esta é exercida (art. aos direitos autorais. extinção do poder familiar. arrecadando-se os bens que serão administrados por um curador. não haverá transferência de direitos entre eles. casamento.816. homônimo. etc. etc. à honra. 4. 70 a 78 do CC) – Regra básica = lugar onde se estabelece a residência com ânimo definitivo (art. etc. filho. 8º CC. b) domicílio (ou foro) de eleição ou cláusula de eleição de foro (previsto no art.015/73). militar.). mas a lei permite inúmeras exceções (ex: situações vexatórias. que é o escolhido pelas partes para a propositura de ações relativas às obrigações. naturalizado. viúvo. encerra-se o processo e o ausente. se retornar. os militares e os servidores públicos de uma forma geral podem ser promovidos post mortem. É domicílio também. Estado político (brasileiro nato. CC) 3. . saúde mental e física. extinção da obrigação de prestar alimentos com o falecimento do credor.). passando por três fases (arts. 76. permanece o direito à imagem. nula. Estado individual (idade. d) Fim – após o decurso deste prazo. aguarda-se 10 anos o retorno do ausente. A lei protege de forma expressa o pseudônimo. CC). CC). 2. por isso. patronímico (sobrenome) e agnome (Júnior.

CC) a) menores de 16 anos. restabelecimento da sociedade conjugal e divórcio. 2. 4º. 4) Exercício de emprego público efetivo. • atos judiciais ou extrajudiciais que declaram ou reconhecem a filiação.II – CAPACIDADE – aptidão da pessoa para exercer direitos e assumir obrigações. por instrumento público. ou seja. Capacidade Plena ⎯ pessoas maiores de 18 anos ou emancipadas. IV – Devem ser registrados (art. casamentos e óbitos. habilitando o indivíduo para todos os atos da vida civil. B) Capacidade de Fato ⎯ trata-se da possibilidade de exercício dos direitos. nos casos em que não há poder familiar) – 16 anos. c) mesmo por causa transitória. 6. Espécies: Capacidade de Direito e de Fato. CC) a) maiores de 16 e menores de 18 anos. Definitiva e Irrevogável – Art. CC): • sentenças que decretam a nulidade ou anulação do casamento. • emancipação por outorga dos pais ou por sentença do Juiz. 3. b) enfermidade ou deficiência mental sem discernimento. III – EMANCIPAÇÃO ⎯ é a aquisição da capacidade plena antes dos 18 anos. 2) Sentença do Juiz (ouvido o tutor. 10. Índios → são regulados por legislação especial (Lei n° . c) excepcionais. bem como a adoção. 3) Casamento – idade núbil (homens e mulheres) → 16 anos. independentemente de homologação judicial – 16 anos. Obs. parágrafo único. com economia própria – 16 anos. Relativamente Incapazes (art. CC: 1) Concessão dos pais (na falta de um deles. Quem tem as duas espécies de capacidade tem a capacidade plena. 3º. d) pródigos (os que dissipam seus bens).001/73 – Estatuto do Índio). A) Capacidade de Direito (ou gozo) ⎯ própria de todo ser humano. Incapacidade é a restrição legal ao exercício dos atos da vida civil. apenas a do outro). 9o. • interdição por incapacidade absoluta ou relativa. CC): • nascimentos. Os absolutamente incapazes serão representados e os relativamente serão assistidos por seus representantes legais (pais. Absolutamente Incapazes (art. quem tem personalidade (está vivo) possui capacidade de direito. • sentença declaratória de ausência e de morte presumida. Subdivide-se em: 1. 5o. V – Devem ser averbados (art. sem desenvolvimento completo. viciados em tóxico e os que por deficiência mental tenham discernimento reduzido. tutores ou curadores). 5) Colação de grau em curso de ensino superior. b) ébrios habituais. 6) Estabelecimento civil ou comercial ou pela existência de relação de emprego. de atuar sozinha perante o complexo das relações jurídicas. bem como separação judicial. não puderem exprimir a vontade.

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